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Numero do processo: 13896.722482/2013-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/11/2009, 31/12/2009
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015
Numero da decisão: 9303-007.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 24 82 /2 01 3- 90 Fl. 7882DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 9303007.909 CSRFT3 Fl. 7.883 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pelo contribuinte contra o Acórdão nº 3302004.781, de 28/09/2017, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, por maioria de votos, negou provimento recurso voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da ementa seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COFINS NÃOCUMULATIVA. RECEITAS PROVENIENTES DE OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL. DELIMITAÇÃO. Nos termos do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, permanecem sujeitas ao regime cumulativo da Cofins as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, assim consideradas apenas aquelas que correspondam, efetivamente, à construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo.” Intimado desse acórdão, o contribuinte interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto às seguintes matérias: 1) nulidade do acórdão recorrido na medida que despreza as provas trazidas em sede de fiscalização e julga o feito como se as mesmas não tivessem sido apresentadas; 2) interpretação equivocada e restritiva do art. 10, XX, da Lei no 10.833/2003, em afronta ao Ato Declaratório Interpretativo nº 10/2014. Por meio do despacho às fls. 7802e/7806e, o Presidente da Terceira Seção negou seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Irresignado com a não admissão de seu recurso especial, interpôs Agravo contra aquele despacho. Analisado o agravo, a Presidente da CSRF o acolheu para admitir, em parte, o recurso especial, dandolhe seguimento apenas, quanto à divergência: "Nulidade do acórdão recorrido na medida que despreza as provas trazidas em sede de fiscalização e julga o feito como se as mesmas não tivessem sido apresentadas". No recurso especial, o contribuinte requer a nulidade do acórdão recorrido e o retorno dos autos à Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara para que sejam analisadas as provas colacionadas aos autos durante o procedimento administrativo fiscal. sob o argumento de que as provas apresentadas em sede de fiscalização não foram consideradas pelo Colegiado daquela Turma, conforme excerto reproduzido: "De acordo com o acórdão recorrido, o lançamento fora construído com base em declaração do contribuinte, razão pela qual não estaria inquinado de nulidade.Pois bem, objetivamente estamos a falar das DACON – Demonstrativo de Apurações de Contribuições Sociais. As DACONs, portanto, seriam as provas necessárias para comprovação das alegações da Recorrente, Fl. 7883DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 9303007.909 CSRFT3 Fl. 7.884 3 entretanto, disseram os julgadores que não teriam apresentadas." (destaque não original) Intimada do acórdão recorrido, do recurso especial do contribuinte e do despacho da sua admissibilidade parcial, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões, requerendo, em preliminar, o não conhecimento do recurso do contribuinte, sob o argumento de que os fatos e a legislação analisados nos paradigmas são diferentes daqueles examinados no acórdão recorrido; e, no mérito, a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo, porém não deve ser conhecido por não cumprir com os requisitos essenciais de admissibilidade, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 67. O contribuinte suscitou a nulidade do acórdão recorrido, sob o argumento de que as provas apresentadas (Dacons), durante o procedimento administrativo fiscal, não foram levadas em conta pela Fiscalização. Os acórdãos apresentados como paradigmas, visando comprovar a suscitada divergência assim dispuseram: Acórdão nº 10422.892 “EMBARGOS ACÓRDÃO NULIDADE É nulo o acórdão que, em seus fundamentos, se afasta da matéria fática e/ou provas trazidas aos autos, em flagrante afronta ao princípio da verdade material, que deve nortear o julgamento administrativo. Embargos Declaratórios acolhidos. Acórdão anulado” Acórdão nº CSRF 01.03.281 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA NULIDADE Anulase a decisão proferida com flagrante omissão quanto à matéria sobre a qual competiria manifestarse, devendo outra ser prolatada. Preliminar acatada” Do exame do conteúdo das ementas dos paradigmas apresentados, verificase que não guardam similitude com a do acórdão recorrido nem com a respectiva decisão e muito menos com os fundamentos suscitados para a sua nulidade. No primeiro paradigma, a nulidade do acórdão teve como fundamento o afastamento da matéria fática e/ ou das provas trazidas aos autos. No presente caso, conforme Fl. 7884DF CARF MF Processo nº 13896.722482/201390 Acórdão n.º 9303007.909 CSRFT3 Fl. 7.885 4 consta do voto condutor do acórdão recorrido, o lançamento foi efetuado com base na documentação apresentada pelo contribuinte, inclusive, Dacons. Segundo os autos de infração os lançamentos abrangem apenas 5 (cinco) competências mensais, março, julho, agosto, novembro e dezembro de 2009. Contudo, o contribuinte não informou para quais competências o autuante não aceitou os Dacons apresentados, se limitando à alegação genérica de que foram levados em conta no julgamento da Câmara Baixa. Caberia a ele identificar e demonstrar qual ou quais Dacons não foi considerados. Já no segundo paradigma, conforme provam a sua ementa, reproduzida no recurso especial, e o respectivo voto condutor do acórdão, às fls. 6023 e/6024e, a nulidade do acórdão teve como fundamento o não enfrentamento da matéria de mérito. A falta de similitude entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas implica o não conhecimento do recurso especial do contribuinte, conforme dispõe o art. 67 do RICARF. À luz do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 7885DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.908970/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.645
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 89 70 /2 01 3- 73 Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de PIS/PASEP. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.796. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.908970/201373 Acórdão n.º 3201004.645 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.723545/2015-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1
Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário tendo em vista a existência de identidade de objeto da matéria discutida na demanda judicial, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa.
Numero da decisão: 2401-005.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1 Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário tendo em vista a existência de identidade de objeto da matéria discutida na demanda judicial, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 35 45 /2 01 5- 74 Fl. 186DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis – SC (DRJ/FNS), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, não reconhecendo o direito do contribuinte relativo ao regime de tributação do RRA, conforme ementa do Acórdão nº 0738.425 (fls. 74/83): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 RENDIMENTOS ACUMULADOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PRIVADA. NÃO SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. Os rendimentos recebidos acumuladamente provenientes de aposentadoria privada não estão sujeitos à tributação exclusiva na fonte, por não estarem abrangidos no rol de rendimentos elencados no art. 12A da Lei nº 7.713/1988. RENDIMENTOS ACUMULADOS. PROVENTOS DE APOSENTADORIA PRIVADA. REGIME DE COMPETÊNCIA. Com a edição da Nota PGFN/CRJ/Nº 981/2015, a Receita Federal do Brasil fica vinculada ao entendimento segundo o qual os rendimentos acumulados não estão sujeitos à tributação conforme o regime de caixa, devendo aqueles que não se enquadrarem na hipótese de tributação exclusiva na fonte serem tributados pelo regime de competência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do julgamento administrativo, não cabe o agravamento da exigência do lançamento, por se constituir, em última análise, em realização de lançamento pela instância julgadora, o que lhe é vedado. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo trata de Notificação de Lançamento (fls. 50/64) lavrada em 24/08/2015, relativo ao anocalendário de 2010, por meio da qual apurouse omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de entidade de previdência privada. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls.51/59): 1. O Contribuinte recebeu da Fundação Copel de Previdência e Assistência Social R$ 663.640,86 decorrente de Ação Judicial a título de complementação de aposentadoria; Fl. 187DF CARF MF Processo nº 19985.723545/201574 Acórdão n.º 2401005.834 S2C4T1 Fl. 3 3 2. Do valor de R$ 663.640,86, foram deduzidos os honorários advocatícios, no valor de R$ 119.262,00, e contribuição para entidade de Previdência Privada, no valor de R$ 51.702,62, chegando ao valor tributável de R$ 492.676,24; 3. Constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 492.676,24, tendo sido compensado Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 167.045,02; 4. O regime de tributação exclusivo na fonte para Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA não abrange os valores pagos por entidade privada de previdência complementar; 5. Em razão do lançamento efetuado foram glosadas as seguintes informações lançadas na ficha Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA: Previdência Oficial, no valor de R$ 62.927,65; número de meses relativos ao rendimento auferido, num total de 105; e Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 167.042,02. Em 28/08/2015 o Contribuinte tomou ciência da Notificação, via Correio (AR fl. 65) e, em 15/09/2015, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 02 a 05, instruída com os documentos relacionados nas fls. 06 a 36. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/FNS para julgamento, onde, através do Acórdão nº 0738.425, em 09/06/2016 a 6ª Turma resolveu julgar a impugnação improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Em 04/07/2016 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR – fl. 85) e, em 27/07/2016, tempestivamente, interpôs seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 87 a 91, instruído com os documentos relacionados nas fls. 92 a 149. Em seu Recurso Voluntário faz um breve relato dos fatos e alega que a 6ª Turma da DRJ/FNS no Acórdão nº 0738.426, referente ao anocalendário 2011/2012, proferiu decisão dando procedência à Impugnação apresentada, apesar de ambos os casos tratar do mesmo assunto, da mesma Ação Judicial, terem sido julgados pela mesma equipe, ser um Acórdão seguido do outro e assinados pela mesma pessoa, mas com votos contrários. Prossegue afirmando que relativo ao anocalendário 2010/2011, "os rendimentos recebidos tratamse de valores decorrentes de RT, relativos as diferenças nos rendimentos de trabalho recebidos da Companhia Paranaense de Energia (COPEL), de 1977 a 1995, os quais foram pagos após ajuizamento da ação na 15ª Vara do Trabalho de Curitiba sob o nº 38435/1996, quando foi reconhecido o direito a diferenças de adicional de periculosidade e reflexos, o que lhe deu o direito de pleitear as diferenças que consequentemente refletiram na sua aposentadoria, portanto referese a rendimentos do trabalho". Fl. 188DF CARF MF 4 Conclui requerendo o acolhimento do recurso apresentado para o fim de cancelar o débito fiscal reclamado, bem como ter reconhecido o valor original do Imposto de Renda a ser restituído. Em 09/05/2017 foi juntado nas fls. 156 a 184 documentos referentes à propositura de Ação Ordinária em face da União (Processo Judicial nº 5006364 17.2011.404.7000/PR), que trata da mesma matéria discutida no processo administrativo. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O presente processo administrativo trata da Notificação de Lançamento de Imposto de Renda, em face da constatação de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente – RRA. O contribuinte alega a não existência de omissão de rendimento, visto que o valor recebido se refere a diferenças no complemento de aposentadoria e que a forma de tributação deve respeitar o exercício fiscal. Os documentos adunados aos autos às fls. 156/183, noticiam a proposição de ação ordinária pelo contribuinte em face da União Federal (processo judicial nº 5006364 17.2011.404.7000/PR), através da qual a parte autora requer seja declarado o seu direito ao recolhimento do imposto de renda de acordo com as regras e alíquotas aplicáveis ao mês de referência, apurandose mês a mês os valores recebidos acumuladamente, no Processo nº 46.221/2006, com a dedução das despesas autorizadas por lei e reconhecendo o caráter indenizatório dos juros moratórios que incidiram sobre os valores pagos na demanda (fl. 163). Compulsando os autos, verifico que a discussão judicial trata da mesma matéria discutida no processo administrativo, consoante se destaca da sentença proferida (fls.163 e seguintes), o que configura identidade de objetos, restando caracterizada a renúncia à instância administrativa, razão pela qual aplicase ao presente caso o entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 1, assim redigida: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, o recurso não deve ser conhecido por concomitância. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19985.723545/201574 Acórdão n.º 2401005.834 S2C4T1 Fl. 4 5 Conclusão Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário do contribuinte. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000107/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF.
Tendo havido declaração a menor de valores devidos e pagamento da diferença com acréscimos de juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, aplica-se o instituto da denúncia espontânea, inclusive quanto à multa de mora.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-005.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. Tendo havido declaração a menor de valores devidos e pagamento da diferença com acréscimos de juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, aplica-se o instituto da denúncia espontânea, inclusive quanto à multa de mora. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO RICARF. Tendo havido declaração a menor de valores devidos e pagamento da diferença com acréscimos de juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, aplica se o instituto da denúncia espontânea, inclusive quanto à multa de mora. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 07 /2 00 9- 51 Fl. 614DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 615 2 Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, por bem descrever os fatos: Trata o presente processo de impugnação interposta contra auto de infração, lavrado em decorrência de auditoria interna de DCTFs apresentadas pela empresa em epígrafe, e que constituiu crédito da CPMF dos períodos de dezembro de 2005 a setembro de 2007, com ciência efetuada em 23.01.2009 (fls. 16), no valor total de R$ 491.140,64, computados, além do principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até 30.12.2008. O lançamento em questão decorreu do pagamento de CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, realizado pela contribuinte em 16/05/2008, no valor total de R$ 2.075.299,91 (dois milhões, setenta e cinco mil, duzentos e noventa e nove reais e noventa e um centavos), cujos valores de citada contribuição deveriam ter sido recolhidos nos anos de 2005, 2006 e 2007, os quais foram pagos pela impugnante a destempo, computandose exclusivamente os juros de mora, sem o correspondente acréscimo da multa de mora. A demonstração dos valores de CPMF supostamente liquidados pelo DARF de R$ 2.075.299,91 encontrase evidenciada no Termo de Verificação Fiscal, especificamente na planilha de fls. 3/4, que contempla períodos de apuração de 21.12.05 a 30.09.07. A autoridade fiscal assevera que o recolhimento dos valores de CPMF em atraso foram acrescidos de juros de mora, sem, entretanto, considerar a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27.12.96. Afirma, ainda, que o contribuinte se utilizou do argumento do instituto da denúncia espontânea para justificar o não recolhimento da multa de mora, formalizando a denúncia em questão no processo administrativo de nº 16327.001012/200874. Entende a autoridade fiscal que no instituto da denúncia espontânea não existe previsão que favoreça o atraso no pagamento do tributo, apresentando entendimento do Conselho de Contribuinte sobre a matéria, citando acórdão que enfrenta o tema. Para apurar os valores devidos no presente processo, a autoridade fiscal promoveu a imputação proporcional do pagamento efetuado pelo contribuinte, tendo como fundamento para tal procedimento os artigos 163 e 167 da Lei nº 5.172, de 25.10.96 (Código Tributário Nacional), procedimento esse referendado pelo Parecer PGFN/CDA nº 1.936 de 2005. Cita o acórdão nº 20310.016 da 3° Câmara do 2° Conselho de Contribuintes (DOU de 07 de abril de 2006), o qual apresenta o entendimento que a "denúncia espontânea resta caracterizada no montante do total recolhido, a ser distribuído entre os valores principais do tributo e as multas Fl. 615DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 616 3 de mora respectivas. Após a imputação do total recolhido, a diferença a pagar deve ser objeto de lançamento, acompanhada da multa de oficio". Para apurar os valores devidos, em face dos recolhimentos efetuados fora dos respectivos vencimentos, sem a devida inclusão da multa de mora, procedeu a autoridade fiscal a imputação do recolhimento efetuado em 16.05.2008, cujo resultado encontrase materializado no Demonstrativo de Imputação de Pagamentos, doc. de fls. 20/23, onde se evidenciou que somente uma parte do valor retido de CPMF, correspondente a R$ 1.463.813,43 foi corretamente recolhida. Dessa forma, entende a autoridade fiscal que a contribuinte não efetuou o recolhimento integral da CPMF, restando a recolher o valor correspondente a R$ 240.897,04, objeto do presente Auto de Infração, salientando, por fim, que a comunicação de pagamento promovida pelo contribuinte não tem o condão de dispensar a multa de mora, com base no instituto da denúncia espontânea, implicando na imputação realizada no presente processo, com a consequente cobrança da multa de oficio. Em sua impugnação, formalizada em 20.02.2009, doc. de fls. 28/36, argumenta a contribuinte, em síntese, os seguintes pontos: Da denúncia espontânea Alega a impugnante que, por se encontrar em estado de mora em relação ao pagamento da CPMF, efetuou o recolhimento em atraso de citada contribuição, corrigido monetariamente e acrescido de juros de mora, realizando tal pagamento antes da prática de qualquer ato de fiscalização por parte da Receita Federal, utilizandose, portanto, do instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Entende que em referido dispositivo legal está expressamente definido que nenhum outro ônus, além dos juros de mora, pode recair sobre contribuinte que denunciar espontaneamente seu débito, tendo, como consequência, excluída a responsabilidade pela infração cometida. Afirma a suplicante que tal comando legal objetiva privilegiar contribuintes que, agindo de boafé, direcionemse à Fazenda Pública se dispondo a pagar tributos devidos e já vencidos, não obstante estejam sujeitos a qualquer tipo de fiscalização. Assevera, ainda, que a implementação de tal dispositivo demonstra a intenção do legislador em beneficiar os contribuintes que, antes de qualquer procedimento fiscal, denunciam deliberadamente seus débitos, promovendo seus respectivos pagamentos. Para reforçar seu entendimento, apresenta a impugnante comentário de Sacha Calmon Navarro Coelho que trata da denúncia espontânea. Em seguida, apresenta jurisprudências sobre o tema do TRF da 1ª e da 4ª Região e do STJ, reproduzindo o voto do Ministro Relator Demócrito Fl. 616DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 617 4 Reinaldo proferido no Resp. nº 111.470/SC, que trata da denúncia espontânea, e o voto do Ministro Ari Pargendler, proferido no julgamento do Recurso Especial n° 16.672/SP, no qual é manifestado o entendimento sobre o descabimento de qualquer distinção entre multa fiscal punitiva e multa fiscal moratória. Afirma a impugnante que a tese da denúncia espontânea encontrase prestigiada no âmbito do Conselho de Contribuintes, juntando em sua peça impugnatória decisões de citado Colegiado, tanto proferidas por Câmaras do antigo 1º Conselho de Contribuintes, como pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao final, requer a impugnante o cancelamento do auto de infração em razão da impossibilidade da exigência de multa, seja ela punitiva ou moratória, nos casos em que houve denúncia espontânea nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional. A 2ª Turma da DRJ/BSB, acórdão nº 0358.923, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. O instituto jurídico tributário da denúncia espontânea albergado pelo art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) não alcança a remissão da multa moratória incidente sobre o crédito tributário recolhido em atraso. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Sobre o valor do tributo recolhido em atraso incidem juros e multa de mora. O recolhimento que não satisfaça o total do débito deve ser imputado proporcionalmente a tais rubricas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. Os arestos jurisprudenciais ou administrativos trazidos aos autos produziram efeitos apenas inter partes, não vinculando o entendimento do julgador. Em seu recurso voluntário, o Recorrente ratifica todos os argumentos de sua impugnação; sustenta a efetivação da denúncia espontânea, com a exclusão da multa de mora. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a controvérsia se volta ao cabimento ou não da multa de mora nas hipóteses em que o contribuinte realiza o pagamento integral do tributo devido antes Fl. 617DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 618 5 da entrega da DCTF e do início de qualquer procedimento de fiscalização. Dito de outra forma, a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea à multa moratória. Para a DRJ, na denúncia espontânea da infração, nos termos em que o instituto está previsto no artigo 138 do CTN, a multa de mora é indispensável: Desassiste, assim, razão ao interessado quando, invocando o art. 138 do CTN, pretende eximirse do acréscimo da multa moratória, legalmente definida, incidente sobre tributos pagos em atraso. O instituto da denúncia espontânea exclui tão somente a responsabilidade por infrações, o que significa afastar as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Contudo, como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea. Ocorre que se observa nos autos que o Banco procedeu ao recolhimento em atraso, acrescido de juros de mora, sem a multa de mora, antes da prática de qualquer ato de fiscalização por parte da Receita Federal, conforme comprovam as cópias dos DARFs dos pagamentos (v. quadro nas efls. 285 e documentos de efls. 306607). As DCTFs original e retificadoras, nas quais constam os referidos débitos foram entregues em data posterior aos pagamentos realizados. Por isso, entendo que assiste razão ao Banco. O art. 138 do CTN prescreve regra de exclusão da responsabilidade por infrações quando a confissão da dívida é acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora devidos, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. Observese: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O STJ editou súmula com a seguinte redação: Súmula nº 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Nos termos da Súmula, não há denúncia espontânea para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando o contribuinte realiza o pagamento fora do prazo legal de tributo já declarado, mesmo que antes de qualquer procedimento de fiscalização. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 619 6 Por outro lado, se o pagamento integral do tributo se der com os juros e fora do prazo legal, bem como que não tenha sido constituído/declarado, aplicase a denúncia espontânea, desde que não tenha se iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Posteriormente, o STJ, no julgamento do REsp nº 1.149.022, sob a sistemática de recurso repetitivo firmou: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). [...] 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. [...] 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Tal decisão é de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do art. 62 do RICARF. Assim: Fl. 619DF CARF MF Processo nº 16327.000107/200951 Acórdão n.º 3301005.583 S3C3T1 Fl. 620 7 a) As multas moratórias têm natureza de punitivas, por isso excluídas da cobrança no caso de configuração da denúncia espontânea; b) No caso de lançamento por homologação, não cabe a denúncia espontânea se o contribuinte declara todo o débito tributário, mas realiza o pagamento integral a destempo; c) A denúncia espontânea se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo. No caso em comento, restou incontroverso que o pagamento foi realizado a destempo, com o acréscimo dos juros de mora, e que a entrega da DCTF foi posterior ao pagamento e antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. Ressalto que a causa da lavratura do auto de infração foi tão somente a falta do recolhimento da multa de mora. Nesse contexto está claro que o contribuinte deve ser beneficiado pela denúncia espontânea, uma vez que foram completamente observados os requisitos do art. 138, do CTN. Por fim, aponto que alguns débitos não foram objeto do recurso voluntário, conforme se observase na efl. 285, nota de rodapé n. 1. Dessa forma, esses valores pontualmente discriminados pelo Recorrente são incontroversos. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 620DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.720837/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 08 37 /2 01 0- 51 Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento (PER) da contribuição (PIS/Cofins) e de homologação da compensação (DCOMP) até o limite do crédito reconhecido, conforme Informação Fiscal presente nos autos, informação essa que embasara a referida decisão de origem. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação do despacho decisório, em virtude de violação ao princípio da motivação e à garantia constitucional da ampla defesa, ou, subsidiariamente, a sua reforma, alegando violação ao princípio da verdade material. Segundo o então Manifestante, o ressarcimento das contribuições não estava limitado ao crédito apurado no mercado externo, tendo a própria Administração Pública identificado e confirmado expressamente a existência de saldo credor em valor total suficiente à homologação da compensação declarada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12073.503, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado pelo fato de que, em relação à receita auferida com operações no mercado interno, somente poderia ser compensado com outros tributos o saldo credor das contribuições acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões e, no mérito, (i) a equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo, (ii) o direito à compensação nos termos das Leis n° 11.116/05 e 9.430/96, (iii) violação ao princípio da hierarquia das leis e (iv) impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora. É o relatório. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.475, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10855.720785/201013, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.475): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar "Nulidade do acórdão recorrido, por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões" A recorrente alega que o Despacho decisório e a decisão recorrida seriam nulos, pois desprovidos das fundamentações fáticas e legais, o que feriria os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (inciso LV do art. 5° da CF) e o art. 2° da Lei n° 9.784/99. O Despacho Decisório (fls. 526 a 529) fundamentouse na Informação Fiscal (fls. 448 a 465) que traz relato detalhado do trabalho de auditoria fiscal, com os tipos de crédito e receitas tributáveis analisados e os correspondentes fundamentos legais. E ainda os Anexos I ao XXVIII com os demonstrativos de cálculo dos créditos admitidos e glosados e das receitas sujeitas à tributação. E a decisão recorrida (fls. 601 a 611) seguiu a mesma linha. Enfrentou a preliminar de nulidade, remetendose à devidamente fundamentada e motivada Informação Fiscal e, no mérito, afastou os argumentos, citando os dispositivos legais em que se baseou. Não há, portanto, nulidade alguma, pelo que afasto a preliminar. Mérito "Da equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo do direito à compensação posicionamento consolidado do E. STF" "Do direito à compensação nos termos da Lei n° 11.116/05 da violação ao princípio da hierarquia das leis" "Do direito à compensação, nos termos da Lei n° 9.430/96" A conclusão da auditoria fiscal (fl. 463) foi a de que, ao fim do 2° trimestre de 2005, o contribuinte tinha R$ 351.985,48 de saldo de créditos Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 5 4 de COFINS "Mercado Interno" (a compensar com débitos da COFINS futuros) e R$ 313.715, 35 de saldo créditos de COFINS "Mercado Externo"(créditos passíveis de restituição ou ressarcimento), após a glosa de R$ 124.732,91. A glosa motivou a homologação parcial das compensações vinculadas. Nos tópicos em epígrafe, a recorrente discorre longamente sobre teses jurídicas, cujo objetivo é o de obter autorização para utilizar o saldo de créditos de COFINS "Mercado Interno" para liquidar os débitos que restaram em aberto em razão da glosa de créditos. Inicia, informando que importa e produz mercadorias cuja venda é tributada pelo PIS/COFINS sobre uma base de cálculo reduzida (§2° do art. 1° da Lei n° 10.485/02). Subentendese que teria acumulado créditos em razão do benefício da redução de base de cálculo com manutenção integral de créditos. Discorre longamente sobre a identidade entre os institutos da isenção e da redução de base de cálculo, o que teria restado assentado pelo STF, no RE n° 635.688/RS, com repercussão geral. E destaca que esta decisão vincula o CARF, por força regimento interno. Ao fim, consigna que mantém integralmente os créditos de COFINS sobre as compras, apesar de gozar de redução de base de cálculo nas vendas, com base no art. 17 da Lei n° 11.033/04. E que os créditos acumulados em razão de isenção poderiam ser objetos de pedidos de ressarcimento, nos termos do inciso II do art. 16 da Lei n° 11.116/05. Neste ponto, vale reproduzir a ementa do RE 635.688/RS, de 16/10/14, os citados dispositivos legais e ainda o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96: RE 635.688/RS "Recurso Extraordinário. 2. Direito Tributário. ICMS. 3. Não cumulatividade. Interpretação do disposto art. 155, §2º, II, da Constituição Federal. Redução de base de cálculo. Isenção parcial. Anulação proporcional dos créditos relativos às operações anteriores, salvo determinação legal em contrário na legislação estadual. 4. Previsão em convênio (CONFAZ). Natureza autorizativa. Ausência de determinação legal estadual para manutenção integral dos créditos. Anulação proporcional do crédito relativo às operações anteriores. 5. Repercussão geral. 6.Recurso extraordinário não provido." Lei n° 11.033/04 "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Lei n° 11.116/05 "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 6 5 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Lei n° 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Prossegue, alegando que não se pode interpretar como impedimento ao ressarcimento/compensação dos créditos COFINS "Mercado Interno" o previsto no art. 21 da IN SRF n° 600/05: a uma, porque o conceito de redução de base de cálculo se equipara ao de isenção; e, a duas, pois estaria violando o princípio da hierarquia das leis, pois confrontase com os citados art. 16 da Lei n° 11.116/05 e art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim dispõe o art. 21 da IN SRF n° 600/05, em vigor no período em análise: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (...)" Por fim, alega que o direito à compensação de créditos com débitos está previsto no inciso II do art. 156 do CTN modalidade de extinção do crédito tributário. Que reconheceu a existência de saldo credor de COFINS "Mercado Interno" o que já evidencia o direito a que faz menção o art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 7 6 Que a compensação é o restabelecimento do direito à propriedade disposto no inciso XXII do art. 5° da CF. Que a não aceitação da compensação e a correspondente exigência dos débitos que por meio dela haviam sido liquidados atentaria contra os princípios da legalidade, moralidade e eficiência previstos no art. 37 da CF e art. 2° da Lei n° 9.784/99. Não assiste razão à recorrente. De pronto consigno que o tema relacionado à possível inconstitucionalidade da vedação legal ao ressarcimento de créditos da COFINS "Mercado Aberto" não se discute no âmbito deste colegiado, por força da Súmula CARF n° 2. Assim, nego provimento às alegações correlatas. Prossigo a análise do recurso, citando o art. 170 do CTN, que dispõe que a compensação de créditos líquidos e certos será autorizada por lei. Em sua esteira, foram editados os artigos 74 da Lei n° 9.430/96, 16 da Lei n° 11.116/05 e 17 da Lei n° 11.033/03, que dispõem que somente créditos acumulados em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência podem ser objetos de ressarcimento e/ou compensação com qualquer tipo de débito tributário federal. Dentre as hipóteses, portanto, não se inclui o excedente de créditos motivados por vendas com redução de base de cálculo. E o então vigente art. 21 da IN SRF n° 600/05 tão somente reproduziu tal interpretação dos dispositivos legais e, assim, de forma alguma os afrontou. O argumento de defesa que merece destaque é o que equipara a redução de base de cálculo à isenção, com base em decisão do STF, com repercussão, à qual estaríamos vinculados, por força do art. 62 do RICARF. Interpreto o RE 635.688/RS no contexto em que se insere. Os institutos foram equiparados para os fins a que se prestava aquele julgamento, qual seja, determinação do estorno do ICMS das compras cujas saídas gozavam do benefício fiscal da redução de base de cálculo do ICMS, como forma de preservação do princípio constitucional da não cumulatividade que rege este tributo. Não entendo, portanto, que o STF tenha introduzido um novo entendimento a ser aplicado em todos as circunstâncias e para todos os fins legais. E, não custa lembrar que não se está aqui vedando o direito ao crédito ou à sua manutenção o acúmulo, ocasionado por redução da base de cálculo das vendas correspondentes não se encontra entre as hipóteses de estorno de crédito do §13 do art. 3° da Lei n° 10.833/03 porém tão somente cumprindo determinação prevista em lei ordinária, cuja competência lhe foi atribuída pelo art. 170 do CTN. Isto posto, nego provimento aos argumentos contidos nos tópicos do recurso voluntário em epígrafe. "Da impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora art. 100 do CTN" Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10855.720837/201051 Acórdão n.º 3301005.491 S3C3T1 Fl. 8 7 Protesta contra a cobrança de juros e multa de mora, que foram acrescidos aos débitos liquidados com créditos glosados. Não conheço dos argumentos contidos neste tópico, pois não integra esta lide a cobrança dos débitos que restaram em aberto em virtude da não homologação da compensação. Conclusão Conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, nego provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1063DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000729/2003-77
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Sat Jan 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/1996. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO.
Somente dão direito ao crédito ao IPI as entradas de matéria-prima, material de embalagem e produtos intermediários utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja esteja sujeita à tributação, excluídos, por conseguinte, os classificados como NT na TIPI. A Lei nº 9.363/96 só se aplica aos contribuintes do IPI, não abrangendo portanto as saídas de mercadorias classificadas como NT na TIPI, cujas entradas de matéria-prima, material de
embalagem e produtos intermediários utilizados na sua elaboração são insuscetíveis de creditamento.
Recurso Especial da Fazenda Nacional provido.
Numero da decisão: 9303-002.018
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Antônio Lisboa Cardoso, que negavam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Maria Teresa Martínez López
votaram pelas conclusões.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Marcos Aurelio Pereira Valadão
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/1996. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. Somente dão direito ao crédito ao IPI as entradas de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja esteja sujeita à tributação, excluídos, por conseguinte, os classificados como NT na TIPI. A Lei nº 9.363/96 só se aplica aos contribuintes do IPI, não abrangendo portanto as saídas de mercadorias classificadas como NT na TIPI, cujas entradas de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários utilizados na sua elaboração são insuscetíveis de creditamento. Recurso Especial da Fazenda Nacional provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda e Antônio Lisboa Cardoso, que negavam provimento. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Maria Teresa Martínez López votaram pelas conclusões. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 07 29 /2 00 3- 77 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Por descrever os fatos do processo de maneira adequada adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório da decisão da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF: Tratase de recurso voluntário interposto em razão da decisão proferida pela DRJ em Santa Maria/RS, que manteve o indeferimento em relação ao pedido de ressarcimento/compensação de créditos presumido do IPI apurado no 4º trimestre de 1998, apresentado em 14/05/2003, em que a Recorrente visava o aproveitamento com base na Portaria MF número 38/97. Consta dos autos auditagem fiscal realizada com o objetivo de averiguar a procedência das solicitações de Ressarcimento de IPI relativas aos créditos presumidos e básicos, com base no artigo 11 da Lei 9.779/99, artigos 165, 178 e 179 do Regulamento do Imposto Sobre Produtos Industrializados — RIPI, relativos aos processos administrativos relacionados no quadro abaixo: No Processo Período/Tipo de Crédito Valor Período Fls. 10665.000726/200333 1° TRIM/1998 Presumido 87.976,19 1 10665.000727/200388 2° TRIM/1998 Presumido 79.573,63 1 10665.000729/200377 3° TRIM/1998 Presumido 95.129,56 1 10665.000728/200322 4° TRIM/I 998 Presumido 58.643,31 1 10665.001234/200264 I ° TRIM/1999 e 10/2000 a 2° TRIM/2002 — Presumido 1.192.403,26 10665.001231/200241 1 ° TRIM/1999 A 2° TRIM/2002 — BÁSIC() 189.844,85 TOTAL 1.703.570,80 Auditoria concluiu que: “os valores do IPI escriturados nos livros de Registro de Apuração de IPI se referem aos insumos utilizados no.processo produtivo de produtos tributáveis, em obediência aos dispositivos Fl. 236DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.000729/200377 Acórdão n.º 9303002.018 CSRFT3 Fl. 225 3 legais que excluem a possibilidade do aproveitamento dos créditos de insumos aplicados a produtos/mercadorias comercializados fora do campo de incidência do Imposto de Produtos Industrializados — IPI (não tributados — NT)”. A decisão recorrido manteve “in totum” o despacho negatório, sob a fundamentação de que a fabricação e a exportação de produtos não _tributados pelo,IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensação do PIS e da COFINS. Sustenta a Recorrente, em suas razões recursais, que o artigo 1º da Lei 9.363/96 consagra ao produtorexportador o direito ao ressarcimento das Contribuições ao PIS e da COFINS incidentes sobre as aquisições de insumos, através do crédito presumido do IPI. Entendem a Recorrente que a legislação aplicável não faz ressalva em relação ao tipo de produto final produzido, portanto a fruição do beneficio ao (sic) encontra condicionada aos produtos tributados pelo IPI, pois a lei referese tãosó "a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais”. Traz à colação em socorro de sua tese alguns Acórdãos da CSRF, que assegura as empresas exportadoras o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ainda que adquiridos de fornecedores não contribuintes do PIS/COFINS. Por derradeiro requer seja conhecido e provido o recurso. A decisão foi ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. 0 produtor e exportador de produtos nãotributados no mercado interno tem direito ao crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Recurso Voluntário Provido. A Procuradoria interpôs, às fls. 184, embargos declaratórios alegando que a decisão, ao conceder ao sujeito passivo o direito ao crédito presumido sobre produtos não tributados, teria sido omissa quanto à Súmula nº 13 do Segundo Conselho de Contribuintes. Os embargos foram recebidos e rejeitados, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 237DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Período de apuração: 01/10/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. 0 produtor e exportador de produtos nãotributados no mercado interno têm direito ao crédito presumido de que trata a Lei n. 9.363/96. BASE DE CALCULO. GOZO DE INCENTIVO FISCAL. IPI. EXPORTAÇÃO. A exigência contida no art. 1º da Lei n° 9.363/96 em relação as variáveis que devem compor a base de calculo é de que tenha incidido as contribuições sociais quando da aquisição dos insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens), adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo Embargos Rejeitados. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou, às fls. 190/198, recurso especial por divergência, em face do Acórdão nº 210100.198 aditado pelo Acórdão nº 3403 00.305. A divergência argüida referese à concessão, ao contribuinte, do direito de apurar crédito presumido de IPI em relação à exportação de produtos NT. O recurso foi admitido pelo presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 219. O sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, admitido conforme acima mencionado, em boa forma. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à possibilidade de empresas que produzem e exportam produtos NT poderem se aproveitar do crédito presumido do IPI, a título de devolução do PIS/COFINS, com base na Lei nº. 9.363/1996, e conseqüentemente, caso acumule créditos, ter direito a sua restituição ou compensação. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.000729/200377 Acórdão n.º 9303002.018 CSRFT3 Fl. 226 5 Cabe fazer uma análise mais pormenorizada do tema, partindo dos seus prolegômenos, que nada mais são que seus alicerces normativos. Primeiramente, destaquese que para ser contribuinte do IPI, o produtor deve produzir mercadorias sujeitas ao Imposto. Neste sentido confirase o que dizem o art. 3º da Lei 4.502/1964 e o art. 2º do RIPI 1998: Lei nº. 4.502/1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. RIPI 1998 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13).(Grifamos). Vejase que o art. 174 do RIPI 1998 (Decreto n. 2.637, de 25 de junho de 1998), vigente à época da origem dos créditos dispunha: Art. 174. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto Lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8º, e Lei nº 7.798, de 1989, art. 12): I relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos isentos, nãotributados ou que tenham suas alíquotas reduzidas a zero, respeitadas as ressalvas admitidas; (destacamos) Destaquese também, por pertinente, que objeto da alteração do art. 11 da Lei nº. 9.779/1999 foi justamente a parte da alínea “a” acima no que se refere a produtos isentos e aqueles com alíquotas reduzidas a zero. No que diz respeito a produtos NT, em nada foi modificada a legislação do IPI. Aliás, é esta a inteligência da IN 33/99 e também do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº. 5, de 17 de abril de 2006. Tanto é assim que o RIPI 2002 (Decreto nº. 4.544, de 26 de dezembro de 2002), em dispositivo paralelo ao art. 174 do RIPI 1998 tem a seguinte dicção (já com alteração introduzida pela Lei nº. 9.779/99): Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): Fl. 239DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (destacamos) Outro argumento que corrobora esta interpretação é a Súmula 20 do CARF, consolidada, que tem a seguinte redação: SÚMULA 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Feitas as observações acima, que são a base do raciocínio a ser desenvolvido, passemos ao caso do crédito presumido com base na Lei nº. 9.363, de que trata o especificamente o presente processo. Lembro, porém, primeiramente, dos argumentos expendidos pelas partes. A PGFN, em seu recurso especial alega que o crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 só aproveita aos contribuintes do IPI, trazendo à baila e transcrevendo a legislação do IPI que trata do assunto e escuda seus argumentos em dispositivos da legislação do IPI e do CTN, e, por fim, menciona entendimento da 2ª Turma da CSRF, que se alinha com o entendimento da PGFN, e traz também diversas decisões da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes com este entendimento. O contribuinte alegou em ser recurso voluntário que é relevante para fins de fruição do benefício previsto na Lei nº. 9.363/96, que a lei use o termo “mercadoria” (mais abrangente que o termo “produto”), que o benefício é um benefício amplo à exportação e mencionou também a existência decisão da Segunda Turma da CSRF que daria guarida a este entendimento. Linha de raciocínio seguida pela decisão recorrida. Ao se analisar a questão devese ter em mente que o termo “mercadoria” referese àquilo que é objeto de mercancia. Ora, o que é exportado, está sendo comercializado, então é necessariamente mercadoria. Ocorre que se trata, no caso, tão somente de mercadoria que tenha sido objeto de industrialização, pois somente ao contribuinte do IPI é permitido o crédito do imposto. O estabelecimento que produz mercadorias que não sejam classificadas pelo legislador como produto industrializado, constando na TIPI como NT, não é estabelecimento industrial, não é produtor industrial contribuinte do IPI e, portanto, não tem direito a créditos do IPI. Resta perquirir, se a circunstância de ser um crédito presumido que visa desonerar a exportação, a título de benefício fiscal, conforme previsto da Lei nº 9.363/96, teria permitido que pessoas jurídicas, ou mesmo pessoas físicas, exportadores de qualquer tipo de mercadorias teriam direito ao crédito do IPI. Para esta análise cumpre transcrever os artigos da Lei nº.9.363/96 que albergam o benefício fiscal em discussão: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.000729/200377 Acórdão n.º 9303002.018 CSRFT3 Fl. 227 7 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. §3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. ... Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Art.4º Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farse á o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2º do art. 2º, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. Art. 5º A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1º, bem assim a compensação mediante crédito, Fl. 241DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. Pela análise do texto da Lei citado acima, fica clara a remessa à legislação do IPI no que se refere à possibilidade de apropriação de crédito. A interpretação sistemática dos dispositivos leva ao entendimento de que somente os contribuintes do IPI têm direito a esse crédito presumido. Ou seja, não é possível àquele que não é contribuinte do IPI se apropriar de créditos deste imposto. Não fosse assim, i.e., se entendesse que a Lei nº. 9.363/96 instituíra um benefício genérico à exportação, ela não se referiria, como o faz em seu art. 4º, à situação em que “comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente.” – este é um comando somente aplicável a estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI, que tem livros de escrituração do IPI. Esta impossibilidade se dá nos casos, por exemplo, em que todos os produtos fabricados têm alíquota zero, ou alíquotas maiores que as dos insumos (implicando acumulação de crédito). Assim não fosse, o comando da Lei seria genérico. O Parágrafo Único do art. 3º da Lei nº. 9.363/96 determina a utilização subsidiária dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem conforme estabelecidos pela legislação do IPI. Vejase também que os §§ 2º e 3º do art. 2º prevêem exceções ao princípio da autonomia dos estabelecimentos vigente para IPI pelo qual cada estabelecimento é considerado um contribuinte autônomo devendo ter escrituração própria, vedada sua centralização (par. único do art. 51 do CTN, art. 57 da Lei nº. 4.502/64 e art. 313 do Decreto nº. 2.637, de 25 de junho de 1998 RIPI 1998, que vigia à época dos fatos referidos no presente processo). Por seu turno, o art. 5º determina o estorno de crédito em uma situação específica, ora como fazer estorno de crédito escriturado se não se tem escrituração? Ou seja, a interpretação sistemática da Lei aponta claramente no sentido de que dela se aproveita somente os contribuintes do IPI. E para ser contribuinte do IPI, o produtor deve produzir mercadorias sujeitas ao Imposto, Neste sentido confirase o que dizem o art. 3º da Lei 4.502/1964 e o art. 2º do RIPI 1998: Lei nº. 4.502/1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. RIPI 1998 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº. 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº. 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº. 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13).(Grifamos). Fica claro, portanto, que, à luz da legislação do IPI, o estabelecimento que produz mercadoria classificado como NT não é estabelecimento produtor (contribuinte) para Fl. 242DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10665.000729/200377 Acórdão n.º 9303002.018 CSRFT3 Fl. 228 9 efeito do IPI, e portanto não pode escriturar créditos de IPI, e uma interpretação sistemática da Lei nº 9.363/96 não autoriza sua aplicação a produtores de mercadorias classificadas como NT na TIPI. Ao contrário do que é sustentado no Acórdão recorrido (às fls. 179), caso a legislação quisesse estender o benefício a produtos NT e a não contribuintes do IPI de maneira geral, a lei é que deveria ser expressa nesse sentido, e não o contrário, entendo que é isto que a omissão estaria a indicar. É que não se pode interpretar leis concessivas de benefício tributário de maneira ampliativa, com base apenas em um raciocínio a contrario sensu. Ad argumentadum, o entendimento pretendido pelo contribuinte e corroborado pela decisão recorrida afigurase inaceitável, pois permitiria, também, que um produtor rural, pessoa física, que exportasse, por exemplo, boi vivo (classificado como NT na TIPI) solicitasse a ressarcimento do PIS/COFINS incidentes nas compras de insumos agrícolas utilizados na sua criação, pois não há dúvida que boi vivo é mercadoria. Ora, se o benefício fosse tão genérico, não poderia ter sido instituído como crédito do IPI, a não ser, é claro, que a lei expressamente o dissesse, alterando, também e necessariamente a legislação do IPI, de maneira clara. Porém, a Lei nº. 9.363/96 não o faz, e por via de uma interpretação extensiva não se pode reescrever a lei ampliando o benefício além do seu escopo legal, dizendo mais do que disse o legislador. Em virtude dos argumentos acima, é forçosa a conclusão de que a Lei nº. 9.363/96 só se aplica aos contribuintes do IPI, não abrangendo portanto as exportações de mercadorias classificadas como NT na TIPI. Conforme os autos, apenas cerca de 1% um por cento da produção é sujeita à tributação do IPI, daí que o contribuinte em questão deve manter a escrituração do Imposto, mas isto não dá direito ao aproveitamento e utilização de todos os créditos constantes das notas fiscais de aquisição, mormente porque todas as saídas com produtos tributados pelo IPI são feitas para o mercado interno, não ensejando, portanto direito ao crédito presumido, com base na Lei nº. 9.363/96, objeto do presente processo. São neste sentido a constatação do Termo de Fiscalização, conforme se constata às fls. 136 reproduzido abaixo: 7) As vendas de produtos industrializados com tributação de IPI são destinadas ao mercado interno e representam menos de 1% do total das vendas da empresa, cuja quase totalidade se refere a produtos não tributados NT. Todos os créditos de insumos aplicados nesses produtos tributáveis foram aproveitados no livro Registro de Apuração de IPI, com apuração de pequenos saldos devedores na maior parte dos períodos abrangidos por esta verificação (janeiro/1998 a dezembro de 2002) os quais foram recolhidos corretamente, sem apresentar saldo credor disponível a ressarcir. Assim, no caso, como todos créditos solicitados se referem a insumos que foram utilizados na produção de produtos NT exportados (somente a venda interna foi com produtos tributados), não há como se manter os créditos na escrita, ou promover o seu ressarcimento. Em vista do exposto dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, restabelecendose a decisão proferida pela DRJ. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 244DF CARF MF Impresso em 22/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 22/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11080.729312/2012-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DASN. MULTA POR ATRASO.
Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração, o atraso dessa obrigação acessória implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente.
Numero da decisão: 1001-001.085
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do pedido sucessivo quanto a redução do valor da multa por se caracterizar inovação processual e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Soura (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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MULTA POR ATRASO. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração, o atraso dessa obrigação acessória implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do pedido sucessivo quanto a redução do valor da multa por se caracterizar inovação processual e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Soura (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 93 12 /2 01 2- 14 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.729312/201214 Acórdão n.º 1001001.085 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 89 a 102) interposto contra o Acórdão nº 0944.617, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 80 a 82), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2011 DASN. MULTA POR ATRASO. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração, o atraso dessa obrigação acessória implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Trata o presente processo de lançamento de ofício para exigência de multa por atraso/falta de entrega da(o) DASN 2010, da empresa supra, no valor de R$ 7.362,34. A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que foi incluída no SN, através de medida cautelar nº 000358846.2012.404.0000 (processo original 2007.71.00.0308820) expedida em setembro de 2012, retroativamente a agosto de 2010." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário defendendo a improcedência total da multa com base nos mesmos argumentos já esposados na Impugnação, contudo, adiciona pedido sucessivo para que a multa seja reduzida em virtude de incorreta interpretação da norma pela autoridade fiscal. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11080.729312/201214 Acórdão n.º 1001001.085 S1C0T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, contudo, deve ser conhecido apenas parcialmente. Explico. Conforme narrado, a Recorrente inova no presente instrumento recursal alegando que, em caso de procedência da multa lavrada, esta deveria ser reduzida. Para tanto apresenta ampla fundamentação no sentido de que errou o fisco ao exigir o montante estipulado por mês de atraso e não por cada atraso incorrido. Contudo, insta dizer que tal impugnação não foi realizada em primeira instância, sendo esta a primeira vez que a contribuinte traz essa preliminar ao feito. Ora, conforme os dispostos do Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente atacada pelo sujeito passivo na peça que deu início ao litígio. Outrossim, é a impugnação que inicia e delimita a fase litigiosa, isto é, o presente processo administrativo. Segue os excertos: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. " Desta forma, sob pena de inovação recursal, entendo que não é mais possível conhecer destas alegações nesta fase processual. Assim, deixo de conhecer deste requerimento sucessivo e passo a analisar o principal. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Não apresentou declaração em outra sistemática. Cabe observar que a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (art. 16, III, do PAF com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993), considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (artigo 17 do PAF com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532/1997). Assim, motivações, tais como: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.729312/201214 Acórdão n.º 1001001.085 S1C0T1 Fl. 5 4 problemas financeiros, falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares, entre outros, não constituem litígio a ser apreciado por essa instância administrativa. O lançamento da multa é de natureza vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do CTN). Ademais, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do CTN). Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de condição financeira, culpa ou dolo do sujeito passivo. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, obrigações acessórias, que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (CTN , art. 113, § 2º). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (CTN, art. 113, § 3º). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. A Lei 10.426/2002 dispõe que: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: ( Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) I de 2%(dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Por sua vez, a LC 123/2006 determinou que: Art.38.O sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica a que se refere o art. 25 desta Lei Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.729312/201214 Acórdão n.º 1001001.085 S1C0T1 Fl. 6 5 Complementar, no prazo fixado, ou que a apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela autoridade fiscal, na forma definida pelo Comitê Gestor, e sujeitarseá às seguintes multas: I de 2% (dois por cento)ao mês calendário ou fração, incidentes sobre o montante dos tributos e contribuições informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo; §3º A multa mínima a ser aplicada será de R$ 200,00 (duzentos reais). No caso, enquanto não incluída no SN, a contribuinte estava obrigada à apresentação de declaração em outra modalidade de tributação (lucro presumido, real, inativa) de acordo com a legislação pertinente. Não tendo assim procedido, cabível o lançamento da multa por atraso, quando da entrega de sua DASN, motivada por inclusão retroativa por decisão administrativa ou judicial. Exceção à regra quando decisão judicial expressamente determinar em contrário." Assim, com base nos dispostos supra colacionados, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35365.001038/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 30/09/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Verificada contradição no dispositivo e no voto condutor do acórdão, cabe a correspondente retificação via embargos, com modificação quanto ao resultado do julgamento.
Numero da decisão: 2402-006.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, re-ratificando a decisão embargada, para que se faça constar no acórdão nº 2302-003.373, tão somente, que foi negado provimento ao recurso de ofício, sem que seja discutida a natureza do vício ensejador da anulação do lançamento, conforme esclarecimentos constantes do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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CONTRADIÇÃO. Verificada contradição no dispositivo e no voto condutor do acórdão, cabe a correspondente retificação via embargos, com modificação quanto ao resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 5. 00 10 38 /2 00 6- 49 Fl. 621DF CARF MF Processo nº 35365.001038/200649 Acórdão n.º 2402006.748 S2C4T2 Fl. 622 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, reratificando a decisão embargada, para que se faça constar no acórdão nº 2302 003.373, tão somente, que foi negado provimento ao recurso de ofício, sem que seja discutida a natureza do vício ensejador da anulação do lançamento, conforme esclarecimentos constantes do voto do Relator. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 588), por meio do qual se alega a existência de contradição em face do Acórdão nº 2302 003.373 (fls. 578), que (i) deu provimento ao recurso de ofício e (ii) alterou o vício – de formal para material que ensejou a anulação do lançamento pela DRJ, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 30/09/2006 ERRO DE FPAS. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nulo, por vício material, o lançamento fiscal com erro de enquadramento do FPAS no documento constitutivo do crédito tributário por meio de NFLD. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 35365.001038/200649 Acórdão n.º 2402006.748 S2C4T2 Fl. 623 3 Os embargos de declaração foram interpostos com esteio no art. 65, § 1º, inciso III, do Anexo II do RICARF, sendo nele alegada contradição no julgado, nos seguintes termos: O acórdão ora embargado apreciou recursos de ofício e voluntário interpostos contra acórdão da DRJ que exonerou o crédito tributário por entender existir vício formal no lançamento. [...] Ora, o relator [do acórdão embargado] entendeu por dar provimento ao recurso de ofício para, em verdade, piorar o quadro sucumbencial da União, já que substitui o vício formal pelo material, muito mais gravoso para o FISCO. Esse efeito, além de gerar uma "reformatio in pejus", gera uma nítida contradição no julgado. O pedido do recuso de ofício é sempre a reconstituição do crédito tributário, afastandose a mácula do lançamento. Se a Turma entendeu que a mácula existia, decorrente, no caso, do erro na aplicação do FPAS, deveria negar provimento ao recurso de ofício. Se, por outro lado, deseja a Turma dar provimento ao recurso de ofício, só há uma forma congruente de fazêlo, que é a de afastar qualquer vício e considerar a higidez do lançamento. [...] Em face da CONTRADIÇÃO exposta, requer a União (Fazenda Nacional) sejam conhecidos e providos os presentes embargos de declaração, para que seja sanada a contradição exposta. (Grifos no original) Mediante despacho de fls. 616 / 619, os embargos foram admitidos para apreciação pelo Colegiado. É o relatório. Fl. 623DF CARF MF Processo nº 35365.001038/200649 Acórdão n.º 2402006.748 S2C4T2 Fl. 624 4 Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator Da tempestividade Tendo em vista o disposto no Despacho de Saneamento de fls. 608 a 610, consideramse como tempestivos os embargos apresentados. Da alegada contradição Antes de adentrar no mérito dos embargos, cumpre fazer um breve histórico do presente caso, naquilo que importa para o presente julgamento. * 15/09/2007: julgamento de primeira instância, tendo sido declarada a nulidade do lançamento, nos termos do Acórdão 070010780 (fls. 496); * 14/08/2012: Acórdão CARF nº 2301002.964 (fls. 506), anulando a decisão de primeira instância, afim de que fosse suprida a omissão apontada, indicandose a natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento; * 09/05/2013: nova decisão da DRJ, Acórdão 0731.320 (fls. 519), declarando nulo, por vício formal, o lançamento fiscal; * 11/10/2013: interposição de Recurso Voluntário, requerendo o cancelamento da Notificação Fiscal por vício material; * 10/11/2014: Acórdão CARF nº 2302003.373, ora embargado, que, nos termos da sua conclusão, deu provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, deuse provimento para anular o lançamento por vício material; * 13/09/2016: interposição de Embargos pela Fazenda Nacional, em face da existência de contradição no Acórdão embargado. Feito esse registro histórico inicial, passemos à análise do mérito dos Embargos. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 35365.001038/200649 Acórdão n.º 2402006.748 S2C4T2 Fl. 625 5 A decisão de primeira instância anulou o lançamento por vício formal ao detectar erro no código do Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS) adotado pela fiscalização. Como o crédito exonerado atingiu o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3 de 3/1/08, foi interposto Recurso de Ofício. Sobre o tema, o art. 34 do Decreto 70.235/1972 estabelece que: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Sem adentrar na análise da natureza jurídica deste instituto, verificase que o Recurso de Ofício se trata de um remédio processual que confere condição de eficácia à decisão de primeira instância, sem o qual esta não transitará em julgado. E, assim, enquanto condição de eficácia das decisões de primeira instância, apresentase como sendo mais um meio de controle estatal (autotutela), ante o risco de equívocos e prejuízos ao erário público. Nesse cenário, no âmbito do processo administrativo fiscal, disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72 já mencionado, é possível inferir que o recurso de ofício é tido como um requisito de eficácia da decisão de primeira instância que exonera o contribuinte do pagamento de tributo, servindo, portanto, como medida de autotutela. No caso, a decisão desfavorável ao erário deve ser confirmada pelo Conselho de Contribuintes para se tornar definitiva. Impende ainda destacar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, como o recurso de ofício é pertinente para as decisões que exoneram o contribuinte de tributos, quando o órgão superior confirma seus termos – ou seja, quando confirma a exclusão do crédito tributário o mérito do recurso de ofício não será provido. Lado outro, quando não há tal ratificação, o mérito será provido. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 35365.001038/200649 Acórdão n.º 2402006.748 S2C4T2 Fl. 626 6 No caso em análise, verificase que o Colegiado de Segunda Instância, emissor do Acórdão embargado nº 2302003.373, não apenas confirmou a exoneração do crédito tributário – fato que, por si só, impõe o não provimento do recurso de ofício, nos termos do parágrafo precedente – mas foi além para, uma vez desafiado pelo recurso voluntário do contribuinte, reconhecer a nulidade do lançamento fiscal não por vício formal, conforme decidido pela DRJ, mas por vício material, tal como sustentado e requerido pelo Recorrente. Ocorre que, conforme sustentado pela embargante e bem delimitado pelo Despacho de Admissibilidade, o relator [do acórdão embargado] entendeu por dar provimento ao recurso de ofício para, em verdade, piorar o quadro sucumbencial da União, já que substitui o vício formal pelo material, muito mais gravoso para o FISCO, sendo certo que o pedido do recuso de ofício é sempre a reconstituição do crédito tributário, afastandose a mácula do lançamento. Se a Turma entendeu que a mácula existia, decorrente, no caso, do erro na aplicação do FPAS, deveria negar provimento ao recurso de ofício. Neste contexto, fazse necessário, para superar a contradição verificada, sejam efetuadas as devidas alterações, tanto no voto condutor, quanto na parte dispositiva do Acórdão embargado, para que estes reflitam o entendimento do Colegiado quanto ao caso examinado, nos termos da sua respectiva ementa. Sendo assim, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos para fins de que sejam consideradas as seguintes redações / modificações no Acórdão nº 2302003.373, rerratificandose o julgado quanto aos demais aspectos: Na parte dispositiva do Acórdão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício; por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o lançamento por vício material. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu ser o vício de natureza formal. No voto condutor, no que tange ao recurso de ofício: Recurso de Ofício A decisão recorrida anulou o lançamento por vício formal, relativo ao erro de enquadramento no FPAS. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 35365.001038/200649 Acórdão n.º 2402006.748 S2C4T2 Fl. 627 7 Embora entenda que o vício que maculou o lançamento fiscal possui natureza diversa, impõese o não provimento do recurso de ofício, considerando que, seja por vício formal, seja por vício material, o destino do presente lançamento será o mesmo: a exoneração do crédito tributário. Assim, negase provimento ao Recurso de Ofício. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por acolher os embargos, com efeitos modificativos, rerratificando a decisão para que se faça constar no Acórdão nº 2302003.373 as alterações insertas no voto acima. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720082/2007-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARGUMENTO DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE SER CONHECIDA DE OFÍCIO PELO JULGADOR.
A necessidade ou não de realização de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo dos débitos em pedido de ressarcimento é matéria que deve ser alegada pela parte interessada, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz.
Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verificase terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e questões de ordem pública, situação que não se configura nos presentes autos.
PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO.
Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep não-cumulativo.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece de recurso especial quando ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, necessária para caracterização da divergência jurisprudencial.
PIS NÃO-CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 125.
No ressarcimento da Contribuição para o PIS não-cumulativa não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
Numero da decisão: 9303-007.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à taxa selic sobre os valores a serem ressarcidos de Pis/Pasep e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARGUMENTO DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE SER CONHECIDA DE OFÍCIO PELO JULGADOR. A necessidade ou não de realização de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo dos débitos em pedido de ressarcimento é matéria que deve ser alegada pela parte interessada, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz. Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verificase terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e questões de ordem pública, situação que não se configura nos presentes autos. PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO. Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep não-cumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de recurso especial quando ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, necessária para caracterização da divergência jurisprudencial. PIS NÃO-CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 125. No ressarcimento da Contribuição para o PIS não-cumulativa não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à taxa selic sobre os valores a serem ressarcidos de Pis/Pasep e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ARGUMENTO DA NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE SER CONHECIDA DE OFÍCIO PELO JULGADOR. A necessidade ou não de realização de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo dos débitos em pedido de ressarcimento é matéria que deve ser alegada pela parte interessada, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz. Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verificase terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e questões de ordem pública, situação que não se configura nos presentes autos. PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS A TERCEIROS. NÃO INCLUSÃO. Não devem ser incluídas as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 82 /2 00 7- 75 Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 598 2 definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de recurso especial quando ausente a similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, necessária para caracterização da divergência jurisprudencial. PIS NÃOCUMULATIVO. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF 125. No ressarcimento da Contribuição para o PIS nãocumulativa não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto à taxa selic sobre os valores a serem ressarcidos de Pis/Pasep e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 599 3 Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade à lei interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro no art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, combinado com os artigos 7º, inciso I, e 15, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 147/2007, e de recurso especial de divergência apresentado pela Contribuinte PENASUL ALIMENTOS LTDA, com base nos artigos 64 e 67 do Regimento Interno Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009. As Recorrentes buscam a reforma do Acórdão n.º 220100.152, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, no sentido de conhecer em parte do recurso voluntário em razão da preclusão e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de oficio. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃOCUMULATIVO. BASE DE CALCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio. RESSARCIMENTO. COFINS NÃOCUMULATIVA. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. Ao ressarcimento não se aplicam os juros Selic, inconfundível que é corn a restituição ou compensação, sendo que no caso do PIS e COFINS nãocumulativos os arts. 13 e 15, VI, da Lei n" 10833/2003, vedam expressamente tal aplicação. Recurso não conhecido em parte, em face de preclusão, e provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CARF: I) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso quanto à matéria referente ao questionamento acerca da definição de insumo, por estar preclusa; e II) na Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 600 4 parte conhecida, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o ressarcimento tal como constou no pedido original, sem a aplicação da selic. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negou provimento ao recurso. No julgamento do recurso voluntário, portanto, decidiu o Colegiado a quo por não conhecer do recurso no que tange à discussão quanto ao conceito de insumo, em razão da preclusão e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso reconhecendo o pedido de ressarcimento tal com pleiteado pela Contribuinte, com a reversão de todas as glosas efetuadas pela Fiscalização, uma vez ausente o lançamento de ofício para a constituição do crédito, no entanto, sem aplicação da taxa Selic sobre o valor a ser ressarcido. Nessa oportunidade, por meio de recurso especial, a Fazenda Nacional alega violação aos artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil de 1973, vigente à época da interposição do recurso, bem como ao artigo 5º, §2º, da Lei n.º 10.637/2002. Em suas razões, aduz preliminarmente a nulidade da decisão recorrida, pois defeso ao julgador decidir sobre a necessidade de lançamento de ofício das glosas efetuadas, matéria não aventada pela Contribuinte no processo. No mérito, sustenta não haver necessidade da realização de lançamento de ofício para a cobrança de débitos da Contribuinte para com a Fazenda Nacional, reconhecidos em razão do pedido de ressarcimento por ele apresentado. A possibilidade de glosas no pedido de ressarcimento está prevista no art. 5º da Lei n.º 10.637/2002. Foi dado seguimento ao recurso especial por contrariedade à lei, nos termos do despacho n.º 340000.476, de 11/11/2013, proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por ter entendido como preenchidos os requisitos de admissibilidade. A Contribuinte, por sua vez, suscita divergência jurisprudencial com relação à (a) preclusão de matéria não expressamente contestada na impugnação, mais especificamente quanto às discussões sobre as glosas de bens não compreendidos no conceito de insumos/produto intermediário; e (b) possibilidade de atualização monetária pela taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Para comprovar o dissenso, indicou como paradigmas os acórdãos n.º 280102.078 e 3401002.075, respectivamente. Foi dado seguimento ao recurso especial, nos termos do despacho S/Nº, de 08/10/2015, proferido pelo Ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF em exercício à época, por ter entendido como comprovada a divergência jurisprudencial. Na mesma oportunidade, a empresa trouxe suas contrarrazões ao recurso especial da Fazenda Nacional, postulando a sua negativa de provimento. De outro lado, a Fazenda Nacional, devidamente intimada da insurgência do Sujeito Passivo, postulou a negativa de provimento ao apelo especial do mesmo em sede de contrarrazões. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 601 5 O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade 1. Recurso Especial da Fazenda Nacional O recurso especial por contrariedade à lei interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, combinado com os artigos 7º, inciso I, e 15, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n.º 147/2007, merecendo prosseguimento. 2. Recurso Especial da Contribuinte De outro lado, o apelo especial de divergência interposto pela Contribuinte PENASUL ALIMENTOS LTDA. atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, tão somente com relação à possibilidade ou não de incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento das contribuições, devendo, portanto, ter prosseguimento nessa parte. Com relação à preclusão de matéria que não foi expressamente contestada na manifestação de inconformidade, entendese que há diferença fática importante entre os acórdãos recorrido e aquele indicado como paradigma, o que obsta o trânsito do recurso especial quanto a essa divergência. Diversamente do presente processo, no caso julgado pelo acórdão paradigma houve a juntada de prova inconteste do seu direito pela Contribuinte, o que justificaria a Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 602 6 aplicação do princípio da verdade material para análise da prova trazida aos julgadores administrativos, consoante depreendese de trecho do voto, in verbis: [...] Em que pese tais rendimentos tenham sido considerados acertadamente pela decisão recorrida como matéria preclusa por não ter sido expressamente contestada, entendo que a aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material. Pois o Princípio da Verdade Material está em permanente tensão com o da Preclusão e toca ao julgador ponderálos adequadamente. Assim, no presente caso, em observância ao princípio da verdade material verifico que é improcedente o correspondente lançamento, haja vista que o documento apresentado pelo recorrente, à fls. 54, demonstra que o valor de R$ 1.072,74 não deve integrar a base de cálculo do imposto de renda, consoante o disposto no art 50, III, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/1999, eis que se trata de taxa de administração, ou seja, despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento. [...] Assim, por serem distintas as circunstâncias fática e jurídica apresentadas no acórdão recorrido e nos acórdãos ditos paradigmas, resta incomprovada a divergência jurisprudencial suscitada, pois, não há que se falar em divergência na aplicação da legislação tributária ante circunstâncias fáticas e jurídicas diferentes. Dessa forma, não deve ser conhecido o recurso especial da Contribuinte, em razão da inexistência de similitude fática e jurídica entre o acórdão recorrido e o paradigma. Mérito No mérito, a Fazenda Nacional insurgese em relação a dois pontos: (a) preliminarmente, sustenta a nulidade da decisão recorrida, por ter decidido a demanda além do que foi pedido pela parte ao aventar a necessidade de lançamento de ofício para cobrança das glosas efetuadas; e (b) acaso superada a preliminar, aduz ser possível a constituição do crédito tributário relativo aos valores indevidamente compensados no próprio pedido de ressarcimento, nos termos do art. 5º, da Lei n.º 10.637/2002. A Contribuinte, por sua vez, suscita divergência jurisprudencial quanto à possibilidade de correção monetária pela taxa Selic dos valores do PIS/Pasep nãocumulativo a ser ressarcido desde a data do protocolo do pedido. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 603 7 Passase à análise dos recursos especiais: 1 Recurso especial da Fazenda Nacional A preliminar suscitada pela Fazenda Nacional cingese à possibilidade de conhecimento de ofício de prejudicial referente à necessidade de lançamento em auto de infração de reajuste na base de cálculo do débito em pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep nãocumulativo. Com relação a esse tópico, adoto os argumentos trazidos no Acórdão n.º 9303006.608, de 11 de abril de 2018, de relatoria dessa Conselheira, para afastar a possibilidade de ser aventada pelo Julgador a necessidade de lançamento de ofício para alteração da base de cálculo do tributo pretendido ressarcir. Seguem abaixo transcritos, in verbis: [...] Com a devida vênia ao acórdão proferido pelo Colegiado a quo e embora possa reconhecer e concordar com fundamentos relativos à necessidade de realização do lançamento de ofício para alterar a base de cálculo do tributo pretendido ressarcir, não se verifica a possibilidade de o julgador conhecer da preliminar de ofício. Tratase de matéria que deve ser suscitada pelas partes envolvidas no processo administrativo. Há entendimento deste Conselho em ambos os sentidos: ser necessário o lançamento para alterar a base de cálculo do tributo pretendido ressarcir; bem como existir a possibilidade de ser verificada a correção da base de cálculo nos próprios autos do pedido de ressarcimento/compensação, tendo em vista a necessidade de tornar a obrigação líquida e certa para que ocorra o pagamento pelo Poder Público do montante a ressarcir. Portanto, a necessidade ou não de realização de lançamento de ofício é matéria que poderia ter sido alegada pela parte desde o início da discussão travada no processo administrativo, não se tratando de hipótese que deva ser reconhecida de ofício pelo Juiz. Transpondo a análise para a nova legislação processual civil (Código de Processo Civil de 2015), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, verificase terem sido ampliadas as possibilidades de atuação de ofício do julgador nos autos do processo, inclusive requisitando e determinando a realização de provas quando entender necessário à solução do litígio. No entanto, com relação aos argumentos e requerimentos que devem ser veiculados pelas partes, não se observa a condição do julgador de trazer as alegações "de ofício", salvo as hipóteses ali previstas e as questões de ordem pública, como a prescrição e a decadência, exemplificativamente. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 604 8 Para elucidar o raciocínio, são transcritos abaixo alguns dos dispositivos do novo CPC/2015 demonstrando os momentos em que o juiz atuará de ofício nos autos: CPC/2015 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. [...] Art. 278. A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão. Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar de ofício, nem prevalece a preclusão provando a parte legítimo impedimento. [...] Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: I inexistência ou nulidade da citação; II incompetência absoluta e relativa; III incorreção do valor da causa; IV inépcia da petição inicial; V perempção; VI litispendência; VII coisa julgada; VIII conexão; IX incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; X convenção de arbitragem; XI ausência de legitimidade ou de interesse processual; XII falta de caução ou de outra prestação que a lei exige como preliminar; XIII indevida concessão do benefício de gratuidade de justiça. §1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 605 9 §2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. §3º Há litispendência quando se repete ação que está em curso. §4º Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. §5º Excetuadas a convenção de arbitragem e a incompetência relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo. [...] Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. [...] Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: I indeferir a petição inicial; II o processo ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III por não promover os atos e as diligências que lhe incumbir, o autor abandonar a causa por mais de 30 (trinta) dias; IV verificar a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; VI verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; VII acolher a alegação de existência de convenção de arbitragem ou quando o juízo arbitral reconhecer sua competência; VIII homologar a desistência da ação; IX em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; e X nos demais casos prescritos neste Código. §1º Nas hipóteses descritas nos incisos II e III, a parte será intimada pessoalmente para suprir a falta no prazo de 5 (cinco) dias. §2º No caso do § 1o, quanto ao inciso II, as partes pagarão proporcionalmente as custas, e, quanto ao inciso III, o autor será condenado ao pagamento das despesas e dos honorários de advogado. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 606 10 §3º O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. §4º Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do réu, desistir da ação. §5º A desistência da ação pode ser apresentada até a sentença. §6º Oferecida a contestação, a extinção do processo por abandono da causa pelo autor depende de requerimento do réu. §7º Interposta a apelação em qualquer dos casos de que tratam os incisos deste artigo, o juiz terá 5 (cinco) dias para retratarse. [...] Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomálo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão. Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir. [...] Art. 803. É nula a execução se: I o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível; II o executado não for regularmente citado; III for instaurada antes de se verificar a condição ou de ocorrer o termo. Parágrafo único. A nulidade de que cuida este artigo será pronunciada pelo juiz, de ofício ou a requerimento da parte, independentemente de embargos à execução. [...] Art. 938. A questão preliminar suscitada no julgamento será decidida antes do mérito, deste não se conhecendo caso seja incompatível com a decisão. §1º Constatada a ocorrência de vício sanável, inclusive aquele que possa ser conhecido de ofício, o relator determinará a realização ou a renovação do ato processual, no próprio tribunal ou em primeiro grau de jurisdição, intimadas as partes. §2º Cumprida a diligência de que trata o § 1o, o relator, sempre que possível, prosseguirá no julgamento do recurso. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 607 11 §3º Reconhecida a necessidade de produção de prova, o relator converterá o julgamento em diligência, que se realizará no tribunal ou em primeiro grau de jurisdição, decidindose o recurso após a conclusão da instrução. §4º Quando não determinadas pelo relator, as providências indicadas nos §§ 1o e 3o poderão ser determinadas pelo órgão competente para julgamento do recurso. (grifouse) Importa registrar não se estar analisando se, na hipótese de discordância da base de cálculo do tributo, deveria ou não a Autoridade Fiscal promover o respectivo lançamento, mas sim se esse argumento pode ser suscitado de ofício pelo Relator. E, nesta hipótese, entendese deva ser suscitado pela parte do processo a quem aproveitaria essa declaração de vício do ato administrativo, e não suscitada de ofício pelo julgador. [...] Consectário lógico da presente decisão é que ficam restabelecidas as glosas decorrentes da não inclusão na base de calculo do PIS dos valores relativos ao credito presumido de ICMS e das transferências para terceiros de saldos credores do ICMS, devendo os autos retornar ao Colegiado a quo para decidir o mérito das referidas discussões. Naquela ocasião, decidiuse pelo restabelecimento da glosa e retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise do mérito quanto à não inclusão na base de cálculo do PIS dos valores relativos ao crédito presumido de ICMS e das transferências para terceiros de saldos credores de ICMS. No presente caso, no entanto, não se vislumbra a pertinência de retorno dos autos à Turma a quo, porque a única matéria a ser examinada inclusão dos valores relativos às transferências de ICMS a terceiros na base de cálculo do PIS/Pasep nãocumulativo já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, e que é de observância obrigatória por estes Conselheiros. Nessa linha, entendese ser possível superar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, e passar a análise do mérito da glosa por este Colegiado em observância aos princípios da eficiência e celeridade processual, prestigiandose a teoria da causa madura, prevista no Código de Processo Civil de 2015, em seus artigos 332 e 1.013, §3º. Assim, com relação à não inclusão das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS a terceiros, acumulados em razão das operações de exportação, na base de cálculo do PIS/Pasep e COFINS nãocumulativos, a matéria restou decidida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, pela sistemática da repercussão geral, consoante art. 543B da Lei nº 5.869/1973 Código de Processo Civil vigente à época do julgado, declarando a inconstitucionalidade da inclusão, na base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS nãocumulativos, dos valores de créditos de ICMS Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 608 12 oriundos de exportação cedidos onerosamente a terceiros. O acórdão de relatoria da Ministra Rosa Weber recebeu a seguinte ementa: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 609 13 da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) Nos termos do art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recurso no âmbito do CARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 610 14 d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (grifouse) Portanto, há de ser mantido o afastamento da incidência do PIS nãocumulativo sobre os valores das transferências de ICMS a terceiros decorrentes das operações de exportação, negandose provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. 2 Recurso especial da Contribuinte Taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos de PIS/Pasep Com relação a esse tópico, na Sessão do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais de 03 de setembro de 2018, foi aprovada a Súmula CARF n.º 125, segundo a qual não é possível a incidência de correção monetária sobre o valor de PIS nãocumulativo a ser ressarcido: Súmula CARF nº 125 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 330100.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301 002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303005.941, de 28/11/2017. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11020.720082/200775 Acórdão n.º 9303007.740 CSRFT3 Fl. 611 15 (grifouse) Nessa senda, com fulcro na Súmula CARF n.º 125, negase provimento ao recurso especial da Contribuinte. Dispositivo Diante do exposto, é conhecido o recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, ser negado provimento; bem como, é conhecido apenas em parte o recurso especial da Contribuinte, tão somente quanto à taxa Selic e, na parte conhecida, é negado provimento. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 611DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.912495/2009-29
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 24 95 /2 00 9- 29 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10166.912495/200929 Acórdão n.º 3003000.045 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 20283.12310.030309.1.3.047071, transmitida eletronicamente em 03/03/2009, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 07/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 110), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 37.193,59. Cientificado dessa decisão em 21/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 9, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte alega erro no preenchimento da DCTF e do Dacon transmitidos originalmente, que não foram retificados antes da emissão do Despacho Decisório. Acrescenta que a declaração e o demonstrativo foram retificados antes da ciência do referido despacho e que as informações retificadas demonstrariam o direito ao crédito pleiteado pela interessada. Argumenta, ainda, que o erro em retificar a DCTF após o pedido de compensação não seria suficiente, por si só, para afastar o direito à quitação do débito compensado. Cita doutrinadores, princípios constitucionais e jurisprudência administrativa para ilustrar sua argumentação. Trata ainda da multa imposta em razão da não homologação, no percentual de 150%, apresentando o entendimento de que esta não deveria ser aplicada por inexistir subsunção do fato concreto à norma jurídica e não ter sido demonstrado que a declaração era falsa. Ao final, apresenta os seguinte pedidos: a) suspensão da exigibilidade do crédito tributário; b) deferimento da manifestação de inconformidade; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10166.912495/200929 Acórdão n.º 3003000.045 S3C0T3 Fl. 4 3 c) homologação do PER/DCOMP objeto dos autos; d) baixa do débito, face a sua compensação; e) afastamento da aplicação da multa de 150% sobre o débito. A 4ª Turma da DRJ em Brasília proferiu decisão, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2008 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando o seguinte: 1. Que as normas da RFB cita as INs 900/08 e 1300/12 que estabelecem critérios para compensação tributária não deixam claro a necessidade de apresentação de outros documentos, além das PER/DCOMPs, DCTFs e DACONs, para a comprovação do crédito pleiteado; 2. Que, visando não deixar dúvidas quanto à legitimidade do crédito pleiteado, traz, além dos documentos já apresentados na impugnação, planilha de apuração da contribuição social, utilizada como memória de cálculo da compensação efetuada, livros fiscais de apuração do IPI e do ICMS, colocandose à disposição para fornecer informações adicionais. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10166.912495/200929 Acórdão n.º 3003000.045 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito efetivamente em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as características apontadas no referido relatório. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse, pelas características do DARF informado pelo contribuinte, que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento relativo ao DARF indicado já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido eletronicamente Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente alega que cometeu erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito de COFINS foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de COFINS a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação de que as declarações originais continham apuração errônea dos débitos de COFINS de onde decorreria o crédito efetivamente litigioso. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10166.912495/200929 Acórdão n.º 3003000.045 S3C0T3 Fl. 6 5 No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a COFINS devida era realmente menor do que o valor constante das declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalado pela decisão recorrida, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10166.912495/200929 Acórdão n.º 3003000.045 S3C0T3 Fl. 7 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação trazidos como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, podendose aplicar, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos planilha de apuração da COFINS, além de páginas dos livros de Apuração de IPI e ICMS, a recorrente não demonstrou a natureza e a extensão dos valores atinentes à exclusão e deduções na apuração da COFINS devida, das quais resultou o débito a menor que teria fundamentado a retificação da DCTF e da DACON. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e os valores concernentes às deduções nãocumulativas e aqui são várias rubricas, entre as quais, "compras revenda", "compras PJ", "frete PJ", "embalagens", etc., deduções presumidas "milho pessoa física" e "sorgo pessoa física" e exclusões "Zona Franca", "IPI saída" e "S.Trib." , constantes do demonstrativo de apuração da COFINS devida no período de apuração da DCOMP. Para demonstrar seu direito, a recorrente deveria ter trazido aos autos documentos hábeis e idôneos para comprovar cada rubrica que compõe as deduções não cumulativas, deduções presumidas e exclusões. Poderia, por exemplo, ter trazido notas fiscais de frete, embalagens, além de outros documentos, a fim de provar a natureza e valor das deduções e se são, de fato, aplicáveis a seu caso. Do material probatório apresentado, não há como aferir e atestar a natureza e valores das deduções e exclusões na apuração da COFINS de que resultou o crédito pleiteado nos autos. As planilhas apresentadas e as páginas de livros apuração de IPI e ICMS não são suficientes para comprovar o direito alegado. Se o crédito pleiteado pela recorrente é derivado de pagamento indevido ou a maior em face de apuração errônea da COFINS, deveria a recorrente ter demonstrado a natureza e extensão de cada conta contábil que teria levado à redução do débito da referida contribuição social. Há que se destacar que planilhas, declarações ou demonstrativos apresentados pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo, sua natureza e sua exatidão, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. É de se assinalar, ainda, que a recorrente, apesar de juntar páginas dos livros de apuração de IPI e ICMS sem documentos que os lastreiem, vale registrar , não faz qualquer vinculação de tais escriturações às contas expressas no demonstrativo de apuração apresentado, de maneira a demonstrar a redução da COFINS devida e, por consequência, justificar o direito creditório alegado: ocorreu simples juntada de escrituração, sem esclarecimentos analíticos e específicos para demonstrar a certeza e liquidez do direito alegado. Deveria a recorrente ter trazido descrição minuciosa da apuração da COFINS, estabelecendo conexões entre os documentos contábeis e fiscais apresentados, a fim de demonstrar o direito alegado. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10166.912495/200929 Acórdão n.º 3003000.045 S3C0T3 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 200DF CARF MF
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