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Numero do processo: 15374.964178/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-005.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(nova denominação de REPSOL YPF BRASIL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 41 78 /2 00 9- 56 Fl. 1770DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP – retificador de final 4980) de fls. 3 a 71, transmitido em 12/03/2007, invocando crédito de COFINS referente a pagamento considerado indevido, de janeiro de 2007, efetuado em 16/02/2007, no valor de R$ 262.034,75, utilizado totalmente em compensação. No Despacho Decisório Eletrônico de fl. 9, datado de 07/10/2009, o pedido é negado, sob a motivação e que “[a] partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Às fls. 8 e 10 constam informações sobre o envio do despacho decisório ao domicílio tributário do contribuinte, indicando como data de entrega 20/10/2009. Às fls. 11 a 14, consta Manifestação de Inconformidade, com protocolo de 19/11/2009, na qual a empresa informa que o débito foi quitado por duas compensações e por DARF (fl. 12), sendo o crédito resultante de recolhimento a maior no período de janeiro de 2007, mas a empresa preencheu incorretamente DCTF, enviando DCTF retificadora em 06/11/2009. Juntase à peça de defesa o comprovante de arrecadação, DCOMP, excertos de DACON e DCTF. A decisão de primeira instância (fls. 58 a 64), proferida em 31/01/2014, foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, por ser a retificação de DCTF posterior ao despacho decisório, e não ter a empresa comprovado inequivocamente a origem do crédito alegado no PER/DCOMP, mediante cópias de livros e documentos. Ciente da decisão de piso em 13/01/2015 (termo de fl. 77), a empresa solicita, em 06/02/2015 (fl. 79) a juntada do Recurso Voluntário (fls. 80 a 92), no qual se sustenta que: (a) a ciência da decisão de piso de deu em 13/01/2015 (via DTE); (b) em nome da verdade material, tem o direito de corrigir o erro de fato em seu pedido, pelo que junta os documentos de fls. 93 a 1766: Razão das contas de que geraram os créditos para a contribuição, Livro Diário de Janeiro de 2007, Balanço de Janeiro de 2007, Relatório de Aquisição de Bens para Revenda e Insumos, Notas Fiscais, Relatório de Declarações de Importação e suas respectivas cópias, para comprovar que, apesar de ter declarado inicialmente em DCTF (e pago), para janeiro de 2007, DARF no valor de R$ 2.270.208,25, o valor devido era R$ 2.008.173,50; e (c) alternativamente, demandase a conversão em diligência, “...com o objetivo de comprovar a existência do crédito”. Em 09/02/2015 o recurso apresentado é reconhecido como tempestivo e enviado ao CARF (fl. 1769), sendo distribuído a este relator, por sorteio, em junho de 2018. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 15374.964178/200956 Acórdão n.º 3401005.740 S3C4T1 Fl. 1.771 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. Analisando a argumentação de defesa, percebese que se resume à aplicação, ao caso, da verdade material, com análise da documentação apresentada apenas em sede recursal. Para tanto, resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 1772DF CARF MF 4 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, o débito informado estava incorreto, e providenciou a devida retificação, ainda que posteriormente ao despacho decisório. E, em apoio a tal afirmação, junta apenas excertos de DACON e DCTF, além do DARF e da própria DCOMP, sem detalhamento de qual o efetivo fator ensejador do erro. A DRJ conclui que a postulante ao crédito não comprova sua alegação, e não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado, e não comprova a base de cálculo utilizada para apuração da COFINS. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 Em sede recursal, em 2015, a empresa simplesmente junta centenas de páginas de documentos, afirmando que efetuou pagamento a maior, em janeiro de 2007, novamente sem um detalhamento da razão efetiva do pagamento a maior, o que demanda, praticamente, a reapuração de seus créditos. Além de não se enquadrar tal juntada inaugural em sede recursal nos casos previstos no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972, ainda resta ausente, a meu ver, a clara explicação do ocorrido. E a demanda alternativa para conversão em diligência “...com o objetivo de comprovar a existência do crédito” fala por si só. Como exposto, a diligência não se presta para que o contribuinte, postulante ao crédito, prove o que deveria ter provado desde a instauração do contencioso, respeitados os procedimentos estabelecidos no Decreto no 70.235/1972, mas 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 15374.964178/200956 Acórdão n.º 3401005.740 S3C4T1 Fl. 1.772 5 para sanar eventual dúvida do julgador na apreciação da lide, desde que cumpridos os requisitos processuais aplicáveis ao caso. E não se vê, no presente contencioso, inaugurado com manifestação de inconformidade sintética, desamparada de documentos comprobatórios relevantes, e complementada com peça recursal igualmente genérica, com centenas de documentos em anexo, nos quais não se vislumbra indícios de que possa estar correta a alegação de defesa, de modo a ser a documentação inapta até para semear a dúvida no julgador, no caso. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1774DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.733669/2011-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.733669/201172 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.888 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Recorrente ELEONORA RIBEIRO DA ROCHA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 36 69 /2 01 1- 72 Fl. 72DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: Exercício: 2010 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação por documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa na manutenção da glosa. Passagens do voto do acórdão de impugnação relataram e sustentaram o seguinte: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo(a) contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física. Valor: R$ 25.280,00. Motivo da glosa: Foram glosadas as seguintes despesas médicas: • Aridinea Vacchiarozio (R$ 2.450,00) – recibos genéricos, falta de identificação do beneficiário do serviço prestado, e por não se revestirem das formalidades legais necessárias e exigidas; • Maria da Conceição da Silva (R$ 4.430,00) – sem registro profissional, falta de identificação do paciente beneficiário do serviço prestado e por não se revestirem das formalidades legais necessárias e exigidas; • Jose Lopes Gomes (R$ 14.400,00) – recibos genéricos, falta de identificação do beneficiário do serviço prestado, e por não se revestirem das formalidades legais necessárias e exigidas • Cristiane Rosa Ramalho de Almeida (R$ 4.000,00) recibos genéricos, falta de identificação do beneficiário do serviço prestado, e por não se revestirem das formalidades legais necessárias e exigidas A fundamentação legal das infrações encontrase descritas às fls. 07 e 10. O (A) contribuinte, cientificado(a) apresentou defesa (fls. 02/04) tempestiva, alegando em breve síntese que: preliminarmente, alega que a descrição dos fatos e enquadramento legal é um seu todo insubsistente, não contendo sequer enquadramento legal, constituise na verdade de meras afirmações; anexa os comprovantes das despesas médicas glosadas, sendo que os mesmos estão revestidos das formalidades legais. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12448.733669/201172 Acórdão n.º 2001000.888 S2C0T1 Fl. 3 3 Os recibos médicos emitidos pela profissional Aridinea Vacchiarozio (fls. 16/19) não podem ser aceitos, uma vez que não identifica o endereço do prestador do serviço, nem mesmo quem seria a pessoa beneficiária do serviço prestado, consta apenas a pessoa responsável pelo pagamento. Os recibos médicos emitidos pela profissional Maria da Conceição da Silva (fls. 20/27) não podem ser aceitos, uma vez que não identifica o endereço do prestador do serviço, nem mesmo quem seria a pessoa beneficiária do serviço prestado, consta apenas a pessoa responsável pelo pagamento e nem o registro profissional da emitente, logo não dá nem para saber qual seria a profissão da emitente dos recibos. Os recibos médicos emitidos pelo profissional Jose Lopes Gomes (fls. 28) não podem ser aceito, uma vez que não identifica o endereço do prestador do serviço, nem mesmo quem seria a pessoa beneficiária do serviço prestado, consta apenas a pessoa responsável pelo pagamento. Os recibos emitidos pela profissional Cristiane Rosa Ramalho de Almeida (fls. 34/37) não podem ser aceitos, uma vez que não identifica o endereço do prestador do serviço, nem mesmo quem seria a pessoa beneficiária do serviço prestado, consta apenas a pessoa responsável pelo pagamento. O contribuinte reitera seus argumentos e pleiteia provimento integral ao recurso voluntário. Reproduzimos uma passagem do recurso: Fl. 74DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, no valor de R$ 25.280,00. Em relação às despesas médicas, houve glosa por formalidades, falta de endereço e indicação de paciente. Observese que em alguns casos a informação se encontrava no verso do documento. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 12448.733669/201172 Acórdão n.º 2001000.888 S2C0T1 Fl. 4 5 A falta de indicação do nome do paciente, em recibo emitido em nome da contribuinte, sem nenhuma investigação, sem nenhuma indicação de que não se trata o contribuinte o paciente, não se afigura motivo para não aceitação do documento. Constituise prática comum a emissão de recibos dessa maneira. A recusa deve apresentar alguma indicação de falta de idoneidade no documento. Não foi o caso. A falta de endereço no documento, como motivo para recusa, prendese a formalismo que poderia a mais das vezes ser suprido por simples pesquisa. Da mesma forma não inquina o documento de nenhuma inidoneidade. A falta de indicação mais clara do profissional foi alegada pelo acórdão de impugnação, mas o próprio Despacho Decisório ao descrever a prática recorrente de dedução desse profissional o aponta como dentista. Há elementos na documentação que indicam a necessidade de verificação, investigação. O lançamento fez uma tentativa de inquinar inidoneidade por uma prática de dedução repetida de valores elevados do mesmo profissional, mas o que é um indício a investigar passou a ser um fator de recusa. No caso, afora a repetição citada, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva. Tampouco foram apresentados vícios, indícios ou circunstâncias desabonadoras para os documentos apresentados pelo contribuinte. Não foi apresentada nenhuma investigação, circularização, ou outro procedimento de verificação que indicasse algum problema, ou mesmo dúvida, nos documentos. Como as alegações de recusa se prenderam a formalidades, e os documentos indicam prestação de serviços médicos, na dúvida, na falta de fundamentação na recusa e na ausência de indicações desabonadoras claras, entendo pela aceitação dos documentos. Em argumentação geral, os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. Fl. 76DF CARF MF 6 E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; Fl. 77DF CARF MF Processo nº 12448.733669/201172 Acórdão n.º 2001000.888 S2C0T1 Fl. 5 7 VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentos consistentes que indiquem inidoneidade dos documentos usuais de comprovação, é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Fl. 78DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.720030/2017-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2013
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO.
Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à omissão nas partes dispositivas e ementa acerca de matérias deliberadas, acolhem-se os embargos inominados para que seja sanado o vício apontado.
Numero da decisão: 1302-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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LAPSO MANIFESTO Embargante PDG REALTY S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2013 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à omissão nas partes dispositivas e ementa acerca de matérias deliberadas, acolhemse os embargos inominados para que seja sanado o vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 00 30 /2 01 7- 87 Fl. 11759DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.341 S1C3T2 Fl. 11.760 2 Em 17 de agosto de 2018, esta turma proferiu, em relação a estes autos, o Acórdão nº 1302003.035 (fls. 11.709 a 11.720), por meio do qual acolheu a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo conselheiro relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar, tendo em vista que a decisão de primeira instância deixou de analisar matéria constante da Impugnação apresentada pelo sujeito passivo (incidência de juros sobre as multas aplicadas). Após a ciência, a autuada interpôs, os Embargos Inominados de fls. 11.732 a 11.734, no qual alega que "O VOTO CONDUTOR DA DECISÃO ORA EMBARGADA ADENTRA EM MATÉRIAS PRELIMINARES E DE MÉRITO (ADUZIDAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO DA EMBARGANTE) QUE NÃO FORAM OBJETO DE DELIBERAÇÃO PELA C. TURMA NO JULGAMENTO HAVIDO EM 17.08.2018". É que, conforme a Ata da Reunião de Julgamento e parte dispositiva do Acórdão embargado, o julgamento versou exclusivamente acerca da declaração de nulidade parcial da decisão de primeira instância, enquanto o referido voto condutor teria abordado outras matérias trazidas no Recurso Voluntário. A Embargante pede, portanto, que sejam acolhidos os Embargos para que seja "declarada a ocorrência de erro material e lapso manifesto com relação ao voto condutor do V. Acórdão embargado, e determinada a análise de todas as matérias de fato e de Direito que foram aduzidas no Recurso Voluntário da ora Embargante, sejam preliminares ou de mérito, pela E. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF". Os Embargos foram admitidos pelo Sr. Presidente desta Turma Julgadora, por meio do Despacho de fls. 11.755 a 11.757. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como dito, os Embargos foram regularmente admitidos, na forma do art. 66 do RI/CARF: "Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão." Efetivamente, a Ementa e parte dispositiva do Acórdão embargado, a parte dispositiva do voto condutor, bem como a ata da sessão de julgamento, restringemse a abordar a questão da nulidade da decisão de primeiro grau: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 Fl. 11760DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.341 S1C3T2 Fl. 11.761 3 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado." "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo conselheiro relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada)." "Neste sentido, voto por, de ofício, declarar a nulidade parcial da decisão recorrida, para que a autoridade julgadora de primeira instância proceda a julgamento complementar, de modo a se pronunciar sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício." De outra parte, o voto condutor do referido Acórdão trata de várias outras questões: preliminar de nulidade do auto de infração em razão de erro de direito e cerceamento do direito de defesa, nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa devido ao indeferimento do pedido de diligência e conhecimento dos documentos juntados aos autos. Assim, de fato, estamos diante de inexatidões materiais devido a lapso manifesto no referido Acórdão. Ocorre que, ao contrário do defendido pela Embargante, o voto condutor não trata de matérias que não foram objeto de julgamento. Na verdade, o seu teor engloba todas as matérias que, efetivamente, foram objeto de deliberação por parte desta Turma Julgadora, sem prejuízo da reanálise das nulidades suscitadas quanto ao auto de infração, por ocasião do julgamento de eventual Recurso Voluntário apresentado em relação à nova decisão a ser proferida pela DRJ. O lapso, portanto, encontrase no fato de a ata da sessão de julgamento, parte dispositiva e ementa não refletirem as questões decididas. Fl. 11761DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.341 S1C3T2 Fl. 11.762 4 Isto posto, voto pelo conhecimento e acolhimento dos Embargos Inominados, para, alterando o Acórdão nº 1302003.035, promover as seguintes retificações: A Ementa do referido Acórdão deve passar ao seguinte teor: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2013 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de Impugnação não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. HIPÓTESES DE NULIDADE. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO. REGULARIDADE. Não se comprovando situação que se enquadre nas hipóteses do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, não ocorre a nulidade do lançamento e/ou da decisão de primeira instância. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. NULIDADE. AUSÊNCIA. O indeferimento de pedido de realização de diligência, considerada prescindível pela autoridade julgadora, não configura cerceamento do direito de defesa, não eivando de nulidade a decisão. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE MATÉRIA. NULIDADE PARCIAL. É parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar ponto da impugnação relativo a um dos potenciais efeitos da decisão a ser proferida. Todavia, a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo da impugnação não apreciado. A parte dispositiva do Acórdão deve ser alterada para: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não acolher a preliminar de nulidade do auto de infração; não acolher a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa devido ao indeferimento do pedido de diligência; e acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão de primeiro grau, suscitada de ofício pelo conselheiro relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira decisão complementar, nos termos do relatório e voto do relator. Ausente, justificadamente, o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa que foi substituído no colegiado pela conselheira Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Finalmente, a parte dispositiva do Voto, deve passar a conter o seguinte conteúdo: "Neste sentido, voto por: Fl. 11762DF CARF MF Processo nº 10872.720030/201787 Acórdão n.º 1302003.341 S1C3T2 Fl. 11.763 5 a) não acolher a preliminar de nulidade do auto de infração; b) não acolher a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa devido ao indeferimento do pedido de diligência; c) declarar, de ofício, a nulidade parcial da decisão recorrida, para que a autoridade julgadora de primeira instância proceda a julgamento complementar, de modo a se pronunciar sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício." (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 11763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.731699/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter os autos em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator e Presidente em exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício) Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos.
Relatório
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter os autos em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator e Presidente em exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício) Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter os autos em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator e Presidente em exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Reginaldo Paixão Emos), Wesley Rocha, Sheila Aires Cartaxo Gomes (suplente convocada para substituir o conselheiro João Bellini Junior), Marcelo Freitas de Souza Costa Juliana Marteli Fais Feriato e João Maurício Vital (Presidente em Exercício) Ausentes justificadamente os conselheiros João Bellini Junior e Reginaldo Paixão Emos. Relatório Tratamse de lançamentos de contribuição previdenciária patronal (Debcad nº 37.342.9380) e contribuições devidas a terceiros (Debcad nº 37.342.9398) incidentes sobre os fatos geradores ocorridos em 2007 e 2008, e multa por omissão em Gfip (Debcad nº 37.342.9371). Os levantamentos que compuseram os lançamentos foram: Levantamento Descrição Período E1 Aluguel Diretores Contr Individual 01/2007 a 12/2008 F4 Aluguel Diretor Empregado 01/2007 a 10/2007 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 31 69 9/ 20 11 -9 8 Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 11080.731699/201198 Resolução nº 2301000.746 S2C3T1 Fl. 1.293 2 G1 PLR Diretores 02/2007 a 04/2008 N1 PLR Empregados 01 01/2007 a 08/2008 N2 PLR Empregados 02 01/2007 a 12/2008 M2 PLR Empregados 01/2007 a 12/2008 M9 PLR Empregados 01/2008 a 07/2008 SB/SC Ajuda de Custo 03/2007 a 04/2008 SE Convênio FNDE 01/2007 a 05/2007 L7 Nâo Declarado 0135 08/2008 O contribuinte apresentou impugnação sob as seguintes alegações: a)a participação nos lucros é desvinculada da remuneração, não está contida na regra matriz de incidência da contribuição previdenciária, não é verba recebida em retribuição ao trabalho e não há distinção, na lei, para efeito de incidência da contribuição previdenciária, entre trabalhadores empregados ou contribuintes individuais; b)o sindicato não compareceu às negociações sobre PLR, embora devidamente convidado; c)os acordos são idênticos aos de anos anteriores, no que se refere à unidade de Porto Alegre e demais unidades, sendo que nas outras unidades houve a participação de representante sindical; d)os acordos atendem aos requisitos da lei quanto a metas específicas, periodicidade etc.; e)o Sindifértil ratificou os termos dos acordos; f)a participação sindical na negociação para pagamento de PLR tem a finalidade de tutelar os interesses dos trabalhadores, mas n ão é um requisito legal para a caracterização jurídica da verba; g)a participação dos diretores nos lucros obedeceu ao disposto na legislação societária, não cabendo sua classificação como pro labore; h)a norma constitucional que estabelece a não vinculação da PLR à remuneração tem eficácia plena; i) quanto aos aluguéis, tratase de verba indenizatória e, portanto, não integra o salário de contribuição; j)quanto às ajudas de custo, os diretores estatutários possuem o mesmo direito dos empregados quanto à percepção da vantagem e, ademais, possuem caráter indenizatório. A impugnação foi julgada improcedente e o lançamento foi mantido. No recurso voluntário, a recorrente manteve as alegações do primeiro apelo. Apreciado pelo Carf, resolveu o colegiado baixar os autos em diligência (efls. 1038 a 1057) para que fossem esclarecias as seguintes questões: (i) se os pagamentos efetuados a título de a participação nos resultados dos diretores empregados estão atendendo aos preceitos da Lei Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 11080.731699/201198 Resolução nº 2301000.746 S2C3T1 Fl. 1.294 3 6.404/1976; (ii) se os pagamentos efetuados a título de participação nos resultados dos diretores empregados estão atendendo ao disposto no Estatuto da Recorrente; (iii) em relação aos pagamentos efetuados a título de participação nos resultados dos diretores empregados, se o Estatuto da empresa está congruente com os preceitos da Lei 6.404/1976; A unidade preparadora retornou o processo com informação fiscal (efls. 1067 a 1069) em que, em síntese, afirmou que, em relação à distribuição de lucros, 1) os preceitos da Lei nº 6.404, de 1976, não foram atendidos; 2) que os pagamentos efetuados estão em desacordo com o estatuto da empresa, e 3) que não foram cumpridas as condições legais e estatutárias quanto aos créditos a diretores não empregados. A recorrente, intimada, manifestouse (efls. 1077 a 1146) acerca da informação fiscal, alegando que a distribuição de lucros aos diretores ocorreu dentro do que dispõe a Lei nº 6.404, de 1976, e o estatuto empresarial. Reafirmou, ainda, que a verba não possui natureza salarial e é desvinculada da remuneração. Reforçou o argumento de que a constituição não distingue trabalhadores empregados de não empregados e que a Lei nº 10.101, de 2000, se aplica a todos os trabalhadores. A recorrente apresentou desistência parcial do recurso, nos termos abaixo (efl. 1203): Todavia, agora vem informar a desistência parcial do recurso com relação as (sic) demais rubricas objeto das autuações, para fins de adesão ao PERT, COM EXCEÇÃO dos valores relativos ao PLR dos seus empregados (falta de assinatura do representante do sindicato) levantamentos N1, N2, M1 e M9, que pretende seguir com a discussão na esfera administrativa perante esta Colenda Corte. (Grifos do original.) Em petição de 28/08/2018 (efls. 1263 e 1264), cuja solicitação de juntada foi aceita em 20/11/2018 juntada aos autos em 20/11/2018 (efl. 1262), a recorrente solicitou o envio dos autos à unidade preparadora para incluir, no parcelamento regulado pela Instrução Normativa RFB nº 1.711, de 16 de junho de 2017 (Pert), o débito constituído no auto de infração Debcad nº 37.342.9371. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo. Não é possível, entretanto, dele conhecer quanto às matérias expressamente renunciadas (efl. 1203). Em face da petição (efls. 1263 e 1264) para encaminhamento dos autos à unidade preparadora a fim de incluir, no parcelamento, o Debcad nº 37.342.9371, correspondente à multa por omissão em Gfip, entendo que houve desistência do litígio também quanto à matéria, o que impede o conhecimento do recurso nesse ponto. Se vencido quanto ao conhecimento desta matéria, voto por negarlhe provimento porque ela decorre das razões e conclusões acerca das verbas principais, às quais também nego provimento como adiante exposto. Registrese que o processo já havia sido sorteado e distribuído para julgamento e, Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 11080.731699/201198 Resolução nº 2301000.746 S2C3T1 Fl. 1.295 4 inclusive, já havia sido indicado para a pauta quando foi apreciada a solicitação de juntada da petição, não há razão para a apartação. Apesar de haver citado o levantamento M1, esse levantamento não consta dos autos e, do que se depreende do relatório fiscal (efls. 50 e 51), o levantamento correto é o M2. Portanto, a desistência do recorrente não se aplica aos levantamentos N1, N2, M2 e M9, que são os relacionados ao pagamento de PLR a empregados. Os levantamentos N1 e N2 referemse à ausência de assinatura do representante sindical no termo de acordo de participação em lucros e resultados. Os levantamentos M2 e M9 tratam dos pagamentos em periodicidade maior do que duas vezes anuais. Quanto à participação sindical (levantamentos N1 e N2), o recorrente alegou que o sindicato da base territorial da unidade de Porto Alegre, Sindiquímica, teria sido chamada a participar das negociações, mas não teria comparecido. Também alegou que os acordos eram idênticos aos de anos anteriores e a de outras unidades da empresa, nas quais teria havido participação sindical na celebração do instrumento. Informou, ainda, que, em 2011, novo sindicato assumiu a base territorial e teria aquiescido os acordos relativos a 2007 e 2008. Sustentou que a finalidade da participação sindical seria tutelar os interesses dos trabalhadores, mas a ausência de participação não seria suficiente para descaracterizar juridicamente a verba paga que, por ser desvinculada da remuneração, estaria fora do campo de incidência de contribuições previdenciárias. Alegou, finalmente, que os acordos continham metas, índices e critérios estabelecidos, consoante as disposições legais. Não assiste razão à recorrente. A matéria é movediça no âmbito do Carf e, admito, eu próprio já me manifestei de distintas maneiras, a depender do caso concreto, até me render ao entendimento preponderante segundo o qual a PLR, enquanto instrumento de integração entre capital e trabalho, deve atender aos seguintes requisitos, dentre outros, derivados da Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000: a) o acordo deve ocorrer antes do período aquisitivo a que se refere1; b) o acordo deve resultar de negociação no âmbito de 1) convenção ou acordo coletivo ou 2) comissão paritária entre empresa e empregados, contando com a obrigatória participação de um representante do sindicato da categoria; c) o acordo deverá conter regras claras e objetivas que determinem o direito à percepção da PLR, bem como as condições a serem satisfeitas; d) deverão ser convencionados mecanismos de aferição, periodicidade do pagamento, período de vigência e prazos para revisão do acordo; e) o programa de metas, resultados e prazos devem ser pactuados previamente; 1 Precedentes do Carf: Ac. 9202004347, Ac. 2301004.361, Ac. 2401004.411, Ac. 2301005.2102. Precedente do STJ: Resp 1216838/RS. Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 11080.731699/201198 Resolução nº 2301000.746 S2C3T1 Fl. 1.296 5 f) não pode ocorrer o pagamento de PLR em periodicidade inferior ao semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; g) o acordo deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores; Quanto à participação sindical, quis, o legislador, que o representante do sindicato acompanhasse a negociação que resultaria no acordo para pagamento da PLR. Essa é a inteligência do art. 2º e seus incisos. Significa dizer que essa participação só pode ser prévia à celebração do acordo. Portanto, entendo que a anuência e concordância do novo sindicato, ocorrida após a implantação do acordo, não é suficiente para suprir o requisito legal que determina a participação na fase preliminar, quando o acordo ainda está sob negociação. O mesmo raciocínio se aplica aos argumentos, trazidos pela recorrente, de que acordos de outros estabelecimentos ou de outros períodos, para os quais teria havido a participação sindical, supririam a deficiência apontada pela Autoridade Lançadora, isso porque ainda assim permaneceria a questão central, que é a ausência do representante sindical durante a negociação específica daquele estabelecimento e naquele período. Concordo com a recorrente que a ausência desse requisito não desfigura a verba, que terá sido resultante da participação nos lucros. Porém, retiralhe o caráter de isenção do rendimento prevista na alínea j do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, porquanto o dispositivo exclui do salário de contribuição somente a PLR paga de acordo com a lei específica, que é a Lei nº 10.101, de 2000. No caso, entendo que o pagamento está em desacordo com a lei por ferir o disposto em seu art. 2º, inc. I e, portanto, não se enquadra na regra excludente. Quanto aos pagamentos efetuados em periodicidade maior do que seis meses, tratase de requisito legal explícitado no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101, de 2000: §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ora, claramente se nota, nos levantamentos M2 e M9 (efl. 60), que os empregados Flávio, Karina e Mauro receberam três parcelas de PLR ao longo de 2008, em evidente inobservância ao requisito objetivo da lei. Porém, dado que os pagamentos excedentes a um por semestre civil ocorreram apenas em relação a três empregados, é importante verificar se, de fato, se trataram de nova parcela de PLR ou se corresponderam ao pagamento de verba rescisória ou acerto por erro de cálculo. Nesses casos, não se tratariam de um terceiro pagamento, mas apenas um ajuste aos valores devidos originalmente. Devem, pois, os autos ser baixados em diligência para que a autoridade preparadora intime o sujeito passivo a justificar cada um dos pagamentos constantes dos levantamentos M2 e M9 (efl. 60). (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator Fl. 1303DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15578.720033/2013-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 5.530 a 5.560) interposto contra o Acórdão nº 0131.689, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 5.495 a 5.523), que, por unanimidade, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: " ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 78 .7 20 03 3/ 20 13 -3 5 Fl. 5571DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.572 2 Ementa: CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. As garantias do contraditório e da ampla defesa somente se manifestam com a instauração da fase litigiosa, ressalvados os procedimentos fiscais para os quais lei assim exija. Comprovado que o sujeito passivo tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do despacho decisório, e que lhe foi oferecido prazo para defesa, não há como prosperar a tese de nulidade por cerceamento do direito ao contraditório e da a ampla defesa. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem nulidade da decisão enquanto ato administrativo. DECADÊNCIA. APURAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. O prazo decadencial estampado no CTN impede o lançamento, mas não obsta a aferição do direito creditório do contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2012 DESPESA NÃO COMPROVADA. PRESSUPOSTOS. A configuração da infração de despesa não comprovada pressupõe o oferecimento da oportunidade do sujeito passivo de se manifestar a respeito da existência da despesa, ressalvada a comprovação inequívoca de sua inexistência. FINANCIAMENTO. LIQUIDAÇÃO. DESÁGIO. RECEITA TRIBUTÁVEL. A liquidação com deságio de financiamento efetuado por banco estadual, para fomento das atividades de importação e exportação, gera uma receita financeira tributável em igual valor ao deságio. ESTIMATIVAS PARCELADAS. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo de IRPJ apurado na declaração anual, oriundo de valores devidos mensalmente por estimativa, não recolhidos tempestivamente e inscritos em parcelamento, somente poderá ser utilizado pelo sujeito passivo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB à medida que forem quitados, e desde que o montante já pago exceda o valor do imposto ou da contribuição e que a quitação ocorra até a data de entrega da declaração de compensação." O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DComp) nº 05984.14385.191212.1.3.023209 (fls. 02 a 12), apresentada pela Recorrente, com base em suposto saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado em relação ao anocalendário de 2007, no montante de R$ 25.329.907,67 (vinte e cinco milhões, trezentos e vinte e nove mil, novecentos e sete reais e sessenta e sete centavos), e composto do seguinte modo: DESCRIÇÃO VALOR (R$) Lucro líquido 123.532.014,05 Adições 13.588.503,75 Exclusões 101.138.154,59 Lucro Real 35.982.363,21 Fl. 5572DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.573 3 Compensações de prej. anteriores 1.500.887,88 Lucro Real após compensações 34.481.475,33 IRPJ apurado em 31/12/2007 8.596.368,83 () Retenções na fonte 202.195,30 () Estimativas mensais 33.724.081,20 Saldo negativo 25.329.907,67 Por meio do Parecer Seort nº 1.448/2014 e Despacho Decisório nele embasado (fls. 5.308 a 3.325), o Delegado da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES não homologou a compensação de que trata a referida DComp, com base na verificação do saldo negativo apurado pelo contribuinte em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e na desconsideração dos seguintes valores: a) R$ 23.853.960,66, referentes a valores de estimativas parceladas no âmbito dos processos administrativos nº 10783.724372/201180, 13804.001653/200787 e 13804.002635/200712, e que começaram a ser quitadas apenas a partir do ano de 2011; b) R$ 6.538.039,35, referentes a valores de estimativas compensadas em Declarações de Compensação (DComp), mas que, da análise do direito creditório, resultou a nãohomologação, por inexistência de crédito; c) exclusão, na apuração do Lucro Real do anocalendário de 2007, do montante de R$ 20.519.622,39, relativo a receitas com descontos obtidos na liquidação de contratos de financiamento do Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias (FUNDAP), sem que haja amparo na legislação para tal exclusão; d) R$ 26.507.123,67, referente a despesas consideradas indedutíveis, conforme apuração realizada em procedimento fiscal anterior, em relação aos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010, e que resultaram em auto de infração que compõe o processo administrativo nº 15578.720163/201378. Após todas as desconsiderações acima descritas, o resultado do período do ano calendário de 2007 foi ajustado, de modo que não resultou qualquer saldo negativo de IRPJ, conforme detalhado a seguir: DESCRIÇÃO VALOR (R$) Lucro líquido antes do IRPJ 123.532.014,05 Adições 13.588.503,75 Exclusões 101.138.154,59 Lucro Real 35.982.363,21 Compensações de prej. anteriores 1.500.887,88 Lucro Real após compensações apurado 34.481.475,33 Ajustes (+) Soma das despesas não dedutíveis 26.507.123,67 (+) Excesso de exclusão 20.519.622,29 Lucro Real ajustado 81.508.221,29 IRPJ apurado 20.353.055,32 () Retenções na fonte 202.195,30 () Estimativas mensais 3.332.081,19 IRPJ a pagar 16.818.778,83 O sujeito passivo apresentou, em 07/11/2014, Manifestação de Inconformidade, cujas alegações foram sintetizadas pelo Acórdão recorrido, do seguinte modo: Fl. 5573DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.574 4 "Da decadência 1. Houve a decadência do direito da fazenda pública promover a glosa das despesas ocorridas no anocalendário 2006; Da prejudicialidade da decisão 2. A decisão é nula em razão do Relatório de Fiscalização, utilizado para subsidiar a decisão, ter sido objeto de impugnação no processo nº 15578.720163/201378, carecendo portanto de definitividade; 3. Deve ser reconhecida a prejudicialidade da impugnação em relação a este processo, conforme art. 265, IV, “a” e “b”, do Código Processo Civil; 4. Apenas com o trânsito em julgado do processo administrativo que aprecia o lançamento é que a situação jurídica se constitui definitivamente, nos termos do art. 116, II, do CTN; 5. Devese aguardar o desfecho daquele processo, sob pena de ofender o art. 151, III, do CTN; 6. Requer a suspensão do processo e/ou a conversão do julgamento em diligência, até que seja proferida decisão final (com trânsito em julgado) nos autos do Processo Administrativo n° 15578.720163/2013 78; Do crédito de estimativas parceladas 7. O art. 177 da Lei nº 6.404/76, determina que os resultados devem observar o regime de competência. Assim, o imposto originado no exercício fiscal de 2006 deve ser considerado para fins do ajuste anual, independentemente da forma e o motivo de sua quitação posterior; Da exclusão da receita financeira do FUNDAP 8. Os valores obtidos em atividades relativas ao FUNDAP não resultaram receitas financeiras, mas recursos que não podem ser assim consideradas, inclusive por não representarem resultados considerados na apuração do lucro da beneficiária do sistema; 9. O montante obtido com o leilão “fundapiano” não foi incorporado na apuração dos lucros da Impugnante, nem distribuído aos sócios, porque, como demonstra a documentação tempestivamente apresentada, tais valores foram reservados para investimento no incremento de suas atividades, posto sua natureza de subvenção para Investimento; 10. O acréscimo de patrimônio proporcionado pela subvenção não pode ser atingido pela incidência do IRPJ, pois não se encontra na livre disponibilidade do seu beneficiário; 11. Se viesse a ser considerada receita financeira, haveriam de ser deduzido os custos, dentre eles aqueles relativos à caução; Da glosa das despesas Fl. 5574DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.575 5 12. A glosa das despesas é ilegal, posto que baseada em uma ação fiscal que não abrangeu o período de competência das despesas; 13. Houve cerceamento do direito de defesa, vez que não teve a oportunidade de comprovar os serviços prestados no ano de 2007; 14. O enquadramento legal não condiz com a infração de “despesa não comprovada”; Das despesas com a Target Consultoria e Planejamento Ltda 15. A alegação de inexistência de fato da Target está eivada de lacunas e conclusões sem o devido fundamento legal, além de se basear em indícios e presunções não autorizados pela legislação em vigor; 16. Os valores pagos foram livremente pactuados entre as partes, inexistindo na legislação em vigor limite em relação aos valores a serem pagos; 17. A empresa está ativa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, foi localizada pela fiscalização e respondeu aos questionamentos que lhes foram formulados, não havendo de se falar em irregularidade ou inexistência; Das despesas com a Litwell Consultoria e Orientação Tributária Ltda 18. O sócio da Litwell, o advogado Antônio Carlos Gomes Munhões, recebeu, por mera formalidade, o titulo de diretor jurídico da KIA MOTORS, tratandose na verdade de preposto da Litwell para prestação de serviços específicos; 19. Pelo fato da empresa Litwell não ser uma sociedade de advogados, as prestações de serviços advocatícios do referido senhor foram faturadas como consultoria tributaria; 20. Os serviços prestados foram devidamente comprovados através de o acompanhamento de mais de 67 (sessenta e sete) processos judiciais; 21. A existência da empresa resta comprovada pelo atendimento das intimações; o serviço prestado, pelo pagamento e contabilização das notas fiscais emitidas; Das despesas com a Levs Consultoria Tributário Ltda 22. O fato de um dos sócios atuar como diretor da empresa Kia Motors do Brasil, coligada à impugnante Brazil Trading, não descaracteriza a efetiva prestação dos serviços pela empresa a qual é sócio (Levs); 23. Os valores livremente pactuados e pagos a empresas prestadoras de serviços especializados em regra são superiores aos valores dos salários pagos aos executivos e/ou diretores, notadamente ante a ausência de contribuições previdenciárias, FGTS, etc., bem como ante a temporariedade dos serviços a serem prestados; 24. Os serviços prestados pela empresa Levs restaram devidamente comprovados pelas cerca de 25 (vinte e cinco) apostilas sobre temas Fl. 5575DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.576 6 diferentes, bem como pela escrituração contábil e tributação de todos os lançamentos decorrentes dos serviços prestados; 25. Não há de se falar de inexistência de fato da empresa posto que esta foi localizada pela fiscalização, atendeu todas as intimações, apresentando farto material que comprova a prestação dos serviços, estava regularmente registrada em todos os órgãos, emitiu documentos fiscais de todos os serviços prestados e recolheu todos os impostos devidos; Das despesas com a Negócios Soluções Assessoria Empresarial Ltda 26. A Negócios Soluções está sediada em sala sublocada por outra empresa, à Rua Libero Badaró, 377, conj. 1105, sala 02, Centro, São Paulo/SP, e regularmente cadastrada na prefeitura e no Ministério da Fazenda – MF; 27. É impossível uma empresa constituirse sem apresentar ao contador um local de funcionamento, mediante contrato de aluguel ou outra prova, que será levada aos órgãos de registro de cadastramento, para verificação da possibilidade de aprovação ou não da solicitação; 28. A empresa Negócios e Soluções foi localizada pela fiscalização, atendeu todas as intimações, está regularmente registrada em todos os órgãos administrativos, emitiu documentos fiscais dos serviços prestados e recolheu os impostos devidos; 29. Nada de objetivo e conclusivo foi apresentado pela fiscalização para embasar sua alegação de inexistência de fato da empresa, impondose, portanto, a decretação de insubsistência desta parte do lançamento; Das despesas com a MFB Empreendimentos e Participações Ltda 30. A mera divergência em relação ao cadastro existente num e noutro órgão não pode servir de base para presunções e conclusões de inexistência de prestação de serviços, notadamente quando houve recolhimento de todos os impostos inerentes aos mesmos; 31. Não se pode concluir pela inexistência da prestação do serviço baseada somente no funcionamento da empresa em endereço residencial e na simplicidade do serviço; Das despesas com a Uniconsult Consultores Associados Ltda 32. Pequenas empresas podem funcionar no endereço do sócio; 33. Foi vitima de máfé por parte do sócio da Uniconsult; 34. A glosa é improcedente ante a contabilização das notas fiscais emitidas pela prestação do serviço e o recolhimento dos tributos incidentes na fonte; 35. O ônus da prova de inexistência da prestadora de serviço é da autoridade lançadora; 36. A Uniconsult está na condição de ativa até a presente data; Fl. 5576DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.577 7 37. O enquadramento nas hipóteses previstas nos artigos 71 e 73 da Lei 4562/64, beira o excesso por parte da fiscalização, por estar calçada em ficções, indícios e presunções; 38. Não houve sequer a consideração de um valor justo para a execução dos serviços; 39. A declaração de inidoneidade das notas fiscais requereria a declaração de inaptidão da empresa, nos termos dos art. 216 e 217 do RIR/99; 40. O fato de a empresa ter respondido às intimações expedidas durante a fiscalização é suficiente para se afastar a aplicação de multa qualificada em 150%." O processo administrativo nº 15578.720150/201480, que trata do lançamento da multa isolada aplicada sobre a compensação não homologada, foi juntado a este por apensação (fl. 5.492). O Acórdão recorrido afastou as preliminares de nulidade do Despacho Decisório, de conexão e prejudicialidade do processo administrativo n° 15578.720163/201378 em relação aos presentes autos, e de cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa. A par disso, rejeitou suposto erro no enquadramento legal do Despacho Decisório, quanto à exclusão de despesas. No mérito, não foram acatadas as teses de ilegalidade da glosa das despesas, por se basear em uma ação fiscal que não abrangeu o mesmo período de competência; e de decadência do direito da Fazenda Pública para promover as referidas glosas em relação ao ano calendário de 2007. De outra parte, por ausência de questionamento ao sujeito passivo a respeito da comprovação da efetiva prestação do serviço e por ausência de demonstração de excesso de valor pago pela Recorrente, as glosas das despesas com as pessoas jurídicas Target Consultoria e Planejamento Ltda, Uniconsult Consultores Associados Ltda, Negócios Soluções Assessoria Empresarial Ltda, Levs Consultoria Tributário Ltda, Litwell Consultoria e Orientação Tributária Ltda e MFB Empreendimentos e Participações Ltda foram consideradas improcedentes. No que tange à exclusão da receita de valores relativos ao Fundap, considerou que tais valores não podiam ser considerados como subvenção, tratandose de deságio na liquidação antecipada de financiamento, portanto sujeito à incidência do IRPJ. Negou, ainda, o direito à dedução da caução, pois tal valor permanece no Ativo da pessoa jurídica. Por fim, quanto à utilização dos débitos de estimativas mensais parcelados, na composição do saldo negativo do período, ainda que quitadas após a data de apuração, apesar de entender que o limite temporal de quitação para utilização do crédito deve ser o momento da compensação, mantevese o não reconhecimento dos valores, posto que não quitados ou quitados após a data de entrega da DComp. Nesse sentido, o resultado do período do anocalendário de 2007, foi ajustado ao decidido, remanescendo a inexistência de saldo negativo de IRPJ, de modo que foi mantida a não homologação da compensação declarada na DComp nº 09543.71901.291211.1.3.022134. Fl. 5577DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.578 8 O resultado do período, considerandose as conclusões do Acórdão recorrido, é detalhado a seguir: DESCRIÇÃO VALOR (R$) Lucro líquido antes do IRPJ 123.532.014,05 Adições 13.588.503,75 Exclusões 101.138.154,59 Lucro Real 35.982.363,21 Compensações de prej. anteriores 1.500.887,88 Lucro Real após compensações apurado 34.481.475,33 Ajustes (+) Soma das despesas não dedutíveis (+) Excesso de exclusão 20.519.622,29 Lucro Real ajustado 55.001.097,62 IRPJ apurado 13.726.274,41 () Retenções na fonte 202.195,30 () Estimativas mensais 3.332.081,19 IRPJ a pagar 10.191.997,92 No Recurso Voluntário apresentado, a Recorrente: a.1) Suscita, mais uma vez, a preliminar de decadência do direito de a Fazenda Pública promover glosa de despesas em relação ao anocalendário de 2007, o que violaria o art. 156, inciso V, e 173, ambos do CTN, posto que ultrapassado o prazo de 05 (cinco) anos. a.2) Sustenta, ainda, que ao contrário do afirmado no Acórdão recorrido, o caso trata sim de lançamento de créditos tributários, posto que em decorrência do não reconhecimento do direito creditório, teria sido realizado tal lançamento; a.3) Invoca, em favor de sua alegação, o Acórdão nº 10708.306, proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), bem como aponta que decisão proferida pelo julgador de primeira instância, no âmbito do processo administrativo nº 15578.720163/201378, já teria reformado parte da glosa que fundamentou aquelas procedidas no âmbito dos presentes autos; b.1) Igualmente, repete as alegações de nulidade do Parecer e Despacho Decisório que não homologaram a compensação declarada, bem como de prejudicialidade do Recurso Voluntário apresentado no processo administrativo nº 15578.720163/201378, já que, ao seu ver, os fatos produzidos na ação fiscal que resultou naquele processo foram ilegal e indevidamente utilizadas para embasar as glosas realizadas no caso sob análise; b.2) Afirma que, ao não se aguardar o trâmite do processo administrativo nº 15578.720163/201378, houve cerceamento do seu direito de defesa, no sentido de que foi impedida de se defender de fato consumado com base em situação pendente de julgamento e que após o resultado definitivo daquele processo poderá resultar em reflexos na apuração do saldo negativo de que tratam os presentes autos; b.3) Por força da alegada prejudicialidade, defende a suspensão do presente processo, ou conversão em diligência, até que decisão final seja proferida no processo administrativo nº 15578.720163/201378; Fl. 5578DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.579 9 c.1) No mérito, assevera que todos os valores de tributo referentes ao ano calendário de 2007 devem ser considerados, independentemente da forma e do motivo de sua quitação posterior; c.2) Insurgese, portanto, contra o critério adotado na decisão que não considerou os valores liquidados após o encerramento do exercício, tendo em vista que tal montante não poderia ser utilizado posteriormente; d.1) Alega que os valores relativos ao FUNDAP não podem ser atingidos pela incidência do IRPJ e da CSLL, pois não se encontram na livre disponibilidade do seu beneficiário; d.2) Repete a alegação de que, caso se considerem os referidos valores como receita, devem ser consideradas as deduções de custos, dentre os quais os relativos à caução; d.3) Invoca o Acórdão nº 10322861 proferido pela 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que teria decidido em consonância com a sua tese; d.4) Contesta os fundamentos da decisão recorrida quanto à necessidade de vinculação dos recursos recebidos a empreendimentos, como exigência para caracterização como subvenção para investimentos; e) Finaliza, tecendo comentários acerca do acerto do Acórdão guerreado na parte em que reconheceu a insubsistência da glosa referente às despesas com prestação de serviços, ratificando os fatos e fundamentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade. O processo foi distribuído para a Conselheira Edeli Pereira Bessa (presidente desta Turma Ordinária, à época), que, por entender presente decorrência com o processo de nº 15578.720163/201378, promoveu a redistribuição à Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, relatora naqueles autos (fls. 5.562/5.563). Tendo em vista o término do mandato desta última Conselheira (fl. 5.564), o processo me foi atribuído, em novo sorteio. Por meio do Despacho de fls. 5.565/5.566, o presente processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, para que fosse procedida a juntada ao processo apenso nº 15578.720150/201480 do comprovante de ciência pelo sujeito passivo do Acórdão nº 0131.692, nele proferido. Após a manifestação da autoridade preparadora (fl. 5.568), os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator 1 DO CONHECIMENTO DO RECURSO A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 09 de abril de 2015 (fl. 5.529) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 5.530 a 5.560, em 07 de maio de Fl. 5579DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.580 10 2015, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O Recurso é assinado por Procuradoras, devidamente constituídas às fls. 340 a 344 do processo apenso nº 15578.720150/201480. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2 DA INEXISTÊNCIA DE DECORRÊNCIA COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 15578.720163/201378 EM DECORRÊNCIA DAS PROVAS Antes de adentrar à análise do Recurso apresentado, é importante esclarecer a relação existente entre o presente processo e o de nº 15578.720163/201378, posto que tal fato perpassa boa parte das alegações suscitadas pela Recorrente e poderia, até mesmo, constituir óbice ao julgamento imediato do Recurso contido nestes autos. Conforme se pode constatar por meio da leitura do Relatório de Fiscalização de fls. 623 a 1.056 e do Acórdão nº 0131.261 1ª Turma da DRJ/BEL (fls. 5.495 a 5.523), o referido processo administrativo trata de procedimento fiscal e Autos de Infração relativos aos anoscalendários de 2008, 2009 e 2010. Os presentes autos, por outro lado, como já relatado, dizem respeito a Declaração de Compensação (DComp) apresentada com base em suposto saldo negativo de IRPJ apurado em relação ao anocalendário de 2007, e compensado com débito de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do período de apuração de novembro de 2012 (fls. 2 a 12). Fica patente, portanto, a total dissociação de períodos. O único vínculo existente, como bem delimitado pelo Acórdão recorrido, diz respeito ao aproveitamento, no presente processo, de elementos de prova colhidos no âmbito do procedimento fiscal que originou o processo administrativo nº 15578.720163/201378 (fls. 623 a 5.305). Tratase, portanto, de prova emprestada (em sua acepção processual), definida, na lição de Ada Pellegrini Grinover (apud Fabiana Del Padre Tomé, A Prova no Direito Tributário, 3ª ed, São Paulo: Noeses, 2011, p. 137), como "aquela que é produzida num processo para nele gerar efeitos, sendo depois transportada documentalmente para outro, visando a gerar efeitos em processo distinto". O mero aproveitamento da prova produzida no processo administrativo nº 15578.720163/201378 não produz nenhuma relação de decorrência ou prejudicialidade destes autos em relação aqueles, posto que a valoração das referidas provas será realizada de modo independente em um e outro processo. É essa a precisa lição de Fabiana Del Padre Tomé (op. citado, p. 137): Fl. 5580DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.581 11 "No que diz respeito à valoração, cumpre ao julgador do processo, ao qual o documento transladado foi juntado, apreciála no contexto da nova relação processual, servindo essa espécie de prova documental como um dos elementos de convicção. Sua força probatória não é, necessariamente, a mesma que lhe foi atribuída nos autos em que ocorreu sua produção originária, sendo o julgador livre para valorá la." Isto posto, fica comprovado que, em razão da utilização das provas emprestadas, o presente processo não está vinculado ao processo administrativo nº 15578.720163/201378 por decorrência (nos moldes do art. 6º, §1º, inciso II, do Anexo II do RI/CARF), ao contrário inclusive do que, à primeira vista, concluiuse no Despacho de fls. 5.562/5.563. 3 DA NECESSIDADE DA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA A análise do presente processo, contudo, fez surgir uma dúvida acerca de aspectos importantes relacionados à composição do saldo negativo objeto da Declaração de Compensação de fls. 02 a 12. É que a maior parte do saldo de IRPJ do anocalendário de 2007, compensado no presente processo, foi formada a partir de estimativas compensadas com créditos relativos a outros períodos de apuração. A princípio, conforme se extrai dos Demonstrativos de fls. 288/291 e 616/622, a Recorrente compensou as estimativas devidas em relação ao meses de janeiro a novembro de 2007, por meio de DComp apresentadas no próprio anocalendário de 2007. Segue resumo: MÊS VALOR DCOMP PROCESSO 260.000,00 16329.32655.150207.1.3.045110 10783.900076/201019 jan 570.000,00 42835.40946.230107.1.3.045500 10783.900075/201065 423.300,00 02129.51648.150307.1.3.042361 10783.900384/201036 fev 276.700,01 42696.43178.150307.1.3.045604 10783.900385/201081 mar 1.030.000,00 41077.41238.270407.1.3.040965 15578.720011/201111 735.960,66 06206.53118.290507.1.3.048008 15578.720011/201111 433.219,87 35758.66703.290507.1.3.042602 10783.916768/200937 154.864,16 27111.48329.290507.1.3.044101 10783.916766/200948 abr 143.955,31 40137.51396.290507.1.3.041347 10783.916767/200992 mai 1.279.000,00 24340.35158.190607.1.3.048517 13804.001086/200769 jun 1.237.000,00 24893.24965.180707.1.3.045975 13804.001086/200769 jul 1.699.000,00 07920.87169.230807.1.3.042181 13804.001653/200787 ago 2.330.000,00 38495.29024.210907.1.3.048292 13804.001466/200701 set 3.678.000,00 39542.03539.221007.1.3.041942 13804.002635/200712 out 4.325.000,00 00266.64909.231107.1.3.047202 13804.002635/200712 nov 5.745.000,00 12210.60767.191207.1.3.048090 13804.002635/200712 As informações constantes nos demonstrativos citados, bem como a consulta aos processos indicados, no sistema eprocesso, revelam que as referidas compensações não foram homologadas, sendo que: Fl. 5581DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.582 12 (i) em relação aos meses de maio, junho e agosto, os processos de análise das DComp apresentadas se encontram com Recursos Voluntários pendentes de julgamento por parte do CARF; (ii) os processos referentes às análises das Dcomp relativas aos meses de janeiro, fevereiro, abril (R$ 433.219,87 e R$ 143.955,31), setembro, outubro e novembro não foram localizados no sistema eprocesso; (iii) os débitos relativos aos meses de março e abril (R$ 735.960,66 e R$ 154.864,16) teriam sido transferidos para cobrança por meio do processo administrativo nº 10783.724372/201180, com inscrição em Dívida Ativa da União (DAU); (iv) o débito referente ao mês de julho teria sido inscrito em DAU, porém a cobrança teria sido cancelada por suposta duplicidade; (v) os débitos relativos aos meses de abril (R$ 433.219,87 e R$ 143.955,31), maio, junho e agosto teriam sido novamente compensados, com saldos negativos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido referente aos anoscalendários de 2008 e 2009, por meio de DComps apresentadas em 2012 e tratadas nos processos nº 15578.720049/201348 e 15578.720052/201281. Na análise realizada no Parecer nº 1.448/2014, a autoridade administrativa considera, em relação aos períodos de janeiro a junho e agosto apenas as DComp apresentadas no anocalendário de 2012, ignorando aquelas apresentadas ainda em 2007, conforme quadro a seguir: Por outro lado, a decisão do Acórdão recorrido é fundamentada na premissa de que todas as estimativas foram parceladas e, ou não foram quitadas ou o foram após a data de apresentação da DComp de que trata os presentes autos: "De acordo com os extratos dos processos de parcelamento (fls. 1057 1076), emitidos em 13/08/2014, os parcelamentos de que tratam os processos nº 10783.724372/201180 e 13804.002635/200712 não foram quitados. O parcelamento do processo nº 13804.001653/2007 87 foi extinto em 09/02/2013 (fl. 1064), portanto após a data da entrega da declaração de compensação (19/12/2012). Dessa forma, diante da comprovação da não quitação do parcelamento das estimativas, ao tempo da apresentação da declaração de compensação, a parcela do direito creditório delas decorrentes não deve ser reconhecida." Constatase, portanto, a necessidade de que sejam esclarecidos a forma e o tempo de extinção das estimativas que compuseram o saldo negativo compensado na Declaração de Compensação sob análise, posto que isto pautará a decisão a ser adotada quanto Fl. 5582DF CARF MF Processo nº 15578.720033/201335 Resolução nº 1302000.705 S1C3T2 Fl. 5.583 13 ao mérito, ou, mesmo, poderá implicar a necessidade de sobrestamento do presente julgamento para se aguardar a decisão relativa aos processos nº 15578.720049/201348, 15578.720052/201281 e/ou 15578.720163/201378 (de onde se origina o crédito compensado nestes anteriores). Assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que este processo seja remetido à DRF/Vitória, para que: a) informese, dos totais de estimativas de IRPJ que compuseram o crédito informado na DComp nº 05984.14385.191212.1.3.023209, quais os montantes que efetivamente foram objeto de pagamento, Dcomp e/ou de parcelamento até a data da sua apresentação; b) detalhese, para cada mês do referido anocalendário, o desfecho de cada uma das DComp eventualmente apresentadas e/ou parcelamentos eventualmente formalizados referentes a estimativas de IRPJ, com indicação do número do processo administrativo correspondente; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas (bem como outras que se entender pertinentes à análise), dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo à este Colegiado. Destaco, por fim, a relação de decorrência deste processo com o de nº 15578.720150/201480, referente a multa pela nãohomologação das DComp aqui tratadas, de modo que o julgamento daquele deverá ser realizado após o julgamento de mesma instância deste ou ser realizado conjuntamente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 5583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720392/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 28/05/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE.
Devem ser acolhidos Embargos de Declaração para sanear omissão e obscuridade do acórdão recorrido.
REMISSÃO. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 52 DA LEI 12431/2011. EFEITOS INFRINGENTES.
Embora o Artigo 52 da Lei 12431/2011 tenha concedido remissão aos débitos das contribuições incidentes sobre a venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de março de 2002, o e até a data anterior à publicação desta Lei, o parágrafo único do referido dispositivo impede a restituição dos valores pagos a tal título.
Numero da decisão: 3201-004.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no que se refere à reversão das glosas relativas às vendas de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 28/05/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. Devem ser acolhidos Embargos de Declaração para sanear omissão e obscuridade do acórdão recorrido. REMISSÃO. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 52 DA LEI 12431/2011. EFEITOS INFRINGENTES. Embora o Artigo 52 da Lei 12431/2011 tenha concedido remissão aos débitos das contribuições incidentes sobre a venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de março de 2002, o e até a data anterior à publicação desta Lei, o parágrafo único do referido dispositivo impede a restituição dos valores pagos a tal título.
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OMISSÃO. OBSCURIDADE. Devem ser acolhidos Embargos de Declaração para sanear omissão e obscuridade do acórdão recorrido. REMISSÃO. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 52 DA LEI 12431/2011. EFEITOS INFRINGENTES. Embora o Artigo 52 da Lei 12431/2011 tenha concedido remissão aos débitos das contribuições incidentes sobre a venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de março de 2002, o e até a data anterior à publicação desta Lei, o parágrafo único do referido dispositivo impede a restituição dos valores pagos a tal título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no que se refere à reversão das glosas relativas às vendas de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 03 92 /2 00 7- 93 Fl. 1037DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face Acórdão nº 3201003.394, desta mesma Relatora, que julgou Recurso Voluntário do Contribuinte em decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2002 a 28/05/2002 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. Comprovado em diligência a procedência parcial das alegações do recurso, devese conceder os créditos pleiteados nos termos apurados na diligência fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. REMISSÃO. APLICAÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 52 DA LEI 12431/2011. O Artigo 52 da Lei 12431/2011 concedeu remissão expressa aos débitos de responsabilidade da pessoa jurídica supridora de gás e das companhias distribuidoras de gás estaduais, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de março de 2002 e até a data anterior à publicação desta Lei. A Fazenda Nacional aponta a existência de omissão / obscuridade acerca do disposto no parágrafo único do art. 52 da Lei nº 12.431/2011, que, a seu entendimento, constitui óbice ao reconhecimento do crédito pleiteado e deferido ao contribuinte. Os referidos Embargos foram admitidos pelo Presidente da desta Turma, nos seguintes termos: Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10768.720392/200793 Acórdão n.º 3201004.466 S3C2T1 Fl. 1.038 3 2. DEMONSTRAÇÃO DO VÍCIO Nos Embargos de Declaração (Doc. fls. 1028 a 1029), a Fazenda Nacional sustenta que o Acórdão proferido nos autos padece dos vício de omissão/obscuridade argumentando que o Colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário para acatar as operações de venda comprovadas, nos termos constantes do relatório de diligência fiscal e reconhecer a aplicação da alíquota zero das vendas de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, nos termos do art. 52 da Lei no 12.431/2011. Em complementação, a embargante defende que a decisão teria deixado de observar o disposto no parágrafo único do mesmo artigo, o qual expressamente dispõe ser vedada a restituição de valores pagos pela pessoa jurídica supridora de gás e das companhias distribuidoras de gás estaduais, razão pela qual a fiscalização não teria não teria reconhecido o direito creditório correspondente, consoante o que conta do relatório de diligência fiscal. Dessa forma, entende que fazse necessário que o Colegiado esclareça se a disposição contida no parágrafo único do art. 52 da Lei no 12.431/2011 constitui óbice ao reconhecimento do crédito pleiteado pelo contribuinte. Entendo que assiste razão à embargante. Da análise do trecho do voto condutor da Acórdão embargado, constatase, as fls. 11 e 12, que o mencionado artigo fundamentou a decisão, tendo sido inclusive transcrito o dispositivo legal sobre o qual a Fazenda Nacional entende que deveria a Turma ter se pronunciado (grifei): "Todavia, é necessário observar que a mesma Lei nº 12.431 de 2011, em seu art. 52, concedeu expressa remissão dos valores em litígio: Art. 52. Fica concedida remissão dos débitos de responsabilidade da pessoa jurídica supridora de gás e das companhias distribuidoras de gás estaduais, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1ode março de 2002 e até a data anterior à publicação desta Lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não implica restituição de valores pagos. Como os fatos geradores objeto do presente feito ocorreram em maio de 2002, estão abrangidos pela referida remissão". (...)" Fl. 1039DF CARF MF 4 Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO para (i) para acatar as operações de venda comprovadas, nos termos constantes do relatório de diligência fiscal e (ii) reconhecer a aplicação da alíquota zero das vendas de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, nos termos do art. 52 da Lei nº 12.431/11". O art. 65 do Anexo II do RICARF dispõe que cabem Embargos de Declaração quando o Acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma, conforme apontado pela embargante. Diante do exposto, constatase a presença de elementos indiciários suficientes para a admissão dos aclaratórios. A meu pensar, essas inconsistências devem ser examinadas e esclarecidas pelo colegiado, a fim de possibilitar a plena execução do aresto. Com essas considerações, para os fins previstos no § 7o do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, DOU SEGUIMENTO os embargos interpostos. Os autos, foram, então, a mim remetidos para fins de elaboração de relatório e voto e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme relatado, os Embargos de Declaração tem por objeto trecho do acórdão recorrido que examinou questões relativas ao GNPPT. Alegava a Recorrente que as receitas advindas da venda do Gás Natural canalizado destinados à produção de energia elétrica pelas Usinas integrantes do PPT estariam sujeitas à alíquota zero do PIS e da COFINS nos termos do art. 1º da Lei nº 10.312/2001. Todavia, entendia a Fiscalização que durante a vigência da redação original do art. 1º da Lei nº 10.312/2001, a fruição do benefício da alíquota zero estava condicionada à emissão de ato conjunto dos Ministérios de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Assim inexistente tal ato, não seria aplicável a alíquota zero prevista. Segundo aduzia, ainda, apenas com a edição da Lei nº 12.431/2011, que alterou a redação do citado do art. 1º da Lei nº 10.312/2011, é que foi suprimida a necessidade do ato conjunto para a fruição do benefício. A decisão embargada foi além da lide posta por entender que a mesma Lei nº 12.431 de 2011, em seu art. 52, concedeu expressa remissão dos valores em litígio: Art. 52. Fica concedida remissão dos débitos de responsabilidade da pessoa jurídica supridora de gás e das Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10768.720392/200793 Acórdão n.º 3201004.466 S3C2T1 Fl. 1.039 5 companhias distribuidoras de gás estaduais, constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT, relativamente aos fatos geradores ocorridos a partir de 1ode março de 2002 e até a data anterior à publicação desta Lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não implica restituição de valores pagos. Como os fatos geradores objeto do presente feito ocorreram em maio de 2002, entendeuse que os fatos geradores estão abrangidos pela referida remissão. Contudo, afirma a Embargante que deveria ter sido observado o parágrafo único do citado dispositivo que veda a restituição dos valores pagos. Assiste razão à PGFN relativamente à omissão indicada. Os presentes autos tratam de Pedido de Restituição, portanto, a remissão dos débitos correspondentes aos créditos buscados não são alcançados pela norma exonerativa, por literal disposição do parágrafo único, transcrito. Desse modo, deve ser revista a decisão embargada no que se refere especificamente ao ponto omisso, ora examinado. Pelo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, COM EFEITOS INFRINGENTES, para negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no que se refere à reversão das glosas relativas às vendas de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do PPT. É como voto. Relatora Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 1041DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001306/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
JUROS À TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-004.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 MULTA DE OFÍCIO. NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
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NÃO CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). JUROS À TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 13 06 /2 00 5- 51 Fl. 79DF CARF MF 2 da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 018.409, proferido pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA (DRJ/BEL) que julgou procedente o lançamento do crédito tributário levantado. Foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (efls. 46 a 55), Exercício 2002, AnoCalendário 2001, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos à carnêleão e multa isolada devido a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, no valor total de R$ 33.061,24, incluindo imposto, multa de ofício de 75%, multa isolada e juros de mora. O contribuinte, inconformado com a autuação, apresentou impugnação pedindo a improcedência do Auto de Infração alegando a inconstitucionalidade da multa de ofício e da taxa Selic. O lançamento foi julgado procedente pela DRJ/BEL. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 TAXA SELIC. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa Selic, na forma da legislação vigente. Eventual inconstitucionalidade e/ou ilegalidade da norma legal deve ser apreciada pelo Poder Judiciário. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade ate decisão em contrário do Poder Judiciário. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 06/09/2007 (efls. 74/76), repisando os termos da impugnação. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10280.001306/200551 Acórdão n.º 2202004.873 S2C2T2 Fl. 80 3 Em relação ao argumento do recorrente de que é inconstitucional a multa de ofício, lembro que a este Conselho não é dado se pronunciar sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicála, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, correta a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75 %, conforme preceitua o art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96. Quanto à alegação sobre juros à taxa Selic, a questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901604/2013-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 30/09/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.593
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 30/09/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 04 /2 01 3- 52 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10280.901604/201352 Acórdão n.º 3401005.593 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.250. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.901604/201352 Acórdão n.º 3401005.593 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10280.901604/201352 Acórdão n.º 3401005.593 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10280.901604/201352 Acórdão n.º 3401005.593 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10280.901604/201352 Acórdão n.º 3401005.593 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10280.901604/201352 Acórdão n.º 3401005.593 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720694/2016-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
PROCESSOS DISTINTOS. ÓRGÃOS JULGADORES COMPETENTES. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. Não vinculam as decisões administrativas proferidas por órgãos julgadores distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências.
AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança (Súmula CARF nº 116).
TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após interposição de empresa veículo que dissimula o real adquirente, surge sem substância econômica no patrimônio da investida.
Numero da decisão: 1402-003.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a conexão da presente exigência com aquela veiculada nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/2010-34, vencida a conselheira Edeli Pereira Bessa (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor neste tópico, o Conselheiro Marco Rogério Borges; por unanimidade de votos, AFASTAR a arguição de decadência; por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo as reduções de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL decorrentes de glosa de amortização de ágio no período autuado, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE - Presidente Substituto.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora.
(documento assinado digitalmente)
MARCO ROGÉRIO BORGES - Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ÓRGÃOS JULGADORES COMPETENTES. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. Não vinculam as decisões administrativas proferidas por órgãos julgadores distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências. AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança (Súmula CARF nº 116). TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após interposição de empresa veículo que dissimula o real adquirente, surge sem substância econômica no patrimônio da investida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 94 /2 01 6- 28 Fl. 668DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 669 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, REJEITAR a conexão da presente exigência com aquela veiculada nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/201034, vencida a conselheira Edeli Pereira Bessa (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor neste tópico, o Conselheiro Marco Rogério Borges; por unanimidade de votos, AFASTAR a arguição de decadência; por voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo as reduções de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL decorrentes de glosa de amortização de ágio no período autuado, vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio que davam provimento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Presidente Substituto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora. (documento assinado digitalmente) MARCO ROGÉRIO BORGES Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 669DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 670 3 Relatório BANCO CACIQUE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo SP que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra as reduções de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL apurados no anocalendário 2011, no valor de R$ 77.864.117,41. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: 1. DAS AUTUAÇÕES Este processo trata de autos de infração (fls. 2 a 10), lavrados para redução de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL do anocalendário de 2011. Foram apuradas duas infrações, a saber: a) Falta de adição, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de despesas de amortização de ágio, no total de R$57.384.280,56 (termo de verificação fiscal de fls. 12 a 22); b) Glosa de despesas consideradas desnecessárias, relativas a comissões pagas à Cacique Promotora de Vendas, no montante de R$20.479.836,85 (termo de verificação fiscal de fls. 24 a 31). Sintetizamse a seguir as alegações apresentadas pela fiscalização. 1.1. Amortização de ágio No termo de verificação fiscal de fls. 12 a 22, a fiscalização alega que os autos de infração foram lavrados “em razão da diminuição das bases de cálculo dos tributos por valor de amortização de ÁGIO pago em operação de aquisição do Banco Cacique S.A. pelo Banco Société Générale Brasil, na qual o referido ágio, por meio de engenharia societária e procedimentos contábeis, findou por ficar registrado na contabilidade do Banco Cacique S.A., passando, então, a ser amortizado fiscalmente, sem o atendimento de condição essencial imposta no artigo 7º da Lei 9.532/97, qual seja, a legítima incorporação da companhia adquirida pela adquirente, (ou a incorporação reversa, prevista no art. 8º)”. A fiscalização transcreve reportagens de fevereiro de 2007 referentes à aquisição do Banco Cacique pelo Société Générale. Ressalta que, embora as notícias veiculadas na imprensa descrevam a compra do Banco Cacique pelo Société Générale, o fato concreto foi a assinatura, em 25/02/2007, do Contrato de Compra/Venda das quotas representativas de 100% do capital social da Cacipar Comércio e Participações Ltda. (Cacipar), holding que detinha 100% das ações do Banco Cacique. Alega que, se o negócio fosse realizado como originalmente acordado, o Banco Société Générale Brasil teria 100% do capital social da Cacipar que, por sua vez, teria 100% do capital social do Banco Cacique. Fl. 670DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 671 4 Informa a fiscalização que foi pago valor superior ao patrimônio líquido da Cacipar, o que gerou um ágio que teve por fundamento a expectativa de rentabilidade futura (art. 20, §2º, “b”, do DecretoLei nº 1.598/77). Alega que o valor do ágio pago por rentabilidade futura pode ter um dos seguintes tratamentos tributários, conforme disciplinado pelos artigos 384 e 392 do RIR/99: a) ser utilizado no momento da alienação da participação societária adquirida, compondo o custo de aquisição do investimento e, assim, reduzindo o ganho de capital; ou b) ser amortizado à razão de 1/60 por mês a partir do momento em que ocorrer a absorção (em virtude de incorporação, fusão ou cisão) da participação societária adquirida. A fiscalização alega que, no caso, não ocorreu nenhuma das duas hipóteses, visto que subsistem as duas empresas, o Banco Société Générale Brasil e o Banco Cacique, sendo aquela controladora e detentora de 100% das ações desta. Alega que, embora a legislação tributária tenha previsto apenas as duas hipóteses acima descritas, foram desenvolvidos métodos que visam a antecipar a dedução fiscal do ágio pago por expectativa de rentabilidade futura sem a efetiva extinção da real companhia adquirida, ou da adquirente, nos casos de incorporação reversa. Sustenta que, dentre esses métodos, proliferam aqueles que utilizam as denominadas “empresas veículo”, que são pessoas jurídicas que não exercem qualquer atividade empresarial, criadas e utilizadas exclusivamente para, em planejamentos fiscais, “transportar” o ágio de uma empresa para outra. Alega que a “empresa veículo” normalmente é constituída sob a forma de empresa de participações, pois não exerce atividade empresarial operacional. Acrescenta que, via de regra, são “empresas de prateleira”, ou seja, pessoas jurídicas formalmente constituídas perante os órgão de controle (Receita Federal, Junta Comercial, etc), mas que não têm o propósito de exercer atividade empresarial, sendo oportunamente transferidas para interessados, mediante a alteração no quadro societário. A fiscalização relata que, em 07/03/2007, dez dias depois da assinatura do contrato de compra das quotas da Cacipar, o Banco Société Générale adquiriu e transferiu para si as quotas da “empresa de prateleira” Marigane Participações Ltda, CNPJ 08.631.625/0001631, que teve sua razão social alterada para Trancoso Participações Ltda. Informa que, na mesma data de aquisição da Trancoso, o Banco Société Générale realizou a cessão dos seus direitos de aquisição da Cacipar para a sua recém adquirida companhia, que não dispunha ainda dos recursos necessários para efetuar o pagamento pela aquisição da Cacipar. Relata a fiscalização que a operação foi efetivada em 30/11/2007, após a aprovação pelo Banco Central, data em que o Banco Société Générale Brasil aportou capital na Trancoso, possibilitando o pagamento de R$888.372.854,00 pela aquisição de quotas representativas de 100% do capital social da Cacipar, que tinham valor de 1 Essa pessoa jurídica foi constituída em 16/01/2007 pelos sócios S&A Serviços Empresariais Ltda e Diva Maria Batista Martins Ramalho, sendo que esta última era sócia, em 2010, de mais de 20 pessoas jurídicas, todas elas apresentando o termo "Participações" em sua razão social e sem receita declarada ou atividade informada. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 672 5 patrimônio líquido de R$317.809.235,16, resultando em um ágio de R$570.563.618,89. A estrutura societária ficou assim configurada: A fiscalização alega que a inserção de uma “empresa veículo” na estrutura organizacional de controle do Banco Cacique teve o propósito exclusivo de aproveitar um benefício fiscal previsto em lei para as hipóteses específicas que promovem novas situações econômicosocietárias, alcançadas somente quando realmente efetivadas. Relata que o passo seguinte foi a incorporação, em 31/10/2008, da Cacipar e da Trancoso pelo Banco Cacique (incorporação reversa), passando este a amortizar o valor do ágio à razão de 1/120 mensais, sem adicionar esses valores na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Sustenta que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf manifestou diversas vezes o entendimento de que não é possível a amortização do ágio se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. Alega que, no presente caso, o investimento adquirido (Banco Cacique) subsiste no patrimônio do investidor original (Banco Société Générale), não sendo permitida a amortização fiscal do ágio. Sustenta que não é possível qualificar a Trancoso (que serviu exclusivamente como empresa veículo do ágio) como investidora original, uma vez que os recursos financeiros para aquisição foram aportados pelo Banco Société Générale na efêmera companhia com o propósito exclusivo de realizar o pagamento antes acordado entre comprador e vendedores para em seguida extinguila. A fiscalização alega que a regra geral quanto ao tratamento de ágios pagos na aquisição de investimentos em participações societários encontrase prevista no art. 25 do Decretolei nº 1.598/77, que tinha a seguinte redação em 2011 (posteriormente alterada pela Lei nº 12.973/2014): Fl. 672DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 673 6 “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33.“(Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, de 1979) Acrescenta que o citado art. 33 do Decretolei nº 1.598/77 permite a dedução do ágio no momento em que a sociedade investidora realiza a alienação da participação. Reproduzse abaixo esse dispositivo com a redação vigente em 2011: “Art. 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real.(Redação dada pelo Decreto lei nº 1.730, de 1979) (...)” A fiscalização relata que os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 trouxeram exceções à regra geral prevista no art. 25 do Decretolei nº 1.598/77: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subsequentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subsequentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. Fl. 673DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 674 7 § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Alega a fiscalização que os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 estabelecem a confusão patrimonial (causada pela incorporação, fusão ou cisão das companhias investidora e investida) como requisito essencial ao aproveitamento do benefício fiscal da dedutibilidade de custo de aquisição de participação societária, quando atribuível ao ágio por rentabilidade futura. Argumenta que, no caso, não houve a confusão patrimonial entre a investidora e a investida, visto que subsistem o Banco Société Générale Brasil e o Banco Cacique, não sendo permitida a amortização do ágio para fins fiscais. A fiscalização apurou que, no ano de 2011, o Banco Cacique não adicionou nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores correspondentes às despesas contábeis registradas pela amortização de ágio na conta 8.1.8.10.20.001 no valor total de R$57.384.280,56, devendo ser lavrados autos de infração face às infrações apuradas. 1.2. Glosa de despesas referentes a comissões [...] 2. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada das autuações em 10/11/2016 (fls. 43 e 44), a contribuinte apresentou, em 08/12/2016, a impugnação de fls. 99 a 159, acompanhada dos documentos de fls. 160 a 503, com as alegações a seguir sintetizadas. 2.1. Do objeto da impugnação Preliminarmente, a impugnante afirma expressamente que deixa de recorrer quanto à glosa de R$20.479.636,85 referente a despesas com pagamento de comissões à Cacique Promotora de Vendas (fls. 103 e 104) e informa que realizará os devidos ajustes nos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL. Fl. 674DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 675 8 Por outro lado, ressalta que contesta integralmente os lançamentos relativos à amortização do ágio, apresentando as alegações sintetizadas a seguir. 2.2. Da preclusão/decadência da possibilidade do Fisco questionar a origem do ágio A impugnante destaca que o ágio em questão, apurado na aquisição da Cacipar pela Trancoso, surgiu em novembro de 2007. Alega que a fiscalização não poderia, em 2016, questionar os fatos contábeis societários que deram origem ao referido ágio, face ao decurso do prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150, §4º, do CTN. Argumenta que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL correspondem à obtenção de resultados que provocam acréscimo patrimonial. Assim, a contagem do prazo decadencial deve ter início no momento em que os fatos jurídicos formadores desse acréscimo patrimonial forem reconhecidos, ou seja, no presente caso, a partir da origem do ágio. Ante o exposto, sustenta que deve ser reconhecida a decadência integral dos créditos tributários. 2.3. Da dedutibilidade das despesas de amortização do ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL A impugnante alega que a aquisição da Cacipar pela Trancoso gerou um ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, fato que não foi questionado pela fiscalização. Ressalta que o fundamento econômico adotado encontrase comprovado por estudo realizado pelo Banco UBS Pactual em fevereiro de 2007, escrito originalmente em inglês e traduzido para o português (docs. 04 e 05 – fls. 297 a 432). Acrescenta que, posteriormente, em outubro de 2008, foi elaborado estudo a respeito da expectativa de rentabilidade futura da Cacipar pela KPMG, que ratifica o estudo elaborado anteriormente (doc. 07 fls. 437 a 476). Destaca ainda que um parecer técnico elaborado pelo Prof. Eliseu Martins atesta a existência de demonstração que justifique a classificação do ágio como decorrente de expectativa de rentabilidade futura (doc. 08 – fls. 477 a 503). Assim, alega estar devidamente comprovado que o ágio teve por fundamento a expectativa de rentabilidade futura da investida (art. 385, §2º, II, e §3º, do RIR/99). A impugnante alega que, caso haja incorporação entre a sociedade investidora e a investida que tenha sido adquirida com ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, tal ágio pode ser amortizado à razão de 1/60 ao mês, face ao disposto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. Sustenta que a dedutibilidade fiscal do ágio teve por objetivo incentivar a prática de fusões e aquisições. Acrescenta que o Projeto de Lei nº 2.922/2000, que tentou revogar o art. 7º, III, da Lei nº 9.532/97, foi rechaçado pela Comissão de Finanças e Tributação sob o argumento de que os benefícios advindos do fomento de aquisição de empresas superam as reduções fiscais geradas pela amortização do ágio. Conclui assim que o aproveitamento do ágio decorrente de aquisição de sociedades representa mera fruição de um benefício fiscal previsto em lei e incentivado pelo próprio Governo, e não um planejamento tributário. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 676 9 Feitas essas considerações, a impugnante passa a contestar a alegação da fiscalização de que a Trancoso se caracteriza como empresa veículo. A impugnante alega que a Trancoso era uma verdadeira empresa de participações (holding), concebida antecipadamente para, dentre outras atividades e finalidade, deter a participação do Société Générale na Cacipar, dada a manifesta diferença entre os objetos sociais do Société (mais abrangente, com foco em banco de investimento) e do Banco Cacique (mais específico, focado em crédito consignado), e de forma a melhor segregar as respectivas atividades. Destaca que, entre a aquisição da Trancoso pelo Société e a posterior aquisição da Cacipar pela Trancoso, transcorreramse aproximadamente nove meses. Além disso, entre a aquisição da Trancoso pelo Société e sua extinção por incorporação pelo Banco Cacique, passaramse quase dois anos. Sustenta que esse longo período de tempo em atividade é uma diferença fundamental entre a Trancoso e uma empresa veículo. Alega que a aquisição da Cacipar pela Trancoso (holding) também se justifica em razão de a aquisição de uma instituição financeira por outra já existente é muito mais complexa do ponto de vista de documentação necessária, certidões e registros obrigatórios, do que a aquisição por meio de uma empresa criada para esse fim. Ressalta que a estrutura societária desenhada à época, ao contemplar uma holding para deter a participação societária a ser adquirida, não só era plenamente conveniente e justificada do ponto de vista empresarial, como seguia à risca prática desde muito tempo verificada no mundo dos negócios, como demonstram as estruturas societárias de diversos grupos empresarias, inclusive do setor financeiro. A impugnante sustenta que a criação da Trancoso teve finalidade negocial e não exclusivamente fiscal, visto que a dedutibilidade fiscal do ágio também ocorreria sem a sua participação no negócio. Alega que, ainda que a Cacipar fosse adquirida diretamente pelo Société, a despesa referente à amortização do ágio gerado nessa aquisição poderia ser deduzida pelo Société, bastando que fosse realizada a incorporação da Cacipar pelo Société, o que resultaria na mesma estrutura societária que foi alcançada no caso concreto. Sustenta que a aquisição da Cacipar pela Trancoso não trouxe qualquer prejuízo ao erário, uma vez que, ao final, o efeito fiscal da realização da operação por meio da Trancoso foi o mero deslocamento do aproveitamento fiscal do ágio do Société para o Banco Cacique (impugnante), sendo as duas empresas sediadas no Brasil. A impugnante descreve uma hipótese em que a aquisição da Cacipar poderia ter sido feita diretamente pelo Société e o ágio amortizado pelo Banco Cacique. Alega que o Société poderia adquirir a Cacipar, registrando o ágio em seu ativo. Posteriormente o Société poderia realizar uma cisão parcial, com versão do investimento na Cacipar e respectivo ágio, sendo que a parcela cindida seria incorporada pela Cacipar. Em seguida, o Banco Cacique incorporaria a Cacipar, registrando o ágio em seu ativo e passando a amortizálo. Destaca que o resultado final seria o mesmo verificado no caso concreto, sem a criação da Trancoso. Assim, conclui que a Trancoso não pode ser considerada como empresa veículo, visto que não era necessária ao surgimento e aproveitamento fiscal do ágio. Sustenta que a aquisição da Cacipar pela Trancoso gerou até um ganho para o Fisco, na medida em que o aporte de capital feito pelo Société na Trancoso seguido Fl. 676DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 677 10 do pagamento aos vendedores gerou duas incidências de CPMF, cada uma superior a três milhões de reais. Ressalta que a utilização da Trancoso não trouxe nenhum prejuízo ao erário, vez que não foi um meio necessário ao aproveitamento fiscal do ágio; pelo contrário, gerou um ganho para o Fisco pela segunda incidência de CPMF, sendo improcedente a alegação de que teve por finalidade a economia tributária. A impugnante alega que a sociedade holding desempenha funções peculiares previstas no ordenamento jurídico, atendendo plenamente ao seu objeto social com a mera detenção de participação societária em outras companhias. Sustenta que a sociedade holding pura não é constituída para ter empregados, na medida em que seu objeto social corresponde unicamente a deter participações societárias em outras companhias. Da mesma forma, é natural que não possua outra fonte de receitas que não os lucros e dividendos recebidos de suas investidas, que só receberá após a efetivação de sua primeira aquisição. Alega que, no caso, o recebimento de recursos do controlador (Société) apenas corrobora a personificação jurídica da Trancoso, que utilizou os recursos recebidos na estrita consumação de seu objeto social. Destaca que a Trancoso é a real adquirente da Cacipar, devendo o ágio ser registrado em seu patrimônio. Acrescenta que, tendo sido a Trancoso incorporada pelo Banco Cacique, ocorreu a confusão patrimonial que justifica a amortização do ágio. A impugnante sustenta que a existência de sociedade cujo objeto social seja a mera detenção de outra sociedade está expressamente prevista no art. 2º, §3º, da Lei das S.A. Destaca que esse dispositivo legal indica que a participação é facultada para beneficiarse de incentivos fiscais. Acrescenta que a própria legislação tributária, por meio do art. 31 da Lei nº 11.727/2008, reconhece a holding pura como sociedade válida para todos os fins. A impugnante contesta a alegação da fiscalização de que a Trancoso era desprovida de propósito negocial. Alega que a criação da Trancoso teve por finalidade praticar a aquisição desejada, de forma que se pudesse reduzir a complexidade da transação e evitar custos desnecessários, além de manter claramente segregadas duas atividades distintas: a do Banco Société (banco de investimentos) e a do Banco Cacique (empréstimo consignado). Ad argumentandum, ainda que a criação da Trancoso não tivesse servido a nenhum fim empresarial, alega a impugnante que o ordenamento jurídico não traz em nenhum de seus dispositivos o conceito de propósito negocial. Assim, ao estabelecer a falta de propósito negocial como fundamento para análise da dedutibilidade da despesa com ágio, a fiscalização criou obrigação tributária não prevista na norma legal. Acrescenta que a falta de propósito negocial não se subsume a nenhuma hipótese de incidência tributária. A impugnante alega que o Fisco não pode adentrar na liberdade individual dos contribuintes na gestão de seus negócios. Destaca que a liberdade de auto organização sempre foi tida como resultado das garantias asseguradas por diversos princípios constitucionais. Acrescenta que, não havendo norma que proíba a pessoa jurídica de realizar a operação de determinada maneira, não se pode impedila de realizála, partindose de premissas baseadas exclusivamente em fins arrecadatórios, sob pena de se afrontar a liberdade contratual, a liberdade de exercício da atividade econômica e a autonomia da vontade das partes contratantes. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 678 11 Ad argumentandum, caso se considere a Trancoso uma empresa veículo, a impugnante alega que o Carf vem reiteradamente rejeitando as tentativas da fiscalização de atribuir às empresas veículo a característica de abuso, aceitando a existência de tais sociedades nas estruturações societárias que envolvam aproveitamento do ágio, desde que da utilização destas não resulte uma economia tributária que, de outra forma não seria obtida. Cita diversos acórdãos do Carf nesse sentido, inclusive o acórdão nº 1301001505, proferido nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/201034, que trata do mesmo ágio ora debatido. Alega que essa decisão deve ser aplicada a este processo, para que não sejam proferidas decisões distintas sobre a mesma matéria. 2.4. Ad argumentandum Da inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização Caso se considere indedutível a despesa com amortização de ágio na apuração do lucro real, o que admite apenas a título argumentativo, alega a impugnante que essa despesa não poderia ser adicionada na apuração da base de cálculo da CSLL por ausência de previsão legal. Sustenta que a CSLL tem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais nem sempre são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. Acrescenta que, apesar de possuírem as mesmas regras de apuração e pagamento, os tributos em questão não observam as mesmas regras de dedutibilidade de despesas. No caso, alega que não há previsão legal que permita a adição de despesa de amortização de ágio na base de cálculo da CSLL, não sendo aplicáveis as regras próprias do IRPJ. Assim, ainda que seja mantida a autuação em relação ao IRPJ, conclui que deve ser cancelado o auto de infração de CSLL. 2.5. Do pedido Ante o exposto, a impugnante requer seja conhecida e provida a impugnação, com o consequente cancelamento dos autos de infração de IRPJ e de CSLL lavrados em decorrência da amortização do ágio pago na aquisição da Cacipar pela Trancoso, bem como o restabelecimento dos saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL compensados de ofício pela fiscalização. É o relatório. A Turma julgadora, além de declarar a definitividade da acusação não contestada, rejeitou os argumentos opostos contra a glosa de amortização de ágio aduzindo que: · O prazo decadencial começa a fluir apenas no momento em que é realizada a amortização do ágio, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do Fisco. · A Fiscalização restringiu sua contestação à inocorrência de confusão patrimonial entre a investidora e a investida, visto que o verdadeiro investidor é o Banco Societé Génerale Brasil e não a Trancoso, Fl. 678DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 679 12 circunstância na qual devem ser adotado o entendimento manifestado pelo conselheiro André Mendes de Moura no acórdão 9101002312, de 03/05/2016, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. · Sob as premissas expostas no referido julgado, e tendo em conta que o real adquirente da Cacipar é o Banco Société Générale Brasil, pois foi ele quem encomendou o estudo de avaliação do investimento, acreditou em sua maisvalia, efetuou as negociações com os sócios da Cacipar e desembolsou os recursos financeiros necessários à aquisição, conforme expresso no estudo efetuado pelo UBS Pactual, no "Contrato de compra de quotas sob condições precedentes e outras avenças". · Ademais, não procede a alegação da impugnante de que Transcoso fora concebida antecipadamente para deter a participação da Cacipar porque à época da referida contratação ela era apenas uma "empresa de prateleira". Somente em 07/03/2007, ou seja, após a assinatura do contrato de compra/venda das quotas da Cacipar, a Marigane foi transferida para o Banco Société Générale Brasil. Nessa mesma data, seu nome empresarial foi alterado para Trancoso e o Banco Société Générale Brasil efetuou a cessão dos direitos do referido contrato de compra/venda das quotas da Cacipar. · As alegações de que a Trancoso possuía outras finalidades, bem como de que a aquisição de uma instituição financeira por outra seriam mais complexa, não afetam as conclusões adotadas, até porque já havia uma holding na estrutura societária: a Cacipar, controladora do Banco Cacique, a evidenciar que a Trancoso teve finalidade tributária, qual seja transferir o ágio para que ele fosse amortizado pelo Banco Cacique. · Quanto às cogitações de outros operações que permitiriam a amortização da ágio, observouse que o litígio ora em julgamento se refere aos fatos ocorridos, não cabendo apreciar efeitos tributários de hipóteses não concretizadas no mundo fenomênico, consoante entendimento expresso no Acórdão nº 1103001.102. Até porque, ao optar por realizar a operação com a interposição da Trancoso, o grupo empresarial deve se submeter aos efeitos jurídicos dos atos efetivamente praticados que, como se verá adiante, impediram a aplicação da norma legal permissiva da dedutibilidade da amortização do ágio. · A natureza meramente instrumental da Trancoso fica evidente no relatório de avaliação econômico financeira elaborado pela KPMG em outubro de 2008, e as notícias publicadas à época evidenciam que, em essência, a operação realizada foi a aquisição do Banco Cacique pelo Banco Societé Générale. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 680 13 · Classificando a construção de artificial, destacando a inocorrência da extinção do investimento por confusão patrimonial e admitindo o propósito negocial como critério para dedutibilidade do ágio, concluiu que o procedimento adotado pelo investidor de interposição de empresaveículo na operação de aquisição de investimentos não se encontra respaldado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, porque descumpridos os requisitos legais ali previstos, e ainda que a função dessas normas jurídicas seja o estímulo a investimentos e reorganizações societárias, somente se observados os preceitos legais em vigor é que poderá ser reconhecida a validade jurídica da dedutibilidade da amortização fiscal do ágio. Ademais, mesmo se a interposição de empresasveículo na aquisição de investimentos não estivesse vedada, para que se desse regularmente a amortização fiscal do ágio necessária a extinção do investimento, por confusão patrimonial, mediante incorporação, entre investidoras e investida, o que não ocorreu no caso em análise. · Rejeitou a alegação de que a norma aplicável ao IRPJ não se aplicaria à CSLL, citando os art. 57 da Lei nº 8.981/95 e o art. 28 da Lei nº 9.430/96, bem como os arts. 38, 44 e 75 da Instrução Normativa SRF nº 390/2004, para concluir que a legislação relativa à CSLL adotou o mesmo disciplinamento contido na legislação do IRPJ quanto ao registro e ao tratamento a ser dispensado ao ágio, inclusive no que concerne à sua amortização. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/07/2017 (fl. 545), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 02/08/2017 (fls. 546/615), no qual deduz os argumentos a seguir sintetizados. Afirma que todas as operações societárias que acarretaram no aproveitamento do ágio pelo Recorrente foram praticadas de forma legal e com o conhecimento dos órgãos competentes, até porque o lançamento não foi acrescido de multa qualificada. Defende que os atos societários não sejam considerados isoladamente, pois as operações são parte de um contexto maior de expansão das atividades do Grupo francês Société Générale no Brasil. Entende que se a Fiscalização se pautasse sob esta ótica, teria constatado, como já o foi, de forma definitiva, por este E. CARF nos autos do Processo Administrativo nº 16327.001743/201034, que o aproveitamento do ágio pelo Recorrente não representou um fim em si mesmo, mas decorrência da efetiva aquisição de importante participação societária em operação realizada entre partes independentes. Destaca as principais “fotografias”, que compõem o “filme” das operações implementadas para a aquisição do Recorrente pelo Grupo Société Générale, nas quais se perceberá a validade de cada passo adotado pelo Grupo, bem como o sentido econômico e o propósito negocial de toda essa operação realizada nos exatos termos da legislação em vigor à época dos fatos: · Contrato de Compra de Quotas sob Condições Precedentes e Outras Avenças (“Contrato de Compra” – doc. 03 juntado à Impugnação) celebrado entre o Banco Société Générale Brasil S/A. (“Société”) celebrou com a Sra. Maria Yolanda Cerqueira Coimbra, o Sr. Cesário Fl. 680DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 681 14 Coimbra Neto, o Sr. Sérgio Coimbra e a Sra. Daniela Cerqueira Coimbra (“Vendedores”), tendo por objeto 100% das quotas representativas do capital da Cacique Comércio e Participações Ltda. (“Cacipar”), detidas pelos Vendedores, destacando que a Cacipar, juntamente com Terceiros, detinha ações do Recorrente; · Aquisição da empresa Marigane pelo "Société" em 07/03/2007, com alteração de sua denominação para "Trancoso" e cessão de seu direito de adquirir as quotas da "Cacipar" à "Trancoso"; · Aquisição das quotas da "Cacipar" detidas pelos "Vendedores" pela "Trancoso" em 30/11/2007; e · Deliberação da incorporação da "Cacipar" e da "Trancoso" pelo Banco Cacique em 31/10/2008. A "Trancoso", assim, teria recebido o direito de adquirir as quotas da Cacipar detidas pelos Vendedores, nos termos do Contrato de Compra. Solicitada uma avaliação da Cacipar, a Trancoso adquiriu as quotas dessa sociedade, tomando como base o estudo de avaliação realizado, à época, pelo Banco UBS Pactual em inglês (doc. 04 juntado à Impugnação), posteriormente traduzido pelo Recorrente (doc. 05 juntado à Impugnação). Nessa operação teria se verificado a geração de um ágio, uma vez que o valor de patrimônio líquido da Cacipar era inferior ao que foi pago pela Trancoso, conforme reconhecido pelo Sr. Agente Fiscal ao mencionar que o Banco Société Générale Brasil aportou capital na Trancoso, no valor de R$ 930.523.599,00, possibilitando que fosse pago o valor de R$ 888.372.854,00 pela aquisição das quotas (100%) da CACIPAR, as quais tinham valor de patrimônio líquido de R$ 317.809.235,16, resultando em um ágio de R$ 570.53.618,89. Referido ágio estaria fundamentado no estudo de expectativa de rentabilidade futura realizado (docs. 04 e 05 juntados à Impugnação). Seguiuse, então, a incorporação pelo Banco Cacique da "Cacipar" e da "Trancoso", pelo que o ágio antes registrado na Trancoso passou aos registros contábeis do Recorrente, porque a Trancoso era uma verdadeira empresa de participações (holding), concebida antecipadamente para, dentre outras atividades e finalidades, deter a participação do Société na Cacipar, dada a manifesta diferença entre os objetos sociais do Société (mais abrangente, com foco em banco de investimento) e do Banco Cacique (mais específico, focado em crédito consignado), e de forma a melhor segregar as atividades respectivas. Argumenta que o Société, por questões administrativas e empresariais, não pretendia, no primeiro momento, unir dois ramos distintos de atuação no mercado financeiro, o que não poderia ter sido questionado pelo Sr. Agente Fiscal, à luz do princípio da livre iniciativa. E conclui serem plenamente justificáveis as operações societárias realizadas pelo Recorrente, sendo legítimo o seu direito à amortização fiscal do ágio, após à Incorporação da Cacipar e da Trancoso pelo Recorrente, sendo inadmissível a acusação fiscal de que a "Trancoso" seria uma empresa veículo sem propósito negocial. Argúi a preclusão/decadência da possibilidade do Fisco questionar a origem de parte dos ágios no presente caso, dado que o ágio, como elemento contábil e societário surgiu em novembro de 2007, e já estaria alcançado pela decadência em 10/11/2016. Cita Fl. 681DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 682 15 doutrina neste sentido e julgados do Primeiro Conselho de Contribuintes que amparariam seu entendimento. Na sequência, discorre sobre os requisitos para amortização fiscal do ágio, reportandose às referências da Lei nº 6.404/76 acerca do ágio apurado em aquisição de participação societária e ao regramento da Instrução CVM nº 247/96, vigente à época dos fatos, bem como às disposições dos arts. 20 e 25 do DecretoLei nº 1.598/77. Aborda os dispositivos que regem a incorporação de sociedades na Lei nº 6.404/76, destacando que a incorporação reversa sujeitase ao mesmo tratamento tributário, bem como a relevância das razões econômicas do ágio para fins tributário. Defende que a dedutibilidade fiscal do ágio gerado na aquisição de sociedades teve como objetivo incentivar a prática de fusões e aquisições, tais como as ocorridas em processos de privatização, de modo que o aproveitamento fiscal do ágio representa um efeito positivo para o alienante, uma vez que a dedutibilidade do ágio refletida no fluxo de caixa futuro do negócio adquirido tem impacto positivo no preço a ser ofertado pelo adquirente. Mas ressalta que a referida regra fiscal não se restringe às operações de fusão e aquisição decorrentes de processos de privatização, a evidenciar que a regra dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 tem como objetivo beneficiar situações como a do presente caso, pois torna mais atraente a realização dos vultosos investimentos necessários para a aquisição de sociedades. Acrescenta que a tentativa de revogação daquela norma foi rechaçada pela Comissão de Finanças e Tributação, já que os benefícios advindos do fomento de aquisição de empresas superam as reduções fiscais geradas pela amortização do ágio, transcrevendo a justificativa expressa no Projeto de Lei nº 2.922/2000 e o voto que suprimiu aquela pretensão. Conclui, assim, que não resta dúvida que o aproveitamento do ágio decorrente da aquisição de sociedades, como trata o presente caso, representa a mera fruição de um benefício fiscal previsto em lei, inclusive incentivado pelo próprio Governo, e não um planejamento tributário, sendo desarrazoada a pretensão do Fisco de impor óbices inexistentes ao gozo desse direito. Afirma o cumprimento dos requisitos legais acerca da vinculação do fundamento econômico do ágio a rentabilidade futura, reportandose a doutrina e aos dispositivos legais que regem a matéria, bem como aos estudos apresentados como prova do fundamento, destacando sua contemporaneidade e validade, inclusive conforme parecer apresentado neste sentido, defendendo que prestados esses esclarecimentos, em que pese o laudo de rentabilidade futura não tenha sido objeto da presente autuação fiscal, não restam dúvidas acerca do cumprimento do artigo 385, §3° do RIR/99 pelo Recorrente, como reconheceu, inclusive, o I. Professor Eliseu Martins, motivo pelo qual os autos de infração deverão ser cancelados por este E. CARF. Opõese, então, à equivocada conclusão do Acórdão Recorrido quanto à suposta utilização da Trancoso como empresa “veículo”, no intuito único de possibilitar o aproveitamento fiscal do ágio gerado na aquisição da Cacipar, novamente descrevendo a negociação anterior promovida pelo "Société", mas destacando a inclusão de autorização excepcional e expressa (cláusula 9.5) para que o Société pudesse ceder o contrato e seus direitos e obrigações decorrentes do contrato a uma controlada (já que não havia tempo hábil para constituir a holding antes da celebração do contrato, dado o cronograma da operação imposto pelos vendedores, em meio a um processo competitivo de venda da Cacipar – fato não questionado pela Fiscalização), bem como observando que a aquisição da "Trancoso" se deu dias após a celebração do contrato, em março de 2007, quando sua consumação ainda era incerta e se achava sujeita à verificação de uma série de condições suspensivas (cláusula 4.1), Fl. 682DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 683 16 seguindose a cessão a ela de seus direitos e obrigações sob o contrato de compra e venda a ela (fato não questionado pela Fiscalização). Esclarece que oito meses depois, verificadas as condições suspensivas previstas no contrato, o Société aportou capital em dinheiro na Trancoso, e a Trancoso adquiriu a Cacipar, mediante o pagamento do preço aos vendedores, bem como que depois de mais onze meses, portanto quase 2 (dois) anos depois da aquisição pela Trancoso dos direitos oriundos do contrato de compra e venda, a Trancoso foi incorporada pelo Recorrente, o que evidenciaria que a Trancoso era uma verdadeira empresa de participações (holding), concebida antecipadamente para, dentre outras atividades e finalidades, deter a participação do Société na Cacipar, dada a manifesta diferença entre os objetos sociais do Société (mais abrangente, com foco em banco de investimento) e do Banco Cacique (mais específico, focado em crédito consignado), e de forma a melhor segregar as atividades respectivas. Discorda, assim, da conclusão da decisão recorrida, porque a Trancoso não foi adquirida pelo Banco Société unicamente para propósitos tributários, até porque a aquisição de uma instituição financeira por outra já existente, assim como de uma empresa por outra já existente (em atividade há muito tempo, com uma série de obrigações já assumidas) é muito mais complexa do ponto de vista de documentação necessária, certidões e registros obrigatórios, do que a aquisição por meio de uma empresa criada para esse fim. Quanto à referência do acórdão recorrido à ausência de especificações das complexidades, entende que elas independem de maiores divagações para o seu reconhecimento, por ser notória a existência de um regime jurídico específico para as instituições financeiras, cabendo ao Banco Central do Brasil a competência para conceder autorizações para que alterações societárias sejam realizadas. Tal regime seria rígido, tornando qualquer alteração societária muito mais lenta e complexa, se comparadas ao regime comum, sendo que no momento da aquisição da Recorrida, o engessamento societário não coadunava com os propósitos mercantis pretendidos. A holding "Trancoso", assim, teria sido utilizada como uma alternativa aos inúmeros limites e restrições postos às alterações societárias em instituições financeiras, como é o caso do Banco Société. Acrescenta que a estruturação societária contemplando uma holding para aquisição de participação societária, além de conveniente e justificada sob a ótica empresarial e de mercado, constitui prática antiga, inclusive no setor financeiro. Mas observa que a criação da "Trancoso" não era necessária para a amortização do ágio, vez que, sendo a aquisição da Cacipar realizada diretamente pelo Société, a despesa referente à amortização do ágio gerado nessa aquisição poderia ser deduzida pelo Société, bastando para isso que fosse realizada a incorporação da Cacipar pelo Société, o que não seria um problema para as partes, já que a Cacipar foi, efetivamente, incorporada, de modo que a estrutura societária pósincorporação nessa hipótese seria a mesma que foi alcançada no caso concreto, no qual a incorporação da Cacipar assim hipoteticamente tratada ocorreu, de fato, pela recorrente. Logo, não seria sequer necessário criar uma empresa (Trancoso) para possibilitar o aproveitamento fiscal do ágio. Poderia o Société ter adquirido e incorporado a Cacipar, diretamente, e a amortização do ágio, ainda assim, seria dedutível para apuração do IRPJ e CSLL no Sociéte. Resta claro, assim, que a Trancoso não foi condição necessária ao aproveitamento fiscal do ágio, vez que isso se daria também sem ela, pelo que não se pode dizer que essa empresa seria um mero “veículo". Neste sentido também é o parecer do Professor Eliseu Martins apresentado em impugnação. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 684 17 Acrescenta que o efeito fiscal da realização da operação por meio da Trancoso foi o mero deslocamento do aproveitamento fiscal do ágio do Société para o Recorrente, e ressalta que, tanto o Société quanto o Recorrente são empresas sediadas no Brasil, pelo que em uma ou outra essa despesa poderia ser considerada na apuração do lucro real, reduzindo a base tributável do IRPJ e da CSLL. Isto é, caso a Trancoso não tivesse sido criada, as condições para o aproveitamento fiscal do ágio seriam cumpridas de qualquer forma, chegandose ao final na mesma estrutura societária que acabou se verificando no caso concreto. Discorre também sobre a possibilidade de o Société adquirir a Cacipar e, como consequência, registrar o ágio verificado nessa aquisição em seu ativo, seguindose uma cisão parcial, com versão do investimento na Cacipar e respectivo ágio, para que a parcela cindida fosse incorporada pela Cacipar, e a recorrente, incorporandoa, passasse a registrar o ágio verificado na aquisição da Cacipar em seu ativo, o que seria perfeitamente legítimo sob a ótica da legislação brasileira, e viabilizaria a amortização fiscal do ágio. Discorda da abordagem acerca da questão no acórdão recorrido porque ao discorrer sobre a possibilidade de realizar essa mesma operação ágio gerado na aquisição do Recorrente sem a presença da holding Trancoso, pretendeuse demonstrar que se a intenção era unicamente tributária a holding era absolutamente dispensável. O que não era o caso, como dito, a Trancoso serviu precipuamente a propósitos empresariais que o Grupo Société possuía à época da aquisição. Registra que a realização da aquisição pela empresa de participações (holding) Trancoso gerou até um ganho para o Fisco, na medida em o aporte de capital feito pelo Société na Trancoso, seguido do pagamento do preço pela Trancoso aos Vendedores gerou 2 (duas) incidências de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF, cada uma superior a R$3.000.000,00 (três milhões de reais), uma prova cabal de que a Trancoso seria uma verdadeira holding, concebida com antecedência, para, dentre outras atividades, atender ao legítimo propósito negocial de deter a participação do Société na Cacipar, de forma a melhor segregar as atividades respectivas, estrutura que somente após quase 2 (dois) anos foi reavaliada. Discorre sobre as funções das sociedades holdings, com amparo em doutrina, que deixaria claro que o objeto de uma empresa não se limita a uma atividade de produção ou circulação de bens e prestação de serviços como indevidamente tentou fazer crer a Autoridade Fiscal em seu TVF. Faz outras referências a doutrina acerca da desnecessidade de a sociedade holdign pura ter empregados, bem como defende ser natural que a holding, não possua uma fonte própria de receitas decorrentes da prática de seu objeto social, como afirmou a Autoridade Fiscal, e conclui que a única forma de uma holding cumprir seu objeto social é por meio de aportes de capital ou obtenção de financiamentos para a aquisição de participações societárias, assim justificando o fato de a "Trancoso" ter necessitado do aporte de recursos por seu controlador (Société). Assim, tendo os recursos internalizados na Trancoso, via aporte, sido devidamente utilizados para a aquisição da CACIPAR, o ágio correspondente a esta operação foi nela registrado como resultado do desdobramento do custo de aquisição, a evidenciar que ela é a real adquirente desse ativo devendo o ágio ser registrado em seu patrimônio, razão pela qual a incorporação desta sociedade pelo Recorrente representa evidente “confusão patrimonial” que justifica a amortização do ágio ora debatido. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 685 18 Cita, ainda, a possibilidade de existência de uma sociedade cujo objeto social seja a mera detenção de outra(s) sociedade(s) prevista no artigo 2º, § 3º, da Lei das S. A., inclusive para beneficiarse de incentivos fiscais. Logo, ainda que a Trancoso tivesse sido constituída apenas para deter participação societária em outras companhias a fim de beneficiarse de incentivos fiscais, o que se nega, mas se alega para argumentar, estaria ela em plena conformidade com a legislação societária vigente à época dos fatos, de forma que é defeso ao Fisco invalidar as operações em razão da sua utilização. Ademais, o art. 31 da Lei nº 11.727/2008 reconheceria a holding pura como uma sociedade válida para todos os fins, ao dispor que a esta poderá diferir o reconhecimento das despesas com juros de empréstimos contraídos para financiamentos de investimentos em sociedades controladas. Discorre, também, sobre a inviabilidade de a participação societária em empresas ficar restrita às pessoas físicas, e reafirma o papel fundamental exercido pelas sociedades holdings puras no mercado financeiro e na economia, concluindo pela impossibilidade de se descaracterizar a existência da "Trancoso" pelos motivos indicados pela Fiscalização. Arremata citando doutrina para demonstrar que o prazo de duração de uma sociedade holding também não pode ser utilizado como requisito de sua validade, a teor do artigo 981, parágrafo único do Código Civil, e observando que a Trancoso nem sequer poderia ser considerada uma sociedade de existência efêmera, tal como justificou a Autoridade Fiscal, porque existiu, portanto, durante mais de 01 ano. De toda a sorte, sua existência estava integralmente relacionada e justificada pela necessidade de se preencher o objetivo negocial da operação: a aquisição do controle do Recorrente e a segregação dessa nova atividade adquirida das demais exercidas pelo Société, que somente foi possível com sua participação. Em seu entendimento, portanto, a amortização fiscal do ágio reconhecido pela Trancoso é legítima pelo simples fato de que: (i) representou operação de compra e venda de participação societária que teve como adquirente e vendedores entidades independentes e não relacionadas entre si; (ii) realizada a valores justos de mercado, com o efetivo desembolso do preço pela adquirente (a Trancoso); (iii) envolveu o pagamento em dinheiro de um ágio relevante, que teve como justificativa a expectativa de rentabilidade futura do investimento (Cacipar), justificativa essa baseada em Laudo de Avaliação que nem sequer foi questionado pela Autoridade Fiscal; e (iv) teve como passo final a incorporação da Trancoso ao patrimônio do Recorrente, preenchendo os requisitos estabelecidos pelos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97 (ou artigos 385 e 386 do RIR/99) para possibilitar a amortização fiscal do ágio. A recorrente prossegue destacando o propósito negocial para a criação da Trancoso, inicialmente observando que a Fiscalização não estabeleceu qual conceito de propósito negocial adotou para concluir que a "Trancoso" nele não se enquadraria, aspecto que entende indispensável para a validade dos lançamentos efetuados. Abordando os conceitos doutrinários acerca do tema, observa que mesmo admitindose a posição adotada por Marco Aurélio Greco, a operação em questão teria atendido a todos os "limites positivos" exigidos, dada a complexidade da aquisição de uma instituição financeira por outra já existente quando comparada com a aquisição por uma empresa criada para esse fim, e também considerando que inexistiria intuito econômico/fiscal como antes exposto. Também sob a ótica de Hugo de Brito Machado, as operações seriam Fl. 685DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 686 19 válidas porque os atos praticados pelo contribuinte – para que sejam considerados válidos – devem estar ligados à finalidade e à autuação desse contribuinte no mercado, vez que realizados com a intenção de manter segregadas duas atividades distintas que passariam a integrar o grupo liderado pelo Société conforme já demonstrado. Por fim, na linha do que defende Luís Eduardo Schoueri, a existência de propósito negocial seria evidente, dado que efetivamente existiu uma conformidade entre a intenção do Société (redução de complexidades, diminuição de custos, clara segregação dos segmentos entre outros) e a causa desse negócio jurídico (operações societárias como um todo). Entende, assim, inconteste a existência de propósito negocial nas operações efetivadas pelo Société, qual seja: a criação de uma empresa de participação para, dentre outras atividades e finalidades, praticar a aquisição desejada, de forma que se pudesse reduzir complexidades e evitar custos desnecessários e manter claramente segregadas duas atividades distintas (a do Société e outra a do Recorrente). De toda a sorte, como o ordenamento jurídivo vigente não especifica o conceito ou definição de "propósito negocial", estabelecêlo como fundamento para a análise da dedutibilidade da despesa com o ágio – como fez o Sr. Agente Fiscal – significa considerálo fato gerador de obrigação tributária sem a respectiva previsão em norma geral e abstrata (hipótese de incidência), em clara afronta ao Princípio da Legalidade Tributária. Ressalta que a única norma que poderia ter sido aventada para a desconsideração de uma operação sem substância econômica (o que, repitase, sequer pode ser debatido no presente caso), seria o parágrafo único do artigo 116 do CTN. Porém, os procedimentos necessários para a aplicação dessa norma dependem de elaboração de lei ordinária, a qual, até o presente momento, não foi editada. Aborda, ainda, a coerência com o planejamento estratégico do empreendimento econômico, apesar de afirmar a inaplicabilidade deste limite em nosso ordenamento jurídico, asseverando que as operações ocorridas se encontram claramente inseridas no planejamento estratégico do Grupo Société Générale, cujo objetivo era expandir suas atividades no Brasil, inserindose no mercado de crédito consignado. Afirma, também, a impossibilidade de ingerência do Fisco na atividade do contribuinte, adentrando à liberdade individual dos contribuintes. Aborda a liberdade de auto organização como resultante do princípio da legalidade, na forma de doutrina e do Acórdão nº 1301001.505, que reconheceu a legalidade da amortização deste mesmo ágio pelo Recorrente. Entende que não havendo norma que proíba a pessoa jurídica de realizar a operação de determinada maneira, não se pode pretender impedir o contribuinte de realizála, partindose de premissas baseadas exclusivamente em fins arrecadatórios, sob pena de se afrontar a liberdade contratual; a liberdade de exercício da atividade econômica e a autonomia da vontade das partes contratantes, que são verdadeiros princípios constitucionais. Acrescenta outras referências doutrinárias e citações de julgados administrativos deste CARF, nas quais se admite que, se o contribuinte pode encontrar na legislação mais do que um caminho, sendo um deles, inclusive, menos oneroso, mas perfeitamente legítimo, poderá escolhêlo porquanto este representa uma opção (legal) que lhe é mais conveniente. Logo, não pode o Fisco interferir na maneira pela qual os contribuintes realizarão aquisições, por exemplo, vedando, sem qualquer respaldo em Lei, o aproveitamento de ágio gerado mesmo em operação na qual se utiliza uma sociedade constituída Fl. 686DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 687 20 especificamente para a aquisição de outro investimento em detrimento de uma aquisição “mais direta”, conforme pacífica jurisprudência do E. CARF citada na sequência. Considerando que um dos pontos fulcrais do voto condutor do acórdão recorrido seria a existência de uma suposta “empresa veículo”, e por isso, tratarseia de uma situação artificial, sem qualquer substância econômica a justificála, argumenta que a existência das chamadas “empresas veículo” ou “sociedades veículo” não é suficiente para que se infirme a validade de uma operação que culmine na amortização fiscal do ágio, consoante manifestações reiteradas deste Conselho, desde que da utilização destas não resulte uma economia tributária que, de outra forma, não seria devida. Frisa que esse posicionamento se coaduna perfeitamente com a já mencionada Lei das S.A. (Lei nº 6.404/1976), que em seu art. 2º, §3º regulamenta a atividade de empresa, inclusive as holdings, permite a constituição de sociedade empresarial para tomada de benefícios fiscais, no caso em houver a constituição de uma sociedade para utilização do benefício fiscal do ágio, não poderia a Fiscalização desconstituir esse ato, sob a justificativa de que não haveria substância econômica. Mas recorda que no caso em concreto, demonstrouse fartamente que a utilização da Trancoso possuía todo um caráter societário relevante para o Recorrente, não sendo constituída apenas para realizar a transferência do ágio, como supôs a Fiscalização. Finaliza reiterando sua objeção à impossibilidade da amortização do ágio nas hipóteses em que a Fiscalização alega a existência de suposta empresa veículo, uma vez que o entendimento consolidado das cortes administrativas é no sentido de que a reorganização empresarial pode se dar por meio de companhias não operacionais e recorda que essa posição já foi firmada de forma definitiva para este mesmo ágio ora debatido, contudo, para as amortizações ocorridas nos anos de 2008 e 2009 (processo administrativo nº 16327.001743/201034), pleiteando que seja aplicada essa mesma decisão exarada por este E. CARF em favor do Recorrente, sob pena de julgamentos distintos para uma mesma matéria, o que não pode ser admitido por este Colegiado. Subsidiariamente aduz a inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela Fiscalização. Argumenta que muito embora a CSLL seja, assim como o IRPJ, tributo incidente sobre o lucro dos contribuintes, certo é que para ela existem normas específicas que tratam das adições e exclusões ao lucro líquido para fins de determinação de sua base de cálculo, as quais, nem sempre, são as mesmas aplicáveis ao IRPJ. De outro lado, o legislador não teria elencado no art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88, como adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Expõe a evolução legislativa referente à possibilidade de amortização do ágio, bem como as respectivas normas aplicáveis à apuração do IRPJ e da CSLL e defende que: (i) a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos; (ii) a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a edição da Lei nº 11.638/07, de modo que, para a CSLL, o ágio é plenamente dedutível; (iii) a base de cálculo do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL (nem as regras previstas no DecretoLei nº 1.598/77 que tratam da adição do ágio no Fl. 687DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 688 21 lucro real, nem as regras previstas na Lei nº 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses). Cita julgados administrativos que amparariam seu entendimento. Por fim, requer que seja revertidas as retificações de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL, de modo que os valores compensados de ofício pelo Sr. Agente Fiscal, por meio dos autos de infração em questão, deverão ser restabelecidos, ao final do presente processo administrativo, com o julgamento favorável ao Recorrente. Fl. 688DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 689 22 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Inicialmente cumpre apreciar o requerimento da contribuinte de que seja aqui aplicada a decisão proferida no Acórdão nº 1301001.505, sob pena de julgamentos distintos para uma mesma matéria, o que não pode ser admitido por este Colegiado. No referido acórdão foi apreciado lançamento formalizado no processo administrativo nº 16327.001743/201034 e decorrente, dentre outras infrações, da glosa de amortizações do mesmo ágio aqui em discussão, mas promovidas nos anoscalendário 2008 e 2009. Naqueles autos, a autoridade lançadora fundamentou a indedutibilidade das amortizações não só na conclusão de que o Banco Société Générale seria o investidor de fato, como também na extemporaneidade do laudo elaborado pela KPMG, contratada depois do pagamento do ágio. Depois da conversão do julgamento em diligência, que oportunizou à contribuinte a apresentação de tradução juramentada do estudo elaborado por UBS Pactual à época da aquisição, além de outros esclarecimentos, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário em relação à amortização de ágio, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas, sendo designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmir Sandri, também apresentando declaração de voto o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. O acórdão restou assim ementado neste ponto: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. Importa registrar que além desta decisão, também foi proferido o Acórdão nº 1201001.242, nos autos do processo administrativo nº 16327.720476/201189, veiculando, dentre outras infrações, a glosa das amortizações do correspondente ágio promovidas no ano calendário 2010. Naqueles autos, a autoridade lançadora fundamentou a indedutibilidade das amortizações não só na conclusão de que o Banco Société Genérale seria o verdadeiro adquirente do controle societário da autuada, como também na extemporaneidade do laudo elaborado em julho de 2008, posteriormente ao pagamento do ágio em 30/11/2007. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para a afastar a glosa das despesas com amortização do ágio levadas ao resultado no ano de 2010, divergindo a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa e votando pelas conclusões o Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. O acórdão restou assim ementado neste ponto: DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 690 23 Se o ágio na aquisição do investimento efetivamente ocorreu, não sendo fruto de operações entre empresas do mesmo grupo econômico (ágio interno), incabível a glosa da despesa com sua amortização fundada no emprego da assim chamada "empresa veículo". Aliás, no voto condutor do referido julgado, o Conselheiro Relator Marcelo Cuba Netto consignou que: Como visto acima, o ágio foi registrado na contabilidade da contribuinte no ano de 2008 e passou a ser por ela amortizado a partir daquele mesmo ano. No âmbito do processo nº 16327.001743/201034 a fiscalização lavrou auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anos de 2008 e 2009, pela dedução indevida das despesas com amortização do ágio. No presente processo foi lavrado auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL relativamente aos fatos geradores ocorridos nos ano de 2010. Conforme já assentado no relatório e no item 3 do presente voto, transitou em julgado a decisão administrativa exarada no processo nº 16327.001743/201034, havendo a 1ª Turma da 3ª Câmara decido ser cabível, no caso, a dedutibilidade das despesas com amortização do ágio, conforme ementa ao acórdão 1301001.505, a seguir transcrita: INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto das Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto nº 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 mediante utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. Obviamente que a coisa julgada objeto do acórdão 1301001.505 não alcança o litígio ora em discussão. De fato, enquanto lá se decidiu sobre a dedutibilidade das despesas com amortização do ágio nos anos de 2008 e 2009, aqui o objeto da lide é o ano de 2010. Não custa recordar que, de acordo com o abaixo transcrito art. 469, I, do Código de Processo Civil, não fazem coisa julgada os motivos que levaram aquela Turma a decidir pela legalidade da despesa, daí porque esta Turma poderia, com base em motivos diversos, entender o oposto. Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; (...) Em outras palavras, os fundamentos que alicerçaram a decisão da 1ª Turma da 3ª Câmara, que afastou a exigência nos anos de 2008 e 2009, não vinculam a decisão desta Turma quanto ao exame referente ao ano de 2010. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 691 24 Não há notícia de interposição de recurso especial nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/201034 (anoscalendário 2008 e 2009). Já com referência ao processo administrativo nº 16327.720476/201189 (anocalendário 2010), no sítio do CARF há registro de interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, bem como de sua recente distribuição para relatoria na 1ª Turma da CSRF. Em circunstâncias semelhantes esta Conselheira já manifestou seu entendimento em favor da reprodução em julgamento posterior do entendimento firmado por outra Turma do CARF que apreciou a primeira exigência fiscal decorrente do fato jurídico tributário em debate. Como relatado, o presente lançamento tem em conta as amortizações de ágio apropriadas no anocalendário 2011, ágio este formado na aquisição da autuada pelo Banco Sociéte Générale Brasil S/A, mediante Contrato de Compra de Quotas sob Condições Precedentes e Outras Avenças, firmado entre a referida adquirente e os vendedores titulares das quotas da "CACIPAR", holding que detinha 100% das ações do Banco Cacique S.A. Objetivamente, concluiu a autoridade fiscal, reproduzindo jurisprudência deste Conselho, que “Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original”. Com toda engenharia societária realizada pelo Banco Société Générale Brasil, podemos observar que, ao fim, o investimento adquirido Banco Cacique S.A. subsiste no patrimônio do investidor original, o Banco Société Générale. Em outras palavras, as decisões proferidas pelo CARF destacam que a as normas legais não autorizam o aproveitamento do ágio quando, ao final da operação, o verdadeiro adquirente e o adquirido remanescem existindo, sem que haja união do patrimônio dessas sociedades. Logo, o vício constatado pela Fiscalização está localizado no registro inicial do ágio, fato constituído, originalmente, nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/201034 e até mais amplamente discutido pela 1ª Turma da 3ª Câmara desta Seção, que também apreciou as objeções fiscais à prova do fundamento do ágio em rentabilidade futura. Indiscutível, portanto, a conexão entre os lançamentos. Diante deste contexto, necessário se faz traçar os limites de atuação desta Turma de Julgamento para apreciação do litígio presente nestes autos. Dispõe o Regimento Interno do CARF, em seu Anexo II, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, o que segue: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 692 25 § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. [...] Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. Art. 47. Os processos serão distribuídos aleatoriamente às Câmaras para sorteio, juntamente com os processos conexos e, preferencialmente, organizados em lotes por matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. [...] Art. 49. O presidente da Câmara participará do planejamento da quantidade de lotes a ser sorteada aos conselheiros dos colegiados vinculados à Câmara e dos recursos repetitivos. [...] § 5º O processo conexo, decorrente ou reflexo e o que retornar de diligência ou em razão de acórdão de recurso especial e de embargos de declaração será distribuído ao mesmo relator ou redator, independentemente de sorteio, ressalvados o retorno de processo com acórdão de recurso especial e os embargos de declaração em que o relator ou redator não mais pertença à turma de origem, que serão apreciados por essa, mediante sorteio entre seus conselheiros. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) [...] (negrejouse) No presente momento, a distribuição por conexão não é mais possível porque já concluído o julgamento e também porque nem o relator nem o redator designado integram Colegiados desta 1ª Seção. De toda sorte, a determinação regimental prestase a atender objetivos maiores, que devem ser observados ainda que a distribuição não seja feita ao mesmo Conselheiro Relator ou Redator do processo original. O Decreto nº 70.235/72 apenas cogita da reunião dos lançamentos no momento de sua formalização, quando lastreados nos mesmos elementos de prova. Esta permissão assim constava de sua redação alterada pelas Leis nº 8.748/93 e 11.196/2005: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 693 26 § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (negrejouse) A redação atual do art. 9o do Decreto nº 70.235/72 não foi alterada, substancialmente, neste ponto: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3o da Lei no 11.457, de 16 de março de 2007. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) No mais, o Decreto nº 70.235/72 nada diz, além de destacar que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias (art. 29, Seção VI – Do Julgamento em Primeira Instância), e dispor que o julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno (art. 37, Seção VII – Do Julgamento em Segunda Instância). Necessário, portanto, o exame da Lei nº 9.784/99, que por força de seu art. 69 aplicase subsidiariamente aos processos administrativos específicos regidos por lei própria, como é o caso do processo administrativo fiscal federal. E de seu texto destacase: Fl. 693DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 694 27 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] (negrejouse) Isto porque são os princípios da segurança jurídica e da economia processual, este refletido administrativamente no princípio da eficiência, que informam a conexão, a continência e a litispendência do processo civil. Este tema é abordado nos seguintes artigos do Novo Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105/2015): Art. 55. Reputamse conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado. [...] § 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. Art. 56. Dáse a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. Art. 57. Quando houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, no processo relativo à ação contida será proferida sentença sem resolução de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas. Art. 58. A reunião das ações propostas em separado farseá no juízo prevento, onde serão decididas simultaneamente. [...] Art. 286. Serão distribuídas por dependência as causas de qualquer natureza: I quando se relacionarem, por conexão ou continência, com outra já ajuizada; [...] Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: [...] VI litispendência; VII coisa julgada; Fl. 694DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 695 28 VIII conexão; [...] § 1o Verificase a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2o Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. § 3o Há litispendência quando se repete ação que está em curso. § 4o Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. [...] Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: [...] V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; [...] § 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. [...] Nestes termos, havendo identidade de pedido ou causa de pedir entre duas ou mais ações, apenas uma delas pode subsistir. Tais causas devem ser distribuídas ao mesmo juiz, que pode ordenar a reunião das ações para sua decisão simultânea2, ou mesmo determinar a extinção, sem julgamento do mérito, do processo que reproduz ação anteriormente ajuizada. Observese que, embora atribuído ao réu o dever de alegar a existência de conexão ou litispendência, o art. 267, §4o do antigo CPC, à semelhança do art. 485, §3º do Novo CPC, autoriza o conhecimento de ofício, pelo juiz, de tais circunstâncias, como bem destaca Cândido Rangel Dinamarco (Instituições de Direito Processual Civil, 4a ed. rev. atual. e com remissões ao Código Civil de 2002. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 148151): Como se trata de matéria de ordem pública, referente ao exercício de uma função estatal, que é a jurisdição, negase o próprio Estado, independentemente da vontade dos litigantes, a exercêla duas ou várias vezes com o mesmo objetivo. A proibição de duplicar ou multiplicar o exercício da jurisdição em casos assim constitui legítima e racional ressalva à promessa constitucional de tutela jurisdicional (Const., art. 5°, inc. XXXV). [...] O controle oficial deve ser feito durante toda a pendência do segundo processo, a saber, desde o momento em que o juiz despacha a petição inicial e enquanto não se exaurirem as instâncias ordinárias. Tal é o significado da locução em qualquer tempo e grau de jurisdição, contida na lei. Mesmo nada alegando o réu em apelação, ou mesmo que a demanda haja sido julgada improcedente ou inadmissível por outro fundamento e o autor venha a apelar, é dever do tribunal fazer a verificação. Só se exclui que, sem ter o tema da litispendência sido objeto de pronunciamento explícito pelo tribunal encarregado de 2 No CPC anterior (Lei nº 5.869/73), ao juiz era permitido, incluisve, agir de ofício: Art.105.Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 696 29 julgar a apelação (Tribunais Regionais Federais, Tribunais de Justiça), ele venha a ser examinado em sede de recurso especial (a exigência de prequestionamento: Súmula 282 e 356 STF). Dadas estreitíssimas limitações desse recurso, também não poderia o Superior Tribunal de Justiça apreciar a litispendência sem que isso lhe houvesse sido pedido pelo recorrente. A litispendência é classificada pela doutrina como um dos pressupostos processuais negativos, pois sua ocorrência impede a eficácia e a validade da relação jurídica processual formada em segundo lugar. Seu fundamento está no repúdio da ordem jurídico processual ao bis in idem, evitandose que a mesma demanda seja julgada mais de uma vez, com o risco de decisões contraditórias e prejuízo à segurança jurídica. Neste sentido são as lições de Teresa Arruda Alvim Wambier (Litispendência em ações coletivas. In: Processo Civil Coletivo. Coordenação de Rodrigo Nolasco Mazzei e Rita Dias Nolasco, São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 280), classificando de preventivas as preocupações com a litispendência, pois por trás de todas as discussões que envolvem a litispendência, sempre se percebe que o principal cuidado existente se liga a evitar que, futuramente, haja decisões conflitantes, não no plano lógico, mas no plano empírico sobre o mesmo objeto. De forma semelhante manifestase Luiz Rodrigues Wambier (Curso Avançado de Processo Civil, vol. 1: Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. 5a ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002, p. 203), para quem o fundamento para esse pressuposto processual negativo está no princípio da economia processual e no perigo de julgamentos conflitantes. A reunião dos processos, em razão da conexão, objetiva, portanto, evitar decisões contraditórias e incompatibilidades lógicas, ou até operacionais, do ponto de vista da execução do julgado, nos casos em que o cumprimento de uma das decisões poderia implicar o descumprimento de outra decisão judicial. Daí o poder conferido ao juiz de reunir processos com elementos semelhantes, evitando conseqüências danosas aos cidadãos e ao Poder Judiciário, premissas estas que permitem a Cândido Rangel Dinamarco (Instituições de Direito Processual Civil, 4a ed. rev. atual. e com remissões ao Código Civil de 2002. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 148151) definir conexão nos seguintes termos: A conexidade é uma categoria jurídicoprocessual de tanta amplitude, que conceitualmente é capaz de abranger em si todas as demais modalidades de relações entre demandas. [...] a coincidência entre os elementos objetivos das demandas, para determinar a conexidade juridicamente relevante, deve ser coincidência quanto aos elementos concretos da causa de pedir ou quanto aos elementos concretos do pedido. A coincidência de elementos abstratos conduz à mera afinidade entre as demandas, que não chega a ser conexidade e não tem os mesmos efeitos desta. [...] O que importa, nos institutos regidos pela conexidade, é a utilidade desta como critério suficiente para impor certas conseqüências (prorrogação da competência, reunião de processos) ou autorizar outras (litisconsórcio). Essa utilidade está presente sempre que as providências a tomar sejam aptas a proporcionar a harmonia de julgados ou a convicção única do julgador em relação a duas ou mais demandas. Daniel Amorim Assumpção Neves (Manual de Direito Processual Civil, v, único, 4a edição, São Paulo: Editora Método, 2012, p. 168169) observa que a economia processual é um aspecto secundário na conexão, a ponto de, à época, no Projeto de Lei do Fl. 696DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 697 30 Novo Código de Processo Civil, ter se cogitado de restringir a conexão às hipóteses em que existisse risco de decisões contraditórias se os processos fossem julgados separadamente. Mas destaca a importância desta causa modificadora de competência nos seguintes termos: Fixados os limites da identidade exigida para que se verifique a conexão entre duas demandas com a interpretação possível da redação constante no art. 103 do CPC, é importante analisar as razões de ser da conexão e, mais especialmente, da sua conseqüência: a reunião dos processos perante um mesmo juízo. São duas as principais razões: economia processual e harmonização dos julgados. A primeira e inegável vantagem aferida com o fenômeno da conexão é evitar que decisões conflitantes sejam proferidas por dois juízos diferentes. A existência de decisões conflitantes proferidas em demandas que tratem de situações similares é, naturalmente, motivo de descrédito ao Poder Judiciário, podendo inclusive gerar problemas práticos de difícil solução. Por outro lado, é inegável que a reunião de duas ou mais demandas perante somente um juiz favoreça no mais das vezes a verificação do princípio da economia processual, já que os atos processuais serão praticados somente uma vez [...]. Com a prática de atos processuais que sirvam a mais de um processo, é evidente que haverá otimização de tempo e em razão disso respeito ao princípio da economia processual. [...] Os dois fundamentos que ensejam a reunião dos processos em decorrência de conexão – embora em diferentes graus de importância – estão intimamente ligados a razões de ordem pública, posto interessar ao próprio Estado que os julgados do Poder Judiciário sejam harmoniosos e que se gastem o menor tempo e recursos para obtêlos. Justamente em virtude dos interesse que procura preservar (ordem pública), essa causa modificadora de competência é dotada de maior força que todas as demais. (destaques do original) Vejase que, ao final, o Novo CPC acabou por ampliar o conceito de conexão ao dispor que também serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles (art. 55, §3º). Patente, assim, o interesse em se evitar decisões conflitantes. Abordando a obrigatoriedade da reunião de processos em razão da conexão, Daniel Amorim Assumpção Neves (Op. cit, p. 169170) defende que uma reunião que não possa alcançar nenhum dos dois objetivos traçados para o instituto está totalmente fora de questão. E, nesta linha, acrescenta: [...] E parece concordar com tal posição a jurisprudência, sumulado o Superior Tribunal Justiça o entendimento de que não existe reunião de processos conexos quando um deles já estiver no tribunal, circunstância esta em que obviamente a reunião dos processos não geraria qualquer economia processual ou harmonia dos julgados, visto que em um deles a prova já foi produzida e a decisão já foi prolatada. De fato, firmou o Superior Tribunal de Justiça na Súmula 235 que a conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado. Ocorre que a necessidade de se produzir outra decisão, no âmbito administrativo, não implica a produção de provas, mas apenas a apreciação de fatos já constituídos pela autoridade competente. Em conseqüência, Fl. 697DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 698 31 negar efeitos à conexão, em tais condições, significa permitir a reapreciação de fato já julgado e eventual decisão em sentido diverso da anterior, desconsiderando o objetivo da norma. No caso presente, o fato jurídico que origina a presente demanda foi apreciado em 1a e 2a instâncias de julgamento, em razão de impugnação e recurso voluntário interpostos nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/201034. Logo, não sendo mais possível a reunião dos processos, na prática, para julgamento conjunto, os princípios da economia processual, eficiência e segurança jurídica determinariam que a apreciação resultante do recurso voluntário interposto naqueles autos fosse reproduzida na resposta ao recurso voluntário interposto nestes autos. Diante desta análise jurídica e pragmática, a solução mais adequada aos princípios que regem o processo civil e administrativo, seria a reprodução, no julgamento do recurso voluntário presente nestes autos, do entendimento firmado pela 1a Turma da 3ª Câmara desta 1a Seção na apreciação de recurso voluntário que teve por objeto a primeira exigência fiscal decorrente do fato jurídicotributário aqui em debate. É patente a identidade do fato jurídicotributário tratado nos dois processos em referência, como evidenciado no relatório acima e no relatório e votos do Acórdão nº 1301 001.505, no qual foram analisados todos os contornos da operação aqui expostos, para além dos questionamentos também dirigidos à prova do fundamento do ágio. Em ambos os lançamentos, a autoridade lançadora rejeitou a "Trancoso" como adquirente, e atribuiu ao Banco Société Générale Brasil S/A esta condição, de modo a negar dedutibilidade às amortizações de ágio porque ausente a confusão patrimonial exigida pela legislação fiscal. As conclusões do Conselheiro Valmir Sandri, expressas ao final de seu voto, não deixam dúvidas de a admissibilidade do arranjo societário para aquisição da participação societária foi determinante para o reconhecimento da dedutibilidade das amortizações glosadas: [...] Com relação a alegação do Ilustre Relator de que o processo de aquisição de empresa e incorporações sucessivas não tiveram propósito outro que não fosse o de antecipar os benefícios fiscais trazidos pela amortização do ágio, inclusive com a utilização da chamada “empresa veículo” constituída para esse fim, com a devida “vênia”, ouso dele novamente discordar, eis que a criação de empresas, bem como a sua extinção por incorporação, envolvendo uma controlada e controladora, independe de qualquer motivação econômica ou financeira, pois está na órbita exclusiva da decisão dos sócios. Por estas razões não faz o menor sentido a motivação que levou o auto de infração considerar ter ocorrido um planejamento inoponível ao fisco, por não ter havido razão econômica “na aproximação dos interessados” relativamente à incorporação de modo a possibilitar a dedução do ágio. A razão econômica da incorporação está exatamente no fato de que, com a incorporação, a autuada passou a ter o direito, sponte sua, de amortizar o ágio pago na privatização, tendo sido esta a conduta abarcada e induzida pelo ordenamento, por intermédio das regras estipuladas no artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/973, sendo bastante comum em direito societário para se alcançar 3 Ricardo Mariz de Oliveira, em trabalho intitulado ”Os motivos e os fundamentos econômicos dos ágios e dos deságios na aquisição de investimentos, na perspectiva da legislação tributária”, publicado no livro Direito Tributário Atual nº 23” , editado em 2009 pela Dialética, destaca que o espirito da norma dos artigos 7º e 8º da Lei Fl. 698DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 699 32 determinado efeito, não prosperando, portanto, o argumento de que a real motivação da incorporação foi a utilização do benefício fiscal previsto na lei. Ora, a motivação não há que ser, necessariamente, econômica, podendo ser de qualquer ordem, desde que verdadeira, sendo, portanto, repito, fora de propósito a alegação fiscal de que não se denota nenhuma finalidade econômica na aproximação dos interessados, mormente quando não há no ordenamento pátrio tal figura. Como é sabido, a alienação ou extinção de participação societária implica resultado operacional (ganho ou perda de capital), em cuja apuração influencia o ágio que compôs o preço da respectiva aquisição. Para fins fiscais, nos casos de extinção de participação societária decorrente de incorporação, fusão ou cisão, o art. 34 do Decreto 1.598/77 (art. 430 do RIR/99) somente permitia a dedução como perda de capital da diferença entre o valor contábil registrado pelo investidor e o acervo incorporado, avaliado a preço de mercado, pois a mesma representava perda efetiva do custo de aquisição do investimento. Não havia prazo mínimo para esta operação de registro da perda. Por sua vez, a Lei nº 9.532/97 alterou essa norma em relação aos casos de aquisição com ágio e posterior incorporação, fusão ou cisão. Nessa hipótese, em se tratando de ágio com fundamento na rentabilidade futura, o legislador admitiu sua amortização à razão de sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração (artigo 386, III, do RIR/99). Essa norma tornou irrelevante, para fins fiscais, a avaliação de acervo líquido quando existente ágio ou deságio, e criou prazo mínimo para a amortização, como forma de evitar o ganho fiscal imediato que anteriormente se obtinha, pelo reconhecimento imediato da diferença entre o valor contábil e o valor do acervo líquido. De se verificar também que independentemente do caminho trilhado pelas empresas envolvidas, tanto a Incorporada como a Incorporadora, sem infringir a legislação fiscal, poderiam beneficiarse da dedutilibidade do ágio pago na aquisição, porquanto, os dois caminhos alternativos (incorporação direta ou mediante uso de empresa veículo) não resultariam em carga tributária diferente, sendo descabido falar em falta de disposição expressa no ordenamento para a opção por um ou por outro e/ou espaço de tempo utilizado nessas operações, não havendo, portanto, que se falar em abuso de direito para se obter o benefício fiscal. De se pontuar que a inserção da figura do abuso de direito no campo tributário, como fator justificativo da ineficácia dos atos praticados perante o fisco, ligase a 9.532/97 é que a dedução da amortização do ágio (fundamentado na rentabilidade futura) em razão da absorção da pessoa jurídica a que se refira é que ele seja considerado juntamente com os lucros da atividade a que se refere. E assenta: “Em suma, no contexto dos art. 7º e 8º é essencial que haja absorção de patrimônio por via de incorporação, fusão ou cisão, de maneira a reunir ágio ou deságio e lucro numa única pessoa jurídica. É por isso mesmo – por ser acontecimento inerente ao tratamento objetivado pela lei – que a reunião das pessoas jurídicas é coisa natural e não deve ser vista com a desconfiança que tem caracterizado alguns procedimentos fiscais, a qual é totalmente descabida quando efetivamente tenha ocorrido uma aquisição om ágio, eis que o passo subsequente inevitável, previsto na lei, é a incorporação, fusão ou cisão das pessoas jurídicas investidora e investida. É ainda por isso que, nesses casos, se torna irrelevante como se processa a reunião das duas pessoas jurídicas, para o que a lei abre inúmeras alternativas, e nem mesmo é prejudicial aos efeitos da lei que essa reunião tenha se realizado em curto ou longo prazo, podendo mesmo efetivarse no próprio dia da aquisição do investimento.” Fl. 699DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 700 33 situação em que há uma redução da carga tributária (compromete a eficácia do princípio da capacidade contributiva). Invocar o abuso de direito para considerar ineficaz a conduta frente ao fisco só se justifica se essa conduta houver sido determinante para redução da carga tributária (compromisso da capacidade contributiva). E isso não ocorreu no caso concreto pois, como visto, a carga tributária seria mesma, quer a incorporação fosse direta, quer se desse por meio da empresa veículo, sendo impertinente também para justificar o lançamento, pois pressupõe que o exercício do direito tenha se dado em prejuízo do direito de terceiros. No caso, não se materializou excesso frente ao direito tributário, eis que não houve prejuízo da Fazenda, pois o resultado tributário alcançado seria o mesmo se não houvesse sido utilizada a empresa veículo. [...] (negrejouse) Assim, o presente voto é no sentido de reconhecer a conexão da presente exigência com aquela veiculada nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/2010 34, e reproduzir aqui o mesmo entendimento lá firmado acerca do fato jurídico tributário que ensejou a presente exigência, no sentido de que a incorporação pela autuada da "Trancoso" e da "Cacipar" autorizaria a dedução fiscal das amortizações do ágio pago. Em conseqüência, tornase desnecessário apreciar os demais questionamentos veiculados em recurso voluntário quanto às exigências decorrentes do principal lançado em razão da glosa das amortizações do ágio. Por estas razões, o presente voto passa a ser no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Prevalecendo o entendimento do Colegiado contrário à aplicação dos efeitos da conexão na forma antes proposta, passase à apreciação dos demais argumentos deduzidos pela interessada no recurso voluntário interposto nestes autos. Preliminarmente cumpre afirmar a necessária aplicação da Súmula CARF nº 116: Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Considerando que o lançamento em debate, formalizado em 10/11/2016, prestouse a glosar amortizações de ágio deduzidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no anocalendário 2011, deve ser REJEITADA a arguição de decadência, vez que não havia transcorrido nem mesmo o prazo decadencial mais estreito, previsto no art. 150, §4º do CTN. No mérito, cabe registrar inicialmente que a autoridade lançadora pautouse, em sua acusação, no entendimento expresso na ementa dos Acórdãos nº 1101000.942 (processo nº 10980.722071/201276), 1101000.936 (processo nº 16561.720040/201117), 1101000.962 (16643.000144/201011), 1101000.961 (processo nº 16643.000142/201021) e 1101000.899 (processo nº 19515.005924/200977), todos conduzidos por voto desta Conselheira: TRANSFERÊNCIA DE CAPITAL PARA AQUISIÇÃO DE INVESTIMENTO POR EMPRESA VEÍCULO, SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 701 34 SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. Os arranjos societários analisados nos referidos julgados apresentam peculiaridades que não permitem identificar nenhum deles com as operações aqui sob exame, mas todos eles apresentam um traço característico representado pela amortização fiscal do ágio sem que a real adquirente do investimento incorpore ou seja incorporada pela investida. Ou seja, sob diferentes estruturas societárias, o real adquirente é substituído na titularidade das ações da investida por outra pessoa jurídica que, ao final, é extinta por incorporação, permitindo que as disposições dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 sejam invocadas, reduzindo se o lucro da investida mediante dedução o ágio pago e fundamentando em sua rentabilidade futura. No presente caso, está provado que no contrato firmado para aquisição das ações da autuada, detidas por "Cacipar" (Companhia de Participações de propriedade da "família Coimbra"), figurou como comprador o Banco Société Générale Brasil S/A, que dez dias depois da compra transferiu para si as quotas de "Marigane Participações Ltda", pessoa jurídica constituída há poucos meses e sem nenhuma atividade, passando a denominála "Trancoso Participações Ltda" e cedendolhe os direitos de aquisição da "Cacipar", para mais à frente, com a aprovação concedida pelo Banco Central do Brasil para realização da operação, aportarlhe o capital necessário à realização do negócio. Segundo a autoridade lançadora, os recursos utilizados para aquisição pretendida pelo Banco Sociéte Générale foram aportados na efêmera companhia com o propósito exclusivo de realizar o pagamento antes acordado entre comprador e vendedores para em seguida extinguila. A recorrente aduz que a cessão do direito de compra das ações detidas por "Cacipar" já estava prevista no referido contrato, mas isto nos seguintes termos (fl. 289): 9.5 Cessão. A partir da data deste instrumento até a Data do Fechamento, nenhuma das Partes contratantes poderá ceder este Contrato, em parte ou no todo, sem a anuência por escrito das outras Partes, ressalvado que o Comprador poderá ceder este Contrato e seus direitos e obrigações a qualquer Afiliada do Comprador, incluindo, sem limitação, como resultado da venda ou incorporação ou qualquer reorganização societária, a qualquer época antes ou após a Data do Fechamento, caso em que Société Générale deverá permanecer como uma Parte Interveniente deste Contrato a fim de garantir o cumprimento deste Contrato pelo cessionário, em conformidade com a Cláusula 3.4 deste instrumento, e o Comprador deverá imediatamente notificar os Vendedores sobre a cessão, ressalvado, entretanto, que qualquer tal cessão pelo Comprador poderá apenas ocorrer (i) após a Data do Fechamento, ou (ii) após a presente data mas antes da data de protocolo do pedido das Aprovações; (iii) se antes da Data do Fechamento mas depois da data em que o protocolo do pedido das Aprovações tiver sido feito, com comprovação razoável do Comprador, que essa cessão não teria probabilidade de causar um atraso significativo na obtenção das Aprovações. (destacouse) Société Générale S/A, constituída de acordo com as leis da França, indicada no início do contrato como "comprador", é descrita, na sequência, como parte interveniente para, então, passar a ser referida como "Société Générale" (juntamente com o Banco Société Générale S.A. coletivamente referidas como "Comprador"), conforme fls. 248/250. Ou seja, a Fl. 701DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 702 35 cessão em questão foi admitida pelos vendedores desde que não houvesse alteração substancial nas partes designadas como "comprador". Esta circunstância, somada ao fato de "Trancoso Participações Ltda" receber o aporte de capital de Banco Société Générale Brasil somente depois de a aquisição ter sido autorizada pelo Banco Central, de modo a assegurar o pagamento em favor dos vendedores, são evidências suficientes para manutenção da conclusão fiscal, nos seguintes termos: Não é possível qualificar a Companhia Trancoso, adquirida exclusivamente para servir como empresa veículo do ágio, como investidora original, uma vez que se verifica que os recursos utilizados para aquisição pretendida pelo Banco Sociéte Générale foram aportados na efêmera companhia com o propósito exclusivo de realizar o pagamento antes acordado entre comprador e vendedores para em seguida extinguila. Irrelevante se as operações, no entender da recorrente, foram praticadas de forma legal e com o conhecimento dos órgãos competentes, pois as circunstâncias antes referidas, são suficientes para evidenciar que o real adquirente da autuada foi o Banco Sociéte Générale, e isto justamente em razão de tais operações serem parte de um contexto maior de expansão das atividades do Grupo francês Société Générale no Brasil, pois se não houvesse esta interferência na aquisição em debate, possivelmente ela não seria implementada em face, apenas, de "Trancoso Participações Ltda". Aliás, anotese que a ausência de imputação de multa qualificada no presente caso nada significa, na medida em que, não tendo sido apurado crédito tributário devido, mas apenas redução de prejuízo fiscal e de bases negativas, a autoridade fiscal nada referiu sob aquela ótica. Em verdade, quem maior valor confere as “fotografias”, que compõem o “filme” das operações implementadas para a aquisição do Recorrente pelo Grupo Société Générale, é a própria recorrente, que pretende firmar a dedutibilidade das amortizações glosadas com base na validade de cada passo adotado pelo Grupo, desmerecendo a realidade alcançada a partir do exame do conjunto desses passos e de seu resultado final, contrário à exigência expressa nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, qual seja, a subsistência do comprador e do adquirido, cujas atividades justificaram a fundamentação do ágio em rentabilidade futura. A recorrente argumenta que Trancoso era uma verdadeira empresa de participações (holding), concebida antecipadamente para, dentre outras atividades e finalidades, deter a participação do Société na Cacipar, dada a manifesta diferença entre os objetos sociais do Société (mais abrangente, com foco em banco de investimento) e do Banco Cacique (mais específico, focado em crédito consignado), e de forma a melhor segregar as atividades respectivas, bem como aduz outras referências para se opor à acusação fiscal de que a "Trancoso" seria uma empresa veículo sem propósito negocial. Contudo, frente à cessão de direito de compra que manteve um dos compradores originais como garantidor da operação, associada à transferência dos recursos financeiros à "Trancoso" contemporânea à aquisição, referida "holding" somente pode ser compreendida como extensão do caixa dos adquirentes originais. De fato, a citada cláusula 9.5 deixa patente que, mesmo se o "Société" dispusesse de tempo hábil para constituir a holding antes da celebração do contrato, os vendedores com ela não contratariam, porque a capacidade financeira para honrar o contrato era, claramente, detida pela instituição financeira no Brasil e na França. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 703 36 A recorrente pretende atribuir substância à "Trancoso" acrescentando que ela subsistiu por quase 2 (dois) anos depois da aquisição pela Trancoso dos direitos oriundos do contrato de compra e venda, mas o fato é que apenas o transcurso de tempo não atribui materialidade neste sentido, até porque, como bem observa a autoridade lançadora, o Banco Cacique já era controlado por uma empresa de Participações a CACIPAR, o que já se prestaria à segregação afirmada como necessária em razão da manifesta diferença entre os objetos sociais do Société (mais abrangente, com foco em banco de investimento) e do Banco Cacique (mais específico, focado em crédito consignado), e de forma a melhor segregar as atividades respectivas. Também sob este ângulo, a interposição de "Trancoso" se mostra útil, apenas, para dissimular o real adquirente do investimento e alcançar, no futuro, as vantagens fiscais decorrentes da amortização antecipada do ágio pago. Quanto à relevância da "Trancoso" na hipótese de aquisição de uma instituição financeira, deve prevalecer o entendimento expresso no acórdão recorrido acerca da ausência de especificações das complexidades alegadas, vez que não demonstrada qualquer exigência específica do Banco Central do Brasil para tal autorização, mormente tendo em conta que desde a contratação inicial entre os compradores e vendedores foram contemplados e aceitos os efeitos decorrentes desta complexidade para alteração societária, como se vê nas diversas cláusulas do acordo que estabelecem as garantias e os ônus associados àquela condição. A recorrente permanece sustentando seu entendimento em alegações genéricas de que o engessamento societário não coadunava com os propósitos mercantis pretendidos, e de que a holding Trancoso teria sido utilizada como uma alternativa aos inúmeros limites e restrições postos às alterações societárias em instituições financeiras, como é o caso do Banco Société, o que, à evidência, não é suficiente para alterar as conclusões aqui adotadas. O mesmo se diga em relação aos argumentos de que a estruturação societária contemplando uma holding para aquisição de participação societária, além de conveniente e justificada sob a ótica empresarial e de mercado, constitui prática antiga, inclusive no setor financeiro, dado que a operação já contemplava a "Cacipar" como holding e o fato de uma prática ser antiga não significa que ela não possa ser questionada. Quanto aos ajustes societários cogitados pela recorrente para justificar a dedutibilidade das amortizações em razão da alternatividade entre eles, esclareçase que a justificativa apresentada pela autoridade julgadora de 1ª instância para deixar de avaliar os efeitos destas alternativas é legítima, vez que, ao final, outro foi o caminho adotado pelo grupo empresarial, e cabe ao julgador administrativo apreciar o caso concreto e suas repercussões tributárias. De toda a sorte, cumpre anotar que nenhum deles resultaria no cenário final de redução dos resultados tributáveis da autuada e manutenção de seu controle pelo "Société". Isto porque a alegada incorporação da "Cacipar" pelo "Société" está cogitada como meio para que a despesa referente à amortização do ágio gerado nessa aquisição fosse deduzida pelo Société, e não pela autuada. Para o encontro da amortização fiscal do ágio com a rentabilidade futura da autuada, necessário seria que o "Société" incorporasse a autuada, ou que a autuada incorporasse o "Société", operações não cogitadas na argumentação da recorrente possivelmente porque não contemplada dentre os interesses do grupo, a evidenciar que a Trancoso foi, sim, a condição necessária cogitada para aproveitamento fiscal do ágio. A recorrente argumenta que o efeito fiscal da realização da operação por meio da Trancoso foi o mero deslocamento do aproveitamento fiscal do ágio do Société para o Recorrente, porém, em verdade, os arranjos societários foram estruturados para evitar este Fl. 703DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 704 37 efeito não desejado, como antes observado. Para alcançar a redução das bases tributáveis da autuada, e não do "Société", a "Trancoso" foi interposta, localizando a amortização fiscal do ágio na empresa que melhor atendia aos interesses do grupo empresarial, sem a necessária confusão patrimonial entre o adquirente ("Société") e a adquirida (autuada). Quanto à possibilidade de o Société adquirir a Cacipar e, como consequência, registrar o ágio verificado nessa aquisição em seu ativo, seguindose uma cisão parcial, com versão do investimento na Cacipar e respectivo ágio, para que a parcela cindida fosse incorporada pela Cacipar, e a recorrente, incorporandoa, passasse a registrar o ágio verificado na aquisição da Cacipar em seu ativo, não se reconhece a legitimidade arguida pela recorrente, vez que, à semelhança do verificado no presente caso, sob outro ajuste societário, o resultado final seria a subsistência do adquirente (que pagou o ágio a ser amortizado) e da adquirida (que motivou o pagamento do ágio com fundamento em sua rentabilidade futura). Com referência ao fato de o aporte de capital feito pelo Société na Trancoso, seguido do pagamento do preço pela Trancoso aos Vendedores ter gerado 2 (duas) incidências de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF, cada uma superior a R$3.000.000,00 (três milhões de reais), não é possível admitilo como prova cabal de que a Trancoso seria uma verdadeira holding, concebida com antecedência, para, dentre outras atividades, atender ao legítimo propósito negocial de deter a participação do Société na Cacipar, mormente tendo em conta que, considerando o ágio total de R$ 570.563.619,00, e a expectativa de sua repercussão na apuração do IRPJ e da CSLL, na ordem de cerca de R$ 170 milhões (considerando as alíquotas básicas de 15% para cada um dos tributos), a segunda incidência de CPMF na forma alegada não possui a relevância que a recorrente pretende atribuirlhe. A recorrente prossegue contrapondose aos argumentos da autoridade para atribuir ao "Société" a condição de real adquirente do investimento, expondo doutrina acerca das funções das sociedades holdings. Não se discute, porém, que o objeto de uma empresa não se limita a uma atividade de produção ou circulação de bens e prestação de serviços, nem se exige que uma sociedade holding pura tenha empregados, bem como se admite que uma holding aufira apenas receitas derivadas de seus investimentos, subsista com aportes de capital ou obtenção de financiamentos para a aquisição de participações societárias, e tenha por objeto social a mera detenção de outra(s) sociedade(s) prevista no artigo 2º, § 3º, da Lei das S. A., inclusive para beneficiarse de incentivos fiscais. Tais circunstâncias hipotéticas, porém, não são suficientes para que se atribua substância à "Trancoso" que passou ao controle do "Société" somente depois de firmado o contrato de compra da participação na autuada, e teve por objeto, apenas, o recebimento dos recursos para transferência aos titulares das quotas da "Cacipar", além da alegada cessão de direito de compra de tais quotas, acordada sob a condição de que o "Société Générale S/A" permanecesse figurando como comprador/interveniente. Resta evidente, analisandose o "filme", e não "fotografias" isoladas da atuação da "Trancoso", que não é possível admitila como adquirente das participações na autuada. Irrelevantes, assim, estipulações legais posteriores, como o alegado art. 31 da Lei nº 11.727/2008, que reconheceria a holding pura como uma sociedade válida para todos os fins, ao dispor que a esta poderá diferir o reconhecimento das despesas com juros de empréstimos contraídos para financiamentos de investimentos em sociedades controladas, até porque referido diferimento tem em conta, justamente, a permanência do investimento adquirido, convertendo em seu custo as despesas com aportes de recursos, nas investidas, por meio de empréstimos. Observese, inclusive, que o aporte de novos recursos nas investidas, Fl. 704DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 705 38 dentre outras atuações da holding, são atividades que operam em favor de sua efetiva existência, e têm maior relevo que a sua mera permanência por mais de um ano, como destaca a recorrente, ao afirmar como seu objetivo negocial a aquisição do controle do Recorrente e a segregação dessa nova atividade adquirida das demais exercidas pelo Société, que somente foi possível com sua participação, muito embora a "Cacipar" já se prestasse a esse fim, como resta evidente na estrutura mantida até a incorporação, apresentada no recurso voluntário: Repisese: não se nega, aqui, a capacidade jurídica de sociedades holdings puras, mas apenas a classificação da "Trancoso" como tal, dado o contexto de sua criação e de sua atuação na aquisição, pelo "Société", das participações detidas pela "Cacipar" na autuada, além de sua permanência interposta entre o "Société" e a "Cacipar", duplicando a dita necessidade de uma holding para segregação dessa nova atividade adquirida das demais exercidas pelo Société. Frente a tais circunstâncias, desnecessário se mostra abordar as objeções da recorrente acerca da referência feita pela Fiscalização a propósito negocial, mormente tendo em conta que esta citação apenas se verifica nos seguintes trecho do Termo de Verificação Fiscal: Esta fiscalização não afirma que as combinações societárias sejam inválidas, muito pelo contrário, visto que servem para fortalecer grupos econômicos, proporcionam a melhor administração relacionada aos objetivos de cada uma delas e são previstas juridicamente. Fatores que revelam o propósito negocial que as combinações societárias proporcionam. A empresa veículo tratada no presente termo é aquela constituída ou adquirida sem propósito negocial empresarial, utilizada única e exclusivamente para transportar o Fl. 705DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 706 39 ágio relativo ao custo de aquisição de participação societária em operação que visa aparentar o regular cumprimento de condição legal prevista para o aproveitamento de beneficio fiscal. (negrejouse) Está cabalmente demonstrado que a "Trancoso" foi constituída, apenas, para criar a aparência de que seria ela a adquirente do investimento, mas todas as evidências contratuais e financeiras da operação afirmam a condição do "Société" como real adquirente, consoante conclui a autoridade fiscal em trecho subsequente da acusação, depois de detalhadas as ocorrências da aquisição da participação societária: Em termos de controle acionário, a estrutura societária criada não causou qualquer diferença para o Banco Société Générale Brasil , que tornouse controlador de fato do Banco Cacique S.A., houvesse ou não a existência da Trancoso. Em termos econômicos, também não há qualquer diferença, uma vez que os recursos utilizados para o pagamento pela compra da CACIPAR foram providos, da mesma forma, pelo Banco Société Générale. Em termos tributários, a diferença pode ser a impressão de que quem pagou o ágio na aquisição de investimento foi a Trancoso, e não o Banco Société Générale. O Banco Cacique já era controlado por uma empresa de Participações – a CACIPAR a qual o Banco Société Générale Brasil possuía o direito de adquirir. Assim, inserir uma “empresa veículo” de participações na estrutura organizacional de controle do Banco Cacique tratase de ato realizado com o propósito exclusivo de tentar aproveitarse de um benefício fiscal previsto em lei para as hipóteses específicas que promovem novas situações econômicosocietárias, alcançadas somente quando realmente efetivadas. De toda a sorte, no que se refere ao atendimento dos "limites positivos" em face da complexidade da aquisição de uma instituição financeira por outra já existente, basta observar que o Contrato de Compra de Quotas sob Condições Precedentes e Outras Avenças foi firmado sem a préexistência da "Trancoso" e a cessão dos direitos de compra foi apenas cogitado em uma das cláusulas contratuais. Quanto à intenção de manter segregadas duas atividades distintas que passariam a integrar o grupo liderado pelo Société, importa destacar que ela é incompatível com a confusão patrimonial exigida pela legislação tributária, cumprindo ao grupo empresarial optar por uma das estruturas e, inclusive, considerar na negociação esta incompatibilidade. Por fim, quanto a efetivamente ter existido uma conformidade entre a intenção do Société (redução de complexidades, diminuição de custos, clara segregação dos segmentos entre outros) e a causa desse negócio jurídico (operações societárias como um todo), e as operações evidenciarem a coerência com o planejamento estratégico do empreendimento econômico, cujo objetivo era expandir suas atividades no Brasil, inserindose no mercado de crédito consignado, tais aspectos guardam relação, apenas, com a aquisição do investimento, e não com os arranjos societários posteriores, com fins tributários. Acerca da alegada impossibilidade de desconsideração de uma operação sem substância econômica, dada a inaplicabilidade do parágrafo único do artigo 116 do CTN, adotase aqui o entendimento expresso pela 1ª Turma da CSRF, e claramente exposto na ementa do Acórdão nº 9101003.447: NORMA GERAL ANTIELISIVA. EFICÁCIA. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 707 40 Perfeita a decisão recorrida, ao discorrer que o art. 116, parágrafo único, do CTN requer, com vistas a sua plena eficácia, que lei ordinária estabeleça os procedimentos a serem observados pelas autoridades tributárias dos diversos entes da federação ao desconsiderarem atos ou negócios jurídicos abusivamente praticados pelos sujeitos passivos. Na esfera federal, há na doutrina nacional aqueles que afirmam ser ineficaz a referida norma geral antielisiva, sob o argumento de que a lei ordinária regulamentadora ainda não foi trazida ao mundo jurídico. Por outro lado, há aqueles que afirmam ser plenamente eficaz a referida norma, sob o argumento de que o Decreto nº 70.235/72, que foi recepcionado pela Constituição de 1988 com força de lei ordinária, regulamenta o procedimento fiscal. Dentre as duas interpretações juridicamente possíveis deve ser adotada aquela que afirma a eficácia imediata da norma geral antielisiva, pois esta interpretação é a que melhor se harmoniza com a nova ordem constitucional, em especial com o dever fundamental de pagar tributos, com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas. No mesmo sentido, precedente na 1ª Turma da CSRF, Ac. 9101002.953. Referida decisão está pautada nas razões do voto da Conselheira Cristiane Silva Costa, assim expressas no Acórdão nº 9101002.953: O Código Tributário Nacional, em sua redação original, previa a possibilidade de revisão de ofício do lançamento tributário na hipótese de simulação: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei Complementar nº 104/2001 incluiu o parágrafo único ao artigo 116, para assim dispor: Art. 116. (...) Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Desde sua edição, a doutrina se divide para tratar da norma do artigo 116, parágrafo único, como eficaz, ou não. Paulo Ayres Barreto entende que a norma ainda seria ineficaz: "Enquanto lei ordinária não disciplinar o procedimento de desconsideração dos negócios jurídicos realizados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador, será inaplicável o parágrafo único do art. 116 do CTN. Há ineficácia técnica, de natureza sintática." (Planejamento Tributário Limites Normativos, 1ª edição, São Paulo, Noeses, 2016, p. 256) De outro lado, como pondera Regina Helena Costa, atual Ministra do Superior Tribunal de Justiça, "o direito positivo já autorizava a desconsideração de negócios jurídicos dissimulados, à vista do disposto no art. 149, VII, CTN, que estabelece que o lançamento deva ser procedido de ofício na hipótese de o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, ter agido com dolo, fraude ou simulação" (Curso de Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 708 41 Direito Tributário, Saraiva, 2009, p. 184). Em que pese interprete desta forma, a Ministra ainda leciona que "Além de parecer desnecessária, ante o disposto no art. 149, VII, CTN, abriga a referida norma demasiada generalidade e latitude, demandando, a nosso ver, que outra lei venha a estatuir as hipóteses de sua aplicação, sob pena de concederse demasiada liberdade ao administrador fiscal na desconsideração dos atos e negócios jurídicos" (obra citada, p. 185). Entendo que a norma do artigo 116 é eficaz, legitimando a desconsideração de atos simulados, reforçando a previsão contida no artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional. A doutrina de Paulo de Barros Carvalho também merece menção, admitindo a desconsideração de atos pelo Fisco, quando demonstrada a simulação. Sua doutrina enfrenta a simulação sob o ponto de vista da vontade: "Apenas as operações do contribuinte que mascarem determinada transação econômica e jurídica, ocultando, por formas artificiosas, a realidade, configuram 'operações simuladas'. Se os verdadeiros motivos dos atos praticados pelas partes não cumprirem com a finalidade imputada a eles por lei, bem como neles estiverem presentes cabalmente notas que indiquem verdadeira hipótese de omissão da real intenção do que faz suporte ao negócio jurídico escolhido, tais atos não são oponíveis ao fisco, devendo merecer tratamento tributário de ato dissimulado e seus consequentes efeitos jurídicos. (...) Para que haja simulação é necessário, portanto: (i) conluio entre as partes, (ii) divergência entre a real vontade das partes e negócio por elas declarado; e (iii) intenção de lograr o Fisco. Se tais características, porém, não se apresentarem no caso concreto, será vedado à autoridade administrativa desconsiderar o ato" (Derivação e Positivação no Direito Tributário, p. 82) Esclareço que não comungo do entendimento do ilustre Professor Paulo de Barros Carvalho sobre a necessidade de ilicitude, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, para fins de desconsideração de operações pelo Fisco (na mesma obra, o professor sustenta que "para que seja admissível a autuação fiscal, desconsiderando o negócio jurídico praticado, não basta que os efeitos econômicos de tal prática sejam semelhantes aos de ato diverso, mas é imprescindível que tenha havido ilicitude em tal realização, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64")". Ora, a conformação dos fatos jurídicos à figura da simulação não depende da identificação destes com os artigos 71 a 73 referidos, basta que se amoldem às prescrições do Código Civil (167) e Código Tributário Nacional (art. 149, VII e 116, parágrafo único). As normas de Direito Tributário, no que concerne à simulação, não alteraram o conceito de simulação tratado pela norma de direito privado, relacionada à vontade do agente, manifestada de forma distinta no ato simulado daquela pretendida pelo ato dissimulado. (Grifos originais) Sob esta ótica, restam infirmadas as alegações de impossibilidade de ingerência do Fisco na atividade do contribuinte, por adentrar à liberdade individual dos contribuintes. Não se nega ao contribuinte o direito de encontrar na legislação mais do que um caminho, sendo um deles, inclusive, menos oneroso, mas perfeitamente legítimo, e por ele optar. O que se nega, aqui, é a legitimidade deste caminho que a contribuinte vislumbrou como menos oneroso. A amortização fiscal do ágio promovida mediante interposição da "Trancoso" somente seria alcançada com a incorporação ou fusão promovida entre a autuada e o "Société", possivelmente afastada por outras motivações empresariais, o que desqualifica a argumentação Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 709 42 de que a utilização da "empresa veículo" teria resultado em uma economia tributária que, de outra forma, seria devida. Como visto, a lei autoriza o Fisco a desconsiderar operações sem substância. Logo, reunidas evidências de que "Trancoso" não operou, no plano fático, como adquirente da participação societária, na medida em que a aquisição foi contratada e paga pelo "Société", resta evidenciada a inocorrência da confusão patrimonial exigida pela legislação para aproveitamento fiscal do ágio. Isto porque os efeitos das amortizações de ágio e deságio, à época em que as operações foram realizadas, estavam assim disciplinados no Decretolei nº 1.598/77: Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). [...] Art. 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. § 1º Os valores de que tratam os itens II a IV serão corrigidos monetariamente. § 2º Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na porcentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). (negrejouse) Dessa forma, as amortizações de ágio e deságio deveriam ser adicionadas ou excluídas na apuração do lucro real, e controladas na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, para posteriormente compor a apuração do ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento. Mas, segundo a Lei nº 6.404/76: Art. 219. Extinguese a companhia: I pelo encerramento da liquidação; II pela incorporação ou fusão, e pela cisão com versão de todo o patrimônio em outras sociedades. Nestes termos, por vislumbrar distinção entre a hipótese do inciso II do art. 219 da Lei nº 6.404/76 e de encerramento prevista no inciso I do mesmo dispositivo, esta hábil Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 710 43 a ensejar a aplicação do disposto no art. 33 do Decretolei nº 1.598/77, o legislador assim fixou na seqüência deste dispositivo: Participação Extinta em Fusão, Incorporação ou Cisão Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. Nos casos em que a incorporação, fusão ou cisão ocorre em momento próximo à aquisição do investimento com ágio, o valor contábil do investimento é sempre superior ao acervo líquido contábil que substitui as quotas/ações extintas em razão da incorporação, fusão ou cisão, ensejando perda de capital. Para que esta perda fosse dedutível, em interpretação literal do texto, necessário seria que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão fosse avaliado a preços de mercado. De outro lado, caso atendido este requisito, qualquer ágio apurado na aquisição de investimentos, quando esta fosse seguida de incorporação da investida, ensejaria perda dedutível. A exposição de motivos da Lei nº 9.532/97 expressa preocupação com circunstâncias semelhantes a esta, como a seguir transcrito: O art. 8o estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas utilizando dos já referidos “planejamentos tributários”, vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 711 44 mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em visto o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. Neste contexto, as disposições da Lei nº 9.532/97 podem ser interpretadas como um instrumento para evitar a dedução do ágio apurado sem fundamento econômico, o qual deveria ser mantido em conta do ativo permanente, não sujeita a amortização, bem como uma forma de parcelar os efeitos tributários do ágio pago sob outros fundamentos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 712 45 § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. No mesmo sentido manifestase Luís Eduardo Schoueri, na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), Dialética: São Paulo, 2012. Depois de reportarse à doutrina que se posiciona em sentido contrário, diz o referido autor (p. 67): Tal posicionamento não deixa de ser curioso. Afinal, se anteriormente o ágio era deduzido integralmente, a imposição de restrições não poderia ser considerada um incentivo. A exposição de motivos da Medida Provisória no 1.602/1997 deixou hialino esse instituto de restrição da consideração do ágio como despesa dedutível, mediante a instituição de óbices à amortização de qualquer tipo de ágio nas operações de incorporação. Com isso, o legislador visou limitar a dedução do ágio às hipóteses em que forem acarretados efeitos econômicotributários que o justificassem. Realizada a incorporação, na escrituração comercial, o acervo líquido recebido pelo valor contábil anula o investimento correspondente, avaliado pela equivalência patrimonial, e remanesce no patrimônio da sociedade resultante apenas o ágio/deságio, classificado em Ativo Diferido, quando fundamentado em rentabilidade futura, para amortização no período pelo qual ela foi projetada. Com a edição da Lei nº 9.532/97 a amortização do ágio com este fundamento passa a ser dedutível, na apuração do lucro real, no mesmo momento em que registrada contabilmente, desde que observado o prazo mínimo de 5 (cinco) anos para amortização. Quanto ao ágio fundamentado em ativos ou em outras razões econômicas, a doutrina contábil orienta em sentido semelhante ao da lei, pois no primeiro caso vincula seus efeitos no resultado à realização do ativo incorporado, e no segundo caso determina sua baixa imediata, por não ser possível associar seu pagamento a algum critério que permita dimensionar sua amortização. Esta abordagem não autoriza a conclusão de que a Lei nº 9.532/97 tenha instituído um benefício fiscal. A regra expressa em seus artigos 7o e 8o, nos termos de sua exposição de motivos, prestouse, em verdade, a evitar planejamentos tributários que viabilizassem a dedução de ágios, como perda de capital, qualquer que fosse seu fundamento, e as justificativas apresentadas pela Comissão de Finanças e Tributação para negar sua revogação por meio do Projeto de Lei nº 2.922/2000 não alteram a motivação originalmente apresentada para a edição dos dispositivos legais em referência. Equivocada, portanto, a argumentação da recorrente no sentido de que a dedutibilidade fiscal do ágio gerado na aquisição de sociedades teve como objetivo incentivar a prática de fusões e aquisições, tais como as ocorridas em processos de privatização. Se a extinção do "Société" ou da autuada não integrava as pretensões futuras do grupo empresaria, a impossibilidade de aproveitamento do ágio era uma desvantagem que deveria ser considerada na decisão empresarial. Neste sentido, inclusive, é o entendimento de Ricardo Mariz de Oliveira (Fundamentos do Imposto de Renda, São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 766): Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 713 46 Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão devese ter presente que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu desiderato, tratase de condição a ser cumprida em sua substância, e não apenas formalmente, até tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição da dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 25 do Decretolei n. 1598. Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que "a pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra", segundo o "caput" do art. 7º, o que deve representar uma ocorrência efetiva. Outrossim, não se trata de absorção de patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que deve ser a pessoa jurídica "na qual detenha participação societária adquirida com ágio". E, ademais, o dispositivo ainda restringe a forma de absorção, dizendo que ela deve ocorrer "em virtude de incorporação, fusão ou cisão". Essa disposição legal evidencia acima de qualquer dúvida que a exigência é de reunião total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica investidora e da pessoa jurídica investida. O art. 8º, letra "b", dá a alternativa de se inverter a ordem, ou seja, trata a absorção da investidora pela investida (a chamada "incorporação para baixo" ou "down stream merger") do mesmo modo que a absorção da investida pela investidora (a "incorporação para cima" ou "up stream merger"), que está prevista no art. 7o. Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de duas pessoas jurídicas) pessoas jurídicas, por um dos atos jurídicos previstos nos dois artigos. Portanto, é insuficiente que a amortização do ágio se verifique em contrapartida à expectativa de lucros a serem gerados, sendo fundamental a absorção de patrimônio envolvendo investidora e investida. Na sistemática vigente à época, a amortização do ágio realizada pela investidora permanece indedutível na apuração do lucro real, e somente gera efeitos na alienação ou liquidação do investimento. Já a amortização do ágio realizada após a extinção do investimento não precisa ser adicionada ao lucro real, desde que o ágio esteja fundamentado em rentabilidade futura e a amortização observe o limite temporal mínimo estabelecido pela legislação. Contudo, é fundamental que a incorporação se verifique entre investida e investidora, com conseqüente confusão patrimonial e extinção do investimento, para que a amortização do ágio gere efeitos na apuração do lucro tributável. Aqui, porém, ao término das operações, nada mudou, pois o "Société" permaneceu detendo as participações na autuada. Esta distorção, aliás, é reconhecida pela própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ao analisar a incorporação promovida por meio de uma sociedade veículo, assim expondo na Nota Explicativa à Instrução CVM n° 349/2001, que alterou a redação da Instrução CVM n° 319/99: A Instrução CVM n° 319/99, ao prever que a contrapartida do ágio pudesse ser registrada integralmente em conta de reserva especial (art. 6o, § Io), acabou possibilitando, nos casos de ágio com fundamento econômico baseado em Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 714 47 intangíveis ou em perspectiva de rentabilidade futura, o reconhecimento de um acréscimo patrimonial sem a efetiva substância econômica. A criação de uma sociedade com a única finalidade de servir de veículo para transferir, da controladora original para a controlada, o ágio pago na sua aquisição, acabou por distorcer a figura da incorporação em sua dimensão econômica. Esta distorção ocorre em virtude de que, quando concluído o processo de incorporação da empresa veículo, o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Significa dizer que embora alocado o ágio em empresa veículo, e na seqüência na incorporadora desta, os efeitos econômicos do investimento contabilizado na controladora por ocasião do aporte de caixa na empresa veículo subsistem. Em consequência, a incorporação entre a investida e esta empresa que localizou temporariamente o ágio não atende aos requisitos legais para que a amortização deste afete o lucro tributável. Recordese o que diz a Lei nº 9.532/97: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (negrejouse) Claro está que as empresas envolvidas na incorporação devem ser, necessariamente, a adquirente da participação societária com ágio e a investida adquirida. A interposição de uma empresa veículo não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que ao final dos procedimentos realizados, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da investidora, diversamente do que cogita a lei. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 715 48 Em tais condições, a amortização do ágio que passou a existir no patrimônio da investida somente poderia surtir efeitos na apuração do seu lucro real caso se verificasse a sua extinção, ou da investidora ("Société"), mediante incorporação, fusão ou cisão entre elas promovida, por meio da qual o ágio subsistisse evidenciado apenas no patrimônio resultante desta operação, na forma do art. 7o da Lei nº 9.532/97. Na medida em que tal não ocorreu, a dedutibilidade do ágio submetese à regra geral exposta, à época, no Decretolei nº 1.598/77: Art. 23. [...] Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). [...] Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. [...] Pertinente citar, novamente, abordagem contida na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), antes referida. Nela, o autor Luís Eduardo Schoueri preliminarmente expõe o entendimento de que o ágio, para o investidor, é custo que deve ser considerado em caso de alienação do investimento. Os resultados auferidos com este investimento são reconhecidos, no patrimônio do investidor, como resultados da equivalência patrimonial, não sujeitos a tributação nesta ótica. Seguindo a mesma lógica, a amortização contábil do ágio por rentabilidade futura, por parte do investidor, também não deve afetar o lucro tributável. Diante deste contexto, o autor reputa incabível afirmar que o ágio, ainda que fundamentado na rentabilidade futura, pode ser considerado realizado antes da incorporação de uma das pessoas jurídicas envolvidas (exceto se antes disso tiver ocorrido baixa da participação societária adquirida, quando, em regra o ágio será realizado) (Op. cit. p. 73). E complementa mais à frente: com a incorporação, alertese, já não há mais que falar em investimento nem em ágio. Ambas as figuras desaparecem (Op. cit. p. 74). Entende o referido autor que a partir da incorporação, os lucros passam a ser tributados na investidora, pois antes disso no máximo haverá receita de equivalência patrimonial, não tributável (Op. cit. p. 79). Aqui, porém, os lucros permanecem tributados na investida, que os reduz mediante amortização de ágio decorrente de investimento que subsiste no patrimônio da investidora original. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 716 49 A provisão determinada pela Instrução Normativa CVM no 349/2001 impediria que a equivalência patrimonial refletisse no patrimônio da investidora apenas o valor líquido dos resultados, restabelecendo o reconhecimento bruto dos resultados da investida, sem os efeitos da amortização do ágio na investida, dado que a amortização do ágio se repetiria na investidora. A diferença está na redução da carga tributária da investida que esta manobra permite, em desrespeito ao previsto no art. 7o da Lei no 9.532/97. Evidenciado, portanto, que não houve a extinção do investimento, inadmissível a amortização fiscal do ágio, o que dispensa a avaliação dos demais argumentos da recorrente acerca da vinculação do fundamento econômico do ágio a rentabilidade futura, até porque a acusação fiscal também não se debruçou sobre este aspecto. Ainda, no que se refere às alegações da recorrente acerca da inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela Fiscalização, cabe observar que, confirmada a condição do "Société" com real adquirente do investimento na autuada, sua amortização resta inadmissível no próprio lucro contábil, referência primeira para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Logo, é desnecessária norma específica que determine a adição destes valores à base de cálculo daquela contribuição, como adiante se demonstrará. A Lei nº 7.689/88, ao instituir a CSLL, não cogitou especificamente da adição, à sua base de cálculo, de amortizações de ágio que tivessem reduzido o lucro contábil, ou da exclusão de acréscimos decorrentes da amortização de deságio: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados d.e investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) Fl. 716DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 717 50 § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. Já no âmbito da apuração do lucro real, o Decretolei nº 1.598/77 disciplinou os efeitos das amortizações de ágio e deságio, mas em razão do disposto em seu art. 34, a Lei nº 9.532/97 impôs limites à amortização do ágio naqueles casos, alinhando os efeitos fiscais aos contábeis, como aqui já demonstrado. E, também como já visto, ao cuidar da qualidade das demonstrações financeiras das companhias abertas, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já havia identificado a distorção promovida por operações como as aqui verificadas, ao final das quais o investimento e, conseqüentemente, o ágio permanecem inalterados na controladora original. Por sua vez, a solução encontrada para corrigir esta divergência foi, justamente, a constituição de uma provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido, a qual se presta a neutralizar os efeitos do ativo contabilizado em razão da transferência do ágio, exceto em relação ao benefício fiscal decorrente da sua amortização, consoante expresso no texto consolidado da Instrução Normativa CVM nº 319/99, alterada pela Instrução Normativa CVM nº 349/2001: Art. 6º O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: I. nas contas representativas dos bens que lhes deram origem – quando o fundamento econômico tiver sido a diferença entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contábil (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 1º); II. em conta específica do ativo imobilizado (ágio) – quando o fundamento econômico tiver sido a aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea b); e III. em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta específica de resultado de exercício futuro (deságio) – quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro (Instrução CVM nº 247/96, art. 14, § 2º, alínea a). § 1º O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a. constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b. registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; c. reverter a provisão referida na letra "a" acima para o resultado do período, proporcionalmente à amortização do ágio; e d. apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra "a" no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização. § 2º A reserva referida no parágrafo anterior somente poderá ser incorporada ao capital social, na medida da amortização do ágio que lhe deu origem, em proveito de todos os acionistas, excetuado o disposto no art. 7º desta Instrução. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 718 51 § 3º Após a incorporação, o ágio ou o deságio continuará sendo amortizado observandose, no que couber, as disposições das Instruções CVM nº 247, de 27 de março de 1996, e nº 285, de 31 de julho de 1998. (negrejouse) Não se trata, aqui, de determinar incidência tributária a partir de ato normativo da CVM, cuja competência, sabese, não afeta este campo interpretativo. Tratase, apenas, de argumento de reforço à conclusão, já antes expressa, de que a transferência do ágio promovida mediante empresa veículo acaba por duplicar seu valor no patrimônio da investida e da investidora, e exige procedimentos contábeis para neutralização deste efeito indesejado. A escolha feita pela CVM confirma que o registro sem substância econômica corresponde ao ágio que surge no patrimônio da empresa veículo e, depois, no patrimônio da incorporadora (investida), entendimento que se alinha à conclusão antes expressa acerca da repercussão desta operação no âmbito da apuração do IRPJ, a qual concentra na investidora os efeitos da amortização do ágio por ela originalmente pago. Diante deste contexto, a neutralização dos efeitos contábeis da amortização do ágio na investida, mediante realização da provisão para manutenção da integridade do patrimônio líquido, justifica a incidência da CSLL sobre os valores amortizados (ou, como no presente caso, de redução da base negativa originalmente apurada). Em outras palavras, o lucro líquido, base de cálculo daquela contribuição, deve ser aquele apurado contabilmente, tendo em conta não só a dedução da amortização, como também a neutralização de seus efeitos pela realização de provisão criada em razão da ausência de substância econômica do ágio transferido. Vejase que a CVM admite o reconhecimento, no resultado, do benefício fiscal que decorreria da amortização do ágio transferido, mediante constituição de uma provisão inferior ao montante do ágio transferido. Mas, como dito, aquela instituição não tem competência para fixar critérios interpretativos de incidência tributária, de modo que evidenciada a indedutibilidade da amortização do ágio transferido, resta sem substância econômica a totalidade deste valor, o que justifica a exigência da CSLL sobre as mesmas bases de cálculo adotadas para o IRPJ. Demais disso, embora à primeira vista a Lei nº 9.532/97 aparente surtir efeitos apenas nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, na medida em que esta aproximouse, no caso de ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, da apuração do lucro contábil como antes mencionado, é possível interpretar que a lei, ao valerse daqueles termos, e não meramente firmar a dedutibilidade da amortização na apuração do lucro real, repercutiria, também, na apuração da base de cálculo da CSLL, inclusive como expresso na Instrução Normativa SRF nº 390/2004: Subseção III Do Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Da incorporação, fusão ou cisão Art. 75. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento econômico seja: Fl. 718DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 719 52 I valor de mercado de bens ou direitos do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos períodos de apuração futuros, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, em contrapartida a conta do ativo diferido, se ágio, ou do passivo, como receita diferida, se deságio. § 1º Alternativamente, a pessoa jurídica poderá registrar o ágio ou deságio a que se referem os incisos II e III do caput em conta do patrimônio líquido. § 2º A opção a que se refere o § 1º aplicase, também, à pessoa jurídica que tiver absorvido patrimônio de empresa cindida, na qual tinha participação societária adquirida com ágio ou deságio, com o fundamento de que trata o inciso I do caput, quando não tiver adquirido o bem a que corresponder o referido ágio ou deságio. § 3º O valor registrado com base no fundamento de que trata: I o inciso I do caput integrará o custo do respectivo bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e para determinação das quotas de depreciação, amortização ou exaustão; II o inciso II do caput: a) poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de ágio; b) deverá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração do resultado ajustado levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período a que corresponder o balanço, no caso de deságio; III o inciso III do caput não será amortizado, devendo, no entanto, ser: a) computado na determinação do custo de aquisição na apuração de ganho ou perda de capital, no caso de alienação do direito que lhe deu causa ou de sua transferência para sócio ou acionista na hipótese de devolução de capital; b) deduzido como perda, se ágio, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa; c) computado como receita, se deságio, no encerramento das atividades da empresa. § 4º As quotas de depreciação, amortização ou exaustão de que trata o inciso I do § 3º serão determinadas em função do prazo restante de vida útil do bem ou de utilização do direito, ou do saldo da possança, na data em que o bem ou direito tiver sido incorporado ao patrimônio da empresa sucessora. § 5º A amortização a que se refere a alínea "a" do inciso II do § 3º, observado o máximo de 1/60 (um sessenta avos) por mês, poderá ser efetuada em período maior do que sessenta meses, inclusive pelo prazo de duração da empresa, se determinado, ou da permissão ou concessão, no caso de empresa permissionária ou concessionária de serviço público. § 6º Na hipótese da alínea "b" do inciso III do § 3º, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa jurídica usuária ao pagamento da CSLL que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados de conformidade com a legislação vigente. Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 720 53 § 7º O valor que servir de base de cálculo da CSLL a que se refere o § 6º poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. § 8º O disposto neste artigo aplicase, também, quando: I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. § 9º O controle e as baixas, por qualquer motivo, dos valores de ágio ou deságio, na hipótese deste artigo, serão efetuados exclusivamente na escrituração contábil da pessoa jurídica. (negrejouse) Assim, quer em razão do disposto na Instrução Normativa SRF nº 390/2004, quer por interpretação dos termos da Lei nº 9.532/97 no contexto em que foi editada, e mesmo em conseqüência da apuração contábil, a base de cálculo da CSLL necessariamente restaria indevidamente afetada pela amortização do ágio aqui em comento, caso reconhecida sua existência no patrimônio da autuada após a reorganização societária debatida nestes autos. Não se vislumbra, dessa forma, qualquer especificidade que possa ensejar um resultado diferenciado para a redução da base negativa de CSLL decorrente da glosa de amortização do ágio que passou a integrar o patrimônio da autuada após a reorganização societária em comento. Constatado, aqui, que a interposição da "Trancoso" não desqualificou o "Société" como real adquirente do investimento na autuada, e do titular do correspondente ágio, resta sem substância o ágio reconhecido contabilmente na autuada, de modo, inclusive, a justificar a anulação de sua amortização por meio da realização da provisão exigida pela CVM. Assim, é este lucro contábil, no qual os efeitos da amortização deveriam ter sido neutralizados pela realização da referida provisão, que se presta como ponto de partida para a apuração da base de cálculo da CSLL, mostrandose correto o ajuste procedido pela autoridade lançadora e a conseqüente redução da base negativa originalmente apurada. Portanto, quanto ao mérito da exigência, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente as reduções de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL, e assim indeferindo o requerimento final da recorrente de que sejam revertidas as retificações promovidas, sem o consequente restabelecimento dos ditos valores compensados de ofício. O presente voto, portanto, é no sentido de: · RECONHECER a conexão da presente exigência com aquela veiculada nos autos do processo administrativo nº 16327.001743/201034, e reproduzir aqui o mesmo entendimento lá firmado, para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e reverter as reduções de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL decorrentes de glosa de amortização de ágio no período autuado; ou, caso vencida nesta preliminar: · REJEITAR a arguição de decadência; e Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 721 54 · NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo as reduções de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL decorrentes de glosa de amortização de ágio no período autuado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 722 55 Voto Vencedor Conselheiro MARCO ROGÉRIO BORGES Apesar da bem oportuna preliminar de conexão suscitada pela i. Relatora, e como sempre, bem fundamentado o seu posicionamento, ouso divergir, o qual o colegiado me acompanhou, o que passo a redigir o voto vencedor desta matéria. Tal matéria já foi suscitada pela i. Relatora em outros julgados, o qual aproveito as razões para rejeitar a preliminar de conexão que foram bem expostas em voto vencedor de lavra do Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, integrado ao Acórdão nº 1101000.889, exarado por esta Turma de Julgamento em sua antiga composição, em sessão de 07 de maio de 2013. Mantendome filiado ao entendimento ali exteriorizado, reproduzoo como razões de decidir do presente julgado: Em que pese a conveniência do simultâneo julgamento de matérias afins do mesmo contribuinte, evitandose decisões divergentes versando sobre situações análogas, o fato de existir outro processo, cujo julgamento foi concluído, não é fator impeditivo de julgamento por este colegiado do presente processo, muito menos implica a replicação de julgado anterior. Não se vinculam decisões proferidas por órgãos distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências. Juízes distintos podem interpretar os mesmos fatos e as mesmas normas jurídicas de formas diversas, de maneira que exigir que o julgamento de um processo tenha que obedecer a decisão de outro julgado anterior importa afronta à ampla defesa e o contraditório, na medida em que restaria impossibilitada uma parte de argumentar para provar seu alegado direito e as razões de discordar de decisão de outro julgador. Buscase, com replicação do julgamento, privilegiar o princípio da segurança jurídica, porquanto as decisões seriam conformes. Impor, porém, que as sentenças se reproduzam de acordo com o entendimento daquele primeiro julgador que decidiu a matéria ensejaria enorme prejuízo a outros caros princípios do Estado Democrático de Direito, como o da ampla defesa e do contraditório. Se tanto não bastasse, o princípio do livre convencimento do juiz restaria seriamente comprometido, porque os julgadores que sobreviessem ao primeiro estariam condicionados à decisão daquele. Lembrese que não raras vezes julgadores distintos fundamentam decisões atinentes a situações análogas das mais variadas formas. Lembrese que estão previstas no Regimento Interno as hipóteses em que ficam condicionadas as decisões dos julgadores administrativos, não figurando dentre elas, a hipótese de existência anterior decisão, nos autos de outro processo que verse sobre situações análogas para o mesmo contribuinte. Este tribunal administrativo está vinculado às decisões do Supremo Tribunal Federal e do Supremo Tribunal de Justiça nas hipóteses prevista no artigo 62A do RICARF, verbis: Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16327.720694/201628 Acórdão n.º 1402003.574 S1C4T2 Fl. 723 56 “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Os diversos colegiados do CARF também estão vinculados às súmulas editadas por este Tribunal, conforme inteligência do artigo 72 do RICARF, verbis: “Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF”. Com todas as vênias, ainda que se verifique a identidade das razões de fato e de direito, é imperioso admitir que efetivamente não deve haver qualquer vinculação entre os julgados. Isso prejudicaria, por um lado, os já alegados direitos individuais da ampla defesa e do contraditório; e, por outro, engessaria a jurisprudência e negaria o princípio do livre convencimento do juiz. Além disso, como é pacífico, tanto na esfera judicial como na administrativa, a coisa julgada não alcança os motivos e fundamentos da decisão, ou seja, a apreciação da situação fática não produz efeitos extra processo e, desta forma, não é suficiente para vincular outro órgão julgador, conforme se depreende do disposto no art. 469 do CPC, verbis: “Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; II a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo.” (destacamos) Por todo exposto, afasto a preliminar de conexão. Considerando que os supracitados dispositivos legais foram contemplados na normas atualmente vigentes, em redação praticamente idêntica e com o mesmo conteúdo normativo (Ricarf (Portaria MF nº 343/2015, anexo II arts. 62, §2º e 72, e NCPC art. 504), e por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR SUSCITADA. (documento assinado digitalmente) MARCO ROGÉRIO BORGES Redator designado Fl. 723DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.924692/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.967241/2012-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.967241/201278, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 46 92 /2 01 2- 11 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.924692/201211 Acórdão n.º 1301003.518 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instancia que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas em razão dos créditos da contribuintes já terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. A autoridade de primeira instancia julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instancia, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.511, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.967241/2012 78, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.511): "Configuramse os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo legal. Reafirma a Recorrente que a DCTF (retificadora) apresentada ao Fisco Federal evidencia que o débito no importe de R$ 56.740,18 (código 2089) estava em aberto, ou seja, denunciado e não pago, não havendo em DCTF nenhum DARF vinculado a tal ocorrência. Referido débito, faria, ainda, parte de um parcelamento extraordinário junto à própria RFB, lei 11.941/09. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não serve como prova do pretenso direito creditório. Nesse sentido é o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do CARF. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.924692/201211 Acórdão n.º 1301003.518 S1C3T1 Fl. 4 3 Na situação em análise, além de a retificação da DCTF ser posterior à intimação do despacho decisório, não há no recurso sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Por último, cabe dizer que, no caso em exame, a solução da controvérsia passa ao largo das supostas diferenças entre processo e procedimento. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 68DF CARF MF
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