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Numero do processo: 10283.720640/2007-49
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CUMULATIVIDADE. COMANDO LEGAL.
A exigência de multa de ofício isolada pelo não pagamento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL ocorre por força de comando legal expresso (art. 44, II, b, da Lei nº 9.430, de 1996). Da mesma forma, a exigência da multa vinculada também decorre de comando legal expresso, contido na mesma Lei (art. 44, I). Deixar de aplicar qualquer uma dessas multas, quando verificado o antecedente da norma sancionadora, é violar algum desses dispositivos legais, o que é defeso tanto à autoridade lançadora quanto ao julgador administrativo, seja ele de primeira instância ou componente do Conselho Recursal, conforme dispõe o artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 1803-002.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso em relação à CSLL. Negado provimento pela maioria em relação ao mérito e à multa isolada, vencidos nestas matérias os conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. APURAÇÃO DO PERÍODO. Comprovado que o sujeito passivo não efetuou regularmente a compensação da estimativa mensal com o saldo negativo de exercícios anteriores, mister a desconsideração dessa compensação na apuração do imposto devido ao final do período. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CUMULATIVIDADE. COMANDO LEGAL. A exigência de multa de ofício isolada pelo não pagamento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL ocorre por força de comando legal expresso (art. 44, II, b, da Lei nº 9.430, de 1996). Da mesma forma, a exigência da multa vinculada também decorre de comando legal expresso, contido na mesma Lei (art. 44, I). Deixar de aplicar qualquer uma dessas multas, quando verificado o antecedente da norma sancionadora, é violar algum desses dispositivos legais, o que é defeso tanto à autoridade lançadora quanto ao julgador administrativo, seja ele de primeira instância ou componente do Conselho Recursal, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso em relação à CSLL. Negado provimento pela maioria em relação ao mérito e à multa isolada, vencidos nestas matérias os conselheiros Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 40 /2 00 7- 49 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 527 2 Walter Adolfo Maresch – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sergio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman e Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório EL PASO RIO NEGRO ENERGIA LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Belém (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata do auto de infração de fls. 58/65, lavrado para exigir IRPJ (R$ 301.036,51), juros de mora (R$ 230.082,20), multa de ofício (R$ 225.777,38) e multa isolada (R$ 294.080,04), relativos ao anocalendário 2002. Sobre os mesmos elementos de prova, também foi lavrado e está sob análise o auto de infração de fls. 198/205 (v. 2), lavrado para exigir CSLL (R$ 29.998,34), juros de mora (R$ 22.927,73), multa de ofício (R$ 22.498,75) e multa isolada (R$ 14.999,16). Transcrevese parte do relatório da decisão recorrida (fl. 300), que bem descreve a situação em apreço (as referências às folhas do processo foram atualizadas para contemplar a versão digital deste): De acordo com os fatos narrados pela autoridade lançadora, o sujeito passivo incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): • Insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao final do período (IRPJ); • Falta de recolhimento das estimativas mensais (Multa Isolada). Também integram o Auto de Infração o Demonstrativo de Valores Revisados (fls. 6365) [fls. 66/68 – v. 1]. Ambas as infrações tiveram origem na falta de pagamento das estimativasmensais de IRPJ, referentes aos meses de jan/02, mar/02 e jul/02. Extraise ainda do Auto de Infração que: Fl. 527DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 528 3 1. O contribuinte teria alegado que as diferenças apuradas estimativas mensais de IRPJ teriam sido compensadas com o saldo negativo do IRPJ de exercícios anteriores; 2. Pela análise da documentação apresentada, particularmente as contas "Antecipação do IRPJ" e "Imposto de renda a Pagar" do razão, foi verificado que a compensação com créditos de exercícios anteriores somente aconteceu ao final do ano calendário 2002; 3. No entanto, àquela data 31/12/2002, a compensação só poderia ser efetuada por meio de "Declaração de Compensação", que, por sua vez, não foi apresentada pelo sujeito passivo; 4. Sobre a exigência do tributo foi aplicada a multa de ofício de 75 %. O sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 19/12/2007 (fls. 68) [fl. 71 – v. 1] e apresentou sua impugnação em 17/01/2008 (fls. 7288) [fls. 75/91 – v. 1], na qual alegou em síntese que: 1. O lançamento efetuado a crédito, em 31/12/2002, na conta do ativo "Antecipação de IRPJ", referese tão somente a reversão para a conta do passivo de provisão "Imposto de Renda a Pagar" (fls. 107114) [fls. 110/117 – v. 1]; 2. Tendo em vista que o fato gerador do IRPJ é anual, as antecipações das estimativas mensais recolhidas ou compensadas – são controladas mediante lançamentos a débito na conta do ativo "Antecipação de IRPJ" para, ao final do período, serem revertidas para a conta de provisão do IRPJ; 3. Para efetuar o controle dos créditos tributários disponíveis em contraposição com as compensações efetuadas ao longo do anocalendário 2002, elaborou uma planilha de controle extracontábil do referido crédito, já fornecida à fiscalização (fl. 116) [fl. 119 – v. 1]; 4. Por equivoco deixou de informar, na DCTF, a totalidade das compensações das estimativas efetuadas no decorrer do ano calendário 2002, estando sujeita apenas à penalidade a que se refere a Instrução Normativa n° 786/07; 5. A aplicação da multa de ofício conjuntamente com a multa isolada é absurda posto que ambas possuem a mesma base de cálculo. Nesse sentido, a jurisprudência administrativa do Primeiro Conselho de Contribuintes (fl. 85) [fl. 88 – v. 1]. A DRJ Belém (PA), por meio do acórdão nº 0121.236, de 31 de março de 2011 (fls. 299), julgou procedente o lançamento relativo ao IRPJ e procedente em parte o lançamento relativo à CSLL, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBREA RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 528DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 529 4 Anocalendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. APURAÇÃO DO PERÍODO. Comprovado que o sujeito passivo não efetuou regularmente a compensação da estimativa mensal com o saldo negativo de exercícios anteriores, mister a desconsideração dessa compensação na apuração do imposto devido ao final do período. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa isolada, devida pela insuficiência de recolhimento da estimativa mensal do imposto, e a multa de ofício regulamentar, devida pela insuficiência de recolhimento do imposto apurado na data do fato gerador, têm hipóteses de incidência distintas. Portanto, cabível o lançamento concomitante destas penalidades, mormente quando ato normativo expedido pela administração tributária autoriza o procedimento. ASSUNTO : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 Ementa: COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. APURAÇÃO DO PERÍODO. Comprovado que o sujeito passivo efetuou regularmente a compensação da estimativa mensal com o saldo negativo de exercícios anteriores, mister o reconhecimento dessa compensação na apuração da contribuição devida ao final do período. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. A multa isolada, devida pela insuficiência de recolhimento da estimativa mensal da contribuição, e a multa de ofício regulamentar, devida pela insuficiência de recolhimento da contribuição apurada na data do fato gerador, têm hipóteses de incidência distintas. Portanto, cabível o lançamento concomitante destas penalidades, mormente quando ato normativo expedido pela administração tributária autoriza o procedimento. Ciente da decisão em 17/05/2011, por meio de remessa postal (fl. 307), o autuado apresentou recurso voluntário em 15/06/2011 (fls. 310/339), em que afirma, em síntese: i) Os créditos compensados, em favor da empresa, são líquidos e certos, portanto passíveis de serem utilizados para quitar o débito descrito; ii) As operações de compensação das estimativas mensais foram realizadas de forma regular e antes da vigência da Lei n° 10.637/2002, mostrandose irrazoável a exigência por parte do fisco de eventual apresentação de PER/DCOMP para que sejam consideradas as operações ora discutidas; Fl. 529DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 530 5 iii) A ausência de declaração, em DCTF, das compensações consistem em erro que não pode prejudicar o direito subjetivo de compensar os créditos existentes; iii) As penalidades imputadas esbarram em determinações legais, jurisprudenciais e doutrinárias inequívocas, pelo que não podem subsistir. Em 24/06/2013, o recorrente aditou a sua petição (fls. 509/525), reforçando os argumentos já apresentados. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Preliminarmente, cabe destacar que a verificação da legitimidade do crédito dito compensado pelo contribuinte não faz parte da presente lide, uma vez que o auto de infração não a tem como fundamento. De fato, o lançamento se deu sobre o fundamento da inexistência das compensações alegadas e não pela falta de legitimidade dos créditos. Oportunamente, salientase que é pacífico o entendimento de que as compensações glosadas teriam a finalidade de extinguir débitos de estimativas mensais, todas ocorridas antes de outubro de 2002, quando a legislação tributária não exigia a apresentação da Declaração de Compensação. Todavia, as referidas glosas não se fundam em ausência de apresentação de declaração, o que exclui da presente lide essa questão legal. A bem da verdade, o relatório da fiscalização menciona a exigência de Declaração de Compensação quando investiga a possibilidade de, na ausência das compensações mensais, ter ocorrido uma compensação no final do exercício de 2002, o que teria efeito sobre a exigência a ser lançada. Essa hipótese foi afastada pela fiscalização, agora sim, pela inexistência de respectiva Declaração de Compensação. Todavia, o autuado sustenta, desde a ação fiscal e até o presente momento, que houve as compensações mensais. Portanto, a verificação da hipótese de ter havido uma compensação no final do exercício também não faz parte da lide, uma vez que foi afastada pela fiscalização e não foi questionado pelo recorrente. Destarte, a conformação legal dessa hipotética compensação também extrapola a matéria a ser analisada. I. ANTECIPAÇÕES MENSAIS DO IRPJ Compulsando os autos, mormente a DIPJ/2003 (fls. 8/20), o extrato de DCTFs de 2002 (fls. 55/56) e a manifestação do autuado de fls. 24/54, podese construir a tabela seguinte, que sintetiza a situação fiscal em análise. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 531 6 Mês Estimativa declarada na DIPJ Estimativa declarada na DCTF Diferença DIPJ/DCTF Pagamento comprovado Compensação declarada na DCTF Compensação não declarada na DCTF JAN 266.159,77 249.640,22 16.519,55 249.640,22 0,00 16.519,55 FEV 210.777,59 210.777,59 0,00 210.777,59 0,00 0,00 MAR 184.764,45 0,00 184.764,45 0,00 0,00 184.764,45 ABR 222.224,56 222.224,56 0,00 146.767,14 75.457,42 0,00 MAI 208.757,36 208.757,36 0,00 208.757,36 0,00 0,00 JUN 141.491,14 141.491,14 0,00 0,00 141.491,14 0,00 JUL 386.876,10 0,00 386.876,10 0,00 0,00 386.876,10 AGO 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 SET 33.958,26 262.461,51 228.503,25 262.461,51 0,00 0,00 OUT 296.082,57 296.082,56 0,01 296.082,56 0,00 0,01 NOV 108.145,32 166.765,67 58.620,35 166.765,67 0,00 0,00 DEZ 47.436,79 47.436,79 0,00 47.436,79 0,00 0,00 TOTAL 2.106.673,91 1.805.637,40 301.036,51 1.588.688,84 216.948,56 588.160,11 Comparando as DCTFs apresentadas em 2002 e a DIPJ relativa ao mesmo período, verificase que as estimativas do IRPJ dos meses janeiro, março e julho foram declaradas a menor nas DCTFs. Ademais, os pagamentos realizados em abril e junho são inferiores ao valor devido declarado. Tais diferenças ensejaram a intimação de fls. 21/22. Em resposta à supracitada intimação (fls. 24/28), o contribuinte afirma que tais diferenças são devidas às compensações realizadas na sua contabilidade, tendo como crédito o saldo negativo de exercícios anteriores, o que quitaria integralmente as estimativas. Anexo a essa informação, o contribuinte juntou os respectivos comprovantes de pagamento e os registros contábeis do período, bem como planilha de controle. A fiscalização analisou os documentos juntados e não localizou as operações que teriam registrado as referidas compensações, glosando, da apuração anual do IRPJ, os valores correspondentes aos meses janeiro, março e julho, considerando que as compensações de abril e junho estavam declaradas em DCTF. A solução da presente lide, no que diz respeito às estimativas de IRPJ, circunscrevese à verificação da existência dessas três compensações. A autoridade julgadora de primeira instância trilhou esse caminho, mas entendeu que não havia na contabilidade do contribuinte operações que denotassem as compensações alegadas, conforme o seguinte excerto (fl. 302): Analisando os lançamentos na conta do ativo Antecipação do IRPJ (fl. 108) [fl. 111], verificase a ausência de qualquer lançamento a débito com valor correspondente às referidas compensações (Tabela 1). Ou mesmo, lançamentos efetuados à data de vencimento das citadas estimativas, cuja soma perfizessem o valor do débito supostamente compensado. Nem mesmo, qualquer lançamento que tenha por histórico a compensação das estimativas de jan/02, mar/02 e jul/02. Por seu turno, o recorrente aponta dois lançamentos que, de forma agrupada, teriam formalizado as compensações, nos seguintes termos (fls. 322/323): Fl. 531DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 532 7 Na verdade, considerando todo o exposto, é de clareza solar e não necessário muito esforço para que se verifique que os pagamentos de estimativas por compensações realizadas ao longo do ano 2002 estão, efetivamente e corretamente, registrados no Razão Conta "Antecipação de IRPJ' sob os seguintes lançamentos realizados a débito que, somados, atingem a quantia de R$ 905.582,08 (novecentos e cinco mil, quinhentos e oitenta e dois reais e oito centavos): (I) Em 28/06/2002 no valor de R$ 571.919,62 (quinhentos e setenta e um mil, novecentos e dezenove reais e sessenta e dois centavos), oriundo do Saldo negativo obtido no ano calendário 2001, conforme ficha 12A da DIPJ2002 (DOC. 07); e (II) Em 31/01/2002, no valor de R$ 264.699,16 (duzentos e sessenta e quatro mil, seiscentos e noventa e nove reais e dezesseis centavos), saldo de crédito tributário, a favor do contribuinte, oriundo dos exercícios fiscais anteriores, conforme comprovam os Razões dos anos de 2000 e 2001 (DOC. 08) Defende o procedimento contábil adotado nos seguintes termos (fl. 512): Por último, cumpre registrar que o fato de os lançamentos contábeis terem ocorrido de forma agrupada, em 28/06/2002 e 31/01/2002, ao invés de isoladamente, não significa que as estimativas não foram compensadas, pois os procedimentos contábeis são de livre escolha pelos contribuintes, desde que inseridos nos princípio técnicos ditados pela contabilidade, e, no presente caso, não houve qualquer prejuízo ao erário. Os dois lançamentos supracitados, apontados pelo recorrente, não são aptos, no meu entender, a configurar as compensações em tela. É certo que a entidade tem liberdade para organizar a sua contabilidade, mas essa liberdade é limitada pelos princípios e regras da ciência contábil. Aceitar a argumentação do recorrente significa aceitar que ele registrou, antecipadamente e de forma sintética, todas as eventuais compensações a serem realizadas durante o exercício em dois lançamentos, um datado de 31 de janeiro e outro datado de 28 de junho. Esse procedimento violaria o princípio da oportunidade e o princípio da competência. Portanto, se considerarmos que a escrituração segue as normas contábeis, então somente podemos concluir que tais lançamentos não tinham a intenção reclamada pelo recorrente. Por outro lado, se considerarmos que os lançamentos tinham essa intenção reclamada, então esses assentamentos violam mortalmente as normas contábeis e são, por isso, imprestáveis como elemento de prova. Outras constatações concorrem para afastar a argumentação do contribuinte: i) o evento datado de 31 de janeiro não é um lançamento contábil, mas apenas o saldo da conta contábil naquele dia e não há como considerar que o saldo de uma conta represente uma mutação patrimonial da entidade; ii) o evento datado de 28 de junho tem a seguinte descrição: “VLR COMPL LUCRO EXPLORAÇÃO CONF DECLAR IRPJ 2002/2001”, como se vê, não há qualquer menção a uma compensação. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 533 8 Portanto, os lançamentos apontados pelo recorrente estão longe de demonstrar que houve as compensações alegadas. Repisese o fato de que a fiscalização não questionou a existência de crédito compensável, apenas não encontrou evidências de que houve a efetiva compensação. Outro evidência que vai ao encontro da conclusão da autoridade tributária é o fato de o contribuinte não ter declarado tais compensações em DCTF. Sobre isso, o recorrente defendese afirmando que houve um erro no preenchimento de tais declarações, nos seguintes termos (fl. 316): Não obstante os erros cometidos em relação à DCTF/2002, faz se mister ressaltar, conforme será visto adiante, que a escrituração contábil da recorrente foi elaborada e registrada conforme as determinações legais existentes, fazendo, assim, prova a favor do contribuinte, não havendo então motivos justos para que se baseie a decisão administrativa tão somente nos equívocos cometidos na DCTF, consoante art. 923 do RIR 99, Decreto n° 3.000/99, in textual: Conforme já foi visto, a escrituração contábil do contribuinte não registra as compensações glosadas e o recorrente não apresenta qualquer outra evidência de erro de preenchimento. Assim, não há como admitir o alegado erro, uma vez que as duas ausências conduzem coerentemente à conclusão de que as compensações não foram efetivadas. O recorrente ainda esforçase por demonstrar a necessidade de se buscar a verdade material no âmbito do processo tributário, com o que sou de plena concordância. Na espécie, entendo que todas as evidências existentes foram trazidas aos autos, para o que concorreram a fiscalização e o contribuinte, não havendo qualquer impedimento formal ou material para tanto. Assim, a verdade material coincide com o que está nos autos e as evidências aqui constantes apontam para a inexistência das compensações alegadas. Digase de passagem, apenas como alerta para a Administração Tributária, que o contribuinte, ao apurar o IRPJ do período (fl. 20), declarou o pagamento de estimativas no valor de R$ 3.790.884,77, enquanto a soma dos pagamentos e compensações atinge apenas o valor de R$ 2.393.797,51, mesmo considerando as compensações glosadas pela fiscalização, ou seja, ressalvada a possibilidade de existência de outros fatos não trazidos aos autos, ainda haveria uma diferença de R$ 1.397.087,26 no imposto devido e não pago, mesmo que consideradas as compensações guerreadas. II. ANTECIPAÇÕES MENSAIS DA CSLL O lançamento tributário relativo à CSLL segue a mesma lógica daquela relativa ao IRPJ, ou seja, glosa de compensação de estimativa, não declarada em DCTF, para fins de apuração da contribuição do período anual. Compulsando os autos, mormente a DIPJ/2003 (fls. 153/162), o extrato de DCTFs de 2002 (fls. 166/197) e a manifestação do autuado de fls. 166/170, podese construir a tabela seguinte, que sintetiza a situação fiscal em análise. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 534 9 Mês Estimativa declarada na DIPJ Estimativa declarada na DCTF Diferença DIPJ/DCTF Pagamento comprovado Compensação declarada na DCTF Compensação não declarada na DCTF JAN 360.049,29 360.049,29 0,00 360.049,29 0,00 0,00 FEV 270.508,46 270.508,46 0,00 270.508,46 0,00 0,00 MAR 317.754,86 287.756,52 29.998,34 287.756,52 0,00 29.998,34 ABR 313.054,42 313.054,42 0,00 313.054,42 0,00 0,00 MAI 286.455,13 286.455,13 0,00 286.455,13 0,00 0,00 JUN 186.318,61 186.318,61 0,00 186.318,61 0,00 0,00 JUL 543.111,12 543.111,12 0,00 543.111,12 0,00 0,00 AGO 208.612,97 208.612,97 0,00 208.612,97 0,00 0,00 SET 652.160,88 652.160,88 0,00 652.160,88 0,00 0,00 OUT 418.969,53 418.969,53 0,00 418.969,53 0,00 0,00 NOV 263.735,51 263.735,51 0,00 263.735,51 0,00 0,00 DEZ 341.572,94 341.572,94 0,00 341.572,94 0,00 0,00 TOTAL 4.162.303,72 4.132.305,38 29.998,34 4.132.305,38 0,00 29.998,34 No caso, apenas a estimativa de março foi declarada a menor na DCTF, o que ensejou intimação de fls. 163/164. Em resposta à supracitada intimação (fls. 166/170), o contribuinte afirma que tal diferença é devida a compensação realizada na sua contabilidade, na mesma linha do ocorrido em relação ao IRPJ. A fiscalização analisou os documentos juntados e não localizou a operação que teriam registrado a referida compensação, glosando, da apuração anual da CSLL, o valor correspondente a esse mês. Entretanto, a autoridade julgadora de primeira instância localizou uma operação contábil que entendeu corresponder à compensação discutida, conforme o seguinte excerto (fl. 303): O mesmo não se diga da compensação da estimativa da CSLL, PA 03/2002. De efeito, verificase na conta Antecipação da CSLL a existência de um lançamento a débito no valor de R$ 29.232,45, no dia 30/04/2002, com histórico "CSLL PG a maior REF 12/2001", que apresenta sua contrapartida na conta CSLL a Pagar. No caso específico, muito embora o lançamento não tenha em seu histórico a expressão "compensação", parece claro que o que ocorreu naquela data foi a compensação de um crédito de CSLL do anocalendário 2001 com a estimativa da CSLL de mar/2002. Compensação esta que deve ser reconhecida e considerada na apuração da CSLL ao final do período. Todavia, como se vê, esse lançamento possui valor menor do que a compensação pleiteada, remanescendo um valor residual devido de CSLL (R$ 765,89). Por seu turno, o recorrente aponta outro lançamento que, se somado com o lançamento supracitado, atingiria o valor da compensação, nos seguintes termos (fl. 322/323): Na verdade, considerando todo o exposto, é de clareza solar e não necessário muito esforço para que se verifique que o pagamento de estimativa por compensação realizado ao longo Fl. 534DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 535 10 do ano de 2002 está, efetivamente e corretamente, registrados no Razão Conta "Antecipação de CSLL" sob os seguintes lançamentos realizados a débito que, somados, atingem a quantia de R$ 29.998,34 (vinte e nove mil, novecentos e noventa e oito reais e trinta e quatro centavos): (I) Em 30/04/2002 no valor de R$ 29.232,45 (vinte nove mil, trezentos e trinta e dois reais e quarenta e cinco centavos), oriundo do Saldo negativo de CSLL obtido no ano calendário 2001, conforme ficha 17 da DIPJ2002 (DOC. 13); e (II) Em 30/04/2002, no valor de R$ 765,89, referente à atualização do valor obtido no Saldo negativo de CSLL obtido no ano calendário2001 atualizado pela taxa SELIC Reforça seu argumento no aditamento da petição recursal (fl. 513): Em relação ao mês de março, no qual parte da estimativa devida foi compensada (R$ 29.998,34), cumpre ressaltar que a autoridade julgadora considerou apenas o lançamento de R$ 29.232,45, ignorando o lançamento de R$ 765,89, por, supostamente, não ter encontrado a comprovação real de que esse último valor foi compensado. Entretanto, conforme se infere do Livro Razão – Conta "Antecipação de CSLL", a compensação do valor de R$ 765,89 (VLR CREDITO TRIBUTÁRIO CSLL 04/2002) foi registrado uma linha abaixo da compensação de R$ 29.232,45 (VLR CSLL PG A MAIOR REF 12/2001). No meu entender, a contabilidade somente se presta como prova no processo tributário quando atende aos princípios e normas contábeis, o que inclui, necessariamente, a clareza da descrição do evento lançado. Todavia, se a autoridade julgadora de 1ª instância encontrou razões para aceitar o lançamento supracitado, de R$ 29.232,45, como prova da compensação contestada, muito mais razão teria para aceitar o lançamento seguinte, de R$ 765,89, realizado no mesmo dia, que possui uma descrição mais compatível com a situação alegada (“VLR CREDITO TRIBUTARIO CSLL 04/2002”) e que, somado ao anterior, faz atingir o valor exato da compensação glosada. Portanto, para manter a coerência da razão de decidir, entendo que o supracitado lançamento de R$ 765,89 deve ser admitido como parte da compensação alegada, o que extinguiria integralmente o crédito de CSLL exigido. III. MULTAS ISOLADAS O recorrente ainda se insurge contra as multas isoladas exigidas, em três tempos, alegando que: i) foi autuado com fundamento no art. 44 da Lei n° 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, que seria mais gravoso do que o vigente á época dos fatos geradores (anocalendário de 2002); ii) o fato de o crédito tributário ter sido adimplido no final do exercício seria causa suficiente para afastar a multa regulamentar; iii) a jurisprudência dos Conselhos Administrativos é no sentido da impossibilidade de exigência concomitante da multa isolada e da multa de ofício, caso estas sejam calculadas sobre a mesma base de cálculo. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 536 11 Quanto ao primeiro ponto, não assiste razão ao recorrente, uma vez que a multa isolada foi exigida conforme o percentual de 50% do valor não recolhido (fl. 62), em conformidade com a alteração trazida pela Lei nº 11.488, de 2007, que alterou o artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Como se vê, ao contrário do que afirmou o recorrente, está sendo exigida a referida multa com percentual inferior ao vigente em 2002, que era de 75%, conforme a redação original do artigo 44 da Lei nª 9.430, de 1996. Quanto ao segundo ponto, a argumentação do recorrente não possui suporte legal, uma vez que o inciso IV do §1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, na sua redação vigente em 2002, previa a exigência da multa mesmo quando não haja tributo devido no final do exercício: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: ... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Quanto ao terceiro ponto, sabese que existem decisões deste Conselho Administrativo que mantêm a aplicação simultânea dos dois tipos de multa em tela, mas é verdade que existem várias decisões desta Corte Administrativa em sentido contrário, conforme assinalou o impugnante. Analisando o argumento prevalente nestas decisões, vêse que têm como fundamento a identidade de infrações para ambas as sanções. Com todo o respeito devido, discordo da identidade aludida, uma vez que não pode haver identidade de infrações se não há sequer identidade de obrigações tributárias. Sendo a antecipação do tributo uma obrigação acessória, exigível mesmo quando não há tributo a recolher no final do exercício, ela não se confunde com a obrigação de pagar o tributo. Ademais, são incomparáveis os seus períodos de referência, as suas bases de cálculo e as suas alíquotas. Ademais, independentemente da discussão quanto à natureza jurídica da multa isolada, deve ser salientado que esta é exigida em razão de comando legal expresso (art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996). Da mesma forma, a exigência da multa vinculada também decorre de comando expresso, contido na mesma Lei (ainda o art. 44). Deixar de aplicar qualquer uma dessas multas é violar algum desses dispositivos legais, o que é defeso tanto à autoridade lançadora quanto ao julgador administrativo, seja ele de primeira instância ou componente do Conselho Recursal, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.720640/200749 Acórdão n.º 1803002.015 S1TE03 Fl. 537 12 Por tais razões, afastase a alegada nulidade do lançamento das multas isoladas. IV. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir as exigências relativas à CSLL, mantendose as demais exigências. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 537DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10650.901306/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de ressarcimento/ compensação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de ressarcimento/ compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de ressarcimento/ compensação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 06 /2 01 2- 26 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor do PIS não cumulativo, apurado para o 4º trimestre de 2007, às fls. 02/05. A DRF em Uberaba (MG) glosou os créditos apurados e escriturados pela recorrente sob o argumento de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram calculados não geram créditos daquela contribuição, nos termos da legislação tributária vigente, conforme Despacho Decisório às fls. 14/48. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: O crédito do PIS não cumulativo reconhecido através de despacho decisório da Autoridade Administrativa, relativo ao período de 01/2006 a 31/12/2008 totalizou R$464.975,59, portanto, tratase de matéria incontroversa. ........................ Quanto ao lançamento de ofício que apurou PIS devido a pagar relativo ao fato gerador ocorrido em 02/2008, que resultou na exigência tributária de R$58.834,26, sendo R$25.255,23 de PIS não cumulativo devido e R$18.941,42 de multa de ofício e R$11.637,61 de juros de mora, a impugnante concorda com a exigência tributária e já efetuou a compensação com o crédito do PIS não cumulativo reconhecido pelo Delegado da Receita Federal em Uberaba – Minas Gerais (matéria incontroversa), tendo como fulcro o artigo 6º da Lei nº 8218/91 e alterações posteriores e o artigo 170 do CTN... ............................... A petição apresentada pela requerente, onde impugna o ato decisório que negou o direito ao ressarcimento de parte do pedido formulado na inicial que se constituiu no processo nº 13646.000074/200949, está em conformidade com o que dispõe o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, portanto, deve ser admitida como tempestiva. ...a impugnante se insurge contra o ato da autoridade administrativa que não consignou no seu despacho Decisório o crédito de PIS não cumulativo homologado tacitamente, relativamente a este período (4º trimestre de 2004 e período de janeiro a dezembro de 2005), visto que é parte integrante do objeto do pedido de que trata o processo administrativo nº 13646.000074/200949. A impugnante se insurge, também, no que tange ao direito creditório contra a Fazenda Pública Federal, relativo ao período de 01/2006 a 08/2007, que foi atingido pela decadência e a Autoridade Fiscal, através do despacho decisório, de forma Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901306/201226 Acórdão n.º 3301002.238 S3C3T1 Fl. 195 3 extemporânea, não reconheceu o direito creditório, violando o §4º do artigo 150 e § único do artigo 149, ambos do CTN e o princípio da segurança jurídica. A impugnante se insurge, ainda, contra o despacho decisório da autoridade fiscal que não admitiu a restituição dos créditos do PIS não cumulativo, não atingidos pela decadência, já que decisão recente do CARF reconheceu alargamento da base de cálculo da contribuição para efeitos dos créditos incidentes sobre custos, despesas e encargos na manutenção da empresa, portanto, o despacho decisório emanado pela Autoridade Fiscal, relativamente a esta matéria deve ser revisto para restabelecer tais créditos. ......................... Como a impugnante não tem como utilizar os créditos do PIS na compensação de débitos administrados pela SRFB, a vedação ao ressarcimento em espécie dos créditos pela Autoridade Fiscal, sob o argumento de que inexiste norma procedimental regulamentadora a ser adotada para conceder o ressarcimento em espécie, além de tornar a lei inócua, a conduta omissiva da Administração falta de emissão dos atos administrativos regulamentadores do exercício do direito da contribuinte caracteriza enriquecimento sem causa da própria Administração EM RAZÃO DE SUA TORPEZA. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0945.065, datado de 18/07/2013, às fls. 138/153, sob as seguintes ementas: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA. Compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ apreciar a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório ou a não homologação da compensação, e não apreciar originariamente pedido de ressarcimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSAS EFETUADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. INCIDÊNCIA. NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 157/177), requerendo, literalmente: “I – Determinem à Autoridade administrativa competente que efetue a homologação da compensação e declare a extinção do crédito tributário na forma do artigo 156, II do CTN – Lei n 5.172/66; II – Que seja reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie da quantia de R$409.141,33, tendo como fulcro o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005; III – Seja reconhecida a decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente, relativo ao PIS não cumulativo cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, com fulcro no § 4º do artigo 150 e do artigo 149, § único ambos do CTN, em razão da inexistência de crédito tributário constituído via auto de infração, fato que exclui a aplicabilidade do artigo 173, I do CTN – Lei nº 5.172/66 à matéria objeto do contraditório; IV – Reconhecida a homologação tácita do lançamento, sejam restabelecidos os créditos glosados pela Fiscalização a título de PIS não cumulativo de R$ 1.303.972,04, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007, e sejam ressarcidos em espécie face o que dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005. V – Subsidiariamente, caso seja reconhecido o direito da Fazenda Pública de efetuar a revisão do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2007 a 08/2007, tendo como fulcro o artigo 173, I do CTN, que seja reconhecido expressamente o direito ao ressarcimento em espécie previsto no artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, dos créditos no valor de R$ 717.077,03, cujos fatos geradores ocorreram no período de 2006 (Janeiro a Dezembro); VI – Seja revisado o despacho decisório para incluir e/ou restabelecer o direito creditório, relativo ao PIS/PASEP não cumulativo, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, tendo como fulcro o § 4º do artigo 150 e o parágrafo único do artigo 149 do CTN, face à inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN à matéria objeto do contraditório; VII – Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide. VIII – Os créditos do PIS/PASEP objeto da lide sejam ressarcidos à Autuada em espécie, conforme dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, e com fulcro no princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa, aplicável, indistintamente, ao direito público e ao direito privado.” Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “1 – DOS FATOS; II – DA APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL DA CELERIDADE PROCESSUAL, DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS E DA UTILIDADE Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901306/201226 Acórdão n.º 3301002.238 S3C3T1 Fl. 196 5 (EFETIVIDADE) DO PROCEDIMENTO À LIDE (MATÉRIA DECORRENTE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE QUE TRATA O PROCESSO DE nº 13646.000074/200949); III – DO CONTRADITÓRIO: III.1 – DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO APURADO EM AUTO DE INFRAÇÃO, COM CRÉDITO DE PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, RECONHECIDOS PELA FAZENDA NACIONAL (MATÉRIA INCONTROVERSA); III.2 – DOS CRÉDITOS DE PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO, RECONHECIDOS PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA E OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE; III.3 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR; III.4 – CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, NÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA”; concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, inclusive, tratando de matérias estranhas à discutida neste processo, tais como: (i) homologação de compensação e extinção do crédito tributário; (ii) decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente; (iii) reconhecimento da homologação tácita do lançamento e restabelecimento dos créditos do PIS glosados para o período de 01/2006 a 08/2007 e seus ressarcimentos; (iv) o reconhecimento do direito ao ressarcimento, em espécie, previsto no artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, de créditos, no valor de R$ 717.077,03, referente ao período janeiro a dezembro de 2006, a questão a ser decidida, neste processo, é o ressarcimento do saldo credor do PIS não cumulativo, apurado para o 4º trimestre de 2007, no valor original de R$326.317,90, ficando prejudicada a análise e julgamento de outras matérias. Conforme consta do Despacho Decisório, às fls. 14/48, e também da decisão recorrida, o indeferimento do pedido de restituição, objeto deste processo, teve como fundamento a inexistência do saldo credor reclamado, tendo em vista as glosas efetuadas pela Fiscalização sob os argumentos de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram apurados os créditos não estão amparados na Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Segundo aquele despacho, foram glosados créditos sobre os custos/despesas de: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão, milho, etc); 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café); 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho); 5) bens para venda adquirido com alíquota zero; 6) receita somada irregularmente aos bens (bônus recebidos na comercialização do leite dos associados); 7) bens utilizados como insumo, de fato contabilizado sob esta rubrica, mas revendidos (calcário bicálcio, fosfato e uréia); 8) bens fornecidos por pessoas físicas e jurídicas associadas (lenha de eucalipto); 9) serviços utilizados como insumos (fretes sobre aquisições de bens para revenda); 10) despesas com contraprestações de arrendamento mercantil; 11) bens do ativo imobilizado encargos de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 depreciação; 12) bens do ativo imobilizado depreciações com base no valor de aquisição; e, 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero. A recorrente, em seu recurso voluntário, não fundamentou sua discordância contra cada uma das glosas, se limitando a afirmações genéricas, literalmente: “Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide.” A Lei nº 10.637. de 30/12/2002, que instituiu o regime não cumulativo para a contribuição para o PIS, assim dispõe, quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]. II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. [...]. § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901306/201226 Acórdão n.º 3301002.238 S3C3T1 Fl. 197 7 IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...].” Por sua vez, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, estabelece: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. § 18. O crédito, na hipótese de devolução dos produtos de que tratam os §§ 1o e 2o do art. 2o desta Lei, será determinado mediante a aplicação das alíquotas incidentes na venda sobre o valor ou unidade de medida, conforme o caso, dos produtos recebidos em devolução no mês. [...}. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...]; II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; VI no art. 13 desta Lei.” Já a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, assim determina: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901306/201226 Acórdão n.º 3301002.238 S3C3T1 Fl. 198 9 alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: [...]; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...]. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1o O direito ao crédito presumido de que trata o caput deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2o O montante do crédito a que se refere o caput deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa na hipótese de venda de produtos in natura de origem vegetal, efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade rural e cooperativa de produção agropecuária, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 § 4o É vedado o aproveitamento de crédito pela pessoa jurídica que exerça atividade rural e pela cooperativa de produção agropecuária, em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...].” De acordo com o Despacho Decisório às fls. 14/48, todos os créditos do PIS glosados pelo autuante correspondem a créditos básicos, calculados à alíquota de 1,65 % sobre os custos/despesas de bens e serviços destinados à revenda e/ ou utilizado na produção de bens. Nem o autuante nem a recorrente referiramse ao crédito presumido da agroindústria. Segundo o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, citado e transcrito anteriormente, aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição, não dão direito a créditos passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; segundo o § 3º, incisos I e II, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, somente dão direito a créditos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas e os custos e despesas incorridas e pagas pessoas jurídicas, todas domiciliadas no País; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho); de acordo com art. 9º, II e III, da Lei nº 10.925, de 2004, além de grande parte ter sido adquirida/recebida de pessoas físicas, tratase de produtos comercializados com suspensão da contribuição, assim não dão direito a crédito, inclusive, os adquiridos/recebidos de pessoas jurídicas; 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café) também não geram créditos por serem comercializados com suspensão da contribuição e/ ou adquiridos de pessoas físicas, mesmo fundamento do item 2; 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho) também sob o mesmo fundamento dos itens 2 e 3 não geram créditos; 5) bens para venda adquiridos com alíquota zero, de acordo com § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, não geram créditos; 6) bônus recebidos na comercialização do leite dos associados e a estes repassados, por representarem custo do leite entregue, também não geram créditos porque o leite comercializado saiu com suspensão da contribuição e/ ou foi adquirido de pessoas físicas; 7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com suspensão da alíquota, não geram crédito; também o cálcário bicálcio e o fosfato por ter sido adquiridos com alíquota zero não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901306/201226 Acórdão n.º 3301002.238 S3C3T1 Fl. 199 11 8) lenha de eucalipto adquirida de pessoas, física e jurídica; as aquisições de pessoas físicas não geram créditos, conforme já fundamentado anteriormente; já as aquisições de pessoas jurídicas geram créditos, conforme dispositivo citado no item anterior (7), desde que o insumo tenha sido utilizado na fabricação de produto destinado à venda e sujeito à contribuição, o que não ocorreu; 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; 10) de contraprestações de arrendamento mercantil; conforme demonstrado no Despacho Decisório, na realidade, tratase de encargos de depreciações, contudo não foram provadas as aquisições dos bens; também, a recorrente não contestou esta fundamentação; 11) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; segundo o Despacho Decisório, as glosas correspondem aos valores apurados sobre bens cujas aquisições não foram comprovadas (planilha às fls. 38) e de bens não utilizados na fábrica de ração (produção – planilha às fls. 39); segundo o VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, somente máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços geram créditos; 12) depreciações de bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição, tratase de depreciação acelerada, correspondente a 1/48 do valor de aquisição; contudo todas as despesas foram apropriadas sobre aquisições efetuadas até 30/04/2004; segundo o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, somente geram créditos as aquisições efetuadas depois daquela data; 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero, somente dão direito a créditos as devoluções de bens que foram tributados pela contribuição quando de suas vendas. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o valor, efetuar sua compensação e/ ou ressarcilo, nos termos da legislação tributária vigente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000306/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE DO JULGAMENTO.
A formalização do parcelamento em data anterior ao julgamento do recurso, não obstante não ter sido apresentada a desistência formal, importa na desistência do recurso interposto, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 78 Regimento Interno do CARF. Anula-se, por consequência, o acórdão que conheceu e apreciou o recurso voluntário interposto.
Numero da decisão: 1302-001.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, para lhe conferir efeito modificativo, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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OMISSÃO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE DO JULGAMENTO. A formalização do parcelamento em data anterior ao julgamento do recurso, não obstante não ter sido apresentada a desistência formal, importa na desistência do recurso interposto, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 78 Regimento Interno do CARF. Anulase, por consequência, o acórdão que conheceu e apreciou o recurso voluntário interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, para lhe conferir efeito modificativo, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 03 06 /2 00 6- 11 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 15983.000306/200611 Acórdão n.º 1302001.291 S1C3T2 Fl. 207 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Agente da Receita Federal em Praia Grande/SP, em face do Acórdão nº 130200.707 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 04/08/2011, com a seguinte ementa: Multa Isolada. Compensação. Deve ser reduzida a multa isolada aplica em função de alteração legislativa posterior ao lançamento, mesmo que a Medida Provisória que veiculou a alteração benéfica ao contribuinte tenha perdido vigência posteriormente. A embargante recebeu o processo para execução do decisório em 11/09/2012 e, por meio do Despacho de Encaminhamento, exarado na mesma data, pede que seja esclarecida quanto à aplicação do acórdão em questão, na medida em que o crédito discutido encontrase parcelado com base na Lei nº 11.941/2009, conforme telas e extratos que anexa. Salienta que consta desistência do recurso voluntário nos eventos do SIEF, mas que não localizou nos sistemas de controle nenhum processo de desistência formal do julgamento Nos extratos e telas anexados, consta que houve a desistência do recurso em 01/07/2011. A unidade preparadora não aditou nenhuma outra informação ou documento aos autos. É o Relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 15983.000306/200611 Acórdão n.º 1302001.291 S1C3T2 Fl. 208 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Embora não tenha sido nominada a manifestação apresentada pela autoridade preparadora, dado o seu teor e tendo sido apresentada dentro do prazo regimental, receboa como embargos de declaração. Os embargos interpostos são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no inc. V do art. 65 do RICARF, assim, deles tomo conhecimento A questão a ser sanada referese a desistência do recurso apresentado pela interessada na medida em que esta aderiu ao parcelamento previsto na Lei nº 11.941/2009 antes do julgamento do recurso. À mingua dessa informação no processo, por ocasião do julgamento do recurso, o colegiado passou ao largo da questão e conheceu do apelo para exonerar parcialmente os créditos tributários lançados. Resta apreciar tal omissão e verificar quais os efeitos que ela deve produzir no âmbito do litígio. O pedido de parcelamento importa na desistência do recurso, restando configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, conforme os parágrafos 2º e 3º do art. 78 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF. 256/2009), in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Não obstante não ter sido apresentada a desistência formal do recurso, conforme observou a autoridade preparadora, a formalização do parcelamento em data anterior Fl. 208DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 15983.000306/200611 Acórdão n.º 1302001.291 S1C3T2 Fl. 209 4 ao julgamento do recurso, por si só, importa na desistência do recurso interposto, nos termos do § 3º do art. 78 do RICARF. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos interpostos, com vistas a suprir a omissão verificada, com efeitos modificativos, para não conhecer do recurso voluntário e, por via de consequência, anular o acórdão embargado. Sala das Sessões, em 12 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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Numero do processo: 15374.900030/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thome - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, João Carlos de Figueiredo Neto
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thome Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otavio Oppermann Thome, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregório, Jose Evande Carvalho Araújo, Marcelo Baeta Ippolito, João Carlos de Figueiredo Neto RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) assim ementado, verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 00 03 0/ 20 09 -9 3 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15374.900030/200993 Resolução nº 1102000.219 S1C1T2 Fl. 3 2 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Data do fato gerador: 31/07/2002 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, liquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. Uma vez que não restou comprovado que o pagamento de IRPJ foi efetuado indevidamente ou a maior, concluise que tal pagamento não constitui direito creditório passível de restituição ou compensação, não devendo ser homologada a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Tratase de DCOMP Eletrônica n°39462.85698.270204.1.3.040615, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Crédito — Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ Data de Arrecadação : 31/07/2002 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 487.779,45 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 487.779,45 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 487.779,45 O crédito teria origem no DARF recolhido em 31/07/2002, de IRPJ (código 2362), relativo ao mês de junho/2002, com data de vencimento em 31/07/2002, com valor principal de R$ 745.352,43. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 08, n° de rastreamento 815454305, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 487.779,45. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" Foi informado que o crédito já teria sido utilizado anteriormente para quitação de débito de IRPJ, código 2362, período de apuração 30/06/2002, no valor de R$ 745.352,43. • A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 26/01/2009, conforme consulta, fls. 07. Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 20/02/2009, fls. 10/14, alegando: em 13/08/2002, apresentou DCTF informando débito de estimativa de IRPJ, do mês de junho/2002, no valor de R$ 2.745.352,43, quitando com compensação do valor de R$ 2.000.000,00, e pagamentos de R$ 745.352,43. posteriormente, retificou o débito para R$ 2.257.572,98, mas indicou erradamente o DARF recolhido; em vez de indicar o recolhimento de R$ 745.352,43, indicou o valor de R$ 257.572,98. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15374.900030/200993 Resolução nº 1102000.219 S1C1T2 Fl. 4 3 apresentou DCTF retificadora, onde fez constar todos os valores corretos, tanto em relação ao IRPJ devido na competência de junho, quanto na sua forma de quitação. como houve recolhimento a maior, procedeu à compensação do valor excedente. o despacho decisório deixou de homologar a compensação realizada apenas por ter desconsiderado as retificações efetuadas, e a existência do crédito remanescente do DARF recolhido a maior. a não homologação decorre da inobservância, pela Requerida, de seu dever de oficio de busca da verdade material. a pretensa divida cobrada — relativa ao débito objeto da compensação — decorre do erro da Requerida em deixar de verificar a mudança no valor total do débito informado em DCTF e regularmente extinto. a investigação dos fatos está submetida ao principio inquisitório e sua valoração ao principio da verdade material. as autoridades administrativas devem sempre observar o com seu encargo de prova e dever de investigação, realizandose diligencias necessárias. restando clara a possibilidade de aproveitamento dos referidos créditos tributários, e comprovada a origem e existência de créditos em montante suficiente para tanto, é forçoso reconhecer a validade das compensações. É o relatório.” Por maioria de votos de seus membros, o Colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Após “comentar” que o procedimento adotado pela Contribuinte não teria respaldo legal (pois eventual recolhimento a maior de estimativa de IRPJ não daria direito à compensação de indébito, mas apenas à apuração de saldo negativo no encerramento do respectivo anocalendário) e afastar, de per si, esse argumento para fins de indeferimento da compensação ante os estritos limites da lide, entendeu o acórdão recorrido que a Contribuinte não teria feito prova de seu direito creditório. Segundo o acórdão, não haveria que se falar em afronta à verdade material, já que a RFB teria considerado todas as informações contidas nas declarações apresentadas pela Contribuinte ao Fisco. E conclui: “a 2° DCTF apresentada pelo interessado, referente ao 2° trimestre de 2002 (fls. 29/30), informava que parte do débito de IRPJ, de junho de 2002, teria sido pago através do Darf de R$ 257.572,98 (código 2362, período de apuração de 30/06/2002) que, todavia, não existia. Tanto houve busca da verdade material, que foi verificado que, apesar de não existir um Darf de R$ 257.572,98, existia um Darf de R$ 745.352,43, com o mesmo código de IRPJ (2362), e mesmo período de apuração (30/06/2002), do débito declarado. Ora, se tem um Darf com o mesmo código de IRPJ (2362), e mesmo período de apuração (30/06/2002), do débito declarado, é razoável que tal Darf seja a ele vinculado em primeiro lugar. Se ainda continuou débito em aberto, ai sim, deve ser considerada a compensação efetuada pelo interessado. Portanto, pelo exposto, se o Darf de IRPJ, código 2362, período de apuração de 30/06/2002, no valor de R$ 745.352,43, foi integralmente utilizado para extinguir parte do débito de IRPJ, código 2362, período de apuração de 30/06/2002, inexiste direito creditório oriundo deste Darf para compensação efetuada na Dcomp do presente processo (débito de janeiro/2004 — fl. 06), como bem fundamentado no Despacho Decisório pela autoridade a quo (fl. 08)”. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15374.900030/200993 Resolução nº 1102000.219 S1C1T2 Fl. 5 4 Por sua vez, o voto vencido do acórdão recorrido acolhia a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que não caberia à autoridade administrativa “retificar de ofício” o conteúdo de parte do direito creditório pretendido pela Contribuinte, notadamente o valor da declaração de compensação objeto do PA n. 10320.001950/200262, de R$2.000.000,00 para R$1.510.804,22. Constatou o voto vencido, ainda, que citada “retificação” não era de conhecimento da Contribuinte, por ausência de intimação respectiva, caracterizandose cerceamento do direito de defesa. Verbis: “Considerando os dados que constam nos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatase que, de acordo com a DCTF apresentada em 30/01/2004, fls. 30, (anterior ao despacho decisório ora combatido), o débito do IRPJ do mês de junho2002 seria quitado da seguinte forma: IRPJ 06/2002 Créditos Vinculados R$ Informações constantes na DCTF Pagamento 257.572,98 *Valor principal do pagamento R$ 257.572,98, recolhido em 31/07/2002 Outras Compensações R$2.000.000,00 Processo de Compensação nº. 10320.001950/200262 Débito Apurado: 2.257.572,98 Esta declaração, ao ser processada pelos sistemas da Receita Federal do Brasil, resultou na seguinte forma de quitação do débito em questão, conforme tela do sistema SIEF fls. 64/65, abaixo reproduzida: IRPJ 06/2002 Créditos Vinculados R$ Observação Pagamento 745.352,43 * Valor principal do pagamento R$ 745.352,43, recolhido em 31/07/2002 Pagamento 1.416,33 * Pagamento recolhido em 29/01/2003 Outras Compensações 1.510.804,22 Processo de Compensação no 10320.001950/200262 Débito Apurado 2.257.572,98 Ou seja, em que pese a interessada ter declarado que estaria quitando R$ 2.000.000,00 por meio de compensação, consubstanciada no processo administrativo n° 10320.001950/200262, a Administração, de oficio, retificou este valor para R$ 1.510.804,22. Dai, para liquidação do débito, foi necessário o aproveitamento total do pagamento de R$ 745.352,43, e também do pagamento recolhido em 29/01/2003, no valor principal de R$ 1.146,33. Entretanto, esta retificação reduzindo o valor não tem cabimento. Conforme extrato do processo administrativo n° 10320.001950/200262, constatase que a Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15374.900030/200993 Resolução nº 1102000.219 S1C1T2 Fl. 6 5 compensação no valor de R$ 2.000.000,00 está devidamente registrada nos sistemas da Receita Federal, e que o processo se encontra no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sem decisão administrativa final. (...) Ou seja, de um lado, a Administração recepciona o pedido de compensação utilizando o crédito de IPI para compensar o débito de IRPJ no valor de R$ 2.000.000,00. Entretanto, aproveita para a quitação do mesmo débito apenas R$ 1.510.804,22, prejudicando a interessada. Portanto, considerando as inconsistências nos sistemas da Receita Federal do Brasil, concluo que ha vicio na motivação do Despacho Decisório ora combatido, já que não há razão para quitar parcialmente o débito de IRPJ, uma vez que restou confirmado (sic) a compensação no valor total informado pela interessada. Mas não é só. Considerando a manifestação de inconformidade, e das informações constantes no Despacho Decisório ora combatido, concluo que a redução do valor compensado para R$ 1.510.804,22, não de conhecimento da interessada. Houve, portanto, claro cerceamento ao direito de defesa.” Em sede de recurso voluntário, o Contribuinte alega que (i) o crédito é líquido e certo, bem como que (ii) a despacho decisório feriu aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, na forma aduzida pelo voto vencido do acórdão recorrido. É o relatório. VOTO Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Tratase de despacho eletrônico que não homologou declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, a qual utilizou como crédito o pagamento superior ao devido a título de estimativa de IRPJ apurada no mês de junho de 2002. Inicialmente, a estimativa do referido mês apurada e declarada na DCTF foi de R$ 2.745.352,43, a qual foi quitada mediante compensação de crédito de ressarcimento de IPI no valor de R$ 2.000.000,00 e recolhimento de DARF no valor de R$ 745.352,43. Posteriormente, em 30/01/2004, a Contribuinte retificou a referida DCTF para informar um valor menor de débito de estimativa, no montante de R$ 2.257.572,89. Contudo, informou, equivocadamente, no campo referente ao DARF, que o documento de arrecadação teria sido no valor de R$ 257.572,89 (diferença entre o débito e o valor da compensação) e não de R$ 745.352,43 conforme a declaração originária. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15374.900030/200993 Resolução nº 1102000.219 S1C1T2 Fl. 7 6 Uma vez verificado o equívoco, a Contribuinte retificou novamente a DCTF para informar o valor correto do DARF, alocando ao débito de estimativa de IRPJ do mês de junho de 2002 apenas o montante de R$ 257.572,89; gerando, assim, o pagamento a maior correspondente ao valor da diferença entre R$ 745.352,43 e R$ 257.572,89, utilizado na compensação objeto deste processo (R$ 487.779,45). Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte sustentou que o mero erro de preenchimento da DCTF não teria o condão de prejudicar o alegado direito de crédito, vez que o processo administrativo estaria pautado pela busca da verdade material. O voto vencido do acórdão recorrido verificou que o real motivo da não homologação da compensação pelo Despacho Decisório foi o fato de que teria ocorrido “descabida retificação” do valor da compensação pretendida pela Contribuinte no Processo Administrativo n. 10320.001950/200262. Ao que tudo indica, nada obstante tenha considerado o valor correto do DARF recolhido pela Contribuinte (R$ 745.352,43), a DRF reduziu proporcionalmente o valor da compensação formalizada perante a RFB, por retificação de ofício, sem cientificar a Contribuinte a respeito do fato. (verificar). a referida compensação referente ao crédito de ressarcimento de IPI foi também objeto de despacho decisório, o qual homologou apenas parcialmente o crédito no valor de R$ 1.510.804,22. O sistema da RFB, então, automaticamente, alocou o pagamento a maior para cobrir esta diferença na compensação do crédito de ressarcimento de IPI, ocasionando a não homologação da compensação ora em análise. Estando sumulado por este Conselho o entendimento de que os valores recolhidos pela Contribuinte em montante superior ao devido a título de estimativas de IRPJ em determinado mês é passível de compensação de indébito, o que sequer é objeto dessa controvérsia conforme citado pelo próprio voto vencedor do acórdão recorrido, cingese em saber se a Contribuinte possui (ou não) o direito creditório de R$487.779,45 alegado em sua declaração de compensação. Citado crédito, reiterese, decorre da diferença entre R$2.745.352,43 (DARF mais compensação) e R$2.257.572,89 (estimativas declaradas de junho de 2002). Para tanto, contudo, necessário que seja preliminarmente decidida a existência (ou não) do direito da Contribuinte à compensação pretendida nos autos do PA nº 10320 001950/200262, no valor de R$2.000.000,00. Reconhecido o direito da Contribuinte naquele processo, por decorrência e reflexo, nascerá o alegado indébito de R$487.779,45. Improcedente o direito da Contribuinte, por sua vez, o valor de R$745.352,43 deverá ser integralmente utilizado para quitação da estimativa do mês de junho de 2002, não havendo que se falar no citado indébito, portanto. O processo administrativo em referência encontrase neste Conselho, pendente de exame de recurso voluntário interposto pela Contribuinte, conforme informação colhida no site eletrônico do CARF. Em suma, considerando que se a análise do crédito ora em julgamento depende da decisão final da manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte no PAF nº 10320001.950/200262, proponho a conversão do julgamento em diligência para que seja determinada a baixa desses autos à Delegacia de Origem para que esta aguarde o julgamento definitivo dos recursos interpostos no PA n. 10320001.950/200262, com expressa indicação do reflexo daquele julgamento em relação ao direito creditório objeto desse PA. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 15374.900030/200993 Resolução nº 1102000.219 S1C1T2 Fl. 8 7 Após tais providências, lavrar Relatório de Diligência circunstanciado e dele dar ciência à Contribuinte para sobre ele se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, retornandose os autos a esse Colegiado para ulterior julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012294/2008-20
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que rejeitou a proposta de conversão do julgamento em diligência.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 73 1 72 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.012294/200820 Recurso nº Resolução nº 2801000.292 – Turma Especial / 1ª Turma Especial Data 18 de março de 2014 Assunto IRPF Recorrente ELEONORA MOREIRA LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada que rejeitou a proposta de conversão do julgamento em diligência. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2007, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 11.473,87. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de Despesas Médicas, no valor de R$21.450,00, e dedução indevida de incentivo, no valor de R$150,00. Em sua impugnação, a Contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 12 29 4/ 20 08 -2 0 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012294/200820 Resolução nº 2801000.292 S2TE01 Fl. 74 2 Inicialmente, faz um breve relato dos fatos. Em sede preliminar, diz não concordar com o posicionamento do auditor fiscal posto que os recibos emitidos pelo Dr. Mauri do Carmo Ceolin estão em conformidade como disposto no regulamento do IR. Diz que, ademais, não encontrou em todo o ordenamento jurídico brasileiro, lei que estipule a obrigação de manter conta corrente, tão pouco a obrigação de manter microfilmagens de cheques emitidos anexados aos recibos dos pagamentos que efetua, sejam a que título for, também não encontrou tal orientação no regulamento do IR no concernente às despesas dedutíveis. Com relação ao comprovante da doação efetuada ao projeto de incentivo à cultura, no valor de R$150,00, pagos aos Instituto Cidadania Unimed BH, via lei Rouanet, este devidamente comprovado pela documentação anexa, foi deduzido conforme previsão legal do artigo 12, inciso II e § I o , da Lei n° 9.250/95; artigo 22 da lei n° 9.532/97, artigo 18 e 26 da Lei 8.313/91, com alterações pela Medida Provisória n° 2.2281, artigo 87 inciso II e § I o do Decreto n° 3000/99 RIR/99, estando portanto equivocado o auditor fiscal ao glosar tal dedução. Ressalta que o Termo de Intimação Fiscal de n° 2007/606346276261025 foi devidamente respondido, não podendo ser penalizada. Entende que os serviços que utilizou no ano de 2006 e lançou em sua declaração, a título de dedução de despesas médicas, enquadramse perfeitamente neste fundamento legal. Ressalta que no artigo 8o , parágrafo 2o , alínea "a", III, da Lei 9.250/95, o legislador deixou claro que na falta dos recibos a dedução poderia ser feita através de indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Cita jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. Diz que o auditor desvirtuou seu entendimento ao glosar as referidas despesas odontológicas, pois notase que há previsões legais e jurisprudências favoráveis ao contribuinte. Alega que consta que o Dr. Mauri do Carmo Ceolin fez os recolhimentos do carne leão, o qual comprova que realmente foi prestado o serviço à sua pessoa, e que os valores foram oferecidos a tributação do IR, pelo prestador dos serviços. No mérito diz que os recibos em tela preenchem os requisitos de admissibilidade, pois, cumprem as limitações dispostas no artigo 80, § 1ºº , inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3000/99), essenciais para sua validade. Alega que o Código Civil Brasileiro em seu artigo 320 também tratou desse tema. " . Em relação ao comprovante da doação efetuada ao projeto de incentivo à cultura, no valor de R$150,00, pagos aos Instituto Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012294/200820 Resolução nº 2801000.292 S2TE01 Fl. 75 3 Cidadania Unimed BH, via lei Rouanet, preenche também os requisitos de admissibilidade, e está devidamente comprovado pela documentação anexa, foi deduzido conforme previsão legal do artigo 12, inciso II e § I o , da Lei n° 9.250/95; artigo 22 da lei n° 9.532/97, artigo 18 e 26 da Lei 8.313/91, com alterações pela Medida Provisória n° 2.2281, artigo 87 inciso II e § I o do Decreto n° 3000/99 RIR/99. Conclui que não pode prevalecer o entendimento da delegacia de falta de comprovação do efetivo pagamento, pois sentese injustiçada, primeiro, porque os serviços lhe foram prestados e apresentou os recibos, bem como suas declarações de IR e sua movimentação financeira são condizentes com seus gastos. Segundo, porque jamais foi orientada, seja por esta delegacia da Receita Federal seja pelo ordenamento jurídico, a guardar extratos bancários e microfilmes dos cheques que emite e dos saques que efetua em sua conta corrente. Em relação ao comprovante da doação efetuada ao projeto de incentivo à cultura, foi deduzido conforme previsão legal já citada e glosada sem a observância do auditor fiscal da legislação vigente, tendo em vista que foi entregue uma cópia do comprovante ora citado em oportunidade anterior a esta delegacia. Solicita que os recibos devidamente identificados, datados e assinados, conforme determina o art. 80, § I o , II e III, bem como o recibo de incentivo à cultura, conforme artigo 12, inciso II e I o , da lei 9.250/95; artigo 22 da lei 9.532/97, artigo 18 e 26 da lei 8313/91 com alterações da Medida Provisória 22281, artigo 87 inciso II e § I o , do Decreto n° 3000/99 RIR/99, sejam acatados como documentos idôneos que são, e que sejam seus valores restabelecidos em sua declaração de Imposto de Renda como deduções da base de cálculo do Requer seja acolhida a impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. A 5ª Turma da DRJ/BHE/MG julgou procedente em parte a impugnação para restabelecer a dedução de incentivo. Regularmente cientificada daquele acórdão em 16/01/2012 (fl. 51), a Interessada interpôs recurso voluntário de fls. 53/56, em 17/01/2012 (fl. 71). Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De acordo com a descrição dos fatos constantes da notificação em apreço, às fls. 10/11, a Contribuinte, após ser devidamente intimada, não apresentou os documentos hábeis (p. ex.: cópias de cheques nominais, extratos ou depósitos bancários, ordem de pagamento, entre Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012294/200820 Resolução nº 2801000.292 S2TE01 Fl. 76 4 outros) para comprovar os efetivos pagamentos a Mauri do Carmo Ceolin (CPF 134.858.736 91), cirurgião dentista, no montante de R$21.450,00. Compulsando os autos, não se encontra a intimação que solicitou à Contribuinte a comprovação do efetivo pagamento das referidas despesas médicas. Portanto, face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que se junte ao processo o termo de intimação para comprovação do efetivo pagamento ao profissional Mauri do Carmo Ceolin e o correspondente comprovante de ciência da Contribuinte. Após tais providências, devem os autos retornar a este colegiado para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/03/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10945.902234/2012-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/03/2009
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 34 /2 01 2- 29 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902234/201229 Acórdão n.º 3801003.118 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902234/201229 Acórdão n.º 3801003.118 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902234/201229 Acórdão n.º 3801003.118 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902234/201229 Acórdão n.º 3801003.118 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902234/201229 Acórdão n.º 3801003.118 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902234/201229 Acórdão n.º 3801003.118 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902234/201229 Acórdão n.º 3801003.118 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10880.903131/2011-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. POSSIBILIDADE.
A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Assim, se o contribuinte, na fase recursal, apresenta os respectivos comprovantes de retenção deve ser reconhecido o direito creditório.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 1402-001.596
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito correspondente ao IRRF no montante de R$ 405.535,72.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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REQUISITOS DE DEDUTIBILIDADE DA RETENÇÃO NA FONTE. POSSIBILIDADE. A retenção na fonte sobre rendimentos declarados somente poderá ser compensado na declaração da pessoa jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Assim, se o contribuinte, na fase recursal, apresenta os respectivos comprovantes de retenção deve ser reconhecido o direito creditório. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito correspondente ao IRRF no montante de R$ 405.535,72. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 31 31 /2 01 1- 05 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.903131/201105 Acórdão n.º 1402001.596 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório CONSTRUCOES E COMÉRCIO CAMARGO CORREA S.A, contribuinte inscrita no CNPJ/MF 61.522.512/000102, com domicílio fiscal na cidade do São Paulo, Estado de São Paulo, na Av. Brigadeiro Faria Lima, nº 1.663, 6° andar, Bairro Pinheiro, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 01/08), prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no São Paulo SP recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 177/189. A requerente transmitiu, em 31/07/2007, a Declaração de Compensação nº 02645.69194.310707.1.7.022567 (34695.99896.250906.1.7.029981), cujo crédito referese a saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2003, no valor de R$ 18.197.251,47. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, através do Despacho Decisório (fls. 02/08), apreciou e concluiu, em 14/02/2011, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que o valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 18.197.251,47 Valor na DIPJ: R$ 18.197.251,47 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 32.802.240,25 IRPJ devido: R$ 14.604.988,78; que o valor do saldo negativo disponível= (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero; que o valor do saldo negativo disponível: R$ 3.592.262,69; que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 22416.03887.250906.1.7.020755; que não homologo a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 39026.33150.250906.1.7.020608 13244.07934.250906.1.7.026040 02645.69194.310707.1.7.022567 34283.20852.310707.1.7.029870; que o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/02/2011; que o crédito de saldo negativo foi analisado a partir das informações prestadas em um único PER/DCOMP, aquele identificado como "PER/DCOMP com Fl. 233DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 demonstrativo de crédito". Regra geral tratase do primeiro PER/DCOMP transmitido pelo sujeito passivo informando aproveitamento do saldo negativo do período de apuração; que na análise do crédito, foram verificadas as parcelas de composição do saldo negativo informadas na pasta "Crédito" do PER/DCOMP, tendo por premissa que a soma destas parcelas deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido no período, se houver, e a apuração do saldo negativo; que quando houver divergência entre o valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP e na DIPJ correspondente ao período de apuração do crédito analisado, o reconhecimento do direito creditório está limitado ao menor destes dois valores. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 18/02/2011, conforme Termo constante à fl. 10, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (22/03/2011), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 40/54, instruído pelos documentos de fls. 55/90, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente, importante ressaltar que a requerente apura o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica pelo lucro real, recolhendo tal imposto com base em estimativas mensais. Ao apurar o lucro em 31 de dezembro, a requerente desconta, do IRPJ devido, o montante recolhido, por estimativa, ao longo do ano; que se, ao final das deduções autorizadas, o contribuinte apurar saldo de IRPJ a pagar, o débito deverá ser recolhido no ano seguinte, conforme legislação. Por outro lado, se, após as deduções, o contribuinte apurar saldo negativo de IRPJ, esse valor constituirá um crédito seu, podendo ser compensado a partir do ano seguinte, nos termos do artigo 4º, inciso I c/c artigo 11, AM nº 900/08; que, no caso em tela, os créditos objeto da compensação realizada pela requerente são oriundos de saldo negativo de IRPJ do exercício de 2004, os quais foram compensados com débitos de IRPJ e IRRF dos anos de 2004 a 2006, formalizados nas D Comps apresentadas; que a soma das parcelas de crédito decorrentes de antecipações feitas no anocalendário de 2003 correspondeu ao montante de R$ 32.802.240,25. Conforme informado na Ficha 12 A da DIPJ do anocalendário de 2003, esse crédito decorreu (i) do pagamento de IRRF no montante de R$ 18.197.251,47, referente a retenções sofridas pela requerente, bem como (ii) do pagamento de estimativas mensais de IRPJ no montante de R$ 14.604.988,78; que, assim, considerando que ao final do anocalendário de 2003 o IRPJ efetivamente devido correspondeu ao valor de R$ 14.604.988,78, a requerente apurou o total de R$ 18.197.251,47, como saldo negativo de IRPJ no ano (crédito); que no que interessa à presente importante ressaltar que, ao analisar a validade das parcelas de composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003, as D.D. Autoridades Fiscais confirmaram apenas a existência de crédito decorrente de IRPJ no montante de R$ 18.197.251,47; que, em vista disso, considerando que o IRPJ efetivamente devido correspondeu ao valor de R$ 14.604.988,78, as autoridades fiscais apuraram que a requerente teria como disponível para utilização em compensações, a título de saldo negativo de IRPJ, apenas o montante de R$ 3.592.262,69. Foi constatada, portanto, uma diferença de R$ Fl. 234DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.903131/201105 Acórdão n.º 1402001.596 S1C4T2 Fl. 4 5 14.604.988,78, cuja necessidade de validação pelas autoridades fiscais é objeto da presente manifestação de inconformidade; que essa diferença de R$ 14.604.988,78 não confirmada decorre de equívocos cometidos pela requerente no preenchimento de seus documentos fiscais; que quando da transmissão da DIPJ de 2004, a Requerente, ao preencher a Ficha 12A, informou corretamente o montante do IRPJ devido e quais parcelas deram origem ao saldo negativo apurado. Neste sentido, foi devidamente informado que os saldo negativo decorreu (i) do pagamento do IRRF no montante de R$ 18.197.251,47, referente a retenções sofridas pela Requerente, bem como (ii) do pagamento de estimativas mensais de IRPJ (por meio da dedução de valores de IRPJ referentes a retenções sofridas pela Requerente) no montante de R$ 14.604.988,78; que, ocorre que, ao preencher sua DCOMP nº 34695.99896.250906.1.7.02 9981 (doc nº 9), retificadora na DCOMP nº 06355.78115.070704.1.3.021974 (doc. nº 10), a requerente cometeu equívoco por ter deixado de informar os pagamentos mensais por estimativa, no montante de R$ 14.604.988,78, efetuados por meio de dedução do IRRF decorrente de retenções sofridas pela requerente; que, na realidade, a requerente cometeu um equívoco muito comum entre os contribuintes: qual seja, informar em sua DCOMP apenas os valores de IRRF que, somados, atingiriam o valor exato do saldo negativo (crédito) que seriam utilizado em futuras compensações. Não foram informadas as parcelas do crédito que já tinham sido utilizadas para extinguir o IRPJ devido durante o anocalendário de 2003; que como demonstrado anteriormente, muito embora a Recorrente tenha apurado crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ no montante de 18.197.251,47, o r. despacho decisório proferido reconheceu um crédito de apenas R$ 3. 592.262,69. Em vista disso, a maior parte das compensações pretendidas pela Recorrente não foi homologada; que, assim, resta devidamente demonstrado que, após a retificação de ofício dos equívocos cometidos pala Requerente, deverá ser integralmente reconhecido o total de crédito de IRPJ decorrente de saldo negativo apurado na DIPJ 2004, no montante de 18.197.251,47, para integral homologação das compensações declaradas; que, ainda que, por absurda, se admitisse a manutenção da exação em questão, certamente a não homologação das compensações pretendidas pela D. Fiscalização não poderia ser acompanhada da cobrança de multa e juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objetos do processo administrativos n° 10880.903131/201105 e desdobramentos; que, dessa forma, não obstante a posição sumulada pelo antigo E.Primeiro Conselho de Contribuintes, dada a real possibilidade de a Taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários, a Requerente contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no cômputo de qualquer débito decorrente da discussão travada nesses autos. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 28/03/2008, a 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – Fl. 235DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 SP autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente à manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 277/282): que a matéria em questão cingese à manifestação de inconformidade do contribuinte, em face da homologação parcial da compensação declarada nos PER/DCOMP vinculados ao saldo negativo de IRPJ, apurado na DIPJ/2004, por insuficiência de crédito; que, de início, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos; que, no caso, por se tratar de crédito apurado em declaração de rendimentos (saldo negativo), o processamento comparou o valor indicado no PER/DCOMP com as informações constantes na DIPJ correspondente; que o procedimento em tela constatou que as parcelas relativas ao pagamento do IRPJ (IRRF) indicadas pelo contribuinte na DCOMP (R$ 18.197.251,47) não coincidiam com o demonstrativo das parcelas de credito indicadas na DIPJ/2004 (R$ 32.802.240,25); que o crédito pretendido corresponde ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2003, o qual, na DCOMP analisada foi informado no montante de R$ 18.197.251,47 sem a correta indicação da sua formação (estimativas e IRRF); que diante do erro cometido pelo contribuinte na indicação da formação do crédito utilizado na compensação declarada cabe a análise da DIPJ/2004. Neste ponto cumpre assinalar que a presente análise restringese à verificação da consistência do crédito informado na DIPJ mediante confronto das informações prestadas pelo contribuinte na citada declaração (IRRF e pagamentos efetuados) com os dados disponíveis nos sistemas de processamento da Receita Federal do Brasil RFB (SIEF/PAGAMENTOS e SIEF/DIRF); que o contribuinte relacionou na Ficha 53 da DIPJ/2004, IRRF no montante de R$ 33.261.674,50 (fls. 74 a 79). O confronto das informações em tela com as DIRF(s) apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos (fls. 94 a 147), não confirmou as retenções no valor de R$ 407.197,72; que tal comprovante é fornecido obrigatoriamente pelas fontes pagadoras, de acordo com o que preceitua o art. 942 do RIR/1999, reproduzido a seguir, devendo obedecer ao modelo de formulário instituído pela SRF, a teor do caput do acima transcrito art. 943 do RIR/1999; que, no caso, a interessada não anexou aos autos os respectivos comprovantes de retenção. Assim o valor não confirmado na DIRF (R$ 407.197,72), não pode ser validado; que observase ainda, que o contribuinte descontou do IRRF relacionado na Ficha 53 (R$ 33.261.674,50), o montante de R$ 459.434,25 correspondente ao IRRF cód. 5706 (JCP), utilizado na DCOMP nº 05434.76821.080703.1.3.064497 (fl. 149); que no tocante à exigência da multa e juros moratórios sobre os débitos não homologados, vale lembrar, que nos termos do artigo 74, § 2º da Lei nº 9.430/1996, “A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”. Ou seja, a RFB pode no prazo estabelecido no § 5º da norma em comento (cinco anos), verificar se o crédito utilizado pelo contribuinte goza dos atributos de liquidez e certeza; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.903131/201105 Acórdão n.º 1402001.596 S1C4T2 Fl. 5 7 que o crédito não é confirmado, o pagamento deixa de existir, de forma que o débito correspondente deve ser exigido com os acréscimos legais previstos no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996; que quanto à argüição de ilegalidade da aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros moratórios, importa observar que a apreciação das autoridades administrativas limitase às questões de sua competência, estando fora de seu alcance o debate sobre aspectos da constitucionalidade ou da legalidade da legislação. Deveras, o controle da constitucionalidade das normas é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal art. 102, I, “a”, III da CF de 1988; que enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelos órgãos competentes do Poder Judiciário e não é expungida do sistema normativo, tem presunção de validade, presunção esta que é vinculante para a administração pública. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos jurisdicionais, de forma original, reconhecer alegação de inconstitucionalidade de disposições que fundamentam o lançamento, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicála ao caso concreto. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:2003 Ementa: DCOMP SALDO NEGATIVO. Reconhecese o direito de utilização do saldo negativo de IRPJ não confirmado na análise da DCOMP em decorrência de erro de preenchimento da DCOMP. O imposto de renda retido na fonte somente pode ser utilizado para compensação se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 07/01/2013, conforme Termo constante à fl. 218, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (28/01/2013), o recurso voluntário de fls. 177/189, instruído pelos documentos de fls. 190/216, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que dos motivos determinantes para a reforma parcial do V. Acórdão recorrido e a comprovação da retenção do IRRF de parte do valor de saldo negativo não reconhecido. Portanto, a DD. Autoridade Fiscais, por meio do V. Acórdão n° 1641437, reconheceram um saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2003 no valor de R$ 17.790.053,75 e, por conseqüência homologaram (i) integralmente as compensações efetuadas pela Recorrente; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 que, dessa forma, sendo certo que os anexos informes de rendimento comprovam a quase totalidade das retenções de fonte que não foram consideradas pelas DD. Autoridade Fiscais, resta evidente a necessidade de se reformar parcialmente o V. Acórdão n°1641.437, para que seja revisto o saldo negativo do anocalendário 2003 e, pois, o crédito a que faz jus a ora Recorrente, para o fim de homologação das declarações de compensação apresentadas, no limite de crédito efetivamente comprovado, em respeito ao princípio da verdade real que rege o processo administrativo fiscal; que a indevida exigência de multa e de juros, ou seja, a impossibilidade de aplicação de multa e de juros moratórios. Sendo assim, ainda que, por absurdo, se admitisse a manutenção da exação em questão, certamente a não homologação das compensações pretendida pelas DD. Autoridades Fiscais não poderia ser acompanhada suspensão da exigibilidade dos créditos tributários objeto do processo administrativo n° 10880.903131/2011 05 e seus desdobramentos; que se algum valor fosse devido a título de multa ou juros de mora, o que se admite apenas para fins de argumentação, tendo em vista que a Recorrente, ao proceder com as compensações em questão, observou todas as normas e os atos normativos expedidos pelas DD. Autoridades Administrativas, de acordo com o artigo 100, inciso I e parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”; que a indevida aplicação da taxa SELIC sobre os juros, neste sentido, no que se refere aos juros de mora, cabe lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa SELIC aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários; que não obstante a posição sumulada pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e tendo em vista a real possibilidade de a taxa SELIC vir a ser considerada inconstitucional para fins tributários pelo Poder Judiciário, a Recorrente contesta sua aplicação e requer sua desconsideração no computo do crédito tributário principal; que a impossibilidade de incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício, neste sentido, ainda que os juros de mora incidam apenas sobre o valor dos tributos lançados, a Recorrente, para assegurar que diante de um futuro resultado desfavorável a atualização do débito não será feita com a incidência de juros pela taxa SELIC sobre a multa aplicada; que dessa forma, resta evidente a impossibilidade de cobrança de juros à taxa SELIC sobre a multa aplicada no presente caso. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.903131/201105 Acórdão n.º 1402001.596 S1C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos autos, constatase que pretenso crédito utilizado para fins de compensação teve sua origem a partir de saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, apurado no ano calendário 2003, exercício 2004, no montante de R$ 18.197.251,47, de acordo com informações especificadas na Declaração de Compensação nº 02645.69194.310707.1.7.022567 (34695.99896.250906.1.7.029981). Constatase, ainda, que em conformidade com o Parecer DERAT SP (fls. 02/08), que foi reconhecido parcialmente o direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2003, exercício 2004, no valor de R$ 3.592.262,69, bem como não foram homologadas as compensações no valor de R$ 14.604.988,78. Inconformada com a decisão da autoridade administrativa jurisdicionada a contribuinte apresenta a sua Manifestação de Inconformidade para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP a qual decide em acolher, em parte, a manifestação sob o argumento de que a interessada comprovou de forma parcial as respectivas retenções no valor de R$ 17.790.053,75, deixando de homologar R$ 407.197,72 sob o argumento de que a interessada relacionou na Ficha 53 da DIPJ/2004, IRRF no montante de R$ 33.261.674,50 (fls. 74 a 79). O confronto das informações em tela com as DIRF(s) apresentadas pelas fontes pagadoras dos rendimentos (fls. 94 a 147), não confirmou as retenções relacionadas a seguir: CNPJ Cód. Rendimento IRRF 02.285.000/000100 1708 110.800,00 1.662,00 03.384.738/000198 6800 1.791.244,85 358.248,87 33.066.408/000115 3426 28.550,61 5.710,09 33.066.408/000115 3426 31.742,75 6.348,43 33.700.394/000140 6800 276,72 55,34 60.746.948/000112 3426 175.864,96 35.172,99 TOTAL 407.197,72 Irresignada com a decisão de Primeira Instância a contribuinte apresenta a sua peça recursal para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais alegando, em apertada síntese, que a homologação parcial da DCOMP nº 34283.20852.310707.1.7.029870 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 decorre do entendimento das autoridades fiscais de que o crédito a que a recorrente tem direito, proveniente do anocalendário 2003, é de R$ 17.790.053,75 e não R$ 18.197.251,47 como inicialmente apurado pela recorrente. Isto porque em razão da não comprovação de retenções de fontes sofridas no anocalendário de 2003 de valor equivalente a R$ 407.197,72, ensejou a revisão do saldo negativo do anocalendário de 2003, com a conseqüente redução do crédito passível de utilização nas compensações declaradas às autoridades fiscais. Diante disso, para assegurar a procedência de seu direito e obter a homologação de suas compensações declaradas às autoridades fiscais, a recorrente pede vênia para juntar ao presente processo administrativo os informes de rendimentos (docs. nºs 3 a 7, que atestam a retenção na fonte da quase totalidade dos R$ 407.197,72 não reconhecido nestes autos. Para facilitar a visualização dos documentos, confirase na tabela abaixo a indicação de cada informe de rendimento relacionado a cada um dos documentos ora juntados: CNPJ Cód. Rendimento IRRF Informe de Rendimento 02.285.000/000100 1708 110.800,00 1.662,00 Não localizado 03.384.738/000198 6800 1.791.244,85 358.248,87 Doc. nº 3 33.066.408/000115 3426 28.550,61 5.710,09 Doc. nº 4 33.066.408/000115 3426 31.742,75 6.348,43 Doc. nº 5 33.700.394/000140 6800 276,72 55,34 Doc. nº 6 60.746.948/000112 3426 175.864,96 35.172,99 Doc. nº 7 TOTAL 407.197,72 TOTAL A SER RECONHECIDO 405.535,72 É importante ressaltar que a decisão de primeira instância deixou de homologar a totalidade das compensações sob o argumento de que, no caso em questão, a interessada não anexou aos autos os respectivos comprovantes de retenção. Assim o valor não confirmado na DIRF (R$ 407.197,72), não pode ser validado. Como visto, a discussão versa, tãosomente, sobre a não homologação da retenção de fonte no valor de R$ 407.197,72 em razão da falta de apresentação dos comprovantes de retenção. Assim sendo, o ponto central da discussão nestes autos é a exigência de comprovação da retenção do imposto de renda na fonte, que gerou saldo negativo de IRPJ. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) da recorrente, no ano de 2003, correspondente ao exercício de 2004, estava submetido à modalidade de lançamento por homologação, em que cabe ao sujeito passivo realizar todos os procedimentos de apuração, formalização e liquidação das obrigações tributárias, principais e acessórias. Não há dúvidas de que nessa modalidade de lançamento, cabe ao Fisco exercer o controle da legalidade do ato praticado (ou mesmo omitido) pelo contribuinte, a fim Fl. 240DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10880.903131/201105 Acórdão n.º 1402001.596 S1C4T2 Fl. 7 11 de determinar se foram obedecidas as diretrizes que determinam a apuração correta do resultado tributável do exercício. O controle de legalidade envolve a averiguação, entre outras coisas, do cômputo correto e adequado das receitas tributáveis, das despesas incorridas e do resultado final do exercício. Caso o Fisco detecte qualquer divergência na apuração do resultado tributável, a menor ou mesmo a maior que o correto, tem o dever de exigir que o contribuinte faça as correções necessárias. Se for o caso, deve providenciar o lançamento de ofício do imposto que eventualmente não foi apurado ou recolhido corretamente. Assim como o contribuinte está sujeito a datas e procedimentos determinados para realizar a tarefa prevista em lei, o Fisco também está sujeito a prazos e procedimentos para verificar se o contribuinte cumpriu o que a lei determina. Resta claro, que o Código Tributário Nacional se refere ao lançamento por homologação como a “atividade” exercida pelo contribuinte, que é realizada quando o objeto da “atividade” é um tributo que deve ser apurado e recolhido pelo próprio contribuinte, caso do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Realizada a atividade, compete à autoridade fazendária “homologar” o procedimento, dandoo por bom, quando o seja, ou refazendoo através de correções ou de lançamento de ofício. Assim, o prazo de homologação previsto no Código Tributário Nacional diz respeito ao pagamento, que corresponde, pois, a uma forma de extinção do vínculo obrigacional entre o Estado (como sujeito ativo de um direito) e o particular (como sujeito passivo). Na fase recursal, com a apresentação dos documentos de fls. 205/216, a recorrente atendeu as determinações legais existentes. Verificase que a mesma apresentou os Comprovantes de Rendimentos e de Retenção na Fonte sobre o valor de R$ 405.535,72, em cumprimento ao exigido pelo artigo 815 do Decreto 3.000/99 (RIR/99). Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito correspondente ao IRRF no montante de R$ 405.535,72. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 241DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 15/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10882.002367/2003-94
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
Ementa:
COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS LACÔNICA. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Há nulidade processual ab initio se a descrição dos fatos constante da autuação é lacônica, de forma a cercear o direito de defesa do sujeito passivo, e comprometer a sequência dos atos processuais, que acabam por tomar rumo diverso daquele referente à análise da conduta que se pretendeu imputar na autuação (proc. jud. de outro CNPJ).
Numero da decisão: 3403-002.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998 Ementa: COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS LACÔNICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Há nulidade processual ab initio se a descrição dos fatos constante da autuação é lacônica, de forma a cercear o direito de defesa do sujeito passivo, e comprometer a sequência dos atos processuais, que acabam por tomar rumo diverso daquele referente à análise da conduta que se pretendeu imputar na autuação (proc. jud. de outro CNPJ).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 Ementa: COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS LACÔNICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Há nulidade processual ab initio se a descrição dos fatos constante da autuação é lacônica, de forma a cercear o direito de defesa do sujeito passivo, e comprometer a sequência dos atos processuais, que acabam por tomar rumo diverso daquele referente à análise da conduta que se pretendeu imputar na autuação (“proc. jud. de outro CNPJ”). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo “ab initio”. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 23 67 /2 00 3- 94 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração Eletrônico (fls. 92 a 100 com ciência em 01/07/2003 fl. 136)1, para exigência de COFINS, no valor de R$ 219.386,39 (a título de principal), em decorrência de auditoria interna em DCTF referente aos quatro trimestres de 1998, na qual se apurou “falta de recolhimento ou pagamento do principal” . Nos Demonstrativos de fls. 94 a 97, informase o valor individualizado dos débitos, registrada a seguinte ocorrência, referente ao processo no 94.00167490: “Proc. jud. de outro CNPJ”. Na impugnação de fls. 76 a 84, a empresa sustenta que: (a) os débitos estão com exigibilidade suspensa em face da ação ordinária no 94.00181175 e da medida cautelar no 94.00167490, nas quais se questiona a constitucionalidade da inclusão de tributos na base de cálculo da COFINS, e que constitui exatamente o objeto da contribuição aqui exigida; (b) o valor cobrado é exatamente o depositado, conforme se infere das guias acostadas à impugnação; (c) ao contribuinte é facultado depositar judicialmente os tributos, pelo art. 151, II do CTN, impedindo a cobrança do principal e dos encargos exigidos na autuação; (d) as ações ainda tramitam perante o Poder Judiciário; (e) diante dos depósitos incumbe à Receita Federal tão somente a verificação de eventuais diferenças; (f) houve decadência em relação aos débitos, que são de 1998, cf. art. 150 § 4o do CTN; o ICMS não faz parte da base de cálculo da COFINS, por não integrar o faturamento. Seguem em anexo cópia da petição na cautelar às fls. 104 a 120, tendo sido deferido liminarmente o pagamento da contribuição sem a inclusão de quaisquer tributos na base de cálculo, e o depósito judicial da diferença (fl. 122), e cópias das guias de depósito (fls. 123 a 134). Às fls. 141 a 143 seguem planilhas demonstrativas dos valores depositados em contas judiciais, emitida pela CEF, em atendendo a Ofício da Receita Federal.. Em 16/10/2012, a DRJ julga a impugnação parcialmente procedente (fls. 161 a 169), excluindo da autuação a multa de ofício, em virtude da existência de depósitos judiciais nos montantes integrais. No mais, rechaça a alegação de decadência (em virtude de ser a DCTF confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito) e, na matéria questionada também em juízo, reconhece a concomitância, e que esta obsta a apreciação administrativa, mas não o lançamento, ato vinculado. Cientificada da decisão da DRJ em 09/11/2012 (AR à fl. 174), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 28/11/2012 (fls. 175 a 191), no qual basicamente reitera a argumentação exposta em sua impugnação, endossando que “nem mesmo em procedência parcial da cobrança há de se falar, pois, a propositura pela recorrente de medida judicial, acompanhada do depósito do tributo obsta a lavratura de Auto de Infração para constituição do crédito tributário, mesmo que a autoridade autuante deixe expressamente consignado que a exigibilidade está suspensa”. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10882.002367/200394 Acórdão n.º 3403002.729 S3C4T3 Fl. 195 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. É de se reconhecer, preliminarmente, que grande parte da matéria versada tanto na decisão da DRJ quanto na argumentação em sede de recurso voluntário decorre da dificuldade em interpretar o que se quis atribuir ao sujeito passivo na autuação. Na primeira folha da autuação eletrônica (fl. 92), qualificase o sujeito passivo, Pincéis Tigre S.A., CNPJ no 61.182.606/000180, e detalhamse as DCTF em análise (referentes aos quatro trimestres de 1998), indicandose que “a descrição dos fatos que originaram o presente Auto de Infração e os respectivos enquadramentos legais encontramse em folha(s) de continuação anexa” (sic). Na folha anexa (fl. 93), é trazida a descrição dos fatos da autuação, que é integralmente transcrita abaixo: “O presente Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminada(s) no quadro 3 (três), conforme IN SRF nº 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no “Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF” (Anexos Ia ou Ib), e/ou “Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento” (Anexos IIa ou IIb), e/ou no “Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar” (Anexo III) e/ou no “Demonstrativo da Multa e/ou Juros a Pagar – Não Pagos ou Pagos a Menor” (Anexo IV). Para efetuar o pagamento da(s) diferença(s) apurada(s) em Auditoria Interna, objeto deste Auto de Infração, o contribuinte deve consultar as “Instruções de Pagamento” (Anexo V).” No Anexo I (fls. 94 a 97), figuram nas colunas relativas a ocorrências (que parecem referirse à irregularidade detectada pelo fisco) a expressão “Proc. jud. de outro CNPJ”, informandose, respectivamente, os “valores não confirmados” por mês, acrescidos de multa de ofício (apesar de a própria autuação indicar crédito com “exigibilidade suspensa” na coluna crédito...não confirmado) e juros de mora, e trazendo o número do processo pretensamente de outro CNPJ (94.00167940). O caráter lacônico da autuação passa a constituir obstáculo tão profundo à defesa que deturpa a matéria discutida nos autos. Vejase que a decisão da DRJ, ao mesmo tempo em que reconhece ser descabida a multa de ofício, mantém a autuação por ser o lançamento ato vinculado e obrigatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Ocorre que não foi este o fundamento da autuação, mas sim a existência de “Proc. jud. de outro CNPJ” (entre os inúmeros “e/ou” constantes da descrição dos fatos, impressionantemente genérica). Resta claro, a nosso ver, o prejuízo à defesa da recorrente (afrontando os comandos dos arts. 10, III, e 59, II do Decreto no 70.235/1972), prejuízo esse que não se inaugura no julgado de primeira instância, mas no início do contencioso, porque a autuação, da forma em que foi levada a cabo, além de não permitir um efetivo contraditório, poluiu toda a sequência do processo, no qual acabou por se discutir matéria alheia à originalmente imputada pelo autuante. É de se destacar que o número da ação indicada na autuação corresponde exatamente à medida cautelar da recorrente, e que o CNPJ informado na petição inicial da medida, juntada aos autos (fl. 104), é igual ao que consta na autuação. Não parece, assim, haver nenhum indício de que o processo judicial seja de outro CNPJ (apesar de essa matéria sequer ter sido discutida ao longo do contencioso). Resta então anular o processo desde seu início (autuação), por cerceamento do direito de defesa, na mesma linha adotada recentemente por esta turma: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCRIÇÃO DOS FATOS LACÔNICA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Há nulidade processual ab initio se a descrição dos fatos constante da autuação é lacônica, de forma a cercear o direito de defesa do sujeito passivo, e comprometer a sequência dos atos processuais, que acabam por tomar rumo diverso daquele referente à análise da conduta que se pretendeu imputar na autuação (proc. jud. de outro CNPJ).” (Acórdão n. 3403002.258, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24.abr.2013) Diante do exposto, voto no sentido de anular o presente processo ab initio. Rosaldo Trevisan Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 18/02/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10882.003035/2003-27
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 1999
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 9101-001.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer o recurso. Vencidos os Conselheiros Joao Carlos de Lima Junior (Relator), Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o vencedor o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valaddo. No mérito, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso.
(Documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente
(Documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator
(Documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Redator designado
Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, VIVIANE VIDAL WAGNER (Suplente Convocada), KAREM JUREIDINI DIAS, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, SUSY GOMES HOFFMANN (Vice-Presidente).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer o recurso. Vencidos os Conselheiros Joao Carlos de Lima Junior (Relator), Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri e Susy Gomes Hoffmann. Designado para redigir o vencedor o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valaddo. No mérito, por unanimidade dos votos, em negar provimento ao recurso. (Documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator (Documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Redator designado Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO (Presidente), MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, JOSÉ RICARDO DA SILVA, VIVIANE VIDAL WAGNER (Suplente Convocada), KAREM JUREIDINI DIAS, VALMAR FONSECA DE MENEZES, VALMIR SANDRI, JORGE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 30 35 /2 00 3- 27 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 CELSO FREIRE DA SILVA, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR, SUSY GOMES HOFFMANN (VicePresidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 102/110) interposto pelo Contribuinte, com fundamento no artigo 5° da Portaria MF n.° 55, de 16.03.1998 e 7° e seguintes do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes. Insurgiuse o Recorrente contra o acórdão nº 30236.891 proferido pelos membros da Segunda Câmara, do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, os quais, por unanimidade de votos, negaram provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a multa de mora aplicada em razão da entrega a destempo da DCTF, por entenderem inaplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea. O acórdão recorrido foi assim ementado: “DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não aproveita àquele que incide em mora com a obrigação acessória de entregar as suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, portanto é devida a multa. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. MULTA DE MORA. VEDAÇÃO DE CONFISCO. Previstos na lei vários critérios possíveis de serem adotados para a cobrança da multa de mora por atraso na entrega da DCTF, e sendo erigido o critério mais benéfico ao contribuinte, não procede a alegação de confisco, ao argumento de inconstitucionalidade da lei.” O Contribuinte, em sede de Recurso Especial, afirmou que o entendimento consignado no acórdão recorrido diverge da jurisprudência deste Conselho. Em suas razões recursais sustentou que o artigo 138 do CTN, que prevê o instituto da denúncia espontânea, se aplica aos casos em que a DCTF é entregue a destempo, mas antes do início de qualquer procedimento fiscal. Trouxe como paradigma os acórdãos nº 20303.290 (Terceira Câmara, Segundo Conselho de Contribuintes) e nº 20171.060 (Primeira Turma, Segundo Conselho de Contribuintes): “DCTF DENÚNCIA ESPONTÂNEA Aplicabilidade do art. 138 do CTN. Dispensa da multa.” (20303.290) “DCTF ENTREGA A DESTEMPO Denúncia espontânea exclui a responsabilidade pela infringência (art. 138 do CTN).” (20171.060) Por fim, pugnou pela reforma do acórdão recorrido para que, reconhecida a aplicabilidade da denúncia espontânea ao caso, seja afastada a multa de mora. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.003035/200327 Acórdão n.º 9101001.857 CSRFT1 Fl. 167 3 Em sede de exame de admissibilidade (fls.128/131) foi dado seguimento ao Recurso. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões e afirmou que: (i) no caso não se verifica o pressuposto lógico da denúncia espontânea que é a declaração de fato desconhecido pela autoridade, já que o atraso se torna conhecido pelo simples decurso do prazo fixado para a entrega da declaração e (ii) a denúncia espontânea não alcança as obrigações acessórias autônomas, sem nenhum vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Por fim, pugnou pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator Trata o presente processo de auto de infração para imposição de multa em razão de atraso na entrega das declarações DCTF referentes ao 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 1999. A matéria em debate foi sumulada (súmula CARF 49) em sessão realizada na data de 29/11/2010. Nesse passo, se faz importante observar o que dispõe o artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria de nº 256, de 22 de junho de 2009: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF: (...) § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. (...)” Do exposto, resta clara a existência de vedação expressa quanto à possibilidade de interposição de Recurso Especial contra decisão que trata de matéria sumulada pelo CARF. É o que ocorre no presente caso, razão pela qual não conheço o Recurso Especial. Ocorre que, em que pese o entendimento aqui exposto, o recurso em análise, por maioria de votos, foi conhecido. A súmula 49 do CARF assim dispõe: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Desse modo, no mérito, tendo em vista o entendimento já pacificado neste Conselho e seguindo o disposto na súmula transcrita, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Voto Vencedor Marcos Aurélio Pereira Valadão – Redator Designado Ouso divergir do relator no que tange ao conhecimento da matéria em virtude da aplicação do princípio tempus regit actum. Isto porque o recurso especial em discussão foi interposto tempestivamente em 04/04/2007. Ocorre que a Súmula CARF n. 49, que impediria seu conhecimento, segundo o I. Relator, com base no art. 7o do antigo regimento da CSRF (art. 67, § 2o do Regimento do RICARFAnexo II, atualmente em vigor), data de 29/11/2010, portanto, posterior à interposição do recurso especial em debate. Ou seja, quando o recurso foi apresentado a Súmula CARF n. 49 não existia, em consequência, o recurso especial preenchia todos os requisitos de admissibilidade, pelo foi efetivamente admitido à época. Assim, entendo que não podemos rever a admissibilidade em vista de Súmula superveniente, pois tempus regit actum. Isto posto, conheço do recurso especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Redator Designado Fl. 158DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/0 4/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10580.900483/2008-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
Ementa:
Não são acolhidos os embargos interpostos quando não constatadas a omissão e obscuridade alegada
Numero da decisão: 1802-001.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Nunes Castilho - Conselheiro.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Conselheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 04 83 /2 00 8- 80 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte BigBurguer Salvador Lanchonetes Ltda, ora Embargante, contra Acórdão no. 1802001.561, da 2ª Turma Especial, datado de 05/03/2013, que não conheceu do recurso voluntário por intempestividade. A Embargante entendeu haver omissão e obscuridade no referido acórdão, trazendo as seguintes argumentações: Afirmou o Ilustre Relator que a ciência do acórdão proferido pela DRJ ocorreu na data de 31/10/2011. Ocorre que o ora Embargante somente tomou conhecimento da referida decisão na data de 1º de novembro de 2011, haja vista que a intimação acerca do referido acórdão não foi feita de forma pessoal; O aviso de recebimento foi assinado por pessoa diversa do Embargante. Nesse contexto, é de bom alvitre registrar que o Embargante tem sua sede em um condomínio de Centro Empresarial e que algum empregado do mesmo, pode eventualmente ter dado uma suposta ciência, sem contudo ter nenhuma representatividade ou vínculo com o Embargante. Cabe registrar que tal pessoa (que sequer encontrase devidamente identificada nos presentes autos), além de carecer de legitimidade para receber a intimação pelo ora Embargante, sequer informou ao mesmo acerca da ocorrência da intimação ou do recebimento de qualquer documento, razão pela qual deve a suposta intimação realizada no dia 31/10/2011 ser declarada nula; Vale salientar que o Embargante é cumpridor rigoroso de suas obrigações fiscais e pelo lapso temporal de apenas 1 (um) dia, acusado pelo relator para caracterizar a intempestividade do recurso voluntário, ou para parametrizar o dia do conhecimento pelo Embargante, demonstra de forma inequívoca a necessidade de ser apreciado o recurso voluntário, até porque não houve a citação pessoal do seu representante legal e além disto o local da sede do Embargante, em um Centro Empresarial, catalisa potencialmente e demonstra que o conhecimento apenas ocorreu no dia 01/11/2011, dia efetivo do conhecimento e recebimento da decisão da DRJ Apesar de a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento, não ter conhecido o Recurso Voluntário anteriormente apresentado, Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.900483/200880 Acórdão n.º 1802001.875 S1TE02 Fl. 257 3 sob o argumento de que a citação via postal foi realizada regularmente, é pacífico o entendimento da jurisprudência no sentido de que a intimação não tem qualquer validade quando, por exemplo, recebida por funcionário de condomínio no qual se encontra estabelecido o contribuinte; Cita decisões no sentido de suas alegações; Assim, eivada de obscuridade a presente demanda já que, comprovado o protocolo do Recurso Voluntário em tempo hábil, considerando ainda o direito constitucional do Embargante em promover sua defesa, não há pó que se falar em intempestividade e muito menos em não conhecimento do recurso; Desta forma, restando esclarecido que o ora Embargante tomou conhecimento apenas na data de 01/11/2011, iniciase o prazo em 03/11/2011, já que no dia 02/11/2011 é feriado nacional, tendo portanto o prazo para impetrar o recurso até dia 02/12/2011, sendo portanto imperioso o conhecimento do Recurso Voluntário, já que o mesmo foi impetrado em 01/12/2011, dentro do prazo legal E, finaliza: Diante do exposto, confirmada a existência de omissão e obscuridade no v. acórdão recorrido, data máxima vênia, e sendo elas suficientes a modificar o julgado, pelo conhecimento e julgamento do Recurso Voluntário, por estas razões, confia o Embargante que os presentes Embargos sejam conhecidos e providos para modificar a decisão recorrida. Para melhor esclarecimento da matéria, transcrevo abaixo as razões do acórdão embargado: Intempestividade Inicialmente cumpre analisar a tempestividade do presente recurso. Conforme aviso de recebimento e informações de fl. 160, a Recorrente tomou ciência do acórdão recorrido em 31 de outubro de 2011. De acordo com o art. 33, caput, do Decreto n. 70.235, de 06/03/1972, cabe recurso voluntário da decisão em primeira instância dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Assim, tendo a ciência da decisão datada de 31/10/2011, a contagem do prazo de 30 dias para oferecimento de recurso voluntário, iniciouse em 01/11/2011, tendo como prazo fatal dia 30/11/2011. O recurso voluntário foi protocolado em 01/12/2011, ou seja, fora do prazo previsto na legislação. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 4 Diante de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão combatida. A ementa do Acórdão no. 1802001.561, da 2ª Turma Especial, datado de 05/03/2013, está assim transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Ementa: Consoante a redação do art. 33 do Decreto 70.235/1972, o prazo para a interposição do Recurso Voluntário por parte do contribuinte é de 30 (trinta) dias, contados da intimação da decisão de primeira instância. Não exercido o direito de defesa no prazo legal, o recurso carece de requisitos para sua admissibilidade Assim, ante as razões acima transcritas, por entender a existência de omissão e obscuridade no acórdão recorrido e, sendo elas suficientes a modificar o julgado, pelo conhecimento e julgamento do Recurso Voluntário, foram opostos os presentes embargos para que os mesmos sejam conhecidos e providos para modificar a decisão recorrida. Voto Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o cerne da questão está calcado no fato de que, embora o aviso de recebimento da decisão da DRJ esteja datado de 31/10/2011, a Embargante teria tomado conhecimento da referida decisão apenas na data de 1º de novembro de 2011, haja vista que a intimação acerca do referido acórdão não foi feita de forma pessoal. Isto porque o aviso de recebimento foi assinado por pessoa diversa do Embargante, que não possui nenhuma representatividade ou vínculo com a mesma, carecendo de legitimidade para receber a intimação pelo ora Embargante. Não assiste razão à Embargante. A intimação é pessoal, por via postal ou, por meio eletrônico, sendo que tais meios não estão sujeitos à ordem de preferência. Na intimação feita por via postal, como é o caso da Embargante, esta é considerada feita na data do recebimento, no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, que é o endereço fornecido pelo Contribuinte, para fins cadastrais, à administração tributária. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.900483/200880 Acórdão n.º 1802001.875 S1TE02 Fl. 258 5 Nesse sentido, dispõe o artigo 23, do Decreto 70.235, de 1972 – Regulamento do Processo Administrativo Tributário, com a seguinte redação: Art. 23 – Farseá a intimação: II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Par. 2º Considerase feita a intimação: II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; Par. 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência Par. 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I – o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária Não há na citada legislação a exigência que o recebimento da intimação por via postal seja atestado por representante legal do sujeito passivo, conforme alegado pela Embargante. A presente situação envolve a aplicação da chamada teoria da aparência, figura que, no exame de provas, tem sido admitida diante da existência de uma situação de fato, que se apresenta como uma situação de direito, a qual é amplamente acatada pelo Superior Tribunal de Justiça e pelos Tribunais, consoante as seguintes decisões: STJ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL – AgRg no AREsp 146978 RJ 2012/00324426 (STJ) Ementa: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. FALTA DE IMPUGNAÇÃO AFUNDAMENTO AUTÔNOMO. SÚMULA 283/STF. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. 1. Com relação ao ponto principal, a leitura das razões do Recurso Especial revela que a parte recorrente discorreu sobre a nulidade da citação feita em preposto sem poderes de representação da pessoa jurídica, mas não impugnou efetivamente o capítulo decisório acerca da intempestividade dos Embargos à Execução, tampouco apontou violação ao dispositivo legal que discipline a causa extintiva da pretensão. Insuperável, portanto, o óbice da Súmula 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". 2. Ainda que ultrapassado o óbice supracitado, é valida a citação da pessoa jurídica feita por oficial de justiça naquele que se apresenta como seu representante sem qualquer ressalva quanto à inexistência de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO 6 poderes para tal. Incidência da Súmula 83/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. TJDF Apelação Cível APL 521630720088070001 DF 005216307.2008.807.0001 (TJDF). Ementa: DANOS MATERIAIS E MORAIS. INADIMPLEMENTO CONTRATUAL. PESSOA JURÍDICA. CITAÇÃO. TEORIA DA APARÊNCIA. 1 SEGUNDO A TEORIA DA APARÊNCIA, SE A CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA FEITA POR C ARTA COM AVISO DE RECEBIMENTO FOI ENCAMINHADA E ENTREGUE NO SEU ENDEREÇO, PRESUMESE QUE QUEM A RECEBEU TINHA PODERES PARA RECEBÊLA OU, SE DELES NÃO DISPUNHA, TENDOA RECEBIDO, ENTREGOUA À PESSOA COM PODERES DE GERÊNCIA GERAL OU DE ADMINISTRAÇÃO. SOBRETUDO SE, AO RECEBÊLA, NÃO FEZ QUALQUER RESSALVA QUANTO À AUSÊNCIA DE PODERES PARA TANTO. 2 O ATRASO DA CONSTRUTORA NA APRESENTAÇÃO DA CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS PREVIDENCIÁRIOS, QUE CAUSA DEMORA NA LIBERAÇÃO DE EMPRÉSTIMO BANCÁRIO JÁ APROVADO, BEM COMO NO REGISTRO DA ESCRITURA DO IMÓVEL, CONSTITUI ILÍCITO CONTRATUAL E IMPÕE O DEVER DE INDENIZAR DANOS MATERIAIS DECORRENTES DO PAGAMENTO DE JUROS CONTRATUAIS ADVINDOS DE INEXISTENTE MORA, BEM ASSIM DE ALUGUÉIS DURANTE O PERÍODO EM QUE PRIVADO O USO DO IMÓVEL. TODAVIA, NÃO CAUSA OFENSA À HONRA SUBJETIVA OU OBJETIVA DO CONTRATANTE, NÃO ENSEJANDO INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. 3 RECURSOS NÃO PROVIDOS. TJSP Apelação APL 9142382822008826 SP 9142382 82.2008.8.26.0000 (TJSP) Ementa: RECURSO DE APELAÇÃO INTERPOSTO CONTRA R.SENTENÇA PELA QUAL FOI JULGADA PROCEDENTE AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE TÍTULO ALEGAÇÃO DE INCORREÇÃO NULIDADE DE CITAÇÃO CITAÇÃO DESENVOLVIDA JUNTO A PESSOA DIVERSA DAQUELA DO REPRESENTANTE LEGAL TEORIA DA APARÊNCIA NA CITAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA ACERTO DA R.DECISÃO IMPOSSIBILIDADE DA APRECIAÇÃO DAS DEMAIS MATÉRIAS APRECIADAS PELA R.SENTENÇA, POR CONTA DO PRINCÍPIO"TANTUM DEVOLUTUM QUANTUM APELLATUM" RECURSO NÃO PROVIDO Para encerrar a discussão quanto a validade da intimação feita nos presentes autos, importante trazer a Súmula 09, do próprio Conselho Administrativo de Recurso Fiscais: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10580.900483/200880 Acórdão n.º 1802001.875 S1TE02 Fl. 259 7 Súmula 09 É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Portanto, se constata que o Acórdão no. 1802001.561, da 2ª Turma Especial, datado de 05/03/2013, que não conheceu do recurso voluntário por intempestividade está em plena consonância com posicionamento da Súmula 09 do CARF e decisões dos Tribunais, não havendo a obscuridade e omissão alegada. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR os embargos de declaração interpostos pela Contribuinte. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 27 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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