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Numero do processo: 16327.903530/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 30 /2 01 0- 49 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.903530/201049 Acórdão n.º 1301002.356 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.903530/201049 Acórdão n.º 1301002.356 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.903530/201049 Acórdão n.º 1301002.356 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 16327.903530/201049 Acórdão n.º 1301002.356 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 180DF CARF MF Processo nº 16327.903530/201049 Acórdão n.º 1301002.356 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 181DF CARF MF Processo nº 16327.903530/201049 Acórdão n.º 1301002.356 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.903530/201049 Acórdão n.º 1301002.356 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.720409/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2002
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. DILIGÊNCIA.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO. DECADÊNCIA.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38)
SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI.
A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos.
DEPÓSITO BANCÁRIO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29.
CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO.
O contribuinte logrou êxito em demonstrar que foram contabilizados no lançamento, indevidamente, valores representados por "devolução de cheques", dos quais anexou microfilmagens. Cheques devolvidos não representam ingressos na conta corrente da pessoa física, tratando-se os créditos apenas de registros transitórios. Devem, portanto, ser excluídos da base do lançamento.
Numero da decisão: 2202-003.829
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com o Conselheiro Martin da Silva Gesto. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo: a) os valores relativos à conta corrente do Bradesco; b) o montante de R$ 114.777,00 das contas correntes do Banco do Brasil; vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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IRPF. Recorrente ARIMAR FRANCA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. DILIGÊNCIA. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. OMISSÃO DE RENDIMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. (Súmula CARF nº 38) SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. Fl. 2826DF CARF MF 2 DEPÓSITO BANCÁRIO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO. O contribuinte logrou êxito em demonstrar que foram contabilizados no lançamento, indevidamente, valores representados por "devolução de cheques", dos quais anexou microfilmagens. Cheques devolvidos não representam ingressos na conta corrente da pessoa física, tratando-se os créditos apenas de registros transitórios. Devem, portanto, ser excluídos da base do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência suscitada pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que restou vencido juntamente com o Conselheiro Martin da Silva Gesto. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo: a) os valores relativos à conta corrente do Bradesco; b) o montante de R$ 114.777,00 das contas correntes do Banco do Brasil; vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto (Relator), que deu provimento integral ao recurso. Foi designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata-se, em breves linhas, de auto de infração que constituiu IRPF indicando como infração omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada. Impugnado o lançamento, a DRJ manteve o crédito tributário. O Contribuinte, insatisfeito, apresentou Recurso Voluntário para este e.CARF argumentando que a quebra do sigilo bancário é inconstitucional, que não é suficiente a mera indicação de depósitos bancários – afirmando ser obrigação da fazenda pública investigar as alegações apresentadas durante a fase de fiscalização – e que conseguiu comprovar a origem de boa parte dos depósitos. Chegando ao Fl. 2827DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.827 3 CARF, o processo foi convertido em diligência para que fosse esclarecido se ocorreu ou não a intimação dos co-titulares durante a fiscalização. Feito o resumo da lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Tendo em vista que o processo retorna de diligência, aproveito o relatório da Resolução CARF nº 2202-000.697, de 15/06/2016, no que couber. De posse das informações enviadas pelas instituições financeiras para a apuração do CPMF, a autoridade fiscalizadora intimou o Contribuinte a apresentar os extratos bancários e as provas da origem de tais recursos (fl. 22). Uma vez que este não apresentou os documentos requeridos, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) (fls. 31/38) diretamente aos bancos, que forneceram os documentos solicitados (fls. 47/181). Feita a consolidação das informações obtidas, o Contribuinte foi novamente intimado a comprovar a origem dos depósitos em seu favor, o que não foi feito à satisfação da autoridade fiscalizadora. Foi lavrado, então, auto de infração (fls. 5/12) para constituir IRPF referente ao ano-calendário de 2002, identificando como infração a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado da lavratura do auto de infração, o Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 225/235). Levada a julgamento, a DRJ proferiu o acórdão nº 11-27.158 (fls. 237/245), de 30/07/2009, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. Caracterizam-se omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 LANÇAMENTO. ATIVIDADE ADMINISTRATIVA VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, à vista de fato jurídico (substrato fático) a ensejar constituição de crédito tributário, a autoridade administrativa é obrigada a efetuá-la, sob pena de responsabilidade funcional. Cumpre observar a lei nos termos em que é editada, salvo se, em conformidade com o que prevê o Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, houver declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. DECADÊNCIA. FATO GERADOR ANUAL. Fl. 2828DF CARF MF 4 O fato gerador do 1RRF é anual, isto é, ocorre em 31 de dezembro de cada ano, de maneira que o prazo "decadencial", nos termos de § 4° do art. 150 do CTN, tem como marco inicial essa data. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. REPASSE DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A LC 105, de 2001, prevê, de forma expressa, que o repasse, pelas instituições financeiras, de informações solicitadas com suporte em seu art. 6° não configura quebra de sigilo bancário. Os fundamentos foram os seguintes: Que o período de apuração do IRPF é anual, ocorrendo o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano. Nesse sentido, o lançamento foi lavrado antes de completar cinco anos, contados do fato gerador. Não há que se falar em decadência; Que a presunção de omissão de rendimentos provém de Lei, não podendo a autoridade lançadora se abster de constituir o crédito tributário. Há, verdadeiramente, inversão do ônus de prova, cabendo ao Contribuinte comprovar a origem dos depósitos; Que não houve quebra de sigilo bancário, uma vez que os extratos bancários foram solicitados com fulcro no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; Concluído o julgamento, foram realizadas tentativas de intimação postal (fls. 248/250), até que foi realizada intimação por Edital em 28/10/2009 (fl. 251). O Contribuinte, por sua vez, apresentou Recurso Voluntário em 27/11/2009 (fls. 259/270 e docs. anexos fls. 271/761), argumentando, em síntese: Que não dispunha de meios para apresentar as provas da origem dos recursos, porquanto já não operava as contas e não tinha relacionamento com os bancos. Que juntou prova de cartas aos bancos solicitando os extratos e as microfilmagens de cheques. Enfim, que as tentativas de conseguir os documentos solicitados foram infrutíferas; Que, inclusive, manejou diversas ações contra o Banco do Brasil (Ação de Exibição de Documentos; Mandado de Busca e Apreensão; Ação Penal pelo Ministério Público; Ação Ordinária de Fazer c/c Perdas e Danos e Antecipação de Tutela), mas ainda assim não logrou obter os documentos solicitados; Que boa parte dos depósitos foram realizados por empresa da qual é sócio-fundador (CIDA) com o objetivo de sacar e pagar a pescadores e pequenos produtores de camarão; Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.828 5 Que elaborou relatório demonstrando que boa parte dos depósitos provieram da referida empresa; Que praticava atividade rural; Que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 não retira do fisco a obrigação de investigar, especialmente quando o Contribuinte apresentar indícios suficientes da origem dos recursos; Que é ilícita a quebra do sigilo bancário sem a autorização judicial; Que houve decadência do período de janeiro a setembro de 2002, uma vez que o fisco não comprou que os recursos provieram de relação de emprego; Que não foi intimado o co-titular da contas do Bradesco; Pleiteou o direito de apresentar as provas porventura obtidas após a apresentação do Recurso Voluntário, especialmente aquelas decorrentes das ações judiciais; Pleiteou, ainda, a realização de diligência junto às instituições financeiras para a obtenção das microfilmagens; Recebidos os autos no CARF, foram proferidos Despachos em 21/04/2011 (fls. 765/766) e 01/09/2011 (fls. 767/768), determinando o sobrestamento da lide, nos termos do art. 62-A do antigo RICARF, em função da existência de declaração de repercussão geral no STF acerca do sigilo bancário. Em 19/09/2012 foi proferido ainda a Resolução CARF nº 2202- 000.3244 (fls. 769/783), determinando mais uma vez o sobrestamento da lide, pelas mesmas razões. Em 15/06/2016 foi proferida a Resolução CARF nº 2202-000.697 (fls. 790/799), determinando a conversão do julgamento em diligência para: "a) Que a autoridade fiscal esclareça se a conta mantida perante o Bradesco tem outros co-titulares e, em caso positivo, se intimou-os, antes da lavratura do auto de infração, para comprovar a origem dos recursos ali depositados, juntando aos autos a prova dessa intimação; b) Que a autoridade fiscal esclareça ainda se as demais contas do Contribuinte que deram azo a esse lançamento estão na mesma situação. c) Que a autoridade fiscal elabore relatório conclusivo de diligência e a seguir intime o recorrente para, querendo, manifestar-se no prazo de 30 dias. Enfim, retornem os autos para julgamento." - fl. 799. Fl. 2830DF CARF MF 6 Intimado em 21/10/2016 (fl. 813) a esclarecer se a conta bancária mantida perante o Bradesco tinha co-titulares (fls. 807/808 e docs. anexos fls. 809/812), e reintimado em 01/12/2016 (fl. 819), o Contribuinte respondeu em 22/12/2016 afirmando e juntando provas de que a referida conta tinha como co-titular o sr. Arimar Franca (fl. 814 e docs. anexos fls. 815/818). Conforme o Relatório de Diligência Fiscal, datado de 23/11/2016 (fls. 804/806), a conta bancária mantida perante o Bradesco era, efetivamente, mantida em co- titularidade com o Sr. Arimar Franca, mas não foram encontradas provas de que este co-titular foi intimado durante a fiscalização. Ainda de acordo com o Relatório de Diligência, as demais contas eram individuais. Ainda no dia 22/12/2016 (fl. 820) foram juntados aos autos aproximadamente 1.200 (mil e duzentas) laudas, compostos de: Manifestação sobre o relatório da diligência (fls. 821/828), no qual o Contribuinte: 1. reforçou que não houve intimação do co-titular da conta do Bradesco; 2. expôs sua irresignação em relação aos termos da diligência, argumentando ser necessário analisar os demais documentos juntados aos autos, circularizar aos depositantes, intimar a instituição financeira a apresentar microfilmagem dos cheques, excluir os valores estornados; 3. esclareceu que não é tão fácil realizar a comprovação individualizada dos valores depositados porquanto muitos deles aparecem como um único lançamento mas são, na verdade, fruto de duas ou mais operações (depósito de dois cheques na mesma data, por exemplo); 4. que, no dia 28/05/2015 foi realizada audiência de conciliação no segundo processo judicial movido contra o Banco do Brasil, quando esta instituição financeira forneceu as microfilmagens dos cheques, anexados em conjunto; 5. que o pro-labore recebido da empresa foi de R$ 35.000,00 no ano-calendário de 2002, conforme declarado na DIRPF; e, enfim 6. "Ratifica ainda, o pedido do Recurso Voluntário, de que Doutos Julgadores, ainda não esiiverem convencidos de que os depósitos na sua conta provém da CIDA, ou de devolução de produtores, referente ao qual prestava conta na empresa, e foram todos contabilizados, que com o PODER da Receita Federal, requeira as instituições financeiras as microfilmagens dos cheques, pois os Bancos sequer atendem ordem judicial." - fl. 828; Livro diário da CIDA - ano-calendário 2002 (fls. 829/1.681); Microfilmagem de cheques emitidos pelo Recorrente do Banco do Brasil (fls. 1.682/2.821); Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.829 7 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Da necessidade de diligência: A verdade é que o presente processo continua não estando em situação apta para ser julgado. Efetivamente, tendo retornado da diligência com juntada de novos documentos, aprofundando-se a análise da situação fática já iniciada na Resolução CARF nº nº 2202-000.697, de 15/06/2016, entendo que é necessário converter o julgamento em nova diligência para se averiguar o montantes dos recursos provenientes da empresa CIDA bem como para que sejam excluídos da base de cálculos os valores estornados, como será devidamente destrinchado a seguir. Dos valores estornados ou devolvidos: Argumenta o contribuinte, ainda, que inúmeros valores foram estornados porém passaram despercebidos pela autoridade lançadora quando da lavratura do auto de infração. Efetivamente, no auto de infração a autoridade lançadora esclareceu que: "De posse dos documentos enviados pelos bancos às fls. 46/159, foi feita a conciliação bancária nas contas do contribuinte sendo excluído os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, etc., bem como foram feitas as devidas exclusões permitidas. O resultado apurado foi encaminhado ao contribuinte em 30/03/07 por via postal, através do Termo de Intimação acompanhado de anexo (fles. 169/173), constando os créditos/depósitos para que o contribuinte comprovasse a origem dos mesmos através de documentos hábeis e idôneos." - fl. 7 Acontece que, diante da alegação do Contribuinte, verificamos os exemplos por ele indicados, e apuramos outros casos de valores estornados mas não excluídos da base de cálculo: R$ 15.043,98: Consta da tabela dos valores que compõem o lançamento como um dos depósitos/créditos dois depósitos em cheque no valor de R$ 15.043,98, perante o Bradesco, um em 30/09/2002 e outro em 03/09/2002 (fl. 185). Já do extrato bancário, percebe-se que foi creditado um valor de R$ 15.043,98 em 30/08/2002 referente a "depósito em cheque". Em 02/09/2002 foram debitados dois valores (R$ 7.007,23 e R$ 8.036,75) Fl. 2832DF CARF MF 8 referente a "devol. cheque depositado - chq s/fundo 1ª apres.", totalizando exatamente R$ 15.043,98. Enfim, em 03/09/2002 foi depositado novamente o valor de R$ 15.043,98 em cheque (fl. 125). Portanto, é possível concluir, diante da coincidência do valor e a proximidade de datas, que o Contribuinte apresentou os cheques que, inicialmente, foram lançados na conta bancária. Diante da constatação de que eles não tinham fundos, os valores foram estornados, levando o Contribuinte depositar novamente o mesmo valor. R$ 4.000,00: Consta da tabela dos valores que compõem o lançamento como um dos depósitos/créditos um cheque no valor de R$ 4.000,00 depositado perante o Unibanco, no dia 13/12/2002 (fl. 185). Já do extrato bancário, percebe-se que foi creditado um valor de R$ 4.000,00 em 13/12/2002 (fl. 164), sexta-feira, referente a "Dep. em Cheque". Em 16/12/2002, segunda feira, foi debitado nessa mesma conta o valor de R$ 4.000,00, referente a "Dev. chq. depósito" (fl. 165). Portanto, entendo que o lançamento deve ser convertido em diligência para que sejam reanalisados os extratos bancários, apurando os valores que foram estornados mas continuam compondo a base de cálculo. Da comprovação da origem dos recursos O Contribuinte afirma que a maior parte dos recursos depositados/creditados em suas contas bancárias são, em verdade, recursos da empresa CIDA, da qual é sócio. Segundo esclarece, com atuação rural, era comum ser que os fornecedores não tivessem acesso a instituições financeiras, realizando suas transações somente em dinheiro. Portanto, a empresa depositava os recursos para suas contas e ele, ato contínuo, os sacava para ter o numerário em mãos. Também, que em outras hipóteses os recursos eram antecipados aos fornecedores e, quando a produção era aquém do previsto, parte dos valores antecipados eram devolvidos por meio de depósitos, ora nas contas da CIDA, ora nas contas do Recorrente. Instado a comprovar suas alegações, esclareceu que, quando da fiscalização, já não mantinha todas as contas bancárias fiscalizadas e, portanto, não tinha relacionamento com as instituições financeiras. Alegou que requereu os extratos mas que não foi respondido, o que levou à emissão das RMFs. Nesse sentido, requereu também cópias dos cheques, mas as instituições bancárias não atenderam seu pedido, o que o levou a manejar ação judicial de exibição de documento. Pois bem. Como já restou esclarecido em tópico anterior, a Lei criou uma presunção em desfavor dos jurisdicionados, atribuindo a estes o ônus de comprovar que os recursos depositados/creditados foram oferecidos à tributação, que não são tributáveis ou que não se configuram rendimento. Portanto, não basta a mera alegação de que os recursos pertenciam a terceiros e que apenas transitavam por suas contas bancárias, sendo verdadeiramente necessário comprová-lo individualmente. Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.830 9 In casu, o Contribuinte demonstrou, estreme de dúvidas, que realizou desforços para satisfazer o seu ônus probatórios, ainda durante a fiscalização (fls. 272/286), inclusive manejando ação judicial contra instituição financeira para obter a documentação que entendia necessária (fls. 287/430). Trata-se de demonstração louvável que, entretanto, não permite, administrativamente, a alteração da distribuição do ônus probatório vez que a este Conselho não é permitido afastar a aplicação da Lei (art. 62 do Anexo II ao RICARF) com base em princípios. A discussão só pode ser levada a cabo na esfera judicial, como se demonstra, inclusive, pela já citada declaração de repercussão geral perante o STF (nº 842). Outrossim, no Recurso Voluntário o Contribuinte trouxe aos autos: Contrato Social da empresa de que era sócio (CIDA) e a quem atribui a titularidade da maior parte dos recursos (fl. 431/433); Provas da atividade dessa empresa (fls. 434/435) e da regulamentação estadual aplicável (fls. 436/439). Trouxe ainda uma tabela (fls. 443/447) na qual apresenta alegações individualizadas acerca da origem dos recursos depositados/creditados em suas contas bancárias; Cópias de cheques emitidos pela empresa em seu favor (ex. fls. 623 e 638) e de extratos de sistema interno de banco demonstrando a conta de origem e de destino de cheques (ex. fls. 622 e 637); Dados contábeis da empresa, especificamente DIPJ (fls. 684/739) e Balanço Patrimonial (fls. 740/745); Registro de funcionários (fls. 746/751); e Notícias sobre o setor da atividade (fls. 752/761). Em sede de Manifestação sobre a diligência, juntou ainda: Livro diário da CIDA - ano-calendário 2002 (fls. 829/1.681); Microfilmagem de cheques emitidos pelo Recorrente do Banco do Brasil (fls. 1.682/2.821); Considerando o quanto estabelece o art. 16, §4º, 'a', é necessário receber as cópias dos cheques juntadas durante a fiscalização. Efetivamente, o Recorrente já havia demonstrado que teve de apelar à via judicial para obtê-las, o que, por si só torna plausível a demora. Efetivamente, é crível que, tendo manejado ação judicial, as provas não tenham sido obtidas no espaço de 30 (trinta) dias entre a intimação do lançamento e o marco final para a apresentação da impugnação. Especificamente, ainda que não esteja demonstrado nos autos quando foi disponibilizado aos Recorrente, é possível perceber, pela data da documentação que acompanha os cheques, que estes só foram produzidos pela instituição financeira nos últimos meses de 2014 (exs. fls. 2.807 e 2.756). Em relação às demais provas, considerando o princípio da verdade material estabelecido pela Lei nº 9.784/1999, em especial nos arts. 3º, III, e 39, entendo que devem ser aceitas as provas apresentadas até a data da decisão. Efetivamente, esse princípio, devem ser realizados todos os esforços possíveis para se descobrir o real fato gerador sobre o qual recai a Fl. 2834DF CARF MF 10 exação. Precedentes do CARF (acórdãos CARF nº 2300-004.626, de 13/04/2016; nº 1301- 001.958, de 03/03/2016 e nº 2301-004.423, de 26/01/2016). Também deve ser pautado pelo princípio da economicidade: se o Contribuinte efetivamente dispuser do direito, mas este não for reconhecido administrativamente por questão meramente procedimental, então ele certamente recorrerá ao judiciário, criando ônus ainda maior ao erário público (custos de tramitação, de mão-de-obra, honorários advocatícios etc.). Nessa esteiras, as provas juntas aos autos trazem fortes indícios das alegações do Contribuinte do Contribuinte de que os recursos depositados em suas contas bancárias pertenciam, em verdade, à empresa da qual era sócio. Em primeiro lugar, o contribuinte alegou ter recebido como pro-labore o valor de R$ 35.000,00. Na DIPJ da empresa, é possível constatar que ela declarou ter pago um total de R$ 70.000,00 reais a título de "Remuneração a dirigentes e a conselho de administração" nesse ano-calendário de 2002 (fls. 691/694). Ressalta-se que a empresa tinha, conforme o seu contrato social, dois sócios, ambos administradores (cláusula 7º e 8º, fls. 432), logo são coincidentes o valores (R$ 35.000,00 para cada um). Em segundo lugar, é plausível seu argumento de que a empresa depositava recursos em suas contas bancárias pessoais para utilizar como caixa para pagamento aos pequenos fornecedores; como provas dessa alegação, analisando o livro diário da CIDA, percebe-se, por amostragem, que: 02/01/2002: o livro diário registra uma movimentação do caixa para o Banco do Brasil no valor de R$ 22.000,00 (fl. 830). Nessa mesma data, consta um crédito de R$ 22.000,00 na conta do Banco do Brasil mantida pelo contribuinte (fl. 48). Ainda, na tabela que acompanha o lançamento, consta como composição da base de cálculo esse mesmo valor na mesma data no mesmo banco (fl. 182); 24/01/2002: o livro diário registra uma movimentação do caixa para o Banco do Brasil no valor de R$ 20.000,00 (fl. 877). Na mesma data, consta um crédito de R$ 20.000,00 na conta do Banco do Brasil mantida pelo contribuinte (fl. 50). Ainda, na tabela que acompanha o lançamento, consta como composição da base de cálculo esse mesmo valor na mesma data no mesmo banco (fl. 182); 25/01/2002: o livro diário registra uma movimentação do caixa para o Banco do Brasil no valor de R$ 22.000,00 (fl. 880). Na mesma data, consta um crédito de R$ 22.000,00 na conta do Banco do Brasil mantida pelo contribuinte (fl. 50). Ainda, na tabela que acompanha o lançamento, consta como composição da base de cálculo esse mesmo valor na mesma data no mesmo banco (fl. 182); 04/02/2002: da tabela que acompanha o lançamento, consta como composição da base de cálculo o valor de R$ 13.800,00 como crédito no banco Bradesco (fl. 189). Efetivamente, é possível constatar tal lançamento no extrato da instituição financeira (fl. 119). No livro caixa da empresa, efetivamente consta como movimentação do caixa para o Banco do Brasil, na mesma data e no mesmo valor (fl. 898). Esse valor não consta no extrato do Banco do Brasil (fl. 52) nem na tabela do lançamento como crédito nessa conta (fls. 182/183 e 188). É possível que a contabilidade da empresa tenha meramente se Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.831 11 equivocado em relação ao banco que tal recurso foi creditado, citando o BB ao invés do Bradesco, até porque não há outro lançamento nesse valor, no livro diário, em todo o mês de fevereiro. Por outro lado, há nos autos folhas do extrato da conta da empresa, na qual se indica débito em decorrência de compensação de cheque, no mesmo valor de R$ 13.800,00, na mesma data de 04/02/2002 (fl. 448). 15/03/2002: o livro diário registra movimentações do caixa para o Banco do Brasil nos valores de R$ 12.500,00, R$ 7.000,00 e R$ 3.000,00 (fl. 880). Na mesma data, consta créditos de R$ 12.500,00, R$ 7.000,00 e R$ 3.000,00 na conta do Banco do Brasil mantida pelo contribuinte (fl. 55). Ainda, na tabela que acompanha o lançamento, consta como composição da base de cálculo esse mesmo valor na mesma data no mesmo banco (fl. 182); 18/06/2002: o livro diário registra movimentação do caixa para o Unibanco no valor de R$ 1.800,00 (fl. 1.176). Na mesma data, consta crédito de R$ 1.800,00 na conta do Unibanco mantida pelo contribuinte (fl. 149). Ainda, na tabela que acompanha o lançamento, consta como composição da base de cálculo esse mesmo valor na mesma data no mesmo banco (fl. 184); 30/10/2002: da tabela que acompanha o lançamento, consta como composição da base de cálculo o valor de R$ 4.495,38 como crédito no banco Sudameris (fl. 186). Efetivamente, é possível constatar tal lançamento no extrato dessa instituição financeira (fl. 109). No livro diário contra uma movimentação do caixa para o Banco do Brasil, nessa mesma data e no mesmo valor (fl. 1.519). Esse valor não consta nem no extrato do Banco do Brasil (fl. 82) nem na tabela do lançamento como crédito nessa conta (fls. 182/183 e 188). É possível que a contabilidade da empresa tenha meramente se equivocado em relação ao banco que tal recurso foi creditado, citando o BB ao invés do Sudaméris, até porque não consta outro lançamento nesse valor exato em todo o livro diário do ano-calendário de 2002. Por outro lado, há nos autos folhas do extrato da conta da empresa, na qual se indica débito em decorrência de compensação de cheque, no mesmo valor de R$ 4.495,38, na mesma data de 30/10/2002 (fl. 594). 24/12/2002: da tabela que acompanha o lançamento, consta como composição da base de cálculo o valor de R$ 22.405,53 como crédito no banco Unibanco (fl. 185). Efetivamente, é possível constatar tal lançamento no extrato da instituição financeira (fl. 167). No livro caixa da empresa, efetivamente consta como movimentação de "PRODUMAR - Cia. Exp. Prod. do Mar" para o Banco Bradesco, na mesma data e no mesmo valor (fl. 1.657). Esse valor não consta no extrato do Bradesco do contribuinte (fl. 129), nem na tabela do lançamento como crédito nessa conta (fls. 190), mas sim como débito no extrato do Bradesco da empresa (fl. 679). É plausível que, como argumenta o contribuinte, a empresa tenha depositado o dinheiro em sua conta para que ele então o sacasse e entregasse ao fornecedor em Fl. 2836DF CARF MF 12 espécie. Até porque não há outro lançamento nesse valor em todo o livro caixa. Além disso, o Contribuinte juntou (poucas) cópias de cheque emitidos pela CIDA em favor dele, recorrente (fls. 623/624 e 638/639). Em suma, com a apresentação do livro diário é possível identificar uma série de coincidências entre datas e valores, que corroboram a alegação do contribuinte de que recursos da empresa de que era sócio meramente transitaram por suas contas bancárias pessoais. Portanto, com base nesses dados, entendo ser plausível converter novamente o julgamento em diligência para que se averigue - com base nesses parâmetros, i.e., livro-diário x extratos do contribuinte - quais os valores que foram transferidos da empresa para suas contas bancárias. Da continuidade do julgamento: Tendo sido vencido em relação à diligência, dou continuidade ao julgamento. Decadência Segundo o Recorrente que o lançamento está parcialmente caduco, especificamente entre janeiro de setembro de 2002. Argumenta que, não tendo sido identificada a natureza do rendimento, devem ser aplicadas as regras do carnê-leão e que, considerando o prazo decadencial de 5 anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, só tendo sido intimado em 08/10/2007, estão caducos todos os fatos anteriores a setembro de 2002. Este e.CARF já se pronunciou acerca matéria inúmeras vezes, vindo a consolidar seu entendimento no seguinte enunciado: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Trata-se de entendimento de repetição obrigatória pelos conselheiros, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF. In casu¸ainda que consideremos o prazo do art. 150, §4º, do CTN, a contagem se inicia em 31/12/2002, e não em 30/09/2002, como quer o Recorrente, de sorte que não se pode falar em decadência do lançamento cientificado em outubro de 2007. Do sigilo bancário Argumenta o Contribuinte também pela nulidade do lançamento pela ilicitude do acesso aos extratos bancários sem autorização judicial. Percebe-se, entretanto, que o STF já reconheceu, por meio do RE nº 601.314, em sede de repercussão geral - que obrigatoriamente deve ser repetido por este Conselho, nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF - a validade do acesso direto aos dados bancários pela autoridade fazendária, prescindindo de autorização judicial para tanto: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.832 13 FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-198 DIVULG 15-09- 2016 PUBLIC 16-09-2016) Neste, inclusive, restou fixada a seguinte tese: Fl. 2838DF CARF MF 14 O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; Por essa razão, não pode prevalecer o presente argumento. Da presunção de omissão de rendimento O Recorrente suscita ainda a inviabilidade do lançamento realizado com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Segundo argumenta, não basta ao fisco identificar depósitos bancários; deve aprofundar sua investigação, demonstrar a efetiva ocorrência de rendimento, mormente quando o Contribuinte é capaz de apresentar indícios da origem dos recursos. Trata-se de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-188 DIVULG 21-09-2015 PUBLIC 22-09-2015 ) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Ademais, a redação da Lei é clara: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em outras palavras, identificados depósitos bancários, exige-se tão somente que a autoridade fazendária intime o Contribuinte para comprovar a origem dos recursos. A este é que cabe o ônus da prova, não sendo suficiente a apresentação de argumentos ou indícios. Nesse caminho, não pode prevalecer a tese de que cabia à autoridade fazendária aprofundar as investigações quando o Contribuinte, devidamente intimado, não logrou apresentar os documentos requeridos. Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.833 15 Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas tratando da matéria, e nenhuma delas questiona a sua legalidade. São os casos das Súmulas CARF nº 26, 30 e 38. Da intimação do co-titular Imperioso registrar que contribuinte argumentou que a autoridade lançadora errou ao deixar de intimar o co-titular das contas mantidas perante o Bradesco. A Lei nº 9.430/1996 cria, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimento toda vez que o Contribuinte, intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em seu favor perante instituições financeiras, não o faça. Acontece que, como sói ocorrer na prática, muitas pessoas mantêm contas em cotitularidade com outras pessoas, por qualquer motivo que seja. Observando essa realidade, o legislador incluiu o parágrafo sexto no referido artigo, determinando que, nesses casos, os rendimentos deveriam ser divididos entre os titulares, salvo se se provasse a origem dos recursos ou a titularidade dos mesmos. Nessa matéria, o CARF já tem jurisprudência consolidada em relação a um dos problemas mais constantes: a falta de intimação de um dos co-titulares, durante a fiscalização, para comprovar a origem dos recursos. É o que se observa da Súmula CARF nº 29: “Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” Com razão a Súmula: é possível que a pessoa autuada seja incapaz de identificar a origem dos recursos - até por não serem seus - mas os demais co-titulares possam fazê-lo, afastando portanto a autuação. Trata-se de requisito essencial do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, configurando-se vício material a sua falta. Essa turma já decidiu nesse sentido em outras oportunidades: Acórdão CARF nº 2202-003.450, de 14/06/2016: "DEPÓSITO BANCÁRIO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, para conhecer e analisar o Recurso de Ofício interposto pela DRJ. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, cancelando o lançamento, por vício material, vencida a Conselheira Rosemary Fl. 2840DF CARF MF 16 Figueiroa Augusto (suplente convocada), que negou provimento ao recurso." Acórdão CARF nº 2202-003.131, de 28/01/2016: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal.” Acórdão CARF nº 2202-003.061, de 09/12/2015: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal.” In casu, tendo em vista que os extratos bancários do Bradesco juntados pelo contribuinte (fls. 449) e pela autoridade lançadora a pedido da DRJ (fls. 117/130) constam como titular “Arimar Franca Filho e/ou”, o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução CARF nº 2202-000.697, de 15/06/2016, para averiguar a existência de co-titular e a citação deste co-titular durante a fiscalização. Como resultado da diligência, a autoridade diligenciadora atestou que existe co-titular na conta mantida perante o Bradesco, e registrou que não há provas de que esse co- titular tenha sido intimado durante a fiscalização. Atestou também que todas as demais contas são individuais. Portanto, necessário excluir da base de cálculo os recursos depositados na conta bancária nº 68.589-5, na Ag. 0321-2, mantida no Bradesco. Da sujeição passiva e base de cálculo: Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.834 17 O contribuinte argumenta, desde a fiscalização, que os recursos não são, em sua maioria, seus e sim da empresa de que é sócio. Tendo sido vencido em relação à diligência, na qual seria possível identificar o montante de recursos que provêm da empresa, e mantendo a coerência em relação à necessidade de excluir da base de cálculo os referidos valores, entendo ser impossível manter o lançamento. A verdade é que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, em seu §5º, estabeleceu que, comprovado que os valores pertencem a terceiros, é contra eles que deve ser realizado o lançamento. In casu, conforme o próprio auto de infração, desde a fiscalização o Contribuinte vem alegando que a maior parte dos recursos pertencem à empresa. Nesse contexto, trouxe aos autos provas de que há, efetivamente, utilização de suas contas bancárias pessoais pela empresa para movimentar recursos em grande volume. Portanto, não sendo aceita a diligência, e para manter a coerência com meu entendimento em relação à necessidade de diligência, entendo que não é possível quantificar a base de cálculo correta, posto que estou convencido de que boa parte dos recursos provém da pessoa jurídica, o que chamaria a aplicação da regra do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/1996. Esta casa já tem inúmeros precedentes reconhecendo a necessidade de anular o lançamento quando há incerteza quanto à base de cálculo. Portanto, entendo ser necessário cancelar o lançamento. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Redator designado. Peço vênia ao nobre Relator, Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, para divergir, inicialmente, de sua proposta de nova conversão do julgamento em diligência. Colho do voto do Relator: A verdade é que o presente processo continua não estando em situação apta para ser julgado. Efetivamente, tendo retornado da diligência com juntada de novos documentos, aprofundando-se a análise da situação fática já iniciada na Resolução CARF nº nº 2202-000.697, de 15/06/2016, entendo que é necessário converter o julgamento em nova diligência para se averiguar o montantes dos recursos provenientes da empresa CIDA bem como para que sejam excluídos da base de cálculos os valores estornados, como será devidamente destrinchado a seguir. (...) Fl. 2842DF CARF MF 18 In casu, conforme o próprio auto de infração, desde a fiscalização o Contribuinte vem alegando que a maior parte dos recursos pertencem à empresa. Nesse contexto, trouxe aos autos provas de que há, efetivamente, utilização de suas contas bancárias pessoais pela empresa para movimentar recursos em grande volume. Portanto, não sendo aceita a diligência, e para manter a coerência com meu entendimento em relação à necessidade de diligência, entendo que não é possível quantificar a base de cálculo correta, posto que estou convencido de que boa parte dos recursos provém da pessoa jurídica, o que chamaria a aplicação da regra do art. 42, § 5º, da Lei nº 9.430/1996.(sublinhei/destaquei) O lançamento foi feito com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não comprovados. A partir dos extratos bancários, o Auditor Fiscal intimou o contribuinte a justificar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Não havendo resposta individualizada, foi feito o lançamento com base na presunção estabelecida no dispositivo legal. Antes de tudo, importante esclarecer que a artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 é dispositivo legal em pleno vigor e que diz a Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória, que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Diz o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados:(...) § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira.(...) Quanto a matéria relativa a autuação com base apenas em presunção de renda caracterizada pelos depósitos bancários, fundada exclusivamente nos extratos, destaco que já há entendimento pacificado no âmbito do CARF, com a seguinte Súmula: Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.835 19 Súmula CARF nº 26- A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Assim, não é necessário, na hipótese legal, o Fisco efetuar demonstração de que os depósitos foram consumidos ou que são receitas novas para o contribuinte. Isso porque existe, no caso, a inversão do ônus da prova, não necessitando o Fisco demonstrar que aquele depósito trata-se de ingresso patrimonial inédito na esfera de disponibilidade do contribuinte, portanto passível de tributação, cabendo ao sujeito passivo demonstrar o contrário. As presunções legais são admitidas em diversos casos para fins de tributação e isso não é inovação ou exclusividade da legislação brasileira. Regina Helena Costa e Misabel Derzi ensinam que o legislador, para tornar viável a aplicação da lei, muitas vezes cria presunções, ficções, padronizações, dentro do que as autoras definem como "praticabilidade da tributação" (COSTA, Regina Helena, Praticabilidade e justiça tributária. Exequidade de Lei Tributária e Direitos do Contribuinte. São Pauto: Malheiros, 2007, p.52 DERZI, Misabel. Princípio da Praticabilidade do Direito Tributário, in Revista de Direito Tributário nº 47. São Paulo: Malheiros, janmar/ 1989, p.166179) Assim, os extratos bancários constantes dos autos são suficientes para a comprovação dos depósitos bancários e sobre estes é correta a aplicação da presunção de omissão de rendimentos, quando o contribuinte, regularmente intimado, não demonstra, com documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. A comprovação da origem dos recursos deve ser feita "individualizadamente", como expressamente prescrito no § 3º do artigo 42, da Lei em comento. Alegações genéricas não podem ilidir a presunção legalmente estabelecida. Vejamos a recente jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão 9202003.823, de 08 de março de 2016 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. (...) O que o recorrente procurou demonstrar, com os documentos que trouxe, é que o contribuinte realizava atividade comercial com circulação de dinheiro em suas contas correntes de pessoa física. Ainda que fosse superada a questão da apresentação das provas apenas na fase recursal, para que se pudesse excluir depósitos com base na alegação de se referirem a Fl. 2844DF CARF MF 20 negócios típicos de pessoas jurídicas, dever-se-ia analisar depósito a depósito, com apreciação da razoável coincidência entre datas e valores e as operações comerciais alegadas. Juntar um grande volume de documentos ao recurso não justifica que se determine diligência para nova análise de questões que já foram tratadas pela autoridade fiscal em sua conclusão do trabalho. O contribuinte junta milhares de documentos, sem fazer alusão pontual a eles no seu recurso, especialmente tratando-se de tributação muito específica, baseada no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. De acordo com o artigo 18 do PAF, as diligências ou perícias servem para sanar dúvidas do julgador, dentro daquilo que entende imprescindível para formar sua convicção, não para que a autoridade administrativa faça provas das alegações do contribuinte. Neste caso, entendo que deva ser indeferido pedido nesse sentido. Vejamos a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Acórdão nº 9303002.548, de 09/10/2013. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Prosseguindo, a análise de depósitos bancários, para fins de aplicação do supracitado artigo 42, deve se dar "individualizadamente", a partir de provas que devem ser produzidas pelo contribuinte. Vejamos que em seu voto, mesmo após a anexação do grande volume de documentos, o Relator disse estar convencido de que "boa parte dos recursos provém da pessoa jurídica". Mas que parte é essa? Quais depósitos são provenientes de PJ e quais não são? E ainda dentre os que talvez fossem provenientes de PJ, quais são tributáveis e quais não são? Porque a PJ pode depositar na conta da pessoa física diversas rubricas, como salários, gratificações, pro labore, etc...que mesmo provenientes de PJ, são tributáveis na PF. Como já havia manifestado por ocasião da Resolução anterior: Vejamos que o contribuinte foi regularmente intimado, durante o procedimento fiscal que precedeu à lavratura do Auto de Infração a comprovar a origem dos recursos. Não atendeu à fiscalização. Pelo que está relatado, também não trouxe provas quando da apresentação da impugnação, para que pudessem ser analisadas pela primeira instância de julgamento. Argumentou que "não dispunha de meios" para comprovar a origem dos depósitos. Ora, mas era sócio fundador da empresa CIDA. Será que, nessa condição, somente na fase recursal teve acesso aos documentos que ora juntou para comprovar que os valores tinham origem naquela empresa, juntando Contrato Social e outros documentos que foram listados pelo relator e acima transcritos? Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 10469.720409/2007-87 Acórdão n.º 2202-003.829 S2-C2T2 Fl. 2.836 21 Indubitavelmente que desde a intimação fiscal poderia identificar que os depósitos eram provenientes da empresa, da qual é sócio fundador, e apresentar os registros... Portanto, entendendo que não cabe converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal produza as comprovações individualizadas que deveriam ser feitas pelo contribuinte e ainda que os documentos só foram anexados em fase recursal, manifesto- me contrário à realização da proposta do Relator. Prosseguindo, em face da questão do ônus da prova, já acima tratada, não entendo que haja "incerteza" na base de cálculo do lançamento, que está feito em conformidade com a lei, não sendo este motivo suficiente para que seja cancelado. Não há dúvidas de que existe conta corrente em co-titularidade e nesse ponto concordo com o relator quando diz que: Como resultado da diligência, a autoridade diligenciadora atestou que existe co-titular na conta mantida perante o Bradesco, e registrou que não há provas de que esse co-titular tenha sido intimado durante a fiscalização. Atestou também que todas as demais contas são individuais. Portanto, necessário excluir da base de cálculo os recursos depositados na conta bancária nº 68.589-5, na Ag. 0321-2, mantida no Bradesco. (destaquei) Por fim, tendo divergido da proposta de diligência e de que sua falta representaria incerteza quanto à base de cálculo, a macular o lançamento, entendo que o contribuinte, em resposta à intimação fiscal (fl. 821), que elaborou o relatório de diligência, logrou êxito em demonstrar que foram contabilizados no lançamento, indevidamente, R$ 114.777,00, representados por "devolução de cheques" do Banco do Brasil (fl. 827), dos quais anexou microfilmagens. Cheques devolvidos não representam ingressos na conta corrente da pessoa física, tratando-se os créditos apenas de registros transitórios. Dessa feita, VOTO no sentido de rejeitar a proposta de conversão do julgamento em diligência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo: a) os valores relativos à conta bancária nº 68.589-5, na Ag. 0321-2 do Bradesco; b) o montante de R$ 114.777,00 das contas correntes do Banco do Brasil. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2846DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.902945/2008-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. CONCEITUAÇÃO.
O direito ao crédito presumido e ao crédito básico de IPI restringe-se às aquições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo e consumidos a partir de contato direto sobre o produto em fabricação (Súmula CARF nº 19).
CRIAÇÃO DE CAMARÃO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO.
Os produtos utilizados na fabricação de produtos exportados, que atendam os requisitos para se classificar como insumos, podem ser computados no cálculo do crédito presumido de IPI.
Numero da decisão: 3803-001.639
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Andréa Medrado Darzé e Juliano Eduardo Lirani que deram provimento integral.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. CONCEITUAÇÃO. O direito ao crédito presumido e ao crédito básico de IPI restringese às aquições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo e consumidos a partir de contato direto sobre o produto em fabricação (Súmula CARF nº 19). CRIAÇÃO DE CAMARÃO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CREDITAMENTO. Os produtos utilizados na fabricação de produtos exportados, que atendam os requisitos para se classificar como insumos, podem ser computados no cálculo do crédito presumido de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Andréa Medrado Darzé e Juliano Eduardo Lirani que deram provimento integral. Assinado digitalmente ALEXANDRE KERN Presidente. Assinado digitalmente HÉLCIO LAFETÁ REIS Relator. EDITADO EM: 11/05/2011 Fl. 197DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Andréa Medrado Darzé, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 155 a 183) interposto em face da decisão da DRJ Recife/PE (fls. 128 a 148) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte (fls. 84 a 109) em contraposição ao teor do Despacho Decisório da repartição de origem (fls. 71 a 77) que deferiu apenas parcialmente o direito creditório pleiteado e homologou em parte a compensação declarada. O contribuinte havia entregue à Receita Federal o Pedido de Restituição ou Ressarcimento e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em que se requeria o ressarcimento de crédito presumido de IPI, previsto nas Leis nº 9.363/1996 e 10.276/2001, a ser compensado com débito próprio referente a outro tributo administrado pela Receita Federal (fl. 12). Ao analisar os pedidos do contribuinte, a repartição de origem, por meio do despacho decisório de fls. 71 a 77, deferiu parcialmente o direito creditório, confirmandose os valores das receitas de exportação declarados pelo contribuinte, mas ressaltandose que foram identificados produtos utilizados no processo produtivo que, por sua natureza, não dariam direito ao crédito de IPI, por não se enquadrarem no conceito de insumo (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), ou por se referirem a insumos consumidos na atividade agrícola que não se caracterizaria como industrialização. Tais produtos foram assim identificados: a) cal, calcário, fertilizantes e adubos químicos que não fazem parte do processo de industrialização e são, na realidade, insumos utilizados na atividade primária da cultura do camarão; b) gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais como oxigênio, acetileno, argônio, amônia, etc.; c) telas e cercas de proteção, tarrafas, redes, arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas, tábuas, etc.; d) cloro, material de limpeza e higienização de instalações e medicamentos; e) combustíveis, óleo diesel e lubrificantes; f) caixas de isopor para transporte do pescado, utilizadas para levar o camarão dos tanques onde são criados pelos produtores até a sede da empresa para processamento e embalagem; g) insumos da atividade agrícola excluída do conceito de industrialização tais como póslarva, rações e alimentos diversos para o camarão. Inconformado com a decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 84 a 109) e requereu o reconhecimento integral do direito creditório e a plena possibilidade de compensação, alegando, aqui reproduzido de forma sucinta, o seguinte: Fl. 198DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10469.902945/200880 Acórdão n.º 380301.639 S3TE03 Fl. 197 3 a) as aquisições excluídas pela Fiscalização são matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, ensejando o direito ao creditamento da Lei nº 9.363/1996, dado que se referem a produtos consumidos no processo produtivo; b) O Fisco interpreta a conceituação de insumos de forma equivocada, pois a produção do camarão engloba uma série de etapas bem definidas, não se resumindo à atividade de beneficiamento; c) a requerente é uma indústria de camarões, cuja criação é destinada exclusivamente ao processo de beneficiamento, que é uma das espécies do gênero industrialização, e atua em todo o processo produtivo, desde o desenvolvimento dos camarões a partir da póslarva, passando pela despesca, até o produto final devidamente embalado e pronto para a exportação e apto para o consumo; d) não é válido o argumento de que a etapa inicial do processo produtivo seria apenas uma atividade agrícola, pois as várias fases da industrialização (beneficiamento) são concatenadas entre si e complementares; e) a finalidade do crédito presumido do IPI é assegurar o ressarcimentos às empresas produtoras e exportadoras das contribuições Cofins e para o PIS incidentes sobre os insumos que integram o produto final destinado ao exterior; f) o produto denominado “camarão” consta da Tabela de Incidência do IPI (TIPI) com alíquota zero, tratandose, portanto, de produto fruto do processo de industrialização; g) a Lei nº 9.363/1996, em seu art. 1º, faz referência a empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais, não havendo exigência de que seja industrial ou fabricante; h) a aplicação da legislação do IPI, nos termos do parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363/1996, deve se dar em caráter meramente subsidiário, com aplicação secundária e supletiva. A DRJ Recife/PE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 128 a 148), tendo o acórdão sido ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363, de 1996. Apenas os valores relativos às aquisições de insumos compreendidos nos conceitos estabelecidos pela legislação do IPI como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem são passíveis de serem considerados no cálculo do crédito presumido previsto na Lei n° 9.363, de 1996. CRIAÇÃO DE CAMARÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS 4 A criação de camarão (carcinicultura), por ser atividade que não se enquadra no conceito de industrialização, não propicia que os produtos nela empregados gerem direito ao crédito presumido doIPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 155 a 183), faz referência ao contido na declaração de voto do julgador vencido na primeira instância administrativa e reitera seu pedido de acolhimento integral do direito creditório, repisando os mesmos argumentos de defesa anteriormente apresentados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI homologado parcialmente pela repartição de origem em razão da glosa de valores relativos a produtos utilizados no processo produtivo não considerados como insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) e produtos próprios da atividade agrícola que não se insere no conceito de industrialização. I. Crédito presumido de IPI. Insumos. Para análise da desconsideração de alguns produtos considerados de natureza diversa da exigida para a fruição do benefício do crédito presumido, insta que se proceda à análise dos dispositivos da legislação tributária que tratam do tema. Referidos produtos encontramse identificados como sendo “(i) cal, calcário, fertilizantes, adubos químicos, (ii) gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais como oxigênio, acetileno, argônio, amônia, etc., (iii) telas e cercas de proteção, tarrafas, redes, arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas, tábuas, etc., (iv) cloro, material de limpeza e higienização de instalações e medicamentos, (v) combustíveis, óleo diesel e lubrificantes, (vi) caixas de isopor para transporte do pescado, utilizadas para levar o camarão dos tanques onde são criados pelos produtores até a sede da empresa para processamento e embalagem”. Para analisar o procedimento fiscal relativo aos combustíveis, óleo diesel e lubrificantes, necessário se torna reproduzir a súmula CARF nº 19, verbis: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10469.902945/200880 Acórdão n.º 380301.639 S3TE03 Fl. 198 5 Tendo em vista o contido na súmula, concluise por escorreito o procedimento de exclusão desses elementos no cálculo do crédito presumido de IPI. Para a análise da glosa dos demais produtos, mister reproduzir o dispositivo legal que deu origem ao crédito presumido do IPI: Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996. "Art. I° A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.(grifos nossos) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior. Art. 2° A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1° O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo." (...) Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifos nossos) (...) Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. A par da autorização legal constante do art. 6º supra, o Ministro da Fazenda editou a Portaria MF nº 38/1997, nos seguintes termos: Portaria MF n° 38, de 27 de fevereiro de 1997. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS 6 Art. 1º O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários è materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Portaria. (...) Art. 3º (...) § 16. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do IPI. (grifo nosso) Constatase que o § 16 supra remete à legislação do IPI a definição do que venha a ser matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. O Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002 (RIPI/2002) assim se refere à conceituação de insumo: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (grido nosso) Do excerto acima reproduzido, verificase que, para se caracterizar como insumo, há necessidade de que o produto, embora não se integrando ao novo bem, seja consumido no processo de industrialização, excetuandose os bens do ativo permanente. Do contido no inciso I do art. 164, in fine, acima reproduzido, por se tratar de bens do ativo permanente, é possível inferir pela descaracterização como insumo, para fins de creditamento do crédito presumido do IPI, os produtos “telas e cercas de proteção, tarrafas, redes, arames, cordas, lonas e tecidos, ferro, madeira, vigas, tábuas, etc. e caixas de isopor para transporte do pescado”. Associandose o comando constante do RIPI/2002 com o teor da súmula CARF nº 19 acima reproduzida, concluise que o insumo gerador de crédito de IPI é aquele produto consumido no processo de industrialização em contato direto com o produto novo. Essa mesma exigência consta do Parecer Normativo CST nº 65/1979, verbis: 10. Resumese, portanto, o problema na :determinação do que se deva entender como produtos que embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização. Fl. 202DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10469.902945/200880 Acórdão n.º 380301.639 S3TE03 Fl. 199 7 10.1. Como o texto fala em "incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários", é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 — A expressão `consumidos...' há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde de que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. (grifo nosso) Dessa forma, constatase que, além de se restringir o direito de crédito presumido às aquições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo, devese verificar se tais produtos foram consumidos no processo de industrialização a partir de contato direto sobre o produto em fabricação. Diante dessa constatação, é possível concluir pela correta atuação da autoridade administrativa ao negar direito ao creditamento em relação aos seguintes produtos: “cal, calcário, fertilizantes, adubos químicos, gases comprimidos utilizados nas máquinas e equipamentos industriais como oxigênio, acetileno, argônio, amônia, etc., cloro, material de limpeza e higienização de instalações e medicamentos”. Portanto, temse por acertada a glosa de todos os produtos identificados nos autos sob o código 1, por não se caracterizarem como matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem, nos termos exigidos pela legislação tributária que rege a matéria. II. Atividade criação de camarões. Industrialização. Creditamento. Quanto à glosa dos insumos aplicados na atividade de criação de camarões, não se consegue extrair da legislação tributária que rege a matéria tal vedação. A autoridade administrativa amparou a glosa no fato de que, por se tratar de atividade agrícola, a criação de camarões estaria excluída do conceito de industrialização, em razão do que os insumos consumidos não poderiam gerar crédito presumido de IPI. O crédito presumido não se confunde com o crédito básico de IPI, não podendo se invocar a sistemática da não cumulatividade em sua apuração, pois constituise em incentivo à exportação a partir do afastamento dos efeitos da cumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS, sendo relevante, na situação, ter havido a incidência dessas contribuições nas etapas anteriores do ciclo de produção, independentemente de haver ou não incidência do IPI. 1 Esse entendimento foi o esposado em inúmeros acórdãos deste Conselho, destacandose os de número 29218.294, de 19 de setembro de 2007, CSRF/02.01.888, de 11 de abril de 2005, e CSRF/0202.260, de 24 de abril de 2006. 1 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. Porto Alegre: Esmafe, 2008, p. 46. Fl. 203DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS 8 Além disso, no presente caso, o produto camarão encontrase classificado na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como sujeito à alíquota zero, fato esse que, por si só, fragiliza o fundamento adotado pela Fiscalização para descaracterizar, como atividade industrial, a cultura do camarão que precede o beneficiamento do produto a ser exportado. Como bem consignou o julgador de piso vencido no julgamento a quo, em declaração de voto (fls.135 a 148), apesar de existir a possibilidade de ocorrerem de forma independente operações de criação de camarão (atividade agrícola) e de beneficiamento do camarão (industrialização), inexiste nos autos qualquer evidência do exercício simultâneo, ou paralelo, de ambos os tipos de atividade envolvendo camarões, descrevendose apenas a atividade de industrialização do camarão. Merece transcrição, ainda, pelo seu caráter esclarecedor, o excerto a seguir transcrito, extraído da mesma declaração de voto referenciada no parágrafo anterior (fl. 137). No presente processo, a partir da descrição dos fatos no relatório, e consultada a documentação acostada, podese concluir que a atividade descrita é eminentemente industrial, dentro dos limites disciplinados no RIPI. A partir da maturação das póslarvas de camarão, numa primeira etapa da produção industrial, o processo avança para as etapas seguintes na linha industrial de produção, para a classificação, limpeza, congelamento e embalagem final. Pedese atenção neste ponto, não é possível abstrair a figura do camarão desse processo industrial. As larvas, as póslarvas e os camarões adultos em que aquelas se transformam, compõem necessariamente o produto final obtido ao final do processo industrial (as larvas e as póslarvas convergem para serem os próprios camarões presentes no produto final industrializado). Não há nos autos nenhuma evidência de comércio, pela interessada, de camarões in natura (nem muito menos, de larvas ou póslarvas de camarão) Vale dizer, no caso, se do produto final industrializado for retirada a figura dos camarões maturados na própria empresa, seres em que se transformaram as larvas e póslarvas, não haveria nenhum produto final industrializado a ser considerado, o que evidentemente não faz sentido ante a evidência de que houve exportação de camarões industrializados. Portanto, neste caso, o camarão é matériaprima industrial no stricto sensu. Portanto, no que se refere aos produtos utilizados na criação de camarões – póslarva, rações e alimentos diversos para o camarão –, dado que comprovado o atendimento dos requisitos para se classificar como insumos, nos termos abordados no item I deste voto, devese acatar sua inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI. III. Conclusão. Diante do exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso voluntário, para conceder o direito ao cálculo do crédito presumido de IPI relativamente às aquisições próprias de insumos utilizados na criação de camarões – póslarva, rações e alimentos diversos para o camarão –, dado que comprovado o atendimento dos requisitos para se classificar como insumos (matériasprimas e produtos intermediários), consumidos em contado direito com o produto final. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10469.902945/200880 Acórdão n.º 380301.639 S3TE03 Fl. 200 9 É como voto. Assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 205DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS 10 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 10469.902945/200880 Interessada: CAMANOR PRODUTOS MARINHOS LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 380301.639, de 5 de maio de 2011, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 5 de maio de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 206DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS Assinado digitalmente em 11/05/2011 por ALEXANDRE KERN, 11/05/2011 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10925.901331/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO
Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.484
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente COMERCIAL PARISENTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO Não pode ser homologada uma compensação, cujos créditos não foram comprovados. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu não homologála em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 13 31 /2 01 2- 32 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10925.901331/201232 Acórdão n.º 3301003.484 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual defende, inicialmente, que os débitos exigidos não compensados devem ficar com a exigibilidade suspensa em razão da apresentação da manifestação de inconformidade. Quanto ao mérito, a contribuinte alega, em síntese, que apurou créditos, passíveis de compensação, oriundos do recolhimento indevido de tributos, uma vez reconhecido seu direito de recolher as contribuições – PIS e Cofins – nos moldes previstos no artigo 3º, §2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07030.882. O fundamento adotado foi o de que, quando a compensação declarada pelo sujeito passivo está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em que alega o seguinte: a) que o débito, cuja compensação não foi homologada, deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão da apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Consituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à alegação mencionada na letra "c", cumpre destacar que o débito, cuja compensação não foi homologada, está sendo cobrado, acrescido de multa de mora de 20% e não de multa de ofício de 150%, além de juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.444, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.901334/201276, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10925.901331/201232 Acórdão n.º 3301003.484 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.444): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Tratase de Despacho Decisório que não homologou compensação pleiteada por meio de DCOMP, em razão de o alegado pagamento a maior não constar nos registros da Receita Federal do Brasil (RFB). Nos autos, encontramse a DCOMP, o Despacho Decisório e extratos da RFB, contendo detalhamento da compensação e histórico da transmissão da DCOMP. Não há cópias de Declarações de Débitos e Créditos Federais Tributários Federais (DCTF). Na manifestação de inconformidade, a Recorrente informou que efetuara pagamentos a maior e apresentou as bases legais que dariam suporte à compensação. Nada dispôs sobre a DCTF original, na qual teria sido incluído o DARF indicado na DCOMP como fonte do crédito (pagamento a maior), e tampouco se fora retificada. Também não carreou aos autos cópias de DCTF. A DRJ (fls. 37 a 40) ratificou o Despacho Decisório, sob a alegação de que na data da protocolização da DCOMP, a DCTF que constava no banco de dados da RFB não indicava a existência de crédito, consistente em pagamento a maior de tributo. E que uma DCTF retificadora somente pode suportar uma compensação, cuja DCOMP tenha sido apresentada na mesma data ou posteriormente. No recurso voluntário, foram apresentados os seguintes argumentos para sustentar a compensação: a) que o débito cuja compensação não foi homologada deve permanecer com a exigibilidade suspensa, em razão de apresentação do recurso voluntário; b) que não há dispositivo legal que vede a compensação de tributos, nos casos em que a DCTF retificadora, em que foi demonstrada a existência do pagamento indevido, tenha sido apresentada após a transmissão da Declaração de Compensação (DCOMP); e c) que a multa de ofício de 150% cobrada da Recorrente não se aplica a compensações indevidas e que não poderia ser superior a 20%, além de afrontar os princípios da proporcionalidade e finalidade dos atos da administração pública e a própria Constituição Federal, em razão de seu caráter confiscatório. Em relação à letra "a", nada há que se falar, pois nenhuma controvérsia há sobre a questão: o inc. III do art. 151 da Lei n° 5.172/66 (Código tributário Nacional CTN) dispõe que a apresentação de recurso, nos termos das normas que regulam o processo administrativo, suspende a exigibilidade do crédito tributário. O disposto na letra "c" também não merece comentários, haja vista que não houve lançamento de ofício e, por conseguinte, multa dele derivada. O débito originalmente compensado com o crédito não comprovado está sendo cobrado com o acréscimo de multa de mora de 20% e juros Selic. Finalmente, sobre o tema central, a adequação ou não da compensação realizada, parcialmente tratada pela Recorrente na letra "b", voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10925.901331/201232 Acórdão n.º 3301003.484 S3C3T1 Fl. 5 4 Não resta dúvida acerca da possibilidade legal defendida pela Recorrente de compensar tributos pagos a maior com débitos tributários. Também não me oporia a legitimar a compensação pretendida, pelo simples fato de que a DCTF retificadora, com indicação do pagamento a maior, tivesse sido apresentada após a protocolização da DCOMP, desde que restasse comprovado que o crédito tributário já existia à época da liquidação do débito tributário. Com efeito, regra geral, a compensação é possível até mesmo se o crédito tiver surgido após o vencimento do débito, desde que a este sejam acrescidos os devidos encargos moratórios. Porém, no caso em tela, não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Temos apenas as alegações da Recorrente de que retificara a DCTF e que detinha o crédito. Alegações, contudo, desacompanhadas das devidas comprovações. Desta forma, não me resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não se encontram os elementos probatórios essenciais à confirmação do crédito, quais sejam: a DCTF retificadora propriamente dita e a demonstração do cálculo do débito e sua comparação com o DARF pago, indicando o pagamento a maior. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 14033.000672/2010-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
RESTITUIÇÃO DE VALORES RETIDOS DE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR DESTACADO E O VALOR RETIDO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO PARA DEFERIMENTO O PLEITO.
A verificação pelo fisco de que o valor destacado na nota fiscal difere daquele retido não é motivo para o indeferimento do pedido de restituição, desde que se comprove que houve o efetivo recolhimento das contribuições retidas.
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
Somente é cabível a aferição indireta da base de cálculo das contribuições, quando o Fisco demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa, o que não se verificou no caso sob cuidado.
Numero da decisão: 2402-005.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial, de modo que a DRFB em Brasília analise o pleito de restituição do contribuinte sem adoção da aferição indireta, considerando unicamente a documentação constante dos autos e adotando como valor retido aquele constante na GPS de fl. 89.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RETENÇÃO SOBRE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. Recorrente CONSTRUTORA RV LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 RESTITUIÇÃO DE VALORES RETIDOS DE NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DIVERGÊNCIA ENTRE O VALOR DESTACADO E O VALOR RETIDO. INEXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO PARA DEFERIMENTO O PLEITO. A verificação pelo fisco de que o valor destacado na nota fiscal difere daquele retido não é motivo para o indeferimento do pedido de restituição, desde que se comprove que houve o efetivo recolhimento das contribuições retidas. AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. Somente é cabível a aferição indireta da base de cálculo das contribuições, quando o Fisco demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa, o que não se verificou no caso sob cuidado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 06 72 /2 01 0- 22 Fl. 1108DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial, de modo que a DRFB em Brasília analise o pleito de restituição do contribuinte sem adoção da aferição indireta, considerando unicamente a documentação constante dos autos e adotando como valor retido aquele constante na GPS de fl. 89. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 14033.000672/201022 Acórdão n.º 2402005.802 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de diligência, conforme Resolução n.º 2402000.567 de fls. 908/912, para que a Delegacia da RFB de Fiscalização cumprisse diligência anteriormente comandada pela Resolução n.º 2803000.190, fls. 660/666. Pedido de Restituição Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias, relativo à competência 04/2006, decorrente de supostas sobras de recolhimento decorrentes da retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.711/1998, fls. 03/06. Decisão da RFB O requerimento de repetição do indébito foi enviado eletronicamente em 18/12/2009, tendo sido indeferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF, mediante o despacho decisório de fl. 344, o qual teve fundamento na insuficiência de mãodeobra para execução dos serviços, nos seguintes termos: Manifestação de inconformidade O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 347/364, na qual suscita os seguintes pontos: a) tendo prestado serviço mediante empreitada, sofreu retenções a título de antecipação de contribuições previdenciárias à alíquota de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviço; Fl. 1110DF CARF MF 4 b) por ocasião da apuração das contribuições previdenciárias decorrentes das folhas de pagamento das obras, efetuou compensação dos valores retidos, todavia, restou saldo em seu favor, motivo pelo qual solicitou restituição dos valores recolhidos a maior; c) diante da morosidade da RFB em analisar o seu pedido, impetrou mandado de segurança, obtendo provimento no sentido de que o mérito do Pedido Eletrônico de Restituição de Retenção (PER/DCOMP) fosse analisado no prazo de 60 dias; d) o órgão requerido, então, intimou a empresa a apresentar uma série de documentos, no qual foi prontamente atendido, contudo, sob a justificativa de que os elementos apresentados não mereceriam fé, a base de cálculo das contribuições foi apurada por aferição indireta, o que conduziu ao indeferimento do pedido; e) afirma ser inadmissível o não reconhecimento da documentação juntada para fins de comprovar o direito creditório, uma vez que, além dos documentos exigidos pela legislação, inclusive a contabilidade, o sujeito passivo apresentou a conciliação de todos os dados necessários ao cálculo dos tributos; f) o despacho decisório não menciona a existência de qualquer divergência ou incongruência entre os documentos exibidos (folhas de pagamento, GFIP, CAGED, etc.); g) por isso, não se pode admitir a utilização da aferição indireta, uma vez que essa somente tem lugar quando: (i) se caracterize a inexistência de contabilidade regular; (ii) evidenciese que esta não reflete o real movimento da remuneração, do faturamento e do lucro; ou (iii) comprovese que, em face de outros elementos de que disponha o fisco, os documentos apresentados pelo contribuinte não mereçam fé; h) os artigos 460, III, 467 e 468 da Instrução Normativa IN RFB n.º 971/2009, utilizados como fundamento para o combatido despacho decisório, tem utilização específica para constituição do crédito tributário, não se prestando para aplicação aos casos de pedido de restituição/compensação; i) do mesmo modo é impensável se cogitar de exigência de crédito tributário, uma vez que o processo em questão trata de restituição de retenção, o qual foi instruído com todos os elementos necessários ao reconhecimento do direito creditório. Ao final pede o deferimento do seu pleito. Decisão da DRJ A decisão de primeira instância, fls. 571/575, declarou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Ali entendeuse que o fato da relação massa salarial/faturamento ser de apenas 3,54% é indicativo de incongruência dos dados informados mediante GFIP/CAGED, o que demonstra a impossibilidade de execução das obras com o número de segurados declarados pela empresa. Com base nesta constatação, o órgão de primeira instância justificou o acerto na aferição indireta da mãodeobra com base na alínea "c", do inciso IV, do art. 447 da IN RFB n.º 971/2009 e declarou improcedente a manifestação de inconformidade, inclusive sugerindo a inclusão da empresa no planejamento fiscal para que se aprecie a citada incongruência. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 14033.000672/201022 Acórdão n.º 2402005.802 S2C4T2 Fl. 4 5 Recurso Voluntário Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 575 e segs., onde em síntese alega que toda a documentação solicitada pelo fisco foi apresentada, sem que se demonstrasse qualquer mácula ou incongruência entre os elementos disponibilizados. Nesse sentido, seria incabível a aferição indireta da remuneração, posto que não se configuraram as hipóteses normativas que poderiam justificar esse procedimento excepcional. Alega que a suposta discrepância na relação massa salarial/faturamento decorreu da falta de cômputo da mãodeobra subcontratada de terceiros, a qual ocorreu conforme demonstra mediante o doc. 03. Defende que não utilizou as retenções feitas das suas contratadas para dedução do valor que lhe foi retido, fato este que justifica a sobra de valores a compensar e a procedência do presente pedido. Sustenta que o fisco também deixou de levar em conta as parcelas indenizatórias pagas aos segurados envolvidos na obra, o que também provoca distorção no critério adotado para verificar a massa salarial em relação ao faturamento. Também requer que se declare a falta de motivo para que a empresa seja incluída em procedimento fiscal, conforme sugerido pelo órgão a quo. Ao final, pediu o reconhecimento do seu direito creditório. Primeira diligência A 3.ª Turma Especial da 2.ª Seção do CARF resolveu converter o julgamento em diligência. O colegiado determinou que o fisco na análise do pedido de restituição se abstivesse de levar em conta a relação massa salarial/faturamento e procedesse a apreciação do feito limitandose a verificar os requisitos necessários ao deferimento do pleito e os documentos acostados pelo sujeito passivo. O fisco pronunciouse às fls. 670/671 entendendo pelo indeferimento do pedido por duas razões: a) que nas folhas de pagamento apresentadas haveria segurados em funções incompatíveis com obras de construção civil, a exemplo de desenhista, auxiliar de compras, gerente administrativo e auxiliar administrativo, o que teria reflexo negativo na escrituração contábil; b) os valores escriturados referentes à retenção sobre as faturas de prestação de serviço estariam incompatíveis com os valores informados na PER/DCOMP, enquanto o sujeito passivo declara haver sofrido retenção de R$ 82.867,47, o valor lançado na contabilidade e destacado na nota fiscal é de R$ 34.897,42. O contribuinte rebateu as alegações constantes na informação fiscal na peça de fls. 676/690. Alegou que a Unidade da RFB ignorou por completo as determinações contidas na Resolução da Turma do CARF. Fl. 1112DF CARF MF 6 Depois argumentou que não haveria necessidade de retificar a GFIP, ante a completa convergência das informações contábeis, fiscais e tributárias apresentadas ao fisco, mas, caso precisasse retificar a guia informativa, mesmo após o transcurso de cinco anos dos fatos geradores, o sistema permitiria tal providência, ao contrário do que se insinuou na informação fiscal. Sustenta que a RFB neste caso vem atentando recorrentemente contra os princípios que regem a administração pública, posto que: a) fundamentou despacho decisório exclusivamente em norma infralegal; b) vem inovando nos seus argumentos para justificar a aplicação da aferição indireta da remuneração dos segurados; e c) descumpre determinação emanada do órgão de julgamento de segunda instância. Depois asseverou que a incompatibilidade das atividades de alguns trabalhadores com a natureza do serviço prestado representa inovação na fundamentação de indeferimento do direito creditório, uma vez que tal fundamento não consta do despacho decisório. Por outro lado, tal alegação não foi acompanhada da imprescindível base legal. Acrescentou que as funções mencionadas na informação fiscal não são incompatíveis com a prestação de serviços em obras de construção civil por se tratarem de funções administrativas necessárias à execução da obra. Garantiu que as informações constantes dos documentos apresentados são absolutamente convergentes, não tendo se configurado a discrepância de informações alegada no pronunciamento da Receita Federal. Afirmou que, segundo a documentação acostada, sofreu retenção de R$ 82.867,47; na competência 04/2006 foi compensado o valor de R$ 8.488,43 e em outras competências R$ 4.692,07; restando o valor de R$ 69.686,97 a ser restituído/compensado. Por esse motivo existe na PER/DCOMP os dois valores, quais sejam, R$ 82.867,47 (retenção sofrida) e R$ 69.686,97 (saldo de retenção). Por fim, requereu a declaração de nulidade da informação fiscal e, no mérito, o reconhecimento do seu direito creditório. Segunda diligência Os autos retornaram a julgamento por essa Turma mediante sorteio e incluído em pauta de julgamento na sessão do dia 13/07/2016, onde o colegiado resolveu determinar a realização de nova diligência fiscal, de modo que o órgão da RFB cumprisse a diligência anterior no sentido de não levar em conta na análise do pedido a aferição indireta da mãode obra. Outra questão trazida na requisição de diligência foi a necessidade de que se oportunizasse a possibilidade do sujeito passivo de retificar informações inconsistentes, além da apresentação de novos elementos úteis à análise do pleito. Por fim, determinouse que a RFB se pronunciasse conclusivamente sobre pontos específicos apresentados pelo contribuinte na petição de fls. 594/632. Veio aos autos a informação fiscal de fls. 916/918, na qual a autoridade fiscal menciona que, no caso ora analisado, o valor da retenção destacado na nota fiscal nº 14(fl. 88) Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 14033.000672/201022 Acórdão n.º 2402005.802 S2C4T2 Fl. 5 7 é R$ 34.897,42, e não 82.867,47 como informado no PER/DCOMP, e declarado em GFIP(fls. 914 a 915). Alegouse ainda que não há como dissociar a relação massa salarial e faturamento da análise do presente pedido de restituição, ignorar tal fato faria incidir no erro de deferir a restituição mesmo tendo sido constatado que as informações prestadas em GFIP pela contribuinte são inexatas. Esclareceuse, por fim, que o contribuinte não apresentou nenhum documento provando que a relação massa salarial reflete fielmente a realidade. Ademais, não lhe foi negado, em momento algum, o direito ao contraditório e à possibilidade de retificar os documentos que entendesse necessários. O sujeito passivo pronunciouse sobre esse arrazoado. Inicialmente destaca que a divergência existente entre o valor destacado na nota fiscal e o efetivamente retido não impede a correta restituição dos valores, eis que o art. 17 da IN/RFB n° 1.300/2012 prevê que os valores serão restituídos com base na comprovação do valor retido pela empresa contratante, ainda que não haja destaque da retenção em nota fiscal. Assevera que o entendimento jurisprudencial da RFB é no sentido de que a quantificação do valor a ser restituído deve levar em conta o valor recolhido e comprovado mediante GPS. Em seguida afirma que o caso não comporta a utilização do método de aferição indireta uma vez que a empresa disponibilizou toda a documentação solicitada pela autoridade tributária e não incorreu em nenhuma das hipóteses normativas que autorizam o arbitramento do tributo. Conclui que: "Dessa forma, atestada a apresentação de documentos hábeis e suficientes à comprovação do direito da Recorrente, bem como a regularidade dos registros contábeis e cumprimento das obrigações principal e acessórias, não há de se falar em aferição indireta e em impossibilidade de dissociação da massa salarial e faturamento, uma vez que a Recorrente comprovou a existência de seu direito creditório mediante documentação hábil e idônea (notas fiscais – fls. 88 e 548, declaração do valor retido em GFIP – doc. 02 e comprovantes de recolhimento GPS – doc. 03), não cabendo ao Fisco, de forma arbitrária e infundada, entender pela inexatidão dos documentos baseandose em falhos argumentos, consoante acima devidamente demonstrado." E segue alegando: "No caso dos autos, exatamente como ocorrido nos demais 21 processos já julgados favoravelmente à contribuinte (doc. 04), a Recorrente comprovou cabalmente a existência de seu direito creditório, não havendo razão para indeferimento de seu pleito, consoante detalhadamente explanado." Fl. 1114DF CARF MF 8 Os autos retornaram a esta instância para julgamento. É o relatório. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 14033.000672/201022 Acórdão n.º 2402005.802 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Mérito Considerando que o recurso já foi admitido quando foi apreciado pela primeira vez aqui no CARF, passemos imediatamente ao mérito da contenda. Apesar do longo relatório, que reflete as idas e vindas experimentadas pelo processo, no meu entender, não são complexas as questões a serem resolvidas por este colegiado, que, após a última informação fiscal prestada, deve decidir sobre as duas inconformidades apontadas como impeditivas para concessão do pleito de repetição do indébito. Divergência entre o valor destacado na nota fiscal e aquele constante na PER/DCOMP Segundo a Receita Federal, a retenção informada na PER/DCOMP para a matrícula CEI 38720.05895/70, para a competência 04/2006, foi R$ 82.867,47, todavia, o valor destacado na nota fiscal e registrado na contabilidade foi de R$ 34.897,42. Esse fato não é contestado pela recorrente, mas, no seu entender, essa divergência não teria força para impedir o deferimento do requerido, haja vista que comprovou, mediante apresentação da GPS, que houve a efetiva retenção do valor informado no pedido eletrônico de restituição. Para fundamentar esse argumento lança mão de dispositivos da IN da IN RFB n.º 900/2008 (vigente à época da formalização do pedido), verbis: Art. 17: A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção de contribuições previdenciárias no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços que não optar pela compensação dos valores retidos, na forma do art. 48, ou, se após a compensação, restar saldo em seu favor, poderá requerer a restituição do valor não compensado, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e declarada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). Parágrafo único. Na falta de destaque do valor da retenção na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, a empresa contratada somente poderá receber a restituição pleiteada se Fl. 1116DF CARF MF 10 comprovar o recolhimento do valor retido pela empresa contratante. Visitando a fl. 88 nos deparamos com a NFPS n.º 14, onde consta destacada a retenção para a Seguridade no Valor de R$ 34.897,42. Todavia consta na fl.89 seguinte a GPS, de código 2682 (Contribuição Retida sobre NF/Fatura da Prestadora de Serviço CEI de uso exclusivo do Órgão do Poder Público Administração Direta, Autarquia e Fundação Federal, Estadual, do Distrito Federal ou Municipal) emitida em nome da Construtora RV Ltda, com identificador CEI 38720.05895/70, cujo valor principal recolhido foi R$ 82.867,47. Considerando que o órgão da RFB não contestou a fidedignidade do documento de quitação do tributo, é de se acatar o argumento da empresa de que houve a comprovação de que efetivamente foi retido de seu pagamento o valor indicado na PER/DCOMP. Assim, entendo que na espécie pode ser aplicado o dispositivo da IN n.º 900/2008, posto que há o permissivo para repetição da retenção, ainda que não tenha havido o destaque, certamente é de se admitir a restituição para os casos em que o destaque foi efetuado a menor que a valor comprovadamente retido. Neste sentido, entendo que a mera divergência entre o valor destacado e contabilizado não é razão para se indeferir o pleito, haja vista que o recolhimento do valor retido é induvidoso. Aferição indireta Assim, como a 3.ª Turma Especial da 2.ª Seção do CARF, entendo que não é cabível a aplicação da aferição indireta ao caso sob testilha e aproveito para utilizar como razões de decidir aquelas lançadas no voto da Resolução n.º 2803000.190 (fls. 660/666): "Em que pese as alegações da decisão recorrida, em que a verdadeira base para o indeferimento ao pedido de restituição foi a relação de massa laboral, abaixo do valor de 40% do disposto no art. 450, I, da IN SRFB n.º 971/2009, sem analise de qualquer um dos documentos ou outras formalidades para o pedido de restituição, o mesmo não pode ser aplicado isoladamente, sem qualquer outro elemento de levantamento, de forma a desconsiderar toda a documentação trazida pelo contribuinte. Observese que o instrumento de aferição indireta utilizado é um instrumento de lançamento do crédito tributário, não do processo de restituição. Inclusive, em momento algum, a primeira decisão fundamentou se na legislação ordinária para fins de fundamentar o indeferimento, não demonstrando o fenômeno da subsunção da norma individual e concreta com base na legislação ordinária, ou em decreto regulamentador. Inclusive, o disposto no art. 447, 450 460, da IN n.º 971/2009, são balizas interpretativas para casos em que há realmente necessidade de desconsideração da documentação apresentada pelo contribuinte em casos de apuração do crédito tributário. Ainda, na decisão da autoridade fiscal, não houve a demonstração da ocorrência da hipótese de incidência do art. 33, §§ 3º e 6º, da Lei n.º 8.212/1991, nem do art. 148 do CTN, que disciplinam a possibilidade de aferição indireta ou arbitramento nos casos que haja negativa do contribuinte de apresentar documentos hábeis e confiáveis a fiscalização quando solicitado. Essa indicação foi feita apenas na decisão da DRJ, inovando a motivação do ato administrativo, o que já é uma infração ao princípio da Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 14033.000672/201022 Acórdão n.º 2402005.802 S2C4T2 Fl. 7 11 segurança jurídica. A fundamentação em atos infralegais deve ser sempre ponderada com as normas de hierarquia superiores, sob pena de violação à legalidade. Primeiro, até o presente momento, não há indicativo de qualquer lançamento de crédito tributário contra a contribuinte no que tange os períodos questionados, se o fiscal alega a existência descumprimento à legislação tributária, e a fiscalização não tomou as providências cabíveis até hoje, a falta é do mesmo que incorre em descumprimento de obrigações de pena funcional conforme o art. 142, do CTN. Segundo, nos autos até onde se verificou, não houve qualquer solicitação da fiscalização ou indicação de necessidade de retificações por parte da fiscalização, conseqüentemente, a sua negativa também não ocorreu. Terceiro, a simples alegação da pouca massa salarial em comparação do faturamento, na atualidade considerando as diversas formas da atividade da construção civil (ex.: construções pré moldadas, as partes do edifício já saem praticamente prontas da fábrica) como o único argumento de rejeição do pedido de restituição, o que abalroa a verdade material e legalidade. Quarto, a não entrega ou entrega incorreta de GFIP pode ser retificada a qualquer tempo, inclusive durante o procedimento de restituição, não é motivo final de não indeferimento de restituição; inclusive, a retificação pode ser por ofício (art. 257, §8º, do Regulamento da Previdência social, do Dec.n.º 3048/1999). Em casos semelhantes, esta Turma Especial já decidiu pela possibilidade da restituição, como o caso (ainda não publicado) do , o qual se transcreve o voto condutor da lavra do Eminente Conselheiro Eduardo de Oliveira, nos autos do processo n.º 10020.004375/200892: (...)" Em síntese, não vislumbrei no caso a ocorrência de circunstâncias que pudessem ensejar a aferição indireta da remuneração, posto que não houve recusa na apresentação de documentos, a empresa possuía contabilidade regular e não houve a cabal de demonstração de que as informações sobre a mãodeobra apresentadas pelo contribuinte não mereceriam fé. Sobre tal questão, tenho até a acrescentar que o sujeito passivo chegou a alegar que a baixa relação massa salarial/faturamento teria decorrido da contratação de empresas de cessão de mãodeobra para execução da obra, cujas retenções não teriam sido consideradas quando da emissão da NFPS n.º 14, de 06/04/2006. Essa questão sequer foi considerada pela RFB na produção de suas informações fiscais. Diante do exposto, encaminho pelo provimento parcial do recurso de modo que a DRFB em Brasília analise o pleito de restituição do contribuinte sem adoção da aferição indireta, considerando unicamente a documentação constante dos autos (folhas de pagamento, nota fiscal, GPS e GFIP) adotando como valor retido aquele constante na GPS de fl. 89. Fl. 1118DF CARF MF 12 Conclusão Voto por conhecer do recurso e darlhe provimento parcial, de modo que a DRFB em Brasília analise o pleito de restituição do contribuinte sem adoção da aferição indireta, considerando unicamente a documentação constante dos autos (folhas de pagamento, nota fiscal, GPS e GFIP) e adotando como valor retido aquele constante na GPS de fl. 89). (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910889/2009-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/11/2003
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.879
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 89 /2 00 9- 43 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11065.910889/200943 Acórdão n.º 9303004.879 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.174, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11065.910889/200943 Acórdão n.º 9303004.879 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11065.910889/200943 Acórdão n.º 9303004.879 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11065.910889/200943 Acórdão n.º 9303004.879 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.723479/2014-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
DECADÊNCIA
Ausente decadência considerando tratar-se ato empreendido em fraude.
NULIDADE.
Ausente nulidade de cerceamento de defesa e devido processo legal na medida em que nulidade do lançamento por um suposto enquadramento equivocado da imputação de responsabilidade solidária importa registrar que, mesmo se tal enquadramento fosse considerado equivocado, esse fato poderia em tese atingir a responsabilização mas não afetaria o lançamento. Preliminar indeferida.
CARACTERIZAÇÃO DA ATIVIDADE.
Foi provado que a contribuinte é pessoa jurídica de fato inexistente criada por pessoas interpostas "laranjas" sendo na realidade operada por outras pessoas jurídicas integradas pelos sócios e diretores recorrentes que integram e/ou integravam sociedades empresárias compunham a organização com interesse em comum. Aplicação do art.124, I e 135, II, ultra vires c/c art.137, CTN.
RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS.
Diante da constatação que a constituição da sociedade fiscalizada se deu mediante utilização de interpostas pessoas (laranjas), é lícito atribuir responsabilidade tributária, em caráter solidário, a todas as pessoas que tiveram interesse comum nas situações que deram origem aos fatos geradores das respectivas obrigações.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes.
PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de perícia que, apesar de que apresente seus motivos e contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide.
OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO DEMONSTRADA (art.42, Lei 9430)
Os recorrentes não se desincumbiram da presunção legal de omissão de receitas baseada em depósitos bancários, prevista no RIR/99.
MULTA QUALIFICADA.
A utilização de contas bancárias de interpostas pessoas e de notas fiscais inidôneas, bem como a falsificação de assinaturas para criação de pessoas jurídicas e abertura de contas bancárias atos que configuram fraude, o que justifica a qualificação da multa.
MULTA AGRAVADA.
O embaraço à fiscalização causado pelo não atendimento às sucessivas intimações da fiscalização justifica o agravamento da multa.
AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL.
A decisão referente às infrações do IRPJ aplica-se às demais tributações, no que couber.
Numero da decisão: 1402-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das argüições de inconstitucionalidade da norma e, negar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados.]
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente da turma), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vice-presidente), Leonardo Gonçalves Pagano, Paulo Matheus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luís Augusto Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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NULIDADE. Ausente nulidade de cerceamento de defesa e devido processo legal na medida em que nulidade do lançamento por um suposto enquadramento equivocado da imputação de responsabilidade solidária importa registrar que, mesmo se tal enquadramento fosse considerado equivocado, esse fato poderia em tese atingir a responsabilização mas não afetaria o lançamento. Preliminar indeferida. CARACTERIZAÇÃO DA ATIVIDADE. Foi provado que a contribuinte é pessoa jurídica de fato inexistente criada por pessoas interpostas "laranjas" sendo na realidade operada por outras pessoas jurídicas integradas pelos sócios e diretores recorrentes que integram e/ou integravam sociedades empresárias compunham a organização com interesse em comum. Aplicação do art.124, I e 135, II, ultra vires c/c art.137, CTN. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. Diante da constatação que a constituição da sociedade fiscalizada se deu mediante utilização de interpostas pessoas (“laranjas”), é lícito atribuir responsabilidade tributária, em caráter solidário, a todas as pessoas que tiveram interesse comum nas situações que deram origem aos fatos geradores das respectivas obrigações. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 34 79 /2 01 4- 97 Fl. 4440DF CARF MF 2 São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que, apesar de que apresente seus motivos e contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO DEMONSTRADA (art.42, Lei 9430) Os recorrentes não se desincumbiram da presunção legal de omissão de receitas baseada em depósitos bancários, prevista no RIR/99. MULTA QUALIFICADA. A utilização de contas bancárias de interpostas pessoas e de notas fiscais inidôneas, bem como a falsificação de assinaturas para criação de pessoas jurídicas e abertura de contas bancárias atos que configuram fraude, o que justifica a qualificação da multa. MULTA AGRAVADA. O embaraço à fiscalização causado pelo não atendimento às sucessivas intimações da fiscalização justifica o agravamento da multa. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A decisão referente às infrações do IRPJ aplicase às demais tributações, no que couber. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das argüições de inconstitucionalidade da norma e, negar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados.] (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente da turma), Fernando Brasil de Oliveira Pinto (vicepresidente), Leonardo Gonçalves Pagano, Paulo Matheus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Luís Augusto Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichelle Macei. Relatório Tratase de autuação decorrente de procedimento de fiscalização desempenhado pela Delegacia Fiscal de São Bernardo do Campo que constatou a presença de Fl. 4441DF CARF MF Processo nº 13819.723479/201497 Acórdão n.º 1402002.523 S1C4T2 Fl. 4.696 3 esquema fraudulento denominado de "Operação Corrosão" por meio do qual "empresas noteiras" se articularam para emissão de notas fiscais com vistas a geração de créditos de IPI, PIS/COFINS e ICMS atuando como pseudo fornecedoras da sociedade empresária Transforme Indústria e Comércio de Metais e Papéis Ltda autuada no PAF n.10932720125/201404 (Acórdão n. , julgado em 12/04/2017, nesta 4ªT.O.) Dos trabalhos da fiscalização a sociedade empresária Ingai Aluminios foi autuada por omissão de receitas constatadas por depósitos bancários de origem não comprovada com responsabilização de terceiros. A contribuinte é revel desde a lavratura do TVF sendo lavrado TSPS em face dos seguintes responsáveis: João Natal Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira, Francisco Coimbra Macedo Neto, Lucas Nercessian, Paulo César Verly da Cruz e Paula Siqueira Verly da Cruz. Os responsáveis apresentaram suas impugnações basicamente na mesma linha de defesa com as seguintes alegações: nulidade do procedimento fiscal por inobservância Súmula 29 CARF; ilegitimidade passiva; decadência e, no mérito, sustentam que a presunção estabelecida no art. 42, da Lei nº 9.430/96 inobservou o contraditório e à ampla defesa; a inobservância das regras do lançamento por arbitramento; contestam a multa agravada e qualificada e pedem aplicação do princípio da individualidade da pena; sustentam o caráter confiscatório da multa aplicada e a impossibilidade de aplicar multa de 75% tendo em vista disposições da Lei nº 11.488/2007. Requerem prova pericial. A DRJ de Curitiba em julgamento realizou análise minuciosa dos efetivos beneficiários da esquema fraudulento estabelecido ao que oportuna se faz sua transcrição: Após a organização criminosa promover a simulação dos pagamentos dos títulos às empresas inidôneas, partícipes das fraudes, com a emissão dos cheques e emissão das notas fiscais, bem como as respectivas contabilizações desses eventos, visando transparecer plena legalidade aos olhos dos Fiscos Estaduais e Federal, já que haviam várias empresas constituídas em diversos pontos do território nacional, os recursos retornavam às contas correntes daqueles que possuíam o chamado "domínio do fato", ou seja, o clã da família CERQUEIRA, o patriarca, JOÃO NATAL CERQUEIRA e seu sócio PAULO CESAR VERLY DA CRUZ , bem como às empresas de direito e de fato desse nefasto grupo econômico sorrateiro e dissimulado, às empresas: • CIMEELI COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE METAIS E LIGAS LTDA, inscrita no CNPJ 01.134.263/000156, constituída em 20/03/1996, com endereço situado à Rua Luiz Ferreira 139, Galpão Sala "A" Bairro Maré Rio de Janeiro RJ, que tinha como quadro societário a empresa NATURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ 07.775.829/000105 com 99,99% de participação societária, JOÃO NATAL CERQUEIRA CPF 65286782868 com 0,01% de participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, CPF 49613120700 com 0,00% de participação na sociedade e FRANCISCO COIMBRA DE MACEDO NETO CPF 50043510744; • NATURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ 07.775.829/000105, constituída em 05/01/2006, com endereço a Rua Joaquim José, 1120 Sala 4 Fonte Grande Contagem MG, que tinha como quadro societário os empresários nacionais JOÃO NATAL CERQUEIRA Fl. 4442DF CARF MF 4 CPF 65286782868 com 99,99% de participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ CPF 49613120700, com 0,01% de participação societária respectivamente; P.R.J. PARTICIPAÇÕES, EMPREENDIMENTOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.° 06.030.272/000110, constituída em 13/11/2003, com endereço situado a PC JK 16, CentroJuquitiba MG, tendo como quadro societário os empresários nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA CPF 06004614670 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERUQIERA, CPF 07044478603 com 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33 de participação societária respectivamente. Tramitou ainda na sociedade, JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 65286782868 no período de 01/04/2011 a 14/01/2014 • XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA inscrita no CNPJ sob o n.° 16.509.511/000173, constituída em 09/07/2012, com endereço situado à Rua Rio e Janeiro, 410 Sala 313 Centro Betim MG, tendo como quadro societário as empresas ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ 10.461.488/000108, com 50% de participação societária, DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador. Tramitou também nesta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO, CPF 09189671716 no período de 09/07/2012 a 18/12/2013. • ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.° 17.026.746/000177, constituída em 21/09/2012 tendo como endereço a Avenida Edméia Mattos Lazzarotti, 3195 Loja C Ingá Betim MG, tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% e participação societária, ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000108 com 50% de participação societária, e como administrador, a pessoa física de RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRACPF 07044478603 com 0% de participação societária respectivamente. Tramitou por esta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO CPF 09189671716 no período de 21/09/2012 a 18/12/2013. • KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.° 08.759.416/000108, constituída em 13/04/2007, com endereço informado Rua Santiago Ballesteros, 260 Bairro Cinco Contagem MG, tendo como quadro societário as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 13.576.294/000146 com 0,01 de participação societária, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 16.509.511/000173, com 99,99% de participação societária, as pessoas físicas de PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA CPF 06004614670 com 0% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA CPF 07044478603, como responsável pelo CNPJ na Secretaria da Receita Federal do Brasil. • TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.° 13.576.294/000146, constituída em 29/03/2011, com endereço à Avenida Edméia Mattos Lazzarotti, 3195 Loja E Ingá Betim MG, tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária, ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000188 com 50% de participação societária e a pessoa física de RAFAEL ESCOBAER CERQUEIRA CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador no CNPJ. • ELECTA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.° 10.461.488/000108, constituída em 07/11/2008, tendo como Fl. 4443DF CARF MF Processo nº 13819.723479/201497 Acórdão n.º 1402002.523 S1C4T2 Fl. 4.697 5 quadro societário os nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 06004614600 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA CPF 07044478603 COM 33,33% de participação societária e JOÃOANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33% de participação societária respectivamente. • RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS LTDA inscrita no CNPJ sob o n.° 05.860.204/000116, constituída em 18/08/2003, com endereço a Rodovia BR 356 3049 LUC NL 04 Belverede Belo Horizonte MG, tendo como quadro societário os nacionais RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA CPF 07044478603 com 95% de participação societária e MARIA ANGELINA ZAIA ESCOBAR CERQUEIRA CPF 00721668860 com 5% de participação societária respectivamente. • MARALINDAN EMPREENDIMENTOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o n.° 07.701.183/000111, constituída em 12/09/2005, com endereço a Rua Desembargador Jaime, 255 Sala 105 Centro Anápolis GO, possuindo quadro societário composto pelas pessoas físicas PAULO CESAR VERLY DA CRUZ CPF 49613120700 com 99,99% de participação societária e JOÃO NATAL CERQUEIRA CPF 65286782868 com 0,01% e participação societária respectivamente. • DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA inscrita no CNPJ sob o n.° 10.407.133/000100, constituída em 16/07/2009, com endereço situado à Avenida Edméia Mattos Lazarotti, 3195 Loja B, Ingá Betim MG, que tinha em seu quadro societário familiares de PAULO CESAR VERLY DA CRUZ e compunha tal empresa, ao mesmo tempo, a participação acionária em várias outras conforme acima demonstrado. • EMPÓRIO DE METAIS LTDA inscrita no CNPJ sob o n.° 01.571.597/0001 97, constituída em 03/12/1996, com endereço à Rua Delfim de Souza, 68A Bairro Raiz Manaus AM, tinha em seu quadro societário os empresários PAULO CESAR VERLY DA CRUZ CPF 49613120700 e JOÃO NATAL CERQUEIRA CPF 652867828068 respectivamente. Em julgamento a DRJ entendeu pelo afastamento da responsabilidade apenas de Paula Siqueira Verly Cruz, menor impúbere (f.38573860), e manutenção da responsabilidade solidária de todos os demais responsáveis. Ao final a decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 Ementa: AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não havendo impugnação ao crédito tributário este deve ser exigido de imediato da contribuinte autuada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Caracterizamse como receitas omitidas os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS PARA COMPROVAR A ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS QUESTIONADOS. À ausência de qualquer alegação por parte da autuada de que os depósitos bancários questionados pertenceriam a terceiros, justificada Fl. 4444DF CARF MF 6 está a ausência de intimação dos responsáveis solidários com vistas a comprovar a origem do numerário. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração. Em consequência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na Impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas, nos termos do artigo 17 do Decreto no70.235/72, na redação dada pela Lei nº9.532/97. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadência de cinco anos contase a partir da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Esta regra é excepcionada nas hipóteses em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, situações em que o prazo de cinco anos é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prescreve o art. 173, I, do CTN. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS. Tendo sido verificado que a constituição da sociedade fiscalizada se deu mediante utilização de interpostas pessoas (“laranjas”), é lícito atribuir responsabilidade tributária, em caráter solidário, a todas as pessoas que tiveram interesse comum nas situações que deram origem aos fatos geradores das respectivas obrigações. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis as pessoas físicas que participem efetivamente do processo decisório para engendrar operações com o objetivo de reduzir a carga tributária, demonstrando o interesse comum ao auferir, direta ou indiretamente, os benefícios delas decorrentes. PEDIDO DE PERÍCIA CONTÁBIL. PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que, apesar de que apresente seus motivos e contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, seja prescindível para a composição da lide. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de multas, sendo incabível, para a consecução dessas finalidades, a aplicação do Fl. 4445DF CARF MF Processo nº 13819.723479/201497 Acórdão n.º 1402002.523 S1C4T2 Fl. 4.698 7 princípio da insignificância ou da bagatela, por parte do órgão julgador administrativo. SÚMULA Nº 29 DO CARF. INAPLICABILIDADE AO CASO SOB ANÁLISE. Descabe invocar a aplicação da Súmula nº 29 do CARF ao caso sob análise, quando resta comprovado que nenhum dos nominados responsáveis solidários pelo crédito em discussão, consta como co titular da conta corrente bancária mantida em instituição financeira pela empresa autuada. INDIVIDUALIZAÇÃO E DELIMITAÇÃO DA BASE A SER IMPUTADA A CADA UM DOS SOLIDÁRIOS. Comprovado que os indicados como responsáveis solidários auferiram vantagens pessoais junto ao esquema montado, contudo, como no cômputo geral constatouse que o grupo, via utilização de SCP e outros artifícios, por meio dos quais tais pessoas físicas permaneciam ocultas, tornouos beneficiários integrais dos valores movimentados e impediu que a autoridade fiscal procedesse à individualização e delimitação da base a ser imputada a cada uma dessas pessoas PEDIDO DE REDUÇÃO DA MULTA. Constatada infração à legislação tributária, a imposição de penalidades pelo fisco obedece ao princípio da estrita legalidade, nos termos do art. 97, inciso V, do CTN, sendo inerente ao lançamento de ofício, não cabendo à autoridade tributária reduzir os percentuais aplicados segundo a legislação tributária, nem afastar sua exigência, exceto quando há previsão legal. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA E PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. INSTITUTOS DE DIREITO PENAL. INAPLICABILIDADE AO DIREITO TRIBUTÁRIO. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ATIVIDADE VINCULADA E OBRIGATÓRIA. A lei não confere discricionariedade à autoridade julgadora administrativa para aplicar, no âmbito do Direito Tributário, institutos próprios do Direito Penal, face tratarse de atividade vinculada e obrigatória, estando subordinado aos comandos que estiverem expressamente previstos em lei. MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA É exigível a multa de 225 % nos casos de evidente intuito de fraude em que o contribuinte deixa de atender seguidamente às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos. NULIDADE. CAUSA NÃO PRESENTE. Não constatada preterição ao direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal do contribuinte e tendo sido lavrado por autoridade competente o hostilizado Auto de Infração, não se cogita de possibilidade capaz de nulificar o lançamento, conforme previsto no art. 59 do Decret nº 70.235/72. Impugnação improcedente Crédito tributário mantido. Em Recurso Voluntário os terceiros responsáveis reiteram os argumentos expendidos em sede de suas Impugnações pretendo em suma o afastamento de suas Fl. 4446DF CARF MF 8 responsabilidades e, no mérito, a ilegalidade de como procedido o lançamento por arbitramento e seus consectários. Voto Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 4447DF CARF MF Processo nº 13819.723479/201497 Acórdão n.º 1402002.523 S1C4T2 Fl. 4.699 9 1. DA ADMISSIBILIDADE: 1.1 Os Recursos Voluntários são tempestivos e assinados por patrono competente. 2. DA DECADÊNCIA: Suscitam os recorrentes a decadência com fulcro no CTN o que não merece prosperar dado que não há que se falar na aplicação do referido artigo quando constatada a fraude in casu. Não merece prosperar a suposta alegação de decadência, em face do disposto no art. 150, § 4º , do CTN, temse como descabida. Não seria aplicável a regra decadência prevista no § 4º, do art. 150, do CTN, haja vista o lançamento consubstanciado no auto de infração ter imputado que a impugnante atuou com dolo, razão pela qual foi aplicada as multas qualificada e agravada, no percentual de 225%, causa excludente da aplicação do citado dispositivo legal, e da conseqüente incidência da regra estabelecida pelo caput do art 173, do CTN, exigência qual é mantida no presente voto como veremos na análise feita sobre o assunto mais adiante. À luz do art. 173,I não há que se falar de decadência, quando o lançamento deuse dentro do prazo legal. 3. DAS EVENTUAIS NULIDADES No que se refere à argüição de nulidade do lançamento por um suposto enquadramento equivocado da imputação de responsabilidade solidária importa registrar que, mesmo se tal enquadramento fosse considerado equivocado, esse fato poderia em tese atingir a responsabilização mas não afetaria o lançamento. Ademais, considerando que revel a contribuinte e que as razões recursais dos responsáveis preponderam argumentos quanto à atribuição de responsabilidade 4. DO PEDIDO DE PERÍCIA O requerimento de prova pericial formulado pelos recorrentes, ainda em sede de impugnação, não merece prosperar na medida em que só tem fundamento quando presentes nos autos elementos a incutir dúvida no julgador e constatada a necessidade de pronunciamento específico; o que inocorrente nos presentes autos. 5. MÉRITO 5.1 DA RESPONSABILIDADE DOS TERCEIROS: Fl. 4448DF CARF MF 10 Em sede de impugnação a DRJ empreendeu análise minuciosa do modus operandi dos efetivos beneficiários do esquema fraudulento ao que importa aqui recuperar as razões de decidir especificamente a João Natal Cerqueira, Rafael Escobar Cerqueira, Paulo Henrique Escobar Cerqueira, João André Escobar Cerqueira e Paulo César Verly Cruz: 363. Visando sempre manterse oculto sob os nomes das empresas acima, JOÃO NATAL CERQUEIRA principal articulador do esquema de fraude, realizava investimentos que tinham como origem os recursos advindos dessas empresas "noteiras". Ao cumprirem seus respectivos papéis de abastecerem as empresas inidôneas com recursos necessários para a simulação de transações comerciais conforme já demonstrado, os recursos retomavam ao "caixa" da organização em forma de transferências bancárias e/ou depósitos. No curso dos trabalhos de auditorias, prosseguindo nos rastreamento dos recursos financeiros dessas empresas inidôneas, verificamos de que modo os recursos circulavam através das empresas até alcançar os destinatários finais, reais beneficiários de toda a operação a família CERQUEIRA. 364. A base de operações da organização sediada no Estado de Minas Gerais, tendo como principal protagonista o empresário JOÃO NATAL CERQUEIRA sócio em várias empresas e investimentos, que nessas condições, abasteciam as contas correntes mantidas em instituições financeiras em nome das empresas inidônea e "noteiras", principalmente as contas mantidas na agência 0559SP/USP Radial Leste do Banco Bradesco, em face das facilidades encontradas tanto na abertura dessa contas, como pela sua movimentação, pelos referidos funcionários dessa instituição financeira, seguindo o seu itinerário ideológico, e retornavam aos "caixas" da organização, em forma de depósitos e/ou transferência bancárias, advindas dessas empresas inidôneas, simulando operações comerciais que jamais existiam, tanto pela própria inexistência dessas empresas, tanto pela própria mecânica fraudulenta das operações que simulavam a quitação de títulos, quando em verdade destinavamse os recursos a depósitos favorecendo os reais beneficiários. Uma das principais empresas dessa organização, que tinha a função de atuar como uma espécie de "caixa", era a KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA CNPJ 08.759.416/000108 a qual estava sob controle da família "CERQUEIRA" 365. Ao percorrem o itinerário os recursos eram direcionados principalmente à empresa PERFIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA CNPJ 01.035.995/000182 e depois redirecionados a KOPRUM em forma de depósitos e/ou transferência em valores elevadíssimos. A KOPRUM possuía a denominação antiga de COMERCIO DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA. 366. Percebase que os fatos anteriormente narrados já seriam suficientes para responsabilizar solidariamente os reais beneficiários do esquema, aqui arrolados como responsáveis solidários, pelos créditos tributários apurados pela fiscalização, não só sob a óptica da regra do art. 124, inciso I, que atribui responsabilidade pelos créditos decorrente do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, mas, também, pela regra prevista no caput do Fl. 4449DF CARF MF Processo nº 13819.723479/201497 Acórdão n.º 1402002.523 S1C4T2 Fl. 4.700 11 artigo 135, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal, que impõe a responsabilidade decorrente de atos praticados com infração de lei, uma vez que existe comprovação de que os ora impugnantes são os reais responsáveis por todo o esquema apurado. 367. Portanto, face ao trabalho fiscal que demonstrou serem os sócios arrolados no contrato social e as diversas alterações, interpostas pessoas (“laranjas”), sem ingerência alguma na empresa, restou atribuir a responsabilidade aos seus administradores de fato. Acerca destes há indícios e provas que levaram à elaboração dos termos de responsabilização por crédito tributário. Com relação aos outros dois responsáveis solidários: Lucas Nercessian de Carvalho (DAMP e XPTO) e Francisco Coimbra de Macedo Neto (Cimeeli), temse que em dado momento constam como sócios em alguma das empresas envolvidas o que justifica a imputação de responsabilidade que lhes foi atribuída. Em sede de Recurso Voluntário argumentam os recorrentes que houve equívoco de capitulação legal do art.124, I c/c 135, III, do CTN na medida em que este último se refere apenas aos "diretores, gerentes ou representantes" enquanto que nenhum desses constava do Contrato social da pessoa jurídica ora autuada nem mesmo gozavam de quaisquer poderes das pessoas ora especificadas sendo "apenas" sócios de pessoas jurídicas que realizaram operações mercantis com a sociedade empresária autuada. Argumentam ainda os recorrentes, sócios das sociedades empresárias operadoras do esquema fraudulento que nem mesmo as sociedades das quais integram quadro social são objeto da presente autuação ao que, portanto, não poderiam figurar na sujeição passiva do presente PAF. Entendemos que a responsabilidade constante no artigo 135 do CTN se trata de responsabilidade utra vires, isto é, a ação fraudulenta dos sócios exclui completamente a responsabilidade da sociedade mediante transferência da sujeição passiva da pessoa juridica para a pessoa fisica, entendo que no caso os Srs. João Natal Cerqueira e filhos, bem como, Paulo César Verly da Cruz, devem responder pelos débitos apurados no auto de infração em tela. A peculiaridade aqui surge na utilização de interposta pessoa na constituição da contribuinte, ora revel, que era operada, na realidade, através dos Recorrentes mediante sociedades empresárias outras contribuindo conjuntamente para a sonegação perpretada e identificada no Relatório de Fiscalização. As razões de recorrer dos responsáveis se concentra em afirmar que o AuditorFiscal errou ao responsabilizálos pelo crédito tributário com base nos artigos 124, I e 135, II, do CTN, pois não integravam o contrato social da contribuinte autuada, nem eram diretores dessas. Temse, no entanto, que vale observar que integravam o contrato social das empresas que se beneficiaram do esquema fraudulento juntamente com a Ingai tendo os recorrentes poderes de administração de fato da contribuinte autuada de modo que essa condição de subordinação leva a interpretar o dispositivo em conjunto com os arts.124, I e 137, I, do CTN. Eis os citados dispositivos: Fl. 4450DF CARF MF 12 "Responsabilidade de Terceiros (... ) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." (grifouse) "Responsabilidade por Infrações (... ) Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas." (grifouse) Temse, no entanto, que as diligências empreendidas pelas autoridades fiscalizadoras foram exitosas em demonstrar que a sociedade empresária autuada era de fato inexistente tendo sido criada por pessoas interpostas que aderiram ao esquema fraudulento arquitetado pelos terceiros ora recorrentes que eram quem detinham os poderes de fato de direção e gerência da Ingaí Alumínio. 5.2 DA OMISSÃO DE RECEITAS, DA APURAÇÃO DO RESULTADO POR ARBITRAMENTO E INCIDÊCIA PIS/COFINS: Fl. 4451DF CARF MF Processo nº 13819.723479/201497 Acórdão n.º 1402002.523 S1C4T2 Fl. 4.701 13 Sustentam os recorrentes que inocorrente efetivo ingresso de receita ao que não poderia lhes ser imputado a prática de omissão de receitas e quanto ao menos a incidência de PIS/COFINS que tem como fato gerador a receita/faturamento. Em sede de julgamento pela DRJ restou cristalino o modus operandi do esquema fraudulento de modo que não subsistem elementos a permitir a afirmação de ausente efetivo ingresso de receita. sob o pálido argumento "de que teria havido apenas o movimento circular do dinheiro, caracterizado por transferências entre constas de mesma titularidade e, transferências e depósitos que caracterizariam efetivo inresso de receita e, desta forma, não configurariam omissão de receitas." Ante às substanciosas razões de decidir constante da decisão da DRJ empreendese aqui sua transcrição: 404. Com o advento do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento está o Fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tãosomente a inquestionável observância do novo diploma. 405. Ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal, tida como relativa (juris tantum), passível de ser afastada caso o sujeito passivo da relação jurídica prove que a prática do fato que lhe está sendo imputado não corresponde à realidade. 406. No caso em apreço, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas corrente, fls. 06 e 1014. O depósitos foram listados de forma individualizada, contudo não se obteve nenhuma respostas, mesmo porque, a pessoa jurídica, como já restou descrito no correr do presente voto, não foi localizada. Toda a ação fiscal foi cientificada por meio de editais. Apenas os responsáveis solidários foram cientificados por meio do patrono que os representa. 407. Em relação a esses depósitos não justificados e utilizados no lançamento, não trazem os impugnantes nenhum argumento ou documento novo para a análise deste juízo. Limitamse as alegações já afastadas relativas a nulidades e falta de prova quando deveriam trazer aos autos as informações pertinentes para elidir o lançamento. 408. Portanto, o decidido quanto à infração que implicou no lançamento de IRPJ, se estende aos lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Fl. 4452DF CARF MF 14 409. O mesmo raciocínio se aplica ao fato de os impugnantes alegarem vicío insanável no procedimento por erro procedimental na apuração da base tributável, ao argumneto de que teria havido movimento circular do dinheiro, caracterizado por tranferências entre contas de mesma titularidade e, transferências e depósitos que não caracterizariam efetivo ingresso de receita e, desta forma, não configurariam omissão de receitas. 410. Conforme já explicitado acima, o lançamento com base em presunção legal desloca para o contribuinte o ônus de afastar a omissão que lhe foi imputada. 5.3 DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA E QUALIFICADA E SEU CARÁTER CONFISCATÓRIO: A inobservância da norma jurídica tendo como conseqüência o não pagamento do tributo importa em sanção, aplicável coercitivamente, visando evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. Assim, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, cabe a aplicação da multa de ofício. Em relação à qualificação/agravamento da multa, concordo com as conclusões da DRJ quando afirma que a autuação não trata, como é óbvio, de mera inadimplência, como afirma a recorrente, mas sim, de fraude (interposição de pessoas, uso de notas fiscais inidôneas e falsificação de endossos em cheques nominais) amplamente comprovada nos autos, visando a sonegação, o que justifica a qualificação das multas (aumento em 100%). Vejase a Súmula do CARF n° 34 (vinculante): "Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. (Portaria n° 383, de 12/07/2010, publicada no DOU de 14/07/2010)" Além disso, o contribuinte, bem como as interpostas pessoas causaram embaraço à fiscalização deixando de atender sucessivas intimações da fiscalização, igualmente demonstrados no curso da fiscalização, o que justifica o agravamento das multas (aumento em 50%). Temse, ainda, que no esquema fraudulento houve a utilização de contas bancárias de interpostas pessoas e de notas fiscais inidôneas, bem como a falsificação de assinaturas para criação de empresas e abertura de contas bancárias atos que configuram fraude, o que justifica a qualificação da multa. Não prospera o argumento dos recorrentes da "intranscendência da pena" na medida em que tratase de princípio do direito penal inaplicável em sede da imposição de multa tributária conforme posição jurisprudencial consolidada em sede do STJ. No que se refere à suposta natureza de confisco do percentual de multa, tratase de arguição de inconstitucionalidade das normas que estabelecem a incidência dessa Fl. 4453DF CARF MF Processo nº 13819.723479/201497 Acórdão n.º 1402002.523 S1C4T2 Fl. 4.702 15 penalidade, tema esse ao qual falece competência a esta Corte para apreciação, nos termos da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, enquanto não houver manifestação definitiva do STF ou STJ em sentido contrário, é impossível negarse aplicação a dispositivos legais plenamente inseridos no ordenamento jurídico pátrio o que joga por terra todo o vasto arcabouço teórico apresentado pela interessada. 6. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por não conhecer as argüições de inconstitucionalidade norma e pela improcedência dos Recursos Voluntários interpostos com a manutenção do Crédito Tributário em face dos terceiros responsáveis. É como voto. (assinado digitalmente) Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 4454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904089/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.386
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente PARATI S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araujo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 40 89 /2 01 2- 59 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10925.904089/201259 Acórdão n.º 3302004.386 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o PIS/Pasep. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 07031.433. O fundamento adotado, em síntese, foi: (i) que, pagamentos efetuados mediante DARF (vinculados a débitos declarados em DCTF) somente se caracterizam como indevidos ou a maior, quando o contribuinte retifica a DCTF, informando corretamente o débito (a menor); e (ii) que, não procede a alegação da contribuinte de que o ICMS não compõe as bases de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins; e (iii) que o órgão administrativo não pode ser pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Intimada de decisão piso, a Recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, aduzindo (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição; (ii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS; (iii) sobrestamento do feito até o transito em julgado da decisão proferida pelo STF (RE 574.706). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.379, de 28 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.907614/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.379): Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10925.904089/201259 Acórdão n.º 3302004.386 S3C3T2 Fl. 4 3 "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 19.03.2014 (fls.43) e protocolou Recurso Voluntário em 07.04.2014 (fls.4653), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02 Inicialmente é imperioso destacar que nos termos da Súmula nº 02 "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Deste modo, a análise da inconstitucionalidade da legislação tributária envolvendo a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS resta totalmente prejudicada. II.2 Ausência de retificação da DCTF direito creditório É incontroverso nos autos que a Recorrente não retificou a DCTF antes de apresentar o Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, fato este que para fiscalização obsta o direito ao crédito buscado pelo contribuinte. Contudo, o fato de a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, por si só, não é motivo suficiente para que seu crédito não seja reconhecido, podendo, tal procedimento, ser superado com a apresentação de provas capazes de comprovar a existência de erro na apuração contábil/fiscal e consequentemente do pagamento indevido ou a maior alegado pelo contribuinte, nos termos do §1º ao art. 147 do CTN, a saber: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito apresentado no Pedido de Restituição (PER) Eletrônico nº 15219.42808.210808.1.2.043337, alegando, pura e simplesmente que o citado pedido referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10925.904089/201259 Acórdão n.º 3302004.386 S3C3T2 Fl. 5 4 Com efeito, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/ RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/ PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10925.904089/201259 Acórdão n.º 3302004.386 S3C3T2 Fl. 6 5 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. Superada essa questão, passase a análise da matéria sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS. II.3 ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente, sem contudo provar, que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.785 2/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158): A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10925.904089/201259 Acórdão n.º 3302004.386 S3C3T2 Fl. 7 6 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10925.904089/201259 Acórdão n.º 3302004.386 S3C3T2 Fl. 8 7 técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10925.904089/201259 Acórdão n.º 3302004.386 S3C3T2 Fl. 9 8 de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10925.904089/201259 Acórdão n.º 3302004.386 S3C3T2 Fl. 10 9 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. II.4 Sobrestamento do processo Por fim, a Recorrente pleiteou o sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do RE 504.706, suplicando pela aplicação do princípio da economia processual. Com todo respeito ao pedido formulado pela Recorrente, as hipóteses de sobrestamento do feito previstas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, não albergam o pedido do contribuinte, logo, deve ser afastado o requerimento anteriormente citado, por total ausência de fundamento legal. III. Conclusão Diante do exposto, considerando que a Recorrente não comprovou a origem do crédito e, que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.144.469/PR), aplicável ao presente caso, é no sentido de manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10925.904089/201259 Acórdão n.º 3302004.386 S3C3T2 Fl. 11 10 Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e, não obstante a Recorrente não ter retificado a DCTF antes de apresentar o pedido de restituição, não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 13151.000012/2002-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que inexistiram os vícios de omissão e contradição alegados pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS.
Ao se constatar que a forma sintética do acórdão embargado pode conduzir a mais de uma interpretação quanto ao aproveitamento de pagamentos para reduzir o lançamento, cabe prestar os esclarecimentos necessários à correta execução do acórdão. Tendo sido os pagamentos disponíveis feitos em data anterior ao vencimento do principal lançado, o valor principal da exigência deve ser reduzido pelo valor principal dos pagamentos disponíveis.
Numero da decisão: 1301-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos embargos para esclarecer obscuridade, sem efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram os vícios de omissão e contradição alegados pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS. Ao se constatar que a forma sintética do acórdão embargado pode conduzir a mais de uma interpretação quanto ao aproveitamento de pagamentos para reduzir o lançamento, cabe prestar os esclarecimentos necessários à correta execução do acórdão. Tendo sido os pagamentos disponíveis feitos em data anterior ao vencimento do principal lançado, o valor principal da exigência deve ser reduzido pelo valor principal dos pagamentos disponíveis.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 372 1 371 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13151.000012/200222 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.408 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2017 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS Embargante GUAVIRÁ INDUSTRIAL E AGROFLORESTAL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram os vícios de omissão e contradição alegados pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS. Ao se constatar que a forma sintética do acórdão embargado pode conduzir a mais de uma interpretação quanto ao aproveitamento de pagamentos para reduzir o lançamento, cabe prestar os esclarecimentos necessários à correta execução do acórdão. Tendo sido os pagamentos disponíveis feitos em data anterior ao vencimento do principal lançado, o valor principal da exigência deve ser reduzido pelo valor principal dos pagamentos disponíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos embargos para esclarecer obscuridade, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 1. 00 00 12 /2 00 2- 22 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 373 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301001.987 (fls. 302/312), prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 07/04/2016. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse por maioria de votos no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 ALOCAÇÕES DE PAGAMENTOS. CORREÇÃO DOS PROCEDIMENTOS. Verificado que as alocações dos pagamentos foram efetuadas segundo o que constou nos documentos de arrecadação e no conjunto de declarações apresentadas pela contribuinte (batimento DIRPJ/DCTF), não merece reparo o lançamento. A Administração Tributária não pode responder pelas informações contraditórias e inexatas que constam das guias de recolhimento e declarações apresentadas pela contribuinte. PAGAMENTO. DISPONIBILIDADE. Desde que, no curso da segunda diligência efetuada, foram identificados pagamentos disponíveis e não alocados automaticamente pelo sistema, tais pagamentos devem ser considerados para reduzir os valores lançados, a exemplo do que já havia sido feito em primeira instância. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de vícios diversos, a saber: 1. Erros materiais no acórdão embargado. 1.1. Da prescrição dos débitos que foram objeto de alocação. 1.2. Da decadência dos débitos que foram objeto de alocação. 2. Das omissões, contradição e obscuridade no acórdão embargado. 2.1. Da exigência de IRPJ do 2º trimestre de 1997 – Alocações indevidas. 2.2. Do pagamento a maior no 3º trimestre de 1997. 2.3. Da obscuridade quanto à forma de alocação dos pagamentos de R$ 4.257,94 e R$ 1.013,53. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 374 3 Ao final, a embargante requer o conhecimento e provimento de seus embargos para sanar os vícios apontados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A embargante tomou ciência do acórdão ora embargado em 12/07/2016, terçafeira (termo à fl. 334). Tendo sido os embargos de fls. 338/347 apresentados em 18/07/2016, segundafeira (termo à fl. 337), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, ao requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, tendo por parâmetros delimitadores aqueles estabelecidos pelo caput do art. 65 do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 1. Erros materiais no acórdão embargado. 1.1. Da prescrição dos débitos que foram objeto de alocação. Sustenta a embargante que o acórdão embargado teria adotado premissas equivocadas para afastar a alegação de prescrição dos valores de valores de R$ 9.093,53 (adicional do IRPJ do 2º trimestre de 1997), R$ 2.956,03 (IRPJ de 1996) e R$ 5.411,28 (IRPJ do 1º trimestre de 1997) foram atingidos pela decadência. Por sua ótica, a partir do momento em que a DRJ determinou a alocação de pagamentos a esses débitos, todas as questões referentes à existência do crédito tributário se tornaram relevantes, especialmente a prescrição, questão de ordem pública. Acrescenta que, se esses valores (não aqueles exigidos mediante auto de infração) foram declarados pela interessada e supostamente não pagos, os procedimentos para a cobrança e execução fiscal já deviam ter sido adotados e, como não o foram, os débitos estariam prescritos. Requer o afastamento das premissas errôneas e o reconhecimento da prescrição dos débitos indevidamente quitados com alocações de pagamentos pela DRJ. 1.2. Da decadência dos débitos que foram objeto de alocação. A embargante afirma que os débitos dos valores de R$ 9.093,53 (adicional do IRPJ do 2º trimestre de 1997), R$ 2.956,03 (IRPJ de 1996) e R$ 5.411,28 (IRPJ do 1º trimestre de 1997) teriam sido atingidos pela decadência, e que esse teria sido seu argumento em sede de recurso voluntário. A análise feita pelo acórdão embargado teria sido equivocada, pois teriam Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 375 4 sido analisados os débitos exigidos no presente auto de infração, e não aqueles extintos mediante a alocação de pagamentos feita pela DRJ. Os dois pontos acima merecem tratamento conjunto. Registrese, inicialmente, que as alegações soam contraditórias, visto que alegam prescrição e decadência para os mesmos três débitos, R$ 9.093,53 (adicional do IRPJ do 2º trimestre de 1997), R$ 2.956,03 (IRPJ de 1996) e R$ 5.411,28 (IRPJ do 1º trimestre de 1997). A decisão embargada deixou claro que as alocações de pagamentos discutidas ao longo do processo não foram feitas pelo julgador de primeira instância, mas sim muito antes, pela Administração Tributária. E mais, que tais alocações, se feitas por critérios diferentes daqueles que a interessada reputa corretos, foram feitas diante de informações equivocadas e conflitantes prestadas pela própria interessada. Confiramse os seguintes excertos: Inicialmente, de se afastar a alegação de decadência. O fato gerador trimestral do tributo aqui discutido ocorreu em 30/06/1997, e a ciência do lançamento em 22/03/2002 (fl. 74) 1. Em assim sendo, quer sejam consideradas as disposições do art. 150, § 4º, do CTN, quer aquelas do art, 173, I, em qualquer hipótese o lançamento terá sido feito dentro do quinquênio legal. De igual modo devem ser rejeitadas as alegações de prescrição para os valores de R$ 9.093,53, R$ 2.956,03 e R$ 5.411,28. Em primeiro lugar, porque esses débitos não são objeto do lançamento do presente processo. Em segundo lugar, porque, ainda que a discussão acerca da alocação de pagamentos a esses débitos tenha surgido no processo como alegações de defesa, não se há de cogitar de prescrição por alocação de pagamentos a débitos declarados. Se essa alocação foi ou não correta é discussão de mérito, mas nada tem a ver com a prescrição. [...] [...] A decisão de primeira instância esclareceu as alocações feitas para esses pagamentos pela Administração Tributária. [...] [...] As alocações de pagamentos trazidas à luz não foram feitas em sede de julgamento, mas muito antes, pela autoridade administrativa competente. Isso ficou evidenciado, inclusive, pelo resultado da diligência determinada em primeira instância. Na busca da verdade material já foram determinadas e cumpridas duas diligências, após as quais necessário se faz dar solução ao litígio, diante das provas dos autos. [...] Quanto às alocações de pagamentos feitas em divergência com os critérios que a recorrente entende corretos, tenho que, de fato, a situação fática se afigura confusa, mas quem deu causa a essa confusão foi a própria interessada, e não a administração tributária. Senão vejamos: [...] 1 Numeração do sistema eprocesso Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 376 5 Como se vê, a interessada forneceu à Administração Tributária informações conflitantes e/ou errôneas em suas declarações e nas guias de pagamentos (DARFs). Diante disso, a alocação dos pagamentos aos débitos foi feita com as informações disponíveis, seguindo, como orientação subsidiária, a data do vencimento indicada nos DARFs. Incabível, no caso, a pretendida aplicação das disposições do art. 163 do CTN, visto que a alocação foi feita com as indicações da própria interessada. Se tais indicações foram confusas ou errôneas, não se pode imputar essa responsabilidade à Administração. Observese: as alocações feitas pela Administração não foram arbitrárias, descumprindo indicações precisas e corretas feitas pela contribuinte. Ao contrário, diante de informações imprecisas e incorretas, a Administração fez o que lhe foi possível. Como se vê, não se verificam quaisquer premissas errôneas adotadas pelo acórdão embargado, que pudessem ser tidas como erros materiais, a serem sanados pela via dos embargos inominados (art. 66 do Anexo II do RICARF). Muito menos ocorreu qualquer contradição, omissão ou obscuridade. Não se reconheceu a decadência para os débitos extintos pela alocação de pagamentos porque o presente processo não cuida da constituição de tais créditos tributários pela via do lançamento, o que afasta a possibilidade de decadência. |Por outro giro, não foi reconhecida a prescrição porque, para a Administração Tributária (e não para o julgador de primeira instância), tais débitos se encontravam extintos por pagamento, diante do que não se poderia cogitar de providências para sua cobrança e execução. Não há, no caso, qualquer premissa equivocada nem erro material, mas tão somente a inconformidade da interessada com a decisão que lhe foi desfavorável. Os embargos devem ser rejeitados, quanto a estes dois primeiros pontos. 2. Das omissões, contradição e obscuridade no acórdão embargado. 2.1. Da exigência de IRPJ do 2º trimestre de 1997 – Alocações indevidas. A embargante sustenta que teria feito pagamentos dos valores de R$ 2.956,03 (1996), acrescido de juros e multa, em 21/03/2001; e de R$ 5.411,25 (1º trimestre de 1997), igualmente acrescido de juros e multa, em 30/09/1997, conforme DARFs anexados ao processo. Esses pagamentos é que extinguiriam os débitos correspondentes, revelandose, assim, indevida a alocação de pagamentos feita (segundo afirma) pela DRJ. O Acórdão embargado terseia omitido sobre essa alegação. Não assiste razão à embargante. O acórdão embargado expressamente validou as alocações de pagamentos feitas pela Administração Tributária e explicitadas pelo julgador de primeira instância e pelas duas diligências já feitas no curso do processo. O primeiro pagamento a que se refere a interessada se encontra à fl. 183 (correspondente à fl. 179 da antiga numeração manual) e foi objeto do quesito (a) da diligência determinada pela Resolução nº 1051.430, de 16/10/2008. O quesito e a respectiva resposta se encontram transcritos no relatório do acórdão embargado. Para clareza, volto a transcrevêlos: Quesito (a): Verifique se o pagamento representado pelo DARF acostado por cópia à fl. 179 é suficiente para a quitação do débito de IRPJ do anocalendário 1996, ao qual foi alocado parcialmente o pagamento de R$ 7.963,48 (fl. 86). Adicionalmente, informe se o DARF de fl. 179 se encontra alocado para algum outro débito. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 377 6 Resposta ao Quesito (a): O débito relativo ao adicional do IRPJ (anual) do anocalendário 1996, declarado pelo contribuinte na DIRPJ 1997 (e que está compatível com o lucro presumido total informado na mesma declaração) corresponde a R$ 11.824,12 (dividido em quatro quotas de R$ 2.956,03, vencidas em 31/03/97, 30/04/97, 30/05/97 e 30/06/97 todas liquidadas com pagamentos diversos). Portanto, apenas o pagamento de R$ 2.956,03 (valor do principal), representado pelo DARF de fl. 179, não é suficiente para a quitação do débito em questão. Como já salientado, parte do pagamento de R$ 7.963,48 (R$ 3.081,36) foi alocada à 4ª quota do débito relativo ao adicional do IRPJ do anocalendário 1996 (vencida em 30/06/97), quitandoa. Já o pagamento representado pelo DARF de fl. 179 (valor total de R$ 5.975,60 e do principal de R$ 2.956,03) foi aproveitado para extinguir parte da 3ª quota do mesmo débito (valor amortizado do débito: R$ 2.909,40), como mostram as telas de fls. 247/249. Oportuno ressaltar que não foi localizado (consulta ao Sinal01) outro pagamento de mesmo valor (do principal), ainda que alocado a outro débito, que pudesse corresponder à 4ª quota do IRPJ adicional de 1996. Também não foi localizado qualquer outro pagamento efetuado pelo contribuinte que esteja disponível (não alocado) e que possua as mesmas características desse débito (valor e vencimento). O segundo pagamento a que se refere a interessada se encontra à fl. 188 (correspondente à fl. 184 da antiga numeração manual) e foi objeto do quesito (b) da diligência determinada pela Resolução nº 1051.430, de 16/10/2008. O quesito e a respectiva resposta se encontram transcritos no relatório do acórdão embargado. Para clareza, volto a transcrevêlos: Quesito (b): Verifique se os pagamentos representados pelos DARFs acostados por cópia às fls. 181/184 são suficientes para a quitação do débito de IRPJ do primeiro trimestre do anocalendário 1997. Adicionalmente, informe se os DARFs de fls. 181/184 se encontram alocados para algum outro débito. Resposta ao Quesito (b): O crédito tributário constituído a título de IRPJ do 1º trimestre do ano calendário 1997, mediante entrega da DIRPJ 1998 (fl. 78), é de R$ 16.233,86 (dividido em três quotas de R$ 5.411,28, vencidas em 30/04/97, 30/05/97 e 30/06/97, todas liquidadas). Os pagamentos representados pelos DARFs de fls. 181 a 184 seriam suficientes para a quitação do débito constituído, como mostra os demonstrativos extraídos do sistema Sicalc de fls. 252 a 255. Entretanto, ante a divergência de valores e vencimentos, alguns desses pagamentos não foram alocados ao débito tratado neste item. Segue a situação de cada um deles: o pagamento efetuado em 28/02/97 (DARF de fl. 181), no valor de R$ 4.257,94, encontrase disponível nos sistemas de controle da Receita Federal (sem alocação); Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 378 7 o pagamento efetuado em 31/03/97 (DARF de fl. 182), no valor de R$ 3.969,56, foi alocado parcialmente (R$ 2.956,03) à 1ª quota do IRPJ adicional do anocalendário 1996. O valor remanescente do pagamento (R$ 1.013,53) encontrase disponível (sem alocação); o pagamento efetuado em 30/04/97 (DARF de fl. 183), no valor de R$ 5.112,83, foi totalmente alocado à 1ª quota do IRPJ do 1º trimestre de 1997; o pagamento efetuado em 30/09/97 (DARF de fl. 184), no valor total de R$ 3.750,04 (valor do principal: R$ 2.893,55), também foi alocado integralmente ao débito de IRPJ do 1º trimestre de 97 (R$ 385,11 à 1ª quota e R$ 3.364,93 à 2ª quota). As telas das pesquisas que confirmam estas informações constam das fls. 256 a 260. Cabe lembrar que o artigo 1º da Lei n° 9.430/96 (aplicável ao ano de 1997) determinou que o imposto deveria ser apurado por períodos trimestrais, encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. O artigo 5º da citada lei, por sua vez, estabeleceu que o imposto devido deveria ser "pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração", ou "em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, vencíveis no último dia útil dos três meses subseqüentes ao de encerramento do período de apuração a que corresponder", (sublinhei) Os pagamentos reclamados pelo contribuinte (representados pelos DARFs de fls. 181 a 184) não foram efetuados em três quotas mensais, iguais e sucessivas, tampouco em quota única, conforme determinação legal. Nenhum dos pagamentos possui valor equivalente ao das quotas do débito. Os DARFs relativos aos dois primeiros pagamentos (R$ 4.257,94 e R$ 3.969,56) foram preenchidos com datas de vencimento que não correspondem ao do débito, seja considerado em quota única, seja em três. Tal situação explica o fato de ambos os pagamentos não terem sido alocados ao débito do 1º trimestre de 1997. Como se observa, a diligência tornou claro que o primeiro dos pagamentos aqui referidos foi alocado para quitação da terceira quota do adicional de IRPJ do ano calendário 2006, revelandose correta a alocação de outro pagamento, até então disponível, para extinção da quarta quota, que se encontrava em aberto. Situação semelhante ocorreu com o segundo pagamento, integralmente alocado para o débito de IRPJ do 1º trimestre de 1997. Ao, mais uma vez, tornar explícitos os critérios e alocações feitos pela Administração Tributária e validar essas alocações, não se pode cogitar de qualquer omissão da turma julgadora. Os embargos devem ser rejeitados, também quanto a este ponto. 2.2. Do pagamento a maior no 3º trimestre de 1997. Segundo a embargante, haveria contradição no acórdão embargado, por reconhecer como devidas as alocações de pagamentos realizadas pela DRJ para débitos que não eram exigidos no presente auto de infração, mas considerar que o pagamento a maior no 3º trimestre de 1997 seria matéria estranha à lide. Pede que seja sanada a contradição, reconhecendo o pagamento a maior no valor de R$ 5.990,01, que deverá ser empregado para o pagamento de eventual débito. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 379 8 Conforme anteriormente esclarecido neste voto (como se não estivesse suficientemente claro no acórdão embargado), quem fez alocações de pagamentos foi a Administração Tributária, não o julgador de primeira instância. A DRJ tão somente esclareceu as alocações e os critérios para tanto, inclusive mediante a realização de diligência. A análise dessas alocações surgiu neste processo como razões de defesa, no momento em que a interessada apresentou impugnação ao lançamento alegando que os valores objeto de autuação já haviam sido quitados. A DRJ, corretamente, verificou a destinação dada aos pagamentos especificados pela então impugnante ou, em outras palavras, verificou a alocação dos pagamentos. O exame dessa matéria é, pois, a verificação dos argumentos defesa, totalmente pertinente à lide que se estabeleceu a partir da impugnação ao lançamento. Em sede de recurso voluntário, a então recorrente quis trazer à baila discussão acerca de alegado excesso de pagamento no 3º trimestre de 1997. A alegação foi tida como estranha aos autos pelo acórdão embargado, nos seguintes termos: Finalmente, quanto à alegação de que teria ocorrido pagamento a maior no 3º trimestre de 1997, deve ser esclarecido à recorrente que essa matéria, sim, é completamente estranha à lide. Da argumentação da interessada, depreendese que esse alegado pagamento a maior é totalmente autônomo em relação à discussão do presente processo, não estando de forma alguma ligado a eventuais e hipotéticas alocações indevidas de pagamentos. Por esse motivo, o alegado indébito teria que ser pleiteado e apurado por via própria, nunca nos presentes autos. O fundamento dessa decisão é claro: o alegado excesso de pagamento não corresponde em hipótese alguma ao crédito constituído mediante a autuação, nem guarda qualquer relação com as discussões atinentes à alocação de pagamentos para que pudesse ser tido como razão válida de defesa. Situações diferentes podem demandar soluções diferentes, a partir de diferentes fundamentos. Não há nisso qualquer contradição. Os embargos devem ser rejeitados, também quanto a este ponto. 2.3. Da obscuridade quanto à forma de alocação dos pagamentos de R$ 4.257,94 e R$ 1.013,53. Aqui, a embargante se refere aos dois pagamentos “disponíveis”, ou seja, encontrados nos sistemas da Receita Federal sem alocação a qualquer débito, identificados por ocasião da segunda diligência (Resolução nº 1051.430, de 16/10/2008). Especificamente: (i) o pagamento efetuado em 28/02/97 (DARF de fl. 181)2, no valor de R$ 4.257,94; e (ii) o pagamento efetuado em 31/03/97 (DARF de fl. 182)3, no valor de R$ 3.969,56 (neste caso, a parcela disponível é de R$ 1.013,53). O acórdão embargado determinou que esses pagamentos “disponíveis” fossem aproveitados para reduzir o lançamento então sob discussão, nos seguintes termos: Diante disso, e tendo em vista tudo o que foi exposto, tenho que é medida de justiça o aproveitamento desses dois pagamentos “disponíveis” (o segundo, parcialmente), para reduzir o lançamento ora discutido. Não fazêlo implicaria 2 fl. 185, na numeração do sistema eprocesso. 3 fl. 186, na numeração do sistema eprocesso. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 380 9 enriquecimento ilícito do Estado, posto que o contribuinte não mais teria como recuperar tais pagamentos “não alocados”. [...] Em conclusão, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário interposto, para admitir que o valor lançado seja reduzido mediante o aproveitamento das parcelas de R$ 4.257,94 e de R$ 1.013,53, acima especificados. Eis a obscuridade alegada pela recorrente, em suas palavras: Por outro lado, já em primeira instância administrativa, a DRJ havia reduzido o lançamento para R$ 15.133,24, tendo em vista a constatação da disponibilidade de um dos pagamentos efetuados pela Embargante (R$ 7.507,06). Assim sendo, tendo em vistas as reduções determinadas pela a DRJ pelo CARF, a Embargante tinha a justificável pretensão de que o valor principal exigido pelo auto de infração seria reduzido para o montante de R$ 9.861,71. Todavia, quando da sua intimação do teor do v. acórdão, a Embargante foi surpreendida pela cobrança do valor principal de R$ 11.299,45. A embargante não especifica o motivo de sua discordância, mas tão somente sua surpresa diante do principal remanescente em valor superior à sua expectativa. Compulsando os autos, encontro demonstrativos às fls. 317/327 do processo que refletem os cálculos efetuados pela Autoridade Administrativa na execução do acórdão embargado. De especial interesse o demonstrativo do sistema SICALC à fl. 324. Os sistemas da Receita Federal do Brasil contemplam uma enorme variedade de situações e contém grande quantidade de informações. Para aqueles que trabalham diretamente, no diaadia, com um determinado sistema, os demonstrativos podem ser de clareza meridiana, mas não é o que ocorre com aqueles que com eles se deparam apenas eventualmente, observação ainda mais válida em se tratando do contribuinte interessado. Em caso de dúvidas, incumbe à Autoridade Administrativa esclarecer ao contribuinte acerca dos métodos e critérios adotados. Mas isso seria bastante difícil de ser concretizado no exíguo prazo de cinco dias para a oposição dos embargos. É plausível que a expressão sintética empregada pelo acórdão embargado tenha dado margem a mais de uma interpretação possível sobre a forma como deveria ser executada a decisão. Diante disso, cabe esclarecer o alcance do quanto decidido. A decisão foi de provimento parcial do recurso, reduzindo o valor lançado mediante o aproveitamento das duas parcelas especificadas. Desde o relatório e na fundamentação da decisão, ficou evidenciado que a situação fática se afigurava confusa, e que quem deu causa a tal confusão foi a própria interessada, ao fornecer informações conflitantes e/ou errôneas em suas declarações e nas guias de pagamentos (DARFs). Diante disso, foram validadas as alocações de pagamentos feitas pela Administração Tributária, com base nas informações de que dispunha. O aproveitamento dos pagamentos “disponíveis” nada mais foi do que uma complementação dos critérios até então adotados pela Administração. Observese que ambos os pagamentos “disponíveis” foram feitos em datas anteriores (28/02/1997 e 31/03/1997) ao vencimento do principal exigido mediante lançamento (31/07/1997). Por consequência lógica, o valor principal remanescente após a decisão de primeira instância (R$ 15.133,24) deve ser reduzido pelo valor original dos pagamentos “disponíveis”, a saber, R$ 4.257,94 e R$ 1.013,53, do que resultará um valor original remanescente após a decisão de Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 381 10 segunda instância de R$ 9.861,77. Os consectários legais de multa de ofício e juros devem ser reduzidos na mesma proporção. Tenho, assim, por esclarecida a obscuridade. Não há efeitos modificativos sobre a decisão, embora possa haver modificação nos critérios adotados em sua execução, de modo a conduzir a um valor remanescente diferente daquele calculado pela Autoridade Administrativa. Conclusão. Em conclusão, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial aos presentes embargos tão somente para esclarecer obscuridade quanto ao aproveitamento de pagamentos disponíveis, ratificando em todos os demais aspectos o quanto decidido pelo Acórdão nº 1301001.987, de 07/04/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905576/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.797
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 76 /2 01 2- 11 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.324, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 142DF CARF MF
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