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Numero do processo: 15374.907585/2008-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
Ementa:
COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – VERDADE MATERIAL
Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi. Em sede de
processo de compensação, em que o onus probandi compete à contribuinte,
não é cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com
a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter
sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. O
princípio da verdade material não é absoluto. Ademais, não é a DIPJ que
define o regime de apuração do lucro – real, presumido ou arbitrado.
Numero da decisão: 1103-000.731
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – VERDADE MATERIAL Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à contribuinte, não é cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. O princípio da verdade material não é absoluto. Ademais, não é a DIPJ que define o regime de apuração do lucro – real, presumido ou arbitrado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – VERDADE MATERIAL Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à contribuinte, não é cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. O princípio da verdade material não é absoluto. Ademais, não é a DIPJ que define o regime de apuração do lucro – real, presumido ou arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Cristiane Silva Costa, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.907585/200885 Acórdão n.º 110300.731 S1C1T3 Fl. 102 2 Relatório DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Tratase de declaração de compensação apresentada em 27/03/2004 mediante mídia eletrônica, DCOMP (mídia e objetivação da declaração de compensação) de fls. 2 a 6, para compensação de débito de IRPJ sob lucro presumido do 3º trimestre do anocalendário de 1999, vencido em 31/10/1999. O crédito que deu origem à declaração de compensação foi apurado no exercício de 1999 por corresponder a pagamento indevido de IRPJ em 29/09/1999 no valor de R$ 1.803,47. DO DESPACHO DECISÓRIO Em 18/07/2008, foi proferido despacho decisório, à fl. 9, que indeferiu a DCOMP e foi fundamentado como segue. Admitiuse a ocorrência de pagamentos realizados a maior, ou indevidamente, que, entretanto, foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Sendo assim, não restou crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Verificouse o seguinte enquadramento legal: arts. 165 e 170, do CTN, e art. 74 da Lei 9.430/96. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Intimada e inconformada com o despacho decisório de fl. 9, a postulante apresentou, em 3/09/2008, manifestação de inconformidade de fls. 11 a 18, com os argumentos que seguem. Afirmou que o despacho retro analisou apenas os valores declarados em DCTFs, sem contrapor as informações constantes da DIPJ transmitida pela recorrente também em 2004. E, analisando a DIPJ/2000, é possível verificar que o valor pago e indicado na DCTF não corresponde ao montante devido. Alegou ter havido, portanto, conflito de informações, devendo prevalecer o valor indicado na DIPJ. Nesse passo, o simples erro da recorrente não concede ao Erário o direito de receber quantia indevida. Acrescentou ainda ter dado início às providências para retificação de sua DCTF, já solicitando pela ulterior juntada do documento retificador. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.907585/200885 Acórdão n.º 110300.731 S1C1T3 Fl. 103 3 Aduziu pela vedação ao enriquecimento sem causa, estendido ao Poder Público, inclusive. E, ainda, pelas previsões dos arts. 165 e seguintes, do CTN, sobre a restituição de tributos quando pagos indevidamente. Professou ainda ter direito a atualização monetária pela taxa Selic, conforme previsão do art. 39, § 4º, da Lei 9.250/95 e Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR 8/97, sob o argumento de que a referida taxa corrige monetariamente os créditos dos contribuintes desde a data do pagamento “até o efetivo aproveitamento pelo sujeito passivo”. Apresentou julgado proferido pelo antigo Segundo Conselho de Contribuintes a fim de corroborar suas alegações sobre a atualização do crédito. Pelo exposto, requereu a reforma do despacho decisório para homologar a compensação pretendida através da DCOMP. DA DECISÃO DA DRJ Em 11/12/2009, acordaram os julgadores da 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, confirmando o despacho decisório, pelos motivos abaixo sintetizados. De plano, observou que, conforme previsão da legislação vigente, o crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal é restituído ou compensado com acréscimo calculado pela taxa Selic. De forma que “não procede a preocupação” da requerente. Ponderou que, em caso de solicitação de compensação, cabe ao suposto detentor do direito apresentar documentação de comprovação tanto do débito, quanto do crédito do qual afirma ser possuidor. Nesse sentido, quando a compensação declarada não é homologada porque as informações da DCOMP não correspondem às anteriormente prestadas à SRF não há que se falar em enriquecimento sem causa do fisco, mas, em inconsistências das declarações. Afirmou que a recorrente confessou dívida de IRPJ em DCTF original, em 13/10/1999, apurada em agosto de 1999, no valor de R$ 1.803,47, conforme fl. 62. Ainda, que foi a essa dívida que o DARF de 29/09/1999, de igual valor, foi alocado, conforme fl. 68. Por essa razão o referido DARF não poderia ter sido indicado na DCOMP para quitação de outros débitos. Ademais, a recorrente não apresentou provas documentais e escriturais para comprovar tratarse de outro débito de IRPJ. E o fato de ter apresentado DIPJ com valores distintos dos informados em DCTF não faz prova do erro alegado. Na manifestação de inconformidade a recorrente solicitou juntada de DCTF retificadora. Contudo, em consulta à fl. 61, observase a entrega de somente uma DCTF. Além do mais, “é inadmissível pretender que, dez anos depois do fato gerador do débito, uma nova confissão de dívida lhe venha alterar o valor”, tampouco poderia ser prova bastante da retificação pretendida. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.907585/200885 Acórdão n.º 110300.731 S1C1T3 Fl. 104 4 Concluiuse, portanto, que as informações veiculadas em DIPJ não produzem efeito de alterar a dívida confessada em DCTF e, mesmo que produzissem, a recorrente não especificou o valor do débito a ser compensado. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 75 a 83, em 10/02/2010, alegando, em síntese, o que segue. A decisão recorrida alegou ter havido inconsistência em relação aos valores apresentados pela recorrente em DIPJ e DCTF. A recorrente afirmou então que, em casos como esse, deve o fisco “requerer diligência para levantar a verdade material” através dos documentos contábeis da recorrente, conforme art. 18 do Decreto 70.235/72, não podendo a simples dúvida originada pela divergência de valores nas declarações resultar em negatória de reconhecimento de um direito. Alegou haver intenção do fisco em impedir a correção do erro cometido pela recorrente, não permitindo o reconhecimento do direito de o contribuinte compensar o valores que tenha pago a maior. Essa negatória do fisco demonstra, portanto, enriquecimento sem causa, tendo em vista que o Erário Público recebeu parcela que era indevida. Reiterou ainda o direito à atualização monetária pela taxa Selic, de acordo com a previsão do art. 39, § 4º, da Lei 9.250/95. Por fim, requereu a homologação de suas compensações. E, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência para que possam ser alcançados os valores questionados pelo fisco através de sua escrituração contábil e fiscal. Protestou ainda pela juntada de documentos aos autos e pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do presente recurso. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.907585/200885 Acórdão n.º 110300.731 S1C1T3 Fl. 105 5 Voto Conselheiro Marcos Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 74 e 75). Dele, pois, conheço. Como se viu do relatório, tratase de DCOMP em que o direito creditório postulado pela recorrente e que é consequente ao indevido recolhimento de IRPJ em 29/09/99. Segundo consta na DCOMP, o crédito nasce de um recolhimento de IRPJ sob o código 5993, com vencimento em 31/10/99, embora arrecadado em 29/09/99 (fl. 4). Alega a recorrente que houve erro no preenchimento da DCTF, e por isso o despacho decisório eletrônico indicou a alocação do crédito a débito sob o código supradescrito, sendo que o débito correto é o constante em sua DIPJ/00. Compulsando os autos, vejo cópia de uma DIPJ/00, cuja Ficha 14 relativa ao 3º trimestre de 1999 acusa o valor de IRPJ devido de R$ 5.963,88 e de IRPJ a pagar do mesmo valor (fl. 24). O regime do IRPJ, segundo essa DIPJ, é o do lucro presumido. A cópia da DIPJ em questão é acusada como retida em malha cadastro, e não se cuida de retificadora (fls. 21 a 40). Sua apresentação se dera em 27/03/04. Nesse passo, observo que o código 5993 é destinado ao pagamento de IRPJ por estimativa para quem apura lucro real, embora não esteja obrigado a esse regime. Já o código do DARF para quem se sujeita ao regime do lucro presumido é o 2089. O curioso é que, segundo o sistema Consulta Declarações IRPJ, cujas páginas que interessam ao caso se encontram impressas nas fls. 50 e 51, há indicação de 4 DIPJ’s relativas ao anocalendário de 1999: a) uma apresentada em 27/03/04, correspondente à cópia apresentada, retida em malha cadastro, mas acusada como retificadora; b) uma apresentada em 30/06/00, acusada como cancelada; c) uma apresentada em 29/06/00, também acusada como cancelada, mas sob regime do lucro real; d) outra apresentada em 29/06/00, indicada como retida em malha cadastro, e igualmente sob o regime do lucro real. Há outra cópia da mesma DIPJ/00 apresentada em 27/03/04, mas impressa por meio do sistema Consulta Declarações IRPJ (fls. 53 a 60). Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.907585/200885 Acórdão n.º 110300.731 S1C1T3 Fl. 106 6 Na cópia da DCTF, há a indicação do débito e do DARF sob o código 5993, no valor do crédito postulado, mas com data de vencimento de 30/09/99 (fl. 63) – na DCOMP é indicado como data de vencimento 31/10/99. Seja na peça inaugural, seja na recursiva, a recorrente se limita a dizer que houve erro na DCTF e que o débito correto é o informado na DIPJ, daí se evidenciando seu direito creditório. Sequer se dignou a recorrente de esclarecer se ela apurara o IRPJ em 1999 sob o regime do lucro presumido e que o indébito seria por recolhimento de IRPJ por estimativa. Tampouco para esclarecer a razão da apresentação de 4 DIPJ/00. Muito menos apresentou DARF sob o regime do lucro presumido, em face do art. 26, § 1º, da Lei 9.430/96 c/c o art. 13, § 1º, da Lei 9.718/981. Como já descrevi, consta como retidas a DIPJ indicada sob o regime de lucro real bem como a DIPJ na qual se acusa o regime do lucro presumido. É curial registrar que se a pretensão em jogo é da recorrente, desta é o onus probandi. E, assim, se ela se insurge contra despacho decisório que infirma total ou parcialmente sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sendo a pretensão deduzida a da recorrente, a produção de provas devese limitar, em princípio, ao momento da manifestação de inconformidade. Reputo ser aceitável a apresentação de provas na fase recursiva, quando se tratar de comprovantes de rendimentos e de retenções de tributos, ou no caso de provas complementares às já apresentadas anteriormente. Diverso do que sucede (produção de provas) quando a pretensão em causa é do fisco. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à recorrente, que postula o direito em causa, entendo não ser cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Da mesma forma, se a pretensão for do fisco, minha intelecção é a de que não cabe transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel ou ônus “primário” (que compõe o que a doutrina italiana 1 Lei 9.430/96: Art. 26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. § 1º. A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. (...) Lei 9.718/98: Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no anocalendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º. A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação ao todo o anocalendário. (...) Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.907585/200885 Acórdão n.º 110300.731 S1C1T3 Fl. 107 7 chama de instrução primária, a qual orienta a relação jurídicoformal do lançamento, em contraposição à instrução secundária, que se desenvolve na relação jurídicoformal processual) do fisco. A carência de certeza do crédito, nesse caso, implica nulidade (total ou parcial) do lançamento, a meu ver. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Ora, quem garante que não tenha havido pagamento de IRPJ por estimativa, antes de eventual pagamento de IRPJ sob regime do lucro presumido? Aliás, nenhuma cópia de DARF sob o código do regime de lucro presumido a recorrente carreara aos autos – se é que há DARF sob tal regime. Não é nem a DIPJ que define o regime de apuração do lucro – real, presumido ou arbitrado. E, mesmo quanto a DIPJ, como disse, consta uma informada sob regime de lucro real e outra sob lucro presumido. Em que pese já se haver transcorrido prazo decadencial para alteração da DIPJ motivada pelo fisco, que, no caso vertente, redundaria em lançamento (porquanto, ao menos na cópia da DIPJ juntada aos autos, não figura saldo negativo de IRPJ), como disse, não é a DIPJ que define o regime de apuração do lucro. Enfim, a recorrente não trouxe aos autos nenhum esclarecimento e tampouco documentos que comprovem ou demonstrem sua pretensão – nem esclarecimentos e documentos que ao menos constituam vigorosos indícios da certeza e liquidez de sua pretensão. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 8 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.907585/200885 Acórdão n.º 110300.731 S1C1T3 Fl. 108 8 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 14/08/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10980.927024/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 15/12/2005
PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Numero da decisão: 3803-003.956
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 15/12/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 70 24 /2 00 9- 11 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927024/200911 Acórdão n.º 3803003.956 S3TE03 Fl. 99 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 26/10/2006, referente a crédito da CIDE – Remessas ao Exterior alegadamente recolhida a maior, relativa ao mês de novembro de 2005, no valor de R$ 162,11, e débitos da mesma contribuição de agosto de 2006. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a homologação da compensação, alegando que, quando da apuração da CIDE a ser recolhida em 2005, encontravase submetido à regra do art. 4º da Medida Provisória nº 2.15970, que determinava que o valor apurado a título de CIDE sobre royalties deveria ser pago mês a mês, observandose o direito a crédito de 70%. Segundo o então Manifestante, ele efetuava, por costume, o repasse trimestral dos royalties ao exterior, inobstante a apuração mensal dos valores a serem pagos a título de CIDE, sendo que, no presente caso, o equívoco derivara do fato de que a CIDE devida nos meses de julho, agosto e setembro de 2005 fora recolhida em duplicidade, sem a redução prevista na Medida Provisória, do que resultou o crédito ora pleiteado. Afirmou, ainda, que declarara erroneamente em DCTF o valor da CIDE de R$ 118.461,38, quando em verdade, o débito devido seria de R$ 14.894,20, em razão do que, pretendendo regularizar a situação, retificou a DCTF em 06/07/2009, a fim de declarar corretamente o valor devido, assim como “comprovar a existência do crédito derivado do pagamento indevido, utilizado no PER/DCOMP em questão”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora entregue em 6 de julho de 2009. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/12/2005 DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927024/200911 Acórdão n.º 3803003.956 S3TE03 Fl. 100 3 Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. COMPENSAÇÃO. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Registrou o relator a quo que o contribuinte apresentara diversas Declarações de Compensação (DCOMP), inclusive a presente, cujo crédito pleiteado total fora informado no PER/DCOMP do processo administrativo nº 10980.923461/200966, em relação ao qual a repartição de origem decidira, por meio de despacho decisório cientificado ao sujeito passivo em 29/06/2009, por não homologar a compensação pleiteada, pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a débitos do contribuinte. Ainda segundo o julgador de piso, cientificado da decisão no referido processo (nº 10980.923461/200966), o contribuinte promovera, em 6/7/2009, a retificação da DCTF, reduzindo o débito da CIDE, do período de apuração nov/2005, de R$ 118.461,38 para R$ 14.894,20, retificação essa realizada anteriomente à ciência de outros despachos decisórios, esta ocorrida em 14/7/2009, em que se decidiu da mesma forma que no processo inaugural da sequência de compensações. Assim se manifestou o relator a quo: Nesse cenário, é importante observar que a ciência de não homologação da primeira Dcomp – 14733.50255.150806.1.3.042804 – que é aquela que demonstra o crédito (as outras são todas vinculadas a ela), ocorreu em 29/06/2009 e a retificação da DCTF aconteceu em 06/07/2009, portanto, após a ciência do Despacho Decisório. Ou seja, a contribuinte retificou sua DCTF após tomar ciência de que o crédito pleiteado não possuía saldo credor, pretendendo, portanto, ajustar suas informações à realidade pretendida nas Dcomp. Porém, a DCTF retificadora não produz efeitos quando tiver por objeto alterar débitos confessados em relação aos quais o sujeito passivo já tenha sido intimado sobre o início de procedimento fiscal. É o que previa a Instrução Normativa RFB nº 786, de 14/12/2007, em seu art. 11, § 2º, inc. III, bem como é o que prevê a IN º 1.110, de 24 de dezembro de 2010, que a sucedeu. Por fim, concluiu o julgador que a retificação da DCTF em data posterior à ciência do Despacho Decisório de não homologação da compensação declarada, para se amoldar à realidade pretendida, não se presta a conferir liquidez e certeza ao crédito, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927024/200911 Acórdão n.º 3803003.956 S3TE03 Fl. 101 4 inexistindo nos autos documentação capaz de comprovar que houvera qualquer pagamento indevido, nem tampouco, prova material das alegações deduzidas pelo contribuinte. Irresignado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário e requer a reforma do acórdão da DRJ Curitiba/PR, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo acrescidas, aqui apresentadas de forma sucinta, as seguintes alegações: a) nulidade do despacho decisório eletrônico por ausência de motivação e por ter desconsiderado a DCTF retificadora em que se demonstrara a existência do crédito derivado do pagamento indevido; b) o despacho decisório fora emitido sem se encontrar amparado em qualquer prova relacionada à inexistência dos créditos pleiteados, tendo havido apenas cruzamentos de dados nos sistemas internos da Receita Federal, sistemas esses de conhecidas fragilidade e vulnerabilidade; c) a autoridade julgadora de primeira instância reconheceu a existência de DCTF regularizadora, mas não apreciou os créditos declarados; d) a autoridade administrativa, como consecução do interesse público, deve buscar a verdade material e não se prender a formalismos, superandose eventuais equívocos no preenchimento da DCTF, conforme já decidiu o CARF; e) conforme se depreende da documentação acostada, resta clara a existência do crédito ofertado à compensação, cuja efetivação deve ser realizada de ofício a partir de investigações adicionais, sob pena de enriquecimento ilícito da Administração Pública. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte traz aos autos, mais uma vez, cópias de documentos societários e de identificação de seu representante legal. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. I. Preliminar. Nulidade do despacho decisório. Inocorrência. De início, destacase que o Recorrente trouxe aos autos apenas em sede de recurso, quando já o poderia ter feito desde o primeiro momento de sua manifestação, novos argumentos de defesa que não foram apresentados e, por conseguinte, não apreciados na primeira instância administrativa, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. Tais inovações dizem respeito à invocação do Recorrente de nulidade do despacho decisório por violação do princípio da motivação e por ter sido emitido sem se Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927024/200911 Acórdão n.º 3803003.956 S3TE03 Fl. 102 5 encontrar amparado em qualquer prova relacionada à inexistência do crédito pleiteado, a partir de mero cruzamento de dados nos sistemas internos da Receita Federal. Na análise dessas alegações, há que se considerar que a nulidade pode ser declarada de ofício em qualquer momento da relação processual. Contudo, não se vislumbra, no presente processo, a ocorrência de tal vício, uma vez que o despacho decisório e seus anexos trazem em seu bojo todo o detalhamento dos fatos analisados, bem como a identificação dos dispositivos legais e infralegais aplicáveis, tendo sido assegurado ao contribuinte o direito à ampla defesa, nos termos previstos pelo Decreto nº 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal. O referido cruzamento de dados, adjetivado pelo Recorrente como frágil e vulnerável, se deu com base nas informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, não tendo havido qualquer decisão aleatória que desconsiderasse os dados repassados. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já teria sido integralmente utilizado na quitação de outro débito da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e pormenorizadamente, todas as informações relativas ao referido pagamento e à compensação pleiteada, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte (PER/DCOMP e DCTF), informações essas suficientes à apreciação do pleito. Uma vez apresentada a declaração de compensação, a Autoridade administrativa tributária, observado o prazo para a homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, já se encontra apta a decidir acerca do pedido formulado, pois que todos os contornos já se encontram definidos desde então, em razão do que não se cogita de decisão desmotivada nos termos alegados pelo Recorrente. No presente caso, a DCTF retificadora transmitida anteriormente à ciência do despacho decisório, mas após a não homologação do crédito declarado no processo administrativo nº 10980.923461/200966, que engloba todo o indébito declarado nos demais processos, inclusive neste, não é apta a demonstrar, por si só, o direito creditório reclamado, pois, conforme se verifica às fls. 38 a 41, o interessado ali informa um pagamento de R$ 14.894,20, coincidente com o valor do débito a ser extinto, que não guarda qualquer relação com o pagamento informado no PER/DCOMP, este no montante de R$ 94.504,73. Se na DCTF retificadora o contribuinte declara a quitação de um determinado débito com pagamento no mesmo valor, não se depreende daí, sem esclarecimentos adicionais e respectivos elementos probatórios, que tal valor se encontra inserido no pagamento a maior declarado em PER/DCOMP e comprovado por DARF. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927024/200911 Acórdão n.º 3803003.956 S3TE03 Fl. 103 6 Nesse contexto, não se detectando qualquer irregularidade no ato administrativo atacado, afastase a alegação de nulidade do Recorrente. II. Mérito. Ônus da prova. Conforme o relator a quo já havia constatado, o contribuinte, ao ser cientificado da não homologação da compensação e do não reconhecimento do direito creditório no âmbito do processo nº 10980.923461/200966, em que se informou o total do indébito que estava sendo compensado naquele processo e nos demais, inclusive neste, procurou retificar a DCTF no sentido de ajustar suas informações à realidade pretendida nas Declarações de Compensação. No entanto, para que a DCTF retificadora produzisse efeitos imediatos, com alteração dos débitos confessados, ela deveria ter sido apresentada anteriormente ao início do procedimento fiscal, nos termos do art. 11, § 2º, inc. III, da Instrução Normativa RFB nº 786, de 14/12/2007, bem como da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. Além disso, conforme apontado na análise acima da preliminar de nulidade arguida, ainda que se considerasse a DCTF retificadora apresentada pelo Recorrente, ela não o socorreria, seja por ter sido transmitida quando o total do crédito pleiteado já havia sido negado anteriormente no âmbito de outro processo administrativo, seja por informar um pagamento diverso do declarado em PER/DCOMP. Ao retificar sua DCTF, o contribuinte, além de alterar o débito anteriormente declarado, informou um pagamento diverso daquele presente na declaração de compensação e no DARF, fato esse que inviabiliza, na ausência de provas adicionais, uma conclusão no sentido defendido pelo Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927024/200911 Acórdão n.º 3803003.956 S3TE03 Fl. 104 7 amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. O contribuinte, no momento da apresentação da Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do despacho decisório, do PER/DCOMP, do comprovante de arrecadação e da DCTF retificadora, não se referindo a qualquer elemento de sua escrituração contábilfiscal que pudesse comprovar as suas alegações relativas ao indébito reclamado. Conforme acima apontado, a DCTF retificadora em nada auxilia a defesa do Recorrente, pois que munida de informações destoantes das presentes na declaração de compensação. No Recurso Voluntário, quando já havia sido alertado pelo julgador de primeira instância da necessidade de comprovação dos dados declarados, o contribuinte nada acrescenta, trazendo aos autos, mais uma vez, apenas cópias de documentos societários. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10980.927024/200911 Acórdão n.º 3803003.956 S3TE03 Fl. 105 8 Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004287/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. PROVA.
A legislação prevê a compensação de imposto de renda retido na fonte na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovada. Hipótese em que a contribuinte juntou aos autos a prova da retenção do IRRF e da extinção do respectivo crédito pela fonte pagadora.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-002.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer o IRRF no valor de R$19.975,52.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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COMPENSAÇÃO. PROVA. A legislação prevê a compensação de imposto de renda retido na fonte na Declaração de Ajuste Anual, desde que devidamente comprovada. Hipótese em que a contribuinte juntou aos autos a prova da retenção do IRRF e da extinção do respectivo crédito pela fonte pagadora. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para restabelecer o IRRF no valor de R$19.975,52. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 42 87 /2 00 8- 86 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1032.263, proferido pela 4ª Turma da DRJ/POA (fl. 72), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação à Notificação de Lançamento de fls. 04/07. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Através da Notificação de Lançamento foi apurado imposto a pagar de R$ 19.975,52 relativos ao exercício de 2006 em decorrência da compensação indevida de imposto retido na fonte tendo em vista que não foram apresentados os documentos comprovando o vínculo entre a empresa e a contribuinte, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal n° 2006/610141951481007 (contracheques mensais, carteira de trabalho etc.) c também não foi constatado o pagamento integral do imposto retido na fonte pela referida fonte pagadora. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação. O total do crédito tributário é de R$ 28.411,17. " Na impugnação (fls. 1 a 3) a contribuinte esclarece que os rendimentos (R$ 96.396,20) e o respectivo imposto retido na fonte (R$ 19.975,52) foram informados me DIRF pela empresa Merlin S/A Comércio, Serviços e Locação em Agronegócios CNPJ n° 92.727.163/000199 bem como a referida fonte pagadora forneceu o comprovante de rendimentos pagos no anocalendário em tela. Discorda do argumento constante da notificação de que o imposto não teria sido pago integralmente, pois, a mencionada empresa efetuou os pagamentos através de DARFS e de compensações de créditos tributários através de Declarações de Compensações PERD/COMP, dos valores informados em DCTF. Argumenta que não apresentou os contracheques e/ou carteira de trabalho, conforme solicitado na intimação, uma vez que é Diretora (sem vínculo empregatício), conforme se verifica na Ata de Eleição da Diretoria de 24/04/2004, em anexo. Diz também que é a Representante Legal da fonte pagadora perante a Receita Federal. Informa, ainda, que na DIRPJ do exercício de 2006, na ficha 47A Rendimentos dos Dirigentes, Sócios ou Titular, consta a qualificação da contribuinte como Diretora e o total dos rendimentos pagos e respectivo imposto retido na fonte (cópia anexa). Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006 Ementa: IMPOSTO RETIDO NA FONTE Não tendo sido comprovado o efetivo recolhimento do IRRF peia Pessoa Jurídica não pode a contribuinte pleiteálo em sua declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF (fls. 80/85), a contribuinte reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo, e reapresenta documentos relacionados ao pagamento do prólabore, pagamento e compensação do IRRF. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 11080.004287/200886 Acórdão n.º 2101002.108 S2C1T1 Fl. 136 3 Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O litígio em exame decorre exclusivamente da glosa do IRRF compensado pela contribuinte em sua DIRPF do exercício de 2006, no valor de R$ 19.975,52 incidentes sobre rendimentos de prólabore (R$ 96.396,20) percebidos da empresa Merlin S/A Indústria e Comércio de Óleos Vegetais, da qual a interessada é sócia, sob a alegação de que não ficou comprovado nos autos o efetivo recolhimento aos cofres da União da totalidade do IRRF, no anocalendário em tela. Sem razão a decisão recorrida. Do exame das peças processuais, verificase que os fatos alegados pela recorrente encontram suporte em elementos de prova nos autos. O Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte à fl. 10, confirmam os rendimentos declarados e o respectivo IRRF compensado. Da mesma forma, a DIRF (fls. 11/12) e a Ficha 47A – Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titular da DIPJ (fl. 13) são concordantes e conclusivos com o prólabore tributado e respectivo IRRF. A decisão recorrida entendeu que “cabe observar que nos DARFs (fls. 28/31) dos quais os meses de novembro e dezembro de 2005 (fl. 31) não possuem autenticação mecânica, verificase que os recolhimentos se deram sob ò código de receita 0561 (rendimentos do trabalhos assalariado com vínculo empregatício). Todavia, a contribuinte expressamente informa na impugnação (fl. 2) que "é Diretora (sem vínculo empregatício)". Pois bem. Juntamente com o recurso voluntário a contribuinte reapresentou os pedidos de compensação e DARF’s com as respectivas autenticações, fls. 101/117, modalidades de extinção do crédito tributário, conforme dispõe o artigo 156 do CTN. Cumpre ainda esclarecer que o código de retenção do IRRF (0561), indicado nas PER/DCOMP e DARF’s, abrange o pagamento de prólabore (rendimento pelo trabalho pago a sócios dirigentes). Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para restabelecer o IRRF no valor de R$19.975,52. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.939138/2009-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS.
Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitam-se os embargos de declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-001.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTOS. Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitam-se os embargos de declaração. Embargos Rejeitados.
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PRESSUPOSTOS. Inexistindo os pressupostos regimentais estabelecidos no art. 65 do RICARF, rejeitamse os embargos de declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 91 38 /2 00 9- 32 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte ao Acórdão 340301.382, de 26 de janeiro de 2012, por meio do qual o Colegiado desproveu o recurso voluntário. O julgado recebeu a seguinte ementa: “DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A decadência do direito do fisco impede a prática do lançamento tributário, mas não impede a instauração de procedimento fiscal e, tampouco, a glosa de créditos indevidos, ainda que tenham sido lançados na escrita fiscal há mais de cinco anos. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Nos casos em que há transmissão de PER/Decomp retificador, o prazo de decadência para o fisco homologar ou não a compensação começa a correr da data da retificação. GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. OBRIGATORIEDADE. Enquanto não exaurido o prazo previsto no art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, o contribuinte é obrigado a conservar os livros e documentos fiscais comprobatórios do direito de crédito, ainda que o crédito se refira a valores lançados em períodos de apuração alcançados pela decadência do fisco efetuar o lançamento de oficio. MPF, DESVIO DE FINALIDADE. Inexiste desvio de finalidade quando o MPF é emitido para a fiscalização de certo tributo e, deste procedimento, resulta a não homologação de compensação. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte fazer a prova dos fatos constitutivos do direito oposto à administração. Recurso voluntário negado.” O embargante alegou, em síntese, a existência de nulidade e omissão no acórdão embargado. As razões recursais podem ser resumidas da seguinte forma: 1) tempestividade: os embargos foram opostos dentro do prazo regimental, uma vez que tomou ciência do acórdão embargado em 21/05/2012 e o termo final do prazo caiu no dia 26/05/2012 (sábado), prorrogandose para o primeiro dia útil seguinte, 28/05/2012 (segundafeira), quando foi protocolado o recurso; 2) com base na doutrina e jurisprudência, sustentou entendimento segundo o qual é cabível o acolhimento de embargos de declaração com efeitos infringentes, quando do saneamento do vício que rendeu ensejo à interposição dos embargos, decorra necessariamente alteração na conclusão do julgado embargado; 3) a nulidade do julgamento decorreria da violação dos artigos 53; 55, II, “c”; e 58 do Regimento Interno e também do art. 236, § 1º do CPC, pois não houve intimação da empresa e do advogado da data da sessão de julgamento. Nem a empresa e nem o advogado foram intimados da pauta de julgamento, impossibilitando a entrega de memoriais e a sustentação oral, conforme foi expressamente requerido no recurso. Houve violação do art. 5º, LIV e LV, da Constituição e do art. 55, II, “c” do RICARF, pois não constou o nome dos interessados na pauta publicada no diário oficial; Fl. 446DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.939138/200932 Acórdão n.º 3403001.927 S3C4T3 Fl. 3 3 4) o Relator julgou prematuramente o recurso voluntário, pois a embargante valeuse dos arts. 16, IV, § 1º e 18, caput, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748/93, para requerer diligência e perícia técnica, que foi indeferida. Além disso o art. 37 da Lei nº 9.784/97 estabelece que quando a prova estiver em poder da Administração Pública o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. A embargante postulou a produção de provas específicas, que só podiam ser trazidas pelo fisco, mas não foi atendida. Houve inversão indevida do ônus da prova. O direito creditório e a homologação das compensações com crédito de IPI do período em questão não podiam deixar de ser homologadas simplesmente pela falta de apresentação de documentos que o contribuinte não está mais obrigado a apresentar. Requereu o acolhimento dos embargos para o fim de se decretar a nulidade do processo a partir da publicação da pauta de julgamento, inclusive ela, e demais atos posteriores, anulandose o acórdão embargado e determinandose que outro julgamento seja realizado, intimandose a embargante e seus patronos, observando que na publicação realizada pelo diário oficial conste o nome da recorrente, o número do processo, nome dos advogados e inscrição na OAB, data do julgamento e outras informações indispensáveis. Requereu sob pena de nulidade a intimação da empresa e do advogado da data de julgamento dos embargos de declaração, para que possam apresentar memoriais, participar do julgamento e sustentar oralmente. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. Os documentos anexados pelo embargante comprovam que o recurso foi manejado com a guarda do prazo regimental de cinco dias. Não se discute a possibilidade dos embargos de declaração serem acolhidos com efeitos infringentes, desde que exista pelo menos um dos pressupostos de admissibilidade previstos no art. 65 do RICARF e que do saneamento do vício apontado decorra logicamente a necessidade de alteração no resultado do julgamento. O contribuinte indicou como pressupostos dos embargos a existência de nulidade e de omissão, mas na verdade apontou a existência de duas nulidades, quais sejam: deficiência na intimação da data da sessão de julgamento e indeferimento da perícia com inversão do ônus da prova. A pauta de julgamento do mês de janeiro de 2012 foi publicada na Seção I do Diário Oficial do dia 12/01/2012, páginas 20 e 21. O exame da publicação permite aferir que da pauta constaram todos os dados indicados pelo art. 55 do Regimento Interno do CARF, pois foi informado o dia, a hora e o local da sessão de julgamento; o nome do relator; o número do processo e o nome do contribuinte. A pauta foi publicada com a nota explicativa de que os julgamentos adiados seriam realizados independentemente de nova publicação. A pauta foi publicada com 14 dias de antecedência da data estabelecida para a sessão de julgamento, Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 restando com isso cumprido art. 55, parágrafo único, do RICARF, que estabelece a obrigatoriedade de uma antecedência mínima de dez dias. Registrese que a pauta estava disponível também na internet no sítio do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (www.carf.fazenda.gov.br). O embargante invocou dispositivos do Código de Processo Civil para fundamentar a alegação de nulidade. Porém, o rito do processo administrativo fiscal é diferente dos ritos processuais estabelecidos no Código de Processo Civil. Os dispositivos do Código de Processo Civil só são aplicáveis ao processo administrativo fiscal em caráter subsidiário e, mesmo assim, se a lacuna eventualmente existente no Decreto nº 70.235/72 não puder ser colmatada pela aplicação subsidiária da Lei nº 9.784/99. No que tange à citação do contribuinte, existe norma expressa no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o que afasta a aplicação de qualquer outro dispositivo legal, seja da Lei nº 9.784/99, seja do Código de Processo Civil. Isso significa que tanto os órgãos de julgamento administrativo, quanto a autoridade administrativa da circunscrição fiscal do contribuinte estão obrigados a efetuar as citações e a encaminhar as notificações ao sujeito passivo e não ao seu advogado. Além disso, a correspondência oficial deve ser endereçada para o domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, que ele próprio indicou e que se encontra registrado no cadastro da repartição fiscal (art. 23, I, II, III e § 4º, do Decreto nº 70.235/72). Desse modo, no âmbito do processo administrativo fiscal, ainda que haja requerimento por parte do advogado no corpo do recurso, não há previsão legal para que citações sejam efetuadas na pessoa do advogado ou que intimações sejam encaminhadas para o escritório do advogado. A uma porque o art. 236 do CPC cede o passo diante da previsão legal específica do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. E a duas porque a intervenção do advogado não é obrigatória no processo administrativo fiscal. Especificamente quanto à intimação da data de julgamento dos recursos em julgamento no CARF, não há previsão regimental para a intimação do contribuinte e do seu patrono na forma pretendida pelo ilustre advogado, pois resulta dos dispositivos regimentais que se considera o contribuinte intimado da data do julgamento com a publicação da pauta no Diário Oficial, nos termos dos arts. 55 e 58, II, do Regimento Interno do CARF. O embargante alegou que o art. 55, II, “c”, do RICARF não foi observado, pois apesar de estabelecer que a pauta deve conter o nome do recorrente e dos “interessados”, somente apareceu o nome do recorrente, desacompanhado do nome do advogado e do número de inscrição na OAB. Acontece que a obrigatoriedade de inclusão dos “interessados” não significa que deva constar da pauta o nome do advogado e o número de registro na OAB, como alegou o ilustre patrono. Em mais de 80 anos de existência, o CARF nunca publicou suas pautas de julgamento consignando os nomes e os números de inscrição dos advogados. Os “interessados” citados no referido dispositivo regimental são os responsáveis solidários pelo crédito tributário, cujos nomes eventualmente tiverem sido arrolados pela fiscalização no auto de infração e não o nome do advogado constituído pelo contribuinte. Portanto, não houve nulidade nem no conteúdo da pauta de julgamento de janeiro de 2012 e nem na intimação do contribuinte, que se considera efetuada no dia 12/01/2012, 14 dias antes da data fixada para sessão de julgamento. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.939138/200932 Acórdão n.º 3403001.927 S3C4T3 Fl. 4 5 Relativamente ao indeferimento da perícia e ao que a embargante denominou de “inversão do ônus da prova”, verificase que no recurso apresentado não foram alegados nenhum dos pressupostos regimentais que rendem ensejo aos embargos de declaração. O art. 65 do Regimento Interno somente autoriza a interposição de embargos de declaração para o saneamento de omissões, obscuridades e contradições existentes no acórdão. O embargante alegou a existência de omissão, mas não demonstrou no que consistiu a omissão, tendo se limitado a alegar a existência de nulidade em virtude do indeferimento da perícia e da inversão do ônus da prova. A leitura do acórdão embargado revela que não existe nenhum vício que renda ensejo à interposição de embargos de declaração. Isto porque todas as alegações recursais foram devidamente rechaçadas. A decisão está lastreada no fato de que ônus da prova era do Contribuinte, pois foi ele quem alegou o direito de crédito contra o Fisco. Ficou decidido que o contribuinte tinha o ônus de manter os livros fiscais, pelo menos até o encerramento deste processo, ainda que esse prazo seja superior a cinco anos. Está claro na decisão embargada que o direito ao crédito de IPI só pode ser comprovado por documentos que estão ou que deveriam estar na posse do contribuinte, no caso, os Livros de IPI modelo 8 e os documentos fiscais que deram suporte aos lançamentos. Se o próprio contribuinte informou no recurso voluntário que não mais possui os livros, porque se julga dispensado de apresentá los, não há perícia e nem diligência capaz de resolver seu problema. Administração Tributária nada mais pode fazer a não ser indeferir o pleito por falta de provas, uma vez que ela não tem em seu poder a escrita fiscal do contribuinte. Na verdade, a leitura das razões recursais revela a nítida pretensão do embargante rediscutir os fundamentos a decisão recorrida, o que não se admite em sede de embargos declaratórios. Com essas considerações, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Fl. 449DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13804.006606/2003-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO. É nula a autuação lavrada sob o fundamento "Proc jud não comprovado", quando o contribuinte apresenta provas de que é parte da demanda judicial considerada pela fiscalização como inexistente. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.522
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de Apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO. É nula a autuação lavrada sob o fundamento "Proc jud não comprovado", quando o contribuinte apresenta provas de que é parte da demanda judicial considerada pela fiscalização como inexistente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais que negava provimento. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em São Paulo I que manteve em parte o Auto de Infração e Imposição de Multa, por entender que (i) a Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 o Mandado de Segurança indicado pelo contribuinte em DCTF foi julgado pelo STF, o qual decidiu que o PIS é devido nos termos da MP nº 1.212/95 e (ii) afastou a multa de ofício em face da retroatividade benigna. A ora Recorrente foi intimada da lavratura de Auto de Infração para exigir a importância de R$ 494.829,57, em decorrência de auditoria interna em DCTF, na qual foram constatadas supostas irregularidades nos créditos vinculados informados em DCTF, relativos ao PIS/1998 (“Proc jud não comprovado”). Inconformada com a exigência fiscal, a ora Recorrente apresentou impugnação alegando que a lavratura do Auto de Infração originado por sua análise das informações prestadas nas DCTF do ano calendário 1998 não apresentou irregularidades que justificassem tal procedimento, em virtude da inconsistência apontada tratarse de exigibilidade suspensa do PIS. Para fundamentar sua alegação, instruiu sua defesa com cópia do Mandado de Segurança nº 96.00099650, do Agravo de Instrumento nº 96.03.0360929 e da Certidão de Objeto e Pé que comprovam o referido Processo. A DRJ em São Paulo julgou parcialmente improcedente impugnação apresentada, apenas para afastar a multa de ofício em face da retroatividade benigna. No mérito decidiu que a exigência deveria ser mantida tendo em vista que o Mandado de Segurança indicado pelo contribuinte em DCTF foi julgado pelo STF, o qual decidiu que o PIS é devido nos termos da MP nº 1.212/95. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na impugnação, acrescentando que (i) a decisão de primeira instância cancelou o Auto de Infração Originário e teve por escopo efetuar novo lançamento e (ii) que seria inaplicável a multa de mora no presente caso. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente autuação decorreu, exclusivamente, da suposta não identificação do Mandado de Segurança n°. 96.00099650 informado pelo contribuinte em DCTF. Ocorre que, como bem colocado pela Recorrente, a própria DRJ reconhece que tal alegação não procede. Com efeito, a decisão recorrida confirma expressamente a existência do referido Mandado de Segurança. Tanto é verdade que foi exatamente este o pressuposto fixado no acórdão para concluir que o AI deveria ser mantido em face de posterior decisão do STF reconhecendo a exigência do PIS nos termos da MP nº 1.212/95. A despeito da apresentação pelo contribuinte de provas que afastam a fundamentação legal do AI (proc jud não comprovado), a DRJ preferiu manter a exigência com base em fatos novos, ocorridos, inclusive, em data posterior à lavratura do AI. Ao assim proceder, incorreu em flagrante nulidade, na medida em que realizou autuação nova, vez que baseada em fundamento legal igualmente novo, o que extrapola a sua competência. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13804.006606/200304 Acórdão n.º 3301001.522 S3C3T1 Fl. 93 3 Afinal, como o fundamento da autuação foi apenas a não confirmação da existência de medida judicial válida, a apresentação de provas em sentido contrário (ou seja, que demonstram que existe a ação judicial, que a ora Recorrente figura em seu polo ativo e que a matéria que nela se discute é a exigência em questão) é suficiente para afastar a autuação, nos termos prescritos pelo art. 53 da Lei nº 9.784/99 c/c o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido já decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais como se verifica do trecho do voto da Relatora no Ac. 930301.287: Ora, tendo o Fisco motivado seu ato na não comprovação do processo judicial e a realidade demonstrada no processo desmentir o motivo indicado, claro está que o auto de infração deve ser anulado pela própria Administração, a teor do que determina o art. 53 da Lei nº 9.784/99, combinado com o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. Da mesma forma, como exposto na decisão recorrida, o lançamento de ofício deveria ter considerado decisão transitada em julgado favorável ao contribuinte. No mais, o recurso interposto, deveria trazer contestação a todos os itens expostos na decisão guerreada, e não somente quanto à liquidez dos créditos utilizados pela contribuinte na compensação, matéria, inclusive afeta à fiscalização, se tivessem sido observados todos os requisitos legais do lançamento. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, julgando totalmente improcedente o presente auto de infração, em face de ter o contribuinte apresentado provas que afastam a veracidade da fundamentação fática que o originou (“ocorrência: Proc jud não comprovado"). [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 137DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 17/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 10820.005140/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
APURAÇÃO DO IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL.
À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente suas obrigações tributárias.
RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO.
A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá à autoridade competente da DRF, Derat ou IRF-Classe Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos.
RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS.
A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência.
O ressarcimento de tributos requer a existência de crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Nacional. Se não há tal crédito, não há como operar o ressarcimento.
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO.
Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72).
O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte-autora.
RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO.
Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3202-000.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitou-se as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 APURAÇÃO DO IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá à autoridade competente da DRF, Derat ou IRF-Classe Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. O ressarcimento de tributos requer a existência de crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Nacional. Se não há tal crédito, não há como operar o ressarcimento. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte-autora. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitou-se as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negou-se provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá à autoridade competente da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. O ressarcimento de tributos requer a existência de crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Nacional. Se não há tal crédito, não há como operar o ressarcimento. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. Nos pedidos de ressarcimento de tributos é do contribuinte o ônus de provar os fatos constitutivos do direito creditório pleiteado. Prescrição contida no artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicado supletivamente ao PAF (Decreto No. 70.235/72). O contribuinte deve demonstrar, clara e objetivamente, com base em provas, suas alegações de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco este ônus processual. Atribuir à fiscalização este AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 51 40 /2 00 8- 30 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parteautora. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitouse as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, negouse provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento do IPI relativo a créditos básicos (Lei nº 9.779/99) apurados no 4º trimestre de 2002, objeto do PERDCOMP eletrônico nº.08964.071103.1.f.012706, transmitido em 07/11/2003 (fls. 02/03). O pedido foi protocolado em nome do estabelecimento matriz da Recorrente (inicialmente sob o processo nº 10880.903761/200876) e, posteriormente, encaminhado pela DERAT – São Paulo à DRF – Araçatuba, unidade da Receita Federal que jurisdiciona o estabelecimento filial que apurou os créditos pleiteados. Para melhor detalhar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005140/200830 Acórdão n.º 3202000.669 S3C2T2 Fl. 243 3 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI. Consta nos autos que o estabelecimento matriz da interessada transmitiu, em 07/11/2003, PER/DCOMP, requerendo o ressarcimento do saldo credor do IPI de que trata o artigo 11 da Lei n° 9.779/99, apurado pelo estabelecimento filial 0011, no montante de R$ 1.099,66, relativo ao 4º trimestre de 2002. Não consta nos autos qualquer tipo de compensação do crédito requerido com débitos administrados pela RFB. Constatado que o crédito pleiteado pela matriz, referiase ao estabelecimento filial, o mesmo foi encaminhado à delegacia competente, no caso, a DRF/Araçatuba. Em anexo, encontrase o processo n° 10880.903761/200876, que trata do mesmo pedido eletrônico, e que havia sido protocolizado pela DERAT em nome da matriz. A DRF/Araçatuba, mediante Despacho Decisório de fls. 129/130, e com base no Parecer SAORT de fls. 122/128, indeferiu o pedido de ressarcimento, em razão de: 1. A contribuinte ter deixado de apresentar, embora intimada, os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido. 2. A empresa creditouse, e continua a creditarse, de valores de IPI referente a créditoprêmio, por força de liminar em mandado de segurança, e que a referida liminar foi revogada, com efeito "extunc", portanto tais valores não poderiam constar do saldo credor em questão. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 135/157, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: • O estabelecimento matriz solicitou o ressarcimento do saldo credor de IPI conjuntamente com todas as filiais por existir uma centralização na apuração do crédito do IPI em tal localidade, respeitando as determinações vigentes à época contidas na IN SRF n° 21/1997. O regime jurídico de apuração dos créditos do IPI da IN 21/97 difere do atual regime previsto na IN n° 600/2005, porque enquanto naquele existia a possibilidade da apuração centralizada, nesta última, por força do artigo 16, § 2o, a apuração é realizada por cada estabelecimento filial e somente o pedido de ressarcimento é realizado pelo estabelecimento matriz, que atua em nome das filiais cujas operações deram origem ao crédito; • A DIFIS/SP expediu Termo de Intimação Fiscal solicitando ao estabelecimento matriz da recorrente a apresentação de diversos documentos para apurar a existência do direito ao crédito do IPI objeto do supracitado pedido de ressarcimento. Em decorrência desta intimação, a matriz da recorrente apresentou todos os documentos necessários para a apuração da existência do Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 direito creditório. Em razão deste fato, a DIFIS/SP expediu Termo de Informação Fiscal contendo lista dos documentos apresentados e ao final o reconhecimento do direito creditório; • Posteriormente, tendo sido verificado serem muitos os créditos apurados pelo estabelecimento matriz originados de aquisições efetuadas por seus estabelecimentos filiais, foi realizado o desmembramento do processo administrativo, em processos vinculados a cada filial de origem do crédito; • Não obstante a adequada e completa fiscalização realizada pela DIFIS/SP, foi defendida a necessidade de reexame de alguns elementos materiais constitutivo do crédito pleiteado, sem justificativa, e a interessada foi intimada a apresentar inúmeros documentos, abrangendo muito mais do que os necessários para se apurar as circunstâncias descritas da representação fiscal. Em busca de tais documentos, a requerente descobriu que estes (referentes ao período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002) haviam sido incinerados, apresentando esta justificativa na petição; • Em seguida, os auditores lavraram o Termo de Encerramento Parcial de Fiscalização, defendendo não ter ocorrido a prescrição em relação aos documentos incinerados e não existir prova do direito creditório, desconsiderando a fiscalização realizada pela DIFIS/SP; • Considerando a apuração de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, a autoridade competente para apreciar a solicitação é o Delegado da DERAT em São Paulo; • Para realizar nova fiscalização farseia necessário ter sido expedida uma Portaria pelo delegado da Receita Federal que jurisdiciona a Recorrente; • Somente o delegado poderia ter emitido o Despacho Decisório que merece ser cancelado porque foi emitido pelo chefe da SAORT da DRF/Araçatuba; • O Despacho Decisório merece ser cancelado porque a fiscalização realizada pelos servidores vinculados à DRF/Araçatuba foi totalmente irregular, por ir além do autorizado na Representação e porque desconsiderou ter a empresa apresentado à DIFIS/SP diversos documentos necessários para a apreciação do pedido de ressarcimento, desconsiderando, em consequência diversas provas e documentos relacionados ao pedido de ressarcimento; • A empresa não foi intimada a se manifestar sobre o fim da instrução processual conforme determina o artigo 44 da Lei n° 9.784/99; • Não existe legislação garantindo a possibilidade do indeferimento do pedido de ressarcimento pelo motivo descrito. De acordo com a IN 600/2005 se depreende ser somente possível o indeferimento do pedido caso o contribuinte não possua efetivamente o direito ao ressarcimento do crédito presumido do IPI; a existência do direito creditório foi atestada por uma das mais experientes equipes de fiscalização da Receita Federal do Brasil, a DIFIS/SP; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005140/200830 Acórdão n.º 3202000.669 S3C2T2 Fl. 244 5 • Erro e falta de motivação no Despacho Decisório por desconsiderar a existência de informação fiscal emitido pela DIFIS/SP e ter a recorrente apresentado os documentos comprobatórios do direito creditório na época solicitados; sendo assim, a fundamentação adotada está totalmente incorreta; • Cerceamento do direito de defesa, por não permitir a compreensão de como pode ter sido desconsiderada totalmente a fiscalização realizada anteriormente e não analisados os documentos que já haviam sido apresentados pela empresa como prova do direito creditório pleiteado; • O Despacho Decisório deve ser reformado por ter o estabelecimento matriz apresentado diversos documentos, fato que gerou a análise favorável da DIFIS/SP no Termo de Informação Fiscal; pelo princípio da verdade material, para decidir, a autoridade deve realizar todos os atos necessários para apurar de forma real e verdadeira as circunstâncias envolvendo o direito do contribuinte e analisar todos os argumentos comprobatórios disponíveis para verificação; • O procedimento fiscal realizado desconsiderou totalmente os documentos fornecidos pela recorrente e que estavam juntados ao processo administrativo n° 13804.005427/200422, bem como não foi solicitado nenhum esclarecimento sobre os trabalhos fiscais praticados no termo de informação fiscal original; • O Despacho Decisório também deve ser cancelado por ofender o princípio da proporcionalidade e razoabilidade ao negar o direito de ressarcimento da recorrente, pois desconsiderou profunda análise fiscal realizada anteriormente, e a solicitação para apresentação de documentos após 5 anos da protocolização do pedido. • A recorrente buscou cumprir com as solicitações fiscais, solicitando inclusive prorrogação de prazo para apresentação, o qual foi indeferido; • Na hipótese de a fiscalização necessitar de verificar outros documentos ou atestar a veracidade dos ora anexados, a recorrente informa que localizou em seu arquivo morto diversas notas fiscais que estão à disposição da fiscalização ou de eventual perícia e diligência. Para os documentos que foram efetivamente incinerados, muitos possuem cópias simples, que foram analisadas pelos AFRFB, sua autenticidade foi verificada pela DIFIS/SP, não podendo ser desconsiderado; • Em relação à questão envolvendo o créditoprêmio de IPI, esta não merece ser considerada, por não possuir qualquer relação com o pedido de ressarcimento e ainda não ser possível ser efetuada qualquer glosa, considerando os efeitos da decadência, conforme o próprio parecer SAORT; Por fim, solicitou a realização de diligência ou perícia, nomeando perito e elaborando quesitos; o reconhecimento da incidência da taxa selic sobre o valor dos créditos pleiteados e o julgamento em conjunto das manifestações apresentadas em relação aos processos relacionados ao crédito presumido apurado no 4° trimestre de 2002. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Requereu, ainda, a intimação da ciência dos autos ao advogado signatário da manifestação de inconformidade no endereço mencionado. Este é o Relatório. A DRJ – Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão nº 1434234, em sessão de 16 de junho de 2011 (fls. e179/ss), julgando a Manifestação de Inconformidade improcedente, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 APURAÇÃO DO IPI. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. MATRIZ E FILIAL. À luz do princípio da autonomia dos estabelecimentos, insculpido no regulamento do imposto, cada um dos estabelecimentos de uma mesma empresa deve cumprir separadamente suas obrigações tributárias. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRFClasse Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. RESSARCIMENTO DE IPI. REQUISITOS. A concessão de qualquer ressarcimento ou compensação está subordinada ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. RESSARCIMENTO DE IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005140/200830 Acórdão n.º 3202000.669 S3C2T2 Fl. 245 7 A interessada foi cientificada do Acórdão da DRJ – Ribeirão Preto em 09/08/2011 (folha e196) e interpôs Recurso Voluntário em 31/08/2011 (fls. e200/ss) onde repisa os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acrescentando apenas que: o Acórdão proferido pela DRJ – Ribeirão Preto deve ser cancelado por ter indeferido indevidamente os pedidos de perícia e diligência formulados. Aduz que “estão presentes todas as razões para que tais providências fossem realizadas antes do julgamento da Manifestação, mormente pela quantidade de documentos envolvidos e pela disponibilidade dos mesmos no estabelecimento da Recorrente”. Requer, assim, que se dê provimento ao presente Recurso para cancelar o Acórdão recorrido por ter negado o seu direito à realização de perícia e diligência cerceando o seu direito de defesa. o Acórdão também é nulo porque deixou de apreciar diversas razões defendidas nos Itens II.1.2, II.1.3, II.1.5, II.1.10, II.11, II.1.12. II.2.3 e II.2.4 da Manifestação de Inconformidade. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. PRELIMINARES Da nulidade do acórdão recorrido em consequência da negativa para a realização de perícia e diligência A Recorrente requer o cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado o seu direito à realização de perícia e diligência o que implicaria em cerceamento do seu direito de defesa. Concordo plenamente com o entendimento adotado pelo voto vencedor da decisão recorrida. Não há necessidade de perícia ou diligência. Vejamos. No que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora de primeira instância indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia revestese das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. Compulsandose os autos verificase que a Recorrente foi intimada pela fiscalização por diversas vezes (vide fls. e13 a e105) para apresentar os documentos que comprovassem o seu direito ao suposto crédito do IPI, entretanto, deixou de apresentálos informando que “não é possível apresentar a documentação exigida, pelo fato de ser prática desta sociedade empresária, após 05 (cinco) anos os documentos são destruídos. Com relação Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 aos arquivos da informática, estes não foram recuperados em virtude das atualizações constantes no sistema” (vide folha e46). Entretanto, surpreendentemente, somente agora na fase recursal, a interessada afirma que “deve informar terem sido localizados no seu arquivo morto diversos materiais relacionados a apuração do direito creditório” e que “muitas das Notas Fiscais originais analisadas na época pela DIFIS/SP foram localizadas, estando à disposição da fiscalização ou de eventual perícia e diligência...”. É certo que o processo deve ter um ritmo, deve andar para frente, sendo que cada fase tem sua finalidade própria. Foram várias as intimações para que o contribuinte apresentasse as provas que demonstrassem seu direito, nada apresentou! Agora, na fase recursal, em uma tentativa de retroceder a marcha do processo, afirma que “localizou” algumas provas. Este não é mais o momento próprio para apresentação das provas. Neste sentido, interessante citar abalizada lição de Maria Teresa Martinez López e Marcela Cheffer Bianchini (in “Aspectos Polêmicos sobre o Momento de Apresentação da Prova no Processo Administrativo Fiscal Federal”, do livro “A Prova no Processo Tributário”, Dialética: São Paulo, 2010, p. 51): (...) O devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. O processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com o direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. O artigo 16 do PAF, em seu parágrafo 4°, estabelece limitações à atividade probatória do administrado ao determinar que a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que restar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior ou referirse a fato ou direito superveniente.” (grifamos) Quisesse a Recorrente demonstrar seu direito ao crédito, poderia ter juntado elementos probantes quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, conforme dispõe o artigo 15, parágrafo 4º, do Decreto nº 70.235/72. No entanto, preferiu absterse do exercício dessa prerrogativa para pleitear, posteriormente, a solicitação de perícia. Assim sendo, indefiro o pedido para declarar a nulidade do Acórdão recorrido e, também, da nova solicitação de perícia e diligência feita no Recurso Voluntário, pelos motivos acima expostos. Da nulidade do acórdão recorrido por deixar de manifestarse sobre todos os pontos trazidos na manifestação de inconformidade A Recorrente requer o cancelamento do Acórdão por entender que o relator deixou de apreciar diversas razões defendidas nos Itens II.1.2, II.1.3, II.1.5, II.1.10, II.11, II.1.12. II.2.3 e II.2.4 da Manifestação de Inconformidade. Não procede a alegação da Recorrente. O julgador não está obrigado, necessariamente, a se pronunciar sobre a totalidade dos argumentos aduzidos. Isto porque no sistema de livre convencimento motivado, Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005140/200830 Acórdão n.º 3202000.669 S3C2T2 Fl. 246 9 adotado em nosso ordenamento jurídico, permitese que a decisão proferida seja fundamentada com base nos argumentos que o julgador entender cabíveis, o que foi feito no caso concreto. Não houve, portanto, a alegada omissão arguida. No meu entender, o votocondutor apenas não adotou a tese defendida pela Recorrente, pelos fundamentos constantes do próprio voto. Consoante os ensinamentos do Ministro Luiz Fux, em sua obra Curso de Direito Processual Civil, Editora Forense, 2001, pág. 679, o rito a ser seguido em uma decisão é o seguinte: “Ultrapassado o relatório, o juiz inicia a fundamentação de sua sentença, imprimindo ao ato o timbre de sua inteligência acerca dos fatos e do direito aplicável. Tratase de garantia constitucional que impõe ao magistrado motivar a sua decisão, explicitando o itinerário lógico de seu raciocínio de maneira a permitir à parte vencida a demonstração das eventuais injustiças e ilegalidades encartadas no ato.” A decisão sendo devidamente motivada e fundamentada, não há que se falar em cerceamento de defesa, mesmo que não tenham sido abordados todos os pontos trazidos pela defesa. Corroborando esse entendimento, colacionase a ementa da decisão prolatada pelo Egrégio STJ, na qual, o relator, Ministro José Delgado, menciona claramente a desnecessidade de apreciação de matéria que não guarde pertinência e relevância entre os fatos e a decisão. “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE OMISSÃO, OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. PRETENSÃO DE REVOLVIMENTO DE MATÉRIA MERITAL (PIS SEMESTRALIDADE INTERPRETAÇÃO DO ART. 6º, DA LC 07/70 CORREÇÃO MONETÁRIA – LEI 7.691/88). DESOBEDIÊNCIA AOS DITAMES DO ART. 535, DO CPC. EXAME DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Inocorrência de irregularidades no acórdão quando a matéria que serviu de base à interposição do recurso foi devidamente apreciada no aresto atacado, com fundamentos claros e nítidos, enfrentando as questões suscitadas ao longo da instrução, tudo em perfeita consonância com os ditames da legislação e jurisprudência consolidada. O não acatamento das argumentações deduzidas no recurso não implica em cerceamento de defesa, posto que ao julgador cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide.(grifei) (...) (EDREsp nº 362.014/SC, DJ de 23/09/2002, pg. 236, Min. Rel. José Delgado). Portanto, conforme se depreende, ainda que o relator do voto de primeira instância não tenha apreciado todos os argumentos aduzidos pela interessada, não se configura, necessariamente, motivo de nulidade da decisão a quo, pois, o órgão julgador não está Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 obrigado a rebater todos os argumentos apresentados pela contribuinte se por outros motivos tiver firmado seu convencimento. Deste modo, indefiro o pedido para declarar a nulidade do Acórdão recorrido também quanto a essa matéria. Das alegadas nulidades do Despacho Decisório Não vislumbro qualquer nulidade no Despacho Decisório exarado pela autoridade competente da DRF – Araçatuba. Conforme muito bem argumentou o julgador de primeira instância, o princípio da autonomia dos estabelecimentos que rege o IPI está previsto no parágrafo único, do artigo 51 do Código Tributário Nacional, e nos artigos 291 e 487, inciso IV, do Regulamento de IPI, aprovado pelo Decreto n° 2.636, de 25 de junho de 1998 (RIPI/98), atuais artigos 313 e 518 do RIPI/2002. Estes dispositivos normativos prescrevem que cada estabelecimento da empresa é contribuinte autônomo. Deste modo, a apuração do imposto deve ser feita por estabelecimento, sendo vedada a sua centralização, e cada estabelecimento precisa manter a sua própria escrituração contábilfiscal. Não há, portanto, amparo legal para a transferência de crédito de um estabelecimento para outro, ou mesmo para a centralização na matriz, como pretendeu fazer a Recorrente. Não é possível, deste modo, a apuração centralizada do IPI, nem à época da solicitação, nem nos dias atuais. O artigo 11 da IN SRF n° 21/97, citado pela Recorrente, dispõe sobre a possibilidade de apuração centralizada em relação apenas ao crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, e não a saldo credor de IPI, apurado em decorrência do princípio da nãocumulatividade do imposto. Ademais, a IN SRF n° 21/97 foi expressamente revogada pela IN SRF nº 21, de 30/09/2002, antes, portanto, do pedido de ressarcimento efetuado pela Recorrente. Deste modo, não procede a solicitação da Recorrente para que o pedido de ressarcimento seja analisado pela autoridade fiscal da DERAT/SP, de forma centralizada. A competência da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba para apreciar o pedido decorre do art. 32 da Instrução Normativa SRF nº 210/2002, verbis: Art. 32. A decisão sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI caberá ao titular da DRF, Derat ou IRF Classe Especial que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Parágrafo único. O ressarcimento ou a compensação de ofício de créditos do IPI com débitos da pessoa jurídica para com a Fazenda Nacional caberá ao titular da unidade da SRF de que trata o caput que, à data do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento da pessoa jurídica que apurou referidos créditos. Ainda nessa seara da competência de quem pratica o despacho decisório, cumpre apontar que o Chefe do SAORT da DRF de Araçatuba possuía, à época, delegação de competência outorgada pelo titular daquela unidade (Portaria nº 174/2007, publicada no DOU de 17/09/2007) para praticar o ato de decidir os pedidos de ressarcimento de IPI como os que tais, conforme informado no próprio Despacho (fl. e133). Portanto, é ele a autoridade competente para decidir. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005140/200830 Acórdão n.º 3202000.669 S3C2T2 Fl. 247 11 Quanto à alegada falta de manifestação da Recorrente ao fim da instrução processual (art. 44 da Lei nº 9.784/99) cumpre apontar que as normas da Lei nº 9.784/99 são de aplicação subsidiária às instituídas pelo Decreto nº 70.235/72, e este dispensa qualquer notificação do interessado pelo final da instrução previamente ao Despacho Decisório. Não há necessidade de intimação prévia do contribuinte para ciência na fase procedimental, meramente investigativa ou inquisitória. Aliás, a intimação dos termos do Despacho Decisório, marco do encerramento da instrução, supre plenamente essa exigência. A partir da instauração da fase litigiosa o contribuinte tem a oportunidade de exercer seu amplo direito de defesa e ao contraditório, como, aliás, está fazendo em toda sua amplitude. Não vislumbro, de igual modo, qualquer erro na fundamentação do despacho decisório, ou falta de motivação deste, e ofensa aos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e verdade material, porquanto tanto do ponto de vista formal como do material o ato administrativo está coerente com as premissas de que os pedidos de ressarcimento devem ser feitos e apreciados por estabelecimento, e o ônus de provar os créditos pleiteados é do contribuinte solicitante. Não bastasse isso, entendo que o Contencioso Administrativo não é a instância competente para a discussão de eventuais ofensas aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. O CARF faz o controle da legalidade na aplicação da legislação tributária aos casos concretos, sem adentrar no mérito de eventuais inconstitucionalidades de leis regularmente editadas segundo o processo legislativo, tarefa essa reservada ao Poder Judiciário (artigo 102 da CF/88). Este Colegiado pode reconhecer apenas inconstitucionalidades já declaradas, definitivamente, pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, ou nas demais situações expressamente previstas nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009, condições que não se apresentam no presente caso. Neste sentido, inclusive, foi aprovada a Súmula CARF No. 02, verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Importante destacar, também, que o Parecer SAORT nº 10820/001/2009 (fls. e126/ss) e o Despacho Decisório (fls. 133/ss) não desconsideraram a informação fiscal dada pela DIFIS/SP, apenas consideraramna insuficiente para a determinação da liquidez e certeza dos créditos solicitados pela contribuinte, como muito bem destacou a decisão de primeiro grau. Não há óbice legal para que se realize nova verificação uma vez que a autoridade que efetivou a primeira verificação não jurisdicionava o domicílio fiscal do Recorrente. Registrese que a nova verificação foi efetuada com autorização do Delegado da Receita Federal em Araçatuba, conforme despacho exarado à folha e12 dos autos. Não se está tratando, neste litígio de hipóteses de revisão de lançamento (artigo 149/CTN), mas apenas de meras verificações sobre a regularidade da escrituração fiscal do contribuinte. Sendo assim, não há que se falar em necessidade de “Portaria” do Delegado autorizando nova diligência. A diligência empreendida na filial solicitante do ressarcimento visou verificar a legitimidade e o quantum dos seus créditos registrados no documentário fiscal. Concluise, assim, que a legislação estabelece que a autoridade fiscal com jurisdição sobre o estabelecimento onde se apurou o crédito é competente para proferir o Despacho Decisório sobre o saldo credor do IPI apurado em livro fiscal, decorrente do artigo 11 da Lei n° 9.779/99, como foi feito no caso em discussão. Não há nulidade no Despacho Decisório proferido pela autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Araçatuba. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 12 Indeferidas todas as preliminares suscitadas, passase ao mérito. MÉRITO No mérito, a questão controvertida referese ao alegado direito ao ressarcimento do crédito básico do IPI, prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99, verbis: Art. 11 O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Como muito bem destacado no voto condutor da decisão administrativa de primeira instância, a causa de indeferimento do seu pedido de ressarcimento foi a falta de apresentação de documentos probatórios que dão suporte ao pedido, tanto em relação ao próprio direito ao suposto crédito como também ao quantum a ser ressarcido. Em nosso ordenamento jurídico, como prescreve o artigo 333, do CPC – Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário, o ônus da prova incumbe ao autor quanto à existência de fato constitutivo de seu direito. Este artigo estabeleceu um regramento, destinado ao julgador, possibilitando que possa tomar uma decisão em desfavor daquela parte que não desempenhou bem a sua função de provar. Em reforço a este dispositivo, o artigo 396 do CPC impõe a exigência da devida instrução do pedido, verbis: Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. No mesmo sentido, o artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 (que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União) informa caber ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A Recorrente deveria comprovar suas alegações, com base em documentos e livros fiscais, de modo a evidenciar e corroborar o direito pretendido e não tentar transferir ao Fisco o dever de comprovar as suas alegações (da Recorrente). Atribuir ao Fisco este dever é subverter as atribuições das partes na relação processual. Não cabe ao Fisco, e muito menos às instâncias julgadoras, suprir deficiências probatórias da parte/autora. Caberia à Recorrente, e somente a ela, o ônus de provar o seu direito. Deveria demonstrar e comprovar que tinha direito ao ressarcimento do alegado crédito básico. Como lucidamente destacou o Relator do acórdão recorrido, o pedido de ressarcimento deveria vir instruído “com a discriminação dos diversos insumos empregados na industrialização, sua classificação fiscal e alíquota, cópia do Livro Registro de Apuração do IPI referente ao período de apuração, contendo inclusive o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado, cópias de notas fiscais de aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais embalagens utilizados, relação dos produtos industrializados e a proporção do uso dos insumos quando utilizados na industrialização de produtos NT (nãotributados), relação dos produtos comercializados, etc., sendo inclusive passível de exame fiscal toda a escrituração da contribuinte”. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005140/200830 Acórdão n.º 3202000.669 S3C2T2 Fl. 248 13 Nada disso foi apresentado! Na tentativa de comprovar a certeza e liquidez do direito ao crédito requerido, a fiscalização solicitou por diversas vezes (Termo de Início de Fiscalização – fls. e13/16; Termo de Intimação – fls. e21/22; Termo de Intimação – fls. e 25/28; Termo de Embaraço à Fiscalização – fls. e32/33; Termo de Intimação – fls. e37/38. Termo de Reintimação – fl. e39/40; Termo de Intimação – fl. e41) a apresentação de informações e documentos para subsidiar o exame do mérito do pedido, entretanto, a interessada, após muito procrastinar, informou que “não é possível apresentar a documentação exigida, pelo fato de ser prática desta sociedade empresária, após 5 anos os documentos são destruídos” (vide folha e46). Ora, se a Recorrente não trouxe a documentação exigida pela auditoriafiscal aos autos até agora, após diversas oportunidades que teve para fazêlo, não faz qualquer sentido a informação de que, agora, “localizou” em seu arquivo morto diversas notas fiscais que estão à disposição. Assim é que não causa estranheza o fato de as autoridades administrativas tributárias não vislumbrarem justificativas plausíveis para a míngua de provas do direito pleiteado. Entendo que o Recorrente tem, em sua plenitude, o direito ao contraditório e à ampla defesa, entretanto, isso não implica em utilizar estratagemas diversos para protelar o desfecho do processo, na medida em que durante a fase de fiscalização afirma não possuir os documentos (porque foram “destruídos”) e em outro momento, já na fase processual, alega que os localizou. A Recorrente argumentou que havia apresentado, juntamente com o pedido do processo original (proc. nº 10880.903761/200876), os documentos para comprovar o crédito solicitado. A fiscalização entendeu que esses documentos não eram suficientes, e com toda a razão, solicitou os documentos que entendeu necessários para a perfeita comprovação da certeza e liquidez dos créditos. O Fisco tem o poderdever de investigar se créditos escriturados são provenientes de insumos que foram utilizados na industrialização do produto fabricado, se houve o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado no pedido de ressarcimento, se o insumo referese a aquisições oneradas pelo imposto e se foram escriturados de maneira a respeitar a legislação de regência. Mostrase, deste modo, fundamental a apresentação dos livros fiscais e toda a documentação que embasou sua escrituração. Somente a empresa detém a posse destes livros e documentos, que deve mantêlos e conserválos até que ocorra a prescrição, e apresentálos quando solicitados pela fiscalização. É o que dispõem os seguintes dispositivos legais: artigo 195 do CTN, artigo 264 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR), artigos 4º e 40 da Lei nº 9.784/99 (LGPA), verbis: Art. 195/CTN . Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Art. 264/RIR A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua Fl. 254DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 14 atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). (...) Art. 4º/LGPA São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: 1 expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Art. 40/LGPA Quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo. (todos os grifos são nossos) Restou claro, portanto, que a interessada não atendeu às intimações, ou as atendeu de forma parcial e insuficiente, o que levou corretamente, a meu sentir, ao indeferimento de seu pedido de ressarcimento pela autoridade competente da DRF – Araçatuba. Registre, por fim, que outras Turmas do CARF também negaram provimento ao recurso da Recorrente em relação à mesma matéria, dentre os quais citamos os Acórdãos nº 310100.936, de 10/11/2011 e nº 380301.598, de 4 de maio de 2011. Conclusão Deste modo, restam prejudicados todos os pedidos formulados sucessivamente pela Recorrente, dentre os quais: o cancelamento do despacho decisório e a juntada dos processos e julgamento pela DERAT/SP; o reconhecimento do direito creditório da filial; o cancelamento despacho decisório, com as verificações nos documentos apresentados no processo originário e julgamento pela DRF Araçatuba; o cancelamento da decisão primeiro grau e determinação diligência e perícia; e, por conseguinte, a correção monetária dos créditos pela taxa SELIC. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade da ação fiscal, do despacho decisório e da decisão recorrida e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 255DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10820.005140/200830 Acórdão n.º 3202000.669 S3C2T2 Fl. 249 15 Fl. 256DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 16/03/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001310/2005-12
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 EMPRESA INDIVIDUAL - TRANSFERÊNCIA DOS ESTOQUES REMANESCENTES PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA SOCIEDADE LIMITADA - INOCORRÊNCIA DE VENDA DE MERCADORIAS A destinação do acervo remanescente de uma empresa individual (estoque de mercadorias) para a constituição de uma sociedade limitada não caracteriza operação de venda de mercadoria. Os problemas apontados pela Fiscalização e pela Delegacia de Julgamento, atinentes à falta de formalização da sucessão empresarial no contrato social da pessoa jurídica constituída, poderiam repercutir, por exemplo, em um eventual encerramento irregular da empresa individual, para fins de atribuição de responsabilidade por dívidas já existentes, mas não para caracterizar a transferência de seu acervo como uma operação de venda, geradora de receita operacional e de renda/lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-001.191
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Nelso Kichel, que negavam provimento.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Os problemas apontados pela Fiscalização e pela Delegacia de Julgamento, atinentes à falta de formalização da sucessão empresarial no contrato social da pessoa jurídica constituída, poderiam repercutir, por exemplo, em um eventual encerramento irregular da empresa individual, para fins de atribuição de responsabilidade por dívidas já existentes, mas não para caracterizar a transferência de seu acervo como uma operação de venda, geradora de receita operacional e de renda/lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Nelso Kichel, que negavam provimento. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 254 2 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 255 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 03 a 19, nos valores de R$ 22.691,26, R$ 14.967,50, R$ 24.869,07 e R$ 69.080,89, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. De acordo com a Fiscalização, a Contribuinte (empresária individual) omitiu receitas da atividade quando realizou a transferência de mercadorias, no valor de R$ 917.774,77, para subscrever e integralizar cota de capital na sociedade Palácio das Ofertas Ltda., CNPJ n° 04.435.617/000190, constituída juntamente com outro sócio (fls. 164167), operação essa que, aos olhos da Fiscalização, não teria configurado uma sucessão empresarial. Os fundamentos da autuação estão detalhadamente descritos no Relatório Fiscal de fls. 20 a 23: (...) 2. DA AÇÃO FISCAL A Ação Fiscal empreendida teve como escopo verificar a repercussão fiscal em decorrência dos estoques existentes na empresa em 23 de maio de 2001, terem sido utilizados para integralização de capital da sócia Márcia Rochefort Turno (titular da empresa individual sob fiscalização), em outra empresa constituída (Palácio das Ofertas Ltda. CNPJ 04435.6171000190). A operação envolvendo os estoques deuse mediante “transferência” da propriedade das mercadorias, de uma para outra empresa, sem a emissão de nota fiscal correspondente, e conseqüentemente deixando de ser considerada como receita da atividade da empresa. (...) 3. DA OMISSÃO DE RECEITAS ESTOQUES UTILIZADOS PARA INTEGRALIZAÇÃO DE COTA DE CAPITAL DA TITULAR DA FIRMA INDIVIDUAL SOB FISCALIZAÇÃO, EM OUTRA EMPRESA CONSTITUÍDA (Soc.p/cotas) Após a análise dos livros e da documentação atinente à operação envolvendo os estoques ( doc. Fls. 31 a 82), a Fiscalização considerou a “transferência” da propriedade das mercadorias de uma para outra empresa, uma operação de venda, de fato, ainda que, sob a ótica da fiscalizada tenha sido Fl. 255DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 256 4 uma simples versão por transferência de mercadorias para integralização de capital. Caracterizase, portanto, como Omissão de Receitas, a transferência de estoques no valor de R$ 917.774,77, promovida pela fiscalizada para subscrever cota de capital da Sra Márcia Rochefort Turino, titular da empresa individual fiscalizada, em outra sociedade p/ quotas de responsabilidade ltda Palácio das Ofertas Ltda CNPJ n° 04.435.617/000190, por ela constituída juntamente com outro sócio. O conceito de receita bruta, para fins de apuração do lucro com base na sistemática presumida, é aquele firmado no art. 224, e seu parágrafo único, do RIR/1999 (art. 519 do mesmo diploma legal), a seguir transcrito: (...) Depreendese da leitura da legislação citada que rege a matéria, que no caso presente, o valor dos estoques transferidos a outra Pessoa Jurídica deve integrar a Receita Bruta auferida pela Fiscalizada, conforme já exaustivamente relatado, por tratarse de receita tributável (Venda de Mercadorias), de fato, deve integrar a base de cálculo do Imp.de Renda —PJ; C.Social; PIS; COFINS, já que não insere, outrossim, dentre as hipóteses de exclusão discriminadas. A corroborar o entendimento do Fisco até aqui relatado, ao examinarmos o Parecer Normativo CST n° 20, de 03.09.82, sucessão empresarial é definida da seguinte forma: Ocorre sucessão empresarial, para efeitos do art. 54, a, do DecretoLei no 5.844/43, quando há aquisição de universalidade constituída por estabelecimento comercial ou fundo de comércio, assumindo o adquirente o ativo e o passivo de firma ou sociedade. Titular de firma individual pode transferir o acervo líquido da empresa, como forma de integralização de capital subscrito em sociedade já existente, ou a ser constituída, a qual passará a ser a sucessora das obrigações fiscais. O exame da documentação permitiu à Fiscalização concluir que a nova empresa constituída não assumiu o ativo e passivo da Fiscalizada, tendo sido transferido a ela, apenas os estoques originários da empresa individual. Não se trata, portanto, de um ato de Sucessão Empresarial, a integralização de capital mediante a transferência de estoques no valor de R$ 917.774,77, promovida pela firma individual MÁRCIA ROCHEFORT TURINO — CNPJ 01.453.136/000110. Releva considerar também o fato de que não foi efetivada na SRF, a baixa empresa. 4 DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS (...) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 257 5 Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 154 a 162, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 189.262 (fls. 232 a 236), a Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: Preliminarmente A autuada está desativada desde ano de 2001 e em fase de baixa junto aos órgãos competentes. Em 2001, a titular da autuada decidiu constituir nova empresa com seu pai, e integralizou sua parte no capital social da nova empresa com estoque de mercadorias de sua empresa individual. Seguindo orientação da Fazenda Estadual, permaneceu com o mesmo Livro Registro de Inventário na nova empresa, pois ocorreu somente a transferência do estoque de uma empresa individual para a nova sociedade, diferindo o ICMS. Da ação fiscal Contrariamente ao entendimento da Fiscalização, a transferência das mercadorias ocorreu com notas fiscais. Da omissão de receitas Não há omissão de receitas, porque não houve venda. A fiscalização reconhece a transferência de estoques, mas pretende, por analogia, caracterizar tal operação como sendo uma venda de mercadorias. Para tanto apresenta como únicos fundamentos o art. 224 do RIR199 e PN CST 20, de 1982. Além disso, não havia contas a pagar e o estoque foi totalmente transferido para a nova empresa. Em outras palavras, diz a defesa, não havendo receita, nos termos do art. 224 do RIR/99, não ocorreu o fato gerador definido pelo art. 114 do CTN. Acrescenta a posição adotada pela Fazenda Estadual, permitindo o diferimento do pagamento do ICMS, as disposições do art. 156, § 2°, I da Constituição Federal, os esclarecimentos da Receita Federal efetivados por meio da publicação “Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica”, de 2005, perguntas n° 225, 234, que tratam da questão dos autos. Na seqüência, observa que pretender o pagamento de tributos por ocasião da transferência é bitributação, pois somente são devidos quando da venda. Ressalta, ainda, que sempre primou pelo pagamento pontual de seus compromissos. Por último, requer que sejam cancelados os autos de infração e, por conseqüência, a cobrança de IRPJ e seus reflexos. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 258 6 Como mencionado, a DRJ Santa Maria/RS considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 LUCRO PRESUMIDO. TRANSFERÊNCIA DE ESTOQUES. OMISSÃO DE RECEITAS. O valor de produtos transferidos para integralização de cota de capital da titular da firma individual em outra pessoa jurídica, por não se tratar de ato de sucessão empresarial, classificase como receita bruta de vendas. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Lançamento Procedente Os motivos que embasaram o entendimento manifestado pela Delegacia de Julgamento estão assim descritos: Analisandose os autos, se a autuada teve a intenção de transferir o acervo patrimonial líquido para a nova sociedade, este fato não está evidenciado. No contrato social da suposta sucessora, não consta que ela assume integralmente o ativo e o passivo da firma individual e que esse acervo patrimonial é absorvido como integralização de capital subscrito pela titular da firma individual. Em outras palavras, a autuada entregou os produtos para a nova sociedade, em nome da titular da firma individual. Dessa forma, não há sucessão empresarial, como está explicitado no PN CST 20, de 1982, transcrito pelo autuante (fl. 22): (...) Em conseqüência, a “transferência dos produtos” exprime alienação (venda), que integra a receita bruta da pessoa jurídica, para fins de apuração do lucro presumido, nos termos do art. 224 do RIR199: (...) Evidenciouse, com essa “renda”, o fato gerador do IRPJ, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional: (...) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 259 7 Acrescentese que a base de cálculo do IRPJ é também o montante presumido de renda, conforme dispõe o art. 44 do CTN. Portanto, os valores dos estoques transferidos para a pessoa jurídica Palácio das Ofertas Ltda., CNPJ n° 04.435.617/0001 90, constituem receitas da atividade da impugnante. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 01/09/2008 (fls. 240), a Contribuinte apresentou em 19/09/2008 o recurso voluntário de fls. 242 a 250, onde reitera as mesmas razões de sua impugnação, com os seguintes argumentos: na época da questionada operação, a Recorrente realizou consulta junto à Fazenda estadual (Exatoria), onde foi orientada no sentido de permanecer com o mesmo Livro Registro de Inventário na nova empresa, já que houve apenas transferência do estoque de uma empresa (individual) para outra (sociedade por quotas de responsabilidade limitada). Também foi orientada a proceder ao diferimento do pagamento do ICMS referente às mercadorias constantes do estoque transferido à nova empresa; foram tomadas todas as providências no sentido de cumprir rigorosamente a lei durante a operação realizada; ao contrário do afirmado pela Fiscalização, a transferência dos estoques ocorreu com a emissão de nota fiscal, bastando ressaltar que entre os documentos apresentados à Fiscalização encontramse cópia do Registro de Entrada de Notas Fiscais, com o código 34 TRANSFERÊNCIA, além das Notas Fiscais nºs 460 a 476, onde consta, no cabeçalho das mesmas, a natureza da operação: TRANSFERÊNCIA, perfazendo as referidas notas o valor total das mercadorias constantes do estoque transferido à nova empresa; cabia à Fiscalização justificar o enquadramento legal para caracterizar a alegada omissão de receitas e não apenas limitarse a emitir conceitos do que seja receita bruta e sucessão empresarial; a Fiscalização distorceu a aplicação do texto legal contido no artigo 224 do RIR11999; a simples leitura do texto indica que para que se caracterize a receita bruta fazse necessário que haja o produto da venda de bens, sendo que, no presente caso, não houve venda e, portanto não houve produto; ficou provado que não ocorreu a venda de bens, não se caracterizando, portanto, a ocorrência do fato gerador da obrigação. Em outras palavras, não foi auferida receita bruta passível de estabelecer a base de cálculo do imposto, não se configurando as condições para exigência do tributo; a Fazenda Estadual permitiu o diferimento do pagamento do imposto estadual, ICMS, para etapa posterior, ou seja, quando da efetiva venda dos bens e/ou serviços; no Perguntas e Respostas — Pessoa Jurídica 2005, na pergunta 225, o assunto é tratado da seguinte forma: Fl. 259DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 260 8 "Qual o tratamento a ser dado ao ganho eventualmente obtido na transferência do patrimônio da empresa individual à sua sucessora?” A hipótese de transferência de patrimônio à sucessora, ocorrida em virtude de incorporação, fusão ou cisão, quando a substituição de ações ou de quotas se der na mesma proporção e valor das anteriormente possuídas, não se caracteriza como alienação nem estão sujeitas à incidência do imposto de renda. Entretanto, se a transferência se der por valor maior a diferença se caracterizará como ganho de capital, passível de tributação (Lei 9.249, de 1995, art. 22 e 23, e PN CST n° 39, de 1981)” o assunto fica ainda mais claro na pergunta 234 do mesmo Livro: “A sucessão empresarial pode ocorrer com empresa individual equiparada a pessoa jurídica? Sob o enfoque fiscal, sim. Nessas condições, o titular de firma individual pode transferir o acervo líquido da empresa como forma de integralização de capital subscrito em sociedade já existente, ou a ser constituída, a qual passará a ser sucessora nas obrigações fiscais. Da mesma forma, pode operarse a sucessão mediante a transferência, para firma individual de patrimônio liquido da sociedade (PN CST n° 20, de 1982)”. a Fiscalização afirma que “se a autuada teve a intenção de transferir o acervo patrimonial líquido para a nova sociedade, este fato não está evidenciado”. Mas como esse fato pode não estar evidenciado se é exatamente a mencionada transferência que está sendo tributada? de acordo com o PN CST 20, de 1982 (fl.22): “Ocorre sucessão empresarial, para efeitos do art. 54, a, do D.L. número 5.844/43 (art. 149 do RIR/80), quando há aquisição de universalidade constituída por estabelecimento comercial ou fundo de comércio, assumindo o adquirente o ativo e passivo de firma ou sociedade. Titular de empresa individual pode transferir o acervo líquido da empresa, como forma de integralização de capital subscrito em sociedade já existente, ou a ser constituída, a qual passará a ser a sucessora n obrigações fiscais”. restou mais do que provado junto ao processo que o estoque transferido pela autuada era o total do ativo da empresa, de seu acervo patrimonial líquido e que o passivo era inexistente. Obviamente se houvesse passivo, este teria sido absorvido pela nova empresa; tanto isso é verdade que a empresa autuada foi orientada a permanecer com o mesmo livro Registro de Inventário na nova empresa; não houve movimentação bancária da empresa individual a partir da data da transferência do estoque para a nova empresa; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 261 9 todas as obrigações da empresa individual encontravamse em dia, não havendo, portanto, contas a pagar ou dívidas de qualquer natureza, o que equivale a dizer que o passivo era igual a zero; todas estas informações constam da página 2 do Relatório Fiscal, cabendo lembrar que a Fiscalizada atendeu a todas as intimações recebidas, dentro dos prazos e apresentando todos os documentos solicitados; no que se refere à baixa da empresa individual, lamentavelmente em função da burocracia não foi possível ainda efetivar o procedimento, bastando que se leia o texto da pergunta 235 do Livro Perguntas e Respostas — Pessoa Jurídica 2005 para verificar a exaustiva relação de documentos necessários para proceder à baixa no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ junto à Secretaria da Receita Federal; é necessário que antes da baixa na Receita Federal seja providenciada a baixa na Junta Comercial; por outro lado, a Junta Comercial exige, entre outros documentos, a Certidão Negativa de Débito do Instituto Nacional do Seguro Social INSS. E é exatamente aqui que o processo de baixa emperrou, já que o INSS ainda não liberou a Certidão Negativa de Débito, embora regularmente solicitada, conforme cópia do protocolo de requerimento da CND junto ao INSS; diante do exposto, a Contribuinte requer a procedência do presente recurso, com o cancelamento do auto de infração e, por conseqüência, a cobrança do IRPJ e seus reflexos: PIS, CSLL e COFINS, por ser medida da mais inteira justiça. Este é o Relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 262 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o litígio envolve uma operação de transferência do estoque de mercadorias de uma empresa individual, no valor de R$ 917.774,77, para a integralização de cotas em uma sociedade limitada, constituída pelo titular da empresa individual e outro sócio. De acordo com a Fiscalização, esta operação, da forma como foi realizada, não poderia caracterizar o fenômeno da sucessão empresarial e, deste modo, configuraria “omissão de receitas da atividade” na empresa individual, da qual estão sendo exigidos IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. O IRPJ e a CSLL foram apurados pelas regras do lucro presumido. Primeiramente, é importante ressaltar que mesmo nos chamados impostos indiretos (ICMS, IPI), que utilizam a saída da mercadoria para referenciar o momento da ocorrência do fato gerador, nem sempre uma saída física dá ensejo à exigência tributária. Com efeito, a legislação destes tributos indiretos prevê variadas hipóteses de diferimento, suspensão do imposto, ou mesmo não incidência, etc. O fato é que as saídas de mercadorias em regra devem estar relacionadas a uma operação jurídica, ainda que a título gratuito, como ocorre, por exemplo, na doação. Nesse caso, a transferência de propriedade é suficiente para fazer incidir os mencionados impostos indiretos, ainda que não haja uma contrapartidada financeira ou econômica pela saída da mercadoria. No caso dos tributos em questão (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS), também não é toda saída de mercadoria que dá ensejo à incidência tributária, eis que a ocorrência do fato gerador destes tributos ou está ligada à idéia de acréscimo patrimonial (renda ou lucro) ou pelo menos está vinculada ao auferimento de receita, hipóteses em que sempre deverá haver uma contrapartida econômica pela saída das mercadorias, ou seja, uma saída por “venda”. O que se percebe neste processo é que não houve qualquer acréscimo patrimonial na empresa individual autuada. De fato, a questionada operação só fez reduzir o seu patrimônio, o que, por si só, comprometeria a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL. Também não houve qualquer contrapartida que pudesse caracterizar uma operação de venda de mercadorias e, conseqüentemente, o auferimento de receita a ser submetida à tributação de PIS e COFINS. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 263 11 Todas as informações revelam que houve o encerramento das atividades da empresa individual, e que seu titular apenas destinou a acervo remanescente desta empresa (estoque de mercadorias) para a constituição de uma sociedade limitada. Vêse que tanto a Fiscalização quanto a Delegacia de Julgamento, para caracterizarem a ocorrência de omissão de receitas da atividade, apegaramse à insuficiência na formalização da sucessão empresarial, ou seja, no fato de que “no contrato social da suposta sucessora, não consta que ela assume integralmente o ativo e o passivo da firma individual e que esse acervo patrimonial é absorvido como integralização de capital subscrito pela titular da firma individual”. Quanto a isso, a Contribuinte procura esclarecer que a empresa individual não possuía dívidas (passivo) e que por essa razão a universalidade de bens a serem transferidos correspondia apenas ao estoque de mercadorias. Contudo, ainda que houvesse algum problema em relação à questionada operação, quando o titular retirou os estoques da empresa individual e os destinou à constituição de uma sociedade limitada, as repercussões, a meu ver, se dariam no campo da sucessão empresarial, abrangendo, por exemplo, um eventual encerramento irregular da empresa individual, para fins de atribuição de responsabilidade por dívidas já existentes, mas não para caracterizar a transferência de seu acervo como uma operação de venda, geradora de receita e de renda/lucro. Não há dúvidas de que a questionada operação não representou para a empresa individual o auferimento de receita operacional, e muito menos de renda/lucro, já que implicou diretamente na redução de seu patrimônio, e também no encerramento de suas atividades. É razoável pensar que o estoque da empresa individual, existente na data da operação em pauta, foi formado, pelo menos em parte, por receitas operacionais auferidas anteriormente a essa data. Nesse caso, se o contribuinte não tivesse oferecido estas receitas à tributação, tal fato poderia ensejar lançamento por omissão de receitas, mas a técnica de auditoria seria de outra espécie, abrangendo o levantamento quantitativo de estoque, a presunção de omissão de receitas com base em omissão de compras, ou algo semelhante. A referida operação poderia ainda configurar um ganho de capital para o novo membro da sociedade limitada, na medida em que as cotas nesta sociedade possuíssem valor maior do que o valor dos bens entregues para a sua integralização. Mas nenhum desses caminhos foi adotado pela Fiscalização, que considerou o encerramento das atividades da empresa individual e a conseqüente destinação de seus estoques para integralização de cotas em uma outra empresa (sociedade limitada) como uma operação de venda de mercadorias, geradora de receita operacional e de renda/lucro, o que, a meu ver, não é sustentável. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 263DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11040.001310/200512 Acórdão n.º 180201.191 S1TE02 Fl. 264 12 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11030.904244/2009-79
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2002
COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3801-001.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2002 COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2002 COFINS. COMPENSAÇÃO. RECURSO QUE TRATA DE MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso deve demonstrar de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão singular, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Se o Recorrente apresenta matéria estranha ao processo, sem impugnar os fundamentos postos na decisão, não deve ser conhecido o recurso, por padecer de regularidade formal, um dos pressupostos extrínsecos de admissibilidade recursal, nos termos do art. 514, inc. II, do CPC. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 42 44 /2 00 9- 79 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904244/200979 Acórdão n.º 3801001.729 S3TE01 Fl. 112 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de compensação declarada por meio de DCOMP de suposto crédito de COFINS, que foi objeto de Despacho Decisório no sentido de sua não homologação, em virtude de que o crédito apontado foi utilizado integralmente para a quitação de outros débitos da empresa, não restando crédito disponível para a compensação do débito informado na DCOMP. Cientificado da decisão administrativa, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que os valores compensados são decorrentes de COFINS e PIS incidentes sobre receitas repassadas a terceiros (art. 3o., § 2o., inciso III, da Lei 9.718/98) e que, por conseguinte, não poderiam sofrer a incidência das contribuições em comento. A DRJ de Porto Alegre, ao analisar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, assim decidiu: BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA. RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclusão da base de cálculo da contribuição valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, tendo sido revogada previamente à sua regulamentação não produziu efeitos, sendo descabido, com base nesse pressuposto, o reconhecimento do direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Tendo sido notificada da decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que o crédito compensado seria a título de PIS recolhido com base nos Decretoslei no. 2.445/1988 e 2.449/1988, que tiveram sua eficácia suspensa com a edição da Resolução do Senado Federal no. 49/95. E que, em face do exposto, voltou a vigorar a sistemática da Lei Complementar no. 7/70 e, com a alta da inflação, o valor mensal devido pelas empresas mercantis e mistas foi reduzida a praticamente zero. Alega que essa situação perdurou até 29/11/1995, quando foi editada a MP no. 1.212/95, que determinou a cobrança do PIS sobre o faturamento. Porém, como a MP e suas sucessivas reedições não observaram a carência nonagesimal exigida constitucionalmente, a Lei Complementar no. 7/70 estaria vigente até hoje e, em face disso, a base de cálculo do PIS seria o faturamento do sexto mês anterior, sem quaisquer correções. Estaria, assim, justificada a compensação efetuada pelo Recorrente, razão pela qual requer que seu direito creditório seja reconhecido por este Conselho. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904244/200979 Acórdão n.º 3801001.729 S3TE01 Fl. 113 3 É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora O Recurso é tempestivo. Porém, não há como conhecêlo. Isso porque o Recurso Voluntário é o meio através do qual o Recorrente devolve ao Conselho a matéria decidida pela Delegacia de Julgamento. Deve, portanto, efetivamente impugnar tal decisão, demonstrando seu inconformismo com as razões apresentadas pelos julgadores. Contudo, a Recorrente não pode utilizarse desse instrumento para alegar matéria totalmente estranha ao processo. Ora, o processo foi instaurado em face de uma compensação realizada pela Recorrente de suposto crédito de COFINS. A compensação não foi homologada. A Recorrente, em sua primeira manifestação, justifica a existência do crédito de COFINS alegando que seria decorrente de incidência havida sobre receita repassada a terceiros (sem, contudo, trazer qualquer demonstrativo de cálculo que comprovasse tal alegação). A Delegacia de Julgamento de Porto Alegre manteve o entendimento no sentido da inexistência do crédito. E, por fim, em suas razões recursais, justifica a compensação em face de suposto recolhimento indevido a maior a título de PIS!!! De se ressaltar que não se trata de simples inovação de argumentos, mas de matéria completamente estranha aos autos do processo. Não se questiona aqui, compensação de crédito de PIS, mas sim compensação de crédito de COFINS. Padece o recurso de regularidade formal. O Recurso só é possível quando o Recorrente demonstra de maneira clara e objetiva o equívoco da decisão recorrida, destacando o desacerto no raciocínio fático, lógico e jurídico desenvolvido por seu prolator. Na presente hipótese, carece a peça recursal de elementos técnicos de formação, posto que não guarda relação lógica e pertinência temática com aquilo que foi objeto da decisão. Não tendo sido impugnados os alicerces da decisão recorrida, tratando de matéria alheia ao processo, não há como conhecer do presente Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11030.904244/200979 Acórdão n.º 3801001.729 S3TE01 Fl. 114 4 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 13/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 15 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 12269.003961/2008-70
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2803-000.121
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que a autoridade fiscal, no prazo de 30(trinta) dias, manifeste-se quanto aos itens n. III.B.1 do Recurso Voluntário (fls. 195 e seguintes dos autos digitais) e III.B.1 da Impugnação (fls. 91 e seguintes dos autos digitais), atentando-se à materialidade dos valores das contribuições devidas e os respectivos pagamentos que teriam sido objeto do erro material. Após tal manifestação, a Recorrente deverá ser intimada a manifestar-se, no prazo de 30 (trinta) dias, passado tal prazo com ou sem manifestação, os autos devem retornar à presente Turma Especial para apreciação e julgamento. Vencido Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de que a autoridade fiscal, no prazo de 30(trinta) dias, manifestese quanto aos itens n. III.B.1 do Recurso Voluntário (fls. 195 e seguintes dos autos digitais) e III.B.1 da Impugnação (fls. 91 e seguintes dos autos digitais), atentandose à materialidade dos valores das contribuições devidas e os respectivos pagamentos que teriam sido objeto do erro material. Após tal manifestação, a Recorrente deverá ser intimada a manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, passado tal prazo com ou sem manifestação, os autos devem retornar à presente Turma Especial para apreciação e julgamento. Vencido Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Júnior, André Luis Marisco Lombardi, Paulo Roberto Lara dos Santos. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003961/200870 Resolução n.º 2803000.121 S2TE03 Fl. 714 2 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.178 e seguintes) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 165 e seguintes do processo digital), que manteve parcialmente o crédito tributário referente contribuições devidas pela empresa incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais (autônomos e transportadores rodoviários autônomos), que lhe prestaram serviços, lançadas nos Livros Diários n° 90 (01/07/2003 a 31/08/2003), autenticado em 05/07/2004, sob n° 04/0116476 ao de n° 129 (01/12/2006 a 31/12/2006) autenticado em 05/07/2007, sob n° 07/0155240.no período de 08/2003 a 03/2006, reconhecendo a extinção do crédito referente ao mês 08/2003 por decadência. A ciência do auto de infração inaugural foi em 01.10.2008 (fls. 83 dos autos digitais). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: nulidade da decisão por falta de fundamentação à não aceitação de retificações das GFIP´s, desconsideração de GPS pagas com erros materiais de preenchimento, a ilegalidade/inconstitucionalide das multas aplicadas, a ilegal responsabilização dos sócios, e o dever de aplicação da norma mais benéfica quanto à sanção na forma da redação do art. 35, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Lei n. 11.941/2009. Esse é o relatório. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 12269.003961/200870 Resolução n.º 2803000.121 S2TE03 Fl. 715 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Ao contrario do não aceito pelo acórdão recorrido, considerando que a necessidade retificação de GPS em casos de erro material (preenchimento) é de ordem normativa hierárquica inferior a decreto, bem como pela gravidade e materialidade das alegações da Recorrente. Contudo, ao contrário do colocado pelo acórdão recorrido, por estarem os créditos e pagamentos supostamente efetuados sob análise em contencioso administrativo, haveria a impossibilidade administrativa da Recorrente requerer a retificação das GPS´s em questão, conforme a IN n. 1.265/2012 da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que a autoridade fiscal manifestese quanto aos itens n. III.B.1 do Recurso Voluntário (fls. 195 e seguintes dos autos digitais) e III.B.1 da Impugnação (fls. 91 e seguintes dos autos digitais), atentandose à materialidade dos valores das contribuições devidas e os respectivos pagamentos que teriam sido objeto do erro material. III Conclusão Isso posto, voto por converter o julgamento em diligência no sentido de que a autoridade fiscal, no prazo de 30(trinta) dias, manifestese quanto aos itens n. III.B.1 do Recurso Voluntário (fls. 195 e seguintes dos autos digitais) e III.B.1 da Impugnação (fls. 91 e seguintes dos autos digitais), atentandose à materialidade dos valores das contribuições devidas e os respectivos pagamentos que teriam sido objeto do erro material. Após tal manifestação, a Recorrente deverá ser intimada a manifestarse, no prazo de 30 (trinta) dias, passado tal prazo com ou sem manifestação, os autos devem retornar à presente Turma Especial para apreciação e julgamento. Sala de Sessões, 15 de agosto de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 715DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10980.007753/2008-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621, JULGADO SOB O RITO DO ARTIGO 543-B, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Em regime de repercussão geral, decidiu o Plenário do STF, em caráter definitivo, ao ensejo do julgamento do recurso extraordinário nº 566.621, que o prazo para a repetição do indébito, se exercido após 9 de junho de 2005, é de cinco anos a contar do respectivo pagamento antecipado. Inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da LC nº 118/05 e aplicação ao processo administrativo-fiscal por força do artigo 62-A, do Anexo II, do RICARF. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.784
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621, JULGADO SOB O RITO DO ARTIGO 543-B, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Em regime de repercussão geral, decidiu o Plenário do STF, em caráter definitivo, ao ensejo do julgamento do recurso extraordinário nº 566.621, que o prazo para a repetição do indébito, se exercido após 9 de junho de 2005, é de cinco anos a contar do respectivo pagamento antecipado. Inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da LC nº 118/05 e aplicação ao processo administrativo-fiscal por força do artigo 62-A, do Anexo II, do RICARF. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1690; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.007753/200879 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.784 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2012 Matéria PIS.RESTITUIÇÃO Recorrente POSITIVO INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/06/1998 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 566.621, JULGADO SOB O RITO DO ARTIGO 543B, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Em regime de repercussão geral, decidiu o Plenário do STF, em caráter definitivo, ao ensejo do julgamento do recurso extraordinário nº 566.621, que o prazo para a repetição do indébito, se exercido após 9 de junho de 2005, é de cinco anos a contar do respectivo pagamento antecipado. Inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da LC nº 118/05 e aplicação ao processo administrativofiscal por força do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de pedido de restituição protocolado em 05.06.2008 (fls. 01/37), relativo a contribuição ao PIS apurada entre 06 e 12/1998, conforme planilha de fls. 08, paga a maior em virtude da inclusão indevida do ICMS na sua base de cálculo. O despacho decisório da DRF/Curitiba, de 30.06.2008 (fls. 39/42), indeferiu a restituição, em razão de (i) ausência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição e (ii) ocorrência de prescrição do direito de restituição. A recorrente, então, interpôs, em 31.07.2008, manifestação de inconformidade (fls. 44/59), da qual se extrai: a) a inocorrência da decadência, uma vez que o E. STJ, no julgamento do AI/ERESP n° 644.736/PE, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4° da LC nº 118/05, consolidando o entendimento de que tal norma não deveria ser aplicada retroativamente; b) a inconstitucionalidade e a ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, invocando o julgamento do RE nº 240.785/MG, ainda em trâmite no E. STF; c) aplicação da taxa SELIC na restituição do tributo, conforme a previsão legal contida no art. 39, §4°, da Lei n° 9.250/95. Em 01.06.2011, a DRJ/CuritibaPR desproveu a inconformidade (fls. 62/65), mantendo incólume a prescrição do direito à restituição, bem como a ausência de previsão expressa autorizando a pretendida exclusão. Em 30.08.2011, a recorrente, intimada do v. acórdão em questão, interpõe o presente voluntário (fls. 116/125), requerendo o sobrestamento do feito até o julgamento final do RE nº 240.785/MG, com base na Portaria MF nº 586/10, e insistindo nos argumentos relacionados ao prazo decenal para a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. Em matéria de decadência do direito à repetição de indébito tributário, o termo inicial do prazo de 5 anos é, regra geral, a extinção do crédito tributário (art. 168, I), a qual, de acordo com o art. 3º da LC nº 118/05, equivale ao pagamento antecipado da obrigação tributária, significando que a decadência ocorreria quando se passassem 5 anos do pagamento antecipado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10980.007753/200879 Acórdão n.º 3403001.784 S3C4T3 Fl. 2 3 Ademais, se dizendo meramente interpretativo, o art. 4º da LC nº 118/05 pretendeu que este método de contagem do prazo decadencial fosse retroativo, isto é, atingisse, inclusive, pretensões formuladas antes do próprio advento da lei complementar. O embate histórico dessas orientações teóricas – se o termo a quo seria o pagamento antecipado ou a homologação do pagamento – parece, enfim, ter terminado. Por muitos anos, confrontaramse o posicionamento daqueles que enxergavam no pagamento antecipado, realizado pelo sujeito passivo ao cabo da apuração espontânea da exação, o fato extintivo da obrigação tributária, com a orientação segundo a qual somente a homologação do pagamento, tácita ou expressa, é que produziria tal efeito de extinguir a relação jurídica. Recentemente, porém, o Plenário do STF se pronunciou sobre a matéria, fazendoo ao ensejo do julgamento do recurso extraordinário nº 566.621, submetido ao regime da repercussão geral. Assim, foi reconhecida pelo STF a inconstitucionalidade do art. 4º da LC nº 118/05 na parte em que pretendia aplicar retroativamente os efeitos do art. 3º, ratificandose que somente as demandas judiciais e administrativas versando sobre a restituição do indébito tributário formuladas durante o período de vacatio legis da LC nº 118/05 poderiam alcançar os pagamentos relativos a fatos geradores consumados nos dez anos anteriores. Por oposição, as pretensões endereçadas à Fazenda Nacional ou ao Judiciário após o dia 9 de junho de 2005, data em que considerou vigentes as disposições da LC nº 118/05, é que passaram a se submeter ao prazo mais reduzido, no qual o termo a quo é o pagamento antecipado realizado pelo obrigado. Confirase, nesse sentido, trechos do votocondutor do acórdão, da Ministra Ellen Gracie: “Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardando se, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela de seus direitos. (...) Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (...) Assim, vencida a vacatio legis de 120 dias, é válida a aplicação do prazo de cinco anos às ações ajuizadas a partir de então, restando inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a esta data.” Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Tendo sido dirimida, como dito, no âmbito de recurso extraordinário já submetido ao rito do artigo 543B do Código de Processo Civil e tendo ocorrido o trânsito em julgado do r. acórdão no dia 27 de fevereiro de 2012, a matéria há de ser decidida no mesmo sentido quando ventilada ao ensejo do contencioso administrativofiscal, a teor do artigo 62A, Anexo II, do Regimento Interno do órgão, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, com a redação da Portaria MF nº 586/10. No caso concreto, a restituição foi requerida pela ora recorrente no dia 05.06.2008, de tal sorte que a ela se aplica o regime jurídico previsto na LC nº 118/05, no âmbito do qual o prazo decadencial para o exercício do direito à repetição do indébito é de cinco anos, a contar do respectivo pagamento antecipado efetuado pelo sujeito passivo. Isso significa que a pretensão é intempestiva relativamente a todos os fatos geradores do PIS ora pleiteados, razão pela qual a decadência – que o órgão julgador de Primeira Instância pronunciara para todo o pedido – deve ser mantida. Isto posto, voto pelo desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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