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Numero do processo: 10469.725079/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.865
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente ESPACIAL AUTO PEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 50 79 /2 01 2- 83 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.432. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10469.725079/201283 Acórdão n.º 3302003.865 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001622/2001-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO.
Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão (ementa) e seus fundamentos, é de prover-se os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão, cumprindo assim, a decisão judicial.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF.
PRECLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na impugnação apresentada à instancia a quo. Recurso não conhecido nesta parte.
RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo ilegítimo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade, descaracteriza o referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010, submetido ao rito do artigo 543-C do CPC).
Embargos acolhidos com efeitos modificativos.
Numero da decisão: 3402-004.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para o fim de retificar o erro material do julgado e o vício de contradição na ementa do Acórdão e nos fundamentos do voto condutor, aplicando o REsp nº 993.164/MG ao caso, revertendo-se a glosa das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, na base de cálculo do crédito presumido do IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363, de 1996, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2º do RI-CARF, atendendo-se desta forma, na integra, a decisão Judicial prolatada no processo nº 1002374-30.2016.4.01.3400, da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente a Dra. Edlamar de Oliveira Acloque, OAB nº 34.300 (PR).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão (ementa) e seus fundamentos, é de proverse os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão, cumprindo assim, a decisão judicial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF nº 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no REsp nº 993.164 (MG), julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. PRECLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na impugnação apresentada à instancia a quo. Recurso não conhecido nesta parte. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo ilegítimo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI decorrente da aplicação do princípio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 16 22 /2 00 1- 05 Fl. 390DF CARF MF 2 constitucional da não cumulatividade, descaracteriza o referido crédito como escritural, exsurgindo legítima a incidência de correção monetária (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010, submetido ao rito do artigo 543C do CPC). Embargos acolhidos com efeitos modificativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para o fim de retificar o erro material do julgado e o vício de contradição na ementa do Acórdão e nos fundamentos do voto condutor, aplicando o REsp nº 993.164/MG ao caso, revertendose a glosa das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, na base de cálculo do crédito presumido do IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363, de 1996, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2º do RICARF, atendendose desta forma, na integra, a decisão Judicial prolatada no processo nº 100237430.2016.4.01.3400, da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente a Dra. Edlamar de Oliveira Acloque, OAB nº 34.300 (PR). Relatório Trata os autos de Pedido de Ressarcimento de fls. 7/8, das contribuições para o PIS e a COFINS, no valor de R$ 4.360.977,62, incidentes sobre insumos empregados em produtos exportados, com fulcro na Lei nº 9.363/96, na Portaria MF nº 38/97 e na Instrução Normativa nº 23/97 (credito presumido de IPI). O Despacho Decisório de f1. 136, confirmando o Parecer SAORT/DRF/CUIABÁ nº 000563/2002 (fls. 132/135), deferiu o pleito parcialmente, tendo as glosas realizadas as seguintes justificativas em resumo: (i) exportação já inclusa no cálculo do credito presumido de 1998 da Recorrente, mediante processo 10183.001744/9917; (ii) exportação efetuada por empresas comerciais exportadoras, cujas comprovações não foram apresentadas; e (iii) valores referentes a frete e lenha, pois estes não se enquadram no conceito de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário. A Recorrente insurgiuse por meio da Manifestação de fls.150/153, que assim vai resumido: Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10183.001622/200105 Acórdão n.º 3402004.197 S3C4T2 Fl. 391 3 "(...) A Lei nº 9.363./96 não condicionou o credito presumido ás aquisições de matérias primas das pessoas jurídicas. O crédito presumido se refere a todas as aquisições de matériasprimas, produto intermediário e material de embalagens, seja ela oriunda de pessoas jurídicas ou de produtor pessoas física, posto que a lei não fez nenhuma restrição quanto ao fornecedor dos referidos produtos". A 3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora MG, através do Acórdão n° 7.489 de 24 de junho de 2004 (217/220), indeferiu a solicitação da Recorrente para rejeitar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário, no qual, aqui tratando o tema em apertada síntese, repisa as argumentações de sua Manifestação de Inconformidade e acrescenta o direito à inclusão das aquisições de lenha na base de cálculo do crédito presumido do IPI da empresa. O recurso é tempestivo e atendendo aos demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual este CARF, dele tomou conhecimento. Distribuído para julgamento, o Segundo Conselho de Contribuintes, prolatou o Acórdão nº 20401.618 de 21/08/2006 (fls. 239/249), que o Relator do processo, ao apreciar o recurso, verificou que o cerne da questão seria o ressarcimento de créditos presumidos de IPI, referentes Contribuição para o PIS e da COFINS, incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Controvertemse a Recorrente e o Fisco sobre a inclusão na base de cálculo do incentivo dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, portanto não contribuintes do PIS e da COFINS, aplicados no processo produtivo. Nesse quesito, reconheceu a inclusão na base de cálculo do imposto em discussão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. No que se refere à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI referente às aquisições de lenha, o Relator entendeu que nessa parte o recurso não pode ser conhecido (matéria preclusa). Isto porque a interessada não suscitou esta matéria em sede impugnatória. Por derradeiro, entendeu ser devida a incidência da denominada taxa Selic a partir da efetivação do pedido de ressarcimento. No entanto, o Colegiado, pelo voto de qualidade, manifestou divergência com o voto do Relator concernente às aquisições de insumos de pessoas físicas e das cooperativas, entendendo que deva ser negado provimento ao recurso, pelas razões elencadas em seu voto vencedor de fls. 245/249, mantendose, portanto, a glosa daqueles respectivos valores. Em 03/06/2008 (fl. 253), o PAF foi encaminhado à DRF Cuiabá (MT), unidade preparadora, para providenciar a ciência da Recorrente e de lá retornou em 24/05/2009 (fl. 270), com a informação de que o contribuinte teria interposto Embargos de declaração, em 12 de setembro de 2008 (fl. 264), ou seja, vários meses após a prolação do referido Acórdão. A referida informação também dava conta de que não fora localizada a comprovação da data de entrega à empresa, pelos Correios, da intimação regularmente expedida pela DRF ainda em 2008. Propunha aquela informação, por fim, que se adotasse a data de entrega dos Fl. 392DF CARF MF 4 embargos (que foi efetuada em outra unidade da federação), como a da efetiva ciência da contribuinte, o que faria tempestivos os referidos Embargos. O processo, etnão, foi encaminhado pela DRF Cuiabá para este CARF, mediante o seguinte despacho (fl. 270): "Tratase de embargos de declaração ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em BrasíliaDF, recebido em 27/4/2009 (fls. 248 a 253). Tendo em vista que não foi localizado aviso de recebimento dos correios, referente à Ciência 418/08 e consultando número de rastreamento RC406347602BR não consta entrega à contribuinte, considerase a ciência na data de apresentação dos embargos. Sendo assim, proponho o encaminhamento ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em BrasíliaDF, para prosseguimento”. Apesar de a proposta ter sido acolhida e ratificada pelo Sr. Chefe da Equipe de Arrecadação da DRF, o Colegiado do CARF entendeu que o “prosseguimento” ali recomendado não se poderia dar. Feitas várias considerações, votouse pela conversão do julgamento em diligência Resolução nº 3402000.210, de 04/05/2011 (2ª TO da 4ª Câmara, da 3ª Sejul), para que a unidade preparadora fizesse o saneamento do processo, na seguinte forma (fl. 1/5): "(...) (a) esclareça se o endereço da empresa registrado nos controles internos da SRF, na data em que a EBCT tentou fazer a entrega do AR, era o mesmo aposto no documento; (b) caso afirmativo, aponte o motivo pelo qual deixou ele de ser entregue pela prestadora do serviço; (c) aponte, por fim, quais as providências tomadas por ela, unidade preparadora, para corrigir o motivo indicado pela EBCT; d) indique, por fim, a data em que, em conseqüência dessas providências, foi efetivamente intimada a empresa da decisão proferida pelo Conselho de Contribuintes". Novamente os autos retornaram ao CARF com informação elaborada pela SEORT/DRF/Cuiabá, da qual o que considero relevante para o deslindo do caso, vai adiante reproduzido (fls. 285/287): "Inicialmente, cabe informar que foi enviada Intimação anterior ao contribuinte, na data de 16/07/2008. O endereço para o qual foi enviada a Intimação foi o endereço da empresa registrado nos controles internos da SRF. Sendo que, na data em que a EBCT tentou fazer a primeira entrega do AR, em julho de 2008, era o mesmo endereço aposto no documento (fls. 151, 243 e 260), e, a despeito da certidão da Vara Especializada de Falência e Concordata e Carta Precatória (fls. 191/201), a empresa apresenta, até a presente data, a situação "ativa" e o mesmo endereço utilizado. O AR referente à Intimação retornou dos correios informando que a entrega não foi efetuada pelo seguinte motivo: "Mudouse" (fl. 243)". Foi efetuada, então, uma segunda tentativa de contato, em agosto de 2008 (tentativa essa em relação à qual o CARF solicitou maiores esclarecimentos). Nessa segunda tentativa, foi utilizado o endereço do sindico responsável pela massa falida (fl. 201), o qual , também corresponde aos registros de nossos sistemas (fls. 242 e 244). Assim, o processo foi distribuído para anpalise, quando o Relator decidiu que como antes, também não se indica a previsão legal para o procedimento. Face a tudo o quanto relatado, o Colegiado viuse obrigado a examinar os embargos, nos termos do art. 57 do Regimento (RICARF) vigente quando ele teria sido apresentado. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10183.001622/200105 Acórdão n.º 3402004.197 S3C4T2 Fl. 392 5 Nos referidos Embargos, a defesa aduz ter havido contradição entre a decisão e sua ementa ou erro material nesta, em vista de que, aparentemente, restou mantida a que teria sido elaborada pelo relator vencido, favorável ao sujeito passivo. Aproveita a defesa para postular a aplicação de feitos infringentes de modo a reconhecer o direito pleiteado, na exata forma deferida pelo relator. Designado o Conselheiro para análise, em seu Despacho de exame de embargos às fls. 291/297, dessa forma conclui o Relator em seu voto (fl. 295): "(...) Onde, pois, qualquer contradição? Segundo os embargos, entre a decisão e sua ementa. Ocorre que não há tal previsão no já citado artigo 57 do Regimento. A contradição ali prevista é entre a decisão e os seus fundamentos. Pelo mesmo motivo, porém, forçoso reconhecer a presença do erro material aduzido, e previsto no art. 58 do mesmo regimento, dado que, na ementa, efetivamente foi mantido o texto originalmente elaborado pelo Conselheiro relator. Sua supressão, porém, a teor do § 1º do mesmo art. 58, pode ser feito por despacho do Presidente da Câmara, pelo que, proponho a seguinte correção: Na ementa da decisão, onde se lê: (....). (...) Leiase (...). Essa substituição elimina o erro material e saneia integralmente o processo. Com essas considerações, proponho o não seguimento dos embargos nos termos do art. 57 mas sua apreciação como embargos por erro material, previsto no art. 58, e saneado na forma ali autorizada". Na conclusão, conforme proposto, dessa forma decide o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF (fl. 297): "(...) De acordo com a manifestação supra, que aprovo, nego seguimento aos embargos de que trata o art. 57 do Regimento dos Conselhos de Contribuintes e suprimo, na forma proposta, nos termos do § 1º do art. 58 do mesmo regimento, o erro material reconhecido". No documento de fls. 300, a DRF/Cuiabá (MT), intimou a empresa do Despacho acima (Exame de Admissibilidade de Embargos), conforme ARCorreios (fl. 301), que foi devolvido ao remetente (sem a ciência). Sem sucesso, proferiu o Edital Eletrônico nº 001944290, com Data de Publicação: 26/11/2015 e Data de Ciência: 11/12/2015 (fls. 303/304). Consta do despacho de fl. 312, datado de 04/04/2016, que o processo foi arquivado. Vejase despacho: "(...) Após a ciência ao interessado do resultado dos seus embargos apresentados, através do edital desafixado em 11 de dezembro de 2015, e tendo o prazo para entrada do recurso especial decorrido, encaminhese estes autos ao Arquivo". Da decisão Judicial Fl. 394DF CARF MF 6 Consta dos autos que em 09/05/2016, o Presidente do CARF, subscreve o Memorando nº 090/ASTEJ/PRESI/CARF/MF, endereçado à DRF em Cuiabá (MT), notificando àquela autoridade de decisão judicial no processo, com o seguinte teor (fl. 313): "(...) Cumprimentoa e encaminho em anexo cópia do Mandado de Notificação e Intimação, bem como da decisão que deferiu o pedido liminar do contribuinte, "para declarando a nulidade do Despacho de Exame de Embargos, dos autos do PAF em referência, determinar à autoridade impetrada que promova novo julgamento, com manifestação expressa sobre a aplicação ao caso do disposto no art. 62 do RICARF" (grifei). Considerando a necessidade do imediato cumprimento da r. decisão do juiz federal da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, foi solicitado junto à DRF Cuiabá MT o encaminhamento para esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do PAF nº 10183.001622/200105 que, conforme consulta ao Sistema eProceso, foi enviado para arquivamento no Arquivo Único". Em entendimento ao expediente acima, os autos foram devolvidos à este CARF e distribuídos para este Conselheiro para reanálise dos Embargos declaratórios, a fim de dar cumprimento à decisão judicial acima notificada (fl. 329). É o relatório. Voto Da admissibilidade Os embargos são tempestivos e, também em face do Mandado de Intimação (decisão Judicial SENTENÇA) no sentido de sua admissibilidade, deles conheço (fl. 330). Contexto Cuida esses autos referente aos Embargos de Declaração protocolado pela interessada na DRF em Cascavel (PR) em 12/09/2008 (fl. 264), cujo pedido foi resumido nos seguintes termos (fls. 264/269): "Diante do exposto, requerse dessa Egrégia Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, sejam conhecidos e providos os presentes embargos para o fim de retificar o erro material do julgado ou a contradição nos fundamentos do acórdão, para que não subsistam dúvidas por ocasião da aplicação do aresto. Por oportuno, requer sejam atribuídos excepcionalmente, os efeitos infringentes aos presentes Embargos, conhecendose e provendose o Recurso Voluntário nos termos do voto do Ilmo. Conselheiro Rodrigo Bernardes de Carvalho, pois o mesmo está em consonância com o entendimento da matéria que restou assentado no âmbito da Egrégia CSRF" (grifei). Tendo sido analisado os embargos, em sintonia com a manifestação do Relator, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF negou seguimento aos Embargos de declaração de que trata o art. 57 do RICARF, suprimindo, na forma proposta, nos termos do § 1º do art. 58 do mesmo regimento, o erro material reconhecido. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10183.001622/200105 Acórdão n.º 3402004.197 S3C4T2 Fl. 393 7 Do Mandado de Segurança Tomado conhecimento da referida decisão, a Recorrente não concordando, impetrou Mandado de Segurança, conforme Processo nº 100237430.2016.4.01.3400, da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do DF, com pedido de liminar, contra ato do Presidente da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para "declarar a nulidade do Despacho de exame de embargos, constante às fls. 291297", nos seguintes termos: Cuidase de mandado de segurança, com pedido de liminar, impetrado por Massa Falida de Olvepar S/A Indústria e Comércio contra ato do Presidente da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para "declarando a nulidade do Despacho de exame de embargos, constante às fls. 291297, do documento eletrônico (numerado nos autos físico sob as rubricas S3C471, fl. 1 a fl. 7), dos autos de PAF nº 10183.001622/200105 (vide cópia no Anexo lI), determinando às autoridades coatoras para que promovam a retificação do ato impugnado, nos termos do art. 62 do RICARF, reproduzindo o conteúdo do RECURSO REPETITIVO (TEMA 432), julgado pela l' Seção do STJ, no REsp nº 993164, viabilizando o imediato ressarcimento do crédito presumido de IPI, relativo às matérias primas e insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas no anobase de 1998, em valor original equivalente a R$ 3.236.023,63, devidamente corrigido pela SELIC, desde a data do protocolo do pedido, em 23/04/2001, até o mês anterior ao recebimento e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuado, nos termos do art. 39, ~ 4°, da Lei nº 9.250/95, advertindolhes que as mesmas estarão sujeitas às penas do art. 77, 2º do NCPC, em caso de descumprimento da ordem judicial" (...). "(...) Informa que há mais de 15 anos postula o ressarcimento do crédito presumido de IPI incidente sobre a aquisição de matérias primas e insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, relativo ao ano.base de 1998, estabelecido no art. 10 da Lei n. 9.363/96, que restou indeferido nos autos do PAF nº 10183.001622/200105". Na conclusão do julgamento, assim decidiu o Magistrado: Como consignado pelo impetrante, em cumprimento ao art. 62 do Regimento Interno do CARF3, as turmas julgadoras daquele Tribunal Administrativo também passaram a reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI referente às matérias primas e insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas (fl. 17). A ser assim, não importa se a decisão impugnada é anterior ao entendimento decidido no REsp nº 993.164, devendo, pois, a ele ser adaptado, se for exatamente o caso de sua aplicação. Todavia, de rigor conceder a segurança apenas em parte, pois o Judiciário não pode determinar à Administração Pública que decida desta ou daquela forma. Em outras palavras, não pode determinar que haja reprodução do conteúdo do que fora decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, mas que promova novo julgamento com manifestação expressa sobre a aplicação ao caso do disposto no art. 62 do RICARF e aplicação do precedente se for o caso. Ante o exposto, confirmo a liminar e concedo em parte a segurança para, declarando a nulidade do Despacho de exame de embargos, dos autos de PAF nº 10183.001622/2001 05, determinar que as autoridades impetradas promovam novo julgamento, com manifestação expressa sobre a aplicação ao caso do disposto no art. 62 do RICARF (grifei). Pois bem. Como se vê, foi declarada pela Justiça Federal a nulidade do Despacho de exame de embargos prolatada às fls. 291/297, sendo determinado que se promova Fl. 396DF CARF MF 8 novo julgamento dos Embargos, com manifestação expressa sobre a aplicação ao caso do disposto no art. 62 do RICARF (em referência ao disposto no REsp nº 993.164/MG). De forma muito objetiva, o que se discute neste autos é se a Embargante possui ou não direito a crédito presumido do IPI na hipótese de aquisições de pessoas físicas/e ou cooperativas, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no seu processo produtivo. Diante destas circunstâncias, para evitar qualquer prejuízo ao contraditório e à ampla defesa e em conformidade com o art. 1.023 do Código de Processo Civil aprovado pela Lei n.º 13.105/20151, aplicado de forma supletiva ao presente processo na forma do art. 15 daquela mesma lei, decidiuse abrir prazo de 5 (cinco) dias para que a Fazenda Nacional se manifeste sobre os aclaratórios a serem julgados, caso tenha interesse (fls. 382/383). A FAZENDA NACIONAL, por intermédio de seu Procurador signatário, informa que "(...) vem dizer a V. Exa. que está ciente do despacho que admitiu os embargos declaratórios do contribuinte" (fl. 387). Pois bem. A referida discussão decorre do disposto no §2º do art. 2º da Instrução Normativa nº 23/97, em confronto do que prevê o art. 1º da lei nº 9.363/96. Isso porque a referida Instrução Normativa, ao pretexto de regulamentar a sobredita lei, criou uma restrição ao crédito em comento, o qual estaria limitado à hipótese de aquisição de insumos de pessoas jurídicas sujeitas à incidência de PIS e COFINS. Posto isto, no que concerne à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, no cálculo do crédito presumido apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, é consabido (e expressamente citado pela decisão judicial), que o tema foi objeto de decisão judicial recurso repetitivo do STJ (REsp nº 993.164/MG), que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial nº 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei nº 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula nº 494 do STJ, de seguinte teor: "O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP". É cediço que o REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que é, portanto, vinculante nos julgamentos deste CARF por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. (...) Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10183.001622/200105 Acórdão n.º 3402004.197 S3C4T2 Fl. 394 9 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei nº 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). O referido julgado (REsp nº 993.164/MG) tido como precedente, é análogo ao caso aqui tratado, uma vez que lá também se discutiu a possibilidade de empresa exportadora se valer de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei n. 9.363/96) na hipótese de Fl. 398DF CARF MF 10 adquirir insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas, afastando, por conseguinte, a restrição indevidamente imposta pelo §2º do art. 2º da Instrução Normativa nº 23/97, exatamente como ocorre no caso em tela. Nesse diapasão, o referido precedente tem força vinculativa para este julgador, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, razão pela qual o Acórdão embargado deve ser reformada para a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI as aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas, nos termos do que foi objeto do pedido pela Embargante em seu recurso. Quanto as demais matérias controvertidas no Recurso Voluntário, apontadas no trecho abaixo, e que foram apreciadas no Acórdão embargado, o resultado deve permanecer inalterado conforme no aresto decidido, uma vez que a divergência suscitada (Voto Vencedor) foi sobre às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Vejase trechos abaixo reproduzidos: "No que se refere à inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de lenha, entendo que nessa parte o recurso não pode ser conhecido. Isto porque a interessada não suscitou esta matéria em sede impugnatória". "Por derradeiro, entendo ser devida a incidência da denominada taxa Selic (correção monetária dos créditos) a partir da efetivação do pedido de ressarcimento". Conclusão Em face do acima exposto, acolho os embargos de declaração opostos e concedo efeitos modificativos para o fim de retificar o erro material do julgado e o vício de contradição na ementa do acórdão e nos fundamentos do voto condutor, para que não subsistam dúvidas por ocasião da execução do aresto e, aplicar o REsp nº 993.164/MG ao caso presente, revertendose a glosa das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, na base de cálculo do crédito presumido do IPI apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, nos exatos termos do que prevê o art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF, atendendose desta forma, na integra, a decisão Judicial prolatada no processo nº 1002374 30.2016.4.01.3400, da 14ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal (fls. 334/342). É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 399DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000124/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração.
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias.
MULTA. RELEVAÇÃO.
Não há previsão legal para atenuação ou relevação da multa.
Numero da decisão: 2401-004.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para que a multa seja recalculada excluindo o valor apurado relativo ao pagamento de alimentação in natura.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com os dados correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. MULTA. RELEVAÇÃO. Não há previsão legal para atenuação ou relevação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 01 24 /2 01 0- 51 Fl. 212DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, darlhe provimento parcial para que a multa seja recalculada excluindo o valor apurado relativo ao pagamento de alimentação in natura. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10970.000124/201051 Acórdão n.º 2401004.957 S2C4T1 Fl. 213 3 Relatório Tratase de Auto de Infração AI (Código de Fundamentação Legal – CFL 68) – na competência 02/07, por infração à Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV e §5o, c/c Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 225, inciso IV, por ter a empresa apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A multa cabível está prevista na Lei 8.212/91, artigo 32, §5º c/c o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, artigo 284, inciso II, e o valor da multa é calculado em 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos na Lei 8.212/91, artigo 32, §4º. De acordo com o relatório fiscal (fl. 17) a empresa deixou de declarar em GFIP os valores referentes aos pagamentos feitos a contribuintes individuais e a remuneração paga a empregados a título de alimentação, em forma de tíquetes e cestas básicas. Foi efetuado o comparativo da multa, restando na presente autuação apenas a competência 02/07, conforme relatório fiscal de aplicação da multa, fls. 18/19. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, na qual alega nulidade do MPF, que os valores dos tíquetes alimentação e das cestas básicas (alimentação in natura) não têm natureza salarial e reconhece que não informou alguns contribuintes individuais em GFIP, mas que isso aconteceu por erro do funcionário responsável pelo departamento pessoal à época, devendo a multa ser relevada. Foi proferido o Acórdão 0930.559 5ª Turma da DRJ/JFA, fls. 157/174, com a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/02/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇAO ACESSORIA. INFRAÇAO A LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ALIMENTAÇÃO. FORNECIDA EM DESACORDO COM O PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR _ PAT. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELEVAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Não há como declarar nulidade, quer material quer formal, do lançamento tributário que atende aos requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional CTN, formalizado por autoridade legalmente competente e nos termos do Decreto n° 70.23 5/72. Fl. 214DF CARF MF 4 Constitui infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, devendo o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil lavrar o respectivo auto de infração. A alimentação fornecida pela empresa a seus empregados em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT integra o saláriodecontribuição para os fins da Lei n° 8.212/91. Cabia a relevação da multa aplicada quando cumpridos cumulativamente, pelo infrator, todos os requisitos exigidos na legislação previdenciária, no então vigente art. 291, § 1° do Regulamento Previdenciário aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 na redação dada pelo Decreto n° 6.032/07, que a partir de 13/01/2009, data da publicação do Decreto n° 6.727/2009, foi revogado. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 9/11/10 (Aviso de Recebimento AR de fl. 177), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 7/12/10, fls. 181/206, que contém, basicamente, os mesmos argumentos da impugnação, em síntese: Preliminarmente, alega nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal MPF e diz demonstrar as irregularidades. Disserta sobre a matéria. No mérito, diz que o fato de não ter feito o recadastramento no PAT, em nada influencia a natureza da alimentação fornecida, pois a inscrição ou não no PAT, não retira a natureza “in natura” dos alimentos fornecidos, seja através de cestas básicas ou tíquetes alimentação. Quanto aos valores pagos a contribuintes individuais, confirma que não os informou em folha de pagamento e GFIP, mas que contabilizou os valores pagos e recolheu as importâncias retidas dos segurados. Diz que isso aconteceu por erro do funcionário responsável pelo departamento pessoal à época, devendo a multa ser relevada. Requer seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10970.000124/201051 Acórdão n.º 2401004.957 S2C4T1 Fl. 214 5 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRELIMINAR NULIDADE DO MPF O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, o que implica dizer que eventuais irregularidades no texto, prorrogações ou seu vencimento não constituem, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Estando o contribuinte regulamente intimado do procedimento fiscal e com a espontaneidade suspensa, não há que se falar em vício de forma se foram seguidas as disposições legais pertinentes ao lançamento e à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional – e no art. 10 do Decreto 70.235/72. Assim, tendo o auditor fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Decisão recente da Câmara Superior de Recursos Fiscais demonstra o entendimento do CARF, conforme se vê no Acórdão 9202003.956 – 2ª Turma, de 22/4/16, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Logo, irrelevantes os argumentos sobre irregularidades ou vencimento do MPF. Fl. 216DF CARF MF 6 MÉRITO O sujeito passivo foi autuado por ter infringido o disposto na Lei 8.212/91, artigo 32, inciso IV, §5o, na redação vigente à época do fato gerador, que dispõe: Art.32. A empresa é também obrigada a: [...] IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. [...] §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Tendo em vista a infração cometida, o sujeito passivo sujeitouse, pelo descumprimento de obrigação acessória, à multa punitiva, conforme disposto na Lei 8.212/91 artigo 32, §5o e RPS, artigo 284, inciso II, na redação vigente à época do fato gerador, que determina: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do 'caput' do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: [...] 501 a 1.000 segurados 20 x valor mínimo [...] II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729, de 09/06/03) Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10970.000124/201051 Acórdão n.º 2401004.957 S2C4T1 Fl. 215 7 A obrigação acessória aqui apurada possui relação com os autos de infração contendo obrigação principal conexos a este. O mérito do lançamento foi apreciado nos respectivos autos de infração contendo obrigações principais. Para o fato gerador alimentação in natura, apurado nos processos 10970.000094/201083, 10970000096/201072 e 10970.000097/201017, o crédito tributário foi exonerado, conforme trecho do voto proferido em referidos processos. Desta forma, os valores relativos a alimentação in natura fornecidos aos empregados na forma de cestas básicas ou tíquete alimentação/refeição não integram o conceito de remuneração e, por conseguinte, não devem compor o salário de contribuição dos segurados favorecidos para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias. Assim, uma vez que o fato gerador de que trata o presente lançamento é relativo a contribuições que incidiriam sobre alimentação in natura (cestas básicas e tíquetes) fornecida pela empresa e tendo em vista que conforme atos normativos citados tais contribuições não são mais exigíveis, deve ser excluído o lançamento. Quanto aos valores pagos a contribuintes individuais, o crédito tributário foi apurado no processo 10970.000102/201091, sendo mantido o lançamento. Inclusive o próprio recorrente reconhece o cometimento da infração. Portanto, nos termos da Lei nº 8.212/91, artigo 32, inciso IV, §5º, está demonstrado o cometimento da infração com relação aos valores pagos a contribuintes individuais, e sendo devida a obrigação principal, existe a obrigação acessória. Desta forma, o valor da multa aplicada deverá ser retificado, excluindose o valor relativo à alimentação. RELEVAÇÃO O pedido para relevação da multa, nos termos do RPS, art. 291, §1o, não pode ser acatado, pois tal procedimento não é mais possível, já que o presente Auto de Infração foi lavrado em 24/2/10, quando o citado dispositivo do RPS já havia sido expressamente revogado pelo Decreto 6.727, de 12/1/09, não existindo mais qualquer previsão para atenuação ou relevação da multa. CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito darlhe provimento parcial, para que a multa seja recalculada excluindo o valor apurado relativo ao pagamento de alimentação in natura. Por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário remanescente, deverá ser calculada a multa mais benéfica, considerando os autos de infração conexos, em Fl. 218DF CARF MF 8 razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.908899/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.554
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 88 99 /2 01 2- 33 Fl. 81DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10830.908899/201233 Acórdão n.º 3401003.554 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 83DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10830.908899/201233 Acórdão n.º 3401003.554 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 85DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000051/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
Uma vez comprovado pelo resultado da realização de diligência fiscal, que inexistem valores remanescentes devidos, deve ser cancelado o crédito tributário de COFINS constituído nos autos em relação aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008.
RECURSO. DESISTÊNCIA PARCIAL. EFEITOS.
A desistência parcial do recurso administrativo encerra o litígio na via administrativa, em relação à parte da exação objeto da desistência, e implica o não conhecimento parcial do recurso.
Numero da decisão: 3201-002.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Decidiram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, dar provimento ao recurso.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. Uma vez comprovado pelo resultado da realização de diligência fiscal, que inexistem valores remanescentes devidos, deve ser cancelado o crédito tributário de COFINS constituído nos autos em relação aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008. RECURSO. DESISTÊNCIA PARCIAL. EFEITOS. A desistência parcial do recurso administrativo encerra o litígio na via administrativa, em relação à parte da exação objeto da desistência, e implica o não conhecimento parcial do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidiram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, dar provimento ao recurso. Winderley Morais Pereira - Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
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AUTO DE INFRAÇÃO. RESULTADO DE DILIGÊNCIA. Uma vez comprovado pelo resultado da realização de diligência fiscal, que inexistem valores remanescentes devidos, deve ser cancelado o crédito tributário de COFINS constituído nos autos em relação aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008. RECURSO. DESISTÊNCIA PARCIAL. EFEITOS. A desistência parcial do recurso administrativo encerra o litígio na via administrativa, em relação à parte da exação objeto da desistência, e implica o não conhecimento parcial do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decidiram os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, dar provimento ao recurso. Winderley Morais Pereira Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 51 /2 00 9- 21 Fl. 5972DF CARF MF 2 Relatório Por se tratar de processo com retorno de diligência, transcrevo o Relatório constante da Resolução nº 3201000.460, redigida por esta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF (efls. 5827 a 5832): Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Contra a empresa acima identificada foi lavrado auto de infração exigindolhe a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), anoscalendário de 2004 a 2008, no valor de R$ 1.951.957,78 (fls. 11), acrescidos de multa de oficio (qualificada) e juros de mora, totalizando credito tributário no valor de R$ 5.280.579,94. Em Relatório de Descrição dos Fatos as fls. 18/71, a autoridade fiscal informa ter executado, em procedimento fiscal, verificações obrigatórias visando aferir a correspondência entre os valores da COFINS declarados à RFB e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, nos anoscalendário de 2004 a 2008. Como resultado, constatouse que os valores constantes em livros de registro de prestação de serviços, denominados Registro de Saídas, e em livros de registro de notas fiscais de serviços prestados, são divergentes em relação aos valores informados à RFB por meio de declarações obrigatórias (DIPJ, DCTF e DACON). As omissões apuradas foram sintetizadas em planilhas de fls. 35, 44, 53, 60 e 64, e os respectivos valores da COFINS devidos objeto do auto de infração em exame. Ciente em 13/02/2009 (fls.1591), a interessada apresentou, em 13/03/2009, impugnação ao lançamento (fls. 1594/1633), alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o lançamento, por fundado em presunções ou indícios de omissão de receitas, que não (refletiriam a real situação da contribuinte (capacidade contributiva), e pela não apreciação de provas; que seria, nulo o lançamento por indevida inclusão na base de calculo da Cofins de valores devidos a titulo de ICMS e ISS, que seriam estranhos aos conceitos de faturamento e receita, com afronta a preceitos legais e constitucionais; que a autoridade fiscal teria desconsiderado, no lançamento, retenções efetuadas em notas fiscais de prestação de serviços, a titulo de IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, nos termos dos artigos 30 a 32 da Lei n.° 10.833. de 2003, implicando indevida majoração dos valores devidos. Caracterizadas tais antecipações como retenções, nos termos do artigo 34 da Lei n.° 10.833, de 2003, as respectivas empresas estariam autorizadas a compensar os valores retidos com tributos devidos a partir do mês da retenção; que teria em seu favor provimento judicial, exarado, em ação em Mandado de Segurança, com trâmite perante a 4a Vara Fl. 5973DF CARF MF Processo nº 18088.000051/200921 Acórdão n.º 3201002.849 S3C2T1 Fl. 3 3 Federal de Ribeirão Preto (processo n.° 2004.61.02.0030193), concedendolhe o direito a não ser compelida ao recolhimento da Cofins em razão da isenção prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar n.° 70, de 1991, pelo que seria nulo/improcedente o auto de infração. O disposto no art. 63 da Lei n.° 9.430, de 1996, por seu turno, afastaria a possibilidade de imposição da multa de oficio; que requer seja determinada a realização de diligência para nova apuração dos valores devidos a titulo de Cofins, considerandose as retenções na fonte e excluídos da base de cálculo os valores de ISS devidos; que a alegação de que a empresa não teria respondido intimação e reintimação não daria respaldo ao agravamento da multa; que seria ilegal e/ou inconstitucional a exigência de juros de mora com base na taxa Selic; que a aplicação de multa de oficio ao percentual de 75% caracterizaria confisco, contrariando dispositivos da Constituição Federal; que caberia redução da sanção pecuniária, por ausente qualquer intenção de fraude ou dolo por parte da impugnante; que seria dever da Administração apreciar e deixar de aplicar conteúdo de lei com indicativos de inconstitucionalidade; que caberia anulação do Termo de Arrolamento de Bens, por constituir forma ilegal de vedação de disposição de bens, e por encontrarse suspensa a exigibilidade do crédito tributário; que inexistiriam razões para prosseguimento da representação fiscal para fins penais, pelo que caberia a suspensão de seus efeitos. Ao final, requer o reconhecimento da nulidade e improcedência do auto de infração, ou. alternativamente, a realização de diligencia para que seja efetuada nova apuração dos valores lançados no auto de infração, exclusão dos juros de mora e redução das multas aplicadas, e conseqüente reconhecimento da improcedência do lançamento. Cumpre informar ainda que a recorrente desistiu parcialmente de sua impugnação em relação aos fatos geradores correspondentes aos períodos de apuração de 02/2004 a 07/2006, mantendo sua irresignação apenas em relação aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP encaminhou o processo em diligência para a verificação das alegações referentes à inclusão dos valores correspondentes às notas fiscais no cálculo dos totais de receitas apuradas para exigência das contribuições ao Pis e Cofins. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento, procedendo com a diligência requerida, informou que: Fl. 5974DF CARF MF 4 [...]Da análise da documentação entregue pelo fiscalizado (fls. 5246 a 5387), apurei que o valor das notas fiscais (fls: 1713 a 5225) apresentadas quando da impugnação encontrase incluído nos totais mensais de receitas apuradas segundo as planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anos calendário 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 as fls. 35, 41; 53, 60 e 64, respectivamente. Analisei, ainda, o Relatório das Notas Fiscais Emitidas (fls. 5246 a 5387) elaborado pelo diligenciado, o qual verifiquei conter a composição dos totais mensais informados nos "Balancetes de Verificação", constantes do processo. Apurei; contudo, que a diligenciada não fez acompanhar de sita impugnação a totalidade das notas fiscais a que se refere o Relatório de Notas Fiscais Emitidas (fls. 5246 a 5387). Atesto, também, que o valor das notas fiscais (fls. 1743 a 5225) apresentadas quando da impugnação encontrase incluído nos totais mensais de receitas apuradas segundo as planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anos calendário 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 as fls. 35; 41, 53, 60 e 64, respectivamente: Assim, fica atendido o item "a" do despacho fl. 5232. Para atendimento ao item "b" do despacho a fl. 5232 elaborei, à luz das informações apresentadas pelo contribuinte, relatório; mês a mês (fls. 5388 a 5507), destacando em uma coluna própria, com base nas notas fiscais apresentadas na impugnação, (fls. 1743 a 5225) a COFINS retida na fonte, concluindo que há Notas Fiscais (l1s. 1743 a 5225) apresentadas na impugnação cujos valores estão incluídos no cômputo das receitas apuradas nas planilhas representativas dos demonstrativos contábeis dos anoscalendário 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 as fls. 35, 44, 53, 60 e 64, respectivamente, base para exigência das contribuições COFINS. [...]Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IMPUGNAÇÃO. DESISTÊNCIA PARCIAL. EFEITOS. A desistência parcial do recurso administrativo encerra o litígio na via administrativa, em relação à parte da exação objeto da desistência, e implica o não conhecimento parcial da impugnação. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Improcedentes as argüições, de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art'. 59 do Decreto n° 70.235/72. Fl. 5975DF CARF MF Processo nº 18088.000051/200921 Acórdão n.º 3201002.849 S3C2T1 Fl. 4 5 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas, incluídas as que julgam litígios fiscais, no detém competência para decidir sobre arguição de inconstitucionalidade de leis; já que tal competência está adstrita à esfera judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração , tendo sido observada na autuação a legislação de regência das matérias, e não havendo contestação expressa de fatos apontados na autuação, pressupõese a concordância da impugnante em relação à parte não impugnada, o que torna definitiva a exigência na esfera administrativa, no que concerne a esse tema. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento de valores devidos a titulo da contribuição, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. BASE DE CALCULO. EXCLUSÕES. As exclusões da base de calculo da contribuição limitamse aos casos expressamente previstos em Lei. MULTA DE OFICIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado , pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64. Nesta decisão, a DRJ Ribeirão Preto considerou dedutíveis, para efeitos de cálculo da COFINS apurada mensalmente, as retenções na fonte comprovadas pela recorrente, excluindo do lançamento os valores correspondentes. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, sustenta que: que seria nulo o lançamento, por fundado em presunções ou indícios de omissão de receitas, que não (refletiriam a real situação da contribuinte (capacidade contributiva), e pela não apreciação de provas; que seria nulo o lançamento por indevida inclusão na base de calculo da Cofins de valores devidos a titulo de ICMS e ISS, que Fl. 5976DF CARF MF 6 seriam estranhos aos conceitos de faturamento e receita, com afronta a preceitos legais e constitucionais; que a alegação de que a empresa não teria respondido intimação e reintimação não daria respaldo ao agravamento da multa; que seria ilegal e/ou inconstitucional a exigência de juros de mora com base na taxa Selic; que a aplicação de multa de oficio ao percentual de 75% caracterizaria confisco, contrariando dispositivos da Constituição Federal; que caberia redução da sanção pecuniária, por ausente qualquer intenção de fraude ou dolo por parte da impugnante; que seria dever da Administração apreciar e deixar de aplicar conteúdo de lei com indicativos de inconstitucionalidade; Posteriormente a apresentação de seu recurso voluntário, a recorrente carreou aos autos documento no qual apresenta razões aditivas, afirmando, em síntese, que todos os valores declarados no Dacon à titulo de Cofins retido na fonte deveria ser excluído do lançamento. Em sede de memoriais, a recorrente anexa planilha informando que notas fiscais que demonstrariam que todos os valores exigidos foram objeto de retenção na fonte encontramse anexadas a outros processos do mesmo contribuinte, referentes ao mesmo período de apuração, quais sejam os processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955. É o relatório. Em primeira análise, essa 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, em decisão unânime, houve por bem converter o processo em diligência, nos seguintes termos: Do relatório, extraise que a autoridade fiscal, em procedimento de diligência, confirmou o equívoco do lançamento em relação às notas fiscais anexadas ao presente processo, tendo o acórdão recorrido cancelado a exigência em relação a estes recolhimentos considerados comprovados. Verificase ainda que a recorrente, em sede de memoriais, informa a localização de cada uma das notas fiscais que demonstrariam o recolhimento dos tributos ora exigidos, que teriam sido anexados a outros dois processos da recorrente, referentes aos mesmos períodos de apuração. Desta forma, tendo em vista os fatos trazidos em sede de julgamento de recurso voluntário, mostrase necessário que o presente processo seja encaminhado em diligência a unidade de origem para que sejam adotadas as seguintes providências: elaboração de relatório conclusivo acerca da inclusão (ou não) dos valores correspondentes às Notas Fiscais anexadas junto aos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955, no Fl. 5977DF CARF MF Processo nº 18088.000051/200921 Acórdão n.º 3201002.849 S3C2T1 Fl. 5 7 cômputo dos totais de receitas apuradas que ensejaram na presente autuação. manifestação acerca da necessidade de retificação dos valores lançados, informando o valor que entende devido, tendo em vista as notas fiscais anexadas junto aos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955. Após prestadas as informações acima, abrase vistas a recorrente para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, se entender necessário, bem como intimese a douta Procuradoria da Fazenda Nacional para que se manifeste no prazo de 10 (dez) dias, sobre o resultado desta diligência. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para prosseguimento no julgamento. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator Em diligência realizada, a Autoridade Fiscal concluiu (efls. 5953 a 5961, grifei): Em atendimento ao contido no encaminhamento do CARF – Conselho Administrativo de recursos Fiscais a fl. 5834 do processo de lançamento de crédito tributário da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social nº 18088.000051/200921, efetuo a presente informação fiscal. Junto ao presente o TDPF – D – Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal nº 08122002015 000965. Esta informação fiscal é elaborada ante a solicitação de diligência exarada na Resolução nº 3201 000.460 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 5827 a 5832), para que sejam adotadas as seguintes providências: 1) elaboração de relatório conclusivo acerca da inclusão (ou não) dos valores correspondentes às Notas Fiscais anexadas nos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955, no cômputo dos totais de receitas apuradas que ensejaram na presente autuação. 2) manifestação acerca da necessidade de retificação dos valores lançados, informando o valor que o AuditorFiscal autuante entende devido, tendo em vista as notas fiscais anexadas nos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955. Quanto ao item 1 supra, as Notas Fiscais anexadas pelo contribuinte nos eProcessos nº 18088.000050/200986 (PIS) e 18088.000063/200955 (IRPJ), quando da impugnação apresentada, localizamse as fls. 1807 a 4959 e as fls. 1178 a 4528, respectivamente em cada processo, e o valor de cada uma das notas fiscais encontrase incluído nos totais mensais de receitas apuradas segundo as planilhas representativas dos Fl. 5978DF CARF MF 8 demonstrativos contábeis do período de apuração de 08/2006 até 12/2006 (fl. 55), de 01/2007 até 12/2007 (fl. 62), e de 01/2008 até 06/2008 (fl. 66). Considero nessa informação fiscal que a recorrente, em sede de memoriais, informou a localização de cada uma das notas fiscais que, segundo afirmou a fiscalizada, demonstrariam o recolhimento dos tributos ora exigidos do período de apuração de 08/2006 até 12/2006, de 01/2007 até 12/2007, e de 01/2008 até 06/2008; são as notas fiscais as fls. 2948 a 4959 do processo nº 18088.000050/200986 (PIS) e as fls. 2352 a 4528 do processo 18088.000063/200955 (IRPJ). Contudo, conforme apurei do exame das planilhas de 181 fls. de minha elaboração que junto a esse relatório, nem toda nota fiscal emitida pela fiscalizada informou o valor da retenção da Cofins, inferindo eu que a retenção da Cofins não foi feita nas notas fiscais que não apontam que houve retenção dessa contribuição. Mediante essa prova material de não retenção da Cofins, consubstanciada em várias notas fiscais sem retenção dessa contribuição, apontadas nas planilhas anexas, não concedi ao contribuinte valor algum de Cofins retida na fonte nas notas fiscais em que não há expressamente apontamento de retenção na fonte da Cofins. Quanto ao item 2 supra, segue minha manifestação acerca da necessidade de retificação dos valores lançados, informando desde já que inexiste valor remanescente devido, tendo em vista as notas fiscais anexadas junto aos Processos nº 18088.000050/200986 e 18088.000063/200955 e as fls. 4945, 5836, 5837, 5838 e 5839. (...) Entendo, portanto, atendendo ao item nº 2 da Resolução nº 3201 000.460 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, que não restou nenhum valor devido de COFINS no anocalendário 2008. Concedida vista à Recorrente, essa informou que nada tem a acrescentar, efl. 5963. A PGFN também se manifestou, efl. 5970, onde ratificou sua ciência do resultado da diligência e requereu o seguimento do julgamento. Após, os autos foram remetidos a este CARF e, considerando que o Relator original do feito não mais integra este órgão, foram a mim redistribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Relator José Luiz Feistauer de Oliveira O Recurso Voluntário do contribuinte (efls. 5723 a 5752) é tempestivo e portanto dele conheço. Fl. 5979DF CARF MF Processo nº 18088.000051/200921 Acórdão n.º 3201002.849 S3C2T1 Fl. 6 9 Diante de todo o exposto, entendo que o resultado da diligência efetuada, vide efls. 5953 a 5961, é suficientemente claro ao declarar, após exaustiva análise da documentação apresentada pelo interessado em sede de memoriais, que inexistem valores remanescentes devidos, em relação aos valores lançados relativos aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008. Desta forma, resta desnecessária à análise das demais matérias recorridas em relação a estes períodos de 08/2006 a 06/2008. Quanto à parcela do lançamento relativa aos débitos da COFINS apurados em relação aos fatos geradores correspondentes aos períodos de apuração de 02/2004 a 07/2006, a decisão recorrida já destacou que, de acordo com o documento de fl. 5234, o contribuinte teria formalizado pedido de desistência parcial do recurso administrativo interposto no presente processo. Nestes termos, consignou a ausência de litígio em relação à esta parte do lançamento, objeto de desistência do recurso administrativo, nos termos do art. 14 do Decreto n.° 70.235, de 1972 (PAF), o que acarretou no não conhecimento parcial da impugnação, no que concerne aos débitos da COFINS apurados nos períodos de 02/2004 a 07/2006. Portanto, o Recurso Voluntário também não será conhecido em relação à esta parcela, pelos mesmos fundamentos. Assim, voto por conhecer parcialmente do recurso, para, na parte conhecida DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, devendose excluir os valores relativos aos períodos de apuração de 08/2006 a 06/2008, conforme apontou o resultado da diligência efetuada, vide relatório de efls. 5953 a 5961; bem como devese manter os valores lançados relativos aos fatos geradores correspondentes aos períodos de apuração de 02/2004 a 07/2006, em relação aos quais o interessado desistiu de sua impugnação. Assinado Digitalmente José Luiz Feistauer de Oliveira Relator Fl. 5980DF CARF MF
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Numero do processo: 13062.000032/98-46
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2001
Ementa: Vistos,relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por:KEPLER WEBER INDUSTRIAL S/A.
Numero da decisão: 202-00.235
Decisão: RESOLVEM os membros da segunda câmara do segundo conselho de contribuintes,por unanimidade de votos,converter o julgamento do recurso em diligência,nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10715.002190/2010-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 03/10/2006 a 31/10/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 03/10/2006 a 31/10/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 21 90 /2 01 0- 87 Fl. 310DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Erro material da decisão de primeira instância, tendo em vista que colocou como sendo a condenação remanescente o valor referente ao que deveria ser excluído; 2 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 3 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 4 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 5 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10715.002190/201087 Acórdão n.º 3402004.165 S3C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. Tampouco cabe deliberar aqui a respeito da preliminar apreciada no acórdão recorrido, a respeito da existência de erro material na decisão da DRJ, no momento de cálculo do crédito tributário remanescente. Isso se dá em razão de tanto a preliminar quanto ao mérito terem sido apreciados, a despeito de apenas em relação a este último ter versado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que implica na definitividade do provimento em relação ao erro material apontado pelo Contribuinte. Nessa mesma linha, o provimento da decisão da 3ª CSRF foi exatamente no sentido de que se apreciasse os demais argumentos relativos ao mérito, que deixaram de ser deliberados em razão do provimento meritório. Apenas por razão de cautela, visando evitar omissões ou dificuldades de execução do acórdão, frisase esse ponto para esclarecer o motivo pelo qual tal preliminar não será enfrentada aqui, visto que não é possível nos manifestarmos sobre matéria que já foi julgada e, inclusive, transitou em julgado administrativo por ausência de manifestação. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que Fl. 312DF CARF MF 4 estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10715.002190/201087 Acórdão n.º 3402004.165 S3C4T2 Fl. 4 5 obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá Fl. 314DF CARF MF 6 pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Tampouco caberia se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 315DF CARF MF
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Numero do processo: 19991.000528/2009-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA.
Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA.
As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente
Assinatura Digital
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DECISÃO RECORRIDA. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida, a qual analisou a documentação apresentada pela contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade para comprovação do direito creditório alegado. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS DA PROVA. As diligências e perícias não existem para suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas pelo confronto de elementos de provas já trazidos pelas partes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente Assinatura Digital Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 05 28 /2 00 9- 38 Fl. 349DF CARF MF 2 Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mediante o Acórdão nº 0939.300 2ª Turma da DRJ/JFA, de 29 de fevereiro de 2012, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE EMPRESAS CONSIDERADAS INAPTAS. A adquirente faz jus aos créditos em relação às compras para revenda somente quando apresentadas as notas fiscais referentes às operações e quando comprovado o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias comercializadas, independentemente de haver contra os fornecedores declaração de inaptidão. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Versa o processo sobre o PER nº 30416.59428.030809.1.1.093792, mediante o qual a contribuinte pleiteou ressarcimento de crédito referente à Cofins não cumulativa– Exportação relativo ao 4º trimestre de 2007, no valor total de R$ 97.103,43, com fundamento no §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003. Mediante a DECISÃO SARAC/DRF/PCS nº 055/2010, a autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório pleiteado de Cofins não cumulativa mercado externo referente ao 4º trimestre de 2007, sob os seguintes fundamentos: (...) 5. Da verificação do DACON 4o Trimestre/2007, ficha 16A de fls. 05, 12 e 19, o contribuinte pleiteou valores dos seguintes itens que compuseram a base de cálculo dos créditos: 01 Bens para revenda, 03 Serviços utilizados como insumo (novembro e dezembro) e 07 Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. 6. Demonstrou na linha 26, a apuração do crédito presumido agroindústria que vem sendo utilizado na dedução da COFINS apurada nos trimestres. III Análise do crédito ordinário 7. Cabe ressaltar, inicialmente, que toda a documentação apresentada para comprovação do direito aos créditos de PIS/COFINS não cumulativos exportação está acostada ao processo n° 19991.000525/200902. Portanto ao se remeter o número das folhas, estas se referem ao citado processo. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 350 3 8. Da relação das mercadorias adquiridas para revenda e despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, de outubro a dezembro/2007 fls. 58 a 64, o contribuinte foi intimado (fl. 237) a apresentar todas as notas fiscais cujos valores compuseram a base de cálculo dos créditos pleiteados, inclusive conhecimentos de transportes do período. Foi solicitado também a apresentar comprovantes de pagamento das notas fiscais cujo valor seja superior a R$ 10.000,00. 9. As notas fiscais solicitadas bem como os comprovantes de pagamento foram conferidos e acostados nos autos às fls. 462 a 517 e 837 a 864. 10. As aquisições para revenda das empresas abaixo citadas serão glosadas por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ. As irregularidades detectadas com relação a estas empresas são tais que deverão ser considerados inidôneos, nos termos do art. 48 da IN RFB n° 748/2007, e não produzam efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos por elas emitidos, ou seja, que tais documentos, conforme § 1o do art. 48 da IN RFB n° 748/2007, não possam ser utilizados por terceiros para gerar créditos das contribuições para o PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) não cumulativos: Timbu Comércio de Café Ltda (processo n° 19.991.000.523/200913) Caixeta e Scalco (processo n° 19.991.000.511/200981) Alexandre Alves de Brito (processo n° 19.991.000.428/200910) 11. Após verificações da regularidade fiscal dos demais fornecedores (CNPJ,DIPJ e pagamentos no SINAL) concluise que o contribuinte faz jus aos demais créditos ordinários pleiteados. IIII Considerações sobre o credito presumido agroindústria 12. Embora o contribuinte não tenha pleiteado o crédito presumido agroindústria, com relação a este crédito (linha 26, ficha 16A), temse no art. 8o da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, (...) (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído peia Lei n° 11.051, de 2004) 13. Da descrição do seu processo de produção de fl. 13 depreendese que a atividade do contribuinte não contempla o exercício cumulativo descrito no § 6o acima, especificamente no que se refere à compra de café cru definido como já beneficiado segundo Resolução CNNPA n° 12, de 1978. Se o contribuinte Fl. 351DF CARF MF 4 adquire café beneficiado, não cumpre (não beneficia) um dos requisitos exigidos para que se enquadre nas condições de agroindústria. Adicionalmente, da verificação das notas fiscais de compra de produtores rurais de fls. 1141 a 1461, observase que, em todas as notas, o produto adquirido foi de café beneficiado e a mercadoria ou foi entregue ou continua armazenada, preponderantemente, no Armazéns Gerais Carapina, CNPJ 27.980.960/000464. Esse fato demonstra que os produtos adquiridos não transitaram pelo estabelecimento do contribuinte em epígrafe, descaracterizandoo como produtor de mercadorias de origem animal definido no art. 8o da Lei n° 10.925. Portanto o contribuinte não faz jus ao crédito presumido referente às mercadorias adquiridas cujos valores compuseram as bases de cálculo das linhas 26, ficha 16A, para ser deduzido da COFINS apurada em cada trimestre. 14. A informação de fl. 236 demonstra que nos meses de outubro a dezembro/2007 houve exportações pelo contribuinte em epígrafe. 15. Em vista de todo o acima exposto, o crédito reconhecido de COFINS exportação 4°T/2007 é no valor de R$ 10.676,82. Esse valor será utilizado na dedução da COFINS apurada do período, resultando em COFINS a pagar remanescente no valor R$ 21.856,33 como abaixo demonstrado. (...) Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a) Deve ser declarada a nulidade parcial da decisão recorrida, haja vista que a mesma não se demonstrou suficientemente fundamentada, nem motivada. b) Em relação às aquisições das empresas inidôneas, houve a efetiva comprovação de que a empresa adquirente, ora Impugnante, promoveu o pagamento do valor acordado para aquisição das mercadorias, bem como efetivamente recebeu as mercadorias adquiridas, o que, consequentemente, ensejava o crédito, conforme demonstra a farta documentação apresentada na presente peça de defesa. Ressaltese, ainda, que as notas fiscais relativas às compras de empresas consideradas inaptas, se encontram acostadas nos volumes I a VIII, do Processo Administrativo n° 19991.000525/200902. c) Tanto as empresas que efetuam o rebeneficiamento do café, que corresponde à classificação do café cru (limpo) por tipo peneiras, como as empresas que realizam o próprio beneficiamento do café, previsto no código 1081301, da Classificação Nacional de Atividades Econômicas — CNAE, incontestavelmente, se qualificam como sociedades agroindustriais, para fins de usufruir do crédito presumido previsto na legislação de regência. d) Inclusive, se necessário for, requer a Impugnante que seja realizada a diligência fiscal pertinente, no sentido de verificar não apenas o caráter agroindustrial da atividade exercida por ela exercida, como também a correção do direito creditório constante do documentário já anexado aos presentes autos, face à necessária busca pela verdade material no caso em tela. O julgador de primeira instância acatou parcialmente as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos: A decisão foi devidamente fundamentada e motivada. Nela é possível identificar com clareza tanto as operações como as notas ficais desconsideradas e que foram objeto de glosa bem como as demais notas fiscais que compuseram as outras rubricas constantes da DACON relativa ao período em exame, inclusive com indicação das folhas onde os referidos documentos se encontram. A tabela de efl. 47 indica com clareza qual o quantum considerado e, ainda, os valores pleiteados em Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 351 5 ressarcimento, estes últimos retirados da DACON ou do PER preenchidos pela própria empresa. E mais, do arrazoado apresentado em sua defesa, verificase que houve compreensão por parte da reclamante sobre fatos e atos que originaram a glosa, bem como da legislação aplicada, pois, a contribuinte a eles se contrapôs demonstrando perfeito entendimento. Quanto às glosas dos créditos oriundos de aquisições de empresas consideradas inaptas, para parte delas, a manifestante obteve êxito em demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias, o que não se efetivou relativamente aos documentos das efls. 856 e 857 do processo administrativo nº 19991.000525/200902, para os quais não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais de fls. 863, 868 e 877 desse processo, para as quais a entrega não restou comprovada. Nas notas fiscais acostadas ao processo em resposta à intimação (fls. 1.141/1461 numeração em papel) e verificadas por amostragem, consta que o café adquirido pela empresa é beneficiado, fato em relação ao qual a reclamante não se contrapôs. Dessa forma, a discussão se restringe a definir se o rebeneficiamento, por encomenda, do café adquirido já beneficiado se enquadra nos requisitos exigidos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, que determina as condições para fruição do direito ao crédito presumido de PIS, sobre produtos adquiridos de pessoa física e de cooperativas. Da leitura da norma legal acima, inferese que para fazer jus ao crédito presumido a pessoa jurídica tem que produzir, ela mesma, a mercadoria que revende, considerandose produção no caso concreto, o exercício cumulativo das atividades discriminadas no §6º, que inclui o beneficiamento, mas não o rebeneficiamento por encomenda. A manifestante compra café já beneficiado entregue em outras empresas, o que mostra claramente que ela não exerce cumulativamente as atividades que caracterizam a produção de café para fins de utilização do benefício legal, não se enquadrando na condição de pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal ou vegetal. Assim, forçoso concluir que a requerente não realizou o beneficiamento do café conforme exigência do art. 8º, não podendo usufruir do crédito presumido em questão. A reclamante solicita a realização de diligência para verificar não apenas o caráter agroindustrial da atividade exercida por ela exercida, como também a correção do direito creditório. Contudo, o direito em discussão foi analisado e formada a convicção à vista dos elementos trazidos ao presente processo e ao de nº 19991.000525/200902 e do contido na legislação de regência e, da mesma forma restou definido que a empresa não é agroindústria para fins de utilização do crédito presumido tornandose prescindível o procedimento requerido. E que, em relação às parcelas do crédito não legitimados, a reclamante não logrou trazer ao processo quaisquer documentos capazes de comprovar a sua existência. Assim sendo, concluise pelo indeferimento do pedido de diligência. Cientificada em 13/03/2012, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 12/04/2012, mediante o qual alega: (...) II DA EFETIVA COMPROVAÇÃO DO REBENEFICIAMENTO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS PELA RECORRENTE. DO LEGÍTIMO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. Destarte, alega a autoridade fiscal que a Contribuinte não apresentou a comprovação do pagamento e da entrega das mercadorias nas notas fiscais de fls. 856, 857, 863, 868 e 877, pelo que, então, não cumpriria um dos requisitos contidos no §5° do art. 48 IN RFB n° 748, de 2007. Porém, tal assertiva não deve prosseguir, tendo em vista o Princípio da Verdade Material, já que apresentados os documentos pertinentes, necessários à comprovação do Fl. 353DF CARF MF 6 pagamento das mercadorias, bem como da efetiva entrega das mesmas, com relação às operações objeto de glosa, a saber: Alexandre Alves de Brito CPF n° 06347129/000157 (fls. 856, 857, 863; Comércio e Corret. Café Monte CNPJ n° 7.508.067/000180 (fls. 868); e c) Coop. R. Caf. Guaxupé CNPJ n° 1.893.896/000148 (fls. 877) Isto porque, com relação às operações com os fornecedores acima discriminados, a documentação apresentada pela Contribuinte efetivamente se reveste de todos os requisitos que legitimam o direito ao crédito, em nada se justificando as glosas efetuadas sobre as mesmas, bastando, inclusive, um simples cotejo destes com os demais documentos aceitos pela própria autoridade fazendária. Ademais, ainda de acordo com o Princípio da Verdade Material, se dúvidas ainda persistirem, deverão ser consideradas todas as provas e fatos novos, ainda que desfavoráveis contra a Fazenda Pública, desde que sejam provas lícitas. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos (verdade material). (...) Desta forma, a fim de alcançar a verdade material exigida e necessária no presente procedimento, há que se consignar a possibilidade da realização de diligência, na forma como previsto no artigo 65, da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, verbis. (...) Isto porque, eventual diligência a ser realizada poderá não apenas atestar a correção dos procedimentos adotados pela Recorrente, como também tornará evidente a legitimidade do crédito tributário em exame. Isto posto, a Recorrente, uma vez comprovados os pagamentos e a entrega das mercadorias nas notas fiscais acostadas nos autos de de fls. 856, 857, 863, 868 e 877, assim como pela possível apuração realizada através da diligência requerida, requer que seja reformada a decisão, de modo que seja reconhecido o seu direito ao crédito presumido a ser deduzido quando da apuração trimestral da Cofins, e, por decorrência, homologado o pedido integral de ressarcimento formulado, já que todo o direito está comprovado nestes autos. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, espera a Recorrente ter demonstrado através de todo o seu arrazoado, a legitimidade do direito creditório informado no Pedido de Ressarcimento em exame, pelo que deve ser dado provimento ao recurso, para a reforma da decisão recorrida, com o conseqüente deferimento da totalidade do ressarcimento pleiteado. (...) Mediante a Resolução nº 3403000.572 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 16 de setembro de 2014, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: (...) Fl. 354DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 352 7 O recurso voluntário foi protocolado em 12/04/2012 (fl. 121), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 13/03/2012 (fl. 121). Por ser tempestivo e por conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, o recorrente se limita a sustentar que houve a comprovação do pagamento e Por ser tempestivo e por conter fundamentos para a reforma do acórdão da DRJ, conheço do recurso. No mérito, a discussão gira em torno de saber se houve a comprovação do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias a que se referem as notas fiscais apresentadas pelo recorrente, que se referem a aquisições que realizou de pessoas jurídicas que vieram a ser declaradas inaptas. Mais especificamente, tratase das notas fiscais que se encontram as fls. 856, 857, 863, 868 e 877 do Processo Administrativo nº 19991.000525/200902. Ocorre que nem o referido Processo Administrativo foi apensado ao presente processo, nem as referidas notas fiscais encontram se juntadas aos autos do presente processo, tanto menos a documentação que serviria de prova do pagamento dos valores e do recebimento das mercadorias referentes a estas mesmas notas. Destarte a necessidade de converter o presente julgamento em diligência. Voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Delegacia de origem promova as seguintes providências: 1. promova a apensamento ou anexação aos presentes autos de cópia integral do PA nº 19991.000525/200902; 2. intime o contribuinte a demonstrar, por meio de sua escrituração contábil ou outros documentos (cheques, conhecimento de transporte etc) o efetivo pagamento do valor de cada nota fiscal e o efetivo recebimento da mercadoria; 3. lavre termo final de diligência; 4. intime o contribuinte a, querendo, apresentar manifestação quanto ao termo final de diligência e 5. devolva os autos a este Conselho para julgamento. Em 29/12/2014, os autos foram encaminhados à Unidade de Origem para a execução das providências requeridas na diligência. A Unidade de Origem juntou os documentos das efls. 134/143 e solicitou esclarecimentos no despacho de encaminhamento ao CARF, nos seguintes termos: Fl. 355DF CARF MF 8 Os documentos de folhas 856, 857, 863, 868 e 877 do PAF nº 19991.000.525/200902 não são notas fiscais como consta em vosso pedido de diligência, assim sendo solicito esclarecer se o pedido de diligência se refere as notas fiscais das empresas Timbu Comércio de Café Ltda, Caixeta e Scalco, Alexandre Alves de Brito e Armazéns Gerais Carapina constante nas planilhas de folhas 134, 135, 136, 137 e 140 e após retornar a esta SAORT para realizar a requerida diligência. O processo foi sorteado a esta Conselheira e distribuído em 29/01/2017. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Por ocasião da conversão do julgamento em diligência foi efetuado o juízo de admissibilidade do recurso voluntário, tendo sido ele conhecido por aquele Colegiado. Como se observa na decisão recorrida, foi acatado parcialmente o pleito da manifestante no sentido de reverter as glosas relativas às aquisições dos fornecedores irregulares para as quais foi comprovado o pagamento ao fornecedor e a efetiva entrega/recebimento das mercadorias, com o carimbo do armazém que recebeu as mercadorias, sendo que, em relação às notas fiscais das efls. 856 e 857 do processo nº 19991.000525/2009 02, não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais das efls. 863, 868 e 877, a entrega não restou comprovada, nesses termos: (...) Quanto a linha de defesa apresentada em relação à glosa das aquisições para revenda das empresas “por existirem contra elas Processos de Representação Fiscal para inaptidão dos seus CNPJ”, temse que a Delegacia de origem se baseou em irregularidades detectadas capazes, segundo ela, de enquadrar os documentos emitidos no §1º do art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, in verbis: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: III utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos ... Porém, pelas notas fiscais trazidas ao processo pela reclamante, mais especificamente as de fls. 854, 859, 861, 866, 869, 870 e 875 (volume V) do processo administrativo nº 19991.000525/200902, temse que houve a comprovação do pagamento das aquisições objeto da glosa em comento e da efetiva entrega das mercadorias adquiridas caracterizada pelo carimbo da empresa responsável pelo recebimento das mesmas. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 353 9 Além disto, a existência das operações, em alguns casos, foi corroborada pelo carimbo da fiscalização estadual que é encontrado em algumas das notas fiscais. Em assim sendo, aplicase às notas fiscais de fls. 854, 859, 861, 866, 869, 870 e 875 (volume V), o disposto no §5º do mesmo art. 48 da IN RFB nº 748, de 2007, abaixo transcrito: § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Ressaltese que os dispositivos citados da IN SRF nº 748, de 2007 tem como base o art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996. No entanto, algumas notas fiscais devem ser excluídas por falta de apresentação de documentos hábeis a evidenciar “o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços”. No que se refere às notas fiscais de fls. 856 e 857 não foram encontrados quaisquer documentos capazes de demonstrar o pagamento e a efetiva entrega das mercadorias e, relativamente às notas fiscais de fls. 863, 868 e 877 a entrega não restou comprovada. A demonstração de apenas um dos requisitos contidos no §5º acima transcrito é necessária, mas não é suficiente para afastar a aplicação do caput do artigo 82 já mencionado, pois da leitura da norma ressalta que é imprescindível o cumprimento de ambas as exigências. Portanto, concluise que há de ser legitimado o crédito originário das notas fiscais consideradas inidôneas pela autoridade a quo, conforme abaixo demonstrado: Os documentos juntados na diligência não correspondem aos documentos mencionados na decisão recorrida, a qual se refere à numeração do processo digital nº 19991.000525/200902 (efls). Foram ora juntados ao presente processo as cópias do Volume V do processo nº 19991.000525/200902 nas efls. 147/348. Os documentos mencionados pela decisão recorrida (efls. 854/8771 do processo nº 19991.000525/200902) constam especificamente nas efls. 185/208 do presente processo. 1 Numeração original em papel: fls. 838/861 do processo nº 19991.000525/200902. Fl. 357DF CARF MF 10 Em seu recurso voluntário, a recorrente nada trouxe de elemento modificativo ou extintivo da decisão recorrida para comprovação do crédito alegado e solicita diligência, o que não encontra respaldo na legislação. Em conformidade com o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e art. 36 da Lei nº 9.784/99, abaixo transcritos, caberia à recorrente se contrapor adequadamente à decisão recorrida no sentido de reformála, no caso, apresentando os elementos de prova do efetivo recebimento das mercadorias e do pagamento objeto das notas fiscais constantes nas efls. 856 e 857 do processo nº 19991.000525/200902 (efls. 213/214 do presente processo), bem como comprovando o efetivo recebimento das mercadorias referentes às notas fiscais das efls. 863, 868 e 877 (efls. 220, 225 e 234 do presente processo): Art. 16. [Decreto nº 70.235/72]A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) Art. 36. [Lei nº 9.784/99]Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir motivadamente as prescindíveis ao julgamento, nos termos do art. 28 desse Decreto. Há que se ter em conta, entretanto, que as diligências e perícias não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim para elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela impugnante/manifestante ou recorrente. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impossível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Assim, não cabe à autoridade julgadora diligenciar ou determinar a realização de perícia para fins de, de ofício, promover a produção de prova da legitimidade do crédito alegado pela contribuinte, que deixou de produzir a prova adequada para se contrapor à decisão recorrida. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 19991.000528/200938 Acórdão n.º 3402004.183 S3C4T2 Fl. 354 11 Ademais, o fato de o processo administrativo ser informado pelo princípio da verdade material, em nada altera o acima exposto, eis que a busca da verdade material não desincumbe as partes de seus encargos probatórios. Conforme já decidido no Acórdão nº 3201 002.316 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24 de agosto de 2016, Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira, "A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados". Com relação ao mencionado art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, ele nada diz sobre a obrigatoriedade de diligência ou de intimação para analisar pleitos de reconhecimento de direito creditório, pelo contrário, dispõe que, em determinados casos, em que, pela análise do pedido remanesça dúvidas sobre o crédito alegado, o seu reconhecimento poderá ser feito somente após a apresentação dos documentos pela requerente que o comprovem cabalmente. Assim, entendo que deve ser indeferido o pedido de diligência e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 359DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907519/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 19 /2 01 0- 58 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.907519/201058 Acórdão n.º 1301002.395 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10707.001523/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM
Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-003.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
Assinado digitalmente.
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Redator Designado
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. Assinado digitalmente. CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Redator Designado EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM Comprovada a origem dos valores depositados em conta bancária, não tendo estes sido levados ao ajuste anual, devem ser submetidos às normas de tributação específica, não mais havendo que se falar da presunção legal de omissão de rendimentos capitulada no art. 42 da lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. Assinado digitalmente. CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Redator Designado EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 70 7. 00 15 23 /2 00 8- 35 Fl. 6118DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 03/11/2008, foi lavrado auto de infração (fls. 2.868 a 2.875), referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, em razão da omissão do contribuinte, em suas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF), de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas, bem como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, decorrente da omissão de rendimentos de alugueres. O crédito tributário apurado na ação fiscal corresponde a R$ 1.345.198,00 a título de IRPF (imposto apurado acrescido de multa de 75% e juros de mora) e R$ 5.551,44 a título de multa isolada. O contribuinte, após ter sido cientificado do auto de infração, protocolizou impugnação (fls. 2.890 a 2.928), alegando, em síntese, o que segue: a) decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o lançamento relativo aos meses de janeiro a outubro de 2003, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN; bem como extinção dos créditos tributários relativos aos alugueis recebidos de pessoas físicas até o mês de outubro de 2003 e às multas isoladas, eis que, nesses casos, o IRPF incide mensalmente, à medida que os rendimentos forem percebidos, tanto que, no próprio auto de infração, os fatos geradores estão relacionados mês a mês; b) nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, eis que os créditos tributários foram calculados sobre receitas omitidas por presunção a partir de depósitos bancários realizados nas contas conjuntas nº 058437 (Banco Itaú) e nº 3702355 (Banco Real), nas quais os recursos financeiros movimentados não pertenciam ao impugnante. Essas contas têm como primeira titular a esposa do impugnante, sendo este apenas cotitular para poder movimentálas na eventual ausência de sua esposa ou em caso de emergência; c) os depósitos tiveram origem nas duplicatas endossadas ao impugnante e à sua esposa, que provinham do pagamento realizado pela empresa CAOLIM na qual ambos possuem quotas que representam 97% do capital social em face do “empréstimo” de recursos para constituir o capital de giro da referida empresa, por meio de contrato de mútuo; d) caso os créditos do impugnante sejam considerados não comprovados, há que se reconhecer que os depósitos foram efetuados sem causa, sendo inevitável considerálos como doações isentas de IRPF; Fl. 6119DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.574 3 e) a conta nº 6507335 (Unibanco) era movimentada pelo impugnante apenas para receber rendimentos mensais de aluguel de imóvel de terceiro, do qual era procurador, e que os depósitos realizados nessa conta têm origem no aluguel de imóvel pertencente à sogra do impugnante, circunstância que afasta a presunção de omissão de rendimentos invocada pela fiscalização; f) os valores depositados na conta nº 058437 (Banco Itaú) referemse tão somente a investimento realizado pela titular da conta no Fundo DIFACFI e os depósitos realizados na conta nº 3702355, mantida no Banco Real, referemse ao aluguel de imóvel de propriedade comum do casal; g) os depósitos realizados na conta nº174572 (Banco do Brasil) referemse a dividendos e juros sobre o capital próprio pagos ao impugnante, devidamente declarados nas suas declarações de ajuste anual; h) os depósitos realizados na conta nº 16824908 (Banco de Boston) não podem, igualmente, ser considerados rendimentos omitidos, eis que essa conta era utilizada pelo impugnante para receber os valores dos alugueis dos demais imóveis de sua propriedade, cujos rendimentos foram, em parte, declarados em suas declarações de ajuste anual e, em outra parte, levantados pela fiscalização; i) não é possível a aplicação de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre as mesmas bases. Após a apresentação de impugnação, o contribuinte protocolizou requerimento de desistência parcial (fls. 3.727 a 3.728) de alguns débitos (itens 1 e 3 do Auto de Infração). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 3.741 a 3.759), com as seguintes considerações: a) não há que se falar em decadência em relação ao ano calendário de 2003, eis que, como o lançamento só poderia ser efetuado em 2004, o prazo decadencial começou a fluir em 1º de janeiro de 2005, não tendo transcorrido, portanto, o prazo de 5 anos quando da ciência do auto de infração, efetuada em 07/11/2008. Nem que se aplicasse a regra do art. 150, § 4º, do CTN, não se poderia cogitar da ocorrência de decadência, uma vez que o lustro decadencial teria se iniciado em 31/12/2003 e se encerraria apenas em 31/12/2008, depois, portanto, da data da ciência do auto de infração; b) o art. 42, caput e §§ 1º a 4º, da Lei nº 9.430/1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos Fl. 6120DF CARF MF 4 creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Desse modo, não comprovada a origem dos recursos creditados na conta bancária do interessado, restou caracterizada a aquisição de renda omitida à tributação; c) no caso, restou demonstrado por meio de extratos e cheques que o contribuinte era, junto com seu cônjuge, titular das contas bancárias, sendo que o próprio impugnante assumiu sua co titularidade nessas contas bancárias, de modo que era, para todos os efeitos, titular dessas contas; d) não foram trazidos aos autos provas de que os valores depositados nas contas n° 058437 (Banco Itaú) e n° 3702355 (Banco Real) pertenciam exclusivamente ao cônjuge do Interessado. Outrossim, os elementos constantes dos autos atestam a titularidade conjunta das contas em epígrafe; e) para provar que os depósitos efetuados seriam pagamentos de empréstimos concedidos à empresa CAOLIM, o impugnante deveria demonstrar materialmente que cada depósito foi efetuado como pagamento de um valor anteriormente repassado à mencionada empresa; f) documentos juntados às fls. 3.615 a 3.648 esclarecem a origem de parte dos depósitos que foram efetuados na conta n° 650733 5 (Banco Unibanco), permitindo concluir que os valores em questão não pertenciam ao autuado. Por essa razão, deve ser excluído do montante tributável o somatório de depósitos de R$ 42.103,00, relativo ao anocalendário de 2003, e de R$ 72.866,43, relativo ao anocalendário de 2004; g) da análise da documentação apresentação, concluise que não houve um depósito de R$ 40.000,00 no dia 21/ 12/2004 na conta n° 058437 (Banco Itaú), mas sim uma aplicação desse valor no fundo Itaú DI FACFI. O crédito de R$ 40.000,00 em 21/ 12/2004 que consta no extrato de fl. 3.650 não diz respeito a um depósito, mas sim a um lançamento bancário para compensar os dois débitos de R$ 40.000,00 que também foram lançados nessa data. Desse modo, deve ser excluído do montante tributável o referido crédito, no valor de R$ 40.000,00 na conta n° 058437 (Banco Itaú) em 21/12/2004; h) quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, o interessado desistiu parcialmente de sua impugnação. Quanto à parcela que não houve desistência, o impugnante nada trouxe para rechaçar a omissão de alugueis recebidos de pessoas físicas nos anoscalendário de 2003 a 2004; i) Com relação à multa isolada por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, o interessado desistiu de impugnar tal infração. A parcela de crédito tributário relativa à referida multa já foi transferida para o processo n° 15374.720.390/201047 (fls. 3.662 a 3.666), encontrandose fora do presente litígio. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte alegou, em síntese: Fl. 6121DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.575 5 a) decadência do direito de a fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo aos valores omitidos pelo interessado nos meses de janeiro a outubro de 2003; b) erro na identificação do sujeito passivo quando presume omissão de rendimentos equivalentes a 50% do valor dos créditos efetuados em contas conjuntas cuja titularidade dos recursos foi integralmente reconhecida pela primeira titular das contas; c) se a própria fiscalização reconheceu que os depósitos tiveram origem nas duplicatas endossadas, não há como aplicar ao caso as regras previstas no Art. 42 da Lei n° 9.430/96; d) se a fiscalização reconhece que os créditos efetuados nas contas bancárias do recorrente provêm de duplicatas endossadas a seu favor, mas sustenta que esses endossos não teriam contrapartida em empréstimos feitos pelo próprio Recorrente e sua esposa, é inevitável, então, compreender que tais créditos em comento são doações isentas do IRPF; e) os depósitos realizados na conta n° 3702355, mantida no Banco Real, referemse ao aluguel de imóvel de Propriedade Comum do Casal; f) não podem ser considerados rendimentos omitidos os valores depositados na conta mantida no Banco de Boston, pelo simples fato de que a aludida conta bancária era utilizada pelo RECORRENTE para receber os valores dos aluguéis dos demais imóveis de sua propriedade, cujos rendimentos foram, em parte, declarados em suas Declarações de Ajuste Anual; g) logo, não pode prosperar a presunção em questão, que despreza os demais rendimentos imputados ao RECORRENTE, inclusive os espontaneamente declarados em suas Declarações de Ajuste Anual. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da nulidade Aduz o contribuinte a existência de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, em razão da presunção de 50% do valor dos créditos efetuados em contas conjuntas cuja titularidade do recurso foi integralmente reconhecida pelo primeiro titular. Fl. 6122DF CARF MF 6 Não obstante o alegado, o enunciado de Súmula CARF n.º 32 descreve que: a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Ademais, não constam dos autos documentos aptos a ensejar o entendimento acerca da utilização integral dos recursos pela cônjuge (Maria Clara Ferreira Neto). Pelo contrário, observandose o processo administrativo fiscal no qual figura como parte a Sra. Maria Clara, sobre a mesma infração, dos mesmos exercícios, sustentou a cônjuge a existência de erro na identificação da sujeição passiva, considerando que o seu cônjuge havia reconhecido a titularidade dos recursos. Desse modo, afasto a nulidade suscitada. 2. Da decadência Foi alegada pelo sujeito passivo a decadência de a Fazenda Pública constituir o lançamento relativo aos meses de janeiro a outubro de 2003, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Porém, não assiste razão ao contribuinte, tendo em vista o teor do Enunciado de Súmula Vinculante CARF n.º 38, que assim dispõe: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Assim, tendo o contribuinte tomado ciência do auto de infração em 07/11/2008, não ocorreu a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário referente à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada ocorrida no anocalendário de 2003, uma vez que o termo inicial do prazo decadencial foi 31/12/2003 e seu termo final 31/12/2008. 3. Da intimação da cotitular das contas bancárias Embora não tenha sido alegado pelas partes, compulsandose os autos, que possui 5.572 páginas, não foi possível identificar a ocorrência de intimação da cotitular das contas bancárias constantes da autuação, inclusive, o histórico do Termo de Verificação Fiscal não informa a existência de intimação da cotitular. O caput do artigo 42 da lei 9.430/96 estabelece um requisito de validade para a verificação da presunção de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, qual seja que o titular dos valores depositados nas contas de depósito ou de investimento seja regularmente intimado e não comprove a origem dos recursos utilizados nas operações. Já o § 6º do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 58 da Lei 10.647, de 2002, determina que, no caso de contas bancárias mantidas em conjunto, não havendo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos deve ser imputado a cada titular, mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Assim, no caso de contas conjuntas, que a responsabilidade pela comprovação da origem dos recursos, para efeito do disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, deve ser imputada a todos os titulares da conta, fazse necessária a intimação de todos os co titulares a fim de comprovarem a origem dos depósitos. Fl. 6123DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.576 7 Acerca da matéria, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou o Enunciado de Súmula n.º 29, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem se intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Considerando a norma regente da matéria acerca da necessidade de intimação dos cotitulares, o julgamento foi convertido em diligência para que houvesse a comprovação da intimação da cotitular. Em resposta a Resolução, foi apresentado esclarecimento sobre a intimação da cotitular e anexada aos autos cópia da intimação. Portanto, restaram atendidas as normas mencionadas. No que se referem às infrações n.º 001 rendimentos recebidos de pessoas físicas sujeitos a carnêleão (omissão de rendimentos de aluguéis e royalties recebidos de pessoas físicas) e n.º 003 multas isoladas (falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão), o recorrente, após a impugnação, desistiu da impugnação, conforme o disposto nas fls. 3.657 e 3.658, de modo que a matéria não se encontra controvertida nos autos. 4. Da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada Conforme narrado, a fiscalização apurou omissão de rendimentos com base em depósitos bancários efetuados em 2003 e 2004, em contas em que o Interessado mantinha em conjunto com seu cônjuge no Banco Bradesco, Banco de Boston, Banco Itaú, Banco Real, Banco do Brasil e Banco Unibanco, nos termos dos demonstrativos de fls. 2.716 e 2.717, cujas origens o contribuinte, devidamente intimado não havia logrado comprovar. A outra metade dos depósitos foi tributada por meio do processo n.º 10707.001524/200880, relativo a Maria Clara Ferreira Neto Menescal, esposa do recorrente. Tendo em vista a identidade fática dos presentes autos com o processo anteriormente mencionado, aplico o entendimento consignado no Acórdão n.º 2301004.598, no qual, por unanimidade de votos, foram rejeitadas as preliminares e, no mérito, foi negado provimento ao recurso, conforme segue: A contribuinte alega que detém, juntamente com seu marido, 97% das quotas representativas do capital da Caolim, CNPJ 22.349.880/000148, (cada um possui 48,5% das quotas); em 1999, tendo sido elevado o volume de inadimplência dos seus clientes, ela e seu marido estipularam “contrato oneroso de abertura de crédito”, pelo qual ambos se propuseram “a emprestar o dinheiro necessário para a manutenção do funcionamento do negócio, utilizando recursos próprios que se encontram aplicados em instituições financeiras" (cláusula 2); em garantia do pagamento dos empréstimos a devedora endossaria, “em favor dos mutuantes duplicatas mercantis representativas do faturamento para seus clientes das vendas de itens de sua linha de produção”, as quais eram “alocadas em Fl. 6124DF CARF MF 8 cobrança simples em contas correntes bancárias de titularidade dos mutuantes” (cláusula 3); sendo que “a remuneração do capital emprestado será acordada pelas partes conforme juros cobrados pelos bancos para empréstimos com a garantia de duplicatas” (cláusula 6). Afirma que, na prática, o contrato funcionava sob a forma de crédito rotativo, de modo que ela e seu marido pagavam, com seus próprios recursos, as obrigações contraídas pela Caolim, subrogandose nos direitos dos credores, bem como adiantavam lhe recursos financeiros por transferências bancárias; em contrapartida, os créditos de ambos eram quitados à medida que os clientes da Caolim pagavam as duplicatas de sua emissão, mediante depósitos nas contas bancárias pessoais dos mutuantes e, concomitantemente, os valores recebidos eram destinados para saldar novas dívidas da Caolim, em um sistema que se autoalimentava. Assevera que negar a validade jurídica do contrato de mútuo significa desconsiderar a personalidade jurídica da Caolim, e que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a sua causa o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos: a) contrato de mútuo oneroso (doc. 02 da Impugnação); b) cópias dos Extratos de Movimentação de Títulos fornecidos pelo Banco ITAÚ (fls. 143/537, 572/626, 648/684 e 1.219/1.331), que atestam serem as duplicatas neles indicadas provenientes do endosso da CAOLIM em favor da RECORRENTE e de seu marido, com a menção especifica aos valores, às datas, aos nomes dos sacados e números da cada um daqueles títulos; c) demonstrativos apresentados pela própria CAOLIM (fls. 1.332/ 1.501), que indicam as prestações de contas dos valores pagos à RECORRENTE e ao seu marido em razão dos mútuos concedidos, com a descrição das duplicatas emitidas pela empresa e endossadas como garantia dos empréstimos rotativos realizados; d) cópia do Livro Caixa da CAOLIM, curiosamente não trazida aos autos pelos autuantes, mas apresentada como doc. 06 anexo da Impugnação, que registra o endosso de cada uma das duplicatas sacadas contra seus clientes, com a indicação dos respectivos valores, datas, nomes dos sacados e números dos títulos, que são rigorosamente os mesmos que deram origem aos depósitos nas contas correntes da RECORRENTE Ê de seu marido. Lembra que a quase totalidade dos depósitos bancários advém de movimentação rotativa de recursos decorrente de empréstimos e descontos de duplicatas, a gerar sucessiva tributação sobre os mesmos valores que reingressam na conta da autuada. Afirma que as cópias reprográficas (verso e anverso) dos cheques emitidos por seu marido para o pagamento das obrigações da Caolim foram apresentadas à fiscalização com relação ao período de janeiro a agosto de 2003 (fls. 1.676 a Fl. 6125DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.577 9 2.183), sendo que a compensação daqueles cheques pode ser facilmente confirmada pelos débitos registrados nos extratos bancários daquelas contas que se encontram nos autos, com coincidência das datas e valores estampados nas suas cópias, eliminando qualquer dúvida sobre a “efetiva movimentação financeira”. Diz que a fiscalização nunca teve dúvida da existência de seus créditos perante a Caolim, tanto que examinou detalhadamente os cálculos dos juros que incidiam sobre os saldos daqueles créditos, discriminados nos demonstrativos apresentados pela Caolim às fls. 1.332 a 1.501, tendo esmiuçado os detalhes da sua tributação na fonte, declaradas nas DIRPF de seu marido (doc. 03 da impugnação) e que os cheques emitidos, acompanhados de comprovantes de pagamentos em favor da Caolim, foram listados pela fiscalização às fls. 2.297 a 2.302, com relação aos períodos de janeiro a agosto de 2003; outrossim, outorgou expressamente às autoridades lançadoras poderes para quebrar seu sigilo bancário (fl. 1.218) o que lhes permitiria acessar os originais e extrair cópias de tudo o que desejassem, inclusive dos cheques compensados. Por primeiro, cumpre registrar que não se está, nesse processo, procedendo à desconsideração da pessoa jurídica Caolim Azzi Ltda. Ocorre que a recorrente, ao firmar contrato de mútuo com a sociedade em questão, pelo qual se obriga a pagar contas dessa sociedade com seus fornecedores e a ser ressarcida pelo recebimento de duplicadas endossadas pela sociedade, originada de créditos dessa com seus fornecedores, deve saber que a prova da execução de tal contrato exige prova detalhada de cada operação, ou seja, devem estar documentados cada valor que repassa à Caolin bem como cada valor dessa recebido. Caso contrário, ante à impossibilidade de provar a origem de cada depósito em sua conta corrente é aplicável a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 6126DF CARF MF 10 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A partir da vigência do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento – que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) – para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. Fl. 6127DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.578 11 No âmbito do contencioso administrativo fiscal, foi editada a Súmula CARF 26, a fim de consolidar tal entendimento: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Foram diversas as intimações para a comprovação da origem dos recursos (fls. 541 a 542, 557 a 558, 636 a 638, 708 a 709, 745 a 747, 941 a 942, 1222 a 1223, 1666 a 1667). A cada intimação, foram excluídos, caso existissem, os depósitos comprovados em resposta à intimação anterior. Entende a recorrente que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a causa dos depósitos o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos. Não lhe assiste razão. A origem a ser comprovada é a do crédito que a recorrente possui com a Caolim, o qual, segundo ela, advém do contrato do mútuo. Pois bem, não basta apresentar o contrato de mútuo, mas deve ser demonstrado documentalmente que os recursos foram emprestados à Caolim, sendo quitados pelos pagamentos das duplicatas. Foi o que conseguiu parcialmente comprovar (ver resumo das operações, comprovadas ou não, às fls. 2283 a 2295). O contribuinte alega que: (a) foram depositados em suas contas correntes valores destinados a prover a sobrevivência de várias pessoas, os quais não são receitas tributáveis; (b) os depósitos efetuados na conta n° 16824908, mantida no Banco de Boston teriam como origem os aluguéis dos imóveis de propriedade de seu marido, rendimentos esses que já teriam sido em parte declarados e em parte tributados no processo n° 10707.001523/200835. Competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, segundo o disposto na referida Súmula CARF 32, no art. 42 da Lei 9.430, de 1996 e, ainda no art. 36 da Lei 9.784, de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal): Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido, o art. 330 da Lei 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil): Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...) II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Fl. 6128DF CARF MF 12 Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) Ademais, não restou demonstrado que os depósitos efetuados na conta do Banco de Boston eram atinentes aos rendimentos de aluguéis recebidos por seu marido, permanecendo, em virtude disso, tais depósitos no montante de depósitos sem origem comprovada. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, a teor da Súmula Carf 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Quanto às cópias dos cheques não compensados emitidos pela recorrente e por seu marido para o pagamento das obrigações da Caolim, não foi feita a prova de que tais cheques tenham quitado dívidas da Caolim. Para tanto, seria necessário examinar a contabilidade dessa sociedade, da qual, repito, a recorrente e seu marido detém 97% das cotas. Porém, no curso do procedimento de fiscalização, do qual a recorrente foi intimada em 12/01/2007 (fl. 09), a Coalim, em 05/07/2007, registrou o extravio de todos os seus livros contábeis e fiscais, bem como da documentação que os lastreia e do disco rígido de computador que continha seus dados (fls. 875 a 880). Impossibilitouse, assim, de fazer provas (outras que já não tivessem sido apresentadas) da origem dos créditos da recorrente com a Caolim. Como apontou o acórdão guerreado, a origem dos depósitos efetuados nas contas de cotitularidade da interessada não restou provada pelas planilhas das fls. 937 a 941 e 942 a 946, uma vez que não há nenhuma prova que vincule os créditos efetuados nas contas particulares da recorrente a esses pagamentos, nem tampouco que os depósitos em favor dessa fariam parte de uma grande operação de crédito rotativo envolvendo a Caolim. Não foi demonstrado que os depósitos recebidos por meio de títulos de crédito emitidos pela Caolim correspondia a algum pagamento efetuado em favor dessa. Não houve identificação de pagamentos em favor da Caolim e demonstração de que valores que saíram da conta da contribuinte teria retornado a ela através de duplicata emitida pela Caolim endossada à recorrente. Não há qualquer correspondência de valores ou datas entre os pagamentos mencionados na impugnação e os depósitos com origem não comprovada. Fl. 6129DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.579 13 Nas operações de mútuo, existe uma vinculação evidente entre os recursos emprestados e seus respectivos pagamentos. Esse nexo de causalidade não foi estabelecido entre os pagamentos efetuados a terceiros e os depósitos nas contas da recorrente. Por essa razão, os depósitos em questão não podem ser considerados como pagamentos de empréstimos concedidos à Caolim. Friso também que não há qualquer elemento nos autos que possa levar ao erro de identificação do sujeito passivo. As contas correntes fiscalizada efetivamente pertencem à recorrente, individualmente ou conjuntamente com seu marido e a tributação levou em consideração tais fatos. Sendo assim, não tendo sido elidida a presunção constante no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, deve ser mantido o lançamento, a exceção do depósito mencionado. No que tange aos depósitos de R$1.100,00 na conta 3702355 (Banco Real) nos anoscalendário de 2003 e 2004, não restou provado que se tratava dos aluguéis recebidos pelo imóvel localizado na Rua Conde Baependi n° 34, apartamento 801, uma vez que, apesar de haver coincidência de valores, não foi produzida prova de que os referidos depósitos foram efetuados pelo locatário do citado imóvel como pagamento pelo aluguel devido. Assim, permanecem sem origem comprovada os depósitos de RS1.100,00 efetuados na conta de poupança n° 3702355 (Banco Real) nos anoscalendário de 2003 e 2004. DOS CRÉDITOS COMO DOAÇÕES ISENTAS DO IRPF Sustenta que se a fiscalização considera que direitos relativos às duplicatas cujos resgates foram creditados nas contas bancárias suas e de seu marido foram transferidos a essas pessoas físicas sem causa, isto é, por mera liberalidade, estarseá diante de doação insuscetível de entrar no cômputo de seu rendimento bruto, haja vista o previsto no inciso XV do artigo 39 do RIR/99. Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XV o valor dos bens adquiridos por doação ou herança, observado o disposto no art. 119 (Lei n° 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XVI, e Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 23 e parágrafos); Não lhe assiste razão. Ocorre que, como já abordada, a fiscalização considerou todas as provas da origem de recursos apresentadas. Os depósitos cuja origem não restou comprovada caracterizam omissão de receitas, de acordo com o já transcrito art. 42 da Lei 9.430, de 1996. Voto, portanto, por rejeitar as preliminares e no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. Fl. 6130DF CARF MF 14 Notase que, diante das alegações de que os depósitos efetuados em suas contas bancárias seriam pagamentos de empréstimos concedidos à empresa Caolim Azzi Ltda, para provar o alegado caberia ao Contribuinte demonstrar materialmente que cada depósito foi efetuado como pagamento de um valor anteriormente repassado à mencionada empresa. Porém o recorrente demonstrou apenas que parte dos depósitos foi oriunda do recebimento de títulos emitidos pela empresa Caolim Azzi Ltda, endossados à Contribuinte, sem, entretanto comprovar que esses valores foram recebidos como pagamentos de mútuos concedidos à empresa em tela. No que se refere ao argumento de que a conclusão do Inquérito Instaurado pelo Processo Administrativo Disciplinar n.º 10768.000793/2011 (teve como objetivo a variação patrimonial do acusado) atestou a movimentação de recursos no interesse da CAOLIM nas contas bancárias do recorrente e de sua esposa, não afasta a necessidade de comprovação da origem dos recursos, pois não se confunde o patrimônio da pessoa física com o patrimônio da pessoa jurídica. Caberia ao contribuinte demonstrar a que título foram efetuados os pagamentos da CAOLIM em nome da sua esposa e em seu nome, a fim de comprovar a origem dos valores. Diante do exposto, rejeito as preliminares argüidas e, quanto ao mérito, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Em que pese a pertinência das razões e fundamentos legais expressos no voto da Ilustre Relatora, ouso discordar de suas conclusões, pelas razões abaixo detalhadas. Como se depreende da leitura do Relatório supra, parte das imputações fiscais objeto do Auto de Infração em comento não integram a presente análise, em razão de desistência manifestada após a impugnação, remanescendo controvertida apenas a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Sobre tal infração, entendo oportuno destacar os motivos e o lastro legal em que se baseou a Autoridade Fiscal para promover o lançamento, fl. 2873: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal de 03/11/08 (fls. 2.785/2.833) que é parte integrante deste Auto de Infração. (...) Fl. 6131DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.580 15 Enquadramento legal. Art. 849 do RIR/99; No seu Termo de Verificação Fiscal, fl. 2846/2847, destaca a autoridade autuante: (...) Na realidade os créditos bancários provenientes da cobrança de duplicatas identificam simplesmente os títulos cuja liquidação provocou sua efetivação, como poderiam, por exemplo, serem créditos decorrentes de cheques. O que o contribuinte precisava comprovar era a causa da transferência da propriedade dos títulos, através do pagamento pelas duplicatas endossadas, concessão de empréstimos ou mesmo liquidação de débitos de responsabilidade da endossante, correspondentes aos valores dos títulos. A Sra. Relatora, em razão da identidade fática dos presentes autos com o processo decorrente do mesmo procedimento fiscal, no qual restou autuada a esposa do ora recorrente, adotou o entendimento consignado no Acórdão n.º 2301004.598, o qual, após transcrever o teor integral do art. 42 da Lei 9430/96, apresentou considerações que merecem ser relembradas: (...)Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. (...) Entende a recorrente que a origem dos depósitos é o patrimônio dos depositantes, clientes da Caolim, sendo a causa dos depósitos o endosso das duplicatas, demonstrada pelos seguintes documentos. Não lhe assiste razão. A origem a ser comprovada é a do crédito que a recorrente possui com a Caolim, o qual, segundo ela, advém do contrato do mútuo. Pois bem, não basta apresentar o contrato de mútuo, mas deve ser demonstrado documentalmente que os recursos foram emprestados à Caolim, sendo quitados pelos pagamentos das duplicatas. Foi o que conseguiu parcialmente comprovar (ver resumo das operações, comprovadas ou não, às fls. 2283 a 2295). (...) Como apontou o acórdão guerreado, a origem dos depósitos efetuados nas contas de cotitularidade da interessada não restou provada pelas planilhas das fls. 937 a 941 e 942 a 946, uma vez que não há nenhuma prova que vincule os créditos efetuados nas contas particulares da recorrente a esses pagamentos, nem tampouco que os depósitos em favor dessa fariam parte de uma grande operação de crédito rotativo envolvendo a Caolim. Fl. 6132DF CARF MF 16 Não foi demonstrado que os depósitos recebidos por meio de títulos de crédito emitidos pela Caolim correspondia a algum pagamento efetuado em favor dessa. Não houve identificação de pagamentos em favor da Caolim e demonstração de que valores que saíram da conta da contribuinte teria retornado a ela através de duplicata emitida pela Caolim endossada à recorrente. Não há qualquer correspondência de valores ou datas entre os pagamentos mencionados na impugnação e os depósitos com origem não comprovada. Nas operações de mútuo, existe uma vinculação evidente entre os recursos emprestados e seus respectivos pagamentos. Esse nexo de causalidade não foi estabelecido entre os pagamentos efetuados a terceiros e os depósitos nas contas da recorrente. Por essa razão, os depósitos em questão não podem ser considerados como pagamentos de empréstimos concedidos à Caolim. Grifouse Os excertos do Acórdão n.º 2301004.598 acima destacados embora, como regra, alinhandose aos motivos indicados no auto de infração, trate a omissão identificada com origem em depósitos bancários não identificados, mostra alguma impropriedade ao afirmar que a origem a ser comprovada é a do crédito que a recorrente possui com a Caolim, o qual, segundo ela, advém do contrato do mútuo. Por outro lado, o mesmo Acórdão não deixa dúvidas de que os créditos em conta do autuado teriam origem em duplicatas endossadas emitidas pela Caolim, cuja vinculação a um suposto pagamento de mútuo não teria sido demonstrada, já que não se restou cristalino o nexo entre os recursos supostamente emprestados e os depósitos em conta do fiscalizado. Assim, pareceme claro que o problema não seria exatamente a origem do numerário, mas a natureza de tais pagamentos. Ou seja, o contribuinte recebeu valores que teriam origem no patrimônio da Caolim, mas não ficou evidente o motivo de tais pagamentos. Não se constatou se decorreram de prólabore, participação nos lucros, etc. Neste ponto, convêm novamente trazer à balha o teor do art. 42 da Lei 9.430/96, expressamente contido no Acórdão adotado pela Relatora: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Grifouse. Como se vê, os valores cuja origem foram comprovadas no curso do procedimento fiscal deveriam ser submetidas às normas de tributação específicas às respectivas Fl. 6133DF CARF MF Processo nº 10707.001523/200835 Acórdão n.º 2201003.636 S2C2T1 Fl. 5.581 17 natureza, pois, havendo a comprovação da origem, não mais há que se falar da presunção de omissão de rendimentos de que trata o citado art. 42. Ocorre que o procedimento fiscal e as conclusões tanto do julgador de primeiro grau quanto da Ilustre Relatora caminharam amparando a autuação fiscal exclusivamente no art. 42 da lei 9430/96, o que macula, por vicio material, o lançamento neste tema, por claro erro em seu enquadramento legal, requisito obrigatório nos termos art. 10 do Decreto 70.235/72 e essencial ao lançamento a que alude o art. 142 da lei 5.172/66. Assim, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator Designado Fl. 6134DF CARF MF
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