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Numero do processo: 13811.000386/99-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO RICARF
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido.
Recurso Especial da Procuradoria negado
Numero da decisão: 9303-004.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO. SELIC. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado HELFONT PRODUTOS ELÉTRICOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INCIDÊNCIA DA SELIC. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO RICARF Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Recurso Especial da Procuradoria negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Possas, que lhe deram provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 03 86 /9 9- 14 Fl. 6373DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 20312.490, de 17/10/2007, proferido pela 3ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 AUTONOMIA DOS PROCEDIMENTOS ADMINISTRATIVOS. Descabese discutir, em processo de ressarcimento, eventual crédito tributário fruto de lançamento tributário que instaura contencioso autônomo. IPI. CRÉDITO INCENTIVADO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. E cabível a incidência da correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do Direito de Propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. Recurso Voluntário conhecido e parcialmente provido. Recurso provido em parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente, referindose ao § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, alega contrariedade à legislação tributária. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 1678/1679. Cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 1686/1696). Também apresentou recurso especial, o qual, todavia, restou não admitido (fls. 1773/1778). É o Relatório. Fl. 6374DF CARF MF Processo nº 13811.000386/9914 Acórdão n.º 9303004.936 CSRFT3 Fl. 6.374 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Alega a Recorrente que o acórdão recorrido – prolatado, quanto ao tema proposto no recurso, por maioria de votos – contrariou a legislação tributária. Embasouo no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. A controvérsia diz com a atualização, pela taxa Selic, dos valores ressarcidos de IPI. Negado o pedido pela autoridade administrativa competente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ anulou, por vício de motivação, o respectivo Despacho Decisório (fls. 1209/1211 e 1379/1383). Em nova decisão, agora mantida pela DRJ (fls. 1532/1535), o crédito foi quase todo reconhecido: dos R$ 144.097,49 reclamados, foram ressarcidos R$ 143.453,07 (fl. 1391/1394). Apresentado o recurso voluntário, a Câmara baixa reconheceu a incidência da taxa Selic sobre a totalidade dos valores só no segundo Despacho Decisório reconhecidos, daí o recurso especial interposto pela PFN, com o argumento que a legislação tributária não prevê a correção dos valores ressarcidos de IPI, hipótese distinta de restituição. Depois de longos debates e alguma tergiversação nossa na Câmara baixa, passamos a adotar, quanto à matéria ora em análise, o entendimento dos demais membros desta CSRF que coincidem com o exposto no voto vencedor do il. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, proferido no Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 9303004.163, sessão de 05/07/2016, motivo por que o adotamos como razão de decidir do litígio ora em exame. Eilo: O colegiado dissentiu do voto da i. relatora apenas quanto à base para incidência dos juros Selic, tendo sido eu designado para redigir o acórdão quanto a isso. Em seu voto, a relatora propôs que a incidência se desse sobre todo o montante do crédito presumido, citando, inclusive, decisão do STF que a considera devida em caso de demora por parte da Administração tributária. Já a maioria a entendeu aplicável apenas sobre a parcela que não havia sido deferida até o julgamento do recurso. O argumento basilar para aqueles que assim pensaram é que o deferimento aqui reiterado se dá exclusivamente por força do disposto no art. 62 do RICARF, isto é, em face da decisão proferida pelo STJ no Resp 993.164, aliás, citado pela relatora e, este sim, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Lá, como se sabe, a justificativa adotada não foi a mera demora por parte da Administração tributária demora que muitas vezes sequer ocorre e em muitos casos decorre de procedimentos da própria interessada mas a existência de ato estatal que impede o Fl. 6375DF CARF MF 4 deferimento pelas instâncias competentes. Concretamente, aquele julgamento enfrentou a restrição existente na IN SRF 23/97, vinculante, como se sabe, tanto da DRF quanto da DRJ. Não tem guarida, nesta casa, por outro lado, a tese segundo a qual a incidência da selic se daria como mera atualização ou correção monetária, para a qual os tribunais superiores têm entendido dispensável previsão em lei. A taxa selic não é índice de correção monetária, mas juros, e, como tal, sua aplicação sobre qualquer parcela requer, sim, comando legal expresso. E como se sabe, ele só existe no tocante a restituições de tributos recolhidos indevidamente ou a maior, situação que difere dos ressarcimentos previstos em lei, pois neste últimos nenhum tributo foi indevidamente recolhido. Atento a isso e examinando cuidadosamente a decisão do STJ por aplicar, percebese facilmente que sua motivação não permite que se estenda a incidência da taxa Selic aos valores que não foram controvertidos. Com efeito, sobre eles inexiste qualquer ato estatal impeditivo e, por isso mesmo, nada foi mesmo impedido. Ademais, a parcela que é desde o início deferida, isto é, sobre a qual não se instaura divergência entre a Administração e o administrado fica, desde logo, disponível a este último. Destarte, só se justifica mesmo a incidência da Selic sobre a parcela que o contribuinte precisou continuar discutindo administrativamente, visto que as instâncias vinculadas à IN não a poderiam conceder. Com essas considerações, votou a maioria por dar parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional, de modo que, embora deferida a Selic, ela se aplique apenas sobre a parcela do crédito cujo ressarcimento foi obstado pelo ato estatal de que fala o ministro Fux em seu voto, in casu, aquela atinente às aquisições efetuadas junto a não contribuintes. No caso em análise, a decisão administrativa originária indeferiu, na totalidade, o crédito de IPI pleiteado, o qual só foi reconhecido, pela mesma autoridade, após a sua anulação pela DRJ. Sendo esse o contexto, e em conformidade com o entendimento aqui adotado, concluímos haver o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos desde o protocolo de pedido. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 6376DF CARF MF Processo nº 13811.000386/9914 Acórdão n.º 9303004.936 CSRFT3 Fl. 6.375 5 Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Considerei necessário declinar minhas razões pelo provimento do recurso da Fazenda especialmente por que o n. relator deume a honra de citar como sua fundamentação voto de minha lavra. Pretendo apenas deixar claro que não mudei de entendimento. Ocorre que, no presente caso, disseo bem o relator, cuidamos de crédito que foi deferido pela unidade que o examina inauguralmente e que não veio a ser revisto nem pela DRJ nem pelo CARF. Ou seja, a pequena parcela que não foi aceita pela Administração no despacho decisório foi mantida nos julgamentos posteriores. Entendo que, em tais casos, não se configura a necessária resistência injustificada da Administração motivadora da decisão do ministro Fux que temos aplicado por força do art. 62 do RICARF. Viua o dr. Charles na anulação do primeiro despacho decisório, sendo que o despacho substituto apenas foi emitido algum tempo depois. Ocorre que, para nós que dele divergimos, essa circunstância não se enquadra naquela estabelecida pelo ministro Fux por ao menos dois motivos: em primeiro lugar, como se disse, ela não foi revista em segunda instância administrativa; em segundo, a anulação praticada restaurou o valor apurado em diligência fiscal realizada para embasar o primeiro despacho decisório, que não a acolhera, porém, e fora anulado pela DRJ por falta de análise do pedido. Esses os motivos que me levaram a dar provimento ao recurso da Fazenda. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 6377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901056/2013-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 56 /2 01 3- 85 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901056/201385 Acórdão n.º 1302002.210 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901056/201385 Acórdão n.º 1302002.210 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901056/201385 Acórdão n.º 1302002.210 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900621/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 21 /2 01 2- 14 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900621/201214 Acórdão n.º 1302002.152 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900621/201214 Acórdão n.º 1302002.152 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900621/201214 Acórdão n.º 1302002.152 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.900636/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 36 /2 01 2- 74 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900636/201274 Acórdão n.º 1302002.167 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900636/201274 Acórdão n.º 1302002.167 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900636/201274 Acórdão n.º 1302002.167 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.001240/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAR GFIP COM INCORREÇÕES ACERCA DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA MULTA.
Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas improcedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela anulação da multa aplicada.
Numero da decisão: 2401-004.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. APRESENTAR GFIP COM INCORREÇÕES ACERCA DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas improcedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela anulação da multa aplicada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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APRESENTAR GFIP COM INCORREÇÕES ACERCA DOS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. LANÇAMENTO PRINCIPAL JULGADO IMPROCEDENTE. RELAÇÃO DE CONEXÃO E ACESSORIEDADE. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA MULTA. Tendo em vista que o presente lançamento é acessório ao processo principal no qual foram julgadas improcedentes as contribuições previdenciárias que justificaram a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória, outra não pode ser a conclusão, senão pela anulação da multa aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 12 40 /2 01 0- 03 Fl. 330DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10945.001240/201003 Acórdão n.º 2401004.865 S2C4T1 Fl. 331 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 290/295) interposto em face do Acórdão nº. 0236.438 (fls. 272/279), que julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, cuja ementa restou assim redigida: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Apresentar GFIP com erros ou omissões constitui infração à legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES RELATIVAS AO GILRAT. As contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho são apuradas de acordo o grau de risco da atividade preponderante da empresa. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Tratase de lançamento por infringência ao art. 32, IV, ad Lei nº. 8.212/91, por ter a recorrente informado incorretamente nas GFIPs os campos relativos ao CNAE e ao CNAE preponderante, durante todo o período considerado pela ação fiscal de 06/2007 a 13/2009, segundo o relatório fiscal de fl. 5. O auditor fiscal elaborou: um demonstrativo no qual constam os campos da GFIP, não relacionados com a declaração de contribuições previdenciárias, informados de forma inexata ou omissa (Anexo I de fl. 36), dele se depreende que no campo relativo ao código CNAE não foi informado o código correto que seria “65.502/00”. Também se depreende que no campo relativo ao CNAE Preponderante também não foi informado o código correto que seria “86.101/11”. Além disso, o sujeito passivo declarou, a menor, de 06/2007 a 13/2009, contribuições devidas pela cooperativa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) por meio de Guias de Recolhimento de FGTS e Informação à Previdência Social – GFIP. Especificamente, o sujeito passivo informou o percentual de “1%”no campo das GFIP destinado à declaração da alíquota da GILRAT (Aliq RAT) quando o correto seria informar “2%”. De acordo com as informações do relatório fiscal da aplicação da multa (fl. 6) e da capa do Auto de Infração (fl.2), em decorrência da infração cometida foram aplicadas multas calculadas de acordo com a Lei nº 8.212/1991, artigo 32A, caput, inciso I e §§ 2º e 3º, na redação dada pela Medida Provisória – MP nº 449 de 3/12/2009, convertida na Lei nº 11.941, de 27/5/2009. Fl. 332DF CARF MF 4 Consta ainda do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa que em atenção ao que dispõe o Código Tributário Nacional – CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c”, foi realizada a comparação entre a multa calculada conforme a legislação vigente na data da lavratura (após edição da Medida Provisória MP nº 449, de 3/12/2008) e a multa aplicável conforme o que previa a legislação quando da ocorrência das infrações, com vistas a aplicar aquela mais favorável ao contribuinte. A fiscalização elaborou, ainda, uma tabela (Anexo II de fl. 37) na qual consta a apuração da multa, que seria aplicável por competência, em razão da incorreção nos campos da GFIP mencionados. O auditor fiscal juntou cópias de documentos, dentre os quais, cópias de GFIP enviadas pelo sujeito passivo nas quais podese observar: que de fato não foi informado nos campos da GFIP relativos ao CNAE e CNAE preponderante os códigos apontados como corretos pela fiscalização no relatório fiscal; e que a alíquota de contribuições relativas à GILRAT declarada pela empresa é de 1% (fls. 38/193). Intimado do referido acórdão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 290/295, alegando, em síntese: 1. Que a UNIMED de Foz do Iguaçu – Sede nada mais é do que uma sociedade de pessoas constituída para prestar serviços a associados, ou seja, prestação recíproca de um auxílio que vai substituir uma atividade; 2. Que para alcançar seu objeto social, a Unimed de Foz do Iguaçu conta com uma sede administrativa onde são realizados serviços de venda e administração do plano de Saúde e o Hospital Unimed, o qual desempenha atividades de natureza hospitalar; 3. Que a unidade autuada apenas desenvolve atividades administrativas relativas ao gerenciamento e comercialização de planos de saúde, e tendo em vista que não desenvolve atividades com grau de risco médio ou grave, não há que se falar em recolhimento superior a 1%; 4. Que a unidade autuada desenvolve tão somente a atividade de administração e comercialização de plano de saúde, não havendo que se falar em “atividade preponderante”, razão pela qual a Unimed não declarou serviços hospitalares como “atividade preponderante”. Incluído em pauta de julgamento do dia 11 de março de 2015, o julgamento do presente recurso voluntário foi convertido em diligência, por meio da resolução nº. 2401 000.456 (fls. 301/305), nos seguintes termos: Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10945.001240/201003 Acórdão n.º 2401004.865 S2C4T1 Fl. 332 5 Em atendimento à diligência requerida, foi proferido o Despacho Secat de fls. 327/328, prestando as seguintes informações: Assim, retornaram os autos a este e. Conselho e foram a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 334DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Mérito Tratase de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, vinculada ao lançamento de obrigação principal constituído por meio do AI 37.277.0878, no bojo do PAF nº. 10945.001117/201084, cujo acórdão foi juntado ao presente às fls. 321/324. Conforme se depreende daquele julgado, foi afastado o lançamento de obrigação principal ante o reconhecimento da correção do procedimento adotado pela contribuinte, qual seja, enquadramento da alíquota GILRAT da empresa, em razão da ativiadde preponderante em cada estabelecimento. Dessa forma, ante o reconhecimento da licitude e correção do procedimento adotado pela ora recorrente e o afastamento do lançamento da obrigação principal, não há como subsistir o presente lançamento por descumprimento de obrigação acessória, ao passo que não houve informação incorreta da alíquota GILRAT, sendo incabível a aplicação de multa por infringência ao disposto no art. 32, IV, ad Lei nº. 8.212/91. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.725150/2014-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Devem ser afastadas as arguições de inconstitucionalidade no que tange aos pressupostos jurídicos do lançamento, face ao enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
FAP. QUESTIONAMENTO. COMPETÊNCIA.
Questionamentos relativos ao FAP devem ser formulados perante o órgão competente do Ministério da Previdência Social, não perante o CARF, que não possui tal atribuição.
COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte comprovar, mediante a apresentação de elementos de prova hábeis para tanto, a correção da compensação declarada.
Numero da decisão: 2402-005.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Devem ser afastadas as arguições de inconstitucionalidade no que tange aos pressupostos jurídicos do lançamento, face ao enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FAP. QUESTIONAMENTO. COMPETÊNCIA. Questionamentos relativos ao FAP devem ser formulados perante o órgão competente do Ministério da Previdência Social, não perante o CARF, que não possui tal atribuição. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar, mediante a apresentação de elementos de prova hábeis para tanto, a correção da compensação declarada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Devem ser afastadas as arguições de inconstitucionalidade no que tange aos pressupostos jurídicos do lançamento, face ao enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. FAP. QUESTIONAMENTO. COMPETÊNCIA. Questionamentos relativos ao FAP devem ser formulados perante o órgão competente do Ministério da Previdência Social, não perante o CARF, que não possui tal atribuição. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar, mediante a apresentação de elementos de prova hábeis para tanto, a correção da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 51 50 /2 01 4- 63 Fl. 835DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 836DF CARF MF Processo nº 12448.725150/201463 Acórdão n.º 2402005.870 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, que julgou procedente o auto de infração DEBCAD nº 51.051.2569, cabendo transcrever, por bem resumir os fatos atinentes ao lançamento e impugnação, o relatório da decisão de primeira instância: 2. Conforme informado no Relatório Fiscal, fls. 31 a 40, a partir da competência 01/2010, além do RAT (SAT ou GILRAT) as empresas passaram a ser obrigadas a informar o FAP (Fator Acidentário Previdenciário), “que afere o desempenho da empresa dentro da respectiva atividade econômica, relativamente aos acidentes de trabalho ocorridos num determinado período. O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000) e que será aplicado com quatro casas decimais sobre a alíquota RAT, conforme dispõe o art. 202A e seus parágrafos do Decreto nº 3.048/99.” Desse procedimento, temse o RAT ajustado, que consiste no resultado da multiplicação da alíquota RAT pelo FAP da empresa, ou seja, “alíquota RAT x alíquota FAP”. 3. Segundo apurado, o contribuinte informou como fator multiplicador do FAP, em todas as GFIPS do período fiscalizado, o valor 1,00, quando o correto seriam os valores discriminados na tabela a seguir: 4. O Relatório Fiscal também informa que o contribuinte não teria observado a alteração do enquadramento de risco da alíquota RAT, trazida pelo Anexo V do Decreto nº 6.957, de 9 de setembro de 2009, que alterou o Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com aplicabilidade a partir de janeiro de 2010, e que majorou a alíquota RAT do contribuinte de 2% para 3%. 5. Diante desse quadro, foi efetuado o lançamento da diferença do RAT sobre as remunerações dos segurados empregados constantes nas GFIP’s. 6. No procedimento fiscal também foi efetuada a glosa de compensação informada em GFIP, pois a empresa não apresentou comprovação dos valores compensados, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal nº 001, fl. 315. 7. A fiscalização também informa a emissão de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos (TAB), que segue no processo 12448.725152/201452. 8. Cientificado do lançamento em 30/06/14, segundo Aviso de Recebimento (AR) de fl. 347, o contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 354 a 384, alegando, em síntese, que: Fl. 837DF CARF MF 4 a) a contribuição do RAT (SAT/GILRAT) “prevista no art. 22, inciso II da Lei 8.212/91, está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que a norma em análise deixou de observar o princípio da tipicidade, indispensável para a válida instituição de tributos”, pois não especifica quais atividades são de risco leve, médio e grave, deixando por conta de atos infralegais tal especificação; b) “o FAP também se encontra maculado por inconstitucionalidades insanáveis” O art. 10 da Lei nº 10.666, de 08/05/03, determinou que as alíquotas de 1%, 2% e 3% do GILRAT poderiam ser reduzidas em 50% ou aumentadas em 100%, mediante regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo, o que possibilitou a instituição do Fator Acidentário de Prevenção por meio do Decreto nº 6.957/09, porém, esse decreto ultrapassou “em muito a mera função regulamentar” e estabeleceu critérios que podem majorar as alíquotas do GILRAT através de um multiplicador variável, ou seja, aumentar tributo sem lei. Tal situação afronta o art. 150 da Constituição Federal e o art. 97 do Código Tributário Nacional; c) como o índice de desempenho comparativo das empresas, para cálculo do FAP, não é publicado, temse um caso de ofensa ao art. 37 da Constituição Federal, além de mitigar o “próprio direito de defesa da empresa, assim como os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa”; d) “com efeito, as Resoluções CNPS nº 1.308/09, 1.309/09 e 1.316/10, que previam a forma de cálculo FAP, também extrapolaram a função meramente regulamentadora, na medida em que contém carga normativa atinente à definição da alíquota de tributo, representando grave ofensa ao princípio da legalidade”; e) nos termos do art. 22A da Lei 8.213, de 1991, toda vez que ocorre um acidente de trabalho, a CAT (Comunicação de Acidentes de Trabalho) deve ser emitida pela empresa, a qual vai repercutir no FAP. Acontece que essa Lei nº 8.213, de 1991, traz um conceito bastante amplo de acidente e trabalho e, dessa forma, “nem sempre a emissão de uma CAT decorre de um risco ambiental inerente ao trabalho do empregado (fator que efetivamente importa para o FAP, como visto). Isto quer dizer, consequentemente, que na relação de CATs vinculadas a uma empresa haverão acidentes que não possuem qualquer relação com os riscos decorrentes do ambiente de trabalho.” Dessa forma, as CATs “não podem servir de parâmetro para o cálculo do FAP. Isto porque o art. 10 da Lei nº 10.666/2003 estabeleceu como parâmetro mínimo a incapacidade laborativa ocasionada pelos riscos ambientais do trabalho e assim, a inclusão de acidentes que não possuem qualquer relação com o ambiente de trabalho extrapolam os limites legais. Não há dúvida, portanto, que as Resoluções CNPS nº 1.308/09, 1.309/08 e 1.316/10, ao determinarem que sejam consideradas no FAP, indiscriminadamente, todas as CATs emitidas pela empresa, bem como os benefícios previdenciários concedidos a seus empregados, sem aferir daquelas CATs e/ou benefícios fundaramse no risco ambiental do trabalho do empregado, extrapola o limite mínimo da tributação estabelecido na Lei nº 10.666/2003”, razão pela qual concluise pela ilegalidade dessas resoluções; f) “outro ponto que merece destaque é o fato do art. 21a da Lei nº 8.213/91 ter possibilitado à Junta Médica do INSS caracterizar uma incapacidade como doença profissional, atribuindo natureza acidentária, sempre que verificar nexo epidemiológico entre o trabalho e o agravo.” Ora, o simples fato de o ‘agravo’ se ligar a determinado ‘trabalho’, já deveria o excluir do cálculo do FAP, já que, para este cálculo buscase não o risco da atividade, mas o risco do ambiente em que o trabalho é desenvolvido. Não há dúvidas, assim, que as Resoluções CNPS nº 1.308/09, 1.309/08 e 1.316/10 extrapolam (e muito) os limites da lei regulamentadora, fazendo com que sejam considerados, no cálculo FAP, eventos que não decorrem do risco ambiental. Por esta razão, deve também ser afastada a aplicação do FAP até que as ditas distorções sejam corrigidas”; Fl. 838DF CARF MF Processo nº 12448.725150/201463 Acórdão n.º 2402005.870 S2C4T2 Fl. 109 5 g) “a terceira infração imputada à Impugnante pela Fiscalização diz respeito à ausência de comprovação, por meio de documentos, da origem dos créditos compensados no período em referência. No entanto, cumpre esclarecer que tais créditos são oriundos de retenções na fonte realizadas pelos clientes da impugnante, tomadores dos serviços de cessão de mãodeobra prestados por ela (conforme contratos em anexo a esta impugnação), em estrito cumprimento ao disposto no art. 31 da Lei nº 8.212/91.” Dessa forma, “não há dúvida acerca da legitimidade dos créditos compensados, motivo pelo qual o auto de infração deve ser cancelado também quanto a este tópico”; h) a multa aplicada de 75% tem natureza nitidamente confiscatória, violando o Princípio do NãoConfisco, eis que grava sobremaneira o patrimônio da Recorrente”. Dessa forma, por flagrante inconstitucionalidade, deve ser anulada. 9. Diante dessas considerações, requer o Impugnante o cancelamento das contribuições para o GILRAT no importe de 3%, assim como o FAP majorado e, na remota hipótese de assim não se entender, que seja reduzida a multa aplicada. 10. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da CoordenaçãoGeral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, foi distribuído o presente processo a esta DRJ de Curitiba/PR, para julgamento da impugnação. 11. Ao se cotejar as informações constantes das GFIPs transmitidas pela empresa (em consulta ao GFIPWeb) com os valores lançados no Discriminativo do Débito (DD) de fls. 4 a 14, constatouse a existência de divergência, para o ano de 20101, entre os valores lançados no discriminativo e os valores de compensação que aparecem nas GFIPs. Dessa forma, foram os autos baixados em diligência para que a fiscalização fizesse os devidos esclarecimentos (vide Despacho nº 788, de 15/09/14, fls. 739 e 740). 12. Em resposta à diligência, a fiscalização emitiu o despacho de fls. 743 e 744, no qual informa que, de fato, houve um equívoco em relação ao ano de 2010, sendo lançados na competência 01/2010 os valores referentes à competência 02/2010, na competência 02/2010 os valores da competência 03/2010 e assim por diante. Em razão disso, concluiu a fiscalização pela retificação do lançamento em relação ao ano de 2010, conforme a seguinte planilha (...) A exigência foi mantida pela instância recorrida (fls. 767/775), havendo sido realizadas no lançamento apenas as alterações correspondentes à revisão de ofício promovida pela DRF de origem. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 6/3/2015 (fls. 788/823), repisando os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mister destacar, de plano, que a ampla maioria dos questionamentos do contribuinte atémse a alegações de inconstitucionalidade do embasamento das exigências constantes no lançamento, em particular SAT/GILRAT, alíquota FAP e multa de ofício confiscatória. Diante de quadro e a despeito das ilações contidas na peça recursal, no sentido da possibilidade de conhecimento de matéria dessa natureza no contencioso administrativo tributário federal impõese a aplicação da Súmula CARF nº 2, forte no art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Também os argumentos acerca da ilegalidade do FAP não prosperam, visto que eventual inconformidade quanto à alíquota determinada pelo Ministério da Previdência Social deveria ter ser vertida frente a órgão competente desse ministério, consoante já alertava o art. 72, § 5º da IN RFB nº 971/09: "O FAP atribuído à empresa poderá ser contestado perante o órgão competente no Ministério da Previdência Social, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data de sua divulgação oficial", não sendo então competência do CARF dirimir controvérsias acerca do tema. Na espécie, registrese que não há notícia alguma de que o contribuinte tenha formulado contestação perante a administração previdenciária no tocante ao FAP, do que decorre restar preclusa no âmbito administrativo tal possibilidade, não se configurando o contencioso fiscal, repitase, em veículo hábil para tanto. Por fim, quanto às compensações glosadas, oportuno dizer que a autoridade tributária já considerou no lançamento as retenções devidamente comprovadas por documentos e notas fiscais apresentados, salientando, inclusive, que "os valores retidos nas notas fiscais foram totalmente aproveitados pela fiscalização no cotejamento com os valores devido a previdência social" (ver despacho às fls. 743/744). De sua parte, as compensações declaradas em GFIP não puderam ser acatadas, pois, como bem salientado no acórdão recorrido: (...) faltou o Impugnante apresentar informação sobre a competência em que os valores retidos foram utilizados e memória de cálculo das compensações efetuadas, informações essas que tinham sido solicitadas pela fiscalização, porém, o Impugnante limitouse a dizer que as compensações estão em estrito cumprimento com o disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991 [na impugnação], bem como que não encontrou as caixas de arquivo com toda a documentação de Sefip do período solicitado e que os funcionários que tratavam da compensação não estão mais na empresa [na resposta ao Termo de Intimação]. Dessa forma, não há como se acatar a defesa pretendida. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 12448.725150/201463 Acórdão n.º 2402005.870 S2C4T2 Fl. 110 7 Cumpre esclarecer que não há ilegalidade alguma na requisição das memórias de cálculo e planilhas por parte da fiscalização, pois a compensação tem como pressuposto a demonstração, por parte do interessado, da existência de créditos líquidos e certos, bem como de sua escorreita vinculação aos débitos alegadamente adimplidos. Tal feito resta impossibilitado se o recorrente não traz memória de cálculo que possibilite à administração tributária, no exercício de suas prerrogativas explicitadas no art. 170 do CTN, aferir a correção da procedimento levado a efeito pelo sujeito passivo. Não é demasiado anotar que, tratandose de fato constitutivo de seu pretenso direito, ao referido incumbe tal ônus de prova, face ao disposto no art. 373, inciso I, do CPC. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 841DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720200/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.954
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 00 /2 01 2- 31 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.601. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 257DF CARF MF Processo nº 11516.720200/201231 Acórdão n.º 3302003.954 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.905585/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.806
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 85 /2 01 2- 10 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.339, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13888.905585/201210 Acórdão n.º 3201002.806 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000184/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 01 84 /2 01 0- 95 Fl. 322DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 2 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3402004.156 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. Tampouco cabe deliberar aqui a respeito da preliminar apreciada no acórdão recorrido, a respeito da existência de erro material na decisão da DRJ, no momento de cálculo do crédito tributário remanescente. Isso se dá em razão de tanto a preliminar quanto ao mérito terem sido apreciados, a despeito de apenas em relação a este último ter versado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que implica na definitividade do provimento em relação ao erro material apontado pelo Contribuinte. Nessa mesma linha, o provimento da decisão da 3ª CSRF foi exatamente no sentido de que se apreciasse os demais argumentos relativos ao mérito, que deixaram de ser deliberados em razão do provimento meritório. Apenas por razão de cautela, visando evitar omissões ou dificuldades de execução do acórdão, frisase esse ponto para esclarecer o motivo pelo qual tal preliminar não será enfrentada aqui, visto que não é possível nos manifestarmos sobre matéria que já foi julgada e, inclusive, transitou em julgado administrativo por ausência de manifestação. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 324DF CARF MF 4 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3402004.156 S3C4T2 Fl. 4 5 Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Fl. 326DF CARF MF 6 Tampouco caberia se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722166/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA.
Como o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de Ajuste Anual, o termo inicial do prazo de decadência conta-se a partir do encerramento do ano-calendário.
ORIGENS DE RECURSOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SEM LASTRO CONTÁBIL E DOCUMENTAL. CRITÉRIO DE ACEITAÇÃO.
Para que haja a aceitação de que determinados pagamentos foram realizados a conta de lucros distribuídos, deve haver o correspondente registro na contabilidade da empresa suportado por documento hábil, não sendo razoável que se atribua a repasses para terceiros e para quitação de contas pessoais dos sócios a automática vinculação a lucros/dividendos, mediante presunção de que a determinados pagamentos, mesmo sem respaldo contábil, seja atribuída uma suposta vontade tácita dos sócios de compensação dos dispêndios com parte do resultado da empresa.
EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO.
Comprovando o sujeito passivo, mediante a juntada de documentos hábeis, que a análise de sua evolução patrimonial levada a efeito pelo fisco contém erros, cabível a retificação da apuração fiscal pelos órgãos de julgamento.
PRÊMIOS ACUMULADOS DE VGBL. IMPOSSIBILIDADE DE CÔMPUTO COMO SALDO INICIAL EM CONTA CORRENTE.
Por se tratarem de valores de natureza jurídica diversa, "os prêmios acumulados de VGBL" não devem integrar o "saldo inicial em conta corrente", para que compor as origens de recursos na análise da variação patrimonial do contribuinte.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ALEGAÇÕES RECURSAIS. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
É de quem alega o ônus de comprovar suas alegações, não sendo cabível ao órgão julgador determinar a realização de diligência para atender a pretensão de reforço o conjunto probatório de qualquer das partes.
PEDIDO PARA PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. INDEFERIMENTO.
O pedido para a produção de novas provas deve ser indeferido, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela existência da infração, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-005.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, em não conhecer do documento de fls. 3.215/3.220, em negar provimento ao recurso de ofício e em afastar a decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de: a) alterar o valor dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, consoante o item 3.1 do voto; b) considerar a distribuição de lucros da MV&P no valor de R$ 36.460,00, nos termos do item 3.2 do voto; c) considerar como saldo inicial em conta corrente a quantia de R$ 213.271,93, conforme item 3.4 do voto; e d) excluir das "aplicações" a parcela de R$ 1.833.333,33, correspondente a rubrica "imóveis", nos meses de novembro e de dezembro, nos termos do item 3.9 do voto. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, que davam provimento em maior extensão. .
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Recorrentes MARIO JOSE COSTA JUNIOR FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Como o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de Ajuste Anual, o termo inicial do prazo de decadência contase a partir do encerramento do anocalendário. ORIGENS DE RECURSOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SEM LASTRO CONTÁBIL E DOCUMENTAL. CRITÉRIO DE ACEITAÇÃO. Para que haja a aceitação de que determinados pagamentos foram realizados a conta de lucros distribuídos, deve haver o correspondente registro na contabilidade da empresa suportado por documento hábil, não sendo razoável que se atribua a repasses para terceiros e para quitação de contas pessoais dos sócios a automática vinculação a lucros/dividendos, mediante presunção de que a determinados pagamentos, mesmo sem respaldo contábil, seja atribuída uma suposta vontade tácita dos sócios de compensação dos dispêndios com parte do resultado da empresa. EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO. Comprovando o sujeito passivo, mediante a juntada de documentos hábeis, que a análise de sua evolução patrimonial levada a efeito pelo fisco contém erros, cabível a retificação da apuração fiscal pelos órgãos de julgamento. PRÊMIOS ACUMULADOS DE VGBL. IMPOSSIBILIDADE DE CÔMPUTO COMO SALDO INICIAL EM CONTA CORRENTE. Por se tratarem de valores de natureza jurídica diversa, "os prêmios acumulados de VGBL" não devem integrar o "saldo inicial em conta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 66 /2 01 3- 31 Fl. 3252DF CARF MF 2 corrente", para que compor as origens de recursos na análise da variação patrimonial do contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ALEGAÇÕES RECURSAIS. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. É de quem alega o ônus de comprovar suas alegações, não sendo cabível ao órgão julgador determinar a realização de diligência para atender a pretensão de reforço o conjunto probatório de qualquer das partes. PEDIDO PARA PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido para a produção de novas provas deve ser indeferido, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela existência da infração, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, em não conhecer do documento de fls. 3.215/3.220, em negar provimento ao recurso de ofício e em afastar a decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de: a) alterar o valor dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, consoante o item 3.1 do voto; b) considerar a distribuição de lucros da MV&P no valor de R$ 36.460,00, nos termos do item 3.2 do voto; c) considerar como saldo inicial em conta corrente a quantia de R$ 213.271,93, conforme item 3.4 do voto; e d) excluir das "aplicações" a parcela de R$ 1.833.333,33, correspondente a rubrica "imóveis", nos meses de novembro e de dezembro, nos termos do item 3.9 do voto. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, que davam provimento em maior extensão. . (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente em parte a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI que integra o presente processo. O órgão prolator também recorreu de sua decisão, por haver exonerado parte do crédito em tela. A discussão diz respeito ao Auto de Infração de fls. 2110/2112, acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 2113/2117, que lhe exige crédito tributário no montante de R$13.243.421,84, correspondente ao imposto (R$6.109.434,81), multa proporcional (R$2.551.910,92) e juros de mora (R$4.582.076,11, calculados até 11/2013), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2009, anocalendário 2008. Conforme o anexo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl. 2112), foi efetuado o lançamento de ofício em referência, tendo em vista a apuração da infração abaixo descrita. "001 – IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, ou seja, excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, conforme relatório fiscal em anexo." Todos passos trilhados durante o procedimento fiscal, bem como as verificações/análises/conclusões, encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação (fls. 2098/2109), parte integrante do Auto de Infração. Informase inicialmente que a ação fiscal teve por objetivo a verificação de rendimentos isentos e/ou não tributáveis e a variação patrimonial do contribuinte. Foram efetuadas várias intimações, as quais foram atendidas pelo sujeito passivo, tendo o fisco concluído que a maior parte dos valores declarados pelo contribuinte foram efetivamente comprovados, todavia, após a verificação da evolução patrimonial mensal, foi apurado no ano calendário de 2008 acréscimo patrimonial a descoberto nos seguintes meses: junho = R$ 1.610.000,00 setembro = R$ 96.613,79 outubro = R$ 11.216.408,06 novembro = 4.976.900,48 dezembro = 4.316.072,30 Fl. 3254DF CARF MF 4 Submetidos esses montantes à tabela progressiva vigente naquele ano calendário, obtevese na apuração do imposto de renda um crédito tributário de R$ 12.243.421,84, incluídos neste montante juros e multa. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo ofertou impugnação, a qual foi acolhida em parte pelo órgão de primeira instância, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Os rendimentos omitidos apurados com base em acréscimo patrimonial a descoberto, embora submetidos à apuração mensal, estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, pelo que a contagem do prazo decadencial não é mensal, contados do mês em que a omissão foi apurada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Retificase parcialmente a planilha de evolução patrimonial mensal, à vista da comprovação documental apresentada. Impugnação Procedente em Parte O acórdão da DRJ fez diversas modificações na análise da evolução patrimonial do contribuinte, chegando ao seguinte resultado relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto: junho = 0 setembro = 0 outubro = R$ 555.337,81 novembro = 4.922.264,51 dezembro = 4.270.003,90 Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 4 5 A ciência desta decisão deuse pela via postal em 29/09/2014, fl. 2.984, tendo o contribuinte interposto recurso, o qual foi protocolizado em 29/10/2014, conforme peça e documentos de fls. 2.988/3.185. Passo agora a apresentar, em apertada síntese, os argumentos recursais. Afirma o recorrente que em linhas gerais a suposta omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto apontada pelo fisco foi composta de: a) parcelas de R$ 16.662.450,72, relativa à glosa de valores que lhe foram pagos ou disponibilizados a título de distribuição de lucros pela empresa Costa Negócios e Tecnologia Ltda; e b) parcela de R$ 5.553.675,87 relativa a supostas divergências entre os valores informados na sua DAA e o que foi apurado pelo fisco. Alega que consegue demonstrar que a importância de R$ 70.702.318,63 (dos quais R$ 69.776.554,77 se referem à Costa Negócios) informada na DAA do anocalendário de 2008 a título de distribuição de lucros e dividendos lhe foi integralmente paga/disponibilizada, por meio de transações documentadas nos autos. Assevera que a distribuição de lucros realizada pela Costa Negócios foi reconhecida em laudo contábil elaborado por empresa de auditoria independente, de modo que a parcela de R$ 16.662.450,72 não poderia ter sido glosada pela autoridade fiscal. Quanto ao item "b", o recorrente afirma haver demonstrado em sua impugnação diversos equívocos cometidos pela fiscalização na análise da sua evolução patrimonial no período em questão, por ignorar operações que somam mais de 5 milhões, o que ocasionou parte da suposta omissão de rendimentos. Menciona que a DRJ reconheceu parcialmente os valores recebidos a título de distribuição de lucros e dividendos, bem como erros cometidos pelo fisco na análise de sua variação patrimonial, todavia, deixou de aceitar alguns pagamentos realizados por conta e ordem do recorrente a título de distribuição de dividendos/lucros sob a alegação de falta de comprovação quanto à deliberação/manifestação de vontade dos sócios. Afirma não concordar com tal entendimento. Aduz que a empresa Costa Negócios possui como únicos sócios o recorrente e sua esposa, de modo que não há dúvida de que o lucro obtido pela pessoa jurídica é auferido no interesse dos sócios. Também não se conforma com a manutenção de alguns supostos equívocos cometidos na análise da sua evolução patrimonial, os quais foram apontados na impugnação e demonstrados mediante documentação hábil. Na sequência, passa a individualizar as razões de seu inconformismo, conforme os itens a seguir. Decadência O AI sob discussão foi lavrado em 04/11/2013 e os supostos fatos geradores ocorreram entre junho e dezembro de 2008, assim, é clara a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário correspondente, nos termos do § 4.º do art. 150 e inciso IV do art. 156, ambos do CTN. Fl. 3256DF CARF MF 6 Comprovação dos valores recebidos a título de distribuição de lucros/dividendos O recorrente assinala que é incontroverso que no anocalendário sob discussão havia lucros passíveis de distribuição pela empresa Costa Negócios, sua principal controlada. Esse fato não foi contestado pelo fisco e foi confirmado por empresa de auditoria independente. Assevera que, conforme consta na sua DAA e também no laudo da consultoria por ele contratada, os sócios controladores da Costa Negócios (o recorrente e sua esposa) receberam desta empresa uma quantia equivalente a R$ 69.776.554,81 a título de lucros e dividendos no anocalendário de 2008, a qual foi disponibilizada mediante: a) cheques emitidos aos sócios no valor de R$ 47.424.418,74; b) transferências bancárias realizadas entre a conta corrente da empresa e a conta dos sócios ou de terceiros (por conta e ordem dos sócios), no valor de R$ 21.398.085,00; e c) pagamentos de despesas pessoais de terceiros, assumidas pelos sócios, mas realizadas diretamente pela empresa por conta e ordem dos próprios sócios no valor de R$ 954.051,07. Sustenta que esses valores foram adequadamente registrados na contabilidade da Costa Negócios e efetivamente desembolsados na forma acima descrita, sempre a beneficiários identificados. Menciona três aspectos que entende foram equivocadamente mantidos no acórdão recorrido quanto aos lucros que lhe foram pagos no período fiscalizado. Cita: a) muito embora o recorrente e sua esposa tenham destinado parte dos recursos ao pagamento de suas despesas pessoais, é fato que o uso que se faz dos valores recebidos/disponibilizados não descaracteriza a natureza original de distribuição de lucros isenta. O Anexo V do laudo de auditores independentes comprova que a maior parte dos cheques emitidos pela Costa Negócios eram nominais aos sócios e foram devidamente contabilizados pela empresa. b) conforme se extrai do laudo elaborado pelos auditores independentes, as poucas transferências realizadas para contas de terceiros foram contabilizadas pela Costa Negócios como distribuição de lucros aos sócios. Aduz que tal procedimento não acarretou qualquer economia tributária à empresa Costa Negócios, aos seus sócios, ou a terceiros que receberam os pagamentos em questão. c) em relação aos pagamentos de contas pessoais dos sócios e de terceiros no valor de R$ 954.051,07, esclarece que se trata de R$ 89.694,38, relativos a diversas despesas pessoais do recorrente, quitadas por sua conta e ordem, as quais estão devidamente contabilizadas pela Costa Negócios como distribuição de lucros isenta, e R$ 591.026,82, que se encontram contabilizadas com idêntica intitulação e remontam a projetos sociais e outros desembolsos de interesse dos sócios. Cita precedente do CARF, cujo entendimento é no sentido de que é possível a distribuição antecipada de lucros ao longo do anocalendário, sem que haja a descaracterização da sua natureza jurídica, desde que não se ultrapasse o montante de lucros efetivamente apurados ao final do período. Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 5 7 Defende que os documentos juntados aos autos demonstram claramente que houve vontade e intenção dos sócios (que administram a sociedade) em determinar e receber a referida distribuição de lucros, mesmo porque assinaram os cheques para a realização de pagamentos em contrapartida aos lucros sociais apurados no período. Aduz que não há qualquer sentido prático em desconsiderar essas distribuições, posto que: a) os únicos sócios da Costa Negócios são e sempre foram o recorrente e sua esposa, de maneira que os lucros seriam distribuídos a eles para posterior pagamento de suas despesas; b) os pagamentos foram realizados em contrapartida dos lucros auferidos pela sociedade no período; e c) o próprio ato de pagamento que foi levado a efeito pela sociedade emanou dos sócios, o que sem dúvida representa uma manifestação de vontade destes. São citados dois precedentes do CARF, onde se entende que a presunção das autoridades fiscais quanto à existência de acréscimo patrimonial a descoberto é afastada quando o contribuinte comprova, por meio de documentação hábil e idônea, que os valores foram efetivamente recebidos. Evolução patrimonial Segundo o recorrente foram cometidos inúmeros equívocos pela fiscalização na análise de sua evolução patrimonial, razão pela qual juntou à impugnação a planilha de fls. 2.941/42, identificando cada uma das incorreções. Enquanto o recorrente apurou um montante de recursos no valor de R$ 75.790.933,86 e de aplicações da ordem de R$ 72.243.143,75, o fisco apurou, respectivamente, R$ 67.765.305,57 e R$ 89.984.251,26. No julgamento de primeira instância foram reconhecidos alguns dos equívocos apontados pela defesa, contudo, o recorrente entende que é absolutamente descabida a parcela remanescente de evolução patrimonial, posto que os valores por ele indicados estão integralmente suportados por documentos juntados aos autos. Nesse sentido, apresenta nova planilha com os itens de sua evolução patrimonial para confronto com o que ficou decidido pela DRJ (doc. n.º 5), passando a demonstrar, item por item, as razões pelas quais os valores de acréscimo patrimonial a descoberto não merecem prosperar. Rendimentos tributados de pessoa jurídica Afirma que as parcelas recebidas a título de prólabore pelo recorrente e sua esposa somam R$ 58.531,97, conforme declarado na DAA, e não os R$ 57.079,47 apontados pela fiscalização. Sustenta que a divergência foi motivada pelo registro nos Relatórios de Pagamentos Efetuados do valor líquido recebido pela esposa do autuado, com exclusão do desconto do INSS. Apresenta quadro demonstrativo. Fl. 3258DF CARF MF 8 Distribuição isenta da empresa MV&P Aduz o recorrente que foi considerado pela fiscalização um valor de R$ 36.410,00 a título de distribuição de lucros pela empresa MV&P Tecnologia, quando os documentos fiscais apresentados comprovam que o valor efetivamente envolvido é R$ 36.460,00. Para espancar qualquer dúvida quanto à procedência de seu argumento, que foi rechaçado pela DRJ sob a alegação de que o registro no livro Diário estaria ilegível, apresenta cópia do Diário Geral (doc. n.º 8), onde se comprova o erro do fisco. Rendimentos tributados exclusivamente na fonte O recorrente aduziu que o fisco considerou como origem de recursos decorrentes de rendimentos tributados exclusivamente na fonte a irrisória quantia de R$ 444,84, todavia, o acórdão recorrido alterou este valor para R$ 62.421,57, ao reconhecer que deveriam ser considerados os rendimentos líquidos informados nas DIRF de fls. 2.946/47, emitidas pelos Bancos do Brasil e Santander. Para o recorrente tal procedimento da DRJ ainda não reflete a realidade, posto que as DIRF correspondem a apenas uma das contas mantidas pelo recorrente junto a essas instituições financeiras, não se computando outras contas de titularidade do recorrente e de sua esposa, as quais podem ser visualizadas nos informe de rendimentos de fls. 89/94. A seguir passa a mencionar uma série de extratos que foram juntados ao recurso, os quais seriam hábeis a comprovar que o total de rendimentos líquidos tributados exclusivamente na fonte atinge o montante de R$ 91.773,85, valor este que se encontra discriminado em tabela colada no corpo do recurso. Acrescenta que, caso os seus comprovantes não sejam aceitos como provas cabais de suas alegações, devese expedir ofício às instituições bancárias solicitando esclarecimentos quanto aos documentos e informações apresentados no seu recurso. Saldo da conta corrente no início do ano Afirma o autuado que a decisão recorrida deixou de considerar a título de "saldo de conta corrente" os seguintes valores: a) R$ 1.125,00 informado na sua DAA, referente ao Banco Nossa Caixa, sob a justificativa de que não teria sido apresentado o informe de rendimentos; e Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 6 9 b) R$ 1.800,00 do Banco Santander, relativo a "prêmios acumulados em VGBL", sob o qual a decisão da DRJ sequer teria se manifestado. Entende que, considerando essas alegações e o doc. n.º 13 do recurso, resta demonstrada a necessidade de reforma do acórdão de primeira instância, de modo que seja reconhecido o valor total de R$ 215.071,93, correspondente ao "saldo de conta corrente" detido pelo recorrente no início de 2008. Venda de bens móveis O fisco teria se equivocado ao inserir como "recurso" na análise da evolução patrimonial do recorrente o valor de R$ 35.000,00, decorrente da venda de um automóvel. No entanto, tal operação representou um decréscimo no seu patrimônio, posto que o valor do bem constante em sua DAA era R$ 75.040,00. Sustenta que na interpretação do fisco teria ocorrido um aumento no seu patrimônio, quando, na verdade, houve uma perda de R$ 35.040,00. Venda de bens imóveis e receitas da atividade rural Afirma que adquiriu por R$ 8.000.000,00 a Fazenda Lobo em outubro de 2008, conforme atestam os documentos de fls. 292/328. A quitação desse imóvel deuse mediante dação em pagamento da Fazenda Santa Izabel, cujo valor foi segregado da seguinte forma: a) R$ 3.500.000,00, relativos à terra nua; b) R$ 3.900.000,00, relativos a benfeitorias; e c) R$ 600.000,00, relativos a 729 garrotes. Afirma que a fiscalização registrou como "recursos" na análise da evolução patrimonial os R$ 8.000.000,00 relativos à dação da Fazenda Santa Izabel e mais R$ 4.500.000,00 relativos às benfeitorias e aos garrotes, este último valor considerado pelo fisco como receita da atividade rural. Todavia, a DRJ determinou a exclusão dos R$ 4.500.000,00, sob a justificativa de que tal valor já integraria o montante dos R$ 8.000.000,00 e, portanto, teria sido computado em duplicidade. Alega não concordar com este procedimento, a um, porque o valor de R$ 3.500.000,00 (terra nua) não representa qualquer acréscimo patrimonial, mas apenas uma simples permuta entre os imóveis e, a dois, porque os R$ 4.500.000,00 de fato representam receita da atividade rural, conforme legislação e jurisprudência colacionadas. Venda de quotas da Teconobens e participações societárias A recorrente pleiteia quanto a esse item que o acórdão recorrido seja reformado de modo que se reconheça como "aplicação" o valor de R$ 50.000,00 correspondentes a participações societárias na empresa Tecnobens e que seja excluído do computo dos "recursos" o valor de R$ 700.000,00. Fl. 3260DF CARF MF 10 Bens imóveis itens 12.1 a 12.3 do acórdão recorrido Ressalta a recorrente que os valores que pagou para aquisição de imóveis rurais no anocalendário de 2008 foram considerados pela fiscalização como aplicação de recursos na análise de sua evolução patrimonial. Contesta que os valores relativos às aquisições da Fazenda Santa Izabel (R$ 6.700.000,00 em junho); Fazenda São Francisco da Serra (R$ 1.419.000,00 em outubro) e Fazenda Recanto Alegre (R$ 1.981.000,00 em outubro), os quais, no seu entender deveriam ser segregados em terra nua e benfeitorias, de modo que essas últimas fossem consideradas como despesas da atividade rural, quando da aquisição, e resultados da atividade rural, quando da alienação, independentemente das benfeitorias terem sido ou não realizadas pelo contribuinte. Parcelas referentes à aquisição da Fazenda Lobo O recorrente protesta contra a manutenção pela DRJ do valor de R$ 2.666.666,66 lançado pela fiscalização a título de "aplicação" nos meses de novembro e de dezembro, decorrentes de parcelas previstas no subitem "d" do item 2.3 da Escritura de Promessa de Compra de Venda da Fazenda Lobo, no montante total de R$ 20.000.000,00, a serem pagas em até 24 meses. Alega que não houve qualquer pagamento em 2008 e para provar o alegado junta Termo de Declaração prestado pelo representante legal do vendedor, a sociedade Lobo Agropecuária e Empreendimentos Ltda, conforme doc. n.º 14, onde se declara que não foram efetuados no ano de 2008 os pagamentos das duas parcelas de R$ 2.666.666,66. Pede então que seja excluídos os valores em questão da análise da sua evolução patrimonial. Saldo em conta corrente no final do mês e saldo de rendimentos tributados exclusivamente na fonte. O recorrente afirma que o acórdão atacado alterou parcialmente os lançamentos neste item ao reconhecer o valor de R$ 39.274,32, relativo ao saldo em conta corrente no final do ano de 2008, e de R$ 2.665.243,94, relativo aos rendimentos tributados exclusivamente na fonte. Pretende que a decisão seja modificada em relação ao saldo final em conta corrente, para que se inclua nesse cálculo os valores de R$ 2.580,81, relativo ao Banco Nossa Caixa (vide doc. n.º 13), e R$ 4.276,32, concernente aos "prêmios acumulados em VGBL" (fl. 91). Ao final, requereu: a) a declaração de decadência para os tributos relativos aos meses de junho, outubro e novembro; b) no mérito, que o AI seja declarado integralmente improcedente; c) caso não seja este o entendimento, que os autos sejam baixados em diligência, para melhor elucidação dos fatos e que lhe seja facultada a produção de provas adicionais. Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 7 11 Em 07/02/2017, o sujeito passivo requereu a admissão de reforço probatório, mediante a juntada do documento de fls. 3.217/3.218, o qual se refere a Ata de Reunião dos Sócios, com pedido de registro na Junta Comercial datado de 27/10/2014, na qual decidiuse por ratificar todos os atos praticados pela sociedade no ano de 2008 "com relação aos cheques, transferências bancárias e pagamentos de despesas dos seus sócios a título de distribuição de lucros/dividendos, no valor total de R$ 69.776.554,84". Suscita que o documento seja conhecido, haja vista que a Ata da Reunião foi registrada na JUCESP somente em outubro de 2014, momento posterior ao protocolo do recurso voluntário, razão pela qual a prova documental deve ser apreciada, nos termos da alínea "b" do § 4.º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235/1972. Sem contrarrazões os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 3262DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 29/09/2014, tendo apresentado a peça recursal em 29/10/2014, portanto, verificase a sua tempestividade. Por terem sido atendidos os demais requisitos legais, deve ser conhecido o recurso voluntário. O recurso de ofício também merece conhecimento, posto que o imposto exonerado (R$ 3.428.843,11) supera o valor de alçada fixado em Portaria do Ministério da Fazenda. Quanto ao documento de fls. 3.217/3.218, entendo que não deva ser conhecido, haja vista que, ao contrário do que insinuou o recorrente a sua protocololização na junta comercial ocorreu em 27/10/2014, ao passo que o recurso foi apresentado em 29/10/2014. Nesse sentido, não há como considerálo documento novo que pudesse ser apreciado com esteio no § 4.º do Decreto n.º 70.235/1972. 1. Decadência Para o recorrente, sendo o IRPF um tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a regra decadencial prevista no § 4.º do art. 150 do CTN, tomandose como referência os períodos individualizados e não com base no encerramento do período ao final do anocalendário, como entendeu a DRJ. Não devemos darlhe razão. É que a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em bases mensais, como ocorre com vários tipos de rendimentos auferidos pelas pessoas físicas, em consonância com as disposições da Lei nº 7.713/1988, e tributadas na Declaração de Ajuste Anual DAA. Há de se ter em conta que é com base na DAA que se obtém definitivamente o imposto devido, considerandose aí todos os rendimentos sujeitos à tributação (rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, rendimentos recebidos do exterior e de pessoas físicas, rendimentos oriundos da atividade rural, rendimentos apurados em decorrência da variação patrimonial a descoberto) e as deduções permitidas em lei. Adicionese a isto que algumas dessas deduções, como as relativas a despesas médicas e com instrução são dedutíveis apenas na DAA. Nessa toada, somente em 31 de dezembro do anocalendário completase o fato gerador do imposto de renda pessoa física, quando se conhecem todos os rendimentos tributáveis auferidos no período e as deduções permitidas em lei. Em relação ao lançamento correspondente à omissão de rendimentos, o fisco somente terá condições de apurar a quantia devida no momento da apresentação da declaração de ajuste anual pelo contribuinte. Em conseqüência, considerase consumado o fato jurídico tributário em 31 de dezembro de cada anocalendário. Reforçando: o imposto é devido à medida em que os rendimentos forem percebidos, todavia, somente com a declaração de rendimentos é que se tem condições de apurar o montante do imposto a pagar. Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 8 13 Portanto, no caso dos autos, o fato gerador do IRPF relativo ao ano calendário de 2008 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2009 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completouse em 31 de dezembro de 2013, nos termos do § 4.º do art. 150 do CTN. Como a ciência do lançamento ocorreu em 06/11/2013 (fl. 2.119), o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2008 não havia sido atingido pela decadência naquele momento. Nesse sentido, deve ser afastada a suscitada decadência. 2. Comprovação dos valores recebidos a título de distribuição de lucros/dividendos O recorrente apresenta argumentos no sentido de reformular a decisão recorrida na parte relativa aos alegados recebimentos de lucros/dividendos da empresa Costa Negócios. Para tanto afirma que os valores foram contabilizados na escrituração da pessoa jurídica e foram decorrentes da vontade dos sócios, posto que é inegável que os lucros são auferidos em proveito destes. Afirma que o laudo emitido por empresa de auditores independentes, com os documentos que o acompanha, demonstram que os lucros distribuídos pela Costa Negócios, num total de R$ 69.776.554,77, constante na sua DAA, foi integralmente pago/disponibilizado, não sendo aceitável a glosa efetuada pelo fisco no montante de R$ 16.662.450,72. Acrescenta que os recebimentos de lucros/dividendos podem ser assim justificados: a) cheques emitidos aos sócios, no valor de R$47.424.418,74; b) transferências bancárias realizadas entre a conta corrente da empresa e a conta dos sócios ou de terceiros (por conta e ordem dos sócios), no valor de R$21.398.085,00; e c) pagamentos de despesas pessoais de terceiros, assumidas pelos sócios, mas realizados diretamente pela empresa por conta e ordem dos próprios sócios, por questão de conveniência destes, no valor de R$ 954.051,07. A DRJ acolheu em parte os argumentos do recorrente, todavia deixou de reconhecer como distribuição de lucros/dividendos as parcelas em que não havia contabilização do pagamento, bem como não havia manifestação expressa dos sócios determinando as transferências. Sobre o laudo de auditoria independente, o acórdão recorrido menciona que não valeria como prova isolada. Peço licença para transcrever excerto do voto condutor do acórdão de primeira instância que reflete bem essas conclusões: "Como se vê das cláusulas acima, não existe nenhuma previsão contratual, nem foi apresentada Ata de reunião, devidamente registrada na Jucesp, deliberando que a empresa poderá realizar a distribuição de lucros a seus sócios, mediante transferências bancárias para conta de terceiros e pagamentos de despesas pessoais dos sócios. Fl. 3264DF CARF MF 14 Nesse sentido, cabe salientar que a juntada do Laudo Técnico de Natureza Contábil elaborado pela KPMG (fls. 2174/2185) não tem o condão de suprir a lacuna, consistente em ausência de previsão contratual/deliberação dos sócios autorizando a distribuição de lucros na modalidade de pagamentos a terceiros ou pagamentos de despesas pessoais do sócios. Muito menos o Laudo se presta a substituir as provas documentais faltantes. Além da previsão contratual ou deliberação dos sócios, é necessário que, cumulativamente, esses pagamentos realizados pela empresa, por conta e ordem dos sócios, constem nos registros contábeis da empresa como redutor da conta de patrimônio líquido (lucros acumulados). Imprescindível, ainda, que os lançamentos contábeis estejam lastreados em documentos que comprovem que os pagamentos foram realizados por conta e ordem dos sócios. Assim, não estando atendidas as condições acima, de plano, nem os pagamentos de despesas pessoais dos sócios, nem os pagamentos a terceiros realizados pela empresa serão aceitos a título de distribuição de lucros. Quanto aos cheques emitidos aos sócios e às transferências bancárias realizadas entre a conta corrente da empresa e dos sócios, cumpre registrar que não basta a simples apresentação deles, sendo imperiosa a comprovação da natureza jurídica de tais pagamentos." Vejo que o entendimento da DRJ está em sintonia com as provas dos autos. De fato, os atos constitutivos da empresa Costa Intermediação de Negócios de Informática Ltda que mudou a denominação para Costa Negócios e Tecnologia Ltda (ver fls. 150/156) não trazem quaisquer disposição acerca da possibilidade de distribuição de lucros mediante repasse de valores a terceiros ou mesmo pagamentos de despesas pessoais dos sócios. Nesse sentido, para que haja a aceitação de que determinados pagamentos foram realizados a conta de lucros distribuídos devese ter o correspondente registro na contabilidade da empresa, não sendo razoável que se atribua a repasses para terceiros e para quitação de contas pessoais dos sócios a automática vinculação a lucros/dividendos, mediante presunção de que a determinados pagamentos, mesmo sem respaldo contábil, seja atribuída uma suposta vontade tácita dos sócios de compensação dos dispêndios com parte do resultado da empresa. Devese observar ainda que o laudo dos auditores independentes não faz prova por si só, sendo necessária a existência de contabilização da despesa como contrapartida de lucros/dividendos distribuídos, a qual deve estar suportada por documentos comprobatórios. Passemos, agora a avaliar as conclusões da DRJ sobre a distribuição de lucros/dividendos de modo ponderar sobre as razões recursais. janeiro/2008 Foi mantido o valor do lucro distribuído considerado pela autoridade lançadora. Concluiuse que "Os cheques de valores R$5.000,00 (cheque nº 223, à fl. 2246), R$8.003,50 (cheque nº 221, à fl. 2250), R$2.500,00 (cheque nº 225, à fl. 2251), R$2.500,00 (cheque nº 226, à fl. 2252), R$38.823,00 (cheque nº 231, à fl. 2253) e R$10.000,00 (cheque nº 230, à fl.2254), totalizando a importância de R$66.826,50, relativos aos pagamentos realizados a terceiros por Costa Negócios e Tecnologia Ltda/CNPJ 08.510.326/000170, não comprovam que têm a natureza jurídica de lucros distribuídos aos sócios". Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 9 15 Para o órgão a quo, a falta de previsão ou deliberação dos sócios no sentido de considerar como lucros distribuídos pagamentos realizados a terceiros pela Costa Negócios, aliada a falta de apresentação dos correspondentes lançamentos contábeis, impediram o reconhecimento de que tais parcelas de fato correspondessem a distribuição de lucros. Observase que o recurso voluntário não faz um contraponto a esse análise de cada pagamento como fez o órgão de primeira instância, limitandose a mencionar que se os lucros eram destinados aos sócios e que as assinaturas destes nos cheques seriam uma prova da sua manifestação de vontade. Em outra direção tenta se apoiar em laudo elaborado por empresa de auditores independentes. Penso que devemos manter o que ficou decidido pela DRJ, uma vez que para que os cheques fossem aceitos como distribuição de lucros/dividendos repassados a terceiros, deveria haver uma deliberação expressa, além do correspondente lançamento contábil, o que não restou comprovado pelo recorrente. fevereiro e março/2008 As distribuições de lucros para esses dois meses nos valores de R$ 3.000.000,00 e R$ 2.400.000, respectivamente, foram inteiramente acatadas pelo fisco. abril/ 2008 Segundo a DRJ: "Na falta de prova adicional comprovando que os pagamentos realizados por Costa Negócios e Tecnologia Ltda aos sócios em abril/2008 têm a natureza jurídica de lucros distribuídos, fica mantido o lucro distribuído considerado pela Fiscalização, no valor de R$458.624,53". Como o recorrente não trouxe qualquer consideração adicional sobre este valor, devemos manter o que ficou decidido pela DRJ. maio/2008 A DRJ manteve como lucro distribuído o valor de R$ 1.734.124,53, o mesmo acatado pelo fisco, sob as seguintes alegações: " Não ficou comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a natureza jurídica das transferências bancárias realizadas em 09/05/2008, no valor de R$1.150.000,00, a MJP Administradores de Bens (fls. 2367 e 2516) e 16/05/2008, no importe de R$4.800.00,00, para conta corrente do interessado (fls. 2365, 2548 e 2641), por Costa Negócios e Tecnologia Ltda. Tampouco, foi comprovada a existência de deliberação dos sócios autorizando a empresa a efetuar pagamentos a terceiros (MJP Administração de Bens), a título de distribuição de lucros." Não houve impugnação específica contra essa conclusão, assim, devemos manter esse entendimento. junho/2008 Também foi mantido pela primeira instância o valor de distribuição de lucro considerado pela autoridade lançadora. Eis as considerações da DRJ: Fl. 3266DF CARF MF 16 "Não restou comprovada que a transferência interbancária de R$4.824.000,00 efetuada por Costa Negócios e Tecnologia Ltda, em 03.06.2008 (fls. 2373 e 2382/2383), para pagamento de compra de imóvel realizado por Mario Jose da Costa Junior e Marialice Guerrero Bosco, mediante Escritura Pública de Venda e Compra datada de 06.06.2008, no valor de R$6.700.000,00 (fls. 2374/2377), tem a natureza jurídica de lucros distribuídos." De fato, não houve a comprovação da deliberação dos sócios para que a operação acima fosse paga com recursos de distribuição de lucros, nem houve a apresentação dos lançamentos contábeis juntamente com documentos que comprovassem que a transferência se deu a esse título, por conta e ordem dos sócios. Por esses motivos deve ser mantida a glosa desses valores. julho/2008 Além do valor já considerado pelo fisco como distribuição de lucros, no montante de R$ 935.000,00, a DRJ acatou o cheque de n.º 13, nominal ao interessado, no valor de R$ 90.000,00 identificado no verso como "Distribuição de Lucros" (fl. 2.318) e lançado como "Adiantamento a Sócio Mario José Costa Jr (fl. 2.836) Hei de concordar com o aproveitamento adicional deste valor, uma vez que foi apresentado o documento que se compatibiliza com o lançamento contábil. Quanto aos valores não comprovados, assim a DRJ se pronunciou: " Não restou comprovado que o cheque de nº 11, no valor de R$90.000,00 (fl. 2317), bem como as transferências interbancárias de R$10.000,00 (crédito em c/c do interessado em 21/07/2008, à fl. 2387) e R$120.000,00 (TED de fl. 2389, favorecido: MV&P Tecnologia em Informática) têm a natureza jurídica de lucros distribuídos aos sócios." Como no recurso não foram trazidas alegações/documentos adicionais sobre esses pagamentos, há de prevalecer o entendimento da DRJ pela manutenção da glosa. agosto/2008 O lucro distribuído considerado pela fiscalização foi aumentado pela DRJ de R$ 150.415,00 para R$ 1.650.415,00, tendose em conta a identificação de transferência da conta da empresa para a conta do recorrente no valor de R$ 1.500.000,00, valor este contabilizado como "Adiantamento a Sócio". Sobre essa alteração, não resta dúvida que o recorrente conseguiu demonstrar o equívoco do fisco, sendo procedente a exclusão da glosa de R$ 1.500.000,00 levada a efeito pela DRJ. setembro/2018 Foi mantida a glosa efetuada pela fiscalização neste mês. Eis as ponderações da DRJ: " Tratandose de transferências interbancárias realizadas a terceiros (MJP Administradora de Bens Ltda), nos valores de R$130.000,00 e R$1.670,00 (fls. 2398/2399), por Costa Negócios e Tecnologia Ltda, segue inalterado o lucro distribuído considerado pela Fiscalização, no valor de R$150.000,00 (Termo de Verificação de fl. 2103 e cheque nº 23, no valor de R$150.000,00, à fl. 1944 e Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 10 17 lançamento contábil no Livro Diário Geral à fl. 1930, em conta de Adiantamento a Sócios)." A não apresentação pelo recorrente de provas hábeis a alterar este cenário, levame à manutenção do que ficou decidido em primeira instância. outubro/2008 Além do valor de 38.400.000,00 considerado pela fiscalização como distribuição de lucros, a DRJ decidiu por acatar dois depósitos efetuados pela empresa em conta de titularidade do recorrente. São os valores de R$ 3.400.000,00 e R$ 60.000,00, ambos contabilizados. Tendose em conta a existência do crédito na conta corrente do sócio e a correta escrituração contábil dos valores, são procedentes as exclusões dessas glosas incorretamente efetuadas pelo fisco. Todavia, entendo, assim como a DRJ, que deva ser mantida a glosa de R$ 5.000,00, posto que em relação ao cheque de fl. 2.329, sacado contra a Costa Negócio, não ficou demonstrada a natureza jurídica de distribuição de lucro, por falta de contabilização em título próprio. novembro/2008 Foi mantido o valor de distribuição de lucros considerado pela fiscalização. A DRJ explanou que: " O impugnante não juntou os cheques de nºs 39 e 40 emitidos na data de 17.11.2008, no valor de R$50.000,00 cada um, mas somente os cheques de nºs 41 (R$55.000,00) e 42 (R$50.000,00), já considerados pela Fiscalização. Não há registro de ingressos de recursos nas contas bancárias de titularidade do contribuinte, relativos aos cheques faltantes (fls. 2655, 2666,2670 e 2682)." Não tendo o sujeito passivo apresentado razões específicas para afastar esse entendimento, encaminho por manter o que ficou decidido em primeira instância. dezembro/2008 Ao detectar a existência de cheque no valor de R$ 50.000,00 sacado contra a empresa Costa Negócios em 09/12/2008, no verso do qual consta a descrição "Distribuição de Lucro p/Mário", além.da correta contabilização do pagamento, a DRJ considerou tal valor como distribuição de lucros. Hei de concordar com a decisão neste ponto, haja vista que a existência do registro contábil suportado por documento hábil é motivo para exclusão da glosa. Acerca da não consideração do cheque de R$ 70.000,00, de 10/12/2008, como distribuição de lucro, a DRJ aponta a falta de apresentação do documento e a não comprovação da entrada do valor na conta corrente do interessado, malgrado tenha sido procedida a contabilização do valor. Fl. 3268DF CARF MF 18 Também concordo com o órgão a quo quanto a esse ponto, posto que a aceitação do valor para fazer parte da "recursos" na evolução patrimonial do recorrente, além da escrituração, tem que ser comprovado documentalmente, o que não se viu para este cheque. 3. Evolução patrimonial Não se conformando com a retificação do crédito efetuado pelo órgão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou contestação aos valores mantidos de acréscimo patrimonial a descoberto, os quais passamos agora a apreciar na mesma ordem posta no recurso. 3.1 Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas Segundo o recorrente a divergência entre o valores recebidos de pessoas jurídicas por ele e sua esposa constantes da DAA e aqueles apurados pelo fisco, reside no fato de que os Relatórios de Pagamentos Efetuados de fls. 76/87, de onde foram coletados os dados que compuseram a análise de sua evolução patrimonial, equivocadamente registraram o valor líquido do prólabore, deixando de considerar o desconto do INSS da sua cônjuge. Por outro lado, o fisco não teria demonstrado que os valores de prólabore recebidos pelo autuado da empresa Premier Educacional Ltda e constante na Declaração de Rendimentos e na DDA estavam incorretos. Assevera que os valores corretos constam na DAA, fls. 5/6, e nos informes de rendimentos de fls. 30, 33, 34, 36, 38, 76, 79, 81, 83 e 85. A DRJ concluiu que o fisco tomou como base para análise da evolução patrimonial do contribuinte o valor mensal constante do Relatório de Pagamentos Efetuados em 2008, conforme determina a legislação. Assim, não haveria equívoco a ser saneado, mantendo inalterado este item. Em relação ao pagamento de prólabore efetuado pela Premier Educacional, verifico que o contribuinte não demonstrou a origem da divergência entre os Relatório de Pagamentos Efetuados, fl. 80, e o Comprovante de Rendimentos de fls. 79. Considerando que, nos termos do art. 2.º da Lei n.º 7.713/1988 a apuração do imposto de renda das pessoas físicas se dá à medida em que os rendimentos forem percebidos, deve prevalecer a apuração do fisco, que tomou como base o demonstrativo mensal para análise da evolução patrimonial do contribuinte. No caso dos rendimentos recebidos pelo cônjuge do recorrente, Marialice Guerrero Bosco, a justificativa apresentada para divergência dos valores é bastante razoável. De fato, os valores lançados como recebimento de prólabore das empresas MJP Administradora de Bens Ltda (fl. 84) e Costa Negócios (fl. 86), sem sombra de dúvida, contêm o pagamento líquido, com desconto do INSS. Não é difícil verificar que os valores do prólabore foram pagos com base no salário mínimo e que, subtraindose o desconto do INSS, a quantia encontrada é exatamente aquela lançada nos Relatórios de Pagamentos Efetuados (fls. 84 e 86). Nesse sentido, cabível a retificação dos "recursos" decorrentes de pagamentos de pessoas jurídicas de R$ 57.114,47 para R$ 58.186,97. Considerando como pró labore recebido pela esposa do autuado das empresas MJP Administradora de Bens Ltda (fl. 84) e Costa Negócios (fl. 86) as quantias de R$ 760,00 (para os meses de janeiro, fevereiro e março) e R$ 830,00 (para os demais meses de 2008). 3.2 Distribuição isenta da empresa MV&P Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 11 19 Para o sujeito passivo o valor a ser considerado como distribuição de lucros da empresa MV&P seria R$ 36.460,00, todavia, a DRJ alegou que não teria como aferir as divergências entre os documentos apresentados em razão da ilegibilidade das folhas do Livro Diário. Eis o que consta do acórdão recorrido: "Segue inalterado o valor considerado pela Fiscalização (Termo de Verificação de fl. 2102), dada a divergência verificada entre o valor de lucro distribuído informado no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fl. 30)/Discriminação mensal dos pagamentos efetuados a título de Distribuição de Lucro (fls. 31/32) e o constante no item 4 do Termo de Verificação (fl. 2102), haja vista a impossibilidade de aferir o valor reclamado pelo impugnante no Diário Geral (fls. 1686/1691),uma vez que ilegível." Novamente o recorrente trouxe cópia do Livro Diário de junho de 2008 da MV&P, onde dessa vez se pode ver que o valor de adiantamento de lucro aos sócios foi de fato R$ 36.460,00, o qual está em perfeita consonância com a Discriminação Mensal dos Pagamentos Efetuados a Título de Distribuição de Lucro (fls. 31/32). Assim devese considerar como origem de recurso o valor de R$ 36.460,00 correspondente a distribuição de lucros ao recorrente no mês de junho de 2008 pela empresa MV&P Tecnologia em Informática Ltda. 3.3 Rendimentos tributados exclusivamente na fonte A DRJ andou bem quando além do valor já acatado pelo fisco como "recursos" decorrente de rendimentos tributados exclusivamente na fonte, reconheceu os rendimentos constantes nas DIRF de fls. 2.946/47, pelo seu valor líquido, totalizando a esse título uma quantia de R$ 62.421,57. O sujeito passivo argumenta, no entanto, que as DIRF não apresentaram todas as contas que possuía no Banco do Brasil e Santander, de modo que alguns rendimentos não teriam sido considerados pela DRJ. Junta extratos para comprovar o alegado. Como ponto de partida, cabe mencionar que as DIRF analisadas pelo órgão de primeira instância foram trazidas ao processo pelo sujeito passivo juntamente com a peça impugnatória. Com base nessas declarações, a DRJ reconheceu como rendimentos do sujeito passivo R$ 62.421,57, contra apenas R$ 444,84 acatados pelo fisco. Agora em sede de recurso são trazidos aos autos extratos bancários que serviriam para afastar as conclusões tiradas das DIRF´s, que, repito, chegaram ao processo por iniciativa do próprio sujeito passivo. Ou seja, são trazidos no recurso documentos que contestam as próprias provas apresentadas na defesa. As alegações do sujeito passivo sugerem que as DIRF trazem informações apenas de parte das contas de titularidade do recorrente e de seu cônjuge nos bancos do Brasil e Santander. Fl. 3270DF CARF MF 20 Não devemos concordar com essa alegação. As DIRF trazem informação única por beneficiário, que no caso de pessoa física tem que, nos termos da IN RFB n.º 888/2008, contemplar as seguintes informações: Art. 13. A Dirf deverá conter as seguintes informações quando os beneficiários forem pessoas físicas: I nome; II número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); III relativamente aos rendimentos tributáveis: a) os valores dos rendimentos pagos durante o anocalendário, discriminados por mês de pagamento e por código de retenção, que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ou não tenham sofrido retenção por se enquadrarem dentro do limite de isenção da tabela progressiva mensal vigente à época do pagamento; b) os valores das deduções, os quais deverão ser informados separadamente conforme refiramse a previdência oficial, previdência privada e Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), dependentes e pensão alimentícia; e c) o respectivo valor do IRRF; Do dispositivo acima é fácil se inferir que não procede o argumento de que as DIRF conteriam apenas parte das contas da pessoa física autuada, a menos que o sujeito passivo trouxesse aos autos informações das instituições bancárias dando conta de erros nas informações constantes nas DIRF que ele próprio apresentou. No formato em que o sujeito passivo trouxe os extratos bancários no recurso, é impossível a esse órgão de julgamento apurar o valor dos rendimentos líquidos mensais e confrontálos com aqueles constantes nas DIRF. Tal análise poderia ser realizada se o recorrente tivesse acostado demonstrativo com indicação dos rendimentos líquidos mensais em que constasse os valores considerados pelo fisco e pela DRJ, com seus documentos correspondentes, e as quantias não consideradas, também com seus comprovantes. Ao apresentar apenas alguns extratos, todavia, sem uma demonstração mensal dos rendimentos líquidos recebidos e sem a possibilidade de se verificar se tais valores já não constariam das DIRF, o sujeito passivo negou a este órgão de julgamento chance de avançar nessa análise. Digo mais, não é cabível nesse momento a realização de diligência fiscal para trazer aos autos informações no sentido de fortalecer o conjunto probatório do sujeito passivo, posto que esse é quem deve suportar o ônus de comprovar as suas alegações. Assim, não devemos acatar o pedido de realização de diligência nas instituições bancárias como requer o sujeito passivo. 3.4 Saldo da conta corrente no início do ano Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 12 21 O sujeito passivo alegou que deixaram de ser computados pela DRJ no seu "saldo inicial em conta corrente" os valores de R$ 1.185,25 (Banco Nossa Caixa) e R$ 1.800,00, concernente a "prêmios acumulados em VGBL" (Banco Santander). Acerca deste ponto, vejo que o fisco computou os valor de R$ 211.571,62 referente a saldo inicial na conta corrente do autuado (fl. 91) e R$ 514,06 na conta de sua esposa (fl. 94), totalizando R$ 212.085,68. A DRJ, acertadamente, considerou o saldo de R$ 1,00 existente em conta do Bradesco de titularidade do autuado, fl. 92, perfazendo um montante de R$ 212.086,68. Quanto ao valor reclamado referente ao Banco Nossa Caixa, a DRJ não o considerou em razão da falta de comprovante emitido pela instituição bancária. Ocorre que o sujeito passivo trouxe este documento no seu recurso, como se vê a fl. 3.175. Nesse sentido, entendo que tal valor deva ser considerado, posto que declarado na DAA e documentalmente comprovado. Quanto ao valor intitulado como "prêmios acumulados em VGBL" é preciso que investiguemos se tal importância de fato deveria compor o "saldo inicial em conta corrente" para fins de análise da evolução patrimonial do recorrente. Uma primeira observação é que para fins de declaração do IRPF não há de se confundir saldo em conta corrente bancária com valores acumulados de VGBL, haja vista que enquanto o primeiro representa uma disponibilidade financeira entregue a um banco, o segundo corresponde a um produto de seguro com características de aporte financeiro/previdenciário. Por esse motivo no programa gerador da DAA o código utilizado para declaração dos "prêmios acumulados de VGBL" é "97 VGBL Vida Gerador de Benefício Livre", que obviamente difere daquele utilizado para informar saldos em conta corrente bancária. Neste sentido, carece de razão o sujeito passivo ao suscitar a inclusão dos aportes em VGBL no "saldo inicial em conta corrente". Diante do exposto, devemos alterar o item em questão para R$ 213.271,93. 3.5 Venda de bens móveis Ponderou o recorrente que houve má interpretação da autoridade lançadora ao computar como "recurso" na análise de sua evolução patrimonial o valor de venda de um veículo, que foi alienado por valor inferior ao de aquisição. Tratase da venda do veículo Corolla 2005 em 12/08/2008 por R$35.000,00 (Autorização para transferência de veículo de fl. 227), cujo valor foi considerado como "recurso" na análise da evolução patrimonial mensalExercício 2009 (fl. 2097). Não se vislumbra no procedimento adotado pelo fisco qualquer erro de interpretação. Independentemente do bem ter sido vendido com lucro ou prejuízo para o contribuinte, o valor a ser computado como "recurso" deve ser o valor de venda, haja vista que este que vai representar uma disponibilidade financeira a compor a análise da evolução patrimonial. Fl. 3272DF CARF MF 22 Interessaria verificar a existência ou não de ganho financeiro na operação se aqui estivéssemos tratando de lançamento relativo a ganho de capital na alienação de bens e direitos, o que não é o caso. Portanto, não há o que se alterar na decisão recorrida quanto a esse item. 3.6 Venda de bens imóveis e receitas da atividade rural Na análise da evolução patrimonial do contribuinte foi considerado pelo fisco como recurso os seguinte itens, conforme transcrição do TVF: O sujeito passivo questionou a inclusão do valor da terra nua como acréscimo patrimonial, haja vista ter se dado apenas uma simples permuta, por outro lado afirma que as benfeitorias e os garrotes deveriam ser considerados receitas da atividade rural. A DRJ então resolveu manter os R$ 8.000.000,00 como "recurso", tendo em conta que foi este o valor correspondente a Fazenda Santa Izabel, a qual foi dada em pagamento. Todavia, achou por bem excluir dos "recursos" os R$ 4.500.000,00, correspondentes às benfeitorias e aos garrotes, por entender que tal valor já estaria computado no total dado em pagamento. No meu entender andou bem a DRJ, posto que se o valor de R$ 8.000.000,00 (terra nua + benfeitorias + garrotes) já fora computado como "recurso", o cômputo dos R$ 4.500.000,00 (benfeitorias + garrotes), levaria à inclusão como recurso de mesma parcela duas vezes. Quanto ao questionamento da inclusão do valor da terra nua como "recurso" nada deve ser reparado, porque, de fato, a permuta por um lado representa fonte de recursos representada pelo valor do bem que deixa o patrimônio; por outro lado o bem recebido em troca é sem dúvida uma aplicação. Nessa toada, mantenho o que decidiu a DRJ sobre esse item. 3.7 Venda de quotas da Teconobens e participações societárias De acordo com o TVF, o contribuinte declarou a compra de 50% do capital social da empresa Tecnobens Engenharia e Construção Ltda, pelo valor de R$ 50.000,00. Continuando, o fisco afirma que, ao melhor analisar a documentação apresentada, foi constatado que em 15/09/2008 foi constituída a empresa Onyx Construção e Incorporação Ltda com capital social de R$ 1.500.000,00, dos quais o recorrente era possuidor de 75.000 quotas no valor R$ 750.000,00. Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 13 23 Em 03/11/2008 esta sociedade passa a denominarse Tecnobens Engenharia e Construção Ltda e em 18/11/2008 tem seu capital reduzido para R$ 100.000,00, dos quais Mário José da Costa Júnior detinha a metade. Observo que o fisco considerou a integralização do capital referente a Onyx Construção como "aplicação" do montante de R$ 750.000,00 no mês de setembro, conforme planilha Análise da Evolução Patrimonial Mensal, fls. 2.096/7, na rubrica "participações societárias". Por outro lado, os R$ 700.000,00 recebidos em razão da redução de capital na empresa Tecnobens foram lançadas na mesma planilha como "recurso" no mês de novembro, conforme rubrica "venda quotas Tecnobens". A recorrente pleiteia quanto a esse item que o acórdão recorrido seja reformado de modo que se reconheça como "aplicação" o valor de R$ 50.000,00, correspondentes a participações societárias na empresa Tecnobens e que seja excluído do computo dos "recursos" o valor de R$ 700.000,00. Não tem razão a recorrente em requerer a alteração da análise de sua evolução patrimonial, posto que o fisco efetuou o lançamento dos valores considerando cada mês da ocorrência dos fatos, uma vez que a apuração da evolução patrimonial é feita mensalmente. Nesse sentido, embora no cômputo anual o efeito pudesse ser o mesmo, na apuração mensal haverá uma diferença caso se tome o procedimento adotado pelo sujeito passivo em lugar da planilha elaborada pela autoridade lançadora. Nesse item, devemos manter o que ficou decidido pela DRJ 3.8 Bens imóveis itens 12.1 a 12.3 do acórdão recorrido Ressalta o recorrente que os valores que pagou para aquisição de imóveis rurais no anocalendário de 2008 foram considerados pela fiscalização como "aplicação" na análise de sua evolução patrimonial. Contesta os valores adotados como "aplicações" pelo fisco, relativos às aquisições da Fazenda Santa Izabel (R$ 6.700.000,00 em junho); Fazenda São Francisco da Serra (R$ 1.419.000,00 em outubro) e Fazenda Recanto Alegre (R$ 1.981.000,00 em outubro), os quais, no seu entender deveriam ser segregados em terra nua e benfeitorias, de modo que essas últimas (as benfeitorias) fossem consideradas como despesas da atividade rural, quando da aquisição, e resultados da atividade rural quando da alienação, independentemente das benfeitorias terem sido ou não realizadas pelo contribuinte. Vejamos. a) Fazenda Santa Izabel Item 12.1 Segundo a DRJ, com relação à Fazenda Santa Izabel, o valor de R$6.700.000,00 foi corretamente considerado na análise da evolução patrimonial mensal (fl. 2096) como aplicações no mês de junho/2008, em conformidade com a Escritura Pública de Venda e Compra de 06/06/2008 (fls. 329/332). Fl. 3274DF CARF MF 24 Por considerar que os R$ 6.700.000,00 incluía R$ 3.500.000,00, relativos à terra nua, e o restante (R$ 3.200.000,00) corresponde a benfeitorias, concluiu a DRJ que este último valor não poderia ser considerado pelo fisco como "aplicação" referente à despesa/custo da atividade rural em junho, uma vez que esta parcela já estaria embutida no lançamento do valor da compra da Fazenda em questão. Afirmase que o procedimento acarretou o lançamento em duplicidade da aplicação de R$ 3.200.000,00. Desse modo foi excluído tal valor das "aplicações". No meu entender está correta a avaliação da DRJ, de fato a inclusão das benfeitorias como despesas da atividade rural no mês de junho levou a seu cômputo em duplicidade, prejudicando o sujeito passivo, posto que, ao se aumentar o lado das "aplicações", automaticamente se elevaria o acréscimo patrimonial a descoberto. b) Fazenda São Francisco da Serra Item 12.2 e Fazenda Recanto Alegre Item 12.3 Esses dois itens serão tratados conjuntamente, por se referirem a transações realizadas no mesmo mês, outubro. Segundo a DRJ, com relação à Fazenda São Francisco da Serra, o valor de R$ 1.419.000,00 foi corretamente considerado na análise da evolução patrimonial mensal (fl. 2097) como "aplicação" no mês de outubro/2008, em conformidade com a Escritura Pública de Venda e Compra de 13/10/2008 (fls. 327/332). Por considerar que os R$ 1.419.000,00 incluía R$ 709.500,00, relativos à terra nua, e o restante (R$ 709.500,00) corresponde a benfeitorias, concluiu a DRJ que este último valor não poderia ser considerado pelo fisco como aplicação referente à despesa/custo da atividade rural em outubro, uma vez que esta parcela já estaria embutida no lançamento do valor da compra da Fazenda em questão. Afirmase que o procedimento acarretou o lançamento em duplicidade da "aplicação" de R$ 709.500,00. No meu entender está correta a avaliação da DRJ, de fato a inclusão das benfeitorias como despesas da atividade rural no mês de outubro levou a seu cômputo em duplicidade, prejudicando o sujeito passivo. A mesma situação ocorre em relação à Fazenda Recanto Alegre, o valor de R$ 1.981.000,00 foi corretamente considerado na análise da evolução patrimonial mensal (fl. 2097) como aplicações no mês de outubro/2008, em conformidade com a Escritura Pública de Venda e Compra de 13/10/2008 (fls. 342/346). Por considerar que os R$ 1.981.000,00 incluía R$ 990.500,00, relativos à terra nua, e o restante (R$ 990.500,00) corresponde a benfeitorias, concluiu a DRJ que este último valor não poderia ser considerado pelo fisco como "aplicação" referente à despesa/custo da atividade rural em junho, uma vez que esta parcela já estaria embutida no lançamento do valor da compra da Fazenda em questão. Afirmase que o procedimento acarretou o lançamento em duplicidade como "aplicação" de R$ 990.500,00. Nos dois casos, no meu entender, está correta a avaliação da DRJ, de fato a inclusão das benfeitorias existente em ambas as Fazendas como despesas da atividade rural no mês de outubro levou a seu cômputo em duplicidade, prejudicando o sujeito passivo. Notese que com a exclusão das benfeitorias do campo "aplicações" na análise da evolução patrimonial do contribuinte no valor total de R$ 1.700.000,00 (R$ 709.500,00 + 990.500,00) acarretará em redução do acréscimo patrimonial a descoberto, Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 14 25 favorecendo, desta forma, o sujeito passivo, a quem não há interesse de se insurgir contra esse procedimento. 3.9 Parcelas referentes à aquisição da Fazenda Lobo Analisandose o Demonstrativo Mensal Consolidado de Compra de Bens Imóveis, fl. 2.093, observase que foram lançados nos meses de novembro e dezembro de 2008 duas parcelas de R$ 2.666.666,66 relativas à aquisição do imóvel denominado Fazenda Lobo. O sujeito passivo não se conforma com o lançamento desses valores como aplicações na análise da evolução patrimonial sob a alegação de que as parcelas não teriam sido pagas em 2008 A DRJ deixou de acatar a alegação, sob o argumento de que não houve comprovação de que tais parcelas teriam sido pagas a posteriori. Manteve, portanto, como aplicações os valores de R$ 2.666.666,66, pagos em novembro e em dezembro. O sujeito passivo juntou então o documento de fl. 3.176, assinado pelo representante legal da empresa vendedora da Fazenda Lobo declarando que não recebeu em 2008 o pagamento dos valores acordados o subitem "d" do item 3.3 da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, firmada em 02/10/2008, no período de novembro e dezembro. Na sequência, afirma haver recebido naquele ano os pagamentos concernentes aos subitens "a", "b" e "c" do item 3.3 da referida Escritura. Verificase que a declaração referese apenas ao subitem "d", silenciando todavia quanto ao subitem "e". Ao apreciar os termos da escritura (fl. 312), verificamos que o valor correspondente ao subitem "d" do item 3.3 da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, que o vendedor declara nada haver recebido em 2008, diz respeito a R$ 22.000.000,00, que seriam pagos em até 12 meses, contados da data da assinatura do contrato, através de TED, para a conta bancária do Outorgante. Assim, entendo que deva ser excluído como "aplicação" apenas as parcelas expressamente mencionadas no termo de fl. 3.176, devendose manter o valor relativo ao subitem "e" do item 3.3 da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, firmada em 02/10/2008, uma vez que não houve menção a essa disposição no termo firmado pelo representante legal do vendedor. Defendo, assim que seja excluída do cômputo da evolução patrimonial do recorrente o valor de R$ 1.833.333,33 nos meses de novembro e de dezembro lançado como "aplicação". Quanto ao subitem "e" deve ser mantido posto que não é mencionado na declaração citada. Deverá permanecer no cômputo, portanto, a quantia de R$ 833.333,33, correspondente a R$ 20.000.000,00 parcelado em 24 vezes. 3.10 Saldo em conta corrente no final do mês e saldo de rendimentos tributados exclusivamente na fonte. O recorrente afirma que o acórdão atacado alterou parcialmente os lançamentos neste item ao reconhecer o valor de R$ 39.274,32, relativo ao saldo em conta Fl. 3276DF CARF MF 26 corrente no final do ano de 2008, e de R$ 2.665.243,94, relativo aos rendimentos tributados exclusivamente na fonte. Pretende que a decisão seja modificada em relação ao saldo final em conta corrente, para que se inclua nesse cálculo os valores de R$ 2.580,81, relativo ao Banco Nossa Caixa (vide doc. n.º 13), e R$ 4.276,32, concernente aos "prêmios acumulados em VGBL" (fl. 91). A decisão recorrida se pronunciou da seguinte forma sobre a questão: "Examinando o Informe de Rendimentos Financeiros (fls. 89/94) e a Declaração de Ajuste Anual (fls. 08/10), percebese que, em 31.12.2008, o saldo de contas correntes totaliza R$39.274,32 [= R$39.987,04 já admitidos R$712,72 (fl. 92)] e a situação de Rendimentos Tributados Exclusivamente na Fonte é R$2.665.243,94 [= R$2.661.299,10 já admitidos + R$500,00 (fl. 90) + R$444,84 (fl. 91) + R$3.000,00 (fl. 92)]. Dessa forma, fica o Saldo C/C Final Mês alterado de R$39.987,04 para R$39.274,32 e os Rendimentos Tributados Exclusivamente na FonteFinal Ano modificado de R$2.661.299,10 para R$2.665.243,94, na Análise da Evolução Patrimonial MensalExercício 2009, no mês de dezembro/2008 (fl. 2097)." Verifico conforme Comprovante de Rendimentos de fl. 92, que o saldo final na conta corrente do Bradesco apresentava saldo negativo de R$ 712,72, sendo procedente este abatimento da quantia já considerada pelo fisco. Não faz sentido acatar a inclusão de R$ 2.580,81, relativo ao Banco Nossa Caixa no saldo final em conta corrente, posto que tal procedimento acarretaria num aumento do acréscimo patrimonial a descoberto, com agravamento da situação do recorrente. Quanto ao pedido do sujeito passivo para que se inclua neste saldo final o valor dos "prêmios acumulados em VGBL", entendo que deva ser indeferido, posto que, conforme vimos acima, tais valores não tem natureza jurídica de depósito em conta corrente. Apreciando a situação dos rendimentos tributados exclusivamente na fonte, fácil verificar pelos documentos de fls. 90/92 que o reajuste procedido pela DRJ que levou o seu valor final a R$2.665.243,94 tem razão de ser. Assim, nada deve ser alterado nesse item, além do que ficou decidido em primeira instância. 4 Pedido de diligência e produção de novas provas Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela existência da infração, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Além disso cabe frisar que, em respeito ao princípio da verdade material, acatei algumas provas apresentadas apenas com o recurso, de modo que seria atentatório ao princípio da razoável duração do processo reabrir a possibilidade do contribuinte trazer novas provas, quando sabemos que o momento propício para provar as alegações é no momento da impugnação a teor do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. Por outro lado, como já me antecipei em tópico passado, não devemos converter o julgamento em diligência apenas no sentido de atender a pedido do sujeito passivo, Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 15 27 que deseja ver reforçado o seu conjunto probatório, posto que sabemos que esse ônus é exclusivo deste. Recurso de ofício Conforme as ponderações efetuadas no desenvolvimento do voto, são procedentes todas as alterações promovidas pela DRJ que conduziram à retificação do lançamento, neste sentido, devemos negar provimento ao recurso de ofício Conclusão Voto por conhecer dos recursos, para negar provimento ao recurso de ofício, afastar a decadência e dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de: a) alterar o valor dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, consoante o item 3.1 do voto; b) considerar a distribuição de lucros da MV&P no valor de R$ 36.460,00, nos termos do item 3.2 do voto; c) considerar como saldo inicial em conta corrente a quantia de R$ 213.271,93, conforme item 3.4 do voto; e d) excluir das "aplicações" a parcela de R$ 1.833.333,33, correspondente a rubrica "imóveis", nos meses de novembro e de dezembro, nos termos do item 3.9 do voto. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 3278DF CARF MF
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