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Numero do processo: 16624.001202/2006-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Não há concomitância entre os processos judicial e administrativo em relação à matéria que for distinta entre ambos, cabendo ao
órgão de julgamento apreciá-la.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3202-000.324
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade julgadora recorrida aprecie a matéria no que for distinta à do processo judicial.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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RESTITUIÇÃO Recorrente ENERGO AGRO INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Não há concomitância entre os processos judicial e administrativo em relação à matéria que for distinta entre ambos, cabendo ao órgão de julgamento apreciála. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade julgadora recorrida aprecie a matéria no que for distinta à do processo judicial. José Luiz Novo Rossari – Presidente Irene Souza da Trindade Torres – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Mara Cristina Sifuentes e Wilson Sampaio Sahade Filho. Declarouse impedido o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Fl. 137DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 2 “Tratase de Pedido de Restituição de fl. 1, protocolado em 21/08/2006, no valor de R$ 57.924,39, correspondente a recolhimento feito a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativo ao período de apuração de setembro/2002, conforme planilha de cálculo à fl. 19. A interessada fundamentou seu pleito na alegação de inconstitucionalidade do art. 3°, inciso I, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, informando, além disso, que a matéria foi submetida ao Poder Judiciário, tendo obtido decisão final que lhe foi desfavorável. Porém, a questão ainda encontrase em discussão no âmbito da Ação Rescisória n° 2006.03.00.0084736, o que justifica a propositura do presente pleito de restituição, quando menos para afastar qualquer dúvida quanto ao cumprimento do prazo prescricional e ainda que se determine o seu sobrestamento até o final julgamento da referida ação rescisória. Argumenta também que os valores solicitados não estariam prescritos, pois a contagem do prazo prescricional de cinco anos não se dá a partir do pagamento indevido, mas sim da homologação do lançamento, que, se não feita expressamente pela autoridade fiscal, se dá após cinco anos do recolhimento. A DRF em Guarulhos emitiu o Despacho Decisório de fls. 40/45, indeferindo o pedido de restituição e não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, sob a seguinte fundamentação: De acordo com o informado pelo interessado o fundamento jurídico deste Pedido de Restituição é conexo à "causa de pedir" de Mandado de Segurança impetrado contra este Delegado da Receita Federal. A decisão final desse Mandado de Segurança estaria sendo contestada pelo Interessado em sede de Ação Rescisória. Ou seja, sob os mesmos argumentos jurídicos que fundamentam o presente pedido, o Interessado pleiteia, na via judicial, provimento no sentido de que não seja submetido à exigência prevista em Lei. Litigar judicialmente contra a Fazenda Pública é um direito inalienável de qualquer pessoa (.). Porém, o ordenamento jurídico brasileiro não contempla o paralelismo de instâncias, não podendo haver, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial. Ao Poder Judiciário é dada a exclusividade de examinar as questões a ele submetidas de forma definitiva, gravandoas com os efeitos de coisa julgada. Consagrase, assim, o monopólio da jurisdição ao Poder Judiciário e o direito de invocar a atividade jurisdicional como direito público subjetivo. O exercício dessa faculdade produz, como efeito processual obrigatório, em relação a mesma matéria litigada judicialmente, a impossibilidade de Administração Tributária conhecer seus pleitos. Destarte, em se discutindo o mesmo objeto concomitantemente em ambas esferas, o legislador reputou prudente a abstenção da autoridade administrativa em face da supremacia do Poder Judiciário. Por isso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer fase, ou nem permite que se Fl. 138DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 16624.001202/200675 Acórdão n.º 3202000.324 S3C2T2 Fl. 131 3 instale, caso o processo judicial seja antecedente. Nesse sentido já se posicionou a Administração Tributária, por meio do Ato Declaratório Normativa COSIT n°3, de 14 de fevereiro de 1996 (.). No presente caso, houve o Mandado de Segurança pretendendo a tutela jurisdicional para não se sujeitar ao pagamento do tributo. Diante do insucesso, o recolhimento foi feito, e o que hora se pleiteia é a restituição dos valores pagos em obediência da decisão judicial. Ora, diante do exposto, a única esfera em que cabe a continuidade do litígio, se houver, é a do Poder Judiciário. A decisão final relativa ai, direito pleiteado está inexoravelmente atrelada ao provimento ou não da Ação Rescisória. É defeso à Administração Tributária conhecer de matéria que já foi decidida, ou está em vias de ser decidida pelo Poder Judiciário. Nem mesmo o efeito de interromper o prazo prescricional pode ser atribuído a este Pedido. Estando a matéria sobre exame do Poder Judiciário, somente os atos processuais e suas respectivas, conseqüências é que definirão se a prescrição operarseá ou não. A partir do momento em que a esfera de decisão foi para lá deslocado, é lá que devem se concentrar todos os atos processuais. Cabe mencionar que o artigo 1°, do Decreto 2.346/97, citado pelo Interessado como ato a vincular a Administração ao teor das decisões I do Supremo Tribunal Federal, em verdade, no caso da matéria aqui discutida, não tem este efeito. Isto porque, a comentada decisão do Supremo (RE n° 346.084) aplicase apenas em favor da parte que litigava naquele processo. Eventual extensão de seus efeitos a terceiros somente poderseia dar por decisão do Presidente da República, nos ditames do § 3 0 do artigo 1° do Decreto 2.346/97 (...). Tal ato presidencial não foi editado. Portanto, impossível inferir, qualquer tipo de vinculação da Administração. No caso concreto aqui analisado, nem mesmo poderseia observar a decisão do Supremo em sede de Ação Direta ou de Suspensão de, Execução da Norma por edição de Resolução do Senado. Isto porque já houve uma decisão definitiva do Poder Judiciário sobre a matéria. Neste caso, nos termos do § 1° do Decreto 2.346/97 (...), o advento de decisão definitiva anterior impediria que eventual decisão favorável beneficiasse o Interessado. Obviamente, o fundamento disto , seria a força atribuída pela Constituição Federal à "coisa julgada ". Fl. 139DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 4 Cientificada do indeferimento de seu pleito em 05/12/2006 (fl. 49), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 28/12/2006 (fls. 50/54), na qual alega que: • não houve renúncia à esfera administrativa. Realmente o item "a" do ADN n° 3, de 1996, prescreve que a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto importa renúncia às esferas administrativas, ou seja, a identidade de objeto é requisito essencial para que a via administrativa fique obstada; • a identidade de objeto de duas ações ou procedimento ocorre quando ambos têm "as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido". Essa é a definição contida no art. 301, § 2°, do Código de Processo Civil; • no caso em exame, os objetos da Ação rescisória e do pleito administrativo de restituição são completamente distintos. Na via judicial, pleiteiase o não pagamento do PIS e da Cofins com as bases de cálculos ampliadas pela Lei n° 9.718, de 1998, enquanto no caso ora em exame o pleito é de restituição dos valores, justamente porque levaram em consideração a referida base e, por conseqüência, ocasionaram um pagamento maior do que o devido; • ainda que as causas de pedir possam guardar certa semelhança, pois os pleitos são fundamentados na ilegitimidade do art. 3°, inciso I, da Lei n° 9.718, de 1998, as causas de pedir remotas (descrição dos fatos envolvidos) e, sobretudo, os pedidos são absolutamente distintos, o que impede a aplicação do item "a" do ADN n° 3, de 1996; • no que respeita ao mérito, é certo que o Supremo Tribunal Federal já decidiu pela inconstitucionalidade do art. 3°, inciso I, da Lei n° 9.718, de 1998, no sentido de que a exigência do tributo, à época em que ocorridos os fatos geradores objeto do pleito de restituição, somente poderia incidir sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços, já tendo inclusive o trânsito em julgado das decisões proferidas. Tratandose de entendimento pacificado, sua aplicação pela Administração é obrigatória, por força do disposto no art. 1°, caput, do Decreto n° 2.346, de 1997, independentemente da publicação de Resolução pelo Senado Federal, mera formalidade que não tem o condão de alterar o significado da norma, tampouco invalidar o reconhecimento, pela Suprema Corte, da inconstitucionalidade de determinado dispositivo. Além disso, a contribuinte também diz que o pleito de restituição formulado tem o efeito de suspender ou, quando menos, interromper o curso do prazo prescricional, não se opondo ela ao sobrestamento do feito até decisão final a ser proferida na Ação Rescisória, unicamente como medida de economia processual.” A DRJCampinas/SP indeferiu a solicitação da contribuinte (fls. 117/119), em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. RENÚNCIA.. A propositura de ação judicial com 'o mesmo objeto, antes ou depois da apresentação de pedido de restituição, implica a renúncia à apreciação na esfera administrativa das razões de mérito. Solicitação Indeferida” Fl. 140DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 16624.001202/200675 Acórdão n.º 3202000.324 S3C2T2 Fl. 132 5 Irresignada, a interessada apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 123/128), alegando, em síntese: que o objeto da medida judicial é distinto daquele envolvido no presente feito administrativo, razão pela qual tem procedência o pleito de restituição formulado; que, na ação judicial proposta (MS n° 1999.61.00.0209153), pleiteou o direito de recolher o PIS e a COFINS sem a ampliação procedida em suas bases de cálculo, pelo art. 3º, I, da Lei n°9.718/98; que seu pleito, na esfera judicial, foi julgado improcedente e, à vista do trânsito em julgado, ajuizou Ação Rescisória (AR n° 2006.03.00.0084736), ainda em trâmite no Eg. TRF3a Região, com o objetivo de rescindir a decisão proferida no writ e, por conseqüência, deixar de pagar o PIS e a COFINS segundo 'os ditames da Lei n° 9.718/98; que, no caso ora em exame, o pleito é de restituição dos valores, justamente porque levaram em consideração a referida base de cálculo e, por conseqüência, ocasionaram um pagamento maior do que o devido; que formulou o pedido de restituição formulado no intuito de interromper o curso do prazo prescricional, não se opondo a recorrente ao sobrestamento do feito até decisão final a ser proferida na Ação Rescisória, unicamente como medida de economia processual; e no que respeita ao mérito, já foi referido que o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade do art. 3 0, I, da Lei n° • 9.718/98, no sentido de que a exigência do tributo, à época em que ocorridos os fatos geradores objeto do pleito de restituição, somente poderia incidir sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços, já tendo inclusive transitada em julgado as decisões proferidas (RE's nos 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840). Ao final, requereu fosse assegurado o direito à restituição pleiteada. É o Relatório Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Ao teor do relatado, cuidam os autos de pedido de restituição formulado pela empresa ENERGO AGROINDUSTRIAL LTDA (fls. 01/06), protocolizado em 21/08/2006, no valor de R$ 57.924,39, referente a alegados recolhimentos feitos a maior a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativo ao período de apuração de setembro/2002, conforme planilha de cálculo à fl. 19, sob a fundamentação de ter sido declarado ilegítimo pelo STF o artigo 30, inciso I, da Lei n.° 9.718/98. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES 6 A DRJCampinas/SP deixou de apreciar o mérito do pleito por entender que havia concomitância entre os processos judicial e administrativo, sob o seguinte fundamento: (...) Todavia, ainda que o pedido da ação judicial (que a Autoridade Fiscal se abstenha de exigir o recolhimento do PIS e da Cofins segundo a Lei n° 9.718, de 1998) e o pedido deste processo (a restituição dos valores pagos a título de PIS e Cofins com base na Lei n° 9.718, de 1998) não sejam o mesmo, o fato é que a causa de pedir (inconstitucionalidade do art. 3°, inciso I, da Lei n° 9.718, de 1998) é a mesma, o que torna o desfecho da ação judicial prejudicial à apreciação do pleito deste processo. Noutras palavras, ainda que o objeto da ação judicial não seja todo ele idêntico ao destes autos, há coincidência entre eles, o que tem implicações diretas na apreciação do pedido de restituição. (grifo não constante do original) Assim, conforme se verifica dos autos, manifestado pela própria autoridade julgadora de primeira instância, não há identidade de objeto entre o processo administrativo e o processo judicial, a qual implicaria na renúncia à via administrativa, conforme Súmula nº. 01 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Notese que a restituição, objeto deste processo administrativo, somente existiria se houvesse pagamento a maior realizado pela contribuinte. A existência ou não desse pagamento a maior decorre do resultado da ação judicial proposta, mas não propriamente o direito à restituição pretendida, que se mostra inexistente sem a ocorrência daquele pagamento a maior. Assim, entendo assistir razão à contribuinte, quanto à inocorrência da concomitância, devendo a autoridade julgadora de primeira instância manifestarse quanto ao objeto deste processo administrativo, no que se diferencia do processo judicial. Isto posto, observandose o princípio do duplo grau de jurisdição e da ampla defesa, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, para determinar que a autoridade julgadora a quo aprecie a matéria destes autos, no que for distinta do processo judicial. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 142DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES Processo nº 16624.001202/200675 Acórdão n.º 3202000.324 S3C2T2 Fl. 133 7 Fl. 143DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDA DE TORRES
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Numero do processo: 11070.000772/2008-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Exclusão do Simples
Ano-calendário: 2003, 2004 e 2005
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. Confirmada a prática reiterada de
infração à legislação tributária, principalmente por omissão de receita, confirma-se a exclusão da interessada do SIMPLES.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. Comprovado que a empresa, excluída do
Simples, não mantém escrituração regular', cabe o arbitramento do lucro.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os ', depósitos bancários mantidos em conta corrente em nome de terceira pessoa, assumidos pela recorrente, mas de
origem não comprovada por esta, permitem a presunção de omissão de receita com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96.
Numero da decisão: 1103-000.442
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Gervasio Nicolau Recketenvald
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11070.000772/2008-08 Recurso n° 516882 Voluntário Acórdão n° 1103-00.442 — P Camara / 3' Turma Ordinária Sessão de 31 de maryo de 2011 Matéria Auto de Infração - IRPJ Recorrente CASALI MÓVEIS E UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Exclusão do Simples Ano-calendário: 2003, 2004 e 2005 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. Confirmada a prática reiterada de infração à legislação tributária, principalmente por omissão de receita, confirma-se a exclusão da interessada do SIMPLES. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Comprovado que a empresa, excluída do Simples, não mantém escrituração regular', cabe o arbitramento do lucro. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os ', depósitos bancários mantidos em conta corrente em nome de terceira pessoa, assumidos pela recorrente, mas de origem não comprovada por esta, permitem a presunção de omissão de receita com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. GvIÇ NiqoLAu RECKTENVALD - Relator EDITADO EM: U u Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva, Marcos Shigueo Takata, Eric Moraes de Castro e Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Gervásio Nicolau Recktenvald. Ausente o Conselheiro Hugo Correa Sotero. Relatório A empresa CASALI MÓVEIS E UTILIDADES DOMESTICAS LTDA., CNPJ n° 89.675.888/0001-76, veio perante este Conselho para, através do competente recurso voluntário, demonstrar sua não conformidade com o decidido pela la Turma da DRJ de Santa Maria, que negou provimento A impugnação, por unanimidade de votos, conforme registra o Acórdão n° 18- 11.357, de 01 de outubro de 2009. Compulsando os autos, vê-se que matéria discutida envolve a exclusão da interessada do Simples, com o consequente arbitramento do lucro, sobre as receitas declaradas e mais as receitas tidas pelo fisco como omitidas, estas identificadas por depósitos bancários de origem não comprovada, mantidos em nome de terceira pessoa. 0 conjunto de autos de infração constituídos alcançou os períodos mensais de 05/2003 a 12/2005 no que concerne ao PIS e COFINS, e os períodos trimestrais, envolvendo os meses de 04/2003 a 12/2005, em relação ao IRPJ e CSLL. Quanto A. exclusão do Simples, observa-se que esta foi procedida por emissão do competente Ato Declaratório de Exclusão, devidamente formalizado nos termos da Lei (fl. 583), indicando como motivo a reiterada infração à legislação tributária e fixando como termo inicial da exclusão a data de 02 de fevereiro de 2003. Também, cabe referir que os tributos recolhidos pela sistemática do Simples foram compensados com os lançamentos constituídos no procedimento fiscal contido neste processo através da modalidade de arbitramento. Inconformada corn o lançamento, em sua defesa (fl. 649), a interessada alega, em síntese: (a) que a presunção de omissão de receitas, identificada por depósitos bancários mantidos em nome de terceira pessoa, não é motivo para a exclusão do Simples; '(b) que o fundamento do auto de infração foi o art. 530, inciso I, do RIR/99, que teria como finalidade única amparar a constituição do crédito tributário pelo arbitramento; (c) que era impossível arbitrar o lucro, pois o contribuinte mantinha escrita contábil regular; (d) que a impugnada utilizou-se de instrumento ardiloso para desenquadrar a impugnante do Simples, ao declarar que a mesma não mantinha escrituração contábil regular, o que se revelava inverdade impar; (e) que não houve omissão de receitas, o que comprovaria pela coincidência entre os valores informados ao fisco federal e ao fisco estadual; (f) que as autuações relativas aos meses de janeiro a maio de 2003 estariam decaídas; (g) que a conta bancária da senhora Ilse foi utilizada por ser ela detentora de linha de crédito junto A. CEF, imprescindível para dar suporte financeiro As vendas realizadas pela Impugnante; (h) que os demonstrativos elaborados pelo autuante são contraditórios, confusos desencontrados, inconclusivos e obscuros. No final, a defesa pede realização de perícia para avaliar a contabilidade, bem como, pede a decretação da improcedência dos lançamentos. Encaminhada a impugnação para a decisão administrativa, a DRJ de Santa Maria, em 01 de outubro de 2009, através da la Turma, efetuou o julgamento em Primeiro Grau, registrado no acórdão n° 18-11.357 (II. 856), corn as seguintes ementas: PERÍCIA CONTÁBIL. PROVAS. Quando as provas que a impugnante entende necessárias para sua defesa dependem somente de buscas em seus arquivos e de demonstração adequada pela Ow Processo n° 11070.000772/2008-08 SI-C1T3 Acórdao n.° 1103-00.442 FL 2 defesa, o pedido de perícia para coleta desses elementos deve ser indeferido. IMPUGNAÇÃO. ONUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. A imptignaçã o deve estar instruída com todos os documentos e provas que possam fundamentar as contestações de defesa. Meras alegações sem a devida produção de provas não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, havendo antecipação de pagamento, mesmo que parcial, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, ,sç 4°, do CTN. Dessa forma, o lançamento efetuado no prazo quinquenal é procedente. EXCLUSÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. Confirmando-se a pratica reiterada de infração a legislação tributária, confirma-se a exclusão da impugnante do SIMPLES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS EM NOME DE TERCEIROS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. Confirma-se a omissão de receitas, por presunção legal, quando esta comprovado que os valores creditados em conta corrente bancária, que está em nome de terceiros, pertencem a pessoa jurídica, mas não estão contabilizados, em relação aos quais a interessada não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, mesmo depois de intimada afazê-lo. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL A falta do registro contábil de parcela significativa da movimentação financeira da autuada em conta corrente bancária implica na desclassificação da sua escrituração, justificando o arbitramento do lucro. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO — CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Inconformada corn a decisão, da qual foi notificada em 14/10/2009 (fl. 872), tempestivamente, em 11/11/2009 (fl. 873), a interessada interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese o que segue: (a) quanto A. omissão de receita presumida corn base no art. 42 da Lei n° 9.430/96, arguiu que "o artigo referido tem por finalidade — unicamente — dar amparo a constituição do crédito tributário quando o contribuinte não mantiver escrituração contábil regular" (fl. 878), o que não seria o caso; (b) que a escrita não teria sido desclassificada pela fiscalização, convertendo-Se, portanto, em "documentação hábil e idónea para comprovar a origem das receitas" (-fl. 878); (c) que, "quando o contribuinte mantiver escrituração contábil regular não poderá o crédito tributário ser constituído através de lançamento na modalidade de arbitramento" (fl. 878); (d) que a exclusão do Simples seria improcedente, pois teria se baseado na 3 1 ausência de escrituração; (e) que não há omissão de receitas, pois os valores declarados ao fisco estadual seriam coincidentes com os infonnados ao fisco federal; (f) que não ficou comprovado saldo credor de caixa e nem passivo fictício; (g) que a conta corrente utilizada pelo fisco para inferir omissão de receitas, em nome da Sra. Ilse Jost Casali, ink do sócio da recorrente, teve que ser utilizada pela autuada em vista "da Sra. use ser detentora de linha' de crédito junto a Caixa Federal, revelando-se imprescindível para dar suporte financeiro as vendas realizadas pela Requerente" (fl. 888); (h) que a fiscalização realizada se revelaria inconclusiva e confusa, pois a movimentação financeira em que se assenta a omissão inferida "não coincide coin os demonstrativos apontados que permanecem na obscuridade, não trazendo novos elementos para elucidar e afirmar o que esta sendo atacado pela Requerente" (fl. 889); (i) que o ingresso dos valores tidos corno omissão de receitas, "restaram provados mediante ittilizacão de fonte oficial, isto é, estabelecimento de crédito oficial, tendo inclusive a recorrente pago os respectivos juros" (fl. 891). Por fim, a recorrente requer seja recebido, conhecido e provido o recurso voluntário, solicita a reforma da decisão de Primeiro Grau e pede a decretação da improcedência do auto de infração. o Relatório. 4 Processo n° 11070.000772/2008-08 SI-C1T3 Acórdão ri.° 1103-00.442 Fl. 3 Voto Conselheiro GERVASIO NICOLAU RECKTENVALD, 0 recurso voluntário interposto é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, é conhecido. Conforme relatado, a controvérsia formalizada neste processo cinge-se A identificação de omissão de receitas, por presunção, corn base no art. 42 da Lei no 9.430/96, em vista de movimentação financeira que era operada em conta bancária em nome de terceira pessoa - a rude do sócio administrador da recorrente - sem transitar pela contabilidade e sem origem comprovada, a partir do que o fisco propôs A. autoridade administrativa da DRF de Santo Angelo a exclusão do Simples, o que foi acolhido. Em prosseguimento, o fisco formalizou a autuação de IRPJ e lançamentos reflexos, alcançando os meses de 04/2003 a 12/2005, adotando como forma de tributação a sistemática do Lucro Arbitrado, por imprestável a escrituração mantida pela recorrente. No que concerne à omissão de receitas, inferida a partir de movimentação financeira de origem não comprovada que transitou pela conta corrente mantida em nome da Sra. use Jost Casa li junto a Caixa Econômica Federal de Tres de Maio, é inconteste que tal movimentação, ao menos em parte, pertencia 5. recorrente. Segundo o Termo de Constatação Fiscal (fl. 590), o procedimento fiscal se iniciou por constatada a incompatibilidade, em relação aos rendimentos declarados, da movimentação financeira na conta bancária n° 8452-3, mantida na CEF agencia de Tres de Maio, de titularidade da Sra. use Jost Casa li, em conjunto corn seu filho, Sr. Joao Antonio Casali, sócio administrador da recorrente. Intimada a esclarecer a incompatível movimentação, a Sra. Ilse informou não possuir qualquer responsabilidade sobre tais recursos, atribuindo-os, integralmente, ao outro titular, Sr. João Antonio Casa li, proprietário da recorrente. Infon-nou ainda que o Sr. João mantinha corn ela a conta em conjunto, o que se confirmou através do exame da documentação concernente à conta em foco, junto A. CEF. Posteriormente, intimado o Sr. João a comprovar a origem dos recursos, este, após assumir inteira responsabilidade sobre aquela movimentação, informou que "utilizou a referida conta por estrita necessidade de valer-se do limite de crédito oferecido pela agência bancária, para caucionar e negociar cheques provenientes de aluguéis auferidos da empresa Lojas Becker, pertencentes a ele e sua esposa e decorrentes das vendas efetuadas pelas firmas Casali Móveis e Utilidades Domésticas Ltda., CNPJ n" 89.675.888/0001-76, Roberto Adriando Krug, CNPJ n°06.948.387/0001-99, e Natal Jair Pes, CNPJ n°05.739.042/001-62, das quais era procurador, exercendo inclusiva a fimciio de administrador financeiro destas" (fl. 591/592). Para comprovar eventual contabilização dos valores movimentados na conta em foco, na parte concernente A. Casali, indicada em um livro caixa elaborado paralelamente a 1 contabilidade, onde também estavam indicadas as participações na movimentação financeira das outras duas empresas, o fisco examinou os livros e documentos postos A disposição pela Casali, não localizando nenhum documento ou registro que contemplasse a movimentação financeira operada na conta paralela. Posteriormente, o fisco intimou as três empresas que partilhavam a conta bancária em questão, dentre estas a recorrente, a comprovarem a origem dos valores nela depositados. Entretanto, embora todas tivessem assumido participação, nenhuma delas conseguiu justificar, cabalmente, a origem de valores depositados. Ante esses fatos, o fisco, com fundamento no art. 58 da Lei n° 10.637/2002, que deu nova redação ao art. 42 da Lei n° 9.430/96, atribui a movimentação financeira aos terceiros titulares, alocando a cada empresa os valores assumidos, rateando os demais depósitos, em partes iguais, As três participantes. Diante disso, restou comprovado o motivo que fundamentou a exclusão do Simples (inciso V, do art. 195, do RIR/99), restou comprovada a omissão de receita (art. 42 da Lei n° 9.430/96), bem corno, restou justificado o arbitramento do lucro (art. 530, inc. II, letra "a", do RIR/99), pois a escrituração apresentada pelo contribuinte revelou-se viciada, contendo erros e deficiências que a tornam imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, especialmente bancária. Ante esses fatos, voto por confirmar integralmente a decisão recorrida e NEGO provimento ao recurso voluntário. GERVASIO NICOLAU ECKTENVALD \j 6
score : 1.0
Numero do processo: 10805.000300/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2001
Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Os recibos fornecidos
por profissionais de saúde são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas, salvo se presentes indícios de irregularidades, quando, então, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos. Eventuais deficiências nos aspectos formais dos recibos não são suficientes para invalidá-los como meio de prova.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-001.033
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao
recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Os recibos fornecidos por profissionais de saúde são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas, salvo se presentes indícios de irregularidades, quando, então, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos. Eventuais deficiências nos aspectos formais dos recibos não são suficientes para invalidá-los como meio de prova. Recurso provido.
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COMPROVAÇÃO. Os recibos fornecidos por profissionais de saúde são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas, salvo se presentes indícios de irregularidades, quando, então, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos. Eventuais deficiências nos aspectos formais dos recibos não são suficientes para invalidálos como meio de prova. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 17/03/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 70DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório IVONETE ZAMPIERI interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ SÃO PAULO/SP II (fls. 48) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 02 e 40, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2001, no valor de R$ 722,00, acrescido de multa de ofício de R$ 541,54 e de juros de mora, calculados até 01/2004, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.633,00. A lançamento decorre das glosas dos valores declarados como despesas médicas (R$ 5.480,00), como constribuição a previdência privada (R$ 549,34) e dedução de incentivo (R$ 470,00). A Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 na qual limitase a dizer que apresenta os documentos comprobabórios das deduções. A DRJSÃO PAULO/SP II julgou procedente em parte o lançamento para reconhecer a dedução como despesas médicas dos valores pagos a Marco Antonio Nobre (recibos fls. 14/15). Rejeitou os recibos emitidos por Clara Beatriz Moura sob o fundamento de que os recibos “não trazem indicação do endereço da profissional e que cópias dos canhotos de cheques nada comprovam sobre os pagamentos declarados”. A DRJ também reconheceu o direito à dedução da contribuição a previdência privada no valor declarado. Quanto à dedução de incentivo, rejeitouas sob o fundamento de que “os documentos apresentados demonstram que as doações realizadas pelo contribuinte não foram feitas aos fundos controlados pelos conselhos, mas sim diretamente às entidades”, contrariando o que determina a legislação, não sendo, portanto, dedutíveis os pagamentos. A Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 23/01/2007 (fls. 55) e, em 19/12/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 56/58, que ora se examina, e no qual se insurge apenas quanto à manutençãio da glosa da despesa médica referente aos pagamentos feitos a Clara Beatriz Moura, e reafirma que incorreu na despesa. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, persiste o litígio na fase recursal apenas quanto à dedução, como despesas médicas, dos valores declaradamente pagos a Clara Beatriz Moura. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10805.000300/200419 Acórdão n.º 220101.033 S2C2T1 Fl. 2 3 Examinando os recibos de fls. 05/10, emitidos pela referida profissional, notase que, de fato, especifica a natureza dos serviços prestados como “honorários profissionais”, que, certamente, não é a melhor forma de se fazer tal descrição. Todavia, penso que o fato não é suficiente para desqualificar o recibo como meio de prova. Primeiramente, porque está claro no próprio recibo que se trata de profissional da área de psicologia, pois consta do recibo o número da inscrição no CRP; e, em segundo lugar, porque, como sói acontecer, os recibos emitidos pelos profissionais médicos, em geral, não observam rigorosamente as formalidades. Nestas circunstâncias, não me parece razoável, rejeitar o recibo como comprovação da despesa, apenas com base neste fato. Concluo, portanto, pela validade dos recibos de fls. 05/10 para a comprovação da despesa médica. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 72DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 27/04/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 28/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003110/2006-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação decai no prazo de 5 (cinco), a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que a contagem inicia-se no primeiro dia
do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As pessoas que tenham interesse comum na situacão que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado e são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os
mandatários, prepostos, empregados e os diretores, gerentes ou represen antes de pessoas jurídicas de direito privado.
Numero da decisão: 1302-000.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DANIEL SALGUEIRO DA SILVA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação decai no prazo de 5 (cinco), a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que a contagem inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situacão que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado e são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos, empregados e os diretores, gerentes ou represen antes de pessoas jurídicas de direito privado.
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TERMO INICIAL. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação decai no prazo de 5 (cinco), a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que a contagem iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situacão que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado e são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos, empregados e os diretores, gerentes ou represen antes de pessoas jurídicas de direito privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELO Presidente. (Assinado digitalmente) Fl. 529DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA 2 DANIEL SALGUEIRO DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Melo (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Eduardo Andrade, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira e Irineu de Bianchi Relatório Decorre o processo em referência de Autos de Infração lavrados contra o contribuinte em referência, por omissão de receitas operacionais nos anoscalendários de 2000 a 2002, identificadas pela fiscalização através de suas movimentações bancárias, tendo a autuação repercutido em termos de sujeição passiva solidária a seus sócios, nos termos dos artigos 124, inciso I, 134, inciso III e 135, incisos I, II e III, da Lei nº 5.172/66 CTN Código Tributário Nacional. De acordo com relatório da fiscalização, a empresa autuada foi constituída foi no ano de 1999, tendo por sócios os Srs. José Amaro Vieira Filho, Engenheiro Eletricista e Miguel David de Oliveira Silva, Engenheiro Mecânico, tendo por objeto serviços de construção civil, saneamento básico e eletrificação e, conforme demonstrado nas suas declarações de informações econômicofiscais — DIPJ, nos períodos fiscalizados, optou pela tributação com base no Lucro Presumido. Analisando as DIPJ e DCTF apresentadas, a fiscalização constatou que o contribuinte declarou como receita bruta em cada anocalendário os valores constantes da planilha denominada ANEXO III, mas conforme pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRFB, constatouse diferenças significativas entre o total destes valores e o total da movimentação financeira da empresa, nestes mesmos períodos. Conforme evidenciado na fase de fiscalização, a partir do anocalendário de 2001, a empresa autuada passou a prestar serviços exclusivamente as Prefeituras de Potiraguá e de Mucuri, no Estado da Bahia, sendo que nesse mesmo exercício os sócios originais se retiraram da sociedade transferindo suas participações, aos Srs. Paulo dos Reis Farias e Rubens Batista de Oliveira, mais tarde identificados como empregados do Sr. Roberto Carlos Figueiredo, que vem ser o então Prefeito da cidade de Mucuri, município para o qual a empresa prestava serviuços. Entretanto, embora a alteração contratual de mudança do quadro societário tenha sido formalmente registrada na Junta Comercial, o novo quadro societário nunca foi comunicado à Receita Federal, e o que é mais grave, continuou a empresa a ter a sua movimentação financeira administradas pelos sócios dela já formalmente afastados, posto que a referida alteração não encaminhada aos Bancos onde a mesma possuía contas, tendo ainda os “exsócios” continuado a dar suporte técnico à empresa na condição de engenheiros, mediante remuneração fixa mensal. Conforme se vê das declarações a termo prestadas pelo Sr. José Amaro Vieira Filho, este tinha conhecimento de que a alteração contratual que formalizou sua saída da sociedade, tinha sido promovida por meios não convencionais, através de um "flanelinha", pessoa que limpa os carros nas dependências da Junta Comercial do Estado da Bahia — JUCEB e que dizia possuir "influência" naquele órgão, de maneira que a alteração contratual ficava lá arquivada, sem que a Receita Federal pudesse dela tomar conhecimento. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA Processo nº 10580.003110/200605 Acórdão n.º 1302000.482 S1C3T2 Fl. 525 3 Confessou ainda o referido sócio em seu depoimento, que após a alteração contratual referida, a empresa adotou mecanismos fraudulentos para utilizar o caixa da Prefeitura de Mucuri, com apoio do então prefeito desta cidade, em supostos serviços de limpeza, jardinagem, varredura e coleta, prestados à Prefeitura de Mucuri, que eram feitos mediante emissão do BM — Boletim de Medição, sendo que vários destes boletins apresentavam medições que não correspondiam a serviços efetivamente prestados, originando, assim, receitas sem a efetiva contra prestação dos serviços, e mesmo assim continuaram como responsáveis pela movimentação bancária, inclusive após a alteração contratual, sendo responsáveis pelos saques na conta corrente da empresa para pagamento de empregados ou para repassar ao prefeito de Mucuri que se encarregava de efetuar outros pagamentos ou dar destinação diversas a esses recursos. Diante dos fatos apurados, houve por bem a fiscalização lavrar os competentes Autos de Infração com a empresa, com repercussão em desfavor de seus sócios originais, que inconformados com a responsabilidade solidária que lhe fora atribuída, impugnaram tempestivamente a exigência fiscal, sustentando em síntese que : Pelo que se verifica dos fatos, os Requerentes alienaram a empresa em 2001, e que após a dita alienação não exerceram nova atividade empresarial nos 6 (meses) subseqüentes, razão pela qual não podem ser consideradas responsáveis pelos débitos tributários nos termos do artigo 133 do CTN; Pelo que consta do auto de infração, o recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nos exercícios de 2000 a 2002, são de exclusiva responsabilidade dos novos sócios, os Senhores Rubens Batista de Oliveira e Paulo dos Reis Faria, que diversamente do alegado pela AuditoraFiscal, não são pessoas humildes e nem desconhecidas, pois ostentam um certo nível na sociedade baiana e são de fácil localização, pois como dito, são funcionários dos políticos supra mencionados. Não procede o arbitramento do lucro da autuada, porque o artigo 148 do CTN só autoriza esse procedimento quando há omissão manifesta de receitas ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados e que nenhuma providência foi adotada pelo AuditorFiscal no intuito de localizar os novos sócios da empresa e ainda que o arbitramento deve seguir um procedimento regular, iniciandose com o exaurimento das tentativas de localização do contribuinte/responsáveis, fato que não ocorreu. Por fim, que todos os valores tributáveis referentes aos fatos geradores ocorridos em 2000, constantes do Auto de Infração lavrado em 12.04.2006, estão decaídos, pois a decadência, caracterizase pela perda do Direito e é causa de extinção do crédito tributário nos termos do artigo 173 do CTN e ainda que a caducidade do direito de constituir o crédito tributário consumase em 5 (cinco) anos e flui, sem suspensões ou interrupções, entre a ocorrência do fato gerador (nascimento da obrigação tributária) até a constituição definitiva do crédito que se dá com o lançamento, que se conta a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao qual poderia ter sido este efetuado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador Bahia, recepcionando a impugnação por sua tempestividade, por unanimidade de votos de sua 2ª. Turma, a julgou procedente em parte, sustentando que : Fl. 531DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA 4 Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente, como se deu no presente processo. O lucro da pessoa jurídica foi arbitrado corretamente, uma vez que a mesma tendo optado pela tributação com base no lucro presumido, não apresentou os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal ou o Livro Caixa, contendo a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. É procedente a configurada omissão de receita da empresa autuada, por presunção legal relativa, já que os valores creditados em suas contascorrentes mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais os titulares, regularmente intimados, não comprovaram, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no 'principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. A multa de ofício qualificada no percentual de 150% foi corretamente aplicada por estar caracterizado no procedimento fiscal o intuito de fraude, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Há de se acatar, porém, a decadência suscitada pela impugnante, em relação aos lançamentos do IRPJ, relativos a todos os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2000 e, também, ao lançamento efetuado sem a multa qualificada referente ao fato gerador ocorrido no 4° trimestre do anocalendário de 2000, que por se tratar de ocorrência de práticas dolosas, devese aplicar a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. De oficio, foi reconhecida a decadência do crédito tributário correspondente à matéria tributável apurada no primeiro trimestre de 2001, sem a imputação de ocorrência de fraude. E por fim, em relação à CSLL, à COFINS e ao PIS, como tais contribuições são destinadas a financiar a seguridade social, lhes são aplicáveis as normas contidas na Lei n.° 8.212, de 1991, que em seu art. 45, atendendo à faculdade conferida no art. 150, § 4°, do CTN, estabelece o prazo decadencial para constituição dos créditos em 10 (dez) anos, sendo improcedente, portanto o apelo da impugnante em ver afastada a cobrança contida no Auto de Infração. Em síntese este é o relatório. Voto Conselheiro Daniel Salgueiro da Silva Antes de ingressar no mérito da autuação, preliminarmente, há que se analisar a preliminar de decadência do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2000. Com efeito, são as disposições dos artigos 150 e 173 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim prescrevem : Fl. 532DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA Processo nº 10580.003110/200605 Acórdão n.º 1302000.482 S1C3T2 Fl. 526 5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. ................................................................... § 4º Se a lei não fixar prazo para homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art.173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados: I— do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II — da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Em matéria de IRPJ, considerase ocorrido o fato gerador do imposto no último dia do período de apuração, marco inicial do prazo de cinco anos para a Fazenda Pública se pronunciar, conforme dispõe o § 4° do art. 150 do CTN. Entretanto, quando há a prática dolosa, como a verificada no presente processo a contagem do prazo de decadência é deslocada para a regra geral do art. 173, I, do CTN, também por observância ao disposto no § 4º do art. 150 do CTN, que excepciona os casos de fixação de outro prazo em lei se comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Conforme sustentado na fase impugnatória pela Delegacia de Julgamento, no caso concreto, parte do crédito tributário constituído a título de IRPJ corresponde ao lançamento do imposto incidente sobre a parcela do lucro arbitrado determinado com base nos valores das receitas informadas nas DIPJ e declaradas em DCTF, acompanhado da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento), portanto sem a acusação de ocorrência de evidente intuito de fraude. Dessa forma, para o exame do direito da Fazenda Pública constituir referidos créditos tributários a contagem do prazo decadencial deve se dar a partir da ocorrência do fato gerador, e desta forma, depreendese que na data em que a pessoa Fl. 533DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA 6 jurídica foi cientificada dos lançamentos — 18/05/2006 (fl. 260) — o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos nos quatro trimestres de 2000, assim como aquele referente ao 1° trimestre do anocalendário de 2001, já se encontravam decadentes. O mesmo não ocorre em relação ao crédito tributário referente ao IRPJ incidente sobre a parte do lucro arbitrado levantado com base nas receitas omitidas, representadas pelos depósito/créditos bancários, cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, e a fiscalização, acertadamente enxergou na ação o evidente intuito de fraude, o que afasta a a figura da homologação prevista no artigo 150, § 4º, do CTN. E esse manifesto intuito de fraude, se vê por todos os lados : a. quando segundo informação da ECT — Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, o número do imóvel constante do endereço da impugnante, fornecido para fins cadastrais, junto à Secretaria a Receita Federal (SRF), não existe; b. quando o próprio sócio da contribuinte — de direito e de fato, até 18/10/2001, e de fato, a partir desta data— Sr. José Amaro Vieira Filho, em depoimento, à autoridade administrativa, confessou ter "vendido" a empresa autuada, em 2001, para os senhores Paulo dos Reis Farias e Rubens Batista de Oliveira, os quais seriam apenas sócios e fachada, e a correspondente alteração contratual feita em 18/10/2001 foi realizada por intermédio de um "flanelinha" que limpava os carros nas dependências da JUCEB e que possuía influência naquele órgão, de maneira que a alteração contratual ficava lá arquivada, sem que pessoas ligadas à Receita Federal dela tomasse conhecimento; c. quando mesmo após a alteração de sua saída da sociedade, o sócio afastado continuou movimentando elevados recursos em instituições financeiras, cuja origem não foi comprovada, e em valores bem superiores aos das receitas declaradas nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) e DCTF relativas ao período fiscalizado. Pelo que dos autos do processo se extrai, tenho por irreparável a decisão da Delegacia de Julgamento, em aplicar a regra do artigo 173, inciso I, do CTN, considerando para os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres do anocalendário de 2000, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de 01/01/2001 onde o Fisco teria até 31/12/2005 para efetuar o lançamento de oficio enquanto que a ciência do Auto de Infração do IRPJ se deu em 18/05/2006, e assim acatar a preliminar de decadência suscitada pela interessada no tocante aos lançamentos do IRPJ, relativos a todos os fatos geradores ocorridos nos três primeiros trimestres de 2000 e, também, ao lançamento efetuado sem a multa qualificada referente ao fato gerador ocorrido no 4° trimestre do anocalendário de 2000, bem como o ato de oficio, declarando a decadência do crédito tributário correspondente à matéria tributável apurada no primeiro trimestre de 2001, sem a imputação de ocorrência de fraude. Quanto à CSLL, à COFINS e ao PIS, consideradas como contribuições destinadas a financiar a seguridade social, e por isso regidas pelas normas contidas na Lei n.° 8.212, de 1991, não deve prosperar a decisão da autoridade julgadora, na contagem do prazo de 10 anos para a decadência do crédito. É que o prazo prescricional das contribuições sociais, já se encontra devidamente pacificado em 5 anos, a exemplo do fixado para os tributos, tendo a propósito o Supremo Tribunal Federal editado a súmula vinculante nº 8, com o seguinte enunciado: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 52 do DecretoLei nº 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei Fl. 534DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA Processo nº 10580.003110/200605 Acórdão n.º 1302000.482 S1C3T2 Fl. 527 7 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Desse modo, prejudicado restou o entendimento da Delegacia de Julgamento de Salvador nesse aspecto, em não reconhecer a decadência das contribuições para o PIS, COFINS e CSLL no prazo quinquenal, entendimento este declarado inconstitucional mediante a edição, inclusive, de sumula vinculante, seguida de forma reiterada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF – Conselho Administrativos de Recursos Fiscais. Por tudo quanto acima exposto, consubstanciado nos Autos, sou pelo acolhimento do recurso voluntário interposto, para no mérito lhe DAR PARCIAL PROVIMENTO, reformando, em parte, a decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de SalvadorBa, estendendose a responsabilidade como devedores solidários aos Srs. JOSÉ AMARO VIEIRA FILHO e MIGUEL DAVID DE OLIVEIRA SILVA, sócios representantes da Autuada. Sala das Sessões, 22 de fevereiro de 2011. (Assinado digitalmente) Daniel Salgueiro da Silva Fl. 535DF CARF MF Impresso em 17/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/01 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por DANIEL SALGUEIRO DA SIL VA
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Numero do processo: 10540.001072/2006-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Ano calendário:2004
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE.
PAGAMENTO SEM CAUSA. Correta a tributação do IR-Fonte por
pagamento sem causa, diante da constatação de que a empresa realizou os pagamentos, mediantes cheques que foram efetivamente compensados, porém, intimada não apresenta os elementos comprobatórios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.446
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. Correta a tributação do IR-Fonte por pagamento sem causa, diante da constatação de que a empresa realizou os pagamentos, mediantes cheques que foram efetivamente compensados, porém, intimada não apresenta os elementos comprobatórios. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10540.001072/200614 Recurso nº 169.270 Voluntário Acórdão nº 140200.446 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2011 Matéria IRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA Recorrente PIROPAUTO PIROPO AUTOMOVEIS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. Correta a tributação do IRFonte por pagamento sem causa, diante da constatação de que a empresa realizou os pagamentos, mediantes cheques que foram efetivamente compensados, porém, intimada não apresenta os elementos comprobatórios. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10540.001072/200614 Acórdão n.º 140200.446 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório PIROPAUTO PIROPO AUTOMOVEIS LIMITADA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF correspondente ao ano calendário de 2004, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 213.696,21, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada a falta de recolhimento de IRRF incidente sobre pagamentos a beneficiários não identificados, que totalizaram R$ 187.319,13. O contribuinte foi intimado a comprovar os efetivos beneficiários dos recursos debitados em suas contas bancárias através dos cheques discriminados, às fls. 25/35. Em razão de o contribuinte ter comprovado apenas parte dos beneficiários, foi lançado de ofício o IRRF incidente sob a parcela dos recursos cujos beneficiários não foram identificados, às fls. 36/41, procedendose o reajustamento da base de cálculo do imposto, nos termos do art. 20 da Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, às fls. 336/343, alegando, em síntese, que: a) o auto de infração é nulo em razão da falta de demonstração do reajustamento na base de cálculo do imposto lançado, bem como, que a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, carece de fundamentação legal; b) o Livro Caixa apresentado no curso da fiscalização comprovam que os cheques objeto da autuação foram emitidos pelo contribuinte, e que foram lançados a débito no caixa geral e serviram para pagamentos de obrigações; c) os cheques nominais ao SISCOB, no valor de R$ 711,00, e outros nominais à Casa Lotérica foram lançados a débito de caixa, pois serviram para completar pagamentos de valores de títulos ou despesas junto a estas instituições bancárias; d) os cheques emitidos em 16/09/2004, que totalizam R$ 34.388,31, foram debitados ao caixa e creditados pelos títulos que foram pagos nesta mesma data, portanto, não foram pagos a beneficiário não identificados. A decisão recorrida está assim ementada: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Verificandose pagamento a beneficiário não identificado, presumese a retenção do IRRF, sendo cabível a recomposição da base de cálculo para sua apuração. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória quanto a destinação dos cheques emitidos, qual seja, pagar obrigações da empresa regularmente contabilizadas. Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10540.001072/200614 Acórdão n.º 140200.446 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. O presente processo é conexo ao do IRPJ, de No. 10540.001071/200670, que foi julgado por esta Turma em 5//07/20010 (acórdão 140200.200). Ambos são oriundos da mesma ação fiscal (fl.1). Conforme relatado, o presente processo trata de exigência de IRFonte, com fulcro no artigo 61 da Lei 8.981/1995, em face da constatação de pagamentos efetuados pela empresa, por meio de cheques, devidamente compensados, cuja origem não foi comprovada. O contribuinte alega, desde a impugnação, que esses valores foram utilizados para pagamento de obriga obrigações da empresa regularmente contabilizadas. A decisão de 1a. instância refutou tais alegações com os seguintes fundamentos: “As demais alegações têm como pressuposto que o Livro Caixa constitui prova dos fatos nele registrados, entretanto, a escrituração contábil e fiscal somente faz prova em favor do contribuinte, se acompanhada dos documentos lhe deram origem. Ou seja, o Livro Caixa desacompanhado das “cópias dos cheques compensados” ou “respectivos documentos de comprovação de pagamentos/despesas” solicitados pela fiscalização, não é documento hábil para comprovar que os cheques compensados foram lançados a débito do caixa geral ou que serviram para pagamentos de obrigações. Desta mesma forma, as alegações específicas relativas a cheques nominais a instituições bancárias ou para pagamentos de títulos carecem de comprovação documental, não podendo ser acolhidas no presente julgamento.” Todavia, mesmo ciente, desde a auditoria, que não bastavam os livros contábeis, ou seja, que para fazer prova de suas alegações deveria apresentar os comprovantes das despesas pagas, bem com no caso específico cópia dos cheques compensados, o contribuinte nada trouxe aos autos, nem mesmo junto ao recurso voluntário. Neste sentido, está consolidada a jurisprudência desse conselho: "CHEQUES COMPENSADOS Comprovado o lançamento à débito de caixa de cheques cuja compensação se deu em favor de pessoas estranhas aos pagamentos efetuados no mesmo dia e no mesmo valor, configurase a omissão de receitas, não na forma presuntiva, mas na concreta, no valor do suprimento inexistente. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Primeira Turma/ACÓRDÃO CSRF/01 04.012 em 19/08/2002. Publicado no DOU em: 05.08.2003. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10540.001072/200614 Acórdão n.º 140200.446 S1C4T2 Fl. 0 4 O contribuinte sequer faz prova de sua alegação de que os cheques foram nominais aos beneficiários dos pagamentos. Importante registrar que caso o contribuinte fizesse prova de que os cheques compensados de fato se destinaram ao pagamento de obrigações contabilizadas a crédito da conta caixa, a exigência seria cancelada nos montantes comprovados. Mas isso não ocorreu, sendo que em algumas situações não seria possível haja vista que os valores não coadunam. Ou seja, a toda evidência os cheques tiveram outras destinação e as contas foram pagas com recursos a margem da contabilidade. Diante do exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721725/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2006
Ementa: DESPESAS MÉDICAS EM NOME DA ESPOSA QUE APRESENTA DECLARAÇÃO EM SEPARADO, PELO MODELO SIMPLIFICADO. INDEDUTIBILIDADE NAS DECLARAÇÕES DO ESPOSO AUTUADO E DA ESPOSA. DEDUÇÃO DESSAS DESPESAS PELO CONTRIBUINTE AUTUADO EM ANOS ANTECEDENTES AO FISCALIZADO. RESTITUIÇÕES RECEBIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE A INFRAÇÃO SE PROTRAIR PARA O FUTURO, SEM CORRIGENDA POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO FEDERAL. No momento em que a
esposa do fiscalizado apresentou a declaração pelo modelo simplificado, utilizando o desconto referido, ficou impedida de deduzir qualquer valor a título de despesa médica em sua declaração (ou de qualquer outra despesa dedutível), pois o desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação. De outra banda, o esposo autuado somente pode
deduzir da base de cálculo do imposto de renda, em termos de despesas médicas (e outras despesas dedutíveis), aquelas consigo e com seus dependentes (art. 80, II, do Decreto nº 3.000/99), sendo certo que a esposa não era dependente do fiscalizado, pois apresentou declaração em separado. Ademais, no momento em que a esposa apresentou declaração em separado, fazendo uso do desconto simplificado, jamais o contribuinte autuado poderia deduzir a despesa com o plano de saúde dela, até porque ela também não
poderia fazer uso da benesse. Ainda, o fato de o contribuinte ter perpetrado a mesma infração em anos pretéritos ao autuado, percebendo restituições, não lhe outorga um benefício para usufruir para o futuro dela. Simplesmente, o fenômeno extintivo da decadência qüinqüenal impediu a Fazenda Pública Federal de cobrar as diferenças de impostos dos anos antecedentes. Porém,
dentro do qüinqüênio decadencial legal, pode e deve a Fazenda Federal cobrar as diferenças de impostos.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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INDEDUTIBILIDADE NAS DECLARAÇÕES DO ESPOSO AUTUADO E DA ESPOSA. DEDUÇÃO DESSAS DESPESAS PELO CONTRIBUINTE AUTUADO EM ANOS ANTECEDENTES AO FISCALIZADO. RESTITUIÇÕES RECEBIDAS. IMPOSSIBILIDADE DE A INFRAÇÃO SE PROTRAIR PARA O FUTURO, SEM CORRIGENDA POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO FEDERAL. No momento em que a esposa do fiscalizado apresentou a declaração pelo modelo simplificado, utilizando o desconto referido, ficou impedida de deduzir qualquer valor a título de despesa médica em sua declaração (ou de qualquer outra despesa dedutível), pois o desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação. De outra banda, o esposo autuado somente pode deduzir da base de cálculo do imposto de renda, em termos de despesas médicas (e outras despesas dedutíveis), aquelas consigo e com seus dependentes (art. 80, II, do Decreto nº 3.000/99), sendo certo que a esposa não era dependente do fiscalizado, pois apresentou declaração em separado. Ademais, no momento em que a esposa apresentou declaração em separado, fazendo uso do desconto simplificado, jamais o contribuinte autuado poderia deduzir a despesa com o plano de saúde dela, até porque ela também não poderia fazer uso da benesse. Ainda, o fato de o contribuinte ter perpetrado a mesma infração em anos pretéritos ao autuado, percebendo restituições, não lhe outorga um benefício para usufruir para o futuro dela. Simplesmente, o fenômeno extintivo da decadência qüinqüenal impediu a Fazenda Pública Federal de cobrar as diferenças de impostos dos anos antecedentes. Porém, dentro do qüinqüênio decadencial legal, pode e deve a Fazenda Federal cobrar as diferenças de impostos. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 15/06/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte UBIRAJARA CONTINENTINO CORDOVA, CPF/MF nº 000.272.60097, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 18/05/2009, auto de infração, com ciência postal em 25/05/2009, decorrente da revisão de sua declaração de ajuste anual do anocalendário 2005. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 1.518,18 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.138,63 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de despesa médica, assim motivada pela autoridade autuante: Glosa do valor de R$ 5.520,66, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Em relação ao Plano de Saúde, conforme informação da Golden Bradesco Saúde S/A, aceito o valor (em R$) de 5.520,66, cujo beneficiário é Ubirajara Continentino Cordova. Glosados os demais valores pagos a esse plano, 5.520,66, tendo em vista as parcelas correspondentes à Leda Schwarz Cordova, pois no caso de apresentação de declaração em separado no modelo simplificado pelo outro cônjuge, na qual todas as deduções a que este teriam direito são substituídas pelo desconto simplificado, a Fl. 70DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.721725/200955 Acórdão n.º 2102001.364 S2C1T2 Fl. 2 3 parcela do plano de saúde correspondente ao outro cônjuge é considerada indedutível na declaração do titular do plano. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deduzindo os seguintes argumentos: a) mantém o plano de saúde Bradesco apólice nº 305 544 105899 00 5, desde 09/06/1999; b) a apólice possui cobertura apenas para hospitalização, não estando nela incluídas despesas com médicos, dentistas, exames laboratoriais, etc; c) é o titular da apólice acima referida e único e principal responsável pelo pagamento das mensalidades inerentes ao plano; d) os pagamentos são efetuados através de débitos mensais em sua conta corrente no Banco Bradesco S.A; e) desde o primeiro ano de vigência do plano, declarou renda incluindo entre as suas deduções e/ou abatimentos o montante anual das mensalidades pagas; f) sua esposa jamais se beneficiou de 50% do valor das mensalidades pagas para abatimentos em declarações de renda, mesmo quando declaradas em formulários completos. A 4ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1026.396, de 21 de julho de 2010, que restou assim ementado: REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA DESPESAS MÉDICAS. Nos termos do artigo 80, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, a dedução de despesas médicas da declaração de ajuste anual restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 18/10/2010. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 21/10/2010 . No voluntário, o recorrente alega: Fl. 71DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 18/10/2010, segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 21/10/2010, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 17/11/2010, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. A controvérsia restringese ao debate sobre a possibilidade de o contribuinte autuado poder deduzir em sua declaração de ajuste anual a despesa médica do cônjuge (plano de saúde), quando este apresenta declaração em separado, pelo modelo simplificado. Ainda, se o fato de a Administração Fiscal ter chancelado implicitamente tal procedimento em anos pretéritos ao autuado teria o condão de afastar a infração ora em debate. É de conhecimento amplo de que o desconto simplificado substitui todas as despesas dedutíveis, como se pode ver no art. 10 da Lei nº 9.250/95: Art. 10. Independentemente do montante dos rendimentos tributáveis na declaração, recebidos no anocalendário, o contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que consistirá em dedução de 20% (vinte por cento) do valor desses rendimentos, limitada a R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais), na Declaração de Ajuste Anual, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie.(Redação dada pela Lei nº 10.451, de 10.5.2002) § 1º O desconto simplificado a que se refere este artigo substitui todas as deduções admitidas na legislação. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 11080.721725/200955 Acórdão n.º 2102001.364 S2C1T2 Fl. 3 5 § 2º O valor deduzido não poderá ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido.(grifouse) Ora, no momento em que o cônjuge do fiscalizado apresentou a declaração pelo modelo simplificado, utilizando o desconto referido, ficou impedido de deduzir qualquer valor a título de despesa médica (ou de qualquer outra despesa dedutível), pois o desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas na legislação. De outra banda, também é notório que o contribuinte somente pode deduzir da base de cálculo do imposto de renda, em termos de despesas médicas (e outras despesas dedutíveis), aquelas consigo e com seus dependentes (art. 80, II, do Decreto nº 3.000/99). Ora, no momento em que o cônjuge apresentou declaração em separado, fazendo uso do desconto simplificado, jamais o contribuinte autuado poderia deduzir a despesa com o plano de saúde em benefício do cônjuge, até porque este também não poderia fazer uso da benesse. Claramente, agiu com acerto a autoridade autuante ao efetuar a glosa da despesa na declaração do contribuinte que teve com o cônjuge, este que apresentou declaração em separado. Por último, o fato de contribuinte ter perpetrado a infração acima em anos pretéritos ao autuado, percebendo restituições, não lhe outorga um benefício para usufruir para o futuro de tal infração. Simplesmente, o fenômeno extintivo da decadência qüinqüenal impediu a Fazenda Pública Federal de cobrar as diferenças de impostos dos anos antecedentes. Porém, dentro do qüinqüênio decadencial legal, como se viu nestes autos, pode e deve a Fazenda Federal cobrar as diferenças de impostos. Com as considerações acima, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 73DF CARF MF Emitido em 17/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Assinado digitalmente em 15/06/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10735.001831/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/08/1998 a 30/06/2000
DECADÊNCIA
Por força da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial da COFINS é de 5 (cinco) anos a contar do respectivo fato gerador.
MULTA DE OFICIO
É cabível a cobrança de multa, no percentual de 75%, quando em lançamento de oficio, sempre que verificada a falta de pagamento ou recolhimento de contribuição nos termos do art. 44, inc. I da Lei 9430/96.
Numero da decisão: 3201-000.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Daniel Mariz Gudiño
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 30/08/1998 a 30/06/2000 DECADÊNCIA Por força da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial da COFINS é de 5 (cinco) anos a contar do respectivo fato gerador. MULTA DE OFICIO É cabível a cobrança de multa, no percentual de 75%, quando em lançamento de oficio, sempre que verificada a falta de pagamento ou recolhimento de contribuição nos termos do art. 44, inc. I da Lei 9430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 06/04/2011 Fl. 140DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice presidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira, Maria Regina Godinho de Carvalho e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: 1.Versa o presente processo sobre Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte em epígrafe, relativo à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago correspondente à contribuição para a COFINS, no período de agosto de 1998 a dezembro de 1988 e de abril de 2000 a setembro de 2000, no valor de R$ 1.207.728,38, incluindo multa proporcional e juros de mora calculados até 30.06.2005. 2. Às fls. 19/20 consta o demonstrativo das diferenças encontradas. 3. Irresignado com a autuação em comento, o contribuinte apresentou a peça contestatória, de fls. 40 a 54, alegando em síntese: • A decadência do lançamento referente aos períodos de 30.08.1998 a 31.12.1998 e de 30.04.2000 a 30.06.2000. • Recolheu o IPI sobre os descontos concedidos incondicionalmente, motivo pelo qual ajuizou ação ordinária, de n° 2002.51.10.0054475, pleiteando a declaração de não incidência do IPI sobre tais descontos, bem como a restituição das quantias indevidamente cobradas. • Passou a compensar débitos vincendos do PIS com créditos de IPI. • O débito do PIS discriminado no auto de infração está devidamente quitado através da compensação com quantias pagas indevidamente de IPI. Deve ser o presente procedimento suspenso, até o reconhecimento definitivo do crédito do IPI, nos autos da ação ordinária n°2002.51.10.0054475. • Ser inaplicável a cobrança da multa de 75%, devendo a mesma ser reduzida para 20%, nos termos da Lei n° 9430/96. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO Processo nº 10735.001831/200581 Acórdão n.º 3201000.641 S3C2T1 Fl. 137 3 Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 26/03/2008, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 13 19.431 (fls. 110/116): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/08/1998 a 30/06/2000 COFINS. DECADÊNCIA. Tendo sido constituído o crédito tributário dentro do prazo de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos da Lei n° 8.212/91, não se caracteriza a decadência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/08/1998 a 31/12/1998, 30/04/2000 a 30/09/2000 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. A simples impetração de ação ordinária na qual se pleiteia a compensação de pagamentos supostamente indevidos de IPI com débitos de quaisquer outros tributos, não autoriza o impetrante a efetuar compensações, sequer é impeditiva da constituição do correspondente crédito tributário via lançamento de oficio. MULTA DE OFICIO Falta de pagamento APLICÁVEL É cabível a cobrança de multa, no percentual de 75%, quando em lançamento de oficio, sempre que verificada a falta de pagamento ou recolhimento de contribuição nos termos do art. 44, inc. I da Lei 9430/96. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor do acórdão acima transcrito, em 03/09/2008 (fl.117), tendo protocolado seu recurso voluntário em 29/09/2008 (fls. 123/132). Em síntese, a Recorrente pugna pela reforma do acórdão de 1ª instância, de modo que seja: • reconhecida a decadência do lançamento consubstanciado pelo auto de infração que deu origem ao presente processo administrativo, referente às multas isoladas aplicadas no período de 30.08.1998 a 31.12.1998 e de 30.04.2000 a 30.06.2000, nos termos do art. 150, §4º do CTN e nos precedentes dos Conselhos de Contribuintes. • afastada a multa aplicada nos períodos remanescentes (não atingidos pela decadência), por serem absolutamente ilegais ou, caso assim não seja entendido; Fl. 142DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO 4 • determinada a sua redução ao patamar de 20% (vinte por cento), tal como preconiza o art. 61, da Lei n° 9.430/96. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. Preliminarmente, assiste razão à Recorrente no tocante ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da data do fato gerador, eis que a autuação referese a tributo sujeito a lançamento por homologação. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8 com o seguinte teor: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Como a fiscalização empregou, ainda que de forma subentendida, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991 para justificar a cobrança da COFINS em períodos de apuração anteriores aos cinco últimos anos da lavratura do auto de infração, o lançamento deve ser parcialmente cancelado por força do art. 103A da Constituição Federal de 1988 e do art. 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcritos: Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 143DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO Processo nº 10735.001831/200581 Acórdão n.º 3201000.641 S3C2T1 Fl. 138 5 § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) No mérito, não assiste razão à Recorrente quanto à alegação de que as multas aplicadas são ilegais. Isso porque a fiscalização aplicou corretamente a penalidade prevista para a falta de recolhimento de tributo não declarado. Senão, vejamos como era a redação do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, ao tempo da lavratura do auto de infração: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...) Não havendo dúvidas de que a situação da Recorrente se enquadra no dispositivo acima transcrito, tenho como correta a aplicação da multa de ofício imposta pela fiscalização, não merecendo, pois, reforma o acórdão recorrido. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja cancelado o lançamento no tocante aos períodos de apuração alcançados pelo prazo decadencial de cinco anos. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 144DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO Assinado digitalmente em 08/04/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, 06/04/2011 por DANIEL MARI Z GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 13839.003607/2003-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001
NULIDADE. AÇÃO FISCAL POR AMOSTRAGEM. IMPROCEDÊNCIA
A indicação constante do Termo de Encerramento de que a ação fiscal foi empreendida por amostragem, significa dizer que a fiscalização foi promovida em relação aos fatos ali indicados, possibilitando que, em razão de análises supervenientes possam ser empreendidos outras ações fiscais, resguardando o direito de a Fazenda Nacional constituir, se for o caso, os créditos tributários daí decorrentes.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIPJ E LIVROS FISCAIS. DIVERGÊNCIA
APURADA E NÃO ESCLARECIDA. Costada diferenças entre as receitas
escrituradas pelo contribuinte, regularmente declaradas ao fisco estadual, e os valores grafados na DIPJ apresentada à Recita Federal, não tendo o contribuinte apresentado provas da alegação de erro na escrituração contábil e fiscal, correto a lavratura de autos de infração para exigência dos tributos devidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.462
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001 NULIDADE. AÇÃO FISCAL POR AMOSTRAGEM. IMPROCEDÊNCIA A indicação constante do Termo de Encerramento de que a ação fiscal foi empreendida por amostragem, significa dizer que a fiscalização foi promovida em relação aos fatos ali indicados, possibilitando que, em razão de análises supervenientes possam ser empreendidos outras ações fiscais, resguardando o direito de a Fazenda Nacional constituir, se for o caso, os créditos tributários daí decorrentes. OMISSÃO DE RECEITAS. DIPJ E LIVROS FISCAIS. DIVERGÊNCIA APURADA E NÃO ESCLARECIDA. Costada diferenças entre as receitas escrituradas pelo contribuinte, regularmente declaradas ao fisco estadual, e os valores grafados na DIPJ apresentada à Recita Federal, não tendo o contribuinte apresentado provas da alegação de erro na escrituração contábil e fiscal, correto a lavratura de autos de infração para exigência dos tributos devidos. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente TAGUASUL COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/03/2001, 30/06/2001 NULIDADE. AÇÃO FISCAL POR AMOSTRAGEM. IMPROCEDÊNCIA A indicação constante do Termo de Encerramento de que a ação fiscal foi empreendida por amostragem, significa dizer que a fiscalização foi promovida em relação aos fatos ali indicados, possibilitando que, em razão de análises supervenientes possam ser empreendidos outras ações fiscais, resguardando o direito de a Fazenda Nacional constituir, se for o caso, os créditos tributários daí decorrentes. OMISSÃO DE RECEITAS. DIPJ E LIVROS FISCAIS. DIVERGÊNCIA APURADA E NÃO ESCLARECIDA. Costada diferenças entre as receitas escrituradas pelo contribuinte, regularmente declaradas ao fisco estadual, e os valores grafados na DIPJ apresentada à Recita Federal, não tendo o contribuinte apresentado provas da alegação de erro na escrituração contábil e fiscal, correto a lavratura de autos de infração para exigência dos tributos devidos. Recurso Voluntário Negado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Viviani Aparecida Bacchmi, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório TAGUASUL COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase do auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fls. 117/119, lavrado em 22/12/2003 contra a contribuinte acima qualificada, formalizando o crédito tributário no total de R$ 28.964,23, já incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até 28/11/2003. 2. A ação fiscal teve início em 15/02/2002, data da ciência do “Termo de Início de Ação Fiscal” de fls. 21/22, que solicitava à pessoa jurídica a apresentação de livros comerciais e fiscais e os respectivos documentos que serviram de base para os lançamentos neles realizados, relativos aos anoscalendário de 1997 a 2001. 3. No TERMO CONCLUSIVO DA AÇÃO FISCAL, fls. 107/113, o auditor fiscal responsável pelo procedimento junto à fiscalizada, esclarece o que se sintetiza adiante: Verificações Preliminares Foram realizadas do período de março/1997 a dezembro de 2001, elaborandose os demonstrativos anexos: Base de Cálculo; Apuração de Débitos; Pagamentos/Parcelamentos e Situação Fiscal Apurada, vislumbrandose nas verificações feitas, respeitados os limites e as amostragens realizadas, as diferenças a seguir explicitadas: IRPJ e CSLL No anocalendário de 2001, entre a DIPJ/2002 apresentada (ND 1183130), nos meses de fevereiro e junho/2001, ocorreu uma divergência de valores de receitas com os livros fiscais e, conseqüentemente com as Guias de Informações Mensais (GIM) anexas, conforme a seguir se demonstra: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 3 [segue demonstrativo das diferenças mensais entre a DIPJ/2002 e o Livros/GIM, totalizadas nos 1º e 2º trimestres] Observase divergências nos meses de fevereiro e junho, cujas diferenças realmente se confirmaram conforme se verificou pelas vendas registradas nos diversos estabelecimentos: [segue demonstrativo das filiais 000220; 000300; 000491; 000572; 000653 e 000734, totalizando R$ 1.970.689,66 em fevereiro e R$ 2.318.000,00 em junho] No anocalendário de 2001, a DIPJ/2002 foi apresentada na opção de Lucro Real Trimestral ( ... ) Considerando que as receitas maiores acima demonstradas não foram incluídas na apuração do IRPJ e CSLL do trimestre correspondente, e que elas tão somente bem aumentar em igual valor o lucro líquido do período, recalcularseá os valores com elas incluídas, levandose em conta a compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores, dentro do limite de 30%, vez que, conforme Demonstrativos SAPLI anexos, existiam saldos suficientes, os quais, após utilizados serão devidamente alterados no sistema de controle da Receita Federal a fim de que períodos futuros observem as alterações procedidas: As diferenças suplementares de IRPJ e CSLL serão motivos de lançamentos dos créditos tributários correspondentes, através da formalização em processos distintos, muito embora o presente Termo seja comum a todos. PIS e COFINS Partindose das bases de cálculos conhecidas conforme demonstrativo “Composição da Base de Cálculo – (Apuração Sintética)” anexo, apurouse os débitos, levouse em consideração os pagamentos efetuados e as DCTF apresentadas, para ao final, elaborarse o “Demonstrativo de Situação Fiscal apurada”, também anexo. No período de março a dezembro/1997, além do sistema não acusar a entrega das DCTFs, o contribuinte também não logrou comprovar as suas entregas, como ainda, os recolhimentos efetuados quanto ao período, tanto de PIS como de COFINS, foram insuficientes. Também apresentaram insuficiências de recolhimentos de débitos não constantes das DCTFs apresentadas, os períodos de março/2000, fevereiro e junho/2001. Anocalendário de 1998 Passivo Fictício Dentro do limite das verificações e das amostragens realizadas, e das dificuldades encontradas na obtenção dos livros e documentos, conforme se constata pelos constantes Termos lavrados, procedeuse à auditoria contábil e fiscal. Já pelo Termo cientificado em 30/07/2002 o contribuinte foi intimado a comprovar a dívida no valor de R$ 6.045.968,57, com saldo existente em 31/dezembro/1998, e registrada no Passivo Circulante na conta “Fornecedores”, para o qual solicitou prorrogação de prazo para cumprimento, sob a alegação de dificuldades face a modalidade de escrituração “por partida mensal, com lançamento único ao final de cada mês, com base nas compras, sem individualização dos fornecedores” (vide item 1 da correspondência recepcionada em 28/08/2002, protocolo auxiliar 4814). Mesmo com todos os prazos concedidos e todo o tempo decorrido, não logrou êxito comprovar referido Passivo ( ... ). Assim, nos termos do artigo 281, III, do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/março/1999, fica caracterizado a omissão no registro da receita de igual valor. ( ... ) Do Lucro Arbitrado Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 4 Conhecida a receita bruta e detectada a omissão de receitas, ambas se sujeitarão ao disposto contido no artigo 532, do citado RIR/1999, qual seja, da aplicação do percentual de 8% acrescido de 20% (9,6%), próprio para a atividade comercial, sendo que a omissão de receitas assim se obriga face ao disposto no artigo 537 do mesmo Regulamento. Seguese a demonstração do lucro arbitrado ( ... ). Em decorrência do arbitramento do lucro serão devidos o IRPJ e a CSLL, sem que deles algum valor seja descontado, eis que, quanto ao gênero de tributo, nada foi recolhido. Assim, sob a formalização de um único processo, serão lançados os créditos tributários correspondentes, inclusive as contribuições para o PIS e a COFINS incidentes sobre a omissão de receitas. Conclusão Diante dos fatos serão constituídos os seguintes créditos tributários: TRIBUTO Valor em R$ IRPJ – Verificações Preliminares 73.305,88 CSLL – Verificações Preliminares 28.964,23 PIS – Verificações Preliminares 514.455,23 COFINS – Verificações Preliminares 1.498.326,70 IRPJ – Arbitramento 1.406.062,02 CSLL – Arbitramento 588.887,66 PIS – Omissão de Receitas 104.361,86 COFINS – Omissão de Receitas 321.113,47 Total do Crédito Tributário 4.535.477,05 Considerando o valor total do crédito tributário ora constituído, além de 30% do patrimônio líquido atual do contribuinte, nos termos da Instrução Normativa nº 264, de 20 de dezembro de 2002, será procedido o arrolamento dos bens. Face ao arbitramento do lucro do anocalendário de 1998, desaparecem os prejuízos fiscais trimestrais apurados sob a modalidade de Lucro Real, assim como, pelo aumento da compensação dos prejuízos fiscais nos 1º e 2º Trimestres/2001, fica o contribuinte INTIMADO a corrigir os seus controles, especialmente o Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, parte “B”, a fim de que períodos futuros se influenciem pelos valores já alterados.” 4. Na ‘DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL’ do auto à fl. 119, o autuante atribui à contribuinte a prática da seguinte irregularidade: “001 – CSLL DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados conforme documentos presente ao processo e Termo Conclusivo da Ação Fiscal Anexo. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2001 R$ 2.000,00 75,00 30/06/2001 R$207.244,30 75,00 Enquadramento Legal: Art. 77, inciso III, do DecretoLei nº 5.844/43; 149 da Lei nº 5.172/66; art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; Art. 19 da Lei nº 9.249/95; Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 5 Art. 6º da Medida Provisória nº 1.858/99 e suas reedições.” 5. Tendo tomado ciência da autuação em 29/12/2003, a contribuinte interpôs, por meio de seus advogados e bastantes procuradores, em 28/01/2004, a impugnação de fls. 125/127, apresentando as razões de fato e de direito a seguir relatadas. 6. Inicialmente afirma que o fato considerado pelo fiscal tratase de mero erro de preenchimento de formulários, contudo, aquele agente não se ateve que os tributos incidentes sobre a receita efetivamente grada foram devidamente recolhidos, como se pode constatar dos DARF a ele disponibilizados. Reportandose a trecho do Termo de Encerramento, que transcreve, a impugnante entende que em razão de ter sido verificado por amostragem o cumprimento das obrigações tributárias constantes da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, sem se proceder a uma fiscalização como deveria, mas apenas por simples dedução, a conclusão do autuante de que tenha ocorrido diferença de receita encontrase equivocada, pelo que requer a anulação do presente lançamento A decisão recorrida está assim ementada: Ementa: NULIDADE – INOCORRÊNCIA. Não provada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS – DIPJ E LIVROS FISCAIS – DIVERGÊNCIA NÃO ESCLARECIDA.Não havendo prova em contrário trazida pela contribuinte, correto é o lançamento de tributos incidentes sobre a diferença de receitas omitidas na DIPJ e apurados no confronto com a escrituração da empresa. Lançamento Procedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória quanto a nulidade do procedimento executado por “amostragem” e que os valores corretos de suas receitas foram informados à Receita Federal, tendo incorrido em erro na Escrituração e também na GIA. Ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração da CSLL, lucro real, em virtude de divergências entre as receitas declaradas à Receita Federal, oferecidas à tributação, e os valores efetivamente auferidos (escriturados e declarados à Receita Federal). O contribuinte, de inicio, repisa sua preliminar de nulidade do lançamento em decorrência de suposta fiscalização por amostragem, o que teria ocasionado conclusão equivocada quanto à apuração realizada pela empresa no período. A indicação constante do Termo de Encerramento de que a ação fiscal foi empreendida por amostragem representa, tãosomente, informação de que o procedimento guarda relação estreita com o escopo da fiscalização definido no Mandado de Procedimento Fiscal, significando dizer que a fiscalização foi promovida em relação aos fatos ali indicados, possibilitando que, em razão de análises supervenientes, outros procedimentos fiscalizatórios possam ser empreendidos, ficando, assim, resguardado o direito de a Fazenda Nacional constituir, se for o caso, os créditos tributários daí decorrentes. A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situase na competência da autoridade administrativa, respeitados os princípios da legalidade e da proporcionalidade. O procedimento de apuração de infrações por amostragem é um método de fiscalização, para apurar as irregularidades porventura existentes e nada tem a ver com lançamento por presunção, não implicando, portanto, existência de nulidade. Tal qual asseverado na decisão recorrida “o levantamento por amostragem não significa apuração aproximada ou ainda que o resultado obtido tenha desprezado alguns registros da empresa no período verificado, acarretando apuração imprecisa, como parece crer a autuada, mas sim que a fiscalização, diante das inúmeras verificações necessárias em um longo período, optou por fazer a conferência mais detalhada de períodos específicos.” Reiteresse também “que no procedimento fiscal foram constatadas divergências nas totalizações das receitas informadas na DIPJ/2001 e nos livros fiscais da empresa, bem como aquelas inseridas nas Guias Informativas Mensais do ICMS – “GIM”, prestadas pela contribuinte à Secretaria da Fazenda do Distrito Federal, relativas às atividades de suas filiais localizadas naquela jurisdição, sendo exigidos os impostos e as contribuições devidos sobre os rendimentos não tributados na esfera federal.” Desde a auditoria o contribuinte afirma que efetuou o recolhimento dos tributos e contribuições sobre toda a receita efetivamente auferida. Todavia, não apresentou qualquer justificativa sobre a diferença dos valores registrados em seus livros, e informados ao órgão fiscalizador do ICMs do Distrito Federal, e aqueles declarados à Receita Federal. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13839.003607/200391 Acórdão n.º 140200.462 S1C4T2 Fl. 0 7 A decisão de 1a. instancia demonstrou a consistência da apuração das irregularidades apuradas pelo Fisco. Vejamos a transcrição desses fundamentos: A partir dos documentos juntados aos autos foi elaborado o demonstrativo das receitas auferidas pelas cinco filiais da pessoa jurídica (000220 a 00734), nos dois primeiros trimestres do ano de 2001, constante à fl. 108 (Termo Conclusivo da ação Fiscal), do qual se transcreve abaixo apenas os meses de fevereiro e junho, nos quais foram detectadas diferenças: Mês/2001 DIPJ/2002 LIVROS/GIM Diferença Fevereiro 1.968.689,66 1.970.689,66 2.000,00 Junho 2.110.755,70 2.318.000,00 207.244,30 Com base nas citadas guias de informações entregues pelas filiais da empresa à Secretaria da Fazenda Estadual, juntadas às fls. 41/94, as totalizações mensais da receita da pessoa jurídica foram desmembradas por filial, também à fl. 108, sendo que a impugnante não traz qualquer argumentação no sentido de contestar os valores ali apurados. Tratandose, pois, de informações sobre as mesmas receitas prestadas a órgãos públicos distintos, a alegação de erro no preenchimento de formulários apresentase bastante vaga uma vez que a impugnante não comprova qual teria sido o erro e em que documento ele teria sido cometido. Ademais, convém destacar que a afirmação da impugnante de que teria procedido à tributação regular sobre todas as receitas efetivamente auferidas, numa tentativa de ratificar a apuração declarada à Receita Federal, obrigatoriamente resultaria na existência de incorreções nos registros mensais escriturados nos livros fiscais da empresa, como também nas informações prestadas ao mencionado órgão estadual, as quais haveriam que estar igualmente acompanhadas de comprovação nos autos. Ressaltese que as declarações prestadas à Receita Federal devem expressar a real apuração efetuada pela contribuinte com base em sua escrituração contábil/fiscal, mantida de conformidade com as normas legais e devidamente lastreada em documentos hábeis, pelo que a constatação de registro de receitas em montante superior ao adotado para apuração da base tributável de tributos ou contribuições configura omissão de receitas à tributação e autoriza o lançamento de ofício pela fiscalização. Estou convencido da correção do procedimento fiscal. Isso aliado ao fato de o contribuinte não trazer qualquer justifica para os erros que alega ter cometido na escrituração de suas receitas autoriza a conclusão que a exigência deve ser mantida. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001749/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A
apresentação de Livro Diário e Livro Razão, contendo informações diversas da realidade, omitindo informação verdadeira em sua totalidade e ainda, Notas Fiscais de Prestação de Serviços
com valores não contabilizados implica em descumprimento de obrigação acessória capitulada no art. 33, §§ 2° e 3° da Lei n°8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. . Fl. 203DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 204DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001749/200873 Acórdão n.º 240101.903 S2C4T1 Fl. 250 3 Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, com fulcro no art. 33, §§ 2° e 3° da Lei n°8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 82/86, a o AI foi lavrado em virtude da empresa ter apresentado o Livro Diário e Livro Razão, relativos ao período de 01/2004 a 12/2004, contendo informações diversas da realidade, omitindo informação verdadeira em sua totalidade e ainda, Notas Fiscais de Prestação de Serviços com valores não contabilizados (Anexo I) e "Planilhas de Apropriação Diária" contendo segurados não inscritos na Previdência Social, que exerceram atividades laborais, sem que os valores percebidos pelos mesmos fossem contabilizados (Anexo II); Inconformada com a Decisão de fls. 222/229 a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Que houve a retificação da escrituração das Notas Fiscais e ainda que a retificação não tenha se realizada sob a ótica contábil pelo meio mais adequado, a mesma cumpriu seu objetivo e não houve prejuízo ao erário. Que a Recorrente nunca afirmou que trabalhava exclusivamente com contratos de supervisão ou líderes de equipe, conforme erroneamente constata a autoridade julgadora. Afirma que o "Controle de Apropriação Diária" não possui qualquer prisma tributário ou contábil, presta tãosomente para manter a cliente informada dos profissionais que estão trabalhando. Sustenta que o Auditor Fiscal se equivocou em considerar que o "Controle de Apropriação Diária" tratavase de controle dos funcionários da Contribuinte, quando na realidade tratase de controle da equipe (funcionários próprios e de outras empresas) supervisionada pela mesma. Defende que inexiste qualquer outro documento ou fato que indica que as pessoas relacionadas no "Controle de Apropriação Diária" seriam funcionários da Recorrente. Que apesar da Autoridade Fiscal afirmar ter se utilizado de provas indiciárias, na realidade utilizouse de simples presunção, sendo certo que o mesmo partiu de um documento, sem conteúdo substancial probatório. Insiste que apesar de não se tratar de funcionários da Recorrente, e sim funcionários de várias empresas que esta fazia supervisão, conforme será minuciosamente apreciado no mérito, o lançamento da multa é indevido, eis que os segurados não estavam inscritos no INSS não sendo obrigatório, portando, o preenchimento das obrigações acessórias, sendo ainda aplicada multa isolada por este fato, sendo indevida a cumulação. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Requer por fim, seja considerada improcedente a autuação fiscal. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.001749/200873 Acórdão n.º 240101.903 S2C4T1 Fl. 251 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que constitui fato gerador da obrigação acessória qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não constitua a obrigação principal. O descumprimento de obrigação acessória sujeita o infrator à multa de acordo com a legislação previdenciária, ou seja, tanto a obrigação quanto a multa aplicada tem previsão na legislação. Em que pese o inconformismo da recorrente, seus argumentos são desprovidos de suporte fático e jurídico capazes de macular a autuação. A presente autuação ocorreu tendo em vista que a fiscalização verificou que a recorrente apresentou Livro Diário e Livro Razão, relativos ao período de 01/2004 a 12/2004, contendo informações diversas da realidade, omitindo informação verdadeira em sua totalidade e ainda, Notas Fiscais de Prestação de Serviços com valores não contabilizados. Diante de tal constatação, a recorrente foi autuada por afrontar o disposto no 33, §§ 2° e 3° da Lei 8212/91. Embora a recorrente tente em seu recurso demonstrar a inexistência de vínculo entre os segurados listados pela fiscalização e os contribuintes individuais, cumpre esclarecer que tais fatos foram objeto de análise nas Notificações Fiscais lançadas contra a recorrente, julgadas procedentes por este conselho, razão pela qual não serão novamente objeto de análise. Desta forma, não há como se reconhecer a correção da falta como quer a recorrente, estando até a presente data incorreta a documentação da empresa. Assim, não só correto foi a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo autoridade fiscal, como encontrase devidamente fundamentada a multa aplicada.. Desse modo, a autuação deve persistir integralmente. Portanto, tendo a autuação obedecido todos os preceitos legais e estando revestida dentro das formalidades legais, não há que se falar na improcedência do AI. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 207DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Fl. 208DF CARF MF Emitido em 07/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 06/07/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10680.015471/2005-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE
ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA.
À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI
2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços
não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a
caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o
conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e
Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de
assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades,
relativamente aos serviços prestados que façam parte de seu objeto social.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.088
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades, relativamente aos serviços prestados que façam parte de seu objeto social. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 166 a 261) apresentado em 22 de maio de 2009 contra o Acórdão no 0221.372, de 02 de março de 2009, da 1ª Turma da DRJ / BHE (fls. 150 a 159), cientificado em 22 de abril de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro de 2000 a dezembro de 2001, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 10 de novembro de 2005, de acordo com o termo de fls. 15 a 21. A Fiscalização esclareceu, inicialmente, que a Interessada “é uma sociedade civil, sem fins lucrativos, detentora de Declaração de Utilidade Pública Estadual e Federal, Conforme Decreto no 91.108 de 12 de março de 1985, e certidão com validade até 30 de abril de 2006, cópias em anexo. Intimado o mesmo informou que é detentor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, CNAS, nos termos do inciso II do artigo 55, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, conforme certidão e protocolo de requerimento de prorrogação em anexo às folhas 43 a 49.” Entretanto, segundo a Fiscalização, as entidades de educação não se caracterizariam como “entidades beneficentes de assistência social” e somente seriam isentas as receitas de suas atividades próprias, conforme art. 14, X, da Medida Provisória no 1.8586, de 1999, sujeitandose “à incidência da Cofins todas as demais receitas que não se enquadrem no conceito de receita típica ou de atividades próprias” a partir de 1º de janeiro de 1999. Ademais, segundo a Instrução Normativa SRF no 247, de 2002, art. 47, § 2º, , “Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 3 3 de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” Concluiu que as receitas decorrentes de “atividades econômicas de prestação de serviços (mensalidades escolares, taxas escolares), por corresponderem à contraprestação dos serviços prestados pela entidade”, sujeitarseiam à Cofins. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 05/14, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 1.104.201,59, incluindo multa de ofício e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 07/08. A autuação ocorreu em virtude de falta de recolhimento da Cofins referentes às receitas não próprias, decorrentes de mensalidades escolares, taxas escolares, alugueis, aplicações financeiras e outras, por corresponderem à contraprestação dos serviços prestados pela entidade. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 08. Cientificado em 10/11/05 (fls. 05), o interessado apresentou, em 07/12/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 88/94, acompanhado dos documentos de fls. 95/144, com as suas razões de defesa, assim resumidas: A Província Santa Clara é uma Entidade Filantrópica, sendo detentora dos seguintes títulos: Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelo CNSS; Título de utilidade Pública Federal, concedido pelo Decreto nº 70.036 de 24 de janeiro de 1972; Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional do Serviço social. A entidade tem imunidade tributária conforme estabelece a Constituição no art. 150, inciso IV, letra “c”, e artigos 9º, inciso IV, letra “c” c/c o artigo 14 do Código Tributário Nacional – CTN. A autuação é improcedente, porque, em primeiro lugar, detém a imunidade tributária assegurada pelo Decretolei 1.572, de 01 de setembro de 1977, imunidade esta objeto de matéria já pacificada pelo STJ e STF, estando imune ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais a favor do INSS, na qual se inclui a Cofins. Em segundo lugar, a entidade é uma entidade beneficente de assistência social, fazendo jus à imunidade previdenciária estabelecida na constituição federal, art. 195, § 7º, cuja imunidade também inclui a Cofins. Em terceiro lugar, a entidade faz jus à imunidade estabelecida no art. 9º c/c art. 14 do CTN, que foi recepcionado pela Constituição Federal como Lei Complementar. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 4 4 Em quarto lugar, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a Cofins, isenta expressamente as atividades sem fins lucrativos, educacionais e de assistência social, do recolhimento da Cofins. Em quinto lugar, a entidade tem dentre suas finalidades as atividades educacionais, e, em consequencia, as receitas de mensalidade escolares e as taxas cobradas pela entidade constituem receitas próprias da entidade, conforme dispõe seu estatuto, art. 55. Em sexto lugar, a interpretação do que seja receita própria, dada pela IN 247, de 27/11/2002, da SRF, além de não ter força de lei, e nem ter poder de regulamentar lei, é completamente equivocada. Recebimento de doações, subvenções, contribuições de associados etc. constituem receita própria da entidade, mas as mensalidades escolares também o são. Tratandose de uma entidade que tem por principal atividade a educação, a receita de mensalidade é justamente a sua principal receita própria e a manutenção dos objetivos sociais é custeada justamente com as receitas de mensalidade; as demais são eventuais. Sem o recebimento das mensalidades escolares a entidade não teria como cumprir os seus objetivos sociais, não teria como se manter e nem mesmo como efetuar o pagamento aos seus professores. Nesse sentido, há inúmeras decisões judiciais que dispõem que todas as receitas das entidades filantrópicas são imunes, já que são aplicadas nos seus objetivos sociais. Assim, a interpretação de “receita própria” dada pela Receita Federal não tem respaldo em lei, já que as receitas contraprestacionais – na qual se incluem as mensalidades escolares e as taxas de matrícula – constituem receitas próprias da entidade. Quanto às demais receitas, tais como aluguel de quadras, aluguel de salas e receitas financeiras, recentemente o STF decidiu que tais receitas não constituem fato gerador da Cofins, incidindo a Cofins somente sobre o faturamento das empresas, ou seja, sobre venda de mercadorias e/ou serviços, não incidindo sobre as demais receitas, o que constitui uma razão a mais para a não incidência da Cofins. Em sétimo lugar, a entidade goza da isenção a que se refere o art. 55, “caput”, c/c o art. 23 da Lei 8.212/91. O contribuinte juntou documentos procurando comprovar que a província Santa Clara é entidade sem fins filantrópicos desde 1975, e que é entidade beneficente de assistência social, devidamente inscrita no CNAS. Juntou, também, cópias de decisões jurisprudenciais, mostrando que as entidades Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 5 5 amparadas pelo DecretoLei nº 1.572/77 tem direito adquirido à imunidade relativa à parcela patronal para a Previdência Social. Requer o cancelamento da autuação. No recurso, alegou que “a promoção da integração ao mercado do trabalho”, campo em que se incluiriam as entidades de educação, seria considerada pela Constituição como forma de assistência social. Ademais, o art. 3º da Lei no 8.742, de 1993, definiria as entidades que poderiam ser consideradas de assistência social, tendo obtido o certificado, além de declarações de utilidades pública. Dessa forma, seria inquestionável legalmente seu status de entidade beneficente de assistência social, pois o órgão competente para tal deliberação seria unicamente o Conselho Nacional de Assistência Social CNAS. Sobre o conceito de atividades próprias, alegou que o Parecer Normativo CST no 5, de 1992, aplicarseia somente aos casos de entidades classistas e assemelhadas, conforme entendimento do antigo 2º Conselho de Contribuintes no Acórdão no 20218.802, de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No presente processo, é indiscutível a caracterização da Interessada como entidade beneficente de assistência social, uma vez que o Decreto n. 4.524, de 2002, estabelece o seguinte em seu art. 46, parágrafo único, conforme destaques a seguir efetuados: Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Parágrafo único. Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 6 6 anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Vale dizer, embora o art. 55 da Lei no 8.212, de 1992, regule o art. 195, § 7º, da Constituição, a legislação infralegal trata as entidades de educação que possuam o certificado de entidade beneficente de assistência social (fl. 46 dos autos) como isentas da Cofins somente em relação às suas atividades próprias. No caso, aplicase o art. 62 do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2010, conforme abaixo destacado: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, a interpretação do Decreto de que a entidade seria restritamente isenta e não imune não pode ser afastada pelo Carf. O que se pode discutir e o que se discute, portanto, no âmbito do presente recurso é o conceito de atividades próprias, efetuado pela IN SRF no 247, de 2002. Para analisar a questão, valhome inicialmente do voto proferido no âmbito do Recurso no 123.425, muito embora lá se tenha discordado do entendimento do Regulamento do PIS/Pasep e Cofins: Ocorre que há duas situações distintas. Primeiramente, há a isenção prevista na MP n. 2.15835, de 2001, art. 14, X, que diz respeito às entidades relacionadas no art. 13: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: “I templos de qualquer culto; “II partidos políticos; “III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; “IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; “V sindicatos, federações e confederações; “VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; “VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; “VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 7 7 “IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e “X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1º da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971.” Outra situação é a da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal: “7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” A disposição, na realidade, caracteriza uma imunidade subjetiva, já que a regra de não incidência está prevista no texto constitucional. Dispõe o no art. 150, VI, c, da Constituição: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: “(...) “VI instituir impostos sobre: “(...) “c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;” A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmouse no sentido de que as limitações do art. 150, VI, não se aplicam às contribuições sociais, uma vez que especificamente trata de impostos1. Ademais, sendo a Cofins contribuição incidente sobre o faturamento, não está abrangida por essa imunidade, que se refere apenas ao patrimônio, renda e serviços das entidades de assistência social. Portanto, para que seja imune à incidência da Cofins, a entidade deve ser de assistência social, nos termos do art. 195, § 7º, da Constituição e atender aos requisitos previstos em lei. 1 EMENTA: Imunidade tributaria. Contribuições para o financiamento da seguridade social. Sua natureza jurídica. Sendo as contribuições para o FINSOCIAL modalidade de tributo que não se enquadra na de imposto, segundo o entendimento desta Corte em face do sistema tributário da atual Constituição, não estão elas abrangidas pela imunidade tributaria prevista no artigo 150, VI, "d", dessa Carta Magna, porquanto tal imunidade só diz respeito a impostos. Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido. Recurso extraordinário conhecido e provido. (RE 141715 / PE. Relator(a): Min. MOREIRA ALVES. Publicação: DJ DATA25081995 PP26031 EMENT VOL0179705 PP00838.) Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 8 8 No tocante à imunidade, a Lei n. 8.212, de 1991, encarregouse de dispor sobre as exigências, para sua fruição. A isenção a que se refere a MP n. 2.15835, de 2001, art. 14, aplicase às instituições de educação e de assistência social (art. 12 da Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997) e às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações (art. 15 da Lei n. 9.532, de 1997). Dispõem os mencionados artigos: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.189 49, de 2001) “(...) “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. “§ 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subsequente.” Portanto, o art. 12 definiu o que seriam as instituições de educação e as entidades de assistência social, para efeito da imunidade do art. 150, VI, c, da CF, enquanto que o art. 15 estabeleceu uma isenção para as entidades filantrópicas sem fins lucrativos. A MP n. 2.15835, de 2001, portanto, estendeu a isenção da Cofins às entidades relacionadas nos arts. 12 (imunes do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro) e 15 (isentas do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro) da Lei n. 9.532, de 1997, sem distinguir as entidades beneficentes de assistência social abrangidas pela imunidade do art. 195, § 7º, da CF. Portanto, as entidades beneficentes de assistência social, que satisfaçam as exigências legais (art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991) são imunes das contribuições sociais. Já as instituições de assistência social, que satisfaçam as exigências legais (art. 12 da Lei n. 9.532, de 1997) são isentas da Cofins, somente em relação às receitas próprias da atividade, ainda que não se enquadrem nas condições de imunidade. Há que se observar que o disposto no art. 17 da MP n. 2.15835, de 2001, não prejudicou a conclusão, pois o dispositivo referese Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 9 9 à entidades beneficentes de assistência social, e não à instituição de assistência social. “Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991.” [...] Já a entidade beneficente de assistência social, além dessas condições, deve ainda satisfazer os outros requisitos do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991. Antes da Lei n. 9.732, de 1998, deveria ser reconhecida como e utilidade pública federal ou estadual (ou municipal), portar o certificado de filantropia do CNAS, promover a assistência social beneficente, não remunerar os diretores e aplicar o resultado operacional na manutenção de seus objetivos. Com a Lei n. 9.732, de 1998, passou a ser exigida a condição de prestar gratuitamente seus serviços. [...] Em relação às disposições da Lei n. 9.732, de 1998, que alteraram o art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, foram apresentadas as ADI n. 2028 e 2036 ao Supremo Tribunal Federal, que se manifestou da seguinte forma, no julgamento da medida cautelar na ADI 20282: “EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a ‘lei’ para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’ sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, 2 Relator: Min. Moreira Alves. Publicação: DJ DATA16062000 PP00031 EMENT VOL0199501 PP00150. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 10 10 VI, ‘c’, da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II (‘Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar’), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em consequência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar, na ADIN 2028, para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta, ficando prejudicada a requerida na ADIN 2036.” Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 11 11 A decisão do STF foi a seguinte3: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99.” Também reproduzo, para maior esclarecimento, a parte final do voto do Ministro Moreira Alves: “[...] Com efeito, a Constituição, ao conceder imunidade às entidades beneficentes de assistência social, o fez para que fossem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios auxiliados nesse terreno de assistência aos carentes por entidades que também dispusessem de recursos para tal atendimento gratuito, estabelecendo que a lei determinaria as exigências necessárias para que se estabelecessem os requisitos necessários para que as entidades pudessem ser consideradas beneficentes de assistência social. É evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, que continua em vigor, exige que a entidade “seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos”), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse benefício concedido pelo § 7° do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem às exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida como de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se destinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades – que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam – que devem ter sua criação estimulada para o auxílio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia. “De outra parte, no tocante às entidades sem fins lucrativos educacionais e de prestação de serviços de saúde que não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, a própria extensão da imunidade foi restringida, pois só gozarão desta ‘na proporção do valor das vagas cedidas 3 Sítio do STF na Internet: <http://www.stf.gov.br/Jurisprudencia/It/imagem1.asp?classe=ADI%2DMC&processo=2028&tipo=221&ORIGE M=IT&cod_classe=555&ministro=0&remonta=1&disco=22&pagina=149&contador=1&ementa=1995&tipo_cole cao=EMENTARIO> Acesso em 25/05/2005. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 12 12 integral e gratuitamente a carentes, e do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial’, o que implica dizer que a imunidade para a qual a Constituição não estabelece limitação em sua extensão o é por lei. “5. Também ocorre, para a concessão da liminar, o requisito do ‘periculum in mora’, tendo em vista a circunstância de que inúmeras entidades deixarão de ser consideradas como entidades beneficentes de prestação de serviços de saúde e de educação, com danos irreparáveis para a coletividade carente que vem sendo atendida por elas. “6. Em face do exposto, e pelas razões expostas, voto no sentido de ser referendado o despacho do eminente Ministro Marco Aurélio que concedeu a liminar requerida, concessão esta que, por aproveitar à requerida na ADIN 2.036, torna prejudicada a pedida nesta.” Foram, portanto, duas as alegações fundamentais trazidas ao exame do STF: 1) inconstitucionalidade formal, por não se tratar de lei complementar, e 2) inconstitucionalidade material, por ter a lei limitado o conceito de assistência social, como definido pela Constituição. A redação atual do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, é a seguinte: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide Lei nº 9.429, de 26.12.1996) “I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; “II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001) “III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) e (Vide Adin 20285, de 20.11.98) “IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; “V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 13 13 “§ 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. “§ 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. “§ 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) “§ 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) “§ 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) “§ 6o (Vide Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001)” Os dispositivos em negrito foram suspensos pela medida cautelar, inclusive o § 5º, que exigia, para as entidades que prestassem serviços de saúde, a prestação de no mínimo 60% ao Sistema Único de Saúde – SUS. A redação anterior do inciso III era a seguinte: “III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes;” No acórdão 20177.757, votei com a divergência, manifestada em declaração de voto da Eminente Conselheira Adriana Gomes Rêgo Galvão. A divergência assentouse na descaracterização, como assistência social, de prestação de serviços não gratuitos, conforme demonstra a reprodução abaixo da declaração de voto: “É de se observar que, não obstante a recorrente possuir certificado de filantropia, o mesmo não significa dizer que se trata de entidade beneficente de assistência social, pois a assistência social envolve, como a própria Constituição consagra, a universalidade do serviço (‘a quem dela precisar’) e a gratuidade do mesmo (‘independentemente de contribuição à seguridade social’), de forma que se a empresa cobra pelo serviço prestado, não se pode falar em assistência social, e, por conseguinte, tais receitas devem ser tributadas.” Essa questão está explicitada no inciso III e no § 3º do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n. 9.732, de 1998, dispositivos esses que foram suspensos pela medida cautelar concedida pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 14 14 A questão tem os seguintes contornos: as disposições do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, determinam que somente se caracterizam como de assistência social as entidades que prestem serviços gratuitos; tais disposições foram suspensas pelo STF, em razão de ter entendido que o conceito de assistência social contida na Constituição é mais amplo (conteúdo material); a questão formal, de que somente lei complementar poderia ter instituído as limitações, embora considerada tese relevante, não determinou a concessão da medida cautelar4. Reproduzo parte do voto do Ministrorelator, que evidencia o afirmado (http://www.stf.gov.br/Jurisprudencia/It/frame.asp?classe=ADI MC&processo=2028&origem=IT&cod_classe=555): “Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito.” Nas restrições implementadas pela nova lei está a questão da obrigatoriedade da prestação de serviços gratuito, para que a entidade seja imune à Cofins. Portanto, a decisão do STF eliminou virtualmente as distinções que poderiam ser feitas, relativamente às duas situações analisadas, no que tange à gratuidade dos serviços (instituição de assistência social, isenta da Cofins, relativamente às receitas de atividades próprias; entidade beneficente de assistência social, imune à Cofins), permanecendo apenas os demais requisitos exigidos pela Lei n. 8.212, de 1991, que, no presente caso, são preenchidos pela recorrente, ao menos para parte do período objeto do pedido de restituição. A questão de mérito levantada nos presentes autos, portanto, está em discussão no Supremo Tribunal Federal, a quem caberá a última palavra. Se o Supremo Tribunal Federal decidir que as alterações da Lei n. 9.732, de 1998, são inconstitucionais, não se poderá negar o direito à restituição. Se decidir que são constitucionais, então a incidência da Cofins estaria correta, pois a isenção prevista na MP n. 2.15835, de 2001, não abrangeria as receitas de prestação de serviço. O que se conclui da análise acima é que a gratuidade não é condição para considerar uma entidade como “beneficente de assistência social”, tanto assim que as alterações da Lei no 9.732, de 1998, foram consideradas inconstitucionais. 4 Fl. 14DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 15 15 O fato é que, ainda que preste serviços de forma remunerada, a entidade pode ser considerada “beneficente de assistência social”. Portanto, não há como desqualificar a receita de atividade remunerada como “própria” da entidade, pelo fato de ser contraprestacional. Por força do Regimento Interno, não se pode afastar a interpretação de que as entidades de educação não são imunes mas apenas isentas da Cofins em relação às receitas de atividades próprias. Entretanto, sendo plenamente possível a apreciação dessa última matéria e não havendo definição legal do que seja “receita de atividade própria”, há que se afastar a interpretação contida na IN da Receita Federal, diante de tudo o que foi acima exposto. Por fim, devese citar o que já foi decidido pelo antigo 2o Conselho de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em relação à Fundação Universidade do Vale do Itajaí no processo 10909.000846/0043: COFINS IMUNIDADE As entidades beneficentes que prestam assistência social no campo de educação, para gozarem da imunidade constante do parágrafo 7° do art. 195 da Constituição, devem atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei n°8.212/91. Recurso provido. (Ac. 20309.843) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 30/06/1994 a 31/01/1999 IMUNIDADE DAS ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. REQUISITOS. Anteriormente à Lei n" 9.732, de 1998, considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em medida cautelar que suspendeu parte de seus dispositivos, a legislação não exigia a gratuidade de todos os serviços das instituições de educação para terem direito à imunidade subjetiva do art. 195, § 7, da Constituição Federal. O certificado expedido pelo CNAS constitui prova da satisfação dos requisitos legais para a fruição da imunidade, que somente poderia ser elidida por contraprova especifica produzida pelo fisco. Recurso Especial do Procurador Negado (Ac. CSRF 0203.493) Dessa forma, em relação às receitas vinculadas à prestação de serviços de ensino, incide a isenção relativa às atividades próprias. Quanto às demais receitas, que, segundo a Interessada, referirseiam a aluguel de quadras, aluguel de salas e receitas financeiras, a Fiscalização não justificou sua inclusão no TVF, uma vez que somente citou as receitas de mensalidades e taxas escolares. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 16 16 Entretanto, se eventualmente incluídas na base de cálculo, caberia sua exclusão à vista da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins promovida pelo art. 3º da Lei no 9.718, de 1998 O art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 16DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.015471/200587 Acórdão n.º 330201.088 S3C3T2 Fl. 17 17 Fl. 17DF CARF MF Emitido em 18/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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