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Numero do processo: 10680.013201/2006-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
Compensação Contábil. Declaração De Compensação.
A partir de 01/10/2002 a sistemática para a compensação de tributos, ainda que de mesma espécie, foi alterada (Lei nº 10.637/02). A compensação de crédito com débitos tributário requer a apresentação de Declaração de Compensação, não surtindo efeitos a compensação efetuada somente na contabilidade.
Multa De Ofício. Estimativas Não Recolhidas. Penalidade.
O contribuinte que opta, mas não cumpre a obrigação de antecipar os recolhimentos de tributos apurados em bases de cálculos estimadas, como impõe a norma tributária, sujeita-se à aplicação de penalidade consoante norma tributária vigente.
Numero da decisão: 1801-001.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 Compensação Contábil. Declaração De Compensação. A partir de 01/10/2002 a sistemática para a compensação de tributos, ainda que de mesma espécie, foi alterada (Lei nº 10.637/02). A compensação de crédito com débitos tributário requer a apresentação de Declaração de Compensação, não surtindo efeitos a compensação efetuada somente na contabilidade. Multa De Ofício. Estimativas Não Recolhidas. Penalidade. O contribuinte que opta, mas não cumpre a obrigação de antecipar os recolhimentos de tributos apurados em bases de cálculos estimadas, como impõe a norma tributária, sujeita-se à aplicação de penalidade consoante norma tributária vigente.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A partir de 01/10/2002 a sistemática para a compensação de tributos, ainda que de mesma espécie, foi alterada (Lei nº 10.637/02). A compensação de crédito com débitos tributário requer a apresentação de Declaração de Compensação, não surtindo efeitos a compensação efetuada somente na contabilidade. MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. PENALIDADE. O contribuinte que opta, mas não cumpre a obrigação de antecipar os recolhimentos de tributos apurados em bases de cálculos estimadas, como impõe a norma tributária, sujeitase à aplicação de penalidade consoante norma tributária vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Henrique Heiji Erbano e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 32 01 /2 00 6- 12 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Os presentes autos foram objeto de apreciação por esta Turma Julgadora que entendeu converter o julgamento, naquela ocasião, na realização de diligências, consoante Resolução nº 1801000.63/11, da qual aproveito os trechos para historiar os fatos – fls. 552 a 558: “A empresa recorre do Acórdão nº 0223.950/09 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG, fls. 515 e seguintes, que manteve em parte a autuação sofrida, consubstanciada nos Autos de Infração lavrados para a exigência fiscal de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário de 2002, bem como multa isolada pelos não recolhimentos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL – fls. 02 a 19, perfazendo o total de R$ 432.339,73, incluídos os juros e as multas pertinentes. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 Falta de recolhimento/declaração do Imposto de Renda: insuficiência de recolhimento ou declaração: insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ e os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) em anexo. 002 Multas isoladas Falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada: insuficiência de recolhimento ou de declaração do imposto de renda devido, apurado pelo cotejo entre dados declarados em DIPJ e os declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados, conforme TVF. No mencionado TVF, anexado às fls. 08/10, foi feito o detalhamento da exigência, contendo a análise da autoridade fiscal e os demonstrativos de apuração das infrações. Por sua vez, consta das fls. 11/16 o auto de infração para exigência de Contribuição Social s/ Lucro Líquido (CSLL), multa de ofício e juros de mora calculados até 31/10/2006, além de multa isolada, no montante de R$132.235,16, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2003. Cientificado das exigências em 01/12/2006, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 92, o contribuinte apresentou impugnações distintas, em 28/12/2006, pertinentes aos lançamentos do IRPJ e da CSLL, às fls. 93/356. No tocante à impugnação referente ao IRPJ (fls. 93/103), inicia o autuado fazendo uma síntese do lançamento. Prossegue o impugnante salientando que, durante o anocalendário de 2002, efetuou a compensação dos valores que detinha para serem compensados, provenientes de créditos de IRPJ acumulados nos anos base anteriores, conforme documentos em anexo, notadamente cópias do Livro Razão Analítico, que demonstram nitidamente o saldo credor acumulado de IRPJ relativo aos anos de 1999, 2000 e 2001. Conforme pode ser observado nas anexas cópias do Livro Razão Analítico, em 31/12/2001, o saldo credor acumulado de ÍRPJ importava em R$ 205.437,62, do qual deduzida a provisão de R$ 82.437,62 restou, em 02/01/2002, um saldo credor remanescente de R$ 122.961,28. Observase, por outro lado, que este saldo credor de IRPJ foi utilizado justamente para a compensação do valor de R$ 139.177,04, equivalente ao Imposto de Renda, por Fl. 578DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Acórdão n.º 1801001.693 S1TE01 Fl. 3 3 estimativa, apurado durante o anobase de 2002, restando, por fim, em 31.12.2002, ainda um saldo credor de R$ 8.080,19. Assim, na referida operação, notase de forma muito clara a compensação tributária realizada com base no saldo acumulado dos anos anteriores, o que evidencia sobremaneira a ausência IRPJ a pagar. Salienta o defendente que o simples fato de o contribuinte não ter informado, por meio das DCTF, a efetivação da compensação acima descrita não autoriza a exigência fiscal sobre os valores compensados. Assevera que o erro no preenchimento de declarações e formulários a serem entregues ao Fisco não pode dar ensejo à exigência de tributo já quitado, uma vez que não há, nesta hipótese, qualquer prejuízo ao Erário. Não se pode perder de vista, ainda, que a compensação tributária nada mais é que um mero encontro de contas realizado pelo contribuinte que, até o advento da Lei n° 10.637, de 30.12.2002, não dependia de qualquer formalidade ou mesmo pedido junto à Receita Federal, sendo certo que para sua realização bastaria ao contribuinte apurar o tributo e realizar o encontro de contas, recolhendo o eventual saldo encontrado aos cofres públicos. Considerandose, portanto, que os procedimentos de compensação foram efetuados antes da vigência da Lei n° 10.637, de 2002, não existia à época necessidade de pedido ou de atendimento a qualquer formalidade, incluindo o cumprimento de obrigação acessória, como condição de validade do próprio procedimento de compensação. Salienta que, para lavrar o Auto de Infração, a Receita se baseou em informações obtidas internamente, sem se ater à veracidade dos fatos envolvidos, afrontando o princípio da verdade material e os comandos da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que prevêem que os atos e decisões administrativas devem ser fundamentados, com a indicação de todos os pressupostos que os determinaram, o que não ocorreu in casu. O impugnante, em respeito ao princípio da eventualidade, suscita ainda a ilegitimidade da exigência de multa de ofício no caso, tendo salientado que, a rigor, a ilicitude da aplicação da multa de ofício na hipótese dos autos em que os débitos são informados pelo próprio contribuinte, por meio de DCTF vem sendo reconhecida, reiteradamente, pelo Conselho de Contribuintes. Lado outro, mesmo que sejam ultrapassados todos os argumentos supra, não é de prevalecer a aplicação de multa isolada sobre o valor das antecipações de IRPJ, apuradas segundo o regime de estimativa, que teriam deixado de ser pagas pelo impugnante, em conjunto com a multa de ofício pelo não pagamento da exação, apurada ao final do exercício. Diante desse quadro, uma vez constatada a infração decorrente da falta de pagamento dos valores de IRPJ apurados ao final do anocalendário, não há que se falar em uma segunda infração pela ausência de recolhimento do tributo por estimativa, visto que esta última está, obviamente, contida na primeira, por se tratar de simples antecipação.” A empresa, analogamente, suscita as mesmas razões em relação à autuação de CSLL. A turma de julgamento a quo converteu o julgamento na realização de diligência objetivando que se verificasse junto à contabilidade da empresa a veracidade das informações e a existência do saldo de prejuízo fiscal (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL), bem como as alegadas compensações efetuadas na escrituração, tendo em vista que esta forma de compensação foi admitida até outubro de 2002 – Resolução nº 966/08, fls. 359 a 364. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Em resposta a autoridade fiscal designada ao feito esclareceu: “Durante a diligência na sede da empresa em 21/01/2009 foi disponibilizado os livros Diário e Razão do anocalendário de 2002. Analisando estes livros verificase que as cópias do Livro Razão apresentadas refletem o que está escriturado no Livro Diário, o qual, está registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais. As cópias autenticadas encontramse as fls. 383 a 389. Verificase, também, que as compensações das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL foram efetivadas através de lançamentos realizados no dia 31/12/2002, na fl. 609 do Diário Geral N° 35(documentos de fls. 383 a 385).Portanto, os lançamentos foram realizados em período no qual não era permitida a compensação na escrita fiscal e sim era obrigatória a apresentação de Declaração de Compensação.” A empresa devidamente intimada a se manifestar defendeuse dizendo que a norma tributária que modificou as regras da compensação – Lei nº 10.637/02 – instituindo a obrigatoriedade da entrega de Declaração de Compensação – Dcomp começou a vigorar somente a partir do anocalendário de 2003, uma vez publicada no DOU em 31/12/02. A turma julgadora de primeira instância afastou as nulidades suscitadas e esclareceu à recorrente que: “Segundo consta do TVF, na DCTF apresentada pelo autuado, não foram informadas as estimativas do IRPJ e da CSLL relativamente aos meses do anocalendário de 2002, não tendo sido informados também os pagamentos ou compensações efetuados. O impugnante sustentou que procedeu à compensação tributária com base no saldo acumulado dos anos anteriores, evidenciando a ausência de IRPJ e CSLL a pagar. Acentuou que a compensação foi efetuada antes da vigência da Lei n° 10.637, de 2002, inexistindo, à época, necessidade de pedido ou atendimento a qualquer formalidade. Primeiramente cumpre salientar que a compensação constitui uma modalidade de extinção do crédito tributário, porém o encontro de contas permitido no Código Tributário Nacional (CTN) é somente o previsto em lei específica, nas condições e sob as garantias que ela estipular (art. 170). Nestas circunstâncias, conforme foi evidenciado na Resolução DRJ/BHE n° 966, de 2008, o contribuinte anexou aos autos folhas do Razão Analítico (fls. 195/220 e 329/353), que evidenciariam a existência de saldos credores de IRPJ e de CSLL de períodos anteriores, suficientes para fazer face às estimativas mensais desses mesmos tributos no anocalendário de 2002. Nos demonstrativos de fls. fls. 221/222 e 354/355, o contribuinte consolidou as compensações efetivadas nesse período. [...] Nesse sentido, cabe ressaltar que no anocalendário de 2002, objeto do lançamento fiscal, a legislação pertinente à compensação sofreu alterações importantes, conforme se passa a explicitar em apertada síntese. Até então vigoravam as disposições do art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, segundo as quais, em se tratando de tributos da mesma espécie, era facultado ao contribuinte, por iniciativa própria, compensar seus débitos com créditos para com a Fazenda Pública decorrentes de recolhimentos indevidos ou a maior, sem que lhe fosse exigido, como requisito de validade da compensação, a anuência prévia da autoridade fiscal ou a comunicação do exercício da faculdade à repartição fazendária de sua circunscrição. Evidentemente, que a escrituração do contribuinte deveria retratar as compensações levadas a efeitos nessas condições. A matéria, à época, foi regulada pela Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, e alterações posteriores, que, em seu art. 14, estipulava que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando Fl. 580DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Acórdão n.º 1801001.693 S1TE01 Fl. 4 5 resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Porém, com o advento da Medida Provisória n° 66, de 29 de agosto de 2002, em seu art. 49, que deu nova redação ao art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, as compensações ficaram condicionadas à entrega pelo sujeito passivo de declaração específica (DComp). Essa norma entrou em vigor a partir de 1° de outubro de 2002 e a citada MP foi convertida posteriormente na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passando o assunto a ser regulado ainda na IN SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002.” (grifos pertencem ao original) Saliento o seguinte trecho do votocondutor: “Nesse sentido, notese que, assim como para proceder à constituição do crédito tributário, a fiscalização deve observar os ritos legais pertinentes, notadamente os previstos no Decreto n° 70.235, de 1972, e o prazo decadencial, sob pena de ser imputado nulo ou improcedente o lançamento, também em relação a eventuais indébitos tributários devem ser observadas as normas vigentes e procedimentos específicos quanto à formalização da compensação e atenção aos prazos prescricionais do direito creditório. No caso em comento, no período em que foram feitos os registros da compensação das estimativas mensais na escrituração (31/12/2002), a apresentação da DComp era condição essencial para conferir validade ao procedimento do contribuinte. Portanto, é legítimo o lançamento do IRPJ e da CSLL relativamente a fato gerador ocorrido em 31/12/2002, lembrando que, consoante disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Aquela turma julgadora segue no aresto tecendo considerações que justificam as aplicações das multas de ofícios incidentes sobre a ausência de recolhimento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, e, de igual forma, aplicadas devido à ausência dos recolhimentos das estimativas a que se obrigava durante o ano calendário de 2002. Apenas reduziu os percentuais desta última (75%) para 50% em vista da legislação posterior que reduziu e em observância ao princípio da retroatividade benigna. Inconformada, tempestivamente, a empresa apresentou o Recurso de fls. 537 e seguintes reprisando os argumentos da defesa inicial, argumentando de forma veemente que procedeu às compensações na forma permitida pela legislação tributária então vigente, que examinada a contabilidade a própria autoridade fiscal verificou a existência dos saldos negativos de períodos anteriores e IRRF mensais que compensou com as estimativas devidas a título de IRPJ e CSLL e que a Lei nº 10.637/02 que alterou as regras pertinente à compensação passou a vigorar somente a partir de 01/01/03. [...] Voto [...] Nos presentes autos, as folhas relativas ao Livro Diário da empresa juntadas nestes autos às fls. 383 a 389 estão completamente ilegíveis – em preto. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Justamente estas folhas serviram de fundamento para o relatório fiscal exarado em resposta à Resolução nº 966/08 de fls. 359 a 364. Verifico que está sendo exigido da empresa multa isolada pelas estimativas mensais não recolhidas de IRPJ e CSLL nos seguintes meses: Meses/2002 IRPJ CSLL fevereiro Sim Sim março Sim Sim abril Sim Sim maio Sim Sim junho Não Sim setembro Não Sim outubro Não Sim A autoridade diligente esclareceu: “[...] Verificase, também, que as compensações das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL foram efetivadas através de lançamentos realizados no dia 31/12/2002, na fl. 609 do Diário Geral N° 35 (documentos de fls. 383 a 385). [...]” (grifos não pertencem ao original) No voto condutor, ora atacado, restou dito: “No caso em comento, no período em que foram feitos os registros da compensação das estimativas mensais na escrituração (31/12/2002), a apresentação da DComp era condição essencial para conferir validade ao procedimento do contribuinte.” (grifos não pertencem ao original) Da análise destas informações, sem conseguir verificar os lançamentos registrados no Diário, não consigo entender o porquê da empresa, ou como, ter contabilizado as estimativas mensais (de fevereiro a outubro de 2002) em uma única data, em 31/12/2002. As assertivas neste sentido não parecem congruentes com os vencimentos das estimativas e com as normas contábeis. Parece que apenas o saldo do IRPJ e da CSLL anual é que foi compensado com saldos negativos anteriores e não qualquer das estimativas, conforme está escrito nos autos. Mas, a dúvida permanece. Destarte, proponho o retorno dos autos à unidade de jurisdição da contribuinte para que verifiquese: a) na contabilidade como as estimativas mensais, IRPJ e CSLL, foram registradas (em cada mês); b) juntar os balancetes de verificação mensais; c) se nos meses relativos às estimativas havia os saldos negativos respectivos para que não fossem efetivamente recolhidas, até setembro, devendo a autoridade designada fazer um quadro analítico Fl. 582DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Acórdão n.º 1801001.693 S1TE01 Fl. 5 7 abatendo os valores negativos de períodos anteriores até o saldo apurado no ajuste, tanto para o IRPJ como para a CSLL; d) esclarecer como a empresa contabilizou os saldos de IRPJ e CSLL devidos no ajuste (anocalendário de 2002, ex. 2003) e quais os valores informados a este título em DCTF. Os documentos que fundamentarem o relatório fiscal somente devem ser juntados de forma que, escaneados, se tornem legíveis. Do resultado desta diligência a empresa deve ser cientificada, sendolhe facultado manifestarse a respeito no prazo regulamentar.” A autoridade fiscal designada ao cumprimento das verificações solicitadas, elaborou o Relatório Fiscal de efls. 572 e 573, nos seguintes termos: “A partir das constatações oriundas da diligência, passo agora a responder os quesitos propostos na citada Resolução: a) Todos os registros contábeis nas contas do ativo do grupo 11210 Impostos a Recuperar (contas 0004Contr. Social sobre o Lucro, 0001 Imposto de Renda Pessoa Jurídica, 0009IRPJ Estimativa 2002 e 0011CSLL Estimativa 2002) e nas contas do passivo do grupo 21300Provisões (contas 0002Prov para Cont Social e 0005Prov para IRPJ) foram registrados em 31/12/2002, não havendo qualquer registro referente a este exercício em outra data. Não houve qualquer registro, no passivo, das obrigações referentes às estimativas. b) Apesar de intimada a tal, a empresa não apresentou os balancetes de suspensão/redução referentes ao exercício em tela. c) A existência de saldo suficiente para fazer face às estimativas mensais de IRPJ e CSLL, na escrita contábil do contribuinte, já foi reconhecida na resolução DRJ/BHE n° 966, como transcrito no próprio Relatório da Resolução 180100.063, motivo pelo qual deixo de elaborar o quadro analítico solicitado, por entender desnecessário. d) O contribuinte provisionou os valores devidos a título de ajuste do IRPJ e da CSLL à fl. 722 de livro Razão, conforme cópia anexa. Como já informado no Termo de Verificação Fiscal, não houve qualquer débito declarado em DCTF relativos a estes tributos.” Intimada a recorrente a se manifestar sobre o resultado das diligências, não o fez – efls. 575. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora O recurso voluntário já restou conhecido, por tempestivo. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 A questão a ser dirimida no presente conflito é sobre a recorrente haver ou não procedido às compensações das estimativas de tributos federais em sua contabilidade, haja vista este procedimento ter sido permitido até o mês de outubro de 2002 e/ou haver recolhido as mesmas, uma vez refutar as acusações de que assim não procedera, fato que ensejou a exigência das multas isoladas pelo não recolhimento das referidas estimativas de tributos, no caso, IRPJ e CSLL. A recorrente insiste em afirmar que efetuou as compensações devidas contabilmente, em 31/12/2002, data em que a norma tributária ainda lhe permitia tal procedimento, sem a obrigatoriedade de apresentar as Declarações de Compensações (Dcomp). Por seu lado, a Administração Tributária constata que: a) a recorrente não compensou as estimativas mensais em questão em DCTF; b) não houve compensação dos tributos devidos ao final do anocalendário, no caso, IRPJ e CSLL, nem pagamentos, razão pela qual os valores dos tributos apurados ao final do anocalendário foram exigidos ex officio; c) a contabilidade da empresa não demonstra as compensações das estimativas mensais apuradas consoante balancetes de suspensão/ redução, que sequer foram exibidos pela recorrente; d) a contabilidade da empresa limitase a exibir valores apurados ao final do anocalendário, em lançamentos realizados em 31/12/2002; Saliento, preliminarmente, que não houve autuação fiscal por omissão de receitas, mas somente pelos valores declarados pela recorrente. Cumpre esclarecer à recorrente que os seus procedimentos contábeis não podem ser admitidos para afastar a exigência das multas isoladas por ausência de recolhimento/compensação das estimativas mensais a que estava obrigada, em vista de não ter procedido às compensações mensais na contabilidade. A ausência de informações em DCTF a respeito das estimativas dos tributos devidas durante o anocalendário de 2002, com as pertinentes compensações, reforça a falha contábil da recorrente. As estimativas deveriam ter sido recolhidas/compensadas mensalmente, mediante o levantamento de balancetes de suspensão / redução mensais devidamente registrados no Livro Diário, à época dos fatos geradores. Não se pode admitir a baixa das estimativas mensais mediante a contra partida em conta de ‘provisões’ cujo saldo foi registrado em 31/12/2002. A autoridade diligente bem destacou que não há registro contábil no passivo das obrigações referentes às estimativas de 2002. Portanto, a tese argüida pela recorrente de que compensou esta diferença contabilmente com saldo de negativos de períodos anteriores, como bem explicado pela Turma Julgadora a quo, ainda que, comprovasse minuciosamente a origem do alegado crédito, este procedimento não pode ser admitido pois realizado ao arrepio das normas tributárias vigentes desde outubro de 2002. A compensação contábil somente foi admitida até o mês de outubro de 2002 e não até dezembro de 2002, como afirma a recorrente. Ocorre que a Lei nº 10637/02, que alterou profundamente a redação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 ao instituir a Declaração de Compensação – Dcomp, como meio Fl. 584DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10680.013201/200612 Acórdão n.º 1801001.693 S1TE01 Fl. 6 9 necessário para que se procedesse a qualquer compensação de créditos com débitos de tributos próprios, é fruto da transformação da Medida Provisória nº 66 editada em agosto de 2002: Art. 49. O art. 74 da Lei no 9.430, de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. E dispôs a mesma norma, sobre a vigência das disposições inseridas no artigo 49 acima referido: Art. 63. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de outubro de 2002, em relação aos arts. 31 e 49; (grifos não pertencem ao original) E, em se tratando da modalidade de extinção de tributo, por compensação, o Código Tributário Nacional é claro ao declinar para a norma tributária estipular as condições e garantias sine qua non para que os contribuintes possam usufruir deste instituto: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifos não pertencem ao original) Dada a natureza cogente das normas tributárias, em especial as que tratam de compensação, insuscetíveis de invocação os princípios da verdade material, razoabilidade e outros que negam a observância das mesmas quando a forma é inerente ao direito, potestativo, a ser exercido pelo contribuinte. Não observada a norma, ipsis litteris, em seus procedimentos formais, não pode o contribuinte impor a sua forma de agir para pleitear a compensação, conforme requer. Daí que a compensação efetuada apenas na escrituração contábil, em 31/12/2002, ainda que fosse realizada da forma correta, não pode ser admitida. As autuações para exigência dos tributos apurados ao final do anocalendário, portanto, bem como a exigência das multas isoladas pelas ausências dos não recolhimentos das estimativas mensais devidas devem ser mantidas, em vista das compensações contábeis ou via Fl. 585DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Declaração de Compensação não terem sido realizadas, na conformidade das normas tributárias vigentes. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 586DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/10/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 35421.001772/2005-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO.
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No caso dos autos, verifica-se que não houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, ou seja, conta-se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 9202-002.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência com base no art.173, I, do CTN.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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REGRAS, ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No caso dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento. Destarte, há de se aplicar a regra expressa no I, Art. 173 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência com base no art.173, I, do CTN. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 42 1. 00 17 72 /2 00 5- 13 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35421.001772/200513 Acórdão n.º 9202002.832 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0126, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 0100, que decidiu negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/12/2004 a 31/12/2004 Ementa: CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, a mãodeobra para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. Súmula do Segundo Conselho de Contribuintes diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.] CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. O Código de Defesa do Consumidor não tem aplicação ao processo administrativo fiscal, nem mesmo subsidiariamente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de contribuintes, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Ausência justificada do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre aplicação de regra decadencial em obra de construção civil realizada por pessoa física, com as contribuições devidas calculadas por aferição indireta. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que, como demonstram os documentos, o início da obra ocorreu em 1991, portanto, pelo menos em parte, as contribuições a serem exigidas foram alcançadas pela decadência. Por despacho, fls. 0147, deuse seguimento ao recurso especial. A PGFN apresentou suas contra razões, fls. 0152, argumentando, em síntese, que: 1. O recurso não deve ser admitido, pois os acórdãos paradigmas não tratam de aplicação de regra decadencial em obra de construção civil; 2. A decisão expressa no acórdão recorrido deve ser mantida, pois as contribuições foram consideradas como exigíveis em 2004, não ocorrendo, portanto, a decadência; 3. Caso seja admitido e analisada a decadência quem, pelo menos, que esta seja reconhecida somente da parte da autuação referente às competências anteriores a 11/1999 (inclusive), preservandose as demais, em atenção ao disposto no art. 173, 1, do CTN. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35421.001772/200513 Acórdão n.º 9202002.832 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e com jurisprudência divergente e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Cabe esclarecer que a nobre PGFN defende em suas contrarrazões que o recurso não deve ser admitido, pois os acórdãos paradigmas não tratam de aplicação de regra decadencial em obra de construção civil. Discordamos da PGFN, pois a análise sobre a decadência constituise em discussão sobre norma geral de direito tributário e, portanto, deve ser conhecida, devido a paradigma que trata da mesma norma. Quanto ao mérito, esclarecemos, primeiramente, que o próprio Fisco informa – em documento de sua lavra – que o início da obra ocorreu em 01/01/1994 e seu término em 07/09/2001, fls. 021. Essa informação é confirmada pelos documentos anexados pelo sujeito passivo, fls 034. Portanto, como o próprio Fisco atesta o período de execução da obra, a regra decadencial, em nosso entender, deve seguir e respeitar essa informação, sendo a decadência calculada de forma proporcional (média simples) dos meses totais da obra pelos meses atingidos pela regra decadencial a ser definida. Passado esse esclarecimento, o cerne da questão sobre a decadência é a discussão sobre qual das regras decadenciais, presentes no CTN, aplicarseá: a expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, como decidido no acórdão recorrido, ou a constante do I, Art. 173 do CTN, como solicitado pela nobre PGFN, recorrente. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). No que diz respeito a decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35421.001772/200513 Acórdão n.º 9202002.832 CSRFT2 Fl. 5 7 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Cabe destacar que na análise dos autos encontramos informação do Fisco, fls. 015, não contestada pelo sujeito de que não há recolhimentos efetuados. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Destarte, como no lançamento, a ciência do sujeito passivo, momento da constituição do crédito, ocorreu em 02/2005, fls. 023, e o período de ocorrência dos fatos geradores – registrado pelo Fisco referese a fatos geradores ocorridos nas competências 01/1994 a 07/09/2001, estão decaídas as contribuições exigidas nas competências até 11/1999, anteriores a 12/1999. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso do sujeito passivo, para declarar decaídas as contribuições exigidas até a competência 11/1999, em atenção ao disposto no art. 173, 1, do CTN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13971.906680/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da Cofins é cabível o reconhecimento do direito creditório. A apresentação da DCTF retificadora somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação requerida, não é suficiente, por si só, para descaracterizar o direito creditório. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 66 80 /2 00 9- 88 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13971.906680/200988 Acórdão n.º 3301001.876 S3C3T1 Fl. 62 2 Relatório Por economia processual transcrevo abaixo o relatório utilizado pela DRJ/FlorianópolisSC para o julgamento da manifestação de inconformidade. Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte acima qualificada. Em análise da compensação intentada, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu não homologála (Despacho Decisório à folha 15) em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para o pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados no PER/DCOMP. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual alega que se equivocou ao preencher a DCTF, relativa ao primeiro semestre de 2005. Afirma que para corrigir o erro, apresentou DCTF retificadora em 01 de julho de 2009. Ao julgar a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte a DRJ/FlorianópolisSC, proferiu o seguinte Acórdão: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformado com esta decisão o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 27/30. O contribuinte utiliza o referido recurso para demonstrar os créditos da Cofins, objeto do presente processo, quanto créditos da Cofins e do PIS objetos de compensação em outros processos. Por esta razão nos ateremos a análise somente das questões Fl. 62DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13971.906680/200988 Acórdão n.º 3301001.876 S3C3T1 Fl. 63 3 relativas à Cofins e, nos processos adequados analisaremos os outros dados relativos a outras DCOMP. As razões recursais estão abaixo sintetizadas: Que no mês de janeiro/2005 obteve faturamento de R$ 32.697,17, onde deveria ter pago a título de Cofins o valor de R$ 980,92, sendo que esta contribuição foi paga em duplicidade, por meio de dois DARF, um no valor de R$ 980,92 e outro no valor de R$ 896,69. Assim a empresa teria pago a maior ou indevidamente o valor de R$ 896,69 a título de Cofins referente ao fato gerador de janeiro/2005. Assim, no PER/DCOMP nº 20490.02706.070305.1.3.045337, objeto do processo nº 13971.906442/200972, utilizou o crédito de R$ 896,69 para compensar o débito de R$ 799,43 referente à Cofins da competência fevereiro/2005, sobrando ainda um saldo credor de R$ 105,18, já atualizado pela Selic, sendo este valor utilizado para compensar parte do saldo devedor da Cofins relativa a março/2005 objeto da DCOMP nº 41626.57593.060405.1.3.042475 no presente processo. Informa, que quando soube do indeferimento de seu pedido de compensação, verificou que havia preenchido erroneamente as DCTF, sendo que no local dos débitos de PIS e Cofins foram informados os pagamentos em duplicidade e não somente o valor do débito. Assim procedeu à apresentação de uma nova DCTF retificadora, que foi apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ/FlorianópolisSC. Afirma que esta DCTF retificadora deveria ser acatada, pois existem mais duas declarações a serem analisadas, a DIPJ e a Dacon, que estavam preenchidas corretamente. Efetua a juntada de cópia das duas declarações citadas. Aborda sobre as informações constantes do site da Receita Federal a respeito das regras para a apresentação de DCTF retificadora, e também cita o art. 2º da IN SRF nº 598/2005, o qual dispõe sobre as regras para apresentação da PER/DCOMP. No contexto, solicita que a DCTF retificadora seja considerada, deferindo se assim o crédito solicitado com a homologação do PER/DCOMP. É o relatório. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13971.906680/200988 Acórdão n.º 3301001.876 S3C3T1 Fl. 64 4 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. O contribuinte em todas as suas manifestações no presente processo afirma que o seu faturamento no mês de janeiro/2005 foi de R$ 32.697,17 que resultaria em Cofins devida no valor de R$ 980,92. Este dado nunca foi contestado nas instâncias administrativas. Compulsando os dados trazidos ao presente processo, constatase que a forma de apuração do lucro, para fins da incidência do IRPJ e da CSL, é a do Lucro Presumido, DIPJ – fl. 41, sistemática esta que obriga o contribuinte a apurar a Cofins pelas regras da cumulatividade a teor do que dispõe o art. 10, inc. II da Lei 10.833/2003. Conforme dispõe o art. 8º da Lei 9.718/98, aplicase a alíquota de 3% sobre a Receita Bruta para o cálculo da Cofins devida. No Dacon, fl. 56 e 58, o contribuinte informa a sua receita da prestação de serviços referente ao primeiro trimestre de 2005, que por fim corresponde à base de cálculo da Cofins e do PIS, pois não foram registrados qualquer outro tipo de receita que poderia compor a base de cálculo das referidas contribuições. No Dacon a base de cálculo da Cofins e do PIS referente a janeiro/2005, corresponde ao valor de R$ 32.697,17 que com a aplicação da alíquota de 3%, geraria um valor devido da Cofins de R$ 980,92. Na DIPJ, fl. 45, a receita bruta de prestação de serviços correspondente ao primeiro trimestre de 2005 é de R$ 91.490,07 que confere com os valores informados no Dacon para os meses de janeiro, fevereiro e março/2005, respectivamente R$ 32.697,17, R$ 26.647,66 e R$ 32.145,24, cuja soma resulta em R$ 91.490,07. Portanto os elementos trazidos ao processo demonstram que efetivamente o valor devido da Cofins referente ao fato gerador de janeiro/2005 corresponde a R$ 980,92. Também está demonstrado que o contribuinte efetuou pagamento a maior no valor de R$ 896,69, conforme comprovam as cópias de dois DARF constantes da fl. 8. A DRJ/Florianópolis indeferiu a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o argumento de que os valores pagos estavam declarados na DCTF e foram utilizados para quitação do débito confessado. Que só após a apresentação da DCTF retificadora é que a contribuinte passou a ter crédito contra a Fazenda confirmado na forma da lei. Portanto por ocasião da apresentação da DCOMP o contribuinte não perfazia as condições necessárias à sua homologação, ante a inexistência do crédito. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja Fl. 64DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13971.906680/200988 Acórdão n.º 3301001.876 S3C3T1 Fl. 65 5 qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Vale ressaltar que o simples erro no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente, assim como não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Desta forma, o direito à repetição do indébito não está vinculado à apresentação ou não de DCTF retificadora. De sorte que não há óbice legal para a retificação da DCTF antes ou após a emissão do despacho decisório, sendo relevante a comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, como ocorreu nestes autos administrativos, nos termos do caput do art. 170 do CTN, abaixo transcrito. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(grifos nossos) Alerto que caberá à unidade preparadora, no caso a DRF/Blumenau, efetuar todos os ajustes necessários, inclusive verificar se o crédito autorizado não está sendo utilizado indevidamente em outros PER/DCOMP. Desta forma dou provimento ao recurso voluntário no sentido de homologar as compensações efetuadas no limite do crédito pleiteado (atualizável pela taxa Selic) relativo ao pagamento indevido. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Fl. 65DF CARF MF Impresso em 12/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003547/2006-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PIS NÃO-CUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS.
Para o ano-calendário de 2006, as receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência não-cumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS. Para o anocalendário de 2006, as receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência não cumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Fábia Regina Freitas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 35 47 /2 00 6- 21 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.003547/200621 Acórdão n.º 3301001.888 S3C3T1 Fl. 193 2 Relatório Por economia processual transcrevo o relatório elaborado pela DRJ/Brasília, por bem refletir os fatos acontecidos até aquela decisão. Trata o presente processo do Pedido de Ressarcimento de Créditos da contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 316.632,56, referente ao 1º trimestre de 2006. Vinculada a esse pedido, o contribuinte apresentou também declaração de compensação em que pleiteia a quitação de débitos de PIS, código de receita 8109, relativos aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 2006. Além disso, encaminhou mais uma DCOMP relacionada, a qual, no entanto, foi cancelada. Em 27/08/2006, encaminhou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) nº 33075.02637.270806.1.1.102043, retificado pelo PER n° 22542.00880.200407.1.5.108594, transmitido em 20/04/2007, o qual permanece ativo nos sistemas da RFB. No Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort, de 07/07/2011, a autoridade tributária decidiu considerar não formulado o Pedido de Ressarcimento de fl. 01, considerar não declarada a compensação de fl. 03 e indeferir o pedido eletrônico de ressarcimento, sob o entendimento de que a receita apresentada pelo contribuinte, decorrente de serviço de transporte metroviário, não se enquadra no regime de incidência não cumulativa, nos termos dos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Ressalta, ainda, que, no tocante aos dois primeiros itens, cabe interposição de recurso nos termos dos arts. 56 e 59 da Lei nº 9.784/99, e, no que tange ao indeferimento do PER, cabe a interposição de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 dias. Cientificada da decisão proferida pela DRF/Brasília em 12/08/2011, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade em 13/09/2011. Nesta, expressa o entendimento de que o art. 10, XII, da Lei nº 10.833/2003 trata da Cofins e não do PIS/Pasep, que é o objeto de seu pleito, e que o fisco teria estendido a vedação relativa à Cofins à contribuição para o PIS, por analogia, o que é vedado pela legislação tributária. Acrescenta, ainda, que o METRÔ/DF é uma empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, tributada pelo lucro real, que se enquadra, por conseguinte, na hipótese do art. 8º, I, da Lei nº 10.637/2002, o qual permite a incidência da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo. Além disso, alega a requerente que as autoridades competentes da RFB somente poderiam ter indeferido o PER caso o Fl. 193DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.003547/200621 Acórdão n.º 3301001.888 S3C3T1 Fl. 194 3 contribuinte não houvesse utilizado o programa PER/DCOMP, como determinado na legislação de regência. Menciona, também, que a redação confusa e contraditória, além de esparsa, da legislação relativa à contribuição para o PIS e à Cofins, induz o contribuinte de boafé ao erro. Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade interposta, o deferimento do pedido de ressarcimento apresentado e a abstenção de qualquer representação ou inscrição em dívida ativa ou em cadastros administrativos ou, ainda, de execução judicial ou extrajudicial do contribuinte. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília, por unanimidade de votos, decidiu pela sua improcedência com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. RECEITAS DE SERVIÇOS METROVIÁRIOS. As receitas decorrentes de serviço de transporte metroviário não se enquadram no regime de incidência nãocumulativa, em virtude da vedação expressa nos arts. 10, inciso XII, e 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com a citada decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 158/167, no qual repete exatamente os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. Abaixo uma síntese dos argumentos apresentados no recurso voluntário. que o pedido inicial de restituição está fundamentado nos art. 8º, I da Lei 10.637/2002, art. 15, V da Lei 10.833/2003, bem como no art. 60 da IN SRF nº 247/2002 que tratam da cobrança não cumulativa do PIS/Pasep; que os nobres auditores, ao indeferirem o seu pedido, fazem referência ao art. 10, inc. XII da Lei 10.833/2003 que trata da Cofins e não do PIS não cumulativo; que o MetrôDF é uma empresa pública, caracterizada como pessoa jurídica de direito privado, tributada pelo Lucro Real, enquadrandose assim na hipótese do art. 8º da Lei 10.637/2002 que permite a incidência do PIS/Pasep não cumulativo; que o direito de utilizar os créditos da não cumulatividade está previsto no art. 3º da Lei 10.637/2002 e nos art. 27 e 28 da IN RFB nº 900/2008; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.003547/200621 Acórdão n.º 3301001.888 S3C3T1 Fl. 195 4 que, de acordo com o art. 39 da IN RFB nº 900/2008, a autoridade administrativa só poderia indeferir o seu pedido de ressarcimento caso não tivesse utilizado corretamente o formulário eletrônico do Programa PER/DCOMP; que a grande quantidade de legislação regulamentadora do PIS e da Cofins, induz o contribuinte de boa fé ao erro, sendo que a própria RFB editou dois Atos Declaratórios Interpretativos em 2008, dispondo sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins, ADI nº 23 e 27/2008; que as autoridades administrativas estariam utilizando de analogia para indeferir o pedido de ressarcimento/compensação, pois não mencionam qualquer artigo ou dispositivo da Lei 10.833/2003 que exclua do regime de apuração não cumulativa do PIS incidente sobre os serviços de transporte coletivo metroviário, uma vez que na verdade o art. 15, inc. V, da Lei 10.833/2003 daria suporte à visão do recorrente de que aplicaria o regime da não cumulatividade do PIS aos serviços citados; É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.003547/200621 Acórdão n.º 3301001.888 S3C3T1 Fl. 196 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Da análise do presente processo verificase que a questão crucial está em determinar se a legislação tributária dá amparo ao contribuinte em tributar as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário do Distrito Federal sob a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS, prevista na Lei 10.637/2002, para as receitas referentes ao período de apuração correspondente ao 1º trimestre de 2006. O contribuinte alega que o seu pedido foi indeferido com base em interpretação analógica, pois a legislação que trata do PIS não cumulativo não prevê expressamente a exclusão das receitas com transporte coletivo metroviário deste regime. Alega especialmente que o art. 15, inc. XII da Lei 10.833/2003 não faz referência ao PIS e sim à Cofins e portanto não poderia servir de fundamento para o indeferimento de seu pedido. Da análise dos dispositivos legais, pode se concluir que a legislação tributária referente à não cumulatividade da Contribuição ao PIS exclui expressamente deste regime de apuração as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário a partir da edição da Lei 11.196/2005. Em princípio quando da edição da Lei 10.637/2002, que instituiu e regulamentou a sistemática de apuração do PIS não cumulativo, não havia efetivamente qualquer previsão de exclusão das receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário, conforme exceções previstas no art. 8º abaixo transcrito: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; III – as pessoas jurídicas optantes pelo Simples; IV – as pessoas jurídicas imunes a impostos; V – os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição de 1988; Fl. 196DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.003547/200621 Acórdão n.º 3301001.888 S3C3T1 Fl. 197 6 VI (VETADO) VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) b) sujeitas à substituição tributária da contribuição para o PIS/Pasep; c) referidas no art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998; VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; IX (VETADO) X as sociedades cooperativas; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XI as receitas decorrentes de prestação de serviços das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) XII – as receitas decorrentes de operações de comercialização de pedra britada, de areia para construção civil e de areia de brita. (Incluído pela Lei nº 12.693, de 2012) (Vide Lei nº 12.715, de 2012) Quando da edição da Lei 10.833/2003, que instituiu e regulamentou a sistemática de apuração da Cofins não cumulativa, as receitas decorrentes do transporte coletivo metroviário foram expressamente excluídas desta forma de apuração, conforme se vê do disposto no art. 10, inc. XII, abaixo transcrito: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; Por sua vez, o art. 15, inc. V da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei 11.196/2005, estendeu ao PIS o mesmo tratamento para a Cofins no que se refere à exclusão da sistemática da não cumulatividade. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I nos incisos I e II do § 3º do art. 1º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.003547/200621 Acórdão n.º 3301001.888 S3C3T1 Fl. 198 7 II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV nos arts. 7º e 8º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (g.n.) Ao contrário do que alega o contribuinte de que o indeferimento se deu por interpretação analógica e que não existe artigo de lei que prevê expressamente a exclusão das receitas provenientes do transporte coletivo metroviário da sistemática da nãocumulatividade do PIS, o que se vê da leitura dos dispositivos legais acima transcritos é que o art. 43 cc art. 132, inc. II da Lei nº 11.196/2005, estabeleceu, ao dar nova redação ao inc. V do art. 15 da Lei nº 10.833/2003, que a partir de 14 de outubro de 2005, as receitas provenientes do transporte coletivo metroviário de passageiros incide o PIS com base no regime de incidência cumulativa da contribuição, o que afasta a possibilidade do aproveitamento de qualquer crédito referente à sistemática da nãocumulatividade. Não é possível dar outra interpretação ao dispositivo legal acima transcrito. Note que o caput do art. 15 da Lei 10.833/2003 diz que aplica se à Contribuição ao PIS/Pasep nãocumulativa de que trata a Lei 10.637/2002 o disposto nos incisos IX a XXVII do art. 10 desta Lei. Ora, o inciso XII do art. 10 da Lei 10.833/2003 está entre os incisos IX a XXVII. Portanto, cristalino está que foi estendido ao PIS o mesmo tratamento dispensado às receitas provenientes do transporte coletivo metroviário previsto para a Cofins, qual seja, que sobre estas receitas o tratamento tributário previsto é o regime cumulativo destas contribuições. Por outro lado não se sustenta também o argumento, trazido pela recorrente, de que a grande quantidade de legislação regulamentadora do PIS e da Cofins, induz o contribuinte de boa fé ao erro, sendo que a própria RFB editou dois Atos Declaratórios Interpretativos em 2008, dispondo sobre a não cumulatividade do PIS e da Cofins, ADI nº 23 e 27/2008. Porém o contribuinte no item 16 de seu Recurso Voluntário transcreve incorretamente o teor do ADI nº 23/2008, dando uma impressão incorreta de seu conteúdo. Abaixo o conteúdo de seu artigo único transcrito no recurso: “ Conforme disposto no inciso XII do art. 10 da Lei 10.833, de 2003, submetemse ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) somente as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, como aqueles decorrentes do regime de fretamento ou turístico, que se submetem ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições”. Agora, transcrevese abaixo o conteúdo completo do artigo único do ADI nº 23/2008: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.003547/200621 Acórdão n.º 3301001.888 S3C3T1 Fl. 199 8 Artigo Único. Conforme disposto no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, submetemse ao regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) somente as receitas decorrentes da prestação de serviços públicos de transporte coletivo de passageiros, executados sob o regime de concessão ou permissão, em linhas regulares e de caráter essencial, não incluindo outras receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo de passageiros, como aquelas decorrentes do regime de fretamento ou turístico, que se submetem ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições. (grifos nossos) Veja que o contribuinte omitiu toda a parte acima sublinhada passando a impressão de que em algum momento a RFB teria dado interpretação diversa à questão do transporte coletivo metroviário de passageiros. Da leitura do referido artigo não resta dúvida que naquela oportunidade as receitas decorrentes da prestação de serviços públicos de transporte coletivo de passageiros, executados sob o regime de concessão ou permissão, que é o caso da recorrente, se sujeitam ao regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Já o ADI nº 27/2008, transcrito no item 17 do recurso voluntário, que revogou o citado ADI nº 23/2008, assim dispôs: Art. 1 º As receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros, inclusive na modalidade de fretamento ou para fins turísticos, submetemse ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). O ato interpretativo acima citado não alterou em nada o entendimento acerca do regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins sobre as receitas oriundas do transporte coletivo metroviário de passageiros. Portanto os atos normativos citados não trouxe nenhuma confusão ou dúvida a respeito da interpretação dos dispositivos legais já citados, não havendo possibilidade de indução do contribuinte de boa fé ao erro, conforme afirmado pela recorrente. Assim, há que se concluir que, por expressa disposição legal, a partir de 14 de outubro de 2005, não é aplicável as regras da nãocumulatividade da Contribuição ao PIS previsto na Lei 10.637/2002, sobre as receitas de transporte coletivo metroviário, não cabendo qualquer correção ao Acórdão da DRJ/Brasília que indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Diante do acima exposto, voto pela improcedência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 199DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10166.003547/200621 Acórdão n.º 3301001.888 S3C3T1 Fl. 200 9 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 11065.914598/2009-24
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE.
A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção anterior, pois operações até então isentas não poderiam se submeter à alíquota zero posteriormente definida em lei, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário.
ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO.
As despesas com armazenagem de mercadorias e fretes nas operações de vendas somente passaram a gerar direito a crédito na apuração da contribuição não cumulativa a partir de 1º de fevereiro de 2004, não se aplicando, por conseguinte, ao presente caso.
Numero da decisão: 3803-004.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues, que davam provimento ao recurso para excluir da base de cálculo as vendas para a Zona Franca de Manaus.
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 15/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM). ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. A redução a zero das alíquotas da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM) somente se deu a partir de 23 de julho de 2004. A alteração legal denota a inocorrência de isenção anterior, pois operações até então isentas não poderiam se submeter à alíquota zero posteriormente definida em lei, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS. INEXISTÊNCIA DO DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com armazenagem de mercadorias e fretes nas operações de vendas somente passaram a gerar direito a crédito na apuração da contribuição não cumulativa a partir de 1º de fevereiro de 2004, não se aplicando, por conseguinte, ao presente caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues, que davam provimento ao recurso para excluir da base de cálculo as vendas para a Zona Franca de Manaus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 45 98 /2 00 9- 24 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. EDITADO EM: 15/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Juliano Eduardo Lirani, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo (DRF/NHO) que não homologou Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida pela empresa acima identificada, na qual informa crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS. Referido despacho aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito disponível, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado, no valor de R$ 1.973,66, já teria sido integralmente utilizado para quitar débito do próprio contribuinte. No mérito, a interessada alega que teria ocorrido erro de fato, pois, embora afirme que não retificou suas declarações (DCTF, DIPJ e DACON) o pagamento a maior, no valor original de R$ 146,51, teria sido reconhecido e registrado contabilmente, juntando cópias do comprovante de pagamento e de folha do seu livro razão na tentativa de comprovar suas alegações. Desta forma, conclui que deve ser revisto o "lançamento", pois entende que a decisão atacada estaria em dissonância com a verdade material. Em face da existência de elementos indicadores da plausibilidade do erro de fato alegado na manifestação e considerando a insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DCOMP, o presente processo foi remetido em diligencia à DRF jurisdicionante, nos termos dos art. 18 (com redação dada pela Lei 8.748/93) e art. 29 do decreto 70.235/1972, para análise e demonstração da composição da base de cálculo dos créditos referentes ao período de apuração em questão, devendo a DRF pronunciarse a respeito da legitimidade dos referidos créditos e eventual saldo remanescente após os encontros de contas. Em resposta à diligência solicitada, a DRF de origem analisou os esclarecimentos apresentados pela interessada e concluiu que Fl. 138DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914598/200924 Acórdão n.º 3803004.472 S3TE03 Fl. 3 3 deveria ser glosado o montante creditório informado pelo interessado como “Despesas de Armazenagem de Mercadorias e Fretes nas Operações de Vendas” em face da ausência de previsão legal, em 2003, para o desconto de despesas incorridas com fretes pagos ou creditados a outras pessoas jurídicas domiciliadas no país, pois tal procedimento só foi possível a partir de 1° de fevereiro de 2004. Da mesma forma, foram também glosados os créditos informados como “Receitas Isentas, não Alcançadas pela Incidência da Contribuição, com Suspensão ou Sujeitas à Alíquota Zero” que se referem à “Vendas de Produção Destinada à Zona Franca de Manaus – ZFM”, pois aponta que somente a partir de 26 de julho de 2004, as vendas, efetuadas por pessoas jurídicas estabelecidas fora da ZFM, de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM poderiam ser desconsideradas na apuração da Contribuição devida. Assim, após demonstrar a recomposição da base de cálculo da contribuição, a fiscalização apurou a efetiva existência de crédito no valor original de R$ 142,34 (ao invés de R$ 146,51, conforme pleiteava a interessada). Após ciência do resultado da diligência, a interessada novamente se manifestou no sentido de defender seu procedimento adotado, argumentando que as despesas com frete utilizadas na consecução de suas atividades sempre deram direito ao crédito, desde a instituição da não cumulatividade da contribuição. Entende que tais créditos devem ser aceitos pois seriam oriundos de fretes utilizados na consecução do objetivo social da manifestante, os quais compõem o custo de produção do produto final, nos termos do art. 3º , II das Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03. Cita e transcreve solução de divergência emitida pela SRRF/8ª RF/Disit e acórdão do CARF para defender seu entendimento. Contesta também a glosa relativa à incidência da contribuição sobre a vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, pois considera que desde 1956, tais vendas receberiam proteção governamental, e, desde 1967, a legislação da ZFM vem, por ficção jurídica e fiscal, considerando tais operações como exportações para o exterior. Cita e transcreve o Art. 4º do Decretolei nº 288/67, o Art. 40 do ADCT da CF/88 e também o Art. 149 da CF/88, para embasar sua defesa neste ponto. Acrescenta que as legislações do PIS e da COFINS não cumulativas determinariam expressamente que as receitas não alcançadas pela incidência do PIS e da COFINS e equiparadas à exportação (imunidade) não são tributadas. Transcreve jurisprudência do STJ que segundo seu entendimento já estaria assentada no sentido de que as vendas para a ZFM são equiparadas à exportação. Considera, ainda, que a exigência do PIS no período ora debatido estava regulada pela Lei n° 10.637, de 30/12/2002, a Fl. 139DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 qual não previa expressamente a tributação das receitas das vendas para a ZFM. Sustenta que somente com a edição das Medidas Provisórias n° 1.8586, de 29 de junho de 1999 até a MP n° 2.03724, de 23 de novembro de 2000 que as vendas para a ZFM passaram a ser tributadas pelo PIS. No entanto, aponta que em face da ADIN n° 2.3489, o Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão plenária do dia 7 de dezembro de 2000, ao analisar pedido liminar, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retirandoa do ordenamento jurídico, decisão esta até hoje estaria vigente. Desta forma, a partir desta decisão do STF, não mais seria possível a tributação das vendas para a ZFM, salvo com a edição de nova norma, o que ainda não teria ocorrido. Novamente cita e transcreve solução de divergência emitida pela SRRF/8ª RF e acórdão do CARF para defender seu entendimento. Reitera os pedidos feitos na manifestação de inconformidade original, e requer, assim, o reconhecido o crédito pretendido e a homologação da compensação efetuada. A DRJ em PORTO ALEGRE/RS julgou a Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 FRETES SOBRE VENDAS E ARMAZENAGEM. Os fretes sobre vendas e armazenagem só geraram créditos para a apuração da contribuição sob o regime não cumulativo a partir da edição da Lei nº 10.833/2003, no caso do ônus ser suportado pelo vendedor. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMUNIDADE. ISENÇÃO. Não há imunidade ou isenção do PIS para as receitas decorrentes de vendas a empresas situadas na Zona Franca de Manaus (ZFM), posto que só a partir da publicação da Lei n.º 10.996, de 2004, passou a existir norma prescrevendo alíquota zero do PIS para vendas, realizadas por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM, destinadas ao consumo ou à industrialização na referida Zona. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, no qual sustenta basicamente os mesmos argumentos esgrimidos na peça vestibular. Ao final requer a validação do crédito pretendido e da compensação realizada. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914598/200924 Acórdão n.º 3803004.472 S3TE03 Fl. 4 5 Relatados, passo a votar. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, passo à apreciação do apelo. Nada de novo veio aos autos desde a decisão recorrida, que mostrouse irretocável em seus fundamentos de fato e de direito, e bem por isso deve ser ratificada nesta segunda instância, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. 1 Releva, outrossim, trazer a lume decisão deste Colegiado, desfavorável à pretensão da mesma recorrente, em sessão de julho do corrente, processo nº 11065.914600/200965, que tratava das mesmas matérias deste contencioso, em que o eminente relator Hélcio Lafetá Reis brilhantemente assim se manifestou: Conforme acima relatado, a controvérsia presente nos autos se restringe ao direito de creditamento decorrente de despesas com armazenamento de mercadorias e fretes nas operações de vendas e a tributação ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). 1 Vendas para a Zona Franca de Manaus (ZFM). De início, registrese que, não obstante o art. 4° do DecretoLei n° 288/1967 ter equiparado a venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus (ZFM) a uma exportação para o estrangeiro, deve ser ressalvado que tal determinação se aplicava aos fatos tributários disciplinados pela legislação então vigente, não estendendo seus efeitos às normas supervenientes de regência da matéria. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) Fl. 141DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A Medida Provisória n° 2.15835/2001 estabelece, em seu art. 14, que a isenção da Cofins e da Contribuição para o PIS se aplica às hipóteses elencadas em seus incisos I a IX, não havendo referência expressa ou literal à Zona Franca de Manaus, fato esse que, por si só, já afastaria a isenção pleiteada. Portanto, seriam aplicáveis ao presente caso somente as hipóteses de isenção dos incisos IV, VI, VIII e IX, a seguir discriminadas: a) receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo a bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; b) receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei n° 9.432, de 8 de janeiro de 1997; c) receitas de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras de que trata o DecretoLei n° 1.248, de 1972, destinada ao fim específico de exportação; e d) receitas de vendas efetuadas com fim específico de exportação para o exterior, às empresas comerciais exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. No período de 1° de fevereiro de 1999 a 17 de dezembro de 2000 – período esse que não alcança o presente processo –,vigia a redação original do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586/1999 – dicção essa que constou do dispositivo até a edição da Medida Provisória n° 2.03724/2000 –, que, expressamente, excluía as receitas de vendas à Zona Franca de Manaus da previsão legal isentiva. A medida liminar que foi deferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ADI n° 2.3489/2000 suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus" que constava do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.03724/2000, mas apenas com efeitos ex nunc, não alcançando, portanto o período acima identificado. Não obstante tal decisão do STF, remanesceu no dispositivo legal (inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória n° 2.037 24/2000) o afastamento da isenção em relação às vendas realizadas para “empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio” (grifei). Considerando que, de acordo com o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a Zona Franca de Manaus é uma área de livre comércio, temse que a isenção sob comento permaneceu afastada nos casos da espécie. Além disso, em 23 de julho de 2004, a Medida Provisória nº 202, convertida, em 9 de novembro de 2004, na Lei n° 10.996, inovou em relação a essa matéria nos seguintes termos: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11065.914598/200924 Acórdão n.º 3803004.472 S3TE03 Fl. 5 7 Art. 2°. Ficam reduzidas a O (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. §1° Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. §2° Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do §2° do art. 3° da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do incisoIIi do §2° do art. 3° da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003. Constatase do excerto acima que, a partir de sua vigência – que não alcança o caso sob análise –, as alíquotas das contribuições foram reduzidas a zero, o que denota a inexistência de isenção anterior, uma vez que não haveria justificativa que sustentasse uma alíquota zero relativamente a fatos isentos, dada a incompatibilidade de convivência desses institutos de direito tributário. Portanto, concluise pela atuação escorreita da autoridade fiscal ao não reconhecer a isenção pleiteada relativa às vendas para a ZFM. 2 Armazenagem e fretes nas operações de venda. No que se refere ao direito ao creditamento decorrente de despesas com armazenamento de mercadorias e fretes nas operações de vendas, nada há a reformar na decisão de piso, pois conforme bem dito ali, tal direito passou a ser reconhecido somente a partir de 1/2/2004, quando passouse a viger o contido nos arts. 3º, inciso IX, e 15 da Lei nº 10.833, de 20032. Além disso, conforme também já afirmado pelo julgador a quo, o dispositivo invocado pelo Recorrente para se valer do crédito, qual seja, o art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, não tem a extensão pretendida, pois ele se restringe aos serviços utilizados como insumos, não correspondendo, portanto, aos serviços de armazenagem de mercadoria e fretes nas operações de vendas. 2 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 6o, inciso I, e 10 a 15 do art. 3o desta Lei; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Também aqui, nada há a reformar na decisão de primeira instância. Posto isso, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 21 de agosto de 2013. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 144DF CARF MF Impresso em 16/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 15/09 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.001714/2006-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF nº 3, DE 2008.
De acordo com precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Numero da decisão: 2101-002.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso de ofício
LUIS EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EWAN TELES AGUIAR, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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PORTARIA MF nº 3, DE 2008. De acordo com precedentes do Primeiro Conselho de Contribuintes, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício. Recurso de Ofício Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso de ofício LUIS EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EWAN TELES AGUIAR, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 17 14 /2 00 6- 81 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Os recursos de ofício e voluntário foram interpostos pela 1ª Turma da DRJ BRASÍLIA e ANGLOGOLD ASHANTI MINERAÇÃO LTDA, em face do Acórdão de nº 03 21.457 (fls.191), de 6 de julho de 2007. A infração indicada no lançamento fora sintetizada pelo Órgão julgador à quo nos seguintes termos: Contra a contribuinte foi lavrado, em 09/02/2006, o Auto de Infração/anexos de fls. 39/51, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 1.021.480,29, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, do exercício de 2.002, acrescido de multa de ofício (75%) e juros legais calculados até 31/01/2006, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Cuíba, Macaúbas e Outros” (NIRF 2.611.1683), com área de 3.941,6 há, localizada no município de Sabará – MG. O sujeito passivo apresentou tempestivamente sua impugnação, sendo o lançamento julgado procedente em parte pela DRJ/BHE, reduzindose o imposto suplementar apurado pela fiscalização de R$ 434.265,92 para R$ 104.234,35. A referida instância manifestouse por recurso de ofício a este Conselho em face da Portaria MF nº 375/2001 (fls.191/204). A contribuinte, às fls. 211/219, em sede de recurso voluntário, recorreu da decisão, tempestivamente, alegando, em síntese que tendo a Recorrida comprovado cabalmente a existência da Área de Reserva Legal em seu imóvel, devidamente averbada junto à respectiva Matrícula, bem como a existência de áreas de Preservação Permanente e as imprestáveis à atividade agrícola mediante Laudo Técnico, elaborado por profissionais habilitados, com ART anotada no CREA, em conformidade com as normas da ABNT, não há como não reconhecer a existência de tais áreas, bem como excluílas para fins de apuração do ITR2002. Através da Resolução nº 320100033 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, converteu o julgamento do recurso em diligência determinando a intimação do sujeito passivo para a apresentação de documentos. (fls.253/261). Contudo, antes de qualquer providência, em 25/02/2010, o sujeito passivo apresentou requerimento desistindo integralmente do recurso interposto face opção pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2010 (fls.264). A DRF/BHE/Secat propôs a remessa dos autos para este Conselho, fins manifestação do Recurso de Ofício (fls.308). É o relatório. Voto Conselheiro GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.001714/200681 Acórdão n.º 2101002.188 S2C1T1 Fl. 310 3 O recurso de ofício foi interposto pelo próprio Órgão julgador de primeiro grau (Acórdão de nº 0321.457, de 6 de julho de 2007), tendo em vista que a contribuinte foi exonerada da cobrança de imposto e multa em montante superior a R$ 500.000,00. Não obstante, em 07 de janeiro de 2008, foi publicada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, que estabelece o limite de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) para interposição de recurso de ofício. Muito embora referida portaria tenha entrado em vigor na data de sua publicação, a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes tem entendido que, em matéria de recurso de ofício, a alteração do limite de alçada tem aplicação imediata, acarretando, em hipóteses como a presente – em que o valor do crédito exonerado (no montante de R$ 577.555,25) é inferior ao novo limite, consoante Demonstrativo abaixo – a perda de objeto da remessa de ex officio. DOCUMENTO IMPOSTO MULTA 75% TOTAL 1 Auto de Infração Fls. 48 434.265,92 325.699,44 759.965,36 2 Acórdão nº 0321.457 Fls.191/204 104.234,35 78.175,76 182.410,11 TOTAL (12) 577.555,25 Resta claro, portanto, que o presente recurso de ofício perdeu seu objeto em decorrência de legislação superveniente. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso de ofício. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator Fl. 311DF CARF MF Impresso em 17/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679891/2009-63
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/12/2005
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/12/2005 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válido o despacho decisório exarado por servidor competente, com respeito ao direito de defesa do administrado e baseado em dados presentes nos sistemas internos da Receita Federal, estes alimentados com os pagamentos efetuados e as declarações entregues pelo sujeito passivo. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados fornecidos pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 91 /2 00 9- 63 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 3803004.419 S3TE03 Fl. 73 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em decorrência da não homologação da compensação pleiteada. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 18 de junho de 2007, referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da CofinsImportação, no valor de R$ 27.637,75, destinado a quitar débito de sua titularidade. Por meio de despacho decisório eletrônico, cientificado pelo contribuinte em 5/11/2009, a repartição de origem não homologou a compensação, pelo fato de que o pagamento declarado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o seu recebimento com efeitos suspensivos, a declaração de nulidade do despacho decisório ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem para exame de sua escrita fiscal, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) a partir de meados de 2006, constatara que havia efetuado o recolhimento a maior de inúmeros impostos e contribuições incidentes sobre remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos; b) um mero equívoco no preenchimento de declarações não poderia gerar débitos fiscais, conforme entendimento do CARF e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, sendo premente a observância dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade e da proporcionalidade; c) carência de fundamentação do despacho decisório, com violação dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, dada a precária análise de seu pedido; d) estaria sendo providenciado um levantamento interno de toda a documentação probante que demonstraria a plena existência do crédito declarado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e do despacho decisório. A DRJ São Paulo I/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decidindo por afastar a nulidade do despacho decisório arguida, pelo fato de que tal documento teria sido assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterição do direito de defesa do contribuinte. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 3803004.419 S3TE03 Fl. 74 3 Arguiu o julgador de piso que o despacho decisório se encontrava em conformidade com os dados declarados em DCTF e com a guia de recolhimento do tributo e que a alegação de erro não se fez acompanhar dos elementos probantes de sua efetiva ocorrência. Ainda segundo o julgador, a DCTF retificadora entregue após a emissão do despacho decisório não poderia ser acolhida como argumento de defesa, em razão da ausência de indicação dos alegados erros cometidos na análise do crédito pleiteado, assim como da falta de apresentação da escrituração contábilfiscal comprobatória do direito reclamado. Ressaltou, também, que, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), não seria cabível a formulação de pedido genérico de futura juntada de documentos, sem a indicação da hipótese legal que o fundamente, pois, nos termos do art. 16, III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, as provas devem ser apresentadas na manifestação de inconformidade, precluindo o direito do contribuinte de fazêlo em outra oportunidade. Por fim, considerou desnecessária a realização de diligência, considerando que, no presente caso, estarseia diante de documentos que se encontravam sob a guarda da pessoa jurídica interessada em sua apreciação. Cientificado do acórdão da DRJ São Paulo I/SP em 30 de dezembro de 2010, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 31 de janeiro de 2011, e reiterou seus pedidos, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo ressaltado o que se segue: a) o seu direito de defesa fora violado de duas formas distintas: a primeira, em razão da não exposição das razões da negativa do crédito pleiteado, o que lhe teria impedido a sustentação plena de seu direito; e a segunda, em decorrência do fato de que a Delegacia de Julgamento teria ultrapassado a nulidade arguida “sem qualquer análise digna das atribuições da d. Autoridade Fiscal”, acarretando indevida supressão de instância, por trazer o caso de forma prematura e despreparada para a análise deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); b) se lhe tivesse sido dada a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia o precioso tempo deste Conselho com cobranças infundadas como a presente, uma vez que qualquer agente fiscal da Receita Federal do Brasil que analisasse com a mínima cautela a situação exposta na Manifestação de Inconformidade teria notado que houvera tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justificaria a glosa ora em comento; c) “é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte.” d) os erros de preenchimento da DCTF seriam equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, uma vez que ele teria livre acesso a toda a escrituração fiscal do Recorrente. Junto a sua peça recursal, o Recorrente traz aos autos cópia do acórdão recorrido. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 3803004.419 S3TE03 Fl. 75 4 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. No que tange ao pedido de suspensão de quaisquer atos tendentes ao seguimento da cobrança dos valores objeto do PER/DCOMP, até ulterior decisão definitiva em contrário, temse que, nos termos do contido no art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN), as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário, independentemente de pedido da parte nesse sentido. I. Preliminar de nulidade do despacho decisório. Quanto à preliminar de nulidade do despacho decisório, devese ressaltar, de pronto, que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF original. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis então, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. A DCTF retificadora, conforme demonstrou o julgador de piso, somente veio a ser entregue pelo interessado após a ciência do despacho decisório, não se podendo, por conseguinte, impingir a este o vício da nulidade, pois que exarado em conformidade com os dados então disponíveis. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente. Dito em outras palavras, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 3803004.419 S3TE03 Fl. 76 5 Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito pleiteado compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Foilhe assegurado o direito de se valer do contencioso administrativo, em duas instâncias, para se contrapor às decisões da Administração tributária, inclusive apresentando, na defesa do seu direito, outras informações e documentos ainda não apreciados pela Fazenda Pública. Quanto à alegada violação dos princípios da verdade material, da capacidade contributiva, da formalidade moderada, da vedação ao enriquecimento ilícito, da razoabilidade, da proporcionalidade e da legalidade estrita, há que se ressaltar que a decisão combatida fora exarada em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado em especial pelo Decreto nº 70.235, de 1972, dispositivos esses válidos e vigentes, de observância obrigatória por parte dos agentes administrativos, sob pena de responsabilidade funcional. Teria havido, sim, violação de tais princípios se tivessem sido ignorados pela Administração tributária eventuais documentos comprobatórios do direito alegado, como a escrituração contábilfiscal, que porventura tivessem sido trazidos aos autos pelo Recorrente e desconsiderados pelos agentes fiscais competentes – documentos esses aptos à apuração da contribuição devida no período –, mas não foi isso que ocorreu neste processo. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade arguida. II. Mérito. Compensação. Existência do indébito. Conforme se verifica do relatório supra, a compensação declarada por meio de PER/DCOMP não foi homologada pela repartição de origem pelo fato de que o crédito pleiteado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ São Paulo I/SP, em razão da falta de comprovação do alegado erro ocorrido no preenchido da DCTF. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 3803004.419 S3TE03 Fl. 77 6 Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários e do despacho decisório, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito reclamado, dado que desacompanhados de elementos da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Nem a DCTF retificadora, nem qualquer outro documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovarem os fatos alegados, como, especificamente, as remessas ao exterior de royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos. Nada há nos autos que demonstre esses fatos. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada violação do princípio. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa busque as provas do direito alegado, provas essas, repitase, que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e a alegação de inoperância do Fisco por falta de diligência encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19721, que regula o Processo 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 3803004.419 S3TE03 Fl. 78 7 Administrativo Fiscal (PAF), e com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da emissão do despacho decisório. Em seu Recurso Voluntário, quando já poderia ter robustecido sua defesa com a demonstração do erro alegado e a apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos que infirmassem a decisão recorrida, o contribuinte nada traz aos autos. Nesse contexto, voto por AFASTAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10880.679891/200963 Acórdão n.º 3803004.419 S3TE03 Fl. 79 8 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 03/09/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 13807.003874/2001-74
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1802-001.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR os embargos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 38 74 /2 00 1- 74 Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 O acórdão embargado, nº 1802001.238, de 12/06/2012, foi recepcionado pela empresa em 11/07/2013 (Aviso de Recebimento – AR), e, os embargos foram protocolizados em 16/07/2013. A embargante alega que o voto condutor do acórdão embargado incorreu em contradições, eis que: (i)considera que o reconhecimento da correção monetária do balanço (IPC/BTNF) não consiste em uma faculdade concedida ao contribuinte, mas, sim, numa obrigatoriedade, baseando se,todavia, em decisão que em nada se relaciona com os fatos discutidos no presente caso; (ii)afirma que, ao contribuinte, é facultado somente a correção monetária especial, prevista no artigo 2o da Lei n° 8.200/91,quando, na verdade, a faculdade para reconhecer da diferença entre os índices de correção monetária IPC/BTNF está contida no artigo 3o do mesmo diploma legal; e (iii)não considerou o saldo de prejuízo fiscal acumulado da contribuinte ao recompor a parcela do lucro inflacionário, muito embora tais valores já estivessem registrados no próprio SAPLI. Em seguida discorre sobre os tópicos acima, quais sejam: Da não obrigatoriedade do reconhecimento da diferença entre o IPC e o BTNF, e, Da utilização do SAPLI nas compensações de prejuízos fiscais 1) Da não obrigatoriedade do reconhecimento da diferença entre o IPC e o BTNF A embargante argúi que, como alicerce para o posicionamento supramencionado, valeuse do Acórdão n° 10707934, datado de 23/02/2005. No entanto, referido julgado trata de situação completamente diversa do caso em apreço, e daí passa a discorrer sobre o mencionado acórdão. Afirma que, ao contrário do que ocorreu com a Embargante, o contribuinte citado no acórdão 10707934 optou efetivamente pela correção monetária do balanço, impactando as contas do ativo permanente e do patrimônio líquido. Diz que, a Embargante, por sua vez, não só optou por não reconhecer a correção monetária prevista na Lei n° 8.200/91, como também sequer registrou na contabilidade qualquer valor que pudesse impactar suas demonstrações contábeis e alterar importâncias controladas na parte B do Lalur. Aduz que, a decisão guerreada está em flagrante contradição com o Acórdão utilizado como paradigma, pois a Embargante em nenhum momento exerceu esta faculdade ou sequer registrou tais impactos no balanço. Por fim, salienta que os artigos 2o e 3o da Lei n° 8.200/91 devem ser analisados de forma sistêmica. Nesse contexto, a despeito da Embargante ter suscitado os dois artigos em sede recursal, por óbvio que se referiu à correção monetária do balanço, qual seja, da diferença entre o índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal. Portanto, a Embargante não confundiu o tipo de correção monetária aplicável, apenas suscitou a legislação como um todo, não podendo ser penalizada por este fato. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.860 S1TE02 Fl. 3 3 2) Da utilização do SAPLI nas compensações de prejuízos fiscais Sobre o mencionado assunto, a Embargante alega que o acórdão embargado não considerou para sua decisão a existência de saldo de prejuízos fiscais acumulados, anteriores ao período de 1996, pois, baseouse no fato de que a Embargante não havia demonstrado às autoridades competentes que o prejuízo fiscal acumulado estava registrado na parte B do Lalur. Em síntese, sustenta que o SAPLI foi o meio de prova utilizado tanto pelas autoridades fiscais, como também pela Embargante, pois reflete todos os dados declarados do contribuinte em controle interno mantido pelo Fisco. Ao final requer sejam acolhidos os presentes embargos, com efeitos modificativos, para que sejam supridas as contradições relativas ao r. Acórdão, reformandose a decisão embargada e, reconhecendose a não obrigatoriedade da aplicação da correção monetária do balanço, bem como a utilização do saldo de prejuízo fiscal acumulado constante no SAPLI. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 16/07/2013, no prazo regulamentar, portanto, tempestivos, deles conheço. O presente processo trata de Auto de Infração no qual se exige Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao ano calendário de 1996, decorrente das seguintes infrações: Lucro Inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório e Compensação a maior do saldo de prejuízo fiscal na apuração do lucro real. O acórdão embargado tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1996 Ementa: NULIDADE ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. Não é motivo de nulidade do auto de infração, por cerceamento de direito de defesa, a imprecisão na descrição do enquadramento legal quando o sujeito passivo demonstra perfeita compreensão dos motivos de fato e de direito do lançamento. DECADÊNCIA Em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial, iniciase do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido iniciado, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. IRPJ – LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO CORREÇÃO MONETÁRIA DIFERENÇA DE ÍNDICES (IPC X Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 BTNF) –O saldo credor da diferença de correção monetária IPC/BTNF, corrigido pelos índices próprios, deve ser somado ao montante de lucro inflacionário acumulado em 31 de dezembro de 1992, recebendo, a partir de 1º/01/93, o mesmo tratamento dado ao saldo do lucro inflacionário acumulado a realizar. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF Nº 2) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS Temse como não passível de compensação na apuração mensal do lucro real de 1996, o saldo de prejuízos fiscais de exercícios anteriores que não foram comprovados e registrados no LALUR. Conforme relatado, a embargante alega que o voto condutor do acórdão embargado incorreu em contradições, eis que: (i)considera que o reconhecimento da correção monetária do balanço (IPC/BTNF) não consiste em uma faculdade concedida ao contribuinte, mas, sim, numa obrigatoriedade, baseandose, todavia, em decisão que em nada se relaciona com os fatos discutidos no presente caso; (ii)afirma que, ao contribuinte, é facultado somente a correção monetária especial, prevista no artigo 2o da Lei n° 8.200/91,quando, na verdade, a faculdade para reconhecer da diferença entre os índices de correção monetária IPC/BTNF está contida no artigo 3o do mesmo diploma legal; e (iii)não considerou o saldo de prejuízo fiscal acumulado da contribuinte ao recompor a parcela do lucro inflacionário, muito embora tais valores já estivessem registrados no próprio SAPLI. A argumentação da embargante desde a impugnação, em primeira instância, é no sentido de que a correção monetária correspondente à diferença entre IPC/BTNF era uma faculdade concedida pelo legislador infraconstitucional, portanto, não efetuara a correção monetária em virtude de não ser a mesma obrigatória. Ao final conclui que dos artigos 2° e 3° da Lei n° 8.200/91, depreendese que era faculdade dos contribuintes optar pelo reconhecimento da diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF, e, nesse sentido, o Decreto n° 332/91, ao regulamentar tais dispositivos, jamais poderia tratar referida facultatividade dos contribuintes como obrigatoriedade. Contraditando os argumentos da Recorrente/Embargante, o acórdão embargado sustenta que a parcela da correção monetária correspondente à diferença entre IPC/BTNF deveria obrigatoriamente integrar o saldo de lucro inflacionário acumulado, sendo, por conseguinte, considerada no cálculo da parcela mensal de realização mínima obrigatória. O acórdão embargado ao analisar a questão sobre a obrigatoriedade da parcela da correção monetária correspondente à diferença entre IPC/BTNF integrar o saldo do lucro inflacionário acumulado, exauriu o assunto conforme arrazoado às fls.1043/1045, vejamos: (...) Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.860 S1TE02 Fl. 4 5 Aduz a defesa que a decisão da DRJ não pode prosperar porque a correção com base nesse índice era uma faculdade concedida pelo legislador infraconstitucional, e a Recorrente não optou em nenhum momento por esse tipo de correção monetária. Para tanto transcreve às fls.474/477, os artigos 2° e 3° da Lei n° 8.200/91, e os artigos 32 e 40 do Decreto n° 332/91, que regulamentou a referida Lei. Ao final conclui que dos artigos 2° e 3° da Lei n° 8.200/91, depreendese que era faculdade dos contribuintes optar pelo reconhecimento da diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF, e, nesse sentido, o Decreto n° 332/91, ao regulamentar tais dispositivos, jamais poderia tratar referida facultatividade dos contribuintes como obrigatoriedade. A recorrente alega, que não efetuara a correção monetária em virtude de não ser a mesma obrigatória. Entendo que não assiste razão à recorrente. Vêse que a recorrente confunde a Correção Monetária Especial do Ativo Permanente com Base em Índice Nacional de Preços (CM ESPECIAL) com a Correção Monetária Diferença IPC/BTNF, ambas dispostas na Lei nº 8.200/91 (artigos 2º e 3º respectivamente). Tratase de correções monetárias distintas, sendo a CM ESPECIAL (artigo 2º), facultativa e a CM DIFERENÇA IPC/BTNF, obrigatória (artigo 3º), vejamos: Art. 2° As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão efetuar correção monetária especial das contas do Ativo Permanente, com base em índice que reflita a nível nacional, variação geral de pregos. § 1º A correção monetária de que trata este artigo poderá ser efetuada, exclusivamente, em balanço especial levantado, para esse efeito, em 31 de janeiro de 1991, após a correção com base no BTN Fiscal de Cr$ 126,8621. (...) § 4° 0 valor da correção especial, realizado mediante alienação, depreciação, amortização, exaustão ou baixa a qualquer titulo, poderá ser deduzido como custo ou despesa, para efeito de determinação do lucro real. § 6° A correção de que trata este artigo poderá ser registrada até a data do balanço de encerramento do período base de 1991, mas referida à data de 31 de janeiro de 1991. (...) Art. 3°. A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao período base de 1990, que corresponder diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 I poderá ser deduzida na determinação do lucro real, em quatro períodos base, a partir de 1993, à razão de vinte e cinco por cento ao ano, quando se tratar de saldo devedor; II – será computada na determinação do lucro real, a partir do período base de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor. (grifos acrescentados) A argumentação da recorrente diz respeito à faculdade da CM ESPECIAL prevista no artigo 2º da Lei n° 8.200/91, e não se coaduna com o estabelecido em relação à CM DIFERENÇA IPC/BTNF, considerada obrigatória para todas as empresas que determinaram o Imposto de Renda do exercício de 1991, período base de 1990, com base no Lucro Real. É certo que no julgado trazido pelo Recorrente o voto condutor do acórdão de 13/05/1998, foi no sentido de que a obrigatoriedade prevista no art. 32 do Decreto 332/91 é de manifesta ilegalidade, pois extrapola o conteúdo e o alcance previstos na lei em função da qual foi expedido. Ouso divergir de tal entendimento. Na verdade, a opção existia, explicitamente, mas apenas para a correção monetária especial do ativo imobilizado (artigo 2º). Já em relação ao artigo 3º a mesma Lei nº 8.200/91 nada facultou ao contribuinte. Necessário, que a opção também fosse expressa no artigo 3º uma vez que o mesmo disciplina o tratamento fiscal no caso de saldo devedor ou saldo credor da correção monetária. Nesse sentido trazse à colação, julgado mais recente, o Acórdão 10707934, de 23/02/2005, assim ementado: Número do Recurso: 135722 Câmara: SÉTIMA CÂMARA Data da Sessão: 23/02/2005 Relator: Luiz Martins Valero Decisão: Acórdão 10707934 Ementa: (...) IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO FALTA DE APLICAÇÃO DA DIFERENÇA IPC/BTNF AO SALDO EM 31.12.89 DECADÊNCIA O índice que representa o diferencial entre o IPC e o BTNF deveria ser aplicado ao saldo de lucro inflacionário existente em 31.12.89. A realização do valor assim resultante era exigível a partir do ano calendário de 1993, portanto, a falta dessa correção autoriza o fisco a exigila como integrante do saldo a realizar em 31.12.95. Assim, é possível concluir que a exigência compulsória de apuração da diferença IPC X BTNF, prevista no art. 32 do Decreto 332/91, encontra sustentação no artigo 3º da Lei nº 8.200/91 que não pode ser afastada conforme entendimento consubstanciado na Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A Embargante alega que a decisão guerreada está em flagrante contradição com o Acórdão utilizado como paradigma, pois a Embargante em nenhum momento exerceu esta faculdade ou sequer registrou tais impactos no balanço. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13807.003874/200174 Acórdão n.º 1802001.860 S1TE02 Fl. 5 7 Indubitavelmente, a citação do acórdão, dito paradigma, evidenciado apenas com sua ementa, foi simplesmente para corroborar que naquele julgado também se entendeu que o índice representativo do diferencial entre o IPC e o BTNF deveria ser aplicado ao saldo de lucro inflacionário existente em 31.12.89. A realização do valor assim resultante era exigível a partir do anocalendário de 1993, portanto, a falta dessa correção autoriza o fisco a exigila como integrante do saldo a realizar em 31.12.95. Essencialmente, a Embargante pretende rediscutir a matéria litigada insistindo em não reconhecer a obrigatoriedade da aplicação da correção monetária do balanço, em comento. Com efeito, a menção que se fez à ementa do acórdão nº 10707934 em nada contradiz os fundamentos legais sustentados no acórdão embargado ao concluir que a contribuinte estava obrigada a realizar a Correção Monetária Diferença IPC/BTNF prevista no artigo 3º da Lei nº 8.200/91. No tocante a utilização do SAPLI nas compensações de prejuízos fiscais, a Embargante alega que o acórdão embargado não considerou para sua decisão a existência de saldo de prejuízos fiscais acumulados, anteriores ao período de 1996, pois, baseouse no fato de que a Embargante não havia demonstrado às autoridades competentes que o prejuízo fiscal acumulado estava registrado na parte B do Lalur. Em síntese, sustenta que o SAPLI foi o meio de prova utilizado tanto pelas autoridades fiscais, como também pela Embargante, pois reflete todos os dados declarados do contribuinte em controle interno mantido pelo Fisco. Sobre tal questionamento não se verifica qualquer contradição no acórdão embargado ao sustentar, com espeque na legislação, que não se pode prescindir do LALUR como prova a fim de verificar o prejuízo compensável ainda que existente o SAPLI alimentado por declarações do contribuinte. Eis o teor dos fundamentos legais consubstanciados no acórdão embargado: (...) Como se vê, a Recorrente pleiteia a compensação de saldo de prejuízo fiscal acumulado de exercícios anteriores aos meses do ano calendário de 1996. É cediço que, a pessoa jurídica poderá compensar o prejuízo fiscal apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real, desde que mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. O artigo 509 do RIR/99 assim dispõe, in verbis: Art. 509 O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art.64, § 1º, e Lei nº9.249, de 1995, art.6º e parágrafo único) Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 O controle do valor dos prejuízos compensáveis, na forma da legislação vigente, deve ser feito na parte “B” do LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real, cujo livro fiscal não fora apresentado à fiscalização apesar de intimado o contribuinte a fazêlo. Assim, ainda que declarados pela pessoa jurídica prejuízos fiscais nas DIPJ que alimentaram o SAPLI até 31/12/1995, não restaram os mesmos comprovados registrados no LALUR. Portanto, à míngua de tal comprovação temse como não passível de compensação na apuração mensal do lucro real de 1996, o saldo de prejuízos de exercícios anteriores que não foram comprovados registrados no LALUR. Nos termos do art. 65 do RICARF, com a redação dada pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, não se prestando o instrumento processual (embargos de declaração) para instigar à nova apreciação e julgamento. Com as considerações acima, entendo não estar presente no acórdão embargado qualquer das situações previstas no mencionado dispositivo regimental (obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos), razão pela qual voto no sentido de que sejam REJEITADOS os embargos de declaração. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/ 10/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10580.720302/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
INTEMPESTIVIDADE.
A apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade tem o efeito
de tornar definitivo o Despacho Decisório.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-001.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal.
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A apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade tem o efeito de tornar definitivo o Despacho Decisório. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopes, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Bernardo Motta Moreira e Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 02 /2 00 7- 52 Fl. 368DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10580.720302/200752 Acórdão n.º 3301001.837 S3C3T1 Fl. 369 2 Relatório O contribuinte apresentou PER/DCOMP, fls. 2/4, solicitando ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep apurados, conforme art. 3º da Lei nº 10.637/2002, relativos ao 4º trimestre de 2005, no valor de R$ 36.190,56. Conforme Despacho Decisório proferido pela DRF/Feira de SantanaBA, fl. 145, foi efetuado o deferimento parcial do pedido no valor de R$ 34.747,09, sendo glosado o valor de R$ 1.443,47. Cientificada do Despacho Decisório em 12/05/09, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade em 20/04/2010, alegando, preliminarmente, a tempestividade de sua manifestação, e discorrendo, no mérito, sobre a validade do ressarcimento pleiteado. A DRJ/SalvadorBA em Acórdão de 19/07/2011, não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por intempestiva, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/10/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE. Não se conhece da Manifestação de Inconformidade apresentada após o prazo definido em lei para a sua apresentação. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido. Não concordando com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 320/344, na qual além de repisar todas as alegações de mérito contidas na manifestação de inconformidade, pede a reforma da referida decisão tentando demonstrar que a manifestação de inconformidade foi apresentada dentro do prazo legal. Para tanto a recorrente traz em síntese os seguintes argumentos: Que a decisão da DRJ considerou como data da ciência pessoal do Despacho Decisório o dia 12/05/2009, ou seja, o dia seguinte à confecção da Comunicação nº 112/2009 (datada de 11/05/2009). Afirma no entanto, que há um equívoco em tal conclusão, uma vez que a data da ciência pessoal do teor da Comunicação nº 112/2009 foi efetivamente em 23/03/2010. Assim, tendo sido apresentada Manifestação de Inconformidade em 20/04/2010, dentro do prazo legal previsto no art. 15 do Dec. nº 70.235/72, há que se conhecer a apreciação do mérito, o que não foi feito na decisão recorrida. É o relatório. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10580.720302/200752 Acórdão n.º 3301001.837 S3C3T1 Fl. 370 3 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. Porém as razões trazidas pelo contribuinte não condizem com a realidade dos elementos constantes dos presentes autos. O contribuinte afirma que foi cientificado pessoalmente do Despacho Decisório, por meio da Comunicação nº 112/2009, somente em 23/03/2010 e portanto a sua Manifestação de Inconformidade apresentada em 20/04/2010, seria tempestiva nos termos do art. 15 do Dec. nº 70.235/72. Não traz nenhum novo elemento de prova a respeito desta afirmação, cabendo então a análise das peças processuais para elucidação dos fatos. A Comunicação nº 112/2009, fl. 147, datada de 11/05/2009, foi elaborada com o fim específico de dar ciência ao contribuinte do Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento objeto do presente processo. Nela consta expressamente que o contribuinte tem a faculdade de apresentar manifestação de inconformidade da decisão à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no prazo de 30 dias. A assinatura do Sr. Andrey Manea, procurador do contribuinte conforme procuração de fl. 149, consta efetivamente do documento de fl. 148, que seria uma espécie de extrato dos débitos do processo. Assinatura que confere com a petição apresentada pela recorrente às fls. 150/151. Nesta petição de fls. 150/151 está demonstrado de forma indubitável que o contribuinte tomou conhecimento da Comunicação nº 112/2009, em 12/05/2009, data da referida petição. Observe que a petição traz como documento de referência justamente a Comunicação nº 112/2009 e consta no item 3 do requerimento final da petição, fl. 151, que o contribuinte requer que “seja dado normal prosseguimento ao feito com a homologação do pedido de ressarcimento, objeto do processo administrativo nº 10580.720302/200752”, que nada mais é do que uma concordância expressa do Despacho Decisório, que por sinal homologou 96,01% do crédito pleiteado. O que pode estar causando esta confusão de datas por parte do contribuinte é que ele dever ter sido cientificado em 23/03/2010, do efetivo ressarcimento do valor homologado parcialmente, conforme Autorização para emissão de Ordem Bancária, fl. 225, que foi emitido no início de março/2010. Verificase, no presente caso, que efetivamente o contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório que homologou parcialmente o seu pedido de ressarcimento em 12/05/2009. Nos termos do art. 15 do Dec. nº 70.235/72 teria o prazo de 30 dias para apresentar a manifestação de inconformidade. Esta foi apresentada em 20/04/2010, evidenciandose assim a sua apresentação intempestiva. Não cabendo qualquer ressalva ao Acórdão recorrido. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10580.720302/200752 Acórdão n.º 3301001.837 S3C3T1 Fl. 371 4 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 371DF CARF MF Impresso em 21/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 29/ 07/2013 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10980.721917/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMPRESA OPTANTE DO SIMPLES. CÁLCULO DOS TRIBUTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. MATÉRIA SUSCITADA NO RECURSO E NÃO EXAMINADA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA SUPRIR A OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO.
Verificado que ao calcular os tributos a autoridade fiscal adotou valores diversos daqueles que apontou a título de receita omitida, deve se dar parcial provimento ao recurso para que se calcule o valor dos tributos devidos seguindo as faixas e alíquotas vigentes à época, estabelecidas pela Lei nº 9.317, de 1996, observando a evolução e limite da receita omitida em cada um dos meses do ano-calendário.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 1402-001.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para dar-lhes efeitos infringentes e determinar o recálculo dos tributos devidos considerando o valor correto da receita declarada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Coobrigados: Simone Regina Antunes, Hugo Westphalen Barros, Fábio Ricardo Antunes e Oliveiro Domingos Marques Neto Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMPRESA OPTANTE DO SIMPLES. CÁLCULO DOS TRIBUTOS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. MATÉRIA SUSCITADA NO RECURSO E NÃO EXAMINADA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARA SUPRIR A OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES PARA DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO. Verificado que ao calcular os tributos a autoridade fiscal adotou valores diversos daqueles que apontou a título de receita omitida, deve se dar parcial provimento ao recurso para que se calcule o valor dos tributos devidos seguindo as faixas e alíquotas vigentes à época, estabelecidas pela Lei nº 9.317, de 1996, observando a evolução e limite da receita omitida em cada um dos meses do anocalendário. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para darlhes efeitos infringentes e determinar o recálculo dos tributos devidos considerando o valor correto da receita declarada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 19 17 /2 01 0- 99 Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.421 S1C4T2 Fl. 1.738 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Conforme identificado às fls. 799/780 do termo de verificação fiscal e relatado no acórdão de fls. 1594 e seguintes, a contribuinte foi autuada em face das seguintes infrações: 001 – omissão de receitas: receitas não escrituradas (fl. 799); 002 – omissão de receitas: depósitos bancários não contabilizados (falta de escrituração). omissão de receitas financeiras (fls. 799/800); 003 – insuficiência de recolhimento: Insuficiência de valor recolhido entre os valores apurados durante a ação fiscal e aqueles declarados pela pessoa jurídica (fl. 800). No relatório do acórdão embargado relacionei a receita omitida com base nas notas fiscais (fl. 799) e a decorrente se presunção de omissão de rendimentos (fl. 799/800), conforme quadros que seguem: Competência Número da nota fiscal Valor R$ Tomador dos serviços Data do pagamento Março 2005 NFPS 061 75.515,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 02/03/2005 Março 2005 NFPS 064 48.400,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 18/03/2005 Março 2005 NFPS 066 48.960,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 21/03/2005 Março 2005 NFPS 069 48.400,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/03/2005 Total do mês 03/2005 221.275,00 Abril 2005 NFPS 072 48.980,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 15/04/2005 Total do mês 04/2005 48.980,00 Maio 2005 NFPS 075 48.980,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 06/05/2005 Maio 2005 NFPS 077 79.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 31/05/2005 Total do mês 05/2005 127.980,00 Junho 2005 NFPS 075 49.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 13/06/2005 Junho 2005 NFPS 116 1.645.600,00 Ministério da Previdência Social 21/06/2005 Total do mês 06/2005 1.694.600,00 Julho 2005 NFPS 079 49.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 14/07/2005 Julho 2005 NFPS 127 1.494.000,00 Ministério da Previdência Social 21/07/2005 Total do mês 07/2005 1.543.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial Agosto 2005 NFPS 085 49.200,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 01/08/2005 Agosto 2005 NFPS 108 48.700,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/08/2005 Total do mês 08/2005 97.900,00 Setembro 2005 NFPS 114 49.060,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 01/09/2005 Setembro 2005 NFPS 129 47.960,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 27/09/2005 Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.421 S1C4T2 Fl. 1.739 3 Total do mês 09/2005 97.020,00 Novembro 2005 NFPS 156 78.200,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/11/2005 Total do mês 11/2005 78.200,00 Dezembro 2005 NFPS 161 48.900,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 15/12/2005 Total do mês 12/2005 48.900,00 Total Global 3.957.855,00 Quanto ao item 002 da autuação, depósitos bancários, temse o seguinte quadro: Março 2005 18/03/2005 R$ 93.900,00 Transferência on line 551503000013987 BB, ag. 3390, conta 13416 Abril 2005 01/04/2005 R$ 49.400,00 TED.Transf.Eletr.Dispon . 00000000824377 BB, ag. 3390, conta 13416 Maio 2005 12/05/2005 R$ 48.940,00 TED.Transf.Eletr.Dispon 000000002220160 BB, ag. 3390, conta 13416 Nov. 2005 10/11/2005 R$ 5.390,00 Crédito TED sistema TIF 000086473000000 HSBC, ag.356, conta 92767801 Dez. 2005 16/12/2005 R$ 48.900,00* Crédito TED sistema TIF 000027768400000 HSBC, ag.356, conta 92767801 Total R$246.530,00 *O valor de R$ 48.900,00 que consta do quadro acima foi excluído por decisão da DRJ, por corresponder à parte do pagamento da NF 161, tributada na infração 001. Somando o valor da omissão em relação às notas fiscais acima e os valores correspondentes aos depósitos bancários temse o montante de R$ 4.204.385,00 (246.530,00 + 3.957.855,00 = 4.204.385,00). No momento em que se diminui do valor acima R$ 48.900,00 referente à infração descrita no item 002, temse que a soma da receita omitida é de R$ 4.155.485,00 (4.204.385,00 48.900,00 = 4.155.485,00) Com a mudança da base de cálculo, isto é dos R$ 15.002,00 declarados para R$ 4.155.485,00, omitidos, considerando que a empresa era tributada com base no SIMPLES, em relação ao valor declarado, houve alteração de alíquotas, conforme previsto no artigo 5º da Lei nº 9.317, de 1996, vigente à época. Tendo por norte o que consta no item 003 do auto de infração e o que fora descrito no termo de verificação fiscal, a diferença de alíquota fica limitada aos R$ 15.002,00. Em outras palavras, dado que à época a alíquota mínima do SIMPLES era 5% e máxima de 10,32%, conforme a evolução da receita durante o ano, em relação à receita declarada incide diferença de percentual. Quanto à receita omitida, aplicamse, igualmente, as alíquotas vigentes em cada um dos respectivos meses, considerado a receita acumulada do ano, conforme previsto na Lei nº 9.317, de 1996, vigente na época. Contudo, ao calcular os tributos em relação a receita omitida, no demonstrativo de cálculo de fl. 917, a fiscalização considerou o valor de R$ 8.262.590,00. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.421 S1C4T2 Fl. 1.740 4 A diferença de valores acima apontada foi expressamente destacada na impugnação e no recurso, sendo que em relação a este ponto houve omissão tanto do acórdão da DRJ, quanto do acórdão desta Turma que foi atacado por meio de embargos de declaração. Apresentado os embargos de declaração manifesteime pela sua admissibilidade por ter identificado a presença da omissão apontada. É o relatório. Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.421 S1C4T2 Fl. 1.741 5 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Os embargos foram apresentados de forma tempestiva e apontam omissão relevante do acórdão embargado que deixou de se manifestar acerca da base de cálculo da exigência. No que diz respeito à base de cálculo, à fl. 799, no item 001, denominado de "omissão de receitas: receitas não escrituradas" a autoridade fiscal apurou o valor de R$ 3.957.855,00, assim discriminado Competência Número da nota fiscal Valor R$ Tomador dos serviços Data do pagamento Março 2005 NFPS 061 75.515,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 02/03/2005 Março 2005 NFPS 064 48.400,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 18/03/2005 Março 2005 NFPS 066 48.960,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 21/03/2005 Março 2005 NFPS 069 48.400,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/03/2005 Total do mês 03/2005 221.275,00 Abril 2005 NFPS 072 48.980,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 15/04/2005 Total do mês 04/2005 48.980,00 Maio 2005 NFPS 075 48.980,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 06/05/2005 Maio 2005 NFPS 077 79.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 31/05/2005 Total do mês 05/2005 127.980,00 Junho 2005 NFPS 075 49.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 13/06/2005 Junho 2005 NFPS 116 1.645.600,00 Ministério da Previdência Social 21/06/2005 Total do mês 06/2005 1.694.600,00 Julho 2005 NFPS 079 49.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 14/07/2005 Julho 2005 NFPS 127 1.494.000,00 Ministério da Previdência Social 21/07/2005 Total do mês 07/2005 1.543.000,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial Agosto 2005 NFPS 085 49.200,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 01/08/2005 Agosto 2005 NFPS 108 48.700,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/08/2005 Total do mês 08/2005 97.900,00 Setembro 2005 NFPS 114 49.060,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 01/09/2005 Setembro 2005 NFPS 129 47.960,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 27/09/2005 Total do mês 09/2005 97.020,00 Novembro 2005 NFPS 156 78.200,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 29/11/2005 Total do mês 11/2005 78.200,00 Dezembro 2005 NFPS 161 48.900,00 Estado do Paraná – Imprensa Oficial 15/12/2005 Total do mês 12/2005 48.900,00 Total Global 3.957.855,00 Quanto ao item 002 da autuação, depósitos bancários, considerando a exclusão pela DRJ do valor de R$ 48.900,00, em dezembro de 2005, temse o montante de R$ 197.630,00, abaixo discriminado: Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.421 S1C4T2 Fl. 1.742 6 Março 2005 18/03/2005 R$ 93.900,00 Transferência on line 551503000013987 BB, ag. 3390, conta 13416 Abril 2005 01/04/2005 R$ 49.400,00 TED.Transf.Eletr.Dispon . 00000000824377 BB, ag. 3390, conta 13416 Maio 2005 12/05/2005 R$ 48.940,00 TED.Transf.Eletr.Dispon 000000002220160 BB, ag. 3390, conta 13416 Nov. 2005 10/11/2005 R$ 5.390,00 Crédito TED sistema TIF 000086473000000 HSBC, ag.356, conta 92767801 Total R$197.630,00 Somando o valor da omissão em relação às notas fiscais acima e os valores correspondentes aos depósitos bancários temse o montante de R$ 4.155.485,00 (197.630,00 + 3.957.855,00 = 4.155.485,00). Quanto ao valor de R$ 4.155.485,00 aplicamse as alíquotas integrais. Em relação à receita declarada de R$ 15.002,00 aplicase o diferencial de alíquota, pois se aplicássemos a alíquota integral estaríamos tributando a receita já declarada. Em outras palavras, com a mudança da base de cálculo, isto é dos R$ 15.002,00 declarados para R$ 4.155.485,00 (4.204.385,00 48.900,00 = 4.155.485,00), omitidos, considerando que a empresa era tributada com base no SIMPLES, em relação ao valor declarado, houve alteração de alíquotas, conforme previsto no artigo 5º da Lei nº 9.317, de 1996, vigente à época. No caso concreto, o demonstrativo do auto de infração, ao indicar as alíquotas devidas o fez adotando sistemática correta, isto é, aumentando o percentual na medida em que a receita ia aumentando. Contudo, o erro está em relação à base de cálculo, pois a receita omitida, conforme demonstrativo abaixo, foi de R$ 4.155.485,00 e não R$ 8.262.590,00. Mês Receita omitida item 001 do AI Receita omitida item 002 do AI Total receita omitida, de forma acumulada no ano Receita declarada em relação à qual só se apura diferencial de alíquota Jan 550,00 (não há diferença de alíquota) Fev 1.135.00 (não há diferença de alíquota) Mar 221.275,00 93.900,00 315.175,00 540,00 Abr 48.980,00 49.400,00 413.555,00 590,00 Mai 127.980,00 48.940,00 590.475,00 3.107,00 Jun 1.694.600,00 2.285.075,00 2.035,00 Jul 1.543.000,00 3.828.075,00 630,00 Ago 97.900,00 3.925.975,00 1.160,00 Set 97.020,00 4.022.995,00 1.735,00 Out 4.022.995,00 810,00 Nov 78.200,00 5.390,00 4.106.585,00 1.730,00 Dez 48.900,00 4.155.485,00 980,00 TOTAL 3.957.855,00 197.630,00 4.155.485,00 15.002,00 Importante observar que em relação à receita declarada deve ser calculado apenas a diferença de alíquota. Por outro lado, na planilha acima, no que diz respeito ao total Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.721917/201099 Acórdão n.º 1402001.421 S1C4T2 Fl. 1.743 7 da receita omitida, dado ao baixo valor da receita declarada, não se identificou alteração de faixa de receita capaz de alterar a alíquota aplicável. Em síntese, há que se acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para que conste do acórdão que foi dado parcial provimento ao recurso para que se calcule o valor dos tributos devidos seguindo as faixas e alíquotas vigentes à época, estabelecidas pela Lei nº 9.317, de 1996, observando a evolução da receita omitida em cada um dos meses do anocalendário. Quanto à receita declarada, no montante de R$ 15.002,00, o cálculo do diferencial de alíquota dos valores indicados na quinta coluna acima não atinge os meses de janeiro e fevereiro. Em relação a estes valores devem ser considerados os tributos tendo por norte a alíquota efetivamente aplicável, subtraindo do valor devido os tributos já pagos declarados pela contribuinte em face desta receita. ISSO POSTO, observados os fundamentos deste voto, acolho os embargos de declaração atribuindolhes efeitos infringentes para determinar o recálculo dos tributos devidos considerando o valor correto da receita apurada. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 01/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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