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Numero do processo: 16349.000394/2007-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 30/09/2006
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS..
A não-cumulatividade objetiva evitar o aumento excessivo da carga tributária decorrente da possibilidade de cumulação de incidências tributárias ao longo da cadeia econômica.
Este objetivo pode ser alcançado pela técnica do creditamento e pela tributação monofásica.
Cuidando-se de tributação monofásica, desaparece o pressuposto fático necessário para a adoção da técnica do creditamento, que é a possibilidade de incidências múltiplas ao longo da cadeia econômica, não se podendo falar, portanto, em cumulatividade.
ART. 17 DA LEI N.º 11.033/04. DIREITO AO CREDITAMENTO EM REGIME NÃO CUMULATIVO SUJEITO À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE
O art. 17 da Lei n.º 11.033/04 restringe-se ao"Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Amplicação da Estrutura Portuária - REPORTO", como decorre do texto do diploma legislativo onde inserido tal artigo.
Numero da decisão: 3201-005.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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CONCESSIONÁRIA DE VEÍCULOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS.. A nãocumulatividade objetiva evitar o aumento excessivo da carga tributária decorrente da possibilidade de cumulação de incidências tributárias ao longo da cadeia econômica. Este objetivo pode ser alcançado pela técnica do creditamento e pela tributação monofásica. Cuidandose de tributação monofásica, desaparece o pressuposto fático necessário para a adoção da técnica do creditamento, que é a possibilidade de incidências múltiplas ao longo da cadeia econômica, não se podendo falar, portanto, em cumulatividade. ART. 17 DA LEI N.º 11.033/04. DIREITO AO CREDITAMENTO EM REGIME NÃO CUMULATIVO SUJEITO À INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE O art. 17 da Lei n.º 11.033/04 restringese ao"Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Amplicação da Estrutura Portuária REPORTO", como decorre do texto do diploma legislativo onde inserido tal artigo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 03 94 /2 00 7- 80 Fl. 207DF CARF MF 2 Andrade, que lhe deu provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Por bem relatar os fatos ocorridos no presente Processo Administrativo Fiscal, reproduzo o relatório da DRJ: Trata o presente processo de pedidos de ressarcimento de PIS/PASEP e de COFINS fundamentado no art. 17 da lei n° 11.033/2004 (fls. 01 a 48), sob o regime não cumulativo, transmitidoS eletronicamente em 27.11.2006, relativos aos períodos de apuração do 40trimestre de 2004 ao 3 0trimestre de 2006.Inconformado, o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, requerendo reforma em síntese, por entender que por ser substituto tributário teria direito à compensação do crédito, nos termos da lei 9.718, artigos 4º, 5º e 6. 0 contribuinte impetrou a Ação Ordinária n° 2007.61.00.026644k qual foi concedida parcialmente a tutela antecipada, determinando a União que p oceda análise dos pedidos de ressarcimento, no prazo de 30 dias, nos termos do art. 49 da Lei n° 3.784/99 (fls. 50/51). 6. Através do despacho decisório da EQITD/DIORT/DERAT/SPO, de fls. 73 a 82, foram indeferidos os pedidos de ressarcimento, em síntese, com base nos seguintes fundamentos: i) Não podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda, sujeitos à tributação monofásica, ainda que sua receita de venda seja sujeita a aliquota zero, conforme art. 3°, I, "h" c/c art. 2°, §1°, III e IV das leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; ii) Os créditos a que o art. 17 da lei no 11.033/2004 se refere, e devem ser mantidos são aqueles que existiriam caso a receita não fosse tributada com alíquota zero. Não faz sentido a Fl. 208DF CARF MF Processo nº 16349.000394/200780 Acórdão n.º 3201005.078 S3C2T1 Fl. 209 3 manutenção de créditos que a lei veda desde a sua definição, como é o caso de produtos monofásicos. Estes não constituiriam crédito, estando ou não suas receitas sujeitas a aliquota zero, pois o art. 3°, I , das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 os descarta. 0 art. 17 da lei n° 11.033/2004 não tratou de criar novos créditos, mas de manter aqueles que já existiriam se não houvesse a aliquota zero. 7. 0 contribuinte, inconformado com despacho decisório que indeferiu seu pleito, apresentou sua manifestação de inconformidade em 21.06.2008 (fls. 84 a 99), acompanhada de documentos de fls. 100 a 124, no qual argumenta, em síntese, que: 7.1 7.2 7.3 7.4 7.5 A empresa é concessionária de veículos, sujeitandose ao recolhimento de PIS e COFINS nos termos da lei n° 10.485/2002, ou seja, sujeita ao regime monofásico e com recolhimento destas contribuições sob aliquota zero; 0 art. 17 da lei n° 11.033/2004 dispõe expressamente que as vendas efetuadas sob a incidência de aliquota zero de PIS/PASEP e COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ou seja, mesmo havendo receita não tributada pelas contribuições, será mantido o direito a tomada de crédito pelo vendedor. A circunstância da receita estar submetida à aliquota zero, no entanto, não impede que estes contribuintes possam manter os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas, especialmente dos próprios produtos; Esse dispositivo ganhou força com a publicação da lei n° 11.116/2005, que apesar de tratar de contribuições para PIS/PASEP e COFINS incidente na venda de Biodiesel, trouxe, em seu art. 16, um alargamento nas possibilidades de compensação e a possibilidade de ressarcimento do saldo credor, obtido com a tomada de crédito pelo vendedor beneficiado com a aliquota zero, não incidência, isenção, ou suspensão das contribuições; 0 art. 17 da lei n° 11.033/2004, por ser norma posterior, regulando a mesma matéria alcance do direito de crédito revogou o comando do art. 3°, I, "h" da lei n° 10.833/2003 que negava o aludido direito credito; Para que se respeite o principio constitucional da isonomia e capacidade contributiva do PIS e d COFINS, devese permitir a utilização de crédito na hipótese de aliquota zero, notadamente nos casos de recolhimento monofásico de PIS e COFINS, visto contribuições estão embutidas nos valores cobrados pelo fabricante; 7.6 Os produtos tratados pela lei n° 10.485/2002, que é o caso da recorrente, sendo produtos específicos do setor Fl. 209DF CARF MF 4 automotivo elencados no inciso IV do §1° do art. 2° das leis ri"s 10.637/02 e 10.833/2003, foram objetos de vedação ao desconto de créditos. Se aos demais contribuintes sujeitos à incidência do PIS e COFINS nãocumulativo e tributados em suas saídas restou incólume seu crédito, mesmo ante a sua saída não tributada, não se pode opor a recorrente discrimen totalmente incompatível com o ordenamento juridico.Tal discriminação afronta o principio da isonomia e da capacidade contributiva, e a necessidade de preservação da nãocumulatividade; 7.7 A correção monetária deve ser aplicada desde a época do efetivo pagamento indevido, eis que não constitui a mesma um adicional, mas tão somente uma técnica de recomposição do valor da moeda, defasado pela inflação. A taxa SELIC, utilizada para correção de tributos federais exigidos do contribuinte, deve ser utilizada para atualização do indébito tributário ora exigido. Seguindo a marcha processual normal, foi proferido acórdão pela DRJ, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 30/09/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. DIREITO A CRÉDITO. Não podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda sujeitos tributação monofásica, ainda que sua receita de venda seja sujeita à aliquota zero. 0 art. 17 da Lei n° 11.033/2004, que prevê a manutenção de créditos decorrentes de custos, despesas e encargos incorridos na atividade de empresas sujeitas à COFINS e ao PIS, vinculados a vendas efetuadas com aliquota zero não revoga o art. 3°, inciso I, alínea "b", das Leis n° 10.833, de 2003, e 10.865, de 2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de COFINS de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PISMASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 30/09/2006 REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE PRODUTO MONOFÁSICO PARA REVENDA. DIREITO A CRÉDITO. Não podem ser descontadas como crédito as aquisições de produtos para revenda sujeitos tributação monofásica, ainda que sua receita de venda seja sujeita à aliquota zero. 0 art. 17 da Lei n° 11.033/2004, que prevê a manutenção de créditos decorrentes de custos, despesas e encargos in na atividade de empresas sujeitas à COFIN o vinculados a vendas efetuadas com aliq • ta zero não revoga o art. 3 0, inciso I, alínea "b", das Leis n° 10.833, de 2003, e 10.865, de 2004. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 16349.000394/200780 Acórdão n.º 3201005.078 S3C2T1 Fl. 210 5 CORREÇÃOMONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS de ressarcimento. Solicitação Indeferida Inconformada com o r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma em síntese: a) encontrase no sistema da nãocumulatividade; b) que a alíquota zero gera crédito nos termos do art. 17, da Lei 11.033/14; c) requer preservação do príncipio da nãocumulatividade É o relatório. Voto Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior O recurso é tempestivo e merece ser conhecido. Se discute nos presentes autos acerca da possibilidade ou não de creditamento, pela concessionária de veículos, dos valores pagos pelas montadoras ou pelas indústrias de autopeças e acessórios a título de PIS e COFINS, considerando o sistema monofásico de incidência de tais contribuições sobre a receita das vendas da fábrica e o regime de alíquota zero a que estão submetidos os revendedores de veículos. É de ressaltar que regime nãocumulativo das contribuições PIS e COFINS foi introduzida em nosso sistema jurídico pelas Medidas Provisórias n.º 66/02 e 135/03, convertidas nas Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03. Com a Emenda Constitucional n.º 42/03 é que a nãocumulatividade no âmbito das contribuições incidentes sobre o faturamento/receita passou a ter previsão constitucional, nos termos do art. 195, § 12 da Constituição Federal. Contudo, a Lei nº 10.485/04 em seu art. 3o. instituiu a sistemática de incidência não cumulativa monofásica para o setor automotivo, submetendo as receitas da comercialização de veículos novos e autopeças à não cumulatividade, todavia, tal Fl. 211DF CARF MF 6 alteração mudou a estrutura, não permitindo existência de crédito para os demais contribuintes/consumidores, nos termos do art. 3o. da Lei 10.637/02 e 10.833/03. Nesse sentido explica o Luís Eduardo Schoueri: Embora sua introdução se justifique por atender aos reclamos da fiscalização, dentro do pressuposto de que há menos pro dutores que consumidores, a distância entre o momento da tributação e o momento do consumo leva também a um afastamento entre a manifestação efetiva da capacidade contributiva e sua avaliação econômica, passando, pois, o imposto concebido para alcançar a capacidade contribu tiva efetiva a servir como instrumento de captação daquela capacidade potencial. Retomando o exemplo acima, basta imaginar que um mesmo produto, vendido pela mesma fábrica a um mes mo preço, pode chegar a consumidores diversos por preços diferentes. Se a tributação se deu no momento da venda pelo fabricante, então já não mais se diferenciarão os consumidores, confor me sua capacidade contributiva.. 1 O Contribuinte afirma que com base no art. 17 da Lei nº 11.033/04, teria seu direito ao creditamento. Vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ao meu ver não tratase de alíquota zero, mas sim, do regime monofásico, não gerando o direito ao crédito, e tendo um limite dessa incidência. Mesmo que fosse superada tal questão, ainda não merece prosperar tal pleito, uma vez, que o art. 17 tem de ser feita sua leitura em conjunta com os dispositivos legais, pois, uma leitura mais acurada da Lei nº 11.033/04, notase, que o mencionado dispositivo só faz sentido quanto utilizado pelo REPORTO, não para e toda qualquer hipótese ali descrita. Ao meu ver, não faz sentido sustentar o direito ao creditamento perante o sistema monofásico, pois, a técnica da incidência bucase evitar a cumulatividade tributária. Nesse sentido os seguintes precedentes: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2009 COFINS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO 1 SCHOEURI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 6a. Ed. São Paulo. Saraiva. 2016. p. 410 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 16349.000394/200780 Acórdão n.º 3201005.078 S3C2T1 Fl. 211 7 PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo de COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito da COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2009 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo de PIS/Pasep, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito de PIS/Pasep, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Processo. 10280.722901/201333 Acórdão 3301004.687. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO. J. 24.05.18. E, também, do egrégio STJ: Fl. 213DF CARF MF 8 TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão monocrática publicada em 15/02/2018, que julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/2015. II. Tratase, na origem, de Mandado de Segurança, objetivando o reconhecimento do direito líquido e certo de efetuar o crédito de PIS e COFINS sobre as aquisições realizadas, relativamente às mercadorias sujeitas ao regime monofásico de tributação, e comercializadas, inclusive com possibilidade de compensação com os demais tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. III. Consoante jurisprudência do STJ, "'as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência Não Cumulativo, a teor dos artigos 2º, § 1º e incisos; e 3º, I, 'b', da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003' e que, portanto, 'não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei n. 11.033/2004, e 16, da Lei n. 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não Cumulativo, salvo determinação legal expressa' (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 2/4/2014)" (STJ, AgRg no REsp 1.218.198/RS, Rel. Ministra DIVA MALERBI (Desembargadora Federal convocada do TRF/3ª Região, SEGUNDA TURMA, DJe de 17/05/2016). No mesmo sentido: "Nos termos da jurisprudência esta Corte, o disposto no art. 17 da Lei 11.033/2004 não possui aplicação restrita ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO (STJ, AgRg no REsp 1.433.246/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 02/04/2014; Resp 1.267.003/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 04/10/2013). Contudo, a incompatibilidade entre a apuração de crédito e a tributação monofásica já constitui fundamento suficiente para o indeferimento da pretensão do recorrente. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.239.794/SC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 23/10/2013. É que a incidência monofásica do PIS e da COFINS não se compatibiliza com a técnica do creditamento. Precedentes: AgRg no REsp 1.221.142/PR, Rel. Ministro Ari Pargendler. Primeira Turma, julgado em 18/12/2012, DJe 04/02/2013; AgRg no REsp 1.227.544/PR. Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, Dje 17/12/2012: AgRg no REsp 1.256.107/PR, Rel. Ministro Arnaldo Fl. 214DF CARF MF Processo nº 16349.000394/200780 Acórdão n.º 3201005.078 S3C2T1 Fl. 212 9 Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/05/2012; AgRg no REsp 1.241.354/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 10/05/2012" (STJ, AgInt no AREsp 1.109.354/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/09/2017). Na mesma orientação: STJ, AgRg no AREsp 631.818/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/03/2015; REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe de 22/09/2010. IV. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1221673/BA, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Assim voto, em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator Declaração de Voto O mérito do litígio circunscrevese se a Recorrente possui o direito a créditos de PIS/COFINS que, segundo o seu entendimento, a legislação assegura às empresas que adquirem produtos submetidos à incidência monofásica daqueles tributos, principalmente em razão de a pessoa jurídica adquirente estar sujeita à nãocumulatividade e sua receita de venda estar sujeita à alíquota zero. Com o advento da Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, a qual acrescentou o § 12 ao art. 195 da Constituição Federal estabeleceuse que a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Dispõe o texto constitucional: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas." Fl. 215DF CARF MF 10 Assim, a regra da nãocumulatividade para as contribuições passou a ter previsão constitucional. Por sua vez, o regime monofásico das contribuições tem amparo na Carta Magna no art. 149, § 4º, in verbis: "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez." É por demais sabido, que o regime monofásico consiste na incidência única das contribuições ao PIS e à Cofins, com alíquotas mais onerosas, desonerandose as demais etapas da cadeia produtiva. A análise da matéria posta no caso concreto passa pelas disposições contidas (i) no art. 17 da Lei nº 11.033/2004; (ii) art. 3º, I, "b", da Lei n° 10.833/2003 e art. 3º, I, "b" da Lei 10.637/2002, sendo a reprodução de tais dispositivos obrigatória. "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei;" "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei;" Perfilho o entendimento de que o pleito recursal é procedente. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 16349.000394/200780 Acórdão n.º 3201005.078 S3C2T1 Fl. 213 11 Pela análise dos dispositivos legais antes transcritos, o fato de a receita da operação de revenda estar submetida à alíquota zero não impossibilita que a Recorrente possa manter os créditos das aquisições efetuadas das mercadorias/produtos sujeitas ao regime monofásico, tudo em observância ao expresso ditame legal do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. O art. 17 é claro ao conferir aos contribuintes o direito de manutenção dos créditos referentes à aquisição destes produtos/mercadorias. Helenílson Cunha Pontes leciona que: "diante da clareza do art. 17 da Lei nº 11.033/04 não há como negar aos contribuintes atacadistas ou varejistas de qualquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica (combustíveis, medicamentos, automóveis, autopeças, etc) tem o direito ao créditos relativo à aquisição destes produtos." (PONTES, Helenílson Cunha. Créditos do PIS/COFINS Monofásico, in www.fiscosoft.com.br) Prossegue: "o art. 17 da Lei nº 11.033/04, publicado no D.O.U. de 22.12.2004, claramente, por ser norma posterior, regulando a mesma matéria alcance do direito de crédito revogou o comando do art. 3º, I, letra "b" da Lei nº 10.833/03 (Cofins) e do art. 3º, I, letra "b" da Lei nº 10.637/02 (PIS), que negavam o aludido direito de crédito." Adolpho Bergamini em sua obra Pis e Cofins na Teoria e na Prática: uma abordagem completa dos regimes cumulativo e nãocumulativo, 2ª ed, pág. 634, assim explica: "Aqui, cumpre salientar que o fato de esses contribuintes realizarem vendas à alíquota 0% não implica negativa de vigência do crédito, afinal, a geração de saldo credor neste caso é expressamente permitida pelo artigo 17 da Lei n. 11.033/04, que assim dispõe: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Deve ser considerado, ainda, que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 não tem aplicação exclusiva ao Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO, pois este regime tem sua disciplina tratada nos arts. 13 a 16 da lei (arts. 12 a 15 da Medida Provisória 206/2004). Aqui, imperioso consignar o contido na Exposição de Motivos da referida Medida Provisória: "13. A instituição do REPORTO, constantes dos arts. 12 a 15, destinase a criar condições para a melhoria da infraestrutura portuária brasileira, objetivando atribuir modernidade a setor fundamental para o crescimento do comércio exterior nacional, Fl. 217DF CARF MF 12 inclusive com reduções de custos operacionais para aqueles que atuam nesse comércio." (nosso destaque) Temse, portanto, que não há nenhuma vinculação e exclusividade do contido no art. 17 da Lei 11.033/2004 aos contribuintes beneficiários do REPORTO, sendo que sua aplicação, até pelo compreendido na Exposição de Motivos referenciada é ampla, ou seja, a todos os contribuintes é assegurada a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados as operações decorrentes de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Por sua vez, a Exposição de Motivos ao tratar do art. 16 (atual art. 17 da Lei 11.033/2004) assim anota: "19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." (nosso destaque) O Conselheiro Luiz Roberto Domingo em voto proferido no processo nº 13027.000207/200541 assim se posicionou sobre o tema: "Como forma de dar plena vigência à nãocumulatividade, a Lei n° 11.033/2004 trouxe expressa determinação quanto à possibilidade de manutenção dos créditos de PIS e COFINS, quando as receita forem decorrentes de operações com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Dispõe o art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Mais uma vez se confirma que o direito ao crédito decorre do regime jurídico de apuração a que determinada receita está submetida. Ainda que haja saída com isenção, alíquota zero, ou não incidência de PIS e COFINS, a empresa manterá a escrituração dos respectivos créditos decorrentes das despesas que incorreu para obtenção dessas receitas, o que privilegia a não cumulatividade." Prossegue: "Nesse sentido, o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 introduz no sistema regra que emerge naturalmente da estrutura legislativa do regime jurídico da nãocumulatividade do PIS e da COFINS de modo que, tal enunciado prescritivo revela seu caráter interpretativo das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003." Importante salientar que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o AgRg no Recurso Especial nº 1.051.634/CE, decidiu que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações, sendo que o art. 17 da Lei 11.033/2004 tem aplicação não só aos contribuintes beneficiados pelo Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Fl. 218DF CARF MF Processo nº 16349.000394/200780 Acórdão n.º 3201005.078 S3C2T1 Fl. 214 13 Estrutura Portuária, denominado REPORTO e inclusive às mercadorias sujeitas ao regime monofásico de tributação pelo PIS/Cofins. Tal decisão está assim ementada: "PROCESSUAL. CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO PELO SISTEMA MONOFÁSICO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI N. 11.033/04, QUE INSTITUIU O REGIME DO REPORTO. EXTENSÃO ÀS EMPRESAS NÃO VINCULADAS A ESSE REGIME. CABIMENTO. I O sistema monofásico constitui técnica de incidência única da tributação, com alíquota mais gravosa, desonerandose as demais fases da cadeia produtiva. Na monofasia, o contribuinte é único e o tributo recolhido, ainda que as operações subsequentes não se consumem, não será devolvido. II O benefício fiscal consistente em permitir a manutenção de créditos de PIS e COFINS, ainda que as vendas e revendas realizadas pela empresa não tenham sido oneradas pela incidência dessas contribuições no sistema monofásico, é extensível às pessoas jurídicas não vinculadas ao REPORTO, regime tributário diferenciado para incentivar a modernização e ampliação da estrutura portuária nacional, por expressa determinação legal (art. 17 da Lei n. 11.033/04). III O fato de os demais elos da cadeia produtiva estarem desobrigados do recolhimento, à exceção do produtor ou importador responsáveis pelo recolhimento do tributo a uma alíquota maior, não é óbice para que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas. IV Agravo Regimental provido." (AgRg no REsp 1051634/CE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, Rel. p/ Acórdão Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/03/2017, DJe 27/04/2017) Do voto vencedor proferido pela Ministra Regina Helena Costa, destaco: "Por seu turno, o art. 17 desse diploma legal assegura a manutenção dos créditos existentes, nos seguintes termos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal preceito, repitase, assegura a manutenção dos créditos existentes de contribuição ao PIS e da COFINS, ainda que a revenda não seja tributada. Desse modo, permitese àquele que efetivamente adquiriu créditos dentro da sistemática da não cumulatividade não seja obrigado a estornálos ao efetuar Fl. 219DF CARF MF 14 vendas submetidas à suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. Em outras palavras, a norma em destaque deixa claro a possibilidade de o contribuinte utilizar créditos da contribuição ao PIS e da COFINS no caso de venda efetuada no regime monofásico, pois garante a manutenção desses créditos pelo vendedor na hipótese de venda de produtos com incidência monofásica. Cumpre salientar que tal dispositivo não se aplica apenas às operações realizadas com beneficiários do regime do REPORTO, porquanto não traz expressa essa limitação, além de não vincular as vendas de que trata às efetuadas na forma do art. 14 da mesma lei." E prossegue; "De fato, não se pode negar que a partir da vigência do art. 17 da Lei n. 11.033/2004 os contribuintes atacadistas ou varejistas de quaisquer dos produtos sujeitos à tributação monofásica fazem jus ao crédito relativo à aquisição desses produtos, em sintonia com a regra constitucional da não cumulatividade aplicável às contribuições, estampada no art. 195, § 12, que há de ser prestigiada, dela extraindose sua máxima eficácia. Se, no regime monofásico, todos os demais elos da cadeia produtiva, à exceção do produtor ou importador – que são responsáveis pelo recolhimento do tributo a uma alíquota mais gravosa – ficam desobrigados do recolhimento porque, sobre a receita por eles auferida, aplicase a alíquota zero, tal fato não obsta que tais contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas, como expressamente assegura o art. 17 da Lei n. 11.033/2004. E tal orientação, sublinhese, é consentânea, igualmente, com o teor do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CR), aplicável às contribuições cuja materialidade revista a natureza de imposto, como é o caso do PIS e da COFINS. Em sendo assim, forçoso reconhecerse o direito da Recorrente, distribuidora de medicamentos, ao creditamento da contribuição ao PIS e da COFINS no regime monofásico." Prevaleceu, portanto, a tese de que "O fato de os demais elos da cadeia produtiva estarem desobrigados do recolhimento, à exceção do produtor ou importador responsáveis pelo recolhimento do tributo a uma alíquota maior, não é óbice para que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas". O Superior Tribunal de Justiça possui recentes precedentes que vão ao encontro da tese defendida pela Recorrente, conforme ementas a seguir transcritas : "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. PIS E COFINS. SISTEMA MONOFÁSICO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. LEI N. 11.033/04. EXTENSÃO DO BENEFÍCIO FISCAL ÀS EMPRESAS NÃO VINCULADAS A ESSE REGIME. CABIMENTO. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 16349.000394/200780 Acórdão n.º 3201005.078 S3C2T1 Fl. 215 15 1. A Primeira Turma desta Corte, no julgamento do AgRg no REsp 1.051.634/CE, passou a adotar o entendimento da possibilidade de creditamento do PIS e da COFINS no regime monofásico, porquanto "O fato de os demais elos da cadeia produtiva estarem desobrigados do recolhimento, à exceção do produtor ou importador responsáveis pelo recolhimento do tributo a uma alíquota maior, não é óbice para que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas". 2. Agravo interno não provido." (AgInt no REsp 1514333/CE, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/12/2018, DJe 04/02/2019) "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL. CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973. APLICABILIDADE. ART. 535 DO CPC/73. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DO VERBETE SUMULAR N. 284/STF. PIS E COFINS. TRIBUTAÇÃO PELO SISTEMA MONOFÁSICO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI N. 11.033/04, QUE INSTITUIU O REGIME DO "REPORTO". EXTENSÃO ÀS EMPRESAS NÃO VINCULADAS A ESSE REGIME. CABIMENTO. PRECEDENTES. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 1973. II A jurisprudência desta Corte considera que, quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica, sem demonstração efetiva da contrariedade, aplicase, por analogia, o entendimento do enunciado sumular n. 284, do Supremo Tribunal Federal. III O sistema monofásico constitui técnica de incidência única da tributação, com alíquota mais gravosa, desonerandose as demais fases da cadeia produtiva. Na monofasia, o contribuinte é único e o tributo recolhido, ainda que as operações subsequentes não se consumem, não será devolvido. IV O benefício fiscal consistente em permitir a manutenção de créditos de PIS e COFINS, ainda que as vendas e revendas realizadas pela empresa não tenham sido oneradas pela incidência dessas contribuições no sistema monofásico, é extensível às pessoas jurídicas não vinculadas ao REPORTO, regime tributário diferenciado para incentivar a modernização e ampliação da estrutura portuária nacional, por expressa determinação legal (art. 17 da Lei n. 11.033/04). V O fato de os demais elos da cadeia produtiva estarem desobrigados do recolhimento, à exceção do produtor ou Fl. 221DF CARF MF 16 importador responsáveis pelo recolhimento do tributo a uma alíquota maior, não é óbice para que os contribuintes mantenham os créditos de todas as aquisições por eles efetuadas. VI Recurso especial parcialmente provido para conceder a segurança, com determinação de retorno dos autos à origem, nos termos da fundamentação." (REsp 1740752/BA, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/08/2018, DJe 25/09/2018) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS/COFINS. TRIBUTAÇÃO PELO SISTEMA MONOFÁSICO. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL CONCEDIDO PELA LEI 11.033/2004, QUE INSTITUIU O REGIME DO REPORTO. EXTENSÃO ÀS EMPRESAS NÃO VINCULADAS A ESSE REGIME. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A 1ª. Turma do STJ firmou entendimento de que a manutenção dos créditos de PIS/COFINS prevista no art. 17 da Lei 11.033/04 aplicase a todas as pessoas jurídicas, independente de elas estarem ou não submetidas ao regime tributário do REPORTO e ao sistema monofásico de recolhimento dessas contribuições (EDcl no REsp. 1.346.181/PE, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, DJe de 20.6.2017). 2. Agravo Interno da FAZENDA NACIONAL a que se nega provimento." (AgInt no AgRg no AREsp 569.688/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/03/2018, DJe 16/05/2018) Consigno, que não desconheço o posicionamento sedimentado na Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça que mantém, em seus precedentes, a impossibilidade de aproveitamento dos créditos postulados, mas, conforme já explicitado adoto o posicionamento trilhado pela Primeira Turma da Corte Superior que garante a possibilidade de creditamento do PIS e da COFINS no regime monofásico em razão da aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 a todos os contribuintes. Assim, no que tange ao mérito da demanda, perfilho o entendimento de que a Recorrente possui razão, motivo pelo é de se prover o recurso interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 222DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.926550/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO Recorrente ISS MANUTENÇÃO E SERVIÇOS INTEGRADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no período de apuração encerrado em 31/08/2010. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em 09/08/2013 (fls. 12 a 14), contra o Despacho Decisório (fl. 7) emitido pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo – DeratSP, em 03/07/2013 (nº de rastreamento 056426823), o qual não reconheceu o direito creditório pleiteado a título de pagamento a maior de PIS, referente ao RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 26 55 0/ 20 13 -7 9 Fl. 2633DF CARF MF Processo nº 10880.926550/201379 Resolução nº 3201001.822 S3C2T1 Fl. 2.634 2 período de apuração encerrado em 31/08/2010, no valor de R$ 62.008,77 e, como consequência, não homologou a compensação declarada no PER/DComp de nº 15930.79593.100513.1.3.042370, transmitido em 10/05/2013. 2. Consta no referido despacho decisório o seguinte motivo para indeferimento do pedido: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a R$ 71.760,44. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 15/07/2013 (fl. 9), tendo apresentado a contestação em 08/08/2013, contrapondo se ao despacho decisório com base nos argumentos a seguir sintetizados: 3.1 Que, o montante de PIS pago por meio de DARF, no valor de R$ 109.792,54, e que originou o crédito para a compensação ora pleiteada, foi efetivamente pago a maior. Todavia, por um lapso da requerente, apenas em 22/07/2013 houve a retificação da DCTF para constar o valor efetivamente devido, que seria de R$ 38.032,10. Dessa forma, o crédito efetivamente existe, no montante de R$ 71.760,44, sendo necessária a reforma do Despacho Decisório que não homologou o pedido de compensação; 3.2 Que, não obstante, também retificou o Demonstrativo de Apuração das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, relativamente ao mês de agosto de 2010, conforme demonstrado no anexo de fls. 57 a 193; 4. Requer, alfim, tendo em vista a alegação de inexistência de erros no preenchimento do PER/DComp e a retificação da DCTF, de forma a demonstrar a existência de crédito suficiente para as compensações pleiteadas, que estas sejam homologadas e os referidos débitos sejam definitivamente extintos. 5. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FOR n.º 08 41.481, de 23/01/2018 (fls. 196 e ss.; acórdão desprovido de ementa de acordo com o disposto no art. 2º da Portaria RFB nº 2.724, de 2017) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 223 e ss., por meio do qual alega, em apertada síntese: Comparandose o Darf recolhido ao débito corrigido, apurou um crédito de R$ 71 .760,44, cujo valor original de R$ 9.751 ,67 foi parcialmente utilizado no PER/DCOMP não homologado, no caso com débito de Cofins não cumulativa apurada no mês de junho de 2010, Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 10880.926550/201379 Resolução nº 3201001.822 S3C2T1 Fl. 2.635 3 no valor total de R$ 12.131,08, sendo: R$ 8.301,00 de principal, R$ 1.660,20 de multa e R$ 2.169,88 de juros, restando um saldo de crédito em seu favor no valor original de R$ 62.008,77. No seu entendimento, o eventual erro na apuração do valor original do crédito tributário, causado por um erro no preenchimento da DCTF posteriormente retificada, não pode invalidar a constituição do crédito, já que comprovadamente veio de recolhimento a maior de tributo. Discorda de que tivesse que juntar aos autos os livros contábeis e fiscais aptos a demonstrar a existência de crédito tributário em seu favor. Em seu entendimento, a própria autoridade julgadora, em seu voto, afirmou que a DCTF é adotada na Receita Federal como instrumento de excelência para o controle e cobrança do crédito tributário. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais DACON têm caráter de instrumentos de apuração e informações de tributos, mas não representam confissão de dívida e não constituem o crédito tributário. Entretanto. nos termos das normas que regulamentam a DCTF, as alterações que vierem a ser procedidas nos valores ali confessados devem estar respaldados nas respectivas declarações de apuração dos tributos. Ou seja, sendo a DCTF o instrumento de excelência para o controle e cobrança do crédito tributário, especialmente pelo fato deste constituirse através desta declaração do contribuinte, sujeita à posterior homologação da autoridade fiscal, é nela que residem as informações que deverão ser levadas em conta para a apuração de eventual crédito tributário em favor do contribuinte. Assevera que pode, sim, comprovar a existência deste crédito tributário por outros meios que se fizerem relevantes (no caso, optou por juntar aos autos o DACON retificador), mas a comprovação, nos termos da lei, para fins de constituição do débito e do crédito tributários, residem na DCTF, como o próprio Relator registrou em seu voto. Desta forma, tendo apresentado DCTF e DACON retificadores (ainda que posteriormente à ciência do despacho que não homologou a compensação efetuada e que ensejou o presente processo administrativo), somado ao fato de que a própria Receita Federal reconhece a existência de "saldo disponível da arrecadação localizada" no mesmo montante do crédito tributário original informado pela Recorrente em sua PER/DCOMP, é de se concluir pela existência de tal crédito e pela correção do procedimento compensatório efetuado pela Recorrente. Por meio da petição de fls. 274 e ss., a Recorrente explica a origem do PIS/Cofins pleiteados e traz cópias de notas fiscais onde os valores retidos na fonte estão registrados. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Fl. 2635DF CARF MF Processo nº 10880.926550/201379 Resolução nº 3201001.822 S3C2T1 Fl. 2.636 4 A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente afirma que, por erro seu, somente promoveu a retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório, mas sustenta que o crédito efetivamente existe, sendo necessária a reforma da decisão administrativa que não homologou o pedido de compensação. Em vista dessas razões de defesa, a DRJ negou provimento ao recurso, ao fundamento de que, não obstante o erro cometido, a Recorrente deveria ter trazido aos autos elementos de prova, tais como cópias de livros e documentos contábeis e fiscais, capazes de demonstrar o erro supostamente cometido no Dacon e na DCTF originais. No seu recurso voluntário, a Recorrente defende a tese de que a só entrega das referidas declarações retificadoras já seria suficiente para a comprovação do seu crédito. Mas traz, posteriormente, cópias de notas fiscais onde os valores retidos na fonte estariam comprovados. Notese que, com efeito, os aludidos documentos foram protocolados em 18/12/2018, mas só foram anexados ao processo um mês depois, em 18/01/2019. Ante o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que unidade preparadora verifique a existência dos valores de PIS retidos na fonte para o período de que tratam os autos. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2636DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.729649/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2015
DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. NACIONAL.
Ao tempo do julgamento de primeira instância (25/02/2015), a jurisdição da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ era nacional e a competência da Turma Julgadora envolvia a matéria imposto sobre a renda da pessoa física. É válida a decisão proferida pela Turma de DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo (Súmula CARF n° 102).
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
Numero da decisão: 2401-006.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2015 DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. NACIONAL. Ao tempo do julgamento de primeira instância (25/02/2015), a jurisdição da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ era nacional e a competência da Turma Julgadora envolvia a matéria imposto sobre a renda da pessoa física. É válida a decisão proferida pela Turma de DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo (Súmula CARF n° 102). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Recorrente ILVANY JOSÉ FONTES CAETANO. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2015 DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. NACIONAL. Ao tempo do julgamento de primeira instância (25/02/2015), a jurisdição da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ era nacional e a competência da Turma Julgadora envolvia a matéria imposto sobre a renda da pessoa física. É válida a decisão proferida pela Turma de DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo (Súmula CARF n° 102). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 96 49 /2 01 1- 64 Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10120.729649/201164 Acórdão n.º 2401006.182 S2C4T1 Fl. 697 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador que, por unanimidade de votos, julgou improcedente impugnação contra Auto de Infração (fls. 523/547), anos calendários 2007 e 2008, no valor total de R$ 53.136,14, a incluir multa de ofício juros, em razão de omissão de rendimentos de atividade rural e de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. A bem da celeridade, do relatório do Acórdão recorrido, extraise (fls. 634/635:) De acordo com o relatório do autuante, a fiscalização se iniciou porque a contribuinte aparecia como cotitular de contas bancárias em nome do seu cônjuge. Intimada a comprovar a origem dos depósitos, respondera endossando os esclarecimentos prestados pelo cônjuge no procedimento a ele relativo. Naquele procedimento, após terem sido obtidos os extratos bancários, os depósitos haviam sido relacionados e o contribuinte intimado a comprovar a sua origem. Em atendimento, apresentara diversos esclarecimentos e documentos para justificar os créditos em suas contas, inclusive provas do recebimento de receitas da atividade rural. Com base nestes elementos, o autuante considerou comprovada parte dos depósitos e relacionou aqueles que não foram julgados comprovados, e o motivo. Estes depósitos foram considerados rendimentos omitidos, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. e foram tributados rateadamente entre os cotitulares. Os rendimentos omitidos da atividade rural foram determinados pela comparação entre a receita declarada pela autuada e os comprovantes de receitas da atividade rural em seu nome, que tinham sido apresentados para justificativa dos depósitos. Os argumentos da impugnante são, em síntese, os seguintes: 1. Não foram considerados comprovados depósitos relativos a empréstimos recebidos de pessoas físicas. Comprovara pagamentos diversos que se referem a juros pagos aos mutuantes. As dívidas são sempre renegociadas. Não devolvera ainda o principal. Consta nos extratos até identificação dos depositantes. Não poderia comprovar a devolução do principal como requer o autuante, porque os débitos ainda não venceram, e por isso foram devidamente informados como dívidas nas declarações de ajuste anual subsequentes. Como prova apresenta notas Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10120.729649/201164 Acórdão n.º 2401006.182 S2C4T1 Fl. 698 3 promissórias e cheques emitidos em 2011, dados em garantia aos credores depositantes nas últimas renegociações da dívida. 2. Não foram considerados comprovados depósitos relativos a receitas da atividade rural apenas porque não foram apresentadas provas demonstrando pela coincidência da data e valor a relação destes negócios com os depósitos em questão. As notas fiscais do produtor são em sua maioria expedidas pelo valor de pauta fixado pela Secretaria da Fazenda Estadual. As vendas também são normalmente a prazo, de vinte, trinta e até sessenta dias. Quantos caminhões sejam necessários para o transporte, tantas notas fiscais são emitidas para uma mesma venda. Tudo isso inviabiliza a prova na forma exigida pela fiscalização. 3. Não foram considerados comprovados depósitos relativos a vendas de imóveis, apesar da documentação idônea apresentada e amplas explicações dos negócios efetuados. Os valores não foram recebidos de uma só vez, mas em várias parcelas de diversos valores, alguns até mesmo antes da escritura, dada a relação de confiança e longo conhecimento, especialmente quando os compradores são proprietários de terras confrontantes. 4. Não houve omissão de rendimentos da atividade rural. O autuante apenas usou notas fiscais do produtor que se referem a simples remessa de gado entre a impugnante e ou seu cônjuge. Voto (...) A contribuinte procura justificar a origem de diversos depósitos com base em narrativas que visam estabelecer uma correlação entre os créditos em sua conta e diversos negócios que teria realizado, tais como empréstimos, vendas de imóveis, receitas da atividade rural. Não apresenta, porém, documentos que comprovem, pela coincidência de data e valores, a relação destes negócios com os depósitos que deveria comprovar, como exige a lei. Quanto aos empréstimos que teria recebido de terceiros, ainda que comprove a autoria destes depósitos, não apresenta documentação hábil comprovando o negócio alegado, em especial não comprova a devolução dos recursos que lhe teriam sido emprestados. Sequer apresenta contratos. As notas promissórias e cheques que teria dado em garantia são documentos emitidos por si própria ou por seu cônjuge e evidentemente não são provas hábeis do fato alegado. Como decorre do artigo 368 do Código de Processo Civil, os documentos particulares não são provas hábeis dos fatos que atestam: (...) Afirma que não houve omissão de rendimentos da atividade rural, pois teriam sido incluídas apenas notas Fl. 698DF CARF MF Processo nº 10120.729649/201164 Acórdão n.º 2401006.182 S2C4T1 Fl. 699 4 fiscais do produtor que foram emitidas para remessa de gado para fazendas do seu cônjuge. Não é o que se verifica. Nos demonstrativos elaborados pelo autuante estão devidamente identificados os diversos compradores que aparecem nas notas fiscais (fls. 511/514). Retornando o Aviso de Recebimento com a informação ausente (fls. 640), efetuouse intimação por edital em 20/05/2015 (fls. 641). A contribuinte apresentou em 16/06/2015 (fls. 643) recurso voluntário (fls. 643/648) e documentos (fls. 649/693), em síntese, alegando: a) Jurisdição. A impugnação foi julgada por DRJ de jurisdição distinta da recorrente. O processo inicialmente foi para a DRJ de sua Jurisdição (DRJ Brasília), depois para a DRJ Ribeirão Preto e só depois para a DRJ Salvador que julgou a impugnação. Logo, cabível o cancelamento do Acórdão e reabertura do prazo de impugnação ou encaminhamento para a DRJ julgar a impugnação já apresentada. b) Origens comprovação genérica. Por ser de estado diferente, a DRJ Salvador, por vezes não entende os negócios realizados em outro estado, como venda de leite e gado bovino e imóvel rural. É muito simples entender, pois jamais a recorrente efetuou depósito sem origem, basta somar todos os depósitos efetuados nas contas mantidas pela contribuinte em conjunto com seu cônjuge José Caetano Rodrigues e os recursos apresentados e comparar os resultados, vai ver que os recursos comprovados são equivalentes ou talvez um pouco maior que os depósitos, então não existe omissão, onde está o chamado "caixa 2"? Todos os recursos estão devidamente comprovados com documentações idôneas. c) Origens comprovação específica. Um empréstimo, por exemplo de RS 85.000,00, normalmente era dividido até em quatro contas, RS 15.000,00 em uma conta individual, RS 30.000,00 em conta conjunta, mais RS 15.000,00 em outra conta e o restante em outra, e quando um empréstimo caia em uma única conta, com por exemplo o de R$ 120.000,00 do Sr. Ronivon, era imediatamente redistribuído nas outra contas que estavam negativas, isso normalmente era pra cobrir cheques especiais e empréstimos de CDC. A seguir, a explicação de cada depósito, haja visto, que, nada foi acatado pelos Srs. Julgadores da impugnação: 03/03/2008 valor RS 24.986,50 empréstimo particular contraído com Joaquim Cândido Pequeno, no valor de RS 25.000,00, cujo valor acima está descontado o valor da TED de RS 13,50, ver declaração em dívida e ônus reais, depositados na conta 012194 do banco Itaú. 07/07/2008, valor R$ 30.000,00, depositados no Bradesco conta n° 8.1299, referente a empréstimo particular contraído com José Paulemar Rocha, devidamente declarado em dívida e ônus reais do imposto de renda. A nota fiscal de venda de gado em 22/01/2007, valor de pauta RS 2.710,00, referese à venda de gado pelo cônjuge, ao Sr. Luiz Antonio Gogo, NFA 16019432115, já devidamente juntada, porém a autoridade fiscal aceitou apenas parte, ou seja, o valor de pauta, sendo que o valor real de venda foi de R$ 4.000,00, assim discriminados: 01 bovino macho (até 06 meses) Valor Fl. 699DF CARF MF Processo nº 10120.729649/201164 Acórdão n.º 2401006.182 S2C4T1 Fl. 700 5 350,00, bovino fêmea até 6 m, valor 250,00, 04 macho até 12 meses valor 500,00 x 4 = 2.000,00, uma fêmea até 36 meses (novilha) = 650,00 + uma fêmea maior que 36 meses, (vaca) valor 750,00, totalizando assim, os R$ 4.000,00 do depósito efetuado nesta mesma data na conta conjunta do Banco Itaú, n° 012194, (valores reais da época, podese fazer a pesquisa), para se ter uma idéia hoje um macho, que naquela época vendia por RS 350,00, hoje varia em torno de 700,00. A nota fiscal de venda de gado bovino ao Sr. Joaquim Candido Pequeno, n° 021.687, depósito efetuado no Bradesco conta n° 8.1299, valor de R$ 16.000,00 sendo o valor de pauta da nota de R$ 13.500,00, na qual foi aceito apenas essa parte, tributando o saldo remanescente de R§ 2.500,00, é que o depósito é único, o valor real de venda foi de R$ 16.000,00, desta forma solicita a exclusão desse valor da base de cálculo. Depósito efetuado na conta do Banco Itaú, n° 012194, em, 09/10/2007 no valor de R$ 19.000,00, referese à venda de gado ao Senhor Divino Anselmo Orlando, NFA n° 034.012, cujo valor de pauta em R$ 15.300,00, emitida em 16/04/2007. Os depósitos referente à venda de imóveis, que também não foram acatados pelo Senhores julgadores, que efetuou a tributação dos mesmos, apesar da documentação idônea devidamente juntada e ampla explicação dos negócios efetuados, principalmente entre confrontante de terras, onde a base do negócio é a grande confiança, já que são pessoas conhecidas a mais de 40 (quarenta) anos, assim foi efetuada a venda de dois imóveis ao Sr. João Pedroso da Silva Neto, um em nome do cônjuge da impugnante, denominado Sítio São José, e o outro da sogra, Sra. Uca Caetano dos Santos, pessoa com estado de saúde debilitado, que figura como dependente na declaração do imposto de renda do cônjuge da requerente, e por não ter conta bancária, parte dos recursos da venda deste imóvel foram depositados em conta da impugnante. O primeiro imóvel mencionado foi vendido por R$ 85.000,00 e o segundo por R$ 115.000,00, ambos escriturados no mesmo dia, conforme certidões atualizadas do CRI de Jussara, em 02/04/2008. Para melhores esclarecimentos, a transação foi efetivada em dezembro de 2007, e ficou decidido pelo comprador, que iria pagar primeiro para depois receber a escritura definitiva, desta forma os pagamentos começaram a serem efetuados em dezembro, conforme contas e depósitos discriminados: CRÉDITOS NA CONTA 012194 B. ITAU AGÊNCIA 4359 04/12/2007 valor de R$ 11.000,00, de R$ 4.999,00 e de R$ 4.000,00 10/12/2007 valor R$ 2.000,00 11/12/2007 valor R$ 15.000,00 10/01/2008 valor R$ 20.000,00 CRÉDITOS NA CONTA N° 81299 BRADESCO AGÊNCIA 13129 09/02/2007 valor de R$ 4.999,00 Sobre o fornecimento de Leite, normalmente os extratos mensais dos Laticínios são compatíveis com os valores creditados, porém os valores informados anualmente nos extratos são valores brutos, sem descontos, além disso, o valor informado no mês, só é creditado no mês seguinte, por exemplo, o valor no extrato, referente ao mês de agosto, aparecerá o creditado em setembro, em valores normalmente ligeiramente menor, devido aos descontos de INSS, FUNDEPEC e outros. Há outros que efetuam pagamentos quinzenal, desta forma os créditos aparecerá em duas vezes por mês, mais provável por volta do dia 10 e outro por volta do dia 25. Quanto aos valores remanescentes apontados, são devidos a diferença de preço às vezes praticada no mês do Fl. 700DF CARF MF Processo nº 10120.729649/201164 Acórdão n.º 2401006.182 S2C4T1 Fl. 701 6 pagamento e a fixação de preço posterior, conforme contas e depósitos a seguir discriminados: CRÉDITOS NA CONTA 012194 B. ITAU AGÊNCIA 4359 26/01/2007 R$ 1.000,00 foi sacado do Banco Real n° 97020619, e depositado nesta. 29/03/2007 R$ 2.584,90 pagamento de Laticínios Agromilk In. E Com. Ltda por leite. CRÉDITOS NA CONTA N° 81299 BRADESCO AGÊNCIA 13129 21/03/2007 R$ 400,00 saldo de venda de leite em meses anteriores. 09/10/2008 R$ 2.000,00 pagamento de Laticínios Agromilk In. E Com. Ltda por leite. 12/11/2008 R$ 100,00 saldo remanescente da venda de leite. d) Omissão na atividade rural. Não há que se falar em omissão de rendimentos quando o Auditor Fiscal, pegou por base Notas Fiscais do produtor, referente à simples remessa de gado, efetuada entre a recorrente e seu esposo, Sr. José Caetano Rodrigues, CPF n^ 189.246.62104, sendo que, todos as receitas rurais foram devidamente declaradas, não existindo nenhuma omissão, desta forma solicita, que, seja excluída da base de cálculo. e) Pede o cancelamento do julgamento, por vícios formais, e no mérioto o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Presentes os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso. Jurisdição. Ao tempo do julgamento de primeira instância (fls. 633/636), proferido em 25/02/2015 (fls. 633), a jurisdição da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador era nacional (Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria RFB n° 203, de 2012, art. 233, caput) e a competência de sua 3ª Turma envolvia a matéria imposto sobre a renda da pessoa física (Portaria RFB n° 1.006, de 2003, art. 1° e Anexos I e II). Além disso, a matéria está sumulada: Súmula CARF nº 102 É válida a decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ de localidade diversa do domicílio fiscal do sujeito passivo. Acórdãos Precedentes: Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10120.729649/201164 Acórdão n.º 2401006.182 S2C4T1 Fl. 702 7 10195.433, de 22/03/2006; 10195.938, de 24/01/2007; 103 22.886, de 28/02/2007; 19500.027, de 20/10/2008; 1101 00.626, de 24/11/2011 Logo, a argumentação da recorrente não prospera, devendo ser rejeitada a preliminar em tela. Origens comprovação genérica. Segundo a recorrente, ser o somatório das receitas "equivalentes ou talvez um pouco maior" que o somatório das despesas por si só constituise em prova da origem dos depósitos, não tendo a A DRJ Salvador entendio os negócios (venda de leite, de gado bovino e de imóvel) realizados em outro estado. Assevese, contudo, que a prova das origens dos depósitos não pode ser genérica, ou seja, a partir dos somatós totais alegados. Há de haver comprovação individualizada, com lastro em prova hábil e idônea, para cada um dos depósito, eis que a omissão de rendimentos pode ser muito maior do que a detectada pela presunção legal via depósitos de origem não comprovada. Origens comprovação específica. A seguir, a partir da argumentação específica constante das razões recursais, passo a analisar se as alegações e os documentos apresentados são capazes de comprovar, de forma individualizada, os depósitos tidos pela fiscalização como de origem não comprovada. Depósito de R$ 24.986,50 no Banco Itaú em 03/03/2008 (fls. 200). Não detectei nos autos contrato de empréstimo para tal valor e nem notas promissórias. A DAA do anocalendário de 2008 do marido discrimina empréstimo de R$ 95.000,00 com dois repasses um de R$ 25.000,00 sem especificação de data e outro de R$ 75.000,00 em 02/10/2008 (fls. 60). Em relação ao Sr. Joaquim Cândido Pequeno, detectei TEDs remetidos pela autuada tendoo como favorecido (R$ 27.835,00 e tarifa de R$ 14,50 em 10/06/2008, fls. 459 e 574; e R$ 50.000,00 e tarifa de R$ 13,50 em 10/06/2008, fls. 459 e 574; R$ 10.000,00 e taxa de R$ 13,50 em 14/07/2010, fls. 577). Além disso, há dois cheques de R$ 12.000,00 e R$ 100.000,00 para o Sr. Joaquim Cândido Pequeno emitidos em 31/08/2011 e 15/10/2011 (fls. 571). Cópia de cheque sem comprovação de depósito ou saque não prova o pagamento e nem o título do eventual pagamento. Diante desses elementos probatórios, não há como se vincular o depósito em questão ao empréstimo especificado na DAA do cônjuge e a mera informação na DAA constituise apenas em início de prova, não havendo no caso concreto documentação a confirmar esse indício isolado. Logo, não há como se concluir pela natureza de empréstimo para o deposito de R$ 24.986,50 efetuado em 03/03/2008 no Banco Itaú. Empréstimo de R$ 85.000,00 de José Paulemar Rocha, a incluir o depósito de R$ 30.000,00 em 07/07/2008. Segundo o recurso, R$ 85.000,00 emprestados foram divididos em quatro contas (R$ 15.000,00 em conta individual, R$ 30.000,00 em conjunta, R$ 15.000,00 em indivudual e o restante em mais uma conta). Ainda segundo o recurso, R$ 30.000,00 teria sido depositado no Bradesco a título de empréstimo em 07/07/2008. Segundo a DAA do marido (fls. 60), emprestouse R$ 85.000,00 em janeiro de 2008 mais R$ 60.120,00 em 07/07/2006, sendo devido 76.000,00 em 31/12/2008 por quitação parcial operada em 17/11/2008. Não detectei nos autos contrato de empréstimo e nem notas promissórias. Consta dos autos TED tendo por favorecido o Sr. José Paulemar Rocha de R$ 6.000,00 em ??/02/2009 e depósito de R$ 15.000,00 em ??/??/2011 (fls. 568), cheque de R$ 98.800,00 para o Sr. José Paulemar Rocha emitido em 31/03/2011 (fls 570). Cópia de cheque sem comprovação de depósito ou saque não prova o pagamento e nem o título do eventual pagamento. Diante desses elementos probatórios, não há como se vincular os depósitos em questão ao empréstimo especificado na DAA do cônjuge e a mera informação na DAA constituise apenas em início Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10120.729649/201164 Acórdão n.º 2401006.182 S2C4T1 Fl. 703 8 de prova, não havendo no caso concreto documentação a confirmar esse indício isolado. Logo, não há como se concluir pela natureza de empréstimo. Empréstimo de R$ 120.000,00 do Sr. Ronivon Oliveira da Silva em 12/03/2008. Segundo a DAA do marido (fls 60), além R$ 120.000,00 de 12/03/2008 já devia R$ 60.000,00 e que R$ 120.000,00 foi quitado em 17/11/2008, informando que em 31/12/2007 nada devia e que em 31/12/2008 devia 126.000,00. Detecto nos autos transferência tendo Ronivon por rementente de R$ 120.000,00 em 12/03/2008 (fls. 456); Nota Promissória emitida em 02/10/2008 a Ronivon Oliveira da Silva no valor de R$ 229.032,00 (fls 456 e 575); Nota Promissória emitida em 17/11/2008 a Ronivon Oliveira da Silva no valor de R$ 126.731,00 (fls. 457 e 576); Nota Promissória emitida em 30/12/2009 a Ronivon Oliveira da Silva no valor de R$ 79.355,00 (fls. 572). TED de R$ 40.000,00 tendo por favorecido Ronei de Oliveira Silva em 29/12/2009. Não consta dos autos contrato de empréstimo e as notas promissóirias apresentadas não o provam, eis que negócios jurídicos abstratos e as datas e valores não conferem. TED para terceiro não prova pagamento de empréstimo. Diante desses elementos probatórios, não há como se vincular o depósito em questão ao empréstimo especificado na DAA do cônjuge e a mera informação na DAA constituise apenas em início de prova, não havendo no caso concreto documentação a confirmar esse indício isolado. Logo, não há como se concluir pela natureza jurídica de empréstimo. Demais empréstimos. A recorrente não discorreu especificamente para os demais empréstimos. Contudo, há nos autos Notas Promissórias e/ou cópias de cheques (fls. 455, 457, 458, 570, 571, 573, 575 e 576) apresentadas com o aparente escopo de evidenciar os empréstimos constantes em DAA do marido e eventual quitação. Reiterese que meras notas promissórias não são documentos hábeis a demonstar contrato de empréstimo e que cópia de cheque sem comprovação de depósito ou saque não prova o pagamento e nem o título do eventual pagamento. Diante desses elementos probatórios, a informação de empréstimo em DAA constituise em mero início de prova, não havendo no caso concreto documentação a confirmar esse indício isolado. Logo, não há como se concluir pela natureza jurídica de empréstimo. Venda de gado. Segundo a recorrente notas fiscais de venda de gado (NFA) teriam sido emitidas com valor de pauta e não no valor do negócio realizado. Especifica: venda em 22/01/2007 para o Sr. Luiz Antonio Gogo NFA 16019432115, já juntada (nos autos detectei apenas en relação de notas fiscais, fls. 375), valor de pauta R$ 2.710,00 e valor real R$ 4.000; venda para o Sr. Joaquim Cândido Pequeno n° 021.687 (fls. 386), valor de pauta R$ 13.500,00 e valor real R$ 16.000,00; venda para o .Sr. Divino Anselmo Orlando NFA n° 034.012 (fls. 387) emitida em 16/04/2007, valor de pauta R$ 15.300,00 e valor real R$ 19.000,00. A recorrente não apresentou prova a comprovar o uso do valor de pauta não correspondente ao valor de mercado e nem apresentou documentação a demonstar que a diferença adveio do efetivo preço de venda contratado, logo cabível o lançamento empreendido. Além disso, em relação à NFA n° 034.012 emitida em 16/04/2007 e o depósito efetivado em 09/10/2007 a fiscalização considerou como não tendo sido demonstrada a relação fática entre ambos, lançando como não comprovada a integralidade do depósito de R$ 19.000,00 (fls. 518) e a recorrente não apresentou prova a demonstar tal vinculação. Venda de imóveis. As razões recursais alegam que a documentação apresentada explica as vendas e compras, principalmente as efetuadas pelo o Sr. José Pedroso Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10120.729649/201164 Acórdão n.º 2401006.182 S2C4T1 Fl. 704 9 da Silva Neto. Apresenta Certidão extraída da Matrícula do Imóvel rural vendido por escritura pública lavrada às fls. 128/129 do Livro 126 do 1° Tabelião local em 28/03/2008 por R$ 85.000,00, tendo por vendedores José Caetano Rodrigues e Ilvany José Fontes Caetano e comprador José Pedroso da Silva Neto (fls. 608/617 e 473/484); e Certidão extraída da Matrícula do Imóvel rural vendido por escritura pública lavrada às fls. 130/131 do Livro 126 do 1° Tabelião local em 28/03/2008 por R$ 115.000,00, tendo por vendedor Ilca Caetano dos Santos e comprador José Pedroso da Silva Neto (fls. 620/622). Nas razões recursais, especifica os seguintes depositos, a totalizar R$ 61.998,00, como tendo origem nos negócios em tela: CONTA 012194 B. ITAU AGÊNCIA 4359 R$ 11.000,00, R$ 4.999,00 e R$ 4.000,00 em 04/12/2007, R$ 2.000,00 em 10/12/2007, R$ 15.000,00 em 11/12/2007 e R$ 20.000,00 em 10/01/2008; e CRÉDITO NA CONTA N° 81299 BRADESCO AGÊNCIA 13129 R$ 4.999,00 em 09/02/2007. Não detecto nos autos as escrituras públicas de venda e compra firmadas com José Pedroso da Silva Neto. Destarte, não há prova a demonstrar como e nem quando deveriam os preços pelas vendas dos dois imóveis rurais em questão ter sido quitados e nem o acordo para que valores de Ilca Caetano dos Santos tansitassem por sua conta. A simples alegação de que pagamentos tereriam se dado de forma pulverizada em suas contas entre dezembro de 2007, quando os negócios teriam sido celebrados (não prova tais negócios prévios), e a data das escrituras definitivas não é suficiente para se concluir que diversos depósitos constantes dos extratos teriam origem em tais transações. Logo, o acórdão recorrido não merece reforma. Compulsando as tabelas de fls. 518/520, aflora que a fiscalização considerou como de origem comprovada e não apurou qualquer valor para a venda dos dois terrenos por R$ 78.000,00, depositado em 31/03/2003. No campo Autuado, ao invés de valor consta OK (fls. 520). Os depósitos na conta do Banco do Brasil (fls 31/32) não ensejaram lançamento (fls. 518/520), dentre tais depósitos estão os relacionados à venda de imóvel para os compradores João Thomaz Lopes e Fabiano Lopes de Mattos (fls. 323). Fornecimento de leite. Os documentos pertinentes ao fornecimento de leite encontramse nas fls. 336/365 e 578/592 e a análise dos mesmos não me gera convicação acerca das alegações genéricas veiculadas nas razões recursais, não tendo a recorrente demonstrado de forma detalhada, caso a caso, os ajustes que no seu entender ensejariam a correspondência entre os valores a serem extraídos dos extratros e valores de depósitos sem origem comprovada objeto do lançamento. Além disso, como já destacado pela fiscalização, não foram apresentadas as notas fiscais de produtor rural pertinentes. Não as localizei dentre as relações de notas (fls. 366/381 e 593/594) e nem entre as notas (fls. 382/408 e 595/607) constantes dos autos. Omissão na atividade rural. Sustenta a recorrente ter a fiscalização considerado meras notas de remessa de gado para José Caetano Rodrigues. As vendas de gado efetuadas pela interessadae consideradas pela fiscalização constam dos Quadros V (fls. 514/515) e VI (fls. 511/512) do Auto de Infração. Não foram apresentadas as Notas Fiscais Avulsas, contudo consta dos autos a "Relação de Notas Emitida por Remetente/Destinatário" emitida pela Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de Goiás (fls. 366/381). Em face dessa relação, as notas fiscais tendo por destinatário José Caetano Rodrigues especificadas nos Quadros V e VI são de venda e não de remessa. como podemos constatar: Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10120.729649/201164 Acórdão n.º 2401006.182 S2C4T1 Fl. 705 10 Nota n° emitida em Valor Quadro Relação Relação campo NAT: 420 03/10/2008 13.266,00 VI fls. 511 fls. 379 VENDA C/ ISENCAO 98 31/10/2008 10.318,00 VI fls. 512 fls. 379 VENDA C/ ISENCAO 110 31/10/2008 13.393,00 VI fls. 513 fls. 379 VENDA C/ ISENCAO 23618 17/10/2008 14.855,00 VI fls. 514 fls. 380 VENDAISENCAO COM ISENCAO 920 28/11/2008 3.220,00 VI fls. 515 fls. 380 VENDA C/ ISENCAO 55 28/11/2008 3.429,90 VI fls. 516 fls. 380 VENDA C/ ISENCAO 47493 28/11/2008 19.552,00 VI fls. 517 fls. 380 VENDAISENCAO COM ISENCAO 196 27/06/2007 2.840,00 V fls. 514 fls. 380 VENDA C/ ISENCAO Não prospera, destarte, a argumentação da recorrente. Depósito em dinheiro dia 26/01/2007 na Conta 012194 do Banco Itaú Ag. 4359. Segundo a recorrente, esse valor teria sido sacado no mesmo dia de sua conta do Banco Real n° 97020619. O extrato da conta no Banco Real encontrase nas fls. 128/129 e não há qualquer saque no dia 26/01/2007. Há saque no dia 17/01/2007 no valor de R$ 1.000,00. Para a fisalização, a contribuinte sustentou que o depósito do dia 26/01/2007 seria depósito em dinheiro de valor remanescente de NFA de venda de gado anterior (fls. 518 e 330). Logo, não há como se presumir ser o valor depositado em 26/01/2007 o sacado em 17/01/2007. Isso posto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 705DF CARF MF
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Numero do processo: 10872.720172/2017-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo.
IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO.
De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL
Consolidase administrativamente a exigência fiscal e operase a preclusão processual quando a contribuinte desiste expressamente da impugnação, em relação à matéria autuada.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS.
São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional.
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA. SÚMULA CARF N.º 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2:
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. EXCESSO DE PODERES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PODER DE GESTÃO. NECESSIDADE DE PROVAS.
A imputação de responsabilidade ao administrador de fato, por atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, na forma do art. 135, inciso III, do CTN, demanda a comprovação do poder de gestão em relação à pessoa jurídica autuada.
Exclui-se a pessoa natural indicada como responsável tributário quando não se demonstrou no processo que ela praticou atos com infração de lei.
Numero da decisão: 1302-003.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário do contribuinte na parte relativa à alegação de tempestividade da impugnação e negar-lhe provimento e, quanto aos recursos dos responsáveis solidários, em dar provimento parcial para excluí-los da sujeição passiva solidária; e, ainda, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado) , Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo. IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL Consolidase administrativamente a exigência fiscal e operase a preclusão processual quando a contribuinte desiste expressamente da impugnação, em relação à matéria autuada. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA. SÚMULA CARF N.º 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. EXCESSO DE PODERES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PODER DE GESTÃO. NECESSIDADE DE PROVAS. A imputação de responsabilidade ao administrador de fato, por atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, na forma do art. 135, inciso III, do CTN, demanda a comprovação do poder de gestão em relação à pessoa jurídica autuada. Exclui-se a pessoa natural indicada como responsável tributário quando não se demonstrou no processo que ela praticou atos com infração de lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário do contribuinte na parte relativa à alegação de tempestividade da impugnação e negar-lhe provimento e, quanto aos recursos dos responsáveis solidários, em dar provimento parcial para excluí-los da sujeição passiva solidária; e, ainda, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado) , Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. LIDE NÃO INSTAURADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se deve conhecer de recurso voluntário, interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. Caso em que não se instaurou a fase litigiosa do processo administrativo. IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. De acordo com o art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM SEDE RECURSAL Consolidase administrativamente a exigência fiscal e operase a preclusão processual quando a contribuinte desiste expressamente da impugnação, em relação à matéria autuada. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos ao conhecimento da Turma pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem que uma lei lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA. SÚMULA CARF N.º 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula CARF nº 2: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 01 72 /2 01 7- 44 Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.679 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. EXCESSO DE PODERES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PODER DE GESTÃO. NECESSIDADE DE PROVAS. A imputação de responsabilidade ao administrador de fato, por atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, na forma do art. 135, inciso III, do CTN, demanda a comprovação do poder de gestão em relação à pessoa jurídica autuada. Excluise a pessoa natural indicada como responsável tributário quando não se demonstrou no processo que ela praticou atos com infração de lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário do contribuinte na parte relativa à alegação de tempestividade da impugnação e negarlhe provimento e, quanto aos recursos dos responsáveis solidários, em dar provimento parcial para excluílos da sujeição passiva solidária; e, ainda, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado) , Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, transcrevo relatório da DRJ/BHE, complementandoo ao final. Vejamos: Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados Autos de Infração, anocalendário 2012, expedidos em 30/03/2017, referentes a Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL, com juros de mora calculados até 03/2017, fls. 336/401, com a apuração do crédito tributário discriminado na tabela 1: Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.680 3 Tabela 1: Demonstração do Crédito Tributário Tributo/Cod Rec Principal R$ Multa de oficio R$ Juros de mora R$ Total Fls. IRPJ 2917 5.579.479.70 4.184.609,77 2695.773,03 12.459.862,50 336 CSLL 2973 2.015.092,68 1.511.319,49 973.720,43 4.500.132,60 370 Total 7.594.572,38 5.695.929,26 3.669.493,46 16.959.995,10 Fonte: Auto de Infração (fls. 336 e 370) As infrações apontadas no lançamento são o Passivo Fictício e Despesas não comprovadas (IRPJ, fls. 348), a Falta de recolhimento da CSLL devida sobre receitas omitidas e custos/despesas operacionais/encargos não comprovados (fls. 382). Do Termo de Verificação Fiscal, fis. 319/330, extraemse, em síntese, os seguintes pontos. Discorre sobre o critério de seleção fiscal que abrangeu o contribuinte, as informações sobre o objeto social da sociedade empresária, a opção da pessoa jurídica pela tributação com base no Lucro Real Trimestral, o início do procedimento fiscal, em 16/12/2014, e documentos requisitados. Informa que o contribuinte, após ter apresentado apenas cópias do Estatuto Social, Atas de Assembleias Gerais e Extraordinárias, além de correspondência dirigida a instituições financeiras (fls. 59/62), solicitou a dilação de prazo para atendimento da intimação fiscal, em 08/01/2015 e em 01/04/2015, entregando, em 18/10/2016, uma caixa de arquivo com a seguinte descrição: 01 Caixa contendo Nfe e documentos e 01 pen drive com a folha de pagamento dos anos 2010, 2011 e 2012. Esclarece que o sujeito passivo foi intimado e reintimado a apresentar documentação comprobatória de diversas contas contábeis selecionadas após a análise da Escrituração Contábil Digital ECD, sem que nada fosse comprovado, e que as visitas realizadas ao escritório dos consultores tributários (Fradema) eleitos pela empresa resultaram no recebimento de 2 (dois) arquivos digitais, gravados em 10/02/2017, entregues em DVD, validados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), tendo como responsável o Sr. Franco Odorici, sem que contivessem quaisquer das informações solicitadas por meio dos Termos de Solicitação de Esclarecimentos nºs 1 e 2. Argumenta que consulta aos sistemas informatizados da administração tributária revelou a mudança do quadro societário em 27/10/2016, além da modificação do nome e endereço da sociedade empresária, sem que os consultores tributários tivessem comunicado tal alteração à autoridade fiscal e, considerando o fato de os novos sócios não terem capacidade econômicofinanceira, de acordo com suas declarações de rendimentos, resolveu imputar responsabilidade solidária aos exsócios Franco Odorici, Fabrizio Odorici, Romolo Odorici e Stefano Ferdinando Ghermandi. Em face do montante de R$52.954.588,26 informados pelo contribuinte como despesas operacionais na DIPJ (Ficha 05D), o fisco considerou como despesas não comprovadas, em razão da diminuta apresentação de documentos, as importâncias indicadas Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.681 4 na tabela 2, sendo que os lançamentos contábeis encontram se discriminados no Anexo 1, parte integrante do Termo de Verificação Fiscal, fls. 331/335. Tabela 2 Despesas não comprovadas Trimestre Despesas não comprovadas R$ 1º 6477.398,45 2º 6.118.718,23 3º 5.646.209,89 4º 5.006.663,44 Soma 23.248.990,01 Fonte: TVF (fls.328) A fiscalização considerou como passivo fictício, de forma a caracterizar omissão de receita por presunção, em virtude da não apresentação dos contratos de empréstimos/financiamentos, os eventos indicados na tabela 3. Tabela 3 – Passivo fictício Nível Código Conta Saldo final em 31/12/2012 R$ 5 14907 Banco Guanabarac/ emprest 4.448.223,80 5 12838 Banco Banrisul 1.231.074,82 5 15393 Banco Votorantim 2.306.949,54 5 11459 Banco Safra – c giro 560.000,00 5 13111 Banco Guanabara S/A 1.180.300,48 5 15463 Contratos de mútuo 1.000.000,00 Fonte: TVF (fls. 329) A autoridade lançadora informou que acompanham o Termo de Verificação Fiscal os Demonstrativos da compensação de prejuízos fiscais e Demonstrativo da base de cálculo negativa da CSLL, vide fls. 364/367 e 394/397, respectivamente. O contribuinte, por meio de sua procuradora, Renata Passos Berford Guaraná, vide procuração de fls. 318, foi cientificado do lançamento em 31/03/2017 (sexta feira), fls. 399. Os responsáveis tributários Franco Odorici e Stefano Ferdinando Ghermandi foram intimados do lançamento por meio de edital; Fabrizio Odorici e Romolo Odorici, por outro lado, pela via postal. Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.682 5 Em 12/04/2017, a fiscalização lavrou o Termo de Constatação Fiscal de fls. 415/417, onde esclarece que a alteração do quadro societário da pessoa jurídica próximo ao encerramento do procedimento fiscal a forçou a percorrer vários endereços conhecidos dos novos sócios e dos anteriores na tentativa de lhes cientificar do lançamento. Apontou que se dirigiu à Fradema, em 23/02/2017, para dar ciência ao contribuinte dos Autos de Infração relativos às contribuições do PIS e da Cofins, não cumulativos, vindo a saber que os novos sócios (Adriana Gomes de Manos e José Ricardo Vicente Vianna) haviam indicado como procurador o sócio anterior, Romolo Odorici, motivo pelo qual se dirigiu à residência deste, cientificandoo por volta das 16 horas. Em 23/02/2017, deu ciência dos lançamentos (PIS e Cofins) ao Sr. Stefano Ferdinando Ghermandi, na pessoa de Nádia Naira Martins Mitigo, sua procuradora, uma vez que a tentativa de ciência pelos Correios se mostrou infrutífera. Afirma ainda que foi publicado o Edital Eletrônico n° 002008733, de 12/04/2017. Em 24/02/2017, retomou à Fradema, onde deu ciência dos lançamentos ao contribuinte, na pessoa de Renata Passos Berford Guaraná, procuradora, sendo que a ciência de Franco Odorici foi realizada por meio do Edital Eletrônico n" 002008735, de 12/04/2017. O sujeito passivo e os responsáveis tributários apresentaram impugnação em 03/05/2017 (quartafeira), fls. 427/575, por meio do mesmo procurador (Renata Passos Berford Guaraná), vide fls. 318 e 587/594 c/c fls. 2.527/2.532, acompanhada dos documentos de fls. 595/1.051. Defesa de Fabrizio Odorici, fls. 427/447 Alega, preliminarmente, que o Fisco deixou de observar os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, nos termos do art. 2° da Lei n° 9.784/99. Pondera que sempre agiu de boafé no curso do procedimento fiscal, apresentando todas as informações e documentos de que dispunha. Entende que os Autos de Infração são nulos em virtude de o Fisco não ter considerado nos lançamentos os pagamentos dos tributos realizados e, tampouco, os créditos de compensação a que faz jus a empresa. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, segundo o disposto no art. 151, III, do Código Tributário Nacional. Sustenta que as alterações cadastrais realizadas no quadro social da pessoa jurídica observaram as disposições contidas na Instrução Normativa RFB n° 1.634, de 2016, e que o autuante não pode justificar a motivação da sujeição passiva pelo fato de que as modificações não foram comunicadas pessoalmente a ele, sob pena de se configurar formalismo exagerado. Argumenta que as alterações não estavam impedidas pelas disposições do art. 25, incisos III e IV, da mencionada instrução normativa. Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.683 6 Pondera que a admissão de um novo sócio na empresa não deve se amparar em sua capacidade econômicofinanceira, mas, sim, em sua capacidade técnica e laborativa. Argui que é ilegal a aplicação da multa no patamar de 150%, pois não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas na Lei n° 4.502/64. Irresignase com o fato de a autuação fiscal não ter se amparado em provas, mas, sim, em meras suposições. Discorre sobre os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e não confisco. Cita doutrina e jurisprudência que entende embasar seus argumentos. Defesa de Franco Odorici, fls. 448/473 Reproduz os argumentos da impugnação de Fabrizio Odorici e, em complemento, elenca um novo capítulo destinado a combater, em suas palavras, a indevida lavratura do termo de sujeição passiva. Menciona que a legislação afasta a responsabilidade objetiva do sócio ou administrador e que não há nos autos elementos que demonstrem que tenham agido com dolo ou culpa de forma a causar a violação à lei, ao contrato ou ao estatuto. Defesas de Romolo Odorici e Stefano Ferdinando Ghermandi, fls. 474/525. Reproduzem os argumentos da impugnação de Franco Odorici. Defesa do contribuinte, pessoa jurídica, fls. 526/575 Alega a tempestividade da defesa e recapitula os fatos. Reprisa os argumentos referentes ao art. 2° da Lei n.º 9.784/99, à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, à desconsideração dos pagamentos realizados, à inaplicabilidade da multa e aos princípios constitucionais. Aduz que a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL foram calculados corretamente, levando em consideração as despesas operacionais, essenciais ao exercício das atividades da empresa. Argumenta que o valor das despesas com pedágios deve ser excluído da base de cálculo do IRPJ/CSLL. Pontua que as despesas operacionais estão discriminadas nos balancetes da sociedade empresária. Sustenta que o passivo fictício representa uma presunção, a qual deve ser afastada ante a comprovação da idoneidade das informações. Entende que os créditos de exercícios anteriores podem ser compensados, compreendendo, inclusive, as quantias recolhidas indevidamente ou a maior a título de multa e de juros de mora. Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.684 7 Irresignase com o emprego de juros de mora por entender que não houve ausência de recolhimento dos tributos. Alega que há desnecessidade de se arrolar responsáveis tributários no presente caso, pois não incorreu em nenhum ilícito que caracterizasse a aplicabilidade dos arts. 124 e 125 do CTN, e também porque a menção ao art. 30 da Lei n° 8.212/91 não se aplica ao lançamento. Pleiteia a realização de perícia técnica. Em 10/05/2017, fls. 1.052/1.055, o Sr. Romolo Odorici apresentou petição para informar que até aquela data não havia verificado a juntada da impugnação protocolizada em 03/05/2017 nos autos do processo. Em 10/05/2017,fls. 1.082/1.085, a empresa apresentou petição para requerer a juntada de contratos de empréstimo e mútuo constantes no lançamento, anexando os às fls. 1.086/1.116. Em 10/07/2017, fls. 1.117, novamente a empresa requereu a juntada de novos documentos, acostandoos às fls. 1.118/2.137 e 2.152/2.522. A DRJ/BHE ao analisar as impugnações interpostas, não conheceu da impugnação da pessoa jurídica; rejeitou a preliminar de nulidade; manteve o crédito tributário exigido e os vínculos de responsabilidade tributária em relação a Franco Odorici, Romolo Odorici e Stefano Ferdinando Guermandi, excluindo o vínculo de responsabilidade tributária referente a Fabrizio Odorici. Intimados do resultado do julgamento, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 04/12/2017, páginas 2605/2619. Os responsáveis solidários Romolo Odorici e Stefano Odorici, cientes em 14/11/2017 (pagina 2.590) e 13/11/2017 (página 2.588), respectivamente, interpuseram Recurso Voluntario também em 04/12/2017, às páginas 2.640/2.655 e 2.621/2.636. Os principais argumentos aduzidos foram os seguintes: a) da tempestividade da impugnação apresentada (pessoa jurídica); b) desconsideração das provas apresentadas; c) desconsideração dos pagamentos e compensações realizados; d) impossibilidade da aplicação da Taxa Selic como juros; e) natureza confiscatória da multa aplicada; f) pleiteouse o pedido de prova pericial (pessoa jurídica). Cabe destacar que o responsável Franco Odorici não apresentou Recurso Voluntário. É o relatório Voto Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.685 8 Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Do Recurso Voluntário Da admissibilidade do Recurso da Vimatlog Cabe inicialmente esclarecer que a empresa Vimatlog por mais que tenha apresentado Recurso Voluntário Tempestivamente, ele não deve ser conhecido tendo em vista que o regramento do processo administrativo fiscal estipula que somente se instaura a fase litigiosa a impugnação tempestiva (apresentada dentro do prazo de 30 dias, contados da ciência do lançamento). No presente caso, a impugnação apresentada foi tida como intempestiva, mediante decisão de primeira instância (vide fls. 2.533 e segs). O próprio contribuinte noticia em suas razões recursais que protocolou a impugnação fora do prazo legal, porém, aduz motivos que, aparentemente fugiram a seu controle, sem, contudo, juntar qualquer documentação que justificasse suas alegações. Assim, não conhecida a impugnação não se instaura o litígio administrativo e sequer há que se falar em possibilidade de interposição de recurso voluntário. Portanto, conheço do Recurso Voluntário do contribuinte VIMATLOG TRANSPORTES E LOGISTICA S/A, somente em relação a tempestividade da impugnação, para, negarlhe provimento, restando prejudicada a análise dos demais argumentos ventilados em sede de Recurso Voluntário. Da admissibilidade dos recursos dos responsáveis Os recursos dos responsáveis solidários Romolo Odorici e Stefano Guermandi são tempestivos, contudo os conheço parcialmente, em virtude dos argumentos abaixo aduzidos.Vejamos: Antes de adentrar o mérito propriamente dito, cabe a este Relator se pronunciar sobre argumentos ventilados pelos recursos voluntários ora analisados, notadamente no que tange o enfrentamento da matéria sobre a “utilização da Taxa Selic para apuração de Juros e dos Juros”. Cabe destacar, que tal matéria só foi ventilada em sede de Recurso Voluntário pelos recorrentes. Conforme o disposto no Decreto 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente atacada pelo sujeito passivo. Outrossim, é a impugnação que inicia e delimita a fase litigiosa, isto é, o presente processo administrativo. Segue os excertos: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.686 9 (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. " Desta forma, uma vez que em primeira instância os Recorrentes não arguiram os fatos que traz apenas no bojo do seu Recurso Voluntário, tal matéria se encontra fora dos contornos da presente lide, não podendo ser inaugurada nesta fase processual. Cabe destacar que a competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Assim, não conheço dos argumentos suscitados pelos recorrentes no que tange “a utilização da Taxa Selic para apuração de Juros e dos Juros”. Do mérito Da desconsideração das provas apresentadas a DRJ Alegam os recorrentes que que a DRJ desconsiderou os documentos juntados pela empresa em 10/05/2017 às fls. 1.082/1.116, consistentes nos respectivos contratos de empréstimo e mútuo constantes no auto de infração em epígrafe, bem como os de fls. 1.117/2.137 (provas das despesas operacionais) e 2.152/2.522 (provas das despesas operacionais). Afirmam que “para os fins do artigo 16, §4°, do Decreto n° 70.235/1972, a preclusão do momento da apresentação da prova no processo administrativo não impediria que o julgador conhecesse e analisasse novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Portanto, por estar contrário às provas dos autos, o acórdão recorrido deveria ser reformado para determinar a revisão dos autos de infração lavrados, no sentido de ajustálos ou cancelalos em razão da apresentação dos documentos hábeis que comprovam a legitimidade do passivo contabilizado e das despesas das operações registradas pela empresa Autuada”. A DRJ assim se pronunciou sobre a matéria, litteris: Quanto aos documentos juntados pela empresa em 10/05/2017, fls. 1.082/1.116, e em 10/07/2017, fls. 1.117/2.137 e 2.152/2.522, não podem ser objeto de análise, pois se tratam de acompanhar impugnação intempestiva, a qual não é capaz de abrir a via do contencioso administrativo. Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.687 10 Acaso a impugnação fosse tempestiva, a análise de documentação apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias estaria condicionada a que o contribuinte justificasse o atraso em uma das hipóteses elencadas no §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei n 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei n°9.532, de 1997) Ainda que fosse possível ultrapassar o requisito temporal para a apresentação da defesa, os documentos juntados não se caracterizam como prova. Provar significa contextualizar elementos relevantes, e não meramente coletar uma massa de documentos não hierarquizados, não devidamente articulados no sentido da comprovação dos fatos alegados. O processo não é um mero repositório de documentos, mas o espaço no qual tais documentos, devidamente referenciados nos relatórios, termos de constatação, defesa ou impugnação, compõem um quadro ordenado e lógico dos fatos alegados. Não assiste razão aos recorrentes: Vejamos O Decreto nº 70.235/1972 estipula que a impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. O § 4º do art. 16, por sua vez, estabelece que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que (a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) refirase a fato ou a direito superveniente; (c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso dos autos, não ficou demonstrada nenhuma das circunstâncias previstas acima, como também pesa o fato que as provas aludidas pelos recorrentes foram trazidas por meio de impugnação intempestiva, a qual não é capaz de abrir a via do contencioso administrativo. Assim, nego provimento aos recursos voluntários quanto a este ponto. Da desconsideração dos pagamentos e compensações realizadas Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.688 11 Alegam os recorrentes que “a autoridade fazendária não considerou no lançamento qualquer pagamento feito pela pessoa jurídica, nem créditos de compensação”. Citam o §1º do art. 47 fa Lei n.º 4.506/64 e o Parecer Normativo CST n.º 4.506/64. Compulsando os autos, constase que quando da demonstração do IRPJ e da CSLL a pagar, com período de apuração trimestral, a autoridade lançadora levou em consideração, respectivamente, a compensação de prejuízos (prejuízo do período compensado e prejuízo de períodos anteriores compensado) e a compensação de base negativa (base negativa do período compensada e base negativa de períodos anteriores compensada), vide fls. 350/356 e 384/387. A compensação de créditos da pessoa jurídica também originou a elaboração da Planilha de Compensação de Prejuízos Fiscais do IRPJ, fls. 364/367, e da Planilha de Compensação de Base Negativa da CSLL, fls. 394/397. A autoridade fiscal inclusive alertou o contribuinte a correção a ser perpetrada no Lalur (vide TVF). Assim, não merece prosperar as alegações de que o Fisco não aproveitou os créditos de compensação a que a sociedade empresária teria direito. Por outro lado, a fiscalização realmente não considerou no lançamento qualquer pagamento e não poderia fazêlo por pressuposto lógico, pois as infrações apontadas nos Autos de Infração, passivo fictício e despesas não comprovadas, não geram arrecadação espontânea de tributos por parte do contribuinte. Nesse sentido cabe trazer a baila trecho da decisão da DRJ, verbis: Veja que as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas, nos termos do art. 299, caput, do RIR/99, classificadas como despesas operacionais, quando comprovadas por documentação fiscal, hábil e idônea, são dedutíveis na determinação do lucro real. Ora, se são dedutíveis, delas não surge imposto ou contribuição. (...) A outro giro, o passivo fictício corresponderia à manutenção, no passivo da empresa, de obrigações já pagas, ou seja, obrigações que, provavelmente, foram quitadas com recursos não contabilizados da empresa, o que configura uma forma de presunção de omissão de receitas. Sobre tais receitas é notório o fato de que não há o recolhimento de tributos por parte das empresas. Assim nego provimento aos recursos quanto a este ponto. Da natureza confiscatória da multa Alegam os recorrentes que a multa possui efeito confiscatório, remontando inconstitucionalidade de sua aplicação. Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.689 12 A multa com efeito de confisco, sendo ela questionada por sua inconstitucionalidade, não pode ser objeto de apreciação desse Tribunal, nos termos da Súmula CARF 02, in verbis: Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Assim, nego provimento aos recursos voluntários quanto a este ponto. Da responsabilidade tributária Rezam os recorrentes em seus Recursos Voluntários o seguinte: “O fato de o Recorrente ter sido destituído do cargo de Diretor Vice Presidente da pessoa jurídica autuada (Fl. 192) e ter auxiliado o novo Diretor na condição de mandatário no começo de sua gestão não seria, por si, um indício suficiente para a caracterização de simulação, nem justificaria a aplicação do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. (...) A premissa de que a alteração de direito no quadro dirigente da companhia configuraria apenas uma realidade artificial seria equivocada, sendo que o não recolhimento de tributos não configura infração legal que possibilite o enquadramento nos termos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, na forma da Súmula 430 do Superior Tribunal de Justiça. Inclusive, a Primeira Seção, quando do julgamento do REsp n. 1.101.728SP (Rel. Min. Teori Albino Zavascki), em 11 de março de 2009, sujeito ao regime dos “recursos repetitivos”, prevista no art. 543C do Código de Processo Civil (introduzido pela Lei n. 11.672/2008), referendou esse posicionamento já reiteradamente adotado no âmbito das Primeira e Segunda Turmas no sentido de que “a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária dos sócios, prevista no art. 135 do CTN”. Desta forma, por estar contrário às provas dos autos, o acórdão recorrido deveria ser anulado ou reformado para afastar a responsabilidade do Recorrente pelo lançamento tributário em discussão, por ausência dos requisitos mínimos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Não há elementos nos autos a demonstrar que este exerceu irregularmente a administração da companhia de fato, ainda que não estivessem eleitos para tal função.” A DRJ ao apreciar este tema, assim se pronunciou, verbis: No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora utilizou a seguinte descrição e fundamentação legal para embasar a responsabilidade tributária (fls. 323/324): Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.690 13 Identificamos, também, que os novos sócios não têm, a princípio, capacidade econômica financeira, de acordo com a análise nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física para adquirir e/ou ingressar no quadro de sócios de uma empresa do porte da TRELSA, a qual faturou mais de R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões nos últimos anos). Temos convicção que não há capacidade econômico financeira dos novos sócios para ingressar no quadro societário da empresa Ambos declaram a DIRPF 2016, anocalendário 2015, pela opção de Declaração Simplificada, sendo que Jose Ricardo Vieira Vianna, CPF 859.788.84749, e Adriana Gomes de Mattos, CPF 029.789.14726, perceberam pequenos rendimentos, o primeiro a título de salário e a segunda, a título de "Rendimentos Recebidos de Pessoa Física e/ou do Exterior, na rubrica de "Outros". Sendo assim, lavramos Termo de Sujeição Passiva para os exsócios, FRANCO ODORICI, CPF 046.376.40725, FABRIZIO ODORICI, CPF 002.522.72706, ROMOLO ODORICI, CPF 019.450.58714 e STEFANO FERDINANDO GHERMANDI, CPF 694.208.23768, estabelecendo a solidariedade da mesma perante o lançamento ora efetuado, com base nos artigos 124 e 125 da Lei No. 5.172/66 (CTN) e art. 30, inciso IX, da Lei No. 8.212/91, que ocorreu, em 27/10/2016, com a alteração do quadro societário ao final da auditoria sem que houvesse comunicação a esta fiscalização. Por outro lado, nos Autos de Infração, a base legal empregada é a seguinte: a) Fabrizio Odorici, responsabilidade solidária de direito, art. 124, II, do CTN, fls. 338 e 340; b) Romolo Odorici, Franco Odorici e Stefano Ferdinando Ghermandi, responsabilidade solidária por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, art. 135 do CTN, fls. 340, 342, 344 e 347. Eventual erro ou discrepância na indicação do dispositivo legal aplicado em Auto de Infração não é entendido como cerceamento da defesa quando os fatos são descritos no lançamento e no relatório fiscal. Cabe, porém, verificar se os elementos de prova anexados nos autos são consentâneos com a descrição dos fatos. De acordo com a Ata da Assembleia Geral Ordinária e Extraordinária realizada em 29/06/2012, fls. 38, os membros da Diretoria da Trelsa Transportes Especializados de Líquidos S/A no anobase 2012 eram as pessoas físicas Franco Odorici, Stefano Ferdinando Ghermandi, Fabrizio Odorici e Romolo Odorici, conforme se depreende do trecho adiante reproduzido: (.) Foram reeleitos com prazo de gestão de 01 (hum) ano, conforme artigo 9 (nono) parágrafo I (primeiro) do estatuto social até a assembleia geral ordinária a se realizar em 2013 os seguintes: Franco Odorici Diretor Presidente () Fabrizio Odorici, Diretor Administrativo (.) Stefano Ferdinando Ghermandi, Diretor Vice Presidente (.) e Romolo Odorici, Diretor de Superintendente (.), e José Carlos de Azevedo Beranger, Diretor de Operações. No estatuto social da companhia, o art. 9° definiu que a administração da sociedade caberia a uma Diretoria composta de 5 (cinco) membros, sendo um Diretor Presidente, um Diretor VicePresidente, um Diretor Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.691 14 Superintendente, um Diretor Administrativo e um Diretor de Operações, fls. 44. Em 26/09/2016, no curso do procedimento fiscal, a ata da Assembleia Geral Extraordinária, fls. 184/185, noticiou que Franco Odorici, Diretor Presidente, e Stefano Ferdinando Ghermandi, Diretor VicePresidente, pediram demissão de seus cargos, elegendo para tais posições, respectivamente, José Ricardo Vicente Vianna e Adriana Gomes de Matos, com posse no mesmo dia, vide termo às fls. 192. Apesar de, formalmente, não participarem da direção da companhia, Franco Odorici e Stefano Ferdinando Guerrnandi assinaram em nome da pessoa jurídica, em 21/12/2016, para outorgar procuração a várias pessoas físicas, fls. 195. Os Diretores Presidente e VicePresidente empossados em 26/09/2016 outorgaram procuração, em 01/11/2016, a Romolo Odorici, a quem conferiram poderes amplos, gerais e ilimitados para, dentre outros aspectos, gerir e administrar, livremente, todos os negócios e interesses dos outorgantes, vide fls. 314/317. O Sr. Romolo Odorici exerceu os poderes que lhe foram atribuídos, tanto é que outorgou parcela deles a terceiros, como bem demonstra a procuração de tls. 318, em 24/02/2017. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 321, a autoridade lançadora assinala que recebeu arquivos digitais gravados em 10/02/2017, tendo como responsável Franco Odorici. Ante o exposto, está demonstrado que a alteração no quadro dirigente da companhia em 2016 teve por pressuposto afastar a responsabilidade do patrimônio dos verdadeiros gestores da pessoa jurídica, infringindo a disposição contida no art. 167, §1°, inciso I, do Código Civil Brasileiro. Pois bem. Passamos a análise. A imputação da responsabilidade inscrita no art. 135, III, CTN, verificase que a existência de uma infração é uma condição necessária, mas não suficiente. Isto porque a separação das personalidades e a necessidade de gerir sociedades economicamente estáveis e instáveis, somadas ao direito constitucional à propriedade e ao princípio da nãoutilização do tributo com efeitos confiscatórios, vedam que o administrador seja responsável por ato nãodoloso. Para Maria Rita Ferragut, a infração prevista no caput do art. 135, CTN, diz respeito não ao fato jurídico tributário – que é sempre lícito – mas à decisão de sua prática, contrária aos limites fixados em lei. A professora conclui afirmando: “(...) a falta de pagamento de tributo não é condição necessária para a responsabilidade do administrador, pois o fato ilícito nãotributário que a origina é necessariamente anterior ao vencimento da obrigação, pois a resulta. Insistimos: o ilícito operase em momento que antecede a efetivação do evento tributário”. (Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002, 5ª Ed., p. 140) Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.692 15 No caso em cotejo, a fiscalização atribuiu aos Srs. Romolo Odorici e Stefano Guermandi a condição de coobrigados sob fundamento de ter participado da administração da sociedade e “de forma ilícita” e a alteração no quadro dirigente da companhia em 2016 teve por pressuposto afastar a responsabilidade do patrimônio dos verdadeiros gestores da pessoa jurídica, ensejando a aplicação do art.135, inciso III da Lei nº 5.172/66 (CTN). No caso, o ato praticado com infração à lei que gerou a obrigação tributária foi a sonegação fiscal. Por sua vez, a fiscalização destacou que a imputação da responsabilidade acorreu pelo fato de "não ter justifica que os novos diretores outorguem procurações a terceiros, exdiretores, para que desempenhem as suas funções. Se a intenção é que os exdiretores continuem administrando a sociedade, a alteração de direito no quadro dirigente da companhia configura apenas uma realidade artificial. Caracterizada a infração à lei, a fiscalização deve considerar no lançamento de oficio os diretores, gerentes, administradores e representantes da pessoa jurídica, nos termos do art. 135, III, do CTN. Embora amplamente comprovado nos autos a utilização da pessoa jurídica autuada para a realização dos fatos geradores das obrigações tributárias, não existe qualquer comprovação de que os Recorrentes praticaram algum ato com excesso de poderes ou infração a lei. A imputação realizada pela autoridade fiscal e pelo Acórdão recorrido, de fato, realizasse de forma genérica. Nada é provado, acerca das condutas praticadas pelos recorrentes no que tange comprovação de que o ato infrator resultou em situação que constituiu fato gerador da obrigação tributária, incorreta, portanto, a imputação da responsabilidade solidária capitulada no art. 135, III, CTN. Ante o exposto, dou provimento aos recursos voluntários de Romolo Odorici e Stefano Guermandi, para excluílos do polo passivo da respectiva obrigação tributária. Do recurso de ofício O recurso de ofício foi interposto pela DRJ em virtude da exoneração da responsabilidade tributária do Sr. Fabrizio Odorici. Não há reparos a fazer a decisão recorrida. Compulsando os autos, constatase que a fiscalização não juntou qualquer prova a demonstrar que ele também exerceu a gestão da companhia em período para o qual não fora eleito. Ademais, a autoridade lançadora também não expôs no Termo de Verificação Fiscal os motivos pelos quais imputou responsabilidade tributária com base no art. 124, II, do CTN a Fabrizio Odorici. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso de Ofício. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de: Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10872.720172/201744 Acórdão n.º 1302003.397 S1C3T2 Fl. 2.693 16 a) conhecer PARCIALMENTE do Recurso Voluntário do devedor principal, notadamente em relação da tempestividade da impugnação, para, negarlhe provimento, restando prejudicada a análise dos demais argumentos ventilados em sede de Recurso Voluntário; b) dar provimento PARCIAL aos Recursos Voluntários de Romolo Odorici e Stefano Guermandi, para excluílos do polo passivo da respectiva obrigação tributária; c) Negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a exclusão do polo passivo da presente obrigação tributária do Sr. Fabrizio Odorici. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 2693DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.908262/2012-70
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2010 a 31/05/2010 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 82 62 /2 01 2- 70 Fl. 840DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 841 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 34/39), cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 24), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade e a instruiu com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original. Em seqüência, analisando os argumentos apresentados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 842 3 Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 105/115), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, alegando cerceamento do direito de defesa, tanto do Despacho Decisório, como do Acórdão recorrido, e, no mérito repisa argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Anexa aos autos novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Esta Turma Julgadora já teve, recentemente, oportunidade de se debruçar exatamente sobre matéria, situação fática e probatória semelhantes as constantes nos presentes autos em outros processos da mesma contribuinte. Como exemplo desse fato, citese o processo administrativo nº 13888.906857/201291, no qual foi proferido o Acórdão nº 3002 000.523 da relatoria da Ilustre Conselheira Larissa Nunes Girard. Fl. 842DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 843 4 Assim, por entender que o Acórdão citado espelha perfeitamente o meu entendimento sobre a matéria posta em análise no processo atual, reproduzo excerto daquele voto condutor e adoto como razões de decidir os fundamentos ali lançados: "Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 844 5 Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 845 6 Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento préestabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. (...) Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 846 7 "No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito." (...) Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 846DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 847 8 (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 848 9 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por conseqüência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 849 10 Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303 006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303 006.241, pela pertinência no presente caso: "Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte." Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13888.908262/201270 Acórdão n.º 3002000.622 S3C0T2 Fl. 850 11 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 850DF CARF MF
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Numero do processo: 13837.001283/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004
PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Na sistemática de incidência monofásica do PIS e da Cofins sobre as receitas de venda dos produtos elencados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, onde ocorre a tributação apenas na etapa de industrialização e de importação, não é possível a restituição às entidades beneficentes de assistência social que adquirirem tais produtos. A imunidade, prevista no §7º do artigo 195 da Carta Magna, concedida às entidades beneficentes contempla exclusivamente as operações decorrentes de receitas obtidas pelas próprias entidades, mais especificamente, as receitas obtidas na prestação de serviços de assistência social.
Numero da decisão: 3402-006.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1640; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.415 1 1.414 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13837.001283/200881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.125 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria Ressarcimento PIS/COFINS Incidência monofásica Recorrente IRMANDADE DO SENHOR BOM JESUS DOS PASSOS DA SANTA CASA DE MISERICÓRDIA BRAGANÇA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004 PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DIREITO AO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Na sistemática de incidência monofásica do PIS e da Cofins sobre as receitas de venda dos produtos elencados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 2000, onde ocorre a tributação apenas na etapa de industrialização e de importação, não é possível a restituição às entidades beneficentes de assistência social que adquirirem tais produtos. A imunidade, prevista no §7º do artigo 195 da Carta Magna, concedida às entidades beneficentes contempla exclusivamente as operações decorrentes de receitas obtidas pelas próprias entidades, mais especificamente, as receitas obtidas na prestação de serviços de assistência social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 00 12 83 /2 00 8- 81 Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 13837.001283/200881 Acórdão n.º 3402006.125 S3C4T2 Fl. 1.416 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Por bem retratar o caso em questão adoto o relatório desenvolvido pela DRJ Campinas até aquela fase: Tratase de Pedido de Restituição da contribuição para o Programa de Integração Social, no valor de R$ 28.749,49, que, segundo alega a interessada, teria sido indevidamente recolhida na sistemática trazida pela Lei nº 10.147, de 2000. A pretensão é fundamentada nos seguintes termos: O referido diploma legal, em seu artigo 1º impôs o recolhimento do PIS de forma monofásica, ou seja, concentrou a arrecadação às pessoas jurídicas que procedam a industrialização ou importação de produtos farmacêuticos classificados no capítulo 30 da Tabela do IPI/TIPI, atribuindolhes a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos incidentes sobre toda a cadeia de produção e consumo, com a incidência de alíquota majorada, 2,1%, reduzindo a 0% as alíquotas incidentes nas operações subsequentes. Como único responsável pelo recolhimento tributário de toda cadeia produtiva de uma mercadoria em virtude dessa centralização, temse, obrigatoriamente o repasse dos valores recolhidos pelo industrial ou importador, no preço do produto, o qual chega onerado pela tributação às demais operações, consequentemente ao consumidor final. ... No caso em tela, a requerente ostenta a condição de entidade hospitalar beneficente, possuidora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (anexo), a qual é imune do recolhimento das contribuições para a seguridade social nos termos do artigo 195, § 7 da Constituição Federal (...). Por se tratar de entidade hospitalar, a requerente periodicamente realiza aquisição de produtos farmacêuticos tributados pelo regime monofásico do PIS, portanto recolhe o referido tributo indiretamente, por meio do pagamento de preço majorado da mercadoria pela incidência tributária. ... Desta feita, verificase que o ônus trazido para a requerente com o pagamento indireto do PIS viola o disposto na Constituição Federal, visto que se trata de entidade beneficente, imune a este tributo, tendo, portanto direito a ser restituída da totalidade dos valores despendidos, nos exatos termos pleiteados nesta peça, bem como nos documentos anexos. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 13837.001283/200881 Acórdão n.º 3402006.125 S3C4T2 Fl. 1.417 3 Ao fim, defende a possibilidade de restituição dos valores correspondentes aos recolhimentos feitos nos cinco anos anteriores e a atualização pela taxa SELIC de seus créditos. A autoridade jurisdicionante indeferiu o pedido. Inicia sua fundamentação relatando que a tributação pelo PIS/PASEP dos produtos classificados no capítulo 30 da TIPI foi regulamentada pela Lei nº 10.147, de 2000, com a redação dada pela Lei nº 10.548, de 2002. Depois, prossegue a autoridade: O interessado não menciona a posição exata, na TIPI, dos produtos adquiridos e, posteriormente, revendidos. Somente menciona, genericamente, estarem classificados no capitulo 30 da tabela. Mas pela análise da petição de fls. 02 a 07 concluise que o interessado trata de produtos dos quais a receita obtida com sua venda tem alíquota zero para a contribuição para o PIS/PASEP. Por outro lado, em consulta aos sistemas de informação da Secretaria da Receita Federal do Brasil foi verificado que o interessado exerce "Atividades de atendimento hospitalar, exceto prontosocorro e unidades para atendimento a urgências", CNAE 086.10101. Ou seja, não fabrica nem importa os referidos produtos. Assim, enquadrase na condição prevista no art. 2° da Lei n° 10.147/00. Logo, não recolhe valor nenhum a titulo de contribuição para o PIS/PASEP. Portanto não há nada a se restituir. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese e a exemplo da peça inicial, que a sistemática de tributação monofásica de produtos farmacêuticos onera a sua industrialização e importação, ônus esse que é repassado, via preço, ao longo da cadeia econômica. Segundo seu raciocínio, portanto, estaria a arcar indevidamente com o tributo embutido no preço, uma vez que é entidade imune. Complementa sua manifestação dizendo que a autoridade jurisdicionante errou ao dizer que não teria apontado a posição exata dos produtos na Tabela TIPI, de vez que fez juntar aos autos as notas fiscais de aquisição. Reclama ainda que, em momento algum, teria se manifestado acerca da incidência do PIS sobre sua receita bruta advinda da venda de produtos farmacêuticos. Resumindo suas alegações, diz: Comprovada a condição de entidade beneficente de assistência social da requerente, verificase que o ônus trazido com a incidência do PIS sobre os produtos farmacêuticos adquiridos, viola o disposto na Constituição Federal, haja vista a imunidade a este tributo, tendo, portanto, direito a ser restituída da totalidade dos valores despendidos, nos exatos termos pleiteados. Ao fim, volta a tocar nos temas da prescrição e da atualização de seu direito creditório. Por meio do acórdão nº 0540.412 de 22 de março de 2013 (fls. 1305 a 1309), a 3ª Turma da DRJ Campinas, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 13837.001283/200881 Acórdão n.º 3402006.125 S3C4T2 Fl. 1.418 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004 APURAÇÃO MONOFÁSICA. RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. REPERCUSSÃO ECONÔMICA. INAPLICÁVEL. A sistemática monofásica de tributação caracterizase pela apuração tributária concentrada nos produtores e importadores. Nas aquisições feitas nos elos seguintes pagase preço, não tributo. Consequentemente, não há que se falar em pagamento indevido de tributos quando da aquisição, por entidade imune, de produtos submetidos ao regime monofásico. A relação tributária não abriga a repercussão econômica da tributação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário (fls.1320 a 1410), reproduzindo suas alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, em síntese: que a sistemática de tributação monofásica de produtos farmacêuticos onera a sua industrialização e importação, ônus esse que é repassado, via preço, ao longo da cadeia econômica; comprovada sua condição de entidade beneficente de assistência social, verificase que o ônus trazido com a incidência do PIS sobre os produtos farmacêuticos adquiridos, violaria o disposto na Constituição Federal, haja vista a imunidade a este tributo, tendo, portanto, direito a ser restituída da totalidade dos valores despendidos. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito a restituição de PIS incidente sobre as aquisições de medicamento efetuadas por entidade beneficente de assistência social, recolhida pelo fabricante na sistemática trazida pela Lei 10.147/2000 (monofasia). Vejamos a base legal que instituiu o regime monofásico de PIS e COFINS, vigente à época dos fatos, com a redação dada pela Lei nº 10.548/2002: Art.1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 13837.001283/200881 Acórdão n.º 3402006.125 S3C4T2 Fl. 1.419 5 código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: [...] Art. 2º São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Importante destacar que a Lei n° 10.147/2000 trata da incidência monofásica das contribuições, sistemática que determina uma incidência com alíquotas maiores na primeira etapa da cadeira de produção, e outras incidências nas demais etapas da cadeia de venda com alíquota zero. Diferese da sistemática de substituição tributária, na qual toda a incidência da cadeira é concentrada no fabricante em substituição aos demais contribuintes da cadeia de venda. Assim destacou o julgador a quo: “Sendo assim, não há propriamente a figura da substituição tributária, mas uma incidência diferenciada pelas alíquotas. Os fabricantes e importadores são sujeitos passivos de uma regra matriz de incidência própria, com hipótese e consequente distintos daqueles a que estão submetidos os demais integrantes da cadeia econômica. Não há falar em substituição, mas em duas regras especificas.” Com a clara diferenciação sobre as sistemáticas de substituição tributária e monofasia, constatase que a recorrente requer o direito à restituição sobre hipóteses de incidência tributária diversa da sua, ou seja, na etapa anterior, as quais tiveram aspectos próprios de incidência (aspecto material, temporal, pessoal e quantitativo) que necessariamente não lhe diziam respeito. No caso da recorrente houve a utilização dos produtos como consumidor final, e não a venda dos produtos que estariam sujeitos à alíquota zero, conforme dispõe o artigo 2º da referida Lei. Conforme corretamente destacou o julgador a quo, a questão repousa sobre a repercussão econômica da tributação, na venda dos produtos do fabricante/distribuidor à recorrente, que não nos permite concluir pelo direito à restituição pleiteada. Reproduzo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, com os fundamentos que adoto no presente voto acerca desta questão: “Nas aquisições que alega ter feito, a interessada estabeleceu apenas uma relação particular entre vendedor e comprador sob o denominador comum do preço das mercadorias. Não existe, na aquisição, incidência ou pagamento de tributo, sendo, portanto, equivocado o entendimento de que houve violação da imunidade constitucional que a interessada para si reivindica. Tendo pago o preço dos produtos farmacêuticos ao adquirilos, não pagou, devida ou indevidamente, tributo. Por consequência, não existe crédito tributário a ser restituído.” Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 13837.001283/200881 Acórdão n.º 3402006.125 S3C4T2 Fl. 1.420 6 Destacase, também, que a imunidade pleiteada pela Recorrente se refere às receitas ou faturamento da própria entidade, ou sua folha de salário ou lucro, conforme dispõe o artigo 195 da Constituição Federal: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, o Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; c) o lucro;(...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Portanto, claro está que a imunidade não abrange a incidência tributária nas etapas anteriores à da entidade beneficente de assistência social (vendas do fabricante ou distribuidor para ela), mas apenas para suas receitas, desde que atendam às exigências legais. Logo, como se está discutindo a incidência de contribuição sobre a receita bruta, não há que se falar que o montante que integra a despesa ou custo da entidade beneficente de assistência social (aquisições de produtos farmacêuticos) repercute direta ou indiretamente em qualquer aspecto da hipótese de incidência das contribuições PIS e COFINS da Recorrente. Dessa forma, nenhum valor há que ser restituído à Recorrente em relação às aquisições de produtos farmacêuticos, visto que essa hipótese de incidência da contribuição não estava sob o manto de qualquer imunidade. Tratavamse de receitas de terceiros, não receitas da entidade imune. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 1420DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10886.720528/2017-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999).
Numero da decisão: 2002-000.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999).
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DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 05 28 /2 01 7- 91 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10886.720528/201791 Acórdão n.º 2002000.830 S2C0T2 Fl. 54 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 41) contra decisão de primeira instância (fls.27/32), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Em desfavor do contribuinte, acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento nº 2015/030405883676784 (fls. 04/08), relativamente ao anocalendário de 2014, na qual foi apurado crédito tributário de R$ 9.219,22. (..) Após a ciência da Notificação de Lançamento em 2/05/2017 (fl. 21), o contribuinte apresentou impugnação em 20/06/2017 (fl. 02), com as seguintes alegações: “(...) Infração: DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS CPF / CNPJ: 03.991.12S/000119 AMIL PLANOS POR ADMINISTRAÇÃO LTDA.. Valor da Infração: R$ 24.827,52. Não concordo com essa infração. Outras alegações: Preliminarmente ressalto que nos últimos 16 anos. como aposentado por PREVIBAYER, mas igualmente parte de COVESTRO empresa do grupo BAYER onde trabalhei por mais de 40 anos sempre declarei o Plano de Saúde de forma idêntica por orientação inclusive de meu advogado tributarista que caso necessário, saberá defender esta posição perante qualquer instância ou tribunal. Apenas nos planos de saúde Individuais ha comprovantes do prestador a apresentar. Neste caso, tratase de plano corporativo onde o contratante COVESTRO tem contratado com AMIL, um plano que abrange mais de 1000 participantes entre empregados e aposentados que mediante um pagamento mensal se tornam beneficiários do PLANO AMIL 50 NACIONAL do qual participo. Não há discriminação para dependentes. Decorre dai o mesmo que por ex. no Banco do Brasil, Petrobrás ou no caso de alguns funcionários públicos onde com a simples apresentação de sua identidade de filiação ao Plano tem franquiados os serviços médicos de que por ventura venham necessitar, NÃO HAVENDO NENHUM DESEMBOLSO EXTRA pelo beneficiário, tampouco ha restituições. O Custo do plano é, portanto, bancado pela contratante perante AMIL e rateado entre os participantes (beneficiários) O comprovante do pagamento à contratante está em mãos da Receita e foi emitido pela COVESTRO, conforme estipulado no RIR. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10886.720528/201791 Acórdão n.º 2002000.830 S2C0T2 Fl. 55 3 Não possuo outros comprovantes. Caso a Receita necessite de maiores informações sobre o plano basta consultar COVESTRO ou AMIL, pois ambos mantém os registro legais do Plano. Anexo a presente minha identidade do Plano AMIL. A Notificação e o respectivo Lançamento carecem de legitimidade e portanto devem ser anulados para em seguida ser procedidas a restituição legitima constante da declaração. (...)”. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 11/07/2018 (fl. 39); Recurso Voluntário protocolado em 25/07/2018 (fl. 41), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. A r. decisão revisanda, fundamenta o motivo da glosa com a seguinte conclusão (fl. 31): “Dedução indevida de despesas medicas com plano de saúde AMIL PLANOS POR ADMINISTRAÇÃO LTDA em face do contribuinte não ter apresentado comprovantes com os gastos com a operadora com valores discriminado por beneficiários (titular, dependentes), conforme solicitado na intimação”. Razão assiste ao recorrente, eis que o documento de fl. 8, emitido pela Bayer assim descreve: “Para fins de declaração de Imposto de Renda Ano Base 2014 – Exercício 2015, informamos abaixo o valores pagos através do Plano de Aposentados, referente a Assistência Médica e Odontológica”. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento para restabelecer a dedução. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10886.720528/201791 Acórdão n.º 2002000.830 S2C0T2 Fl. 56 4 Voto Vencedor Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada. Divirjo do relator quanto à possibilidade de restabelecimento da despesa médica glosada, diante dos documentos juntados aos autos. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados (art. 73, do RIR/1999). No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Nesse sentido, a autuação consignara a glosa da despesa com plano de saúde pela falta de apresentação de documento discriminado por beneficiário (fl.7). Tal exigência se justifica uma vez que, conforme já dito, somente serão acatadas as despesas próprias e de dependentes informados na Declaração. Na apreciação da impugnação, a decisão recorrida consigna: Analisando os autos, verificase que o contribuinte anexou declaração da Bayer informando os valores pagos ao Plano de Saúde (fl. 09). A defesa alegou que tratase de plano corporativo onde o contratante COVESTRO tem contratado com AMIL, um plano que abrange mais de 1000 participantes entre empregados e aposentados que mediante um pagamento mensal se tornam beneficiários do PLANO AMIL 50 NACIONAL do qual participo. Não ha discriminação para dependentes. Compulsando os autos, verificase que foi solicitado no Termo de Intimação que o impugnante trouxesse: ... Considerando que não foi atendida a solicitação, deve ser mantida a glosa de R$ 24.827,52 por força do que determina os incisos II e III, do §1º, do art. 80 do RIR/99. Em seu recurso, o recorrente alega que o plano seria individual e que a declaração emitida pela empresa Bayer atestaria que ele teria arcado com os pagamentos. Anexa à fl.44 declaração já anexada à fl.9. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10886.720528/201791 Acórdão n.º 2002000.830 S2C0T2 Fl. 57 5 Registro que não foi questionado na acusação fiscal o ônus dos pagamentos realizados com o plano de saúde. Como já registrado neste voto, a glosa se deu, porque o contribuinte não logrou comprovar os beneficiários cobertos pelo plano de saúde. Nesse sentido, acompanho a decisão de piso de que a declaração juntada apenas consigna os pagamentos efetuados, não sendo possível concluir, somente à vista desse documento, acerca da existência ou não de outros beneficiários cobertos pelo plano de saúde. Dessa forma, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.722197/2011-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. CANCELAMENTO DO NEGÓCIO. FALTA DE RECEBIMENTO DAS PARCELAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte comprovar a falta de recebimento das parcelas do preço na alienação a prazo do imóvel, decorrente do cancelamento do negócio jurídico, que alega como fundamento para a inexistência do fato gerador do imposto sobre a renda.
Numero da decisão: 2401-006.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausentes as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ALIENAÇÃO A PRAZO. CANCELAMENTO DO NEGÓCIO. FALTA DE RECEBIMENTO DAS PARCELAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte comprovar a falta de recebimento das parcelas do preço na alienação a prazo do imóvel, decorrente do cancelamento do negócio jurídico, que alega como fundamento para a inexistência do fato gerador do imposto sobre a renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Ausentes as conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 21 97 /2 01 1- 78 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10882.722197/201178 Acórdão n.º 2401006.118 S2C4T1 Fl. 89 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), por meio do Acórdão nº 0737.138, de 30/04/2015, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação apresentada, mantendo integralmente o crédito tributário lançado (fls. 58/61): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007,2008 PRODUÇÃO DE PROVAS. FATOS EXTINTIVOS DE DIREITO. ÔNUS DO ALEGANTE. Compete ao sujeito passivo que alegar a ocorrência de fato extintivo de direito o ônus de apresentar as provas cabais que amparam a sua pretensão. Impugnação Improcedente Extraise do Termo de Verificação Fiscal que foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) decorrente de ganho de capital na alienação a prazo do imóvel denominado "Residencial Floresta", nos anoscalendário de 2007 e 2008 (fls. 26/40). O contribuinte foi cientificado da autuação e impugnou a exigência fiscal em 09/09/2011 (fls. 41 e 46/47). Intimado por via postal em 19/05/2015 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 17/06/2015, em que alega os seguintes argumentos de fato e direito (fls. 65/66 e 68/70): (i) apesar de realizado contrato para alienação do imóvel, o negócio foi cancelado, não tendo havido o pagamento das parcelas como constava no acordo inicial; (ii) não houve qualquer movimentação financeira a respeito da referida transação; e (iii) não tendo sido concretizada a venda, não há que se falar em ganho de capital para o fim de pagamento de imposto de renda. É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10882.722197/201178 Acórdão n.º 2401006.118 S2C4T1 Fl. 90 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito A autuação fiscal baseouse no instrumento particular de cessão de direitos do imóvel denominado "Residencial Floresta", descrito na matrícula nº 11.532 1 do 1º Ofício de Registro de Imóveis da cidade de Osasco, com data de 10/10/2007. O negócio foi acordado ao preço total de R$ 3 milhões, com estipulação de sinal e saldo restante em 11 parcelas mensais e sucessivas (fls. 19/21). Alega o recorrente, entretanto, que não tendo sido concretizada a alienação do imóvel, não há porque se falar em ganho de capital para o fim de pagamento de imposto de renda. Para fins de demonstrar os fatos que pretende fazer prevalecer no processo administrativo, o contribuinte juntou aos autos na fase recursal uma cópia da matrícula nº 13.532, em que a referida cessão de direitos não está averbada (fls. 72/77). Anexou também cópia da revogação do negócio jurídico, por meio de instrumento de rescisão contratual, datado de 25/06/2012 (fls. 78/80, na Claúsula 2ª). Pois bem. Acontece que o fato gerador do imposto de renda dáse com a aquisição da disponibilidade jurídica ou econômica da renda, quando há incorporação do direito ao patrimônio da pessoa física. O contrato de cessão de direitos de propriedade sobre imóvel caracteriza alienação para os efeitos da legislação tributária, sendo que o desfazimento do negócio, via de regra, é irrelevante para efeitos fiscais 2. No caso de venda a prazo, o ganho de capital será tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês 3. 1 Leiase matrícula nº 13.532. 2 Art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Art. 116, inciso II, e art. 117, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. 3 Art. 21, da Lei nº 7.713, de 1988. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10882.722197/201178 Acórdão n.º 2401006.118 S2C4T1 Fl. 91 4 Assim sendo, a rescisão contratual não produzirá efeitos sobre os valores efetivamente recebidos pelo vendedor, mesmo que haja devolução, já que configurado o fato gerador da parte do preço de alienação, devendo o ganho de capital porventura apurado ser tributado pelo imposto de renda. O recorrente pratica conduta temerária ao deixar de esclarecer de forma transparente os valores efetivamente recebidos pelo negócio. Com efeito, em sua peça recursal afirma categoricamente, e sem nenhum constrangimento, que não houve qualquer movimentação financeira com respeito à operação (fls. 70). No entanto, o instrumento particular de cessão de direitos contém cláusula de quitação, na data de assinatura, de R$ 153.000,00 referente à parte do sinal e princípio de pagamento. A título de sinal da transação foi acordado o pagamento de R$ 250.000,00 (fls. 19/20). A própria esposa do autuado declarou à autoridade fazendária que emprestou suas contas bancárias para recebimento de valores pelo seu marido, relativamente à venda de imóveis, cujo montante foi informado na quadro de bens e direitos da sua declaração de rendimentos do anocalendário de 2007. Quanto ao imóvel "Residencial Floresta", confirmou a circulação pela sua conta bancária naquele ano da importância de R$ 276.000,00, pertencente ao cônjuge (fls. 09/14 e 16/18). Caberia ao interessado demonstrar quais valores das parcelas da alienação a prazo não foram efetivamente recebidos, e não simplesmente alegar que não obteve qualquer disponibilidade financeira, o que é facilmente desmentido pelos elementos de prova que instruem os autos. Apesar de intimado, o autuado não prestou à fiscalização quaisquer esclarecimentos na fase investigatória sobre os valores recebidos. Na mesma linha adotada pela decisão de piso, o ônus da prova incumbe ao contribuinte no que tange à demonstração da existência de fato impeditivo, modificativo ou extinto da obrigação tributária. 4 Em síntese, o recorrente não se desincumbiu do ônus probatório, portanto não merece reforma a decisão de primeira instância. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess 4 Art. 373, do Código de Processo Civil, veiculado pela Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.900226/2006-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.546, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 22 6/ 20 06 -3 7 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13851.900226/200637 Resolução nº 1201000.546 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º trimestre de 2001. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13851.900226/200637 Resolução nº 1201000.546 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900226/200637 Resolução nº 1201000.546 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13851.900226/200637 Resolução nº 1201000.546 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13851.900226/200637 Resolução nº 1201000.546 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13851.900226/200637 Resolução nº 1201000.546 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13851.900226/200637 Resolução nº 1201000.546 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (CSLL), Período de Apuração 31/12/2000, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.720209/2017-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Data do fato gerador: 31/05/2014, 30/06/2014
Ementa:
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
COMPENSAÇÃO FRAUDULENTA. CRÉDITO ILEGAL. MULTA QUALIFICADA.
Verificado que houve sonegação, informando que as receitas seriam imunes para impedir o conhecimento do fato gerador, além de conluio com a empresa detentora dos títulos da dívida pública ao persistir na compensação com estes créditos sabidamente inexistes, é cabível a qualificação da multa de ofício.
COMPENSAÇÃO. SIMPLES NACIONAL. RESTRIÇÃO.
A legislação do SIMPLES Nacional restringe a compensação de seus débitos com créditos também do SIMPLES Nacional.
DECORRÊNCIAS. CSLL. PIS. COFINS Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2014, 30/06/2014
DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento têm jurisdição nacional, independente da jurisdição do domicilio fiscal do contribuinte, o que afasta a nulidade da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 1302-003.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Data do fato gerador: 31/05/2014, 30/06/2014 Ementa: LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. COMPENSAÇÃO FRAUDULENTA. CRÉDITO ILEGAL. MULTA QUALIFICADA. Verificado que houve sonegação, informando que as receitas seriam imunes para impedir o conhecimento do fato gerador, além de conluio com a empresa detentora dos títulos da dívida pública ao persistir na compensação com estes créditos sabidamente inexistes, é cabível a qualificação da multa de ofício. COMPENSAÇÃO. SIMPLES NACIONAL. RESTRIÇÃO. A legislação do SIMPLES Nacional restringe a compensação de seus débitos com créditos também do SIMPLES Nacional. DECORRÊNCIAS. CSLL. PIS. COFINS Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2014, 30/06/2014 DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento têm jurisdição nacional, independente da jurisdição do domicilio fiscal do contribuinte, o que afasta a nulidade da decisão de primeira instância.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente CONSTRUSUL CONSTRUTORA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 31/05/2014, 30/06/2014 Ementa: LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. COMPENSAÇÃO FRAUDULENTA. CRÉDITO ILEGAL. MULTA QUALIFICADA. Verificado que houve sonegação, informando que as receitas seriam imunes para impedir o conhecimento do fato gerador, além de conluio com a empresa detentora dos títulos da dívida pública ao persistir na compensação com estes créditos sabidamente inexistes, é cabível a qualificação da multa de ofício. COMPENSAÇÃO. SIMPLES NACIONAL. RESTRIÇÃO. A legislação do SIMPLES Nacional restringe a compensação de seus débitos com créditos também do SIMPLES Nacional. DECORRÊNCIAS. CSLL. PIS. COFINS Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2014, 30/06/2014 DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento têm jurisdição nacional, independente da jurisdição do domicilio fiscal do contribuinte, o que afasta a nulidade da decisão de primeira instância. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 02 09 /2 01 7- 33 Fl. 567DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o processo de auto de infração para cobrança dos seguintes tributos, relativos ao Simples Nacional, dos meses de maio e junho de 2014, com multa de ofício qualificada e juros de mora: Tributo Valor R$ IRPJ R$ 23.604,43 CSLL R$ 12.388,37 PIS R$ 14.216,98 COFINS R$ 2.672,28 O presente lançamento decorre da constatação de compensação de débitos com suposto crédito oriundo de títulos da dívida pública junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), com amparo na Lei nº 10.179/2001. O início da ação fiscal se deu em 18/03/2016, quando a autuada teve ciência do Termo de Início de Fiscalização. No Termo de Verificação Fiscal constam os seguintes fatos: => a autuada, optante pelo Simples Nacional, apresentou PGDAS retificadoras, relativas ao período de 05 a 11/2014, indicando imunidade tributária das receitas auferidas como motivação para o não recolhimento dos valores devidos. => no anocalendário de 2015, apresentou DCTF com apuração pelo Lucro Presumido, não declarando/recolhendo IRPJ e CSLL. => em 23/04/2015, a RFB enviou ao contribuinte, por meio da Caixa Postal de seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), mensagem sob o título de Indício de Fraude: Quitação de Tributos com créditos fictos provenientes de operações no SIAFI, pela qual informou que: Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10783.720209/201733 Acórdão n.º 1302003.429 S1C3T2 Fl. 568 3 1). A STN encaminhou à RFB informação acerca de seu requerimento de quitação de tributos federais com a utilização de créditos decorrentes de títulos públicos; 2) Que os aludidos títulos não se prestam à quitação de tributos e que essa tentativa constitui fraude; 3) Informa ainda que a empresa negociadora dos referidos títulos orienta não declarar os débitos no PGDASND, por conseguinte, orienta o contribuinte a não seguir tais orientações emanadas pela empresa negociadora, o que poderá sujeitar o contribuinte às penalidades da lei tributária e penal. => constatouse que a referida mensagem eletrônica foi lida pelo contribuinte em 27/04/2015. =>intimada por meio de Carta Circular de 23/11/2015, a autuada esclareceu que a quitação destes tributos se deu por compensação com créditos financeiros relativos a Título da Dívida Pública Externa, adquiridos da APPEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA LTDA, em procedimento administrativo junto à Secretaria do Tesouro Nacional. Anexou cópia de documentos de lavra da APPEX, por meio dos quais autoriza a STN a resgatar os aludidos créditos financeiros e a quitação dos débitos tributários da autuada. Anexou, ainda, Termo de Solicitação de Juntada dos referidos documentos ao PAF nº 13811.726457/201297. => a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), por meio de Ofício nº 150/2016/CODIV/SUDIP/STN/MFDF, de 28/06/2016, informou que a APPEX e a ALPHA ONE se diziam detentoras de títulos públicos emitidos no início do século passado, em libras esterlinas, apresentando laudos periciais não reconhecidos pelo órgão, e cujos pleitos têm sido indeferidos por falta de amparo legal. => na resposta da STN consta ainda que: Uma avaliação conjunta da STN e da Receita Federal do Brasil concluiu que a APPEX e a ALPHA ONE, através de seus requerimentos, vem tentando praticar fraude tributária, ao vende ilusão a inúmeras empresas, fazendoas crer ser possível o pagamento de tributos federais mediante a utilização dos referidos títulos. Tanto a STN quanto as Delegacias Regionais da RFB tem sido procuradas pelas inúmeras empresas que acreditam nas facilidades oferecidas pela APPEX e pagaram pelo serviço oportunidade em que são informadas da impossibilidade de quitação dos tributos com uso do título detido pela APPEX e ALPHA ONE. A Receita Federal do Brasil está avaliando a forma de mover ação contra as referidas empresas, por tentativa de fraude tributária. => a inserção de informações falsas no PGDASD, indicando imunidade e impedindo o conhecimento pela autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador, constituise em artifício fraudulento com o objetivo de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo e que a alegação de ausência de campo próprio para indicar determinada operação de quitação de tributos não pode referendar a inclusão de informação falsa no PGDASD, documento hábil e idôneo para a apuração e constituição do crédito tributário, conforme estabelecido no inciso I, do § 9º, do art. 2º, da Lei Complementar nº 123, de 2006, com alterações posteriores. = > além disso, a Lei Complementar nº 123/2006, em seu artigo 21, § 9º, estabelece de forma definitiva que é vedado o aproveitamento de créditos não apurados pelo Fl. 569DF CARF MF 4 Simples Nacional, inclusive de natureza não tributária, para extinção de débitos do Simples Nacional. => o lançamento é apenas dos meses de 05 e 06/2014, com tributação na forma do SIMPLES Nacional, em encerramento parcial de procedimento fiscal, com o objetivo de dar cumprimento ao disposto nos §§1º e 2º, do art. 29, da Lei Complementar 123/2006, que tratam da produção de efeitos da exclusão e do prazo de impedimento para a nova opção pelo SIMPLES Nacional pela pessoa jurídica excluída. => os motivos da qualificação da multa de ofício seria a sonegação, com a redução dos tributos por meio de retificação de declaração com informações inverídicas, além de conluio com a empresa APPEX, definidos nos artigos 71 e 73 da Lei nº 4.502/64, respectivamente. Em sessão do dia 23 de fevereiro de 2018, a 2ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a impugnação, lavrando o Acórdão nº 0378.893, com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2014 LANÇAMENTO. INADIMPLEMENTO. COMPETÊNCIA. A competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações principais e acessórias relativas ao Simples Nacional e para verificar a ocorrência das hipóteses previstas no art. 29 desta Lei Complementar é da Secretaria da Receita Federal (SRF) e das Secretarias de Fazenda ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento, e, tratandose de prestação de serviços incluídos na competência tributária municipal, a competência será também do respectivo Município. No presente caso, a fiscalização da SRF verificou a inadimplência no recolhimento dos tributos e lavrou o lançamento por descumprimento de obrigação tributária principal, conforme determina a legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2014 ANÁLISE SOBRE CONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2014 MULTA. QUALIFICAÇÃO. No lançamentos de ofício será aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10783.720209/201733 Acórdão n.º 1302003.429 S1C3T2 Fl. 569 5 contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, devendo este percentual ser duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. No presente caso, a fiscalização demonstrou, cabalmente, a ocorrência das previsões legais da Lei 4.502,1964, sendo, portanto, correta a qualificação da multa. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 23/04/2018, conforme AR de fls. 536. Em 22/05/2018, o recurso voluntário foi apresentado com as seguintes alegações: Da incompetência territorial e material da DRJ de Brasília para o julgamento é arbitrário o julgamento da impugnação em jurisdição diversa a que pertence o domicílio fiscal da recorrente, sendo o correto o julgamento pela DRJ/Rio de Janeiro, motivo pelo qual requer a nulidade do julgamento da DRJ/Brasília. Do mérito contesta o lançamento afirmando não foram realizadas compensações indevidas, e que os valores devidos do Simples Nacional foram declarados no PGDAS, e lançados no campo "imunidade" por não existir opção de informar o pagamento por meio de resgate de Títulos da Dívida Pública Externa, junto a STN, conforme Portaria 913/2002. não houve supressão de tributos e sequer dolo, tendo em vista ter protocolado na Receita Federal do Brasil os mesmos documentos apresentados na STN, nos autos do processo administrativo nº 13811.726457/201297, confessando seus débitos. quando intimada, optou que sua apuração fosse com base no lucro presumido pelo regime de caixa, mas o lançamento, por mera liberalidade do auditor fiscal, foi o presumido sob o regime de competência. o auditor fiscal esclareceu de forma genérica, ferindo o direito a ampla defesa e devido processo legal. não cabe a multa arbitrada, pois não houve comprovação do dolo e fraude. todos os valores devidos estão declarados nos livros contábeis e fiscais, e que não havia outra forma de lançar seus débitos senão no campo imunidade, pois a ferramenta digital não permite que seja de outra forma. não houve qualquer mentira ou ardil nos dados apresentados ao Fisco que concretizasse o intuito fraudulento para aplicação da multa isolada no patamar de 150% [cento e cinquenta por cento] e a responsabilização solidária dos sócios. Fl. 571DF CARF MF 6 caberia tão somente a multa por prestar informações com incorreções ou omissões, nos termos do artigo 38A da Lei Complementar nº 123/2006. caberia ao Fisco não homologar as PGDAS retificadoras, tornado com efeito as declarações originais, com envio de Carta Cobrança. caso não extinto, requer que seja reduzida a multa para o percentual previsto no artigo 38A da LC nº 123/2006. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. O presente lançamento decorre da constatação de compensação de débitos com suposto crédito oriundo de títulos da dívida pública junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), com amparo na Lei nº 10.179/2001. Analisando os fatos narrados pelo auditor fiscal, entendo ser importante trazer aos autos que recentemente noticiouse operação conjunta da Procuradoria da Fazenda Nacional, Receita Federal e Polícia Federal, denominada Operação Fake Money, com o objetivo de identificar as pessoas envolvidas com este procedimento de compensação de tributos federais com créditos desta natureza, tratados como fraude pela STN. Em que pese este lançamento, cuja ação fiscal se iniciou em 18/03/2016, não estar diretamente vinculada a Operação Fake Money, de acordo com informativo publicado no site da Receita Federal em 28/09/2018, esta fraude vem sendo perpetrada desde 2012, e basicamente tem o seguinte esquema, que retrata bem os fatos narrados pelo auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal: Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10783.720209/201733 Acórdão n.º 1302003.429 S1C3T2 Fl. 570 7 Consta no site que diversas ações já foram realizadas para combater esta fraude, incluindo o lançamento da cartilha "Prevenção à Fraude Tributária com Títulos Públicos Antigos" no anocalendário de 2012. Desde então, outras ações vêm sendo tomadas para evitar esta fraude. Informa, ainda, que já teria identificado os usuários deste esquema (compradores dos tais créditos podres) e alerta que aqueles que não regularizarem espontaneamente a situação perante o Fisco serão objeto de ação fiscal ou auditoria interna. E, uma vez iniciado o procedimento fiscal, ocorrerá a perda da espontaneidade, e o sujeito passivo deverá arcar, além do valor principal devido, multa de ofício que poderá chegar a 225% do tributo. Inclusive, a recorrente foi um dos contribuintes que, na posição de compradora destes créditos, foi avisada deste procedimento ilegal. Consta no Termo de Verificação Fiscal que a recorrente teve ciência, em 27/04/2015 (antes do início do procedimento fiscal), de mensagem alertando desta fraude que vinha sendo perpetrada pela empresa APPEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA LTDA. Feita esta contextualização, passo a julgar. Em preliminar, requer a nulidade da decisão de primeira instância, alegando que a DRJ/Brasília não tem competência para julgar a impugnação, e que o correto seria a DBJ/Rio de Janeiro, conforme disciplina a Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013, que foi alterada pela Portaria RFB nº 403, de 12 de março de 2015. A alegação de incompetência da DRJ/Brasília não merece prosperar, pois o artigo 277 da Portaria RFB nº 430, de 09 de outubro de 2017, que aprova o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, estabelece que todas as Delegacias da Receita Federal do Brasil Fl. 573DF CARF MF 8 de Julgamento têm jurisdição nacional, ou seja, independe da jurisdição do domicilio fiscal do contribuinte. A título de esclarecimento, as portarias citadas na defesa já estavam revogadas à época da apresentação do recurso voluntário, e tratam somente da competência por matéria das DRJ. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Ao final de seu recurso, a recorrente requer a nulidade do lançamento, como medida de justiça, mas sem apontar qualquer outro motivo. Ocorre que um auto de infração será considerado nulo se os procedimentos não estiverem dentro do previsto no artigo 142 do CTN, bem como no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72. No presente caso, compulsando os autos, verificase que todos os requisitos estão atendidos, pois houve a verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo e aplicação da penalidade cabível. Por todo acima exposto, deixo de acolher a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, afirma que as compensações não foram indevidas, que informou que as receitas seriam imunes pela ausência de campo específico para esta informação no PGDAS. Aduz, ainda, que teria informado estas compensações no processo administrativo nº 13811.726457/201297, confessando seus débitos. A defesa não se sustenta diante dos fatos apontados no Termo de Verificação Fiscal. Em 27/04/2015, a recorrente teve ciência que a compensação com créditos de títulos da dívida pública, nos termos propostos pela APPEX, tratavase de fraude. A partir de desta data, a recorrente teve oportunidade de regularizar sua situação, mas não o fez. Pelo contrário. Insiste, ainda no recurso voluntário, nesta tese de que as compensações são permitidas conforme Portaria RFB nº 913/2002, em que pese o indeferimento pela Secretaria do Tesouro Nacional. E, com relação à citada Portaria, a título de esclarecimento, ela trata de arrecadação de receitas federais por parte da Secretaria do Tesouro Nacional. Mas, como dito, foi a própria STN que indeferiu as compensações, e considerou que se tratava de fraude. Mas não é só. As compensações também contrariam a legislação tributária do Simples Nacional. O § 9º do artigo 21 da Lei Complementar 123/2006 veda o aproveitamento de créditos não apurados no Simples Nacional, inclusive de natureza não tributária, para extinção do Simples Nacional. Não há exceção para esta vedação. Com relação ao processo administrativo nº 13811.726457/201297, em pesquisa aos sistemas da Receita Federal do Brasil, verificase que ele foi protocolizado pela APPEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA LTDA, cujo assunto seria "reconhecimento de direito de crédito". Atualmente se encontra no CARF para julgamento de Recurso Voluntário. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10783.720209/201733 Acórdão n.º 1302003.429 S1C3T2 Fl. 571 9 Nestes termos, é importante esclarecer que este processo administrativo não possui o condão de confessar créditos tributários, como afirma a recorrente. As declarações apresentadas pelos contribuintes que comportam a confissão de créditos tributários, considerando a atual legislação tributária, e para aqueles que optaram pelo Simples Nacional, seria a PGDAS e, por ventura, Declaração de Compensação. Pelo exposto, já que os débitos não foram confessados, e muito menos extintos por compensação, correto o procedimento da autoridade fiscal em lançar para constituição dos créditos tributários. A recorrente ainda traz alegações acerca da opção pelo lucro presumido, fato que não está relacionado a este lançamento, que se refere aos meses de maio e junho de 2014, constituindo os créditos tributários pelo Simples Nacional. Ainda na sua defesa, a recorrente alega que caberia ao Fisco não homologar as PGDAS retificadoras, tornando com efeito as declarações originais, e aplicar a multa prevista no artigo 38A da Lei Complementar nº 123/2006. Não assiste razão à recorrente, pois não compete à Administração homologar ou não as retificações do PGDAS. A Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, vigente à época das retificações, em seu artigo 37, § 1º, dispõe que a retificação das informações prestadas no PGDASD terá a mesma natureza da declaração originalmente apresentada, substituindoa integralmente, sem necessidade de anuência administrativa. Quanto à aplicação da multa prevista no artigo 38A da Lei nº 123/2006, transcrevo o trecho da decisão recorrida, cujos fundamentos eu concordo e adoto no meu voto: Inicialmente, a Impugnante alega que a multa que deveria ser aplicada é a expressa no artigo 38A da Lei Complementar 123/2006. Art. 38A. O sujeito passivo que deixar de prestar as informações no sistema eletrônico de cálculo de que trata Fl. 575DF CARF MF 10 o § 15 do art. 18, no prazo previsto no § 15A do mesmo artigo, ou que as prestar com incorreções ou omissões, será intimado a fazêlo, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela autoridade fiscal, na forma definida pelo CGSN, e sujeitarseá às seguintes multas, para cada mês de referência: Informamos à Impugnante que há equívoco em seu pleito. O dispositivo citado acima trata de prestação de informações (ausência, incorreção, etc), descumprimento de obrigação tributária acessória. No presente processo estamos tratando de exigência de obrigação tributária principal, ausência de pagamento. Como foi necessário o lançamento para constituição dos créditos tributários, a multa a ser aplicada tem o percentual de 75%, e que foi qualificada para 150%. Com relação à multa de ofício qualificada, a recorrente alega que não houve comprovação do dolo e fraude, já que todos os valores estão declarados nos livros contábeis e fiscais, sendo incabível o percentual de 150% e responsabilização solidária dos sócios. Alega que caberia ao Fisco não aceitar as PGDAS retificadoras, e aplicar a multa prevista no artigo 38A da LC nº 123/2006. Antes de mais nada, não houve imputação de responsabilidade solidária aos sócios no presente lançamento. A multa qualificada de ofício tem como fundamento legal o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) Já os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 tipificam o que seria sonegação, fraude e conluio: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10783.720209/201733 Acórdão n.º 1302003.429 S1C3T2 Fl. 572 11 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Diante dos fatos narrados nos autos, a alegação de não haveria comprovação do dolo e fraude não se sustenta. Transcrevo, a seguir, trecho do TVF que motiva a aplicação da multa de ofício qualificada: Os fatos apurados firmaram convicção da fiscalização quanto à intenção do fiscalizado de usar meios defesos em lei, mediante prestação de declaração falsa às autoridades fazendárias e inserção de elementos inexatos em documentos públicos (PGDASD), bem como pela tentativa de manter fora do conhecimento do Fisco a verdadeira natureza tributária das receitas auferidas em diversos períodos de apuração do SIMPLES NACIONAL (com a indicação de falsa IMUNIDADE TRIBUTÁRIA), para eximirse, total ou parcialmente, do pagamento dos tributos devidos. Tais ações inseremse no contexto de fraude à fiscalização tributária, configurando o dolo necessário para a qualificação da multa de ofício. Fato é que o contribuinte procedeu à redução dos valores dos tributos devidos declarados nas Declarações do SIMPLES NACIONAL, por meio de declarações retificadoras, inserindo informação que sabia ser inverídica (IMUNIDADE TRIBUTÁRIA), com único objetivo de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo devido. Além disso, os fatos narrados se subsumem à figura do conluio descrita no art. 73 da Lei nº 4.502, de 1964, posto o ajuste doloso perpetrado entre as pessoas jurídicas da ora fiscalizada e da APPEX, visando à fraude supra descrita. Não há reparo no lançamento quanto à qualificação da multa de ofício. A conduta da recorrente claramente demonstra o intuito doloso. A inércia em regularizar sua situação fiscal, ainda que ciente da impossibilidade de compensar os débitos com crédito sabidamente inexistente, por meio do comunicado que tomou conhecimento em 27/04/2015, demonstra o intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador (sonegação). Adicionese o fato de que o esquema só foi possível uma vez que a recorrente atuou como cessionária destes créditos, retificou as declarações conforme foi orientada pela cedente, o que demonstra a conivência e conluio com a empresa APPEX, que, sozinha, não conseguiria executar este procedimento. Fl. 577DF CARF MF 12 É preciso ressaltar que a fraude utilizando supostos créditos de títulos da dívida pública já era caso amplamente noticiado, desde 2012, com publicação de cartilha com orientações aos contribuintes. A despeito dos esforços das autoridades em evitar que este procedimento se perpetrasse, com a emissão da citada cartilha e aviso direto aos envolvidos, vários contribuintes, incluindo a recorrente, em sintonia com a APPEX, mantinham com o esquema fraudulento. Logo, concluo que deve ser mantida a multa de oficio qualificada. CONCLUSÃO Por tudo acima exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 578DF CARF MF
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