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Numero do processo: 10680.938472/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente e Relator
documento assinado digitalmente
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães (Relator) e Paulo Jakson da Silva Lucas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator “documento assinado digitalmente” Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 38 47 2/ 20 09 -2 5 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 217 2 Relatório Cuida o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, em que o crédito apontado para o referido encontro de contas está representado por suposto PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO de antecipação obrigatória (estimativa) de IRPJ relativa ao mês de MARÇO de 2005. A unidade administrativa que primeiro analisou o pedido da contribuinte (Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte), o indeferiu por entender que, tratandose de pagamento a título de estimativa mensal, o recolhimento somente pode ser utilizado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração, ou, se fosse o caso, para compor o saldo negativo. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte sustentou: que apurou o IRPJEstimativa Mensal no mês de março/2005 no montante de R$ 15.069.869,81, informou o valor apurado em DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente, mas, posteriormente, constatou erro na apuração do referido valor "apurando prejuízo fiscal na nova estimativa de 1RPJ"; que a DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados como devidos estão em conformidade com as informações prestadas em DIPJ; que "o entendimento da autoridade fiscal destoa do entendimento do Conselho de Contribuintes sobre o assunto, não atendendo aos ditames da Lei n° 9.430, de 1996"; que "não há qualquer impedimento legal à compensação pleiteada". que a única restrição existente estaria prevista no art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, mas que a Instrução Normativa n° 900, de 2008, que a revogou, também revogou "a hipótese de vedação à compensação dentro do próprio ano, o que demonstra uma mudança de entendimento dentro da própria RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação". A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, Minas Gerais, apreciando as razões trazidas pela requerente, decidiu, por meio do acórdão nº 0226.052, de 17 de março de 2010, pela improcedência da manifestação. O referido julgado restou assim ementado: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, passíveis de restituição ou ressarcimento, respeitadas as demais regas determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA As estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei não se caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A opção pelo pagamento mensal por estimativa difere para o Fl. 218DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 218 3 ajuste anual a apuração do possível indébito, quando ocorre a efetiva apuração do imposto devido. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 77/80, em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, adita que a decisão de primeira instância é nula, haja vista a ocorrência de erro na indicação do fato gerador e do valor do crédito indicado para compensação; e que em sua manifestação de inconformidade não protestou pela nulidade do despacho decisório emitido pela Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte. Ao final, reitera o pedido para que seja preservado o seu direito à restituição, caso a decisão de não homologar a compensação pleiteada seja mantida. Consta dos autos, ainda, petição, por meio da qual a contribuinte, alegando que a matéria aqui tratada já está pacificada no âmbito deste Colegiado e suscitando a "antiguidade do caso", solicitou a distribuição do seu recurso e a inclusão do processo em pauta de julgamento. É o Relatório. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 219 4 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator Designado O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Durante a discussão na sessão de julgamento, em que pese o robusto e fundamentado voto do D. relator, que propugnava o não provimento do recurso, a maioria do colegiado concluiu pela necessidade conversão do julgamento em diligência, com vistas à oportunizar à recorrente a apresentação de elementos que possam comprovar, efetivamente, a ocorrência do erro de fato na apuração da base de cálculo das estimativas recolhidas, que deram ensejo ao presente pedido de restituição/compensação. Tendo sido designado para redigir o voto vencedor, passo a expor os fatos e fundamentos que levaram o colegiado a concluir pela necessidade da realização das diligências.. O ilustre relator, Conselheiro Wilson Guimarães, apresentou em seu voto (vencido) uma breve contextualização da querela, da qual me valho por bem retratar a discussão que levou o colegiado a decidir converter o julgamento em diligências, verbis: Trata o presente processo de DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO, em que o crédito apontado para o referido encontro de contas está representado por suposto PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO de antecipação obrigatória (estimativa) de IRPJ relativa ao mês de MARÇO de 2005. O indeferimento do pleito está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (ESTIMATIVA), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude do entendimento nas instâncias precedentes de que o aproveitamento de antecipações obrigatórias só pode ser feito na apuração final do resultado fiscal, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, PAGAMENTO A MAIOR ou INDEVIDO. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na RECEITA BRUTA. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento reste caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na RECEITA BRUTA ou com suporte em BALANÇOS OU BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a ESTIMATIVA era devida. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 220 5 Obviamente, se o contribuinte recolhe a ESTIMATIVA com base na RECEITA BRUTA e, em momento posterior, levanta um BALANÇO DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO que aponta para PREJUÍZO FISCAL no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. No caso, o contribuinte simplesmente deixou de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de BALANÇO DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO). No caso vertente, embora a decisão de primeira instância assinale que "o contribuinte apurou o IR a antecipar, a titulo de "estimativa mensal" através do levantamento de balanços/balancetes de suspensão/redução", tendo encontrado "no mês de março/2005 um IRPJ a pagar no valor de R$ 15.069.869,81", não identifico nos autos elementos capazes de confirmar a assertiva, isto é, não encontramse reunidos ao processo elementos capazes de indicar que o pagamento de R$ 15.069.869,81 foi efetuado com base em balanço de suspensão ou redução. Inclusive, o registro feito na referida decisão no sentido de que a regra geral na determinação da estimativa é a aplicação de percentual sobre a receita bruta e de que a apuração com base em balanços/balancetes de suspensão deve ser efetuada até a data do vencimento da obrigação, conduz à conclusão de que efetivamente não estamos diante de PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO QUE O DEVIDO, mas, sim, de reapuração de estimativa, promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. O fato de a DCTF retificadora ter sido transmitida em 15/09/2006, isto é, um ano e seis meses após o suposto erro, a meu ver, confirma que a intenção da Recorrente foi, por meio de uma nova apuração, servindose desta vez de balanços/balancetes de suspensão ou redução, fazer emergir um resultado negativo que lhe possibilitaria beneficiarse de juros desde a data do recolhimento da estimativa devida. A Recorrente alega que "constatou erro na apuração da base de cálculo do imposto de renda, com base no balancete de suspensão e redução", contudo, não comprova tal erro, circunstância essencial à demonstração da ocorrência de pagamento indevido ou a maior do que o devido. Não custa repisar que, tratandose de recolhimento efetuado com base nas formas previstas na legislação de regência (receita bruta ou balanço/balancetes), descabe falar em pagamento indevido ou a maior do que o devido. Afasto a arguição de nulidade da decisão de primeira instância trazida pela Recorrente, vez que o fato de o citado ato decisório consignar informações equivocadas a respeito do período de apuração e do montante do crédito indicado para compensação, não resultou em prejuízo de qualquer natureza ao exercício do direito de defesa, única circunstância que poderia dar azo à nulidade pretendida. Irrelevante, de igual forma, o fato de a decisão de primeiro grau tecer considerações acerca de matéria não ventilada na Manifestação de Inconformidade (nulidade do despacho decisório). É importante frisar que, aqui, o questionamento está direcionado para a convicção acerca da ocorrência de PAGAMENTO INDEVIDO ou A MAIOR DO QUE O DEVIDO, sendo certo que, se fosse esse o caso (pagamento indevido ou a maior), a solução da controvérsia darseia, no âmbito desta instância julgadora, por meio da aplicação da súmula CARF nº 84, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Entretanto, ainda que superada a questão da possibilidade de a Recorrente repetir indébito de estimativa dentro do próprio período de apuração, no presente caso, os Fl. 221DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 221 6 elementos reunidos ao processo apontam para inocorrência de pagamento indevido ou maior do que o devido, mas, sim, para recálculo do valor da obrigação com base em mudança da sistemática para a sua determinação. Nessa circunstância, isto é, em que não se comprova que o pagamento foi efetuado indevidamente ou a maior do efetivamente era devido, a conclusão esposada na decisão recorrida revelase irretocável, vez que o aproveitamento das antecipações obrigatórias, nos termos da legislação aplicável, só pode ser realizado ao final do respectivo período de apuração. Como bem retratado pelo D. relator, as instâncias administrativas precedentes haviam rejeitado a homologação da compensação pleiteada sob o fundamento de que a legislação somente admitia a compensação de estimativas ao final do período de apuração (compondo eventual saldo negativo). As decisões proferidas, portanto, não examinaram o mérito da existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Embora tenha superado a questão preliminar quanto à possibilidade de compensação de indébito de estimativas, em seu voto, o D. relator destaca que: No caso vertente, embora a decisão de primeira instância assinale que "o contribuinte apurou o IR a antecipar, a titulo de "estimativa mensal" através do levantamento de balanços/balancetes de suspensão/redução", tendo encontrado "no mês de março/2005 um IRPJ a pagar no valor de R$ 15.069.869,81", não identifico nos autos elementos capazes de confirmar a assertiva, isto é, não encontramse reunidos ao processo elementos capazes de indicar que o pagamento de R$ 15.069.869,81 foi efetuado com base em balanço de suspensão ou redução. Inclusive, o registro feito na referida decisão no sentido de que a regra geral na determinação da estimativa é a aplicação de percentual sobre a receita bruta e de que a apuração com base em balanços/balancetes de suspensão deve ser efetuada até a data do vencimento da obrigação, conduz à conclusão de que efetivamente não estamos diante de PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DO QUE O DEVIDO, mas, sim, de reapuração de estimativa, promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Diante deste quadro fático, o d. relator entendeu inexistirem nos autos os necessários elementos de comprovação do erro de fato cometido que justificaria a restituição de indébito de estimativa e não de eventual saldo negativo ao final do período. Não obstante, a maioria do colegiado, divergindo do encaminhamento do voto do relator, considerou que, como a discussão original se restringira à possibilidade legal de reconhecimento de indébito de estimativas, sem examinar os fatos, seria razoável oportunizar à interessada a trazer novos elementos e esclarecimentos que possam demonstrar que tratase de erro de fato na apuração do imposto que resultou em pagamento indevido e não mera "reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares". Ante ao exposto, resolveu o colegiado, converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa da unidade de origem: a) junte aos autos cópia integral da DIPJ, original, do anocalendário 2005 apresentada pela recorrente; b) intime a recorrente a: Fl. 222DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 222 7 b.1) informar o método de apuração da estimativa mensal (Receita Bruta x Balanço de Suspensão/Redução) do mês de 03/2005, utilizado nos cálculos dos valores originalmente declarados e dos valores retificados; b.2) demonstrar e comprovar o erro de fato cometido na apuração do valor devido a título de estimativas no período de apuração 03/2005, com precisa indicação nos elementos documentais apresentados; b.3) apresentar outros elementos que entender cabíveis com vistas a comprovação do erro de fato alegado. A autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas deverá analisar os novos elementos apresentados e elaborar Relatório Fiscal conclusivo, do qual deve ser cientificada a recorrente para que, desejando, se manifeste a respeito, observandose o disposto no parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. É como voto. Sala de Sessões, em 18 de janeiro de 2016. "documento assinado digitalmente" Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator Designado Fl. 223DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10680.938472/200925 Resolução nº 1301000.299 S1C3T1 Fl. 223 8 Voto Vencedor Fl. 224DF CARF MF Impresso em 24/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /02/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/02/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10331.000020/2006-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Dec 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/01/2004
IPI. RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO POR MEIO DE DOCUMENTAÇÃO QUE ATENDA OS REQUISITOS DETERMINADOS NA LEGISLAÇÃO.
O reconhecimento do crédito presumido de IPI depende de o Contribuinte manter a comprovação do crédito por meio de escrita fiscal idônea e documentação revestida da forma determinada na legislação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Nanci Gama.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
José Fernandes do Nascimento - Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lovocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO POR MEIO DE DOCUMENTAÇÃO QUE ATENDA OS REQUISITOS DETERMINADOS NA LEGISLAÇÃO. O reconhecimento do crédito presumido de IPI depende de o Contribuinte manter a comprovação do crédito por meio de escrita fiscal idônea e documentação revestida da forma determinada na legislação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Nanci Gama. Ricardo Paulo Rosa Presidente José Fernandes do Nascimento Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lovocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Adoto em sua integralidade, o relatório elaborado pela D. Delegacia de origem, lavrado nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 33 1. 00 00 20 /2 00 6- 96 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 911 2 “Tratase de pedidos de ressarcimento referente aos períodos de 04/1995 a 01/2004, no montante de R$ 3.900.515,92, objeto do presente processo e dos de nº 10331.000052/200349, 10331.000062/200384, 10384.000049/200325, e 10384.003465/200611, ora apensados ao presente, além dos PER/DCOMP relacionados no item 2 da Informação Fiscal (fl. 507). O interessado obteve decisão judicial reconhecendo o direito ao crédito sobre as aquisições de insumos feitas junto a pessoas físicas. 2. A DRF/Teresina/PI, entendendo que a referida decisão judicial somente alcançou o período de 1995 a 1998 e que a partir de 1999 o cálculo efetuado deve seguir o procedimento normal, manifestouse no sentido de que os pedidos referentes ao período compreendido entre o 1º trimestre de 1999 e o 3º trimestre de 2002 já haviam sido apreciados e ressarcidos ou compensados através dos processos relacionados no item 8 da Informação Fiscal (fl. 508), considerando não homologadas todas as declarações de compensação vinculadas a esses créditos, relacionados no item 9 da Informação Fiscal (fl. 508). 3. Quanto aos PER/DCOMPs relacionados no item 10 (fls. 508/509), foi indicado o valor do crédito presumido referente ao período compreendido entre o 4º trimestre de 2002 até janeiro de 2004. Na folha 509 consta quadro resumo no tratamento dispensado a cada pedido/declaração e na fl. 510 Despacho Decisório do Chefe da Unidade. 4. Cientificada em 12.02.2008 (AR fl. 512) a interessada apresentou, tempestivamente, em 12.02.2008, manifestação de inconformidade (fls. 513/514) na qual alega que a lide foi apresentada para cobrir dois momentos: os fatos ocorridos em tempo passado, de 1995 a 1998, objeto depedido de liminar; e os fatos a ocorrer em tempo futuro, objeto do pedido de sentença. Dessa forma, a decisão está em pleno vigor, afastando por todo o tempo, a partir de 1995, as restrições aos insumos adquiridos de produtor rural, pelo que solicita a reforma da decisão administrativa. Anexa cópia do pedido, na inicial do processo judicial (fl. 515). 5. Verificando o teor do pedido judicial do contribuinte, considerado inicialmente improcedente, mas com recurso ao TRF provido, observouse que, de fato, o período de 1995 a 1998 foi objeto do pedido de liminar, apresentado no início do ano de 1999, com objetivo de ver recebidos seus Demonstrativos de Crédito Presumido. No pedido de sentença, a empresa solicita que sejam processados seus DCP “A PARTIR DE 1995, SEM RESTRIÇÕES AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PRODUTOS RURAL”. 6. Além do mais, na decisão da Apelação pelo TRF/1ª, para a qual foi negado recurso no STJ, o voto da relatora (vencedor por maioria) concluiu que “a IN (SRF) n. 23/97 foi editada em frontal confronto com o art. 100, I, do CTN, o qual estatui que os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas são Fl. 911DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 912 3 normas complementares da lei tributária, não podendo, em linha de conseqüência, extrapolaram os limites daquela”. Ora, tendo considerado ilegal o ato normativo em vigor até hoje, não havia como concluir no sentido de que essa decisão alcançaria somente o período do pedido de liminar, motivo pelo qual a 3ª Turma votou pela necessidade de diligência (fl. 572/574) para adoção das seguintes providências: “a) Encaminhar esse autos à Delegacia Teresina/PI, para: a.1) refazer os cálculos do crédito presumido objeto da Informação e do Despacho Decisório de fls. 507/510, utilizando nos referidos cálculos os insumos adquiridos de produtores rurais para todo o período em cumprimento à decisão judicial que reconheceu esse direito;” 7. Em cumprimento à diligência requerida, a Unidade expediu o despacho de fl. 578, onde informa haver cumprido a solicitação, nos termos das planilhas de fls. 575/576, sendo reconhecido direito ao ressarcimento no valor de R$ 538.918,60. Quanto às declarações de compensação, foi homologada a objeto do processo nº 10331.000049/200325, sendo mantidas as não homologações das demais. 8. Cientificada do resultado da diligência em 18.12.2008, a empresa manifestase em 14.01.2009 (fls. 582/584), não tratando do cálculo apresentado pela Unidade, objeto da diligência, mas solicitando que sejam levadas em conta as notas fiscais de fls. 246/247, desconsideradas pela fiscalização por não estarem revestidas das formalidades legais requeridas pela legislação, nos termos do art. 322, I e IV do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do IPI (Ripi/2002). 9. Entende a empresa que o referido artigo não cuida da matéria “Nota Fiscal de Entrada” de produtos in natura, não tributados pelo IPI, e, portanto, não alcançados pela legislação do imposto. Explica que a emissão extemporânea das notas foi orientada verbalmente pela Secretaria de Fazenda do Piauí pelas razões de fls. 242/245.” Por fim, o acórdão recorrido restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de Apuração: 01/04/1995 a 31/01/2004 CRÉDITO. O direito ao ressarcimento do crédito em questão vinculase a que o titular da pretensão tenha mantido escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, bem como exiba documentação que dê suporte a sua escrita. Solicitação Deferida em Parte” Fl. 912DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 913 4 Assim, o voto condutor do acórdão de origem entendeu pelo reconhecimento, em parte, do crédito pleiteado, razão pela qual o Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário em julgamento, alegando, em síntese: (i) que em razão de sua atividade de industrialização e exportação de cera de carnaúba, adquire sua matériaprima, em sua maioria, de produtores rurais pessoas físicas; (ii) que necessitou ajuizar ação judicial, já transitada em julgado, para afastar a IN/SRF nº 23/97, que vedava o crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº. 9.363/96, quando a aquisição da matériaprima é feita de pessoa física; (iii) que ao solicitar o crédito em razão do trânsito em julgado da ação judicial, a Fiscalização não poderia ter vedado o crédito das Notas Fiscais de fls. 246/247, sob o argumento de tais notas não estarem revestidas das formalidades previstas nos incisos I e V do art. 322 do RIPI; (iv) que além de o art. 322 do RIPI não tratar de Notas Fiscais de entrada, o regulamento do IPI não teria “abrangência” sobre a circulação de bens “in natura”, atividade que é regulada pela Secretaria de Fazenda Estadual; (v) que o CARF deveria ser “tolerante” com as caraterísticas “fisco empresariais” de atividades regionais típicas, pois a aquisição do pó de cera de carnaúba (matériaprima) se dá de pessoas “rústicas”, que nunca assinaram um cheque ou uma ordem bancária. Esse foi, na íntegra, o relatório lido na Sessão de julgamento e apresentado pela Relatora originária à Secretaria da Primeira Câmara desta Terceira Seção de Julgamento. Em 6/11/2015, por meio do despacho de fl. 909, com respaldo no art. 17, III, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, este Conselheiro foi designado redator ad hoc, para formalizar o Acórdão nº 3102002.339, de 27 de janeiro de 2015, proferido pela extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento, uma vez que a Relatora originária, a ExConselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, apresentou o voto à Secretaria da Câmara, porém, por não mais integrar nenhum dos Colegiados deste Conselho, ficou impossibilitada de formalizálo. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator ad hoc Previamente, cabe esclarecer que a Relatora original disponibilizou à secretaria da Primeira Câmara desta Terceira Seção de Julgamento o relatório e a ementa anteriormente transcritos, bem como o voto que será integralmente reproduzido a seguir. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato de Conselheira, ficou impossibilitada de concluir a formalização do acórdão. Por essas razões, adotase integralmente o voto da Relatora original, vazado nos seguintes termos: Fl. 913DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 914 5 Conforme visto, cingese a controvérsia travada nos autos em definir se as Notas Fiscais elaboradas extemporaneamente pela Recorrente, conforme afirmado por ela mesma, “após ser orientada verbalmente” por servidor da Secretaria de Fazenda Estadual, podem ser utilizadas para a apuração do crédito presumido do IPI, a que faz jus em razão de ação própria transitada em julgado, como reconhece a própria Fiscalização e a Delegacia de origem. A saber, narram os autos que em 20/01/2006 a empresa recorrente apresentou petição requerendo o ressarcimento do crédito pleiteado, em razão do trânsito em julgado de ação própria, que afastou a vedação contida na IN 23/97, em relação ao crédito presumido de matériasprimas adquiridas de pessoas físicas. Juntamente com a petição de fl. 01 (fl. 03 dos autos eletrônicos), apresentou o andamento do processo judicial, dando conta do trânsito em julgado, cópia da decisão do STJ, bem como as guias de ressarcimento do IPI e documentação societária (fls. 04/48 do processo eletrônico). A relação dos pedidos de ressarcimento e das PER/DCOMP encontrase à fl. 13 do processo eletrônico. Foi iniciada então a Fiscalização, com o objetivo de apurar os créditos pleiteados (termo à fl. 63 do processo eletrônico), tendo sido elaboradas as planilhas de fls. 64/203 (autos eletrônicos) contendo a relação dos produtos adquiridos de pessoas físicas e jurídicas para o período do crédito pleiteado. Houve, igualmente, a juntada dos Balencetes Analíticos da Recorrente, onde constam vários nomes de pessoas físicas e jurídicas, a título de pagamento a fornecedores de matériaprima (fls. 204/242). Em 17/08/2006, houve nova intimação da Recorrente (fl. 242), para que justificasse, “por escrito, a emissão das Notas Fiscais de entrada, de Nº 2442 e 2543, de 08/02/2006, no valor de R$ 5.593.987,77 e 3.695.080,32, respectivamente, referentes a complementação de aquisição de matériaprima, no período 1995 a 2005.” Em 05/09/2006, a Recorrente apresentou a petição de fls. 243/247, afirmando que, em razão da sua atividade, havia divergências entre seu estoque fiscal e contábil, “visto que o contábil reflete a realidade das compras após a pesagem e análise das mercadorias, e o estoque fiscal reflete apenas as informações constantes das Notas Fiscais avulsas que são compradas pelos fornecedores pessoas físicas”. Narra ainda a justificativa apresentada pela Recorrente que, antes de emitir as Notas Fiscais complementares, para igualar os estoques, a advogada e a contadora da empresa se dirigiram ao Centro Tributário da Secretaria de Fazenda do Estado do Piauí, onde foram orientadas “verbalmente que a empresa Justificante emitisse uma única Nota Fiscal de Entrada Complementar, onde em cada linha desta Nota Fiscal fosse designado o ano e o valor da diferença, para evitar a emissão de várias Notas Fiscais de Entrada para acobertar a diferença mês a mês”, razão pela qual emitiu as duas Notas Fiscais mencionadas no Termo de Intimação, referentes às entradas complementares de produtores rurais, nos períodos de 1996 a 2006. As mencionadas Notas Fiscais encontramse às fls. 248/249 dos autos eletrônicos. Após a resposta da Recorrente, a Fiscalização elaborou as planilhas contendo o demonstrativo do crédito apurado, apresentando, por fim o TVF de fls. 328/334, nas quais a Fiscalização alega, com razão e propriedade, que grande parte das aquisições de matériaprima de produtores rurais não é acobertada por Notas Fiscais (razão, inclusive, da emissão das duas Notas Fiscais extemporâneas acima citadas), e que “a documentação apresentada pela empresa, composta de recibos, cópias de depósito bancário e Notas de Compra não estão revestidos das formalidades legais Fl. 914DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 915 6 requeridos pela legislação vigente, Regulamento do IPI, Art. 322, Inciso I e IV, do Decreto 4544/04.” (fl. 329) Salienta ainda o Termo de Verificação, corretamente, que “Na análise da documentação apresentada pela empresa, justificando a diferença de estoque de matériaprima sem a documentação fiscal correspondente, nos termos da legislação vigente, cumpre ressaltar: a) – Os pagamentos de parte dos fornecedores de matériaprima, pessoas físicas, foram realizados em espécie, através de recibos; b) Em parte dos pagamentos de fornecedores de matériaprima, pessoas físicas, realizados através de depósitos bancários, o beneficiário do depósito diverge do fornecedor.” (destaque inserido) (fl. 329) Ao final, conclui a Fiscalização que “Em razão do exposto acima, estas aquisições de matériasprimas não foram consideradas na apuração do Crédito Presumido de IPI” (fl. 329), indicando, na sequência, período por período, o crédito apurado e concedido. No entender desta Relatora, os fatos acima narrados são suficientes à rejeição das razões contidas no Recurso Voluntário. Inicialmente, cumpre salientar que esta Relatora não desconhece a jurisprudência maciça formada no âmbito desse E. CARF, em razão do art. 62A do Regimento Interno, no sentido da possibilidade de apuração de crédito presumido do IPI quando da aquisição de insumos e matériaprima de pessoas físicas ou não contribuintes de PIS e COFINS. De fato, a questão foi julgada em sede de Recurso Repetitivo pelo STJ nos autos do RESP nº 993.164, razão pela qual o entendimento da Corte Superior é de observância obrigatória por este Conselho. Porém, tal questão foi ultrapassada no caso concreto, sendo que o direito ao creditamento, em si mesmo, não é objeto do recurso. Como visto, cabe saber, no presente caso, se há razão no argumento da Recorrente quando afirma que as Notas Fiscais emitidas extemporaneamente, seguindo orientação verbal de funcionário da Secretaria de Fazenda do Estado, com quais busca o montante do crédito a ser aproveitado e não reconhecido na origem, não necessitavam estarem revestidas das formalidades previstas na legislação do IPI. Ora, com o devido respeito ao entendimento da Recorrente, não há como flexibilizar a necessidade de manutenção de escrita contábil e emissão de documentos hábeis e idôneos para a apuração de crédito a ser ressarcido. Ainda mais no presente caso, no qual, como visto, as aquisições de matériaprima de pessoas físicas eram desacompanhadas de documento fiscal de entrada (razão da emissão de Notas Fiscais Complementares), com pagamentos em espécie feitos, inclusive, a beneficiários diversos dos fornecedores, em alguns casos. Vejase, nesse sentido: “Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 01/12/2001 IPI. NOTAS FISCAIS DE ENTRADA INIDÔNEAS. ARTIFÍCIO INADMISSÍVEL PARA O CREDITAMENTO DO IPI EXTEMPORÂNEO. Descabe a concessão de crédito de IPI, por falta de previsão legal, quando as notas fiscais de entrada se destinam a acobertar escrituração de créditos extemporâneos. O direito a crédito também não deve ser reconhecido quando restar provado que o contribuinte se aproveitou de notas fiscais inidôneas para proceder à incorporação de créditos com a Fl. 915DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10331.000020/200696 Acórdão n.º 3102002.339 S3C1T2 Fl. 916 7 finalidade de contraporlhes a débitos do mesmo imposto.” (Acórdão nº. 3803001.810) Com base nesses fundamentos, a Relatora original negou provimento ao recurso voluntário, decisão que foi acompanhada pela maioria do Colegiado, conforme resultado do julgamento explicitado no dispositivo do presente Acórdão. José Fernandes do Nascimento Fl. 916DF CARF MF Impresso em 04/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 11 /11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04/12/2015 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 13971.907484/2009-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3801-000.164
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à DRF de origem para que informe se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto do processo e apure o valor devido da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, considerando as receitas de vendas e de serviços.
Nome do relator: José Luiz Bordignon
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(assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 11/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Sidney Eduardo Stahl, Daniela Ribeiro de Gusmão e José Luiz Bordignon. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907484/200921 Resolução n.º 3801000.164 S3C1T1 Fl. 62 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação — PER/DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Contribuição ao Programa de Integração Social PIS, no período de apuração de abril de 2005, no valor de R$ 172,76 (v. folha 07). Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC pela não homologação da compensação declarada (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP" havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, às folhas 9 a 18, na qual alega a inconstitucionalidade do artigo 3°, §1° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Defende a contribuinte que o Supremo Tribunal Federal, em sessão realizada em 9 de novembro de 2005, declarou a inconstitucionalidade do citado dispositivo, bem como a Lei n° 11.941/09 expurgou do ordenamento jurídico o referido dispositivo legal, confirmando seu pleito. A contribuinte argumenta, ainda, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de diligência sobre o crédito informado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa n° 900/08”. Delegacia de Julgamento em Florianópolis proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição/compensação poderá, ou seja, tem a faculdade de condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907484/200921 Resolução n.º 3801000.164 S3C1T1 Fl. 63 3 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fls. 49 a 59, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907484/200921 Resolução n.º 3801000.164 S3C1T1 Fl. 64 4 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator Conforme relatório acima, o motivo que fundamentou o indeferimento do pedido formulado pelo contribuinte e a conseqüente não homologação da compensação por ele pretendida foi a falta de comprovação de liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Em outros termos, o pagamento informado como origem do crédito, alegadamente indevido, estava indisponível em razão de estar vinculado a débito declarado em DCTF e, portanto, já tendo sido utilizado para quitação deste no sistema conta corrente. É o que se depreende da leitura do Despacho Decisório Eletrônico de fls. 07. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Considerando a referida fundamentação, a recorrente explica que em 04/05/2006 transmitiu a PER/DCOMP n° 32341.68539.040506.1.3.047995, por meio da qual declarou a compensação de um crédito de PIS (8109) relativo à competência de abril de 2005, já que na data de 13/05/2005 recolheu indevidamente (a maior), o valor originário de R$ 172,76, visto que referese à sua incidência sobre as receitas não operacionais. Aduz, também, que atualmente sequer mais existe a obrigação legal de recolher o PIS sobre receitas que tenham natureza diversa de faturamento, seja em razão da determinação do STF (RE 346.084), seja ainda mesmo por conta da eliminação do art. 3º, §1°, da Lei n° 9.718/98 do ordenamento jurídico, o que foi recentemente promovida pela Lei n° 11.941/2009. Em resposta, a DRJ/Florianópolis/SC concluiu pela manutenção do indeferimento do pedido, sob o fundamento de que: (i) “o artigo 3°, §1°, da Lei n.° 9.718/1998 vigia no período de apuração em análise, não pode este juízo afastála, sob pena de, com isto, estar ultrapassando seus limites legais de competência” e (ii) “que a contribuinte não demonstra ser parte de nenhuma ação judicial que a beneficie. Até a presente data, o Supremo Tribunal Federal só tomou decisões acerca da constitucionalidade da Lei n° 9.718, de 1998, na via incidental, ou seja, as ações julgadas têm efeitos apenas para as partes, não se estendendo a terceiros com efeitos erga omnes”. Entretanto, para o presente caso, devese ter em mente que a Lei nº 9.718/98 (conversão da Medida Provisória nº 1.724/98), ampliou o conceito de faturamento base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins definindoo no §1º do art. 3º como sendo “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907484/200921 Resolução n.º 3801000.164 S3C1T1 Fl. 65 5 Por sua vez, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 13971.907484/200921 Resolução n.º 3801000.164 S3C1T1 Fl. 66 6 Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (1Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Destarte, é incontestável o direito da recorrente, visto que a presente lide tem como objeto principal a restituição parcial de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Assim, levandose em consideração o direito da interessada e o exame dos elementos comprobatórios, constatase que os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição para o PIS e eventuais pagamentos a maior. Por outro lado, é notório que boa parte dos contribuintes recorreu ao Poder Judiciário em relação ao alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, o que implica, em tese, na renúncia à esfera administrativa. Desse modo, pelo acima exposto, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. informe se a interessada propôs ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. Em caso positivo, fazer uma síntese do andamento processual; 2. apure o valor devido a título de contribuição para o PIS com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de abril/2005, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 3. Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 13/05/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 11080.003212/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2005
CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGP-M. POSSIBILIDADE.
As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do mesmo.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3302-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Behrndt - OAB 173.362 - SP.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2005 CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGP-M. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do mesmo. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-12-18T18:09:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-12-18T18:09:04Z; Last-Modified: 2015-12-18T18:09:04Z; dcterms:modified: 2015-12-18T18:09:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:0ba06f8d-f8d3-4a4c-95d1-1793cb5d64bd; Last-Save-Date: 2015-12-18T18:09:04Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-12-18T18:09:04Z; meta:save-date: 2015-12-18T18:09:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-12-18T18:09:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-12-18T18:09:04Z; created: 2015-12-18T18:09:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; Creation-Date: 2015-12-18T18:09:04Z; pdf:charsPerPage: 2335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-12-18T18:09:04Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.003212/200969 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.906 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria PER/Dcomp PIS/Pasep e Cofins Recorrente CGTEE COMPANHIA DE GERAÇÃO TÉRMICA DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2005 CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGPM. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins vigentes anteriormente à Lei 10.833/03, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômico financeiro do mesmo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2005 CONTRATO A PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE APURAÇÃO. CUMULATIVIDADE. MANUTENÇÃO. IGPM. POSSIBILIDADE. As receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços, permanecem sujeitas às normas da legislação da Contribuição para o PIS/Pasep vigentes anteriormente à Lei 10.637/02, mesmo quando o valor do contrato sofre reajustado baseado em índice de correção nele previsto, reconhecido no mercado como sendo de adoção consagrada no segmento correspondente e destinado à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do mesmo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 32 12 /2 00 9- 69 Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral o Dr. Marco Antônio Behrndt OAB 173.362 SP. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Hélcio Lafetá Reis, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Restituição e não homologou as Compensações declaradas pelo contribuinte referentes a créditos da contribuição para o PIS, período de dezembro de 2004 a julho de 2005, e da contribuição para a Cofins, período de novembro de 2004 a maio de 2005. O pedido teria origem na mudança de entendimento quanto à permanência das receitas apuradas no regime da cumulatividade, tendo a empresa efetuado recolhimentos pela sistemática da nãocumulatividade. A interessada protocolou Pedido de Restituição em papel (fls. 3), justificando a impossibilidade de apresentação via eletrônica, uma vez que o sistema não teria aceitado o número do PER/DCOMP inicial indicado (tela do sistema fls. 27). A Lei nº 10.833/2003 em seu artigo 10, inciso XI previu a possibilidade de que as receitas de contratos de fornecimento de serviços a preço predeterminado, com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003 poderiam continuar a ser tributadas pela sistemática da cumulatividade. Com a edição da Lei nº 11.196/2005, mais especificamente seu art. 109, combinado com o disposto na IN SRF nº658/2006 e ainda de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, a interessada entendeu ter reunido condições suficientes para tributar suas receitas com base na sistemática da cumulatividade. Procedeu então a retificação das suas DCTFs, declarando débitos de PIS e Cofins pela forma cumulativa. Assim teria passado a credora da União, uma vez que teria efetuado recolhimentos a maior do que os efetivamente devidos por calcular as contribuições em apreço pela sistemática da nãocumulatividade. A Coordenação de Tributação da Receita Federal do Brasil submeteu à apreciação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio da Nota Técnica COSIT nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, referida questão, resultando na edição do Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007. Esse Parecer esclareceu Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 3 3 que “contratos iniciais” e “contratos bilateriais”, os quais são utilizados pela empresa na comercialização de energia, perdem o caráter de contratos de preço predeterminado, tendo em vista reajuste efetuado pelo IGPM e pela variação tributária, portanto, não se submetem à exceção prevista no art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003. A interessada por meio do processo nº 11080.006335/200951 protocolou processo de consulta a este respeito. A Superintendência da 10ª Região Fiscal solucionou a questão emitindo a Solução de Consulta nº 228, de 14 de dezembro de 2009, assim ementada: CONTRATOS FIRMADOS ANTERIORMENTE A 31 DE OUTUBRO DE 2003. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE COM BASE NO IGPM. Para efeito de definir o regime de incidência da Cofins aplicável às receitas relativas a contratos com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, o cômputo do IGPM no percentual de reajuste de preços, descaracteriza a condição de preço predeterminado, ainda que nesse percentual de reajuste seja também considerada a variação de determinados custos de produção, o que implica a sujeição dessas receitas à incidência nãocumulativa. Não obstante, quando o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, não superar o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção, e desde que o referido reajuste leve em conta termos de custos de produção ou insumos, a condição de preço predeterminado não se terá descaracterizado, consoante explicitação do § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658, de 2006. Nessa hipótese, e cumpridos os demais requisitos dessa Instrução, as receitas em questão submetemse à incidência da Cofins na forma cumulativa, até que venha a suceder a perda do caráter de preço predeterminado, ocasião em que as receitas passarão a sujeitarse à incidência nãocumulativa, de modo definitivo. Com base no entendimento acima exposto e na informação Fiscal SEFIS/DRF/POA (fls. 499/502), foi emitido o Despacho Decisório DRF/POA nº 2.132, de 05/11/2010 (fls. 949/954) que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas. A interessada discorda do indeferimento do seu pleito, alegando, preliminarmente, a tempestividade de sua manifestação. Faz um histórico da evolução da legislação do PIS e da Cofins e da nova sistemática de apuração dessas contribuições: nãocumulatividade. Discorre a respeito dos chamados “contratos iniciais” firmados por ela e as distribuidoras de energia elétrica, celebrados em 30 de setembro de 1997, com vigência de 15 anos. Menciona que o Primeiro Termo Aditivo ao Contrato de Concessão nº 67/2000, firmado em 03/04/2001, passou a prever que o reajuste seria calculado de acordo com o IGPM. Acredita que tal fato não afetaria a condição de preço predeterminado no fornecimento de energia, tendo como objetivo a preservação do equilíbrio contratual, resguardando o valor e quantia da moeda contratada. Nesse caso, as receitas advindas desses contratos deveriam sujeitarse ao regime cumulativo das contribuições, por obedecerem ao disposto no art. 10, XI, da Lei nº 10.833/2003. Ataca a IN SRF nº 468/2004, afirmando que essa teria inovado no mundo jurídico ao eleger critérios não previstos na Lei nº 10.833/2003 para definição de preço predeterminado. Destaca que esse entendimento foi alterado pela Lei nº 11.196/2006 ao determinar que o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação de índice que Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 4 reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, não seria considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Cita Nota Técnica nº 224/2006 e o Ofício nº 1.431/2006, ambos expedidos pela ANEEL os quais afirmam que a utilização do IGPM, como índice de correção monetária, no reajuste do preço do contrato de fornecimento de energia equivaleria ao custo de produção ou dos insumos utilizados no setor energético. Tece considerações a respeito dos requisitos exigidos pelo art. 10, XI da Lei nº 10.833/2003 para que suas receitas permaneçam no regime cumulativo das contribuições. Entende serem quatro as exigências da Lei: contrato de fornecimento de bens e serviços, prazo de duração mínimo superior a um ano, assinatura do contrato anteriormente a 31 de outubro de 2003 e que o preço de fornecimento de bens e serviços esteja predeterminado no contrato. Entende que os contratos por ela celebrados com as empresas contratantes de seus serviços atendem aos requisitos antes expostos e por isso permanecem no regime da cumulatividade, tornando a empresa detentora de créditos recolhidos pela sistemática da nãocumulatividade. Observa que protocolou declarações de compensação, via PER/DCOMP, dos créditos oriundos dos períodos dezembro de 2002 a fevereiro de 2006, e pedido de restituição, via papel, do período novembro de 2004 a julho de 2005, o qual é objeto do presente processo. Menciona a consulta formulada a respeito do assunto (processo nº 11080.006335/200951), a Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, bem como o Parecer PGFN/CAT nº 1.610, de 01 de agosto de 2007, os quais concluíram que as receitas da empresa estariam sujeitas a tributação pelo regime não cumulativo. Discorda do entendimento da informação Fiscal, para os períodos de dezembro de 2002 a janeiro de 2004, que não reconhece efeito retroativo ao disposto no art. 15 da Lei nº 10.833/2003, o qual estendeu ao PIS a possibilidade de manter no regime da cumulatividade as receitas de contratos firmados com preço predeterminado. Entende ser nulo o Despacho Decisório por ausência de motivação e afronta à ampla defesa e ao contraditório. Alega que a decisão deixa de justificar/fundamentar as razões para o indeferimento do pleito de restituição/compensação. Não se reveste dos mínimos e indispensáveis requisitos de validade e não lhe permite conhecer os fundamentos do indeferimento dos pleitos de restituição/compensação. Na eventualidade de não ser declarado nulo o Despacho Decisório atacado, passa a defender a existência do direito creditório pleiteado. Destaca a apresentação de Recurso Especial de Divergência contra o entendimento da Solução de Consulta nº 228, proferida pela SRRF10/DISIT. Está certa de que o recurso interposto será provido. Passa a tecer considerações a respeito das exceções estabelecidas pela Lei nº 10.833/2003 para permanência de determinadas receitas no regime da cumulatividade. Aponta 4 requisitos necessários: existência de um contrato de fornecimento de bens e serviços, com prazo de duração superior a 1 ano, assinatura anterior a 31 de outubro de 2003 e que o preço de fornecimento dos bens e serviços esteja predeterminado nesse contrato. Destaca que o Despacho Decisório questiona apenas um desses requisitos, o que tornaria incontroverso os demais. A discussão estaria limitada a predeterminação dos preços estipulados nos contratos celebrados pela empresa. Argumenta que esse requisito também foi cumprido. Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 4 5 Argumenta não existir lei que defina o conceito de preço predeterminado. Esse conceito seria obtido por meio de uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, sendo encontrado a partir do exame de princípios do direito privado. Busca na doutrina definições de preço determinado e preço determinável. Acredita que a eventual cláusula de reajuste não descaracterizaria a natureza do preço predeterminado quando tal reajuste tenha como objetivo tãosomente preservar o poder aquisitivo nominal inicialmente pactuado. Cita decisão jurisprudencial nesse sentido. Invoca os art. 109 e 110 do CTN para defender seu ponto de vista. Afirma que de acordo com a IN SRF nº 21/79, o entendimento da Secretaria da Receita Federal sempre foi no sentido de que para a caracterização de preço predeterminado não seria essencial a inexistência de cláusula de reajuste, mas a necessidade de o preço estar fixado em contrato, sendo de conhecimento prévio para as partes. Defende o reconhecimento por parte da legislação, através do art. 109 da Lei nº 11.196/2005, de que a aplicação de cláusula de reajuste não descaracterizaria o preço predeterminado. Alega que seus preços estariam predeterminados em contrato. A necessidade de investimentos vultosos e a assunção de uma série de compromissos a longo prazo só seriam possíveis se houvesse garantia de uma fonte previsível de receitas a longo prazo, livre do risco da oscilação de preços e da diminuição da demanda. Sendo assim, afirma que celebrou todos os contratos de fornecimento de energia baseados em “preço firme”. Transcreve parte destes contratos. Relata que esses prevêem inclusive a necessidade da empresa buscar energia no mercado caso não consiga produzila por problemas técnicos. Nesse caso terá que arcar com a diferença entre o preço de aquisição da energia no mercado e aquele predeterminado em contrato. Frisa ser o reajuste pelo IGPM, cláusula padrão, constante de todos os contratos por ela celebrados de fornecimento de energia, independente da outra parte contratante ser distribuidora, comerciante ou consumidora final de energia. Afirma que o IGPM nada mais reflete do que o reajuste de preços em função do custo de produção. Repisa o argumento de que segundo entendimento esposado pela ANEEL (Nota Técnica 224/2006), o IGPM é índice que reflete o custo de produção e, portanto, em nada altera a condição de preço acordado nos contratos iniciais. Argumenta que a correção monetária corresponde à manutenção do valor real da moeda operante no tempo, não se tratando de um acréscimo ao valor original. Assim a simples aplicação de cláusulas de reajuste de correção monetária, materializadas no caso presente pelo IGPM, não desconfiguraria de maneira alguma a natureza do preço inicialmente fixado em contrato, pela contrário, tratar seia apenas de reposição dos valor originário da moeda, corroída por diversos fatores. Interpretação diversa levaria a uma norma de efeitos temporários, de curtíssima duração. Ataca a IN SRF nº 468/2004, a IN SRF nº 658/2006 e o Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007 afirmando que teriam criado mandamentos não previstos em lei extrapolando sua competência, incorrendo em vícios manifestos de legalidade. Passa a defender a retroatividade do art. 15 da Lei nº 10.833/2003. A manutenção das receitas no regime da cumulatividade para o PIS seria aplicável desde a instituição do regime nãocumulativo do PIS, ou seja, dezembro de 2002. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Pensar de forma diversa levaria a quebra na segurança jurídica, pois, nesse caso, haveria um aumento repentino da carga tributária. Ratifica seu pedido de restituição e a homologação integral das compensações declaradas. Aponta impossibilidade da cobrança dos débitos compensados com créditos referentes aos períodos de apuração janeiro e fevereiro de 2006, uma vez que esses períodos foram objeto de auto de infração (processo 11080.722655/201096), o qual estaria pendente de análise. Ao final requer a nulidade do Despacho Decisório com reconhecimento integral do crédito e conseqüente homologação das compensações declaradas ou ainda que seja proferida nova decisão pela DRF de origem. Alternativamente, caso não seja declarada a nulidade do Despacho Decisório, pleiteia a sua reforma integral e o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações declaradas. Consta a fls. 1527 informação da DRF de origem de que permanece no presente processo apenas o direito creditório correspondente ao pedido de restituição de fls. 1, no valor original de R$ 3.985.103,35, tendo sido transferido para o processo nº 11080.721418/200199 o direito creditório no montante de R$ 4.460.162,83, objeto de declarações de compensação enviadas pela empresa e baixadas para tratamento manual originalmente neste processo. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/07/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 5 7 PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Insatisfeito com a decisão de primeira instância administrativa, o sujeito passivo apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa, em linhas gerais, os argumentos presentes na Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. No mérito, a matéria objeto do processo gira em torno da correta interpretação do dispositivo legal insculpido na alínea "b" do inciso XI do artigo 10 da Lei 10.833/031, que tem o seguinte teor. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: 1 Os efeitos do disposto no artigo 10, aplicável à Cofins, foram estendidos à Contribuição para o PIS/Pasep pelo artigo 15 da mesma Lei 10.833/03. "Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)" Produção de efeitos, nos termos do artigo 93 da Lei 10.833/03. "Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004;" Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 8 (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Em novembro de 2005, a Lei 11.196/05, em seu art. 109, definiu hipótese de reajuste do valor do contrato que não acarretaria a descaracterização da condição de preço predeterminado. Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Matéria idêntica a que neste se discute foi submetida a julgamento e decidida pela 2ª TO da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do acórdão nº 3102 001.881, de 21/06/2013, em processo da relatoria do i. Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, julgamento que teve a participação do Conselheiro que ora relata este processo. A decisão foi assim ementada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Solução de Consulta Desfavorável ao Contribuinte. Efeitos. A prévia manifestação da Administração, veiculada por meio de decisão exarada em processo de consulta desfavorável à pretensão do Contribuinte, não impede a rediscussão da matéria consultada no bojo de processo administrativo fiscal em que se debate exigência de tributos e contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Contrato por Preço Predeterminado. Regime de Incidência. O reajuste do preço, homologado por órgão estatal, com vistas à manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, não altera o preço predeterminado e, consequentemente, não impede a manutenção da tributação do regime cumulativo. Jurisprudência do Carf e do Superior Tribunal de Justiça. Recurso Voluntário Provido. Boa parte da controvérsia deste, daquele e de outros processos nos quais se discute o regime de apuração das Contribuições das receitas decorrentes de contratos deste tipo reside justamente na desqualificação da condição de preço predeterminado em face de seu reajuste com base no IGPm. A respeito dessa questão, pertinente reproduzir a interpretação dada pela 2ª TO nos autos do precitado acórdão nº 3102001.881. Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 6 9 De fato, a meu ver, não há a menor dúvida de que o reajuste realizado com base no IGPM não se amolda às hipóteses enumeradas no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005. Tratase de um índice geral de preços composto por dois índices setoriais de preço e um índice setorial de custo, relativo à Construção Civil, atividade econômica que em nada se confunde com a geração de energia. Por esse motivo e, principalmente, em razão da incompetência para dispor sobre a interpretação da legislação tributária, é igualmente claro que a opinião da ANEEL, veiculada por meio da Nota Técnica nº 224/2006 não pode ser levada em consideração para a solução do presente litígio. (...) Ocorre, entretanto, que há uma premissa que orienta a conclusão do Fisco, que, a meu ver, com o devido respeito, está equivocada. Diferentemente do defendido, imagino, o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 não possui o caráter restritivo suscitado por aquela autoridade lançadora. A meu ver, o dispositivo não restringiu as hipóteses em que o reajuste contratual não desvirtua a predeterminação do preço, elencou duas dessas circunstâncias. Com efeito, se analisarmos a redação do artigo, ponto de partida para a compreensão do comando legal nele veiculado, podese averiguar que o legislador, em nenhuma passagem, afirmara que aquelas seriam as únicas hipóteses em que o reajuste não descaracterizaria a predeterminação do preço. Afirmou que aquelas hipóteses não a desvirtuariam. Reforça essa convicção o fato de que, nos termos do seu parágrafo único, já transcrito acima, o dispositivo novel teria vigência retroativa à vigência da medida provisória nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003. Se o objetivo do comando inserido na “MP do Bem” fosse restringir e, consequentemente, aumentar o universo de contribuintes sujeitos à incidência mais gravosa, não haveria espaço para tal cláusula de vigência. (...) Abstraindose o entendimento veiculado nas Instruções Normativas 468/04 e 658/06, editadas pela Secretaria da Receita Federal, a descaracterização do valor contratado como sendo a preço predeterminado em função da utilização de índice de correção monetária não setorial foi objeto de estudo tanto no âmbito da Secretaria da Receita Federal (CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação Nota Técnica Cosit nº 1, de 16/02/07) quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (CoordenaçãoGeral de Assuntos Tributários da Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007). Alguns apontamentos são de grande relevo à elucidação do assunto. Vejamos como se manifestou a Secretaria da Receita Federal na Nota Técnica Cosit nº 01/2007. 20. A alínea "b" do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, teve por objetivo, não impor aos contribuintes o encargo de terem que iniciar negociações apressadas a fim de revisarem ou reajustarem seus contratos, em virtude do pouco tempo (90 dias, contados a partir da publicação da MP nº 135, de 2003) concedido para que os contribuintes adaptassemse ao novo regime de incidência da contribuição, o que era tempo insuficiente para que alguns setores renegociassem Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 10 seus contratos, devido à complexidade da avaliação da manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro pretendido quando da contratação inicial. A lei utilizou um conceito ainda novo na legislação das contribuições exatamente para que ele fosse definido adequadamente pela legislação. Não há, no direito privado, conceito legislado de "preço predeterminado", daí porque não procede qualquer alegação de ofensa ao art 110 do CTN. 21. Posteriormente, o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, estatuiu a regra de que a condição de preço predeterminado não seria descaracterizada pelo reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (...) 22. A ANEEL alega que tal dispositivo foi publicado: "visando superar as perplexidades interpretativas inauguradas pela IN SRF nº 468, de 2004." E expõe que: "outro aspecto importante é que o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, tem por claro objetivo estabelecer o que normalmente se denomina "interpretação autêntica" da noção de preço predeterminado, para fins de aplicação do disposto nas citadas alíneas "b" e "c", do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003." 23. A agência entende que o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, veio a dar uma interpretação autêntica às alíneas "b" e "c" do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Mas na realidade, o disposto no art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005 veio estabelecer uma exceção ao § 2º do art. 2º da IN SRF nº 468, de 2004. 24. É a seguinte a dicção do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, a que faz referência o art. 109 da Lei 11.196, de 2005: "CAPÍTULO IV Da Correção Monetária Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1 o de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do índice de Preços ao Consumidor, Série r lPCr. § 1 º O disposto neste artigo não se aplica: (...) II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; " (Grifouse) 25. É claro a diferenciação feita pela lei: o reajuste baseado na correção monetária não se confunde com os reajustes baseados ou no custo de produção ou na variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A contrario sensu, a lei posicionouse no sentido de excluir do art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, o reajuste baseado na correção monetária. Vale reproduzir o estudo feito pela SFF/ANEEL, reproduzido na Nota Técnica nº 224, de 2006: Nos termos do dispositivo anteriormente citado, a regra geral era no sentido de que a correção monetária de quaisquer negócios jurídicos seja calculada com base no IPCr (índice de Preços ao Consumidor série r). Nada obstante, no caso de fornecimento de bens e serviços a serem produzidos, a regra geral não se aplicaria, sendo que o índice de reajuste deveria ser calculado reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. (Grifouse) Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 7 11 Ressaltese que IPCr, previsto no caput do art. 27 da Lei nº 9.069/95, já foi extinto (vide art. 8º da Lei nº 10.192, de 14/02/2001), sendo substituído, a partir de lº/07/1995, nas obrigações e contratos pelo índice previsto contratualmente. Confirase: "Art. 8o A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste será substituído, a partir de 1° de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. 34. Além do mais, o art. 2 desta mesma lei estabeleceu que: "Art. 2° E admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano." 26. Ora, a extinção do IPCr e a sua substituição por outro índice equivalente, permitido pela Lei nº 10.192, de 14 de fevereiro de 2001, não tem o condão de transformar esse novo índice em um coeficiente que reflita a variação dos custos de produção ou dos insumos. Pelo contrário, nesse ponto a Lei 10.192, de 2001, em nada inovou, posto que o inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, já permitia contratos com cláusulas de reajuste baseados em índices que expressassem a variação dos custos de produção ou dos insumos. Assim, segundo o art. 2º da Lei nº 10.192, de 2001, acima transcrito, admitese a estipulação de reajuste por: a) índices de preços gerais; b) índices de preços setoriais; c) índices que reflitam a variação dos custos de produção; d) índices que reflitam a variação dos custos dos insumos utilizados. 27. A fim de esclarecer qualquer dúvida, fazse necessário distinguir "índices de preços setoriais" de "índices de custos setoriais". Índice de preços setoriais reflete a inflação a que foi submetido um determinado setor. Já índice de custos setoriais, como o próprio nome indica, reflete os custos envolvidos na atividade de um dado setor. 28. Feitas as distinções entre os índices existentes, fica claro que o art. 109 da Lei nº 11.196, de 2005, somente contemplou em sua redação as letras "c" e "d" do item 26. Não foram permitidos, entre os índices admitidos para a permanência na cumulatividade, os índices de preços gerais, nem os índices de preços setoriais. De fato, esses índices não estavam entre aqueles albergados pelo inciso II do § 1o do art. 27 da Lei n° 9.069, de 1995. 29. Segundo informações constantes do sítio da FGV na internet (www.fgv.br), o IGPM, principiou a ser calculado a partir de junho de 1989, por solicitação de um grupo de entidades de classe do setor financeiro, liderado pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras, em decorrência das constantes mudanças ocorridas nos indicadores da correção monetária e da inflação oficial. Esse índice originase da média ponderada do índice de Preços por Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 12 Atacado (IPAM; 60%), do índice de Preços ao Consumidor (IPCM; 30%) e do índice Nacional de Custos da Construção (INCCM; 10%). 30. É desnecessário apresentar maiores detalhes acerca das características do IGPM para verificar que este não se trata de "índice que reflita a variação dos custos de produção" e nem de "índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados" a sua própria denominação e a dos índices que o compõem é suficientemente elucidativa. Em resposta às questões suscitadas a partir das considerações acima e de outras presentes da Nota editada pela Cosit, a Procuradoria da Fazenda Nacional assim se pronunciou acerca do tema. 3. Na redação original da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, não havia esta disposição. Isto quer dizer que uma vez em vigor a nãocumulatividade, obrigatória para determinadas pessoas jurídicas. rapidamente foi detectado que a mudança criou um desequilíbrio nos contratos em que os preços foram acertados pela sistemática anterior. Assim sendo, no Projeto de Lei de Conversão foi apresentada emenda que criou a regra de transição que pode ser lida no texto vigente da lei. 4. Por este regime provisório, os contratos deveriam obedecer a quatro requisitos para que as suas receitas permanecem na cumulatividade: anterior a 31 de outubro de 2003, por prazo superior a um ano, construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, e a preço predeterminado. Eram, portanto, exceção à regra da nãocumulatividade. Alguma ocorrência que prejudicasse o atendimento aos requisitos, obriga a tributação dos valores recebidos seguindo a não cumulatividade. 5. A idéia central deste dispositivo é a nãosurpresa do contribuinte que calculou seu preço antes da vigência da M.P. n° 135, de 2003, utilizando para tanto a alíquota menor. Ademais, somente com o passar de certo tempo é que as empresas acumulariam os créditos a serem compensados com o valor devido pelos tributos e se efetivaria a nãocumulatividade. Passada a surpresa da alteração legislativa, e iniciado o processo de aquisição de créditos, o certo seria que todos os contratos passassem para a nãocumulatividade. 6. Entretanto, algumas empresas ao fazer o cálculo dos tributos devidos perceberam que teriam que pagar um valor maior no sistema da não cumulatividade do que no sistema da cumulatividade. Dessa forma, começaram a buscar meios de prorrogar indefinidamente os seus contratos para que sobre aquelas receitas incidissem alíquotas menores. Como os três primeiros requisitos legais são bastante objetivos, passaram a tecer ilações sobre o mais impreciso dos conceitos: o de preço predeterminado. 7. Os contribuintes passaram a reajustar seus contratos, aplicando índices de inflação diretamente aos seus preços. Acreditavam que estava mantido o caráter de preço predeterminado e, em conseqüência, poderiam manter aquelas receitas na sistemática da cumulatividade. Dessa forma, por hipótese, um contrato com prazo de vinte anos poderia passar todo este período na cumulatividade, alterando periodicamente o seu preço com aplicação de qualquer índice de inflação. 8. É justamente para evitar este tipo de situação que as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal buscaram esclarecer o que seria aceito como preço predeterminado para fins de contribuição para o PIS/PASEP e COFINS. Não há um conceito legal ou técnico que defina com clareza "preço predeterminado". Existia a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 21, de 1979, referente ao imposto de renda e em período de inflação elevada. Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 8 13 Com a nova legislação da contribuição para o PIS e da COFINS foi necessária a edição de novas instruções que constituíram mais um instrumento para que aquelas situações provisórias não se eternizassem, como desejam alguns contribuintes. Como dito no §2° do art.2º da IN n° 468, de novembro de 2003: § 2° Se estipulada em contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. 9. O eventual aumento de carga tributária causado pela mudança da cumulatividade para a nãocumulatividade irá refletir no preço cobrado pela contratada, repassando o ônus para o contratante. Devese atentar que um aumento geral de carga tributária reflete em aumento de preços. Consequentemente um índice que traga um incremento de inflação, também inclui a elevação de carga tributária. A conclusão para este ciclo é que as empresas pretendem repassar aos seus clientes o eventual aumento de tributos devidos, e não desejam repassar estes valores ao Fisco. 10. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, trouxe em seu art. 109 a seguinte norma interpretativa: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § Io do art. 27 da Lei|n° 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde de novembro de 2003. 11. Assim como na lei anterior, este dispositivo não constava da Medida original, sendo incluído por emenda parlamentar. 12. Para que se possa entender bem a regra, é preciso lembrar que a Lei 9.069, de1995, é a que instituiu o Plano Real. A referência presente no artigo acima citado é justamente para excepcionar "os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos do insumos utilizados" da regra de aplicação geral do IPCr (caput do art. 27). 13. A inovação do art. 109 da Lei n° 11.196, de 2006, trouxe nova exceção à anterior disciplina, e com efeitos expressamente retroativos. Antes o conceito de "preço predeterminado" era amplo, agora há limitação para "os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos" (referência ao inciso II do § 1o do art. 27 da Lei n° 9.069, de 1995). Para que estes sejam considerados de "preço predeterminado" é preciso que não sejam reajustados com a aplicação de índice ao seu próprio preço, mas sim, que demonstrem que aquele reajuste se deu em virtude do reajuste dos custos de produção ou da variação de custos de insumos utilizados. 14. Neste ponto, estabelece a lei uma diferenciação entre os índices de preços gerais ou setoriais daqueles que refletem os custos de produção ou os custos dos insumos. Enquanto os primeiros auferem a variação de preços ao consumidor (IPC, p. ex.) ou no atacado (IPA), quando a lei se refere aos custos de insumos, tratase Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 14 dos índices que pesquisam os preços dos materiais, equipamentos e pessoal utilizado por determinadas empresas para a consecução de suas finalidades econômicas (CUB, p. ex., utilizado pela construção civil) 15. Relendo o art. 109 da Lei n° 11.196, de 2005, podese inferir que salvo nas hipóteses expressas, os reajustes de preços ocasionarão a descaracterização como preço predeterminado. Essas duas únicas possibilidades são: o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita à variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Isto quer dizer que para reajustar seus preços e permanecer atendendo ao disposto na regra de exceção da nãocumulatividade, a contratada deve demonstrar que não está aplicando um índice aos seus próprios preços, mas sim, que os preços das etapas econômicas anteriores foi modificado. Somente nestes casos, o incremento do valor do contrato não estaria refletindo o aumento da carga tributária da contratada. O que é óbvio porque no caso de revisão de valor do preço da própria contratada, obrigatoriamente levarseia em conta a modificação legislativa da Lei n° 10.833, de 2003, dando ensejo à entrada no campo da nãocumulatividade. Com base no entendimento acima, expresso na Nota Técnica Cosit nº 1/07 e Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007, assim como na interpretação veiculada na Solução de Consulta nº 228/09, a Fiscalização Federal, conforme consta às folhas 495 e seguintes, decidiu pela não homologação das compensações pretendidas pela Recorrente. Posto isto, creio que, para o encaminhamento da decisão que será proposta no vertente Voto, seja necessário, antes de tudo, fixar certos postulados que, na leitura que faço do assunto, devam ser observados pelo Colegiado. Liminarmente, quero dizer que me parece um tanto obscura a razão de ser da suposta delimitação especificada no artigo 109 da Lei 11.196/05 na fixação do índice de reajuste que, implementado, preservaria o caráter de preço predeterminado do valor contratual previamente pactuado. Assim entendo porque, concessa venia, não comungo de certas premissas admitidas nos expedientes cujo teor acima transcrevi. De fato, ao contrário da linha de raciocínio expressa pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional e pela Secretaria da Receita Federal, não vejo como tal delimitação corrobore ou mesmo se alinhe ao entendimento (i) de que a alínea "b" do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, teve por objetivo, não impor aos contribuintes o encargo de terem que iniciar negociações apressadas; (ii) de que a previsão insculpida no artigo 109 da Lei 11.196/05 seja uma forma de exclusão do reajuste baseado na correção monetária; (iii) de que o IGPM não poderia ser aplicado porque a referência ao inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069 é justamente para excepcionar determinados contratos da regra de aplicação geral do IPCR; e, menos ainda, (iv) de que a regra se constitui em exceção ao § 2º do art. 2º da IN SRF nº 468, de 2004. Ainda mais, também não posso aquiescer com a tese de que antes o conceito de "preço predeterminado" era amplo, havendo, agora, uma limitação para "os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos" (referência ao inciso II do § 1o do art. 27 da Lei n° 9.069, de 1995). E tampouco me parece que, no caso concreto, se esteja diante de contribuinte que tenha saído em busca de meios de prorrogar indefinidamente os seus contratos para que sobre aquelas receitas incidissem alíquotas menores ou que tenha, deliberadamente, reajustado seus contratos, aplicando índices de inflação diretamente aos seus preços. Com efeito, a meu sentir, o disposto na alínea "b" do inciso XI do artigo 10 da Lei 10.833/03 encontra supedâneo, sobretudo, nas disposições constitucionais que Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 9 15 preservam o ato jurídico perfeito, constituído antes da entrada em vigor da legislação que alterou o ordenamento jurídico eficaz à época da contratação do negócio2. Se as partes haviam pactuado um negócio em determinadas bases, como obrigálas a revêlo, modificando os encargos tributários e, corolário, o preço pactuado? Conforme se depreende dos autos, os contratos objeto da lide foram assinados no ano de 1997 e com vigência de quinze anos. Ainda no ano de 2000, antes, portanto, da instituição do Sistema Não Cumulativo de apuração das Contribuições, foi previsto o reajuste dos valores com base no IGPm. Essas circunstâncias remetem à insofismável conclusão de que, à data da entrada em vigor da sistemática não cumulativa, os contratos constituíamse em ato jurídico perfeito e já previam a preservação da expressão monetária do valor contratado por meio da indexação com base no IGPm. Nessas condições, não vejo como se possa cogitar que o objetivo da disposição legal em epígrafe tenha sido o de não impor aos contribuintes o encargo de terem que iniciar negociações apressadas, que haveriam de ser iniciados dentro de determinado prazo. Salvo melhor juízo, não se identifica nem base jurídica para que esse entendimento prospere nem fundamento legal que lhe explicite. Como disse, o que percebo é a preocupação do legislador em proteger o negócio regularmente constituído antes da entrada em vigor das Leis que modificaram o sistema de apuração das Contribuições Sociais e os efeitos econômicos que lhe eram próprios. E, também com base na configuração acima retratada, é possível dizer que não há razão para que se cogite de qualquer espécie de abuso de forma. A cláusula contratual de reajuste ou correção do preço já havia sido pactuada quando da entrada em vigor da legislação novel. Tratase, portanto, de uma condição própria do negócio, sem nenhum vínculo com as modificações introduzidas, que, definitivamente, não lhe deram causa. Feitas essas considerações preambulares, impõese averiguar o que venha a ser preço predeterminado para efeito de aplicação da legislação sob exame e quais sejam as condições para sua preservação como tal. Quanto a isso, uma vez que não pareça haver dúvidas sobre a qualidade de preço predeterminado dos valores contratados originalmente, creio que seja incontroverso assim considerálos até o momento em que tenham sido submetidos à correção monetária pelo IGPm. Em outras palavras, o valores recebidos pelo contribuinte, até a data prevista para o reajuste do preço, tratavamse de receitas relativas a contratos de fornecimento a preço predeterminado. O que é preciso decidir, portanto, é se essa condição foi perdida pela implementação do reajuste com base nesse índice de correção. Para tanto, necessário fazer uma digressão em torno dos índices de correção ou reajuste de valores (indexadores) existentes desde o advento da Lei 9.069/95. De início, releva dizer que, conforme depreendese da leitura dos pareceres supratranscritos, fixouse o entendimento de que o critério de reajuste admitido para os contratos a preço predeterminado constituise em uma exceção à regra geral e, por isso, merece interpretação restritiva. Contudo, como adiante se verá, da análise acurada da estrutura 2 Art. 4º A República Federativa do Brasil regese nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios: (...) XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 16 normativa própria vigente nos dias de hoje e à época da implementação do Plano Real, me inclino a dizer que este é o primeiro ponto a ser rechaçado. De plano, é de se destacar que, mesmo que o critério definido na Lei 11.196/05 se constituísse de uma exceção à regra geral, ainda assim não tratarseia de uma exceção de natureza tributária, e, por conta disso, não se lhe aplicariam as particularidades de interpretação inerentes a esse ramo do direito. Depois, retornado à essência da questão, me arrisco a dizer que o critério de correção previsto no inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 está muito mais para uma autorização de caráter ampliativo, do que para uma regra de exceção, daquelas que, como costumeiramente ocorre no direito tributário, só são válidas sob condição de adimplemento de certos requisitos e condições. Explico. Quando da edição da Lei 9.069/95, havia uma grande preocupação com a desindexação da economia, como medida necessária à erradicação da inflação. Por essa razão, ficou estabelecido que a correção da expressão nominal dos contratos ou dos preços em geral somente poderia ser realizada com base no IPCr, em mais nenhum índice. Contudo, por ser o IPCr um índice insuficiente para correção do valor contratual em certos segmentos de mercado, o legislador previu, para determinadas operações, indexação mais efetiva. Observese o texto legal. Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. § 2º Considerarseá de nenhum efeito a estipulação, a partir de 1º de julho de 1994, de correção monetária em desacordo com o estabelecido neste artigo. (...) Como fica claro, o imperativo legal foi unificar a indexação do mercado, desautorizando índices gerais de reajuste superiores ao IPCr e admitindo apenas algumas poucas exceções setoriais. A intelecção lógica desse contexto normativo leva a conclusão de que os índices excepcionados haveriam de ser mais elevados do que o índice geral de opção forçada, pois, caso contrário, não seria necessário autorizálos. Ou seja, a regra de exceção de que aqui tratamos era mais favorável aos contratantes, permitindo reajustes maiores do que o indexador por índice geral de preços. Mas há outros eventos que evidenciam ainda melhor a lógica que me esforço em demonstrar. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 10 17 Em 2001, a Lei 10.192, sem revogar o disposto na Lei 9.069/95, redefiniu o sistema macro de reajuste dos valores contratados, nos seguintes termos. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. § 4o Nos contratos de prazo de duração igual ou superior a três anos, cujo objeto seja a produção de bens para entrega futura ou a aquisição de bens ou direitos a eles relativos, as partes poderão pactuar a atualização das obrigações, a cada período de um ano, contado a partir da contratação, e no seu vencimento final, considerada a periodicidade de pagamento das prestações, e abatidos os pagamentos, atualizados da mesma forma, efetuados no período. § 5o O disposto no parágrafo anterior aplicase aos contratos celebrados a partir de 28 de outubro de 1995 até 11 de outubro de 1997.(Vide Medida Provisória nº 2.223, de 4.9.2001) § 6o O prazo a que alude o parágrafo anterior poderá ser prorrogado mediante ato do Poder Executivo.(Vide Medida Provisória nº 2.223, de 4.9.2001) Isso quer dizer que a partir da Lei 10.192/01 a correção monetária ou reajuste de preços passou a ser admitida com base em quaisquer índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, desde que com periodicidade igual ou superior a um ano. Pois bem, neste ponto me permito retornar às considerações iniciais que fiz, para reafirmar que encontro certa dificuldade em compreender a razão porque o legislador somente teria admitido o reajuste com base nos critérios definidos no § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95, em um cenário no qual esse critério específico já não era mais uma exceção, na medida em que estava contemplado pela regra geral de correção ou reajuste periódico admitidos pelo arcabouço normativo vigente. O IGPm, por sua vez, por ser um índice de composição mista3, pode ser definido tanto como um índice de preços, quanto como um índice de custos; mas, a despeito de qual enquadramento receba, não restam dúvidas de que se encontra hoje nessa mesma regra geral introduzida pelo art. 2º da Lei 10.192/01, tão aceito como indexador de contratos quanto o são os índices de variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados. 3 O IGPM é calculado com base em dados coletados entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês. É formado pelo IPAM (Índice de Preços por Atacado Mercado), IPCM (Índice de Preços ao Consumidor Mercado) e INCCM (Índice Nacional do Custo da Construção Mercado), com pesos de 60%, 30% e 10%, respectivamente. Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 18 A respeito da questão atinente aos índices gerais ou setoriais de reajuste do valor contratual, creio que seja pertinente trazer a lume as considerações da Câmara Permanente de Licitações e Contratos, criada no âmbito da Procuradoria Geral Federal AGU, por meio da Portaria 359/12, com objetivo de uniformizar questões jurídicas afetas a licitações e contratos Parecer n° 04/2013/CPLC/DEPCONSU/PGF/AGU. 23. Questão importante, nesse sentido, saber qual índice escolher. A priori, deve ser aquele que melhor reflita os preços do objeto contratual. Não há dúvida, portanto, de que índices setoriais ou específicos são preferíveis aos índices gerais, pois enquanto estes procuram mensurar variação de preços da economia em geral, aqueles aferem variação de preços em um determinado setor econômico ou refletem, de maneira detalhada, composição dos custos envolvidos na contratação. 24. Há, ainda, uma razão jurídica para preferência por índices setoriais ou específicos. art. 40, XI, da Lei n° 8.666/93 exige priorização de índices capazes de retratar variação efetiva do custo do objeto contratual: Art. 40, XI critério de reajuste, que deverá retratar variação efetiva do custo de produção, admitida adoção de índices específicos ou setoriais, desde data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento que essa proposta se referir, até data do adimplemento de cada parcela. 25. Para tanto, nada melhor que admitir adoção de índices setoriais ou específicos, pois são concebidos para, necessariamente, refletirem os custos de determinado setor da economia ou de determinado objeto, não os preços praticados no mercado em geral. 26. Para vários objetos contratuais, contudo, não existem índices específicos ou setoriais. Nesses casos, adoção de índice geral é, obviamente, mandatória, por absoluta impossibilidade de adoção de índice específico ou setorial por força da Orientação Normativa AGU n° 23/2009. Nesses casos, devese procurar verificar qual seria índice geral de preços que melhor estaria correlacionado com os custos do objeto contratual ou, ainda, em caráter subsidiário, verificar se existe, no mercado, algum índice geral de adoção consagrada para o objeto contratado. 27. Apenas se tecnicamente inviável identificação do índice geral mais adequado ou consagrado pelo mercado, deverá ser adotado IPCA/IBGE, pois, com supedâneo no art. 3o do Decreto n° 3.088, de 21 de junho de 1999,5 índice geral de preços oficialmente escolhido pelo Conselho Monetário Nacional para monitorar inflação do país desde Resolução CMN n° 2.615, de 30 de junho de 1999. A ementa do Parecer nº 04/13 traz, dentre outros enunciados, o seguinte: III. Contratação da prestação de serviços continuados sem dedicação exclusiva de mão de obra. Obrigatoriedade da cláusula de reajuste por índices setoriais ou específicos. Caso inexistam, a Administração Pública deverá adotar o índice geral de preços que melhor esteja correlacionado com os custos do objeto contratual ou, ainda, em caráter subsidiário, verificar se existe, no mercado, algum índice geral de adoção consagrada para o objeto contratado. Não havendo índices com uma dessas características, deve ser adotado o reajustamento pelo IPCA/IBGE. Obrigatoriedade de justificativa técnica da escolha do índice. Até quanto se sabe, não existe no mercado um índice específico para o cálculo do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, assim, conforme orientação acima, devese procurar verificar qual seria índice geral de preços que melhor estaria correlacionado com os custos do objeto Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 11 19 contratual ou, ainda, em caráter subsidiário, verificar se existe, no mercado, algum índice geral de adoção consagrada para o objeto contratado. Baseado nisso é que, segundo me parece, a manifestação da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL informando que o IGPm equivale ao custo de produção ou dos insumos utilizados no setor energético, se não eleva o Índice à condição de um índice "consagrado" no mercado, pelo menos acena com eloquência nesse sentido, uma vez que os agentes econômicos envolvidos haverão de seguir essa orientação e utilizálo na indexação dos contratos do setor. Neste contexto, também afigurase mais do que razoável o que se decidiu nos autos do Acórdão 3102001.881, no sentido de que o disposto no artigo 109 da Lei 11.196/05 apenas trata de uma possibilidade dentre outras tantas ali não especificadas. O fato de o legislador determinar que o reajuste feito nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069/95 não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, não significa, necessariamente, que o reajuste feito com base em outros critérios que coexistem com o critério admitido e que, em determinadas circunstâncias, praticamente se impõe, também não tenha esse mesmo efeito. Com base em tudo o que até aqui foi dito, tendo em vista (i) a inexistência do índice específico previsto em lei para preservação do valor de contratos objeto dos autos; (ii) que, nestes casos, a orientação da própria Administração sugere a adoção de um índice razoável; (iii) que o IGPm foi reconhecido pela Aneel como apto a exercer essa função; (iv) que, sabidamente, o valor do contrato requer proteção dos efeitos corrosivos da elevação geral dos preços; (v) que o IGPM, se não é, de fato, o índice indicado pelo critério excepcional (II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069/95), muito menos é o indicado no critério geral (caput do art. 27)4, até mesmo porque essa segregação deixou de existir a partir da Lei 10.192/01; e, (vi), principalmente, que os contratos de que aqui se trata já estavam indexados pelo IGPm antes da entrada em vigor da Lei 11.196/05, entendo que deva ser reconhecida a manutenção da condição de preço predeterminado do valor contratado, mesmo depois de implementado o reajuste/correção com base no IGPm. Resolvido isso, necessário que se diga que o assunto, contudo, não se esgota nem se decide com base exclusivamente nessa abordagem. Como bem demonstrado na Nota Técnica Cosit nº 1/07 e no Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007, o critério prefixado de reajuste do valor de contrato levava em consideração não somente um indexador para preservação do 4 O IPCr deixou de ser calculado em 1995, conforme art. 8º da Lei 10.192/01, e não foi substituído pelo IGP m. Como se sabe, a regra geral instituída pela Lei 9.069/95, de que apenas um índice de correção monetária/reajuste de preços poderia ser utilizado, salvo determinadas exceções, foi, também nessa ocasião, revogada. Todos os critérios de correção passaram a ter o mesmo status. Por conta dessas circunstâncias, a tentativa de enquadrar o IGPm na regra geral ou na exceção prevista pela Lei 9.065/95 é, a meu ver, incorreta. Ele situase, isto sim, dentre as possibilidades admitidas a partir da Lei 10.192/01. "Art. 8º A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo." Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA 20 preço negociado ante a perda do valor da moeda, mas, também, eventual alteração da carga tributária incidente na operação específica. Por ser demonstração de mais fácil compreensão, transcrevo excerto presente no Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007 a respeito do assunto. 7. Segundo a própria manifestação da ANEEL, a fórmula de reajuste dos contratos prevê que alteração tributária faz parte do cálculo do fator de reajuste. Destacamos a fórmula presente no contrato. FR = (VPA1 + (VPBO x IP))/RA Onde: FR é o fator de reajuste VPA é o "valor correspondente aos tributos relativos ao período de referência, nas condições vigentes na data de referência anterior" VPB é o "valor correspondente aos tributos relativos ao período de referência, nas condições vigentes na data do reajuste em processamento IP é o fator que exprime a variação do IGPM entre o mês anterior ao do reajuste em processamento e do mês anterior à data de referência anterior. RA é o somatório dos faturamentos de energia e de demanda no período de referência calculados com os preços de energia e de demanda na data de referência anterior, excluído o ICMS. É fato incontroverso, portanto, que os contratos em questão continham na fórmula de cálculo do preço predeterminado fator de reajuste com base em eventual alteração da carga tributária incidente. Poderseia, então, entender que, se o preço predeterminado com base em fatores também predeterminados já considerava, dentre esses fatores, eventual modificação da carga tributária, esses contratos já estavam preparados para, a partir da implementação do primeiro reajuste, passarem para o sistema não cumulativo de apuração das contribuições. Contudo, embora essa leitura possa parecer razoável, percebese logo que ela conduz a uma confusão entre causa e efeito. A carga tributária somente se altera se houver alteração no preço, descaracterizando sua condição de preço predeterminado, mas o preço somente se altera se houver alteração da carga tributária5. Mas creio que essa questão se resolva em definitivo à luz das disposições da Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 468, de 8 de novembro de 2004, autoproclamando efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004. Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 5 Abstraindose, por ora, a questão da inflação. Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11080.003212/200969 Acórdão n.º 3302002.906 S3C3T2 Fl. 12 21 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Percebese que em nenhum momento a regulamentação editada pela Secretaria da Receita Federal vinculou a condição de preço predeterminado à revisão dos valores feita com base na elevação da carga tributária, apenas à alteração de preço decorrente da aplicação de regra de reajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro. E, de fato, é óbvio que, quando se fala em implementação de reajuste como sendo um fator de elevação da carga tributária do contrato pela descaracterização da condição do preço predeterminado, esse reajuste não pode estar relacionado à própria carga tributária, necessariamente ele deve estar associado a outros elementos que tenham esse efeito. Se a intenção do Órgão Fiscalizador fosse a de contemplar essa situação, melhor seria que dissesse que a condição de preço predeterminado prevista na Lei 10.833/03 somente subsistiria, nos casos em que a fórmula de correção do valor do contrato tenha previsto alteração do preço em função da modificação da carga tributária, até a data marcada para a primeira "revisão". Não o disse. VOTO por dar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 09 de dezembro de 2015. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 18/12/2015 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 37172.001668/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/2003
RESPONSABILIDADE. NOTÁRIOS E REGISTRADORES.
A responsabilidade dos notários e registradores pelos atos praticados é pessoal, não estando adstrita às normas tributárias aplicáveis às pessoas jurídicas, como na hipótese de transferência por sucessão. STJ, 4ª Turma, REsp.nº 545.613/MG, rel. Min. Asfor Rocha, j.16.10.2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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NOTÁRIOS E REGISTRADORES. A responsabilidade dos notários e registradores pelos atos praticados é pessoal, não estando adstrita às normas tributárias aplicáveis às pessoas jurídicas, como na hipótese de transferência por sucessão. STJ, 4ª Turma, REsp.nº 545.613/MG, rel. Min. Asfor Rocha, j.16.10.2003. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 17 2. 00 16 68 /2 00 6- 14 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo recorrente, reconhecendo a decadência de parte do período do débito e determinando a retificação de parte dos valores lançados. Adotase trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 258 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado que, de acordo com o item 18 do Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, as folhas, 57 a 63, teve como fato gerador as remunerações dos trabalhadores considerados indevidamente como estatutários pelo titular do cartório, no montante de R$1.234.165,68 (um milhão, duzentos e trinta e quatro mil, cento e sessenta e cinco reais, sessenta e oito centavos), referentes ao período de outubro de 1997 a dezembro de 2003, consolidado em 27 de maio de 2005. Conforme item 19 do Relatório da NFLD, o lançamento encontrase baseado nos seguintes livros e documentos analisados no decorrer da ação fiscal: Livro de Registro de Empregados n° 01; Relação Anual de Informações Sociais — RATS, relativas aos anos de 1995 a 2003; Folhas de Pagamento, relativas aos período de 01/1995 a 12/2003; Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP dos empregados com carteira assinada, relativas ao período de 01/1999 a 12/2003. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n's 09220001 e 09233296, as fls.53 e 55. A documentação foi solicitada através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de fls. 54. O sujeito passivo teve ciência do lançamento, em 01 de junho de 2005, e, conforme informação prestada as fls. 131, apresentou impugnação tempestiva, juntada as fls. 88 a 129, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: (…) Face aos argumentos da peça de defesa e dos documentos juntados, bem como o disposto no inciso X e XI do artigo 70da Instrução Normativa INSS/DC n° 065, de 10 de maio de 2002, o processo foi enviado ao AuditorFiscal notificante para diligência, tendo o mesmo prestado as seguintes informações: a) que foi intimado o notificado, em 01/12/2005, através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, na pessoa de seu procurador Dr Tomé Pereira Filho, para apresentação de documentos que comprovassem a aposentadoria junto ao IPSEMG de diversos funcionários, bem como o Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 37172.001668/200614 Acórdão n.º 2401003.940 S2C4T1 Fl. 482 3 enquadramento dos trabalhadores arrolados nos autos como servidores públicos; b) que não foram apresentados documentos que comprovassem o enquadramento dos trabalhadores arrolados nos autos como servidores públicos; c) conforme ementa, item 16 do relatório fiscal de fls. 57 a 63, o próprio TST manifestou decidindo que empregado de cartório não é funcionário público, mas empregado do titular da serventia; d) o Sr. Antônio Daniel de Oliveira, ao tomar posse e entrar em exercício como titular de serventia em 08/12/2003, no Cartório do 10° Oficio de Notas de Belo Horizonte contratou os antigos funcionários no regime da CLT. e) o Cartório do 10° Oficio de Notas de Belo Horizonte foi também fiscalizado no período de 12/2003 a 12/2004. As contribuições previdencidrias foram recolhidas naquele período e as GFIP apresentadas. Às fis.138 a 143 foi emitida a Decisão Notificação n° 11.401 4/0173/2006, julgando o lançamento procedente em parte, homologada pelo Delegado da extinta Receita Previdencidria em Belo Horizonte, e encaminhada ao contribuinte, consoante oficio de fls.171, com a intimação para efetuar o pagamento em trinta dias ou interpor recurso administrativo no mesmo prazo. No prazo regulamentar o contribuinte apresentou recurso tempestivo, junto às fls.173 a 192. As fls.195 a 198, foram elaboradas as contra razões de recurso e encaminhado os autos ao Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS, para julgamento. As fls.213 a 218, os Membros da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, órgão competente para apreciar as razões de recurso, nos termos dos artigos 29 e 30, da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, através do Acórdão de n° 20500.179, decidiram por unanimidade de votos anular a decisão de primeira instância, a fim de oportunizar ao contribuinte o exercício do seu direito de defesa. As fls. 220/221 e 230/231, consta que foi encaminhado ao contribuinte copia do referido Acórdão e do resultado de diligencia e documentos, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento, para manifestarse sobre os mesmos. As fls.232 a 238, o contribuinte junta documentos e apresenta os seguintes argumentos, relatados em síntese: (...) Fl. 315DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada procedente em parte, reconhecendose a decadência de parte do período do débito e determinando a retificação de parte dos valores lançados. O recorrente foi cientificado do julgamento, tendo apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 296 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: ‐ ao contrário do que afirma o relator da decisão a quo, a questão do instituto da sucessão não foi enfrentada, tendo se limitado a dizer que o instituto não se aplica ao presente caso. Todavia, se aplicaria porque o lançamento ocorreu quando o atual titular do Cartório, Antônio Daniel de Oliveira, já estava investido no cargo. Assim, incidem as disposições contidas no art. 133 e inciso I do CTN, pois o notificado, Álvaro de Mendonça Sobrinho (substituto do titular Fernando de Mendonça), mesmo que quisesse, não poderia continuar exercendo e explorando a atividade cartorária que, desde 2003, somente é possível por concurso público; ‐ a responsabilidade tributária, de qualquer forma, não poderia ser do substituto do titular; É o relatório. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 37172.001668/200614 Acórdão n.º 2401003.940 S2C4T1 Fl. 483 5 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Responsabilidade. Cartório. Transferência após o lançamento. As serventias notariais e de registro não são pessoas jurídicas. Tal afirmação tornase inequívoca pela análise da relação jurídica existente entre o titular da Serventia e o Estado ou mesmo porque a organização é regulada por lei e os serviços prestados ficam sujeitos ao controle e fiscalização do Poder Judiciário. O cartório não possui personalidade jurídica, a qual só se adquire com o registro dos atos constitutivos na Junta Comercial ou no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. Com efeito, o art. 3° da Lei nº 8.935/94 definiu o notário, ou tabelião, e oficial de registro, ou registrador, como profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o exercício da atividade notarial e de registro. Assim, cumpre advertir que a responsabilidade dos notários e registradores pelos atos praticados é pessoal, não estão adstritos às normas tributárias aplicáveis às pessoas jurídicas. De fato, nos termos da lei, os cartórios extrajudiciais configuramse como instituições administrativas, não possuindo personalidade jurídica e desprovidos de patrimônio próprio, não se caracterizando, assim, como empresa ou entidade, o que afasta sua legitimidade passiva ad causam para responder por eventuais débitos tributários. Por se tratar de serviço prestado por delegação do Estado, apenas a pessoa do titular do cartório possui legitimidade para responder por eventuais créditos previdenciários os quais devem ser lançados diretamente em nome das pessoas físicas que efetivamente ocupavam o cargo à época dos fatos jurígenos tributários – Princípio tempus regit actum. Por tais razões, não há que se cogitar da sucessão pretendida pelo recorrente, pois no período referente aos fatos geradores era o recorrente o responsável pelo cartório. Constou na decisão de origem que, “no período a que se refere o lançamento mantido, ou seja, janeiro de 2000 a dezembro de 2003 o Senhor Alvaro de Mendonça Sobrinho, assumiu de fato e de direito a titularidade do Cartório do 10. Oficio de Notas de Belo Horizonte, em substituição ao Senhor Fernando de Mendonça, praticando os atos previstos no artigo 21 da Lei n° 8.935, de 18 de novembro de 1994, visto que a decisão proferida pela Quinta Turma do STJ só ocorreu em 19 de maio de 2005, conforme documentos juntados pelo Impugnante, as fls. 241 a 252”. Nesse particular, cabe mencionar entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que os cartórios não possuem personalidade jurídica, tampouco capacidade judiciária, não sendo sequer pessoa formal, circunstância que implica a lavratura do auto de infração diretamente no nome da pessoa física do Titular da Serventia, conforme se depreende da ementa do Recurso Especial nº 911.151/DF adiante transcrita, como de fato assim se sucedeu no caso que ora se cuida. REsp 911.151 / DF Rel. Min. Massami Uyeda Órgão Julgador: T3 Terceira Turma DJe 06/08/2010 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 RECURSO ESPECIAL CARTÓRIO EXTRAJUDICIAL TABELIONATO INTERPRETAÇÃO DO ART. 22 DA LEI N. 8.935/94 LEI DOS CARTÓRIOS AÇÃO DE INDENIZAÇÃO RESPONSABILIDADE CIVIL DO TABELIONATO LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM AUSÊNCIA RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. 1. O art. 22 da Lei n. 8.935/94 não prevê que os tabelionatos, comumente denominados "Cartórios", responderão por eventuais danos que os titulares e seus prepostos causarem a terceiros. 2. O cartório extrajudicial não detém personalidade jurídica e, portanto, deverá ser representado em juízo pelo respectivo titular. 3. A possibilidade do próprio tabelionato ser demandado em juízo, implica admitir que, em caso de sucessão, o titular sucessor deveria responder pelos danos que o titular sucedido ou seus prepostos causarem a terceiros, nos termos do art. 22 do Lei dos Cartórios, o que contrasta com o entendimento de que apenas o titular do cartório à época do dano responde pela falha no serviço notarial. 4. Recurso especial improvido. No mesmo sentido: REsp 545.613/MG Rel. Min. Cesar Asfor Rocha Órgão Julgador: T4 Quarta Turma DJ 29/06/2007 p. 630 PROCESSO CIVIL. CARTÓRIO DE NOTAS. PESSOA FORMAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. RECONHECIMENTO DE FIRMA FALSIFICADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. O tabelionato não detém personalidade jurídica ou judiciária, sendo a responsabilidade pessoal do titular da serventia. No caso de dano decorrente de má prestação de serviços notariais, somente o tabelião à época dos fatos e o Estado possuem legitimidade passiva. Recurso conhecido e provido. Pelas mesmas razões, não procede o argumento de que haveria vício no lançamento em razão de o lançamento ter ocorrido quando o atual titular do Cartório, Antônio Daniel de Oliveira, já estava investido no cargo. Como afirmado, a responsabilidade é pessoal e regese de acordo com a titularidade à época dos fatos geradores. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 37172.001668/200614 Acórdão n.º 2401003.940 S2C4T1 Fl. 484 7 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10480.734136/2012-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INCOMPLETUDE. INOCORRÊNCIA. FALTA DE DESCRIMINAÇÃO DOS TRABALHADORES E DA REMUNERAÇÕES. INOCORRÊNCIA. TODAS OS RELATÓRIOS, PLANILHAS E ANEXOS NECESSÁRIOS A IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES, BASES DE CÁLCULO, ALÍQUOTA, SUJEITO PASSIVO, EM SUMA, MATÉRIA TRIBUTÁVEL E DEMAIS REQUISITOS ESTÃO PRESENTES NOS AUTOS. BASE DE CÁLCULO DA EXAÇÃO. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO DOENÇA E ACIDENTE; TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS USUFRUÍDOS E AVISO PRÉVIO INDENIZADO. PARCELAS INDENIZATÓRIAS. AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA JURISPRUDÊNCIA DO STJ NO RITO DO 543 - C, DO CPC. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. RICARF. EXCLUSÃO DAS RUBRICAS DO LANÇAMENTO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2202-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. Pelo voto de qualidade, dar parcial provimento para excluir as seguintes rubricas integrantes da base de cálculo dos lançamentos: Auxílio - doença e Auxílio Acidente - folha de pagamento competências 11/2009 e 12/2009, evento 0006, denominado ATESTADO MÉDICO; Terço constitucional de férias usufruídas - folhas de pagamento competências 01/2009 a 12/2009, evento 0260 - 1/3 DE FÉRIAS e Aviso prévio indenizado - folha de pagamento da competência 06/2009, evento 0340 - AVISO PREVIO IND. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento em maior extensão. (Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente BBC TERCEIRIZAÇÃO LTDA EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 01/01/2010 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR INCOMPLETUDE. INOCORRÊNCIA. FALTA DE DESCRIMINAÇÃO DOS TRABALHADORES E DA REMUNERAÇÕES. INOCORRÊNCIA. TODAS OS RELATÓRIOS, PLANILHAS E ANEXOS NECESSÁRIOS A IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES, BASES DE CÁLCULO, ALÍQUOTA, SUJEITO PASSIVO, EM SUMA, MATÉRIA TRIBUTÁVEL E DEMAIS REQUISITOS ESTÃO PRESENTES NOS AUTOS. BASE DE CÁLCULO DA EXAÇÃO. ALIMENTAÇÃO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. AUXÍLIO DOENÇA E ACIDENTE; TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS USUFRUÍDOS E AVISO PRÉVIO INDENIZADO. PARCELAS INDENIZATÓRIAS. AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA JURISPRUDÊNCIA DO STJ NO RITO DO 543 C, DO CPC. REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA. RICARF. EXCLUSÃO DAS RUBRICAS DO LANÇAMENTO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. Pelo voto de qualidade, dar parcial provimento para excluir as seguintes rubricas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 41 36 /2 01 2- 67 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 560 2 integrantes da base de cálculo dos lançamentos: Auxílio doença e Auxílio Acidente folha de pagamento competências 11/2009 e 12/2009, evento 0006, denominado ATESTADO MÉDICO; Terço constitucional de férias usufruídas folhas de pagamento competências 01/2009 a 12/2009, evento 0260 1/3 DE FÉRIAS e Aviso prévio indenizado folha de pagamento da competência 06/2009, evento 0340 AVISO PREVIO IND. Vencidos os Conselheiros MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), que deram provimento em maior extensão. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 561 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP – DEBCAD 51.030.8201, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, relativamente, a cota patronal e ao SAT/RAT, assim como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.019.4451, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados – parte descontada dos trabalhadores, bem como o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.030.8210, que objetiva o lançamento da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 54 a 67, com período de apuração de 01/2009 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, de fls. 47 e 48. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 15/02/2012, conforme Folha de Rosto dos Autos de Infrações de Obrigações Principais – AIOP, fls. 02; 13 e 26. Consta, as fls. 181, Termo de Apensação (1), o qual informa a juntada por apensação a esse processo do processo 10480.734138/201256, ocorrido, em 21/02/2013. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostadas, as fls. 184 a 205, recebida, em 19/03/2013, conforme anotação de recepção, de fls. 184, estando acompanhada dos documentos, de fls. 206 a 388. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 390. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1444.784 16ª, Turma DRJ/RPO, em 17/09/2013, fls. 402 a 417. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte foi cientificado desse decisório, em 07/11/2013, conforme AR, de fls. 428. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 447, recebida, em 05/12/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 447, com razões recursais acostadas, as fls. 448 a 469, acompanhado dos documentos, de fls. 470 a 518. As razões recursais são as que a seguir constam de forma sumariada. Preliminarmente. · que houve erro na construção do lançamento, pois esse é genérico, uma vez que não identifica os fatos geradores omitidos em GFIP, não correlacionando os trabalhadores ao salário de contribuição, eivando o Fl. 562DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 562 4 lançamento de vício material insanável, tendo em vista a não identificação da matéria tributável, transcreve o artigo 142, do CTN e 10, do Decreto 70.235/72, devendo o auto conter a descrição do fato, indicando, assim, ao contribuinte os fatos que lhe são imputados e garantindo o exercício da ampla defesa e contraditório, artigo 5º, LV, da CF/88, cita doutrina de Alberto Xavier, sendo que a não indicação das verbas e a relação dos segurados a que se referem, o que violou a legalidade e prejudicou a defesa da recorrente, pois não pôde identificar quais verbas a autoridade entendeu omitidas, não podendo o fisco se valer dos documentos elaborados pela recorrente para se omitir em individualizar os segurados empregados e valores pagos a cada um e não informados, pois as folhas de pagamento mencionadas são simples resumos gerais, consolidados e que não identificam os trabalhadores, não sendo tais documentos aptos a lastrear o lançamento, cabendo ao fisco promover a correta caracterização dos episódios que justificam a autuação, devendo ser usada a folha de salário analítica da empresa, podendo identificar a matéria tributável, cita e transcreve Marcos Vinicius Neder e Maria Tereza Martinez Lopez, cita precedentes do CARF, requer decretação da nulidade do lançamento em razão do erro na construção do lançamento; Mérito. · que não deve incidir contribuição previdenciária sobre alimentação paga in natura por intermédio de cartão alimentação, uma vez que a empresa concede esse benefício em razão de CCT, contratando empresa especializada no fornecimento de cartão alimentação, sendo a fornecedora do cartão inscrita no PAT, cita precedentes do STJ e do STF (valetransporte), requer provimento e reforma da decisão guerreada para exclusão da rubrica alimentação da contribuição previdenciária e para terceiros; · que a autoridade fiscal incluiu na base de cálculo verbas de caráter indenizatório, tais como: a) auxílio doença e auxílio acidente; b) terço constitucional de férias; c) adicional de horas extras; d) aviso prévio indenizado, mas tais parcelas não ensejam contribuição previdenciária a e para terceiros, cita De Plácido e Silva, Leandro Paulsen; Roque Antônio Carazza, bem como o entendimento do STJ e STF, que estando essas matérias decididas pelo rito do 543 – C, do CPC são de aplicação obrigatória no CARF, artigo 62A, do RICARF; · Do pedido, pugna a recorrente: a) pelo total provimento ao recurso; em preliminar b) decretação de nulidade dos autos de infração, devido o erro na construção do lançamento, pois não houve a identificação da matéria tributável, violação ao artigo 142, do CTN e 59, da Decreto 70.235/72 e do exercício da ampla defesa; no mérito c) total improcedência da autuação pela cobrança indevida de contribuição previdenciária e de terceiros, sobre auxílio – alimentação; auxílio – doença, terço constitucional de férias, adicional de horas extras, aviso prévio indenizado, pois verbas de caráter Fl. 563DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 563 5 indenizatório, conforme jurisprudência do STJ e STF no rito do 543 – C, do CPC de observação obrigatória no CARF (art. 62 – A do RICARF e artigo 19, da Lei 10.522/2002. A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 535. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03, fls. 536. O contribuinte recorrente apresentou nova petição, a fls. 538 e 539, recebida, em 04/04/2014, acompanhada dos documentos, de fls. 540 a 548. · Pede a recorrente a juntada, conhecimento e observação pelo CARF do que decidido pelo STJ no RESP 1.230.957 – RS no rito do artigo 543 C, do CPC, pela aplicação do artigo 62 – A, do RICARF. É o Relatório. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 564 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetarão o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da Lide. O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF foi constituído originalmente como três lançamentos DEBCAD 51.030.8201, DEBCAD 51.019.4451 e DEBCAD 51.030.8210, porém o contribuinte informa que em relação ao DEBCAD 51.019.4451 promoveu o pagamento, conforme DARF, de fls. 290, sendo que em sua peça impugnatória de primeiro grau reportase ao fato, observese a transcrição. Desta forma, nos termos dos artigo 14, 15 e 17, todos, do Decreto 70.235/72, tal crédito está excluído do contencioso. Preliminar. O Relatório Fiscal – REFISC da autuação descreveu de forma clara, simples e objetiva as informações que foram omitidas em GFIP, basta ler a transcrição. 2.1.1 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas nos autos de infração 51.019.4451, 51.030.8201 e 51.030.8210 os pagamentos de remuneração aos segurados empregados, nas competências 01/2009 a 12/2009 (inclusive 13º Salário – 13/2009), cujos valores não foram informados pela empresa em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, observados nas folhas de pagamento mensais apresentadas, cujos resumos foram juntados ao presente processo. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 565 7 Inexiste a necessidade/obrigação do fisco listar os trabalhadores um a um, pois a folha de pagamento é global e o lançamento da contribuição se dá pela sua totalização. A empresa quando recolhe a contribuição não faz uma GPS por trabalhador, em regra, faz uma GPS pelo total da folha do estabelecimento e foi isso que fez o fisco. Aliás, o artigo 195, I, “a”, da CRFB/88 diz que a contribuição incide sobre “folha de salários”, isto é, o conjunto global da remuneração paga pela empresa e não a remuneração individual de um trabalhador, embora essa folha de salário possa trazer apenas a remuneração de um trabalhador. O conceito folha de salário não está traduzida no papel onde se acha informado os valores, mas sim o conjunto da massa salarial de um determinado contribuinte. Assim sendo, inexistente o alegado vício insanável, uma vez que a matéria tributável está completamente demonstrada nos autos e artigo 10, do Decreto 70.235/72 foi atendimento em sua inteireza, observese. · Identificação da Matéria tributável: § legislação aplicável Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 11 e 12; 24 e 25; 37 e 38; (valoração qualitativa) § determinação da base de cálculo e alíquota e definição do quantum debeatur, item 4 e subitem 4.1.1; item 5 e subitem 5.1.1; item 6 e subitens 6.1; 6.2, do REFISC, bem como nos ANEXOS I e II, fls. 68 e 69, e , ainda os Discriminativo de Débito – DD, fls. 03 e 04; 15 e 16; 28 e 29; (valoração quantitativa) § identificação do sujeito passivo – todas as peças do auto de infração; § proposição de penalidades – subitens 8.1; 8.2; 8.3 e 8.4, do REFISC; § Art. 10 – Decreto 70.235/72 – descrição do fato: subitem 1.1; 3.1 e seus subitens; 3.2 e seus subitens entre outros; Verificase, assim, que todos os elementos necessários a constituição do crédito estão presentes, não havendo mácula no lançamento nesse aspecto e nem cerceamento de defesa, pois o contribuinte se defende dos fatos imputados e não da lista de trabalhadores, que como dito é desnecessária, pois o conceito folha de pagamento e os recolhimentos são globalizados. Além, disso no caso em tela, poderia o contribuinte chegar a essa informação facilmente caso entendese ela importante para a sua defesa, pois os autos dão as informações necessárias para tal, observese, na folhas 114; 120; 126; 132; 137; 142; 147; 152; 157; 162; 166; 171; 176, na parte denominada BASES DE CÁLCULO POR CATEGORIA, informase a quantidade de segurados declarados na GFIP, por categoria e a base de cálculo da contribuição, Fl. 566DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 566 8 o que está sintetizado no Anexo I, de fls. 68, pela comparação das GFIP’s com os resumos de folhas de pagamento, bastando o contribuinte excluir os poucos trabalhadores declarados em GFIP um ou no máximo dois por competência para saber quem são os não declarados. Embora, isso ela saiba desde o momento que não os declarou. Aliás, a DRJ ao analisar a impugnação de primeiro grau fez essa consideração e até entabulou um exemplo para esclarecer o contribuinte, trago o trecho daquele acórdão a colação. Exemplificando, tomemos como referência a competência 01/2009. Na GFIP transmitida em 26/04/2012, nº de controle Otuvo5z0aPw00006,FPAS 515, cód. recolhimento 150, constou declaração da remuneração referente a um segurado Romero de Sa Leitão Junior, no valor de R$ 827,92, que prestou serviços a tomadora Moura Dubeux Eng Empreend S/A . Os demais segurados empregados informados em folha na competência 01/2009, foram excluídos da GFIP, assim como o total de suas remunerações, conforme diferenças apontadas no Anexo I, fls. 68. O fisco não omitiu informação alguma só não é obrigado a detalhar a folha de pagamento da própria recorrente, quando é a própria Constituição Federal que diz que a contribuição incide sobre a folha de salários em não sobre a remuneração individual do trabalhador. Esclarecidos os pontos acima rejeito a preliminar. Mérito. Base de Cálculo. Inicialmente, devese observar que o fiscal lançador considerou como base de cálculo para fins de contribuição previdenciária os valores que a própria empresa informou e considerou como base da contribuição social previdenciária em sua folha de pagamento, pois extraiu os valores, conforme resumos apresentados e anexados, as fls. 97 a 109, competências 01/2009 a 12/2009 e mais o 13º/2009, veja o que da folha consta, na competência 01/2009 e assim sucessivamente até a competência 13º/2009 (décimo – terceiro). Alimentação em Pecúnia. Ao observarse as folhas de pagamento citadas verificase que apenas na competência 01/2009 ocorre a inclusão nos proventos de rubrica relativa a Vale – Alimentação, mas tal rubrica foi paga em pecúnia e não in natura e assim ela é base de cálculo da contribuição social previdenciária, pois apenas a alimentação in natura tem a incidência da contribuição afastada, pois é isso o que a AD nº 03/2011. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 567 9 ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional O precedente do STF citado relativo ao vale – transporte não se aplica ao caso RE 389.903 AgR. Ministro Eros Grau, pois o artigo 108, parágrafo 2º, da Lei 5.172/66 diz que o emprego da equidade não pode resultar na dispensa de tributo, bem como o artigo 150, §6º, da CRFB/88, diz que qualquer isenção só pode ser concedida por lei específica, o que não é o caso. Parcelas Indenizatórias e base de cálculo. Nossas cortes superiores Supremo Tribunal Federal – STF e Superior Tribunal de Justiça – STJ (RESP Nº 1.230.957 – RS), vem decidindo que determinadas parcelas não são integrantes da contribuição social previdenciária ou que determinadas parcelas são integrantes dessa contribuição, assim sendo necessário se faz analisar e observar cada uma deles em relação aos lançamentos, aqui discutidos. Auxílio – doença e Auxílio Acidente. Da observação das folhas de pagamento anexadas aos autos verificase que consta uma rubrica na folha dos meses 11/2009 e 12/2009, evento 0006, denominada ATESTADO MÉDICO, à época da elaboração e pagamento de tais folhas não havia dúvidas de que tal rubrica era base de cálculo da contribuição social previdenciária, havendo agora orientação jurisprudencial em sentido diametralmente oposto e decidido na sistemática do artigo 543 – C, da Lei 5.869/73, o que nos termos do artigo 62 – A, da Portaria MF 343/2015 Regimento Interno do CARF, a orientação é de observação obrigatória, assim tal rubrica deve ser excluída das citadas competências. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 568 10 Terço constitucional de férias usufruídas. A rubrica ora em análise, também, foi tratada no precedente judicial suscitado e o E. Superior Tribunal de Justiça – STJ entendeu que sobre tal rubrica não incide contribuição social previdenciária, pois é parcela indenizatória/compensatória e não remuneratória. Assim, havendo nas folhas de pagamento utilizadas rubrica desta natureza e assim identificada 0260 1/3 DE FÉRIAS devem elas serem excluídas, situação que se verifica, nas competências 01/2009 a 12/2009. Em relação ao adicional de ferias concernente as ferias gozadas,tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, Die de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de ferias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas" . Adicional de Horas – Extras. Essa rubrica especificamente não faz parte do precedente do RE Nº 1.230.957 – RS e assim não tem o amparo das anteriores. A recorrente vem discutir essa rubrica com supedâneo no AgR no RE 389.9031 DF, Ministro Relator Eros Grau STF e no Edcl no AgRg no RESP 895989SC, Ministro Relator Humberto Martins, ocorre que os precedentes não se aplicam ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, pois decididos dentro do âmbito do Regime Próprio de Previdência Social – RPPS do servidores públicos federais, instituído e regulamento pela Lei 8.112/90, as passagens abaixo transcritas dos arestos citados não deixam dúvidas disso. Edcl no AgRg no RESP 895989SC Ademais, o Supremo Tribunal Federal vem se posicionando pelo afastamento da contribuição previdenciária sobre o adicional de férias e horas extras, sob o fundamento de que somente as parcelas incorporáveis ao salário do servidor devem sofrer a sua incidência. . . . 4. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal vem externando o posicionamento pelo afastamento da contribuição previdenciária sobre o adicional de férias e horas extras sob o fundamento de que somente as parcelas incorporáveis ao salário do Fl. 569DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 569 11 servidor devem sofrer a sua incidência. Precedentes: AgRgRE 545.3171/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 14/03/2008; AgRgRE 389.903/DF, Rel. Min. Eros Grau, DJ 05/05/2006. E as decisões monocráticas: AI 715.335/MG, Rel. Min. Carmen Lúcia, DJ 13/06/2008; RE 429.917/TO, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJ 29/05/2007. Do STJ: Resp 786.988/DF, Rel. Min. Castro Meira, DJ 06/04/2006; Resp 489.279/DF, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 11/04/2005; Resp 615.618/SC, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 27/03/2006. O conceito jurídico servidor não é conceito que se aplique ao trabalhador sujeito ao Decreto – Lei 5.452/1943 e nem ao segurado do Regime Geral de Previdência Social – RGPS administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. Aliás, o decisum a seguir transcrito ilumina a solução sem maiores digressões. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE. SALÁRIO PATERNIDADE. INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO FIRMADO EM REPETITIVO. RESP PARADIGMA 1230957/RS. FÉRIAS GOZADAS. HORAS EXTRAS. ADICIONAIS NOTURNO, DE INSALUBRIDADE E PERICULOSIDADE. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Incide contribuição previdenciária sobre o saláriomaternidade e o salário paternidade. Entendimento reiterado no REsp 1230957/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 26/2/2014, DJe 18/3/2014, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). 2. A jurisprudência do STJ reconhece a incidência de contribuição previdenciária sobre as rubricas: férias gozadas, horas extras, adicionais noturno, de insalubridade e periculosidade. Precedentes. Súmula 83/STJ. Agravo regimental e improvido. (STJ AgRg no REsp: 1486149 SC 2014/02567772, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 20/11/2014, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 04/12/2014) (o destaque é meu). Destarte, a contribuição sobre horas – extras deve ficar mantida. Aviso prévio indenizado. A rubrica acima identificada apenas consta da folha de pagamento da competência 06/2009. 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a Fl. 570DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 570 12 parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, ‘se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba’ (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. Assim sendo, na linha do procedente judicial do STJ em parte transcrito acima, deve a rubrica ser excluída da base de cálculo da competência. Declinados os esclarecimentos acima rejeito as preliminares e no mérito mantenho o lançamento em questão, inclusive, quanto a alimentação em pecúnia e as horas extras. Todavia, determino a exclusão das verbas de caráter indenizatório reconhecida pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sistema do artigo 543 C, da Lei 5.869/73, como a seguir discriminado. · Auxílio – doença e Auxílio Acidente – folha de pagamento competências 11/2009 e 12/2009, evento 0006, denominado atestado médico; · Terço constitucional de férias usufruídas folhas de pagamento competências 01/2009 a 12/2009, evento 0260 1/3 DE FÉRIAS; · Aviso prévio indenizado folha de pagamento da competência 06/2009, evento 0340 – AVISO PREVIO IND; Fl. 571DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10480.734136/201267 Acórdão n.º 2202003.125 S2C2T2 Fl. 571 13 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para rejeitar as preliminares e no mérito darlhe provimento parcial para determinar a exclusão das rubricas integrantes da base de cálculo dos lançamentos, conforme constam das folhas de pagamento, estando essas a seguir identificadas, Auxílio – doença e Auxílio Acidente – folha de pagamento competências 11/2009 e 12/2009, evento 0006, denominado ATESTADO MÉDICO; Terço constitucional de férias usufruídas folhas de pagamento competências 01/2009 a 12/2009, evento 0260 1/3 DE FÉRIAS e Aviso prévio indenizado folha de pagamento da competência 06/2009, evento 0340 – AVISO PREVIO IND. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 16682.900891/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
Ementa:
CSLL. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP.
Verificado o saldo negativo da CSLL no valor de R$ 12.797,06, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor do crédito remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 16893.04487.280307.1.3.04-5249, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 12.797,06, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 Ementa: CSLL. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo da CSLL no valor de R$ 12.797,06, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor do crédito remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 16893.04487.280307.1.3.04-5249, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
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SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo da CSLL no valor de R$ 12.797,06, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor do crédito remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 16893.04487.280307.1.3.045249, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 12.797,06, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 91 /2 01 0- 94 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marcelo Cuba Netto, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que não homologou a compensação efetivada por meio do PER/DCOMP nº 16893.04487.280307.1.3.045249, de débito de estimativa de CSLL (cód. 2469),relativo ao período de apuração fevereiro/2007, no valor de R$ 2.504,79, com o crédito de R$ 2.504,79, oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, realizado por meio de DARF (cód. 2469), referente ao período de apuração 31/12/2006, no valor total de R$ 8.349,30. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 07 (nº de rastreamento 880540383), emitido em 06/09/2010, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 2.504,79. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ... III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 21/09/2010 (AR, fls.11), interpôs a interessada a manifestação de inconformidade de fls. 12/20 e 50/51, instruída com os documentos de fls. 21/46, alegando, em síntese, que: Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 4 3 3.1. os valores compensados devem ser homologados parcialmente, em face de erro formal cometido no preenchimento da DIPJ/2007, ano calendário 2006, que ocasionou informação incorreta do crédito pleiteado; 3.2. a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003; 3.3. o crédito utilizado no PER/DCOMP não homologado advém de retenções provenientes de órgão público, pagamentos de estimativas mensais e estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, conforme consta na Ficha 17 da DIPJ/2007; 3.4. ocorre que, os valores apontados, os quais podem ser comprovados através dos documentos que instruem sua manifestação, não foram informados na DIPJ, mas foram posteriormente utilizados no pedido de compensação como imposto indevido, quando o correto seria como saldo negativo; 3.5. após o recebimento do Despacho Decisório, retificou a Ficha 17 da DIPJ/2007, assim como o PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250, como forma de corroborar o acima exposto, constituindo assim um saldo negativo de R$ 12.797,06, o qual faz jus; 3.6. reconhece que, considerar o crédito como imposto indevido e não como saldo negativo, gera uma diferença a ser recolhida aos cofres públicos, no entanto, o valor não deve corresponder à totalidade exigida no Despacho Decisório, mas somente à multa e aos juros atualizados; 3.7. assim, considerou o crédito como pagamento indevido ou a maior quando da transmissão do PER/DCOMP nº 16893.04487.280307.1.3.045249 em 28/03/2007, no total de R$ 2.504,79 (principal: R$ 2.116,07; multa: R$ 349,15; juros: R$ 39,57), porém o correto seria considerar o valor principal atualizado pela taxa SELIC de janeiro/2007 até março/2007, totalizando R$ 2.178,49, restando uma diferença a ser recolhida de R$ 326,30; 3.8. o erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP não exclui o direito à utilização do saldo mencionado, uma vez que se tratam de erros formais, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria aqui tratada; 3.9. desse modo, a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito pleiteado, conforme já reiterado inúmeras vezes pelas DRJ (Acórdãos nº 1518706/ 2009 e nº 0620283/ 2008) e pelo CARF (Acórdão nº 10417249/ 1999) acerca da situação fática de erro de preenchimento de meio Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 5 4 eletrônico, ao concluírem, em suma, que a verdade material deve prevalecer sobre a formal; 3.10. o equívoco jamais pode culminar na desconsideração do crédito oriundo do saldo negativo apurado no ano calendário de 2006, não havendo qualquer mácula na efetiva existência do crédito a ser compensado, tendo em vista que, em hipótese alguma a forma pode se sobrepor à essência; 3.11. é nítida a existência do crédito a que tem direito e que agora é compelida a devolver aos cofres públicos; 3.12. se a manifestação de inconformidade não for acolhida estará a Receita Federal obtendo vantagem patrimonial sem justa causa, o que constitui enriquecimento ilícito, instituto esse fortemente repudiado tanto pelos Tribunais Administrativos como pelos Tribunais Superiores do Judiciário; 3.13. diante do exposto, demonstrada a improcedência parcial do indeferimento do pleito, requer a homologação parcial da compensação efetuada, devendo ser considerada a diferença recolhida em DARF anexo. ... A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ1/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1242.027, de 31 de outubro de 2011, cientificado ao interessado em 11/09/2012 (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010 LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA AINDA PENDENTE DE ANÁLISE OU ALTERAÇÃO. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, compõe a base de cálculo negativa apurada ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 6 5 Conforme o despacho de encaminhamento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 31/07/2012. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido por haver concluído que, em decorrência da pendência de análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.03 6375 e nº 28675.06910.211010.1.7.031728, bem como da possibilidade de modificação dos PER/DCOMPs enviados e da apresentação de novos pedidos de compensação que se utilizem do mesmo saldo negativo, o direito creditório ora pleiteado não seria liquido e certo. Nestes termos, não homologara a compensação declarada. A Recorrente diz que o entendimento é equivocado, pelo que o acórdão recorrido, deve ser integralmente reformado. Alega que: não cabe prejuízo ao julgamento, por depender o presente processo da análise de outras compensações, pois, afronta o principio da eficiência, em razão da não homologação do pedido de compensação por ausência de julgamentos de processos vinculados ao mesmo crédito. a autoridade Fiscal limitouse a afirmar que o crédito pleiteado por meio da PER/DCOMP formalizada nos presentes autos não apresentavam liquidez e certeza, sem ao menos possuir consistente fundamentação e provas, atendose somente a fatos advindos de hipotéticas alterações nas compensações envolvendo o mesmo crédito. de acordo com o principio da verdade material,deve o julgador analisar se, de fato, ocorreu a hipóteseabstratamente prevista na norma e em caso de manifestação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade,independente do alegado e provado. no âmbito do processo administrativo, além da Verdade Real, impera o Principio da Oficialidade, o qual impõe à Autoridade Fiscal o dever de impulsionar o feito, efetuando diligências, solicitando documentos, com o fito de concluir o processo administrativo em fiel consonância com a verdade real e com a realidade dos fatos. o acórdão proferido nos presentes autos deve ser prontamente reformado, devolvendose os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no anocalendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de CSLL em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de CSLL do anobase encerrado em 31/12/2006. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 7 6 Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do Recurso Voluntário por essa Turma julgadora. A extinta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.325, de 11/09/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/RJO informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, e outros, restou reconhecido o saldo credor de CSLL do ano calendário de 2006, no montante de R$ 12.797,06 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos, e informar se os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existe decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. A Demac/RJO procedeu "Informação" da qual fora cientificado o sujeito passivo em 16/10/2014, que se manifestou em 30/10/2014. Os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802000. 325, de 11/09/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: Conforme relatado, o crédito de R$ 2.504,79, aventado nos presentes autos, referese a pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, realizado por meio de DARF (cód. 2469), no valor total de R$ 8.349,30, referente ao período de apuração de 31/12/2006, declarado no PER/DCOMP nº 16893.04487.280307.1.3.045249 (fls.02/06). Os fatos e fundamentos para o indeferimento do pleito, em sede de primeira instância, estão bem explicados no voto condutor do acórdão recorrido do qual se extraem os seguintes excertos: ... 7. Em consulta ao Sistema IRPJ, verifico que a interessada apresentou três DIPJ no ano calendário de 2006: a original (nº 1220872), em 29/06/2007, uma retificadora/cancelada (nº 1514415), em 25/08/2008, e outra retificadora/ativa (nº 1570152), em 21/10/2010, após a ciência do Despacho Decisório Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 8 7 em 21/09/2010. Em todas três, são idênticos os valores das estimativas mensais informados na Ficha 16 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa”), os quais totalizam R$ 3.493.601,64 (fls. 53/64), como demonstrado a seguir: ... 8. A interessada afirma, que após o recebimento do Despacho Decisório procedeu à retificação da Ficha 17 da DIPJ/2007, passando a fazer jus à base de cálculo negativa de R$ 12.797,06. 9. O Sistema IRPJ confirma (fls. 65/67), que o motivo do acréscimo da base de cálculo negativa está no preenchimento da Ficha 17 (“Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido”), eis que, enquanto nas duas primeiras DIPJ a parcela dedutível da “CSLL Mensal Paga por Estimativa” apresenta o valor de R$ 3.493.601,64, na DIPJ retificadora/ativa consta R$ 3.506.298,06. Consequentemente, a base negativa de R$ 100,64 das duas primeiras restou acrescida para R$ 12.797,06 na última DIPJ, como sintetizado a seguir: ... 10. Alega a interessada que, por essa razão, também efetuou a retificação do PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.03 9250 após a ciência do Despacho Decisório. De fato, no PER/DCOMP retificador de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 (fls.31/42) declara a compensação de débito de CSLL utilizando o crédito de R$ 75,12, proveniente da base de cálculo negativa retificada de R$ 12.797,06. Após a compensação, o saldo do crédito original soma o montante de R$ 12.721,94. 11. Em pesquisa ao Sistema SIEFWeb (fls.105), constato que a interessada também transmitiu, na mesma data, outro PER/DCOMP, de nº 28675.06910.211010.1.7.031728 (fls.68/71), no qual se utiliza de parcela do referido crédito remanescente de R$ 12.721,94, para compensar débito de CSLL, apurando, após a compensação, o saldo de crédito de R$ 12.696,42. 12. Assim, há necessidade de se averiguar se o excesso recolhido a título de estimativa de CSLL integra a base de cálculo negativa de R$ 12.797,06 pleiteada no PER/DCOMP nº 00324.76305.211010.1.7.036375, e se esse excesso foi utilizado para compensação de algum débito. ... 16. Com base nos dados informados na DIPJ/2007 retificadora/ativa, nas DCTF do ano calendário de 2006 e nos recolhimentos de estimativa efetuados constantes do Sistema SIEFWeb, elaborei o seguinte demonstrativo: ... Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 9 8 17. De sua análise, fica evidente que a interessada cometeu, de fato, um erro material no preenchimento das duas primeiras DIPJ/2007, ao deixar de informar na Ficha 17 das respectivas declarações o efetivo valor da “Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Paga por Estimativa” – R$ 3.506.298,06 – e, consequentemente, da base de cálculo negativa – R$ 12.797,06 após todos os recolhimentos de estimativa de CSLL efetuados. Por essa razão, procedeu à entrega da terceira e última DIPJ/2007, ainda que após o recebimento do Despacho Decisório. 18. Vêse, assim, que todas as estimativas de CSLL recolhidas a maior, no período de julho a dezembro/2006, totalizando o valor original de R$ 12.696,41, compõem efetivamente a base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, pleiteada no PER/DCOMP nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e no PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728. 19. A conduta da interessada de promover a retificação da DIPJ/2007 após a ciência do Despacho Decisório, bem demonstra o seu intuito de pleitear como crédito oriundo de base de cálculo negativa, tanto os complementos de estimativa efetivamente recolhidos como os valores recolhidos a maior. Prova está na retificação do PER/DCOMP nº 24619.77104.230207.1.3.039250 pelo de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e, ainda, na transmissão do PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728, para declarar compensação de débitos com crédito oriundo da base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, no qual se incluem os valores pagos em excesso. Desse modo, a presente análise deve se ater à mencionada base de cálculo negativa retificada. 20. Sobre a matéria, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos: ... 21. No caso concreto, o crédito pleiteado não apresenta, todavia, os requisitos de liquidez e certeza exigidos no referido diploma legal, pelos motivos que passo a expor. 22. Os PER/DCOMP de nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, por meio dos quais a interessada utiliza como crédito, para efeito de compensação, parte da base de cálculo negativa de R$ 12.797,06, ainda se encontram pendentes de análise conclusiva, de acordo com as informações extraídas do Sistema SIEFWeb (fls. 103 e 104). Em decorrência, o exame desse saldo credor não se consumou até a presente data, podendo ele ser confirmado ou não pela autoridade administrativa de jurisdição da interessada, do mesmo modo que o saldo remanescente de R$ 12.696,42 indicado no PER/DCOMP nº 28675.06910.211010.1.7.031728. 23. Vale ressaltar, que descabe nesta instância administrativa o exame do referido saldo negativo, eis que, se assim ocorresse, Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 10 9 estarseia incorrendo em supressão de instância, com evidente prejuízo para a interessada no que concerne à sua defesa. 24. Outro fator que contribui para aumentar a incerteza quanto ao valor do crédito é o fato de o saldo negativo se referir ao ano calendário de 2006. Nessas condições, uma vez ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, tem a interessada a possibilidade de, no prazo decadencial de 5 (cinco) anos, ou seja, até 31/12/2011, alterar pedidos feitos em PER/DCOMP anteriores ou mesmo apresentar novos pedidos, com a finalidade de compensar débitos com crédito proveniente desse saldo negativo, de vez que os excessos recolhidos de julho a dezembro/2006 se encontram disponíveis. 25. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, motivo pelo qual não reconheço o direito creditório de R$ 2.504,79 pleiteado no PER/DCOMP nº 16893.04487.280307.1.3.045249 e não homologo a compensação nele declarada, do débito de CSLL, PA fevereiro/2007. Como se vê, a conclusão da DRJ é que: Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, compõe a base de cálculo negativa apurada ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art. 170 do CTN). A Recorrente não se insurge quanto ao entendimento expendido pela DRJ no sentido de que o valor pleiteado no PER/DCOMP sob análise decorre de excesso de estimativa que compõe o saldo credor do IRPJ, declarado na DIPJ/2007, objeto de compensação em dois outros PER/DCOMP. A pretensão da Recorrente em sede recursal é que, os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.031728, em que se analisa o saldo credor da CSLL de 2006, não sejam óbice para a deliberação do pleito de que tratam os presentes autos. A Recorrente pede que sejam devolvidos os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no ano calendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 11 10 Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de CSLL em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo da CSLL do anobase encerrado em 31/12/2006. Resta comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de CSLL, relativo ao período de julho/2006, compõe o saldo negativo de R$ 12.797,06, apurado ao término do ano calendário de 2006, utilizado para compensação de débitos. Com efeito, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima, pode, em tese, ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que reconhecido e informados os débitos compensados, via PER/DCOMP. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que expediu o despacho decisório, para diligenciar e informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.03 1728, e outros, restou reconhecido o saldo credor de CSLL do ano calendário de 2006, no montante de R$ 12.797,06 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Finalmente informar se os PER/DCOMPs n° 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.03 1728 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existem decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. ... Em atendimento ao pleiteado na Resolução acima, a Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ após verificar a situação dos mencionados PER/DCOMP, conforme constam do sistema SIEF Web, apresentou a seguinte informação: (...) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 12 11 7. Em atendimento ao solicitado na Resolução supra temse as seguintes informações: o Per/Dcomp 00324.76305.211010.1.7.036375 trata de Dcomp (retificadora da 24619.77104.230207.1.3.039250) de saldo negativo de CSLL no montante de R$ 12.797,06 referente ao exercício 2007 (01/01/2006 a 31/12/2006). As parcelas de composição do crédito somaram a importância de R$ 3.506.398,70 e referiam se à CSLL retida na fonte, a pagamentos de estimativas da contribuição sob o código de receita 2469 e a estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores. O saldo negativo de R$ 12.797,06 resultou da diferença entre o total da composição do crédito (R$ 3.506.398,70) e o total de IRPJ/CSLL devido no período (R$ 3.493.601,64) [fls. 158 a 160]. 8. Durante a análise automática da Dcomp 00324.76305.211010.1.7.036375 quando da validação das parcelas de composição de crédito informadas pelo contribuinte com os dados constantes dos sistemas da RFB – algumas inconsistências foram identificadas, suspendendo a análise daquela e selecionandoa para a análise do usuário. Somente após a complementação de informações, por um AuditorFiscal da RFB em interface do sistema, a Dcomp retornará ao fluxo eletrônico para conclusão da análise do crédito. 9. As inconsistências identificadas foram: i) Dcomp informada ou sua retificadora pendente de análise e; ii) há Per/Dcomp de pagamento indevido ou a maior utilizando o mesmo Darf (fls. 158 a 160). A primeira inconsistência referese à Dcomp 20638.86653. 221007.1.7.03 7915, a qual foi homologada totalmente, mas no momento encontrase na situação “aguardando procedimentos de compensação”, os quais serão executados automaticamente pelo sistema (fls.161). 10. A outra inconsistência identificou que o contribuinte utilizou o mesmo Darf em outro Per/Dcomp de pagamento indevido ou a maior. O excesso recolhido a título de estimativa de CSLL, referente ao período de apuração de 31/12/2006 informado na Dcomp 00324.76305.211010.1.7.036375 coincide com o solicitado no presente processo. 11. Assim, podese afirmar que o crédito pleiteado na Dcomp 16893.04487.280307.1.3.045249, objeto do processo em tela, também consta da Dcomp 00324.76305.211010.1.7.036375. 12. A Dcomp 28675.06910.211010.1.7.031728 não apresentou inconsistência, mas sua análise automática foi suspensa tendo em vista que o crédito nela informado consta de outra Dcomp (00324.76305.211010.1.7.036375) [fls. 162]. 13. Ainda a fim de atender ao requerido na Resolução nº 1802 000.325, esclarecese que os Per/Dcomp nº 00324.76305.211010.1.7.036375 e 28675.06910.211010.1.7.03 1728 não constam de processo administrativo fiscal em tramitação, bem como não existem decisões administrativas para aqueles. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900891/201094 Acórdão n.º 1201001.331 S1C2T1 Fl. 13 12 ... Depreendese da informação acima que o saldo negativo de R$ 12.797,06 da CSLL do ano calendário de 2006 é objeto de análise do Per/Dcomp nº 00324.76305.211010.1.7.036375 que tem conexão com a matéria discutida nos presentes autos, de sorte que havendo o reconhecimento total do mencionado saldo negativo da CSLL, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor do crédito remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 16893.04487.280307.1.3.045249, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o valor ainda não utilizado pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 12.797,06, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10580.003170/2003-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Nov 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial, 2ª Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à unidade do domicílio tributário da Recorrente e que o Fisco proceda as verificações requisitadas por este Colegiado, respondendo as questões de 1 a 6 contidas no Voto da presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Pereira.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 909 1 908 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.003170/200377 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.359 – 2ª Turma Especial Data 28 de janeiro de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente UNIGEL PLÁSTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial, 2ª Câmara da Terceira Seção, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência, para que os autos retornem à unidade do domicílio tributário da Recorrente e que o Fisco proceda as verificações requisitadas por este Colegiado, respondendo as questões de 1 a 6 contidas no Voto da presente Resolução. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 908), para formalização do respectivo Acórdão, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .0 03 17 0/ 20 03 -7 7 Fl. 909DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10580.003170/200377 Resolução nº 3802000.359 S3TE02 Fl. 910 2 considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte Unigel Plásticos S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1516.963, proferido em primeira instância pela 4ª Turma da DRJ de Salvador (BA), que julgou, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de ressarcimento e não homologar a compensação requerida. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “O estabelecimento acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, com base na portaria MF n° 38, de 1997, como ressarcimento das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS incidentes nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos exportados, relativo ao 1° trimestre de 2003, conforme pedido de ressarcimento de fl. 01 (substituído pelo pedido de fl. 162), cumulado com a Declaração de Compensação, fl. 47. No Termo de Verificação Fiscal, fls. 216 a 218, o fiscal diligente relata que conferiu os dados da receita de exportação, receita bruta, compras e custos de insumos mensais informados nos DCP entregues pela empresa à Receita Federal. Após levantar os valores, com base na escrituração contábil e fiscal da empresa, comparouos aos informados, constatando uma série de divergências importantes. Essas diferenças levaram a concluir que o valor do crédito presumido acumulado para ressarcimento é de R$ 160.336,75, não o valor do ressarcimento solicitado nas fls. 162. Destarte, considerando a existência de um elevado saldo de crédito negativo originário de 2002 a compensar, resulta que não há crédito presumido passível de ressarcimento nesse primeiro trimestre. A DRF/Salvador proferiu Despacho Decisório n° 082, de 14 de fevereiro de 2008, fls. 235 a 243, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando as compensações, com base no termo de verificação fiscal, fls. 216 a 218, e no relatório e na fundamentação apresentada neste documento. A contribuinte apresentou, em 10/04/2008, manifestação de inconformidade, fls. 252 a 339, alegando, em síntese, que: houve equivoco na apuração realizada pela fiscalização, porque o valor do crédito presumido efetivamente apurado no 1° trimestre de 2003 foi suficiente para a quitação de todo o crédito negativo apurado em 2002, restando um saldo passível de ressarcimento no montante de R$ 388.351,04; afirma que apurou no 1° trimestre de 2003, a titulo de crédito presumido de IPI, os valores de: R$ 58.307,64 em jan/20031 R$ Fl. 910DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10580.003170/200377 Resolução nº 3802000.359 S3TE02 Fl. 911 3 259.141,26 em fev/2003; R$ 283.322,60 em mar/2003, perfazendo um total de R$ 600.771,83; ao final de trimestre, considerando o saldo negativo, relativo ao crédito presumido do ano de 2002, no montante de R$ 212.420,50, a impugnante apurou um saldo credor de crédito presumido equivalente a R$ 388.351,04; do saldo credor acumulado ao final do trimestre, optou por solicitar o ressarcimento de apenas R$ 120.854,34. Restando do crédito, no valor de R$ 267.496,70, foi utilizado pela empresa como deduções do IPI devido por operações realizadas a partir do 3° decêndio de março de 2003; o valor de R$ 388.351,04 foi totalmente utilizado, sendo uma parte a titulo de ressarcimento e outra através de deduções realizadas no período, conforme demonstra o formulário de ressarcimento de IPI, em consonância com a instrução normativa da SRF n° 210, de 2002; com o advento do art. 39, § 4 0, da lei n° 9.250, de 1995, a compensação ou a restituição de tributos federais passou a ser acrescida de juros à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais; o dec. n° 2.138, de 1997 equiparou os institutos da restituição e do ressarcimento, atribuindo, por consequência, o direito a utilização da taxa SELIC para atualização dos créditos pleiteados via ressarcimento; por fim, requer o reconhecimento integral do ressarcimento pleiteado, atualizado pela taxa SELIC, e homologação das compensações declaradas, sem prejuízo de eventual saldo credor.” Ao analisar a manifestação de inconformidade, a 4a Turma da DRJ em Salvador rejeitou os argumentos da Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO. Inexistindo saldo credor após apuração do crédito presumido, efetuada pela fiscalização, e dedução do imposto devido, devese indeferir o ressarcimento do crédito pleiteado. RESSARCIMENTO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Por ausência de previsão legal, descabe falarse em atualização monetária ou juros incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada” Fl. 911DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10580.003170/200377 Resolução nº 3802000.359 S3TE02 Fl. 912 4 Cientificada acerca da decisão exarada, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual requer o conhecimento e provimento do recurso interposto para reformar integralmente o Acórdão da primeira instância, de forma a reconhecer integralmente o crédito presumido de IPI pleiteado com homologação das compensações vinculadas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 908), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, o Recurso Voluntário se mostra plenamente admissível, de modo que passo à análise das razões recursais. A controvérsia gira em torno da composição do crédito presumido de IPI do sujeito passivo, ou seja, tratase de questão eminentemente probatória. Em resposta à decisão recorrida, que acolheu a retificação procedida pela autoridade administrativa aos DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) elaborados pelo contribuinte, este oferece Recurso Voluntário no qual questiona o recálculo efetuado. Para tanto, anexa DARF cujo pagamento ocorreu em 30/11/2005, em montante suficiente para ilidir a acusação de insuficiência de créditos. Ocorre que tal documento fora anexado aos autos somente em resposta à decisão da DRJ, e é crucial para resolução da questão. Além disso, o Recorrente aduz que em processo administrativo correlato (10580.04609/200711), a Receita Federal do Brasil computou o montante pago no DARF em referência na composição de seus créditos presumidos, para fins de exigência de IPI em outro período de apuração. Diante disso, entendo prudente converter o presente feito em diligência, remetendo os autos à instância de origem para que seja verificado os seguintes itens: 1) Se o DARF efetivamente consta do sistema de pagamentos como recebido; 2) Em caso de resposta positiva ao item 1, se esse montante realmente não foi considerado pela autoridade administrativa na recomposição dos DCP do contribuinte; Fl. 912DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10580.003170/200377 Resolução nº 3802000.359 S3TE02 Fl. 913 5 3) Em caso de resposta positiva ao item 2, se houve algum motivo relevante para tanto; 4) Ainda em caso de resposta positiva ao item 2, e não havendo motivo relevante para seu cômputo, qual seria o efetivo montante de crédito presumido do sujeito passivo; 5) Com base na recomposição do item 4, se ainda há insuficiência de crédito presumido, conforme a glosa de créditos ora guerreada; 6) Se o Auto de Infração resultante do MPF nº 0510100/00646/06 (PAF nº 10580.04609/200711) realmente partiu da premissa de que os R$ 1.205.152,22, pagos pelo Recorrente, compuseram seus créditos presumidos de IPI em dezembro de 2002. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Câmara da 3ª Seção/CARF, para prosseguimento do julgamento. Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 25/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 25/11/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 20/11/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10930.903206/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Não comprovado o alegado cerceamento ao direito de defesa é de se afastar a preliminar de nulidade alegada.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP.
Comprovada a inexistência do direito creditório informado no PER/DCOMP, porque utilizado em outros PERDCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos.
SUBSTITUIÇÃO DO CRÉDITO INDICADO NO PER/DCOMP
Não remanescendo crédito algum para a declaração de compensação em análise, incabível é a alteração do PERDCOMP para substituir o crédito indicado pelo interessado por outro crédito distinto do confrontado nos presentes autos.
Numero da decisão: 1201-001.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ester Marques Lins de Sousa, João Carlos Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não comprovado o alegado cerceamento ao direito de defesa é de se afastar a preliminar de nulidade alegada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Comprovada a inexistência do direito creditório informado no PER/DCOMP, porque utilizado em outros PERDCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. SUBSTITUIÇÃO DO CRÉDITO INDICADO NO PER/DCOMP Não remanescendo crédito algum para a declaração de compensação em análise, incabível é a alteração do PERDCOMP para substituir o crédito indicado pelo interessado por outro crédito distinto do confrontado nos presentes autos.
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Não comprovado o alegado cerceamento ao direito de defesa é de se afastar a preliminar de nulidade alegada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Comprovada a inexistência do direito creditório informado no PER/DCOMP, porque utilizado em outros PERDCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. SUBSTITUIÇÃO DO CRÉDITO INDICADO NO PER/DCOMP Não remanescendo crédito algum para a declaração de compensação em análise, incabível é a alteração do PERDCOMP para substituir o crédito indicado pelo interessado por outro crédito distinto do confrontado nos presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 32 06 /2 00 9- 92 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10930.903206/200992 Acórdão n.º 1201001.309 S1C2T1 Fl. 3 2 Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ester Marques Lins de Sousa, João Carlos Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida, que a seguir transcrevo: Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 18611.51751.310506.1.3.043147 (fls. 02/06),relativa à compensação de R$ 30.271,93 (R$ 29.972,21 de principal e R$ 299,72 de juros de mora) de CSLL (código de receita 2372) e R$ 28.576,82 (R$ 28.293,89 de principal e R$ 282,93 de juros de mora) de IRPJ com base o lucro presumido (código de receita 2089) do 1º trimestre/2006, com utilização da parcela de R$ 45.226,52 do direito creditório inicialmente informado no PER/DCOMP nº 16050.24424.150506.1.3.040788 (fls. 206/210). Na declaração de compensação inicial foi indicado o direito creditório de R$ 66.308,47 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 30/07/2004, da 1ª quota do IRPJ com base no lucro presumido (código de receita 2089) do 2º trimestre/2004 (R$ 66.308,47). 2. A DRF/Londrina, por meio de Despacho Decisório proferido em 20/04/2009 (fl. 06), não homologou a compensação declarada em face da inexistência do direito creditório, haja vista o recolhimento efetuado em 30/07/2002 ter sido integralmente alocado ao débito de IRPJ com código de receita 2089 do 1º trimestre/2004. 3. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório por via postal, em 05/05/2009 (fl. 09), a reclamante, por intermédio de seu representante legal (mandato à fl. 14),apresentou, em 04/06/2009, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 1013, cujas alegações são sintetizadas a seguir: a) argúi a preliminar de nulidade em face de não ter tido oportunidade de esclarecer eventuais equívocos ou entendimentos passíveis de correção durante a análise do pedido de compensação, a fim de comprovar a realidade dos fatos e a existência do direito creditório indicado; b) aduz que, conforme comprova a DCTF do 2º trimestre/2004, apurouse uma diferença de R$ 44.581,47 de IRPJ em favor da interessada; que o crédito em questão decorre do recolhimento a maior de IRPJ do 2º trimestre/2004, cujo débito foi pago Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10930.903206/200992 Acórdão n.º 1201001.309 S1C2T1 Fl. 4 3 originalmente em três DARF’s,sendo o crédito correspondente ao valor integral de um deles. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Curitiba/PR) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da pessoa jurídica e por conseqüência não reconheceu o direito creditório pleiteado, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0638.409, de 08 de novembro de 2012, cientificado ao interessado em 28/11/2013, conforme o Aviso de Recebimento (AR). O mencionado acórdão está assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2004 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Cientificada da mencionada decisão em 28/11/2013, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/12/2013, no qual argúi preliminar de nulidade em relação à decisão recorrida e no mérito, aduz que demonstrou que possuía créditos líquidos e certos devidamente escriturados e informados em DCTFs suficientes para a compensação pleiteada. EM PRELIMINAR A Recorrente alega que na Manifestação de Inconformidade apresentara pedido específico para reunião de todos os pedidos de compensação e consequente perícia para que fosse apurado o direito ou não das compensações pretendidas nos PER/DCOMP: Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10930.903206/200992 Acórdão n.º 1201001.309 S1C2T1 Fl. 5 4 13677.72727.170306.1.3.042033; 17057.69360.300905.1.3.049574; 08168.57120.260906.1.7.040619; 16625.11744.150905.1.3.043042; 29527.28792.170106.1.3.043945; 32524.41535.310805.1.3.04.1898; 17272.29062.310106.1.3.049566, já que todas dependem dos mesmos elementos de prova e estão interligadas uma às outras, entretanto, a Autoridade Julgadora, não se pronunciou, deferindo ou indeferindo, fundamentadamente, tal pedido, acarretando assim verdadeiro cerceamento de defesa por infringência do Processo Administrativo Fiscal, Artigos 9o § 1o, 18 e 28 do Decreto N° 70.235/72, combinado com a Portaria RFB 666/2008. No MÉRITO a Recorrente alega que: os créditos foram apurados trimestralmente de acordo com a planilha anexa aos autos, mediante o confronto entre o valor pago à título de IRPJ e CSLL e o valor efetivamente devido; os créditos apurados constantes da planilha, foram contabilizados em conta de ativo n° 1.1.3.02.01 Impostos a recuperar, em contrapartida de conta passiva n° 2.4.4.01.01 Reversão de Impostos e, posteriormente, transferidos para uma conta de resultado n° 2.4.3.01.06 lucros, conforme contas gráficas anexas; os créditos devidamente escriturados, foram informados à SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL através das DCTFs retificadoras dos respectivos trimestres, conforme recibos de entregas; diante do montante do crédito líquido e certo escriturado na conta IMPOSTOS A RECUPERAR e informados nas DCTFs retifícadoras, a Recorrente passou a compensar seu crédito corrigido monetariamente a partir do mês de agosto de 2005; em alguns casos a informação do PER/DCOMP não corresponde com o período apuração do crédito dela constante, sendo que deveriam ser informados saldos remanescentes de outras PER/DCOMPs como ali demonstrado ou de créditos ainda não utilizados; apesar do erro na informação do crédito no PER/DCOMP em referência, isto não impossibilita que a Recorrente tenha atendido o seu direito a compensação, vez que tem amparo nos dispositivos legais que regem a compensação; além de amparada pela lei, pela liquidez e certeza de seus créditos devidamente escriturados, a Recorrente anexa as contas gráficas correspondentes à escrituração contábil, bem como o Resumo da utilização dos créditos devidamente atualizados, onde se demonstra que de um total de R$ 914.147,71, foi compensado somente R$ 884.784,77, restando um saldo positivo de R$ 29.362,94 de crédito a recuperar. Finalmente requer seja provido o recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10930.903206/200992 Acórdão n.º 1201001.309 S1C2T1 Fl. 6 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 18611.51751.310506.1.3.043147, transmitido eletronicamente em 31/05/2006, em que a contribuinte pretende compensar débitos de CSLL e IRPJ relativos ao 1º Trim./2006, com utilização da parcela de R$ 45.226,52 do crédito de R$ 66.308,47 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 30/07/2004, da 1ª quota do IRPJ com base no lucro presumido (código de receita 2089) do 2º trimestre/2004. Consta do Relatório da decisão recorrida que tal direito creditório foi inicialmente informado no PER/DCOMP nº 16050.24424.150506.1.3.040788. Do Despacho Decisório expedido em 20/04/2009, fl.05, pela autoridade administrativa originária da DRF de Londrina/PR, consta que foi localizado o pagamento relativo ao DARF acima, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos declarados no PER/COMP. Irresignada com o Despacho Decisório, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que analisada em sede de 1ª instância, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (Curitiba/PR) mediante o Acórdão nº 0638.409, de 08 de novembro de 2012, julgou IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade e manteve a não homologação da compensação sob o fundamento de que a interessada utilizou o direito creditório em outros PERDCOMP que discrimina, razão pela qual não remanesceu crédito algum para a declaração de compensação em análise. Em sede recursal a Recorrente, preliminarmente, argúi nulidade em relação à decisão recorrida. Alega que, na Manifestação de Inconformidade apresentara pedido específico para reunião de todos os pedidos de compensação e consequente perícia para que fosse apurado o direito ou não das compensações pretendidas (PER/DCOMPs: 13677.72727.170306.1.3.042033; 17057.69360.300905.1.3.049574; 08168.57120.260906.1.7.040619; 16625.11744.150905.1.3.043042; 29527.28792.170106.1.3.043945; 32524.41535.310805.1.3.04.1898; 17272.29062.310106.1.3.049566) já que todas dependem dos mesmos elementos de prova e estão interligadas uma às outras, entretanto, a Autoridade Julgadora, não se pronunciou, deferindo ou indeferindo, fundamentadamente, tal pedido, acarretando assim verdadeiro cerceamento de defesa por infringência do Processo Administrativo Fiscal, Artigos 9o § 1o, 18 e 28 do Decreto N° 70.235/72, combinado com a Portaria RFB 666/2008. Consta da decisão recorrida o seguinte: 11. A interessada informou direito creditório de R$ 66.308,47, mas utilizou R$ 140.568,43 nas seguintes declarações de compensação: . PER/DCOMP nº 16050.24424.150506.1.3.040788, no qual o crédito foi inicialmente informado e cuja compensação foi homologada tacitamente...................................... R$ 21.081,95. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10930.903206/200992 Acórdão n.º 1201001.309 S1C2T1 Fl. 7 6 . PER/DCOMP nº 34937.54113.150506.1.3.043062 (processo nº 10930.903204/200901) ........................... R$ 45.226,52. . PER/DCOMP nº 22643.93638.150506.1.3.042368 (processo em análise)................................................... R$ 29.033,44. . PER/DCOMP nº 18611.51751.310506.1.3.043147 (processo nº 10930.903206/200992) ................................ R$ 45.226,52. Total .............. R$ 140.568,43 A Recorrente alega, porém não demonstra quais elementos de prova vinculam os outros PER/DCOMP ao PER/DCOMP sob análise. Tampouco, contesta a utilização do crédito conforme detalhado acima. Todas as provas (DIPJ, DCTF, extrato SIEF/DARF e PER/DCOMP ) que firmaram a convicção da autoridade julgadora se encontram presentes nos autos tendo em vista que fora reconhecido o alegado pagamento a maior declarado no PER/DCOMP, apenas não homologada a compensação por haver o contribuinte utilizado o crédito nos mencionados PERDCOMP, conforme detalhado na decisão recorrida, sobre o que não há contestação da Recorrente. Desse modo, não comprovado o cerceamento ao direito de defesa é de se afastar a preliminar de nulidade alegada. No mérito, a Recorrente alega que os créditos foram apurados trimestralmente de acordo com a planilha anexa aos autos, mediante o confronto entre o valor pago à título de IRPJ e CSLL e o valor efetivamente devido. Consta da tal planilha que em relação ao 2º trimestre de 2004, o IRPJ devido é no valor de R$ 154.343,95 e pago o montante de R$ 198.925,41. Portanto, o valor do crédito é na ordem de R$ 44.581,46. De acordo com a decisão de 1ª instância o pagamento a maior foi reconhecido mas utilizado para compensar débitos em outros PER/DCOMP, conforme se vê do excerto que a seguir transcrevo: ... 17. Dessa forma, considerando que o direito creditório de R$ 44.581,47 já foi utilizado nos PER/DCOMP’s nºs 16050.24424.150506.1.3.040788 e 34937.54113.150506.1.3.04 3062, verificase que não remanesceu crédito algum para a declaração de compensação em análise. ... Como afirmado acima a Recorrente não contesta a utilização em outros PERDCOMP do pagamento dito efetuado a maior conforme detalhamento acima. Todavia, insiste em quitar por compensação os débitos informados no PERDCOMP sob análise, e, para tanto alega que além de amparada pela lei, pela liquidez e certeza de seus créditos devidamente escriturados, a Recorrente anexa as contas gráficas Fl. 247DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10930.903206/200992 Acórdão n.º 1201001.309 S1C2T1 Fl. 8 7 correspondentes à escrituração contábil, bem como o Resumo da utilização dos créditos devidamente atualizados, onde se demonstra que de um total de R$ 914.147,71, foi compensado somente R$ 884.784,77, restando um saldo positivo de R$ 29.362,94 de crédito a recuperar. De fato, em sede recursal a contribuinte apresenta o "Resumo 2001 a 2005" o qual contempla supostas diferenças de créditos apurados/utilizados de setembro/2001 a junho de 2005, concluindo no total geral por suposto crédito de R$ 29.362,94 ainda não utilizado. A Recorrente pretende tratar o caso (saldos remanescentes de outros PERDCOMP) como "erro na informação do crédito no PER/DCOMP em referência", alegando que isto não impossibilita que a Recorrente tenha atendido o seu direito a compensação, vez que tem amparo nos dispositivos legais que regem a compensação. A pretensão da Recorrente configura substituição do crédito informado no PER/DCOMP por outro intitulado "Resumo de Divergência". Tratase de inovação, novo pedido, distinto do crédito relativo ao IRPJ do 2º trimestre de 2004, objeto do PER/DCOMP sob análise, portanto, matéria distinta da discutida nos presentes autos. Tal hipótese aventada pela Recorrente exige apresentação de novo PER/DCOMP e os acréscimos legais devem ser calculados desde o vencimento da obrigação até a data de transmissão do novo PER/DCOMP. Portanto, não remanescendo crédito algum para a declaração de compensação em análise, incabível é a alteração do PER/DCOMP para substituir o crédito indicado pelo interessado por outro crédito distinto do confrontado nos presentes autos. Dessa forma, indeferese o pleito da Recorrente, e, inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP porque utilizado em outros PERDCOMP, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade suscitada pela defesa, e no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 23/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10166.721793/2009-10
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/09/2009
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar ou informar incorretamente em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
Numero da decisão: 2803-004.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/09/2009 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar ou informar incorretamente em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/09/2009 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar ou informar incorretamente em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 17 93 /2 00 9- 10 Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721793/200910 Acórdão n.º 2803004.079 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721793/200910 Acórdão n.º 2803004.079 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o colegiado antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazê lo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ que manteve parcialmente o crédito tributário oriunda da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, §§ 1o e 3o, da Lei n. 8.2121991, por ter deixado de informar por ter informado fatos geradores de contribuições previdenciária em desconformidade com o Manual GFIP (Res. INSS n. 6371998) no, exercícios de 2005 e 2007, com referencia à opção ao Simples e às diferenças de base de cálculo, alimentação paga em pecúnia, transporte pago em pecúnia, prolabore, gratificações e hora extra. O recurso voluntário apresentado tempestivamente, e que se houver os mesmos são indevidos, por ser empresa optante do Simples, bem como o julgamento presente depende do julgamento do lançamentos AIOP Nº 37.201.2175, presente no Processo n. 10166.721783/200976. É o relatório. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721793/200910 Acórdão n.º 2803004.079 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo integralmente as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos arquivos do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II Quanto à questão levantada, quanto aos efeitos da declaração de exclusão do Programa SIMPLES desde 01.01.2002, mas a parte não comprovou que permaneceria inclusa. Mesmo assim, o ato de exclusão e sua possível anulação é apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa matéria é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Tal incompetência para apreciação inclui inclusive quanto aos efeitos da retroatividade das decisões de exclusão, pois são matérias atinentes às próprias causas da mesma. Inclusive, os artigos 13 e 15 da Lei n° 9.317/96 e artigos 28 e 31 da LC n° 123/06. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES, bem como a extensão temporal de seus efeitos, não devem ser conhecidos por ora, conhecendo se apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. Ainda, a discussão administrativa de inconformidade com a exclusão de tal regime não tem efeitos suspensivos, pois não tratase de lançamento tributário, logo não encontrase entre as causas de suspensão dos efeitos do ato administrativo do art. 151, do CTN. O lançamento não pode ser assim sobrestado. Entretanto, é óbvio que decisão de cancelamento da exclusão, é causa primeira de cancelamento e plena nulidade do lançamento. Ou seja, caso venha a ser consolidada a situação de permanência da contribuinte no SIMPLES, ensejará em vício absoluto de origem do lançamento ora discutido. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721793/200910 Acórdão n.º 2803004.079 S2TE03 Fl. 6 5 Assim, a alegação de que haveria aplicação do regime normal de tributação, inclusive previdenciária, somente após a notificação do ato de exclusão do regime de tributação SIMPLES, que supostamente não ocorreu, e que seus efeitos não seriam retroativos, carece de razão. Assim, os créditos tributários lançados sobre as verbas remuneratórias apuradas pela fiscalização, são devidos salvo as exceções apresentadas neste voto. III – Quanto aos casos de conexão alegados, os mesmos não afetam o presente julgamento, inclusive, observando que este julgador e turma especial já apreciaram em 11 de maio de 2011, processos n. 10166.721783/200976 e 10166.721781/200987, os dois tiveram provimento parcial, que teve provimento parcial, o que demonstrou haver créditos tributários remanescentes não pagos e que não foram infomados em GFIP, que deveriam estar devidamente demonstrados em folha de pagamento como remunerações. O mesmo se repetiu no Processo n. 10166.721780/200932, julgado em 26.07.2011, pela 3ª. Turma Ordinária da 4ª. Câmara, desta Sessão de Julgamento, no voto e acórdão da lavra do Cons. Cid Marconi Gurgel de Souza. Contudo, por se tratar da incidência na norma 32, IV, da Lei n. 8212/1991 e sua sanção por descumprimento, deve levar em conta valores pagos aos segurados se têm ou não natureza remuneratória. Assim, o julgamento do recurso voluntário do os processos n. 10166.721783/200976 teve o seguinte teor: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2005, 2006, 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. NATUREZA DECLARATÓRIA. A lei estabeleceu que o ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por fatos já conhecidos pelo contribuinte, tem natureza declaratória, emanando efeitos a fatos anteriores à sua prolatação, sujeitam à contribuinte às normas de tributação aplicável às demais contribuintes. Precedentes do STJ com efeitos repetivos.(REsp n. 1.124.507/MG). PAT. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62 , DO REGIMENTO INTERNO. Quanto à aplicação de contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre verbas pagas a título de auxílio alimentação em desacordo com Programa de Alimentação do TrabalhadorPAT, instituído em Lei n. 63211976, o CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. PRECEDENTES DO STF. ART. 62, I, do REGIMENTO INTERNO. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721793/200910 Acórdão n.º 2803004.079 S2TE03 Fl. 7 6 A cobrança de contribuição destinadas a outras entidades e fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST, SENAT) sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição (RE 478410, EROS GRAU, STF, 10.03.2010). Afastamento permitido ao CARF, na ocorrência de precedente julgado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (art. 62, I, do Regimento Interno do CARFMF) MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte – Crédito Tributário Mantido em Parte. Naquele momento, efetivamente houve reforma do lançamento, reconhecendo que as contribuições incidentes sobre vale transporte pago em pecúnia não sofrem a incidência das contribuições previdenciárias, não sendo fato gerador previsto na norma. Os julgamentos dos processos ns. 10166.721781/200987 e 10166.721780/200932 seguiram pelas mesmas conclusões. A presente turma especial, reformou o entendimento quanto ao auxílio alimentação. Devese anotar quanto à hipótese de incidência e base de cálculo do tributo em questão, os valores pagos a título de auxílio alimentação, mediante in natura, verbas encontramse na lista daquelas que não integram o saláriodecontribuição, nos moldes do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, desde que o contribuinte, observe os critérios que o próprio dispositivo legal estabelece. A inobservância dos critérios previstos em lei, certamente levará a autoridade administrativa incumbida do lançamento a cumprir seu dever legal, sob pena de responsabilidade funcional, conforme assevera o parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Realizado o lançamento, ao contribuinte será dada a oportunidade de se defender via impugnação e, sendo mantido o lançamento, via recurso voluntário à segunda instância administrativa, que na situação vertente é o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) do Ministério da Fazenda. Na hipótese de o contribuinte continuar vencido em suas argumentações também na segunda instância administrativa, observadas as regras previstas na legislação tributária vigente, o crédito, a partir do esgotamento de recursos nessa esfera, será objeto de cobrança pela via judicial, cobrança essa manejada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Como o assunto diz respeito ao descumprimento de legislação federal, o rito processual será realizado na Justiça Federal, podendo a discussão chegar (e em regra chega) ao Superior Tribunal de Justiça – STJ. Toda essa movimentação, obviamente, trará para as partes despesas de vários matizes, tendo em vista que nada sai de graça na utilização da máquina do judiciário. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721793/200910 Acórdão n.º 2803004.079 S2TE03 Fl. 8 7 Partindo das premissas acima descritas e refletindo melhor sobre posicionamentos anteriores, percebo que algumas verbas, mesmo previstas em lei, e apesar da correção do lançamento levado a efeito pela autoridade administrativa, não serão alcançadas pelo fisco, tendo em vista que, ao fim e ao cabo, o Poder Judiciário, o STJ, em especial, a qualificará como não incidente de contribuição previdenciária, como é o caso do pagamento de auxilioalimentação sem o devido registro da empresa perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Tais afirmativas encontram ressonância, por exemplo, na decisão proferida pelo STJ, no AgRg no AREsp 5810 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2011/00810687, publicado no DJe de 10/06/2011, cuja ementa transcrevo, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (grifouse e destacouse) Como se pode observar, tratase de jurisprudência pacificada no STJ, situação essa que a meu ver deve balizar os julgamentos nas esferas administrativas, motivo pelo qual passo, de agora em diante, a conduzir meus votos nesse sentido, considerando que a verba ora guerreada não possui natureza salarial, sendo, inclusive, desnecessária a inscrição ou não do empregador no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Ou seja, é um caso de nãoincidência, não de isenção, pois tais valores não se encontram no alcance e sentido do fato gerador e base de cálculo definidas no art. 28, I, da Lei n. 8.212/1991, que exige a natureza remuneratória (contraprestação pelo serviço) de tais pagamentos. Entendimento esse inclusive reconhecido pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, DOU de 24/11/2011, Ato Declaratório nº 03/2011. Observando que as rubricas questionadas não estão previstas entre as hipóteses de incidência da contribuição previdenciária, não pode ser a peticionaria obrigada a Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10166.721793/200910 Acórdão n.º 2803004.079 S2TE03 Fl. 9 8 declarála em GFIP, na forma do art. 32, da Lei n. 8.212/1991, não havendo descumprimento de obrigação instrumental. V Indiferente do posto acima, em razão de alteração legislativa, devese observar o disposto no 49, da Lei n. 13.097/2015, com o seguinte texto: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas noart. 32A da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV docaputdo art. 32 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Por dever de ofício, princípio da legalidade e moralidade, a retroatividade benigna deve ser aplicada ao presente caso (art. 106, I, e 102, do CTN), pois o texto legal acima concede anistia das penalidades previstas nos artigos 32A, que substituiu as penalidades dos §§3º e §§5, do art. 32, ambas da Lei n. 8.212/1991, desde que a GFIP tenha sido entregue até o último dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega, com referência aos créditos tributários lançados até a publicação desta da Lei n. 13.097/2015. As GFIPs que são objetos do lançamento ora discutido foram entregues tempestivamente antes da publicação desta Lei, logo as penalidade não pode ser aplicada. VI – Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, mas, no mérito, DARLHE PROVIMENTO no sentido de reformar a decisão a quo e cancelar o lançamento. É o voto. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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