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Numero do processo: 10830.725162/2014-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2011
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. PORTARIA MF N.º 63. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. SÚMULA CARF N.º 103.
A verificação do limite de alçada, estabelecido em Portaria da Administração Tributária, para fins de conhecimento do recurso de ofício pelo CARF, é efetivada, em juízo de admissibilidade, quando da apreciação na segunda instância, aplicando-se o limite vigente na ocasião. Havendo constatação de que a exoneração total do pagamento de tributo e encargos de multa, em primeira instância, é inferior ao atual limite de alçada de R$ 2.500.000,00 não se conhece do recurso de ofício.
Súmula CARF n.º 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE DADOS PELA FISCALIZAÇÃO.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pela Administração Tributária, não constitui quebra do sigilo bancário. Não há que se falar em nulidade no lançamento substanciado em depósitos bancários de origem não comprovada. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade.
Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1.º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação para fazê-lo. O consequente normativo resultante do descumprimento do dever de comprovar a origem é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA.
Para que seja aceita como origem de depósito bancário, a alegada receita de atividade comercial deve apresentar correlação de data e valor com os depósitos existentes em conta corrente e estar comprovada por documentação hábil e idônea.
Somente é conceituada como empresa individual e equiparada à pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda aos requisitos exigidos pela legislação de regência.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS CORRENTES. COMPROVAÇÃO.
A alegação de movimentação entre contas da própria pessoa física deve vir acompanhada de provas inequívocas da natureza da operação, ou seja, a efetiva transferência, com coincidência de datas e valores, de uma conta para outra conta da própria pessoa física, observados os históricos das mesmas.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N.º 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2202-005.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. PORTARIA MF N.º 63. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. SÚMULA CARF N.º 103. A verificação do limite de alçada, estabelecido em Portaria da Administração Tributária, para fins de conhecimento do recurso de ofício pelo CARF, é efetivada, em juízo de admissibilidade, quando da apreciação na segunda instância, aplicando-se o limite vigente na ocasião. Havendo constatação de que a exoneração total do pagamento de tributo e encargos de multa, em primeira instância, é inferior ao atual limite de alçada de R$ 2.500.000,00 não se conhece do recurso de ofício. Súmula CARF n.º 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE DADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pela Administração Tributária, não constitui quebra do sigilo bancário. Não há que se falar em nulidade no lançamento substanciado em depósitos bancários de origem não comprovada. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1.º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação para fazê-lo. O consequente normativo resultante do descumprimento do dever de comprovar a origem é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Para que seja aceita como origem de depósito bancário, a alegada receita de atividade comercial deve apresentar correlação de data e valor com os depósitos existentes em conta corrente e estar comprovada por documentação hábil e idônea. Somente é conceituada como empresa individual e equiparada à pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda aos requisitos exigidos pela legislação de regência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS CORRENTES. COMPROVAÇÃO. A alegação de movimentação entre contas da própria pessoa física deve vir acompanhada de provas inequívocas da natureza da operação, ou seja, a efetiva transferência, com coincidência de datas e valores, de uma conta para outra conta da própria pessoa física, observados os históricos das mesmas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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LIMITE DE ALÇADA. PORTARIA MF N.º 63. VERIFICAÇÃO DO VALOR VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. SÚMULA CARF N.º 103. A verificação do limite de alçada, estabelecido em Portaria da Administração Tributária, para fins de conhecimento do recurso de ofício pelo CARF, é efetivada, em juízo de admissibilidade, quando da apreciação na segunda instância, aplicando-se o limite vigente na ocasião. Havendo constatação de que a exoneração total do pagamento de tributo e encargos de multa, em primeira instância, é inferior ao atual limite de alçada de R$ 2.500.000,00 não se conhece do recurso de ofício. Súmula CARF n.º 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica- se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE DADOS PELA FISCALIZAÇÃO. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pela Administração Tributária, não constitui quebra do sigilo bancário. Não há que se falar em nulidade no lançamento substanciado em depósitos bancários de origem não comprovada. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 51 62 /2 01 4- 49 Fl. 442DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1.º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação para fazê-lo. O consequente normativo resultante do descumprimento do dever de comprovar a origem é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Para que seja aceita como origem de depósito bancário, a alegada receita de atividade comercial deve apresentar correlação de data e valor com os depósitos existentes em conta corrente e estar comprovada por documentação hábil e idônea. Somente é conceituada como empresa individual e equiparada à pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda aos requisitos exigidos pela legislação de regência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS CORRENTES. COMPROVAÇÃO. A alegação de movimentação entre contas da própria pessoa física deve vir acompanhada de provas inequívocas da natureza da operação, ou seja, a efetiva transferência, com coincidência de datas e valores, de uma conta para outra conta da própria pessoa física, observados os históricos das mesmas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, e em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Marcelo Rocha Paura (suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Fl. 443DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima. Relatório Cuida-se, o caso versando, de Recurso de Ofício (e-fl. 380) e de Recurso Voluntário (e-fls. 412/431), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizados nos termos dos arts. 34, inciso I, e 33, respectivamente, ambos do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, o primeiro interposto mediante simples declaração na própria decisão de primeira instância, enquanto o segundo recurso foi interposto pelo sujeito passivo, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de piso (e-fls. 379/404), proferida em sessão de 14/07/2015, consubstanciada no Acórdão n.º 12-77.639, da 21.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ/RJO), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte à impugnação (e-fls. 233/254), mantendo-se o Imposto Suplementar de R$ 1.969.847,24, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros legais, observando-se a exclusão da multa de ofício qualificada de 150% ou o reenquadramento de 150% para 75%, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2011 SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REGULARIDADE. Regular a emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), quando o contribuinte realizar de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível e/ou, regularmente intimado, não fornecer as informações sobre sua movimentação financeira. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n.º 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS CORRENTES. COMPROVAÇÃO. A alegação de movimentação entre contas da própria pessoa física deve vir acompanhada de provas inequívocas da natureza da operação, ou seja, a efetiva transferência, com coincidência de data e valores, de uma conta para outra conta da própria pessoa física, observados os históricos das mesmas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RESGATE DE APLICAÇÃO FINANCEIRA. ORIGEM COMPROVADA. Devem ser excluídos da relação de créditos cuja origem deve ser comprovada os resgates de aplicação financeira, haja vista não representarem a hipótese de incidência tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA DA ATIVIDADE COMERCIAL. Fl. 444DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Para que seja aceita como origem de depósito bancário, a alegada receita de atividade comercial deve apresentar correlação de data e valor com os depósitos existentes em conta corrente e estar comprovada por documentação hábil e idônea. PESSOA FÍSICA. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Somente é conceituada como empresa individual e equiparada à pessoa jurídica a pessoa física que, comprovadamente, atenda aos requisitos exigidos pela legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Incabível a aplicação da multa qualificada de 150% não estando devidamente configurado pela autoridade lançadora o intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, porque, conforme legislação vigente, ela compõe o crédito tributário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, no Procedimento Fiscal n.º 0810400.2014.00130 (08.1.04.00-2014-00130-7), para fatos imponíveis ocorridos no ano-calendário de 2011, com o procedimento iniciado em 07/03/2014 (e-fl. 6), com auto de infração juntamente com as peças integrativas lavrado em 10/11/2014 (e-fls. 173/183), com Termo de Verificação Fiscal juntado aos autos (e-fls. 149/172), com crédito tributário na data do auto de infração calculado com juros e com multa de 150% no valor de R$ 5.578.540,30 (sendo R$ 2.047.020,51 de imposto suplementar), tendo o contribuinte sido notificado em 14/11/2014 (e-fl. 185), foi bem delineado e sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação (e-fls. 379/404), pelo que passo a adotá-lo: Trata-se de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 16/12/2014 (fls. 233 a 254), contra o Auto de Infração de fls. 173 a 179, acompanhado do Termo de Verificação Fiscal de fls. 149 a 172, que apurou um imposto suplementar no montante de R$ 2.047.020,51, a ser acrescido dos juros de mora e da multa qualificada de 150%, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, ano-calendário de 2011. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 174), o procedimento apurou a infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no montante de R$ 7.443.710,93. Ação Fiscal De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 149 a 172 e documentos carreados aos autos, a ação fiscal foi instaurada tendo em vista que o contribuinte declarou rendimentos recebidos no ano-calendário de R$ 171.300,00 enquanto apresentou movimentação financeira de R$ 12.984.239,57. Adicionalmente, o contribuinte adquiriu imóveis totalizando R$ 2.139.246,03, sem apresentar lastro patrimonial para tais aquisições. Ressaltou ainda o TVF que o sujeito passivo já havia sido submetido a procedimento de fiscalização nos anos-calendário de 2008 e 2009, por ter apresentado movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados em DIRPF, resultando na lavratura de auto de infração (processo administrativo n.º 10830.726979/2013-53). Assim, foi iniciado o procedimento fiscal, relativo ao ano-calendário de 2011, sendo o contribuinte intimado a apresentar diversos documentos, dentre os quais seus extratos bancários, conforme termo de fls. 03 a 05. Na resposta, apresentada em 14/04/2014 (fls. 09 e 10), o contribuinte informou que o “uso desses documentos por parte da fiscalização é ilegal e inconstitucional, pois representa quebra do meu sigilo de dados, assim não posso compactuar com essa Fl. 445DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 abusiva medida. É importante ressaltar que não há um fundamento para quebra do meu sigilo bancário”. Houve ainda expedições de intimações referentes à aquisição de bens móveis e imóveis por parte do contribuinte, conforme relatado no TVF – itens 10 a 13 (fls. 150 e 151). Constatado que o contribuinte se negou a atender à intimação para apresentação dos seus extratos bancários de 2011 e presentes as hipóteses legais do Decreto n.º 3.724/2001, foi lavrada Requisição de Movimentação Financeira – RMF (fls. 34 a 38). Os documentos recebidos em resposta à RMF encontram-se devidamente acostados aos autos. De posse dos extratos bancários, o sujeito passivo foi intimado, no dia 05/08/2014, a comprovar a origem dos recursos no valor de R$ 11.897.918,72 creditados em suas contas correntes e a apresentar documentação hábil e idônea correspondente (fls. 63 a 76). Considerando que não houve resposta, foi lavrado o Termo de Reintimação n.º 2, recebido pelo sujeito passivo em 05/09/2014, fl. 80. Entretanto, ainda assim não houve qualquer resposta ou manifestação por parte do contribuinte. Por outro lado, analisando os dados cadastrais (anexados ao processo) da conta n. 21.590-2, agência 2205, do Banco Bradesco S/A, verificou-se a existência de outro titular, Luciana Cidin Borghi, CPF 159.856.558-30, residente no mesmo endereço do sujeito passivo e que apresentou DIRPF em separado. Por esse motivo, foi solicitada a emissão de TDPF-D com o objetivo de intimar a co-titular a comprovar a origem dos recursos creditados na conta conjunta. Em resposta, Luciana Cidin Borghi informou que “Embora figure como co-titular da conta corrente n. 215902, agência 2205, Banco Bradesco S/A, não sou responsável, nem tenho relação com os valores ali movimentados que são de exclusiva titularidade do meu marido, Carlos Guimarães Queiroz CPF 068.706.668-90” (fls. 91 e 92). Como conclusão do procedimento fiscal, entendeu o fisco que os créditos bancários listados no “Anexo A” do TVF, em relação aos quais o sujeito passivo, embora regularmente intimado, não comprovou a origem dos recursos, deixando de apresentar documentação hábil e idônea, foram considerados como rendimentos omitidos, nos termos do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96. Especificamente no caso da conta n. 21.590-2, agência 2205, do Banco Bradesco S/A, por se tratar de uma conta conjunta com Luciana Cidin Borghi, o valor foi imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares, conforme art. 42, § 6.º, da Lei 9.430/96. Registrou ainda o fisco no TVF que o valor dos rendimentos omitidos apurados mensalmente supera e engloba o valor dos acréscimos patrimoniais mensais – decorrentes de compras de imóveis ou de veículos – e dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica não declarados, razão pela qual não houve necessidade de acréscimo ao valor das infrações apuradas. Sobre a multa aplicada, entendeu o fisco que é possível identificar que o sujeito passivo buscou intencionalmente reduzir o montante do tributo pago aos cofres públicos e que sua conduta se enquadra no art. 71 da Lei n.º 4.502/64. A partir dos elementos constatados, restou claro que o sujeito passivo agiu de forma consciente para impedir o conhecimento do fato gerador pela Administração Tributária ao 1) omitir por completo os bens adquiridos; 2) apresentar uma conduta reiterada, pois vem praticando a mesma infração de forma continuada ao longo dos anos, uma vez que a mesma infração já foi praticada nos anos-calendário de 2008 e 2009 (processo administrativo fiscal n.º 10830.726979/2013-53). Assim, conforme detalhado nos itens 37 a 49 do TVF (fls. 157 a 159), foi aplicada a multa qualificada de 150% prevista no artigo 44, I, e § 1.º, da Lei n.º 9.430/96, combinado com os arts. 71 e 72 da Lei n.º 4.502/64, sendo formalizado processo de representação fiscal para fins penais de n.º 10830.725360/2014-11, que segue apensado ao presente processo. Fl. 446DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Da Impugnação ao lançamento A impugnação, que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente em 16/12/2014 (e-fls. 233/254). Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme bem relatado na decisão vergastada (e-fls. 379/404), pelo que peço vênia para reproduzir: Cientificado do Auto de Infração em 14/11/2014, sexta-feira (fl. 185), o contribuinte apresentou, em 16/12/2014, a impugnação de fls. 233 a 254, alegando, em síntese, que: a) Nulidade: Sigilo bancário sob reserva do judiciário Alega que houve inobservância da reserva da jurisdição sobre o sigilo bancário do Impugnante, visto que o alcance dessas informações só poderia ser autorizado pelo Poder Judiciário, o que não ocorreu. Logo, o Auto de Infração deve ser declarado nulo. Traz doutrina e jurisprudência judicial, transcrevendo parte do RE 389.808, que rechaça a possibilidade se quebra de sigilo para constituição do crédito tributário. b) Nulidade: Ausência de motivação para uso dos extratos Afirma que, na condução dos trabalhos fiscais, o autuante ignorou as regras de garantias e controle fixadas pelo Decreto n.º 3.724/2001 para o acesso aos dados bancários, na forma disciplinada pela Lei Complementar n.º 105/2001. Explica que no rigor do artigo 2.º daquele Decreto, o acesso aos extratos bancários depende de motivação, ou seja, o Fisco precisaria demonstrar a existência de outros indícios que pudessem acenar para a prática de sonegação, dentre as 11 (onze) hipóteses listadas no Decreto n.º 3.724/01, que configuram as denominadas “informações indispensáveis”, única condição para autorizar o acesso aos extratos bancários. Argumenta que nos termos lavrados no presente processo, não há uma referência sequer ao Decreto n.º 3.724/2001, concluindo que o autuante utilizou as informações bancárias sem demonstrar porque as considerava "indispensáveis", sem tipificar em qual das 11 hipóteses enquadrava-se o contribuinte autuado, o que fere de morte o lançamento de ofício. c) Dos depósitos bancários – Omissão de rendimentos Alega que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura, pois ao passo que não é obrigada a manter contabilidade, a pessoa física não tem como comprovar e explicar todas as suas movimentações bancárias. Sendo assim, a presunção legal estabelecida pela Lei n.º 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre o depósito bancário e o rendimento omitido não havia, necessariamente, nexo causal, significando, portanto, que essa presunção não está estribada na experiência dos fatos segundo a ordem natural das coisas. Em síntese, diz que não existe uma interligação direta e segura entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos, o que leva a concluir que se impõe a solução mais favorável ao contribuinte. Transcreve ementa da DRJ de Campinas. Afirma que os depósitos bancários poderiam ser, no máximo, o marco inicial de investigação, mas nunca seu ato final, vez que os valores depositados podem estar relacionados com operações de natureza completamente diversa da imaginada pelo Auditor-Fiscal. Argumenta que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda, vez que não é a operação que deve ser tributada, mas sim o ganho, o acréscimo patrimonial proveniente dela. Ao final, alega que a decisão deve ser reformada, pois ao se tratar de pessoa física, infere-se que a presunção legal estribada nos depósitos bancários é impossível, já que não está calcada em experiência anterior, não possibilita a correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos e, ainda, transfere o encargo probatório para o contribuinte que, como pessoa física, não está obrigado a manter registro individualizado de suas operações, tampouco guardar comprovantes de seus Fl. 447DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 depósitos, o que torna ainda mais dificultosa a produção de prova a seu favor, e faz com que o agente fiscal possa mais facilmente abdicar da descoberta da verdade material, que é um dos princípios basilares do processo administrativo. d) Da atividade empresarial exercida pelo Impugnante – Necessidade de equiparação à Pessoa Jurídica. Explica que exerce a atividade de comércio e intermediação de antiguidades e obras de arte, assim, os seus rendimentos advêm da prestação de serviços (intermediação) e venda de mercadorias. Prova disso são os documentos que acosta, tais como contratos de compra e venda (doc. 02). Por conseguinte, parcela da movimentação de suas contas bancárias advém de sua profissão, já que os pagamentos das obras são feitos por TED, depósito bancário (doc. 03). Explica ainda que em alguns casos exige caução como forma de garantia do negócio, entretanto tais valores são devolvidos posteriormente, ou seja, não aufere renda com eles, visto que esses valores apenas transitam pela sua conta. Menciona: - Conta 0021590-0: Cheques em custódia no valor de R$ 230.000,00 (doc. 04) - Conta 0020140-1: Cheques em custódia no valor de R$ 80.000,00 Diz que constatada a atividade empresarial do Impugnante, não se pode concluir que todos os recursos depositados/creditados em suas contas bancárias configuram rendimentos, pois com os valores recebidos, novas mercadorias eram compradas/adquiridas, restando ao Impugnante apenas a margem de lucro. Argumenta que exatamente para as situações como a do Impugnante, dispõe o art. 150 do RIR/99 que as empresas individuais são equiparadas às pessoas jurídicas, estabelecendo o seu parágrafo primeiro o que são consideradas empresas individuais. Aduz que o dispositivo citado é perfeitamente aplicável à situação em exame, tendo em vista que o Impugnante explora, em nome próprio e com a finalidade de obter lucro, atividade de comercialização (coleta/compra e venda) de obras de arte, equiparando-se, portanto, à pessoa jurídica. Alega que a própria RFB definiu a necessidade de tributar os valores recebidos pelo Impugnante como pessoa jurídica, haja vista que nos autos do processo administrativo n.º 10830.726979/2013-53 exige-se IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para os anos-calendário de 2008 e 2009. Transcreve trechos daquele processo (fls. 243 e 244). Portanto, comprovado o exercício de atividade econômica em nome próprio, "com o fim especulativo de lucro", estará a pessoa física compulsoriamente equiparada à pessoa jurídica, devendo tributar seus resultados na forma prevista pela legislação tributária para as pessoas jurídicas, e não como pessoa física como fez o Fisco, sendo irrelevante estar ou não inscrita no CNPJ. Colaciona ementa do CARF que diz que “Comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado ou de terceiro, a exigência tributária deve ser dirigida à cobrança do IRPJ e contribuições sociais.” e) Incerteza e iliquidez do crédito tributário lançado de ofício – Depósitos bancários identificados Alega que dentre os valores apontados como omissão de renda do Impugnante está a transferência de crédito entre contas de sua titularidade, conforme apontamentos que faz às fls. 246 e 247. f) Multa de Ofício indevidamente qualificada Aduz que no caso dos autos, não há como qualificar a penalidade tendo em vista que a suposta omissão de receitas foi apurada com o auxilio de presunção legal, ou seja, a partir do indicio (depósito bancário) apurou-se a omissão de receitas. Assim, o fato tributário não é provado, mas é presumido sendo impossível entender essa presunção para o campo da penalidade, quanto mais para a sua qualificação. Cita Súmula CARF n° 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses do arts. 71, 72, 73 da Lei n.º 4.502/64. Argumenta que é absurda a justificativa utilizada pelo Fisco de que a qualificação da multa se sustenta no fato de que o Impugnante possui outro processo (pendente de decisão administrativa) sobre a mesma pretensa acusação de omissão de Fl. 448DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 rendimentos, o que por si só caracterizaria a conduta reiterada do Impugnante e, por conseguinte, o dolo de fraude. Nesse ponto diz que o primeiro óbice a essa qualificadora é a ausência de previsão legal, pois não há tipo penal que justifique a aplicação de multa qualificada para os casos de conduta reiterada. Aduz que para que possa ser aplicada a penalidade qualificada, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64. Afirma que diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Explica que em nenhum momento se questionou a efetividade das operações ou qualquer vício nos documentos fiscais acostados aos autos, logo, não há conduta ilícita a ser sancionada. Dessa forma, conclui ser inadequada e imprópria a imputação de multa qualificada (150%) uma vez que não comprovou o Fisco qualquer conduta ardilosa, fraudulenta, tampouco demonstrou qualquer indício que pudesse revelar a existência de dolo com o objetivo de alcançar essa específica redução de tributo. g) Juros Selic sobre a Multa de Ofício Aduz que da mesma forma que não incidem juros de mora sobre a multa de mora, não devem incidir os mesmos juros sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal. Transcreve julgados do CARF afastando a incidência da Selic sobre a multa de ofício. Do Acórdão de Impugnação A tese de defesa foi acolhida em parte pela DRJ (e-fls. 379/404), primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foram enfrentadas cada uma das razões do contribuinte conforme os seguintes capítulos: a) Nulidade, sigilo bancário sob reserva do judiciário; b) Nulidade, ausência de motivação para uso dos extratos; c) Dos Depósitos bancários, omissão de rendimentos; d) Da atividade empresarial exercida pelo impugnante, necessidade de equiparação à pessoa jurídica; e) Incerteza e iliquidez do crédito tributário lançado de ofício, depósitos bancários identificados; f) Multa de ofício indevidamente qualificada; g) Juros SELIC sobre a multa de ofício; h) Doutrina e jurisprudência; e i) Cálculo do imposto devido. Ao final, consignou-se que retificava o lançamento com o afastamento de 50% do valor de R$ 561.260,10, referente à operação de resgate de aplicação financeira em CDI, de modo que o lançamento passou a ser o seguinte, conforme tabela reproduzida pela decisão: Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido A) Rendimentos Tributáveis Declarados R$ 171.300,00 B) Omissão de Rendimentos Apurada R$ 7.443.710,93 C) Desconto Simplificado (20% sobre os rend. tributáveis, limitado a RS 13.916,36) R$ 13.916,36 D) Omissão de Rendimentos Afastada no Julgamento (50% de R$ 561.260,10) R$ 280.630,05 E) Base de Cálculo Apurada (= A-B-C-D) R$ 7.320.464,52 F) Imposto Apurado Após Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) R$ 2.004.440,29 G) Imposto a Pagar Declarado R$ 34.593,05 H) Imposto Suplementar Apurado (= F-G) R$ 1.969.847,24 No dispositivo da decisão hostilizada constou que se votava pela procedência em parte da impugnação, mantendo-se o imposto suplementar de R$ 1.969.847,24, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros legais, observando-se a exclusão da multa de ofício qualificada de 150% e o reenquadramento da multa qualificada de 150% para 75%. Fl. 449DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Do Recurso de Ofício O recurso necessário foi declarado, em 14/07/2015, nestes termos (e-fl. 380): Por força de recurso necessário, nos termos do art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/1972 e da Portaria MF n.º 03/2008, recorre-se, de ofício, desta decisão, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário, interposto em 04/09/2015 (e-fls. 412/431), o sujeito passivo, reiterando os termos da impugnação no que não lhe foi favorável, postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de dar integral provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência fiscal lançada. Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) Nulidade, sigilo bancário sob reserva do Judiciário; b) Dos depósitos bancários omissão de rendimentos; c) Da atividade empresarial exercida pelo recorrente, necessidade de equiparação à pessoa jurídica; d) Incerteza e iliquidez do crédito tributário lançado de ofício, depósitos bancários identificados; e) Juros SELIC sobre a multa de ofício. Consta nos autos Termo de Apensação deste feito ao Processo n.º 10830.725360/2014-11 (e-fl. 184), representação fiscal para fins penais. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público para este relator. Consta no processo eletrônico arquivos não pagináveis, todos conferidos por este relator, sendo elementos instrutórios dos autos. Por ocasião do julgamento, houve sustentação oral. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade do Recurso de Ofício Inicialmente, analiso o juízo de admissibilidade do recurso ex officio. Vê-se que, em 10/11/2014, houve o lançamento de imposto suplementar de IRPF a pagar na ordem de R$ 2.047.020,51, com multa de ofício de 150% acrescentou-se mais R$ 3.070.530,77 ao valor lançado e, ainda, calculou-se juros de mora (até 11/2014) na ordem de Fl. 450DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 R$ 460.989,02, de modo a totalizar um crédito tributário lançado na ordem de R$ 5.578.540,30, conforme segue demonstrativo: Demonstrativo do Crédito Tributário Imposto a pagar – Suplementar R$ 2.047.020,51 Multa de Ofício (150%) R$ 3.070.530,77 Juros de Mora (SELIC – Calculados até 11/2014) 1 R$ 460.989,02 Valor do Crédito Tributário Apurado R$ 5.578.540,30 Pois bem. Na forma da Súmula CARF n.º 103, para fins de conhecimento de recurso necessário, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, estando, atualmente, fixado o teto mínimo para conhecimento em R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), na forma da Portaria MF n.º 63, de 09 de fevereiro de 2017, que reza: Art. 1.º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1.º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2.º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2.º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3.º Fica revogada a Portaria MF n.º 3, de 3 de janeiro de 2008. Como é de conhecimento amplo, a Portaria MF n.º 63, de 09 de fevereiro de 2017, tem por finalidade estabelecer limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Antes de sua vigência, especialmente por ocasião da interposição do recurso de ofício destes autos, estava vigente a Portaria MF n.º 3, de 2008, que fixava o teto em R$ 1.000.000,00. Concretamente, observo que a origem exonerou o contribuinte do imposto suplementar apurado pela fiscalização na ordem de R$ 77.173,27 (de R$ 2.047.020,51 para R$ 1.969.847,24). Referida redução foi só de principal (do tributo do IRPF), considerando, outrossim, a multa de ofício aplicada de 150% sobre o imposto suplementar lançado, reduziu-se mais R$ 115.759,90, havendo, por conseguinte, uma redução do imposto suplementar lançado e da multa de ofício de 150% respectiva na ordem de R$ 192.933,17. Ademais, com relação ao imposto suplementar remanescente (R$ 1.969.847,24) reduziu-se a multa de ofício de 150% para 75%, pelo que se exonerou mais R$ 1.477.385,43. 1 Na apuração dos juros de mora, é utilizado o percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculado a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do tributo, informado no quadro acima, até o mês anterior ao pagamento, acrescida de 1% (um por cento) referente ao mês do pagamento. Enquadramento Legal: art. 61, § 3.º, da Lei n.º 9.430/1996. Fl. 451DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Por conseguinte, há uma redução do lançamento do tributo e de multa de ofício na ordem de R$ 1.670.318,60 (= 192.933,17 + 1.477.385,43). Neste cálculo, não estão computados os juros de mora pela taxa SELIC, uma vez que a norma do recurso de ofício, decorrente de exoneração, não considera para a aferição do limite de alçada os juros moratórios, contabilizando-se apenas o principal e a multa. Referida demonstração da exoneração de R$ 1.670.318,60 consta de forma resumida no Extrato do Processo (fls. 439/440), de modo a apontar para uma exoneração em primeira instância inferior ao atual limite de alçada de R$ 2.500.000,00 da Portaria MF n.º 63, de 09 de fevereiro de 2017, considerando tributo e encargos de multa. Demais disto, em precedente recente deste Colegiado, em sessão de 07/05/2019, o Acórdão CARF n.º 2202-005.186 caminhou no mesmo sentido, em decisão unânime. Eis a ementa daquele julgado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2010 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. Recurso de Ofício não conhecido, por valor de exoneração abaixo do limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Cito, ainda, os precedentes de minha relatoria no mesmo sentido, Acórdãos ns.º 2202-005.558 e 2202-005.585. Destarte, não deve ter seguimento o recurso necessário, pois houve exoneração do sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total inferior ao limite de alçada vigente na admissibilidade. Sendo assim, não conheço do recurso de ofício. Admissibilidade do Recurso Voluntário O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Especialmente, quanto aos pressupostos extrínsecos, observo que o recurso se apresenta tempestivo (notificação em 07/08/2015, e-fl. 409, protocolo recursal em 04/09/2015, e-fl. 412, e despacho de encaminhamento, e-fl. 441), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário (e-fls. 412/431). Fl. 452DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito do recurso voluntário - Preliminar de nulidade, sigilo bancário sob reserva do Judiciário Observo que o recorrente requer seja reconhecida a nulidade por quebra do sigilo bancário sem o prévio controle jurisdicional. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. Ora, os extratos foram solicitados à instituição bancária no curso da ação fiscal, sem que tenha ocorrido qualquer irregularidade. Aliás, o contribuinte não aponta quaisquer vícios efetivos no procedimento, limita-se a afirmar que não houve prévia autorização dada pelo Poder Judiciário, o que, após consolidação de jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, entende-se não ser necessário. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) adveio do fato de ter deixado o contribuinte de apresentar os documentos bancários solicitados pela fiscalização, descumprindo o dever de prestar os esclarecimentos e as informações exigidas, em desrespeito ao disposto nos arts. 927 e 928 do RIR/99, vigente à época, in verbis: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores-Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei n.º 2.354, de 1954, art. 7.º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximir-se de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (Decreto-Lei n.º 5.844, de 1943, art. 123, Decreto-Lei n.º 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2.º, e Lei n.º 5.172, de 1966, art. 197). Apenas diante da não apresentação dos dados solicitados, foi emitida a RMF direcionada a instituição financeira, estando a fiscalização amparada no procedimento do art. 6.º da Lei Complementar n.º 105/2001 e art. 3.º, inciso V e VII, do Decreto n.º 3.724, de 2001. Veja-se que ao solicitar às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, a autoridade administrativa utiliza os meios e instrumentos de fiscalização colocados à sua disposição pelo ordenamento jurídico para que a ação fiscal possa ter eficácia. Deste modo, não se pode entender como nulo o procedimento que observa as diretrizes legais. A Constituição Federal, em seu art. 145, § 1.º, confere poderes ao Fisco para identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e atividades econômicas do contribuinte. Acrescente-se que o art. 197, inciso II, do Código Tributário Nacional, prescreve que, mediante intimação, as instituições financeiras são obrigadas a prestar à autoridade administrativa tributária todas as informações de que disponham com relação a bens, negócios ou atividades de terceiros. De mais a mais, o sigilo bancário é preservado dentro do processo administrativo fiscal, somando-se ao sigilo fiscal. Aliás, o Decreto n.º 3.724, de 2001, que regulamentou o art. 6.º da Lei Complementar 105, de 2001, estabelece em seus artigos 8.º, 9.º e 10, parágrafo único, a obrigatoriedade de preservação do sigilo fiscal por parte dos servidores e as penalidades pelo seu descumprimento. Fl. 453DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Desta forma, não há nulidade no procedimento, pois os extratos bancários são válidos e eficazes para consubstanciar o lançamento, conforme acima delineado, ademais, repita-se, o Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6.º da Lei Complementar 105, de 2001, estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal não é inconstitucional. Portanto, a utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário, não caracteriza nulidade, não exige prévia autorização do Poder Judiciário. Registre-se que a Súmula n.º 182 do Tribunal Federal de Recurso (TRF), órgão extinto pela Constituição Federal de 1988, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos fundamentados em lei superveniente. De mais a mais, a identificação dos motivos que ensejaram a autuação e os aclaramentos efetivados pela fiscalização afasta a alegação de nulidade, especialmente pela oportunização do direito de manifestação do contribuinte. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. É certo que eventual inconformismo com as razões da decisão ou com os motivos da autuação é caso de debate no mérito e não de nulidade, o que, de fato, já pretende o recorrente, conforme razões do recurso voluntário. Demais disto, obiter dictum, não há que se falar em nulidade ou em cerceamento ou preterição do direito de defesa quando a autoridade lançadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes às causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal, ainda mais quando, efetivamente, mensurou motivadamente os fatos que indicou para imputação, estando determinada a matéria tributável, tendo identificado o “fato imponível” estando autorizada a aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei n.º 9.430. Os relatórios fiscais, em conjunto com os documentos acostados, atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto n.º 70.235/1972), pois descreve os fatos que deram ensejo à constituição do presente crédito tributário, caracterizando-os como fatos geradores e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento. Ou, em outras palavras, o auto de infração está revestido de todos os requisitos legais, uma vez que o fato gerador foi minuciosamente explicitado no relatório fiscal, a base legal do lançamento foi demonstrada e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal e de sua mensuração constam dos diversos discriminativos que integram a autuação. Além disto, houve a devida apuração do quantum exigido, indicando-se os respectivos critérios que sinalizam os parâmetros para evolução do crédito constituído. A fundamentação legal está posta e compreendida pelo autuado, tanto que exerceu seu direito de defesa bem debatendo o mérito do lançamento. A autuação e o acórdão de impugnação Fl. 454DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 convergem para aspecto comum quanto às provas que identificam a subsunção do caso concreto à norma tributante, estando os autos bem instruídos e substanciados para dá lastro a subsunção jurídica efetivada. Os fundamentos estão postos, foram compreendidos e o recorrente exerceu claramente seu direito de defesa rebatendo-os, a tempo e modo, em extenso arrazoado para o bom e respeitado debate. Discordar dos fundamentos, das razões do lançamento, não torna o ato nulo, mas sim passível de enfrentamento das razões recursais no mérito. Em suma, não é acertado afirmar que há ausência de presunção lógica e, também, não observo preterição ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não constato qualquer nulidade. Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar. Mérito do recurso voluntário Quanto ao juízo de mérito do recurso voluntário, passo a apreciá-lo. Pois bem. Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia é relativa ao lançamento de ofício e refere-se a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. - Dos depósitos bancários omissão de rendimentos A defesa sustenta não poder prosperar a presunção legal do art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996. Sustenta não estar obrigado a manter contabilidade, pelo que não tem como comprovar e explicar todas as suas movimentações bancárias. Advoga que a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Pois bem. O auto de infração foi exarado após averiguações nas quais se constatou movimentação bancária atípica, já que a fiscalização constatava que a movimentação financeira era incompatível com os respectivos rendimentos declarados. Neste diapasão, intimou-se o sujeito passivo para apresentar documentação hábil e idônea a atestar a origem dos depósitos, não tendo sido demonstrada as origens, de modo a substanciar a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Por ocasião da intimação, para comprovação de origem dos depósitos, contextualizou-se as implicações dispostas no art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, que trata da presunção de omissão de rendimentos quando não se comprova a origem de depósitos bancários, de modo que o sujeito passivo foi intimado para justificar os ingressos de recursos na conta corrente, conforme planilha elaborada, ocasião em que deveria se indicar, de modo individualizado, a motivação e a origem de tais recursos, bem como apresentar documentação hábil e idônea comprobatória do que fosse afirmado, oportunidade em que o recorrente não comprovou as origens, deixando de justificar, como lhe era exigido com base legal, os depósitos creditados na conta corrente. A questão é que, frente a presunção do art. 42 da Lei n.º 9.430, considerando que ele foi intimado para justificar a origem dos depósitos, mas não o fez, não lhe assiste razão na irresignação. O lançamento é válido e eficaz, ainda que estabelecido com base na presunção de Fl. 455DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 omissão de rendimentos, sendo arbitrado apenas nos créditos apontados em extratos bancários e objeto de intimação para comprovação de origem. O fato é que o recorrente não faz prova das origens dos valores creditados em conta corrente e a comprovação da origem dos recursos deve ser feita individualizadamente, o que não aconteceu na matéria tributável objeto dos autos. Neste diapasão, faz-se necessário esclarecer que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos representada por eles. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício de existência de omissão de rendimentos. Esse indício transforma-se na prova da omissão de rendimentos apenas quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, após regular intimação fiscal, nega-se a fazê-lo, ou não o faz, a tempo e modo, ou não o faz satisfatoriamente. É função privativa da autoridade fiscal, entre outras, investigar a aferição de renda por parte do contribuinte, para tanto podendo se aprofundar sobre o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o sujeito passivo da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência, ou não, de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996. A comprovação da origem dos recursos é obrigação do contribuinte, mormente se a movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados no ajuste anual, como é o presente caso. Neste prisma, não se sustenta as alegações da defesa no sentido de se contrapor a presunção legal do art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, uma vez que é válida e regular. Assim, não se comprovando a origem dos depósitos bancários, configurado está o fato gerador do Imposto de Renda, por presunção legal de infração de omissão de rendimentos, não assistindo razão ao recorrente em suas argumentações, quando corretamente se aplicou o procedimento de presunção advindo do art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996 (art. 849 do RIR/1999). A alegação de que não é obrigado a manter contabilidade não lhe socorre para se desincumbir do seu dever probatório. Não restando demonstrada e comprovada a origem da omissão, vale observar o estabelecido na legislação, que, no caso, prevê, ainda que por presunção, a tributação como omissão de rendimentos auferidos. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Da atividade empresarial exercida pelo recorrente, necessidade de equiparação à pessoa jurídica O recorrente alega que desenvolve atividade econômica e que deveria ser equiparado à pessoa jurídica. Sustenta que exerce o comércio e intermediação de antiguidades e obras de arte, assim os seus rendimentos advêm da prestação de serviços (intermediação) e venda de mercadoria. Fl. 456DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Pois bem. Não lhe assiste razão. Independentemente das alegações do recorrente, o fato é que a autuação foi efetivada por depósitos bancários com origem não comprovada, de modo que, a despeito de alegar exercer atividade empresária, a circunstância é que não demonstrou a origem dos depósitos efetuados em conta da pessoa físicas, ademais no capítulo anterior de sua defesa alegava que não estava obrigado a possuir contabilidade, o que, no mínimo, se apresenta contraditório. De mais a mais, com base no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.º do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 2015, que instituiu o Regimento Interno do CARF (RICARF), não tendo sido apresentadas novas razões de defesa, vez que a peça recursal não traz maiores inovações em relação à impugnação, passo a adotar, doravante, como acréscimo das minhas razões de decidir o seguinte trecho elucidativo da decisão objurgada: Explica a defesa que exerce a atividade de comércio e intermediação de antiguidades e obras de arte, assim, os seus rendimentos advêm da prestação de serviços (intermediação) e venda de mercadorias, conforme documentos que anexa, tais como contratos de compra e venda (doc. 02). Por conseguinte, parcela da movimentação de suas contas bancárias advém de sua profissão, já que os pagamentos das obras são feitos por TED, depósito bancário (doc. 03). Em relação a essa alegação e quanto ao doc. 02, constante das fls. 257 a 306, deve-se registrar que embora estes, de fato, indiquem o exercício da atividade de comércio e intermediação de antiguidades e obras de arte no ano de 2011, os mesmos não demonstram inequivocamente a utilização da conta corrente pessoa física para a atividade demonstrada. Isso porque vários são os documentos apresentados que demonstram que a empresa do contribuinte, Carlos Guimarães de Queiroz - ME, era quem efetuava as operações, podendo citar os de fls. 272, 278, 281, 282, 288, 297, 298 e 302. Note-se, inclusive, que os de fls. 281 e 282 demonstram claramente que a pessoa jurídica utilizava sua própria conta para as operações. E, ainda, esses recibos citados no parágrafo acima bem como aqueles que apresentam o contribuinte pessoa física como remetente ou destinatário das quantias lá descritas, fls. 267, 271, 283, 284, 289, 290, 292 e 300, não guardam relação com os extratos bancários acostados aos autos. O único recibo que possui valor e data coincidente com o extrato bancário é o de fl. 295, que atesta o pagamento de R$ 100.000,00 feito pelo contribuinte em 29/09/2011, sendo que o extrato da conta pessoa física apresenta um débito desse mesmo valor e no mesmo dia. Contudo, um único lançamento a débito, dentre os vários a crédito que totalizam mais de sete milhões de reais e que cujo histórico TRANSF.VALOR ENTRE CONTA não permite vinculá-lo de forma incontestável ao recibo de fl. 295, não é suficiente para comprovar as alegações da defesa. Já o documento de fl. 293 apresenta o valor de R$ 730.000,00 como recebido em 10/10/2011, enquanto que o extrato bancário demonstra o ingresso dessa quantia em 31/10/2011 com o histórico TED-TRANSF ELET DISPON. Logo, como não há coincidência de data, não há como excluí-lo da tributação. Cabe deixar claro que o § 3.º antes transcrito, do art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, determina que os depósitos em conta corrente serão analisados individualizadamente, devendo ser prestados esclarecimentos para cada um dos créditos, acompanhados de documentação hábil e idônea. E quando a lei fala em “documentação hábil e idônea”, refere-se a documentos que estabeleçam uma relação objetiva, direta, cabal e inequívoca, em termos de datas e valores, entre eles e os créditos bancários cuja origem pretende-se ver comprovada, esclarecendo, também, a que título esses créditos bancários ingressaram na conta bancária do contribuinte. Assim, não há como aceitar a alegação de que a movimentação bancária ocorrida em sua conta pessoal (pessoa física) era própria da prestação de serviços (intermediação) e venda de mercadorias, pois, desacompanhada de provas robustas que dêem respaldo à alegação. Fl. 457DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Registre-se ainda que não há como acatar o doc. 03, anexado às fls. 307 a 310, pois não comprova a origem dos créditos bancários nem os vincula aos documentos apresentados. Frise-se que todos os fatos devem ser devidamente comprovados de forma coerente e com meios de prova idôneos, que não deixe margem à dúvida quanto à consistência das operações. Ou seja, a simples alegação, sem os elementos correspondentes, não tem o condão de tornar insubsistente o lançamento realizado com base em elementos apurados pela repartição lançadora. O mesmo entende-se sobre a alegação relacionada ao doc. 04, onde o contribuinte descrimina à fl. 312 os depósitos bancários que possuem como histórico "cheque custodia". Sobre esses, explica o impugnante que em alguns casos exige caução como forma de garantia do negócio, entretanto tais valores são devolvidos posteriormente, ou seja, não aufere renda com eles, visto que esses valores apenas transitam pela sua conta. Contudo, nada apresentou para comprovar suas alegações. Dessa forma, como somente o extrato bancário não permite comprovar o alegado, o lançamento referente àqueles valores deve ser mantido. Por fim, argumenta o impugnante que o art. 150 do RIR/99 é perfeitamente aplicável à situação em exame, tendo em vista que o Impugnante explora, em nome próprio e com a finalidade de obter lucro, atividade de comercialização (coleta/compra e venda) de obras de arte, equiparando-se, portanto, à pessoa jurídica. Alega que a própria RFB definiu a necessidade de tributar os valores recebidos pelo Impugnante como pessoa jurídica, haja vista que nos autos do processo administrativo n.º 10830.726.979/2013-53 exige-se IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para os anos-calendário de 2008 e 2009. Transcreve trechos daquele processo (fls. 243 e 244). Sobre a matéria, assim dispõe o art. 150 do Regulamento do Imposto de Renda/RIR-1999 aprovado pelo Decreto n.º 3.000/99: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto-Lei n.º 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2.º). § 1.º São empresas individuais: I – as firmas individuais (Lei n.º 4.506, de 1964, art. 41, § 1.º, alínea "a"); II – as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei n.º 4.506, de 1964, art. 41, § 1.º, alínea "b"); III – as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (Decreto-Lei n.º 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1.º e 3.º, inciso III, e Decreto-Lei n.º 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). Como se vê, a equiparação à pessoa jurídica é possível quando se trata de firma individual ou pode ser admitida em função da atividade desenvolvida pela pessoa física. Caso a atividade se enquadre em alguma das hipóteses previstas nos incisos II e III do art. 150 acima transcrito (simplificando: venda de bens e/ou serviços com objetivo de lucro), considerasse que a atividade é típica de pessoa jurídica e os rendimentos correspondentes devem ser tributados como de PJ. No entanto, no caso concreto, o contribuinte simplesmente requer a equiparação à pessoa jurídica, mas sequer esclarece quais depósitos bancários representariam a respectiva receita auferida por ela. Logo, diferentemente da ementa do Carf mencionada na impugnação que diz que "Comprovado que os valores creditados em conta bancária têm origem em atividade comercial do autuado ou de terceiro, a exigência tributária deve ser dirigida à cobrança do IRPJ e contribuições sociais", no presente processo não houve essa comprovação. Pelo contrário, os documentos trazidos pelo impugnante, conforme já acima discorrido, demonstram que a atividade de comércio e intermediação de antiguidades e obras de arte no ano de 2011 era realizada pela empresa do contribuinte, Carlos Guimarães de Queiroz - ME, com utilização da conta corrente dessa PJ, ou seja, dentre os documentos anexados à Impugnação, nenhum deles demonstrou de forma inequívoca que o contribuinte utilizava sua conta corrente pessoa física para movimentar valores da pessoa jurídica. Fl. 458DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Em outras palavras, embora no processo n.º 10830.726.979/2013-53, onde exige-se IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para os anos-calendário de 2008 e 2009, "a fiscalização identificou que o fiscalizado empresário individual CARLOS GUIMARÃES DE QUEIROZ – ME, CNPJ 09.091.813/0001-09, é o real beneficiário dos depósitos bancários realizados nas contas correntes de sua pessoa física", item 46 - fl. 333, no caso dos presentes autos não se pode afirmar o mesmo. Logo, não há como acatar a solicitação do Impugnante. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Incerteza e iliquidez do crédito tributário lançado de ofício, depósitos bancários identificados Alega a defesa que, dentre os valores apontados como omissão de renda, encontram-se transferências de crédito entre contas de sua titularidade, conforme apontamentos que faz às fls. 246 e 247. Advoga que a decisão recorrida não os acatou, pois exigiu a juntada dos extratos bancários, mas os elementos apresentados seriam suficientes para comprovar a transferências entre contas de sua titularidade. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente. Ora, o recorrente não foi objetivo em suas ponderações, deixando de infirmar de forma específica as conclusões da decisão de piso, a qual delineou ponto a ponto as afirmações postas na impugnação. Sendo assim, por se tratar de matéria excessivamente fática, bem como inexistindo novos elementos entre o recurso voluntário e a impugnação, assim como estando este julgador, diante do conjunto probatório conferido nos fólios processuais, confortável com as razões de decidir da primeira instância, passo a adotar, doravante, como meus, aqueles fundamentos da decisão de piso, com fulcro no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.º do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 2015, que instituiu o RICARF, verbis: Alega o Impugnante que dentre os valores apontados como omissão de renda do Impugnante está a transferência de crédito entre contas de sua titularidade. Traz à fl. 314 (doc. 5) recortes de extratos bancários de 11/12/2014 como forma de comprovar ser o titular das seguintes contas bancárias oriundas do banco Bradesco, agência 2205: - Conta 0021340-3 - Conta 0020240-1 - Conta 0021590-2 - Conta 0025340-5 Necessário registrar que foram objeto do lançamento as c/c 0020240-1 e 0021590-2, as quais foram as únicas contas que o banco Bradesco informou que o contribuinte movimentou no ano de 2011, conforme resposta ao RMF anexada às fls. 39 a 46. Contudo, afirma o impugnante que houve as seguintes transferências entre suas contas: Créditos na Conta 0021590-0 i) Transferência da Conta 0021340-3 no valor total de R$ 240.000,00 (valores individuais à fl. 316 - doc. 06). ii) Transferência da Conta 0025340-3 no valor total de R$ 360.500,00 (valores individuais às fls. 318 e 319 - doc. 07). iii) Transferência de Aplicação da conta 0021590-0 no valor total de R$ 561.260,10 (valores individuais à fl. 321 - doc. 08). iv) Depósito da Conta 0021340-3 no valor total de R$ 604.500,00 (valores individuais às fls. 323 e 324 - doc. 09). v) Depósito da Conta 0025340-5 no valor total de R$ 64.000,00 (valores individuais à fl. 326 - doc. 10). Fl. 459DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 vi) Depósito da Conta 0020240-1 no valor de R$ 18.000,00 (fl. 326 - doc. 10). Créditos na Conta 0020240-1 vii) Transferência da Conta 0021340-3 no valor de R$ 522.800,00 viii) Transferência da Conta 0021590-0 no valor de R$ 12.500,00 ix) Depósito da Conta 0021340-3 no valor de R$ 537.100,00 x) Depósito da Conta 0021590-0 no valor de R$ 313.000,00 Do exposto e analisando os itens "i", "ii", "iv", "v", "vii" e "ix", onde o contribuinte informa que a origem dos depósitos bancários estaria nas c/c de ns.º 0021340-3 e 0025340-5, não há como acatar sua solicitação. Explica-se: Conforme preceitua o inciso I, do parágrafo 3.º, do art. 42, da Lei n.º 9.430/96, já transcrito neste Voto, devem ser excluídos da tributação os créditos decorrentes de transferências bancárias de outras contas da própria pessoa física, desde que comprovada a origem dos depósitos, bem como a coincidência em data e valor, observada, ainda, a necessidade de que os históricos constantes dos extratos permitam concluir que estamos diante de operação intercontas, envolvendo apenas os titulares das mesmas. Ocorre que para que tais créditos fossem excluídos do lançamento deveria o contribuinte ter anexado aos autos cópia dos extratos bancários das contas de origem, comprovantes de transferências, ou qualquer outro documento que pudesse confirmar a origem do depósito nos termos alegados. E no caso dos autos, o banco Bradesco apresentou o extrato de somente duas contas correntes, 0020240-1 e 0021590-2, informando à fl. 39 que "períodos e contas sem movimentação não geram extratos". Contudo, partindo da premissa de que as contas de ns.º 0021340-3 e 0025340-5 estavam abertas no ano de 2011, embora o documento de fl. 314 apresentado pela defesa comprove a sua existência somente em 2014, deveria o contribuinte ter apresentado documentação comprobatória da existência das alegadas transferências entre contas de sua titularidade. Assim, como não houve a apresentação de qualquer documento e como não se visualizou nos extratos da conta de destino a alegada ocorrência, o lançamento deve ser mantido. Já para o item "iii", Transferência de Aplicação da conta 0021590-0 no valor total de R$ 561.260,10, conforme valores individuais à fl. 321 - doc. 08 e abaixo descritos, entende-se que os históricos constantes dos extratos permitem concluir que estamos diante de operação de resgate de aplicação financeira em CDI. Logo, tais valores devem ser afastados do lançamento na proporção de 50%, por se tratar de uma conta conjunta com Luciana Cidin Borghi, conforme art. 42, § 6.º, da Lei 9.430/96. Banco Agencia Conta Data Histórico Valor (RS) 237 2.205 215.902 21 01 2011 TRANSF. AUTOMATIC A CODI 36.016.99 237 2.205 215.902 24/01/2011 TRANSF. AUTOMATIC A CCDI 9.982,50 237 2.205 215.902 27/01/2011 TRANSF. AUTOMATIC A CCDI 25.000,00 237 2.205 215.902 28/01/2011 TRANSF. AUTOMATIC A CCDI 7.500,00 237 2.205 215.902 31/01/2011 TRANSF. AUTOMATIC A CCDI 8.690,00 237 2.205 215.902 01/02/2011 TRANSF. AUTOMATIC A CCDI 21.222,40 237 2.205 215.902 07/04/2011 TRANSF. AUTOMATIC A CCDI 134.000,00 237 2.205 215.902 08/04/2011 TRANSF. AUTOMATIC A CCDI 26.184,56 237 2.205 215.902 13/04/2011 TRANS F. AUTOMATIC A CCDI 38.159,91 237 2.205 215.902 11/04/2011 TRANSFERENCIA DA CCDI 20.045,74 237 2.205 215.902 13/04/2011 TRANSFERENCIA DA CCDI 234.458,00 TOTAL 561.260,10 Em relação ao item "vi", Depósito da Conta 0020240-1 feito em 29/06 no valor de R$ 18.000,00 (fl. 326 - doc. 10), analisando os extratos dessa conta, anexados na mídia eletrônica descrita à fl. 51, é possível afirmar que não há qualquer lançamento a débito que se relacione com o questionado depósito. Primeiro porque, no que se refere à data, não houve qualquer movimento no dia 29/06 na conta 0020240-1. Segundo porque, em relação ao valor, há um lançamento a débito no dia 30/06 no montante de R$ 18.000,00 referente a "cheque compensado" enquanto que o crédito bancário de 29/06 possui o histórico "depos transf autoat". Logo, não restou comprovada a alegação do impugnante. Fl. 460DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Por último, para os itens "viii", Transferência da Conta 0021590-0 no valor de R$ 12.500,00, e "x", Depósito da Conta 0021590-0 no valor de R$ 313.000,00, citados à fl. 247, entende-se que se não concorda com os depósitos lançados, o contribuinte deveria especificá-los e contestá-los de forma individualizada e detalhada, não atingindo tal objetivo as alegações feitas que sequer identificam as datas dos créditos bancários. No entanto, realizou-se pesquisa aos extratos da conta 0020240-1, onde os valores de R$ 12.500,00 e R$ 313.000,00 teriam sido depositados, e localizaram-se os seguintes créditos: Banco Agencia Conta Data Histórico Valor 237 2.205 202.401 05/05/2011 DEPOS CC AUTOAT 12.500,00 237 2.205 202.401 24/11/2011 TRANSF.VALOR ENTRE CONTA 12.500,00 Já na conta de origem, 0021590-0, o único lançamento a débito que poderia ser relacionado, pelo valor, ao de R$ 12.500,00 seria um "cheque compensado" no dia 05/05/2011. Contudo, como os históricos não permitem concluir que estamos diante de operação intercontas e tendo em vista que nada se localizou em relação ao valor de R$ 313.000,00, o lançamento referente a essas parcelas deve ser mantido. Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Juros SELIC sobre a multa de ofício A defesa sustenta a não incidência de juros sobre multa de ofício. Pois bem. A matéria há muito foi superada pelo STJ ao uniformizar a interpretação do direito infraconstitucional, conforme segue: " ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/12/2012) As razões, com as quais concordo, são que o crédito tributário (prestação pecuniária devida ao ente tributante) tem concepção mais ampla do que o conceito de tributo, inclusive a disciplina do art. 113, caput e parágrafos, do CTN, enuncia prescritivamente um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias fiscais, o que é extremamente necessário para a arrecadação e administração fiscal, deste modo a multa, por constituir crédito tributário, sendo dotada dos mesmos mecanismos e procedimentos aplicados aos tributos, inclusive quanto aos consectários legais, sujeita-se à incidência de juros de mora. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3.º, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a penalidade imposta devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. Por fim, este Colendo Conselho já sumulou o assunto, nestes termos: Fl. 461DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2202-005.703 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10830.725162/2014-49 Súmula CARF n.º 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME n.º 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao Recurso de Ofício e ao Recurso Voluntário Sendo assim, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, sem razão o recorrente, mantendo-se na integra a decisão hostilizada, pelo que não conheço do recurso de ofício, por não atender o limite de alçada, conheço do recurso voluntário, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego-lhe provimento. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso de ofício, e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 462DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.723334/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Ano-calendário: 2008
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR MÉDIO DAS DITR. SIPT. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Não cabe a manutenção do arbitramento do VTN com base no valor médio das DITR do município (SIPT), quando não for considerada a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 2402-007.786
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.723335/2012-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Ano-calendário: 2008 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR MÉDIO DAS DITR. SIPT. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Não cabe a manutenção do arbitramento do VTN com base no valor médio das DITR do município (SIPT), quando não for considerada a aptidão agrícola do imóvel. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Luís Henrique Dias Lima, que negou provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13819.723335/2012-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 33 34 /2 01 2- 24 Fl. 291DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.786 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.723334/2012-24 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2402-007.783, de 05 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de impugnação à exigência formalizada mediante notificação de lançamento, através do qual se exigiu o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR do respectivo exercício, incidente sobre o imóvel rural denominado Golden Lake, com área total de 75,7 hectares, Número de Inscrição – NIRF 7.737.822-9, localizado no município de São Bernardo do Campo-SP. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento de ofício decorreu da alteração da Declaração de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR em relação ao seguinte fato tributário: Valor da Terra Nua - VTN: o VTN declarado foi substituído pelo VTN apurado em laudo técnico de avaliação apresentado pelo sujeito passivo à autoridade lançadora. Em julgamento pela DRJ, a mesma entendeu pela manutenção do lançamento, julgando-o procedente, conforme ementa: NIRF: 7.737.822-9 - Golden Lake DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de diligência não serve para suprir a omissão do sujeito passivo em produzir as provas relativas aos fatos que, por sua natureza, são provados por meio documental. VALOR DA TERRA NUA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. GRAU DE UTILIZAÇÃO DO IMÓVEL. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO. PROVA INEFICAZ. O valor da terra nua tributável é obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total. Quando não comprovada a isenção da Área de Preservação Permanente, não havendo outras exclusões, a área tributável é igual à área total do imóvel. A área vegetada composta por campo de golfe não altera o grau de utilização do imóvel porque não possui natureza rural. É ineficaz para provar o valor da terra nua do imóvel o laudo técnico de avaliação elaborado em desacordo com a norma NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT. INTIMAÇÃO EXCLUSIVA DO ADVOGADO. VEDAÇÃO. A intimação deve ser feita ao sujeito passivo sob pena de invalidade. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformado, o Contribuinte interpôs recurso voluntário, acatando a r. decisão e protestou pela reforma da mesma. É o relatório. Fl. 292DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.786 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.723334/2012-24 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2402-007.783, de 05 de novembro de 2019, paradigma desta decisão. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Sobre o Valor da Terra nua, a Recorrente alega que a autoridade fiscal valeu-se de critérios subjetivos ao proceder ao arbitramento do valor da terra nua pela aplicação do SIPT, que, na verdade, trata-se de sistema supostamente estabelecido com base no artigo 14 da Lei nº 9.393/96. Constata-se dos artigos 2º e 3º da Portaria SRF nº 447/02, que aprova o aludido sistema, que a RFB não franqueia o acesso ao contribuinte aos dados nele inseridos, o que impossibilita que ele confira as informações levantadas, os cálculos efetuados e se cumprem efetivamente os critérios legais, afrontando, assim, o princípio da legalidade e o próprio direito de defesa do contribuinte. Neste ponto, entendo que assiste razão à recorrente. O SIPT - Sistema de Preços de Terras, como importante instrumento de atuação do Fisco na fiscalização do ITR, possui bases legais que justificam a sua existência, qual seja o artigo 14 da Lei n° 9.393/96. Contudo, o fato de ter previsão em lei não significa, em absoluto, uma legitimidade incondicional. Muito ao contrário. A mesma lei que o legitima também prevê o seu regramento. Ou seja, os seus limites. Nessa linha, o próprio regramento do Sistema de Preços de Terra - SIPT prevê que as informações que comporão o sistema considerarão levantamentos realizados pelas Secretárias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, e o objetivo desse direcionamento, é, evidentemente, realizar o princípio da verdade material, tão caro ao Direito Tributário. Assim é que para que dispõe o artigo 14, da Lei nº 9.393/96 o seguinte: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Fl. 293DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.786 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.723334/2012-24 § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. O artigo 12, inciso II, § 1º, a Lei nº 8.629/93, assim prevê: Art. 12. Considera-se justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I - localização do imóvel; II - aptidão agrícola; III - dimensão do imóvel; IV - área ocupada e ancianidade das posses; V - funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1 o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder-se-á à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendo-se o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2 o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3 o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. Com efeito, da tela SIPT juntada aos autos, apenas consta um valor de VTN/ha regional, todavia sem qualquer menção à aptidão agrícola. E, neste caso, entendo que assiste razão à recorrente, pois ao observar os extratos que serviram de base para a fiscalização arbitrar o VTN do ITR, verifiquei que consta apenas o VTN médio apurado com base nas DITR, não havendo qualquer informação que considerasse a aptidão agrícola para fins de arbitramento. Neste caso, com base nos extratos anexados aos autos, nota-se que o arbitramento do VTN realizado pela fiscalização, não levou em consideração a aptidão agrícola e utilizou para o lançamento o VTN médio das declarações entregues no município. Portanto, entendo que a fiscalização não cumpriu o mandamento legal do disposto nos artigo 14, § 1°, da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro de 1996, c/c com o artigo 12, da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, quando utilizou, para efeito do arbitramento, o VTN médio informado no SIPT, sem levar consideração o fator de aptidão agrícola. Além disso, o VTN, da forma como foi arbitrado, não tem utilidade para sustentar a recusa do valor declarado pela recorrente, tornando irrelevante a questão da não apresentação do laudo técnico de avaliação e assim restabelecer o VTN declarado pela empresa. Fl. 294DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.786 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.723334/2012-24 Ademais, acrescenta-se que o fundamento para restabelecer o VTN declarado pela recorrente, quando a fiscalização arbitrou o VTN pelo SIPT e não levou em consideração o fator aptidão agrícola, pode ser corroborado pelo acórdão nº 9202007.251 proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Oportuno, apresento outro julgado no mesmo sentido: Numero do processo: 11070.720030/2007-11 Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 BRT 2019 Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 BRT 2019 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar, após a entrega da DITR. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO APRESENTADO. LAUDO TÉCNICO. DOCUMENTOS INFORMATIVOS. NÃO SUBSTITUI O ADA. O laudo técnico bem como outros documentos informativos apresentados não suprem a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. VALOR MÉDIO DAS DITR. SIPT. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Não cabe a manutenção do arbitramento do VTN com base no valor médio das DITR do município (SIPT), quando não for considerada a aptidão agrícola do imóvel. JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. A doutrina, as decisões administrativas e a jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado com decisões definitivas de mérito, proferidas pelo STF e pelo STJ em matéria infraconstitucional, não vinculam o julgamento na esfera administrativa. LEGALIDADE. OBRIGAÇÃO. APRESENTAÇÃO DO ADA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO DESOBRIGA. Não cabe aplicar o princípio da verdade material para desobrigar o contribuinte de cumprir uma obrigação legal, qual seja, entrega do ADA. TAXA DE JUROS. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Está correto o procedimento fiscal de exigir juros calculados Fl. 295DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.786 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.723334/2012-24 com base na taxa Selic, contados desde a data do vencimento do tributo não pago pela contribuinte. Numero da decisão: 2202-005.027 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado pela recorrente, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento integral ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, que manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. - Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, José Alfredo Duarte FIlho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA Ainda, o laudo apresentado traz os elementos que são necessários para validar o VTN declarado pela Recorrente, razão pela qual julgo procedente o recurso, neste mérito, para manter o valor do VTN declarado pela Recorrente. Conclusões Face ao exposto, voto no sentido de dar provimento total ao Recurso Voluntário, no sentido de manter o VTN conforme declarado pelo Contribuinte, devendo-se ser reestabelecido conforme declaração apresentada, cassando-se a multa de ofício e demais consectários. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.900854/2006-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(documento assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad Relator
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Recorrente ETIQUETAS DALLA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad – Relator (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. Ausente o Conselheiro Gerson José Morgado de Castro. Relatório Trata-se de processo administrativo no qual discute-se direito ao RESSARCIMENTO de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI referente ao terceiro trimestre de 2002. Em razão de haver retratado de forma minuciosa os fatos até então ocorridos no presente processo, adoto e transcrevo o Relatório elaborado pela DRJ quando da análise da questão: “Relatório Em 20/05/2008, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 9 (cópia) que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 36.145,48 referente ao 3º trimestre- calendário de 2002, nada reconheceu, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 38543.93848.150803.1.3.01-9989. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .9 00 85 4/ 20 06 -5 6 Fl. 135DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.199 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.900854/2006-56 Motivos da redução do valor pleiteado: a) ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos; b) constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor, presentes no sítio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, se encontram transcritos no voto deste Acórdão. A requerente, inconformada com a decisão administrativa (a data da respectiva ciência não consta dos autos), apresentou, em 30/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 03/08, subscrita pelo representante legal, em que, em síntese, sustenta que há liquidez e certeza dos créditos do trimestre em questão que retratam fielmente a escrita fiscal; não há a utilização de saldos credores anteriores no trimestre em referência; não há débito remanescente, tendo sido os débitos devidamente compensados. Por fim, requer que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade com a reforma da decisão singular e a homologação integral dos valores compensados e o cancelamento dos débitos.” Como resultado da análise do presente processo pela DRJ foi lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. O saldo credor ressarcível de cada trimestre-calendário é apurado mediante o confronto de créditos e débitos de cada período de apuração, sendo passíveis de glosa os créditos ressarcíveis não admitidos e os créditos não ressarcíveis; o estorno do montante do pleito é feito na data da transmissão de PER/DCOMP, estando sujeito à apuração do menor saldo credor. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DOS PERÍODOS SUBSEQUENTES. MENOR SALDO CREDOR NULO. Sendo o saldo credor ressarcível do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos dos trimestres subsequentes (saldo credor não ressarcível em relação aos trimestres subsequentes), o menor saldo credor é nulo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente impugnada é incontroversa, sendo insuscetível de invocação posterior no âmbito de órgão de julgamento administrativo ad quem. Irresignada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual submeteu as alegações da Manifestação de Inconformidade a este Colegiado. É o Relatório. Voto. Fl. 136DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.199 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.900854/2006-56 Conselheiro Raphael Madeira Abad. Relator. 1. Admissibilidade O Recurso é tempestivo e a matéria é de competência deste colegiado, razão pela qual conheço. 2. Da necessidade da conversão em diligência. A Recorrente sustenta o seu direito a COMPENSAÇÃO de créditos a partir da premissa de que os bens por ela adquiridos geram créditos ressarcíveis e que não há pedido de compensação em relação ao período. A decisão atacada, por sua vez, entendeu que nem todos os créditos são ressarcíveis, mas tão somente os legalmente autorizados. A recorrente, todavia, sustenta que “... há saldo credor e foi compensado em período subsequente, porém com saldo reconhecido e não compensado antes, conforme demonstrativo de apuração de IPI.” (e-fls. 125) A matéria em exame refere-se ao TERCEIRO trimestre do ano de 2002, sendo que em 25 de julho de 2019 a Segunda Turma da Quarta Câmara desta Terceira Turma já apreciou o QUARTO trimestre do mesmo exercício de 2002, convertendo-o em diligência a fim de que a Recorrente possa apresentar o RAIPI que entende necessário a demonstrar o erro formal indicado pela Recorrente. Isto porque a controvérsia diz respeito à negativa de homologação de DCOMP por constatação de que o crédito de ressarcimento de IPI relativamente ao terceiro trimestre de 2002 já havia sido utilizado. A decisão sob exame trata os créditos apontados pela Recorrente como não passíveis de RESSARCIMENTO. “Os créditos não passíveis de ressarcimento de IPI, aqueles decorrentes de outras aquisições/entradas do estabelecimento detentor de crédito, distintas daquelas que dão direito a créditos passíveis de ressarcimento, em que pese não poderem ser ressarcidos/compensados, na forma do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, podem ser mantidos na escrita fiscal do IPI, para dedução dos débitos pelas saídas futuras. Incluem-se nesses créditos, por exemplo, os seguintes valores: aquisição de mercadorias para revenda tributada, devolução e retorno de mercadorias, crédito presumido previsto nas Leis nº 9.363, de 1996, e 10.276, de 2001, recebidos em transferência da matriz pelos estabelecimentos filiais. São considerados também como créditos não ressarcíveis os saldos credores ressarcíveis acumulados em trimestres-calendários anteriores mantidos na escrita. Para apuração do valor a ressarcir, referente a trimestre calendário determinado, deve ser calculado o valor do saldo credor passível de ressarcimento relativo a esse período. Ou seja, nem sempre o valor de crédito passível de ressarcimento será o valor ressarcível ao contribuinte, pois diante da apuração de débitos por saídas do período, após utilização prioritária dos créditos não passíveis de ressarcimento acumulados, remanescendo débitos, os créditos passíveis de ressarcimento acumulados no período serão utilizados. Fl. 137DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.199 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13971.900854/2006-56 A apuração do menor saldo credor deflui do que a legislação estabelece, consoante que já foi dito acima: o saldo credor ressarcível é o saldo de créditos apropriados, deduzidos dos débitos, no trimestre de competência; com a demora na transmissão do PER/DCOMP, o saldo credor ressarcível do trimestre será não ressarcível em relação aos períodos subseqüentes e passível de compensação, preferencialmente, com os débitos dos períodos subseqüentes.” (e-fls. 115) Todavia, a Recorrente aponta que o saldo credor remanescente do terceiro trimestre de 2002 é líquido e certo, e o contribuinte pode utilizar os seus créditos em momento posterior, (e-fls 124), alega que não houve compensações anteriores e por esta razão entende que não há utilização de saldo credor passível de ressarcimento em períodos anteriores ao trimestre de referência. Assim, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem proceda as seguintes providências. a) Intimar a Recorrente para apresentar o RAIPI referente aos períodos que alega possuir o crédito, bem como outros documentos que entende necessários para comprovar o direito alegado. b) Analisar os documentos comprobatórios apresentados nos autos, bem como documentos indicados em item “a”, refazendo a composição do saldo. c) Elaborar relatório conclusivo sobre as apurações e resultado de diligência. d) Intimar a Recorrente para manifestar-se sobre o resultado, no prazo de 30 dias. e) Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad – Relator Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.721273/2017-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015
PRELIMINAR. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Não há que se cogitar o cerceamento ao direito de defesa, quando o julgador deixa de analisar eventuais provas apresentadas, quando estas, por decorrência lógica das suas razões de decidir, não são aptas a alterar o resultado do julgado.
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO.
O fato de uma classificação fiscal não ter sofrido reclassificação em procedimentos anteriores não implica sua aceitação pelo Fisco de forma expressa, a ponto de vincular a Administração Tributária. Para que haja mudança de critério jurídico, é necessário que, em algum momento, tal critério
tenha sido expressamente fixado pelo Fisco.
PRÁTICA REITERADA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. ART. 100, INCISO III, CTN.
A inexistência de autuações, em procedimentos de fiscalização, por erro de classificação fiscal, não configura prática reiterada, que exige condutas comissivas, não sendo extensível às omissivas.
LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO - LINDB. APLICAÇÃO AO DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Apesar de se referir, em tese, a todas as leis, e para todos os ramos do Direito, a
LINDB, enquanto lei geral e ordinária, não pode estabelecer normas gerais para o Direito Tributário, pois a Constituição Federal, em seu art. 146, inciso III, define que esta tarefa é reservada à Lei Complementar. O CTN é a lei complementar específica para o estabelecimento de normas gerias em matéria de legislação tributária.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015
ISENÇÃO DO DECRETO-LEI Nº 1435/75. PRODUTOS ELABORADOS COM MATÉRIAS-PRIMAS AGRÍCOLAS E EXTRATIVAS VEGETAIS DE
PRODUÇÃO REGIONAL, EXCLUSIVE AS DE ORIGEM PECUÁRIA.
Não procede a tese de que o termo "matéria-prima", contido no art. 6º do Decreto-Lei n° 1.435/75 designa um conceito amplo e genérico, que abarca tanto a matéria-prima bruta, que é aquela provinda diretamente da natureza, quanto a matéria-prima já industrializada.
Tais matérias-primas são aqueles produtos obtidos de cultivo agrícola, ou de atividade extrativa vegetal, sem sofrer qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, nos termos do art. 4º do RIPI - 2010, operações que deverão ocorrer somente após sua entrada no estabelecimento beneficiado com a isenção.
Conforme determina o art. 111, inciso II, do CTN, interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015
KITS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como kit ou concentrado para refrigerantes constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes
matérias-primas e produtos intermediários, que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa
de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses kits deve ser classificado no código próprio da Tabela de Incidência do IPI.
RESPONSABILIDADE PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL INDICADA NAS
NOTAS FISCAIS DOS KITS. BOA-FÉ DO ADQUIRENTE.
O art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boa-fé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito.
A boa-fé do adquirente é sempre levada em conta na graduação da multa de ofício aplicável, pois caso fosse constatada a intenção do Recorrente de fraudar
o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequência da sua conduta, pois incidiria na previsão de multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 3401-007.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, João Paulo Mendes Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, João Paulo Mendes Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 PRELIMINAR. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Não há que se cogitar o cerceamento ao direito de defesa, quando o julgador deixa de analisar eventuais provas apresentadas, quando estas, por decorrência lógica das suas razões de decidir, não são aptas a alterar o resultado do julgado. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O fato de uma classificação fiscal não ter sofrido reclassificação em procedimentos anteriores não implica sua aceitação pelo Fisco de forma expressa, a ponto de vincular a Administração Tributária. Para que haja mudança de critério jurídico, é necessário que, em algum momento, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. PRÁTICA REITERADA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. ART. 100, INCISO III, CTN. A inexistência de autuações, em procedimentos de fiscalização, por erro de classificação fiscal, não configura prática reiterada, que exige condutas comissivas, não sendo extensível às omissivas. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO - LINDB. APLICAÇÃO AO DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Apesar de se referir, em tese, a todas as leis, e para todos os ramos do Direito, a LINDB, enquanto lei geral e ordinária, não pode estabelecer normas gerais para o Direito Tributário, pois a Constituição Federal, em seu art. 146, inciso III, define que esta tarefa é reservada à Lei Complementar. O CTN é a lei complementar específica para o estabelecimento de normas gerias em matéria de legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 ISENÇÃO DO DECRETO-LEI Nº 1435/75. PRODUTOS ELABORADOS COM MATÉRIAS-PRIMAS AGRÍCOLAS E EXTRATIVAS VEGETAIS DE PRODUÇÃO REGIONAL, EXCLUSIVE AS DE ORIGEM PECUÁRIA. Não procede a tese de que o termo "matéria-prima", contido no art. 6º do Decreto-Lei n° 1.435/75 designa um conceito amplo e genérico, que abarca tanto a matéria-prima bruta, que é aquela provinda diretamente da natureza, quanto a matéria-prima já industrializada. Tais matérias-primas são aqueles produtos obtidos de cultivo agrícola, ou de atividade extrativa vegetal, sem sofrer qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, nos termos do art. 4º do RIPI - 2010, operações que deverão ocorrer somente após sua entrada no estabelecimento beneficiado com a isenção. Conforme determina o art. 111, inciso II, do CTN, interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 KITS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como kit ou concentrado para refrigerantes constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários, que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses kits deve ser classificado no código próprio da Tabela de Incidência do IPI. RESPONSABILIDADE PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL INDICADA NAS NOTAS FISCAIS DOS KITS. BOA-FÉ DO ADQUIRENTE. O art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boa-fé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito. A boa-fé do adquirente é sempre levada em conta na graduação da multa de ofício aplicável, pois caso fosse constatada a intenção do Recorrente de fraudar o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequência da sua conduta, pois incidiria na previsão de multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Não há que se cogitar o cerceamento ao direito de defesa, quando o julgador deixa de analisar eventuais provas apresentadas, quando estas, por decorrência lógica das suas razões de decidir, não são aptas a alterar o resultado do julgado. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O fato de uma classificação fiscal não ter sofrido reclassificação em procedimentos anteriores não implica sua aceitação pelo Fisco de forma expressa, a ponto de vincular a Administração Tributária. Para que haja mudança de critério jurídico, é necessário que, em algum momento, tal critério tenha sido expressamente fixado pelo Fisco. PRÁTICA REITERADA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. ART. 100, INCISO III, CTN. A inexistência de autuações, em procedimentos de fiscalização, por erro de classificação fiscal, não configura prática reiterada, que exige condutas comissivas, não sendo extensível às omissivas. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO - LINDB. APLICAÇÃO AO DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Apesar de se referir, em tese, a todas as leis, e para todos os ramos do Direito, a LINDB, enquanto lei geral e ordinária, não pode estabelecer normas gerais para o Direito Tributário, pois a Constituição Federal, em seu art. 146, inciso III, define que esta tarefa é reservada à Lei Complementar. O CTN é a lei complementar específica para o estabelecimento de normas gerias em matéria de legislação tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 12 73 /2 01 7- 41 Fl. 473DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 ISENÇÃO DO DECRETO-LEI Nº 1435/75. PRODUTOS ELABORADOS COM MATÉRIAS-PRIMAS AGRÍCOLAS E EXTRATIVAS VEGETAIS DE PRODUÇÃO REGIONAL, EXCLUSIVE AS DE ORIGEM PECUÁRIA. Não procede a tese de que o termo "matéria-prima", contido no art. 6º do Decreto-Lei n° 1.435/75 designa um conceito amplo e genérico, que abarca tanto a matéria-prima bruta, que é aquela provinda diretamente da natureza, quanto a matéria-prima já industrializada. Tais matérias-primas são aqueles produtos obtidos de cultivo agrícola, ou de atividade extrativa vegetal, sem sofrer qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, nos termos do art. 4º do RIPI - 2010, operações que deverão ocorrer somente após sua entrada no estabelecimento beneficiado com a isenção. Conforme determina o art. 111, inciso II, do CTN, interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 KITS DE CONCENTRADOS PARA REFRIGERANTES. TIPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como “kit ou concentrado para refrigerantes” constitui-se de um conjunto cujas partes consistem em diferentes matérias-primas e produtos intermediários, que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses “kits” deve ser classificado no código próprio da Tabela de Incidência do IPI. RESPONSABILIDADE PELA CLASSIFICAÇÃO FISCAL INDICADA NAS NOTAS FISCAIS DOS “KITS”. BOA-FÉ DO ADQUIRENTE. O art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boa-fé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito. A boa-fé do adquirente é sempre levada em conta na graduação da multa de ofício aplicável, pois caso fosse constatada a intenção do Recorrente de fraudar o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequência da sua conduta, pois incidiria na previsão de multa qualificada prevista no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente Fl. 474DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Mara Cristina Sifuentes, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Lázaro Antonio Souza Soares, João Paulo Mendes Neto, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Por medida de celeridade e economia processual, adoto parcialmente o relatório constante do Acórdão recorrido: Lançamento de ofício O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por Auditor- Fiscal da Receita Federal do Brasil, por falta de recolhimento do IPI, decorrente da utilização de créditos indevidos desse imposto. A exigência foi formalizada no Auto de Infração das fls. 227 a 235, e anexos, e se refere ao IPI, no valor de R$ 48.702.392,15, acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75%, totalizando, na data da autuação, R$ 98.533.474,17. Os motivos do lançamento de ofício encontram-se explicitados no Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 143 a 210 e seguem resumidos. O interessado foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, planilha demonstrativa de créditos escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI), com a descrição “PRESUMIDO- AQUISIÇÃO DE MERCADORIA ORIUNDA DA AMAZÔNIA - ART. 237 DO RIPI/2010”, em 2014 e 2015. Após analisar a documentação recebida, o autor do procedimento fiscal concluiu pela ilegitimidade de tais créditos, dizendo que a maior parte dos valores foi atribuída à aquisição de “kits”, contendo preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 2202 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), além de outros ingredientes acondicionados individualmente, adquiridos de Pepsi-Cola Industrial da Amazônia Ltda. (doravante Pepsi) e de Arosuco Aromas e Sucos Ltda. (doravante Arosuco), sendo esta última controlada por Ambev S/A. Tais “kits” são identificados pelos fornecedores como um “concentrado”. Pepsi e Arosuco são estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus e fabricam preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas da posição 2202 da TIPI. Verificou-se ainda que o interessado também escriturou créditos do IPI por aquisições de filme stretch e de filme contrátil, fornecidos por Valfilm Amazônia Indústria e Comercio Ltda. (doravante Valfilm) e por América Tampas da Amazônia S/A (doravante América Tampas), bem assim créditos por aquisições de rolhas e tampas, fornecidas por América Tampas e por Videolar-Innova S/A (doravante Videolar). O autor do procedimento fiscal esclarece que nas notas fiscais emitidas pelos citados fornecedores não há lançamento (destaque) do IPI, Fl. 475DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 porquanto os emitentes consideram que os produtos gozam da isenção de que trata o art. 81, II, e, em alguns casos, também do art. 95, III, do Decreto no 7.212, de 15 de junho de 2010, Regulamento do IPI (RIPI), de 2010, dispositivos que se referem a benefícios instituídos no âmbito de regimes fiscais regionais, a saber: Zona Franca de Manaus (art. 81, II) e Amazônia Ocidental (art. 95, III). A Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida por Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, conforme § 4º do art. 1º do Decreto-lei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967, e § 1º do art. 1º do Decreto-lei nº 356, de 15 de agosto de 1968. Segundo o art. 237 do RIPI, de 2010, os estabelecimentos industriais podem creditar-se do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95 do mesmo regulamento (Amazônia Ocidental), desde que para emprego como matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. No caso da aquisição de produtos com a isenção do art. 81, II, do RIPI, de 2010 (Zona Franca de Manaus), inexiste previsão legal para crédito do IPI pelo adquirente dos produtos desonerados do referido imposto. Analisando as matérias-primas e produtos intermediários utilizados por Arosuco na elaboração dos produtos fornecidos ao interessado, a fiscalização do IPI concluiu que preparações integrantes dos “kits” sabor guaraná, contendo extrato de guaraná produzido na Amazônia Ocidental, fazem jus à isenção do art. 95, III, do RIPI, de 2010, embora o decorrente crédito do IPI de que trata o art. 237 do mesmo regulamento resulte, no caso, em zero, em face do erro de classificação fiscal e de alíquota que será explicado adiante. De acordo com esclarecimentos fornecidos por Arosuco no curso de diligência fiscal, não foi empregada matéria-prima agrícola ou extrativa vegetal nos componentes dos demais “kits” para fabricação de bebidas adquiridos pelo estabelecimento fiscalizado, o que exclui a isenção do art. 95, III, do RIPI, de 2010. Analisando as matérias-primas e produtos intermediários utilizados por Pepsi na elaboração dos produtos fornecidos ao interessado, concluiu-se que não há emprego de açúcar no processo de industrialização dos componentes dos “kits” para fabricação de concentrados. No caso da elaboração de componentes com sabor cola, é empregado por Pepsi o corante caramelo, que é produto industrializado por D.D. Williamson do Brasil Ltda. (doravante D.D. Williamson). O corante caramelo não é matéria-prima agrícola ou extrativa vegetal e, sim, um produto intermediário, em cuja industrialização D.D. Williamson emprega açúcar. A isenção do art. 95, III, do RIPI, de 2010, é descabida, nesse caso, porque o corante caramelo não é matéria-prima agrícola, nem extrativa vegetal, além do que D.D. Williamson fabrica o corante caramelo com açúcar fornecido por estabelecimentos localizados nos municípios de Nova Olímpia e Sonora, que ficam no Estado de Mato Grosso, fora da Amazônia Ocidental, e por estabelecimentos localizados no município de Maués, este no Estado do Amazonas. D.D. Williamson informou que também houve aquisição de açúcar proveniente dos Estados de Mato Grosso do Sul e Goiás, ambos fora da Amazônia Ocidental. Ainda em relação aos “kits” sabor cola, Pepsi menciona o ácido cítrico como insumo que daria direito à isenção do art. 95, III, do RIPI, de 2010, Fl. 476DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 com o que não concordou a fiscalização, por também se tratar de produto industrializado e, mais, por ter sido fornecido por estabelecimento situado no Estado de São Paulo, fora da Amazônia Ocidental. Analisando as matérias-primas e produtos intermediários utilizados por Valfilm na elaboração de filmes fornecidos ao interessado, o Auditor- Fiscal verificou que a partir de 2008 o citado fornecedor passou a empregar uma pequena quantidade de óleo de dendê no processo produtivo, o que, segundo o fornecedor, daria direito à isenção do art. 95, III, do RIPI, de 2010. O autor do procedimento fiscal assevera que, em se tratando de mero aditivo, que representa pequena parcela na fabricação do produto, não se pode dizer que o filme seja “elaborado” com óleo de dendê, como exigido pela citada norma. Valfilm informou, em diligência fiscal, que a utilização do óleo de dendê, em substituição ao óleo mineral de petróleo, conferiria ao produto final maior biodegradabilidade, com o que não concordou a fiscalização do IPI, porquanto essa propriedade não decorre do uso de aditivos, mas da produção de plásticos a partir de matérias vegetais, em substituição às resinas termoplásticas convencionais, derivadas de petróleo. O óleo de dendê atuaria como veículo para tingimento do plástico, dando o colorido desejado ao produto final. Menciona que a resina Dowlex 2107G, fornecida por Dow Chemical Company para Valfilm, dispensa a adição de óleo de dendê. Na sequência, o autor do procedimento fiscal aduz que o estabelecimento Ambev, ao ser intimado a indicar as matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais com as quais teriam sido elaborados os produtos favorecidos com a isenção do IPI, deixou de fornecer as informações solicitadas, limitando-se a dizer que os seus fornecedores teriam projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Pondera que a aprovação de tais projetos é um dos requisitos para a isenção do art. 95, III, do RIPI, de 2010, mas, por si só, é insuficiente para o efetivo gozo do benefício tributário. Sobre os efeitos das resoluções da Suframa, ressalta que embora todos os produtos isentos devam atender à política de desenvolvimento da Amazônia Ocidental, não são todos os produtos que atendem à política de desenvolvimento da região que fazem jus à isenção. Cabe à Receita Federal verificar o cumprimento de todos os requisitos para fruição do benefício da isenção do IPI e para aproveitamento do crédito incentivado. Em resumo, o Auditor-Fiscal concluiu que somente as preparações elaboradas com extrato de guaraná produzido na Amazônia Ocidental fazem jus à isenção do art. 95, III, do RIPI, de 2010, e poderiam gerar, para os adquirentes, o crédito previsto no art. 237 do mesmo regulamento, caso essas preparações fossem tributadas com alíquota do IPI superior a zero. Assim, independentemente das considerações que virão a seguir sobre classificação fiscal e alíquota, Ambev não faz jus ao aproveitamento de créditos incentivados do IPI com suporte no art. 237 do RIPI, de 2010, nas aquisições dos seguintes itens: componentes de “kits” sabor cola, inclusive aqueles em que foi empregado corante caramelo, pois este não se trata de matéria-prima agrícola nem extrativa vegetal; componentes dos “kits” sabor limão, laranja e uva, pois os Fl. 477DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 próprios fornecedores admitem não terem empregado matéria-prima agrícola nem extrativa vegetal de produção regional; componentes dos “kits” sabor guaraná, que não tenham sido elaborados com extrato de guaraná; filmes; tampas; e rolhas. Formado o juízo quanto à matéria de fato, o Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 143 a 210 passa a abordar o erro de classificação fiscal e de alíquota no cálculo do crédito incentivado de que trata o art. 237 do RIPI, de 2010, constando que se justifica a glosa integral dos créditos decorrentes dos “kits” fornecidos por Pepsi e Arosuco, porquanto o IPI calculado “como se devido fosse”, nos termos do referido art. 237, resulta em zero. Com efeito, os insumos denominados “concentrados”, que são os “kits” adquiridos de Pepsi e Arosuco, são tratados pelos fornecedores como se fossem mercadoria única, registrando-se nas notas fiscais o enquadramento no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, referente a “preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”. Para constar, o Ex 02 do mesmo código se refere a “preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado”. Em relação às notas fiscais emitidas por Pepsi e Arosuco, o interessado escriturou e utilizou créditos incentivados do IPI, com suposto enquadramento no art. 237 do RIPI, de 2010, calculando o imposto “como se devido fosse” mediante aplicação da alíquota de 20%, prevista na TIPI para o referido Ex 01, sobre o valor registrado nas notas fiscais. O autor do procedimento fiscal cita que no processo 10830.725247/2015-16, relativo a Auto de Infração do IPI lavrado contra estabelecimento de Ambev localizado na cidade de Jaguariúna (SP), foi apresentada impugnação em que constam as seguintes informações sobre os insumos referidos no item precedente: a) quanto aos insumos recebidos de Arosuco, os “kits” são compostos por duas partes; a parte A, no estado líquido, consiste da reunião de extratos, óleos essenciais, bases aromáticas, corantes, dentre outros itens, que, sendo enviados misturados, formam entre si uma preparação composta; a parte B, no estado sólido, por sua vez, é composta por sais, ácidos, conservadores químicos, dentre outros itens adicionados ao “kit” para melhorar algumas das suas características, como apresentação, conservação etc., de forma a manter os padrões de qualidade que marcam a bebida que, ao final e, a partir do “kit”, deverá ser produzida e envasada pela adquirente em seus estabelecimentos industriais, sendo que tais itens também consistem, individualmente considerados, em preparações compostas de mais de um material; b) no que se concerne aos insumos recebidos de Pepsi, os “kits” Pepsi- Cola são compostos por duas partes líquidas, a primeira, A, contendo ácido e cafeína como principais ingredientes e a segunda, B, composta por aroma “sabor Pepsi”, adicionado de extratos vegetais, como é o caso de baunilha, noz de cola, coco, canela etc., além de corantes, aromas, acidulantes, emulsificantes e outros aditivos, sendo que ambas Fl. 478DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 as partes são preparações compostas; “kits” Gatorade, que são compostos de partes líquida, A, e sólida, B, sendo a primeira consistente no sabor, adicionado de emulsificantes, estabilizantes de acidez e outros aditivos, misturados entre si; a segunda, por outro lado, consiste numa mistura homogênea de sais semelhantes à composição do suor humano, adicionada de outros sais, antioxidantes etc., que influenciam nas características físico-químicas da bebida a ser preparada; “kits” Lipton, composto por duas partes sólidas, uma delas consistente na mistura do extrato concentrado de “chá” com sabores concentrados compostos e sucos desidratados, misturados entre si, e outra, consistente numa mistura de sais, acidulantes, antioxidantes etc., que influenciarão nas características físico-químicas da bebida pronta. A fiscalização do IPI menciona que as chamadas “partes sólidas” dos “kits” fornecidos por Pepsi e Arosuco são formadas por diversos aditivos utilizados na indústria alimentícia, acondicionados em embalagens individuais. Os ingredientes das partes sólidas variam conforme o fornecedor e a marca, podendo incluir substâncias como benzoato de sódio, sorbato de potássio, ácido cítrico, ácido tartárico, EDTA cálcio dissódico, corante amarelo crepúsculo, corante azul brilhante FCF, corante roxo, aspartame, acessulfame de potássio e citrato de sódio. Em geral, o conteúdo das embalagens individuais em questão passa exclusivamente por operação de reacondicionamento no estabelecimento dos fornecedores Pepsi e Arosuco. Como os ingredientes das partes sólidas não estão misturados, tais partes não se caracterizam como uma preparação composta. Assim, os “kits” fornecidos por Pepsi e por Arosuco chegam aos estabelecimentos industriais de Ambev divididos em duas ou mais embalagens individuais. Pelo menos uma das embalagens contém ingredientes aromatizantes específicos para a bebida a ser industrializada. No “kit” sabor cola, o componente em questão contém extrato de noz de cola, “sabor Pepsi”, corante caramelo e outros ingredientes. No “kit” sabor guaraná, tal componente contém extrato vegetal de guaraná, aroma natural de guaraná e corante caramelo. Nos “kits” sabor laranja, limão, uva e tônica, o componente contém aroma natural. Pelo menos uma das embalagens contém ingredientes comumente utilizados em diversos produtos da indústria alimentícia, tais como sais, acidulantes e conservantes. Na fl. 171 consta fluxograma que se reproduz a seguir, sobre o processo produtivo de refrigerantes: Fl. 479DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 O autor do procedimento fiscal explica que o processo produtivo dos refrigerantes nos estabelecimentos industriais de Ambev, exceto quanto às bebidas sem açúcar, pode ser resumido da seguinte forma: os componentes, recebidos dos fornecedores em embalagens individuais, são encaminhados a uma sala de estocagem; a água utilizada para a fabricação das bebidas, após receber tratamento, alimenta um equipamento conhecido como dissolvedor, onde é adicionado açúcar, insumo que não faz parte dos “kits” provenientes de Manaus, sendo obtido o xarope simples, que é enviado para equipamento conhecido como tanque de xarope; o conteúdo de cada parte dos “kits” é inicialmente dissolvido em tanques específicos, e depois enviado para o tanque onde ocorre a mistura com o xarope simples, resultando no xarope composto; a obtenção do xarope composto é executada segundo detalhadas especificações técnicas; o xarope composto é dirigido às linhas de enchimento, onde é feita a diluição, sendo que, por se tratar de preparação destinada à produção de refrigerantes, a mistura é dissolvida em água carbonatada, após o que a bebida está pronta para ser consumida. Com respeito aos refrigerantes sem açúcar, o sabor doce é dado por edulcorantes, não sendo formado o xarope simples; na primeira etapa do processo industrial ocorre a diluição das partes em água, resultando no concentrado líquido; na segunda etapa, o concentrado líquido é diluído em água carbonatada para obtenção do refrigerante; observe-se que o fabricante sempre emprega a expressão “xarope composto” para identificar o produto resultante da mistura das partes dos “kits”, inclusive quando se refere a bebidas sem açúcar. Fl. 480DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Em regra, a etapa de elaboração do xarope composto tem por objetivo final a produção de refrigerantes. Entretanto, em alguns estabelecimentos de Ambev, uma parte da produção de xarope composto é destinada a ser utilizada nas máquinas Post Mix, caso em que a mistura com gás carbônico e a água não ocorre no engarrafador, mas na máquina localizada em bares, restaurantes e estabelecimentos similares. Assim, o xarope composto tanto pode ser um produto intermediário, quando destinado a ser diluído em água carbonatada no próprio estabelecimento de Ambev, como um produto final, quando vendido para terceiros a fim de ser diluído nas máquinas Post Mix. A fiscalização nota que não há diferenças no maquinário utilizado para produção do xarope composto. Qualquer que seja a utilização, os dois tipos de xarope composto são bastante semelhantes, sendo que, quando há diferenças, elas não alteram a classificação fiscal do produto. No xarope para Post Mix, ao sabor guaraná é adicionado antiespumante, aditivo que evita que ocorra formação de espuma no ato de encher o copo com o refrigerante. Na sequência, o Auditor-Fiscal aborda a classificação fiscal dos “kits” fornecidos ao interessado por Pepsi e Arosuco, segundo as Regras Gerais para Interpretação (RGI) do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH), que é uma convenção internacional a que o Brasil aderiu e que compreende a nomenclatura, com as posições e subposições e respectivos códigos numéricos, as Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, além das regras gerais para classificação, propriamente ditas. Diz que, salvo raras exceções, os textos dos códigos e das Notas de Seção e de Capítulo do SH referem-se a mercadorias que se apresentam em corpo único. O interessado, em resposta ao Termo de Intimação e Constatação nº 01, nas fls. 38 a 40, alegou a RGI-1 para enquadrar os “kits” em questão no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, em relação ao que o autor do procedimento fiscal pondera que, se fosse o caso de utilizar regra própria para posições e subposições do SH para enquadramento em Ex, o texto do citado Ex 01 não faz referência à possibilidade de apresentação do produto ali descrito em embalagens individuais. Pelo contrário, o texto do Ex 01 alude a “preparação”, “concentrado” e “capacidade de diluição”, o que indica se tratar de um produto apresentado em corpo único. Além disso, as Notas da Seção IV e as Notas dos Capítulos 21 e 22 tampouco trazem qualquer previsão de que um conjunto de artigos individuais, como os que compõem os “kits” recebidos de Manaus, possa ser classificado em código único. O autor do procedimento fiscal menciona que, além das hipóteses previstas nos textos dos códigos e das Notas de Seção e de Capítulo do SH, a RGI-2 e a RGI-3 referem-se a situações de exceção, em que um conjunto de itens deva ser classificado em código único, conforme explicações que seguem. A RGI-2a abrange artigos que se apresentem desmontados ou por montar e que já possuam as características essenciais do artigo completo ou acabado, como é o caso dos diversos componentes de uma bicicleta, quando vendida desmontada, situação em que devem ser classificados no código próprio para a bicicleta, e não em códigos próprios para cada parte da bicicleta. Entretanto, o item VII das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh) alusivas à RGI-2a deixa claro que a regra Fl. 481DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 em questão não pode ser aplicada a insumos do setor alimentício, pois ela se aplica a artigos destinados a serem montados, quer por meio de parafusos, cavilhas, porcas etc., quer por meio de soldagem. Além disso, os insumos fornecidos por Pepsi e Arosuco não possuem as características essenciais do artigo completo ou acabado, que é o concentrado, além do que vários componentes servem para outros fins que não seja o uso em bebidas. A RGI-3b trata de hipótese em que produtos misturados, obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho devam ser classificadas como uma mercadoria única, mas a possibilidade de um “kit” contendo insumos destinados à fabricação de bebidas ser tratado como uma mercadoria única foi eliminada com a inclusão, nas Nesh, do item XI da Nota Explicativa da RGI-3b, segundo o qual “a presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo”. O citado item XI da Nota Explicativa da RGI-3b foi incluído nas Nesh após análise efetuada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA), atual Organização Mundial das Alfândegas (OMA), nos anos de 1985 e 1986, em consulta sobre a classificação fiscal de bases de bebidas constituídas por diferentes componentes importados em conjunto, em proporções fixas, em uma remessa. Na sequência, o Auditor-Fiscal assevera o seguinte: para que uma mercadoria se enquadre no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, ela deve caracterizar-se como uma preparação composta, sendo que, no âmbito da nomenclatura do SH, preparação pressupõe mistura de substâncias, acrescentando que, ao tratar especificamente da elaboração de preparações dos tipos utilizados na fabricação de bebidas, as Nesh mencionam a adição de ingredientes como acidulantes, conservantes e sucos de frutas aos extratos vegetais. Ao ter sido usado o verbo “adicionar”, a fiscalização do IPI entende que as Nesh se referem ao processo em que ocorre a mistura dos ingredientes citados, e não a sua remessa em conjunto. Com respeito às definições de “concentrado” e de “capacidade de diluição”, consta no Relatório de Auditoria Fiscal das fls. 143 a 210 que, no setor de bebidas, o concentrado se caracteriza como um insumo que contém todos os extratos e aditivos necessários para obtenção do produto final, o que faz com que sua capacidade de diluição seja determinada em função da quantidade de água que se deve adicionar para obter a bebida. No texto da TIPI, a única diferença entre os concentrados para refrigerantes enquadrados nos Ex 01 e 02 do código 2106.90.10 é a “capacidade de diluição”. Afirma, ainda, não fazer sentido imaginar que produtos descritos na TIPI de maneira semelhante, exceto pela capacidade de diluição, possam ter características tão distintas, quanto o concentrado para máquinas Post Mix e os “kits” fornecidos por Pepsi e Arosuco. Para que ficasse caracterizado um produto chamado de “extrato concentrado”, deveria estar reunido, em componente único, todo o conteúdo das partes do “kit”, tanto que os Fl. 482DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 engarrafadores de bebidas sustentam que, para fins de classificação fiscal, os “kits” devem ser tratados como mercadoria única. Além disso, não foi aceito o entendimento do interessado, de que, para fins de enquadramento no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, seria irrelevante o fato de os ingredientes que compõem os “kits” estarem acondicionados separadamente. Para a fiscalização do IPI, a mistura do conteúdo dos componentes dos “kits” fornecidos por Pepsi e Arosuco, etapa realizada no estabelecimento engarrafador, em que os ingredientes são diluídos em xarope simples ou água, caracteriza-se como operação de transformação, definida no art. 4°, I, do RIPI, de 2010. Após essa mistura, é que se forma uma preparação, conhecida como xarope composto, passível de enquadramento no Ex 01 ou no Ex 02 do código 2106.90.10 da TIPI, conforme a capacidade de diluição. Nos termos do art. 3° do RIPI, de 2010, a elaboração do xarope composto, quando destinado a receber tratamento adicional em etapa posterior do processo produtivo de bebidas, é uma operação de transformação intermediária. Em alguns estabelecimentos de Ambev, além de produto intermediário, o xarope composto também pode constituir-se em um produto final, quando vendido para terceiros, para ser diluído nas máquinas Post Mix. De acordo com a legislação do IPI, qualquer mistura de ingredientes se caracteriza como uma operação de industrialização, independentemente de sua complexidade, e toda operação de transformação importa na obtenção de produto novo, com enquadramento diferente na TIPI. Observa que a operação industrial efetuada pelo engarrafador para elaborar o xarope composto é executada segundo rigorosas especificações técnicas. A etapa em que é realizada a diluição do xarope composto em água carbonatada, resultando no refrigerante, é de execução bastante simples, podendo ser realizada até mesmo fora do estabelecimento do engarrafador, em simples máquinas Post Mix. Na sequência, o autor do procedimento fiscal discorre sobre a inclusão, nos “kits”, de itens como benzoato de sódio, sorbato de potássio e ácido cítrico, substâncias que foram simplesmente reacondicionadas nos estabelecimentos fornecedores de Ambev, e não são reconhecíveis, no estado em que se apresentam, como destinadas ao uso na industrialização de bebidas, exceto por rótulos fixados nas embalagens de transporte. Isso exclui não apenas a isenção do art. 95, III, do RIPI, de 2010, mas também à isenção do art. 81, II, do mesmo regulamento. Segundo a fiscalização, a remessa de mercadorias para simples reacondicionamento na Zona Franca de Manaus serve exclusivamente para majorar o preço dos “kits” e, consequentemente, aumentar o valor do suposto crédito do IPI. Adiante, o Auditor-Fiscal menciona decisão proferida pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, juntada ao presente processo com a correspondente tradução para o português, sobre consulta a respeito da classificação fiscal de “kits de alimentos”, que seriam importados com a marca Griddle Stacker TM e que, segundo informou o interessado na consulta, consistem em diferentes componentes de alimentos que são agrupados em formato de “kit”, integrado por um número exato de panquecas, hambúrgueres de salsicha e/ou hambúrgueres de ovo, para fazer doze sanduíches. Além disso, cada caixa contém doze embalagens para sanduíche e etiquetas para embalar Fl. 483DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 e etiquetar os sanduíches prontos. Considerando que o destinatário desses “kits” elaboraria os sanduíches e venderia aos consumidores como produto pronto, o importador sustentava que os “kits” deveriam ser classificados como integralidades, ou “preparações alimentícias”. Na decisão, que, dentre outros elementos, citou o antes mencionado item XI da Nota Explicativa da RGI-3b, a autoridade americana assentou que os diversos componentes dos “kits” de sanduíche devem ser classificados separadamente. Para o autor do procedimento fiscal, a situação analisada pela decisão americana, no que se refere a regras de classificação fiscal, é muito semelhante à dos “kits” adquiridos por Ambev, na medida em que os sanduíches não poderiam ser importados já elaborados, pois se tornariam impróprios para consumo. Por questões de natureza físicoquímica, é necessário que eles sejam importados como ingredientes embalados individualmente. A intenção explicita do interessado na consulta era classificar os componentes dos sanduíches como se fossem os sanduíches prontos, entendimento que não foi aceito nos Estados Unidos e não pode ser aceito no Brasil, tampouco em qualquer outro país signatário da convenção do SH. A classificação fiscal é definida pelas características intrínsecas e extrínsecas da mercadoria no momento da ocorrência do fato gerador do IPI. Nesse contexto, embora Ambev seja conhecido como engarrafador de refrigerantes e de outras bebidas, não se pode esquecer que seus estabelecimentos industriais executam dois processos de industrialização distintos: no primeiro, são misturados os componentes dos “kits”, obtendo-se o concentrado do Ex 02 do código 2106.90.10 da TIPI; em seguida, exceto nos casos de remessa para uso em máquinas Post Mix, o concentrado resultante da mistura é levado para outro equipamento, onde é diluído em água carbonatada, resultando no refrigerante. É relevante,portanto, a operação em que o insumo é efetivamente utilizado, e não a operação realizada em uma etapa futura da cadeia produtiva. Considerando que 100% dos “kits” para refrigerantes fornecidos por Pepsi e Arosuco são usados para industrializar concentrados classificados no Ex 02 do código 2106.90.10, os “kits” para refrigerantes não são extratos concentrados destinados à elaboração de bebidas, mas, isto sim, um conjunto de ingredientes destinados à industrialização de extratos concentrados. Adiante, a fiscalização do IPI discorre pormenorizadamente sobre argumentos apresentados por Ambev em impugnações e recursos em outros processos de lançamento de ofício em que houve glosa dos créditos discutidos no presente processo. Em seguida, é apontada a classificação fiscal dos componentes dos “kits”, chegando-se à conclusão de que a classificação individualizada desses componentes importa, invariavelmente, alíquota zero do IPI, resultando em crédito do IPI, “calculado como se devido fosse”, igual a zero. Sob outro ponto de vista, o autor do procedimento fiscal aborda a responsabilidade do engarrafador pelo pagamento do imposto lançado de ofício no presente processo, bem assim dos acréscimos de juros de mora e multa, dizendo que a responsabilidade por infrações é objetiva, segundo dispõe o art. 136 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 484DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Impugnação Cientificado da exigência em 29 de agosto de 2017, segundo consta na fl. 240, o sujeito passivo apresentou a impugnação das fls. 245 a 280, em 27 de setembro de 2017, pelo que consta na fl. 243, subscrita por advogados credenciados pelos documentos das fls. 281 a 317 alegando o que segue resumido. Preliminarmente, alega nulidade do Auto de Infração, relacionada à impossibilidade do mudança do critério jurídico adotado no lançamento de ofício, invocando o disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional. Diz que já sofreu diversas autuações com fundamento no mesmo contexto fático utilizado no presente caso. Especialmente no que diz respeito ao direito de creditamento de IPI sobre as chamadas preparações compostas para bebidas, ou “kits” concentrados, o impugnante tem vivenciado nos últimos anos situações conflitantes em autuações sofridas que ora buscam a glosa dos créditos de IPI por falta de preenchimento dos requisitos para fruição do benefício previsto no art. 6º do Decreto-Lei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975, ora reconhecem o direito a crédito de IPI sobre alguns tipos desses insumos por entender que fariam jus ao incentivo previsto no art. 6º do Decreto Lei n° 1.435, de 1975, ou então buscam glosar os créditos de IPI sob o fundamento de que as mercadorias estarem classificadas na TIPI sob o código errado. Importante dizer que há mais de uma década o impugnante adquire os mesmos “kits” concentrados de seus fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, sob a mesma classificação fiscal no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI. Ainda sobre a alegada ofensa ao art. 146 do CTN, alega que, a depender do período autuado e do local do estabelecimento fiscalizado, são aplicados critérios jurídicos distintos para autuar o impugnante. Foi apenas nos últimos dois anos que a fiscalização passou a questionar a classificação fiscal empregada nos “kits” concentrados para refrigerantes. Ocorre que tal mudança de motivação não decorreu de qualquer alteração legislativa ou decisão judicial vinculante, de modo que, com base nos mesmos fatos, a fiscalização aplica critérios jurídicos distintos. E interessante observar que tal mudança de motivação coincide com a obtenção de decisões favoráveis ao impugnante no sentido de reconhecer o direito a crédito do IPI nas aquisições dos “kits” concentrados ante o preenchimento dos requisitos necessários à fruição do benefício do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.435, de 1975. A esse respeito, cita-se o Acórdão 3201-001.873, proferido em 24 de fevereiro de 2015 pela Segunda Câmara da Primeira Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Além da indicação do posicionamento favorável do Carf, também é imperioso reconhecer que a mudança de motivação quanto ao tratamento dos “kits” concentrados para refrigerantes é contemporânea ao início do julgamento em repercussão geral do Recurso Extraordinário (RE) 592.891/SP, em que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa a possibilidade da apropriação de créditos referentes a insumos desonerados advindos da Zona Franca de Manaus. O impugnante labora histórico da evolução jurisprudencial do STF acerca da possibilidade de crédito do IPI nas aquisições de produtos desonerados desse imposto. Fl. 485DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Ademais, a ausência de questionamento por parte das autoridades fiscais acerca da classificação fiscal dos “kits” concentrados nas últimas décadas deve ser considerada uma prática reiterada da Administração Pública, a qual tem força de norma complementar nos termos do art. 100, III, do CTN, inclusive para excluir a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo, acréscimos que devem ser afastados no presente caso. Acrescenta que a mudança de critério jurídico adotado na presente autuação não se restringe a glosa de créditos de IPI decorrentes da aquisição de “kits” concentrados para produção de refrigerantes. Pelo contrário, a mudança de critério jurídico engloba também os créditos apropriados em virtude das aquisições de filmes plásticos fornecidos por Valfilm Amazônia Industrial e Comercial. Quanto a esse aspecto, o impugnante também tem enfrentado situações conflitantes em autuações sofridas que ora buscam a glosa dos créditos de IPI sob o fundamento de que o óleo de dendê empregado na elaboração dos filmes plásticos é utilizado em quantidades ínfimas, tendo motivação unicamente tributária, ora a glosa dos créditos apropriados em razão de o óleo de dendê utilizado como matéria-prima ela Valfilm ser processado e não in natura, ou então a glosa dos créditos de IPI em virtude de suposta desnecessidade de emprego de óleo de dendê, matéria-prima extrativa vegetal de origem da Zona Franca de Manaus, no processo produtivo dos filmes plásticos elaborados pela Valfilm. Adiante, a defesa alega nulidade do lançamento de ofício, dessa feita por ausência de motivação, porquanto o autor do procedimento fiscal deixou de apresentar laudos técnicos tendentes a corroborar as infrações. Houve frágil presunção de que os “kits” não teriam sido fabricados com matérias-primas regionais da Zona Franca de Manaus (sic), o que excluiria o benefício previsto no art. 6º do Decreto-Lei n° 1.435, de 1975. Tal conclusão deveria decorrer de profunda análise técnica sobre o processo produtivo dos “kits”, envolvendo a natureza e a composição das matérias-primas utilizadas, o que não aconteceu. No que concerne à glosa de créditos do IPI decorrentes da aquisição de tampas e rolhas, fornecidas por América Tampas por Videolar, a fiscalização limitou-se a afirmar que Ambev não faz jus ao aproveitamento de créditos incentivados sem, contudo, apresentar qualquer tipo de argumentação, nem comprovação ou laudo técnico nesse sentido. A falta de apresentação de laudo técnico também invalida as conclusões da fiscalização, sobre erro de enquadramento dos “kits” no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, conclusões que foram suportadas em argumentos meramente retóricos, sobre as definições de “preparação” e de “concentrado”, de modo a demonstrar que o fato de os “kits” para bebidas virem separados em parte A e parte B fosse determinante na classificação fiscal da mercadoria. O Carf já reconheceu a nulidade de autuações sobre reclassificação fiscal por ausência de prova técnica sobre a natureza, composição e constituição do produto. Na sequência, a defesa alega regularidade do crédito incentivado do IPI de que trata o art. 6º do Decreto-lei nº 1.435, de 1975, advindos de produtos elaborados com matérias-primas extrativas vegetais de produção regional, dizendo que a fiscalização adota, equivocadamente, Fl. 486DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 uma interpretação restritiva dos requisitos do benefício, no sentido de que só fariam jus à isenção do IPI os produtos elaborados com matéria- prima extrativa regional in natura, de modo que, por consequência, os produtos elaborados com matérias-primas já processadas ou industrializados não seriam isentos. É importante deixar claro que, independentemente de o insumo de origem extrativa regional ser bruto ou processado, tal como ocorre para o açúcar e o corante caramelo dos “kits” concentrados sabor cola, a matéria-prima é efetivamente empregada e consumida no processo de industrialização dos produtos produzidos pelos fornecedores do impugnante, os quais são incontestavelmente originários da Amazônia Ocidental e, por tal motivo, fazem jus à isenção e geram direito a crédito do IPI. Adicionalmente, frisa-se que a literalidade da redação do parágrafo primeiro do art. 6º do Decreto-lei n° 1.435, de 1975, também corrobora a impossibilidade de adoção da interpretação restritiva pretendida pelo Auditor-Fiscal. Nesse sentido, ao prever que os produtos gerarão crédito do IPI “sempre que empregados como matérias- primas”, o referido dispositivo legal está expressamente assegurando aos contribuintes que o benefício fiscal se aplica a todo e qualquer produto que seja elaborado com matéria-prima extrativa vegetal de produção regional da Zona Franca de Manaus (sic). Portanto, segundo a defesa, a despeito das alegações fiscais, os “kits” concentrados fornecidos por Pepsi e por Arosuco preenchem todos os requisitos necessários à fruição do benefício, sendo assim isentos. No tocante aos filmes plásticos fornecidos por Valfilm ao impugnante, a fiscalização desconsidera a existência de matéria-prima de origem extrativa regional por entender que o emprego do óleo de dendê na produção dos filmes plásticos seria “absolutamente dispensável”. No entanto, essa alegação é manifestamente improcedente, uma vez que inexiste qualquer exigência legal quanto à quantidade de matéria-prima que deve ser empregada no processo produtivo dos estabelecimentos industriais situados na Zona Franca de Manaus. Nesse sentido, inclusive, já decidiu o Carf, ao analisar a procedência de crédito do IPI sobre insumos elaborados com óleo de dendê pela fornecedora Valfilm, conforme Acórdão 3402-004.284, cuja ementa a defesa transcreve. Mencionada decisão chancela o entendimento de que a exigência imposta pela fiscalização ultrapassa o limite normativo e acaba por restringir direito conferido ao impugnante por lei. Portanto, segue a defesa, independentemente da finalidade, quantidade ou relevância do emprego do óleo de dendê no processo produtivo dos filmes plásticos de Valfilm, uma vez demonstrado o efetivo emprego de matéria-prima de origem extrativa regional, é inconteste o direito ao crédito do IPI a na aquisição desse insumo pelo impugnante. Sob outra perspectiva, a fiscalização equivoca-se ao introduzir argumentos supostamente técnicos a respeito da biodegradabilidade e da composição química dos filmes plásticos. Apesar de tais considerações serem totalmente desprezíveis para fins de constatação do direito ao crédito do IPI, conforme demonstram os precedentes antes citados, o impugnante não pode deixar de consignar que chegam ao ponto de questionar decisões estritamente negociais acerca do emprego de óleo de Fl. 487DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 dendê em substituição ao óleo mineral em seu processo produtivo. Diz a defesa que menções à resina Dowlex 2107G da fornecedora Dow Chemical se mostram totalmente impertinentes com os fatos objeto da presente autuação, além do que a fiscalização deixou de solicitar informações sobre os fornecedores do estabelecimento Valfilm, motivo pelo qual não é possível afirmar que os insumos ora em questionamento utilizaram a citada resina em seu processo produtivo. Com relação às tampas e rolhas adquiridas de América Tampas e de Videolar, conforme mencionado na preliminar de nulidade acima, não foram trazidos quaisquer esclarecimentos que pudessem embasar a glosa de créditos pretendida pela fiscalização, motivo pelo qual o impugnante fica tolhido de apresentar argumentos meritórios acerca desses pontos da autuação. Passando a enfrentar a classificação dos kits concentrados para a fabricação de refrigerantes, Ambev discorda da imputação fiscal, de que os “kits” concentrados para fabricação de bebidas, fornecidos por Pepsi e por Arosuco, não devem ser enquadrados no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, mas, sim, no código correspondente a cada um dos seus componentes, de maneira individualizada. O raciocínio da fiscalização parte de exercício jurídico de interpretação das exceções previstas nas RGI-2a e 3b, especialmente das Notas Explicativas VII da RGI-2a e XI da RGI-3b, para concluir que produtos alimentícios constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto não poderiam receber uma classificação única. Há considerações sobre “preparação composta”, “concentrado”, e “capacidade de diluição”, expressões contidas no Ex. 01 do código 2106.90.10 da TIPI. Entretanto, apesar de tais alegações poderem parecer aos olhos do intérprete menos cuidadoso bastante contundentes e relevantes, a verdade é que a fiscalização sequer poderia chegar à aplicação de tais regras, já que equivocadamente deixou de aplicar o fundamental. Isso porque o pressuposto de que as regras de interpretação do Sistema Harmonizado são subsidiárias entre si, implica dizer que a RGI 2 somente é aplicável se a RGI 1 não for suficiente para indicar a classificação apropriada, e assim em diante. Assim, a aplicação da RGI- 1 precede e prevalece sobre as demais RGIs quando se trata de classificar mercadorias no Sistema Harmonizado. A prevalência da RGI- 1 é corroborada pela sua Nota Explicativa V. Sobre os termos “preparação composta”, “concentrado”, e “capacidade de diluição”, a defesa afirma que o entendimento do Auditor-Fiscal é totalmente contrário às Nesh da posição 2106, que, em seu item B, estabelecem a possibilidade de uma preparação composta ser produto da mistura de outras preparações, assim: Incluem-se, entre outras, nesta posição as preparações constituídas por misturas de produtos químicos (ácidos orgânicos, sais de cálcio, etc.) com substâncias alimentícias (farinhas, açúcares, leite em pó, por exemplo), para serem incorporadas em preparações alimentícias, quer como ingredientes destas preparações, quer para melhorar-lhes algumas das suas características. Nesse sentido, também não pode prosperar a equivocada alegação fiscal de que preparações compostas, nos termos do Ex. 01 do código Fl. 488DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 2106.90.10 da TIPI são exclusivamente aquelas que já estejam previamente misturadas. A esse respeito, é fato que as Nesh da posição 2106 determinam que são “preparações compostas” todas as substâncias constituídas por um conjunto de ingredientes que lhes confiram uma propriedade aromática característica de determinada bebida, seja isoladamente ou seja mediante a adição de outras substâncias. Assim estipula a Nota Explicativa 7 da posição 2106: Classificam-se especialmente aqui: .................... 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando os extratos vegetais da posição 13.02, diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de fruta, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em consequência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também frequentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não se destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. Diante dessa nota explicativa, é evidente que cada um dos componentes dos “kits” deve ser considerado como parte da “preparação composta”. Assim, o fato de existir uma parte “sólida” do “kit” composta de sais, estabilizantes, ácidos e outros elementos químicos, bem como o fato de ser realizada a mistura dos componentes dos “kits” no estabelecimento do impugnante, mostra a total compatibilidade com o texto do Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI. Nesse sentido, inclusive, importa mencionar os conceitos do art. 2º do Decreto n° 6.871, de 4 de junho de 2009, que regulamenta a padronização e classificação de bebidas e que foi inclusive citado pela própria fiscalização. Esses conceitos dão conta de que se enquadram no conceito de bebida os preparados sólidos e líquidos, sendo que, em conjunto ou separadamente, todos os produtos ou substâncias utilizadas na composição da bebida devem ser considerados matérias-primas e que “ingrediente” engloba todas as substâncias presentes no produto final em sua forma original ou modificada. Consequentemente, observa a defesa que o fato de os “kits” concentrados possuírem uma parte líquida e outra sólida, ou estarem acondicionados separadamente, não retira sua característica intrínseca de composto concentrado para bebidas, ensejando o enquadramento no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI. Fl. 489DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 A corroborar esse ponto, o impugnante reproduz as conclusões sobre as características dos “kits”, expostas na página 26 do anexo laudo técnico, elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), nas fls. 318 a 347 deste processo, laudo que conclui que todos os componentes, sejam líquidos e sólidos, são parte integrante dos “kits” concentrados: Os conteúdos líquidos que integram, em bombonas, os kits concentrados utilizados pela Consulente são preparações compostas, cujas composições são obtidas através da mistura de extratos e bases de frutas diversas, (mix de frutas). Após concentração, tais preparações serão combinadas com outros elementos (por exemplo caramelo) e solução diluente para obtenção do concentrado final utilizado na determinação do sabor das bebidas. Os aromas garantem as características da bebida, tornando-a única em relação ao sabor e odor. Os sais e ácidos que integram os kits para fabricação dos refrigerantes, são sabores concentrados e fazem parte, juntamente com os outros ingredientes, dos produtos que caracteristicamente contribuem para a determinação do sabor das bebidas. Em vista disso, a defesa diz que é imperioso admitir que, ao contrário do consignado pela fiscalização, o citado laudo do INT apresenta o substrato técnico necessário para concluir que todos os componentes dos “kits” concentrados devem ser classificados como “preparações compostas”, na medida em que todos eles contribuem para a determinação do sabor e das demais características dos refrigerantes. A esse respeito, Ambev ressalta que são insustentáveis as alegações fiscais no sentido de que o laudo técnico em comento deveria ser desconsiderado, porquanto exibiria “falta de conhecimento na matéria”, conforme consta na página 47 do Relatório Fiscal, na fl. 189 deste processo. Isso porque, conforme mencionado anteriormente, tal prova técnica foi elaborada pelo INT, um renomado instituto de pesquisa e desenvolvimento tecnológico para inovação, que inclusive está vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. O Auditor-Fiscal deixou de apresentar prova técnica e desconsiderou laudo técnico apresentado pelo impugnante. Ademais, o argumento da fiscalização, de que somente podem ser classificadas na posição 2106 as preparações que estiverem “prontas para uso” também não se coaduna com as Nesh. A esse respeito, a Nota Explicativa A da posição 2106 é expressa no sentido de que as mercadorias não deixam de ser preparações pelo fato de serem submetidas a tratamentos. Confira-se: Desde que não se classifiquem em outras posições da Nomenclatura, a presente posição compreende: A) As preparações para utilização na alimentação humana, quer no estado em que se encontram, quer depois de tratamento (cozimento, dissolução ou ebulição em água, leite, etc.). No mesmo sentido dispõe a Nota Explicativa 12 da posição 2106: Classificam-se especialmente aqui: .................... Fl. 490DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas (...) (...) Estas preparações destinam-se a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias. O impugnante frisa que também não subsiste a alegação fiscal de que a expressão “tratamento complementar” contida em tais notas explicativas corresponderia apenas a “operações em que, além de diluição, ocorre a adição de açúcar ou de dióxido de carbono”, conforme consta na página 54 do Relatório Fiscal (fl. 196). A fiscalização embasa tal entendimento no trecho da Nota Explicativa 7 da posição 2106, que dispõe que “a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou dióxido de carbono”. Ora, é evidente que tal entendimento não se sustenta, haja vista que a simples leitura do trecho da Nota Explicativa em questão evidencia que a adição de açúcar e dióxido de carbono são citados meramente a título ilustrativo, e não como as únicas formas de tratamento complementar aceitáveis para mercadorias enquadradas nessa classificação fiscal, como sustentado pela fiscalização. Ressalta que, se esse fosse o caso, a referida nota explicativa nem sequer conteria em sua redação os termos “geralmente” e “por exemplo” antecedendo as formas de tratamento complementar, afinal tais termos evidenciam que tratamentos listados na nota em comento não são taxativos, mas meramente exemplificativos. Ademais, para a defesa é totalmente impertinente a alegação fiscal, de que a expressão “capacidade de diluição” contida no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI significa que cada um dos componentes do “kit”, quando diluídos em água, devem resultar na bebida final. A fiscalização confunde bebidas prontas em estado concentrado e os concentrados empregados como insumo para produção de bebidas, já que adota a interpretação de que os componentes dos “kits” fornecidos ao impugnante, individualmente, quando diluídos, deverão apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para bebida na concentração normal. Adicionalmente, insta esclarecer que a partir da Nota Explicativa 7 da posição 2106 também se comprova a improcedência da alegação de que as embalagens individuais contendo substâncias puras, como sorbato de potássio, benzoato de sódio e ácido cítrico, deveriam ser classificadas separadamente em outros códigos haja vista que não passariam por processo de industrialização complexo, mas por simples reacondicionamento. Tal alegação não se sustenta porque, como se verifica da leitura da Nota Explicativa 7, bem como da Nota Explicativa B da posição 2106, é esperado que as preparações para bebidas sofram a mistura e/ou adição de produtos químicos, dentre eles menciona-se expressamente o ácido cítrico e agentes de conservação, como é o caso do sorbato de potássio e benzoato de sódio. Fl. 491DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Ademais, cumpre mencionar que a fiscalização ignora a relevância do interesse comercial dos fabricantes dos “kits” concentrados para fins de classificação fiscal. Nesse sentido, frisa que as próprias Nesh dispõem (sic) que as preparações compostas abrangidas pelo Ex 01 do código 2106.90.10 “são frequentemente utilizadas pela indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc.”. Ou seja, caso o método de negócios não influenciasse na classificação fiscal, tais preparações concentradas teriam a mesma classificação que a própria bebida. Pelo exposto, mediante a aplicação da RGI-1, resta comprovado que o texto do Ex 01 do código 2106.90.10 e as Notas Explicativas da posição 2106 são mais do que suficientes para orientar a classificação fiscal dos “kits” concentrados para a fabricação de refrigerantes, em prejuízo da aplicação das RGI-2 e 3. Ainda que assim não fosse, admitindo-se hipoteticamente que a Nota Explicativa XI da RGI-3b pudesse ser invocada no presente caso, a tese da fiscalização carece de fundamento jurídico, segundo a defesa, porque se louvou em decisão antiga do Conselho de Cooperação Aduaneira, que teria sido utilizada como fundamento para a edição da mencionada Nota Explicativa. Tal decisão não passou de trabalho preparatório, anterior à redação da nota e sem qualquer valor jurídico. A impertinência de tal alegação é incontestável, uma vez que as conclusões emitidas por órgão estrangeiro não possuem qualquer pertinência jurídica sobre o direito brasileiro, de modo que o seu emprego implicaria no uso de analogia para classificação de mercadorias, o que não se admite. Por fim, para eliminar qualquer dúvida sobre qual RGI deve ser invocada para a classificação dos “kits” concentrados ora em discussão, importa retomar a parte final da Nota Explicativa X da RGI-2b, que trata da classificação de matérias misturadas ou encontradas em partes: “Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1”. Mudando de enfoque, o impugnante alega boa-fé, dizendo que não responde pela classificação fiscal dos “kits” concentrados, responsabilidade inerente aos fornecedores de tais insumos, que são os emitentes das notas fiscais respectivas. É inconcebível ser punido por ter observado a classificação fiscal e o regime tributário indicado nas notas fiscais emitidas pelos fornecedores. Note-se que, em virtude do seu porte econômico e da quantidade de estabelecimentos que o impugnante possui ao redor de todo o Brasil, seria impraticável exigir que conferisse a classificação fiscal de cada um dos produtos que adquire de seus milhares de fornecedores. Entender o contrário implicaria transferir, ao impugnante, o poder de fiscalizar, que cabe à Receita Federal. Sob outra perspectiva, a defesa alega que, independentemente do direito ao crédito do IPI por aquisição de bens fabricados por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, há o direito ao crédito de IPI em virtude do princípio da não cumulatividade. Fl. 492DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Nesse sentido, a Constituição, em seu art. 153, § 3º, II, ao outorgar à União a competência para instituir o IPI, foi expressa em determinar que esse imposto será não cumulativo. O conceito de não-cumulatividade deve ser entendido como a tributação exclusiva do valor agregado em cada operação de uma cadeia. Em outras palavras, a não cumulatividade consiste no direito à repartição da carga tributária entre as diversas fases de circulação do produto até atingir o consumidor final, de tal sorte que cada contribuinte arque somente com a fração do ônus tributário equivalente ao valor por ele agregado no ciclo produtivo. Nas palavras de Gilberto de Ulhôa Canto, o princípio da não cumulatividade “significa, também, que o montante de tributo a que diz respeito não pode ser suportado por quem não for o destinatário final do produto sobre que incide o imposto”. Dessa forma, incidindo uma norma de isenção na entrada da matéria-prima, devem os efeitos dessa isenção repercutir nas etapas seguintes, mediante o aproveitamento do crédito, sob pena de onerar o produtor da etapa seguinte, tornar sem efeito a norma de isenção para transmutá-la em simples diferimento do imposto e tornar o imposto cumulativo. Também cita Paulo de Barros Carvalho, a respeito do tema. Quando o impugnante adquire os produtos oriundos da Zona Franca de Manaus sob o regime de isenção e os incorpora em seu produto final, incorpora, também, o custo dessa aquisição no preço final que pratica junto aos seus clientes. Sem o crédito relativo à operação de aquisição, tal como pretendido pela fiscalização no presente caso, a alíquota do imposto incidirá sobre o preço de saída, causando o recolhimento do IPI com base não só no “valor agregado”, mas também sobre o custo da aquisição, aumentando artificialmente a carga tributária, para além dos limites traçados pelo constituinte. A glosa de créditos proposta pela Fiscalização implica, em última análise, a desnaturação da sistemática não-cumulativa, eis que a isenção se esvaece, transformando-se em mero diferimento. Se a intenção do constituinte fosse vedar o creditamento do IPI nesses casos, teria expressamente feito a ressalva na própria Constituição, tal como fez em relação ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), que igualmente é não-cumulativo, mas expressamente não contempla a possibilidade de crédito em se tratando de operação anterior isenta ou beneficiada com não-incidência (art. 155, § 2º, II). A defesa acrescenta que, embora o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha consolidado entendimento sobre a impossibilidade de creditamento de IPI em casos gerais de aquisição de insumos desonerados em sede de repercussão geral, ao julgar o Recurso Extraordinário (RE) 398.365/RS, tal entendimento não se aplica ao presente caso. Menciona que a situação peculiar de creditamento de IPI de insumos desonerados, oriundos da Zona Franca de Manaus, é objeto do RE 592.891/SP, cuja repercussão geral foi reconhecida, sem que o julgamento tenha sido concluído. No tocante à penalidade aplicada, o impugnante alega que a multa de ofício tem caráter confiscatório. As sanções tributárias têm o intuito de assegurar a arrecadação do Estado, na medida em que visam a estimular Fl. 493DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 o pagamento dos tributos devidos. Note-se, todavia, que as sanções não devem, elas próprias, servir de instrumento de arrecadação. Destaque-se, ainda, que, como decorrência dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que é imperioso adotar nos processos administrativos o critério da vedação da aplicação de multas em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. Para a defesa, a imposição da multa, no patamar da autuação, revela que o critério utilizado desconsidera as circunstâncias do fato, da situação do contribuinte e de sua atividade, bem como qualquer outro parâmetro razoável para balizar o cálculo da penalidade, incluindo a intenção do contribuinte. O STF, quando julgou os Recursos Extraordinários 81.550/MG e 91.707/MG, repudiou a aplicação de multas com efeito confiscatório, como é a que ora pesa sobre o impugnante. Adiante, a defesa alega que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre as multas de ofício lançadas, por absoluta ausência de previsão legal. Ora, como é sabido, não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de tributo, contida no art. 3º do CTN. Frise-se ainda que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já firmou o entendimento quanto a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, no Acórdão CSRF n° 02-03.133. A decisão de primeira instância foi unânime pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 ALEGAÇÃO DE ALTERAÇÃO INDEVIDA DE CRITÉRIO JURÍDICO. O lançamento de ofício baseado em entendimento distinto daquele que usualmente adota o sujeito passivo, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da administração tributária, não caracteriza modificação no critério jurídico adotado pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil no exercício do lançamento. A alteração de critério jurídico que impede a lavratura de outro Auto de Infração diz respeito a um mesmo lançamento e não a lançamentos diversos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. O estabelecimento industrial responde pela utilização de créditos indevidos do IPI, que foram glosados, com a consequente reconstituição da escrita fiscal e exigência dos saldos devedores correspondentes, com o acréscimo de juros de mora e de multa de ofício, esta por falta de recolhimento do citado imposto. INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. LAUDOS OU PARECERES. Fl. 494DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Os laudos ou pareceres do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. Para esse efeito, deverão ter sido emitidos por determinação da autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, situação em que haverá oportunidade de formulação de quesitos pelo impugnante, pelo autor do procedimento fiscal e pela autoridade julgadora. Laudos ou pareceres emitidos por iniciativa exclusiva do impugnante, sem passar pelo crivo da autoridade julgadora, serão analisados como provas, sem ser de adoção obrigatória, podendo a autoridade julgadora solicitar outros a qualquer dos órgãos oficiais antes mencionados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2015 CRÉDITOS COMO INCENTIVO. AMAZÔNIA OCIDENTAL. GLOSA. É incabível a isenção do IPI no âmbito da Amazônia Ocidental se o produto adquirido não foi elaborado com matérias-primas agrícolas ou extrativas vegetais de produção regional. É ilegítimo o crédito do IPI, calculado como se devido fosse, na aquisição de “kits” constituídos por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto, em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas. Tais “kits” não se enquadram no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, ao qual corresponde a alíquota de 20%, classificando-se os respectivos componentes em códigos da TIPI aos quais corresponde alíquota zero, o que resulta em crédito do IPI, calculado “como se devido fosse”, igual a zero. MULTA. PRELIMINAR DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É cabível a exigência de juros de mora sobre a multa objeto de lançamento de ofício. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário em que: a) pugna pela nulidade da decisão recorrida por cerceamento ao seu direito de defesa, ao deixar de analisar argumentos essenciais ao deslinde da controvérsia, além de proceder à análise superficial da prova técnica apresentada; e b) reproduz os demais os argumentos preliminares e de mérito da Manifestação de Inconformidade. Encaminhado ao CARF para julgamento, o presente foi distribuído, por sorteio, à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Relator. Fl. 495DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 O presente Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 1 – Da admissibilidade O presente Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 2 - Das preliminares 2.1 - Da preliminar de nulidade da decisão recorrida A Recorrente suscita preliminar de nulidade da decisão recorrida por ter esta deixado de analisar argumentos essenciais ao deslinde da controvérsia, além de proceder à análise superficial da prova técnica apresentada, em evidente cerceamento do seu direito de defesa. Alega ainda que a decisão recorrida adotou fundamentação precária, limitando-se a reproduzir a interpretação conferida pela fiscalização às notas explicativas da NESH e às RGI’s, desconsiderando a prova técnica apresentada, bem como partindo da premissa de que a determinação da classificação fiscal de mercadorias não é considerada como aspecto técnico, não sendo passível de análise por meio de laudo técnico. Segue tecendo considerações acerca do princípio da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, afirmando que a decisão deveria se referir expressamente a todos os argumentos de defesa, sob pena de nulidade. Deve-se consignar, de início, que, embora o julgador tenha o dever de enfrentar todas as questões controvertidas existentes nos autos, não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que, pela motivação apresentada, seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Em outras palavras, os julgadores não estão obrigados a examinar todos os argumentos levantados pela defesa, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas. É o que ensina a jurisprudência consolidada no âmbito no Superior Tribunal de Justiça – STJ, a exemplo da decisão proferida, em 08/03/2012, no AgRg no AREsp 57.508/RN: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. ART. 535 DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. De acordo com os precedentes desta Corte, "(...) é de se destacar que os órgãos julgadores não estão obrigados a examinar todas as teses levantadas pelo jurisdicionado durante um processo judicial, bastando que as decisões proferidas estejam devida e coerentemente fundamentadas, em obediência ao que determina o art. 93, inc. IX, da Constituição da República vigente. Isto não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC." (REsp 1.283.425/MG, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 6/12/2011, DJe 13/12/2011). 2. O fato de a Corte Regional haver decidido a lide de forma contrária à defendida pelo recorrente, elegendo fundamentos diversos daqueles por ele propostos, não configura omissão ou qualquer outra causa de Fl. 496DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 embargabilidade, pelo que se tem por afastada a tese de violação do disposto no art. 535 do CPC. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifo nosso) Sobre o tema, não tem sido outro o entendimento esposado pelas Turmas Julgadoras deste Conselho, inclusive, na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a teor da ementa do Acórdão nº 9303004.331, abaixo reproduzida no ponto: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/04/2002 a 16/12/2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. INEXISTÊNCIA. O julgador administrativo, a exemplo do julgador judicial, não está obrigado a refutar uma por uma das alegações propostas pela parte; está sim obrigado a enfrentar as questões importantes da lide, e seguir uma ordem lógica de fundamentação que possibilite aferir as razões pelas quais decidiu o contencioso. Nessa esteira, no tocante à apreciação das provas, penso que não há que se cogitar o cerceamento ao Direito de Defesa, quando o julgador deixa de analisar eventuais provas apresentadas, quando estas, por decorrência lógica das suas razões de decidir, não são aptas a alterar o resultado do julgado. Analisando-se a íntegra da decisão recorrida, a preliminar suscitada soa como mero inconformismo da Recorrente em relação às razões adotadas pela decisão a quo. Na espécie, sequer se configura a ocorrência do acima arrazoado, posto que a decisão não deixou de apreciar os argumentos de defesa ou as provas juntadas como se alega, em especial no que toca ao laudo técnico apresentado pela Recorrente. O mesmo foi efetivamente apreciado, conferindo- se a ele, mediante suficiente e coerente motivação e fundamentação, valor probatório dentro dos limites técnicos cabíveis, os quais não incluem a classificação fiscal de mercadorias. Veja-se trecho da decisão atacada em que se faz referência e mesmo críticas ao conteúdo do laudo técnico, confirmando que o mesmo foi objeto de apreciação por parte dos julgadores de piso, os quais apenas não o consideraram instrumento hábil para emitir pronunciamento sobre a correta classificação fiscal, visto carecer-lhe competência para tanto: Recorde-se que tanto o § 1º do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, quanto o § 1º do art. 63 do Decreto nº 7.574, de 2011, são categóricos: não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Em que pesem as considerações precedentes, note-se que o laudo emitido em favor de Ambev, no caso, o Relatório Técnico nº 000.130/17, das fls. 318 a 347, confirma a complexidade do processo de fabricação do xarope composto, ou concentrado, deixando claro que as operações realizadas no estabelecimento do engarrafador não podem ser consideradas como um mero “tratamento complementar”, como sustentado equivocadamente pela defesa. A análise técnica existente no Relatório Técnico nº 000.130/17 sobre os ingredientes dos “kits” e sobre os processos produtivos dos fornecedores dos “kits” e do engarrafador confirmam o entendimento da fiscalização do IPI, de que não pode ser considerado irrelevante, para fins de classificação fiscal, o fato de que os Fl. 497DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 componentes que Ambev recebe separadamente de Pepsi e Arosuco precisam passar por todas as operações de industrialização detalhadas no relatório técnico, para só então resultarem em um concentrado, produto corretamente classificado pela própria Ambev no Ex 02 do código 2106.90.10, nas situações em que é vendido para utilização em máquinas Post Mix. Registre-se o equívoco do Relatório Técnico nº 000.130/17, ao se pronunciar sobre a classificação fiscal dos insumos analisados, pretendendo interpretar a nomenclatura do SH e as Nesh, em resposta a quesitos preparados por Ambev, matéria que está expressamente fora do escopo dos laudos da espécie, conforme § 1º do art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, e § 1º do art. 63 do Decreto nº 7.574, de 2011, segundo os quais não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Assim, não há que se cogitar de nulidade da decisão de primeira instância, quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº 70.235/1972, de modo que voto por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada. 2.2 - Da preliminar de nulidade da autuação por ausência de pressupostos de validade É suscitada a nulidade da autuação por se fundamentar exclusivamente em frágeis presunções, sem qualquer tipo de comprovação ou laudo técnico atestando a correção das glosas e lançamentos efetuados. Afirma a Recorrente que a fiscalização não teria logrado êxito em comprovar que suas mercadorias não empregam matérias primas regionais da Zona Franca de Manaus; que teria se limitado a afirmar que a aquisição de tampas e rolhas plásticas não faria jus ao aproveitamento de créditos incentivados; ou que os kits de concentrados não poderiam ser classificados no código NCM 2106.9010 - EX 01, posto que não suportou seu posicionamento em provas técnicas aptas a atestar a correção de suas alegações quanto a estas e outras matérias. As alegações se reportam reiteradamente à necessidade de produção de prova técnica como elemento essencial para suportar o lançamento, contrapondo qualquer entendimento em contrário como fruto de mero simplismo ou presunção da parte da autoridade autuante. Contudo, não é o que se observa da análise do Relatório de Auditoria Fiscal, que expõe de modo suficientemente analítico e fundamentado as razões para, à luz da legislação de regência, a desnecessidade de requisição de laudo técnico ou perícia para se alcançar as conclusões perseguidas. O tópico, sob a alcunha de preliminar, lança-se antecipadamente à discussão de mérito, posto que seu conteúdo não se confunde com qualquer das hipóteses de nulidade do processo administrativo fiscal exaustivamente previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por tais razões, voto por rejeitar a presente preliminar. Fl. 498DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 2.3 - Da preliminar de nulidade da autuação por impossibilidade de mudança de critério jurídico Alega a Recorrente que o Auto de Infração deve ser declarado nulo de pleno direito por ter havido mudança de critério jurídico, não se sustentando o argumento consignado na decisão recorrida de que lançamentos de ofício formalizados pelos Auditores-Fiscais da RFB não teriam o condão de definir o entendimento da administração tributária. Afirma que tal alegação configuraria evidente afronta ao princípio da proteção à confiança encampado pelo artigo 146 do CTN, o qual consagra a impossibilidade de retratação dos atos administrativos concretos em prejuízo ao contribuinte. Reputa de repentino o questionamento do Fisco quanto à classificação fiscal adotada para os kits concentrados adquiridos pela Recorrente, o que atribui à mudança no cenário jurisprudencial, que passou a ser favorável ao creditamento pelas aquisições de insumos isentos da ZFM, após mais de duas décadas de aceitação quanto ao seu enquadramento no NCM 2106.90.10 EX 01, o que configuraria verdadeira retratação dos atos administrativos reiteradamente praticados pelas autoridades fiscais, em prejuízo de uma situação consolidada que lhe conferia segurança jurídica. Veja-se a regra contida no art. 146 do CTN: CAPÍTULO II Constituição de Crédito Tributário SEÇÃO I Lançamento (...) Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Há de se observar, na espécie, portanto, se havia um critério jurídico fixado pela Administração Tributária acerca da correção da classificação fiscal dos kits de concentrados adquiridos pela Recorrente, o qual teria sido objeto de modificação operada no lançamento ora em análise, aplicando-se a fatos geradores pretéritos à sua introdução, o que é vedado. Em termos de classificação fiscal, significa sindicar se houve decisão em processo de solução de consulta ou em outra espécie de ato administrativo que tenha por efeito a manifestação de vontade do Fisco, ou ainda sindicar se houve reclassificação fiscal, significando então a fixação de critério jurídico anterior ao presente. Veja-se, antes, que a Recorrente se refere não poucas vezes aos atos administrativos que teriam se valido do suposto critério jurídico anterior, ou seja, que teriam convalidado a classificação por ela adotada, quando, no que tange especificamente à classificação fiscal, fato é que a classificação por ela praticada há cerca de duas décadas, como alega, nunca havia sido objeto de confirmação pela fiscalização. Não havia, portanto, ato administrativo que tenha se valido efetivamente de determinado critério jurídico com o escopo de aferir a correção da classificação fiscal que vem sendo por ela empregada. Fl. 499DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 A fixação de critério jurídico não ocorre em um vazio total de manifestação acerca de determinada matéria, mas senão por conduta comissiva da Administração consistente em contestar ou convalidar expressamente determinada conduta do contribuinte. O fato de determinada classificação fiscal não ter sido objeto de reclassificação em procedimentos fiscais anteriores não se confunde com admitir-se sua correção, nem mesmo de forma tácita, de modo a vincular toda a Administração Tributária. Trata-se tão somente de matéria que não fora verificada em procedimentos anteriores, cuja correção não se atestou ou convalidou pelo mero silêncio das autoridades . Não se pode confundir a ausência de exame sobre determinada matéria com a concordância em relação a ela, como faz a Recorrente ao defender que a ausência de questionamento por parte das autoridades fiscais acerca da classificação fiscal dos kits concentrados durante décadas representaria uma prática reiterada da Administração Pública, a qual teria força de norma complementar, excluindo a imposição de penalidades e encargos moratórios, nos termos do artigo 100, inciso III do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. (grifo nosso) As “práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas” representam condutas comissivas, exteriorizadas por meio de ato administrativo, individual e concreto (Auto de Infração) ou geral e abstrato (Pareceres, Soluções de Consulta), não sendo possível supor que uma omissão genérica do Fisco sobre determinado tema seja “prática reiterada”. Somente os atos administrativos permitem a aferição dos motivos que os determinaram, permitindo reconhecer-se a existência de reiteração nas razões de agir da Administração. Não há como se admitir que todas as condutas e matérias sobre as quais ainda não se manifestou expressamente a Administração, apesar de praticadas e aplicadas generalizadamente pelos contribuintes, constituam prática reiterada das autoridades fiscais. A ausência de agir da fiscalização pode ter se dado simplesmente por erro, omissão, insuficiência de recursos, etc., o que não se subsume à observância de determinada prática, como preconiza o dispositivo legal. Constata-se que nas autuações anteriores não há qualquer manifestação ou decisão expressa sobre a classificação fiscal dos kits de concentrado para refrigerantes. Não se verifica Fl. 500DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 qualquer análise ou tópico específico sobre a classificação fiscal. Não há indício de que tenha havido análise da matéria, tampouco de concordância do Auditor-Fiscal com a classificação realizada. A Recorrente não carreou aos autos qualquer elemento de prova de que existira manifestação expressa do Fisco neste sentido, posto que o escopo daqueles procedimentos fora efetivamente diverso. A ausência de autuação por determinada conduta não a legitima, pois ao contribuinte incumbe o dever de conhecer da legislação tributária e de aplicá-la corretamente. A Autoridade Tributária tendo conhecimento de irregularidades, a qualquer tempo, tem o dever legal de proceder à lavratura de Auto de Infração. Não pode o contribuinte esperar ser notificado para somente a partir de então mudar sua conduta, ficando o Fisco limitado a só poder autuá-lo a partir deste momento. E frise-se que a Recorrente, mesmo após ser cientificada de autuações como a presente, prossegue utilizando a classificação fiscal tida por incorreta pelas autoridades fiscais em colisão com a norma contida no art. 146 do CTN. Por fim, cumpre verificar o argumento de que o art. 24 da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB) vedaria a glosa de créditos de IPI efetuada, por determinar que a revisão do ato na esfera administrativa deva observar a jurisprudência majoritária no momento da consecução dos fatos geradores, assim como as práticas reiteradas da administração. Afirma a Recorrente que a presente glosa consiste em revisão de ato administrativo levando em conta as orientações gerais atuais, e não as práticas administrativas reiteradas vigentes na época em que se verificaram os fatos geradores, além de afrontar a jurisprudência judicial majoritária da época, pois enquanto não houver o julgamento definitivo do RE n° 592.891/SP, o julgamento proferido no RE n° 212.484/RS permanece sendo a única decisão definitiva proferida pelo STF acerca do direito ao crédito de IPI dos adquirentes de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Veja-se o que diz o art. 24 da LINDB: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideram- se orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou ad ministrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administra tiva reiterada e de amplo conhecimento público. Sucede que a LINDB (Decreto-Lei nº 4.657/42) ostenta status de lei ordinária, sendo norma de aplicação geral aos mais diversos ramos do Direito, para os quais destina-se ao estabelecimento de normas gerais, o que no Direito Tributário, por força do estatuído na Constituição Federal, em seu art. 146, inciso III, exige envergadura de lei complementar: Art. 146. Cabe à lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributária, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: Fl. 501DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. (grifo nosso) Também não se pode olvidar que o Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/66, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar, é a norma especial que dispõe sobre normas gerais, como vigência, aplicação, integração e competência no âmbito do Direito Tributário, de modo que os fins perseguidos pelo art. 24 da LINDB estão superpostos com o dos diversos dispositivos do CTN que tratam da segurança jurídica nas relações tributárias, como os arts. 100, 106, 146 e 149, dos quais se socorreu a Recorrente em sua peça de defesa. Assim, tendo em vista estar-se diante de matéria reservada pela Constituição Federal à lei complementar e em homenagem ao princípio da especialidade das normas, entendo ser inaplicável à hipótese o art. 24 da LINDB. E, ainda que assim o fosse, tal norma não teria o condão de conduzir à anulação do lançamento, a uma porque não se está diante de revisão de ato administrativo, mas sim de lançamento originário, e a duas porque não houve mudança de orientação geral, contida em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária. Embora a Recorrente alegue seguir decisão proferida no julgamento do RE n° 212.484/RS, nem este, nem o RE n° 592.891/SP, ainda não transitado em julgado, abordam a classificação fiscal dos kits de concentrados, ao passo que há jurisprudência administrativa majoritária no mesmo sentido do lançamento fiscal. Por tais razões, voto por negar rejeitar a preliminar. 3 – Do mérito As alegações de mérito trazidas pela Recorrente no presente processo já foram enfrentadas por este Colegiado em mais de uma oportunidade nos últimos meses, a exemplo dos Acórdãos n° 3401-006.747, 3401-005.943 e 3401-005.942, dentre outros. Ademais, esta Turma não tem protagonizado divergências entre seus membros capazes de alterar o entendimento que vem sedimentando sobre o tema. Tratando especificamente do caso em análise, reporto-me ao Acórdão n° 3401-006.747, referente ao processo n° 10580.726272/2017-60, em que também figura como Recorrente a empresa AMBEV S/A, trazido a julgamento na sessão do último dia 29 de agosto deste ano. Trata-se de autuação que em tudo se assemelha à presente, de modo que a peça recursal lá analisada guarda identidade com a peça aqui submetida a julgamento. Deste modo, ante a identidade dos feitos e das partes envolvidas, dentre elas o próprio julgador, em homenagem às garantias constitucionais insculpidas na segurança jurídica, na celeridade e economia processuais, considerando o resultado unânime daquele julgamento e especialmente o fato de que este Relator esposou integralmente as razões expostas no douto voto Fl. 502DF CARF MF Fl. 31 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 do I. Relator Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, que abordou primorosa e exaustivamente todas as questões pertinentes ao tema, e considerando ainda o brevíssimo lapso temporal entre o julgamento dos feitos, tomo a iniciativa de, por dever de coerência, enfrentar os tópicos seguintes mediante a adoção daquelas razões como minhas razões de decidir o que, de outra forma, já havia feito na própria sessão do dia 29 de agosto último, não vislumbrando a ocorrência de qualquer fato neste interregno ou de especificidade neste caso concreto capazes de justificar mudança no posicionamento anteriormente adotado. Assim posto, passa-se, nestes termos, à análise itemizada dos argumentos de defesa. 3.1 Da alegação de regularidade dos créditos incentivados de IPI advindos de produtos elaborados com matérias-primas extrativas vegetais de produção regional Transcrevo as razões expostas às fls. 32/34 do Acórdão n° 3401-006.747, que analisou lançamento e alegações de defesa idênticos aos que constam deste item e que passo a adotar como razão de decidir: O primeiro crédito a que se refere o recorrente é aquele derivado dos filmes plásticos fornecidos pela Valfilm. Sustenta que a decisão recorrida adota, equivocadamente, uma interpretação restritiva dos requisitos do artigo 6º do Decreto-Lei n° 1.435/1975, no sentido de que só fariam jus ao benefício de isenção de IPI os produtos elaborados com matéria-prima extrativa regional in natura, de modo que, por consequência, os produtos elaborados com matérias-primas já processadas ou industrializados não seriam isentos. Em seu entender, tal interpretação é manifestamente improcedente uma vez que inexiste qualquer exigência legal quanto à necessidade da matéria-prima utilizada no processo produtivo dos estabelecimentos industriais situados na Zona Franca de Manaus ser in natura. O termo "matéria-prima" contido no referido artigo designa um conceito amplo e genérico, que abarca tanto a matéria-prima bruta, que é aquela provinda diretamente da natureza, quanto a matéria-prima já industrializada. Por fim, afirma que não se pode alegar que o dispositivo em questão estaria se referindo a matéria-prima bruta por utilizar os termos "agrícolas" e "extrativas vegetais". Isso porque, tais termos estão expressos na redação do dispositivo apenas no intuito de enfatizar a exceção feita pela norma, de acordo com a qual produtos elaborados com matéria-prima de origem animal não estão isentos. Vejamos o texto das normas: Decreto-Lei n° 1.435/1975 Art. 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decreto-lei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. RIPI-2010 Art. 95. São isentos do imposto: Fl. 503DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0291.htm#art1%C2%A74 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0291.htm#art1%C2%A74 Fl. 32 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 (...) III - os produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das Posições 22.03 a 22.06, dos Códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decreto-Lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decreto-Lei nº 1.593, de 1977, art. 34). Analisando o texto dos dispositivos, e usando uma interpretação literal destas regras, conforme determina o art. 111, inciso II, do CTN (Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção), os produtos elaborados com matérias-primas já processadas ou industrializados estão evidentemente excluídos do benefício. Apesar dos esforços interpretativos da defesa, não me parece possível admitir que produtos industrializados possam ser matérias- primas agrícolas e extrativas vegetais. Tais matérias-primas são aqueles produtos obtidos de cultivo agrícola, ou de atividade extrativa vegetal, sem sofrer qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, nos termos do art. 4º do RIPI- 2010. O segundo crédito a que se refere o recorrente é aquele derivado da aquisição de tampas, rolhas, filmes plásticos e filmes SH provenientes das fornecedoras América Tampas e Arosuco. Defende o recorrente o cancelamento desta parcela da autuação pois a Fiscalização alega que tais mercadorias são elaboradas exclusivamente a partir da utilização de insumos de origem mineral, sem, contudo, apresentar qualquer elemento técnico corroborando tal suposição. Ocorre, entretanto, que às fls. 187/188 consta declaração da empresa América Tampas da Amazônia esclarecendo “que não se aplica a finalidade fabril da empresa produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, citado no artigo 92 (Amazônia Ocidental), inciso III, do RIPI/2002 e sim pelo artigo 69 (Zona Franca de Manaus) do RIPI/2002”. Além disso, assim como já dito no tópico anterior, não me parece possível admitir que produtos industrializados possam ser matérias- primas agrícolas e extrativas vegetais. Existem produtos para os quais é evidente a necessidade de um laudo técnico para verificar sua composição, mas outros não. Uma lata de refrigerante é, evidentemente, feita de metal. Uma garrafa de PET, é feita de plástico. Tampas e filmes plásticos são compostos de plástico, material mineral. Ante o exposto, voto por rejeitar as alegações deste item. 3.2 Da alegação de correta classificação fiscal dos kits concentrados para a fabricação de refrigerantes Fl. 504DF CARF MF Fl. 33 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Transcrevo as razões expostas às fls. 34/46 do Acórdão n° 3401-006.747, que analisou lançamento e alegações de defesa idênticos aos que constam deste item e que passo a adotar como razão de decidir: V.1 - DA NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DO RELATÓRIO TÉCNICO DO INT Afirma a defesa que a decisão recorrida firmou entendimento no sentido de que inexistiria base legal para elaboração de Parecer Técnico pelo INT mediante solicitação da Recorrente, eis que não se enquadraria "como uma das razões e provas mencionadas no inciso III (sic) do art. 16 do Decreto 70.235, de 1972”, razão pela qual este não serviria como prova apta no âmbito do processo administrativo tributário federal. Neste Recurso Voluntário, manifesta sua discordância quanto a este entendimento, pois iria de encontro ao princípio da busca pela verdade material. O tema já foi discutido no tópico “DA PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ POR VÍCIO DE FUNDAMENTAÇÃO E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA”. V.2 - DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS KITS CONCENTRADOS DE ACORDO COM AS RGI’S E COM A NESH Sustenta o recorrente que para se proceder à classificação fiscal de uma mercadoria, não basta a aplicação dos códigos do Sistema Harmonizado de forma discricionária, sendo imperioso verificar todas as suas características técnicas - intrínsecas e extrínsecas -, bem como as funções por ela exercidas, a fim de se verificar em qual código NCM ela se enquadra, baseado em fatores técnicos, e não tributários. Alega, contudo, que o procedimento em tela não foi adotado no presente caso, uma vez que tanto a fiscalização quanto a decisão recorrida desconsideram elementos essenciais para a determinação da classificação dos kits concentrados, o que, por óbvio, culminou na adoção de interpretação equivocada da NESH e das RGIs, pautada nas premissas equivocadas de que (i) classificação fiscal de mercadorias independe de seus aspectos técnicos e que (ii) o fato de os kits serem compostos por elementos acondicionados em embalagens individuais seria suficiente para impossibilitar seu enquadramento no NCM 2106.90.10 EX 01. A posição 2106.90.10, EX. 01, possui o seguinte texto na TIPI/2011: Código da posição Texto da posição Alíquota 2106.90.10 Preparações dos tipos utilizados para elaboração de bebidas 0 Ex 01 - Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado 20 A fiscalização entendeu que a classificação dos produtos adquiridos pelo recorrente deveria ser individualizada, uma vez que estes não se caracterizam como uma preparação "composta", ou como um "extrato concentrado ou sabor concentrado", sendo, em verdade, apenas "kits", ou seja, ingredientes ou partes para produzir, já dentro das instalações Fl. 505DF CARF MF Fl. 34 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 do recorrente, os "concentrados", sendo enviados pelo fornecedor acondicionados separadamente, apesar de apresentados em conjunto, sem sofrer qualquer processo de homogeneização. Do quanto exposto verifica-se que, para que o contribuinte possa se creditar do IPI nas operações objeto da autuação, faz-se necessário determinar quais as alíquotas de IPI que incidiriam nestas operações, caso não fossem isentas. Para tanto, deve realizar a classificação fiscal das mercadorias pela TIPI, e assim obter as alíquotas correspondentes a cada classificação. O recorrente classificou todos os produtos acondicionados separadamente como se fosse um produto único, na posição 2106.90.10, EX. 01, cuja alíquota era de 20%. Fazendo incidir estas alíquotas sobre o valor das suas aquisições isentas de IPI, o recorrente obteve o valor do crédito de IPI registrado em sua escrita fiscal. A fiscalização, por sua vez, ao realizar a classificação conforme exposto na Tabela 3 acima, verificou que os produtos classificavam-se em posições cuja alíquota de IPI correspondente era zero, e dessa forma glosou os créditos do recorrente. Os arts. 10 a 12 da Lei n° 4.502, de 30/11/1964, que dispõe sobre o IPI (Imposto de Consumo, à época), determinam como se dará esta classificação: CAPÍTULO III Da Classificação dos Produtos Art. 10. Na Tabela anexa, os produtos estão classificados em alíneas, capítulos, sub-capítulos, posições e incisos. § 1º O código numérico e o texto relativo aos capítulos e posições correspondem aos usados pela nomenclatura aprovada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira de Bruxelas. (...) Art. 11. A classificação dos produtos nas alíneas, capítulos, sub- capítulos, posições e incisos da Tabela far-se-á de conformidade com as seguintes regras: (...) Art. 12. As Notas Explicativas da Nomenclatura referida no § 1º do artigo 10, atualizada até junho de 1966, constituem elementos de informação para a correta interpretação das Notas e do texto das Posições constantes da Tabela Anexa. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 34, de 1966) Os arts. 15 a 17 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (Regulamento do IPI - RIPI/2010), regulamentam a classificação fiscal dos produtos, com base legal na Lei nº 4.502/64: TÍTULO III DA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS Art. 15. Os produtos estão distribuídos na TIPI por Seções, Capítulos, Subcapítulos, Posições, Subposições, Itens e Subitens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Fl. 506DF CARF MF Fl. 35 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Art. 16. Far-se-á a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação - RGI, Regras Gerais Complementares - RGC e Notas Complementares - NC, todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL - NCM, integrantes do seu texto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias - NESH, do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão luso-brasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das Posições e Subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, Posições e de Subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh), versão luso-brasileira, foram aprovadas pelo Decreto nº 435, de 27/01/1992, e alterações posteriores: Art. 1° São aprovadas as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, do Conselho de Cooperação Aduaneira, com sede em Bruxelas, Bélgica, na versão luso-brasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, anexas a este Decreto. Parágrafo único. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome. Art. 2° As alterações introduzidas na Nomenclatura do Sistema Harmonizado e nas suas Notas Explicativas pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (Comitê do Sistema Harmonizado), devidamente traduzidas para a língua portuguesa pelo referido Grupo Binacional, serão aprovadas pelo Ministro da Economia, Fazenda e Planejamento, ou autoridade a quem delegar tal atribuição. Art. 3° Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. O Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (SH) é um sistema padronizado de codificação e classificação desenvolvido e mantido pela Organização Mundial das Aduanas — OMA, da qual o Brasil faz parte (Decreto 97.409/1988 que promulgou a Convenção Internacional sobre o SH, aprovada pelo Decreto Legislativo 71/1988). A Regra Geral para Interpretação (RGI) nº 1 prevê que classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Tal entendimento é estendido para os textos dos itens, subitens e “Ex”. As regras aplicáveis ao presente caso e as correspondentes notas explicativas são as seguintes: REGRA 1 Fl. 507DF CARF MF Fl. 36 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes. NOTA EXPLICATIVA I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemática, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Estas mercadorias estão agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos tão concisos quanto possível, indicando a categoria ou o tipo de produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobá-las ou enumerá-las completamente nos títulos daqueles agrupamentos. (...) III) A segunda parte da Regra prevê que a classificação seja determinada: (...) b) Quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. (...) REGRA 2 (...) b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetua-se conforme os princípios enunciados na Regra 3. NOTA EXPLICATIVA (...) REGRA 2 b) (Produtos misturados e artigos compostos) X) A Regra 2 b) diz respeito às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e às obras constituídas por duas ou mais matérias. As posições às quais ela se refere são as que mencionam uma matéria determinada, por exemplo, a posição 05.07, marfim, e as que se referem às obras de uma matéria determinada, por exemplo, a posição 45.03, artigos de cortiça. Deve notar-se que esta Regra só se aplica quando não contrariar os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo (por exemplo, posição 15.03 - ... óleo de banha de porco ... sem mistura). Fl. 508DF CARF MF Fl. 37 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1. XI) O efeito desta Regra é ampliar o alcance das posições que mencionam uma matéria determinada, de modo a incluir nessas posições a matéria misturada ou associada a outras matérias. Também tem o efeito de ampliar o alcance das posições que mencionam as obras de determinada matéria, de modo a incluir naquelas posições as obras parcialmente constituídas por esta matéria. XII) Contudo, esta Regra não amplia o alcance das posições a que se refere, a ponto de poder nelas incluir mercadorias que não satisfaçam, como exige a Regra 1, os dizeres dessas posições, como ocorre quando se adicionam outras matérias ou substâncias que retiram do artigo a característica de uma mercadoria incluída nessas posições. XIII) Consequentemente, as matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e as obras constituídas por duas ou mais matérias, que sejam suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições, devem classificar-se conforme as disposições da Regra 3. REGRA 3 Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: (...) b) Os produtos misturados, as obras compostas de matérias diferentes ou constituídas pela reunião de artigos diferentes e as mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, cuja classificação não se possa efetuar pela aplicação da Regra 3 a), classificam-se pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, QUANDO FOR POSSÍVEL REALIZAR ESTA DETERMINAÇÃO. (...) NOTA EXPLICATIVA (...) REGRA 3 b) VI) Este segundo método de classificação visa unicamente: 1) Os produtos misturados; 2) As obras compostas por matérias diferentes; 3) As obras constituídas pela reunião de artigos diferentes; 4) As mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho. Esta Regra só se aplica se a Regra 3 a) for inoperante. (...) Fl. 509DF CARF MF Fl. 38 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: (...) A expressão “venda a retalho” não inclui as vendas de mercadorias que se destinam a ser revendidas após a sua posterior fabricação, preparação ou reacondicionamento, ou após incorporação ulterior com ou noutras mercadorias. Em consequência, a expressão “mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho” compreende apenas os sortidos que se destinam a ser vendidos ao utilizador final quando as mercadorias individuais se destinam a ser utilizadas em conjunto. Por exemplo, diferentes produtos alimentícios destinados a serem utilizados conjuntamente na preparação de um prato ou uma refeição, pronto-a-comer, embalados em conjunto e destinados ao consumo pelo comprador, constituem um “sortido acondicionado para venda a retalho”. (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – camarões (posição 16.05), pasta (patê) de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas de coquetel (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; – uma garrafa de bebida espirituosa da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. Isto aplica-se também, por exemplo, ao café solúvel num frasco de vidro (posição 21.01), uma xícara (chávena) de cerâmica (posição 69.12) e um pires de cerâmica (posição 69.12), acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. (...) XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. O recorrente afirma se basear na RGI 1 para classificar os kits na posição 2106.90.10 Ex.01, da NCM. Entretanto, a RGI 1 apenas especifica que a classificação deve ser determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e não pelos títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos, os quais têm apenas valor indicativo. Esta é a primeira parte da regra. A segunda parte prevê que a Fl. 510DF CARF MF Fl. 39 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 classificação seja determinada de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Salvo raras exceções, os textos dos códigos de classificação fiscal e das Notas de Seção e de Capítulo do SH referem-se a mercadorias que se apresentam em corpo único. Por isto, nos casos em que os fabricantes comercializam um conjunto de partes, peças, matérias ou artigos, cada bem individual que compõe o conjunto deve ser classificado separadamente. Dentre os casos excepcionais em que o texto do SH traz a previsão de que produtos apresentados separadamente devem ser classificados em código único, destaco alguns: Nota 3 à Seção VI (“produtos das indústrias químicas ou das indústrias conexas”): 3 - Os produtos apresentados em sortidos compostos de diversos elementos constitutivos distintos, classificáveis, no todo ou em parte, pela presente Seção e reconhecíveis como destinados, depois de misturados, a constituir um produto das Seções VI ou VII, devem classificar-se na posição correspondente a este último produto, desde que esses elementos constitutivos sejam: a) Em razão do seu acondicionamento, nitidamente reconhecíveis como destinados a serem utilizados conjuntamente sem prévio reacondicionamento; b) Apresentados ao mesmo tempo; c) Reconhecíveis, dada a sua natureza ou quantidades respectivas, como complementares uns dos outros. Nota 4 ao Capítulo 95 (“Brinquedos, jogos, artigos para divertimento ou para esporte; suas partes e acessório”): Ressalvadas as disposições da Nota 1 acima, a posição 95.03 aplica-se também aos artigos desta posição combinados com um ou mais artigos que não possam ser considerados como sortidos na acepção da Regra Geral Interpretativa 3b) mas que, se apresentados separadamente, seriam classificados noutras posições, desde que esses artigos estejam acondicionados em conjunto para venda a retalho e que esta combinação apresente a característica essencial de brinquedos. A questão decisiva para este caso é saber se as mercadorias em questão, os kits de concentrados, devem ser classificadas como mercadoria única, ou se cada volume acondicionado separadamente deverá ter sua própria classificação, a qual será feita, obviamente, em qualquer dos casos, de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, como requer a RGI 1. As Notas da Seção IV e as Notas dos Capítulos 21 e 22 não trazem qualquer previsão de que um conjunto de artigos individuais como os que compõem os kits possa ser classificado em código único. Além das hipóteses previstas nos textos dos códigos de classificação fiscal e das Notas do SH, somente as RGI 2 e 3 referem-se a situações de exceção, em que um conjunto de itens deve ser classificado em código único. Fl. 511DF CARF MF Fl. 40 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 A RGI 2 b) determina que a classificação dos produtos misturados ou artigos compostos efetua-se conforme os princípios enunciados na Regra 3. A "RGI 2 b)" diz respeito, especificamente, às matérias misturadas ou associadas a outras matérias, e a sua Nota Explicativa X afirma que os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1. O objetivo da "RGI 2 b)" é ampliar o alcance das posições que mencionam uma matéria determinada, de modo a incluir nessas posições a matéria misturada ou associada a outras matérias, como afirma a própria Nota XI. Contudo, a Nota XII deixa claro que esta Regra não amplia o alcance das posições a ponto de poder nelas incluir mercadorias nas quais se adicionam outras matérias que retiram do artigo a característica de uma mercadoria incluída nessas posições. Consequentemente, as matérias misturadas ou associadas a outras matérias, que sejam suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições, devem classificar-se conforme as disposições da Regra 3. A Nota Explicativa XIII é literal nesse sentido. Mesmo que a tese da recorrente sobre considerar todos as partes acondicionadas separadamente como mercadoria única fosse correta, ainda assim seria necessário valer-se da RGI 3, pois as "preparações" são misturas suscetíveis de se incluírem em duas ou mais posições. Neste ponto, faz-se necessário comentar a alegação do recorrente de que existe uma posição específica para a mercadoria, a 2106.90.10 Ex. 01, sendo aplicável, automaticamente, a RGI 1. De acordo com o texto da posição, e seguindo o que determina a RGI 1, para que uma mercadoria se classifique no Ex 01 do código 2106.90.10, deve apresentar as seguintes características: a) que seja uma preparação composta; b) que não seja alcoólica; c) que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado; d) que seja própria para elaboração de bebida da posição 22.02; e) que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Além disso, o texto do código em questão não faz referência à possibilidade de apresentação em embalagens individuais. Pelo contrário, o Ex 01 usa as palavras “preparação” e “concentrado”, que indicam claramente se tratar de um produto apresentado em corpo único. A Fiscalização entendeu que os kits de concentrados não atenderiam às características "a", "c" e "e". Logo, não poderiam ser classificadas na posição 2106.90.10 Ex. 01, nem mesmo sendo classificadas individualmente. Apresento, a seguir, uma análise destas características: - Característica “a”, “que seja uma preparação composta” Sempre que a NCM ou a NESH se referem a preparações, resta claro que estão tratando de uma mistura. Por exemplo, na NCM, a Nota de Subposição nº 3 assevera: “3- Na acepção da posição 21.04, consideram-se “preparações alimentícias compostas homogeneizadas” as preparações constituídas por uma mistura finamente homogeneizada de diversas substâncias de base, como carne, peixe, produtos hortícolas, frutas (...)” Fl. 512DF CARF MF Fl. 41 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Na NESH, os itens 13, 14 e 15 das Notas Explicativas da posição 21.06 mencionam o seguinte: 13) As misturas de extrato de ginseng com outras substâncias (por exemplo, lactose ou glicose) utilizadas para preparação de “chá” ou de outra bebida à base de ginseng. 14) Os produtos constituídos por uma mistura de plantas ou partes de plantas, sementes ou frutas de espécies diferentes, ou por plantas ou partes de plantas, sementes ou frutas de uma ou de diversas espécies misturadas com outras substâncias (...) 15) As misturas constituídas por plantas, partes de plantas, sementes ou frutas (inteiras, cortadas, trituradas ou pulverizadas) de espécies incluídas em diferentes Capítulos (...) O item X da Nota Explicativa da Regra 2 b) diz em sua parte final que "Os produtos misturados que constituam preparações mencionadas como tais, numa Nota de Seção ou de Capítulo ou nos dizeres de uma posição, devem classificar-se por aplicação da Regra 1". Ao tratar especificamente da elaboração de preparações dos tipos utilizados na fabricação de bebidas, a NESH menciona a adição de ingredientes como acidulantes, conservantes e sucos de frutas aos extratos vegetais: “Classificam-se especialmente aqui:[...] 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Ao usar o verbo “adicionar”, a NESH está se referindo ao processo onde ocorre a mistura dos ingredientes citados, e não à sua remessa em conjunto. Ou seja, os textos dos Ex 01 e Ex 02 do código 2106.90.10, ao se referirem a “preparações compostas”, estão tratando de bens constituídos por uma mistura de diversas substâncias, e não a diversas substâncias acondicionadas isoladamente que posteriormente serão misturadas. Mesmo que se entenda que não existe um conceito técnico preciso do que seja uma "preparação" nas NESH, tal definição pode ser obtida pelo art. 29 do Decreto nº 6.871, de 04/06/2009, que regulamenta a Lei nº 8.918/94 (a qual dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas): Art. 29. Preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante é o produto que contiver suco ou extrato vegetal de sua origem, adicionado de água potável para o seu consumo, com ou sem açúcares. Os kits de concentrados são comercializados com os extratos vegetais acondicionados separadamente dos demais produtos, logo o “preparado líquido ou concentrado líquido” não “contém” o extrato vegetal. Além Fl. 513DF CARF MF Fl. 42 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 disso, a adição de água potável só ocorre posteriormente à venda dos kits, já nas instalações do fiscalizado. - Característica “c”, “que se caracterize como extrato concentrado ou sabor concentrado” O art. 13, § 4º, c/c o art. 30, ambos do já citado Decreto nº 6.871/2009, especificam o que seja um extrato ou sabor concentrado: CAPÍTULO VII DA PADRONIZAÇÃO DAS BEBIDAS Seção I Das Disposições Preliminares Art. 13. A bebida deverá conter, obrigatoriamente, a matéria-prima vegetal, animal ou mineral, responsável por sua característica sensorial, excetuando o xarope e o preparado sólido para refresco. (...) § 4º O produto concentrado, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal. (...) Seção II Das Bebidas não-Alcoólicas (...) Art. 30. O preparado líquido ou concentrado líquido para refrigerante, quando diluído, deverá apresentar as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para o respectivo refrigerante. Os kits de concentrados adquiridos pelo recorrente, quando e se diluídos, não apresentam as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal. O Auditor-Fiscal identificou esse fato a partir da verificação do seu processo produtivo pois, conforme o seu fluxograma, constante do TVF, além de todas as partes que compõem os "kits" serem misturados somente dentro das instalações do recorrente, também a adição de açúcar (ou de edulcorantes artificiais, no caso das bebidas "zero calorias") só ocorre nesse momento. Assim restou assentado no TVF: 6.55 A utilização, no Ex 01 e no Ex 02 do código NCM 2106.90.10, da expressão “capacidade de diluição em partes da bebida” demonstra que as citadas exceções tarifárias estão tratando de uma preparação composta que é capaz de, por simples diluição, resultar na bebida. Prova disso é que a diferenciação entre o Ex 01 e Ex 02 é a capacidade de diluição. Enquanto o primeiro trata de preparação com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida, o segundo trata de diluição igual ou inferior a 10 partes. Assim, se a preparação diluída não resultar na bebida final não há como se definir sua capacidade de diluição em "partes da bebida por cada parte do concentrado. Fl. 514DF CARF MF Fl. 43 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Como bem identificado no procedimento fiscal, a mistura do conteúdo dos componentes dos “kits/concentrados” fornecidos é uma etapa realizada dentro do estabelecimento do engarrafador (no caso, o fiscalizado), em que os ingredientes são diluídos em xarope simples ou água, e caracteriza-se como a operação de transformação definida no artigo 4º, inciso I, do RIPI/2010: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Somente depois dessa etapa é que se forma uma preparação, conhecida como xarope composto, que deve ser enquadrada em exceção tarifária do código NCM 2106.90.10. O xarope composto classifica-se no Ex 02 do código 2106.90.10 da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), pois, segundo a Autoridade Fiscal, não contestada pelo recorrente, possui capacidade de diluição inferior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Nos termos do artigo 3º do RIPI/2010, a elaboração do xarope composto, quando destinado a receber tratamento adicional em etapa posterior do processo produtivo do Recorrente, é uma operação de transformação intermediária: Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Em alguns estabelecimentos do Recorrente, além de produto intermediário, o xarope composto é também um produto final (quando vendido para terceiros a fim de ser diluído nas máquinas de Post Mix). De acordo com a legislação do IPI, qualquer mistura de ingredientes se caracteriza como uma operação de industrialização, independentemente de sua complexidade, e toda operação de transformação importa na obtenção de produto novo, com enquadramento diferente na TIPI. Assim, embora o Recorrente se apresente como uma empresa engarrafadora, os seus estabelecimentos industriais executam dois processos distintos de industrialização: - Primeiro são misturados os componentes dos chamados “kits/Concentrados”, obtendo o concentrado do Ex02 do código 2106.90.10; - Depois (exceto nos casos em que estes concentrados são destinados a detentores de máquinas "post-mix") o concentrado resultante da mistura é levado para outro equipamento, onde é diluído em água carbonatada, resultando no refrigerante. Fl. 515DF CARF MF Fl. 44 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Considerando que 100% dos chamados “kits/Concentrados”, fornecidos são usados para industrializar concentrados classificados no Ex 02 do código 2106.90.10, os “kits/concentrados” não são extratos concentrados destinados à elaboração de bebidas, mas sim um conjunto de substâncias destinadas à industrialização de extratos concentrados. Dessa forma, não há como se tratar as partes que integram os kits de concentrados, mesmo em conjunto, como um "extrato ou sabor concentrado", segundo o conceito especificado nos dispositivos citados. Para que ficasse caracterizado um produto chamado de “extrato concentrado”, o conteúdo das diversas partes que compõem um kit deveria estar reunido numa única parte, fato que o próprio Recorrente não discute, tanto que criou a ficção de que para fins de classificação fiscal os kits formariam uma mercadoria única. - Característica “e”, “que tenha capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado” Derivada do motivo acima identificado. Como os "kits" ainda não estão prontos para consumo após a simples diluição, por conta da necessidade da etapa de mistura de todos os componentes do kit, além da introdução do açúcar na preparação, sua capacidade de diluição não é superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado. Como determina o art. 13, § 4º, c/c o art. 30, ambos do Decreto nº 6.871/2009, o "kit", após ser diluído em, no mínimo, 10 partes da bebida para cada parte do concentrado, deveria resultar em um produto "com as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal", o que não ocorre, efetivamente. Assim, esta segunda característica, exigida pelo texto da posição 2106.90.10 Ex. 01, também não restaria atendida. Claro está, portanto, que mesmo que se pudesse considerar todas as partes dos kits de concentrados como uma mercadoria única, ainda assim não seria possível utilizar a RGI 1 para sua classificação direta na posição 2106.90.10 Ex. 01, pois a sua diluição não resultaria em um produto "com as mesmas características fixadas nos padrões de identidade e qualidade para a bebida na concentração normal", tendo em vista a necessidade de adição de açúcar ou de edulcorantes artificais, muito menos em um produto "com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado". Realizada a análise da possibilidade de adequação do produto “kits de concentrados” à posição 2106.90.10 Ex. 01, pela aplicação da RGI 01, volto à análise da aplicação das demais RGI's. Nesta etapa, é necessário avaliar a aplicabilidade da RGI 3 (específica para a classificação de produtos misturados ou artigos compostos), segundo a qual quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se de acordo com as regras 3a), 3b) ou 3c). Para verificar se é possível determinar se alguma matéria confere ao produto a sua característica essencial, analisaremos as Notas Explicativas X e XI da RGI 3 b), as quais, a meu ver, põe uma pá de cal sobre toda a celeuma: Fl. 516DF CARF MF Fl. 45 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 X) De acordo com a presente Regra, as mercadorias que preencham, simultaneamente, as condições a seguir indicadas devem ser consideradas como “apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho”: (...) Contudo, não se devem considerar como sortidos certos produtos alimentícios apresentados em conjunto que compreendam, por exemplo: – camarões (posição 16.05), pasta (patê) de fígado (posição 16.02), queijo (posição 04.06), bacon em fatias (posição 16.02) e salsichas de coquetel (posição 16.01), cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; – uma garrafa de bebida espirituosa da posição 22.08 e uma garrafa de vinho da posição 22.04. No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada. Isto aplica-se também, por exemplo, ao café solúvel num frasco de vidro (posição 21.01), uma xícara (chávena) de cerâmica (posição 69.12) e um pires de cerâmica (posição 69.12), acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. (...) XI) A presente Regra não se aplica às mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, por exemplo. Observe-se que, na Nota Explicativa X, são dados três exemplos de produtos vendidos em conjunto, porém acondicionados separadamente: 1) camarões, pasta de fígado, queijo, bacon em fatias e salsichas de coquetel, cada um desses produtos apresentados numa lata metálica; 2) bebida espirituosa da posição 22.08 e vinho da posição 22.04, cada qual em sua respectiva garrafa; e 3) café solúvel, acondicionado em um frasco de vidro, com uma xícara de cerâmica e um pires de cerâmica, porém acondicionados em conjunto para venda a retalho numa caixa de cartão. A Nota afirma, de forma cristalina, que "No caso destes dois exemplos e de produtos semelhantes, cada artigo deve ser classificado separadamente, na posição que lhe for mais apropriada". Dessa forma, não pode ser classificado pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, ou seja, tratar algum destes três kits tomados por exemplos como uma mercadoria única e recebendo uma única classificação fiscal para todo o conjunto. Além disso, a Nota Explicativa XI da RGI 3b) também não permite que mercadorias constituídas por diferentes componentes acondicionados separadamente e apresentados em conjunto (mesmo em embalagem comum), em proporções fixas, para a fabricação industrial de bebidas, Fl. 517DF CARF MF Fl. 46 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 possa ser classificado pela matéria ou artigo que lhes confira a característica essencial, ou seja, tratado como uma mercadoria única. Em relação à Nota Explicativa XI da RGI 3b) ainda há uma particularidade referente à análise levada a efeito pelo Conselho de Cooperação Aduaneira (CCA) por ocasião da edição da precitada nota explicativa. A Nota Explicativa XI da RGI 3b) foi incluído na NESH após análise efetuada pelo Conselho de Cooperação Aduaneira nos anos de 1985 e 1986, em resposta a consultas recebidas de países membros da organização internacional sobre a classificação de produtos com as mesmas características dos "kits para fabricação de bebidas" objeto do presente processo. O referido dispositivo teve por origem consultas sobre a classificação fiscal de bens com características idênticas às dos insumos adquiridos pela recorrente, inclusive bases para elaboração de FANTA (marca produzida pelas empresas do grupo Coca-Cola) e de um refrigerante sabor Cola. Depois de uma demorada análise, o CCA decidiu que os componentes individuais de bases para fabricação de bebidas deveriam ser classificados separadamente. O texto da análise do CCA, equivale a uma detalhada exposição de motivos para o item XI da Nota Explicativa da RGI 3 b), deixando claro que a criação dessa Nota teve por objetivo determinar que os componentes dos kits para fabricação de bebidas devem ser classificados separadamente nos códigos apropriados para cada um deles. Tendo em vista a existência na NESH de determinação expressa não permitindo classificar em uma única posição da TIPI os componentes individuais dos "kits" contendo ingredientes para elaboração de bebidas, a classificação destas mercadorias deve ser efetuada pela aplicação da RGI 1 sobre cada componente do kit, ou seja, cada componente segue sua classificação própria. Logo, correto, neste aspecto, o entendimento da Autoridade Fiscal. Do quanto exposto neste voto, verifica-se que nenhum componente dos "kits de concentrados", isoladamente considerado, pode ser identificado como um extrato ou sabor concentrado. Não se pode atribuir capacidade de diluição a nenhum componente dos kits para fabricação de bebidas. Se o conteúdo de qualquer embalagem individual fosse diluído, não apresentaria as mesmas características sensoriais e físico-químicas da bebida que se pretende comercializar. Logo, também nesta classificação individual nenhum dos componentes dos "kits" poderia se enquadrar no Ex 01 da posição 2106.90.10. O Auditor-Fiscal realizou a classificação das partes componentes dos kits em tópico específico, ao qual remeto a leitura para fins de verificação das classificações fiscais atribuídas aos produtos. Tal matéria restou incontroversa nos autos, posto que o recorrente não contestou cada classificação isoladamente, mas tão somente a própria reclassificação em si, pugnando pela manutenção da classificação por ele mesmo proposta, no Ex. 01 da posição 2106.90.10. Ante o exposto, voto por rejeitar as alegações deste item. Fl. 518DF CARF MF Fl. 47 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 3.3 Da alegação de convalidação dos créditos apropriados em virtude da boa-fé da Recorrente Transcrevo as razões expostas às fls. 47/48 do Acórdão n° 3401-006.747, que analisou lançamento e alegações de defesa idênticos aos que constam deste item e que passo a adotar como razão de decidir: Alega o recorrente que não é concebível ser punido por ter observado a classificação fiscal e o regime tributário indicado nas notas fiscais emitidas por seus fornecedores, haja vista que a responsabilidade pelo correto enquadramento dos kits concentrados adquiridos pela Recorrente nos códigos de classificação do Sistema Harmonizado compete aos fornecedores de tais mercadorias. Afirma que exigir de todos os adquirentes de produtos isentos a verificação e fiscalização quanto à correção da classificação fiscal adotada para cada um dos produtos que adquire de cada um de seus fornecedores acabaria por inviabilizar suas atividades. Em virtude do porte econômico e da quantidade de estabelecimentos que o recorrente possui no Brasil, seria impraticável exigir que avaliasse, conferisse e validasse a classificação fiscal de cada um dos produtos que adquire de seus milhares de fornecedores. Entretanto, o art. 136 do CTN determina que a intenção do agente não deve ser levada em conta na definição da responsabilidade por infrações tributárias. O fato de ter agido de boa-fé não permite ao contribuinte se locupletar de crédito ao qual não tem direito. Mesmo não sendo o responsável pela emissão da nota fiscal e pela classificação fiscal da mercadoria, foi o recorrente quem se apropriou de créditos indevidos, e não seus fornecedores. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vale destacar que, caso fosse constatada a intenção do recorrente de fraudar o Fisco, ou seja, presente o dolo, outra teria sido a consequencia da sua conduta, pois incidiria na previsão contida no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 519DF CARF MF Fl. 48 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (...) Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A autuação foi realizada com a aplicação da multa básica de 75%, demonstrando que a Autoridade Fiscal não identificou a presença de conduta dolosa do contribuinte, a ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%. Vale destacar que a autuação, em nenhum momento, teve por base a falta de conferência, pelo recorrente, da classificação fiscal adotada, bem como nenhuma multa regulamentar foi aplicada por não cumprimento desta exigência, mas tão somente a multa de ofício pelo não recolhimento do IPI devido. A autuação foi baseada na glosa de créditos de IPI que a Fiscalização verificou serem inexistentes. Nesse contexto, deve a Autoridade Fiscal proceder à reconstituição da escrita fiscal do IPI e, constatada a existência de saldos devedores, proceder ao lançamento do crédito tributário, exatamente como neste caso concreto. Ante o exposto, voto por rejeitar as alegações deste item. 3.4 Da alegação de não-cumulatividade e o do direito constitucional ao crédito de IPI referente aos insumos isentos oriundos da ZFM Transcrevo as razões expostas às fls. 48/50 do Acórdão n° 3401-006.747, que analisou lançamento e alegações de defesa idênticos aos que constam deste item e que passo a adotar como razão de decidir: Segundo a defesa, a decisão recorrida alega que o direito ao crédito de IPI estaria atrelado à base legal destacada em nota fiscal, ou seja, somente nas notas fiscais em que há a menção aos artigos 95, III e 237 do RIPI/2010 haveria a possibilidade de creditamento do imposto. Contudo, entende que tal fundamento não merece prosperar pois, independentemente de os insumos por ela adquiridos se enquadrarem ou não nestes artigos, o seu direito ao crédito está garantido por meio do Fl. 520DF CARF MF Fl. 49 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 artigo 153, § 3°, II da Constituição Federal, que consagra a nãocumulatividade do IPI. A narrativa fiscal, em síntese, é a seguinte: 5.3 O artigo 237 criou um crédito incentivado, ou presumido, exclusivamente para a aquisição de produtos que se enquadram nas condições do artigo 95, III, quais sejam: elaborados com matérias- primas agrícolas e extrativas vegetais, de produção regional, por estabelecimento localizado na Amazônia Ocidental. 5.4 Aqueles produtos que, embora produzidos na cidade de Manaus/AM, localizada na zona franca de Manaus e também na Amazônia Ocidental, não se enquadrem nos critérios do artigo 95, III, não possibilitam que o adquirente dos mesmos obtenha crédito incentivado do IPI, embora saiam com isenção do Imposto do estabelecimento produtor. O mencionado art. 237 do RIPI/2010 possui o seguinte comando normativo: Subseção III Dos Créditos como Incentivo Incentivos à SUDENE e à SUDAM (...) Aquisição da Amazônia Ocidental Art. 237. Os estabelecimentos industriais poderão creditar-se do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 95, desde que para emprego como matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decreto-Lei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). O art. 150, § 6º, da Constituição Federal, por sua vez, trata dos créditos incentivados, fictos ou presumidos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) Estabelecido esse pequeno arcabouço legislativo, destaco que a matéria foi discutida e votada pelo Pleno do STF em 25/04/2019, no julgamento do Recurso Extraordinário 592.891/SP: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 322 da repercussão geral, negou provimento ao recurso extraordinário, nos termos do Fl. 521DF CARF MF Fl. 50 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 voto da Relatora, vencidos os Ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Em seguida, por unanimidade, fixou-se a seguinte tese: "Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT". Ocorre, entretanto, que mesmo tendo sido publicado o acórdão do RE nº 592.891/SP no DJe de 20/09/2019, foram opostos embargos declaratórios pela PGFN no último dia 07/10/2019, ainda pendentes de julgamento. Assim, ainda não há decisão definitiva sobre a matéria, não sendo possível precisar a extensão do seu alcance de modo a reproduzi-lo neste julgado. Nesse contexto, e considerando que a decisão prolatada em 05/03/1998 no Recurso Extraordinário 212.484/RS não seguiu o rito de reconhecimento de Repercussão Geral (inexistente à época), com seus efeitos alcançando unicamente as partes (Vonpar Refrescos S/A e União Federal), entendo que a concessão de crédito ficto para as isenções decorrentes do art. 81, incisos I e II, do RIPI-2010, depende da existência de lei federal específica, nos termos do art. 150, § 6º, da Constituição Federal. Ante o exposto, voto por rejeitar as alegações deste item. 3.5 Da alegação de improcedência e ilegalidade da multa – Vedação ao Confisco Neste ponto, não são conhecidas as alegações da Recorrente por aplicação da Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória e de seguinte teor: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 3.6 Da alegação de improcedência e ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Neste ponto, improcedentes as alegações da Recorrente por aplicação da Súmula CARF n° 108, de observância obrigatória e de seguinte teor: incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 522DF CARF MF Fl. 51 do Acórdão n.º 3401-007.043 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721273/2017-41 Fl. 523DF CARF MF
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Numero do processo: 15521.000107/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Nov 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF.
Ocorrendo o vício apontado pelo contribuinte, devem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, para esclarecer que a disposição contida no art. 18 da Lei nº 9.317/1996, significa apenas que não se pode usar da presunção legal, baseado em documento que o contribuinte não esteja obrigado a cumprir, o que não é o caso da presunção legal prevista no artigo 42 da Lei 9.430/1996.
Numero da decisão: 1301-004.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para suprir a obscuridade apontada e, sem efeitos infringentes, ratificar o decidido no Acórdão 1301-003.479.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos de declaração apenas são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Ocorrendo o vício apontado pelo contribuinte, devem ser acolhidos, sem efeitos infringentes, para esclarecer que a disposição contida no art. 18 da Lei nº 9.317/1996, significa apenas que não se pode usar da presunção legal, baseado em documento que o contribuinte não esteja obrigado a cumprir, o que não é o caso da presunção legal prevista no artigo 42 da Lei 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos para suprir a obscuridade apontada e, sem efeitos infringentes, ratificar o decidido no Acórdão 1301003.479. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 07 /2 01 0- 26 Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301004.139 S1C3T1 Fl. 1.005 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratam se de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, em face do acórdão nº 1301003.479, de 20 de novembro de 2018. O acórdão embargado foi assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2005 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições abrangidos pelo regime do Simples. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir presunção legal de omissão de receitas, expressamente prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/1996. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MUDANÇAS DE ALÍQUOTA. Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças de faixas de receita bruta acumulada por constatação de omissão de receitas, impõese a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário:2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. CSSINSS Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Regularmente intimado, o contribuinte apresenta, tempestivamente, embargos de declaração, alegando haver obscuridade no julgado, no que se refere à presunção de Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301004.139 S1C3T1 Fl. 1.006 3 omissão de receita diante da verificação de ausência de comprovação da origem de depósitos bancários. Às fls. 998 a 1000, encontrase o Despacho de Admissibilidade de Embargos, mediante o qual o Sr. Presidente desta 1ª TO/ 3ª Câmara desta Seção de Julgamento, acolhe os embargos de declaração opostos, para que o Colegiado se manifeste acerca da obscuridade suscitada pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade previstos no vigente Regimento Interno do CARF, razão pela qual os conheço e passo a analisálos. Da obscuridade Aponta a interessada vício de obscuridade, no julgado, no que se refere à presunção de omissão de receita diante da verificação de ausência de comprovação da origem de depósitos bancários. Nesse sentido, assim argumenta: Conforme se depreende do Recurso Voluntário acostado ao PAF, um dos principais fundamentos utilizados pela Embargante/Recorrente em seu favor foi que, em razão do período auditado tratar de período anterior ao ano de 2006, o Fisco deveria ter se atido ao texto da legislação vigente a época, qual seja Lei 9.481/99, Lei 9317/96 e IN 355/2003, e que determinavam que a presunção de receita para depósitos não identificados não era automática, como praticamente passou a ser de 2006 em diante. Dessa forma, e na visão da Embargante, a atenuação da carga probatória atribuída ao fisco (SIC fls. 981) mencionada pelo I. Relator não havia ocorrido ainda, o que obrigava o Fisco por sua vez, a proceder com muito mais cautela, ou seja, restringindose a regulamentação dos dispositivos acima citados, e devendo se ater ao que estava escriturado nos livros e documentos fiscais da empresa, o que não foi feito pelo fiscal, comprometendo o AI. No recurso a Embargante apontou claramente seu fundamento, requerendo com base neles que a apuração dos créditos tributários fosse feita considerando o Livro Caixa e os documentos que deram origem a referida escrituração, tendo inclusive respaldado sua defesa com jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes. Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301004.139 S1C3T1 Fl. 1.007 4 No entanto, o I. Relator se omitiu sobre tal ponto, o que era crucial do ponto de vista legal, até mesmo para efeito de prequestionamento em eventual Recurso Especial. (Grifei) A decisão embargada assim se manifesta acerca do tema: Acerca da legislação, também não tem fundamento a alegação de que não poderia ocorrer o presente lançamento nas empresas do SIMPLES, pois o artigo 18 da Lei nº 9.317/96 é muito claro ao determinar que "Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas". De acordo com o transcrito acima, aplicamse à empresa optante pelo SIMPLES todas as presunções de omissão de receita existentes na legislação de regência do imposto sobre a renda e contribuições e, no caso, foi aplicada a prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Desta forma, negase provimento ao recurso voluntário. (Grifei) De fato, da análise do acórdão embargado, evidencia que assiste razão à embargante, uma vez que a decisão atacada não expressa de forma clara o entendimento acerca da possibilidade e aplicação da presunção de omissão de receita em relação a depósitos bancários de origem não comprovada, a empresas optantes pelo Simples Federal, com amparo no artigo 18 da Lei nº 9.317/96. Com efeito, o Acórdão embargado não permite a compreensão da razão de decidir acerca do principal aspecto indicado pelo contribuinte, qual seja, a parte final do art. 18 da Lei nº 9.317/96, acima destacado. Vejase trecho do recurso voluntário apresentado, na parte relativa ao tema em tela: O principal argumento de defesa apresentado na impugnação, foi a contestação quanto ao vício existente no lançamento fiscal que foi efetuado com ofensa ao princípio da legalidade, pois em nossa defesa afirmamos e demonstramos exaustivamente que a presunção legal (depósito bancário de origem não comprovada) utilizada pela Fiscalização, por si só, não se aplica à empresas submetidas ao regime tributário especial e diferenciado oferecidas as micro e pequenas empresas denominadas SIMPLES FEDERAL, por ausência de disciplinamento legal que amparasse a referida presunção (vide art. 18 da lei nº 3.917/96), ausência esta que se perdurou até o advento da Lei Complementar nº 105/2006, art. 34, quando então a nova lei passou a admitir todas as presunções legais até então previstas na legislação tributária, alterando o conteúdo do art. 18 acima citado que estabelecia que apenas as presunções legais apuráveis com base nos livros e documentos que o contribuinte Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301004.139 S1C3T1 Fl. 1.008 5 estivesse obrigada a manter seriam aplicadas as micro e pequenas empresas submetidas ao referido regime (...) (destaque no original) Pois bem, como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. Assim, de acordo com esta legislação, a falta de comprovação pelo contribuinte da origem dos recursos movimentados em suas contas bancárias, regularmente intimado para tanto, faz nascer a presunção legal de omissão de receitas, de acordo com o art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Consta no art. 18 da Lei nº 9.317/1996 que as presunções de omissão de receita previstas na legislação dos tributos e contribuições englobados pelo Simples somente são aplicáveis às empresas incluídas nesta sistemática de pagamento, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Este dispositivo, a meu ver, significa apenas que não se pode usar da presunção legal, baseado em documento que o contribuinte não esteja obrigado a cumprir, o que não é o caso da presunção legal prevista no artigo 42 da Lei 9.430/1996. Vejase o que estabelece a legislação aplicável (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99), vigente à época dos fatos: Art. 190. A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que trata o art. 187 (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º). Parágrafo único. A microempresa e a empresa de pequeno porte estão dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes (Lei nº 9.317, de 1996, art. 7º, § 1º): I Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; II Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; III todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nos incisos anteriores. Em conformidade com este dispositivo, o contribuinte é obrigado a manter minimamente o Livro Caixa, e a ele, incorporar toda a movimentação bancária, observando Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 15521.000107/201026 Acórdão n.º 1301004.139 S1C3T1 Fl. 1.009 6 também a guarda dos documentos e demais papéis que serviram de base para sua escrituração, inclusive, os extratos bancários. Assim correto o enquadramento legal da omissão de receitas no art. 42, da Lei n. 9.430/1996, uma vez que resta evidenciado que o contribuinte não comprovou a origem de valores integrados às suas contas correntes, indício sério e veemente de que tais recursos são provenientes de uma fonte não identificada e provavelmente sujeita a tributação. Conclusão Com esses fundamentos, voto por acolher os embargos de declaração opostos, para suprir a obscuridade apontada e, sem efeitos infringentes, ratificar o decidido no Acórdão 1301003.479. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1009DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.001204/2006-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
INCENTIVO DE REDUÇÃO SUDENE. COMPROVAÇÃO REGULARIDADE FISCAL.
O reconhecimento pela autoridade tributaria competente do direito ao benefício de redução de tributo está vinculado ao cumprimento pela pessoa jurídica dos requisitos essenciais estabelecidos pela legislação de regência.
Admite-se a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização.
No caso, a Recorrente apresentou juntamente com seu pedido Certidões Conjuntas Positivas com Efeitos de Negativas emitidas pela Secretaria da Receita Federal e pela PGFN, o que restou afastado o óbice descrito no Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1301-004.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, ressaltando que o inicio do prazo de fruição do benefício será a partir do ano-calendário de 2003, posto que a recorrente não se insurgiu contra a parte da decisão (Despacho Decisório) que reduziu o prazo de fruição do benefício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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REGULARIDADE FISCAL. Recorrente USINA CENTRAL OLHO D´AGUA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 INCENTIVO DE REDUÇÃO SUDENE. COMPROVAÇÃO REGULARIDADE FISCAL. O reconhecimento pela autoridade tributaria competente do direito ao benefício de redução de tributo está vinculado ao cumprimento pela pessoa jurídica dos requisitos essenciais estabelecidos pela legislação de regência. Admitese a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização. No caso, a Recorrente apresentou juntamente com seu pedido Certidões Conjuntas Positivas com Efeitos de Negativas emitidas pela Secretaria da Receita Federal e pela PGFN, o que restou afastado o óbice descrito no Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, ressaltando que o inicio do prazo de fruição do benefício será a partir do anocalendário de 2003, posto que a recorrente não se insurgiu contra a parte da decisão (Despacho Decisório) que reduziu o prazo de fruição do benefício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 12 04 /2 00 6- 94 Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19647.001204/200694 Acórdão n.º 1301004.238 S1C3T1 Fl. 346 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1119.793, proferido pela 5ª Turma da DRJ/REC, que, por unanimidade, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendose os termos da Decisão prolatada pela unidade de origem por meio do Despacho Decisório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito, complementandoo ao final: Trata o presente processo de pedido de reconhecimento do direito à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, formalizado mediante o formulário inserto à fl. 01. A solicitação foi indeferida, nos termos do Despacho Decisório de fls. 62/63, tendo por base a informação fiscal de fls. 56/61, sob o fundamento de que "NÃO PODE PREVALECER O PRAZO INICIAL DO PRETENDIDO BENEFÍCIO FISCAL, TAMPOUCO SE PODE CONSIDERAR A REGULARIDADE FISCAL DA PESSOA JURÍDICA, ESTABELECIMENTOS MATRIZ E FILIAL (UM), PERANTE ESSA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL E A PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL". Tendo sido objeto de destaque ainda as seguintes pendências: a) Débito em cobrança (CONTACORPJ); b) Processo fiscal em cobrança (PROFISC); c) Débito em cobrança (SIEF); e d) Inscrição em cobrança na PGFN. Inconformada com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 08/06/2006, por via postal, conforme aviso de recebimento juntado à fl. 65, a requerente apresentou, em 10/07/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 67/78, expendendo, em síntese, as seguintes razões de discordância: Fl. 346DF CARF MF Processo nº 19647.001204/200694 Acórdão n.º 1301004.238 S1C3T1 Fl. 347 3 Afirma que já havia juntado aos autos certidão conjunta positiva com efeitos de negativa apta, conforme legislação que rege a matéria, a comprovar a sua regularidade fiscal. Indicou ainda que a referida regularidade estaria sendo ratificada por nova certidão anexada. Alega que a veracidade da certidão por ela apresentada goza de presunção relativa, não podendo esta ser excluída sem que sejam apresentadas pelo fisco provas em contrário, o que não teria ocorrido. Nesse sentido, não seria suficiente, segundo expõe, a alegação da autoridade fiscal de que não teria sido possível obter certidão por meio da Internet. Sugere que os débitos registrados nos sistemas da PGFN e RFB, que impediram a emissão da certidão negativa de débitos (CND), podem estar com a sua exigibilidade suspensa, o que ensejaria a emissão da certidão positiva com efeitos de negativa (CPDEN). Argüi ainda ter sido prejudicada no exercício ao contraditório e à ampla defesa, por não ter sido possível, por falta de indicação precisa, identificar quais seriam os débitos apontados como pendentes e exigíveis. Com base no art. 195, §3°, da CF, art. 60 da Lei n° 9.069/95 e art. 124 da IN SRF n° 267/2002, defende ter demonstrado a plena comprovação da sua situação de regularidade fiscal objetivando à concessão do beneficio pleiteado e argumenta que, a teor dos arts. 205 e 206 do CTN, idênticos seriam os efeitos da certidão negativa e da certidão positiva com efeito de negativa. Diz que não se configura como método adequado para se certificar a idoneidade da referida certidão a análise levada a efeito pelo fisco, com base na Internet e sistemas internos da RFB, posto que tais bancos de dados não levariam em conta informações e documentos fornecidos às autoridades competentes, com vistas à obtenção da certidão positiva com efeito de negativa. Acresce ainda que, sendo a certidão fornecida um documento idôneo e sem quaisquer indícios de vícios, não havia motivo para que o fiscal empreendesse pessoalmente a tentativa de verificação da sua regularidade. Argumenta que não foi capaz de identificar com exatidão os débitos que estariam supostamente servindo de fundamento ao indeferimento do seu pleito de redução do IRPJ e protesta pela necessidade de identificação dos mesmos, sob pena de ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Destacando a hipótese de serem superadas as razões de defesa até então apresentadas e no sentido de desqualificar as pendências demonstradas pelo fisco, passa a protestar pela inexigibilidade dos débitos que, conforme frisa, aparentemente poderiam estar impedindo o reconhecimento do benefício fiscal pretendido. Fazendo referência a conjuntos de provas anexados aos autos, discorre sobre o assunto da seguinte forma: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19647.001204/200694 Acórdão n.º 1301004.238 S1C3T1 Fl. 348 4 "a) Débito em cobrança (CONTACORPJ), correspondente ao IRRF, relativamente ao estabelecimento filial, inscrito no CNPJ n" 11.797.222/000284. Aparentemente, tal suposta cobrança diz respeito a débitos de Imposto de Renda na Fonte com vencimento em 14.06.1995, no valor de R$ 569,69 (...). Caso realmente seja esta a cobrança referida pelo Ilmo. Sr. Fiscal, não há que se falar na exigibilidade de tal suposto débito. Isso porque ele foi devidamente pago no vencimento, conforme demonstra o DA RF anexo (...). Entretanto, tal pagamento foi registrado com código errado na DCTF (...). Isto é, ao invés de ser registrado o código correto constante do DARF (3208), foi equivocadamente colocado o código 8045, o que ocasionou a aparência de que não teria havido o pagamento, haja vista o sistema de confrontações dessa Uma. SRF. Resta patente, portanto a inexigibilidade do suposto débito em comento. b) Processo Fiscal em Cobrança (PROFISÇ), referente a cinco processos com medida judicial pendente de comprovação, relativamente ao estabelecimento matriz, inscrito no CNPJ n° 11.797.222/000101. Aparentemente, tais cobranças se referem aos processos administrativos de n°s: 13406000.174/200141; 13406 000.048/200510; 13406.000.049/200564; 13406000/200599 e 13406000.047/200575. Na hipótese de realmente serem estes os supostos débitos referidos pelo limo. Sr. Fiscal, destaca a Requerente que nenhum deles é exigível. Senão vejamos. O primeiro deles (o de n° 13406000.174/200141) referese ao suposto débito objeto do Mandado de Segurança n° 2000.83.00.0137297 (MAS 79.435PE). Embora o juízo de primeira instância tenha denegado a segurança pleiteada pela Requerente, o Egrégio TRF da 5a Região reformou a sentença de primeiro grau e concedeu o seu direito ao créditoprêmio de IPI e à compensação do mesmo com o próprio IPI e outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (...) Quanto aos outros quatro (04) processos acima referidos (...), referemse a ações nas quais a Requerente persegue créditos que lhes são devidos pela União Federal (...). c) Débito em Cobrança (SIEF), correspondente ao IRRF, relativamente ao estabelecimento matriz, inscrito no CNPJn" 11.797.222/000101. Aparentemente, tal cobrança diz respeito à cobrança originária de IRRF Rendimentos do Trabalho sem vínculo Fl. 348DF CARF MF Processo nº 19647.001204/200694 Acórdão n.º 1301004.238 S1C3T1 Fl. 349 5 empregatício (código 588), com vencimento em 29.12.2004, cujo valor é RS 693,94 (...). Entretanto, tal valor foi integralmente pago pela Requerente, conforme demonstra o DARF anexo (...). d) Inscrição em Cobrança na PGFN, datada de 15.05.2006, relativamente ao estabelecimento matriz, inscrito no CNPJn" 11.797.222/000101. Aparentemente, tal suposta pendência se refere ao processo administrativo n° 10480.012.817/93, inscrito em Divida Ativa em 15.05.2006, sob o n° 4040600023770 e código n° 3615 (outros impostos). Entretanto, tal débito (de 1993) foi parcelado e pago em 60 (sessenta) vezes, consoante demonstra o extrato em anexo (...). A multa foi objeto de análise judicial em que houve depósito judicial nos autos do processo n° 98.0072403 (...). Neste, a Requerente foi sucumbente e o processo encontrase aguardando conversão do depósito em renda da União. Por outro lado, a SRF não pode inscrever um contribuinte em 2006 por um suposto débito de 1993. Dessa forma, além de o débito estar quitado, qualquer diferença hipoteticamente percebida está prescrita, não assistindo à Receita Federal qualquer direito de cobrála e assim, impedir o benefício da Recorrente." Por fim, em face do que expôs, requer primeiramente a reforma da decisão combatida e o reconhecimento do direito ao beneficio fiscal pleiteado, protestando também, caso as razões apresentadas não sejam consideradas suficientes, para que se informe as pendências porventura existentes. Requer ainda, por derradeiro, ajuntada de novos documentos e a produção dos demais meios de prova admitidos em direito. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou improcedente a manifestação apresentada, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 INCENTIVO DE REDUÇÃO SUDENE. RECONHECIMENTO. O reconhecimento pela autoridade tributaria competente do direito ao benefício de redução de tributo está vinculado ao cumprimento pela pessoa jurídica dos requisitos essenciais estabelecidos pela legislação de regência.. Solicitação Indeferida Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19647.001204/200694 Acórdão n.º 1301004.238 S1C3T1 Fl. 350 6 Ciente do acórdão recorrido em 30/08/2007 (fl. 182), e com ele inconformado, a recorrente apresenta recurso voluntário em 28/09/2007 (fl. 183), pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Análise do Recurso Voluntário Tratase o presente processo de pedido de reconhecimento do direito à redução do IRPJ e adicionais, apresentado à Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, calculados com base no lucro de exploração, formalizado mediante o formulário á fl. 02, acompanhado de Laudo Constitutivo (fls. 03/06) e certidões positiva de débitos com efeito de negativa de débito (fl 07/08), além de certidão de regularidade do FGTS (fl.09). De acordo com o Despacho Decisório de fls. 64/65, que teve por base a informação fiscal de fls. 58/63, foi denegado o pedido, por dois argumentos: (i) o inicio do prazo de fruição do benefício seria o do anocalendário de 2003; (ii) identificação de débitos federais no momento da análise do pedido (29/05/2006). Inconformada com a decisão, a requerente apresentada arrazoado, defendendo apenas a regularidade fiscal, não se insurgindo contra o prazo de fruição do benefício, o que se conclui, desde já, salvo eventual matéria de ordem pública, que a lide diz respeito apenas à situação de regularidade fiscal. Após decisão da DRJ, que analisou e indeferiu as razões de defesa apresentadas, a recorrente apresenta recurso voluntário, renovando suas alegações no que pertine à regularidade fiscal, aduzindo que instruiu seu pleito com Certidões expedidas em conjunto, Procuradoria da Fazenda Nacional e Secretaria da Receita Federal, e que se encontravam dentro do prazo de validade, vez que emitida em 14/11/2005 e válida até 13/05/2006. Pelo que se vê, a discussão diz respeito se as Certidões Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa, com validade de 14/11/2005 a 13/05/2006, poderiam (ou não) ser consideradas como prova de regularidade fiscal, pois o julgador a quo, em que pese a existência de tal documento nos autos, constatou que, na data da emissão do Despacho Decisório (15 dias após expirado a validade da aludida Certidão), a situação fiscal da recorrente passou a ser irregular, o que impediria a concessão do benefício fiscal. A regularidade fiscal, como condição para concessão do benefício fiscal, está prevista no artigo 60 da Lei nº 9.069, de 1995, abaixo transcrita: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19647.001204/200694 Acórdão n.º 1301004.238 S1C3T1 Fl. 351 7 administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais." Muito já se discutiu administrativamente em que momento deve o contribuinte comprovar sua regularidade fiscal para obter o direito ao incentivo. De fato, como se observa, a regularidade fiscal depende de vários fatores, inclusive do processamento dos dados nos sistemas da Receita Federal e da PGFN. Não é a toa que as Certidões são emitidas e possuem um prazo de validade, permitindo ao contribuinte a comprovação de sua regularidade fiscal, ainda que de forma presumida, mas independente destas citadas oscilações. De acordo com a Súmula CARF nº 37, admitese a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização, e inclusive mediante apresentação de certidão de regularidade posterior à data da opção. Segue seu teor: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater aos débitos existentes até a data de entrega da declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da regularidade em qualquer momento do processo administrativo, independentemente da época em que tenha ocorrido a regularização, e inclusive mediante apresentação de certidão de regularidade posterior à data da opção." (Destacou se). Ainda que a citada Súmula trate especificamente de PERC, as razões que contribuíram para sua edição se aplicam à discussão aqui presente. Tendo em vista que a Recorrente apresentou, juntamente com seu pedido, Certidões Conjuntas Positivas com Efeitos de Negativas emitidas pela Secretaria da Receita Federal e pela PGFN, com validade de 14/11/2005 até 13/05/2006, concluo que este óbice restou afastado. Como já ressaltado no início deste voto, permanece os termos do Despacho Decisório relacionado ao inicio do prazo de fruição do benefício. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, ressaltando que o inicio do prazo de fruição do benefício será a partir do ano calendário de 2003, posto que a recorrente não se insurgiu contra a parte da decisão (Despacho Decisório) que reduziu o prazo de fruição do benefício. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19647.001204/200694 Acórdão n.º 1301004.238 S1C3T1 Fl. 352 8 Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720122/2011-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Devidamente caracterizado o intuito de fraude, aplica-se a regra geral do art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial.
NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA.
Atendidos os requsitos legais, não há que se falar de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, inclusive aquele referente à diligência preliminar, preparatória e subsidiária de ação fiscal a ser instaurada.
Não há de se falar de cerceamento de defesa no curso da ação fiscal, quando o prazo estipulado no Termo de Início de Procedimento Fiscal éi aquele previsto no art. 844 do RIR/99 (vigente à época dos fatos), observando-se que a prorrogação do prazo para esclarecimentos é faculdade exclusiva da autoridade lançadora, que a seu talante, pode entender que as informações já consignadas nos autos, inclusive aquelas trazidas pelo contribuinte, são suficientes para a formação de sua convicção na constituição do crédito tributário.
Ao contribuinte é dado amplo direito de defesa e ao contraditório, podendo em sede de impugnação na primeira instância e até em sede de recurso voluntário na segunda instância, apresentar todo o conjunto probatório que disponha, inclusive aqueles elementos de prova não apresentados no curso do procedimento fiscal.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
É procedente a glosa de dedução de despesas médicas ou odontológicas quando o contribuinte não comprova a efetividade dos pagamentos, bem assim dos serviços realizados.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
É procedente a qualificação da multa de ofício qualificada no patamar de 150% quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude.
Numero da decisão: 2402-007.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Devidamente caracterizado o intuito de fraude, aplica-se a regra geral do art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Atendidos os requsitos legais, não há que se falar de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, inclusive aquele referente à diligência preliminar, preparatória e subsidiária de ação fiscal a ser instaurada. Não há de se falar de cerceamento de defesa no curso da ação fiscal, quando o prazo estipulado no Termo de Início de Procedimento Fiscal éi aquele previsto no art. 844 do RIR/99 (vigente à época dos fatos), observando-se que a prorrogação do prazo para esclarecimentos é faculdade exclusiva da autoridade lançadora, que a seu talante, pode entender que as informações já consignadas nos autos, inclusive aquelas trazidas pelo contribuinte, são suficientes para a formação de sua convicção na constituição do crédito tributário. Ao contribuinte é dado amplo direito de defesa e ao contraditório, podendo em sede de impugnação na primeira instância e até em sede de recurso voluntário na segunda instância, apresentar todo o conjunto probatório que disponha, inclusive aqueles elementos de prova não apresentados no curso do procedimento fiscal. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. É procedente a glosa de dedução de despesas médicas ou odontológicas quando o contribuinte não comprova a efetividade dos pagamentos, bem assim dos serviços realizados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. É procedente a qualificação da multa de ofício qualificada no patamar de 150% quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude.
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INOCORRÊNCIA. Devidamente caracterizado o intuito de fraude, aplicase a regra geral do art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo decadencial. NULIDADES. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Atendidos os requsitos legais, não há que se falar de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, inclusive aquele referente à diligência preliminar, preparatória e subsidiária de ação fiscal a ser instaurada. Não há de se falar de cerceamento de defesa no curso da ação fiscal, quando o prazo estipulado no Termo de Início de Procedimento Fiscal éi aquele previsto no art. 844 do RIR/99 (vigente à época dos fatos), observandose que a prorrogação do prazo para esclarecimentos é faculdade exclusiva da autoridade lançadora, que a seu talante, pode entender que as informações já consignadas nos autos, inclusive aquelas trazidas pelo contribuinte, são suficientes para a formação de sua convicção na constituição do crédito tributário. Ao contribuinte é dado amplo direito de defesa e ao contraditório, podendo em sede de impugnação na primeira instância e até em sede de recurso voluntário na segunda instância, apresentar todo o conjunto probatório que disponha, inclusive aqueles elementos de prova não apresentados no curso do procedimento fiscal. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. É procedente a glosa de dedução de despesas médicas ou odontológicas quando o contribuinte não comprova a efetividade dos pagamentos, bem assim dos serviços realizados. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 22 /2 01 1- 87 Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16004.720122/201187 Acórdão n.º 2402007.880 S2C4T2 Fl. 193 2 É procedente a qualificação da multa de ofício qualificada no patamar de 150% quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 02/06/2011 mediante o Auto de Infração Imposto de Renda Pessoa Física Anoscalendário 2005, 2006, 2007, 2008 no valor total de R$ 79.270,18 com fulcro em dedução indevida de despesas médicas, conforme discriminado no Termo de Constatação Fiscal. Cientificado do teor da decisão de primeira instância, o impugnante, agora Recorrente, apresentou recurso voluntário, alegando, em apertada síntese: [...] o procedimento de fiscalização é nulo em razão de que foi iniciado antes da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal que o autorizasse; por não ter sido concedida oportunidade razoável e proporcional para apresentação de documentos antes da lavratura do Auto de Infração, já que não foi deferida a prorrogação de prazo, houve cerceamento de defesa, viciando o procedimento de fiscalização e o próprio Auto; a declaração da Unimed Rio Preto, única pseudoprova constante dos autos, foi obtida antes da autorização do MPF para que se fiscalizasse o contribuinte e, portanto, é nula e imprestável como documento probatório; a declaração da Unimed não tem peso de prova, não servindo para demonstrar nada além dos interesses da declarante, não Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16004.720122/201187 Acórdão n.º 2402007.880 S2C4T2 Fl. 194 3 passando de mera alegação sem respaldo em nenhum documento confirmador de seu conteúdo; os valores tributáveis apurados não estão baseados em provas (e nem poderiam), o que vicia a motivação do ato administrativo de lançamento tributário, gerando sua nulidade; os valores relativos a serviços odontológicos foram simplesmente embutidos na base de cálculo, sem qualquer comprovação de sua existência fática, mais um vício do Auto de Infração; não foi produzida sequer uma prova quanto ao eventual agir doloso e fraudulento por parte do contribuinte, razão pela qual não pode o Fisco considerar que o recorrente tenha agido com "evidente intuito de fraude"; em razão de não ter havido dolo nem fraude por parte do contribuinte, o prazo decadencial continua sendo o do artigo 150, § Ll°, do CT, motivo pelo qual o ano de 2005 foi alcançado pela decadência; o crédito tributário não poderia ser constituído, pois já se encontra extinto pela homologação expressa do pagamento, uma vez que as declarações de imposto sobre a renda foram devidamente processadas; por não ser caso de dolo, nem fraude, nem de qualquer outra hipótese prevista no artigo 149, do CTN, não poderia ser realizada revisão de ofício do autolançamento: requerse seja reformada a decisão de primeira instância, reconhecendose as nulidades do procedimento de fiscalização, bem como as nulidades do próprio Auto de Infração, anulando os por completo, em homenagem à legalidade, à vinculação dos atos administrativos, ao devido processo legal, à segurança jurídica, enfim, à Justiça tributária. Caso não se decida pela anulação do procedimento de fiscalização e do auto de infração, requerse o reconhecimento da decadência para o período de 2005 e a desqualificação da multa para 75% (setenta e cinco por cento). [...] Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16004.720122/201187 Acórdão n.º 2402007.880 S2C4T2 Fl. 195 4 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto, dele conheço. Passo à análise. Para uma melhor contextualização da presente lide, resgato o relatório da decisão recorrida: [...] Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual com base nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), foi lavrado em 27/05/2011 o Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, dos anoscalendário 2005 a 2008, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário apurado de R$ 79.270,18, dos quais R$ 27.673,25 correspondem ao Imposto de Renda Pessoa FísicaSuplementar e R$ 41.509,86 Multa de Ofício (passível de redução). O contribuinte em epígrafe foi regularmente intimado para comprovação ou justificação das deduções pleiteadas em sua Declaração (DIRPF), entretanto não o fez integralmente, conseqüentemente procedeuse ao lançamento de ofício originário da apuração das infrações descritas a seguir, identificadas nos dispositivos legais constantes do enquadramento legal. 001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções com despesas médicas, sujeitas a MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%, pleiteadas indevidamente, conforme demonstrado no TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL, o qual é parte integrante do presente Auto de Infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa(%) 31/12/2005 R$ 28.090,00 150,00 31/12/2006 R$ 22.030,00 150,00 31/12/2007 R$ 22.960,00 150,00 31/12/2008 R$ 27.550,00 150,00 A fiscalização emitiu o Termo de Constatação Fiscal, integrante da autuação, cuja transcrição parcial segue: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no curso da ação fiscal no contribuinte acima identificado conforme determinado no Registro de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 08.1.07.002011004650, Fl. 195DF CARF MF Processo nº 16004.720122/201187 Acórdão n.º 2402007.880 S2C4T2 Fl. 196 5 CONSTATAMOS os seguintes fatos abaixo discriminados: 1. A presente ação fiscal foi motivada pelo fato de ter sido observado, nos últimos anos, um crescimento enorme nas despesas com planos de assistência médica e hospitalar declaradas por diversos contribuintes do Imposto de Renda de Pessoa Física, sendo que se constatou, através de uma operação especial desenvolvida nesta DRF, a falta de comprovação dos pagamentos e da efetiva prestação dos serviços declarados. 2. Fato é que muitos beneficiários declararam pagamentos feitos a esses planos de assistência médica e hospitalar e que estes'negaram total ou parcialmente o recebimento de valores pagos e a efetiva prestação de serviços. 3. Em procedimento fiscal levado a efeito junto a Unimed de São José do Rio Preto Cooperativa de Trabalho Médico, CNPJ 45.100.138/000109, conforme Diligência n° 08.1.07.002009012942, desta DRF, a diligenciada, regularmente intimada apresentou Declaração, cuja cópia se encontra em anexo ao presente processo, em que declara para os devidos fins de direito que de acordo com pesquisas em seus sistemas de controle e cadastro, foi encontrado registro onde conste como usuário de serviços médicos deste hospital o Sr. JOSÉ CARLOS BUSTO GALEGO, portador do CPF n° 065.892.75823 e seus dependentes durante os anoscalendário de 2005, 2006, 2007 e 2008 conforme demonstra planilha abaixo. 4. Após análise das DlRPF's Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física do contribuinte acima citado, referente aos anos calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, exercícios financeiros de 2006, 2007, 2008 e 2009, intimamos o contribuinte para comprovar as despesas médicas pleiteadas conforme demonstra a planilha abaixo: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16004.720122/201187 Acórdão n.º 2402007.880 S2C4T2 Fl. 197 6 ... 12. Verificamos que existe um padrão de comportamento no preenchimento nas Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física, de tal forma que o resultado das mesmas seja Imposto a Pagar, variando entre R$ 100,00 e R$ 200,00, conforme demonstra o quadro abaixo: 13.Verificamos também que são bem parecidas as diferenças apuradas entre os valores declarados com os confirmados pela Unimed(tabela abaixo). Isso é uma evidência de que o contribuinte agiu de forma premeditada. [...] Pois bem. Com relação às alegações referentes à nulidade do procedimento fiscal em razão de que foi iniciado antes da expedição do Mandado de Procedimento Fiscal que o autorizasse, e quanto a não ter sido concedida oportunidade razoável e proporcional para apresentação de documentos antes da lavratura do Auto de Infração, já que não foi deferida a prorrogação de prazo, houve cerceamento de defesa, viciando o procedimento de fiscalização e o próprio Auto, impõemse as seguintes considerações: Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16004.720122/201187 Acórdão n.º 2402007.880 S2C4T2 Fl. 198 7 i) o procedimento fiscal iniciouse em 04/05/2011 com a ciência do contribuinte do Termo de Início de Procedimento Fiscal vinculado ao RPF n. 08.1.07.002011 004650. Destarte, restou preenchida a exigência do art. 7º. do Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto, e que o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores pelo período de 60 dias, após o qual a mesma será readquirida se não houver qualquer ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Assim, regularmente regulamente intimado do procedimento fiscal e com a espontaneidade suspensa não há que se falar em vício ou nulidade se foram seguidas as disposições legais pertinentes ao lançamento e à lavratura do auto de infração, contidas no art. 142 do CTN; ii) Não há de se falar de cerceamento de defesa no curso da ação fiscal, vez que o prazo estipulado no Termo de Início de Procedimento Fiscal foi aquele previsto no art. 844 do RIR/99 (vigente à época dos fatos), observandose que a prorrogação do prazo para esclarecimentos é faculdade exclusiva da autoridade lançadora, que a seu talante, pode entender que as informações já consignadas nos autos, inclusive aquelas trazidas pelo contribuinte, são suficientes para a formação de sua convicção na constituição do crédito tributário. De se observar que ao contribuinte é dado amplo direito de defesa e ao contraditório, podendo em sede de impugnação na primeira instância e até em sede de recurso voluntário na segunda instância, apresentar todo o conjunto probatório que disponha, inclusive aqueles elementos de prova não apresentados no curso do procedimento fiscal. Quanto ao questionamento de que a declaração da Unimed Rio Preto é a única pseudoprova constante dos autos e que foi obtida antes da autorização do MPF para que se fiscalizasse o contribuinte, sendo assim nula como elemento de prova, é importante informar que se trata de instituição beneficiária de pagamentos efetuados pelo Recorrente e por este mesmo declarada em suas declarações de ajuste anual Exercícios 2006, 2007, 2008 e 2009. Por sua vez, a circularização feita pela autoridade lançadora se deu no âmbito de Mandado de Procedimento Fiscal Diligência, em caráter preliminar, preparatório e subsidiário à ação fiscal que posteriormente veio a ser materializada em face do Recorrente, não havendo que se falar de nulidade. No que diz respeito aos valores tributáveis apurados pela autoridade lançadora, é de se destacar que estão baseados em informações prestadas pelo próprio Recorrente em suas declarações de ajuste anual Exercícios 2006, 2007, 2008 e 2009 , bem assim na não comprovação das despesas médicas declaradas, conforme previsto na legislação do imposto de renda em vigor na época dos fatos (artigo 8°., II, “a”, da Lei 9.250/95), vez que ausentes os imprescindíveis comprovantes de pagamento que atestem que o Recorrente sofreu, efetivamente, o ônus das despesas declaradas. De se observar que foram admitidas, e ainda assim parcialmente, as despesas médicas atestadas pela Unimed São José do Rio Preto pelos valores discriminados por esta instituição nos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008, acima elencados. As demais despesas médicas foram inteiramente glosadas. Em relação ao advento da decadência, verificase que em virtude de restar constatado evidente intuito de fraude (conduta tipificada no art. 72 da Lei n. 4502/1964) na forma caracterizada pela autoridade lançadora no Termo de Constatação Fiscal, a contagem de decadência ocorre pela regra geral do art. 173, I, do CTN, e, considerando que o lançamento se Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16004.720122/201187 Acórdão n.º 2402007.880 S2C4T2 Fl. 199 8 aperfeiçoou em 02/06/2011, não há que se falar de decadência em face do anocalendário mais distante, ou seja, o de 2005, que, em tese poderia se beneficiar da regra especial do art. 150, § 4°., do CTN, por constar IRRF não glosado pela autoridade lançadora e considerado na base de cálculo do crédito tributário apurado. Com efeito, assim informa a autoridade lançadora: 14 Com base nos fatos narrados acima, o contribuinte, reiteradamente, utilizouse do expediente de incluir despesas médicas inexistentes nas suas declarações com o único intuito de reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda, nos anos calendário de 2005, 2006, 2007 e 2008, exercícios 2006, 2007, 2008, e 2009, ficando caracterizado o evidente intuito de fraude do mesmo. Uma vez caracterizada o evidente intuito de fraude, conforme acima relatado, resta procedente a qualificação da multa prevista no artigo 44, I, §1°., da Lei 9.430/96. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001003/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003, 2004, 2005
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/98, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Nesse sentido, cabe à autoridade lançadora comprovar a ocorrência do fato gerador do imposto, ou seja a aquisição da disponibilidade econômica. Ao contribuinte cabe o ônus de provar que o rendimento tido como omitido tem origem em rendimentos tributados ou isentos, ou que pertence a terceiros.
MULTA. PENALIDADE. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
A sanção prevista pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado pela falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Portanto, a aplicação é devida diante do caráter objetivo e legal da multa aplicada.
APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA. SÚMULA 04.
Segundo consta da Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E MULTA CONFISCATÓRIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-006.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003, 2004, 2005 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/98, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse sentido, cabe à autoridade lançadora comprovar a ocorrência do fato gerador do imposto, ou seja a aquisição da disponibilidade econômica. Ao contribuinte cabe o ônus de provar que o rendimento tido como omitido tem origem em rendimentos tributados ou isentos, ou que pertence a terceiros. MULTA. PENALIDADE. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A sanção prevista pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado pela falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Portanto, a aplicação é devida diante do caráter objetivo e legal da multa aplicada. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA. SÚMULA 04. Segundo consta da Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E MULTA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/98, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesse sentido, cabe à autoridade lançadora comprovar a ocorrência do fato gerador do imposto, ou seja a aquisição da disponibilidade econômica. Ao contribuinte cabe o ônus de provar que o rendimento tido como omitido tem origem em rendimentos tributados ou isentos, ou que pertence a terceiros. MULTA. PENALIDADE. LEGALIDADE. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A sanção prevista pelo art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado pela falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. Portanto, a aplicação é devida diante do caráter objetivo e legal da multa aplicada. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA. SÚMULA 04. Segundo consta da Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI E MULTA CONFISCATÓRIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 10 03 /2 00 7- 73 Fl. 230DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.550 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001003/2007-73 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (Suplente Convocado), Fernanda Melo Leal e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto por ROBERTO TIBALDI NETO contra o Acórdão de primeira instância que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. O Auto de infração refere-se à Imposto de Renda de Pessoa Física, anos- calendários 2002, 2003 e 2004, exercícios de 2003, 2004 e 2005, no qual se apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Acórdão recorrido assim dispõe (e-fls. 138, e seguintes): “As informações acerca do contribuinte nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal revelaram, a priori, incompatibilidade entre os rendimentos insertos nas declarações de ajuste anual e as movimentações financeiras sujeitas à incidência da CPMF. Em 20/06/2006, para elucidar essa situação, lavrou-se 0 Termo de Início de Ação Fiscal (fl. 15), intimando-se o contribuinte a apresentar, no prazo de 20 dias, os extratos bancários relativos às contas bancárias que deram origem à citada movimentação financeira e a comprovar a origem dos recursos creditados nessas contas. A ciência do contribuinte ocorreu em 27/06/2006 (fl. 16). Essa intimação foi posteriormente reiterada, tendo o prazo concedido sido prorrogado a pedido do contribuinte. Transcorrido o prazo adicional, não se observou qualquer manifestação do fiscalizado. Por consequência, nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724/2001, foi emitida, em 20/10/20 Requisição de Informações 6, a sobre Movimentação Financeira (RMF) de fl. 24, endereçada ao Banco Itaú S.A., a qual foi atendida, possibilitando, assim, a continuidade da investigação. Para fins de apuração de eventual omissão de rendimentos, tipificada no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, foram individualizados os valores creditados no curso dos anos-calendário sob exame na conta n° 0745-24315-4/100.000. Fl. 231DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.550 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001003/2007-73 Na individualização e análise dos recursos creditados, expurgaram-se os créditos decorrentes de estornos de lançamentos, de devolução de cheques depositados (quando identificados) e de outros cuja origem foram já consideradas comprovadas. A relação individualizada, por meio do Termo lavrado em 10/01/2007(fl. 64), foi levada ao conhecimento do fiscalizado, para fins de comprovação de sua origem”. Após a decisão de primeira instância ter julgado improcedente a impugnação, o recorrente interpõe Recurso Voluntário nas e-fls. 155 e seguintes, alegando em síntese o seguinte: a) A movimentação havida na conta bancária do contribuinte não significa, necessariamente, ter ocorrido aumento de patrimônio ou renda adicional, uma vez que, como demonstrado, no período em questão - 2002 a 2004 - seu patrimônio teve pequeno aumento, devido sobretudo à doação de sua sogra, expressamente mencionada na declaração de IR 2005; b) Descabida a aplicação de qualquer multa pela simples omissão, pelo contribuinte, ora recorrente, de receita ou rendimentos; c) Descabida a aplicação de juros com base na taxa referencial Selic, pois estes deverão, quando muito, ser calculados com base na TJLP - Taxa de Juros de Longo Prazo. Diante dos fatos narrados é o breve relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha, Relator. O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo, bem como é de competência desse colegiado. Assim, passo a analisar o mérito. DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL SEM ORDEM JUDICIAL Quanto a essa matéria, sem reparos a decisão da DRJ de origem. Após amplo debate sobre o tema perante os Tribunais administrativo e judicial brasileiro, o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. A Suprema Corte lançou o entendimento no RE n.º 601.314/SP 1 , decidido sob o rito da repercussão geral, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em 1 No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Fl. 232DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.550 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001003/2007-73 transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados. Assim, não assiste razão o recorrente. DO MÉRITO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS A fiscalização constituiu crédito tributário pela presunção legal de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada. Por sua vez o recorrente alega que: “nem todo ingresso financeiro é acréscimo patrimonial, tem que analisar cada caso concreto para verificar se houve ou não este acréscimo. E os depósitos bancários por si só não caracterizam renda”. Ainda, aduz que a movimentação financeira por si só não é capaz de dar lastro ao lançamento fiscal. Entendo que tais argumentos são meras alegações, sem lastro capaz de afastar os apontamentos de omissão de rendimento feitos pela fiscalização. Nesse sentido, o lançamento tem por fundamento o art. 42, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim transcrito: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em Fl. 233DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.550 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001003/2007-73 separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares”. O imposto de renda tem como fato gerador a disposição de renda, conforme dispositivos citados abaixo, em especial no artigo 43, da Lei, lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966-CTN, e demais legislações, conforme transcrição abaixo: Lei nº 5.172/66 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. "Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei". Assim, verificada a omissão de rendimentos sem que se tenha havido a comprovação da origem dos valores, apesar da tentativa do recorrente em demonstrar a licitude das operações, faltou documentos hábeis e idôneos para dar lastro às suas alegações, devendo o lançamento deve ser mantido por falta de comprovação de sua origem. Diferentemente do que entende o recorrente o conceito de renda e rendimento ou a sua disponibilidade decorre da intepretação fiel aos dispositivos acima citados. A Lei que trata do tributo é a Lei Complementar, justamente o CTN, recepcionado pela CF de 88 como tal, e a Lei que impõe as condições e a ocorrência do fato gerador é a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Inexiste vício na aplicação das normas. Para Hugo de Brito Machado “renda é sempre um produto, um resultado, quer do trabalho, quer do capital, quer da combinação desses dois. Os demais acréscimos patrimoniais que não se comportem no conceito de renda são proventos. (...) Não há renda, nem provento, sem que haja acréscimo patrimonial, pois o CNT adotou expressamente o conceito de renda como acréscimo (...)” 2 . Portanto, para que já incidência do IR tem que haver disponibilidade econômica, que nada mais é do que possibilidade de usar ou dispor de dinheiro ou “coisas” conversíveis. Já a disponibilidade jurídica é a disposição de direito de créditos, ou seja “ter” o direito de forma abstrata. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário, 29, ed. Malheiros, São Paulo, 2009, pp. 314. Fl. 234DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.550 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001003/2007-73 A jurisprudência desse conselho é pacifica, quanto ao tema: Ementa(s) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Com o julgamento definitivo do RE 601.314 pelo STF, em 24/02/2016, com repercussão geral reconhecida, foi fixado o entendimento acerca da constitucionalidade da Lei Complementar 105/2001, bem como sua aplicação retroativa, não havendo que se falar em obtenção de prova ilícita na Requisição de Movimentação Financeira às instituições de crédito. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Devem ser excluídos da base de cálculo do tributo os valores já oferecidos à tributação. MULTA AGRAVADA. AUSÊNCIA DE ATENDIMENTO DA INTIMAÇÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Não cabe o agravamento da multa de ofício em caso de não atendimento da intimação para prestar esclarecimentos, nos casos em que já há o ônus de produção de prova em contrário, sob pena de se presumir a omissão de rendimentos constante de depósitos bancários de origem não comprovada. (Acórdão n.º 1302-002.618, Sessão de julgamento de 12/03/2018, Conselheiro Relator Rogerio Aparecido Gil, 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária). As alegações do recorrente dizem respeito a somente a mera alegações, deixando de apresentar provas de suas afirmações. Ademais, a Súmula CARF n.º 26, assim dispõe: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Vale lembrar ainda que a comprovação da origem dos recursos deve se dar de forma individualizada, ou seja, há que existir correspondência de datas e valores constantes da movimentação bancária com os documentos apresentados, a fim de que exista certeza inequívoca da procedência das importâncias movimentadas (§ 3º do art. 42 da Lei 9.430/1996). Nesse sentido, acompanho a decisão de primeira instância, já que a prova do direito é de quem alega e nesse caso, caberia à recorrente apresentar as provas de sua alegação, uma vez que em processo tributário o ônus da prova é do contribuinte, quando acusado. Fato esse que não ocorreu. Fl. 235DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.550 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001003/2007-73 Em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei”. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: “Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Encontra-se sedimentada a jurisprudência deste Conselho neste sentido, consoante se verifica pelo decisum abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano- calendário: 2005 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. (...) (Acórdão nº 3803004.284 – 3ª Turma Especial. Sessão de 26 de junho de 2013, grifou- se). Assim, não assiste razão o recorrente. DA APLICAÇÃO DA MULTA Alega o recorrente que a seria indevida a exigência da multa em decorrência da simples omissão de rendimentos pelo contribuinte. Ocorre que a multa é vinculada e não facultativa. a multa visa penalizar uma impontualidade ou justamente a omissão por parte de contribuintes que deixam de recolher o valor do tributo devido. Foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75%, com base no artigo 44, e incisos, da Lei n.° 9.430/96, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”; Assim, diante das normas tributárias que determina a incidência da multa como no caso dos autos, inviável se falar em afastamento de multa. DA APLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE JUROS DE MORA E DA MULTA CONFISCATÓRIA Mais uma vez, não assiste razão o recorrente ao pedir aplicação de índice de juros diverso da taxa Selic. Fl. 236DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.550 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001003/2007-73 Isso porque, a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) foi criada pela Lei nº 9065/95, que teve sua origem na Medida Provisória n.º 947, de 22.03.1995 (reeditada sob ns. 972/95, em 20.04.95, e 998, em 19.05.95), do qual o artigo 13 assim dispõe: "Artigo 13 - A partir de 1º de abril de 1995 os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei n. 8847, de 28 de janeiro de 1994 com redação dada pelo artigo 6º da Lei n. 8850, de 28 de janeiro de 1994 e pelo artigo 90 da Lei 8981/95 o artigo 84, inciso I, e o artigo 91, § único, alínea " a.2", da Lei 8981/95, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC - para títulos federais, acumulada mensalmente." Posteriormente, o Congresso Nacional transformou a MP na Lei nº 9.065/95. Portanto, a taxa SELIC é a taxa referencial oficial para aplicação dos tributos da União, conforme prevê, no art. 5º, §3º, e no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, as seguintes disposições: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (…) §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (…) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento". A súmula CARF n.º 04 pacificou o entendimento da aplicação da taxa SELIC, senão vejamos: "Súmula 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais". O Superior Tribunal de Justiça, em repercussão geral, nos moldes do artigo 543- C, do antigo CPC de 1973, manifestou o seguinte entendimento acerca da matéria: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO EM LEI ESTADUAL. ART. 535, II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 2. A Taxa SELIC é legítima como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de Lei Estadual que determina a adoção dos mesmos critérios adotados na correção dos débitos fiscais federais. (...)”. (STJ. Resp 879844. Min. Rel. Luiz Fux. Dje 25/11/2009) (g. N.). Fl. 237DF CARF MF http://www.jusbrasil.com.br/topicos/27996164/artigo-543c-da-lei-n-5869-de-11-de-janeiro-de-1973 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/27996164/artigo-543c-da-lei-n-5869-de-11-de-janeiro-de-1973 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91735/c%C3%B3digo-processo-civil-lei-5869-73 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/27996164/artigo-543c-da-lei-n-5869-de-11-de-janeiro-de-1973 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91735/c%C3%B3digo-processo-civil-lei-5869-73 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10679381/artigo-535-da-lei-n-5869-de-11-de-janeiro-de-1973 http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10679306/inciso-ii-do-artigo-535-da-lei-n-5869-de-11-de-janeiro-de-1973 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/91735/c%C3%B3digo-processo-civil-lei-5869-73 Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.550 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.001003/2007-73 Assim, a presente taxa de atualização de tributo federal devida é a taxa Selic. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para no mérito NEGAR PROVIMENTO, promovendo a manutenção da decisão de primeira instância. (documento assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 238DF CARF MF
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Numero do processo: 13727.000081/2003-55
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS LIQUIDADAS MEDIANTE COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. PRAZO PARA REVISÃO.
O Fisco tem o prazo de 5 (cinco) anos, contados da entrega da Declaração de Compensação - DCOMP, para verificar a existência, suficiência e disponibilidade do saldo negativo utilizado, inclusive no que se refere às estimativas liquidadas mediante compensação escritural, com créditos de mesma espécie, para a qual era dispensada a apresentação de pedido ou declaração de compensação.
Numero da decisão: 9101-004.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Amélia Wakako Morishita Yamamoto (relatora), Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
Andrea Duek Simantob Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora
(documento assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausentes, momentaneamente, o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS LIQUIDADAS MEDIANTE COMPENSAÇÃO ESCRITURAL. PRAZO PARA REVISÃO. O Fisco tem o prazo de 5 (cinco) anos, contados da entrega da Declaração de Compensação - DCOMP, para verificar a existência, suficiência e disponibilidade do saldo negativo utilizado, inclusive no que se refere às estimativas liquidadas mediante compensação escritural, com créditos de mesma espécie, para a qual era dispensada a apresentação de pedido ou declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Amélia Wakako Morishita Yamamoto (relatora), Cristiane Silva Costa e Lívia De Carli Germano, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) Andrea Duek Simantob – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto – Relatora (documento assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 72 7. 00 00 81 /2 00 3- 55 Fl. 1899DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-004.516 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13727.000081/2003-55 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). Ausentes, momentaneamente, o conselheiro Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Trata-se de Recurso Especial de Divergência (fls. 187/194) interposto pela Contribuinte contra o acórdão 1301-001.703 da 1° Turma da 3° Câmara que restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2008 PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ART. 170 DO CTN. Nos termos do art. 170 do CTN, para a homologação de compensação o contribuinte deve demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. SALDO NEGATIVO DE IRPJ/CSLL. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ e da CSLL, a serem regularmente comprovados pelo sujeito passivo, quando objeto de declaração de compensação ou compensação direta (DCTF), devendo, para tanto, ser mantida a documentação pertinente até que encerrados os processos que tratam da utilização daquele crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e o acórdão paradigma nº 1801-002.190, de 25/11/2014 e 1402-001.736, de 29/07/2014, no tocante à aplicação do prazo de homologação tácita das compensações que deram origem ao saldo negativo quando o Fisco deixa de efetuar o lançamento de ofício. Acórdão paradigma nº 1801-002.190: COMPENSAÇÃO POR ENCONTRO DE CONTAS EM DCTF. REGIME DO ART. 66 DA LEI Nº 8.383/1991. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA A GLOSA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A glosa de compensações efetuada por meio de encontro de contas em DCTF deve ser realizada mediante lançamento de ofício, nos termos do art. 142, e no Fl. 1900DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-004.516 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13727.000081/2003-55 prazo do art. 150, §4º, ambos do CTN. Se não houve lançamento de ofício a compensação deve ser tida por tacitamente homologada e considerada na composição do saldo negativo. Acórdão paradigma nº 1402-001.736: NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (CTN, art. 156, II). DISCORDÂNCIA DA FAZENDA PÚBLICA. INEXISTÊNCIA DE REGULAR ATO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA DA COBRANÇA. Discordando a Fazenda Pública do procedimento de compensação levado a efeito pelo contribuinte, é mister proceder-se à lavratura do ato de lançamento de ofício visto que o crédito tributário anteriormente declarado pelo contribuinte, por força do direito que a lei lhe outorgou, foi por este liquidado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA DO ANO DE 1997. ESTIMATIVAS DO ANO DE 1997 COMPENSADAS COM SALDO NEGATIVO DE IRPJ DE PERÍODO ANTERIOR (ANO DE 1996). COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. INEXISTÊNCIA DE REGULAR ATO DE LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Na inexistência de regular ato de lançamento alterando o saldo negativo apurado pelo contribuinte, incabível a glosa das estimativas compensadas com saldo negativo de IRPJ de período anterior, principalmente na hipótese de já houver transcorrido o prazo decadencial do direito de lançar as irregularidades apuradas na determinação do lucro líquido e do real. Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial O despacho de admissibilidade, de fls. 1872 e ss, fora dado seguimento ao recurso dado o dissenso jurisprudencial nos seguintes termos: Examinando os acórdãos apresentados como paradigmas, na íntegra, verifica-se que tratam de situações similares à analisada no acórdão recorrido, com conclusões distintas. Os acórdãos paradigmas, ao analisarem a glosa de compensação de estimativas mensais que compunham o saldo negativo de IRPJ, objeto de pedido de compensação com saldos de exercícios anteriores considerados inexistentes ou insuficientes, entenderam que uma vez transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem que o Fisco procedesse ao lançamento das irregularidades apontadas, impunha-se a homologação dos valores extintos por compensação. O acórdão recorrido, por sua vez, também analisou a glosa de compensação de estimativas mensais que compunham o saldo negativo de IRPJ, objeto de pedido de compensação com saldos de exercícios anteriores considerados inexistentes ou insuficientes e entendeu que os saldos negativos de IRPJ e CSLL não se submetem ao prazo de homologação tácita, cabendo ao sujeito passivo comprovar o direito creditório pleiteado mediante a apresentação de documentação pertinente. Assim, entendo que restou caracterizada a divergência jurisprudencial alegada. Contrarrazões da PGFN Devidamente cientificada, a PGFN apresentou suas contrarrazões, às fls. 1876 e ss, e pugna pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 1901DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-004.516 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13727.000081/2003-55 Voto Vencido Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. Recurso Especial da PGFN Conhecimento Quanto ao conhecimento não há nenhuma ressalva por parte da PGFN. Entendo que os paradigmas apresentados e admitidos demostram a divergência. Assim, adoto as razões do despacho de admissibilidade para conhecimento do Recurso Especial, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei 9.784/99. Mérito Breve Síntese: Com base em alegados SALDOS CREDORES de IRPJ e de CSLL apurados no ano calendário de 2002, a interessada apresentou diversas DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO, no intuito de liquidar débitos referentes a tributos administrados pela Receita Federal. Entendendo que o crédito pleiteado pelo contribuinte não estava revestido dos necessários atributos de liquidez e certeza, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu (RJ) deixou de homologar, num primeiro momento, as compensações formuladas em papel de 07/05/2003 (original fls. 1/2); de 26/09/2006 (retificadora fls. 12/13); 13/05/2003 (fls. 05/06 e 07/08). A recorrente apresentou DIPJ 2003 retificadora em 27/03/2008, antes de ter sido cientificada. A DRJ verificou toda a documentação, identificou a necessidade da DRF se pronunciar acerca de cada DComp, inclusive reconheceu a homologação tácita em algumas delas, fls. 797: Pois bem. CONSIDERANDO: (i) que a ciência do primeiro despacho decisório se deu em 10/04/2008 (AR fl. 64); (ii) que a ciência do segundo despacho decisório ocorreu em 17/04/2009 (AR fl. 523); e (iii) que, na hipótese de retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo de homologação passa a ser a data da apresentação da retificadora (art. 60 da Instrução Normativa SRF no 600, de 28/12/2005); DEVO CONCLUIR que as compensações objeto das PER/DCOMPs de n° 39756.25947.180603.1.3.03-0454 (fls. 81/84) e de no 24003.60469.180603.1.3.02-5003 (fls. 85/88) já se encontram tacitamente homologadas: Fl. 1902DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-004.516 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13727.000081/2003-55 Ocorre porém que ela identificou as antecipações mensais quitadas em 2002 mediante DCTF: Fl. 1903DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-004.516 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13727.000081/2003-55 No entanto, não considerou as compensações pois a interessada não trouxe nenhum documento que identificasse, de forma clara, a origem do crédito utilizado. E assim, também entendeu a decisão recorrida, de que o credito apresentado pelo recorrente não possuía liquidez e certeza nos termos do art. 170 do CTN. Ainda que o contribuinte tivesse apresentado juntamente com o Recurso Voluntário, documentação vasta dos volumes 4 a 8 deste autos, que se referem a toda explicação encontrada no próprio recurso. O recorrente demonstra desde 1998 a geração inicial do crédito de saldo negativo, que vai sendo utilizado ano a ano até o período em questão, 2002. De fato, não há razões contábeis como queria o acórdão recorrido. Tratou, também de questão nova trazida aos autos acerca da homologação tácita Constata-se do voto recorrido que os saldos credores de IRPJ e CSLL apurados pela recorrente devem-se, exclusivamente, a recolhimentos de estimativas mensais e, de acordo com as informações prestadas nas DCTFs as estimativas teriam sido quitadas, em parte por pagamentos efetuados através de Darf, em parte por compensações efetuadas com outros créditos, decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior. Logo o reconhecimento do direito creditório exige a comprovação da apuração e liquidação das referidas estimativas e, foi exatamente o que foi feito pela decisão recorrida à vista das informações prestadas pelo próprio contribuinte. Enfim, não logrando o interessado apresentar elementos que comprovem a totalidade do crédito que alega possuir frente à Fazenda, é de se reconhecer o seu direito creditório apenas em relação à parcela reputada líquida e certa pela autoridade fiscal. Ressalte-se, que na sessão de julgamento do dia 23/10/2014, a recorrente representada por novos signatários (advogados) protocoliza memorial aduzindo, em síntese, "da impossibilidade da glosa de compensação realizada diretamente em DCTF após o prazo do art. 150, § 4°, do CTN." O “prazo de homologação tácita” alegado pelo contribuinte que seria de cinco anos, corresponderia ao mesmo prazo decadencial para o lançamento (constituição da obrigação tributária), previsto no CTN. Indica como paradigma recente julgado desta mesma Turma (Acórdão 1301-001.633, de 28/08/2014). Este tema não foi objeto de apreciação em primeira instância pois não ventilado na impugnação. Entretanto, por se tratar de matéria de ordem pública, passemos a análise. Fl. 1904DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-004.516 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13727.000081/2003-55 É certo que a decadência opera no sentido do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas. Em conseqüência, após cinco anos passados da ocorrência do fato gerador, o Fisco não mais poderá formalizar lançamento para exigência de crédito tributário e impor penalidades, ou seja, constituir exigências tributária, nos exatos termos do 150, § 4o. do CTN, conforme alegação da recorrente. Ademais: O ponto aqui que deve ser analisado, é que estamos tratando de compensações efetuadas antes de 30/10/2002, onde foram efetuadas diretamente na DCTF do contribuinte. E a análise efetuada pela DRJ muito bem analisa tais pontos e reconhece tais compensações, apenas não aceita tais créditos diante da não apresentação da sua origem. Declaração de voto da Conselheira Cristiane Silva Costa 9101-0002.548: Portanto, o caso dos autos, no ponto em que chega a esta Turma para julgamento, trata especificamente da negativa de reconhecimento de crédito tributário (saldo negativo do ano de 2002) pela falta de comprovação por meio de escrituração contábil dos valores de estimativa mensal, devidamente declaradas em DCTF, compensadas na forma então permitida, com saldo negativo do ano anterior (2001). Com efeito, apenas a Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, previu a apresentação de declaração de compensação, posteriormente aos fatos em análise nos presentes autos. A vigência da MP 66/2002 só ocorreu a partir de 30 de agosto de 2002, como previsto no artigo 63, da citada Medida Provisória. Pois bem. A alegação do contribuinte da compensação informada em DCTF em 2001 das estimativas mensais dos meses de janeiro, fevereiro, março e maio de 2002 com saldo negativo de 2001 é confirmada pelo extrato SIEF às fls. 2.251/2.252 dos autos. Com efeito, consta deste extrato a existência e compensações, com origem em saldo negativo, devidamente declarado em DCTF nos meses: 01/2002, 02/2002, 03/2002, 05/2002. Se por hipótese não fosse homologada a compensação das estimativas em análise apresentadas entre janeiro e maio de 2002, a Procuradoria da Fazenda Nacional deveria executar os valores respectivos pelos meios próprios (Parecer PGFN/CAT nº 88/2014). Veja-se, mas tal procedimento dependeria da negativa da compensação, no prazo legal, qual seja, 5 (cinco) anos. Como me manifestei em oportunidades anteriores, o prazo para homologação de compensação, mesmo antes da alteração do artigo 74 pela Medida Provisória nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), era de 5 (anos), pela aplicação do artigo 156, §4º, do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, proferi voto vencido no acórdão nº 9101-002.540 (processo administrativo nº 10880.003395/99-56). Aliás, a Medida Provisória nº 2.158/2001 veio prever que: Art.90.Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Diante disso, se não lançadas eventuais diferenças no caso das estimativas de janeiro a maio de 2001, há que se concluir pela sua homologação tácita. Sem que tenhamos conhecimento de qualquer negativa da compensação ou de lançamento de diferença apurada pela Receita Federal, é defeso exigir-se do contribuinte a comprovação escritural do saldo negativo de 2001, depois do prazo legal para guarda de livros fiscais daquele ano calendário. Sobreleva considerar que o artigo 90, da MP 2.158/2001 modificou-se com a publicação da Lei nº 10.833/2003, para então estabelecer que somente a multa deveria ser lançada caso apuradas diferenças, disposição coerente com Fl. 1905DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-004.516 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13727.000081/2003-55 o artigo 74, §5º, com redação conferida pela mesma Lei (que explicitou a homologação tácita das compensações no prazo de 5 anos). De toda sorte, em 2002 a DCTF tinha natureza de confissão de dívida das estimativas (de janeiro, fevereiro, março e maio de 2002), conforme artigo 5º, §1º, do Decreto Lei nº 2.124/1984 e de Instruções Normativas da Receita Federal. Diante disso, caso não houvesse crédito a compensar a despeito da informação em DCTF caberia à Receita Federal efetuar lançamento destas diferenças na forma definida pela MP 2.158/2001. Sem que tenha efetuado qualquer cobrança ou ausente informação nos autos a esse respeito há que se prestigiar a segurança jurídica e a imutabilidade daquela DCTF, que constituiu o débito da estimativa (de janeiro a maio de 2002) e informou a existência de compensação. Após o prazo de 5 (cinco) anos, assim, é vedada exigência de comprovação escritural do crédito que originou as compensações, isto é, do saldo negativo de 2001. Pondero que não adoto integralmente o entendimento do ex-Conselheiro Carlos Pelá, manifestado no acórdão recorrido, no que tange à impossibilidade de análise da composição do saldo negativo após o transcurso de 5 (cinco) anos. Como citado por aquele ex-Conselheiro: "De um modo geral, para verificar a legitimidade dos saldos negativos de IRPJ e CSLL pleiteados pelos contribuintes, o Fisco (i) revisa as bases de cálculo apuradas pelo contribuinte por meio da análise de sua escrituração comercial e fiscal; (ii) confirmar os valores relativos às retenções na fonte sofridas pelo contribuinte e verifica se os respectivos rendimentos foram devidamente submetidos à tributação em sua DIPJ; e (iii) confirma os recolhimentos relativos às antecipações de IRPJ e CSLL pagas ao longo do ano-calendário em questão. De fato, não é possível, após o prazo de 5 (cinco) anos a revisão da base de cálculo apurada pelo contribuinte, devidamente declarada à Receita Federal pelos meios próprios, notadamente declarações com efeito de confissão de dívida (item "a" mencionado acima). De outro lado, entendo perfeitamente possível a confirmação de retenções na fonte e recolhimentos relativos às antecipações de IRPJ e CSLL extintas ao longo do ano- calendário (2002). Ocorre que há limitações a estas confirmações (retenção e estimativas mensais extintas), como tratado em razões acima. Assim, não é possível após o transcurso de 5 (cinco) anos, exigir escrituração contábil, quando os valores foram devidamente declarados por meio cabível (DCTF), com efeito de confissão de dívida, como é o caso dos autos. Diante disso, voto por dar provimento ao recurso especial, para reconhecer a existência de saldo negativo relativamente às estimativas acima enumeradas (janeiro, fevereiro, março e maio de 2002), devidamente informadas em DCTF. Dessa forma, reconheço a existência do saldo negativo relativo às estimativas mensais de IRPJ (março a agosto de 2002) e CSLL (março a junho de 2002) devidamente informadas em DCTF. Conclusão Diante do exposto, conheço do RECURSO ESPECIAL do Contribuinte, para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1906DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-004.516 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13727.000081/2003-55 Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa – Redatora designada. A I. Relatora restou vencida em seu entendimento favorável ao provimento do recurso especial, pautado na impossibilidade de o Fisco questionar a liquidação por compensação das estimativas integradas aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano-calendário 2002, destinados a compensações declaradas a partir de 07/05/2003 e objeto de não-homologação em despacho cientificado à Contribuinte em 10/04/2008, complementado em 17/04/2009 em relação a outras Declarações de Compensação – DCOMP vinculadas ao mesmo crédito. Como bem relatado, estimativas de IRPJ e CSLL do ano-calendário 2002, vencidas antes de 30/10/2002, foram glosadas na apuração dos saldos negativos porque a Contribuinte não comprovou os direitos creditórios utilizados para liquidá-las por meio de compensação. Tais compensações, de fato, se promovidas com direitos creditórios de mesma espécie, não exigiriam a apresentação de pedido ou declaração de compensação, conforme autorizava o art. 66 da Lei nº 8.383/91, até ser derrogado pela alteração promovida no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002. E, para questioná-las, deveria o Fisco observar, em regra, o prazo decadencial para revisão dos registros escriturais do sujeito passivo, na forma do art. 150, §4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN. Contudo, os débitos assim liquidados representam antecipações que compõem o saldo negativo utilizado em compensação a partir de 07/05/2003, mediante apresentação de DCOMP. E, na forma do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, o prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Significa dizer que, ao apresentar DCOMP destinando direito creditório à extinção de outros débitos, o sujeito passivo submete-se ao regramento vigente que confere ao Fisco o prazo de 5 (cinco) anos, a partir da data de entrega da DCOMP, para verificar a existência, suficiência e disponibilidade do crédito utilizado, o que implica a possibilidade de a autoridade fiscal questionar, nesse prazo, os elementos de sua apuração, em especial as antecipações promovidas no ano-calendário, na hipótese de o direito creditório se referir a saldo negativo de IRPJ ou CSLL. Dessa forma, se questionado antes do decurso do prazo de homologação tácita previsto no referido art. 74, §5º, o sujeito passivo deve, necessariamente, provar como liquidou as antecipações que, confrontadas com o tributo devido no ano-calendário, formam o saldo negativo utilizado em compensação mediante DCOMP. Frise-se que a alegada homologação tácita das compensações escriturais das estimativas ainda não havia se verificado à época em que o sujeito passivo iniciou a apresentação das DCOMP, em 07/05/2003. Logo, ao pretender se valer da nova modalidade de compensação criada com a Medida Provisória nº 66, de 2002, o sujeito passivo submete-se ao prazo que passou a ser nela estabelecido para conferência do direito creditório utilizado. Ademais, é pacífico o entendimento de que o Fisco pode questionar as antecipações que compõem o saldo negativo, como é o caso, também, das retenções sofridas no período, passíveis de glosa se o sujeito passivo não provar, quando questionado antes do prazo Fl. 1907DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-004.516 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13727.000081/2003-55 de homologação tácita da DCOMP, não só que arcou com as retenções, como também que ofereceu os rendimentos correspondentes à tributação. Neste sentido é a Súmula CARF nº 80: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1202-00.459, de 25/01/2011 Acórdão nº 1103-00.268, de 03/08/2010 Acórdão nº 1802-00.495, de 05/07/2010 Acórdão nº 1103-00.194, de 18/05/2010 Acórdão nº 105-17.403, de 04/02/2009 Acórdão nº 101-96.819, de 28/06/2008 Assim, se o sujeito passivo não prova as antecipações, correta a glosa, nos saldos negativos utilizados, das estimativas liquidadas por meio de compensação escritural, subsistindo a não-homologação das compensações acerca das quais a autoridade julgadora de 1ª instância afastou a ocorrência de homologação tácita, e que não foram alcançadas pelo direito creditório reconhecido naquela decisão. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso especial da Contribuinte. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 1908DF CARF MF
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Numero do processo: 12142.000185/2008-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem informe a data de protocolo das compensações realizadas.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem informe a data de protocolo das compensações realizadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão embargada: "Adoto o relatório da decisão de primeira instância: ‘Trata-se de Compensações (fls. 3/9) — não-homologadas - de débitos de Cofins, efetuadas por meio da DCTF, relativos ao período de apuração de 04 (parte) a 06/1999 e de 08 a 12/1999 (vide despacho às fls. 163), com créditos oriundos de ação judicial, relativos a pagamentos, considerados indevidos ou a maior que o devido, a título de Finsocial, no período de apuração de setembro de 1989 a março de 1992. A autoridade fiscal, com base no Relatório Fiscal / Despacho Decisório de fls. 151/158, decidiu não homologar as compensações efetuadas, por entender que a contribuinte não possuía o direito creditório declarado, pois o crédito de Finsocial do interessado foi totalmente utilizado em compensações de débitos de cofins de períodos de apuração anteriores. Encaminhou, então, os débitos não compensados à cobrança (fls. 164). Cientificada da decisão e da Carta de Cobrança (fl. 165), em 22/10/08, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 174/197), em 18/11/08, tecendo alegações a respeito da decisão judicial que reconhecera o seu crédito, especialmente que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 21 42 .0 00 18 5/ 20 08 -8 2 Fl. 743DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.298 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12142.000185/2008-82 1. O direito ao crédito já foi reconhecido pelo Judiciário, nos autos do processo n° 94.0014850-0, em que postulou o direito à repetição de indébito dos valores cobrados a título de Finsocial acima dos estabelecidos pelo Decreto-Lei n° 1.940/82; 2. Após o trânsito em julgado da decisão impetrou mandado de segurança a fim de obter provimento reconhecendo seu direito de compensar o crédito de Finsocial com parcelas vencidas e vincendas de cofins; 3. A decisão nos autos do MS n° 1999.5101.019396-5 é que fixou os indexadores a serem utilizados para efeitos de correção monetária dos créditos de Finsocial a serem ressarcidos, pois a decisão nos autos da ação ordinária (processo n° 94.0014850-0) apenas fixou o termo inicial da correção; 4. O ato de não-homologação, ora impugnado, consubstancia flagrante descumprimento da decisão emanada do Poder Judiciário em favor da requerente. A impugnante apoia seus argumentos na jurisprudência do STJ e do Conselho de Contribuintes, requerendo, ao final, homologação das compensações efetuadas. A contribuinte impetrou o Mandado de Segurança n° 2008.5101022485-0, TRF/RJ, para ver sua Manifestação de Inconformidade, recebida no rito do PAF (Decreto n° 70.235/72). A liminar finalmente concedida (fl. 336), expressou o entendimento de que a situação apresentada não se enquadra na hipótese prevista no art. 74, § 13 da Lei n° 9.430/96. E, assim, reconheceu o direito de o contribuinte ver processada sua manifestação de inconformidade, e, conseqüentemente, suspensa a exigibilidade dos débitos compensados.’ A DRJ no Rio de Janeiro (RJ) julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o Acórdão n° 13-25.657, de 16/07/09, foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999 Compensação. Judicialmente Definida. Rediscutir Administrativamente. Impossível. O esgotamento do crédito, judicialmente reconhecido e definido em seu quantum debeatur, em razão de compensações anteriores, determina a não-homologação de novas compensações declaradas, sendo incabível a reabertura da discussão, na esfera administrativa, de seu montante. Solicitação Indeferida Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Em sede de preliminar, alega que ocorreu a homologação tácita das compensações. No mérito, além do já aduzido na manifestação de inconformidade, contesta a cobrança de juros sobre multa de mora.” Em 29/01/19, houve o julgamento recurso voluntário, que não foi conhecido e cuja ementa foi a seguinte (Acórdão n° 3301-005.615): “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/1999 COMPENSAÇÕES ADMITIDAS. DÉBITOS EXTINTOS Deve ser extinto o presente feito, uma vez que a unidade de origem emitiu Despacho, declarando terem sido admitidas as compensações em discussão e, consequentemente, extintos os créditos tributários.” Fl. 744DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.298 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12142.000185/2008-82 Em 11/03/19, a unidade de origem juntou aos autos Despacho (fls. 738 e 739), devolvendo o processo para o CARF, para novo julgamento. Alegou que a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301-005.615 foi motivada por informação contida no Despacho das fls 690 e 691, que dispunha que os débitos controlados no presente processo já haviam sido extintos por meio de compensação com os créditos tratados no PA n° 12142-000.286/2007-72. Contudo, à época, já havia notícia nos autos (fls., 696 a 702) de que fora prolatada decisão judicial desautorizando tal compensação. O Presidente dispensou ao Despacho das fls. 738 e 739 o tratamento de embargos inominados e admitiu-os. Os embargos foram então distribuídos para minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d’Oliveira Esta turma decidiu não conhecer do recurso voluntário, em razão da aplicação da declaração contida no Despacho das fls. 690 e 691, que dispõe que os débitos da COFINS controlados no presente (abril a junho, agosto a outubro e dezembro de 2005) já haviam sido extintos por compensação com os créditos reconhecidos no processo administrativo (PA) n° 12142-000.286/2007-72. Entretanto, na data do julgamento, já havia notícia nos autos ( fls. 696 a 702) de que fora prolatada decisão judicial desautorizando tal compensação. Extraio os seguintes excertos dos Despachos das fls 690 e 691 e das fls. 738 e 739 (recebido como embargos inominados), para instruir a decisão pelo acolhimento dos embargos: “Despacho das fls 690 e 691 (. . .) Em 27/11/2013, foi emitido às fls. 843/847 do processo n° 12142-000.286/2007-72 o Acórdão n° 3403-002.624 (cópia às fls. 670/674 do presente processo), que deu provimento ao recurso voluntário interposto às fls. 666/690 daquele processo para reconhecer que devem ser aplicados, na atualização do indébito a que tem direito o contribuinte, os índices de correção fixados na decisão final do Mandado de Segurança n' 1999.51.01.0193965. Desta forma, o direito creditório foi recalculado pela Equipe de Pareceristas desta DIORT (fls. 675/677) e as compensações foram operacionalizadas, até o limite do valor ora reconhecido, de forma que os débitos do processo n° 12142-000.185/2008-82 foram integralmente extintos, vide demonstrativos de fls. 678/686, despacho de fl. 687 e extrato de fls. 688/689. (. . .)” (g.n.) “Despacho das fls. 738 e 739 (. . .) Conforme disposto no despacho de fls. 690/691, em 21/07/2017, os débitos do processo nº 12142-000.185/2008-82 haviam sido extintos através de procedimento de compensação realizado com o direito creditório reconhecido no processo nº 12142- 000.286/2007-72. Fl. 745DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.298 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12142.000185/2008-82 Em 08/02/2018, foi prolatada sentença em sede de mandado de segurança através do processo judicial nº 0007777-37.2018.4.02.5101 (2018.51.01.007777-9), determinando-se que a autoridade impetrada adotasse as medidas necessárias para não incluir os débitos do processo nº 12142-000.185/2008-82 em procedimento de compensação com o crédito do processo nº 12142-000.286/2007-72, devendo a exigibilidade dos referidos débitos permanecer suspensa até o julgamento do recurso voluntário (fls. 696/702). Conforme despacho de fl. 729, o procedimento de compensação foi cancelado e refeito, de forma que os débitos do processo nº 12142-000.185/2008-82 foram suspensos no sistema SIEF PROCESSO pelo motivo “julgamento do recurso voluntário”, vide extrato de fls. 727/728. Ressalte-se que, após a operacionalização do procedimento informado no parágrafo anterior, restou um saldo de direito creditório passível de compensação no valor original de R$ 5.892.847,49 no processo nº 12142-000.286/2007-72 (fls. 706 e 737). Aparentemente, este saldo seria insuficiente para quitar os débitos do processo nº 12142-000.185/2008-82 em um novo procedimento de compensação, já que outros débitos do contribuinte foram extintos na nova operacionalização da compensação (realizada conforme determinação de decisão judicial). (. . .) Diante do exposto, haja vista que os débitos do processo nº 12142-000.185/2008- 82 não se encontram extintos, proponho o retorno dos autos ao CARF, para prosseguimento na análise, procedendo-se às retificações que forem julgadas necessárias no Acórdão 3301-005.615.” (g.n.) Verifica-se que, de fato, há inexatidão no Acórdão n° 3301-005.615, que requer saneamento, por meio do acolhimento dos embargos inominados opostos pela unidade de origem. O Acórdão n° 3301-005.615 foi proferido, considerando que os débitos da COFINS haviam sido extintos por compensação com os créditos reconhecidos no PA nº 12142- 000.286/2007-72. Ocorre que, como vimos, esta compensação foi desautorizada por decisão judicial sobre a qual já havia notícia nos autos. Isto posto, passo ao exame do recurso voluntário. Em sua defesa, a recorrente apresenta alegações cujos objetivos são os de obter a homologação das compensações ou, no caso deste pedido ser negado, de afastar a incidência de juros Selic sobre as multas de mora computadas nos débitos da COFINS. As compensações foram realizadas por meio das DCTF (fls. 08 a 12). Contudo, nas cópias das DCTF juntadas aos autos, não há indicação das datas em que foram protocolizadas na RFB, o que nos impede de concluir se as compensações já se encontravam tacitamente homologadas ou não, quando da ciência do Despacho Decisório, nos termos do § 5º do art.74 da Lei nº 9.430/96. Por este motivo, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem informe em datas foram protocolizadas as DCTF. Concluída a pesquisa, deve ser aberto de trinta dias prazo para manifestação da recorrente. Em seguida, o processo deve retornar ao CARF concluso para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 746DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.298 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12142.000185/2008-82 Marcelo Costa Marques d’Oliveira Fl. 747DF CARF MF
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