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4485503 #
Numero do processo: 16832.000267/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 RECURSO DE OFICIO. INVESTIMENTO REAVALIADO. DECORRÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DE ATIVO NA SOCIEDADE INVESTIDA. TRIBUTAÇÃO. Verificado que a reavaliação do ativo na sociedade investida foi realizado com base em laudo proferido por técnico especializado, a tributação da reserva de reavaliação ocorrerá na alienação ou liquidação do investimento. Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-001.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000267/2010­24  Acórdão n.º 1402­001.281  S1­C4T2  Fl. 0          2   Relatório  A  2a.  TURMA DA DRJ RIO DE  JANEIRO  I  –  RJ  julgou  procedente  em  parte a exigência do auto de infração lavrado contra a empresa BRAZALTA BRASIL NORTE  COMERCIALIZACAO DE PETROLEO LTDA. Tendo em vista a exoneração superior a sua  alçada, recorre de oficio ao CARF com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), ,  Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida:  Trata o processo dos autos de infração lavrados pela Defis (RJ), referentes ao  ano­calendário  de  2006,  por meio  dos  quais  são  exigidos  do  interessado  o  imposto  sobre  a  renda  de  pessoa  jurídica  ­  IRPJ,  no  valor  de  R$  15.127.673,07  (fls.  505/509  e  termo  de  verificação  às  fls.  498/504),  e  o  imposto  de  renda  retido  na  fonte  ­  IRRF,  no  valor  de  R$  191.077,35  (fls.  510/519), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios.   2­ Fundamentou a exação do IRPJ – não adição ao lucro líquido do exercício  na  determinação  do  lucro  real,  da  reserva  de  reavaliação  de  bens  do  ativo  permanente,  em  face  da  inobservância  dos  requisitos  legais  para  a  reavaliação.  2.1­ O interessado promoveu a reavaliação de sua participação na “Sociedade  em Conta de Participação W. Washington Petróleo”, que estava registrada na  sua  contabilidade  pelo  valor  de  R$  21.332.649,22,  passando  para  R$  83.089.218,38,  com  o  registro  da  reserva  de  reavaliação  em  R$  61.756.569,16. Tais valores  constam na declaração de  IRPJ nas  fichas 36A  (Ativo ­ fl. 21) e 37A (Passivo ­ fl. 22).  2.2­  Segundo  o  autuante,  o  laudo  de  avaliação  não  apresentou  as  bases  econômicas utilizadas para proceder a reavaliação, como também se refere a  avaliação  de  reservas  de  petróleo  e  gás  e  não  de  participação  societária.  Ainda  que  se  admitisse  que  o  objeto  da  avaliação  sejam  as  reservas  de  petróleo e gás, o laudo mostrou­se impreciso no valor.  2.3­  O  autuante  informa  que  os  critérios  de  avaliação  foram  determinados  pelo  “manual  de  avaliação  canadense  de  petróleo  e  gás”,  não  havendo  nenhum  órgão  governamental  brasileiro  envolvido,  embora  as  reservas  estejam em território nacional. Ademais não consta no laudo a especificação  dos  bens  avaliados,  como  também  não  foi  realizada  assembleia  para  aprovação do laudo de avaliação pelos acionistas.  2.4­ Concluindo, o  autuante destaca que o  laudo de avaliação não atende o  art. 8º, §1º, da Lei nº 6.404/1976. Desta forma, o art. 434, §3º, do RIR/1999  dispõe sobre a adição do valor da reavaliação na determinação do lucro real.  Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000267/2010­24  Acórdão n.º 1402­001.281  S1­C4T2  Fl. 0          3 3­  Fundamentou  a  exação  do  IRRF  –  incidência  do  imposto  sobre  pagamentos  sem  causa,  ante  a  não  apresentação  dos  documentos  correspondentes, conforme a seguir relacionados:  Data  Histórico  Valor  Valor  reajustado  IRRF  23/5  Emissão de TED  25.000,00  38.461,53  13.461,53  6/6  Emissão de TED  20.500,00  31.538,46  11.038,46  9/6  Emissão de TED  20.000,00  30.769,23  10.769,23  3/7  Emissão de TED  20.500,00  31.538,46  3/7  Emissão de TED  7.000,00  10.769,23  14.807,69  18/7  Emissão de TED  13.467,33  20.718,96  7.251,63  19/7  Cheque  13.678,98  21.044,58  7.365,60  26/7  Transf. Disponiv (027)  1.588,48  2.443,81  855,33  28/7  Transf. Disponiv (010)  1.588,48  2.443,81  855,33  31/7  Emissão de TED  20.500,00  31.538,46  11.038,46  4/8  Emissão de TED  7.000,00  10.769,23  4/8  Emissão de TED  30.062,42  46.249,87  19.956,68  31/8  Emissão de TED  7.000,00  10.769,23  3.769,23  4/9  Ordem de pagamento  1.194,62  1.837,87  643,25  29/9  Emissão de TED  7.000,00  10.769,23  3.769,23  9/10  Emissão de TED  12.628,89  19.429,06  6.800,17  11/10  Transf. Disponiv (010)  50.000,00  76.923,07  26.923,07  23/10  Emissão de TED  28.509,40  43.860,61  15.351,21  16/11  Ordem de pagamento  2.643,68  4.067,20  1.423,52  30/11  Ordem de pagamento  2.643,68  4.067,20  1.423,52  1/12  Ordem de pagamento  2.643,68  4.067,20  1/12  Emissão de TED  5.647,08  8.687,81  4.464,25  5/12  Emissão de TED  27.030,68  41.585,66  5/12  Emissão de TED  27.030,68  41.585,66  29.109,96  Total  191.077,35    4­ Ao impugnar as exigências, fls. 532/555 e 648/684 (documentos de fls.  556/647 e 685/717), o interessado alegou, em síntese, que:  ­  em  12  de  fevereiro  de  2010  apresentou  ao  autuante  listagem  com  identificação do beneficiário, o motivo e o meio de cada pagamento, relativos  aos lançamentos de IRRF (fl. 585/587). Junta os respectivos documentos que  comprovam os beneficiários e as causas dos pagamentos às fls. 588/647;  ­  por  ter  fornecido  ao  autuante,  em  data  anterior  à  lavratura  do  auto  de  infração,  uma  listagem  identificando  todos  os  beneficiários  e  causas  dos  pagamentos  questionados,  torna  o  fundamento  legal  da  autuação  incorreto,  em flagrante desrespeito ao Decreto nº 70.235/1972;  ­  os  atos  praticados  pela  fiscalização  estão  em  completa  violação  da  Constituição  e  das  normas  legais  que  regulamentam  o  processo  administrativo  tributário,  por  descumprimento  dos  mandamentos  legais  contidos  no  CTN  e  no  processo  administrativo  fiscal,  indicando  fundamentação legal que não guarda relação com a realidade fática;  Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000267/2010­24  Acórdão n.º 1402­001.281  S1­C4T2  Fl. 0          4 ­  a  pretensão  de  a  Fazenda  exigir  um  crédito  tributário  indevido,  visto  que  pretende cobrar IRRF sobre os pagamentos realizados, como se não houvesse  causa  nem  identificação  de  beneficiário,  representa  expresso  e  inconstitucional  ato  confiscatório,  ainda  mais  quando  foram  apresentadas  informações que demonstram que a exação é indevida;  ­  a  fiscalização  desrespeitou  também  o  princípio  da  legalidade  disposto  no  art. 2º, parágrafo único, inciso I, alínea XIII, da Lei nº 9.784/1999, ao lançar  imposto  desconsiderando  as  informações  e  provas  prestadas,  além  de  não  observar a ampla defesa e o contraditório;  ­ não reavaliou um ativo imobilizado, mas reconheceu um aumento no valor  da  sua  participação  societária  relevante  na  sociedade  em  conta  de  participação  W.  Washington  Petróleo,  em  decorrência  do  aumento  do  patrimônio líquido desta empresa investida que reavaliou ativos;  ­  a  reserva  de  reavaliação  reflexa  está  regulada  em  dispositivos  legais  diversos daqueles citados na autuação;  ­  à  empresa  especializada  em  avaliação  econômica  cabe  apenas  valorar  o  ativo (o óleo e o gás que poderá ser extraído) de um ponto de vista financeiro  (potencial  econômico  do  campo  –  rentabilidade  futura).  Não  cabe  a  essa  empresa avaliar ou validar a quantidade de óleo e gás do campo – informação  apurada na pesquisa técnica;  ­ não há ilegalidade na adoção de critérios internacionais nas avaliações;  ­  órgãos  governamentais  não  se  prestam  a  elaborar  laudo  de  avaliação  de  ativos;  ­ é sócia da empresa que fez a reavaliação dos ativos. Portanto, para suportar  o  registro  contábil  da  reserva de  reavaliação  reflexa  lhe bastava o  laudo de  avaliação conclusivo;  ­ os bens reavaliados (campos de petróleo) estão descritos nas páginas 38, 41,  44, 57 e 76 (dentre outras) do laudo de avaliação;  ­ ao caso da reavaliação aplica­se o art. 390 do RIR e não o art. 434.  5­ O julgamento foi convertido em diligência para que fosse juntado (fl. 729):  ­  demonstrativo  do  cálculo  do  aumento  no  valor  da  participação  do  interessado na sociedade em conta de participação W. Washington Petróleo; e  ­  cópia  dos  documentos  apresentados  ao  avaliador  e  que  serviram  de  fundamento para o  laudo de avaliação, bem como o  laudo de avaliação que  trata  dos  bens  da  sociedade  em  conta  de  participação  W.  Washington  Petróleo avaliados.  6­ Em atendimento à diligência, o  interessado apresentou os documentos de  fls. 737/759, 763/1010 e 1020/1027.  Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000267/2010­24  Acórdão n.º 1402­001.281  S1­C4T2  Fl. 0          5   A decisão recorrida está assim ementada:  INVESTIMENTO REAVALIADO. DECORRÊNCIA DE REAVALIAÇÃO DE ATIVO  NA  SOCIEDADE  INVESTIDA.  TRIBUTAÇÃO.  Verificado  que  a  reavaliação  do  ativo na sociedade investida foi realizado com base em laudo proferido por técnico  especializado,  a  tributação  da  reserva  de  reavaliação  ocorrerá  na  alienação  ou  liquidação do investimento.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA.  INOCORRÊNCIA.  Inocorre  o  cerceamento  do  direito  de  defesa  durante  a  fase  de  autuação,  que  se  dá  sob  o  regime  inquisitorial.  A  ampla  defesa  tem  início  após  a  ciência  do  lançamento,  podendo  o  contribuinte  usar  de  todos  os  meios  legais  para  apresentar  os  argumentos e provas, como o fez o interessado.   PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. PAGAMENTOS SEM  COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU DA CAUSA. Os pagamentos efetuados por  pessoa jurídica sem identificação do beneficiário, ou sem comprovação da operação  ou  da  causa  estão  sujeitos  à  incidência  do  imposto  de  renda  exclusivamente  na  fonte.   Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.    Cientificada  da  aludida  decisão,  a  contribuinte  não  apresentou  recurso  voluntário. A seguir, os autos foram enviados ao CARF.  É o relatório.  Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000267/2010­24  Acórdão n.º 1402­001.281  S1­C4T2  Fl. 0          6   Voto             Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator.  O  recurso  de  oficio  preenchem  os  requisitos  legais  e  regimentais  para  sua  admissibilidade, dele conheço.  Vejamos os fundamentos da decisão recorrida:  “(...) Da autuação de IRPJ.  10­ A reserva de reavaliação constituída pelo interessado decorre da reavaliação de ativos da  sociedade em conta de participação W. Washington Petróleo, da qual o interessado participa.  Nesta circunstância, a questão da tributação do IRPJ é regida pelo art. 390 do RIR/1999, o  qual  determina  que  o  valor  da  reserva  de  reavaliação  será  baixado mediante  compensação  com o ajuste do valor do investimento, e não será computada na determinação do lucro real,  nos  períodos  de  apuração  em  que  a  investida  computar  sua  reserva  de  reavaliação  na  determinação do lucro real, ou no período de apuração em que a investida utilizar sua reserva  de reavaliação para absorver prejuízos. Em síntese, o valor reavaliado não pode influenciar a  apuração do lucro real da investidora.  11­ É evidente que o relatório de avaliação (fls. 765/1010) apresenta­se de forma complexa  em  função  da  matéria,  mas  é  possível  verificar  que,  dentre  outras  informações,  foram  indicadas a rentabilidade estimada (fl. 890), as áreas avaliadas (fl. 896) e as estimativas em  metros  cúbicos  de  petróleo  bruto  (fl.  906).  A  questão  de  o  laudo  ter  sido  elaborado  por  consultor estrangeiro, não invalida o trabalho, pois não há vedação legal para tanto.  12­  Portanto,  não  procede  a  conclusão  da  fiscalização  pela  insubsistência  do  laudo  de  avaliação,  como  também  foi  equivocada  a  tipificação  do  fato  no  art.  434  do  RIR/1999.  Ademais, o art. 4º da Lei nº 9.959/2000 dispõe que:  “Art. 4º  A  contrapartida  da  reavaliação  de  quaisquer  bens  da  pessoa  jurídica  somente poderá ser computada em conta de resultado ou na determinação do lucro  real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido quando ocorrer  a efetiva realização do bem reavaliado.”  13­  O  citado  dispositivo  reafirma  que  a  reserva  de  reavaliação,  em  termos  de  tributação,  anula os efeitos de qualquer valor de custo levado a conta de resultado, que tem por origem  reavaliação de ativo.  14­ Por conseguinte, não procede o lançamento do IRPJ. (...)”  Analisei os autos e formei convencimento de que a tributação desta matéria foi  mesmo  equivocada. Até porque a  reavaliação dos  ativos  foi  efetuada  na empresa W.Washington  Petróleo  na  qual  a  autuada  tem  participação.  Logo,  uma  vez  desconsiderada  a  reavaliação  e  o  investimento não tendo sido vendido, o correto  seria apenas baixar o valor da participação e não  tributar a reserva de reavaliação formada na empresa controladora.  (assinado digitalmente)  Antônio José Praga de Souza                              Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 22/ 01/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 13161.000217/2006-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO. ISENÇÃO. A ARL, devidamente averbada, antes da ocorrência do falto gerador do tributo proporciona a isenção de ITR, determinada pela Legislação. No presente caso, a ARL foi devidamente averbada antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann ( Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES   2   (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira  Relator        Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann ( Vice­Presidente), Luiz Eduardo de  Oliveira  Santos,  Gonçalo  Bonet  Allage,  Marcelo  Oliveira,  Manoel  Coelho  Arruda  Junior,  Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira,  Elias Sampaio Freire.  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.000217/2006­12  Acórdão n.º 9202­002.463  CSRF­T2  Fl. 111          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  por  divergência,  fls.  068,  interposto  pela  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  contra  acórdão,  fls.  060,  que  decidiu  dar  provimento parcial ao recurso, para restabelecer a área de Reserva Legal equivalente a 20% da  área total do imóvel.  O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2002  ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL.  Cabe  restabelecer  a  parcela  de  área  de  utilização  limitada/reserva  legal  que  foi  devidamente  averbada  antes  da  ocorrência  do  fato  gerador  do  ITR  e  passível  de  ser  ratificada  pelo órgão de fiscalização ambiental.   ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE  ADA.  Incabível,  a  exclusão  de  área  de  preservação  permanente  que  não  foi  tempestivamente  informada  ao  Ibama  ou  a  órgão  ambiental conveniado mediante documentação  Recurso parcialmente provido.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os Membros do Colegiado, por voto de qualidade, em  segunda  votação,  DAR  provimento  PARCIAL  ao  recurso  para  restabelecer Area de Reserva Legal equivalente a 20% da área  total do  imóvel, vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos  Reis,  Júlio  Cezar  da  Fonseca  Furtado  e  Marcelo  Magalhães  Peixoto  que  davam  provimento  ao  recurso.  As  Conselheiras  Amarylles  Reinaldi  e  Henriques  Resende  e  Tânia  Mara  Paschoalin,  em  primeira  votação,  negavam  provimento  ao  recurso.  Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que o contribuinte  não demonstrou  ter protocolado o ADA perante o  IBAMA,  e,  por  essa  razão, não  atende  as  exigências  da  legislação  para  isenção  do  ITR,  devendo  ser  mantida  a  glosa  efetivada  pela  fiscalização também quanto à área de reserva legal.  Por despacho, fls. 085, deu­se seguimento ao recurso especial.  O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 097, argumentando, em  síntese, que o acórdão recorrido deve ser mantido:  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES   4 Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão.  É o Relatório.  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13161.000217/2006­12  Acórdão n.º 9202­002.463  CSRF­T2  Fl. 112          5   Voto             Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade  ­  sendo  tempestivo  e  demonstrada a divergência não reformada ­ conheço do Recurso Especial e passo à análise de  suas razões recursais.  A questão que vem à discussão, única, é a necessidade de Ato Declaratório  Ambiental (ADA) para a isenção de ITR, quando área de reserva legal já estiver averbada antes  do fato gerador do tributo.  Após  vários  debates  sobre  a  polêmica  em  questão,  essa  turma  da  CSRF  decidiu, por diversas e  reiteradas vezes, que a averbação da área antes da ocorrência do  fato  gerador suplanta a necessidade de entrega do ADA, para fins tributários, devido ao alcance do  objetivo que norteia a norma.  Conforme atestado pelo Fisco e pelas decisões emanadas no contencioso, há  área de reserva legal averbada.  A averbação está determinada na legislação.  Lei 4.771/1965:  Art.  16.  As  florestas  e  outras  formas  de  vegetação  nativa,  ressalvadas  as  situadas  em  área  de  preservação  permanente,  assim  como  aquelas  não  sujeitas  ao  regime  de  utilização  limitada  ou  objeto  de  legislação  específica,  são  suscetíveis  de  supressão, desde que sejam mantidas, a  título de  reserva  legal,  no mínimo:  ...  §  8º  A  área  de  reserva  legal  deve  ser  averbada  à margem  da  inscrição  de  matrícula  do  imóvel,  no  registro  de  imóveis  competente,  sendo  vedada  a  alteração  de  sua  destinação,  nos  casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou  de retificação da área, com as exceções previstas neste Código   Para  essa  área,  devidamente  averbada  antes  do  fato  gerador,  deve  existir  o  benefício da isenção, pois a averbação, que é sempre cientificada ao IBAMA, cadastra a área  como de interesse ambiental e permite seu controle e sua verificação.        Fl. 125DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES   6   CONCLUSÃO:  Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso da nobre PGFN,  nos termos do voto.        (assinado digitalmente)  Marcelo Oliveira                                Fl. 126DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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4432961 #
Numero do processo: 13955.000792/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 A DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA SÓ PODE SER ACEITA COMO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF, SE DECORRENTE DE DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL, NOS LIMITES NELES ESTABELECIDOS. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE É admissível a dedução da base de cálculo do imposto apurado na DIRPF, dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos limites estabelecidos na decisão ou acordo judicial. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COM DEPENDENTES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DESTA CONDIÇÃO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A falta de comprovação da condição de dependente impede a dedução de valor de despesas médicas da base de cálculo do imposto, uma vez que a exclusão de tais despesas é restrita ao custo com o titular ou daqueles comprovadamente declarados como dependentes.
Numero da decisão: 2102-002.210
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 14.642,40. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 A DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA SÓ PODE SER ACEITA COMO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPF, SE DECORRENTE DE DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL, NOS LIMITES NELES ESTABELECIDOS. RECURSO PROVIDO PARCIALMENTE É admissível a dedução da base de cálculo do imposto apurado na DIRPF, dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos limites estabelecidos na decisão ou acordo judicial. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COM DEPENDENTES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DESTA CONDIÇÃO. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO A falta de comprovação da condição de dependente impede a dedução de valor de despesas médicas da base de cálculo do imposto, uma vez que a exclusão de tais despesas é restrita ao custo com o titular ou daqueles comprovadamente declarados como dependentes.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13955.000792/2008­41  Acórdão n.º 2102­002.210  S2­C1T2  Fl. 43          2   Assinado digitalmente  ATILIO PITARELLI  Relator  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Atilio  Pitarelli,  Carlos  André  Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de  Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário face decisão da 7ª Turma da DRJ/CTA, de 20  de  janeiro  de  2011  (fls.  27/29),  que  por  unanimidade  de  votos  manteve  integralmente  a  exigência fiscal objeto de lançamento lavrado em 18/08/2008, no valor total de R$ 10.500,07,  sendo R$ 5.180,62 a título de imposto de renda suplementar, R$ 3.885,46 de multa de ofício e  R$ 1.433,99 de  juros de mora  (fl.  06),  decorrente da  glosa da dedução como dependente de  Giovanna  Rhadarani  Souza  Neiva,  no  valor  de  R$  1.404,00,  por  falta  de  comprovação  da  detenção da guarda judicial (fl. 13), de Pensão Alimentícia Judicial no valor de R$ 19.737,00,  por  falta  de  comprovação  legal  ou  de  previsão  legal  para  a  dedução  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  pessoa  física,  referente  ao  ano  base  de  2.005  (fl.  16),  de  despesas  com  instrução no valor de R$ 2.198,00 (fl. 14) e despesas médicas no valor de R$ 2.644,00 (fl. 15).  Notificado  do  lançamento  o  autuado  apresentou  impugnação  às  fls.  01/05,  expondo sua indignação e  juntando documentos que comprovariam o casamento e averbação  da  separação  consensual  e  do  termo de  audiência,  declaração  da  diretoria  de Previdência do  Paranaprevidência  e  comprovante  do  pagamento  relativo  à pensão  alimentícia,  e  por  último,  demonstrativo de cálculo com as correções apontadas. Alega juntar comprovante de pagamento  das despesas médicas pagas à Unimed e quanto às demais, que foram extraviadas, razão pela  qual, não foi possível a sua apresentação.  A  decisão  proferida  manteve  o  trabalho  fiscal,  destacando  que  a  documentação apresentada pelo então impugnante que comprovam a separação judicial não faz  menção ao pagamento de pensão judicial, e a declaração emitida pela Unimed não se refere ao  ano questionado, de 2.005, portanto, não é hábil para afastar a pretensão fiscal. No  tocante à  dependente Giovanna Radharani de Souza Neiva,  pela  falta de  comprovação de detenção da  guarda judicial, também foi mantida a glosa.  Conforme mencionado,  a decisão  foi  proferida  em  sessão  de  18/01/2011,  o  Recorrente  notificado  em  11/02/11,  e  em  18/02/2011  o  autuado  apresentou  expediente  que  mencionou em complemento à capa do processo, que alega ter sido anexada sem conteúdo (fl.  32), juntando petição que viria ser homologada, onde consta a pensão judicial correspondente a  30% dos  seus  vencimentos  líquidos,  recebidos do Governo do Estado do Paraná, processada  como Recurso Voluntário.  É o relatório.  Fl. 50DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13955.000792/2008­41  Acórdão n.º 2102­002.210  S2­C1T2  Fl. 44          3 Voto             Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator.  O recurso é  tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo  33  do Decreto  n°  70.235,  de  06  de março  de  1972,  foi  interposto  por  parte  legítima  e  está  devidamente fundamentado.   Resta  a  este  colegiado,  por  serem  as  duas  questões  referidas  no  expediente  processado como Recurso Voluntário, a dedução do valor de R$ 19.737,00 a título de Pensão  Judicial  pago  à  ex  esposa  do Recorrente,  e  a  dedução  de  despesas médicas,  no  valor  de R$  2.644,00.  Relativamente  à  pensão  judicial,  não  obstante  constar  do  lançamento  e  da  decisão recorrida que a origem do trabalho fiscal e a motivação desta se deu em razão da não  comprovação da obrigação assumida judicialmente de pagá­la à ex esposa, o que ocorreu com  a juntada no Recurso Voluntário, entendo que o provimento a ele deve ser parcial.  A glosa foi no valor de R$ 19.737,00. Ocorre, que o compromisso assumido  foi  de  30%  do  rendimento  líquido,  e  que  tomando  por  base  o  rendimento  bruto  de  R$  48.611,00,  acrescido  de  R$  1.831,00  de  décimo  terceiro  salário,  temos  o  valor  de  R$  50.639,00, e dele deduzindo R$ 1.831,00 de IRRF, chega­se ao valor líquido de R$ 48.808,00,  e sobre ele aplicando 30%, apura­se o valor de R$ 14.642,40.  Assim,  tomando  por  base  o  demonstrativo  elaborado  pela  autoridade  fiscal  autuante de fl. 17 e a DIRPF apresentada pelo Recorrente,  fl. 19, o valor que seria deduzido  dos seus vencimentos para o pagamento da pensão alimentícia foi de R$ 14.642,40, e não R$  19.737,00, como utilizado pelo Recorrente.  Cabe  destacar  que  o  Recorrente  não  apresentou  Informe  de  Rendimentos,  para que o valor efetivamente descontado  fosse evidenciado.  Juntou apenas declaração de  fl.  11,  da  Paraná  Previdência,  informando  que  o  desconto  é  de  R$  2.495,66,  em  função  da  determinação judicial. Esta declaração foi firmada em 02/09/2008 e o ano base deste processo  é 2.005, portanto, não aplicável ao caso. Se fosse, o valor total seria superior ao declarado pelo  Recorrente.  Por  essas  razões,  entendo  que  deva  ser  restabelecida  a  dedução  a  título  de  pensão  judicial  no  valor  de  R$  14.642,40,  pois  a  obrigação  decorre  de  acordo  homologado  judicialmente, atendendo assim, a letra “f”, inciso II do art. 8o da lei 9.250/95.  No  tocante  à  glosa  de  despesas  médicas,  uma  vez  também  referida  no  expediente  de  fl.  32,  cabe  destacar  que  o  único  documento  apresentado  junto  à  impugnação  emitido pela Unimed de Paranavaí Cooperativa de Trabalho Médico (fl. 08), consta o nome de  Giovanna Radharani de Souza Neiva, declarada pelo Recorrente como neta, mas sem qualquer  comprovação deste vínculo ou da guarda judicial, e em valor de R$ 687,94 como valor total da  mensalidade e R$ 121,46,  como de  serviço no  ano de 2.005. O valor constante na DIRPF e  objeto da glosa foi de R$ 2.644,00.  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13955.000792/2008­41  Acórdão n.º 2102­002.210  S2­C1T2  Fl. 45          4 Assim,  entendo  que  a  glosa  deva  ser  integralmente  mantida,  por  falta  de  comprovação de vínculo ou da obrigação decorrente de guarda judicial, de menor que pode ser  neta  do  Recorrente,  uma  vez  que  não  foi  por  ele  apresentado  qualquer  documento  neste  sentido.  Por  essas  razões,  DOU  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário,  para restabelecer a dedução de pensão judicial no valor de R$ 14.642,40.        ATILIO PITARELLI        Relator                                Fl. 52DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS

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4296579 #
Numero do processo: 10940.900811/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado,
Numero da decisão: 3801-001.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL

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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado,

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 13/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator)

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 40          1 39  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10940.900811/2008­10  Recurso nº  919.542   Voluntário  Acórdão nº  3801­001.268  –  1ª Turma Especial   Sessão de  24 de maio de 2012  Matéria  Compensação  Recorrente  GUARÁ AUTO PECAS SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Exercício: 2003, 2004  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.  Cabe ao  contribuinte o ônus de  comprovar as  alegações que oponha ao  ato  administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem  os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA  Somente  os  créditos  líquidos  e  certos  são  passíveis  de  compensação  nos  termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.  Recurso Voluntário negado,      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  Flavio De Castro Pontes ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator.    EDITADO EM: 13/09/2012     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 08 11 /2 00 8- 10 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  De  Castro  Pontes  (Presidente),  José  Luiz  Bordignon,  Paulo  Sérgio  Celani,  Jacques  Maurício  Ferreira  Veloso  De Melo, Maria  Inês  Caldeira  Pereira  Da  Silva Murgel  e  eu  Sidney  Eduardo  Stahl  (Relator)    Fl. 52DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900811/2008­10  Acórdão n.º 3801­001.268  S3­TE01  Fl. 41          3 Relatório  Trata  o  presente  processo  administrativo  de  pedido  de  compensação  realizado  através  de  PER/DCOMP,  transmitida  em  20/09/2006  (fls.  16/20),  com  base  em  suposto  pagamento  a maior  a  título  de PIS/PASEP do  período  de  apuração  de  janeirro  de 2003,  por  meio  de  guia DARF  cujo  recolhimento  se  deu  em  14/02/2003,  com  débitos  de COFINS  do  período de apuração de julho de 2004, tendo sido objetivada compensação no montante total de  R$ 2.188,60.  A  DRF  de  origem  proferiu  despacho  decisório  (fls.  02)  não  homologando  a  compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de  guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte.  Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls.  01,  sustentando,  em  síntese,  que  a  origem  do  seu  crédito  decorre  de  pagamentos  a  maior,  realizados em função da ausência de dedução da base de cálculo da Contribuição de valores  legalmente dedutíveis, conforme supostamente lhe autorizaria a Lei nº 10.833/2003, sendo tais  créditos aferíveis das respectivas DACON e DIPJ do período.  A DRJ em Curitiba – PR, por sua vez,  julgou improcedente a manifestação de  inconformidade  ofertada  pelo  contribuinte  através  do  acórdão  de  fls.  23/24,  considerando  a  ausência  de  comprovação  do  direito  ao  credito  objeto  da  compensação  materializada  na  PER/DCOMP,  o  que  se  confirmaria,  inclusive,  a  partir  inconsistências  apuradas  conta  dos  documentos mencionados pelo contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade (DACON,  DIPJ e DCTF) e planilha apresentada.  Devidamente  intimado  para  tanto  (fls.  25),  interpôs  o  contribuinte  o  presente  Recurso Voluntário  de  fls.  26  (em  14/02/2003),  através  do  qual  sustenta,  em  síntese,  que  o  argumento trazido em sua Manifestação de Inconformidade foi equivocado, e que em verdade  “(...)  os  valores  apropriados  em  Perd/Comp  tem  como  sua  origem  o  crédito  de  PIS  nas  entradas  de Produtos  e  Serviços,  como permite  o  contido  no  artigo  3º  e  parágrafos  da MP  66/2002.”  É o relatório.    Fl. 53DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES     4 Voto             Conselheiro Sidney Eduardo Stahl  O  recurso  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  pressupostos  de  admissibilidade,  razão pela qual dele se conhece.  O  argumento  recursal  fundamental  é  o  de  que  a  Recorrente  tem  direito  a  indébitos  de  PIS/COFINS  por  recolhimentos  foram  feitos  a  maior  por  conta  de  não  aproveitamento dos créditos que teria direito em decorrência da legislação pertinente.  Para  tanto  a  Recorrente  juntou  as  planilhas  demonstrativas  dos  créditos  não  aproveitados em suas operações.  A  DRJ  com  base  nas  declarações  da  contribuinte  (DACON,  DIPJ  e  DCTF),  entendeu  não  estarem  comprovados  os  créditos  requeridos,  mantendo  o  mesmo  suporte  do  despacho decisório. Despacho Decisório este, ressalte­se, elaborado eletronicamente,  isto é, a  partir de um mero confronto de informações realizadas pelos sistemas de controle da Receita  Federal do Brasil (Dacon x DCTF x Darf), do qual exsurgiu a informação de que valor algum  havia sido recolhido a maior, e, portanto, crédito algum haveria de ser reconhecido.  No caso em concreto, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas  do seu direito creditório. Trata­se de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente  aplicável ao PAF, vejamos:  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I ­ ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II ­ ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou  a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovar­lhe  as alegações.  No  processo  administrativo  fiscal,  tem­se  como  regra  que  cabe  àquele  que  pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem  dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a  comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento.  Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu  artigo  9°,  a  obrigatoriedade  da  autoridade  fiscal  traduzir  por  provas  os  fundamentos  do  lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as  alegações  que  oponha  ao  ato  administrativo.  Em  verdade,  este  dispositivo  legal  apenas  transfere,  para  o  processo  administrativo  fiscal,  o  sistema  adotado  pelo Código  de  Processo  Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e  a negação geral.  Assim,  na  hipótese  de  ressarcimento  pleiteado,  recai  sobre  a  interessada  o  ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900811/2008­10  Acórdão n.º 3801­001.268  S3­TE01  Fl. 42          5 carreados  aos  autos,  no  sentido  de  refutar  o  procedimento  fiscal,  se  revistam  de  toda  força  probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar  o que lhe foi imputado pelo fisco.  Do  exame  desse  litígio  administrativo,  verifica­se  que  a  Recorrente  não  apresentou documentos  suficientes para demonstrar o  seu  crédito,  juntando mera planilha de  valores que pretende compensar de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos  não deve prosperar.  Consigne­se  que  o  artigo  170  da  Lei  nº  5.172,  de  25/10/1966  (Código  Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e  certo.  No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo,  pois  a  requerente  não  comprovou  por  meio  de  demonstrativos,  da  escrituração  fiscal,  notas  fiscais que alega estarem canceladas e dos lançamentos contábeis o valor de seu crédito.  Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário.  É como voto.  Sidney Eduardo Stahl ­ Relator                                  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

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Numero do processo: 13603.723217/2010-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1202-000.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Consiste o presente processo em Autos de Infração lavrados contra a contribuinte INTERPAR PARTICIPAÇÕES LTDA., consubstanciados em lançamentos de IRPJ e CSLL, somados à multa de ofício e juros, decorrentes de suposta falta de contabilização de ganho de capital apurado em participação extinta em fusão, cisão ou incorporação, o que teria gerado redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 05/13). Inconformada com a lavratura dos Autos de Infração a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 371/396) baseada, em síntese, nos seguintes fundamentos: (i) Os Autos de Infração decorreram de outro lançamento fiscal, cujo sujeito passivo é a empresa Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A, referente aos anos-calendário de 2004 e 2005, no qual houve a glosa de amortização de ágio. Referida autuação originou o processo administrativo nº 13603.723112/2010-75 e os valores discutidos naqueles autos foram incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009. (ii) Demonstra que a amortização do ágio glosada da pessoa jurídica Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A originou-se de duas operações de reorganização societária. A glosa se deu sob o argumento de que o ágio decorreu de “operações irregulares, baseadas em simulações”. (iii) As operações societárias que culminaram na glosa da amortização de ágio em referido processo administrativo também foram objeto dos lançamentos que ora se analisam, quais sejam: REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DE 2004 As operações realizadas em 2004 envolveram as empresas Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A (“DOCIASA”), Inter Participações e Empreendimentos S/A e RRTM, da seguinte forma: a.1) Em 02.06.2003, a Inter Participações e Empreendimentos S/A adquiriu 99% das ações da empresa RRTM, por R$ 946.000,00; a.2) No mesmo dia, a Inter Participações e Empreendimentos S/A adquiriu as marcas comerciais (VILMA e outras) da sua controlada, Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A (“DOCIASA”), por R$ 315.671,74. a.3) Ainda na mesma data, a Inter Participações e Empreendimentos S/A integralizou aumento de capital na RRTM, mediante cessão das marcas comerciais (VILMA e outras); a.4) Em 12.04.2004, Inter Participações Empreendimentos S/A (controladora) aumentou capital na Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A (“DOCIASA”) com integralização mediante conferência de ações da RRTM, com ágio amparado em laudo de avaliação, nos seguintes valores: um lançamento de R$ 1.261.671,74 e um lançamento de R$ 59.135.325,00 (este na conta Reserva Especial de ágio); a.5) Em julho de 2004, a DOCIASA incorporou a RRTM pelo seu valor patrimonial, recebendo ágio para amortização (R$ 59.135.325,00). REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DE 2005 As operações realizadas em 2005 envolveram as empresas DOCIASA, Interpar Participações (“INTERPAR”) e DCPC Participações Ltda. (“DCPC”), da seguinte forma: b.1) Em 22/07/2005 foram constituídas duas novas empresas: Interpar Participações Ltda. (contribuinte interessada neste processo) e DCPC Participações Ltda., ambas tendo como sócios as pessoas físicas do Sr. Domingos Costa e da Sra. Patrícia Macedo Costa; b.2) Na primeira alteração contratual da Interpar Participações Ltda. os sócios pessoas físicas subscreveram e integralizaram aumento de capital de R$ 72.111.551,00 mediante entrega de 99.998 ações da empresa Inter Participações e Empreendimentos S/A e uma quota da empresa DCPC Participações Ltda; b.3) Na 1ª alteração contratual da DCPC, o sócio Sr. Domingos Costa retira-se dessa sociedade e entra em seu lugar a empresa INTERPAR. Nesta mesma oportunidade foi aprovado o aumento de capital da DCPC no valor de R$ 281.229.375,00, correspondente à absorção da parcela cindida a valor de mercado, passando o capital social a ser constituído por 281.229.375 quotas atribuídas à controladora, INTERPAR e 28.123 quotas atribuídas à sócia Patrícia Macedo Costa; b.4) No mesmo ato a sócia Patrícia Macedo Costa cede e transfere 9.998 quotas da DCPC para a sociedade INTERPAR. Como resultado, os sócios da DCPC Participações passam a ser: INTERPAR, com 9.999 quotas, e Patrícia Macedo Costa, com 1 quota. Aqui houve uma cisão parcial com parcelas da Inter Participações e Empreendimentos S/A sendo vertidas para DCPC (objeto dos autos); b.5) A parcela cindida da Inter Participações e Empreendimentos S.A vertida para a DCPC Participações Ltda. refere-se ao investimento que a cindida detinha na DOCIASA. Referido investimento foi integralizado a valor de mercado na DCPC, com base no artigo 36 da Lei nº 10.637/2002 (objeto dos autos); b.6) Com essa 2ª alteração, o capital da DCPC foi aumentado para R$ 281.229.375,00, com emissão de 281.229.375 novas quotas, no valor nominal de R$ 1,00 cada uma, da seguinte forma: 281.201.252 quotas a serem atribuídas à Interpar Participações Ltda. e 28.123 quotas a serem atribuídas à sócia Patrícia Macedo Costa; b.7) A 3ª alteração contratual da DCPC aprovou o Protocolo de Incorporação da DCPC pela DOCIASA, com extinção da DCPC. O patrimônio líquido da incorporada foi avaliado pelo valor contábil no montante de R$ 284.812.783,19. Tendo em vista todo o cenário acima exposto, além do lançamento constante no presente processo, dessa ação fiscal decorreram mais dois Autos de Infração distintos, quais sejam: (i) Processo nº 13603.723112/2010-75, cujo sujeito passivo é a empresa Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A, tendo sido lançados IRPJ, CSLL, mula qualificada de 150% e multas isoladas. Fundamentalmente, foram efetuadas glosas de despesas com amortização periódica de “ágio” gerado internamente, criado a partir de simulação de reorganização societária. Ao justificar a qualificação da multa, o Fisco considerou que as reorganizações societárias procedidas não passaram de simulação no intuito de obterem-se vantagens ilícitas, notadamente a de suprimir ou de não pagar os pertinentes tributos devidos. Nesse processo o sujeito passivo impugnou parcialmente a exigência, tendo decaído a discordância apenas na aplicação da multa de ofício qualificada em concomitância com as multas isoladas e posteriormente incluiu os valores ali discutidos no REFIS; (ii) Processo nº 13603.723111/2010-21, cujo sujeito passivo identificado naquela relação processual é a empresa Inter Participações e Empreendimentos S/A, tendo sido lançado IRPJ, CSLL e respectivas multas isoladas, decorrentes da realização da reserva de reavaliação, constituída em 2004, e utilizada para aumento de capital em 2005. Fundamentalmente, a realização da reserva especial de ágio, registrada em 12.04.2004, no Livro Diário da Impugnante, foi o que motivou o lançamento. Esse processo encontra-se aguardando julgamento no CARF. Os argumentos da contribuinte em sua Impugnação se baseiam quase que totalmente na justificativa das autoridades fiscais para lavrarem o Auto de Infração, cujo sujeito passivo é a empresa Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A (“DOCIASA”), em que foram desconsideradas todas as operações ocorridas por suposta simulação. Segundo o TVF que originou o referido processo administrativo, teria ocorrido “planejamento tributário, visando suprimir o recolhimento de valores relativos ao IRPJ e à CSLL, por via de criação de ágio amortizável, gerado através de simulação, com a aparente ocorrência de incorporações, cessão de direitos e alterações de domínio de capital social entre empresas do mesmo grupo ou simplesmente empresa-casca e cujas bases alegadas configuram-se mera transferência de riqueza ficta, exclusivamente para a consecução deste fim de evasão fiscal”. E ainda, segundo a contribuinte, no mesmo TVF o Fisco teria enfatizado o fato de que as marcas comerciais (VILMA e outras), que foram cedidas à Inter Participações, nunca foram efetivamente transferidas da Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A, que continuou sendo de fato e de direito, proprietária das mesmas (vide item a.2; a.3 e a.4). Com base nas justificativas utilizadas pelas autoridades fiscais no processo administrativo citado acima, a contribuinte se defende nesses autos argumentando que a operação que teria lhe resultado um ganho de capital não existiu, segundo comprovado pela própria fiscalização naqueles autos. Para justificar toda a operação efetuada e a não tributação no ganho de capital decorrente da integralização de capital feita pela Interpar Participações Ltda. na DCPC Participações, transferindo participação societária que detinha da DOCIASA (b.5 e b.7), a contribuinte alega que em outras oportunidades, quais sejam, no processo administrativo nº 13603.723112/2010-75, o Fisco considerou toda a operação como simulação e entendeu que as marcas VILMA e outras nunca saíram da titularidade da DOCIASA. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG, que houve por bem julgar procedente a Impugnação, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ganho de Capital. Hipótese legal de diferimento da tributação vigente até 21/11/2005. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. O valor da diferença apurada será controlado na parte ‘B’ do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (a) na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; e (b) proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observado o controle do ganho de capital na parte “B” do LALUR, a ser tributado quando houver alienação, liquidação, baixa ou qualquer tipo de realização. Até 21 de novembro de 2005, vigorou disposição expressa de lei que autorizava as empresas realizar planejamento fiscal ou tributário, permitindo a reavaliação de investimento com diferimento da tributação do ganho de capital, no caso de cessão do investimento, a valor de mercado, para integralizar capital em outra empresa. Era permitido que uma empresa integralizasse capital em outra empresa, mediante o seu investimento numa terceira empresa, a valor de mercado, sem, todavia, tributar o ganho de capital (diferença entre valor de mercado e de custo contábil da participação societária) decorrente dessa operação. No caso dos autos, a pessoa jurídica (sujeito passivo) valeu-se do investimento que possuía numa empresa que controlava, ao integralizar capital em outra, que também era sua controlada, mediante versão do patrimônio reavaliado a valor de mercado em procedimento de cisão parcial. É inegável que essa operação se subsume ao benefício fiscal que vigorava na data dessa operação. Numa operação seguinte, a empresa que recebeu o investimento foi num procedimento de ‘incorporação reversa’ incorporada por uma terceira empresa. Todavia, a operação de incorporação não era considerada como realização ou alienação para fins de tributação do ganho diferido, desde que a empresa subscritora (controladora) que inicialmente cedeu a sua participação societária reavaliada continuasse efetuando o controle desse ganho na parte ‘B’ do LALUR. Os procedimentos de reorganizações societárias entre empresas ligadas que resultaram no reconhecimento contábil do ganho de capital, informado na DIPJ, mas excluído na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL, se deram segundo o direito e a lei vigentes à época dos fatos. O diferimento do ganho de capital prevalecerá até o momento em que se operar a realização ou a alienação dessa participação, nas hipóteses previstas no próprio dispositivo legal. No caso, o contribuinte cumpre a determinação legal, controlando o valor da diferença diferida na parte ´B´ do LALUR, a ser adicionada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no período em que houver a qualquer título sua realização ou alienação, ainda que por meio de fusão, cisão ou incorporação. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado Tendo sido exonerado todo o crédito tributário, a decisão da DRJ foi submetida a reexame, via Recurso de Ofício. Embora intimada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional não se manifestou. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Consiste o presente processo em Autos de Infração lavrados contra a contribuinte INTERPAR PARTICIPAÇÕES LTDA., consubstanciados em lançamentos de IRPJ e CSLL, somados à multa de ofício e juros, decorrentes de suposta falta de contabilização de ganho de capital apurado em participação extinta em fusão, cisão ou incorporação, o que teria gerado redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 05/13). Inconformada com a lavratura dos Autos de Infração a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 371/396) baseada, em síntese, nos seguintes fundamentos: (i) Os Autos de Infração decorreram de outro lançamento fiscal, cujo sujeito passivo é a empresa Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A, referente aos anos-calendário de 2004 e 2005, no qual houve a glosa de amortização de ágio. Referida autuação originou o processo administrativo nº 13603.723112/2010-75 e os valores discutidos naqueles autos foram incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009. (ii) Demonstra que a amortização do ágio glosada da pessoa jurídica Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A originou-se de duas operações de reorganização societária. A glosa se deu sob o argumento de que o ágio decorreu de “operações irregulares, baseadas em simulações”. (iii) As operações societárias que culminaram na glosa da amortização de ágio em referido processo administrativo também foram objeto dos lançamentos que ora se analisam, quais sejam: REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DE 2004 As operações realizadas em 2004 envolveram as empresas Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A (“DOCIASA”), Inter Participações e Empreendimentos S/A e RRTM, da seguinte forma: a.1) Em 02.06.2003, a Inter Participações e Empreendimentos S/A adquiriu 99% das ações da empresa RRTM, por R$ 946.000,00; a.2) No mesmo dia, a Inter Participações e Empreendimentos S/A adquiriu as marcas comerciais (VILMA e outras) da sua controlada, Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A (“DOCIASA”), por R$ 315.671,74. a.3) Ainda na mesma data, a Inter Participações e Empreendimentos S/A integralizou aumento de capital na RRTM, mediante cessão das marcas comerciais (VILMA e outras); a.4) Em 12.04.2004, Inter Participações Empreendimentos S/A (controladora) aumentou capital na Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A (“DOCIASA”) com integralização mediante conferência de ações da RRTM, com ágio amparado em laudo de avaliação, nos seguintes valores: um lançamento de R$ 1.261.671,74 e um lançamento de R$ 59.135.325,00 (este na conta Reserva Especial de ágio); a.5) Em julho de 2004, a DOCIASA incorporou a RRTM pelo seu valor patrimonial, recebendo ágio para amortização (R$ 59.135.325,00). REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DE 2005 As operações realizadas em 2005 envolveram as empresas DOCIASA, Interpar Participações (“INTERPAR”) e DCPC Participações Ltda. (“DCPC”), da seguinte forma: b.1) Em 22/07/2005 foram constituídas duas novas empresas: Interpar Participações Ltda. (contribuinte interessada neste processo) e DCPC Participações Ltda., ambas tendo como sócios as pessoas físicas do Sr. Domingos Costa e da Sra. Patrícia Macedo Costa; b.2) Na primeira alteração contratual da Interpar Participações Ltda. os sócios pessoas físicas subscreveram e integralizaram aumento de capital de R$ 72.111.551,00 mediante entrega de 99.998 ações da empresa Inter Participações e Empreendimentos S/A e uma quota da empresa DCPC Participações Ltda; b.3) Na 1ª alteração contratual da DCPC, o sócio Sr. Domingos Costa retira-se dessa sociedade e entra em seu lugar a empresa INTERPAR. Nesta mesma oportunidade foi aprovado o aumento de capital da DCPC no valor de R$ 281.229.375,00, correspondente à absorção da parcela cindida a valor de mercado, passando o capital social a ser constituído por 281.229.375 quotas atribuídas à controladora, INTERPAR e 28.123 quotas atribuídas à sócia Patrícia Macedo Costa; b.4) No mesmo ato a sócia Patrícia Macedo Costa cede e transfere 9.998 quotas da DCPC para a sociedade INTERPAR. Como resultado, os sócios da DCPC Participações passam a ser: INTERPAR, com 9.999 quotas, e Patrícia Macedo Costa, com 1 quota. Aqui houve uma cisão parcial com parcelas da Inter Participações e Empreendimentos S/A sendo vertidas para DCPC (objeto dos autos); b.5) A parcela cindida da Inter Participações e Empreendimentos S.A vertida para a DCPC Participações Ltda. refere-se ao investimento que a cindida detinha na DOCIASA. Referido investimento foi integralizado a valor de mercado na DCPC, com base no artigo 36 da Lei nº 10.637/2002 (objeto dos autos); b.6) Com essa 2ª alteração, o capital da DCPC foi aumentado para R$ 281.229.375,00, com emissão de 281.229.375 novas quotas, no valor nominal de R$ 1,00 cada uma, da seguinte forma: 281.201.252 quotas a serem atribuídas à Interpar Participações Ltda. e 28.123 quotas a serem atribuídas à sócia Patrícia Macedo Costa; b.7) A 3ª alteração contratual da DCPC aprovou o Protocolo de Incorporação da DCPC pela DOCIASA, com extinção da DCPC. O patrimônio líquido da incorporada foi avaliado pelo valor contábil no montante de R$ 284.812.783,19. Tendo em vista todo o cenário acima exposto, além do lançamento constante no presente processo, dessa ação fiscal decorreram mais dois Autos de Infração distintos, quais sejam: (i) Processo nº 13603.723112/2010-75, cujo sujeito passivo é a empresa Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A, tendo sido lançados IRPJ, CSLL, mula qualificada de 150% e multas isoladas. Fundamentalmente, foram efetuadas glosas de despesas com amortização periódica de “ágio” gerado internamente, criado a partir de simulação de reorganização societária. Ao justificar a qualificação da multa, o Fisco considerou que as reorganizações societárias procedidas não passaram de simulação no intuito de obterem-se vantagens ilícitas, notadamente a de suprimir ou de não pagar os pertinentes tributos devidos. Nesse processo o sujeito passivo impugnou parcialmente a exigência, tendo decaído a discordância apenas na aplicação da multa de ofício qualificada em concomitância com as multas isoladas e posteriormente incluiu os valores ali discutidos no REFIS; (ii) Processo nº 13603.723111/2010-21, cujo sujeito passivo identificado naquela relação processual é a empresa Inter Participações e Empreendimentos S/A, tendo sido lançado IRPJ, CSLL e respectivas multas isoladas, decorrentes da realização da reserva de reavaliação, constituída em 2004, e utilizada para aumento de capital em 2005. Fundamentalmente, a realização da reserva especial de ágio, registrada em 12.04.2004, no Livro Diário da Impugnante, foi o que motivou o lançamento. Esse processo encontra-se aguardando julgamento no CARF. Os argumentos da contribuinte em sua Impugnação se baseiam quase que totalmente na justificativa das autoridades fiscais para lavrarem o Auto de Infração, cujo sujeito passivo é a empresa Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A (“DOCIASA”), em que foram desconsideradas todas as operações ocorridas por suposta simulação. Segundo o TVF que originou o referido processo administrativo, teria ocorrido “planejamento tributário, visando suprimir o recolhimento de valores relativos ao IRPJ e à CSLL, por via de criação de ágio amortizável, gerado através de simulação, com a aparente ocorrência de incorporações, cessão de direitos e alterações de domínio de capital social entre empresas do mesmo grupo ou simplesmente empresa-casca e cujas bases alegadas configuram-se mera transferência de riqueza ficta, exclusivamente para a consecução deste fim de evasão fiscal”. E ainda, segundo a contribuinte, no mesmo TVF o Fisco teria enfatizado o fato de que as marcas comerciais (VILMA e outras), que foram cedidas à Inter Participações, nunca foram efetivamente transferidas da Domingos Costa Indústrias Alimentícias S/A, que continuou sendo de fato e de direito, proprietária das mesmas (vide item a.2; a.3 e a.4). Com base nas justificativas utilizadas pelas autoridades fiscais no processo administrativo citado acima, a contribuinte se defende nesses autos argumentando que a operação que teria lhe resultado um ganho de capital não existiu, segundo comprovado pela própria fiscalização naqueles autos. Para justificar toda a operação efetuada e a não tributação no ganho de capital decorrente da integralização de capital feita pela Interpar Participações Ltda. na DCPC Participações, transferindo participação societária que detinha da DOCIASA (b.5 e b.7), a contribuinte alega que em outras oportunidades, quais sejam, no processo administrativo nº 13603.723112/2010-75, o Fisco considerou toda a operação como simulação e entendeu que as marcas VILMA e outras nunca saíram da titularidade da DOCIASA. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – MG, que houve por bem julgar procedente a Impugnação, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 Ganho de Capital. Hipótese legal de diferimento da tributação vigente até 21/11/2005. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. O valor da diferença apurada será controlado na parte ‘B’ do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (a) na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado; e (b) proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título. Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou incorporação, observado o controle do ganho de capital na parte “B” do LALUR, a ser tributado quando houver alienação, liquidação, baixa ou qualquer tipo de realização. Até 21 de novembro de 2005, vigorou disposição expressa de lei que autorizava as empresas realizar planejamento fiscal ou tributário, permitindo a reavaliação de investimento com diferimento da tributação do ganho de capital, no caso de cessão do investimento, a valor de mercado, para integralizar capital em outra empresa. Era permitido que uma empresa integralizasse capital em outra empresa, mediante o seu investimento numa terceira empresa, a valor de mercado, sem, todavia, tributar o ganho de capital (diferença entre valor de mercado e de custo contábil da participação societária) decorrente dessa operação. No caso dos autos, a pessoa jurídica (sujeito passivo) valeu-se do investimento que possuía numa empresa que controlava, ao integralizar capital em outra, que também era sua controlada, mediante versão do patrimônio reavaliado a valor de mercado em procedimento de cisão parcial. É inegável que essa operação se subsume ao benefício fiscal que vigorava na data dessa operação. Numa operação seguinte, a empresa que recebeu o investimento foi num procedimento de ‘incorporação reversa’ incorporada por uma terceira empresa. Todavia, a operação de incorporação não era considerada como realização ou alienação para fins de tributação do ganho diferido, desde que a empresa subscritora (controladora) que inicialmente cedeu a sua participação societária reavaliada continuasse efetuando o controle desse ganho na parte ‘B’ do LALUR. Os procedimentos de reorganizações societárias entre empresas ligadas que resultaram no reconhecimento contábil do ganho de capital, informado na DIPJ, mas excluído na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL, se deram segundo o direito e a lei vigentes à época dos fatos. O diferimento do ganho de capital prevalecerá até o momento em que se operar a realização ou a alienação dessa participação, nas hipóteses previstas no próprio dispositivo legal. No caso, o contribuinte cumpre a determinação legal, controlando o valor da diferença diferida na parte ´B´ do LALUR, a ser adicionada na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, no período em que houver a qualquer título sua realização ou alienação, ainda que por meio de fusão, cisão ou incorporação. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado Tendo sido exonerado todo o crédito tributário, a decisão da DRJ foi submetida a reexame, via Recurso de Ofício. Embora intimada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional não se manifestou. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13603.723217/2010­24  Resolução nº  1202­000.137  S1­C2T2  Fl. 1.073          2 (i)  Os  Autos  de  Infração  decorreram  de  outro  lançamento  fiscal,  cujo  sujeito  passivo  é  a  empresa  Domingos  Costa  Indústrias  Alimentícias  S/A,  referente  aos  anos­ calendário de 2004 e 2005, no qual houve a glosa de amortização de ágio. Referida autuação  originou o processo administrativo nº 13603.723112/2010­75 e os valores discutidos naqueles  autos foram incluídos no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009.  (ii) Demonstra que a amortização do ágio glosada da pessoa jurídica Domingos  Costa  Indústrias Alimentícias S/A originou­se de duas operações de reorganização societária.  A glosa se deu sob o argumento de que o ágio decorreu de “operações irregulares, baseadas  em simulações”.  (iii) As operações societárias que culminaram na glosa da amortização de ágio  em  referido  processo  administrativo  também  foram  objeto  dos  lançamentos  que  ora  se  analisam, quais sejam:  A)  REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DE 2004   As  operações  realizadas  em  2004  envolveram  as  empresas  Domingos  Costa  Indústrias  Alimentícias  S/A  (“DOCIASA”),  Inter  Participações  e  Empreendimentos  S/A  e  RRTM, da seguinte forma:  a.1) Em 02.06.2003, a Inter Participações e Empreendimentos S/A adquiriu 99%  das ações da empresa RRTM, por R$ 946.000,00;  a.2) No mesmo dia,  a  Inter  Participações  e Empreendimentos S/A  adquiriu  as  marcas  comerciais  (VILMA  e  outras)  da  sua  controlada,  Domingos  Costa  Indústrias  Alimentícias S/A (“DOCIASA”), por R$ 315.671,74.  a.3)  Ainda  na  mesma  data,  a  Inter  Participações  e  Empreendimentos  S/A  integralizou aumento de capital na RRTM, mediante cessão das marcas comerciais (VILMA e  outras);  a.4)  Em  12.04.2004,  Inter  Participações  Empreendimentos  S/A  (controladora)  aumentou  capital  na  Domingos  Costa  Indústrias  Alimentícias  S/A  (“DOCIASA”)  com  integralização  mediante  conferência  de  ações  da  RRTM,  com  ágio  amparado  em  laudo  de  avaliação, nos seguintes valores: um lançamento de R$ 1.261.671,74 e um lançamento de R$  59.135.325,00 (este na conta Reserva Especial de ágio);  a.5)  Em  julho  de  2004,  a  DOCIASA  incorporou  a  RRTM  pelo  seu  valor  patrimonial, recebendo ágio para amortização (R$ 59.135.325,00).  B)  REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DE 2005   As operações realizadas em 2005 envolveram as empresas DOCIASA, Interpar  Participações (“INTERPAR”) e DCPC Participações Ltda. (“DCPC”), da seguinte forma:  b.1)  Em  22/07/2005  foram  constituídas  duas  novas  empresas:  Interpar  Participações  Ltda.  (contribuinte  interessada  neste  processo)  e  DCPC  Participações  Ltda.,  ambas tendo como sócios as pessoas físicas do Sr. Domingos Costa e da Sra. Patrícia Macedo  Costa;  Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13603.723217/2010­24  Resolução nº  1202­000.137  S1­C2T2  Fl. 1.074          3 b.2) Na primeira alteração contratual da  Interpar Participações Ltda.  os  sócios  pessoas  físicas  subscreveram  e  integralizaram  aumento  de  capital  de  R$  72.111.551,00  mediante  entrega  de 99.998  ações  da  empresa  Inter Participações  e Empreendimentos S/A  e  uma quota da empresa DCPC Participações Ltda;  b.3) Na 1ª alteração contratual da DCPC, o sócio Sr. Domingos Costa retira­se  dessa sociedade e entra em seu  lugar a empresa  INTERPAR. Nesta mesma oportunidade  foi  aprovado  o  aumento  de  capital  da  DCPC  no  valor  de R$  281.229.375,00,  correspondente  à  absorção da parcela cindida a valor de mercado, passando o capital social a ser constituído por  281.229.375 quotas atribuídas à controladora,  INTERPAR e 28.123 quotas atribuídas à sócia  Patrícia Macedo Costa;  b.4) No mesmo ato a sócia Patrícia Macedo Costa cede e transfere 9.998 quotas  da DCPC  para  a  sociedade  INTERPAR. Como  resultado,  os  sócios  da  DCPC  Participações  passam  a  ser:  INTERPAR,  com  9.999  quotas,  e  Patrícia Macedo Costa,  com  1  quota. Aqui  houve  uma cisão  parcial  com  parcelas  da  Inter  Participações  e Empreendimentos S/A  sendo  vertidas para DCPC (objeto dos autos);  b.5) A  parcela  cindida  da  Inter  Participações  e  Empreendimentos  S.A  vertida  para  a  DCPC  Participações  Ltda.  refere­se  ao  investimento  que  a  cindida  detinha  na  DOCIASA. Referido investimento foi integralizado a valor de mercado na DCPC, com base no  artigo 36 da Lei nº 10.637/2002 (objeto dos autos);  b.6)  Com  essa  2ª  alteração,  o  capital  da  DCPC  foi  aumentado  para  R$  281.229.375,00, com emissão de 281.229.375 novas quotas, no valor nominal de R$ 1,00 cada  uma, da seguinte forma: 281.201.252 quotas a serem atribuídas à Interpar Participações Ltda. e  28.123 quotas a serem atribuídas à sócia Patrícia Macedo Costa;  b.7) A 3ª alteração contratual da DCPC aprovou o Protocolo de Incorporação da  DCPC  pela  DOCIASA,  com  extinção  da  DCPC.  O  patrimônio  líquido  da  incorporada  foi  avaliado pelo valor contábil no montante de R$ 284.812.783,19.  Tendo em vista todo o cenário acima exposto, além do lançamento constante no  presente  processo,  dessa  ação  fiscal  decorreram mais  dois Autos  de  Infração  distintos,  quais  sejam:  (i)  Processo  nº  13603.723112/2010­75,  cujo  sujeito  passivo  é  a  empresa  Domingos  Costa  Indústrias  Alimentícias  S/A,  tendo  sido  lançados  IRPJ,  CSLL,  mula  qualificada de 150% e multas isoladas. Fundamentalmente, foram efetuadas glosas de despesas  com  amortização  periódica  de  “ágio”  gerado  internamente,  criado  a  partir  de  simulação  de  reorganização  societária.  Ao  justificar  a  qualificação  da  multa,  o  Fisco  considerou  que  as  reorganizações  societárias  procedidas  não  passaram  de  simulação  no  intuito  de  obterem­se  vantagens ilícitas, notadamente a de suprimir ou de não pagar os pertinentes tributos devidos.  Nesse  processo  o  sujeito  passivo  impugnou  parcialmente  a  exigência,  tendo  decaído  a  discordância  apenas  na  aplicação  da  multa  de  ofício  qualificada  em  concomitância  com  as  multas isoladas e posteriormente incluiu os valores ali discutidos no REFIS;  (ii)  Processo  nº  13603.723111/2010­21,  cujo  sujeito  passivo  identificado  naquela relação processual é a empresa Inter Participações e Empreendimentos S/A, tendo sido  lançado  IRPJ,  CSLL  e  respectivas  multas  isoladas,  decorrentes  da  realização  da  reserva  de  reavaliação,  constituída  em  2004,  e  utilizada  para  aumento  de  capital  em  2005.  Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13603.723217/2010­24  Resolução nº  1202­000.137  S1­C2T2  Fl. 1.075          4 Fundamentalmente,  a  realização  da  reserva  especial  de  ágio,  registrada  em  12.04.2004,  no  Livro  Diário  da  Impugnante,  foi  o  que  motivou  o  lançamento.  Esse  processo  encontra­se  aguardando julgamento no CARF.   Os  argumentos  da  contribuinte  em  sua  Impugnação  se  baseiam  quase  que  totalmente  na  justificativa  das  autoridades  fiscais  para  lavrarem  o  Auto  de  Infração,  cujo  sujeito passivo é a empresa Domingos Costa  Indústrias Alimentícias S/A (“DOCIASA”), em  que foram desconsideradas todas as operações ocorridas por suposta simulação.  Segundo o TVF que originou o referido processo administrativo, teria ocorrido  “planejamento  tributário,  visando  suprimir  o  recolhimento  de  valores  relativos  ao  IRPJ  e  à  CSLL, por via de  criação de  ágio  amortizável,  gerado  através de  simulação,  com a  aparente  ocorrência de incorporações, cessão de direitos e alterações de domínio de capital social entre  empresas do mesmo grupo ou simplesmente empresa­casca e cujas bases alegadas configuram­ se mera transferência de riqueza ficta, exclusivamente para a consecução deste fim de evasão  fiscal”. E ainda, segundo a contribuinte, no mesmo TVF o Fisco teria enfatizado o fato de que  as marcas comerciais (VILMA e outras), que foram cedidas à Inter Participações, nunca foram  efetivamente  transferidas  da  Domingos  Costa  Indústrias  Alimentícias  S/A,  que  continuou  sendo de fato e de direito, proprietária das mesmas (vide item a.2; a.3 e a.4).  Com  base  nas  justificativas  utilizadas  pelas  autoridades  fiscais  no  processo  administrativo  citado  acima,  a  contribuinte  se  defende  nesses  autos  argumentando  que  a  operação que  teria  lhe  resultado um ganho de  capital  não  existiu,  segundo comprovado pela  própria fiscalização naqueles autos.  Para justificar  toda a operação efetuada e a não  tributação no ganho de capital  decorrente  da  integralização  de  capital  feita  pela  Interpar  Participações  Ltda.  na  DCPC  Participações,  transferindo  participação  societária  que  detinha  da  DOCIASA  (b.5  e  b.7),  a  contribuinte  alega  que  em  outras  oportunidades,  quais  sejam,  no  processo  administrativo  nº  13603.723112/2010­75, o Fisco considerou toda a operação como simulação e entendeu que as  marcas VILMA e outras nunca saíram da titularidade da DOCIASA.  Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento em Belo Horizonte – MG, que houve por bem julgar procedente a Impugnação, nos  termos da ementa abaixo reproduzida:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário:  2005 Ganho de Capital. Hipótese  legal  de  diferimento  da  tributação  vigente  até  21/11/2005.  Não  será  computada,  na  determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social  sobre  o  Lucro  Líquido  da  pessoa  jurídica,  a  parcela  correspondente  à  diferença  entre  o  valor  de  integralização  de  capital,  resultante  da  incorporação  ao  patrimônio  de  outra  pessoa  jurídica  que  efetuar  a  subscrição  e  integralização,  e  o  valor  dessa  participação  societária  registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica.  O valor da diferença apurada será controlado na parte ‘B’ do Livro de Apuração  do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base  de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (a) na alienação, liquidação ou baixa,  a  qualquer  título,  da  participação  subscrita,  proporcionalmente  ao  montante  realizado;  e  (b)  proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a  qual  a  participação  societária  tenha  sido  transferida  realizar  o  valor  dessa  participação,  por  Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13603.723217/2010­24  Resolução nº  1202­000.137  S1­C2T2  Fl. 1.076          5 alienação,  liquidação,  conferência  de  capital  em  outra  pessoa  jurídica,  ou  baixa  a  qualquer  título.  Não  será  considerada  realização  a  eventual  transferência  da  participação  societária  incorporada  ao  patrimônio  de  outra  pessoa  jurídica,  em  decorrência  de  fusão,  cisão  ou  incorporação,  observado  o  controle  do  ganho  de  capital  na  parte  “B”  do  LALUR,  a  ser  tributado quando houver alienação, liquidação, baixa ou qualquer tipo de realização.  Até 21 de novembro de 2005, vigorou disposição expressa de lei que autorizava  as  empresas  realizar  planejamento  fiscal  ou  tributário,  permitindo  a  reavaliação  de  investimento  com  diferimento  da  tributação  do  ganho  de  capital,  no  caso  de  cessão  do  investimento, a valor de mercado, para integralizar capital em outra empresa.  Era  permitido  que  uma  empresa  integralizasse  capital  em  outra  empresa,  mediante o seu investimento numa terceira empresa, a valor de mercado, sem, todavia, tributar  o  ganho  de  capital  (diferença  entre  valor  de  mercado  e  de  custo  contábil  da  participação  societária) decorrente dessa operação.  No caso dos autos, a pessoa jurídica (sujeito passivo) valeu­se do investimento  que possuía numa empresa que controlava,  ao  integralizar  capital  em outra,  que  também era  sua controlada, mediante versão do patrimônio reavaliado a valor de mercado em procedimento  de cisão parcial. É inegável que essa operação se subsume ao benefício fiscal que vigorava na  data dessa operação.  Numa  operação  seguinte,  a  empresa  que  recebeu  o  investimento  foi  num  procedimento  de  ‘incorporação  reversa’  incorporada  por  uma  terceira  empresa.  Todavia,  a  operação  de  incorporação  não  era  considerada  como  realização  ou  alienação  para  fins  de  tributação do ganho diferido, desde que a empresa subscritora (controladora) que inicialmente  cedeu a sua participação societária reavaliada continuasse efetuando o controle desse ganho na  parte ‘B’ do LALUR.  Os  procedimentos  de  reorganizações  societárias  entre  empresas  ligadas  que  resultaram no reconhecimento contábil do ganho de capital, informado na DIPJ, mas excluído  na apuração do  lucro  real e na base de cálculo da CSLL,  se deram segundo o direito e  a  lei  vigentes à época dos fatos.  O diferimento do ganho de capital prevalecerá até o momento em que se operar  a  realização ou a alienação dessa participação, nas hipóteses previstas no próprio dispositivo  legal.  No  caso,  o  contribuinte  cumpre  a  determinação  legal,  controlando  o  valor  da  diferença diferida na parte ´B´ do LALUR, a ser adicionada na determinação do lucro real e da  base  de  cálculo  da  CSLL,  no  período  em  que  houver  a  qualquer  título  sua  realização  ou  alienação, ainda que por meio de fusão, cisão ou incorporação.  Impugnação  Procedente.  Crédito  Tributário  Exonerado  Tendo  sido  exonerado  todo o  crédito  tributário,  a decisão da DRJ  foi  submetida  a  reexame, via Recurso de Ofício.  Embora intimada da decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional não se manifestou.  Oportunamente  os  autos  foram  encaminhados  a  este  Colegiado.  Tendo  sido  designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso.  É o relatório.  Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13603.723217/2010­24  Resolução nº  1202­000.137  S1­C2T2  Fl. 1.077          6   Voto   Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator   A  decisão  de  primeira  instância  foi  totalmente  favorável  à  contribuinte,  conforme  Acórdão  nº  02­33.513  da  2ª  Turma  da  DRJ/BH,  que  exonerou  todo  o  crédito  tributário consubstanciado nos Autos de Infração.   Assim, com vistas à exoneração do crédito tributário, recorreu a DRJ/BHE, via  Recurso  de  Ofício,  que  recebo  nos  moldes  da  Portaria  MF  nº  3/2008  e  do  artigo  2º  do  Regimento interno do CARF, abaixo transcritos:   “Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita  Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a  decisão exonerar o  sujeito passivo do pagamento de  tributo e  encargos  de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).  Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser  verificado por processo’`.   “Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e  julgar recursos de ofício e  voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação  da legislação de:  I­ Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ);  II ­ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);”  Passo, então, à análise da decisão objeto do Recurso de Ofício.  Primeiramente, a decisão recorrida analisa os argumentos da contribuinte que se  reportam a outro processo administrativo relacionado às operações que resultaram no presente  lançamento. A  decisão  da DRJ  entende  que “a  fundamentação  e  os motivos  utilizados  pelo  Fisco para efetuar aquela autuação, invocados pela defesa, a seu favor, para desconstituir o  presente  lançamento,  por  si  só,  não  são  determinantes  para  tanto,  primeiro  porque  os  processos  são  independentes,  os  sujeitos  passivos  e  as  infrações  são  distintos  e,  principalmente, os  fatos  jurídicos dos quais decorrem as  infrações capituladas  são diversos,  possuindo, cada qual, os seus efeitos tributários próprios”.  Todavia,  conforme  indicado  no  Relatório  as  operações  societárias  que  teriam  dado origem ao  ganho de  capital  objeto  do  presente  lançamento  foram  discutidas  em outros  dois processos administrativos, os quais estão intrinsicamente relacionados com este.  Em  um  desses  processos,  qual  seja,  o  Processo  Administrativo  nº  13603.723112/2010­75,  tendo  como  sujeito  passivo Domingos Costa  Indústrias Alimentícias  S.A,  segundo  informações  da  própria  contribuinte,  os  valores  ali  discutidos  teriam  sido  incluídos no REFIS, instituído pela Lei nº 11.941/2009.  De acordo com os documentos que tivemos acesso e com trechos do Termo de  Verificação  Fiscal  transcritos  pela  contribuinte  em  sua  Impugnação,  naqueles  autos  as  Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 13603.723217/2010­24  Resolução nº  1202­000.137  S1­C2T2  Fl. 1.078          7 autoridades  fiscais  teriam  considerado  a  existência  de  uma  simulação  nas  operações  de  reorganização societária e  teriam chegado à conclusão de que algumas das etapas não  teriam  efetivamente ocorrido, aplicando a multa qualificada de 150%.  Quanto  ao  outro  processo  administrativo  de  nº  13603.723111/2010­21,  cujo  sujeito passivo  é  Inter Participações  e Empreendimentos S/A, o mesmo  se encontra neste E.  Conselho,  tendo  sido  encaminhado para minha  relatoria. O  lançamento  efetuado em  referido  processo também decorre da mesma reorganização societária relatada anteriormente.  Tendo em vista a indiscutível relação entre os três processos administrativos, e a  importância  em  entender  os motivos  pelos  quais  a  D.  Fiscalização  considerou  as  operações  como  simulação  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  13603.723112/2010­75,  se  torna  essencial um exame detalhado dos referidos autos, desde o Termo de Verificação Fiscal até o  eventual termo de adesão do contribuinte ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009,  pois existe a possibilidade de interferência no julgamento do presente processo.  Dessa  forma,  proponho  a  conversão  do  julgamento  do  recurso  em  DILIGÊNCIA, retornando o presente processo à unidade de origem (DRJ/BH) para que os três  processos  administrativos  (Processo  nº  13603.723217/2010­24,  13603.723112/2010­75  e  13603.723111/2010­21) sejam apensados e para que a unidade de origem se manifeste acerca  dos seguintes pontos:  a) esclarecer, com base no Termo de Verificação Fiscal e na decisão de primeira  instância  referente  ao  Processo  Administrativo  nº  13603.723112/2010­75,  os  motivos  pelos  quais  foi  considerada  a  existência  de  simulação  nas  operações  de  reorganização  societária  ocorridas  em  2004  e  2005  e  quais  dessas  operações  foram  desconsideradas  pela  D.  Fiscalização;  b)  confirmar  se  os  valores  discutidos  naqueles  autos  foram  efetivamente  incluídos no Refis instituído pela Lei nº 11.941/2009;  c)  cientificar  a  contribuinte  e  a  Procuradoria  da  Fazenda Nacional  acerca  das  conclusões  dessa  diligência  e  do  apensamento  dos  autos,  com  intimação  para,  querendo,  se  manifestarem, no prazo de 30 dias;  d)  após,  retornem os  autos  a  este E. Conselho para  julgamento do Recurso de  Ofício.  É como voto.  (documento assinado digitalmente)  Geraldo Valentim Neto      Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 30/11/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON LOSSO FILHO

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Numero do processo: 11444.000351/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2008 EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS, ficando sujeitos os agentes políticos e as respectivas pessoas jurídicas de direito público interno às obrigações tributárias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial. AUTO DE INFRAÇÃO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. LEGITIMIDADE AD PROCESSUM. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome da pessoa jurídica de direito público interno, sempre que a auditoria fiscal se desenvolver no órgão público da administração direta, seguido da identificação do órgão fiscalizado, devendo constar do relatório fiscal a identificação dos respectivos dirigentes e os correspondentes períodos de gestão. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. Não enseja nulidade do lançamento a lavratura de Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico em que se houve por lavrado o auto. Súmula nº 6 do CARF. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela por ela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada, em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. CARF. COMPETÊNCIA. À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente, a competência para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação aplicável a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, e sobre a aplicação de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente a tal tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2429; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 136          1 135  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11444.000351/2010­06  Recurso nº  002.138   Voluntário  Acórdão nº  2302­002.138  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de outubro de 2012  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ­ AIOP  Recorrente  MUNICÍPIO DE GUAIMBÊ ­ CÂMARA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2008  EXERCENTE  DE  MANDATO  ELETIVO  FEDERAL,  ESTADUAL,  DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE NÃO AMPARADO  POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS.  As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou  municipal,  não  amparadas,  nessa  qualidade,  por  Regime  Próprio  de  Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS,  ficando  sujeitos  os  agentes  políticos  e  as  respectivas  pessoas  jurídicas  de  direito público interno às obrigações tributárias fixadas na Lei de Custeio da  Seguridade Social.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRAZO  DECADENCIAL.  CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  exarado  na  Súmula  Vinculante  nº  8,  no  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.  Incidência  do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.  Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos  em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  PESSOA  JURÍDICA  DE  DIREITO  PÚBLICO  INTERNO. LEGITIMIDADE AD PROCESSUM.  Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em  nome  da  pessoa  jurídica  de  direito  público  interno,  sempre  que  a  auditoria  fiscal  se  desenvolver  no  órgão  público  da  administração  direta,  seguido  da  identificação  do  órgão  fiscalizado,  devendo  constar  do  relatório  fiscal  a  identificação  dos  respectivos  dirigentes  e  os  correspondentes  períodos  de  gestão.  AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 03 51 /2 01 0- 06 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     2 Não enseja nulidade do  lançamento a  lavratura de Auto de Infração fora do  estabelecimento  do  contribuinte.  O  local  da  verificação  da  falta  está  vinculado  à  jurisdição  e  à  competência  da  autoridade,  sendo  irrelevante  o  local físico em que se houve por lavrado o auto. Súmula nº 6 do CARF.  AUTO DE  INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  PENALIDADE  PELO  DESCUMPRIMENTO.  PRINCÍPIO  TEMPUS REGIT ACTUM.  As multas  decorrentes  do  descumprimento  de obrigação  tributária  principal  foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação  ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35­A à Lei nº 8.212/91.   Na  hipótese  de  lançamento  de  ofício,  por  representar  a  novel  legislação  encartada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um  tratamento  mais  gravoso  ao  sujeito  passivo,  inexistindo  hipótese  de  a  legislação  superveniente  impor  multa  mais  branda  que  aquela  por  ela  revogada,  sempre  incidirá ao  caso o princípio  tempus  regit  actum,  devendo  ser  aplicada,  em  cada  competência,  a  legislação  pertinente  à  multa  por  descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato  gerador não adimplido.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  MOMENTO  PRÓPRIO.  JUNTADA  DE  NOVOS  DOCUMENTOS  APÓS  PRAZO  DE  DEFESA.  REQUISITOS  OBRIGATÓRIOS.  A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamentar,  bem  como  os  pontos  de  discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento processual,  salvo  nas  hipóteses  taxativamente  previstas  na  legislação  previdenciária,  sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.  CARF. COMPETÊNCIA.  À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente,  a  competência  para  processar  e  julgar  recursos  de  ofício  e  voluntário  de  decisão  de  primeira  instância  que  versem  sobre  aplicação  da  legislação  aplicável a Contribuições Previdenciárias,  inclusive as  instituídas a  título de  substituição e as devidas a terceiros, e sobre a aplicação de penalidades pelo  descumprimento  de  obrigações  acessórias  pelas  pessoas  físicas  e  jurídicas,  relativamente a tal tributo.  Recurso Voluntário Provido em Parte       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,  por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  A  multa  deve  ser  calculada  considerando  as  disposições do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.876/99, para o período  anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008.        Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta.   Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 137          3   Arlindo da Costa e Silva ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Liége  Lacroix  Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice­presidente de  turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho  Cruz e Arlindo da Costa e Silva.      Relatório  Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2008  Data da lavratura do AIOP: 19/04/2010.  Data da Ciência do AIOP: 27/04/2010.    Trata­se  de  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  mediante  a  qual  se  formaliza o  lançamento de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade  Social  a  cargo  dos  exercentes  de  mandato  eletivo  municipal,  na  qualidade  de  segurados  empregados, nos termos do art. 12, I, ‘j’ da Lei nº 8.212/91, incidentes sobre seus respectivos  Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 20/28.  As  remunerações  dos  segurados  empregados,  assim  considerados  os  exercentes de mandato eletivo municipal – vereadores ­, (art. 12, inciso I, alínea ‘j’ da Lei nº  8.212/91),  foram  apuradas  com  base  na Relação  de  Pagamentos  dos Vereadores  da Câmara  Municipal de Guaimbê,  referente ao período de 04/2005 a 12/2008, a fls. 63/107 do Auto de  Infração  nº  37.267.652­9,  COMPROT  Nº  11444.000350/2010­53,  lavrado  na  mesma  ação  fiscal.  A  contribuição  dos  segurados  empregados  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração foram determinadas em conformidade com a memória de cálculo apresentada no item  3, b. do Relatório Fiscal, a fl. 22.    Irresignado  com o  supracitado  lançamento  tributário,  o Autuado apresentou  impugnação a fls. 35/68.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto/SP  lavrou  Decisão  Administrativa  textualizada  no  Acórdão  a  fls.  85/95,  julgando  procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade.  O  Sujeito  Passivo  foi  cientificado  da  decisão  de  1ª  Instância  no  dia  11  de  abril de 2011, conforme Avisos de Recebimento a fls. 99/100.  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     4 Inconformado  com  a  decisão  exarada  pelo  órgão  administrativo  julgador  a  quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 101/132, respaldando sua contrariedade  em argumentação desenvolvida nos seguintes termos:   · Nulidade total da presente autuação, por ausência de capacidade jurídica  do poder legislativo local;   · Nulidade  da  autuação  pelo  não  atendimento  aos  requisitos  mínimos  de  lavratura de auto infracional;   · Desnecessidade  de  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias  por  parte de agentes políticos;   · Decadência parcial;     Ao fim,  requer o Recorrente a declaração de nulidade do Auto de  Infração.  Alternativamente,  requer  o  reconhecimento  da  decadência  parcial  das  obrigações  tributárias  que integram o vertente lançamento tributário.  Relatados sumariamente os fatos relevantes.    Voto             Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator.  1.   DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE   O sujeito passivo  foi  valida  e eficazmente  cientificado da decisão  recorrida  em 11/04/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09 de maio do mesmo  ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto.  Superado  o  pressuposto  temporal,  presente  os  demais  requisitos  de  admissibilidade do recurso, dele conheço.    2.   DAS PRELIMINARES  2.1.   DA DECADÊNCIA.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  exarado  na  Súmula  Vinculante  nº  8,  em  julgamento  realizado  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu  a  inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem:  Súmula  Vinculante  nº  8  ­  “São  inconstitucionais  o  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da  Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito  tributário”.    Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 138          5 Conforme  estatuído  no  art.  103­A  da  Constituição  Federal,  a  Súmula  Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela  Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá­la de imediato.  Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.    Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos  45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo  inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência.   O  instituto  da  decadência  no  Direito  Tributário,  malgrado  respeitadas  posições  em  sentido  diverso,  encontra­se  regulamentado  no  art.  173  do  Código  Tributário  Nacional ­ CTN, que reza ipsis litteris:  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.    Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302­ 01.387  proferido  nesta  2ª  TO/3ª  CÂMARA/2ª  SEJUL/CARF/MF/DF,  na  Sessão  de  26  de  outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/2008­65, convicto encontra­se este  Conselheiro  de  que,  após  a  implementação  do  sistema  GFIP/SEFIP,  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  não  mais  se  enquadra  na  sistemática  de  lançamento  por  homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN.  De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do  Processo Administrativo Fiscal  referido nos parágrafos  anteriores,  entende este  relator que o  lançamento tributário encontra­se perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela  assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de  publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não,  atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária,  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     6 em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte  produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial.  Ocorre,  todavia,  que  o  entendimento majoritário  desta  2ª  Turma Ordinária,  em  sua  escalação  titular,  se  inclina  à  tese  de  que  ao  lançamento  de  contribuições  previdenciárias cujos fatos geradores somente poderiam ter sido apurados mediante ação fiscal,  aplicar­se­ia o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro.  Por outro viés,  consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em  relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve  ser  aplicado  o  preceito  inscrito  no  parágrafo  4º  do  art.  150  do CTN,  excluindo­se  o  crédito  tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos  tributos  cuja  legislação  atribua  ao  sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar  o  pagamento  sem  prévio  exame  da  autoridade  administrativa, opera­se pelo ato em que a referida autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado, expressamente a homologa.  §1º  O  pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue  o  crédito,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação ao lançamento.  §2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o  caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação.  §4º  Se  a  lei  não  fixar  prazo  a  homologação,  será  ele  de  cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.    Art.  173.  O  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento poderia ter sido efetuado;  II  ­  da  data  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue­se  definitivamente  com  o  decurso  do  prazo  nele  previsto,  contado  da  data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento.    Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostra­se isolado  neste Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior,  curvo­me ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio  iuris  dos demais Conselheiros.   Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 139          7   No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos  de que, em favor da rubrica objeto do lançamento, não se houve por efetuado qualquer prévio  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias.  Tal  circunstância  nos  é  trazida  não  somente  pela narrativa dos fatos, mas, também, pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de  Débito  a  fls.  06/13,  não  consta  qualquer  crédito  a  favor  da  Autuada,  tampouco  integra  o  Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Além disso, as importâncias relativas  à em foco também não foram declaradas nas GFIP correspondentes.  Tal  conclusão  é  corroborada  pelo  fato  de  o  Recorrente  não  entender  que  sobre a remuneração de agentes políticos não há incidência de contribuições previdenciárias.  Nessas  circunstâncias,  somente  pelo  desenvolvimento  de  uma  ação  fiscal  específica nas dependências do órgão público em questão é que os  fatos geradores objeto do  presente lançamento poderiam ser apurados.   Nessa  perspectiva,  a  análise  da  subsunção  do  fato  in  concreto  à  norma  de  regência  revela que,  ao  caso  sub  examine, opera­se  a  incidência das disposições  inscritas no  inciso I do transcrito art. 173 do CTN.   Assim  delimitadas  as  circunstâncias  materiais  do  lançamento,  nesse  específico particular, tendo sido a ciência do lançamento realizada no dia 27 de abril de 2010,  este  alcançaria  todos  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  da  competência  dezembro/2004,  inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano.    Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo  decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário.  O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício  de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no  recolhimento das exações em apreço.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de  contribuições  tratadas  nesta  Lei,  ou  em  caso  de  falta  de  pagamento  de  benefício  reembolsado,  a  fiscalização  lavrará  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que  se referem, conforme dispuser o regulamento.  Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou  segurado  terá  o  prazo  de  15  (quinze)  dias  para  apresentar  defesa, observado o disposto em regulamento.    De  outro  canto,  o  art.  30  do mesmo Diploma  Legal,  na  redação  vigente  à  época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as  contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios  do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência.  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     8 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991  Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de  outras  importâncias  devidas  à  Seguridade  Social  obedecem  às  seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93)   I ­ a empresa é obrigada a:   a)  arrecadar  as  contribuições  dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço,  descontando­as  da  respectiva remuneração;     b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a  contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como  as  contribuições a  seu  cargo  incidentes  sobre as  remunerações  pagas,  devidas  ou  creditadas,  a  qualquer  título,  aos  segurados  empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a  seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência;  (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).    No  caso  da  competência  dezembro,  até  que  se  expire  o  prazo  para  o  recolhimento,  diga­se,  o  dia  02  de  janeiro  do  ano  seguinte,  não  pode  a  autoridade  administrativa  proceder  ao  lançamento  de  oficio,  eis  que  o  sujeito  passivo  ainda  não  se  encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Trata­se de concepção análoga  ao  o  princípio  da  actio  nata,  impondo­se  que  o  prazo  decadencial  para  o  exercício  de  um  direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor  pode, efetivamente, exerce­lo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês  de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte.   Nesse  contexto,  a  contagem do  prazo  decadencial  assentado  no  inciso  I  do  art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º  de janeiro do ano xx + 2.  Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal  de  Justiça  assentou  em  sua  jurisprudência  a  interpretação  que  deve  prevalecer,  espancando  definitivamente  qualquer  controvérsia  ainda  renitente,  conforme  dessai  em  cores  vivas  do  julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no  Recurso Especial nº 674.497, assim ementado:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  CTN.  DECADÊNCIA.  ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE.  1.  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional  objetivando  afastar  a  decadência  de  créditos  tributários  referentes a  fatos geradores ocorridos em dezembro  de 1993.   2.  Na  espécie,  os  fatos  geradores  do  tributo  em  questão  são  relativos  ao  período  de  1º  a  31.12.1993,  ou  seja,  a  exação  só  poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo  assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve  início  somente  em  1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000.  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 140          9 Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999,  tem­se por não consumada a decadência, in casu.   3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.    No  caso  vertente,  o  prazo  decadencial  relativo  às  obrigações  tributárias  nascidas na competência dezembro de 2004 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro  de  2006,  o  que  implica  dizer  que  a  constituição  do  crédito  tributário  referente  aos  fatos  geradores  ocorridos  nessa  competência  poderia  ser  objeto  de  lançamento  até  o  dia  31  de  dezembro de 2010, inclusive.    Pelo  exposto,  consoante  o  entendimento  majoritário  deste  Sodalício,  não  demanda áurea mestria concluir que as obrigações  tributárias objeto do presente  lançamento,  em  sua  integralidade,  não  se  houveram  ainda  por  finadas  pela  algozaria  do  instituto  da  decadência tributária.    2.2.  DA ALEGADA NULIDADE DO LANÇAMENTO  Alega  o  Recorrente  nulidade  total  da  presente  autuação,  por  ausência  de  capacidade jurídica do poder legislativo local.  Pugna,  igualmente,  pela  nulidade  da  autuação  pelo  não  atendimento  aos  requisitos mínimos de lavratura de auto infracional.  A razão, todavia, não lhe sorri.    O Recorrente introduziu nos autos extenso arrazoado acerca da legitimidade  ad processum do Poder Legislativo Municipal, máxime  em  razão  da  carência  de  capacidade  jurídica da Câmara municipal, desperdiçando a específica oportunidade concedida pela lei para  se manifestar nos  autos, no pleno exercício do seu constitucional direito ao contraditório e  à  ampla defesa, para atacar os reais motivos ensejadores da autuação e espancar os fatos sobre os  quais se escorou o órgão julgador a quo, no juízo negativo de provimento da impugnação.  Com  efeito,  como  muito  bem  reconhecido  pelo  Autuado,  a  Câmara  Municipal não detém personalidade jurídica,  tampouco capacidade processual para figurar no  polo passivo da  relação  jurídica  tributária,  sendo o município  a pessoa  jurídica própria  a  ser  demandada  nos  eventuais  lançamentos  de  ofício  visando  à  constituição  de  crédito  tributário  relativo  a  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  os  fatos  geradores  específicos  apurados nas ordens daquele Órgão Legislativo Municipal, em atenção ao preceito inscrito no  inciso II do art. 12 do Código de Processo Civil.  Código de Processo Civil   Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente:  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     10 I ­ a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, por  seus procuradores;  II ­ o Município, por seu Prefeito ou procurador;  (...)    Ocorre, todavia, que, conforme avulta da Folha de Rosto do Auto de Infração  ora em apreciação, o  lançamento sobre o qual nos debruçamos não se houve por lavrado em  face da Câmara Municipal do Município de Guaimbê, como assim  identificaram os olhos do  Recorrente,  mas,  sim,  em  desfavor  do  próprio  Município  de  Guaimbê,  pessoa  jurídica  de  direito  público  Interno,  CNPJ  49.890.171/0001­22,  contribuinte  do  Regime  Geral  de  Previdência Social nos termos do art. 15, I da Lei nº 8.212/91.  Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 15. Considera­se:   I ­ empresa ­ a firma individual ou sociedade que assume o risco  de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou  não, bem como os órgãos e entidades da administração pública  direta, indireta e fundacional; (grifos nossos)   II  ­  empregador  doméstico  ­  a  pessoa  ou  família  que  admite  a  seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico.   Parágrafo  único. Equipara­se  a  empresa,  para  os  efeitos  desta  Lei,  o  contribuinte  individual  em  relação  a  segurado  que  lhe  presta  serviço,  bem  como  a  cooperativa,  a  associação  ou  entidade  de  qualquer  natureza  ou  finalidade,  a  missão  diplomática  e  a  repartição  consular  de  carreira  estrangeiras.  (Redação dada pela Lei nº 9.876/99).    Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002.  Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno:  I ­ a União;  II ­ os Estados, o Distrito Federal e os Territórios;  III ­ os Municípios; (grifos nossos)   IV ­ as autarquias,  inclusive as associações públicas;  (Redação  dada pela Lei nº 11.107/2005)  V ­ as demais entidades de caráter público criadas por lei.  Parágrafo  único.  Salvo  disposição  em  contrário,  as  pessoas  jurídicas  de  direito  público,  a  que  se  tenha  dado  estrutura  de  direito  privado,  regem­se,  no  que  couber,  quanto  ao  seu  funcionamento, pelas normas deste Código.    As normas e procedimento internos de auditoria da RFB não se distraíram em  tal  cuidado,  determinando  expressamente  que  nos  procedimentos  fiscais  desenvolvidos  em  órgãos  da  administração  pública  direta,  as  eventuais  notificações  de  lançamento  devem  ser  emitidas  em  nome  do  ente  estatal,  com  a  identificação  do  CNPJ  dos  respectivos  órgãos,  seguido  da  identificação  do  órgão,  devendo  constar  do  relatório  fiscal  a  identificação  do  dirigente e respectivo período de gestão, a teor do art. 639 da IN SRP nº 3/2005.  Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005   Fl. 145DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 141          11 Art.  639.  Em  se  tratando  de  órgão  da  Administração  Pública  direta, a NFLD será  lavrada em nome da União, do estado, do  Distrito  Federal  ou  do  município,  seguido  da  identificação  do  órgão,  devendo  constar  do  relatório  fiscal  a  identificação  do  dirigente e respectivo período de gestão.    Correto,  portanto,  o  procedimento  conduzido  pelo  agente  fiscal  ao  lavrar  o  vertente  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  em  nome  da  pessoa  jurídica  de  direito  público  interno,  in  casu,  o  município  de  Guaimbê,  e  ao  notificar  a  pessoa  do  Prefeito  Municipal,  representante  legal  do  ente  público  em  questão,  inexistindo  qualquer  vício  de  legitimidade a  justificar a alegação de nulidade do procedimento  tão credulamente defendida  pelo Recorrente.    Também  se  revela  improcedente  a  alegação  de  carência  de  requisitos  mínimos para a lavratura da vertente notificação de lançamento.  Reza o art. 37 da Lei nº 8.212/91 que, constatado o atraso total ou parcial no  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias  a  fiscalização  tem,  por  dever  de  ofício,  que  lavrar  a  competente  notificação  de  débito,  com  discriminação  clara  e  precisa  dos  fatos  geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem.  Compulsando  os  autos  do  processo  verifica­se  que  o  Relatório  Fiscal  destacou com clareza solar os motivos ensejadores da lavratura do vertente Auto de Infração de  Obrigação  Principal,  consubstanciados  nas  remunerações  pagas  a  exercentes  de  mandatos  eletivos municipais (Vereadores), qualificados pela Lei de Custeio da Seguridade Social como  integrantes da categoria de “segurados empregados", nos  termos da alínea “j” do  inciso  I do  art. 12 da Lei n° 8.212/91, fatos geradores esses que deixaram de ser declaradas nas respectivas  GFIP, como assim determina taxativamente o inciso IV do art. 32 do Diploma Legal em foco.  Na mesma esteira, o Discriminativo de Débito a fls. 06/13 descreve, de forma  analítica,  discriminados  por  estabelecimento  do  Recorrente,  competência,  levantamento,  código e descrição do lançamento, o montante da base de cálculo apurada, a descrição e valor  de cada rubrica lançada, bem como suas correspondentes alíquotas de incidência, valor líquido  devido em cada competência assim como os respectivos acréscimos legais.  O  montante  da  base  de  cálculo  lançada  também  pode  ser  sindicado  e  conferido  pelo  confronto  com  as  Relações  de  Pagamentos  dos  Vereadores  fornecidos  pelo  próprio ente fiscalizado, a fls. 63/107 dos autos.  Os Relatórios Fiscais integrantes do Processo Administrativo Fiscal em foco  descrevem  pormenorizadamente  toda  a  fundamentação  legal  que  oferece  esteio  jurídico  ao  lançamento tributário ora em julgo, com especial destaque ao FLD ­ Fundamentos Legais do  Débito, a fls. 14/15, o qual houve­se por elaborado de maneira extremamente individualizada  por  lançamento,  sendo  estruturado  de  forma  atomizada  por  tópicos  específicos  condizentes  com  os mais  diversos  e  variados  aspectos  relacionados  com  procedimento  fiscal  e  o  crédito  tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal,  todos  os  instrumentos  normativos  que  dão  esteio  às  atribuições  e  competências  do  auditor  fiscal,  às  contribuições  sociais  lançadas  e  seus  acessórios  pecuniários,  às  substituições  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     12 tributárias,  aos  prazos  e  obrigações  de  recolhimento,  às  obrigações  acessórias  pertinentes  ao  caso  espécie,  dentre  outras,  especificando,  não  somente  o  Diploma  Legal  invocado,  mas,  igualmente,  os  dispositivos  normativos  correspondentes,  permitindo  ao  Increpado  a  perfeita  compreensão dos fundamentos e razões da autuação.  O lançamento encontra­se revestido de todas as formalidades exigidas por lei,  dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIPF e TEPF, dentre outros, havendo  sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente  feito, restando­lhe garantido, dessarte, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.  Em  cumprimento  às  determinações  estatuídas  pelo  art.  10  do  Decreto  nº  70.235/72,  verificamos  que  todos  os  elementos  essenciais  pertinentes  ao  instrumento  de  lançamento nele previsto encontram­se presentes no Auto de Infração de Obrigação Principal  em foco.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação para cumpri­la  ou impugná­la no prazo de trinta dias;  VI  ­  a  assinatura  do  autuante  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função e o número de matrícula.    Cumpre alertar o Recorrente, dada a sua relevância, que o preceito inscrito no  inciso  II  do  referido  art.  10 do Decreto n° 70.235/72 exige que no Auto de  Infração  conste,  expressamente, o local, a data e a hora de sua lavratura, estando o termo “local” empregado em  seu  sentido  de  “localidade”,  para  fins  de  determinação  de  jurisdição  e  competência  da  autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto.   Olhando  com  os  olhos  de  ver,  constata­se  que  a  lei  que  rege  o  Processo  Administrativo  Fiscal  não  exige  que  o  Auto  de  Infração  seja  lavrado  nas  dependências  do  estabelecimento  do  Autuado,  como  assim  interpreta  de  forma  tendenciosa  e  equivocada  o  Recorrente,  nada  impedindo  que  seja  formalizado  na  própria  repartição  fiscal  circunscricionante,  e  não  propriamente  no  local  onde  foi  praticada  a  infração,  desde  que  a  autoridade  lançadora  possua  os  dados  e  informações  necessárias  e  indispensáveis  à  sua  formalização.  Nesse  sentido  já  se posicionou a  jurisprudência  administrativa do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  conforme  se  depreende  dos  termos  que  textualizam  o  verbete de sua Súmula nº 6, in verbis:  Súmula CARF nº 6:  É  legítima a  lavratura de auto de  infração no  local em que  foi  constatada  a  infração,  ainda  que  fora  do  estabelecimento  do  contribuinte.    Fl. 147DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 142          13 Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal  é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício  de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou  não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como  oficiosa  ou  não  contenciosa,  a  autoridade  administrativa  procede  à  coleta  de  informações,  dados e elementos de prova, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e  fiscais,  tendentes  ao  apuro  de  eventual  ocorrência  de  fatos  geradores  de  obrigação  tributária  principal e/ou acessória.  Sublinhe­se  que,  tanto  as  provas  coletadas  diretamente  pela  fiscalização  quanto  àquelas  obtidas  por  intermédio  dos  trabalhos  complementares  de  investigação  não  se  submetem,  nesta  fase  do  procedimento,  ao  crivo  do  contraditório  e  da  ampla  defesa,  direito  constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento  processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento,  oportunidade  em  que  se  instaura  a  fase  contenciosa  do  Processo Administrativo  Fiscal,  nos  termos  do  art.  14  do  Decreto  nº  70.235/72,  quando  então  o  contribuinte  tem  ao  seu  inteiro  dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.    Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Tal  compreensão  é  corroborada  pelos  termos  consignados  no  inciso LV do  art.  5º  da  Constituição  Federal  que  assegura  aos  litigantes,  nos  processos  judiciais  e  administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio  após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência  de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com  a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é  instaurada  a  fase  contraditória)  ou,  exercendo  o  direito  de  defesa  e  do  exercício  do  contraditório,  poderá  impugnar  o  lançamento,  instaurando  assim  a  fase  litigiosa  do  procedimento fiscal.  Constituição Federal de 1988   Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos)     Fl. 148DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     14 Não se deve olvidar que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário,  o Notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar  ou  a  parcelar  o  que  lhe  está  sendo  exigido,  hipótese  em  que  não  é  instaurada  a  fase  contraditória.  Ao  revés,  pode  ele,  também,  exercendo  o  seu  direito  de  defesa,  impugnar  o  lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal.  Como  visto,  verifica­se  que  o  Auto  de  Infração  em  relevo  foi  lavrado  em  harmonia com os dispositivos  legais e normativos que disciplinam a matéria,  tendo o agente  fiscal  demonstrado,  de  forma  clara  e  precisa,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração  em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a  descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a  determinação da exigência e a intimação para cumpri­la ou impugná­la no prazo de trinta dias,  bem  como  a  assinatura  da Autoridade  Lançadora  e  a  indicação  de  seu  cargo  ou  função  e  o  número de matrícula.  Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação  de nulidade tão veementemente erguida pelo Recorrente.    Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito.    3.   DO MÉRITO  Cumpre  de  plano  assentar  que  não  serão  objeto  de  apreciação  por  este  Colegiado  as  matérias  não  expressamente  impugnadas  pelo  Recorrente,  as  quais  serão  consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª  instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu  instrumento de Recurso  Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte.    3.1. DO EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO  Alega  o  Recorrente  a  desnecessidade  de  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias por parte de agentes políticos.  Razão não lhe assiste.    O §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, acrescentou ao  inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 a alínea “h”, a qual qualificava como segurado obrigatório  do Regime Geral  de Previdência  Social  o  exercente  de mandato  eletivo  federal,  estadual  ou  municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social.  Ocorre que, quando da edição da citada Lei Ordinária 9.506/97, o artigo 195  da Constituição Federal dispunha que:   Constituição da República Federativa do Brasil   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  Fl. 149DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 143          15 mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  e  das  seguintes contribuições sociais:   I  ­ dos empregadores,  incidente sobre a  folha de salários, o  faturamento e o lucro;   II ­ dos trabalhadores;      Com fundamento na tese de que o inciso II do já visto art. 195 da CF/88 não  comportava os agentes políticos, forte no argumento de que eles não poderiam ser qualificados  como "trabalhadores", e em razão de não se tratar de instituição de contribuição sobre "a folha  de  salários,  o  faturamento  e  os  lucros",  o  disposto  no  art.  13,  §1º  da  Lei  nº  9.506/97  foi  declarado  inconstitucional  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  Decisão  proferida  em  08/10/2003  nos  autos  do RE  nº  351.717/PR, DJ  de  21/11/2003,  eis  que,  segundo  o  Excelso  Pretório, a criação de uma nova figura de segurado obrigatório da Previdência Social somente  poderia ter ocorrido por meio de lei complementar, nunca por Lei Ordinária.   Em virtude de tal decisão ter sido proferida no trâmite do Controle Difuso de  Constitucionalidade,  tal  veredictum  beneficiou,  à  época,  tão  somente,  o  impetrante  da  ação  judicial em relevo.   Nessa  perspectiva,  em  decorrência  própria  da  aludida  decisão  da  Suprema  Corte, o Senado Federal  suspendeu, com fundamento no art. 52, X da CF/88, a execução da  norma inscrita na alínea "h" do Inciso I do Art. 12 da Lei nº 8.212/91, conforme Resolução nº  26, de 21 de junho de 2005, in verbis:  Constituição da República Federativa do Brasil   Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:  (...)  X  ­  suspender  a  execução,  no  todo  ou  em  parte,  de  lei  declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo  Tribunal Federal;    RESOLUÇÃO Nº 26, DE 2005   Suspende a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da  Lei  Federal  nº 8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  acrescentada  pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro  de 1997.  O Senado Federal resolve:  Art.  1º  É  suspensa  a  execução  da  alínea  "h"  do  inciso  I  do  art.  12  da  Lei  Federal  nº  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de  30  de  outubro  de  1997,  em  virtude  de  declaração  de  inconstitucionalidade  em  decisão  definitiva  do  Supremo  Tribunal  Federal,  nos  autos  do  Recurso  Extraordinário  nº  351.717­1 ­ Paraná.    Fl. 150DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     16 O  entrave  constitucional  acima  abordado  veio  a  ser  desbloqueado  com  a  publicação da Emenda Constitucional nº 20/98, a qual conferiu nova redação ao  Inciso  II do  art. 195 da Constituição Federal de 1988, que passou a ter a seguinte redação:  Constituição da República Federativa do Brasil   Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios,  e  das  seguintes contribuições sociais:     I  ­  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada  pela Emenda Constitucional nº 20/98)  a)  a  folha  de  salários  e  demais  rendimentos  do  trabalho  pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe  preste  serviço,  mesmo  sem  vínculo  empregatício;  (Incluído  pela Emenda Constitucional nº 20/98)  b)  a  receita  ou  o  faturamento;  (Incluído  pela  Emenda  Constitucional nº 20/98)  c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98)  II  ­  do  trabalhador  e  dos  demais  segurados  da  previdência  social,      A Emenda Constitucional nº 20/98 incluiu, ainda, o §13 no art. 40 da nossa  Lei Soberana, nos seguintes termos:  Constituição da República Federativa do Brasil   Art. 40. O servidor será aposentado:  (...)  §13.  Ao  servidor  ocupante,  exclusivamente,  de  cargo  em  comissão  declarado  em  lei  de  livre  nomeação e  exoneração  bem como de outro cargo temporário ou de emprego público,  aplica­se o regime geral de previdência social.     Nesse contexto, com as alterações constitucionais  introduzidas pela Emenda  Constitucional nº 20/98, ficou afastada a reserva da lei complementar para a instituição de nova  categoria de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, possibilitando que  nova  lei  ordinária,  tão  só,  formalizasse  legalmente  a  sua  criação. E  foi  exatamente  o  que  se  sucedeu em 18 de junho de 2004 com a promulgação da Lei nº 10.887/2004, que acrescentou  ao  tão  comentado  inciso  I  do  art.  12  da  Lei  8212/91  a  alínea  ‘j’,  com  a mesma  redação  da  extirpada alínea ‘h’ já vista anteriormente.   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as  seguintes pessoas físicas:   I ­ como empregado:  (...)  j)  o  exercente  de  mandato  eletivo  federal,  estadual  ou  municipal,  desde  que  não  vinculado  a  regime  próprio  de  previdência social;  Fl. 151DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 144          17   Dessarte,  efetivadas  as  comentadas modificações  legislativas,  os  servidores  ocupantes  exclusivamente  de  cargos  eletivos  –  aqui  incluídos  os  agentes  políticos  federais,  estaduais e municipais ­, não vinculados a regime próprio de previdência social, passaram a ser  segurados obrigatórios do RGPS,  sujeitando os agentes políticos ora  referidos, bem como os  entes  públicos  respectivos,  às  obrigações  tributárias  estabelecidas  na  Lei  de  Custeio  da  Seguridade Social.  Desta  forma, a partir de 21 de  junho de 2004, data da publicação da Lei nº  10.887/2004,  com  eficácia  a  partir  de  19  de  setembro  de  2004,  por  força  da  anterioridade  específica prevista no art. 195, §6º da CF/88, tornou­se indiscutível e obrigatória a contribuição  previdenciária  dos  Entes  Públicos  Federativos  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  a  seus  exercentes  de  mandato  eletivo,  nos  termos  do  art.  22,  I  da  Lei  nº  8.212/91,  bem  como  a  contribuição  previdenciária  a  cargo  destes,  incidentes  sobre  os  seus  respectivos  subsídios,  observado o  limite máximo do Salário de Contribuição, conforme art. 20 do mesmo diploma  Legal, desde que tais agentes políticos não estejam vinculados a regime próprio de previdência  social.   No  entanto,  é  de  salientar  que,  se  a  vinculação  a  regime  próprio  de  previdência  for  concomitante  com  outras  atividades  remuneradas,  situação  bem  comum  no  caso  de  vereadores,  o  agente  político  será  segurado  obrigatório  em  relação  a  cada  atividade  desenvolvida, mesmo se a vinculação se der a regimes previdenciários diferentes, podendo ser,  como exemplo, contribuinte de regime próprio de previdência social na qualidade de servidor  público  titular  de  cargo  efetivo  e  contribuinte  do  regime  geral  de  previdência  social,  na  qualidade de vereador.  Nesse sentido assim ilumina o art. 6º, XIX da IN SRP nº 3/2005, na redação  vigente à data de ocorrência dos fatos geradores:   Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005   Art.  6°  Deve  contribuir  obrigatoriamente  na  qualidade  de  segurado empregado:   (...)  XIX ­ o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital  ou  municipal,  salvo  o  titular  de  cargo  efetivo  da  União,  dos  estados,  do Distrito Federal  ou dos municípios,  incluídas  suas  autarquias  e  fundações  de  direito  público,  afastado  para  o  exercício  do  mandato  eletivo,  filiado  a  RPPS  no  cargo  de  origem,  observada  a  legislação  de  regência  e  os  respectivos  períodos de vigência; (grifos nossos)   (...)  §2º  Na  hipótese  do  inciso  XIX  do  caput,  o  servidor  público  vinculado  a  RPPS  que  exercer,  concomitantemente,  o mandato  eletivo  no  cargo  de  vereador,  será  obrigatoriamente  filiado  ao  RGPS  em  razão  do  cargo  eletivo,  devendo  contribuir  para  o  RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato  eletivo  e  para  o  RPPS  sobre  a  remuneração  recebida  pelo  exercício do cargo efetivo.    Outra não é a norma tributária inscrita no art. da IN RFB nº 971/2009   Fl. 152DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     18 Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009   Art.  6º  Deve  contribuir  obrigatoriamente  na  qualidade  de  segurado empregado:  (...)  XIX ­ o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital  ou  municipal,  salvo  o  titular  de  cargo  efetivo  da  União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  ou  dos Municípios,  incluídas  suas  autarquias  e  fundações  de  direito  público,  afastado  para  o  exercício  do  mandato  eletivo,  filiado  a  RPPS  no  cargo  de  origem,  observada  a  legislação  de  regência  e  os  respectivos  períodos de vigência;  (...)  §2º  Na  hipótese  do  inciso  XIX  do  caput,  o  servidor  público  vinculado  a  RPPS  que  exercer,  concomitantemente,  o mandato  eletivo  no  cargo  de  vereador,  será  obrigatoriamente  filiado  ao  RGPS  em  razão  do  cargo  eletivo,  devendo  contribuir  para  o  RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato  eletivo  e  para  o  RPPS  sobre  a  remuneração  recebida  pelo  exercício do cargo efetivo.    Chamamos a  atenção para  a  clareza do dispositivo  infralegal  ao determinar  que, nas hipóteses de o exercente de mandato eletivo municipal ser filiado, concomitantemente,  a Regime Próprio de Previdência Social, para não contribuir ao Regime Geral de Previdência  Social pelos valores auferidos pelo exercício do cargo na Câmara Municipal, como vereador,  deve  estar  oficialmente  afastado  da  sua  atividade  como  servidor  titular  de  cargo  efetivo,  exercendo apenas a vereança.   Assim,  sendo  mantendo  as  duas  atividades  simultaneamente  e  auferindo  remuneração em ambas, o vereador servido contribuirá ao RPPS pelo salário na atividade de  servidor público efetivo e para o RGPS, pelos subsídios recebidos como vereador.  Nesse  contexto,  sendo  as  pessoas  físicas  exercentes  de  mandato  eletivo  municipal qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS, eis que não amparadas, nessa  qualidade,  por  Regime  Próprio  de  Previdência  Social,  no  período  de  apuração  do  crédito  tributário  objeto  do  vertente  Auto  de  Infração,  ou  por  auferirem,  simultaneamente,  remuneração  pelo  exercício  da  vereança  e  de  cargo  efetivo municipal  como  servidor  titular,  procedente é o lançamento levado a cabo pela autoridade fiscal.  Não  procede,  portanto,  a  alegação  de  desnecessidade  de  recolhimento  de  contribuições  previdenciárias  por  parte  de  agentes  políticos  vinculados  a  regimes  previdenciários diversos. Conforme devidamente esclarecido, para que fossem inexigíveis tais  contribuições,  teria  o  Recorrente  que  comprovar  o  efetivo  afastamento  dos  servidores  vinculados a RPPS, situação essa não demonstrada nos autos.  No  Processo  Administrativo  Fiscal,  alegar  sem  nada  provar  produz  os  mesmos efeitos que nada alegar.    3.2.  DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL   Fl. 153DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 145          19 Não concordamos, todavia, com o critério de aplicação da multa de mora e da  multa  de  ofício  adotado  pela Autoridade  Lançadora,  corroborada  pelo Órgão  Julgador  de  1ª  Instância.  Urge,  de  plano,  ser  destacado  que  no Direito  Tributário  vigora  o  princípio  tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o  lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  §1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.    Nessa  perspectiva,  dispõe  o  código  tributário,  ad  litteram,  que  o  fato  de  a  norma  tributária  haver  sido  revogada,  ou  modificada,  após  a  ocorrência  concreta  do  fato  jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o  crédito tributário correspondente.  O  princípio  jurídico  suso  invocado,  no  entanto,  não  é  absoluto,  sendo  excepcionado  pela  superveniência  de  lei  nova,  nas  estritas  hipóteses  em  que  o  ato  jurídico  tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de  ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha  sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a  novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo  da sua prática.  Ocorre, no entanto, que as normas  jurídicas que disciplinavam a cominação  de  penalidades  pecuniárias  decorrentes  do  não  recolhimento  tempestivo  de  contribuições  previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida  na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que  se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo  obrigado, porém mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que  aquelas então derrogadas.   Nesse  panorama,  a  supracitada  Medida  Provisória,  ratificada  pela  Lei  nº  11.941/2009,  revogou  o  art.  34  e  deu  nova  redação  ao  art.  35  ambos  da  Lei  nº  8.212/91,  estatuindo  que  os  débitos  com  a  União  decorrentes  das  contribuições  sociais  previstas  nas  alíneas  “a”,  “b”  e  “c”  do  parágrafo  único  do  art.  11  da  Lei  nº  8.212/91,  das  contribuições  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     20 instituídas  a  título  de  substituição  e  das  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de  multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96.  Mas não parou por ai. Na sequência da  lapidação  legislativa, a mencionada  Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da  Seguridade  Social  o  art.  35­A que  fixou,  nos  casos  de  lançamento  de  ofício,  a  aplicação  de  multa de ofício de 75%,   Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991   Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das  contribuições  sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art.  11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição  e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras  entidades  e  fundos,  não  pagos  nos  prazos  previstos  em  legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora,  nos  termos  do  art.  61  da  Lei  no  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação  dada pela Lei nº 11.941, de 2009).    Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  II ­ de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488,  de 2007)  a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de  1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que não  tenha  sido  apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de  pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado,  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido, no ano­calendário correspondente, no caso de pessoa  jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)  §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   I ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   II ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   III ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   IV ­ (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)   V ­ (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998).  (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 146          21 §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput  e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de  não  atendimento  pelo  sujeito  passivo,  no  prazo  marcado,  de  intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)  I ­ prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei  nº 11.488, de 2007)  II ­ apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11  a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da  alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007)  III  ­  apresentar  a  documentação  técnica  de  que  trata  o  art. 38  desta  Lei.  (Renumerado  da  alínea  "c",  com nova  redação  pela  Lei nº 11.488, de 2007)  §3º  Aplicam­se  às  multas  de  que  trata  este  artigo  as  reduções  previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e  no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991.  §4º  As  disposições  deste  artigo  aplicam­se,  inclusive,  aos  contribuintes  que  derem  causa  a  ressarcimento  indevido  de  tributo  ou  contribuição  decorrente  de  qualquer  incentivo  ou  benefício fiscal.    Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  §1º A multa de que  trata este artigo será calculada a partir do  primeiro  dia  subsequente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que  ocorrer o seu pagamento.  §2º O  percentual  de multa  a  ser  aplicado  fica  limitado  a  vinte  por cento.  §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de  mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir  do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até  o mês anterior ao do pagamento  e de um por cento no mês de  pagamento.     Nessa perspectiva, o  regramento da penalidade pecuniária a  ser aplicada  ao  recolhimento  espontâneo  feito  a  destempo  e  ao  lançamento  de  ofício  de  contribuições  previdenciárias  que,  antes  da  metamorfose  legislativa  promovida  pela  MP  nº  449/2008,  encontravam­se  acomodados  em  um mesmo  dispositivo  legal,  o  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  agora  se  encontram  dispostos  em  separado,  respectivamente  nos  artigos  61  e  44  da  Lei  nº  9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35­A da Lei nº 8.212/91, com a redação  dada pela Lei nº 11.941/2009.  Dispensando um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a  matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a  penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal.  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     22 Com  efeito,  enquanto  que  a  legislação  anterior  previa  multa  pecuniária  variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente  Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito  tributário, a  legislação atual prevê,  em qualquer caso, a multa de ofício no valor fixo de 75%, circunstância que demonstra que a  novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então  revogada.  Ocorre  que  a  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  editou  a  IN  RFB  nº  1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º:  Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010  Art.  4º  A  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  2009,  passa  a  vigorar acrescida do art. 476­A:  Art. 476­A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos  geradores ocorridos:  I  ­  até  30  de  novembro  de  2008,  deverá  ser  aplicada  a  penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  1966  (CTN),  cuja  análise  será  realizada  pela  comparação  entre  os  seguintes  valores:  a)  somatório  das  multas  aplicadas  por  descumprimento  de  obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de  1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das  aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos  moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e  b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35­A da Lei nº  8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009.    II ­ a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicam­se as multas  previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.  §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela  Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei  nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009.  §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no  caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta  para a qual não havia antes penalidade prevista.    Óbvio  está  que  os  dispositivos  selecionados  encartados  na  IN  RFN  nº  1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos,  que  não  podem ultrapassar  o  âmbito  da  norma  que  rege  a matéria  ora  em  relevo,  tampouco  inovar o ordenamento jurídico.  Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não  vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação  principal  e  com  aquelas  decorrentes  da  inobservância  de  obrigações  acessória,  para,  em  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 147          23 seguida,  se  confrontar  tal  somatório  com  o  valor  da multa  calculada  segundo  a metodologia  descrita no art. 35­A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa  se revela mais benéfica ao infrator.   Entendo que, no caso, o exame da retroatividade benigna deve adstringir­se  ao  confronto  entre  a  penalidade  imposta  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  calculada  segundo  a  lei  vigente  à  data  de  ocorrência  dos  fatos  geradores  e  a  penalidade  pecuniária  prevista  na  novel  legislação  pelo  descumprimento  da  mesma  obrigação,  não  havendo  que  se  imiscuir  com  a  multa  decorrente  de  lançamento  de  ofício  de  obrigação  tributária acessória. Lé com lé, cré com cré.   A análise da lei mais benéfica não pode superar  tais condições de contorno,  pois,  como  já  afirmado  alhures,  trata­se  de  obrigação  principal  que  é  absolutamente  independente de qualquer obrigação acessória a ela associada.  Note­se que o princípio  tempus regit actum somente será afastado quando a  lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO,  in casu, o descumprimento de obrigação principal,  penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos  termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o  somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art.  35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§  4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de  2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35­A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela  Lei  nº  11.941/2009,  inexistindo  regra  de  hermenêutica  que  nos  autorize  a  extrair  dos  documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre  a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476­A da IN RFB nº  971/2009  e  o  valor  da  penalidade  prevista  na  alínea  ‘b’  do  inciso  I  do  mesmo  dispositivo  legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica.  De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente  a  lei  formal  pode  dispor  sobre  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos  e  tratar  de  hipóteses  de  exclusão,  suspensão  e  extinção  de  créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  Código Tributário Nacional ­ CTN   Art. 97. Somente a lei pode estabelecer:  I ­ a instituição de tributos, ou a sua extinção;  II  ­  a  majoração  de  tributos,  ou  sua  redução,  ressalvado  o  disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  III  ­  a  definição  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e  do seu sujeito passivo;  IV  ­  a  fixação de alíquota do  tributo  e da sua base de  cálculo,  ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65;  V  ­  a  cominação  de  penalidades  para  as  ações  ou  omissões  contrárias  a  seus  dispositivos,  ou  para  outras  infrações  nela  definidas;  VI  ­ as hipóteses de exclusão,  suspensão e extinção de créditos  tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.  Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     24   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática.    Mostra­se  flagrante que  a  alínea  ‘a’  do  inciso  I  do  art.  476­A da  Instrução  Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela  IN RFB nº 1.027/2010, é  tendente a excluir,  sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação  acessória  nos  casos  em  que  a  multa  de  ofício,  aplicada  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  for mais  benéfica  ao  infrator.  Tal  hipótese  não  se  enquadra,  de  forma  alguma,  na  situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106,  II, ‘c’ do CTN, pois emprega como  parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento  de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória.  Há que se  reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e  independentes  entre  si,  pois que a  aplicação de uma não afasta  a  incidência da outra  e vice­ versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa  de  penalidade  pecuniária  estabelecida  mediante  Instrução  Normativa,  favor  tributário  que  somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN.   É  mister  ainda  destacar  que  o  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/91,  incluído  pela  Medida  Provisória  nº  449/2008,  apenas  se  refere  ao  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias previstas nas alíneas  ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma  Lei, das contribuições instituídas a  título de substituição e das contribuições devidas a outras  entidades  e  fundos,  não  produzindo  qualquer  menção  às  penalidades  administrativas  decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art.  44 da Lei nº 9.430/96.  Assim,  em  virtude  da  total  independência  e  autonomia  entre  as  obrigações  tributárias principal e acessória, o preceito  inscrito no art. 35­A da Lei nº 8.212/91,  incluído  pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão  exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do  FGTS e Informações à Previdência Social.  Uma  vez  que  as  disciplinas  acerca  da  imposição  de  penalidades  pelo  descumprimento de obrigações acessória e principal encontram­se previstas em lei, somente o  Poder  Legislativo  dispõe  de  competência  para  dela  dispor.  A  legislação  complementar,  na  forma  de  Instrução Normativa  emanada  do  Poder Executivo,  é  pai  pequeno  no  terreiro,  não  podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada  estatura  na  hierarquia  do  ordenamento  jurídico,  in  casu,  a  lei  formal,  e  assim  extrapolar  os  limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante  violação às disposições  insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige  lei em sentido  estrito.   Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 148          25 Vislumbra­se inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser  flagrantemente  ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa  isolada em GFIP,  mesmo  que  o  sujeito  passivo  haja  promovido,  tempestivamente,  o  exato  recolhimento  do  tributo correspondente, conforme assentado no art. 32­A da Lei nº 8.212/91.   Nesse  contexto,  afastada  por  ilegalidade  a norma  estatuída  pela  IN RFB  nº  1.027/2010, por  representar a novel  legislação encartada no art. 35­A da Lei nº 8.212/91 um  tratamento  mais  gravoso  ao  contribuinte,  inexistindo  hipótese  de  a  legislação  superveniente  impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit  actum,  devendo  ser  aplicada  em  cada  competência,  a  legislação  pertinente  à  multa  por  descumprimento  de  obrigação  principal  vigente  à  data  de  ocorrência  do  fato  gerador  não  adimplido.  Assim, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008,  inclusive,  deve­se  observância  aos  comandos  inscritos  no  art.  35  da  Lei  nº  8.212/91,  com  a  redação dada pela lei nº 9.876/99.  Na  sequência,  para  os  fatos  geradores  ocorridos  a  partir  da  competência  dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35­A da Lei nº 8.212/91,  com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009.    3.3.  DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS  O Recorrente  protesta,  ainda,  por  provar  o  alegado  por  todos  os meios  de  provas admitidos por lei.  Tal rogativa não encontra ambiente legislativo propício para florescer.    A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que  o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentra­se na fase processual  da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento.   No âmbito do Ministério da Fazenda,  a disciplina da matéria em  relevo  foi  confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de  bloqueio  deve  consignar  os motivos  de  fato  e  de  direito  em que  se  fundamenta  a defesa,  os  pontos  de  discordância,  as  razões  e  as  provas  que  possuir. Mas  não  pára  por  aí:  Impõe  ao  impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de  preclusão  do  direito  de  fazê­lo  em  momento  futuro,  ressalvadas,  excepcionalmente,  as  hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro.  Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972   Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.    Art. 16. A impugnação mencionará:  Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     26 I ­ a autoridade julgadora a quem é dirigida;  II ­ a qualificação do impugnante;  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)   IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de  1993)  V ­ se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial,  devendo  ser  juntada  cópia  da  petição.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.196, de 2005)  §1º  Considerar­se­á  não  formulado  o  pedido  de  diligência  ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  §2º  É  defeso  ao  impugnante,  ou  a  seu  representante  legal,  empregar  expressões  injuriosas  nos  escritos  apresentados  no  processo, cabendo ao  julgador, de ofício ou a  requerimento do  ofendido, mandar riscá­las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou  estrangeiro,  provar­lhe­á  o  teor  e  a  vigência,  se  assim  o  determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)  §4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532,  de 1997) (grifos nossos)   a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;(Incluído  pela  Lei  nº  9.532, de 1997)  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;(Incluído  pela  Lei nº 9.532, de 1997)  c)  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  §5º A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído  pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos)   §6º  Caso  já  tenha  sido  proferida  a  decisão,  os  documentos  apresentados  permanecerão  nos  autos  para,  se  for  interposto  recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda  instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)    Art.  17.  Considerar­se­á  não  impugnada  a  matéria  que  não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante.  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos)     Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 149          27 Art.  18.  A  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  determinará,  de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo  as  que  considerar  prescindíveis  ou  impraticáveis,  observando  o  disposto  no  art.  28,  in  fine.  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos)     Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela  produção de provas documentais no processo  administrativo  fiscal. Tem  sim, por disposição  legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação,  colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a  sua  apresentação  em  momento  outro  –  futuro  –  caso  restem  caracterizadas  as  hipóteses  autorizadoras excepcionais previstas no §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, pesando  em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação.  De  acordo  com  os  princípios  basilares  do  direito  processual,  incumbe  ao  autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a  prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.   Nesse  contexto,  não  logrando  o  Recorrente  comprovar  efetivamente  a  ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §5º do art. 16 do citado  Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos  juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de  vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário.    3.4.   DA CONCESSÃO DE CND  O  Recorrente  requer  a  expedição  de  Certidão  Positiva  com  Efeito  de  Negativa até a decisão final destes autos.  Ocorre, todavia, que a esta 2ª Seção houve­se por outorgada, tão somente, a  competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal  à  legislação  tributária  vigente  e  eficaz,  em  honra  ao  Princípio  Constitucional  da  estrita  legalidade.  Foge  à  competência  deste  Colegiado,  por  óbvio,  a  atribuição  de  conceder  Certidão  Positiva  com  Efeito  de  Negativa,  motivo  pelo  qual  tal  pedido  não  poderá  ser  apreciado.  Cumpre esclarecer, nada obstante, que qualquer assunto pertinente à emissão  de certidões que atestem a inexistência de débitos perante a Secretaria da Receita Federal do  Brasil  ­  RFB  deve  ser  tratado  diretamente  na  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  circunscricionante do domicílio do peticionário, não possuindo regimentalmente este Conselho  Administrativo competência para a apreciação e deliberação de pedidos a respeito do tema, a  teor do art. 1º do Capítulo I, Título I do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado  pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009.  Regimento Interno do CARF     Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI     28 ANEXO II  DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS  COLEGIADOS    TÍTULO I  DOS ÓRGÃOS JULGADORES    CAPÍTULO I  DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS    Art.  1° Compete aos órgãos  julgadores do CARF o  julgamento  de  recursos  de  ofício  e  voluntários  de  decisão  de  primeira  instância,  bem  como  os  recursos  de  natureza  especial,  que  versem sobre  tributos administrados pela Secretaria da Receita  Federal do Brasil.  Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na  forma dos arts. 2° a 4°.     Art.  3°  À  Segunda  Seção  cabe  processar  e  julgar  recursos  de  ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem  sobre aplicação da legislação de:  I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF);  II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF);  III ­ Imposto Territorial Rural (ITR);  IV  ­  Contribuições  Previdenciárias,  inclusive  as  instituídas  a  título de  substituição e as devidas a  terceiros, definidas no art.  3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e   V  ­  penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias  pelas  pessoas  físicas  e  jurídicas,  relativamente  aos  tributos  de  que trata este artigo.    Art.  7°  Incluem­se  na  competência  das  Seções  os  recursos  interpostos  em  processos  administrativos  de  compensação,  ressarcimento,  restituição  e  reembolso,  bem  como  de  reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária.  §1°  A  competência  para  o  julgamento  de  recurso  em  processo  administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado,  inclusive  quando  houver  lançamento  de  crédito  tributário  de  matéria  que  se  inclua  na  especialização  de  outra  Câmara  ou  Seção.  §2°  Os  recursos  interpostos  em  processos  administrativos  de  cancelamento  ou  de  suspensão  de  isenção  ou  de  imunidade  tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de  infração, inclui­se na competência da Segunda Seção.      4.   CONCLUSÃO:  Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito,  DAR­LHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de  Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000351/2010­06  Acórdão n.º 2302­002.138  S2­C3T2  Fl. 150          29 penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  obedecer  à  lei  vigente  à  data de ocorrência do fato gerador.    É como voto.    Arlindo da Costa e Silva                                Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI

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Numero do processo: 10855.720044/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Ano-calendário: 2005 NÃO PROSPERA A ARGUMENTAÇÃO DE NULIDADE DO TRABALHO FISCAL OU MESMO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO, QUANDO PRESENTES TODOS OS ELEMENTOS QUE EMBASAM O TRABALHO FISCAL E AS DECISÕES PROFERIDAS. DESNECESSIDADE DE PERÍCIAS OU DILIGENCIAS. Não há nulidade do trabalho fiscal, tão pouco do processo administrativo, quando neles presentes todos os elementos que embasam o trabalho fiscal que ensejou a exigência do imposto, não vislumbrando assim, necessidade de perícia ou qualquer procedimento para que as decisões sejam validamente proferidas. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVIDO O RECURSO As Áreas de Proteção Ambiental e de Preservação Permanente, devidamente comprovadas através de diploma legal estadual e constante em ADA - Ato Declaratório Ambiental, em data que precedeu ao trabalho fiscal, não estão sujeitas à tributação do imposto, devendo assim, ser afastada a pretensão fiscal. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso.
Numero da decisão: 2102-001.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente, nos termos do voto do relator. Outros eventos ocorridos: Fez sustentação oral a Advogada Camila Abrunhosa Tapias, OAB-SP N.o 224.124. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Ano-calendário: 2005 NÃO PROSPERA A ARGUMENTAÇÃO DE NULIDADE DO TRABALHO FISCAL OU MESMO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO, QUANDO PRESENTES TODOS OS ELEMENTOS QUE EMBASAM O TRABALHO FISCAL E AS DECISÕES PROFERIDAS. DESNECESSIDADE DE PERÍCIAS OU DILIGENCIAS. Não há nulidade do trabalho fiscal, tão pouco do processo administrativo, quando neles presentes todos os elementos que embasam o trabalho fiscal que ensejou a exigência do imposto, não vislumbrando assim, necessidade de perícia ou qualquer procedimento para que as decisões sejam validamente proferidas. ÁREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVIDO O RECURSO As Áreas de Proteção Ambiental e de Preservação Permanente, devidamente comprovadas através de diploma legal estadual e constante em ADA - Ato Declaratório Ambiental, em data que precedeu ao trabalho fiscal, não estão sujeitas à tributação do imposto, devendo assim, ser afastada a pretensão fiscal. O VTN ATRIBUÍDO PELA FISCALIZAÇÃO COM BASE NA SIPT CONSTITUI PRESUNÇÃO RELATIVA, PODENDO SER AFASTADA PELO CONTRIBUINTE O VTN atribuído pela fiscalização com base na SIPT constitui presunção relativa, podendo ser afastada pelos contribuintes com documentos que evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2187; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 574          1 573  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10855.720044/2008­18  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­001.849  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  12 de março de 2012  Matéria  ITR  Recorrente  COMPANHIA BRASILEIRA DE ALUMINIO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Ano­calendário: 2005  NÃO  PROSPERA  A  ARGUMENTAÇÃO  DE  NULIDADE  DO  TRABALHO FISCAL OU MESMO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO,  QUANDO  PRESENTES  TODOS OS  ELEMENTOS QUE  EMBASAM O  TRABALHO  FISCAL  E  AS  DECISÕES  PROFERIDAS.  DESNECESSIDADE DE PERÍCIAS OU DILIGENCIAS.  Não  há  nulidade  do  trabalho  fiscal,  tão  pouco  do  processo  administrativo,  quando neles presentes todos os elementos que embasam o trabalho fiscal que  ensejou  a  exigência  do  imposto,  não  vislumbrando  assim,  necessidade  de  perícia  ou  qualquer  procedimento  para  que  as  decisões  sejam  validamente  proferidas.  ÁREAS  DE  PROTEÇÃO  AMBIENTAL  E  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  EXCLUSÕES DA  BASE DE  CÁLCULO.  PROVIDO O  RECURSO  As Áreas de Proteção Ambiental e de Preservação Permanente, devidamente  comprovadas  através  de  diploma  legal  estadual  e  constante  em ADA  ­ Ato  Declaratório Ambiental,  em data que precedeu ao  trabalho  fiscal, não  estão  sujeitas  à  tributação  do  imposto,  devendo  assim,  ser  afastada  a  pretensão  fiscal.  O  VTN  ATRIBUÍDO  PELA  FISCALIZAÇÃO  COM  BASE  NA  SIPT  CONSTITUI  PRESUNÇÃO  RELATIVA,  PODENDO  SER  AFASTADA  PELO CONTRIBUINTE  O  VTN  atribuído  pela  fiscalização  com  base  na  SIPT  constitui  presunção  relativa,  podendo  ser  afastada  pelos  contribuintes  com  documentos  que  evidenciem circunstancias ou apresentem fatos que justifiquem a declaração  da sua improcedência, o que não ocorreu no presente caso.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 00 44 /2 00 8- 18 Fl. 592DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 575          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  REJEITAR  as  preliminares  suscitadas  e,  no mérito,  em DAR parcial  provimento  ao  recurso  para restabelecer a área de preservação permanente, nos termos do voto do relator.  Outros  eventos  ocorridos:  Fez  sustentação  oral  a  Advogada  Camila  Abrunhosa Tapias, OAB­SP N.o 224.124.  Assinado digitalmente  GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS  Presidente  Assinado digitalmente  ATILIO PITARELLI  Relator  Participaram do presente  julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos  André  Rodrigues  Pereira  Lima,  Giovanni  Christian  Nunes  Campos,  Nubia  Matos  Moura,  Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho.  Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário face decisão da 1a Turma da DRJ/CGE, de 02  de  julho  de  2010  (fls.  510/522),  que  por  unanimidade  devotos  julgou  improcedente  a  impugnação apresentada pelo Recorrente, mantendo integralmente o crédito tributário no valor  total  de  R$  6.026.800,81,  sendo  R$  2.842.562,41  a  título  de  imposto  suplementar,  R$  1.052.316,60  de  juros  de  mora  e  R$  2.131.921,80  de  multa  de  ofício,  que  recaem  sobre  o  imóvel  rural  denominado Complexo  de  Itupararanga,  localizado  no município  de  Ibiúna­SP,  com uma área de 7.742,8 hectares.  De  acordo  com  o  Auto  de  Infração  lavrado  em  18/08/2008  (fl.  03),  a  exigência do imposto com os acréscimos legais decorre dos seguintes fatos:   a)  Não  comprovação  da  área  de  preservação  permanente,  após  regularmente  intimado  para  isto.  A  DIAT  foi  alterada  e  os  valores  da  constam  de Demonstrativo  de  Apuração do Imposto Devido, e  b)  Não  comprovação  através  de  Laudo  de  Avaliação  do  imóvel,  conforme  normas  estabelecidas  na  NBR  14.653­3  da ABNT,  sendo  o  valor  arbitrado  conforme  informações  obtidas  no  Sistema  de  Preços  de  Terra­  SIPT da RFB.   Com destaques, estão assim descritas as infrações no Auto de Infração:  Fl. 593DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 576          3 Área de Preservação Permanente não comprovada   Descrição dos Fatos:  Após  regularmente  intimado,  o  contribuinte  não  comprovou  a  isenção  da  área  declarada  a  titulo  de  preservação  permanente  no imóvel rural. 0 Documento de Informação e Apuração do ITR  (DIAT)  foi  alterado  e  os  seus  valores  encontram­se  no  Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa.  Enquadramento  Legal  ART  10  PAR  1  E  INC  II  E  AL  "A"  L  9393/96   Valor da Terra Nua declarado não comprovado   Descrição dos Fatos:  Após  regularmente  intimado,  o  sujeito  passivo  não  comprovou  por  meio  de  Laudo  de  Avaliação  do  imóvel,  conforme  estabelecido  na NBR  14.653­3  da  ABNT,  o  valor  da  terra  nua  declarado.  No  Documento  de  Informação  e  Apuração  do  ITR  (DIAT),  o  valor  da  terra  nua  foi  arbitrado,  tendo  como  base  as  informações do Sistema de Pregos de Terra ­ SIPT da RFB. Os  valores  do DIAT  encontram­se  no Demonstrativo  de Apuração  do Imposto Devido, em folha anexa.  Enquadramento  Legal  ART  10  PAR  1  E  INC  I  E  ART  14  L  9393/96   Complemento da Descrição dos Fatos:  A Contribuinte apresentou a declaração do ITR – DIAC/DIAT –  exercíciio 2003, quantificando a área total do imóvel em 7.742,8  hectares.  I DISTRIBUIÇÃO DA ÁREA DO IMÓVEL   No documento de  informação e apuração do  ITR DIAT,  foram  declarados, 7.060,9 hectares de área de preservação permanente  e 677,0 hectares de Área aproveitável.  Para  viabilizar  a  análise  dos  valores  declarados,  foi  emitida  intimação  para  apresentação  de  cópia  do  Ato  Declaratório  Ambiental  ADA  Ibama  e  Laudo  de  Avaliação  do  imóvel,  conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira  de  Normas  Técnicas  ABNT  com  fundamentação  e  grau  de  precisão  II,  com  Anotação  de  Responsabilidade  Técnica  ART  registrada  no CREA,  contendo  todos  os  elementos  de  pesquisa  identificados.  Na intimação, constava que a falta de apresentação do laudo de  avaliação ensejaria o arbitramento do  valor da  terra nua,  com  base nas  informações do Sistema de Pregos de Terras SIPT da  RFB.  Fl. 594DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 577          4 Em  08  de  janeiro  de  2008,  a  contribuinte  apresenta  cópia  do  ADA  /  IBAMA  de  1997e  de  2007.  Em  ambas  as  declarações,  constam,  como  Área  de  preservação  permanente  o  total  de  7.060,9 hectares.  Em 12  de março  de  2008,  apresentou  planta  demonstrativa  do  Complexo Itupararanga e cópia das leis que comprovariam que  o  imóvel,  bem  como  todo o  complexo, estaria  inserido  na APA  Área de Proteção Ambiental de Itupararanga.  Apresentou,  ainda,  de  copia  do  pedido,  protocolado  junto  à  Fundação Florestal, para obtenção de certidão de que o imóvel  está inserido em Área de preservação permanente.  Embora  a  contribuinte  tenha  declarado  ao  IBAMA,  área  de  preservação permanente de 7.060,9 hectares, para obtenção do  ADA, verificamos, através dos laudos apresentados que, apenas,  1.013,5 hectares são áreas de preservação permanente.  Conforme  o  laudo  técnico,  baseado  em  levantamento  georreferenciado e em vistoria nos dias 26 e 27 de fevereiro de  2008, o uso da terra era o seguinte:  descrição área (hectares) percentua   l represa (espelho d'água) 3.833,9 49,52%  área de preservação permanente 1.013,5 13,09%  Área de proteção ambiental APA Itupararanga 6.813,5   88,00% Área livre de APP ou APA 744,  8 09,62% Área total 7.742  ,8 100,0%   Não  foi  apresentada  certidão  de  órgão  público  competente  comprovando que o imóvel ou parte dele esteja inserido em Área  de preservação permanente.  As  leis  estaduais  n  2  10.100/98  e  11.579/2003,  citadas  na  resposta  da  intimação  apresentada  em  12/03/2008,  apenas  declaram área de Proteção Ambiental o  entorno da represa de  Itupararanga  e,  posteriormente,  a  área  da  bacia  hidrográfica  formadora da represa de Itupararanga.  O benefício da exclusão do ITR, nas áreas de proteção ambiental  – APA, não se estende genericamente a todas as áreas do imóvel.  Somente se aplica a áreas específicas da propriedade particular.   Mesmo  na  APA,  há,  em  regra,  Áreas  dos  imóveis  rurais  destinadas  ou  utilizadas  pela  atividade  agrícola,  pecuária,  agrícola,  florestal,  industrial  e  mineral.  Assim,  podem  haver  Áreas  exploradas  economicamente,  pois  a  legislação  ambiental  permite que elas sejam exploradas economicamente.  Fl. 595DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 578          5 Diante  dos  elementos  apresentados,  dos  7.060,9  hectares  declarados  como  área  de  preservação  permanente,  devem  ser  considerados, apenas, 1.013,5 hectares, que foram comprovados  através de laudo técnico.  descrição Área (hectares)   ÁREAS NÃO TRIBUTÁVEIS (a) 4.8   47,4 área de preservação permanente 1.0   13,5 represa ­ espelho d'água   3.833,9 AREAS TRIBUTÁVEIS (b)  2.895,4 outras áreas   2.895,4 AREA TOTAL ( a + b)  7.742,8   Conforme o artigo 40 da Lei n.o 11.727 de 23 de junho de 2008,  as  áreas  alagadas  para  fins  de  constituição  de  reservatório  de  usina  hidroelétricas  autorizadas  pelo  poder  publico,  não  são  consideradas áreas tributadas. Desta forma, considerando que a  declaração  do  exercício  2003  não  tinha  campo  próprio,  consideramos  tal  exclusão,  incluindo  a  citada  área  dentro  da  Área de preservação permanente.  II VALOR DA TERRA NUA (VTN)  No  tocante  ao  valor  da  terra  nua  declarado,  o  documento  de  avaliação  apresentado  determina,  para  os  7.742,8  hectares  do  imóvel, os seguintes valores de mercado para compra e venda:  ano valor de mercado   2004 R$ 6.531.000,00  2005 R$ 7.684,000,00   Não  se  trata  de  um  Laudo  Técnico  conforme  exigido  na  intimação, mas  um Parecer  Técnico,  conforme podemos  ler  no  próprio  documento:  No  presente  trabalho  não  foi  possível  a  tingir  ao menos  o Grau  I  quanto a  fundamentação  e  precisão  conforme  as  exigências  definidas  na  NBR  14653­3:2004.  Portanto classificamos este relatório como Parecer Técnico .  Na avaliação apresentada pela fiscalizada, optou­se pelo método  comparativo direto de dados do mercado  ,  para a definição do  valor da terra nua. Esse método se baseia na comparação direta  do imóvel avaliando com outros imóveis ofertados ou negociados  no mercado, procedendo as correções das diferenças entre eles,  visto que não existem imóveis iguais.  São  premissas  básicas  desse  método:  a  necessidade  de  uma  amostra com valores de imóveis negociados ou em negociação;  o  conhecimento  dos  atributos  que  diferenciam  os  valores  das  Fl. 596DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 579          6 diversas propriedades e um procedimento estatístico que permita  ao  técnico  interpretar  estes  atributos,  visando  torná­los  homogêneos.  Dispõe o citado parecer: Procedemos uma ampla pesquisa junto  ao mercado imobiliário e pessoas ligadas ao meio rural, através  de  contato  com  corretores,  imobiliárias  atuantes,  cartórios,  proprietários, agrônomos e pessoas afins .  Verificamos,  porem,  que  não  há  a  identificação  dos  imóveis  ofertados ou transacionados que serviram como referencia. Não  há,  em  todo  o  documento,  qualquer  referencia  a  algum  imóvel  ofertado ou transacionado.  Ainda,  no  seu  item 4.4 Descrição  das Terras,  o  citado  parecer  dispõe  que,  dos  7.742,8  hectares  do  imóvel,  5.984,4  hectares  enquadrada­se na classe VII e 1.013,5 hectares na classe VIII do  Manual Brasileiro para Levantamento da Capacidade de Uso da  Terra.  Contrário  a  este  senso,  o  item  4.1  descreve  os  excelentes  aspectos  físicos  do  imóvel:  fertilidade  alta,  topografia  de  ondulada  a  suave  ondulada,  boa  drenagem,  solos  com  profundidade média,  ótimos  recursos  hídricos  com  a  represa  e  diversas nascentes.  Ainda,  o  citado  parecer  não  faz  descrição  das  culturas  produzidas,  da  taxa  de  lotação  das  pastagens,  do  estado  de  conservação das construções existentes no imóvel, dentre outros  fatores  de  pesquisa.  Apenas  determina  de  forma  genérica  os  valores de mercado do imóvel para os anos de 2004 e 2005.  Assim, consideramos que  tal parecer não se equivale ao Laudo  de Avaliação do  imóvel,  conforme estabelecido na NBR 14.653  da  Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas  ABNT  com  fundamentação  e  grau  de  precisão  II,  não  sendo  levados  em  consideração os valores avaliados.  Entendemos que o valor da terra nua do imóvel encontra­se sub  avaliado,  em  relação  às  informações  constantes  no  SIPT.  A  contribuinte declara o valor de R$ 756,18/hectare, para ambos  os exercícios.  O  Sistema  de  Pregos  de  Terra  SIPT  da  RFB  (aprovado  pela  portaria  SRF  n  2  477,  de  28  de  março  de  2002),  dispõe  os  seguintes valores mínimos de terra nua:  Município   vtn/ha  em  2003  vtn/ha  em  Ibiúna  R$  2.605,37  R$  2.605,37  Piedade  R$  4.936,93  R$  4.912,76  Mairinque  R$  2.605,37  R$  2.605,37  Alumínio  R$  2.605,37  R$  2.605,37  Votorantim  R$  2.605,37   Observação:  Conforme  memorial  descritivo,  planta  e  matriculas,  verifica­se  que  o  imóvel  estende­se  pelos  cinco  Fl. 597DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 580          7 municípios acima descritos. Porém, todos os municípios possuem  idêntica avaliação do valor da terra nua/hectare.  Deve­se  ressaltar  que  o  SIPT  avalia  cinco  classes  (tipos)  de  terras,  para  cada  município,  sendo  que  procedemos  ao  arbitramento  tomando­se como referência a classe campos  , de  menor valor (preço) entre as cinco.  Assim, com o arbitramento do VTN, o valor total do imóvel terá  os seguintes valores:    exercício área do imóvel valor declarado valor arbitrado   2003 7.742,8 hectares R$ 5.427.000, 00 R$ 20.172858,83 .  O  arbitramento  do  VTN  e  a  glosa  das  áreas  de  preservação  permanente  ocasionaram  aumentos  da  Área  tributável  aproveitável,  VTN  tributável  e  aliquota  aplicados  em  cada  lançamento.    Após  intimada  da  lavratura  do  Auto  de  Infração,  a  Recorrente  tempestivamente apresentou impugnação, assim Relatada na decisão:  A impugnação foi apresentada em 24/09/2008, fls. 249 a 262 do  volume  II,  na  qual  após  tratar,  sucintamente,  Da  autuação,  elaborando parte dos quadros demonstrativos constante da NL,  a  impugnante apresentou Suas razões de defesa, alegando, em  resumo, os seguintes:  7.1. Sob o titulo Do complexo de Itupararanga explanou sobre  as características da Area represada, da dimensão incluída nos  limites da APA, da parcela de APP encontrada dentro e fora da  APA conforme mapa, entre outros.  7.2. Em Das hipóteses de isenção do ITR, reiterou a dimensão  de Area  inserida  em APA e  explicou  que  grande  parte  ainda é  constituída  de  APP  e  de  Area  alagada  para  constituição  de  reservatório de Agua.  7.3.  Reproduziu  legislações  atinentes  à  matéria,  aos  tipos  de  preservação passíveis de isenção, entre eles a lei n° 11.727/2008  utilizado  no  AI  e  que  trata  das  Areas  alagadas  para  fins  de  reservatórios  de  usinas  hidrelétricas,  bem  como  jurisprudência  do Conselho de Contribuintes que versa sobre matéria similar e  diz que a única explicação plausível para o não reconhecimento  da  isenção  do  ITR  seria  a  interpretação  equivocada  do  laudo  técnico  e  passou  a  explanar  sobre  o  mesmo,  para  dizer  restar  cristalino que da Area Total do Imóvel — ATI, 7.742,8ha, apenas  744,8ha seria passível de tributação.  7.4. Discorreu  a  respeito  do  fato  de  a DITR/2003  não  possuir  campo  próprio  para  APA  e  Areas  alagadas  para  reservatório,  razão  pela  qual  declarou  todas  as  Areas  não  tributáveis  no  campo  APP  e  disse  ser  injusto  que  a  ausência  de  campo  Fl. 598DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 581          8 especifico  seja  fato  suficiente  para  a  cobrança  aqui  efetivada;  motivo  pelo  qual  outro  não  pode  ser  o  desfecho  sendo  o  cancelamento da exigência.  7.5. Após outras argumentações relativas a florestas preservadas  e  de  sua  importância  para  a  biodiversidade,  entre  outros  e,  considerando  que  grande  parte  do  imóvel  estaria  coberta  por  floresta  nativa  no  bioma  Mata  Atlântica,  disse  que  tais  Areas  deveriam ter sido consideradas como não tributáveis.  7.6. Considerando,  também, que a comprovação de inclusão da  APP  e  APA  dentro  do  mencionado  bioma  depende  de  prova  pericial especifica, protestou pela produção de  todas as provas  necessárias,  tais como a  juntada de documentos e a  realização  de diligências.  7.7. Em Da Valoração da Terra Nua, da  longa  explanação a  razão  da  discordância  se  resume  no  questionamento  da  utilização dos valores do SIPT.  7.8.  Reclamou  da  falta  de  demonstrações  que  justificassem  o  VTN auferido por meio do  sistema, disse que os  entendimentos  técnicos  contidos  no  laudo  se  encontram  evidamente  respaldados,  reproduziu  jurisprudência  do  Conselho  de  Contribuintes  relativa a VTN e apresentação de  laudo eficaz,  elaborou  demonstrativo  de  valores  de  classes  de  terras,  entre  outros.  7.9.  Tendo  em  conta  que  a  maior  parte  do  imóvel  se  encontra  coberta por  vegetação nativa,  não destinada à  produção  rural,  mas,  sim  à  conservação  do  meio  ambiente  na  APA,  afirmou  que o seu valor de mercado sofre grande depreciação.  7.10.  Após  outras  argumentações  e  considerações  finalizou  apresentando o seguinte Pedido:  a)  Em  face  de  todo  o  exposto,  resta  claro  que  a  autuação  impugnada  não  deve  subsistir,  razão  pela  qual  requer  sejam  acolhidos os argumentos e termos da impugnação, para o fim de  declarar insubsistente a autuação fiscal, cancelando o AI em sua  integralidade.  b) Para provar os fatos expostos protesta pela produção de todas  as  provas  em  direito  admitidas,  tais  como  a  juntada  de  documentos e realização de diligências.  8.  Instruiu  sua  impugnação  com os  documentos  de  fls.  264, do  Volume II, a 493, do Volume III, sendo os mais importantes para  os autos, na sua maioria, os já apresentados para o Fisco.  A decisão proferida em primeira instância manteve integralmente o trabalho fiscal, a  princípio, afastando o pedido de posterior juntada de documentos, bem como da realização de perícia,  por  não  haver  dúvidas  para  o  julgamento,  chegando  a  esta  afirmação,  após  bem  motivar  seu  entendimento, sobre ambos pedidos.   Fl. 599DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 582          9 Quanto  ao  mérito,  que  a  modalidade  de  lançamento  por  homologação  para  qual  passou  o  ITR,  não  dispensa  o  contribuinte  da  guarda  de  documentos  e  mesmo  da  apresentação  de  Laudos,  quando  solicitados  pela  fiscalização,  notadamente,  para  constatar  a  regularidade  da  isenção  declarada pelo contribuinte, assim como do valor atribuído à terra.  Após  distinguir,  com  a  transcrição  dos  arts.  2o  e  3o  do  Código  Floresta,  as APPs  decorrentes em virtude da topografia das florestas e tipo de acidentes geográficos específicos definidas  por  lei,  das  APPs  assim  declaradas  por  ato  do  poder  público,  sendo  que  para  aquelas,  basta  a  apresentação de laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART,  afirmando a existência e dimensionando as áreas respectivas, a decisão recorrida rejeitou as alegações  da Recorrente,  de ver  amparada  a  isenção, pelo  fato do  seu  imóvel  estar  integralmente  localizado na  APA,  uma  vez que,  de  forma planejada  e  regulamentada,  a  legislação  permite  a  exploração  de  parte  desta área, através de plano de manejo, sendo vedada apenas as atividades potencialmente poluidoras, as  de terraplanagem, dentre outras, que ameacem extinguir as espécies de flora e fauna.  Partindo desta premissa, a decisão recorrida considerou como APP área de 1,198,0  hectares e não 7.742,8 hectares, como sustentada pela Recorrente, sendo aceita pelo autuante, como tal,  área  de  4.847,4  hectares,  uma  vez  por  ele  excluída  da  tributação,  por  considerá­la  na  APP,  3.833,9  hectares de área alagada, respeitando assim, a vedação da reformatio in pejus.  Quanto  ao  VTN,  fundamentou  seu  entendimento  argumentando  que  o  Laudo  apresentado pelo Recorrente não afasta a aplicação dos valores constantes no SIPT, uma vez que não foi  elaborado  com  observância  da  norma  da  ABNT,  consistindo  o  mesmo  em  parecer  e  não  Laudo,  portanto, precário para atender à pretensão da autuada.  Em grau de Recurso Voluntário, resumidamente, aduz a Recorrente:  Preliminarmente,  a)  a nulidade da decisão proferida, por cerceamento ao direito de  defesa,  ao  indeferir  pedido  de  diligencias  e  realização  de  perícia,  para  comprovação  que  grande  parte  do  imóvel  se  encontra cravado no bioma Mata Atlântica, totalmente coberto  por  floresta  nativa,  portanto,  não  utilizável  economicamente,  não pretendendo com isto, reabertura indireta da ação fiscal;  Quanto ao mérito,  b)  que  da  área  total  de  7.742,8  hectares,  6.821,29  hectares  do  Complexo de Itupararanga, estão inseridos nos limites da APA  de Itupararanga, conforme declaração acostada à impugnação,  expedida  em  14/08/2008,  firmada  pelo  Diretor  Executivo  da  Fundação Florestal do Estado de São Paulo. A APA foi criada  pela  lei  n.o  11.579/03,  destacando  ainda  que  parte  dela  foi  alagada  pelo  Poder  Público  para  compor  o  reservatório  da  Usina  Hidrelétrica  de  Itupararanga,  que  responde  pelo  abastecimento de 63% da população da região;  c)  sem  qualquer  comprovação  por  parte  do  contribuinte,  a  legislação  exclui  da  tributação  esta  área,  assim  assegurada  a  isenção pelo par. único do art. 104 da lei n.o 8.171/91 e par. 1o,  II “b” da  lei 9.393/96, não procedendo afirmações da decisão  recorrida, de que o fato de estar inserido na APA, não assegura  a isenção, por não estar, necessariamente, na APP, ferindo com  isto, a legislação reconhecida por precedentes deste colegiado,  não  podendo  prosperar  interpretação  baseada  em Manual  de  Fl. 600DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 583          10 Perguntas  e  Respostas  da  RFB,  por  ferir  o  princípio  da  legalidade. Foram observadas todas as exigências legais para o  reconhecimento da APP, inexistindo regras para a APP;  d)  embora  a  exigência  do  ADA  seja  reconhecida  pelo  Poder  Judiciário  como  ilegal,  foram apresentados no ano de 1997 e  2007,  não  em  outros  exercício,  por  dispensa  da  legislação  e  neles já constavam a área de 7.060,9 hectares como APP;  e)  O arbitramento do VTN só é cabível quando o contribuinte se  mostrar omisso ou reticente à prestação de informações a que  está  obrigado,  e  foi  apresentado  ao  autuante,  laudo  de  avaliação.  O  autuante  apurou  o  VTN  em  R$  2.605,37,  sem  considerar o baixo valor de mercado das áreas do Complexo,  quando  foi  declarado  R$  700,91  o  hectare,  sem  justificativa  para  a  alteração  ou  origem  do  valor  apurado,  e  de  boa  fé,  o  laudo apresenta o valor superior ao declarado;  f)  Na DITR/2003 não  havia  campo próprio  para  informação  de  que  a  área  integrava  a  APA,  razão  pela  qual,  constou  como  APP.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator.  O  Recurso  Voluntário  é  apresentado  tempestivamente  e  está  assinado  por  procurador com instrumento de mandato incluso aos autos, dele conhecendo.  Inicialmente, afasto a preliminar de nulidade alegada pela Recorrente, de que  houve  cerceamento  ao  seu  direito  de  defesa,  pelo  indeferimento  de  dilação  de  prazo  para  apresentação de documentos, ou mesmo, da realização de perícia.  As questões foram objetivamente colocadas pela fiscalização e à Recorrente  asseguradas todas as oportunidades de defesa, conforme bem fundamenta a decisão recorrida,  não merecendo neste particular, qualquer reparo.  Para  as  questões  de  mérito,  conforme  descrito  no  auto  de  infração,  a  Recorrente foi notificada para comprovar a existência da área declarada a título de preservação  permanente,  de  7.060,9  hectares,  sendo  apurado  pela  fiscalização,  4.487,40  hectares,  aumentando a área tributável de 681,9 para 2.895,4 hectares, e o VTN sobre a área tributável,  que fez constar na DITR/2005, de R$ 515.240,00 para R$ 14.224.404,95 (fl. 08).  A Recorrente afirma que a DITR espelha a área efetivamente conservada, de  7.060,9 hectares, que fez constar como de Preservação Permanente, pelo fato de não haver no  formulário, campo próprio para  informar que  trata­se de Área de Proteção Ambiental,  criada  pela lei estadual n.o 10.100, de 1o de dezembro de 1.998. Da mesma forma fez constar no Ato  Declaratório Ambiental de 1.997 (fl. 32), protocolado junto ao IBAMA em 09/09/98 e de 2007,  em 28/08/2007 (fl. 34).  Fl. 601DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 584          11 No Parecer Técnico apresentado com Anotação de Responsabilidade Técnica  (fl.  51),  que  atesta  a  formação  profissional  de  Engenheiro Agrônomo  do  Sr. Mauricio  Elias  Jorge, que se apresenta como responsável pela empresa Consult Consultoria em Eng. e Aval.  Soc.  Simples  Ltda.,  à  fl.  56,  consta  que  da  área  total  de  7.742,8  hectares,  90,38% dela  está  ocupada por APP e APA Itupararanga, delas se ocupando nas folhas seguintes, com citações da  lei  que  criou  a  APA  e  dos  desdobramentos  da  área  envolvida  e  memoriais,  descritivos,  finalizando, com as referências às fontes que levou à indicação do VTN para o ano de 2.005, de  R$ 7.200.000,00. O VTN constante na DITR para a área tributável foi de R$ 515.240,00 e o  apurado pelo autuante de R$ 14.224.404,95.  Conforme  destacado  nas  peças  de  defesa,  com  documentos  como  Ato  Declaratório  Ambiental,  que  precedeu  ao  ano  objeto  da  autuação,  que  é  de  2.003,  e  o  expediente  protocolado  junto  ao  IBAMA  referir­se  ao  ano  de 1.997,  onde  já  constava  como  Área  de  Preservação  Permanente,  assim  como  foi  informado  na  DITR,  por  falta  de  campo  próprio  no  formulário  que  permitisse  a  referência  a Área  de  Proteção Ambiental,  e  aliado  à  legislação  estadual  que  efetivamente  a  instituiu,  nela  englobando  considerável  área  da  Recorrente, entendo aplicável o benefício da isenção do imposto em questão.  Com efeito, a decisão recorrida enfatiza a procedência da glosa efetuada pelo  autuante, deixando expresso que somente Laudo Técnico nos temos da ABNT teria o condão  de  atestar  a  existência  das  condições  que  amparam  a  isenção,  o  que  no  meu  entender,  não  procede, pois além de inverter o ônus da prova, que também me parece ilegal, estabelece um  único meio de prova, o que fere dispositivo do Código de Processo Civil, bem como o  texto  constitucional, que veda apenas as provas obtidas através de meio ilícito.  Afastar  o  benefício  da  isenção,  sob  a  hipótese  de  que  na APA  e  Reservas  Extrativas,  em  regra,  podem  ser  exploradas  economicamente,  como mencionado,  é  hipótese,  condição  esta,  que  não  ampara  a  cobrança  de  imposto.  No  documento  apresentado  pelo  Recorrente,  seja  ele  Parecer  Técnico,  firmado  por  profissional  da  engenharia,  afirma  que  as  mesmas estão preservadas, não sendo exploradas economicamente, fato este, que não pode ser  ignorado, tomando por base, simplesmente, uma hipótese.  Assim,  entendo  que  a  extensão  da  área  tributável  não  deve  ser  alterada,  permanecendo aquela constante na DITR, de 681,9 hectares.  No tocante ao VTN, o próprio Parecer Técnico apresentado pela Recorrente,  afirma (fl 415) que não foi possível coletar elementos comparativos suficientes sequer para o  mínimo de Grau  I de  fundamentação,  limitando em seguida,  a  fornecer nomes e números de  imobiliárias/corretores da região, sem qualquer documento onde conste o teor da consulta e seu  objeto, razão pela qual, entendo que deva prevalecer o apurado pelo autuante, que tomou por  base o SIPT , cuja aplicação, está bem fundamentado na decisão recorrida.  Pelas  razões  acima expostas, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso,  para  afastar  a  exigência  sobre  a  área  ampliada,  mantendo  porém  o  VTN  apurado  pela  fiscalização.  Assinado digitalmente  ATILIO PITARELLI  Relator Fl. 602DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10855.720044/2008­18  Acórdão n.º 2102­001.849  S2­C1T2  Fl. 585          12                             Fl. 603DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS

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Numero do processo: 11618.000542/2005-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2004 REGIME DA CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVOS FISCAIS RECEBIDOS DO PODER PÚBLICO ESTADUAL. SUBVENÇÕES. FATURAMENTO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Assim, de se retirar da base de cálculo da contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento, por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou de serviços. No caso, de se retirar da base de cálculo os valores recebidos a título de subvenção para investimento, na vigência da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. NÃO-CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTADUAL. REDUÇÃO NA APURAÇÃO DO ICMS DEVIDO. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-001.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar a exigência relacionada ao período em que vigorava o regime da cumulatividade para ambas as contribuições. Os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori votaram pelas conclusões por entenderem não se tratar a subvenção de uma receita. Nos períodos submetidos ao regime da não cumulatividade, em primeira votação, rejeitou-se a proposta do Relator de negar-se provimento, que foi acompanhado em seu voto apenas pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Em segunda votação, pelo voto de qualidade, deu-se parcial provimento ao recurso para cancelar-se a exigência apenas quando a operacionalização do incentivofiscal se deu sob forma de “crédito presumido de ICMS”. Vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori que davam provimento integral nessa parte. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, para redigir o voto vencedor . Júlio César Alves Ramos - Presidente Odassi Guerzoni Filho – Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis – Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2310; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 2          1 1  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11618.000542/2005­63  Recurso nº  11.618.000542200563   Voluntário  Acórdão nº  3401­001.976  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de setembro de 2012  Matéria  COFINS E PIS ­ SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS ­ BASE DE  CÁLCULO  Recorrente  CIPATEX DO NORDESTE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2004  REGIME DA CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVOS  FISCAIS  RECEBIDOS  DO  PODER  PÚBLICO  ESTADUAL.  SUBVENÇÕES.  FATURAMENTO.  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL.  REPERCUSSÃO  GERAL.  EXISTÊNCIA.  IMPROCEDÊNCIA  DO  LANÇAMENTO.  Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo  Tribunal Federal  já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do  § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Assim,  de  se  retirar  da  base  de  cálculo  da  contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento,  por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou  de serviços. No caso, de se retirar da base de cálculo os valores recebidos a  título de subvenção para investimento, na vigência da Lei nº 9.718, de 27 de  novembro de 1998.  NÃO­CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO.  INCENTIVO FISCAL  ESTADUAL.  REDUÇÃO  NA  APURAÇÃO  DO  ICMS  DEVIDO.  NÃO  INCLUSÃO.   Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins  e do PIS, o valor do  incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de  crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 30/04/2001 a 30/06/2004  REGIME DA CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVOS  FISCAIS  RECEBIDOS  DO  PODER  PÚBLICO  ESTADUAL.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 05 42 /2 00 5- 63 Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     2 SUBVENÇÕES.  FATURAMENTO.  SUPREMO  TRIBUNAL  FEDERAL.  REPERCUSSÃO  GERAL.  EXISTÊNCIA.  IMPROCEDÊNCIA  DO  LANÇAMENTO.  Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo  Tribunal Federal  já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do  § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, conhecido como alargamento da base de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins.  Assim,  de  se  retirar  da  base  de  cálculo  da  contribuição quaisquer outras receitas que não as decorrentes do faturamento,  por este compreendido apenas as receitas com as vendas de mercadorias e/ou  de serviços. No caso, de se retirar da base de cálculo os valores recebidos a  título de subvenção para investimento, na vigência da Lei nº 9.718, de 27 de  novembro de 1998.  NÃO­CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO.  INCENTIVO FISCAL  ESTADUAL.  REDUÇÃO  NA  APURAÇÃO  DO  ICMS  DEVIDO.  NÃO  INCLUSÃO.   Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins  e do PIS, o valor do  incentivo fiscal concedido pelo Estado sob a forma de  crédito escritural, para redução na apuração do ICMS devido.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros  do Colegiado,  por unanimidade  de votos,  em dar  provimento  ao  recurso  para  cancelar  a  exigência  relacionada  ao  período  em  que  vigorava  o  regime  da  cumulatividade  para  ambas  as  contribuições.  Os  Conselheiros  Fernando Marques  Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori votaram pelas conclusões por  entenderem não se  tratar a subvenção de uma receita. Nos períodos submetidos ao regime da  não  cumulatividade,  em  primeira  votação,  rejeitou­se  a  proposta  do  Relator  de  negar­se  provimento,  que  foi  acompanhado  em  seu  voto  apenas  pelo  Conselheiro  Júlio  César  Alves  Ramos.  Em  segunda  votação,  pelo  voto  de  qualidade,  deu­se  parcial  provimento  ao  recurso  para cancelar­se a exigência apenas quando a operacionalização do incentivofiscal se deu sob  forma de  “crédito  presumido de  ICMS”. Vencidos  os Conselheiros Fernando Marques Cleto  Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Ângela Sartori que davam provimento integral nessa  parte. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, para redigir o voto vencedor .    Júlio César Alves Ramos ­ Presidente  Odassi Guerzoni Filho – Relator  Emanuel Carlos Dantas de Assis – Redator designado  Participaram  do  julgamento  os  Conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos,  Emanuel Carlos Dantas  de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques  Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.  Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11618.000542/2005­63  Acórdão n.º 3401­001.976  S3­C4T1  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  a  decisão  da  DRJ  que  manteve  as  autuações  fiscais  relacionadas  à  exigência  do  PIS/Pasep  e  da Cofins  apurados  e  lançados,  tanto sob o regime da cumulatividade quanto sob o da não­cumulatividade, a partir  dos valores escriturados a título de “Subvenção de Investimentos”.  Argumentou  a  Recorrente  tratar­se  de  empresa  localizada  no  Estado  da  Paraíba,  para  cuja  instalação  recebera,  por  conta  da  relevância  para  o  desenvolvimento  da  região  e  pelo  pioneirismo  e  singularidade  do  empreendimento,  incentivos  fiscais  exclusivos  concedidos  por  aquele  estado,  o  que  se  lhes  daria  a  natureza  de  uma  “subvenção  para  investimentos”.  Referidos  incentivos,  explicou,  se deram sob duas modalidades: a primeira,  na forma de recebimento de empréstimo com encargos subsidiados, em valor correspondente a  100% do valor do ICMS recolhido pela empresa junto ao Fundo de Apoio do Desenvolvimento  Industrial – Fain, e a segunda, que, na verdade, substituiu a primeira, na forma de um crédito  presumido  correspondente  a  75%  do  total  do  saldo  devedor  do  ICMS  do  período  correspondente,  mediante  lançamento  do  valor  do  crédito  autorizado,  no  Livro  Registro  de  Apuração de ICMS.  Aduziu ainda que os valores  recebidos  foram contabilizados diretamente na  conta  “Reserva  de  Capital”,  para  aumento  do  capital  social  ou  compensação  de  prejuízos,  tendo, inclusive, procedido ao aumento de seu capital com esses recursos.  Nessa  linha,  passou  a  invocar  decisões  do  então  denominado  Conselho  de  Contribuintes  e  da  Câmara  Superior  de Recursos  Fiscais  no  sentido  de  que  as  “Subvenções  para Investimentos” não podem sofrer a incidência do IRPJ e do PIS/Pasep e da Cofins.   Ad  argumentandum,  que  o  lançamento  não  poderia  subsistir  em  face  de os  dispositivos legais que foram invocados pela fiscalização [artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27  de novembro de 1998, e artigos 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 23, 59 e 63 do  Decreto  nº  4.524,  de  17  de  dezembro  de  2002],  estariam  a  definir  a  base  de  cálculo  das  contribuições como sendo o seu faturamento e receita bruta, não podendo, portanto, neles ser  enquadrada  a  subvenção  para  investimento,  cujos  valores  sequer  transitam  pela  conta  de  resultado. Nesse  sentido, mencionou  o Acórdão  nº  101­94.676,  de  2004,  do  1º Conselho  de  Contribuintes,  bem  como  os Acórdão  nº  101­94.436,  de  2003,  e  o Acórdão  nº  01­1.875,  de  1995,  respectivamente,  do  1º  Conselho  de Contribuintes  e  da CSRF,  onde  se  decidiu  que  o  tributo  somente  poderá  ser  cobrado  quando  o  evento  do  mundo  fático  se  subsumir  integralmente à hipótese abstrata esculpida na lei.  Inovando em relação à peça impugnatória, a Recorrente passou a argumentar  que,  em  abono  ao  entendimento  de  que  não  haveria  a  incidência  de Cofins  e  de  PIS/Pasep  sobre os incentivos fiscais em comento, estariam as regras da neutralidade tributária previstas  pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, de sorte que, a seu ver, se o legislador não vislumbrava a  incidência  de  tais  contribuições  sobre  as  subvenções  para  investimento  até  31/12/2007,  Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     4 determinara, visando a neutralidade, que essa situação permanecesse a partir de 2008, a teor do  disposto no artigo 18, inciso I, c/c o artigo 21, parágrafo único, inciso I, ambos da referida lei.  Juntou  ainda  aos  seus  argumentos  o  entendimento  do  STF  acerca  da  inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, segundo o qual o PIS/Pasep  e  a  Cofins  somente  podem  se  fazer  incidir  sobre  o  faturamento,  por  este  compreendido  o  produto da venda de mercadorias e/ou de serviços.  Ainda  por  conta  dessa  decretação  de  ilegalidade  do  referido  dispositivo,  entendeu  que  o  lançamento  deveria  ser  cancelado  porquanto  a  fiscalização  teria  indicado  somente ele a título de enquadramento legal da infração.  No essencial, é o Relatório.  Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11618.000542/2005­63  Acórdão n.º 3401­001.976  S3­C4T1  Fl. 4          5   Voto Vencido  Conselheiro Odassi Guerzoni Filho  Cientificada  da  decisão  da DRJ  em  21/12/2009,  a  interessada  apresentou  o  Recurso  Voluntário  em  18/01/2010,  portanto,  de  forma  tempestiva.  Preenchendo  os  demais  requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido.  Esclarecimentos adicionais ao relatório e delimitação da lide  Inicialmente,  de  se  ressaltar  que  a  este  processo  foi  apensado  o  de  nº  11618.000543/2005­16, relacionado ao auto de infração relativo ao PIS/Pasep.  Depois, que, não obstante não tenham sido apurados pela fiscalização débitos  em aberto da Cofins para os períodos de apuração de março, abril, maio e junho de 2004, e do  PIS/Pasep  para  os  períodos  de  apuração  de  dezembro  de  2002, maio,  junho  e  dezembro  de  2003,  e  janeiro,  fevereiro  e  maio  de  2004,  de  se  levar  em  conta  que,  para  isso,  houve  o  aproveitamento de ofício dos  créditos da não­cumulatividade que haviam sido  apurados  pela  autuada,  consoante  assim o demonstram os quadros  às  fls.  67,  em  relação à Cofins,  e às  fls.  785, 786 e 787, para o PIS/Pasep.   Com  isso,  estou  a  dizer  que,  caso  o  resultado  do  presente  julgamento  seja  pelo provimento do recurso quanto à matéria “Subvenção para Investimentos”, haverão de ser  cancelados,  ou  revertidos,  os  aludidos  aproveitamentos  de  oficio  dos  créditos  da  não­ cumulatividade apurados pela empresa.  De outra parte,  de  trazer  a  informação de que a DRJ, de ofício, decretara a  decadência  dos  lançamentos  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  relativos  aos  períodos  de  apuração  anteriores a fevereiro de 2000, bem como que acolhera alguns ajustes no lançamento em face  de  diligência  por  ela  própria  determinada  à  fiscalização,  de  modo  que  a  única  matéria  em  julgamento é quanto a incidência ou não do PIS/Pasep e da Cofins sobre os valores recebidos e  considerados  pela  autuada  como  “Subvenção  para  Investimentos”,  o  que  delimita  a  lide,  em  termos de períodos de apuração, aos lançamentos havidos entre abril de 20011 e junho de 2004.   Por fim, que nossa análise deverá considerar que a autuação envolve períodos  de apuração apurados sob o regime da cumulatividade e da não­cumulatividade.  Débitos do PIS/Pasep e da Cofins sob o regime da cumulatividade  Tendo em vista a mudança do regime de tributação do PIS/Pasep e da Cofins,  aqui trataremos dos lançamentos efetuados de ambas as contribuições relativos aos períodos de  apuração em que vigorou a Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, isto é, até novembro de                                                              1  Somente  a  partir  de  abril  de  2001  é  que  começaram  a  ser  fruidos  os  benefícios  concedidos  pelo  Estado  da  Paraiba, isto é, quando venceu a primeira parcela do emprestimo tomado e houve a quitação com 99% de desconto  do  valor  dos  acréscimos  legais  incorridos.  Ver,  por  exemplo,  o  documento  de  fl.  75,  bem  como  a  planilha  elaborada pela fiscalização à fl. 60.  Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     6 2002 e até dezembro de 2003, respectivamente, evidentemente restritos àqueles remanescentes  da decisão da DRJ.  Dessa  forma,  hão  de  ser  cancelados  todos  os  lançamentos  compreendidos  neste período e que tenham sido calculados sobre os valores registrados pela autuada a título de  Subvenção para Investimentos.  É  que,  conforme  bem  apontado  pela  Recorrente,  o  STF  decretou  a  inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de sorte que não mais pode  ser utilizado  aquele  conceito  alargado de  “faturamento”,  no  qual  eram consideradas  todas  as  receitas auferidas pela empresa, independentemente de seu registro na contabilidade.   Desta  forma  e na  linha do  entendimento pacificado no STF,  ao menos,  por  enquanto, para as empresas que têm por objeto a indústria e o comércio de mercadorias, como  é  o  caso  da Recorrente,  por  faturamento  deve  ser  compreendido  apenas  o  produto  da  venda  desses bens e/ou da prestação de serviços, o que impede que nele sejam incluídos os valores  havidos pela autuada na  forma de  favor  fiscal do Estado da Paraíba [descontos  financeiros e  crédito presumido de ICMS], que, por óbvio, nada têm a ver com aquelas receitas.  Senão,  vejamos  o  julgado  no  Recurso  Extraordinário  346.084  –  Paraná,  Relatoria Ministro Ilmar Galvão:  “CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  –  Pis  –  RECEITA  BRUTA  –  NOÇÃO  –  INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98/98. A  jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ante a redação do artigo 195 da Carta  Federal  anterior  à  Emenda  Constitucional  nº  20/98,  consolidou­se  no  sentido  de  tomar  as  expressões  receita  bruta  e  faturamento  como  sinônimas,  jungindo­se  à  venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o  § 1º do artigo 3º da Lei nº Lei nº 9.718/98/98, no que ampliou o conceito de receita  bruta  para  envolver  a  totalidade  das  receitas  auferidas  por  pessoas  jurídicas,  independentemente  da  atividade  por  elas  desenvolvida  e  da  classificação  contábil  adotada.”   A par disso, de se considerar que partir da Portaria MF nº 586, de 2010, que  introduziu  o  art.  62­A  no  Regimento  Interno  do  CARF,  as  decisões  definitivas  de  mérito  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C do Código de Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos  conselheiros no  julgamento dos  recursos no  âmbito do  CARF.  De  se  dar  provimento  ao  recurso,  pois,  para  retirar  da  base  de  cálculo  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins  os  valores  dos  “descontos  obtidos  na  quitação  dos  empréstimos  subsidiados”, bem como do “crédito presumido do ICMS” relativos aos períodos de apuração  compreendidos  na  autuação  sob  o  regime  da  cumulatividade,  tanto  do  PIS/Pasep  quanto  da  Cofins.  Débitos do PIS/Pasep e da Cofins sob o regime da não­cumulatividade  Neste  tópico  trataremos  daqueles  débitos  apurados  pela  fiscalização  do  PIS/Pasep e da Cofins a partir dos períodos de apuração de janeiro de 2003 a junho de 2004,  para  o  PIS/Pasep,  e  de  janeiro  de  2004  a  junho  de  2004,  para  a  Cofins,  evidentemente  restringidos àqueles remanescentes da decisão recorrida.  Dispositivo legal tido como infringido  Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11618.000542/2005­63  Acórdão n.º 3401­001.976  S3­C4T1  Fl. 5          7 Inicialmente, de se  rechaçar o argumento da Recorrente, de que a autuação,  também  para  o  período  submetido  ao  regime  da  não­cumulatividade,  estaria  lastreada  unicamente naquele dispositivo considerado inconstitucional pelo STF e reportado alhures.  É  que,  não  obstante  a  fiscalização,  de  fato,  não  tivesse  especificado  os  dispositivos  que  considerariam  os  referidos  “descontos  obtidos”  e  o  “crédito  presumido  de  ICMS”  como  integrantes  da  receita  bruta,  mencionou  expressamente  nos  seus  Relatórios  Fiscais [fls. 1.250 para o PIS/Pasep e fl. 485 para a Cofins], que os valores que incluiu na base  de cálculo para apuração das contribuições devidas a título de PIS/Pasep e a Cofins levaram em  conta  as  leis  que  introduziram  o  regime  não  cumulativo,  quais  sejam,  a  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002, e a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, respectivamente.  Portanto,  repito,  restou,  sim,  identificado  no  auto  de  infração  o  dispositivo  legal  tido  como  infringido  pela  fiscalização  também em  relação  ao  período  sob  o  regime da  não­cumulatividade.  Neutralidade tributária – impossibilidade de aplicação retroativa  Reportando­se  à  Lei  nº  11.941,  de  27/05/2009,  a  Recorrente  pretendeu  demonstrar  que  a  não  caracterização  da  subvenção  para  investimentos  como  receita  estaria  confirmada  no Regime  Tributário  de Transição  contido  no Capítulo  III  da  referida  lei,  visto  que, em seu artigo 21, parágrafo único, inciso I, dispôs que o valor das subvenções e doações  feitas pelo poder público, de que trata o artigo 18 da mesma lei, poderão, para fins de aplicação  do RTT e a partir de 2008, ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins.  Trata­se,  à  evidência  de modificação  legal  introduzida  por  lei, modificação  esta que ano preenche as condições fixadas pelo artigo 106 do Código Tributário Nacional para  que sua aplicação alcance os fatos havidos neste processo.  Favor fiscal recebido – receita (?)   O que haveremos de decidir neste tópico é se os valores havidos pela autuada  em  face  de  incentivo  dado  pelo  Estado  da  Paraíba,  na  forma,  primeiro,  de  desconto  no  pagamento de encargos de empréstimo, e, segundo, na forma de escrituração e aproveitamento  de “crédito presumido de ICMS”, devem ser retirados da base de cálculo das contribuições por  serem considerados como Subvenção para Investimentos , ou se devem ser considerados como  dentre aquelas receitas a que aludem as referidas duas leis que introduziram o regime da não­ cumulatividade, as quais, em seus respectivos artigos 1º estabelecem:  Para o PIS/Pasep:  “Art.  1º  A  contribuição  para  o  PIS/Pasep  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  §  1º  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende a  receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e  todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.  §  2º  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS/Pasep  é  o  valor  do  faturamento, conforme definido no caput.”  Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     8 Para a Cofins:  “Art.  1º  A  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  COFINS,  com a  incidência  não­cumulativa,  tem como  fato gerador o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente de sua denominação ou classificação contábil.  §  1º  Para  efeito  do  disposto  neste  artigo,  o  total  das  receitas  compreende a  receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e  todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica.  § 2º A base de  cálculo da  contribuição  é o valor do  faturamento, conforme  definido no caput.”  Será necessário que analisemos separadamente as duas formas de favor fiscal  concedidas  à  autuada  pelo  Estado  da  Paraíba,  não  obstante,  para  a  instância  recorrida,  se  mostrasse irrelevante a classificação da subvenção em questão, quer como custeio, quer como  investimento,  ou  mesmo  como  incentivo  fiscal,  pois,  a  seu  ver,  caracterizou­se  como  um  ingresso no patrimônio da autuada, e, portanto, deve ser tratada como receita.  É  que  nem  todos  os  incentivos  fiscais  concedidos  às  empresas  pelos  entes  públicos possuem as mesmas características, daí a necessidade de serem identificadas as suas  características e condições mais marcantes.  Além disso, neste Colegiado tem sido defendido por alguns de meus pares o  entendimento  de  que  as  diversas  modalidades  de  favor  fiscal  hão  de  ser  analisadas  separadamente para fins de verificação quanto à incidência ou não das duas contribuições.  Favor fiscal auferido na forma de desconto no valor dos encargos  financeiros quando da quitação do empréstimo subsidiado.  Inicialmente,  de  se  lembrar  que,  conforme  relatado  acima,  a  primeira  modalidade de subvenção recebida pela autuada consistiu no “desconto” de 99% do valor dos  acréscimos  [juros  de  6%  a.a.  e  variação  da  TJLP]  cobrados  pelo  Estado  da  Paraíba  sobre  o  valor  dos  empréstimos  concedidos  conforme  o  Protocolo  de  Intenções  firmado  em  face  do  projeto de instalação do parque fabril [100% do valor do ICMS recolhido pela empresa junto  ao Fain, a ser pago no prazo de doze meses]. A autuada contabilizou esses descontos a débito  da  conta do passivo  e  a crédito da conta de Reserva de Capital,  a  título de “Subvenção para  Investimentos”.  .Dito  de  outra  forma,  tem­se  que  essa  primeira  modalidade  de  subvenção  consistiu  num,  digamos,  “estorno”,  numa  diminuição  da  quase  totalidade  (99%)  dos  juros  e  variação  monetária  [despesas  financeiras]  cobrados  pelo  Estado  da  Paraíba  sobre  os  empréstimos então concedidos.  Ora,  trata­se, à evidência de um ganho efetivamente realizado na liquidação  de um passivo e, como tal, deve ser considerado como uma “receita”, da espécie “Descontos  Obtidos”, que é gênero das “Receitas Financeiras”.  Assim,  independentemente  de  se  tratar  de  uma  benesse  fiscal,  deve  ser  considerado como integrante do “faturamento” da empresa, por este entendido, na vigência do  regime da não­cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, como “o total das receitas auferidas  pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.”  Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11618.000542/2005­63  Acórdão n.º 3401­001.976  S3­C4T1  Fl. 6          9 Embora referindo­se expressamente ao seu tratamento para fins de apuração  do IRPJ e da CSLL, o Ato Declaratório  Interpretativo SRF nº 22, de 29 de outubro de 2003,  assim foi editado:  O  SECRETÁRIO DA RECEITA  FEDERAL,  no  uso  da  atribuição  que  lhe  confere  o  inciso  III  do  art.  209  do  Regimento  Interno  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e  tendo em  vista o disposto nos arts. 374, 377 e 443 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de  1999  –  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR,  de  1999),  e  o  que  consta  do  processo no 10768.028583/98­01, declara:  Art.  1º.  Os  incentivos  concedidos  pelo  Poder  Público  às  pessoas  jurídicas,  consistentes  em  empréstimos  subsidiados  ou  regimes  especiais  de  pagamento  de  impostos,  em  que  os  juros  e  a  atualização  monetária,  previstos  contratualmente,  incidem  sob  condição  suspensiva,  não  configuram  subvenções  para  investimento,  nem subvenções correntes para custeio.  Parágrafo único. Os incentivos de que trata o caput configuram reduções de  custos ou despesas, não se aplicando o disposto no art. 443 do RIR, de 1999.  Art.  2º.  Os  juros  e  a  atualização  monetária  contratados,  incidentes  sob  condição suspensiva, serão considerados despesas na apuração do Lucro Real e da  base  de  cálculo  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  (CSLL),  quando  implementada a condição.” (grifei)   E, para mim,  redução de custo ou de despesa é uma  receita, que, como  tal,  deve se submeter à incidência do PIS/Pasep e da Cofins.  De se manter, pois, a decisão da DRJ quanto a este tópico.  Favor fiscal auferido na forma de aproveitamento de crédito presumido de  ICMS  A segunda modalidade de favor fiscal obtido pela autuada junto ao Estado da  Paraíba  consistiu  na  utilização  de  um  crédito  presumido  correspondente  a  75%  do  total  do  saldo devedor do ICMS do período correspondente, lançando no Livro de Reg. de Apuração do  ICMS o valor do  crédito  autorizado.  Isso de  seu  a partir  de abril de 2003 e a contabilização  desse crédito se deu mediante débito de uma conta do Ativo Circulante [ICMS a Recuperar] e a  crédito de uma conta do Patrimônio Líquido [Reserva de Capital].  Também esse tipo de favor fiscal se reveste de todas as características de uma  receita nova, visto que propicia ganho patrimonial à entidade na medida em que, não obstante  não  se dê  na  forma de  recebimento de dinheiro na  sua  forma concreta,  tem­se que o  crédito  escritural  concedido  pelo  Estado  irá  permitir  um  desembolso  menor  de  “Caixa”  quando  do  pagamento do tributo. Aí, a meu ver, que está caracterizado o ganho, e, portanto, a receita.  Mas, ainda que a discussão fosse conduzida para o terreno das “subvenções  para investimento”, ainda assim não assistiria razão à Recorrente.  Valho­me,  para  esse  fim,  das  considerações  específicas  sobre  o  tema  "subvenções"  contidas  no  Parecer  Normativo  CST  nº  112,  de  1979,  ressaltando,  todavia,  primeiro,  que  o  referido  Parecer  visava  esclarecer  dúvidas  quanto  ao  tratamento  fiscal  das  subvenções em face da legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, e, segundo,  Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     10 que, na época de sua edição, não se cogitava ainda da incidência do PIS/Pasep e Cofins sobre  outras receitas que não as decorrentes do faturamento de mercadorias e de serviços.  Mas, de qualquer modo, o referido Parecer define que as subvenções, sejam  elas  para  custeio  ou  para  investimento,  devem  compor  o  resultado  da  empresa,  operacional  (custeio) e não operacional (investimentos), o que nos leva a concluir que, invariavelmente, sua  contabilização se dá a crédito da conta de receitas. Vejamos alguns de seus excertos:  “D.L. 1.598/77 ­ art. 38.   2.8 ­ O D.L. 1.598/77, na seção dedicada ao disciplinamento dos "Resultados  Não­Operacionais", fez incluir no § 2º de seu art. 38. as seguintes normas sobre as  SUBVENÇÕES:  "As subvenções para  investimento,  inclusive mediante a  isenção ou redução  de  impostos  concedida  como  estímulo  à  implantação  ou  expansão  de  empreendimentos econômicos, e as doações não serão computadas na determinação  do lucro real, desde que:  a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para  absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§  3º e 4º do art. 19. ; ou   b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do  contribuinte  e  utilizadas  para  absorver  superveniências  passivas  ou  insuficiências  ativas".   2.9  ­  A  primeira  conseqüência  que  se  extrai  do  citado  artigo  38  é  que  as  SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO também são tributáveis, na qualidade de  integrantes dos "Resultados não­Operacionais". Para não serem tributáveis, devem  ser  submetidas  a  um  tratamento  especial,  consistente  no  registro  como  reserva de  capital, a qual não poderá ser distribuída.”  E conclui, de maneira bastante clara o referido Parecer:  “CONCLUSÃO  7.1 ­ Ante exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por  pessoas  jurídicas,  para  os  fins  de  tributação  do  imposto  de  renda,  a  partir  do  exercício  financeiro  de  1978,  face  ao  que  dispõe  o  art.  67.  ,  item  I,  letra  "b"  do  Decreto­lei nº 1.598/77, pode ser assim consolidado:   I  ­  As  SUBVENÇÕES  CORRENTES  PARA  CUSTEIO  OU  OPERAÇÃO  integram  o  resultado  operacional  da  pessoa  jurídica;  as  SUBVENÇÕES  PARA  INVESTIMENTO, o resultado não­operacional;   II  ­  SUBVENÇÕES  PARA  INVESTIMENTO  são  as  que  apresentam  as  seguintes características:   a) a intenção do subvencionador de destiná­las para investimento;   b)  a  efetiva  e  específica  aplicação  da  subvenção,  pelo  beneficiário,  nos  investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico  projetado;  e  c)  o  beneficiário  da  subvenção  ser  a  pessoa  jurídica  titular  do  empreendimento econômico.   III  ­  As  ISENÇÕES  ou  REDUÇÕES  de  impostos  só  se  classificam  como  subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no  item anterior;   Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11618.000542/2005­63  Acórdão n.º 3401­001.976  S3­C4T1  Fl. 7          11 IV  ­  As  SUBVENÇÕES  PARA  INVESTIMENTO,  se  registradas  como  reserva de capital não serão computadas na determinação do  lucro real, desce que  obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva;   V  ­  As  ISENÇÕES,  REDUÇÕES  ou  DEDUÇÕES  do  Imposto  de  Renda  devido  pelas  Pessoas  Jurídicas  não  poderão  ser  tidas  como  subvenção  para  investimento;   VI ­ O § 2º do artigo 38 do Decreto­lei número 1598/77 aplica­se a todas as  pessoas jurídicas sujeitas à tributação pelo imposto de renda com base no lucro real;  e   VII ­ As contas do ativo permanente e respectiva depreciação, amortização ou  exaustão,  que  registrem  bens  oriundos  de  SUBVENÇÕES,  são  corrigidas  monetariamente nos termos dos artigos 39 e seguintes do Decreto­lei nº 1.598/77.”  Outro  não  foi  o  entendimento,  sob  o  enfoque  contábil,  do  Conselho  Federal de Contabilidade, que, por meio da Resolução CFC nº 922, de 2001,  definiu:  “[...])  CONSIDERANDO a decisão da Câmara Técnica no Relatório nº 59, de 28 de  novembro de 2001; resolve:   Art.  1º  ­  Aprovar  a  Norma  Brasileira  de  Contabilidade  NBC  T  10.16  ­  Entidades que recebem subvenções, contribuições, auxílios e doações.   Art. 2º ­ Esta Resolução entra em vigor a partir da data de sua publicação.   NORMAS BRASILEIRAS DE CONTABILIDADE  NBC  T  10  DOS  ASPECTOS  CONTÁBEIS  ESPECÍFICOS  EM  ENTIDADES DIVERSAS   NBC  T  10.16  ­  ENTIDADES  QUE  RECEBEM  SUBVENÇÕES,  CONTRIBUIÇÕES, AUXÍLIOS E DOAÇÕES   10.16.1 ­ DISPOSIÇÕES GERAIS   10.16.1.1  ­  Esta  norma  estabelece  critérios  e  procedimentos  específicos  de  avaliação  e  registro  contábil  dos  componentes  patrimoniais,  incluídas  as  informações mínimas que deverão constar das notas explicativas, das entidades que  recebem aportes de qualquer natureza.   10.16.1.2  ­  As  entidades  abrangidas  são  aquelas  que  recebem  aportes  financeiros  de  qualquer  natureza,  como  subvenções,  contribuições,  auxílios  e  doações, bem como direitos de propriedade de bens móveis e imóveis.   10.16.1.3  ­  Aplicam­se  a  essas  entidades  os  Princípios  Fundamentais  de  Contabilidade,  bem  com  as  Normas  Brasileiras  de  Contabilidade  e  suas  Interpretações Técnicas  e Comunicados Técnicos,  editados pelo Conselho Federal  de Contabilidade.   10.16.1.4  ­ As  entidades  em  causa  devem  observar,  no  que  lhes  couber,  os  ordenamentos constantes das  seguintes normas: NBC T 10.4 ­ Fundações; NBC T  10.18 ­ Entidades Sindicais e Associações de Classe; NBC T 10.19 ­ Entidades sem  Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     12 Finalidade  de  Lucros  e NBC T  4  ­ Da Avaliação  Patrimonial,  mormente  os  seus  itens 4.2.7.2 e 4.2.7.3.   10.16.1.5 ­ Subvenções são as transferências derivadas da lei orçamentária e  concedidas  por  órgãos  do  setor  público  a  entidades,  públicas  ou  privadas,  com  o  objetivo de cobrir despesas com a manutenção e o custeio destas, caracterizadas ou  não  pela  contraprestação  de  bens  e  serviços  da  beneficiária  dos  recursos.  As  subvenções subdividem­se em:   a)sociais  ­  aquelas  destinadas  a  entidades,  públicas  ou  privadas,  sem  finalidade lucrativa, de natureza assistencial, médica, educacional ou cultural, com  vista a estimular a prestação de serviços essenciais, em suplementação à iniciativa  privada;   b)econômicas ­ as transferências destinadas a empresas, públicas ou privadas,  de natureza industrial, comercial, agrícola ou pastoril, e inclusive para a cobertura de  déficits de manutenção das empresas públicas.   10.16.1.6 ­ Contribuições são as transferências derivadas da lei orçamentária e  concedidas por entes governamentais a autarquias e fundações e a entidades sem fins  lucrativos, destinadas à aplicação em custeio e manutenção destas, sem contrapartida  direta  do  beneficiário  dos  recursos  em  bens  e  serviços,  ou  determinadas  por  lei  especial anterior, para o atendimento de investimentos ou inversões financeiras.   10.16.1.7  ­  Auxílios  são  as  transferências  oriundas  da  lei  orçamentária  destinadas a atender a despesas de capital de entes públicos ou de entidades privadas  sem fins lucrativos.   10.16.1.8  ­  Doações  são  transferências  gratuitas,  em  caráter  definitivo,  de  recursos financeiros ou do direito de propriedade de bens móveis e imóveis, com as  finalidades  de  custeio,  investimentos  e  imobilizações,  sem  contrapartida  do  beneficiário dos recursos.   10.16.1.9  ­  Consoante  legislação  específica,  os  órgãos  governamentais  somente podem efetuar doação do direito de propriedade de bens móveis.   10.16.1.10  ­  As  entidades  privadas  podem  efetuar  doações  de  recursos  financeiros ou do direito de propriedade de bens móveis e imóveis.   10.16.2  ­ REGISTRO CONTÁBIL  10.16.2.1  ­ As  transferências  a  título  de  subvenção  que  correspondam  ou  não  a  uma  contraprestação  direta  de  bens  ou  serviços  para  a  entidade  transferidora,  devem  ser  contabilizadas  como  receita  na  entidade recebedora dos recursos financeiros.   10.16.2.2  ­  As  transferências  a  título  de  contribuição,  mesmo  que  não  correspondam  a  uma  contraprestação  direta  de  bens  ou  serviços  para  a  entidade  transferidora,  devem  ser  contabilizadas  como  receita  na  entidade  recebedora  dos  recursos financeiros.   10.16.2.3  ­ Os auxílios ou contribuições para despesas de capital devem ser  contabilizados  diretamente  em  conta  específica  de  Reserva  de  Capital,  no  Patrimônio  Líquido.  De  igual  modo,  os  auxílios  ou  contribuições  devem  ser  contabilizados em conta específica, designativa da operação, no Patrimônio Social  das entidades que se sujeitam às normas contábeis mencionadas no item 10.16.1.4.   10.16.2.4 ­ As doações financeiras para custeio devem ser contabilizadas em  contas  específicas  de  receita. As doações para  investimentos  e  imobilizações,  que  são consideradas patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade,  devem  ser  contabilizadas  no  Patrimônio Líquido  ou  Social,  conforme  seja  o  caso  específico da pessoa jurídica beneficiária da transferência.   Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11618.000542/2005­63  Acórdão n.º 3401­001.976  S3­C4T1  Fl. 8          13 10.16.2.5 ­ As transferências a título de subvenções, contribuições, auxílios e  doações devem ser contabilizadas em contas de compensação, pelo valor  total dos  recursos  recebidos,  enquanto  perdurar  a  responsabilidade  da  entidade  beneficiária  dos recursos.   10.16.2.6 ­ As transferências a título de subvenções, auxílios, contribuições e  doações para custeio ou capital devem ser registradas mediante documento hábil e  contabilizadas em contas específicas na entidade beneficiária dos recursos.   10.16.3 ­ NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS  10.16.3.1  ­  As  demonstrações  contábeis  devem  ser  acompanhadas  de  notas  explicativas que contenham, além dos dados compulsórios determinados em outros  atos normativos contábeis, as seguintes informações:   a)os  critérios  de  apuração  das  receitas  e  de  constituição  de  reservas,  especialmente as pertinentes a subvenções, doações, auxílios e contribuições;   b)as  subvenções, os auxílios e as contribuições governamentais recebidos, a  aplicação  dos  recursos  e  as  responsabilidades  decorrentes  dessas  transferências,  inclusive quanto à prestação de contas correspondente, perante o órgão concedente  dos recursos; e   c)a  evidenciação  dos  recursos  e  bens  recebidos  sujeitos  a  restrições  ou  vinculações por parte dos doadores.”  Mais  recentemente,  por  meio  da  sua  Coordenação  Tributação,  a  Receita  Federal do Brasil editou a Solução de Divergência Cosit nº 13, de 20/05/2011, na qual define  que o valor do crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo DF constitui receita  tributável  que  deve  integrar  a  base  de  cálculo  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins.  Veja­se:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   EMENTA:  Por  absoluta  falta  de  amparo  legal  para  a  sua  exclusão,  o  valor  apurado  do  crédito  presumido  do  ICMS  concedido  pelos  Estados  e  pelo  Distrito  Federal  constitui  receita  tributável  que  deve  integrar  a  base  de  cálculo  da  Contribuição para o PIS/Pasep.  A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do §1º do art. 3º  da Lei nº 9.718, de 1998, promovida pelo inciso XII do art.79 da Lei No 11.941, de  2009, para as pessoas  jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da  Contribuição para o PIS/Pasep, por não ser considerado faturamento (receita bruta)  decorrente  da  atividade  exercida  por  essas  pessoas  jurídicas,  o  valor  do  crédito  presumido  do  ICMS  deixou  de  integrar  a  base  de  cálculo  da  mencionada  contribuição.  DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 150 da Constituição Federal; Art. 97 da Lei  No 5.172, de 1966 (CTN); Arts. 2º e 3º da Lei No 9.178, de 1998; Art. 1º da Lei n°  10.637, de 2002; Inciso XII do art. 79 da Lei nº 11.941, de 2009; Arts. 392 e 443 do  Regulamento  aprovado  pelo  Decreto  No  3.000,  de  1999  (RIR/99);  e  Parecer  Normativo CST No 112, de 1978.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS   Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     14 EMENTA:  Por  absoluta  falta  de  amparo  legal  para  a  sua  exclusão,  o  valor  apurado  do  crédito  presumido  do  ICMS  concedido  pelos  Estados  e  pelo  Distrito  Federal constitui receita tributável que deve integrar a base de cálculo da Cofins.  A partir de 28 de maio de 2009, tendo em vista a revogação do § 1º do art. 3º  da Lei No 9.718, de 1998, promovida pelo inciso XII do art. 79 da Lei No 11.941, de  2009, para as pessoas  jurídicas enquadradas no regime de apuração cumulativa da  Cofins, por não ser considerado faturamento (receita bruta) decorrente da atividade  exercida por essas pessoas jurídicas, o valor do crédito presumido do ICMS deixou  de integrar a base de cálculo da mencionada contribuição.  DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 150 da Constituição Federal; Art. 97 da Lei  No ­ Lei No ­ 5.172, de 1966 (CTN); Arts. 2º e 3º da Lei No ­ 9.178, de 1998; Art.  1º da Lei No ­ 10.833, de 2003; Inciso XII do art. 79 da Lei No ­ 11.941, de 2009;  Arts.  392  e  443  do  Regulamento  aprovado  pelo  Decreto  No  ­  3.000,  de  1999  (RIR/99); e Parecer Normativo CST No ­ 112, de 1978.”  Por  essas  considerações,  entendo  que  deva  ser mantida  a  decisão  recorrida  também quanto a este tópico.  Conclusão  Em face de todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para cancelar  os lançamentos dos débitos do PIS/Pasep e da Cofins que tenham sido calculados com base nos  valores recebidos a título daquele favor fiscal concedido pelo Estado da Paraíba, tão somente,  ressalte­se, para os períodos de apuração sob o regime da cumulatividade, isto é, na vigência da  Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998.  Odassi Guerzoni Filho ­ Relator  Voto Vencedor  CONSELHEIRO  EMANUEL  CARLOS  DANTAS  DE  ASSIS,  designado  quanto  ao  cancelamento  da  exigência  na  parte  em  que  relacionada  às  subvenções  recebidas  na  modalidade  do  “crédito  presumido  de  ICMS”  durante  o  regime  da  não­ cumulatividade.   Divirjo  do  ilustre  relator  tão­somente  no  que  diz  respeito  aos  incentivos  fiscais concedidos pelo Estado Paraíba sob a forma de “crédito presumido” do ICMS. Na linha  dos  votos  vencedores  por  mim  redigidos  nos  Acórdãos  nº  203­13050,  Recurso  nº  136271,  sessão de 02/07/2008, e 203­13.634, Recurso nº 253.724, sessão de 02/12/2008, bem como da  Declaração  de  Voto  conjunta  no  Acórdão  nº  203­09705,  Recurso  nº  124.791,  sessão  de  10/08/2004,  interpreto  que mesmo  sob  a  égide  das  Leis  nºs  10.637/2002  e  10.833/2003,  no  regime  da  não­cumulatividade  das  Contribuições,  os  valores  de  incentivos  da  espécie  não  compõem a receita bruta.  O presente processo guarda semelhança com os referidos acima, mas possui  uma  diferença  substancial  em  relação  ao  Acórdão  nº  203­13.200,  Recurso  Voluntário  nº  135.477, em que os incentivos consistem em empréstimo subsidiados pelos Estados do Ceará e  do Rio Grande  do Norte,  cujo  pagamento  a  cargo  do  contribuinte  ­  o mutuário  devedor  ­,  é  reduzido  se  atendidas  as  condições  estipuladas.  Essa  redução  ou  desconto  no  empréstimo  constitui receita, a ser tributada pelo PIS e Cofins. Daí ter votado pela tributação do outro favor  fiscal  analisado  no  presente  julgamento,  que  consiste  no  desconto  de  99%  do  valor  dos  acréscimos  [juros  de  6%  a.a.  e  variação  da  TJLP]  cobrados  pelo  Estado  da  Paraíba  sobre  o  Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11618.000542/2005­63  Acórdão n.º 3401­001.976  S3­C4T1  Fl. 9          15 valor  dos  empréstimos  concedidos  conforme  o  Protocolo  de  Intenções  firmado  em  face  do  projeto  de  instalação  de  parque  fabril. Como bem obervou o  ilustre  relator Odassi Guerzoni  Filho, com esse desconto houve uma redução do passivo da Recorrente, da espécie “Descontos  Obtidos”,  que  integra  o  gênero  das  “Receitas  Financeiras”.  Restou  caracterizado,  então,  o  auferimento de receita bruta (ou faturamento alargado, nos termos das Leis nºs 10.637/2002, e  10.833/2003.   Diferentemente  ocorre  com  o  incentivo  em  relação  ao  qual  divergi,  que  consiste  na  utilização  de  um  crédito  presumido  correspondente  a  75%  do  saldo  devedor  do  ICMS  do  período  em  dado  período  de  apuração,  lançado no Livro  de Registro  de Apuração  desse  Imposto  Estadual  na  parte  dos  créditos  de  modo  a  reduzir  o  saldo  devedor.  A  contabilização, aqui, é feita a débito de uma conta do Ativo Circulante (ICMS a Recuperar) e a  crédito do Patrimônio Líquido (Reserva de Capital).  Para o deslinde da controvérsia, não dou qualquer relevo à contabilidade da  empresa. Tampouco adentro no debate sobre a tributação (ou não) das subvenções em geral. O  que me faz ver a impossibilidade de inclusão do crédito presumido de ICMS na base de cálculo  das Contribuiçõe  é  a  sua  caracterização como crédito  fiscal  do  ICMS,  tal  como estatuído na  norma estadual concessiva do benefício.   No  sistema  de  débitos  e  créditos  de  apuração  do  ICMS,  os  incentivos  concedidos sob a forma de créditos fiscais servem à redução do imposto estadual devido, sendo  os  valores  correspondentes  redutores  do  saldo  devedor.  Daí  não  serem  computados  como  faturamento ou receita bruta, mesmo nos termos do alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º  Lei  nº  9.718/98  (reputado  inconstitucional  porque  anterior  à  EC  nº  20/98)  e  das  Leis  nºs  10.637/2002 e 10.833/2003 (posteriores à citada Emenda e plenamente eficazes).  Seria diferente, e ensejaria a tributação mediante o cômputo na receita bruta,  tal como definida nas três leis retrocitadas, se o incentivo fosse estabelecido como crédito em  moeda  corrente  (em  vez  de  crédito  escritural),  e  servisse  para  pagamento  do  imposto.  Do  mesmo modo, também seria tributado se o incentivo se desse por meio de desconto no valor de  empréstimo  concedido  ao  contribuinte,  mas  que  em  função  do  benefício  Estadual  é  pago  a  menor.  Em vez da contabilidade, o que importa é a natureza jurídica do incentivo em  tela porque desta depende o seu regime jurídico. Institutos como decadência e prescrição, por  exemplo, prendem­se a cada espécime jurídica delineada, de forma que uma caracterização ou  classificação  inadequada  pode  acarretar  consequências  em  desacordo  com  as  normas  do  ordenamento jurídico.  Digo  classificação  inadequada,  em  vez  de  errada,  porque  as  classificações  não são guiadas pelo caráter de certeza, mas pelo de utilidade. Toda e qualquer classificação,  sendo uma abstração elaborada com o fito de facilitar a compreensão do objeto ou fenômeno  estudado, deve ser guiada por critérios que permitam maximizar o entendimento. Através das  semelhanças e dessemelhanças apontadas pelos critérios, o assunto estudado deve ser melhor  compreendido. Assim, a depender da finalidade de cada estudo, um critério pode ser mais ou  menos útil. Neste  sentido, Roque Carraza, com esteio no renomado  jurista argentino Agustín  Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS     16 Gordillo, afirma que “não há classificações certas ou erradas, mas classificações mais úteis e  menos úteis.”2   Numa  classificação  do  Direito,  a  maior  utilidade  está  em  permitir  uma  melhor  compreensão  do  fenômeno  jurídico.  Se  para  um  economista,  por  exemplo,  o  critério  econômico  pode  ser  o  mais  adequado  e  suficiente  para  uma  classificação  que  pretenda  averiguar em quanto um incentivo como o crédito presumido incrementou as exportações, para  um operador ou cientista do Direito é diferente. No estudo dos fenômenos e institutos jurídicos,  a classificação deve ser orientada pelas normas jurídicas, delas se extraindo a natureza jurídica  do objeto investigado.  Para atingir a finalidade dos incentivos tributários, que no geral visam reduzir  a carga tributária e incentivar determinada atividade ou segmento da economia, os legisladores  (federais  e  estaduais)  têm  várias  alternativas  à  disposição. Dentre  elas  podem  ser  citadas  as  seguintes: 1) imunidade do PIS e COFINS sobre os insumos dos produtos a serem exportados;  2)  não­incidência;  3)  isenção  simples  e  direta,  ou  precedida  de  suspensão  das  duas  contribuições,  quando  os  insumos  fossem  destinados  a  industriais  exportadores,  seguida  de  posterior  isenção,  quando  da  efetiva  exportação;  4)  alíquota  reduzida  ou  mesmo  zerada;  5)  ressarcimento  em moeda  corrente;  6)  crédito presumido de  IPI,  na  forma da Lei  nº 9.363/96  (federal) ou crédito presumido do ICMS, nos termos do incentivo Estadual deste processo.  O  objetivo  econômico  de  desoneração  tributária  podia  ser  atingido  de  diversas  maneiras,  sendo  que  a  depender  da  norma  jurídica,  a  natureza  do  incentivo  muda  totalmente.  O  jurídico  cria  suas  próprias  realidades,  sempre  a  partir  dos  textos  de  leis  ou  enunciados prescritivos, a resultarem nas normas jurídicas, após interpretados.    Neste sentido é que José Souto Maior Borges informa:3  "O  Direito  deforma  o  dado  econômico,  dando­lhe  tratamento  diverso, apreensível à luz de uma metodologia inconfundível com  a  da  ciência  econômica,  ao  transformá­lo  numa  realidade  essencialmente diversa, porque normativa."  É admissível a classificação do incentivo em tela como subvenção financeira,  compreendida  genericamente  como  doação  modal,  de  recursos  públicos  para  entidades  públicas  ou  privadas.  Modal  porque  sujeita  às  condições  estipuladas  em  lei.  Longe  de  ser  auxílio caridoso, desvinculado de qualquer comportamento por parte do donatário, a subvenção  financeira é auxílio ou doação que só pode ser efetivada se os requisitos da lei forem atendidos.   Na linha de que o estímulo em análise possui natureza jurídica de subvenção  financeira, a doutrina de Ricardo Mariz de Oliveira,4 de José Souto Maior Borges5 e de Celso  Antônio Bandeira de Mello e Geraldo Ataliba6.  Também  não  soa  desarrazoado  enquadramento  do  crédito  presumido  em  questão  como  “subvenção  para  investimentos”,  como  prefere  a  Recorrente.  Todavia,  a                                                              2 CARRAZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional  tributário. São Paulo: Malheiros, 1994, p. 275.  3 Cf. artigo “Subvenção financeira, isenção e dedução tributárias”, in  Revista de Direito Público 41­42, p. 43/54.     4  Cf.  artigo  “PIS/COFINS:  incidência  ou  não  sobre  créditos  fiscais  (créditos­prêmio  e  outros)  e  respectivas  cessões”,  in Grandes Temas Tributários  da Atualidade  (10º  Simpósio Nacional  IOB  de Direito Tributário),  2001, pp. 29/55.  5 Cf. artigo “Subvenção financeira, isenção e dedução tributárias”, in  Revista de Direito Público 41­42, p. 43/54.     6  Cf.  artigo  "Suvenções.  Natureza  jurídica.  Não  se  confundem  com  isenções.  Irretroatividade  da  lei.  Direito  adquirido e não gozado.", in Revista de Direito Público 20, abr­jun/1972, p.85/100.   Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11618.000542/2005­63  Acórdão n.º 3401­001.976  S3­C4T1  Fl. 10          17 classificação mais específica e que melhor define a sua natureza  jurídica é a que o considera  como crédito escritural  incentivado do  ICMS. O incentivo estadual é crédito do  ICMS, a  ser  escriturado e compensado com débitos desse imposto, também lançados na escrita fiscal.  Reputo  a  classificação  do  crédito  presumido  do  ICMS  como  subvenção  insuficiente  para  lhe  definir  o  regime  jurídico.  Daí  preferir  classificá­lo  como  crédito  incentivado desse imposto, de forma a lhe determinar um tratamento jurídico mais particular, à  luz  das  Leis  nºs  10.637/2002  (PIS  não­cumulativo)  e  10.833/2003  (Cofins  não­cumulativa),  que estabelecem como base de cálculo das duas Contribuições o que é receita bruta.  Se o incentivo é concedido na forma de crédito escritural do ICMS – e disto  não se duvida, apesar da denominação “crédito presumido” ­, e se tal crédito serve à apuração  do  Imposto  Estadual,  à  semelhança  do  que  se  dá  com  os  demais  créditos  escriturais,  não  é  receita  –  nem  faturamento,  nos  termos  da  legislação  anterior  à  Lei  nº  9.718/98,  nem  receita  bruta, conforme as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.  Pelo  exposto,  dou  provimento  parcial  ao  Recurso  para  excluir,  da  base  de  cálculo  da  Cofins  e  do  PIS,  os  valores  dos  incentivos  estaduais  concedidos  sob  a  forma  de  crédito escritural  do  ICMS pelo Estado da Paraíba (crédito presumido correspondente a 75%  do saldo devedor do Imposto Estadual).     Emanuel Carlos Dantas de Assis                      Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 02/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS

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Numero do processo: 13876.001382/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 IRPF. DEDUÇÃO POR DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. O recibo, quando dotado dos requisitos legais, deve ser considerado como prova da efetividade tanto do pagamento quanto da fruição do serviço, cabendo à Fazenda Nacional infirmar a presunção de validade dos documentos apresentados pelo contribuinte caso desconfie de irregularidade. Recibos parcialmente aceitos e dedução reconhecida. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 24.917,75. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1758; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 81          1 80  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13876.001382/2007­16  Recurso nº  879.062   Voluntário  Acórdão nº  2202­001.715  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  17 de abril de 2012  Matéria  Despesas médicas;  Recorrente  JANE MARISA LANDELL DE ALMEIDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 2003  IRPF.  DEDUÇÃO  POR  DESPESAS MÉDICAS.  COMPROVAÇÃO DAS  DESPESAS.  O  recibo,  quando  dotado  dos  requisitos  legais,  deve  ser  considerado  como  prova  da  efetividade  tanto  do  pagamento  quanto  da  fruição  do  serviço,  cabendo  à  Fazenda  Nacional  infirmar  a  presunção  de  validade  dos  documentos apresentados pelo contribuinte caso desconfie de irregularidade.  Recibos parcialmente aceitos e dedução reconhecida.  Recurso voluntário parcialmente provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  da  base  de  cálculo  da  exigência  o  valor  de  R$  24.917,75.  (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Rafael Pandolfo ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de  Aragão Calomino Astorga, Rafael  Pandolfo, Odmir Fernandes,  Pedro Anan  Junior  e Nelson     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 13 82 /2 00 7- 16 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO     2 Mallmann. Ausentes,  justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson  Cunha Pontes  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13876.001382/2007­16  Acórdão n.º 2202­001.715  S2­C2T2  Fl. 82          3   Relatório  1  Auto de Infração  Em revisão da Declaração de Ajuste Anual,  a  fiscalização  glosou deduções  da  base  de  cálculo  referentes  a  despesas  médicas.  Assim,  foi  reformado  o  autolançamento,  fazendo com que o  Imposto  a  restituir  apurado  na declaração  (R$ 15.082,71)  fosse  reduzido  para R$ 5.494,84.  Transcrevendo  a  Descrição  dos  Fatos  e  Enquadramento  Legal  do  Auto  de  Infração:  Glosa  do  valor  de  R$  ********34.865,00,  indevidamente  deduzido  a  titulo  de  Despesas  Médicas,  por  falta  de  comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução.  Enquadramento Legal:  Art.8. ° , inciso II, alínea 'a', e §§ 2. ° e 3. ° , da Lei n. ° 9.250/95;  arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n. ° 15/2001, arts. 73,  80 e 83, inciso II do Decreto n. ° 3.000/99 ­ RIR/99.  COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS  Intimado  a  comprovar  o  efetivo  pagamento  dos  serviços  profissionais  e  laudos  das  despesas  médicas  e  odontológicas,  contribuinte não apresentou comprovação dos mesmos. Glosados  despesas  médicas  e  odontológicas  seguintes:  JULIA  MZRIA  ORFALI  CPF  044291878­00  Valor  R$7500,00;  CRISTINA  MONTENEGRO CPF  099911818­81 Valor R$3000,00; MAURA  DE OLIVEIRA GIMENES CPF  119272638­32 Valor R$5080,00;  FRANCISCO  ALFREDO  MONDADORI  MOSTASSO  CPF  707545868­04 Valor R$7000,00; MARGARETH M DE ARRUDA  CPF 105120868­85 Valor R$3825,00 e SOLANGE DE FATIMA S  N XAVIER CPF 984449568­72 Valor R$8460,00  Ou  seja,  a  fiscalização  fundamentou  a  glosa  das  despesas  na  insuficiência  probatória da efetividade das despesas.  Anteriormente ao auto de infração, consta a juntada de:  a)  cópia dos recibos;   b)  declaração  de  psicóloga  referindo  que  a  recorrente  necessitou  duas  sessões  de  psicoterapia  por  semana  no  período  de  janeiro  a  dezembro  de  2003,  e  que  o  tratamento sempre foi pago em espécie.  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO     4 2  Impugnação  Indignada  com  a  autuação,  a  recorrente  apresentou  impugnação  (fls.1­12)  tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos:  a)  a legislação consagra a possibilidade da dedução dos gastos com saúde,  sujeitos à comprovação;  b)  a recorrente apresentou os 28 recibos dotados dos requisitos necessários  (nome, endereço, CPF do profissional, além de declaração do profissional), os quais não foram  aceitos;  c)  o valor das deduções não é exagerado, diante dos rendimentos auferidos  pela contribuinte;  d)  os  pagamentos  realizados  pela  contribuinte  podem  ser  comprovados  cruzando as informações.  3  Acórdão de Impugnação  A  impugnação  foi  julgada pela  8ª Turma da DRJ/SP2  (fls.  49­53)  que,  por  unanimidade, manteve o  crédito  tributário  constituído  no Auto  de  Infração. Os  fundamentos  foram os seguintes: em alguns   a)  em alguns recibos apresentados faltaram requisitos legais:  b)  não  foi  comprovada  a  efetividade  da  prestação  do  serviço médico  e  do  pagamento, pois, de acordo com a legislação tributária, os recibos não possuem valor probante  absoluto;  c) as despesas médicas abatidas pela recorrente são de elevado valor.   5  Recurso Voluntário  Notificada  da  decisão  em  16/12/09,  a  recorrente,  não  satisfeita  com  o  resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário, em 13/01/10, repisando os argumentos da  impugnação.  É o relatório.  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13876.001382/2007­16  Acórdão n.º 2202­001.715  S2­C2T2  Fl. 83          5 Voto             Conselheiro Relator Rafael Pandolfo  O recurso atende a todos os requisitos legais do Decreto nº 70.235/72, motivo  pelo qual merece conhecimento.  A  recorrente  elencou,  em  sua Declaração  de Ajuste Anual,  como  despesas  dedutíveis,  um  total  de  R$  35.902,75,  a  título  de  despesas  médicas  que,  em  sua  maioria,  decorreram de consultas de psicoterapia para tratamento de quadro de depressão.  Ao  ser  intimada  para  comprovar  as  despesas,  a  recorrente  apresentou  28  recibos  emitidos por profissionais médicos,  os  quais não  foram aceitos  sob a  justificativa de  não  apresentarem  os  requisitos  normativamente  exigidos.  De  todas  as  despesas  declaradas,  apenas o valor de R$ 2.412,75 foi considerado devidamente comprovado (fl. 14).   O  deslinde  do  feito  passa  pela  análise  dos  requisitos  legalmente  elencados  pela Lei 9.250/95 como requisitos à dedutibilidade das despesas  lançadas pela  recorrente em  sua DIRPF:   Art.  8°. A  base  de  cálculo  do  imposto  devido  será  a  diferença  entre as somas:  I  —  de  todos  os  rendimentos  percebidos  durante  o  ano­ calendário,  exceto  os  isentos,  os  não­tributáveis,  os  tributáveis  exclusivamente na fonte e os sujeitos a tributação definitiva;  II — das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas,  psicólogos,  fisioterapeutas,  fonoaudiólogos,  terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  com  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias;  § 2º O disposto na alínea a do inciso II:  I  ­  aplica­se,  também,  aos  pagamentos  efetuados  a  empresas  domiciliadas  no  País,  destinados  à  cobertura  de  despesas  com  hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades  que  assegurem  direito  de  atendimento  ou  ressarcimento  de  despesas da mesma natureza;  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  efetuados  pelo  contribuinte,  relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III ­ limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com  indicação  do  nome,  endereço  e  número  de  inscrição  no  Cadastro  de  Pessoas  Físicas  ­  CPF  ou  no Cadastro Geral  de  Contribuintes ­ CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de  Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO     6 documentação,  ser  feita  indicação do  cheque nominativo  pelo  qual foi efetuado o pagamento;  IV  ­  não  se  aplica  às  despesas  ressarcidas  por  entidade  de  qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro;  V  ­  no  caso  de  despesas  com aparelhos  ortopédicos  e  próteses  ortopédicas e dentárias, exige­se a comprovação com receituário  médico e nota fiscal em nome do beneficiário.  A  comprovação  do  pagamento  realizado  pelo  contribuinte  pode  ocorrer  de  diversas formas, desde a apresentação de recibos até a indicação de transferências bancárias na  conta corrente. O contribuinte deve estar munido de comprovantes e documentos através dos  quais  seja  possível  identificar  todos  os  requisitos  elencados  na  lei,  a  saber:  o  efetivo  pagamento,  o  aproveitamento  do  tratamento  por  si  ou  por  seus  dependentes,  o  nome  do  prestador do  serviço,  seu CPF ou CNPJ da empresa onde  trabalha,  bem como a natureza do  serviço prestado (se essa não pode ser subentendida, obviamente).   A dedutibilidade da despesa médica está atrelada à comprovação documental  dos seguintes requisitos:  a)  nome do profissional que prestou o serviço (requisito legal cuja finalidade  é identificar o recebedor da quantia pelo contribuinte);  b)  CPF  do  profissional  ou  CNPJ  da  clínica  emitente  (requisito  legal  cuja  finalidade é facilitar o cruzamento de informações);  c)  endereço do profissional  (requisito  legal,  com a  finalidade de permitir  a  intimação  do  emitente  do  recibo  para  prestar  informações  acerca  dos  serviços prestados);  d)  valor do serviço (requisito legal cuja finalidade é a definição do montante  dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda);  e)  identificação  do  pagador  e do  beneficiário  do  serviço médico  (requisito  lógico  cuja  finalidade  é  identificar  tanto  o  pagador  ­  pessoa  que  terá  direito à dedução ­ como o beneficiário).  É  preciso  ressaltar  que  a  lei  não  exige  que  as  informações  acima  referidas  estejam  consolidadas  no  comprovante  de  pagamento,  sendo  que  algumas  delas,  como  o  endereço do médico, podem ser supridas por declarações adicionais. Após listar e conferir os  documentos  apresentados,  verificou­se  que,  realmente,  boa  parte  das  despesas  está  desacompanhada de documentos que atendem aos requisitos legais há pouco referidos.   Abaixo segue a relação de recibos analisados, com o fundamento do motivo  pelo qual os mesmos não foram aceitos. A identificação do recibo se dá pela folha da cópia no  processo  seguido  da  posição  dele  nesta  folha  (Ex.:  24.1  é  o  primeiro  recibo  da  folha  24  do  processo):  Identificação  do recibo  Nome do  profissional  CPF ou CNPJ  Endereço do Profissional  Valor  Identificação do  Pagador  Natureza do Serviço  Deve  ser  aceito?  19  Lauro Martins Junior  029.149.998­97  Rua da Penha, 426,  Conjunto 12, Sorocaba  R$ 100,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Consulta médica  (cardiologista)  Sim  20.1  Margareth Maria de  Arruda  105.120.868­85  Não consta  R$ 300,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Não  20.2  Margareth Maria de  Arruda  105.120.868­85  Não consta  R$ 300,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Não  Fl. 86DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13876.001382/2007­16  Acórdão n.º 2202­001.715  S2­C2T2  Fl. 84          7 21.1  Julia Mara Orfali  044.291.878­00  R. João da Fonseca Silva,  324  R$ 3.000,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  60 sessões de terapia  ocupacional  Sim  21.2  Julia Mara Orfali  044.291.878­00  R. João da Fonseca Silva,  324  R$ 3.000,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  60 sessões de terapia  ocupacional  Sim  21.3  Maura de Oliveira  Gimenes  119.272.638­32  Não consta  R$ 5.080,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Fisioterapia  Não  22.1  Cristina Montenegro  Não consta  Não consta  R$ 3.000,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Não  22.2  Julia Mara Orfali  044.291.878­00  R. João da Fonseca Silva,  324  R$ 1.000,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Terapia Ocupacional  Sim  22.3  Julia Mara Orfali  044.291.878­00  R. João da Fonseca Silva,  324  R$ 500,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Terapia Ocupacional  Sim  23  Francisco Alfredo  Mondadori Mostasso  707.545.868­04  R Lafaiete, 1790, Ribeirão  Preto  R$ 7.000,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Tratamento  ortodôntico de si e  seus netos  Sim  24.1  Solange Sonsin  Xavier Silveira  984.449.687­72  Av. 9 de Julho, 709, Sala  42, Salto.  R$ 1.180,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Sim  24.2  Solange Sonsin  Xavier Silveira  984.449.687­72  Av. 9 de Julho, 709, Sala  42, Salto.  R$ 720,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Sim  24.3  Solange Sonsin  Xavier Silveira  984.449.568­72  Av. 9 de Julho, 709, Sala  42, Salto.  R$ 720,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Sim  25.1  Solange Sonsin  Xavier Silveira  984.449.687­72  Av. 9 de Julho, 709, Sala  42, Salto.  R$ 960,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Sim  25.2  Solange Sonsin  Xavier Silveira  984.449.687­72  Av. 9 de Julho, 709, Sala  42, Salto.  R$ 720,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Sim  25.3  Solange Sonsin  Xavier Silveira  984.449.687­72  Av. 9 de Julho, 709, Sala  42, Salto.  R$ 960,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Sim  26.1  Solange Sonsin  Xavier Silveira  984.449.687­72  Av. 9 de Julho, 709, Sala  42, Salto.  R$ 720,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Sim  26.2  Solange Sonsin  Xavier Silveira  984.449.687­72  Av. 9 de Julho, 709, Sala  42, Salto.  R$ 960,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Sim  26.3  Solange Sonsin  Xavier Silveira  984.449.687­72  Av. 9 de Julho, 709, Sala  42, Salto.  R$ 960,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Sim  27.1  Margareth Maria de  Arruda  105.120.868­85  Não consta  R$ 375,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Não  27.2  Margareth Maria de  Arruda  105.120.868­85  Não consta  R$ 300,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Não  27.3  Margareth Maria de  Arruda  105.120.868­85  Não consta  R$ 300,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Não  28.1  Margareth Maria de  Arruda  105.120.868­85  Não consta  R$ 900,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Orientação familiar  Não  28.2  Margareth Maria de  Arruda  105.120.868­85  Não consta  R$ 375,00  Jane Marisa Landell  de Almeida  Psicoterapia  Não  Total aceito        R$ 22.500,00          Destaque­se que os  recibos da Drª  Solange Sonsin Xavier da Silveira  estão  desacompanhados  do  endereço  em  seu  corpo,  e  alguns  não  possuem  seu  CPF,  informações  supridas por declaração de próprio punho firmada pela profissional (fl. 18) e em outros recibos  emitidos por ela.   Há de ser referido, ainda, que a prescrição contida no art.73, §1º, do Decreto  nº 3.000/99 não pode ser confundida com presunção absoluta, mas deve se adequar à natureza  do ato administrativo de lançamento, tal qual prevista no art. 142, do CTN (ato administrativo  vinculado). Dessa forma, verificada a existência de deduções exageradas, a  fiscalização deve  intimar  o  contribuinte  para  que  ele  apresente  os  documentos  legalmente  exigidos  (forma  e  conteúdo).  Caso  não  sejam  apresentados  documentos,  ou  os  documentos  apresentados  desatendam  as  exigências  legais,  a  glosa  deverá  ser  efetivada.  Nesse  contexto,  é  preciso  esclarecer  que  a  existência  de  recibo  firmado  pelo  profissional  da  saúde  constitui  presunção  Fl. 87DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO     8 relativa da ocorrência do pagamento por ele retratado, sobretudo quando o pagamento ocorre  em  espécie.  Essa  presunção  poderá  ser  desfeita  através  de  ato  fundamentado,  que  comprovadamente infirme o pagamento comprovado através de recibos.   A  autoridade  lançadora  já  havia  reconhecido  direito  à  dedução  de  R$  2.417,75. Tendo em vista que dentre os recibos aceitos por este Relator nenhum corresponde a  este valor, o mesmo deverá ser adicionado ao valor das glosas ora  retificadas, nos  termos da  tabela  acima  elaborada.  Verifica­se,  assim,  que,  além  dos  R$  2.417,75  já  reconhecidos,  são  também dedutíveis as despesas médicas no valor R$ 22.500.00,  totalizando o valor dedutível  de R$ 24.917,75, devendo ser alterado o cálculo de fl. 14.   Sendo assim, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso  voluntário, reconhecendo­se a dedutibilidade das despesas médicas da recorrente no valor total  de R$ 24.917,75.   (Assinado digitalmente)  Rafael Pandolfo                                Fl. 88DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 20/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO

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Numero do processo: 10865.901140/2009-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/1996 PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 21/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/1996 PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2047; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 67          1 66  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.901140/2009­27  Recurso nº  921.485   Voluntário  Acórdão nº  3802­001.219  –  2ª Turma Especial   Sessão de  22 de agosto de 2012  Matéria  PIS/COMPENSAÇÃO  Recorrente  FLOREZI & COLEPICOLO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/10/1996  PRAZO.  PRESCRIÇÃO.  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO.  TRIBUTO  SUJEITO  À  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005.  ENTENDIMENTO  DO  STF.  RE  556.621/RS.  CPC,  ART.  543­B.  APLICAÇÃO  OBRIGATÓRIA  PELO  CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62­A.  O exame do prazo de prescrição para a  repetição do  indébito  tributário,  em  face do disposto no art. 62­A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo  entendimento  consolidado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  no  Recurso  Extraordinário  no  RE  566.621/RS,  julgado  no  regime  do  art.  543­B  do  Código  de  Processo  Civil.  Portanto,  para  as  ações  ajuizadas  a  partir  de  09/06/2005,  deve  ser  aplicado  o  art.  3º  da  Lei Complementar  nº  118/2005,  adotando­se  como  termo  inicial  do  prazo  de  cinco  anos  para  repetição  do  indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações  anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.  (assinado digitalmente)  REGIS XAVIER HOLANDA ­ Presidente.   (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 11 40 /2 00 9- 27 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA     2 SOLON SEHN ­ Relator.  EDITADO EM: 21/09/2012  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda  (presidente  da  turma),  Bruno  Maurício  Macedo  Curi,  Cláudio  Augusto  Gonçalves  Pereira,  Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.     Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pelo  Recorrente,  assentada  nos  fundamentos  resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 40):  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 31/10/1996  COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA.  O direito de pleitear a restituição/compensação extingue­se com  o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção  do cred́ito  tributário, assim entendido o pagamento antecipado,  nos casos de lançamento por homologaçãõo.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  O  Recorrente,  nas  razões  recursais  de  fls.  49/60,  após  discorrer  sobre  a  inconstitucionalidade dos Decretos­Lei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, dos efeitos do Parecer da  Procuradoria Geral  da  Fazenda Nacional  nº  437/1998  e  da Resolução  do  Senado  Federal  nº  49/1995, sustenta que  teria direito de repetir o  indébito da contribuição ao PIS decorrente da  aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Aduz  que, em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo para o exercício de tal direito  seria de 10 anos, uma vez que o termo inicial prazo quinquenal do art. 150, § 1º, do CTN, teria  início apenas após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação tácita do lançamento.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Solon Sehn  A  ciência  da  decisão  se  deu  no  dia  22/09/2011  (fls.  48)  e  o  protocolo  do  recurso,  em  20/10/2011  (fls.  49).  Trata­se,  portanto,  de  recurso  tempestivo  que  pode  ser  conhecido,  uma  vez  que  versa  sobre matéria  da  competência  da  Terceira  Seção  e  reúne  os  demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972.  Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10865.901140/2009­27  Acórdão n.º 3802­001.219  S3­TE02  Fl. 68          3 O exame do prazo de prescrição para a  repetição do  indébito  tributário,  em  face  do  disposto  no  art.  62­A  do  Regimento  Interno1,  deve  ser  pautado  pelo  entendimento  consolidado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  no  Recurso  Extraordinário  no  RE  566.621/RS,  julgado no regime do art. 543­B do Código de Processo Civil:  DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE  DE  OBSERVÂNCIA  DA  VACACIO  LEGIS  –  APLICAÇÃO  DO  PRAZO  REDUZIDO  PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS  PROCESSOS  AJUIZADOS  A  PARTIR  DE  9  DE  JUNHO  DE  2005.  Quando  do  advento  da  LC  118/05,  estava  consolidada  a  orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados  do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.  A LC 118/05,  embora  tenha  se auto­proclamado  interpretativa,  implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos  contados  do  fato  gerador  para  5  anos  contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.  Inocorrência  de  violação  à  autonomia  e  independência  dos  Poderes,  porquanto  a  lei  expressamente  interpretativa  também  se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à  sua natureza, validade e aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por  lei  nova,  fulminando,  de  imediato,  pretensões  deduzidas  tempestivamente  à  luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  jurídica  em  seus  conteúdos  de  proteção  da  confiança  e  de  garantia do acesso à Justiça.  Afastando­se as aplicações inconstitucionais e resguardando­se,  no mais,  a  eficácia da norma, permite­se a aplicação do prazo  reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis,  conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado  445 da Súmula do Tribunal.                                                              1  "Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543­B e 543­C da Lei nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento dos recursos no âmbito do CARF."  Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA     4 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes  não  apenas  que  tomassem  ciência do  novo  prazo, mas  também  que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos.  Inaplicabilidade  do  art.  2.028  do  Código  Civil,  pois,  não  havendo  lacuna  na  LC  118/08,  que  pretendeu  a  aplicação  do  novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação  por  analogia.  Além  disso,  não  se  trata  de  lei  geral,  tampouco  impede iniciativa legislativa em contrário.  Reconhecida  a  inconstitucionalidade  art.  4º,  segunda  parte,  da  LC 118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo de  5 anos tão­somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio  legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.  Aplicação do art. 543­B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados.  Recurso  extraordinário  desprovido.  (STF.  Tribunal  Pleno.  RE  nº566.621/RS. Rel. Min. ELLEN GRACIE. DJe11/10/2011. g.n.).  Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o  art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando­se como termo inicial do prazo de cinco  anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as  ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de  homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos  contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I).  No  caso  em  exame,  é  evidente  a  ocorrência  da  prescrição,  uma  vez  que  o  pagamento  ocorreu  em 14/11/1996  e o PER/Dcomp  foi  transmitido  em 18/12/2006,  ou  seja,  quando já estava prescrito o direito, mesmo aplicando­se o prazo anterior de dez anos.   Vota­se, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com  a consequente manutenção do acórdão recorrido.  (assinado digitalmente)  Solon Sehn ­ Relator                                Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA

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