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Numero do processo: 10783.725365/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Apr 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
Provas. Relevância. Direito a ser exercido pelas partes.
A prova consiste em um dos elementos mais importantes do processo. A aplicação do direito ao caso concreto para a solução do litígio será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos.
O evento (ocorrido no mundo fenomênico) deve ser relatado em linguagem jurídica competente e demonstrado através das provas, que devem ser submetidas à refutação em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa. Cabe às partes em litígio - Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam, de modo a esclarecer o julgador, proporcionando-lhe o conhecimento dos mesmos.
O julgador, então, a partir da discussão racional no processo (alegação/refutação; provas/contraprovas), aprecia e valora as provas existentes nos autos, formando o juízo de probabilidade da ocorrência dos fatos, para ao fim decidir o litígio com base em sua livre convicção motivada.
Recurso Voluntário negado.
Comprovada a existência de simulação por meio de interpostas pessoas, com a intenção de reduzir o pagamento das contribuições devidas, é de se glosar os créditos indevidos e fictícios utilizados.
Multa de Ofício. Qualificação. Fraude. Dolo. Conluio.
A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente em atos simulados com a intenção de reduzir o pagamento de tributos (sonegação), mediante ajuste doloso entre diversas pessoas jurídicas e físicas (conluio).
Numero da decisão: 3202-001.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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INCIDÊNCIA Recorrente AGRO FOOD IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Simulação. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Planejamento Tributário. Não Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, de modo a simular negócios jurídicos inexistentes e visando, unicamente, reduzir a carga tributária constituem fraude contra a Fazenda Pública. Há simulação quando os negócios aparentarem conferir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, portanto, quando houver interposição de pessoas. Não se trata de planejamento tributário lícito elisão, mas de mera evasão fiscal. Glosa de créditos indevidos e fictícios Comprovada a existência de simulação por meio de interpostas pessoas, com a intenção de reduzir o pagamento das contribuições devidas, é de se glosar os créditos indevidos e fictícios utilizados. Multa de Ofício. Qualificação. Fraude. Dolo. Conluio. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente em atos simulados com a intenção de reduzir o pagamento de tributos (sonegação), mediante ajuste doloso entre diversas pessoas jurídicas e físicas (conluio). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Provas. Relevância. Direito a ser exercido pelas partes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 53 65 /2 01 1- 03 Fl. 3265DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.266 2 A prova consiste em um dos elementos mais importantes do processo. A aplicação do direito ao caso concreto para a solução do litígio será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos. O evento (ocorrido no mundo fenomênico) deve ser relatado em linguagem jurídica competente e demonstrado através das provas, que devem ser submetidas à refutação em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa. Cabe às partes em litígio Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam, de modo a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. O julgador, então, a partir da discussão racional no processo (alegação/refutação; provas/contraprovas), aprecia e valora as provas existentes nos autos, formando o juízo de probabilidade da ocorrência dos fatos, para ao fim decidir o litígio com base em sua livre convicção motivada. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente processo trata de lançamentos de ofício, veiculados através de autos de infração, para a cobrança da Cofins, multa de ofício agravada, e juros moratórios, no montante de R$ 8.839.496,70, da multa regulamentar por compensação indevida (art. 18 da Lei nº 10.833/03), no montante de R$ 2.982.889,89 (efolhas 1.729/ss) e também do PIS, multa de ofício agravada e juros moratórios, no montante de R$ 1.830.217,76 (efolhas 1.710/ss), em decorrência da glosa de créditos considerados indevidos e fictícios pela fiscalização, conforme relatado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal (efolhas 1.399/ss). Para elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o Relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (efls. 3.086/ss), verbis: Relatório Fl. 3266DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.267 3 Trata o presente processo de auto de infração de Contribuição para o PIS (fls. 1710/1728) e para a COFINS (fls. 1729/1753), de incidência não cumulativa nos seguintes valores: PIS COFINS Contribuição 680.187,07 3.295.707,44 Juros de Mora até 30/11/2011 250.128,14 1.214.900,33 Multa Proporcional 899.902,55 4.328.888,93 Valor do Crédito Tributário Apurado 1.830.217,76 8.839.496,70 Foi efetuado também o lançamento de multa isolada (fls. 1.729/1.753) por compensação indevida no total de R$ 2.982.889,89. O PIS lançado referese aos períodos de 01/2006 a 12/2006, 06/2007, 11/2007, 12/2007, 05/2008 a 12/2008, 01/2009 a 08/2009 e 10/2009 e 12/2009. A COFINS lançada referese aos períodos de 01/2006 a 12/2006, 03/2007, 06/2007, 08/2007, 10/2007 a 12/2007, 05/2008 a 12/2008, 01/2009 a 10/2009 e 12/2009. Segundo o Termo de Encerramento (fls.1.399 a 1.708) a fiscalização relata, em resumo, o que se segue: A fiscalização teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos da aquisição, em especial, de café utilizado para processamento e comercialização no mercado interno e externo, deduzidos contabilmente pela empresa AGRO FOOD com os valores devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos/contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP. A auditoria fiscal examinou a escrituração contábil com enfoque na conta representativa de fornecedores e restou comprovado à saciedade que a AGRO FOOD apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café. Em razão da existência de pedidos de ressarcimento de créditos anteriores a 2006 e, por conseguinte, a necessidade de comprovação da procedência dos créditos apurados pelo sujeito passivo, foram realizadas análise e recomposição dos saldos dos créditos da não cumulatividade no período de 2004 a 2009. AGRO FOOD lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadistas empresas de fachada para dissimular vendas de café de pessoa física (produtor/maquinista) para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais de PIS/COFINS (9,25% sobre o valor da nota) na sistemática da não cumulatividade que de outra forma, segundo a legislação vigente, não seriam cabíveis. A criação e utilização dessas meras figuras formais, travestidas de atacadistas de café em grão, provocaram e provocam notável distorção no mercado de café, beneficiando empresas torrefadoras e grandes exportadoras. São créditos gerados ilicitamente sobre essas operações em quantia milionária. Na AGRO FOOD, o valor das notas fiscais em nome dessas empresas de fachada – “laranjas” ultrapassou a R$184 MILHÕES, no período ora auditado. No rol dessas fíctas fornecedoras, sobressaem: PORTO VELHO R$ 31 milhões; MERCANTIL MUNDO NOVO – R$17 milhões; e MERCANTIL NOVO HORIZONTE – R$11 milhões. Fl. 3267DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.268 4 Esse montante apurado apenas nos anos de 2004 e 2005. AGROSANTO liderou a lista em 2006 com mais de R$16 milhões, seguida da V. MUNALDI – ME, com quase R$5 milhões. Todas do estado do Espírito Santo. A SÉCULOS, empresa laranja de MANHUAÇU/MG e com filial no ES, desponta também com mais de R$8 milhões. Os créditos integrais apropriados sobre notas fiscais de empresas de fachada foram glosados na presente auditoria e reconhecido o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável. Após a recomposição dos saldos, as diferenças do PIS e da COFINS devidos foram lançados de ofício, além da aplicação da multa isolada sobre as compensações indevidas, nãohomologadas. Além disso, a análise das PER/DCOMP resultou no não reconhecimento de créditos apontados nos pedidos de ressarcimento no valor de R$ 9.971.158,29, que representa 99% do valor pleiteado. Os fatos apurados no decorrer da ação fiscal em face da AGRO FOOD evidenciaram, em tese, crime contra a ordem tributária tipificado no art 1°, inciso I, II e IV da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, pela supressão dolosa de tributos devidos e que será comunicado ao Ministério Público Federal (MPF) conforme o disposto no artigo 3°, §§ 3° ao 5°, da Portaria RFB n° 2439/2010, alterada pela Portaria RFB n° 3.182, de 29/07/2011. Importante frisar que a fiscalização ora encerrada decorre das investigações originadas na operação fiscal TEMPO DE COLHEITA deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES, em outubro de 2007, como relatado nos itens seguintes, que resultou na comunicação dos fatos apurados à Procuradoria da República no município de COLATINA/ES em agosto de 2009. Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão em 74 locais, a saber: empresas de fachada, corretoras, exportadoras e torrefadoras. A DRF/VTA/ES recebeu, por meio do Ofício OF/GETPOT/Nº 91/2008, de 1º/04/2008, do MPES CD’s contendo documentos digitalizados decorrentes da busca e apreensão na sede da ACÁDIA, deflagrada pelo Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (GETPOT) (fl.47). A destacar a existência de documentos que demonstram de forma incontestável a venda de notas fiscais de empresas de fachada para guiar café de produtor e/ou maquinista para empresas exportadoras e torrefadoras. Além disso, por meio do Ofício nº 50/2009/SRRF07/Sefis, a DRF/VTA/ES requereu cópia dos documentos selecionados na sede da Policía Federal. Em atendimento ao solicitado, o referido órgão encaminhou, mediante Ofício nº 4568/2009SR/DPF/ES, cópias dos documentos contábeis e fiscais (em meio físico e magnético) relativos às empresas de fachada ACÁDIA, L & L, DO GRÃO, COLÚMBIA, W.R. DA SILVA e R ARAÚJO – CAFECOL MERCANTIL (fls. 48/49). A ressaltar ainda que no citado ofício da Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo está consignado que a disponibilização de tais documentos para subsidiar procedimentos fiscais em curso na DRF/VTA/ES foi devidamente autorizada pelas pessoas físicas que fizeram a entrega deles para aquele órgão. Dentre os documentos recebidos da Polícia Federal, encontrase um arquivo magnético em formato Excel denominado “COLÚMBIA SAÍDAS”. Na verdade, tratase de um controle das notas fiscais de saída emitidas pela COLÚMBIA. Fl. 3268DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.269 5 Além de relacionar o número, data e valor da nota fiscal, identifica como vendedor o produtor/maquinista – revelando deste modo que a COLÚMBIA ocupa tãosó a posição de FICTO vendedor, o comprador e a quantidade adquirida, assim como o corretor envolvido na operação. Além disso, há documentos que apontam o desconto efetuado sobre o valor pago pelo exportador à empresa de fachada a título de fornecimento da nota. Em análise da apuração do PIS e da COFINS sob o regime não cumulativo foram apuradas as seguintes infrações: 1. Glosa do crédito integral do PIS e da COFINS sobre notas fiscais de empresas de fachada – pseudoatacadistas de café, considerandose, contudo, o crédito presumido relativo a aquisição de pessoa física; 2. Glosa do crédito sobre aquisição de pimenta de pessoa física que não dá sequer o direito ao crédito presumido por não se enquadrar no conceito de produção; 3. Glosa do crédito integral sobre aquisição de café de pessoa física visto que segundo a legislação a aquisição de pessoa física gera direito ao crédito presumido; 4. Glosa do crédito integral sobre aquisições de café de cooperativas, considerando, entretanto, o crédito presumido; 5. Glosa da apropriação indevida de crédito integral sobre nota fiscal de simples remessa/faturamento – fim específico de exportação; 6. Diferença entre a receita tributada informada no DACON e aquela registrada no livro contábil, no mês de 06/2008; Em relação ao item 1 foi lançada multa de ofício qualificada (150%) até o limite do crédito glosado (credito integral – crédito presumido) em razão da utilização de nota fiscal de empresa de fachada. O saldo remanescente, decorrente das outras glosas de créditos relatadas nos demais itens estará sujeita a multa de ofício de 75%. Também foi lançada a multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado conforme previsto no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. A interessada foi cientificada do auto de infração e do Termo de Encerramento em 13/12/2011 (fl. 1.709) e apresentou impugnação (fls. 1.757/1.874) em 12/01/2012 alegando em síntese: 1. Nulidade do lançamento já que não foram citados quais despachos decisórios que teriam resultado nas glosas, se foram objeto de confirmação pelo titular da unidade e também não foi trazida eventual decisão; 2. Nulidade do lançamento da multa isolada visto que o agente fundamentou genericamente no art. 18 da Lei 10.833/2003, sequer indicando em quais hipóteses do referido dispositivo estaria sendo enquadrada, se no caso de falsidade ou no de compensação considerada não declarada, o que prejudica o exercício da ampla defesa; 3. Decadência do período de janeiro a novembro de 2006 em virtude do disposto no art. 150, §4º do CTN; 4. A negociação do café é efetuada por meio de um corretor, portanto, não se pode exigir que as empresas compradoras fiscalizem seus vendedores e as confirmações de negócio demonstram a preocupação da empresa compradora com a qualidade do produto adquirido e a garantia do preço; Fl. 3269DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.270 6 5. Existem nos autos meras alegações e conjecturas – difusas e contraditórias entre si. As mesmas pessoas apresentaram declarações discordantes, devendo prevalecer o princípio in dubio pro contribuinte; 6. Que a administração em um primeiro momento assumiu a existência das agora “pseudo” empresas interpostas, cobrandoas (doc. 08) e agora, questiona seus documentos fiscais; 7. Que não foi convocada a participar de qualquer procedimento administrativo alusivo às pessoas físicas e jurídicas citadas no Termo de Encerramento, o que causou a supressão da garantia do contraditório e da ampla defesa; 8. Que segundo o art. 82 da Lei 9.430/96 as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados; que demonstra a boa fé pelo fato de que consultou o Cadastro da RFB para comprovar a regularidade jurídica das fornecedoras que em parte, continuam com a situação cadastral ativa e parte foram baixadas voluntariamente; que a declaração de inaptidão não possui efeito ex nunc (doc. 09 e 10); 9. Que há comprovação de que promoveu o pagamento e recebeu o produto conforme demonstra, por amostragem, por meio dos doc. 12 a doc. 89; 10. Que na sistemática da não cumulatividade é irrelevante ter havido ou não o pagamento de fato no elo anterior da cadeia; 11. Que o autor do procedimento fiscal desconsiderou não só a boafé, como também a realidade dos fatos amparada nos lançamento contábeis. A contabilidade é meio de prova hábil e idôneo; 12. Que não é possível concluir que a impugnante tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas fornecedoras, portanto, não se pode atingir as operações de compras com os fatos apurados na operação “Tempo de Colheita” e na operação “Broca”, cabendo somente aos órgãos de jurisdição reconhecer se as operações realizadas foram fraudulentas; 13. Que a fiscalização entendeu que as aquisições de café cru em grão de sociedades cooperativas de produção estão sujeitas ao aproveitamento do crédito presumido e não ao crédito fiscal integral. Contudo, as sociedades cooperativas não tem direito ao ressarcimento em espécie previsto no artigo 16 da Lei nº 11.116, devendo, transferir na nota fiscal da comercialização do produto o total do crédito fiscal da contribuição para o PIS e a COFINS que não foi possível compensar e ressarcir em espécie nesta etapa da cadeia produtiva; 14. Conforme já exposto em itens anteriores, é incabível a multa porque desconhecia o artificio utilizado na comercialização de café; 15. Que as condutas citadas pela fiscalização não passam de meras presunções, que não estão comprovadas e, portanto, incabível a multa; 16. Que o percentual aplicado está equivocado, que a multa nos casos de indeferimento de pedidos de ressarcimento ou da nãohomologação de declarações de compensação foi reduzida de 75% para 50%; 18. Que a multa de 150% do art. 18 da Lei 10.833/2003 é incabível pela ausência da aventada “falsidade de declaração”, já que a impugnante apenas submeteu ao Fisco pedido de homologação de compensação de seus débitos com créditos que sempre julgou serem legítimos para quitação das suas pendências tributárias; Encerra a impugnação requerendo: Fl. 3270DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.271 7 a) Seja decretada a nulidade absoluta dos autos de infração constantes às fls. 1710/1753 dos autos, haja vista a ausência da indicação e da apresentação dos despachos decisórios que amparariam tais procedimentos; b) Seja decretada a nulidade do lançamento tributário, em virtude da flagrante ausência de precisão no tocante ao enquadramento legal utilizado para fins de aplicação da multa isolada; c)Seja declarada a decadência da pretensão fazendária em efetuar o lançamento tributário com relação ao PIS e à COFINS, no que se refere aos supostos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a novembro do anocalendário de 2006, motivo pelo qual se requer a exclusão destes valores do computo do auto de infração, ora combatido; d) Sejam julgados insubsistentes os argumentos trazidos pela fiscalização acerca dos critérios de apuração do Pis e da Cofins provenientes das empresas cooperativas, em face das razões fáticas e jurídicas acima aduzidas, devendo, pois, incorporar ao patrimônio da empresa IMPUGNANTE o crédito integral; e) Sejam desconsiderados todos os argumentos fáticos e jurídicos lançados no Relatório de Fiscalização, nos termos da fundamentação deduzida na presente Impugnação; f) Seja reconhecida a idoneidade dos créditos apurados nos anos de 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009 da contribuição ao Pis e à Cofins não cumulativos, tornandose insubsistente a cobrança do crédito tributário, ora impugnado; g) Seja desconstituído o lançamento fiscal relativo às multas de ofício e isolada, ou, caso este não seja entendimento dos Nobres Julgadores, seja o percentual reduzido para aqueles indicados pelos §§ 15, 16 e 17 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, com redação dada pela Lei n° 10.249/2010. Encerra a impugnação protestando pela juntada posterior de quaisquer documentos que se fizerem necessários para demonstrar o direito aos créditos de Pis e Cofins não –cumulativos do período. O processo foi baixado em diligência por meio da Resolução nº 12000.107 da 17ª Turma da DRJ/RJ1 (fls. 2.936/2.939) para que a Unidade de Origem: intime as Cooperativas emitentes das notas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal a apresentar a Declaração do ANEXO I da IN SRF nº 660 entregue pela AGROFOOD em virtude do exigido no §1º do art. 4º da IN citada; verifique se em alguma das Notas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal consta a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente”, conforme exigido pelo §2º do art. 2º da IN SRF nº 660/2006. verifique na contabilidade das Cooperativas emitentes das Notas relacionadas no Termo de Verificação Fiscal se a Venda foi registrada com suspensão das contribuições; havendo alguma alteração, apurar novo demonstrativo de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos; juntar cópia das Notas Fiscais relacionadas no item 7.4 do Temo de Verificação Fiscal e outras informações que julgar relevantes; apartar o auto de infração de multa isolada e a respectiva impugnação para que seja julgado, em conjunto, com a manifestação de inconformidade por ventura apresentada contra os processos de compensação que originaram a multa; Fl. 3271DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.272 8 Após, reabrir o prazo de 30 dias para nova manifestação da contribuinte, e retornar os autos à Turma para prosseguimento. No Termo de Encerramento de Diligência Fiscal (3.043/3.048) a fiscalização informa o que se segue: Em resposta, as cooperativas asseveraram que as operações de venda de café para a AGRO FOOD foram SEM SUSPENSÃO do PIS/COFINS, ou seja, tributadas às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente. Apresentaram cópia das respectivas notas fiscais sem que houvesse anotação de operação efetuada com suspensão do PIS/COFINS. Ao contrário, em várias notas fiscais constam a incidência sobre tais operações. A exceção foi a resposta da COOPERATIVA DOS AGRICULTORES FAMILIARES DE ALVORADA DO OESTE – RO. Segundo a mesma, a única operação efetuada com a aludida empresa por meio da nota fiscal 000125, de 11/12/2008, “não foi submetida a incidência PIS/COFINS, devido a mesma ser exportadora”. Não obstante isso, no que se refere ao ANEXO I da IN SRF n° 660/2006, informou que “não foi entregue esta declaração pela AGRO FOOD para a Cooperativa”. Alegou que para atender à fiscalização entrou em contato com a AGRO FOOD, mas a mesma não soube informar se havia enviado ou não tal documento. Diante desses fatos, devem ser excluídos das glosas efetuadas pela fiscalização integralmente os valores apropriados a título de aquisições de café de cooperativa. AGRO FOOD informou como aquisições da COOPERATIVA AGRÁRIA DOS PRODUTORES DA REGIÃO DE ARACRUZCAFEICRUZ no ano de 2006 os seguintes valores: 02/10/2006 NF 2 841 02/10/2006............................. R$ 46.500,00 23/10/2006 NF 1 4237 23/10/2006 ...........................R$ 36.400,00 TOTAL....................................................................R$ 82.900,00 Em sua resposta, CAFEICRUZ confirmou apenas a venda efetuada por meio da nota fiscal n° 841, de 02/10/2006, no valor de R$46.500,00. Compulsando os arquivos magnéticos apresentados pela AGRO FOOD, observase que a nota fiscal n° 4237, de 23/10/2006, no valor de R$36.400,00, foi emitida pela V. MUNALDI ME e informada como “BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA – LINHA 01 do DACON”, caracterizando, assim, duplicidade de valores apropriados como crédito. Desse modo, efetuouse a glosa do valor informado como compra da CAFEICRUZ. Elaborouse novo demonstrativo de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos para os anos de 2006 a 2009 anexo aos autos do presente processo. Cabe esclarecer que nos meses de março e agosto de 2007, por equívoco, na apuração do crédito presumido decorrente de café adquirido de cooperativa (linha E do PIS NÃOCUMULATIVO – DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS A DESCONTAR) a alíquota do PIS usada na planilha foi de 7,6%, quando o correto é 1,65%, o que resultou indevidamente no crédito a maior a ser descontado do PIS apurado. Desse modo, mesmo com a exclusão da glosa das cooperativas, o valor do PIS NÃOCUMULATIVO A RECOLHER – LANÇAMENTO DE OFÍCIO (L) passou a ser maior. ALTERAÇÃO DEMONSTRATIVO DE CÁLCULO DO PIS NÃOCUMULATIVO PIS NÃOCUMULATIVO A RECOLHER – LANÇAMENTO DE OFÍCIO (L) PERÍODO APURAÇÃO VR. LANÇADO VR ALTERADO PARA mar/07 0,00 1.318,43 Fl. 3272DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.273 9 nov/07 5.819,67 18.631,52 Assim, ao contrário do que havia sido apurado no mês de 03/2007 (processo n° 10783.725337/201188), o contribuinte não tem direito ao crédito do PIS no valor de R$1.106,06, conforme restou mostrado nos novos demonstrativos elaborados pela fiscalização. Do mesmo modo, o PIS do mês de 11/2007 passou de R$5.819,67 para R$18.631,52. Permanecem inalterados os valores lançados nos demais períodos de apuração anotados no item 7.9 (LANÇAMENTO DE OFÍCIO – FALTA / INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/COFINS) do TERMO DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL Nº 05999/2011. Por fim, propõese que o SECAT/DRF/VTA providencie: 1) transferência do crédito tributário relativo à multa regulamentar apurada nestes autos para os processos n° 10783.725349/201111, , 10783.725353/201171 e 10783.725356/201112, que tratam dos pedidos de ressarcimento e compensação da COFINS; 2) copiar os seguintes documentos destes autos para os processos n° 10783.725349/201111, 10783.725353/201171 e 10783.725356/201112: Demonstrativo de Cálculo do PIS e da COFINS (fls. 1.387/1.398); Termo de Encerramento da Ação Fiscal n° 05999/2011 (fls. 1.399/1.708); Termo de Ciência e Entrega de Documentos – Arquivo Magnético (fl. 1709); Auto de Infração – COFINS (fls. 1.729/1.753); Impugnação (fls. 1.757/1.874); Resolução (fls. 2.936/2.939). 3) ciência ao contribuinte do presente TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL juntamente com os documentos de fls. 2.943/3.042, reabrindo o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação do contribuinte e, após, devolução dos autos à DRJ/RJ para prosseguimento. Antes, porém, copiar os documentos deste item para os processos n° 10783.725349/201111, 10783.725353/201171 e 10783.725356/201112. A interessada foi cientificada em 21/09/2012 (fl. 3055) e apresentou impugnação complementar (fls. 3056/3059), em 17/10/2012, com as seguintes alegações: É evidente que a conclusão do Fisco acolhe as alegações deduzidas pela empresa em sua Impugnação. Não obstante não tenha ocorrido a redução do crédito tributário lançado nos autos de infração lavrados, resta evidente que o entendimento do Fisco está em total consonância com a alegação sustentada pela Impugnante em sua peça de defesa, na medida em que afirma que não pode prevalecer o entendimento de que as aquisições de café proveniente das cooperativas somente outorgam o direito ao crédito presumido, devendo, pois , integrar ao patrimônio da Impugnante como crédito integral. Encerra a impugnação requerendo que sejam declaradas cumpridas, em sua integralidade, as determinações da DRJ/RJ1 contidas na Resolução nº 12000.107, no sentido de verificar as compras realizadas de sociedades cooperativas, que concluiu que as referidas operações foram realizadas com incidência do PIS/COFINS e conferem direito ao crédito integral das mencionadas contribuições, razão pela qual devem ser excluídos das glosas efetuadas pela fiscalização integralmente os valores apropriados a título de aquisições de café de cooperativa. Fl. 3273DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.274 10 Ratifica, em sua integralidade, o conteúdo da Impugnação apresentada às fls. 1.757/1874, acompanhada dos documentos de fls. 1875/2932, reiterando os pedidos aduzidos na referida peça de defesa. É o relatório. A 16ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 1252.925, em 20 de fevereiro de 2013 (e folhas nº 3.122/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Decadência. Contribuições Sociais. Prazo Quinquenal. Contagem. Não havendo pagamento; ou comprovadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação; contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Multa de Ofício. Fraude. Qualificação. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. Credito. Aquisição Café. Cooperativa Podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, desde que não se enquadrem nas hipóteses de crédito presumido previstas em lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 Nulidade Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Matéria não Impugnada Fl. 3274DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.275 11 Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento. Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Dois pontos constantes do voto condutor do acórdão de primeira instância merecem ser registrados: 1) Em relação à matéria “Aquisição de café de Cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial”, ao que tudo indica, a turma deu provimento ao recurso nos seguintes termos (efolha 3145/3146): Concluise que as cooperativas estão formalmente sujeitas à tributação, assim, cabe também o desconto de créditos integrais em relação às aquisições de produtos agroindustriais, de cooperativas de produção agropecuária, desde que não se enquadrem nos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2004 que determinam os casos de obrigatoriedade da suspensão na venda e a utilização pelo adquirente do crédito presumido. (...) Diante do acima exposto, é possível concluir pelo direito ao crédito integral nas aquisições de café de cooperativa, nos casos em que não há obrigatoriedade de apuração do crédito presumido. 2) Não houve contestação específica na impugnação em relação aos seguintes itens: (a) Glosa do crédito integral sobre aquisição de pimenta do reino de pessoa física; (b) Glosa do crédito integral sobre aquisição de café de pessoa física; (c) Glosa da apropriação indevida de crédito integral sobre nota fiscal de simples remessa/faturamento – fim específico de exportação; e (d) Omissão de receita (vide efolha 3155). A interessada regularmente cientificada do Acórdão, em 12/03/2013 (efolhas 3.161/3.169), interpôs Recurso Voluntário em 11/04/2013 (efls. 3.171/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, além de requerer a nulidade da decisão recorrida em . O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 3275DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.276 12 Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminares Da ausência dos despachos decisórios que amparam as glosas efetuadas A Recorrente requer seja declarada a nulidade do lançamento em face da ausência de informação, por parte da fiscalização, sobre os despachos decisórios que ampararam as glosas por eles efetuadas, assim como não informaram se os referidos despachos já haviam sido objeto de confirmação por parte do titular da DRF – Vitória. Não assiste razão à Recorrente. Como bem destacou a decisão recorrida, a autuação fiscal decorreu dos fatos apurados relativos à inexistência dos supostos créditos utilizados indevidamente pela Recorrente, conforme detalhadamente relatado no Termo de Encerramento de Ação Fiscal (e folhas 1.399/ss), matéria a ser analisada no mérito deste voto. Por sua vez, os despachos decisórios citados pela Recorrente referemse à utilização destes créditos fictícios para fins de ressarcimento. Portanto, na autuação fiscal objeto deste processo apurouse ilícitos tributários praticados pela Recorrente consistentes na utilização créditos considerados indevidos e fictícios pela fiscalização. Nos demais processos, que cuidam dos ressarcimentos, apenas denegaramse os pedidos feitos pela Recorrente justamente para se utilizar desses créditos considerados fictícios. O fato de tais despachos estarem ou não confirmados pela autoridade titular da DRF – Vitória em nada repercutiria no processo relativo à autuação fiscal. Ademais, como já se sabe, tais despachos decisórios foram confirmados pela citada autoridade fiscal (vide processos nºs 10783.725349/201111, 10783.725353/201171, 10783.725356/201112 e 10783.725360/201103). Não há previsão legal para esta autoridade julgadora atender ao pleito da Recorrente. Uma vez efetuado o lançamento de ofício, por meio da lavratura de auto de infração (artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 / PAF), com a apresentação da regular impugnação instaurase a fase litigiosa (artigo 14/PAF), cabendo, então, às autoridades julgadoras administrativas proceder ao julgamento dos mesmos (artigo 25/PAF). O preparo do processo compete à autoridade local da unidade encarregada da administração do tributo (artigo 24/PAF), sendo que esta, a seu critério, poderá formalizar processos distintos ou não, nos termos do que dispõe o artigo 9º caput e parágrafo primeiro do PAF. Registrese, por fim, que atendendo ao pedido efetuado pela própria Recorrente, o processo ora em discussão (nº 10783.725365/201103) e os processos que tratam dos pedidos de ressarcimento/compensação (nºs 10783.725349/201111, 10783.725353/2011 71, 10783.725356/201112 e 10783.725360/201103) estão sendo julgados conjuntamente na mesma sessão de julgamentos. Fl. 3276DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.277 13 Não vislumbro, portanto, qualquer nulidade nos procedimentos adotados pela fiscalização. Da nulidade do lançamento em decorrência de suposta inovação consubstanciada na decisão recorrida A Recorrente alega que a decisão recorrida busca inovar na fundamentação constante do lançamento fiscal, na medida em que expressamente defende a possibilidade de desconsideração dos negócios jurídicos realizados pela empresa. A alegação de nulidade da decisão de primeira instância suscitada pela Recorrente não deve ser acolhida. Entendo que não houve inovação no lançamento de ofício, como alega a Recorrente, haja vista que estamos discutindoo neste momento com base na descrição dos fatos e nos fundamentos jurídicos constantes da peça inicial, ou seja, com base nos elementos constantes dos lançamentos de ofício veiculados nos respectivos autos de infração. Não houve modificação dos pressupostos de fato e de direito constantes do lançamento, portanto, da “motivação” do ato administrativo de lançamento tributário. Muito menos houve alteração do “conteúdo” do ato: todos os elementos constantes do consequente da regra individual e concreta veiculada pelo lançamento foram mantidos (sujeitos ativos e passivos, base de cálculo e alíquotas). De igual modo, nenhum dos requisitos “formais” previstos no artigo 10º do PAF Decreto 70.235/72 (que foram corretamente informados no lançamento) foi alterado ou modificado. A Recorrente, ao que me parece, questiona (e discorda!) dos argumentos utilizados no voto condutor da decisão de primeira instância para fundamentar sua decisão. Portanto, não é o caso suscitar a nulidade da decisão (que está corretamente motivada), mas de questionar os argumentos utilizados em sua fundamentação, o que se faz em sede do mérito. É perfeitamente possível que se discorde da decisão, como efetivamente ocorre com a ora Recorrente, entretanto, dessa discordância não pode levar a nulidade da decisão. A autoridade julgadora apenas utilizouse de outros argumentos complementares para motivar sua decisão, o que não implica em qualquer nulidade, uma vez que o fundamento original do lançamento foi confirmado e corroborado. Não acolho a preliminar de nulidade suscitada. Da decadência parcial A Recorrente aduz que parte dos valores lançados já estaria atingida pela decadência relativamente aos meses de janeiro a novembro do anocalendário de 2006, em virtude da ciência do lançamento ter sido realizada apenas em novembro de 2011. Mais uma vez não assiste razão à Recorrente. Isto porque comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação, o prazo decadencial contase na forma prescrita pelo art. 173, I, do CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso em tela, como veremos quando da análise do mérito, restou demonstrada as hipóteses de fraude e simulação, portanto, para os períodos de janeiro a novembro de 2006, o prazo decadencial deve ser contado a partir de 01/01/2007, de modo que o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2011. Fl. 3277DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.278 14 Deste modo, como a ciência dos autos de infração foi efetuada em 13/12/2011, é de se concluir que não ocorreu a decadência do crédito tributário constituído pelo lançamento. Mérito Da prova da ocorrência dos ilícitos tributários e de sua autoria O cerne da controvérsia pode ser resumido em dois pontos: (A) a existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando vantagens tributárias ilegais, consistentes em creditamento indevido do PIS e da Cofins; (B) a participação do contribuinte, ora autuado, nesse esquema. Em decorrência desse esquema fraudulento, a Recorrente teria se apropriado de créditos integrais de PIS/Cofins sobre notas fiscais de empresas de fachada (denominadas “pseudo atacadistas”), os quais foram glosados pela fiscalização, tendo sido apenas o direito ao crédito presumido sobre tais operações, na forma da legislação aplicável (aquisições de pessoas físicas). Após a recomposição dos saldos, as diferenças do PIS e da Cofins devidos foram lançados de ofício, juntamente com a aplicação da multa isolada sobre as compensações indevidas, nãohomologadas. Além disso, não foram reconhecidos os créditos apontados nos pedidos de ressarcimento PER/DCOMP no valor de R$ 9.971.158,29, constantes dos processos nºs 10783.725349/201111, 10783.725353/201171, 10783.725356/201112 e 10783.725360/201103. Consta do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (efolhas 1.403) que o objeto da auditoria fiscal foi a verificação de pretensos créditos, oriundos da aquisição de café para processamento e comercialização no mercado interno e externo, deduzidos contabilmente pela empresa Recorrentes com os valores devidos das contribuições nãocumulativas para o PIS/Cofins, bem como utilizados na compensação de tributos/contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP Segundo a fiscalização, tais créditos eram fictícios em decorrência do seguinte esquema fraudulento: pseudo empresas atacadistas eram interpostas nas operações de compra de café diretamente do produtor rural (pessoa física), gerando dessa forma créditos integrais de PIS e Cofins fictícios (9,25% sobre o valor da nota). Esse esquema foi apurado no bojo da operação denominada “Tempo de Colheita”, deflagrada pela DRF – Vitória, em outubro de 2007, cuja motivação foi a vultosa divergência apurada entre as movimentações financeiras de empresas atacadistas de café em grão (na ordem de 3 bilhões de reais nos anos de 2003 a 2006) e os valores insignificantes das receitas por elas declaradas, acrescidas ao fato de que a maioria dessas pessoas jurídicas encontravase omissa na apresentação da DIPJ ou, mais comumente, inativa. Às efolhas 1.404 a 1406 a fiscalização faz um completo relato das empresas atacadistas envolvidas na operação, demonstrando os enormes montantes de notas fiscais fornecidos por essas empresas (Porto Velho – R$ 31 milhões; Mercantil Mundo Novo – R$ 17 milhões; Mercantil Novo Horizonte – R$ 11 milhões; Agrosanto – R$ 16 milhões; V. Munaldi – R$ 5 milhões). Fl. 3278DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.279 15 Com vistas a elucidar o esquema fraudulento a fiscalização elaborou um quadroilustrativo demonstrando detalhadamente o seu funcionamento (vide efolhas 1571 e 1572), o qual reproduzimos abaixo: A Recorrente, conforme asseveram as autoridades fiscais, utilizase de forma consciente desse esquema de geração de créditos fictícios. Portanto, são basicamente dois pontos que precisam restar comprovados nos autos: (A) A materialidade, caracterizada pela prática dos ilícitos tributários que resultaram no creditamento indevido do PIS e da Cofins (o denominado “esquema fraudulento de geração de créditos fictícios”); (B) A autoria, demonstrada pela participação da Recorrente no esquema fraudulento. Compulsandose os autos, atestase que o quadroprobante apresentado pelas autoridades fiscais está consubstanciado em um extenso e robusto conjunto de depoimentos reduzidos a termo de produtores rurais/maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada; provas documentais: cópias de documentos apresentados pelas empresas “laranjas” COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRAO e L & L; cópias dos pedidos de confirmações das operações de compra de café relativas aos anos de 2004 a 2008 apresentados pela própria AGRO FOOD; documentos encaminhados pela Polícia Federal (Ofício nº 4568/2009 SR/DPF/ES); cópias dos documentos contábeis e fiscais (em meio físico e magnético) relativos às empresas de fachada ACÁDIA, L & L, DO GRÃO, COLÚMBIA, W.R. DA SILVA e R. ARAÚJO – CAFECOL MERCANTIL; documentos enviados pelo Ministério Público Estadual (Ofício OF/GETPOT/Nº 91/2008, de 01/04/2008, do MPES com CD’s contendo documentos digitalizados decorrentes da busca e apreensão na sede da ACÁDIA, deflagrada pelo Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária), conforme extenso rol de documentos anexados aos autos às efolhas 47 a 1.398, perfazendo um total de 1351 folhas de provas diversas. Fl. 3279DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.280 16 Neste sentido, a título ilustrativo (o relato completo pode ser conferido no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, às efolhas 1.399 a 1708), citamos os seguintes elementos probantes trazidos pela fiscalização aos autos: A) Quanto à comprovação da materialidade dos ilícitos tributários praticados (“esquema fraudulento de geração de créditos fictícios”) i. Declaração do Sr. Antônio Gava, sócio/administrador da empresa Colúmbia Comércio de Café Ltda. (pseudo atacadista de café), que explica claramente o modus operante do esquema fraudulento com as seguintes palavras (efolha 1.424): 4) Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; 5) O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; 6) Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colúmbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais. (grifamos) ii. Declaração do Sr. Altair Bráz Alves, confirmando a existência de pseudo empresas atacadistas de café que atuavam como vendedoras de notas fiscais, corroborando o depoimento do Sr. Antônio Gava, da empresa Colúmbia (efolha 1.425/ss): 13) Que a empresa V Munaldi – ME nunca foi atacadista; que sequer atuou no seguimento de compra e venda de café; 14) Que a V.MUNALDIME foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais; 15) Que a V.MUNALDIME recebia a nota fiscal do produtor rural por intermédio de officeboy do verdadeiro comprador, e, em seguida emitia nota fiscal de entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador; 16) Que, em regra, antes de receber a via original da nota fiscal do produtor rural, a própria empresa compradora do café encaminhava via fax, a referida nota à V.MUNALDIME, para fins de emissão de notas fiscais de entrada e de saída; 17) Que, em regra, as notas fiscais de entrada e de saída da V.MUNALDIME eram emitidas na mesma data da nota fiscal do produtor rural; 18) A nota fiscal de saída emitida pela V.MUNALDIME era entregue ao Office boy da real empresa compradora do café; 19) Que, na verdade, a operação de compra de café se dava diretamente entre o comprador final de café e o produtor rural, sendo que a V. MUNALDIME funcionava exclusivamente como repassadora de recursos financeiros das empresas compradoras de café para os produtores rurais; os quais recebiam os valores mediante depósitos em suas contas bancárias; Fl. 3280DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.281 17 20) Os verdadeiros compradores de café remetiam os recursos financeiros para as contas correntes titularizadas em nome da V.MUNALDIME, que eram utilizadas para pagamento aos produtores rurais; 21) Quando os compradores eram de outros estados estes incluíam nos recursos depositados na conta corrente da V.MUNALDIME o valor referente ao ICMS que era, posteriormente, recolhido em nome da empresa V.MUNALDIME; 22) Que o declarante nunca teve qualquer contato com os produtores rurais no que tange às operações descritas nas notas fiscais do produtor, recebidas pela V.MUNALDIME; 24) Que o declarante informou que a V.MUNALDIME recebia em torno de R$ 0,35 (trinta e cinco centavos) a R$ 0,50 (cinqüenta centavos), por saca de café, a título de comissão; 25) O declarante informa que quando o café era destinado à armazenagem era emitida uma nota fiscal de produtor rural na qual constava como local de descarga um armazém geral do próprio comprador; e a V.MUNALDI, por sua vez, emitia uma nota fiscal de saída de simples remessa para o armazém. Posteriormente, o armazém emitia uma nota fiscal de devolução do café para a V.MUNALDIME e esta emitia uma nota fiscal de saída (venda) para a real compradora do café; iii. Declaração do Sr. Paulo Pancieri Júnior, proprietário da corretora FONTE RICA, explicando como as pseudo atacadistas atuavam em nome de terceiras pessoas (efolha 1.445/ss): 8) (...) o café do produtor rural é guiado para as exportadoras e indústria por intermédio das seguintes pessoas jurídicas: R ARAÚJO, CAFÉ BRASILE, DO GRÃO, L & L, V MUNALDI, ACÁDIA, J C BINS, P A DE CRISTO, CAFEEIRA SÃO JOSÉ, etc.; algumas dessas pessoas jurídicas estão situadas no próprio Ed. Silver Center, onde está localizada a FONTE RICA; 9) (...) que foi procurado por CALEARI (R ARAÚJO), FERNANDO MATTEDI (DO GRÃO, ACÁDIA e L & L), ANTÔNIO GAVA (COLÚMBIA), ALTAIR BRAZ ALVES (V MUNALDI), para que fosse utilizada essas empresas para guiar café do produtor rural para as exportadoras e indústrias, mediante pagamento de um determinado valor por saca de café pelo fornecimento da nota fiscal; 10) (...) que além das empresas acima citadas o declarante já foi procurado por outras pessoas oferecendo o mesmo tipo de serviço, e acrescentou ainda que habitualmente é procurado por pessoas oferecendolhe o mesmo serviço de empresa recém criada; 11) (...) que o produtor rural escolhe a pessoa jurídica que lhe oferece o menor custo para efetivar a operação, ou seja, aquela que lhe cobra o menor valor por saca de café para guiar em nome da pessoa jurídica. 12) Que o declarante informou que escolhida a pessoa jurídica que irá guiar o café o declarante providencia a CONFIRMAÇÃO do negócio, sendo uma via enviada para a compradora (exportadora ou indústria) e outra para a “empresa” que vai fornecer a nota fiscal; 13) que quando da entrega do café ao comprador o produtor rural emite a nota fiscal de produtor rural em nome de uma determinada pessoa jurídica, e chegando em um determinado lugar, geralmente Posto de Gasolina, o próprio produtor ou Fl. 3281DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.282 18 motorista contratado liga para o declarante para que seja providenciada uma nova nota fiscal com o objetivo de descarregar o café no comprador. Que o declarante faz contato com a pessoa jurídica que está fornecendo a nota fiscal (favor que o declarante presta ao produtor rural), que providencia um motoboy para encontrar o motorista e assim efetuar a troca da nota fiscal do produtor pela nota fiscal da pessoa jurídica fornecedora da nota fiscal, sendo que nesta última nota fiscal está consignado o nome do comprador (exportadora/indústria); 14) Que o declarante informou que produtores rurais realizam o transporte do café em veículo próprio ou contratam o frete; e em raríssimas ocasiões o frete é por conta do comprador; iv. Foram requisitadas movimentações financeiras das empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L&L, V.Munaldi e J.C Bins – Cafeeira Colatina (efolhas 1.441/ss), sendo que da análise dos documentos recebidos revelouse a existência de dezenas de contas correntes em várias instituições bancárias distribuídas nos principais municípios produtores de café do Estado do Espírito Santo nas quais verificouse: Créditos nas contascorrentes advindos de grandes empresas exportadoras e indústrias torrefadoras de café; Débitos simultâneos correspondentes a pagamentos a produtores rurais; Algumas contas movimentadas, inicialmente, por meio de procuração outorgada a produtores e/ou maquinistas. Em suma, entendo que os fatos narrados pela fiscalização, escorados em depoimentos dos sócios, administradores e prepostos das supostas atacadistas de café (Colúmbia, Acádia, Do Grão, L&L e JC Bins), entre outras provas, levamnos a concluir que efetivamente tais empresas não passavam de interpostas pessoas, alojadas entre os produtores rurais (pessoas físicas) e os reais adquirentes do café, que se utilizavam das notas fiscais inidôneas para creditamento das contribuições sociais. (B) Quanto à comprovação da autoria, demonstrada pela participação da Recorrente no esquema fraudulento. Para corroborar suas afirmações a fiscalização colecionou os seguintes elementos probantes: (i) Depoimento do Sr. Luiz Fernandes Alvarenga, corretor e sócio do CASAA DO CAFÉ CORRETORA e COLATINA CORRETORA DE CAFÉ, localizadas à Av. Sílvio Ávidos, 1.500, ED. SÍLVIO CENTER – SALA 111 – São Silvano, COLATINA – ES, onde funcionavam a COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO, L & L e V. MUNALDI – ME. (efolha 1458): 2) Que o declarante informou que como corretor de café possui uma carteira de aproximadamente 60 pessoas, entre produtores rurais, meeiros e comerciantes do interior (maquinistas), com os quais mantém contato comercial; 3) Que o declarante afirmou que, em média, realiza intermediação de venda de café de 450.000 a 500.000 sacas de café por ano; (...) Fl. 3282DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.283 19 5) Que em razão da credibilidade do declarante junto ao segmento do café, as exportadoras, indústrias e comerciantes de café lhe solicitam informações acerca de estimativa de safra; 6) Que em cada um dos municípios produtores de café conilon do Norte do ES o declarante tem pessoas que são produtores rurais ou maquinistas, com os quais o declarante faz contato quando está efetuando a intermediação de compra de café para as exportadoras, indústrias e outras empresas comerciais; que estas empresas adquirem café desses referidos produtores rurais/maquinistas; 7) Que como produtor rural e maquinista o declarante cita as seguintes pessoas, entre outras: (...) 8) Que o declarante informou que as empresas compradoras que utilizam os seus serviços de corretagem de café são: (...) (Colatina); (...) AGRO FOOD (Grande Vitória); (...) (Fora do ES); (...) (Nova Venécia – ES); 9) Que com a cotação oferecida pelos compradores (exportadores e indústrias), o declarante faz contato com os produtores rurais/maquinistas com o objetivo de concretizar a operação; 10) Que efetuado o acerto com o vendedor, o declarante retorna ao comprador informandolhe o nome do produtor rural/maquinista com o qual foi fechado o negócio, que é a pessoa que efetivamente vendeu o café para o comprador, e que está se responsabilizando pela qualidade e entrega do café; 11) Que nas operações efetuadas para os compradores (exportadores e indústrias) elas se dão mediante apresentação de AMOSTRAS DE CAFÉ ou por DESCRIÇÃO DO CAFÉ; no primeiro caso, são enviadas ao comprador amostras do café com a identificação do produtor rural/maquinista (vendedor); no segundo caso, ou seja, por DESCRIÇÃO, as informações sobre a qualidade e identificação do produtor rural/maquinista são passadas por telefone e/ou meio eletrônico; 12) Que dessa forma os compradores de café têm total conhecimento de quem lhes estão efetuando a venda, ou seja, que o café está sendo adquirido de um determinado produtor rural/maquinista, mas nunca da pessoa jurídica que consta na CONFIRMAÇÃO DO PEDIDO como vendedor; 13) Que efetivada a operação com os produtores rurais/maquinistas o declarante providencia a CONFIRMAÇÃO DO PEDIDO, na qual consta o nome do comprador (exportadores e indústrias), nome do vendedor, especificação e quantidade da mercadoria, preço, local de entrega, dados bancários para pagamento, além da OBSERVAÇÃO de INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS NA OPERAÇÃO exigida pelo comprador para constar na nota fiscal; 14) Que consta na referida CONFIRMAÇÃO DO PEDIDO como vendedor o nome de diversas pessoas jurídicas, que não tem nenhuma relação com a operação efetivada pelo declarante; que o nome dessas pessoas jurídicas é indicado pelos produtores rurais/maquinistas, inclusive o local de pagamento; que o declarante informa, de forma manuscrita, ao lado do nome da pessoa jurídica que consta como vendedora o nome do produtor rural/maquinista que está vendendo efetivamente o café para o comprador, com o objetivo de identificar e dar conhecimento ao comprador da origem (qualidade e pontualidade) do café que ele está adquirindo; 15) Que é encaminhado FAX ou email da CONFIRMAÇÃO DO PEDIDO para o comprador (exportador e indústria), para o produtor rural/maquinista e para a “empresa” utilizada para guiar o café para a compradora; Fl. 3283DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.284 20 16) Que, como já dito, usualmente na CONFIRMAÇÃO DO PEDIDO é indicado para o comprador o nome do produtor rural/maquinista que está efetuando a venda do café; (...); ii. O sr. Luiz Fernandes Alvarenga ratificou as declarações prestadas aos AuditoresFiscais na Polícia Federal, conforme DENÚNCIA/PR/COL/ES apresentada pelo MPF nos autos do processo nº 2008.50.05.0005383 (IPL nº 541/2008): “QUE confirma o teor da declaração prestada às fls. (...), referente às declarações que prestou à Receita Federal em 2008; (...); QUE o interrogado tinha conhecimento de que a utilização de “laranjas” visava permitir a compensação do PIS e da COFINS pelas exportadoras e indústrias; (...) ”. iii. O Sr. Luiz Fernandes Alvarenga, ainda informa acerca das CONFIRMAÇÕES DE PEDIDO emitidas pelas suas corretoras, nos seguintes termos (efolha 1462): 28) Que outro exemplo é a CONFIRMAÇÃO DO PEDIDO nº 2012/2008, da CASA DO CAFÉ CORRETORA DE CAFÉ, de 02/07/2008, que tem como compradora a AGRO FOOD e como suposta vendedora a REICAFÉ e com anotação a caneta ao lado do vendedor o nome do Sr. Renato Milk; que perguntado quem era o Sr. Renato Mielke o declarante respondeu que se trata de um produtor rural/maquinista da região de Pancas e quem efetivamente vendeu o café para a AGRO FOOD; iv. A cópia da citada CONFIRMAÇÃO DO PEDIDO Nº 2912/2008 está anexada à folha 1463. v. Notas fiscais apresentadas pela COLUMBIA revelaram que o café negociado por Luiz Mazolini (produtor rural) tinha entre os reais compradores a AGRO FOOD, conforme CONFIRMAÇÃO DE PEDIDOS Nº 98/05, 101/05, conforme cópias dos documentos anexados às efolhas 1466 a 1469; vi. A Polícia Federal, por intermédio do Ofício nº 4568/2009SR/DPF/ES, encaminhou arquivo magnético em formato Excel denominado “COLÚMBIA SAÍDAS”, que se trata de um controle da COLÚMBIA das notas fiscais de saída de sua emissão no período de 03/2005 a 12/2008, onde estão relacionados o número, data, quantidade e valor da nota fiscal, identifica o comprador, assim como o corretor envolvido na operação e o número da sua confirmação que respaldou a mesma. Neste arquivo constam compras da AGRO FOOD guiadas pela COLÚMBIA, relativas às vendas dos produtores rurais Luiz Carlos Bernabé, Jarbas Alexandre Nícoli, Ronaldo Cuzzuol, Edmar Muller, Américo Mai, Tamanini, Frederico Graziotti, Contadini e Antônio Carlos Lopes (vide efolhas 1469 a 1477). vii. Depoimento do Sr. Rubens Peterle, produtor/maquinista de Rio Novo do Sul/ES, juntamente com diversos documentos que comprovam a entrega do café diretamente àa AGRO FOOD (efls. 1478/1483): 9) Que o próprio declarante chegou a transportar o café guiado em nome das pessoas jurídicas acima mencionadas, sendo que o mesmo foi descarregado na (...) e (...), que por ora se recorda; 10) Que o motorista do pai do declarante também transportou café guiado em nome da PORTO VELHO, CONARA, MERCANTIL MUNDO NOVO, CONTINENTAL Fl. 3284DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.285 21 TRADING e AGROSANTO e outras, sendo que o mesmo foi descarregado na (...) AGRO FOOD, (...) e outras que no momento não se recorda; viii. Depoimento do Sr. José Carlos Vassuler, produtor/maquinista de Santa Maria de Jetibá/ES, juntamente com diversos documentos que comprovam a entrega do café diretamente àa AGRO FOOD (efls. 1483/1494): 13) Que o declarante afirmou que quando o café tinha como destinação a grande Vitória o mesmo era descarregado nos seguintes armazéns: (...), AGRO FOOD, (...), sendo que as notas fiscais do produtor foram guiadas, na maioria das vezes, em nome da DO GRÃO, e outras vezes em nome de outras empresas; 14) Que no café endereçado para a Grande Vitória o motorista recebia de um moto boy, em local préestabelecido, que geralmente se dava num posto de gasolina, a nota fiscal para que pudesse efetuar a descarga nos armazéns da (...), AGRO FOOD, (...); (...) 18) Que o café produzido pelo declarante era comercializado da mesma forma com que intermediava o café de terceiros; que além da DO GRÃO o café era guiado em nome das seguintes empresas: PORTO VELHO COMÉRCIO LTDA, CONTINENTAL TRADING LTDA, COLUMBIA, C DÁRIO ME, AGROSANTO, MC DA SILVA, WG AZEVEDO BRAZIL COFFE; 19) Que o café produzido pelo declarante e guiado em nome da PORTO VELHO era descarregado na (...), AGRO FOOD, (...); Em suma, a fiscalização apresentou diversos depoimentos de corretores e maquinistas de café que atuam no Estado do Espírito Santo e concluiu que a empresa AGRO FOOD adquiria café de pessoa física com nota fiscal das empresas de fachada (“laranjas”) com o objetivo de gerar créditos integrais de PIS/Cofins (vide efolhas 1641/1652). A partir desse robusto quadroprobante, a fiscalização descaracterizou as pretensas operações de compra de café contabilizadas pela Recorrente como provenientes das empresas atacadistas, todas elas “empresas de fachada”, que acobertavam as verdadeiras operações realizadas, quais sejam, aquisições diretamente de produtores rurais, pessoas físicas, que não dariam direito a crédito do PIS e da Cofins. A empresa, ainda, apropriouse indevidamente de créditos do PIS/Cofins nas aquisições de pimenta do reino de pessoas físicas, conforme planilhas demonstrativas elaboradas (vide efolhas 1652/1622). Por sua vez, a Recorrente na tentativa de eximirse da prática dos ilícitos, em seu Recurso busca desqualificar o trabalho da fiscalização, afirmando que “no caso sub examine verificase a inexistência de qualquer prova robusta e inequívoca, existindo nos autos, apenas, meras alegações e conjecturas – difusas e contraditórias entre si” (efolha 3201) e, deste modo, “não se pode permitir que se concretize a constituição de um fato ilícito a partir de elementos dúbios, por meio de meras presunções que advêm de provas testemunhais contraditórias, pois se estaria favorecendo o Poder Público em detrimento da segurança jurídica”, e assim, pleiteia a aplicação do dispositivo legal previsto no artigo 112 do CTN (“in dúbio pro contribuinte”). Fl. 3285DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.286 22 Contudo, a Recorrente não traz provas consistentes e precisas que pudessem demonstrar seus argumentos, de modo a refutar, de forma convincente, a prática dos ilícitos tributários a ela atribuídos. Não há como concordar com o argumento da Recorrente. Existe uma infinidade de provas coletadas pelas autoridades fiscais, bem como encaminhadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Estadual (anexadas às efolhas 47 a 1.398), convergentes e consistentes, a demonstrar a existência do esquema fraudulento, assim como a participação da Recorrente nesse esquema. Não há também como concordar com a Recorrente quando tenta desqualificar as provas testemunhais. Veja, mais uma vez a Recorrente tenta desqualificar a acusação fiscal, sem, entretanto, apresentar elementos probantes persuasivos capazes de refutar as provas apresentadas pelo Fisco. As declarações prestadas são relevantes sim para elucidar os fatos sobre os quais os declarantes tiveram ciência, notadamente, quando consideradas em seu conjunto, obtidas de diversas pessoas, todas em um mesmo sentido. Não foi um depoimento único, mas diversos depoimentos (aproximadamente duas dezenas!). É certo que cabe ao Fisco provar o fato constitutivo do seu direito (art. 333, I, CPC), e o depoimento é um dos meios de provas admitidos no nosso ordenamento jurídico (art. 332/CPC), contudo, cabe ao Recorrente, de igual modo, refutar as provas apresentadas, demonstrando fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco (art. 333, II, CPC). A meu ver, o quadroprobante apresentado pela fiscalização é extremamente contundente, convergente e suficiente para demonstrar a ocorrência do ilícito tributário (“esquema fraudulento”) e o envolvimento da Recorrente na sua prática. Basta uma simples leitura do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, onde os argumentos estão claramente expostos e devidamente conectados com as provas de sua ocorrência, para firmar esse convencimento. Em outro trecho do Recurso (efolha 3.224/ss), a Recorrente afirma que agiu de boafé, ao adquirir o café de pessoas jurídicas para revendêlo. Não é isto que demonstram as provas acostadas aos autos. A empresa não agiu de boafé. Muito pelo contrário: participou de toda operação montada com o intuito de acobertar do Fisco os negócios simulados, como demonstram as provas carreadas aos autos. No processo administrativo fiscal as partes submetemse à regra geral do ônus da prova, de modo que incumbe à autoridade fiscal o ônus de provar os fatos constitutivos do direito da Fazenda Nacional, vale dizer, provar a ocorrência do fato gerador e demais circunstâncias necessárias à constituição do crédito tributário. De outro lado, cabe ao impugnante provar a não ocorrência do fato gerador ou eventualmente a improcedência de algum dos seus elementos lançamento tributário. A autoridade fiscal formulou a exigência tributária a partir de um conjunto probatório extenso e robusto. Caberia ao autuado desconstituir a exigência refutando os argumentos e apresentando, fundamentalmente, as suas provas. Não basta apresentar meras alegações desacompanhadas ou desconectadas de provas capazes de demonstrar o seu direito. Por sua vez, o julgador, valorando os argumentos e provas apresentadas pelas partes, formará a sua convicção com base na chamada “verdade jurídica”, ou seja, aquela que restou comprovada nos autos. Fl. 3286DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.287 23 Não seria demasiado afirmar que a prova consiste em um dos elementos mais importantes do processo. A aplicação do direito ao caso concreto para a solução do litígio será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos. Neste sentido, Maria Rita Ferragut (Presunções em direito tributário, p. 54) explica “o que realmente sabemos sobre os eventos são suas versões, concretizadas por meio de linguagens que os descrevem e que os transformam em fatos. E, no direito positivo, os fatos são descritos por enunciados elaborados segundo regras impostas pelo sistema e submetidos às provas” e Leonardo Greco (O conceito de prova, p. 214) complementa “... o direito nasce dos fatos e não houve até hoje nenhuma ciência ou saber humano que fosse capaz de empreender uma reconstrução dos fatos absolutamente segura e aceita por todos, para que o juiz pudesse limitarse a dizer o direito a ela aplicável”. Assim, o evento (ocorrido no mundo fenomênico) deve ser relatado em linguagem jurídica competente e demonstrado através das provas, que devem ser submetidas à refutação em atendimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Cabe às partes em litígio Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. O julgador, então, a partir da discussão racional no processo (alegação/refutação; provas/contraprovas), aprecia e valora as provas existentes nos autos, formando o juízo de probabilidade da ocorrência dos fatos (Calamandrei), para ao fim decidir o litígio com base em sua livre convicção motivada. Em conclusão, diante do robusto quadroprobante apresentado pela fiscalização (repitase: estão acostados aos autos mais de 1.300 folhas de documentos / efolhas 47 a 1.398), composto por diversas espécies de provas, congruentes e consistentes, estou plenamente convencido da existência dos ilícitos tributários (materialidade), caracterizada pela interposição fraudulenta dos atacadistas de fachada (“laranjas”) entre os produtores rurais e os reais adquirentes do café, o que permitiu a utilização de créditos indevidos e fictícios das contribuições sociais por parte destes últimos, bem como na participação da Recorrente na prática desses ilícitos (autoria). Das glosas dos créditos considerados indevidos e fictícios pela fiscalização Pois bem. Comprovada a existência da interposição fraudulenta dos “pseudo atacadistas de café” e demonstra a participação da Recorrente nessas operações, entendo que a fiscalização corretamente glosou os créditos de PIS e Cofins considerados indevidos e fictícios, conforme detalhadamente exposto e comprovado no meticuloso e esclarecedor Termo de Encerramento da Ação Fiscal elaborado pelas autoridades administrativas da DRF – Vitória. Neste ponto, importante explicitar qual era a “lógica” para o funcionamento do esquema que praticava os ilícitos tributários, propiciando à Recorrente, ao fim, utilizarse dos créditos fictícios. Para tanto, utilizaremos do voto constante da decisão de primeira instância, que pedimos vênia para transcrevêlo e adotálo também como fundamento deste voto, como dispõe art. 50, §1, da Lei nº 9.784/99, verbis: No regime não cumulativo, as empresas adquirentes de mercadorias passaram a gozar do direito de crédito sobre o valor das compras, utilizandose da mesma alíquota válida para o cálculo das próprias contribuições. Fl. 3287DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.288 24 No caso aqui tratado, uma particularidade deve ser mencionada: Se a empresa adquirente de café em grão compra diretamente do produtor rural – pessoa física – o valor de seu direito creditório reduzse a 35% (atendidos certos requisitos) daquele referente a mesma compra de um atacadista/pessoa jurídica, regra que passou a valer após 01/02/2004, conforme excertos legais abaixo transcritos. Antes desta data o direito creditório reduziase a zero, não existia: Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009) (...) § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) (...)(gn). Antes da publicação do diploma acima citado prevalecia regra geral que vedava o creditamento resultante de compras de pessoa física, na forma do §3º do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 3288DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.289 25 (...) (gn) No quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica e não diretamente de pessoa física. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situar se, de fato, no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Contudo, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleva os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o adquirente, porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este fornecedor não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Devese notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte autuado, constituídas como visto quase todas já em pleno regime da nãocumulatividade, estiveram, quase sempre, em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos. O Termo de Encerramento relaciona os principais atacadistas/fornecedores (...) No conjunto, as empresas deste quadro movimentaram R$ 1,75 bilhão de Reais, mas praticamente nada recolheram de PIS/Cofins no período de 2003/2007. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acrescentado de situação de omissão e inatividade declarada – inapta, baixada ou suspensa juntase mais um fato, constatado em diligências nas empresas, nenhuma das empresas diligenciadas possui armazéns ou depósitos, nenhum funcionário contratado e, nenhuma estrutura logística. Tais empresas venderam um total de mais de 16 milhões para a AGROFOOD, no período de 2004 até 2009. Ora, tudo que se espera em uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrando, ao invés disso, escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais e acomodações acanhadas. A fiscalização exemplifica a exigüidade e precariedade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas, com a fotografia do estabelecimento da JC BINS (v. fl. 1413), cujo nome fantasia é Cafeeira Colatina, um imóvel de minguadas dimensões, com equipamentos e material de escritório: uma mesa, um armário, meia dúzia de caixas, telefone, fax e um computador. Vale sublinhar, contudo, que este mesmo atacadista de café movimentou mais de 149 milhões de reais apenas no período de Fl. 3289DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.290 26 2006 a 2007, e como fornecedora da AGROFOOD teria negociado mais de 1 milhão de reais. (...) Por fim, importante destacar que a Fiscalização entendeu que a AGRO FOOD tem direito ao crédito presumido, porque exerce a atividade de beneficiar, padronizar, preparar e separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. Dessa forma, glosou o crédito integral, mas considerou nos seus cálculos o crédito presumido. Da multa qualificada de 150% A Recorrente requer, ainda, seja afastada a cobrança da multa de 150% prevista no artigo 44, I, parágrafo primeiro, da Lei nº 9.430/96, por entender que os tributos foram declarados em DCTF, que não há prova de “evidente intuito de fraude” e todas as informações foram prestadas adequadamente à fiscalização. Como fartamente demonstrado linha atrás, a conduta praticada pelo Recorrente não pode ser enquadrada como mero planejamento tributário lícito – elisão fiscal. Houve, na verdade, uma simulação de negócios jurídicos com a finalidade de lesar o Fisco. A teor do artigo 167, inciso I, do Código Civil, haverá simulação quando os negócios aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem ou transmitem, portanto, quando houver interposição de pessoas. Exatamente o que ocorreu no caso em litígio: interposição dos “pseudos atacadistas de café”, como abundantemente demonstrado nos autos. Comprovada a existência de simulação, o artigo 149, inciso VII, do CTN prescreve que a autoridade fiscal deve efetuar o lançamento de ofício, verbis: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; E mais, considerandose os fatos descritos, sustentados pelo conjunto probatório apresentado, é de concluirse que a Recorrente, em conluio com as demais partícipes do esquema, ao simular aquisição de café de “pseudo atacadistas” interpostas intencionalmente (“dolo”) na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária por meio da utilização de créditos fictícios do PIS e da Cofins, praticou as condutas típicas previstas nos artigos 71 (sonegação), 72 (fraude) e art. 73 (conluio) da Lei nº 4.702/64. A sonegação restou caracterizada na intenção, clara e evidente, de reduzir o montante dos tributos devidos, operacionalizada com a utilização de créditos fictícios do PIS e da Cofins. Para tanto, utilizouse de notas fiscais ideologicamente falsas, que não espelhavam a realidade dos negócios jurídicos efetivamente praticados. A fraude foi comprovada pela fiscalização a partir dos diversos meios de provas colecionadas nos autos: depoimentos de produtores rurais, de corretores de café, de sócios de empresas e de gerentes de banco; documentos fiscais, contábeis e bancários; Fl. 3290DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.291 27 documentos encaminhados pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Federal, entre outros. Por vez, o conluio restou evidenciado pelo fato de que várias pessoas jurídicas e físicas, ajustadas entre si de forma premeditada e dolosa, reiteradamente ao longo do tempo, conforme relatado nos autos, demonstraram a intenção de praticar a infração. Deste modo, a conduta infracional cometida pela Recorrente, consistente na prática reiterada de atos simulados com a intenção de reduzir o pagamento de tributos (sonegação), mediante ajuste doloso entre diversas pessoas jurídicas e físicas (conluio), deve ser apenada com a multa qualificada, tipificada no artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II – (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964, assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Concluise que a situação fática apresentada subsumese perfeitamente à multa qualificada de 150%, tipificada art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Da multa isolada pela compensação indevida Conforme consignado no voto condutor da decisão recorrida, neste processo foi lançada a multa isolada por compensação indevida (art. 18 da Lei nº 10.833/03) nos Fl. 3291DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.725365/201103 Acórdão n.º 3202001.204 S3C2T2 Fl. 3.292 28 processos nº 10783.725349/201111, nº 10783.925353/201171 e nº 10783.725356/201112, no total de R$ 2.982.889,89. Entretanto, os autos foram baixados em diligência por meio da Resolução nº 12000.107, de 10/05/2012, para apartar o auto de infração de multa isolada e a respectiva impugnação para que fossem julgados, em conjunto, com as manifestações de inconformidade apresentadas contra os citados processos de compensação que originaram a multa. Em atendimento à solicitação contida nessa Resolução, o crédito tributário referente à multa isolada pela compensação indevida foi transferido para o processo nº 15582.720088/201203 (vide efolhas 3061/3072). Destarte, as alegações da Recorrente a respeito da multa isolada serão analisadas naquele processo (nº 15582.720088/201203), que será julgado por este Tribunal nesta mesma sessão de julgamentos. Conclusão Ante o exposto, rejeito as preliminares suscitadas, e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 3292DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 22/07/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.901258/2008-94
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o presente julgamento em realização de diligência nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que negava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o presente julgamento em realização de diligência nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o presente julgamento em realização de diligência nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, que negava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente da não homologação de PERDCOMPS que visam compensar crédito decorrente de saldo negativo de CSLL referente ao ano calendário de 2001 no valor original de 219.852,50. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .9 01 25 8/ 20 08 -9 4 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10510.901258/200894 Resolução nº 1801000.256 S1TE01 Fl. 3 2 Após realização de diligência fiscal a decisão proferida pela DRJ reconheceu parcialmente o crédito pleiteado no montante de R$ 136.925,27. O cerne do litígio está no não reconhecimento integral do saldo negativo, por não ter sido considerada parte da estimativa do mês de julho de 2001, objeto da compensação feita na DCOMP n° 38258.82489.240903.1.3.045302, e parte da estimativa do mês de agosto, em virtude de o pagamento do valor principal R$121.039,32 ter sido feito fora do prazo legal, acrescido apenas dos juros de mora, sem a multa de mora. Ou seja, a DRJ na decisão de primeira instancia, não computou no saldo negativo do ano de 2001 a integralidade dos valores compensados a titulo de estimativa em Julho de 2001, e também considerou que o valor referente a agosto foi pago a menor, pela incidência de multa moratória. Quanto à estimativa do mês de julho, objeto da DCOMP n° 38258.82489.240903.1.3.045302, do total compensado R$85.404,64 encontrase homologada a quantia de R$23.484,73, sendo que o restante do crédito aguarda reconhecimento em julgamento de segunda instância administrativa, nos autos do processo 10510.900341/200684, conforme andamento registrado em 03/06/2013 no comprot. Quanto à estimativa de Agosto a Recorrente alega ter pago o débito de acordo com o artigo 138 do CTN, ou seja, alega ter ocorrido denúncia espontânea que a eximiria da multa moratória. Em seu Recurso Voluntário a recorrente pugna pelo reconhecimento do crédito decorrente da estimativa de Julho e de Agosto de 2001, para que sejam computados no saldo negativo do respectivo exercício. É o relatório. Voto Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo. No mérito o processo não parece estar apto para julgamento. Com efeito, o valor do saldo negativo apurado em 2001 depende do reconhecimento da estimativa compensada em julho de 2001, pendente de julgamento no processo administrativo 10510.900341/200684 Dessa forma, havendo evidente relação de prejudicialidade entre os processos, visto que o saldo negativo pleiteado no presente feito depende do reconhecimento da estimativa compensada, cuja análise é objeto do outro processo, voto por converter o julgamento em diligencia reconhecendo a existência de conexão entre os processo. O presente processo deverá ser encaminhado à unidade de jurisdição do contribuinte para que lá aguarde decisão administrativa final do processo 10510.900341/2006 84, que quando proferida deverá ser encaminhada a este conselheiro, apensa ao processo 10510.901258/200894 Nesta oportunidade o saldo negativo decorrente da estimativa paga em Agosto será analisada conjuntamente com a estimativa compensada em Julho para assim determinar a existência do crédito pleiteado a título de saldo negativo de CSLL de 2001. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10510.901258/200894 Resolução nº 1801000.256 S1TE01 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 285DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900770/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001
RESTITUIÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3101-001.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
Luiz Roberto Domingo- Relator, Vice-Presidente no exercício da Presidência
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas (Suplente), José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente E Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da Presidência)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 RESTITUIÇÃO. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo- Relator, Vice-Presidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas (Suplente), José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente E Luiz Roberto Domingo (Vice-Presidente no exercício da Presidência)
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TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF retificadora. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator, VicePresidente no exercício da Presidência Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Fábia Regina Freitas (Suplente), José Henrique Mauri (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente E Luiz Roberto Domingo (VicePresidente no exercício da Presidência) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 07 70 /2 00 8- 34 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900770/200834 Acórdão n.º 3101001.627 S3C1T1 Fl. 147 2 Relatório Tratase de pedido de restituição cumulado com compensação – cujo direito creditório decorre do recolhimento da multa de mora quando do pagamento de tributos em atraso, em relação ao qual a Recorrente busca o reconhecimento da excludente da responsabilidade por infrações, em face da alegada denúncia espontânea. Adoto o relatório da Resolução nº 3101000.303, que, em 24/10/2013, converteu o julgamento em diligência para que repartição de origem confirmasse, “em face do sistema da Receita Federal, os DARF e as declarações (DCTF) apresentados” e informasse “se houve declaração dos débitos, objeto do presente feito, anterior ao pagamento, juntando, se for o caso, a respectiva declaração”. Foram juntados os documentos requisitados e elaborado demonstrativo da diligência conforme quadro abaixo: Processo Tributo PA Vencimento Data Entrega Vlr Principal Data Vlr Principal Vlr Juros Vlr Multa Vlr Total OBS 10950.900766/200876 2172 dez/00 15/01/2001 15/02/2001 31.549,26 13/02/2001 31.267,18 312,67 2.992,27 34.572,12 10950.900830/200819 2172 jul/02 15/08/2002 13/11/2002 50.421,29 08/11/2002 21.000,00 846,30 4.200,00 26.046,30 11/11/2002 23.000,00 926,90 4.600,00 28.526,90 12/11/2002 6.421,29 258,77 1.284,28 7.964,34 10950.900772/200823 2172 ago/02 13/09/2002 13/11/2002 38.091,11 22/10/2002 22.091,11 220,91 2.697,32 25.009,34 23/10/2002 16.000,00 160,00 2.006,40 18.166,40 24/10/2002 9.800,00 291,06 10.091,06 10950.900780/200870 2172 set/02 15/10/2002 13/11/2002 36.924,28 25/10/2002 9.800,00 323,40 10.123,40 12/11/2002 17.324,28 173,24 1.600,76 19.098,28 26/12/2003 5.000,00 199,00 1.000,00 6.199,00 10950.900782/200869 2172 ago/03 15/09/2003 31/03/2004 50.990,03 23/08/2004 45.990,03 45.990,03 DCOMP 10950.900769/200818 8109 dez/00 15/01/2001 15/02/2001 6.835,67 13/02/2001 6.777,39 67,77 648,60 7.493,76 10950.900764/200887 8109 jun/01 13/07/2001 15/08/2001 7.623,28 15/08/2001 7.623,28 76,23 830,18 8.529,69 10950.900770/200834 8109 ago/01 14/09/2001 14/11/2001 8.838,81 06/11/2001 8.838,81 223,62 1.487,57 10.550,00 10950.900773/200878 8109 nov/01 14/12/2001 15/02/2002 8.715,65 07/02/2002 8.715,65 220,51 1.524,37 10.460,53 Ciente da diligência, a recorrente reiterou os argumentos e pedidos formulados no recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. No presente caso, em apertadíssima síntese, o contribuinte efetuou o pagamento referente à sua obrigação tributária fora do prazo legal com todos os acréscimos legais, multa e juros de mora antes de qualquer fiscalização. Entende a Recorrente que tal recolhimento cumpre os requisitos do instituto da “denúncia espontânea”. As provas juntadas foram conferidas pela autoridade fiscal de origem. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900770/200834 Acórdão n.º 3101001.627 S3C1T1 Fl. 148 3 É pacífica a jurisprudência, inclusive com diversos precedentes do E. STJ1, no sentido de que é possível ao contribuinte sanar o inadimplemento de crédito tributário, ainda que a destempo, sem que haja aplicação da sanção legal. Em recurso repetitivo o STJ pacificou o entendimento que se aplica o instituto da denúncia espontânea nos acasos em que o tributo sujeito a lançamento por homologação declarado parcialmente e pago integralmente com posterior retificação da declaração: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. 1 REsp 1360.365SC, Rel. Min. Humberto Martin, Segunda Turma, julgado em 09.04.2013, DJe 15.05.2013; REsp 1.309.163/AM, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 28.8.2012, DJe 3.9.2012; REsp 1086051/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 02/06/2010; REsp 922.206/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/08/2008, DJe 22/08/2008 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10950.900770/200834 Acórdão n.º 3101001.627 S3C1T1 Fl. 149 4 Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Tal entendimento é uma variante que extraída da ratio decidendi utilizada a partir da Súmula 360 do E. STJ. É exatamente esse o caso dos autos, cujo pagamento ainda que extemporâneo, mas espontâneo, acrescido de juros de mora e antes de qualquer intervenção fiscalizadora estatal, afasta a incidência da multa de mora, que, recolhida, deve ser reconhecida como pagamento indevido. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo nos autos do REsp n° 1.149.022/SP Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório referente à multa de mora recolhida indevidamente, haja vista o reconhecimento da denúncia espontânea. Luiz Roberto Domingo Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10580.720320/2009-04
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB.
É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração.
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO.
No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP.
Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual dever-se-ia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429/SP.
MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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DESCABIMENTO. EXEGESE DO ARTIGO 157, I, DA CRFB. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal no caso, uma vez que o contido no art.157,I, da CRFB toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercutindo sobre a legitimidade da União Federal para exigir o IRRF, mediante lavratura de auto de infração. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 03 20 /2 00 9- 04 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429∕SP. Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429∕SP. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente justificadamente a conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Fl. 142DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720320/200904 Acórdão n.º 2802002.949 S2TE02 Fl. 142 3 Por bem sintetizar os atos e procedimentos que integram os presentes autos, abaixo se reproduz o relatório extraído do Acórdão 1526.168, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador – DRJ/SDR: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 154.115,24, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; Fl. 143DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” A DRJ/SDR, fls. 83 a 89, julgou a impugnação improcedente, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Extraemse da decisão de primeira instância os seguintes a argumentos: a) a diferença apurada pela conversão do valor do salário em URV tem natureza salarial incidindo o IRPF; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720320/200904 Acórdão n.º 2802002.949 S2TE02 Fl. 143 5 b) o IRPF é regido por legislação Federal não sendo legítima a concessão de isenção por legislação Federada; c) Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, que dispõe que a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção do IRRF extinguese no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última, a sujeita à exigência do imposto correspondente, acrescido de multa de ofício e juros de mora, conforme abaixo transcrito; d) que a citada consulta na realidade não seguiu o rito do processo administrativo de consulta previsto no art. 48 da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, teve caráter meramente informativo, sem qualquer efeito vinculante, bem como as demais normas e pareceres; e) que nos anos calendários em questão, as bases de cálculo declaradas já sujeitavam o contribuinte à incidência do imposto de renda em sua alíquota máxima, bem como, já tinham sido aproveitadas as parcelas a deduzir previstas legalmente. Nesta situação, o imposto apurado mediante aplicação direta da alíquota máxima sobre os rendimentos omitidos coincide com o imposto apurado com base na tabela progressiva sobre a base de cálculo ajustada em razão da omissão; f) que o art. 55, inciso XIV, do RIR/99 dispõe claramente que tanto os juros moratórios, quanto quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, estão sujeitos à tributação, a menos que correspondam a rendimentos isentos ou não tributáveis; g) que a Resolução do STF nº 245 não pode ser estendida às verbas pagas aos Magistrados do Estadual da Bahia, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei específica. Não se poderia, também, recorrer à analogia em matéria que trate de isenção, que está sujeita a interpretação literal, conforme preconiza o art. 111, inciso II, do CTN. Intimada da supramencionada decisão, em 14/04/2011, fls.130/131, a interessada interpôs recurso voluntário, em 19/04/2011, fls. 92 a 129, reiterando as alegações apresentadas na impugnação, para reafirmar a validade e o efeito vinculante da resposta à consulta feita pela Presidente do TJ/BA ao Ministério da Fazenda, nos mesmos termos do parecer, que afirma vinculante, exarado pelo AdvogadoGeral da União; que violase o princípio da economia processual no esforço de manter uma exação, a multa, que será fatalmente desconstituída pelo Poder Judiciário; que deveria ter sido levado em consideração, não apenas a alíquota vigente no momento em que as verbas deveriam ter sido pagas, mas também o total que atingiria mês a mês a remuneração da contribuinte à época em que seria devido o pagamento, para se apurar adequadamente suposto imposto a pagar; da mesma forma que não há incidência de imposto sobre a URV, por entender ser verba indenizatória, também não há incidência de imposto de renda sobre o rendimento recebido a título de juros moratórios; entende pela necessidade de extinção do crédito tributário exigidos nos presentes autos, tanto por considerar a União parte ilegítima para figurar no pólo Ativo da relação jurídicotributária, quanto por suposta violação ao princípio constitucional da isonomia. Em sessão de julgamento do dia 15 de agosto de 2012, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, determinou o sobrestamento do feito, tendo em vista o previsto no art. 26A,§1º, Regimento Interno do CARF, Portaria mf 256, de 2009 e na Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único), na medida em que o Recurso Extraordinário 614406/RS, o qual teve sua repercussão geral reconhecida em Fl. 145DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 20/10/2010, e que ainda se encontra pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, versa sobre matéria que em tese se assemelha ao presente caso. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi distribuído, por sorteio, a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. O assunto tratado nos presentes autos possui diversos precedentes nesta 2ª Tuma Especial, dos quais convém reproduzir o inteiro teor do voto condutor do Acórdão nº 2802002.907, proferido Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, em sessão realizada no dia 15 de maio de 2014, tendo em vista que expressa com propriedade o entendimento unânime firmado pelos membros participantes, dos quais este Relator integrou e que ora o adota como razões de decidir, na parte que interessa ao presente litígio: “Da legitimidade ativa da União O fato de o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Federação não subtrai da União sua competência para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda sujeito ao ajuste anual, que não se confunde com o imposto retido na fonte. Este é mera antecipação daquele. A União possui legitimidade ativa para cobrar o Imposto de Renda, pois não só possui competência tributária como tem interesse econômico e jurídico em fiscalizar e arrecadar o imposto apurado no ajuste anual. São inconfundíveis os conceitos de imposto retido na fonte e de imposto devido no ajuste anual, bem como os de competência tributária, legitimidade ativa e de titularidade do produto da arrecadação. Ademais, a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” Desta forma, a decisão proferida no Resp 874.759 não tem o efeito almejado pelo recorrente. Do natureza tributária das verbas (URV e juros de mora) Essa Turma Julgadora reiteradas vezes decidiu , entre outros pontos, que: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720320/200904 Acórdão n.º 2802002.949 S2TE02 Fl. 144 7 a) a União possui legitimidade ativa e as diferenças pagas pelo Estado da Bahia, de que trata este processo, tem natureza remuneratória e tributável; b) a Resolução do STF nº 245/2002 não é dirigida aos Membros da magistratura estadual; c) não há quebra de isonomia; d) a atualização do tributos pelos juros de mora é correta; e e) a multa de ofício deve ser excluída em decorrência de o contribuinte ter sido induzido ao erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora nos comprovantes de rendimentos e certidões (fls. 16 a 21). Citase como exemplo o acórdão nº 2802002.778, de 19 de Março de 2014, cujas razões de decidir são transcritas e passam a integrar a fundamentação do presente acórdão. Isto porque a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento vergastado, em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, decorre diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil. Quanto à suposta ilegitimidade ativa da União para a exigência do tributo, conforme exposto nas razões de embargante, a tese fundase na disposição constitucional do artigo 157, I, que determina caber aos Estados e ao Distrito Federal o produto da arrecadação do IRRF sobre rendimentos pagos por estes Entes Federativos, suas autarquias ou fundações públicas. A questão é singela e já foi objeto de decisão do CARF em diversas ocasiões, assentandose na jurisprudência deste Conselho que a ausência de retenção do imposto na fonte não exclui a competência da União para a constituição do crédito tributário de rendimentos sujeitos a incidência do imposto na DIRPF, nos termos da Súmula CARF n.12, verbis: “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.” A título de obiter dictum, digase que é natural que a repartição das receitas tributárias haverá de ser observada, tratandose de matéria relativa às relações financeiras entre União e Estados e não à competência para a arrecadação do imposto. No mérito, a controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pela Contribuinte, membro do Poder Judiciário do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Ordinária Estadual n° 8730, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida aos Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução Fl. 147DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002. Este abono alcançou unicamente a Magistratura Federal, cuja Lei que o criou estabelece que: “Art. 6º Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 4º e 5º da Lei Ordinária Estadual n° 8730, dispõe: “Art. 4º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias de nº 613 e 614, julgadas procedentes pelo supremo Tribunal Federal, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei ordinária do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporaneamente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição da natureza do rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Pontuese que não se trata de negar vigência ou atribuir ao citado dispositivo legal qualquer pecha de inconstitucionalidade, pois não se discute a natureza indenizatória da verba percebida, mas não se pode olvidar que nem toda indenização referese à recomposição de patrimônio, como no exemplo clássico dos lucros cessantes, e no presente caso entendo ter ocorrido uma recomposição salarial que, malgrado a extemporaneidade, significou acréscimo patrimonial. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720320/200904 Acórdão n.º 2802002.949 S2TE02 Fl. 145 9 Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 106 16360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO – Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Ressaltese, por oportuno, que a exclusão da multa de ofício não implica na exigência substitutiva da multa de mora, eis que ambas possuem o caráter de penalidade, e neste voto se reconhece que o contribuinte agiu de boa fé, não podendo lhe ser imputado nenhum ilícito que merece tal imposição, na exata medida em que não se reconhece no crédito tributário natureza de pena. Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Quanto a tese de não incidência do IRPF sobre verbas relativas a incidência de juros de mora sobre valores recebidos a destempo, na ausência de norma isentiva explícita, é de se observar o caráter tributável dos rendimentos em questão. Ademais, a legislação em vigor é taxativa ao determinar a sua tributação nos termos do art.55, XIV, do RIR: Fl. 149DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Ressaltese, ainda, que a tributação independe da denominação dos rendimentos, bastando para a incidência o benefício por qualquer forma e a qualquer título, nos termos do § 40, art. 3°, da Lei 7.713/88. Observese que o artigo 62 do Regimento do CARF, Portaria MF n.256/2009, veda que este Conselho deixe de aplicar dispositivos de lei ou decreto, ao fundamento de inconstitucionalidade, salvo quando declarados inconstitucionais por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. Do mesmo modo, a jurisprudência do STF e do STJ em matéria infraconstitucional, somente vincula os julgamentos do CARF, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, nos termos do artigo 62A do citado Regimento do CARF. Neste sentido, é relevante destacar que o Acórdão proferido no Agravo Regimental em Embargos de Divergência no REsp n° 1.163.490, veiculado pelo DJe de 21 de março de 2012, trata do alcance do decidido em sede de recurso repetitivo pelo Acórdão proferido no citado REsp n° 1.227.133. Desta forma, há que se entender pelo não cabimento à espécie dos autos do precedente que fundamentou a decisão recorrida, o REsp n° 1.227.133. De fato, ao apreciar o Resp n° 1.227.133, inicialmente o voto vencedor do Ministro Cesar Asfor Rocha reconhecia a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, de forma ampla. Por outro lado, o julgamento dos embargos de declaração no referido recurso especial, publicado no DO de 02/12/11 reconheceu que os Ministros que acompanharam o voto do relator, deram provimento ao recurso em sentido mais restrito, reconhecendo apenas a nãoincidência do IR sobre juros moratórios, quando os mesmos incidem sobre rescisão de contrato de trabalho, o que levou à modificação da ementa do acórdão por ocasião dos referidos embargos de declaração. Os fundamentos abaixo reforçam a adequação do entendimento desta Turma Julgadora. Quanto à exclusão da multa, aplicase a Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. O caso do recorrente não se refere a rescisão de contrato de trabalho, de forma que os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Fl. 150DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.720320/200904 Acórdão n.º 2802002.949 S2TE02 Fl. 146 11 Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Quanto à alegação de imprestabilidade da base de cálculo, anotase que o recorrente sustenta ser aplicável o entendimento segundo o qual o imposto deve ser calculado mensalmente, pelas tabelas das épocas próprias, entendimento consolidado no STJ no REsp 1.118.429∕SP. Analisandose o demonstrativo de apuração do imposto (fls. 07/09) verificase que o valor recebido em cada ano foi computado como rendimento omitido nesses anocalendário (2004, 2005, 2006), valores que foram acrescidos à base de cálculo declarada, logo as deduções contidas na Declaração de Ajuste Anual foram consideradas. Todavia, acima consta fundamentação para não se aplicar, neste caso concreto, o entendimento de tributação de rendimentos com base no REsp 1.118.429∕SP, de forma que a argumentação acerca de possível erro na base de cálculo fica prejudicada e que o lançamento não merece reparo. Ademais, o exemplo do recorrente de que, em 1995, o valor que deveria ter sido recebido de URV estaria na faixa de isenção demonstra uma premissa equivocada do recorrente qual seja: confundese o imposto retido na fonte – que é mera antecipação do imposto anual – com o imposto anual. Não é porque um rendimento isoladamente está abaixo da faixa de isenção (e portanto não haverá retenção na fonte) que o somatório anual será isento. Por fim, registrase que decisões administrativas e judiciais sem força vinculante, doutrina, pareceres de juristas, interpretações de Outros Órgãos públicos não constituem normas de direito tributário de aplicação obrigatória pelo CARF.” Nos termos acima expostos, concluise pela inexistência da suposta violação ao princípio da isonomia, pela legitimidade ativa da União para exigir o crédito tributário constituído, pela natureza tributável da verba trabalhista recebida pelo contribuinte, pela impossibilidade de aplicação do entendimento manifestado pelo STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP, bem como, pela necessidade de exclusão tão somente da multa de ofício imposta, haja vista, inclusive, que o assunto se encontra pacificado no âmbito do CARF, por meio da Sumula nº 73. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para tão somente excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 151DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/07/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19647.000457/2007-21
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, e Sandro Machado dos Reis. Ausente, Justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/REC (Fls. 23), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra Alberto Alax Gondim Monteiro, devidamente qualificado, foi expedida notificação de lançamento de lis. 02 a 05, onde é formalizada exigência no valor de 35.696,23, compreendendo Imposto de Renda suplementar (cód. 2904) relativo ao ano calendário 2004 no valor de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 00 45 7/ 20 07 -2 1 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19647.000457/200721 Resolução nº 2801000.145 S2TE01 Fl. 59 2 R$15.833.45. juros de mora no valor de R$ 4.825,41, multa de ofício no valor de R$ 1 1.912,58. imposto de renda pessoa física (0211) de R$2.562,33 e multa de mora no valor de R$512.46. Segundo consta do campo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 3, apurouse omissão de rendimentos tributáveis auferidos acumuladamente em virtude de processo judicial no valor de R$35.699.35. resultantes da diferença entre o rendimento bruto declarado: R$144.876,97 e o que teria sido efetivamente percebido: R$180.576,32. Sustenta a Autoridade Fiscal que o valor considerado como rendimento bruto foi obtido por meio da soma dos valores entregues ao Impugnante (R$144.876,97) com o valor retido a título de IR Fonte (R$35.699.35). Informa ainda dita autoridade que, devidamente intimado, o contribuinte não apresentou planilha de cálculos que discrimine os valores percebidos e os descontos efetuados. Apurouse ainda, segundo campo homônimo à fl. 4, que o contribuinte promovera a compensação indevida, a título de IRRF, dos encargos legais pagos em decorrência de atraso no recolhimento do referido imposto. Finalmente, à 11. 3verso. consta ainda a acusação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no valor de R$22.901,64, assim distribuídos: Bradesco Saúde, R$2.062.00 e Governo do Estado de Pernambuco, R$19.839,56, conforme informação das fontes pagadoras através de DIRF . Relativamente aos rendimentos do Serviço Social da Indústria (SESI), verificouse divergência no valor de R$1.000,00 Devidamente cientificado pela via postal em 27/12/2006, conforme extrato à fl. 11, comparece o Contribuinte ao processo para pleitear a reforma do lançamento, essencialmente, em razão de que: a) teria sido considerado como rendimento tributável da ação trabalhista o valor de R$ 180.576,32, admitindo que o valor do rendimento declarado (R$ 144.876,97) deveria ser somado ao do valor recolhido a título de IR Fonte (R$ 35.699,35). Entretanto, o valor bruto seria de R$ 144.876,97. pago sem a retenção do imposto de renda; b) ao notar tal fato. solicitara ao órgão do Poder Judiciário o cálculo e recolhimento do Imposto de Renda e da Contribuição Previdenciária, devidos, uma vez que o encerramento do anocalendário se avizinhava. Reitera, tal cálculo foi efetuado levandose em consideração o valor de R$ 144.876,97 e não de R$ 180.576,32. Anexa cópia de DARF e de petição; c) informa que o alvará que determinou o levantamento dos depósitos foi expedido em 20/02/2004 e o recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte foi realizado em 23/12/2004; d) alega que não apresentou a planilha de cálculos em razão de que, por ocasião da abertura e encerramento do pra/o para impugnar a exigência, a Justiça do Trabalho encontrarseia em Recesso; Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19647.000457/200721 Resolução nº 2801000.145 S2TE01 Fl. 60 3 Secretaria da Saúde do Estado de Pernambuco, informa que o montante percebido seria de R$ 4.780,00 e não. como constada DIRF. R$ 19.839,56. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/REC entendeu por julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: Ônus da Prova. Divisão. Estando a exigência fiscal escorada em elementos probatórios, a sua desconsideração, total ou parcial, em face de fato modificativo ou extintivo, depende da apresentação de provas em sentido contrário pelo Contribuinte. Ausentes meios de prova, mantémse o lançamento. Cientificado em 08/06/2011 (Fls. 32), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 06/07/2011 (fls. 33 a 41); argumentando em síntese que: (...) No lançamento questionado alegouse divergência entre o valor informado pelo contribuinte em sua DIPF e o valor informado em DIRF pela fonte pagadora, a saber o Governo do Estado de Pernambuco. Em sua impugnação o reclamante fez juntada de Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte emitido pela fonte pagadora, com informações de rendimentos tributáveis no valor de R$4.780,00 e desconto previdenciário de R$504,00. Esse é o documento necessário e bastante para que o contribuinte embase a sua DIPF. E é também a prova necessária e suficiente da qual pode dispor o contribuinte em sua defesa. Já a alegação de que o valor informado em DIRF foi superior a esse carece de comprovação. Inexiste no processo qualquer prova juntada pelo fisco que evidencie a alegação de que o valor informado pela fonte pagadora à Receita Federal, através de DIRF, tenha sido superior ao informado ao contribuinte. Nesse caso, carece de documentação probatória a alegação do fisco, enquanto a do contribuinte se acha comprovada e devidamente documentada. Embora juntada tempestivamente por ocasião da impugnação, juntase novamente cópia de tal prova, para que seja devidamente apreciada pelos Srs. Julgadores desse egrégio Conselho. (...) Caberia ao fisco, autor do lançamento, comprovar que a DIRF apresentada pelo Governo do Estado de Pernambuco tinha valor superior ao Comprovante de Rendimentos Pagos entregue ao contribuinte. Essa prova inexiste no processo, descabendo, portanto, constituição de crédito tributário com base em alegações não comprovadas documentalmente. Já quanto à existência do crédito relativo ao recebimento de causa trabalhista, cujo ônus comprobatório é do contribuinte, todas as provas Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19647.000457/200721 Resolução nº 2801000.145 S2TE01 Fl. 61 4 foram devidamente anexadas por ocasião da impugnação e são ora reapresentadas, para melhor apreciação dos Srs. Julgadores desse egrégio Conselho. (...) O DARF comprobatório está novamente sendo anexado. Observese que o mesmo foi preenchido a mão. Embora a fonte pagadora encarregada da pagamento ao reclamante fosse a Caixa Econômica Federal, não é o número de seu CNPJ que consta no campo 03 do DARF. Nem mesmo é o CNPJ da Companhia de Produtos Pilar, reclamada da causa trabalhista. O número que consta do campo 03 do DARF é o do CPF do reclamante! Isso evidencia que tal recolhimento foi feito pelo beneficiário dos rendimentos, que considerou estar cumprindo obrigação de antecipar o imposto que seria devido na declaração e que não fora devidamente retido pela fonte pagadora. (...) O autor do lançamento que soube usar a favor do fisco informações que diz ter constado em DIRF, deixou de constatar a inexistência de informação sobre a retenção de IRFON sobre o rendimento da ação trabalhista. Não existe informações em DIRF posto que o imposto foi recolhido pelo próprio beneficiário dos rendimentos e não pela pessoa jurídica que deveria têlo retido. Resta, portanto, evidenciado o direito do contribuinte compensar o imposto recolhido em sua DIPF e cai por terra a alegação de que o valor do imposto deveria integrar a base de cálculo da imposição tributária. O valor bruto recebido, conforme alvará, foi de R$144.876,97 e com base nesse total foi calculado o imposto pela tabela progressiva, no valor de R$35.694,35, tendo sido o imposto recolhido pelo próprio beneficiário, como comprova o número de seu CPF indicado no campo 03 do respectivo DARF. O Recorrente anexa em conjunto: 1 – Tela dos Correios, obtida via Internet, com a identidade e data de entrega da decisão contestada; 2 – Cópia do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Fonte; 3 – Cópia do Alvará de Autorização; 4 – Cópia de petição dirigida à Justiça do Trabalho; 5 – Cópia do DARF pago em 23 de dezembro de 2004; 6 – Cópia da carteira de identidade do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19647.000457/200721 Resolução nº 2801000.145 S2TE01 Fl. 62 5 De início, verifico que o lançamento objeto do presente processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Compulsando os autos, denotase que a fiscalização, ao proceder a exigência tributária, não aplicou a tabela progressiva anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente pelo recorrente; aplicando diretamente o disposto no art. 12 da Lei nº. 7.713, de 1988. Cabe salientar que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, Dje043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema, pelo Supremo Tribunal Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, §1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62 A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 19647.000457/200721 Resolução nº 2801000.145 S2TE01 Fl. 63 6 Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ante o acima exposto, VOTO por SOBRESTAR o julgamento do presente recurso voluntário, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Numero do processo: 35406.000236/2005-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999
PEDIDO DE REVISÃO. RECURSO DE OFÍCIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO.
Nos termos do previsto no art. 60 da Portaria MPS n° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de Pedido de Revisão é medida extraordinária, devendo a análise dos seus pressupostos enveredar sempre pelo caminho da cautela para que não sirva o recurso como meio protelatório, banalizando assim importante instrumento para as devidas correções nos julgados do Colegiado.
Numero da decisão: 2301-003.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, rerratificar a decisão, a fim de não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999 PEDIDO DE REVISÃO. RECURSO DE OFÍCIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO. Nos termos do previsto no art. 60 da Portaria MPS n° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de Pedido de Revisão é medida extraordinária, devendo a análise dos seus pressupostos enveredar sempre pelo caminho da cautela para que não sirva o recurso como meio protelatório, banalizando assim importante instrumento para as devidas correções nos julgados do Colegiado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, rerratificar a decisão, a fim de não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2020; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 649 1 648 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35406.000236/200581 Recurso nº 999.999 Embargos Acórdão nº 2301003.736 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de setembro de 2013 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS DO SOCORRO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/1999 PEDIDO DE REVISÃO. RECURSO DE OFÍCIO. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO PREENCHIMENTO. Nos termos do previsto no art. 60 da Portaria MPS n° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de Pedido de Revisão é medida extraordinária, devendo a análise dos seus pressupostos enveredar sempre pelo caminho da cautela para que não sirva o recurso como meio protelatório, banalizando assim importante instrumento para as devidas correções nos julgados do Colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos, nos termos do voto do Relator; b) acolhidos os embargos, rerratificar a decisão, a fim de não conhecer do recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS – Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 40 6. 00 02 36 /2 00 5- 81 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de pedido revisão exoffício, formulado pelo então CRPS, nos termos do Parecer do Consultor Técnico do CRPS, de 10/06/2003, que propôs revisão de ofício de vários acórdãos, entre os quais, o de n° 02/00415/2001, de interesse da entidade acima identificada. O pedido de revisão foi acolhido pelo então presidente da 5a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, tendo sido designado relator ad hoc o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. O processo foi colocado em pauta e julgado, na data acima identificada. No entanto, como o relator designado ad hoc, Damião Cordeiro de Moraes, não mais integra o quadro de Conselheiros deste CARF, o processo foi redistribuído a essa Conselheira, designada redatora adhoc, apenas para fins de formalização do acórdão. Assim, reproduzo, abaixo, o relatório do Conselheiro Damião, que foi a julgamento em 19 de setembro de 2013. “1. Tratase de pedido de revisão interposto pelo Fisco, com fulcro no artigo 60, incisos I e II, do RICRPS, em razão de acórdão prolatado pelo Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que deu provimento ao pedido de isenção da ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS DO SOCORRO CENTRO DE REABILITAÇÃO DE SOCORRO, e reconheceu o direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais desde a data da apresentação do pedido até o prazo de validade do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos (CEFF). 1. A ementa da decisão recorrida (fls. 68/70) restou assim ementada: “EMENTA: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO Pedido de Isenção. CEFF expedido após a apresentação do pedido e não apresentação dos livros contábeis. Conhecido e provido.” 2. Em suas contrarrazões (fls. 96/116), a entidade aduz, em síntese, que o acórdão recorrido merece prevalecer, pois ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto n.° 2.536/98, para a obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos e da isenção de contribuições sociais previdenciárias. 3. Cita vasta legislação que entende ser aplicável à espécie, e procura demonstrar que ao INSS não cabe emitir juízo de valor sobre a emissão de um certificado, desconsiderálo ou cessar a isenção de uma entidade sob o argumento de que o CNAS errou ao concedêlo. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35406.000236/200581 Acórdão n.º 2301003.736 S2C3T1 Fl. 650 3 4. Enfatiza, ainda, que possui toda a documentação contábil necessária à manutenção da decisão que deferiu o pedido de isenção, estando inclusive regular com o pagamento das contribuições sociais. 5. Acolhido o pedido de revisão apresentado, este Conselheiro foi designado, conforme decisão de fls. 598, relator ad hoc, incumbido de apreciar a demanda e encaminhála à sessão de julgamento. 6. Em sessão de julgamento, este Conselheiro proferiu voto vencido (fls. 599/603) no qual reconhece, preliminarmente, que não foram satisfeitos os pressupostos de admissibilidade para a revisão do acórdão. Na análise do mérito, este Conselheiro deu razão ao contribuinte, fazendo incidir a isenção também no período de 1996 a 1999. 7. A conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que defendeu a tese vencedora, entendeu ser necessária a realização de diligência, nos termos abaixo transcritos: “Nesse sentido, considerando a existência de débito em nome da Entidade à época em que foi indeferido o pedido de isenção e considerando que os Livros Diários de 1996 a 1999 não foram analisados pela autoridade fiscal, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência para que a fiscalização possa analisar a documentação apresentada pela recorrente, verificando o cumprimento ou não dos requisitos previstos no art. 55, da Lei 8.212/91 e a existência ou não de débitos em relação às contribuições sociais.” – fl. 604. 8. Em atendimento à diligência solicitada, há informação fiscal acostada às fl. 640, onde a autoridade fiscal conclui: “2. Na análise dos documentos apresentados, ou seja, Livros Diários de 1996 a 1999, objeto do presente, constatamos que a Entidade não descumpriu os requisitos previstos no art, 55 da Lei 8.8212/91. 3. Quanto ao débito da contribuição da parte patronal no período objeto da presente, os mesmos não foram constituídos, somente foram objetos de Informação Fiscal às fls. 73 a 76 – volume V1, já que à época, a fiscalização dependia de autorização para o lançamento das contribuições devidas, isto porque o processo de Isenção estava em discussão administrativa. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 4. Informo, portanto que, não há débitos constituídos em nome da Entidade no período de 1996 a 1999 em relação às contribuições previdenciárias.” 9. Regularmente intimado do resultado da diligência fiscal, conforme faz prova o Aviso de Recebimento de fl. 644, o contribuinte quedouse inerte. 10. Não tendo havido outras manifestações, os autos foram restituídos a este Colegiado para apreciação do pedido de revisão com o resultado da diligência proposta.” É o relatório. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35406.000236/200581 Acórdão n.º 2301003.736 S2C3T1 Fl. 651 5 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros – Redatora Ad hoc. Conforme relatado anteriormente, tratase de pedido de revisão exoffício, formulado pelo então CRPS, nos termos do Parecer do Consultor Técnico do CRPS, de 10/06/2003, que propôs revisão de ofício de vários acórdãos, entre os quais, o de n° 02/00415/2001, de interesse da entidade acima identificada. O pedido de revisão foi acolhido pelo então presidente da 5a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, tendo sido designado relator ad hoc o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes. Porém, a partir da vigência da Portaria 256/09, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, os pedidos de revisão oriundos do CRPS serão analisados como se fossem embargos de declaração. O processo foi colocado em pauta e o pedido de revisão exofficio foi julgado. No entanto, como o relator designado ad hoc, Damião Cordeiro de Moraes, não mais integra o quadro de Conselheiros deste CARF, o processo foi redistribuído a essa Conselheira, designada redatora adhoc, para fins de formalização do acórdão. Assim, reproduzo, abaixo, o voto do Conselheiro Damião, que foi a julgamento em 19 de setembro de 2013. “PRESUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. De acordo com o que deliberei em assentada anterior, mantenho o voto de inadmissibilidade proferido naquela ocasião, isso porque o Colegiado ainda não havia apreciado os pressupostos de admissibilidade do pedido de revisão, tendo se limitado, tão só, à conversão do julgamento em diligência, conforme pode se extrair do acórdão abaixo: “RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencido o Relator. Apresentará voto, vencedor a Conselheira Bernadete de Oliveira Baixos.” 2. Dessa forma, passo a transcrever o voto de inadmissibilidade em sua íntegra, nos seguintes termos: “1. De acordo com o previsto no art. 5º, § 2º da Portaria MF nº 147, aplica se o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social, aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n° 88/2004, aos Fl. 653DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 recursos já interpostos quando da instalação das 5ª e 6ª Câmaras do então 2º Conselho de Contribuintes. Desse modo, o presente pleito revisional será analisado à luz do Regimento Interno do CRPS. 2. Nos termos do previsto no art. 60 da Portaria MPS n° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade de pedido de revisão é medida extraordinária, devendo a análise dos seus pressupostos enveredar sempre pelo caminho da cautela para que não sirva o recurso como meio protelatório, banalizando assim importante instrumento para as devidas correções nos julgados do Colegiado. 3. Destarte, a revisão é admitida nos casos de os acórdãos do CRPS divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do AdvogadoGeral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável, nestas palavras: “Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I – violarem literal disposição de lei ou decreto; II – divergirem de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, bem como do AdvogadoGeral da União, na forma da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; III depois da decisão, a parte obtiver documento novo, cuja existência ignorava, ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de assegurar pronunciamento favorável; IV – for constatado vício insanável. § 1º Considerase vício insanável, entre outros: I – o voto de conselheiro impedido ou incompetente, bem como condenado, por sentença judicial transitada em julgado, por crime de prevaricação, concussão ou corrupção passiva, diretamente relacionado à matéria submetida ao julgamento do colegiado; II – a fundamentação baseada em prova obtida por meios ilícitos ou cuja falsidade tenha sido apurada em processo judicial; III – o julgamento de matéria diversa da contida nos autos; IV – a fundamentação de voto decisivo ou de acórdão incompatível com sua conclusão. § 2º Na hipótese de revisão de ofício, o conselheiro deverá reduzir a termo as razões de seu convencimento e determinar a notificação das partes do processo, com cópia do termo lavrado, para que se manifestem no prazo comum de 30 (trinta) dias, antes de submeter o seu entendimento à apreciação da instância julgadora. § 3º O pedido de revisão de acórdão será apresentado pelo interessado no INSS, que, após proceder sua regular instrução, no prazo de trinta dias, fará a remessa à Câmara ou Junta, conforme o caso. § 4º Apresentado o pedido de revisão pelo próprio INSS, a parte contrária será notificada pelo Instituto para, no prazo de 30 (trinta) dias, oferecer contrarazões § 5º A revisão terá andamento prioritário nos órgãos do CRPS. § 6º Ao pedido de revisão aplicase o disposto nos arts. 27, § 4º, e 28 deste Regimento Interno. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35406.000236/200581 Acórdão n.º 2301003.736 S2C3T1 Fl. 652 7 § 7º Não será processado o pedido de revisão de decisão do CRPS, proferida em única ou última instância, visando à recuperação de prazo recursal ou à mera rediscussão de matéria já apreciada pelo órgão julgador. § 8º Caberá pedido de revisão apenas quando a matéria não comportar recurso à instância superior. § 9º O não conhecimento do pedido de revisão de acórdão não impede os órgãos julgadores do CRPS de rever de ofício o ato ilegal, desde que não decorrido o prazo prescricional. § 10 É defeso às partes renovar pedido de revisão de acórdão com base nos mesmos fundamentos de pedido anteriormente formulado. § 11 Nos processos de benefício, o pedido de revisão feito pelo INSS só poderá ser encaminhado após o cumprimento da decisão de alçada ou de última instância, ressalvado o disposto no art. 57, § 2º, deste Regimento”. 4. Nesta linha foi que o fisco interpôs o presente pedido de revisão, com fulcro no artigo 60, incisos I e II, do RICRPS, em razão de acórdão prolatado pelo órgão previdenciário de julgamento, que deu provimento ao recurso da entidade beneficente Centro de Reabilitação de Socorro, reconhecendo o direito à isenção das contribuições previdenciárias patronais desde a data da apresentação do pedido até o prazo de validade do "CEFF". 5. Em despacho proferido pelo Presidente desta Turma, Conselheiro Júlio César Viera Gomes, acatando informações colacionadas aos autos pela assessoria da Presidência, o recurso não foi acolhido pelo inciso I, do RICRPS, por concluir que o fisco não demonstrou ter a decisão violado literal dispositivo de Lei ou Decreto, pois sequer despendeu esforço para indicar o dispositivo especificamente violado do Decreto n.° 3.048/99. 6. Entretanto, acolheu o recurso com base no inciso II, por entender que houve no caso concreto divergência entre a decisão posta no acórdão recorrido e parecer da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro, (fls. 591/598). 7. Colho da informação elaborada pela Assessoria da Presidência desta Turma trecho que resumiu o seu embasamento para o acolhimento do recurso: "Além disso, exige o Regimento Interno do CRPS que o fato alegado esteja contido no parecer, não dando margem a dúvidas ou questionamentos. No presente caso, a requerente insurgese contra a afirmação contida no texto do acórdão, fls. 69, de que "a verificação do cumprimento dos requisitos relacionados com os incisos III a V do Art. 55, da Lei 8.212/91, são de competência do CNAS...” O Parecer CJ n" 22 72/00, por sua vez, afirma: “(...) 15. Em síntese, os requisitos para obtenção do certificado de entidade de fins filantrópicos, estão elencados nos arts. 2º e 3º do Decreto n°2.536, de 1998, e são analisados exclusivamente pelo CNAS, para Fl. 655DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 fins de concessão, renovação ou cancelamento do documento. Esse documento é indispensável para obtenção da isenção prevista no art.55 da Lei n" 8.212, de 1991, cujos requisitos são analisados pelo INSS. Uma vez apresentados os documentos de Reconhecimento de Utilidade Pública Federal e Estadual ou Municipal, Certificado de Registro de Entidade de Fins Filantrópicos expedidos pelas autoridades competentes e dentro do prazo de validade, a análise do INSS restringirseá aos outros requisitos da lei. Caso detecte falhas no certificado que digam respeito à inobservância do Decreto que o regulamenta, deve provocar o CNAS, e só após a manifestação desse órgão, se cancelado o documento, pode proceder ao cancelamento da isenção. (...)” Conforme se depreende da leitura do Parecer transcrito, aprovado pelo Ministro, a decisão diverge do mesmo quando afirma, às fls. 69 Volume I, ser competência do CNAS a verificação de parte dos incisos do artigo 55 da Lei n" 8.212, de 1991. Conforme o parecer, é da Previdência a responsabilidade de analisar os "outros requisitos da Lei”, que são, sem dúvida, da Lei n" 8.212/91, em seu artigo 55. Os §§1º e 4º deste dispositivo legal, transcritos a seguir, afirmam: §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que trará o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. (...) §4º O Instituto Nacional do Seguro Social — INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. Não há, em qualquer parte do dispositivo, comando que obrigue o CNAS a exercer a verificação que cabe à Previdência. Ao CNAS cabe apresentar o Certificado e Registro de Entidade de Fins Filantrópicos à Previdência, a qual também procederá à verificação do cumprimento dos demais requisitos presentes no art. 55 da Lei n" 8.212/91. O acórdão sob revisão contraria, portanto, o Parecer CJ/MPAS nº 2.272/0, ao afirmar ser responsabilidade do CNAS a verificação do cumprimento dos requisitos doso incisos III a V do artigo 55 da citada Lei. Por todo o exposto, podese concluir que o parecer indicado pela requerente como tendo sido contrariado realmente o foi. Assim, embora não tendo satisfeito o requisito do inciso I violação de literal disposição de lei ou Decreto do artigo 60 do Regimento Interno do CRPS, foi cumprido o requisito presente no inciso I do mesmo dispositivo — divergência de pareceres da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministério, bem como do AdvogadoGeral União, na forma da Lei Complementar n" 73, de 10 de fevereiro de 1993.(fls. 594/596).” 8. Com todas as vênias do entendimento expresso acima no bem elaborado despacho, tenho uma leitura diferente sobre a análise feita dos pressupostos de admissibilidade que culminou na decisão de acolhimento do recurso revisional. É que a decisão recorrida, nos exatos termos em que posta no Fl. 656DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35406.000236/200581 Acórdão n.º 2301003.736 S2C3T1 Fl. 653 9 voto condutor, em momento algum vai de encontro ao expressado no parecer citado pelo fisco como base para a interposição do recurso. 9. O acórdão prolatado no âmbito do CRPS, avaliando as questões trazidas pela informação do fisco, deu solução à demanda em favor do contribuinte afastando os dois principais argumentos da fiscalização para negar o pedido de isenção, notadamente por considerar que a verificação do cumprimento dos requisitos relacionados com os incisos III a V, do art. 55, da Lei 8.212/91, são de competência do CNAS, conforme estabelecido no Decreto n.° 2.536, de 6 de abril de 1998, mas especificamente do art. 7º , devendo o INSS proceder na forma §2° do citado dispositivo legal, ou seja, apenas representar ao Conselho sobre o descumprimento das condições e requisitos previstos nos arts. 2º e 3º do referido Decreto, indicando os fatos, com suas circunstâncias, o fundamento legal e as provas ou, quando for o caso, a indicação de onde estas possam ser obtidas: “ Considerando que no período anterior a Lei 9.429/96, vigia a redação original do Inciso II, do art. 55, da Lei 8.212/91, 'in verbis': "II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (redação dada pela Lei 9.429/96, de 26/12/96)". Considerando que pelo acima exposto a Recorrente fazia jus a isenção desde a data da apresentação de seu pedido, 200 OUT 92, posto que possuía o atestado de registro desde 09 NOV81 e as utilidade públicas desde 22 NOV 91; Considerando que a não apresentação dos livros diários sujeita à Recorrente as multas respectivas, devendo responder através dos AutosdeInfração que foram lavrados e pelos débitos que sejam constituídos; Considerando que a verificação do cumprimento dos requisitos relacionados com os incisos III a V, do Art. 55, da Lei 8.212/91, são de competência do CNAS, conforme estabelecido no Decreto n° 2.536, de 6 de abril de 1998, mas especificamente do Art. 7°, devendo o INSS proceder na forma §2" do citado dispositivo legal; e considerando tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Face ao exposto, conheço do recurso para no mérito DARLHE PROVIMENTO, desde a data da apresentação do pedido até o prazo de validade do CEFF.” (fls. 69/70) 10. Com efeito, da leitura das razões do voto resta claro que o decidido no acórdão questionado, ao contrário do afirmado nas informações do fisco, Fl. 657DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 está em perfeita consonância com o que entendimento exarado pela Douta Consultoria ministerial, no mencionado Parecer CJ n° 2272/2000, pois asseverou efetivamente que os requisitos para obtenção do certificado de entidade de fins filantrópicos são analisados exclusivamente pelo CNAS para fins de concessão, renovação ou cancelamento do documento. 11. Ainda segundo o posicionamento do Parecer, resta ao INSS à análise dos outros requisitos expressos na lei e, caso o órgão previdenciário detecte falhas no Certificado de Registro de Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelas autoridades competentes e dentro do prazo de validade que digam respeito à inobservância dos requisitos deve provocar o CNAS, “e só após a manifestação desse órgão, se cancelado o documento, pode proceder ao cancelamento da isenção”. 12. A propósito, vejamos trecho do Parecer que sintetiza a orientação ministerial: “15. Em síntese, os requisitos para obtenção do certificado de entidade de fins filantrópicos, estão elencadas nos arts. 2" e 3" do Decreto n." 2.536, de 1998, e são analisados exclusivamente pelo CNAS, para fins de concessão, renovação ou cancelamento do documento. Esse documento é indispensável para obtenção da isenção prevista no art. 55 da Lei n." 8.212, de 1991, cujos requisitos são analisados pelo INSS. Uma vez apresentados os documentos de Reconhecimento de Utilidade Pública Federal ou Estadual ou Municipal, Certificado e Registro de Entidade de fins Filantrópicos expedidos pelas autoridades competentes e dentro do prazo de validade, a análise do INSS restringirseá aos outros requisitos da lei. Caso detecte falhas no certificado que digam respeito a inobservância do decreto que o regulamenta, deve provocar o CNAS, e só após a manifestação desse órgão, se cancelado o documento, pode proceder ao cancelamento da isenção. Do exposto, deve a Diretoria de Arrecadação adequar seus procedimentos internos a este parecer, no sentido de orientar a fiscalização a não cancelar de pronto a isenção das entidades beneficentes de assistência social que não estejam cumprindo os requisitos do Decreto n."2.536, de 1998. Antes, proceda à representação ao CNAS, e só após manifestação deste órgão colegiado, se cancelatória do certificado, institua o procedimento de cancelamento da isenção.” 13. É bem verdade que a Consultoria Jurídica do Ministério emitiu duas Notas Técnicas, oportunidade em que, de forma atabalhoada e com texto final impreciso, tentou fazer uma leitura diferente do Parecer por ele mesmo proferido, no sentido de deixar expresso a sua competência de poder cancelar a isenção das entidades que deixassem de atender os requisitos exigidos pelo art. 55 da Lei 8.212/91. 14. Eis os trechos das Notas Técnicas: Nota Técnica 197/2001 “13. Analisando os dispositivos supramencionados, verificase que é atribuição do INSS verificar o atendimento de todas as condições Fl. 658DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 35406.000236/200581 Acórdão n.º 2301003.736 S2C3T1 Fl. 654 11 legais previstas para que as entidades beneficentes de assistência social continuem a gozar da isenção da cota patronal, tomando as providências necessárias ao cancelamento desse beneficio, sempre que verificar a inobservância de qualquer um dos requisitos elencados no art. 55 da Lei nº 8.212/91.” Nota Técnica 147/2002 “A leitura do Parecer CJ/MPAS n." 2.272/2000, não deixa margem a outro entendimento senão o de que o INSS tem competência para verificar o cumprimento do disposto no art. 55 da Lei n." 8.212/91, de 1991, bem como para cancelar a isenção das entidades, que deixarem de atender os requisitos exigidos por este dispositivo legal.” 15. Entretanto, as Notas Técnicas não servem para dar guarida ao recurso revisional, pois o Regimento aplicado à hipótese dos autos é expresso em afirmar que a decisão recorrida deve tomar como parâmetro a divergência com 'Pareceres' da Consultoria Jurídica do MPS aprovados pelo Ministro. 16. Diante de todo o exposto, meu voto é no sentido de que não foram satisfeitos os pressupostos de admissibilidade para a revisão do acórdão vergastado, seja pelo inciso I, seja pelo inciso II do art. 60 do RICRPS, vez que o recorrente não demonstrou que o decisum violou literal dispositivo de Lei ou de Decreto, com o devido cotejo entre a decisão e as normas, nem mesmo comprovou a existência de qualquer divergência com o Parecer CJ/MPAS n° 2.272/2000, trazido como parâmetro para justificar a admissão do recurso. 17. Evidentemente, que analisei a questão tão somente sob a lógica do direito processual limitandome ao caso concreto do Parecer adotado como paradigma, inclusive aos normativos regulamentares emitidos pelo Ministério da Previdência à época exata da decisão recorrida e da interposição do recurso sendo que, caso vencido, passarei à análise do mérito considerando a legislação previdenciária, que passarei a expor adiante. CONCLUSÃO 18. Assim, não conheço do recurso revisional.” 3. Nos termos acima, voto por não conhecer do recurso revisional. CONCLUSÃO Nesse sentido, voto no sentido de não conhecer do recurso exoficio, e rerratificar a decisão embargada. (assinatura digital) Bernadete de Oliveira Barros – Redatora designada Fl. 659DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 13 /03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11030.000757/2006-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NT.
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-002.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Nanci Gama - Relatora
Rodrigo da Costa Pôssas - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: NANCI GAMA
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EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama (Relatora), Rodrigo Cardozo Miranda, Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Nanci Gama Relatora Rodrigo da Costa Pôssas Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 07 57 /2 00 6- 66 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 197 2 Pôssas, Antônio Lisboa Cardoso, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face ao acórdão de número 3101000877, proferido pela Primeira Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário (i) para reconhecer o direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI para os “produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI”, exportados sob a rubrica “NT”, eis que passaram por todo um processo de industrialização sobre a pedra denominada “ametista”; (ii) para reconhecer o direito ao ressarcimento do crédito presumido de IPI sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas e (iii) determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito, conforme ementa a seguir: “IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 198 3 das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Inconformada com a parte do acórdão que reconheceu o direito do contribuinte ao ressarcimento de crédito presumido de IPI relacionado a produtos exportados sob a rúbrica de “NT”, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial suscitando que o acórdão recorrido teria sido divergente dos acórdãos de números 9303.01.743 e 380300.520, tendo, entretanto, apresentado, apenas, cópia parcial de outro acórdão, qual seja, o de nº 9303.00.743. Fundamentou o seu recurso especial, em síntese, na alegação de que “a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS/PASEP e Cofins no valor agregado dos produtos exportados, o fez na seara do Imposto sobre Produtos Industrializados, de tal sorte que apenas os estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI na forma da legislação pertinente, podem usufruir o incentivo fiscal”. Complementou, ainda, que a Recorrida não poderia ser considerada como estabelecimento industrial pelo fato de a mesma elaborar mercadorias não sujeitas ao IPI, tendo, para tanto, com base no artigo 3º, da Lei 4.502/64, aduzido que “se considera estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto, donde se conclui que, sob o ponto de vista exclusivamente fiscal, abstraindo conjecturas de caráter econômico, aqueles que elaboram mercadorias não sujeitas ao IPI não se enquadram no conceito de estabelecimento industrial”. No corpo do seu recurso, a Fazenda Nacional transcreve as ementas dos acórdãos de números 9303.01.743 e 380300.520, tendo, o primeiro, sido transcrito da seguinte forma: Acórdão nº 9303.01.743 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Procurador Provido. O acórdão anexado aos autos como cópia parcial, entretanto, qual seja, o de número 9303.00.743, detém a seguinte ementa: Acórdão nº 9303.00.743 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 199 4 PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TAXA SELIC. imprestável como instrumento de correção monetária, não justificando a sua adoção, por analogia, em processos de ressarcimento de créditos incentivados, por implicar concessão de um "plus", sem expressa previsão legal. 0 ressarcimento não é espécie do gênero restituição, portanto inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto deste instituto. Recurso Especial do Procurador Provido.” Em exame de admissibilidade, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, tendo suscitado, sobre a diferença entre o acórdão utilizado para embasar a divergência no corpo do recurso (930301.743) e o acórdão cuja cópia parcial foi anexada aos autos (930300.743), o quanto segue: “Importante observar que a Recorrente citou o Acórdão 9303 00.743 como paradigma, quando, pela transcrição da ementa no corpo do especial, constatase que, em verdade, aquela ementa é relativa ao Acórdão 9303.01.743, de 09 de novembro de 2011. Ocorre que essa decisão paradigma utilizada pela Recorrente, foi, inicialmente, gerada com numeração errada (930300.743), sendo que, após constatado o equívoco, procedeuse à correção do número do Acórdão para 930301.743, cuja cópia da primeira folha está sendo juntada aos autos, para comprovação (fls. 124). Por causa desse equívoco a Recorrente juntou ao processo cópia de parte do acórdão indevido (930300.743), que não guarda a menor relação com a divergência suscitada.” Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões requerendo, apenas, fosse negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, bem como fosse reconhecida a incidência da Taxa Selic desde o protocolo do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e passo a analisar a sua admissibilidade no que se refere à configuração da divergência. Conforme acima aduzido, a Fazenda Nacional apenas apresentou cópia de parte do acórdão de número 930300.743, o qual versou sobre a aplicação ou não de Taxa Selic em pedido de ressarcimento de IPI, tendo, entretanto, mencionado, no corpo do seu recurso, a Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 200 5 ementa do acórdão de número 930301.743, o qual versou sobre a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre produtos exportados sob a rúbrica de “NT”. Como se sabe, a questão da Taxa Selic não foi apreciada pelo acórdão da Primeira Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, tendo sido apreciadas apenas as questões afetas à possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre produtos exportados sob a rúbrica “NT” e sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Em uma primeira análise entendi que a divergência não estava demonstrada, eis que o fato de a Fazenda Nacional ter apresentado cópia parcial de acórdão que versa sobre incidência da Taxa Selic, ou seja, sobre matéria estranha a questionada em seu próprio recurso, afastava o cabimento do mesmo, em face da previsão contida no artigo 67, §7º, do atual Regimento Interno do CARF, o qual expressamente prevê o quanto segue: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas.” Sucede que, como bem demonstrado pelos meus pares, desde que reproduzida a ementa do acórdão divergente no corpo do recurso, de que trata o parágrafo 7º acima transcrito, a instrução do recurso, de acordo com o previsto no parágrafo 9º do mesmo artigo, segundo o qual: “§ 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade, em seu texto oficial.” Assim, revi minha posição, e portanto conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Passo ao mérito do recurso. A controvérsia aduzida nessa parte do recurso especial consiste em definir se os insumos utilizados para a produção de produtos, classificados como não tributáveis –“NT” pela TIPI, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI ao serem exportados. Primeiramente, vale considerar que o artigo 1º da lei nº 9.363/961, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à “empresa produtora e exportadora de mercadorias 1 “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 201 6 nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Assim, tendo o benefício fiscal em tela sido dado ao gênero “mercadorias nacionais”, não cabe ao intérprete restringilo à espécie de “produtos industrializados”. Nesse sentido, peço vênia para transcrever como meu, o voto proferido pelo i. Conselheiro DALTON CÉSAR CORDEIRO DE MIRANDA quando do julgamento do Recurso nº 202126.282, cujas razões passo a aduzir: “Não cabe ao intérprete da norma jurídica estabelecer distinção onde o legislador não o fez. Ao excluir as aquisições, cuja última operação não esteja sujeita à incidência das contribuições por haver um distanciamento do critério legal de apuração da carga de contribuições contida nos insumos, automaticamente estarse ia legitimando o pleito de um ressarcimento maior que o previsto em lei para os casos em que a carga de contribuições contida no valor das mercadorias fosse maior que o valor resultante da aplicação do critério previsto em lei, em razão do maior número de etapas que tenha percorrido. O erro da exigência da efetiva incidência das contribuições na última operação decorre, na minha opinião, de dois fatores. A tentativa da administração de barrar o benefício dado pela lei às empresas que adquiram produtos sem a incidência das contribuições, em razão do evidente ganho que auferem pela critérios contidos na lei. O outro é a decorrente da transferência indevida das regras vigentes na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI para a presente sistemática de apuração dos créditos de COFINS e PIS a serem ressarcidos. Como é sabido, a legislação do IPI, como regra geral, expressamente proíbe o registro do crédito do imposto, se a operação de aquisição não está sujeita à incidência do referido imposto. Em razão do nome “crédito presumido de IPI” a Secretaria da Receita Federal deu ao incentivo fiscal o tratamento de crédito de IPI (conforme fica evidenciado pelas diversas normas administrativas expedidas por aquele órgão), como é o caso das mercadorias classificadas como “Não Tributadas” (ou NT) na tabela de incidência do IPI, hipótese em que as considera fora do incentivo fiscal em tela. O crédito passível de registro nos livros fiscais do IPI foi apenas uma forma criada pelo legislador para o ressarcimento mais rápido das contribuições, e seu valor não pode ser confundido com o IPI. Por outro lado, a lei autoriza que se utilize os conceitos da legislação do IPI apenas no que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (art. 3o., parágrafo único, da Lei nº 9.363/96). O fato de ser ressarcido mediante a compensação com créditos de IPI não lhe mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (grifouse) Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 202 7 altera a natureza jurídica, que permanece sendo de contribuição para o PIS e COFINS. Finalmente, não cabe à autoridade administrativa tentar corrigir eventuais distorções contidas na lei, como é o caso do ressarcimento das contribuições nos casos em que não houve essa incidência na operação anterior por não ser praticada por contribuinte, como nos casos de pessoas físicas e cooperativas, entre outros. Da mesma forma como a lei beneficiou as empresas que adquirem mercadorias de não contribuintes do PIS e PASEP, ao estabelecer um critério uniforme de apuração do crédito a ser ressarcido para todas as situações, igualmente prejudicou aquelas, cujos produtos percorrem várias etapas, sendo oneradas pelas contribuições de forma mais intensa, pela cumulação da incidência tributária, lhes retirando a competitividade, especialmente no mercado internacional, onde a regra é a não exportação de tributos. Entendo que a lei deva ser aplicada da forma como foi concebida pelo legislador, e que somente a este compete aprimorála. Evidentemente, por todas razões expostas, sou da opinião de que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo que adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, ou que, por outro motivo, essas contribuições não tenham incidido na aquisição dessas mercadorias, os valores correspondentes a essas operações devem compor a base de cálculo do incentivo fiscal em tela, sendo, portanto, incorreta a glosa aplicada pela fiscalização.” (...) “Como já por diversas vezes decidido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a finalidade da Lei nº 9.363/96 foi a de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e, como conseqüência, melhorar o balanço de pagamentos. Aliás, tal entendimento está em linha com o que doutrinariamente defendido por José Erinaldo Dantas Filho, “O espírito do citado diploma legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado ‘custo Brasil’ para os produtos pátrios, de maneira que sejam ‘exportados tributos para o exterior’. O legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, bem como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadação.”2. Diferente não é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme já consubstanciado no acórdão referente ao julgamento do já mencionado e citado Recurso Especial nº 586.392/RN3. 2 “Da impossibilidade de Restrições ao Crédito Presumido de IPI através de Normas Administrativas Complementares”, in Revista Dialética de Direito Tributário, volume 75, p. 77. 3 REsp 586.392/RN, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado no D.J.U., Seção I, de 6/12/2004 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 203 8 Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as “mercadorias” exportadas pela recorrente (produtos de origem animal), são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado “A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI – Hipóteses de Conflito”4:” (...) “Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultado final deste ato – o produto. Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: “... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso.” Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não.” (...) “E a propósito da discussão travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o benefício do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre “produto industrializado não tributado” e “produto industrializado 4 “IPI – Aspectos Jurídicos Relevantes – Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto” – São Paulo: Quartier Latin, 2003, pp. 221 a 238 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 204 9 tributado”, pois tanto um como outro são “mercadorias”5 e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei nº 9.363/96.” Nesse sentido, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. Com efeito, conheço do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional no que se refere à argüição referente à exportação de produto “NT” para, no mérito, negarlhe provimento. Nanci Gama 5 “Aquilo que é objeto de comércio; bem econômico destinado à venda; mercancia. ...” Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa/3ª edição – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1999 Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Redator Designado Ouso discordar da nobre relatora em relação à matéria ora posta em julgamento. A matéria objeto da divergência apontada pelo sujeito passivo diz respeito à questão do direito ou não ao crédito presumido de IPI, como forma de ressarcimento do PIS e da COFINS nas exportações de produtos que constam da TIPI com a notação NT (não tributados). Realmente é uma matéria divergente como demonstrou o contribuinte em seu Recurso Especial. Assim, conheço o recurso e passo a análise do mérito. Visando incentivar as exportações de produtos industrializados, de alto valor agregado, a União criou o crédito presumido de IPI como uma forma de ressarcimento das contribuições sociais do PIS e COFINS, incidentes sobre as aquisições, no mercado interno (nacionais), de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de bens exportados. Tal crédito presumido foi criado pela Lei 9.363/96, que adveio da MP 948/95 e reedições. Para o cumprimento do objetivo a lei criou o ressarcimento ao produtor e Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 205 10 exportador do pagamento das contribuições PIS e COFINS, incidentes no processo de produção da mercadoria a ser exportada. Tal discussão tem resultado em interpretações divergentes no Poder Judiciário o no próprio CARF. A depender das composições dos tribunais, tanto administrativos quanto judiciais, o resultado dos julgamentos tem dado soluções divergentes, ora permitindo, ora negando, o direito ao creditamento previsto na referida lei. Isso causa uma insegurança jurídica nos contribuintes. Já é hora de tentar pacificar a questão, mesmo sabendo que não é uma tarefa fácil. Até porque os nossos tribunais superiores ainda não se manifestaram a respeito. Porém já percebemos uma certa tendência dos Tribunais Regionais Federais de negar o aproveitamento do créditos nos casos em que as mercadorias exportação não são consideradas industrializadas (NT). Podemos citar como exemplos de decisões que negaram o aproveitamento do crédito: TRF da 3ª Região, Apelação em MS 309.564/MS, Processo 2005.61.00.0013479, Rel. Juiz convocado Dês.Federal Roberto Jeuken, 3ª T., julg. 04/12/2008, DJ 20/01/2009. Apelação cível 1.245.945/MS, processo 1999.61.00.0019753, Rel. dês. Federal Cecília Marcondes, 3ª T.., julg. 27/11/2008, DJ 09/12/2008. TRF da 5ª Região, AMS 89.109/PE, Processo 000236988.2003.4.058308, Rel. Des. Federal Francisco Barros Dias, 2ª T., julg. 18/08/2009, DJ, 11/09/2009. Apelação em MS93782/PE, Processo 000992245.2005.4.05.8300/03, Rel. Des. Federal Rivaldo Costa, 3ª T., DJ 28/08/2007. Como já dissemos, os Tribunais Superiores ainda não se manifestaram diretamente sobre o tema. Para continuarmos a discorrer sobre o tema, é essencial ao deslinde da demanda, determinar se os produtos com a classificação “NT” na TIPI, que trata de produtos em que não há a incidência do IPI, por não serem industrializados e, portanto, não estarem no campo de incidência do imposto, podem se caracterizar como produtos originários de empresa produtora e exportadora descrita no art. 1º da Lei 9.363/96, transcrito abaixo. A lei, muita das vezes, apesar de não ser o meio ideal, deve dar definições aos institutos. Tal conduta do legislador serve para dar contornos precisos a alguns termos usados, como por exemplo o conceito de produto industrializado. A lei assim o faz. E mais. A Legislação complementar é de suma importância, quando traz a tabela TIPI com informações de quais produtos seriam NT e que tais produtos estariam forma do campo de incidência do IPI, não sendo considerados, portanto, produtos industrializados. O benefício fiscal chamado “Crédito Presumido de IPI Exportações” consiste em um crédito adicional de IPI para sociedades industriais que diretamente ou indiretamente exportam seus produtos industrializados ao mercado internacional. Tem como objetivo principal desonerar a cadeia produtiva dos produtos a serem exportados do custo econômico da COFINS e do PIS, conforme podemos notar pelo texto do art. 1º da Lei 9.363/96: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 206 11 “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. “Parágrafo Único O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior”. Considerandose, então, que o artigo 1° da Lei 9.363/96 autoriza a fruição do beneficio do crédito presumido do IPI às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições ser produtora e ser exportadora , não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como NT na TIPI. Isso porque os estabelecimentos que produzem mercadorias NT não são considerados como produtor, para efeitos da legislação fiscal. Com efeito, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, ela não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições imposta pelo beneficio em análise, qual seja, o de ser produtora. Esta condição está intimamente relacionada à própria natureza do crédito presumido. Ser industrializado o produto exportado é característica essencial da finalidade da lei: estimulo às empresas para que destinem seus produtos com maior valor agregado à exportação, melhorando nossa balança comercial e reduzindo a taxa de desemprego. São justamente os produtos industrializados que agregam mais fatores de produção, sobretudo mãodeobra. São eles que possuem cadeia produtiva mais extensa e, portanto, de maior influência para o desenvolvimento econômico. Não é a exportação de produtos primários que se procurou estimular, já que esta sempre foi a vocação do país ao longo de toda a sua história. Com efeito, cabe aos intérpretes das leis, trazer o real e correto significado das normas nela contidas. Se a norma é dúbia cabe aos operadores do direito a sua correta interpretação, conforme as técnicas da ciência da Hermenêutica Jurídica, e não fazer a interpretação de modo aleatório e intuitivo. Nem mesmo uma interpretação literal do art. 1º da referida lei poderia levar concluir que a empresa produtora e exportadora também abarcaria àquelas que não são contribuintes do imposto. Porém, como já dito, esse seria o pretenso resultado de uma interpretação meramente literal. Esse tipo de análise somente pode ser feito quando a lei expressamente determinar. Pelo contrário, qualquer tipo de interpretação nos levaria ao mesmo resultado, como acontece com os texto legais bem elaborados. Deve, neste caso, fazer uma interpretação sistemática, que consiste em harmonizar a presente norma de um modo contextualizado com todo o texto da mesma lei e com o arcabouço legal pátrio, principalmente na área tributária. Teremos de fazer a nossa análise em conjunto com toda a legislação que rege o IPI. Em um estudo da lei incentivadora, nos artigos posteriores ao 1º, o Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 207 12 legislador já deixa mais claro que a delimitação do benefício se daria somente em relação aos produtos industrializados. Isso nos remete à matriz legal do IPI. A Lei nº 4.502/64 é muito precisa na definição do que seja estabelecimento produtor quando preceitua em ser art. 3º que “considerase estabelecimento produtos todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto”. Assim fica claro que tanto na acepção econômica quanto jurídica, não há como se enquadrar empresas não sujeitas ao IPI como estabelecimento industrial ou estabelecimento produtor. É pacífico que os produtos classificados na TIPI como "NT" não estão incluídos no campo de incidência do IPI, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 2° do RIPI/98. (Decreto 2.637, de 25/06/98). "Art. 2° Parágrafo Único O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado) (Lei n.° 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13 )” Logo, quem produz esses produtos, ainda que sob uma das operações de industrialização previstas no artigo 4° do Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento produtor ou industrial, de acordo com o artigo 8° do RIP1/98, que prescreve: Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei n.° 4.502, de 1964, art. 3°). Estabelecimento produtor ou industrial é aquele que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como de industrialização; da qual, cumulativamente, resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Ora, de fato, seu beneficiário necessariamente deve produzir industrializados sujeitos à incidência do PI e exportálos, diretamente ou através de empresa comercial exportadora, para que lhe seja reconhecido o direito ao crédito presumido, conforme a sistemática instituída pela Lei n° 9.363/96. Se o benefício fosse estendido a todas as empresas produtoras exportadoras, sem a delimitação de ser contribuinte do imposto algumas questões ficariam sem uma solução prevista na lei, como por exemplo, como se daria a escrituração dos créditos para a futura compensação? Não existe previsão de livro registro de apuração do IPI para não contribuintes. Todos sabemos que a apuração do imposto a pagar ou dos créditos devem ser escriturados no referido livro. Ademais a lei não contém palavra inúteis. Se fosse para abarcar os exportadores que não fossem produtores porque a lei traria e expressão “produtora e exportadora”. Bastaria o uso da palavra “exportadora”. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 208 13 Está claro, dessa forma, que há que se interpretar a linguagem legislativa contida no art. 1º da Lei 9.363/96 e cabe a nós, desse tribunal administrativo, elucidar e resolver o presente caso concreto ora apresentado a essa corte. È da interpretação que cuida a hermenêutica jurídica. Primeiramente cabe esclarecer o conceito de hermenêutica “que provém do latim hermenêutica (que interpreta ou explica), é empregado na técnica jurídica para assinalar o meio ou modo por que se devem interpretar as leis, a fim de que se tenha delas o exato ou o melhor sentido. Na hermenêutica jurídica, assim, estão encerrados todos os princípios e regras que devam ser judiciosamente utilizados para a interpretação do texto legal. E esta interpretação não se restringe ao esclarecimento de pontos obscuros, mas toda elucidação a respeito da exata compreensão da regra jurídica a ser aplicada aos fatos concretos. È o que faz a hermenêutica jurídica, interpreta as leis. Deixo claro também que não se trata de lacuna na lei. Caso assim fosse, teríamos que fazer uma integração legislativa e não a interpretação. Mais abaixo deixaremos claro que mesmo àqueles que consideram que a lei é omissa e que há que se fazer a integração,também chegaremos à mesma conclusão: A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Além do mais a lei que trata de qualquer tipo de exoneração tributária deve ter a sua interpretação restritiva, para abarcar somente os caso expressamente permitidos. É necessária a autorização legislativa para a concessão do beneficio em face do principio da legalidade. Como se sabe, o Princípio Constitucional da Legalidade impõe como dever aos agentes públicos que não somente proceda em consonância com as leis, mas também que somente atue quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Melhor dizendo, não tem a liberdade de fazer o que lhe convém apenas pela ausência de norma proibitiva, mas somente fazer o que a lei autoriza ou determina. O princípio da legalidade vale tanto para a exação quanto para a isenção. Sabemos que o crédito presumido é um tipo de isenção parcial. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 209 14 È indiscutível que a lei que trata de isenção deve descrever, pormenorizadamente, todos os elementos da norma jurídica tributária. A descrição deve ser exaustiva para a própria segurança jurídica dos contribuintes. Não pode haver subjetivismos ou interpretações não jurídicas. O art. 1º da lei isentiva faz exatamente isso. Descreve minuciosamente os contornos de quem tem o direito ao crédito presumido para evitar que o intérprete ou aplicador da lei tenha entendimentos contraditórios, gerando incerteza e insegurança para o contribuinte. Com efeito não há outra conclusão que não a constatação que crédito presumido de IPI somente poderá ser efetuado pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Para corroborar e elucidar todo o exposto, por ser de uma precisão ímpar trago o Presidente Henrique Pinheiro Torres, no Acórdão nº 202.16.066: “A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. No Segundo Conselho de Contribuintes, ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição das Câmaras. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 210 15 Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI”. Também, colaciono parte do voto do Conselheiro Gilson Rosemburg Filho, em voto recentemente proferido neste plenário: Por outra parte, é cediço que os produtos classificados na TIPI como “NT” não estão incluídos no campo de incidência do IPI. Logo, quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de industrialização previstas no Regulamento do IPI (no caso, as operações dispostas no art. 3º, caput e incisos, do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23/12/1982 – RIPI/82), não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, como estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo como o art. 8º do RIPI/82 (abaixo transcrito), estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como “de industrialização”, da qual, cumulativamente, resulte um produto “tributado”, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 211 16 não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como nãotributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. “Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no artigo 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, art. 3º).” Neste diapasão, Raimundo Clóvis do Valle Cabral em “Tudo sobre o IPI”, 4ª edição, São Paulo, Ed. Aduaneiras, págs. 54/55 e 57, assim assevera: “Estabelecimento Industrial é o que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa operações definidas na legislação do IPI como de industrialização (transformação, beneficiamento, montagem, acondicionamento/reacondicionamento e renovação/recondicionamento) e da qual resulte um produto tributado, ainda que de alíquota zero, ou isento. Tem por base legal o artigo 3º da Lei nº 4.502, de 1964, alterado pelo artigo 12 do DL nº 34/66, que tem o seguinte texto: ‘Considerase estabelecimento industrial todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto’(art. 8º). As expressões ‘fábrica’ e ‘fabricante’ são equivalentes a ‘estabelecimento industrial’, como definido acima (art. 487II). Se o produto por ele industrializado corresponde uma alíquota positiva (diferente de zero) estará ele obrigado a destacar o imposto na nota fiscal emitida, observando as demais obrigações concernentes à escrituração fiscal e ao recolhimento do imposto, assumindo o real papel de contribuinte – sujeito passivo de obrigação principal, salvo se optante pela inscrição no Simples (art. 20I, 23II e 107). Se o produto industrializado estiver sujeito à alíquota zero, ou for isento, embora não haja imposto a ser destacado nem recolhido, ele estará obrigado a emitir nota fiscal e proceder às demais obrigações relativas à escrituração fiscal prevista no Ripi, pois está definido como sujeito passivo de obrigações acessórias (art. 21). Contrario sensu, chegase à conclusão de não ser estabelecimento industrial, para fins do IPI, aquele que elabora produtos classificados na Tipi como NT (nãotributados), bem assim os resultantes de operações excluídas do conceito de industrialização pelo artigo 5º do RIPI.” O texto reproduzido acima traduz a essência da expressão “NT” aposta na TIPI ao lado dos produtos excluídos do campo de incidência do IPI, qual seja: o estabelecimento que dá saída a produtos nãotributados, não se classifica, nessas operações, para fins de incidência do imposto, como estabelecimento industrial, ou seja, como contribuinte do IPI. E o aproveitamento Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 212 17 de créditos do IPI está intimamente ligado ao conceito do que seja estabelecimento industrial para a legislação desse imposto, no sentido de que não ser um estabelecimento de tal espécie implica o nãoreconhecimento da existência de créditos ou débitos de IPI, impossibilitando o aproveitamento dos primeiros (dos créditos) ou o surgimento da obrigação tributária principal decorrente dos segundos (dos débitos). Nessa linha, merece citar, especificamente no tocante ao crédito presumido do IPI objeto de análise no presente processo, o preceito do art. 1º combinado com o do parágrafo único do art. 3º, ambos da Lei nº 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (...). Art. 3º (...). Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação (...) do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento (...) dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, (...).” Lógico que “produção” conformase na atividade do “produtor". E, nos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, matriz legal de grande parte da legislação do IPI, “estabelecimento produtor” é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto. Estabelece o art. 3º da aludida lei: “Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto.” Considerandose, então, que o art. 1º da Lei nº 9.363/96 autoriza a fruição do crédito presumido do IPI ao “estabelecimento produtor e exportador”, e que o art. 3º da Lei 4.502/64 é a matriz do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados, não resta dúvida quanto à total impossibilidade de existência e, conseqüentemente, de aproveitamento de crédito do IPI para os estabelecimentos cujos produtos fabricados são classificados como “NT” na TIPI. Pelos fundamentos expostos, é possível arrolar as seguintes conclusões: O estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos à incidência do imposto, ou seja, aquele que executa as operações definidas na legislação do IPI como de industrialização e da qual resulta um produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. Portanto, os produtos exportados que não se encontram no campo de incidência do IPI, por constar da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI; A legislação que trata do específico benefício do crédito presumido do IPI determina que as “mercadorias” devam Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 213 18 decorrer de “estabelecimento produtor”, o qual, à luz da legislação do IPI, é somente o que industrializa produtos tributados por essa exação. Assim não há que se falar em questões fáticas, mas meramente jurídicas. Por isso toda a análise se absteve de ilações de fato, mas argumentações meramente jurídicas, como aliás devem ser todas as questões trazidas a interpretação pelos tribunais.. Também não há discussão acerca de os produtos que não tributados – NT, estarem, ou não, no campo de incidência do IPI. Senão teríamos de fazer uma longa explanação sobre outros institutos tributários como isenção, imunidade, não incidência, lançamento, fato gerador, dentre outros. Podemos concluir que tanto em uma análise econômica quanto jurídica não há como se interpretar o art. 1º da Lei 9.363/96, a ponto de considerar que a empresa produtora e exportadora ali mencionada abarcaria até mesmo àquelas não contribuintes do IPI, ou seja, somente os estabelecimentos industriais é que podem compensar os créditos presumidos de IPI nos casos de exportação. Economicamente falando, não há porque se incentivar, com desoneração tributária, a produção de produtos não industrializados, como por exemplo, as comodities, pois todos sabem que o Brasil tem expertise nesta área, sendo um dos maiores exportadores mundiais. Em se tratando de uma interpretação meramente jurídica, se fosse a intenção do legislador, a lei teria de ser muito clara, e não deixar nenhuma margem de dúvida quanto à extensão do benefício, conforme preceitua o CTN e várias outras leis tributárias e financeiras. Dessa forma, o crédito presumido de IPI somente poderá ser ressarcido pela empresa exportadora ou, no caso de exportação indireta, pelo fornecedor da comercial exportadora, levandose em conta apenas os insumos adquiridos no mercado interno, onerados pelo PIS e COFINS, e utilizados na industrialização de bens destinados à exportação. Mesmo para aqueles que entendem que existe omissão legal e que pretendem fazer a integração prevista no art. do CTN, In verbis: Interpretação e Integração da Legislação Tributária Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 214 19 § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. A ordem de integração é obrigatória, como determina a Lei. Podemos usar a analogia com o caso dos créditos básicos e assim chegarmos à conclusão que não geram direito ao crédito a exportação de produtos NT. Neste caso existe até uma súmula do CARF: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Porém podemos passar também para o segundo critério de integração. Trata se de usarmos os princípios gerais de Direito Tributário. O princípio mais específico em relação ao IPI é o princípio constitucional da não cumulatividade do IPI, transcrito abaixo: Art. 153, § 3º: “O imposto previsto no inciso IV: I – será seletivo, em função da essencialidade do produto; II – será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. Fica claro aqui também que tem que haver tributo devido para que possamos aplicar o princípio. Se o produto final não é tributado, não há que se falar em aproveitamento de crédito. Obviamente a lei pode excepcionar e permitir o aproveitamento do crédito, já que não há óbice constitucional como ocorre com o ICMS. Mas, como dito acima a lei tem que ser clara ao permitir o creditamento nessas situações especiais o que não ocorre in casu. O próprio TRF da 3ª Região tem exarado decisões que vedam o direito ao incentivo da lei 9.363 quando não há o recolhimento do IPI na cadeia de industrialização da mercadoria a ser exportada. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11030.000757/200666 Acórdão n.º 9303002.721 CSRFT3 Fl. 215 20 O Direito Pátrio não autoriza o aproveitamento do crédito presumido de IPI em relação a mercadorias exportadas que figurem como NT na tabela do IPI – TIPI. Essa é a única conclusão juridicamente aceitável ao interpretarmos, por todas as técnicas existentes, os diplomas legais do crédito presumido – Lei 9.363/96, em cotejo com as demais legislações do IPI. Àqueles que defendem que a lei instituidora do incentivo é lacunosa, podemos fazer a integração nos moldes permitidos pelo CTN e chegaremos à mesma conclusão acima exposta. Diante de todo o exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 217DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 18/12/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalme nte em 09/01/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 15504.014641/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - EFEITOS
Conforme o disposto na legislação à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.386
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) em preliminar, reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) no mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - EXCLUSÃO DO SIMPLES - EFEITOS Conforme o disposto na legislação à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ-LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerar-se-á não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazê-lo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 46 41 /2 00 8- 11 Fl. 710DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO EXCLUSÃO DO SIMPLES EFEITOS Conforme o disposto na legislação à época dos fatos geradores, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MATÉRIA DE DIREITO NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO DO DIREITO DO IMPUGNANTE FAZÊ LO EM OUTRO MOMENTO PROCESSUAL A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Considerarseá não impugnada a matéria de direito que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, ocorrendo a preclusão de fazêlo em outro momento processual. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 711DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 711 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para: (i) em preliminar, reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) no mérito, por unanimidade de votos, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas Souza Costa, Jhonatas Ribeiro da Silva e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente – TALENTO JÓIAS LTDA contra Acórdão nº 0242.788 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, que julgou procedente em parte a autuação por descumprimento de obrigações principais, Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP nº. 37.170.2852, com valor inicial de R$ 163.883,55, retificado para R$ 139.838,18. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere à contribuição destinada ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social (20%); a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, a contribuição incidente sobre o prólabore das sócias (20%), Terezinha Géo Rodrigues e Vanessa Géo Rodrigues Ladeira, dispostos nos códigos de levantamento: ALI, ALI, FP, FP 1, FP2„ FP3, FP4, FP5 e MOP, no período de 12/2002 a 12/2003. Em relação ao objeto social da empresa, o Relatório Fiscal informa a atividade produção de jóias: Assim sendo, uma das modificações observadas ocorreu através da 11' alteração contratual de 17.10.00, JUCEMG no 2541837 de 10.11.00, que incluiu ao objeto social da empresa a atividade produção de jóias. Esta atividade de produção de jóias foi excluída através da IT alteração contratual de 01.08.2006, JUCEMG n° de 17.08.2006: "...ficam excluídas as atividades a produção de jóias, prestação de serviços de ourivesaria e design, redesenho, conserto e incluída a atividade de licenciamento de marcas próprias". (...) foi realizado o enquadramento da sociedade na atividade econômica preponderante e no correspondente grau de risco, observandose os estabelecimentos existentes e desconsiderando se os segurados empregados que prestavam serviços em atividadesmeio, para, ao final, concluir que no período de 12/2002 a 6/2003 a atividade preponderante era a de produção de jóias, enquanto a partir de 7/2003 era a de comercialização de artigos de joalheria. Em 7/2003, a sociedade extinguiu o departamento de operação da produção, transferindo os empregados para a sociedade Geórgia Ltda, CNPJ nº 03.554.462/000149, pertencente ao mesmo grupo empresarial. O Relatório Fiscal mostra que a empresa foi excluída do SIMPLES a partir de 01.01.2002: 10 A Talento Jóias Ltda. foi optante do SIMPLES, sendo excluída pela Secretaria da Receita Federal a partir de 01.01.2002, por incorrer na situação excludente prevista na Lei Fl. 713DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 712 5 n° 9.317, de 05.12.1996, Artigo 90, IX, de acordo com o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 425.859. 11Mantevese como optante do SIMPLES até 07/2003 em relação aos atos praticados referentes às contribuições previdenciárias (recolhimentos e informações em GFIP) para todos os estabelecimentos, exceto, o 38.551.792/000599, cuja competência considerada se estendeu até 10/2003; Em relação aos fatos geradores, informa o Relatório Fiscal: 14.10 exercício de atividade remunerada pelos segurados empregados e contribuintes individuais em 12/2002 e no ano de 2003; 14.2 0 exercício de atividade remunerada pelos segurados empregados na produção própria de 12/2002 a 06/2003, conforme consta da conta: 1.1.3.02 Produção Própria, sub conta: 1.1.3.02.004 Custo mãodeobra sobre produção, código de levantamento MOP; 14.30 fornecimento de ticket alimentação aos seus empregados, sem convênio com o PAT Programa de Alimentação do Trabalhador em 12/2002 e 2003; 14.4A prestação de assistência médica aos seus empregados em desacordo com a legislação tributária previdenciária em 12/2002 e 2003. Os códigos de levantamento, estão assim descritos no Relatório Fiscal: 13.1Código de levantamento FP, as competências: 07 a 10/2003 e FP1, as competências: 12/2002 a 06/2003, relativos folha mensal de pagamentos dos empregados; 13.1.1A competência 07/2003, código de levantamento FP, com lançamentos dos CNPJ: 38.551.792/000165, 38.551.792/0002 46, 38.551.792/000408 e 38.551.792/000599; 13.1.2A competências 8 a 10/2003, código de levantamento FP, incluiu créditos do CNPJ: 38.551.792/000599; 13.1.3As competências 12/2002 a 06/2003, código de levantamento FP1, incluíram créditos referentes aos CNPJ: 38.551.792/000165, 38.551.792/000246, 38.551.792/000408 e 38.551.792/000599; 13.2Código de levantamento FP2, competências: 07 a 12/2003 e FP5, competências: 01 a 06/2003 a contribuição de 20% incidente sobre a retirada prólabore mensal das sócias; 13.3Código de levantamento MOP de12/2002 a 06/2003, referente 6 mãodeobra alocada na produção própria conforme consta do contabilidade; Fl. 714DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 13.4Código de levantamento AL1, competências: 12/2002 a 06/2003 e ALI , competências: 07 a 12/2003, relativo ao fornecimento de alimentação sem que a empresa celebrasse convênio com o PAT; 13.5Código de levantamento FP3, competências:07 a 12/2003 e FP4, competências: 12/2002 a 06/2003, relativo a prestação de serviços de assistência médica aos empregados em desacordo com a legislação própria. 17.1Código levantamento MOP: 12/2002 a 06/2003 , valores contabilizados na conta: 1.1.3.02 Produção Própria, sub conta: 1.1.3.02.004 Custo mãodeobra sobre produção; 17.1.1Código levantamento MOP: 02/2003 aferido com base no valor de 01/2003, já que não está na contabilidade, o contribuinte não apresentou a documentação relativa a esta mãodeobra e a DIPJ do exercício de 2004, anocalendário 2003, informa valores de receita de venda no mercado interno de produtos de fabricação própria 17.2Código de levantamento: ALI E ALI: Os empregados tem um desconto mensal em folha de pagamento equivalente a 20% do valor mensal do ticket alimentação recebido. Baseado nesta informação calculamos através de uma regra de três simples, o valor total da custo com ticket refeição no decorrer do mês para cada empregado. Deste valor total deduzimos o valor descontado em folha mensal de pagamento de cada empregado , obtendo efetivamente a base de cálculo da contribuição social devida para a Previdência Social, cujos valores se encontram no discriminativo a seguir: 17.3Código de levantamento FP3 e FP4: No período de 12/2002 a 12/2003 há a prestação de assistência médica aos empregados através dos serviços prestados pela Unimed Cooperativa de Trabalho Médico Belo Horizonte — MG, contrato celebrado para Plano de Saúde enfermaria segundo documentação examinada: contrato de prestação de serviços, notas fiscais de serviços, folhas mensais de pagamento e contabilidade, contas: 2.1.1.01Fornecedores, subconta: 2.1.1.01.011 Unimed BH Cooperativa de Trabalho Médico, 3.4.1.01Despesas com Pessoal, subconta: 3.4.1.01.005 Plano de Saúde, 3.2.1.01Custo com PessoalOficina, subconta: 3.2.1.01.005Plano de Saúde Através do exame das folhas mensais de pagamento da matriz constatamos que alguns empregados eram beneficiários do Plano de Saúde da Unimed e outros não e que nenhum dos empregados das filiais possuia plano de saúde. Mediante TIADTermo de Intimação para Apresentação de Documentos em anexo, intimamos o contribuinte a apresentar documento demonstrando a opção pelo plano de saúde feita pelo funcionário beneficiário do mesmo, ou a opção pelo não Fl. 715DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 713 7 recebimento por quem não tem direito ao beneficio, bem como, os Acordos/Convenções Coletivas de Trabalho 2002 e 2003 ou a cartilha de benefícios da empresa para que pudéssemos conhecer as regras estipuladas para concessão do beneficio. A documentação não foi apresentada à fiscalização. A Lei n° 8.212, artigo 28, & 9°,"q" dispõe: Não integram o saláríodecontríbuição para os fins desta Lei, exclusivamente: q) o valor relativo 6 assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa". De acordo com a documentação examinada concluímos que a cobertura da assistência médica prestada não abranje a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa como determina a legislação, constituindose em salário de contribuição para a Previdência Social. Os valores mensais constantes dos lançamentos contábeis referentes à assistência médica constituíramse nas bases de cálculo da contribuição devida, deduzindose destas os valores dos descontados em folha de pagamento, pois, a empresa não apresentou a relação de segurados beneficiários e dependentes do plano de saúde, bem como, a mensalidade paga a Unimed por cada titular e dependente em 12/2002 e 2003 Também houve a caracterização de grupo econômico, conforme informa o Relatório Fiscal: 20Caracterizado o "grupo econômico de fato", composto pelo sujeito passivo e pelas empresas: Geórgia Ltda, Géo Agropecuária Ltda e JR Participações Ltda., por se tratar de "grupo de empresas" com personalidade jurídica própria, sob direção, controle ou administração exercida diretamente pelo mesmo grupo de pessoas. (...) 20.30s responsáveis solidários serão cientificados da lavratura dos documentos constitutivos de crédito emitidos pela fiscalização para os fins previstos no § I.°, do artigo 37 da Lei n° 8.212/91 com a redação dada pelo Decreto n° 6.103, de 30.04.2007 (Altera a redação do & 2° do artigo 243 do RPS), conforme determinado pelo artigo 749 da Instrução Normativa SRP n.° 03, de 14 de julho de 2005, publicada no DOU 135 de 15/07/2005. O Relatório Fiscal também menciona a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 A Recorrente teve ciência do AIOP em 20.11.2008, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo do Débito DD, às fls. 12, é de 12/2002 a 12/2003,. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Cientificado do Auto de Infração em 20/11/2008, fls. 3, o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 535, apresentou impugnação em 22/12/2008, fls. 511 a 534, contestando o lançamento. Recapitula os fatos e alega que a exigência do tributo, se juridicamente adequado, somente seria possível a partir da data da notificação do contribuinte da exclusão do Simples, conforme entendimento jurisprudencial esposado pelo Superior Tribunal de Justiça. Sustenta, com fundamento no artigo 150, §4º, do CTN, que a atuação da fiscalização não poderia se estender a períodos anteriores a junho de 2003, pois a ação fiscal se iniciou em 2 de junho de 2008, em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal. Pontua que a cobrança foi formulada em excesso, pois a fiscalização deixou de considerar os pagamentos até então realizados pela impugnante. Argumenta que a cobrança da contribuição destinada ao SAT é indevida, uma vez que não há lei determinando a abrangência das expressões “atividade preponderante” e “risco de acidente do trabalho leve, médio ou grave”, sendo que a omissão legal não pode ser suprida pelo Poder Executivo através da edição de decretos Assinala que a Representação Fiscal para Fins Penais enviada ao Ministério Público deve ser imediatamente cancelada, visto que não se esgotou o processo administrativo fiscal, sob pena de caracterização de ato de abuso de autoridade. Requer que as intimações sejam encaminhadas ao impugnante e aos advogados. Houve solicitação de Diligência Fiscal, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: Em 6/4/2010, fls. 563 a 568, o processo foi baixado em diligência fiscal para que a autoridade lançadora esclarecesse se o crédito tributário exigido foi declarado em GFIP e se os valores recolhidos pelo contribuinte por meio de GPS foram aproveitados na apuração da exigência. Em 29/7/2011, fls. 577 a 580, a autoridade lançadora elaborou informação fiscal para atendimento da diligência, e assim se manifestou: Fl. 717DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 714 9 _ os créditos contidos nos levantamentos AL1, ALI, FP, FP3, FP4, FP5 e MOP não foram declarados em GFIP e a sociedade não recolheu as contribuições previdenciárias apuradas sobre os mesmos. _ o levantamento FP2, estabelecimento 38.551.792/000165, competências 8/2003 a 12/2003, foi declarado em GFIP e a sociedade recolheu os valores apurados, razão pela qual o levantamento deve ser excluído do Auto de Infração. _ os valores recolhidos pelo contribuinte por meio de GPS, competências 12/2002 a 12/2003 foram aproveitados na constituição do crédito tributário, nos seguintes termos: a) 12/2002 a 7/2003, para quitar os valores referentes à contribuição dos segurados empregados declarados em GFIP e folha de pagamento, não objeto de levantamento; b) 8/2003 a 12/2003, para quitar os valores referentes à contribuição dos segurados empregados e da empresa declarados em GFIP e folha de pagamento, não objeto de levantamento, e para quitar os valores referentes ao pagamento de pro labore. O contribuinte tomou ciência do relatório fiscal da diligência em 5/8/2011, fls. 603, fato este que se aplica aos solidários (JR Participações Ltda, 26/8/2011, fls. 605; Geórgia Ltda, 26/8/2011, fls. 607; Geo Agropecuária Ltda, edital, fls. 615) e aos advogados (fls. 609, 26/8/2011). Em 14/1/2013, a Equipe de Processos Fiscais da DRF/BHE elaborou despacho para encaminhar o processo à DRJ/BHE, frisando que o contribuinte e os sujeitos passivos solidários não se manifestaram sobre o resultado da diligência fiscal A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação, nos termos do Acórdão nº 0242.788 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2003 EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão, de acordo com o Ato Declaratório de Exclusão, às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. JURISPRUDÊNCIA NÃO VINCULANTE. O autuado não juntou nos autos posição que vincule as decisões prolatadas por este colegiado. PRAZO DECADENCIAL. CTN. PAGAMENTO NO VENCIMENTO. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Aplicamse os prazos decadenciais previstos no Código Tributário Nacional CTN aos créditos destinados à Seguridade Social. Na disciplina do CTN, há de se observar, para fins de cômputo do prazo de decadência, a regra do artigo 173, I, quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou a regra do § 4º do artigo 150, para os casos em que o contribuinte tenha efetuado pagamento parcial no vencimento, contandose o prazo da data de ocorrência do fato gerador. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. ATO DECLARATÓRIO APROVADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. É revisto de ofício o crédito tributário relativo a auxílio alimentação pago in natura, lançado sob o fundamento de falta de inscrição no PAT, em razão de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, expedido em virtude de jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DILIGÊNCIA FISCAL. Deve ser excluído do crédito tributário o levantamento para o qual se constatou em diligência fiscal a existência de pagamento anterior ao início do procedimento fiscal. ALÍQUOTAS DO SAT/RAT/GILRAT. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE DAS ALTERAÇÕES POR DECRETO. Não compete à esfera administrativa julgar a legalidade e/ou constitucionalidade da norma vigente, mas tãosomente aplicá la. SAT/RAT/GILRAT. ESTABELECIMENTO. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO. ATO DECLARATÓRIO APROVADO PELO MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA. É revisto de ofício o crédito tributário relativo ao SAT, no sentido de que a cobrança dele deve ser feita levandose em consideração o grau do risco da atividade de cada estabelecimento da pessoa jurídica, desde que individualizado por CNPJ próprio, em razão de Ato Declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, expedido em virtude de jurisprudência pacífica do Superior Tribunal de Justiça. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. FORMALIZAÇÃO. SÚMULA CARF. A autoridade fiscal deverá formalizar representação fiscal para fins penais sempre que tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de crime contra a Seguridade Social ou contra a Ordem Tributária. Fl. 719DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 715 11 Segundo a Súmula CARF nº 28, com efeito vinculante sobre a administração tributária federal, o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a processo administrativo de representação fiscal para fins penais. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AOS PROCURADORES. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, inexistindo determinação legal expressa para que as intimações sejam dirigidas aos procuradores. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. MOMENTO DO CÁLCULO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica deverá ser feita por ocasião do pagamento ou do parcelamento do débito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a impugnação procedente em parte e manter em parte o crédito tributário, alterandose os seguintes fatos geradores: a) Exclusão integral dos levantamentos ALI, FP2 e FP3, competências 8/2003 a 10/2003, para o estabelecimento 38.551.792/000165, por reconhecimento da decadência. b) Exclusão integral do levantamento FP2 – Pro Labore, competências 8/2003 a 12/2003, para o estabelecimento 38.551.792/000165, por reconhecimento da existência de recolhimento anterior ao lançamento fiscal. c) Exclusão integral dos levantamentos AL1 e ALI – Alimentação sem convênio PAT, competências 12/2002 a 12/2003, para o estabelecimento 38.551.792/000165, por aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 3, de 20/12/2011. d) Exclusão do percentual de 1% (hum por cento) do GILRAT, competências 1/2003 a 6/2003, para o estabelecimento Fl. 720DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 38.551.792/000246, por aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 11, de 20/12/2011. e) Exclusão do percentual de 1% (hum por cento) do GILRAT, competências 1/2003 a 6/2003, para o estabelecimento 38.551.792/000408, por aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 11, de 20/12/2011. f) Exclusão do percentual de 1% (hum por cento) do GILRAT, competências 2/2003 a 6/2003, para o estabelecimento 38.551.792/000599, por aplicação do Ato Declaratório PGFN nº 11, de 20/12/2011. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Encaminhese à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem para cientificar o contribuinte e os responsáveis solidários do inteiro teor deste acórdão e demais providências. Em relação à decadência, a decisão de primeira instância assim de manifestou: O presente auto de infração foi consolidado em 20/11/2008, com a ciência do lançamento pelo contribuinte em 20/11/2008, fls. 3, e abrange contribuições relativas a fatos geradores ocorridos nas competências de 12/2002 a 12/2003. Para as competências 12/2002 a 07/2003 (estabelecimentos 000165, 0002 46 e 000408) e competências 2/2003 a 10/2003 (estabelecimento 000599), entendo que se deve observar, para fins de cômputo do prazo de decadência, a regra do artigo 173, I, do CTN, pois os pagamentos antecipados realizados pelo sujeito passivo não se vinculam à ocorrência dos fatos geradores exigidos neste Auto de Infração, uma vez que havia efetuado recolhimentos no código de pagamento 2003 (Simples), sistema integrado de tributação distinto das regras previstas na Lei nº 8.212/91. Juntase nos autos, por amostragem, fls. 621 a 634, cópias das GPS recolhidas pelo autuado, consoante consulta efetuada no Sistema de Arrecadação da Previdência Social – Conta Corrente. No que se refere às competências 8/2003 a 10/2003 (estabelecimento 000165), por se mostrar configurado o pagamento parcial antecipado (código GPS 2100), fls. 635 a 637, cabe a aplicação da regra prevista no § 4º do artigo 150 do CTN, o que implica a decadência do direito da Seguridade Social de exigila, devendo o lançamento, nesse período e estabelecimento, ser cancelado Fl. 721DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 716 13 Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumento deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: (i) Da decadência aplicação do art. 150, § 4º, CTN em função de recolhimentos feitos à título de contribuição social previdenciária. (ii) Dos efeitos da exclusão do SIMPLES De acordo com a respeitável decisão recorrida, a Recorrente foi excluída do Simples em 01/01/2002, por ter incorrido na situação excludente prevista no art. 9o , IX da Lei n° 9.317/96. Deste modo, o entendimento da Receita Federal foi no sentido de que os efeitos da tributação à Seguridade Social deveriam ter como marco inicial a data da ocorrência da situação, qual seja, 01/01/2002. Entretanto, tal decisão não deve prevalecer, haja vista que a Recorrente somente foi notificada de sua exclusão do Simples em agosto de 2003, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 425.859. Ademais, aceitar a retroatividade dos efeitos oriundos da exclusão do SIMPLES é ser complacente com a ofensa ao direito adquirido, uma vez que a Recorrente operou todo o ano de 2002 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. (iii) Contribuição ao SAT/RAT/GILRAT inconstitucionalidade De acordo com o art. 202 do Decreto n° 3.048/993, as alíquotas do SAT/RAT variam de 1% (um por cento) a 3% (três por cento), conforme o grau de risco de acidentes de trabalho das empresas leve, médio ou grave Imperioso ressaltar que o Decreto Regulamentar da Previdência Social n 3.048/99 não traz os conceitos de atividade preponderante, ou risco de acidente do trabalho leve, médio ou grave, elementos essenciais à cobrança da exação. Destarte, enquanto não houver lei determinando a abrangência destas expressões, tornase impossível a exigência da referida contribuição. Com efeito, no Direito Tributário vigora o princípio da estrita legalidade, segundo o qual todos os elementos necessários à cobrança do tributo devem vir previstos em lei, conforme preceitua o art. 97 do Código Tributário Nacional (...) Fl. 722DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 A lei deve esgotar os elementos necessários à identificação do fato gerador da obrigação tributária e o quantum do tributo, sem que caibam poderes à autoridade para, à sua livre vontade, estabelecer dados ausentes. Porém, o art. 22 da Lei n° 8.212/92, ao definir a contribuição para o financiamento dos benefícios decorrentes do grau de risco da atividade laboral, acabou concedendo poderes para o exercício da discricionariedade pela Administração. Imperioso que o legislador defina com precisão os elementos essenciais da norma jurídica tributária, a fim de que não subsista à Administração qualquer margem de discricionariedade. Portanto, ainda que a, a contribuição em tela não pode ser exigida com fundamento no disposto em decreto, por falta de competência para supriras lacunas da lei admitida a constitucionalidade do art. 22 da Lei n° 8.212/91. Com base em todas estas razões, é de se concluir ser absolutamente nula a autuação fiscal lavrada contra a Recorrente, no que lhe exige o recolhimento da contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laboral decorrentes dos riscos ambientais do trabalho Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 717 15 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação colhida aos autos a partir da data de ciência do Acórdão da decisão de primeira instância e a data de protocolo do Recurso Voluntário. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Conforme o Relatório Fiscal, o crédito previdenciário se refere à contribuição destinada ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social (20%); a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, a contribuição incidente sobre o prólabore das sócias (20%), Terezinha Géo Rodrigues e Vanessa Géo Rodrigues Ladeira, dispostos nos códigos de levantamento: ALI, ALI, FP, FP 1, FP2„ FP3, FP4, FP5 e MOP, no período de 12/2002 a 12/2003. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foram lavrados AIOPs que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos Fl. 724DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo Analítico do Débito (Este relatório lista, em suas páginas iniciais, todas as características que compõem o levantamento, que é um agrupamento de informações que servirão para apurar o débito de contribuição previdenciária existente. Na seqüência, discrimina, por estabelecimento, competência e levantamento, as bases de cálculo, as rubricas, as alíquotas, os valores já recolhidos, confessados, autuados ou retidos, as deduções permitidas (saláriofamília, salário maternidade e compensações), as diferenças existentes e o valor dos juros SELIC, da multa e do total cobrado); c. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); d. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); e. REFISC – Relatório Fiscal. Fl. 725DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 718 17 Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose o AIOP, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (B) Alegações de inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 726DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011: Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Parágrafo único.O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, § 6o, incluído pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25): Ique já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou IIque fundamente crédito tributário objeto de: a)dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; Fl. 727DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 719 19 b)súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c)pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993. Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Contribuição ao SAT/RAT/GILRAT inconstitucionalidade Analisemos. Neste ponto, a questão de fundo enfrentada pela Recorrente está centrada que enquanto não houver lei determinando a abrangência das expressões (as alíquotas do SAT/RAT variando de 1% a 3%, conforme o grau de risco de acidentes de trabalho das empresas leve, médio ou grave), tornase impossível a exigência da referida contribuição, ademais sendo exigida por Decreto. De modo que tanto a exigência do SAT/RAT via Decreto, tanto o art. 22, Lei 8.212/1991 ao conceder poderes à Administração em termos de edição de alíquotas de SAT/RAT decorrem de inconstitucionalidades. Em que pese tal argumentação da Recorrente, as considerações acerca de apreciação de inconstitucionalidades foram apreciadas no tópico (B) acima, com a observação expressa da Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (i) Da decadência aplicação do art. 150, § 4º, CTN em função de recolhimentos feitos à título de contribuição social previdenciária. Analisemos. Em relação à decadência, a decisão de primeira instância assim de manifestou: O presente auto de infração foi consolidado em 20/11/2008, com a ciência do lançamento pelo contribuinte em 20/11/2008, fls. 3, Fl. 728DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 20 e abrange contribuições relativas a fatos geradores ocorridos nas competências de 12/2002 a 12/2003. Para as competências 12/2002 a 07/2003 (estabelecimentos 000165, 0002 46 e 000408) e competências 2/2003 a 10/2003 (estabelecimento 000599), entendo que se deve observar, para fins de cômputo do prazo de decadência, a regra do artigo 173, I, do CTN, pois os pagamentos antecipados realizados pelo sujeito passivo não se vinculam à ocorrência dos fatos geradores exigidos neste Auto de Infração, uma vez que havia efetuado recolhimentos no código de pagamento 2003 (Simples), sistema integrado de tributação distinto das regras previstas na Lei nº 8.212/91. Juntase nos autos, por amostragem, fls. 621 a 634, cópias das GPS recolhidas pelo autuado, consoante consulta efetuada no Sistema de Arrecadação da Previdência Social – Conta Corrente. No que se refere às competências 8/2003 a 10/2003 (estabelecimento 000165), por se mostrar configurado o pagamento parcial antecipado (código GPS 2100), fls. 635 a 637, cabe a aplicação da regra prevista no § 4º do artigo 150 do CTN, o que implica a decadência do direito da Seguridade Social de exigila, devendo o lançamento, nesse período e estabelecimento, ser cancelado Discordo do posicionamento da decisão de primeira instância. Senão, vejamos. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, Fl. 729DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 720 21 nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 730DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 22 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 34 a 35, apresenta recolhimentos feitos pelo contribuinte, via Guias da Previdência Social GPS entre as competências 08/2003 a 13/2003, o que, no meu posicionamento, é o suficiente para considerar os recolhimentos antecipados feitos pelo contribuinte a serem considerados para todo o período objeto da autuação ensejando a aplicação do art. 150, § 4º, CTN, com fulcro no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Temos que a ciência do AIOP ocorreu em 20.11.2008 e as competências objeto do lançamento são 12/2002 a 12/2003. Portanto, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 10/2003, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. (ii) Dos efeitos da exclusão do SIMPLES De acordo com a respeitável decisão recorrida, a Recorrente foi excluída do Simples em 01/01/2002, por ter incorrido na situação excludente prevista no art. 9o , IX da Lei n° 9.317/96. Deste modo, o entendimento da Receita Federal foi no sentido de que os efeitos da tributação à Seguridade Social deveriam ter Fl. 731DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 721 23 como marco inicial a data da ocorrência da situação, qual seja, 01/01/2002. Entretanto, tal decisão não deve prevalecer, haja vista que a Recorrente somente foi notificada de sua exclusão do Simples em agosto de 2003, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n° 425.859. Ademais, aceitar a retroatividade dos efeitos oriundos da exclusão do SIMPLES é ser complacente com a ofensa ao direito adquirido, uma vez que a Recorrente operou todo o ano de 2002 sem receber qualquer notificação da Receita Federal. Analisemos. Conforme já debatido em sede de primeira instância, nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 425.859, de 7 de agosto de 2003, o Recorrente foi excluído do Simples a partir do dia 01.01.2002, às fls. 115: Ato Declaratório Executivo DRF/BHE n 2 425.859. de 07 de agosto de 2003 Declara excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) o contribuinte que menciona. O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL. no uso da competência que lhe confere o parágrafo 3 º do artigo 15 da Lei n2 9.317, de 5 de dezembro de 1996, Incluído pelo artigo 32 da Lei n2 9.732. de 11 de dezembro de 1998, e tendo em vista o disposto nos artigos 9 2 . 12. 14, inciso I. e 15 da Lei na 9.317. de 1996. com suas alterações posteriores. declara: Art. 1 º Fica o contribuinte, a seguir identificado, excluído do Simples a partir do dia 01/01/2002 pela ocorrência da situação excludente indicada abaixo. Nome: TALENTO JÓIAS LTDA CNPJ: 38.551.792/000185 Data da opção pelo Simples: 01/01/2000 • Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 600.017.47649 , CNPJ 64.256.183/0001 93 Data da ocorrência: 31/12/2001 . Fundamentação legal: Lei n2 9.317, de 05/12/1996: art. 9 2 . IX; art.12; art.14. I; art.15, II. Medida Provisória 'n2 2.158 34, de 27/07/2001: art.73. Instrução Normative SRF n 2250. de . , 26/11/2002: art.20, IX; art.21; art.23, I; art. 24. II. c/c parágrafo único. .• Fl. 732DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 24 Art. 2º A exclusão do Simples surtirá os efeitos previstos nos artigos 15 e 16 n2 9.317, de 1996, e suas alterações posteriores. Art. 3º Poderá o contribuinte, dentro do prazo de trinta dias contados a partir da recebimento deste Ato, manifestar sua inconformidade, por escrito, nos termos do Decreto:'.n 70.235. de 7 de março de 1972: e suas alterações posteriores, relativamente à exclusão do Simples. ao Delegado da Receita Federal de sua jurisdição , por meio do formulário Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples(SRS), disponível na página da Secretaria da Receita Federal na Internet (www.receita.fazenda.gov.br/publico/formularios/srs.rtf), ou em suas unidades,assegurados o contraditório e a ampla defesa. Art.4 º Não havendo manifestação no prazo previsto no artigo anterior, a exclusão do Simples ' tornarseá definitiva. Ora, conforme a fundamentação do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 425.859, de 07 de agosto de 2003, o art. 16 da Lei 9317/1996 determina a sujeição das pessoas jurídicas excluídas do SIMPLES às regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, enquanto que o art. 15, Lei 9317/1996 delimita o marco temporal a partir do qual ocorre a produção dos efeitos da exclusão do SIMPLES, in verbis: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 9º; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9 o ; ( Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998 ) ( Vide Lei nº 10.925, de 2004 ) II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9 o desta Lei; ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9 o desta Lei. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005 ) Fl. 733DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 722 25 Art. 16 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. A argumentação do Recorrente no sentido dos efeitos da exclusão pudessem ser contados a partir da notificação da exclusão do Simples, em agosto/2003, não pode prosperar porque contraria os arts. 15 e 16 da Lei 9317/1996, os quais, ademais, fundamentaram o Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 425.859, de 07 de agosto de 2003. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO (C) Da matéria não impugnada Após as Preliminares, considerandose também a tributação já anteriormente afastada pela decisão de primeira instância, restou a ser discutido apenas as competências 11/2003 e 12/2003 em relação ao Código de Levantamento FP3 Assistência médica. Nos termos do art. 58 do Decreto 7574/2011 e dos arts. 17 do Decreto 70235/1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ou seja, para se discutir as matérias aduzidas pela autuação fiscal, o momento processual adequado é aquele da Impugnação: Decreto 70235/1972 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante Decreto 7574/2011 Art.58.Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (Decreto no 70.235, de 1972, art. 17, com a redação dada pela Lei no 9.532, de 1997, art. 67). Ora, diante do preceituado pelo art. 17, Decreto 70.235/1972, percebese que não foram argüidas pela Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, as matérias objeto do Código de Levantamento FP3 Assistência Médica. Portanto, diante do exposto, concluo pela preclusão da discussão das matérias de direito não discutidas neste momento processual do Recurso Voluntário. DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de Fl. 734DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 26 mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.014641/200811 Acórdão n.º 2403002.386 S2C4T3 Fl. 723 27 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para dar PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para: (i) em Preliminar, se reconhecer a decadência até a competência 10/2003, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN; (ii) No mérito, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 736DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/05/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13974.000683/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 09/01/1998 a 13/12/2002
PRESCRIÇÃO. CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO APENAS ATÉ A LEI COMPLEMENTAR 118/05. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621, de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possuía natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005. O STJ manifestou entendimento no mesmo sentido, concluindo pela manifesta inconstitucionalidade da aplicação retroativa da LC 118/05, conforme inteligência do Resp nº 644.736/PE. Por outro giro e por conectivo lógico, para os pedidos realizados anteriormente a esta data, aplica-se o prazo prescricional de 10 anos. In casu, o pedido de restituição foi protocolado no ano de 2007, estando o pedido restrito ao prazo prescricional de 5 anos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 09/01/1998 a 13/12/2002 PRESCRIÇÃO. CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO APENAS ATÉ A LEI COMPLEMENTAR 118/05. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621, de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possuía natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005. O STJ manifestou entendimento no mesmo sentido, concluindo pela manifesta inconstitucionalidade da aplicação retroativa da LC 118/05, conforme inteligência do Resp nº 644.736/PE. Por outro giro e por conectivo lógico, para os pedidos realizados anteriormente a esta data, aplicase o prazo prescricional de 10 anos. In casu, o pedido de restituição foi protocolado no ano de 2007, estando o pedido restrito ao prazo prescricional de 5 anos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 06 83 /2 00 7- 14 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto, Paulo Guilherme Déroulède, Maria Da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de pedido de restituição realizado em protocolado em 18/12/2007, por meio do qual o contribuinte pretende a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de COFINS em razão da inclusão indevida na base de cálculo da contribuição do ICMS. O período pleiteado alcança de janeiro/1998 a dezembro/2002. Por retratar a realidade dos fatos, passo a transcrever o relatório de primeira instância administrativa, in verbis: “Trata o presente processo de pedido de restituição por meio do qual a contribuinte acima qualificada intenta a repetição de recolhimentos que teriam sido indevidamente efetivados a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS entre 09/01/1998 e 13/12/2002. O motivo para o pleito repetitório seria a indevida inclusão, na base de cálculo das contribuições recolhidas, da parcela relativa ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias ICMS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joinville/SC pelo seu indeferimento (Despacho Decisório às folhas 21 a 24), fazendoo com base em dois fundamentos: (a) primeiro, o de que à época da apresentação do pedido de restituição, já teria tido transcurso integral o prazo de cinco anos para a repetição do indébito, previsto no inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional CTN. Como os recolhimentos foram feitos entre 15/01/1998 e 13/12/2002, e o pedido de restituição só foi formalizado em 18/12/2007, teria restado caracterizada a intempestividade do pleito repetitório; (b) e, segundo, que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS já estaria assentada inclusive na jurisprudência. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13974.000683/200714 Acórdão n.º 3302002.586 S3C3T2 Fl. 11 3 Irresignada com o indeferimento de seu pleito, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador legal mandato às folhas 16 , a manifestação de inconformidade às folhas 27 a 43, na qual apresenta suas razões. Inicialmente, discorda da interpretação dada pela DRF/Joinville/SC ao inciso I do artigo 168 do CTN. Alega que o prazo de cinco anos previsto no dispositivo legal só começa a ter curso, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, depois do transcurso do prazo previsto no parágrafo 4.° do artigo 150 do mesmo CTN. Argumenta no sentido de que o artigo 3.° da Lei Complementar n.° 118/2005, referido pela autoridade fiscal para fins de firmar seu entendimento de que os cinco anos se contam a partir do pagamento indevido, só teria aplicação para situações ocorridas a partir de sua vigência, como estaria firmado em decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça. A seguir, contesta a contribuinte, também, por argumentos de variada ordem, a assertiva fiscal de que o ICMS comporia as bases de cálculo da COFINS. Tais argumentos não serão aqui, entretanto, minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão.” Após analisar o pedido da Recorrente, a Quarta Turma da Delegacia de Julgamento de Florianópolis DRJ/FNS – proferiu o acórdão no 0722.179 – por meio do qual indeferiu o pleito conforme a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/1998 a 13/12/2002 REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contado da data do pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Registrase que a decisão de primeira instância administrativa deixou de adentrar à matéria de mérito tendo em vista a negativa do pleito em face da ocorrência de prescrição. Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 52 e segs.) reiterando suas razões de impugnação. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Voto O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de restituição protocolado em 18/12/2007, por meio do qual o contribuinte pleiteia valores supostamente recolhidos indevidamente no período de janeiro/1998 a dezembro/2002 em razão da inclusão indevida na base de cálculo da contribuição do ICMS. No que se refere ao prazo para repetição do indébito, entendo que o Código Tributário Nacional prevê expressamente a decadência do direito à restituição de tributos pagos indevidamente em 5 anos (art. 165, I c/c art. 168, I), contados a partir da data da extinção do crédito tributário verbis: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória.” (destaquei) “Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. (...)” Neste aspecto, o débito tributário se extingue com o seu pagamento, mesmo no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em virtude do disposto no artigo 3o da Lei Complementar no 118/05, valida e vigente após 09/06/20051, a saber: 1 LC 118/05 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13974.000683/200714 Acórdão n.º 3302002.586 S3C3T2 Fl. 12 5 LC 118/05 “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei.” Exatamente o caso da COFINS, que se submete ao lançamento por homologação, a saber: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...)” Tal posicionamento tornouse definitivo pelo julgamento do Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621, de relatoria da Ministra Ellen Greice, no qual restou analisada a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005, tendose decidido aquele colegiado que os efeitos da legislação seriam ex nunc, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005. Ainda, o STJ manifestou entendimento no mesmo sentido, concluindo pela manifesta inconstitucionalidade da aplicação retroativa da LC 118/05, conforme inteligência do Resp nº 644.736/PE. Logo, o pagamento do tributo constitui o início da contagem do prazo decadencial para o contribuinte requerer a restituição do pagamento indevido do tributo. É este também o entendimento deste Conselho, a saber: “COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é de 5 (cinco) anos, distinguindose o início de sua contagem em razão da forma em que se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear a restituição ou a compensação tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido (extinção do crédito tributário). Recurso negado.” (Recurso nº 125408, Terceira Câmara, Processo nº Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 13657.000380/200280, D.O.U. de 28/02/2008, Seção 1, pág. 22 – NPM) “COFINS. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. O prazo para pleitear restituição de pagamentos a maior ou indevidos expirase após contados cinco anos destes pagamentos. SOCIEDADES CIVIS. Até março de 1997, as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada que tiveram registro civil das pessoas jurídicas e foram constituídas por pessoas físicas domiciliadas no país eram isentas da Cofins, sendo irrelevante o regime tributário adotado. Aplicação da Súmula nº 276 do STJ. Recurso provido em parte.” (Recurso 124113, Primeira Câmara, Processo nº 10860.005349/200151, sessão 15/09/04, DPPU) Em vista do exposto, nego provimento ao pleito da Recorrente em virtude entender que seu direito à restituição do indébito encontravase decaído quando da apresentação do pleito administrativo. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 72DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 20/0 5/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10183.902416/2012-69
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestir-se dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação.
Numero da decisão: 3803-006.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em processos constituídos por declaração de compensação compete ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do seu direito ao crédito utilizado, que deve revestirse dos atributos de liquidez e certeza para que logre a sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 24 16 /2 01 2- 69 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação servindose de crédito de PIS/Cofins Não Cumulativa, decorrente de alegado pagamento a maior. Despacho Decisório do DRF/Cuiabá indeferiu a DComp, tendo em vista que, a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível a compensar Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; b) a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado. Pelo que, concluiu que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; d) há diversas situações que acarretam a restituição de valor recolhido: a inclusão indevida de valores na base de cálculo; erro de fato na apuração do imposto; situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo e que são regulamentadas pela IN 900/2008; e) a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; f) calculou a contribuição utilizandose de base de cálculo com valores que incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas também as demais receitas que não devem compôla; g) utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte; h) “o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9.430/96”; i) postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; j) é legítima a sua pretensão em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada. Em julgamento da lide a DRJ/Campo Grande apresentou a justificação contida no despacho decisório de não homologação e rejeitou a preliminar de nulidade da decisão administrativa, tendo declarado não haver nenhuma das suas hipóteses. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902416/201269 Acórdão n.º 3803006.080 S3TE03 Fl. 63 3 Rejeitou, ainda, o pedido de diligência para apresentação das provas que, a teor do art. 16, § 4º, a, b, c, e § 5º, do Decreto nº 70.235, de 1972, deveria ter acompanhado a manifestação de inconformidade No mérito, a improcedência da manifestação de inconformidade foi assentada sobre a falta de certeza e liquidez do crédito utilizado na DComp, comprovação de que deveria terse desincumbido a Manifestante, porquanto seu este ônus. Cientificada da decisão em 25 de outubro de 2013, irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 25 de novembro de 2013, em que levanta como argumento de defesa apenas a nulidade do despacho decisório, por ferir o princípio da motivação dos atos administrativos por não ter fundamentado a decisão e o princípio da ampla defesa – por não dispor a Manifestante das razões de decidir do ato administrativo, de sorte a poder aparelhar a sua manifestação de inconformidade. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, por manter o despacho decisório exarado nas circunstâncias que descreve. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A Recorrente maneja em seu recurso apenas o argumento de nulidade do despacho decisório e clama pela reforma da decisão recorrida. Com efeito, o Colegiado a quo bem explicou os fatos subjacentes no despacho decisório, deixando claro o motivo que deu suporte à decisão de não reconhecimento do direito creditório e não homologação da compensação: o DARF do qual foi destacado o suposto crédito estava inteiramente alocado ao débito por ela mesma confessado em DCTF. Eis os seus termos: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, conforme demonstra o quadro do despacho decisório “Fundamentação, Decisão e Enquadramento Legal – Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PerDcomp” e o quadro resumo das declarações do contribuinte a seguir, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.[grifei] A decisão mencionou a falta de demonstração, pela Manifestante (i) do erro em que se fundara a sua original apuração do débito, (ii) do fundamento em que se baseara a redução da base de cálculo, e (iii) dos elementos de prova, em especial a escrita contábil/fiscal, das alegações. Eis os termos em que se pode identificar este roteiro na decisão: Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do Fl. 64DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 indeferimento permanece. Entretanto, o contribuinte não trouxe aos autos nenhum documento contábil ou fiscal que demonstrasse suas afirmações genéricas de que o seu crédito provêm de receitas contabilizadas de maneira equivocada. Informa que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável ao contribuinte, mas não relata quais são essas ações e se faz parte delas.[grifei] Somente calcada nos requisitos acima destacados, a defesa teria a aptidão de infirmar o encontro de contas processado pela RFB, em que foram considerados os dados informados pela própria Contribuinte. Em contraposição, a Manifestante fora, de fato, genérica na justificativa da origem do seu crédito, como afirmado no acórdão. O delineamento desenhado pelas razões de decidir constituise numa luz que deveria se projetar sobre os argumentos da Recorrente na composição do recurso voluntário. Ainda que não tivesse trazido os citados elementos de prova das bases de cálculo anexados à manifestação de inconformidade, poderia têlo feito no recurso. Somente com o suprimento desta lacuna da defesa, se poderia ter como legítimo o reclamo da Recorrente pelo exercício da ampla defesa, pelo afastamento da preclusão, com base no fato de o despacho decisório não tê la conclamado, expressamente, a apresentar provas, juntamente com a manifestação de inconformidade. A menção na intimação que compõe o despacho decisório, da necessidade de o contribuinte anexar provas na manifestação de conformidade, teria a função de mera lembrança, não é defeito do ato administrativo, porquanto o comando para cumprir este requisito de defesa é legal, segundo regência do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. É ônus do contribuinte. O lançamento por homologação é atividade cometida por lei ao contribuinte, a quem compete apurar o quanto devido do tributo e antecipar o pagamento sem prévia apreciação de autoridade administrativa. Por meio dessa atividade o próprio contribuinte abastece os sistemas de controle da Fazenda, que, assim, já dispõe dos dados para efetuar eventual compensação por ele declarada. A par dessa atividade do contribuinte, a declaração de compensação consubstancia o exercício de direito potestativo de contribuinte que apure crédito perante a Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A consequência dessa sistemática é que débito informado na DComp é extinto pelo contribuinte independentemente de apreciação prévia da Administração Tributária. Esta, dispõe de cinco anos para homologá la. Sob esse rito legal, tornase do contribuinte o ônus de comprovar o direito que ele mesmo constitui por meio da DComp qual seja, a extinção do débito. Com fulcro nos fundamentos acima, mostrase improcedente o argumento da Recorrente de falta de motivação do despacho decisório, ficando configurado que não se desincumbiu do seu ônus de substanciar a recurso com os elementos faltantes na manifestação de inconformidade, já possuindo orientação suficiente da decisão recorrida para tanto. Assim, não merece prosperar o seu pedido de reforma do acórdão guerreado. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de abril de 2014 (assinado digitalmente) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10183.902416/201269 Acórdão n.º 3803006.080 S3TE03 Fl. 64 5 Belchior Melo de Sousa Fl. 66DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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