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Numero do processo: 10925.003038/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO.
Para fins de apuração de crédito de PIS/COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade.
No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com as embalagens de conservação e os seus correspondentes fretes.
Numero da decisão: 9303-009.144
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito de PIS/COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com as embalagens de conservação e os seus correspondentes fretes.
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NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. Para fins de apuração de crédito de PIS/COFINS não-cumulativa, há de se observar o rol de deduções previstos no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, adotando-se, no que tange ao seu inciso II, a interpretação intermediária construída no CARF quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade. No caso concreto analisado, há de ser reconhecido o direito ao crédito relativo às despesas com as embalagens de conservação e os seus correspondentes fretes. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento e declarações de compensação de créditos de contribuição não cumulativa, que não foi integralmente reconhecido pela DRF de origem. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 30 38 /2 00 9- 11 Fl. 224DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.144 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003038/2009-11 Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, onde argumenta, em suma: materiais de embalagem são indispensáveis ao acondicionamento do produto para manter suas características, papel de seda, fita cantoneira e outros são insumos na produção da maçã ; despesa com condomínio tem a mesma natureza da despesa com aluguel; não existe lei que determine a aplicação do conceito do IPI ao crédito de PIS/Cofins. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3301-004.515, que lhe deu provimento parcial, para admitir o creditamento de embalagens e fretes das embalagens. Recurso especial da Fazenda Cientificada do acórdão de recurso voluntário a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que se estribou nos acórdãos paradigmas nº 3101-00.759 e nº 9303-005.531, os quais não admitem que embalagens de transporte seja tomadas por insumos, em oposição ao recorrido que assim o admite. Tal recurso especial foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em despacho de admissibilidade, no qual deu-lhe seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Contrarrazões da contribuinte Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial, a contribuinte apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-009.126, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.003010/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-009.126): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Em regra, não há que admitir a inclusão de embalagens de transporte dos produtos para a venda como insumo, por isso não dariam direito ao crédito. Porém, no caso, como o produto é alimentício, as referidas embalagens são necessárias para manter as Fl. 225DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.144 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003038/2009-11 características do produto. Isso bem compreendeu a i. Conselheira Maria Alencar Câmara Simões, relatora do acórdão recorrido, na matéria em que foi vencedora, e por isso adoto os argumentos expendidos em seu voto, cujos excertos peço vênia para reproduzir: 2.1. Das embalagens As embalagens aqui analisadas são as seguintes: bandejas (utilizadas nas caixas de papelão para separar e acondicionar as maçãs), cantoneiras (utilizadas nas caixas de papelão, para proteger o produto, durante o transporte até o cliente, evitando o amassamento da caixa e das maçãs), fitas adesivas (para lacrar o fundo das caixas), pallets e seus acessórios (tais como pregos e etiquetas, utilizados no armazenamento e transporte das caixas de maçãs), papel-seda (utilizado para embrulhar a maçã), plástico bolha (empregado para envolver a maçãs, evitando o atrito entre elas), caixa e fundos (usados no acondicionamento das frutas), tampas (utilizadas para proteger a fruta do contato com o ambiente externo), cola (utilizada para colar os rótulos nas caixas de madeira), filme PVC (usado para segurar as caixas nos pallets), termógrafo (usado para controlar a temperatura das caixas quando transportadas). Quanto às embalagens, entendo que a legislação admite o direito ao crédito no caso concreto ora analisado, ainda que as embalagens utilizadas. Isso porque, em razão da especificidade dos produtos produzidos pela Recorrente, é inconteste que as embalagens apresentando-se essenciais à conservação da integridade e qualidade do produto. Conforme fundamentos constantes do tópico anterior, entendo desnecessário que as embalagens sejam incorporadas ao produto durante o processo de industrialização para que seja reconhecido o seu direito ao crédito. É imprescindível, na verdade, identificar se o insumo em questão é essencial à atividade produtiva desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente, tendo concluído no caso dos presentes autos que sim. Até porque, ainda que se entendesse que as embalagens em questão seriam destinadas apenas ao transporte, o que não é o caso, a legislação atinente à COFINS não acoberta a restrição realizada pela fiscalização para fins de tomada de crédito, a qual levou em consideração a legislação do IPI, cuja aplicável há de ser afastada. Estes custos com embalagens para acondicionamento e transporte, em razão da especificidade dos produtos que a Recorrente comercializa, são essenciais a que o produto produzido pela empresa seja colocado à venda, pelo que se insere no conceito de insumo que adoto, nos termos acima analisados. Entendo, ainda, que este item específico também se insere no inciso IX, que expressamente autoriza o creditamento relativo à armazenagem de mercadoria e frete na importação de vendas, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Isso porque, verifica-se que a adoção da embalagem em questão é necessária tanto para a armazenagem quanto para o transporte dos produtos que a recorrente industrializa e comercializa, em razão das suas especificidades. Há de se destacar, inclusive, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em caso análogo, já se manifestou pelo direito ao crédito em tal caso. É o que se infere da decisão a seguir transcrita: (...) Logo, entendo que a decisão recorrida também deverá ser reformada neste ponto, para fins de admitir o direito ao crédito também no que concerne aos tambores utilizados para acondicionamento e transporte. Sendo assim, entendo que deverá ser reconhecido o direito ao crédito no que concerne às embalagens. 2.2. Dos fretes das embalagens Fl. 226DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.144 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10925.003038/2009-11 A segunda glosa objeto da presente demanda incidiu sobre o serviço de transporte de material não considerado insumo na produção da maçã, tais como papel-seda, fitas, filmes, cantoneira, cola, termógrafo etc. O contribuinte defende que, uma vez considerado insumo o material de embalagem utilizado, a despesa com frete na sua aquisição é capaz de gerar creditamento. No que tange aos fretes das embalagens, uma vez admitido o crédito no que concerne às embalagens, entendo que há de ser admitido o direito ao crédito também no que tange aos fretes das referidas embalagens. Até porque, penso que o gasto com frete pago ou creditado pelo comprador à pessoa jurídica domiciliada no País incorpora-se ao custo de aquisição do insumo, além de encontrar previsão de desconto de crédito no artigo 3º, inciso IV da Lei nº 10.833/2003, cumulado com o inciso II deste mesmo dispositivo legal. Dessarte, para o caso concreto, devem os gastos com embalagens serem utilizados na apuração dos créditos de Cofins, como insumos, e por isso os fretes dessa embalagens também fazem jus ao crédito. CONCLUSÃO Em face do exposto, voto por não dar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo na íntegra o acórdão recorrido.” (Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917583/2011-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA.
O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
Numero da decisão: 9303-008.847
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de restituição de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de PIS. A DRF de origem emitiu o despacho decisório eletrônico, no qual informava que os valores constantes do DARF discriminado no PER/DCOMP encontravam-se utilizados para quitação de débitos da contribuinte, sem disponibilidade para restituição. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, argumentando, em apertada síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 83 /2 01 1- 79 Fl. 194DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.847 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917583/2011-79 - alega falta de aprofundamento da investigação dos fatos, por parte da autoridade administrativa; - discorda do entendimento da decisão recorrida de que as provas juntadas seriam insuficientes para comprovação do direito creditório pleiteado; - defende a inocorrência da preclusão de apresentação de provas, referida pela decisão recorrida, fazendo alusão ao princípio da verdade material; - afirma que seu pleito estaria fundamentado na inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998), declarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF; - ao final, pede que seja reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinaria da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3201-003.599, que negou provimento ao pleito. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão a contribuinte interpôs recurso especial, afirmando haver divergência com relação a possibilidade de valoração das provas por ela apresentadas, competindo à autoridade administrativa, com base na documentação apresentada - balancete e livro razão - efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório, com base nos acórdãos paradigmas nº 3801-003.586 e nº 3801-003.577, em franca oposição ao acórdão recorrido, que afirma ser dela o ônus probatório. O Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, e, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu-lhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.828, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.900123/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.828): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Fl. 195DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.847 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917583/2011-79 No mérito, desde logo saliento que, nos casos de pedido de restituição ou ressarcimento, me alinho com os que entendem ser o ônus probatório do contribuinte, o qual deve demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório por ele pleiteado. Invocar a utilização de créditos para compensação apenas com um pedido, desguarnecido das provas necessárias, provas essas que em regra são de posse do requerente, me parece um exagero em afronta à legislação aplicável, iniciando-se com o CTN (art. 170), o Decreto nº 70.235/1972 - PAF (art. 16, § 4º), pela Lei nº 9.784/1999 (art. 36) , a Lei nº 9.430/1996 (art. 74) e chegando ao até ao CPC/2015 (art. 373). Da mesma forma que voto condutor do acórdão recorrido, entendo suficientes as razões de decidir do voto do relator da decisão de piso da DRJ/REC, pois lá se afirmava (e-fls. 61 e 62): 44.( ...) consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5. 46. Ressalto, por oportuno, que as provas de que dispõe a recorrente devem ser apresentadas, sob pena de preclusão ressalvadas as exceções legalmente previstas, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. É o que preceitua o art. 16, caput, III e §4º, do Decreto 70.235/72. 47. Quanto às provas, convém elucidar, por oportuno, que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações com amparo em documentos hábeis – de trazer aos autos as provas de que dispõe. Nesta vereda, reproduz-se o entendimento de Paulo Celso Bonilha, in “Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997, pp. 77/78 : “(...) o poder instrutório das autoridades de julgamento, deve-se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos e não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições. Inclusive a probatória não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear ao processo." (g.n.) 48. Em análoga diretriz o posicionamento de Humberto Theodoro Júnior (in “Curso de Direito Processual Civil”, Rio de Janeiro, Forense, 1996, pp.417): “(...) Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrá-lo ou exercê-lo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte.” (g.n.) (Destaques do original) Fl. 196DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.847 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.917583/2011-79 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto pela improcedência do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 197DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900126/2012-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-008.829
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. O reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de restituição de créditos originários de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A DRF de origem emitiu o despacho decisório eletrônico, no qual informava que os valores constantes do DARF discriminado no PER/DCOMP encontravam-se utilizados para quitação de débitos da contribuinte, sem disponibilidade para restituição. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, argumentando, em apertada síntese: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 01 26 /2 01 2- 26 Fl. 195DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.829 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.900126/2012-26 - alega falta de aprofundamento da investigação dos fatos, por parte da autoridade administrativa; - discorda do entendimento da decisão recorrida de que as provas juntadas seriam insuficientes para comprovação do direito creditório pleiteado; - defende a inocorrência da preclusão de apresentação de provas, referida pela decisão recorrida, fazendo alusão ao princípio da verdade material; - afirma que seu pleito estaria fundamentado na inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998), declarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF; - ao final, pede que seja reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinaria da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3201-003.579, que negou provimento ao pleito. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão a contribuinte interpôs recurso especial, afirmando haver divergência com relação a possibilidade de valoração das provas por ela apresentadas, competindo à autoridade administrativa, com base na documentação apresentada - balancete e livro razão - efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório, com base nos acórdãos paradigmas nº 3801-003.586 e nº 3801-003.577, em franca oposição ao acórdão recorrido, que afirma ser dela o ônus probatório. O Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte, e, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, deu-lhe seguimento. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.828, de 16 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10480.900123/2012-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.828): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Fl. 196DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.829 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.900126/2012-26 No mérito, desde logo saliento que, nos casos de pedido de restituição ou ressarcimento, me alinho com os que entendem ser o ônus probatório do contribuinte, o qual deve demonstrar a certeza e liquidez do direito creditório por ele pleiteado. Invocar a utilização de créditos para compensação apenas com um pedido, desguarnecido das provas necessárias, provas essas que em regra são de posse do requerente, me parece um exagero em afronta à legislação aplicável, iniciando-se com o CTN (art. 170), o Decreto nº 70.235/1972 - PAF (art. 16, § 4º), pela Lei nº 9.784/1999 (art. 36) , a Lei nº 9.430/1996 (art. 74) e chegando ao até ao CPC/2015 (art. 373). Da mesma forma que voto condutor do acórdão recorrido, entendo suficientes as razões de decidir do voto do relator da decisão de piso da DRJ/REC, pois lá se afirmava (e-fls. 61 e 62): 44.( ...) consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5. 46. Ressalto, por oportuno, que as provas de que dispõe a recorrente devem ser apresentadas, sob pena de preclusão ressalvadas as exceções legalmente previstas, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade. É o que preceitua o art. 16, caput, III e §4º, do Decreto 70.235/72. 47. Quanto às provas, convém elucidar, por oportuno, que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações com amparo em documentos hábeis – de trazer aos autos as provas de que dispõe. Nesta vereda, reproduz-se o entendimento de Paulo Celso Bonilha, in “Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997, pp. 77/78 : “(...) o poder instrutório das autoridades de julgamento, deve-se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos e não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições. Inclusive a probatória não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear ao processo." (g.n.) 48. Em análoga diretriz o posicionamento de Humberto Theodoro Júnior (in “Curso de Direito Processual Civil”, Rio de Janeiro, Forense, 1996, pp.417): “(...) Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrá-lo ou exercê-lo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte.” (g.n.) (Destaques do original) Fl. 197DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.829 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10480.900126/2012-26 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto pela improcedência do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso especial de divergência e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.010865/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
IRPF. ISENÇÃO. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE DEVIDAMENTE ELENCADA EM LEI.
Para que o contribuinte possa se beneficiar da isenção prevista no art. 6º, inc. XIV, da Lei nº 7.713/88, é preciso que a moléstia de que o mesmo padece esteja devidamente prevista no rol das moléstias passíveis de isenção. No caso da hepatopatia grave, a mesma somente passou a integrar este rol a partir de 1º de janeiro de 2005, de forma que não se pode reconhecer o direito à isenção em período anterior a este.
Numero da decisão: 2102-001.413
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
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ISENÇÃO. RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. MOLÉSTIA GRAVE DEVIDAMENTE ELENCADA EM LEI. Para que o contribuinte possa se beneficiar da isenção prevista no art. 6º, inc. XIV, da Lei nº 7.713/88, é preciso que a moléstia de que o mesmo padece esteja devidamente prevista no rol das moléstias passíveis de isenção. No caso da hepatopatia grave, a mesma somente passou a integrar este rol a partir de 1º de janeiro de 2005, de forma que não se pode reconhecer o direito à isenção em período anterior a este. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relator EDITADO EM: 28 de Julho de 2011 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório O contribuinte acima especificado apresentou pedidos de restituição do IRPF recolhido em relação aos anoscalendário 2002 a 2005, ao argumento de que teria direito à isenção do imposto por ser portador de moléstia grave elencada em lei (hepatopatia grave). O pedido de restituição foi parcialmente deferido ao argumento de que no caso de hepatopatia grave, seus portadores seriam isentos do IRPF a partir de 1° de janeiro de 2005, uma vez que a moléstia foi acrescida ao rol por meio da redação dada pelo art. 2º da lei 11.052, em vigor a partir de 2005. Inconformado, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 147 a 155, alegando que, verbis: Com relação aos valores objeto do pedido de restituição outrora formulado, atinentes aos anosbase de 2002 a 2004, o referido SEORT concluir pelo impossibilidade de deferimento da restituir por entender que, "Especialmente, no caso de Hepatopatia Grave, seus portadores comente são isentos de IRPF a partir de 10 de janeiro de 2005, uma vez que essa moléstia foi acrescida ao rol por meio daredação dada pelo art. 2° da Lei n°. 11.052 de 2004, em vigor a partir de 2005". Contudo, o peticionante não pode concordar com o entendimento consignado no referido Despacho Decisório n°. 7/2009, notadamente em razão do fato de que a interpretação literal e restritiva conferida pela autoridade fiscal aos dispositivos constantes dos incisos XIV e XXI do artigo 6° da Lei n°. 7.713/88 fere o intuito da legislação garantidora da isenção em questão — mens legis — representando clara violação ao direito do contribuinte ora peticionante de ver reconhecida a isenção da totalidade dos rendimentos de aposentadoria aqui requeridos, independentemente da data em que tenham sido os mesmos auferidos e da data de alteração legislativa (Lei n°. 11.052) que tenha incluído expressamente a doença que acomete o requerente no rol do inciso XIV do dispositivo legal acima mencionado. Com efeito, afastar a configuração de isenção única e exclusivamente por conta do fato de que apenas em 2005 teria sido expressamente mencionada, na legislação em questão, a Hepatopatia Grave, significa conferir à interpretação literal, gramatical, restritiva, importância erroneamente superior ao conteúdo teleológico da norma jurídica isencional aqui debatida, que, inegavelmente, visa a ' proteger os rendimentos dos portadores de doenças graves e debilitantes da incidência do imposto de renda, de modo a restarem garantidos os recursos. necessários ao tratamento e à eventual cura da doença. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.010865/200740 Acórdão n.º 210201.413 S2C1T2 Fl. 204 3 Nesse contexto, embora inexistisse, antes de 29.12.2004 (data de publicação da Lei n° 11.052), referência expressa sobre a Hepetopatia Grave no rol de doenças listadas no no inc.XIV do artigo 6° da Lei n°. 7.713/88, afigurase notório que tal enfermidade é de igual ou de maior gravidade que as demais doença a anteriormente descritas no referido dispositivo legal. Na análise deste pedido, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção do despacho decisório, em julgado do qual se extrai a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FISICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO A isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria de portador de moléstia rave será concedida quando invocada pelos contribuintes que sofram das patologias elencadas no texto legal que dispõe sobre esse beneficio e deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A isenção do imposto de renda prevista para os portadores de doenças consideradas graves comporta somente interpretação literal. Solicitação Indeferida Ainda não se conformando, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 180/191. por meio do qual insiste do pedido de que lhe seja deferida a restituição do IR pago entre os anoscalendário de 2002 a 2004, em razão de já ser àquela época portador da hepatopatia alegada. Os autos foram então remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 21.08.2009. O Recurso Voluntário foi interposto em 22.09.2009 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de restituição do IR recolhido pelo Recorrente entre os exercício 2003 a 2005 (relativos aos anoscalendário 2002 a 2004), sob o Fl. 221DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 fundamento de que seus rendimentos seriam isentos, por ser ele portador de hepatopatia grave, moléstia prevista entre aquelas elencadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. O pedido originalmente formulado – que englobava também a restituição do IR pago em relação ao anocalendário 2005 – foi parcialmente acolhido. O deferimento parcial da restituição pleiteada se deveu ao fato de que a inclusão da “hepatopatia grave” dentre as moléstias que permitem o direito à isenção somente se deu a partir de 01.01.1995, com o advento da Lei n° 11.052/2004. Por isso, somente o imposto pago em relação aos fatos geradores ocorridos em 2005 foi considerado como passível de restituição. Pretende o Recorrente que seja deferido o seu pleito ao argumento de que o reconhecimento da gravidade da moléstia que lhe acomete implicaria no reconhecimento da isenção do imposto mesmo para os anos anteriores ao da edição da lei que previu a referida isenção. Seu recurso não merece acolhida. Isto porque, de fato, a Lei nº 11.052/2004 assim dispôs: Art. 1o O inciso XIV do art. 6o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei no 8.541, de 23 de dezembro de 1992, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 6o ............................................................................ ........................................................................................ XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ......................................................................................." (NR) Art. 2o Esta Lei entra em vigor em 1o de janeiro do ano subseqüente à data de sua publicação. A lei é clara, e foi somente a partir de sua entrada em vigor (1º de janeiro de 2005) que o art. 6º, inc. XIV passou a reconhecer a isenção do IR sobre os proventos de aposentadoria para os portadores de hepatopatia grave. A decisão recorrida, por isso mesmo, deixou de reconhecer o direito pleiteado pelo Recorrente, pelos seguintes argumentos: Comporta destacar que, contrariamente à manifestação do interessado, a legislação tributária que dispõe sobre outorga de isenção determina que a interpretação deve ser literal, conforme prevista no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN, assim, somente a lei pode incluir ou excluir alguma patologia no rol das doenças Fl. 222DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.010865/200740 Acórdão n.º 210201.413 S2C1T2 Fl. 205 5 prescritas no texto legal, não cabe à autoridade fiscal fazer inclusão de doença não relacionada na Lei nos anos que aqui se discute: 2002 a 2004. O entendimento desta julgadora se coaduna com o prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Campinas. Por todo o exposto, concluise que o interessado não é portador de nenhuma das doenças elencadas como moléstia grave, pelo inciso XIV do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pela Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, nos anoscalendário de 2002 a 2004. Tal decisão, a meu ver, não merece reparos, e deve ser mantida por seus próprios fundamentos, já que no período mencionado (2002 a 2004) não havia previsão legal para a isenção pretendida, de forma que o recolhimento efetuado pelo Recorrente para aqueles anos não deve ser considerado como indevido, e por isso mesmo não é passível de restituição. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 28 de julho de 2011 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 223DF CARF MF Impresso em 01/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 25/10/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002011/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
DESPESAS COM PLANOS DE SAÚDE DE DIRETORES EMPREGADOS. DISTINÇÃO. POSSIBILIDADE. GLOSA CANCELADA
Para fins da dedutibilidade do IRPJ, a exigência de que as despesas de saúde sejam realizadas por meio do fornecimento do mesmo plano de saúde a dirigentes e empregados, extrapola os limites fixados pela legislação. O requisito exigido é a universalidade, não a homogeneidade do benefício.
DESPESAS COM TREINAMENTOS DE EMPREGADOS. DEDUTIBILIDADE. PERÍODO DE COMPETÊNCIA.
As despesas com treinamentos de empregados e executivos podem ser deduzidas no período de sua realização, inexistindo previsão legal para o seu registro em ativo diferido, ainda que possam trazer benefícios à empresa por mais de um exercício social.
IRPJ. GLOSA DE DESPESAS SUJEITAS A REGISTRO NO ATIVO DIFERIDO. POSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. CARACTERIZAÇÃO.
Considerando que as despesas glosadas pelo Fisco, por exigência de seu registro em ativo diferido, são amortizáveis em períodos de apuração subsequentes, considera-se ocorrida a postergação de pagamento quando comprovado que ocorreu o efetivo e espontâneo pagamento do imposto em período-base posterior, sem o aproveitamento da parcela amortizável.
Numero da decisão: 1302-003.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às despesas com check-up de diretores e gerentes; por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à glosa de despesas com plano de saúde de empregados e diretores, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil (relator) que negava provimento e Ricardo Marozzi Gregório que dava provimento parcial para limitar a dedução com base no valor individual gasto com planos dos empregados; por voto de qualidade, em negar provimento quanto à dedução de despesa com plano de previdência privada, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias e Marcelo José Luz de Macedo, que davam provimento; por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à glosa de despesas com treinamentos de empregados, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil (relator), que negava provimento; por maioria de votos, em dar provimento parcial, para admitir a postergação de pagamento do IRPJ no ano-calendário de 2007, vencidos Rogério Aparecido Gil (relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo e Maria Lúcia Miceli, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DESPESAS COM PLANOS DE SAÚDE DE DIRETORES EMPREGADOS. DISTINÇÃO. POSSIBILIDADE. GLOSA CANCELADA Para fins da dedutibilidade do IRPJ, a exigência de que as despesas de saúde sejam realizadas por meio do fornecimento do mesmo plano de saúde a dirigentes e empregados, extrapola os limites fixados pela legislação. O requisito exigido é a universalidade, não a homogeneidade do benefício. DESPESAS COM TREINAMENTOS DE EMPREGADOS. DEDUTIBILIDADE. PERÍODO DE COMPETÊNCIA. As despesas com treinamentos de empregados e executivos podem ser deduzidas no período de sua realização, inexistindo previsão legal para o seu registro em ativo diferido, ainda que possam trazer benefícios à empresa por mais de um exercício social. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS SUJEITAS A REGISTRO NO ATIVO DIFERIDO. POSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. CARACTERIZAÇÃO. Considerando que as despesas glosadas pelo Fisco, por exigência de seu registro em ativo diferido, são amortizáveis em períodos de apuração subsequentes, considera-se ocorrida a postergação de pagamento quando comprovado que ocorreu o efetivo e espontâneo pagamento do imposto em período-base posterior, sem o aproveitamento da parcela amortizável.
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E IND. LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DESPESAS COM PLANOS DE SAÚDE DE DIRETORES EMPREGADOS. DISTINÇÃO. POSSIBILIDADE. GLOSA CANCELADA Para fins da dedutibilidade do IRPJ, a exigência de que as despesas de saúde sejam realizadas por meio do fornecimento do mesmo plano de saúde a dirigentes e empregados, extrapola os limites fixados pela legislação. O requisito exigido é a universalidade, não a homogeneidade do benefício. DESPESAS COM TREINAMENTOS DE EMPREGADOS. DEDUTIBILIDADE. PERÍODO DE COMPETÊNCIA. As despesas com treinamentos de empregados e executivos podem ser deduzidas no período de sua realização, inexistindo previsão legal para o seu registro em ativo diferido, ainda que possam trazer benefícios à empresa por mais de um exercício social. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS SUJEITAS A REGISTRO NO ATIVO DIFERIDO. POSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO. CARACTERIZAÇÃO. Considerando que as despesas glosadas pelo Fisco, por exigência de seu registro em ativo diferido, são amortizáveis em períodos de apuração subsequentes, considera-se ocorrida a postergação de pagamento quando comprovado que ocorreu o efetivo e espontâneo pagamento do imposto em período-base posterior, sem o aproveitamento da parcela amortizável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto às despesas com check-up de diretores e gerentes; por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à glosa de despesas com plano de saúde de empregados e diretores, vencidos os conselheiros Rogério Aparecido Gil (relator) que negava provimento e Ricardo Marozzi Gregório que dava provimento parcial para limitar a dedução com base no valor individual gasto com planos dos empregados; por voto de qualidade, em negar provimento quanto à dedução de despesa com plano de previdência privada, vencidos os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 20 11 /2 00 8- 51 Fl. 1397DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Vilhena Dias e Marcelo José Luz de Macedo, que davam provimento; por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à glosa de despesas com treinamentos de empregados, vencido o conselheiro Rogério Aparecido Gil (relator), que negava provimento; por maioria de votos, em dar provimento parcial, para admitir a postergação de pagamento do IRPJ no ano-calendário de 2007, vencidos Rogério Aparecido Gil (relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo e Maria Lúcia Miceli, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 03-38.775, de 20/08/2010 da 2ª Turma da DRJ em Brasília que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação. A exoneração não impunha recurso de ofício. Registrou-se a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2004 PLANOS DE SAÚDE/CHECK-UP. DEDUTIBILIDADE DOS GASTOS. NECESSIDADE DE DISPONIBILIDADE DO SERVIÇO A TODOS OS FUNCIONÁRIOS. Somente são considerados despesas operacionais e, por conseguinte, dedutíveis, os gastos com assistência médica que seja destinada a todos os empregados e dirigentes sem qualquer diferenciação quanto ao nível hierárquico que ocupem na empresa. PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR. DEDUTIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES. NECESSIDADE DE SEMELHANÇA COM BENEFÍCIOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. São indedutíveis as contribuições não compulsórias destinadas a custear planos de benefícios complementares não assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica. A previsão contratual de resgate independentemente da ocorrência de um estado de necessidade como o que ocorre na previdência social, descaracteriza a semelhança. Fl. 1398DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 GASTOS COM TREINAMENTO DE FUNCIONÁRIOS. FORMAÇÃO DE RESULTADOS FUTUROS. NECESSIDADE DE REGISTRO NO ATIVO DIFERIDO. Os gastos com treinamento de funcionários, quando contribuírem para a formação dos resultados de exercícios subsequentes devem ser ativados para serem amortizados, sendo indevida a dedução como despesa operacional no ano da realização. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Devida a compensação de trinta por cento do valor tributável, correspondente às infrações apuradas, com o prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores. POSTERGAÇÃO. ANOS 2005 E 2006. PREJUÍZOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em postergação quando no período em que a despesa deveria ter sido deduzida o contribuinte tiver apurado prejuízo fiscal. POSTERGAÇÃO. ANO 2008. PERÍODO DE APURAÇÃO NÃO ENCERRADO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em postergação quando o lançamento foi efetivado e cientificado antes do encerramento do período de apuração, ou seja, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. POSTERGAÇÃO. ANO 2007. AUSÊNCIA DE EFETIVO E ESPONTÂNEO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA. Considera-se postergada a parcela de imposto relativa a determinado período-base somente quando efetiva e espontaneamente paga em período-base posterior. Na espécie, não houve o pagamento efetivo, razão pela qual não há que se falar em postergação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Devida a compensação de trinta por cento do valor tributável, correspondente às infrações apuradas, com a base negativa de CSLL acumulada de períodos anteriores. POSTERGAÇÃO. ANOS 2005 E 2006. BASES NEGATIVAS. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em postergação quando no período em que a despesa deveria ter sido deduzida o contribuinte tiver apurado base negativa. POSTERGAÇÃO. ANO 2008. PERÍODO DE APURAÇÃO NÃO ENCERRADO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em postergação quando o lançamento foi efetivado e cientificado antes do encerramento do período de apuração, ou seja, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Fl. 1399DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 POSTERGAÇÃO. ANO 2007. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. EFETIVO PAGAMENTO. Considera-se postergada a parcela de imposto relativa a determinado período- base, quando efetiva e espontaneamente paga em período-base posterior. Na espécie, houve o efetivo pagamento mediante a extinção de estimativas mensais por compensações declaradas em PER/Dcomp. Postergação existente. CSLL. DEMAIS MATÉRIAS. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento da CSLL o mesmo exposto para o IRPJ, haja vista decorrerem de mesmas matérias tributáveis e mesmos elementos de prova. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente foi fiscalizada, com início do procedimento em 2007, sob três fundamentos que geraram os seguintes autos de infração: a) dedutibilidade de custos e despesas - Proc. 11065.002011/2008-51 (AC- 2004) (obs.: no e-processo está registrado RO, também, quando este não foi impetrado pela DRJ) (este processo); b) glosa de adições e exclusões - Proc. 11065.002012/2008-04 (AC 2004) - extinto por pagamento; c) glosa de amortização de ágio - Proc. 11065.002498/2008-72 (AC 2004 a 2006), inicialmente distribuído para a 2ª Turma, 4ª Câmara, 1ª Seção e remetido para julgamento em conjunto com o presente processo; Posteriormente foram lançados novos créditos tributários, sob os seguintes fundamentos: d) glosa de amortização de ágio (mesmo ágio de "c") - Proc. 11065.722968/2012-02 (AC 2007 a 2009), inicialmente distribuído para a 2ª Turma, 4ª Câmara, 1ª Seção e remetido para julgamento em conjunto com o presente processo; Em relação aos processos "c" e "d", acima, (Procs. 11065.002498/2008-72 e 11065.722968/2012-02) esta Turma (Resoluções nº 1302-000.464, de 15/02/2017) determinou o retorno dos autos à DRJ para apreciar matéria suscitada pela recorrente que não fora conhecida por ocasião do julgamento naquela instância a quo. e) excesso de compensação de prejuízos e base negativa de CSLL, em função dos processos "c" e "d" (AC 2008 e 2009), Proc. 11065.721694/2013-15 - transitado em julgado administrativo - execução suspensa por decisão judicial - aguardando julgamento de "c" e "d"; Fl. 1400DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 f) excesso de compensação de prejuízos e BC negativa em função dos processos "a", "c" e "d" - (AC 2010 e 2011) - Proc. 11065.72005/2015-96 - distribuído para este Conselheiro em 27/07/2017 - RO e RV; Diante de tais conexões e dependências, esta Turma determinou o sobrestamento dos Procs. 11065.002011/2008-51 e 11065.72005/2015-96, até o retorno da DRJ com as complementações das decisões. Ao retornarem os quatro processos a seguir indicados deveriam ser reunidos (Resolução 1302-000.464, de 15/02/2017), como foram, para julgamento conjunto: 11065.002011/2008-51 - dedutibilidade de custos e despesas (este processo); 11065002498/2008-72 - glosa de amortização de ágio; 11065722968/2012-02 - glosa de amortização de ágio; e 11065720055/2015-96 - excesso de compensação de prejuízos e BC negativa. Passamos a relatar o presente processo. A fiscalização lavrou autos de infração de IRPJ e CSLL, com base no Termo de Verificação Fiscal (TVF), fl. 1, ano calendário 2004. As seguintes despesas foram glosadas: A recorrente apresentou Impugnação Parcial, em 15/07/2008 (fls. 888/926). A DRJ não acolheu (fls. 1068/1096) a maior parte dos pedidos da recorrente, conforme a seguir resumido: Gastos com viagens e gastos com fretamento de avião – despesas desnecessárias à manutenção da fonte produtora de receitas para a empresa (art. 299, Dec. 3.000/1999, vigente à época, atual Dec. 9.580/2018); A recorrente reconheceu a indutibilidade dessa despesa, mas não concordou com a forma com que a autoridade fiscal efetuou o cálculo do imposto a pagar, face a não consideração de prejuízos fiscais e bases negativas. A recorrente apresentou DARF, juntamente com a Impugnação, cujo valor pago considerou prejuízo fiscal e base negativa. A DRJ acolheu a referida compensação de prejuízo fiscal e de base negativa. Fl. 1401DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 A recorrente reconhece que não remanesce discussão sobre tais glosas de despesas com viagens e gastos com fretamento de avião. Gastos com “check-ups” de diretores e gerentes - foram glosados pelo fato de tais despesas não caracterizarem benefícios concedidos indistintamente a todos os empregados da recorrente, como previsto no art. 360 do RIR/99; Gastos com “plano de saúde Sul América na matriz” - A Recorrente disponibilizava dois planos de saúde aos seus empregados: (i) plano Sul América disponibilizados aos gerentes, supervisores, coordenadores, diretores, especialistas e analistas SR; e (ii) plano Ulbra para os demais empregados. O empregado que possuía o plano Sul América podia optar pelo plano Ulbra e ter um desconto menor dos seus rendimentos. Já o empregado que possuía o plano Ulbra não poderia optar pelo Sul América. A glosa foi fundamentada no fato de a recorrente não disponibilizar os planos de saúde indistintamente a todos os seus empregados, o que infringiria o art. 360 do RIR/99. Teria sido propiciada uma diferenciação nos benefícios, a qual não seria permitida pelo artigo 360 do RIR/99. Alternativamente e em relação ao Plano Ulbra, a recorrente requereu à fiscalização a redução da exigência mediante o abatimento de R$ 40,00 ao mês, correspondentes ao custo unitário pago por segurado. A DRJ concluiu que, em virtude da diferenciação que a recorrida considerava entre os beneficiários, não haveria como acolher tal pleito. Gastos com “plano de saúde Sul América filial” – a recorrente detalha que disponibilizava dois planos de saúde aos seus empregados situados no estabelecimento filial: (i) plano Sul América Básico, para todos os empregados, exceto aos gerentes, supervisores, coordenadores, diretores, especialistas e analistas; e (ii) o plano Sul América Especial para esses últimos. O empregado que possuía o plano básico não podia optar pelo especial e vice-versa. A glosa foi efetua sob o mesmo fundamento das duas despesas acima (a questão da não disponibilização, indistintamente). A recorrente alega que a DRJ não teria enfrentado os argumentos lançados na impugnação ao decidir que a glosa seria correta dado não haver qualquer modalidade de plano de saúde disponibilizada potencialmente para todos os empregados. Previdência privada – a recorrente ofereceu aos seus empregados dois tipos de plano de previdência privada: "Plano de Previdência Privada 1" - custeado integralmente pela recorrente e possibilitava ao empregado obter um Benefício Mínimo que consiste em um valor a ser recebido de uma só vez no momento da aposentadoria normal, antecipada, postergada, invalidez ou morte; Fl. 1402DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 "Plano de Previdência Privada 2" - custeado 50% pela recorrente e 50% pelo empregado. Esse plano possibilitava uma renda mensal a ser recebida a partir da aposentadoria e ao resgate das contribuições depositadas pela recorrente, desde que cumpridas diversas condições e após longos anos da data do aporte. Entre as condições, destacou o desligamento ou a aposentadoria do empregado. A fiscalização concluiu que somente são dedutíveis as contribuições não compulsórias, se destinadas a custear planos de benefícios complementares assemelhados aos da previdência social (com base no art. 13, inciso V da Lei 9.249/95). Fundamentou, ainda (fl. 17): - os gastos com o "Plano de Previdência Privada 2" ferem as regras de dedutibilidade dado que os benefícios de tal plano não se assemelham com os benefícios da previdência oficial; - quando do desligamento dos empregados, ou no momento da sua aposentadoria, o beneficiário tem o direito de resgatar uma quantia considerável em dinheiro, correspondentes às contribuições realizadas pela empresa e pelo empregado. Assim, a fiscalização glosou a despesa incorrida de previdência privada referentemente ao "Plano 2". A recorrente insistiu que o Plano 2 guardaria semelhança com a previdência oficial. Programa PAGE – em 2004, a recorrente afirma que contabilizou despesas com treinamento para desenvolvimento de gerentes e executivos, visando o incremento de vendas. A fiscalização concluiu que não se tratava de despesa, mas de aplicação de capital, motivo pelo qual deveria ter sido ativado para amortização futura. Caso fosse mantido esse entendimento, a recorrente pleiteou, alternativamente, a recomposição do lucro de períodos posteriores, para que fossem reconhecidos os efeitos tributários da amortização dos valores que deveriam ser ativados. A DRJ não considerou procedentes tais argumentos, pois, no seu entendimento, tendo o treinamento objetivado capacitar as equipes para aumento de vendas ou redução de despesas, seria correto que tais treinamentos tinham como escopo gerar resultados nos exercícios subsequentes. Os argumentos foram parcialmente acolhidos pela DRJ. Treinamento para Implementação do "Lean Manufaturing" ainda em 2004, a recorrente incorreu em despesa com treinamento que visava a redução de custos. Fl. 1403DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 A Fiscalização considerou que tal dispêndio não se classificaria como despesa no ano de 2004, mas sim como aplicação de capital, motivo pelo qual deveria ter sido ativado para amortização futura. Alternativamente, na remota hipótese de os Julgadores entenderem que os gastos classificavam-se como aplicação de capital, foi pleiteada a recomposição do lucro de períodos posteriores, para que fossem reconhecidos os efeitos tributários da amortização dos valores que deveriam ser ativados. A Turma Julgadora da DRJ não considerou procedentes os argumentos da Recorrente, pois, no seu entendimento, tendo o treinamento objetivado capacitar as equipes para aumento de vendas ou redução de despesas, seria óbvio que tais treinamentos tinham como escopo gerar resultados nos exercícios subsequentes. O argumento alternativo foi acatado parcialmente pela decisão recorrida. Caixas Padrão de Tela e Gastos com licença de uso de software - Em 2004 a recorrente incorreu em gastos que, conforme já reconhecido na impugnação, classificavam-se como aplicação de capital e não despesa. A recorrente concordou com a glosa, inclusive efetuou o pagamento da parcela incontroversa, mas insurgiu-se contra a falta da recomposição do lucro de períodos posteriores, para que fossem reconhecidos os efeitos tributários da amortização dos valores que deveriam ser ativados. O argumento da recorrente foi parcialmente acolhido pela decisão recorrida. A recorrente foi intimada do acórdão recorrido, em 13/10/2010 (fl. 1100) e interpôs recurso voluntário, em 11/11/2010 (fls. 1104/1129), cujas razões serão apreciadas no voto a seguir. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil - Relator À vista da interposição tempestiva do recurso voluntário e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Despesas com “check-ups” médicos, planos de saúde e previdência privada A fiscalização concluiu que as despesas incorridas no pagamento de "check-up" de diretores e gerentes da Recorrente seriam indedutíveis, pelo fato de não caracterizarem Fl. 1404DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 benefícios concedidos indistintamente a todos os empregados da sociedade, como determinaria o artigo 360 do RIR/99. A DRJ manteve o entendimento da fiscalização, ressaltando que o "check-up" consistiria em "uma bateria de exames ministrada por médicos especializados, por meio de equipamentos sofisticados e precisos que dão um diagnóstico detalhado acerca do funcionamento das funções do corpo", de modo que as despesas incorridas classificar-se-iam como de assistência médica, pelo que deveriam atender à condição de disponibilidade universal estabelecida no artigo 360 do RIR/99. A premissa de que as despesas com assistência médica só seriam dedutíveis se oferecidas nos mesmos padrões, indistintamente, a todos os empregados e dirigentes da empresa, também estendeu-se às despesas relativas aos planos de saúde. A recorrente sustenta que o check-up não possui natureza assistencial e que constituiria uma obrigação, um ônus e um encargo da empresa para com os empregados que ocupassem posições estratégicas. Essa obrigação decorreria da política de recursos humanos da empresa, cujo objetivo principal seria o de resguardar a própria recorrente e tais empregados. Frisou que tal exigência fazia-se necessária uma vez que a ausência ou perda de profissionais que ocupam posições estratégicas dentro da organização traria consequências negativas. Alega que, visando evitar afastamentos, ou quando inevitável, programar a saída de um empregado (sucessão planejada do profissional) o "check-up é exigido. Sustenta, assim, que a despesa não decorreria de uma prestação de assistência média aos seus empregados estratégicos, dado que seria uma obrigação destes, a apresentação de check-up anual à recorrente. Diz que, a alegação constante da decisão recorrida, no sentido de que a despesa decorreria de mera liberalidade da pessoa jurídica seria descabida e absurda. Com base em tal entendimento, a recorrente concluiu que, em virtude de as despesas com check-up não possuírem natureza de prestação assistencial, o art. 360 do RIR/99 não se aplicaria à espécie. Observa-se, portanto, que a recorrente pretende caracterizar como dedutível, a despesa com check-up, concedidos ou exigidos somente de seus executivos. Em que pese os argumentos da recorrente, verifica-se que não há previsão legal para a dedução de tal despesa. Não vejo como enquadrá-la com despesa obrigatória da recorrente para com seus executivos. Sabemos que, a única hipótese em que essa despesa poderia ser considerada dedutível, seria no caso de ser caracterizada como "gasto realizados (...) com serviços de assistência médica (art. 360, RIR/99). Todavia, ainda que assim se caracterizasse (o que não é o caso, pois a própria recorrente afirma que é uma obrigatoriedade da empresa para com seus executivos). Haveria a condicionante: "indistintamente aos empregados e dirigentes", sendo que, no caso, tal despesas cingia-se aos executivos. Fl. 1405DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Dessa forma, diante de expressa previsão legal (art. 62, RICARF), não há como acolher a pretensão da recorrente. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nesse ponto. Glosa de despesas com Plano de Saúde Sul América na Matriz Sobre esse ponto, a DRJ também concluiu que a recorrente deveria ter oferecido todos os planos de saúde para todos os seus empregados e dirigentes, indistintamente. A recorrente sustenta que seria equivocada a interpretação dada pela DRJ. Isso porque a expressão "indistintamente" deveria ser compreendida considerando-se a proporcionalidade e razoabilidade, de forma a se verificar o bem jurídico por ela tutelado. Citou Ricardo Mariz de Oliveira e Francesco Ferrara. Defende, assim, que o objetivo do legislador, ao editar o artigo 13 da Lei 9.249/95, base legal do artigo 360 do RIR/99, teria sido o de estabelecer que as sociedades empresárias, ao conceder o benefício de assistência médica a todos os seus empregados e dirigentes, sem que qualquer deles fosse excluído. Entendemos que é louvável a conclusão da recorrente. Todavia, não haveria como acolher sua tese. Vejamos as disposições do art. 360 do RIR/99, vigente à época, abaixo transcrito: Dec. nº 3.000/1999 (Revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018) Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) Subseção XVIII Serviços Assistenciais e Benefícios Previdenciários a Empregados e Dirigentes Serviços Assistenciais Art. 360. Consideram-se despesas operacionais os gastos realizados pelas empresas com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, destinados indistintamente a todos os seus empregados e dirigentes (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V). Analisando-se a previsão no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) da expressão condicionante: “indistintamente”, chama a atenção o fato de que, não há essa amplitude no dispositivo legal que estabeleceu a dedutibilidade de tal despesas: Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V, verbis: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Fl. 1406DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 V - das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; A Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V, portanto, não preconiza que a contribuição não compulsória, relativa a assistência médica (planos de saúde), deva ser igual para todos da empresa. Nota-se que, poder-se-ia considerar que o decreto regulamentador teria ido além da Lei. Teria extrapolado seus limites! O que não poderia acontecer sob pena de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Sabemos que o regulamento de execução tem como objetivo explicar o modo, a operacionalização e os pormenores para a adequada execução de uma norma. Não pode, contudo, regulamentar o que a lei não instituiu. Não obstante, e lamentavelmente, não há como transpassar, nessa esfera administrativa, as disposições do art. 62 do RICARF, eis que veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, neste ponto. Quanto ao pedido subsidiário da recorrente de se considerar pelo menos R$40,00 para cada empregado, referente ao Plano de Saúde Ulbra, acompanho o entendimento da DRJ, tendo em vista que a recorrente não comprovou que suportava essa despesa. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, também nesse ponto. Plano de Saúde Sul América Filial A recorrente sustenta que deveria ser cancelada a glosa das despesas relativas ao Plano de Saúde Sul América Filial, pelo fato de que esse plano era oferecido indistintamente a todos os empregados das filiais e, dessa forma, estariam atendidas as disposições do art. 360 do RIR/99. Com o devido respeito, entendo, novamente, que não assiste razão à recorrente. Pois, o art. 360 do RIR/99 não distingue matriz de filial. Preconiza que os benefícios de assistência médica deve estender-se a todos. Isto é, todo o quadro funcional da empresa. Seja os lotados na matriz, seja os trabalhadores das filiais. Dessa forma, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, também nesse ponto. Glosa de despesas com Plano de Previdência Privada (Plano 2). Salários acima de 10 UPs A autoridade fiscal glosou as despesas com o plano de previdência privada de funcionários que recebem acima de 10 UPs, em virtude de descumprimento ao disposto no art. 13, V, da Lei n° 9.249/95, c/c o art. 11 da Lei n° 9.532/97. Fl. 1407DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Em seu entendimento, os benefícios do Plano 2 não se assemelhavam com o da previdência oficial, tendo em vista que a previdência social não permite, em momento algum, o resgate único, pelo funcionário, das contribuições realizadas ao longo de sua vida contributiva, enquanto que, no Plano 2, os beneficiários tem o direito de resgatar, de uma única vez (atendido alguns requisitos), quando de seu desligamento ou de sua aposentadoria (normal, antecipada ou postergada), uma quantia considerável em dinheiro correspondente às contribuições realizadas por ele e pela empresa ao plano. A recorrente sustenta que o plano de previdência privada 2 (acima de 10 UPs) oferecido possui diversas semelhanças com a previdência social. Isto porque, antes de ocorrido desligamento ou aposentadoria, bem como na falta do cumprimento das condições relativas à idade mínima e tempo de serviço prestado à impugnante, o empregado não pode efetuar nenhum tipo de resgate dos aportes efetuados pela impugnante. O plano privado impõe rígidas condições para que o segurado obtenha concessão de benefícios, à semelhança da previdência social. Defende que, mesmo que a previdência social não possibilite resgate de todo o valor em dinheiro, tal diferença, por si só, não desclassificaria a dedutibilidade da despesa, uma vez que a lei não exige identidade entre os benefícios oferecidos. A lei exige semelhança, o que é constatado no plano 2. Entende que o acórdão do Conselho de Contribuintes utilizado pela AFRFB não se aplica ao caso. Diferentemente do caso lá discutido, onde o resgate poderia ocorrer após trinta dias do aporte, o plano 2 somente permite o resgate após longos anos e desde que cumpridas diversas condições. De outro modo, verifica-se que, conforme demonstrado pela autoridade fiscal, e não contestado pela recorrente, os beneficiários do Plano 2 podem resgatar de uma única vez, desde que atendidas as condições previstas, as contribuições efetuadas pela recorrente e pelo empregador, em caso de desligamento ou aposentadoria. Dessa forma, entendo que assiste razão à fiscalização, ratificada pela DRJ, de que a essência, a motivação central dos benefícios concedidos Plano 2 não são assemelhados aos da previdência oficial. Como ressaltou a DRJ, não há que se falar em ter sido apontada apenas uma diferença pela autoridade fiscal, vez que o legislador não estipulou quantidade de distinções para fins de caracterização da indedutibilidade das referidas despesas. O que importa é a qualidade da diferença, que no caso é patente. Também acompanho a DRJ, quanto à conclusão quanto ao pedido de que, alternativamente, sejam os valores pagos pela recorrente, relativos ao Plano 2, considerados como despesas de salários e, assim, caracterizá-los como despesas dedutíveis. A citada norma é clara no sentido de que é indedutível a despesa efetuada com plano de previdência privada cujos benefícios não atendam ao requisito nela especificado. Não há na norma abertura para o pretendido pelo sujeito passivo. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, também nesse ponto. Fl. 1408DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Glosa de despesa com treinamento de empregados (Programa PAGE e Treinamento para Implementação do Lean Manufaturing) A autoridade fiscal glosou os valores registrados como despesas a título de treinamento de executivos, haja vista que, no seu entender, tais gastos deveriam ter sido ativados para serem amortizados por contribuírem para a formação dos resultados de exercícios subsequentes. De seu lado, a recorrente defende que o fato de não terem sido oferecidos treinamentos no mesmo sentido em anos posteriores não justifica tal consideração: primeiro porque em cada ano os treinamentos visam o desenvolvimento de uma habilidade, não se fazendo treinamentos em todos os anos para desenvolver a mesma habilidade; segundo, por tratar-se de prova indiciária. Salientou que para o registro no ativo diferido deve haver razoável segurança do retorno futuro, o que no caso significaria supor que a empresa teria como determinar a permanência dos empregados treinados nos próximos anos, o que é inaceitável a seu ver. A DRJ destacou que é importante para o deslinde da questão, a resposta dada pela recorrente quando solicitado esclarecimento sobre o que exatamente viria a ser o programa Page (Termo de Solicitação de Informações e Documentos n° 05 (fl. 81): Trata-se de programas de treinamento para desenvolvimento de gerentes e executivos das concessionárias Massey Ferguson visando a melhoria da performance de vendas baseados em conceitos modernos de gestão empresarial. Verificou-se, assim, a própria recorrente teria reconhecido que o objetivo do treinamento era a melhoria da performance das vendas e, por conseguinte, dos resultados futuros. A DRJ ainda salientou que, não poderia ser diferente, vez que nenhuma empresa realiza gastos com treinamentos de funcionários se o objetivo futuro não é uma melhoria na produtividade e, assim, nos resultados. Se não houvesse uma expectativa quanto ao retorno do investimento, ou seja, a confiança no benefício futuro, a empresa com toda a certeza não teria realizado os gastos tratados no presente processo. Prossegue a DRJ, com os seguintes fundamentos: Então, considerar que os treinamentos dos gerentes acarretariam resultados futuros para a empresa não é um simples indício como pretende o contribuinte, mas uma . constatação fundada na lógica empresarial e, também, na informação por ele prestada. Não resta dúvida de que não seriam realizados novos treinamentos com o mesmo enfoque em anos posteriores, mas sim com outra abrangência, conforme defendeu o contribuinte, haja vista que os executivos treinados já estariam, por óbvio, aplicando nas operações da empresa os conhecimentos adquiridos. Tal fato, ao contrário do que entende o contribuinte, reforça a conclusão de que os treinamentos beneficiaram os resultados futuros, demonstrando que os conhecimentos apreendidos não se perderam, sendo utilizados posteriormente na melhoria das vendas. Em relação ao alegação de que a empresa não tinha como ter segurança se haveria resultados futuros haja vista que não podia determinar se os empregados Fl. 1409DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 treinados continuariam em atividade, cabe esclarecer que tal situação decorre do próprio risco empresarial. E usual, inclusive, que as empresas vinculem o recebimento do treinamento à permanência do funcionário por determinado tempo, sob pena de ser ressarcida das despesas. Tal fato não é motivo para não registrar o gasto no ativo diferido, pois a mesma incerteza pode ocorrer com qualquer outra despesa que por definição deva integrar este grupo de contas contábeis. Por tais razões, entendo que não como afastar a glosa efetuada pela autoridade fiscal e ratificada pela DRJ. A DRJ ainda registrou que foi considerada no lançamento a amortização dos gastos no percentual de 20% ao ano, conforme demonstrativo à fl. 591. Também assegurou à recorrente o direito de compensar eventuais prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, também nesse ponto. Necessidade de reconhecimento do efeito postergação (aquisição dos software, caixas padrão de tela e subsidiariamente para a glosa referente à despesa com treinamento) A recorrente reconheceu que caracterizavam-se como aplicação de capital, motivo pelo qual a despesa não poderia ter sido integralmente deduzida no ano-calendário de 2004, os referidos gastos com (i) caixa, (ii) licença de uso de softwares, (iii) licença de uso do software Oracle, e (iv) Gastos com Aquisição de licença de uso de softwares diversos. Assim, a recorrente efetuou pagamento parcial de tal exigência, considerando dispositivos expressos constantes da legislação tributária, dentre os quais destacou o art. 273 do RIR/99 e o Parecer Normativo COSIT 2/196. Com relação às alegações relativas à necessidade de reconhecimento do efeito postergação, a DRJ registrou as seguintes conclusões: Não há que se falar em postergação em relação aos anos-calendário 2005 e 2006, haja vista que para estes períodos de apuração foram determinados prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL pelo contribuinte em suas DIPJ. Em relação a estes anos o contribuinte não apontou a existência de postergação, e apenas argumentou a necessidade de ajuste das bases de cálculo negativas apuradas para o fim de considerar a dedução da amortização de R$ 188.092,53 a que fazia jus, calculada sobre as infrações não impugnadas referentes aos gastos que não foram ativados. Não defendeu a ocorrência de postergação. É devido esclarecer que o direito à amortização já foi reconhecido pela própria autoridade fiscal, que não tratou dos ajustes nos anos 2005 e 2006 em seu relatório fiscal haja vista o lançamento se referir apenas ao ano 2004. Como o contribuinte sofreu lavratura de autos de infração referentes aos anos 2005 e 2006, formalizado nos autos do processo n° 11065.002498/2008-72, conforme fazem prova os extratos do Sapli às fl. 732 e 734, muito provavelmente tal amortização já foi considerada para fins de exclusão nos lançamentos. Assim sendo, as Fl. 1410DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 alterações procedidas no Sapli nesses anos já devem ter incluído a amortização (vide extratos mencionados). Não é possível a este julgador afirmar tal fato com certeza, vez que seria necessária, para tanto, a verificação dos autos de processo referido, que pertence à jurisdição da _DRJ/POA/RS. Em não tendo ocorrido tal medida nos lançamentos relativos a esses anos,, poderá o contribuinte contestar tal questão naquele processo. Em relação ao ano 2008, quando da lavratura e ciência dos autos de infração, em meados daquele ano, o sujeito passivo ainda não havia feito a apuração das bases de cálculo dos tributos, vez que optante pelo lucro real anual. Logo, não há que se falar em postergação do pagamento dos tributos. Não era possível à autoridade fiscal apurar postergação em relação a um ano em que o fato gerador (31/12/2008) ainda não ocorrera. Não há, pois, qualquer correção a ser feita nos lançamentos. Ademais, ciente do direito à amortização, o sujeito passivo poderia, e até deveria, ter feito a sua dedução na apuração das bases de cálculo quando da apuração no ajuste anual efetuado no encerramento do ano-calendário 2008. Quanto ao ano 2007, o sujeito passivo apurou lucro real e base de cálculo positiva de CSLL, não incidindo a análise da postergação na mesma situação do anos 2005 e 2006. Além disso, quando da ciência do lançamento, que ocorreu em meados de 2008, já estava encerrado o período de apuração do ano 2007 (lucro real anual - 31/12/2007), ainda que a declaração tenha sido entregue dias após o lançamento, em 30/06/2008 (mas no prazo legal - fl. 721). Logo, a situação do ano 2007 também não é a mesma do ano 2008, onde se concluiu não haver postergação. Contudo, consoante disposto nos itens 6.1 e 6.3 do PN Cosit n° 02/96, para considerar que houve postergação da parcela de tributo relativa a determinado período de apuração é condição essencial que tenha ocorrido o efetivo e espontâneo pagamento desta: 6.1 - Considera-se postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado período-base, quando efetiva e espontaneamente paga em período-base posterior. (...) 6.3 - A redução indevida do lucro líquido de um período-base, sem qualquer ajuste pelo pagamento espontâneo do imposto ou da contribuição social em período-base posterior, nada tem a ver com postergação, cabendo a exigência do imposto e da contribuição social correspondentes, com os devidos acréscimos legais. (...) Em relação ao IRPJ, de acordo com o extrato dos débitos informados em DCTF (fl. 736) e o extrato do sistema SAPLI (fl. 775), o sujeito passivo confessou e pagou apenas débitos referentes a estimativas da(s) sociedade(s) em conta de participação da(s) qual(is) é sócio ostensivo (cód. de receita 2362-08, IRPJ - PJ em geral obrigada ao lucro real/Estimativa mensal/SCP). Supostamente, a parcela do tributo incidente sobre o valor da amortização que deveria ter sido efetuada em 2007, indevidamente antecipada para 2004, teria sido paga mediante a liquidação de estimativas mensais, conforme se depreende do extrato da DIPJ às fl. 724 e 776, cuja somatória foi deduzida no ajuste anual gerando saldo de IRPJ a compensar. Fl. 1411DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Todavia, conforme dito, não houve qualquer recolhimento ou confissão em DCTF de tais estimativas da empresa, mas sim, e exclusivamente, da(s) SCP. Não havendo o efetivo pagamento do tributo correspondente à parcela de amortização dedutível em 2007, não há que se falar em postergação. Já no que se refere à CSLL, conforme extrato dos débitos confessados em DCTF à fl. 738, o sujeito passivo informou tanto débitos de CSLL estimada próprios(cód. receita 2484-01), quanto da(s) SCP (cód. receita 2484-08). Extinguiu os débitos de CSLL estimados próprios via compensações, conforme indicam os extratos às fl. 738/748, totalizando o valor de RS 3.347.126,79. Tal montante corresponde exatamente à somatória dos valores de estimativas apurados mensalmente na DIPJ, deduzidos da CSLL devida no ajuste anual, gerando um saldo de CSLL a compensar (fl. 749/760 e 725/726). Consoante art. 74, §2° da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a compensação declarada extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação. Além disso, as instruções de preenchimento da DIPJ/2008 (AC 2007), aprovadas pela IN RFB n° 849/2008, consideram as estimativas extintas por compensação como efetivamente pagas: Linha 17/59 - (-) CSLL Mensal Paga por Estimativa Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano-calendário objeto da declaração. Considera-se efetivamente pago por estimativa o crédito da contribuição extinto por meio de: dedução da CSLL retida por órgão público, ou por outra pessoa jurídica de direito privado, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp), compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf; Por conseguinte, há que se considerar que a CSLL devida apurada em 2007 foi efetivamente paga, de forma antecipada, mediante compensações efetuadas por meio de Declarações de Compensação (PER/Dcomp). Tendo o contribuinte apurado em 2007 base de cálculo superior à devida, haja vista não ter deduzido a amortização a que fazia jus em função de ter antecipado integralmente para 2004 a dedução de gastos ativáveis, por consequência a CSLL apurada também foi maior que a devida. Ocorrido efetivo e espontâneo pagamento desta CSLL apurada a maior, não resta dúvida de que houve postergação do pagamento do tributo relativa a 2004 para o ano 2007. Partindo da planilha de determinação da amortização elaborada pela autoridade fiscal, tem-se que o montante a ser excluído na apuração da base de cálculo da CSLL em 2007 é de RS 308.932,25. Tal montante representa o valor de despesa que o sujeito passivo antecipou indevidamente para o ano 2004, deixando de extinguir o tributo devido naquele ano, pagando-o somente em 2007 mediante estimativas mensais. Fl. 1412DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Aplicando-se a alíquota da CSLL (9%), tem-se que o contribuinte pagou em 2007 o valor de R$ 27.803,90. Mas há que se considerar que o pagamento ocorreu em atraso, pois postergado. Torna-se necessário, então, fazer a imputação deste pagamento para fins de determinar quais as parcelas do valor pago que correspondem ao principal, aos juros de mora e à multa de mora. O percentual da multa de mora é de 20% do valor do tributo devido. Já os juros dependem da data em que o efetivo pagamento ocorreu. Conforme dito, o contribuinte efetuou o pagamento do tributo postergado mediante a compensação de estimativas apuradas durante o ano 2007. Resta saber quando se considera extinto o débito via apresentação da declaração de compensação. De acordo com o disposto no art. 74, §§ 1º e 2º da Lei n° 9.430/96, com redação da Lei n° 10.637/2002, e no art. 26, §§ 1º e 2°., c/c o art. 28 da IN SRF n° 600/2005, a data da extinção do débito confessado em PER/Dcomp é a data de transmissão desta declaração para a Receita Federal. A DRJ segue com cálculos e demonstrações, em relação ao referido período em que reconheceu a postergação, atendendo-se parcialmente ao pedido da recorrente. Analisando-se as informações, fundamentos e documentos referenciados, não encontro motivo para reformar a decisão da DRJ. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, também nesse ponto. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Voto Vencedor Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado – Redator designado Em que pese o bem fundamentado voto do i. relator, nas discussões o colegiado, em sua maioria, adotou entendimento diverso do voto apresentado com relação às seguintes matérias: - glosas de despesas com plano de saúde de empregados e diretores; - glosa de despesas com treinamento de empregados; e – caracterização de postergação de pagamento do IRPJ, no ano-calendário 2007, em relação à parcela amortizável das glosas de despesas consideradas ativáveis pela fiscalização. Tendo sido o único conselheiro do colegiado que não ficou vencido em nenhuma das matérias, incumbiu-me proferir o voto vencedor sobre as matérias em que o i. relator restou vencido. Fl. 1413DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Com relação às duas primeiras matérias, acima mencionadas, a maioria do colegiado acolheu o entendimento trazido no voto vista pelo i. conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo, o qual adoto integralmente neste voto, verbis: Glosas de despesas com plano de saúde de empregados e diretores [...], concordo com o Relator que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário quanto às despesas com "check-up", cujos únicos beneficiários eram os dirigentes da Recorrente (gerentes, diretores, supervisores, controllers), não estando o benefício disponível para os demais empregados. Em relação às despesas com planos de saúde, porém, a discussão contém uma controvérsia adicional que consiste em saber se a expressão "indistintamente" obriga que os planos de saúde oferecidos a empregados e diretores sejam exatamente os mesmos. Não consegui localizar ato normativo expedido pela Receita Federal que trate do tema e a principal discussão no âmbito das instâncias do contencioso administrativo tem-se limitado ao caráter de remuneração dos benefícios pagos, para fins de incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e Contribuição Previdenciária. Ao tratar do tema, Hiromi Higuchi (Imposto de Renda das Empresas, atualizado até 15-02-2017, p. 297) opina em sentido contrário à conclusão da autoridade fiscal: "Entendemos que a condição de indistintamente está atendida quando os serviços são extensivos a todos os empregados, ainda que haja diferenciação nos serviços de acordo com a hierarquia do funcionário. É comum a empresa, abrindo exceção, pagar vultosa despesa hospitalar de determinado funcionário. Nesta hipótese, se a empresa não quiser ter problemas com o fisco, a melhor solução é considerar o pagamento como gratificação que é totalmente dedutível mas sujeito ao imposto de renda na fonte e à contribuição previdenciária a cargo do empregador." De fato, entendo que a discussão é relevante apenas para a configuração do caráter de remuneração indireta dos dirigentes da pessoa jurídica, para fins de incidência dos referidos tributos. Para a questão da dedutibilidade do IRPJ, porém, a exigência de que as despesas de saúde sejam realizadas por meio do fornecimento do mesmo plano de saúde a dirigentes e empregados, a meu ver, embora defensável, extrapola os limites fixados pela legislação. O requisito exigido é a universalidade, não a homogeneidade do benefício. Há precedente do CARF neste sentido, conforme Acórdão nº 1805.00-064, de 27 de maio de 2009 (Relator Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior), cujo trecho transcrevo: "Anote-se que o artigo 300 do RIR/94 estabelece como condição de dedutibilidade unicamente que os benefícios sejam destinados Fl. 1414DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 indistintamente, entendo que esse requisito é satisfeito quando a destinação se dá a todos os empregados, ainda que haja diferenciação nos serviços de acordo com a hierarquia do empregado, exatamente como no caso dos autos, em que a própria fiscalização reconhece que a recorrente manteve planos de saúde a todos os seus empregados, contudo, dispunham de planos com peculiaridades. Ora, se a lei silencia acerca da diferenciação na modalidade dos custos é vedado ao intérprete fazê-lo, ademais disso a dinâmica gerencial de uma empresa impõe distinções de nível hierárquico, de modo que afasto a glosa pertinente a esse tópico." Destaco que, no caso sob análise, para parte dos empregados, ainda que a Recorrente desejasse, era impossível o fornecimento do mesmo plano por não haver disponibilidade da Operadora Ulbra no Município da sua Filial (embora fosse possível fornecer o mesmo plano da Operadora Sul América). Tal fato chama a atenção ainda para a situação de pessoas jurídicas que atuam em distintos países. A exigência de fornecimento de um mesmo plano de saúde acabaria por impedir a dedutibilidade da despesa. Além disso, é comum que a empregadora exija alguma contrapartida dos empregados, para o fornecimento do plano. Assim, a exigência de que o plano de saúde oferecido seja o mesmo para todos os empregados e dirigentes poderia terminar por inviabilizar o benefício, na medida em que o oferecimento de um plano mais completo a todos impossibilitaria a contrapartida dos empregados menos remunerados; e a oferta de um plano de saúde básico a todos resultaria no desinteresse dos empregados mais graduados e dirigentes. No caso tratado nos autos, é esta exatamente a situação. Na Matriz, localizada em Canoa/RS, a Recorrente oferece o Plano de Saúde Sul América em três versões, sendo: os planos Básico e Especial I aos supervisores, gerentes, especialistas, coordenadores e analistas SR; e o plano Especial II a gerentes seniores e diretores. Oferece, ainda, o Plano Ulbra Saúde para os demais empregados, embora os primeiros também possam optar por este Plano. A Recorrente exige de todos os empregados e dirigentes uma contrapartida, que é diferenciada em função do plano, conforme discriminação a seguir retirada do Relatório do Trabalho Fiscal de fls. 847 a 878: “O segurado, por sua vez, descontou em folha os seguintes valores (por beneficiário): Plano Básico: R$ 40,23 Plano Especial I: R$ 77,88 Plano Especial II: R$ 90,86 (...) Conforme informações da fiscalizada, esta pagou os seguintes valores/mês, por segurado do Plano Ulbra Saúde, no ano-calendário de 2004: R$ 46,52 até 01/09 e R$ 52,00 a partir de 01/10. O segurado, por sua vez, descontou em folha o valor de R$ 6,52 por mês e por beneficiário.” Fl. 1415DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Deste modo, divergindo do Relator, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário em relação à dedutibilidade das despesas com planos de saúde de empregados e dirigentes. [...] Glosa de despesa com treinamento de empregados (Programa PAGE e Treinamento para Implementação do Lean Manufaturing) Consoante o art. 368 do RIR/99, são dedutíveis como despesas operacionais os gastos com a formação profissional de empregados. Estranhamente, a autoridade fiscal entendeu que os gastos realizados com o treinamento de executivos da Recorrente não poderiam ser deduzidos diretamente, mas deveriam ser contabilizados no Ativo Diferido e amortizados no prazo de cinco anos, uma vez que contribuiriam para o resultado dos exercícios futuros. Mais uma vez, divirjo do Relator, por entender que não é correta semelhante conclusão Nos termos do art. 179, inciso V, da Lei nº 6.404, de 1964, assim eram especificados os valores registrados no Ativo Diferido: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) V - no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais.” Inexiste qualquer elemento distintivo no treinamento a que foram submetidos os executivos da pessoa jurídica que possibilite excepcionar os respectivos custos da possibilidade de dedutibilidade prevista no art. 368 do RIR/99, para fazê-los ser classificados como Ativo Diferido. A justificativa de que os referidos dispêndios influenciarão nos resultados dos próximos exercícios é algo comum a todos os investimentos realizados pelas pessoas jurídicas na capacitação dos seus empregados, como, inclusive, admite a decisão recorrida: “Não poderia ser diferente, vez que nenhuma empresa realiza gastos com treinamentos de funcionários se o objetivo futuro não é uma melhoria na produtividade e, assim, nos resultados. Se não houvesse uma expectativa quanto ao retomo do investimento, ou seja, a confiança no beneficio futuro, a empresa com toda a certeza não teria realizado os gastos aqui tratados.” Pela lógica utilizada, portanto, todos os dispêndios com treinamentos deveriam ser classificados no Ativo Diferido. Mas não é isso que autoriza o, já referido, art. 368 do RIR/99. Fl. 1416DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Neste sentido, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário também em relação a este tópico. Cumpre, ainda, observar, quanto a esta última glosa analisada, que a fiscalização já havia deduzido do montante glosado em 2004, uma parcela a título de amortização (20% a.a), de sorte que o montante glosado, e ora restabelecido, é de R$ 248.622,49 (conforme Tabela ao final do item V do TVF – fls. 875). Por fim, cumpre a este redator designado declinar os fundamentos quanto ao reconhecimento da postergação de pagamento, alegada pela recorrente, com relação à parcela amortizável das despesas glosadas por serem consideradas ativáveis pela fiscalização. Necessidade de reconhecimento do efeito postergação (aquisição de software, caixas padrão de tela e subsidiariamente para a glosa referente à despesa com treinamento) Com relação a este ponto, o colegiado, por maioria de votos, se pronunciou pelo reconhecimento da ocorrência de postergação também com relação ao IRPJ, relativamente à apuração do ano-calendário 2007. A DRJ havia reconhecido a postergação apenas quanto à exigência da CSLL, sob o fundamento de que a empresa teria efetuado recolhimentos apenas a título de estimativas das SCP e que não haveria recolhimento a título de IRPJ, conforme transcrito no voto vencido, verbis: [...] Em relação ao IRPJ, de acordo com o extrato dos débitos informados em DCTF (fl. 736) e o extrato do sistema SAPLI (fl. 775), o sujeito passivo confessou e pagou apenas débitos referentes a estimativas da(s) sociedade(s) em conta de participação da(s) qual(is) é sócio ostensivo (cód. de receita 2362-08, IRPJ - PJ em geral obrigada ao lucro real/Estimativa mensal/SCP). Supostamente, a parcela do tributo incidente sobre o valor da amortização que deveria ter sido efetuada em 2007, indevidamente antecipada para 2004, teria sido paga mediante a liquidação de estimativas mensais, conforme se depreende do extrato da DIPJ às fl. 724 e 776, cuja somatória foi deduzida no ajuste anual gerando saldo de IRPJ a compensar. Todavia, conforme dito, não houve qualquer recolhimento ou confissão em DCTF de tais estimativas da empresa, mas sim, e exclusivamente, da(s) SCP. Não havendo o efetivo pagamento do tributo correspondente à parcela de amortização dedutível em 2007, não há que se falar em postergação. [...] Com a devida vênia, a d. DRJ incorreu em equívoco ao afirmar que o contribuinte não pagou IRPJ relativo às suas operações próprias no ano de 2007 e que teria se limitado a recolher valores a título de estimativa mensal das SCP. De acordo com a Ficha 11 da DIPJ (extratos juntados pela DRJ às fls. 1051/1063 e cópia apresentada pela recorrente, anexa ao recurso voluntário – fls. 1320/1330) a contribuinte Fl. 1417DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 apurou imposto devido por estimativa em diversos meses do ano-calendário 2007 e efetuou a quitação mediante o aproveitamento de Imposto de Renda Retido na Fonte e ao final do exercício, embora tenha apurado saldo negativo de IRPJ (- R$ 14.994.392,40), calculou um montante devido de IRPJ de R$ 12.044.490,00 (Ficha 12 da DIPJ – fls. 1331). Desta feita, resta inequivocamente comprovado que a contribuinte apurou lucro, ofereceu à tributação e recolheu IRPJ no ano-calendário 2007. Os valores glosados a título de despesas ativáveis estão demonstrados na Tabela ao final do item V do TVF (fls. 875). Considerando que parte desses valores (R$ 250.968,74) se referem às despesas com treinamentos de gerentes e empregados, cuja glosa foi restabelecida, conforme acima fundamentado, a glosa das demais despesas ativáveis, passíveis de amortização totalizaram R$ 1.294.693,54. Utilizando-se da taxa de amortização de 20% a.a. referida no TVF, há que se reconhecer o efeito da postergação de pagamento de IRPJ no ano de 2007, calculado sobre a base de cálculo de R$ 258.938,50 à alíquota de 25% (15% + adicional de 10%), no montante total de R$ 64.737,62. Deve-se ter em conta que do montante de imposto pago mediante postergação, acima apurado, devem ser descontados, mediante imputação, a multa de mora de 20% e os juros Selic calculados até a data de sua extinção. Considerando que a apuração do IRPJ foi realizada pelo contribuinte em período anual e que o fato gerador do imposto é complexivo, consolidando- se em 31 de dezembro, os juros de mora devem ter como termo final a data do vencimento a última base mensal de antecipação (por estimativa ou balanço de suspensão), ou seja o último dia útil de janeiro de 2008. Assim, deve ser deduzido do montante anual do IRPJ, exigido no lançamento, o valor pago a título de postergação, calculado na forma acima descrita. Da recomposição do saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL no livro Lalur. Em consequência do restabelecimento do montante de R$ 2.115.181,83 a título de despesas glosadas, devem ser recompostos parcialmente os saldos de prejuízos fiscais e o saldo da Base de Cálculo Negativo de CSLL, que, foi aproveitado pelo acórdão recorrido, para abater o montante exigido, nos seguintes termos: Compensação de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL - Consoante consta do relatório, o sujeito passivo argumentou que, embora a autoridade fiscal tenha determinado o ajuste do saldo de prejuízo fiscal e da base negativa na parte B do Lalur (fl. 29 e 30 do RTF), aparentemente esqueceu de efetuar as compensações limitadas a 30% nos cálculos do tributos nos autos de infração. Cabe razão ao contribuinte, vez que a autoridade fiscal, não obstante ter demonstrado a recomposição das bases de cálculo dos tributos A fl. 593, onde efetuou a compensação do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL limitada a 30% do montante total adicionado As bases de cálculo (R$ 5.341.597,23), deixou de adotar o mesmo procedimento nos autos de infração, conforme pode ser verificado As fl. 555 e 561. Fl. 1418DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1302-003.611 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.002011/2008-51 Restou comprovado, pois, o cometimento de erro material nos autos de infração, o qual é retificado neste voto. Os novos cálculos dos tributos, considerando as compensações devidas, está demonstrado em tópico especifico mais adiante. Considerando-se o aproveitamento de 30% sobre os valores lançados em face da decisão recorrida, impõe-se restabelecer o montante de R$ 634.554,54 nos saldos de prejuízos e bases de cálculo negativa existente em 31/12/2004, no livro Lalur da fiscalizada. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) cancelar as glosas de despesas com plano de saúde de empregados e diretores, no montante de R$ 1.866.559,34 b) cancelar as glosas de despesa com treinamento de empregados (Programa PAGE e Treinamento para Implementação do Lean Manufaturing, no montante de R$ 248.622,49; c) reconhecer a ocorrência de postergação de pagamento de IRPJ no ano- calendário 2007, sobre a parcela amortizável da glosa de despesas consideradas ativáveis (exceto despesas com treinamentos, cuja glosa foi cancelada). É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1419DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.012695/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009
NULIDADE DO LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL.
Não há nulidade no lançamento quando a fundamentação legal é expressa e clara.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
Aplicação da Súmula CARF nº 2 - O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA.
Se. quando do protocolo da declaração de compensação, as alterações introduzidas pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, já estavam em vigor, produzindo, entre outros, os seguintes efeitos: i) a compensação com créditos de terceiros deveria ser considerada não declarada; ii) não oferecer ao sujeito passivo a faculdade de, no prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório, apresentar manifestação de inconformidade, não obedecendo ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, deve ser a compensação que descumpriu os requisitos legais para sua apresentação considerada não declarada.
CRÉDITO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA, EXIGÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO §4º, DO ART. 18, DA LEI Nº 10.833/2003. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa prevista no §4º, do art. 18, da Lei nº 10.833/2003, nas hipóteses em que a compensação haja sido considerada não declarada por ter a autuada compensado, antes do trânsito em julgado, crédito, próprio ou de terceiros, discutido em ação
Numero da decisão: 3301-006.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Perreira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, NMarco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Não há nulidade no lançamento quando a fundamentação legal é expressa e clara. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Aplicação da Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO LEGAL. COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. Se. quando do protocolo da declaração de compensação, as alterações introduzidas pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, já estavam em vigor, produzindo, entre outros, os seguintes efeitos: i) a compensação com créditos de terceiros deveria ser considerada não declarada; ii) não oferecer ao sujeito passivo a faculdade de, no prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório, apresentar manifestação de inconformidade, não obedecendo ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, deve ser a compensação que descumpriu os requisitos legais para sua apresentação considerada não declarada. CRÉDITO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA, EXIGÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO §4º, DO ART. 18, DA LEI Nº 10.833/2003. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa prevista no §4º, do art. 18, da Lei nº 10.833/2003, nas hipóteses em que a compensação haja sido considerada não declarada por ter a autuada compensado, antes do trânsito em julgado, crédito, próprio ou de terceiros, discutido em ação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 26 95 /2 00 9- 41 Fl. 203DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Perreira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, NMarco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam estes autos de lançamento de multa regulamentar, decorrente de compensação indevida.de débitos confessados em. Declaração de Compensação, apreciada no processo administrativo nr. 10530.725326/201170, por ter sido não declarada a compensação, sob o fundamento de que o crédito era oriundo ação judicial não transitada em julgado e, ainda, de titularidade de terceiros, sendo que a declarante não compunha a lide. A compensação foi considerada não declarada com fulcro no § 12 do artigo 72 da lei nº 9.430/1976, introduzido pela Lei nº 11.051/2004. 2. Por economia processual, e por bem descrever os fatos até aqui, adoto o relatório da DRJ/PORTO ALEGRE : Tratase de impugnação ao Auto de Infração das fls. 94 a 96, lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana/BA, para formalizar a exigência da multa regulamentar no valor de R$ 66.718,06 decorrente de compensação indevida de débitos em declaração prestada pelo sujeito passivo (fl. 3), a qual foi considerada não declarada pelo Despacho Decisório das fls. 76 a 87. A exigência foi enquadrada nos seguintes dispositivos legais: art. 18, da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelas Leis nºs. 11.051, de 2004, e 11.196, de 2005 e pelo art. 18 da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007; art. 39, § 6º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Inconformado, o contribuinte apresenta as razões da impugnação às fls. 103 a 125, a seguir sintetizadas. Alega da insubsistência da ação fiscal tendo em vista que: a) o objeto do processo administrativo são declarações de compensação de débitos de sua responsabilidade com créditos de titularidade da empresa Destilaria Pal Ltda., créditos esses reconhecidos judicialmente mediante acórdão proferido pela Primeira Turma do TRF da 5ª Região, nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.83.00.00129859 (AC 276055PE), que foram consideradas não declaradas pela autoridade administrativa, sendo que referidas compensações foram garantidas por decisão judicial Fl. 204DF CARF MF Processo nº 19647.012695/200941 Acórdão n.º 3301006.268 S3C3T1 Fl. 204 3 que em nenhum momento condicionou a compensação ali requerida ao trânsito em julgado da ação ou vedou a compensação com créditos de terceiros e que, por força do princípio da segurança jurídica, os créditos originados anteriormente à edição da Lei nº 11.051, de 2004, não podem ser alcançados por suas disposições, sob pena de ferir o direito adquirido, tornando o despacho decisório ilegal e abusivo; b) os efeitos das compensações instituídas pelo § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, (com a redação dada pelo art. 4º da Lei nº 11.051, de 2004) colidem com o artigo 170 do CTN, sendo, portanto, também ilegais, pois o caput do artigo 170 do CTN, permite à lei ordinária, apenas, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, ou seja, não consente à lei ordinária impedir a compensação, admitindose, entretanto, que a lei ordinária possa restringir o direito à compensação, desde que se baseie em situações que tornem inviável a pretensão do contribuinte, como, por exemplo, a prevista na alinea “e”, do referido § 12 créditos relativos a tributos não administrados pela SRF, o que ressalta, não é a a hipótese dos autos c) a restrição prevista no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 4º da Lei n° 11.051, de 2004, torna inócuo qualquer posicionamento do Poder Judiciário que venha a reconhecer esses créditos como é o caso dos autos – ou, noutras palavras, é reconhecido um direito cuja efetivação resta impossibilitada por arbítrio legislativo, e assim, nos moldes como está redigido, há violação ao princípio da autonomia dos poderes; d) os créditos que estão sendo utilizados pela impugnante foram reconhecidos antes da vigência das modificações introduzidas no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, pelo artigo 4º, da Lei n° 11.051, de 2004, razão pela qual ditas alterações não poderão incidir sobre esse créditos, sob pena de afronta ao principio constitucional da irretroatividade das leis tributárias e que a pretensão de fazer incidir a novel disciplina sobre créditos já constituídos e incorporados ao patrimônio do contribuinte importa, igualmente, vulneração aos princípios da segurança jurídica e do direito adquirido; e e a incompatibilidade da norma insculpida no artigo 74, § 13°, da Lei n° 9.430, de 1996, com a modificação introduzida pela Lei n° 11.051, de 2004 com o disposto no inciso XXXIV, do artigo 5º da Constituição Federal, garantia que não se circunscreve, logicamente, apenas à possibilidade de protocolo do instrumento petitório mas, sobretudo, abrange o direito à análise, a cargo do Poder Público provocado, das razões aduzidas pelo administrado, não escapando à inconstitucionalidade toda e qualquer norma que tolha o acesso aos Poderes Públicos na medida em que preveja, indistintamente, o indeferimento sem análise de mérito, dos pedidos relativos a determinada matéria. f) a multa aplicada tem caráter confiscatório, na medida em que aplicada em 75% (setenta e cinco por cento), corresponde a mais da metade do montante da exigência fiscal e que, cobrada como se tributos fossem, as multas tributárias gozam dos mesmos privilégios do crédito tributário, e, ao atingirem valores quase equivalentes ao próprio débito principal, confiscam o patrimônio da impugnante de forma ilegal e inolvidável, dês que, ainda sobre o valor devido recaem juros, com o fito de indenizar a União pelo período em que não dispôs do dinheiro, e a correção monetária, de modo que o crédito tributário não encontra na multa abusiva albergue para sua proteção, já que, para tanto, a legislação fiscal prevê a incidência de correção monetária e juros moratórios a preservar o pretenso crédito. Encerra requerendo seja a autuação fiscal julgada improcedente, Fl. 205DF CARF MF 4 determinandose o cancelamento do auto de infração, com o conseqüente arquivamento do processo fiscal. É o relatório. 3. A DRJ/PORTO ALEGRE exarou o Acórdão de nº 1055.236, que assim restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. É considerada não declarada a compensação em que o crédito seja de terceiros. É também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete ao julgador administrativo afastar a aplicação de normas legais sob fundamentação de inconstitucionalidade e ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. Irresignado, o requerente apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, em síntese, contesta a declarada intempestividade da manifestação de inconformidade, alegando : Fl. 206DF CARF MF Processo nº 19647.012695/200941 Acórdão n.º 3301006.268 S3C3T1 Fl. 205 5 Fl. 207DF CARF MF 6 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 19647.012695/200941 Acórdão n.º 3301006.268 S3C3T1 Fl. 206 7 Fl. 209DF CARF MF 8 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 19647.012695/200941 Acórdão n.º 3301006.268 S3C3T1 Fl. 207 9 Fl. 211DF CARF MF 10 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 19647.012695/200941 Acórdão n.º 3301006.268 S3C3T1 Fl. 208 11 É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 5. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 6. A questão central destes autos está na legalidade e constitucionalidade da aplicação da multa regulamentar aplicada sobre valores de débitos compensados de forma irrregular ou em desobediência á lei. DA PRELIMINAR DE NULIDADE 7. Alega a recorrente a falta de clareza no auto de infração em indicar o dispositivo legal infringido. 8. Não prospera a alegação da recorrente, a fundamentação legal constante do auto de infração é clara e redigida de forma precisa, sem possibilidade de que se alegue desconhecimento doa motiavção e fundamentação legal da autuação. Trazemos a este voto a imagem do auto de infração em sua descrição da fundamentação legal : Fl. 213DF CARF MF 12 9. Portanto, por ser a autuação precisa e sem reparos, rejeito a preliminar de nulidade. A QUESTÃO DA INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 214DF CARF MF Processo nº 19647.012695/200941 Acórdão n.º 3301006.268 S3C3T1 Fl. 209 13 10. Aplicase ao caso a Sumula nº 2 deste CARF que estabelece : Súmula CARF nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 11. Portanto, as questões voltadas a discutir a inconstitucionalidade da legislação tributária não devem receber manifestação deste relator. A APLICAÇÃO DA MULTA REGULAMENTAR 12. O Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE já se manifestou de forma completa e precisa sobre a questão. Adotamos os dizeres do julgador, quanto aplicação da multa : 13. Um ponto a se esclarecer ´é que a Lei n 11.051 data de 2004, e a Declaração de Compensação de fls. 3 dos autos digitais foi protocolada junto á DRF/RECIFE/PE em 21/10/2009, portanto, a Lei nº 11.051+2004 estava, á época da apresentação da Declaração de Compensação, em plena vigência. 14. Assim se manifestou o Julgador da DRJ : Tecidas essas considerações adentrase no exame da matéria posta nos autos à luz dos dispositivos legais pertinentes. Em primeiro lugar, para maior clareza, transcrevese o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com sua redação vigente à época da apresentação da declaração de compensação pelo sujeito passivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (Redação dada pela Lei nº da Lei no 7.713, de 1988; e (Vide Medida Provisória nº 449, de 2008) (....)) § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 215DF CARF MF 14 § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refirase a título público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 1 – tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 2 – tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 3 – tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 – seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...)(grifei) Quando do protocolo da declaração de compensação (fl. 3), as alterações introduzidas pela Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, já estavam em Fl. 216DF CARF MF Processo nº 19647.012695/200941 Acórdão n.º 3301006.268 S3C3T1 Fl. 210 15 vigor, produzindo, entre outros, os seguintes efeitos: i) a compensação com créditos de terceiros deveria ser considerada não declarada; ii) não oferecer ao sujeito passivo a faculdade de, no prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório, apresentar manifestação de inconformidade, não obedecendo ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim no que tange ao despacho decisório, o mesmo não será objeto de apreciação nesta instância. Ainda, deve ser dito, que o crédito alegado pela impugnante em oposição aos débitos que deseja ver compensados, não é próprio, não sendo ela parte na ação judicial onde teriam sido objeto de reconhecimento, como admite na peça de defesa, o que, por si só, já justifica a decisão da autoridade administrativa de considerar a compensação não declarada. Quanto ao auto de infração deve ser dito que a aplicação da multa isolada nos casos de compensação considerada não declarada, está prevista no § 4º do artigo 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, verbis: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ..................................... § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2º e 4º deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifei) 15. Portanto lastreada em forte fundamento legal a aplicação da multa regulamentar foi efetivada de forma correta. Conclusão 16. Por todo o demonstrado e exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 217DF CARF MF 16 Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.000003/2005-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INDENIZAÇÃO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA.
É isenta do imposto de renda a parcela paga a título de indenização por dispensa imotivada no período de estabilidade provisória em relação ao empregado eleito para cargo de direção de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes.
Numero da decisão: 2401-006.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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INDENIZAÇÃO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. É isenta do imposto de renda a parcela paga a título de indenização por dispensa imotivada no período de estabilidade provisória em relação ao empregado eleito para cargo de direção de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), por meio do Acórdão nº 10-21.440, de 21/10/2009, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação apresentada, mantendo a revisão da declaração de rendimentos (fls. 133/137): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 00 03 /2 00 5- 14 Fl. 168DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.754 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.000003/2005-14 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VINCULO EMPREGATÍCIO - INDENIZAÇÃO RESCISÃO TRABALHISTA. É de se manter a tributação de rendimentos recebidos a título de indenização em rescisão trabalhista por quebra de estabilidade de emprego de membro da CIPA, de natureza tributável, auferidos pelo contribuinte e não oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Em face da contribuinte foi lavrado Auto de Infração, relativo ao exercício de 2003, ano-calendário de 2002, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica proveniente de trabalho com vínculo empregatício (fls. 08/11). O auto de infração alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), reduzindo o saldo do imposto a restituir. A contribuinte foi cientificada da autuação e impugnou a exigência fiscal em 03/01/2005 (fls. 02/06). Intimada por via postal em 25/11/2009 da decisão do colegiado de primeira instância, a recorrente apresentou o recurso voluntário no dia 24/12/2009, data do carimbo aposto pelos Correios no envelope de remessa, em que aduziu as seguintes razões de fato e de direito contra a decisão de piso (fls. 140/143 e 144/147): (i) foi eleita para dirigente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; (ii) quando da rescisão do contrato de trabalho, o empregador procedeu à indenização por quebra da estabilidade provisória; e (iii) dessa feita, a omissão de rendimentos corresponde, na verdade, à parcela não tributável, cabendo o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.754 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.000003/2005-14 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito A recorrente foi eleito para cargo de direção de Comissão Interna de Prevenção de Acidente (CIPA) e, no período de estabilidade provisória, teve o seu contrato de trabalho rescindido, por iniciativa do empregador, sem justa causa (fls. 12/41). Segundo a legislação pátria, é assegurada a manutenção do emprego ao trabalhador eleito para cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano após o final de seu mandato (art. 10, inciso II, alínea "a", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República de 1988). Havendo dispensa imotivada, a consequência é a possível reintegração no emprego ou, alternativamente, a conversão em pagamento de indenização pelo período de estabilidade. O inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, contém hipótese de isenção do imposto de renda quando de pagamento de rendimentos por despedida ou rescisão do contrato de trabalho: Art. 6º (...) V - a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, até o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; (...) O acórdão de primeira instância decidiu, por maioria de votos, que a indenização por estabilidade provisória diz respeito a rendimentos de natureza tributável, não estando albergada pela isenção tributária. Confira-se as razões de decidir do acórdão, a partir dos trechos copiados abaixo (fls. 136/137): Fl. 170DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.754 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.000003/2005-14 (...) Portanto, para a isenção não basta ela estar em um contrato, ou em um Acordo, ou mesmo ser denominado o rendimento de “indenização”, é necessária a Lei outorgando- lhe. Relativamente aos rendimentos isentos e não tributáveis, o inciso V, art. 6° da Lei n.° 7.713/1988 ( art. 40, inciso XVIII do RIR/1994 e art. 39, inciso XX do RIR/1999 ), dispõe que: “ Art. 6 - Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (..) V- a indenização e o aviso prévio pagos por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, ate' o limite garantido por lei, bem como o montante recebido pelos empregados e diretores, ou respectivos beneficiários, referente aos depósitos, juros e correção monetária creditados em contas vinculadas, nos termos da legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. "(grifamos) A indenização e o aviso-prévio a que se refere o texto legal são os previstos na CLT, arts. 477 a 499, no art. 9° da Lei n° 7.238/84 e na legislação do FGTS (Lei n° 5.107/1966, com as alterações). Enquadra-se, nesse conceito, a indenização do tempo de serviço anterior à opção pelo FGTS, nos limites fixados na legislação trabalhista, no qual não se enquadra os rendimentos do presente processo. O que exceder a essas verbas será considerado liberalidade do empregador e tributado como rendimento do trabalho assalariado. No presente caso, são verbas de indenização por estabilidade provisória, por ser a contribuinte, à época, membro da CIPA. É interessante relembrar que “estabilidade provisória” também denominada de estabilidade especial ou estabilidade transitória _ é o período em que o empregado tem seu emprego garantido, não podendo ser dispensado por vontade do empregador, salvo por justa causa. Encontra-se expressa em lei ou em acordos e convenções coletivas de trabalho. Como exemplos de estabilidades provisórias podem ser mencionadas essas que visam propiciar proteção ao empregado eleito para o cargo de direção de comissões internas de prevenção de acidentes - CIPA (art. 10, inciso II, alínea "a", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal), à gestante (art. 10, II, "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal), ao dirigente sindical (art. 543, § 3°, da CLT, e art. 8° da Constituição Federal), ao empregado reabilitado (art. 93, § 1°, da Lei n° 8.213/1991), e ao segurado que sofreu acidente de trabalho (art. 118 da Lei n° 8.213/1991). (...) Finalmente, cabendo ressaltar que a “indenização” recebida relativa ao período de estabilidade provisória de membro da CIPA no emprego corresponde, na realidade, à remuneração que seria recebida no aludido período, constituindo, portanto, rendimento tributável. Trata-se, portanto, de rendimento que por sua natureza é tributável, mesmo que denominado de “indenização”, não estando, pois, abrangidos pelo regrado no art. 6°, desta norma. Salientamos que a Jurisprudência Judicial trazida aos autos, que faz coisa julgada entre as partes, não pode ser observada pelo julgador administrativo, que deve se restringir às normas e orientações de sua esfera. Fl. 171DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.754 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.000003/2005-14 Chegamos à conclusão que tal rendimento trata-se de renda de natureza tributável, conforme exigido pela Lei n° 7.713/1988 e, não estando albergada pelo Instituto da Isenção, é de se manter integralmente os valores tributados no Auto de Infração. (...) Contudo, tenho interpretação distinta sobre a matéria. Quando se trata de demissão imotivada do empregado, dentro do período de estabilidade garantido pela Constituição da República, a conversão em pecúnia representa uma indenização paga por despedida ou rescisão de contrato de trabalho, preenchendo os requisitos do inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713, de 1988. Em outras palavras, ainda que represente acréscimo patrimonial para o beneficiário dos rendimentos, a lei exclui a incidência do imposto de renda. Em análise de matéria semelhante, pertinente à estabilidade do dirigente sindical, assim se pronunciou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal Administrativo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 RENDIMENTOS DO TRABALHO ASSALARIADO. DIRIGENTE SINDICAL. INDENIZAÇÃO SUBSTITUTIVA DA ESTABILIDADE PROVISÓRIA. A estabilidade de dirigente sindical, constitucionalmente garantida, quando indenizada por dispensa imotivada, não sofre a incidência do Imposto de Renda (Acórdão nº 9202-006.406, de 29/01/2018. Relatora Maria Helena Cotta Cardozo). Cabe esclarecer que a avaliação feita neste voto restringe-se à natureza da parcela paga na rescisão do contrato de trabalho do empregado eleito para cargo de direção na CIPA, quando a dispensa dá-se no período de estabilidade, tal como confrontado pelo acórdão de primeira instância com base na impugnação protocolada pela autuada. No caso concreto, constitui matéria estranha ao processo administrativo o exame se o montante total pago a título de indenização ao empregado demitido, eventualmente, ultrapassou os limites garantidos pela lei, ou negociação coletiva, hipótese em que o excedente equivaleria a uma liberalidade do empregador e, portanto, sujeito à incidência do imposto de renda. Com efeito, o questionamento a respeito da importância que foi ajustada entre as partes para fins de pagamento da indenização não integra a motivação do auto de infração, tampouco a decisão de piso desenvolveu o tema como fundamento para solução do litígio instaurado. À vista disso, ao encerrar matéria de fato, na qual deve ser respeitado o contraditório, considero que não compõe o objeto litigioso do recurso voluntário e, por consequência, não compete ao órgão "ad quem" aprofundá-la para decidir a questão que lhe foi submetida. Fl. 172DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.754 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.000003/2005-14 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOU-LHE PROVIMENTO para tornar insubsistente o auto de infração. É como voto. (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36378.004541/2006-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003
PPRA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação tributária, a apresentação de deficiente de documentos relativos a contribuições previdenciárias, dentre outros, a apresentação de PPRA em desacordo com a legislação.
INDICAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS-
A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, apenas elenca no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais.
REINCIDÊNCIA GENÉRICA
Caracteriza reincidência genérica, que determina a elevação da multa em duas vezes, a prática de nova infração a diferentes dispositivos da legislação.
Numero da decisão: 2301-006.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2003 PPRA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação tributária, a apresentação de deficiente de documentos relativos a contribuições previdenciárias, dentre outros, a apresentação de PPRA em desacordo com a legislação. INDICAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS- A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, apenas elenca no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. REINCIDÊNCIA GENÉRICA Caracteriza reincidência genérica, que determina a elevação da multa em duas vezes, a prática de nova infração a diferentes dispositivos da legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
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INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação tributária, a apresentação de deficiente de documentos relativos a contribuições previdenciárias, dentre outros, a apresentação de PPRA em desacordo com a legislação. INDICAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS- A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, apenas elenca no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. REINCIDÊNCIA GENÉRICA Caracteriza reincidência genérica, que determina a elevação da multa em duas vezes, a prática de nova infração a diferentes dispositivos da legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares e NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Savio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 37 8. 00 45 41 /2 00 6- 70 Fl. 585DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.295 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36378.004541/2006-70 Relatório Trata-se de Auto de Infração Substitutivo lavrado contra a empresa acima identificada referente a penalidade pecuniária em razão de o sujeito passivo ter apresentado PPRA do período 1998 a 2003 sem observar as formalidades exigidas na legislação, o que caracterizou descumprimento da obrigação acessória. De acordo com o Relatório Fiscal as formalidades exigidas pela legislação e não observadas nos PPRA apresentados foram: a) não identificam as funções e as atividades exercidas pelos trabalhadores expostos ao agente nocivo, contrariando o disposto na alínea "d" e "e'', do item 9.3.3 da NR 9; b) os PPRA registram apenas os níveis de ruído emitidos por cada fonte geradora, sem informar os valores próximos ao ouvido do trabalhador, como exige no item 2 do anexo 11" / da NR-I5; c) listam EPI sem comprovar a inviabilidade técnica ou insuficiência das Medidas de Proteção Coletiva — MPC, nos termos do item 9.3.5.4da NR-09; d) não informam os dados do Certificado de Aprovação EPI utilizado pelo trabalhador exposto ao agente nocivo como exige as alíneas "a" e "d" do item 9.3.5.5 da NR-09; e) não registram o monitoramento da exposição dos trabalhadores e das medidas de controle, nos termos impostos pelo item 9.3.7 da NR-09; e f) não apresentam avaliação da eficácia das medidas de controle implantadas, nos termos do item 9.3.1, alínea "d" da NR-09; O Relatório Fiscal informa, ainda, que ficou configurada a circunstância agravante, reincidência genérica, em razão do cometimento de infrações anteriores pelo sujeito passivo Após a impugnação a decisão de primeira instância manteve a autuação e a autuada apresentou recurso onde alega em síntese: Inicialmente defende a exclusão dos Co-responsáveis. Pleiteia a conexão entre o presente processo com a NFLD 35.881.697-1 que trata do adicional do SAT incidente sobre a remuneração paga aos empregados supostamente expostos ao agente nocivo ruído, alegando que todo material probatório sobre a gestão de segurança encontra-se anexado naquele processo. Com relação à não observação das formalidades refuta um a um os argumentos da fiscalização defendendo que as informações necessárias à Auditoria Fiscal estavam disponíveis, pois foi lavrada NFLD para a cobrança da contribuição adicional por exposição a agentes nocivos à saúde dos trabalhadores. Que diversas medidas de cunho coletivo foram adotadas, não podendo a empresa deixar de fornecer os EPI enquanto busca mecanismos de ordem coletiva para reduzir ou eliminar o agente e os supostos erros formais não podem ser considerados como se PPRA não existissem sob pena de ferimento aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. No que se refere não identificação das funções e as atividades exercidas pelos trabalhadores expostos ao agente nocivo, esclarece que todos os trabalhadores das unidades industriais da usina foram considerados expostos ao agente ruído. Em síntese afirma que sempre fez medições conforme a legislação determinava, realizava treinamento dos empregados, mantinha normas internas de gestão de segurança além de manter um Programa de Conservação Auditiva complementar ao PPRA. Cita que foi realizado um Laudo Técnico elaborado por um perito legalmente habilitado, designado pelo Juízo do Trabalho de Juiz de Fora em virtude de uma reclamação trabalhista de uma ex em Fl. 586DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.295 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36378.004541/2006-70 pregada que pleiteava adicional de insalubridade. Que referido laudo concluiu que os níveis de ruídos eram neutralizados pelo uso permanente e contínuo dos Equipamentos de Proteção Individual. Questiona a alegada reincidência por se tratarem de infrações diversas das contidas nas outras autuações. Defende a razoabilidade e proporcionalidade da multa além da impossibilidade de sua cobrança enquanto não julgado o processo principal. Conclui alegando que os supostos erros formais apontados pela fiscalização não podem ser considerados como se os PPRA's não existissem e que restou comprovado pela recorrente que esta possui uma gestão de saúde e segurança do trabalho digna de elogios. Requer o cancelamento da multa por não ter descumprido a obrigação acessória a ela imputada. É o relatório Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES Da Exclusão dos Co-responsáveis. Sem razão ao recorrente. A indicação de sócios na NFLD não pode ser interpretada como conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sócios gerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, após serem preenchidos os requisitos legais autorizadores. Ademais, sobre esse assunto a Súmula CARF nº 88 assim trata da matéria: Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Da Conexão dos Feitos O recorrente sustenta a necessidade de conexão entre o presente processo com a NFLD 35.881.697-1 que trata do adicional do SAT incidente sobre a remuneração paga aos empregados supostamente expostos ao agente nocivo ruído. Ao contrário da recorrente, entendo não haver a necessidade da conexão pleiteada por se tratar de obrigações distintas. No presente caso a empresa foi autuada por não atender as formalidades exigidas pela legislação e não observadas nos PPRA’s apresentados, em especial as exigências contidas nos dispositivos das Normas Reguladoras expedidas pelo Ministério do Trabalho de números 09 e 15. Fl. 587DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.295 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36378.004541/2006-70 Logo, rejeito também esta preliminar. DO MÉRITO No mérito defende a recorrente ter cumprido todas formalidades legais exigidas tendo a fiscalização partido de falsas premissas. No que diz respeito à alegação de que efetuou as medições de ruídos de acordo com a legislação, com aparelhos (dosimetria) acoplados aos empregados, a fiscalização observou que não houve a comprovação do registro dos PPRA’s entregues conforme exigido pelo item 2 do anexo 2º / da NR-I5. Com relação a adoção das medidas coletivas, não se atentou para as exigências do item 9.3.5.4da NR-09. A recorrente traz argumentos acerca do gerenciamento dos agentes nocivos, porém, não se desincumbiu de comprovar que apresentou os PPRA’s contendo todas as informações requeridas pela legislação e essenciais à atuação da Administração Tributária. O argumento de que todo material probatório sobre a gestão de segurança encontra-se anexado à NFLD 35.881.697-1, não exime a recorrente da presente autuação. Ora se eram documentos da própria empresa, poderia tê-los juntados também ao presente processo, se assim entendesse que seriam importantes para comprovar suas alegações. Como bem ressaltado pela decisão guerreada, a elaboração de PPRA de acordo com a legislação, é obrigação acessória, tem seu caráter instrumental, prestando-se a auxiliar a execução das atividades arrecadadora e fiscalizadora dos entes tributantes. Assim, o argumento de que a autuação se prende a aspectos formais, é incapaz de comprovar que improcedência do lançamento fiscal, ou seja, de comprovar a empresa cumpriu a obrigação acessória de elaborar os PPRA de acordo com a legislação. Da forma como foram apresentados, os PPRA’s estão deficientes e não cumprem as determinações legais contidas nos §§ 2º e 3º do art. 33, da Lei 8.212/91, c/c os artigos 232 e 233, § único do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 Sobre o questionamento quanto a reincidência, temos que a ocorrência de infrações a diferentes dispositivos da legislação, dá-se a denominada “reincidência genérica”, que, segundo os dispositivos do RPS, aprovado pelo Decreto 70.235/72, eleva a multa em duas vezes; O questionamento acerca da razoabilidade da multa também não procede uma vez que, constatado o descumprimento da obrigação acessória, aplica-se a penalidade legal cabível. Ademais, a multa aplicável à espécie é única não importando a quantidade de infrações incluídas no Auto de Infração, portanto correta. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 588DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.295 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 36378.004541/2006-70 Fl. 589DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001944/2006-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2001
DEDUÇÕES NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE
Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora.
DEPENDENTES. CÔNJUGE E FILHOS.
Comprovada a relação de dependência, nos termos da legislação tributária, é de se restabelecer a dedução pleiteada.
Numero da decisão: 2002-001.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de dois dependentes (R$2.160,00).
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2001 DEDUÇÕES NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. DEPENDENTES. CÔNJUGE E FILHOS. Comprovada a relação de dependência, nos termos da legislação tributária, é de se restabelecer a dedução pleiteada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de dois dependentes (R$2.160,00). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEPENDENTES. CÔNJUGE E FILHOS. Comprovada a relação de dependência, nos termos da legislação tributária, é de se restabelecer a dedução pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de dois dependentes (R$2.160,00). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 19 44 /2 00 6- 65 Fl. 69DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.367 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.001944/2006-65 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 11/19), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2002. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$4.768,34 para saldo de imposto a pagar de R$4.822,44. A notificação noticia deduções indevidas de previdência privada, com dependentes, de despesas médicas e com instrução e de doações incentivadas. Impugnação Cientificado ao contribuinte em 31/1/2006, o AI foi objeto de impugnação, às fls. 2/36 dos autos, assim sintetizada pela decisão recorrida: a) prestava atividade laboral a instituição privada que disponibilizava aos seus funcionários Plano de Previdência Suplementar, cujos descontos eram efetuados automaticamente na folha. Esse procedimento se apresenta comprovado mediante informativo da Empresa Financeira a que era vinculado na época, inclusa na documentação que compõe a presente defesa; b) parece não haver guarida à exclusão dos dependentes, visto que os indivíduos mencionados estão enquadráveis perfeitamente nas disposições legais sobre o tema, vide art. 38, da Instrução Normativa SRF n° 15/2001; c) a exclusão da dedução por despesas com instrução também é indevida, já que no ano de 2001 o administrado realizou pagamentos a titulo de mensalidade escolar perante entidades de ensino superior e médio, conforme documentação anexada aos autos; d) quanto às despesas médicas e com doações, o contribuinte não localizou os comprovantes alusivos a essas deduções, todavia esclarece que não houve a intenção deliberada de ocultar dados da Receita; e) ante o exposto, requer sejam acolhidas as presentes razões bem como extinto o Auto de Infração ora impugnado. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 45/50): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2001 DEDUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. Pagamentos de contribuição previdenciária oficial poderão ser deduzidos no Imposto de Renda desde que devidamente comprovados. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. A dedução de dependentes está sujeita à comprovação da dependência mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. As despesas com instrução são passíveis de serem deduzidas no Imposto de Renda, porém, estão sujeitas a comprovação mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A dedução das despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documentação hábil e idônea. Fl. 70DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.367 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.001944/2006-65 DEDUÇÃO DE DOAÇÕES. A dedução de doações limita-se a doações previstas na legislação e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. O colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer parcialmente as deduções de previdência privada e com dependentes. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 9/4/2009 (fl. 53), o contribuinte, em 4/5/2009 (fl. 65), apresentou recurso voluntário, às fls. 54/66, no qual alega, em síntese, que: - caberia a revisão da decisão no tocante aos dependentes e às despesas médicas e com instrução. - seria cabível a dedução como dependentes de seu cônjuge e do filho matriculado em curso superior, cuja dependência seria presumida até seus 24 anos. - estaria juntando notas fiscais relativas às despesas médicas, no montante de R$3.100,00. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre deduções com dependentes e de despesas médicas e com instrução. Todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (art. 73 do RIR/1999), podendo ser glosadas se os contribuintes não conseguirem comprová-las ou justificá-las. No curso da ação fiscal, o sujeito passivo não atendeu ao termo de intimação, tendo sido autuado. Em sede de impugnação, comprovou parte das deduções declaradas e, agora, em sede de recurso voluntário, requer o restabelecimento de dois dos dependentes, de parte das despesas médicas e com instrução. Dependentes A decisão recorrida restabeleceu um dos dependentes declarados, mantendo a glosa dos outros três, registrando: 11. . Compulsando os autos observa-se que o Impugnante, visando demonstrar a relação de dependência, instruiu sua defesa com cópia da carteira de identidade e do cartão do CPF de SONIA MARIA MENEZES DE QUADROS, de RAFAEL MENEZES DE QUADROS e de RODRIGO MENEZES DE QUADROS, sendo que em relação a OSVALDO DA CRUZ MENEZES, o Impugnante não apresentou qualquer documento. 12. Analisando esses elementos de prova, conclui-se que os documentos referentes a RODRIGO MENEZES DE QUADROS demonstram a relação de dependência, porém, em relação a RAFAEL MENEZES DE QUADROS, como em 25/04/2001 ele completou 21 anos e os documentos emitidos pela PUC-RS, fls. 22 a 32, além de não estarem autenticados, não indicam que ele estava matriculado, em 2001, em curso enquadrável no art. 38, parágrafo primeiro, da IN SRF n° 15/2001 (curso superior ou Fl. 71DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.367 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.001944/2006-65 curso técnico de segundo grau), conclui-se que, em face do mesmo, não ficou demonstrada a relação de dependência. 13. Em relação à SONIA MARIA MENEZES DE QUADROS, tanto a carteira de identidade como o cartão do CPF não são suficientes para demonstrar a sua condição de cônjuge, pois nesse caso deveria a defesa ter sido instruída com a certidão de casamento, a qual não foi apresentada. Em sede de recurso, o recorrente requer o restabelecimento do cônjuge e do filho Rafael como seus dependentes, juntando certidões de fls. 56/58. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior à impugnação, restringindo-a aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material, do formalismo moderado e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pelo Contribuinte e podem servir para rebater a decisão de primeira instância. No tocante ao cônjuge, a certidão de casamento de fl.56 atesta a relação de dependência. Quanto à relação de dependência do filho Rafael, a decisão recorrida consignou que seria necessário que o sujeito passivo comprovasse que o filho estava cursando curso superior ou técnico de segundo grau no ano de 2001. Nesse sentido, nada foi juntado ao recurso. Não obstante, entendo que o filho deve ser acatado como dependente, visto que, em parte do ano de 2001, ainda que não estivesse cursando um dos cursos indicados, preenchia os requisitos para figurar como dependente do recorrente (filho até 21 anos, artigo 38, inciso III, da IN SRF nº38, de 2001, reproduzido na decisão recorrida). Dessa feita, cabe restabelecer a dedução de dois dependentes. Despesas com instrução A decisão recorrida manteve a glosa da despesa declarada, consignando: 16. Buscando confirmar seus argumentos, o Impugnante apresentou cópia de dois recibos do Colégio Marista Paranaense, fl 21, bem como cópia de boletos e de cupons da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, fls. 22 a 32. 17. Analisando esses documentos, constata-se que os recibos do Colégio Marista Paranaense se referem a pagamentos efetuados em 2002, portanto, como a glosa se refere ao ano calendário de 2001, esses recibos mostram-se impertinentes ao caso e não afastam a glosa. 18. Quanto às despesas com instrução, supostamente realizadas na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, tem-se que os documentos apresentados não são suficientes para demonstrá-las, pois não são cópias autenticadas, não são recibos de pagamento e não trazem o nome do Impugnante como pagante. Quanto aos cupons da fl. 22, acrescente-se, ainda, que os mesmos aparentam ser, tão- somente, um controle interno da PUC-RS. 19. Dessa forma, conclui-se que não foram comprovadas as despesas com instrução, devendo a glosa ser mantida. Fl. 72DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.367 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.001944/2006-65 (destaques acrescidos) Em seu recurso, o recorrente apontou que sua inconformidade recairia também sobre essas despesas, entretanto, não teceu qualquer comentário ou juntou documento. A teor do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a defesa apresentada deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, não podendo transferir ao julgador de segunda instância o ônus que é seu de apontar os fundamentos do seu inconformismo em relação à decisão prolatada (artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972). Dessa feita, é de se manter a decisão recorrida. Despesa médicas Em sede de impugnação, o sujeito passivo alegou que não dispunha dos comprovantes das despesas declaradas. Agora, em seu recurso, ele junta alguns comprovantes (fls.59/64). Como já apontado neste voto, entendo que, em observância ao princípio da verdade material e também do formalismo moderado, os documentos podem ser recepcionados e analisados, quando sejam hábeis a desconstituir a exigência fiscal, sem demandar providências adicionais. Entretanto, não é o caso dos recibos juntados. Isto porque os recibos não têm valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). No curso da ação fiscal, o sujeito passivo foi intimado a juntar os comprovantes dessas despesas, não tendo atendido à solicitação. Em sua impugnação, também não juntou qualquer comprovação dessas despesas. Na ação fiscal, a autoridade fiscal leva a efeito toda uma análise dos valores e da natureza dos gastos declarados e dos prestadores dos serviços informados, entre outras informações, podendo vir a exigir outros elementos de prova quanto às deduções declaradas. Dessa feita, considerando que, desde o início da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes das despesas médicas e, ainda, que os recibos/notas fiscais juntados não se revelam hábeis por si só a fazer prova quanto aos valores deduzidos, entendo por rejeitar os documentos comprobatórios das despesas médicas apresentados somente por ocasião do recurso voluntário. Acrescento ainda que os documentos de fls. 60 e 61 não se configuram em recibos ou notas fiscais, não se revestindo das formalidades exigidas para sua dedutibilidade na declaração de ajuste. Por seu turno, a despesa veiculada pela nota fiscal de fl.62, em nome de Consultório de Oftalmologia S/C Ltda. Dra. Cinthia Oyama Branco, não poderia ser acatada, uma vez que não foi informada na declaração entregue (fl.41). Fl. 73DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.367 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.001944/2006-65 Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução com dois dependentes (R$2.160,00). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.721227/2011-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM).
Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias, seja em importações, ou em relação à legislação do IPI nacional, deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos.
Numero da decisão: 3401-006.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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FUNDAMENTO. SISTEMA HARMONIZADO (SH). NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). Qualquer discussão sobre classificação de mercadorias, seja em importações, ou em relação à legislação do IPI nacional, deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 12 27 /2 01 1- 46 Fl. 18507DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre Pedidos de Ressarcimento/Restituição (PER) / e Declarações de Compensação (DCOMP) referentes a créditos de IPI. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente reiterando as seguintes razões expressas na manifestação de inconformidade: (a) os reservatórios (caixas de água de fibra, com ou sem tampa), independentemente de suas capacidades de armazenamento (de 50 l. a 75.000 l.), devem ser incluídos na mesma posição da TIPI (3925), o que é compatível com o entendimento da própria fiscalização, que nada glosou para os reservatórios com mais de 300 l., mas a empresa errou ao utilizar a classificação 3925.90.90 (inexistente na TIPI do período fiscalizado), quando o correto seria 3925.90.00, o que não traz prejuízo, visto ser a mesma a alíquota de 5%, sendo a posição 3926 destinada a outras finalidades, que não as obras civis e construções (e, por isso, possuem alíquotas maiores, em função de seletividade e essencialidade); (b) às tampas de reservatórios de fibra aplicase o mesmo raciocínio, jamais se podendo classificar tais produtos na posição 3926; (c) em relação a filtros e fossas, a divergência se resume à capacidade, pois a classificação foi homologada para produtos com capacidade superior a 300 l., sendo que a ABNT, na NBR 7229, registra dados dos produtos, válidos para qualquer capacidade, e, se não existe previsão para determinada capacidade em desmembramento da posição 3925, a classificação deve ser direcionada para o código 3925.90.00 (admitindo incorreção no código 3925.90.90), e a capacidade se dá pelo volume total, e não pelo volume útil, pelo que os filtros Pol. 295L de cód. 12971 e 13021, com o acréscimo de cúpula superior e dos gomos externos, alcançam o volume de 338 l., citando ainda o site “Wikipedia” (também admitindo erro na classificação, que deveria ser 3925.10.10 ao invés de 3925.90.90, sem prejuízo tributário); (d) em relação a pipas, capas de ar condicionado, lixeiras e suportes para lixeira, reitera que a posição 3926 não guarda qualquer relação com tais bens, destinados a construção civil (próprios da posição 3925), também admitindo equívocos de classificação sem efeito tributário, e especificando que as lixeiras não são de plástico, mas de fibra de vidro, assim como os suportes, que são produzidos com cantoneiras de aço carbono; (e) o escorregador de piscina foi classificado incorretamente tanto pela empresa quanto pelo fisco, sendo o código correto o 9403.70.00, de mesma alíquota que o classificado pela recorrente; e (f) a empresa protesta por produção de provas por todos os meios em direito admissíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.697, de 24 de julho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11070.721225/201157. Fl. 18508DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.697): "O contencioso versa sobre classificação das seguintes mercadorias: (a) reservatórios, filtros e fossas com capacidade igual ou inferior a 300 litros (o que inclui os filtros Pol. 295L de cód. 12971 e 13021); (b) pipas, capas de ar condicionado, lixeiras, suportes para lixeira e tampas para reservatório; e (c) escorregador de piscina. Afora isso, protesta a empresa apenas por produção de provas por todos os meios em direito admissíveis. Sobre esse último tema, poderia a empresa ter agregado provas ao contencioso administrativo, respeitando o disposto no Decreto no 70.235/1972. E, ao que se vê no processo, tal direito em momento algum lhe é negado. Aliás, não se insurge especificamente a empresa nem em relação à negativa de diligência na instância de piso, aqui endossada, visto que estão presentes no processo os elementos necessários à manifestação do julgador. Passase, assim, a analisar cada um dos itens discutidos, em relação à classificação, tecendose, antes, considerações gerais sobre classificação de mercadorias, úteis ao deslinde do contencioso. Da classificação de mercadorias A classificação de mercadorias se presta primordialmente à uniformização internacional. De nada adiantaria, por exemplo, pactuar alíquotas sobre o imposto de importação (ou restrições/proibições à importação) internacionalmente, se não fosse possível designar sobre quais produtos recai o acordo. A “Babel” de idiomas sempre foi um fator de dificuldade para o controle tributário e aduaneiro, e também para a elaboração de estatísticas de comércio internacional, e é agravada pelas diversas denominações que uma mercadoria pode ter mesmo dentro de um único idioma (v.g., no Brasil, a tangerina, também denominada de mexerica, bergamota ou mimosa, entre outros). Embora tenha havido iniciativas no século XIX, na Europa, de confecção de listas alfabéticas de mercadorias, é em 29/12/1913, em Bruxelas, na segunda Conferência Internacional sobre Estatísticas Comerciais, que 29 países chegam à primeira nomenclatura de real importância, dividindo o universo de mercadorias em 186 posições, agrupadas em cinco capítulos: animais vivos, alimentos e bebidas, matériaprima ou simplesmente preparada, produtos manufaturados, e ouro e prata. Depois de diversas iniciativas, como a Nomenclatura de Genebra, da década de 30 do século passado, e a Nomenclatura Aduaneira de Bruxelas, de 1950, com o nome alterado, em 1974, para Nomenclatura do Conselho de Cooperação Aduaneira – NCCA, chegase à Convenção do “Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), aprovada Fl. 18509DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 5 4 em 1983, e que entrou em vigor internacional em 1o de janeiro de 1988.1 A Convenção do SH é hoje aplicada em âmbito mundial, não só entre os mais de 150 países signatários, mas em suas relações com terceiros. No Brasil, a referida convenção foi aprovada pelo Decreto Legislativo no 71, de 11/10/1988, e promulgada pelo Decreto no 97.409, de 23/12/1988, com depósito internacional do instrumento de ratificação em 08/11/1988. Desde 1o de janeiro de 1989, a convenção é plenamente aplicável no Brasil, tendo, segundo entendimento dominante em nossa suprema corte, status de paridade com a lei ordinária.2 O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) é uma nomenclatura estruturada sistematicamente buscando assegurar a classificação uniforme de todas as mercadorias (existentes ou que ainda existirão) no comércio internacional, e compreende seis Regras Gerais Interpretativas (RGI), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, e 21 seções, totalizando 96 capítulos, com 1.244 posições, várias destas divididas em subposições de 1 travessão (primeiro nível) ou dois (segundo nível), formando aproximadamente 5.000 grupos de mercadorias, identificados por um código de 6 dígitos, conhecido como Código SH.3 Desde que não contrariem o estabelecido no SH, os países ou blocos regionais podem estabelecer complementos aos seis dígitos internacionalmente acordados, e utilizar a codificação inclusive para temas e tributos internos. A Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), que serve de base à aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC), acrescenta aos seis dígitos formadores do código do Sistema Harmonizado mais dois, um referente ao item (sétimo dígito) e outro ao subitem (oitavo dígito). A inclusão de um par de dígitos efetuada na NCM demandou ainda a edição de Regras Gerais Complementares (RGC) às seis Regras Gerais do SH (para 1 DALSTON, Cesar Olivier. Classificando Mercadorias: uma Abordagem Didática da Ciência da Classificação de Mercadorias. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2014, p. 182187; BIZELLI, João dos Santos. Classificação fiscal de mercadorias. São Paulo: Aduaneiras, 2003, p. 14; e TREVISAN, Rosaldo. A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros (coords.). Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 358361. 2 Sobre a estatura de paridade dos tratados internacionais regularmente incorporados ao ordenamento jurídico brasileiro com as leis, vejase a ADIn n. 1.480DF. 3 Além do constante estabelecimento de atualizações na nomenclatura, decorrentes de descobertas e aperfeiçoamentos de novos produtos, há publicações complementares que auxiliam no processo de designação e classificação de mercadorias, como as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH (expressando o posicionamento oficial do CCAOMA), o índice alfabético do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas, publicado pelo CCAOMA, os pareceres de classificação emitidos pelo Comitê do Sistema Harmonizado, criado pela convenção, e os atos normativos emitidos por autoridades nacionais a respeito de classificação de mercadorias. Fl. 18510DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 6 5 disciplinar a interpretação no que se refere a itens e subitens) e de Notas Complementares.4 E, no Brasil, a NCM serve de base para a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), desde a TIPI de 1996, veiculada pelo Decreto no 2.092, de 10/12/1996. Assim, se o Brasil, por exemplo, pactua internacionalmente as alíquotas máximas (no âmbito da Organização Mundial do Comércio OMC) ou a alíquota extrabloco (no âmbito do MERCOSUL) do imposto de importação para determinada classificação, tais pactos são aplicáveis ao que se entende internacionalmente abrangido por tal classificação. E, sendo a TIPI um mero reflexo do SH e da NCM, qualquer discussão sobre classificação de mercadorias para efeito de incidência do IPI deve ser feita à luz da Convenção do SH (com suas Regras Gerais Interpretativas, Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição), se referente aos primeiros seis dígitos, e com base no acordado no âmbito do MERCOSUL em relação à NCM (Regras Gerais Complementares e Notas Complementares), no que se refere ao sétimo e ao oitavo dígitos. Feitas tais considerações, passase a analisar a discussão jurídica sobre classificação da mercadoria, presente nestes autos. Dos reservatórios, filtros e fossas com capacidade igual ou inferior a 300 litros Afirma a fiscalização que os reservatórios, filtros e fossas com capacidade igual ou inferior a 300 litros (o que inclui os filtros Pol. 295L de cód. 12971 e 13021) se classificam com fundamento em “Nota do Capítulo 39 da TIPI” (posição 3925), e em decisões em soluções de consulta sobre classificação, no código NCM 3926.90.90. Em sua defesa, afirma a empresa, como relatado, que os reservatórios (caixas de água de fibra, com ou sem tampa), independentemente de suas capacidades de armazenamento (de 50 l. a 75.000 l.), devem ser incluídos na mesma posição da TIPI (3925), o que seria compatível com o entendimento da própria fiscalização, que nada glosou para os reservatórios com mais de 300 l., mas a empresa errou ao utilizar a classificação 3925.90.90 (inexistente na TIPI do período fiscalizado), quando o correto seria 3925.90.00, o que traz prejuízo, visto ser a mesma a alíquota de 5%, sendo a posição 3926 destinada a outras finalidades, que não as obras civis e construções (e, por 4 Em 01/01/1995, tendo em vista o Tratado de Assunção, os entendimentos havidos no âmbito do Mercosul, e a publicação do Decreto n. 1.343, de 23/12/1994, a antiga Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), que utilizava dez dígitos (os seis do SH mais dois para itens e dois para subitens), deu lugar à Tarifa Externa Comum (TEC), uniformemente adotada por todos os membros do bloco. Tal evolução serviu de base à substituição, em 01/01/1997, após a publicação do Decreto n. 1.767, de 28/12/1995, da Nomenclatura Brasileira de Mercadorias (NBM) pela Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Fl. 18511DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 7 6 isso, possuem alíquotas maiores, em função de seletividade e essencialidade), e que, em relação a filtros e fossas, a divergência se resume à capacidade, pois a classificação foi homologada para produtos com capacidade superior a 300 l., sendo que a ABNT, na NBR 7229, registra dados dos produtos, válidos para qualquer capacidade, e, se não existe previsão para determinada capacidade em desmembramento da posição 3925, a classificação deve ser direcionada para o código 3925.90.00 (admitindo incorreção no código 3925.90.90), e a capacidade se dá pelo volume total, e não pelo volume útil, pelo que os filtros Pol. 295L de cód. 12971 e 13021, com o acréscimo de cúpula superior e dos gomos externos, alcançam o volume de 338 l., citando ainda o site “Wikipedia” (também admitindo erro na classificação, que deveria ser 3925.10.10 ao invés de 3925.90.90, sem prejuízo tributário). Não há controvérsia sobre a norma regulamentar aplicável, o Decreto no 4.542/2002, com suas alterações posteriores, expressamente mencionado na peça recursal. E, como a discussão reside no campo da posição (quatro primeiros dígitos do código NCM, de caráter nitidamente internacional), deve ser confrontada aquela alegada pelo fisco (3926) com a defendida pela postulante ao crédito (3925), sendo pouco relevante o que dispõem os dígitos seguintes, em obediência à Regra Geral Interpretativa (RGI) no 1 do Sistema Harmonizado. Os textos das posições 3925 e 3926 dispunham, à época: 3925. ARTEFATOS PARA APETRECHAMENTO DE CONSTRUÇÕES, DE PLÁSTICOS, NÃO ESPECIFICADOS NEM COMPREENDIDOS EM OUTRAS POSIÇÕES 3926. OUTRAS OBRAS DE PLÁSTICOS E OBRAS DE OUTRAS MATÉRIAS DAS POSIÇÕES 39.01 A 39.14 Para efeito de aplicação da RGI no 1 do Sistema Harmonizado é importante ainda conhecer o texto da nota 11 do Capítulo 39, referente à posição 3925 (também de caráter internacional), que afirma ali existir relação exaustiva de mercadorias: 11. A posição 39.25 aplicase exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do Subcapítulo II: a) reservatórios, cisternas (incluídas as fossas sépticas), cubas e recipientes análogos, de capacidade superior a 300 litros; b) elementos estruturais utilizados, por exemplo, na construção de pavimentos, paredes, tabiques, tetos ou telhados; c) calhas e seus acessórios; d) portas, janelas, e seus caixilhos, alizares e soleiras; e) gradis, balaustradas, corrimões e artigos semelhantes; Fl. 18512DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 8 7 f) postigos, estores (incluídas as venezianas) e artefatos semelhantes, suas partes e acessórios; g) estantes de grandes dimensões destinadas a serem montadas e fixadas permanentemente, por exemplo, em lojas, oficinas, armazéns; h) motivos decorativos arquitetônicos, tais como caneluras, cúpulas, etc.; ij) acessórios e guarnições, destinados a serem fixados permanentemente em portas, janelas, escadas, paredes ou em outras partes de construções, tais como puxadores, maçanetas, aldrabas, suportes, toalheiros, espelhos de interruptores e outras placas de proteção. A simples leitura do texto da nota, que não pode ser ignorada pelo classificador, em função da citada RGI no1, já se presta a excluir da posição 3925 os reservatórios, filtros e fossas com capacidade igual ou inferior a 300 litros, comprovando estar incorreta a classificação pleiteada pelo postulante ao crédito. Vejase, nestes itens, que, ao passo que a fiscalização invoca aspectos técnicos de classificação do Sistema Harmonizado e entendimento sobre classificação revelado em solução de consulta da RFB, a argumentação da empresa é calcada em analogia, menção a norma técnica nacional (NBR 7229) e à “Wikipedia”. As considerações sobre volume, remetendo a norma nacional, ademais, são incompatíveis com o caráter internacional da classificação, não podendo o cálculo do volume variar entre os países signatários, sob pena de deturpar o próprio conteúdo acordado, e o recurso voluntário sequer enfrenta especificamente, com argumentos novos, o tema dos volumes, à luz das considerações expendidas pelo julgador de piso. Uma discussão sobre classificação de mercadorias deve ser travada tecnicamente, em obediência aos critérios internacionalmente estabelecidos para uniformizar a designação de mercadorias, adotados pela legislação do IPI, no Brasil, como exposto no tópico anterior, e não com fundamento em analogia ou essencialidade (a não ser que tais critérios figurem expressamente na nomenclatura), muito menos com a utilização de critérios nacionais ou da enciclopédia colaborativa da grande rede. Nesse item, assim, improcedente o pleito, por ser incorreta a classificação utilizada pelo demandante, o que se detecta já no âmbito da posição utilizada. Ademais, sendo correta a posição 3926, em obediência à RGI no 6, o quinto dígito é identificado por exclusão, entre as subposições de primeiro nível 1 (artigos de escritório e escolares), 2 (vestuários e seus acessórios), 3 (guarnições para móveis, carroçarias ou semelhantes), 4 (estatuetas e outros objetos de ornamentação) e 9 (outros). Na posição de segundo Fl. 18513DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 9 8 nível não há surpresa, sendo o dígito zero, pois a subposição de primeiro nível 9 é fechada. Por fim, no desmembramento regional, o sétimo dígito também é identificado por exclusão, entre os itens 1 (arruelas), 2 (correias), 3 (bolsas), 4 (artigos de laboratório/farmácia) e 9 (outros), sendo o oitavo dígito (subitem) zero, por não haver novo desdobramento regional do item. Das pipas, capas de ar condicionado, lixeiras, dos suportes para lixeira e das tampas para reservatório Afirma a fiscalização que as pipas, capas de ar condicionado, lixeiras, os suportes para lixeira e as tampas para reservatório são classificadas a partir da “Nota 11 do Capítulo 39”, e do Parecer Cosit (Dinom) 1.322/1992, no código NCM 3926.90.90. Sobre tais itens, sustenta a recorrente que às tampas de reservatórios de fibra aplicase o mesmo raciocínio dos reservatórios, jamais se podendo classificar tais produtos na posição 3926. Recordese que as tampas são de reservatórios com capacidade inferior ou igual a a 300 l, e, de fato, são classificadas com o reservatório, na forma exposta no tópico anterior. Novamente, parece a defesa ignorar o caráter exaustivo da posição 3925, descrito na Nota 11 do Capítulo 39, aqui já transcrita. Sobre a pipa, a própria recorrente reconhece tratarse de “tanque com capacidade de 300 litros”, o que dispensa, em vista do exposto, esforços adicionais para classificação. Com relação às capas para aparelho de ar condicionado, informa a recorrente que constituem “espécie de caixilho para aparelhos de refrigeração, servindo de proteção e segurança externa em prédio de alvenaria”. Novamente, não encontro tais itens na lista exaustiva constante na Nota 11 do Capítulo 39, sendo incorreta a classificação na posição 3925. Em uma espécie de “classificação por aproximação”, confunde a recorrente a posição 3926 com “elementos de decoração”, quando ali se encontra a alocação residual do que não deve ser classificado na posição 3925 ou em outras, para materiais plásticos. Quanto às lixeiras, afirma a defesa que não poderiam ser classificadas na posição 3926 por não serem obras de plástico, mas de fio picado de fibra de vidro e resina de poliéster, que resultam em 30 a 60% do peso, e, por isso, deveriam ser classificadas no código 7019.90.00. Por fim, no que se refere ao suporte para lixeiras, também passa a defender a recorrente que são produzidos com tubos e Fl. 18514DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 10 9 cantoneiras de aço carbono, o que deslocaria a classificação para o código 7326.90.00. Ao ler o Relatório Fiscal, percebo que tanto as lixeiras quanto aos suportes para lixeira foram classificados, pela empresa, no código 3925.10.00, que, nitidamente, não se refere a nenhum dos elementos referidos na lista exaustiva multicitada, sendo indiscutivelmente incorreta a classificação na posição 3925. O curso do contencioso administrativo não se presta a mudança da classificação adotada, nem pelo fisco, ao lançar, nem pela empresa, ao postular crédito. Caso o fisco adote classificação incorreta em lançamento, este é improcedente, ainda que a classificação correta se dê em outro código tributado à mesma alíquota. Do mesmo modo, caso a empresa pleiteie restituição com base em determinada classificação defendida como correta, e esta se revele incorreta (o que aqui é indiscutível e consensual, residindo eventual divergência apenas em qual seria efetivamente a correta), improcedente o pedido. Entendendo a empresa que correta seria outra classificação, não adotada, deveria ter alterado seu pedido, dentro do período temporal que dispunha para pedir a restituição, e observando os requisitos para a espécie, assim como o fisco, para alterar a classificação defendida como correta em seu lançamento, deveria observar os prazos e requisitos para o lançamento complementar. De qualquer sorte, ainda que admitida a alteração do pedido (o que se faz aqui apenas para a eventualidade de alguém, no colegiado, concordar com tal possibilidade, em detrimento de meu posicionamento expresso acima), a recorrente não traz elementos conclusivos que apontem para a nova classificação pleiteada para nenhuma dessas mercadorias, e o simples fato de ter material constitutivo distinto, sem especificação detalhada e individualizada, atenta contra a certeza e a liquidez do crédito postulado, cuja prova resta a cargo do demandante, não podendo ser suprida pelo julgador. Assim, improcedente também o pedido neste tópico. Do escorregador de piscina Afirma a fiscalização que o escorregador de piscina tratase de “artigo para divertimento, abrangido pelo Capítulo 95, e não de um móvel do Capítulo 94”, estando na posição 9506 artigos e equipamentos para esportes ou jogos ao ar livre, não especificados nem compreendidos em outras posições do capítulo, o que é endossado pelo Parecer CST 317/1991, sendo correta a classificação no código NCM 3926.90.90. A recorrente, por seu turno, sustenta que o escorregador de piscina foi classificado incorretamente tanto pela empresa quanto pelo fisco, sendo o código correto o 9403.70.00, de mesma alíquota que o classificado pela recorrente. Fl. 18515DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 11 10 Cabe aqui o mesmo raciocínio expendido no tópico anterior, no que se refere a mudança de entendimento de qual seria a classificação correta, por parte do postulante ao crédito, no curso do contencioso. Em adição, cabe destacar que além de a defesa não enfrentar especificamente os argumentos externados pela DRJ na decisão de piso sobre o tema, limitandose a reiterar sua manifestação e inconformidade, a classificação se dá por critérios técnicos, e não por simples escolha, motivada por alíquotas. Nesse aspecto, não é preciso muito esforço para saber que a nova posição postulada pela empresa (9403, referente a outros móveis e suas partes) não se presta a um escorregador de piscina, e que a adotada pela fiscalização (9506, que compreende piscinas, incluídas as infantis), em sua posição residual, abrange os escorregadores. Aliás, em relação às piscinas, já se manifestou o CECLAM, em seu compêndio de ementas (disponível em http://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/classificaca ofiscaldemercadorias/compendioceclamfev2019), que se classifica no código NCM 9506.99.00 a “Piscina de plástico reforçado com fibra de vidro, de diversas dimensões e formatos, própria para ser instalada em um buraco escavado na terra de residências, hotéis e clubes” (SC 122/2016 2ª Turma). Improcedente o pedido, assim, também neste tópico. Considerando o exposto nos tópicos anteriores, voto por negar provimento ao recurso." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 18516DF CARF MF Processo nº 11070.721227/201146 Acórdão n.º 3401006.699 S3C4T1 Fl. 12 11 Fl. 18517DF CARF MF
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