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Numero do processo: 10850.909837/2011-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
PIS/COFINS. RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO.
Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração.
Numero da decisão: 3402-005.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
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RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO. Não compõem a base de cálculo das contribuições sociais as receitas decorrentes de atividades estranhas ao objeto social da empresa, devendo ser excluídas na apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para reconhecer o direito creditório no montante reconhecido na Diligência Fiscal realizada nos autos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 98 37 /2 01 1- 20 Fl. 342DF CARF MF 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte, por meio de seus representantes legais, em face de Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação de Pedido de Restituição, correspondente aos períodos e tributos lá discriminados. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, em virtude dos pagamentos localizados terem sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Inconformado, o contribuinte manifestouse alegando, quanto ao mérito: i) falta de aprofundamento na investigação dos fatos; ii) inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98 e advento de decisão do STF declarandoa sob a sistemática de Repercussão Geral, o que implicaria em novo cálculo dos débitos, com a base de cálculo correta, e apuração do pagamento indevido. A DRJ julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade, pelo que apresentou o Contribuinte Recurso Voluntário ao CARF, reiterando as razões de seu pleito. Converteuse o julgamento em diligência para que se cumprisse o seguinte: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado, para julgamento. Intimado, o contribuinte apresentou a documentação solicitada e a fiscalização juntou aos autos informação fiscal. Posteriormente, o contribuinte apresentou petição manifestandose sobre o resultado da diligência fiscal. É o relatório, em síntese. Voto Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10850.909837/201120 Acórdão n.º 3402005.278 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O presente caso é recorrente neste Conselho, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. O contribuinte junta ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais, indicando de forma perfunctória o direito pleiteado. Em razão disso, optouse pela conversão do julgamento em diligência para que a instrução probatória fosse melhor desenvolvida. A minuciosa informação fiscal juntada pela fiscalização analisou as planilhas apresentadas, bem como o contrato social da empresa, com a finalidade de identificar quais receitas fazem parte do objeto social da empresa e que deveria compor o faturamento dela. Na mesma linha de julgamentos sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, que culminou com a decisão, tomada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 527602, com repercussão geral, o STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3.º da Lei 9.718/98, corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91: Art. 2° A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Analisando as receitas da empresa, a informação fiscal aduziu a existência de créditos decorrentes de pagamento a maior, passíveis de restituição, conforme planilha apresentada na informação fiscal. Sobre isto, o contribuinte manifestou sua expressa concordância, reconhecendo a correção do entendimento adotado na diligência fiscal. Portanto, no que é pertinente aos créditos reconhecidos pela informação fiscal, não resta qualquer controvérsia nos autos, devendo serem reconhecidos por este Colegiado. Desse modo, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário no sentido de reconhecer o direito creditório no montante determinado na informação fiscal juntada aos autos. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 344DF CARF MF 4 Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000031/2010-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, deve-se manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido.
Numero da decisão: 9303-006.759
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Recorrente CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado posteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, devese manter o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento indevido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 00 31 /2 01 0- 72 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13002.000031/201072 Acórdão n.º 9303006.759 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 3802001.894 da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que negou provimento ao recurso voluntário. O colegiado a quo julgou prescrito o direito do contribuinte à restituição pleiteada, considerando o prazo quinquenal contado a partir da data do pagamento indevido. No caso, o pedido foi apresentado pelo contribuinte em 20/01/2010, amparado em pagamento efetuado em 21/03/2000. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, argumentando, em síntese, que: · o acórdão recorrido afirma que o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é a data do pagamento (aplicou o prazo de 5 anos); · há entendimento pacífico do STJ que considera que quando não houver homologação expressa, o direito à compensação ou restituição dos valores pagos indevidamente extinguese após o decurso do prazo de 5 anos, a partir da ocorrência do fato gerador, cujo termo final consubstanciase no prazo para homologação tácita do crédito pelo fisco. E somente após o decurso desse prazo, contase mais 5 anos para preclusão do direito de o sujeito passivo pleitear a restituição/compensação do indébito. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que argumentou terse operado a decadência, uma vez transcorridos mais de 5 anos entre a data do recolhimento e a da apresentação do pedido de restituição/compensação. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13002.000031/201072 Acórdão n.º 9303006.759 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.758, de 16/05/2018, proferido no julgamento do processo 13002.000094/200812, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.758): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13002.000031/201072 Acórdão n.º 9303006.759 CSRFT3 Fl. 5 4 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13002.000031/201072 Acórdão n.º 9303006.759 CSRFT3 Fl. 6 5 Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 13002.000031/201072 Acórdão n.º 9303006.759 CSRFT3 Fl. 7 6 “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, temse que, no caso vertente, o pedido de foi protocolado em 15.1.08 relativo a créditos oriundos de recolhimentos a maior de Cofins efetuados em 9.4.99. Sendo o pedido posterior a 9.6.05, devese manter a aplicação do prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, conforme art. 3º da LC 118/05. Sendo assim, nego provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o pedido de restituição foi protocolado em 20/01/2010, amparado em créditos oriundos de recolhimento a maior efetuado em 21/03/2000. Portanto, sendo o pedido posterior a 09/06/2005, aplicável o prazo prescricional de 5 anos contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado, conforme art. 3º da LC 118/05. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.002052/2005-93
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente EDE TADEU COTAIT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 20 52 /2 00 5- 93 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10825.002052/200593 Acórdão n.º 2002000.127 S2C0T2 Fl. 167 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2003, ano calendário 2002, tendo em vista a apuração de dedução indevida de despesas médicas. Para parte da exigência, foi aplicada multa de ofício qualificada. O contribuinte apresentou impugnação (fls.61/93), alegando, em síntese, que os recibos e declarações dos profissionais são prova suficiente quanto à realização das despesas informadas e não podem ser desconsiderados pelo Fisco. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) negou provimento à Impugnação (fls. 99/103), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Somente podem ser acolhidas, a título de dedução do IRPF, aquelas despesas médicas que se encontrem comprovadas de forma hábil e idônea. Cientificado dessa decisão em 28/4/2009 (fl.113), o contribuinte interpôs, em 22/5/2009 (fl.115), seu Recurso Voluntário (fls. 115/163), no qual apresenta as seguintes alegações: apresentou recibos e declarações confirmando a veracidade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados. Argumenta que a documentação é hábil e idônea para o fim que se destina, qual seja, comprovar os gastos médicos declarados. aduz que os profissionais informaram os rendimentos recebidos em suas Declarações de Ajuste e que a Receita Federal do Brasil (RFB) pode confirmar esses dados. sustenta que o ônus da prova é da RFB, no caso de não acatar o recibo como prova. reproduz a legislação de regência e diz que todo contribuinte pode deduzir despesas médicas de seu imposto de renda. Acrescenta que está prevista a possibilidade, e não obrigatoriedade, de indicação dos cheques utilizados para pagar a despesa, quando o contribuinte não possuir o recibo da despesa. cita e reproduz jurisprudência sobre o tema. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10825.002052/200593 Acórdão n.º 2002000.127 S2C0T2 Fl. 168 3 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.95). É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10825.002052/200593 Acórdão n.º 2002000.127 S2C0T2 Fl. 169 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probatório absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10825.002052/200593 Acórdão n.º 2002000.127 S2C0T2 Fl. 170 5 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10825.002052/200593 Acórdão n.º 2002000.127 S2C0T2 Fl. 171 6 Assim, entendo que, ao contrário do que defende o recorrente, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Cabe ressaltar que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Por fim, importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. O ônus da prova do direito constitutivo, no caso, é do contribuinte, a teor do art. 373, inciso I, do CPC, na medida em que pretende deduzir de seus rendimentos tributáveis o valor pago a título de despesa médica. Na ausência dessa comprovação, a glosa deve ser mantida. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001302/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1999
SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF. DECADÊNCIA.
Considerados os termos da Sumula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, quando se verifica ter se escoado o prazo disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 2402-006.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1999 SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF. DECADÊNCIA. Considerados os termos da Sumula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, quando se verifica ter se escoado o prazo disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/01/1999 SÚMULA VINCULANTE Nº 8 STF. DECADÊNCIA. Considerados os termos da Sumula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, quando se verifica ter se escoado o prazo disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 13 02 /2 00 7- 10 Fl. 623DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10665.001302/200710 Acórdão n.º 2402006.095 S2C4T2 Fl. 624 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente em parte NFLD lavrada contra a empresa Nacional de Grafite Ltda. (fls. 317/355), na condição de responsável solidária, e a empresa prestadora de serviços Maria Madalena Silva Pimenta, relativo a contribuições incidentes sobre a remuneração incluída em notas fiscais de prestação de serviços de transporte realizados mediante cessão de mãodeobra, nas competências 09/1996 a 01/1999. Não obstante impugnada pela responsável solidária (fls. 385/405), a exigência foi parcialmente mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 565/579), ocasião na qual foram acatados comprovantes de recolhimentos realizados pela prestadora de serviços. O recurso voluntário foi interposto em 15/07/2008 (fls. 595/605), sendo então alegado, em apertada síntese, estar decaído o lançamento e ser ilegal a apuração das contribuições mediante arbitramento. Também é demandada ciência do procurador para fins de realização de sustentação oral. O processo foi baixado para a unidade de origem para averiguar de sua inclusão em parcelamento, o que não restou comprovado, motivando seu retorno ao CARF para prosseguimento (fls. 615/621). É o relatório. Fl. 625DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, registrese que é demandada a ciência pessoal do patrono do contribuinte, todavia os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelecem que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF (Portaria MF nº 343/15). Ademais, para a realização de sustentação oral direito da parte, nos termos dos arts. 58 e 59 do Anexo II do RICARF, basta o procurador comparecer na sessão de julgamento, divulgada conforme § 1º do art. 55 do mencionado regimento. Necessário, então, que se passe diretamente à questão prejudicial da decadência, levantada pelo recorrente, e cognoscível de ofício, como cediço. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal (CF) e da Lei nº 11.417/06, o Supremo Tribunal Federal (STF) pode editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública federal. Tais ditames são observados, aliás, na alínea 'a' do inciso II do § 1º do art. 62 do Anexo II do RICARF. Nesse contexto, e no tocante ao prazo decadencial do direito do Fisco de constituir as contribuições previdenciárias, foi publicado em 20/06/2008 o seguinte enunciado sumular do STF: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. No precedente representativo da Súmula, o RE nº 556.664, j. 12/06/2008, foi explicitado pelo relator Ministro Gilmar Mendes que "o Fisco está impedido, fora dos prazos de decadência e prescrição previstos no CTN, de exigir as contribuições da seguridade social". Então, o prazo decadencial que rege o lançamento dessas contribuições segue as normas insculpidas no Código Tributário Nacional (CTN), no § 4º do art. 150 ou art. 173 e respectivos incisos. No particular, a autuação versa sobre fatos geradores compreendidos entre set/1996 e jan/1999, e a ciência ao contribuinte do lançamento deuse em 14/09/2006 (fl. 317). Portanto, ainda que inexistisse pagamento antecipado das contribuições em comento, o que ensejaria a aplicação do prazo previsto no inciso I do art. 173 do CTN, revelar seia decaído o lançamento, por se referir a competências anteriores a 12/2000. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10665.001302/200710 Acórdão n.º 2402006.095 S2C4T2 Fl. 625 5 Destarte, quando lavrada a NFLD, já havia se escoado o prazo para o exercício do direito potestativo do Fisco de constituir o crédito tributário mediante o lançamento de ofício. Nesse contexto, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário veiculado no presente processo, dandose provimento, por conseguinte, ao recurso voluntário. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12452.720187/2012-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011
PARTES DE APARELHOS ELÉTRICO/ELETRÔNICOS DIVERSOS. TELEVISORES. MONITORES. CELULARES. MOSTRADORES DE CARACTERES. NOTA 2 "B" DA SEÇÃO XVI. APLICAÇÃO.
Os dispositivos que contenham em sua estrutura mais do que uma simples camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas (de vidro ou de plástico), com ou sem condutores elétricos, e que possam ser identificados como uma parte exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição da Seção XVI classificam-se na posição correspondente a esta ou a estas máquinas.
Os dispositivos descritos no auto de infração como telas para aparelhos de televisão classificam-se na NCM 8529.90.20; como telas para aparelhos celulares classificam-se na NCM NCM 8517.70.99; e como mostradores de caracteres classificam-se na NCM 8531.20.00.
RGI nº 1. Nota 2 "b" da Seção XVI
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011
REVISÃO ADUANEIRA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA.
A Revisão Aduaneira é procedimento previsto em lei, a ser executado no prazo de cinco anos do registro da declaração, e destina-se à apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador por ocasião do despacho de importação.
Decretos-Lei nº 37/66 e 2.472/88
Numero da decisão: 9303-006.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PARTES DE APARELHOS ELÉTRICO/ELETRÔNICOS DIVERSOS. TELEVISORES. MONITORES. CELULARES. MOSTRADORES DE CARACTERES. NOTA 2 "B" DA SEÇÃO XVI. APLICAÇÃO. Os dispositivos que contenham em sua estrutura mais do que uma simples camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas (de vidro ou de plástico), com ou sem condutores elétricos, e que possam ser identificados como uma parte exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição da Seção XVI classificam-se na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Os dispositivos descritos no auto de infração como telas para aparelhos de televisão classificam-se na NCM 8529.90.20; como telas para aparelhos celulares classificam-se na NCM NCM 8517.70.99; e como mostradores de caracteres classificam-se na NCM 8531.20.00. RGI nº 1. Nota 2 "b" da Seção XVI Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 REVISÃO ADUANEIRA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A Revisão Aduaneira é procedimento previsto em lei, a ser executado no prazo de cinco anos do registro da declaração, e destina-se à apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador por ocasião do despacho de importação. Decretos-Lei nº 37/66 e 2.472/88
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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TELEVISORES. MONITORES. CELULARES. MOSTRADORES DE CARACTERES. NOTA 2 "B" DA SEÇÃO XVI. APLICAÇÃO. Os dispositivos que contenham em sua estrutura mais do que uma simples camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas (de vidro ou de plástico), com ou sem condutores elétricos, e que possam ser identificados como uma parte exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição da Seção XVI classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Os dispositivos descritos no auto de infração como telas para aparelhos de televisão classificamse na NCM 8529.90.20; como telas para aparelhos celulares classificamse na NCM NCM 8517.70.99; e como mostradores de caracteres classificamse na NCM 8531.20.00. RGI nº 1. Nota 2 "b" da Seção XVI ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 REVISÃO ADUANEIRA. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. A Revisão Aduaneira é procedimento previsto em lei, a ser executado no prazo de cinco anos do registro da declaração, e destinase à apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador por ocasião do despacho de importação. DecretosLei nº 37/66 e 2.472/88 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 2. 72 01 87 /2 01 2- 74 Fl. 17707DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3201002.026, de 28 de janeiro de 2016 (efolhas 17.275e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 DISPLAYS DE CRISTAL LÍQUIDO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os displays de cristal líquido classificamse no código NCM 8529.90.20 quando corresponderem a partes de monitores ou de televisores, no código NCM 8517.70.99 quando corresponderem a partes de aparelhos telefônicos, no código NCM 8531.20.00 quando corresponderem a painéis indicadores com dispositivos Fl. 17708DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 4 3 LCD e no código NCM 8473.30.92 quando corresponderem a partes de máquinas portáteis de processamento de dados. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O art. 570 do Regulamento Aduaneiro/2002 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, verifica a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestada pelo importador na declaração de importação. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 SUSPENSÃO DO IPI. EXIGIBILIDADE. REQUISITOS. O Regime de Suspensão do IPI convertese em obrigação tributária exigível apenas nas situações em que não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 COFINSIMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade do texto do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865, de 2004, que previa acréscimo à base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins Importação do valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro, tais valores deixam de compor o valor aduaneiro das mercadorias importadas, para fins de cobrança das referidas contribuições. Fl. 17709DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 5 4 Adoção dos fundamentos da decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, processado pelo regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, em cumprimento ao disposto no art. 62A do Anexo II do RICARF. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PISIMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. Com a declaração de inconstitucionalidade do texto do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865, de 2004, que previa acréscimo à base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins Importação do valor do ICMS incidente no desembaraço aduaneiro, tais valores deixam de compor o valor aduaneiro das mercadorias importadas, para fins de cobrança das referidas contribuições. Adoção dos fundamentos da decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.937/RS, processado pelo regime de repercussão geral, previsto no art. 543B do CPC, em cumprimento ao disposto no art. 62A do Anexo II do RICARF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 DECADÊNCIA PARA LANÇAR. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, nos tributos cujo lançamento se dá por homologação (como no caso são o II, o IPI, o PIS e a Cofins), o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário é de 05 anos, contados da data da ocorrência do fato Fl. 17710DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 6 5 gerador (data do registro da DI), na forma do art. 150,§4º do CTN, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido, ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento do tributo já poderia ter sido efetuado, na forma do art 173, I, do CTN, na ausência de antecipação de pagamento. NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA. Considerase prática reiterada das autoridades administrativas, à luz do artigo 100, inciso III, do CTN, a utilização de classificação fiscal de mercadorias já determinadas em soluções de consulta da RFB e confirmadas em despachos de importação selecionados para canais de conferência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 24/05/2007 a 31/12/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE DO JULGADOR APRECIAR, PONTO A PONTO, TODAS AS TESES DE DEFESA. LIVRE CONVENCIMENTO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA DECISÃO. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos. Não há nulidade da decisão de primeira instância que deixa de analisar, ponto a ponto, todas teses de defesa elencadas pela impugnante, quando referida decisão traz fundamentação coerente acerca das razões de decidir. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 17.329 e segs) diz respeito (i) à nulidade do auto de infração pelo fato de a Fiscalização Federal ter deixado de apresentar laudo técnico das mercadorias objeto da lide; (ii) à necessidade de observância de Fl. 17711DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 7 6 aspectos de natureza técnica dos laudos juntados aos autos pela recorrente; (iii) à classificação das mercadorias; (iv) à impossibilidade de aplicação retroativa de novo critério jurídico O Recurso especial interposto não foi admitido, conforme despacho de admissibilidade de efolhas 17.353 e segs e despacho de agravo às efolhas 17.614 e segs. O contribuinte impetrou medida judicial em mandado de segurança com pedido de liminar. A segurança foi concedida e a liminar confirmada efolhas 17.691 e segs, nos seguintes termos dispositivo da voto à efolhas 17.698: Ante o exposto, confirmo a liminar e CONCEDO A SEGURANÇA para anular as decisões que negaram seguimento ao Recurso especial, e determino o processamento parcial do Recurso Especial interposto pela Impetrante nos autos do Processo Administrativo n° 12452.720187/201274 no tocante aos Temas 3 e 4 do Recurso. Os itens 3 e 4 mencionados no dispositivo do voto referemse, respectivamente, (i) à classificação fiscal dos displays de cristal líquido e (ii) à aplicação retroativa de novo critério jurídico. Contrarrazões da Fazenda Nacional às efolhas 17.651 e segs. Requer que não se dê seguimento ao recurso especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Fl. 17712DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Conhecimento do Recurso Especial Uma vez que o seguimento do recurso especial em epígrafe tenha sido determinado por ordem judicial, conforme sentença prolatada no processo nº 1006361 40.2017.4.01.3400, efolhas 17.694 e segs, deixo de examinar aspectos atinentes à sua admissibilidade, esclarecendo que, conforme decidido pelo Exmo. Sr. Juiz Federal Substituto da 20ª Vara/SJDJ, apenas os itens 3 e 4 acima especificados devem ser submetidos ao crivo deste Colegiado, uma vez que os demais, assim como esses próprios, tenham sido negados no despacho de admissibilidade de efolhas 17.353 e segs e despacho de agravo às efolhas 17.614 e segs. Assim, ainda que a recorrente introduza sua irresignação mencionando diversas questões que pretende abordar, tais como a) A nulidade do Auto de Infração por não estar fundamentado em laudo técnico que justifique a classificação fiscal adotada pelo Fisco (...); b) A vinculação da Administração aos critérios técnicos constantes dos laudos juntados pela Recorrente, confeccionados pelo Instituto Nacional de Tecnologia (...) pela Unicamp e POLI USP (...); c) A necessidade de as mercadorias importadas pela Recorrente serem classificadas na NCM nº 9013.80.10, o que decorre da correta interpretação da referida posição classificatória e das respectivas Regras Gerais de Interpretação ("RGI"), bem como das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias ("NESH"); d) A aplicação retroativa de alterações de critério jurídico promovido pelo Fisco para a lavratura do Auto de Infração, o que estaria em desacordo com os procedimentos adotados pelas Fl. 17713DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 9 8 autoridades fiscais em oportunidades anteriores, como o desembaraço aduaneiro, pelo canal vermelho, de mercadorias classificadas na NCM nº 9013.80.10 (violação do art. 146 do CTN). o fato é que apenas os assuntos identificados pelas letras "c" e "d" acima integram o dissenso objeto do vertente decisum. Esclarecido isso, e tendo o recurso sido apresentado dentro do prazo legal, dele tomo conhecimento. Mérito Adentro, desde logo, à classificação fiscal das mercadorias importadas. 1 Identificação das mercadorias Às efolhas 15.137 e 15.138, no Relatório Fiscal que acompanha o auto de infração, a Fiscalização Federal esclarece os critérios utilizados na individualização e identificação de cada um dos itens importados pela empresa, com vistas à sua correta classificação fiscal. A seguir, excerto extraído do Relatório. Para realização dos exames, a fiscalização pesquisou as informações prestadas pela LG em todas as operações de importação de sua responsabilidade registradas no banco de dados do Siscomex, no período em exame. Esta pesquisa resultou na construção da Tabela “Importação em Exame” (Anexo XV) que, juntamente com os demais arquivos digitais produzidos pela LG, é parte integrante deste relatório. Nesta tabela estão relacionadas, por item de adição de DI, as informações que interessaram para a verificação da correta classificação fiscal das mercadorias, quais sejam, aquelas constantes da descrição do item. No caso presente, as descrições apresentadas nas adições, nem sempre, foram suficientes para atender a todas as exigências regulamentares quanto a identificação da mercadoria. Para suprir tal deficiência, o importador procurou incorporar à descrição, o código do Código Fiscal (ou “Part Number”) do Fl. 17714DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 10 9 item ou o produto a que se destinava e, conforme o caso apresentar o “packing list” das mercadorias importadas. A aceitação da informação do código fiscal ou do P/N para complementar a descrição do item é uma prática reiteradamente observada pelas unidades de despacho aduaneiro. Entretanto, ocorreram casos em que o P/N, ou código, não foi adequadamente informado ou foram informados códigos não utilizados nos controles de estoques e de produção da LG, desta forma dificultando a identificação do item para fins de classificação fiscal. No intuito de suprir eventual falta de informação, ou de evitar que se considerasse adequada uma informação equivocada inserida na DI, a fiscalização incluiu no “Termo de Início” intimação para que a LG a identificasse cada item importado com o respectivo P/N ou “Código Fiscal” utilizado para os controles de produção e estoques, além de indicar os produtos a que se destinavam. A resposta da LG foi dada na planilha “Anexo 1Item 4 Intimacao 2012000140”, reproduzida no anexo VIII, na qual a LG inseriu na planilha recebida da fiscalização (parte do Termo de Início) quatro colunas contendo a identificação do produto a que se destina o item importado, sua classificação fiscal, o tipo de destinação e o correspondente “Part Number”. Com base nas informações prestadas pela LG e com respaldo no “Laudo Técnico nº DPD/120393 – Módulo LCD – Especificação básica” (Anexo VII), a fiscalização procedeu a classificação correta para os itens importados, considerando a natureza e especificidade de cada um deles. A classificação considerada adequada pela fiscalização e que serviu de base para a apuração dos valores lançados, está apresentada na planilha do arquivo:“Classificação Adotada”. As mercadorias importadas foram, assim, agrupadas com base nos equipamentos a que estavam destinadas ou nos quais foram empregadas (efolhas 15.138 a Fl. 17715DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 11 10 15.143), originando os conjuntos identificados no Relatório Fiscal pelos subtítulos 2.3.1 Das telas para monitores aparelhos de televisão1; 2.3.2 Das telas para aparelhos celulares e 2.3.3 Mostradores de caracteres. Releva destacar que, ao final do segundo subtítulo (2.3.2 Telas para aparelhos celulares), a Autoridade Fiscal faz menção à correta classificação fiscal das telas de cristal líquido destinadas a aparelhos portáteis de processamento de dados. Explica que, para esses itens, não houve lançamento de diferença de tributos, apenas de multa por erro de classificação. Observese (efolhas 15.143). As telas para utilização em para máquinas portáteis de processamento de dados (Notebook) encontram classificação específica no subitem 8473.30.92 da NCM. Neste caso, a utilização da classificação erroneamente adotada pela LG não implicou em lançamento de diferenças de tributos, entretanto foi objeto de aplicação de penalidade por classificação incorreta. Tratase de uma matéria em relação à qual não existe mais nenhum interesse, uma vez que a decisão recorrida tenha exonerado o importador das multas aplicadas, se não vejamos (efolhas 17.304). Considerando a existência de soluções de consulta da RFB e de diversos despachos de importação selecionados para canais de conferência, onde foram confirmadas as classificações adotadas pela recorrente, entendo que a classificação adotada pela recorrente ocorreu diante de diversas práticas reiteradas da Administração Tributária, assim não são exigíveis as penalidades e a cobrança de juros nos termos previstos no art. 100, III, parágrafo único do CTN. Uma vez que a Fazenda Nacional não tenha oposto recurso especial a essa decisão, a classificação fiscal das telas para utilização em máquinas portáteis de processamento 1 Embora o título esteja redigido desta forma, a conclusão do tópico, à efolha 15.141, não deixa dúvidas de que ele aborda monitores "e" aparelhos de televisão. Observese: "Concluindo, as telas de LCD destinadas a produção de monitores importadas pela LG foram incorretamente classificadas na posição 9013.80.10 ao invés de 8529.90.20. O mesmo raciocínio se aplica às telas de LCD que a LG Importou para uso em aparelhos receptores de Televisão." Fl. 17716DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 12 11 de dados (notebook) no subitem 8473.30.92 não será mais objeto de análise nem consideração no vertente voto. 2 Classificação Fiscal Como se sabe, a classificação fiscal de mercadorias é realizada à luz das (i) Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado2, (ii) das Regras Gerais Complementares do Mercosul e (iii) das Regras Gerais Complementares da TIPI. São também observados os pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA), os Ditames do Mercosul, e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh). As Nesh foram internadas no Brasil por meio do Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992 e, portanto, não têm força legal. Ainda assim, tratamse de orientações e esclarecimentos de caráter complementar de grande importância, constituindose em um instrumento indispensável de apoio na atividade de classificação. Conforme reza a RGI nº 1, a classificação de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não contrariem a própria RGI nº 1, pelas RGI subsequentes. A parte grifada no parágrafo precedente é de grande importância para solução do caso concreto. Dela se depreende que todas as Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado subsequentes à RGI nº 1 somente poderão ser aplicadas se não forem incompatíveis com a própria RGI nº 1. A RGI nº1, por sua vez, estabelece dois critérios basilares para escolha do enquadramento tarifário correto: (i) os textos das posições e (ii) as Notas de Seção e de Capítulo. No caso em apreço, a controvérsia gira em torno da classificação do que a recorrente denomina dispositivos de cristal líquido utilizados para fabricação de diversas mercadorias (efolha 17.332). 2 Anexo à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 71, de 11 de outubro de 1988, e promulgada pelo Decreto nº 97.409, de 23 de dezembro de 1988. Fl. 17717DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 13 12 Segundo a Fiscalização Federal, esses dispositivos devem ser classificados nas NCM 8529.90.20, 8517.70.99, 8531.20.00 ou 8473.3092, dependendo do aparelho para o qual se destinem3. Já para o contribuinte, todos esses artefatos deveriam estar classificados na NCM 9013.80.10. Creio que seja de grande interesse iniciar a análise do caso pela apresentação do texto de cada um dos códigos onde se pretende classificar as mercadorias, assim como das Notas de Seção e Capítulo pertinentes. Iniciamos pelo texto dos códigos tarifários. 8517.70.99 85.17 Aparelhos telefônicos, incluídos os telefones para redes celulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos para transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluídos os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio (tal como um rede local (LAN) ou uma rede de área estendida (WAN), exceto os aparelhos das posições 84.43, 85.25, 85.27 ou 85.28. 8517.70 Partes 8517.70.99 Outras 8529.90.20 85.29 Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas aos aparelhos das posições 85.25 a 85.28 8529.90 Outras 8529.90.20 De aparelhos das posições 85.27 ou 85.28 8531.20.00 85.31 Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (por exemplo, campainhas, sirenes, quadros indicadores, aparelhos de alarme para proteção contra roubo ou incêndio), exceto os das posições 85.12 ou 85.30. 8531.20.00 Painéis indicadores com dispositivos de cristais líquidos (LCD) ou de diodos emissores de luz (LED) 9013.80.10 3 Ementa do acórdão recorrido: Os displays de cristal líquido classificamse no código NCM 8529.90.20 quando corresponderem a partes de monitores ou de televisores, no código NCM 8517.70.99 quando corresponderem a partes de aparelhos telefônicos, no código NCM 8531.20.00 quando corresponderem a painéis indicadores com dispositivos LCD e no código NCM 8473.30.92 quando corresponderem a partes de máquinas portáteis de processamento de dados. Fl. 17718DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 14 13 90.13 Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente noutras posições; lasers, exceto diodos laser; outros aparelhos e instrumentos de óptica, não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo 9013.80 Outros dispositivos, aparelhos e instrumentos 9013.80.10 Dispositivos de cristais líquidos (LCD) De plano, que se diga que não me parece que seja viável, a priori, distinguir quais desses códigos designe com mais propriedade as mercadorias importadas. Por um lado, a NCM 9013.80.10 parece referirse mais genericamente a dispositivos desta natureza; contudo, contém em seu texto uma certa literalidade que algumas das demais NCM cogitadas não contém. De outro lado, as NCM 8473.3092, 8517.70.99, 8529.90.20, 8531.20.00, embora por vezes não descrevam de forma tão literal as mercadorias passíveis de serem nelas classificadas, são mais específicas do que a NCM 9013.80.10, já que descrevem partes particularmente concebidas para aqueles equipamentos o que, definitivamente, tratase de uma característica essencial das mercadorias importadas. Quanto a isso, para que não se faça confusão sobre os critérios que serão empregados na escolha do correto enquadramento tarifário das mercadorias, é de grande importância esclarecer que, indubitavelmente, ainda não é esse o momento de falarse em posição mais ou menos específica. Até aqui, falase, apenas, dos critérios da RGI nº 1, que afasta, ela própria, o critério da especificidade previsto na RGI nº 3, quando essa lhe possa ser contrário. Desta forma, qualquer menção à especificidade dos códigos cogitados fica reservado a um segundo momento, acaso não seja contrariada a RGI nº 1. Ainda sobre isso, é também muito pertinente fazer uma ressalva. É que o próprio texto da NCM 9013.80.10 exclui de seu universo tudo aquilo que possa ser melhor enquadrado em outra NCM, referindose a dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente noutras posições. Isso pode, mais uma vez, criar uma certa confusão, pois faz parecer que o texto da NCM 9013.80.10, que contém o conteúdo material para aplicação da RGI nº 1, estaria, ele próprio, atraindo a aplicação prematura da RGI nº 3. Mas não se trata disso. O fato é que toda posição tarifária contém em seu texto determinado grau de especificidade. O que o texto da NCM 9013.80.10 faz não é mais do que designála como uma posição residual, atribuindo precedência às demais posições passíveis de serem Fl. 17719DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 15 14 escolhidas. Mas isso tudo, mais uma vez, é claro, apenas depois de superada a aplicação da RGI nº 01. Passo às Notas de Seção de Capítulo. A Nota nº 2 Seção XVI da Nomenclatura Comum do Mercosul estabelece que, ressalvada a hipótese de constituíremse em artigos compreendidos em uma posição específica, as partes de máquinas4, quando possam ser identificadas como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina, classificamse na posição correspondente a esta. Observese. 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artigos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) As partes que constituam artigos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artigos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; Os grifos do parágrafo precedente não são por acaso. A toda evidência, o critério estabelecido na Nota 2 "a" precede o critério estabelecido na Nota 2 "b". A Nota 2 do Capítulo 90 orienta no mesmo sentido, se não vejamos. 4 A expressão "máquinas" aqui, deve ser compreendida em sentido lato. Fl. 17720DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 16 15 Ressalvadas as disposições da Nota 1 do presente Capítulo, as partes e acessórios reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinados às máquinas, aparelhos ou instrumentos do presente Capítulo, classificamse com estas máquinas, aparelhos ou instrumentos. Fazse exceção, contudo, a esta regra no que diz respeito: 1) As partes e acessórios que constituam, por si próprios, artigos classificáveis em uma posição determinada do presente Capítulo ou dos Capítulos 84, 85 ou 91. Deste modo, exceto no que se refere às posições 84.87, 85.48 ou 90.33, uma bomba de vácuo para microscópio eletrônico continua a classificarse como bomba da posição 84.14, um transformador, um eletroímã, um condensador, uma resistência, um relé, uma lâmpada ou válvula, etc., não deixam de ser artigos do Capítulo 85, os elementos de óptica das posições 90.01 ou 90.02 não deixam de pertencer a estas duas posições, qualquer que seja o instrumento ou aparelho a que se destinem, um mecanismo de relógio pertence, em todos os casos, ao Capítulo 91, um aparelho fotográfico classificase sempre na posição 90.06, mesmo que seja de um tipo especialmente concebido para ser utilizado com outro instrumento (microscópio, estroboscópio, etc.). 2) As partes e acessórios que possam servir, indistintamente, para várias categorias de máquinas, instrumentos ou aparelhos incluídos em diferentes posições do presente Capítulo, classificamse na posição 90.33, exceto quando, tratandose de partes ou acessórios que constituam por si próprios artigos nitidamente especificados noutra posição, seja aplicável a regra prevista no parágrafo 1) acima. Não há como entender de forma diferente. Se a conclusão for a de que as mercadorias objeto dos autos constituem artigos compreendidos em uma posição específica do Capítulo 84, 85, 90, 91 devem classificarse nessa posição e não como partes e peças das máquinas a que se destinam. Em outras palavras, se as mercadorias importadas podem ser identificadas como dispositivos de cristais líquidos (LCD) na acepção da Nomenclatura destinada à NCM 9013.80.10, é aí que deveriam classificarse. Fl. 17721DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 17 16 Examinemos, então, essa possibilidade. As Notas Explicativas da NCM 9013.80.10 assim delimitam seu grau de abrangência. 1) Os dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, mesmo com condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas, e que não consistam em artigos compreendidos mais especificamente noutras posições da Nomenclatura. (grifos acrescidos) À efolha 16.468 e seguintes, a empresa anexou ao processo Laudo técnico do Departamento de Semicondutores, Instrumentos e Fotônica da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP, no qual são especificadas as características técnicas dos produtos importados. A leitura do Laudo não deixa qualquer margem de dúvidas de que os produtos em análise são indefinidamente mais complexos do que uma simples camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, mesmo contendo condutores elétricos (vide ilustração à efolha 16.473). Elas contém inúmeros outros elementos, tais como selante, transistores, polarizadores, filtro de cor, filme protetivo, eletrodos, capacitores, refletores, espaçador, difusor de luz etc. A toda evidência, a residual NCM 9013.80.10 destinase a mercadorias de complexidade limitada, de desenvolvimento tecnológico muito inferior ao das mercadorias ora em análise. Por força disso, uma vez que os bens objeto da lide não tratem de partes e acessórios que constituam, por si próprios, artigos classificáveis em uma posição determinada do Capítulo 90, descartase de imediato a aplicação da Nota 21 do Capítulo, como também da Nota 1, letra "m", da mesma Seção XVI5, devendose aplicar ao caso concreto a Nota 2 "b" da Seção XVI antes reproduzida, que determina a classificação das mercadorias na posição correspondente aos equipamentos a que se destinam. 5 1. A presente Seção não compreende: (...) m) Os artigos do Capítulo 90; Fl. 17722DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 18 17 A inevitável conclusão a que se chega é a de que o procedimento fiscal relevase preciso ao classificar cada uma das telas importadas como partes e peças das mercadorias a que se destinam. A esse respeito, abordando agora algumas questões suscitadas em sede de recurso especial, que não se diga, como advoga a recorrente, que uma mercadoria não pode ser classificada em função de sua destinação. Ora, se isso fosse verdade, não haveria porque existirem códigos tarifários específicos para as partes e peças de cada equipamento. Outrossim, é enganosa a afirmação de que é impossível precisar os equipamentos nos quais foram empregados os produtos importados. Como sobejamente demonstrado nos autos, essa informação foi prestada pela própria recorrente em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal. Observese (efolhas 14.988). Em resposta ao item 4 do referido Termo de Início de Procedimento Fiscal, o contribuinte informa que os referidos dispositivos de cristal líquido importados podem ter inúmeras aplicações embora, no caso específico, tenham sido concretamente utilizados conforme discriminado na tabela do arquivo magnético do Anexo I. (grifos no original) Para concluir, releva acrescentar que se as mercadorias do tipo das que foram importadas estivessem compreendidas no texto da NCM 9013.80.10, não faria nenhum sentido que houvesse descrições específicas para elas como partes e peças de determinados equipamentos, já que a Nota 2 1 do Capítulo 90 e a Nota 1 "m" do Seção XVI atrairiamnas sempre para a NCM 9013.80.10. Por força de todas essas premissas, acolho as conclusões da decisão recorrida acerca da correta classificação tarifária das mercadorias objeto da lide expressa nos fragmentos a seguir transcritos. (a) Das telas para monitores e aparelhos de televisão A autoridade fiscal reclassificou os itens identificados pela Recorrente como "tela de visualização, constituída de um painel de cristal líquido com matriz ativa de transistores de filme fino (Thin Film Transistor), circuitos eletrônicos de controle e acionamento dos transistores, dispositivo de retroiluminação Fl. 17723DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 19 18 (backlight) e tampas frontal e traseira ( módulo LCDTFT)", no código NCM de subitem 8529.90.20. A recorrente defende o enquadramento no código 90.13.80.10. (...) Pois bem, por dispositivo de cristal líquido entendese quaisquer produtos que tenham seu funcionamento à base de materiais com propriedade de cristal líquido. Os laudos anexados aos autos afirmam que os produtos em tela podem ser caracterizados como dispositivos eletrônicos, em vista de ter agregados uma matriz de transistores e circuitos integrados que acionam e controlam os mesmos, além de um dispositivo de retroiluminação (backlight). Extraise, ainda destes laudos, que, em que pese ser impossível definir com exatidão o produto final a que se destina, os displays de cristal líquido servirão para a exibição de imagens em monitores para uso em televisão, microcomputadores, máquinas de entretenimento, aparelhos portáteis móveis de telecomunicação, painéis mostradores em uso de automação industrial, entre outros. Neste sentido, a resposta 3 do LTP da FEEC: [...] Todos os produtos em análise são dispositivos de cristal líquido de matrizes ativas que podem ser utilizados em diversas aplicações onde é necessária a visualização de imagens, dados gráficos ou textos, como veremos mais especificamente nos exemplos de uso do LCD‑ TFT em produtos comerciais.[...] Esta função, de exibir imagens, é inerente aos monitores da posição 85.28: 85.28 Monitores e projetores, que não incorporem aparelho receptor de televisão; aparelhos receptores de televisão, mesmo que incorporem um aparelho receptor de radiodifusão ou um aparelho de gravação ou de reprodução de som ou de imagens. Fl. 17724DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 20 19 Mostrase, correta, portanto, a classificação destes produtos na posição 85.29, posto sua função estar intimamente ligada à de um monitor, ou seja, mostrar imagens, caracterizandose como parte reconhecível como principalmente destinada aos aparelhos das posições 85.28. Como com a aplicação da RGI 1 se alcança a classificação fiscal das mercadorias, não se mostra correta a utilização da RGI 3A, pretendida pela Recorrente. (...) (b) Das telas para aparelhos celulares A autoridade fiscal reclassificou os itens identificados pela Recorrente como "Módulos montados com mostrador de cristal líquido (LCDTFT), circuito integrado eletrônico de "driver", iluminação traseira, moldura lateral e traseira de proteção e placa de circuito impresso flexível, montada com componentes elétricos e/ou eletrônicos com formato e conexões apropriados para aparelho transceptor portátil de telefonia móvel, com tamanho igual ou inferior a 5 polegadas", no código NCM de subitem 8517.70.99. A Recorrente defende o enquadramento no código 90.13.80.10. Como já esclarecido, a posição 90.13 compreende apenas os dispositivos de cristais líquidos que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições. A posição 8517, por sua vez, apresenta o seguinte texto: 85.17 Aparelhos telefônicos, incluídos os telefones para redes celulares e para outras redes sem fio; outros aparelhos para transmissão ou recepção de voz, imagens ou outros dados, incluídos os aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio (tal como um rede local (LAN) ou uma rede de área estendida (WAN)), exceto os aparelhos das posições 84.43, 85.25, 85.27 ou 85.28. 8517.70 Partes Fl. 17725DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 21 20 8517.70.99 Outras Os dispositivos ora reclassificados tratamse de dispositivos de cristal líquido, e pelas suas especificações mostramse principalmente adequados para aparelhos portáteis móveis de telecomunicação. Mostrase, correta, portanto, a classificação destes produtos no código 8517.70.99. Como com a aplicação da RGI 1 se alcança a classificação fiscal das mercadorias, não se mostra correta a utilização da RGI 3A, pretendida pela Recorrente. (...) (d) Dos mostradores de caracteres A autoridade fiscal reclassificou os itens identificados como mostradores de caracteres aplicados a aparelhos de áudio e vídeo, ar condicionado, microondas, entre outros, no código NCM de subitem 8531.20.00. A recorrente defende o enquadramento no código 90.13.80.10. A posição 90.13, como visto, compreende apenas os dispositivos de cristais líquidos que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições. A posição 8531, por sua vez, apresenta o seguinte texto: 85.31 Aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual (por exemplo, campainhas, sirenes, quadros indicadores, aparelhos de alarme para proteção contra roubo ou incêndio), exceto os das posições 85.12 ou 85.30. 8531.20.00 Painéis indicadores com dispositivos de cristais líquidos (LCD) ou de diodos emissores de luz (LED) As Nesh referentes a posição 85.31 esclarecem que: Excetuados os aparelhos das posições 85.12 ou 85.30, a presente posição compreende todos os aparelhos elétricos de sinalização Fl. 17726DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 22 21 acústica(campainhas, cigarras e outros avisadores sonoros) ou visual (aparelhos de sinalização com lâmpadas, postigos móveis, números luminosos, etc.), sejam de comando manual, como as campainhas de entrada de residência, ou automático, como os aparelhos de proteção contra o roubo. (grifo nosso) Desta forma, tendo em vista que a posição 8531 abrange os aparelhos elétricos de sinalização visual, e que o código 8531.20.00 é explícito quanto a classificação de painéis indicadores com dispositivos de cristais líquidos (LCD), mostra se correta a reclassificação proposta pela autoridade fiscal. 3 Aplicação Retroativa de Novo Critério Jurídico Ante todas as considerações até aqui feitas, o argumento de que tenha sido aplicado novo critério jurídico fica até mesmo prejudicado. A correta classificação tarifária das mercadorias importadas não está associada à edição do Decreto nº 7.600/2011, como quer fazer crer a recorrente, mas a todo arcabouço normativo acima esposado. As regras de classificação tarifária de mercadorias são perenes e não se alteraram ao longo do período objeto da autuação. Por outro lado, o direito de reexaminar a classificação tarifária admitida no despacho aduaneiro é consagrado no texto do Regulamento Aduaneiro Decretos nº 4.543/02 e nº 6.759/09 e no próprio Código Tributário Nacional e não excepciona nenhum canal de verificação. Também não é verdade que na vigência do Decreto nº 6.233/2007 os displays de cristal líquido estivessem classificados "sob a rubrica dos 'Dispositivos de cristais líquidos (LCD)' na NCM 9013.80.10", o que, segundo a recorrente, demonstraria claramente a mudança de critério jurídico da Administração Pública. O Decreto nº 7.600/2011 incluiu as mercadorias classificadas na Posição 85.29, identificadas como Displays de cristal líquido (LCD), no Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores PADIS, mantendo também a concessão já antes prevista às mercadorias classificadas na NCM 9013.80.10. Fl. 17727DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 23 22 O contribuinte argumenta em seu recurso que para proceder com a classificação fiscal adotada por ele, seguia de certa forma orientações reiteradas dadas pela administração pública. Informa que possuía uma decisão do CARF, da qual era parte, dispondo que a classificação correta era a adotada por ela e também algumas soluções de consulta regionais, deliberando no mesmo sentido. Ocorre que o Acórdão recorrido já reconheceu esta ocorrência, aplicandolhe a solução prevista na legislação para tanto. Vejamos parte da ementa do acórdão recorrido em que assim se decidiu: NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICA REITERADA. Considerase prática reiterada das autoridades administrativas, à luz do artigo 100, inciso III, do CTN, a utilização de classificação fiscal de mercadorias já determinadas em soluções de consulta da RFB e confirmadas em despachos de importação selecionados para canais de conferência. Agora transcrevo trecho do voto do relator no acórdão recorrido: (...) Considerando a existência de soluções de consulta da RFB e de diversos despachos de importação selecionados para canais de conferência, onde foram confirmadas as classificações adotadas pela recorrente, entendo que a classificação adotada pela recorrente ocorreu diante de diversas práticas reiteradas da Administração Tributária, assim não são exigíveis as penalidades e a cobrança de juros nos termos previstos no art. 100, III, parágrafo único do CTN. (...) Portanto, o acórdão recorrido já deu o efeito esperado e previsto no art. 100 do CTN para aquilo que o contribuinte chama de práticas reiteradas da administração tributária. Ou seja, cancelou a exigência das multas de ofício e dos juros de mora. 4 Observações quanto à petição apresentada pelo contribuinte em 09/05/2018, efls 17702/17706 Em 09 de maio do corrente ano, efolhas 17.702, a ora recorrente peticionou nos autos, interpondo considerações acerca de "Fato novo: art. 24, § único, da LINDB" aplicável para a administração pública. De início, rememora as ocorrências que permeiam a lide e que já são do conhecimento deste Colegiado. A existência de soluções de consulta regionais atestando a Fl. 17728DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 24 23 classificações adotada nas importações, processo administrativo fiscal decidido no CARF em seu favor, declarações de importação parametrizadas em canal vermelho e a alegada alteração na legislação de regulamentação do PADIS Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Indústria de Semicondutores. Alega a peticionária, com a recente introdução no ordenamento jurídico da Lei nº 13.655/2018, mas especificamente o disposto em seu art. 24, § único, os fatos narrados no processo devem receber outro tratamento. Veja como ela defende a questão em sua petição: No dia 26 de abril do presente ano, foi inserido alguns artigos à LINDB, prevendo regras sobre segurança jurídica e eficiência na criação e na aplicação do direito público, quanto a possibilidade de revisão de atos na esfera administrativa, judicial. 14. Nesses termos, foi inserido o art. 24 que tem o intuito de nortear a aplicação do direito, tendo em vista a revisão de determinado ato da própria administração pública, atos que produziram efeitos jurídicos para as partes. O artigo visa aplicar o entendimento de considerar válida a conduta do agente em razão de orientações gerais da época e as situações sob a legislação vigente. Veja: (...) 15. O artigo acima, visa conceder segurança jurídica e impossibilitar a retroatividade da norma para casos constituídos sob fatos jurídicos perfeitos. Exatamente o que pretende a Recorrente com a demonstração histórica do caso ao longo de todo o seu processo administrativo. (grifos acrescidos) O teor do dispositivo legal de que trata é o seguinte (grifado por mim). Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Fl. 17729DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 25 24 Com a devida vênia, não está correta a interpretação proposta ao dispositivo legal introduzido pela Lei nº 13.655/2018, acima transcrito. De plano, vêse que o texto legal referese à revisão quanto à validade de ato, processo ou norma e não genericamente, como afirmado, quanto a possibilidade de revisão de atos na esfera administrativa. É de ser perguntar. Em que momento, neste processo, estáse discutindo a validade de ato praticado por servidor público, de processo administrativo fiscal ou de norma vigente à época dos fatos? O processo que verte trata de procedimento regular, previsto em lei, de revisão aduaneira, que em nada se assemelha a um procedimento de revisão da validade dos atos praticados pela autoridade aduaneira. Os atos foram válidos, regularmente praticados, nos termos da competência que atribuída por lei a autoridade aduaneira, mas, também por força de lei, estão sujeitos a procedimento revisional. A ora recorrente poderia insurgirse, com base na novel legislação a que faz referência, se estivéssemos pretendendo invalidar a decisão tomada no processo administrativo fiscal nº 10860.000559/200586, acórdão nº 30333.326, que, como noticiado repetidas vezes nos autos, lhe foi favorável. Esta, sim, é definitiva, pois não houve apelo à instância superior, não há norma que preveja a revisão do ato, e o Erário não tem autorização para ingressar perante o poder judiciário. Já o caso em apreço trata de situação diametralmente oposta. Ao contrário do que sugere, a produção de efeito não se completou, justamente porque as decisões tomadas no curso do despacho aduaneiro sujeitamse à revisão. O procedimento não está baseado em mudança posterior de orientação geral. Como dito na própria petição de efolhas 17.702, as soluções de consulta a que insistentemente faz referência eram regionais. A orientação geral foi dada pela COANA, muito mais tarde e nem dela depende a revisão, pois as regras de classificação fiscal aplicáveis à lide não se modificaram, como por vezes acontece. Outrossim, a recorrente não logrou êxito em demonstrar que a jurisprudência administrativa majoritária lhe era favorável, apenas que havia uma decisão que lhe era favorável. Se o processo subiu a essa instância, necessário que outras tenha dado à lei tributária interpretação divergente. Fl. 17730DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 26 25 Como se sabe, das circunstâncias descritas nos autos já surtiram os efeitos favoráveis à recorrente. Tivesse a empresa ingressado com uma consulta, que, tal como sugere a decisão definitiva da COANA, resultaria contrária aos seus interesses, e estaria em situação idêntica a que ora se verifica. Obrigada a recolher os tributos sem os acréscimos legais devidos. Não vislumbro nenhum prejuízo ao contribuinte ou ilegalidade que tenha sido praticada. Não se discute validade de ato levado a efeito pela Administração. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 17731DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 27 26 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Com a devida vênia ao voto do Ilustre Conselheiro Relator, ousouse divergir do seu posicionamento quanto à negativa de provimento ao recurso especial da Contribuinte, por se entender assistir razão à Contribuinte quanto à classificação fiscal das mercadorias importadas pela mesma, consistentes em dispositivos de cristal líquido (LCD) utilizados na fabricação de diversas mercadorias, no período de 24/05/2007 a dezembro de 2011, pelas razões expostas na presente declaração de voto. A empresa importava os dispositivos de cristal líquido (LCD) classificando os na Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM 9013.80.10. Aduziu ainda que a partir de junho de 2009, parte do período objeto da autuação, as importações estavam sob o regime de suspensão do IPI – Imposto sobre Produto Industrializado, nos termos do art. 11 da Instrução Normativa nº 948/2009. No entanto, a Fiscalização, em procedimento de revisão aduaneira, entendeu por certo reclassificar as mercadorias em referência nos seguintes códigos da NCM: (a) 8529.90.20, para as partes e peças exclusiva ou principalmente destinadas a aparelhos das disposições 85.27 ou 85.28; (b) 8517.70.99, aplicável a outras partes de aparelhos telefônicos; (c) 8531.20.00, aplicável a painéis indicadores com dispositivos de cristais líquidos (LCD) ou de diodos emissores de luz (LED), na subposição correspondente a aparelhos elétricos de sinalização acústica ou visual; e (d) 8473.30.92, aplicável a partes de máquinas portáteis de processamento de dados (notebook). Assim, no mérito, centrase a controvérsia na correta classificação fiscal dos dispositivos de cristal líquido (LCD) e a interpretação da NCM 90.13 e das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGI e da NESH – Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. A Recorrente justifica o enquadramento dos produtos na NCM 9013.80.10 com base em suas características técnicas, pois seriam dispositivos ópticos de cristal líquido com diversas aplicações, constituindose em artefatos do Capítulo 90. Além disso, de acordo com a Regra Geral de Interpretação (“RGI”) nº 1, a classificação deve ser feita de acordo com o texto das posições, sendo que a posição 90.13 traz a descrição precisa dos produtos em análise. A RGI nº 3, por sua vez, determina que as posições mais específicas prevalecem sobre as mais genéricas, sendo a posição 90.13 mais específica que as posições indicadas pela Fiscalização, por serem aplicáveis a diversas partes e peças de produtos. Defende, ainda, que a Nota 1.m da Seção pretendida pela Autoridade Fiscal exclui do seu alcance os “artefatos classificados no capítulo 90”, bem como que a classificação deve ser efetuada de acordo com o estado que o bem se encontra quando importado, conforme apresentado no despacho, independentemente de sua destinação. Para demonstrar as características técnicas dos produtos importados, a Contribuinte juntou aos autos Laudos Técnicos da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (fls. 15.265 a 15.306), da Divisão de Engenharia de Avaliações, do Instituto Fl. 17732DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 28 27 Nacional de Tecnologia – INT, do Ministério da Ciência e Tecnologia (“MCT”) (fls. 15.732 a 15.809) e do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (“POLIUSP”) (fls. 15.810 a 15.839). Para fins de classificação fiscal das mercadorias, o julgador não fica vinculado aos Laudos Técnicos apresentados nos autos. No entanto, com a finalidade de se verificar as características técnicas dos produtos importados e cuja classificação fiscal foi discutida no julgamento do recurso especial, entendese pertinente transcrever algumas conclusões dos referidos documentos. Na perícia realizada pela UNICAMP, as respostas quanto aos quesitos apresentados quanto à destinação dos produtos foram as seguintes: “3. Queira V.Sa esclarecer se os produtos, da forma como foram importados, poderiam ser de aplicação para mais de uma finalidade. Em caso afirmativo, exemplificar as possíveis aplicações. Resposta: Sim. Todos os produtos em análise são dispositivos de cristal líquido de matrizes ativas que podem ser utilizados em diversas aplicações onde é necessária a visualização de imagens, dados gráficos ou textos, como veremos mais especificamente nos exemplos de uso do LCDTFT em produtos comerciais. […] A mercadoria mostrador de cristal líquido LCDTFT colorido apresentase na configuração de dispositivo endereçavel e pronto ao uso, em aplicações que podem ser as mais diversas possíveis. Tomamos como exemplo o modelo LM171wx3 da amostra fornecida pela LG Eletronics, o mesmo é otimizado por aplicações não portáteis. Porém, se o projeto permitir, poderá por exemplo ser utilizado na fabricação de notebooks sem nenhuma restrição. […] Como podemos observar nos exemplos acima, inúmeras aplicações podem incorporar um dispositivo mostrador de cristal líquido LCDTFT. […] Os dispositivos de cristal líquido de matrizes ativas são então desenvolvidos para serem passíveis de múltiplas aplicações, nos mais diversos produtos.” “4) Considerando que a resposta ao terceiro quesito tenha sito afirmativa para o fato de que os produtos na forma como são apresentados, têm aplicação para mais de uma finalidade, perguntase: é possível identificar um único tipo de equipamento do qual os produtos sejam 'parte' ? Resposta: Não é possível. Na forma como é apresentado, os produtos permitem aplicações muito diversificadas, conforme podemos mostrar na resposta ao terceiro quesito. Tratamse de produtos que podem ser utilizados em qualquer projeto de máquinas ou equipamentos que necessitem de um dispositivo de exibição de informações. […] Desde que as especificações elétricas, mecânicas e ambientais sejam atendidas, o dispositivo irá operar satisfatoriamente em qualquer tipo de equipamento. Diante desse cenário, não é possível identificar um único tipo de equipamento do qual a mercadoria dispositivo de cristal líquido LCDTFT possa ser descrita como 'parte' desse equipamento. […]” Das respostas aos quesitos reproduzidos acima, depreendese que os dispositivos de cristal líquido podem ser utilizados em diversos equipamentos. Conforme mencionado no voto do nobre Conselheiro Relator, a Contribuinte, em resposta a Termo de Intimação Fiscal, identificou a destinação das mercadorias objeto das importações daquele período. No entanto, tal informação não tem o condão de desnaturar o critério da especificidade para a classificação fiscal previsto na RGI nº 1, segundo a qual a posição mais específica prevalece sobre a mais genérica. Por esta regra, classificamse os dispositivos de cristal líquido na posição 90.13, por ser mais específica do que aquelas pretendidas pela Fiscalização. Fl. 17733DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 29 28 Para elucidar a assertiva, transcrevese os textos das RGI nº1 e nª 3 “a”, da Instrução Normativa RFB nº 807, de 2008, vigente à época da autuação: REGRA 1 REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: NOTA EXPLICATIVA I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemática, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Essas mercadorias são agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos os mais concisos possíveis, indicando a categoria ou o tipo dos produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade e da quantidade de mercadorias, englobálas ou enumerálas completamente nos títulos daqueles agrupamentos. II) A Regra 1 começa, portanto, por determinar que os títulos “têm apenas valor indicativo”. Desse fato não resulta nenhuma conseqüência jurídica quanto à classificação. III) A segunda parte da Regra prevê que se determina a classificação: a) de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e b) quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. IV) A disposição III) a) é suficientemente clara, e numerosas mercadorias podem classificarse na Nomenclatura sem que seja necessário recorrer às outras Regras Gerais Interpretativas (por exemplo, os cavalos vivos (posição 01.01), as preparações e artigos farmacêuticos especificados pela Nota 4 do Capítulo 30 (posição 30.06)). V) Na disposição III) b) a frase “desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas”, destinase a precisar, sem deixar dúvidas, que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo prevalecem, para a determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. Por exemplo, no Capítulo 31, as Notas estabelecem que certas posições só englobam determinadas mercadorias. Consequentemente, o alcance dessas posições não pode ser ampliado para englobar mercadorias que, de outra forma, aí se incluiriam por aplicação da Regra 2 b). […] REGRA 3 a) III) O primeiro método de classificação é expresso pela Regra 3 a), em virtude da qual a posição mais específica deve prevalecer sobre as posições com um alcance mais geral. IV) Não é possível estabelecer princípios rigorosos que permitam determinar se uma posição é mais específica que uma outra em relação às mercadorias apresentadas; podese, contudo, dizer de modo geral: a) que uma posição que designa nominalmente um artigo em particular é mais específica que uma posição que compreenda uma família de artigos: por exemplo, os aparelhos ou máquinas de barbear e as máquinas de tosquiar, com motor elétrico incorporado, classificamse na posição 85.10 e não na 84.67 (ferramentas com motor elétrico incorporado, de uso manual) ou na posição 85.09 (aparelhos eletromecânicos com motor elétrico incorporado, de uso doméstico). b) que se deve considerar como mais específica a posição que identifique mais claramente, e com uma descrição mais precisa e completa, a mercadoria considerada. Podem citarse como exemplos deste último tipo de mercadorias: 1) os tapetes tufados de matérias têxteis reconhecíveis como próprios para automóveis devem ser classificados não como acessórios de automóveis da posição 87.08, mas na posição 57.03, onde se incluem mais especificamente. 2) os vidros de segurança que consistam em vidros temperados ou formados por folhas contracoladas, não encaixilhados, com formato apropriado, reconhecíveis Fl. 17734DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 30 29 para serem utilizados como párabrisa de aviões, devem ser classificados não na posição 88.03, como partes dos aparelhos das posições 88.01 ou 88.02, mas na posição 70.07, onde se incluem mais especificamente. V) Contudo, quando duas ou mais posições se refiram cada qual a uma parte somente das matérias que constituam um produto misturado ou um artigo composto, ou a uma parte somente dos artigos no caso de mercadorias apresentadas em sortidos acondicionados para venda a retalho, essas posições devem ser consideradas, em relação a esse produto ou a esse artigo, como igualmente específicas, mesmo se uma delas der uma descrição mais precisa ou mais completa. Neste caso, a classificação dos artigos será determinada por aplicação da Regra 3 b) ou 3 c). (grifouse) A análise conjunta das Regras nº 1 e 3 “a” levam à conclusão de que as mercadorias importadas pela Contribuinte devem ser classificadas na posição mais específica – qual seja da NCM 90.13 – e afastado o critério da destinação do produto em questão, conforme se extrai da Nota Explicativa “2.a” do Capítulo 90: Capítulo 90 Instrumentos e aparelhos de óptica, de fotografia, de cinematografia, de medida, de controle ou de precisão; instrumentos e aparelhos médicocirúrgicos; suas partes e acessórios Notas. [...] 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 acima, as partes e acessórios para máquinas, aparelhos, instrumentos ou outros artefatos do presente Capítulo, classificamse de acordo com as seguintes regras: a) as partes e acessórios que consistam em artefatos compreendidos em qualquer das posições do presente Capítulo ou dos Capítulos 84, 85 ou 91 (exceto os artefatos das posições 84.87, 85.48 ou 90.33) classificamse nas respectivas posições, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem; b) quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina, instrumento ou aparelho determinados, ou a várias máquinas, instrumentos ou aparelhos, compreendidos numa mesma posição (mesmo nas posições 90.10, 90.13 ou 90.31), as partes e acessórios que não sejam os considerados na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a essa ou a essas máquinas, instrumentos ou aparelhos; c) as outras partes e acessórios classificamse na posição 90.33. [...] POSIÇÃO 90.13 90.13 Dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições; “lasers”, exceto diodos “laser”; outros aparelhos e instrumentos de óptica, não especificados nem compreendidos em outras posições do presente Capítulo. 9013.10 Miras telescópicas para armas; periscópios; lunetas para máquinas, aparelhos ou instrumentos do presente Capítulo ou da Seção XVI 9013.20 “Lasers”, exceto diodos “laser” 9013.80 Outros dispositivos, aparelhos e instrumentos 9013.90 Partes e acessórios De acordo com a Nota 5 do presente Capítulo, as máquinas, aparelhos e instrumentos ópticos de medida ou de controle excluemse desta posição e são classificados na posição 90.31. Entretanto, em virtude de Nota 4 do Capítulo, algumas lunetas são classificadas na presente posição e não na posição 90.05. Por outro lado, considerandose que, independentemente das posições 90.01 a 90.12, Fl. 17735DF CARF MF Processo nº 12452.720187/201274 Acórdão n.º 9303006.839 CSRFT3 Fl. 31 30 outras posições do Capítulo compreendem aparelhos ou instrumentos de óptica (posições 90.15, 90.18 e 90.27, em particular), a presente posição compreende especialmente: 1) Os dispositivos de cristais líquidos, constituídos por uma camada de cristal líquido encerrada entre duas placas ou folhas de vidro ou de plástico, com ou sem condutores elétricos, em peça ou recortados em formas determinadas, e que não consistam em artefatos compreendidos mais especificamente em outras posições da Nomenclatura. […] (grifouse) Portanto, para a discussão estabelecida no presente recurso especial quanto à classificação fiscal dos dispositivos de cristal líquido que foram importados pela Contribuinte prevalece o critério da especificidade, consoante as normas transcritas acima. Aliás, a Nota Explicativa 2, “a” do Capítulo 90 deixa claro que as partes e acessórios ali especificados, dentre eles os dispositivos de cristais líquidos, devem ser classificados na respectiva posição dentro do Capítulo 90, sendo no caso a posição NCM 90.13. Afastase, portanto, o critério da destinação para os artefatos englobados pelo Capítulo 90. No julgamento do processo administrativo nº 10860.000559/200586, do qual resultou o Acórdão nº 30333.326, figurando como Sujeito Passivo o mesmo Contribuinte – LG ELETRONICS – igualmente prevaleceu o entendimento de que deve ser aplicado o critério da posição mais específica para os dispositivos de cristal líquido. Segue trecho da fundamentação daquela decisão ao comentar a Nota Explicativa 2, “a”, do Capítulo 90, para amparar a assertiva, in verbis: […] Da leitura dessa nota, resta evidente que a solução da lide é um típico caso de sua aplicação, pois a mercadoria a ser classificada é um artefato da posição 90.13 ou da posição 84.73. Logo, é na posição específica que deve ser classificado, “quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem”. Ademais, a Regra Geral 3.a determina: “A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas”. Ora, entre “parte e acessórios […] destinados às máquinas e aparelhos [...]” e “dispositivos de cristais líquidos que não constituam artigos compreendidos mais especificamente em outras posições; [...]”, a segunda alternativa é a eleita tanto pela Nota 2.a do Capítulo 90 quanto pela Regra 3.a, visto que é específica para a mercadoria, ao revés da primeira [partes e acessórios], explicitamente excluída pela Nota 2.a do Capítulo 90. […] Diante dessas considerações, deuse provimento ao recurso especial da Contribuinte entendendose como correta a classificação fiscal adotada pela mesma. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 17736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900743/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.551
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 43 /2 01 3- 16 Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11060.900743/201316 Acórdão n.º 3301004.551 S3C3T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11060.900743/201316 Acórdão n.º 3301004.551 S3C3T1 Fl. 4 3 · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.030. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.408, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11060.900743/201316 Acórdão n.º 3301004.551 S3C3T1 Fl. 5 4 compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11060.900743/201316 Acórdão n.º 3301004.551 S3C3T1 Fl. 6 5 Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11060.900743/201316 Acórdão n.º 3301004.551 S3C3T1 Fl. 7 6 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11060.900743/201316 Acórdão n.º 3301004.551 S3C3T1 Fl. 8 7 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11060.900743/201316 Acórdão n.º 3301004.551 S3C3T1 Fl. 9 8 energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11060.900743/201316 Acórdão n.º 3301004.551 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 355DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.934785/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen,
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen, Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 34 78 5/ 20 09 -2 0 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10980.934785/200920 Resolução nº 3301000.653 S3C3T1 Fl. 3 2 Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, assim fundamentado: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.934785/200920 Resolução nº 3301000.653 S3C3T1 Fl. 4 3 Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 08/03/2007 COFINS. ISENÇÃO. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não será homologada a compensação quando constatada a inexistência do crédito pleiteado oriundo de pagamento a maior ou indevido. ISENÇÃO. MP Nº 2.15835/ 2001. RECEITA DA ATIVIDADE PRÓPRIA. A receita da atividade própria de uma entidade, cuja finalidade social é a difusão do ensino, é composta pelas doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de associados, mantenedores e colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao custeio e manutenção das suas atividades sem fins lucrativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.934785/200920 Resolução nº 3301000.653 S3C3T1 Fl. 5 4 A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 141DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720678/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO ENTRE A EMENTA E O ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DA TURMA NO JULGADO PROFERIDO PELO CARF. SANEAMENTO.
Na existência de contradição entre a ementa e o entendimento majoritário da turma, em Acórdão proferido por este Conselho, são cabíveis Embargos Inominados para saneamento da decisão.
Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
NULIDADE. ART. 146, CTN. INOCORRÊNCIA.
Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, a Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos.
Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000.
Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. A ausência de um dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária.
REMUNERAÇÃO DIRETORES/ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária à previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Inteligência do art. 28, § 9º da Lei 8.212/91.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76.
Tratando-se de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados.A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91.A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral.
MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO.
A redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento.
Numero da decisão: 2301-005.275
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados para, sanando o vício apontado no Acórdão n° 2301-004.747, corrigir a ementa do acórdão embargado, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 24/05/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO ENTRE A EMENTA E O ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DA TURMA NO JULGADO PROFERIDO PELO CARF. SANEAMENTO. Na existência de contradição entre a ementa e o entendimento majoritário da turma, em Acórdão proferido por este Conselho, são cabíveis Embargos Inominados para saneamento da decisão. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. ART. 146, CTN. INOCORRÊNCIA. Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, a Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos. Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. A ausência de um dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. REMUNERAÇÃO DIRETORES/ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária à previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Inteligência do art. 28, § 9º da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO - INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. Tratando-se de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados.A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91.A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO. A redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO ENTRE A EMENTA E O ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DA TURMA NO JULGADO PROFERIDO PELO CARF. SANEAMENTO. Na existência de contradição entre a ementa e o entendimento majoritário da turma, em Acórdão proferido por este Conselho, são cabíveis Embargos Inominados para saneamento da decisão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. ART. 146, CTN. INOCORRÊNCIA. Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, a Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos. Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 78 /2 01 2- 10 Fl. 1869DF CARF MF 2 considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. A ausência de um dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. REMUNERAÇÃO DIRETORES/ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária à previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Inteligência do art. 28, § 9º da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados.A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91.A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. Fl. 1870DF CARF MF Processo nº 16327.720678/201210 Acórdão n.º 2301005.275 S2C3T1 Fl. 3 3 MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO. A redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados para, sanando o vício apontado no Acórdão n° 2301004.747, corrigir a ementa do acórdão embargado, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 24/05/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Embargos Inominados opostos pelo Presidente da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em face do Acórdão n° 2301004.747 (efls. 1467/1517), proferido pela citada turma, em sessão de 12 de julho de 2016, que deu parcial provimento ao recurso voluntário, recebendo as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. ART. 146, CTN. INOCORRÊNCIA. Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de Fl. 1871DF CARF MF 4 incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, a Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos. Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. A ausência de um dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DOS ADMINISTRADORES. DISPOSIÇÕES DA LEI Nº 6.404/76. A participação nos lucros e resultados da empresa relativa aos administradores enquadrase nas hipóteses previstas pela Lei nº 8.212/91 referente às parcelas não integrantes do salário de contribuição, em virtude de previsão legal pela Lei nº 6.404/76. Entretanto, no caso concreto, não restou demonstrado o atendimento aos requisitos dispostos na Lei específica, caracterizando verdadeiras parcelas remuneratórias com incidência de contribuições previdenciárias. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO. A redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento. (grifamos) A parte dispositiva foi assim registrada: Fl. 1872DF CARF MF Processo nº 16327.720678/201210 Acórdão n.º 2301005.275 S2C3T1 Fl. 4 5 Acordam os membros do colegiado: (a) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar relativa à alteração de critério jurídico do lançamento; (b) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em relação à prejudicial de mérito da decadência para excluir do lançamento o período de janeiro a maio de 2007, nos termos do art. 150, §4º, do CTN; (c) por maioria de votos, não conhecer de ofício da questão da multa previdenciária (art. 35 da Lei 8.212, de 1991) e da multa por descumprimento de obrigação acessória (GFIP) DEBCAD nº 37.011.4787; vencidas nesse item a relatora e a conselheira Gisa Barbosa Gambogi Neves, que conheciam de ofício a questão; (d) quanto às demais questões, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relatora; divergiu nessas questões o conselheiro Fabio Piovesan Bozza, que dava provimento parcial ao recurso voluntário para tributar somente os pagamentos excedentes a dois que sejam decorrentes de acordo coletivo de trabalho; quanto ao PLR de administradores, acompanharam pelas conclusões os conselheiros Júlio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e Amílcar Barca Teixeira Júnior e João Bellini Júnior. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andrea Brose Adolfo. Foi dada a palavra para o patrono da recorrente, Dr. Fábio Zambite, OAB/RJ 176.415/RJ, para tecer esclarecimentos de fato. Nos embargos opostos (efls. 15851588), o presidente da turma ressaltou que a ementa (na parte em que se referiu ao pagamento de PLR dos administradores negritada na transcrição acima) expressou mas o entendimento pessoal da conselheira Alice Grecchi, de acordo com o seu voto e não o entendimento majoritário da turma. Concluindo que: (a) a ementa deve espelhar o entendimento da turma julgadora na apreciação do recurso e que (b) esta 1ª Turma, no julgamento em questão, considerou que não há previsão legal para o pagamento de participação nos lucros e resultados aos administradores, concordando tão somente com as conclusões do voto da relatora, que concluiu pela incidência das contribuições previdenciárias sobre os referidos pagamentos, com base no art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), EMBARGO DE OFÍCIO embargo de ofício o Acórdão 2301004.747, para que seja elaborada ementa que espelhe o entendimento da turma no julgamento. É o relatório. Voto Conselheira ANDREA BROSE ADOLFO Relatora Fl. 1873DF CARF MF 6 Os embargos são tempestivos, portanto, deles conheço e passo à análise. Verificase da parte dispositiva do Acórdão embargado que a maioria dos conselheiros acompanhou a relatora apenas pelas conclusões no que diz respeito à matéria PLR de administradores: Acordam os membros do colegiado: (...) (d) quanto às demais questões, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relatora; divergiu nessas questões o conselheiro Fabio Piovesan Bozza, que dava provimento parcial ao recurso voluntário para tributar somente os pagamentos excedentes a dois que sejam decorrentes de acordo coletivo de trabalho; quanto ao PLR de administradores, acompanharam pelas conclusões os conselheiros Júlio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Marcela Brasil de Araújo Nogueira e Amílcar Barca Teixeira Júnior e João Bellini Júnior. Aplicável ao caso o disposto no § 8º do art. 63 do RICARF: § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. A participação nos lucros e resultadas está prevista na Constituição Federal art. 7º, inciso XI, como direito dos trabalhadores, verbis: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: ... XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; A conselheira relatora expôs em seu voto que não foi comprovado pelo recorrente o atendimento ao disposto no art. 152, § 1º da Lei nº 6.404/76, concluindo: Assim, considerando que o Banco não se desincumbiu do ônus probatório relativamente ao atendimento dos requisitos contidos § 1° art. 152, da Lei das Sociedades Anônimas, os valores creditados aos administradores, contribuintes individuais, têm natureza de verba remuneratória, com incidência de contribuições previdenciárias. (Grifos no original.) Entretanto, o entendimento majoritário da turma foi no sentido de que não há base legal para não incidência de contribuições previdenciárias sobre o pagamento de participação nos lucros e resultados a administradores não empregados. Em primeiro lugar, porque a Lei nº 6.404/76 não é lei que trata da participação nos lucros e resultados da empresa, portanto não serve para regulamentar o disposto no inciso XI do art. 7º da CF: Fl. 1874DF CARF MF Processo nº 16327.720678/201210 Acórdão n.º 2301005.275 S2C3T1 Fl. 5 7 Em segundo lugar, a Lei nº 10.101/2000, por sua vez, regulamenta a participação nos lucros e resultados das empresas aos seus empregados, não sendo aplicável aos diretores não empregados. Portanto a ementa deve ser ajustada para expressar o entendimento majoritário da turma. CONCLUSÃO Pelo exposto, acolho os embargos para rerratificar a decisão embargada, ajustando sua ementa nos seguintes termos: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO ENTRE A EMENTA E O ENTENDIMENTO MAJORITÁRIO DA TURMA NO JULGADO PROFERIDO PELO CARF. SANEAMENTO. Na existência de contradição entre a ementa e o entendimento majoritário da turma, em Acórdão proferido por este Conselho, são cabíveis Embargos Inominados para saneamento da decisão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. ART. 146, CTN. INOCORRÊNCIA. Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, a Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos. Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. SÚMULA 99 DO CARF. RECOLHIMENTO PARCIAL. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DESCONFORMIDADE COM A LEI Nº 10.101/2000. Fl. 1875DF CARF MF 8 Os pagamentos de verbas à título de PLR que descumprem os requisitos previstos na Lei 10.101/2000 devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. A ausência de um dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. REMUNERAÇÃO DIRETORES/ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 28, § 9º DA LEI 8.212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é necessária à previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Inteligência do art. 28, § 9º da Lei 8.212/91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76. Tratandose de valores pagos aos diretores não empregados, não há que se falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101/2000, posto que nos termos do art. 2º da referida lei, essa só é aplicável aos empregados. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição, posto que não remunerou o capital investido na sociedade, mas, sim, o trabalho executado pelos diretores, compondo dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da lei 8212/91. A regra constitucional do art. 7o, XI possui eficácia limitada, dependendo de lei regulamentadora para produzir a plenitude de seus efeitos, pois ela não foi revestida de todos os elementos necessários à sua executoriedade. Inteligência dos entendimentos judiciais manifestados no RE 505597/RS, de 01/12/2009 (STF), e no AgRg no AREsp 95.339/PA, de 20/11/2012 (STJ). Somente com o advento da Medida Provisória (MP) 794/94, convertida na Lei 10.101/2000, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores empregados no lucro das sociedades empresárias. Inteligência do RE 569441/RS, de 30/10/2014 (Info 765 do STF), submetido a sistemática de repercussão geral. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NÃO CONHECIMENTO. A redução de multa previdenciária por aplicação retroativa de lei nova não corresponde à matéria de ordem pública a exigir conhecimento de ofício por parte da Autoridade Administrativa de Julgamento. É como voto. Fl. 1876DF CARF MF Processo nº 16327.720678/201210 Acórdão n.º 2301005.275 S2C3T1 Fl. 6 9 Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 1877DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.914391/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 43 91 /2 01 1- 00 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.914391/201100 Acórdão n.º 3301004.450 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.767, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de COFINS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.914391/201100 Acórdão n.º 3301004.450 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13839.914391/201100 Acórdão n.º 3301004.450 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13839.914391/201100 Acórdão n.º 3301004.450 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.914391/201100 Acórdão n.º 3301004.450 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.914391/201100 Acórdão n.º 3301004.450 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.914391/201100 Acórdão n.º 3301004.450 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.914391/201100 Acórdão n.º 3301004.450 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.000276/2005-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA PARCIAL.
Acolhe-se a decadência para os períodos atingidos pela decadência (art. 173, I, do CTN).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária.
A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando).
A presunção legal inverte o ônus da prova e tem caráter relativo.
O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal.
SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314-SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016):
"1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo.
2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira.
3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo.
4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional.
6. Fixação de tese em relação ao item a do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.
7. Fixação de tese em relação ao item b do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. DOLO. SONEGAÇÃO FISCAL. FRAUDE. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA.
A utilização de interposta pessoa objetiva ocultar o real interessado no negócio jurídico, impedindo que terceiros, entre eles o fisco, conheçam e alcancem o verdadeiro proprietário. Comprovada a utilização de interposta pessoa ("laranja"), mantém-se a qualificação da multa de ofício.
LANÇAMENTOS REFLEXOS
Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO.
Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Numero da decisão: 1301-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para acolher em parte a preliminar de decadência, nos seguintes termos: a) quanto à infração omissão de receitas, para os períodos de apuração mensais de 01/01/1999 a 30/11/1999; b) no que concerne à infração insuficiência de pagamento dos tributos do Simples, para todos os períodos de apuração mensais do ano-calendário 1999, objeto do lançamento de ofício (28/02/1999 a 31/08/1999). Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário - depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) - presume-se a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal inverte o ônus da prova e tem caráter relativo. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando - omissão de receitas - é do sujeito passivo, que poderá afastá-la mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314-SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016): "1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item a do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 7. Fixação de tese em relação ao item b do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. DOLO. SONEGAÇÃO FISCAL. FRAUDE. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. A utilização de interposta pessoa objetiva ocultar o real interessado no negócio jurídico, impedindo que terceiros, entre eles o fisco, conheçam e alcancem o verdadeiro proprietário. Comprovada a utilização de interposta pessoa ("laranja"), mantém-se a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS Aplica-se ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
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Acolhese a decadência para os períodos atingidos pela decadência (art. 173, I, do CTN). DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito, poupança e/ou investimento, junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fÍsica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para imputação por presunção legal da infração omissão de receitas (fato probando) compete ao fisco comprovar a existência do fato indiciário, mediante extratos bancários de conta corrente cuja movimentação financeira bancária não foi registrada na escrituração contábil/fiscal e a pessoa jurídica, embora intimada, não comprove a origem dos recursos ingressados a crédito na conta corrente bancária. A partir do fato indiciário depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada (fato conhecido) presumese a ocorrência ou existência de omissão de receitas (fato probando). A presunção legal inverte o ônus da prova e tem caráter relativo. O ônus probatório da não ocorrência do fato probando omissão de receitas é do sujeito passivo, que poderá afastála mediante produção de prova hábil, idônea e cabal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 02 76 /2 00 5- 60 Fl. 1007DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.008 2 SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001, ART. 6º). APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA DECLARAÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (Repercussão Geral. RE Nº 601.314SP, Relator Min. Edson Fachin, Sessão de 24/02/2016): "1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.009 3 QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. DOLO. SONEGAÇÃO FISCAL. FRAUDE. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. A utilização de interposta pessoa objetiva ocultar o real interessado no negócio jurídico, impedindo que terceiros, entre eles o fisco, conheçam e alcancem o verdadeiro proprietário. Comprovada a utilização de interposta pessoa ("laranja"), mantémse a qualificação da multa de ofício. LANÇAMENTOS REFLEXOS Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial aos recursos voluntários para acolher em parte a preliminar de decadência, nos seguintes termos: a) quanto à infração omissão de receitas, para os períodos de apuração mensais de 01/01/1999 a 30/11/1999; b) no que concerne à infração insuficiência de pagamento dos tributos do Simples, para todos os períodos de apuração mensais do anocalendário 1999, objeto do lançamento de ofício (28/02/1999 a 31/08/1999). Ausente momentânea e justificadamente o Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Breno do Carmo Moreira Vieira. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Angelo Abrantes Nunes (Suplente Convocado), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Nelso Kichel, Jose Eduardo Dornelas Souza, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado). Ausente justificadamente a conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.010 4 Relatório Recurso Voluntário apresentado conjuntamente pela firma individual ANDERSON ANTÔNIO BERNINE e pelo Sr. FLÁVIO MAZARO MARTINS (responsável legal e objeto de Sujeição Passiva Solidária) (efls. 721/746). Ainda, o Sr.CÁSSIO MARTINHO TOTTENE, objeto de Sujeição Passiva Solidária, também, apresentou Recurso Voluntário (efls. 753/781). Os recursos foram apresentados contra a decisão da DRJ/Campo Grande (2ª Turma) (efls.688/708) que: a) rejeitara as preliminares suscitadas; b) mantivera os Autos de Infração do Simples Federal (IRPJ, PIS, Cofins, CSLL e Contribuição Seguridade Social INSS) do anocalendário 1999; c) mantivera a responsabilidade solidária dos Srs. CÁSSIO MARTINHO TOTTENE e FLÁVIO MAZARO MARTINS. Quanto aos fatos, consta dos autos: que a fiscalização da DRF/Campo Grande, em 02/02/2005, lavrou Autos de Infração do Simples Federal (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social INSS), anocalendário 1999 (efls. 528/618), ao imputar as seguintes infrações, que transcrevo, in verbis: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS (...) Em 01/06/2004, foi lavrado Termo de Intimação solicitando a comprovação da origem dos créditos bancários da empresa, constantes de relatório anexo ao termo, sendo solicitado também, os mesmos documentos já solicitados através do Termo de Início de Fiscalização. Esta intimação foi enviada para o Sr. Flávio Mazaro Martins e para o Sr. Anderson Antônio Bernine, no endereço constante dos documentos de abertura da empresa, além de reintimarmos a empresa por edital. Em 23/07/2004 recebemos uma correspondência do Sr. Flávio Mazaro Martins, fl. 157, datada de 12/07/2004, através da qual nos foi informado que este estava diligenciando no sentido de localizar os documentos e livros fiscais relacionados ao Termo de Intimação, alem de já ter solicitado aos bancos os extratos bancários e cópias de cheques para apresentação à fiscalização, não tendo, entretanto, apresentado tais justificativas até a presente data. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.011 5 (...) Não tendo a empresa ou os contribuintes responsáveis apresentado a comprovação dos valores creditados nas contas bancárias da empresa, estamos lavrando o presente auto de infração, nos termos do art. 42 da Lei 9.430 de 1996, com base no "Demonstrativo de Omissão de Receitas", que por sua vez tem como origem os "Demonstrativo de Créditos Bancários com Origens Não Comprovadas" e Demonstrativo de Cheques Devolvidos". Demonstrativos citados são parte integrante do presente auto infração. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n° 9.317/96; art. 42 da Lei n°9.430/96.; Art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de recolhimento, apurado conforme declaração do contribuinte. A empresa recolheu a menor o valor do SIMPLES a pagar, levandose em conta o faturamento declarado em sua Declaração de IRPJ do exercício de 2000, ano calendário de 1999. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 5° da Lei n°9.317/96 c/c art. 3° da Lei n° 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. (...) Para a infração omissão de receitas, o fisco qualificou a multa de ofício (150%), por conduta dolosa de sonegação fiscal, fraude, interposição de pessoa ("laranja"). Ainda, como sujeitos passivos solidários, o fisco imputou responsabilidade solidária aos Srs: a) Flávio Mazaro Martins (CTN, art. 135, II e III); b) Cássio Martinho Tottene (CTN, art. 124,I). Valor tributável (efls. 538/539): (...) Demonstrativo de Omissão de Receitas Depósitos bancários de origem não comprovada e não escriturados: DEMONSTRATIVO DE OMISSÃO DE RECEITAS (fl. 538). Mês Créditos (a) Devolvidos (b) Base de Cálculo (c)=( a ) (b) Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.012 6 jan99 33.612,13 7.998,17 25.613,96 fev99 81.924.59 8.442,64 73.481,95 mar99 216.979,17 62.188,75 154.790,42 abr99 300.226.45 32.888,50 267.337,95 mai99 286.619,93 21.896,40 264.723,53 iun99 345.793.96 58.128,06 287.665,90 jul99 174.706.46 27.383,28 147.323,18 ago99 307.091,32 41.867,66 265.223,66 set99 291.853.19 36.572,19 255.281,00 out99 426.325,75 35.370,88 390.954,87 nov99 288.986.15 35.284,16 253.701,99 dez99 162.253.27 41.736,40 120.516.87 Obs.: Dados extraídos das planilhas "Demonstrativo de Créditos Bancários com Origens não Comprovadas" e "Demonstrativo de Cheques Devolvidos"; Coluna Créditos Total Mensal do Demonstrativo de Créditos Bancários com Origens não Comprovadas; Coluna Devolvidos Total Mensal do Demonstrativo de Cheques Devolvidos; Coluna Base de Cálculo = Créditos Devolvidos; (...) O cálculo dos tributos do Simples para as infrações imputadas levou em consideração a receita bruta acumulada até o respectivo mês, para aplicação da respectiva faixa de alíquota: Mês/Ano Receita Bruta Mensal (Decl.) R$ Difer.Apuradas (R$) Receita Bruta Acumulada R$ (%) Total SIMPLES 01/1999 02/1999 03/1999 03/1999 04/1999 05/1999 06/1999 07/1999 07/1999 08/1999 09/1999 10/1999 11/1999 12/1999 2.333,34 2.856,33 3.236,00 0,00 3.883,33 4.271,67 4.912,33 5.041,67 0,00 4.183,33 0,00 0,00 0,00 0,00 25.613,96 73.481,95 12.478,42 142.312,00 267.337,95 264.723,53 287.665,90 99.851,62 47.471,56 265.223,66 255.281,00 390.954,87 253.701,99 120.516,87 27.947,30 104.285,58 262 .312,00 533.533,28 802.528,48 1.095.106,71 1.247.471,56 1.516.878,55 1.772.159,55 2.163.114,42 2.416.816,41 2.537.333,28 3,00 5,00 5,00 5,80 6,60 7,40 8,60 8,60 10,32 10,32 10,32 10,32 10,32 10,32 Obs: O demonstrativo de cálculo dos tributos do Simples consta dos Autos de Infração. O valor do crédito tributário lançado de ofício, tributos do Simples, perfaz o montante de R$ 761.812,72 para o anocalendário 1999: AC 1999 Principal Juros de Mora Multa de ofício Total Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.013 7 Auto de Infração Simples (calculados até ) IRPJ 16.491,11 15.191,22 24.667,02 56.349,35 PIS 16.491,11 15.191,22 24.667,02 56.349,35 CSLL 27.647,69 25.663,43 41.342,96 94.654,08 Cofins 55.756,43 51.815,98 83.377,52 190.949,93 Contrib. INSS 106.388,81 97.998,19 159.123,01 363.510,01 Total 761.812,72 Obs: A multa qualificada foi aplicada apenas para a infração omissão de receitas depósitos bancários não escriturados/origem não comprovada. Ciente do lançamento fiscal de ofício, a contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnações na 1ª instância de julgamento, cujas razões, em síntese, estão consignadas no relatório da decisão recorrida que transcrevo, in verbis: (...) 4. A empresa foi intimada por edital em 18/02/2005 (fl. 575), o responsável solidário arrolado neste auto de infração, do qual teve ciência por AR (fl. 573), em 15/02/2005, Sr. Cássio Martinho Tottene apresentou impugnação em 11/03/2005 (fls. 593/608), por intermédio de seu advogado, Sr. Charles da Silva Ribeiro, alegando, em síntese, que: 4.1 a irregularidade constatada pela fiscalização se resume na possível omissão de receita da empresa Anderson Antônio Bemine, em função da discrepância constatada entre os valores contabilizados pela empresa como receita e os valores depositados em contas bancárias; 4.2 esta movimentação financeira, foi totalmente realizada em nome da fiscalizada, cujo acesso foi disponibilizado ao fisco pelos estabelecimentos bancários, não evidenciando até aí nenhum intuito de fraude. Pois se algum intuito de fraude existisse, no sentido de desviar os recursos financeiros da empresa, os depósitos não teriam sido efetuados diretamente em seu nome, mas sim em nome de terceiros; 4.3 o envolvimento na ação fiscal da Empresa Serilon Sign & Serigrafia Ltda, e entendida pelo fisco como fraudulenta, a autoridade fiscal está deixando transparecer um flagrante excesso de exação, pois, apesar da impossibilidade atual de se comprovar totalmente estas operações, pelo tempo que já transcorreu, estas operações estão diretamente relacionadas com a afinidade existente entre os objetivos operacionais das duas empresas; 4.4 fraude não se presume, fraude se prova, e se o fisco está concluindo que houve alguma fraude praticada por parte da empresa autuada, estas devem estar devidamente identificadas e quantificadas, bem como a efetiva participação de cada um nos atos tidos como fraudulentos e que está devidamente demonstrado que a inclusão do Sr. Cássio Martinho Tottene, no Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.014 8 pólo passivo da obrigação tributária está totalmente equivocada, uma vez que não restou comprovado qual a forma dos atos fraudulentos praticados por eles; 4.5 é simplesmente absurda a tentativa de estabelecimento de solidariedade do Sr. Cássio com a autuação, não houve beneficio auferido pelo mesmo com os atos praticados pela autuada Anderson Bernine ME, até mesmo porque todos os valores bancários movimentados o foram na conta da própria contribuinte; 4.6 concluir que uma sigla utilizada pelo procurador da autuada Anderson Bernine ME. (SRL) representa obrigações de uma empresa denominada SERILON é totalmente fantasioso, desamparado de qualquer fundamento fático ou jurídico. Quem diz que a sigla da SERILON poderia, por exemplo, não SER? Isso não pode ser argumento suficiente para a caracterização de uma fraude; 4.7 quanto ao cheque n.° 24, da conta 1.7876, da agência 3408 8, do Banco Bradesco S/A (fls. 392), no valor de R$ 20.000,00, que tem como beneficiário o Sr. Cássio, em verdade representa prólabore deste na empresa Serilon Sign, inclusive apresentado com esta natureza em sua declaração de imposto de renda pessoa física. Nenhuma destas situações em hipótese alguma, podem representar qualquer tipo de solidariedade entre a autuada e a Serilon Sign, quiçá com o sócio desta, que sequer administrava sua própria empresa à época; 4.8 a mera qualidade de sócio ou diretor de uma empresa não faz presumir a responsabilidade dos mesmos por eventual sonegação fiscal, sendo imprescindível a comprovação de que tais adulterações tenham sido feitas pelos sócios ou diretor, ou com a sua conivência. Diante do exposto, pediu reforma ao auto de infração lavrado para, excluir do pólo passivo Cássio Martinho Tottene, posto ser parte absolutamente ilegítima para figurar na lide; 4.9 não tendo o autuado praticado nenhum ato fraudulento, não pode sofrer os efeitos dessa suposta prática para fins de apuração da decadência do direito da fazenda constituir o crédito tributário; 4.10 demonstrada a não prática de qualquer ato fraudulento pelo autuado, ou sequer uma intervenção em qualquer dos atos que foram praticados, o crédito tributário em relação à sua pessoa é de 5 (cinco) anos contados do fato gerador do imposto e enquanto não houver crédito constituído, a decadência ocorre no prazo de cinco anos, independente da suposta fraude ou simulação que somente veio a existir com a lavratura do auto de infração; 4.11 em suma, que todos os lançamentos efetuados no auto de infração em questão são nulos por corresponderem a período alcançados pela decadência, estando pois a Fazenda Pública impedida de efetuar os lançamentos em questão; Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.015 9 4.12 requereu a extinção do auto de infração em questão, tendo em vista a decadência do direito de constituição de crédito tributário pela Fazenda Pública em razão do decurso de prazo de cinco anos, não tendo o impugnante Cássio Martinho Tottene cometido qualquer ato fraudulento; 4.13 quanto à multa qualificada de 150% aplicada esta não pode prosperar tendo em vista que, o agente fiscal não logrou comprovar as evidências alegadas e relacionadas com uma possível intenção fraudulenta praticada pelos responsáveis pela empresa fiscalizada, ficando somente no campo dos indícios; 4.14 com a criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF, e principalmente após a edição da Lei n. ° 9.311/96, não se pode alegar que transação bancária seja tida como tentativa de se esconder algo do fisco, uma vez que estas operações são levadas ao conhecimento da Secretaria da Receita Federal pelo Banco Central; 4.15 é de conhecimento geral, a insistência das administrações tributárias em tentar enquadrar a movimentação bancária dos contribuintes, como rendimento tributável. Insistência esta, sempre contestada não só pelo Poder Judiciário, como pelas próprias instâncias administrativas; 4.16 apesar da matéria ter sido levada para manifestação do Supremo Tribunal Federal, sobre a possibilidade do fisco utilizar informações bancárias para fins fiscais, sem a devida autorização judicial, que enquanto estão aguardando a manifestação do Egrégio Tribunal, as instâncias judiciais inferiores estão repugnando tal tributação, resultando pacificada a jurisprudência da Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos a qual diz que: “É ilegítima o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários "; 4.17 se depósitos bancários não representam por si só, acréscimo patrimonial, muito menos, poderá ser considerado como receita bruta ou faturamento, base de cálculo utilizada nas presentes autuações, portanto, absolutamente indevida a presente exigência tributária; 4.18 os dados das movimentações bancárias das contribuintes antes da edição da Lei n.° 10.174/2001 eram protegidos pelo sigilo bancário, não podendo ser utilizados para fins de constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, proteção que somente deixou de existir no texto legal a partir de 2001; 4.19 no caso do auto de infração em questão, a autuada não recebeu nenhuma intimação da quebra de sigilo bancário de suas informações, concedida por uma ordem judicial específica, sendo possível assim à obtenção desses dados pelos fiscais através da movimentação da CPMF, o que é absolutamente ilegal em razão de serem dados de período protegido por disposição expressa de lei; Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.016 10 4.20 a Lei n.° 10.174/2001 somente pode produzir efeitos a partir de sua vigência e, não retroagir principalmente para violar direitos até então garantidos; 4.21 por fim requereu: a) que seja afastada qualquer caracterização de ato fraudulento, ou dissimulação, com intuito de sonegação fiscal referente aos fatos narrados na autuação; b) a exclusão do Sr. Cássio Martinho Tottene, do pólo passivo da obrigação tributária, tendo em vista ser parte absolutamente ilegítima para responder pelas exações em questão; c) o reconhecimento da decadência do direito da Fazenda Nacional, em constituir os créditos tributários objetos do presente processo, nos termos do tópico II.3 da peça impugnatória; d) o reconhecimento da quebra ilegal do sigilo bancário da autuada, determinando por conseqüência a improcedência das atuações; e) que estando demonstrada a inexistência de qualquer ato fraudulento, caso V.S., entenda pela condenação os autuados no pagamento das exações, que seja excluída a multa agravada de 150%, e aplicada a multa regular de 75%; f) que levando em consideração a movimentação bancária, por si só, não serve como fato gerador das exações exigidas na autuação, e que seja julgado totalmente improcedente os autos de infrações lavrados, constantes do presente processo, finaliza pedindo deferimento. 5. A empresa individual, Anderson Antônio Bernine foi intimada por edital em 18/02/2005 (fl. 575) e o responsável solidário arrolado neste auto de infração, do qual teve ciência por edital (fl. 576), em 03/03/2005, Sr. Flávio Mazaro Martins apresentou impugnação em 16/03/2005 (fls. 611/624), em nome da empresa, por intermédio de seu advogado, Sr. Júlio Cesar Souza Rodrigues, alegando, em síntese, que: 5.1 se faz necessário afastar a afirmação de que o endereço constante no cadastro da fiscalizada não existe, ocorre que o n.° 263 da Av. Júlio de Castilho onde estava instalada a empresa enquanto estava na atividade, hoje não mais existe realmente, porque foi incorporado à outra unidade imobiliária que atualmente recebe o n° 251, e atualmente ela não se encontra ali porque paralisou suas atividades a partir de 2000, estando o espaço certamente ocupado por outras pessoas; 5.2 a colocação de que a contribuinte estaria na condição de empresa laranja, em razão de ter sua movimentação financeira realizada por seu procurador Sr. Flávio Mazaro Martins e por seu objeto social ser semelhante ao da empresa Serilon Sign & Serigrafia Ltda, está completamente equivocada e não merece prosperar, sendo que a utilização de procuradores para a realização de atos relacionados à administração empresarial é muito comum entre as empresas, o que por si só não pode caracterizar como um possível ato fraudulento; 5.3 a movimentação financeira, independentemente de ter sido efetuada pelo procurador Sr. Flávio, foi totalmente realizada em nome da fiscalizada, cujo acesso foi disponibilizado ao fisco pelos estabelecimentos bancários, e que se houvesse algum Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.017 11 intuito de fraude, os depósitos não seriam efetuados diretamente em seu nome, mas sim em nome de terceiros; 5.5 deve ser afastada a informação de que a impugnante nunca operou de fato, uma vez que, a própria autuação registra como recolhimento insuficiente, nos meses de abril a agosto de 1999, levandose em consideração o faturamento declarado. Se alguma irregularidade foi cometida pelos responsáveis pela autuada, estas em momento algum podem ser tidas como evidente intuito de fraude; 5.6 a inclusão do Sr. F lávio Mazaro Martins, no pólo passivo da obrigação tributária está totalmente equivocada, uma vez que não restaram comprovados quais foram os atos fraudulentos praticados por ele; 5.7 quanto a multa qualificada de 150% aplicada pelo autor da autuação por evidente intuito de fraude, não pode prosperar tendo em vista que o agente fiscal não logrou comprovar as evidências alegadas e relacionadas com uma possível intenção fraudulenta praticada pelos responsáveis pela empresa fiscalizada, ficando somente no campo dos indícios; 5.8 o fato da movimentação bancária da empresa fiscalizada ter sido realizada por pessoa estranha à sua constituição, por intermédio de uma procuração, não pode ser considerado como algo que estivesse por trás de qualquer tentativa de alguma prática irregular ou escusa, esta situação nunca foi omitida ou escondida de ninguém; 5.9 com a criação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF, e principalmente após a edição da Lei n.° 9.311/96, não se pode alegar que a transação bancária seja tida como tentativa de se esconder algo do fisco, uma vez que estas operações são levadas ao conhecimento da Secretaria da Receita Federal pelo Banco Central; 5.10 a presente exigência tributária está fulminada pela decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir os respectivos créditos tributários, pois como consta da própria autuação os fatos geradores atingidos pela ação fiscal compreendem os períodos de março a dezembro de 1999, e como a sua ciência pelo autuado somente aconteceu em fevereiro de 2005, todos os fatos geradores dos tributos atingidos pela peça acusatória estão contaminados pela decadência, o que torna improcedente toda a presente exigência tributária; 5.11 é de conhecimento geral, a insistência das administrações tributárias em tentar enquadrar a movimentação bancária dos contribuintes, como rendimento tributável. Insistência esta, sempre contestada não só pelo Poder Judiciário, como pelas próprias instâncias administrativas; 5.12 o autor do projeto de lei e os legisladores que o aprovam esqueceramse de que depósito bancário não é, por si só, prova de ingresso de receita ou acréscimo patrimonial, e que a Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.018 12 jurisprudência, ao contrário do que afirma, não aceita a legitimidade do texto legal proposto. 5.13 apesar da matéria ter sido levada para manifestação do Supremo Tribunal Federal, sobre a possibilidade do fisco utilizar informações bancárias para fins fiscais, sem a devida autorização judicial, que enquanto estão aguardando a manifestação do Egrégio Tribunal, as instâncias judiciais inferiores estão repugnando tal tributação, resultando pacificada a jurisprudência da Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos a qual diz que: “É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários "; 5.14 Por fim requereu: a) que seja afastada qualquer caracterização de ato fraudulento, ou dissimulação, com intuito de sonegação fiscal referente aos fatos narrados na autuação; b) a exclusão do Sr. Flávio Mazaro Martins, do pólo passivo da obrigação tributária, tendo em vista ser parte absolutamente ilegítima para responder pelas exações em questão, e pela não comprovação por parte do fisco da fraude por ele praticada; c) o reconhecimento da decadência do direito da Fazenda Nacional, em constituir os créditos tributários objetos do presente processo, nos termos do tópico II.3 da impugnação; d) o reconhecimento da quebra ilegal do sigilo bancário da autuada, determinando por conseqüência a improcedência das autuações; e) estando, pois demonstrada a inexistência de qualquer ato fraudulento, caso V.S. entenda, ad argumentandum, pela condenação dos autuados no pagamento das exações, que seja excluída a multa agravada de 150% e aplicada a multa regular de 75%; Í) levando em consideração que movimentação bancária, por si só, não serve como fato gerador das exações exigidas na autuação, sejam julgados totalmente improcedentes os autos de infração lavrados, constantes do presente processo. 6. Foi juntado por apensação o Processo n° 10l40.000277/2005 12, correspondente a Representação Fiscal para Fins Penais. (...) A DRJ/Campo Grande (2ª Turma), na Sessão de Julgamento de 05/08/2005, enfrentando as questões suscitadas pelos impugnantes, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, julgou as impugnações improcedentes, ao manter integralmente o lançamento fiscal e as sujeições passivas solidárias imputadas, conforme ementa do Acórdão e parte dispositiva que transcrevo, in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.019 13 Estando os atos administrativos referentes ao lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do mesmo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de argüições de inconstitucionalidade, ilegalidade, arbitrariedade ou injustiça de atos legais e infralegais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. IRPJ. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. No caso de lançamento de oficio, o direito de constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CSLL. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. . O prazo decadencial, no que se refere às Contribuições, é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido constituído. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Evidencia omissÃo de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; a presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. MULTA QUALIFICADA. Cabível o agravamento da multa, quando comprovado nos autos, que a ação ou omissão do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizandose de recursos que caracterizam evidente intuito de fraude. ~ AUTUAÇÃO REFLEXA: CSLL, PIS. COFINS e INSS. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido às autuações reflexas, face à relação de causa e efeito existente. Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.020 14 Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos estes autos, ACORDAM os membros da 2° Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de decadência, ilegalidade e inconstitucionalidade argüidas e, no mérito, JULGAR procedentes os lançamentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, da Contribuição Social, do PIS, da Cofins e INSS e a sujeição passiva dos Srs. Flávio Mazaro Martins e Cássio Martinho Tottene, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (...) Ciente dessa decisão por Edital em 31/03/2006 (Edital afixado em 15/03/2006) (efls. 712/718), o sujeito passivo firma individual ANDERSON ANTÔNIO BERNINE, por intermédio do advogado contratado, constituído pelo Sr. FLÁVIO MAZARO MARTINS, representante legal (objeto também do Termo de Sujeição Passiva Solidária) apresentou Recurso Voluntário em 19/04/2006 e que, por isto, considerase como sendo também defesa do Sr. FLÁVIO MAZARO MARTINS (efls. 721/746). O responsável solidário Sr.CÁSSIO MARTINHO TOTTENE tomou ciência da decisão recorrida em 22/04/2006sábado, por AR (efl.719) e apresentou Recurso Voluntário em 20/04/2006 (efls. 753/782). Consta das razões do recurso da firma individual ANDERSON ANTÔNIO BERNINE e do responsável sujeição passiva FLÁVIO MAZARO MANTINS, em síntese: suscitou decadência tributos sujeitos a lançamento por homologação (CTN, art. 150, § 4º); que, no mérito, descabe a exigência dos tributos com base em depósitos bancários; que a Lei n° 9.430/96 (art. 42), ao revogar o §5° do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, afronta o art. 43 do CTN; que, apesar da matéria já ter sido levada para manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade do fisco utilizar de informações bancárias para fins fiscais sem a devida autorização judicial, as instâncias judiciais inferiores estão repugnando tal tributação, resultando pacificada a jurisprudência da Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos; que, como se constata dos autos, a presente exigência tributária se refere a fatos geradores ocorridos em 1999, e toda essa legislação que dá suporte à utilização de movimentação financeira para fins de lançamento de imposto somente veio a ser editada em janeiro de 2001, não estando, portanto, apta a atingir fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a esta data; que descabe a aplicação de multa qualificada pela não comprovação de existência de fraude; Fl. 1020DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.021 15 que no que se refere ao evidente intuito de fraude, constatado pelo autor da ação fiscal em função da empresa no período fiscalizado ter sua movimentação financeira realizada por seu procurador Sr.Flávio Mazaro Martins e seu objeto social ser semelhante ao da empresa Serilon Sogn & Serigrafia Ltda., não há coloca na condição de empresa laranja; que as procurações outorgadas pela autuada e pela empresa Serilon Sign & Serigrafia Ltda ao Sr. Flavio Mazaro Martins em nenhum momento foi omitido à fiscalização, tanto que os mandatos foram formalizados por intermédio de instrumento público; que, desse modo, a utilização de procuradores para a realização de atos relacionados à administração empresarial é muito comum entre as empresas, O que por si só não pode caracterizar como um possível ato fraudulento; que, lembrando, todos os atos praticados pelo Sr. Flávio Mazaro Martins, como procurador da autuada e levantados pelo fisco e tidos como fraudulentos, estão relacionados a movimentação financeira (bancária); que a irregularidade constatada pela fiscalização se resume na possível omissão de receita da empresa “Anderson Antônio Bernine”, em função da discrepância constatada entre os valores contabilizados pela empresa como receita e os valores depositados em contas bancárias; que a movimentação financeira, independentemente de ter sido efetuado pelo procurador, Sr. Flávio, foi totalmente realizada em nome da fiscalizada, cujo acesso foi disponibilizado ao fisco pelos estabelecimentos bancários, não evidenciando até aí nenhum intuito de fraude. Pois, se algum intuito de fraude existisse, no sentido de desviar os recursos financeiros da empresa, os depósitos não seriam efetuados diretamente em seu nome, mas sim em nome de terceiros; que em relação à empresa Serilon Sign & Serigrafia Ltda e entendida pelo Fisco como fraudulenta, também, aqui, a autoridade fiscal está deixando transparecer um flagrante excesso de exação, pois, apesar da impossibilidade atual de se comprovar as operações, pelo tempo que já transcorreu, estão elas diretamente relacionadas com a afinidade existente entre os objetivos operacionais das duas empresas. Cumpre ainda ressaltar, conforme se observa pelo relatório fiscal, que as conclusões se restringem ao campo de meros indícios e suposições; que, também, deve ser afastada a informação fiscal de que a autuada nunca operou de fato, uma vez que a própria autuação registra como recolhimento insuficiente, nos meses de abril a agosto de 1999, levandose em consideração o faturamento declarado; que, assim, se alguma irregularidade foi cometida pelos responsáveis pela autuada, essas jamais poderão ser classificadas como fraudulentas; que, se fraude existe, esta não foi devidamente apurada pelo fisco, já que, pelo relatório fiscal que fundamentou a autuação, seu autor se ateve somente em levantar possíveis indícios e é com base nestes indícios que o mesmo está concluindo que houve efetivo intuito de fraude, com o que não podemos concordar em hipótese alguma; que fraude não se presume, fraude se prova, e se o fisco está concluindo que houve alguma fraude praticada por parte da empresa autuada, estas devem estar devidamente Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.022 16 identificadas e quantificadas, bem como a efetiva participação de cada um nos atos tidos como fraudulentos; que, portanto, está devidamente demonstrado que a inclusão do Sr. Flávio Mazaro Martins no pólo passivo da obrigação tributária está totalmente equivocada, uma vez que não restou comprovado qual foram os atos fraudulentos praticados por ele. Por fim, pedem os recorrentes: a) seja afastada qualquer caracterização de ato fraudulento, ou dissimulação, com intuito de sonegação fiscal referentemente aos fatos narrados na autuação; b) a exclusão do Sr. Flávio Mazaro Martins, do pólo passivo da obrigação tributária, tendo em vista ser parte absolutamente ilegítima para responder pelas exações em questão, e pela não comprovação por parte do fisco da fraude por ele praticada; c) o reconhecimento da decadência do direito de constituir o crédito tributário pela Fazenda Nacional (CTN, art. 150,§ 4º); d) o reconhecimento da quebra ilegal do sigilo bancário da autuada, determinando por conseqüência a improcedência das autuações; e) estando, pois, demonstrada a inexistência de qualquer ato fraudulento, caso entendase pela condenação dos autuados no pagamento das exações, que seja, excluída a multa agravada de 150%, e aplicada à multa regular de 75%; f) levando em consideração que a movimentação bancária, por si só, não serve como fato gerador das exações exigidas na autuação, seja, julgado totalmente ` improcedente os autos de infração lavrados, constantes do presente processo. Consta das razões do recurso do Sr. Cássio Martinho Tottene: que a decisão vergastada, em verdade, entende que o recorrente era sócio de fato da empresa autuada, motivo pelo qual foi incluído como responsável pelo débito tributário, visando a atender “aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa”; que a decisão atacada entende que o recorrente deve ser mantido no pólo passivo da autuação como responsável, nos termos do disposto no inciso I, do artigo 124, do Código Tributário Nacional; que, entretanto, onde estaria o ato supostamente fraudulento cometido pelo recorrente Cássio Martinho Tottene? que para que possam ser considerados responsáveis pelo crédito tributários os terceiros na descrição do artigo 124, inciso I, do CTN devem participar da situação fática geradora da obrigação tributária e ter interesse comum nessa situação fática; que mesmo diante dessa absoluta falta de vinculação do recorrente Cássio Martinho Tottene aos fatos que deram ensejo à autuação lavrada, como pode o mesmo ser incluído no pólo passivo da autuação como responsável pelo crédito tributário? Francamente, isso chega a beirar o absurdo! Fl. 1022DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.023 17 que onde está a segurança jurídica? que ainda acrescentou, in verbis: (...) É impossível a inclusão do recorrente Cássio Martinho Tottene no pólo passivo da autuação ante a absoluta falta de vinculação aos atos que fundamentam a autuação. Se o Sr. Flávio cometeu irregularidades na administração de qualquer empresa onde era procurador, que arque ele com as conseqüências disso, e não seja condenado a pagar quem não tem nenhuma vinculação. (...) que não se pode nunca perder de vista é a realidade dos fatos.O recorrente Cássio Martinho Tottene constituiu como procurador administrador de uma empresa sua o Sr. Flávio Mazaro Martins, através de procuração por instrumento público outorgada em cartório do domicilio do outorgante; que essa procuração dava plenos poderes de administração da empresa Serilon Sign & Serigrafia Ltda, da qual o recorrente Cássio Martinho Tottene era sócio majoritário, tendo todos os atos jurídicos em nome da empresa sido praticados pelo Sr. Flávio Mazaro Martins a partir da outorga da procuração; que, contudo, se o procurador constituído para administrar a empresa também foi constituído também por terceiro para administrar outra empresa, inclusive do mesmo ramo e concorrente, ao recorrente Cássio Martinho Tottene somente pode sobrar a surpresa e a certeza de que foi passado para trás, visto que certamente algum rendimento que deveria ficar na sua empresa foi desviado para essa outra empresa da qual nunca fez parte; que, em hipótese alguma, pode ser admitido que o recorrente Cássio Martinho Tottene era o sócio de fato da empresa autuada, que se locupletou às custas de empresa fantasma, de laranjas. O recorrente não teve nenhuma vinculação com a empresa autuada, não esteve envolvido no fato gerador e não tinha interesse no fato gerador do imposto; que pelos fatos apurados pela fiscalização, onde está a prova que confirma o “interesse comum” do recorrente Cássio Martinho Tottene nos atos praticados, supostamente fraudulentos, que ensejaram a lavratura do auto de infração? Qual foi o beneficio auferido pelo recorrente Cássio Martinho Tottene que autorizaria concluir que ele tinha interesse comum nos atos praticados em nome da empresa Anderson Antônio Bernine? que se o Sr. Flávio utilizava uma sigla “SRL” nos cheques que emitia em nome da Anderson Antônio Bernine, a ele Flávio deve ser indagado o significado, o fato é que na empresa Serilon Sign apenas circulou os valores de propriedade desta empresa; que se o Sr. Flávio cometeu alguma irregularidade na administração da empresa Anderson Antônio Bernine, a ele deve ser atribuída a responsabilidade, e não a terceiro que simplesmente o havia como administrador de outra sociedade (estranha a presente autuação), que não tinha conhecimento nem qualquer ingerência nos atos que praticava em nome da empresa autuada; Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.024 18 O responsável é um terceiro que, em razão de algum vínculo com o fato gerador, é eleito como devedor do tributo. Contudo, a escolha de um terceiro para figurar no pólo passivo da obrigação tributária não pode ser feita arbitrariamente; que, diante dos fatos, o recorrente requer a reforma da decisão recorrida, ou seja, a retirada do recorrente do pólo passivo da autuação; que, ainda, suscitou decadência do lançamento fiscal, com base no art. 150,§4ª, do CTN; que é ilegal a quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa (utilização de dados da CPMF) para lançamento de outros tributos; que o fisco não poderia aplicar retroativamente o art. 1° da Lei n° 10.174, de 09 de janeiro de 2001 a fatos geradores do anocalendário 1999; que pela Súmula 182 do TFR a simples existência do depósito bancário não conduz à presunção de disponibilidade econômica, pois ainda pendente de comprovação pela Administração Tributária o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimentos; Por fim, o recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, vale dizer: a) seja afastada qualquer caracterização de ato fraudulento, ou dissimulação, com intuito de sonegação fiscal referentemente aos fatos narrados na autuação; b) a exclusão do recorrente Cássio Martinho Tottene do pólo passivo da obrigação tributária, tendo em vista ser parte absolutamente ilegítima para responder pelas exações em questão; c) o reconhecimento da decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir os créditos tributários objetos da autuação em questão; d) o reconhecimento da quebra ilegal do sigilo bancário da autuadas Anderson Antônio Bernine, determinando por conseqüência a improcedência das autuações; e) estando, pois, demonstrada a inexistência de qualquer ato fraudulento, mas caso se entenda pelo pagamento das exações, que seja excluída a multa agravada de 150% e aplicada multa regular de 75%; f) que, levando em consideração que movimentação bancária, por si só, não serve como fato gerador das exações exigidas na autuação, e a inexistência de outras provas neste sentido, sejas julgados totalmente improcedentes os autos de infração lavrados, constantes do presente processo. É o relatório. Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.025 19 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. Por ser tempestivo e atender aos demais pressupostos de admissibilidade, conheço dos Recursos Voluntários: da firma individual ANDERSON ANTÔNIO BERNINE apresentado pelo advogado contratado, constituído pelo Sr. FLÁVIO MAZARO MARTINS (responsável legal e objeto de Sujeição Passiva Solidária) e que, por isto, configura sua defesa também (efls. 721/746); apresentado pelo responsável solidário Sr.CÁSSIO MARTINHO TOTTENE (efls. 753/781). PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Preliminarmente, a contribuinte suscitou a ocorrência da decadência dos tributos do Simples Federal com fulcro no art. 150,§4º, CTN, argumentando que, por estarem submetidos â modalidade de lançamento por homologação, o termo inicial do prazo decadencial é a data do fato gerador. Os Autos de Infração do Simples Federal (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social INSS), anocalendário 1999, foram lavrados em 02/02/2005 (efls. 528/618). O sujeito passivo firma individual ANDERSON ANTÔNIO BERNINE, responsável legal Sr. FLÁVIO MAZARO MARTINS (sujeição passiva solidária), após tentativa de intimação pelo fisco, por via postal, para dar ciência dos Autos de Infração, o AR retornou com a informação "MUDOUSE" (fls. 618/620); por isso, houve a intimação fiscal por Edital. Consta do edital de intimação que a firma individual ANDERSON ANTÔNIO BERNINE tomou ciência da intimação dos autos de infração em 18/02/2005 (fl. 623); Consta do edital que o Sr. FLÁVIO MAZARO MARTINS (responsável legal e objeto de Sujeição Passiva Solidária) foi intimado dos autos de infração em 03/03/2005 (fl. 624). Já o Sr. CÁSSIO MARTINHO TOTTENE tomou ciência do lançamento fiscal por via postal, Aviso de Recebimento AR, em 15/02/2005 (fl. 621). No caso, o fisco imputou duas infrações, quanto ao anocalendário 1999: a) omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada) com multa qualificada, dolo, sonegação fiscal, fraude, utilização de interposta pessoa "laranja", multa qualificada de 150%; Fl. 1025DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.026 20 b) insuficiência de recolhimento dos tributos do Simples em relação às receitas informadas espontaneamente na Declaração do Simples (infração reflexa da Omissão de Receitas faixa de alíquotas), o fisco imputou multa de ofício de 75%. O termo inicial do prazo decadencial, para tributos sujeitos a lançamento por homologação (art. 150, §4º, do CTN), não é necessariamente a data do fato gerador, pois depende: a) se houve ou não antecipação de pagamento; e, b) se a conduta infratora apurada pelo fisco tem ou não dolo, fraude ou simulação. 1) Quanto à infração imputada omissão de receitas anocalendário 1999: Como já mencionado, o fisco imputou a omissão de receitas, conduta dolosa, sonegação fiscal, fraude, interposição de interposta pessoa ("laranja"), com aplicação de multa qualificada (150%). Acerca da caracterização do dolo na conduta do sujeito passivo, a questão será enfrentada, mais adiante, quando da análise da multa qualificada de 150%. Não obstante, desde já cabe adiantar, a conduta dolosa, sonegação fiscal, fraude, utilização de interposta pessoa, está devidamente caracterizada, comprovada nos autos Assim, aplicase, no caso, o termo inicial do prazo decadencial do art. 173,I, do CTN. Os tributos do Simples estão sujeitos a período de apuração mensal. Quanto aos períodos de apuração mensais: PA 01/01/1999 a 30/11/2009, o fisco poderia ter exigido os tributos mensais, respectivos, no próprio anocalendário 1999. Logo, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em poderia ter sido lançado é o dia 01/01/2000. O fisco tinha prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário via lançamento de ofício até 31/12/2004, com base no art. 173,I, do CTN, para os PA 31/01/1999 a 30/11/1999. Entretanto, a contribuinte tomou ciência dos autos de infração em 18/02/2005. Apenas os tributos do Simples do PA 01/12/1999 a 31/12/1999 estão a salvo da decadência, pois: o fisco poderia cobrálos, no mês seguinte, a partir de 01/01/2000; o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderiam ter sido exigidos é o dia 01/01/2001 (art. 173, I, do CTN, em face da existência de dolo, fraude, interposição de pessoa, "laranja"). Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.027 21 Assim, quanto à infração omissão de receitas estão decaídos os períodos de apuração: 31/01/1999 a 30/11/1999. 2) No que concerne à infração insuficiência de pagamento do Simples (infração reflexa) com base na receita bruta informada na Declaração do Simples 2000, anocalendário 1999: foram lançados os períodos de 28/02/1999 a 31/08/1999. No caso, o fisco imputou multa de ofício de 75% (inexistência de dolo, fraude ou simulação) quanto à infração Insuficiência de Recolhimento dos tributos do Simples (receita informada na Declaração do Simples) infração reflexa. Logo para os fatos geradores do anocalendário 1999 diferença (infração Insuficiência de Recolhimento) estão decaídos todos os períodos lançados de ofício (28/02/1999 a 31/08/1999), pois, independentemente da existência ou não de antecipação de pagamento, mesmo aplicandose o art. 173, I, do CTN, ainda assim esses PA foram atingidos pela decadência. Vejamos: Como o fisco poderia exigir o débito desses PA no próprio anocalendário 1999, o 1º dia do exercício seguinte é 01/01/2000. O fisco tinha prazo para efetuar o lançamento de ofício até 31/12/2004. A contribuinte tomou ciência do lançamento em 18/02/2005. Portanto, quanto à infração Insuficiência de Recolhimento todos os períodos objeto do lançamento de ofício (28/02/1999 a 31/08/1999) estão fulminados pela decadência. Diante do exposto, acolho em parte a preliminar de decadência, pois: a) quanto à infração imputada omissão de receitas, com multa qualificada de 150% (dolo, sonegação fiscal, fraude, utilização de interposta pessoa), em face da incidência do art. 173, I, do CTN, acolho a decadência para os períodos de apuração mensais de 01/01/1999 a 30/11/1999, ficando a salvo da decadência apenas o PA mensal 01/12/1999 a 31/12/1999; b) no que concerne à infração insuficiência de pagamento dos tributos do Simples (receita bruta informada na Declaração do Simples 2000, anocalendário 1999), acolho a decadência para todos os períodos de apuração mensais do anocalendário 1999, objeto do lançamento de ofício (28/02/1999 a 31/08/1999), independentemente da existência de antecipação de pagamento, pois a decadência se verificou seja pelo art. 150, § 4º, seja pelo art. 173, I, do CTN. SIGILO BANCÁRIO. DADOS DA CPMF. TRANSFERÊNCIA DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS AO FISCO PELO BANCO. LC Nº 105/2001. DECRETO Nº 3.724/01. LEI 10.174/01. DECISÃO DO PLENO DO STF. CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.028 22 A contribuinte alegou que a citada legislação, por ser ulterior, não teria aplicação retroativa, pois o lançamento referese a fatos geradores do anocalendário 1999. Não procede a irresignação da recorrente. Em relação à aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 (art. 1º), inexiste óbice algum para tanto, uma vez que a norma que ela veicula tem natureza instrumental ou processual, coadunandose com o disposto no § 1º do art. 144 do CTN. Nesse sentido, reproduzo precedentes jurisprudenciais do Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual é guardião da norma infraconstitucional, reconhecendo o caráter de norma instrumental ao disposto na Lei nº 10.174/2001 (art. 1º), in verbis: RECURSO ESPECIAL ALÍNEA 'A'. TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PRETENDIDA SUSPENSÃO DOS EFEITOS DE TERMO DE PROCEDIMENTO FISCAL. REQUERIMENTO DE INFORMAÇÕES AO CONTRIBUINTE RELATIVAS AO ANOBASE DE 1998, A PARTIR DE DADOS INFORMADOS PÊLOS BANCOS À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOBRE A CPMF. PRETENDIDA COBRANÇA DE CRÉDITOS RELATIVOS A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 E 11, § 3°, DA LEI N. 9.311/96, NA REDAÇÂO DADA PELA LEI N. 10.174/01. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. EXEGESE DO ART. 144, § 1°, DO CTN. À luz do que dispõe o artigo 144, § 1°, do CTN, inferese que as normas tributarias que estabeleçam 'novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas', aplicamse ao lançamento do tributo, mesmo que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Diversamente, as normas que descrevem os elementos do tributo, de natureza material, somente são aplicáveis aos fatos geradores ocorridos após o inicio de sua vigência (cf. "Código Tributaria Nacional Comentado”). Vladmir Passos de Freitas (coord.). São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999. p. 566). Nesse contexto, forçoso reconhecer que os dispositivos (arts. 6° da LC n. 105/01 e 11, § 3°, da Lei n. 9.311/96, na redação dada pela lei n. 10.174/01) que autorizam a utilização dos dados da CPMP pelo Fisco para a apuração de eventuais créditos tributários relativos a outros tributos são normas (...) meramente procedimentais, acerca das quais não prevalece a irretroatividade defendida pelo v. acórdão da Corte a quo. É de se observar, tãosomente, o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para constituição do crédito tributaria. Tanto o art. 6° da Lei Complementar 105/2001, quanto o art. 1° da Lei 10.174/2001, por ostentarem natureza de normas tributarias procedimentais, são submetidas ao regime intertemporal do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.029 23 permitindo sua aplicação, utilizandose de informações obtidas anteriormente à sua vigência' (REsp 506.232/PR, Relator Min. Luiz Fux, DJU 16/02/2004). No mesmo sentido: REsp 479.201/SC, Relator Min. Francisco Falcão, DJU 24/05/2004. Recurso especial provido para denegar a segurança requerida" (Segunda Turma REsp 505.493/PR, Rei. Min. Franciuili Netto, DJU de 08.11.04). TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL APLICAÇÃO INTERTEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1° DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3° da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6° dispõe; "Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins e apuração e constituição de crédito tributário, por Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.030 24 envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial desprovido, para manter o acórdão recorrido" (Primeira Turma REsp 685.708/ES, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 20.06.05). PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. ARTIGO 6° DA LC 105/01 E 11, § 3° DA LEI N° 9.311/96, NA REDAÇÂO DADA PELA LEI N° 10.174/2001. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO DO ARTIGO 144, § 1° DO CTN. 1. Não enseja conhecimento a pretensão recursal sem a indicação do dispositivo de lei federal tido como violado e sem a exposição dos motivos pelos quais pugna pela reforma do julgado, ante o disposto na Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 2. O artigo 38 da Lei n° 4.595/64 que autorizava a quebra de sigilo bancário somente por meio de requerimento judicial foi revogado pela Lei Complementar n° 105/2001. 3. A Lei n° 9.311/96 instituiu a CPMF e no § 2° do artigo 11, determinou que as instituições financeiras responsáveis peia retenção dessa contribuição prestassem informações à Secretaria da Receita Federai, especificamente, sobre a identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações efetuadas, vedando, contudo, no seu § 3° a utilização desses dados para constituição do crédito relativo a outras contribuições ou impostos. 4. A Lei 10.174/2001 revogou o § 3° do artigo 11 da Lei n° 9.311/91, permitindo a utilização das informações prestadas Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.031 25 para a instauração de procedimento administrativofiscal a fim de possibilitar a cobrança de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos. 5. Outra alteração legislativa, dispondo sobre a possibilidade de sigilo bancário, foi veiculada pela o artigo 6° da Lei Complementar 105/2001. 6. O artigo 144, § 1° do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 7. Os dispositivos que autorizam a utilização de dados da CPMF pelo Fisco para apuração de eventuais créditos tributários referentes a outros tributos são normas procedimentais e por essa razão não se submetem ao princípio da irretroatividade das leis, ou seja, incidem de imediato, ainda que relativas a fato gerador ocorrido antes de sua entrada em vigor. Precedentes. 8. Ressalvado o prazo que dispõe a Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário. 9. Recurso especial conhecido em parte e provido. RECURSO ESPECIAL N° 757.956 RS (2005/00957074), RELATOR: MINISTRO CASTRO MEIRA, 2ª Turma. Por último, cabe destacar que o Pleno do Supremo Tribunal Federal STF, na Sessão de Julgamento de 24/02/2016, no RECURSO EXTRAORDINÁRIO 601.314SP, Repercussão Geral, Relator Ministro Edson Fachin, declarou constitucional a legislação de regência do acesso direto do fisco aos dados e informações financeiras de correntistas das instituições financeiras, mediante Requisição de Informação de Movimentação Financeira RMF, conforme ementa do Acórdão que transcrevo, in verbis: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.032 26 quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Portanto, a exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza instrumental da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. Portanto, o acesso direito do fisco, sem ordem judicial, aos de dados e informações de movimentação financeira bancária da autuada do anocalendário 1999, objeto do lançamento de ofício, mediante expedição de RMF, deuse conforme legislação de regência. Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.033 27 OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Diversamente do entendimento dos recorrentes, por ter restado não comprovada a origem dos depósitos bancários a crédito nas contas correntes bancárias da autuada, embora intimada a fazêlo, o fisco, por presunção legal, então imputou a infração Omissão de Receitas Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada (Lei nº 9.430/96, art. 42). O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente sim, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96 que encerra presunção legal, que tem a função de inverter o ônus probatório. No caso de presunção legal, o ônus probatório, por conseguinte, não é de quem acusa a existência de infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova de que não cometeu a omissão de receitas. Portanto, é uma presunção legal relativa que pode ser afastada por provas hábeis e idôneas. Para fisco compete, apenas, comprovar a existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, com lastro em extratos bancários (prova indiciária) da presunção de omissão de receitas. Vale dizer, o fisco pode presumir a omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada), quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a crédito em suas contas bancárias, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais invocados, pois calcados em legislação revogada. Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira bancária para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, vejamos: Lei n° 8.021/1990: "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações." [revogado] Lei n° 9.430/1996 : Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.034 28 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regular mente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar às outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada, mediante extratos bancários, para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão legal para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza, renda consumida e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, e não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal, como já dito alhures, encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos é da contribuinte. Não há que se falar em necessidade de sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários de origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada por este Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como demonstrado, o depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável, por presunção legal. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.035 29 Esse entendimento encontrase, também, pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujos precedentes transcrevo (ementas de julgados, acórdãos), in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 108 09.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004. Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 101 97.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004. Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA—PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 105 17.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício. 2000, 2001, 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.036 30 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL. EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. (Acórdão nº 19500.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). Por fim, apenas a título de argumentação, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda e a Constituição Federal. Ainda, apenas para argumentar, eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvido no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário, não sendo competência ao CARF o enfrentamento, no mérito, dessa questão, conforme Súmula CARF nº 02, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconsti tucionalidade de lei tributária. Na fase de fiscalização, como já demonstrado, a contribuinte, embora intimada diversas vezes a comprovar a origem dos depósitos bancários, não se desincumbiu desse ônus probatório para afastar a omissão de receitas. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.037 31 Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto nesta fase recursal, o sujeito passivo, também, não produziu provas. Portanto, deve ser mantida a infração imputada “OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não há reparo a fazer na decisão recorrida. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO FISCAL. FRAUDE. INTERPOSTA PESSOA ("LARANJA"): Diversamente do alegado pela recorrente, está sobejamente demonstrado nos autos o dolo, sonegação fiscal, fraude, utilização de interposta pessoa ("laranja"), para ludibriar o fisco, para suprimir ou reduzir tributos e contribuições do Simples Federal do anocalendário 1999. Receita Não Declarada Omissão de Receitas Anocalendário 1999: Mês/Ano Receita Bruta Mensal (Decl.) R$ Difer.Apuradas (R$) 01/1999 02/1999 03/1999 03/1999 04/1999 05/1999 06/1999 07/1999 07/1999 08/1999 09/1999 10/1999 11/1999 12/1999 2.333,34 2.856,33 3.236,00 0,00 3.883,33 4.271,67 4.912,33 5.041,67 0,00 4.183,33 0,00 0,00 0,00 0,00 25.613,96 73.481,95 12.478,42 142.312,00 267.337,95 264.723,53 287.665,90 99.851,62 47.471,56 265.223,66 255.281,00 390.954,87 253.701,99 120.516,87 Obs: A contribuinte declarou à RFB menos de 2% do seu faturamento bruto em 1999. Os fatos narrados nos autos de infração pela fiscalização da RFB são reveladores, por demais contundentes, quanto à conduta fraudulenta dos responsáveis pela empresa (firma individual constituída em nome de "laranja"), utilizada para suprimir total ou parcialmente os tributos do Simples e que, nessa parte, transcrevo (efls. 528/618), in verbis: (...) 001 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS A presente ação fiscal teve início em 23/10/2003, com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal 01401002003004264. Em 24/10/2003, com o intuito de entregar o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e o Termo de Início de Fiscalização, Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.038 32 comparecemos no endereço acima citado, no qual deveria funcionar a empresa ANDERSON ANTONIO BERNINE. Constatamos que a empresa não estava estabelecida no endereço constante no cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da Receita Federal, cabendo ainda salientar que o número constante do cadastro, não existe na referida avenida, conforme Termo de Diligência |Fiscal de 25/10/2003, fl. 07. A empresa também não foi localizada em qualquer outro endereço desta cidade. Tendo em vista o citado no parágrafo anterior, cientificamos a empresa, do início do procedimento fiscal, através do Edital de 25/10/2003. Ao mesmo tempo, foi solicitado à Junta Comercial do Estado do Mato Grosso do Sul JUCEMS, o envio da cópia dos documentos de constituição da empresa, arquivados naquela instituição. Em 10/11/2003 a JUCEMS enviou cópias da Declaração de Firma Individual e da Declaração de Microempresa, fls. 15 a 17, conforme solicitado. Não tendo a empresa atendido às intimações e possuindo gastos em montante superior à sua renda disponível, foram lavradas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, solicitando aos Bancos Banestado S A, HSBC Bank Brasil S A, e Bradesco S A, o envio dos dados cadastrais da empresa, alem das cópias de seus extratos bancários de contas mantidas nas respectivas instituições. Junto com os extratos bancários, foi enviado pelo banco Bradesco S. A, cópia de uma procuração, fls. 110 e 111, que dá plenos poderes ao Sr. Flávio Mazaro Martins a efetuar todas as transações da empresa. Em 01/06/2004, foi lavrado Termo de Intimação solicitando a comprovação da origem dos créditos bancários da empresa, constantes de relatório anexo ao termo, sendo solicitado também, os mesmos documentos já solicitados através do Termo de Início de Fiscalização. Esta intimação foi enviada para o Sr. Flávio Mazaro Martins e para o Sr.Anderson Antônio Bernine, no endereço constante dos documentos de abertura da empresa, além de reintimarmos a empresa por edital. Em 23/07/2004 recebemos uma correspondência do Sr. Flávio Mazaro Martins, fl. 157, datada de 12/07/2004, através da qual nos foi informado que este estava diligenciando no sentido de localizar os documentos e livros fiscais relacionados ao Termo de Intimação, alem de já ter solicitado aos bancos os extratos bancários e cópias de cheques para apresentação â fiscalização, não tendo, entretanto, apresentado tais justificativas até a presente data. Estamos incluindo o Sr._Flávio Mazaro Martins, cpf 569.318.40134 no pólo passivo da presente obrigação tributária, nos termos do art. 135, II e III, do Código Tributário Nacional, tendo em vista os indícios observados que o colocam como um dos reais proprietários da empresa. Como pode ser Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.039 33 observado, através da análise dos documentos fornecidos pela JUCEMS, tanto a Declaração de Firma Individual, quanto a Declaração de Microempresa, além da abertura da conta corrente 17876 na agência 34088 do Banco Bradesco S A, fl. 108, foram assinadas pelo Sr. Flávio Mazaro, como se constata ao confrontarmos as assinaturas constantes destes documentos, com a assinatura presente na procuração apresentada em 23/07/2004, f. 161, junto da resposta prestada por este. O Banco Bradesco S A, apresentou procuração pela qual o Sr. Flávio Mazaro Martins detém toda a administração da empresa Anderson Antônio Bernine. A empresa objeto do presente auto de infração, como também se observa através da documentação apresentada pela JUCEMS, se dedica ao comércio varejista de tecidos, tintas, máquinas e equipamentos para serigrafia, etc, que é a mesma atividade da empresa Serilon Sign & Serigrafia Ltda, cnpj 03.509.611/000158, constituída em 16/11/1999 que tem como sócio o Sr. Flávio Mazaro Martins. Todos os cheques de emissão da empresa Anderson Antônio Bernine na conta 1.7876 da agência 34088 do Banco Bradesco S A, fls. 372 a 425, foram assinados pelo Sr. Flávio Mazaro Martins e possuem após o preenchimento do valor por extenso, a sigla SRL (SERILON), o que indica que tais cheques eram realmente preenchidos pela empresa Serilon. Estamos também incluindo o Sr Cassio Martinho Tottene, cpf 279 862 33915 sócio administrador das empresas Serilon Sign e Serigrafia Ltda, cnpj 33.727.355/000136, Serilon Comércio de Tintas Ltda, cnpj 68.839.224/000125, Serilon Brasil Ltda, cnpj 04.143.008/000168, Serilon Administradora de Bens Próprios Ltda, cnpj 02.584.398/000186, Serilon Comercio de Prods. Serigráficos Ltda, cnpj 79.560.629/000146, Serilon Com. de Prods. Serigráficos Ltda e cnpj 83.069.039/000192, no pólo passivo da presente autuação, nos termos do art. 124 I do Código Tributário Nacional, tendo em vista o que segue: Vários indícios sugerem que a empresa Anderson Antônio Bernine nunca operou de fato. O terreno referente ao n° 163 da rua Julio de Castilho em Campo Grande (MS), pertence à empresa Serilon Administradora de Bens Próprios, cnpj 02.584.398/000186, tendo sido adquirido em 05/10/1998, conforme matrícula 151.469 do Cartório de Registro de Imóveis da 1ª Circunscrição de Campo Grande (MS), fl. 428. O antigo proprietário do imóvel, sr. Geraldo Ferline, cpf 200.468.98115, informou a esta fiscalização, ter vendido a propriedade para a empresa Serilon, que na época já operava no n° 251, ao lado do imóvel vendido, afirmando ainda que na época da venda o imóvel vendido não abrigava nenhuma outra empresa. A empresa Serilon Sign e Serigrafia Ltda, cnpj 33.727.355/000136 outorgou uma procuração por instrumento público ao sr. Flávio Mazaro Martins, já citado, em 04/11/1997, permitindo a este representar a empresa junto a quaisquer bancos ou casas de crédito, fls. 446 e 448. Cabe salientar que Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.040 34 esta procuração foi lavrada no mesmo cartório e na mesma data em que a empresa Anderson Antônio Bernine, lavrou uma procuração, também tendo como outorgado o sr. Flávio Mazaro Martins. O endereço de correspondência que consta do cadastro do banco Bradesco S A, fl. 24 relativo a conta da empresa Anderson Antônio Bernine, e o mesmo endereço da empresa Serilon Sign e Serigrafia Ltda, cnpj 33.727.355/000136 ou seja, rua Julio de Castilho 251. O telefone para contato constante do cadastro do Banco HSBC Bank Brasil S A, fl. 48, relativo à conta da empresa Anderson Antônio Bernine, n° 761~1304, é a mesma linha onde atende a empresa Serilon Sign e Serigrafia Ltda, conforme informação da Empresa Brasil Telecom. Todas os cheques emitidos pela empresa Anderson Antônio Bernine, relativos à sua corrente 17876 da agência 34088 do banco Bradesco S A, possuem a sigla "SRL" repetidas após o valor em extenso. Esta sigla ë, obviamente, abreviatura do nome "SERILON" e demonstra que tais cheques eram emitidos na realidade pela empresa Serilon. Cabe ressaltar que estes cheques possuem a assinatura do Sr. Flávio Mazaro Martins. Como pode ser também observado, através das cópia de cheques e depósitos das contas correntes da empresa Anderson Antônio Bernine, vários lançamentos tem como beneficiários ou depositantes empresas do grupo Serilon, incluindo o cheque n° 24 da conta 1.7876 da agência 34088 do banco Bradesco S A, fl. 392, no valor de R$ 20.000,00 que tem como beneficiário o Sr. Cássio Martinho Tottene. Intimamos em 02/12/2004, a empresa Serilon Sign e Serigrafia Ltda, cnpj 33.727.355/000136 a informar a relação existente entre esta e a empresa Anderson.Antônio Bernine, além de informar a origem de diversos valores pagos por esta empresa através de cobrança bancária, tendo como beneficiária a empresa Anderson Antônio Bernine. Em sua resposta a empresa informa que havia apenas relacionamento comercial, tendo em vista serem empresas que, na época, exerciam a mesma atividade. Quanto aos valores solicitados, informou que devido ao tempo transcorrido, haveria necessidade de um prazo maior para a localização e que estaria desenvolvendo esforços no sentido de esclarecer os fatos o mais brevemente possível, não tendo, entretanto, apresentado os esclarecimentos até a presente data. Todos os indícios levam a crer que o Sr. Anderson Antônio Bernine foi utilizado como interposta pessoa (laranja), na constituição da empresa. Não foi possível a sua localização através dos dados constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal, assim como dos sistemas do Ministério do Trabalho, companhias telefônicas ou quaisquer outros meios. O contribuinte possui dois números no Cadastro da Pessoa Física (CPF), sendo um com endereço em Campo Grande (MS), que foi Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.041 35 utilizado para a abertura da empresa objeto do presente lançamento e outro em Londrina (PR). Não foi possível a localização do contribuinte em nenhum dos dois endereços. Também foi tentado, sem sucesso, a localização do contribuinte através do nome de sua mãe. Do acima explanado, concluise que a empresa, em tese, cometeu evidente intuito de fraude/sonegação, ao deixar de declarar/recolher os valores constantes de suas contas correntes. Não tendo a empresa ou os contribuintes responsáveis apresentado a comprovação dos valores creditados nas contas bancárias da empresa, estamos lavrando o presente auto de infração, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, com base no "Demonstrativo de Omissão de Receitas", que por sua vez tem como origem os "Demonstrativo de Créditos Bancários com Origens Não Comprovadas" e Demonstrativo de Cheques Devolvidos. Os Demonstrativos citados são parte integrante do presente auto de infração. Tendo em vista o descrito, lavramos o presente com multa qualificada de 150%, de acordo com o previsto no art. 44, inciso II da Lei 9.430 de 1996, que versa que serão aplicadas as multas de cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 e também no previsto no art. 1° da Lei 8.137 de 1990. (...) Como se trata de conduta dolosa, sonegação fiscal, fraude, utilização de interposta pessoa ("laranja") que implicou supressão praticamente total dos tributos e contribuições do Simples do anocalendário 1999, está justificada, plenamente, a qualificação da multa de ofício, inclusive, o entendimento em consonância com a Súmula CARF nº 25, in verbis: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 Como visto, a conduta dolosa, sonegação fiscal, fraude, utilização de interposta pessoa ("laranja") está demonstrada e comprovada nos autos pela fiscalização da RFB. Portanto, no caso além de justificada a presunção de omissão de receitas (depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada), conforme matéria já enfrentada anteriormente em item específico mantémse também a multa qualificada. LANÇAMENTOS REFLEXOS Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.042 36 Consta do processo que o fisco imputou sujeição passiva solidária aos Srs. Flávio Mazaro Martins (CTN, art. 135, II e III) e Cássio Martinho Tottene (CTN, art. 124, I), por restar demonstrado: a) quanto ao Sr.Cássio Martinho Tottene interesse comum quanto aos fatos econômicos empreendidos, realizados, praticados, de relevância tributária pela empresa autuada, ou seja, que constituíram fato gerador dos tributos e contribuições do Simples Federal, no anocalendário 1999, conforme narrativa constante dos auto de infração do ano calendário 1999 (efls. 528/618); b) no que concerne ao Flávio Mazaro Martins, por ser representante legal, administrador, e proprietário de fato da empresa. 1 Sujeição passiva solidária do Sr. Flávio Mazaro Martins: No caso, a empresa firma individual Anderson Antônio Bernine foi constituída em nome do "laranja" Sr. Anderson Antônio Bernine, que passou procuração pública em cartório, com amplos poderes de administração para o Sr. Flávio Mazaro Martins, em 04/11/1997 (efls. 114/115 e 682/683). O Sr. Flávio Mazaro Martins, responsável legal pela empresa individual Anderson Antônio Bernine e administrador no anocalendário 1999, informou à RFB na Declaração do Simples menos de 2% da receita bruta auferida nesse ano, burlando o fisco, subtraindo, praticamente, o valor integral dos tributos e contribuições, nesse anocalendário. Ainda, houve dissolução irregular da empresa autuada no anocalendário 2000. A fiscalização da RFB não encontrou a empresa em lugar nenhum na cidade de Campo Grande MS. O Sr.Flávio Mazaro Martins, ao rebater a constatação da fiscalização da RFB de que o endereço informado no cadastro inexiste, admitiu que a empresa desde o ano 2000 não tem atividade e não tem endereço, ou seja, tal situação demonstra dissolução irregular. Transcrevo, nessa parte, o relatório da decisão recorrida, in verbis: (...) 5. A empresa individual, Anderson Antônio Bernine foi intimada por edital em 18/02/2005 (fl. 575) e o responsável solidário arrolado neste auto de infração, do qual teve ciência por edital (fl. 576), em 03/03/2005, Sr. Flávio Mazaro Martins apresentou impugnação em 16/03/2005 (fls. 611/624), em nome da empresa, por intermédio de seu advogado, Sr. Júlio Cesar Souza Rodrigues, alegando, em síntese, que: Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.043 37 5.1 se faz necessário afastar a afirrnação de que o endereço constante no cadastro da fiscalizada não existe, ocorre que o n.° 263 da Av. Júlio de Castilho onde estava instalada a empresa enquanto estava na atividade, hoje não mais existe realmente, porque foi incorporado à outra unidade imobiliária que atualmente recebe o n° 251, e atualmente ela não se encontra ali porque paralisou suas atividades a partir de 2000, estando o espaço certamente ocupado por outras pessoas; (...) O Sr. Flávio Mazaro Martins, portanto, não procedeu atualização cadastral na RFB, configurando dissolução irregular da pessoa jurídica, da firma individual Anderson Antônio Bernine. Ainda, o Sr. Flávio Mazaro Martins, conforme narrativa dos fatos pela fiscalização da RFB já transcritos alhures, quando da análise da multa qualificada, burlou o fisco, pois, sendo titular de fato da empresa (proprietário de fato), constituiu a empresa em nome de "laranja" para suprimir tributos e contribuições do Simples Federal no anocalendário 2009. O Sr. Flávio Mazaro Martins detinha toda a administração da empresa Anderson Antônio Bernine, no anocalendário 2009. Nesse sentido, transcrevo a narrativa dos fatos constante dos autos de infração, in verbis: (...) Constatamos que a empresa não estava estabelecida no endereço constante no cadastro Nacional da Pessoa Jurídica da Receita Federal, cabendo ainda salientar que o número constante do cadastro, não existe na referida avenida, conforme Termo de Diligência Fiscal de 25/10/2003, fl. 07. A empresa também não foi localizada em qualquer outro endereço desta cidade. Tendo em vista o citado no parágrafo anterior, cientificamos a empresa, do início do procedimento fiscal, através do Edital de 25/10/2003. Ao mesmo tempo, foi solicitado à Junta Comercial do Estado do Mato Grosso do Sul JUCEMS, o envio da cópia dos documentos de constituição da empresa, arquivados naquela instituição. Em 10/11/2003 a JUCEMS enviou cópias da Declaração de Firma Individual e da Declaração de Microempresa, fls. 15 a 17, conforme solicitado. Não tendo a empresa atendido às intimações e possuindo gastos em montante superior à sua renda disponível, foram lavradas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira, solicitando aos Bancos Banestado S A, HSBC Bank Brasil S A, e Bradesco S A, o envio dos dados cadastrais da empresa, alem das cópias de seus extratos bancários de contas mantidas nas respectivas instituições. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.044 38 Junto com os extratos bancários, foi enviado pelo banco Bradesco S A, cópia de uma procuração, fls. 110 e 111, que dá plenos poderes ao Sr. Flávio Mazaro Martins a efetuar todas as transações da empresa. Em 01/06/2004, foi lavrado Termo de Intimação solicitando a comprovação da origem dos créditos bancários da empresa, constantes de relatório anexo ao termo, sendo solicitado também, os mesmos documentos já solicitados através do Termo de Início de Fiscalização. Esta intimação foi enviada para o Sr. Flávio Mazaro Martins e para o Sr.Anderson Antônio Bernine, no endereço constante dos documentos de abertura da empresa, além de reintimarmos a empresa por edital. Em 23/07/2004 recebemos uma correspondência do Sr. Flávio Mazaro Martins, fl. 157, datada de 12/07/2004, através da qual nos foi informado que este estava diligenciando no sentido de localizar os documentos e livros fiscais relacionados ao Termo de Intimação, alem de já ter solicitado aos bancos os extratos bancários e cópias de cheques para apresentação â fiscalização, não tendo, entretanto, apresentado tais justificativas até a presente data. Estamos incluindo o Sr._Flávio Mazaro Martins, cpf 569.318.40134 no pólo passivo da presente obrigação tributária, nos termos do art. 135, II e III, do Código Tributário Nacional, tendo em vista os indícios observados que o colocam como um dos reais proprietários da empresa. Como pode ser observado, através da análise dos documentos fornecidos pela JUCEMS, tanto a Declaração de Firma Individual, quanto a Declaração de Microempresa, além da abertura da conta corrente 17876 na agência 34088 do Banco Bradesco S A, fl. 108, foram assinadas pelo Sr. Flávio Mazaro Martins, (...) se constata ao confrontarmos as assinaturas constantes destes documentos, com a assinatura presente na procuração apresentada em 23/07/2004, f. 161, junto da resposta prestada por este. O Banco Bradesco S A, apresentou procuração pela qual o Sr. Flávio Mazaro Martins detém toda a administração da empresa Anderson Antônio Bernine. (...) Assim, diversamente do alegado pelo recorrente nas razões do recurso, está demonstrada e comprovada nos autos a sujeição passiva solidária do Sr. Flávio Mazaro Martins e em consonância com os precedentes jurisprudenciais deste CARF, in verbis: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2010, 2011 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO ADMINISTRADOR DE FATO. ART. 135, III. CABIMENTO. NATUREZA DA RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.045 39 EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE.A jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que a responsabilidade dos sócios, gerentes ou administradores (sejam formais ou de fato), prevista no art. 135, III é solidária e não exclui do pólo passivo a pessoa jurídica administrada. Sendo notória a ascendência do sujeito apontado como o administrador de fato das empresas pertencentes ao seu grupo familiar revela se indiscutivelmente este que era o responsável de fato pela gestão dos negócios da empresa indicada no pólo passivo da autuação. (...). (Acórdão 1302002.549 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 20/02/2018, Relator e Presidente Luiz Tadeu Matosinho Machado). NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA.Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. (Acórdão 1301001.525 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 08/05/2014, Relator Paulo Jakson da Silva Lucas Relator). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. No caso de outorga de procuração com poderes plenos e ilimitados de administração e gerência, cumulado com a interposição de pessoas (“laranjas”) para induzir as autoridades fiscais a erro, cabível a imputação de responsabilidade tributária aos administradores e sócios de fato da pessoa jurídica, nos termos do art. 135 do CTN. (Acórdão nº 1102001.320–1ª Câmara/2ªTurmaOrdinária, Sessão de 24/03/2015, Relator João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc). SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM DE PESSOA FÍSICA QUE COMANDA, DE FATO, A PESSOA JURÍDICA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. ART. 124 I CTN. Uma vez comprovado que a pessoa física ausente do quadro societário da pessoa jurídica autuada, é seu verdadeiro controlador, dirigente e beneficiário do resultado econômico, correta a determinação de responsabilidade solidária pelos tributos devidos pela empresa, pois caracterizado interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, conforme preceitua o inciso I do art. 124 do Código Tributário Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.046 40 Nacional. (Acórdão nº 3401003.809 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 26/06/2017, Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAÚJO BRANCO). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III. DOLO. PODERES DE GERÊNCIA. Os administradores são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, desde que cabalmente provado o dolo. (Acórdão nº 3301003.159–3ªCâmara/1ªTurma Ordinária, Sessão de 27/01/2017, Relatora Semíramis de Oliveira Duro). RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.(Acórdão nº 1302001.962–3ª Câmara/2ªTurma Ordinária, Sessão de 11/08/2016, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa Redator designado) Portanto, deve ser mantida a sujeição passiva do Sr. Flávio Mazaro Martins. 2 Sujeição passiva solidária do Sr. Cássio Martinho Tottene: Consta dos autos que o fisco imputou interesse comum (art. 124, I, do CTN), solidariedade passiva ao Sr.Cássio Martinho Tottene quanto aos fatos econômicos empreendidos, realizados, praticados, de relevância tributária pela empresa autuada, ou seja, que constituíram fato gerador dos tributos e contribuições do Simples Federal, no ano calendário 1999, conforme narrativa constante dos auto de infração do anocalendário 1999 (e fls. 528/618) que transcrevo: (...) A empresa objeto do presente auto de infração, como também se observa através da documentação apresentada pela JUCEMS, se dedica ao comércio varejista de tecidos, tintas, máquinas e equipamentos para serigrafia, etc, que é a mesma atividade da empresa Serilon Sign & Serigrafia Ltda, cnpj (...), constituída em 16/11/1999 que tem como sócio o Sr. Flávio Mazaro Martins. Todos os cheques de emissão da empresa Anderson Antônio Bernine na conta 1.7876 da agência 34088 do Banco Bradesco S A, fls. 372 a 425, foram assinados pelo Sr. Flávio Mazaro Martins e possuem após o preenchimento do valor por extenso, a Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.047 41 sigla SRL (SERILON), o que indique que tais cheques eram realmente preenchidos pela empresa Serilon. Estamos também incluindo o Sr Cassio Martinho Tottene, cpf 279 862 33915 sócio administrador das empresas Serilon Sign e Serigrafia Ltda, cnpj 33.727.355/000136, Serilon Comércio de Tintas Ltda, cnpj 68.839.224/000125, Serilon Brasil Ltda, cnpj 04.143.008/000168, Serilon Administradora de Bens Próprios Ltda, cnpj 02.584.398/000186, Serilon Comercio de Prods. Serigráficos Ltda, cnpj 79.560.629/000146, Serilon Com. de Prods. Serigráficos Ltda e cnpj 83.069.039/000192, no pólo passivo da presente autuação, nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista o que segue: Vários indícios sugerem que a empresa Anderson Antônio Bernine nunca operou de fato. O terreno referente ao n° 163 da rua Julio de Castilho em Campo Grande (MS), pertence à empresa Serilon Administradora de Bens Próprios, cnpj 02.584.398/000186, tendo sido adquirido em 05/10/1998, conforme matrícula 151.469 do Cartório de Registro de Imóveis da 1ª Circunscrição de Campo Grande (MS), fl. 428. O antigo proprietário do imóvel, sr. Geraldo Ferline, cpf 200.468.98115, informou a esta fiscalização, ter vendido a propriedade para a empresa Serilon, que na época já operava no n° 251, ao lado do imóvel vendido, afirmando ainda que na época da venda o imóvel vendido não abrigava nenhuma outra empresa. A empresa Serilon Sign e Serigrafia Ltda, cnpj 33.727.355/000136 outorgou uma procuração por instrumento público ao sr. Flávio Mazaro Martins, já citado, em 04/11/1997, permitindo a este representar a empresa junto a quaisquer bancos ou casas de crédito, fls. 446 e 448. Cabe salientar que esta procuração foi lavrada no mesmo cartório e na mesma data em que a empresa Anderson Antônio Bernine, lavrou uma procuração, também tendo como outorgado o sr. Flávio Mazaro Martins. O endereço de correspondência que consta do cadastro do banco Bradesco S A, fl. 24 relativo a conta da empresa Anderson Antônio Bernine, e o mesmo endereço da empresa Serilon Sign e Serigrafia Ltda, cnpj 33.727.355/000136 ou seja, rua Julio de Castilho 251. O telefone para contato constante do cadastro do Banco HSBC Bank Brasil S A, fl. 48, relativo à conta da empresa Anderson Antônio Bernine, n° 7611304, é a mesma linha onde atende a empresa Serilon Sign e Serigrafia Ltda, conforme informação da Empresa Brasil Telecom. Todas os cheques emitidos pela empresa Anderson Antônio Bernine, relativos à sua corrente 17876 da agência 34088 do banco Bradesco S A, possuem a sigla "SRL" repetidas após o valor em extenso. Esta sigla é, obviamente, abreviatura do nome "SERILON" e demonstra que tais cheques eram emitidos na realidade pela empresa Serilon. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.048 42 Cabe ressaltar que estes cheques possuem a assinatura do Sr. Flávio Mazaro Martins. Como pode ser também observado, através das cópia de cheques e depósitos das contas correntes da empresa Anderson Antônio Bernine, vários lançamentos tem como beneficiários ou depositantes empresas do grupo Serilon, incluindo o cheque n° 24 da conta 1.7876 da agência 34088 do banco Bradesco S A, fl. 392, no valor de R$ 20.000,00 que tem como beneficiário o Sr. Cássio Martinho Tottene. Intimamos em 02/12/2004, a empresa Serilon Sign e Serigrafia Ltda, cnpj 33.727.355/000136 a informar a relação existente entre esta e a empresa Anderson.Antônio Bernine, além de informar a origem de diversos valores pagos por esta empresa através de cobrança bancária, tendo como beneficiária a empresa Anderson Antônio Bernine. Em sua resposta a empresa informa que havia apenas relacionamento comercial, tendo em vista serem empresas que, na época, exerciam a mesma atividade. Quanto aos valores solicitados, informou que devido ao tempo transcorrido, haveria necessidade de um prazo maior para a localização e que estaria desenvolvendo esforços no sentido de esclarecer os fatos o mais brevemente possível, não tendo, entretanto, apresentado os esclarecimentos até a presente data. Todos os indícios levam a crer que o Sr. Anderson Antônio Bernine foi utilizado como interposta pessoa (laranja), na constituição da empresa. Não foi possível a sua localização através dos dados constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal, assim como dos sistemas do Ministério do Trabalho, companhias telefônicas ou quaisquer outros meios. O contribuinte possui dois números no Cadastro da Pessoa Física (CPF), sendo um com endereço em Campo Grande (MS), que foi utilizado para a abertura da empresa objeto do presente lançamento e outro em Londrina (PR). Não foi possível a localização do contribuinte em nenhum dos dois endereços. Também foi tentado, sem sucesso, a localização do contribuinte através do nome de sua mãe. Do acima explanado, concluise que a empresa, em tese, cometeu evidente intuito de fraude/sonegação, ao deixar de declarar/recolher os valores constantes de suas contas correntes. (...) Assim, diversamente do alegado pelo recorrente em suas razões do recurso, são contundentes os indícios apurados pela fiscalização da RFB que ligam, comercialmente, o Sr. Cássio Martinho Tottene à firma individual Anderson Antônio Bernine e ao Sr. Flávio Mazaro Martins, pois: a) as empresas Serilon Sign & Serigrafia Ltda, CNPJ/MF. sob n° 33.727.355/000136, e Anderson Antônio Bernine no anocalendário 1999 ocuparam, estavam sediadas, no mesmo endereço, com mesmo objeto social, e o Sr. Cássio Martinho Tottene é Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.049 43 sócio administrador da Serilon Sign & Serigrafia Ltda e Sr. Flávio Mazaro, também, é procurador legal dessa Serilon Sign & Serigrafia Ltda (Procurações efls. 470/475); b) não há como dissociar a existência do interesse comum, em relação à empresa autuada, do Sr. Cássio Martinho Tottene; c) a empresa Serilon Sign & Serigrafia Ltda, da qual Cássio Martinho Tottene é sócioadministrador e que tem o Sr. Flávio Mazaro Martins também como representante legal, e a firma individual Anderson Antônio Bernine da qual o Sr. Flávio Mazro Matins é procurador legal, com procuração com amplos poderes de gestão, administração, estão imbricadas, com mesmo endereço e mesmo objeto social: (...) A empresa objeto do presente auto de infração, como também se observa através da documentação apresentada pela JUCEMS, se dedica ao comércio varejista de tecidos, tintas, máquinas e equipamentos para serigrafia, etc, que é a mesma atividade da empresa Serilon Sign & Serigrafia Ltda, (...), constituída em 16/11/1999 que tem como sócio o Sr. Flávio Mazaro Martins. (...) Estamos também incluindo o Sr Cassio Martinho Tottene, cpf 279 862 33915 sócio administrador das empresas Serilon Sign e Serigrafia Ltda, (...), no pólo passivo da presente autuação, nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista o que segue: Vários indícios sugerem que a empresa Anderson Antônio Bernine nunca operou de fato. (...) (...) Intimamos em 02/12/2004, a empresa Serilon Sign e Serigrafia Ltda, cnpj 33.727.355/000136 a informar a relação existente entre esta e a empresa Anderson.Antônio Bernine, além de informar a origem de diversos valores pagos por esta empresa através de cobrança bancária, tendo como beneficiária a empresa Anderson Antônio Bernine. Em sua resposta a empresa informa que havia apenas relacionamento comercial, tendo em vista serem empresas que, na época, exerciam a mesma atividade. (...) Ainda, houve dissolução irregular da empresa autuada, não foi encontrada no endereço cadastrado na RFB. Desde o anocalendário 2000 deixou de funcionar, não tem endereço, segundo o Sr. Flávio Mazaro Martins. A firma individual Anderson Antônio Bernine foi constituída em nome de interposta pessoa ("laranja") e foi utilizada para burlar o fisco pelas pessoas físicas citadas, reais beneficiárias da fraude/sonegação fiscal. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10140.000276/200560 Acórdão n.º 1301002.978 S1C3T1 Fl. 1.050 44 Assim, deve ser mantida, também, a sujeição passiva solidária do Sr. Cássio Martinho Tottene (CTN, art. 124, I), em consonância com os precedentes jurisprudenciais do CARF já transcritos quando da análise da sujeição passiva do Sr. Flávio Mazaro Martins. Por tudo que foi exposto, voto para dar provimento parcial aos recursos voluntários para acolher em parte a preliminar de decadência, nos seguintes termos: a) quanto à infração omissão de receitas, para os períodos de apuração mensais de 01/01/1999 a 30/11/1999; b) no que concerne à infração insuficiência de pagamento dos tributos do Simples, para todos os períodos de apuração mensais do anocalendário 1999, objeto do lançamento de ofício (28/02/1999 a 31/08/1999). É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 1050DF CARF MF
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