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Numero do processo: 10945.900870/2012-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
Numero da decisão: 3803-004.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 ICMS NA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. EXCLUSÃO. INCABÍVEL. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, por ser parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 08 70 /2 01 2- 16 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte com o propósito de reformar a decisão prolatada pela DRJ de Foz do Iguaçu que indeferiu o pedido de restituição, sob o argumento de que não haveria direito crédito suficiente para extinção do débito informado. Em seu recurso o contribuinte repisa os argumentos contidos em sua Manifestação de Inconformidade e insiste novamente na tese de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ponto central de sua defesa encontrase no argumento de que o conceito de faturamento não pode ser ampliado a ponto de considerar tributáveis meros ingressos em sua contabilidade, como ocorre com o ICMS. Neste passo, no intuito de melhor fundamentar sua pretensão, cita doutrina de Geraldo Ataliba, Cléber Giardino, Marçal Justen Filho e Marco Aurélio. Reclama pela observação do princípio da capacidade contributiva e do princípio do não confisco para demonstrar que a incidência das contribuições sobre o valor do ICMS representa efetivar tributação sobre fatos que não são signopresuntivos de riqueza, razão pela qual tal prática fazendária não encontra respaldo na Constituição Federal. Por fim, o contribuinte requer a reforma da decisão de primeiro grau e o deferimento do pedido de restituição com acréscimos de juros remuneratórios com Taxa Selic, desde a data do pagamento indevido até a data da compensação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Assiste razão ao contribuinte. Em 20.03.2013 o STF já reconheceu o direito a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições em relação as operações de importação, por meio do RE n.º 559.937, Ministra Ellen Gracie, conforme abaixo descrito: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso Fl. 77DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900870/201216 Acórdão n.º 3803004.939 S3TE03 Fl. 77 3 IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINSImportação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o VALOR ADUANEIRO, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Todavia, é verdade que o caso em exame não se trata de PIS/COFINS – IMPORTAÇÃO, mas sim de operações no mercado interno, razão pela qual não se aplica ao presente julgamento o RE n.º 559.937. Entretanto, ainda assim, este importante precedente da Suprema Corte aponta como tem sido interpretação dos ministros quanto ao desejo da Fazenda Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Nacional em ampliar o conceito da expressão ”valor aduaneiro”. Assim, é provável que igual interpretação seja realizada futuramente pelo STF também em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições para o mercado interno. De qualquer forma, cabe agora ingressar ao mérito da discussão trazida para apreciar a pretensão do contribuinte, tendo em vista que não há necessidade de sobrestar o julgamento do presente processo. Assim, refletindo a respeito do tema, manifesto posicionamento de que o ICMS não integra o faturamento da Recorrente, basicamente porque os valores correspondentes a este imposto pertencem constitucionalmente ao Estado. Nessa medida, não podem ser incluídos na base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Neste passo, data vênia, parto da premissa de que “faturamento” é receita própria. Logo representa erro qualquer afirmação no sentido de que os contribuintes da Cofins faturam o ICMS, pois é impossível admitir que se fature receita pertencente a terceiro. Outro forte argumento a favor do contribuinte, diz respeito à constatação de que o imposto estadual configura uma “despesa” e jamais receita, pois faturamento deve implicar, necessariamente, ingresso financeiro, o que não ocorre no caso em exame. Neste sentido, vale mencionar decisão proferida pelo TRF 1º: TRIBUTÁRIO. PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. NÃO CABIMENTO. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC E JUROS DE MORA.I. O PIS e a COFINS têm como base de cálculo o faturamento ou as receitas auferidas pela pessoa jurídica (art. 195, I, "b", CF).II. A base de cálculo do PIS e da COFINS não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. O conceito de faturamento diz com riqueza própria, quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou a prestação dos serviços, implicando, por isso mesmo, o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Descabe assentar que os contribuintes da COFINS faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso à entidade de direito público que tem a competência para cobrálo (RE 240.785/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, em julgamento ainda pendente por força de pedido de vista do Min. Gilmar Mendes).III. Se o ICMS é despesa do sujeito passivo das contribuições sociais previstas no art. 195, I, CF e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência destas exações, posto que configuraria a tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte.4. Apelação a que se dá parcial provimento. IV. São compensáveis créditos decorrentes do indevido recolhimento, a título do PIS e da COFINS, devidamente corrigidos, com qualquer outro tributo arrecadado e administrado pela Secretaria da Receita Federal, sendo irrelevante se o destino das arrecadações seja outro. Juros de mora de 1% até 31/12/95, seguindose exclusivamente a SELIC.V. Apelação provida." (grifo) AMS nº 2007.38.03.0028733/MG, 8ª Turma TRF1ª Região, em 14/08/2007 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900870/201216 Acórdão n.º 3803004.939 S3TE03 Fl. 78 5 Por outro lado, é verdade em que o STJ tem se manifestado no sentido contrário, ou seja, de que o ICMS integra a base de cálculo da COFINS e cito o AgRg no AREsp 400823/SP, julgado em 07/11/2013. Contudo, diante do caso concreto, em que pese os julgados do STJ, compreendo que não há a obrigatoriedade de submissão dos julgadores do CARF a estes julgados. Aproveito o ensejo ainda para citar importante julgado exarado pela Câmara Superior no sentido de que as receitas de “roaming” não integra a base de cálculo das contribuições. EMENTA COFINS. RECEITAS DE TERCEIROS. TELEFONIA CELULAR. "ROAMING" As receitas de "roaming" mesmo recebidas pela operadora de serviço móvel pessoal ou celular com quem o usuário tem contrato não se incluem na base de cálculo da COFINS por ela devida. A base de cálculo da contribuição é a receita própria, não se prestando o simples ingresso de valores globais, nele incluídos os recebidos por responsabilidade e destinados desde sempre à terceiros, como pretendido "faturamento bruto" para, sobre ele, exigir o tributo.(GRIFO) Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo Administrativo n.º 10166.000888/200131, Conselheiro ROGÉRIO GUSTAVO DREYER, Data do Julgamento: 2.4.01.2006 Por fim, trago a baila ainda a discussão referente à base de cálculo do ISS, mais especificamente no tocante a incidência deste imposto sobre os serviços de locação de mão de obra. Contudo, aqui cabe a ponderação de que apesar de se tratarem de tributos diversos e com sistemática de incidência também distinta, por outro lado observase que os Municípios também tiveram a intenção de ampliar indevidamente a base de cálculo do ISS, pois interpretavam que esta era composta por todos os valores que ingressavam na contabilidade das prestadoras de serviços. Todavia, o STJ firmou jurisprudência no sentido de que nem todo o ingresso constitui receita, ou seja, o tribunal partir da premissa de que o ISS deve incidir somente sobre as receitas que efetivamente representem acréscimo de riqueza para o contribuinte. Vale aqui mencionar, a título de exemplo, o Agravo Regimental no Recurso Especial n.º 1107097 / SP, julgado em 18/05/2010: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISSQN. AGENCIAMENTO DE MÃODEOBRA TEMPORÁRIA. ATIVIDADEFIM DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. BASE DE CÁLCULO. PREÇO DO SERVIÇO. VALOR REFERENTE AOS SALÁRIOS E AOS ENCARGOS SOCIAIS. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1.138.205/PR, DJ DE 01/02/2010. JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A base de cálculo do ISS é o preço do serviço, consoante disposto no artigo 9°, caput, do DecretoLei 406/68. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 2. As empresas de mãodeobra temporária podem encartarse em duas situações, em razão da natureza dos serviços prestados: (i) como intermediária entre o contratante da mãodeobra e o terceiro que é colocado no mercado de trabalho; (ii) como prestadora do próprio serviço, utilizando de empregados a ela vinculados mediante contrato de trabalho. 3. A intermediação implica o preço do serviço que é a comissão, base de cálculo do fato gerador consistente nessas "intermediações". 4. O ISS incide, nessa hipótese, apenas sobre a taxa de agenciamento, que é o preço do serviço pago ao agenciador, sua comissão e sua receita, excluídas as importâncias voltadas para o pagamento dos salários e encargos sociais dos trabalhadores. Distinção de valores pertencentes a terceiros (os empregados) e despesas com a prestação. Distinção necessária entre receita e entrada para fins financeirotributários (...). (GRIFO) Com efeito, extraise do julgado acima que em regra geral devese admitir a incidência de impostos e contribuições apenas sobre valores que representam necessariamente riqueza nova do sujeito passivo, sob pena da exação violar o princípio da capacidade contributiva e se tornar confiscatória, razão pela qual correta é a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Ante o exposto, dou provimento ao recurso. É como voto. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani relator Voto Vencedor A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo do PIS e da Cofins. Antes de tudo, consigno que são respeitáveis os fundamentos que sustentam a tese abraçada pelo voto vencido, de impossibilidade da dita inclusão, cujo pano de fundo encerra o que se atribui ser um desvalor que se entende não dever existir no nosso sistema tributário, vale dizer, a cobrança de tributo sobre tributo, na espécie a cobrança das aludidas contribuições sobre o ICMS enquanto receita de terceiro. Considero, no entanto que não se pode perder de vista – como referência para o presente julgamento , que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no estreito espaço do controle de legalidade das decisões administrativas. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900870/201216 Acórdão n.º 3803004.939 S3TE03 Fl. 79 7 O nobre Relator inicia o seu voto erigindo um paradigma com o fim de alavancar a tese abraçada , consubstanciado no julgamento do RE n.º 559.937, que tratou da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PasepImportação e da CofinsImportação. Embora tendo ele reconhecido que aquele julgado não se aplica ao presente julgamento qualificao como precedente importante da Suprema Corte, quando equipara a ampliação, ali, do conceito de valor aduaneiro ao que entende ocorrer aqui: a ampliação do conceito de faturamento. Oponhome ao paradigma. Nada obstante tratarem, semelhantemente, da inclusão do ICMS na base de cálculo das citadas contribuições (PIS/Cofins Cumulativos; PIS/CofinsImportação), a decisão no RE n.º 559.937 não vejo que seja indicativa do prognóstico proferido pelo Relator: de resultado do julgamento desta matéria na mesma direção que tomou aquela. Isso, porque a decisão no RE n.º 559.937 não tratou de alargamento do conceito de valor aduaneiro articulado pela Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação determinando a continência nelas do ICMS. Segundo a decisão do STF “o que fez [a dita lei] foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal”. A expressão valor aduaneiro, conforme acentuado por aquela Corte, é utilizada na Constituição em sentido técnico e “remete àquele já praticado no discurso jurídico positivo preexistente à sua edição”, e circunscreve integralmente a base de cálculo a ser observada pelo legislador ordinário na instituição das ditas contribuições, no que foi extrapolada com a adição ao valor aduaneiro do ICMS. Servirse a Constituição de grandeza específica então já definida legalmente no apontamento dessa expressão (valor aduaneiro) como uma das bases de cálculo do PIS/CofinsImportação[1], não é o que se dá no presente debate, em que a base de cálculo eleita pelo art. 195, I, b, da CF/88, o faturamento, não tinha definição por lei tributária préexistente. Naquele caso, a definição legal fora recepcionada pela Carta Magna, passando a se ter uma definição constitucional de valor aduaneiro. No presente caso, pela razão acima, à míngua de detalhamento constitucional do que viesse a ser faturamento esse mister haveria de estar a cargo de norma infraconstitucional, o que se deu por meio da LC 70/91, da Lei nº 9.715/98 e da Lei nº 9.718/98. O Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[2]. A sua propositura é do Presidente da República e o seu objeto é legitimar a inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de 1 § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: [...] a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; 2 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[3]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF. A instituição da Cofins pela LC 70/91[4] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando quanto a tributos que nele não se integra o IPI, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[5], também o fez estabelecendo quanto a tributos que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[6] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços. Ao definirem faturamento a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que excluemse da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão do faturamento, não há como não se considerar que ficou definido a contrario sensu e de forma implícita – que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/687 reiterado pela LC Nº 87/96[8][9].endossam esta conclusão. 3 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 4 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 5 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 6 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 7 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 8 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900870/201216 Acórdão n.º 3803004.939 S3TE03 Fl. 80 9 Exemplificando: · ICMS por dentro · Mercadorias em estoque = R$ 830,00 · Alíquota do ICMS = 17% · Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento=830,00/83 % (100% 83%) = R$ 1.000,00 · Valor do ICMS = 170,00 · ICMS por fora · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; · O preço de venda será o valor da mercadoria em estoque, cujo montante resultará no faturamento. Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 9 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade sem redução de texto do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG, abraçada pelo i. Relator. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado10, ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento11. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido: verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou serviço e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: 10 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 11 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10945.900870/201216 Acórdão n.º 3803004.939 S3TE03 Fl. 81 11 a): a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal terá como sujeito passivo o vendedor. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 26 de novembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assin ado digitalmente em 05/02/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10240.000751/2010-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/06/2010
EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE, NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS.
As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS.
AUTO DE INFRAÇÃO CFL 59. ART. 31, I, a DA LEI Nº 8.212/91. PROCEDÊNCIA.
O município é obrigado a arrecadar as contribuições previdenciárias dos exercentes de mandato eletivo municipal - vereadores, descontando-as das respectivas remunerações, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, g do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 59. ART. 31, I, ‘a’ DA LEI Nº 8.212/91. PROCEDÊNCIA. O município é obrigado a arrecadar as contribuições previdenciárias dos exercentes de mandato eletivo municipal vereadores, descontandoas das respectivas remunerações, e a recolher, no prazo legal, o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo, sob pena de multa prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 07 51 /2 01 0- 37 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000751/201037 Acórdão n.º 2302002.960 S2C3T2 Fl. 63 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2007 Data da lavratura do AIOA: 17/06/2010. Data de ciência do AIOA: 01/07/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Campo Grande/MS que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.265.5416, lavrado em razão do descumprimento objetivo de obrigação acessória prevista no art. 30, I, ‘a’ da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 216, I, ’a’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, em virtude de o Ente Público Municipal Autuado ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias dos exercentes de mandato eletivo municipal – vereadores, qualificados como segurados empregados nos termos do art. 12, I, ‘j’ da Lei nº 8.212/91, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fl. 05/11. CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço. De acordo com a resenha fiscal, constatouse que a Câmara Municipal de Alto Paraíso não possuía Regime Próprio de Previdência Social, sendo seus servidores e agentes políticos (Vereadores) filiados ao Regime Geral de Previdência Social (Artigo 198 da Lei Complementar 07, de 01/11/96). Apurou a Fiscalização que o Órgão Público em foco deixou de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias dos exercentes de mandato eletivo municipal – vereadores, identificados no anexo I, a fls. 09/11, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição, relativas ao período de 01/2006 a 03/2007, deixando também de efetuar o devido recolhimento das contribuições previdenciárias acima referidas. A multa foi aplicada em conformidade com a cominação prevista no art. 283, I, ‘g’ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06/05/1999, no valor básico de R$ 1.410,79 (um mil, quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos), atualizado conforme art. 8º, V da Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30 de dezembro de 2009, de acordo com o reportado no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fl. 08. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 17/20. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0427.651 – 4ª Turma da DRJ/CGE, a fls. 45/49, julgando procedente o lançamento levado a efeito pela autoridade fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 02/04/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 53. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 55/58, concentrando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a inserção dos agentes políticos no rol dos segurados obrigatórios do RGPS foi realizada mediante a Lei nº 10.887/2004, que é uma lei ordinária federal, enquanto que a Constituição Federal de 1988 prevê que a instituição de novos impostos só se dará mediante Lei Complementar, e não por Lei Federal como de fato ocorreu com a Lei 10.887/2004. Alfim, requer a reforma da Decisão de Primeira Instância Administrativa. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000751/201037 Acórdão n.º 2302002.960 S2C3T2 Fl. 64 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. . 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 02/04/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 02/05/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Igualmente não constarão na pauta de debate desta 2ª Turma Ordinária as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS EXERCENTES DE MANDATO ELETIVO MUNICIPAL VEREADORES O Recorrente alega que a “inserção dos agentes políticos no rol dos segurados obrigatórios do RGPS foi realizada mediante a Lei nº 10.887/2004, que é uma lei ordinária federal, enquanto que a Constituição Federal de 1988 prevê que a instituição de novos impostos só se dará mediante Lei Complementar e não por Lei Federal como de fato ocorreu com a Lei 10.887/2004”. (sic) Sem razão. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Ao realizarmos a retrospectiva histórica da legislação que instituiu a contribuição previdenciária sobre os subsídios dos vereadores, nos deparamos que, ab initio, com o §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, acrescentou ao inciso I do artigo 12 da Lei nº 8212/91 a alínea “h”, a qual qualificava como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. Ocorre que a mencionada lei nº 9.506/97 trouxe de berço, desde sua origem, um vício de inconstitucionalidade formal. Com efeito, quando da edição da citada Lei Ordinária nº 9.506/97, o art. 195 da Constituição Federal dispunha que: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores;" Com fundamento na tese de que o inciso II do suso transcrito art. 195 da CF/88 não comportava os agentes políticos, forte no argumento de que eles não poderiam ser qualificados como "trabalhadores", e em razão de não se tratar de instituição de contribuição sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros", o disposto no artigo 13, §1º da Lei nº 9.506/97 foi declarado inconstitucional, em 08/10/03, conforme Decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 351.717/PR, publicada no DJ de 21/11/2003, eis que, segundo o Excelso Pretório, a criação de uma nova figura de segurado obrigatório da Previdência Social somente poderia ter ocorrido por meio de lei complementar, nunca por Lei Ordinária. Em virtude de tal decisão ter sido proferida no trâmite do Controle Difuso de Constitucionalidade, tal veredictum beneficiou, à época, tão somente, o impetrante da ação judicial em relevo. Nessa perspectiva, em decorrência própria da aludida decisão da Suprema Corte, o Senado Federal suspendeu, com fundamento no art. 52, X da CF/88, a execução da norma inscrita na referida alínea "h" do Inciso I do Artigo 12 da Lei nº 8212/91, conforme Resolução nº 26, de 21 de junho de 2005, in verbis: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...) X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; RESOLUÇÃO Nº 26, DE 2005 Suspende a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada Fl. 67DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000751/201037 Acórdão n.º 2302002.960 S2C3T2 Fl. 65 7 pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. O entrave constitucional acima abordado veio a ser desbloqueado com a publicação da Emenda Constitucional nº 20/98, a qual conferiu nova redação ao Inciso II do artigo 195 da Constituição Federal de 1988, que passou a ter a seguinte redação: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, A Emenda Constitucional nº 20/98 incluiu, ainda, o §13 no art. 40 da CF/88: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 40. O servidor será aposentado: (...) §13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. Nesse contexto, com as alterações constitucionais introduzidas pela Emenda Constitucional nº 20/98, ficou afastada a reserva da lei complementar para a instituição de nova categoria de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, possibilitando que Fl. 68DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 nova lei ordinária, tão só, formalizasse legalmente a sua criação. E foi exatamente o que se sucedeu em 18 de junho de 2004 com a promulgação da Lei nº 10.887/2004, que acrescentou ao tão comentado inciso I do artigo 12 da Lei 8212/91 a alínea ‘j’, com a mesma redação da extirpada alínea ‘h’ já vista anteriormente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; Dessarte, efetivadas as comentadas modificações legislativas, os exercentes de mandato eletivo federais, estaduais, distritais e municipais, quando não vinculados a regime próprio de previdência social, passaram a ter filiação compulsória ao Regime Geral de Previdência Social, sujeitandose tais agentes políticos bem como os respectivos órgãos públicos, às obrigações tributárias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Desta forma, a partir de 21 de junho de 2004, data da publicação da Lei nº 10.887/2004, com eficácia a partir de 19 de setembro de 2004, por força da anterioridade específica prevista no art. 195, §6º da CF/88, tornouse indiscutível e obrigatória a contribuição previdenciária dos Entes Públicos Federativos incidentes sobre a remuneração paga a seus exercentes de mandato eletivo, nos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91, bem como a contribuição previdenciária a cargo destes, incidentes sobre os seus respectivos subsídios, observado o limite máximo do Salário de Contribuição, conforme art. 20 do mesmo diploma Legal, desde que tais agentes políticos não estejam vinculados a regime próprio de previdência social, como assim se configura o caso dos autos. No entanto, é de salientar que, se a vinculação a regime próprio de previdência for concomitante com outras atividades remuneradas, situação bem comum no caso de vereadores, o agente político será segurado obrigatório em relação a cada atividade desenvolvida, mesmo se a vinculação se der a regimes previdenciários diferentes, podendo ser, como exemplo, contribuinte de regime próprio de previdência social na qualidade de servidor público titular de cargo efetivo e contribuinte do regime geral de previdência social, na qualidade de vereador. Nesse sentido assim ilumina o art. 6º, XIX da IN SRP nº 3/2005, na redação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 6° Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XIX o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, salvo o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, afastado para o exercício do mandato eletivo, filiado a RPPS no cargo de origem, observada a legislação de regência e os respectivos períodos de vigência; (grifos nossos) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000751/201037 Acórdão n.º 2302002.960 S2C3T2 Fl. 66 9 (...) §2º Na hipótese do inciso XIX do caput, o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. Outra não é a norma tributária inscrita no art. da IN RFB nº 971/2009 Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 6º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XIX o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, salvo o titular de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, afastado para o exercício do mandato eletivo, filiado a RPPS no cargo de origem, observada a legislação de regência e os respectivos períodos de vigência; (...) §2º Na hipótese do inciso XIX do caput, o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. Chamamos a atenção para a clareza do dispositivo infralegal ao determinar que, nas hipóteses de o exercente de mandato eletivo municipal ser filiado, concomitantemente, a Regime Próprio de Previdência Social, para não contribuir ao Regime Geral de Previdência Social pelos valores auferidos pelo exercício do cargo na Câmara Municipal, como vereador, deve estar oficialmente afastado da sua atividade como servidor titular de cargo efetivo, exercendo apenas a vereança. Assim, sendo mantendo as duas atividades simultaneamente e auferindo remuneração em ambas, o vereador servido contribuirá ao RPPS pelo salário na atividade de servidor público efetivo e para o RGPS, pelos subsídios recebidos como vereador. A propósito, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 10887/2004 ao art. 12, I da lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de que a exação incidente sobre a remuneração de vereadores estaria maculada por vício de inconstitucionalidade, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Nessa prumada, sendo os exercentes de mandato eletivo municipal não amparados por Regime Próprio de Previdência Social vinculados compulsoriamente ao RGPS, na qualidade de segurados empregados, e restando os subsídios auferidos por essa categoria específica de segurados abraçados pelo conceito legal de Salário de Contribuição, deveria o Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000751/201037 Acórdão n.º 2302002.960 S2C3T2 Fl. 67 11 município recorrente, por força do preceito inscrito no art. 30, I, ‘a’ e ‘b’ da Lei nº 8.212/91, ter arrecadado as contribuições previdenciárias a cargo desses segurados, mediante desconto das respectivas remunerações mensais, e ter recolhido as importâncias assim arrecadadas aos cofres da Seguridade Social, no prazo e na forma previstos na legislação tributária. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Mas não foi o que ocorreu na realidade dos fatos. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representa ofensa ao dispositivo legal encartado nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do inciso I do art. 30 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 216, I, ‘a’ e ‘b’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. Almejando brindar a máxima efetividade à obrigação acessória ora ilustrada, o art. 92 do Pergaminho Legal em foco aviou norma sancionatória, prevendo a punição do obrigado, pela infração de qualquer dispositivo da Lei de Custeio da Seguridade Social para a qual não haja penalidade expressamente cominada, com multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme a gravidade da infração, conforme dispuser o regulamento. Ancorado no dispositivo legal acima revisitado, a alínea ‘g’ do inciso I do art. 283 do Regulamento da Previdência Social especificou a inflição de penalidade pecuniária a ser aplicada à empresa que deixar de observar a obrigação instrumental em debate, in verbis: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862/2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço; (Redação dada pelo Decreto nº 4.862/2003) Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. É de sabença universal que inexiste neste Globo economia forte o suficiente capaz de manter sua Moeda Corrente a salvo da corrosão imposta pela inflação. Ante a iminência de tal fenômeno econômico, pautou por bem o Legislador Ordinário prover o texto legal com um mecanismo arquitetado ad hoc, visando a minimizar os efeitos devastadores de tal ocorrência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). §1º O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Revelase auspicioso salientar que o CTN não inclui em sua reserva legal a atualização do valor monetário das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, as quais não se qualificam, por expressa disposição legal, como majoração de tributos. Nessa perspectiva, autoriza o Codex Tributário que a atualização monetária possa ser levada a efeito por qualquer outro instrumento normativo aquilatado no conceito de legislação tributária estatuído no art. 100 do Pergaminho Tributário em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000751/201037 Acórdão n.º 2302002.960 S2C3T2 Fl. 68 13 V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. §2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Na hipótese ora tratada, os índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social são estabelecidos, anualmente, pelo Ministério da Previdência Social, mediante Portaria expedida pelo Sr. Ministro de Estado, no exercício das atribuições que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal. Constituição Federal de 1988 Art. 87. Os Ministros de Estado serão escolhidos dentre brasileiros maiores de vinte e um anos e no exercício dos direitos políticos. Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: (...) II expedir instruções para a execução das leis, decretos e regulamentos; Nesse contexto, em 31 de dezembro de 2009, foi publicada no Diário Oficial da União a Portaria Interministerial MPS/MF nº 350/2009, que fixou em R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos) o valor da multa indicada no inciso I do art. 283 do Regulamento da Previdência Social, que é o valor mínimo sobre o qual incide o multiplicador previsto no art. 284 do Regulamento da Previdência Social, para a determinação da pena pecuniária pela entrega de GFIP com omissões e/ou incorreções. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 PORTARIA MPS/MF nº 350, de 30 de dezembro de 2009 Art. 8º A partir de 1º de janeiro de 2010: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.410,79 (um mil quatrocentos e dez reais e setenta e nove centavos) a R$ 141.077,93 (cento e quarenta e um mil setenta e sete reais e noventa e três centavos); Assim retratado o caso concreto, por se subsumirem os exercentes de mandato eletivo municipal, não amparados por Regime Próprio de Previdência Social, no conceito de segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado empregados, nos termos do art. 12, I, ‘j’ da Lei nº 8.212/91, as contribuições previdenciárias a seu encargo deveriam ter sido arrecadadas pelo município a isso obrigado, mediante desconto das respectivas remunerações e recolhidas aos cofres previdenciários no prazo legal, como assim determinam as alíneas ‘a’ e ‘b’ do inciso I do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Cumpre salientar, por relevante, que a obrigação principal associada ao vertente Auto de Infração houvese por formalizada nos Processos Administrativos Fiscais nº 10240.000748/201013 (contribuição patronal e SAT) e 10240.000749/201068 (segurados), os quais foram julgados procedentes por esta mesma 2ª Turma Ordinária da 3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, em sessão realizada em 23 de janeiro de 2014. Diante desse quadro, havendo sido reconhecido, por esta mesma Turma Julgadora, por unanimidade, a procedência do lançamento das obrigações tributárias principais referentes aos fatos geradores tratados neste auto de infração, não há mais como se esquivar do reconhecimento da procedência do lançamento que ora se debate, eis que deveriam ter sido descontados dos Vereadores do Município de Alto Paraíso, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias a seus encargos, incidentes sobre os seus respectivos Salários de Contribuição. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 75DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10240.000751/201037 Acórdão n.º 2302002.960 S2C3T2 Fl. 69 15 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 31/01/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10680.012731/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 22/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 22/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta De Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 27 31 /2 00 8- 13 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012731/200813 Acórdão n.º 2102002.455 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 45 49: Tratase de Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte acima identificado, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, ano calendário 2004, formalizando a exigência de a exigência do crédito tributário assim discriminado (valores em reais): IMPOSTO SUPLEMENTAR 2904 2.695,00 MULTA DE OFÍCIO 2.021,25 JUROS DE MORA (até 07/2007) TOTAL 745,97 5.462,22 O lançamento reportase aos dados informados na declaração de ajuste anual do interessado, fls. 38 a 40, entre os quais foi efetuada glosa do valor de R$9.800,00 indevidamente deduzido a título de despesas médicas. A autoridade lançadora esclarece que o contribuinte foi intimado a comprovar os pagamentos realizados e pleiteados como dedução na DIRPF/06, sendo que foram eleitos como prova do pagamento às profissionais Vânia Maria Galvão (psicóloga) e Luciana Breder Barros (odontóloga) a apresentação de cópias de cheques nominais ou, em caso de pagamento em espécie, extrato bancário onde se verifique retiradas com compatibilidade de datas e valores em relação aos recibos emitidos. Em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou: 07 originais de recibos da profissional Vânia Maria Galvão, por serviços prestados a paciente não identificado, listados à fl. 32; 06 originais de recibos da profissional Luciana Breder Barros, sem indicação do beneficiário dos serviços prestados, listados à fl. 32; extrato de pagamentos ao plano de saúde UNIMED, que atesta o dispêndio de R$7.235,16 e extratos bancários emitidos pelo Banco Itaú S/A, agencia 3372, conta 014690, referentes ao meses de janeiro a dezembro de 2005. Informa que a análise dos documentos, mostra a não correspondência entre datas e valores constantes nos recibos e as movimentações financeiras registradas nos extratos. Assim, deixou de acatar os seguintes pagamentos pleiteados como dedução a título de despesas médica: Luciana Breder Barros, valor de R$5.200,00 e Vânia Maria Galvão, no valor de R$4.600,00. Cientificado do lançamento, o interessado apresenta a impugnação de fls. 01/09 em 30/09/2008, instruída com as cópias de documentos de fls. 10/27, onde alega, em síntese que: considera equivocada a glosa efetuada do valor de R$9.800,00 sendo que pretende o Fisco o estorno de dedução considerada indevida de despesas médicas/odontológicas, lançadas em sua DIRPF/06, sob a alegação da falta da correspondência entre datas e valores constantes nos recibos e as movimentações financeiras registradas nos extratos; entretanto, considera que os extratos bancários apresentados comprovam que no mesmo dia, ou nos dias que seguem, ao recebimento de suas fontes pagadoras sempre efetuou o saque de quase a totalidade do valor recebido. Isto em função de ter como hábito a não utilização do sistema financeiro devido ao custo de tarifas; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012731/200813 Acórdão n.º 2102002.455 S2C1T2 Fl. 12 3 evidenciase que todas as contas apresentadas foram pagas em dinheiro e que, pela manutenção constante de moeda corrente, não há relação dos saques com as datas dos recibos dos profissionais de saúde declarados; aduz que os extratos também demonstram que não faz uso de cheques; segundo informação obtida junto às duas profissionais que emitiram os recibos, consta o nome do beneficiário do serviço de saúde apenas quando o mesmo é diferente da pessoa responsável pelo pagamento e confirma que em ambos os casos os serviços foram diretamente prestados a ele, o que pode ser comprovado com os prontuários de atendimento; sustenta que não pode haver a presunção de que isto não seja verídico, uma vez que, ao se fazer a declaração de renda, assume a responsabilidade pela veracidade das informações prestadas; aduz que as despesas médicas que foram glosadas são comprovadas pelos recibos apresentados e as profissionais colocamse à disposição para confirmar a prestação dos serviços. Acrescenta que a fiscalização deverá efetuar diligência perante as contribuintes para averiguar se os valores estão devidamente declarados; ressalta que os saques recorrentes de quase a totalidade dos saldos em conta demonstram o pagamento das despesas e que o fisco não produziu provas contra o contribuinte, apenas apresentou suposições. Não pode o fiscal acomodarse atrás dos sistemas e não investigar os fatos, argumentando ainda que ou deve ficar comprovado que o documento é inidôneo ou deve o fisco aceitálo como legítimo; em seguida, cita destaques jurídicos para embasar seus argumentos e discorre sobre o ônus da prova, juntando alguns acórdãos do Conselho de Recursos Fiscais; Requer, ao final, o acolhimento da impugnação para reconhecer e declarar nula de pleno direito a Notificação de Lançamento. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo a glosa das despesas médico odontológicas, considerando que os extratos bancários e recibos apresentados não foram suficientes para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 61 a 68, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, fundamentando no fato que os extratos bancários, recibos e declarações dos prestadores de serviço demonstram de forma Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012731/200813 Acórdão n.º 2102002.455 S2C1T2 Fl. 13 4 inconteste o seu direito de abater da base de cálculo do imposto de renda as despesas médico odontológicas glosadas. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO Do dispositivo do acórdão recorrido, restou em litígio apenas as seguintes glosas de despesas médicoodontológicas: Luciana Breder Barros (odontóloga) R$5.200,00 – Recibos de fls.10 a 12. Vânia Maria Galvão (psicóloga) R$4.600,00 Recibos de fl. 13 a 16. GLOSA DAS DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012731/200813 Acórdão n.º 2102002.455 S2C1T2 Fl. 14 5 § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar a efetividade dos serviços prestados pelos profissionais, para que fique caracterizada que a despesa é passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado. Nesse sentido para comprovar a efetividade das despesas juntou os extratos bancários de fls. 17 a 22 e as declarações das profissionais prestadoras e emitentes dos recibos, Luciana Breder Barros, fl. 72 e Vânia Maria Galvão, fl. 71. Analisando os valores envolvidos das despesas e respectiva compatibilidade dos saque na contacorrente do interessado, as declarações das profissionais, as condições particulares do contribuinte e os valores oferecidos a tributação pelo contribuinte vejo que o conjunto comprobatório traz substância e provam as despesas requeridas no Recurso Voluntário. Destarte, concluo pelo restabelecimento das respectivas despesas. CONCLUSÃO Pelo exposto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO, para restabelecer o valor de R$9.800,00 de despesas médicas, referentes aos prestadores Luciana Breder Barros (odontóloga) no valor de R$5.200,00 e Vânia Maria Galvão (psicóloga) no valor de R$4.600,00. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10680.012731/200813 Acórdão n.º 2102002.455 S2C1T2 Fl. 15 6 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 22/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 18108.001335/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002
FATO GERADOR. LANÇAMENTO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. VÍCIO. MATERIAL.
Como determina o Código Tributário Nacional (CTN), fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.
Portanto, cabe os Fisco, em respeito ao devido processo legal, provar, demonstrar a situação em que o fato gerador ocorreu, para que ocorra a certeza da exigência.
No presente caso, não há a descrição da situação definida em lei como fato gerador, motivo da nulidade do lançamento por vício material, já que o vício está relacionado ao conteúdo do lançamento.
Numero da decisão: 2301-003.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento, pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Presidente - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2002 FATO GERADOR. LANÇAMENTO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. VÍCIO. MATERIAL. Como determina o Código Tributário Nacional (CTN), fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Portanto, cabe os Fisco, em respeito ao devido processo legal, provar, demonstrar a situação em que o fato gerador ocorreu, para que ocorra a certeza da exigência. No presente caso, não há a descrição da situação definida em lei como fato gerador, motivo da nulidade do lançamento por vício material, já que o vício está relacionado ao conteúdo do lançamento.
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LANÇAMENTO. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. VÍCIO. MATERIAL. Como determina o Código Tributário Nacional (CTN), fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Portanto, cabe os Fisco, em respeito ao devido processo legal, provar, demonstrar a situação em que o fato gerador ocorreu, para que ocorra a certeza da exigência. No presente caso, não há a descrição da situação definida em lei como fato gerador, motivo da nulidade do lançamento por vício material, já que o vício está relacionado ao conteúdo do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento, pela existência de vício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento ao recurso; b) em conceituar o vício como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que conceituou o vício como formal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 13 35 /2 00 7- 97 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18108.001335/200797 Acórdão n.º 2301003.634 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão de primeira instância administrativa, fls. 054 a 072, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001, nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. EMPRESA. SAT. FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. TERCEIROS. SESI. SENAI. SEBRAE. INCRA. SALÁRIO EDUCAÇÃO. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados até o dia dois do mês seguinte ao da competência. (Art. 30, I, "b" da Lei n° 8.212/91). É legítima a contribuição da empresa, incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês aos segurados empregados, para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. (Artigo 22, inciso II e alíneas, da Lei n° 8.212/91). São legítimas as contribuições destinadas a Entidades e Fundos Terceiros, inteligência do artigo 94 da Lei n° 8.212/91. Sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS que estejam em atraso incidem juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC e multa de mora, ambos de caráter irrelevável (artigo 34 da Lei n° 8.212/91). A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Para esclarecimento, segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 017 a 019, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição da empresa e as contribuições devidas aos Terceiros. Segundo o Fisco, fls. 017: “Foi constituída NFLD (35.744.6933) em 12/08/2004 decorrente da ação fiscal N 09157315. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 A empresa contestou administrativamente alegando, entre outros , que as Guias da Previdência Social (GPS) de 09/2001 , pagas por ela e não apresentadas ao longo da ação f i s c a l , foram erroneamente computadas nos sistemas do INSS , os quais serviram de base para a constituição da NFLD acima citada .Além disso , em 12/2002, por erro imputável ao contribuinte, as GPS referentes ao décimo terceiro salário foram recolhidas como sendo da competência 12/2002 fazendo com que houvesse sobra de recolhimento nesta competência e ausência de recolhimento na " competência" 13/2002. Diante disto , atendendo ao Serviço de Defesas e Recursos , iniciouse esta ação fiscal que originou NFLD "COMPLEMENTAR"(35.745.4685). ... Em relação a competência 09/2001 , por erro de digitação bancaria, o valor devido à outras entidades(campo 9),não foi computado no respectivo campo, mas sim somado ao valor devido à Previdência Social , ou seja , o valor do debito originário(debcad 35.744.6933) do contribuinte não será alterado.mas sim sua composição ,de acordo com as tabelas abaixo : ... Em relação à competência 12/2002 , autorizado pelo contribuinte, retificaramse as GPS erradas , passandoas da competência 12/2002 para a 13/2002 .Isto implicou na necessidade de constituição de credito previdenciário na competência 12/2002 e na redução do valor originalmente lançado (debcad 35.744.6933) referente a competência 13/2002 conforme tabelas abaixo: Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que configuram o lançamento. Em 17/01/2005 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 023. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 025 a 039, acompanhada de anexos, alegando, em síntese, que: 1. A impugnante sofreu em 13/08/04 fiscalização para verificação dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária, parcela do empregador, SAT, INCRA, SESI, SENAI, SEBRAE e Salário Educação, relativamente ao período de junho/00 a maio/04, sendo lavrada a NFLD n° 35.744.6933; 2. Apresentou impugnação tempestiva objetivando o cancelamento da referida NFLD; 3. Em atendimento à solicitação da fiscalização, procedeu à correção de algumas GPS relativas ao 13° salário para que nas mesmas constasse no campo "competência" a competência 13/2002 e não mais 12/2002; Fl. 261DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18108.001335/200797 Acórdão n.º 2301003.634 S2C3T1 Fl. 4 5 4. Após isto, foi lavrada a presente NFLD, para regularização dos valores lançados na NFLD n° 35.744.6933, relativamente às competências 09/2001 e 12/2002, com o desmembramento dos valores referentes às competências 12 e 13; 5. Entende, que, todavia, as irregularidades quanto aos valores apurados como recolhidos a menor permanecem as mesmas, restando, da mesma forma, insubsistente a presente exigência, conforme restará amplamente comprovado a seguir. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 085 a 0100, acompanhado de anexos, reafirmando os argumentos da sua defesa. Antes do envio do recurso ao Conselho, para análise e decisão, a Delegacia comandou várias diligências, fls. 0116, 0128, que resultaram em várias respostas do Fisco, fls. 0127, 0131, 0151. A Delegacia não determinou a ciência da interessada sobre as diligências procedidas e não concedeu prazo para apresentação de argumentos pela recorrente. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0154. A Segunda Turma, da Segunda Seção, do CARF, analisou os autos e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que fosse dada ciência ao sujeito passivo sobre a diligência e seus resultados. A Delegacia – a fim de respeitar os Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório encaminhou os pronunciamentos fiscais à recorrente e reabriu seu prazo para defesa. A recorrente apresentou argumentações, acompanhada de anexos. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão; É o Relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso. Quanto às preliminares, há questão a ser analisada. Não há no lançamento, em lugar algum, requisitos básicos para o mínimo de clareza, certeza e liquidez, conforme determina o Código Tributário Nacional (CTN). CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Na análise dos autos, não conseguimos identificar a ocorrência do fato gerador, nem determinar a matéria tributável. Ou seja, não há como compreender como ocorreu o fato gerador e qual o motivo da exigência da obrigação tributária principal. Ressaltese a definição de fato gerador, expressa no CTN: CTN: “Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.” Na leitura integral e reiterada do RF não conseguimos compreender qual foi a “situação definida em lei como necessária e suficiente para que ocorresse o fato gerador”. Em nosso entender, buscar, nesse momento, alegações para fundamentar este lançamento seria contrariar a determinação do Art. 142 do CTN, acima, além de desrespeitar o devido processo legal, em que o acusado tem direito a ter completa, clara e precisa informação sobre o que está sendo acusado. Portanto, o presente lançamento está maculado por vício em sua constituição, vício este de natureza material. É material o vício em questão, pois nos atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras Fl. 263DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18108.001335/200797 Acórdão n.º 2301003.634 S2C3T1 Fl. 5 7 especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro.1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição, da exteriorização, do crédito tributário. Já a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra matriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento e corresponde ao conteúdo do ato administrativo, seu objeto. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2000 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §50, da Lei n° 8.212/91. DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O lançamento deve evidenciar a ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, sob pena de nulidade por vício material. (Acórdão 2302002.258, de 22/11/2012, Relatora: Liége Lacroix Thomasi) Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha Fl. 265DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 18108.001335/200797 Acórdão n.º 2301003.634 S2C3T1 Fl. 6 9 formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, como determina o II, Art. 173 do CTN, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Por todo o exposto, entendo como material o vício presente na correta descrição do fato gerador. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em ANULAR O LANÇAMENTO, pela ocorrência de vício material, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 266DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10467.720920/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008, 2009
LUCRO PRESUMIDO. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA.
Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido e dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta. Inaplicáveis à espécie as disposições da IN SRF nº 107/1988, por tratar aquele normativo tão somente do lucro real.
Numero da decisão: 1302-001.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Rodrigo Frizzo - Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA. Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido e dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta. Inaplicáveis à espécie as disposições da IN SRF nº 107/1988, por tratar aquele normativo tão somente do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Waldir Veiga Rocha. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Cristiane Silva Costa e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 09 20 /2 01 1- 85 Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.956 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração em razão da suposta omissão de receitas por parte da recorrente, fato que motivou a constituição de IRPJ (R$ 350.364,97), CSLL (R$ 204.432,16), PIS (R$ 125.874,40) e COFINS (R$ 580.915,41) (fls. 02/96), valores estes considerando o principal, multa e juros. Em resumo, na origem do presente processo administrativo, o AFRFB convenceuse pela ocorrência das seguintes infrações, consoante narra o Relatório de Ação Fiscal – MPF n°. 04.301.002010010655 (fls. 1852/1880): (i) Relativamente ao anocalendário de 2007, 2008 e 2009, a DIPJ da recorrente informa que o lucro foi apurado pela forma presumida; (ii) A mesma informação consta na DCTF. Outrossim, na DCTF do 2º semestre de 2008, apenas constam débitos confessados de IRPJ e CSLL no 4º trimestre, e com exigibilidade suspensa em razão de ação judicial (informação que estaria incorreta); (iii) Em Dacon, consta que a Cofins e o PIS foram apurados pela sistemática cumulativa. Os valores apresentados são coerentes entre si, com divergências relevantes no 4º trimestre de 2008 e 1º trimestre de 2009, o que decorre da diferença de percentual aplicado sobre a receita bruta, na apuração do IRPJ e CSLL; (iv) Os valores recolhidos pela recorrente são correspondentes com os declarados, exceto em relação ao 4º trimestre de 2008 e 1º trimestre de 2009 (em decorrência de ação judicial); (v) Alega que a principal infração da recorrente se relaciona aos contratos de pertmuta de imóveis; que permuta representa uma troca de coisas, sem contraprestação em dinheiro; (vi) Que o conceito de permuta utilizado pelo direito privado não pode ser alterado para fins fiscais; que para a apuração do lucro real, há disciplina da permuta na IN SRF 107/88, mas não existe norma relativa à permuta para apurar o IRPJ no lucro presumido e arbitrado, bem como o PIS/Pasep, Cofins, o que impõe seja o instituto da permuta tratado nos mesmo termos em que é definido pelo Direito Privado; (vii) Assim, em relação a tais tributos, para o contrato de permuta no qual inexiste qualquer torna, por força do art. 533 do Código Civil, deverá ser dado o mesmo tratamento jurídico dispensado à compra e venda. Na hipótese de existir torna ou de permuta de imóvel por bem móvel, ocorrerá uma permuta ou compra e venda. Em qualquer caso, os efeitos jurídicos serão os mesmos: tratarseá como uma operação de compra e venda; Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.957 3 (viii) A recorrente optou pela apuração do lucro de forma presumida no período fisclaizado, sistema em que a base de cálculo é composta por um percentual do produto de venda. Assim, a permuta tem os mesmos efeitos da compra e venda, devendo ser considerado como parte da receita bruta; (ix) A recorrente deveria ter reconhecido suas receitas pelo regime de caixa em relação às receitas de venda de unidades imobiliárias (art. 30 da Lei n. 8.981/95). Quanto as demais receitas, poderia ter utilizado o regime de cometência. O mesmo se aplica ao PIS/Pasep e à Cofins; (x) A recorrente “não reconheceu como receita o valor dos bens móveis e imóveis recebidos como pagamento, parcial ou total, na alienação de imóveis de sua propriedade” (fl. 1862); (xi) A recrroente não contabilizou as receitas auferidas em aplicações financeiras, o que foi veerificado a partir do cotejo entre o que consta na contabilidade e as informações prestadas pelo Banco do Brasil por meiod e declaração de rendimentos pagos e impostos de renda retido na fonte – DIRF. Intimadas dessa situação, a recorrente se limitou “a reconhecer como procedentes as contatações” (fl. 1869); (xii) “A luz do relatado, devem ser acrescidas, às receitas registradas na contabilidade da pessoa jurídica, os valores de receitas omitidas na forma dos itens 9.1 e 9.2.” (fl. 1869); (xiii) Afirma que a recorrente ingressou com o MS n. 2009.82.00.0007196 buscando o reocnhecimento de créditos de IPI; que a liminar foi indeferida; que a sentença negou a segurança; que a apelação foi recebida apenas no efeito devolutivo; que o TRF5 negou provimento à apelação e aos emabrgos de declaração opostos na sequência; que os recurso excepcionais tiveram seguimento negado pelo TRF5. (xiv) Assim, embora nunca tenha sido concedido efeito suspensivo em decorrência do remédio constitucional em questão, a recorrente, na DCTF relativa ao segundo semestre de 2008, “não informou qualquer débito a título de Cofins e/ou de [...] PIS/Pasep, nem qualquer débito relativo ao IRPJ e à CSLL em referência ao 4º trimestre.” (fl. 1871); (xv) “A par disso, dos débitos de IRPJ e CSLL confessados em relação ao 3º trimestre, a pesosa jurídica apenas recolheu o valor de R$ 11,00, informando todo o restante do débito com exeigibilidade suspensa em decorrência do processo judicial n. 2009.82.00.0007196. Os débitos confessados e indevidamente suspénsos encontramse em cobrança, no âmbito do processo administrativo n. 14747.000172/201125.” (fl. 1871); (xvi) Em relação ao IRPJ, foi aplicado o percentual de presunção de 8% (atividade de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis). Entretanto, foi aplicado o percentual de presunção de 32% no contrato com a Jhonson & Jhonson do Brasil Ind. E Com. de Produtos para Saúde Ltda., pois neste caso metade do material foi entregue pela contratante e metade pela contratada (art. 1º, §7º, e art. 32, inc. II, INS SRF 480/04); Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.958 4 (xvii) Em relação à CSLL, foram aplicados os percentuais de presunção de 8% e 32%, de acordo com os parâmetros expostos para o IRPJ. Após, aplicouse a alíquota de 9% (art. 37m Lei 10.637/02); (xviii) Em relação ao PIS e à Cofins, a recorrente estava sujeita à incidência cumulativa, sendo aplicada alíquota de 0,65% (art. 8º, inc. Im Lei 9.715/98) e de 3%, respectivamente. Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência do auto de infração em 30/12/2011 (fl. 1882). Na sequência, apresentou impugnação em 31/01/2012 (fls. 1884/1905), a qual foi julgada totalmente improcedente, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fls. 1921/1926): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO PRESUMIDO. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA. Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido e dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel permutado. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Dada a íntima relação de causa e feito, o entendimento adotado para o lançamento matriz estenderseá ao lançamento reflexo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. APURAÇÃO INCORRETA DE IMPOSTO E/OU ADICIONAL. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão supratranscrita em 08/11/2012 (fl. 1932), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 06/12/2012 (fls. 1933/1953), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Para fins tributários e para o presente caso, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.959 5 dos contratantes, o pagamento de parcela complementar em dinheiro, comumente denominada "torna"; (ii) Por torna, entendese o excesso a devolver, ou excesso a repor. Assim, a rigor a técnica, "torna" não exprime simplesmente o excesso verificado, mas a própria reposição em dinheiro. É unicamente esta a parcela que representa a receita para fins de tributação a empresa que a recebe; (iii) Na permuta (troca) de imóveis sem pagamento de parcela complementar em dinheiro (torna) não há receita tributável pelo Imposto de Renda. Justamente porque a simples permuta de imóvel/móvel representa apenas troca de patrimônio, o que não é alcançado pelo IRPJ; (iv) A permuta de unidades imobiliárias não gera receita tributável e este fato é o mais elementar para afastar a figura da tributação das permutas, ainda se vier acompanhado da torna, apenas a esta cabe se falar na figura da receita ou entrada financeira para fins de incidência tributária, tal argumento é de uma lógica plenamente dedutível. Pois bem, a torna recebida não descaracteriza a figura da torna, assim como também não modifica seus efeitos tributários; (v) A total ausência de norma expressa que regulamente operação de permuta entre empresa optante pelo lucro presumido deixa dúvidas quanto à tributação; (vi) A IN SRF n. 107/1988 traz a disciplina tributária básica das operações de permuta de unidades imobiliárias, realizadas entre pessoas jurídicas ou entre pessoas jurídicas e pessoas físicas. Nela, são regradas a apuração de resultados e a determinação dos valores de baixa e de aquisição de bens; (vii) A questão atual quanto à aplicabilidade desse ato normativo às pessoas jurídicas tributadas pelo regime do lucro presumido decorre do fato de que, quando da publicação da IN 107/1988, as empresas imobiliárias obrigatoriamente estavam sujeitas ao regime do lucro real. Desta forma, inexiste norma expressa sobre o tratamento da operação de permuta relativamente às pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido; (viii) Sob este enfoque, em respeito ao princípio da estrita legalidade em matéria tributária e da tipicidade tributária, a base de cálculo presumida, em tese, está restrita às receitas decorrentes de venda. Notese, a lei tributária foi restritiva quanto à base de cálculo, razão pela qual o ato normativo infralegal não pode ampliála, sob pena de ilegalidade ou inconstitucionalidade; (ix) Nesse sentido, o Parecer PGFN n. 970 de 23/09/1991 e 454 de 06/05/1992, os quaiss apesar de não tratarem de permuta imobiliária, tratam de IR em permuta. A conclusão foi no sentido da não incidência do imposto de renda quando ocorre a mera troca de bens, pela simples inexistência do fato gerador, não se tratando, portanto, de um singelo benefício; (x) Fica provado que além de não ter lei expressa autorizado o entendimento do Fisco, este mecanismo mostra uma flagrante e ilegal bitributação que Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.960 6 deve, pela moralidade jurídica, ser afastada imediatamente por este eminente Conselho Fiscal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário interposto é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Do Objeto do Recurso Voluntário Consoante se percebe o relatório supra, importante consignar que a questão dos contratos de permuta realizados pela recorrente não é a única questão jurídica debatida no presente processo. No entanto, a recorrente apenas impugna a tributação destes contratos (permuta), deixando de se manifestar sobre as demais infrações. Dessa sorte, apenas será analisada a questão impugnada. 2. Dos Contratos de Permuta – Apuração do IRPJ pelo Lucro Presumido Conforme relatado, a autuação decorre de omissão de receita relativamente aos contratos de permuta de imóveis. Isto porque, sendo a recorrente optante pela lucro presumido, deveria ter oferecido à tributação os bens imóveis recebidos a título de permuta, bem como as denomidadas “tornas”, caso existissem. Sobre o tema, convém observar o teor do art. 533 do Código Civil/02, que trata de permuta: Da Troca ou Permuta Art. 533. Aplicamse à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: I salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; II é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. Conforme se vislumbra da análise do artigo acima, não se tem uma definição do instituto em comento (permuta), ou seja, o legislador foi omisso em relação ao conceito de tal instituto. Na seara tributária, contudo, há conceituação, consoante preceitua a Instrução Normativa SRF nº. 107/1988: Seção I Introdução Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.961 7 1. Disposições Gerais 1.1 – Para fins desta Instrução Normativa, considerase permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades, ainda que ocorra, por parte de um dos contratantes, o pagamento da parcela complementar em, dinheiro, denominada “torna”. Notase do disposto acima, que o instituto da permuta nada mais é que uma “troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades”, ou seja, não se pode comparar/equiparar o contrato de permuta, o qual tem por objeto principal a troca de bens, com o contrato de compra e venda, o qual tem por finalidade a obtenção de renda ou lucro. Os institutos em comento são diversos. Caso não fossem, não precisariam estar legislados de forma separada, poderiam formar apenas um único instituto, qual seja, compra e venda. Convém lembrar que a permuta representa uma simples troca. A permuta consiste na liberdade e conveniência que duas pessoas, físicas ou jurídicas, possuem de permutarem (trocarem) os bens que lhes pertencem. Nessa esteira, está equivocado afirmar que o instituto da permuta, na realidade, não passa de uma compra e venda realizada ao mesmo tempo pelas duas pessoas ligadas ao contrato de permuta. Caso prevaleça este entendimento, seria como não existissem os contratos de permuta, tornandoos inócuos. E foi justamente pela diversidade dos institutos da permuta e da compra e venda que foi inserida no ordenamento jurídico pátrio a Instrução Normativa SRF nº. 107/1988, a qual permitiu que as pessoas jurídicas, ao realizarem os contratos de permuta, tributassem apenas a torna, caso está existente. Em outras palavras, a Instrução Normativa SRF nº. 107/1988 no caso de permuta sem pagamento de torna dispõe que a permutante não tem resultado a apurar, uma vez que deverá atribuir ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração. No entanto, este não foi o entendimento do AFRFB, o qual equipara para fins tributários os institutos da permuta e da compra e venda nos casos em que a empresa/contribuinte é optante pela forma de apuração do IRPJ pelo lucro presumido. Conforme pode ser vislumbrado no Relatório de Ação Fiscal (fls. 1852/1880). Tendo a permuta, como visto, os mesmos efeitos tributários que a compra e venda, para fins de apuração do IRPJ sobre o Lucro Presumido, todos o produto das vendas dos imóveis por ela realizadas, seja em dinheiro, seja em bens móveis ou em bens imóveis, deve ser considerado receita brita, para fins de apuração do IRPJ. (fl. 1860) Entendeu também o AFRFB que a Instrução Normativa SRF nº. 107/1988 não se aplica aos contribuintes que fizeram a opção de apuração do IRPJ pelo lucro presumido, observese (fls. 1852/1880): Por fim, a IN SRF n° 107/98 não é aplicável à apuração do IRPJ pelo lucro presumido, tanto pela literalidade do seu enunciado, como pelo seu teor, na medida em que leva em consideração Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.962 8 além das receitas os custos inerentes às operações de permuta, enquanto, como exposto, à apuração sobre o lucro presumido somente importam as receitas. (fl. 1861) Todavia, vale lembrar que as empresas que exerciam atividade empresarial equiparada à da recorrente, até o anocalendário de 1998, estavam obrigadas à tributação do IRPJ pelo lucro real, sem contar com a opção pelo lucro presumido, situação esta somente alterada com a redação dos arts. 14 e 17, II, Lei nº 9.718/1998, que permitiu às pessoas jurídicas que exercem as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis optar pelo lucro presumido. Importante ressaltar, também, que não existe no ordenamento jurídico pátrio qualquer norma que discipline a tributação do IRPJ sobre os contratos de permuta na apuração pelo lucro presumido. Nesse passo, mesmo o contribuinte optando pela apuração pelo lucro presumido, devese ter em mente que o instituto da permuta não se modifica, ou seja, continua sendo “troca de uma ou mais unidades imobiliárias por outra ou outras unidades”. Não se transforma em compra e venda, como interpretou o AFRFB no presente auto de infração. O AFRFB, ao modificar o instituto da permuta, equiparandoa a compra venda, buscou apoio no art. 25 da Lei n. 9,430/96, e no art. 31 da Lei n. 8.981/95. É o que se percebe da seguinte passagem (fl. 1860): Como se percebe, a partir dos dispositivos transcritos (art. 25 da Lei n° 9,430/96 e art. 31 da Lei n° 8.981/95), parte da base de cálculo é composta por um percentual do produto da venda dos bens vendidos pela pessoa jurídica. Tendo a permuta, como visto, os mesmos efeitos tributários que a compra e venda, para fins de apuração do IRPJ sobre o Lucro Presumido, todos o produto das vendas dos imóveis por ela realizadas, seja em dinheiro, seja em bens móveis ou em bens imóveis, deve ser considerado receita brita, para fins de apuração do IRPJ. (grifo não original) Todavia, vislumbrase do exposto acima que o AFRFB faz referência específica sobre “venda” e não permuta, e como ficou asseverado acima, são institutos diversos, os quais não se confundem. Logo, não deve prosperar os fundamentos utilizados pelo AFRFB para o presente caso. A interpretação que melhor se aplica aos contratos de permuta sem o recebimento de torna no regime de apuração do IRPJ pelo lucro presumido, por analogia, é a mesma interpretação disposta na Instrução Normativa SRF nº. 107/1988, ou seja, nas hipóteses em que houver permuta sem pagamento de torna, não se apura resultado tributável, vez que cada permutante deverá atribuir ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração. Em outras palavras, não há receita a ser tributada quando se fala em permuta sem torna. Nesse sentido já se manifestou a Superintendência Regional da Receita Federal (SRRF) da 9ª Região Fiscal. Senão, vejamos: Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.963 9 As pessoas jurídicas que explorem atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, deverão considerar como receita bruta o montante, em bens ou dinheiro, recebido em pagamento, relativo às unidades imobiliárias vendidas. Na hipótese de permuta de unidades imobiliárias, o valor dos bens recebidos na troca não integra a base de cálculo do IRPJ, ainda que o contribuinte tenha feito a opção pelo lucro presumido. [...] (Processo de Consulta nº 241/2008, SRRF 9ª RF, DOU 03/10/2008) (grifo não original) Nesse sentido, entendo que a tributação sobre os contratos de permuta no presente auto de infração deve prosperar somente sobre as “tornas” recebidas pela recorrente. Sendo assim, nos contratos de permuta que inexistirem a “torna” não há que se falar em resultado tributável. Desse modo, merece provimento o recurso voluntário da recorrente no presente ponto. Por derradeiro, entendo que a mesma interpretação dada ao IRPJ disposta acima deve ser utilizada para a apuração da CSLL, do PIS e da COFINS, ou seja, a tributação sobre os contratos de permuta no presente auto de infração deve prosperar somente sobre as “tornas” recebidas pela recorrente. 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcialmente provimento ao recurso voluntário, para afastar os créditos tributários lançados a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sobre os contratos de permuta em que inexista a torna, e nos casos em que os contratos de permuta estipulem a torna, que seja tributado apenas esta, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) MÁRCIO RODRIGO FRIZZO – Relator. Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa. Passo a expor os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. As disposições da Instrução Normativa nº 107/1988 não são aplicáveis ao caso sob análise. Isso porque aquele normativo cuida exclusivamente das pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. Melhor explicando, referida instrução trata da contraposição Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.964 10 entre receitas e custos/despesas, fundamento para a determinação do lucro contábil e, na sequência, do lucro real. Por outro lado, as pessoas jurídicas que, por opção, são tributadas pelo lucro presumido, situação da recorrente, abrem mão de considerar os custos/despesas efetivamente incorridos, sendo certo que tais custos/despesas são representados pelo percentual estabelecido em lei e aplicável à receita bruta. Resta, então, saber se uma empresa que se dedica à atividade imobiliária, tributada pelo lucro presumido, pode deixar de oferecer à tributação o valor de uma unidade imobiliária que alienou, recebendo em contrapartida outra unidade imobiliária, em operação denominada permuta. Concluiu o colegiado que a resposta é negativa. Ao alienar a unidade imobiliária, o valor atribuído à contrapartida recebida deve necessariamente integrar a receita bruta, irrelevante se a operação foi de compra e venda e a contrapartida foi diretamente expressa em moeda, ou se a operação foi de permuta, e a contrapartida foi outra unidade imobiliária, ainda assim passível de ser expressa em moeda. O valor atribuído à operação é decorrente da atividade fim da pessoa jurídica, e deve integrar a receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido. O entendimento da Receita Federal do Brasil sobre a matéria foi pacificado com o advento da Solução de Divergência Cosit nº 5, de 1º de dezembro de 2010, cuja ementa dispõe: “LUCRO PRESUMIDO. PERMUTA DE IMÓVEIS. RECEITA BRUTA. Na operação de permuta de imóveis sem recebimento de torna, realizada por pessoa jurídica tributada pelo IRPJ com base no lucro presumido, dedicada à atividade imobiliária, constitui receita bruta o preço do imóvel recebido em permuta.”. Por seu caráter didático, na mesma linha do decidido por este Colegiado, transcrevo a seguir excerto do mencionado ato: [...] 4. Inicialmente, cabe consignar que não há dúvidas quanto ao fato de que as operações de permuta, de acordo com o art. 533 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), a seguir transcrito, estão sujeitas às mesmas disposições relativas à compra e venda. A permuta de imóveis, portanto, da mesma forma que a compra e venda, está sujeita, em princípio, à incidência do imposto de renda, tanto no caso de alienante pessoa física quanto no de alienante pessoa jurídica. Por conseguinte, está sujeita também à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no caso de ser o alienante pessoa jurídica. Art. 533. Aplicamse à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: I salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; II é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. 5. Conforme o art. 518 do RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), a base de cálculo do IRPJ no regime de apuração pelo lucro presumido é determinada através de percentual aplicado sobre a receita bruta. E a definição de receita bruta para este regime, a teor do que dispõe o art. 519 do RIR/1999, é dada pelo mesmo dispositivo definidor referente à apuração anual do Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.965 11 IRPJ com pagamento mensal por estimativa, ou seja, o art. 224 do RIR/1999, abaixo transcrito (sublinhouse): Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único). 6. Ora, se a permuta se equipara à compra e venda e se a receita bruta compreende o produto da venda nas operações de conta própria, claro está que o valor do imóvel que uma pessoa jurídica que explora as atividades imobiliárias elencadas na consulta recebe em uma permuta compõe sua receita bruta e, por conseguinte, compõe a apuração da base de cálculo do IRPJ. 7. Em relação à referência feita pela consulente à Instrução Normativa SRF nº 107, de 14 de julho de 1988, a qual estabelece no subitem 2.1.1 que, no caso de permuta sem pagamento de torna, não há resultado a apurar, temse que esta IN não se aplica à tributação pelo lucro presumido. Com efeito, a redação da ementa da IN SRF nº 107, de 1988, é a seguinte (sublinhouse): Dispõe sobre os procedimentos a serem adotados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas e do lucro imobiliário das pessoas físicas, nas permutas de bens imóveis. 7.1. A conclusão em questão não se dá apenas pela interpretação literal da ementa da norma em tela, mas da verificação sistemática do conjunto de seu texto. Com efeito, em todas as situações reguladas pela IN SRF nº 107, de 1988, ocorre a apuração de lucro na forma de receita menos custo. E, como é consabido, essa apuração nada tem a ver com o lucro presumido, regime em que o lucro é obtido por presunção legal, a partir de percentual prédefinido pela lei a ser aplicado sobre a receita bruta, sem uma verificação efetiva de sua ocorrência. 7.2. Não se pode, portanto, aplicar uma norma que disciplina a forma de apuração do lucro real em operações de permuta de imóveis à determinação do lucro presumido. Ao optar livremente pelo regime do lucro presumido, o contribuinte escolhe apurar o lucro para fins tributários de forma indireta, presuntiva, não cabendo pretender, casuisticamente e sem previsão legal para tal, apurar o lucro de forma direta, real, apenas para determinado(s) tipo(s) de operação. 7.3. Além disso, o item 2.1.1 da IN, abaixo transcrito, não permite concluir que nas operações de permuta sem torna resta descaracterizado o valor do imóvel recebido como receita. Não há resultado a tributar no lucro real por que o valor contábil do imóvel que entra é igual ao valor do imóvel que sai, fazendo com que os lançamentos venham a se anular em termos de resultado. Daí o tratamento diferenciado no âmbito da apuração do IRPJ pelo lucro real. Mas há, sim, receita e, havendo receita, haverá repercussão no caso da apuração da base de cálculo do IRPJ pelo lucro presumido. Isto porque neste regime o custo do imóvel entregue na permuta não irá afetar a base de cálculo, de forma a tornar neutro o resultado. Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10467.720920/201185 Acórdão n.º 1302001.217 S1C3T2 Fl. 1.966 12 2.1.1 No caso de permuta sem pagamento de torna as permutantes não terão resultado a apurar, uma vez que cada pessoa jurídica atribuirá ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração. [...] Por todo o exposto, a decisão do Colegiado foi no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 13/01/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digit almente em 20/02/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10730.002002/2011-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 1.500,00, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 1.500,00, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 20 02 /2 01 1- 11 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.002002/201111 Acórdão n.º 2801003.373 S2TE01 Fl. 76 2 Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fl. 39 deste processo digital), reproduzido a seguir: 1. Tratase de impugnação apresentada pelo contribuinte acima identificado contra a Notificação de Lançamento de fls. 27/32 resultante de alterações em sua Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2008, anocalendário de 2007, que implicou apuração de imposto suplementar de R$ 3.357,20, acrescido de multa de ofício e dos juros legais, em face da glosa de dedução indevida de despesas médicas, no valor tributável de R$ 12.207,99, conforme descrição dos fatos, às fls. 32, transcrita abaixo: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL 1) Recibos/Notas Fiscais não identificam paciente beneficiário dos serviços: MED IMAGEM ULTRASONOGRAFIA E RADIOLOGIA LTDA R$ 1.350,00; DIAGNÓSTICO DA AMÉRICA S.A. R$ 726,69; DIAGNÓSTICO DA AMÉRICA S.A. R$ 1.049,30; TERESA REGINA MACHADO LIMA R$ 6.440,00; CLÍNICA ORTOPÉDICA SANTA LUCIA LTDA. R$ 260,00; ANTICORPOS LAB. ANAT. PAT. E CITOP LTDA R$ 150,00; LUIZ FERNANDO PIRES DE MELLO R$ 200,00; CLINIO MARCELINO DE FREITAS NETO R$ 170,00. 2) Recibo; não identificam o paciente beneficiário dos serviços e não indicam o endereço do prestador do serviço: ALOYSIO GUIMARÃES DA FONSECA R$ 900,00. 3) Falta de previsão legal para dedução de despesa com Botox Tox Butolinica – Nota Fiscal da empresa Allergan Produtos Farmacêuticos Ltda., em nome do Dr. Rafael Zandonadi Brandão R$ 962,00. 2. Cientificada do lançamento em 14/02/2011, AR às fls. 36, a interessada apresentou impugnação (fl. 03), por intermédio de seu procurador, mandato às fls. 05, recepcionada na unidade local da SRFB em 18/02/2011. Em suma, alega que as despesas médicas glosadas referemse ao seu próprio tratamento, bem como junta aos autos os comprovantes de fls. 07/26. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 76DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.002002/201111 Acórdão n.º 2801003.373 S2TE01 Fl. 77 3 Exercício: 2008 GLOSA DE DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação, mediante apresentação de documentação idônea, de parte das despesas médicas glosadas, impõe o restabelecimento das correspectivas deduções da base de cálculo do imposto, em relação às despesas efetivamente comprovadas. Cientificada da decisão de primeira instância em 16/10/2011 (fl. 44), a Interessada interpôs, em 10/11/2011, o recurso de fl. 46, acompanhado dos documentos de fls. 47/71. Na peça recursal solicita a revisão dos recibos apresentados, uma vez que a maioria deles possui a indicação do beneficiário dos serviços prestados. Reapresenta os comprovantes de despesas médicas de fls. 56/71 deste processo digital. Ao fim, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Observo, inicialmente, que a decisão de piso restabeleceu dedução de despesas médicas no montante de R$ 9.019,30 e manteve glosas no importe de R$ 3.188,69. As glosas mantidas referemse às seguintes despesas: MED Imagem Ultrasonografia e Radiologia Ltda: R$ 1.350,00; Anticorpos Laboratório Anatomia: R$ 150,00; Diagnóstico da América S.A: R$ 726,69; e Rafael Zandonadi Brandão: R$ 962,00. As três primeiras despesas foram glosadas em virtude da não identificação, nos comprovantes apresentados, dos beneficiários dos serviços. A despesa com Rafael Zandonadi Brandão foi glosada por falta de previsão legal para a dedução de despesa com Botox Tox Butolinica (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 31/32). Os recibos emitidos por MED Imagem Ultrasonografia e Radiologia Ltda (R$ 1.350,00) e Anticorpos Laboratório Anatomia (R$ 150,00) foram reapresentados com a identificação da beneficiária dos serviços (a própria contribuinte). Assim, sou pelo restabelecimento de despesas médicas no valor de R$ 1.500,00. Não foram apresentados os comprovantes de despesas com o estabelecimento Diagnóstico da América S.A (R$ 726,69) e com o prestador Rafael Zandonadi Brandão (R$ 962,00), seja em sede de impugnação, seja nesta instância recursal, motivo pelo qual sou pela manutenção destas glosas. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10730.002002/201111 Acórdão n.º 2801003.373 S2TE01 Fl. 78 4 Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 1.500,00 (R$ 1.350,00 + R$ 150,00). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 78DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10670.000025/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PASTAGEM. DITR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Cabe ao contribuinte comprovar que a área de pastagem reportada na DITR não corresponde à realidade dos fatos. Não conseguindo comprovar, resta afastada a possibilidade de reclassificação da área como plano de manejo sustentável.
DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO (DRJ). VERDADE MATERIAL
Em não havendo provas trazidas pelo contribuinte de que houve erro na decisão da DRJ, mas mera alegação, não cabe reforma da decisão, devendo essa ser mantida em privilégio ao princípio da verdade material.
Numero da decisão: 2201-002.166
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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DITR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte comprovar que a área de pastagem reportada na DITR não corresponde à realidade dos fatos. Não conseguindo comprovar, resta afastada a possibilidade de reclassificação da área como plano de manejo sustentável. DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO (DRJ). VERDADE MATERIAL Em não havendo provas trazidas pelo contribuinte de que houve erro na decisão da DRJ, mas mera alegação, não cabe reforma da decisão, devendo essa ser mantida em privilégio ao princípio da verdade material. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 00 00 25 /2 00 9- 11 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins e Nathália Mesquita Ceia. Ausente o conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Por meio do Auto de Infração (fls. 03/16) lavrado em 07/01/2009, a Recorrente, COMPANHIA SIDERURGICA PITANGUI foi intimada a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício de 2005, tendo como objeto o imóvel denominado “Fazenda Formosa e Caldeirões”, cadastrado na RFB sob o nº 2.214.7101, com área declarada de 11.146,9 ha, localizado no município de São Romão – MG. O crédito tributário apurado pela fiscalização compunhase de diferença no valor do ITR de R$ 354.855,28 que, acrescido dos juros de mora calculados até dezembro de 2008 e de multa de ofício perfazia o montante de R$ 768.119,73. O Recorrente ao promover a Declaração de Imposto Territorial Rural (DITR) do exercício de 2005 no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) informou: Área de Preservação Permanente 300,0 ha Área de Reserva Legal 2.576,1 ha Pastagens 1600,0 ha Exploração Extrativa 6.474,8 ha Valor da Terra Nua (VTN) R$ 49,56 ha Ação fiscal, determinada por meio do competente MPF nº 06.1.08.002008000043 (fls. 01 e 02) iniciouse com os “Termos de Inicio de Fiscalização – ITR/2005” (17/18 e 21/22), recepcionados, respectivamente, em 11/01/2008 (“AR” de fls. 19) e em 28/10/2008 (“AR” de fls. 23), intimando o Recorrente a apresentar, nos prazos estipulados, para comprovar dados cadastrais informados na correspondente DITR/2005, inclusive VTN, os seguintes documentos/esclarecimentos: 1º Área com atividade de Exploração Extrativa Plano de Manejo Sustentado, acompanhado do documento de aprovação pelo IBAMA, bem como de todas as autorizações para extração de madeira. 2º Valor da Terra Nua Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com Fundamentação e Grau de Precisão II, com ART, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sob pena de arbitramento de novo VTN, com base no SIPT da RFB. 3º Área de Preservação Permanente Fl. 141DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10670.000025/200911 Acórdão n.º 2201002.166 S2C2T1 Fl. 3 3 Ato Declaratório Ambiental (ADA) ou protocolo do seu requerimento junto ao IBAMA, com reconhecimento das áreas declaradas. 4º Área de Reserva Legal Cópia da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente, contendo a averbação da área, cópia do ADA anteriormente referido e, se for o caso, cópia do ato específico do órgão ambiental competente. 5º Área de Pastagens Justificar o valor informado no item 13 da DITR/2005, e apresentar: · cópia da Declaração de Produtor Rural (Demonstrativo Anual) referente ao ano de 2004; · cartão de vacinação de bovinos fornecido pelo IMA, abrangendo o ano de 2004, e · notas fiscais de produtor rural, comprovando aquisição, transferência e venda de animais, em 2004. Por não ter sido apresentado, mesmo com a prorrogação de prazo concedido, os documentos então exigidos, a autoridade fiscal decidiu lavrar o presente Auto de Infração, em que foram integralmente glosadas as áreas declaradas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as áreas utilizadas para pastagens e na exploração extrativa, respectivamente, de 300,0 ha, 2.572,1 ha, 1.600,0 ha e 6.478,8 ha, além de haver rejeitado o VTN declarado, de R$ 552.494,38 ou R$ 49,56/ha, por entender estar subavaliado, sendo arbitrado o valor de R$ 1.783.504,00 ou R$ 160,00/ha, com base no SIPT aprovado pela RFB, com consequentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota aplicada no lançamento, disto resultando o imposto suplementar de R$ 354.855,28, conforme demonstrado às fls. 08/09. Cientificado do lançamento, em 09/01/2009 (“AR” de fls. 38), o Recorrente, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 66/67), postou sua Impugnação em 06/02/2009 (fls. 93), anexada às fls. 40/64, acompanhada dos documentos de fls. 68/77, 79/86, 88, 90 e 92. Dentre eles: · ADA protocolado tempestivamente no IBAMA (número 10531300000062) declarado a existência de uma área de preservação permanente de 2.549,0 ha, argumentando o contribuinte a ocorrência de erro no preenchimento da sua DITR/2005, no que tange às áreas ambientais do imóvel; · CERTIDÃO/LAUDO DE VISTORIA do IBAMA, datado de 18.01.2006, certificando a existência de área de 8.647,5 ha destinada ao Plano de Manejo Sustentado e o cumprimento do respectivo cronograma; · Decreto nº 43.480, de 2402/2003 (às fls. 79/80), juntamente com os Decretos s/nº de 13/01/2004 (às fls. 82/83) e de 24/11/2005 (às fls. 85/86), todos do Governo de Minas Gerais, homologando os Decretos Municipais, que decretaram situação anormal, caracterizada como “Situação de Emergência”, no município de São Romão e outros adjacentes. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A 1º Turma da DRJ/BSB – DF julgou procedente em parte a Impugnação interposta pela Contribuinte, acatando a área de preservação permanente comprovada nos autos de 2.549,4 ha, e restabelecer a área de exploração extrativa (6.478,8 ha) declarada (DIAC/DIAT). A 1º Turma da DRJ/BSB DF: · não reconheceu a totalidade da área (8.647.5 ha) certificada pelo IBAMA como área abrangida pelo Plano de Manejo Sustentado, reconhecendo apenas a área de 6.478 ha, declarada pelo contribuinte no DIAC/DIAT sob o argumento de que a diferença teria sido destina pelo contribuinte à pasto, haja vista informação na DIAC/DIAT de existência de 1.600 ha destinados a pasto: “Quanto à pretensão de ser aumentada a área originariamente declarada como utilizada na exploração extrativa, objeto de PMFS, de 6.478,8 ha para 8.647,5 ha, para efeito de apuração do Grau de Utilização do imóvel, entendo que não há, em relação a essa matéria, como acatar a hipótese de erro de fato, de modo a aceitar a área maior pretendida pela requerente, pois não há como ignorar a situação fática do imóvel, demonstrada nos dados cadastrais informados na correspondente DITR/2005, onde se observa, a exemplo do ocorrido nas declarações de exercícios anteriores, a informação da existência de uma área servida de pastagens, de 1.600,0 ha, não comprovada nos autos. Assim, não obstante a falta de comprovação do rebanho efetivamente apascentado no imóvel, no ano base de 2004, essa informação demonstra que parte da área submetida ao referido PMFS foi, de fato, desmatada e transformada em pastagens. Desta forma, cabe restabelecer, para fins de apuração do grau de utilização do imóvel, a área utilizada na exploração extrativa declarada, de 6.478,8 ha.” · compreendeu que o VTN tendo por hectare o valor de R$ 49,56, referente ao exercício de 2005, estava de fato subavaliado, posto que o mesmo não só está abaixo de todos os valores apontados no SIPT, qualquer que seja a aptidão agrícola da terra, mas também do VTN médio, por hectare, de R$ 140,20, apurado com base nos valores informados nas DITR/2005, pelos próprios contribuintes do ITR, com imóveis rurais localizados no município de São Romão MG (tela/Sipt de fls. 27). Aplicando assim, valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela RFB em consonância ao art. 14, caput, da Lei 9.393/96, sendo arbitrado o valor de R$ 1.783.504,00 ou R$ 160,00/ha, correspondendo ao menor VTN/ha, por aptidão agrícola (terras de campos), apontado no SIPT, exercício de 2005, para o citado município (Tela/Sipt de fls. 27). · Afastou a argumentação de calamidade pública uma vez que os decretos apresentados pelo contribuinte não abordavam calamidade pública, mas sim situação de emergência, que não se aplica à espécie. Cientificada do acórdão de primeira instância em 24.08.2012, (fls 126) o Recorrente interpôs, em 21.07.2012 (fls. 137) o recurso voluntário de fls. 128/136, alegando: · A área de pastagem de 1.600 ha glosada pelo fiscal, nem mesmo foi objeto de discussão por ter sido equivocadamente lançada, quando deveria ter sido considerada como área referente ao Plano de Manejo Sustentado, argumentando que o plano de manejo é uma exploração de área parcial (glebas), ano a ano, que Fl. 143DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10670.000025/200911 Acórdão n.º 2201002.166 S2C2T1 Fl. 4 5 deve ser computado como área total. Sendo explorado por glebas, em determinado ano poderia ter sido explorado para pastagem consorciada. Como embasamento alega que não houve desmate irregular, pois se ocorresse, a vistoria in loco do IBAMA apuraria tal fato. Neste contexto o requereu o reconhecimento dos 8.597,5 ha como área de manejo ambiental. · A 1º Turma da DRJ/BSB DF indicou que o valor do hectare no Município de São Romão era de R$ 140,20 para o ano de 2005, mas calculou o VTN pelo valor hipotético do SIPT (R$ 160,00/ha), deixando de privilegiar o valor real e justo. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. Plano de Manejo Sustentado O laudo técnico de vistoria do IBAMA às fls. 88 reconheceu a existência de Plano de Manejo Sustentado em relação à área de 8.647,50 ha, apontando que seu cronograma de exploração foi respeitado. Entretanto a 1º Turma da DRJ/BSB DF enquadrou no Plano de Manejo Sustentado apenas a área declarada pelo Recorrente na DITR de 6.478,7 ha. Aos 2.168,7 ha restantes, a 1º Turma da DRJ/BSB DF entendeu não ser possível extensão para enquadramento como área destinada ao Plano de Manejo Sustentado sob o argumento de erro de fato do Recorrente, haja vista a existência de declaração do Recorrente quanto à existência de 1.600 ha destinados à pastagem. Neste contexto, a área de 2.168,8 ha foi enquadrada pela 1º Turma da DRJ/BSB DF como área destinada a pasto, não comprovada. O Recorrente argumenta que em 01.01.2005 a área de 1.600 ha não foi utilizada como pastagem, mas sim como parte da área coberta pelo Plano de Manejo Sustentado, apontando que determinada gleba do Plano de Manejo Sustentado poderia ter sido, em determinado ano, explorada como pastagem consorciada. Em acréscimo ressalta a inexistência de desmatamento irregular, pois se houvesse a vistoria in loco do IBAMA teria apurado o fato. Em que pese argumentações do Recorrente, não se pode desconsiderar a declaração livre e espontânea prestada pelo próprio Recorrente na DIAT quanto à existência de 1.600 ha destinados à pastagem, especialmente quando analisada com a informação contida no item 1 (Animais de Grande Porte) do campo “Atividade Pecuária”, qual seja: existência de 400 cabeças de animais de grande porte. Desta forma, estas informações corroboram contra a pretensão atual do Recorrente de ver revertida a área de 1.600 ha de área destinada a pasto para área destinada ao Plano de Manejo Sustentado. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Uma vez que o Recorrente não comprovou a efetiva utilização da área de 1.600 ha para pastagem na forma do art. 18, II c/c art. 24 ambos do Decreto nº 4.382/02, mantémse a decisão da 1º Turma da DRJ/BSB DF. 2. Valor da Terra Nua VTN No tocante ao pleito do Recorrente para redução do Valor da Terra Nua – VTN arbitrado pela autoridade fiscal de R$ 160,00 (cento e sessenta reais) para R$ 140,20 (cento e quarenta reais e vinte centavos), esse último valor mencionado na fundamentação do acórdão proferido pela 1º Turma da DRJ/BSB DF, não deve assistir razão ao Recorrente, haja vista que a menção ao valor de R$ 140,20 (cento e quarenta reais e vinte centavos), como valor médio do hectare no Município de São Romão no acórdão da 1º Turma da DRJ/BSB DF decorreu de um mero erro material. Expliquese. A 1º Turma da DRJ/BSB DF ao mencionar o valor de R$ 140,20 (cento e quarenta reais e vinte centavos) o vincula ao documento contido na página 27 do presente processo. Pela simples leitura do documento é possível verificar na linha destinada ao Município de São Romão que o menor valor do hectare é R$ 160,00 (cento e sessenta reais), não havendo qualquer referência ao valor de R$ 140,20 (cento e quarenta reais e vinte centavos). Logo, ocorreu um erro material no acórdão da 1º Turma da DRJ/BSB DF, fato pelo qual não deve prosperar o pleito da Contribuinte nesse tocante, devendo prevalecer a verdade material da prova. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, restando mantida a decisão da DRJ/BSB. (assinado digitalmente) NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/11/20 13 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.910114/2011-04
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS - Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. PROVA DO CRÉDITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Nos casos de PER/Dcomp transmitida visando a restituição ou ressarcimento de tributos, não há que se falar em homologação tácita por falta de previsão legal. Restituição e compensação se viabilizam por regimes distintos. Logo, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 01 14 /2 01 1- 04 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Jose Barroso Rios (Presidente em exercício), Mara Cristina Sifuentes, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 24): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de Apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Sendo diferentes os regimes pelos quais a restituição e a compensação podem ou não ser viabilizadas, e por falta de previsão legal, o prazo estipulado no §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/1996 para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Por sua vez, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade alegando ter ocorrido a homologação tácita do pedido, devido ao decurso de cinco anos entre a apresentação do PER/Dcomp e a prolação do despacho decisório. A DRJ entendeu que o prazo estipulado no §5º, do art. 74, não seria aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição, em decorrência da diversidade do regime jurídico da restituição e da compensação, bem como por ausência de previsão legal. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 33, reitera a alegação de homologação tácita, requerendo o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10882.910114/201104 Acórdão n.º 3802002.239 S3TE02 Fl. 50 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O Recorrente teve ciência da decisão no dia 13/06/2013 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 17/06/2013 (fls. 33). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, teve por objetivo unificar o regime de compensação, extinguindo a compensação realizada na Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), na escrituração contábil ou condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pelo regime de autocompensação, que ressaltadas as contribuições previdenciárias compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário é considerada tacitamente homologada após o decurso do prazo de cinco anos, nos termos do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Notase, portanto, que o prazo do §5º do art. 74 não é aplicável aos pedidos de ressarcimento ou restituição. O fato destes serem transmitidos pelo mesmo instrumento da declaração de compensação (o PER/Dcomp) não autoriza nem mesmo por analogia, como sustentou a Recorrente a aplicação do prazo de cinco anos para a homologação tácita, até porque, ao contrário do que ocorre na compensação, não haveria uma extinção do crédito tributário prévia a ser homologada. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 52DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/02/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720459/2008-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 23.570,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (14/02/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 23.570,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (14/02/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
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DESPESAS MÉDICAS. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 23.570,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (14/02/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, José Evande Carvalho Araujo, Carlos César Quadros Pierre e Marcelo Vasconcelos de Almeida. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 04 59 /2 00 8- 51 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10840.720459/200851 Acórdão n.º 2801002.790 S2TE01 Fl. 159 2 Adotase como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que se transcreve abaixo: O sujeito passivo do lançamento insurgese contra o lançamento de fls. 02 e seguintes, emitido em 23/09/08, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas DIRPF EX2006/AC2005, que glosou os valores pleiteados, na declaração de ajuste, a título de dedução de despesas médicas. Totalizando R$ 26.614,52 de deduções glosadas; conforme descrito à fl.02. Na impugnação apresentada às fls. 109 (e 25) e seguintes se requer, em síntese, sem prejuízo da leitura integral da impugnação, o acatamento das alegações apresentadas. Alega que a documentação juntada (recibos, declarações, extratos e outros) seria suficiente para se comprovar o direito as deduções declaradas, pois atenderiam o previsto na legislação. Os pagamentos teriam sido feitos em dinheiro. Com relação ao plano de saúde entende que o valor pago e os beneficiários do plano ficam demonstrados pela documentação anexada. Protesta pela produção de prova, inclusive testemunhal e pericial. Ao analisar o pedido da Contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito a dedução é condicionado a comprovação dos requisitos exigidos na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada com a autuação fiscal, mantida integralmente pela DRJ, a Recorrente pretende seja restabelecida a dedução de despesas médicas, consoante documentação carreada aos autos. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O lançamento cuida de glosa de dedução a título de despesas médicas, no montante de R$ 26.614, 52. A parcela de 3.044,52 foi glosada por se referir à despesas com Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10840.720459/200851 Acórdão n.º 2801002.790 S2TE01 Fl. 160 3 não dependentes (Antonio Boutros Kanaan e Nilo Macchetti Kanaan, que apresentaram declaração em separado). As demais foram glosadas for falta de comprovação do efetivo pagamento. Diferentemente do que entendeu a decisão recorrida, verificase que o conjunto probatório juntado aos autos (recibos, notas fiscais, declarações, fichas do paciente e extratos bancários) é suficiente para comprovar a parcela R$ 23.570,00 declarada a título de dedução a título de despesas médicas, que deverá ser restabelecida. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução de despesas médicas no valor de R$ 23.570,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/02/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001990/2005-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. DECADÊNCIA.
0 prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos Aplicação da Súmula CARF nº 52.
PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
Correta a glosa de compensação de prejuízos fiscais quando verificado que saldo de prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores já foi integralmente compensado.
MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE
Aplica-se a multa de ofício legalmente prevista, quando o crédito tributário é constituído de ofício pela autoridade fazendária.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS À TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado aos membros do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos temos do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1302-001.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos Aplicação da Súmula CARF nº 52. PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Correta a glosa de compensação de prejuízos fiscais quando verificado que saldo de prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores já foi integralmente compensado. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE Aplica-se a multa de ofício legalmente prevista, quando o crédito tributário é constituído de ofício pela autoridade fazendária. MULTA DE OFÍCIO E JUROS À TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado aos membros do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos temos do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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DECADÊNCIA. 0 prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos Aplicação da Súmula CARF nº 52. PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. Correta a glosa de compensação de prejuízos fiscais quando verificado que saldo de prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores já foi integralmente compensado. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE Aplicase a multa de ofício legalmente prevista, quando o crédito tributário é constituído de ofício pela autoridade fazendária. MULTA DE OFÍCIO E JUROS À TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado aos membros do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, nos temos do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em afastar a preliminar de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 19 90 /2 00 5- 22 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.774 2 (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.775 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0717.939 proferido pela 3ª Turma da DRJFlorianópolis, em 30/10/2009, que considerou integralmente procedente o lançamento de ofício de IRPJ realizado por meio do auto de infração lavrado em 14/07/2005 (fls. 37/44), no montante total de R$ 106.607,36 (incluindo juros de mora e multa, calculados até 30/06/2005). Referido lançamento decorreu de procedimento fiscal de “Revisão Parametrizada de DIPJ – Lucro Real”, dos anos calendário 2000 e 2001, no qual foram apuradas três infrações: I – Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais, no valor de R$ 20.712,78, na apuração do lucro real do anocalendário 2000; 2 – Falta de adição das parcelas de realização mínima do Lucro Inflacionário no valor de R$ 111.546,10 (anuais) nos anos calendário: 2000 e 2001, e; 3 Insuficiência de recolhimentos/declaração de IRPJ devido, no valor de R$ 1.347,92, relativo ao anocalendário de 2002. A interessada tomou ciência do lançamento de ofício em 21/7/2005 (AR Postal fl. 52), tendo apresentado impugnação tempestiva (fls. 54 a 75), na qual trouxe as seguintes alegações: a) Com relação à glosa de prejuízos compensados indevidamente, que não procede a glosa realizada na medida em que teria saldo de prejuízos a compensar do ano calendário 2007 (R$ 18.171,99) que somado ao prejuízo verificado no anocalendário 1999 (R$ 2.540,79), totalizaria o prejuízo compensado no anocalendário 2000, no montante de R$ 20.712,78. Juntou aos autos cópias de DIPJ e da parte B do Livro Lalur. b) Com relação à adição de parcelas de realização mínima dos lucro inflacionário aos resultados dos anocalendário 2000 e 2001, que teria ocorrido a decadência do direito de lançar da Fazenda Nacional, nos termos do art. 150 §4º do CTN, pois o fato gerador do tributo teria ocorrido em 31/12/1991, devidamente informado na Declaração de Rendimentos do exercício 1992. Argumenta que a correção do saldo do lucro inflacionário até 31/12/1995 seria uma forma de eternizar o crédito tributário, elastecendo o prazo decadencial e que mesmo que se considere o fato gerador ocorrido em 31/12/1995, já teria transcorrido o prazo decadencial para o lançamento. c) Que seria inaplicável a multa de ofício ao lançamento efetuado, na medida em que teria informado o saldo de lucro inflacionário em sua Declaração de Rendimentos do anocalendário 1992, além do que tal multa teria natureza confiscatória. d) Que o emprego da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, como juros de mora, seria inconstitucional, transcrevendo textos jurisprudenciais doutrinários em apoio a sua tese e que deve ser substituída por outro indexador que se revele mais adequado aos ditames do art. 192, § 3º da CF/88 c/c art. 161, § 1º do CTN. Com relação à infração de insuficiência de recolhimento da infração no ano calendário 2000, informa a impugnante que recolheu o valor lançado e anexa aos autos o respectivo DARF (fls. 105) como comprovação. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.776 4 A 3a Turma da DRFFlorianópolis considerou a impugnação improcedente, proferindo o Acórdão nº 0717.939, com a seguinte ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO. DECADÊNCIA. O fato gerador e, portanto, a tributação do lucro inflacionário diferido, se dá por ocasião de sua realização, momento em que qualquer irregularidade detectada em procedimento fiscal dará ensejo a lançamento de ofício, que deverá ser efetuado dentro do prazo decadencial de cinco anos. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INSUFICIÊNCIA DE SALDO DE PREJUÍZO FISCAL. Constatada a insuficiência de saldo de prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores, cabe a exigência de ofício acrescida dos consectários legais a título de multa de ofício e de juros moratórios , do imposto correspondente à compensação indevidamente realizada pelo sujeito passivo. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Quando a exigência de crédito tributário é procedida de ofício, aplicase a esse lançamento a multa de ofício legalmente prevista, cujo porcentual básico é de 75% do valor do tributo. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade. A interessada foi cientificada da decisão em 10/12/2009 (AR – fls. 131), tendo interposto recurso voluntário em 11/01/2010 (fls. 132/155), no qual reapresenta os mesmo argumentos expendidos na impugnação. Tendo em vista que parte do crédito tributário discutido nestes autos decorre de glosa de prejuízos fiscais em face do referido saldo de prejuízos ter sido utilizado para diminuir o resultado apurado no lançamento de ofício realizado por meio do processo administrativo fiscal nº 11516.000785/200116, resolveu o colegiado, na sessão realizada em 24 de novembro de 2011, converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 130200.134, para juntada do referido processo para julgamento conjunto. Adotada a providência retornam os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.777 5 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Analiso em primeiro plano a alegação preliminar de decadência em relação à infração apurada relativa à adição ao resultado anual da parcela de realização mínima anual do lucro inflacionário, nos anos de 2000 e 2001. 1. Lucro Inflacionário: parcela mínima de realização. Contagem do prazo decadencial. A recorrente alega que teria ocorrido a decadência do direito da Fazenda Nacional de lançar as diferenças de IRPJ relativas ao lucro inflacionário realizado, nos termos do art. 150 §4º do CTN, pois o fato gerador do tributo teria ocorrido em 31/12/91, devidamente informado na Declaração de Rendimentos do exercício 1992. Argumenta ainda que a correção do saldo do lucro inflacionário até 31/12/1995 seria uma forma de eternizar o crédito tributário, elastecendo o prazo decadencial e que mesmo que se considere o fato gerador ocorrido em 31/12/1995, já teria transcorrido o prazo decadencial para o lançamento. Não assiste razão à recorrente. Contase o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido a partir do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que deveria ter sido realizado nos percentuais mínimos estabelecidos na legislação. Não merece reparos a decisão recorrida ao analisar a questão, conforme transcrevo abaixo: A questão, então, passa por saber quando ocorreu o fato gerador do imposto de renda sobre o lucro inflacionário, o que significa estabelecer quando o lucro inflacionário deveria compor o lucro real do contribuinte. Instituir um tributo nada mais é do que disciplinar, em lei, os aspectos da sua hipótese de incidência, quais sejam, os aspectos pessoal, material, espacial, quantitativo e temporal. Ora, no caso em tela, há que se perquirir o aspecto temporal da hipótese de incidência, ou seja, quando a lei considera ocorrido o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o lucro inflacionário. Visando não onerar o contribuinte enquanto não efetivado financeiramente o ganho, a legislação tributária, ao regrar o aspecto temporal da hipótese de incidência, disciplinou considerarse ocorrido o fato gerador do imposto de renda sobre o lucro inflacionário no exercício em que forem realizados os ativos sujeitos à correção monetária e na proporção de suas Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.778 6 realizações, diferindose o saldo não realizado. Assim determinava o art. 53 do Decretolei nº 1.598, de 1977. Tal dispositivo nada mais fez do que disciplinar o aspecto temporal e quantitativo da hipótese de incidência do imposto de renda sobre o lucro inflacionário ou, seja, quanto e quando deveria ser tributado. Não obstante o fato gerador do imposto de renda sobre o lucro inflacionário, na dicção do art. 53 do Decretolei nº 1.598, de 1977, ocorresse no momento e na proporção da realização dos ativos do contribuinte, o art. 23 do Decretolei nº 2.3411, de 29 de junho de 1987, com a alteração dada pelo Decretolei nº 2.429, de 14 de abril de 1988, instituiu um porcentual de realização mínima de cinco por cento do lucro inflacionário acumulado. Dessa forma, a partir de 1987, obrigatoriamente um determinado porcentual do saldo do lucro inflacionário sofria a incidência do imposto de renda. Alteraramse, assim, por tais normas, os aspectos temporais e quantitativos da hipótese de incidência. Em verdade, nada impedia que, desde o início, a incidência do imposto de renda sobre o lucro inflacionário se desse no próprio exercício de sua formação, já que a adoção do regime de competência torna totalmente irrelevante a questão da efetiva realização financeira do ganho. Entretanto, o que interessa é que, a partir daí, o fato gerador do imposto de renda passou a ocorrer todo ano, enquanto existente saldo de lucro inflacionário a realizar. O aspecto quantitativo passa, então, a ser o cerne da questão. Posteriormente, o art. 32 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, determinou uma realização mensal não inferior a dez por cento do saldo de lucro inflacionário, alterando, assim, tão somente, o aspecto quantitativo, já que a sistemática continuava a mesma, ou seja, tributarseia todo ano o lucro inflacionário, proporcional aos ativos realizados ou dez por cento do saldo de lucro inflacionário a realizar, caso este fosse maior. Tal realização mínima foi posteriormente mantida pelo art. 6º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Em suma, temse que o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o lucro inflacionário ocorria no momento da realização dos ativos e na proporção de tal realização até o advento da sistemática de realização obrigatória de porcentual mínimo, inaugurada pelo art. 23 do Decretolei nº 2.341, de 1987, alterada depois pelo Decretolei nº 2.429, de 1988, e mantida posteriormente, pelas Leis nº 7.779, de 1989, nº 8.541, de 1992, e nº 9065, de 1995. A partir daí, em cada ano passou a incidir o imposto de renda, no mínimo, sobre o porcentual mínimo obrigatório de realização do lucro inflacionário exigido 1 Embora o caput do art. 23 do Decretolei nº 2.341, de 1987, determinasse a realização mínima de 10%, a Instrução Normativa nº 66, de 21 de abril de 1988, determinou que fosse aplicado o percentual de 5% para o períodobase de 1987, ou seja, a redação dada pelo Decretolei nº 2.429, de 14 de abril de 1988, ao indigitado art. 23 aplicouse inclusive ao períodobase encerrado em 31 de dezembro de 1987. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.779 7 em lei, ainda que nenhum ativo fosse realizado mas, logicamente, enquanto existente saldo de lucro inflacionário a realizar. Tanto o acima exposto é verdade que a parcela do lucro inflacionário realizada no exercício fica sujeita à legislação do imposto de renda em vigor neste momento (alíquota etc.) e não à legislação vigente à época da formação (diferimento) do lucro inflacionário. Logo, a teor do disposto no art. 144 do CTN, o fato gerador do IRPJ sobre o lucro inflacionário, realmente, ocorre no momento e na proporção definidos em lei para a sua realização. Se assim não fosse, não poderia a lei, inicialmente, permitir o seu diferimento indefinidamente até que ocorressem os eventos definidos em lei que ensejassem a sua realização, salvo se se chegasse à conclusão de que a obrigação tributária nasceu no momento da formação do lucro inflacionário e que a legislação de regência concedeu, em verdade, uma moratória (dilação do vencimento da obrigação). Ora, se assim fosse, o imposto de renda incidente sobre o lucro inflacionário seria calculado de acordo com a legislação vigente à época da formação do lucro inflacionário, o que não ocorre, conforme salientado, já que a parcela do lucro inflacionário realizado vai compor o lucro real do período de sua realização e ser regido pela lei então vigente. Destarte, como dito, corre o prazo decadencial de o Fisco lançar o imposto de renda sobre a parcela do lucro inflacionário que deveria ser oferecida à tributação no exercício, a partir do fato gerador, de acordo com o art. 150, § 4º, do CTN. Todavia, conforme jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, esse dispositivo aplicase somente na hipótese de haver pagamento antecipado por parte do sujeito passivo. Não havendo pagamento antecipado, posicionase a referida jurisprudência no sentido de que a regra de decadência deva ser colhida no art. 173, I, do CTN. Convém ainda observar que: 1. até 31/12/1986, a parcela do lucro inflacionário realizada em cada período corresponde ao valor proporcional aos ativos realizados no período (baixa ou depreciação), calculada de acordo com o § 1º do art. 53 do Decretolei nº 1.598, de 1977; 2. de 1º/1/1987 a 31/12/1989, a parcela realizada em cada período corresponde ao valor proporcional aos ativos realizados ou, no mínimo, cinco por cento do lucro inflacionário acumulado, conforme dispõe o art. 23 do Decretolei nº 2.341, de 1987, alterado pelo Decretolei nº 2.429, de 1988, e interpretação dada pela Instrução Normativa SRF nº 66, de 1988; 3. de 1º/1/1990 a 31/12/1994, a parcela do lucro inflacionário realizada em cada período corresponde ao valor proporcional aos ativos realizados ou a cinco por cento do lucro inflacionário acumulado, o que fosse maior, nos termos do art. 23 da Lei nº 7.799, de 1989; e Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.780 8 4. a partir de 1995, a parcela realizada em cada período corresponde ao valor proporcional aos ativos realizados ou a dez por cento do saldo, o que for maior, nos termos do art. 32 da Lei nº 8.541, de 1992 e, posteriormente, do art. 6º da Lei nº 9.065, de 1995. O entendimento acima manifestado foi consolidado na jurisprudência administrativa com a edição da Súmula nº 10 deste Conselho, publicada no Anexo à Portaria CARF nº 052, de 21/12/2010, in verbis: 0 prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em face da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. Ante ao exposto, rejeito a preliminar de decadência alegada, mantendo o lançamento relativo à realização da parcela mínima do Lucro Inflacionário. 2. Da glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais. A recorrente se insurge contra a autuação em face da glosa por compensação Indevida de Prejuízos Fiscais, no valor de R$ 20.712,78, na apuração do lucro real do ano calendário 2000. Alega a recorrente que não procede a glosa realizada na medida em que teria saldo de prejuízos a compensar do anocalendário 2007 (R$ 18.171,99) que somado ao prejuízo verificado no anocalendário 1999 (R$ 2.540,79), totalizaria o prejuízo compensado no anocalendário 2000, no montante de R$ 20.712,78. Mais uma vez não assiste razão à recorrente. Ocorre que os alegados prejuízos acumulados já foram utilizados para diminuir o resultado apurado em lançamento realizado em outro processo administrativo fiscal, conforme descrito no acórdão de primeira instância, in verbis: Especificamente sobre as parcelas de prejuízos fiscais acumulados enfocadas pela impugnante, convém assentarse que no lançamento de que trata o processo administrativo fiscal nº 11516.000785/200116, já referido, às f. 19 e 20 (de que se juntam cópias neste momento às f. 108 e 109 dos presentes autos), demonstrase que o valor tributável lá considerado foi de R$ 82.759,87 (R$ 111.544,01 – R$ 28.784,14 = 82.759,87). Destarte, uma vez já aproveitado o saldo de prejuízo fiscal total existente em 31/12/1996 (Doc. 5, f. 97) naquele lançamento (anocalendário de 1996), nada mais haveria de prejuízo fiscal daquele anocalendário a ser compensado no anocalendário de 2000. A respeito da parcela de R$ 2.540,79 (Doc. 6, f. 100), constata se que, no anocalendário de 1998, aquele valor somado a outros prejuízos fiscais dos anoscalendário de 1991 a 1998 (R$ 39.348,13 + 2.540,79 = 41.888,92) constituiu o saldo acumulado (ou parte dele) que foi utilizado para compensação, conforme Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.781 9 demonstrado à f. 11 e às p. 3/6 e 4/6 do Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais – Sapli, que ora se aportam, em conjunto de 1/6 a 6/6, aos presentes autos, às f. 110 a 115. Assim demonstrado que não dispunha a impugnante dos saldos de prejuízos fiscais a compensar, foi correta a glosa procedida pela autoridade fiscal e deve ser mantida a exigência fiscal correspondente à infração nº 1, ora analisada. No julgamento do processo nº 1516.000785/200116, realizado nesta mesma data e sessão, decidiu este colegiado pela manutenção integral do lançamento, proferindo o Acórdão nº 1302001.223, de sorte que o alegado saldo de prejuízo já foi utilizado para reduzir parte do lançamento realizado naquele processo. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso nesta parte, mantendo a glosa de compensação de prejuízos efetuada. 3. Da aplicação de multa de ofício e da taxa de Juros Selic sobre o crédito tributário lançado. A recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício de 75% sobre os valores lançados, alegando que esta seria inaplicável na medida em que teria informado o saldo de lucro inflacionário em sua Declaração de Rendimentos do anocalendário 1992, além do que tal multa teria natureza confiscatória. Se insurge também contra o emprego da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, como juros de mora, que seria inconstitucional e que esta taxa que deveria ser substituída por outro indexador que se revele mais adequado aos ditames do art. 192, § 3º da CF/88 c/c art. 161, § 1º do CTN. A alegação da recorrente não tem como prosperar. A aplicação da multa de ofício sobre o lançamento do IRPJ, nos termos em que foi efetuada, decorre de expressa disposição legal (art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/1996). O simples fato de ter sido demonstrada a existência de lucro inflacionário na declaração de rendimentos do exercício 1992 não tem o condão de constituir o respectivo crédito tributário, mesmo porque o fato gerador do imposto foi diferido, no caso concreto, para momento posterior, conforme aqui foi examinado quando da apreciação da alegação de decadência. Da mesma forma, em relação ao lançamento de IRPJ em face da glosa de compensação indevida de prejuízos fiscais é correta a aplicação da multa de ofício, pois somente neste momento foi constituído o crédito tributário por iniciativa da administração fazendária. Com relação à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório, o que afrontaria a Constituição Federal, observo que, nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é “vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.782 10 observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Assim também dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne a aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado, também esta decorre de disposição legal (Art. 13 da Lei 9.065/1995 e Art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/1996)2, não podendo ser acolhida por este colegiado a alegação de inconstitucionalidade do dispositivo, nos termos acima expostos. Também não se vislumbra qualquer ilegalidade ou contrariedade ao CTN, pois o mesmo estabelece, no § 1º do seu art. 161, que a taxa de juros de mora será calculada à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso3. Além disso, a Súmula CARF nº 4, assim dispõe sobre a aplicação dos juros à taxa Selic: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto rejeito as alegações da recorrente. 2 Lei nº 9.065/1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 3 Lei nº 5.172/66 (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 11516.001990/200522 Acórdão n.º 1302001.224 S1C3T2 Fl. 1.783 11 4. Conclusão Pelas razões expendidas no presente voto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, em 05 de novembro de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 22 /11/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
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