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Numero do processo: 10480.915338/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.079
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.915338/201127 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.079 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 15 33 8/ 20 11 -2 7 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10480.915338/201127 Resolução nº 3401001.079 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.073. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10480.915338/201127 Resolução nº 3401001.079 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10480.915338/201127 Resolução nº 3401001.079 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.004264/2008-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 42 64 /2 00 8- 63 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 9202004.821 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 9202004.821 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 9202004.821 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 9202004.821 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 9202004.821 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 9202004.821 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 9202004.821 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 9202004.821 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10530.004264/200863 Acórdão n.º 9202004.821 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 571DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.736514/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Feb 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
Ementa:RENDIMENTOS DO EXTERIOR.
Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto.
ART 74 DA MP 2.158, DE 2001. ART. 43 DO CTN.
O art. 74 da MP nº 2.158-35, de 2001, autorizado pelo art. 43, I, § 2º do CTN, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, determinou o momento em que se considera ficta a disponibilização do lucro, que passou a ser pelo regime de competência, e não de caixa
LUCROS DO EXTERIOR
Os lucros recebidos do exterior pela controladora brasileira, segundo o regime de competência, pela própria definição do 74 da MP nº 2.158-35, de 2001, não se tratam de dividendos pagos, mas de lucros ou resultados auferidos pela controladora, na proporção da sua participação e no regime de competência.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento de CSLL decorrente do de IRPJ, o decidido em relação a este.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2008
IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO
Improcede o pleito de compensação do IRPJ e CSLL relativos a lucros recebidos do exterior não declarados, exigidos de ofício, se os resultados das controladas indiretas já foram consolidados na controlada direta conforme atesta empresa de auditora, e os impostos pagos pela controlada indireta em questão já fazem parte dos Demonstrativos Financeiros, em relação aos quais a autuação já havia compensado os impostos recolhidos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Numero da decisão: 1201-001.549
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano (relator), Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Eva Maria Los
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator.
(documento assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Redatora designada
Erro! A origem da referência não foi encontrada. - Redator designado.
EDITADO EM: 06/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 Ementa:RENDIMENTOS DO EXTERIOR. Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto. ART 74 DA MP 2.158, DE 2001. ART. 43 DO CTN. O art. 74 da MP nº 2.158-35, de 2001, autorizado pelo art. 43, I, § 2º do CTN, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, determinou o momento em que se considera ficta a disponibilização do lucro, que passou a ser pelo regime de competência, e não de caixa LUCROS DO EXTERIOR Os lucros recebidos do exterior pela controladora brasileira, segundo o regime de competência, pela própria definição do 74 da MP nº 2.158-35, de 2001, não se tratam de dividendos pagos, mas de lucros ou resultados auferidos pela controladora, na proporção da sua participação e no regime de competência. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento de CSLL decorrente do de IRPJ, o decidido em relação a este. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2008 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO Improcede o pleito de compensação do IRPJ e CSLL relativos a lucros recebidos do exterior não declarados, exigidos de ofício, se os resultados das controladas indiretas já foram consolidados na controlada direta conforme atesta empresa de auditora, e os impostos pagos pela controlada indireta em questão já fazem parte dos Demonstrativos Financeiros, em relação aos quais a autuação já havia compensado os impostos recolhidos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-02-06T13:04:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-02-06T13:04:26Z; Last-Modified: 2017-02-06T13:04:26Z; dcterms:modified: 2017-02-06T13:04:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:07056598-77ca-4296-8d33-10b56960e98f; Last-Save-Date: 2017-02-06T13:04:26Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-02-06T13:04:26Z; meta:save-date: 2017-02-06T13:04:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-02-06T13:04:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-02-06T13:04:26Z; created: 2017-02-06T13:04:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; Creation-Date: 2017-02-06T13:04:26Z; pdf:charsPerPage: 1828; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-02-06T13:04:26Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.736514/201198 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.549 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria IRPJ/Lucros do Exterior Recorrente BELGRAVIA SERVIÇOS E PARTICIPAÇÕES S/A (BELGRAVIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A), CNPJ 71.884.431/000106 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 Ementa:RENDIMENTOS DO EXTERIOR. Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto. ART 74 DA MP 2.158, DE 2001. ART. 43 DO CTN. O art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, autorizado pelo art. 43, I, § 2º do CTN, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 2001, determinou o momento em que se considera ficta a disponibilização do lucro, que passou a ser pelo regime de competência, e não de caixa LUCROS DO EXTERIOR Os lucros recebidos do exterior pela controladora brasileira, segundo o regime de competência, pela própria definição do 74 da MP nº 2.15835, de 2001, não se tratam de dividendos pagos, mas de lucros ou resultados auferidos pela controladora, na proporção da sua participação e no regime de competência. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento de CSLL decorrente do de IRPJ, o decidido em relação a este. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO Improcede o pleito de compensação do IRPJ e CSLL relativos a lucros recebidos do exterior não declarados, exigidos de ofício, se os resultados das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 65 14 /2 01 1- 98 Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 3 2 controladas indiretas já foram consolidados na controlada direta conforme atesta empresa de auditora, e os impostos pagos pela controlada indireta em questão já fazem parte dos Demonstrativos Financeiros, em relação aos quais a autuação já havia compensado os impostos recolhidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros Luis Fabiano (relator), Luiz Paulo e Luis Henrique, que lhe davam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Eva Maria Los (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (documento assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator. (documento assinado digitalmente) Eva Maria Los Redatora designada Erro! A origem da referência não foi encontrada. Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes. Relatório De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 933, 940 e do termo de verificação fiscal de fls. 889 a 926, os lançamentos do IRPJ e da CSLL, se devem a apuração da ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, dos lucros auferidos no exterior, por filiais, sucursais, controladas, ou coligadas nos anos calendário de 2007 e 2008. Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 4 3 A autuada teria deixado de adicionar, para efeito da apuração do imposto sobre a renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, os lucros obtidos pelas controladas Bento Pedroso Construções S/A, com sede em Portugal, e Construtora Norberto Odebrecht Del Ecuador S/A, com sede no Equador, nos anos calendários objeto da ação fiscal, sob a justificativa supostamente equivocada de que as convenções para evitar a bitributação firmadas entre Brasil e Portugal e o Brasil e o Equador não permitiriam a incidência tributária sobre os lucros das controladas nesses países. Impugnação Em suma, a impugnação delineou os seguintes pontos: 1) o art. 74 da Medida Provisória nº 215835, utilizado como fundamento da autuação, não serviria de amparo ao trabalho fiscal, eis que contraria o art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN); 2) o procedimento adotado pela impugnante está resguardado nas convenções para evitar a dupla tributação, firmadas pelo Brasil com Portugal e com Equador, as quais foram aprovadas, respectivamente, pelos Decretos nº 4.012/2001 e 95.717/88, que não autorizariam a não tributação dos lucros apurados em Portugal e no Equador, e prevalecem sobre a legislação interna, na forma do art. 98 do CTN; 3) os tratados firmados com Portugal e Equador autorizam a tributação de dividendos em ambos os países signatários, mas essa tributação deve ocorrer desde que eles tenham sido pagos ao respectivo titular, no entanto, não houve disponibilização de lucros para a impugnante que justificasse a tributação nos termos das normas convencionais mencionadas; 4) a aplicação do tratado firmado com Portugal para a evitar a dupla tributação à CSLL por disposição expressa do primeiro item do protocolo do Decreto nº 4.012/2001; 5) de modo similar, a aplicação à CSLL das disposições contidas no tratado firmado com Equador, anterior a instituição da contribuição, por força do seu parágrafo 3º do art. II; 6) não é possível a exigência do IRPJ e da CSLL sobre lucros ainda não disponibilizados, tendo em vista que o art. 74 da Medida Provisória nº 215835 não estaria em conformidade com o disposto no art. 43 do CTN, ao colocar a disponibilidade econômica antes da existência da renda; 7) na hipótese de manutenção das exigências fiscais, deveria ser reconhecido o direito a compensação do imposto pago na Líbia pela subsidiária de uma empresa cuja matriz situase em Malta e que é controlada por uma Holding que pertence a uma das controladas da impugnante, a Bento Pedroso Construções S.A., no que diz respeito ao ano de 2008, no montante convertido de R$ 4.905.512,65, registrados da contabilidade desta última por meio do método de equivalência patrimonial, sob a forma de tax credit, conforme autorizado pelo art. 26 da Lei nº 9.249/95; 8) deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores das multas de oficio, pois a lei somente prescreveria a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas. Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 5 4 Requer que a sua defesa seja conhecida e integralmente provida, para o fim de determinar o cancelamento das exigências fiscais. Opcionalmente, requer que seja refeito o cálculo dos tributos exigidos a fim de que seja computado o mencionado tax credit a que faz jus. Requer, ainda, o afastamento da incidência de juros de mora sobre os valores das multas de ofício. Acórdão nº 1261.159 5ª Turma da DRJ/RJ1 Inicialmente coube a autoridade julgadora defender, com base na decisão proferida na ADIn nº 2.588, o reconhecimento da constitucionalidade da aplicação do disposto no art. 74 da MP nº 2.15835 no presente caso. Haja vista tratarse, a presente autuação, de tributação de lucros auferidos no exterior através de controladas situadas em país sem tributação favorecida, considerandose o momento da disponibilização dos lucros apurados no exterior para a empresa brasileira a data do balanço no qual forem apurados. Quanto à conformidade da tributação dos lucros auferidos por intermédio de controladas no exterior com base no disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835 com as regras estabelecidas em tratados internacionais para evitar a dupla tributação, celebrados com base na Convenção Modelo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), entendeuse como plenamente compatível, na medida que o que está sendo tributado é o resultado de empresa domiciliada no Brasil em função de sua renda obtida por intermédio de sua participação em sociedades domiciliadas no exterior, na proporção de sua participação societária, e não o lucro auferido pela empresa estrangeira. Reconheceuse, ainda, o direito de compensação do imposto pago no exterior de modo a se evitar a dupla tributação, inclusive reputando que tal comando foi observado pela autoridade autuante, conforme consta do item 6 do termo de verificação fiscal, restando, ainda, controversa a não compensação dos valores pagos a título de tax credit por uma sucursal na Líbia, cuja matriz é domiciliada em Malta, controlada por holding que pertence à sociedade Bento Pedroso, situada em Portugal, cujo controle pertence à impugnante. Conquanto, conforme a autoridade autuante, os valores relativos a tax credit não foram considerados passíveis de compensação, na medida que não foram consolidados, via Método de Equivalência Patrimonial, no resultado da sociedade Bento Pedroso Construções S/A, controlada direta da impugnante em Portugal, não estando também consolidados os valores de tributos eventualmente pagos pelas investidas indiretas em seus respectivos países, conforme determinação expressa do § 6º do art. 14, combinado com o § 6º do art. 1º, da Instrução Normativa SRF nº 213, de 7 de outubro de 2002. Destacouse a alegação da impugnante de que a Bento Pedroso não consolidou os tributos pagos pelas investidas porque em seu entendimento a tributação no Brasil estava afastada por força do tratado para evitar a bitributação firmado com Portugal, porém apresenta como prova dos pagamentos efetuados os recibos de pagamento de imposto, com respectivas traduções juramentadas de fls. 1042 a 1068. Neste sentido, entendeuse que os documentos acostados aos autos não possuiriam o reconhecimento pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país de origem dos mesmos, faltandolhes, portanto, requisito formal para comprovação dos pagamentos Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 6 5 efetuados, fato esse que, somado a não consolidação anteriormente mencionada, impossibilitaria, nos termos da legislação supracitada, a compensação do imposto supostamente recolhido no exterior com o imposto incidente no Brasil. Assim, fora indeferido o pedido de compensação dos tributos devidos no Brasil com os supostos pagamentos efetuados a título de tax credit no exterior. Dos Juros sobre a Multa de Ofício Decidiuse no sentido de que a previsão legal da aplicação da taxa Selic e de 1% sobre o mês do pagamento estão no art. 30, da Lei nº 10.522/2002, ao se referir aos demais créditos da Fazenda Nacional. Portanto, incidem juros sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Dos Ajustes das Bases de Cálculo do IRPJ e da CSLL Mantida a exação em sua inteireza, reputouse a mantença dos ajustes das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que decorrente do próprio lançamento, e tendo em vista que sequer tal matéria foi impugnada pela interessada. Conclusão A Impugnação foi julgada improcedente, tendo sido mantido o credito tributário lançado. Recurso Voluntário Aproveito a síntese dos principais pontos do Recurso Voluntário trazidos em sede de Contrarrazões apresentada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, coadunando com as alegações já trazidas em sede de Impugnação: “(...) A recorrente, após a DRJ/RJ1 ter confirmado a validade do lançamento, tenta reformar a decisão daquele órgão julgador alegando, basicamente, que: (a) a Fiscalização estaria exigindo IRPJ e CSLL sobre os lucros de titularidade das controladas residentes em Portugal e no Equador; (b) o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, viola o § 1º do art. 7 do Tratado para evitar dupla tributação firmado entre Brasil Portugal e BrasilEquador; e (c) não é possível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (...)” Contrarrazões ao Recurso Voluntário Dos argumentos trazidos, destaco e reproduzo os mais relevantes para o mote da controvérsia: “(...) (...) compete ao aplicador do tratado buscar nas legislações de cada país contratante o significado dos termos não definidos nos Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 7 6 tratados. A r. decisão de primeira instância respeitou tal regra, ao dar ao termo “lucro de empresa residente” um significado que está em conformidade com o ordenamento jurídico brasileiro. Isso porque entendeu, acertadamente, que a lei brasileira estaria incidindo sobre lucros de empresa residente no Brasil, o que, evidentemente, consiste no escopo da Lei nº 9.249, de 1995, e do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Portanto, se o art. 7º do tratado dispõe que os “lucros de empresa serão tributados apenas no país de residência”, a lei brasileira não contraria o art. 7º dos Tratados. Ao contrário, no caso, o lucro de empresa residente no Brasil está sendo tributado no Brasil, o que implica dizer que o art. 7º está sendo observado e respeitado pela legislação pátria. (...) Inicialmente, cumpre salientar que o auto de infração realmente tem por objeto os lucros da empresa brasileira – BELGRÁVIA EMPREENDIMENTOS –, e não de suas controladas no exterior – BENTO PEDROSO CONSTRUÇÕES S.A., em Portugal, e a CONSTRUTORA NOBERTO ODEBRECHT DEL ECUADOR, no Equador. Ora, restou demonstrado que a natureza do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, é de norma CFC. Nesse ponto, convém mais uma vez frisar que é da essência da norma CFC brasileira o reconhecimento da personalidade jurídica distinta da controladora ou coligada e das suas controladas e coligadas residentes no exterior. Dessa maneira, não existe a alegada desconsideração da personalidade jurídica das empresas situadas no exterior, para fins de tributação. Com efeito, o intuito na norma brasileira é definir o momento da disponibilização dos lucros para as pessoas jurídicas residentes no país. Significa dizer que a base material da tributação são os lucros dos sócios residentes no Brasil – apurados a partir dos lucros provenientes de suas controladas ou coligadas no exterior. (...) Importante esclarecer que a utilização de normas CFC não viola o propósito dos Tratados para evitar dupla tributação. Mais especificamente, não há qualquer incompatibilidade entre o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e o art. 7 do tratado firmado entre o BrasilPortugal e BrasilEquador. Isso porque aquele dispositivo apenas estabeleceu que os lucros auferidos pelas controladas no exterior consideramse disponibilizados para a controladora brasileira na data do balanço em que tiverem sido apurados. Como os lucros da sociedade estrangeira são imputados à empresa brasileira, não há descumprimento ao Art. 7 do Tratado – afinal, continuará havendo tributação dos lucros disponibilizados à controladora residente no Brasil. Assim, resta comprovada a inaplicabilidade do art. 7 da Convenção Brasil–Portugal e BrasilEquador ao caso dos presentes autos. (...) Fl. 1450DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 8 7 (...) as regras CFC não estão em conflito com os tratados porque está claro, no âmbito internacional, que cada país pode dispor livremente sobre a base de cálculo do imposto de renda devido pelo residente que investe no exterior, desde que impeça a dupla tributação. Aliás, podese dizer que essa é a regra fundamental para fins de interpretação dos tratados para evitar a dupla tributação, de acordo com a conclusão que está evidenciada no parágrafo 14 dos comentários ao Art. VII da Convenção Modelo da OCDE (...) (...)cumpre ressaltar que o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento em relação à constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, no julgamento da ADI 2.588. Naquela oportunidade, a suprema corte afirmou que o dispositivo somente não poderia ser aplicável para coligadas residente em país sem tributação favorecida. Por seu turno, o STF voltou a se pronunciar sobre o tema após ter concluído o julgamento da ADI 2.588, tendo ratificado o entendimento proferido no citado precedente e avançado em alguns pontos, notadamente no que diz respeito à constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, quando o caso envolver controladas residentes fora de “paraíso fiscal”. (...) III DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA (...) Não há dúvidas, segundo a dicção do art. 161 do CTN, do acréscimo de juros de mora sobre o crédito não adimplido no vencimento. Uma simples análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revelam que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. (...) A dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. (...) Em respeito ao princípio da eventualidade, caso os ilustres julgadores entendam que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não abrange a multa de ofício, é preciso deixar claro que, ainda assim, incidiriam juros de mora à taxa de 1% ao mês. Isso Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 9 8 porque não se poderia desprezar o comando do já citado art. 161 do CTN, (...) Diante disso, é possível afirmar que o entendimento correto, pautado em uma interpretação sistemática e finalística das normas tributárias envolvidas, é aquele que afirma a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e utilizase da taxa Selic. Portanto, não se pode admitir, em hipótese alguma, a exclusão total dos juros de mora sobre a multa de ofício, por expressa afronta ao § 1º do art. 161 do CTN e à finalidade do ordenamento tributário. (...)” É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Mérito O tema ora analisado vem sendo alvo de calorosas discussões no âmbito deste Conselho, de modo que abre margem para diversos entendimentos e posicionamentos acerca de um tratamento objetivo aos casos concretos. Ao ver deste julgador, o ponto central da controvérsia tangencia a utilização do método de equivalência patrimonial como o direcionador do pátrio tratamento tributário conferido aos lucros auferidos no exterior. Pois bem. O art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 disciplina o aspecto temporal da disponibilização ficta dos lucros do exterior e, neste passo, compulsiona a adoção do Método de Equivalência Patrimonial como o instrumento capaz de avaliar os resultados sentidos pela empresa controladora, advindos dos lucros da empresa controlada. A redação do supracitado normativo é a seguinte: “Art.74.Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos doart. 25 da Lei no9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na Fl. 1452DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 10 9 forma do regulamento.(Vide Lei nº 9.532, de 1997)(Vide ADI nº 2588, 2001)” O MEP (Método de Equivalência Patrimonial), por sua vez, consiste em atualizar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação societária da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade investida, e no reconhecimento dos seus efeitos na demonstração do resultado do exercício. O valor do investimento, portanto, será determinado mediante a aplicação da porcentagem de participação no capital social, sobre o patrimônio líquido da sociedade controlada. Este é imposto obrigatoriamente pela Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6404/76) para refletir o valor patrimonial dos investimentos: “Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários.” Portanto, a determinação do momento de disponibilização como a data do balanço significa apenas atestar que não são alvos de abrangência desta lei a posterior distribuição dos dividendos, mas apenas as mutações no patrimônio líquido da empresa controlada sendo refletidos no patrimônio líquido da empresa controladora. Neste sentido, os lucros apurados na empresa controlada são incorporados ao patrimônio líquido ao final do período e, através do MEP, devem refletir no Patrimônio Líquido da empresa controladora. Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 11 10 Com efeito, o resultado de equivalência patrimonial apensas atesta a sistemática de apuração de lucros por meio de controladas. O MEP é mera forma de reflexo do resultado da controlada na controladora. Tratase do instrumento essencial e imprescindível à identificação da disponibilização dos lucros auferidos por controlada no exterior. Está intrínseca a obrigatoriedade sua utilização, quando da determinação específica do aspecto temporal por parte do legislador. A realização dos lucros no exterior significa uma valorização do investimento da controladora e, assim, um resultado positivo da equivalência e um acréscimo patrimonial observável aos usuários/agentes a esta relacionados (Fisco, investidores, acionistas, auditores, dentre outros). Tal entendimento está em total consonância com o Acórdão nº 1801002.100: “(...) Todavia, uma avaliação mais detida dos dispositivos mencionados revela que o resultado positivo da equivalência tão somente atesta a apuração dos lucros auferidos por intermédio das sociedades coligadas ou controladas. Dito de outro modo (...), o resultado positivo da equivalência patrimonial representa o meio o veículo de inclusão, na apuração do lucro da pessoa jurídica brasileira, da parcela do lucro apurado pela sociedade investida estrangeira.(...)” Neste sentido também é o entendimento firmado no v. acórdão recorrido: “(...) o que está sendo tributado é o resultado de empresa domiciliada no Brasil em função de sua renda obtida por intermédio de sua participação em sociedades domiciliadas no exterior, na proporção de sua participação societária, e não o lucro auferido pela empresa estrangeira.(...)” Firmadas essas considerações iniciais, essencial o estabelecimento da tratativa exata conferida ao resultado positivo da equivalência patrimonial. Devese esclarecer, que, neste contexto, o lucro pode ser analisado sob três perspectivas distintas: i) econômica; ii) contábil; e iii) fiscal. O lucro econômico é apurado pelo incremento no valor presente do patrimônio líquido, envolvendo aspectos ligados à subjetividade. A essência do conceito reside, então, em impactos diretos no patrimônio líquido, que podem se concretizar em duas ocasiões e vertentes distintas: i) decorrente das operações da entidade (lucro líquido + custo de oportunidade); ou ii) da valorização de seus ativos. Ao ser mensurado pelo incremento do patrimônio líquido, o lucro econômico requer avaliação de todos os ativos da empresa com base nos recebimentos líquidos futuros esperados, com o cálculo do valor presente dos fluxos dos benefícios futuros. Neste contexto, a conclusão que nos interessa é a de que o lucro deriva do aumento no Patrimônio Líquido da entidade. Fl. 1454DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 12 11 Já o lucro contábil é apurado pelo confronto de ganhos e gastos relativos diretamente a atividade da entidade. É aquele resultante da DRE (Demonstração de Resultado do Exercício), após a confrontação das receitas com os custos e despesas incorridos no período, o Lucro Líquido. Neste contexto o patrimônio líquido aumenta pelo Lucro. Por fim, o lucro fiscal é o resultado contábil ajustado. O ajuste é feito por Adições/inclusões e Exclusões/subtrações e compensações de prejuízos fiscais de acordo com as exigências e permissivos firmados pela legislação do Imposto de Renda. Esse valor "corrigido" é a base para o Imposto de Renda. A percepção de cada um no caso concreto é o que vai compor o raciocínio que se pretende atingir. O que se espera que ocorra na controlada: primeiramente percebese um lucro contábil, consequente a sua atividade operacional, são os lucros no exterior propriamente ditos; imediatamente após, perfazse o lucro fiscal, de acordo com as imposições da lei local acerca da tributação deste lucro; e então um lucro econômico com o incremento do patrimônio líquido, decorrente das operações da entidade (a primeira vertente destacada referente ao lucro econômico). Quanto a controladora, o racional se desenvolve de forma diferente. O resultado da equivalência, consequente ao MEP, perfaz prontamente uma valorização do ativo “investimento” na controladora, o que norteia o conceito de lucro econômico (em sua segunda vertente destacada). Estes resultados positivos são então contabilizados: debitados na conta de ativo; e creditados como receita, conforme a definição do art. 388, §2º, primeira parte do RIR/99 c/c art. 248, inciso III, alínea “a)” da Lei nº 6404/76. A grande controvérsia surge, então, quanto ao lucro fiscal da empresa controladora. A posição do presente julgador é a de que a legislação se desenha para que o tratamento fiscal conferido aos resultados da equivalência patrimonial seja no sentido de exclusão destes valores do Lucro Real. É a dicção legal do art. 389 e art. 428, caput, ambos do RIR/99, in verbis: Art.389.A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). Art.428.Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, §2º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso V). Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 13 12 A intenção do legislador é simples: o que quer se evitar é claramente a bitributação, uma vez que os lucros já foram tributados pela entidade controlada, no momento em que apuraos através de sua atividade operacional e do lucro contábil percebido (confrontação receitas x custos e despesas). Essencialmente, sob o prisma da capacidade contributiva, o que quer se evitar é que a empresa controladora sofra indiretamente com o ônus da tributação sobre os lucros efetivos apuradas por sua controlada e então novamente sobre o reflexo destes lucros (já onerados pela tributação), agora diretamente em seu patrimônio. Este signo de riqueza (manifestação objetiva) já fora alvo de tributação e deste modo não há um contribuinte apto a receber o impacto tributário duplamente (manifestação subjetiva). Neste sentido bem delinearam os Acórdãos nºs 10196.318, 10196.317 e 10196.364: “(...) Os resultados da avaliação dos investimentos, pelo método de equivalência patrimonial, segundo a legislação do Imposto de Renda, não se enquadram na categoria de lucros auferidos pela controladora sujeitos à incidência desse imposto, vez que os mesmos são tributados, por ocasião de sua apuração, na sociedade investida.(...)” Por consequência, o que deve se buscar é a sincronicidade e harmonia com o disposto em Tratados Internacionais, de acordo com os parâmetros definidos pela Convenção Modelo da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômicos (OCDE). Há, desta feita, total consonância com o art. 7º, tanto do Tratado Brasil x Portugal, quanto do Tratado Brasil x Equador: “(...) Tratado BrasilPortugal Artigo 7° Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável. (...)” “(...) Tratado BrasilEquador Artigo 7° Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua Fl. 1456DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 14 13 atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros são tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente.(...)” Resta inequívoco, portanto, que a lógica do ordenamento jurídico não coloca em xeque as disposições constantes dos Tratados Internacionais, pelo contrário, perfazem, conjuntamente, integral alinho. No passo em que os Tratados Internacionais dispõem que os “lucros de empresa serão tributados apenas no país de residência”, a legislação pátria imputa a exclusão dos resultados da equivalência patrimonial do Lucro Real, ou seja, tributase a controlada e não tributase a controladora. Ora, a operação que se dá no exterior (controlada) culmina de forma iminente na tributação dos lucros, de acordo com a disposição dos tratados. Desta feita, a lógica do sistema jurídico brasileiro deve ser (e é de fato) no sentido de impossibilitar uma nova tributação sobre o mesmo fato gerador. Ocorre que, sem razão aparente e sem qualquer respeito ao ordenamento jurídico, o legislador, especificamente quanto aos lucros auferidos no exterior, impôs a necessidade de inclusão dos resultados de equivalência patrimonial, entre controladas, no Lucro Real. Eis a redação do art. 428, parágrafo único do RIR/99 c/c o art. 25 da Lei nº 9249/95 (art. 328 do RIR/99), in verbis: “Art.428.Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, §2º, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso V). Parágrafoúnico.Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, decorrentes da variação no percentual de participação, no capital da investida, terão o tratamento previsto no art. 394 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, §6º). (...)” “Art.394.Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano (Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). (...)” Por todo o raciocínio até então desenvolvido, soa incabível este tratamento especial e peculiar, ainda mais quanto aos lucros auferidos no exterior pelas empresas controladas. Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 15 14 Na falta de uma lógica do próprio ordenamento jurídico, os próprios Tratados Internacionais trataram sobre o tema, ratificando e robustecendo a assertiva de que os lucros não devem ser tributados pela controladora, mas sim pela controlada. Qualquer interpretação literal, lógica, histórica, entre outras, dos referidos dispositivos deve falecer ou ir de encontro a uma interpretação sistemática. Tais dispositivos legais estão em desalinho com o ordenamento jurídico brasileiro e, por consequência, com os Tratados Internacionais referente a regulação e tratamento da tributação sobre o lucro que se percebe da relação entre controladora e controlada. A legislação brasileira, ao dispor sobre a equivalência patrimonial, desenha uma lógica que aponta para a não tributação dos lucros em empresa controladora, quando tais lucros já foram tributados pela empresa controlada. O combate a bitributação deve ser o norte, no momento em que perfaz a mens legis. Não há que se falar na prevalência de tratados sobre leis locais, mas a harmonia entre estes. O ordenamento jurídico está em consonância com os tratados, com exceção de uma disposição específica inserida de modo unilateral. E uma interpretação sistemática, que inclui o disposto em Tratados Internacionais, nos leva a conclusão irretorquível de que os lucros devem ser tributados no exterior e os resultados da equivalência devem ser excluídos do lucro real em nível nacional, no que concerne ao controlador aqui residente. Destaquese que o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 representa exatamente essa contradição da legislação brasileira. Na primeira parte do referido dispositivo há referência expressa à tributação do IRPJ e CSLL com base no já citado art. 25 da Lei nº 9249/95 (art. 328 do RIR/99). Já na segunda parte, há referência ao aspecto temporal da disponibilização dos lucros no exterior, que, como já adiantado, compulsiona a adoção do Método de Equivalência Patrimonial para apurar os impactos dos lucros na controlada refletindo no Patrimônio da controladora. Como já delineado, o tratamento para os resultados positivos de equivalência é de total neutralidade tributária. Portanto, não se está aqui a escancarar a inconstitucionalidade do referido normativo (tal constitucionalidade é patente diante do definido na ADI nº 2588DF), tampouco sua incompatibilidade e posterior prevalência ou não com os Tratados Internacionais. O que se quer firmar é a margem criada pelo legislador ao possibilitar dois caminhos tributários diferentes a serem seguidos. O primeiro baseado em legislação esparsa e sem qualquer lógica perante o ordenamento jurídico e os Tratados Internacionais. E o segundo, pelo contrário, em total consonância com a legislação nacional e com as convenções internacionais, perfazendo principalmente a harmonia com o princípio da igualdade constitucional e sua manifestação na seara tributária, o princípio da capacidade contributiva. A bitributação internacional viola a justiça fiscal porque acaba tributando os Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 16 15 rendimentos de uma pessoa de modo exacerbado, desrespeitando referidos princípios de forma latente. O posicionamento do presente julgador fora inteiramente construído para evidenciar a legalidade e efetividade deste segundo caminho. Apenas a título elucidativo, passase agora a ratificar todo o ora afirmado, porém de forma inversa, o que nos levará a mesma conclusão. Veja, quanto aos tratados internacionais aqui analisados há expressa previsão de tributação dos lucros exclusivamente no exterior, na pessoa da controlada. No entanto, compete ao aplicador do tratado buscar nas legislações de cada país contratante o significado dos termos não definidos nos tratados. O ora recorrente suscita, com razão, a indefinição da padronização quanto ao conceito de lucro perante o cenário internacional. Desta forma, devemos nos socorrer à legislação pátria. Isto nos conduz, de pronto, a observância do art. 43, §2º, do CTN, que assim dispõe: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) O referido normativo tem eficácia limitada e depende de lei para a determinação do aspecto temporal da disponibilização destes rendimentos advindos do exterior, para fins de incidência ou não do IRPJ. Coadunando o §2º com o caput do art. 43, subsumese que será definido por lei o momento e as condições para a posterior identificação inequívoca da disponibilidade econômica e jurídica de renda. Somente desta forma poderá se determinar se há a concretização do fato gerador do tributo. Naturalmente há a necessidade de aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que define de forma cristalina este aspecto temporal da disponibilização dos lucros como a data do balanço no qual tiverem sido apurados. Submetendo os lucros a tal definição, conforme já visto, surge a obrigatoriedade de utilização do MEP como instrumento para identificação desta disponibilização. Desta feita, urge a aplicação dos arts. 398 e 428 do RIR/99, que disciplinando a tratativa tributária conferida aos resultados positivos da equivalência, perfaz total Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 17 16 neutralidade, indicando expressamente o não cômputo destes rendimentos no lucro real da controladora. Desta forma, tendo como premissa o disposto em Tratados Internacionais, a lógica que se desenha no sistema nacional é a de que, uma vez definido o aspecto temporal como a data do balanço, a conseqüência será necessariamente a impossibilidade de tributação dos lucros advindos do exterior (os reflexos do lucro na controladora), apesar de se perceber de fato uma disponibilidade econômica e jurídica de renda. A grande questão é essa. Parte da doutrina e da jurisprudência valida a aplicação do art. 25 da Lei nº 9249/95 (e a parte “contaminada” do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001), acreditando que por haver a disponibilidade econômica e jurídica da renda e por ser norteado o art. 43 do CTN e a hipótese de incidência do IRPJ, há, de fato, um lucro fiscal. Existe, de fato, um lucro econômico e contábil: há a valorização dos ativos da controladora, especificamente no que diz respeito ao investimento relativo a participação societária em empresa controlada; e contabilmente, a contrapartida do ajuste do valor do investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial transitará pelo balanço de resultados aumentando, em conseqüência, o lucro líquido do período. Mas não há um lucro fiscal, no momento em que a legislação expressamente determina a exclusão destes valores advindos do exterior, para fins de evitar a bitributação, uma vez já tributados pela empresa controlada. Desta feita, a legislação pátria e os Tratados Internacionais se adequam de forma perfeita a uma realidade fática. Antecedem a ocorrência da bitributação. São normas, em conjunto, preventivas. O tratado se adaptou as leis locais e, do mesmo modo, as leis locais se adaptaram aos tratados internacionais. Conclusão irretorquível é a de que os lucros não são tributados pela controladora brasileira, ora recorrente, mas sim pela controlada estrangeira. Robustece todo o exposto a apresentação dos comprovantes de pagamento dos tributos no exterior pelo ora recorrente. Apesar de não ser dever do contribuinte brasileiro a prova de que foram pagos os tributos no exterior, uma vez que a legislação impõe como única possibilidade o pagamento na figura da controlada no exterior, as provas acostadas efetivam e validam faticamente todo o raciocínio até então desenvolvido. O v. acórdão recorrido atesta a existência dos comprovantes mas invalidaos, para fins de compensação, sob a justificativa de ausência de reconhecimento do Consulado da Embaixada Brasileira no país de origem dos mesmos. Devese ressaltar, tal requisito é imposto exclusivamente para efetivar a compensação do Imposto de Renda incidente no exterior, nos termos do art. 26, §2º, da Lei 9249/95. Não se aplica tal condicionante ao caso concreto. O que se busca não é a compensação, mas apenas a prova de que a sistemática legal criada está sendo seguida na prática. Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 18 17 Ademais, o art. 16, inciso II da Lei 9430/96 expressamente dispensa tal requisito quando comprovado que a legislação do país de origem do lucro prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado. O Termo de Verificação Fiscal evidencia o pagamento dos tributos, tanto por parte da BENTO PEDROSO CONSTRUÇÕES S/A, em fls. 915 a 918, quanto da CONSTRTUTORA NORBERTO ODEBRECHT ECUADOR S/A, em fls. 919 e 920, através da análise dos seguintes documentos: Os documentos acostados aos autos tornam inequívocos os pagamentos efetivamente realizados no exterior. Conforme a legislação pátria vigente e o disposto nos Tratados Internacionais Brasil x Portugal e Brasil x Equador, o que se busca é evitar a bitributação, razão pela qual as provas trazidas aos autos apenas fortalecem a conclusão de que os lucros devem ser tributados no exterior pela controlada, mas não devem ser tributados pela controladora residente no Brasil, ora recorrente. Deste feita, julgo totalmente improcedente o lançamento. Aplicase às exigências ditas reflexas (CSLL) o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, DARLHE INTEGRAL PROVIMENTO, reconhecendo a improcedência dos lançamentos de IRPJ e CSLL. É como voto. (documento assinado digitalmente) Relator Luis Fabiano Alves Penteado Relator Voto Vencedor Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 19 18 Redatora designada Conselheira Eva Maria Los 1 Tratados internacionais contra bitributação e legislação interna. 2. O art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995, dispõe que o lucro das empresas residentes no Brasil será também composto pelos resultados auferidos no exterior, com base no princípio constitucional da tributação em bases universais. Dessa forma, os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior passaram a integrar o lucro real das pessoas jurídicas brasileiras. 3. O art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, define o elemento temporal do fato gerador, ou seja, o momento em que se consideram disponibilizados os lucros para as controladoras ou coligadas brasileiras. 4. O objeto da Lei n° 9.249, de 1995, e do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, não é o lucro de empresa estrangeira, mas os lucros da sociedade sediada no Brasil. Significa que o enfoque da legislação nacional foi delimitar o conceito de lucro real, incluindo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da empresa brasileira a parcela de lucros auferidos no exterior por intermédio de suas controladas ou coligadas. 5. A acusação de que o art. 74 afrontaria o art. 7º das Convenções decorre do errôneo entendimento, de que a tributação incidiria sobre lucros da controlada estrangeira, o que não é correto. Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. (Vide ADI nº 2588, 2001). 6. O Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal STF, decidiu em 10/04/2013 (Publicado em 10/02/2014), com efeito erga omnes e vinculante, na Ação Direta de Inconstitucionalidade ADI 2588 / DF Distrito Federal: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 não se aplica às empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. O Tribunal deliberou pela não aplicabilidade retroativa do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, por sucederem a ministros que votaram em Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 20 19 assentadas anteriores. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 10.04.2013. 7. No presente caso, Portugal e Equador são os domicílios das controladas diretas da Autuada e tratamse de países sem tributação favorecida. 8. A decisão erga omnes e vinculante, decidiu pela constitucionalidade, mas não se pronunciou no que se refere à aplicação do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, às controladas localizadas em países sem tributação favorecida. 9. Por isso, a questão deve ser discutida nestes autos. 10. Para tanto trago, por serem pertinentes à presente discussão, considerações do Procurador da Fazenda Nacional, Rodrigo de Macedo Burgos, em 06/12/2014, sobre a constitucionalidade do art. 74 da MP nº 2.15/35, de 2001, o julgamento da ADI 2.588 e o RE 541.090/SC: Antes de adentrar nas considerações especificas sobre o caso em apreço, cumpre trazer à luz o que o egrégio Supremo Tribunal Federal decidiu acerca da aplicação do art. 74 da MP 2.158 35/01. Algumas conclusões assentadas por aquela Corte Constitucional servem para orientar o sentido que se deve tomar ao interpretar a referida norma, inclusive em sua relação com os Tratados Internacionais para evitar a dupla tributação firmados pelo Brasil. A decisão do STF no caso em epígrafe foi de reconhecimento parcial da inconstitucionalidade da norma, apenas para as situações que especifica. Na ocasião, a Corte Suprema não estabeleceu exatamente todos os contornos segundo os quais o referido art. 74 será aplicado, haja vista a intensa divergência entre seus membros, aliado ao fato de que o Ministro Gilmar Mendes considerouse impedido de votar, o que não possibilitou a composição de maioria sobre todos os aspectos. Referida ADIN permaneceu no STF por longos doze anos, até que na sessão do dia 03 de abril de 2013, o Ministro Joaquim Barbosa proferiu votovista, consolidando a existência de quatro entendimentos distintos: (...) Diante do impasse, o tribunal houve por bem PROCLAMAR o resultado na ADI 2588, para após, diante do que sobejasse, adentrar na discussão dos recursos extraordinários, caso a caso. Assim, restou fixado o seguinte entendimento: a) Questões para as quais houve quórum constitucional: •A declaração da inconstitucionalidade da tributação do lucro em relação às empresas coligadas no Brasil, por meio de suas coligadas no exterior, localizadas em países de tributação dita "normal", com efeito vinculante e eficácia erga omnes. • A declaração de constitucionalidade da tributação do lucro em relação às empresas controladoras no Brasil, por meio de suas controladas no exterior, localizadas em países com tributação favorecida, com efeito vinculante e eficácia erga omnes. b) Questões que não alcançaram quórum constitucional: Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 21 20 • Tributação do lucro em relação às empresas coligadas no Brasil, por meio de suas coligadas no exterior, situadas em países com tributação favorecida. • Tributação do lucro em relação às empresas controladoras no Brasil, por meio de suas controladas no exterior, situadas em países com tributação dita "normal". (...) Na mesma assentada, a Suprema Corte procedeu ao julgamento de dois RREE que versavam sobre a mesma matéria, e decidiu, no RE 541.090/SC (já com votos de novos Ministros que não haviam votado na ADI, como Teori Zavascki), que a norma do art 74 seria aplicável também às controladas sediadas em países com tributação dita "normal". O teor da ementa é cristalino, quanto a isto, particularmente em seu parágrafo 2: RECURSO Extraordinário 541.090 Santa Catarina Relator: Min. Joaquim Barbosa redator do Acórdão: Min. Teori Zavascki Recte.(s) : União Froc.(a/s)(es): procuradoriageral da Fazenda Nacional Recdo.(a/s) : Empresa Brasileira de Compressores S/a Adv.(a/s) :Sércio Farina Filho e Outro(a/s) EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCROS PROVENIENTES DE INVESTIMENTOS EM EMPRESAS COLIGADAS E CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.15835/2001. 1. No julgamento da ADI 2.5SS/DF, o STF reconheceu, de modo definitivo, (a) que é legítima a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 relativamente a lucros auferidos por empresas controladas localizadas em países com tributação favorecida (= países considerados "paraísos fiscais"); e (b) que não é legítima a sua aplicação relativamente a lucros auferidos por empresas coligadas sediadas em países sem tributação favorecida (= não considerados "paraísos fiscais"). Quanto às demais situações (lucros auferidos por empresas controladas sediadas fora de paraísos fiscais e por empresas coligadas sediadas em paraísos fiscais), não tendo sido obtida maioria absoluta dos votos, o Tribunal considerou constitucional a norma questionada, sem, todavia, conferir eficácia erga omnes e efeitos vinculantes a essa deliberação. 2. Confirmase, no presente caso, a constitucionalidade da aplicação do caput do art 74 da referida Medida Provisória relativamente a lucros auferidos por empresa controlada sediada em país que não tem tratamento fiscal favorecido. Todavia, por ofensa aos princípios constitucionais Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 22 21 da anterioridade e da irretroatividade, afirmase a inconstitucionalidade do seu parágrafo único, que trata dos lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2002. 3. Recurso extraordinário provido, em parte. (Grifouse.) (N.R. Este Acórdão foi proferido em 10 de abril de 2013.) Assim, no que se refere ao caso em apreço, que cuida de empresas controladas em países sem tributação favorecida, já há manifestação do STF no sentido da aplicabilidade da norma. Da mesma forma, a Corte Suprema já assentou que a incidência em questão recai sobre o lucro da empresa brasileira, jamais sobre o da estrangeira. Neste sentido, vejase trecho do voto condutor do mencionado RE 541090/SC: Esclareçase que a tributação não está prevista para incidir sobre lucro obtido por empresa situada no exterior, mas, sim, sobre os lucros obtidos por empresa sediada no exterior. Com isso, afastase a dupla tributação. Concorre para isso, ademais, a circunstância de que, paralelamente à tributação em bases universais, a Lei instituiu, no art. 26, um sistema de compensação, a saber: (...) Registrese, por fim, ainda sobre a alegada dupla tributação, que o dispositivo aqui impugnado (art. 74 da MP 2.15835/2001) não criou, nem ampliou tributo algum. O imposto de renda sobre rendimentos obtidos por empresa situada no Brasil, advindos de fonte situada no exterior (tributação em bases universais TBU) já existe, como referido, desde a Lei 9.249/95. Portanto, é contra essa Lei que se deveria opor a alegação de dupla tributação e, não, ao art. 74 da MP 2.15835/2001, aqui questionado. Portanto, qualquer alegação de que a tributação com base no art. 74 da MP 2.15835/01 recai sobre a controlada estrangeira, bem como qualquer interpretação que conflua desta premissa ou deságue nesta conclusão, deverá ser prontamente rechaçada. 11. No que tange à alegada incompatibilidade do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, com o art. 7º das Convenções, conforme argumenta a PFN nas Contrarrazões, o conceito de lucro deve ser buscado na legislação de cada um dos paises signatários, e a definição, no Brasil, está calcada no art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que determina a tributação em bases universais, atendendo ao disposto no art. 153, I, § 2º da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988; e, na sequência, o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, que autorizado pelo art. 43, I, § 2º do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, determinou o momento em que se considera ficta a disponibilização do lucro, que passou a ser pelo regime de competência, e não de caixa: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 23 22 § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) 12. Tributase o lucro auferido pela empresa controladora brasileira, lucro este oriundo do exterior; o objeto da tributação é o lucro da empresa sediada no Brasil, não se desrespeitando dessa forma a cláusula que determina que "Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado". 13. Eis que o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, tratase de norma CFC (Controlled Foreign Corporations), na medida em que disciplina as relações entre empresas controladas e coligadas no exterior e as controladoras e coligadas no Brasil e trata a controlada como entidade distinta da controladora no Brasil e legisla sobre os lucros da controladora, pessoa jurídica situada no Brasil, não ferindo os Tratados para evitar a Bitributação firmados. 14. A legislação brasileira sinteticamente descrita visa implementar a tributação universal da renda da pessoa jurídica sediada no Brasil e evitar o diferimento por tempo indeterminado da tributação dos lucros auferidos no exterior. 1.1 CLÁUSULA DE ISENÇÃO, NAS CONVENÇÕES. 15. Decreto nº 4.012, de 13 de novembro de 2001, Convenção BrasilPortugal, para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal, em matéria de Impostos sobre Rendimentos: Artigo 2º Impostos Visados 1. Os impostos atuais aos quais se aplica esta Convenção são: a) no caso do Brasil: o Imposto Federal sobre a Renda, (doravante denominado "imposto brasileiro"); b) no caso de Portugal: o Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS); o Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC); a derrama; (doravante denominados "imposto português"). 2. A presente Convenção será também aplicável aos impostos de natureza idêntica ou similar que entrem em vigor posteriormente à data da assinatura da Convenção e que venham a acrescer aos atuais ou a substituílos. (...) Artigo 3º (...) 2. No que se refere à aplicação da Convenção, num dado momento, por um Estado Contratante, qualquer termo ou expressão que nela não se encontre definido terá, a não ser que o contexto exija interpretação diferente, o significado que lhe for atribuído nesse momento pela legislação desse Estado que regula os impostos a que a Convenção se aplica, prevalecendo a interpretação resultante desta legislação fiscal, na definição dos Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 24 23 respectivos efeitos tributários, sobre a que decorra de outra legislação deste Estado. (...) Artigo 7º Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável. (...) Artigo 9º Empresas Associadas Quando: a) uma empresa de um Estado Contratante participar, direta ou indiretamente, na direção, no controle ou no capital de uma empresa do outro Estado Contratante; ou b) as mesmas pessoas participarem, direta ou indiretamente, na direção, no controle ou no capital de uma empresa de um Estado Contratante e de uma empresa do outro Estado Contratante, e, em ambos os casos, as duas empresas, nas suas relações comerciais ou financeiras, estiverem ligadas por condições aceites ou impostas que difiram das que seriam estabelecidas entre empresas independentes, os lucros que, se não existissem essas condições, teriam sido obtidos por uma das empresas, mas não o foram por causa dessas condições, podem ser incluídos nos lucros dessa empresa e, consequentemente, tributados. Artigo 10º Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2. Esses dividendos podem, no entanto, ser igualmente tributados no Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos e de acordo com a legislação desse Estado, mas se o beneficiário efetivo dos dividendos for um residente do outro Estado Contratante, o imposto assim estabelecido não excederá: (...) 3. O termo "dividendos", usado neste Artigo, significa os rendimentos provenientes de ações, ações ou bônus de fruição, partes de minas, partes de fundadores ou outros direitos, com exceção dos créditos, que permitam participar nos lucros, assim como os rendimentos derivados de outras partes sociais sujeitos ao mesmo regime fiscal que os rendimentos de ações pela legislação do Estado de que é residente a sociedade que os distribui. Considerase ainda que o termo "dividendos" inclui os rendimentos derivados de conta ou de associação em participação. (...) 5. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante (por exemplo, Brasil) obtiver lucros ou rendimentos provenientes do outro Estado Contratante (Portugal), este outro Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 25 24 Estado (Portugal) não poderá exigir nenhum imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto na medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado (Portugal) ou na medida em que a participação relativamente à qual os dividendos são pagos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento estável situado nesse outro Estado (Portugal), nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre os lucros não distribuídos, mesmo que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, total ou parcialmente, em lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado (Portugal). Disposições para Eliminar as Duplas Tributações Artigo 23º Método 1. Quando um residente de um Estado Contratante (Brasil) obtiver rendimentos que, de acordo com o disposto nesta Convenção, possam ser tributados no outro Estado Contratante (Portugal), o primeiro Estado (Brasil) mencionado deduzirá do imposto sobre os rendimentos desse residente uma importância igual ao imposto sobre o rendimento pago nesse outro Estado (Portugal). A importância deduzida não poderá, contudo, exceder a fração do imposto sobre os rendimentos, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos que podem ser tributados nesse outro Estado. (...) 3. No caso do Brasil, quando uma sociedade residente do Brasil receber dividendos de uma sociedade residente de Portugal sujeita ao imposto português conforme definido na alínea b) do nº 1 do Artigo 2º desta Convenção e não abrangida por qualquer isenção, a dedução prevista no nº 1 acima levará em conta o imposto exigível da sociedade relativo aos rendimentos de que se originaram os dividendos pagos (crédito indireto), observadas as disposições da legislação brasileira. 4. Quando um residente de um Estado Contratante obtiver rendimentos que, de acordo com o disposto nesta Convenção, forem isentos de imposto nesse Estado, esse Estado poderá, contudo, ao calcular o quantitativo do imposto sobre os outros rendimentos desse residente, ter em conta os rendimentos isentos. 16. Decreto nº 95.717, de 11 de fevereiro de 1988, análogo, com o Equador: ARTIGO XXIII Métodos para evitar a dupla tributação 1. Quando um residente de um Estado Contratante (Brasil) receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, são tributáveis no outro Estado Contratante (Equador), o primeiro Estado Contratante (Brasil), , ressalvado o disposto nos parágrafos 2 e 3, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre a renda o pago no outro Estado Contratante Equador). Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 26 25 correspondente aos rendimentos tributáveis no outro Estado Contratante. 2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante (Equador) a uma sociedade residente do outro Estado Contratante(Brasil) detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que são tributáveis no primeiro Estado Contratante (Equador) de acordo com as disposições da presente Convenção, serão isentos de impostos no outro Estado Contratante (Brasil). 3. Para a dedução indicada no parágrafo 1, o imposto sobre os dividendos não compreendidos no parágrafo 2 deste Artigo, sobre os juros mencionados no parágrafo 2 do Artigo XI, e sobre os "royalties" mencionados no parágrafo 2b do Artigo XII será sempre considerado como tendo sido pago à alíquota de 25% 17. A cláusula relativa a isenção sobre dividendos não consta da Convenção com Portugal, na qual destacouse o art. 10º, item 5, referente aos lucros ou rendimentos recebidos, sendo que o item 1 se refere a dividendos pagos; quanto à Convenção com o Equador, o art. XXIII, item 2, se refere a dividendos pagos, e se destacou o item 1, referente a rendimentos. 18. Os lucros recebidos do exterior pela controladora brasileira, segundo o regime de competência, pela própria definição do 74 da MP nº 2.15835, de 2001, não se tratam de dividendos pagos, mas de lucros ou resultados auferidos pela controladora, na proporção da sua participação. 19. A IN SRF nº 213, de 2002, que regulamentou os arts. 25, 26 e 27 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; os arts. 16 e 17 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; o art. 1º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; no art. 3º da Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000; e os arts. 34 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determina no §7º do art. 1º: "Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem.”. Significa que, no momento em que for apurado o lucro no exterior, ele será oferecido à tributação no Brasil – na proporção da participação da empresa brasileira em suas controladas e coligadas estrangeiras e, apurados o IRPJ e CSLL devidos no Brasil, se houve pagamento de tributo no exterior, será considerado para fins de compensação com o tributo a ser pago no Brasil. 20. Verificase que a IN SRF nº 213, de 2002, guarda conformidade com ambas as Convenções. 21. 22. O art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, expressamente reconhece o direito à compensação do imposto pago no exterior até o montante devido, no Brasil, a título de IRPJ e CSLL. Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 27 26 § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. 23. Dessa maneira, a renda auferida por intermédio das controladas residentes no exterior não será tributada mais de uma vez, basta que apresente o comprovante dos tributos pagos no país estrangeiro. Com isso, restará afastada a indesejada dupla tributação. 24. Portanto, fica claro que os Tratados para Evitar Bitributação, não impedem a tributação dos resultados no exterior auferidos pela Autuada: a. a partir da fração dos lucros da controlada a que a controladora tem direito, antes de descontado o imposto pago no exterior, efetuase a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela Autuada; dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduzse o valor do imposto pago pela controlada no exterior. 25. Dessa forma, a controlada, no exterior é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago no exterior até o limite do total de IRPJ mais CSLL devidos no Brasil. 1.2 RESULTADOS DE CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. 26. Os rendimentos ou ganhos de capital auferidos por controladas da controlada direta no exterior deverão ser consolidados por esta última, que é controlada direta da empresa no Brasil. 27. A IN SRF nº 213, de 07 de outubro de 2002, tendo em vista o disposto no Código Tributário Nacional CTN e as leis referentes à tributação de lucros oriundos do exterior, determinou: Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. § 1º Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias, inclusive em controladas e coligadas. § 2º Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (...) § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. (...) Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 28 27 Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (,,,) § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. (...) § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. (...) § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. (...) Art. 15. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. 28. O § 6º do art. 14 supra determina claramente que os lucros das controladas indiretas da Bento Pedroso Construções S/A deveriam ter sido consolidados na controlada direta em Portugal. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 29 28 29. Também é claro o § 2º do art. 1º, de que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, sujeitos à incidência do IRPJ e CSLL, de que trata a legislação que a IN regulamenta, são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil, via sua controlada direta, que consolida os resultados das controladas indiretas, suas subordinadas, por assim dizer. 30. De onde se depreende que a Bento Pedroso Construções S/A deve consolidar os resultados de suas respectivas controladas e oferecer à tributação em Portugal; e os resultados da Bento Pedroso Construções S/A auferidos pela Autuada devem compor o seu lucro real. 31. Dessa forma, mediante consolidação vertical, tanto os resultados próprios da controlada direta Bento Pedroso Construções S/A, com os resultados das controlada indireta em Malta, comporiam os resultados que a Autuada auferiu do exterior que esta adicionaria ao lucro real. 1.3 DECISÕES JUDICIAIS. 32. A Recorrente cita a favor de sua tese, decisão do Superior Tribunal de Justiça STJ, caso Vale do Rio Doce, REsp 1325709/RJ, de 14/07/2014. 33. Cito ainda, considerações do Procurador da Fazenda Nacional, Rodrigo de Macedo Burgos, em 06/12/2014: (...) Com todas as vênias, o decidido pelo STJ no REsp 1325709/RJ contraria tanto a ratio essendi do quanto restou fixado pelo STF (RE 541090 SC) quanto o posicionamento da OCDE sobre o tema, ambos corretamente assentados na premissa de que a tributação de que trata o artigo 74 recai sobre o lucro da empresa brasileira, de modo que não faz nenhum sentido falar em conflito com o artigo 7 dos tratados. Em verdade, o que o julgado do STJ fez foi tacitamente declarar a inconstitucionalidade da MP 2.15835/01, contrariando a decisão da Corte Constitucional, pois considera que a tributação estaria incidindo sobre lucros da controlada, não disponíveis para a controladora brasileira. 34. Cabe destacar que as decisões citadas, não produzem efeitos ao presente caso, dado que a Recorrente não faz parte das ações e aquelas não têm efeito erga omnes. 1.4 APLICAÇÃO DO ACORDO DE BITRIBUTAÇÃO PARA A CSLL 35. A Recorrente afirma que a Convenção firmada entre o Brasil e Portugal, para evitar dupla tributação aplicase à CSLL, conforme o teor da Convenção que transcreve. 36. Efetivamente, o mesmo tratamento tributário do IRPJ se aplica à CSLL. 37. E quanto à Convenção com o Equador, assinada antes da criação da CSLL, em 11/02/1988, o art.II, § 3º determina que se aplica "também aos impostos de natureza idêntica ou substancialmente análoga que acresçam aos impostos atuais ou os substituem". Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 30 29 38. Em sendo assim entendido, cabe destacar que os mesmos argumentos expendidos em relação ao IRPJ, se aplicam à CSLL, no caso. 1.5 ART. 74 DA MP Nº 2.158, DE 2001 E O RESULTADO DE JULGAMENTO DA ADI Nº 2588DF, DE 10 DE ABRIL DE 2013 39. Critica que o julgador DRJ pautou seu entendimento na Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 8 de agosto de 2013, que destaca ser instrumento de caráter interno da RFB, cuja eficácia, afirma, vincula apenas as partes envolvidas, não produzindo efeitos perante terceiros. 40. O Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal STF, decidiu em 10/04/2013 (Publicado em 10/02/2014), com efeito erga omnes e vinculante, na ADI 2588 / DF Distrito Federal, Ação Direta de Inconstitucionalidade. 41. A SCI nº 18, de 2013, posterior a este julgado postulou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS COLIGADAS OU CONTROLADAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR A aplicação do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação. Dispositivos Legais: art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts 25 e 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 21 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835,de 24 de agosto de 2001, e Artigo 7 da Convenção Modelo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). 42. Conforme já exposto neste voto, o entendimento supra é conforme com o decidido neste Acórdão do STF. 43. Repitase: "Na mesma assentada, a Suprema Corte procedeu ao julgamento de dois RREE que versavam sobre a mesma matéria, e decidiu, no RE 541.090/SC (já com votos de novos Ministros que não haviam votado na ADI, como Teori Zavascki), que a norma do art 74 seria aplicável também às controladas sediadas em países com tributação dita "normal". O teor da ementa é cristalino, quanto a isto, particularmente em seu parágrafo 2: RECURSO Extraordinário 541.090 Santa Catarina Relator: Min. Joaquim Barbosa redator do Acórdão: Min. Teori Zavascki Recte.(s) : União Froc.(a/s)(es): procuradoriaceral da Fazenda Nacional Recdo.(a/s) : Empresa Brasileira de Compressores S/a Adv.(a/s) :Sércio Farina Filho e Outro(a/s) EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCROS PROVENIENTES DE INVESTIMENTOS EM EMPRESAS Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 31 30 COLIGADAS E CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.15835/2001. 1. No julgamento da ADI 2.5SS/DF, o STF reconheceu, de modo definitivo, (a) que é legítima a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001 relativamente a lucros auferidos por empresas controladas localizadas em países com tributação favorecida (= países considerados "paraísos fiscais"); e (b) que não é legítima a sua aplicação relativamente a lucros auferidos por empresas coligadas sediadas em países sem tributação favorecida (= não considerados "paraísos fiscais"). Quanto às demais situações (lucros auferidos por empresas controladas sediadas fora de paraísos fiscais e por empresas coligadas sediadas em paraísos fiscais), não tendo sido obtida maioria absoluta dos votos, o Tribunal considerou constitucional a norma questionada, sem, todavia, conferir eficácia erga omnes e efeitos vinculantes a essa deliberação. 2. Confirmase, no presente caso, a constitucionalidade da aplicação do caput do art 74 da referida Medida Provisória relativamente a lucros auferidos por empresa controlada sediada em país que não tem tratamento fiscal favorecido. Todavia, por ofensa aos princípios constitucionais da anterioridade e da irretroatividade, afirmase a inconstitucionalidade do seu parágrafo único, que trata dos lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2002. 3. Recurso extraordinário provido, em parte. (N.R. Este Acórdão foi proferido em 10 de abril de 2013.)" 1.6 2.3. LEGISLAÇÃO INTERNA. IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL _SOBRE LUCROS AINDA NÃO DISPONIBILIZADOS. 44. A Recorrente argumenta que: Ao que se pode depreender do termo de encerramento de fiscalização, o Sr. AFRFB pretende exigir o IRPJ e a CSL sobre lucros apurados em balanço das empresas sediadas em Portugal e no Equador, mas que não foram disponibilizados à recorrente, sendo o art. 74 da Medida Provisória n. 215835 o fundamento legal para tal entendimento, o que fica evidenciado pelo trecho em que afirma que "assim, a partir de 1o de janeiro de 2002, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior passaram a ser considerados disponibilizados, para fins de inclusão na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da controladora ou coligada no Brasil, na data de sua apuração em balanço". Todavia, essa pretensão esbarra no art. 43 do Código Tributário Nacional, o qual define o conteúdo mínimo para a incidência do IRPJ e da CSL. No sistema brasileiro, a competência para a instituição de tributos é discriminada pela Constituição, mas deve ser exercida Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 32 31 segundo os ditames de lei complementar, sob pena de invalidade das leis ordinárias pelas quais os entes públicos dotados das competências tributárias a exercem efetivamente. No caso do imposto de renda, a competência da União Federal deriva do art. 153, inciso III, da Magna Carta, ao passo que a sua competência para a instituição da CSL está prevista no art. 195. inciso I. letra "c". Mas a explicitação da competência relativa o IRPJ consta do art. 43 do Código Tributário Nacional, o qual possui a seguinte redação: (...) Para a CSL, embora não haja disposição expressa, aplicase o disposto nesse artigo do Código, não somente por se tratar de regra perfeitamente aplicável à contribuição12, como também porque o STF já considerou dispensável lei complementar para especificamente definir o seu fato gerador, entre outras razões pela já existência da definição do fato gerador do imposto de renda13. 45. Reiterase a explanação já feita neste voto, no item 2. Tratado Internacional ou Acordo para Evitar Bitributação: No que tange à alegada incompatibilidade do art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, com o art. 7º das Convenções, conforme argumenta a PFN nas Contrarrazões, o conceito de lucro deve ser buscado na legislação de cada um dos paises signatários, e a definição, no Brasil, está calcada no art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que determina a tributação em bases universais, atendendo ao disposto no art. 153, I, § 2º da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988.; e, na sequência, o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, que autorizado pelo art. 43, I, § 2º do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, incluído pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, determinou o momento em que se considera ficta a disponibilização do lucro, que passou a ser pelo regime de competência, e não de caixa: 46. Como se vê a Lei Complementar alterou o art. 43 do CTN, para autorizar a determinação contida no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001. 47. Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. 1.7 IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. 48. Conforme já se relatou neste voto, o imposto pago pela controlada direta ou indireta, no exterior, poderá compensar o IRPJ e CSLL devido no Brasil, pela controladora aqui sediada, apurado em relação aos lucros dessa mesma controlada no exterior. 49. Às págs. 915/922, o Autuante descreveu os lucros que foram objeto da autuação: a. Controlada direta em Portugal, Bento Pedroso Construções S/A: Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 33 32 i. em 2007: fonte: (1.1) LUCRO LIQUIDO ANTES DOS IMPOSTOS DE ACORDO COM AS "DEMONSTRAÇÕES CONSOLIDADAS POR FUNÇÕES" COMPLEMENTADAS PELAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL [DOC 00081], proporcional à participação neste, de 99,98% R$16.575.611,90; e apurou o imposto a ser compensado, na mesma proporção, no montante de R$2.167.159,78 (fonte: (1.2) DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO DO IMPOSTO A SER COMPENSADO NO BRASIL DE ACORDO COM A "DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS IRC", DOC 00100, PÁG. 81; DOC 00081) ii. em 2008: fonte: (1.3) LUCRO LIQUIDO ANTES DOS IMPOSTOS DE ACORDO COM AS "DEMONSTRAÇÕES CONSOLIDADAS POR FUNÇÕES" COMPLEMENTADAS PELAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA RESPOSTA AO TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL [DOC 00081], proporcional à participação neste, de 99,98% R$14.354.206,79; e apurou o imposto a ser compensado, na mesma proporção, no montante de R$1.737.286,91 (fonte: (1.5) DEMONSTRAÇÃO DA APURAÇÃO DO IMPOSTO A SER COMPENSADO NO BRASIL DE ACORDO COM A "DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS IRC {DOC 00101página 60]) b. Controlada direta no Equador, Construtora Norberto Odebrecht del Equador S/A: i. em 2007, fonte: Demonstração "Estados de Resultados", 100% de participação, R$289.483,56; e apurou os impostos a serem compensados de R$75.439,22 ii. em 2008, fonte: Demonstração "Estados de Resultados", 100% de participação, R$345.389,90; e apurou os impostos a serem compensados de R$50.896,59. 50. A Recorrente, págs. 1.260/1.261, pleiteou que, na hipótese de manutenção das exigências fiscais, que se reconheça o direito à compensação do imposto pago na Líbia pela subsidiária de uma empresa cuja matriz situase em Malta e que é controlada por uma Holding que pertence a uma das controladas da recorrente, a Bento Pedroso Construções SA, no que diz respeito ao ano de 2008; e que fiscalização reconheceu que os investimentos da Bento Pedroso em Malta/Líbia foram registrados em sua contabilidade por meio do método de equivalência patrimonial; porém alegou como único óbice para obstar a pretendida compensação, a falta de consolidação dos tributos pagos pelas controladas indiretas na empresa portuguesa. Finaliza justificando que a consolidação dos tributos pagos pelas investidas não foi levada a efeito pela Bento Pedroso simplesmente porque, conforme anteriormente demonstrado, a tributação no Brasil estava afastada por força do tratado para evitar a bitributação firmado com Portugal. 51. A IN SRF nº 213, de 2002, em relação aos lucros, prejuízos e impostos pagos por controladas no exterior assim dispõe: Art. 4º É vedada a compensação de prejuízos de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, com os lucros auferidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os prejuízos a que se refere este artigo são aqueles apurados com base na escrituração contábil da filial, sucursal, Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 34 33 controlada ou coligada, no exterior, efetuada segundo as normas legais do país de seu domicílio, correspondentes aos períodos iniciados a partir do anocalendário de 1996. § 2º Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, somente poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. § 3º Na compensação dos prejuízos a que se refere o § 2º não se aplica a restrição de que trata o art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995. (...) Art. 14. imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. 52. Consta do Termo de Verificação Fiscal, com base no art. 14, § 4º da IN SRF nº 213, de 2002, anteriormente transcrito neste voto, a conclusão do Autuante: Concluise, assim, que os lucros das controladas e coligadas no exterior devem estar claramente evidenciados nas informações contábeis e fiscais da controladora no Brasil, de forma individualizada e vedada a consolidação de valores. 1.7.1 Com relação aos lucros da subsidiária na Líbia, da controlada indireta situada em Malta, verificouse nos autos 53. Observase à pág. 423, que a Bento Pedroso Construções S/A, em 31/12/2007, detinha 100% da Odebrecht Investimentos e Participações SGPS S/A, que detinha 99% da Odebrecht Construction Matla Limited, que detinha 99% da Odebrecht Emgineering & Construction (na Líbia) 54. No Anexo ao Balanço e às demonstrações de Resultados em 31 de dezembro de 2007, págs. 438/441, verificase IINFORMAÇÕES RELATIVAS ÀS EMPRESAS INCLUÍDAS NA CONSOLIDAÇÃO E OUTRAS; a. Nota 1 Empresas incluídas na Consolidação, que identifica: A estrutura do Grupo de Empresas que foram incluídas no perímetro de consolidação mediante a aplicação do método da consolidação integral e respectivas percentagens de capital detido a 31 de Dezembro de 2007, nas quais as Bento Pedroso Construções, SA detém uma participação directa ou indirecta de domínio, a qual corresponde, também, à maioria dos direitos de votos, ilustrase como segue:(quadro) b. As empresas que foram incluídas na consolidação são: i. A Odebrecht Investimentos e Participações, SGPS, S.A (ex Lusoconcessões, Sociedade Gestora de Participações Sociais, SA) com sede na Rua Quinta da Quinta, Ed. D. João I n°4 Piso 1B Paço de Arcos ii. A Arboreoland Empreendimentos Imobiliários, S.A. com sede na Rua Quinta da Quinta, Ed. D. João I n°4 Piso 1B Paço de Arcos Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 35 34 iii. A Odebrecht Ingeniería y Construcción de Espana, SX, Sociedad Unipersonal, com sede na C Pradillo, 5 Bajo Exterior Madrid Espana. c. Nota 2. Empresas Excluidas da Consolidação: i. OdebrechtConstruction Malta Limited: Sede: Suite 1, 17 Sir A. Bartolo Street, TA Xbiex Malta ii. Odebrecht Engineering & Construction Limited, Sede: Suite 1, 17 Sir A. Bartolo Street, TA Xbiex Malta 55. Nos Demonstrativos Financeiros relativos a 31/12/2008, objeto do pedido de compensação: a. Observase à pág. 529, que a Bento Pedroso Construções S/A, em 31/12/2008, continuava detendo 100% da Odebrecht Investimentos e Participações SGPS S/A, que detinha 99% da Odebrecht Construction Matla Limited, que detinha 99% da Odebrecht Emgineering & Construction (na Líbia); b. No ANEXO AO BALANÇO CONSOLIDADO E ÀS DEMONSTRAÇÕES DOS RESULTADOS CONSOLIDADOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 2008, às págs. 541/542: i. Nota 1 Empresas incluídas na Consolidação: 100% de participação na Odebrecht Investimentos e Participações S.G.P.S S/A, controladora com 99%+1% de participação da Odebrecht Construction Malta Ltd, controladora 99%+1% da Odebrecht Engineering & Construction Limited (Malta), controladora 100% da Odebrecht Engiineering & Construction Libyan Branch. 56. Do exposto se evidencia que apenas no ano 2008, os resultados das controladas indiretas em Malta (e Libia) foram consolidados nos balanços da Odebrecht Engineering & Construction e é em relação a este ano que a recorrente pleiteia a compensação. 57. Verificouse: a. pág. 319, resposta a Termo de Intimação FiscalTIF, argumentando que não consolidou os impostos pagos na Libia, relativos ao ano 2008, por entender que a Convenção com Portugal isentava a Bento Pedroso; informa os valores de 1.704.897,68 dinares líbios recolhidos em 10/09/2009 e 10/12/2009 e que convertidos totalizam R$2.409.753,53; b. págs. 520/576, Relatório de Auditoria Contas Consolidadas 31 de Dezembro de 2008, Bento Pedroso Construções S/A, Balanços Consolidados 31/12/2008, onde consta à pág. 538, Resultado antes dos impostos Euros 4.698 Mil e à pág. 539, Impostos sobre resultados correntes Euros 675 Mil. (Resultados correntes após impostos aumentado para Euros 5.408 Mil) apesar das Informações Relativas às Empresas Incluídas na Consolidação, não consta demonstrativo evidenciando os lucros e ou prejuízos das controladas indiretas, que permita identificar o quantum de lucro da controlada indireta em Malta (controladora da Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 36 35 subsidiária Libia) foi considerado na apuração consolidada; constam apenas das Empresas Associadas (Nota 3) e as Entidades Consolidadas pelo Método Proporcional (Nota 5), e outras (Nota 6) c. págs. 549. III Informações relativas aos Procedimentos de Consolidação, Nota 14, detalha, em relação à Sucursal na Líbia: Demonstração de resultados milhares de Euros Vendas e Prestações de serviços 83.507 Outros Proveitos 265 Custos operacionais 70.228 Outros custos 2.096 d. Do demonstrativo supra se extrai que o resultado teria sido de Euros 11.448 Mil. e. à pág. 554, consta: A Sociedade passou com efeitos a partir do exercício de 2008 a estar sujeita ao regime de tributação de grupos de sociedades (ver Nota 38). O valor do imposto corrente, positivo ou negativo, é calculado por cada empresa incluída no Grupo de sociedades fiscal com base na sua situação fiscal individual O eventual ganho ou perda decorrente da consolidação fiscal é reconhecido na integra pela Bento Pedroso Construções S/A, na rubrica de encargo com imposto corrente do exercício em análise (ver Nota 38) f. à pág. 556: A conversão das demonstrações financeiras para Euros foi efectuada como segue: (i) Libyan Branch of Odebrecht Engineering and Construction Limited a conversão dos registos contabilísticos mantidos em Dinares Líbios para Euros foi efectuada operação considerando a taxa de câmbio em vigor na data da operação. g. págs. 559/560, Nota 38 Imposto sobre Rendimento, no detalhamento do encargo com o imposto do exercício, consta : "Efeito consolidação grupo de sociedades Euros (415) Mil. h. pág. 573, Demonstrações Consolidadas dos resultados em 31/12/2008: Imposto sobre o rendimento do Exercício, Euros 410 Mil, correspondente a R$1.328 Mil; Resultado Líquido do Exercício, Euros 5.109 Mil, correspondentes a R$16.540 Mil.; Resultado antes dos Impostos, Euro 4.698 Mil, correspondente e R$15.213 Mil; i. págs. 709/753, registros das empresas Odebrecht em Malta e filial na Líbia da Empresa maltesa Odebrecht Engenharia e Construções; j. págs 754/792, tradução juramentada Relatório e Demonstrações Ffinanceiras de 31/12/2008, da Odebrecht Engineering & Construction Ltd, Lucro Euros 8.708.156,00; págs. 766/467, tem uma participação de 50% numa joint venture na Libia, cujos resultados (na proporção 50%) estão inclusos nas demonstrações financeiras e que correspondem a Receitas Euro 88.028.588, Despesas Euro Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 37 36 72.688.424, Lucro após imposto de renda Euro 15.340,164; págs. 785/788, traduções dos Recibos de Pagamento de Imposto: i. nº 08/2311843, banco Sahara, doc 836426, Parcela 2, valor 852,446.500 (oitocentos e cinquenta e dois mil, quatrocentos e quarenta e seis Dinares Líbios e quinhentos centavos), em 10/12/2009; ii. nº 08/2674150, banco Sahara, doc 846375, Parcela 4, valor 852,446.500 Dinares Líbios, em 08/06/2010; iii. nº 08/2521226, banco Sahara, doc 841218, frações de Parcelas 3, 4, 1, valor 852,446.500 Dinares Líbios, em 10/03/2010; iv. nº 08/2207045, banco Sahara, doc 831084, valor 852,451.180 Dinares Líbios, em 10/09/2009 k. págs. 1.043 e 1.046, tradução juramentada de Notificação do Pagamento de Impostos Temporários, até que a declaração seja verificada e o IR calculado de forma final, conforme a declaração feita pelo contribuinte, datada de 21/07/2009, Filial de empresa estrangeira Odebrecht Matese Company, referente período de 01/01 a 31/12/2008: Resultado líquido declarado 17.856.972 Dinares; resultado sujeito à tributação 97.856.972 Dinares; IR a pagar 2.678.545 e Imposto Jihad 714.278 Dinares; o pagamento será em prestações de: i. 1ª prestação (669.637 + 178.751)=848.388 Dinares, em 10/09/2009; ii. 2ª prestação (669.636+178.569)=848.205 Dinares em 10/12/2009; iii. 3ª prestação (669.637 + 178.569)= 848.206 Dinares, em 10/03/2010; iv. 4ª prestação (669.636+178.569)= 848.205 Dinares em 10/06/2010. l. Págs. 1.051/1.068, traduções juramentadas de extratos bancários em que constam cheques debitados nos mesmos valores e datas dos Recibos de pagamento dos impostos. 58. Dos elementos supra concluise que: a. a controlada indireta em Malta, pagou impostos da sua subsidiária, ou filial na Líbia, referentes ao ano 2008, pagos em 2009 e 2010; tais impostos, consta que são temporários, sujeitos à revisão da apuração que a empresa havia apresentado, cujo deslinde não consta do processo se a declaração foi aprovada e os valores dos impostos confirmados, ou não; b. não consta dos Demonstrativos a especificação dos lucros consolidados relativos à sucursal Líbia e controlada indireta Malta; apenas a informação já descrita da qual se extraiu que o resultado da sucursal na Líbia teria sido de Euros 11.448 Mil (se convertidos pela taxa de câmbio de 31/12/2008, 3,238150 Euros/R$, resultam R$37.070.341,20); Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 38 37 c. A recorrente pleiteia a compensação no valor de R$4.905.512,65 (3.409.790,68 Dinares); d. atestou a empresa de auditoria que no ano 2008, os resultados das controladas indiretas em Malta (e Libia) integraram os demonstrativos da controlada direta Bento Pedroso, em Portugal inclusive à pág. págs. 559/560, Nota 38 Imposto sobre Rendimento, no detalhamento do encargo com o imposto do exercício, informa o valor do: "Efeito consolidação grupo de sociedades Euros (415) Mil", que conduz á conclusão de que os impostos das controladas indiretas foi consolidado nas controlada direta Bentro Pedroso. 59. Após esta detalhada verificação, concluise que cabe razão ao Autuante, de que, se os resultados das controladas indiretas foram consolidados na controlada direta Bento Pedroso em Portugal, inclusive constando dos demonstrativos a especificação do efeito produzido pelos impostos na consolidação do grupo de sociedades, o que é atestado pela empresa auditora, então, os impostos pagos pela sucursal Líbia já fazem parte dos Demonstrativos Financeiros de 2008, em relação aos quais o Autuante já havia considerado a compensação dos impostos recolhidos. 60. Cabe ainda destacar que o procedimento de compensação, conforme o art. 14 da IN SRF nº 2013, de 2002, implica em cálculos de compensações de eventuais prejuízos anteriores de cada controlada, na apuração do valor do imposto devido sobre o lucro de cada controlada e na compensação do que esta controlada pagou, apenas até o limite do respectivo imposto pago no exterior, sendo que não constam tais elementos dos autos. 2 Juros de mora. Multa de Ofício não adimplida. Incidência. 61. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 62. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 63. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 39 38 Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. 64. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 65. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 66. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 12448.736514/201198 Acórdão n.º 1201001.549 S1C2T1 Fl. 40 39 montante integral. 67. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 68. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. 3 Conclusão. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Redator Conselheira Eva Maria Los Fl. 1483DF CARF MF
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Numero do processo: 10886.720597/2015-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Verificada no acórdão embargado omissão quanto à aspecto fundamental da controvérsia, cabe o acolhimento dos embargos para o seu devido exame.
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA.
O contribuinte portador de moléstia grave prevista na legislação de regência faz jus à isenção do imposto de renda, no tocante aos rendimentos comprovadamente recebidos em razão de aposentadoria, reforma ou pensão.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes para fins de dar parcial provimento ao recurso voluntário, cancelando-se a infração de omissão de rendimentos na parte associada aos rendimentos percebidos do INSS.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Ronnie Soares Anderson
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada no acórdão embargado omissão quanto à aspecto fundamental da controvérsia, cabe o acolhimento dos embargos para o seu devido exame. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. O contribuinte portador de moléstia grave prevista na legislação de regência faz jus à isenção do imposto de renda, no tocante aos rendimentos comprovadamente recebidos em razão de aposentadoria, reforma ou pensão. Embargos Acolhidos.
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OMISSÃO. Verificada no acórdão embargado omissão quanto à aspecto fundamental da controvérsia, cabe o acolhimento dos embargos para o seu devido exame. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. O contribuinte portador de moléstia grave prevista na legislação de regência faz jus à isenção do imposto de renda, no tocante aos rendimentos comprovadamente recebidos em razão de aposentadoria, reforma ou pensão. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 72 05 97 /2 01 5- 32 Fl. 100DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes para fins de dar parcial provimento ao recurso voluntário, cancelandose a infração de omissão de rendimentos na parte associada aos rendimentos percebidos do INSS. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10886.720597/201532 Acórdão n.º 2402005.548 S2C4T2 Fl. 351 3 Relatório Em sessão plenária realizada em 18/8/2016, esta Turma julgou Recurso Voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2402005.473 (fls. 91/97), assim ementado: MOLÉSTIA GRAVE. ADENOCARCINOMA. ISENÇÃO. Restando comprovado padecer o contribuinte de neoplasia maligna, da espécie adenocarcinoma da próstata, faz jus à isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. O dispositivo do acórdão recebeu a redação abaixo transcrita: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, por maioria de votos darlhe provimento, vencido o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira (Relator), que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. Não obstante tal decisão, este Conselheiro, redator designado para o acórdão, interpôs embargos com fulcro no art. 65, § 1°, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), por entender ter sido omitido ponto sobre o qual deveria se pronunciar a Turma, a saber, a natureza dos rendimentos tidos por omitidos no anocalendário em evidência. Admitidos os embargos mediante despacho de fls. 98/99, vieram os autos para o julgamento. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator A decisão embargada considerou estar o contribuinte, à época dos fatos, acometido de moléstia grave que se enquadrava nos termos do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/88. Sem embargo, o lançamento pautouse, além da falta de comprovação da condição de portador de moléstia grave, na constatação de que os rendimentos tidos por omitidos não decorriam de aposentadoria, reforma ou pensão. Por sua vez, a DRJ/RJO, além de aduzir não restar comprovada aquela condição, assim se manifestou acerca da natureza dos rendimentos recebidos: Quanto ao primeiro requisito, o Interessado comprovou receber do Instituto Nacional do Seguro Social proventos de aposentadoria, condição sine qua non para a isenção prevista em lei, conforme o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – anocalendário 2012, de fl. 31, e a Carta de Concessão/Memória de Cálculo, de fl. 8. Quanto à Fundação dos Economiários Federais Funcef, o interessado não comprovou auferir rendimentos de aposentadoria, pensão ou complementação de aposentadoria dessa fonte pagadora, a despeito do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – anocalendário 2012, de fl. 32, e do documento de fl. 10. Quanto aos rendimentos oriundos da FPC Par Corretora de Seguros S/A também observase que não correspondem à aposentadoria. Dessa feita, superado o litígio pertinente à comprovação da condição de portador de moléstia grave, em conformidade com o acórdão embargado, temse como incontroverso serem os rendimentos recebidos do INSS oriundos de aposentadoria, não persistindo, nessa toada, a omissão de rendimentos a eles associada. Contudo, quanto aos rendimentos recebidos da FPC Par Corretora de Seguros S/A, bem como da Funcef, não resta comprovada tal natureza. Quanto a estes últimos, em particular, temse que no documento de fl. 32 há expressa menção de que o valor de R$ 69.734,04 auferido da Funcef, e objeto da autuação em foco, corresponde a rendimento de trabalho assalariado. Por sua vez, para o documento da Funcef de fls. 10 e 81, a cifra ali constante R$ 4.764,16, que estaria em tese vinculada à percepção de suplementação de aposentadoria, de acordo com o ali consignado não se encontra correspondência aferível com o montante de R$ 69.734,04 acima mencionado. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10886.720597/201532 Acórdão n.º 2402005.548 S2C4T2 Fl. 352 5 Ante o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, com efeitos infringentes para fins de dar parcial provimento ao recurso voluntário, cancelandose a infração de omissão de rendimentos na parte associada aos rendimentos percebidos do INSS. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.004086/2010-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA.
1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc.
2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação.
3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta.
4. Em seu art. 15, parágrafo único, a Lei 8.212/1991 equipara a cooperativa à empresa.
5. A permissão para prestar os serviços foi concedida à pessoa jurídica, e não diretamente às pessoas físicas.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA.
Sendo negado provimento ao recurso voluntário no tocante à tese principal, e não tendo sido contestada, especificamente, a aplicação da multa, é definitivo o seu lançamento, na dicção do inc. II do art. 42 do Decreto 70.235/1972.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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AFERIÇÃO INDIRETA. COOPERATIVAS DE TRABALHO Recorrente COOPERATIVA DE TRABALHO DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SÃO PAULO COOPERTRANSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA ACERCA DOS SEGURADOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. COOPERATIVAS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESAS. CONTRATADA PARA A PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. PERMISSÃO CONCEDIDA À COOPERATIVA. 1. Devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. 2. A contribuinte foi intimada sete vezes, mas não prestou os devidos esclarecimentos, tampouco apresentou a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação. 3. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta. 4. Em seu art. 15, parágrafo único, a Lei 8.212/1991 equipara a cooperativa à empresa. 5. A permissão para prestar os serviços foi concedida à pessoa jurídica, e não diretamente às pessoas físicas. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 86 /2 01 0- 58 Fl. 444DF CARF MF 2 Sendo negado provimento ao recurso voluntário no tocante à tese principal, e não tendo sido contestada, especificamente, a aplicação da multa, é definitivo o seu lançamento, na dicção do inc. II do art. 42 do Decreto 70.235/1972. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 19515.004086/201058 Acórdão n.º 2402005.672 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou auto de infração, tendo em vista que o contribuinte teria descumprido obrigação acessória (deixar de informar mensalmente à SRFB todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da mesma). Os autos já foram relatados neste Colegiado, conforme Resolução do dia 18 de junho de 2013: Tratase de Recurso Voluntário interposto pela COOPERTRANSE – COOPERATIVA DOS PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS NO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS EM SÃO PAULO, em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.309.0153, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa, incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Consta do relatório fiscal que a remuneração dos contribuintes individuais foi apurada de forma indireta, tendo em vista que a recorrente, devidamente intimada, deixou de apresentar folhas de pagamento, documentos GFIP, SEFIP e guias de recolhimento de contribuições previdenciárias, bem como deixou de prestar esclarecimentos requeridos pela fiscalização acerca de sua contabilidade. No presente lançamento foram apuradas 03 (três rubricas), assim indicadas no relatório fiscal: 2.4. O levantamento Cl referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização nominal dos segurados. 2.5. O levantamento AM referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações indiretas pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização nominal dos segurados. Corresponde à assistência médica. 2.6. O levantamento AL referese a fatos geradores de contribuições previdenciárias que ocorreram em período posterior à implantação da GFIP, ou seja, a partir de 01/1999 (inclusive). Engloba as remunerações indiretas pagas a segurados CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS não declarados em GFIP, mas apurados em contabilidade sem individualização Fl. 446DF CARF MF 4 nominal dos segurados. Corresponde às cestas básicas e refeitório. Ainda com relação aos fatos geradores, assim se manifestou o il. Fiscal autuante: 3.11.1 Assistência médica como remuneração indireta tendo em vista que a cooperativa, intimada mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 0 1 , 02, 03 não apresentou contratos e apólices de assistência médica, nem listagem com os beneficiários do contrato para os anos de 2006 e 2007, as despesas referentes à assistência médica foram consideradas remuneração indireta a segurado contribuinte individual. 3.11.2 Cestas básicas e refeitório como remuneração indireta a cooperativa, intimada mediante Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e Termo de Intimação Fiscal 04 e 05, não apresentou folhas de pagamentos e GFIP dos segurados. Desta feita, não foi possível averiguar se há descontos relacionados e este benefício, ou se a alimentação é destinada a todos os segurados ou restrito mediante condições. As despesas referentes às cestas básicas e refeitório/lanches foram consideradas remuneração indireta a segurado contribuinte individual. O lançamento compreende o período de 01/2006 a 12/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 03/12/2010 (fls. 104). Inicialmente fora apresentada impugnação na qual se alegou exclusivamente o seguinte (fls. 121/122): “Não concordamos com o debito apurado conforme mérito abaixo. II.2. MÉRITO ( inciso III e IV do a r t . 16 do Dec.70.235/72) Tendo em vista que esta e os seus cooperados não foram contratados por nenhuma empresa, não emitem nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, seguinte forma: O operador realiza o transporte público de passageiros com seu próprio veículo, sendo responsável por toda a manutenção do mesmo, abastecimento e pagamento de todas as despesas necessárias para que o veículo seja colocado à disposição da população em linhas com trajetos e horários pré definidos pela Prefeitura de São Paulo. Portanto não há contratação de serviços, mas sim outorga de permissão para realização de transporte público de passageiros, atividade de caráter essencial, a remuneração a qual o fiscal se refere e tão somente o repasse dos valores aos seus cooperados, segue anexo contrato de permissão e aditivos. Todavia, ainda dentro do prazo de impugnação, a recorrente juntou aos autos razões aditivas, através das quais combateu a integralidade do lançamento. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do Fl. 447DF CARF MF Processo nº 19515.004086/201058 Acórdão n.º 2402005.672 S2C4T2 Fl. 4 5 qual sustenta, de forma sintética, as alegações de suas razões aditivas de impugnação, a seguir elencadas: 1. que em verdade não houve recusa na apresentação dos documentos requeridos pela fiscalização, mas uma explanação de que na condição de cooperados, seus recebimentos eram realizados diretamente pela SPTRANS, e exatamente por este motivo a cooperativa não detinha condições de efetuar a retenção de valores; 2. que somente haveria a possibilidade de identificação dos contribuintes individuais com a apresentação dos recolhimentos efetuados por cada um deles, documentos estes juntados aos autos com o presente recurso; 3. que fora colocado a disposição do auditor todos os documentos de transferências bancárias relativos aos créditos de remunerações pagas pela SP TRANS, que foram tidas na oportunidade como não necessárias, mas nunca não apresentados; 4. que não apresentou a folha de pagamentos, pois, a época, não detinha referido documento; 5. que o acórdão recorrido está equivocado quando fez a assertiva no sentido de que a recorrente, na qualidade de empresa, remunerou os contribuintes individuais cooperados ou não, tendo em vista que a Lei 8.212/91 não trata especificadamente de cooperativa nos moldes da recorrente, pois em 1991 (data da edição da Lei) não havia no mundo dos fatos igual a da recorrente e que permitisse o legislador vir a regulá la por Lei; 6. todos os dias os veículos retornam a garagem, onde existe um programa de computador da SPTRANS, que via antena, coleta os dados existentes nas catracas e gera um relatório denominado CIMO, o qual contém o número de passageiros transportados por cada um dos prefixos. Uma cópia desse relatório é repassado para a cooperativa que fará a conferência se o relatório CIMO está de acordo com o número de passageiros no diário de bordo de cada veículo. Com referido relatório é gerado um relatório de arrecadação, através do qual os pagamentos são efetuados diretamente ao cooperado pela SPTRANS; 7. se, portanto, necessária a existência de folha de pagamentos, esta somente poderia ser exigida da SPTRANS; 8. que a cooperativa somente recebe pagamentos da SPTRANS quando verificada divergência entre o relatório CIMO e o número de passageiros existente no diário de bordo. Ou seja, se o CIMO informa um número de passageiros igual a 1.000, e o relatório de bordo informa 1.200, a cooperativa recebe os valores relativos a estes 200 passageiros e os repassa aos cooperados, após resultado de recurso administrativo. Logo, não há remuneração dos cooperados através da cooperativa; Fl. 448DF CARF MF 6 9. que em não havendo legislação específica que regule a relação fática havida entre as partes, o auto de infração não pode ser mantido da forma em que redigido; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, tendo em vista que: Com o recurso voluntário foram trazidos aos autos vários documentos, entre eles guias de pagamento de contribuições que a recorrente sustenta serem relacionadas com o presente lançamento, as quais demonstram que os cooperados efetuavam recolhimentos de contribuições decorrentes dos recebimentos de valores diretamente da SPTRANS. Também entendo que a diligência seja necessária, até porque diante do art. 33 da Lei 8.212/91, em se tratando de um caso de lançamento por aferição indireta, é ônus do contribuinte levar a efeito a prova necessária a demonstrar a improcedência do lançamento e das conclusões da fiscalização sobre os valores lançados, juntando aos autos toda a documentação que entender pertinente a defesa de seus interesses. Sendo assim, resolveuse baixar os autos à origem, para que o agente fiscal se manifestasse a respeito dos citados documentos, esclarecendo, ainda, se: (i) os mesmos são relacionados aos fatos geradores objeto do presente lançamento; (ii) em sendo a ela relacionados, se o são especificamente com o lançamento relativo ao pagamento efetuado e constante nas rubricas DISPÊNDIOS OPERACIONAIS PAGAMENTOS LÍQUIDOS A COOPERADOS, DISPÊNDIOS ADMINISTRATIVOS ou DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS; (iii) Se os pagamentos informados de fato foram contabilizados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil; Em cumprimento à citada diligência, a autoridade administrativa elaborou o TERMO DE VERIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL, cujas conclusões foram as seguintes: 6.1.1 Em relação aos documentos juntados nas folhas 501 a 1102, desprezandose aqueles que não guardam pertinência alguma com a matéria de defesa (os quais constituem a maioria das folhas), em relação às GUIAS GPS verificadas, não se pode afirmar que as mesmas estão relacionadas com os fatos geradores objeto do presente lançamento Impugnado pelo contribuinte na medida em que a COOPERATIVA não informou de forma analítica (sequer sintética) a identificação e individualização dos prestadores de serviços de transporte público para a municipalidade, tampouco o montante recebido a título de pagamento / repasse da SPTRANS. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 19515.004086/201058 Acórdão n.º 2402005.672 S2C4T2 Fl. 5 7 6.1.2 Também não se tratam de recolhimentos da cooperativa em função da remuneração por serviços prestados a ela por pessoas naturais (Contribuições Previdenciárias Patronais). 6.1.3 Desta forma, permanecem sem explicação os lançamentos contábeis a título de DISPÊNDIOS OPERACIONAIS e DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS, permanecendo incólume o procedimento de aferição indireta promovido pela fiscalização em virtude do não esclarecimento do contribuinte após um total de sete (7) intimações. 6.1.4 Resta indiferente se os pagamentos foram ou não registrados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pois que não interferem no lançamento do crédito tributário. A contribuinte foi intimada da Resolução e do resultado da diligência fiscal, mas não apresentou manifestação no prazo legal determinado. É o relatório. Fl. 450DF CARF MF 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Do mérito recursal Basicamente, a contribuinte alega que os cooperados não eram seus empregados e que prestavam serviços, diretamente, para a SP TRANS. Afirma, ainda, que a Lei 8.212/1991 não contemplaria a situação fática por ela desenvolvida. Equivocouse a recorrente. Em primeiro lugar, e conforme relatado no TERMO DE VERIFICAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL, devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os documentos que permitissem identificar (a) os segurados empregados; (b) os segurados contribuintes individuais eleitos para os cargos de direção e administração; (c) os segurados contribuintes individuais não associados; etc. Mais ainda, e de acordo com o aludido TERMO, a contribuinte foi intimada sete vezes, sem que tenha prestado os devidos esclarecimentos, tampouco apresentado a documentação comprobatória dos fatos relacionados à tributação, de tal forma que o procedimento se deu por aferição indireta. Fazse tais afirmações porque o presente lançamento é atinente à obrigação acessória relacionada aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais e porque a contribuinte não trouxe qualquer documentação que pudesse demonstrar, por exemplo, os diversos tipos de segurados que lhe prestavam serviços à época dos fatos geradores (segurados empregados, segurados contribuintes individuais na qualidade de dirigentes, segurados contribuintes individuais não cooperados, etc), sendo admissível o procedimento de aferição indireta que, a propósito, nem mesmo foi contestado em sede de recurso voluntário. A Lei 8.212/1991 e o Decreto 3.048/1999 prevêem o lançamento por aferição indireta nos seguintes termos: Lei 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Fl. 451DF CARF MF Processo nº 19515.004086/201058 Acórdão n.º 2402005.672 S2C4T2 Fl. 6 9 § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ......................................................................................................... Decreto 3.048/1999 Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único.Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Art.234. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, de acordo com critérios estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social, cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. Art.235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de Fl. 452DF CARF MF 10 ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ......................................................................................................... A conclusão poderia ser diversa, se a recorrente tivesse demonstrado que todas as pessoas físicas prestadoras dos serviços seriam cooperados, e não contribuintes individuais não associados, exemplificativamente. Em segundo lugar, e diferentemente do que alega a contribuinte, a Lei 8.212/1991, em seu art. 15, parágrafo único, equipara a cooperativa à empresa, fazendoo nos seguintes termos: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Considerase empresa, para os efeitos desta lei, o autônomo e equiparado em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Parágrafo único.Equiparamse a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual e a pessoa física na condição de proprietário ou dono de obra de construção civil, em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras.(Redação dada pela Lei nº 13.202, de 2015) Noutro giro, a situação das cooperativas, inclusive das cooperativas de trabalho, está contemplada na legislação previdenciária. Em terceiro lugar, e como bem esclarecido pela DRJ, a permissão foi concedida à pessoa jurídica, e não diretamente às pessoas físicas, como pretende fazer crer a recorrente. Dito de outra forma, a recorrente foi a contratada para prestar os serviços, tendoo feito através de pessoas físicas. Ademais, é importante esclarecer que a contribuinte foi instituída para prestar serviços aos seus associados, mais especificamente para "contratar serviços junto à Fl. 453DF CARF MF Processo nº 19515.004086/201058 Acórdão n.º 2402005.672 S2C4T2 Fl. 7 11 Administração Pública, [...], que serão seus tomadores de serviços, para seus Cooperados [...]", conforme se vê em seu estatuto, art. 2º, item "c". Tal disposição estatutária está em consonância com o art. 4º da Lei 5.764/1971, segundo o qual as cooperativas são sociedades de pessoas constituídas para prestar serviços aos associados: Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: [...] Significa dizer que um dos objetivos institucionais da recorrente era justamente o de celebrar contratos de prestação de serviços junto à administração pública em geral esta na qualidade de tomadora dos serviços, e aquela na qualidade de prestadora , em favor de seus associados, sendo indubitável que, nesse mister, a própria cooperativa seria a contratada, enquanto que os seus cooperados poderiam ou não serem os prestadores dos serviços. Podese acrescentar, ademais, que a existência de uma cooperativa somente se justifica para prestar serviços aos seus associados, não se concebendo, diferentemente das sociedades empresárias, uma atuação totalmente distinta da atuação de seus membros. Explicando melhor, muito embora a cooperativa tenha personalidade jurídica própria (art. 985 do Código Civil), inclusive com patrimônio distinto de seus membros, ela somente tem existência para prestarlhes serviços, distinguindose das demais sociedades, mormente das sociedades empresariais. Desta forma, a situação do sujeito passivo, diferentemente do que foi dito no recurso voluntário, já estava e está contemplada na legislação civil e tributária. Cumpre relembrar, ainda, que o lançamento foi feita por aferição indireta e que a recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse esclarecer, sequer, se as pessoas físicas prestadoras dos serviços eram cooperadas ou contribuintes individuais não associadas, permanecendo, incólume, o citado procedimento de aferição. Sendo assim, são inafastáveis as seguintes conclusões da decisão a quo, que se integram ao presente voto como razões de decidir: Como sujeito passivo na relação jurídica tributária previdenciária, ao contrário do que alega a impugnante, tem sim a cooperativa o dever legal de proceder ao desconto e retenção dos valores relativos à contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual, assim como efetuar o recolhimento desses valores, juntamente com a contribuição patronal devida. Também não prosperam as demais alegações, pois: (i) É fato que os cooperados da impugnante prestam serviços público à população, porém a permissão foi concedida à Fl. 454DF CARF MF 12 Cooperativa e não diretamente a eles como quer fazer crer a impugnante; (ii) A confecção de folha de pagamento é obrigatória, para todos os segurados que prestam serviços; (iii) Não basta apenas informar que os valores dos dispêndios operacionais foram realizados para a viabilização da prestação de serviço público mediante permissão, é necessário comprovar através da apresentação de documentos, o que não foi feito; (iv) a Prefeitura remunera os cooperados através da Cooperativa. [...] Por outro lado, e conforme esclarecido em sede de diligência fiscal: 6.1.1 Em relação aos documentos juntados nas folhas 501 a 1102, desprezandose aqueles que não guardam pertinência alguma com a matéria de defesa (os quais constituem a maioria das folhas), em relação às GUIAS GPS verificadas, não se pode afirmar que as mesmas estão relacionadas com os fatos geradores objeto do presente lançamento Impugnado pelo contribuinte na medida em que a COOPERATIVA não informou de forma analítica (sequer sintética) a identificação e individualização dos prestadores de serviços de transporte público para a municipalidade, tampouco o montante recebido a título de pagamento / repasse da SPTRANS. 6.1.2 Também não se tratam de recolhimentos da cooperativa em função da remuneração por serviços prestados a ela por pessoas naturais (Contribuições Previdenciárias Patronais). 6.1.3 Desta forma, permanecem sem explicação os lançamentos contábeis a título de DISPÊNDIOS OPERACIONAIS e DISPÊNDIOS NÃO OPERACIONAIS, permanecendo incólume o procedimento de aferição indireta promovido pela fiscalização em virtude do não esclarecimento do contribuinte após um total de sete (7) intimações. 6.1.4 Resta indiferente se os pagamentos foram ou não registrados pelos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, pois que não interferem no lançamento do crédito tributário. Desta maneira, não há qualquer circunstância ou documento novo que infirme as conclusões da decisão vergastada, que, assim sendo, deve ser integralmente mantida, negandose provimento ao recurso voluntário. 3 Da multa aplicada Conforme RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO, fl. 7, o presente lançamento é atinente à multa prevista no art. 32, inc. IV e § 9º, da Lei 8.212/1991, e art. 225, inc. IV e § § 2º e 3º, do Decreto 3.048/1999, mais especificamente porque a empresa teria deixado de informar mensalmente à RFB, por intermédio do documento a que se refere o art. 32, inc. IV, da Lei n° 8.212/1991, os dados cadastrais e todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, bem como outras informações de interesse da mesma. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 19515.004086/201058 Acórdão n.º 2402005.672 S2C4T2 Fl. 8 13 Pois bem. Sendo negado provimento ao recurso voluntário no tocante à tese principal analisada no tópico anterior, e não tendo sido contestada, especificamente, a aplicação da multa, é definitivo o seu lançamento, na dicção do inc. II do art. 42 do Decreto 70.235/1972. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.916032/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2005
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 60 32 /2 00 9- 69 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10783.916032/200969 Acórdão n.º 3402003.898 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10783.916032/200969 Acórdão n.º 3402003.898 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10783.916032/200969 Acórdão n.º 3402003.898 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13508.000076/2003-27
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2002
SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO.
Incabível a homologação de compensação cujo crédito decorra de saldo negativo que, ainda que comprovadamente existente, já tenha sido completamente utilizado para quitação de estimativas mensais devidas em ano calendário subsequente.
Numero da decisão: 1803-000.666
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Incabível a homologação de compensação cujo crédito decorra de saldo negativo que, ainda que comprovadamente existente, já tenha sido completamente utilizado para quitação de estimativas mensais devidas em ano calendário subsequente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Incabível a homologação de compensação cujo crédito decorra de saldo negativo que, ainda que comprovadamente existente, já tenha sido completamente utilizado para quitação de estimativas mensais devidas em ano-calendário subsequente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Walter Adolfo Maresch, Marcelo Fonseca Vicentini, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13508.000076/2003-27 Acórdão n.º 1803-00.666 S1-TE03 Fl. 71 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 60-verso e 61): Trata o presente de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Feira de Santana que, através do Despacho Decisório DRF/FSA n° 876, de 15/05/2008, não homologou a declaração de compensação apresentada pela empresa em 17/07/2003 (fls. 02 e 03). Por meio da citada declaração de compensação, o contribuinte objetivava compensar crédito decorrente de saldo negativo de CSLL relativo ao ano-calendário 2001 e do primeiro ao terceiro trimestres do ano [de] 2002 com os débitos mencionados na planilha abaixo: [...]. O Despacho Decisório desconsiderou o pedido de reconhecimento dos saldos negativos de CSLL relativos aos três trimestres do ano-calendário 2002, pois a empresa informa na DIPJ 2003, relativa ao ano-calendário 2002, que optou pela apuração do lucro real anual. Para que o pleito da contribuinte fosse considerado correto, seria preciso que a empresa fosse tributada pelo lucro real trimestral. Quanto ao saldo negativo de CSLL em 31/12/2001, o Despacho Decisório informa que a análise deste ano-calendário já foi executada pelo Despacho Decisório n° 802/2008, exarado nos autos do processo n° 13508.000023/2003-14. No citado despacho Decisório, foi apurado que o saldo negativo declarado pelo contribuinte na DIPJ 2002, relativo ao ano-calendário 2001, foi de R$ 63.166,30 (sessenta e três mil cento e sessenta e seis reais e trinta centavos). Entretanto, as estimativas quitadas por meio de compensação de saldo negativo de anos anteriores não foram confirmadas, razão pela qual o referido Despacho Decisório apura a existência de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 631,06 (seiscentos e trinta e um reais e seis centavos), o qual foi completamente utilizado para a quitação de parte da estimativa devida pela empresa no mês de janeiro de 2002. Pelas razões acima, o Despacho Decisório não homologou a compensação pleiteada. Inconformado com o referido Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a sua Manifestação de Inconformidade em 20/06/2008, na qual aduz os seguintes argumentos: Requer o julgamento conjunto deste processo com o processo n° 13508.000023/2003-14, uma vez que o Despacho Decisório n° 802/2008 fundamenta o despacho exarado nos autos deste processo. Em seguida, o contribuinte apresenta as razões pelas quais entende que o despacho decisório n° 802/2008 deve ser reformado, as quais, em suma, podem ser assim resumidas: Aduz que o referido Despacho Decisório funda-se na análise de períodos já homologados tacitamente pela Receita, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 4 9.430/1996. A Receita dispôs de cinco anos para analisar os dados declarados pelo contribuinte referentes aos anos de 1997 a 2001. Com base na informação prestada em DIPJ no ano calendário de 1996, o fisco analisa os períodos posteriores a esta declaração (1997 a 2001). Alega que, no ano-calendário 1996, foi tributado de acordo com a sistemática do lucro real anual. Afirma que a opção pelo lucro presumido se dá pelo primeiro pagamento. Entretanto, esta opção somente se tornou definitiva para todo o ano- calendário a partir de 1998, quando publicada a Lei n° 9.718. Além disso, alega que a regulamentação da Lei n° 9.430/96 somente se deu em 24/12/1997, através da IN n° 93/1997. Requer a revisão do despacho decisório e o reconhecimento do seu direito creditório, a fim de que sejam homologadas as compensações realizadas pela empresa em 2002. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 60): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2001 SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Incabível a homologação da compensação de saldo negativo, quando ele já tenha sido completamente utilizado para a quitação das estimativas mensais devidas no ano-calendário subsequente. Solicitação Indeferida Cientificada da referida decisão em 25/11/2008 (fls. 62), a tempo, em 16/12/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 63 a 67, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13508.000076/2003-27 Acórdão n.º 1803-00.666 S1-TE03 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Constou do acórdão recorrido a seguinte fundamentação (fls. 61 e verso): O manifestante requer o julgamento conjunto deste processo com o processo n° 13508.000023/2003-14. Este requerimento sustenta-se no seguinte raciocínio: se, após o julgamento da manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório n° 802/2008, o direito creditório afirmado pelo contribuinte nos autos daquele processo for integralmente reconhecido, haveria saldo para a homologação das compensações aqui indicadas. No citado processo, protocolado em 12/05/2003, o contribuinte declara a compensação do saldo negativo de CSLL do ano- calendário 2002, o qual, segundo a sua DIPJ, teria sido de R$ 67.641,21 (sessenta e sete mil seiscentos e quarenta e um reais e vinte e um centavos). Na composição deste saldo, foram consideradas estimativas totais quitadas no valor de R$ 102.278,56 (cento e dois mil duzentos e setenta e oito reais e cinqüenta e seis centavos). Deste total, R$ 68.019,13 (sessenta e oito mil e dezenove reais e treze centavos), foram quitados por meio de compensações de saldo negativo de CSLL relativos a anos-calendário anteriores. Vê-se, portanto, que, de acordo com as informações constantes da DIPJ do contribuinte, o saldo negativo de CSLL relativo ao ano-calendário 2001 foi utilizado para a quitação de uma parte das estimativas devidas ao longo do ano-calendário 2002. Além disso, o contribuinte declarou a compensação do saldo negativo do ano-calendário 2002 com os débitos indicados nos processos n° 13508.000023/2003-14, 10530.002878/2008-19, 10530.002990/2008-41. Deste modo, é possível concluir que, ainda que a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte nos autos do processo n° 13508.000023/2003-14 seja integralmente deferida e, como conseqüência, seja reconhecida a existência do saldo negativo no ano-calendário 2001, indicado pelo contribuinte em sua DIPJ, este saldo já teria sido completamente exaurido na quitação das estimativas devidas ao longo do ano-calendário. Note-se que a declaração de compensação do saldo negativo de CSLL do ano-calendário 2002 foi protocolada junto à Receita Federal em 12/05/2003, antes, portanto, do protocolo da Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 6 declaração de compensação do saldo negativo do ano- calendário 2001, contida no presente processo, que somente ocorreu em 17/07/2003. Contra essa fundamentação, repisa a Recorrente os termos de sua Manifestação de Inconformidade, a qual acresce apenas o seguinte trecho (fls. 64): No Acórdão recorrido o Ilustre Relator, sem analisar o mérito da Impugnação, apenas entendeu, com base em análise superficial dos valores existentes no auto de infração (sic), que realmente não haveria saldo a compensar, quando, em verdade, discute-se a ilegal análise feita de períodos pretéritos, já homologados tacitamente pelo Fisco, porquanto necessário reiterar esse pedido preliminar, já que, no entender do Recorrente, fica inteiramente prejudicada a apreciação feita no Despacho Decisório n° 876/2008, caso revisto o já mencionado Despacho n° 802, de 09/05/2008, exarado no processo 13508.000023/2003-14, pendente de julgamento naquela DRJ. Não procede a irresignação da Recorrente. A questão é que, mesmo subsistindo o saldo negativo de CSLL declarado no ano-calendário de 2001, de R$ 63.166,30 (fls. 4), esse saldo já havia sido objeto de utilização, pela Recorrente, na quitação de estimativas atinentes ao ano-calendário subsequente (2002). Em outras palavras: de nada adianta a Recorrente insurgir-se contra o teor do Despacho Decisório nº 802, de 2008, da DRF de origem, prolatado no processo nº 13508.000023/2003-14 (fls. 11 a 40), que reduziu o saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 2001, quando se mantém intacta a pretendida compensação desse saldo negativo com estimativas do ano-calendário subsequente (2002). Os seguintes demonstrativos bem esclarecem a questão (fls. 24 e 26): Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 13508.000076/2003-27 Acórdão n.º 1803-00.666 S1-TE03 Fl. 73 7 Assim, na melhor das hipóteses, seria recomposta a parte do saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 2002 oriunda dessas compensações. Mas, de qualquer modo, persistiria a impossibilidade de aproveitamento do saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 2001 em outras compensações. Atenta a esse fato é que a DRJ de origem houve por bem julgar o presente processo sem vinculá-lo ao decidido no processo nº 13508.000023/2003-14, eis que - repita-se - qualquer que seja a decisão nele prolatada, permanece a ausência de crédito, no ano- calendário de 2001, passível de compensação, como consta da ementa do acórdão recorrido (fls. 60): Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES 8 Incabível a homologação da compensação de saldo negativo, quando ele já tenha sido completamente utilizado para a quitação das estimativas mensais devidas no ano-calendário subseqüente. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 19/11/2010 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 23/11/2010 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10909.003660/2007-57
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não restou configurada a decadência, uma vez que não houve o transcurso do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN. NULIDADE DO LANÇAMENTO - Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA E VALOR BRUTO SUPERIOR AO PERMITIDO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 9º, INCISO I, DA LEI 9317/96. IMPOSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO. Demonstrado por julgamento de processo administrativo que o contribuinte omitiu receitas, está comprovado que o Recorrente incorreu numa das causas excludentes do regime do Simples, no caso que a sua receita superou o limite permitido para a permanência no citado regime. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita se comprovada a não escrituração de pagamentos efetuados. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são Fl. 665 DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos.
Numero da decisão: 1803-001.390
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Não restou configurada a decadência, uma vez que não houve o transcurso do prazo quinquenal previsto no art. 150, § 4º do CTN. NULIDADE DO LANÇAMENTO Não há que se falar em nulidade do auto de infração, quando este foi lavrado por autoridade competente, com observância de todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. Atendidos todos os requisitos formais, somente ensejam nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de ampla defesa, hipóteses essas que se encontram ausentes nos presentes autos. EXCLUSÃO DO SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA E VALOR BRUTO SUPERIOR AO PERMITIDO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 9º, INCISO I, DA LEI 9317/96. IMPOSSIBILIDADE DE PERMANÊNCIA NO REGIME SIMPLIFICADO. Demonstrado por julgamento de processo administrativo que o contribuinte omitiu receitas, está comprovado que o Recorrente incorreu numa das causas excludentes do regime do Simples, no caso que a sua receita superou o limite permitido para a permanência no citado regime. OMISSÃO DE RECEITAS. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. A legislação vigente autoriza a presunção de omissão de receita se comprovada a não escrituração de pagamentos efetuados. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são Fl. 665DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais decorrentes dos mesmos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.003660/200757 Acórdão n.º 180301.390 S1TE03 Fl. 2 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração de fls.165 a 196, o qual exige da interessada o recolhimento das importâncias de R$ 3.947,92, de R$ 3.947,92, de R$ 6.073,72, de R$ 12.147,45 e de R$ 22.032,65 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — Simples, de Contribuição para o PIS/Pasep — Simples, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Simples, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Simples e de Contribuição para Seguridade Social — INSS — Simples, respectivamente, acrescidas de multa de oficio de 75% e juros de mora,correspondente a fatos geradores ocorridos nos meses de setembro a outubro de 2002. A empresa é optante do Simples e foi ora excluída, com base nos seguintes elementos, conforme Representação Fiscal Para Fins de Exclusão do SIMPLES às fls.197 a 199, de onde se extrai: [ ..] A contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados para pagar compras de mercadorias não contabilizadas, de 2002 a 2004. Nenhum documento foi apresentado para a comprovação da origem, fato que nos levou a considerar os valores não contabilizados como omissão de receitas. Considerando a soma das receitas escrituradas pela contribuinte e das receitas omitidas, nos anos de 2002, 2003 e 2004, verifica se que a contribuinte excedeu o limite imposto para a receita bruta de EPP já no ano calendário 2002, conforme tabela abaixo, incorrendo em hipótese de exclusão do SIMPLES. OBS: em relação ao ano de 2002, foram consideradas omissões de receitas a partir do mês de setembro, inclusive. CONCLUSÃO Tendo em vista que as receitas da contribuinte no ano calendário 2002 ultrapassaram os limites para permanência no SIMPLES, solicito que apresente representação seja encaminhada ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em ITAJAI, afim de que a contribuinte seja excluída de oficio do SIMPLES, com efeitos a partir de janeiro de 2003. À fl.200, consta o Ato Declaratório Executivo DRF/ITJ n° 21, de 21 de setembro de 2007, excluindo a contribuinte do Simples nos termos da Representação. Para os anos posteriores à exclusão, a Interessada teve o seu lucro apurado pela Fiscalização segundo as regras do lucro Fl. 667DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 arbitrado, correspondente aos trimestres dos anos calendário de 2003 e 2004, nos termos do que dispõe o art.530, inciso II do RIR/99, a seguir transcrito e indicado no Auto de infração às fls.206 a 215 e no Termo de Verificação de Infrações e Encerramento, parte integrante dos autos de infração, do qual a contribuinte tomou ciência e recebeu uma via (fl.257) e apresentou impugnação. Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (lei n° 8.981, de 1995, art.47, e Lei n° 9.430, de 1996, art.19: II — a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Assim, para os anos calendário de 2003 e 2004, foi lavrado e impugnado o Auto de Infração de fls.206 a 215, que exige da interessada o recolhimento da importância de R$ 65.430,65 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora, correspondente a fatos geradores ocorridos nos trimestres destes anos. Decorrentes deste lançamento de IRPJ, foram ainda lavrados Autos de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls.216 a 225), de Contribuição para o PIS/Pasep (fls.226 a 236) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls.237 a 247), que exigem da interessada o recolhimento das importâncias de R$ 34.257,29, de R$ 23.493,71 e de R$ 108.449,84, respectivamente. De se reproduzir excertos do Termo de Verificação de Infrações e Encerramento (fl.248 a 257): I — CONTRIBUINTE A contribuinte, doravante denominada fiscalizada, foi constituída em 1999 e tem como atividade o comércio atacadista de discos, fitas magnéticas e acessórios. Fez opção pelo SIMPLES em 18/11/1999 (fls.11) e apresentou Declarações Simplificadas em relação aos anoscalendário 2002 (f1s.14 a 17) 2003 (f1s.18 a 35) e 2004 (f1s.36 a 53). 2 — PROCEDIMENTO FISCAL Em 23/04/2007 enviamos intimações a diversos fornecedores da fiscalizada, solicitando documentos referentes a compras e pagamentos efetuados pela mesma nos anos de 2002 a 2004 (f1s.73 a 84). Em atendimento a nossas intimações, as empresas Deck Produções Artísticas Ltda. e Microservice Tecnologia Digital da Amazônia. Apresentaram os documentos relativos às operações Fl. 668DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.003660/200757 Acórdão n.º 180301.390 S1TE03 Fl. 3 5 comerciais realizadas com a fiscalizada (Anexo III). Analisando os livros contábeis e fiscais da fiscalizada detectamos inúmeros pagamentos não contabilizados e, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 002 (f1s.88 a 92), a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados para efetuálos a seus fornecedores. Foram relacionados valores e datas dos pagamentos efetuados, assim como os números das notas fiscais/faturas e as respectivas datas de emissão. Em 10/07/2007 a fiscalizada solicitou a prorrogação do prazo de atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 002, a qual foi concedida (f1s.93). Em atendimento a nossa intimação, a empresa Universal Music Ltda. também apresentou os documentos relativos às operações comerciais realizadas com a fiscalizada (Anexo V). Analisando os livros contábeis e fiscais da fiscalizada detectamos inúmeros pagamentos não contabilizados e, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 003 (fls.94 a 102), a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados para efetuálos. Foram relacionados valores e datas dos pagamentos efetuados, bem como números das faturas e datas de emissão. Em 30/07/2007, em relação aos Termos de Intimação Fiscal n° 002 e n° 003, a fiscalizada informou não ter localizado os documentos para comprovação da origem dos recursos utilizados para efetuar os pagamentos não contabilizados (17s. 103 a 106). Em atendimento a nossas intimações, as empresas Warner Music Brasil Ltda., BMG Brasil Ltda. e Sony BMG Music Brasil Ltda. também apresentaram os documentos relativos às operações comerciais realizadas com a fiscalizada (Anexos IV e VI). Analisando os livros contábeis e fiscais da fiscalizada detectamos inúmeros pagamentos não contabilizados e, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 004 (fIs.107 a 121), a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados para efetuálos. Também relacionamos valores e datas dos pagamentos, bem como os números das faturas e datas de emissão.[..] Em 11/09/2007, em relação ao Termo de Intimação Fiscal n° 004, a fiscalizada informou não ter localizado os documentos para comprovação da origem dos recursos utilizados para efetuar os pagamentos não contabilizados (f1s.122 a 123). 3 — EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES Considerando a soma das receitas escrituradas pela contribuinte e das receitas omitidas, nos anos de 2002, 2003 e 2004, verifica se que a contribuinte excedeu o limite imposto para a receita bruta de EPP já no ano calendário 2002, conforme tabela abaixo, incorrendo em hipótese de exclusão do SIMPLES. OBS: em relação ao ano de 2002, foram consideradas omissões de receitas a partir do mês de setembro, inclusive. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 4 — ARBITRAMENTO DOS LUCROS EM 2003 E 2004 Por meio dos Termos de Intimação Fiscal n° 002, 003 e 004, a fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados para efetuar pagamentos a seus fornecedores, os quais não haviam sido contabilizados. Em resposta aos termos a fiscalizada informou que (f1s.103 a 106 e fls. 122 a 123): "A apresentação da totalidade da documentação relativa aos elementos ora solicitados vem dependendo de uma quantidade considerável de informações e documentos, sobre os quais a contribuinte vem buscando localizar junto a arquivos próprios, instituições financeiras e escritórios de contabilidade; De forma alguma a contribuinte intenta criar obstáculos ou causar entraves ao procedimento de fiscalização, tanto é verdade, que não vem olvidando esforços no sentido de disponibilizar os elementos solicitados, o que, por motivos alheios a sua vontade, não logrou êxito em providenciar até apresente data;... ". O total de receitas contabilizadas e declaradas em 2003 e 2004 foi de R$ 906.861,05 e R$ 750.505,20, respectivamente (fls. 18 a 53 e 164). Nos mesmos anos, o total de pagamentos efetuados e não contabilizados foi de, respectivamente, R$ 1.087.696,16 e R$ 1.961.511,05, conforme demonstrativos elaborados (f1s.124 a 163), o que significa uma omissão de R$ 3.049.207,21, quase o dobro das receitas escrituradas e declaradas. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, a qual deverá abranger todas as operações e resultados de suas atividades (art.251 do RIR/99). Também é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (art.264 do RIR199). Levando em conta que em relação a 2003 e 2004 a fiscalizada deixou de escriturar em seus livros contábeis e fiscais R$ 3.049.207,21 relativos a pagamentos efetuados a seus fornecedores, consideramos que a sua contabilidade contém vícios e deficiências que a tornam imprestável para a identificação da sua efetiva movimentação financeira e determinação do lucro real, levando conseqüentemente ao arbitramento dos seus lucros no período, com base na receita bruta conhecida, de acordo com os artigos 530, II, e 532 do Regulamento do Imposto de renda (RIR199). INFRAÇÕES APURADAS Conforme já relatamos, alguns fornecedores da fiscalizada foram intimados a fim de que apresentassem documentação referente a pagamentos efetuados pela mesma nos anos de 2002 a 2004 (fls. 73 a 84). Fl. 670DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.003660/200757 Acórdão n.º 180301.390 S1TE03 Fl. 4 7 1 Não tendo sido comprovadas as origens dos recursos para efetuar os pagamentos não contabilizados, os mesmos foram considerados omissões de receitas e utilizados como base para o cálculo dos valores dos tributos devidos, nos termos do artigo 281, inciso II, do R1R199. OBS: foram anexadas cópias de partes dos livros Razão, Diário, Registro de Entradas e registro de ICMS (Anexos I e II), os quais demonstram as receitas escrituradas e a falta de contabilização dos pagamentos considerados omissões de receitas. 5.1 Anocalendário 2002 SIMPLES fls. 165 a 196 001 OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À ESCRITURAÇÃO Em relação ao anocalendário 2002, os valores dos pagamentos não contabilizados de setembro a dezembro foram considerados omissões de receitas para fins de cálculo dos tributos devidos, na forma do SIMPLES. 5.2 Anoscalendário 2003 e 2004 5 5.2.1 IRPJ Lucro Arbitrado fls. 206 a 215 001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NAO IMOBILIÁRIA) PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS Em relação aos anoscalendário 2003 e 2004, os valores dos pagamentos não contabilizados de setembro a dezembro foram considerados omissões de receitas para fins de cálculo de IRPJ devidos, na forma do lucro arbitrado. OBS: todos valores de IRPJ declarados/recolhidos pela fiscalizada na forma do SIMPLES em 2003 e 2004 foram utilizados para compensação com os valores de IRPJ devidos e lançados de oficio na forma do lucro arbitrado (f1s.164, 206, 207, 208 e 209). OBS: todos valores de CSLL declarados/recolhidos pela fiscalizada na forma do SIMPLES em 2003 e 2004 foram utilizados para compensação com os valores de CSLL devidos e lançados de oficio na forma do lucro arbitrado (fls. 164, 216, 217, 218 e 299). OBS: todos valores de PIS declarados/recolhidos pela fiscalizada na forma do SIMPLES em 2003 e 2004 foram utilizados para compensação com os valores de PIS devidos e lançados de oficio na forma cumulativa (í1s.164, 226, 227 e 228). OBS: todos valores de COFINS declarados/recolhidos pela fiscalizada na forma do SIMPLES em 2003 e 2004 foram utilizados para compensação com os valores de COFINS devidos e lançados de oficio na forma cumulativa 01s.164, 237, 238 e 239). Fl. 671DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 A interessada apresentou sua impugnação (fls.260 a 296 e documentos acostados às fls.297 a 606) aos lançamentos e à exclusão do Simples, que ora se reproduz, resumidamente: das questões preliminares da preliminar de nulidade do ato declaratório executivo n° 21, de 21/09/2007, que excluiu a empresa do SIMPLES, por ausência de suporte fático e legal; que não incorreu em nenhuma das hipóteses elencadas no artigo 14 da Lei 9.317/96; que estando a Impugnante registrada no SIMPLES à época dos fatos autuados e nessa condição dispensada legalmente do dever de escriturar suas operações, não pode o Fisco autuála a pretexto de que não escriturou sua movimentação bancária; ademais, a base de cálculo adotada é de todo irreal e ilegal, eis que compreende a totalidade dos depósitos registrados nos extratos bancários ditos não escriturados; que a pretensa omissão de rendimentos é juridicamente insustentável, eis que afronta a legislação de regência, jurisprudência administrativa e judicial que há décadas vêm consagrando o entendimento de que o Depósito ou o Extrato Bancário, por si só, não é fato gerador de imposto de renda; nesta conformidade, e tendo restado comprovado que o ADE 21/2007, de exclusão do SIMPLES, foi em contrariedade à lei que cuida da matéria, requer que seja declarada a nulidade do ADE 21/2007 e os autos de infração dele resultantes, eis que os mesmos foram formulados pelo vício insanável de equivocada tipificação e falta de liquidez e certeza dos créditos tributários; da preliminar de decadência que no caso sob exame parte dos fatos questionados referemse aos períodos base de 02 de setembro a 27 de setembro de 2002 e, portanto, o direito da Fazenda Pública promover qualquer lançamento, relativamente a esse período expiraria cinco anos após a ocorrência do fato gerador; os autos de infração e os respectivos lançamentos de oficio pretendidos só foram formalizados em 28 de setembro de 2007, portanto, extinto o direito da Fazenda de constituir crédito tributário daquele período, nos termos do §4° do art.150 do CTN; da preliminar de carência de tipificação legal e de base de cálculo para os lançamentos de acordo com a descrição contida no Termo Fiscal, a exigência tem como suporte fático omissão de receitas caracterizada pela falta de escrituração de parte das aquisições de mercadorias para revenda e falta de comprovação de origem dos Fl. 672DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.003660/200757 Acórdão n.º 180301.390 S1TE03 Fl. 5 9 recursos utilizados para pagamento das compras realizadas, sendo esta tipificada nos autos de infração como falta de escrituração dos pagamentos; procedendose à leitura atenta do enquadramento legal invocado pelo autor do feito para embasar o lançamento tributário resultante da pretensa irregularidade, em conjunto com a descrição dos fatos consignada dos Autos, vêse que os mesmos não se prestam para respaldar qualquer exigência fiscal fundamentada nos citados fatos lá descritos, eis que cuidam de tipificação legal estranha àqueles; é certo que tal procedimento, ainda que verdadeiro, não caracterizaria a infração atribuída à Impugnante — falta de escrituração dos pagamentos das aquisições de mercadorias , até porque a tipificação legal de eventual omissão de registro de pagamentos efetuados enquadrase na norma legal inserta no art.281, inciso II do RIR/99, que não foi em nenhum momento aventada pelo Autuante e que versa sobre a presunção legal da ocorrência de omissão de receitas, caracterizada pela falta de escrituração dos pagamentos efetuados, ressalvandose ao Contribuinte a prova da improcedência da presunção; resta claro, pois, que a exigência relativa ao IRPJ e lançamentos reflexos pautaramse em mera presunção de omissão de receitas, por falta de escrituração de compra de mercadorias e respectivos pagamentos, tendo por fundamento presunção sem amparo legal; do mérito que não obstante a descrição irreal aos fatos inquinados de irregularidades submetidas à tributação, evidenciase, à saciedade, nestes Autos, que o lançamento pautouse, exclusivamente, em Notas Fiscais informadas pelas fornecedoras dos produtos, em relação aos quais pretende o Fisco seja a Impugnante a compradora de fato, o que, mesmo argumentandum tantum, se pudesse admitir fosse verdadeiro, ainda assim não poderia a exigência fiscal prevalecer, vez que caberia ao Fisco exigir o imposto apenas sobre o lucro obtido nas transações, porquanto as compras constituem custo para a Recorrente; que a jurisprudência dominante no CC repudia a caracterização de omissão de receitas por mera omissão de compras (transcreve ementas de julgados daquele Colegiado, fls.273/274); por tais ementas, verificase que os lançamentos fiscais, nos moldes em que foram formulados, não tem como prosperar, seja porque respaldados em mera presunção, seja porque formulados sobre base de cálculo equivocada, na medida em que não Fl. 673DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 se levou em conta os custos despendidos pela Impugnante na aquisição das compras ditas não escrituradas e seus respectivos pagamentos; que a Fiscalização não aprofundou suas investigações junto à Impugnante, optando pelo caminho mais prático, embora errôneo, da presunção não prevista em Lei, imputandolhe, via de conseqüência, a prática de omissão de receitas por falta de escrituração das pretensas compras e seus respectivos pagamentos; ainda que a Impugnante tivesse omitido compras, o que se admite para argumentar, não se poderia cogitar de omissão de receita na totalidade daquele valor; basta observar que a própria compra representa um custo que necessariamente teria que ser compensado na hipótese de omissão de receita; isto implica dizer que, uma vez confirmada a omissão de compras caberia o lançamento de oficio apenas em relação ao resultado obtido, abatendose o valor das compras do valor das vendas efetuadas, consoante jurisprudência já mencionada; das devoluções de mercadorias relativamente ao elevado número de Notas Fiscais objeto de Devoluções, algumas considerações devem aqui ser traçadas; na atividade comercial exercida pela Impugnante alguns expedientes atípicos são colocados em prática, no que concerne a distribuição e vendas dos respectivos produtos; as distribuidoras dos produtos comercializados pela Impugnante tem a obrigação de atingirem metas em função da obtenção de premiações; em virtude disso e da relação de confiança que as citadas distribuidoras mantinham com determinadas lojas, entre elas a Impugnante, as mesmas efetivaram a respectiva remessa e distribuição de mercadorias na modalidade de "Garantia"; nesta modalidade, os produtos distribuídos e não comercializados pelas lojas, são devolvidos e aceitos pelas citadas distribuidoras, mediante Notas Fiscais de Devolução, acompanhadas das respectivas "Ordem de Devolução", conforme cópias das citadas Notas Fiscais (Devolução) e "Demonstrativo das Notas Fiscais Devolvidas" anexos; portanto, como o número de mercadorias remetidas pelas distribuidoras na modalidade "Garantia" sempre foi bem maior do que os produtos constantes das respectivas Notas Fiscais efetivamente comercializados, acarretou o elevado número de devoluções; diante do exposto, restando demonstrado de forma inequívoca que os pagamentos relativos as supra citadas Notas Fiscais objeto de devolução realmente não efetivaram, requer sejam os respectivos valores excluídos da base de cálculo; da inexatidão Fl. 674DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.003660/200757 Acórdão n.º 180301.390 S1TE03 Fl. 6 11 da base de cálculo do IRPJ lançado de oficio que, segundo a legislação vigente, a base de cálculo do IRPJ é determinada após a dedução da CSLL; no caso, o Fisco, além de não utilizar a forma determinada em Lei para a determinação da base de cálculo da Contribuição Social, também não observou a seqüência estabelecida na legislação e em atos normativos da dedução prévia dessa Contribuição; VI — Tributações reflexas (CSLL, PIS, COFINS e INSS) certa de que nada deve a título de IRPJ, nada devendo, por conseqüência, nos lançamentos elencados como decorrentes, sejam de CSLL, PIS, COFINS e INSS, no ano de 2002, como também de CSLL, PIS e COFINS nos anos de 2003 e 2004; VII — da ilegalidade da "presunção comum" como prova; que a mera situação de o Auditor embasar o Auto de Infração com fundamento na alegação de presunção comum é prova de que a própria autoridade tem dúvidas acerca da efetiva existência do ato infracional, posto que não houveram provas incontestes, ainda que ínfimas, no sentido de que tenha o contribuinte omitido receitas, nem tampouco de que os lançamentos em suas contascorrentes caracterizam omissão de receitas; VIII — do descabimento da representação fiscal para fins penais e do arrolamento dos bens e direitos; que é de todo infundada e ilegal a representação fiscal para fins penais e o arrolamento de bens e direitos levados a efeito, posto que incomprovado o evidente intuito de fraude exigido em lei para a adoção desses procedimentos; Das fls.282 a 286, reclama da ilegalidade dos juros SELIC”. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando o mesmo possui todos os elementos necessários à compreensão inequívoca da exigência, detalhados em Termo de Verificação de Infrações e Encerramento, que é parte integrante do Auto, e dos fatos que o motivaram e enquadramento legal da infração fiscal. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. Presunções Legais. Omissão de Receita. Falta de escrituração de pagamentos. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 12 As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Constatada a existência de falta de escrituração de pagamentos realmente efetivados, os mesmos caracterizamse como omissão no registro de receitas (inciso II, do art.281 do RIR/99). Receita Omitida. Declarada. Superior ao Limite Legal. Exclusão. Descrição dos fatos. As empresas optantes do Simples estão dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham Livro Caixa com toda a movimentação financeira e bancária (entradas e saídas). Se a empresa, quando intimada, apresenta escrituração contábil e, por três anos seguidos, não escritura dezenas de pagamentos a seus fornecedores, em montantes, inclusive, superiores às receitas declaradas, a legislação caracteriza a falta de escrituração de pagamentos como omissão de receita, que somada à declarada, revelouse superior ao limite legal de faturamento para permanência no Simples, sendo correta a sua exclusão de oficio. IRPJ. ARBITRAMENTO. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES Acertado o arbitramento quando a escrituração da empresa se revela imprestável para determinar a efetiva movimentação financeira e/ou determinação do lucro real. CSLL. PIS. COFINS. Lançamentos Decorrentes da Fiscalização do IRPJ. Anos de 2003 e 2004. Efeitos. Mantida a matéria tributável apurada no lançamento do IRPJ, sendo a mesma que deu causa aos lançamentos das contribuições sociais, permanece inalterado o lançamento destas, face à íntima relação de causa e efeito entre o lançamento de IRPJ (principal) e os ditos decorrentes. Lançamento por homologação. Decadência. Art.150 do CTN. Tributos. Contribuições Apurados sob as Regras do Simples. Nos casos em que comprovada a existência de pagamento sob as regras do Simples, nos períodos mensais de apuração, o prazo decadencial é aquele previsto no art.150 do CTN, onde ficou constatado que não ocorreu a decadência para o fato gerador supra indicado. Juros de Mora. Aplicabilidade da Taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora Fl. 676DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.003660/200757 Acórdão n.º 180301.390 S1TE03 Fl. 7 13 calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, reitera as alegações contidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 17/08/2009 (AR de fls. 624). O recurso foi protocolado em 15/09/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente não contestou os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a repetir os argumentos tecidos na impugnação. Por conseguinte, restanos verificar se houve alguma ilegalidade na decisão de primeira instância. A nosso ver não merece nenhum reparo o acórdão da Delegacia de Julgamento, sendo que passaremos a resumir os fundamentos utilizados para infirmar as alegações da recorrente: • Fatos apurados pela fiscalização: foi efetuado cotejo da escrituração contábil com os documentos apresentados pelos fornecedores da recorrente, identificandose pagamentos não contabilizados nos montantes de R$ 550.366,51 em 2002, R$ 1.087.696,16 em 2003 e R$ 1.961.511,05 em 2004 (demonstrativo de fls. 124/125). Intimada a comprovar a origem dos recursos, a contribuinte não apresentou documentação. • Preliminar de nulidade do ato declaratório de exclusão: (i) nos termos do art. 18 da Lei n° 9.317/1996, aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata a lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas; (ii) os pagamentos não escriturados foram realmente efetivados e caracterizamse, por presunção legal, como receita omitida; (iii) a receita, então tida como omitida, somada à receita escriturada, ultrapassou o limite legal de faturamento para fins de permanência no Simples, conforme detalhado no item 3 — Exclusão de Ofício do Simples (fl.250) e, como tal, a recorrente não poderia permanecer no Simples, tendo sido, portanto, correta sua exclusão a partir do ano calendário subsequente. • Preliminar de decadência: tomandose o fato gerador mensal mais antigo objeto de lançamento, em 30 de setembro de 2002 (fl.175), o lançamento pelas regras do Simples poderia ser efetuado até 30 de setembro de 2007 (data limite), contandose cinco anos Fl. 677DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 14 do fato gerador. Como os Autos de Infração (todos) foram cientificados à Interessada em 28 de setembro de 2007 (fl.174, 179, 184 e fl.189), antes da data limite, não ocorreu a decadência para nenhum fato gerador mensal, objeto dos lançamentos. • Preliminar de carência de tipificação legal e de base de cálculo para os lançamentos: consta no termo de verificação fiscal o enquadramento da conduta da recorrente no art. 281, inciso II, do RIR/99. O auto de infração lavrado contém todos os elementos obrigatórios, sendo que a contribuinte entendeu perfeitamente o conteúdo da infração que lhe foi imputada, impugnandoa integralmente. • Mérito: a recorrente não logrou comprovar de onde retirou os recursos necessários que amparassem todos os dispêndios apurados pela fiscalização. Em respostas àqueles Termos de Intimação, após prorrogação de prazo para seu atendimento, a interessada, em todos eles, por fim esclareceu não ter localizado a documentação pertinente, ou seja, aquela que pudesse respaldar a origem dos pagamentos, ressaltese, não contabilizados, efetivados aos seus fornecedores, então identificados nos termos fiscais. A legislação do imposto de renda, por sua vez, autoriza ao fisco presumir a omissão de receitas diante da existência de falta de escrituração de pagamentos efetuados. É o que determina o inciso II do art.281 do RIR/99. • Devoluções de mercadorias: o “Demonstrativo das Notas Fiscais Devolvidas" e as cópias de notas fiscais acostadas às fls.297 a 606, não dão respaldo à conclusão de que "[... restando demonstrado de forma inequívoca que os pagamentos relativos as supra citadas Notas Fiscais objeto de devolução realmente não efetivaram, requer sejam os respectivos valores excluídos da base de cálculo." Os pagamentos não escriturados foram realmente efetivados e caracterizamse, por presunção legal, como receita omitida. • Inexatidão da base de cálculo: o IRPJ e a CSLL não são dedutíveis na apuração do lucro real e nem a CSLL é dedutível de sua própria base de cálculo . Ainda, tais situações são dirigidas, por óbvio, às empresas tributadas pelo Lucro Real, pois, como já se disse aqui, em se tratando de lucro arbitrado não há que se cogitar de aproveitamento de custos e/ou despesas de qualquer natureza na apuração (base de cálculo) do imposto e contribuições devidos por este regime de tributação. • Ilegalidade da presunção comum como prova: a presunção é legal, e está prevista no art. 281, II, do RIR/99. • Tributação reflexa: os lançamentos destas contribuições sociais, neste processo, são reflexos da mesma irregularidade apurada no lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Assim sendo, por possuírem os mesmos fundamentos fáticos, a decisão prolatada com relação ao Auto de Infração do IRPJ faz coisa julgada em relação aos decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em vista da íntima relação de causa e efeito. Insurgese a recorrente contra a representação fiscal para fins penais e o arrolamento de bens e direitos. O arrolamento de bens e direitos deve ser efetuado nos termos do art. 64, da Lei n° 9.532/1997. No caso da representação fiscal para fins penais deve ser reproduzida a súmula CARF n 28: Fl. 678DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10909.003660/200757 Acórdão n.º 180301.390 S1TE03 Fl. 8 15 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Por fim, quanto ao cabimento da taxa Selic, deve ser trazida à colação a Súmula CARF nº 4: “Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Não merece reparos a decisão de primeira instância, adotandose integralmente no presente voto como razões de decidir, os seus fundamentos. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 679DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13972.000306/2007-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 30/09/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 2. 00 03 06 /2 00 7- 03 Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 13972.000306/200703 Acórdão n.º 9202004.942 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 13972.000306/200703 Acórdão n.º 9202004.942 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 13972.000306/200703 Acórdão n.º 9202004.942 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 13972.000306/200703 Acórdão n.º 9202004.942 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 13972.000306/200703 Acórdão n.º 9202004.942 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 13972.000306/200703 Acórdão n.º 9202004.942 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 13972.000306/200703 Acórdão n.º 9202004.942 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 13972.000306/200703 Acórdão n.º 9202004.942 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 13972.000306/200703 Acórdão n.º 9202004.942 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1853DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.908433/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL.
A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009).
Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.356
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. SELIC. Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. OPOSIÇÃO ESTATAL. A resistência ilegítima, oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), sendo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009). Nos pedidos de ressarcimento para utilização em declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, sendo que os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida e Robson José Bayerl acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 84 33 /2 01 1- 41 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10882.908433/201141 Acórdão n.º 3401003.356 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório utilizado na compensação é oriundo de saldo credor do IPI referente ao período de apuração de 01/10/2009 a 31/12/2009. Conforme despacho decisório exarado pelo Seort/DRF/Osasco, apesar de o crédito alegado pela Recorrente ter sido integralmente reconhecido (pelo valor original do saldo credor solicitado em ressarcimento PER), parte das compensações declaradas não foi homologada, pois o montante dos débitos informados para compensação, vinculados ao saldo credor do período de apuração sob análise, superou o valor do crédito solicitado e reconhecido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto por intermédio do Acórdão 14053.013, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a atualização monetária dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Dessa decisão, a ora Recorrente foi intimada no dia 16/10/2014, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 14/11/2014, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, "para o fim de reconhecer e deferir o direito de correção monetária dos créditos de IPI, pois deixaram de ser escriturais, bem como aplicar a taxa SELIC, com a posterior homologação das compensações na integralidade", com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito de crédito da Recorrente, por falta de fundamentação e por não ter intimado a Recorrente para esclarecer os motivos de ter pleiteado o ressarcimento; (ii) aplicação da correção monetária pela utilização da taxa SELIC em créditos objeto de pedidos de ressarcimento junto a Receita Federal. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10882.908433/201141 Acórdão n.º 3401003.356 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.340, de 25 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10882.908423/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.340): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Como relatado, a interposição do Recurso Voluntário pelo contribuinte coloca duas matérias para exame desse Colegiado: (i) nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório da Recorrente; e (ii) aplicação da Taxa Selic para atualização de crédito básico de IPI em pedidos de ressarcimento. Nulidade O Recorrente defende a nulidade da decisão que não homologou as compensações declaradas e indeferiu o pedido de ressarcimento, alegando que a fundamentação da decisão não é adequada, pois não permite à Recorrente conhecer os seus motivos, e que não foi intimada para esclarecer aspectos do pedido de ressarcimento por ela realizado, o que seria determinado à autoridade fiscal pelo artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008. Esse argumento foi rejeitado pela decisão recorrida, pelas seguintes razões: "De plano não constato qualquer irregularidade que possa acarretar a nulidade do Despacho Decisório, claramente foi demonstrado no Despacho Decisório (Divergências na Compensação) que o direito creditório oferecido e reconhecido era inferior ao montante de débitos que a interessada quer compensar. (...) Pois bem, atendendo ao princípio da eficiência, as PERDCOMPs são processadas eletronicamente visando atender ao contribuinte agilmente e, para atingir tal fim, a busca da certeza e liquidez do crédito se dá, num primeiro momento, pelo cruzamento das informações prestadas pelo próprio interessado à SRF, ou seja, confrontandose o direito creditório pedido com os dados fornecidos pelo interessado na PERDCOMP. Ou seja, a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pelo contribuinte, que nada mais é que o estrito cumprimento da lei e a obediência ao princípio da verdade material, baseiase nas obrigações acessórias realizadas pelo próprio". Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10882.908433/201141 Acórdão n.º 3401003.356 S3C4T1 Fl. 5 4 No que se refere à fundamentação inadequada do despacho decisório eletrônico que, segundo a Recorrente, não permitiria o pleno conhecimento dos motivos para o indeferimento total do seu pleito, com os prejuízos daí decorrentes para o exercício regular de sua defesa, não vejo como acompanhar a Recorrente. Apesar de o despacho decisório de fls. 75 ser bem objetivo, pelo seu exame, é possível a compreensão dos motivos que levaram à decisão: a Recorrente apurou determinado saldo credor de IPI em seus livros e pleiteou o ressarcimento, que foi deferido até o exato montante do crédito por ela apurado e solicitado, sendo indeferido pelo despacho decisório a compensação de débitos, assim como um pedido de ressarcimento, em montante superior ao crédito solicitado. Desse modo, estando devidamente fundamentada, não há que se falar em prejuízo à defesa da Recorrente que, conhecendo os motivos do indeferimento, apresentou defesa explicando que a divergência entre crédito e débito se deu pela não aplicação da taxa SELIC nos créditos básicos de IPI objeto de ressarcimento que, uma vez, aplicados, segundo a Recorrente, permitiriam a validação de todas as compensações vinculadas ao crédito de IPI. Não há, portanto, qualquer violação ao artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972, a ensejar a decretação de nulidade da decisão. Com relação à necessidade de intimação da Recorrente antes de qualquer decisão indeferindo o seu direito creditório, oportuno citar o dispositivo invocado pela Recorrente, que tem a seguinte redação: "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". (Instrução Normativa RFB nº 900/2008) Pela leitura do dispositivo, entendo que se trata de um direito da autoridade fiscal, que pode ser exercido ou não, não podendo ser encarado tal dispositivo como uma obrigação da autoridade fiscal de intimar o contribuinte antes de toda e qualquer análise de pedidos de reconhecimento de direito de crédito. A Receita Federal poderá, nas hipóteses em que entender cabível, intimar o contribuinte para apresentar esclarecimentos ou realizar diligências adicionais, para fim de confirmar a existência do direito de crédito pleiteado. Por conseguinte, a ausência de intimação da Recorrente antes do não reconhecimento de crédito por ela pleiteado não implica nulidade da decisão tomada nesse sentido, motivo pelo qual proponho ao Colegiado rejeitar a nulidade também por esse segundo fundamento. Aplicação da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI A Recorrente alega que, se aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, as compensações declaradas teriam sido homologadas, não havendo qualquer valor a ser cobrado pela Receita Federal. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10882.908433/201141 Acórdão n.º 3401003.356 S3C4T1 Fl. 6 5 Para tanto, invoca como fundamento o artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Carta da República, artigo 49 do Código Tributário Nacional ("CTN"), artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, afirmando que, na hipótese de ressarcimento e/ou compensação, "o crédito de IPI deixa de ser crédito escritural e passa a ser um crédito oponível à União Federal para restituição ou compensação, do qual deverá sofrer a incidência da correção monetária, como qualquer outro crédito passível de restituição/compensação". Além disso, defende a Recorrente que "será totalmente inócua a utilização de valores de créditos sem a cobertura do desgaste inflacionário, ou seja, a devida correção monetária entre o período em que houve o acúmulo do crédito até o momento da utilização, sob pena de enriquecimento ilícito por parte da União Federal", afirmando ser aplicável a taxa SELIC que é a mesma que é aplicada pelo Fisco na correção de seus créditos. A decisão recorrida rejeitou esse argumento da Recorrente, fazendo a distinção entre os casos de ressarcimento de IPI e restituição, conforme a seguir: "(...) a atualização monetária não é aplicável à hipótese vertente, isto é, de crédito escritural suscetível de ressarcimento, pois a norma do art. 66, § 3º da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e alterações, conforme orientação interna transmitida pelo Boletim Central nº 46, de 25 de março de 1992, abarca tãosomente as hipóteses de atualização monetária referentes à restituição, nos casos em que menciona". Ademais, a decisão recorrida fundamenta a impossibilidade de correção monetária no ressarcimento de IPI, com base em normas infra legais como o artigo 38, § 2º, da IN SRF nº 210, de 2002; e artigo 51, § 5º, da IN SRF nº 460, de 2004, sucedida pelo artigo 52 da IN SRF nº 600, de 2005; artigo 72, § 5º, da IN RFB nº 900/2008 e alterações posteriores, manifestandose ainda pela impossibilidade de correção de créditos escriturais de IPI. Sobre o tema, pedido de atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI, oportuno mencionar que já foi pacificado pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC. Essa decisão teve a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10882.908433/201141 Acórdão n.º 3401003.356 S3C4T1 Fl. 7 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias1; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, 1 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10882.908433/201141 Acórdão n.º 3401003.356 S3C4T1 Fl. 8 7 Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) O assunto já foi, inclusive, apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em recente julgado2, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pois "especificamente no presente caso, verificase que houve oposição estatal, mas, ou seja, o pedido de ressarcimento de créditos escriturais de IPI foi expressamente rejeitado pela autoridade competente (despacho decisório de fls. 480 a 499), o que ocasionou, portanto, oposição injustificada a impedir o gozo do direito. Existindo oposição estatal injustificada, há incidência de atualização pela SELIC do crédito de IPI". Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. 2 Processo nº 13678.000141/0076; Acórdão nº 9303003.253; 3ª Turma; Sessão de 03 de fevereiro de 2015; Matéria TAXA SELIC; Recorrente FAZENDA NACIONAL. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.908433/201141 Acórdão n.º 3401003.356 S3C4T1 Fl. 9 8 A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo3, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. 3 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.908433/201141 Acórdão n.º 3401003.356 S3C4T1 Fl. 10 9 Contudo, em que pese ter razão, em tese, o Recorrente quando defende a possibilidade de aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento, em seu caso concreto, fixado o entendimento de que a taxa SELIC deve ser aplicada desde a data de protocolo do pedido até o efetivo pagamento do ressarcimento pela Receita Federal, o pedido do Recorrente não merece prosperar. É que no caso da Recorrente não se trata de pedido de ressarcimento em espécie, mas de pedido de ressarcimento para utilização em declarações de compensação contemporâneas ao pedido de ressarcimento. Ora, nesse caso, não há que se falar em oposição injustificada da Receita Federal, pois o valor objeto de ressarcimento é utilizado no exato momento da apresentação do pedido. Em conseqüência, não há qualquer justificativa para a aplicação da taxa SELIC. E, se a Recorrente pretendia a aplicação da taxa SELIC desde a data da escrituração dos créditos nos livros fiscais até a data de apresentação do pedido de ressarcimento, o que não se depreende da defesa apresentada, tratarseia, de qualquer modo, de aplicação da taxa SELIC sobre o crédito escritural de IPI, o que é vedado, por ausência de previsão legal, como já exposto nas linhas acima. Ante o exposto, embora tenha o entendimento pela aplicação da taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de crédito de IPI, penso que esse entendimento não se aplica ao caso concreto, que trata de declaração de compensação contemporânea ao pedido de ressarcimento, motivo pelo qual voto pelo não provimento do Recurso Voluntário." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pelo Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira por ter sido apresentada no Acórdão 3401003.340 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento do Conselheiro sobre a questão: "Data vênia do entendimento esposado pelo ilustre relator, a jurisprudência que acomete a atualização SELIC para o ressarcimento do IPI é justificada pela resistência da administração em reconhecer o direito creditório e efetivar o ressarcimento. Mas ela não acolhe a SELIC para os casos em que não se configure essa resistência da administração fazendária. Vejamos trecho das ementas dos citados julgados: (...) Além disso, a contribuinte aproveitou o crédito do ressarcimento do IPI imediatamente por meio de declaração de compensação, não havendo oposição por parte da administração tributária para essa compensação, nem postergação do aproveitamento do crédito por parte da contribuinte. Não houve desrespeito ao prazo de 360 dias posto pela Lei 11.457 de 2007. Não há que se falar em resistência da administração ao caso de modo a se justificar aplicar o entendimento jurisprudencial. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.908433/201141 Acórdão n.º 3401003.356 S3C4T1 Fl. 11 10 O texto do artigo 24 da Lei n. 11.457, de 2007, invocado pela contribuinte, não a socorre. Além do fato que o prazo de 360 dias não foi desrespeitado, a simples leitura desse artigo afasta a proposição da contribuinte de que o descumprimento do prazo máximo para a autoridade administrativa decidir implicaria em reconhecimento do seu direito. Essa é uma interpretação equivocada. Basta ler o artigo citado para se ver, indubitavelmente, que esse texto não autoriza a aplicação da taxa SELIC aos casos de ressarcimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 133DF CARF MF
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