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Numero do processo: 10680.724496/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE.
Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento para considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora.
EDITADO EM: 23/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento para considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento para considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente substituta e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 44 96 /2 01 1- 13 Fl. 194DF CARF MF 2 EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente). Relatório Tratase de notificação de lançamento nº 06101/00038/2011 resultante de lançamento suplementar do ITR/2007, incidente sobre o imóvel rural denominado “FAZENDA DO ENGENHO SUL” (NIRF 2.918.4630), com área total declarada de 133,1ha, localizado no município de Belo Horizonte/MG, tendo a autoridade fiscal arbitrado o VTN em R$ 2.760.374,21, com base no SIPT Sistema de Preços de Terra, conforme demonstrativo de efl. 06. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande DRJ/CGE, em sessão de 14/10/2013, nos termos do Acórdão nº 0433.808 (efls. 160/167): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 NIRF 2.918.4630 Fazenda do Engenho Sul. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 e cumpridos os requisitos do art. 11 desse Decreto, não prospera a alegação de nulidade do lançamento. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique sua alteração. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 175/186), alegando em síntese: a) preliminarmente, a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa com relação ao arbitramento do VTN com base no SIPT; e b) no mérito, que deve prevalecer o VTN apurado através do Laudo de avaliação apresentado elaborado de acordo com normas da ABNT e considerando todas as características do imóvel, não padecendo de nenhum vício que justifique sua rejeição sumária. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10680.724496/201113 Acórdão n.º 2301004.865 S2C3T1 Fl. 195 3 Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do Recurso Voluntário, dele conheço e passo a sua análise. Nulidade do Lançamento O recorrente pleiteia a nulidade da autuação fiscal por cerceamento de defesa sob o argumento de desconhecimento dos critérios utilizados pelo Fisco para arbitrar o valor da terra nua. Entendo que não assiste razão ao recorrente, uma vez que a autuação preenche todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72 e, embora o recorrente não tivesse conhecimento dos valores considerados para a definição do arbitramento pelo SIPT Sistema de Preços de Terra, lhe foi dado o direito de apresentar laudo técnico que confirmasse os valores declarados em sua DITR. Por sua vez, o cerceamento do direito de defesa decorre da impossibilidade de se defender, o que não se verificou no presente caso. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Mérito Valor da Terra Nua. Laudo de Avaliação. Sobre a desconsideração do VTN declarado pelo recorrente, a DRJ/CGE, apesar de reconhecer a existência do laudo acompanhado de ART/CREA, sustenta que "o laudo técnico apresentado não é suficiente para afastar a tributação com base no VTN apurado pela fiscalização a partir de valor constante no SIPT, com amparo no art. 14 da Lei n.º 9.393/1996" (efl. 166). Por sua vez, o recorrente alega que o Laudo de Avaliação apresentado não padece de nenhum vício que justifique sua rejeição sumária. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, Fl. 196DF CARF MF 4 considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993 Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; (capacidade potencial da terra) [...] § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. Assim, entendo que assiste razão ao recorrente neste quesito, isto porque o VTN por hectare de R$ 20.739,10 utilizado para o cálculo do imposto, extraído do SIPT, referese à média do VTN das DITRs processadas no Exercício em questão para o município de Nova Lima/MG, conforme informado à efl. 10, não leva em consideração a aptidão agrícola do imóvel, razão pela qual o arbitramento deve ser desconsiderado por desatender o disposto no art. 14, § 1º da Lei nº 9.396, de 1996, c/c art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. Nesse mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, nos termos do Acórdão nº 9202003.749, em sessão de 29/01/2016, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Assim, deve prevalecer o VTN constante de Laudo de Avaliação apresentado pelo recorrente, no valor de R$ 425.544,66. Conclusão Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10680.724496/201113 Acórdão n.º 2301004.865 S2C3T1 Fl. 196 5 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento para considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.933420/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.746
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT HARALD S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 34 20 /2 00 9- 88 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.933420/200988 Acórdão n.º 3402003.746 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.933420/200988 Acórdão n.º 3402003.746 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.933420/200988 Acórdão n.º 3402003.746 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.933420/200988 Acórdão n.º 3402003.746 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 121DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.720993/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 05/11/2008 a 10/06/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DISPONIBILIDADE DOS RECURSOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO EXTERIOR.
A não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior justifica a presunção de interposição fraudulenta, a qual, entretanto, é juris tantum, ou seja, admite prova em contrário.
NÃO APRESENTAÇÃO OU NÃO MANUTENÇÃO, EM BOA GUARDA E ORDEM, DE DOCUMENTOS DE INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO.
O importador tem a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentá-los à fiscalização aduaneira quando exigidos. A declaração de importação será instruída com os documentos originais a que se refere o art. 553, do RA. A ausência desses documentos nos termos legais, constituem-se em fatos sancionáveis com a multa prevista no art. 70, II, b, item 1 da Lei nº 10.833/03 (art. 710 do Decreto nº 6.759/2009).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DADOS CONTÁBEIS EM MEIO MAGNÉTICO.
A não entrega dos arquivos contábeis-fiscais em meio magnético na forma definida pela legislação, dá azo a aplicação da multa a que alude o art. 12 da Lei 8.218/91.
Recursos de ofício e voluntário negados.
Numero da decisão: 3402-003.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário.
assinado digitalmente
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DISPONIBILIDADE DOS RECURSOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO EXTERIOR. A não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior justifica a presunção de interposição fraudulenta, a qual, entretanto, é juris tantum, ou seja, admite prova em contrário. NÃO APRESENTAÇÃO OU NÃO MANUTENÇÃO, EM BOA GUARDA E ORDEM, DE DOCUMENTOS DE INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. O importador tem a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentá los à fiscalização aduaneira quando exigidos. A declaração de importação será instruída com os documentos originais a que se refere o art. 553, do RA. A ausência desses documentos nos termos legais, constituemse em fatos sancionáveis com a multa prevista no art. 70, II, “b”, item 1 da Lei nº 10.833/03 (art. 710 do Decreto nº 6.759/2009). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DADOS CONTÁBEIS EM MEIO MAGNÉTICO. A não entrega dos arquivos contábeisfiscais em meio magnético na forma definida pela legislação, dá azo a aplicação da multa a que alude o art. 12 da Lei 8.218/91. Recursos de ofício e voluntário negados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 09 93 /2 01 2- 93 Fl. 2530DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Presidente. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão a quo, vazado nos seguintes termos: As multas calculadas sobre o valor aduaneiro, tem base em uma lista de declarações de importação (DI) registradas no período de 05/11/2008 a 10/06/2011, conforme fls. 65/66 (multa de 100%) e 68/69(multa de 5%); A fiscalização informa (fls. 6) que as infrações foram identificadas por ocasião da aplicação de procedimento especial de fiscalização previsto na IN SRF Nº 228, de 2002. A fiscalização, as fls. 7 a 11 sistematiza dados pelos quais informa da existência de uma série de termos de intimação e reintimação efetuadas ao contribuinte e destaca o atendimento parcial ou não atendimento satisfatório destas pelo contribuinte, ocorridos no período de 11/07/2011 até 07/03/2012; A fiscalização, as fls. 11 a 25, lista cada um dos documentos entregues pela autuada e executa análises sobre as alegadas irregularidades que levaram a conclusão da não comprovação da efetiva transferência e disponibilidade dos recursos empregados no comércio exterior, das quais apresenta destaques negritados para cada item sobre os fatos que considera relevantes. As fls. 25 lista os itens das intimações, os quais entende não atendidos pela autuada: “Em resumo, conforme exposto acima, o contribuinte não atendeu a intimação e reintimação de forma satisfatória, atendendo integralmente, apenas, 11 itens (1, 2, 3, 4, 9, 11, 12, 14, 20, 22 e 29), não atendendo integralmente 9 itens (5, 10, 13, 19, 27, 28, 30, 31 e Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 12466.720993/201293 Acórdão n.º 3402003.774 S3C4T2 Fl. 2.531 3 33) e não atendendo a 13 (6, 7, 8, 15, 16, 17, 18, 21, 23, 24, 25, 26 e 32) dos 33 itens com exigências.” A fiscalização caracteriza o quadro probatório e fundamentos legais que entende relevantes para a autuação relativos a: Interposição fraudulenta, as fls. 26 a 35; Não comprovação da integralização do capital social, da inexistência de fato e da baixa de ofício da autuada, as fls. 35 a 39; Não comprovação da disponibilidade dos recursos, a situação irregular da empresa nas operações de comércio exterior e sobre o que define como “fluxo financeiro deficitário” da autuada, as fls. 40 a 61; “falsidade de documentos necessários ao embarque ou desembaraço”, as fls. 61 a 64; Ocorrência do dano ao erário e a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro, as fls. 64 a 66; Descumprimento da obrigação de manter em boa guarda os documentos ou de apresentálos a fiscalização quando exigido e a falta de entrega dos arquivos digitais solicitados, as fls. 66 a 72; A fiscalização informa (fls. 72) que decorrente da constatação de que a GATE DO BRASIL não comprovou a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior, foram lavradas 02 representações, sendo a primeira para fins de inaptidão do CNPJ e a outra para fins penais, nos termos da legislação em vigor. A GATE DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, apresenta sua peça impugnatória as fls. 1919 a 2001, trazendo documentos conforme lista de anexos descrita as fls. 2000, nos seguintes termos: Em sede de preliminar requer: Reconhecimento da tempestividade da impugnação. Anulação do lançamento por desvio de poder dos auditoresfiscais no procedimento de fiscalização e na lavratura dos autos, se referindo ao “modus operandi” da fiscalização na prática de seus atos. Nulidade dos autos, decorrente da inobservância das formalidades essenciais, por ausência de numeração das páginas. Nulidade dos autos por ausência de provas, alegando que: “Sem as provas, fica preterido o direito de defesa da recorrente, o que implica a nulidade da presunção” Relativamente a análise da fiscalização sobre a “boa guarda e apresentação dos documentos”, requer “nulidade da acusação por cerceamento do direito de defesa”.(fls. 1.993) Nos quesitos de mérito alega: Fl. 2532DF CARF MF 4 As fls. 1931 a 1957, que houve regularidade do atendimento das intimações pela impugnante e das legítimas justificativas apresentadas, apresentando explicações que pretendem contestar os itens listados pela fiscalização as fls. 25. As fls. 1957 a 1974, questiona a conclusão da fiscalização sobre a “comprovação da integralização do capital social”; A partir das fls. 1975 questiona os elementos que levaram a conclusão da fiscalização sobre a existência de interposição fraudulenta, destacando os seguinte pontos: As fls 1975, justifica que a “pulverização das vendas – característica inequívoca da ausência de predestinação das mercadorias” As fls. 1979, “inexistência de dano ao erário – ausência de interesse de quebra da cadeia de incidência do IPI”, pois “a grande maioria dos clientes da impugnante (cerca de 90%) são empresas optantes pelo simples” As fls. 1983, alega a prescrição da pretensão punitiva relativa a atos praticados anteriormente a 21 de março de 2007; As fls. 1984, questiona elementos que levaram a conclusão da fiscalização sobre o “fluxo financeiro” da empresa, em 03 pontos que cita “PLANILHA IMPRESTÁVEL COMO PROVA, TENTATIVA FRUSTADA DE ENGODO DOS JULGADORES e MÁFÉ DA FISCALIZAÇÃO AO ACUMULAR OS “AJUSTES” NA PLANILHA”. As fls. 1991, pela “inexistência de presunção de documentos falsos”; As fls. 1994, pela “inexigibilidade de conduta diversa”, pois alega que os documentos originais foram entregues a Receita Federal ou aos Recintos Alfandegados, logo houve “cumprimento do dever legal”. As fls. 1999, protesta pela realização de perícia e indica motivos, apresenta quesitos e indica pessoa para atuar na condição de assistente técnico para executála: “d) por eventualidade, seja determinada a realização de perícia nos registros e lançamentos financeiros da impugnante, assim como nos demonstrativos elaborados pela fiscalização;” “394 A perícia é necessária para se permitir o exercício do direito ao contraditório, uma vez que o auditorfiscal elaborou relatórios com inúmeros equívocos, desconsiderando diversos contratos de financiamento apresentados e explicações feitas pela empresa, sendo portanto um aspecto eminentemente fático e que requer conhecimentos técnicos especializado” As fls. 2.000, a autuada informa a lista de anexos a sua peça impugnatória: “I. Procuração, atos constitutivos e cópias dos documentos dos procuradores II. Comprovante de entrega dos correios III. Relação de clientes da Gate IV. Declaração de imposto de renda dos sócios V. Informações fiscais do contribuinte VI. Balancetes trimestrais de apuração VII.Contratos de mútuo firmado com a empresa Marchesan Representações Comerciais Ltda.; VIII. Contrato de Adesão a Produtos de Pessoa Jurídica do Banco do Brasil; IX. Contratos de financiamento com o HSBC Bank X. Extratos bancários da Gate indicados na impugnação XI. Extrato da conta da sócia Renata atestando integralização do capital social; Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 12466.720993/201293 Acórdão n.º 3402003.774 S3C4T2 Fl. 2.532 5 XII. Recibo elaborado pela empresa nas operações por conta e ordem com demonstrativo de formação de preços, onde constam as despesas e os custos da operação XIII. Fluxos financeiros revisados XIV. Quesitos para o perito” Diligência Em razão da impossibilidade de conhecer dos documentos entregues pela autuada juntamente a sua peça impugnatória, por não estarem legíveis ou por apresentarem indícios de falta, conforme Despacho às fls. 2.374/2.375, este processo foi baixado em diligência, tendo retornado depois da anexação dos documentos às fls. 2.398/2.439, o que possibilita a continuidade de sua análise em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa. A DRJ em Florianópolis, em 30/10/2014, julgou parcialmente procedente a impugnação (fls. 2475/2496), mantendo apenas a multa por não manutenção em boa guarda a documentação de importação (art. 70, II, b, I, da Lei 10.833/2003) e a multa por não entrega dos arquivos contábeis em meio digital de 2008 e 2011 (Art. 12, III, da Lei 8.218/90). Tendo sido exonerada a multa aplicada com arrimo § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, no valor histórico de R$ 2.035.524,00, foi interposto recurso de ofício nessa matéria. Não resignada com a decisão a quo que manteve as multas administrativas, a autuada interpôs recurso voluntário (fls. 2502/2506), no qual, em suma, alega que foi cerceado seu direito por não ter a fiscalização especificado quais documentos deixaram de ser apresentados. Acresce que os documentos originais foram entregues à própria Receita Federal ou aos recintos alfandegados e os que não o foram foi porque ela não teria a obrigatoriedade de fazêlo. Assevera que jamais "recebeu vias originais desses conhecimentos ou das faturas". Quanto à multa pela não entrega dos arquivos magnéticos, consigna que esses arquivos foram devidamente entregues e recebidos "sem qualquer ressalva", pelo que entende não razoável a aplicação daquela. Pede, alfim, a decretação de insubsistências das multas aplicadas. É o relatório. Voto RECURSO DE OFÍCIO Valhome dos fundamentos da r. decisão nesse tópico, as quais adoto como minhas razões para decidir o recurso de ofício quanto à questão da interposição fraudulenta. Assim sendo, concluise que será necessário analisar se a interposição ficou caracterizada, conforme tese da fiscalização, pela não comprovação da transferência e disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior. Diferentemente do que pretende a autuada, a não comprovação, quando instada pelo fisco, da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, segundo § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, implica em presunção legal da prática de interposição fraudulenta, ocasionando o dano ao erário e sujeitando as mercadorias a aplicação da pena de perdimento, ou multa equivalente ao valor aduaneiro, na importação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Não se trata de presunção pessoal da fiscalização, porém de ordem legal entretanto, sendo de caráter "juris tantum", admitindo prova em contrário, que deve ser Fl. 2534DF CARF MF 6 apresentada por parte da GATE, a quem cabe, caso acusada, comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas suas operações de comércio exterior. Neste ponto podese concluir a partir do texto extraído da intimação as fls. 88 a 94, que esta era bem clara e específica nos itens 6, 7, 8, 24 e 25, sobre sua pretensão durante o procedimento de fiscalização que se iniciava, ou seja, de que buscava juntamente a GATE documentos que lastreassem os recursos empregados nas operações de comércio exterior. “6. Apresentar documentação, hábil e idônea, coincidente em datas e valores que comprove a efetiva transferência dos recursos dos sócios à empresa, a fim de integralizar o capital em todas as suas alterações, tais como cheque microfilmado, comprovante de depósito autenticado, extrato bancário, comprovantes de TED/DOC e outros equivalentes. Os documentos apresentados deverão demonstrar a saída dos recursos da conta dos sócios (ex: extrato bancário) e a entrada desses recursos na conta da empresa. Caso o recurso tenha origem diversa da do sócio (empréstimos), identificar a pessoa física ou jurídica agente financiador da operação e comprovar a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência de seus recursos; 7. Apresentar documentação, hábil e idônea, coincidente em datas e valores que comprove a transferência dos recursos dos sócios incluídos aos sócios excluídos, nas alterações do quadro societário. Caso o recurso tenha origem diversa da do sócio, identificar a pessoa física ou jurídica agente financiador da operação e comprovar a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência de seus recursos. 8. Apresentar documentação comprobatória dos valores transferidos pela empresa aos sócios, a qualquer título; ... 24. Informar por escrito sobre a atividade dos sócios e dos procuradores do contribuinte em outras empresas: como gerente, cotista, com vínculos empregatícios ou outros; 25. Apresentar as declarações de renda e bens e direitos dos sócios da empresa, referentes aos exercícios de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011 (anoscalendário 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010); ... O que se verifica ao longo dos autos é que durante o procedimento de fiscalização, não houve o registro da entrega de todos os documentos hábeis que pudessem comprovar a integralidade dos lançamentos contábeis, pois a autuada entendia, "contrario sensu" ao previsto no art. 26, citado, que não seria obrigada a entregálos, conforme se extrai de parte dos textos da sua pugna as fls. 1952, item 163; 1954, item 176, : “ 163 Sobre a não apresentação da totalidade dos contratos de câmbio (item 27), ......... Além disso, tais informações constituem sigilo bancário, mas uma vez não podendo ser exigido da empresa”. Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 12466.720993/201293 Acórdão n.º 3402003.774 S3C4T2 Fl. 2.533 7 “176 Ocorre que os dados relativos ao arremate ou liquidação dos financiamentos estão devidamente contabilizados e, ainda são protegidos pelo sigilo fiscal, não sendo obrigação da autuada de apresentálos” O autuado, em sua pugna, ao mesmo tempo que protesta pelo sigilo dos dados bancários para não entregálos a fiscalização, apresenta a tese favorável de que, por meio de RMF, esta poderia obter os dados pretendidos e assim verificar disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, ou seja, tenta inverter o ônus da prova sem fundamento legal para tanto. Apesar de no curso do procedimento de fiscalização estar caracterizada a insistência da GATE, em não apresentar extratos bancários e outros documentos relevantes, traz estes anexos a sua pugna na tentativa de provar a transferência e disponibilidade dos recursos e desconstruir a tese da autuação, sendo eles: declaração anual de ajustes do Imposto de Renda anocalendário de 2010, exercício de 2011, dos sócios MARINA Lellis (fls. 2.123/2.128); RODOLPHO Alexandre (fls. 2.129/2.134); e RENATA Helena (fls. 2.135/2.141) extrato da conta corrente do sócio RODOLPHO, do banco HSBC, do dia 09 e 10/03/2011(Fls. 2291); cópia do Balancete Analítico do período de julho/2008 a Dezembro/2011 (2.244/ 2.242); extratos da conta corrente da Pessoa Jurídica GATE, para os seguintes períodos e bancos: Banco do Brasil – 28/11 a 31/12/2008 (fls. 2.248/2.249); HSBC – 01/09 a 30/09/2008 (fls. 2.251 a 2.252); HSBC – 01/12 a 29/12/2008 (fls. 2.253); Banco do Brasil – 30/12/2008 a 30/04/2009 (fls. 2.254/2.257 e 2.260/2.261); HSBC – 05/02 a 25/02/2009 (fls. 2.264), 04/05 a 24/09/2009 (fls. 2.265 a 2.270), e 03/11 a 26/12/2009 (fls. 2.271 a 2.272); HSBC – 26/02 a 30/04/2010 (fls. 2.273/2.275) e 30/06 a 30/12/2010(fls. 2.277/2.284); Banco Itaú (investimentos) – 15/10 (fls. 2.285); HSBC – 31/12/2010 a 26/01/2011 (fls. 2.286/2.287); Banco do Brasil – 31/01 a 22/03/2011 (fls. 2.288/2.290); Banco Itaú – 29/12/2010 a 31/01/2011 (fls. 2.292/2.293) e 24/02 a 31/03/2011 (fls. 2.294/2.295). Contrato Giro Fácil / Conta empresarial de 30/09/2008 (fls. 2.409); Contrato de crédito rotativo – Banco do Brasil (fls. 2.405/2.407); Contrato de Mútuo com Marchezan Representações Comerciais (2.402/2.403); O que se pôde verificar, inicialmente, foi um quadro probatório apresentado pela fiscalização para defender a sua tese de que houve ausência de comprovação de integralização de parte do capital social (20%), ou seja, do valor de R$ 20.000,00, que teriam sido entregues em espécie pela sócia majoritária, dinheiro este depositado na conta corrente da empresa, conforme informa a impugnante nos itens 202 a 287, as fls. 1957 a 1974 . Fl. 2536DF CARF MF 8 Diante dos fatos e documentos apresentados ao longo dos autos, o quadro probatório leva a concluir que não há controvérsia quanto a integralização e disponibilidade, por meio de depósito em conta da empresa, dos recursos necessários a formação do capital social, contudo não há documentos que provem a origem dos recursos entregues pela sócia majoritária Renata Aguiar, ou seja os R$ 20.000,00 em espécie. Para tal sócia, somente foram apresentados na pugna da GATE, Declarações de Ajustes Anual do Imposto de Renda, que comprovam bens e valores que possuía a partir do ano de 2009 (fls 2.136/2.141), contudo a integralização ocorreu no ano de 2006. No entanto, o foco principal da atuação se refere a não comprovação de origem, disponibilidade e transferência de recursos para as operações de comércio exterior que, no caso da GATE, se referem a DI registradas a partir de novembro de 2008, período não contemporâneo ao fato. Mesmo que a origem lícita destes recursos da ordem de R$ 20.000,00 para integralização do capital não tenha sido devidamente comprovada, há de se analisar a subsunção do fatos às normas, a qual requer que a “nãocomprovação” seja vinculada a “recursos” “empregados nas operações de comércio exterior”, pois a autuação não se refere a outro fundamento. Podese ver que a fiscalização não logrou êxito em provar a relação histórica desses recursos aportados no ano de 2006, por ocasião da constituição da empresa, aos aplicados operações de comércio exterior da GATE realizadas a partir do ano de 2008. Conforme se extrai do próprio relatório fiscal, para vários lançamentos escriturados no Livro Razão, confrontados com outros documentos, tais quais comprovantes de operações comerciais realizadas pela GATE ( Notas fiscais, DANFE, etc), a conclusão da fiscalização foi de que não houve prova da transferência e disponibilidade dos recursos, por ausência de documento hábil que os lastreasse, neste caso, os extratos bancários das contas da pessoa jurídica. A fiscalização também aponta o que aduz como divergências de valores e datas em algumas operações comerciais da GATE, escrituradas no Livro Razão, sistematizando estes fatos (fls. 42 a 58), resumindoos em uma tabela (fls. 57/58) intitulada “totalização mensal dos lançamentos não comprovados documentalmente”, referindose ao período que compreende os meses de outubro de 2008 a março de 2011. A fiscalização chega a elaborar planilha (fls. 58/59) construindo um fluxo de caixa com o intuito de provar a indisponibilidade dos recursos no período de registro das DI, por meio de glosa de valores, sem êxito, pois decorrente da análise dos livros fiscais e dos extratos de conta corrente, verificase que há provas de disponibilidade de diversos recursos, ou seja, havia disponibilidade financeira para a GATE executar suas operações, mesmo existindo algumas divergências sobre as datas de sua escrituração. A fiscalização aceita que a GATE realizou operações comerciais, que recebeu valores, porém, decorrente da ausência de extratos de conta corrente, conclui que não houve prova da transferência e disponibilidade dos recursos. Quanto à tabela “totalização mensal dos lançamentos não comprovados documentalmente”, a GATE traz a sua pugna (fls. 1987/1989) uma tabela comparativa, lastreada em extratos de suas contas correntes, em contratos de crédito com o Banco do Fl. 2537DF CARF MF Processo nº 12466.720993/201293 Acórdão n.º 3402003.774 S3C4T2 Fl. 2.534 9 Brasil e HSBC, além de outras provas, pelos quais comprova a transferência e disponibilidade dos recursos. A fiscalização também aponta o que aduz como divergências de valores e datas em algumas operações comerciais da GATE, escrituradas no Livro Razão, sistematizando estes fatos (fls. 42 a 58), resumindoos em uma tabela (fls. 57/58) intitulada “totalização mensal dos lançamentos não comprovados documentalmente”, referindose ao período que compreende os meses de outubro de 2008 a março de 2011. A fiscalização chega a elaborar planilha (fls. 58/59) construindo um fluxo de caixa com o intuito de provar a indisponibilidade dos recursos no período de registro das DI, por meio de glosa de valores, sem êxito, pois decorrente da análise dos livros fiscais e dos extratos de conta corrente, verificase que há provas de disponibilidade de diversos recursos, ou seja, havia disponibilidade financeira para a GATE executar suas operações, mesmo existindo algumas divergências sobre as datas de sua escrituração. A fiscalização aceita que a GATE realizou operações comerciais, que recebeu valores, porém, decorrente da ausência de extratos de conta corrente, conclui que não houve prova da transferência e disponibilidade dos recursos. Quanto a tabela “totalização mensal dos lançamentos não comprovados documentalmente”, a GATE traz a sua pugna (fls. 1987/1989) uma tabela comparativa, lastreada em extratos de suas contas corrents, em contratos de crédito com o Banco do Brasil e HSBC, além de outras provas, pelos quais comprova a transferência e disponibilidade dos recursos. A GATE apresenta inclusive cópias de contratos de concessão crédito automáticos (HSBC e Banco do Brasil), que garantem, um tipo de “limite” extra na conta corrente, similar ao de cheque especial , além dos extratos da conta corrente demonstrando o uso desses recursos ao longo dos anos mediante pagamento de juros. Para justificar origem de recursos de R$ 25.000,00, traz declaração de ajuste anual de imposto de renda ( fls. 2.133) entregue a Receita Federal, do sócio RODOLPHO, para demonstrar que este possuía recursos, em espécie, o que viria justificar sua origem, além da prova, por meio de extrato da conta corrente do dia 09 e 10/03/2011(Fls. 2291), da transferência dos recursos a GATE e de sua disponibilidade; Para os recursos contabilizados no Livro Razão, R$ 127.000,00 (fls. 55), que teriam sido obtidos a título de mútuo firmado com a MARCHESAN REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA, a qual não seria, segundo a fiscalização, pessoa jurídica cujo objeto seja a concessão de empréstimos, a GATE reapresenta o contrato de mútuo e extrato de sua conta corrente para provar que, diferentemente do que alega a fiscalização, pode provar a transferência e disponibilidade dos recursos (fls. 2.288). Sendo assim, verificase que: a fiscalização lastreou sua tese de que a GATE não havia provado a transferência e disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior do período pela ausência de documentos hábeis, construindo uma tabela de “fluxo negativo de caixa”, sem, contudo, tratar da questão relativa a origem dos recursos empregados; e Fl. 2538DF CARF MF 10 a GATE trouxe à sua pugna documentos que comprovaram a transferência e disponibilidade dos recursos empregados na operações de comercio exterior do período autuado, ou seja, de que não havia a situação definitiva como “fluxo negativo de caixa”. Logo, há de se concluir que não restou caracterizada a infração de interposição fraudulenta, conforme § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, pois, contrariamente a tese da atuação, restou provada a transferência e disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior do período atuado. Com base nesses fundamentos, nego provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Quanto à preliminar de cerceio de defesa, é de ser rechaçada, pois o extenso relato fiscal deixou bem evidenciado toda dificuldade em receber os documentos, em relação aos quais a empresa foi intimada a apresentálos no curso do procedimento fiscal, e nele está bem claro quais os documentos que não foram apresentados, assim como o não atendimento quanto à forma magnética que os documentos deveriam ter sido apresentados e não o foram. Vejase que o contribuinte teve ciência da ação fiscal e com a intimação para apresentação de vários documentos em 21/06/2011, e até o mês de dezembro/2011 ainda não tinha atendido a toda solicitação do Fisco, o que, por si só, denota sua falta de diligência em prover os documentos solicitados pela fiscalização, o que é seu dever legal. Várias prorrogações de prazo lhe foram deferidas e mesmo assim, normalmente, o solicitado foi sendo atendido a conta gotas, o que fica muito bem delineado no relato fiscal. Em 28/09/2011 o contribuinte apresentou em meio digital os livros Diário e Razão referente ao ano de 2011 em formato PDF. Não o apresentou, porém, em meio físico, devidamente assinado pelo responsável da empresa, como deveria (RESPOSTA 28 09 2011). Importante destacar que esses arquivos foram apresentados visando atender ao quesito 12 do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO 201100413001, para entrega dos livros. De forma alguma supriram o quanto demandado no quesito 13, para entrega de arquivos digitais nos termos da IN SRF Nº 86/2001, pois não atendem à forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas exigidos pela referida IN. ... No dia 01/11/2011, o contribuinte informou que ainda não tinha conseguido gerar os arquivos contábeis (item 4.1 do anexo do ADE COFIS Nº15/2011), ou seja, passados mais de 4 meses do Termo de Início de Fiscalização, a GATE não foi capaz de gerar os arquivos contábeis para o período de 2008 e 2011 exigidos em norma legal. Nesta mesma data apresentou o arquivo de Itens de Mercadorias/Serviços (item 4.3.2 do anexo do ADE COFIS Nº15/2011), já declarando estarem com inconsistências, ou seja, também não foi capaz de gerar um arquivo No dia 02/12/2011, o contribuinte foi cientificado do TERMO DE INTIMAÇÃO Nº 201100413005 (TIF 2011 00413 005), no qual é exigida a apresentação de documentação hábil e idônea Fl. 2539DF CARF MF Processo nº 12466.720993/201293 Acórdão n.º 3402003.774 S3C4T2 Fl. 2.535 11 que dê suporte aos lançamentos relacionados no termo. É exigida, ainda, a apresentação das Declarações de Importação na modalidade por conta própria acompanhadas dos documentos obrigatórios de instrução, nos termos do art. 553 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro). ... Em 25/01/2012, o contribuinte, pela 6ª vez, apresentou pedido de prorrogação de prazo de 7 dias para atendimento do TERMO DE REINTIMAÇÃO Nº 201100413 006 (PEDIDO DE PRORROGAÇÃO 25 01 2012). No dia 13/02/2012, o contribuinte apresentou documento de resposta ao TERMO DE REINTIMAÇÃO Nº 201100413006 (RESPOSTA 13 02 2012). Em anexo a este documento, a GATE apresentou faturas e conhecimentos de transporte originais de algumas poucas Declarações de Importação, não atendendo de forma satisfatória o quanto demandado (ANEXO RESPOSTA 13 02 2012). ... Declarou o contribuinte que apresentou “todos os contratos de câmbio” (item 27 do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO Nº 201100413001). Mais uma declaração falsa. Em meio a 81 operações de comércio exterior registradas, a GATE apresentou apenas 14 contratos de câmbio em documento de resposta de 01/08/2011 (RESPOSTA 01 08 2011) e mais 5 contratos de câmbio em documento de resposta de 27/09/2011 (RESPOSTA 27 09 2011), totalizando apenas 19 contratos de câmbio entregues. ... Apresentar contratos de compra e venda, ou outros, bem como todas as alterações, celebrados entre o contribuinte e as empresas nacionais (adquirentes de mercadorias importadas ou remetentes de mercadorias para exportação); Comentário: No dia 22/09/2011, o contribuinte não apresentou nenhum contrato e afirmou que “A GATE não possui contrato com seus clientes, como é prática de qualquer distribuidora”. Portanto, à toda evidência, o Fisco demonstrou inequivocamente quais os documentos obrigatórios que não foram entregues à fiscalização, o nos faz refutar a alegação de que não teria sido apontado em específico quais documentos não teriam sido entregues. E certo também que a recorrente prejudicou a celeridade e o bom andamento da ação fiscal. MULTA POR NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS RELATIVOS ÀS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO Foi aplicada multa proporcional de 5% do valor aduaneiro de importações realizadas relativas às DI listadas as fls. 68/69, conforme alega a fiscalização, pelo importador não ter apresentado, quando exigidos, os documentos relativos a transações que realizou, nos Fl. 2540DF CARF MF 12 termos da alínea “b” do inciso I do art. 70 e do caput do 71 da Lei n° 10.833/2003, replicado no RA nos seguintes termos: Art. 710. Aplicase a multa de cinco por cento do valor aduaneiro das mercadorias importadas, no caso de descumprimento de obrigação referida no caput do art. 18 (acima transcrito), se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras. O artigo 18 do Regulamento Aduaneiro (com redação do art. 70, da Lei 10.833/2003) é bem claro quanto à obrigação da manutenção dos documentos, dentro do prazo decadencial que deram suporte às operações de importação/exportação. Vejase a redação dessa norma: Art. 18 – O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentá los à fiscalização aduaneira quando exigidos. No mesmo sentido, versa o art. 195, do CTN, quanto à guarda dos documentos fiscais. Verificase que o relatório fiscal demonstra uma ausência parcial do atendimento das intimações por parte do fisco, especificamente quanto aos documentos que ampararam as operações de importação listadas às fls. 68/69. Segundo a fiscalização, “Em resumo, conforme exposto acima, o contribuinte não atendeu a intimação e reintimação de forma satisfatória, atendendo integralmente, apenas, 11 itens (1, 2, 3, 4, 9, 11, 12, 14, 20, 22 e 29), não atendendo integralmente 9 itens (5, 10, 13, 19, 27, 28, 30, 31 e 33) e não atendendo a 13 (6, 7, 8, 15, 16, 17, 18, 21, 23, 24, 25, 26 e 32) dos 33 itens com exigências.” A GATE, na condição de importador, é sujeito ao cumprimento da obrigação acessória de boa guarda e ordem dos documentos, e entrega destes à fiscalização quando solicitado. Diferentemente do que aduz a recorrente, os documentos entregues à Receita Federal por ocasião dos despachos de importação, devem ser guardados pelo prazo previsto na legislação. Portanto, estreme de dúvidas que existe a obrigação legal da GATE, na qualidade de importador, de apresentar à fiscalização aduaneira os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, quando exigidos, sujeitando, em caso de descumprimento desta obrigação acessória a multa aplicada de 5% sobre o valor aduaneiro. Com efeito, é de ser mantida esta multa. MULTA POR NÃO ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS Segundo a fiscalização, a GATE deixou de entregar os arquivos contábeis dos períodos de 2008 e 2011. A Lei nº 8.218, de 1991, em seu art. 11 e respectivos parágrafos, dispôs sobre a entrega de arquivos digitais a Receita federal: Fl. 2541DF CARF MF Processo nº 12466.720993/201293 Acórdão n.º 3402003.774 S3C4T2 Fl. 2.536 13 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). O art. 12 e respectivos parágrafos, de mesmo ato legal, trouxe a previsão da penalidade a ser aplicada no caso de descumprimento da obrigação acessória de entrega dos arquivos digitais. A IN SRF nº 86, de 2001, trouxe a forma e prazos para apresentação dos arquivos digitais e sistemas utilizados por pessoas jurídicas e determina nos seus art. 1º e 2º, reproduzidos na decisão a quo. Neste caso, verificase que os arquivos contábeis para os períodos de 2008 e 2011 não foram entregues, mesmo depois de devidamente intimada a GATE. Logo, cabe a multa aplicada que, foi calculada pelo seu valor máximo, em 1% da Receita Bruta, resultante do fato de a empresa ter ultrapassado o período de 50 dias sem o cumprimento da obrigação especificamente quanto a entrega das demonstrações contábeis em meio digital, conforme prevê a legislação em vigor, considerando apenas os anos citados. Sem embargo, também mantenho esta multa. CONCLUSÃO Forte em todo o exposto, nego provimento aos recursos de ofício e voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire relator Fl. 2542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726184/2015-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF. CARNÊ-LEÃO.
O crédito de imposto pago por intermédio de carnê-leão é aproveitado no ano-calendário a que se refere.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente ENY MAGALHÃES GANDRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 IRPF. CARNÊLEÃO. O crédito de imposto pago por intermédio de carnêleão é aproveitado no anocalendário a que se refere. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 84 /2 01 5- 22 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF no valor de R$ 1.000,00, acrescido de multa de mora e juros de mora (fls. 4/6), referente a glosa do valor de R$ 1.000,00, indevidamente compensado a título de carnêleão, relativo à diferença entre o valor de declarado de R$ 12.000,00 e o recolhido de R$ 11.000,00. A contribuinte impugnou o lançamento alegando que o valor de R$ 1.000,00 referese ao recolhimento efetuado no CPF do titular da declaração. A DRJ/JFA julgou improcedente a impugnação (Acórdão de fls. 36/39), mantendo o crédito tributário. Conta do voto que: O imposto relativo ao carnêleão é calculado mediante a aplicação da tabela progressiva mensal, vigente no mês do recebimento do rendimento, sobre o total recebido no mês, observado o valor do rendimento bruto relativo a cada espécie, devendo ser recolhido até o último dia útil do mês subsequente ao do recebimento do rendimento, com o código 0190. Atenta a isso, a autoridade revisora considerou como pagamentos de carnêleão, passíveis de integrar a DIRPF do exercício 2014, aqueles com vencimento entre fevereiro/2013 e janeiro/2014, uma vez que, em geral, os pagamentos com data de vencimento em janeiro/2013 seriam relativos a rendimentos recebidos em dezembro/2012. [...] Ocorre que, numa análise mais criteriosa desse DARF, é possível verificar que, efetivamente, houve um equívoco de preenchimento cometido pela interessada. Ora, de acordo com as instruções de preenchimento para esse documento, no caso de pagamento do carnêleão, no campo 02 – período de apuração – deve ser informado o último dia, mês e ano referente ao recebimento do rendimento e no campo 06 – data de vencimento – deve constar o dia, mês e ano do vencimento do imposto. Exemplificando, para rendimentos recebidos em março/2013, no campo 02: 31/03/2013 e no campo 06: 30/04/2013. Todavia, no DARF anteriormente reproduzido, observase que as datas constantes dos campos 02 e 06 são coincidentes – 31/01/2013. Tal equívoco foi cometido ainda para os demais recolhimentos ocorridos durante o anocalendário de 2013, conforme se observa na tabela de fl. 30, a seguir reproduzida: Ainda que se admita a possibilidade de que a contribuinte informava corretamente o período de apuração, equivocando se na data de vencimento, o pagamento efetuado em 31/01/2013 foi efetivamente utilizado na DIRPF/2013, conforme relatado na Notificação de Lançamento nº 2013/455832125463919: (grifo nosso) Fl. 63DF CARF MF Processo nº 15504.726184/201522 Acórdão n.º 2401004.530 S2C4T1 Fl. 63 3 Cientificado do Acórdão em 22/10/15 (Aviso de Recebimento AR de fl. 42), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/11/15, fls. 45/46, que contém, em síntese: Diz que percebeu seu erro ao lançar em todos os campos da DARF aquela em que estava efetuando o pagamento, o que pode ser constatado pelas DARFs de outros meses. Entende que como houve o efetivo pagamento para a competência jan/13, havendo apenas incorreção no preenchimento do campo "data do vencimento". Solicita que seja retificado o vencimento da DARF, em vez de 31/1/13, o correto seria 28/2/13, a fim de que o sistema da RFB possa considerar este recolhimento como sendo referente ao anocalendário 2013. Pede o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 64DF CARF MF 4 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DARF Ainda que fosse possível a retificação da data de vencimento na DARF, como pede a contribuinte, tal valor não poderia ser apropriado como crédito no presente processo. Vêse que a contribuinte não atentou para o penúltimo parágrafo do Acórdão recorrido, onde consta que: Ainda que se admita a possibilidade de que a contribuinte informava corretamente o período de apuração, equivocandose na data de vencimento, o pagamento efetuado em 31/01/2013 foi efetivamente utilizado na DIRPF/2013, conforme relatado na Notificação de Lançamento nº 2013/455832125463919: Ora, se o valor pago por meio de carnêleão foi considerado como crédito da contribuinte no anocalendário 2012 (exercício 2013), ele jamais poderia ser novamente aproveitado no anocalendário 2013 (exercício 2014). CONCLUSÃO Voto por conhecer do recurso, NEGANDOLHE provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.720267/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL.
A declaração de área de interesse ecológico em laudo pericial oficial produzido nos autos de ação judicial é válida para fins de reconhecimento do direito à isenção de tributação da referida área, especialmente quando acompanhada de ADA tempestivo e laudo técnico.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE.
Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Numero da decisão: 2301-004.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento restabelecendo a Área de Interesse Ecológico de 903,4ha e considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora.
EDITADO EM: 23/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2010 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. A declaração de área de interesse ecológico em laudo pericial oficial produzido nos autos de ação judicial é válida para fins de reconhecimento do direito à isenção de tributação da referida área, especialmente quando acompanhada de ADA tempestivo e laudo técnico. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. A declaração de área de interesse ecológico em laudo pericial oficial produzido nos autos de ação judicial é válida para fins de reconhecimento do direito à isenção de tributação da referida área, especialmente quando acompanhada de ADA tempestivo e laudo técnico. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento restabelecendo a Área de Interesse Ecológico de 903,4ha e considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 02 67 /2 01 3- 01 Fl. 311DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente). Relatório Tratase de notificação de lançamento nº 06110/00003/2013 resultante de lançamento suplementar do ITR/2010, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda da Cachoeira” (NIRF 5.454.6427), com área total declarada de 1.293,0ha, localizado no município de Brumadinho/MG, tendo a autoridade fiscal glosado integralmente a área de interesse ecológico de 903,4ha, além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 2.494.714,20, arbitrandoo em R$ 7.038.096,39, conforme demonstrativo de efl. 07. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese que: a) O relatório fiscal atesta a entrega do ADA correspondente à área de interesse ecológico informada na DITR; a existência dessa área é resultado da incidência do Decreto do Estado de Minas Gerais n.º 35.624/94 que criou a área conhecida como APA/SUL, que abarca o imóvel em questão, e é suficiente para suprir a exigência de declaração formal quanto à área de interesse ecológico, prevista no art. 10, 1º, II, “b”, da Lei n.º 9.393/1996; com esse Decreto, o Estado exerceu sua competência constitucional de proteger o meio ambiente (art. 23, VI, CR/88); a partir da norma se irradiam os efeitos concernentes à restrição da propriedade, que, por sua vez, ensejam a exclusão da área da incidência do ITR; apresenta laudo técnico que comprova a vinculação do imóvel à área de interesse ecológico declarada no Decreto n.º 35.624/94; diante da comprovação da materialidade da área protegida e sua informação em ADA, é ilegítima a glosa pretendida pela RFB; b) A apuração do Valor da Terra Nua pela fiscalização baseouse em critérios subjetivos, tendo sido utilizadas informações extraídas do SIPT, sistema ao qual o contribuinte não tem acesso, impossibilitando que ele discorde das informações levantadas e cálculos efetuados pelo Fisco, ainda que tal procedimento tenha base legal; se ao Fisco cabe o dever de lançar, obviamente ele deve comprovar e evidenciar, no ato do lançamento, quais os elementos constituintes da hipótese de incidência, o que, no caso, implicaria na demonstração objetiva dos critérios utilizados para aferição do Valor da Terra Nua; a utilização indiscriminada do SIPT, ao qual o contribuinte não tem acesso, caracteriza flagrante cerceamento do seu direito de defesa, com total afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, entendimento que já foi observado em julgados do Conselho de Contribuintes; c) Ainda que os argumentos anteriores sejam ultrapassados, a avaliação fiscal não deve prevalecer, visto que apresentou laudo técnico elaborado de acordo com normas da ABNT, que atribuiu para o imóvel no Exercício 2010 o VTN de R$ 3.909.217,41, considerando todas as características do imóvel. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13603.720267/201301 Acórdão n.º 2301004.872 S2C3T1 Fl. 312 3 Em 07/10/2013, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande DRJ/CGE, por unanimidade de votos, decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, nos termos do Acórdão nº 0433.753 (efls. 168/179): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 NIRF 5.454.6427 Fazenda da Cachoeira. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar arguições de inconstitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 e cumpridos os requisitos do art. 11 desse Decreto, não prospera a alegação de nulidade do lançamento. ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área declarada em caráter específico, por órgão competente. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique sua alteração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 185/203) repisando as alegações da impugnação. Em 28/03/2016 o recorrente junta Laudo Pericial e sentença (efls. 250/305), referente à ação judicial [(processo nº 3808.11.2011.4.01.3800) que questiona a cobrança de ITR Exercício 2002, em face do imóvel cadastrado sob o NIRF 5.454.6427, em situação objeto e fundamentos semelhantes ao presente] no qual fica confirmado que a totalidade do imóvel localizase dentro dos limites da Área de Proteção Ambiental da Região Sul de Belo Horizonte APA SUL. Continua, que a "peculiaridade que diferencia a discussão já instaurada na esfera judicial e a presente, qual seja a fato de aquela ser referente ao ITR do exercício de 2002, não invalida para esta as conclusões tomadas, à medida que as características atestadas envolvem condição perene do imóvel, sobretudo ante a prevalência da Decreto Estadual/MG Fl. 313DF CARF MF 4 nº 35.624/94 e Lei Estadual/MG nº 1396012001, que estabeleceram unidade de conservação de uso sustentável, denominada APA SUL, ainda vigente". É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do Recurso Voluntário, dele conheço e passo a sua análise. Preliminar de Nulidade O recorrente pleiteia a nulidade da autuação fiscal por cerceamento de defesa sob o argumento de desconhecimento dos critérios utilizados pelo Fisco para arbitrar o valor da terra nua. Entendo que não assiste razão ao recorrente, uma vez que a autuação preenche todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72 e, embora o recorrente não tivesse conhecimento dos valores considerados para a definição do arbitramento pelo SIPT Sistema de Preços de Terra, lhe foi dado o direito de apresentar laudo técnico que confirmasse os valores declarados em sua DITR. Por sua vez, o cerceamento do direito de defesa decorre da impossibilidade de se defender, o que não se verificou no presente caso. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Glosa da Área de Interesse Ecológico Com relação à glosa da área declarada de Interesse Ecológico (903,4 ha), a notificação traz a seguinte justificativa (efl.6): O contribuinte apresentou os documentos discriminados acima, além de : ADA Ato Declaratório Ambiental para o ano de 2010 emitidos no prazo exigido pela legislação vigente e com as áreas de interesse ecológico e preservação permanente informada na DITR/2010. Em relação à área declarada como de interesse ecológico (903,4ha), para ser ela excluída do cálculo do ITR/2010, seria necessária a apresentação do ato de órgão competente federal ou estadual, que a reconhecesse como de interesse ecológico, exigência essa aplicada a partir do exercício de 1997 e prevista na Lei nº 9.393/1996 Por sua vez a turma da DRJ/CGE sustenta a manutenção do lançamento sob a seguinte argumentação (efls.174/175): Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13603.720267/201301 Acórdão n.º 2301004.872 S2C3T1 Fl. 313 5 O fato de o imóvel estar inserido em uma área maior onde há restrições de exploração, nos termos da legislação ambiental, não é suficiente para que suas áreas sejam consideradas isentas de tributação, cabendo a comprovação efetiva das áreas enquadradas nas isenções previstas na legislação tributária. ... O Decreto n.º 35.624/94 do Estado de Minas Gerais, que criou a APA/SUL, não impediu a exploração econômica dos imóveis nela localizados e nem mesmo definiu limites para essa exploração. (...) Não foi juntado aos autos Decreto posterior que tenha definido o zoneamento ecológicoeconômico da APA em questão e as restrições impostas aos imóveis ali localizados. Por fim, impõese destacar que não há comprovação efetiva de que o imóvel ora tratado está integralmente localizado nessa APA, sendo que apenas no laudo técnico de fls. 120 a 130, elaborado por engenheiro agrimensor, constou referência à APA SUL Decreto n.º 35.624/1994 do Estado de Minas Gerais como origem específica das áreas de interesse ecológico indicadas para o imóvel. O laudo técnico citado informa sobre a existência no imóvel de áreas de preservação permanente, devidamente afastadas da tributação pelo ITR, e áreas de interesse ecológico que não foram assim declaradas mediante ato específico do órgão competente, federal ou estadual para a área da propriedade particular. A jurisprudência a seguir transcrita, acórdão AG 2005.01.00.0187053, do TRF1, ilustra bem a necessidade de apresentação de laudo técnico com perfeita descrição das áreas do imóvel que se enquadram nas isenções da Lei n.º 9.393/1996: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ITR IMÓVEL RURAL ÁREA ESTADUAL DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ISENÇÃO (ART. 10, § 1º, II, B, DA LEI Nº 9.393/96): AUSENTE PROVA INEQUÍVOCA (ART. 273 DO CPC) AGRAVO PROVIDO. (...) 4 O simples fato de o imóvel estar, em princípio, localizado dentro de área estadual de "Proteção Ambiental" não induz, só por si, isenção tributária. A Lei nº 9.393/96 (em leitura apropriada) parece reclamar mais. Nãotributáveis seriam, sim, as "partes" de qualquer imóvel rural (encravado ou não em área de proteção ambiental) que, porventura (comprovadamente, na forma da lei), fossem "de preservação permanente"; "de reserva legal"; "de interesse ecológico"; ou "comprovadamente imprestáveis para exploração econômica". 5 Imóvel rural, pois, ainda que localizado em área de proteção ambiental, pode estar sujeito ao ITR, desde que nele estejam contidas glebas de terras economicamente aproveitáveis (com limitações ambientais, que sejam) não enquadráveis na exceção Fl. 315DF CARF MF 6 legal: isenção favor legal reclama interpretação restrita (art. 111, II, do CTN). 6 Decidir em oposto sentido, afastando crédito tributário da ordem de quase R$ 60.000,00, reclama prova inequívoca, aqui ausente, que só ampla instrução poderá, se o caso, evidenciar. (...) (Relator(a): DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, Julgamento: 18/07/2006, Órgão Julgador: SÉTIMA TURMA, Publicação: 04/08/2006, DJ p.76) Do exposto, impõese reconhecer que não há nos autos comprovação efetiva que permita reconhecer a existência no imóvel rural aqui tratado de área não tributável pelo ITR em tamanho maior do que a já considerada no lançamento de ofício. (grifamos) Já o recorrente alega que o Decreto Estadual nº 35.624/96 ato legislativo emanado do Governo do Estado de Minas Gerais , bem como o Laudo Técnico apresentado, com ART registrada no CREA supririam esse requisito. Entendo que as razões de decidir do julgador de primeira instância ficam prejudicadas após a juntada do Laudo Pericial e da decisão proferida no bojo do processo judicial nº 3808.11.2011.4.01.3800. Isto porque: a) o Laudo Pericial (efls. 251/287) informa que toda a extensão da Fazenda da Cachoeira "localizase no interior da Área de Proteção Ambiental Sul da RMBH APASUL (...)" e que "descontados os 775,44 hectares referentes às áreas de preservação permanente, toda a área restante do imóvel (594,98 hectares) é de utilização limitada, não se adequando à atividade agropecuária economicamente viável devido ao seu fracionamento dentre áreas de preservação permanente, às condições físicoquímicas do solo e ao relevo acidentado, servindo para compor a reserva legal do imóvel; e b) a decisão judicial (efls. 288/305) conclui "que o imóvel em questão não possuía área tributável pelo ITR, razão pela qual se revela insubsistente a autuação fiscal...". Conforme consulta ao sítio do TRF1 verificase que a Fazenda Nacional apresentou Apelação em 25/04/2006, encontrandose os autos conclusos para relatório e voto desde 05/08/2016. Entretanto, apesar de a sentença não ter transitado em julgado podendo haver alteração jurisprudencial, não há como se desprezar a validade do laudo técnico pericial ali produzido e juntado ao presente processo. Assim, considerando que referido laudo apurou que toda a extensão da propriedade encontrase em área abrangida pela APA Sul (Decreto Estadual nº 35.624/96), entendo que deve ser restabelecida a área de interesse ecológico de 903,4ha. Valor da Terra Nua. Laudo de Avaliação. Sobre a desconsideração do VTN declarado pelo recorrente, a autoridade lançadora alega que o Laudo de Avaliação do VTN para o exercício de 2010, não estava acompanhado de ART/CREA, razão pela qual será considerado o valor do VTN/hectare estabelecido pelo SIPT da RFB (efl.6) : Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13603.720267/201301 Acórdão n.º 2301004.872 S2C3T1 Fl. 314 7 Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel para o ano de 2010.Entretanto, não consta ART/CREA no Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua razão pela qual será considerado o valor do VTN/hectare estabelecido pelo SIPT da RFB. A DRJ/CGE, apesar de reconhecer a existência do laudo acompanhado de ART/CREA, sustenta que "o laudo técnico apresentado não é suficiente para afastar a tributação com base no VTN apurado pela fiscalização a partir de valor constante no SIPT, com amparo no art. 14 da Lei n.º 9.393/1996" (efl. 178). Por sua vez, o recorrente alega que o Laudo de Avaliação apresentado não padece de nenhum vício que justifique sua rejeição sumária e que laudo similar apresentado para fins de avaliação da mesma Fazenda Cachoeira, com "as mesmíssimas características do apresentado nestes autos" foi aceito pela DRJ/Brasília para comprovar o VTN aplicável para o exercício 2006 (processo nº13603.723019/201061). O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993 Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; (capacidade potencial da terra) [...] Fl. 317DF CARF MF 8 § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. Assim, entendo que assiste razão ao recorrente neste quesito, isto porque o VTN por hectare de R$ 5.443,23 utilizado para o cálculo do imposto, extraído do SIPT, refere se à média do VTN das DITRs processadas no Exercício em questão para o município de Brumadinho/MG, conforme informado no Termo de Intimação Fiscal de efls. 09 a 11, não leva em consideração a aptidão agrícola do imóvel, razão pela qual o arbitramento deve ser desconsiderado por desatender o disposto no art. 14, § 1º da Lei nº 9.396, de 1996, c/c art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. Nesse mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, nos termos do Acórdão nº 9202003.749, em sessão de 29/01/2016, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Assim, deve prevalecer o VTN R$ 3.909.217,41 constante de Laudo de Avaliação apresentado pelo recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento restabelecendo a Área de Interesse Ecológico de 903,4ha e considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.728121/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2009, 2010
MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício deve ser aplicada sobre o valor de tributo não pago até o início do procedimento fiscal. No caso dos autos, parte dos valores relativos aos tributos lançados não fora quitada antes do início do procedimento fiscal e, por isso, a multa de ofício é devida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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A multa de ofício deve ser aplicada sobre o valor de tributo não pago até o início do procedimento fiscal. No caso dos autos, parte dos valores relativos aos tributos lançados não fora quitada antes do início do procedimento fiscal e, por isso, a multa de ofício é devida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 81 21 /2 01 1- 89 Fl. 392DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10480.728121/201189 Acórdão n.º 2401004.544 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 09/04/2012 em face do Acórdão 1135.916 3ª Turma da DRJ/REC, que considerou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário lançado neste processo. A ciência ao acórdão recorrido deuse em 09/03/2012. A decisão recorrida está assim ementada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009,2010 IRRF NÃO DECLARADO EM DCTF. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. A falta de registro em DCTF do Imposto de Renda Retido na Fonte impõe a necessidade do lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente, sem considerar os pagamentos efetuados, os quais deverão ser utilizados na sua amortização quando da fase de cobrança. MULTA DE OFÍCIO. Excluise a multa de ofício incidente sobre os valores de IRRF exigidos, para os quais houve o recolhimento espontâneo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009,2010 NULIDADE. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPUGNAÇÃO. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não têm competência para apreciar impugnação de representação fiscal para fins penais, por se tratar de ato informativo e obrigatório do servidor que tomar conhecimento de fato que, em tese, caracteriza ilícito penal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009,2010 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade, tarefa privativa do Poder Judiciário. Fl. 394DF CARF MF 4 O acórdão recorrido manteve conforme lançado: o IRRF e os juros de mora; e exonerou o valor de R$ 672.837,60 da multa de ofício, mantendo o valor de R$ 21.464,27 ( remanescente da multa de ofício). O recorrente aduz as seguintes razões. O Acórdão guerreado não preencheu as formalidades próprias, não contemplando com clareza a fundamentação e a parte dispositiva. Não teriam sido objetivamente estabelecidos os fundamentos da decisão quanto ao exame preciso das questões de fato e de direito. Falta a delimitação perfeita dos preceitos do direito objetivo para a formulação da norma aplicável. Pelos documentos acostados à impugnação administrativa o recorrente reconhece que os valores efetivamente devidos são conforme a seguir. A código de receita 0561 nada a recolher B código de receita 0588 R$ 17.180,00 C código de receita 1708 R$ 1.818,48 Informa ainda que os valores pagos estão vinculados às importâncias informadas em DIRF´s relativamente aos rendimentos pagos ou creditados aos beneficiários. Entende que a multa de ofício na quantia de R$ 21.464,27 é improcedente pois é excessiva e viola os princípios da proporcionalidade e razoabilidade, sendo ainda atentatória ao princípio da capacidade contributiva. É o relatório. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10480.728121/201189 Acórdão n.º 2401004.544 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. O lançamento decorreu da não declaração em DCTF dos tributos devidos relativamente aos códigos de receita 0561, 1708 e 0588 cujos valores lançados foram, em quase sua totalidade, recolhidos antes do início do procedimento fiscal. A autoridade a quo exonerou as multas de ofício de todos os valores lançados cujo recolhimento fora feito antes do início do procedimento fiscal. O contribuinte se insurge contra o lançamento ainda remanescente da multa de ofício, que não fora exonerada no acórdão a quo, no valor de R$ 21.464,27. Não indica, contudo, aonde poderia estar o equívoco da decisão. Desta forma, foi necessário reconstituir as tabelas com base no Auto de Infração e na tabela de pagamentos do sistema SINAL 4 (efl. 46 e seguintes) para se chegar a uma análise do possível equívoco. A multa de ofício é calculada aplicandose o percentual de 75% sobre o principal dos tributos devidos. Assim, é necessário verificar os cálculos contidos na decisão vergastada para encontrar o valor do principal ainda não quitado e cuja multa de ofício é devida. A análise foi feita tendo como base as informações que o contribuinte considera corretas (A,B e C no relatório). No caso, o contribuinte entende que, relativamente ao código de receita 0561, não teria mais nada a recolher. No entanto, analisando os valores e refazendo os cálculos, observase que para o mês dezembro/2010, o contribuinte teria pago apenas o declarado em DCTF, enquanto que o lançamento fora de R$ 4.442,25, que não fora quitado. Desta forma, entendo que não assiste razão ao contribuinte nesse item de divergência. Somandose os valores devidos (incluindo todos os débitos ainda não quitados, para o código 0561) resta um débito de R$ 5.695,87. Relativamente ao código de receita 0588, observo que no mês de fevereiro/2009, houve um equívoco na planilha da decisão recorrida. O Contribuinte teria quitado R$ 5.692,43, sendo R$ 3.702,74 referente ao declarado em DCTF, e R$ 1.989,69 referente ao lançamento feito de ofício. Tal equívoco resultou que o valor ainda devido para o código 0588 é de R$ 17.180,06, coincidente com os cálculos do contribuinte. Para os cálculos relativos ao código de receita 1708, o contribuinte alegou dever apenas R$ 1.818,48, enquanto que a autoridade a quo teria concluído por R$ 5.742,84. Refazendo os cálculos, encontrei o saldo devido de R$ 5.759,75, ligeiramente maior do que o encontrado pela autoridade a quo e, cuja decisão não pode ser modificada para prejudicar o recorrente. Fl. 396DF CARF MF 6 Assim, concluo que o valor total do principal ainda devido neste processo é de R$ 28.635,68 e, portanto, a multa de ofício é de R$ 21.476,76. Desta forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 397DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720125/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .7 20 12 5/ 20 13 -1 6 Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 15586.720125/201316 Resolução nº 2401000.545 S2C4T1 Fl. 1.083 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, referente à contribuição social previdenciária correspondente à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados, no período de 01/10 a 10/12. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 412/415) a empresa informou incorretamente em GFIP a alíquota GILRAT e também o Fator Acidentário de Prevenção FAP. Para alguns estabelecimentos, a empresa informou GILRAT no percentual de 1%, quando o correto é 3%. Informou FAP 1, quando o correto era 1,3245 em 2010, 1,0589 em 2011, e 1,2972 em 2012. Cientificado dos Autos de Infração AIs, o contribuinte apresentou impugnação, sendo proferido o Acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012 AIOP DEBCAD Nº 51.031.6719 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT). ALÍQUOTA DEFINIDA POR ESTABELECIMENTO. PARECER PGFN/CRJ 2120/2011 A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Aplicação do Parecer PGFN/CRJ/n. 2120/2011. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. PUBLICAÇÃO. INTERNET. O FAP da empresa é publicado pelo Ministério da Previdência Social na internet, sendo por isso de pleno conhecimento da empresa, não se configurando como obrigação da fiscalização a demonstração de tal fator. A contribuição a cargo da empresa destinada à Seguridade Social para o financiamento do SAT, poderá ser majorada ou reduzida em função da aplicação do Fator Acidentário de Prevenção, nos termos das Leis nº 8.212/91 e 10.666/03, com a regulamentação dos Decretos nº 3.048/99, 6.042/07 e 6.957/09. Se houver discordância quanto ao FAP atribuído pelo Ministério da Previdência Social, a empresa poderá contestálo perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 15586.720125/201316 Resolução nº 2401000.545 S2C4T1 Fl. 1.084 3 A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. PEDIDO DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado do Acórdão em 12/12/13 (Aviso de Recebimento AR de fl. 1.039), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 13/1/14, fls. 1.041/1.052, no qual, dentre outras alegações, afirma que os índices apontados para 2011 e 2012 não podem ser aplicados imediatamente, já que foram objeto de impugnação administrativa. Conforme Resolução de fls. 1.066/1.071, os autos foram encaminhados à DRF de origem para aguardar a conclusão dos processos administrativos que contestavam o FAP de 2011 e 2012, devendo retornar ao CARF após a informação nos autos das conclusões havidas, para prosseguimento do julgamento. Eis o voto da Resolução: Compulsando os autos, verifico que há questão prejudicial pendente de julgamento administrativo. Com efeito, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 412/415), parte do lançamento decorre da informação incorreta em GFIP do multiplicador do FAP Fator Previdenciário de Prevenção. A própria recorrente, durante o procedimento fiscal, em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, já havia informado que não concordava com os índices apresentados pelo INSS e que ingressou com três processos administrativos junto ao Ministério da Previdência Social MPS, órgão competente para discutir os referidos cálculos, relativos aos citados anos de 2010, 2011 e 2012 (o primeiro, de 2010, já solucionado, com provimento parcial para da Secretaria de Políticas de Previdência Social Decisão Notificação GT/SPS nº 000.005.869/2010 processo n° 44000.00774/201017). Verifico que, a teor do art. 202B do Decreto n° 3.048/99, o processo administrativo de contestação do FAP atribuído às empresas ostenta efeito suspensivo, de sorte que o lançamento efetuado não poderá prosseguir antes da conclusão dos processos administrativos n°s. 1011030001087/011 FAP 2010 com vigência para 2011; e 1111300003752/011 FAP 2011 com vigência em 2012. Sendo assim, os autos devem retornar à origem, ficando sobrestados até decisão final dos processos administrativos n°s. 1011030001087/011 e 1111300003752/011. Somente após a informação nos autos das conclusões havidas é que devem retornar a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 15586.720125/201316 Resolução nº 2401000.545 S2C4T1 Fl. 1.085 4 Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento à recorrente e concedido prazo para manifestação. Em despachos de fls. 1.077/1.078 a DEFIS/SPO retornou o presente processo para o CARF para verificação da necessidade da diligência solicitada. É o relatório. Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 15586.720125/201316 Resolução nº 2401000.545 S2C4T1 Fl. 1.086 5 VOTO Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora Da leitura do voto da Resolução 2302000.315, vêse que o processo somente deveria retornar ao CARF instruído com o resultado do julgamento proferido nos processos administrativos n° 1011030001087/011 e 1111300003752/011. O Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, assim determina: Art.202B.O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial §1oA contestação de que trata o caput deverá versar, exclusivamente, sobre razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o cálculo do FAP. §2oDa decisão proferida pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional, caberá recurso, no prazo de trinta dias da intimação da decisão, para a Secretaria de Políticas de Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo. §3oO processo administrativo de que trata este artigo tem efeito suspensivo. Portanto, para conferir liquidez e certeza ao crédito tributário apurado no presente processo, necessário saber se houve revisão do FAP atribuído ao contribuinte para os anos de 2011 e 2012, pelo Departamento de Políticas Públicas de Saúde e Segurança Ocupacional ou pela Secretaria de Políticas de Previdência Social. Sendo assim, os autos devem retornar à DRF de origem para que intime o Departamento de Políticas Públicas de Saúde e Segurança Ocupacional DPSSO para que este informe o resultado das decisões proferidas nos processos administrativos n° 1011030001087/011 e 1111300003752/011, explicando que o julgamento do presente processo depende das decisões proferidas nos processos de competência do DPSSO citados. Caso ainda não tenha sido proferida decisão definitiva em referidos processos, os autos deverão ficar sobrestados na DRF de origem aguardando referida providência. Somente após a informação nos autos das conclusões havidas, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 15586.720125/201316 Resolução nº 2401000.545 S2C4T1 Fl. 1.087 6 O sujeito passivo deverá ser intimado do resultado da diligência, devendo ser concedido a ele o prazo de trinta dias para manifestação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini. Fl. 1087DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.934221/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.760
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 42 21 /2 00 9- 97 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.934221/200997 Acórdão n.º 3402003.760 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.934221/200997 Acórdão n.º 3402003.760 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.934221/200997 Acórdão n.º 3402003.760 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.934221/200997 Acórdão n.º 3402003.760 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.933425/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.750
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT HARALD S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 34 25 /2 00 9- 19 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10980.933425/200919 Acórdão n.º 3402003.750 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10980.933425/200919 Acórdão n.º 3402003.750 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10980.933425/200919 Acórdão n.º 3402003.750 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10980.933425/200919 Acórdão n.º 3402003.750 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.006696/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
PDV. COMPROVAÇÃO. A existência de plano de demissão incentivada deve ser comprovada formalmente. No caso dos autos, a existência de mensagens eletrônicas trocadas entre particulares sobre o assunto não caracteriza a existência do plano.
PREVIDÊNCIA PRIVADA. ATUALIZAÇÃO DE VALORES. Os valores das contribuições a planos de previdência privada são atualizados conforme legislação pertinente. No caso dos autos, foram utilizados os índices do art. 5 da IN RFB 1.343/2013.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 PDV. COMPROVAÇÃO. A existência de plano de demissão incentivada deve ser comprovada formalmente. No caso dos autos, a existência de mensagens eletrônicas trocadas entre particulares sobre o assunto não caracteriza a existência do plano. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ATUALIZAÇÃO DE VALORES. Os valores das contribuições a planos de previdência privada são atualizados conforme legislação pertinente. No caso dos autos, foram utilizados os índices do art. 5 da IN RFB 1.343/2013. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
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COMPROVAÇÃO. A existência de plano de demissão incentivada deve ser comprovada formalmente. No caso dos autos, a existência de mensagens eletrônicas trocadas entre particulares sobre o assunto não caracteriza a existência do plano. PREVIDÊNCIA PRIVADA. ATUALIZAÇÃO DE VALORES. Os valores das contribuições a planos de previdência privada são atualizados conforme legislação pertinente. No caso dos autos, foram utilizados os índices do art. 5 da IN RFB 1.343/2013. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 66 96 /2 00 8- 50 Fl. 246DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 11516.006696/200850 Acórdão n.º 2401004.534 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Recurso Voluntário interposto em 24/03/2015 em face do Acórdão 0832.534 1a. Turma da DRJ/FOR, que considerou parcialmente procedente a impugnação do contribuinte para o crédito tributário objeto deste processo administrativo. A ciência à decisão recorrida deuse em 20/02/2015. O lançamento fiscal referese à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, conforme a seguir: Fundação Sistel de Seguridade Social – R$ 138.882,94 TIM Participações – R$ 44.928,00 Considerando que não houve intimação prévia, o lançamento foi primeiramente analisado pela DRF de origem, através de Termo Circunstanciado, no qual o valor do lançamento restou modificado de R$ 50.548,01 para R$ 33.209,87 (Despacho Decisório à efl. 163/165). O Acórdão de Impugnação, a seguir ementado, manteve o valor do imposto a pagar. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece parte do lançamento de ofício da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual, e devidamente informados em DIRF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Constitui rendimento tributável na declaração o montante do resgate/benefício recebido de entidade de previdência privada. Somente se exclui da incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de rendimentos o valor do resgate de contribuições de previdência privada recebido por ocasião de desligamento do plano de benefícios da entidade de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Dispositivos Legais: arts. 39, XXXVIII, e 43, XIV, 623 e 633 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA (PDV). TRIBUTAÇÃO Consideramse Programas de Demissão Voluntária apenas os instituídos pelas pessoas jurídicas a título de incentivo à demissão voluntária de seus empregados, e entendese como verba indenizatória contemplada pela dispensa de constituição de créditos tributários, nos termos da IN SRF nº 165, de 1998, os valores especiais recebidos a título de incentivo à adesão a PDV; quaisquer outros rendimentos, mesmo que decorrentes de acordo entre as partes e remunerados a título de indenizações, por caracterizar mera liberalidade do empregador, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação. Fl. 248DF CARF MF 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de diligência. O recorrente aduz as seguintes razões. Entende que uma parcela dos rendimentos recebidos na rescisão contratual com a TIM e de outras, no caso da SISTEL, já anteriormente tributadas na fonte, constituídas pelas contribuições custeadas pelo próprio recorrente, inerentes ao período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995 seria não tributável, conforme art. 39 do Decreto 3000/1999. Adicionalmente, dois rendimentos seriam tributados exclusivamente na fonte, sendo, um representado por parcela correspondente às contribuições do associado, incidentes sobre o 13. salário do período integral de contribuição – janeiro 1978 a abril de 2005 – e o outro, representado pelo resultado dos rendimentos financeiros obtidos pela aplicação dos fundos para preservação do poder aquisitivo das contas de participação dos associados, bem como, do próprio custeio operativo da fundação (SISTEL). Tentou, sem sucesso, junto à TIM e à SISTEL corrigir os erros relativos aos rendimentos tributáveis. Decidiu então elaborar cálculo estimado de quanto representariam os valores das suas contribuições a SISTEL no período janeiro/1989 a dezembro/1995 e, juntamente com o valor pago pela TIM, identificado como incentivo ao desligamento do quadro de pessoal, declarou tais valores como isentos ou não tributáveis. Adicionalmente, também foi tributado o valor de R$ 44.928,00 recebido a título de incentivo ao desligamento aos empregados de faixa etária avançada, muitos oriundos do Sistema Telebrás. Cita jurisprudência. Na decisão de primeira instância teria sido mantida a tributação sobre valores recebidos da SISTEL, inclusive os decorrentes de 13o. salário, nos respectivos valores históricos das datas em que ocorreram, e também mantida a tributação relativa aos rendimentos pelo desligamento voluntário haja vista não ter ficado comprovado a existência do plano de desligamento voluntário. O contribuinte alega que as contestações relevantes que implicariam em modificações substantivas da base de cálculo do imposto sequer foram mencionadas no relatório do julgador a quo. Entende que a contestação não analisada importa em bitributação dos valores recebidos (contribuições efetuadas pelo associado incidentes sobre o 13o salário anual, que já teriam sido tributadas exclusivamente na fonte por ocasião dos pagamentos, durante o período jan/1978 a abr/2005). Argumenta que a atualização dos valores das contribuições informadas pela SISTEL, que diferem das que havia efetuado, o que estaria causando a diferença entre os valores que apurou e os definidos na decisão a quo. As contribuições do período jan/1989 a dez/1985 foram informadas pela Fundação SISTEL em valores históricos e nas moedas ou bases monetárias da época em que ocorreram. Entendo que a atualização com base na IN RFB Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11516.006696/200850 Acórdão n.º 2401004.534 S2C4T1 Fl. 4 5 1343/2013 é inaplicável pois se destina a três tipos de situações específicas, nas quais, em nenhuma delas se enquadra a situação do contribuinte. O contribuinte não se aposentou pela Fundação SISTEL. Aderiu ao pedido de demissão incentivada e pelo resgate do saldo de sua conta de participação e, portanto, não há subsunção legal à norma da RFB. O julgador a quo não atendeu o pedido do recorrente no sentido de intimar a SISTEL para que informe os valores exatos relativos a contribuições que devem ser abatidas dos rendimentos tributáveis, alegando que estaria fazendo prova em favor do contribuinte, com o que não pode concordar, e explicita os motivos no recurso. Entende que o valor recebido da TIM Participações S/A, equivalente a 6 (seis) salários que percebia à época, se trata de indenização, porquanto pago à titulo de incentivo à demissão voluntária dos empregados mais antigos, comprovado com Ata de Reunião de Diretoria como pacote de incentivo objetivando redução do quadro de pessoal. Cita jurisprudência e Súmula 215/1998 do STJ. Em suma, a)discorda dos cálculos de atualização dos valores isentos de tributação para as contribuições do período janeiro/1989 a dez/1995, efetuados pela autoridade fiscal, b) entende que não deve incidir tributação sobre as contribuições relativas a 13o salário do valor recebido da previdência privada, uma vez que a forma de tributação dessa parcela é diferente (definitiva na fonte), e c) que o valor de R$ 44.928,00 não deve ser tributado, pois se trata de parcela indenizatória recebida a título de Plano de Demissão Incentivada. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF 6 Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins Relatora O recurso é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. Conforme a decisão a quo, o contribuinte deixou de declarar o valor de R$ 138.882,94, tendo em vista considerar que tais valores seriam isentos, pois se refeririam ao período jan/89 a dez/95, atualizados pelo próprio contribuinte. Na revisão de ofício, a Fundação SISTEL, intimada, apresentou planilhas dos valores das contribuições feitas pelo contribuinte, relativos ao período jan/89 a dez/95. As contribuições pagas pelo contribuinte para o plano de previdência referentes ao período jan/1989 a dez/1995 estão discriminados por mês de referência às efls. 146/148. Os valores foram atualizados pela autoridade fiscal utilizando os índices do art. 5 da IN RFB 1.343/2013. A planilha com os valores atualizados pela autoridade fiscal está às efls. 157/158. O montante apurado pela autoridade fiscal referente às contribuições de 1989/1995, atualizado até maio/2005, considerado não tributável, é de R$ 63.047,79. O recorrente entende que a atualização com base na IN RFB 1343/2013 é inaplicável no caso deste processo, pois se referem a: Ainda, afirma que os cálculos relativos à atualização dos valores não poderiam ter sido efetuados conforme a IN supra. Contudo, não indica qual seria o dispositivo legal que entende seria o correto. Ademais, verifico que a IN em questão tem como anexo a tabela para os referidos cálculos, cujo título é: REGIME PROGRESSIVO – AJUSTE ANUAL Tratamento tributário relativo à apuração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) aplicável aos valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio, correspondente às contribuições efetuadas, exclusivamente pelo beneficiário, no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Equivocouse o recorrente quando se refere aos casos especiais tratados pela IN nos artigos 2, 3 e 4. Deveria ter analisado o artigo 1 da IN, que trata de forma geral o objeto do instrumento legal, qual seja: Art. 1º Esta Instrução Normativa estabelece normas e procedimentos relativos ao tratamento tributário a ser aplicado na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11516.006696/200850 Acórdão n.º 2401004.534 S2C4T1 Fl. 5 7 sobre os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. O art. 7 da referida IN, vigente à época, reforça que a mesma se aplica ao caso de resgate de contribuições de previdência privada, conforme a seguir. Art. 7º O disposto nesta Instrução Normativa aplicase ao resgate de contribuições de previdência privada e ao rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar. (grifei) A partir de 30/09/2014, a redação desse artigo fora modificada, mas sem alterar o item que interessa a este processo, conforme pode ser verificado a seguir. Art. 7º O disposto nesta Instrução Normativa aplicase ao resgate de contribuições de previdência privada, ao rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar e ao regime a que se refere o § 8º do art. 3º. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (grifei) Desta forma, entendo que, não apenas a referida IN é o instrumento legal para a atualização dos valores, como também possui em seu corpo a planilha demonstrativa de como devem ser feitas as atualizações dos referidos valores. Assim, não assiste razão ao contribuinte quanto a esse item do recurso, pois observo que a autoridade fiscal utilizou a planilha sugerida na referida IN, cujo título é bastante esclarecedor de que se aplica sim ao caso dos valores recebidos pelo recorrente. Melhor sorte não se observa no questionamento do contribuinte relativo às contribuições do 13o. salário, pois tais contribuições não foram incluídas na planilha de cálculos da efl. 157. Ademais, o contribuinte não juntou aos autos o demonstrativo dos valores mensais recebidos que propiciasse a análise de que os valores relativos ao 13o. foram incluídos no cálculo do IRRF recolhido pela fonte pagadora. Desta forma, não se pode analisar tal alegação por falta de elementos probatórios do direito do recorrente. Com relação à alegação sobre o Plano de Demissão Incentivada, s.m.j., o contribuinte não apresentou qualquer documento da empresa que corroborasse a existência de tal plano. Juntou sim emails e explicações sobre os motivos de ter recebido o valor adicional. Mesmo na explicação à efl. 232, a seguir transcrita, o recorrente admite que o plano não fora formalizado publicamente no âmbito da empresa. Desta forma, sem razão o recorrente, pois não apresentou documentação hábil e idônea capaz de afastar a tributação dos valores rescisórios recebidos por mera liberalidade da empresa. Fl. 252DF CARF MF 8 Dado o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente Maria Cleci Coti Martins. Fl. 253DF CARF MF
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