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Numero do processo: 10880.061283/92-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1992
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E FALTA DE PREQUESTIONAMENTO
Recurso Especial que se insurge contra lei ou evidência de prova, na qual menciona prova que desde sempre constou nos autos e cuja alegação não faz parte da lide. O Recurso Especial não deve ser conhecido, mormente quando não há interesse de agir, uma vez que a conferência requisitada já foi determinada no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-001.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de incompetência do colegiado, suscitada pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes e Moura (Suplente Convocado) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). 2) Por unanimidade de votos, Recurso da Fazenda não conhecido.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Andre Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros João Carlos De Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1992 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E FALTA DE PREQUESTIONAMENTO Recurso Especial que se insurge contra lei ou evidência de prova, na qual menciona prova que desde sempre constou nos autos e cuja alegação não faz parte da lide. O Recurso Especial não deve ser conhecido, mormente quando não há interesse de agir, uma vez que a conferência requisitada já foi determinada no acórdão recorrido.
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NÃO CONHECIMENTO. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E FALTA DE PREQUESTIONAMENTO Recurso Especial que se insurge contra lei ou evidência de prova, na qual menciona prova que desde sempre constou nos autos e cuja alegação não faz parte da lide. O Recurso Especial não deve ser conhecido, mormente quando não há interesse de agir, uma vez que a conferência requisitada já foi determinada no acórdão recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) por maioria de votos, rejeitar a preliminar de incompetência do colegiado, suscitada pelo Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes e Moura (Suplente Convocado) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado). 2) Por unanimidade de votos, Recurso da Fazenda não conhecido. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 06 12 83 /9 2- 43 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, A ssinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.061283/9243 Acórdão n.º 9101001.899 CSRFT1 Fl. 9 2 Marcos Aurélio Pereira Valadão Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, Meigan Sack Rodrigues (Suplente Convocada), Andre Mendes de Moura (Suplente Convocado), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros João Carlos De Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão de n° 30238.189, proferido pela então Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, em sessão de 09 de novembro de 2006. Originalmente, o processo versa sobre auto de infração de fls. 12/13 para exigência de recolhimento da contribuição para o Fundo de Investimento Social – FINSOCIAL com alíquota de 2%, apurada sobre o faturamento, relativa aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 1992. No intuito de verificar os status do crédito cobrado, determinou a administração fazendária que o Contribuinte comprovasse a existência, bem como o andamento, de processos judiciais que determinassem a suspensão da exigibilidade. Foi constatada a concessão de liminar em Medida Cautelar 91.07010699 (ocasião em que ofereceu carta fiança) objetivando ilidir a cobrança do FINSOCIAL, bem como a Ação Ordinária n. 91.7073429 principal para declarar inexistente a relação jurídicotributária, conforme se constata da Certidão N. 422/99 de fls. 27 e Certidão N. 421/99 e fls. . A Ação Ordinária transitou em julgado em 09.11.1998, reconhecendo o direito de o Contribuinte recolher o FINSOCIAL a 0,5%. Nesse contexto, peticionou (fls. 211) o Contribuinte nos autos do processo administrativo, em 23 de agosto de 2000, esclarecendo que recolheu tributo com a alíquota aplicável de 0,5%, conforme o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 9.779/99, juntando os demonstrativos de pagamento para fins comprobatórios. A Receita Federal, por sua vez, considerou que o contribuinte não fazia jus ao benefício da anistia, manifestandose no sentido da liquidação apenas parcial do crédito tributário: “Busca o contribuinte (fls. 211) comprovar o recolhimento relativo aos créditos tributários relativos ao FINSOCIAL, períodos de apuração de 01/92 a 03/92, constituídos por meio Auto de Infração, lavrado em 13/10/92, (fls. 12/14) cuja contribuição estava sendo contestada judicialmente. Para tanto apresenta copia de DARF (fls. 213), demonstrativo de cálculo para recolhimento do FINSOCIAL (fls. 212) e justifica o valor recolhido no art. 17 da Lei no. 9.779199. Da análise dos autos, verificase que o contribuinte não se enquadra nas hipóteses previstas para uso do beneficio, tendo em vista que a ação judicial Fl. 526DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, A ssinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.061283/9243 Acórdão n.º 9101001.899 CSRFT1 Fl. 10 3 já havia transitado em julgado em 09/11/98 quando efetuou o pagamento em 30/07/99 pretendendo utilizarse do beneficio concedido pelo art. 17 da Lei n°. 9.779/99 (fls. 215) e artigo 10 da MP 18588/99 (fls. 216/217). Nesse sentido, a Instrução Normativa SRF no 26/99 (fls. 218), estabelece, "verbis": Artigo 1' "0 disposto no inciso 111 do parágrafo 1° do art 17 da Lei 9.779, acrescido pelo art. 10 da MP O. 1807, de1999, aplicase aos processos judiciais em curso, ajuizados até 31 de dezembro de 1998, ainda que, em relaçao aos mesmos, houver sido concedida liminar ou medida cautelar” (grifei). Como conseqüência do não enquadramento ao beneficio concedido pela Lei 9.779./99, utilizandose do Sistema SICAC (fls. 219/220), verificamos que o pagamento efetuado pelo contribuinte (fls. 213) liquidou parcialmente o total devido, ou seja, restou a recolher o valor relativo a multa de oficio e juros de mora no montante de R$ 241.673,12. Valor total devido consolidado em 31/08/2000 460.807,90 Parcela do DARF relativo ao P.A. 01/92 52.706,90 Parcela do DARE relativo ao P.A. 02/92 76.523,44 Parcela do DARF relativo ao P.A. 03/92 89.904,44 () Total recolhido relativo ao P.A. 01/92 a 03/9/ 219.134,78 (=) Saldo a cobrar 241.673,12 Diante do exposto, proponho encaminhamento do presente processo a. DISAR/DEINF/SP para bloquear R$ 219.134,78 referente ao DARF de fls. 213 e prosseguir na cobrança do valor de R$ 241.673,12 (duzentos e quarenta e um mil, seiscentos e setenta e três reais e doze centavos)”. Inconformado, o contribuinte novamente peticionou (fls. 226/227) nos autos no intuito de a fazenda reconsiderar a decisão retro. Para tanto, mencionou outra liminar em Mandado de Segurança n. 2000.61.00.0345065 que conferiu direito à ampla defesa e contraditório caso prosseguisse a cobrança, mantendo a suspensão da exigibilidade e a exclusão do nome do CADIN. Sobreveio, então, despacho decisório de fls. 268/271 que indeferiu a solicitação do contribuinte, não reconhecendo o direito a fazer jus ao benefício, em decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o Fundo de Investimento Social FINSOCIAL. Ementa: Auto de Infração de Contribuição para o FINSOCIAL. Aliquota. Suspensão de Exigibilidade. Liminar em Medida Cautelar. Trânsito em Julgado. Beneficio da Lei 9.779/99, Dispositivos Legais: Artigo 1 0, § 1 0, do Decretolei 1.940/82; Decisão do STF no RE n ° 150.7641; Artigo 17, §§ 1 ° e 2°, da Lei 9.779/99. Solicitação Indeferida. Contra o despacho decisório, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade (fls. 284/292), no intuito de extinguir o crédito tributário. Após conflito de competência acerca do órgão julgador, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo houve por bem indeferir a solicitação, nos termos do acórdão 07.663 (fls. 346/353) ementado: Fl. 527DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, A ssinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.061283/9243 Acórdão n.º 9101001.899 CSRFT1 Fl. 11 4 Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992 Ementa: BENEFÍCIO FISCAL. DISPENSA DOS JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES ATÉ FEVEREIRO DE 1999. O beneficio previsto no art. 17 da Lei n° 9.779, de 1999, c/c art. 10 da Medida Provisória n° 1.8078, de 1999, além de se aplicar apenas ao sujeito passivo exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei que houver sido posteriormente declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, não se estende aos casos em que a exigência tenha sido objeto de ação judicial transitada em julgado anteriormente a 31/12/1998. Solicitação Indeferida Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário alegando o recolhimento do crédito tributário, aplicando alíquota de 0,5%, e a impossibilidade da aplicação de multa de ofício devido à suspensão da exigibilidade do crédito. A então Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso, nos termos da ementa que segue transcrita: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL. ANISTIA. O inciso III, do §1º, do art. 17 ad Lei 9.779/99 e alterações posteriores é claro ao dispor que o contribuinte poderá efetuar o pagamento do tributo, sem o acréscimo da multa e dos juros, com relação aos fatos que forem objeto dos processos judiciais ajuizados até a data prevista para sua concessão, não havendo qualquer menção do legislador sobre a necessidade de existência de processos judiciais em curso. Estando o recorrente albergado naquelas disposições legais, deve ser aplicada a anistia prevista. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO A Fazenda Nacional, considerando haver omissão no acórdão supramencionado, opôs embargos de declaração que foram rejeitados. Na sequência, interpôs Recurso Especial, objetivando restaurar os termos da decisão da DRJ no que tange à insubsistência de aplicação da anistia na hipótese de trânsito em julgado de decisão judicial anterior a 1998. Admitido o Recurso, os autos foram encaminhados à 3ª Seção de Julgamento, que “negou seguimento ao Recurso Especial e declinou a competência” em favor da Primeira Seção de Julgamento, nos termos do acórdão que segue ementado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1992 a 31/03/1992 Anistia Fiscal e Competência dos Colegiados administrativos. Competência não se adquire nem se presume, se é atribuída, expressamente, por ato normativo. Sem essa atribuição, competência não há. Se a matéria versada no recurso especial não se encontra na competência específica atribuída regimentalmente a nenhuma das Seções de julgamento do CARF, Fl. 528DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, A ssinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.061283/9243 Acórdão n.º 9101001.899 CSRFT1 Fl. 12 5 mas por força de decisão judicial deva ser apreciada por esse órgão, o julgamento deve ser realizado no Colegiado que detenha a competência residual, in casu, a Primeira Seção de Julgamento, e, por conseguinte, em instância especial, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Preliminarmente, foi suscitada de ofício, pelo Ilustre Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, a incompetência deste colegiado para apreciar a matéria, haja vista o tributo objeto da demanda não ser passível de análise pela Primeira Seção. Nesse contexto, importa esclarecer que referido processo já foi apreciado pela Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a qual declinou da competência em favor desta Primeira Seção de julgamento. Referida competência foi declinada para esta seção de julgamento, justamente por se tratar de matéria relativa à regra geral a ser apreciada. Conforme ementa proclamada por aquela seção de julgamento, é esta a Primeira Seção que tem competência residual para apreciação de tal matéria, pelo que restou ultrapassada por essa Colenda Turma, a preliminar suscitada. Ultrapassada a questão preliminar ventilada, passo a análise do recurso, e sobre o qual me manifesto por seu não conhecimento. É de se esclarecer que, quanto ao conhecimento do Recurso Especial, o acórdão da Terceira Turma da CSRF, que declinou a competência para esta Primeira Turma, em sua parte dispositiva acaba por não só declinar a competência mas, também, asseverar que restou negado seguimento ao Recurso Especial. A princípio e por princípio, se foi declinada a competência, não é possível que seja apreciado o conhecimento do recurso, pelo que entendo que, uma vez determinada a competência desta turma para análise, deve ser verificado o seu conhecimento. Nessa esteira, lembro que não mais importa a decisão concedida em sede de mandado de segurança, mencionada pela Terceira Turma da CSRF, o qual ensejou a análise do apelo do sujeito passivo, verbis: “À vista do exposto, requer dignese V. Exa. Concederlhe Medida Liminar, determinando à digna autoridade impetrada que, por si ou seus agentes, adote as providências a seu cargo no sentido de assegurar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo ao FINSOCIAL objeto do Processo Administrativo n. 10880.061283/9243, assegurando ainda, à Impetrante, o direito à intimação formal acerca de eventuais decisões que Fl. 529DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, A ssinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.061283/9243 Acórdão n.º 9101001.899 CSRFT1 Fl. 13 6 entendam existir saldo devedor atinente àquele feito e à ampla defesa na forma do Decreto n. 70.235/72 e da Lei n. 9.784/99, para todos os fins de direito e até final decisão acerca das defesas e recursos interpostos. Verificase estarem configurados os pressupostos para concessão da liminar. O fumus boni iuris está presente ante a demonstração inequívoca da violação, no caso, ao direito constitucionalmente assegurado a todos os contribuintes, inclusive nos processos administrativos, ao “contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (art. 5º, LV da CF 88), igualmente previstos no Decreto n. 70.235/72 e na lei n. 9.784/99, bem como da contrariedade aos artigos 151, III do CTN e 37 e 170 da Constituição.” Isto porque, o contribuinte já teve analisado e provido seu apelo, razão pela qual o Recurso Especial sob análise é aquele manejado pela d. Procuradoria da Fazenda Nacional. Muito bem, da análise do Recurso Especial verifico que este de fato não merece seguimento, senão vejamos: a) O Recurso Especial é intentado contra acórdão não unânime, alegando apenas que não foram obedecidos os requisitos previstos no artigo 11, da MP 215835/2001. Ocorre que pelo que se pode compreender da leitura do Recurso Especial, a própria procuradoria reconhece, com supedâneo na nota PGFN/CDA 513/99, que está correto o fundamento do acórdão recorrido, na medida em que a referida nota dispôs ser aplicável o benefício da anistia também nos casos de ações com trânsito em julgado anterior à edição da MP 18588/1999. Contudo, admitindo que o Recurso Especial manejado não tem os fundamentos outrora expedidos pela Receita Federal do Brasil ou pela Delegacia da Receita de Julgamento, deveria ser o pleito indeferido por falta do pagamento. b) Em primeiro lugar, não há interesse no manejo de tal Recurso Especial, porquanto o acórdão recorrido já havia determinando que o processo retornasse à Delegacia da Receita Federal de origem para verificação do pagamento realizado, se condizente ou não com o valor devido conforme a referida anistia. Por tal razão não deve ser conhecido o Recurso Especial, já que lhe falta interesse no pedido, cujo provimento já foi outrora concedido. c) Não bastasse, o Recurso Especial também não deve ser conhecido, pois essa matéria – pagamento – nunca fez parte da lide, sendo que a sua existência sempre foi reconhecida e mencionada desde o despacho decisório, contestandose tão somente a subsunção da hipótese à norma da anistia, mérito este já resolvido. Por todo exposto, uma vez determinada a análise por esta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, voto pelo não conhecimento do Recurso Especial da d. Fazenda Nacional. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, A ssinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.061283/9243 Acórdão n.º 9101001.899 CSRFT1 Fl. 14 7 É como voto. Sala das Sessões, em 20 de março de 2014 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Declaração de voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Entendo que o tema objeto do debate no presente caso é da competência da 1a Seção, pelo que não pode ser apreciado o presente recurso especial por este Colegiado. A razão deste entendimento é singela. Conforme o relatório, o processo originalmente, trata de auto de infração para exigência de recolhimento da contribuição para o Fundo de Investimento Social – FINSOCIAL com alíquota de 2%, apurada sobre o faturamento, relativa aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 1992. Após questões processuais que envolvem açóes judiciais, o contribuinte peticionou nos autos do processo administrativo, em 23 de agosto de 2000, esclarecendo que recolheu tributo com a alíquota aplicável de 0,5%, conforme o benefício instituído pelo artigo 17 da Lei n. 9.779/99, juntando os demonstrativos de pagamento para fins comprobatórios, sendo que a RFB, por sua vez, considerou que o contribuinte não fazia jus ao benefício da anistia, manifestandose no sentido da liquidação apenas parcial do crédito tributário. A lide, então, é originária de débito de FINSOCIAL, onde se questiona a incidência ou não de benefício fiscal ou anistia. Ora, ´é de cristalina evidência que as circunstãncias supervinetes estão atreladas ao tema do lançamento, que é de FINSOCIAL, e conforme o art. 4o, inciso II, do RICARF Anexo II, esta competência é da 3a Seção. Vejase o dispositivo in litteris: Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... II Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL); Além disto, o art. 7o do mesmo Ato, embora não trate de anistia ou benefício fiscal, serve comovetor intepretativo ao dispor que as questões relativas a compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção (que é um benefício fiscal) ou de imunidade tributária são analisadas pela seção que tem competência em relação ao tributo objeto da lide, conforme se lê: Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como dereconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. O RICARF em nenhum momento trata de anistia ou benefício fiscal em separado, sequer menciona literalmente tais institutos. Não se aplica ao caso, em absoluto, a competência residual da 1a Seção, prevista no art. 2o, inciso VII, do RICARF Anexo II. Isto porque, tal competência residual diz respeito aos tributos materialmente falando, não podendo se entender por "matéria correlata" toda e qualquer matéria que não seja a exigência do tributo Fl. 531DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, A ssinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.061283/9243 Acórdão n.º 9101001.899 CSRFT1 Fl. 15 8 em si, de maneira autônoma. A "matéria correlata" diz respeito aos outros tributos e empréstimos compulsórios não incluídos na competência julgadora das demais Seções, o que não ó caso do FINSOCIAL, que é regimental e explicitamente da competência da 3a Seção. Entenderse de outra forma tornaria a competência da 1a Seção absurdamente extrapolante. Assim, sou da opinião de que a competência é atraída pela matéria que originou o lançamento. No caso o FINSOCIAL, sendo a competência da 3a Seção, o recurso deve ser julgado pela 3a T. da CSRF, pelo que suscito o conflito de competência nos termos do art. 20, inciso IX, in fine, do RICARFAnexo II. É como voto. Marcos Aurélio Pereira Valadão Conselheiro Fl. 532DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, A ssinado digitalmente em 30/07/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10820.002364/2004-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadra-se perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada. (ACÓRDÃO CSRF/01-05.810 em 14 de abril de 2008).
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9101-001.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, recurso provido. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente Substituto
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silvas, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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PRATICA REITERADA. MULTA QUALIFICADA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AM EVENTOS S/C LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 MULTA QUALIFICADA. CONDUTA REITERADA. A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. (ACÓRDÃO CSRF/0105.810 em 14 de abril de 2008). Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, recurso provido. Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva, Valmir Sandri, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 23 64 /2 00 4- 66 Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10820.002364/200466 Acórdão n.º 9101001.813 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silvas, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, cientificada do Acórdão 10808.963 de interesse da empresa AM EVENTOS S/C LTDA., proferido na sessão de 17/08/2006 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 7o, incisos I, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época da aludida decisão. O Recurso teve seguimento parcial conforme Despacho 1082762008 (fl. 1510/1511), quanto a redução da multa qualificada de 150% para 75%, pois, a decisão foi por maioria, logo, para os vencidos foi contrária à prova dos autos. A outra matéria, prazo decadencial de 10 anos para as contribuições não logrou seguimento haja vista a sumula vinculante nº8 do STF. Cientificado ,o Representante do contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso, fls. 1531 e seguintes. Os autos foram encaminhados à CSRF e o processo distribuído, a este Relator. É o breve relatório. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10820.002364/200466 Acórdão n.º 9101001.813 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, vigentes a época da sua interposição, logo deve ser admitido e apreciado. Conforme relatado, tratase de recurso em face de decisão quanto a matéria que não alcançou unanimidade no colegiado ordinário, qual seja, a redução da multa qualificada, no percentual de 150% para 75%, que também implicou na alteração na contagem do prazo decadencial. O acórdão recorrido deu provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte por considerar que não restou comprovado o evidente intuito de fraude para justificar a penalidade mais gravosa, conforme sintetizado nas ementas a seguir transcritas: “(...) DECADÊNCIA São decadentes os lançamentos efetuados após 5 • (cinco) anos do fato gerador, em observância ao artigo 150 parágrafo 4°. do CTN. (...) IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS Deve ser mantido o lançamento relativo a valores recebidos e não escriturados se a contribuinte não traz aos autos elementos capazes de infirmar a autuação. MULTA QUALIFICADA DESCABIMENTO Não cabe a qualificação da multa se não houve pelo fisco a prova inequívoca do • dolo, fraude ou simulação praticado pela contribuinte. (...) Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por AM EVENTOS S/C LTDA. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas pelo corrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir a multa de oficio para 75% e, por decorrência, reconhecer a decadência para os fatos geradores até 31/10/1999, nos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa e Monteiro, José Carlos Teixeira da Fonseca que negavam provimento ao recurso e Nelson Lósso Filho que acolhia a decadência apenas para o IRPJ e PIS. (...)” Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10820.002364/200466 Acórdão n.º 9101001.813 CSRFT1 Fl. 5 4 Compulsando os autos verificase que a multa qualificada foi aplicada apenas sobre a primeira das infrações tributadas, assim descrita no Termo de Constatação Fiscal, fls. 78/82: “1 As receitas não escrituradas no Livro Caixa, correspondentes aos valores pagos à contribuinte por seus clientes pela prestação de serviços (patrocínio, aluguel de estandes, etc.) e valores pagos ao Sindicato Rural da Alta Noroeste SIRAN, mas que foram utilizados para amortizar dívida contratual da contribuinte com o S1RAN.” Na apreciação dessa matéria, o ilustre conselheiro Relator, Margil Mourão Gil Nunes, manteve a tributação, todavia excluiu a multa qualificada sob os seguintes fundamentos (fl. 1943): “(...) O fisco simplesmente aplicou a multa qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96, sobre a base de cálculo do lucro presumido pelo valor das diferenças de receitas consideradas como omitidas na escrituração do livro Caixa. Nenhuma prova inequívoca foi trazida pelo fisco de que a contribuinte tenha cometido fraude, dolo ou simulação, fatores que julgo preponderantes para manter tal incremento à multa de ofício. Aliás, esta matéria foi objeto da Súmula n°. 14, deste 1°CC, publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006, estando assim ementada: "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Afastada a aplicação da multa qualificada, há que se reconhecer a decadência para os tributos cujos fatos geradores ocorreram antes de novembro de 1999. (...)” No recurso especial, a Douta PFN afirma se tratar de hipótese de omissão reiterada, ou seja, não se aplica a Súmula 14 do CARF vejamos (fls. 15021503): “Compulsandose os presentes autos, possível concluirse pela habitualidade da prática ilícita do contribuinte de omitir de sua escrituração contábil receitas operacionais, com o claro intuito de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, a ocorrência de fatos geradores do Imposto sobre a Renda e seus reflexos. De fato, a autoridade administrativa fiscal constatou que nos anos calendário 2001 e 2002 o contribuinte movimentou recursos financeiros incompatíveis com as receitas escrituradas no livro Caixa, omitindoas, inclusive nas DIPJ's apresentadas, descaracterizando o caráter fortuito do procedimento. Merece ser destacada, ainda, com vistas a ilustrar o intuito fraudulento do contribuinte, a Representação Fiscal para Fins Penais promovida pela autoridade fiscal em face da empresa contribuinte em virtude da prática, em tese, de crimes contra a Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10820.002364/200466 Acórdão n.º 9101001.813 CSRFT1 Fl. 6 5 ordem tributária e de crime de formação de quadrilha protagonizados pelos representantes legais da A M EVENTOS S/C LTDA com a concorrência dos diretores do SIRAN — Sindicato Rural de Alta Noroeste, consubstanciadas tais condutas criminosas na prática de atos ilícitos tendentes a lesar o Fisco Federal, conforme demonstraria a farta documentação carreada aos autos do respectivo processo administrativo, de no. 10820.002365/200419. Resta evidenciada, dessarte, pelas provas carreadas aos autos pela autoridade fiscal, a conduta lesiva ao erário em virtude da prática reiterada de sonegação fiscal, • apresentandose, por conseguinte, como legítima a majoração da multa de ofício imposta ao contribuinte. Neste diapasão, vale mencionar os seguintes excertos, oriundos de julgados proferidos pelo Conselho de Contribuintes, que se relacionam com a questão em comento: EMENTA: "(...) PENALIDADE — MULTA QUALIFICADA. A conduta ilícita reiterada por dois anos consecutivos e a expressividade dos valores subtraídos à tributação descaracteriza o caráter fortuito do procedimento, e evidencia o intuito de fraude. Presentes os pressupostos para a exigência da multa prevista no art. 44, inc. II, da Lei no. 9.430/96." (Acórdão 10708603, de 21/06/2006, proferido pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no julgamento do Recurso 147196). (...) De todo o exposto, apresentase legitima a majoração da multa imposta ao contribuinte, considerandose todo o corpo probatório e indiciário que instrui os presentes autos. (...)” Pois bem, Consoante o enquadramento legal utilizado pela fiscal autuante, a multa qualificada no percentual de 150% tem fulcro no do art. 44, inciso II, da Lei n.o 9.430/96, que, com a redação vigente à época da autuação, assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – se setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ...” (grifei). Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10820.002364/200466 Acórdão n.º 9101001.813 CSRFT1 Fl. 7 6 Com o advento da Medida Provisória n.º 303, de 29 de junho de 2006, art. 18, foi dada nova redação ao art. 44 da Lei n.º 9.430/96: “Art.18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Ide setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; IIde cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: §1oO percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ...” (grifei). Observo que para os casos de mera falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata será aplicada a multa de 75%, a menos que o fisco detecte e aponte as condutas dolosas definidas como sonegação, fraude ou conluio, consoante a Lei n.º 4.502, de 1964, arts. 71 a 73: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” (Grifei). Por sua vez, na Lei n.º 8.137, de 27 de dezembro de 1990, no âmbito do Direito Penal e, portanto, com reflexos no presente caso (aplicação de penalidade qualificada com conhecimento do Ministério Público para fins penais), a sonegação vem definida, de forma genérica, como qualquer conduta dolosa que ofenda a ordem tributária: “Art. 1o Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório mediante as seguintes condutas: Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10820.002364/200466 Acórdão n.º 9101001.813 CSRFT1 Fl. 8 7 I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; (...) Art. 2o Constitui crime da mesma natureza: I – fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;...” (Grifei). O inciso I do art. 1o, bem como o inciso I do artigo 2°, supra transcritos assemelhamse ao tipo penal previsto no artigo 299 do Código Penal, o qual descreve a conduta da falsidade ideológica, que também se materializa neste crime na sua forma omissiva – omitir informação – uma vez que a omissão da verdade pode interferir significativamente no resultado tributário. A importância das declarações entregues ao Fisco fundase nas próprias bases do Direito Tributário. O Código Tributário Nacional estabelece a primazia e importância das informações prestadas tanto pelos contribuintes como por terceiros, elementos estes decisivos no lançamento do crédito tributário. Lembro que a apresentação de declarações, sendo uma obrigação acessória, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.” (CTN, art. 113, § 2º). O Código Tributário Nacional estabelece que o ‘lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação’ (art. 147 CTN). Aliomar Baleeiro observa que ‘até prova em contrário (e também são provas os indícios e as presunções veementes), o Fisco aceita a palavra do sujeito passivo, em sua declaração, ressalvado o controle posterior, inclusive nos casos do art. 149 do CTN. E prossegue, ‘mas, em relação ao valor ou preço dos bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, o sujeito passivo pode ser omisso, reticente ou mendaz. Do mesmo modo, ao prestar informações, o terceiro, por displicência, comodismo ou conluio, desejo de não desgostar o contribuinte etc., às vezes deserta da verdade e da exatidão ... Daí que, ao produzir uma declaração falsa destinada ao Fisco, sendo ela capaz de reduzir ou suprimir tributo, configurase o delito, que é consumado com a entrega da declaração. Pelo exposto, com a supressão ou redução de tributo obtida através da falsidade ou omissão de prestação de informações na declaração de rendimentos e/ou bens e, concomitantemente, identificada a vontade do agente em fraudar o fisco, por afastada a possibilidade do cometimento de erro natural, independentemente de haver um outro documento falso, configurase o dolo, a fraude, o crime contra a ordem tributária, o que dá ensejo ao lançamento de ofício com a aplicação da penalidade qualificada. Não resta dúvida de que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal também está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10820.002364/200466 Acórdão n.º 9101001.813 CSRFT1 Fl. 9 8 (positiva ou omissiva) exsurgem de atos que tenham por finalidade impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Neste caso concreto, a autoridade lançadora apontou fatos, sem que haja qualquer prova em contrário, que afastam a possibilidade de simples erro e levam à qualificação da penalidade em virtude da prática dolosa. Ora, as omissões chegam a 100% ao longo de 2 (dois) anos consecutivos. Diante de tais circunstâncias, não se concebe que outra tenha sido a intenção do sujeito passivo que não a de ocultar do fisco a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária principal, de modo a evitar seu pagamento, o que evidencia o intuito de fraude e obriga à qualificação da penalidade. Nesse sentido já se manifestou Egrégio Conselho de Contribuintes: “MULTA DE OFÍCIO MAJORAÇÃO DO PERCENTUAL SITUAÇÃO QUALIFICATIVA FRAUDE O sujeito passivo, ao declarar e recolher valores menores que aqueles devidos, agiu de modo a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal do fato gerador da obrigação tributária principal, restando configurado que a autuada incorreu na conduta descrita como sonegação fiscal, cuja definição decorre do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. A omissão de expressiva e vultosa quantia de rendimentos não oferecidos à tributação demonstra a manifesta intenção dolosa do agente, tipificando a infração tributária como sonegação fiscal. E, em havendo infração, cabível a imposição de caráter punitivo, pelo que pertinente a infligência da penalidade inscrita no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96. Recurso ao qual se nega provimento.” (Ac. 203 09129, sessão de 13/08/2003. No mesmo sentido: Ac. 202 14693, Ac. 20214692 etc). “REDUÇÕES SISTEMÁTICA E REITERADA DOS MONTANTES TRIBUTÁVEIS USO DE REDUTOR NO ENTE ACESSÓRIO EXIGÊNCIA PERTINENTE Restando provada a manifesta intenção de se ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos com o objetivo de se obter vantagens indevidas em matéria tributária, mormente quando se mantém dualidade de informações de forma sistemática e reiterada , ao longo de vários períodos ao sabor da clandestinidade, impõese a multa majorada consentânea com a tipicidade que se apresenta viciada. Recurso negado.” (Ac. 10706937 de 28/01/2003. Publicado no DOU em: 24.04.2003). “MULTA QUALIFICADA – CONDUTA CONTINUADA – A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada”. ACÓRDÃO CSRF/0105.810 em 14 de abril de 2008). Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10820.002364/200466 Acórdão n.º 9101001.813 CSRFT1 Fl. 10 9 O correto registro das receitas nos livros fiscais denota ainda mais a intenção de sonegar praticada pela contribuinte. Isso porque a escrituração da fiscalizada comprova o dolo e a fraude cometidos quando do autolançamento dos tributos. A contribuinte tendo o dever legal de prestar informações acerca dos fatos geradores ocorridos e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, omitiu fatos e sonegou imposto e contribuições, reitereada, relativos a receitas escrituradas, por pelo menos 24 meses consecutivos. Ora, A contribuinte poderia até o início da ação fiscal retificar suas declarações e pagar os tributos devidos, entretanto, assim não procedeu. Houvesse a administração tributária confiado passivamente nas informações prestadas pela contribuinte à época da ocorrência dos fatos geradores, indiscutivelmente tal inércia resultaria em perda irremediável do crédito tributário exsurgido em decorrência do procedimento de ofício. A título de ilustração, cito manifestação do TRF da 4ª Região consentânea com o entendimento ora exposto: ‘PENAL. ART. 1º, I, DA LEI Nº 8.137/90. PRESTAÇÃO DE DECLARAÇÕES FALSAS DE IMPOSTO DE RENDA. SUPRESSÃO DE TRIBUTOS. MATERIALIDADE E AUTORIA. DOLO. ... 3. O dolo é genérico e inerente ao tipo penal do art. 1º, inciso I da Lei 8.137/90, que não prevê a modalidade culposa. 4. "A consumação do crime tipificado no art. 1º, caput, ocorre com a realização do resultado, consistente na redução ou supressão do tributo ou da contribuição social (evasão proporcionada pela prática da conduta fraudulenta anterior). (Andreas Eisele, em "Crimes Contra a Ordem Tributária", 2ª edição, editora Dialética, fl. 146). 5. Apelação improvida.’ (Apelação Criminal nº 2001.71.08.005548−2/RS, DJU de 29/10/2003) Do voto condutor do referido acórdão extraio o seguinte fragmento, por esclarecedor: ‘Sustentam os apelantes, no entanto, que não houve a intenção de sonegar porque reconheceram a existência de faturamento nos dois primeiros trimestres, que se deu através do pagamento dos respectivos tributos perante o fisco municipal. Tal conduta é irrelevante para a apuração do dolo no caso concreto, pois como já se disse anteriormente o dolo é genérico, tendo o crime se consumado no momento da entrega da declaração "zerada", sabidamente falsa, cujo propósito era a supressão dos tributos federais devidos. Sobre o momento da consumação do crime, mais uma vez os esclarecedores ensinamentos da doutrina de Andreas Eisele, na obra já citada, à fl. 146: Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10820.002364/200466 Acórdão n.º 9101001.813 CSRFT1 Fl. 11 10 "A consumação do crime tipificado no art. 1º, caput, ocorre com a realização do resultado, consistente na redução ou supressão do tributo ou da contribuição social (evasão proporcionada pela prática da conduta fraudulenta anterior). Portanto, o crime é classificado na modalidade material (apenas se consumando com a ocorrência do resultado danoso consistente na evasão tributária), e o momento consumativo não é o da realização da conduta antecedente e preparatória (descrita nos incisos do caput), mas o da expiração do prazo para o recolhimento do tributo, ou o de seu pagamento parcial, caso ocorra antes desse momento. Destarte, à luz dos fartos elementos probatórios constantes dos autos, concluise que restou comprovada a conduta dolosa da contribuinte suficiente para ensejar a aplicação da multa de ofício no percentual de 150%. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial de interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência da multa de oficio qualificada de 150%, bem como afastar a decadência quanto a esses fatos geradores. (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 11060.000822/2007-87
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO INTEGRAL. JUROS DE MORA.
Não se aplica a denúncia espontânea quando o pagamento efetivado antes do inicio da ação fiscal, feito sem a inclusão dos juros de mora. A incidência do art. 138 do CTN somente se dá com o pagamento integral do débito.
Recurso Especial do Contribuinte com provimento negado.
Numero da decisão: 9101-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator.
EDITADO EM: 23/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator. EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez.
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PAGAMENTO INTEGRAL. JUROS DE MORA. Não se aplica a denúncia espontânea quando o pagamento efetivado antes do inicio da ação fiscal, feito sem a inclusão dos juros de mora. A incidência do art. 138 do CTN somente se dá com o pagamento integral do débito. Recurso Especial do Contribuinte com provimento negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator. EDITADO EM: 23/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 08 22 /2 00 7- 87Fl. 330DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 2 de Lima Júnior, Plínio Rodrigues Lima, Marcos Vinicius Barros Ottoni e Paulo Roberto Cortez. Relatório Tratase de recurso especial do contribuinte contra o Acórdão nº 1802 00.257, que manteve o lançamento de ofício constitutivo de crédito tributário decorrente da falta de pagamento de multa moratória quando da quitação de parcelas do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) pagas em atraso de forma espontânea. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2002 a 30/09/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA MULTA DE MORA. A obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo. Nesse caso, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN. Não serve a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, pois sua configuração jurídica é definitiva, uma vez que decorre diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso.Inconformada a recorrente, às fls. 115/138, apresenta Recurso Especial por divergência pedindo a exclusão da exigência da cobrança de multa moratória firmandose na aplicação do instituto da denúncia espontânea. Inconformada a recorrente, às fls. 119/145, apresenta Recurso Especial por divergência pedindo a exclusão da exigência da cobrança de multa moratória invocando a aplicação do instituto da denúncia espontânea. O recurso foi admitido pelo presidente da 2ª Câmara da 1ª SEJUL (fls. 215). Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 220/233) ao recurso. É o relatório. Voto Fl. 331DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 11060.000822/200787 Acórdão n.º 9101001.889 CSRFT1 Fl. 3 3 Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, Relator Entendo que a divergência restou comprovada e por isto conheço do especial. Os fatos que originam a discordância objeto do recurso especial são a aplicação ou não de multa moratória em recolhimento a destempo, seguido da apresentação da retificação da DCTF correspondente. No caso em questão o contribuinte apresentou a DCTF, que foi declarada e paga a menor, posteriormente, reconheceu e pagou a diferença (em 30/01/2003 e 17/10/20064, referente a tributos vencidos em 2002)), sem os juros e a multa de mora (sendo que é objeto conhecido do recurso a multa de mora) e em seguida retificou as DCTFs correspondentes (17/10/2006, cf. fls. 53), antes do início do procedimento fiscal (A.I. de 05/03/2007). Consta do A.I., de fls. 53, os lançamentos dos seguintes créditos tributários: 4.2 Falta ou Insuficiência de Acréscimos Legais ( Multa de Mora e/ou Juros de Mora parcial ou total ) (ANEXO IV DEMONSTRATIVO DE MULTAS E/OU JUROS A PAGAR NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR) 4.2.1 Multa paga a menor – 6378 14.124,92 4.2.2 Juros pagos a menor ou não pagos 6570 706,24 TOTAL 14.831,16 Analisadas as razões alegadas pelo contribuinte que consubstanciam jurisprudência anterior do CARF, que não era assentada, e que a meu ver também não se aplica ao caso, conforme se verá adiante. Nas contrarrazões a Procuradoria aduz o argumento de que não se trata multa punitiva, com base também em jurisprudência administrativa. Ocorre que para prevalecer a denúncia espontânea, deve ser feito o pagamento integral a teor do art. 138 do CTN que diz: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (Negritouse). No caso em debate não houve o pagamento do juros de mora, assim não se aplica in casu a decisão do STJ contida ao REsp nº. 1.149.022 (decisão de 09/06/2010, publicada em 24/06/2010), de relatoria do Ministro Luiz Fux, nos termos do art. 543C do CPC (sistemática dos recursos repetitivos), que se aplica em casos semelhantes quando somente a multa de mora não é devida. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES 4 Isto posto nego provimento ao recurso especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 333DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 13656.001073/2004-98
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
IMUNIDADE
É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais: (i) Não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva); (ii) Não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência).
Numero da decisão: 9101-001.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, acolher os embargos em parte para rerratificar o acórdão embargado. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Plínio Rodrigues Lima.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente-Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado) Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 IMUNIDADE É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais: (i) Não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva); (ii) Não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, acolher os embargos em parte para rerratificar o acórdão embargado. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Plínio Rodrigues Lima. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 10 73 /2 00 4- 98 Fl. 3373DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 7 2 Menezes, Karem Jureidini Dias, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente Convocado), Plínio Rodrigues Lima (Suplente Convocado) Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do acórdão de n° 910100.985, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de 24 de maio de 2011. Por bem esclarecer a questão, utilizome de parte do relatório do acórdão ora embargado. “Tratase de Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte, em face do Acórdão nº 10708.768, da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ (janeiro de 1999 a agosto de 2004), CSLL (janeiro de 1999 a setembro de 2004), COFINS (janeiro de 1999 a setembro de 2004) e PIS (janeiro de 1999 a setembro de 2004). Conforme relatado pela fiscalização, a empresa deixou de cumprir suas obrigações relativas a tais tributos, por entender que é autarquia municipal e, portanto, imune nos termos do artigo 150, VI, “a” e § 2º da Constituição Federal. Houve aplicação de multa de ofício de 75% e a ciência do Auto de Infração se deu em 15/12/2004 (fls. 2.697, conforme citado pela DRJ). Impugnado o lançamento, sobreveio o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que julgou o lançamento procedente em parte, tendo sido deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores apurados à título de PIS e COFINS. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o acórdão da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, o qual acolheu a preliminar de decadência em relação ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 1999 para o IRPJ, e até 15 de dezembro para o PIS, e, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para excluir o valor de PASEP recolhido do valor exigido a título de PIS/PASEP no lançamento. Foi rejeitada, por voto de qualidade, a preliminar de decadência em relação a COFINS e a CSLL, bem como foram rejeitados, por unanimidade, o pedido de diligência e as nulidades suscitadas. No mérito, foi negado provimento ao Recurso Voluntário. Ainda, por unanimidade de votos, negouse provimento ao Recurso de Ofício. A decisão restou assim ementada: Fl. 3374DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 8 3 PERÍCIA/DILIGÊNCIA – PRESCINDIBILIDADE A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. (Acórdão nº 10705.820 no Recurso nº 111.354) IRPJ/CSLL/PIS E COFINS – PESSOA JURÍDICA CRIADA COMO AUTARQUIA MUNICIPAL PARA EXECUTAR, POR CONCESSÃO, SERVIÇO PÚBLICO DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO – NATUREZA JURÍDICA DE FATO – SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA – O exercício pelo município, mediante concessão, de serviço público de competência da União, com cobrança de tarifas e nas mesmas condições aplicáveis a empreendimentos privados não está abrigado pela imunidade constitucional. A Fazenda Nacional não apresentou Recurso Especial. O Contribuinte apresentou Recurso Especial, no qual alega que: (i) quanto à decadência da COFINS e da CSLL, deve ser aplicado o prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (foi dado seguimento nesta parte ao Recurso Especial de Divergência); (ii) não deve incidir a CSLL, uma vez que a empresa não aufere saldo tributável (nesta parte negado seguimento ao Recurso Especial de Divergência); (iii) por ser entidade de natureza autárquica e, portanto, imune, não está sujeita à incidência de IRPJ, COFINS e CSLL (nesta parte foi dado seguimento ao Recurso Especial de Divergência); e (iv) as autarquias não são contribuintes do PIS, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, mas apenas após a entrada em vigor da Lei nº 9.715/98, devem contribuir nos termos do inciso III, e não do inciso II, do artigo 2º da referida Lei (item não tratado no Despacho de Admissibilidade Recursal). Quanto à matéria não conhecida, o contribuinte interpôs agravo, o qual foi rejeitado.” Sobreveio o acórdão de n° 910100.985, da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, por unanimidade de votos, afastou a preliminar de decadência e, quanto ao mérito, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. A decisão restou assim ementada: REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ – ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ E OUTROS – DECADÊNCIA – O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, Fl. 3375DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 9 4 deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. O Superior Tribunal de Justiça assevera que o dies a quo, neste caso, é o primeiro dia do exercício à ocorrência do fato imponível. IRPJ — AUTARQUIA MUNICIPAL — CONCESSÃO FEDERAL — DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA — IMUNIDADE — ART. 150, § 3º DA CF. – A exploração, por autarquia municipal, da atividade de distribuição de energia elétrica, realizada em face de concessão outorgada pela União Federal, embora possa se configurar como serviço público de caráter essencial vinculado a atividades próprias do Estado, deve ser qualificada como atividade econômica, mormente quando a prestadora aufere receitas não relacionadas à atividade principal ou participa do capital social de empreendimentos privados, inexistindo, por outro lado, previsão contratual específica e esperada nos contratos de concessão em que se verifica típica situação de desenvolvimento de atividade como “longa manus” do Estado. Conforme ementa colacionada, o deslinde da questão quanto à imunidade pleiteada pela recorrente se deu em razão da mesma auferir receitas na locação de sua infra estrutura de rede de distribuição, bem como em razão de ter participação em capital social de outros empreendimentos privados de geração de energia, situação que configuraria desenvolvimento de atividade de cunho econômico. Neste passo, concluiuse que a matéria fática dos presentes autos configurou hipótese de exceção da aplicação da imunidade tributária recíproca, tendo sido aplicável o artigo 150, §3° da Constituição Federal, consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal (Resp. 589507/MG). Às fls. 3.231/3.237, o contribuinte, com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, opôs os presentes Embargos de Declaração, alegando a ocorrência de omissão no acórdão recorrido. Aduz a embargante que o acórdão embargado foi omisso por tratar a questão apenas sob a ótica da imunidade recíproca, omitindose da análise do problema sob a ótica da impossibilidade de tributarse o que não pode ser considerado lucro. Sustenta que a diferença de natureza e de função que se reveste afeta diretamente a natureza e o tratamento dos resultados positivos obtidos no desempenho de suas atividades. Nas palavras da embargante: “Enquanto nas empresas comerciais o resultado positivo tem a natureza de lucro que pode ter a destinação que lhe é própria (inclusive e especialmente distribuição aos acionistas); no Embargante, autarquia municipal, o resultado positivo nunca é distribuído como tal. É fundamental ter bem presente o regime definido pelo artigo 4° da Lei n° 2.547 de 1977, que dispõe sobre o Embargante , o qual reza que o lucro líquido apurado na exploração do serviço de eletricidade será TOTALMENTE reinvestido nas obras ou serviço de eletricidade.” É o relatório. Fl. 3376DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 10 5 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Os embargos são tempestivos e de fato identifico, no mínimo, contradição entre a premissa e a conclusão adotada no acórdão recorrido, pelo que dos embargos tomo conhecimento. Conforme relatado, aduz a embargante a ocorrência de omissão no acórdão da 1ª Turma da CSRF, o qual cuidou da análise da questão sob a ótica da imunidade recíproca, como inclusive foi a matéria objeto de conhecimento daquele Recurso Especial. Quanto à inexistência de finalidade lucrativa e da não incidência do IRPJ e da CSLL, alega o embargante que, a despeito de tais pontos terem sido tratados não só em sede de Recurso Especial de Divergência (fls. 2.924/2.998), como também no acórdão paradigma acatado pelo Presidente da 7ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais limitouse a analisar o caso sob a ótica da imunidade tributária, aduzindo que parte da atividade desenvolvida pelo embargante poderia ser qualificada como atividade econômica, sem sequer adentrar, mesmo para efeito da imunidade, na impossibilidade de distribuição de lucros pela DME. Alega, ainda, que o deslinde da controvérsia envolve a análise conjunta dos pontos suscitados, sendo, portanto, necessário averiguar a questão da destinação dos resultados obtidos, se integralmente reinvestidos para prover melhorias nos serviços prestados aos cidadãos ou se distribuídos na forma de uma empresa comercial com finalidades lucrativas. A despeito de o acórdão embargado ter suscitado o fato da impossibilidade da distribuição de lucros, o fez tão somente para constatação sem atribuição de efeito. Isto porque, ao analisar a imunidade, o acórdão vinculou tal matéria à premissa de outra, esta sim constatada – não distribuição de lucros ou resultados direta ou indiretamente à particulares. Contudo, ignorou o efeito da própria premissa adotada no acórdão embargado e, neste ponto, tem razão a embargante. Distribuir lucros é premissa do desenvolvimento de atividade econômica em vantagem não extensível às empresas privadas. Se se trata de atividade econômica, então se tem disponibilidade dos rendimentos auferidos. A contradição resta expressa quando o voto condutor do acórdão recorrido reconhece que não constam nos autos indícios de que a embargante obtinha acréscimo patrimonial com a cobrança das tarifas, conforme transcrevo: “Pela análise dos autos, não vislumbro que a cobrança de tarifa visa propiciar o acréscimo patrimonial, mas faz parte da própria prestação do serviço de energia elétrica, assim como ocorre com o serviço de água e esgoto, analisado no julgado transcrito.” (sem grifos no original). De se reconhecer que, apesar da omissão ser identificada como decorrência do efeito da premissa adotada no acórdão embargado, fato é que tal acórdão acaba, no mínimo, por apresentar contradição entre a premissa e a conclusão, vez que foi reconhecido naquele acórdão que a autarquia, prestadora de serviço público na condição de longa manus do Estado, não obteve lucro, mas, por outro lado, não segregou esta daquela atividade econômica (que pode em tese ser existente) participar do capital social de outros empreendimentos privados Fl. 3377DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13656.001073/200498 Acórdão n.º 9101001.883 CSRF‐T1 Fl. 11 6 de geração de energia, incorrendo nesta última parte em vantagem não extensível às empresas privadas. Desta feita, necessário se faz a seguinte distinção: Quaisquer ingressos auferidos na condição de longa manus do Estado, que são totalmente reinvestidos nas obras ou serviços de eletricidade por força do artigo 4° da Lei n° 2.547/77 do Município de Poços de Caldas, são protegidos pela imunidade, além de não representarem qualquer acréscimo patrimonial. Significa dizer que tais recursos não são disponíveis à Embargante, não se caracterizando atividade econômica ou disponibilidade. Por outro lado, aos resultados positivos obtidos em outras atividades econômicas desenvolvidas pela embargante que podem ser a ela disponibilizados, porquanto se revestem em tese da mesma natureza e função que as receitas auferidas por uma empresa privada, é aplicável a regra do artigo 150, §3° da Constituição Federal. Ante o exposto, CONHEÇO dos embargos e doulhes PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a contradição e consequente omissão incorrida no acórdão embargado, ratificando e retificando o acórdão recorrido para votar no sentido de que os ingressos auferidos na condição de longa manus do Estado, por não serem disponíveis e não se tratar de atividade econômica, estão abrangidos pela imunidade tributária, devendo submeterse à tributação as receitas relacionadas às participações em outras empresas, auferidas pela embargante. Sala das sessões em, 19 de março de 2014 (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 3378DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 09/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10805.000415/2005-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. CONFIGURAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Confirmada a divergência jurisprudencial, cumpre apreciar o mérito do recurso.
SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA. A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. (Acórdão 9101-001.376)
Recurso Especial Provido.
Numero da decisão: 9101-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento ao Recurso Especial interposto pela PFN, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. CONFIGURAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Confirmada a divergência jurisprudencial, cumpre apreciar o mérito do recurso. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA. A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. (Acórdão 9101-001.376) Recurso Especial Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento ao Recurso Especial interposto pela PFN, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado B&A NATAÇÃO LTDA. ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. CONFIGURAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. Confirmada a divergência jurisprudencial, cumpre apreciar o mérito do recurso. SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA. A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. (Acórdão 9101001.376) Recurso Especial Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dado provimento ao Recurso Especial interposto pela PFN, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 04 15 /2 00 5- 94 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000415/200594 Acórdão n.º 9101001.534 CSRFT1 Fl. 3 2 (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plinio Rodrigues de Lima. Relatório A PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL cientificada do Acórdão 391000.52 (cópia à fl. 88/91), proferido na sessão de 21/10/2008 da Primeira Turma Especial do Terceiro Conselho de Contribuinte, apresentou RECURSO ESPECIAL À CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS CSRF, com fulcro no artigo 7o. do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, vigente à época da decisão. A recorrente contesta a decisão do colegiado quanto a matéria “Enquadramento no Simples – Atividade Econômica Vedada – Retroavidade da Lei Complementar 123/2006”. Mediante despacho 110000.0302010, de 18/02/2010 (fl.114/115), o recurso TEVE SEGUIMENTO nos seguintes termos: “(...) Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. 0 voto do relator do acórdão recorrido conclui pela aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006, entendendo que a restrição constante da lei vigente A época do fato julgado, a Lei n°9.317/196, autorizaria a incidência do art. 106, do CTN. Em sentido inverso é o entendimento do acórdão paradigma, qual seja, da impossibilidade de aplicação retroativa de alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos A opção pelo Simples. Destarte, em vista do exposto DOU SEGUIMENTO ao recurso especial impetrado pela Fazenda Nacional. Encaminhemse os autos à DRF de origem para cientificar a contribuinte do acórdão recorrido, notificando para apresentação de contrarrazões ao Recurso especial da PFN em 15 dias, se desejar. (...)” Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões em 31/10/2010, fls. 116 e seguintes, no qual alega em preliminar que o acórdão apontado como paradigma não se presta para configurar a divergência, e no mérito, propugna pela confirmação do acórdão recorrido. É o breve relatório. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000415/200594 Acórdão n.º 9101001.534 CSRFT1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva p Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional atende aos pressupostos Regimentais, logo deve ser admitido e apreciado. Inicialmente, registro que o Recurso Especial de Divergência tem por escopo uniformizar o entendimento da legislação tributária entre as Turmas Ordinárias e Especiais deste Conselho. Não se trata de uma terceira instância administrativa. Nesse sentido, dispõe o Regimento Interno do CARF em seu art. 67 (anexo II) que a divergência jurisprudencial ocorre quanto a “decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF”. No presente litígio, instaurado pela PFN questiona o entendimento do acórdão recorrido quanto a aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006, tendo cancelado o Ato Declaratório que excluiu a contribuinte do Simples a partir do ano de 2002. Aduz a recorrente que “(...) In casu, verificase que a Lei Complementar n° 123/2006, no capitulo referente és disposições finais e transitórias, não dispõe expressamente sobre a possibilidade de retroatividade da lei. Ao contrário, os arts. 88 e 89 são claros em afirmar que o regime de tributação instituído pela Lei do Super Simples somente entrará vigor a partir de 01 de julho de 2007, momento em que ficará revogada a Lei n° 9.317/1996. ... A retroação prevista no CTN, devese analisar seu art. 106 que excepciona a regra da irretroatividade. 0 referido dispositivo legal permite a lei voltarse ao passado, dispensando se, pois, disposição expressa de lei, nas hipóteses de lei interpretativa e de "lei mitior" quanto a infrações ou penalidades... A LC 123/06 jamais poderia estar "deixando de definir uma infração", pois infrações não havia. Em verdade, estamos diante de dois sistemas (com relevantes diferenças) de pagamento unificado de tributos Lei n° 9.317/96 e LC 123/06 que se sucederam no tempo ambos atendendo a razões de política tributáriofinanceira reinantes em suas respectivas épocas. Não podemos confundir os regimes e objetivar aplicálos fora do período de vigência estabelecido.... Ademais, a análise da opção da empresa ao Simples é feita com base em critérios objetivos, ou seja, pela análise do objeto social. Assim entendendo essa Turma, aduzse em inovação da legislação, o que seria proibido a esse órgão administrativo. .... Portanto, os preceptivos apontados não deixam dúvida de que a atividade exercida pela recorrida é assemelhada á de professores especializados ou fisicultores, e, por isso, temse que agiu com acerto a DRJ ao manter o Ato Declaratório de exclusão do Simples.” Por sua vez, a contribuinte apresentou contrarrazões aduzindo em preliminar que não restou configurada a divergência e que no mérito cabe aplicar retroativamente a LC 123/2006. Rejeito de plano a preliminar, haja vista que, embora não tenha tratado especificamente sobre o enquadramento retroativo no Simples em razão da atividade, e sim em face do limite da receita bruta, o Acórdão 30335.326, apontado como paradigma pela PFN (cópia às fl. 103111), enfrentou a matéria de fundo objeto do presente litígio, qual seja: a Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000415/200594 Acórdão n.º 9101001.534 CSRFT1 Fl. 5 4 aplicação retroativa da LC 123/2006. Isso está patente no voto condutor e também na ementa, que foi aprovada por aquele colegiado, nos seguintes termos: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 Legislação Superveniente. Inclusão Retroativa. Impossibilidade, A alteração da legislação disciplinadora do regime de impedimentos à opção pelo Simples não autoriza a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do Código Tributário Nacional, para efeito de reincluir contribuinte regularmente excluído com base na legislação vigente à época do ato. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.” No mérito, a questão é conhecida deste Colegiado que firmou entendimento que a Lei Complementar 123/2006 também não se aplica retroativamente para permitir a permanência no Simples de empresas que se dediquem a atividades anteriormente vedadas. Nesse sentido citese o acórdão 9101001.376, de 4/06/20012, cuja decisão unânime é sintetizada pela seguinte ementa: ‘SIMPLES ATIVIDADE VEDADA À OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL E ADMITIDA PELA LEI DO SIMPLES NACIONAL IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI NOVA A Lei Complementar 123/2006 entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007. A alínea a do inciso II do art. 106 do CTN não autoriza a aplicação retroativa de seu art. 17, que não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação.” fundamentos do voto condutor do aludido Acórdão destacamse os seguintes excertos: “(...) Quanto à divergência apontada, qual seja, retroatividade da Lei Complementar nº 123/2006, entendo assistir razão à Fazenda Nacional, sendo equivocada a interpretação adotada pela Câmara recorrida. O regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte de que trata a Lei Complementar 123/2006, entrou em vigor a partir de 1º de julho de 2007, conforme dispôs seu art. 88, data em que ficou revogada a Lei nº 9.317/96, conforme art. 89. O inciso II do art. 106 do CTN trata da retroatividade benigna de disposição legal em matéria de infrações, e o dispositivo legal cuja aplicação a decisão fez retroagir não trata de infração, mas de condições de opção por regime especial de tributação. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO Processo nº 10805.000415/200594 Acórdão n.º 9101001.534 CSRFT1 Fl. 6 5 Uma vez que a norma do art. 17 da Lei Complementar 123/2006 não se enquadra em qualquer das hipóteses previstas no art. 106 do CTN, não se presta, ela, para permitir a manutenção da interessada no SIMPLES antes de 1º de julho de 2007. Sobre o tema (retroatividade de dispositivo mais benéfico) vale transcrever o voto do relator, Ministro Castro Meira, no RESP 722.307, Segunda Turma, trazido a lume pela ilustre representante da Fazenda Nacional: (...) Da leitura de seus incisos, não verifico a possibilidade de retroação da lei pela mera existência de regra mais benéfica ao contribuinte. O primeiro inciso restringese à lei expressamente interpretativa, o que não é o caso. Já o segundo inciso subdividido em alíneas, estabelece quando a lei pode retrooperar para atingir atos não definitivamente julgados. A hipótese dos autos não se enquadra em qualquer das alíneas desse último inciso. (...)” (Grifei) Pois bem, no presente caso é incontroverso que a contribuinte exercia atividade vedada pela Lei 9.317/1996, vigente no ano de 2002, qual seja: Academia de Ginástica. Isso porque, as atividades descritas no contrato social do contribuinte são impeditivas â opção pela sistemática, por demandarem professores especializados ou fisicultores, que possibilitam um acompanhamento continuo aos clientes. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de inadmissibilidade do recurso e, no mérito , dar provimento ao Recurso Especial interposto pela PFN e restabelecer os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/SAE 473.822, de 07 de agosto de 2008, que excluiu a contribuinte do Simples (fl. 23). (Assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/ 04/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por OTACILIO DANTAS CAR TAXO
score : 1.0
Numero do processo: 14120.720002/2011-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Ementa:
PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. RECEBIMENTO DE VALOR SUPERIOR AO ENTREGUE. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL TRIBUTÁVEL. CABIMENTO.
Na hipótese de permuta de participações societárias, entre pessoas jurídicas, em que ocorre recebimento de valor superior ao entregue, é cabível a apuração de ganho de capital tributável, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. Precedente Acórdão nº 9101-002.172.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007.
Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente,
cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela
MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
Numero da decisão: 9101-002.445
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer
parcialmente o Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que não o conheceu e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento,
vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio
Neto.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Ementa: PERMUTA DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. RECEBIMENTO DE VALOR SUPERIOR AO ENTREGUE. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL TRIBUTÁVEL. CABIMENTO. Na hipótese de permuta de participações societárias, entre pessoas jurídicas, em que ocorre recebimento de valor superior ao entregue, é cabível a apuração de ganho de capital tributável, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. Precedente Acórdão nº 9101-002.172. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que não o conheceu e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
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RECEBIMENTO DE VALOR SUPERIOR AO ENTREGUE. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL TRIBUTÁVEL. CABIMENTO. Na hipótese de permuta de participações societárias, entre pessoas jurídicas, em que ocorre recebimento de valor superior ao entregue, é cabível a apuração de ganho de capital tributável, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. Precedente Acórdão nº 9101-002.172. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa-se ao final do ano-calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplica-se aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o Recurso Especial do Contribuinte, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.030 2 Araújo, que não o conheceu e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal De Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu), Luis Flavio Neto e Cristiane Silva Costa. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela COMPANHIA COLORADO DE AGRONEGÓCIOS (e-fls. 754 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1302- 001.080 (e-fls. 723 e segs), pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 07/05/2013, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo Processual A autuação fiscal, relativa ao ano-calendário de 2008, trata de permuta realizada pela Contribuinte, que transferiu participação societária que detinha na Usina Eldorado, em troca de participação de capital da Nova Mucuri Participações S.A., empresa do grupo econômico (ETH). Entendeu a autoridade autuante pela ocorrência de ganho de capital na operação, vez que o valor contábil do investimento (Usina Eldorado), avaliado pelo Método Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.031 3 de Equivalência Patrimonial, era de R$73.397.010,23, enquanto que o investimento na Nova Mucuri Participações S.A. foi escriturado tomando-se como base o valor de R$232.540.000,00. Por conta da nova apuração realizada pela Fiscalização, apurou-se insuficiência no recolhimento de estimativas mensais, razão pela qual foi lançada a multa isolada. A Contribuinte apresentou impugnação que foi julgada improcedente pela primeira instância (DRJ). Irresignada, a Contribuinte interpôs recurso voluntário, que foi negado pela segunda instância (Turma Ordinária do CARF). Foi interposto pela Contribuinte recurso especial e a PGFN apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido parcialmente por despacho de exame de admissibilidade, para dar seguimento às divergências: (1) tributação de ganho de capital na permuta sem torna entre participações societárias e aplicação subsidiária da legislação que trata de permuta de unidades imobiliárias (IN 107/88) à permuta de ações e (2) inaplicabilidade da multa isolada concomitante com a multa de ofício. A seguir, maiores detalhes sobre a autuação fiscal. Da Autuação Fiscal Transcrevo o relato apresentado do Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 08/13), preciso e objetivo. A auditoria fiscal se instaurou com o objetivo principal de verificar o tratamento tributário dado a operação societária realizada em março de 2008, da qual resultou venda/alienação da participação societária na controlada Usina Eldorado S.A., CNPJ 05.620.523/0001-54, pelo valor total de R$ 232.540.000,00 (duzentos e trinta e dois milhões, quinhentos e quarenta mil reais), cujo valor contábil do investimento com base na equivalência patrimonial era de R$ 73.397.010,23 (setenta e três milhões, trezentos e noventa e sete mil, dez reais e vinte e três centavos). A mencionada participação societária está registrada na conta Investimentos - 1.03.01.01.04 - Usina Eldorado S/A, conforme indica a referida conta no Livro Razão nr. 30 página 2 de março de 2008 e, representa o valor contábil avaliado pelo valor de patrimônio líquido nos termos do art. 384 do RIR/1999, (doc. anexo). Intimada através do "Termo de Início de Fiscalização", lavrado no dia 03/08/2011, a esclarecer e apresentar documentos relativos a referida operação, a fiscalizada apresentou cópia do "Contrato de Permuta e Outras Avenças" celebrado, em 18/03/2008, por de um lado, a fiscalizada, então denominada de Companhia Eldorado de Agronegócios, e seus então controladores, a família Coutinho, e de outro lado, Nova Boipeba Participações S.A. e ETH Participações S.A., e como intervenientes anuentes, ETH Bioenergia S.A., Nova Mucuri Participações S.A. e Usina Eldorado S.A., cujo objeto é a transferência do controle acionário da última da fiscalizada para o grupo econômico ETH, controlado pela Odebrecht S.A. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.032 4 A Usina Eldorado S.A., é uma sociedade que atua no setor sucro- alcooleiro, mais especificamente no plantio, cultivo, aquisição e processamento de cana de açúcar e na produção, através de sua unidade produtiva localizada no Município de Rio Brilhante, Estado de Mato Grosso do Sul, de açúcar, álcool e derivados. Para melhor visualização do negócio, apresentamos em anexo, uma demonstração gráfica da estrutura societária da contribuinte e do grupo ETH, tanto antes e depois da referida operação de "permuta de ações". Para as partes envolvidas levarem adiante o seu intento, o de concretizar a operação de compra e venda das ações da Usina Eldorado S/A, reduzem a termo em meticuloso documento denominado pelas partes "contrato de permuta e outras avenças" as condições necessárias para a sua realização, (doc. anexo) Na página 4 (quatro) do contrato de permuta itens 5 e 6 (cinco e seis) se lê: (5) "as Partes acordam, com base em suas avaliações de tais sociedades, que o valor econômico da Eldorado é equivalente ao valor econômico da Mucuri;" (6) "sujeito aos termos e de acordo com as condições ora estipuladas, as Partes desejam permutar as Ações Eldorado pelas Ações Mucuri;" Não se questiona aqui, o título atribuído ao documento pelas partes para designar a operação de compra e venda, o documento, instrumento da celebração do negócio, pode ser intitulado pelo nome que melhor aprouver às partes, questiona-se os efeitos tributários. Em 17/10/2011, através do "Termo de Intimação nr. 001" lavrado em 13/10/2011 foi intimada a esclarecer e fundamentar as razões da não apuração do ganho de capital, transcrevemos: (doc. anexo) "4.1. Tendo em vista a alienação realizada 18/03/2008, da participação societária na empresa Usina Eldorado S.A., pelo valor de R$ 232.540.000,00 (duzentos e trinta e dois milhões, quinhentos e quarenta mil reais) através do "Contrato de Permuta e Outras Avenças" celebrado com o grupo econômico ETH Bioenergia S.A., em que a contribuinte adquire o controle societário da Nova Mucuri Participações S.A, esclarecer e fundamentar as razões da não apuração do ganho de capital obtido na operação, uma vez que o valor contábil do investimento na primeira era de R$73.397.010,23 (setenta e três milhões, trezentos e noventa e sete mil, dez reais e vinte e três centavos)" Protocolizou correspondência em 27/10/2011 informando que: (doc. anexo) Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.033 5 "A permuta efetuada em 13/03/2008 foi realizada de acordo com o "Contrato de permuta e outras avenças", e nos termos da lei vigente, não havendo, portanto, ganho de capital a tributar." Na escrituração contábil da contribuinte, o registro do fato contábil - operação de venda das participações societárias - foi escriturado conforme abaixo transcrito, os dados foram extraídos do Livro Razão nr. 30, página 2, de março de 2008, da seguinte maneira: (doc. anexo) Data: 18/03/2008 D - Conta Investimento 1.03.01.01.08 - Nova Mucuri Participações S/A a C - Conta Investimento 1.03.01.01.04 - Usina Eldorado Ltda Histórico do lançamento: VLR REF. PERMUTA DE AÇÕES Valor do lançamento: R$ 73.397.010,23 Ou seja, o investimento na Usina Eldorado S/A foi baixado pelo seu valor contábil (R$ 73.397.010,23) e, em seu lugar, criou-se a conta 1.03.01.01.08 - Nova Mucuri Participações S/A, representando um fato contábil permutativo, pois não há qualquer registro de baixa do investimento para apuração do seu resultado tributável. No balanço patrimonial encerrado em 31/12/2008, a conta investimento em nome da Nova Mucuri Participações S/A, tem o seu valor aumentado para R$ 231.547.817,32. A contribuinte reajusta o valor do investimento contabilizando equivalência patrimonial conforme indicado no Livro Razão nr. 56, página 2, de dezembro de 2008, da seguinte maneira: (doc. anexo) Data: 31/12/2008 D - 1.03.01.01.04 - Conta Investimento - Nova Mucuri Participações S/A a C - 3.02 10.01.05 - Resultado Positivo de Equivalência Patrimonial Histórico do lançamento: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL NOVA MUCURI PARTICIPAÇÕES S/A Valor do lançamento: R$ 159.142.986,77 e, Data: 31/12/2008 D - 3.02.10.02.05 - Resultado Negativo de Equivalência Patrimonial a C - 1.03.01.01.04 - Conta Investimento - Nova Mucuri Participações S/A Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.034 6 Histórico do lançamento: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL NOVA MUCURI PARTICIPAÇÕES S/A Valor do lançamento: R$ 992.179,68 Assim, o saldo da conta investimento, agora em nome da Nova Mucuri Participações S/A é de R$ 231.547.817,32, ajustado pela contribuinte a título de equivalência patrimonial. O acréscimo sofrido na conta foi excluído no Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, não havendo qualquer efeito tributário, (doC anexo) Na verdade a contribuinte deveria ter baixado o investimento na Usina Eldorado S/A por R$ 73.397.010,23, lançado o novo investimento por R$ 232.540.000,00, como uma típica operação de compra e venda. A diferença verificada entre os investimentos - R$ 159.142.989,77 (Cento e cinquenta e nove milhões, cento e quarenta e dois mil, novecentos e oitenta e nove reais e setenta e sete centavos) representa resultado não operacional positivo, sujeitando-se à tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no mês de março de 2008, ora objeto deste auto de infração. A contribuinte equivocadamente entendeu que a alienação das ações estaria fora do campo de incidência tributário por se tratar de operação de permuta em razão do intitulado "contrato de permuta e outras avenças", entretanto, embora intimado, não mencionou qualquer dispositivo legal que desse sustentação a tal procedimento. Fundamental neste contexto é ter a compreensão de que as ações que a contribuinte possuía, representando o investimento na Usina Eldorado, estavam contabilizadas com o valor de custo de R$ 73.397.010,23 - conta investimento 1.03.01.01.04, portanto, não poderiam ser negociadas por um outro bem no montante de R$ 232.540.000,00, sem a apuração do respectivo ganho de capital. As ações recebidas da Nova Mucuri Participações S/A, avaliadas por R$232.540.000,00, conforme atesta o seu livro de Registro de Ações Nominativas, nada mais representam do que os próprios R$ 232.539.000,00 transferidos pelo grupo ETH, através da Nova Boipeba Participações S/A, para pagamento da aquisição da Usina Eldorado, posto que conforme está consignado no balanço patrimonial da Nova Mucuri, levantado em 13/08/2008, consta como seu único bem patrimonial o valor da referida transferência, (docs. anexos) Em contra-partida a Usina Eldorado S/A, no que pese fora negociada por R$ 232.540.000,00, tem seu valor econômico avaliado em R$ 377.473.000,00, conforme "Laudo de Avaliação Econômico-Financeira Projeto Eldorado", (doc. anexo) Já, a Nova Mucuri possuía em 13/03/2008 R$ 232.540.000,00 depositados no Banco Real e nada mais ! A contribuinte então, vende as ações da Usina Eldorado e adquire as ações da Nova Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.035 7 Mucuri, ou melhor, simplesmente se apropria do depósito bancário e entrega a Usina Eldorado S/A. Na contabilidade da Nova Boipeba Participações S/A, o lançamento contábil que representa a contabilização da transferência dos recursos, conforme consta do Livro Razão na conta 1.3.1.1.01.08 - Nova Mucuri Participações S.A. (1393), indica o seguinte histórico: (doc. anexo) "valor transferencia para Nova Mucuri (Aquisição Eldorado) Banco Real" -valor do lançamento R$ 232.539.000,00. Note a redação do histórico do lançamento "(Aquisição Eldorado)" Vale lembrar que ambas as empresas (Nova Boipeba e Nova Mucuri) foram criadas em 27/02/2008, com sede no mesmo endereço, em Assembléia Geral ocorridas com a diferença de minutos (às 11:00 h e 11:30 h), como mesmo valor de capital social e ações (R$ 1.000,00 e 1.000 ações), pelos mesmos acionistas, pelo grupo ETH para efetivar a operação, (doc. anexo) O artigo 418 do RIR/1999, insere perfeitamente a operação no campo de incidência tributária, sujeitando seu resultado, quer seja ele, positivo ou negativo, a compor o lucro real, transcrevemos o artigo: "Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente" A permuta é uma espécie do gênero alienação. Os efeitos tributários são tratados pela legislação fiscal como se alienação fossem. As duas únicas formas de permuta ressalvadas pela legislação fiscal, estão consignadas nos artigos 121, inciso II e 137 do RIR/1999, que versam respectivamente da permuta de unidades imobiliárias, sem o recebimento de torna e a entrega de títulos da dívida pública federal, para a aquisição de ações no âmbito do Programa Nacional de Desestatização, que efetivamente, não contemplam o caso em tela. Isto posto, considerando os fatos narrados procedemos a lavratura do respectivo auto de infração com o objetivo de tributar R$ 159.142.989,77 (cento e cinquenta e nove milhões, cento e quarenta e dois mil, novecentos e oitenta e nove reais e setenta e sete centavos) a título de resultado não operacional positivo (atualmente outras receitas), apurados em março de 2008, recompondo o valor do lucro real apurado pela contribuinte em 31/12/2008. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL, para o ano-calendário de 2008. Foi ainda lançada multa isolada por insuficiência no recolhimento de estimativas mensais. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.036 8 Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação (e-fls. 294 e segs), que foi julgada improcedente pela 2ª Turma da DRJ/Campo Grande, nos termos do Acórdão nº 04-27.818 (e- fls. 588 e segs.), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008 CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA. FASE DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE. O direito ao contraditório e à ampla defesa são garantidos ao contribuinte depois de formalizada a exigência fiscal, pois só a partir desse momento é que passa a existir formalmente a imputação ao contribuinte de responsabilidade pela prática de um fato considerado como infração. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS DO ATIVO. DENOMINAÇÃO DADA AO NEGÓCIO JURÍDICO. IRRELEVÂNCIA. O ganho de capital tributável se caracteriza quando o valor real de alienação é superior ao custo do bem alienado, sendo irrelevante a denominação dada pelas partes ao negócio jurídico de que decorreu a alienação. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2008 CONTRADITÓRIO E DIREITO DE DEFESA. FASE DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE. O direito ao contraditório e à ampla defesa são garantidos ao contribuinte depois de formalizada a exigência fiscal, pois só a partir desse momento é que passa a existir formalmente a imputação ao contribuinte de responsabilidade pela prática de um fato considerado como infração. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS OU DIREITOS DO ATIVO. DENOMINAÇÃO DADA AO NEGÓCIO JURÍDICO. IRRELEVÂNCIA. O ganho de capital tributável se caracteriza quando o valor real de alienação é superior ao custo do bem alienado, sendo Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.037 9 irrelevante a denominação dada pelas partes ao negócio jurídico de que decorreu a alienação. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. Foi interposto recurso voluntário (e-fls. 626 e segs) pela Contribuinte, apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 07/05/2013. Decidiu o Acórdão nº 1302-001.080 (e-fls. 723 e segs) negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PERMUTA DE AÇÕES. A IN SRF 107/88 só versa sobre permuta de unidades imobiliárias (casas, apartamentos, terrenos etc.), sendo totalmente descabida a sua aplicação ao caso de permuta de ações. Na permuta de ações, a diferença entre o valor contábil das ações recebidas e das ações transferidas constitui-se ganho tributável pelo IRPJ, por aplicação do disposto no art. 31 do Decreto-Lei nº 1.598/77. Não se pode conceber que uma empresa constituída unicamente por uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 seja alienada com deságio de R$ 159.142.989,77, ainda que houvesse laudo de avaliação nos autos. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano-calendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.038 10 Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (e-fls. 754 e segs.). Em relação à admissibilidade, protesta sobre ocorrência de cinco divergências: (1) alteração jurídica do lançamento realizada pela DRJ, em afronta ao art. 146 do CTN, ao entender pela ocorrência de simulação no negócio jurídico, que não foi aventado pela autoridade autuante; (2) tratamento tributário das permutas sem torna de participação societária com valores diferentes; (3) aplicação subsidiária para permutas de participação societária do regramento previsto para permuta de unidade imobiliária; (4) forma de tributação do deságio em investimento avaliado por outras razões econômicas e (5) possibilidade de concomitância da multa de ofício com a multa isolada. No mérito, discorre sobre cada uma das divergências. Na divergência 1, afirma que a alteração do critério jurídico efetuada pela decisão da DRJ é causa de nulidade, vez que criou nova motivação ao lançamento, de que teria ocorrido uma operação de compra e venda simulada, quando o auto de infração tipificou a infração como um ganho de capital oriundo de uma operação de permuta, razão pela qual deve-se aplicar entendimento do Recurso Especial Repetitivo nº 1.130.545/RJ e o art. 62-A do RICARF. Sobre a divergência 2, discorre que o contrato de permuta sem torna configura um mero ato permutativo do ativo, sem reflexos tributários imediatos, que só ocorrerão mediante alienação ou baixa do bem, vez que a aquisição da "renda" é apenas virtual, já o adquirente não possui disponibilidade econômica ou jurídica da mais valia do bem objeto da permuta. Trata-se de situação que não se amolda ao conceito de renda do CTN. Menciona que o art. 31 do Decreto nº1.598, de 1977 foi interpretado sistematicamente pelo Parecer nº 970 de 1991, da PGFN, e que tal interpretação foi incorporada pela legislação tributária com o art. 65 da Lei nº 8.383, de 1991. Em relação à divergência 3, cita os Pareceres nº 970, de 1991 e 454, de 1992, da PGFN, para ratificar entendimento de que não cabe imposto sobre permuta de bens não onerosa, e jurisprudência no aplicando a IN SRF nº 107, de 1988, que dispõe que permuta imobiliária sem torna não tem acréscimo patrimonial. Sobre a divergência 4, discorre que, conforme apurado pela auditoria, teria contabilizado incorretamente o investimento MUCURI, ou seja, deveria ter sido escriturado o deságio na aquisição do bem, que a base de cálculo da autuação deveria ter ocorrido sobre o valor do deságio, e não sobre o ganho de capital, que a tributação do deságio só acontece quando houver futura alienação do investimento e que não se pode gerar autuação sobre um registro incorreto de deságio. Ao final, sobre a divergência 5, protesta sobre a impossibilidade jurídica de cumulação de multa isolado e da multa de ofício, porque possuem a mesma materialidade, e se incorreria em duplicidade de sanção sobre a mesma base de cálculo. O Despacho de Exame de Admissibilidade de e-fls. 974/983, confirmado pelo Despacho de Reexame de e-fls. 984/985 deu seguimento parcial ao recurso, para as divergências (2) - tratamento tributário das permutas sem torna de participação societária com valores diferentes, (3) - aplicação subsidiária para permutas de participação societária do regramento previsto para permuta de unidade imobiliária e (5) - concomitância entre multa isolada e multa de ofício. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (e-fls. 987/1016), no qual entende que não restou caracterizada a divergência, vez que a empresa dada em permuta para a Contribuinte era uma sociedade veículo criada dezenove dias antes da formalização do negócio, tendo recebido um depósito em conta corrente, o único ativo da empresa, situação diversa dos acórdãos paradigmas, que não contemplaram a hipótese de permuta entre pessoas jurídicas de ações de emissão de outras pessoas jurídicas. Ou seja, não teria ocorrido permuta, e Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.039 11 sim um recebimento de pagamento em dinheiro, de maneira indireta, por uma participação societária. Por sua vez, ainda que se pudesse falar em permuta, não haveria que se falar em deságio na operação, e tampouco se poderia aplicar ao caso a normatização que trata de permuta entre unidades imobiliárias. Conclui para discorrer sobre a possibilidade de se aplicar a multa isolada sobre insuficiência de estimativas mensais concomitantemente com a multa de ofício, por serem penalidades com materialidades distintas. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura Trata-se de recurso especial interposto pela Contribuinte. O Despacho de Exame de Admissibilidade de e-fls. 974/983, confirmado pelo Despacho de Reexame de e-fls. 984/985, deu seguimento parcial ao recurso, em relação às seguintes divergências arguidas pela recorrente: (1) tratamento tributário das permutas sem torna de participação societária com valores diferentes, (2) aplicação subsidiária para permutas de participação societária do regramento previsto para permuta de unidade imobiliária e (3) concomitância entre multa isolada e multa de ofício. Na realidade, os itens (1) e (2) tratam da mesma matéria, relativa à operação de permuta entre participações societárias, no qual a Fiscalização entendeu pela ocorrência de ganho de capital (R$159.142.989,77), em razão da diferença entre o valor do investimento (Usina Eldorado) que foi entregue pela Contribuinte na permuta (R$73.397.010,23), e o investimento recebido (Nova Mucuri Participações S.A), de R$232.540.000,00. Em relação à admissibilidade, em contrarrazões a PGFN discorre que não teria restado a divergência em relação aos itens (1) e (2), vez que o caso concreto trata de situação no qual a Contribuinte, ainda que por via indireta, recebeu dinheiro ao entregar a participação societária que detinha na Usina Eldorado. Aduz que a empresa recebida em permuta (Nova Mucuri Participações S.A) seria uma sociedade veículo, criada dezenove dias antes da formalização da permuta, sem nenhuma estrutura empresarial, sem nenhum direito em seu ativo, exceto o depósito em conta corrente utilizado para a aquisição da Usina Eldorado. Por outro lado, o acórdão paradigma trataria de suporte fático diferente, no qual não ocorreu utilização de empresa veículo com capital inteiramente composto por dinheiro em espécie, e tampouco operação de permuta entre pessoas jurídicas de ações de emissão de outras pessoas jurídicas. Há, portanto, que se apreciar o acórdão paradigma apresentado para sustentar a divergência dos itens (1) e (2), de nº 2101-01.366, cuja ementa é transcrita a seguir. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA POR MEIO DE PERMUTA, SEM TORNA. APLICAÇÃO DO MESMO TRATAMENTO LEGAL DESTINADO À PERMUTA DE BENS IMÓVEIS. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.040 12 Deve-se aplicar à alienação de participação societária por meio de permuta, sem torna, o mesmo tratamento legal destinado à permuta de bens imóveis. Não tendo havido torna no presente caso, não há que se falar em tributação. Sendo assim, na futura alienação do bem, deverá ser considerado, para apuração do ganho de capital, o custo da aquisição originária do bem que fora objeto de permuta. Na decisão paradigma, a autuação trata de alienação de participação societária por meio de permuta. No caso, foi desconsiderada a correção monetária aplicada sobre o valor do investimento permutado após 01/01/1996, razão pela qual as ações receberam um valor menor do que aquele adotado pela empresa na operação de permuta, consumando-se uma transação entre participações societárias com valores diferentes, no qual teria a autuada auferido um ganho de capital. Contudo, apesar de o relator reconhecer a procedência da interpretação dada pela autoridade fiscal em relação à correção monetária, afastou o lançamento por entender que, por se tratar de permuta de ações, não haveria que se falar em ganho de capital. Valeu-se dos art. 128, § 4º e 121, do RIR/99, e da IN SRF nº 107, de 1988, para concluir que a permuta sem torna não seria operação apta à geração de acréscimo patrimonial. Menciona ainda os Pareceres da PGFN nº 970/91 (que entendeu que a entrega de títulos da dívida pública federal e outros créditos contra a União como contrapartida à aquisição de ações seria permuta no qual não se apura ganho de capital, devido apenas em posterior alienação das ações por valor superior ao custo de aquisição) e nº 452/92 (que considera a permuta sem torna em dinheiro uma operação fora do alcance do ganho de capital). Por sua vez, a decisão recorrida contesta diretamente fundamento levantado pela Contribuinte, de que o art. 121 do RIR/99 e a IN SRF nº 107, de 1988, autorizariam afastar a tributação do ganho de capital na permuta sem torna. A ementa é esclarecedora: GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PERMUTA DE AÇÕES. A IN SRF 107/88 só versa sobre permuta de unidades imobiliárias (casas, apartamentos, terrenos etc.), sendo totalmente descabida a sua aplicação ao caso de permuta de ações. Na permuta de ações, a diferença entre o valor contábil das ações recebidas e das ações transferidas constitui-se ganho tributável pelo IRPJ, por aplicação do disposto no art. 31 do Decreto-Lei nº 1.598/77. Não se pode conceber que uma empresa constituída unicamente por uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 seja alienada com deságio de R$ 159.142.989,77, ainda que houvesse laudo de avaliação nos autos. De fato, na autuação fiscal paradigma o valor do investimento sofre uma alteração em razão da aplicação incorreta da correção monetária, e na presente autuação fiscal um dos investimentos objeto da transação foi criado em prazo de dezenove dias antes da permuta e com um único ativo, depósito em conta corrente. Contudo, as circunstâncias levaram a uma mesma situação para ambas as autuações fiscais: transação envolvendo participações societárias com valores diferentes. E, para cada um dos casos, foi dada interpretação diferente sobre a legislação tributária (no qual foram analisados os mesmos dispositivos normativos), Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.041 13 com divergência clara sobre a incidência ou não ganho de capital na operação de permuta realizada. Portanto, conheço da divergência levantada para (1) tratamento tributário das permutas sem torna de participação societária com valores diferentes, (2) aplicação subsidiária para permutas de participação societária do regramento previsto para permuta de unidade imobiliária. Em relação à (3) concomitância entre multa isolada e multa de ofício, também conheço, pelas razões apresentadas no Despacho de Admissibilidade de e-fls. 974/983, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1 , que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Passo ao mérito. Em relação ao (1) tratamento tributário das permutas sem torna de participação societária com valores diferentes e (2) aplicação subsidiária para permutas de participação societária do regramento previsto para permuta de unidade imobiliária, trata-se de o assunto apreciado recentemente pelo presente Colegiado, por ocasião do julgamento do processo nº 16561.720151/2012-12 ("FIBRIA"), no qual foi proferido Acórdão nº 9101- 002.172, na sessão realizada em 19 de janeiro de 2016. No caso FIBRIA, após operação de permutas de ativos, em uma primeira etapa, a autuada contabilizou o investimento recebido (Chamflora), pelo valor de custo em que estava contabilizado no LA Celulose. Em uma segunda etapa, a autuada reajustou o valor do investimento via MEP. Nos presentes autos, conforme relatado, a operação é a mesma: em uma primeira etapa a Contribuinte contabilizou o investimento recebido em permuta pelo valor do custo contabilizado na investidora anterior, para, numa segunda etapa, promover o reajuste do valor do investimento via equivalência patrimonial. Nesse contexto, peço vênia para adotar o voto do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, com profunda fundamentação, objetivo, claro, a seguir transcrito e que enfrenta com precisão os mesmos argumentos aduzidos pela recorrente nos presentes autos. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior refere-se à existência, ou não, de ganho de capital tributável, na hipótese de permuta de participações societárias em que o custo de aquisição do investimento recebido é o valor do investimento dado em troca; e o custo original do investimento dado (avaliado pelo MEP) é inferior ao valor do investimento recebido em troca. Sopesados todos os argumentos do Ac. recorrido, do r. especial e das contrarrazões, passo a decidir sobre o tema. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V - decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.042 14 Destaco, de início, que a decisão recorrida reconheceu, expressamente, que a operação em exame se tratou de permuta de participações societárias - e não de compra e venda, como alternativamente defendia a fiscalização - entendendo, porém, que, a essa permuta, se aplicaria a regra geral de tributação do ganho de capital eventualmente apurado na alienação. Friso, ainda, que a decisão recorrida também reconheceu, expressamente, que, na operação em exame, a recorrente recebeu valor superior ao entregue, questão, essa, que, por envolver matéria de prova, não é passível de reexame nos estreitos limites do recurso especial de divergência (e-fls. 3.056, grifei): Uma vez afastado o tratamento da permuta estabelecido na IN 107/88 ao presente caso, temos que observar a operação de alienação do investimento em LA como qualquer outra alienação. Ora, alienação é gênero do qual compra e venda, doação, permuta etc. são espécies. Logo, observa-se do dispositivo acima transcrito que o custo será o valor contabilizado do investimento em LA (R$ 1.004.999.278,39), logo, tendo a recorrente recebido em permuta o investimento em Chamflora, contabilizado por R$ 2.850.838.707,48, resultou em um ganho de capital no montante de R$ 1.845.839.429,09. Assim, não se trata, apenas, de ser cabível, ou não, a apuração de ganho de capital tributável na hipótese de permuta de participações societárias, mas de ser cabível, ou não, essa apuração, quando ocorre recebimento de valor superior ao entregue – o que evidentemente enseja a tributação pelo ganho de capital. Porém, mesmo se assim não fosse, há que se apurar ganho de capital quando há alienação na permuta pura e simples, se as condições próprias ocorrerem, pois a permuta é uma forma de alienação do bem permutado e quando o bem recebido em troca tem um valor a ser contabilizado maior que o valor registrado do bem permutado, há que ser reconhecido o ganho de capital e devidamente tributado, conforme se demonstra a seguir. O tratamento legal da matéria corresponde à incidência da legislação que impõe apuração de ganho de capital tributável na alienação de ativos, e a base do ganho é a diferença entre o valor da alienação (o quanto de fato representa o bem alienado que corresponde ao valor do bem recebido) e o seu custo de aquisição (há diversos dispositivos que tratam da forma como se apura a base de cálculo, não citados). Ou seja, a variação patrimonial na forma prevista no art. 43 do CTN deve ser quantificada e deve ser pago o correspondente imposto de renda. Não há dúvida que na permuta há alienação do bem que está na propriedade do permutante – o que traz a incidência das normas de regência. Veja-se que nesses casos a base da tributação é, grosso modo, a diferença entre o valor registrado do bem objeto de alienação e o custo de aquisição do investimento recebido. Para demonstrar que essa é a mens legis genérica da legislação do Imposto de Renda, transcreve-se abaixo os dispositivos do RIR/1999 (que tem por fundamento diversos dispositivos legais) que tratam do tema aplicáveis às alienações e ganho de capital de pessoas físicas ou jurídicas (negritou-se o dispositivo aplicável ao caso concreto em exame): Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.043 15 § 1º O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, ao ganho de capital auferido em operações com ouro não considerado ativo financeiro (Lei nº 7.766, de 1989, art. 13, parágrafo único). § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.134, de 1990, art. 18, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21, § 2º). § 3º O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País (Lei nº 9.249, de 1995, art. 18). § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º). (Negritou-se) ... Apuração do Ganho de Capital Art. 138. O ganho de capital será determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição, apurado nos termos dos arts. 123 a 137 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 2º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 2º, § 7º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17). Parágrafo único. No caso de permuta com recebimento de torna em dinheiro, o ganho de capital será obtido da seguinte forma: (Negritou-se) [...] Veja-se que o parágrafo único do art. 138 acima traz os detalhes no caso de permuta com recebimento de torna em dinheiro. Mas veja-se, a tributação continua sendo a diferença valor de alienação e o custo de aquisição, no caso de torna há apenas um tratamento diferenciado. E: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.044 16 equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 2º O ganho de capital, nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). ... Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). (Negritou-se dispositivo citado do TFV) [...] Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). § 1º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. Assim, a regra geral é a tributação nos casos de permuta, espécie do gênero alienação. Porém há casos que não se tributa. E por que não tributa? Por que a legislação entendeu que se trata de não incidência, ou criou uma ficção jurídica que implica este efeito (além dos casos de isenção, onde há incidência mas não há tributação). Veja-se que, conforme consolidado nos § 1º do art. 137 e os §§ 1º, 2º e 4º do art. 431 do RIR (aplicáveis às pessoas físicas e às jurídicas respectivamente, no âmbito do PND) – não se tributa porque há uma ficção jurídica no sentido de que os bens permutados (os dados e os recebidos), nos casos ali previstos, têm idêntico custo ou valor (ainda que contabilmente não os tenha) – o que, por óbvio, não gera ganho de capital. A Lei aqui criou uma exceção e não pode ser de forma alguma ser entendida como norma interpretativa, como alega a recorrente. Como reforço do argumento, as normas referentes às exceções à tributação na permuta sem torna, tidas como não incidência (não incluídas as isenções), seguem transcritas abaixo (incluem os casos de permuta em sede do PND e os casos de permuta de bens imóveis): Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.045 17 Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei nº 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): I - as transferências causa mortis e as doações em adiantamento da legítima, observado o disposto no art. 119; II - a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias. (Negritou-se) § 1º Equiparam-se a permuta as operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e escritura pública de dação em pagamento de unidades imobiliárias construídas ou a construir. (Negritou-se) ... Art. 137. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 8.383, de 1991, art. 65). (Negritou-se) § 1º Será considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, atualizado monetariamente até 31 de dezembro de 1995 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 65, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17, inciso I). § 2º O disposto neste artigo aplica-se, também, nos casos de entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública do Estado, do Distrito Federal ou do Município, como contrapartida à aquisição de ações ou quotas de empresa sob controle direto ou indireto das referidas pessoas jurídicas de direito público, nos casos de desestatização por elas promovidas (Medida Provisória nº 1.749-37, de 1999, art. 2º). ... Art. 431. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 8.383, de 1991, art. 65). (Negritou-se) § 1º O custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação (Lei nº 8.383, de 1991, art. 65, § 3º). Art. 763. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.046 18 ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização PND (Lei nº 8.383, de 1991, art. 65). (Negritou-se) § 1º Considera-se como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, no caso de pessoa física ou jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, atualizado até 31 de dezembro de 1995, quando for o caso (Lei nº 8.383, de 1991, art. 65, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17, inciso II). § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação (Lei nº 8.383, de 1991, art. 65, § 3º). § 3º O disposto no parágrafo anterior aplica-se, também, a fundo ou sociedade de investimento. As normas do RIR/1999 transcritas imediatamente acima são exceções à regra geral de tributação na permuta – incabível no bom uso da técnica hermenêutica entender-se de modo diverso. Assim, da mera leitura e análise dos dispositivos legais acima reproduzidos transparece de forma cristalina que havendo alienação de ativo, e no caso presente houve, pois a empresa se desfez do ativo (via permuta), há que se apurar o ganho de capital correspondente à diferença entre o valor contábil do ativo que foi transferido e o valor do novo ativo que foi adquirido por permuta. Porém, cumpre trazer à tona e discutir os diversos argumentos trazidos pela recorrente e nas contrarrazões da Fazenda. Como segue. Sustenta a recorrente, em suma, “que o negócio jurídico de permuta não acarreta acréscimo patrimonial aos permutantes, ou, em outras palavras, não implica a realização da renda que autorize a exigência fiscal, tendo em vista tratar-se de mera troca (substituição) de um bem por outro bem, não havendo que se falar, portanto, em ganho de capital” (e-fls. 3.107). Afirma, ainda, que se estaria diante de um princípio geral do direito tributário, e um específico ao imposto de renda, e que as permutas (res por res, e não res por pretium), em qualquer situação, estariam fora do campo de incidência do imposto de renda, não dependendo de expressa disposição legal. Tem-se que a operação de compra e venda corresponde à de permuta, dela se diferenciando apenas pelo fato de que se troca um bem por moeda (que não deixa de ser também um bem), e não por outro bem. Da mesma forma, a operação de permuta equivale a duas operações de compra e venda, nas quais a quantia em moeda, obtida na primeira operação, é convertida em bens na segunda, ambas com o mesmo contratante. Não por outro motivo, a Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Novo Código Civil), em seu art. 533, ao tratar da “troca ou permuta”, assim dispõe: Da Troca ou Permuta Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.047 19 Art. 533. Aplicam-se à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: I - salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; II - é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. Por esse dispositivo legal fica clara a possibilidade de a “troca ou permuta” ter por objeto bens de valores desiguais, o que, por si só, não a descaracteriza como tal. Veja-se que, no caso de permuta de um bem por pessoa jurídica que recebe, em troca, outro bem do mesmo valor, não há diferença de valores a registrar : o novo bem ingressa no patrimônio da empresa com valor igual ao do bem substituído (o valor contábil do bem que transferido é exatamente é igual ao valor do bem adquirido). Portanto, nessa situação, não ocorre, na permuta, nenhum ganho patrimonial a ser tributado. Mas este não é o caso dos autos. Assim, não é correto dizer — como a recorrente — que “não há qualquer alteração na situação patrimonial do contribuinte que troca um bem por outro” (e-fls. 3.115). Tal assertiva somente é verdadeira — como bem afirmado pelo Acórdão nº 10808.358, de 2005, por ela mesma transcrito e destacado (e-fls. 3.114 e 3.115) — quando houver “a mera troca de bens de valor equivalente” (o valor contábil do bem que transferido é exatamente é igual ao valor do bem adquirido), o que não é o presente caso. Cumpre, nesse ponto, ressaltar que, em se tratando de contribuinte pessoa física, o tratamento tributário pode ser diverso do contribuinte pessoa jurídica, já que, para a pessoa física é aplicado o regime de caixa — “à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos” (art. 2º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988) —, e, para pessoa jurídica este, o de competência — “à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos” (art. 25 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995). Ou seja, àquele, exige- se, para efeito de tributação, a realização financeira do rendimento ou ganho de capital e, a este, não – embora haja exceções a esses regimes. Assim, não procede a transcrição e a juntada, pela recorrente, de arestos do CARF e da CSRF que se limitam a analisar a questão unicamente sob o enfoque da pessoa física ou, ainda, a citação de legislação apenas a ela — pessoa física — pertinente. É o caso, por exemplo, dos arts. 121, inciso II, e §§ 1º e 2º; 123, § 3º; 128, §§ 4º e 5º; e 138, parágrafo único; todos do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), específicos às pessoas físicas, e que no caso do inciso II, remete à situações especificas de não incidência. Mas veja-se que, no nosso entendimento, mesmo as pessoas físicas estão sujeitas à tributação no ganho de capital nestes casos, exceto se houver previsão legal específica desonerando a tributação. É caso, por exemplo, da transmissão causa mortis em que o herdeiro após o encerramento da sucessão coloca em sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física o valor do imóvel herdado pelo valor de mercado (base de cálculo do ITCD, de competência estadual), superior ao custo histórico que consta na última declaração do de cujus (ou do espólio conforme o caso) – em que há tributação pelo ganho de capital, embora o herdeiro não esteja Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.048 20 realizando o bem recebido. É o que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, em seu art. 3º, inciso I, in verbis: Art. 3o Estão sujeitas à apuração de ganho de capital as operações que importem: ... II - transferência a herdeiros e legatários na sucessão causa mortis, a donatários na doação, inclusive em adiantamento da legítima, ou atribuição a ex-cônjuge ou ex-convivente, na dissolução da sociedade conjugal ou união estável, de direito de propriedade de bens e direitos adquiridos por valor superior àquele pelo qual constavam na Declaração de Ajuste Anual do de cujus, do doador, do ex-cônjuge ou ex-convivente que os tenha transferido. Prosseguindo, não só no âmbito civil, mas também no tributário, há estreita correlação entre a “alienação” e a “permuta”. Que a “permuta” é uma modalidade de “alienação”, aliás, trata-se de fato incontroverso, admitido explicitamente pelos próprios acórdãos paradigmas apontados pela recorrente (e-fls. 3.113). Observa-se, por outro lado, que, em se tratando especificamente de pessoa jurídica, mesmo em situações em que o acréscimo ou ganho patrimonial não é considerado efetivamente realizado, há necessidade de expressa disposição legal para que se possa excluir da incidência do imposto de renda esse acréscimo ou ganho patrimonial. É o que se nota, por exemplo, no caso da equivalência patrimonial, da reavaliação de bens, do lucro inflacionário acumulado até 31/12/1995 (quando vigente), etc. A própria recorrente reconhece esse fato, ao afirmar que (e-fls. 3.131, grifos do original): [...], além do art. 65 da Lei nº 8.383, existem na legislação ordinária do imposto de renda diversas disposições legais que disciplinam a neutralização de efeitos de lançamentos contábeis que refletem rendas meramente potenciais, não realizadas, como as pertinentes às reavaliações de ativos, a deságios no método da equivalência patrimonial (aplicável ao caso dos autos), a mais valia na conferência de bens para integralização de capital subscrito por uma pessoa jurídica, os ajustes a valor justo, e outras. Nessa linha de raciocínio, somente se poderia considerar, como não tributável pelo imposto de renda, o acréscimo ou ganho patrimonial oriundo de operação de permuta se, também, houvesse, da mesma forma, expressa disposição legal excluindo a incidência daquele imposto, atento, ainda, ao fato de que essa incidência se dá independentemente da origem e da forma de percepção da receita ou do rendimento (pretium ou res) [art. 43, § 1º, do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966)]. E, no caso, até existem disposições legais e normativas nesse sentido, mas que regulam situações muito específicas — permuta de unidades imobiliárias e permuta de títulos ou créditos contra a União por ações ou quotas Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.049 21 leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização —, não alcançando o caso objeto deste processo (participações societárias), como segue: Instrução Normativa SRF nº 107, de 14 de julho de 1988: Operações de Permuta 2. Permuta Entre Pessoas Jurídicas: 2.1 – Na permuta entre pessoas jurídicas, tendo por objeto unidades imobiliárias prontas, serão observadas as normas constantes das divisões do presente subitem. 2.1.1 – No caso de permuta sem pagamento de torna, as permutantes não terão resultado a apurar, uma vez que cada pessoa jurídica atribuirá ao bem que receber o mesmo valor contábil do bem baixado em sua escrituração. (Negritou-se). [...]. RIR/1999: Art. 431. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 8.383, de 1991, art. 65). § 1º O custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação (Lei nº 8.383, de 1991, art. 65, § 3º). (Negritou-se). Afora essas situações taxativamente previstas — às quais, se não existissem, obviamente obrigariam à apuração de ganho de capital tributável também nesses casos —, não é admissível que se pretenda imputar ao valor das participações societárias recebidas (R$ 2,85 bilhões, no presente caso) o mesmo valor das participações societárias entregues em permuta (R$ 1 bilhão, no presente caso). Por outro lado, tem-se que a referida IN SRF nº 107/88, na parte que trata das pessoas jurídicas, só se aplica a permuta com bens imóveis – sendo, portanto, inaplicável ao presente caso, e da mesma forma o art. 431 do RIR, que remete às operações no âmbito do PND (voltaremos a este tema adiante). Quaisquer questionamentos em contrário teriam caráter meramente teórico e acadêmico, em face da imprevisão legislativa, não podendo, portanto, ser admitidos como válidos. Reportando-me ao Acórdão recorrido, faço adesão aos seus argumentos no que respeita à tributação do ganho de capital, exceto no que respeita à ilegalidade da IN SRF 107/88 e à questão do cálculo do deságio (conforme também alegado pelo recorrente), que entendo serem questões despiciendas no presente estado do processo e cuja discussão não afetaria os argumentos que estou a expor. Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.050 22 Em seu recurso a recorrente insiste que ao art. 65 da Lei nº 8.383/1991 embora seja específico para o PND seria uma espécie de norma “didática”. Porém entendo que ela não se presta a isto, simplesmente porque o caput do art. 65 só tem aplicação no sentido de desonerar as permutas (ou os atos equiparados pelo caput) por conta de que cria uma ficção de equivalência de custo e valor de aquisição, o que importa em inexistência de ganho de capital, a teor do §§ do art. 65 – sendo neste sentido, norma excepcionalíssima. Outro argumento trazido no recurso é que “na permuta sem torna não há sacrifício do ativo” concluindo que “o custo do bem adquirido na permuta é tão somente o custo do bem que foi dado no negócio.” (fl. 11 do recurso). Com a devida vênia, trata-se de uma confusão de conceitos. Primeiramente, há sim sacrifício do ativo, pois o ativo (real) é alienado – e há que se fazer os competentes ajustes contábeis – que podem ter, sim, repercussão tributária (sacrifício não é perda do ativo). O que se tem é o custo contábil do ativo alienado, conforme regulado na contabilidade, em confrontação com o valor do ativo adquirido (seu custo de aquisição), e disto resulta uma diferença – é sobre esta diferença que se está a discutir. Adiante, à fl. 13 do recurso, o recorrente invoca o argumento da realização da renda, e da capacidade contributiva, sustentando que a renda “antes de esta estar disponível, não ocorre o fato gerador porque o possível contribuinte ainda não tem capacidade contributiva.” E conclui: “ Em outras palavras, o fisco não pode receber sua parte da renda, representada pelo tributo sobre esta, antes de haver a renda e esta estar na disponibilidade do contribuinte.” Ora, também não se pode aceitar esse argumento, isto porque capacidade contributiva não se confunde com disponibilidade financeira. Assim ocorrendo o fato gerador (o ganho de capital) o tributo passa ser devido pelo lançamento, não fosse assim, em outra situação, e.g., vendas a prazo se não recebidas à época do fechamento do período de apuração, não poderiam ser computadas na base de cálculo – a questão é de regime de competência de não de capacidade contributiva – pois esta surge em decorrência do ganho de capital apurado. O recorrente cita consistemente os Pareceres PGFN/PGA nº 970/1991 e PGFN/PGA nº 454/1992, buscando neles os fundamentos de seu recurso. Acerca dessa matéria, urge mencionar o Parecer PGFN/CAT nº 1.722, de 9 de setembro de 2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: PARECER/PGFN/CAT/Nº 1722 /2013 Ausência de hipóteses que justifiquem sigilo – LAI – art. 6º, inciso I, e arts. 23 e 24 da Lei nº 12.527, de 18.11.2011. Decreto nº 7.724, de 16.5.2012. Imposto Sobre a Renda. Permuta. Tributação do ganho de capital existente em operação de permuta de ativos mobiliários. Abrangência do Parecer PGFN/PGA nº 970/91. Consulta Interna nº 1, de julho de 2013. I Trata-se de consulta Interna, na qual foi solicitado tratamento prioritário nos termos do art. 34, caput e § 2º da Portaria PGFN nº 1.267, de 6 de dezembro de 2010, proveniente da Divisão Nacional de Acompanhamento Especial Judicial e Estratégia de Defesa (DIAEJ) da Coordenação de Consultoria Judicial (COJUD) da Coordenação-Geral da Representação Judicial da Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.051 23 Fazenda Nacional, acerca da tributação do ganho de capital existente em operação de permuta de ativos mobiliários, bem como da abrangência do Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91. [...]. 7. Ainda observa-se na consulta a fundamentação legal e item concernente à solução proposta pela consulente. Essa última parte será abordada ao longo do presente parecer, eis que a bem lançada argumentação 2 da referida solução foi considerada a mais adequada ao caso de que se cuida. É o relatório. II 8. Prefacialmente deve-se perquirir o contexto e o alcance do quanto defendido no Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 para, então, passar-se à análise da legislação que rege as operações objeto da consulta. [...]. [...]. 16. Abarcamos a proposta da DIAEJ na sua totalidade. O Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 se prestou especificamente para as finalidades delineadas no PND e não pode servir como substrato para quaisquer operações que não as precisamente realizadas naquele âmbito. III 17. Uma vez delineado o alcance do Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91, passamos a analisar a legislação atinente à permuta e suas consequências tributárias. Desde logo, ressaltamos que a permuta a ser examinada é referente a bens móveis, visto que à troca 3 de imóveis é dispensado tratamento específico 4 , mas não 2 A consulta e a bem argumentada solução que aqui se faz menção foram elaboradas pela Procuradora da Fazenda Nacional Dra. Renata Fernandes Barroso. 3 O Código Civil usa a palavra troca em vez de permuta, muito embora o título do capítulo correspondente faça referência a “troca ou permuta”, como se pode verificar nos termos do art. 533, verbis: “Art. 533. Aplicam-se à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: I - salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; II - é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante.” 4 De acordo com a pergunta nº 582, do documento “Perguntas e Respostas”, disponível no site da Secretaria da Receita Federal do Brasil (www.receita.fazenda.gov.br), “para efeitos tributários, considera-se permuta toda e qualquer operação que tenha por objeto a troca de uma ou mais unidades imobiliárias, prontas ou a construir, por outra ou outras unidades imobiliárias, ainda que ocorra, por parte de um dos proprietários-contratantes, o pagamento de parcela complementar, em dinheiro, comumente denominada torna. A expressão ‘unidade imobiliária ou unidades imobiliárias prontas ou a construir’, compreende: a) o terreno adquirido para venda, com ou sem construção; b) cada lote oriundo de desmembramento de terreno; c) cada terreno decorrente de loteamento; d) cada unidade distinta resultante de incorporação imobiliária; e) o prédio construído para venda como unidade isolada ou autônoma; f) cada casa ou apartamento construído ou a construir. É necessário que a escritura, quando lavrada, seja de permuta. (...).” (destacamos) Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.052 24 se pode dizer o mesmo no que concerne à permuta de valores mobiliários. (Negritos no original). [...]. 30. E prossegue a solução de consulta da DIAEJ: “Assim, não parece haver diferença, em especial diante do que determina o art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713/88, entre uma alienação feita por meio de compra e venda e aquela feita por meio de permuta, pois em ambos os casos X alienou ‘Alfa’, mas na compra e venda recebeu em pagamento R$ 100,00 (valor que X poderia em seguida usar para comprar o bem ‘Beta’, fato que não lhe retiraria a obrigatoriedade de apurar o ganho de capital decorrente da alienação), e na permuta recebeu em pagamento diretamente o bem ‘Beta’, que vale os mesmos R$ 100,00, valor igualmente superior ao valor de aquisição do bem alienado, mas que X já quis dar-lhe destinação específica. A destinação dada ao valor recebido pelo bem alienado não retira a natureza de alienação da operação, conforme o próprio conceito amplo utilizado pelo art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713/88. Há alienação (X deixa de possuir ‘Alfa’), há disponibilidade econômica ou jurídica (conforme exige o art. 43 do CTN) e há ganho de capital nas duas situações, a única diferença é que, na permuta, o alienante já usa a sua disponibilidade para adquirir outro bem dentro da mesma operação.” (Destaques no original). 31. Não restam dúvidas de que a operação de permuta de bens mobiliários está sujeita a apuração do ganho de capital. No caso concreto relatado na consulta de permuta realizada por meio de OPA de cancelamento de registro, uma ação da empresa que estava sendo cancelada foi avaliada como correspondendo a 0,9 do BDR da outra empresa. Logo, se o valor da ação que foi alienada é superior ao valor pelo qual ela foi adquirida há evidente ganho de capital, correspondente à diferença entre o valor da transação e o custo de aquisição. O mesmo ocorrendo se em lugar de permuta as ações fossem leiloadas na OPA em troca de numerário e esse numerário fosse aplicado na aquisição dos BDRs da outra empresa. (Negritou-se e sublinhou-se). [...]. IV 39. Em conclusão, e respondendo objetivamente aos quesitos formulados na presente consulta, temos que: 39.1. o entendimento consubstanciado no Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 restringe-se ao âmbito do PND, não podendo ser estendido a situações outras que não aquelas especificamente tratadas no referido opinativo: Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.053 25 39.1.1. é possível tributar pelo imposto sobre a renda a diferença positiva, via ganho de capital, existente entre o custo de aquisição e o valor dos bens mobiliários permutados no momento em que é feita tal operação, independentemente da existência de torna; 39.1.2. é correto o entendimento de que a permuta, por encontrar-se no conceito de alienação, previsto no art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, via de regra é tributada, não tendo as desonerações previstas na legislação, como a tratada no art. 121, II, do RIR/99 (permuta de imóveis), o condão de serem aplicadas para situações diversas daquelas especificamente ali disciplinadas; 39.1.3. a determinação de que a apuração do ganho de capital recairá apenas sobre a torna, nos termos do § 2º do art. 121, do § 3º do art. 123 e do inciso III do parágrafo único do art. 138, todos os RIR/99, aplica-se exclusivamente às permutas de ativos imobiliários. O mencionado Parecer PGFN/CAT nº 1.722, de 2013, foi devidamente aprovado por despacho do Ministro da Fazenda de 29/05/2015, publicado no DOU de 01/06/2015, S. 1, p. 24, e vincula o CARF, sendo de observância obrigatória por parte de seus Conselheiros, conforme disposto nos arts. 13 e 42 da Lei Complementar nº 73 de 10 de fevereiro de 1993. O despacho de aprovação tem o seguinte teor: Processo: Registro PGFN Nº 4724/2013 Assunto: Imposto Sobre a Renda. Permuta. Tributação do ganho de capital existente em operações de permuta de ativos mobiliários. Abrangência do Parecer PGFN/PGA nº 970/1991. Despacho: Aprovo o Parecer PGFN/CAT/Nº 1722/2013, de 09 de setembro de 2013, que versa sobre a tributação do ganho de capital existente em operações de permuta de ativos mobiliários, e sobre a abrangência do Parecer PGFN/PGA/Nº 970/1991. JOAQUIM VIEIRA FERREIRA LEVY Isto é importante porque a linha dos argumentos do recorrente é centrada nos pareceres PGFN/PGA/ nº 970/1991 e PGFN/PGA/ nº 454/1992 (especialmente este último), sendo que o Parecer PGFN/PGA/ nº 970/1991 trata de “alienações, mediante permuta de ações no âmbito do Programa nacional de desestatizações” e o Parecer PGFN/PGA/ nº454/1992, posterior, veio esclarecer os efeitos decorrentes do art. 65 da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, posterior ao 1º Parecer, que deu “tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou outros créditos contra a União”, ou seja o segundo Parecer apenas esclareceu a aplicação do primeiro em relação a uma situação específica, já regulada por Lei. Assim, em que pesem os argumentos expendidos nos pareceres 970/1991 e 454/1992, eles têm aplicação restritas às matérias que analisaram (concluindo pela não tributação naqueles casos específicos no âmbito do PND). Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.054 26 Por outro lado, o Parecer PGFN/CAT nº 1.722, de 2013, utiliza fartamente argumentos contrários aos utilizados nos pareceres PGFN/PGA/ nº 970/1991 e PGFN/PGA/ nº454/1992. Em resumo, o Parecer PGFN/CAT nº 1.722, de 2013, afasta a extensão daqueles dois aos demais casos, em geral, e fixa outro entendimento – o de que há sim tributação na permuta de ativos quando há ganho de capital (permutas no âmbito do programa de desestatização e permuta de imóveis, são casos especiais de não tributação expressamente previstos na legislação). Contudo de sua leitura não fica claro se se refere a operações específicas relacionadas a investidores estrangeiros e a pessoas físicas no caso do âmbito interno, em virtude da legislação que lhe dá supedâneo, ou se se suas conclusões são extensíveis a pessoas jurídicas (que constam da fundamentação), e por este motivo deixo de utilizá-lo como fundamento obrigatório de minha decisão, o que poria fim de forma irrefutável à questão. Embora, deva-se ressaltar, minhas conclusões se alinham perfeitamente com aquelas do PGFN/CAT nº 1.722/2013, que, pela forma como trata do assunto indubitavelmente reforma os fundamentos do entendimento dos PGFN/PGA/ nº 970/1991 e PGFN/PGA/ nº 454/1992 (uma das bases principais do argumento do recorrente), sendo que esses permanecem válidos única e exclusivamente aos casos a que expressamente se referem. Rememoro ainda o entendimento expendido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, que, de há bastante tempo, assim se pronunciou a esse respeito, por meio do Parecer Normativo CST nº 504, de 3 de agosto de 1971 (DOU de 27/8/1971), referenciado pela própria recorrente (e-fls. 3.139): 1. Sociedade mercantil formula consulta, igualmente subscrita por pessoas naturais, acerca da tributação incidente na permuta que entre si pretendem realizar, envolvendo ações representativas do capital de empresas outras, tomadas pelo seu valor nominal. [...]. 3. Também a pessoa jurídica que permutar ações por outras de valor equivalente ao de aquisição das cedidas, por consequência, não alterando quantitativamente o patrimônio social, não estará sujeita à imposição de tributo. 4. Todavia, se resultar lucro para a pessoa jurídica na alienação de ações, quer esta se faça sob a forma de venda, troca por bens de outra natureza ou permuta por outras ações, será ele necessariamente computado no resultado do exercício para fins de tributação. 5. Ressalte-se, ainda, quanto à incidência na pessoa jurídica, não ser o valor nominal das ações negociadas a base de apuração do resultado na transação, e sim o valor da aquisição das por ela cedidas, em confronto com o atribuído às que receba na permuta, observando-se, em qualquer caso, as disposições das alíneas “a” e “b” do art. 251 [incisos I e II do art. 464], e, na hipótese de prejuízo, as normas dos arts. 192 e 193 [art. 393] do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 58.400, de 10/05/66) [(Decreto nº 3.000, de 26/03/99)]. Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.055 27 Portanto, nego provimento ao recurso da Contribuinte em relação ao (1) tratamento tributário das permutas sem torna de participação societária com valores diferentes e (2) aplicação subsidiária para permutas de participação societária do regramento previsto para permuta de unidade imobiliária. No que concerne à (3) concomitância entre multa isolada e multa de ofício, a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. E precisamente a nova redação, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22/01/2007 (o caso em debate), afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por insuficiência de estimativa mensal. As hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento da estimativa são distintas, cada qual tratada em inciso próprio no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 1996, com a redação da Lei nº. 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.489, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n° 11.489, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei n° 11.489, de 2007) (...) b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n" 11.489, de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.489, de 2007) (...) Observa-se que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplica-se sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoa- se ao final do ano-calendário. Por sua vez, a multa isolada é apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou, ainda, mediante receita bruta acumulada mensalmente. Ou seja, são materialidades independentes, não havendo que se falar em concomitância. Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.056 28 Portanto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Contribuinte para a (3) concomitância entre multa isolada e multa de ofício. IV. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso da Contribuinte para (1) tratamento tributário das permutas sem torna de participação societária com valores diferentes, (2) aplicação subsidiária para permutas de participação societária do regramento previsto para permuta de unidade imobiliária e (3) concomitância entre multa isolada e multa de ofício, e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura r Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Na sessão de setembro de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto pelo contribuinte no processo n. 14120.720002/2011-28, em que requer a reforma do acórdão n. 1302-001.080, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2008 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. PERMUTA DE AÇÕES. A IN SRF 107/88 só versa sobre permuta de unidades imobiliárias (casas, apartamentos, terrenos etc.), sendo totalmente descabida a sua aplicação ao caso de permuta de ações. Na permuta de ações, a diferença entre o valor contábil das ações recebidas e das ações transferidas constitui-se ganho tributável pelo IRPJ, por aplicação do disposto no art. 31 do Decreto-Lei nº 1.598/77. Não se pode conceber que uma empresa constituída unicamente por uma conta bancária com saldo de R$ 232.540.000,00 seja alienada com deságio de R$ 159.142.989,77, ainda que houvesse laudo de avaliação nos autos. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.057 29 logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. O legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada e que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do ano-calendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada sobre o lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. A partir dos fatos e provas levados à sua análise, a Turma a quo assentou que não houve simulação nas operações praticadas pelo contribuinte, tratando-se de legítima permuta de ações sem torna. Embora tenha assentado tal substrato fático como certo, a Turma a quo concluiu concluiu que a consequência tributária da operação de permuta sem torna seria a tributação do suposto ganho de capital apontado pela fiscalização. Também concluiu a decisão a quo pela manutença cumulativa da multa isolada por não apuração e recolhimento de estimativas mensais com a multa de ofício. No julgamento do recurso especial interposto pelo contribuinte, a CSRF, por voto de qualidade, decidiu manter o acórdão recorrido e a cobrança de IRPJ e CSL em face da aludida permuta de ações sem torna, bem como a exigência cumulativa das aludidas multas. Restando vencido, com a devida vênia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo provimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. 1. PERMUTA DE AÇÕES SEM TORNA: HIPÓTESE DE NÃO INCI DÊNCIA DE IRPJ E CSL. Embora se possa compreender que a discriminação de competências tributárias não seja requisito essencial a qualquer sistema federativo, assim o fez a Constituição brasileira 5 . Há expressa e detalhada repartição de competências tributárias entre os entes federados, a qual estabelece quais signos presuntivos de capacidade contributiva podem ser onerados privativamente por cada um dos entes federados. A “renda” e o “lucro”, no caso, podem ser tributados exclusivamente pela União. Saber o sentido de “renda” e “lucro” é, então, essencial para a boa aplicação das normas constitucionais de distribuição de competência tributária e das normas de incidência tributária em sentido estrito. Isso explica as constantes discussões ao seu respeito, especialmente em torno de teorias como da “renda como acréscimo patrimonial” e da “renda- produto (ou “teoria fonte”). A teoria da renda como acréscimo patrimonial pode ser compreendida a partir do caso Antártica 6 , julgado pelo Supremo Tribunal Federal cinco anos após a 5 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, LUÍS EDUARDO. Direito Tributário. Saraiva : São Paulo, 2012, p. 240. ROQUE ANTONIO CARRAZZA, por sua vez, entende a divisão de competência ínsita ao sistema federativo brasileiro, considerando-a como cláusula pétrea: “esta ‘cláusula pétrea’ não pode ser violada, nem por via oblíqua, o que ocorreria, por hipótese, se pretendêssemos retirar, mediante emenda constitucional, a competência tributária dos Estados.” (CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional tributário. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 103). 6 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDA - CONCEITO. Lei n. 4.506, de 30.XI.64, art. 38, Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.058 30 promulgação da Constituição de 1988, em que esteve em foco o conceito de “renda” presente no sistema tributário de 1964 7 . Acompanhando o voto do Min. Carlos Velloso, houve unanimidade no Plenário do Tribunal quanto ao entendimento de que “o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso”. Note-se que, caso se adote um conceito de renda que a identifique como o produto (“ou “teoria da renda-produto” ou teoria da fonte”), apenas o fruto, o produto dos bens de capital ou do trabalho poderiam ser considerados “renda”. Sob tal perspectiva, estaria excluído do conceito de renda quaisquer ganhos e perdas de capital obtidos pela alienação da fonte produtora da renda, já que, metaforicamente, a tributação alcançaria apenas os frutos da árvore, mas não a alienação da árvore em si. 8 1.1. O papel da lei complementar para a definição de “renda” tributável. No atual sistema jurídico brasileiro, o debate sobre qual o conceito de renda tributável deve considerar que o art. 146 da Constituição Federal atribui à lei complementar a competência para estabelecer normas gerais, especialmente sobre a definição dos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos discriminados no texto constitucional. Assim, embora não haja delimitação expressa na Constituição quanto ao signo “renda” para fins tributários, o art. 43 do CTN veicula norma que permite que o legislador ordinário se valha ao menos de duas significações possíveis: (i) o inciso I, ao se referir à “renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos”, se aproxima da teoria da renda-produto; (ii) o inciso II, ao se referir a “proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior”, se aproxima da teoria da renda acréscimo patrimonial. Em ambos os casos, o conceito estabelecido pelo CTN exige que haja a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica sobre a renda, a fim de que seja possível a tributação. O legislador complementar exige que haja a “aquisição de disponibilidade”, pouco importando ser ela “econômica” ou “ jurídica” . O legislador ordinário deve eleger hipóteses de incidência do imposto de renda que estejam compreendidas nos referidos moldes estabelecidos pela Constituição e pelo CTN. 1.2. A decisão do legislador ordinário: a lógica da determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSL e a não tributação de situações que não geram acréscimo patrimonial. Independentemente das predileções doutrinarias quanto ao mais adequado conceito de “renda” e embora se possa argumentar que a Lei Complementar tenha outorgado possibilidades mais amplas, não há dúvida que o legislador ordinário utiliza C.F./46, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. I. Rendas e proventos de qualquer natureza: o conceito implica reconhecer a existência de receita, lucro, proveito, ganho, acréscimo patrimonial que ocorrem mediante o ingresso ou o auferimento de algo, a título oneroso. C.F., 1946, art. 15, IV; CF/67, art. 22, IV; EC 1/69, art. 21, IV. CTN, art. 43. II. Inconstitucionalidade do art. 38 da Lei 4.506/64, que institui adicional de 7% de imposto de renda sobre lucros distribuídos. III. R.E. conhecido e provido. (STF, RE 117887, Relator Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 11/02/1993, DJ 23-04-1993) 7 Anterior ao atual Código Tributário Nacional. 8 Vide, sobre o tema: LANG, Joachim. The influence of tax principles on the taxation of income from capital, p. 18-21; BELSUNCE, HORACIO GARCÍA. El concepto de rédito en la doctrina y en el derecho tributario. Depalma : Buenos Aires, 1967, p. 88 e seguintes. Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.059 31 sistematicamente, como diretriz central para a tributação da renda, a teoria da renda enquanto acréscimo patrimonial. A constatação é pragmática: as regras do imposto de renda brasileiro, de forma geral, conduzem a uma base tributável que tende ao acréscimo patrimonial realizado pelo contribuinte em um determinado intervalo de tempo. Na sistemática do lucro real, aplicável à Recorrente, a base de cálculo adotada pelo legislador ordinário corresponde ao “lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas” por lei, o que se alinha com a diretriz da tributação dos acréscimos patrimoniais. O lucro líquido será apurado “com observância das disposições das leis comerciais”. 9 Em tal sistemática, portanto, há permissão para a tributação quando se apura efetivo acréscimo patrimonial. No caso dos autos, em que o lançamento fiscal realizado procura tributar suposto ganho de capital, a existência de efetivo acréscimo patrimonial como permissivo à tributação se mostra ainda mais evidente. Ocorre que a teoria da renda produto – que é a única alternativa à teoria da renda acréscimo patrimonial prescrita pelo art. 43 do CTN – tem como característica, justamente, não abarcar a tributação do ganho de capital. Nesse cenário, ao menos três consequências devem ser apreendidas para a solução da demanda ora em análise: - Apenas os acréscimos patrimoniais apurados pela contribuinte poderiam vir a ser tributadas; - Há todo um universo de situações que não configuram “acréscimos patrimoniais” e que não devem ser tributadas pela União. São as chamadas hipóteses de não incidência tributária em sentido estrito; - Excepcionalmente, algumas espécies de acréscimos patrimoniais não serão tributadas, ou serão tributada de forma diversa, por exceção ao princípio da generalidade. Incluem-se as regras de isenção ou imunidade, que igualmente conduzem à não incidência tributária. As hipóteses de não incidência em sentido estrito correspondem a situações em que há ausência de substrato econômico passível de tributação ou, ainda, ausência de lei prescrevendo a incidência tributária sobre um substrato econômico que em tese poderia vir a ser tributado. No primeiro caso, não há capacidade contributiva objetiva e base calculável para a apuração do tributo, enquanto que, no segundo, o que se verifica é simplesmente a decisão do legislador (ainda que por omissão) de não exercer o seu poder de tributar sobre uma determinada situação que denota capacidade contributiva. Graficamente, a questão poderia ser representada do seguinte modo: 9 Decreto 3000/00 (Regulamento do Imposto de Renda), art. 247; Decreto-Lei no 1.598, de 1977, art. 6; Lei no 8.981, de 1995, art. 37, §1. (1) Situações que não representam “acréscimos patrimoniais” (na sistemática do lucro real, hipóteses de não incidência tributária do IRPJ e da CSL); (2) Situações que representam “acréscimos patrimoniais” (na sistemática do lucro real, possíveis hipóteses de incidência do IRPJ e da CSL); (3) Situações que representam “acréscimos patrimoniais”, mas que não são tributadas pelo IRPJ ou pela CSL (isenções ou imunidades tributárias). Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.060 32 1 2 3 É relevante observar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/PGA n. 454/92, expressamente reconheceu que operações de permuta sem torna correspondem a hipóteses de não incidência de IRPJ e CSL, ao afirmar e longamente fundamentar que: “Em síntese, a desoneração tributária na permuta não é um privilégio, e sim o reconhecimento de não incidência da regra de tributação.” Parece-me ser correta a conclusão obtida pelo Parecer PGFN/PGA n. 454/92. Por sua vez, ao exigir norma expressa de isenção para que a permuta de ações sem torna realizada pela Recorrente não se submetesse à tributação pela suposta incidência do art. 418 do RIR/99, o acórdão recorrido adotou premissa equivocada e, fatalmente, conclusão merecedora de reforma. A partir da representação gráfica acima, o raciocínio desenvolvido pelo acórdão a quo pode ser explicado da seguinte forma: - A operação realizada pela contribuinte é uma permuta de ações sem torna; - As permutas sem torna estão entre as situações que representam “acréscimos patrimoniais”, localizadas, então, no “círculo (2)”. - Conclusão: Como não há norma de isenção ou imunidade que expressamente afaste a tributação sobre permutas sem torna da tributação, alocando-as no “círculo (3)”, então a operação realizada pela contribuinte deve ser tributada. A premissa equivocada, permissa vênia, consistiu em considerar que uma permuta sem torna está entre as situações que representam “acréscimos patrimoniais” – “círculo (2)” – quando, na verdade, se trata de hipótese de não incidência tributária, que deve ser alocada no “círculo (1)”. Corrigida essa premissa, teríamos necessariamente conclusão condizente com o sistema tributário pátrio: - A operação realizada pela contribuinte é uma permuta de ações sem torna; - As permutas sem torna estão entre as situações que não representam “acréscimos patrimoniais” (hipóteses de não incidência tributária do IRPJ e da CSL), alocadas, então, no “círculo (1)”; - Conclusão: Não deve haver tributação sobre a permuta de ações sem torna, independentemente de dispositivo de lei expresso quanto à sua “isenção”, por se tratar de hipótese de não incidência tributária. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.061 33 Note-se que, caso houvesse algum dispositivo na legislação que determinasse a tributação de operações de permuta de ações sem torna, este poderia estar, em tese, sujeito a questionamentos quanto à sua constitucionalidade. Tais questionamentos, como é sabido, extravasariam o âmbito de competência do CARF 10 . A questão trazida aos autos, contudo, não é essa. Ocorre que não há lei em sentido estrito que prescreva, textual e expressamente, nem a tributação e nem a isenção da permuta de ações sem torna. Trata- se de decidir como deve agir a fiscalização na ausência de lei em sentido estrito que, textual e expressamente, prescreva ou a tributação ou a isenção da permuta de ações sem torna. A compreensão dessa questão é fundamental para que nos voltemos ao sistema jurídico vigente dispostos a colher dados necessários à solução da presente demanda. A partir daí, é possível constatar que há uma convergência de normas jurídicas que, sob a sistemática do lucro real, permitem concluir que as permutas sem torna estão no campo da não incidência, sem que haja fundamento razoável para a discriminação, por parte do intérprete, de bens ou direitos permutados. Não há texto prescritivo que expressamente determine a “incidência” ou a “isenção” de IRPJ e CSL sobre permutas de ações sem torna, mas há, sem dúvida, norma no sistema jurídico que prescreve a não incidência tributária sobre a aludida operação. 1.3. As normas jurídicas que situam as permutas sem torna no campo da não incidência tributária. O enquadramento da permuta de ações sem torna entre as hipóteses de não incidência do IRPJ e da CSL, por não representar acréscimo patrimonial, pode ser verificada ao menos sob dois ângulos, analisados nos tópicos subsequentes deste voto: - A equivalência jurídica das prestações mútuas no negócio jurídico típico da permuta, tal como prescrito pelo Direito privado, e as consequências tributárias daí decorrentes: ausência de base imponível para o IRPJ e a CSL; - A tradicional concepção de permuta como hipótese de não incidência tributária do Direito tributário brasileiro: instruções normativas e soluções de consulta da Receita Federal, pareceres normativos da PGFN, jurisprudência do CARF e do Poder Judiciário. 2. A equivalência jurídica das prestações mútuas no negócio jurídico típico da permuta, tal como prescrito pelo Direito privado, e as consequências tributárias daí decorrentes: ausência de base imponível para o IRPJ e a CSL. 2.1. O instituto jurídico da permuta no Direito civil. “Escambo”, “troca” , “permuta” são sinônimos que se referem a um modelo contratual utilizado desde os primórdios, tendo em vista que a sua adoção torna desnecessária qualquer concepção de moeda ou valor fiduciário presente nas sociedades modernas. A 10 Não cabe no bojo deste processo administrativo analisar possíveis inconstitucionalidades da tributação da permute, o que é reservado ao Poder Judiciário, conforme o RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.062 34 investigação histórica quanto à tutela desse instituto certamente encontrará quantidade enorme de fontes normativas. Para a presente análise, importa conhecer o Código Civil de 1916 e o de 2002. O Código Civil de 1916 tutelou a figura da “troca”, já o Código Civil de 2002, embora não tenha alterado a essência do instituto 11 , utilizou indistintamente os termos “troca” e “permuta”, como sinônimos que são. Até 2002, esse instituto era tutelado pelo antigo Código Civil, de 1916, em seu art. 1.164, e pelo Código Comercial, de 1850, em seus arts. 221 a 225. Tais dispositivos, no entanto, foram revogados pelo novo Código Civil. O art. 533 do Código Civil de 2002 dispõe que aplicam-se à permuta as disposições daquele diploma referentes à compra e venda. Aduz o dispositivo, ainda, que salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca, bem como é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. O Direito Civil qualifica como operação de permuta o contrato de troca de um bem por outro, que não o dinheiro (“rem pro re”). A troca é um contrato consensual, bilateral, comutativo e oneroso. Trata-se de negócio jurídico uno, em que cada contratante assume o dever de entregar uma coisa (devedor), bem como o caráter de credor, dotado do direito de receber outra coisa. 12 Ausente a torna, as prestações simplesmente se compensam mutuamente, sem que a nenhuma delas seja atribuído preço. São muito pertinentes as lições de PONTES DE M IRANDA 13 , in verbis: “Quando há troca - Há troca sempre que se presta direito de propriedade, ou posse, c se contrapresta outro direito de propriedade, ou posse, ou qualquer outro direito, inclusive o direito a alguma quantia certa. 3. Contraentes - Na troca, há dois figurantes, que são em situação tal de semelhança que falta terminologia adequada para distinguir, porque outorgantes, os dois o são. Tradens e accipiens cada um o é. O fato de não haver diferença fundamental quanto às prestações de dar, ambos de res, dificulta a distinção. (…) 2. Correspectividade sem preço - Não há preço, no sentido próprio, porque um dos figurantes promete um bem, que não é dinheiro, e o outro figurante promete outro bem, que não é dinheiro.” Note-se que no critério material da compra e venda também está presente a entrega de uma coisa por outra (um bem por dinheiro), distinguindo-se a permuta sem torna exatamente por não haver uma prestação pecuniária envolvida. Ensina SILVIO RODRIGUES 14 que a troca e a compra e venda possuem a mesma natureza, pois este é espécie daquele. A peculiaridade do contrato de compra e venda em relação ao contrato de troca, ensina o civilista, decorre de uma das prestações ser pecuniária. 11 Com a ressalva de que o novo Código passou a exigir o consentimento do conjunge em algumas hipóteses. 12 Cf. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil – Contratos em espécie. São Paulo : Atlas, 2014, p. 98-100. 13 MIRANDA, Pontes de. Tratado de Direito Privado, vol. 39, Borsoi, 1972, p. 378-9. Citação colhida do Parecer PGFN/PGA n. 454/92. 14 RODRIGUES, Silvio. Direito Civil – Dos contratos e das declarações unilaterais de vontade. São Paulo : Saraiva, 2007, p. 98; 197-198. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.063 35 Conforme a pertinente observação de SÍLVIO DE SALVO VENOSA 15 , “a diferença mais notável entre com a compra e a venda reside no aspecto de que nesta há plena distinção entre a coisa e o preço; existem a coisa vendida e o preço, enquanto na permuta há dois objetos que servem reciprocamente de preço”. Na permuta, não há propriamente preço, pois as partes não acordam a contraprestação de uma quantia em dinheiro, mas a entrega recíproca de bens representativos de prestações juridicamente equivalentes. Por sua vez, ORLANDO GOMES 16 ensina que “ não é da essência da troca que as coisas tenham igual valor. A desigualdade somente desfigura a permuta quando a contratante, que dá coisa de valor menor, completa sua prestação com dinheiro e o complemento é mais valioso”. É essencial destacar que, no negócio jurídico de permuta sem torna, os contratantes concordam em trocar um bem ou direito por outro, assumindo que ambas as partes possuem considerações particulares que os fazem legitimamente desejar mais o bem/direito recebido do que o bem/direito entregue na permuta. Tais considerações subjetivas, muitas vezes de foro intimo, podem não ser economicamente aferíveis ou, ainda, apenas encontrar justificativa econômica a partir de eventos futuros, como com a destinação do bem em uma operação mais complexa, mostrando-se essencial ao conjunto. Juridicamente, as prestações das partes permutantes são equivalentes. 2.2. Consequências no âmbito do IRPJ/CSL da operação típica de permuta sem torna tal como tutelada pelo Direito privado: como são juridicamente equivalentes, na sistemática do lucro real, a receita decorrente da entrada do bem ou direito recebido é necessariamente neutralizada pelo sacrifício (custo ou despesa) correspondente ao bem ou direito dado em permuta. A discussão deste Recurso Especial repousa, em uma de suas possíveis vertentes, na relevância do instituto da permuta sem torna no âmbito do Direito privado para a sua tributação pela Fazenda Nacional. É preciso, para a adequada solução do presente caso, compreender o relacionamento mantido entre o Direito tributário e o Direito privado. Prescreve o CTN: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. A doutrina aponta que o art. 109 do CTN pode conduzir a duas compreensões quanto ao relacionamento do Direito tributário com o Direito privado. Nesse sentido, observa LUÍS EDUARDO SCHOUERI 17 : “O texto não é claro. Permite, em uma primeira leitura, ver a opção do legislador complementar pela autonomia do Direito Tributário. Afinal, conquanto dê importância ao Direito Privado para a pesquisa da definição, conteúdo e alcance de seus institutos, permite que seus ‘efeitos tributários’ não sejam definidos pelo Direito Privado, mas pelo Direito Tributário. Os ‘efeitos tributários’ surgem, nesta leitura, como algo diverso dos ‘efeitos civis’, o que exigiria a procura por outros ‘efeitos’. (...) 15 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil – Contratos em espécie. São Paulo : Atlas, 2014, p. 98-99. 16 GOMES, Orlando. Contratos. Rio de Janeiro : Forense, 198, p. 300. 17 SCHOUERI, LUÍS EDUARDO. Direito Tributário. Saraiva : São Paulo, 2012, p. 683. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.064 36 O mesmo dispositivo oferece, entretanto, leitura diversa, que propõe um equilíbrio entre os dois ramos jurídicos: o Direito Tributário não está submetido ao Direito Privado; o legislador é livre para criar seus próprios institutos e o faz com frequência. Não é incomum até mesmo que expressões criadas no Direito Privado sejam aproveitadas no Direito Tributário com sentido diverso. Exemplo notório é o da pessoa jurídica, instituto próprio do Direito Privado que, não obstante, surge como na legislação do Imposto de Renda para abranger até mesmo as sociedades irregulares. Se, entretanto, o legislador opta por um instituto, conceito e forma do Direito Privado e não o define com tintas próprias, então deve o intérprete/aplicador compreender que tais institutos não podem ser desprendidos do contexto (de Direito Privado) onde foram desenvolvidos. Retomando o mesmo exemplo acima citado, a ideia de ‘sociedade’ pressupõe, no Direito Privado, um conjunto de pessoas e uma finalidade comum – distanciando-se do mero condomínio. Um condomínio não pode, destarte, ser tomado pelo intérprete/aplicador da lei tributária como sociedade se não houver norma (tributária) equiparando ambas as situações”. (grifos acrescidos ao original) Note-se que, seja por uma leitura ou por outra do art. 109, do CTN, o legislador poderia atribuir ‘efeitos tributários’ diversos daqueles que decorreriam da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos do Direito privado. Para tanto, contudo, exige-se que haja decisão do legislador tributário quanto ao desprendimento daquilo que tenha sido consagrado pelo Direito privado. A equivalência jurídica das prestações, como prescrito no Direito privado, impõe ao legislador tributário uma decisão 18 : - Atribuir consequências diversas àquelas que defluem, no Direito privado, da operação típica de permuta sem torna ou; - Silenciar e valer-se do instituto da permuta tal qual existente no Direito privado. É decisivo observar que o legislador ordinário tenha se mantido silente, sem jamais ter atribuído à operação típica de permuta sem torna (em geral, independentemente do bem ou direito permutado) consequências diversas àquelas que defluem do Direito privado. É inclusive desnecessário cogitar da aplicação do art. 110 do CTN 19 ao presente caso, justamente por não ter o legislador tributário excepcionado qualquer conceito de Direito privado. Para fins tributários, mantem-se incólumes a definição, o conteúdo e o alcance do instituto da permuta estabelecidos pelo Direito privado. Como se verificou, o instituto da permuta é tradicional no Direito civil. Entre os civilistas, entende-se que as prestações das partes da relação jurídica de permuta sem torna, 18 Repita-se que não cabe no bojo deste processo administrativo questioner possíveis inconstitucionalidades da tributação da permute, o que é reservado ao Poder Judiciário, conforme o RICARF, art. 62. 19 CTN, Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.065 37 por equivalentes juridicamente entre si, se compensam mutuamente (“rem pro re”). Em uma operação de mercado sob as condições da figura negocial típica da permuta sem torna, as partes não entram em negociação quanto ao “preço” individualizado ou global dos ativos envolvidos. No caso concreto, parece crível e conforme a tradição jurídica e negocial que os contratantes concordaram em trocar um bem pelo outro, assumindo que ambas as partes possuíam considerações particulares que os faziam legitimamente desejar mais o bem recebido do que o bem dado na permuta. Tais considerações subjetivas, como se expos, podem não ser economicamente aferíveis ou, ainda, apenas encontrar justificativa econômica a partir de eventos futuros, como com a destinação do bem em uma operação mais complexa, para a qual se mostre essencial ao conjunto. Tal fator também foi considerado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/PGA n. 454/92, in verbis: “VII - Ressalta notar que na permuta pura e simples os contratantes não são movidos pelo valor monetário ou, em outras palavras, preço dos bens envolvidos, mas sim pelo caráter hedonístico, ou seja, o valor intrínseco de utilidade que os bens permutados terão para cada uma das partes individualmente e por isso que a doutrina afirma que em cada um dos patrimônios o que ocorre é mera substituição de um bem de uma natureza por outro de natureza diferente, independente de qualquer referência a preço de mercado, seja este amplo e aberto e aberto ou restrito e dirigido como ocorre no leilão.” Se no Direito privado o contrato de permuta não requer a precificação ou atribuição de valor ao negócio jurídico realizado (os bens trocados compensam-se, pois são juridicamente equivalentes), tampouco há no Direito tributário exigência para que o contribuinte inclua em seus contratos de permuta sem torna o valor dos bens dados e dos bens recebidos (como o de mercado, por exemplo). Assim, ao submeter a permuta sem torna à sistemática do lucro real, em que as receitas devem ser confrontadas com os sacrifícios necessários à sua obtenção (custos e as despesas), emerge como característica essencial desse negócio jurídico típico a ausência de base imponível de IRPJ e CSL. Como são juridicamente equivalentes, na sistemática do lucro real, a receita decorrente da entrada do bem ou direito recebido é necessariamente neutralizada pelo sacrifício (custo ou despesa) correspondente ao bem ou direito dado em permuta. Não há, assim, como se cogitar a existência de base de cálculo para o IRPJ ou a CSL em operações de permuta sem torna. É também por essa razão que a permuta sem torna está alocada nas hipóteses de não incidência do IRPJ e da CSL: conceitualmente, a base imponível será sempre “zero”. E, por óbvio, “zero” corresponde à ausência de “acréscimo patrimonial”, restando, portanto, impossibilitada o exercício de qualquer poder tributante da União para a cobrança de IRPJ e CSL, conforme se expos no tópico “2” deste voto. Em termos estritamente técnicos, é correto dizer que, com a concretização da permuta sem torna, a renda, enquanto acréscimo patrimonial, ainda não foi realizada. Não há realização do investimento com a permuta sem torna praticada pela ora Recorrente. Há, tão somente, troca patrimonial. A realização do investimento e a consequente tributação da renda se dará em momento posterior, conforme prescreve o Decreto- lei n. 1.598/77 (analisado mais detidamente no tópico “5”, abaixo). Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.066 38 No âmbito do CARF, tal constatação parece ter sido determinante para decisões como a do acórdão n. 2101-001366, de 2.12.2011: “GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA POR MEIO DE PERMUTA, SEM TORNA. APLICAÇÃO DO MESMO TRATAMENTO LEGAL DESTINADO À PERMUTA DE BENS IMÓVEIS. Deve-se aplicar à alienação de participação societária por meio de permuta, sem torna, o mesmo tratamento legal destinado à permuta de bens imóveis. Não tendo havido torna no presente caso, não há que se falar em tributação. Sendo assim, na futura alienação do bem, deverá ser considerado, para apuração do ganho de capital, o custo da aquisição originária do bem que fora objeto de permuta” Na jurisprudência do CARF, também é possível citar outros julgados que reconhecem a não incidência de IRPJ e CSL sobre permutas sem torna, como os que seguem: - Acórdão n. 1401-00037, de 13.5.2009: “Ademais, tratando-se de permuta sem torna, sequer é o caso de o contribuinte apurar lucro, não havendo sentido em se lançar a contrapartida da variação monetária da obrigação em resultados de exercícios futuros”. - Acórdão n. 3402-00154, de 2.6.2009: “Em operação de permuta sem torna, o custo de aquisição, para fins de apuração de ganho de capital, é o valor do bem dado em permuta”. - Acórdão n. 2102-001909, de 16.4.2012: “A permuta ou troca é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra que não seja dinheiro. Tudo que pode ser objeto de uma compra e venda pode ser trocado, não sendo necessário que os bens permutados sejam de igual espécie ou valor, sendo lícito, portanto, permutar um imóvel por uma coisa móvel, ou ainda um bem imóvel ou móvel por um direito. A interpretação tributária que restringe à permuta a troca de bens imóveis não tem base na doutrina ou na própria legislação regente do ganho de capital. Dessa forma, ao contrato de permuta, de forma geral, deve ser dado o mesmo tratamento atribuído ao de permuta de unidades imobiliárias, quando somente se pode falar em ganho de capital se houver torna em dinheiro. Inexistindo torna, não haverá ganho de capital, exceto se o permutante ativar em sua declaração de bens e direitos o bem recebido por um valor maior do que o dado na permuta. Indo mais além, sempre que houver envolvimento de dinheiro em espécie na operação, forçoso reconhecer a eventual existência do ganho de capital.” Não obstante, embora o acórdão recorrido tenha reconhecido a legitimidade da permuta de ações sem torna realizada pelo contribuinte, compreendeu que seria correto à fiscalização avaliar, em um dos polos do negócio jurídico, quais receitas (bens e direitos recebidos) e quais custos ou despesas (bens e direitos entregues) se prestariam à apuração do IRPJ e da CSL. Dessa forma, a decisão recorrida – à revelia de qualquer lei tributária que tenha alterado a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado relacionadas à “permuta” – acabou por tornar não oponíveis ao fisco os efeitos jurídicos do negócio típico realizado pela Recorrente. 3. A tradicional concepção de permuta como hipótese de não incidência tributária do Direito tributário brasileiro: instruções normativas da Receita Federal, pareceres normativos da PGFN, jurisprudência do Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.067 39 CARF e do Poder Judiciário. Há coerência em uma série de normas que convergem para a compreensão de que, em operações de permuta sem torna, o valor dos bens e direitos recebidos (receitas) deve ser considerado como juridicamente equivalente ao valor dos bens e direitos entregues (custo ou despesa). Analiticamente, trata-se de presunção iuris et de iure, coerente com a concepção de que a figura típica da permuta sem torna, tal como tutelada pelo Direito privado, não gera acréscimo patrimonial pela equivalência jurídica das prestações envolvidas. Nessa regra, não há exceções quanto a “o que se permuta”: o tratamento tributário será o mesmo independentemente do objeto permutado, em obediência à diretriz da renda enquanto acréscimo patrimonial. Exemplos de algumas fontes normativas ilustram bem essa constatação. Comecemos por instruções normativas enunciadas pela Receita Federal do Brasil. Importa observar que as permutas no setor imobiliário sempre foram muito comuns. Embora o legislador não se tenha dado o trabalho de reafirmar que a permuta sem torna de bens imóveis não faz nascer obrigações tributárias para as pessoas físicas ou, ainda, para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, a Receita Federal, há aproximadamente 30 anos, mantém esse entendimento, especialmente por meio da Instrução Normativa SRF nº 107, de 14.07.1988. Nesse cenário, a sistemática de tributação da permuta, aplicável às pessoas físicas (IRPF) 20 e às pessoas jurídicas submetidas ao lucro real (IRPJ e CSL) 21 , é tradicionalmente inconteste ao possibilitar que o contribuinte assuma, como valor do bem imóvel recebido em permuta (receita), o valor contábil do bem imóvel entregue (custo ou despesa). O Poder Executivo manifesta o acatamento a tal diretriz não apenas por meio de instruções normativas da Receita Federal, mas também por meio de Decreto. Assim, à revelia de alguma lei ordinária expressa nesse sentido, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), veiculado pelo Decreto 3.000/99 com a função de sistematizar a legislação esparsa do imposto sobre a renda 22 , dispõe: Art. 121. Na determinação do ganho de capital, serão excluídas: (…) II - a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias. Note-se que os textos da IN 107/88 e do art. 121 do RIR/99 não indicam qualquer lei específica que lhes fundamente de forma imediata e direta, por uma razão muito simples: não há. A inexistência de fonte legal imediata aos referidos atos infralegais poderia conduzir à apressada conclusão de sua ilegalidade. No entanto, de maneira alguma a IN 107/88 ou o art. 121, III, do RIR/99, seriam ilegais ou contrários a qualquer norma jurídica: referidos 20 Vide: Instrução Normativa SRF nº 84, de 11.10.2001, art. 12. 21 Vide: Instrução Normativa SRF nº 107, de 14.07.1988. 22 CTN, Art. 212. Os Poderes Executivos federal, estaduais e municipais expedirão, por decreto, dentro de 90 (noventa) dias da entrada em vigor desta Lei, a consolidação, em texto único, da legislação vigente, relativa a cada um dos tributos, repetindo-se esta providência até o dia 31 de janeiro de cada ano. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.068 40 atos infralegais simplesmente declaram a norma tradicionalmente vigente no sistema jurídico brasileiro, segundo a qual permutas sem torna não geram acréscimo patrimonial, pois as entradas patrimoniais equivalem juridicamente às saídas. Em outros termos, a legalidade da IN 107/88 e do art. 121, III, do RIR/99, é dependente da função meramente declaratória, pedagógica, didática que assumem. Tais atos infralegais apenas atribuem maior segurança jurídica ao setor imobiliário quanto à inserção das permutas de bens imóveis sem torna, praticadas por pessoas físicas ou jurídicas submetidas ao lucro real, entre as hipóteses de não incidência do IRPJ e da CSL. É necessário mais uma vez citar julgados do CARF, que corroboram com tal entendimento. Além dos já referidos nos tópicos precedentes, outros mais podem ser colacionados: - Acórdão n. 1102-00020, de 26.8.2009: “A exclusão de parcela relativa à permuta de imóveis tem como fundamento a inocorrência de acréscimo patrimonial para as partes contratantes, não se aplicando para hipóteses de dação em pagamento e com a finalidade de realização de receitas operacionais” - acórdão n. 2101-001751, de 10.7.2012: “Sendo certo que a alienação dos bens imóveis pelo contribuinte foram feitas mediante permuta por fração ideal de novo imóvel, sem o recebimento, de sua parte, de qualquer valor em espécie, mas, ao contrário, havendo pagamento de valor adicional para a aquisição dos novos bens, não há que se falar em ganho de capital. Havendo sido atribuída à fração ideal da nova unidade imobiliária custo de aquisição idêntico àquele relativo ao bem permutado, eventual ganho de capital será aferido futuramente, quando da alienação do novo bem”. - acórdão n. 1302-001217, de 8.11.2013: “Não se pode comparar/ equiparar o contrato de permuta, o qual tem por objeto principal a troca de bens, com o contrato de compra venda, o qual tem por finalidade a obtenção de renda ou lucro. Os institutos em comento são diversos... E foi justamente pela diversidade dos institutos da permuta e da compra e venda que foi inserida no ordenamento jurídico pátrio a Instrução Normativa SRF n. 107/88, a qual permitiu que as pessoas jurídicas, ao realizarem os contratos de permuta, tributassem apenas a torna, caso está existente”. Merece destaque o acórdão n. 9202-001819, da CSRF, na qual foi analisada permuta envolvendo inclusive elementos de natureza diversa, quais sejam, ações ou quotas de pessoa jurídica e bens imóveis: GANHO DE CAPITAL ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA PERMUTA POR IMÓVEL COM TORNA. Não incide o imposto de renda na permuta de bens, exceto sobre o valor da torna em moeda corrente, se apurado ganho de capital na operação. Irrelevante, nesse caso, a retificação pelas partes do valor do bem recebido em permuta, efetuada antes do inicio da ação fiscal. Na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, merece destaque o seguinte precedente: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA. EXTINÇÃO DE Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.069 41 HOLDING. DEBATE ACERCA DA OCORRÊNCIA OU NÃO DE DISTRIBUIÇÃO EFETIVA DE LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. Inexiste ofensa ao artigo 535, do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. 2. In casu, nos embargos de declaração opostos contra o acórdão que julgou a apelação, a Fazenda Nacional requereu pronunciamento acerca da alegação de que o auto de infração impugnado não se referiria a lucros incorporados ao capital, mas a lucros não capitalizados. 3. Assentando o Tribunal a quo, com fulcro no parecer do Ministério Público, que o Fisco não demonstrara "aquilo que os autos desmentem, a saber, a suposta distribuição de lucros, a redundar em ganho para os sócios e justificar a incidência do IR, no caso concreto", bem como lançando a assertiva de que: "...quando a 'holding' foi extinta, não havia lucro efetivo a ser distribuído aos sócios, sendo substituído o valor de participação de cada um dos quotistas por ações e quotas de outras empresas (as controladas), não havendo geração de riqueza nova, uma vez que ocorreu apenas uma permuta de bens. Tratou-se de simples fato permutativo, do ponto de vista das ciências contábeis, que provoca uma troca de elementos patrimoniais, sem, contudo, alterar o patrimônio líquido do contribuinte. Não se pode confundir com a hipótese de fatos modificativos positivos (plano contábil), que importam em uma efetiva mutação aumentativa dos elementos patrimoniais da pessoa, caracterizando acréscimo patrimonial, fato imponível do IR" , ressoa cristalino que fundou a sua conclusão no contexto fático-probatório. 4. Destarte, revela-se inequívoco não só não ter a decisão hostilizada incorrido na omissão apontada, que ensejaria o provimento do recurso pela violação ao artigo 535, do CPC, como também, no que pertine ao debate acerca da ofensa ao artigo 43, do CTN, com o que pretende o recorrente o revolvimento de matéria insindicável, em sede de recurso especial, pelo E. STJ, ante a incidência da Súmula 07. Isto porque o acórdão recorrido, no exercício de cognição plena, perfilhou o entendimento da não incidência de imposto de renda, partindo da premissa de que, in casu, não houve distribuição de lucros efetivos aos sócios, mas mera permuta de bens, uma vez que o valor da participação de cada um dos quotistas foi substituído por ações e quotas de outras empresas (as controladas), gerando mera expectativa de percepção futura de lucro. 5. Análise da pretensão recursal que implica no indispensável reexame do contexto fático-probatório dos autos, porquanto exige o cotejo entre o auto de infração e a operação realizada pela empresa no ato de sua dissolução, para aferir a ocorrência ou não de distribuição efetiva de lucros, ensejador de acréscimo patrimonial, fato imponível do imposto de renda. 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, improvido. (STJ, REsp 668.378/ES, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/10/2005, DJ 14/11/2005, p. 197) Prosseguindo com a análise de fontes formais do Direito tributário pertinentes ao tema, é preciso analisar como o legislador ordinário, ainda que omisso, conduz à norma segundo a qual a permuta sem torna corresponde a uma hipótese de não incidência tributária. A coerência do legislador em relação a essa matéria é tamanha que, a fim de conferir a situações geralmente tributadas o status de hipóteses de não incidência tributária, o Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.070 42 faz justamente por meio de remissão legal ao efeitos da permuta sem torna. Por tomar como livre de debates no sistema jurídico vigente que permutas sem torna não estão sujeitas à incidência de IRPJ e CSL, o legislador atribui o mesmo efeito a situações tributáveis que decide desonerar. Foi o que se fez, por exemplo, no art. 65 da Lei 8.383, de 30.12.91: Art. 65. Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. § 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. § 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. § 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação: § 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título. O art. 65 da Lei 8.383/91 é relevante ao presente caso, pois evidencia que a permuta sem torna, inclusive de ações, se encontra no campo da não incidência tributária. O aludido dispositivo tutela a (não) tributação de operações de dação em pagamento. Em situações normais, a dação em pagamento de títulos da dívida pública para a aquisição de ações de empresas estaria sujeita à tributação do ganho de capital. A distinção entre permuta e dação em pagamento é questão assente no CARF: - Acórdão n. 3402-00048, de 5.3.2009: “Não podemos confundir a dação em pagamento onde há ingresso de rendimento no patrimônio do contribuinte com a permuta que é mera troca patrimonial de bens que não representaria acréscimo patrimonial, ressalvando os casos em que há pagamento de torna”. Assim, na representação gráfica proposta acima (tópico “2”), os possíveis ganhos de capital dessa operação de dação em pagamento representariam acréscimos patrimoniais sujeitos à tributação e, portanto, localizados no “círculo (2)”. O art. 65 da Lei 8.383/91, contudo, desloca a dação em pagamento no “círculo (3)”, entre as situações que representam “acréscimos patrimoniais”, mas que não são tributadas pelo IRPJ e pela CSL por norma de isenção que opera por remissão às consequências jurídico-tributárias da permuta sem torna. Note-se que o legislador basicamente repisa, nos parágrafos do art. 65 da Lei 8.383/91, conhecidos e tradicionais procedimentos para a neutralização de qualquer incidência tributária sobre operações de permuta. Assim, por exemplo, os aludidos dispositivos prescrevem que se considere, como valor das ações adquiridas (receitas), o valor dos títulos da dívida públicas entregues (custo ou despesa). Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.071 43 Não se pode esquecer, ainda, pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que se alinham à mesma diretriz, como o Parecer PGFN/PGA n. 454/92 já referido neste voto, do qual ora se destaca o seguinte trecho: “16. É evidente, os argumentos válidos para a permuta de imóveis servem igual- mente para demonstrar a inexistência do fato gerador do imposto de renda na permuta de ações por títulos diversos, 17. Alinham-se contra a tributação na permuta os seguintes argumentos: um de caráter prático, ligado às dificuldades para demonstrar a avaliação de ganhos, uma vez que cada um dos contraentes aceitou o outro bem sem cogitar de prévio ajuste de preço: outro que corre paralelamente à ideia, ainda que existisse e se comprovasse ganho, m: seja, o fato de que o ganho não realizado não constituiria renda, logo não existiria capacidade tributária sem comprometer o próprio patrimônio. Um outro complicador, no caso específico dos ganhos de capital (quando existentes) das pessoas jurídicas, é a sistemática contábil em uso, pois o resultado das empresas é lançado com base em resultados evidenciados pelos balanços sem discriminação quanto à sua integração individualizada, do que resulta na impossibilidade prática da distinção entre mais-valia e lucro. 18. É sabido na doutrina do direito tributário que todos os impostos, sem nenhuma exceção, necessariamente são baseados no princípio da capacidade contributiva. Sobre ele assim se exprimiu o Geraldo Ataliba. "2. Quanto à capacidade contributiva, é um conceito que já foi juridicizado e cuja definição e reconhecimento não são difíceis, nos dias que correm. De toda maneira, a circunstância de o texto constitucional tê-lo consagrado de modo explícito (art. 145, § 19), obriga o jurista a reconhecer-lhe um determinado conteúdo, sentido e alcance. É a expressão tributária (quanto à espécie imposto) das exigências do princípio geral de isonomia consagrado no art. 5 o e seu item I" (Geraldo Ataliba, em RDP , n. 93, Editora Revista dos Tribunais). 19. Este princípio limita o poder de tributar do Estado, traduz-se na exigência de que a tributação seja modulada de modo a adaptar-se à riqueza dos contribuintes. A lei tributária deve atingir manifestação ou aspectos dessa riqueza e, o que é mais importante, sem destruir a sua fonte criadora. 20, O momento do fato gerador do imposto sobre mais-valia é o da alienação do bem por um preço que ultrapasse a reposição do capital, realizando-se só neste momento o ganho de capital. Ora, como bem acentuou Pontes de Miranda na troca há correspectividade sem preço, porque os figurantes da relação jurídica não entram com dinheiro, consequentemente inexiste fato gerador do tributo. Poder-se-ia dizer, no caso da permuta, sem torna de dinheiro, que o momento da incidência seria deferido no tempo. 21. Cria-se, fictamente, na permuta de bens, um ganho de capital é violar o próprio patrimônio. A sua tributação configuraria, por conseguinte, imposto sobre a propriedade e não sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Não existe lei mandando cobrar imposto na permuta de bens, não onerosa. Ainda que existisse tal diploma legal, seria fulminado pelo vício insanável da inconstitucionalidade.” A decisão recorrida, que entendeu por manter a tributação de IRPJ e CSL sobre a operação de permuta de ações sem torna, contraria, como se evidencia, uma gama de vetores que convergem para que tal situação seja prontamente considerada como uma hipótese de não incidência tributária. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.072 44 É por essa razão que voto pela reforma da decisão recorrida, para o cancelamento do respectivo auto de infração. 4. “Normas pedagógicas” para elucidar hipóteses de não incidência tributária: imprescindíveis? O acórdão a quo, por voto de qualidade, compreendeu que, como decorrência imediata da não aplicação da IN 107/88 à permuta de ações, tal operação deveria ser tributada. Quanto a essa questão, o acórdão recorrido restou assim ementado: “As disposições da IN 107/88 versam apenas sobre permuta de unidades imobiliárias (edificações e terrenos), logo, inaplicável em caso de permuta de participações societárias. Por essa razão e à mingua de outra norma nesse sentido aplicável na espécie, não há falar que a participação societária recebida deva ser contabilizada pelo valor participação societária dada em permuta”. No entanto, como se pôde observar, a própria legalidade da IN 107/88 é dependente de sua função meramente declaratória, pedagógica, didática ao setor imobiliário quanto à inserção das permutas de bens imóveis sem torna entre as hipóteses de não incidência do IRPJ e da CSL. Há no sistema jurídico normas cuja função é meramente pedagógica, declaratória, didática. Tais normas não são, em absoluto, imprescindíveis, já que não lhes cabe mais do que repisar de forma mais clara e eficaz à sociedade algum mandamento já existente no ordenando jurídico. A importância de normas gerais e abstratas meramente pedagógicas pode estar relacionada com a necessidade de se lembrar aos aplicadores do Direito a sua cogência, de modo que, quanto menor a eficácia social 23 das normas do sistema jurídico, mais pertinência pode vir a ter enunciados prescritivos meramente pedagógicos, didáticos. No âmbito do Direito tributário, referidas normas podem ser enunciadas para reafirmar hipóteses de não incidência, com a utilidade, por exemplo, de pacificar contendas. Mas repita-se: não são, em absoluto, imprescindíveis, já que não lhes cabe mais do que repetir algum mandamento já existente no ordenando de forma mais clara e eficaz à sociedade. A função meramente declaratória, pedagógica, didática da IN 107/88 e do art. 121, III, do RIR/99, é escancarada pela ausência de lei, na acepção estrita do termo, em que estejam embasados esses instrumentos infralegais, como se apontou acima. Seria necessária a atividade prévia do Poder Legislativo, de enunciar lei ordinária com a previsão de não incidência de IRPJ e CSL sobre operações de permuta sem torna de bens imóveis, para só então o Poder Executivo ter competência para enunciar atos infralegais confirmando a não tributação de tais eventos? Não, pois trata-se de hipótese de não incidência tributária, há muito consagrada no Direito brasileiro, a qual sequer o legislador poderia contrariar sem contradizer a diretriz mestra da concepção de renda enquanto acréscimo patrimonial. 24 Normas de tal jaez seriam úteis para evitar a formação de demandas como esta, mas perfeitamente prescindíveis para que sejam respeitados os efeitos jurídicos de uma 23 Cf. PAULO DE BARROS CARVALHO , “a eficácia social ou efetividade, por sua vez, diz respeito aos padrões de acatamento com que a comunidade responde aos mandamentos de uma ordem jurídica historicamente dada.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2000, p. 81-82). 24 Repita-se que não cabe no bojo deste processo administrativo questioner possíveis inconstitucionalidades da tributação da permute, o que é reservado ao Poder Judiciário, conforme o RICARF, art. 62. Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.073 45 hipótese de não incidência tributária. A ausência de norma expressa quanto à não tributação de permutas sem torna, desse modo, não alteram a qualificação de hipóteses de não incidência tributária. 5. O Método de Equivalência Patrimonial (MEP), o Deságio e o Diferimento da tributação para o momento da realização do investimento. Nos idos de 1976, a Lei 6.404 regulou a adoção do método da equivalência patrimonial, nos seguintes termos: “Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: (…)” Nesse seguir legislação brasileira passou a prever que as pessoas jurídicas que detivessem investimentos em outras pessoas jurídicas controladas ou coligadas desdobrassem o custo destes pelo método de equivalência patrimonial (“MEP”) e o ágio ou deságio eventualmente verificado em sua aquisição: Decreto-lei n. 1.598/77 Art. 20 - O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I - valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II - ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º - O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º - O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º - O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Art. 25 - As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. Sujeita à referida norma, no presente caso, a Recorrente avaliou o seu investimento pelo MEP e, ao permutar as suas ações, desdobrou o aludido investimento no valor equivalente ao patrimônio líquido da nova investida e no correspondente deságio verificado. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.074 46 O ágio ou deságio apurado pela investidora, como decorrência contábil do MEP, é sabidamente neutro para fins fiscais. Ocorre que, tecnicamente, não houve qualquer “realização do investimento” com a permuta sem torna realizada. Houve apenas “troca patrimonial”. Ao realizar a permuta de ações sem torna, a Recorrente não estaria de fato sujeita à cobrança de IRPJ e CSL, em consonância com a consagrada hipótese de não incidência tributária que vige no sistema jurídico brasileiro. Assim, o legislador elegeu como fato gerador o momento seguinte ao evento da permuta sem torna que, aí sim, se tornaria capaz de ensejar a realização da renda. É o que se observa dos arts. 31 e 33 do Decreto-lei n. 1.598/77: Art. 31 - Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (parágrafo 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. (...) Parágrafo 3º - O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (parágrafo 1º), diminuído da provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. Art. 33 - O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I - valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II - ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; Dessa forma, embora a permuta de ações sem torna não seja capaz de dar ensejo à ocorrência do fato gerador do IRPJ ou da CSL, em momento seguinte, quando a Recorrente alienar o seu investimento, o deságio escriturado em função da aludida permuta irá majorar o ganho de capital a ser tributado. Em outros termos, o deságio decorrente da permuta reduziria o “valor contábil” do investimento e, confrontando este com o valor pelo qual tal investimento vier a ser alienado, o ganho de capital tributável será proporcionalmente maior. É nesse momento da realização do investimento, então, que o deságio apurado pelo MEP poderia vir a ser legitimamente tributado pela União. Desse modo, atento à consagrada hipótese de não incidência tributária que vige no sistema jurídico brasileiro e à não realização do investimento com a prática do típico negócio da permuta sem torna, o legislador prescreveu a seguinte sistemática: 1) previu a adoção de mecanismo de contabilização do investimento mantido em controladas ou coligadas acima referido (MEP), hábil para registrar o ágio ou deságio decorrente de operações de permuta (Decreto- lei n. 1.598/77, art. 20); 2) manifestou o diferimento do interesse tributante para o momento da alienação que, finalmente, enseje a realização do investimento (Decreto- lei n. 1.598/77, art. 25); Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.075 47 3) previu as consequências do ágio ou deságio apurado na operação de permuta para o cálculo do ganho de capital obtido com a posterior alienação (realização) do investimento (Decreto-lei n. 1.598/77, art. 31 e 33). 6. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA COM A MULTA DE O FÍCIO. Com a manutenção da cobrança principal por este Colegiado, é preciso decidir se a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSL deve ser cobrada cumulativamente com a multa de ofício, na hipótese de auto de infração lavrado após o término do exercício fiscal. Conforme a Súmula CARF n. 82, “após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. A inteligência da Súmula decorre da constatação de que as estimativas, recolhidas ou não, seriam meras antecipações do tributo cujo fato gerador ocorreria efetivamente no dia 31.12. O legislador tributário, ao estruturar a sistemática de apuração do IRPJ/CSL pelo lucro real anual, foi coerente com essa metodologia: 1) durante o exercício fiscal, o contribuinte deve recolher estimativas mensais. Se no curso do exercício fiscal a fiscalização constatar que o contribuinte não apurou e recolheu estimativas menais, salvo na hipótese de apresentação de balanços de suspensão ou redução, deverá lavrar auto de infração para a cobrança de tais valores, com a imposição da multa correspondente; 2) após o fim do exercício fiscal, nenhuma estimativa mais é devida ou multa pelo seu não cumprimento são exigíveis. O contribuinte deve apurar o IRPJ/CSL e recolher os valores devidos. Se após o término do exercício fiscal a fiscalização constatar que o contribuinte não apurou e recolheu o IRPJ/CSL, deverá lavrar auto de infração para a cobrança de tais valores, com a imposição da multa correspondente. O legislador tributário, ao estruturar a sistemática de apuração do IRPJ/CSL pelo lucro real anual, naturalmente não exigiu a cumulação da exigência das estimativas e do IRPJ/CSL. Da mesma forma, o legislador coerentemente não exigiu a cumulação das multas, o que, entre outros princípios, ofenderia a proibição da consunção. No caso da multa isolada por não apuração de estimativas sob julgamento, o seu critério temporal está adstrito ao exercício fiscal em que uma determinada estimativa deveria ser apurada e recolhida pelo contribuinte e não o tenha sido. Após esse marco temporal, o bem jurídico em questão (estimativas mensais) deixa de ser exigível, bem como a corresponde penalidade que busca garantir a seu cumprimento espontâneo pelo contribuinte também não é mais exigida pelo legislador. Após 31.12, competirá à fiscalização exigir não mais estimativas, mas o recolhimento do efetivo tributo (IRPJ e CSL) por ventura devido e não recolhido a seu tempo, com a multa de ofício cabível em razão desse atraso (qualificada, se for o caso). Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.076 48 Apenas na hipótese de a fiscalização exigir estimativas não apuradas e recolhidas no curso do próprio exercício fiscal é que se mostra cabível tanto a exigência dessas antecipações quanto a imposição da correspondente multa pelo não cumprimento desta. Merecem destaque algumas decisões proferidas por esta CSRF, que igualmente compreenderam inaplicável aludida multa isolada após o encerramento do exercício fiscal: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA - FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA - O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial negado. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Período de apuração: 2001 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei IV 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não- recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor e estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. (Acórdão n. 9101-000.575, de 18.05.2010) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobre base estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidou-se no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. (Acórdão n. 9101-001.547, de 22.01.2013) Compreendo que tais fundamentos seriam suficientes para dar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. Há, no entanto, uma questão fundamental que deve ser enfrentada, tendo em vista o seu caráter vinculante. Faz-se necessário decidir se a Súmula n. 105 é aplicável também aos períodos posteriores à edição da Lei n. 11.488/2007, de forma a ter eficácia no julgamento do presente caso: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.077 49 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Para tanto, é preciso analisar os efeitos trazidos pela Lei nº 11.488/2007 sobre o 44 da Lei nº 9.430/96, de forma a verificar se a Súmula n. 105 é igualmente aplicável aos períodos posteriores a 2007. Em sua redação original, o art. 44 da Lei n. 9.430/96 assim prescrevia: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente. Com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, o dispositivo passou a dispor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (…) b) na forma do art. 2 o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Tanto nos termos do RICARF vigente à época da enunciação da Súmula n. 105 do CARF (08.12.2014) quanto no atual, para a edição de súmulas, são levados à apreciação dos Conselheiros deste Tribunal determinado número de julgados sobre a matéria, considerados capazes de possibilitar a “mais precisa percepção possível não apenas da questão de direito cuja relevância há de se aferir, como também do conflito em que ela se insere” 25 . Os casos selecionados devem propiciar a ventilação dos mais relevantes argumentos quanto à interpretação que deve ser atribuída à legislação federal, pois a norma decorrente da súmula deverá ser aplicada a todos os demais casos que apresentem questão de direito equivalente. Por esse arcabouço jurídico, atribui-se à súmula do CARF a feição de precedente com “força necessária para servir como ratio decidendi para o juiz subsequente” 26 . Por essa sistemática, os fundamentos adotados nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a 25 TALAMINI, Eduardo. Julgamento de recursos no STJ ‘por amostragem’. Informativo Justen, Pereira Oliveira e Talamini, 2008. Disponível em www.justen.com.br/informativo. 26 À semelhança do que ocorre com os recursos repetitivos do STJ. A respeito destes, vide: MESQUITA, José Ignácio Botelho et al. A repercussão geral e os recursos repetitivos: economia, direito e política, In: Revista de Processo, São Paulo, v. 38, n. 220, p. 13-32, jun. 2013, p. 29. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.078 50 edição da súmula passam a ser aplicáveis, de forma obrigatória, a todos os demais casos que vierem a ser submetidos ao CARF. Para a solução do presente caso, é preciso compreender essa relação de complementariedade: a ratio decidendi dos acórdãos paradigmas não se desprendem da respectiva súmula, nem esta deve ser aplicável a hipóteses que não estariam abrangidas pelos aludidos paradigmas. Em outras palavras, como a súmula é norma geral e concreta 27 que veicula a ratio decidendi outrora presente em reiterados acórdãos individuais e concretos, a sua aplicação é restrita às situações que sejam equivalentes àquelas tratadas nos referidos acórdãos paradigmáticos. A aplicação de uma súmula a um caso concreto pressupõe que as premissas fáticas e as normas questionadas neste sejam equivalentes às premissas fáticas e às normas questionadas nos paradigmas que ensejaram a súmula. No caso, duas ratio decidendi podem ser abstraídas dos fundamentos dos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF. A primeira delas é que, pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deve ser absorvida pela multa de ofício. É o que se observa dos seguintes acórdãos que serviram de inspiração à Súmula n. 105: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 1998 (...) MULTA ISOLADA - APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101-001.307, de 24/04/2012) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA - Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano- calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CARF, 3ª Turma Especial, 1ª Seção, 1803-001.263, de 10/04/2012) 27 Vide, sobre o tema: CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 35-41. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.079 51 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano- calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101-001.261, de 22/11/2011) Neste último acórdão, houve a transcrição integral dos fundamentos adotados em outro julgamento da CSRF, que restou assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado. (CSRF/01-05.838, de 15.04.2008) A segunda ratio decidendi, que se abstrai dos paradigmas que inspiraram a Súmula n. 105 do CARF, consiste no não cabimento de lançamento de multa isolada cuja base de cálculo seja coincidente ou esteja está inserida na base de cálculo das multas de ofício. É o que se observa de suas respectivas ementas, a seguir transcritas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOS-CALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Recurso Especial do Procurador conhecido e não provido. (CSRF, 9101-001.203, de 17/10/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2001 Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.080 52 IR-FONTE. AFASTAMENTO. O próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. MULTA ISOLADA. ANO-CALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso especial do Procurador negado. (CSRF, 9101-001.238, de 21/11/2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 (...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. (...) (CARF, 1ªC/2ªTO, 1102-00.748, de 09/05/2012) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, no caso de penalidades, está prevista no artigo 173, I do CTN, apresentando-se regular a exigência formalizada dentro deste prazo. Por sua vez, em relação aos tributos, havendo antecipação de recolhimentos o prazo é contado na forma do art. 150, §4o. do CTN. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). (...) (CARF, 4ªC/2ªTO, 1402-001.217, de 04/10/2012) Em todos esses julgados, portanto, compreendeu-se não ser cabível o lançamento de multa isolada, quando: - pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deva ser absorvida pela multa de ofício; - a sua base de cálculo seja coincidente ou esteja inserida na base de cálculo das multas de ofício. Os referidos fundamentos permanecem aplicáveis mesmo após a edição da Lei n. 11.488/2007, o que obriga este Colegiado à aplicação da Súmula 105, que não possui restrição temporal em seu enunciado. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.081 53 Em primeiro lugar, não há dúvidas que a referida súmula consagrou o princípio da consunção, que justamente serviu de fundamento aos acórdãos que a inspiraram. É o que se observa dos fundamentos do acórdão 01-05.838, proferido pela CSRF em 15.04.2008, da relatoria do então Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA , in verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, deve-se investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam ‘principio da consunção’. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ‘pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem violar uma pluralidade de normas passando-se de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...’. E prossegue ‘no crime progressivo portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave’. Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado no final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo.” Repita-se: mesmo após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007 ao art. 44 da Lei n. 9.430/96, a teoria da consunção permanece plenamente aplicável à matéria sob julgamento. Esse é, inclusive, o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça (doravante “STJ”), como se observa do seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplica-se aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.082 54 de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitam-se aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1.496.354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Em seu voto, acompanhado pela unanimidade da Segunda Turma da 1 a Seção do STJ, o i. Ministro HUMBERTO MARTINS, relator do referido julgado, assim explicitou os fundamentos, in verbis: “Sistematicamente, nota-se que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destaca-se que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo-tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplica-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.” Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.083 55 Em decisão posterior, no REsp 1.499.389/PB, o STJ novamente vivificou o princípio da consunção para afastar a cumulação da multa de ofício com a multa isolada, em período posterior à Lei n. 11.488/2007. A referida decisão restou assim ementada: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicou-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1499389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 28/09/2015) É fundamental notar que a ratio decidendi presente nos referidos julgados do STJ, que se detiveram às alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, não é distinta daquela adotada pelo CARF em seus reiterados julgados proferidos na vigência da redação original do art. 44 da Lei n. 9.430/96 e que motivaram a edição da Súmula n. 105. Nesse seguir, após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, o mesmo dilema quanto à consunção, anteriormente enfrentado pelo CARF e solucionado pela Súmula n. 105, permanece presente. Além disso, também a segunda a ratio decidendi da Súmula n. 105 permanece aplicável mesmo após a edição da Lei n. 11.488/2007, atinente à impossibilidade da base de cálculo da multa isolada estar inserida na base de cálculo das multas de ofício. Note-se que, no acórdão 1102-00.748, também citado acima entre os paradigmas da Súmula n. 105 do CARF, a então Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA consignou que o fundamento para a proibição da cumulação da multa de ofício com a multa isolada se daria pelo fato da base de cálculo desta estar compreendida na base de cálculo daquela, in verbis: “No caso destes autos, constata-se que o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício. Levando-se em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico valor, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de oficio, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido.” (grifos acrescidos) Como se pode observar, a ratio decidendi adotada nesse julgado, proferido com vistas à redação original da Lei n. 9.430/96, continua perfeitamente aplicável às normas sancionatórios veiculadas pela Lei n. 11.488/2007: enquanto a redação original previa que as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício seriam idênticas, com a redação vigente Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 14120.720002/2011-28 Acórdão n.º 9101-002.445 CSRF-T1 Fl. 1.084 56 a partir de 2007, não há mais necessária coincidência, embora seja certo que o valor da base de cálculo da multa isolada permanece inserido na base de cálculo da multa de ofício. 7. CONCLUSÃO. Restou demonstrado neste processo administrativo que a Recorrente realizou legitimamente operação de permuta de ações sem torna, sem a prática de qualquer ato simulado ou dissimulado. Tendo em vista que o legislador tributário não alterou a definição, o conteúdo e o alcance do instituto típico no Direito privado da permuta sem torna, as prestações mútuas da operação realizada pela Recorrente devem ser consideradas como juridicamente equivalentes. Como consequência, na sistemática do lucro real, não há base imponível (base de cálculo igual a “zero”) para o IRPJ e a CSL, que apenas tributariam acréscimos patrimoniais (renda ou lucro). Na sistemática do lucro real, portanto, as permutas de ações sem torna estão inseridas no campo das hipóteses de não incidência de IRPJ e CSL, tornando desnecessários, inclusive, dispositivos legais ou infralegais que, para fins meramente didáticos, declarem a não tributação das aludidas operações. Não se trata de qualquer isenção, mas de hipótese de não incidência tributária que conduz ao mero diferimento do pagamento de IRPJ e CSL: em momento posterior, o deságio apurado pelo método da equivalência patrimonial deverá ser considerado para o cálculo do ganho de capital obtido pela Recorrente com a realizado o investimento (por exemplo, venda). Pelo que foi exposto e em linha com meu voto proferido no julgamento do presente recurso especial, no qual lhe dei provimento, entendo que a permuta de ações sem torna realizada pela Recorrente não dá azo à tributação de CSL e de IRPJ, razão pela qual o lançamento tributário realizado não deveria subsistir. Com a manutenção dessa cobrança principal, por sua vez, deve ser afastada a exigência cumulativa da multa isolada e da multa de ofício, conforme fundamentos acima expostos. Assinado Digitalmente Luís Flávio Neto Fl. 1084DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.003496/2006-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9101-000.018
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Hélio Eduardo de Paiva Araújo (suplente convocado). Nos termos do artigo 60 do Anexo II do RICARF, votou originalmente por dar provimento, com retorno à turma a quo o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Nathalia Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Nos termos do artigo 60 do Anexo II do RICARF, votou originalmente por dar provimento, com retorno à turma a quo o conselheiro Rafael Vidal de Araújo (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Luís Flávio Neto, Adriana Gomes Rego, André Mendes de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .0 03 49 6/ 20 06 -6 6 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assina do digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.003496/200666 Resolução nº 9101000.018 CSRFT1 Fl. 682 2 Moura, Nathalia Correia Pompeu, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (Suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio) e Hélio Eduardo de Paiva Araújo (Suplente convocado em substituição à conselheira Maria Teresa Martinez Lopez). Relatório Tratase de Recurso Especial (fls.481/485) contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova, interposto pela Fazenda Nacional, em 16/07/2008, com fundamento no art. 4º da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e no art. 7º, inciso I, c/c §1º, e art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº147, de 25/06/2007. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 10709.275 (fls.457/477), de 23/01/2008, por meio do qual a 7a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar o lançamento de IRRF, conforme voto vencedor. O Acórdão Recorrido, na parte que interessa ao caso concreto, está assim ementado: IRRF. INAPLICABILIDADE DO ART. 61 DA LEI N° 8981/95. PRESUNÇÃO. Aplicase aos casos de omissão de receitas a presunção legal expressamente prevista no art. 40 da Lei n° 9.430/96. Tal presunção, contudo, não importa no lançamento de IRRF, visto que o art. 61 da Lei n° 8981/95 contempla taxativamente as hipóteses em que deve ser aplicada. As provas apresentadas pelo fisco devem estar em harmonia com as hipóteses legais, incabível, portanto, a utilização da presunção quando esta não encontrase contemplada no texto normativo. A recorrente discorda do acórdão recorrido por entender que há provas suficientes nos autos que fundamentam a aplicação do referido dispositivo legal, sob pena de, afastandoo, culminar em sua violação. Afirma que: ...não cabe falar em "presunção da presunção" porque restou comprovado o pagamento pela recorrida a beneficiário não identificado ou sem causa. Com efeito, não há presunção de pagamentos ou depósitos efetuados no exterior porque as operações restaram comprovadas nos relatórios de fls. 72/73 e 83/85 dos autos, que foram elaborados a partir de laudos periciais que consolidaram as provas do envio e remessa de recursos ao exterior. E ainda: ... Fl. 682DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assina do digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.003496/200666 Resolução nº 9101000.018 CSRFT1 Fl. 683 3 identificouse operações nos anos calendário de 2000 e 2002 nas quais a contribuinte Isoladores Santana S. A., CNPJ n° 53.859.138/000107, com domicílio tributário à Rua Antônio Pedro, 645, Pedreira/SP, aparece, ora como ordenante, ora como remetente de divisas, por meio de contas/subcontas mantidas/administradas no Banco Chase de Nova Iorque por Beacon Hill Service Corporation BHSC (contas Tupi Sobra, Sleminsh e Tucano). Essas são as provas contundentes que permitem aplicar o art. 61 da Lei 8981/95, vez que elas demonstram cabalmente a ordem das operações de remessas de recursos ao exterior, assim como revelam o pagamento a beneficiário não identificado ou a terceiro sem comprovação de sua causa. A Recorrente ressalta que: “o voto vencido (fls. 467) igualmente constatou a falta de identificação do beneficiário das remessas de recursos ao exterior, assim como a ausência de comprovação da sua causa, tornando patente a violação, pelo voto vencido, data venia, da regra esculpida no art. 61 da Lei 8981/95. Deveras, a falta de identificação do beneficiário impede o Fisco de exigir o imposto que seria devido sobre o rendimento percebido. Essa é a razão de ser da tributação exclusiva na fonte.” Finalmente requer seja provido o Recurso Especial interposto, para que se restabeleça a incidência do IRRF referente aos anoscalendário de 2000 e 2002, mantendose o lançamento fiscal incólume. O Recurso Especial da PFN foi admitido nos termos do Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial DEF107156801_175, às fls.487/488, de 08/09/2008, do Presidente da Sétima Câmara do Extinto 1º CC. Cientificado do Acórdão de Recurso Voluntário e do Recurso Especial, interposto pela PFN, a empresa ISOLADORES SANTANA S/A apresenta Contrarrazões (fls.501/508), em 29/10/2008, e Recurso Especial de Divergência (fls.510/549) relativo à parte que restou vencida, em 30/10/2008. Todavia, em 30/12/2009 apresenta pedido de desistência Total (fls.561/562) do Recurso Voluntário interposto nos processos para fins de pagamento a vista dos débitos com os benefícios previstos na Lei n° 11.941/2009. É o relatório. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assina do digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.003496/200666 Resolução nº 9101000.018 CSRFT1 Fl. 684 4 Voto Vencido Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme relatado a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls.481/485), por contrariedade à Lei ou à evidência de prova, contra o Acórdão nº 10709.275, de 23/01/2008, por meio do qual a 7a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar o lançamento de IRRF, conforme voto vencedor. Como o provimento do Recurso Voluntário foi parcial, obviamente parte foi favorável ao sujeito passivo e parte desfavorável. A parte desfavorável foi objeto de Recurso Especial do Contribuinte (fls.510/549). A parte favorável ao sujeito passivo depende do resultado do julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls.481/485), autor do recurso. O pedido de desistência Total (fls.561/562) do Recurso Voluntário foi apresentado somente em 30/12/2009, quase dois anos depois de o Recurso Voluntário ter sido julgado. Se o pedido fosse anterior ao julgamento do Recurso Voluntário não haveria maiores problemas, pois o recurso restou prejudicado e é caso de mera devolução do processo à repartição de origem determinada pelo Presidente de Câmara, nos termos do inciso IX do art.18 do Anexo II do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/96/2015. Entretanto, como o pedido de desistência do recurso voluntário foi posterior ao seu julgamento, a questão se torna mais interessante e demanda maiores considerações. Não se trata aqui especificamente de desistência de Recurso Especial do Contribuinte, embora o contribuinte também tenha interposto recurso especial, tratase de desistência do Recurso Voluntário; não obstante, de pronto, estar atingido pela desistência o Recurso Especial de Divergência do Contribuinte de fls.510/549, já que o contribuinte renunciou ao seu direito constante no Recurso Voluntário, do qual o Recurso Especial é um subconjunto, pois, por estabelecimento de requisitos de admissibilidade, este só pode tratar de matérias ali prequestionadas. Por certo que a desistência pelo sujeito passivo não pode implicar em desistência da PGFN de seu Recurso Especial, já que somente o autor pode desistir de seu recurso (repiso, o autor do Recurso Especial por contrariedade à Lei ou à evidência de prova é a Fazenda Nacional e não o contribuinte; o sujeito passivo não pode desistir de um recurso do qual não é o autor). Temos, portanto, uma decisão do CARF, decisão administrativa e de segunda instância, e um Recurso Especial por contrariedade à Lei ou à evidência de prova devidamente formalizados. Como proceder? Não é caso do referido inciso IX do art. 18, pois não se estaria apenas devolvendo um processo com um recurso desistido, mas adicionalmente uma decisão colegiada e um recurso especial válido (recurso especial da Fazenda Nacional não desistido). Fl. 684DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assina do digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.003496/200666 Resolução nº 9101000.018 CSRFT1 Fl. 685 5 O artigo 78 do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/96/2015, tratou assim da questão: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. ... § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. ... (Grifei) O caso se subsume ao parágrafo 5º do art. 78 do Anexo II do RICARF: a desistência foi total e havia decisão favorável ao contribuinte com recurso pendente de julgamento. Assim, como consequência dessa subsunção, impõese: a) a declaração de que a decisão favorável ao sujeito passivo tornouse insubsistente; e b) o encaminhamento dos autos para a unidade de origem para procedimentos de cobrança. O que é importante decidir é a quem cabe declarar a insubsistência da decisão favorável ao sujeito passivo. Nesse ponto o Regimento Interno é omisso. Não me parece o mais apropriado remeter os autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora torne uma decisão administrativa colegiada do CARF insubsistente. Penso que, tendo em vista a casuística das situações que podem se suceder, a solução deve ser encontrada caso a caso, sem se furtar a aplicação do referido parágrafo 5º. No caso concreto, a meu ver, a solução que proponho é bem simples, vejamos. Tradicionalmente, são duas as possibilidades de se alterar uma decisão: a anulação e a reforma. Considero improcedentes eventuais alegações de nulidade no Acórdão de Recurso Voluntário, pois não pode um evento superveniente produzir um vício retroativamente. Já relativamente à reforma, o provimento do recurso especial da Fazenda Nacional cumpre plenamente essa função. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assina do digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.003496/200666 Resolução nº 9101000.018 CSRFT1 Fl. 686 6 A reforma me parece bastante apropriada, pois tem o efeito de suprimir da jurisprudência do CARF o acórdão atacado, de forma a evitar que este venha eventualmente a servir de paradigma na interposição de recursos especiais de outros processos, fazendo com que seja oponível a estes o parágrafo 15 do art. 67 do Anexo II do atual RICARF, verbis: § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016) Outra solução seria considerar uma terceira forma de alterar uma decisão: a declaração de insubsistência nos casos do mencionado parágrafo 5º, forma que extrairia a força normativa desse normativo pelo enquadramento ao mesmo. É uma possibilidade. Ademais, nos termos do parágrafo 3º do art. 78, a desistência configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo. Esse dispositivo já é bastante para que, além de restar prejudicado o Recurso Especial do Contribuinte (fls.510/549), as Contrarrazões do sujeito passivo ao Recurso Especial da Fazenda Nacional sejam desconsideradas. Da mesma forma é suficiente para que sejam desconsiderados os direitos alegados no Recurso Voluntário, acolhidos pelo Acórdão de Recurso Voluntário e, consequentemente, tornese procedente o restabelecimento dos lançamentos desonerados. Em vista dessa renúncia a direito, não considero ser possível discutir o mérito, pois o interesse da Fazenda Nacional se exaure na decisão recorrida ser reformada tanto no caso concreto, para fins de recebimento do crédito tributário, como no caso abstrato, que consiste na impossibilidade de a decisão recorrida vir a servir de paradigma para outros julgamentos. Discutir o mérito apenas para que esta Turma da CSRF manifeste o seu entendimento sobre a matéria, a meu ver, seria amor ao debate (algo que conspira contra a celeridade processual); além de resultar na formação de uma decisão, agora desta Turma; que, mais uma vez, poderia vir a servir de paradigma, independentemente do resultado, seja para a Fazenda Nacional (se o recurso fosse provido), seja para os contribuintes em geral (se não). Assim, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por renúncia do sujeito passivo ao direito sobre o qual se fundou o Recurso Voluntário e que foi concedido pelo Acórdão de Recurso Voluntário, para declarar e tornar insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao contribuinte, forte no parágrafo 5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. O Acórdão nº 10709.275 de 23/01/2008, não poderá vir a servir de paradigma na matéria em que o direito foi renunciado. Os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança da integralidade do crédito tributário constituído por meio do lançamento de ofício, excluindose o que já houver sido pago. Acaso vencedor, proponho a seguinte ementa: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA POSTERIOR AO JULGAMENTO. INSUBSISTÊNCIA DA PARTE DO ACÓRDÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assina do digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.003496/200666 Resolução nº 9101000.018 CSRFT1 Fl. 687 7 Havendo desistência total do recurso voluntário após o seu julgamento, tornase insubsistente a parte do Acórdão de Recurso Voluntário que foi favorável ao sujeito passivo, por força do 5º do art. 78 do Anexo II do RICARF, e em razão de estar configurada renúncia do contribuinte ao direito sobre o qual se fundou o recurso voluntário e que foi parcialmente concedido ao contribuinte pelo mesmo Acórdão. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assina do digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.003496/200666 Resolução nº 9101000.018 CSRFT1 Fl. 688 8 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir quanto ao encaminhamento dado pela voto. Vale, a princípio, fazer um breve contexto do litígio. A autuação fiscal tratou de lançamentos fiscais de IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF. A primeira instância julgou os lançamentos fiscais procedentes. A Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu provimento em parte ao recurso voluntário (efls. 440/474) interposto pela Contribuinte, para reconhecer a decadência do PIS e Cofins (F.G. 31/01/2000, 31/03/2000, 30/04/2000 e 30/06/2000) e afastar a autuação fiscal do IRRF. Foi interposto recurso especial pela PGFN, admitido por despacho de exame de admissibilidade. A Contribuinte também interpôs recurso especial (efls. 583/606). Ocorre que, posteriormente, foi apresentada petição de efls. 638/639, no qual a Contribuinte veio requerer desistência do "recurso voluntário". Contudo, durante a sustentação oral, o patrono da Contribuinte suscitou que na petição de efls. 638/639, no qual discorre sobre a desistência do recurso, incorreu em erro material, ao transcrever "recurso voluntário", quando queria se referir ao "recurso especial". Diante do esclarecimento prestado pela parte, procedeuse durante a sessão de julgamento a análise dos autos, no qual se constatou que, apesar de na petição constar a expressão "recurso voluntário", a unidade preparadora tratou a petição como uma desistência ao "recurso especial". No despacho de efl. 664, a unidade preparadora menciona expressamente que se tratava de desistência do recurso especial da Contribuinte, que os débitos já haviam sido transferidos para um outro processo administrativo, e propondo o encaminhamento dos presentes autos para julgamento do recurso especial interposto pela PGFN. Também no "Extrato do Processo" de efls. 665/671 consta informação de desistência do recurso especial da Contribuinte. Como se pode observar, as evidências nos autos são fortes no sentido de que a petição de efls. 638/639, não obstante o erro de escrita, tratou de desistência do recurso especial da Contribuinte, e não do voluntário. Contudo, não obstante a informação nos autos, remanesceu dúvida razoável, principalmente porque o DARF de efl. 640, que acompanhou o pedido de desistência, no qual consta pagamento no valor de R$511.760,24, não se encontra acompanhado de nenhum demonstrativo do créditos efetivamente quitados. Conforme já dito, a decisão de turma a quo foi no sentido de reconhecer a decadência do PIS (AC 2000) e afastar a autuação fiscal do IRRF. E, no recurso especial da Contribuinte de efls. 583/606 (que teria sido objeto da desistência), as matérias suscitadas abrangeram a manutenção das autuações de IRPJ, CSLL, PIS (exceto os fatos geradores Fl. 688DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assina do digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13839.003496/200666 Resolução nº 9101000.018 CSRFT1 Fl. 689 9 afastados pela decadência) e Cofins (exceto os fatos geradores afastados pela decadência), e da qualificação de multa de ofício. Por sua vez, no DARF, consta o pagamento no código de receita 1262, que, conforme informa a Contribuinte, referese a pagamento com base na Lei n° 11.941, de 2009 RFB Demais Débitos Pagamento à vista com utilização de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL para liquidar multa e juros. Ora, trata o código de receita de pagamento mediante utilização do Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL, para liquidar multa e juros. Como visto, não só multa e juros, mas também foram mantidos, pela turma a quo, o principal do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. E durante a sessão de julgamento, questionado sobre o demonstrativo dos débitos quitados por meio do DARF, informou a Contribuinte que o documento constava em um outro processo administrativo. Assim, diante de todo o exposto, encaminho o voto no sentido de encaminhar os autos para a unidade preparadora, para elaborar informação fiscal, com os seguintes esclarecimentos: 1º) apresentar demonstrativo detalhado dos débitos extintos por meio do DARF de efl. 640, por tributo, infração, anocalendário (separando o principal, multa e juros) e o valor consolidado, que resultou no montante de R$511.760,24; 2º) confirmar a informação no "Extrato do Processo" de efls. 665/671, de que o pagamento abrangeu todos os débitos (principal, multa e juros) que foram objeto do recurso especial interposto pela Contribuinte. A Contribuinte deve ser cientificada do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, manifestarse estritamente sobre o conteúdo diligenciado, no prazo de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 689DF CARF MF Impresso em 25/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assina do digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.005846/2003-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998, 1999
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Não há paralelo entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. Os ajustes na base de cálculo para corrigir a periodicidade na apuração de PIS/COFINS (acórdão paradigma) não são aplicáveis ao lançamento de IRPJ/CSLL (acórdão recorrido). Os contextos fáticos distintos justificam as diferentes decisões.
Numero da decisão: 9101-002.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que conheceram. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Luís Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia de Carli Germano.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998, 1999 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Não há paralelo entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. Os ajustes na base de cálculo para corrigir a periodicidade na apuração de PIS/COFINS (acórdão paradigma) não são aplicáveis ao lançamento de IRPJ/CSLL (acórdão recorrido). Os contextos fáticos distintos justificam as diferentes decisões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, que conheceram. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Luís Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia de Carli Germano. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 58 46 /2 00 3- 40 Fl. 12482DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 3 2 Moura, Lívia de Carli Germano (suplente convocada), Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à nulidade de uma parte do lançamento, por erro na periodicidade de apuração dos tributos IRPJ/CSLL nos anoscalendário de 1998 e 1999. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 1102001.222, de 21/10/2014, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, entre outras questões, decidiu, "por unanimidade de votos, cancelar de ofício os lançamentos de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 1998 e 1999, bem como de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ". O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva abaixo transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997, 1998, 1999 RECURSO VOLUNTÁRIO DA EMPRESA. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações. RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL. CONCOMITÂNCIA. A propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual é suficiente para caracterizar a renúncia às instâncias administrativas. A extinção do processo judicial sem julgamento do mérito não descaracteriza a renúncia às instâncias administrativas, decorrente, apenas, da propositura da ação judicial. Interpretação da Súmula CARF nº1. EFEITO TRANSLATIVO DOS RECURSOS. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. É possível se conhecer, de ofício, de matéria de ordem pública, e por isso abrangida pelo efeito translativo dos recursos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998, 1999 APLICAÇÃO DO LUCRO REAL DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO ANUAL. Fl. 12483DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 4 3 Ao desconsiderar a opção do contribuinte pelo lucro presumido, e adotar a tributação pelo lucro real, deve a autoridade fiscal adotar a apuração trimestral, que é a regra geral prevista nos arts. 1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996. Por ter adotado, de ofício, o lucro real anual, o lançamento incorreu em vício insanável, em decorrência de erro no critério temporal do fato gerador. Tratase de vício de natureza material, pois viola os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário do contribuinte, por intempestivo. Pelo voto de qualidade, não conhecer das razões de mérito do recurso do responsável tributário em face da concomitância com a ação judicial, vencidos os conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator), Francisco Alexandre dos Santos Linhares e João Carlos de Figueiredo Neto, que prosseguiam no julgamento por entenderem não haver concomitância. Por unanimidade de votos, cancelar de ofício os lançamentos de IRPJ e CSLL referente aos anoscalendário de 1998 e 1999, bem como de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ. Designado para redigir o voto vencedor, com relação à preliminar de conhecimento do recurso do responsável tributário, o conselheiro José Evande Carvalho Araujo. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à parte da decisão que cancelou de ofício os lançamentos de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 1998 e 1999, bem como o lançamento de multa isolada pelo não recolhimento de estimativas de IRPJ, em razão de vício de nulidade, por erro na periodicidade de apuração dos referidos tributos. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: de acordo com o acórdão recorrido, os lançamentos de IRPJ/CSLL se deram com base no lucro real anual, quando deveriam se dar em bases trimestrais, havendo, portanto, erro jurídico, que inquina de nulidade por vício substancial o lançamento; DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL a decisão recorrida está em evidente divergência com decisão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento: ACÓRDÃO Nº 130200.163 [...] PIS, COFINS, MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. Fl. 12484DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 5 4 O fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a título de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração, vez que, concretizada a hipótese de incidência, ainda que disso decorram exações inferiores às que foram consignadas nas peças acusatórias, remanesce o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária principal correspondente. [...] diante das teses antagônicas dos acórdãos recorrido e paradigma, no que concerne à possibilidade de revisão/retificação do lançamento efetuado com mero erro do lançamento no que concerne à periodicidade em que o tributo deveria ter sido lançado, não restam dúvidas em relação à divergência jurisprudencial, encontrandose presentes, portanto, os requisitos de admissibilidade do recurso especial; DO MÉRITO a e. câmara a quo afirmou que o Recorrido estaria proibido de apurar o lucro presumido, em face do disposto no art. 36, III, da Lei n° 8.981/95. Portanto, os tributos teriam que ser calculados com base no lucro real; há muito o imposto de renda convive com formas de apuração anual e mensal (ou trimestral) do lucro real; a partir da Lei n° 9.430/96, a pessoa jurídica que não cumprisse com as condições para efetuar os pagamentos por estimativa deveria determinar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL trimestralmente; o contribuinte que tem o dever de calcular o lucro real pode fazêlo de duas maneiras, trimestralmente ou pelo regime de estimativa. À fiscalização compete velar pela correta apuração do lucro real, respeitando a opção do contribuinte, e, no caso do regime de estimativa, deve verificar se as condições dispostas nos §§ 5° e 6º da Lei n° 8.981/95 foram cumpridas; ocorre que no caso concreto, o contribuinte julgou, erroneamente, que poderia fazer a apuração do lucro presumido, e não do lucro real. Nessa situação, não havia opção do contribuinte pelo regime de estimativa ou pelo lucro real trimestral; a e. câmara a quo aduziu que caberia à fiscalização intimar o contribuinte para que ele manifestasse sua opção por uma das formas de apurar o lucro real, ou, se tal determinação não fosse possível, que caberia o arbitramento; vejase que, consoante o disposto no art. 3° da Lei n° 9.430/96, não poderia mais o Recorrido, à época da lavratura do auto de infração, optar por uma das formas de apuração do lucro real. Consoante o dispositivo legal, a opção seria manifestada apenas com o pagamento do imposto correspondente, o que, inferese, não ocorreu no presente caso; entendese do voto condutor do acórdão que, inexistente qualquer opção do Recorrido quanto à forma de apuração do lucro real (tanto pelo regime de estimativa quanto Fl. 12485DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 6 5 pelo lucro real trimestral, eis que foi utilizado o lucro presumido), a fiscalização poderia somente se valer do lucro real trimestral, ou do arbitramento; porém, é importante ter em conta que, consoante com o próprio voto condutor do acórdão, não era possível à fiscalização apurar o lucro real trimestral, em face da inadequação dos livros fiscais e contábeis existentes, que apenas permitiam fazer o cálculo do lucro real anual. E, ademais, a inexistência de elementos que permitissem à fiscalização determinar o lucro real resultou no arbitramento dos lucros em 1997, que foi inclusive mantido pela e. câmara a quo; assim, diante dos elementos dos autos, temse claro (e, inferese, esse também foi o entendimento da e. câmara a quo) que uma intimação ao Recorrido para apresentar as bases de cálculo trimestrais não seria bem sucedida, diante da total ausência de elementos contábeis para tanto; ocorre que, se a escrita se apresentava imprestável para a apuração do lucro real trimestral, não há dúvida nos autos que era possível calcular o lucro real anual; nesse contexto, e tendo em vista que a lei prevê duas maneiras de apuração do lucro real, coube ao Fisco, corretamente, não arbitrar o lucro do Recorrido, eis que seria possível apurar o lucro real anual; a jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais é pacífica e tranqüila no sentido de que o arbitramento de lucros é medida excepcional, e não pode ocorrer quando for possível apurar a efetiva base de cálculo do tributo. E, no caso, se os registros contábeis não permitiam que se calculasse o lucro real trimestral, está claro que a determinação do lucro real anual era possível; o arbitramento é medida excepcional, que somente pode ocorrer nos casos em que a apuração do lucro real for impossível. E, no caso concreto, isso não ocorreu; ou seja, a interpretação mais consentânea com as normas aplicáveis ao caso aponta para a conclusão de que na hipótese em que a ausência de uma opção formal por parte do contribuinte leve a um arbitramento que poderia ser evitado, é correto dispensar tal opção, para favorecer o contribuinte e impedir que a medida excepcional seja tomada pela fiscalização; tratase da interpretação mais razoável dos arts. 1° e 2° da Lei n.° 9.430/96 e do art. 47, I, da Lei n.° 8.981/95, para impedir que no caso concreto o contribuinte fosse penalizado com a medida excepcional. Ou seja, quando a fiscalização verifica que é possível apurar o lucro real anual, e que, se não o fizer, será necessário exigir ao contribuinte os tributos com base no lucro arbitrado, é válido dispensar a opção formal do contribuinte; dessa forma, merece ser mantido integralmente o auto de infração, eis que a fiscalização tomou a providência mais consentânea com o espírito e as finalidades das normas incidentes no caso concreto; os fatos que desencadearam a declaração de nulidade do presente lançamento não foram abarcados pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72; Fl. 12486DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 7 6 há que se interpretar o art. 59 do Decreto nº 70.235/72 à luz do princípio da instrumentalidade processual, plenamente aplicável ao processo administrativo tributário, que impede seja declarada a nulidade de atos processuais quando não exista prejuízo ao contribuinte; somente importarão em nulidade as irregularidades apontadas no art. 59 do diploma legal acima referido, o que não é a hipótese dos autos, haja vista que a decisão vergastada reconheceu como nulidade eventual equívoco na determinação da matéria tributável, fato este que não se enquadra às hipóteses descritas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72; esse julgamento vai de encontro aos princípios da economia processual e da instrumentalidade das formas. É de se concluir, por conseguinte, que se aplica a este feito o art. 60 do Decreto 70.235/72, razão pela qual a suposta irregularidade do lançamento não poderá importar em nulidade; considerandose o equívoco na apuração do tributo devido pelo contribuinte e a patente necessidade de revisão, não havendo dúvida quanto à infração imputada ao contribuinte, o presente lançamento se torna necessário, com o intuito de se preservar o direito da Fazenda Pública na constituição do correto montante do crédito tributário; tratase de mero ato para salvaguardar eventual crédito tributário representado pelo presente lançamento, não havendo razão plausível para de declarar a sua nulidade, se o mesmo pode ser ajustado; portanto, desnecessária e ilegal a anulação do presente lançamento, bastandose sua revisão pela autoridade julgadora, excluindose os valores indevidos, até mesmo em sede de execução do julgado, para sanar eventuais equívocos na determinação da matéria tributável; DO PEDIDO requer a FAZENDA NACIONAL seja conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o acórdão atacado e declarar a validade do lançamento em relação ao IRPJ e a CSLL, para os anoscalendário de 1998 e 1999, e em conseqüência, seja mantida da multa isolada por falta do recolhimento das estimativas; caso assim não se entenda, requer também seja mantido o lançamento procedendose apenas à sua revisão. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 30/04/2015, admitiu o recurso especial após a seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Na decisão recorrida foi julgado que: “Tendo a Fiscalização desconsiderado a apuração pelo lucro presumido e aplicado a sistemática do lucro real, a periodicidade Fl. 12487DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 8 7 correta a ser aplicada seria apuração trimestral, ou seja, o denominado “lucro realtrimestral” e não o “lucro real anual”. Considerou haver erro material no critério temporal do fato gerador, constituindose em vício insanável a ensejar a nulidade do lançamento. De outro modo, no paradigma está explícito que: “... o fato de a autoridade autuante ter considerado períodos de apuração trimestrais na determinação do montante devido a título de PIS e COFINS, não impede que, em sede de revisão, a autoridade administrativa julgadora retifique as bases de cálculo correspondentes a cada um dos meses de encerramento do referido período de apuração.” Ficou decidido nesse julgado que, uma vez concretizada a hipótese de incidência, emerge o dever do contribuinte de cumprir com a obrigação tributária, cabendo se for o caso, a adequação da base de cálculo ao fato gerador ocorrido. Assim, num exame prelibatório, entendo que foi comprovada a divergência jurisprudencial argüida, uma vez que ante situações semelhantes, obtevese resultados diversos. IV Conclusão Em razão de terem sido preenchidos os requisitos do art. 67 do RICARF, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. Em 03/06/2015 e 05/06/2015, respectivamente, Sidnei Feijolli Bispo e Alfons Gardemann, na condição de responsáveis, foram intimados do Acórdão nº 1102001.222, do recurso especial da PGFN, e do despacho que admitiu esse recurso. Tempestivamente, em 16/06/2015, a contribuinte Algitur Turismo Ltda. (com petição assinada por Sidnei Feijolli Bispo) e o responsável Alfons Gardemann apresentaram contrarrazões ao recurso, com os argumentos descritos a seguir: CONTRARRAZÕES DE ALGITUR TURISMO LTDA. DA INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO a suscitação de divergência demanda o cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma, o qual, segundo a jurisprudência pacífica do Conselho, demanda a identidade de temas; Esta identidade não está presente no particular, pois enquanto o caso dos autos versa a nulidade da apuração do IRPJ e da CSLL realizada pela acusação fiscal, o acórdão paradigma, trazido pela Fazenda Nacional, tem por objeto o PIS e a COFINS. Além disso, o acórdão paradigma discute a possibilidade de revisão da base de cálculo utilizada em lançamento de ofício, enquanto o caso concreto versa a nulidade da constituição feita com base em fato gerador equivocado; Não há, pois, similitude fática entre a decisão recorrida e o acórdão paradigma, de forma que o recurso especial não deve ser conhecido; Fl. 12488DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 9 8 DA TRIMESTRALIDADE DO IRPJ APURADO SOBRE O LUCRO REAL Como deixa claro o acórdão recorrido, a recorrida, nos anoscalendário de 1998 e 1999, optou pela tributação com base no seu lucro presumido, a qual foi desconsiderada pela fiscalização. Aferida a obrigatoriedade pelo lucro real, a apuração do IRPJ e da CSLL deveria observar o regime trimestral, o qual é a regra geral para estes tributos, consubstanciando o regime anual mera opção do contribuinte, não realizada neste particular. Logo, os créditos constituídos pela acusação fiscal são nulos, à medida que não observaram os fatos geradores das obrigações tributárias discutidas; a Fazenda Nacional defende em seu recurso especial que, em sendo possível a apuração do IRPJ com base no lucro real da pessoa jurídica, este deve ser priorizado quando se puder evitar o arbitramento da base de cálculo; esse entendimento, porém, não se coaduna com a jurisprudência pacífica do CARF, que o lançamento de ofício do IRPJ com base no lucro real deve observar a trimestralidade do imposto, ou, caso não seja possível, deve ter sua base arbitrada. A apuração anual somente é cabível quando houver opção válida do contribuinte, o que não foi o caso (ementas transcritas); é de se acrescentar que o erro incorrido pela acusação fiscal não é de mero cálculo do imposto, que, em tese, poderia ensejar a revisão do lançamento, mas houve verdadeiro erro na identificação dos fatos geradores da obrigação tributária, o que implica na plena nulidade dos créditos; portanto, o recurso especial não merece provimento, devendo o acórdão recorrido ser mantido em sua integralidade; DO REQUERIMENTO diante do exposto, requer: (a) o não conhecimento do recurso especial, visto a ausência dos pressupostos da sua interposição, especificamente a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma; (b) no mérito, ultrapassada a preliminar, seja negado provimento ao recurso especial, mantendose o acórdão n° 1102 001.222 em sua integralidade. CONTRARRAZÕES DE ALFONS GARDEMANN o ora peticionante passou a integrar o polo passivo da exigência fiscal em virtude de a autoridade fiscal lhe ter imputado responsabilidade solidária nos termos do art. 124 do CTN, por ter concluído, a partir de depoimentos colhidos no curso da fiscalização, de que ele seria sócio de fato e real proprietário da empresa ALGITUR TURISMO, assim como da empresa AG CÂMBIO, sucedida pela primeira, tendo, supostamente, agido com o intuito de ocultarse como proprietário, fazendose substituir por pessoas de sua confiança; o Recurso Especial interposto pela PGFN sequer merece ser conhecido, quanto mais provido, haja vista não estar devidamente caracterizada a divergência jurisprudencial decorrente de interpretação diversa de lei tributária, como será demonstrado detalhadamente abaixo; Fl. 12489DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 10 9 PRELIMINAR DA AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL uma das condições de admissibilidade do Recurso Especial é a indicação, por parte da Recorrente (no caso, a PGFN), dos pontos divergentes entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas de forma analítica e clara; ocorre que, analisando o Recurso Especial interposto pela PGFN, observa se que o acórdão recorrido e o acórdão paradigma tratam de situações diversas, não havendo qualquer similitude fática entre os julgados que permitam concluir a existência de divergência jurisprudencial; no acórdão paradigma (130200.163 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária), a nulidade citada versa sobre a forma de apuração do PIS e da COFINS procedida pelo Fiscal. No referido caso, (i) tratavase de empresa sujeita à apuração do IRPJ pelo Lucro Real; (ii) o Auditor Fiscal arbitrou o lucro da autuada, nos termos do art. 530, III do RIR/99 e; (iii) o fiscal lançou o PIS e COFINS trimestralmente, utilizando o mesmo critério temporal e quantitativo do IRPJ e da CSLL, enquanto a norma da contribuição determina que sejam as contribuições lançadas mensalmente; por outro lado, a nulidade verificada no acórdão recorrido versa sobre (i) a autuação de uma empresa que nos anoscalendário de 1998 e 1999 realizou opção pela tributação do IRPJ pelo Lucro Presumido que, no entanto, foi desconsiderada pelo Fiscal, já que a atividade desenvolvida (corretora de câmbio), implicaria a obrigatoriedade de adoção de tributação pelo Lucro Real, nos termos do art. 36 da Lei n. 8.981/95; (ii) o Fiscal efetuou o recálculo do IRPJ e da CSLL com o acréscimo das receitas omitidas (depósitos bancários não identificados), com base no Lucro Real Anual, conforme art. 3º da Lei n. 8.451/92; (iii) o colegiado do CARF declarou a nulidade parcial do lançamento em virtude da desconsideração da regra de opção da forma de tributação disposta nos arts. 1° e 2° da Lei n. 9.430/96, uma vez que o Fiscal realizou o lançamento com base no Lucro Real Anual, quando deveria têlo feito pela regra do Lucro Real Trimestral; não há que se falar em interpretação divergente entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma uma vez que a situação verificada em ambos os casos é completamente diversa. Em síntese, a nulidade do acórdão recorrido diz respeito à falta de observação pela autoridade autuante, do disposto no art. 1º e 2º da Lei 9.430/96, tendo substituído o contribuinte na sua faculdade de alterar ou não a forma de apuração do IRPJ. Já o acórdão paradigma, diz respeito à incidência de alíquotas de PIS e COFINS sobre as bases trimestrais encontradas para o IRPJ e CSLL, enquanto deveria ter sido mensal, conforme a lei de regência; MÉRITO ainda que essa Colenda Câmara Superior entenda pela manutenção do conhecimento do Recurso Especial, deve ser negado provimento ao seu mérito, pelas razões a seguir expostas; a ALGITUR TURISMO era empresa que tinha optado pela apuração do IRPJ pelo Lucro Presumido, na forma do art. 13 da Lei 9.718/98 c/c art. 516, parágrafo 3º do RIR/99. No entanto, foi decidido que essa opção foi indevida, em virtude de expressa determinação do art. 14, II, da Lei 9.718/98, com redação vigente à época do fato gerador; Fl. 12490DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 11 10 o AFRFB realizou o reenquadramento da empresa ao regime de apuração do Lucro Real, sem, no entanto, ter observado as disposições dos Arts. 1º e 2º da Lei 9.430/96, que determinam como regra a apuração do IRPJ pelo Lucro Real Trimestral; esse fato macula todo o lançamento, conforme decidido no acórdão recorrido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara. Inclusive, há de se ressaltar que este foi o mesmo entendimento expressado no Acórdão 10195862 da lavra do Conselheiro Caio Marcos Cândido (citado nas fls. 12372/12374 dos autos); a regra que oportuniza ao contribuinte a opção pela forma de apuração do IRPJ pelo Lucro Real é clara e objetiva, sem qualquer dissonância, seja na doutrina, seja na jurisprudência. Tratase da forma opcional da escolha pelo lucro real anual; a apuração do lucro real de forma anual é uma opção do contribuinte, ou seja, as empresas poderão determinar o lucro de forma anual, observadas as demais obrigações decorrentes dessa escolha, tendose a regra o lucro real trimestral; o entendimento do CARF não discrepa do entendimento da doutrina especializada, ou seja, a forma de apuração anual é faculdade do contribuinte, não podendo a fiscalização substituílo nesse ato; o primeiro precedente que merece citação tem origem na mesma turma da mesma câmara da qual se prolatou o acórdão paradigma (2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara) no qual a PGFN se ampara para admissão do Recurso Especial. No referido caso, o contribuinte adotou o regime de apuração do lucro presumido, no entanto, o fez de forma inválida. Diante desse quando, ao invés de o AFRFB ter realizado o lançamento com base na regra geral do Lucro Real Trimestral (ou arbitrado, a depender da qualificação da contabilidade do contribuinte), o fez de forma anual, o que gerou a nulidade da autuação; destaquese que o julgamento acima se deu pela unanimidade de votos, que negou provimento a recurso de ofício, confirmando, portanto, decisão de DRJ que anulou o lançamento; no segundo precedente, julgado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, também em julgamento de recurso de ofício, que teve negado provimento, por unanimidade, verificouse que a fiscalização lançou o IRPJ tomando como parâmetro o Lucro Real Anual, sem, no entanto, haver qualquer ato de manifestação do contribuinte por essa modalidade de cálculo, o que caracteriza a nulidade do lançamento (Acórdão n. 1401001.376); no terceiro julgado, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, decidido também pela unanimidade de votos, cancelouse a exigência do IRPJ para o anocalendário 2005, do qual a autoridade autuante utilizou do cálculo anual, sem haver prévia opção pelo contribuinte, com o recolhimento de estimativas mensais (Acórdão n. 1402001.415); além do julgado acima, a mesma turma teve a oportunidade de se deparar com a matéria nos autos do processo 10320.003354/200721. Ao contrário dos julgados supra, a autoridade autuante realizou o lançamento corretamente, ou seja, realizando a apuração trimestral. No entanto, o contribuinte em seu Recurso Voluntário sustentou que teria apurado prejuízo fiscal no final dos anos calendário objeto da autuação (2002 e 2003) e, por essa razão, não estaria sujeito à tributação do IRPJ. Ocorre que naquele caso, o fiscalizado não recolheu a estimativa mensal e não apresentou os demonstrativos que justificassem o não recolhimento, Fl. 12491DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 12 11 razão pela qual, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário para confirmar que o procedimento correto é apuração do IRPJ de forma trimestral no caso de ausência de opção prévia pelo contribuinte; o quinto julgado (último colacionado, não obstante diversos outros constantes do acervo desse Conselho), trata de uma fundação que teve contra si lavrado Ato Declaratório Executivo para suspensão de sua imunidade. Esse fato decorreu no lançamento dos tributos respectivos IRPJ, CSLL e PIS. Por entender se tratar de entidade imune a estes tributos, a pessoa jurídica não realizou qualquer opção de tributação do IRPJ (por conseqüência da sua situação anterior ao ADE lavrado). Diante da suspensão do benefício do autuado, o Auditor Fiscal lavrou o IRPJ com base no Lucro Real Anual, ao invés do Lucro Real Trimestral e, como dito pelo Conselheiro Relator, o fiscal exerceu uma "opção" que não lhe competia, pois privativa do sujeito passivo através do recolhimento previsto na Lei ou de manifestação na DIPJ. (Acórdão nº 140200.033); da leitura de todos os precedentes acima, extraise que o erro na aplicação da norma disposta nos arts. 1º e 2º da Lei 9.430/96, enseja a nulidade por afronta às disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional, ante a deturpação dos critérios temporal e quantitativo (base de cálculo) da regra matriz de incidência do IRPJ com regime de apuração pelo Lucro Real Trimestral (regra legal); outrossim, a contrario sensu, acaso essa Colenda Câmara da CSRF viesse a entender pela procedência do lançamento pelo Lucro Real Anual, sem opção prévia do contribuinte, mesmo com a disposição de regra geral pela Trimestralidade, poderseia afirmar, da outra ponta, que o contribuinte poderia, ao final do anocalendário, optar pela apuração anual mesmo se não o tivesse feito no início do ano com o recolhimento das estimativas mensais, como pretendeu o contribuinte citado no quarto precedente colacionado (parágrafo 29 das presentes contrarrazões), negando vigência aos arts. 1º e 2° da Lei n. 9.430/96; DO PEDIDO por tudo o quanto exposto, com respaldo na jurisprudência do E. CARF e da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, o contribuinte requer o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, sucessivamente, a sua improcedência, com a conseqüente manutenção do v. acórdão recorrido em relação à nulidade declarada para os anoscalendário 1998 e 1999, como medida de Direito e Justiça. É o relatório. Fl. 12492DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1997, 1998 e 1999. Houve também lançamento de multa isolada de IRPJ por falta de recolhimento de estimativas mensais nos anoscalendário de 1998 e 1999. A autuação fiscal está baseada em depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada. A apuração do IRPJ/CSLL no anocalendário de 1997 se deu pelo lucro arbitrado, por falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Nos anoscalendário 1998 e 1999, o lançamento de IRPJ/CSLL foi realizado com base no lucro real anual. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à divergência jurisprudencial relativamente à nulidade do lançamento de IRPJ/CSLL nos anos calendário de 1998 e 1999 (e também da multa isolada), por erro na periodicidade de apuração desses tributos. De acordo com o acórdão recorrido, a autoridade fiscal, ao desconsiderar a opção do contribuinte pelo lucro presumido, e adotar a tributação pelo lucro real, deveria ter realizado o lançamento pelo lucro real trimestral, que é a regra geral prevista nos arts. 1º e 2º da Lei nº 9.430/1996, e não pelo lucro real anual. A PGFN pretende reverter essa decisão, indicando paradigma que, diante de uma situação semelhante, ou seja, de erro na periodicidade de apuração de tributos (no caso, PIS e COFINS), não cancelou o lançamento por vício de nulidade, mas apenas retificou as bases de cálculo. Em sede de contrarrazões, a contribuinte e o responsável tributário apresentam preliminares de não conhecimento do recurso. Realmente, as situações examinadas pelas decisões cotejadas (acórdão recorrido e acórdão paradigma) não são idênticas, mas cabe verificar em que medida as diferenças entre essas situações comprometem a caracterização de divergência jurisprudencial a ser dirimida por processamento de recurso especial. O acórdão recorrido cancelou lançamento de IRPJ/CSLL pelo lucro real anual, entendendo que a autuação fiscal deveria ter sido realizada pelo lucro real trimestral, que é a regra geral para apuração desses tributos. O acórdão paradigma, por sua vez, tratou de lançamento de PIS e COFINS realizado por períodos trimestrais, enquanto a lei estabelece períodos mensais para a apuração dessas contribuições. Fl. 12493DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 14 13 No caso do paradigma, a decisão do CARF não cancelou o lançamento por vício de nulidade, mas apenas retificou as bases de cálculo, de acordo com os meses correspondentes ao momento em que a autoridade fiscal considerou ocorrido o fato gerador: Considerouse, na linha aqui esposada, que, não obstante a indicação incorreta dos períodos de apuração, cada um dos meses correspondentes ao momento em que a autoridade fiscal considerou ocorrido o fato gerador, efetivamente era indicativo de tal ocorrência, porém, em montantes inferiores aos apontados nas peças acusatórias, eis que ali estavam incluídas receitas que correspondiam a meses distintos do indicado como sendo o correspondente à concretização da hipótese de incidência. O entendimento lá manifestado foi no sentido de que, como o auto de infração apontava a ocorrência de fatos geradores em março, junho, setembro e dezembro (períodos trimestrais), seria possível manter a autuação para esses meses, apenas ajustando a base de cálculo para que ela representasse o faturamento do mês indicado no auto de infração, e não do trimestre. Não se desconhece que cada tributo tem uma regra específica que define seu período de apuração. Mas a divergência aqui, da forma como foi suscitada pela PGFN, não repousa sobre a aplicação de uma dessas regras específicas do IRPJ, do PIS, ou de qualquer outro tributo. A divergência, nesse caso, se daria em relação à conseqüência pela não observância da periodicidade legal para a apuração do tributo (de qualquer tributo). O acórdão recorrido entendeu que a não observância da regra de periodicidade para o IRPJ/CSLL implicou na nulidade do lançamento por vício material, enquanto que o paradigma não decretou a nulidade da autuação de PIS/COFINS, mas apenas retificou as bases de cálculo, de acordo com os meses correspondentes ao momento em que a autoridade fiscal considerou ocorrido o fato gerador. O problema para a caracterização da alegada divergência é que não há como comparar ajustes na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS com ajustes na base de cálculo de IRPJ/CSLL. Os ajustes feitos no paradigma não são aplicáveis ao acórdão recorrido. No caso de lançamento de PIS/COFINS, havendo indicação do faturamento de cada mês que compõem um determinado trimestre, o ajuste da base de cálculo trimestral para base de cálculo mensal é operação simples, plenamente viável na atividade de revisão pela autoridade julgadora, mediante simples exclusão dos valores excedentes. O mesmo tipo de ajuste não pode ser feito para IRPJ/CSLL, que incidem sobre uma base de cálculo bem mais complexa. No caso de IRPJ/CSLL, transformar uma apuração anual em apuração trimestral implica em novo trabalho de auditoria fiscal, que muito ultrapassa os limites da atividade revisional dos órgãos julgadores. A própria argumentação desenvolvida pela PGFN em seu recurso denota esse problema. É que a PGFN, embora tenha trazido paradigma que considerou adequado e possível fazer pequenos ajustes na base de cálculo de PIS/COFINS para corrigir a Fl. 12494DF CARF MF Processo nº 10930.005846/200340 Acórdão n.º 9101002.473 CSRFT1 Fl. 15 14 periodicidade na apuração dessas contribuições, defende, no caso do acórdão recorrido, a manutenção integral do lançamento. De acordo com a PGFN, a fiscalização tomou a providência mais consentânea com o espírito e as finalidades das normas incidentes no caso concreto (apuração pelo lucro real anual), o que tornaria dispensável a opção formal do contribuinte por esse regime de tributação. Ao final do recurso, a PGFN apresenta um pedido subsidiário de revisão/ ajuste no lançamento de IRPJ/CSLL, para sanar "eventuais equívocos" na determinação da matéria tributável, o que dá uma idéia de proximidade/semelhança entre os casos cotejados. Mas ela não dá nenhum esclarecimento de como fazer esse ajuste no âmbito de apuração do lucro real. O que ela defende mesmo é a manutenção integral do lançamento (pelo lucro real anual), e não é esse o sentido do acórdão paradigma apresentado. A própria PGFN informa que os registros contábeis não permitiram que se calculasse o lucro real trimestral. E se isso não era possível de ser realizado na fase de auditoria fiscal, menos ainda é na atividade revisional do órgão julgador, mediante pequenos ajustes na base de cálculo para compatibilizála com o período de apuração previsto na lei. A argumentação desenvolvida pela PGFN em seu recurso denota que a caracterização da divergência que ela pretendeu suscitar dependeria da apresentação de paradigma que mantivesse a apuração pelo lucro real anual (em vez do lucro real trimestral, ou do lucro arbitrado), mesmo o contribuinte não tendo feito opção por essa forma de tributação. Não é disso que trata o paradigma. O paradigma realizou pequenos ajustes na base de cálculo para corrigir a periodicidade na apuração de PIS/COFINS, procedimento que não é aplicável ao lançamento de IRPJ/CSLL. Não há paralelo entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido que permita a caracterização de divergência a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos fáticos distintos justificam as diferentes decisões. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 12495DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.003962/2004-13
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
IRPJ E CSLL. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DE PIS e Cofins (Lançamentos reflexos).
As despesas tributárias relativas aos débitos de PIS e COFINS com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, III, do CTN (apresentação de recurso administrativo), somente podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo regime de caixa, ou seja, quando houver o pagamento desses débitos.
Numero da decisão: 9101-002.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO, ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, NATHALIA CORREIA POMPEU.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO, ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, NATHALIA CORREIA POMPEU.
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BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DE PIS e Cofins (Lançamentos reflexos). As despesas tributárias relativas aos débitos de PIS e COFINS com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, III, do CTN (apresentação de recurso administrativo), somente podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo regime de caixa, ou seja, quando houver o pagamento desses débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO, ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, NATHALIA CORREIA POMPEU. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 39 62 /2 00 4- 13 Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O 2 Relatório Tratase de Recurso Especial (fls.1987/1992) contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova, interposto pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 4º da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e no art. 7º, inciso I, c/c §1º, e art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº147, de 25/06/2007. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 10809.550, de 04/03/2008, fls.1940/1967, por meio do qual a 8a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para deduzir o PIS e a Cofins (reflexos) da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, apurada nos autos de infração, relativos ao ano calendário de 1999. O Acórdão Recorrido está assim ementado na parte que diz respeito à matéria: Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: DECORRÊNCIA Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase aos lançamentos reflexos o que restar decidido no lançamento do IRPJ. IRPJ E CSLL — DEDUTIBILIDADE DE LANÇAMENTOS REFLEXOS — Os lançamentos reflexos de PIS e COFINS devem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, posto que mantidos os lançamentos de oficio também para a CSLL, o PIS e a COFINS, pela estreita relação de causa e efeito do apurado e autuado no processo principal do IRPJ. O acórdão recorrido foi cientificado à Procuradoria da Fazenda Nacional em 05/06/2008 (fl.1970), que, em 10/06/2008, opôs embargos de declaração contra o mencionado Acórdão, a fim de esclarecer obscuridade levantada relativamente à existência e referência dos processos administrativos, nos quais estariam consubstanciados os lançamentos da Contribuição ao PIS e à Cofins. Os Membros da 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, CONHECERAM dos embargos para sanar dúvidas sem, contudo, alterar o decidido no mencionado Acórdão n° 10809.550, de 04/03/2008. Assim, mediante o Acórdão nº 10809.787, de 17/12/2008 (fls. 1977/1982), da 8a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), restou esclarecido que o PIS e Cofins deduzidos na base de cálculo do IRPJ e CSLL não se referiam a outros processos administrativos e sim ao presente processo, verbis: Esclarecese que os valores de Contribuição ao PIS e COFINS, lançados por reflexo ao lançamento de IRPJ, foram constituídos no presente processo administrativo, de n° 10930.003962/200413, conforme se verifica às fls. 1288/1289, aos quais se aplica o que restou decidido para o IRPJ, sendo certo que os lançamentos Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10930.003962/200413 Acórdão n.º 9101002.373 CSRFT1 Fl. 3 3 mantidos devem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme exposto no acórdão embargado. Entendeu esta Câmara que os lançamentos a título de Contribuição ao PIS e de COFINS, decorrentes do presente lançamento de IRPJ, podem ser deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLLL, independentemente da escrituração do contribuinte. Cientificada do acórdão sobre os embargos de declaração, em 11/08/2009 (fl.1985), o Procurador da Fazenda Nacional, em 21/09/2009, apresentou o Recurso Especial (fls.1987/1992), contra aquele Acórdão n° 10809.550, de 04/03/2008. Em seu Recurso Especial a Recorrente alega que a decisão tomada por maioria, pela 8a Câmara do então 1º Conselho de Contribuintes contrariou frontalmente o disposto no art. 41 da Lei 8.981/95 e o art. 151, III do CTN, tendo em vista que deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do IRPJ e CSLL os valores indedutíveis dos lançamentos reflexos de PIS e Cofins. Afirma a Recorrente que, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário dos lançamentos reflexos de PIS e Cofins em virtude de impugnação/recurso do contribuinte, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, inexiste a possibilidade de dedução das mencionadas contribuições na determinação do lucro real. Para corroborar seu entendimento, a Recorrente menciona o Acórdão n. 103 23.054, proferido pela 3ª. Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes, verbis: BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÃO DE CSLL, PIS E COFINS Não se admite a dedutibilidade da CSLL, do PIS e da COFINS exigidos em lançamento ex officio da base de calculo do IRPJ, quando se encontra a exigibilidade de tais tributos suspensa nos termos do art.151, II, do CTN. A Recorrente argúi que o acórdão recorrido, ao excluir valores indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL sem amparo legal, e contrariando o disposto no art. 41 da Lei 8.981/95 c/c art. 151, III do CTN, viola o princípio da legalidade previsto no art. 5º, II e 37, ambos da CF/88. Finalmente, a Recorrente requer seja dado provimento ao presente recurso, reformandose a decisão recorrida para que não sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os valores lançados a título de PIS e Cofins, nos autos de infração. O recurso especial da PFN foi admitido pelo Despacho nº 12000.368/2009, exarado em 19/10/2009 pela Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF (fls. 1994/1995 Vol. 10). Cientificado em 07/04/2010, do acórdão proferido pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes e da admissibilidade do Recurso Especial interposto pela PFN, a pessoa jurídica autuada apresentou em 23/04/2010, as contrarrazões ao Recurso Especial, (fls.2008/2010 Vol.11), bem como o Recurso Especial contra o acórdão recorrido (fls.2012/2029). Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O 4 O Recurso Especial do contribuinte não fora admitido conforme o Despacho nº 1200 00.118/2010, de 09/07/2010 (fls.2037/2061) do Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, e o Despacho n° 1200 00.118/2010R (fl.2062) do Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 09/07/2010, que NEGOU seguimento ao recurso especial, de forma definitiva, nos termos do § 3º do art.71 do RICARF. O contribuinte, em suas contrarrazões (fls.2008/2010) ao Recurso Especial da PFN, alega que houve cerceamento do direito de defesa, porque não foi possível aferir a tempestividade do recurso especial da Fazenda; que não se poderia tratar da indedutibilidade de tributos que estejam com a exigibilidade suspensa, porque não se trata de apuração de lucro real, mas sim de um suposto e equivocado arbitramento do lucro; e que a suspensão da exigibilidade é fato superveniente ao lançamento, eis que sobreveio em função da impugnação do Contribuinte, fato posterior ao lançamento de ofício, nos seguintes termos: [...] Eis que recorre a Fazenda Nacional com o heterodoxo fundamento de malferição ao art. 41, §1º da Lei 8.981/95, que afirma a indedutibilidade dos tributos que estejam com a exigibilidade suspensa na aferição do lucro real. Ora, que absurdo! Primeiro porque, caso houvesse uma simples leitura dos autos, verseia que não se trata de apuração de lucro real, mas sim de um suposto e equivocado arbitramento do mesmo, com base em uma presunção simples de omissão de receita. E por derradeiro, somente a deslealdade processual justifica ignorar que a alegada suspensão da exigibilidade é fato superveniente ao lançamento, eis que sobreveio em função da impugnação do Contribuinte, fato posterior ao lançamento de ofício. Isto significa afirmar — e por mais simplório que isso possa parecer é necessário pontuar — que quando do lançamento estas contribuições não estavam com a exigibilidade suspensa, razão pela qual se pode concluir não se tratar da hipótese tratada pelo Recurso. Por outro lado, é inegável que o despacho que admitiu o Recurso impinge inegável cerceamento do direito de defesa, pois na intimação recebida pela ora Recorrida não é possível aferir a tempestividade do Recurso da Fazenda. [...] Ao final de suas contrarrazões, o contribuinte requer seja negado provimento ao recurso especial da PFN. É o relatório. Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10930.003962/200413 Acórdão n.º 9101002.373 CSRFT1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator. Conforme relatado, a empresa recorrida alega cerceamento do direito de defesa, porque na intimação recebida não é possível aferir a tempestividade do Recurso Especial da Fazenda Nacional. O despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial atesta a tempestividade do recurso. Pois bem, o acórdão recorrido nº 10809.550 de 04/03/2008 foi cientificado à Procuradoria da Fazenda Nacional em 05/06/2008 (fl.1970), que, em 10/06/2008, opôs embargos de declaração contra o mencionado Acórdão. Cientificada a PFN em 11/08/2009 (fl.1985) do Acórdão nº 10809.787, de 17/12/2008 (fls.1977/1982), que decidiu sobre os embargos de declaração, o Procurador da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls.1987/1992) contra o Acórdão recorrido n° 10809.550, em 21/09/2009, em consonância com o disposto no § 9º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/75, com os acréscimos da Lei nº 11.457, de 2007, verbis: Art. 23. Farseá a intimação: (...) § 8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) § 9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) A ciência ficta ou presumida (prevista no § 9º acima) se deu em 10/09/2009 (quartafeira), com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria. O prazo fatal para interposição do recurso seria sextafeira dia 25/09/2009. Portanto, tempestivamente o procurador da Fazenda Nacional apresentou o Recurso Especial em 21/09/2009, dentro dos 15 (quinze) dias estabelecidos no artigo 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O 6 A tempestividade na apresentação do recurso especial pode ser facilmente atestada nos autos, conforme acima mencionado. Não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa. Preliminar de contrarrazões afastada. O Recurso Especial interposto pelo procurador da Fazenda Nacional realmente é tempestivo, e também preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A Recorrente alega que a decisão tomada mediante o Acórdão nº 10809.550 de 04/03/2008 contrariou frontalmente o disposto no art. 41 da Lei 8.981/95 e o art. 151, III do CTN, tendo em vista que deu provimento parcial a recurso voluntário para excluir da base de cálculo do IRPJ e CSLL os valores indedutíveis dos lançamentos reflexos de PIS e Cofins. Argúi que, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário dos lançamentos reflexos de PIS e Cofins em virtude de impugnação/recurso do contribuinte, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, inexiste a possibilidade de dedução das mencionadas contribuições na determinação do lucro real. O contribuinte, em suas contrarrazões (fls.2008/2010) ao Recurso Especial da PFN, alega primeiramente que nem mesmo se trata de apuração pelo lucro real, mas sim de um suposto e equivocado arbitramento de lucro, contexto que seria impróprio para o debate sobre indedutibilidade de despesas relativas a tributos que estejam com a exigibilidade suspensa. Quanto a esse ponto, é importante esclarecer que o lançamento se deu com base no lucro real anual, com observância do próprio método de apuração adotado pelo contribuinte em sua DIPJ. Os demonstrativos do auto de infração e o conteúdo do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, que é parte integrante daquele, não deixam dúvidas de que houve apuração de omissão de receita pela venda de mercadorias, de produtos acabados e de matéria prima, e que as receitas omitidas foram tributadas pelo regime do lucro real. Não houve arbitramento de lucros. A fiscalização nem mesmo emprega essa expressão na peça fiscal. O que aconteceu é que o contribuinte questionou no curso do processo os critérios adotados pela fiscalização para a apuração de omissão de receita pela venda de produtos acabados. O contribuinte tratou essa matéria como "critérios de arbitramento", mas isso nada tem a ver com a apuração de IRPJ/CSLL pelo lucro arbitrado, onde o debate sobre a dedutibilidade de despesas realmente seria impróprio. Contudo, a tributação em questão se deu mesmo pelo lucro real, de modo que o primeiro argumento do contribuinte em relação ao mérito deve ser rejeitado. O contribuinte também alega que a suspensão da exigibilidade é fato superveniente ao lançamento, eis que sobreveio em função de sua impugnação, que é fato posterior ao lançamento de ofício. Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10930.003962/200413 Acórdão n.º 9101002.373 CSRFT1 Fl. 5 7 A partir de 01/01/1995, a dedutibilidade dos tributos e contribuições está regulada pelo artigo 41 da Lei nº 8.981/95, consolidado no art. 344 do RIR/99 que assim dispõe: Art.344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). §1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, §1º). ... (grifei) No regime de competência a despesa é dedutível quando tornarse incorrida. No caso, a despesa com as contribuições (PIS e Cofins) tornase incorrida quando ocorre o fato gerador. Nessa parte não há dúvida que pela autuação restou constatada a ocorrência do fato gerador. Todavia, o § 1º do artigo 41 acima transcrito, dispõe que a dedutibilidade pelo regime de competência não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ... III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; ... A alegação do contribuinte é que a suspensão da exigibilidade das contribuições PIS/COFINS (lançamentos reflexos) só se deu com a apresentação da impugnação, e que no momento do lançamento, portanto, esses tributos não estavam com a exigibilidade suspensa. O argumento não procede. Não há dúvidas de que durante o prazo para apresentação dos recursos administrativos (seja impugnação, recurso voluntário, ou recurso especial), a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício também está suspensa, no contexto do mesmo inciso III do art. 151 do CTN. O crédito tributário lançado de ofício só se torna exigível com a não apresentação dos recursos cabíveis no prazo legal, ou com a ciência da decisão administrativa definitiva, contra a qual não caiba recurso. Isso é o que se depreende do próprio Decreto nº 70.235/1972 (que regula o PAF), quando ele trata da eficácia e da execução das decisões administrativas: Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O 8 SEÇÃO IX Da Eficácia e Execução das Decisões Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicandose, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. Nesse mesmo passo, cabe frisar ainda que o prazo para a cobrança amigável mencionada acima, que é o sinal revelador da exigibilidade do crédito tributário, só se inicia com a definitividade do lançamento no âmbito administrativo: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) É até contraditório que o contribuinte questione a existência dos débitos de PIS e COFINS objeto do lançamento reflexo, e ao mesmo tempo pretenda deduzilos como despesa. A dedutibilidade desse tipo de despesa só será admitida quando do pagamento dos débitos, pelo regime de caixa. Esse é o sentido bastante razoável da lei. Ou ainda, as despesas tributárias relativas aos débitos de PIS e COFINS com exigibilidade suspensa poderão, no futuro e fora deste contencioso, ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo regime de caixa, quando houver o pagamento desses débitos. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial do procurador da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10930.003962/200413 Acórdão n.º 9101002.373 CSRFT1 Fl. 6 9 Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 23/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
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Numero do processo: 11516.001989/2004-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO PARCIAL.
Acolhem-se, em parte, Embargos de Declaração visando a complementar acórdão embargado na parte em que foi atendida apenas parcialmente determinação judicial de análise de pontos de divergência apontados no Recurso Especial, e em que, provido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, com o consequente provimento de recurso de ofício da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), deixaram de ser analisados argumentos constantes da Impugnação.
Numero da decisão: 9101-002.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte e, na parte conhecida, por voto de qualidade, em acolhê-los parcialmente, com efeitos infringentes parciais, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento em maior extensão em relação às despesas alegadas, pela sua totalidade. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Julgamento iniciado na sessão de 18/10/2016 no período da tarde e concluído na sessão de 22/11/2016 no período da manhã.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ACOLHIMENTO PARCIAL. Acolhemse, em parte, Embargos de Declaração visando a complementar acórdão embargado na parte em que foi atendida apenas parcialmente determinação judicial de análise de pontos de divergência apontados no Recurso Especial, e em que, provido o Recurso Especial da Fazenda Nacional, com o consequente provimento de recurso de ofício da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), deixaram de ser analisados argumentos constantes da Impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente dos Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte e, na parte conhecida, por voto de qualidade, em acolhêlos parcialmente, com efeitos infringentes parciais, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado), que lhe deram provimento em maior extensão em relação às despesas alegadas, pela sua totalidade. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Julgamento iniciado na sessão de 18/10/2016 no período da tarde e concluído na sessão de 22/11/2016 no período da manhã. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 19 89 /2 00 4- 17 Fl. 5951DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.952 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo contribuinte relativamente aos Acórdãos nºs 9101002.051, de 11 de novembro de 2014 (efls. 1.437 a 1.453), e 9101002.163, de 18 de janeiro de 2016 (efls. 5.831 a 5.841), que complementou aquele. Referidos Embargos (efls. 5.863 a 5.871), a que foram dados seguimento parcial (efls. 5.927 a 5.930), foram assim resumidos (efls. 5.927 e 5.928): a) que, com relação ao Acórdão nº 9101002.051, de 11 de novembro de 2014, este deixou de analisar parte das divergências apontadas, incorrendo em contradição e omissão sanável por meio dos Embargos; b) que essas divergências são: (a) impossibilidade de manutenção dos lançamentos reflexos; (b) inexistência de MPF para as exigências autônomas de PIS e COFINS; (c) inaplicabilidade da multa agravada em virtude da obtenção dos arquivos de controle operacional de títulos e da ausência de prejuízo à fiscalização; (d) impossibilidade de agravamento da multa pela inexistência de documentos a serem disponibilizados; e (e) qualificação da multa; c) que, no tocante ao Acórdão nº 9101002.163, de 18 de janeiro de 2016, a matéria de mérito que abordou a apuração do lucro real restou prejudicada, uma vez que a DRJ Florianópolis acatou preliminar da Impugnação, afastando a tributação de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1999 a 2002, decisão mantida pela 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso de ofício interposto; d) que, tendo sido revertidas as decisões de 1ª e 2ª instâncias, deveria o acórdão ter determinado o retorno do processo à DRJ, para análise das matérias de mérito relativas à tributação de IRPJ e CSLL pelo lucro real, ocasionando cerceamento do direito de defesa e supressão de instâncias administrativas; e) que as matérias a serem analisadas são: (a) necessidade de consideração das despesas e perdas indicadas nos arquivos eletrônicos; e (b) efeito da apuração das receitas a título de reembolso de tarifas bancárias na apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de lucro real; f) que o acórdão embargado fundamentouse em outras razões para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e restabelecer a tributação pelo Pis e pela Cofins, incidentes nas receitas financeiras da Embargante; Fl. 5952DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.953 3 g) que o acórdão embargado classifica equivocadamente as receitas tributadas pelo Pis e Cofins como operacionais; h) que os juros cobrados nos títulos pagos em atraso não são receitas operacionais da atividade de factoring, conforme estabelecido no Ato Declaratório Normativo Cosit nº 31/97; e i) que a decisão embargada padece, portanto, de contradição acerca da natureza dos juros cobrados nas obrigações pagas em atraso pelos clientes da Embargante, e as razões que levaram à sua caracterização como receita operacional. Por sua vez, o seguimento parcial foi assim fundamentado (efls. 5.928 a 5.930, destaques do original): Da análise dos autos, entendo que devem ser admitidos, em parte, os presentes Embargos, conforme se demonstra a seguir. Com relação ao Acórdão nº 9101002.051, de 11 de novembro de 2014, apesar de terse entendido que, por determinação judicial, o recurso especial da Embargante deveria ser submetido à CSRF, fundamentouse, ele, para limitar as matérias a serem analisadas, no contido na sentença exarada no Mandado de Segurança nº 5466597.2011.4.01.3400, da Seção Judiciária do Distrito Federal, em 29 de agosto de 2012, de seguinte teor (efls. 1.445): Assim, tendo em vista a relação de dependência ao Mandado de Segurança já sentenciado neste Juízo de nº 21947 47.2011.4.01.3400 e demonstrado que havia julgamentos divergentes no que se refere à realização de perícia sem a presença ou o conhecimento da Contribuinte bem como a insegurança jurídica da prova consubstanciada em planilhas de computador, foi arbitrária a decisão que não recebeu o Recurso Especial, pelo que assiste razão ao impetrante. DISPOSITIVO Face ao exposto, concedo a segurança [para] determinar o recebimento e processamento do Recurso Especial interposto pela Impetrante no Processo nº 11516.001989/200417, para que sejam analisados os pontos de divergência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sucede, porém, que, em sentença proferida em Embargos de Declaração opostos pela ora Embargante no mesmo Mandado de Segurança, o mesmo Juízo houve por bem, em data de 9 de abril de 2013, assim decidir (destaque do original): CÍRIO ADMINISTRADORA DE VALORES LTDA opôs embargos de declaração contra a sentença de fls. 1487/1491, requerendo complementação da parte dispositiva da sentença para constar ordem para “que sejam analisados os pontos de divergência pela Câmara Superior de Recursos Fiscais indicados pelo contribuinte na peça recursal”. Decido. Inexiste omissão a ser sanada, pois a sentença embargada concedeu a segurança na forma requerida na inicial (fl. 37), determinando que a Câmara Superior de Recursos Fiscais receba, Fl. 5953DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.954 4 processe e analise o Recurso Especial interposto pela autora justamente quanto aos pontos de divergência nele apontados. Portanto, REJEITO os embargos de declaração interpostos, mantendo a sentença embargada em todos os seus termos. Observase, portanto, que algumas matérias deixaram de ser analisadas pela CSRF, uma vez que não juntada aos autos esta última sentença, quando da prolação do Acórdão nº 9101 002.051, de 11 de novembro de 2014, pelo que devem ser agora analisadas, à exceção das a seguir relacionadas. A matéria relativa à “impossibilidade de manutenção dos lançamentos reflexos” restou prejudicada, uma vez que restabelecido o lançamento no que respeita ao IRPJ e à CSLL, relativamente aos anoscalendário de 1999, 2000, 2001 e 2002 (efls. 5.840). É que aquela matéria se fundamentava na impossibilidade de manutenção dos lançamentos reflexos diante do cancelamento do IRPJ para os anos 1999 a 2002. A matéria concernente à “inexistência de MPF para as exigências autônomas de PIS e COFINS” também restou prejudicada, pelo mesmo motivo acima. Essa matéria se fundamentava na inexistência de MPF que desse suporte às exigências autônomas de PIS e COFINS, em face do cancelamento do IRPJ para os anos 1999 a 2002. A matéria atinente à “qualificação da multa” não deve ser analisada, por se tratar de mera “questão de ordem” arguida pela Embargante, então recorrente, e não de “ponto de divergência” com a jurisprudência do CARF e da CSRF. Não foi indicado qualquer acórdão paradigma, não, estando, pois, essa matéria, albergada pela decisão judicial. Restam ser analisadas pela CSRF, por conseguinte, as seguintes matérias: a) inaplicabilidade da multa agravada em virtude da obtenção dos arquivos de controle operacional de títulos e da ausência de prejuízo à fiscalização; e b) impossibilidade de agravamento da multa pela inexistência de documentos a serem disponibilizados. No tocante ao Acórdão nº 9101002.163, de 18 de janeiro de 2016, o fato de ter restado prejudicada a matéria que abordou a apuração do lucro real, uma vez que a DRJ Florianópolis afastou a tributação de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 1999 a 2002, decisão mantida pela 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso de ofício interposto, não induz a que seja determinado o retorno do processo à DRJ, para análise dessa matéria. É que não se trata, no caso, de acatamento de preliminar pela DRJ, posteriormente rejeitada por esta CSRF. Aquela DRJ entendeu ser incabível a apuração pelo lucro real; esta CSRF entendeu ser cabível essa apuração. Logo, cumpre apenas ser examinado, por este Colegiado (e não pela instância a quo), a matéria decorrente desse cabimento. Fl. 5954DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.955 5 Restam ser analisadas pela CSRF, por conseguinte, as seguintes matérias, além das já anteriormente indicadas: a) necessidade de consideração das despesas e perdas indicadas nos arquivos eletrônicos; e b) efeito da apuração das receitas a título de reembolso de tarifas bancárias na apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de lucro real. No respeitante à afirmação de que o acórdão embargado teria se fundamentado em outras razões para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e restabelecer a tributação pelo Pis e pela Cofins, incidentes nas receitas financeiras da Embargante, observase que aquele recurso especial se fundamentou na contrariedade à lei ou à evidência da prova. Ora, na medida em que foi efetivamente constatada, pelo acórdão embargado, a existência de contrariedade à lei, consistente em se aplicar norma legal inaplicável ao caso,1 atendido está o escopo desse recurso, privativo da Fazenda Nacional, não havendo, pois, que se falar em decisão extra petita. Por fim, quanto à questão relacionada aos juros cobrados nos títulos pagos em atraso não serem receitas operacionais da atividade de factoring, a decisão embargada apenas explicitou o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que tais receitas são oriundas das atividades empresariais das empresas de factoring. É o Relatório. 1 O § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, esclareço. Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à: a) inaplicabilidade da multa agravada, em virtude da obtenção dos arquivos de controle operacional de títulos e da ausência de prejuízo à fiscalização; b) impossibilidade de agravamento da multa pela inexistência de documentos a serem disponibilizados; c) necessidade de consideração das despesas e perdas indicadas nos arquivos eletrônicos; e d) efeito da apuração das receitas a título de reembolso de tarifas bancárias na apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de lucro real. Fl. 5955DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.956 6 Com relação às alegadas “inaplicabilidade da multa agravada, em virtude da obtenção dos arquivos de controle operacional de títulos e da ausência de prejuízo à fiscalização” e “impossibilidade de agravamento da multa pela inexistência de documentos a serem disponibilizados”, cumpre reconhecer que, no presente caso, o só fato de ter a fiscalização logrado obter os arquivos de controle operacional de títulos não é de molde a excluir a infração cometida pela Embargante, de que resultou o agravamento da multa. Destaco, de início, a existência de Termo de Embaraço de Fiscalização, lavrado de efls. 132 a 137, assim fundamentado (destaque do original): Por todo o exposto, a fiscalização encontrase, desde o início dos seus trabalhos, em setembro do corrente, sendo ludibriada e dificultada pelos atos e alegações insubsistentes dos sócios e procurador da empresa, que, por fim: alegam “haver perdido” os dados informatizados, como se assim fosse possível em uma empresa com o porte de mais de quarenta funcionários e movimentação financeira aproximada de R$ 50.000.000,00 por ano; alegam não cumprirem, deliberadamente, a legislação tributária; alegam não guardarem os documentos necessários à escrituração pelo regime do Lucro Real, embora por este regime tem entregue as DIPJ anteriores; alegam não existirem boletos bancários ou outros documentos bancários, já tendo o contador esclarecido que trabalham com o Banco de Crédito Nacional e outros; não entregam relação de contas bancárias, nem os extratos pertinentes, facilmente obtidos junto às instituições bancárias; e, ainda, vão “avaliar” se fazem ou não a escrituração, pedindo um prazo de quarenta dias para esta avaliação, descumprindo a Intimação Fiscal que intimou a fiscalizada a fazêla e demonstrando evidente intuito protelatório dos seus atos. Desta forma, lavrase o presente Termo de Embaraço à Fiscalização, e REINTIMASE a fiscalizada, a partir da ciência deste: [...]. O não atendimento de qualquer dos itens desta Reintimação, nos prazos previstos, ensejará a aplicação da multa agravada, conforme art. 959 do RIR/99, sem prejuízo das sanções penais que couberem. Esclareço, também, que as informações obtidas pela fiscalização somente o foram em face de diversos Mandados de Busca e Apreensão procedidos judicialmente pela Polícia Federal, por solicitação do Ministério Público Federal, após Representação Fiscal dirigida a este, em várias cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina onde se localizavam estabelecimentos da Embargante (efls. 154 a 206), após as suas contínuas negativas e evasivas. Fl. 5956DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.957 7 Assim, se conseguiu a fiscalização, por outros meios (judiciais), obter as informações que lhe foram reiteradamente sonegadas pela Embargante, significa dizer que não é verdade que “dispunha a fiscalização das informações requeridas”, conforme constou de um dos paradigmas por ela apontados em seu Recurso Especial, ou que havia a suposta “incapacidade de o contribuinte cumprir as intimações”, como constou de outro dos paradigmas por ela indicados. No tocante à pretensa “necessidade de consideração das despesas e perdas indicadas nos arquivos eletrônicos”, é bem de se ver que a Embargante entregou as DIPJ’s relativas aos anoscalendário de 1998 a 2002, no regime de tributação do Lucro Real, sendo que nenhuma alteração foi procedida nos dados dessas declarações pela fiscalização. Logo, todas as despesas e perdas, porventura incorridas por ela, já constam de suas declarações de renda (cf. Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, efls. 345): Importante informar que os demais elementos informados nas DIPJ’s não foram objeto de alteração de ofício. Assim, havendo despesas ou perdas que não tenham constado de suas declarações de renda e, pois, de sua contabilidade, teriam, elas, por sua vez, o tratamento de novas omissões de receitas (art. 281, inciso II, do RIR/1999 – falta de escrituração de pagamentos efetuados), não podendo, pois, ser consideradas como despesas, para efeito de exclusão de omissões de receitas. A omissão de receitas se deveu, no caso, ao fato de a Embargante apenas tributar as receitas oriundas do Banco BCN e de não tributar (omitir) as receitas provenientes de outros bancos (cf. Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, efls. 329): Analisando as receitas informadas nas planilhas encontradas no material apreendido (fls. 02 a 132 do Anexo 05) com as informadas nas DIPJ dos anoscalendário de 1999 a 2002 (Anexo 03 A), conforme já descrito no item anterior, verificou se que a fiscalizada declarou e pagou os tributos apenas sobre o valor apurado nas operações cujos pagamentos ocorreram através do Banco de Crédito NacionalBCN. Isto pode ser constatado confrontandose os valores mensais das contribuições informadas nas DIPJ (Anexo 03 A) e os valores mensais do Banco BCN constantes das planilhas Excel (fls. 02 a 132 do Anexo 05). A fiscalização analisou também os extratos bancários obtidos através das RMFs. Conforme já relatado, a fiscalizada realizou as operações de compras e cobranças de títulos através dos Bancos do Brasil e de Crédito Nacional BCN. Em maior volume, porém, através do Banco do Brasil, conforme extratos bancários (Anexos 01 A a J e Anexos 02 A a D). Por fim, quanto ao “efeito da apuração das receitas a título de reembolso de tarifas bancárias na apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime de lucro real”, procede a irresignação da Embargante, como segue (cf. Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal, efls. 324, 327 e 328, grifei): Esclareçase que, de acordo com o “Regulamento Geral das Operações de Fomento Mercantil” (fls. 210 a 216), encontrado entre os materiais apreendidos pela Polícia Federal, são cobrados das empresas contratantes, na realização das Fl. 5957DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.958 8 operações de compra de títulos, e, portanto, compõem receita tributável, os valores dos seguintes campos do arquivo DFAREG: [...]. Tarifa: além da comissão “ad valorem” e do diferencial (deságio), são cobradas das empresas contratantes as tarifas bancárias. [...]. Na receita informada na planilha “DEMO TIT OPERADOS.xls” (fls. 133/134 do Anexo 05), não contém o valor cobrado das empresas contratantes a título de tarifa bancária, que deve fazer parte da receita auferida conforme Ato Declaratório Normativo COSIT nº 51, [de] 28/09/1994, que assim definiu: [...]. De acordo com este ADN, o valor da receita é a diferença entre o valor expresso no título de crédito e o valor negociado e pago pela empresa de factoring. Portanto, o valor deduzido dos títulos de créditos adquiridos a título de “tarifa”, ainda que seja tarifa posteriormente desembolsada para cobrança desses títulos nos bancos, compõe o valor da receita de factoring. [...]. Além da omissão acima apurada, conforme comentado no item anterior, constatouse, através do arquivo DFAREG (Anexo 08), que, no valor da receita auferida pela filial “Capital” (fls. 133 do Anexo 05), não foi incluído o valor cobrado a título de “Tarifa”, apurando assim a diferença que consiste em omissão de receita, de acordo com o quadro a seguir: [...]. Tratandose, pois, de despesa (tarifa bancária) oriunda da própria receita omitida (antecipação de tarifa bancária), não se lhe aplica o que foi dito anteriormente, quanto à indedutibilidade de despesas não contabilizadas, devendo ser excluído do lançamento fiscal, no que se refere ao IRPJ e à CSLL, os seguintes valores da matéria tributável do ano calendário de 2002: MÊS TRIMESTRE Janeiro 5.615,58 Fevereiro 3.552,33 Março 3.928,18 Primeiro 13.096,09 Abril 4.256,72 Maio 3.913,49 Junho 4.025,80 Segundo 12.196,01 Julho 4.309,93 Agosto 6.953,61 Setembro 8.248,84 Terceiro 19.512,38 Outubro 6.458,16 Novembro 5.008,61 Dezembro 4.129,70 Quarto 15.596,47 TOTAL 60.400,95 60.400,95 Fl. 5958DF CARF MF Processo nº 11516.001989/200417 Acórdão n.º 9101002.477 CSRFT1 Fl. 5.959 9 Isto posto, acolho, em parte, os Embargos apresentados pelo contribuinte, com efeitos infringentes parciais, para sanar as omissões apontadas e reduzir a matéria tributável do IRPJ e da CSLL relativa ao anocalendário de 2002. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Conforme art. 63, §§ 6º e 7º do Anexo II do RICARF, tendo em vista que não foi apresentada no prazo regimental, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 5959DF CARF MF
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