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Numero do processo: 15956.000022/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/03/2002, 20/03/2002, 31/03/2002, 10/04/2002, 20/04/2002, 30/04/2002, 20/12/2002, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 22 /2 00 7- 32 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Antônio Lisboa Cardoso Relator Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de Salvador (BA), que julgou procedente o auto de infração de fls. 08/16, cientificado à contribuinte em 13/02/2007 (fl. 07), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/03/2002, 20/03/2002, 31/03/2002, 10/04/2002, 20/04/2002, 30/04/2002, 20/12/2002, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. ILEGITIMIDADE ATIVA. In cabíveis a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. No caso de produtos fabricados por estabelecimentos cooperados que vierem a ser exportados pela sociedade cooperativa, eventual crédito pertence ao estabelecimento produtor e não à cooperativa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INDEVIDO. LANÇAMENTO DO IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. A concessão e o aproveitamento de qualquer benefício ou incentivo fiscal estão subordinados ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação de regência. É lícito ao Fisco proceder à glosa do crédito presumido do IPI irregularmente apropriado pela sociedade cooperativa, e, verificado o aproveitamento dos créditos presumidos indevidamente apurados, mediante recebimento de créditos por transferência, cabe o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago em razão da redução indevida do tributo a recolher. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 854DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 843 3 De acordo com a decisão recorrida, em relação ao item 001, consta que a empresa fiscalizada, COPERSUCAR, CNPJ 61.149.589/013752, ora Recorrente, firmou com a Usina Açucareira de Jaboticabal S. A., CNPJ 50.376.912/000130, Regime Especial de Substituição Tributária do IPI, consubstanciado no Termo de Acordo nº 24, de 23/12/1997, cópia às fls.664/6 66, assumindo a condição de responsável tributária relativamente ao IPI devido nas operações realizadas pela empresa citada, considerada substituída, inclusive quanto à apuração e pagamento do imposto na forma ali estabelecida, exclusivamente, quanto ao produto "açúcar " quando remetido pelo substituído ao substituto. Por consequência, a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial (CNPJ nº 61.149.589/013752) para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, relativo ao 1º decêndio de março de 2003 ao 3º decêndio de setembro de 2003, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996. Consta ainda que a contribuinte impetrou contra a União ações de mandado de segurança relativamente às safras de 2001/2002, 2002/2003 e 2003/2004, através dos processos ora discriminados respectivamente, de n°:MS 2001.61.00.0084924 (obteve em 1ª Instância Liminar e Sentença favorável, a qual foi cassada, pelo Tribunal Regional Federal, em 18/09/2006, fl. 387; MS 2002.61.00.0047968 (a contribuinte não obteve liminar e nem sentença favorável, inclusive em 2ª instância, fl. 388; e MS 2003.61.00.0077588 (fls. 386/638, foi indeferida a liminar e julgado improcedente o pedido, no recurso de apelação pela impetrante na esfera do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, foi negado provimento, por unanimidade, em 06/09/2006, indeferida concessão de segurança para que fosse eximido do destaque e recolhimento do IPI nas saídas do produto "Açúcar ", considerando alíquota de 5% conforme dispõe o Decreto nº 2.917, de 19 98, fl. 389); no processo de Medida Cautelar nº 2005.03.00.0 727229 (fl.391),que tem como objeto obstar a exigibilidade do IPI incidente sobres as operações de saída de açúcar da Safra de 2003/2 004, foi concedido "liminar para restaurar a eficácia da tutela concedida nos autos de agravo de instrumento até que haja pronunciamento da turma julgadora ". Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Cientificada em 27/01/2012 (AR – fl. 164) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 166 e seguintes, em 27/02/2012, em relação ao mérito afirma que, na condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/000189), utilizouse de créditos presumidos de IPI, calculados e transferidos por aquela Matriz para a filial, ora Recorrente, creditandose no seu Livro de Registro de Apuração do IPI, pelos créditos transferidos, por meio de Notas Fiscais de Transferência, correspondentes ao período de 2003 a 2005, utilizandoos para compensação com débitos do mesmo IPI. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. Aduz ainda que as vendas efetuadas são dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora Fl. 856DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 844 5 de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; Fl. 857DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador, entretanto, de acordo com a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características Fl. 858DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 845 7 [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). Fl. 859DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 846 9 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 862DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 847 11 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Fl. 863DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 12 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 864DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 13808.001069/99-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1994, 01/01/1995 a 30/09/1995
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PAGA SOB A LEGISLAÇÃO ENTÃO VIGENTE.
O pagamento da contribuição para o PIS, devida nos períodos de competência de julho de 1994 a setembro de 1995, em montante integral ao devido, nos termos da legislação tributária, então vigente, extingue a obrigação tributária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Ausente justificadamente a conselheira Maria Teresa Martínez Lopez.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/1994 DECADÊNCIA. DIFERENÇA APURADA. LANÇAMENTO. Por força do disposto no art. 62A do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 973.733/SC, reconhecese a decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituir a parte do crédito tributário lançada e exigida para a competência de junho de 1994. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1994 a 31/12/1994, 01/01/1995 a 30/09/1995 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PAGA SOB A LEGISLAÇÃO ENTÃO VIGENTE. O pagamento da contribuição para o PIS, devida nos períodos de competência de julho de 1994 a setembro de 1995, em montante integral ao devido, nos termos da legislação tributária, então vigente, extingue a obrigação tributária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 10 69 /9 9- 57 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 José Adão Vitorino de Morais – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Ausente justificadamente a conselheira Maria Teresa Martínez Lopez. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em São Paulo (SP) que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referentes aos fatos geradores ocorridos nos períodos de competência de junho a dezembro de 1994 e de janeiro a setembro de 1995. O lançamento decorreu da insuficiência do pagamento dos valores da contribuição devida naqueles períodos, nos termos das LC nº 7, de 1970, e nº 17, de 1973, em relação aos valores pagos com base nos Decretos leis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 15 e Termo de Verificação e Constatação às fls. 05. Intimada, a recorrente impugnou o lançamento, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: a) ou se considera a LC 7/70 como um todo ou não se o considera simplesmente, não sendo possível adotarse como válido apenas um de seus artigos (aquele que interessa à Receita Federal); b) a base de cálculo cio PIS não era o faturamento do próprio mês de competência, mas sim o faturamento do sexto mês anterior; c) há três elementos distintos na LC 7/70: a) base de cálculo – o faturamento do sexto mês anterior ao de competência, b) fato gerador – o transcurso em atividade da empresa no mês de competência, c) prazo de pagamento: referenciado na ocorrência do fato gerador e não da base de cálculo; d) o nascimento da obrigação de pagar o PIS não ocorria por si só com o faturamento, mas sim com a manutenção de atividades pela empresa no transcurso do sexto mês posterior a tal faturamento; e) a expressão "contribuição de julho" não deve ser entendida como sendo "contribuição a ser paga em julho", porquanto o princípio contábil de competência (e não o de caixa) tem ressonância normativa em nosso país; f) as normas que versam sobre prazo de pagamento não são veiculadas na forma de lei complementar; g) a jurisprudência administrativa aponta que o próprio órgão julgador fazendário acolhe integralmente as ponderações aqui traçadas, e o faz reiteradamente: h) consoante o entendimento do próprio Conselho de Contribuintes, a par de nada dever ao fisco federal, a impugnante é sua credora, tanto que existe pedido de compensação em curso perante a administração do órgão da Receita Federal. com a respectiva planilha de cálculos; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13808.001069/9957 Acórdão n.º 3301002.271 S3C3T1 Fl. 154 3 i) o art. 100 do CTN exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros e mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Decisão nº 3.505, datada de 27/09/2000, às fls. 37/41, sob a seguinte ementa: “FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento do PIS constituído de acordo com a legislação vigente. PIS. O art. 6° da LC 7/70 referese ao vencimento do Pis/Faturamento e não à determinação de sua base de cálculo.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 45/62), requerendo a sua reforma, a fim que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, que agiu de conformidade com a legislação então vigente, ou seja, apurou e pagou a contribuição nos termos dos Decreto leis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, assim não deve diferença alguma nos termos das LC nº 07, de 1970, e nº 17, de 1973. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. O lançamento em discussão abrange os fatos geradores ocorridos nos períodos mensais de competência de junho de 1994 a setembro de 1995 e foi efetuado com fundamento nas LC nº 07, de 07/09/1970, e nº 17, de 1973, do qual a recorrente foi intimada na data de 28 de julho de 1999. Para a competência de junho de 1994, na data de constituição do crédito tributário, em 28/07/1999, o direito de a Fazenda Nacional constituir o respectivo crédito tributário já havia decaído. A decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário está regulada no CTN, que assim dispõe: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...]. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Já no julgamento do REsp nº 973.733/SC, o Superior Tribunal Justiça (STJ) assim decidiu, quanto à decadência: “1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR. Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008. AgRg nos EREsp 216.755/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP. Rel. Ministro Luis Fux, julgado em 13.12.2004, J 28.02.2005)”. Do exame do Termo de Verificação e Constatação às fls. 05, parte integrante do auto de infração, verificase que, para a competência de junho de 1994, a recorrente declarou e antecipou pagamento por conta da contribuição devida. No presente caso, a recorrente foi intimada do lançamento em 27/07/1999, conforme provam a assinatura e a data, postas no auto de infração às fls. 19. Contandose o prazo de 5 (cinco) anos, a partir do respectivo fatos gerador, em 30/06/1994, a data limite para a constituição do crédito tributário correspondente àquela expirouse em 30/06/1999. Assim, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), adotase para o presente julgamento, aquela decisão, para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente ao fato gerador referente à competência de junho de 1994. Para as demais competências, conforme consta do Termo de Verificação e Constatação às fls. 05 e a planilha elaborada, as parcelas lançadas e devidas correspondem a 0,10 % (zero vírgula dez por cento) do faturamento, ou seja, a diferença entre a alíquota determinada nos decretos leis a fixada pela LC nº 17, de 1973. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13808.001069/9957 Acórdão n.º 3301002.271 S3C3T1 Fl. 155 5 Ora, o fato de o Senado Federal ter suspendido a execução daqueles Decretoslei, restabelecendo as normas fixadas pelas LC nº 7, de 1970, e nº 17, de 1973, não obriga o contribuinte a pagar a diferença de 0,10 % entre a alíquota de 0,65 %, prevista nos referidos decretoslei, e a de 0,75 %, prevista na lei complementar. Os pagamentos efetuados pelo contribuinte com base naqueles diplomas, então vigentes, extinguiram integralmente as contribuições devidas, desobrigandoa de quaisquer complementos. Neste caso devese observar o princípio da segurança jurídica, pois o contribuinte agiu de acordo com a legislação então vigente ainda não declarada inconstitucional. Exigir diferenças de tributos em face da inconstitucionalidade lei declarada posteriormente aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte de acordo a lei então vigente e editada pelo Estado constituiu penalidade a ele por um erro ou infração que não cometeu. Também, tal entendimento está implícito no art. 18 da Medida Provisória n.º 1.973, de 10 de dezembro de 1999: Art. 18 Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: [...]; VIII à parcela da contribuição ao Programa de Integração Social exigida na forma do Decretolei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e do Decretolei nº 2.449, de 21 de julho de 1988, na parte que exceda o valor devido com fulcro na Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações posteriores. [...]. § 2º O disposto neste artigo não implicará restituição ex offício de quantias pagas. Portanto, considerados válidos os atos praticados à época em que a observância dos decretoslei era exigida, não há que se falar em lançamento de diferenças de contribuições para o PIS. O entendimento acima externado coincide com o da administração da Secretaria da Receita Federal (SRF), consubstanciado no Parecer MF/SRF/COSIT/DIPAC N.º 156, de 7 de maio de 1996, item “e”: e) Em situação de cobrança (CAD) tendo o contribuinte efetuado o recolhimento com base no DL 2.445 e 2.449/88 (alíquota de 0,65% e com Receitas Financeiras) e tal valor seja menor que o apurado com base na LC 7/70, devese cobrar a diferença? Considerando que a resposta seja negativa, e no caso de não ter pago sobre as receitas financeiras, deverá ser cobrado das mesmas? Resp.: Não, visto que o contribuinte efetuou o pagamento na forma determinada pela legislação aplicável à época. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 No caso de falta ou insuficiência de recolhimento de acordo com a legislação vigente à época, apurada após a Resolução SF n.º 49/95, deverá ser efetuado lançamento de ofício com base na Lei Complementar n.º 7/70 e alterações posteriores. (grifei) Assim, inexiste amparo legal para exigir as diferenças decorrentes dos pagamentos efetuados nos termos dos Decretos leis nº 2.445 e nº 2.449, ambos de 1988, e os valores devidos nos termos das LC nº 7, de 1970, e nº 17, de 1973. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11686.000158/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 07/11/2007 a 10/01/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO.
O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, na Dcomp, implica homologação da compensação do débito tributário declarado até o limite do valor reconhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Os créditos decorrentes de depreciação serão apurados sobre os encargos de depreciação, regra geral, ou opcionalmente sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo do bem. Não tendo o contribuinte demonstrado e provado que apurou pela forma opcional, a apuração pela regra geral deve ser mantida.
Numero da decisão: 3301-002.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Não provada violação das disposições contidas nas normas reguladoras do processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. A indicação expressa, na decisão recorrida, das razões das glosas dos créditos da contribuição e dos fundamentos legais, permitiu ao sujeito passivo exercer seu direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 ATIVO IMOBILIZADO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO. Os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, comprovadamente utilizados no processo de produção dos bens destinado a venda, geram créditos passíveis de dedução da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO. FORMA DE APURAÇÃO. OPÇÃO. Os créditos decorrentes de depreciação serão apurados sobre os encargos de depreciação, regra geral, ou opcionalmente sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do custo do bem. Não tendo o contribuinte demonstrado e provado que apurou pela forma opcional, a apuração pela regra geral deve ser mantida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 01 58 /2 00 8- 08 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Período de apuração: 07/11/2007 a 10/01/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). HOMOLOGAÇÃO. O reconhecimento da certeza e liquidez de parte do crédito financeiro declarado, na Dcomp, implica homologação da compensação do débito tributário declarado até o limite do valor reconhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Porto Alegre (RS) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou, em parte, as compensações dos débitos tributários declarados nas Declarações de Compensação (Dcomp) às fls. 43/46, fls. 47/50, fls. 51/56, fls. 57/60 e fls. 61/64, transmitidas entre as data de 07/11/2007 e 29/01/2008, com crédito financeiro decorrente de saldo credor da Cofins não cumulativa, apurado para o 3º trimestre de 2006. A homologação parcial decorreu da glosa dos créditos apurados sobre bens não utilizados no processo de produção (ar condicionado split, microcomputadores, monitores de vídeo, bebedouros, cadeiras, entre outros), conforme Informação Fiscal às fls. 37/40 e Despacho Decisório às fls. 67. Intimada daquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, insistindo na homologação integral das compensações, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: A interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade onde contesta o cálculo efetuado pela fiscalização na apuração dos créditos. Afirma que o cálculo de apropriação de créditos de Cofins é o valor apropriado de cada bem dividido em 48 meses, não podendo ser utilizado o valor da depreciação, uma vez que a vida útil do bem varia de acordo com o tipo de ativo a ser depreciado. Anexa demonstrativo de apuração de créditos, onde só constariam bens adquiridos em data posterior a 30/04/2004. Afirma que o montante creditório apurado está de acordo com a legislação vigente, uma vez que ar condicionado split, microcomputadores e Fl. 176DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11686.000158/200808 Acórdão n.º 3301001.142 S3C3T1 Fl. 175 3 monitores de vídeo são indispensáveis no processo de produção dos medidores fabricados. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1030.074, datado de 24/02/2011, às fls. 135/140, sob a seguinte ementa: “ATIVO IMOBILIZADO CRÉDITO POSSIBILIDADE – São passíveis de creditamento apenas os gastos com ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, sendo o crédito calculado por meio de aplicação da alíquota da Cofins nãocumulativa (7,6%) sobre o valor da depreciação e/ou amortização incorridos em cada mês. Opcionalmente, esse crédito poderá ser calculado pela aplicação dessa alíquota sobre o 1/48 do valor de aquisição do bem.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fl. 146/155), requerendo, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida sob a alegação de cerceamento do seu direito de defesa, pelo fato de a autoridade julgadora de primeira instância não ter se manifestado de forma expressa sobre os pontos contestados na manifestação de inconformidade e por falta de fundamentação legal que a ampare; e, ainda, por contrariar o disposto no §14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2004; e, no mérito, repetiu as mesmas alegações expendidas na manifestação de inconformidade, que tem direito aos créditos glosados, tendo em vista que os aparelhos de ar condicionados são utilizados por imposição do INMETRO; os microcomputadores e os monitores de vídeos são necessários ao seu processo produtivo; e, ainda, defendeu a apuração dos créditos, nos termos do §14 do art. 3º daquela lei. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. I – Preliminar A suscitada nulidade da decisão recorrida sob o argumento de cerceamento do seu direito de defesa sob as alegações de que: (i) a autoridade julgadora de primeira instância não teria se manifestado de forma expressa sobre os pontos contestados na manifestação de inconformidade; (ii) falta de fundamentação legal que a ampare; e, (iii) contrariou o disposto no parágrafo 14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, não tem amparo legal e não merece prosperar. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Segundo o Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59, inciso II, são nulos somente os despachos e as decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, assim dispondo: Art. 59 São nulos: [...]; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” No presente caso, ao contrário das alegações da recorrente, do exame da decisão recorrida, verificase que as matérias suscitadas na manifestação de inconformidade, (i) glosas dos créditos apurados sobre os bens do ativo fixo, ar condicionado split, microcomputadores e monitores de vídeo; (ii) exigência do INMETRO; e (iii) forma de cálculo dos créditos, foram enfrentados e fundamentados de forma expressa, naquela decisão. A manutenção das glosas está fundamentada no inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, sob o entendimento de que os valores aproveitados não se enquadram neste dispositivo legal; já a forma de cálculo sob o fundamente de que a apuração, prevista no § 14 do referido artigo, é opcional e a recorrente não demonstrou, em sua escrita fiscal, que optou por esta forma de apuração. Assim, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. II – Mérito A fiscalização glosou os créditos apurados sobre os encargos de depreciação dos seguintes bens: ar condicionado split, microcomputadores, monitores de vídeos e outros; e todos os créditos apurados sobre bens adquiridos até 30/04/2004. A recorrente alega que tem direito de apropriar créditos sobre os custos de aquisições de ar condicionado split, sob o fundamento de que o INMETRO exige estes equipamentos, no seu processo produtivo, para certificar os produto, e sobre os custos de aquisições de microcomputadores e monitores de vídeo por serem necessários ao seu processo produtivo; defende a apuração dos créditos da contribuição, nos termos do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, ou seja, sobre 1/48 do valor do bem constante do total da nota fiscal, excluído o valor do IPI e, não nos termos do inciso III do § 1º do inciso VI do art. 3º desta mesma lei, conforme apurado pela fiscalização. Alegou, ainda, às fls. 79, que nenhum bem foi adquirido antes de 30/04/2004. Assim, o litígio, nesta fase recursal, se restringe às glosas dos créditos apurados sobre os custos de aquisições de ar condicionado split, microcomputadores, monitores de vídeos e a forma de suas apurações. A Lei nº 10.833, de 29/12/2003, assim dispõe sobre o aproveitamento de créditos da contribuição: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11686.000158/200808 Acórdão n.º 3301001.142 S3C3T1 Fl. 176 5 [...]. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...]. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. [...].” Segundo estes dispositivos, somente geram créditos os encargos de depreciações dos bens do ativo imobilizado, utilizados na produção dos bens destinados a venda. No presente caso, a recorrente produz aparelhos de precisão, destinados a medição de correntes elétricas e consumo de energia sob condições especiais de temperatura e umidade, cuja certificação é feita pelo INMETRO que exige temperatura ambiental específica, nos termos das Portarias nº 88/2006, anexo III e nnº 431/2007, anexo C. Também, em face do rigoroso padrão de controle dos medidores produzidos, é necessária uma série de testes para assegurar suas precisões o que implica na utilização de microcomputadores e monitores de vídeos. Assim. os encargos de depreciação daqueles equipamentos, que comprovadamente são utilizados no processo produtivo e que estão instalados dentro da fabrica, geram créditos da contribuição. Como os referidos equipamentos são de uso geral, principalmente em escritórios e salas de diretores, ressalto que está sendo reconhecidos créditos apenas sobre os encargos daqueles efetivamente instalados na fábrica e utilizados no processo produtivo da recorrente. Quanto à forma de apuração, o § 1º, inciso III, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente, prevê que os créditos serão apurados sobre os encargos de depreciação dos bens utilizados na produção, apropriados mensalmente, ou opcionalmente, conforme disposto no §14 daquele mesmo artigo, será determinado sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem. Conforme consta da decisão recorrida, a recorrente, na apuração dos créditos sobre os encargos de depreciação, não optou pela forma prevista naquele parágrafo 14. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Também, nesta fase recursal, a recorrente não apresentou documentos fiscais, Dacon, e/ contábeis, livro Razão (escrituração do crédito), comprovando sua opção pela forma de apuração prevista no §14 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, correto o procedimento utilizado pela fiscalização quanto à forma de apuração dos créditos referentes à depreciação. Já em relação à homologação da compensação integral dos débito tributários declarados nas Dcomp em discussão, nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, aquela está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado anteriormente, a recorrente faz jus a parte do crédito financeiro suplementar declarado nas Dcomp, objeto deste processo administrativo. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os encargos de depreciação dos aparelhos de ar condicionado split, microcomputadores e monitores de vídeos, comprovadamente utilizados no seu processo produtivo, instalados dentro da fábrica, cabendo à autoridade administrativa apurar os créditos e homologar a compensação dos débitos tributários declarados até o limite do total apurado, exigindo possível(is) saldo(s) remanescente(s). (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000605/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 05/04/1999 a 12/08/2002
FIOS (CABOS) DE AÇO.
Os fios (cabos) de ferro ou aço utilizados em transportes de cargas como guinchos, guindastes, monta cargas, pontes rolantes, talhas e seus acessórios para içamento de peças, e em equipamentos de levantamento de cargas, classificam-se no código fiscal NCM 7326.20.00.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 05/04/1999 a 12/08/2002 FIOS (CABOS) DE AÇO. Os fios (cabos) de ferro ou aço utilizados em transportes de cargas como guinchos, guindastes, monta cargas, pontes rolantes, talhas e seus acessórios para içamento de peças, e em equipamentos de levantamento de cargas, classificamse no código fiscal NCM 7326.20.00. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 06 05 /2 00 3- 71 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ II em São Paulo (SP) que julgou improcedente a impugnação interposta contra o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados(IPI) referente ao fato gerador ocorrido na data de 5 de abril de 1999. O lançamentos decorreu da classificação equivocada de produto importado, adotado pela recorrente sob o código NCM 7326.20.00, com alíquota de 10,0 % do IPI, quando o correto, segundo a Fiscalização, deveria ter sido sob o código 7312.10.90, à alíquota de 15,0 %, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 05/09. Intimada do lançamento, a recorrente impugnouo, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: • A impugnante importa cabos de aço sempre com classificação fiscal no código NCM 7326.20.00; • A impugnante formulou consulta à Secretaria da Receita Federal a respeito da correta classificação fiscal da mercadoria em análise, tendo por resultado a lavratura do presente auto de infração; • O auto de infração estaria eivado de nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que não apresenta os motivos da nova classificação fiscal dos produtos importados; • A impugnante é foco de Mandado de Procedimento Fiscal sobre o mesmo assunto; • O código NCM utilizado pela impugnante é o correto – 7326.20.00 – pois engloba "outras obras de ferro ou aço/obras de fio de ferro ou aço"; • Conforme técnicas especificas, fios são os produtos obtidos a quente ou a frio, cujo corte transversal, qualquer que seja sua forma, não exceda 6mm na sua maior dimensão; • Inexigível a multa em face do Ato Declaratório No. 10/97, em face da correção na descrição dos produtos; • Inexigível os juros de mora; • O Imposto sobre Produtos Industrializados relativo a Declaração de Importação No. 01/07687229/002 já foi pago; • Ocorreu erro material em relação a data de registro da Declaração de Importação 99/7745863/001; Pugna a nulidade e alternativamente a improcedência do Auto de Infração. Em exame preliminar, a lº Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução No. 838, de 25/08/2008, solicitando à autoridade preparadora que explicitasse os critérios utilizados na classificação tarifária da mercadoria em questão, saber em que elementos se baseou para lastrear sua conclusão quanto a nova classificação fiscal e qual(is) Regra Gerais do Sistema Harmonizado aplicou ao efetuar a nova classificação fiscal. Foi informado que foi utilizado como critério de classificação fiscal a leitura da TEC em conformidade com a descrição da mercadoria nas Declarações de Importação, em consonância com a Regra 1 das Regra Gerais do Sistema Harmonizado (fls. 342). Fl. 514DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.000605/200371 Acórdão n.º 3301002.127 S3C3T1 Fl. 510 3 Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei n° 9.784/99, em face do principio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento – AR datado de 29/09/2008 (fls. 343verso), o interessado manifestouse no sentido de que a fiscalização não se ateve a Regra No. 1 das Regra Gerais do Sistema Harmonizado, que o fato do produto não poder ser utilizado como elemento de transporte de energia elétrica, afasta a pretensão da RFB, e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1732.035, datado de 20/05/2009, às fls. 439/451, sob a seguinte ementa, sem título: “Cabos obtidos por justaposição e torção apertada de dois ou mais fios de aço, mesmo com alma, não isolados para usos elétricos nem reconhecíveis como destinados a veículos, apresentados isoladamente, classificamse no código 7312.10.90 da NCM Dispositivos Legais: RGI 1 (textos da Nota "2 a)" da Seção XV e da Posição 73.12), RGI 6a (texto da subposição 7312.10) e RGC1 (texto do subitem 7312.10.90), da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que consta da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 28 de dezembro de 2006, e com os subsídios das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas pelo Decreto n° 435, de 1992 e atualizações posteriores, em seus comentários a Seção XV e posição 73.12.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 483/497), requerendo a sua a reforma a fim de que se cancele o lançamento sob o argumento de que adotou a classificação fiscal correta ou alternativamente o cancelamento parcial por inexigibilidade total ou parcial da multa de ofício, dos juros de mora e dos valores cobrados indevidamente e, ainda, a exclusão dos valores recolhidos a título de IPI na DI 01/0768722 9/002 e também seja sanado o erro na DI 99/7745863/001, fls. 102/106, com a correção da data de seu registro para 14/09/1999 e não em 17/09/1999, como consta do auto de infração, e, finalmente, se mantida a decisão recorrida, seja declarado seu direito de compensar os valores recolhidos a maior a título de Imposto de Importação com o crédito tributário em discussão. Pare fundamentar seu recurso discorreu sobre: “I. FATOS; II. RAZÕES PARA PROVIMENTO DO RECURSO; II.1. Da correta Classificação Fiscal; II.1, Da Inexigibilidade da Multa; II.3. Dos Juros de Mora e Pagamento Parcial da DI 01/07687229/002”, concluindo, ao final, que o produto importado (fios de aço) se classifica no NCM 4326.20 – Obras de fios de ferro ou aço e não posição 7312.10 adotada pela Fiscalização, e que a multa de ofício deve ser excluída porque o produto foi corretamente descrito na DI e não houve intuito de fraude ou má fé e, finalmente, que os valores pagos a título de IPI na DI 01/07687229/002 devem ser deduzidos do lançamento e reconhecido seu direito de compensar os valores pagos a maior a título de Imposto de Importação. É o relatório. Voto Fl. 515DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. A recorrente importou fios de aço (cabos de aço galvanizados ou polidos), em carretéis, e os classificou no código NCM 7326.20.00, sujeitos à alíquota do IPI, no percentual de 10,0%. Contudo, a Fiscalização classificou o produto no código NCM 7312.10.90, cuja alíquota é de 15,0%. A Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) assim dispõe quanto aos códigos NCM defendidos pela recorrente e o utilizado pela fiscalização: Pela recorrente: 73.26 Outras obras de ferro ou aço. Alíquota (%) 7326.1 Simplesmente forjadas ou estampadas: 7326.11.00 Esferas e artefatos semelhantes, para moinhos 10 7326.19.00 Outras 10 7326.20.00 Obras de fio de ferro ou aço (destaque não original) 10 7326.90 Outras Pela fiscalização: 73.12 Cordas, cabos, tranças, lingas e artefatos semelhantes, de ferro ou aço, não isolados para usos elétricos. Alíquota (%) 7312.10 Cordas e cabos 7312.10.10 De fios de aço revestidos de bronze ou latão 15 7312.10.90 Outros (destaque não original) 15 Ex 01 Cordoalha de aço para concreto protendido 5 7312.90.00 Outros 15 Na posição 73.12 estão enquadrados cabos de aço não isolados para usos elétricos. A Fiscalização enquadrou o produtos da recorrente nesta posição, no código NCM 7312.10.90 Outros. Já na posição 73.26 estão enquadrados outras obras de ferro ou aço, sendo que no código NCM 7326.20.00 – Obras de fio de ferro ou aço. No presente caso, a recorrente importou fios (cabos) de aço galvanizados e ou polidos, constituídos de fios de ferro ou aço entrançados não isolados, em carretéis, utilizados em equipamentos de transportes de cargos, tais como guinchos, guindastes, monta cargas, pontes rolantes, talhas e seus acessórios para içamento de peças e em equipamentos de cargas. Ora, levandose em conta que os cabos de aço importados pela recorrente não são destinados para usos elétricos e sim para utilizados em equipamentos de transportes de cargas como guinchos, guindastes e outros, a classificação mais adequada é no NCM 7326.20.00, adotado pela recorrente. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 516DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.000605/200371 Acórdão n.º 3301002.127 S3C3T1 Fl. 511 5 Fl. 517DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10074.000248/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 26/11/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais.
Numero da decisão: 3803-001.288
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, declinando-se a competência para o seu julgamento às turmas ordinárias da 3ª Câmara.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/11/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Cabe às Turmas Ordinárias processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância em processos que excedem o valor de alçada das turmas especiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, declinandose a competência para o seu julgamento às turmas ordinárias da 3ª Câmara. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Daniel Maurício Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração relativo a multa de ofício devida por infração ao art. 463, caput, e inciso I, do Decreto nº 2.637/1998 (Regulamento do IPI – RIPI), em face da constatação de que o contribuinte havia entregue a consumo produto de procedência estrangeira sem emissão de nota fiscal, correspondendo a multa ao valor comercial da mercadoria comercializada (fls. 1 a 5). Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS 2 Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 15 a 16) e requereu a revisão dos critérios utilizados na ação fiscal, bem como reavaliação da base de cálculo da penalidade. A DRJ Juiz de Fora/MG julgou o lançamento improcedente (fls. 85 a 89) e exonerou o contribuinte do crédito tributário exigido, considerando que não se tratava de importações clandestinas, mas regulares, tendo sido observados todos os procedimentos de despacho aduaneiro, inclusive com o competente registro da Declaração de Importação no Siscomex, não se caracterizando fraude ou outra irregularidade e, portanto, não se configurando o suporte fático da infração. Após o julgamento de primeira instância administrativa, os autos do processo foram remetidos a este Conselho em face do Recurso de Ofício formulado nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator Considerando (i) que a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF; (ii) que esse valor está fixado atualmente em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), e (iii) que o valor original deste processo é de R$ 1.784.784,00 (hum milhão, setecentos e oitenta e quatro mil, setecentos e oitenta e quatro reais), voto pelo não conhecimento do recurso de ofício (fl. 85), declinandose a competência para seu julgamento às turmas ordinárias da 3ª Câmara desta 3ª Seção. Sala das Sessões, em 1º de março de 2011 Assinado digitalmente Hélcio Lafetá Reis Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10074.000248/200311 Acórdão n.º 380301.288 S3TE03 Fl. 96 3 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10074.000248/200311 Interessada: FAZENDA NACIONAL À Secretaria da 3ª Câmara da 3ª Seção, para formação de lote de sorteio para as turmas ordinárias, haja vista que o valor do processo supera a alçada desta TE, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Brasília DF, em 01 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2011 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/03/2011 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10410.003245/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. APURAÇÃO DO CRÉDITO.
Ao fazer as adições de créditos excluídos nos meses anteriores e fazer a exclusão ao final do período de apuração dos créditos de MP, PI e ME, a fiscalização apurou de forma correta o valor a ser ressarcido ao contribuinte.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por esta razão, admite-se a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas efetuadas junto a pessoas físicas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.310
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. APURAÇÃO DO CRÉDITO. Ao fazer as adições de créditos excluídos nos meses anteriores e fazer a exclusão ao final do período de apuração dos créditos de MP, PI e ME, a fiscalização apurou de forma correta o valor a ser ressarcido ao contribuinte. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por esta razão, admite-se a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas efetuadas junto a pessoas físicas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. APURAÇÃO DO CRÉDITO. Ao fazer as adições de créditos excluídos nos meses anteriores e fazer a exclusão ao final do período de apuração dos créditos de MP, PI e ME, a fiscalização apurou de forma correta o valor a ser ressarcido ao contribuinte. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Por esta razão, admitese a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas efetuadas junto a pessoas físicas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 32 45 /2 00 6- 14 Fl. 459DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003245/200614 Acórdão n.º 3301002.310 S3C3T1 Fl. 460 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003245/200614 Acórdão n.º 3301002.310 S3C3T1 Fl. 461 3 Relatório Por economia processual e por bem relatar os fatos até aquele momento, adoto o relatório elaborado pela DRJ/Recife, abaixo transcrito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (fl. 151), de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, e a Portaria MF nº 38/97, no valor de R$ 7.958.287,75, referente ao 4º trimestre de 2002, cumulado com pleito compensatório de débitos de IRPJ (código 2362) e CSLL (código 2484) efetivado por meio da declaração de compensação inserta à fl. 16. Com o propósito de atestar a veracidade do crédito pleiteado, foi realizada diligência fiscal (conforme documentação anexada às fls. 051/117) que deu margem a elaboração de termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 115/116), onde a autoridade responsável pelos exames apresenta relato a respeito dos procedimentos efetivados e pronunciase pela admissão de crédito em favor do contribuinte, no valor de R$ 4.054.503,42. Todavia, em decisão inicial (fls. 139/151), embasada no art. 31 da IN SRF nº 600, de 2005, o pedido de ressarcimento em apreço foi considerado como não formulado e a respectiva compensação como não declarada. Posteriormente, sentença emitida no curso do processo judicial nº 000.6642 83.2011.4.058000 (fls. 214/226) determinou que fosse apreciada a homologação ou não da compensação efetuada pelo contribuinte no presente processo administrativo. Finalmente, em obediência à determinação judicial citada, a unidade jurisdicionante, por meio do Despacho Decisório de fl. 238, considerando os fundamentos contidos no termo de Encerramento de Ação Fiscal supra referido e no Parecer nº 327/2012 (fls. 235/237), acatou parcialmente o pleito requerido e indicou como compensação aceita o exato valor do crédito admitido, ou seja, a quantia de R$ 4.054.503,42. Irresignado, o interessado apresentou, tempestivamente (conforme documento de fl. 428), manifestação de inconformidade (fls. 248/257) onde formula, em síntese, as seguintes considerações: a) Discorre sobre o resultado da apreciação do seu pleito e afirma que o crédito requerido (presumido) foi apurado em face das alterações introduzidas no sistema da não cumulatividade, no caso do PIS, pela Lei nº 10.637/2002, e, com relação à COFINS, pela Lei nº 10.833, de 2003. b) Tece comentários a respeito do MS nº 000.664283.2011.4.058000 e defende, com vistas à observância do contraditório e da ampla defesa, assim como, do devido processo legal administrativo, a necessidade de recebimento da peça de defesa apresentada. c) Aduz que o não reconhecimento integral do crédito pleiteado se deu em função da efetivação de glosas equivocadas por parte da fiscalização. Nesse sentido 1 Nas referências às folhas do processo foi considerada a numeração eletrônica Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003245/200614 Acórdão n.º 3301002.310 S3C3T1 Fl. 462 4 alega que, ao invés das requisições de material do almoxarifado, foram consideradas as notas fiscais de entrada, o que afrontaria a legislação (cita o art. 3º da Portaria MF nº 38/1997 e o art. 9º da IN SRF nº 313/2003), como também, deixaram de ser levados em conta os valores do creditamento decorrente da aquisição de canade açúcar. Sobre o tema, além de transcrever excertos doutrinários, pugna pelo respeito aos princípios da verdade material e da razoabilidade, de forma a serem evitadas restrições desnecessárias ao exercicio do direito ao crédito pretendido. Por fim, requer o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado e a homologação da compensação em sua totalidade. É o que importa relatar. Ao analisar referida manifestação de inconformidade a 2ª Turma da DRJ/Recife proferiu o Acórdão nº 1141.873, de 30/07/2013, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. NOTAS FISCAIS. O crédito presumido do imposto deve ser calculado considerandose o valor constante da nota fiscal emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. VEDAÇÃO. É vedada a inclusão, na base de cálculo do benefício, de valores referentes a insumos adquiridos de fornecedores pessoas físicas nãocontribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário repetindo basicamente as mesmas questões de fato e de direito trazidos por meio da manifestação de inconformidade. Porém faz os seguintes acréscimos em seu recurso, em síntese: 1) Insiste que houve erro na apuração do crédito presumido, pois a fiscalização não teria observado que a apropriação de seus custos se faz na metodologia do custo integrado e, neste caso, os valores apropriados de custos em um mês são decorrentes de notas fiscais de aquisição de períodos anteriores. Esta teria sido a razão de os valores constantes das notas fiscais de aquisição de determinado período estarem inferiores ao correspondente montante de crédito presumido de IPI aproveitado naquele mês. Para enriquecer o debate traz o seguinte exemplo, o qual transcrevo abaixo: “ No mês de fevereiro de 2002 foi adquirida a quantidade de 1000 produtos (p. ex.: materiais de embalagem) mediante Nota Fiscal de entrada “X”; em razão do sistema de custo integrado os 1000 produtos são registrados no almoxarifado no momento da entrada; Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003245/200614 Acórdão n.º 3301002.310 S3C3T1 Fl. 463 5 Todavia, 400 produtos foram utilizados no mesmo mês de fevereiro de 2002 e o restante (600 produtos) somente foi utilizado no mês de abril de 2002, de acordo com a requisição ao almoxarifado e ficha Kardex; Desse modo, temos que: a) Em fevereiro de 2002 foi apropriado no custo da produção o valor equivalente aos 400 produtos e, b) Em abril de 2002 foi apropriado no custo de produção o valor correspondente aos 600 produtos remanescentes; Com base no exemplo acima, é possível concluir que no mês de abril de 2002 não existirá Nota Fiscal, emitida naquele mês, equivalente aos 600 produtos remanescentes visto que foram adquiridos através da Nota Fiscal de entrada “X” emitida em fevereiro de 2002” 2) Em relação aos insumos adquiridos de pessoas físicas, ressalta o seu entendimento quanto à possibilidade de apropriar o crédito presumido e cita jurisprudência judicial e administrativa que vão ao encontro de sua tese. 3) No final, no item III.C de seu recurso, afirma que houve outros equívocos de cálculo cometidos pela fiscalização. É o relatório. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003245/200614 Acórdão n.º 3301002.310 S3C3T1 Fl. 464 6 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Sem preliminares a serem apreciadas, passa se à análise de mérito dos pontos defendidos pela recorrente. 1) ERRO DE METODOLOGIA DA FISCALIZAÇÃO NA APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Como relatado, o contribuinte afirma que houve erro na apuração do crédito presumido, pois a fiscalização não teria observado que a apropriação de seus custos se faz na metodologia do custo integrado e, neste caso, os valores apropriados de custos em um mês são decorrentes de notas fiscais de aquisição de períodos anteriores. Esta teria sido a razão de os valores constantes das notas fiscais de aquisição de determinado período estarem inferiores ao correspondente montante de crédito presumido de IPI aproveitado naquele mês. O crédito presumido de IPI foi instituído pela Lei nº 9.363/96 que assim dispunha: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, com o ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. (...) Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003245/200614 Acórdão n.º 3301002.310 S3C3T1 Fl. 465 7 comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. (...) Com base no comando legal, foi editada a Portaria MF nº 38/1997: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 5º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica, que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados na produção durante o período. Amparado nestes dispositivos o contribuinte afirma que a fiscalização teria se equivocado no cálculo de seu crédito presumido, pois teria apurado o seu crédito somente com base nos valores das notas fiscais de entrada em seu respectivo mês. Os atos normativos citados pelo contribuinte estão corretos, porém não são suficientes para atestar que houve equívoco por parte da fiscalização. Como as notas fiscais que foram utilizadas pela fiscalização não foram contestadas, concluise, com base na metodologia demonstrada na planilha de fls. 109/110, os cálculos efetuados para apuração do crédito presumido foram elaborados corretamente. O crédito presumido só pode ser apurado mediante a existência da nota fiscal de aquisição da MP, PI e ME. A fiscalização demonstrou que foram utilizadas, no cálculo, todas as notas fiscais por ele consideradas e relacionadas nas planilhas mensais. No caso a apuração foi sendo feita acumulada até o mês de novembro e depois isoladamente em relação à Cofins, no mês de dezembro/2012. Em relação a janeiro/2012 (planilha de fl. 109) foi acrescentado à base de cálculo do crédito presumido o valor de R$ 51.031.492,41 (Linha 14) que é justamente os valores acumulados de MP, PI e ME que haviam sido excluídos no mês anterior, ou seja, neste momento acrescentou todos os produtos com direito a creditamento adquiridos em meses anteriores e não utilizados. Desta forma, não há que se falar em localizar notas fiscais de períodos anteriores, pois todo o estoque de produtos ainda não utilizados foi considerado a partir deste momento. Em seguida foram apropriados créditos de todas as notas fiscais dos meses que abrangeram a presente análise e, naturalmente no último mês do período foi efetuada a exclusão dos valores das MP, PI e ME que estavam em estoque e, portanto serão utilizados na base do crédito presumido do IPI no período subseqüente. Portanto, correto o procedimento adotado que, a meu ver, não feriu a legislação e não trouxe prejuízos ao contribuinte. OBS.: o intitulado doc7 apresentado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, fls. 297/320, que demonstra os registros no Livro Diário das requisições efetuadas ao almoxarifado é relativo ao ano de 2003, sendo que os valores apurados no presente processo são do ano de 2002. Houve um equívoco, por parte do contribuinte, que inseriu estes dados do ano de 2003 em sua manifestação de inconformidade. Estes dados de 2002 foram inseridos no processo nº 10410.003687/200661 que trata do crédito presumido do ano de 2003. Porém, como sou relator dos dois processos, não houve prejuízo na sua defesa, uma vez que considerei para análise o Livro Diário de 2002 inserido naquele processo. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003245/200614 Acórdão n.º 3301002.310 S3C3T1 Fl. 466 8 2) MATÉRIAS PRIMAS ADQUIRIDAS DE PESSOAS FÍSICAS A fiscalização e a DRJ entenderam, a meu ver corretamente, que o valor das matériasprimas adquiridas diretamente de pessoas físicas não compõem a base de cálculo do crédito presumido de IPI, pois não sendo eles contribuintes do PIS e da Cofins, não haveria o que ressarcir. Ocorre que esta questão já foi pacificada pelo STJ que, ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidiu que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da IN SRF nº 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Neste sentido está pacificada também a jurisprudência deste tribunal administrativo em diversas decisões. Citase a título exemplificativo O Acórdão da CSRF nº 9303002.057, de 27/09/2013, da relatoria do presidente desta 3ª Câmara, Conselheiro Rodrigo da Costa Possas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstacularizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado. Desta forma, atendendo ao comando da decisão do STJ, por força do art. 62a do Regimento Interno do CARF, acato o recurso voluntário no que diz respeito ao aproveitamento do crédito presumido de IPI nas aquisições de matériaprima de pessoas físicas. 3) OUTROS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO O recorrente aponta inicialmente um equívoco no cálculo do percentual do crédito presumido em relação a janeiro/2002 cometido na planilha de fl. 109. Informa que a fiscalização inseriu um percentual de 0,22245%, quando o correto seria 36,1829%. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10410.003245/200614 Acórdão n.º 3301002.310 S3C3T1 Fl. 467 9 Analisando referida planilha constatase efetivamente que a fiscalização cometeu o erro apontado. O percentual correto de crédito presumido para o mês de janeiro/2002 é efetivamente 36,1829%. Ocorre que este cálculo é repetido de forma acumulada nos meses subseqüentes e ao fazer os cálculos corretos para os meses posteriores, o erro cometido para janeiro é anulado, não gerando qualquer efeito para o cálculo final do crédito presumido. Os demais erros apontados no recurso voluntário não são decorrentes de cálculo e sim das glosas efetuadas que já foram objeto de análise nos tópicos anteriores. 4) CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário somente para incluir no cálculo do crédito presumido os valores glosados decorrente das aquisições de matéria prima de pessoas físicas. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 30/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 10611.003126/2008-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
As multas substitutivas da pena de perdimento estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66 (art. 669 do Decreto 4543/2002 - Regulamento Aduaneiro). O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração.
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação da existência de subfaturamento de preços na operação de importação é vício de natureza material. A infração deve ser cabalmente comprovada, não podendo ser mantida a acusação com base em suposições.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3301-002.258
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício e II) dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Recorrente INTERDÍESEL DO BRASIL LTDA E FAZENDA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL E INTERDÍESEL DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006 SUBFATURAMENTO. FATURA INIDÔNEA. PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA Mercadorias importadas subfaturadas, mediante o uso de documento falso, submetemse à pena de perdimento, que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro delas, caso já tenham sido consumidas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. As multas substitutivas da pena de perdimento estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do DecretoLei nº 37/66 (art. 669 do Decreto 4543/2002 Regulamento Aduaneiro). O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração. IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação da existência de subfaturamento de preços na operação de importação é vício de natureza material. A infração deve ser cabalmente comprovada, não podendo ser mantida a acusação com base em suposições. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 31 26 /2 00 8- 67 Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.301 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) negar provimento ao recurso de ofício e II) dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.302 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado no Acórdão recorrido, in verbis: O presente processo é referente à cobrança da multa substitutiva do perdimento, que foi aplicada sobre as mercadorias registradas nas Declarações de Importação (DI’s) indicadas na planilha a fls. 110/266, em decorrência da constatação de subfaturamento e uso de documento falso nessas operações. O crédito tributário totalizou R$ 2.051.005,45 à época de sua formalização, consoante Auto de Infração a fls. 320. Da Autuação Conforme Relatório Fiscal a fls. 2131, as infrações que deram ensejo ao lançamento foram constatadas com base em documentos apreendidos na sede da autuada. O subfaturamento de preços foi comprovado com base nos pedidos, relação de mercadorias e fax enviados pelo exportador. O uso de documento falso foi revelado pela localização de petrechos para falsificação de faturas e pelos preços subfaturados constantes nas faturas que instruíram as operações investigadas. Em razão de as mercadorias importadas já haverem sido consumidas, conforme declaração prestada pela própria empresa importadora, foi aplicada a multa de 100% sobre o valor aduaneiro das referidas mercadorias, em substituição à pena de perdimento à qual elas estavam sujeitas. A fiscalização afirma que, embora tenha requisitado à autuada (intimação a fl. 35), não foram apresentados elementos que pudessem confirmar a veracidade dos valores informados em suas importações. Assim, o cálculo do valor aduaneiro das mercadorias foi feito com base na documentação apreendida na sede da autuada e, para as mercadorias em que não foram encontrados documentos com os preços verdadeiros, foi considerado o valor indicado nas respectivas DI’s. A demonstração do valor tributável está consolidada na “PLANILHA DE CÁLCULO DO VALOR TRIBUTÁVEL DO AUTO DE INFRAÇÃO” (fls. 110266). A autuação foi fundamentada nos seguintes dispositivos legais: arts. 602, 604, inciso IV, e 618, incisos VI e XI e § 1º, do Decreto nº 4.543/2002; art. 23, inciso V, e §§ 1º e 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.627/2002; e art. 73, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003. Reproduzemse, a seguir, os argumentos e conclusões básicas da fiscalização: Dentro da competência inerente ao Serviço de Fiscalização Aduaneira (Sefia) da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, conforme inciso X do artigo 190 da Portaria SRF 259/01, em ato de revisão aduaneira, dentro do procedimento de auditoria de valor da mercadoria importada, selecionaramse as Declarações de importação listadas na Planilha de Cálculo do valor tributável do auto de infração, anexada a este relatório. A mercadoria foi declarada, na DI, pelo contribuinte, com valor inferior aos encontrados nos documentos apreendidos no estabelecimento do contribuinte. [...] Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.303 4 Ao analisarmos os documentos encontrados na empresa, verificamos que havia um carimbo com a logomarca do fornecedor (INAPART) e do nome do representante legal, Olonoff Jess, folhas em branco na cor verde, padrão das invoices do fornecedor, e disquetes com o “layout” invoices já prontas com as mesmas características das folhas e carimbos encontradas no contribuinte, fato que fez supor que as invoices foram confeccionadas no escritório da empresa autuada. [...] Em 12/04/06, intimamos o contribuinte, no prazo de 20 dias, a nos fornecer documentos relativos as importações e não obtivemos resposta. Em 12/11/2007, novamente intimamos o contribuinte a esclarecer dúvidas; mais uma vez,não obtivemos retorno. Em 22/10/2008 intimamos o contribuinte a nos informar onde se encontram as mercadorias importadas pelas Declarações de importação, relacionadas em anexo. O contribuinte declarou que todas mercadorias, constantes nas Dis relacionadas no Termo de Intimação emitido em 22/10/2008, foram consumidas, conforme declaração anexada a este processo. [...] Em conseqüência dos fatos relatados acima [...] , foi lavrado um auto de infração de multa no valor aduaneiro das mercadorias, atendendo ao art. 618 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 4.543/2002, baseado na Planilha de Cálculo do Valor Aduaneiro das Mercadorias, elaborada por esta fiscalização, atribuindo o valor unitário das mercadorias o valor constantes das Dis, exceto para a coluna “Valor Unitário Apurado”, o qual foi considerado o valor constantes dos documentos recebidos, pelo importador, direto de seu fornecedor (Inapart). Restou comprovado, de forma detalhada neste relatório, que a Interdiesel utilizou documentos fraudados para comprovar o valor aduaneiro das mercadorias importadas através das Dis relacionadas na “Planilha de Cálculo do Valor Tributável do Auto de Infração”, que é parte integrante deste relatório. Da Impugnação Cientificada do auto de infração por via postal em 6/4/2010, conforme “AR” a fl. 274, a autuada apresentou impugnação em 5/5/2010 (fls. 284/299), por meio de advogado habilitado, na qual apresenta os argumentos a seguir sintetizados. Como a ciência do auto de infração ocorreu somente em 6/4/2010, deve ser decretada a decadência das multas aplicadas sobre as Declarações de Importação (DI’s) registradas até o dia 6/4/2005. Como afirmou a própria fiscalização, a exação ora combatida tem caráter punitivo, submetendose assim ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos, contados da data de seu fato gerador, ou seja, do registro da DI. Submetemse a essa mesma regra os prazos para revisão de ofício do lançamento e para revisão aduaneira. Tratase de aplicação das normas constantes nos §§ 1º a 3º do artigo 570 (prazo para revisão aduaneira) c/c artigo 669 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos, a seguir reproduzidos: Art. 570. [...] Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.304 5 § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente; §3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Art. 669. O direito de impor a penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração. (Grifos da impugnante) Partindose da premissa – com a qual a autuada não concorda – que a fiscalização encontrou nos documentos probatórios acostados aos autos valores de bens importados diferentes daqueles constantes das respectivas declarações de importação, somente para os produtos enquadrados nessa situação é que poderia se cogitar de aplicar pena. Em relação aos demais, não tendo sido encontrada nenhuma irregularidade, é óbvio que devem ser excluídos da penalização. No Relatório Fiscal consta que na documentação apreendida havia documentos enviados à INTERDIESEL, pelo fabricante/exportador INAPARTS, com valores unitários de “alguns” produtos diferentes dos descritos nas DI’s. Ao se analisar as planilhas confeccionadas pela fiscalização e acostadas aos autos às fls. 4748 e 110266, observase que só “alguns” itens tiveram a coluna “VR UNIT apurado” preenchido. Somente esses poucos itens tiveram, no entendimento do Sr. Fiscal, sua importação realizada por valores diferentes daqueles que o mesmo entendeu como “reais”. Portanto, é absolutamente irregular a cobrança de multa sobre os demais produtos que foram regularmente importados, conforme a própria fiscalização atestou. Caso fosse aceita premissa de irregularidades nos preços declarados, considerandose apenas os valores apurados pela autoridade fiscal, a multa aplicada seria de R$ 146.564,26, conforme se demonstra na planilha a fls. 294295. Entretanto, desse valor, o montante de R$125.040,41 já foi alcançado pela decadência. Assim, caso a referida premissa fosse real, o valor correto da autuação seria de R$ 21.523,85. Quanto à imputação de importações irregulares, o único termo de apreensão de documentos constantes dos autos é o de fl. 3637, que não relaciona nenhuma invoice como tendo sido apreendida. Tal falta leva à conclusão única de que, embora fiscalização tenha “informado” que encontrou “várias invoices já prontas”, as mesmas não foram apreendidas, não fazendo assim parte do processo. Como conseqüência, aquelas invoices acostadas às fls. 38 a 46 e 49 devem ser reputadas como originais, emitidas pelo fornecedor estrangeiro, em seu estabelecimento no exterior. Nos documentos “encontrados” pela fiscalização (“documentos enviados à Interdiesel pelo fabricante/exportador Inaparts” – fl. 26), não há qualquer elemento que determine, de forma incontestável, que os valores ali informados referemse aos das mercadorias importadas pela contribuinte. Tais documentos trazem cotações de partes e peças a serem importadas pela contribuinte, e não o efetivo valor dos itens importados. Como se sabe, previamente a qualquer compra é feita cotação de preços e a aquisição, normalmente, se dá pelo valor mais baixo dentre as diferentes ofertas. Assim, não há como assegurar que os valores constantes nas cotações/documentos Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.305 6 encontrados pela fiscalização foram aqueles pelos quais foram importados os bens, em contraposição aos preços informados nas respectivas DI’s. Ademais, no auto de infração não consta qual o critério utilizado para obter os valores atribuídos aos itens que, segundo a fiscalização, foram importados irregularmente. Dessa forma, fica o contribuinte impedido de apresentar sua defesa, vez que não lhe foi facultado a memória de cálculos utilizada para alcançar os valores arbitrados constantes da coluna “VR UNIT apurado”, nem lhe foi informado o critério utilizado para tanto. Ou seja, não foi informado se foi em decorrência de valores constantes de documentos apreendidos – que não possuem a certeza de serem os efetivamente utilizados na importação – ou se foi obtido por arbitramento, e qual a base para tal arbitramento, ou ainda, se foi em razão de laudo confeccionado especialmente para atribuir valor às referidas mercadorias. Dessa forma, o contribuinte teve cerceado o seu direito de defesa, vez que não há elementos contra os quais argumentar. O próprio agente fiscal não possui a segurança necessária ao efetuar a autuação, informando no seu “Relatório de Fiscalização”, que “Podemos SUPOR que as invoices foram confeccionadas no escritório do importador...” (fl. 24). A mera suposição não é, e jamais poderá ser, base para uma exação fiscal, que deve ser sempre fincada em inequívocos e incontestáveis dados e elementos fáticos. Nesse sentido preceitua o CTN, em seu art. 112: Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: [...] II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; (grifos da defesa) Assim, havendo dúvida por parte do representante fiscal quanto à materialidade dos documentos apreendidos, deveria ser atribuído à Contribuinte o benefício da dúvida. Mas não foi o que aconteceu. Ao SUPOR serem as invoices confeccionadas no escritório do contribuinte, a fiscalização impôslhe a pecha de ter realizado irregularmente determinadas importações, sem que ao menos se desse ao trabalho de informar de onde ou como obteve os valores atribuídos a essas operações. Não pode assim prosperar a presente autuação, fincada em suposições e desvinculadas de qualquer elemento que permita ao contribuinte contestar os valores atribuídos pelo fisco. Ao final de sua peça defensória, a impugnante requer que: seja decotado do Auto de Infração todo o crédito tributário constituído pelas multas lavradas em substituição à pena de perdimento das mercadorias cujas declarações de importação foram registradas até o dia 06 de abril de 2005, inclusive; seja excluído do lançamento o valor da multa aplicada sobre as mercadorias para as quais não foi identificado, na planilha elaborada pela fiscalização, o “VR UNIT apurado”, reconhecendo que essas mercadorias foram importadas corretamente; seja expurgado do Auto de Infração todo o crédito tributário referente às multas lavradas sobre as mercadorias para os quais foi indicado o “VR UNIT apurado” na planilha confeccionada pela fiscalização, uma vez que a Contribuinte teve cerceado o seu direito de defesa, pois não lhe foi facultada qualquer informação Fl. 2305DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.306 7 sobre o critério utilizado pela fiscalização para atribuir o valor às referidas importações, além de a autuação ter sido fundamentada em reconhecida suposição por parte do agente fiscal; seja cancelado o Auto de Infração lavrado, bem como extinto o crédito tributário pelo mesmo constituído; e sejam devolvidos, imediatamente, à contribuinte todos os livros e demais documentos em poder da fiscalização. Da Conversão do Julgamento em Diligência Depois de conferir a tempestividade e a legitimidade da impugnação, a Autoridade Preparadora encaminhou os autos conclusos para julgamento por parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza. Do exame inicial da controvérsia, esta Colenda Turma de Julgamento decidiu pela necessidade de ser realizada diligência (fls. 309314), devido a não constar cópias das Declarações de Importação objeto da autuação e à identificação de possíveis falhas procedimentais na elaboração do lançamento. Foi solicitada à Unidade de origem a adoção das seguintes medidas: a) juntar cópias das DI's objeto do presente lançamento (sugerese a formação de um volume anexo específico); b) revisar a "PLANILHA DE CÁLCULO DO VALOR TRIBUTÁVEL DO AUTO DE INFRAÇÃO", a fim de: 1) complementar a descrição dos itens informados genericamente como partes e peças sobressalentes para tratores, identificando qual a mercadoria específica, conforme consta nas respectivas DI's; 2) verificar a ocorrência de situações em que o valor tributável foi apurado com base no preço declarado, apesar de as mercadorias e os respectivos preços constarem dos pedidos de mercadorias ou mensagens apreendidos na sede da autuada. Nesses casos, corrigir a planilha, utilizando os valores identificados nesses documentos para determinação da base de cálculo; e 3) efetuar lançamento complementar em relação aos valores cobrados a menor, sem se descurar da incidência do prazo decadencial; c) anexar demonstrativo dos preços de mercadorias idênticas ou similares àquelas em que a fiscalização utilizou os preços declarados para fins de apuração do valor tributável, individualizado por DI, levando em consideração cada tipo de mercadoria e as datas em que as mesmas foram importadas, com indicação do nº da DI de onde foi obtido o preço paradigma. Nos casos em que não for viável essa sistemática de arbitramento, verificar se é possível utilizar uma das outras previstas no art. 88 da MP nº 2.15835/2001, observandose a sequência ali definida. d) com base no levantamento de preços mencionado na aliena "c", rever os valores lançados a fim de identificar a necessidade de lançamento complementar, tendo como fundamento legal o referido art. 88 da MP nº 2.15835/2001, em relação aos períodos ainda não alcançados pela decadência; e) trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos considerados necessários ou relevantes à instrução destes autos e ao conseqüente julgamento da presente lide; e Fl. 2306DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.307 8 f) cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, bem como do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. Em cumprimento à referida Diligência, a Autoridade Preparadora juntou cópias das DI’s objeto da autuação e efetuou novo lançamento referente às mercadorias cujos preços indicados na documentação apreendida na sede da empresa não foram utilizados para cálculo da multa aplicada (processo nº 10611.722085/201115). Tais providências foram descritas em Informação Fiscal (fls. 22292230) e levadas ao conhecimento do sujeito passivo (fls. 2231/2232) que não se manifestou sobre elas. Em apertada síntese, foram esses os elementos relevantes para o deslinde da questão. Analisando o presente processo a 7ª Turma da DRJ/FortalezaCE, proferiu o Acórdão nº 0824.064, cuja ementa abaixo transcrevo. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DE PREÇOS. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. NATUREZA JURÍDICA DA PENA. PRAZO DECADENCIAL. A multa substitutiva do perdimento pelo subfaturamento do preço de mercadoria importada tem natureza tributária, pois, apesar de também tutelar o controle aduaneiro, deriva do descumprimento de obrigação estabelecida na legislação tributária no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e o CTN não exige que esse interesse seja exclusivo para a prestação ter a referida natureza. O prazo para exigência de multa pelo descumprimento de obrigação de natureza tributária é regido pelo CTN, mesmo que a prestação também interesse ao controle aduaneiro, começando a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. EXPLICITAÇÃO DOS CRITÉRIOS ADOTADOS. Não há falar em nulidade do lançamento pela omissão dos critérios adotados para apuração da base de cálculo da exigência, quando essa informação consta no auto de infração. ARBITRAMENTO. INOBSERVÂNCIA DA SISTEMÁTICA LEGAL. VÍCIO FORMAL. É nulo, por vício formal, o lançamento em que o arbitramento de preços não atenda à sistemática fixada na legislação adjetiva para determinação do valor aduaneiro. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. VÍCIO MATERIAL. Fl. 2307DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.308 9 É nulo, por vício material, o lançamento baseado apenas em indícios insuficientes para comprovar a prática das infrações imputadas ao autuado. Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 21/01/2003 a 10/04/2006 SUBFATURAMENTO. FATURA INIDÔNEA. PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA Mercadorias importadas subfaturadas, mediante o uso de documento falso, submetemse à pena de perdimento, que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro delas, caso já tenham sido consumidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros da Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, DAR PROVIMENTO EM PARTE à impugnação para, PRELIMINARMENTE: I – Por unanimidade de votos: RECONHECER A DECADÊNCIA dos lançamentos referentes às Declarações de Importação registradas nos anos de 2003 e 2004, EXCLUINDO do crédito tributário o importe de R$ 967.775,40; e REJEITAR a nulidade suscitada relativa ao cerceamento do direito de defesa pela ausência da indicação dos critérios utilizados para apuração da base de cálculo da multa aplicada. II – Por maioria de votos: DECLARAR NULOS, POR VÍCIO FORMAL, os lançamentos referentes às mercadorias constantes em faturas inidôneas, mas que tiveram o valor aduaneiro apurado em dissonância com a sistemática legalmente estabelecida, EXONERANDO o sujeito passivo do valor de R$ 393.796,33, conforme discriminado ao final do voto do relator. Vencido o julgador Ricardo Serra Rocha, que entende ser o referido vício de natureza material. No tocante às preliminares de decadência e vício formal, votou pela conclusão o julgador José Fernando Costa D’Almeida. NO MÉRITO, por unanimidade de votos: DECLARAR A NULIDADE, POR VÍCIO MATERIAL, dos lançamentos referentes às Declarações de Importação em que não foram devidamente comprovadas as infrações imputadas à Fl. 2308DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.309 10 empresa autuada, EXONERANDOA do valor total de R$ 647.145,67; e CONSIDERAR DEVIDO o crédito tributário no importe de R$42.288,05. Por ser o crédito exonerado superior ao limite de alçada, na própria decisão houve a apresentação de recurso de ofício. Por sua vez o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese os seguintes pontos: não concorda com o dies a quo do prazo decadencial. A decisão recorrida afirma que o prazo decadencial a ser considerado é o previsto no art. 173, inc. I do CTN, primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o correto é o início da contagem ser da ocorrência do fato gerador, a teor do que dispõe o art. 669 do Regulamento Aduaneiro – Decreto nº 4543/2002, o qual prevê o início da contagem do prazo na data da infração. que a autuação fiscal errou quando relacionou como base de cálculo da multa aplicada os valores das mercadorias constantes das próprias declarações de importação, pois não há nenhuma comprovação no processo de que o preço real destes produtos seriam outros que não os constantes nas referidas DI; que não concorda com a decisão recorrida, quando declarou parte do lançamento nulo por vício formal. Afirma que o erro quanto à definição da base de cálculo da penalidade aplicada revelase de natureza material, não sendo aplicável no caso as disposições do art. 173, inc. II do CTN. É o relatório. Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.310 11 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal 1 RECURSO DE OFÍCIO 1.1 DECADÊNCIA Na decisão recorrida foi reconhecida a decadência dos lançamentos referentes às declarações de importação registradas nos anos de 2003 e 2004, considerando atingidas pelo prazo decadencial do art. 173, inc. I do CTN. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo por via postal em 06/04/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR, fl. 269 (274 do eprocesso), portanto, para os fatos geradores ocorridos antes de 2005, fulminados pelo transcurso do prazo decadencial previsto no art. 173, acima transcrito, estando correta a decisão recorrida. 1.2 NULIDADE POR VÍCIO FORMAL Parte do lançamento no valor de R$ 393.796,33 foi declarado nulo por vício formal pela decisão recorrida, pois teria sido apurado em dissonância com a sistemática legalmente estabelecida. Nos termos do acórdão recorrido, a fiscalização utilizou o valor declarado pelo próprio importador para determinação da base de cálculo da multa aplicada. Tal procedimento foi considerado contraditório pois o núcleo da tese da acusação seria justamente o subfaturamento dos preços nas DI. As condutas imputadas pressupõem a prática de fraude, sendo que os valores das bases de cálculo deveriam ter sido apurados por arbitramento a rigor do que dispõe o art. 88 da MP nº 2.15835/2001. Sem entrar no mérito, de que se trata de nulidade por vício formal ou material, sem dúvidas há que se concluir pela nulidade do lançamento. Como bem disse o voto condutor do acórdão recorrido, não foram indicados os critérios empregados para determinação da exigência, não foi explicitada a fundamentação legal do arbitramento, nem justificada a supressão de outros métodos prioritários previstos no art. 88 da MP nº 2.15835/2001. O método adotado para arbitramento dos preços não foi justificado e nem fundamentado, mesmo após questionamento via diligência. Como o contribuinte insurgese, em seu recurso voluntário, defendendo a tese de que se trata de vício de natureza material, deixo para entrar neste mérito na análise do recurso voluntário. Porém reconheço a nulidade do lançamento para negar provimento ao recurso de ofício, também neste ponto. Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.311 12 1.3 NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL De acordo com a decisão, parte do lançamento tributário consubstanciado em R$ 647.145,67 teria sido nulo em decorrência de vício material. Esta nulidade é relativa ás mercadorias que não tiveram os preços reais apurados, nem devidamente arbitrados, e constam em faturas cuja inidoneidade não foi comprovada. Neste caso, a fiscalização também utilizou como valor aduaneiro o próprio valor declarado pelo contribuinte em suas declarações de importação. O pressuposto do lançamento é o subfaturamento e, no presente caso, não foi comprovado nem o subfaturamento e nem a utilização de documento falsificado. Ou seja não teria ocorrido nem o fato gerador da penalidade aplicada. Portanto correta a decisão, ao declarar a nulidade do lançamento por vício material. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. 2 RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. 2.1 DA DECADÊNCIA O recorrente não concorda com o termo inicial do prazo decadencial considerado pela decisão da DRJ/Fortaleza. Segundo ele o início do prazo decadencial começa a ser contado da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 669 do Decreto nº 4.543/2002 e não a partir do primeiro dia do exercício seguinte a teor do que dispõe o art. 173, inc. I do CTN. Vejamos o que dispõe o Código Tributário Nacional, LC nº 5.172/66 a respeito do prazo decadencial: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.312 13 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A Constituição Federal, por meio do art. 146, inc. III, “b”, delegou competência para que Lei Complementar estabeleça normas gerais sobre a decadência tributária. Neste sentido os art. 150 e 173 do CTN foram recepcionados como válidos pela carta magna e servem para delimitar o alcance e o conteúdo do prazo decadencial. Neste sentido o § 4º do art. 150 estabelece que, se a lei não fixar prazo, este será de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A doutrina de uma maneira geral, entende que o prazo de cinco anos contados do fato gerador, ou o prazo de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte, constante do art. 173, inc. I, são os limites máximos de que a lei poderá estabelecer. Nada impede que a lei instituidora do tributo, estabeleça prazo inferior àqueles indicados. Estamos analisando aqui o lançamento de penalidade aduaneira que se trata da multa de perdimento que, pelo fato de as mercadorias terem sido consumidas, passou se à aplicação da penalidade correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria. A multa foi aplicada com base no art. 618, inc. XI, § 1º do Decreto 4.543/02, Regulamento Aduaneiro então vigente. O mesmo regulamento aduaneiro prevê disposições sobre decadência da imposição de penalidades nos termos do art. 669, in verbis: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). Estabeleceuse aqui um prazo de cinco anos para a aplicação das penalidades previstas no regulamento aduaneiro. Notese que este prazo não tem o condicional do § 4º do art. 150 do CTN – salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto entendo ser este o prazo decadencial aplicável no presente processo. Veja que este prazo está em consonância com o art. 570 do mesmo Decreto, o qual dispõe sobre o prazo para a realização da Revisão Aduaneira. Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º, e Decretolei nº 1.578, de 1977, art. 8º). Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.313 14 § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Para justificar o seu entendimento de que o prazo aplicável de decadência seria o previsto no art. 173, inc. I do CTN, o acórdão recorrido argumenta no sentido de que o art. 54 do DecretoLei nº 37/66 que é o sustentáculo legal do art. 570, acima transcrito, não teria sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Ora, ele tanto foi recepcionado que está citado no Regulamento Aduaneiro de 2002, Decreto nº 4.543/2002 e também no Regulamento Aduaneiro de 2009, Decreto nº 6.759/2009, só que neste regulamento o dispositivo está previsto no art. 639. Nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto, sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, entendo que o prazo para início da contagem do prazo decadencial é o previsto no art. 669 do Decreto 4.543/02, ou seja, cinco anos a contar da data da infração. Como o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 06/04/2010, a penalidade não pode ser aplicada para as infrações anteriores a 06/04/2005. 2.2 DA NULIDADE POR VÍCIO FORMAL O contribuinte discorda da decisão recorrida que entendeu como sendo nulidade por vício formal a falta de fundamentação dos valores arbitrados. Transcrevo abaixo trecho do voto do relator ao dispor sobre os fatos que o levaram a declarar a nulidade desta parte do lançamento: (...) Chama atenção o fato de a fiscalização ter utilizado o valor declarado pelo próprio importador para determinação da base de cálculo da multa aplicada. Tal procedimento, que ocorreu em relação às mercadorias não constantes na documentação apreendida, é aparentemente contraditório, uma vez que o núcleo da tese acusatória é justamente o subfaturamento. O uso de documento falso, embora Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.314 15 tenha nos petrechos de falsificação apreendidos fortes indícios, está intrinsecamente relacionado com infração anterior. As condutas imputadas à autuada pressupõem a prática de fraude. Logo, o valor aduaneiro deve ser apurado em conformidade com o disposto no art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001: Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. A legislação determina quais os critérios admitidos e a ordem sequencial para aplicação deles. Assim, cada método prioritário deve ter sua inaplicabilidade justificada, para que se possa admitir o emprego de outro. Ocorre que o método adotado para arbitramento de preços não foi justificado nem fundamentado, mesmo após expresso questionamento via diligência. Em vez de demonstrar a utilização da sistemática definida na legislação regente, a fiscalização apenas manteve os valores declarados pelo importador como base de cálculo da multa aplicada. Esse critério no mínimo precisaria ser muito bem explicado para que pudesse ser aceito. A ausência de fundamentação fática e jurídica do método de arbitramento adotado inviabiliza a validação desse procedimento. Não há como saber os motivos que levaram a fiscalização a superar os critérios prioritários fixados na lei. Ainda que se possa alegar que tal falha não causou prejuízo ao sujeito passivo, já que foi utilizado o valor que ele mesmo informou, não é admissível a sistemática empregada pela fiscalização, pois fere regras instrumentais legalmente fixadas para determinação do valor do crédito público. De acordo com a descrição dos fatos, embora não tenham sido identificados os preços reais de todas as mercadorias, parte delas constam em faturas que contêm itens supostamente subfaturados. Ou seja, pelo menos o uso de documento falso estaria caracterizado, o que já seria motivo para aplicação da pena Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.315 16 de perdimento. Porém, a falha no procedimento de valoração aduaneira prejudicou a higidez do lançamento. Tratase de vício formal, pois decorre da inobservância de regras de natureza adjetiva. A existência da obrigação tributária que deu ensejo à emissão desse ato não é atingida pela falha na determinação do quantum da dívida. Noutras palavras, o critério material da regramatriz de incidência da penalidade não foi afetado, eis que a referida falha não repercute na configuração de sua hipótese de incidência. Ocorre que, como não se pode validar o método de arbitramento aplicado, não há como saber se a base de cálculo apurada está correta. (...) Do conteúdo exposto, na minha opinião, não estão demonstradas nem sequer o fato gerador da multa aplicada. A acusação que se perfaz contra o contribuinte é que ele teria subfaturado o valor das mercadorias por ocasião de sua importação. Em relação a estas mercadorias específicas, a fiscalização utilizou como base de cálculo da multa, o próprio valor que o contribuinte fez constar em suas declarações de importação. Ora, a base de cálculo da multa é o valor aduaneiro da mercadoria e se o valor a ser considerado é o constante da própria Declaração de Importação, como poderia falarse em subfaturamento. Portanto está faltando provas da ocorrência do fato gerador. A fiscalização aduaneira não logrou comprovar de forma inequívoca a prática do subfaturamento. Como ela própria diz, há elementos que supõem a existência do subfaturamento e não se pode conceber um lançamento tributário baseado em suposições. Portanto esta nulidade não decorreu simplesmente da inobservância de regras de natureza adjetiva, mas sim de natureza substantiva. Na minha opinião não está configurada nem a ocorrência do fato gerador e, portanto o lançamento não atende ao disposto no art. 142 do CTN. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 2.3 CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO Em relação às mercadorias em que foram demonstrados o subfaturamento de preços e o uso de documento falso na importação, e que não foram atingidos pelo prazo decadencial, está correto o lançamento. Essas infrações foram devidamente demonstradas com base em provas obtidas na sede da autuada, que não se desincumbiu do ônus de desqualificá las. Nesse caso, a multa aplicada incidiu sobre o valor aduaneiro calculado com base nos preços efetivamente praticados, conforme determina a lei. Portanto, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para ampliar o prazo decadencial que deverá ser contado em cinco anos da data da infração e também para reconhecer que a Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.316 17 nulidade que foi declarada como sendo de natureza formal pela DRJ, seja considerada nulidade decorrente de vício material no lançamento. Assim refaço o quadro demonstrativo elaborado pela DRJ, no qual estão detalhados os valores para exclusão do crédito constituído. DEMONSTRATIVO PARA AJUSTE DO CRÉDITO DATA DE REFERÊNCIA VALOR LANÇADO VALOR MANTIDO DECADÊNCI A VÍCIO MATERIAL TOTAL EXONERADO 21/1 a 16/12/2003 389.203,56 0,00 389.203,56 0,00 389.203,56 13/1 a 21/12/2004 578.571,84 0,00 578.571,84 0,00 578.571,84 18/01/2005 43.808,82 0,00 43.808,82 0,00 43.808,82 01/02/2005 34.997,96 0,00 34.997,96 0,00 34.997,96 16/02/2005 42.482,54 0,00 42.482,54 0,00 42.482,54 01/03/2005 14.864,93 0,00 14.864,93 0,00 14.864,93 16/03/2005 60.154,46 0,00 60.154,46 0,00 60.154,46 29/03/2005 211,00 0,00 211,00 0,00 211,00 06/04/2005 9.521,31 0,00 9.521,31 0,00 9.521,31 12/04/2005 10.198,97 0,00 0,00 10.198,97 10.198,97 14/04/2005 1.358,66 0,00 0,00 1.358,66 1.358,66 26/04/2005 21.148,29 0,00 0,00 21.148,29 21.148,29 03/05/2005 24.110,61 0,00 0,00 24.110,61 24.110,61 10/05/2005 21.055,69 0,00 0,00 21.055,69 21.055,69 18/05/2005 12.342,65 0,00 0,00 12.342,65 12.342,65 24/05/2005 17.862,77 0,00 0,00 17.862,77 17.862,77 01/06/2005 15.302,53 0,00 0,00 15.302,53 15.302,53 14/06/2005 76.015,44 0,00 0,00 76.015,44 76.015,44 29/06/2005 47.691,19 3.460,12 0,00 44.231,07 44.231,07 06/07/2005 21.368,57 42,66 0,00 21.325,91 21.325,91 21/07/2005 24.295,53 798,26 0,00 23.497,27 23.497,27 26/07/2005 6.981,34 0,00 0,00 6.981,34 6.981,34 03/08/2005 71.017,58 0,00 0,00 71.017,58 71.017,58 10/08/2005 20.548,35 0,00 0,00 20.548,35 20.548,35 18/08/2005 31.598,36 0,00 0,00 31.598,36 31.598,36 31/08/2005 58.727,28 0,00 0,00 58.727,28 58.727,28 14/09/2005 31.078,83 9.141,24 0,00 21.937,59 21.937,59 30/09/2005 14.704,38 558,59 0,00 14.145,79 14.145,79 05/10/2005 18.712,58 611,66 0,00 18.100,92 18.100,92 11/10/2005 10.319,39 0,00 0,00 10.319,39 10.319,39 31/10/2005 19.440,56 0,00 0,00 19.440,56 19.440,56 17/11/2005 20.845,35 910,39 0,00 19.934,96 19.934,96 23/11/2005 19.501,36 0,00 0,00 19.501,36 19.501,36 06/12/2005 18.375,20 0,00 0,00 18.375,20 18.375,20 22/12/2005 17.541,64 0,00 0,00 17.541,64 17.541,64 12/01/2006 53.597,32 449,55 0,00 53.147,77 53.147,77 01/02/2006 33.239,46 0,00 0,00 33.239,46 33.239,46 08/02/2006 38.592,80 0,00 0,00 38.592,80 38.592,80 08/03/2006 51.893,97 245,46 0,00 51.648,51 51.648,51 29/03/2006 16.910,48 1.101,89 0,00 15.808,59 15.808,59 Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 10611.003126/200867 Acórdão n.º 3301002.258 S3C3T1 Fl. 2.317 18 05/04/2006 13.468,02 698,48 0,00 12.769,54 12.769,54 11/04/2006 17.343,88 10.605,12 0,00 6.738,76 6.738,76 TOTAL 2.051.005,45 28.623,42 1.173.816,42 848.565,61 2.022.382,03 Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 2317DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 13161.000215/2002-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para a juntada ao processo do resultado das ações judiciais pertinentes.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Relatório
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para a juntada ao processo do resultado das ações judiciais pertinentes. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução no 20213.985 do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 215/219), constante do processo 131.610003/109918 (apensado a este), nos seguintes termos: Apresentou a Recorrente, em 28/09/99, pedido administrativo de compensação de valores recolhidos a título da Contribuição para o PIS, no período de dezembro de 1989 a outubro de 1995, com base nos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, considerados inconstitucionais, com débitos das demais exações administradas pela SRF. Encaminhado seu pedido à Delegacia da Receita Federal em Campo Grande/MS, foi o mesmo indeferido às fls. 111/113 sob as alegações de que já existe medida judicial autorizando a compensação de créditos do PIS com débitos vincendos do próprio PIS, inexiste crédito a restituir e que, ainda que existissem, já teriam em sua integralidade sido fulminados pelo decurso de prazo decadencial para pleiteálos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 61 .0 00 21 5/ 20 02 -0 8 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13161.000215/200208 Resolução nº 3301000.522 S3C3T1 Fl. 443 2 A Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 117/144, requerendo a reconsideração do indeferimento, alegando que o pedido judicial decorreu da inércia da administração em responder em prazo razoável ao pedido de compensação, aduzindo também que o direito material não se extinguiu pelo tempo, bem como alegando que à lus da CL no 7/70 possui direito à repetição daquilo que considera indébito. Contudo, a decisão de fls. 170/181, proferida pela DRJ em Campo Grande/MS, abaixo ementada, mantém a decisão impugnada, ensejando o Recurso Voluntário que neste momento se julga: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Pedido de Apuração: 01/01/1989 a 30/09/1995 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição/compensação de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de extinção do cr´dito tributário, mesmo quando se tratar de pagamento com base em lei declara inconstitucional pelo STF. BASE DE CÁLCULO. PRAZO DE VENCIMENTO. Os atos legais relacionados como o PIS não declarados inconstitucionais, intepretados em consonância com a Lei Complementar no 07, de 1970, independentemente da data em que tenham sido expedidos, continuam plenamente em vigor, sendo incabível a interpretação de que tal contribuição deva ser calculada com base no faturamento do sexto mês. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA. " A Recorrente apresentou Recurso Voluntário, alegando em síntese que: · o prazo prescricional deve ser contado a partir do momento da declaração da inconstitucionalidade ou, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a partir do momento da homologação, expressa ou tácita; · não há concomitância entre os processos administrativo e judicial, porque a via judicial somente foi tomada diante da inércia da Administração; · inconstitucionalidade da contribuição para o PIS com base nos Decretos Lei no 2445 e 2449, de 1998 Ao fim, solicitou reforma da decisão recorrida no sentido de autorizar a compensação dos seus créditos oriundos de recolhimentos indevidos e a maior do PIS, com os débitos vincendos de PIS, da Cofins, de IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro, até o limite do crédito. O Segundo Conselho de Contribuintes negou provimento ao Recurso Voluntário com a seguinte ementa (fl. 214): NORMAS PROCESSUAIS. PROCESSO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13161.000215/200208 Resolução nº 3301000.522 S3C3T1 Fl. 444 3 A discussão concomitante de uma mesma matéria nas instâncias administrativa e judicial enseja a renúncia tácita à primeira, exclusivamente no tocante à matéria coincidente, por força do princípio constitucional da unicidade de jurisdição. Recurso não conhecido. A Recorrente então conseguiu sentença favorável em ação anulatória de decisão administrativa, no processo nº 2004.34.00.0308083/1100, com o objetivo de anular a decisão do Segundo Conselho de Contribuintes (às fls. 316). Nesse contexto, este processo foi a mim distribuído, para julgamento em conjunto com os processos conexos de nº 13161.000613/200216, 13161.000614/200261, 13161.000721/200370 e 13161.000722/200314. É o relatório. Voto É imprescindível ao deslinde deste caso o levantamento das decisões definitivas no mandado de segurança nº 98.0051104, na 2ª Vara Federal de Campo Grande/MS, e na ação anulatória nº 2004.34.00.0308083/1100, na 20ª Vara Federal do Distrito Federal; bem como, na hipótese de decisão favorável à Recorrente, a verificação dos seus efetivos créditos em compensação, tendo em conta o entendimento sobre o prazo para repetição do indébito consolidado na Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Nesse contexto, fazemse necessários, antes de dar seguimento a este julgamento, as seguintes informações: 1. conteúdo das decisões definitivas no âmbito judicial; 2. efetivos créditos a serem compensados pela Recorrente, tendo em conta a Súmula 91 do CARF, no presente caso e também nos processos conexos, processos nº 13161.000613/200216, 13161.000614/200261, 13161.000721/200370 e 13161.000722/200314. Diante do exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que o processo seja encaminhado à unidade de origem, a fim de que esta realize as diligências e preste os esclarecimentos necessários. Tendo em conta que os processos nº 13161.000613/200216, 13161.000614/200261, 13161.000721/200370 e 13161.000722/200314 são conexos, serão enviados juntamente para diligência e esclarecimentos pertinentes. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13161.000215/200208 Resolução nº 3301000.522 S3C3T1 Fl. 445 4 Após concluída a diligência, a unidade de origem deverá cientificar a Recorrente, dandolhe prazo de 30 dias para se pronunciar a respeito dos elementos produzidos. Concluídas as etapas anteriores o processo deve ser devolvido ao CARF para que se prossiga no julgamento. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904186/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 41 86 /2 01 2- 50 Fl. 1027DF CARF MF Processo nº 10746.904186/201250 Acórdão n.º 3301004.334 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.835, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.560. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o indeferimento total do Pedido de Restituição. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte veio "declarar que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10746.904186/201250 Acórdão n.º 3301004.334 S3C3T1 Fl. 4 3 Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente"(sic). É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.331, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904181/201227, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.331): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10746.904186/201250 Acórdão n.º 3301004.334 S3C3T1 Fl. 5 4 idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10746.904186/201250 Acórdão n.º 3301004.334 S3C3T1 Fl. 6 5 Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o desacerto das valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o "indeferimento total do PER sob nº 01296.07698.291210.1.2.049025" (grifos do original), com o que concordo. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o desacerto dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o indeferimento total do PER apresentado, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1031DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904219/2012-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL.
A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrando-se que a norma faculta a apresentação destes em papel.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente JOÃO ALVES DE ALMEIDA GOIANO EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008 EXIGÊNCIAS DA FISCALIZAÇÃO QUANTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO VERDADE MATERIAL. EXAME DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS. CABÍVEL. A busca da verdade material justifica o exame dos documentos apresentados, ainda que não cumpridas as exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação, registrandose que a norma faculta a apresentação destes em papel. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 90 42 19 /2 01 2- 61 Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10746.904219/201261 Acórdão n.º 3301004.299 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 03052.868, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília. Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor para a realização da compensação pretendida. Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. A 4ª Turma da DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório sob o fundamento, em síntese, que não foi comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição. Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte protocolou recurso voluntário e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos documentação comprobatória, e no que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Encaminhado o processo para julgamento por este Carf, a 3ª Turma Especial desta Terceira Sessão decidiu pela conversão daquele em diligência, por meio da Resolução 3803000.593. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, em cumprimento ao procedimento de Diligência Fiscal, através da Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO, no qual foi realizado o confronto entre as informações provenientes de Declarações da requerente armazenadas nos sistemas de controle da RFB e as constantes nos documentos fiscais apresentados (planilhas e notas fiscais), onde propôs o deferimento parcial do Pedido de Restituição, reconhecendo assim o direito creditório em favor do requerente no montante ali expresso. Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10746.904219/201261 Acórdão n.º 3301004.299 S3C3T1 Fl. 4 3 Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte declarou que está de acordo com os valores propostos pela autoridade fiscal perante o CARF, conforme Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.279, de 20 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10746.904178/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.279): "A recorrente bem coloca a discussão, no recurso voluntário que apresentou: A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade por entender que, para se comprovar a existência de crédito supostamente decorrente de pagamento a maior, a simples entrega de declarações retificadoras não é bastante e que "é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração", ônus este, da contribuinte. Em seu recurso a esta decisão de primeira instância, a contribuinte juntou livros contábeis e fiscais, além de notas fiscais. Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10746.904219/201261 Acórdão n.º 3301004.299 S3C3T1 Fl. 5 4 Sucederamse então exigências da fiscalização quanto à forma de apresentação da documentação. Registrese que a norma faculta a apresentação desta em papel. Tal questão fora ultrapassada por resolução de Turma desta CARF, a qual determinou que se baixassem os autos em diligência, em apreço ao princípio da verdade material, "com vistas à apuração e pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente (sic) para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido", o que fez acertadamente, a meu ver. A norma em pauta, Lei nº 10.833/03, artigos 58A e 58B (revogados em 2015, mas vigentes à época dos fatos), de fato, dá direito à redução 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos lá especificados, o que fora verificado em sede de diligência A recorrente traz indevidamente tal questão como preliminar. Seguem os dispositivos legais referidos: Por fim, ultrapassada a relatada questão da apresentação de documentos, o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo "deferimento parcial do PER sob nº 01179.52590.291210.1.2.046407, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original de R$ 14,76" (grifos do original), com o que concordo. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10746.904219/201261 Acórdão n.º 3301004.299 S3C3T1 Fl. 6 5 Assim, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o resultado da diligência demonstrou o acerto parcial dos valores que a contribuinte pretende ter como crédito, propondo o deferimento parcial do PER apresentado, reconhecendo o direito creditório em favor da requerente no montante original expresso na Informação Fiscal SAORT/DRF/PAL/TO constante nos autos, com o que concordo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 1127DF CARF MF
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