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Numero do processo: 13502.720407/2015-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.795
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento, para que se aguarde o retorno de diligência o processo 13502.900014/2012-68, cuja análise é prejudicial à da multa regulamentar de que trata o presente processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente o conselheiro Cassio Schappo.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento, para que se aguarde o retorno de diligência o processo 13502.900014/201268, cuja análise é prejudicial à da multa regulamentar de que trata o presente processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente o conselheiro Cassio Schappo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 292 e seguintes) contra decisão da 2ª Turma da DRJ/JFA, que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela SRRF/BA, em 07.04.2015, referente aos valores de Multa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 40 7/ 20 15 -3 2 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 13502.720407/201532 Resolução nº 3401001.795 S3C4T1 Fl. 523 2 Regulamentar, em decorrência da nãohomologação de compensações, referidas no PTA 13502.900014/201268. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls.53 e seguintes) de R$27.389.623,91 (vinte e sete milhões, trezentos e oitenta e nove mil, seiscentos e vinte e três reais e noventa e um centavos). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: Fl. 524DF CARF MF Processo nº 13502.720407/201532 Resolução nº 3401001.795 S3C4T1 Fl. 524 3 Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 28.04.2015 (fl.73), e interpôs impugnação, em 23.05.2015 (fls.76 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: a) DA NECESSIDADE DE REUNIÃO DO PRESENTE PROCESSO COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 13502.900014/201268; b) DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO EM FACE DA INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA DO §17 DO ART. 74 DA LEI Nº 9.430/96; c) DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO EM FACE DA INTERPRETAÇÃO SISTEMÁTICA DO §17 DO ART. 74 DA LEI Nº 9.430/96; d) DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DEFINITIVA DA COMPENSAÇÃO COMO PRESSUPOSTO PARA APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO §17 DO ART. 74 DA LEI Nº 9.430/96; Da Decisão de Primeira Instância Fl. 525DF CARF MF Processo nº 13502.720407/201532 Resolução nº 3401001.795 S3C4T1 Fl. 525 4 Sobreveio Acórdão 0965175 (fls 283 e seguintes), exarado pela 2ª Turma da DRJ/JFA, em 28.11.2017, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 07.02.2018 (fl.289 ), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 MULTA REGULAMENTAR O destino da multa regulamentar está intimamente ligado ao dos processos que guardam os PER/Dcomps. Ou seja, se o indeferimento e/ou a não homologação for mantida naqueles processos, a multa há que ser mantida. Se for derrubada total ou parcialmente, a multa deve acompanhar esta decisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde veio a reforçar os argumentos já trazidos na impugnação. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Da Proposta de Diligência Da leitura do relatório, percebese que o processo contencioso está intimamente ligado ao PTA´s 13502.900014/201268, em virtude de se tratar de lançamento de multa regulamentar sobre os valores de créditos nãohomologados naquele PTA. Tratase de evidente prejudicialidade entre o PTA 13502.900014/201268 e o presente processo. Como, no caso do PTA 13502.900014/201268, foi proferido meu voto pela conversão de diligência, sugiro que, seja sobrestado o presente até que a diligência daquele seja cumprida. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 13502.720407/201532 Resolução nº 3401001.795 S3C4T1 Fl. 526 5 (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 527DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.722641/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos, notadamente, quando emitido em conformidade com a norma administrativa.
IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. CUSTOS, DESPESAS E ADICIONAIS SOBRE META DE PRODUÇÃO E SOBRE FRETE.
As metas de produção e as bonificações foram estipuladas por meio de avença privada, garantindo-se a observância de condições compatíveis com o mercado relevante no custo de aquisição da cana, não havendo razão jurídica para a manutenção da glosa perpetrada pela fiscalização.
IRRF. PAGAMENTO COM CAUSA.
Verificada a causa jurídica dos pagamentos efetuados, não há que se cobrar o IR/Fonte sobre o pagamento de bonificações em favor do Condomínio Rural.
CSLL. PIS/COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos.
Revertida integralmente a glosa de despesas, deve-se reestabelecer o crédito das contribuições sociais não cumulativas, por se tratar de reflexo da autuação de Imposto de Renda.
Numero da decisão: 1301-003.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade arguida; e (ii) no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, vencidos a Conselheira Bianca Felícia Rothschild e os Conselheiros Roberto Silva Júnior e Nelso Kichel que votaram por lhe negar provimento. Em razão do provimento do recurso voluntário do contribuinte, prejudicada a análise do recurso voluntário do coobrigado. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos, notadamente, quando emitido em conformidade com a norma administrativa. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. CUSTOS, DESPESAS E ADICIONAIS SOBRE META DE PRODUÇÃO E SOBRE FRETE. As metas de produção e as bonificações foram estipuladas por meio de avença privada, garantindo-se a observância de condições compatíveis com o mercado relevante no custo de aquisição da cana, não havendo razão jurídica para a manutenção da glosa perpetrada pela fiscalização. IRRF. PAGAMENTO COM CAUSA. Verificada a causa jurídica dos pagamentos efetuados, não há que se cobrar o IR/Fonte sobre o pagamento de bonificações em favor do Condomínio Rural. CSLL. PIS/COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicam-se aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. Revertida integralmente a glosa de despesas, deve-se reestabelecer o crédito das contribuições sociais não cumulativas, por se tratar de reflexo da autuação de Imposto de Renda.
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos, notadamente, quando emitido em conformidade com a norma administrativa. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. CUSTOS, DESPESAS E ADICIONAIS SOBRE META DE PRODUÇÃO E SOBRE FRETE. As metas de produção e as bonificações foram estipuladas por meio de avença privada, garantindose a observância de condições compatíveis com o mercado relevante no custo de aquisição da cana, não havendo razão jurídica para a manutenção da glosa perpetrada pela fiscalização. IRRF. PAGAMENTO COM CAUSA. Verificada a causa jurídica dos pagamentos efetuados, não há que se cobrar o IR/Fonte sobre o pagamento de bonificações em favor do Condomínio Rural. CSLL. PIS/COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicamse aos lançamentos tidos como reflexos as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. Revertida integralmente a glosa de despesas, devese reestabelecer o crédito das contribuições sociais não cumulativas, por se tratar de reflexo da autuação de Imposto de Renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 26 41 /2 01 4- 13 Fl. 3309DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado em: (i) por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade arguida; e (ii) no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, vencidos a Conselheira Bianca Felícia Rothschild e os Conselheiros Roberto Silva Júnior e Nelso Kichel que votaram por lhe negar provimento. Em razão do provimento do recurso voluntário do contribuinte, prejudicada a análise do recurso voluntário do coobrigado. Designado o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Inicialmente, adotase o relatório da Resolução CARF , o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: 1 Tratase de auto de infração para exigência de tributos (IRPJ, CSLL e IRRF) com os respectivos acréscimos legais (multas de ofício de 75% e 150%, bem como juros de mora), referente aos anoscalendário 2009, 2010 e 2011. 2 Além dos tributos relacionados acima, a autoridade lançadora lavrou auto de infração para reduzir créditos do regime não cumulativo do Pis e da Cofins constituídos em desacordo com a legislação. 3 Em relação aos anoscalendário sob exame, o interessado apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, onde se observa a opção pelo Lucro Real anual como forma de tributação do IRPJ e da CSLL. 4 No curso do procedimento fiscal, que se iniciou em 31/01/2013, a autoridade lançadora, conforme descrito no Relatório Fiscal e na descrição dos fatos do auto e infração, onde se encontra descrito o enquadramento legal, apurou as seguintes infrações: · Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (fls. 1837/1838) · Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 1856/1857) · Contribuição para o Programa de Integração Social Pis (fl. 1871) · Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fl. 1877) Fl. 3310DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.299 3 · Imposto de Renda Retido na Fonte (fl. 1884) 5 Do Relatório Fiscal emitido pela autoridade lançadora, podemos extrair, em essência, as seguintes informações relacionadas às infrações: 4. Da síntese sobre as infrações apuradas No decorrer da auditoria fiscal realizada na empresa AÇÚCAR E ÁLCOOL OSWALDO RIBEIRO DE MENDONÇA LTDA (USINA COLORADO) CNPJ nº 51.990.778/000126, que atua, dentre outros, na fabricação, destilação e comercialização de açúcar, álcool carburante e outros afins, constatouse que notas fiscais de entrada de aquisição de canadeaçúcar foram emitidas para lastrear pagamentos realizados no decorrer dos anos 2009 e 2010 ao “Condomínio José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e outros", principal fornecedor de canadeaçúcar, formado por pessoas físicas administradores e controladores da fiscalizada, através da simulação de “Adicional de Preço – Metas de Produção” e “Adicional de Preço sobre Fretes”. Tais adicionais teriam sido instituídos através de correspondência datada de 15/05/2007 expedida pelo condomínio com o “de acordo” da fiscalizada em que se propõe “metas bonificadoras” utilizandose de falsas premissas em evidente afronta ao contrato de compra e venda de canadeaçúcar celebrado em 03/01/2005. Após minuciosa análise dos fatos e elementos coletados no curso da ação fiscal ficou demonstrado e comprovado tratarse de “PAGAMENTO SEM CAUSA” e de “DESPESAS/CUSTOS NÃO NECESSÁRIOS”, cujos efeitos originaram o lançamento de ofício do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e do Programa de Integração Social (PIS/PASEP), nos termos na legislação vigente, conforme minuciosamente relatado no presente relatório. Verificouse ainda contabilização de despesas pagas com segurança pessoal em benefício de um de seus diretores ou de seus familiares e/ou terceiros sem qualquer vínculo com a empresa, bem como segurança patrimonial de residências ou outros patrimônios não pertencentes à fiscalizada, que, à luz da legislação vigente, foram consideradas indedutíveis para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por não serem consideradas necessárias à percepção da receita da atividade e à manutenção da fonte produtora. Em razão das infrações supracitadas, as compensações dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSSL realizadas no ano calendário 2011 tornaramse totalmente indevidas. Importante destacar que integram o “Condomínio José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e outros” as pessoas físicas JOSÉ OSWALDO RIBEIRO DE MENDONÇA, MARCELO RIBEIRO DE MENDONÇA e JOSIMARA RIBEIRO DE MENDONÇA CAMARGO, que também são administradores da fiscalizada e detém seu controle através da Holding OSWALDO RIBEIRO DE MENDONÇA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. 6 A autoridade lançadora informa ainda que: 7 – ante a constatação da prática de atos e/ou omissões, com destaques para aqueles enumerados nos tópicos 30.1.1 a 30.1.3 do Relatório Fiscal (fls. 1813/1815), que constitui, em tese, crime praticado contra a ordem tributária, elaborou a Representação Fiscal Para Fins Penais formalizada no processo nº 13855.723101/201457; Fl. 3311DF CARF MF 4 8 – como decorrência de tais atos e/ou omissões praticados com a intenção dolosa pelos administradores (sócios indiretos do interessado), os quais conduziram o interessado à prática de sonegação fiscal, foram elaborados Termos de Ciência de Lançamento e Encerramento do Procedimento Fiscal Responsabilidade Tributária, que foram cientificados aos administradores do interessado (fls. 1827, 1892/1897); 9 – em razão da prática de atos e/ou omissões, com a clara intenção de alterar as características do fato gerador e de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária dos débitos tributários devidos, qualificou a multa de lançamento de ofício de 75% para 150% (fls. 1825/1826). 10 Cientificado do auto de infração, em 23/10/2014, o interessado apresentou impugnação em 21/11/2014, por meio da qual descreve os fatos ocorridos e as infrações apuradas pela autoridade lançadora (fls. 1910/1925), para em seguida arguir, em síntese, que: Nulidade 11 – o MPF originário foi emitido para validar a fiscalização de contribuições previdenciárias no período de 01/2010 a 12/2010. Contudo, foi estendido a outros tributos (IRPJ, IRRF, CSLL, Cofins e Pis) e períodos (2009 e 2011), sem as devidas prorrogações e ciência do interessado, razão pela qual deve ser declarada a nulidade dos procedimentos fiscais; Adicionais sobre meta de produção e sobre o frete 12 – a autoridade lançadora constituiu crédito tributário de IRPJ, IRRF, CSLL, Cofins e Pis sob a alegação de que adicionais sobre meta de produção (custo da matéria prima/cana de açúcar) e adicionais sobre frete (que estão incluídos no preço da matériaprima) são despesas não necessárias à atividade do interessado (usina de açúcar) e, por conseguinte, não dedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ; 13 – tem como principal atividade econômica a produção e comercialização de açúcar, etanol e energia elétrica, que exige um planejamento estratégico e operacional de longo prazo, mormente quanto ao suprimento de sua principal matéria prima (canadeaçúcar), que é fornecida integralmente por produtores agrícolas da região (essa matéria prima não suporta, física e economicamente, fretes longos); 14 – há alguns anos exporta praticamente toda sua produção de açúcar com condições comerciais e operacionais ancoradas por contrato de venda futura de açúcar, que possuem cláusulas com gravosas penalidades; 15 – com intuito de manter a produção de sua capacidade instalada máxima, mantém diversos contratos de compra futura com dezenas de fornecedores, já juntados aos autos; 16 declinados contratos têm por objeto a compra antecipada das produções futuras de canadeaçucar em condições de mercado e relativamente padronizadas, com adiantamento de recursos aos fornecedores e liquidação dos valores na entrega das produções; 17 – entre janeiro de 2007 a meados de 2008, realizou investimento na ampliação de sua capacidade de moagem e processamento de canadeaçucar (de 4.500.000 para 7.300.000 ton/ano); 18 – para evitar a ociosidade operacional, o que resultaria inviabilidade econômicofinanceira do negócio, necessitou, a partir da safra de 2008/2009, de um aumento considerável de matériaprima, fato esse previsto em contrato. Tal necessidade, por si só, justifica qualquer diferença nos preços pagos aos fornecedores; Fl. 3312DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.300 5 19 – na região onde se situa não mais existem áreas ociosas ou de pastagens para serem transformadas em canaviais; 20 – necessita contratar novos fornecedores na região produtora do seu entorno que representem, no mínimo, garantia futura e firme o suficiente com relação a obrigações contratuais presentes e futuras com terceiros, viabilizando o atendimento de sua capacidade instalada; 21 – não é por outro motivo que o interessado mantém estreito relacionamento comercial com o Condomínio formado por alguns de seus sócios, pessoas jurídicas e diversos produtores rurais; 22 – o mencionado Condomínio, situado no entorno imediato do interessado, é peça fundamental para a sua manutenção e sobrevivência no mercado, pois é seu principal fornecedor de matériaprima (aproximadamente 80% do fornecimento), em razão da necessidade de regionalização do fornecimento e da indisponibilidade de novos fornecedores ou áreas disponíveis; 23 – todavia, essa importância do Condomínio não faz com que tenha tratamento diferenciado ou privilegiado em comparação com outros fornecedores; 24 – portanto, os pagamentos ao Condomínio se dão dentro da mesma sistemática adotada para os demais e não se vinculam a montantes ou a periodicidade préfixados, em razão da dinâmica produtiva do próprio Condomínio; 25 – todos os pagamentos estão lastreados em Instrumento Particular de Venda e Compra de safras futuras de canadeaçúcar, já constantes dos autos, e acompanhados das respectivas notas fiscais de aquisição e contabilização; 26 – o adicional de preço sobre meta de produção e sobre o frete está previsto em contrato, ao contrário do que afirma a autoridade lançadora, que tentou desqualificar o aditivo contratual firmado entre as partes (interessado e vendedores). Embora conste dos autos, o contrato e aditivo, que prevê os adicionais e fixa as regras de cálculo, eles seguem anexos à impugnação; 27 – o que a autoridade lançadora chamou de pagamento sem causa, na verdade, estava previsto em contrato, com todos os parâmetros de cálculo fixados, e compõe o preço da matéria prima adquirida pelo interessado; 28 – na tentativa de desqualificar o aditivo contratual, a autoridade lançadora o chama de correspondência e assevera que as metas bonificadoras estão lastreadas em falsas premissas (sem dizer quais seriam), em evidente afronta ao contrato de compra e venda de canadeaçúcar celebrado em 03/01/2005; 29 – o adicional sobre a meta de produção e sobre o frete foi fixado para forçar a venda de toda a produção dos fornecedores para o interessado, em razão da alta concorrência local por novos ou distintos fornecedores e da imprevisibilidade das condições naturais; 30 – além disso, não há tabelamento de preços desta matériaprima no Brasil e caso o interessado não conseguisse exclusividade no fornecimento de canade açúcar pelo Condomínio, não conseguiria honrar com seus compromissos e estaria fadado à falência. 31 O interessado transcreve excertos das respostas que apresentara à autoridade lançadora em relação aos termos de intimação fiscal nº 12, 14 e 16 (fls. 1944/1957) e conclui alegando que os fatos que originaram este processo estão todos Fl. 3313DF CARF MF 6 escriturados com observância das disposições da legislação comercial e fiscal, cabendo a autoridade lançadora a prova da inveracidade dos fatos registrados (art. 924 do RIR/99). Despesas com vigilância patrimonial e segurança pessoal dos administradores 32 – embora a autoridade lançadora tenha glosado as despesas com vigilância patrimonial e segurança pessoal dos administradores, por entender que não são necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e tampouco usuais ou normais, todas foram comprovadas com documentação hábil e idônea (notas fiscais, contratos, contabilização e informações sobre a necessidade das mesmas); 33 – a autoridade lançadora tem o dever de comprovar a inveracidade dos fatos registrados, nos termos do art. 924 do RIR/99, o que não ocorreu no caso vertente. 34 O interessado transcreve excertos das respostas que apresentara à autoridade lançadora em relação aos termos de intimação fiscal nº 8 (fls. 1959/1961), a fim de prestar informações sobre os contratos e propriedades do interessado onde os serviços foram prestados. 35 Conclui sustentando que “o fato do serviço estar disponível aos administradores da Impugnante NÃO o torna obrigatório! Notese que o fato de dois administradores não terem usufruído do serviço, levou a Fiscalização a concluir pela desnecessidade do mesmo, por presunção! Por óbvio, essa argumentação não pode ser mantida.”. Multa qualificada 36 – a multa qualificada é cabível quando há evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, o qual deve ser comprovado; 37 – a autuação tomou por base a falsa premissa de que o interessado inflou seus custos e despesas operacionais, a fim de reduzir a base de cálculo do IRPJ. Não é possível, que alguém fosse distribuir dinheiro aos fornecedores de matériaprima com o intuito de reduzir a base de cálculo do IRPJ; 38 – para a caracterização do tipo há que estar presente a figura do dolo específico, caracterizado pela intenção manifesta do agente de omitir dados, informações ou procedimentos que resultam diminuição ou retardamento do atendimento ao dever tributário; 39 – quem age com intuito de fraude, de forma dolosa, realiza operações proibidas, não cumpre as condições legais, não registra, nem declara essas operações, não entrega documentos ao fisco, procurando sob todas as formas ocultar essas operações, adultera documentos, utiliza documentos calçados, paralelos, falsos, inidôneos e pessoas inexistentes; 40 – não agiu com intuito de fraude e de forma dolosa, sequer cometeu qualquer infração punível, como demonstrado, não se justificando a aplicação de qualquer multa e muito menos multa qualificada; 41 – prestou todas as informações solicitadas pelo fisco, apresentou toda a documentação requerida e agiu de boa fé desde o início do procedimento fiscal. 42 O interessado transcreve ementas de decisões administrativas, de primeira e segunda instâncias, cita legislações relativas à matéria, Solução de Consulta da 3a Região Fiscal, acosta aos autos documentação trazida com a impugnação e encerra requerendo que seja o lançamento objeto dos autos considerado insubsistente. Fl. 3314DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.301 7 43 Cientificados do auto de infração, em 23/10/2014, as três pessoas físicas qualificadas como responsáveis tributários pela autoridade lançadora apresentaram impugnações (fls. 2010/2034, 2043/2067, 2076/2010), todas em 21/11/2014, onde alegam, adicionalmente ao que o interessado argumentou, em síntese, que: 44 – foram consideradas como devedores solidários pessoas físicas que não são sócias do interessado; 45 – a autoridade lançadora utilizou o art. 135 do CTN, que trata de responsabilidade pessoal, e, portanto, não possibilita a aplicação do instituto da solidariedade; 46 – a aplicação do art. 135 do CTN teria como imediata conseqüência a supressão do interessado do aspecto pessoal da hipótese de incidência tributária, o que o torna desobrigado do pagamento do tributo; 47 – para que as pessoas físicas sejam responsabilizadas, é necessária a prova cabal, dolo específico, de sua conduta de lograr o Fisco, o que não ocorreu, pois não há uma conduta fraudulenta apontada pela autoridade lançadora; 48 – a solidariedade em direito tributário não se presume, há que ser prevista em lei; 49 – as pessoas físicas não agiram com intuito de fraude e de forma dolosa, sequer cometeram infração punível, razão pela qual devem ser retiradas da sujeição passiva no presente caso. 50 Foram transcritas ementas de decisões administrativas de segunda instância e acostadas aos autos documentação trazida com a impugnação, cujo pedido se pauta no cancelamento do lançamento efetuado ou que se retirem as pessoas físicas da sujeição passiva tributária. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 2113 e segs. e ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2009, 2010, 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente, em consonância com a legislação de regência. NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade dos procedimentos, notadamente, quando emitido em conformidade com a norma administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2009, 2010, 2011 JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem Fl. 3315DF CARF MF 8 lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. SOLUÇÃO DE CONSULTA. EFEITOS. APLICAÇÃO. Os efeitos da decisão proferida em Solução de Consulta aplicamse à parte consulente. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. ADMINISTRADORES. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei os mandatários, prepostos e empregados e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. CONTRIBUINTE. EXCLUSÃO. A exclusão do contribuinte da relação tributária e a atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário à terceira pessoa devem estar expressas na lei. O artigo 135 do CTN atribui a terceiro a responsabilidade pelo crédito tributário, mas não afasta a responsabilidade do contribuinte em relação à sua obrigação tributária principal. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS. ADICIONAIS SOBRE META DE PRODUÇÃO E SOBRE FRETE. Mantémse o lançamento, quando caracterizada a mera liberalidade de pagamentos de gastos registrados na contabilidade a título de custos e despesas, os quais reduziram a apuração da base de cálculo do imposto devido. CRÉDITO PRESUMIDO. PIS E COFINS. Mantémse o lançamento, quando caracterizada a mera liberalidade de pagamentos de gastos registrados na contabilidade a título de custos e despesas, os quais deram origem a crédito presumido de Pis e Cofins. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa por infração qualificada (duplicação do percentual da multa de 75%), quando configuradas as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. PREJUÍZO FISCAL. SALDO CONSUMIDO. Comprovada a compensação indevida de prejuízos fiscais decorrente da utilização inexistente de saldo de períodos anteriores, o lançamento tributário deve ser mantido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2009, 2010 PAGAMENTO SEM CAUSA. Sujeitase à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, todo pagamento efetuado por pessoa jurídica a beneficiário identificado quando não for comprovada a sua causa. MULTA QUALIFICADA. É cabível a multa por infração qualificada (duplicação do percentual da multa de 75%), quando configuradas as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. SALDO CONSUMIDO. Comprovada a compensação indevida de base de cálculo negativa decorrente da utilização Fl. 3316DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.302 9 inexistente de saldo de períodos anteriores, o lançamento tributário deve ser mantido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em síntese, a decisão recorrida acordou em: a) julgar improcedente a impugnação, mantendo as exigências de IRPJ, no valor de R$ 16.113.999,08, de CSLL, no valor de R$ 5.809.679,67, de IRRF, no valor de R$ 20.030.076,00, que deverão ser acrescidas das respectivas multas de ofício e dos juros de mora; b) manter a glosa de crédito presumido do Pis e da Cofins; c) manter os Termos de Responsabilidade Tributária em nome de: José Oswaldo Ribeiro de Mendonça (fl. 1892); Marcelo Ribeiro de Mendonça (fl. 1894) e Josimara Ribeiro de Mendonça Camargo (fl. 1896). Cientificado da decisão de primeira instancia em 11/04/2017, o contribuinte apresentou, fl. 2822 e segs, em 09/05/2017, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão de primeira instancia. Os responsáveis solidários foram cientificados por AR na data de 07/04/2017 (fls. 2152 a 2156) e apresentaram, fls. 2169 a 2333, em 09/05/2017, recurso voluntário repisando os argumentos levantados em sede de impugnação, acrescentando razões para reforma na decisão de primeira instancia. Conforme pedido de fl. 2.160 houve desistência por parte da contribuinte em relação ao tópico do lançamento fiscal concernente a glosa fiscal das despesas por ela incorridas com serviços de segurança. Neste sentido, à fl. 2.309 foi lavrado termo de transferência em que os créditos tributários referentes ao pedido de desistência foram transferidos para o processo nº 13855721.319/201710. Em sessão de julgamento de 20 de fevereiro de 2018 (fls. 2317 e segs) , esta mesma turma decidiu converter o processo em diligência para que fosse apurada, mediante analise de documentos acostados aos autos ou novos documentos eventualmente requeridos à contribuinte, para as safras de 2009/2010 e 2010/2011, a diferença prática do preço total aplicado ao valor da cana de açúcar contratada pelo Condomínio Rural e demais fornecedores, incluindo em tal precificação: (i) preço de aquisição; (ii) custo de corte, colheita e transporte (CCT) e (iii) valor adicional de preço por meta de produção e por frete. Ademais, solicitou apuração, se, efetivamente, os custos com corte, colheita e transporte (CCT) foram suportados pelo Condomínio mediante estrutura própria ou de terceiros. Tal informação deveria ser incluída em relatório circunstanciado emitido pelas autoridades fiscais. Fl. 3317DF CARF MF 10 Após diversas intimações ao contribuinte, houve elaboração de relatório fiscal final (fls. 3220 e segs), cuja manifestação pela Recorrente foi apresentada as fls. 3260 e segs. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário A admissibilidade do Recurso Voluntário já foi apreciada por este colegiado, motivo pelo qual passase a analise dos itens alvo de julgamento. Inicialmente, conforme acima mencionado, houve desistência por parte da contribuinte em relação ao tópico do lançamento fiscal concernente a glosa fiscal das despesas por ela incorridas com serviços de segurança. Neste sentido, à fl. 2.309 foi lavrado termo de transferência em que os créditos tributários referentes ao pedido de desistência foram transferidos para o processo nº 13855721.319/201710. Desta formase, encontramse pendentes de julgamento as seguintes infrações: 1) Glosa de despesas com aplicação de multa qualificada Adicionais sobre meta de produção e sobre preço de frete (lançamento reflexo para CSLL, PIS e COFINS) 2) Pagamentos sem causa com aplicação de multa qualificada Adicionais sobre meta de produção e sobre preço de frete 3) Compensação indevida de prejuízo fiscal operacional 4) Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto (Art. 135 CTN) de Marcelo Ribeiro de Mendonça, José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e Josimara Ribeiro de Mendonça Camargo. Fatos Em brevíssima síntese, após extensa fiscalização entre os anos de 2013 e 2015, a autoridade fiscal alega que constatou que notas fiscais de entrada de aquisição de cana deaçúcar foram emitidas para lastrear pagamentos realizados no decorrer dos anos 2009 e 2010 ao “Condomínio José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e outros", principal fornecedor de canadeaçúcar, formado por pessoas físicas administradores e controladores da fiscalizada, através da simulação de “Adicional de Preço – Metas de Produção” e “Adicional de Preço sobre Fretes”. A autoridade lançadora alega, ainda, que tais adicionais teriam sido instituídos através de correspondência datada de 15/05/2007 expedida pelo condomínio com o “de acordo” da fiscalizada em que se propõe “metas bonificadoras” utilizandose de falsas premissas em evidente afronta ao contrato de compra e venda de canadeaçúcar celebrado em 03/01/2005. Fl. 3318DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.303 11 O pagamentos dos adicionais sobre preço e frete foram pagos somente ao fornecedor Condomínio Rural, que, conforme já relatado, tratase parte relacionada a contribuinte, na medida em que seus administradores são sócios de tal Condomínio. Desta forma, outros fornecedores de matéria prima não teriam sido agraciados por tais adicionais. A exclusividade do pagamento de tais adicionais à parte relacionada seria o principal argumento justificador do caráter simulado do comportamento do contribuinte, que teria objetivado, assim, inflar custos e despesas operacionais, reduzir a base de calculo do IRPJ/CSLL, evitar a incidência de IRRF em pagamentos, reduzir o montante de Pis/Cofins a pagar e ainda beneficiar, indiretamente, seus sócios, pois tributam seus rendimentos como atividade rural que possui tributação favorecida. Argumenta, por fim que os atos e omissões foram praticados dolosamente e conduziram a fiscalizada à prática de sonegação fiscal, motivo pelo qual qualificouse a multa das infrações e apontou responsabilidade solidária por parte dos sócios Marcelo Ribeiro de Mendonça, José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e Josimara Ribeiro de Mendonça Camargo. Preliminares Nulidade do procedimento fiscal ausência de mandado de procedimento fiscal Defende a Recorrente a nulidade do auto de infração, em função de vícios relativos ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF. A Portaria RFB nº 3.014, de 2011, vigente à época do início do procedimento fiscal, dispunha que a ciência do MPF pelo sujeito passivo darseia por intermédio da internet, no endereço eletrônico da Receita Federal do Brasil, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizasse o início do procedimento fiscal, conforme transcrição a seguir: Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011 CAPÍTULO II DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente na forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência do MPF pelo sujeito passivo darseá no sítio da RFB na Internet, no endereço , com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. (grifos não são do original). (...) Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela execução ou supervisão, bem como as alterações relativas a tributos a serem examinados e a período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade emitente, conforme modelo constante do respectivo Anexo a esta Portaria, cientificado o contribuinte nos termos do parágrafo único do art. 4º. Fl. 3319DF CARF MF 12 No Termo de Início de Fiscalização (fl. 2), consta expressamente o número do Mandado de Procedimento Fiscal e o respectivo código de acesso, bem como a informação de que o sujeito passivo poderá verificar a sua autenticidade na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, tal qual disposto na sobredita portaria. Constam as fls. 2110/2112 dos autos os Mandados de Procedimento Fiscal MPFs que acobertam referida fiscalização. Ao contrário do que alega pela Recorrente, o sobredito MPF contém todas as informações por ele reclamadas, inerentes ao procedimento fiscal, conforme consta no modelo previsto na Portaria RFB nº 3.014, de 2011, tais como: assinatura eletrônica da autoridade competente, tributos/contribuições objeto da fiscalização, natureza do procedimento fiscal, período a ser fiscalizado, validade do MPF e respectivas prorrogações. Por todo o exposto, entendo que não há nulidade do lançamento, sob quaisquer das argumentações tecidas pela Recorrente com relação ao Mandado de Procedimento Fiscal. Adicionais sobre meta de produção e sobre o frete Os custos adicionais pagos somaram R$ 57.228.788,59, sendo que R$ 26.652.320,58 impactaram negativamente o lucro líquido do anocalendário 2009 e, R$ 30.576.468,01, o lucro líquido do anocalendário 2010. Relatório fiscal x argumentação do contribuinte Em resumo, a Recorrente alega que tem como sua atividade econômica principal, hoje como na época referenciada no lançamento, operar como usina de açúcar e etanol, produzindo e comercializando açúcar, etanol e energia elétrica. Esclarece que para a realização dessa sua precípua atividade econômica a Recorrente necessita como matéria prima essencial de canadeaçúcar, que adquiria, à época dos fatos aqui relevantes, de dezenas de produtores/fornecedores mas principalmente (aproximadamente 70/80% por cento) do referido Condomínio Rural, sua parte relacionada. Argumenta a Recorrente que, com aquele Condomínio Rural, peça fundamental no modelo e na estratégia de negócios então empreendidos pela Recorrente seja por seu volume de fornecimento de matéria prima, seja ainda por seu foco/especialização nesta atividade e, destacadamente, por sua imanente confiabilidade e fidedignidade , eram realizados contratos de compra e venda de canadeaçúcar, por instrumento particular, com condições substanciais (compra antecipada de safras futuras em condições de mercado, com pagamentos compatíveis com a progressiva entrega de matéria prima/canadeaçúcar, a partir dos critérios técnicos e comerciais referenciados pelo CONSECANA, e com regular contabilização e emissão/acompanhamento de notas fiscais) essencialmente idênticas àquelas dos ajustes realizados com outros produtores/fornecedores. O argumento central da ação fiscal registrada nestes autos, e que levou à emissão dos Autos de Infração aqui questionados, vinculase, com a discriminação narrativa e argumentativa de que a Recorrente teria simulado o pagamento das parcelas de preço referenciadas à aquisição, junto ao referido Condomínio Rural, de matéria prima (canade açúcar), denominadas "Adicional de Preço sobre Metas de Produção" e "Adicional de Preço sobre Fretes", com o intuito de inflar o valor das despesas a serem deduzidas das suas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Suposta simulação acarretaria, na dicção fiscal, "economia" do Fl. 3320DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.304 13 IRPJ e reflexamente da CSLL e, ainda, (a) não reconhecimento da ocorrência do IRRF nos correspondentes pagamentos pois seriam "sem causa" e (b) geração/apropriação de indevidos créditos presumidos do PIS e da COFINS na sistemática não cumulativa (art. 8o da Lei n° 10.925/2004). Defende que, do ponto de vista estritamente jurídico a argumentação fiscal, tenta opor o Contrato firmado entre a Usina e o Condomínio Rural em 03/01/2005 ao Adendo Contratual Epistolar ajustado pelas mesmas partes em 15/05/2007, para, a partir da suposta distinção/contradição deste com aquele, apontar a insubsistência normativa/regulatória do referido Adendo em face das situações anterior e originalmente dispostas exclusivamente pelo Contrato. Defende a Recorrente que tanto em um caso (Contrato) quanto no outro (Adendo Epistolar) temos acordos de vontade formalizados entre partes privadas, por instrumento particular, dispondo sobre seus próprios interesses patrimoniais privados e disponíveis, em matéria que não configura serviço público, não está sujeita a autorização, permissão, autorização ou concessão estatal e nem tem suas condições e/ou valores negociais sujeitos a qualquer forma de regulação, fixação ou tabelamento estatal sobre a correspondente atividade econômica. No Relatório Fiscal, por sua vez, a autoridade alega que não se justificaria a edição pelas partes do Adendo Epistolar porque à época da pactuação do Contrato já estariam presentes todas as précondições futuramente havidas na relação negocial entre as partes. Rebate a Recorrente que havia uma relação jurídicoprivada que foi regrada pelo Contrato, em 2005, e esta mesma situação jurídicoprivada foi parcialmente repactuada em 2007 pelo Adendo Epistolar, dando a este a perfeita configuração jurídica juscivil de emenda/aditivo/alteração o que adicionalmente se confirma pelo fato que o Adendo previa cobertura regulatória aos temas jusnegociais nele dispostos para as safras 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011, justamente em perfeita coincidência com os prazos de vigência do Contrato (os quais também tinham seu termo final nos compromissos relacionados com a safra 2010/2011). Os registros contábeis da Recorrente foram os normais de qualquer pagamento pela aquisição de matéria prima (canadeaçúcar), ou seja, pelo custo/preço da respectiva operação, ou seja utilizase o CFOP 1101 ("operações de compra para industrialização ou produção rural") e assim se contabiliza aquele movimento: " CC 20568 Fornecedores Matériaprima (analítica)1' " CC 2800 Bancos c/ movimento (sintética)" " CC 20054 Adiant. Forn. Mat. Prima (na safra)" " CC 3233 Provisão complemento cana estoque" O ponto central sustentado no Relatório Fiscal é que a Recorrente deveria haver realizado uma necessária separação contábil entre os valores correspondentes aos pagamentos do "preço CONSECANA" e os valores dos "adicionais": na lógica fiscal, a Recorrente, de forma procedimentalmente indevida, assim procedeu para ocultar "a existência e, consequentemente, o pagamento dos adicionais". Argumenta a Recorrente que o manifesto equívoco da iniciativa fiscal está em querer insistentemente desconsiderar que os referidos "adicionais" compunham, para a Contribuinte/Recorrente, parte do custo/preço da matéria prima/canadeaçúcar adquirida e Fl. 3321DF CARF MF 14 que, portanto, era assim consequentemente registrados na sua contabilidade (sem prejuízo, insistase e reiterese, que a mesma Recorrente, quando assim especificamente indagada, foi perfeitamente capaz de discriminadamente apurar e quantificar, a partir dos seus mesmos dados/informações e documentos contábeis, os precisos valores de cada um daqueles "adicionais"), ainda que, posteriormente, possa pretender a fiscalização tributária federal dar aos fatos outro enquadramento normativo mas daí estarseia criando, pro futuro, outra realidade jurídica, que aí sim (e somente a partir daí) deveria, se procedente, ser espelhada na contabilidade. Toda a fundamentação da exação aqui lançada ex officio, seja naquilo em que promoveu a glosa de despesas dedutíveis apropriadas pela Recorrente para fins de apuração da base de cálculo do seu IRPJ e da sua CSLL, seja ainda no que vislumbrou uma operação simulada destinada à evasão tributária lesiva ao fisco, está calcada em um suposto "(sobre) pagamento sem causa" (sem "causa", segundo a ação fiscal levada a efeito no caso, nem de índole jurídica e nem de índole econômiconegocial) pela Recorrente em favor do Condomínio Rural. A Recorrente esclarece que houve uma manifesta causa econômiconegocial pois, a partir da safra 2008/2009, a Contribuinte/Recorrente, em razão de enorme esforço financeiro e com a consequente assunção de largos compromissos futuros de fornecimento de açúcar, etanol e energia elétrica aumentou sua capacidade de moagem e processamento de canadeaçúcar, de 4.500.000 toneladas/ano para 7.300.000 toneladas/ano, a partir de então e com firmeza nos próximos muitos anos, de um aumento considerável de matériaprima condizente com sua nova capacidade operacional. Reitera que este aumento de fornecimento de matériaprima era, e ainda é, uma operação imprescindível à não ociosidade operacional da contribuinte e, consequentemente, á sua sobrevivência empresarial , face aos compromissos futuros que assumiu para financiar/viabilizar a referida ampliação, tudo conforme comprovado durante o procedimento fiscal havido neste processo. Frisa, ainda, a Recorrente que tal incremento de fornecimento era, e ainda é, extremamente complexo devido à alta concorrência local por novos ou distintos produtores/fornecedores de canadeaçúcar. Somese a este fator concorrencial as condições naturais de produção e apropriação da referida matéria prima, tanto aquelas específicas ao seu adequado aproveitamento industrial em larga escala produtiva (onde, diferentemente de outros segmentos agrícolas, há a determinante questão da distância entre as lavouras é a unidade industrial, sob pena de inviabilidade econômicofinanceira do respectivo fornecimento em razão dos custos associados ao transporte/frete) quanto ainda as condições aleatórias do ciclo natural, impossíveis de serem controladas e que afetam sobremaneira a produção e o fornecimento de canadeaçúcar aos seus adquirentes/consumidores em geral (inclusive a ora Contribuinte/Recorrente). Daí a justificável opção pela concessão de incentivos financeiros diretos e/ou indiretos aos seus produtores/fornecedores pois objetivamente os correspondentes contratos eram, em determinados períodos e à vista das dificuldades concorrenciais e naturais acima referidas, inexequíveis em sua plena bilateralidade , seja em caráter indistintamente universal e para garantir a mantença futura do seu fornecimento de matéria prima conforme ocorreu com a dispensa (nãoexigência) da multa contratual originalmente fixada entre as partes relativamente àqueles que não realizaram plenamente as respectivas metas pactuadas, em procedimento empresarialnegocial infelizmente não compreendido pelas conclusões do procedimento fiscal seja especificamente no caso de seu principal produtor/fornecedor, o Fl. 3322DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.305 15 Condomínio Rural, eliminando as distorções de custo/preço até então havidas nas aquisições praticadas junto a este parceiro. Ocorre que, conforme demonstra a adequada análise dos elementos de informação e de prova acostados a este processo no curso da fase fiscalizatória, justamente havia uma aparente assimetria formal entre alguns elementos da modelagem de precificação dos instrumentos contratuais havidos pela Usina com os seus produtores/fornecedores em geral, por um lado, e com o Condomínio Rural, por outro lado, em razão da necessidade de se promover uma efetiva simetria material/substancial relativamente ao custo/preço efetivo para a Usina de todos os mesmos antes referidos contratos. Os contratos de compra e venda de canadeaçúcar firmados à época (como hoje) entre a Usina e todos seus produtores/fornecedores, sempre por instrumento particular, conquanto apresentassem condições substanciais essencialmente idênticas (ou seja, compra antecipada de safras futuras em condições de mercado, com pagamentos compatíveis com a progressiva liquidação de tais valores nas sucessivas entregas futuras de canadeaçúcar, a partir dos critérios técnicos e comerciais referenciados pelo CONSECANA), contemplavam duas manifestamente distintas condições negociais: I por um lado, para os produtores/fornecedores em geral e conforme é o padrão usualmente praticado no respectivo setor, um custo/preço, referenciado nos critérios técnicos e comerciais do CONSECANA, para a matéria prima (canadeaçúcar) "em pé no campo", ou seja, sem ônus/encargos ao fornecedor e com os correspondentes ônus/encargos transferidos ao comprador (Usina) relativamente ao denominado "CCT" (corte, colheita e transporte); e II por outro lado, para o fornecimento proveniente do Condomínio Rural, um custo/preço, igualmente referenciado nos critérios técnicos e comerciais do CONSECANA, para a matéria prima (canadeaçúcar) "na esteira", ou seja, com ônus/encargos ao fornecedor e sem os correspondentes ônus/encargos ao comprador (Usina) relativamente ao denominado "CCT" (corte, colheita e transporte). A partir daí poderseia questionar: qual o valor do "CCT" (inclusive considerando ou das variações decorrentes da realização de colheita manual ou mecanizada conforme as características da respectiva área situação ainda mais latente à época dos fatos, pela tecnologia então empregada no setor ou das variáveis distâncias entre as áreas de plantio e a instalação industriais do comprador que diretamente afetam a quantificação do ônus/encargo de "transporte")? Para simplificar esta questão evitando a necessidade de ampla perquirição/demonstração contábilprobatória (que poderia/deveria haver sido apurada na própria originária oportunidade da ação fiscal junto à Contribuinte/Recorrente) e darlhe estrita objetividade (demonstrando seu padrão/média em todo o setor, na respectiva região, a partir de minuciosa e tradicional apuração técnicoacadêmica de respeitadíssimos institutos de pesquisa) verificase nos ora anexados documentos CUSTOS DE PRODUÇÃO DE CANA DE AÇÚCAR, AÇÚCAR E ETANOL NO BRASIL Acompanhamento da Safra Centro Sul que: I o CCT médio/padrão, na região da Contribuinte/Recorrente, para a Safra 2009/2010, foi de R$ 22,56 (vinte e dois reais e cinquenta e seis centavos) por tonelada de canadeaçúcar13; e Fl. 3323DF CARF MF 16 II o CCT médio/padrão, na região da Contribuinte/Recorrente, para a Safra 2010/2011, foi de R$ 22,63 (vinte e dois reais e sessenta e três centavos) por tonelada de canadeaçúcar14. Em face dos elementos acima, e rigorosamente considerando os valores específica e minuciosamente apurados na oportunidade da ação fiscal junto à Contribuinte/Recorrente relativamente aos valores pagos ao Condomínio Rural e sua correspondente discriminação registrados em destaque no Relatório Fiscal anexo aos Autos de Infração acostados nestes autos, podese objetivamente verificar que o custo/preço incorrido peia Contribuinte/Recorrente nos pagamentos por ela levados a efeito em favor do Condomínio Rural não representou um encargo adicional relativamente aos demais produtores/fornecedores da Usina mas sim uma economia (na safra 2009/2010) e uma equivalência (na safra 2010/2011) em face da situação concorrencial dos demais produtores/fornecedores da mesma Usina tendo em vista que aquele custo/preço de aquisição de matéria prima junto Condomínio Rural, reiterese, incluía o preço CONSECANA (aqui também considerados os respectivos adicionais/ajustes de preço no curso da safra, conforme já referido no subitem õ.l.b acima) e os "adicionais" controvertidos neste processo (totalizando R$ 50,16, na safra 2009/2010 sendo R$ 6,32 dos mencionados "adicionais, e mais particularmente R$ 5,32 como "Adicional sobre meta" e R$ 1,00 como "Adicional sobre frete" , e R$ 61,94, na safra de 2010/2011 sendo R$ 8,09 dos mencionados "adicionais, e mais particularmente R$ 7,11 como "Adicional sobre meta" e R$ 0,98 como "Adicional sobre frete", em ambos os casos com os respectivos custos/preços por tonelada de canadeaçúcar), mesmo considerando que o ônus/encargo de corte, colheita e transporte (CCT) era, pelo mesmo custo/preço, assumido pelo próprio Condomínio (entrega de matéria prima "na esteira"). Os valores médios dos preços/custos da tonelada de canadeaçúcar no respectivo mercado setorial, a partir dos critérios técnicos e comerciais do CONSECANA, estão discriminadamente registrados na documentação contábil da Contribuinte/Recorrente e estão sumariamente demonstrados no Anexo 3 deste Recurso. E especificamente para a safra 2010/2011 vale p mesmo comentário inscrito na nota de rodapé retro (sobre a distância média das plantações Condomínio Rural em relação à distância efetiva de alguns dos demais fornecedores). Se acaso a Recorrente adquirisse a mesma matéria prima (canadeaçúcar) de outros produtores/fornecedores, pelos mesmos custos/preços usualmente praticados no mercado setorial nas safras 2009/2010 e 2010/2011 haveria desembolsado, em média R$ 55.73. na safra 2009/2010, e R$ 61,36, na safra de 2010/2011 (em ambos os casos com os respectivos custos/preços por tonelada de canadeaçúcar), correspondentes, respectivamente, a R$ 33,17 de preço contratual mais R$ 22,56 de custo CCT na safra 2009/2010 e a R$ 38.73 de preço contratual mais R$ 22,63 de custo CCT, na safra de 2010/2011, tudo conforme a planilha abaixo: Fl. 3324DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.306 17 Ademais, acreditar que uma empresa financeiramente sã e grande contribuinte promoveria conscientemente o desembolso imediato de recursos financeiros (causando redução do ativo disponível em caixa, distribuindo dinheiro a fornecedores/controladores e enfraquecendo economicamente a entidade) em esquema para promover eventual pequena, futura e arriscada economia tributária mormente em operação que concreta e concomitante impôs às pessoas físicas dos integrantes do Condomínio Rural (ou seja, aqueles referidos no item 1.11 acima, seus parceiros, controladores indiretos e administradores estatutários, colançados como responsáveis tributários nos Autos de Infração do IRPJ, da CSLL e deste IRRF havidos neste processo) a tributação dos mesmos valores assim recebidos tanto pelo IRPF no regime próprio à apuração e tributação das receitas de produtor rural (à alíquota de 27,5%) quanto pela Contribuição ao FUNRURAL (devida essencialmente sobre a mesma base de cálculo à alíquota de 2,3%) simplesmente não faria qualquer sentido de racionalidade econômica! Diligência Foi justamente sobre este último argumento que baseouse o pedido de diligência solicitado por esta turma quando do primeiro julgamento do processo em fevereiro do presente ano (Resolução 1301000.475), vejamos Apesar de tais argumentos serem robustos em favor da contribuinte, notase que os elementos em que a tabela ilustrativa foi baseada não são ou podem não ser os reais fatores de CCT aplicados pela mesma. Observase, como a própria contribuinte afirma, que tais elementos foram colhidos de documentos disponíveis ao setor por institutos de pesquisa e que mostram padrões de mercado, utilizados no recurso voluntário para "simplificar" a questão, evitando uma ampla perquirição contábilprobatória. No entanto, tendo em vista a importância de tais dados para deslinde da controvérsia que ora se apresenta, entendo ser necessária uma diligencia em relação aos reais valores pagos ao Condomínio Rural vis a vis outros fornecedores independentes para a compra da cana de açúcar contratada nas safras de 2009/2010 e 2010/2011. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurada, mediante analise de documentos acostados aos autos ou novos documentos eventualmente requeridos à contribuinte, para as safras de 2009/2010 e 2010/2011, a diferença prática do preço total aplicado ao valor da cana de açúcar contratada pelo Condomínio Rural e demais fornecedores, incluindo em tal precificação: (i) preço de aquisição; (ii) custo de corte, colheita e transporte (CCT) e (iii) valor adicional de preço por meta de produção e por frete. Ademais, deve ser apurado, se, efetivamente, os custos com corte, colheita e transporte (CCT) foram suportados pelo Condomínio mediante estrutura própria ou de terceiros. Tal informação deve ser incluída em relatório circunstanciado emitido pelas autoridades fiscais. Após uma série de questionamentos realizados por parte da autoridade fiscalizadora via intimações e respondidos pela Recorrente (fls. 2.367 a 3.219), esta última apresentou estudo realizado pela PricewaterhouseCoopers para esclarecer os itens solicitados na diligencia (fls. 2382). Destacase a conclusão do trabalho realizado pela PWC Fl. 3325DF CARF MF 18 Pautados na metodologia de trabalho descrita e na documentação verificada e confrontada com o Livro Caixa é possível constatar a existência de parte substancial dos gastos apresentados pela Administração como atrelados ao CCT tendo sido arcados pelo Condomínio José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e Outros. Tendo em vista o acima, a Recorrente peticionou retificando os cálculos apresentados no Recurso Voluntário baseado agora nos, alegadamente, reais valores incorridos. Relatório fiscal da diligencia Após analise a todo o material apresentado pela Recorrente, o relatório fiscal final da autoridade lançadora, após reafirmar as motivações do Relatório Fiscal, relatou suas conclusões sobre os quesitos formulados pelo CARF da seguinte forma (fl. 3.246 e segs): Relatase a seguir as conclusões sobre os quesitos formulados pelo CARF, ressalvandose que a expressão "CCT" referese a corte, carregamento e transporte. 1) Qual a diferença prática do preço total aplicado ao valor da cana de açúcar contratada pelo Condomínio Rural e demais fornecedores nas safras 2009/2010 e 2010/2011, incluindo em tal precificação: (i) preço de aquisição; (ii) custo de corte, colheita e transporte (CCT) e (iii) valor adicional de preço por meta de produção e por frete"? Primeiro, há de reforçar que, nas safras 2009/2010 e 2010/2011, a maioria da canadeaçúcar produzida pelo Condomínio foi cultivada em terras cedidas gratuitamente pela holding Oswaldo Ribeiro de Mendonça e Participações Ltda., o que significa dizer, em razão do não pagamento dos custos com arrendamento, o Condomínio teve redução dos custos em torno de 23% nas referidas safras. Segundo, o preço de aquisição da cana adquirida do Condomínio safras 2009/2010 e 2010/2011 é na condição "cana na esteira" (CCT do Condomínio) e, no caso da cana adquirida dos demais fornecedores, há aquisição de "cana no campo" (CCT da Recorrente) e também "cana na esteira" (CCT dos demais fornecedores). Terceiro, o modelo tradicional de negócio praticado pela Recorrente e aplicado aos contratos celebrados com seus fornecedores de canadeaçúcar, indistintamente, não prevê pagamento de qualquer espécie de adicional, seja "Adicional de Preço Sobre Meta de Produção", seja "Adicional de Preço Sobre o Frete". E figura estranha aos contratos com seus fornecedores em geral e definitivamente não compõem o preço da matériaprima (canadeaçúcar). Por definição, "cana na esteira" referese a cana entregue na esteira da usina (unidade industrial) para moagem, ou seja, no preço contratado está inserido os custos CCT (Corte, Carregamento e Transporte), que são de responsabilidade do fornecedor/produtor. Por outro lado, "cana no campo" referese a cana entregue em pé no campo, ou seja, no preço contratado não está inserido os custos CCT (Corte, Carregamento e Transporte), que são de responsabilidade do adquirente/Usina; O que requer os julgadores do CARF com o quesito supracitado? Que fosse demonstrado a diferença prática, para a Recorrente, entre o custo/preço da cana adquirida do Condomínio e dos demais fornecedores. Fl. 3326DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.307 19 Considerando que os adicionais foram exclusivamente pagos ao Condomínio e que a cana adquirida desse é cana na esteira (custos CCT do Condomínio e já incluso no preço fixado em contrato), o preço total aplicado pela Recorrente é o preço de aquisição/contratado ajustado aos critérios CONSECANA e somado ao valor adicional de preço por meta de produção e por frete. Considerando que a Recorrente não pagou adicionais aos demais fornecedores e que adquiriu, desses, "cana na esteira " e "cana em pé no campo ", temos que: 1) Se a aquisição é de "cana na esteira", a composição do preço total aplicado pela Recorrente é o preço de aquisição/contratado ajustado aos critérios CONSECANA; 2) Se a aquisição é de "cana em pé no campo" (custos CCT por conta da Recorrente), a composição do preço total aplicado pela Recorrente é preço de aquisição/contratado ajustado aos critérios CONSECANA e somado aos valores dos custos CCT (corte, carregamento e transporte) suportados pela Recorrente. Relatase a seguir os critérios utilizados pela Recorrente para apurar a diferença prática do preço total aplicado ao valor da cana de açúcar contratada pelo Condomínio Rural e demais fornecedores nas safras 2009/2010 e 2010/2011. Critério 1 (utilizado no recurso voluntário) a) "Cana na Esteira" adquirida do Condomínio Preço de aquisição contratado ajustado aos critérios CONSECANA + Valor dos adicionais pagos ao Condomínio; b) "Cana em pé no campo" adquirida dos demais fornecedores Preço médio de aquisição contrato ajustado aos critérios CONSECANA + Custos médios CCT apurados com base em estudos científicosacadêmicos elaborados pela ESALQ/USP; c) Tabela resultante da aplicação dos valores apurados nos itens "a" e "b". Critério 2 (apresentado no curso da diligência) a) "Cana na Esteira" adquirida do Condomínio Preço de aquisição contratado e ajustado aos critérios CONSECANA + Valor dos adicionais pagos ao Condomínio; b) "Cana em pé no campo" adquirida dos demais fornecedores Preço médio de aquisição contratado e ajustado aos critérios CONSECANA + Custos CCT suportados pelo Condomínio apurados pelo relatório da Price Waterhouse Cooper (PWC); c) Tabela resultante da aplicação dos valores apurados nos itens "a" e "b". Fl. 3327DF CARF MF 20 Após análise dos referidos critérios exsurge dúvidas que, ao fim demonstrará, de forma cabal e definitiva, a farsa construída pela Recorrente, a saber. a) Porque a Recorrente, na peça recursal, utilizouse dos valores médios apurados com base em estudos científicosacadêmicos elaborados pela ESALQ/USP para demonstrar o valor médio da tonelada da cana adquirida dos demais fornecedores/independentes (cana em pé campo), ao invés de se utilizar dos efetivos custos CCT (corte, carregamento e transporte) incorridos e suportados por ela durante as safras 2009/2010 e 2010/2011 ? b) Porque a Recorrente, na demonstração do valor médio da tonelada da cana adquirida dos fornecedores em geral apresentada no curso da diligência, ao invés de se utilizar dos efetivos custos CCT (corte, carregamento e transporte) incorridos e suportados por ela durante as safras 2009/2010 e 2010/2011 na aquisição da "cana no campo" adquirida de demais fornecedores independentes, insiste em não utilizar seus custos CCT e utilizouse, desta vez, os valores dos custos CCT (corte, carregamento e transporte) que teriam sido suportados pelo Condomínio durante as safras 2009/2010 e 2010/2011? c) Porque a Recorrente, alternativamente, não apurou a diferença entre preço total aplicado ao valor da cana de açúcar adquirida, na condição "cana na esteira", do Condomínio Rural e dos demais fornecedores nas safras 2009/2010 e 2010/2011? Ora, qualquer critério ou metodologia que tivesse verdadeiramente objetivo de demonstrar diferença prática do preço total aplicado ao valor da cana de açúcar adquirida do Condomínio Rural e dos demais fornecedores nas safras 2009/2010 tinha, obrigatoriamente, de comparar preço de aquisição de cana na esteira versus cana na esteira ou de levar em conta os valores dos custos CCT suportados e incorridos pela Recorrente e adicionálos ao preço/custo de aquisição de cana em pé no campo adquirida dos demais fornecedores independentes, o que não ocorreu. Ardilosamente, na peça recursal, a Recorrente adicionou, ao preço/custo médio da cana adquirida na condição "em pé no campo" dos demais fornecedores independentes, os valores dos custos CCT médios apurados com base em estudos científicosacadêmicos elaborados pela ESALQ/USP e, após intimada no curso da diligência, apresentou documento em que adiciona, ao preço/custo médio da cana adquirida na condição "em pé no campo" dos demais fornecedores independentes, os valores dos custos CCT que teriam sido suportados pelo Condomínio. Conforme já mencionado anteriormente, após examinar os arquivos e registros contábeis digitais da Recorrente relativos aos anos 2009 a 2011 que refletem e registram as operações/lançamentos contábeis decorrentes das safras 2009/2010 e 2010/2011, constatouse inexistência de quaisquer elementos (contas sintéticas e analíticas, livros auxiliares, históricos de lançamento e/ou centro de custos) que indique e comprove que a Recorrente tenha suportado e incorrido nos Fl. 3328DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.308 21 denominados custos CCT (corte, carregamento e transporte) decorrentes da cana adquirida dos demais fornecedores independentes na condição "em pé no campo". Daí se explica o fato de a Recorrente não ter se utilizado dos efetivos valores dos custos CCT (corte, carregamento e transporte) incorridos e suportados por ela durante as safras 2009/2010 e 2010/2011 para demonstrar a tal simetria material entre o custo/preço efetivo da cana adquirida dos fornecedores em geral para ilegitimamente sustentar que o pagamento dos adicionais ao Condomínio não teria representado qualquer custo adicional/superior/diferenciado à Recorrente em face dos demais fornecedores. Objetivando atender ao quesito formulado pelo CARF e considerando que a cana adquirida do Condomínio é na condição "cana na esteira", a autoridade lançadora entende que, para encontrar a diferença prática do preço total aplicado ao valor da cana de açúcar contratada pelo Condomínio Rural e demais fornecedores, poderia se utilizar apenas de dois critérios: a) Adicionar custos CCT suportados pela Recorrente (e não do Condomínio) ao preço de aquisição da "cana no campo" adquirida dos demais fornecedores; b) Comparação entre os preços da "cana na esteira" adquirida do Condomínio e dos demais fornecedores. Mas por que? Por que, assim, estarseia comparando o preço/custo de aquisição da cana adquirida dos fornecedores em geral através da mesma e/ou idêntica estrutura e elementos formadores dos custos suportados pela Recorrente e pelo Condomínio, ou seja: a) Custos da "cana no campo" adquirida dos demais fornecedores somados aos custos CCT suportados pela Recorrente equivalerseia ao preço da "cana na esteira" adquirida do Condomínio; b) Preço da "cana na esteira" adquirida do Condomínio equivalerseia ao preço de aquisição da "cana na esteira" adquirida dos demais fornecedores; Mesmo que irrelevante ao deslinde da controvérsia, poderseia verificar o impacto dos adicionais no custo da canadeaçúcar adquirida pela Recorrente e concluir se o pagamento dos adicionais ao Condomínio teria ou não representado qualquer custo adicional/superior/diferenciado à Recorrente em face de seus demais fornecedores. Com base nos critérios acima, a Recorrente foi intimada apresentar os valores dos custos CCT (corte, carregamento e transporte) suportados por ela na aquisição de cana adquirida de outros produtores/fornecedores na condição "cana em pé campo" safras 2009/2010 e 2010/2011 (vide item 6 e subitens 6.1 a 6.7 Termo de Intimação Fiscal n° 001/201800057). A Recorrente se esquivou de fornecer os dados solicitados para adoção do critério "a" acima (vide item 5b e subitens da resposta). Paralelamente, a Recorrente foi intimada apresentar informações e contratos celebrados com fornecedores independentes para aquisição de cana na condição "cana na esteira" (item 7 Termo de Intimação Fiscal n° 001/201800057). Fl. 3329DF CARF MF 22 A Recorrente restringiuse afirmar que adquiriu canadeaçúcar de outros fornecedores na condição "cananaesteira" safras 2009/2010 e 2010/2011 representou + 5% do total das aquisições das USINA, mas recusouse apresentar quaisquer documentos/contratos e informações que propiciasse a adoção do critério "b" acima (vide item 5c da resposta). Diante do exposto, a autoridade lançadora conclui que: (i) restouse comprovada, de forma objetiva, que são ilegítimos e incabível os critérios e valores dos custos CCT utilizados pela Recorrente para demonstrar a tal simetria material/substancial entre o preço/custo efetivo da cana para a Usina adquirida de seus fornecedores em geral para, ao final, afirmar desarrazoadamente, que o pagamento dos adicionais ao Condomínio não representado qualquer custo adicional/superior/diferenciado à Recorrente em face de seus demais fornecedores. (ii) tornouse impossível responder a esse quesito à medida que a Recorrente recusou apresentar os elementos solicitados pela autoridade lançada e também ao fato de os custos CCT decorrentes da cana adquirida pela Recorrente dos demais fornecedores na condição "no campo" terem sido indevidamente suportados pelo Condomínio. 2) Os custos com corte, colheita e transporte (CCT) foram efetivamente suportados pelo Condomínio mediante estrutura própria ou de terceiros? Por força contratual e livremente negociado entre as partes, a cana produzida pelo Condomínio e adquirida pela Recorrente na condição "cana na esteira" teve seus custos CCT suportados pelo Condomínio. As estruturas (máquinas, equipamentos, veículos, implementos agrícolas etc.) utilizadas para executar o corte, carregamento e transporte (custos CCT) são de terceiros (contrato de locação celebrado com a Recorrente) e dos próprios condôminos. Importante frisar que tais estruturas (terceiros e própria) são utilizadas para executar corte, carregamento e transporte (CCT) da canadeaçúcar: a) Produzida pelo Condomínio (cana na esteira) e vendida à Recorrente e a outros compradores; b) Produzida pelos demais fornecedores e adquirida pela Recorrente na condição "cana no campo", cujos custos CCT são indevidamente suportados pelo Condomínio; c) Produzida individualmente pelos integrantes do Condomínio (cana na esteira) e vendida à Recorrente ou a outros compradores; Como se pode ver, uma verdadeira confusão entre os custos CCT de responsabilidade da Recorrente e o Condomínio. Arrematando os fatos acima descritos, é importante pontuar mais uma vez que as glosas dos custos decorrentes dos adicionais tiveram como fundamentos a ocorrência da simulação de um aditivo ao contrato de fornecimento de cana celebrado em 03/01/2005 entre a Recorrente e o Condomínio por intermédio de correspondência emitida pelo Condomínio em 15/05/2007 para dissimular o pagamento dos adicionais de preço sobre meta de produção e sobre fretes aos integrantes do Condomínio, que são administradores e sócios da Recorrente. Ou seja, a glosa dos custos, em absoluto, não se restringiu única e exclusivamente ao fato de que os pagamentos dos adicionais sobre preço e frete terem sido pagos somente ao Condomínio Rural. Fl. 3330DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.309 23 Pelo contrário, o ponto central é o fato de a Recorrente, em conluio com os integrantes do Condomínio, que são também seus administradores e sócios, utilizaremse de fatos absolutamente conhecidos das partes e expressamente previstos no contrato celebrado em 03/01/2005 para "estruturar" correspondência emitida em 15/05/2007 e utilizála para simular um aditivo contratual para instituir as metas bonificadoras e os adicionais. O que reforça ainda mais o caráter simulatório do "aditivo contratual" é o fato de as metas bonificadoras e os adicionais terem sido instituídos e aplicados às safras 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011 com parametrização na canadeaçúcar entregue pelo Condomínio na safra 2007/2008, que foi de 3.506.533 toneladas e sequer atingiu a quantidade prevista no contrato de fornecimento que era de 3.800.000 toneladas. Ora, se a cana já comprometida contratualmente pelo Condomínio para as safras 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011 era de 5.200.000 toneladas por safra, é razoável e lógico que, qualquer meta bonificadora ou adicional de preço ou de frete a ser instituído pela Recorrente como forma de incentivos financeiros diretos e/ou indiretos aos seus produtores/fornecedores, no caso, ao Condomínio, deveria basear se e incidir sobre o adicional/tonelada de cana que ultrapassasse as 5.200.000 toneladas já contratadas, e não foi o que ocorreu. Os adicionais pagos ao Condomínio incidiram sobre um adicional de canade açúcar superior a 900 mil toneladas entregue durante as safras 2008/2009 e 2009/2010 em relação à cana entregue na safra 2007/2008, que foi de 3.506.533 toneladas, e não em relação às toneladas acordadas em contrato para as safras 2008/2009 a 2010/2011 que era de 5.200.000 toneladas. Por fim, quanto ao pedido da Recorrente de transformar os pagamentos "sem causa" dos adicionais em distribuição de lucros, usufruindo da isenção do IR na fonte, é evidente que não deve prosperar (tópico 48 do Recurso Voluntário). Primeiro, por que estamos diante de fatos e elementos claramente delineados como sonegação fiscal agravada por utilizarse de documentos simulados para dissimular pagamentos a administradores e sócios, o que caracteriza por demais crime contra a ordem tributária. Segundo, o inciso 1° do art. 674 do RIR/1999 com redação dada pelo art. 61, § 1°, da Lei n° 8.981, de 1995, define claramente como hipótese de incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado ou recursos entregues pela pessoa jurídica a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. E de fato não houve operação ou causa legítima e legal que pudesse justificar o pagamento dos adicionais. Nesse sentido, os benefícios da legislação tributária não podem alcançar e nem proteger operações e causas não legítimas e/ou forjadas com a utilização de documentos simulados. E, mais, é absolutamente descabido querer transformar os pagamentos sem causa legítima em distribuição de lucros, de forma extemporânea e sem qualquer procedimento contábil e fiscal espontâneo aplicado a distribuição de lucros propriamente dita. Fl. 3331DF CARF MF 24 No presente despacho, a autoridade lançadora objetivou dar luz às fartas e robustas provas, fatos e argumentos coletados e apresentados no curso da auditoria fiscal, e, por outro lado, descontruir integralmente, uma a uma, as alegações e argumentos ilegítimos trazidos aos autos pela Recorrente por não refletirem a verdade material dos fatos. Por todo o exposto, podemos afirmar que são abundantes os elementos, fatos e argumentos para que os conselheiros julguem improcedente o recurso apresentado pela Recorrente. *** Notase que há por parte da autoridade fiscalizadora grande desconforto pela forma com que os adicionais aqui discutidos foram pactuados, pois se em um primeiro momento houve um contrato em janeiro de 2005 (fl. 171) entre as partes com determinadas regras de remuneração, tais dispositivos foram substancialmente alterados quando do adendo datado de maio de 2007 (fl. 606). Os incentivos concedidos pela Usina Colorado foram interpretados como simulação pela autoridade lançadora ensejando os lançamento ora debatidos sob a forma de glosa de despesas e pagamento sem causa. Alega a autoridade lançadora, no relatório final da diligencia, o ponto central é o fato de a Recorrente, em conluio com os integrantes do Condomínio, que são também seus administradores e sócios, utilizaremse de fatos absolutamente conhecidos das partes e expressamente previstos no contrato celebrado em 03/01/2005 para “estruturar” a correspondência emitida em 15/05/2007 e simular um aditivo contratual para instituir as metas os adicionais pagos exclusivamente ao Condomínio. Não interpreto a assinatura do adendo contratual como forma de simulação, mas sim como uma espécie de repactuação de clausulas frente a circunstancias que a Usina Colorado iria enfrentar nos anos a seguir. Entendo que tanto em relação ao contrato de fornecimento celebrado em 03/01/2005 quanto a correspondência emitida em 15/05/2007, temos acordos de vontade formalizados entre as partes privadas, por instrumento particular, dispondo sobre seus próprios interesses patrimoniais privados e disponíveis, em matéria que não configura serviço público, não está sujeita a autorização ou concessão estatal e nem tem suas condições e/ou valores negociais sujeitos a qualquer forma de regulação, fixação ou tabelamento estatal sobre a correspondente atividade econômica”. Entendo que deve ser privilegiado aqui o princípio da liberdade de auto organização e da liberdade da iniciativa privada em dispor sobre seus próprios interesses patrimoniais privados. No entanto, apesar de entender que os preços da cana de açúcar poderiam ser livremente pactuado pelas partes, chama a atenção alguns pontos levantados no relatório fiscal e que levantam duvidas quanto a legitimidade do pagamento dos adicionais. Partes relacionadas e não terceiros Primeiramente, as metas bonificadoras foram propostas pelo condomínio (fornecedor de matériaprima) e não pela fiscalizada, o que não me parece uma relação usual no mercado. Fl. 3332DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.310 25 Ademais, as causas econômiconegocial utilizadas pelo Condomínio na correspondência emitida em 05/2007 e também alegadas pela Recorrente, na peça recursal, para instituir as metas bonificadoras e os adicionais, já eram conhecidas e previstas contratualmente já em janeiro/2005. Ou seja, não há como ocultar ou disfarçar o compromisso assumido contratualmente pelo Condomínio em 2005 no sentido de aumentar sua produção de canade açúcar a partir da safra 2008/2009 para suprir a ampliação da capacidade de moagem da Recorrente a partir da safra 2008/2009, bem como, a importância da logística e distância entre as lavouras até a indústria, até porque a condição “Cana na Esteira” está claramente consignada no contrato, o que significa, no caso, que os denominados custos “CCT” (corte, carregamento e transporte) são de responsabilidade do Condomínio (cláusula 6ª). Para elucidar ainda mais que o preço de aquisição da canadeaçúcar pactuado no contrato já incluía todos os custos de produção, inclusive, os denominados “custos CCT” (colheita, carregamento e transporte) assumidos pelo Condomínio, previuse, no parágrafo terceiro do art. 3º, que os adiantamentos deveriam ser efetuados ao condomínio tendo em vista as necessidades em executar o plantio, tratos culturais e do corte, carregamento e transporte, bem como a ampliação da lavoura canavieira e da sua motomecanização agrícola. Outro fato que nos leva a questionar a legitimidade dos pagamentos foi que decidiram que o Condomínio teria direito aos adicionais se houvesse fornecimento adicional de canadeaçúcar superior a 900 mil toneladas durante as safras 2008/2009 a 2010/2011 em relação à cana entregue na safra 2007/2008, que foi de 3.506.533 toneladas, e não em relação às toneladas acordadas em contrato para as safras 2008/2009 a 2010/2011 que era de 5.200.000 toneladas. Frisese que até a canadeaçúcar comprometida pelo Condomínio para a safra 2007/2008 que era de 3.800.000 de toneladas não foi entregue em sua integralidade. Em relação às safras alcançadas pelo contrato de fornecimento de “cana na esteira" celebrado em 03/01/2005 entre a Recorrente e o Condomínio contidos no quadro acima (safras 2006/2007 a 2010/2011), o Relatório Fiscal, extraiu os seguintes elementos: a) A previsão/capacidade de processamento total de canadeaçúcar pela Recorrente era de 30.900.000 toneladas. Somente nas safras 2008/2009 a 2010/2011 a capacidade total era de 21.900.000 e efetivamente processou 19.690.239 toneladas b) A canadeaçúcar a ser entregue pelo Condomínio nas safras 2007/2008 a 2010/2011 era de 19.400.000 toneladas (contrato) e efetivamente entregou 16.853.883 toneladas; c) A relação percentual entre a capacidade de processamento da Recorrente e a canadeaçúcar projetada em contrato para ser entregue pelo Condomínio era de 75% (23.200.000/30.900.000 toneladas) d) A canadeaçúcar processada pela Recorrente nas safras 2008/2009 a 2010/2011 foi de 19.690.289 toneladas e o Condomínio efetivamente entregou 13.347.349 toneladas, o que representa 67,8% da cana total processada; e) Do total de 19.400.000 toneladas da cana projetada em contrato (safra 2007/2008 a 2010/2011), o Condomínio não entregou 2.546.116 toneladas, o que representada 13,1% a menos; Fl. 3333DF CARF MF 26 Portanto, ainda que considerássemos válidos os contratos pactuados, o Condomínio não teria direito ao recebimento dos adicionais, vez que não houve entrega de qualquer adicional de cana em relação aos valores previstos no contrato de fornecimento, conforme cabalmente demonstrado no quadro acima. Cabe repisar que o caput da cláusula 3ª e seus parágrafos do contrato de fornecimento de cana celebrado em 03/01/2005 entre a Recorrente e Condomínio, cujas cláusulas e condições foram mutuamente aceitas e outorgadas, inclusive, declaram conhecer e concordar com o cálculo em reais e equivalente ao quilo de ATR determinado pelo CONSECANA – SP, regulam de forma clara e transparente o preço da canadeaçúcar a ser entregue à Recorrente pelo condomínio nas safras 2006/2007 a 2010/2011. Nesse sentido, além de não haver espaço para pagamento de adicionais ao preço contratado, como já foi amplamente abordado, lêse no § 7o. da cláusula 3a do Contrato que “todas as despesas necessárias para o corte, carregamento e transporte da canadeaçúcar” (destaquei) correriam por conta do vendedor, no caso, o Condomínio fornecedor (fl. 1999). Alega a autoridade lançadora que não houve qualquer transparência contábil, fiscal e registral quanto à existência e pagamentos dos adicionais ao Condomínio, à medida que, nem as notas fiscais de entrada, nem as contas contábeis, nem os centros de custos e tampouco os históricos dos lançamentos contábeis trouxeram quaisquer elementos indicativos que pudessem minimamente identificálos e colocar luz sobre eles. Verificase que os registros contábeis foram realizados, mas trataram dos adicionais como se fossem parte do preço da matéria prima, não especificando que tratavamse de bonificações ou adicionais. Ademais, o resultado da diligencia não demonstrou claramente se tais adicionais representaram vantagem econômica/financeira a contribuinte ou ao Condomínio Rural, pois a Recorrente somente apresentou e auditou os custos de CCT incorridos pelo Condomínio mas não os custos de CCT incorridos pela Recorrente com os demais fornecedores cujo contrato era se fornecimento de cana de açúcar em pé no campo, apesar destes dados terem sido requeridos pela autoridade fiscalizadora. Ou seja, permanece a dúvida sobre uma real vantagem econômica na transação. Partes relacionadas, adicionais somente para o Condomínio e não a terceiros. Ademais, não há como fugir da realidade dos fatos, pois se as metas do Adendo não foram cumpridas, conforme racional demonstrado pelas autoridades fiscais, não há como justificar tais pagamentos. Por todo o exposto acima, voto no sentido de manter a glosa das despesas com os adicionais sobre preço e frete. Dedutibilidade do adicional de preço sobre frete A recorrente traz em suas alegações de defesa tópico específico sobre a legitimidade dos pagamentos a título de "adicional de preço sobre frete", menciona que são manifestamente infundadas as premissas adotadas pelo relatório fiscal em relação a este item. Fundamenta sua defesa nos três tópicos a seguir extraídos do Recurso Voluntário (efl. 2259): Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.311 27 I havia indiscutivelmente um ônus/encargo contratualmente diferenciado neste particular em desfavor do Condomínio Rural relativamente aos demais produtores/fornecedores da Usina (lembrese: para estes, sem "CCT"; para aquele, com "CCT"); II é inequívoco que o Condomínio Rural incorreu em despesas de frete ("transporte") entre suas áreas de plantação e a instalação industrial da Contribuinte/Recorrente (entrega "na esteira"); e III é indiscutível que o efetivo pagamento pelo comprador ao produtor/fornecedor de parcela específica de custo (a) não contemplada no parâmetro de precificação estabelecido no respectivo contrato originalmente firmado entre as partes e (b) inexorável ao correspondente fornecimento da matéria prima precípua/essencial (canadeaçúcar) à atividade do referido comprador, sim é "necessário à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora" e assim se caracteriza como "despesa operacional" nos termos do art. 299 do RIR/1999. Reconheço que apesar de tardia, a argumentação acima faria sentido e encontraria respaldo na legislação de imposto de renda (Ar. 299 do RIR/99) se estivesse tratando das despesas de frete. No entanto, o que se discute nos presentes autos se trata do adicional de preço de frete e não das despesas de frete em si, desta forma, sobre tais valores a glosa deve ser mantida posto que ilegítima conforme acima fundamentado. Pagamento sem causa Em coerência com o raciocínio acima mencionado, entendo que, de fato, não há causa que respalde o pagamento dos valores dos adicionais ao Condomínio Rural. Considerando que fiscalizada adotou procedimentos para que as bonificações não ficassem devidamente evidenciadas na contabilidade e nos documentos contábeis/fiscais e ainda foram tratadas como se fossem adiantamentos de safra, a fiscalização só pode concluir que a intenção da fiscalizada foi manter o pagamento das bonificações invisíveis a terceiros e dificultar a sua identificação, vez que a empresa tinha clareza de sua fragilidade e inconsistência em todos seus aspectos. Tratouse de mera liberalidade o pagamento de tais adicionais. Multas qualificadas Conforme fundamentos do relatório fiscal, constatase a inexistência de qualquer elemento que pudesse identificar a existência de tais bonificações e destacase as seguintes informações: 1) As notas fiscais emitidas nos meses de outubro/2009 e novembro/2010 para dar suporte ao pagamento das bonificações trazem no campo "informações complementares" a expressão "complemento de cana e de preço" e se utiliza do CFOP 1101 destinado às operações de compra para industrialização ou produção rural (cana para industrialização), ou seja, o "adicional de Preço sobre Meta de Produção" e "Adicional de Preço sobre Fretes" foram consideradas como aquisição de matériaprima; 2) os históricos da conta contábil 20568 Fornecedores Matéria Prima e da conta contábil 24054 Adiantamentos Fornecedores Matéria Prima (Na Safra) não identificam Fl. 3335DF CARF MF 28 o nome dos fornecedores de canadeaçúcar, dentre outros, o "Condomínio José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e outros. Restringese apenas aos históricos "Contrap. por Doc. PV ou Contrap. por Doc. PD ou Contrap. por Doc. PK", o que não identifica a existência das adicionais. 3) A conta contábil sintética n° 2800 (Bancos c/ Movimento) consolida 26 contas analíticas que se referem a contas correntes mantidas em instituições financeiras. Os lançamentos a crédito realizados nestas contas, entre janeiro a dezembro de 2010, totalizou R$ 306.539.621,02 e constam como histórico "JOSÉ OSWALDO R. DE MENDONÇA E", o que também não indica a existência dos adicionais. Como se pode ver, o contrato de venda e compra de canadeaçúcar celebrado em 01/2005 e os registros contábeis e fiscais disponibilizados ao fisco federal (Escrituração Contábil Digital ECD e Escrituração Fiscal Digital EFD e notas fisais eletrônicas), não faz traz nenhum elemento que pudesse indicar a existência das bonificações denominadas de "Adicional de Preço Metas de Produção" e Adicional de Preço sobre Frete". Neste sentido, concordo com as conclusões da autoridade fiscalizadora de origem e decisao de primeira instancia que houve a intenção da fiscalizada em ocultar a existência e, consequentemente, o pagamento dos adicionais e dificultar a sua identificação pelo fisco, vez que a empresa tinha clareza dos atos simulados e de sua fragilidade e inconsistência em todos seus aspectos. Crédito presumido de Pis/Cofins Os créditos presumidos glosados pela autoridade lançadora decorrem dos valores registrados nas notas fiscais de entrada emitidas para o pagamento de “adicionais sobre meta de produção e sobre o frete”, nos valores de R$ 26.652.320,58 e R$ 30.576.468,01, relativos aos anos calendário de 2009 e 2010, respectivamente. Como se observou, na análise da infração “adicionais sobre meta de produção e sobre o frete” ficou caracterizado que os pagamentos efetuados pelo interessado foram realizados por mera liberalidade e a glosa dos custos e despesas deles decorrentes, registrados na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, foi mantida. Nesse sentido, não havendo outras razões de defesa específicas e em se tratando de lançamento reflexo, a glosa dos créditos presumidos de Pis e Cofins deve seguir a mesma orientação decisória do IRPJ, dada a relação de causa e efeito que os vincula. Contribuição social sobre o Lucro Líquido CSLL Não havendo outras razões de defesa específicas e em se tratando de lançamento reflexo, a CSLL deve seguir a mesma orientação decisória do IRPJ, dada a relação de causa e efeito que os vincula. Compensação de prejuízo fiscal operacional e base negativa de CSLL A fiscalizada optou pela tributação com base no lucro real – anual, conforme Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) – AC 2009, 2010 e 2011, arquivadas respectivamente sob nº 0000196929, 0001068954 e 0001165611. Em razão das infrações apuradas nos anoscalendário de 2009 e 2010, a autoridade lançadora compensou, nos limites da lei, prejuízo fiscal e base de cálculo negativa Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.312 29 de CSLL de períodos anteriores até o exaurimento do saldo, situação que ocorreu em 2010 (fls. 1820). Deste modo, o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL utilizados pelo interessado, no anocalendário 2011, no valor de R$ 12.070.907,22 (fls. 1843 e 1860), tornaramse indevidos. Levandose em consideração que as infrações apuradas pela autoridade lançadora foram mantidas neste voto e não havendo outras razões de defesa específicas, deve ser mantido o lançamento de IRPJ e de CSLL, referente ao anocalendário 2011, decorrente da compensação indevida de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores. Em conformidade extratos extraídos do Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI), do Livro de Apuração do Lucro Real AC 2010 (LALUR), das Declarações de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), o prejuízo fiscal compensável e acumulado até 31/12/2008 é de R$ 32.699.916,84 e os prejuízos compensados pela fiscalizada nos anos calendários AC 2009, 2010 e 2011 foram de R$ 8.762.554,20 (LR: R$ 29.208.513,99 x 30%); de R$ 11.419.598,83 (LR: R$ 38.065.329,44 x 30%) e R$ 12.070.907,22 (LR: R$ 4 0.236.357,39 x 30%), respectivamente. A Base de Cálculo Negativa da CSLL compensável e acumulada até 31/12/2008 é de R$ 32.699.916,84 e os prejuízos compensados pela fiscalizada nos anos calendários AC 2009, 2010 e 2011 foram de R$ 8.762.554, 20 (LR: R$ 29.208.513, 99 x 30%); de R$ 11.419.598, 83 (LR: R$ 3 8.065.329, 44 x 30%) e R$ 12.070.907,22 (LR: R$ 4 0.236.357,39 x 30%), respectivamente. As infrações apuradas na presente ação fiscal provocaram alterações nos valores dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativa da CSLL acumulados e compensados e, consequentemente, tornaramse totalmente indevida a compensação dos prejuízos e base de cálculo negativa realizada pela fiscalizada no ano calendário 2011 no valor de R$ 12.070.907,22 Em razão das infrações apuradas no item anterior, os valores dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativa da CSLL compensados no ano calendário 2011, no valor de R$ 12.070.907,22, tornandose totalmente indevidas. Responsabilidade Tributária Conforme Relatório Fiscal, o SRs. MARCELO RIBEIRO DE MENDONÇA – CPF nº 074.100.76810, JOSIMARA RIBEIRO DE MENDONÇA – CPF nº 195.223.22873 e JOSÉ OSWALDO RIBEIRO DE MENDONÇA são administradores da fiscalizada; detém 33% cada um das quotas da HOLDING OSWALDO RIBEIRO DE MENDONÇA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES – CNPJ Nº 02.301.324/000195 que controla a fiscalizada e um das pessoas físicas que integram o CONDOMÍNIO JOSÉ OSWALDO RIBEIRO DE MENDONÇA E OUTROS, e seus os atos e omissões foram praticados dolosamente e conduziram a fiscalizada à prática de sonegação fiscal, vez que os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes. Fl. 3337DF CARF MF 30 Os fatos descritos no presente relatório fiscal, com destaque para os relatados nos tópicos 30.1.1 a 30.1.3, demonstram de forma inequívoca que os atos e/ou omissões praticados pelos administradores (sócios indiretos da fiscalizada e integrantes do condomínio) MARCELO RIBEIRO DE MENDONÇA – CPF nº 074.100.76810, JOSIMARA RIBEIRO DE MENDONÇA – CPF nº 195.223.22873 e JOSÉ OSWALDO RIBEIRO DE MENDONÇA – CPF nº 076.180.80860 conduziram a fiscalizada à prática de sonegação fiscal e tiveram a intenção dolosa de praticálos, pois os atos da empresa são sempre praticados através da vontade de seus dirigentes. Vejamos: 30.1. Dos elementos caracterizados da fraude, sonegação e conluio 30.1.1. Da sonegação As ações acima descritas e os procedimentos contábeis, fiscais e administrativos adotados não deixam dúvidas de que a fiscalizada teve a nítida intenção de impedir o conhecimento da autoridade fazendária dos pagamentos realizados com base na simulação do "Adicional de Preço sobre Metas de Produção" e do "Adicional de Preço sobre Fretes". Primeiro, tais bonificações não estavam previstas no contrato celebrado em 03/01/2005 que foi apresentado à fiscalização em 19/04/2013 (tópico 7); Segundo, a correspondência datada de 15/05/2007 somente foi apresentada à fiscalização em 18/06/2014 (tópico 19.1) e após a fiscalização identificar evidências de irregularidades (vide tópico 28.8; Terceiro, as contas contábeis, seus registros e históricos não evidenciavam a existência das bonificações; Quarto, as notas fiscais de entradas emitidas pela fiscalizada não fazem qualquer referência às bonificações e, mas grave, ainda não reflete a realidade dos fatos à medida que apontam tratarse de aquisição de matériaprima, o que não é verdade. 30.1.2. Da fraude A ações dolosas descritas acima teve objetivo impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar o seu pagamento. Senão vejamos: Primeiro, a fiscalizada emitiu de notas fiscais de aquisição de canadeaçúcar que não reflete a realidade dos fatos; Segundo, os pagamentos foram realizados com base na simulação do "Adicional de Preço sobre Metas de Produção" e do "Adicional de Preço sobre Fretes" à medida que estão desprovidas de qualquer embasamento legal; Terceiro, considerando que os pagamentos não tem causa justificada por constituírem mera liberalidade da fiscalizada e realizados com base em atos simulados, além de serem indedutiveis, haveria a incidência do imposto de renda retido na fonte; Quarto, as pessoas físicas, integrantes do condomínio e beneficiários das bonificações, tributam seus rendimentos como Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.313 31 atividade rural que tem sua tributação favorecida, nos termos da legislação vigente. 30.1.3. Do conluio As operações foram realizadas entre partes relacionadas e entes interdependentes entre si e sob unicidade de controle das condições pactuadas e operações realizadas. As condições acima propiciaram o ajuste doloso entre a fiscalizada e o "Condomínio Agropecuário José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e outros". Prova disso é a correspondência datada de 15/05/2007 expedida pelo condomínio com o "de acordo" da fiscalizada em que se propõe "metas bonificadoras" utilizandose de falsas premissas em evidente afronta ao contrato de compra e venda de canadeaçúcar celebrado em 03/01/2005 e que culminou com os pagamentos aos sócios e contabilização indevidas de custos através da simulação do "Adicional de Preço sobre Metas de Produção" e do "Adicional de Preço sobre Fretes". Entendo que foi correta a imputação de responsabilidade tributária solidária conforme embasamento do Relatório Fiscal acima mencionado e por serem os indicados administradores da fiscalizada e, ainda, sócios, mesmo que indiretos. Conclusão Neste sentido, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 3339DF CARF MF 32 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Redator Designado. Permissa venia, gostaria de externar as razões de minha divergência em relação ao entendimento da I. Relatora, para contribuir com a formação do entendimento deste Colegiado. Apenas para fins de contextualização fática, reproduzo abaixo o resumo dos fatos feito pela relatora: Em brevíssima síntese, após extensa fiscalização entre os anos de 2013 e 2015, a autoridade fiscal alega que constatou que notas fiscais de entrada de aquisição de canadeaçúcar foram emitidas para lastrear pagamentos realizados no decorrer dos anos 2009 e 2010 ao “Condomínio José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e outros", principal fornecedor de canadeaçúcar, formado por pessoas físicas administradores e controladores da fiscalizada, através da simulação de “Adicional de Preço – Metas de Produção” e “Adicional de Preço sobre Fretes”. A autoridade lançadora alega, ainda, que tais adicionais teriam sido instituídos através de correspondência datada de 15/05/2007 expedida pelo condomínio com o “de acordo” da fiscalizada em que se propõe “metas bonificadoras” utilizando se de falsas premissas em evidente afronta ao contrato de compra e venda de canadeaçúcar celebrado em 03/01/2005. O pagamentos dos adicionais sobre preço e frete foram pagos somente ao fornecedor Condomínio Rural, que, conforme já relatado, tratase parte relacionada a contribuinte, na medida em que seus administradores são sócios de tal Condomínio. Desta forma, outros fornecedores de matéria prima não teriam sido agraciados por tais adicionais. A exclusividade do pagamento de tais adicionais à parte relacionada seria o principal argumento justificador do caráter simulado do comportamento do contribuinte, que teria objetivado, assim, inflar custos e despesas operacionais, reduzir a base de calculo do IRPJ/CSLL, evitar a incidência de IRRF em pagamentos, reduzir o montante de Pis/Cofins a pagar e ainda beneficiar, indiretamente, seus sócios, pois tributam seus rendimentos como atividade rural que possui tributação favorecida. Argumenta, por fim que os atos e omissões foram praticados dolosamente e conduziram a fiscalizada à prática de sonegação fiscal, motivo pelo qual qualificouse a multa das infrações e apontou responsabilidade solidária por parte dos sócios Marcelo Ribeiro de Mendonça, José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e Josimara Ribeiro de Mendonça Camargo. Em redobrada síntese, a fiscalização entendeu que a Recorrente utilizouse de simulação para, através da estipulação de “Adicional de Preço – Metas de Produção” e “Adicional de Preço sobre Fretes”, aumentar artificialmente as despesas na compra de cana do Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.314 33 “Condomínio José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e outros", que é parte relacionada à Recorrente, por ter como administradores seus sócios. Com tal conduta, a Recorrente teria pretendido reduzir a base de cálculo de IRPJ/CSLL, evitar a incidência de IRRF, reduzir o montante de PIS/COFINS e beneficiar seus sócios, que tributam esses rendimentos como atividade rural, com um regime favorecido. Em 03/01/2005 a Recorrente celebrou contrato de venda e compra de canadeaçúcar com o “Condomínio Agropecuário José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e Outros”, pelo qual este se compromete a fornecer àquele toda a cana de açúcar por ele produzida, no período de 05 safras (safra 2006/2007 até safra 2010/2011), seja em áreas próprias ou em regime de parceria. O prazo de 5 (cinco) anos teve início em 01 de maio de 2006 e término em 30 de abril de 2011, com a entrega da colheita deste último ano (cláusula 2ª). Na data da assinatura do contrato (03/01/2005) a produção total estimada pelo “condomínio” era de 23.200.000 (vinte e três milhões e duzentas mil) toneladas de canadeaçúcar, assim distribuída (cláusula 1ª): Safra 2006/2007 3.800.000 toneladas Safra 2007/2008 3.800.000 toneladas Safra 2008/2009 5.200.000 toneladas Safra 2009/2010 5.200.000 toneladas Safra 2010/2011 5.200.000 toneladas Em 15/05/2007, em razão de dificuldades do mercado que atingiram todo o setor, incluindo o compromisso pactual inicialmente com a Usina Colorado (Recorrente), o Condomínio José Oswaldo apresentou a proposta de aditivo contratual, formalizando metas bonificadoras. A condição para fazer jus à meta consta em fl. 606, nesses termos: Portanto, o Condomínio teria direito aos adicionais se houvesse fornecimento adicional de canadeaçúcar superior a 900 mil toneladas durante as safras 2008/2009 a 2010/2011 em relação à cana entregue na safra 2007/2008, que foi de 3.506.533 toneladas, e não em relação às toneladas acordadas em contrato para as safras 2008/2009 a 2010/2011 que era de 5.200.000 toneladas. Houve, portanto, uma repactuação das metas de fornecimento, à luz da produção da safra de 2007/2008. Nesse ponto, não deve causar espécie esse tipo de aditivo contratual. É bem sabido que a cultura canavieira envolve um planejamento de longo prazo, com características próprias. A própria operação da implantação é extremamente longa, demandando entre oito e nove meses, em média, e envolveu uma série de fatores ambientais e climáticos, desse modo, é cediço no setor que se comercialize, no momento do plantio, as safras futuras, levandose em conta a estimativa de produção, calculada com base em metodologias próprias. Fl. 3341DF CARF MF 34 Há diversas metodologias para estimar as safras futuras que serão contratadas, desde a utilização do corpo técnico que já trabalha na unidade produtiva e possui conhecimento empírico acerca da potencialidade produtiva da região, até a utilização de tecnologias digitais, com análise de solo, levantamentos biométricos e pluviométricos etc. O fato é que, apesar da utilização de metodologias para esse cálculo, a fenologia1 da cultura canavieira é complexa e sujeita a surpresas seja para gerar uma safra extraordinária, superando as expectativas, seja para gerar uma safra inferior, requerendo um reajustamento das previsões. Nesse ponto, é preciso consignar o óbvio: o extraordinário não cabe nos contratos. Diante de circunstâncias anormais e inesperadas, que alteram as circunstâncias nas quais a avença foi firmada, o pacta sunt servanda cedo espaço para a cláusula rebus sic stantibus2 O CC/2002, inovando sobre sua redação pretérita e incorporando a contribuição da jurisprudência, incorporou a possibilidade de revisão dos contratos nos arts. 317, 478, 479 e 480, com previsão expressa da resolução dos contratos por onerosidade excessiva superveniente. Esses novos dispositivos revelam um finalidade de preservação do equilíbrio dos contratos (aquilo que Clóvis do Couto e Silva chamou de sinalagma funcional). Pois bem, se o próprio ordenamento jurídico dá razões para a justificar a revisão de contratos à luz da onerosidade excessiva, inclusive através de intervenção judicial para tanto, a fortiori ratione não há qualquer óbice pelo contrário, o CC/02 implicitamente indica nessa direção a que as partes repactuem as obrigações de trato sucessivo, visando reestabelecer o equilíbrio inicial. Foi o que aconteceu no presente caso. Diante das safras iniciais inferiores ao esperado, e com expectativa de não conseguir atender inteiramente ao contrato inicial, em razão de dificuldades do setor, as partes repactuaram as metas, e estabeleceram bonificação para o atendimento aos novos parâmetros estabelecidos. Em primeiro lugar, cabe esclarecer melhor uma informação imprecisa veiculada no relatório de diligência (fls. 3233 e ss): Portanto, ainda que não tivessem ocorrido os vícios e simulação já apontados pela auditoria fiscal, o Condomínio não teria direito ao recebimento dos adicionais, vez que não houve entrega de qualquer adicional de cana em relação aos valores previstos no contrato de fornecimento, conforme cabalmente demonstrado no quadro acima. E apresenta o seguinte quadro: 1 Fenologia é o ramo da Ecologia que estuda os fenômenos periódicos dos seres vivos e suas relações com as condições do ambiente, tais como temperatura, luz e umidade. 2 Da locução latina "Contractus qui habent tractum successivum et dependentiam de futuro, rebus sic stantibus intelliguntur", traduzido como " "Os contratos que têm trato sucessivo ou a termo ficam subordinados, a todo tempo, ao mesmo estado de subsistência das coisas". Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.315 35 Na planilha apresentada, o fiscal aponta que nos anos de 2008 a 2011 não houve o atendimento às metas estipuladas, razão pela qual não faria jus o Condomínio José Oswaldo à bonificação paga. Com a devida vênia, essa informação está equivocada, pois desconsiderou inteiramente o aditivo contratual estabelecido em 2007, que estabeleceu como meta o montante de 3.506.533 toneladas, equivalente à safra de 2007/2008. Ou seja, levandose conta o aditivo realizado, que de forma inequívoca repactuou a meta, houve, sim, atingimento das condições de pagamento das bonificações. Como se vê na planilha apresentada pelo contribuinte, os números corretos são os seguintes: Então, à luz do teor do contrato vigente, estava presentes as condições de pagamento das bonificações. Em segundo lugar, aduz a fiscalização que o contribuinte buscava, através das bonificações, "inflar custos e despesas operacionais, reduzir a base de calculo do IRPJ/CSLL, evitar a incidência de IRRF em pagamentos, reduzir o montante de Pis/Cofins a pagar e ainda beneficiar, indiretamente, seus sócios, pois tributam seus rendimentos como atividade rural que possui tributação favorecida.". Esse ponto também se afigura equivocado. É preciso observar que a adesão do produtor rural (pessoa física) ao regime diferenciado de tributação pelo IRPF da "atividade rural", que estabeleceu uma base de cálculo estimada de 20% da receita da atividade, com uma alíquota nominal de 27,5% e real de 5,5%, não é automática, mas depende de opção expressa na correspondente DIRPF, conforme art. 5º da Lei nº 8.023/1990, verbis: Art. 5º A opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Fl. 3343DF CARF MF 36 Entretanto, os integrantes do Condomínio Rural não fizeram a opção pela tributação em regime presumido e favorecido, mas sujeitaramse à tributação ordinária o que esvazia imediatamente a alegação de benefício tributário na operação. Além disso, afirmouse durante os debates que o Condomínio se beneficiaria relativamente ao seu IRPF da “atividade rural” porque terseia verificado sucessivos “prejuízos fiscais” nos anos enfocados no lançamento subjacente a este processo. A afirmativa supra, com a devida vênia, não coaduna com a dinâmica setorial da cultura canavieira, que, em razão do esforço produtivo inicial, com a implantação da lavoura – mormente quando existe expansão ou substituição significativa da área plantada, como no presente caso fica sujeita a sucessivos resultados negativos, com prejuízos, e apenas nos últimos anos terá um resultado positivo, e efetivamente o Condomínio irá ter lucro na operação, o qual será repartido entre os condôminos e tributado na proporção dos rendimentos de cada um, como determina o art. 13 da Lei nº 8.023/90. Tanto é assim que, apesar dos resultados negativos nos primeiros anos, houve resultado positivo (tanto operacional quanto fiscal) da maioria dos integrantes do Condomínio Rural apenas no anobase de 2010 (ou seja, no segundo dos anosbase objeto do lançamento fiscal subjacente a este processo), conforme consta nas respectivas declarações do IRPF apresentadas pelo Contribuinte em memorial. A título de ilustração, reproduzo os dados do Sr. José Oswaldo de Mendonça: ANO CALENDARIO ANO CALENDARIO ANO CALENDARIO 2008 2009 2010 JOSE OSWALDO R.DE MENDONÇA Receitas da atividade rural 53.318.882,60 81.204.055,67 94.169.373,89 Despesas de custeio/investimento 70.893.909,10 69.128.186,76 73.940.384,55 Resultado do Exercício (17.575.026,50) 12.075.868,91 20.228.989,34 Resultado tributável Ativ.Rural (19.127.651,19) (7.051.782,28) 13.177.207,06 Prejuízo Acumulado Ativ.Rural (19.127.651,19) (7.051.782,28) 0,00 Opção de tributação pelo resultado pelo resultado pelo resultado Imposto de renda pago 0,00 0,00 3.612.489,02 Esse dado afasta a ilação de que as bonificações teriam como fundamento apenas uma questão tributária justamente por demonstrar que não haveria qualquer benefício tributário na operação realizada! Em terceiro lugar, a fiscalização aduziu que o aditivo nada mais foi do que uma simulação se baseia nos preços praticados na aquisição da cana. Por meio da diligência solicitada anteriormente, requereuse a análise dos documentos acostados aos autos para as safras de 2009/2010 e 2010/2011, verificar eventual diferença prática entre o preço total aplicado ao valor da cana contratada pelo Condomínio José Oswaldo e pelos demais fornecedores. A lógica desse procedimento, diante do contexto da autuação, era verificar se a bonificação estabelecida no aditivo contratual tinha a finalidade de criar um excesso de custo, alocando o lucro no fornecedor e reduzindo o lucro tributável na Recorrente, o que justificaria a manutenção da autuação. Entretanto, o resultado foi o oposto (sem frisar, que a própria tese de benefício tributário no condomínio já foi afastada acima). Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.316 37 Utilizandose de um relatório específico e técnico produzido pela PWC, a fiscalização apresentou, no relatório de diligência, os critérios utilizados para a apuração dos preços: a) "Cana na Esteira" adquirida do Condomínio Preço de aquisição contratado e ajustado aos critérios CONSECANA + Valor dos adicionais pagos ao Condomínio; b) "Cana em pé no campo" adquirida dos demais fornecedores Preço médio de aquisição contratado e ajustado aos critérios CONSECANA + Custos CCT suportados pelo Condomínio apurados pelo relatório da Price Waterhouse Cooper (PWC); c)Tabela resultante da aplicação dos valores apurados nos itens "a" e "b". A "Cana em pé no campo" é a cana fornecida sem ter sido colhida, ficando os custos de CCT (corte, carregamento e transporte) por conta da Recorrente, ao passo que a "Cana na esteira" é a cana entregue pelo fornecedor diretamente no estabelecimento da Recorrente, para beneficiamento (nesses casos, o fornecedor internaliza os custos de CCT). Como se verifica, o preço final da cana contratada com o Condomínio Rural José Oswaldo é praticamente o mesmo daquele praticado com os demais fornecedores, levandose em conta a média dos preços praticados. Tratase de uma operação que observou o princípio do "arm's lenght", típico da discussão de preços de transferência envolvendo partes relacionadas. É dizer, verificase que o preço praticado com a parte relacionada se encontra no mesmo patamar que aquele praticado com partes não relacionadas, independentes, evidenciando assim que a transação se deu sob condições de mercado. Sob essas circunstâncias, não há que se falar em excesso de custo para quem compra, pois o preço se encontra, novamente, dentro das condições de mercado, e não sob condições favorecidas que pudessem caracterizar uma distribuição disfarçada de lucros para os sócios que compõem o condomínio. A bonificação contratada através de aditivo vem justamente reequilibrar o preço final da cana contratada, para que fique dentro dos parâmetros de mercado. Façamos um exercício de imaginação: caso não houvesse a bonificação, o preço da cana comprada da parte relacionada estaria entre 10 e 15% inferior ao preço de mercado sob essas condições, Fl. 3345DF CARF MF 38 certamente a fiscalização da Receita Federal indicaria haver no caso um subfaturamento na venda da cana. O pagamento da bonificação tem a função de reestabelecer o arm's lenght na operação! Portanto, levandose em conta que os dados setoriais, relativos ao Estado de São Paulo, e o parecer conclusivo da PWC, temse que que as despesas glosadas pela fiscalização deveriam ser integralmente dedutíveis na apuração do IRPJ da Recorrente, pois inequivocamente equivalentes, com diferença ínfima, àquela do “preço parâmetro” (aquele praticado no mesmo período, em operações de compra e venda do mesmo produto com terceiros nãovinculados, e que representam mais de 25% das operações totais da Recorrente no período e com a cana). Não se pode presumir, como fez a fiscalização, que o preço praticado entre pessoas vinculadas não possa sofrer modificações ao longo do cumprimento do contrato, e que qualquer mudança teria como finalidade a alocação do lucro em uma delas. Pelo contrário, é preciso que ele comprove que a operação gerou um excesso de custo ou um subfaturamento, levandose em consideração o "preço parâmetro" do mercado em que se insere a operação. Portanto, parecenos que não há qualquer benefício tributário artificial ou anormal, bem como a operação foi realizada levandose em conta as condições de mercado, com adequação do preço àquele praticado entre partes independentes. Em quarto lugar, durante os debates, a relatora afirmou que o parecer da PWC não seria suficiente e conclusivo quanto ao tema analisado, afirmando que i) ele fez referência apenas ao relatório gerencial como base de seus trabalhos; e ii) que a afirmativa conclusiva contida em seu item 61, afirmando haver sido “possível constatar a existência de parte substancial dos gastos apresentados pela Administração como atrelados ao CCT tendo sido arcados pelo Condomínio José Oswaldo Ribeiro de Mendonça e Outros”, o que indicaria que não houve uma análise completa e suficientemente conclusiva da matéria da Diligência. Tratase de uma ilação equivocada afirmar que o parecer foi feito exclusivamente a partir do relatório gerencial fornecido pelo Condomínio Rural. Compulsando o capítulo referente à metodologia, consta no item 31 expressamente, que serão analisados documentos fiscais, registro de pagamentos, obrigações acessórias e outros documentos, para comprovação dos gastos assumidos pelo condomínio. É dizer, para cada um dos grupos de gastos (Grupo 1 salário e ordenados; Grupo 2 Despesas de aluguéis e serviços de terceiros; Grupo 3 combustíveis, lubrificantes etc.), a auditoria partiu dos dados gerenciais, eles deveriam ser necessariamente validados por documentos fiscais e registros de pagamento, bem como declaração do valor em obrigações acessórias, para que seja considerado nas conclusões! Na fl. 24642466 a metodologia de apuração é devidamente esclarecida, com destaque para a parte mencionada acima. Ademais, a relatora mencionou o item 61 das conclusões (fl. 2470). Com a devida vênia, parecenos que a análise foi extremamente minuciosa e ampla. Basta verificar que os custos considerados nos grupos 1, 2 e 3 são os custos que estão diretamente relacionados ao CCT, como explanado no início do parecer, e que a diferença entre os valores constantes do relatório gerencial e o testado é mínima. Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 13855.722641/201413 Acórdão n.º 1301003.716 S1C3T1 Fl. 3.317 39 Desconsiderando a parcela que não foi testada (aproximadamente R$ 30 milhões), a diferença entre os valores informados e os testados é da ordem de 5%, demonstrando que, de fato, os gastos de CCT estão substancialmente alocados no Condomínio Rural, restando correta a composição de preços apresentada na tabela acima. Portanto, podemos concluir que não houve diferença prática do preço total aplicado ao valor da cana de açúcar contratada junto ao Condomínio Rural em face dos demais fornecedores da Recorrente, esvaziando o fundamento subjacente ao lançamento fiscal. Além disso, restou claro, através do parecer da PWC, que os custos de CCT foram suportados pelo Condomínio, mediante utilização de estrutura própria. Devem ser revertidas as glosas das despesas de aquisições junto ao Condomínio José Oswaldo, afastandose assim também a cobrança do IRRF por pagamento sem causa, e demais pontos da autuação. Ante o exposto, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 3347DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905146/2010-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO.
Conforme decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, de caráter vinculante para o CARF, na aplicação da legislação de PIS/Cofins o conceito de insumo deve ser aferido à luz do critério da: i) essencialidade, por se constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo, cuja subtração importa na impossibilidade de produção do bem ou, ao menos, em substancial perda da sua qualidade; e ii) relevância, por sua importância na cadeia produtiva ou por imposição legal.
INSUMO. RASTREAMENTO DE VEÍCULOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento com as despesas relativas ao rastreamento de veículos por empresa que tenha por atividade a prestação do serviço de transporte de cargas.
INSUMO. AGENCIAMENTO DE CARGAS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO.
As despesas com o agenciamento de cargas não são passíveis de serem creditadas por não se enquadrarem nem no conceito de insumo.
INSUMO. PAGAMENTO DE PEDÁGIO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO.
As despesas com o pagamento de pedágio não são passíveis de serem creditadas. Ainda que o pedágio seja dispêndio necessário à prestação do serviço de transporte, não se enquadra nem como bem adquirido nem como serviço contratado, pois é mero pagamento de preço público. Para a caracterização como insumo, os diversos requisitos legais devem atendidos simultaneamente, não basta ser essencial ou relevante.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. CONDIÇÕES.
O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras.
RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia ressarcimento, restituição ou compensação.
Numero da decisão: 3002-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas a rastreamento de veículos, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. Os conselheiros Maria Eduarda Câmara Simões e Alan Tavora Nem deram provimento parcial em maior extensão, para reverter também as glosas relativas ao agenciamento de carga.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO. Conforme decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, de caráter vinculante para o CARF, na aplicação da legislação de PIS/Cofins o conceito de insumo deve ser aferido à luz do critério da: i) essencialidade, por se constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo, cuja subtração importa na impossibilidade de produção do bem ou, ao menos, em substancial perda da sua qualidade; e ii) relevância, por sua importância na cadeia produtiva ou por imposição legal. INSUMO. RASTREAMENTO DE VEÍCULOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento com as despesas relativas ao rastreamento de veículos por empresa que tenha por atividade a prestação do serviço de transporte de cargas. INSUMO. AGENCIAMENTO DE CARGAS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas com o agenciamento de cargas não são passíveis de serem creditadas por não se enquadrarem nem no conceito de insumo. INSUMO. PAGAMENTO DE PEDÁGIO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas com o pagamento de pedágio não são passíveis de serem creditadas. Ainda que o pedágio seja dispêndio necessário à prestação do serviço de transporte, não se enquadra nem como bem adquirido nem como serviço contratado, pois é mero pagamento de preço público. Para a caracterização como insumo, os diversos requisitos legais devem atendidos simultaneamente, não basta ser essencial ou relevante. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. CONDIÇÕES. O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia ressarcimento, restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas a rastreamento de veículos, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. Os conselheiros Maria Eduarda Câmara Simões e Alan Tavora Nem deram provimento parcial em maior extensão, para reverter também as glosas relativas ao agenciamento de carga. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (presidente).
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RESSARCIMENTO. Recorrente TRANSPORTES GRAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO. Conforme decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, de caráter vinculante para o CARF, na aplicação da legislação de PIS/Cofins o conceito de insumo deve ser aferido à luz do critério da: i) essencialidade, por se constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo, cuja subtração importa na impossibilidade de produção do bem ou, ao menos, em substancial perda da sua qualidade; e ii) relevância, por sua importância na cadeia produtiva ou por imposição legal. INSUMO. RASTREAMENTO DE VEÍCULOS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento com as despesas relativas ao rastreamento de veículos por empresa que tenha por atividade a prestação do serviço de transporte de cargas. INSUMO. AGENCIAMENTO DE CARGAS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas com o agenciamento de cargas não são passíveis de serem creditadas por não se enquadrarem nem no conceito de insumo. INSUMO. PAGAMENTO DE PEDÁGIO. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas com o pagamento de pedágio não são passíveis de serem creditadas. Ainda que o pedágio seja dispêndio necessário à prestação do serviço de transporte, não se enquadra nem como bem adquirido nem como serviço contratado, pois é mero pagamento de preço público. Para a caracterização como insumo, os diversos requisitos legais devem atendidos simultaneamente, não basta ser essencial ou relevante. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. APROVEITAMENTO. CONDIÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 51 46 /2 01 0- 55 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 114 2 O aproveitamento de créditos extemporâneo de PIS não cumulativo está condicionado a apresentação dos Dacon retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais, bem como das respectivas DCTF retificadoras. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia ressarcimento, restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas a rastreamento de veículos, vencido o conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que lhe negou provimento. Os conselheiros Maria Eduarda Câmara Simões e Alan Tavora Nem deram provimento parcial em maior extensão, para reverter também as glosas relativas ao agenciamento de carga. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (presidente). Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de PIS/Pasep NãoCumulativo – Mercado Interno no valor de R$ 64.499,09, relativo ao 1º trimestre/2006, cumulado com duas declarações de compensação que totalizam o mesmo valor (fls. 2 a 7). Por meio do Despacho Decisório às fls. 8 a 26, a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba decidiu pelo deferimento parcial, reconhecendo direito creditório no valor de R$ 48.581,77 e homologando parcialmente as compensações, em decorrência da glosa aos gastos relacionados com: 1) bens utilizados como insumos, tais como párachoques, vidros, lanternas, equipamentos de rastreamento, portas, material de pintura, placas, farol auxiliar, cama, cozinha, tacógrafos e outros (linha 2 do Dacon; 2) serviços utilizados como insumos, tais como serviços gerais, solda, regulagens, socorro, lavagem de caminhão, agenciamento de cargas, valepedágio e outros (linha 3); 3) despesas de contraprestação de arrendamento mercantil (linha 8); e 4) encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado (linha 10). Além disso, foi apontada a ocorrência de inconsistências nas datas de aquisições de bens e serviços utilizados como insumo. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 39 a 53), a empresa argumentou, em relação aos bens e serviços, que são necessários para a atividade de transporte e para a manutenção da frota de veículos, que deve estar em perfeita condição para prestar o serviço. Em relação às despesas com rastreamento, apontou a alto índice de roubo de cargas, o Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 115 3 que faz com que tal serviço seja requerido por quase todas as empresas que a contratam. Trouxe Resolução Contran nº 245/2007, que trata da obrigatoriedade de que os veículos novos sejam comercializados com dispositivo antifurto. Argumentou ainda que, quanto ao vale pedágio, o gasto referiase de fato ao dinheiro utilizado para pagamento do pedágio, e que o agenciamento de carga era essencial para vender seus serviços. Em relação ao arrendamento mercantil resumiuse a dizer que os documentos dos autos eram suficientes. E quanto às despesas de depreciação, argumentou sobre a inconstitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865/2004. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza deu provimento parcial para reconhecer o direito ao creditamento de partes e peças de reposição e serviços de manutenção dos veículos, por meio do Acórdão nº 0835.104 (fls. 58 a 70), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE É competência atribuída ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, em caráter privativo, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. ATIVIDADE VINCULADA Positivada a norma tributária, é dever da autoridade fiscal aplicála, pois o lançamento é uma atividade vinculada, conforme disposição contida no CTN. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITOS. A extensão dos efeitos da jurisprudência judicial no âmbito da Secretaria da Receita Federal possui como pressuposto sua previsão do Decreto nº 70.235/1972, que elenca as hipóteses de afastamento das normas legais vigentes. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. RASTREAMENTO DE VEÍCULOS E CARGAS. SEGUROS. AGENCIAMENTO DE FROTA. PEDÁGIOS. Não geram crédito para efeito do regime nãocumulativo da Cofins/PIS, os gastos relativos a rastreamento de veículos e cargas, seguros de qualquer espécie, agenciamento de frota e gastos com pedágio, uma vez que estes itens não configuram serviços aplicados ou consumidos na prestação de serviço de transporte rodoviário de carga, e o gasto com pedágio pelo uso da via é legalmente atribuído ao contratante do transporte. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 116 4 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. INSUMOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. PEÇAS E PARTES DE REPOSIÇÃO. Os serviços de manutenção, bem assim as partes e peças de reposição, empregados em veículos utilizados na prestação de serviços de transporte, desde que as partes e peças não estejam obrigadas a integrar o ativo imobilizado da empresa, por resultar num aumento superior a um ano na vida útil dos veículos, são considerados insumos aplicados na prestação de serviços de transporte, para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO.ARRENDAMENTO MERCANTIL. GLOSAS. O contrato de arrendamento mercantil apresentado sem a devida comprovação de sua natureza, através de documentos hábeis e idôneos, enseja a manutenção das despesas glosadas. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS. AQUISIÇÃO NO MÊS. A apuração mensal do crédito de PIS decorrente de despesas com bens e serviços, especificados em lei, incide sobre o valor das aquisições destes itens efetuadas no curso do mês. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 14.04.2016, conforme Termo de Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo à fl. 76, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 16.05.2016, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 78. Em seu Recurso Voluntário (fls. 80 a 89), a recorrente apresenta as seguintes alegações: agenciamento de cargas: afirma que o agenciamento não é escolha, mas necessidade, pois os contratantes passaram a utilizálos, como forma de se dedicar mais à sua própria atividade, deixando de ser opcional para uma transportadora ter essa despesa; rastreamento da frota: afirma que a ausência de rastreamento impossibilita o serviço de transporte, pois empresas que não oferecem essa medida de segurança não são mais contratadas; valepedágio: na prática a recorrente não se beneficia do disposto na Lei nº 10.209/2001, arcando com o valor do pedágio, sendo razoável que possa se creditar dessa despesa; arrendamento mercantil: a análise deve restringirse ao contrato de leasing solicitado pela DRF/Joaçaba, tendo sido utilizados elementos desnecessários para embasar a decisão (notas fiscais); Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 117 5 momento da escrituração das contas contábeis: se o crédito não aproveitado em determinado mês pode sêlo posteriormente, é restritivo ao extremo impedir que seja escriturado fora do mês em que foi adquirido, por contrariar o espírito da lei; e encargos de depreciação: explica que se está a discutir o direito sobre aquisições realizadas em 02.08.2004, ou seja, após 01.05.2004, não cabendo, portanto, a fundamentação utilizada pela fiscalização relativamente ao art. 31 da Lei nº 10.865/2004. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à definição das despesas que podem ser consideradas insumo, para fins de creditamento na apuração do PIS/Pasep no regime nãocumulativo. A partir da decisão prolatada pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, fica este Conselho vinculado à aplicação do conceito de insumo ali definido, uma vez tratarse de decisão definitiva em julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos. Assim, no tratamento da matéria deve ser adotado o seguinte entendimento, na forma como expresso na ementa: b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifado) Entretanto, para viabilizar a aplicação desse conceito, que carece de alguma objetividade, fazse necessário trazer as razões de decidir, extraídas do voto da Ministra Regina Helena Costa e adotadas pelo Ministro Relator como suas: Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 118 6 na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. ........................................................................................................ Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa.(grifado) Ainda nesta busca de um contorno mais preciso dos parâmetros a serem adotados na análise da matéria, trago a idéia da subtração, na forma como posta no julgamento do REsp nº 1.246.317/MG pelo Ministro Mauro Campbell Marques, como método para se testar o critério da essencialidade no caso concreto, já que no trecho acima é abordada de passagem. A ver: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (grifado) Um outro aspecto que deve ser apontado neste preâmbulo diz respeito aos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, que já tiveram o provimento negado pelo Tribunal Superior, por não ter sido a questão suscitada anteriormente. Tais embargos visavam ao esclarecimento sobre a possibilidade de se tratar como insumos as despesas cujo creditamento é expressamente vedado pela legislação. Diante da não manifestação do STJ sobre esse aspecto, devo externar a minha interpretação. Cabe ressaltar, inicialmente, que toda a discussão sobre o conceito de insumo restringese à hipótese prevista no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Como decorrência, nos casos em que o creditamento foi tratado de forma apartada, em inciso específico, como energia elétrica ou transporte, por exemplo, não cabe discutilos como se insumos fossem nem, menos ainda, trazer os aspectos de essencialidade e relevância para fins de sua definição. Da mesma forma, naqueles casos em que é expressamente vedado em lei o desconto de créditos, não cabe a tentativa de introduzilo por meio de argumentos que demonstrem sua essencialidade ou relevância, como se insumos fossem. Essencialidade e relevância são critérios para insumo, apenas. Dessa forma, podemos resumir que o conceito de insumo a ser adotado neste voto será aferido a partir dos critérios de i) essencialidade, assim considerada pela sua Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 119 7 imprescindibilidade, por constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo e cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção do bem ou, ao menos, em substancial perda de qualidade do produto ou serviço; e ii) relevância, assim considerada por sua importância ou, mesmo quando não seja essencial, por integrar o processo de produção pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. Para além desses dois critérios, temos as hipóteses expressas de permissão ou de vedação ao creditamento, situações em que determinada despesa não pode ser tratada como insumo, ainda que eventualmente se enquadrasse no conceito. Nesses casos, o legislador destacou um tratamento específico, seja porque não se trata de insumo, mas é possível o creditamento sob determinadas condições (a ver, por exemplo, os demais incisos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002), seja porque é vedado o creditamento, ainda que a despesa se enquadre no conceito de insumo (por exemplo, as hipóteses dos §§ 2º e 3º do art. 3º). Por fim, a aferição do atendimento às condições para ser considerado insumo deve ser feita casuisticamente, a partir da análise do processo produtivo ou da atividade desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que, em respeito ao texto legal, entendo que somente pode ser considerado insumo o que foi utilizado para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços, sendo inapropriado enquadrar neste inciso II os itens utilizados após concluído o processo produtivo, ou após concluída a prestação do serviço. Esclarecidas as premissas adotadas, partese para a análise do caso concreto, tendo em vista que a recorrente presta o serviço de transporte rodoviário de cargas. 1. Bens e serviços utilizados como insumo Após o julgamento em primeira instância, que reverteu as glosas relativas às despesas com manutenção dos veículos, restou a discussão sobre o creditamento das despesas com agenciamento de cargas, rastreamento de veículos e valepedágio. 1.1 Agenciamento de cargas A posição da Receita Federal de restrição ao creditamento dessa despesa decorre do fato de considerarem que não se caracteriza como custo diretamente relacionado com o objeto social do contribuinte e não é imprescindível para a prestação do serviço de transporte rodoviário de carga, assemelhandose à atividade desenvolvida pelo departamento de vendas de uma empresa. Por seu lado, a recorrente afirma que se trata de serviço aplicado diretamente em sua atividade e que, atualmente, tornouse essencial para a venda do serviço de transporte rodoviário de cargas, como explica em seu Recurso: Como um elo entre o contratante dos serviços de transporte e a transportadora, os agentes de cargas representam um serviço essencial, na medida em que em tempos como os nossos, em que o mercado é extremamente dinâmico, a figura dos agentes, para receber do contratante (daquele que necessita dos serviços de transporte) dados sobre as necessidades de distribuição e detalhes sobre a carga, e a partir daí trabalhar para encontrar transportadoras, otimizando as rotinas atuais de transporte ou mesmo criando rotinas novas, aumentando a eficiência e reduzindo custos, é indispensável. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 120 8 Os agentes de cargas não interessam apenas às transportadoras (recorrente), mas também, e provavelmente muito mais, aos contratantes dos serviços de transporte, na medida em que os eximem da complexidade de lidar com seus transportes – os agentes de cargas substituem os contratantes nos trâmites envolvendo o transporte, o que permite que os contratantes dediquemse mais à sua atividade e menos com a contratação de transporte para despacho de sua mercadoria. Ou seja, os agentes de carga passaram a ser requisitados pelos contratantes dos serviços de transporte, o que sujeita a transportadora (recorrente) a contratálos. O serviço deixou de ser “opcional” para ser “essencial” às transportadoras. Não há dúvida quanto à importância do agenciamento para a promoção e venda do serviço prestado pela recorrente, mas isso, por si só, não torna esta despesa insumo no sentido da legislação de PIS/Pasep. Para tanto, precisaria constituirse em elemento estrutural e inseparável do execução do serviço (essencialidade) ou integrar a prestação do serviço (relevância). Ocorre que o agenciamento de cargas não corresponde a nenhum dos critérios para ser classificado como insumo. Relacionase à venda à terceiros do serviço prestado pela recorrente e, nessa condição, ocorre previamente à execução do serviço, motivo pelo qual entendo que a glosa deve ser mantida. 1.2 Rastreamento de veículos As glosas a esses gastos foram mantidas em primeira instância por terem sido consideradas como despesas que objetivam proteger a integridade econômica do patrimônio da transportadora ou da carga a ser transportada, não sendo aplicados ou consumidos na prestação do serviço – são despesas da atividade econômica, em sentido amplo, e sua ausência não impossibilitaria a consecução do serviço. A recorrente alega que transportadoras que não possuem o rastreamento de veículo/carga não são mais contratadas. O rastreamento não apenas proporciona o aumento da proteção contra furto ou roubo (por permitir a localização do veículo/GPS, o travamento das portas, o acionamento de sirenes e o bloqueio do veículo), como também permite a comunicação com o motorista e o controle de temperatura da carga (por esse motivo especialmente demandado por fabricantes de produtos alimentícios, que transportam carga refrigerada). Traz decisão proferida por turma ordinária do Carf em 2013 para respaldar suas alegações – Acórdão nº 3301001.788. Em relação a este item entendo que o direito ao crédito deve ser reconhecido pelo critério da relevância. É certo que o serviço pode ser prestado sem o rastreamento, como bem apontou a DRJ, e não preenche o critério da essencialidade, mas, diante da prática no segmento de transportes e de uma realidade que se impõe a todos, entendo que é elemento importante para o desempenho da atividade. Apenas destaco que, da leitura do relatório da fiscalização, verifico que a glosa foi feita em relação à compra de equipamentos de rastreamento (bens), ao passo que, a partir da manifestação de inconformidade, o contribuinte passa a tratar do tópico como se fosse a contratação de serviço, o que se mantém até o recurso voluntário. Transcrevo o trecho pertinente do Despacho Decisório, in verbis: Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 121 9 (...) Os bens referidos devem perder sua qualidade em função da conduta da empresa objetivando seu fim. Com isto, não há de se indicar como insumo, elementos que de qualquer forma não tenham esta característica. Visando facilitar o entendimento. Por exemplo, a empresa comprou e utilizou em seus veículos párachoques. Em que pese eventual necessidade legal, e até por questões de segurança, não há como atribuilo caráter de insumo. Não há perda da qualidade de párachoque em função do transporte de cargas. Neste mesmo sentido: vidros, lanternas, painéis internos e equipamentos de rastreamento, portas, quebravento, material de pintura, placas, farol auxiliar, cama, cozinha, tacógrafos, horimetro e outros mais. No tocante os serviços, o entendimento não pode ser diferente. Há aquisições de serviços gerais, solda, regulagens, socorro, lavagens de caminhão entre outros. (grifado) Como a descrição das notas fiscais é pobre, não permitindo em grande parte das vezes saber a que se refere, não é possível ter certeza de que não exista também glosa à contratação de serviços de rastreamento. De qualquer forma, tendo em vista o que se explanou, entendo que deve ser revertida a glosa relativa a rastreamento de veículos, seja para a aquisição de bens, seja para a contratação de serviços. 1.3 Pagamento de pedágio O fundamento para a manutenção desta glosa encontrase no entendimento de que não configura serviço aplicado ou consumido no transporte de carga, além de este gasto estar legalmente atribuído ao contratante do transporte – vide a Lei nº 10.209/2001: Art.1º Fica instituído o ValePedágio obrigatório, para utilização efetiva em despesas de deslocamento de carga por meio de transporte rodoviário, nas rodovias brasileiras. §1º O pagamento de pedágio, por veículos de carga, passa a ser de responsabilidade do embarcador. §2º Para efeito do disposto no § 1º, considerase embarcador o proprietário originário da carga, contratante do serviço de transporte rodoviário de carga. ...................................................................................................... Art.2º O valor do ValePedágio não integra o valor do frete, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. (grifado) Entretanto, a recorrente esclarece no Recurso Voluntário que sob essa rubrica estão as despesas com o pagamento do pedágio a cada viagem, e não o valepedágio de que trata a Lei nº 10.209/2001, in verbis: O pedágio é, necessariamente, um serviço aplicado na prestação do transporte; a recorrente arca com os custos de pedágio Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 122 10 cobradas pelas estradas em que trafega para a realização do transporte de cargas, e, se não pagálo, não pode utilizar as vias pedagiadas. Sobressai evidente, nessa toada, que os dispêndios com esse fim são essenciais e indispensáveis. Ademais, a recorrente, na prática, não se beneficia da disciplina da Lei 10.209/2001 (valepedágio). É que, muito embora exista a previsão legal, e a obrigação de recolher o valor atinente ao pedágio tenha sido transferida aos embarcadores ou equiparados, é a recorrente, em razão de suas relações negociais, quem, muitas vezes, acaba recolhendo os valores. Somente razoável, nessas condições, que os custos envolvendo o pagamento de pedágio representem crédito de PIS e Cofins. (grifado) Ao final de sua defesa, cita novamente o Acórdão nº 3301001.788, no qual dáse decisão favorável a este quesito. Entendo que o ponto crucial para a resolução desta questão reside no fato de que o pedágio cobrado de cada caminhão pela efetiva utilização das rodovias tem natureza jurídica de preço público e, por essa razão, não pode ser tratado como bem adquirido ou serviço contratado, passível de ser classificado como insumo. Está a recorrente a se afastar do conceito que, como definido pelo STJ, deve ser encontrado na legislação própria das contribuições sociais. É certo que o pagamento do pedágio é custo para a recorrente, assim como é certo que a recorrente não consegue prestar o serviço de transporte sem pagar o pedágio (critério da essencialidade). Contudo, deve ser igualmente considerado que não é qualquer custo que será tratado como insumo. A recorrente pretende um tratamento similar ao do IRPJ, mas, como já dito, é na Lei nº 10.637/2002 que devemos nos apoiar e, pelo texto do inciso II do art. 3º, não resta dúvida de que o pagamento de preço público não equivale à compra de bem ou contratação de serviço a ser utilizado na prestação de serviço. Quanto ao Acórdão citado, não tem efeito vinculante para a decisão deste Colegiado. Pelo exposto, concluo que deve ser mantida a glosa às despesas com pagamento de pedágio. 1.4. Momento de escrituração das contas – crédito extemporâneo Dentro do tópico Bens e Serviços utilizados como insumo, além da glosa aos itens anteriores por não se enquadrarem no conceito de insumo, a fiscalização também realizou glosas a itens variados cuja data de aquisição foi anterior ao período de apuração, entendimento que foi mantido pela primeira instância. A DRJ ressaltou a distinção entre o momento da apuração do crédito (que é quando se define a contribuição devida e se vincula a ela os valores que podem ser utilizados como desconto) e o momento do aproveitamento do crédito, que é quando se utiliza efetivamente o crédito para quitar débitos. É disso que trata o § 4º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 quando dispõe: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 123 11 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: .................................................................................................... § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. ...................................................................................................... § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. (grifado) E conclui que não é possível acatar a argumentação da defesa para que se considere as aquisições ocorridas em meses anteriores a janeiro/2006 na apuração do crédito de PIS do 1º trimestre/2006, por falta de previsão legal. No Recurso Voluntário, os argumentos são, fundamentalmente, no sentido da falta de razoabilidade e da contrariedade ao “espírito” da lei na interpretação adotada pela Administração Tributária. A ver: Para a decisão, em outros termos, o aproveitamento do crédito pode até ocorrer em meses subsequentes, mas apenas em relação a bens e/ou serviços escriturados no mês em que adquiridos. O entendimento não é razoável. Se o § 4º, do art. 3º, das Leis 10.637/202 e 10.833/2003, disciplina que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes”, parece restritivo ao extremo impedir que sejam escriturados créditos fora do mês em que adquiridos, e daí aproveitados. Interpretação nesse sentido contraria o “espírito” da lei. Se a lei autoriza o aproveitamento não há razão para não crer que autorize também a escrituração. Afinal de contas, posicionamento em sentido contrário significaria impedir que o contribuinte aproveite créditos sobre bens e serviços sobre os quais têm direito, apenas porque não os escriturou no mês em que adquiridos, em que pese se qualifiquem como insumos, e disso não divirja a autoridade administrativa. Estamos diante de matéria controversa, para a qual há decisões que defendem a necessidade de retificação de Dacon e DCTF para fins de tornar viável o aproveitamento do Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 124 12 crédito extemporâneo, enquanto em outras prescindese dessa formalidade. De toda sorte, não creio que exista alguma decisão em que se aceite o crédito extemporâneo se o contribuinte não houver providenciado a prova da certeza e liquidez do que alega. No nosso caso, desde a Manifestação de Inconformidade as alegações do contribuinte são apenas no sentido de ser possível o aproveitamento, sem qualquer providência no sentido de retificar as declarações ou de trazer provas da não utilização dessas despesas anteriormente, de modo que, ainda que se superasse a exigência de correção das declarações, faltaria a demonstração do direito que, como é cediço, é ônus do sujeito passivo nos pedidos de restituição, ressarcimento e compensação. Transcrevo o voto do conselheiro José Fernandes por considerar que contém uma abordagem integral da matéria, trazendo, inclusive, esclarecimento sobre teses difundidas no Carf – Acórdão nº 3302005.188: A recorrente confunde regime de apuração com regime de aproveitamento de créditos. Inequivocamente, tratamse de situações distintas que submetem a tratamento diferentes na legislação. Ambos os regimes encontramse disciplinados no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, porém, enquanto o regime de apuração é determinado no § 1º o regime aproveitamento é disciplinado no § 4º e no art. 13 da Lei 10.833/2003, que seguem transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...]§ 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...]Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3o, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6o, bem como do § 2º e inciso II do § 4oe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (grifos não originais) Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 125 13 O disposto no § 1º art. 3º, expressamente, determina que a apuração dos créditos será feita mensalmente, com base (i) nos custos dos bens e serviços adquiridos no mês, (ii) nas despesas/gastos com energia, aluguéis, arrendamento mercantil e armazenagem e frete incorridos no mês, (iii) encargos de depreciação e amortização incorridos no mês e (iv) os bens devolvidos no mês. E a fixação desse procedimento de apuração mensal tem por finalidade assegurar o controle e a verificação da correta apuração do crédito, especialmente, a natureza/tipo de crédito e valor apropriado. Em suma, esse procedimento visa a confirmação/comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito, condição indispensável para o aproveitamento sob as diversas modalidades prevista na legislação (dedução, ressarcimento ou compensação). E a segregação dos créditos por períodos de apuração também se justifica pelo fato de a forma passível/admitida de aproveitamento depender da composição do crédito no respectivo período de apuração, especialmente, nos casos de aproveitamento mediante ressarcimento e compensação, para os quais existem específicas restrições legais. Em outras palavras, é indispensável, sob pena de burla indireta às vedações legais, que, para cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de ressarcimento ou compensação. Dada essa exigência legal, o ressarcimento ou compensação de eventuais saldos de créditos não aproveitados (deduzidos) no período de apuração pertinente (créditos extemporâneos), necessariamente, deve ser precedida da revisão da apuração (confronto entre créditos e débitos) dos correspondentes períodos de apuração. Sem esse prévio e indispensável procedimento, não há como saber se o saldo de crédito era ou não passível de ressarcimento ou compensação. Portanto, a segregação da apuração dos créditos por período de apuração, inequivocamente, não se trata de mera exigência formal, sem efeito prático. Ao contrário, tratase de procedimento determinado por lei, que visa o controle e a verificação do estrito cumprimento dos requisitos legais. A relevação ou a desconsideração dessa formalidade, além da impossibilidade da verificação da legitimidade do crédito por parte da autoridade fiscal, inequivocamente, poderá resultar no descumprimento das condições legais estabelecidas para o ressarcimento ou a compensação dos saldos de créditos das referidas contribuições. Além da obrigatória apuração dos créditos nos respectivos meses do período de apuração, determinado no referido preceito legal, antes da utilização do Sistema Publico de Escrituração Digital (SPED) e da entrega do arquivo digital EFD Contribuições, a apuração extemporânea de créditos deveria ser seguida da obrigatória retificação do Dacon e, se alterado o valor débito, da respectiva DCTF, conforme expressamente determinava o art. 11 da Instrução Normativa SRF 590/2005, a seguir reproduzido: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 126 14 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. [...] § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. [...] (grifos não originais) Assim, na vigência do referida legislação que disciplinava o Dacon, apurada a existência de créditos não apropriados/registrados (créditos extemporâneos), além da obrigatória apuração nos pertinentes períodos de apuração, o contribuinte deveria informar a alteração dos valores dos créditos informados nos demonstrativos anteriores mediante apresentação do Dacon retificador e, se fosse o caso, acompanhada da DCTF retificadora. A propósito, cabe registrar que, não é verdade, como afirmado em alguns julgados deste Conselho1, que a “linha 06/31” do Dacon contemplavam o registro de operações de créditos extemporâneos. A simples leitura do texto explicativo do conteúdo da referida linha revela que ela destinavase ao registro de “ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30”, em que registradas às operações normais de créditos relativas às aquisições de embalagens. E a expressão “créditos não contemplados”, obviamente, não significa créditos extemporâneos. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, seguem transcritos os textos extraídos das orientações de preenchimento do Dacon: CRÉDITOS DECORRENTES DA APURAÇÃO DE EMBALAGENS PARA REVENDA (Lei nº 10.833/2003, art. 51, § 3º) Linha 06A/30 – Créditos Apurados A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, deve informar nesta linha o valor da Contribuição para o PIS/Pasep referente às embalagens que adquirir no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição (§3º do art. 51 da Lei nº 10. 833, de 2003, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 2004). Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 127 15 Linha 06A/31 – Ajustes Positivos de Créditos Informar nesta Linha ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30. Linha 06A/32 – ()Ajustes Negativos de Créditos Informar nesta Linha ajustes negativos de crédito não contemplados na Linha 06A/30, tais como: Com base nessas considerações, resta demonstrado que, somente quando definida a natureza, certeza e liquidez do saldo de crédito apurado em determinado período mensal cabe analisar as formas de aproveitamento previstas na legislação. Nesse sentido, dispõe o § 4º do art. 3º e o art. 13 que o saldo de crédito apurado em determinado mês pode ser aproveitado mediante dedução, ressarcimento ou compensação nos períodos mensais subsequentes, sem atualização monetária e incidência de juros. E desde que o aproveitamento ocorra dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contado do dia seguinte ao mês de apuração crédito, sob pena da extinção do direito de aproveitamento pela prescrição determinada no Decreto 20.910/1932. (grifado) Em suma, nestes autos não foi providenciada a devida retificação das declarações pertinentes, nem trazida qualquer prova, devendo, por isso, ser mantida a glosa aos créditos extemporâneos. 2. Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil A glosa parcial às despesas de contraprestação de arrendamento mercantil decorreu do fato de, tendo sido intimado a apresentar os contratos de leasing, o fez de forma insuficiente, apresentando em relação ao segundo contrato documentos que não tinham relação com a planilha de cálculo, concluindo a fiscalização pela inexistência de sustentação para os valores declarados e glosando as despesas do mês de março. A defesa quanto a este quesito consistiu inicialmente, na Manifestação de Inconformidade, em afirmar que a documentação era, sim, suficiente e agora, no Recurso Voluntário, que foi intimada a apresentar apenas os contratos de leasing. Logo, a análise da fiscalização deveria limitarse aos contratos, não podendo fazer uso da informação constante nas notas fiscais. Ora, a patente falta de argumentos demonstra a ausência de razão da recorrente. O argumento de que a fiscalização não pode confrontar contratos a notas fiscais na apuração do direito creditório é um despropósito. O contribuinte alega direito creditório perante a Fazenda Nacional, entrega os documentos básicos para a aferição do que pretende e, constatada a ausência de direito, quer cercear a análise desses documentos como argumento de defesa? A DRJ procedeu a uma nova verificação dos contratos e notas fiscais, confirmando as divergências entre o valor do contrato e as notas fiscais e confirmou o entendimento da fiscalização. Em não tendo a recorrente trazido qualquer elemento que fizesse frente à conclusão alcançada nessa dupla verificação, só posso decidir pela manutenção da glosa. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 128 16 3. Encargos de depreciação do ativo imobilizado No relatório elaborado pela fiscalização, ficou consignado que, por determinação contida no art. 31 da Lei nº 10.865/2004, a despesa de depreciação somente poderia gerar créditos para PIS/Pasep quando apurada sobre bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio de 2004 (fls. 14 e 15): 2.3.3. Dos créditos relacionados a bens e direitos do ativo imobilizado (Linha 10) quanto ao estudo de sua data de aquisição, além da previsão contida no art. 3 °, inciso VII, da já citada Lei n ° 10.833/2.003, temse o seguinte. A Lei n° 10.865/2.004 (vigência 1° de agosto de 2004) determinou que a despesa de depreciação só pode gerar créditos para PIS/PASEP e COFINS quando apurada sobre bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos a partir de 1° de maio de 2004. De forma complementar, o caput do art. 31 determinou, de forma expressa, a vedação aos créditos apurados sobre os ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. Segue texto legal: .................................................................................................... Portanto, como o período de apuração é posterior à vigência da Lei, aplicase a este processo a autorização para calcular os créditos SOMENTE sobre bens e direito do ativo imobilizado adquiridos após 01/05/2.004. (grifo nosso) A contestação inicial da recorrente contém apenas alegações quanto à ilegalidade ou inconstitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865/2004, ao que a DRJ responde, acertadamente, que não compete à autoridade administrativa ou julgadora aferir constitucionalidade de lei. Diante do argumento rechaçado, a recorrente traz agora, apenas em segunda instância, a alegação de que a aquisição se deu em 02.08.2004, não sendo alcançada, portanto, pela restrição do art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Por esse motivo, somos obrigados a recuar novamente ao relatório da fiscalização, no item que trata da análise dos créditos efetivamente pleiteados na Linha 10. Sobre Bens do Ativo Imobilizado (fls. 22 e 23), de onde se extrai: Recebidos os documentos, o que se pode constatar é existência na aferição da basedecálculo de notas fiscais emitidas para empresa diversa da que está sob foco. A se observar o destinatário de tais notas, há indicação orientada a se tratar de leasing. Novamente apontamos as notas no arquivo a ser enviado anexo a este Despacho. Em que pese o valor contabilizado ser diferente daquele indicado na nota fiscal esta indica claramente que a aquisição não foi realizada pela pretendente do crédito/ressarcimento. As aquisições foram realizadas em 02/08/2.004. Mesmo que se trate de leasing financeiro e o valor contabilizado represente o chamado "valor residual", a opção pela incorporação do bem ao seu ativo somente é realizada de fato ao final do prazo Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10925.905146/201055 Acórdão n.º 3002000.625 S3C0T2 Fl. 129 17 contratual. O fato de haver a quitação antecipada, ou mesmo que parcelada, deste valor, somente indica o pré estabelecimento da indicação afirmativa quanto ao evento que deveria ocorrer no futuro. Sendo este (término do contrato) o momento de ativação do bem. (grifo nosso) Do excerto acima, vêse que a fiscalização considerou o fato de a aquisição ter se dado em 02.08.2004 e que não foi essa data o motivo para a glosa, mas diversas incertezas quanto à operação: valor discrepante entre a nota e o que foi contabilizado; aquisição não foi realizada pelo contribuinte; dúvida sobre tratarse de leasing; e, caso confirmado o leasing, a ocorrência de erro em sua contabilização. Em suma, a fiscalização reconhece que a aquisição foi realizada em período no qual era permitido o desconto de depreciação, entretanto, como há indícios de se tratar de leasing, não caberia o tratamento para o bem adquirido e incorporado ao ativo imobilizado Assim, concluo pela manutenção desta glosa porque não procede o único argumento trazido pela recorrente para derrubála. Com essas considerações, concluo por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas somente quanto a rastreamento de veículos. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.720190/2016-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente dos novos documentos juntados aos autos e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lucia Miceli e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram por não conhecer dos novos documentos juntados e, em consequência, por negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente dos novos documentos juntados aos autos e converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lucia Miceli e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram por não conhecer dos novos documentos juntados e, em consequência, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .7 20 19 0/ 20 16 -6 3 Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10935.720190/201663 Resolução nº 1302000.715 S1C3T2 Fl. 1.084 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 16073.745 da 7ª Turma da DRJ/SPO, proferido na Sessão de 22 de junho de 2016, que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário de IRRF sobre pagamentos efetuados a beneficiários não identificados, nos anos de 2011 e 2012, conforme se extrai da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011, 2012 Ementa: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, em conformidade com o art. 17 do Decreto 70.235/72. NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente sua peça impugnatória. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a terceiros que não interpuseram impugnação ou recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10935.720190/201663 Resolução nº 1302000.715 S1C3T2 Fl. 1.085 3 DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. BASE DE CÁLCULO PARA APLICAÇÃO DE MULTAS. INEXISTÊNCIA DE CORREÇÃO. Ao contrário do quanto alegado, não existiu a correção da base cálculo para aplicação da multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A fiscalização relata que identificou na contabilidade da contribuinte, nos anos de 2010 a 2012, a existência de diversos lançamentos a débito da conta 1.01.03.06.000005 OPERAÇÃO DE DESCONTOS DE TÍTULOS PALMALI MGA, tendo como contrapartida a conta 1.01.01.02.000100 BANCO COM DIARIO AUXILIAR PALMALI, e que ao final do ano de 2013, o saldo da conta 1.01.03.06.000005 foi zerado, mediante a transferência de seu saldo para a conta 2.03.03.01.000001 AJUSTE DE EXERCÍCIOS ANTERIORES, o que deixaria claro que os valores ali registrados nunca representaram nenhuma espécie de crédito ou direito para a empresa, mas serviram para registrar pagamentos cuja origem e finalidade os registros contábeis não permitem identificar. Intimado a se manifestar e esclarecer as operações ali registradas, sob pena de tais pagamentos serem tributados pelo IRRF por falta de identificação do beneficiário, na forma do art. 674 do RIR/1999, a contribuinte não respondeu a intimação. A fiscalização arrolou diversos beneficiários, pessoas físicas e jurídicas, ligadas à empresa autuada, conforme relatado no acórdão recorrido, verbis: No que se refere à atribuição de responsabilidade, a fiscalização indicou no documento denominado "Demonstrativo de Responsáveis Tributários", fls. 148/149, bem como no Termo de Verificação Fiscal (TVF), a relação de responsáveis com os respectivos enquadramentos legais e fáticos, conforme resumimos a seguir: Responsabilidade conforme prevista no art. 124, inciso II do CTN por ser participante do mesmo grupo econômico diretamente beneficiada pelos atos praticados pela fiscalizada: Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10935.720190/201663 Resolução nº 1302000.715 S1C3T2 Fl. 1.086 4 Agroindustrial Irmão Dalla Costa CNPJ 07.851.247/000160 Palmali Agroindustrial CNPJ 04.670.347/000100 Dalla Costa Transportes de Cargas Rodoviárias Ltda CNPJ 07.581.130/000104 Original Indústria Comércio Negócios e Participações Ltda CNPJ 76.752.633/000118 Loteamento Dona Clarice Ltda CNPJ 20.303.076/000101 Responsabilidade conforme prevista no art. 135 do CTN por serem sóciosadministradores/procuradores da fiscalizada e/ou das empresas do grupo econômico: Ivo Antonio Dala Costa CPF 150.604.38953 Ana Francisca Dalla Costa Mozzer CPF 591.119.92972 Ivana Dalla Costa CPF 023.421.94919 Marcelo Dalla Costa CPF 819.844.21972 Mauricio Dalla Costa CPF 016.521.73919 Thiago Dalla Costa CPF 050.774.39974 Devidamente cientificados, tanto a contribuinte como os responsáveis arrolados, apenas a empresa autuada (Palmali) apresentou impugnação tempestiva, cujos argumentos foram sintetizados no acórdão recorrido, verbis: Preliminarmente, defende que a forma como foi atribuída a responsabilidade ofende o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório garantidos no art. 5º da Constituição Federal (CF). Sustenta que deveria ter sido oferecido direito de resposta aos terceiros, conforme doutrina e jurisprudência que cita. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Sustenta que a multa aplicada tem caráter confiscatório e foi aplicada em ofensa ao art. 150, IV da Constituição Federal. Nesse sentido, o STF já teria se manifestado, conforme jurisprudência e doutrina que cita. Insiste que o auto de infração atualizou o valor das operações que serviram de base de cálculo para a multa, o que não teria amparo legal ou constitucional. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Sustenta que a multa de ofício aplicada tem caráter confiscatório e foi aplicada em ofensa ao art. 150, IV da Constituição Federal. Nesse sentido, o STF já teria se manifestado, conforme jurisprudência e doutrina que cita. Intimada, em 18/07/2016 (AR, fls. 259), do acórdão de primeiro grau, a recorrente apresentou seu recurso voluntário em 12/08/2016 (fls. 262/274), no qual, em síntese: a) o equívoco da decisão recorrida ao não reconhecer a nulidade da autuação por cerceamento ao direito de defesa durante a fase procedimental; b) a nulidade da decisão recorrida por não conhecer dos argumentos relacionados à imputação dos responsáveis solidários arrolados; c) a invalidade da autuação porque o crédito tributário foi calculado sem qualquer critério estabelecido em lei e sem considerar as operações eventualmente canceladas ou não concluídas; d) a inaplicabilidade da taxa Selic como juros moratórios; e) a necessidade de exclusão ou redução da multa de ofício por ofensa ao princípio da capacidade contributiva e dado o seu caráter confiscatório. Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10935.720190/201663 Resolução nº 1302000.715 S1C3T2 Fl. 1.087 5 Ao final requer o cancelamento da autuação. Em 21/01/2019 a interessada protocolizou petição (fls. 299/305), no qual traz nova alegação no sentido de que grande parte dos valores que constituíram a base para a autuação não se presta à justificar a imputação de pagamento a beneficiário não identificado, posto que referemse "à movimentações financeiras feitas em contas bancárias de titularidade da própria recorrente e também de um empréstimo de numerários para a Sr. Ivana Dalla Costa (filha do sócio da empresa Recorrente), para que esta realizasse alguns investimentos de cunho particular", conforme explica, verbis: [...] a) Depósitos/Transferências entre conta bancárias da própria Recorrente Primeiramente, há de se dar destaque o fato que R$ 10.135.631,39 (dez milhões cento e trinta e cinco mil seiscentos e trinta e um reais e trinta e nove centavos) que foram indicados pela autoridade fiscal como sendo pagamentos sem beneficiário identificado se tratam, em verdade, tão somente de transações entre contas bancárias da própria Recorrente, não sendo nem mesmo “pagamentos”, mas tão somente movimentações financeiras para organização interna da própria Palmali Industrial de Alimentos Ltda. E isto se comprova através dos extratos bancários ora anexados neste instrumento, nos quais é possível identificar as saídas dos supra referidos valores da Conta 1482807, Ag. 3509, Banco Bradesco de titularidade da Recorrente e as respectivas entradas em outras contas bancárias também de titularidade da Recorrente. [...] b) Empréstimo de numerários para a Sra. Ivana Dalla Costa (Filha do sócio da Recorrente) Nada obstante à tudo que acima fora aduzido, temse que, outra boa parte da autuação fiscal, que, como já dito, baseouse em suposta ocorrência de “pagamento à beneficiário não identificado”, considerou valores em que na verdade é sim plenamente identificável a parte beneficiada. No caso, a beneficiária de R$ 3.082.200,00 foi a Sra. Ivana Dalla Costa (filha do sócio da Recorrente), na qualidade de empréstimo, para que esta realizasse alguns investimentos de cunho particular. E este fato é facilmente comprovado por meio dos os extratos bancários e respectiva planilha, anexos aos presentes memoriais, que comprovam tanto saída destes valores da conta bancária de titularidade da Recorrente e a entradas destes mesmos valores em conta bancária de titularidade da Sra. Ivana. [...] A interessada anexou à petição um conjunto de extratos bancários de diversos bancos, dispostos em 64 anexos, que comprovariam suas alegações (fls. 306 a 1082). Em face dos novos documentos apresentados a recorrente requer, verbis: Ante todo o exposto, requerse que se reconheça a indicação dos beneficiários apresentada na documentação anexa aos presente memoriais, de modo que deve a autuação fiscal, ora objurgada, ser julgada integralmente nula. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10935.720190/201663 Resolução nº 1302000.715 S1C3T2 Fl. 1.088 6 Subsidiariamente, requer seja determinada a exclusão dos valores devidamente comprovados pela documentação anexa da base de cálculo da autuação impugnada pela Recorrente, devendo o julgamento ser convertido em diligência, para que se apure o real montante eventualmente devido pela Recorrente. É o relatório. Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10935.720190/201663 Resolução nº 1302000.715 S1C3T2 Fl. 1.089 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Portanto, deve ser conhecido. A recorrente trouxe em sua impugnação e em seu recurso voluntário diversos argumentos invocando meramente questões de direito, sem enfrentar diretamente os fatos imputados na autuação. Não obstante, conforme relatado, em 21/01/2019 a interessada protocolizou petição (fls. 299/305), no qual trouxe nova alegação no sentido de que grande parte dos valores que constituíram a base para a autuação não se presta à justificar a imputação de pagamento a beneficiário não identificado, posto que referemse "à movimentações financeiras feitas em contas bancárias de titularidade da própria recorrente e também de um empréstimo de numerários para a Sr. Ivana Dalla Costa (filha do sócio da empresa Recorrente), para que esta realizasse alguns investimentos de cunho particular". À esta manifestação acostou um conjunto de extratos bancários de diversos bancos, dispostos em 65 anexos, e mais dois anexos (66 e 67) contendo planilha demonstrativa das transferências, que comprovariam suas alegações (fls. 306 a 1082). Assim, antes mesmo de adentrar ao exame das alegações trazidas no recurso voluntário, impõese definir o conhecimento da nova alegação e documentação acostada pela recorrente ao autos. Este colegiado, por maioria, têm decidido reiteradamente, por não conhecer de novos argumentos e provas acostadas aos autos depois da impugnação, tendo em vista nos termos do art. 16 e 17 do PAF, que estabelecem para aquele momento o prazo preclusivo para apresentar os pontos de discordância e as documentos para corroborar suas alegações, salvo se, comprovadamente, reste demonstrada fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, conforme acórdãos abaixo: Acórdão nº 1302002.347, de 22/11/2018 PROCESSUAL PRECLUSÃO. A impugnação deve trazer todos os argumentos e provas necessários à defesa do contribuinte, ressalvadas, apenas, as hipóteses descritas no art. 16 do Decreto 70.235, sob pena de preclusão. Acórdão nº 1302002.159, de 16/10/2018 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. INOVAÇÃO NA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10935.720190/201663 Resolução nº 1302000.715 S1C3T2 Fl. 1.090 8 No presente caso, é inequivoca a inovação da interessada ao apresentar novos argumentos, sem qualquer justificativa, desta feita enfrentando os fatos imputados, e trazendo novos documentos para exame na esfera administrativa, matérias que deveriam ter sido enfrentadas desde a primeira instância. É certo que caso restasse comprovada, pelos elementos ora apresentados, a alegação da interessada de que grande parte dos valores imputados como pagamentos realizados a beneficiários não identificados se referem, na verdade, à meras transferências entre contas bancárias da própria recorrente, estaria caracterizada a inocorrência do fato gerador do imposto apontada no lançamento. Em uma análise perfunctória dos elementos tardiamente trazidos aos autos (extratos e planilhas demonstrativas), verificase a possibilidade de que parte do lançamento tenha sido, de fato, embasado em pagamentos registrados contabilmente pela interessada que não correspondam a efetiva saída de recursos para terceiros, mas mera transferência entre contas de sua titularidade. Situação distinta desta é a que se refere aos supostos empréstimos que teriam sido efetuados à filha do sócio da empresa recorrente, que requereria um exame mais aprofundado dos documentos e quiçá a apresentação de mais documentos, posto que não infirmariam, de pronto e por si só, a ocorrência de pagamentos realizados a terceiro sem a necessária identificação. Não olvidando, que todos estes fatos poderiam ter sido esclarecidos pela interessada durante o próprio procedimento fiscal, se a contribuinte tivesse respondido adequadamente às intimações da fiscalização, ou ainda, na fase litigiosa, quando da impugnação do lançamento, o certo é que, ao menos quanto aos documentos que apontam transferências entre contas da própria interessada, me parece evidenciada pelos novos elementos a ausência de elemento essencial para a subsistência do lançamento do IRRF em face de pagamento a beneficiário não identificado, qual seja, a própria existência de pagamento. Neste aspecto, me parece que seria irrazoável desconhecer dos novos elementos juntados que, se confirmada sua autenticidade e fidedignidade, infirmam por completo a base do lançamento, consubstanciando numa exigência completamente indevida, o que afastaria o processo administrativo fiscal de seu desiderato. Assim, voto por conhecer parcialmente dos novos elementos apresentados, restringindoos àqueles que comprovariam que parte dos valores tributados pelo IRRF referem se à movimentações financeiras feitas em contas bancárias de titularidade da própria recorrente, que por si só podem, uma vez atestada sua fidedignidade, informar o lançamento. Destarte, não conheço dos demais elementos apresentados que comprovariam empréstimos feitos à filha do sócio do contribuinte que demandariam outras análises, uma vez que, de imediato, se verifica que os novos elementos trazidos aos autos são insuficientes para demonstrar pelo seu simples exame, a míngua de novos documentos e ainda que confirmada sua autenticidade. Assim, impõese analisar os argumentos trazidos pela interessada no seu recurso. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10935.720190/201663 Resolução nº 1302000.715 S1C3T2 Fl. 1.091 9 A recorrente aponta equívoco da decisão recorrida ao não reconhecer a nulidade da autuação por cerceamento ao direito de defesa durante a fase procedimental e requer a nulidade da decisão recorrida por não conhecer dos argumentos relacionados à imputação dos responsáveis solidários arrolados. O acórdão recorrido se pronunciou sobre a alegação, verbis: Nulidades na fase fiscalizatória. Impossibilidade por ser esta de natureza inquisitorial. Os impugnantes reclamam de nulidades que teriam ocorrido até o protocolo da impugnação, ou seja, na fase fiscalizatória. O lançamento tributário por constituirse em Ato Administrativo, está sujeito aos princípios da Legalidade e da Publicidade, nos termos do artigo 37, "caput", da Constituição Federal. Este ato administrativo, a teor do artigo 142 do CTN, é vinculado e obrigatório, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, cabe à autoridade autuante verificar a ocorrência do fato gerador do tributo ou infração e aplicar a legislação de regência prevista. Para certificarse dos elementos fáticos inerentes aos casos fiscalizados deve lançar mão de todos os meios previstos, tais como intimações, diligências, etc, para que o lançamento fique nos exatos termos fixados pelas leis. Uma vez tomadas todas as providências acima descritas, o auto é lavrado sendo cientificado o contribuinte. A partir desse instante poderá, dentro de 30 dias, contestar todos os elementos constantes do lançamento. Não há, portanto, qualquer ofensa ao princípio de contraditório, pois o julgamento apenas ocorrerá após a manifestação contribuinte. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. Nesse sentido confirase as decisões do CARF: PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO A constituição do crédito tributário através do lançamento é decorrência de imposição imposta pela lei, não havendo qualquer "desvio de finalidade" em ato praticado em atendimento à atividade administrativa vinculada e obrigatória. Tendo sido o sujeito passivo cientificado do lançamento e apresentado impugnação tempestiva, não há que se falar em inobservância ao princípio do contraditório (ACÓRDÃO 10192.430 em 13.11.1998).” Assim, não vemos motivos para concluir pela nulidade por cerceamento de defesa. Sendo um procedimento inquisitorial, a fase fiscalizatória não necessita dar oportunidade de defesa, o que ocorrerá na fase litigiosa com a apresentação da impugnação. Responsabilidade de terceiros. Ausência de legitimidade. A impugnante apresentou argumentos que tratam da atribuição de responsabilidade a terceiros que são totalmente impertinentes, posto que não possui mandato destes para representálos. Portanto, deixamos de conhecer os argumentos relativos a responsabilidade. Nesse sentido, temos jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), entre elas: Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10935.720190/201663 Resolução nº 1302000.715 S1C3T2 Fl. 1.092 10 Acórdão 2201002.758 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a terceiros que não interpuseram impugnação ou recurso voluntário. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Examinando a questão suscitada verifico que se trata de alegação trazida na impugnação apontando que " a forma como foi atribuída a responsabilidade ofende o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório garantidos no art. 5º da Constituição Federal (CF). Sustenta que deveria ter sido oferecido direito de resposta aos terceiros, conforme doutrina e jurisprudência que cita". Ora, não há reparos à decisão recorrida, seja pelo fato de ter afastado a acusação de cerceamento de direito de defesa dos responsáveis na fase inquisitória, seja por não conhecer dos argumentos relacionados à atribuição desta responsabilidade solidária aos terceiros arrolados, posto faltar legitimidade postulatória à recorrente para litigar em nome dos responsáveis solidários, conforme tem reiteradamente decidido este colegiado. Assim, afasto a alegação de nulidade da decisão recorrida. No mérito, tendo em vista os novos elementos trazidos aos autos e parcialmente conhecidos, impõese, previamente à sua análise pelo colegiado, que seja confirmada sua autenticidade e fidedignidade, conforme anteriormente referido. Neste diapasão, voto no sentido de converter o julgamento em diligência determinando que os autos sejam encaminhados à unidade de origem para que seja designada autoridade fiscal competente com vistas a verificar a autenticidade dos documentos bancários trazidos aos autos pela interessada, bem e efetuar o cotejo dos valores contidos nas planilhas que indicam as transferências entre contas de mesma titularidade, apresentadas pela interessada, de forma a confirmar que se referem aos mesmos lançamentos utilizados para a apuração dos fatos geradores do IRRF ora discutidos. Ao final, deve a autoridade fiscal elaborar relatório circunstanciado no qual se demonstre os lançamentos identificados e comprovados como sendo de transferência de contas da mesma titularidade da própria contribuinte, que efetivamente não se caracterizam como pagamentos a terceiros. Deste relatório deve ser dada ciência à interessada para, querendo, se manifestar no prazo previsto no art. 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011. Após a realização, os autos devem retornar ao colegiado para o julgamento. Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1092DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.900050/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO DE DÉBITO JÁ PARCELADO. EXTINÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. POSSIBILIDADE.
Verificando-se que o valor integral do débito compensado com o crédito pleiteado em DCOMP já foi incluído em parcelamento, há de se considerar indevido o débito resultante da não homologação da compensação.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APÓS PRAZO FATAL DE INTERPOSIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Improcede pedido de restituição formulado em sede de manifestação de inconformidade em face de ter sido requerido a mais de cinco anos da data da formação do crédito.
Numero da decisão: 1401-003.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar extinto o saldo de débito de CSLL ainda em cobrança no presente processo e não conhecer do pedido relativo à restituição do crédito relativo aos valores remanescentes do recolhimento a maior, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO DE DÉBITO JÁ PARCELADO. EXTINÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. POSSIBILIDADE. Verificando-se que o valor integral do débito compensado com o crédito pleiteado em DCOMP já foi incluído em parcelamento, há de se considerar indevido o débito resultante da não homologação da compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APÓS PRAZO FATAL DE INTERPOSIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Improcede pedido de restituição formulado em sede de manifestação de inconformidade em face de ter sido requerido a mais de cinco anos da data da formação do crédito.
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EXTINÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. POSSIBILIDADE. Verificandose que o valor integral do débito compensado com o crédito pleiteado em DCOMP já foi incluído em parcelamento, há de se considerar indevido o débito resultante da não homologação da compensação. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO FORMULADO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE APÓS PRAZO FATAL DE INTERPOSIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Improcede pedido de restituição formulado em sede de manifestação de inconformidade em face de ter sido requerido a mais de cinco anos da data da formação do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para considerar extinto o saldo de débito de CSLL ainda em cobrança no presente processo e não conhecer do pedido relativo à restituição do crédito relativo aos valores remanescentes do recolhimento a maior, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 90 00 50 /2 00 6- 13 Fl. 40DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte no qual o mesmo utiliza crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ na compensação de outros débitos devidos perante a Receita Federal. O despacho decisório emitido homologou parcialmente a compensação declarada em razão de o crédito não ter sido suficiente para a quitação integral do débito compensado. Na impugnação apresentada o contribuinte solicita o cancelamento do débito compensado em razão de alegar que o débito já havia sido integralmente pago por meio de recolhimentos em DARF e no PAES. Requereu, assim, a exclusão do débito do processo. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento acatou parcialmente a manifestação de inconformidade aceitando a redução parcial do débito que havia sido compensado em razão de pagamento realizado anteriormente à apresentação da declaração de compensação. Determinou, ainda, que os pagamentos realizados após a apresentação do PER/DCOMP fossem verificados e, acaso disponíveis, fossem alocados ao débito. Retornando à DRF de origem nenhuma providência foi adotada. Cientificado o contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade solicitando, ao final, o cancelamento do débito e a possibilidade de utilização do crédito remanescente relativo ao pagamento a maior. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10240.900050/200613 Acórdão n.º 1401003.265 S1C4T1 Fl. 41 3 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O presente processo foi relatado da forma acima em razão da indicação de que se trataria de processo repetitivo. No entanto, pesquisando os processos no sistema, verifiquei que não existem outros processos do mesmo contribuinte. Bem, inexistindo os processos repetitivos para análise conjunta e passando a analisar o presente caso temos a informar os seguintes dados: Crédito requerido: Pag. IRPJ Venct.: 30/10/2001 Valor do crédito R$ 7.620,76 Débito Compensado: CSLL Vencto.: 30/01/2002 Valor do débito original compensado R$ 9.129,22 Crédito reconhecido parcialmente. Saldo do débito não compensado R$ 2.303,00 Pagamento realizado reconhecido pela DRJ R$ 669,32 Saldo de débito remanescente: R$ 1.633,68 Valor do débito pago no PAES (fls. 20) R$ 6.951,44 Saldo do débito a ser cobrado = 0,00 Da análise destes dados acima apresentados, dos quais deixamos de realizar os cálculos de atualização por absoluta desnecessidade em face da sobra de valores de pagamentos no PAES em relação ao saldo de débito, verificase que, desde à época em que o processo foi analisado pela DRJ o débito cuja compensação não foi integral já estava integralmente quitado em razão do pagamento realizado no âmbito do PAES. Ora, verificandose que do valor do débito cuja compensação não foi homologada integralmente restou apenas o saldo de R$ 2.303,00 em valores originais e que o valor pago do mesmo débito no PAES foi de R$ 6.951,44, resta claro que não mais subsistia débito a ser cobrado do contribuinte, razão pela qual deveria ter sido determinado o integral cancelamento do mesmo. Não tendo sido determinado pela Delegacia de Julgamento, resta a este relator reconhecer a procedência do pleito do recorrente e declarar integralmente extinto o débito de CSLL com vencimento em 30/01/2002, compensado neste processo e cujo saldo remanescente após a homologação parcial (R$ 2.303,00) restou integralmente extinto pelo pagamento realizado no âmbito do PAES. Além disso, tendo em vista que o contribuinte pleiteou, desde a manifestação que lhe fosse reconhecido o saldo de créditos que deveria lhe assistir em razão da verificação da inclusão e pagamento de parte do débito no PAES, quanto a este pleito não pode ser reconhecido. Analisandose o pedido de compensação no início do processo verificase que o contribuinte não requereu a restituição do valor de pagamento a maior de IRPJ, mas sim, Fl. 42DF CARF MF 4 apenas declarou a compensação do que considerava ter pago a maior de IRPJ com o débito reconhecido de CSLL. Assim, em verdade o pedido de restituição dos valores do crédito que pudessem remanescer em razão da quitação de parte do débito com o PAES não mais podem ser reconhecidos em razão da norma do art. 168, I, do CTN, haja vista que o pagamento foi realizado em 2001 e o pedido de restituição do contribuinte somente foi formulado com a manifestação de inconformidade apresentada em 11/06/2008. tendo passado mais de cinco anos da realização do pagamento a maior. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para: 1) Considerar extinto o saldo de débito de CSLL ainda em cobrança no presente processo em razão do pagamento parcial do mesmo débito no âmbito do PAES (fls. 20) que gerou a sua extinção integral; 2) Não reconhecer o crédito relativos aos valores remanescentes do pagamento a maior, após a verificação do pagamento no PAES, em razão de terem decorrido mais de cinco anos entre a realização do pagamento indevido e o pedido de restituição do contribuinte realizado por meio da manifestação de inconformidade, na forma do art. 168, I, do CTN. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901696/2014-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/01/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 16 96 /2 01 4- 88 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10830.901696/201488 Acórdão n.º 3401005.640 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.083, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10830.901696/201488 Acórdão n.º 3401005.640 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10830.901696/201488 Acórdão n.º 3401005.640 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10830.901696/201488 Acórdão n.º 3401005.640 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10830.901696/201488 Acórdão n.º 3401005.640 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.902700/2008-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF - período de apuração 31/07/2002 - fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1500; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.902700/200863 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1003000.039 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Data 14 de março de 2019 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente PRONTO ATENDIMENTO MEDICO RAPHAEL PAPA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o presente processo retorne à DRF a fim de que seja informado se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF período de apuração 31/07/2002 fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0629.305, de 19 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 02 70 0/ 20 08 -6 3 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10980.902700/200863 Resolução nº 1003000.039 S1C0T3 Fl. 3 2 Aos 13/06/2008, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório (fl. 01), rastreamento n° 763941962, emitido em 20/05/2008, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 42166.54165.190404.1.3.049878. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte defendeu que apurou prejuízo no valor de R$ 29.924,44 no exercício de 2002. Conforme DIPJ 2003, a empresa recolheu por estimativas R$ 19.124,99 de IRPJ e R$ 4.368,18 de CSLL, configurando tais créditos recolhimentos indevidos. A DRJ/CTA julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, conforme ementa abaixo: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem Compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ RECOLHIDA COM BASE NA RECEITA BRUTA E ACRÉSCIMOS. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. O valor da estimativa mensal de IRPJ corretamente recolhido com base na receita bruta e acréscimos não constitui pagamento indevido ou a maior passível de ser utilizado como direito creditório em declaração de compensação, cabendo à contribuinte aproveitálo mediante dedução do imposto devido na apuração anual dos resultados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: (i) que a empresa, no exercício de 2002, optou pela forma de tributação Lucro Real por estimativas, tendo recolhido mensalmente IRPJ e CSLL; (ii) que, ao encerrar o balanço patrimonial contábil de 2002, constatou prejuízo no valor de R$ 29.924,44; Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10980.902700/200863 Resolução nº 1003000.039 S1C0T3 Fl. 4 3 (iii) que, de conformidade com a DIPJ 2003, a empresa recolheu por estimativas R$ 19.124,99 de IRPJ e R$ 4.368,18 de CSLL, configurando tais créditos recolhimentos indevidos; (iv) que, durante o exercício de 2004, fez diversos pedidos de restituições através de PER/DCOMP e as respectivas Declarações de Compensação. Por fim, requereu nova análise de todos as suas declarações de compensação, oriundo de pagamentos indevidos durante o exercício de 2002. É o Relatório VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Compulsando os autos, não consta expressamente a data de protocolo do recurso voluntário, contudo tomo por tempestivo o citado recurso apresentado e certifico que houve cumprimento dos demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Pelos fatos e provas acostados ao processo, verificase que a Recorrente pleiteia a declaração de compensação em razão de pagamento indevido ou a maior. No entendimento da mesma, por ter apurado prejuízo no ano de 2002, os recolhimentos realizados por estimativas são pagamentos indevidos ou a maior de IRPJ e CSLL. A IN 210/2002, vigente na época da transmissão do PER/DCOMP, determina, em seu art. 6º, que os saldos negativos do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição. Conforme a DIPJ 2003 acostada ao processo, o valor pleiteado como pagamento a maior ou indevido DARF período de apuração 31/07/2002 (fls. 05 e 08) foi computado para gerar o saldo negativo do período (vide fls. 65 e 66). Ocorre, porém, que, até 25/10/2004, a Instrução Normativa que disciplinava a restituição e compensação era a de nº 210/2002. Essa IN não estabelecia qualquer vedação com relação a utilização de crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal IRPJ para compensação de débitos próprios. A IN nº 210/2002 foi revogada pela IN nº 460/2004 (publicada em 26/10/2004). A declaração de compensação ora em análise foi transmitida em 19/04/2004, anterior, portanto, a alteração normativa que proibiu a possibilidade de utilização das estimativas mensais. Ocorre que, como o valor pago na estimativa mensal de julho de 2002 foi utilizado na apuração do saldo negativo, imprescindível verificar se o saldo negativo apurado no exercício de 2002 (DIPJ 2003) foi utilizado pela contribuinte para pagamento de outros débitos. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10980.902700/200863 Resolução nº 1003000.039 S1C0T3 Fl. 5 4 Isto posto, voto por converter o julgamento em diligência para que os autos retornem à unidade de origem para informar se o saldo negativo apurado na DIPJ 2003 foi utilizado como crédito para compensar outros débitos, bem como se o crédito alegado nos autos (DARF período de apuração 31/07/2002 fls 08) já foi utilizado em outro pedido de compensação. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.903905/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
Numero da decisão: 3201-004.767
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das compensações declaradas pelo contribuinte ocorrem após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da transmissão da Declaração de Compensação, e não do Pedido de Restituição. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. NÃO COMPROVAÇÃO. Não comprovadas a certeza e a liquidez do direito creditório, não se homologa a compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 39 05 /2 01 2- 11 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13819.903905/201211 Acórdão n.º 3201004.767 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP, com base em suposto crédito de COFINS oriundo de pagamento indevido ou a maior, que restou não homologada pela DRF de origem face a inexistência do crédito. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Em preliminar, defende a decadência para a análise do crédito tributário (CTF, art. 150, § 4º) em função de a ciência do despacho decisório ter ocorrido em prazo superior a 5 anos da data de transmissão do PerDcomp. Cita acórdão do Carf relativo à homologação tácita de declaração de compensação. Afirma que o crédito pleiteado referese à exclusão de outras receitas da base de calculo do Pis e da Cofins em função do trânsito em julgado com repercussão geral ocorreu em 2006. Cita acórdãos de DRJ e do Carf. Acrescenta que foi revogado o §1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998. Pede, se for o caso, a determinação das diligências necessárias para a apuração da exatidão do crédito tributário a que se refere o presente processo, em respeito ao primado da verdade material e da moralidade administrativa. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 02048.739. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.765, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13819.903903/201213, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201004.765): "O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.903905/201211 Acórdão n.º 3201004.767 S3C2T1 Fl. 4 3 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de "inexistência do crédito postulado". Inicialmente aduz o Recorrente a ocorrência de decadência do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4ª do CTN, contados da transmissão do Pedido de Restituição. Todavia, não merece acolhida o pleito do contribuinte. O Pedido de Restituição tem o condão de interromper a prescrição do crédito tributário em face da Fazenda Nacional, contudo, inexiste hipótese de reconhecimento tácito de tal crédito, cujo reconhecimento demanda a análise material do direito creditório pela administração tributária. Lado outro, prevê a legislação a homologação tácita das pedidos de compensação apresentados pelos contribuinte, sendo este prazo de 5 (cinco) anos contados da transmissão da declaração de compensação. Desse modo, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: A compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 74, § 2º). O mesmo artigo determina que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (§ 5º). Transcorrido esse prazo, o fisco não pode mais praticar ato de “não homologação” da compensação efetuada. Assim sendo, depois de cinco anos da transmissão do PerDcomp sem que o fisco tenha se manifestado, considerase definitivamente extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado. Por outro lado, o pedido de restituição não tem nenhum efeito imediato e necessita, essencialmente, da manifestação expressa da Administração negando ou concordando com o pedido. Por tratarse de um requerimento, de uma solicitação, de um pedido, necessita uma decisão explícita da Administração – nunca uma solução tácita (Lei nº 9.784, de 1999, art. 48). O prazo da Lei 9.740, de 1996, referese, exclusivamente, à declaração de compensação, não se aplicando a pedido de restituição. Não existe prazo preclusivo para a apreciação do pedido de restituição. Não cabe aplicar a ele o prazo da homologação tácita, dado que a compensação declarada está afeta a um regime declaratório (Declaração de Compensação), e a restituição está afeta a um regime de requerimento (Pedido de Restituição). Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903905/201211 Acórdão n.º 3201004.767 S3C2T1 Fl. 5 4 Nesse mesmo sentido é a própria decisão colacionada pelo Contribuinte em Seu Recurso Voluntário: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da Declaração de Compensação, a teor das disposições do art. 74 e seu § 5° da Lei n° 9430, de 1996, com a redação dada pelo art. 17 da Lei n° 10.833, de 2003. Transcorridos mais de 5 (cinco) anos da data da protocolização da Declaração de Compensação, sem manifestação da autoridade administrativa competente, operase a homologação tácita extintiva do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 120200.246 – Recurso nº 177.141Processo nº 11610.006196/200335 – 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de março de 2009) Vale ressaltar que, muito embora o Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação possam ser apresentados por meio de um único instrumento (PER/DCOMP), estes não se confundem, pois representam atos jurídicos de conteúdo distinto. Quanto ao mérito, a questão controvertida consiste na existência ou não de provas acerca de erro incorrido pelo contribuinte na prestação de declarações à RFB. Alega a Recorrente que o crédito postulado por meio de PER/DCOMP decorre de pagamento indevido ou a maior em decorrência do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que deve ser reconhecida pela administração tributária. Não assiste razão, contudo, à Recorrente. Não se nega, a rigor, a necessidade de aplicação do quanto restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS (art. 3º da Lei nº 9.718/98). Não obstante, cabe ao Recorrente fazer prova do direito postulado, ou seja, indicar, por meio de seus documentos fiscais e contábeis, de que forma foi apurada originalmente a base de cálculo do tributo e qual seria a correta forma de apuração em face da inconstitucionalidade reconhecida, demonstrando, ainda, a correção da quantificação de tal montante. Na hipótese dos autos, não existe qualquer documentação hábil para a comprovação do erro alegado, mas apenas planilhas colacionadas à Manifestação de Inconformidade que não representam e não comprovam a contabilidade da empresa. Quanto ao pedido de diligência, cumpre esclarecer que esta não se presta à substituir o ônus de produção de prova pelo contribuinte. Esta deve ser utilizada quanto resta dúvida por parte dos julgadores acerca dos fatos e desde que o direito Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903905/201211 Acórdão n.º 3201004.767 S3C2T1 Fl. 6 5 postulado esteja minimamente provado pelo contribuinte, o que não se verifica nos autos. Assim, também nesse aspecto, não merece qualquer reparo a decisão recorrida: Nenhum documento contábil ou fiscal acompanha os demonstrativos. Dessa forma, não podem ser aceitos como prova da existência do crédito e o contribuinte não logra comprovar sua vinculação com as teses que apresenta. No caso da exclusão do ICMS, ainda que fosse uma alegação válida, as provas seriam imprestáveis, não sendo suficientes para quantificar o crédito e, como já relatado, as diligências não se prestam a isso. O objetivo da diligência não é produzir provas que não foram apresentadas na impugnação, mas esclarecer dúvidas. Ademais, os valores não são coerentes. Em pesquisa aos sistemas de controle da RFB, verificouse que há incompatibilidade entre os valores declarados em DIPJ e o confessado em DCTF. (...) A apuração do tributo é consolidada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O valor apurado na declaração apresentada antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF e não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DIPJ e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para confirmar o indeferimento da restituição. Pelo exposto, a Recorrente não logrou a devida comprovação por meio de documentos hábeis, razão pela qual não há como se reconhecer o direito creditório postulado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903905/201211 Acórdão n.º 3201004.767 S3C2T1 Fl. 7 6 Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973249/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF.
GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS. PRAZO.
A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.
AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS PARA RESARCIMENTO
Para fim de confirmação dos créditos, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados para ressarcimento.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS.
Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a autoridade da RFB pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais.
Numero da decisão: 3201-005.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 ARGUMENTOS DE INCONSTITUCIONALIDADE. PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS. PRAZO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS PARA RESARCIMENTO Para fim de confirmação dos créditos, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados para ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a autoridade da RFB pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais.
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PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA Nº 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, em conformidade com a Súmula nº 2 do CARF. GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS. PRAZO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À CONFIRMAÇÃO DOS CRÉDITOS PARA RESARCIMENTO Para fim de confirmação dos créditos, o declarante está obrigado a apresentar os arquivos digitais, os documentos fiscais e contábeis e demais esclarecimentos necessários à comprovação dos créditos declarados. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados para ressarcimento. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a autoridade da RFB pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 32 49 /2 01 2- 73 Fl. 227DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 122/141, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1467.676 4ª Turma da DRJ/RPO, efls. 104/110, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa, no valor de R$474.539,97, do 1º trimestre de 2005. A Derat/SP, por meio do despacho decisório de fl. 6, indeferiu a solicitação, em função da não apresentação, pela contribuinte (após intimação), dos arquivos digitais previstos na Instrução Normativa SRF nº 86/2001, em conformidade com o ADE Cofis nº 15/2001, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a impugnação de fls. 10/25, na qual explicou que seu crédito é decorrente de despesas e insumos vinculadas a receitas decorrentes de prestação de serviços para empresas domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, nos termos das Leis nºs 10.637/2002, art. 5º, II e § 2º, e 10.833/2003, art. 6º, II e § 2º. Quanto à fundamentação do indeferimento pela autoridade a quo, alegou que, a teor do disposto no art. 1º da referida Instrução Normativa SRF nº 86/2001, as pessoas jurídicas estão obrigadas a manter seus arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Assim, em se tratando de fatos do período de apuração de 2005, ela não poderia ser compelida à sua apresentação em 2012, quando Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10880.973249/201273 Acórdão n.º 3201005.168 S3C2T1 Fl. 228 3 intimada. Transcreveu ementa da Solução de Consulta nº 3, de 04/01/2010. Argumentou que, à época da transmissão do PER/Dcomp, janeiro de 2008, “não estava a Recorrente sujeita à apresentação do arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica com os documentos fiscais de entradas e saídas, relativos ao período de apuração do crédito”, o que somente veio a ser estabelecido como obrigação, pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 30/12/2009, que acrescentou o § 1º ao art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Acrescentou que, “em se tratando de provas, no procedimento administrativo fiscal, prevalece o princípio da ‘verdade material’”, razão pela qual “farseia necessária a realização de diligência pelo fiscal responsável a fim de verificar os documentos físicos que a Recorrente dispõe para comprovar a existência do crédito tributário pleiteado e não apenas desconsiderar seu pedido de ressarcimento pelo mero descumprimento da apresentação de arquivos digitais.” Transcreveu ementa de acórdãos do CARF, tratando de instrução probatória e requisitos do lançamento. Discorreu sobre o princípio da verdade material e sua ofensa pela “inobservância ao dever funcional de fiscalizar”, alegando que o contribuinte tem o direto de apresentar todas as provas possíveis e em qualquer momento processual, mencionando doutrina e jurisprudência do CARF. Disse ainda que, havendo dúvidas, o presente julgamento pode ser convertido em diligência, citando o Regimento do CARF e julgado do STJ. Por fim, requereu a reforma do despacho decisório, para reconhecer a legitimidade de seu pedido de ressarcimento, protestando “pela produção de prova pericial, realização de diligências, bem como pela apresentação de quaisquer outros documentos necessários à comprovação do direito creditório requerido. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 1467.676 4ª Turma da DRJ/RPO está assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS. PRAZO. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. RESSARCIMENTO. ARQUIVOS DIGITAIS. Fl. 229DF CARF MF 4 Na apreciação de pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, a autoridade da RFB pode condicionar o reconhecimento à apresentação de arquivos digitais. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: 1. Da Preliminar 1.1. Da Violação aos Princípios da Duração Razoável do Processo, Ampla Defesa e da Eficiência A recorrente alega que houve violação aos princípios da duração razoável do processo, ampla defesa e da eficiência. Isto porque entre o indeferimento da PER/DCOMP em 2012 e a decisão de primeira instância em 2017, passaramse mais de 09 anos. A violação à duração razoável do processo é evidenciada pelos mais de 09 (nove) anos de duração para que fosse proferida decisão de primeira instância, quando outras normas já estavam em vigor, enquanto a violação à eficiência revelase pela necessidade de diligências que deveriam ter sido realizadas para comprovação do direito creditório. Esse E. Conselho não pode compactuar com esse expediente de se tentar, por vias transversas, distanciadas do princípio da realidade material, fazer ruir o direito ao crédito da Recorrente. (efl. 127128) Nesse sentido, busca guarida nos princípios da motivação, da razoabilidade, da moralidade, da ampla defesa e do contraditório constantes dos artigos 5º, inciso LXXVIII, e 37 da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Fala ainda que houve violação ao princípio da verdade material. Requer que seja decretada a nulidade do acórdão recorrido, haja vista que a morosidade do Fisco em proceder à análise do pedido de ressarcimento ensejou a decadência do direito de exigir os seus documentos. 1.2. Decadência do Prazo de Manutenção dos Arquivos Digitais A recorrente argumenta que o indeferimento do seu pedido ocorreu exclusivamente em razão da falta de apresentação dos arquivos digitais previstos na IN/SRF nº 86/01, compreendendo as operações efetuadas no período de apuração relativo ao primeiro trimestre de 2005 (01.01.2005 a 31.03.2005). Alega a seu favor que estaria obrigada a manter seus arquivos digitais apenas pelo prazo decadencial de cinco anos. Ou seja, que não teria obrigação de manter os arquivos após o transcurso do prazo decadencial. (...) a Recorrente deixou claro que foi intimada SIM no ano de 2012 a apresentar os arquivos digitais e não o fez, pois já havia transcorrido o prazo decadencial, em 2010. (efl. 130) Defende que em atenção ao princípio da irretroatividade das normas, não pode ser penalizada por uma exigência que não existia quando da transmissão do PER/DCOMP, sob o argumento de que deveria ter mantido os documentos pelo prazo decadencial, uma vez que Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10880.973249/201273 Acórdão n.º 3201005.168 S3C2T1 Fl. 229 5 tais arquivos digitais não eram exigidos por ocasião do protocolo do PER/DCOMP e a Recorrente não era obrigada a supor que passariam a ser exigidos no futuro. 2. Do Mérito 2.1. Da não obrigatoriedade de apresentação dos arquivos digitais à época da transmissão da PER/DCOMP A recorrente argumenta que além da passagem do prazo decadencial para a guarda dos arquivos digitais do período de 2005, a mesma não estava sujeita apresentação do arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica com os documentos fiscais de entradas e saídas, relativos ao período de apuração do crédito. Isso porque, foi somente a Instrução Normativa SRF n.º 981, de 30.12. 2009 ("IN/SRF n.9 981/091 que, ao acrescentar o parágrafo 1º ao artigo 65 da Instrução Normativa SRF n.º 900/2008 ("IN/SRF n.g 900/08"), instituiu a obrigação do Pedido de Ressarcimento de PIS e COFINS ser precedido da apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na IN/SRF nº 86/01. Defende que na data em que entrou em vigor a IN/SRF nº 981/09, já havia decaído o direito de o Fisco exigir os documentos. Sustenta que haveria a necessidade de diligência fiscal. 2.2. Da ofensa à verdade material decorrente da inobservância ao dever funcional de fiscalizar e possibilidade de conversão do julgamento em diligência A recorrente discorre sobre o princípio da verdade material para o processo administrativo fiscal. Cita doutrina. Nessa linha de raciocínio, alega que o fisco ofendeu tal princípio, pois deixou de promover a adequada verificação dos fatos. Quando se negou a diligenciar na busca da verdade real deste processo, o Fisco não demonstrou a ocorrência dos fatos que fundamentaram o indeferimento do pedido de ressarcimento. (e fl. 136) Argumenta ainda que o fisco pecou por pautarse unicamente pelo formalismo que rege o procedimento administrativo de apuração. Colaciona jurisprudência. 2.3. Da conversão do julgamento em diligência A recorrente defende a conversão do julgamento em diligência. Assim, temse que eventual conversão do julgamento em diligência, deve ser assegurada para o caso sob exame, por se tratar de instrumento adequado para a correta constatação de fatos controversos entre as partes (in casu, o Fisco e o contribuinte), representando verdadeira medida de realização de justiça fiscal. (efl. 139) Formula quesitos para a diligência. Fl. 231DF CARF MF 6 Do Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário requer: i) seja decretada a nulidade do acórdão recorrido, uma vez que viola o artigo 142 do CTN e, consequentemente, os princípios da eficiência, ampla defesa e legalidade, por não levar em conta as regras vigentes à época da transmissão da PER/DCOMP n.º 19853.01825.300108.1.1.091568, devendo ser proferida nova decisão sobre o tema; ii) caso não se entenda pela nulidade do referido acórdão, seja integralmente provido o presente Recurso Voluntário para reconhecer a validade do crédito de COFINS a ser ressarcido, e, por consequência, a legitimidade do Pedido de Ressarcimento realizado, uma vez que decaiu o direito de o Fisco em exigir os arquivos digitais, bem como por não haver, à época, regra que assim o determinasse; e iii) subsidiariamente, em honra ao princípio da verdade material, determinar a conversão do julgamento em diligência para que os documentos físicos em posse da Recorrente sejam analisados. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Da Preliminar Da Violação aos Princípios da Duração Razoável do Processo, Ampla Defesa e da Eficiência Em preliminar a recorrente alega que houve violação aos princípios da duração razoável do processo, ampla defesa e da eficiência. Nesse sentido, busca guarida em princípios provenientes dos artigos 5º, inciso LXXVIII, e 37 da Constituição Federal de 1988 (CF/88). Sobre o assunto, o CARF não tem competência para apreciar argumentos de cunho constitucional. Nesse sentido, cabe citar a Súmula CARF nº 2 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, o CARF não pode apreciar as questões relativas a duração razoável do processo, ampla defesa e a eficiência. Sendo assim nego provimento a preliminar. Decadência do Prazo de Manutenção dos Arquivos Digitais Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10880.973249/201273 Acórdão n.º 3201005.168 S3C2T1 Fl. 230 7 A recorrente alega a seu favor que estaria obrigada a manter seus arquivos digitais apenas pelo prazo decadencial de cinco anos. Ou seja, que não teria obrigação de manter os arquivos após o transcurso do prazo decadencial. Quanto ao crédito objeto de pedido de restituição, o CARF tem ampla jurisprudência quanto a necessidade de liquidez e certeza para deferimento da solicitação. CRÉDITO RESTITUÍVEL. PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA A restituição de indébitos fiscais está condicionada à comprovação da certeza e liquidez dos valores pleiteados, constituindose motivo bastante para indeferimento. (Acórdão nº 3301005.663 do Processo 13899.000341/200744 Data: 30/01/2019) RESTITUIÇÃO. CRÉDITO. CERTEZA E LIQUIDEZ. O deferimento de pedido de restituição reclama a demonstração da certeza e liquidez do crédito vindicado. (Acórdão nº 3202 000.970 do Processo 16151.000031/200751 Data: 23/10/2013) Assim, verificase a necessidade de certeza e liquidez para deferir o pedido de restituição. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de não apresentar a documentação contábil e fiscal que comprove o seu pedido de restituição, somente vem reforçar o entendimento de primeira instância. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. O argumento quanto ao prazo decadencial de cinco anos para manter os respectivos arquivos digitais e sistemas, opera nesse caso de maneira contrária ao sujeito passivo que poderia se beneficiar de tal documentação. A falta de apresentação dos citados documentos implica impossibilidade de confirmação dos valores dos créditos declarados para restituição. A recorrente peca por não apresentar documentação comprobatória, seja digital ou de outra natureza, e não há nada que possa fazer a respeito. Nego provimento. Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, na falta de documentação juntada aos autos, não há questão de fato a ser elucidada. Fl. 233DF CARF MF 8 Nego provimento ao pedido de diligência. Da conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.902155/2012-68
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/10/2004 a 31/12/2004
DA RETIFICAÇÃO DA DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO.
A mera comprovação de erro no preenchimento da DCTF não garante o direito creditório. Necessária prova inequívoca da existência do crédito que se pretende homologar.
DA PROVA PARA HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO.
Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
Numero da decisão: 3003-000.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Müller Nonato Cavalcanti Silva - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônios Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MULLER NONATO CAVALCANTI SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/10/2004 a 31/12/2004 DA RETIFICAÇÃO DA DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. A mera comprovação de erro no preenchimento da DCTF não garante o direito creditório. Necessária prova inequívoca da existência do crédito que se pretende homologar. DA PROVA PARA HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. A mera comprovação de erro no preenchimento da DCTF não garante o direito creditório. Necessária prova inequívoca da existência do crédito que se pretende homologar. DA PROVA PARA HOMOLOGAÇÃO DO CRÉDITO. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 21 55 /2 01 2- 68 Fl. 63DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônios Borges (presidente da turma), Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório A Recorrente transmitiu a Dcomp nº 35734.55130.220609.1.3.046320, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 8109, efetuado em 10/12/2004; A SAORT/DRFPONTA GROSSA/PR emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e não homologa as compensações pleiteadas. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que informou com erro o valor do débito na DCTF sem retificála. A 2ª Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora/MG DRJ/JFA entendeu que não houve comprovação do erro em DCTF bem como reconheceu o ônus probatório incumbir à Recorrente para fazer prova de crédito. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho reiterando as superficiais razões apostas na Manifestação de Inconformidade com o pleito final para homologação do crédito alegado. São os fatos. Voto Conselheiro Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO PRAZO PARA RETIFICAÇÃO DE DCTF Para se pleitear compensação de créditos pela via administrativa (DCOMP), é indispensável a retificação da declaração que constitui o crédito tributário, no caso em questão, a DCTF. Antes da retificação da declaração materialização do lançamento , o crédito tributário conhecido é aquele apresentado na DCTF original. No caso em análise a Recorrente alega ser detentora de crédito das contribuições PIS e COFINS referências ao quarto trimestre de 2004, fazendo a juntada dos respectivos DARFs. Transmite declaração de compensação, mas não retifica a DCTF dos tributos que alega ter efetuado pagamento a maior, de modo a não ser possível aferir existência de crédito a compensar. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10940.902155/201268 Acórdão n.º 3003000.185 S3C0T3 Fl. 3 3 Além da mera alegação de pagamento a maior, a Recorrente não fez prova, em nenhuma fase processual, do alegado pagamento a maior, seja por meio de apresentação de livros contábeis ou notas de faturamento hábeis a análise precisa do alegado. Por bem adequarse ao caso, valhome de citação feita no Acórdão de Manifestação de Inconformidade de decisão prolatada por este Tribunal Administrativo nos autos do processo de n. 13707.001451/0087: Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. Por mais que se esteja diante de mero erro no preenchimento de DCTF é indispensável a comprovação, por via documental, sobre a existência do crédito que deseja ser homologado. DA COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DO CRÉDITO A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional pressupõe a existência de créditos e débitos tributários de titularidade do contribuinte. Conforme o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. A compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose tal procedimento a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. A Recorrente transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento a maior. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido, eletronicamente, Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. A Recorrente sustentou erro no preenchimento da DCTF originais, mas não apresentou DCTF retificadora, bem como outros meios de prova hábeis a demonstrar o crédito pleiteado, sendo imperioso o entendimento que a DCTF serve como instrumento de confissão de dívida e documento hábil a constituir crédito tributário. Fl. 65DF CARF MF 4 Ao avaliar os autos do processo administrativo e os documentos ofertados pela Recorrente, não foi possível identificar elementos probatórios que fossem suficientes para comprovar que o alegado crédito deva ser homologado. Como se pacificou a jurisprudência neste Tribunal Administrativo, o ônus da prova é devido àquele que pleiteia seu direito. Portanto, para fato constitutivo do direito de crédito o contribuinte deve demonstrar de forma robusta ser detentor do crédito ou, em situações extremas, demonstrar indícios convergentes que levem ao entendimento de que as alegações são verossímeis. Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, a qual me curvo para adotála neste voto: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." No caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Pela avaliação probatória que faço dos autos somente o recibo de entrega de DCTF à fl. 16 e os DARFs de fls. 12/15 não aclaram a existência de crédito a ser compensado. A Recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Em Fase recursal limitouse a reiterar, de forma perfunctória, as alegações primevas na espera de ter ser crédito reconhecido. Pretensão que não deve prosperar. Para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a Recorrente apresente declarações retificadoras, folhas de livros fiscais, mas apontar em cada conta/subconta o recolhimento indevido, apresentar demonstrativo de apuração das contribuições sociais contrastando o cálculo original com o retificado, identificando as rubricas de despesas que foram alteradas para reduzir o tributo devido, apontando na escrituração contábilfiscal as evidências da existência do crédito para formar o convencimento da Autoridade Julgadora. Concluo nesta análise que não há nos autos provas que demonstrem a natureza e extensão de eventuais créditos que possam ser objeto de Declaração de Compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito negarlhe provimento. Müller Nonato Cavalcanti Silva Relator. (assinado digitalmente) Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10940.902155/201268 Acórdão n.º 3003000.185 S3C0T3 Fl. 4 5 Fl. 67DF CARF MF
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