Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,159)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (16,973)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,573)
- Segunda Turma Ordinária d (15,488)
- Primeira Turma Ordinária (15,337)
- Primeira Turma Ordinária (15,334)
- Segunda Turma Ordinária d (14,073)
- Primeira Turma Ordinária (12,840)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Segunda Turma Ordinária d (12,086)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,175)
- Quarta Câmara (82,931)
- Terceira Câmara (64,543)
- Segunda Câmara (53,057)
- Primeira Câmara (17,694)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,175)
- 1ª SEÇÃO (6,730)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (118,677)
- Segunda Seção de Julgamen (111,204)
- Primeira Seção de Julgame (73,645)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,855)
- Câmara Superior de Recurs (37,418)
- Terceiro Conselho de Cont (25,940)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,068)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,335)
- HELCIO LAFETA REIS (3,250)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,817)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,595)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,385)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,948)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,876)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,837)
- 2025 (16,218)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 10860.720230/2012-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2011
IPI. SUSPENSÃO. ART. 29, LEI 10.637/02. IN SRF 296/03. REQUISITOS.
A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício fiscal de manutenção dos créditos de IPI estão condicionados à empresa adquirente atender a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária, ou seja, ser estabelecimento industrial, elaborar produtos classificados nos capítulos da TIPI enumerados no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e não ser optante pelo Simples (Federal ou Nacional), entre outros.
RESPONSABILIDADE.
Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornar-se-á imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Cumprirá a exigência, o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; ou o remetente do produto, nos demais casos.
Numero da decisão: 3401-005.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Cássio Schappo.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2011 IPI. SUSPENSÃO. ART. 29, LEI 10.637/02. IN SRF 296/03. REQUISITOS. A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício fiscal de manutenção dos créditos de IPI estão condicionados à empresa adquirente atender a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária, ou seja, ser estabelecimento industrial, elaborar produtos classificados nos capítulos da TIPI enumerados no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e não ser optante pelo Simples (Federal ou Nacional), entre outros. RESPONSABILIDADE. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornar-se-á imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Cumprirá a exigência, o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; ou o remetente do produto, nos demais casos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10860.720230/2012-64
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879214
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-005.100
nome_arquivo_s : Decisao_10860720230201264.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARA CRISTINA SIFUENTES
nome_arquivo_pdf_s : 10860720230201264_5879214.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Cássio Schappo. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7362301
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587743911936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 149 1 148 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10860.720230/201264 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.100 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria IPI Recorrente TECNOVAL LAMINADOS PLASTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2011 IPI. SUSPENSÃO. ART. 29, LEI 10.637/02. IN SRF 296/03. REQUISITOS. A saída de produtos do estabelecimento industrial com suspensão do IPI e o aproveitamento do benefício fiscal de manutenção dos créditos de IPI estão condicionados à empresa adquirente atender a todos os requisitos estabelecidos na legislação tributária, ou seja, ser estabelecimento industrial, elaborar produtos classificados nos capítulos da TIPI enumerados no art. 29 da Lei nº 10.637/2002 e não ser optante pelo Simples (Federal ou Nacional), entre outros. RESPONSABILIDADE. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. Cumprirá a exigência, o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; ou o remetente do produto, nos demais casos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Cássio Schappo. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 02 30 /2 01 2- 64 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10860.720230/201264 Acórdão n.º 3401005.100 S3C4T1 Fl. 150 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Marcos Roberto da Silva, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de impugnação ao auto de infração no montante de R$ 61.515,02 (referente a multa de ofício: IPI não lançado com cobertura de crédito), em decorrência da falta de lançamento do imposto nas saídas de produtos tributados do estabelecimento industrial por conta da utilização indevida do benefício da suspensão. A fiscalização autuou o estabelecimento por ter dado saída com suspensão à empresas equiparadas a industriais (ITAMARATY INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A, CNPJ 75.222.901/001360 e 75.222.901/002502 e MELITTA DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LIMITADA, CNPJ 62.000.278/001350), pois em face da legislação de regência, as saídas para tais estabelecimentos não poderiam ter o benefício da suspensão do IPI, com base no artigo 46, inciso III, do RIPI/2010. A fiscalização foi efetivada para verificar a legitimidade do crédito de IPI solicitado em ressarcimento por meio de PER/DCOMP. A empresa foi intimada a apresentar documentos. A fiscalização conferiu a escrituração fiscal digital e as notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa para o primeiro trimestre de 2011. O valor do IPI lançado foi deduzido do saldo credor da escrita do contribuinte, tendo seu efeito na apuração do valor do imposto a ser ressarcido, objeto do processo n° 16349.720097/201131. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, mantendo o crédito, acórdão nº 1449.241, de 18 de março de 2014. A empresa apresentou recurso voluntário: 1) Que as empresas adquirentes apresentaram declaração conforme art. 29 da Lei 10637/02, por isso caso aja alguma responsabilidade ela deve recair sobre os adquirentes; 2) Que a fiscalização baseouse apenas nas informações das empresas de que são equiparadas a industriais e por isso não se aplicaria a suspensão, não houve fiscalização para se comprovar onde foram aplicados os produtos adquiridos. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10860.720230/201264 Acórdão n.º 3401005.100 S3C4T1 Fl. 151 3 Conforme relatado a recorrente deu saída a produtos tributados, ano de 2011, com suspensão de tributos, por aplicação do art. 29 da Lei nº 10.637/2002: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados Tipi, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (...) § 2º O disposto no caput e no inciso I do § 1º aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no ano calendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a 60% (sessenta por cento) de sua receita bruta total no mesmo período. (...) § 5º A suspensão do imposto não impede a manutenção e a utilização dos créditos do IPI pelo respectivo estabelecimento industrial, fabricante das referidas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. § 6º Nas notas fiscais relativas às saídas referidas no § 5º, deverá constar a expressão "Saída com suspensão do IPI", com a especificação do dispositivo legal correspondente, vedado o registro do imposto nas referidas notas. § 7º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. (grifos nossos) Da leitura do dispositivo acima reproduzido depreendese que alguns são os requisitos que devem ser atendidos pelo produtor e pelo adquirente: 1 – saída de estabelecimento industrial; 2 destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos citados; 3 – atendimento dos termos e condições estabelecidos pela RFB; e 4 – declaração do adquirente ao vendedor que atende os requisitos estabelecidos. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10860.720230/201264 Acórdão n.º 3401005.100 S3C4T1 Fl. 152 4 A fiscalização entendeu que os adquirentes não cumpriam a condição de ser estabelecimento industrial, já que conforme declaração dos mesmos, após serem questionados pela fiscalização, eles são equiparados a industrial e a lei apenas permite a destinação a estabelecimento que se dedique a elaboração dos produtos, não havendo disposição para destinação a estabelecimento equiparado a industrial, vide acórdão nº 0203.810, de 12/02/2009 da CSRF/CARF: ... Ao contrário do que sustentou o Relator do acórdão recorrido, a equiparação prevista no art. 42 da Lei n2 4.502/64, não é para "todos os efeitos legais", mas apenas e tão somente para os "efeitos desta lei". Portanto, os estabelecimentos enumerados no art. 42 da Lei n2 4.502/64 são estabelecimentos industriais para todos os efeitos da Lei n2 4.502/64, estando, portanto, sujeitos a todos os ônus e bônus de um contribuinte do IPI. Entretanto, isto não impede que leis futuras criem regimes ou benefícios específicos para o industrial e equiparados, ou para alguns equiparados em detrimento de outros, conforme seja o desígnio que o legislador pretenda atingir. Foi o que aconteceu com o art. 52 da Lei n 9.826/99, que assim dispõe: "Art. 5 A saída, do estabelecimento industrial, ou a importação de chassis, carroçarias, peças, partes, componentes e acessórios, destinados à montagem dos produtos classificados nas posições 8701 a 8705 e 8711 da TIPI, darseá com suspensão do IPI" (grifei) Conforme se pode observar, o legislador concedeu o direito de forma taxativa apenas para os estabelecimentos industriais e a apenas a um dos equiparados a industrial enumerados no art. 92 do RIPI/98, que é o importador... De acordo com a Lei nº 10.637/2002, art. 29, as empresas adquirentes devem declarar ao vendedor que atendem todos os requisitos da Lei. E segundo consta das informações dadas pela recorrente as empresas apresentaram as declarações, claro que depois foi confirmado pela fiscalização que a declaração não condizia com a realidade. Entendo que conforme disciplinado pelo RIPI/02 a saída dos produtos dos estabelecimentos industriais devem seguir as normas expressas no RIPI e as expedidas pela RFB, e quando não forem satisfeitos os requisitos para a suspensão o imposto tornase imediatamente exigível como se a suspensão não existisse. Art. 40. Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10860.720230/201264 Acórdão n.º 3401005.100 S3C4T1 Fl. 153 5 Art.42. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. § 1º Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse. § 2o Cumprirá a exigência: I o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; II o remetente do produto, nos demais casos. Claro que só se pode exigir o imposto daquele que deixou de recolhêlo. Assim é que a empresa adquirente declara que irá cumprir os requisitos da lei, por isso a empresa produtora vende os produtos com base nessa declaração e dá saída nos produtos com suspensão. Mas em procedimento de fiscalização se ficar comprovado que os produtos não foram utilizados conforme determina a legislação devese retroagir na cadeia e cobrar daquele que deu saída com suspensão. Esse entendimento está confirmado pela Solução de Consulta nº 199, de 17/11/2003 e o acórdão nº 20174603, de 22/05/2001: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI EMENTA: IPI. SUSPENSÃO. DESATENDIMENTO DE NORMAS E REQUISITOS. RESPONSABILIDADE. As pessoas que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a suspensão de IPI estão obrigadas ao pagamento do imposto. ACÓRDÃO 20174603 – 2º Conselho. EMENTA : IPI SUSPENSÃO ART. 3o DA LEI N° 8.402/92 E DECRETO N° 452/88 – RESPONSABILIDADE Descumprindo o adquirente da mercadoria requisito de suspensão da incidência do IPI, sujeitase ao recolhimento imediato do imposto, a teor do artigo 35, I, do RIPI/82. Recurso Negado. Entretanto entendo que a empresa produtora não deve ser penalizada por um fato que não deu causa. Caso haja alguma penalidade essa deve ser aplicada a quem lhe deu causa. No caso deveria ser aplicada a sanção naquela empresa que apresentou uma declaração que não condizia com a realidade. Vide o teor da Solução de Consulta nº97, de 15/04/2003: ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: SUSPENSÃO. DECLARAÇÃO DA COMPRADORA. EXONERAÇÃO DA VENDEDORA. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10860.720230/201264 Acórdão n.º 3401005.100 S3C4T1 Fl. 154 6 Em se tratando da suspensão do IPI regulada pelo art. 29 da Lei 10.637/2002 e art. 17 da IN 296/2003, a vendedora, agindo de boa fé e desde que se certifique da autenticidade formal da declaração firmada pela compradora, eximese de responsabilidade pela veracidade e cumprimento do declarado, Assim corretamente concluiu o acórdão recorrido: Apenas atesta o entendimento de que a empresa vendedora dos insumos eximese de responsabilidade pela veracidade e cumprimento do declarado, mas, s.m.j, não afirma a responsabilidade pelo pagamento do imposto que deixou de ser recolhido. E, mesmo que assim não se entenda, não pode ser aplicada ao caso concreto por haver disposição contrária disciplinada em ato legal posterior à solução dada, ou seja, o § 2º do artigo 42 do RIPI/2010, conforme visto acima. O Art. 42 citado dispõe sobre a cobrança do tributo e penalidades cabíveis. Segundo o dispositivo o responsável pelo fato ficará sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, porém é preciso separar os responsáveis pelos fatos. O parágrafo 2º deixa claro que cumprirá a exigência o recebedor do produto quando der destinação diferente: Art.42. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. § 1º Se a suspensão estiver condicionada à destinação do produto e a este for dado destino diverso do previsto, estará o responsável pelo fato sujeito ao pagamento do imposto e da penalidade cabível, como se a suspensão não existisse. § 2o Cumprirá a exigência: I o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinação diferentes dos que condicionaram a suspensão; II o remetente do produto, nos demais casos. (grifos nossos) Concluo que duas são as figuras que concorreram para a prática e por isso merece uma leitura pormenorizada dos dispositivos citados. A empresa produtora/vendedora responde pelos tributos como se não houvesse suspensão e a empresa adquirente responderia pelo fato de ter dado destinação diversa, claro que também com refazimento do seu acerto de contas do IPI. Mas qual seria a responsabilização da empresa recebedora do produto pela destinação diversa? Para se chegar a essa conclusão devese perquirir a legislação aplicável e verificar quais as penalidades estão previstas. O certo é que à empresa vendedora foi imputada a multa de ofício: IPI não lançado com cobertura de crédito, em decorrência da falta de lançamento do imposto nas saídas Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10860.720230/201264 Acórdão n.º 3401005.100 S3C4T1 Fl. 155 7 de produtos tributados do estabelecimento industrial por conta da utilização indevida do benefício da suspensão, art. 80 da Lei nº 4.502/64, Lei do Consumo: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. § 1o No mesmo percentual de multa incorrem I os fabricantes de produtos isentos que não emitirem ou emitirem de forma irregular, as notas fiscais a que são obrigados; II os remetentes que, nos casos previstos no artigo 54, deixarem de emitir, ou emitirem de forma irregular, a guia de trânsito a que são obrigados; III os que transportarem produtos tributados ou isentos, desacompanhados da documentação comprobatória de sua procedência; IV os que possuírem, nas condições do inciso anterior, produtos tributados ou isentos, para fins de venda ou industrialização; V os que indevidamente destacarem o impôsto na nota fiscal, ou o lançarem a maior. § 2º Nos casos do parágrafo anterior, quando o produto fôr isento ou a sua saída do estabelecimento não obrigar a lançamento, as multas serão calculadas sôbre o valor do impôsto que, de acôrdo com as regras de classificação e de cálculo estabelecidas nesta lei, incidiria se o produto ou a operação fôssem tributados. § 3º Na hipótese do inciso V do § 1º, a multa regularseá pelo valor do impôsto indevidamente destacado ou lançado, e não será aplicada se o responsável, já tendo recolhido, antes do procedimento fiscal, a importância irregularmente lançada, provar que a infração decorreu de êrro escusável, a juízo da autoridade julgadora, ficando, porém, neste caso, vedada a respectiva restituição. § 4º As multas dêste artigo aplicamse, inclusive, aos casos equiparados por esta lei à falta de lançamento ou de recolhimento do impôsto, desde que para o fato não seja cominada penalidade específica. § 5º A falta de identificação do contribuinte originário ou substituto não exclui a aplicação das multas previstas neste artigo e em seus parágrafos, cuja cobrança, juntamente com a do impôsto que fôr devido, será efetivada pela venda em leilão da mercadoria a que se referir a infração, aplicandose, ao processo respectivo, o disposto no § 3º, do artigo 87. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10860.720230/201264 Acórdão n.º 3401005.100 S3C4T1 Fl. 156 8 § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; II duplicado, ocorrendo reincidência específica ou mais de uma circunstância agravante e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. § 7o Os percentuais de multa a que se referem o caput e o § 6o deste artigo serão aumentados de metade nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. § 8o A multa de que trata este artigo será exigida: I juntamente com o imposto quando este não houver sido lançado nem recolhido II isoladamente nos demais casos. § 9o Aplicase à multa de que trata este artigo o disposto nos §§ 3º e 4o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Pela leitura do caput do Art. 80 fica evidente que a multa de 75% é aplicada pela falta de recolhimento do imposto. Ora o imposto não foi recolhido, então aplicase a multa. Não existe no art. 80 atenuantes para essa autuação da fiscalização. Por isso não há que se falar em não aplicação da multa. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.006588/2009-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho.
Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade.
ARBITRAMENTO.
A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O art. 22, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: "É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho".
Numero da decisão: 2202-004.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os levantamentos "Z3 - TRANSF DO LEV COO - ATE 11/08" (06/2005 a 04/2006); "COO - COOPERATIVA UNIMED" (01/2005 a 12/2006); e, do levantamento "GLO - GLOSA DE RETENÇÃO", das obras e competências listadas na conclusão do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O art. 22, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: "É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho".
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16707.006588/2009-34
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894400
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.563
nome_arquivo_s : Decisao_16707006588200934.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 16707006588200934_5894400.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os levantamentos "Z3 - TRANSF DO LEV COO - ATE 11/08" (06/2005 a 04/2006); "COO - COOPERATIVA UNIMED" (01/2005 a 12/2006); e, do levantamento "GLO - GLOSA DE RETENÇÃO", das obras e competências listadas na conclusão do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7403205
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587752300544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 37; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 5.855 1 5.854 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16707.006588/200934 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.563 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUICOES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Recorrente CONSTRUTORA A GASPAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 65 88 /2 00 9- 34 Fl. 5855DF CARF MF 2 O art. 22, IV, da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: "É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os levantamentos "Z3 TRANSF DO LEV COO ATE 11/08" (06/2005 a 04/2006); "COO COOPERATIVA UNIMED" (01/2005 a 12/2006); e, do levantamento "GLO GLOSA DE RETENÇÃO", das obras e competências listadas na conclusão do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1137.971, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC), que julgou procedente em parte o lançamento, mantendo em parte a cobrança do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Cuidase de crédito tributário, no montante de R$3.800.648,54 (três milhões, oitocentos mil, seiscentos e quarenta e oito reais e cinqüenta e quatro centavos), constituído por meio do AI 37.054.2959, sob o protocolo n.º16707.006588/200934 no Fl. 5856DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.856 3 Ministério da Fazenda, envolvendo, exclusivamente, contribuições sociais patronais, relativas às competências 01/2005 a 12/2006. Mencionadas contribuições sociais são concernentes a: I remunerações de segurados empregados, relativas a obras de construção civil de responsabilidade da empresa supracitada. Assinala o Fisco divergências verificadas entre os salários registrados na contabilidade em confronto com aqueles declarados em GFIP (cf. quadro do item 1 do relatório fiscal, fls. 105/119). Acresce, ainda, que desconsiderou a contabilidade, porque a mesma não registrava quer a totalidade da folha de pagamento (cf. quadros às fls. 124/5 do relatório fiscal), quer as Notas Fiscais especificadas no quadro de fl. 126 do mesmo relatório, motivo pelo qual aferiu as citadas remunerações com base no art. 33, § 6o, da Lei n.º 8.212/91 c/c art. 600 da IN SRP n.º 03/2005 (Levantamento NF); II serviços tomados de outras pessoas jurídicas: a) Mediante cessão de mãodeobra, com retenção de contribuições sociais, sem recolhimentos, conforme quadro do item 7 do citado relatório fiscal à fl. 122 (levantamentos RN1 a RN4); b) Por intermédio de cooperativa de trabalho, consoante quadro de fl. 121 do citado relatório fiscal (Levantamento COO) III glosa de compensação, por divergência entre as retenções de contribuições sociais, destacadas nas NFS emitidas pela empresa, em relação àquelas informadas em GFIP, de acordo com quadro do item 8 do mesmo relatório fiscal de fls. 122/123 (Levantamento GLO); IV gastos com fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados, sem comprovação de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. V remunerações de pessoal da administração (levantamento CON) Ainda, foram lançadas diferenças de acréscimos legais: VI Levantamento DAL, em decorrência de recolhimentos de contribuições sociais em atraso, com acréscimos legais a menor; VII Levantamentos R1 a R7 e R10, pertinentes a retenções de contribuições sociais, feitas pela empresa supracitada, com erro na informação do respectivo mês nas correspondentes GPS, em confronto com as datas constantes das NFS a que aludem as citadas guias, consoante quadro do item 4 do relatório fiscal, à fl. 120. Cientificada do lançamento em 18/12/2009, conforme aviso de recebimento postal à fl. 259, a empresa manejou impugnação (fls. 268/321), em 18/01/2010, ocasião em que argúi, em síntese: Fl. 5857DF CARF MF 4 A Improcedência do arbitramento, porque: I As notas fiscais apontadas pela fiscalização foram devidamente contabilizadas e a omissão contábil das folhas de pagamento referemse apenas ao ano de 2005, não havendo cabimento para o arbitramento do ano de 2006; II houve cerceamento de defesa, dado que, no arbitramento, não foram explicitados os percentuais utilizados para cada obra, nem identificados os documentos fiscais utilizados para a sua feitura, requerendo, assim, elaboração de demonstrativos por obra; III somente foram deduzidos créditos nos meses em que houve lançamento fiscal; IV extensão do arbitramento a outras obras, nas quais não foram apontadas quaisquer irregularidades; V no tocante à acusação de que não contabilizou as notas fiscais, salienta que a receita deve ser contabilizada quando o serviço for prestado, independente da emissão da nota fiscal. Também, salienta que, quando emitidas as citadas notas, devese levar em consideração os períodos de prestação dos serviços nelas indicado. B Improcedência das diferenças de GFIP X Contabilidade acusa inexistirem as diferenças consignadas no processo, requerendo a retificação do lançamento. Passa a tecer considerações por CEI/obra: I CEI 50.004.00328/71 OBRA PR030; CEI 50.016.95806/75 OBRA PB006; CEI 50.023.40802/70 OBRA RN243; CEI 50.020.77490/74 OBRA RJ035; CEI 50.023.58653/78 OBRA RN244; CEI 50.019.58931/76 OBRA RJ033; CEI 50.016.917/76 OBRA AM 100 as diferenças apontadas advêm de verbas não sujeitas à contribuição previdenciária, pagas em rescisões de contrato de trabalho, como saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional. II CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033 as diferenças, segundo planilha de fls. 279/280, advêm de verbas rescisórias não tributáveis e de valores pagos à pessoa jurídica (SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda); III CEI 50.020.37627/79 diz que os lançamentos assinalados pelo fisco para referida matrícula são da OBRA RJ034 e não da OBRA SC011 e que as diferenças decorrem de verbas rescisórias não sujeitas à tributação. C Acréscimos legais indevidos não vê qualquer irregularidade na forma de contabilização das GPS código 2631 (retenções de contribuições sociais por serviços tomados de outras pessoas jurídicas). D Correta contabilização das Notas Fiscais diz que as NF 22939; 18892 e 94, apontadas no item 5 do relatório fiscal como não contabilizadas e motivadoras do arbitramento no exercício de 2006, foram registradas à fl. 237 do livro diário respectivo. Fl. 5858DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.857 5 Acresce que a NF 18892 corresponde, na verdade, ao valor de R$ 609,23, sendo relativa a serviços de corte e dobra de ferro, não sujeitos à retenção. E Recolhimento dos valores retidos, constantes das NF apontadas no item 7 do relatório fiscal, requerendo sua exclusão do processo em pauta. F Cobrança indevida de contribuições previdenciárias sobre faturas UNIMED, dado que não se trata de cooperativa de trabalho. G Falta de apropriação de créditos referentes ao estabelecimento /000187 a fiscalização listou GPS pagas, com valores incorretamente apurados. Assinala, no item 108 de sua impugnação (fls. 293/294), as diferenças que o fisco deixou de computar. Acusa, ainda, divergências entre valores constantes do relatório de documentos apresentados RDA e da apropriação efetuada nos meses que especifica no item 111 de sua impugnação, requerendo a corresponde retificação. H Levantamento "CON Salários Administrativos", para o estabelecimento /000187, sem detalhamento de origem das bases de cálculo, cerceando o exercício do direito de defesa. I Não dedução das contribuições sociais: 1.1 retidas pelos tomadores elencados às fls. 298/306. Acresce, também, não terem sido deduzidas as retenções sobre serviços de subempreiteiros. 1.2 referentes ao 13º salário nas obras que especifica (itens 144 e 149 de sua defesa); J Lançamentos indevidos nos estabelecimentos: CEI 50.019.58931/76 OBRARJ 033, na competência 10/2006, com base em NF no valor de R$ 95.485,28. Diz que não existe referida NF, requerendo, assim, o cancelamento dos tributos lançados; CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033, na competência 12/2005, porque concernentes a outra obra (PR032). L Indevida exigência de contribuições sobre alimentação fornecida in natura. Contesta não apenas a incidência, como a forma de apuração da base de cálculo. M Glosa de compensação diz que os erros nos recolhimentos foram produzidos pelos tomadores de serviços e não pela empresa, não podendo, assim, ser responsabilizada. N Lançamentos relativos aos estabelecimentos 70.001.25497/70 E 70.001.25522/75, integrantes do DD Discriminativo do Débito, sem qualquer referência aos documentos sobre os quais se efetivaram, nem os percentuais adotados, cerceando seu direito de defesa. Fl. 5859DF CARF MF 6 Por fim, requer diligência, juntando documentos às fls. 321/334, como elementos probatórios. O feito foi convertido em diligência (fls. 346/349), ocasião em que o fisco voltou a se pronunciar (fls. 352/367), especificando, dentre outros pontos: a) a elaboração de quadro demonstrativo da forma de aferição indireta da remuneração dos segurados empregados por NFS (fl. 353/362); b) em relação às Notas Fiscais, apontadas como não contabilizadas, consoante quadro de fls. 126, atesta que a NF 022939, emitida em 27/01/2006, foi lançada contabilmente somente em 02/2006, com inobservância ao princípio da competência; a NF 18.892 foi informada erroneamente no relatório fiscal (na verdade, tratase da NF 18.982); reconhece que a NF 094 foi contabilizada; c) reconhecimento da existência de recolhimentos não deduzidos do lançamento de valores retidos de outras pessoas jurídicas, relativos às competências 04/2005 (levantamentos RN3)e 11/2005 (levantamento RN1); d) detalhamento do levantamento CON, esclarecendo tratarse de contribuições sociais incidentes sobre salários pagos aos empregados da administração, bem como valores pagos a título de salário alimentação, ambos especificados no quadro de fl. 365. Cientificada da diligência, consoante fl. 366/7, em 17/04/2011, a empresa não aditou sua impugnação inicial. O feito foi novamente convertido em diligência para que o fisco apontasse os valores lançados a título de alimentação (fl. 5721), dada a nova orientação emanada do Parecer PGFN/CRJ n.º 2117/2011 , tendo a mesma sido atendida, consoante fls. 5722/3, com ciência do fato ao sujeito passivo, conforme fl. 5745/6, que, mais uma vez, mantevese inerte. A impugnação da recorrente foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/REC, que excluiu do levantamento RN1, a competência 11/2005, e do levantamento RN3, a competência 04/2005; deduziu ainda do levantamento CON, os seguintes valores: Comp. Contribuição Social a Deduzir (R$) 09/2005 521,54 10/2005 573,96 11/2005 820,22 12/2005 656,66 01/2006 696,18 02/2006 303,87 03/2006 681,07 05/2006 1.031,50 06/2006 698,38 07/2006 699,12 08/2006 669,18 Fl. 5860DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.858 7 09/2006 703,70 10/2006 1.106,30 11/2006 738,99 12/2006 431,79 Total 10.332,46 Referida decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTABILIDADE. DESCONSIDERAÇÃO. ARBITRAMENTO. Encontra amparo legal o arbitramento das contribuições sociais, feito pela fiscalização, quando constata que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a serviço da empresa. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE STJ E PARECER PGFN. A jurisprudência pacífica das cortes superiores do país e o entendimento esposado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, acerca da não incidência de contribuições sociais sobre despesas relativas a fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados, determinam a revisão do lançamento entabulado, relativamente à citada exação, com retificação do crédito para exclusão de mencionada rubrica. RECOLHIMENTOS. COMPROVAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. Cabível é a retificação do crédito, em relação a contribuições sociais retidas de pessoas jurídicas, por serviços tomados mediante cessão de mãodeobra, quando comprovadamente recolhidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/REC em 14/02/2014. Inconformada com a decisão, postou Recurso Voluntário em 12/03/2014 (efls. 5794), repisando os argumentos da impugnação, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora Fl. 5861DF CARF MF 8 O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Das preliminares Da nulidade do acórdão recorrido. Inocorrência Ao longo de todo o recurso voluntário a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado porque a autoridade julgadora deixou de analisar documentos juntados à impugnação, e por não haver pronunciamento sobre os quesitos apresentados em impugnação. Sem razão a recorrente, que não especifica qual ou quais documentos o julgador deixou de analisar. Extraio do acórdão recorrido os seguintes trechos (efls.5760): A eventual divergência entre as datas da prestação de serviço e da emissão das respectivas notas fiscais, para fins de sua contabilização, tampouco restou demonstrada pela impugnante nos autos, não havendo como acolher a irresignação na matéria. Não prospera, também, a argüição de cerceamento de defesa, em relação ao citado arbitramento, dado que o Fisco o explicitou, por meio da planilha de fls. 352/362, da qual teve pleno conhecimento, consoante fl. 366/7, especificando os percentuais utilizados para cada obra e as NF utilizadas. No tocante às deduções feitas, a empresa não demonstrou possuir créditos, além daqueles considerados pelo Fisco, que pudessem ser abatidos das competências lançadas. Quanto ao argumento de extensão do arbitramento a obras sem irregularidades, a impugnante não evidenciou quais eram, tampouco comprovou a alegada regularidade contábil das mesmas, resultando, assim, desprovida de sustentação sua insatisfação. Da transcrição acima, ao contrário do que afirma a recorrente, considero que o julgador a quo apreciou os documentos acostados à impugnação. Sem entrar no mérito se tal apreciação está correta ou não, o fato é que ela entendeu que eles não foram suficientes para sustentar as alegações da Recorrente. Além disso, consta nos autos que o processo foi baixado em diligência para que fossem sanadas dúvidas em relação a todos os argumentos da recorrente referenciados por documentos acostados à impugnação (efls. 349/352). É certo que do resultado da diligência, o julgador forma seu livre convencimento, baseado em elementos acostados aos autos, fatos narrados pela fiscalização e argumentos trazidos na defesa, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a faculdade de solicitar diligências para formação de sua convicção, podendo a seu critério valorar as provas trazidas aos autos: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 5862DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.859 9 Assim, não cabe ao julgador fazer batimentos de dados constantes em todos os documentos acostados à impugnação, principalmente quando deixaram de ser apresentados ao longo do procedimento fiscal, e cuja apreciação poderia demandar análises ou recálculos mais específicos que, naquele momento, a autoridade autuante estaria mais apta a fazêlos. Quanto ao argumento de que a autoridade julgadora não se pronunciou sobre os quesitos apresentados em impugnação, entendo que o deferimento da diligência e respectivo resultado continuem prova suficiente de que os questionamentos postos pela recorrente foram considerados. Frisese que no deferimento da diligência, a autoridade julgadora fez vários questionamentos que julgou necessários, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não vislumbro qualquer cerceamento de defesa à recorrente, visto que as suas alegações foram apreciadas pelo julgador a quo, ao longo de todo o acórdão recorrido. Da diligência. Perícia A recorrente solicita a realização de diligência, apresentando quesitos. Entretanto, não vejo necessidade para o deferimento. O Termo de Verificação Fiscal, a Informação Fiscal resultante da diligência, e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pelo autuante, a forma de apuração da base de cálculo, e os valores e diferenças apuradas, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento. Entretanto, mesmo após a realização de diligência determinada pelo julgador a quo, a recorrente nada complementou em sua impugnação, cujas alegações foram repetidas no Recurso Voluntário. Por isso, desnecessária a diligência nesta fase, uma vez que o Auto de Infração apresenta os elementos para formação da convicção do julgador. Ressaltese que o fato de a recorrente ter denominado seus questionamentos para a diligência como quesitos não o caracteriza como solicitação de perícia, visto que esta demanda requisitos necessários ao pedido, nos temos do inciso IV e § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifei). Portanto, indefiro o pedido de diligência por entendêlo prescindível à solução do litígio. Fl. 5863DF CARF MF 10 Do mérito Arbitramento A recorrente alega que as irregularidades apontadas pela fiscalização para o ano de 2006 não eram suficientes para o arbitramento, pois o Auditor Fiscal reconheceu que a Nota Fiscal nº 94, emitida pela J. Balbino Reps Coml Ltda foi contabilizada, e depois afirmou o que número correto da nota fiscal da Manchester Serv. Constr. Ltda era 18982, e não 18892. Ressaltou que mesmo na impugnação comprovou que a nota fiscal 18892 foi contabilizada (item 98 da impugnação). Além disso, a recorrente assevera que a omissão quanto à contabilização das folhas de pagamento se deu apenas no ano de 2005, estando a de 2006 em perfeita ordem. Como se vê, a controvérsia está na motivação do arbitramento efetuado pela fiscalização, relativo ao ano de 2006, visto que a recorrente reconheceu a falta de contabilização das folhas de pagamento relativas a 2005. Então, vamos analisar por partes os motivos que levaram a fiscalização a proceder ao arbitramento. Em relação à falta de contabilização das notas fiscais, o Auditor Fiscal respondeu o seguinte, no resultado da diligência solicitada pelo órgão julgador a quo (efls. 366/367): Letra G. Argumentação do contribuinte: "houve a contabilização das NF 22939 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 661,86), 18892 (folha 237 do Diário, no valor de RS 609,23) e 094 (folha 478 do Diário, no valor de RS 14.734.00) e, em relação à NF 18982, citada como sendo de R$ 14.734,00, é, na verdade, NF de prestação de serviço de corte e dobra de ferro, no valor de R$ 609,23, não sujeita a retenção Esclarecimentos da auditoria: A nota fiscal 022939, da empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA SA, CNPJ 33.146.648/000120, data de emissão em 27/01/2006, folha 198 do processo, somente foi contabilizada em 02/2006, deixando de observar o princípio contábil da competência, conforme se pode observar na pg 237 do diário geral 59. Já a nota fiscal de Manchester Serviços de Construção Ltda, CNPJ 02.687.270/000148, emitida em 30/01/2006, foi equivocadamente informada no relatório fiscal como sendo a de no. 18.892, quando na realidade o número correto é 18.982, mas entendemos que a citação equivocada do número da nota no relatório fiscal não modifica o fato constatado, até por que (sic) a cópia da nota foi anexada aos autos, fl. 200. Cabe retificação o registro contábil de J. Balbino Reps Coml. Ltda, visto que o contribuinte demonstrou sua contabilização. Analisando os documentos constantes nos autos, entendo que o número da nota fiscal emitida pela Manchester Serv. Constr. Ltda., a qual a auditoria faz referência no Relatório Fiscal só poderia ser a 18982, porque é a única nota no valor de R$ 5.071,78, que espelha o documento constante às efls. 203, confirmando que o Auditor Fiscal cometeu apenas um erro de numeração em seu relato fiscal. Dito isso, verifico que a nota fiscal nº 18982, sobre Fl. 5864DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.860 11 cuja falta de contabilização se insurgiu a fiscalização, aparece contabilizada no Livro Diário no dia 28/02/2006, no valor de R$ 609,23 (efls. 2410), apesar de a referida nota ter sido emitida em 30/01/2006, no valor de R$ 5.071,78 (efls. 203). Portanto, entendo que a contabilização da referida nota fiscal não espelhou o que nela constava. Da mesma forma, a nota nº 022939, foi emitida pela Concremat Eng. Tecnologia S/A em 27/01/2006 (efls. 201), mas está contabilizada no Diário Geral na data de 28/02/2006 (efls. 2410). Acrescento que, a decisão pelo lançamento por arbitramento não decorreu apenas da falta de contabilização das citadas notas fiscais, mas pelos seguintes fatos, conforme relato fiscal: a) Deixar o sujeito passivo de apropriar a folha de pagamento dentro do mês em que ocorrer a prestação de serviços, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher. Este descumprimento ocorreu quando houve a falta da contabilização das folhas de pagamento dentro do período a que se referiram, como foi demonstrado nas planilhas apresentadas no item 2.1 b) Deixar o tomador de provisionar notas fiscais de serviços dentro do mês em que os serviços foram prestados, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher; (Grifei) Além disso, o Auditor Fiscal informa ter constado divergência entre os salários contabilizados nos Livros Diários de 2005 e 2006 e os declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, apresentando planilha (item 2.1) com as respectivas divergências (efls. 108/122). Considerando esses fatos, apesar de a recorrente dizer que não haveria motivos para arbitrar o ano de 2006, entendo de forma diversa. Pela planilha constante no Relatório Fiscal (item 2.1) é possível ver que as divergências entre a escrituração contábil dos salários e o declarado em GFIP persistiram no exercício de 2006. E, mesmo intimada a justificar as divergências, a recorrente não apresentou elementos suficientes para isso. Diante da inércia, a auditoria seguiu o que determina a legislação, efetuando o arbitramento. A recorrente ainda afirmou que tais diferenças se referiam a verbas rescisórias não sujeitas à tributação. Contudo, isso não restou comprovado pelos documentos acostados à impugnação, conforme se verá mais adiante, não merecendo reparos a afirmação da auditoria fiscal de que os custos com remuneração não estavam corretamente contabilizados. Lembro à recorrente que, a auditoria fiscal enumerou por obra e competência, os salários não contabilizados nas competências de 2005 (fls. 124/125) e as divergências entre os salários contabilizados e os declarados em GFIP, neste caso, incluídas as competências de 2006 (efls. 108/122). Portanto, não há fundamento na afirmação da defendente de que as irregularidades contábeis se restringiram apenas aos fatos geradores de 2005. A recorrente alega ainda que, a falta de contabilização de uma única nota fiscal não seria motivo para o arbitramento. Ocorre que, conforme visto acima, também houve falta/divergências de escrituração contábil dos salários dos segurados. Considero que esses Fl. 5865DF CARF MF 12 fatos em conjunto são suficientes para o arbitramento, nos termos da legislação previdenciária aplicada ao caso: Lei nº 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifei). RPS/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(Grifei) Além disso, o argumento da recorrente de que os dados das GFIP's seriam suficientes para apurar o movimento real dos salários, não se sustenta. Os salários declarados em GFIP divergiam dos contabilizados, e a recorrente não apresentou documentos suficientes que demonstrassem quais deles estavam corretos, sendo necessário que a apuração da verdade se efetuasse por outros meios, dispostos em lei e atos normativos. Também não vejo razão ao argumento de que o arbitramento se daria apenas nos casos de vícios insanáveis, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que, o arbitramento relativo às contribuições previdenciárias tem legislação específica, conforme transcrição acima, a qual foi aplicada corretamente pela fiscalização. Ademais, a legislação não quantifica os registros errados para que a contabilidade seja desconsiderada, mas assevera "a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados". E, entendo que a fiscalização conseguiu demonstrar que isso efetivamente ocorreu. Fl. 5866DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.861 13 Aliás, analisando a forma de contabilização dos salários, as folhas de pagamento e as rescisões acostadas à impugnação (efls. 375/2935), e comparando os valores constantes nesses elementos, percebese que a maioria deles não corresponde com o registro contábil. Como exemplo, podemos citar os abaixo: Dados extraídos do Relatório Fiscal Dados extraídos dos documentos acostados à impugnação Contabilidade GFIP Folhas de Pagamento/Planilhas FP Compe tência CEI Rescisões Contab Salário Contab Total Contab Gfip Refisc 13 gfip Refisc Total Gfip Sal FP Salário Fam FP Base Inss FP Total Rescisões jun/06 5001691776/73 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 2.900,00 13.351,70 jan/06 5001695806/75 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 2.017,02 abr/06 5001695806/75 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 4.250,73 jun/06 5001695806/75 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 13.244,12 out/06 5001695806/75 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 2.391,94 jan/06 5001958931/76 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 61.169,73 224,85 3.878,71 fev/06 5001958931/76 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 50.440,42 239,84 607,93 mar/06 5001958931/76 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 29.772,51 104,93 1.988,59 abr/06 5001958931/76 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 24.610,62 110,18 11.714,12 mai/06 5001958931/76 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 22.777,35 mar/06 5001964708/77 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 48.939,16 36.928,94 20.951,51 jun/06 5001964708/77 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 30.930,72 26.955,21 3.425,82 jul/06 5001964708/77 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 27.005,84 25.497,58 5.534,02 ago/06 5001964708/77 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 26.339,76 22.755,60 7.132,79 set/06 5001964708/77 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 28.825,49 21.076,57 11.788,56 out/06 5001964708/77 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 19.239,95 15.971,81 5.583,40 nov/06 5001964708/77 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 33.898,05 18.718,42 29.609,80 dez/06 5001964708/77 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 7.731,75 4.654,72 4.634,26 jan/06 5002037627/79 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 11.530,88 59,96 2.582,38 mar/06 5002037627/79 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 27.322,96 0,00 15.563,26 abr/06 5002037627/79 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 54.604,22 0,00 12.083,13 mai/06 5002037627/79 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 54.068,69 648,28 9.770,17 jun/06 5002037627/79 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 5.514,88 0,00 14.445,49 jan/06 5002077490/74 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 8.960,81 0,00 276,46 fev/06 5002077490/74 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 44.210,21 648,42 86,53 mar/06 5002077490/74 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 30.293,49 581,17 1.993,87 abr/06 5002077490/74 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 53.182,46 884,38 2.647,41 mai/06 5002077490/74 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 73.680,58 236,10 5.986,94 jun/06 5002077490/74 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 138.200,47 1.737,28 12.773,64 jul/06 5002077490/74 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 66.314,43 774,20 6.130,78 ago/06 5002077490/74 59.133,22 51.675,69110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 51.675,68 141,66 59.390,28 nov/06 5002077490/74 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 8.402,60 0,00 64.334,68 dez/06 5002077490/74 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 10.994,43 282,38 16.301,20 set/06 5002340802/70 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 2.510,80 223,40 235,20 out/06 5002340802/70 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 5.441,26 134,04 1.008,54 nov/06 5002340802/70 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 3.261,00 111,70 1.293,06 set/06 5002358653/78 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 6.052,10 513,82 807,27 out/06 5002358653/78 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 10.605,29 759,56 425,70 nov/06 5002358653/78 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 11.591,23 714,88 2.451,64 A recorrente insurgese quanto à afirmação do julgador a quo de que ela não teria comprovado a alegada regularidade contábil das obras, a fim de que não fosse estendida a estas o arbitramento. Arrazoa que os livros Diário e Razão foram juntados aos autos para que o Fisco procedesse às verificações necessárias. Ocorre que a auditoria informou ter verificado a contabilidade da fiscalizada, e, como vimos, apontou várias divergências. Então, se efetuou a apuração das obras por Fl. 5867DF CARF MF 14 arbitramento, é porque considerou que a contabilidade não evidenciava a verdade real. Assim, caberia à recorrente, apontar por obra quais eventos provariam que elas estavam perfeitamente contabilizadas. Entretanto, a recorrente não se incumbiu de tal intento, pois analisando os documentos juntados à impugnação, constatase a existência de divergências, que apenas corroboram o afirmado pela fiscalização. A recorrente assevera que o julgador a quo não se manifestou sobre a diligência requerida e os quesitos a serem respondidos pelo Fisco. Pelo contrário, a autoridade julgadora deferiu o pedido de diligência, conforme despacho 911 (efls. 349/352), direcionando os questionamentos para a auditoria fiscal, que em ampla Informação Fiscal (efls. 355/370) respondeu a todos os pontos alegados. A recorrente afirma que apesar de ter sido cientificada do relatório de diligência e não ter se manifestado, teve cerceado seu direito de defesa, porque os livros Diário e Razão não lhe foram disponibilizados. Ora, tal alegação não tem qualquer sustentação, visto que esses livros são elaborados pela própria empresa, e não há qualquer prova nos autos de que a fiscalização os tenha apreendido e não os tenha devolvido. Além disso, cópia deles foram acostadas à impugnação (efls. 3302/5600), possuindo a recorrente a faculdade de vista e de pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Assim, se não dispunha deles para confrontar o resultado da diligência deveria ter solicitado cópia do processo da mesma forma que fez antes da apresentação da impugnação, em 29/12/2009 (efls. 265). Por todo o exposto, entendo que o lançamento por arbitramento teve motivação, não havendo razão para reforma do acórdão recorrido, nessa parte. Da improcedência do lançamento relativo às diferenças entre GFIP e contabilização dos salários. A recorrente afirma que não existiram as diferenças apontadas pela fiscalização, entre o salário escriturado na contabilidade e o declarado em GFIP, porque existem verbas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Cita, por obra, documentos anexos à impugnação que comprovariam o alegado. Entendo de forma contrária. A análise desses documentos, cujos dados foram apresentados na tabela da seção anterior, confirma a divergência apontada pela fiscalização, pois os valores constantes nas folhas de pagamento apresentam base de cálculo de INSS diferente do valor declarado em GFIP; o valor total de vencimentos constante nas planilhas de salários é diferente do valor de salários contabilizado; as rescisões não estão escrituradas por obra; em algumas obras a recorrente contabiliza apenas as rescisões, noutras contabilizada o somatório dos salários com as rescisões, sem discriminação das verbas sobre as quais incide contribuição previdenciária. A recorrente afirma que as diferenças entre o salário contabilizado e as GFIP's encontradas pela fiscalização nas obras 50.016.95806/75, 50.019.64708/77, 50.023.40802/70, 50.02077490/74, 50.023.58653/78, 50.019.58931/76, 50.020.37627/79, 50.019.58931/76, 50.016.91776/73 se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Entretanto, não aponta, por competência, quais seriam essas verbas, pois pelas rescisões apresentadas existem diversas rubricas: Verbas constantes nas rescisões apresentadas Fl. 5868DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.862 15 Int Hora Extra DSR Int Ad Not 13 sal Aviso Previo Indenizado Ad not prop Saldo Salário 1/3 férias 13º Salário DSF Int Hora Extra 13 Salário Hora Extra 13 Salário Inden. Hora Extra 50% Férias vencidas Hora Extra 70% Férias proporc. Hora Extra 100% Int Hora Extra férias venc Passagem Int Hora Extra férias ind t serv 14a cc Int Ad Not Férias prop ind t serv 15a cc Int Ad Not Férias venc art. 479 CLT Analisando essas rubricas, a tabela abaixo apresenta as que poderiam guardar relação com as verbas rescisórias que a empresa menciona às fls. 5804 e seguintes, sobre as quais afirma que não incidiria contribuição previdenciária (saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional): Verbas constantes nas rescisões apresentadas Aviso Previo Indenizado Int Ad Not Férias prop Férias vencidas Int Ad Not Férias venc Férias proporc. 1/3 férias Int HE férias venc Salário Família Int HE férias art. 479 CLT Pois bem, mesmo excluindo as verbas rescisórias consideradas pela empresa (verbas constantes nas rescisões apresentadas) e pela legislação previdenciária como não sujeitas à incidência de contribuição previdenciária1, continuam existindo divergências entre o valor de salário contabilizado e o valor declarado em GFIP, conforme planilha abaixo, que apresenta uma amostragem da análise dos documentos acostados à impugnação2: CompetênciaCEI (A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa (B) Verbas Rescisórias sobre a quais não incide CP versão SRF (C) Rescisões contabilizadas (D) Salário contabilizado (E) Total Salário Contabilizado (C+D) (F) Gfip Refisc (G) 13 Gfip Refisc (H) Total GFIP (F+G) (I) Diferença Contabilidade GFIP (EH) jun/06 5001691776/73 10.421,06 12.514,34 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 7.688,48 jan/06 5001695806/75 1.576,42 1.638,99 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 1.576,42 abr/06 5001695806/75 1.503,21 2.239,83 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 2.239,83 jun/06 5001695806/75 8.954,23 11.915,05 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 8.752,68 out/06 5001695806/75 1.621,65 2.067,59 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 1.621,65 jan/06 5001958931/76 1.569,53 1.721,74 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 737,69 fev/06 5001958931/76 373,11 491,40 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 156,71 mar/06 5001958931/76 785,90 1.200,75 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 526,21 abr/06 5001958931/76 6.215,22 7.856,49 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 8.033,60 mai/06 5001958931/76 11.383,42 15.512,46 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 15.885,82 mar/06 5001964708/77 7.096,84 7.747,28 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 11.980,24 1 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/pagamentoseparcelamentos/emissaoepagamentode darfdasgpsedae/calculodecontribuicoesprevidenciariaseemissaodegps/tabeladeincidenciade contribuicao 2 Como algumas rescisões estavam ilegíveis, foram desconsideradas como amostra, as competências a que elas se referiam. Fl. 5869DF CARF MF 16 jun/06 5001964708/77 1.849,79 2.298,01 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 3.858,51 jul/06 5001964708/77 2.527,45 3.472,87 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 17.698,56 ago/06 5001964708/77 3.511,34 4.781,49 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 3.549,12 set/06 5001964708/77 5.784,21 8.402,83 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 6.002,72 out/06 5001964708/77 2.895,56 4.430,80 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 3.249,87 nov/06 5001964708/77 13.222,62 21.074,96 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 15.179,63 dez/06 5001964708/77 3.099,12 4.291,08 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 3.077,03 jan/06 5002037627/79 1.488,18 1.619,48 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 1.558,19 mar/06 5002037627/79 7.296,74 9.369,32 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 9.120,63 abr/06 5002037627/79 6.955,19 8.548,70 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 8.305,19 mai/06 5002037627/79 4.570,43 6.435,69 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 7.421,87 jun/06 5002037627/79 9.159,35 11.676,58 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 1.332,39 jan/06 5002077490/74 106,32 106,32 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 174,81 fev/06 5002077490/74 0,00 0,00 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 280,17 mar/06 5002077490/74 1.050,47 1.247,42 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 1.350,51 abr/06 5002077490/74 1.238,57 1.565,35 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 812,69 mai/06 5002077490/74 1.868,54 3.021,39 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 4.523,63 jun/06 5002077490/74 7.031,34 9.590,59 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 14.896,33 jul/06 5002077490/74 3.119,86 4.535,82 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 3.463,56 ago/06 5002077490/74 23.057,51 36.026,26 59.133,22 51.675,69 110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 30.973,45 nov/06 5002077490/74 20.565,89 34.713,54 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 30.351,45 dez/06 5002077490/74 8.760,26 13.132,83 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 9.900,26 set/06 5002340802/70 79,73 139,53 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 79,73 out/06 5002340802/70 404,77 733,51 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 404,77 nov/06 5002340802/70 378,66 647,58 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 378,66 set/06 5002358653/78 663,84 783,36 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 345,51 out/06 5002358653/78 156,76 246,40 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 156,82 nov/06 5002358653/78 568,72 939,26 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 419,39 Ora, se a empresa afirma que as divergências apontadas pela fiscalização se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide contribuição previdenciária, é certo que as colunas "(A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa" e "(I) Diferença Contabilidade GFIP (EH)" deveriam ser iguais. Entretanto, isso não ocorre, o que corrobora que as diferenças realmente existiram. Dessa forma, considerando que o Auditor Fiscal efetuou o lançamento por arbitramento, diante das inconsistências entre a contabilidade e os documentos apresentados, caberia à recorrente o ônus da prova, nos termos do § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Entretanto, conforme demonstrado nas planilhas acima, a recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes que pudessem contradizer o lançamento. Primeiro, porque os documentos acostados à impugnação apenas ratificam o afirmado pela fiscalização: a necessidade de arbitramento em decorrência de divergência nos registros contábeis. Segundo, os documentos apresentados não foram suficientes para demonstrar a real base de cálculo, considerando que a maioria das folhas de pagamento apresentadas estão em desacordo com as formalidades exigidas pela legislação previdenciária: não há discriminação das verbas sobre as quais incide ou não contribuição previdenciária; a maioria delas se trata de planilhas com valores de salário, algumas contém assinatura dos segurados, outras não; o somatório das verbas constantes nos termos de rescisão contratual divergem dos valores contabilizados. Além disso, não foram anexados documentos de todas as obras objeto do lançamento, pois os documentos constantes nos autos referemse às seguintes: Documentos apresentados relativos diferença FPxGFIP Matrícula CEI OBRA Localização nos autos, efls 50.016.95806/75 PB 006 416/534 (doc 2) 50.016.93906/71 SE 001 não vieram rescisões 50.016.91776/73 AM 100 2007/2418 (doc 9) 50.019.64708/77 PR 033 764/1111 (doc 3) Fl. 5870DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.863 17 50.019.58931/76 RJ 033 1688/1861 (doc 7) 50.020.37627/79 RJ 034 1865/2003 (doc 8) 50.020.77490/74 RJ 035 1213/1544 (doc. 5) 50.023.40802/70 RN 243 1113/1210 (doc 4) 50.023.58653/78 RN 244 TRE 1548/1685 (doc. 6) 50.004.00328/71 PR 030 375/413 (doc. 1) Assim, a recorrente não apresentou qualquer outro documento relativo às demais obras, não se incumbindo do ônus de provar que os fatos narrados pela fiscalização eram inverídicos. A recorrente assevera que teve seu direito de defesa cerceado, porque os documentos anexos à impugnação não foram analisados, pois o julgador deveria têlos confrontado com os dados do Diário e Razão que estavam em poder do Fisco. Diz ainda que, a fundamentação do acórdão, quanto à alegação de que as diferenças apontadas pelo Fisco decorreriam das rescisões, foi genérica e omissa. Não vejo razão à recorrente. O julgador a quo, diante dos questionamentos da recorrente, baixou o processo em diligência, de cujo resultado concluiu que a defesa não conseguiu comprovar todas as alegações. Para as que houve comprovação, foram efetuadas as respectivas exclusões. Ademais, quando a recorrente afirma que as diferenças apontadas pela fiscalização decorrem de verbas de rescisão, e tais valores não batem com os termos de rescisão apresentados, não vejo em que ponto a DRJ/Recife tenha destoado do que verificou nos autos, pois vislumbro das mesmas inconsistências, conforme demonstrado nas planilhas anteriormente apresentadas. Neste ponto, há que ser lembrado que a fiscalização efetuou o lançamento por aferição indireta. Em função disso, cabe a este colegiado analisar se houve motivação para tal, e se a recorrente se incumbiu do ônus da prova em contrário. Situações essas que não vislumbro em seu arrazoado. Por isso, considero correta a decisão pela aferição indireta. Com relação à MATRICULA CEI nº 50.004.00328/71 OBRA PR030, de acordo com o Discriminativo de Débito DD (efls. 10/30) não houve débitos neste auto de infração, não prosperando qualquer alegação em relação a ela. Com relação à MATRICULA 50019647008/77 OBRA PR033, cabe observar que para fins de determinar as divergências entre o salário escriturado e o declarado em GFIP, não se levou em consideração os valores relativos aos serviços prestados por pessoas jurídicas, tais como os abaixo (que não são passíveis de declaração em GIFP); mas, mesmo os excluindo do batimento, as diferenças permaneceram, conforme verificado anteriormente: MES/ ANO VR. CONTÁBIL. VALOR GFIP DIFER. ORIGEM 12/05 9.247,74 0 9.247,74 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 03/06 20.825,67 0 20.825,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 04/06 16.589,00 0 16.589,00 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 05/06 5.908,54 0 5.908,54 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 06/06 9.613,67 0 9.613,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 07/06 20.412,13 0 20.412,13 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 08/06 23.141,04 0 20.141,04 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 09/06 28.650,17 0 28.650,17 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" Fl. 5871DF CARF MF 18 10/06 18.804,56 0 18.804,56 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" Quanto à MATRICULA CEI 50.020.37627/79 OBRA RJ034, a incorreção da planilha apontada pela recorrente não decorreu de erro da fiscalização, que apenas apresentou os dados da forma que constavam na contabilidade (efls. 3023/3024): Além disso, em relação a essa obra, o Auditor Fiscal já tinha se pronunciado em diligência (efls. 366): Portanto, diante do exposto, não vejo motivo para reforma do acórdão recorrido, nem vislumbro qualquer cerceamento de defesa, pois a recorrente dispunha de todos os elementos para construir seu contraditório, mas se manteve inerte em trazer quaisquer outros argumentos ou elementos, quer após as diligências efetuadas, quer em sede de recurso voluntário. Improcedência do lançamento. Acréscimos legais indevidos. Fl. 5872DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.864 19 A recorrente alega que agiu corretamente quanto à contabilização das retenções, não havendo razão para lançamento de acréscimos legais, visto que só pode haver retenção quando há pagamento. Sem razão a defesa. Nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, a retenção deve ser feita na emissão da nota fiscal e recolhida pelo regime de competência: Lei nº 8.212/91 Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5odo art. 33.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (Grifei). Nesse sentido, o acórdão recorrido já havia se pronunciado sobre a alegação da recorrente, e por entender da mesma forma adotoas como razões de decidir: No entanto, a impugnante, conforme demonstrado no quadro do item 4, à fl. 120, erroneamente, considerou como competência, na GPS relativa às citadas retenções, o mês em que efetivou o recolhimento e não o da emissão da correspondente nota fiscal. Assim agindo, deixou de observar o prazo legal para recolhimento das retenções feitas, atraindo para si a obrigatoriedade de recolher acréscimos moratórios, nos moldes lançados pelo fisco no presente processo (levantamentos R1 A R7 e R10). Portanto, a competência para recolhimento se refere à competência de emissão da nota, e não da competência em que a GPS será paga, não havendo motivo para reforma do acórdão recorrido. Improcedência do lançamento. Correta contabilização das notas fiscais A recorrente arrazoa que as notas fiscais foram contabilizadas. Em relação a isso, o julgador a quo já havia se pronunciado depois da diligência fiscal, em que o Auditor Fiscal confirmou a escrituração da nota fiscal nº 94, informando o número correto da nota fiscal 18982, e a contabilização indevida da nota 022939, por ter sido escriturada em data posterior à emissão, permanecendo a falta, conforme se verifica no trecho abaixo: Do exposto, concluise que procede, em parte, a impugnação na matéria, dado que a citada NF n.ºs 94 foi adequadamente contabilizada, ao contrário do referido no relatório fiscal original. De ressaltarse, porém, que a falha persiste em relação à mencionada NF 18.982 e que, também, a empresa é compelida a observar o princípio contábil da competência, segundo o qual o reconhecimento de despesas e receitas deve ser feito quando de Fl. 5873DF CARF MF 20 sua ocorrência (no caso, pela emissão da NF), independentemente de saída ou entrada de numerários, fato inobservado pela impugnante em relação à NF 022939 supracitada. A alegação da recorrente já foi analisada em tópico anterior, onde entendi que a falta permaneceu em relação às notas fiscais emitidas pela Manchester e Concremat, pois a recorrente deixou de observar os princípios contábeis ressaltados pela auditoria. Cobrança indevida relativa ao item 7 do Termo de Verificação Fiscal (retenção e recolhimento de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços) Com relação a essa alegação, ao contrário do que diz a defesa, a DRJ/Recife já havia se pronunciado a respeito (efls. 5761): No pertinente às contribuições sociais elencadas no item 7 do relatório, à fl. 122, restaram demonstrados, nos autos, tanto as retenções, quanto os recolhimento das importâncias lançadas nos levantamentos RN1 (11/2005 U. B. Motta Filho) e RN3 (04/2005 Casamata Com. e Serviços Ltda), consoante atestado pelo Fisco à fl. 364, acolhendose, assim, o pleito do impugnante na matéria, motivo pelo qual mencionados levantamentos devem ser excluídos do presente feito. Assim, não há porque anular o acórdão recorrido por cerceamento de defesa, vez que além de se pronunciar a respeito, acatou as alegações da recorrente, excluindo do lançamento os levantamentos apontados no trecho transcrito. Com relação aos lançamentos por falta recolhimento dos valores retidos sobre nota fiscal emitidas por Mendonça e Mendonça, e Sebastião Batista dos Santos, a empresa não comprovou o efetivo recolhimento. Dessa forma, a exigência fiscal deve permanecer nessa parte. Improcedência cobrança INSS sobre faturas Unimed A recorrente alega ser indevida a cobrança de 15% sobre as faturas emitidas pela Unimed, porque esta não é cooperativa trabalho. Quanto à alegação de a Unimed não ser cooperativa de trabalho, não tem razão a recorrente. A Unimed se caracteriza como cooperativa de trabalho, como já foi ressaltado no acórdão recorrido: Equivocase, entretanto, na matéria. Consulta à página eletrônica da referida instituição médica (www.unimed.com.br) deixa claro que se trata de cooperativa de serviços na área de saúde, conforme trecho a seguir: A Unimed é a maior experiência cooperativista na área da saúde em todo o mundo e também a maior rede de assistência médica do Brasil, presente em 83% do território nacional. O Sistema nasceu com a fundação da Unimed Santos (SP) pelo Dr. Edmundo Castilho, em 1967, e hoje é composto por 370 cooperativas médicas, que prestam assistência para mais de 18 milhões de clientes em todo País. Fl. 5874DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.865 21 Fundada com base em uma forma de organização originada há mais de 150 anos o cooperativismo , a Unimed é hoje um modelo para a saúde do novo milênio. Entretanto, não há incidência de contribuição previdenciária sobre as notas fiscais emitidas pelas cooperativas, vez que declarada a inconstitucionalidade do art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, nos seguintes termos: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico "contribuinte " da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art 195, §4° com a remissão feita ao art. 154,1, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Em 11/03/2015 transitou em julgado o acórdão publicado em 25/02/2015, que rejeitou os embargos de declaração opostos pela União, com o fim de modular o decidido no julgamento desse RE: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou Fl. 5875DF CARF MF 22 a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. E de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados. O STF reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada nesse Recurso Extraordinário, para o qual firmou a Tese de Repercussão Geral 166: RE 595.838/SP É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Em face disso, o Senado Federal emitiu a Resolução nº 10, de 2016: É suspensa, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, declarado inconstitucional por decisão definitiva proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário nº 595.838. Dessa forma, nos termos do art. 62, §2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Ricarf), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (Antigo Código do Processo Civil), ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 (Novo Código de Processo Civil), devem ser reproduzidas pelas Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. [...] § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser Fl. 5876DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.866 23 reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF n° 152, de 2016) Portanto, por força da Decisão no RE 595.838/SP com Repercussão Geral, c/c art. 62, § 2º do RICARF devem ser excluídos do lançamento os levantamentos Z3 TRANSF DO LEV COO ATE 11/08 (06/2005 a 04/2006); COO COOPERATIVA UNIMED (01/2005 a 12/2006). Falta de apropriação de créditos no "RADA" no estabelecimento matriz A Recorrente apresenta uma planilha com possíveis valores que foram recolhidos por GPS, mas não apropriados no lançamento do estabelecimento matriz (CNPJ: 08.323.347/000187). Sem razão a defesa. Primeiramente, observo que a planilha apresentada na defesa (efls. 5821/5822) contém o somatório, por competência, das GPS com códigos de recolhimento 2100, 2640, 2631 e 2909, incluindo juros e multa, sendo que as únicas GPS que deveriam ser consideradas pela fiscalização para apropriação, como o foram, são as de código 2100, pois as demais se referem a recolhimentos específicos: 2909 (reclamatória trabalhista, que não foi objeto de lançamento); 2631 e 2640 (retenção sobre cessão de mãodeobra). Em relação a estas, devese observar que o contribuinte têm a faculdade de compensálas por meio de declaração em GFIP, ou solicitar restituição, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, c/c caput e parágrafos do art. 219 do Decreto nº 3.048/99, artigos 192 a 196 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, fato que foi considerado pela fiscalização, conforme veremos em tópico específico. Segundo, analisando as GPS apresentadas às efls. 2429/2929, verifico que elas já constam no RDA, à exceção da relativa às competências 01/2005, 11/2005, 13/2006, conforme planilha abaixo: Comp Código Dt Pgto INSS Terceiros Total líquido multa/ juros Total efls. jan/05 2100 4.445,86 903,81 5.349,67 2429 jan/05 2100 14/05/2008 29,41 19,51 29,41 RDA jan/05 Total 5.379,08 fev/05 2100 3.593,45 742,35 4.335,80 2459 fev/05 2100 14/05/2008 29,40 19,05 29,40 RDA fev/05 Total 4.365,20 mar/05 2100 3.271,51 667,41 3.938,92 2473 mar/05 2100 14/05/2008 167,82 106,39 167,82 RDA mar/05 Total 4.106,74 abr/05 2100 5.082,51 1.064,39 6.146,90 2488 abr/05 2100 14/05/2008 296,14 183,3 296,14 RDA abr/05 Total 6.443,04 mai/05 2100 9.288,94 2.009,01 11.297,95 2507 mai/05 Total 11.297,95 jun/05 2100 10.852,87 2.419,85 13.272,72 2539 jun/05 2100 14/05/2008 877,88 516,19 877,88 RDA jun/05 Total 14.150,60 jul/05 2100 13.557,53 3.061,15 16.618,68 2570 Fl. 5877DF CARF MF 24 jul/05 2100 14/02/2006 7949,06 1525,42 7.949,06 RDA jul/05 Total 24.567,74 ago/05 2100 14.342,91 3.150,60 17.493,51 2614 ago/05 2100 14/02/2006 8073,76 1428,24 8.073,76 RDA ago/05 Total 25.567,27 set/05 2100 4.089,04 771,96 4.861,00 2656 set/05 Total 4.861,00 out/05 2100 4.161,93 785,75 4.947,68 2667 out/05 Total 4.947,68 nov/05 2100 4.042,73 760,36 4.803,09 2681 nov/05 Total 4.803,09 13/2005 2100 3.570,49 665,93 4.236,42 2680 13/2005 Total 4.236,42 jan/06 2100 4.368,15 819,55 5.187,70 2698 jan/06 Total 5.187,70 fev/06 2100 4.012,08 754,56 4.766,64 2715 fev/06 2100 30/10/2008 68,11 35,69 68,11 RDA fev/06 Total 4.834,75 mar/06 2100 4.113,41 777,76 4.891,17 2733 mar/06 2100 30/10/2008 68,11 34,96 68,11 RDA mar/06 Total 4.959,28 abr/06 2100 5.486,70 889,12 6.375,82 2746 abr/06 2100 30/10/2008 76,36 38,22 76,36 RDA abr/06 Total 6.452,18 mai/06 2100 5.614,38 864,76 6.479,14 2762 mai/06 2100 30/10/2008 76,35 37,31 76,35 RDA mai/06 Total 6.555,49 jun/06 2100 5.749,61 872,75 6.622,36 2776 jun/06 2100 30/10/2008 76,34 36,41 76,34 RDA jun/06 Total 6.698,70 jul/06 2100 5.716,66 882,13 6.598,79 2792 jul/06 Total 6.598,79 ago/06 2100 7.254,47 1.024,32 8.278,79 2806 ago/06 Total 8.278,79 set/06 2100 30,00 1.458,29 1.488,29 2826 set/06 Total 1.488,29 out/06 2100 30,00 1.405,38 1.435,38 2849 out/06 Total 1.435,38 nov/06 2100 30,00 1.497,89 1.527,89 2868 nov/06 Total 1.527,89 dez/06 2100 30,00 1.332,63 1.362,63 2901 dez/06 Total 1.362,63 13/2006 2100 30,00 1.169,14 1.199,14 2929 13/2006 Total 1.199,14 Observo que o lançamento fiscal foi efetuado apenas em relação aos valores não declarados em GFIP, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91, por isso, apesar de as GPS das competências 01/2005, 11/2005, 13/2006 não estarem listadas no RDA, elas se referem a recolhimentos de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP (efls. 2429/2430, 2681/2682, 2929/2934), e só a eles poderiam ter sido apropriadas, portanto, mesmo que viessem a compor o RDA não refletiriam no valor do débito apurado nessas competências. Fl. 5878DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.867 25 A apropriação de GPS que aparece no RADA (relativo ao levantamento "DAG SAL DECLARADOS EM GFIP") é um batimento entre o valor declarado em GFIP e o recolhido em GPS, como forma de verificar se existem sobras de recolhimento que pudessem ser aproveitadas a levantamentos de remunerações não declaradas, o que não ocorreria no caso dessas três competências, conforme efls. 2429/2430, 2681/2682, 2929/2934. Com relação à MATRÍCULA CEI 50.020.77490/74, ao contrário do que afirma a recorrente, não se verifica discrepância entre o extrato de contribuições (efls. 2950) e os valores constantes no RDA (efls. 54). Por seu turno, as retenções declaradas em GFIP também constam no RDA (efls. 33), que aparecem apropriadas aos valores declarados em GFIP (efls. 78/81). Por tudo isso, a planilha apresentada pela recorrente às efls. 5821/5822 discrepa da realidade dos documentos constantes nos autos. Ausência de detalhamento das origens das bases de cálculo do item "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS" A recorrente alega que a fiscalização não discriminou as divergências relativas ao estabelecimento 08.323.347/000187, a que se refere o levantamento "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS", para as competências 01/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 02/2006, 03/2006. Afirma que a autoridade recorrente entendeu que tal discriminação foi feita pela auditoria em diligência, da qual a recorrente foi cientificada, mas não se pronunciou. Alega que não teria como se pronunciar porque os livros Diário e Razão estavam de posse da fiscalização, o que impossibilitou seu direito à ampla defesa. Não assiste razão à recorrente. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03, recebido em 23/03/2009 (efls. 140), a auditoria solicita que a recorrente justifique as "divergências entre as GFIP e os lançamentos contábeis indicados nas planilhas anexas", e logo às efls. 143 consta o Anexo "Justificar as diferenças verificadas entre os valores contabilizados e os informados na GFIP Salários Administrativos", em que estão relacionados, por competência, os valores de salários administrativos e o valor declarado em GFIP. Novamente às efls. 368, o Auditor Fiscal discrimina esses valores, acrescentando parte relativa à alimentação. A alegação da empresa de que não se pronunciou sobre o resultado da diligência porque os livros Diário e Razão estavam com a fiscalização, não tem fundamento, visto que a ela é facultado pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574/2001. Além disso, esses livros são elaborados pela empresa com base em seus próprios documentos, o que torna sem propósito dizer que não poderia recorrer porque não dispunha deles, sem considerar que, conforme consta às efls. 3302/5591, tais livros são resultado de escrita digital, sendo razoável que a empresa tenha esses dados em sistema, seja na própria empresa ou em escritório responsável por sua contabilidade, e possivelmente acessível a ela. Portanto, sem sentido essa alegação. Da falta de apropriação de INSS retido pelas fontes pagadoras A recorrente arrazoa que os valores retidos sobre as notas fiscais de prestação de serviços, referente às obras abaixo listadas não foram apropriados no lançamento fiscal: Fl. 5879DF CARF MF 26 50.020.77490/74 RJ 035 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.020.37627/79 RJ 034 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.019.58931/76 RJ 033 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.023.58653/78 RN 244 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RN TRE 50.016.95806/75 PB 006 SUPLAN SUPERINTENDÊNCIAS DE OBRAS DO PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO PARAÍBA 50.023.40802/70 RN 243 CIA DE AGUAS E ESGOTOS DO RIO GRANDE DO NORTE CAERN Para análise desse argumento, oportuno transcrever os dispositivos legais e normativos que tratam da retenção sobre notas fiscais, faturas e recibos por serviços prestados mediante cessão de mãodeobra: Lei nº 8.212/91 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §2oNa impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (Grifei) Decreto nº 3.048/99 Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] §4ºO valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §5ºO contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Fl. 5880DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.868 27 Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. §6ºA empresa contratante do serviço deverá manter em boa guarda, em ordem cronológica e por contratada, as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com comprovante de entrega. §7ºNa contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. §8ºCabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos. §9ºNa impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina, ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3ºdo art. 247.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §10. Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. §11. As importâncias retidas não podem ser compensadas com contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social para outras entidades. IN SRP nº 3, de 14/07/2005 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Art. 193. Caso haja pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: Fl. 5881DF CARF MF 28 I a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos; II o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação às contribuições objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD e débito decorrente de Auto de Infração AI, cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado LDC, de Lançamento de Débito Confessado em GFIP LDCG, de Débito Confessado em GFIP DCG; III o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas ao acordo de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso II, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; IV somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto nos arts. 218 e 219; V a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos indevidamente. § 1º O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições sociais previdenciárias devidas, desde que a compensação seja declarada em GFIP. § 2º Caso haja recolhimento indevido, comprovado mediante documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, relativo à obra sem atividade, ou seja, para a qual tenha sido entregue GFIP sem movimento ou que tenha sido encerrada, a compensação poderá ser realizada em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 3º A empresa, o equiparado na forma do § 4º do art. 3º, e o empregador doméstico, poderão efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. § 4º É vedada a compensação em documento de arrecadação previdenciária de valor recolhido indevidamente para outro órgão da Administração Pública, ainda que se refira a contribuições devidas à Previdência Social, mesmo aquelas decorrentes da opção pelo SIMPLES. Art. 194. A compensação, observada a prescrição estabelecida no art. 218, não deverá ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social, em cada competência, independentemente da data do recolhimento, e de acordo com as seguintes disposições: Fl. 5882DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.869 29 [...] § 1º O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, devendo ser obedecidas as mesmas condições estabelecidas neste artigo e no art. 193. § 2º O valor total a ser compensado deverá ser informado na GFIP, na competência de sua efetivação, conforme previsto no Manual da GFIP. Art. 195. No documento de arrecadação relativo ao pagamento das contribuições incidentes sobre o décimoterceiro salário poderão ser compensadas importâncias que a empresa tenha recolhido indevidamente, observado o limite de trinta por cento do total do valor devido à Previdência Social nesta competência. (Grifei). Sobre esse questionamento, a auditoria fiscal já havia se pronunciado no resultado de diligência (efls. 368): Esclarecimentos da auditoria: Os créditos relacionados no RAD correspondem aos códigos de recolhimento; 2100 Código da GPS Empresas em geral CNPJ 2208 Código da GPS Empresas em geral CEI Créditos créditos por retenção na prestação de serviços Deixamos de considerar todos os créditos campo compensação da GFIP, porque ao fazer o batimento entre os valores informados na GFIP e os valores retidos nas notas fiscais emitidas pela Construtora A Gaspar S A foi detectada diferença entre os mesmos. Intimada através dos Termos de Intimação no. 10 (fl 42), 11(fl. 44) , 12 (fl. 58) processo 16707.006588/200934 a apresentar os elementos ali indicados e necessários à comprovação da origem da compensação, não houve a apresentação, o que impossibilitou a consideração do crédito pretendido, fato citado no relatório fiscal fl. 122 processo 16707.006588/200934 Conforme se observa do trecho acima, o Auditor Fiscal incluiu como créditos apenas os valores de retenção que foram declarados em GFIP, desconsiderando os valores destacados na nota fiscal por divergirem dos informados em GFIP. Nesse sentido, analisando a planilha às efls. 125, as notas fiscais acostadas à impugnação e os valores de créditos no RDA, confirmei a existência de divergências, por Matrícula CEI. Matrícula CEI nº 50.020.77490/74 As GPS de retenção apresentadas pela recorrente (efls. 3069/3099) foram recolhidas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação às competências 02/2006, 06/2006 e 10/2006, apesar de não aparecerem no RDA, por Fl. 5883DF CARF MF 30 terem sido declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. Em relação a 11/2006 a recorrente declarou R$ 12.904,22 de retenção, mas só conseguiu comprovar R$ 9.919,95; como o valor foi apropriado a maior, só restaria glosar a diferença. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA dez/05 50.020.774.9074 2.777,28 2.777,28 6.204,11 2.777,28 jan/06 50.020.774.9074 4.922,67 4.922,67 5.428,53 4.922,67 fev/06 50.020.774.9074 10.711,52 10.711,52 12.456,30 mar/06 50.020.774.9074 16.062,00 16.062,00 16.062,0016.062,00 abr/06 50.020.774.9074 15.499,10 15.499,10 15.499,1015.499,10 mai/06 50.020.774.9074 12.011,15 12.011,15 12.035,5712.011,15 jun/06 50.020.774.9074 22.459,38 22.459,38 35.820,48 jul/06 50.020.774.9074 20.468,50 20.468,50 11.529,7911.529,79 ago/06 50.020.774.9074 24.128,68 24.128,68 17.143,7017.143,70 set/06 50.020.774.9074 15.903,23 15.903,23 31.798,8215.903,23 out/06 50.020.774.9074 17.397,41 17.397,41 26.258,45 nov/06 50.020.774.9074 12.904,22 12.904,22 9.919,95 dez/06 50.020.774.9074 2.671,51 2.671,51 13/2006 50.020.774.9074 1.060,72 1.060,72 Matrícula CEI nº 50.020.37627/79 Com relação à obra 50.020.37627/79 RJ 034, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3061/3088) foram pagas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação à competência 11/2005, apesar de não aparecerem no RDA, por terem sido declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA nov/05 50.020.376.2779 1.987,69 1.987,69 2.054,47 dez/05 50.020.376.2779 9.480,95 9.480,95 11.281,80 9.480,95 jan/06 50.020.376.2779 3.643,47 3.643,47 3.643,47 3.643,47 fev/06 50.020.376.2779 2.673,63 2.673,63 2.673,63 2.673,63 mar/06 50.020.376.2779 6.368,39 6.368,39 7.299,25 6.368,39 abr/06 50.020.376.2779 9.832,78 9.832,78 13.034,23 9.832,78 mai/06 50.020.376.2779 16.917,79 16.917,79 25.768,0816.917,79 jun/06 50.020.376.2779 3.105,27 3.105,27 3.105,27 jul/06 50.020.376.2779 4.791,20 0,00 Matrícula CEI nº 50.019.58931/76 Com relação à obra 50.019.58931/76 RJ 033, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3057/3084) foram pagas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação à competência 11/2005, apesar de não aparecer no RDA, por Fl. 5884DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.870 31 ter sido declarada em GFIP já foi apropriada nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA set/05 50.019.589.3176 960,7 960,7 6.226,44 960,7 out/05 50.019.589.3176 6.474,94 6.474,94 11.512,08 6.474,94 nov/05 50.019.589.3176 10.483,47 10.483,47 10.942,77 dez/05 50.019.589.3176 15.288,95 15.288,95 16.895,9315.288,95 jan/06 50.019.589.3176 19.309,13 19.309,13 19.538,5419.309,13 fev/06 50.019.589.3176 15.432,08 15.432,08 15.432,0815.432,08 mar/06 50.019.589.3176 9.501,34 9.501,34 9.808,93 9.501,34 abr/06 50.019.589.3176 9.274,56 9.274,56 9.907,23 9.274,56 mai/06 50.019.589.3176 1.572,47 1.572,47 1.572,47 1.572,47 Com relação à alegação da recorrente quanto à inexistência da nota fiscal emitida em 10/2006, o Auditor Fiscal já havia respondido no resultado da diligência fiscal: Argumentação do contribuinte. 'em relação ao CEI 50.01958931/76. na competência 10/2006. teria havido lançamento com base de calculo no valor de RS 95.485,28, contudo, não existiria nota fiscal emitida nesta competência relativa a esta obra. Esclarecimentos da auditoria: Para a competência 10/2006 houve a prestação de serviços para a Concessionária da Rodovia Presidente Dutra com a emissão da nota fiscal número 001786 no valor de R$ 530.473,75 . Realmente, não há como acolher a alegação da recorrente, considerando que a nota fiscal nº 1786, no valor de R$ 530.473,75, foi emitida em 19/10/2006 (efls. 2948). Matrícula CEI nº 50.023.58653/78 Com relação à obra 50.023.58653/78 RN 244, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3109/3111) foram pagas no CNPJ Matriz. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Observase que as retenções declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA ago/06 50.023.586.5378 58,41 58,41 4.259,26 58,41 set/06 50.023.586.5378 1.232,03 1.232,03 8.640,52 1.232,03 out/06 50.023.586.5378 2.543,32 2.543,32 19.664,57 2.543,32 nov/06 50.023.586.5378 3.278,44 3.278,44 19.931,09 3.278,44 Fl. 5885DF CARF MF 32 dez/06 50.023.586.5378 4.798,80 4.798,80 10.397,81 4.798,80 13/2006 50.023.586.5378 1.580,95 1.580,95 1.580,95 Com relação ao valor de R$ 370,51, referente ao 13º Salário da obra 50.023.58653/78, a auditoria também já havia se pronunciado no resultado da diligência: Argumentação do contribuinte: "em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, não teriam sido computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário Esclarecimentos da auditoria: Para o CEI 5002358653/78 houve a dedução do décimoterceiro salário conforme demonstrativo. [...] RN 244 N FISCAL COMP VRDANF % MÃO DE OBRA REMUNERAÇÃO DEDUZIDA DIFERENÇA CEI DA OBRA 200607 0,00 746,93 500235865378 001761 200603 110.629,98 20 22.126.00 3.472,82 17.906,25 500235865378 001784 200610 510.768,04 20 102.153.61 9.153,83 92.999,78 500235865378 001773 200609 224.429,21 20 44.885.84 5.199,12 39.686.72 500235865378 001790 200611 517.690,70 20 103.538,14 10.979,33 92.558,81 500235865378 001795 200612 270.073,10 20 54.014,62 17.405,10 500235865378 200613 3.868,19 32.741,33 Analisando o relatório de lançamento (efls. 92/106), verifico que não houve apuração para a competência 13/2006 (efls. 28), razão pela qual não aparece a apropriação para a respectiva competência da GPS citada pela recorrente. Matrícula CEI nº 50.016.95806/75 A recorrente não informou em GFIP as retenções sofridas nas notas fiscais de prestação de serviços, o que impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA abr/05 50.016.958.0675 2.808,88 mai/05 50.016.958.0675 6.487,80 mar/06 50.016.958.0675 36.550,44 abr/06 50.016.958.0675 3.223,80 out/06 50.016.958.0675 13.387,23 ago/06 50.023.408.0270 11.930,13 Com relação ao valor de R$ 370,51, referente ao 13º Salário da obra 50.016.95806/75, a auditoria também já havia se pronunciado no resultado da diligência: Argumentação do contribuinte: "em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, não teriam sido computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário Esclarecimentos da auditoria: Fl. 5886DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.871 33 [...] Para o CEI 5001695806/75, não houve emissão de nota fiscal em dezembro/2010. Analisando os documentos acostados aos autos pela recorrente, não consta esse valor no extrato da obra (efls. 3118), por isso, não aparece a apropriação para a respectiva competência da GPS citada pela recorrente Além disso, analisando o relatório de lançamento (efls. 92/106), verifico que não houve apuração para a competência 13/2006 (efls. 21/22). Matrícula CEI nº 50.023.40802/70 Com relação à obra 50.023.40802/70 RN 243, as retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Observase que as retenções declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total: Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA ago/06 50.023.408.0270 11.930,13 set/06 50.023.408.0270 899,95 899,95 9.767,1 899,95 out/06 50.023.408.0270 1.688,72 1.688,72 9.767,10 1.688,72 nov/06 50.023.408.0270 1.138,05 1.138,05 21.697,23 1.138,05 dez/06 50.023.408.0270 1.308,46 1.308,46 1.308,46 13/2006 50.023.408.0270 371,31 371,31 371,31 Quanto às GPS no código 2208, nos valores de R$ 820,61; R$ 380,61; R$ 283,29 e R$ 39,37, que a recorrente diz não terem sido consideradas pelo Auditor Fiscal, analisando o relatório de lançamento (efls. 92/106), verifico que não houve apuração para as competências desses valores (efls. 27/28), razão pela qual não aparecem as respectivas apropriações citadas pela recorrente: CEI cod comp Dt pagto inss terceiros total efls. 50.023.40802/70 2208 jul/06 02/08/2006 676,59 144,02 820,61 3156 50.023.40802/70 2208 out/06 03/11/2006 30,00 350,61 380,61 3161 50.023.40802/70 2208 dez/06 01/01/2007 30,00 253,29 283,29 3164 50.023.40802/70 220813/2006 20/12/2006 33,11 6,26 39,37 3165 Diante de todo o exposto, considero correta a atuação da auditoria, pois os valores retidos sobre notas fiscais de prestação de serviço podem ser compensados com as contribuições previdenciárias devidas no mês de emissão da nota fiscal, desde que declarados em GFIP, conforme legislação e atos normativos acima transcritos. Ademais, a compensação tem procedimento próprio, e a fase do contencioso não é sede adequada para que ela seja efetuada. Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.016.93906/71 Obra SE001 Em relação à obra CEI 50.016.93906/71 OBRA SE001, a recorrente alega que a fiscalização deixou de efetuar a apropriação das GPS do período de 01/2005 a 07/2005, Fl. 5887DF CARF MF 34 entretanto, as GPS no código 2208 acostadas aos autos pela recorrente (efls. 3220/3226) já constam no RDA (efls. 47). Há que se observar que as GPS apresentadas cód 2208 são apropriadas aos valores declarados em GFIP, conforme esclarecido em tópico anterior. Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.019.64708/77 Obra PR033 Em relação à obra CEI 50.019.64708/77 Obra PR033, a recorrente alega que a fiscalização deixou de efetuar a apropriação das GPS do período de 01/2005 a 07/2005, entretanto, as GPS no código 2208 constantes no extrato (efls. 765) já constam no RDA (efls. 51). Além disso, analisando o relatório de lançamento (efls. 92/106), verifico que não houve apuração para as competências desses valores (efls. 24), razão pela qual não aparecem as respectivas apropriações citadas pela recorrente. Quanto à alegação da empresa de que a auditoria incluiu os seguintes valores na MATRÍCULA CEI 50.019.64708/77, na competência 12/2005: R$ 87.831,17; R$ 187.506,70; R$ 116.096,94; R$ 123.512,15; R$ 129.495,20, o Auditor Fiscal já havia se pronunciado no resultado da diligência (efls. 370) da seguinte forma: Argumentação do contribuinte: "teriam sido incluídos, indevidamente, na competência 12/2005, relativamente ao CEI 50.01964708/77 (obra PR — 033), as quantias de R$ 87.831.17; R$ 187.506,70, R$ 116.096,94; R$ 123 512,15. e R$ 129 495,20, os quais se referem a obra PR — 032" Esclarecimentos da auditoria: Durante a auditoria o contribuinte informou que as obras PR 033 e PR 032 são um só contrato, sendo utilizadas dois códigos para efeito de controle de custos. Caso a informação prestada durante a auditoria não seja procedente, deverá o sujeito passivo, informar qual é a matrícula da obra denominada PR 033 e a matrícula da obra PR 032. Assim, considerando que a recorrente apenas alegou, sem informar a que matrícula CEI correspondem os lançamentos, sobre os quais se insurge, não há como acatar seu arrazoado. Acrescento que, os valores retidos pela recorrente sobre as notas fiscais de serviços prestados por subempreiteiros devem ser discriminados na nota fiscal para fins de dedução do valor da retenção sofrida, e desde que efetivamente recolhidos os valores retidos. Nas notas fiscais acostadas à impugnação não há qualquer informação sobre a dedução desses valores. Porém, uma vez que o Auditor Fiscal lançou como crédito o valor retido informado em GFIP pela recorrente, sem essa dedução, não cabe atribuir o valor retido nas subempreiteiras como crédito da recorrente. Da glosa da compensação de créditos de INSS A recorrente alega que não pode ser penalizada por erro de recolhimento do órgão pagador. Ocorre que a recorrente não apresentou provas da correta compensação efetuada na GFIP, considerando que os valores constantes na memória de cálculo das compensações apresentados pela recorrente, assim como, os destaques da retenção nas notas fiscais divergem dos valores declarados em GFIP, razão que levou à glosa das compensações Fl. 5888DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.872 35 efetuadas (efls. 125/126). Analisando os documentos acostadas à impugnação, a recorrente apresentou as notas fiscais relativas às obras abaixo, não devendo se confirmar a glosa nas competências abaixo listadas: Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA nov/05 50.019.589.3176 10.483,47 10.483,47 10.942,77 nov/05 50.020.376.2779 1.987,69 1.987,69 2.054,47 fev/06 50.020.774.9074 10.711,52 10.711,52 12.456,30 jun/06 50.020.774.9074 22.459,38 22.459,38 35.820,48 Em relação à demais obras e competências, nada alega a respeito, e não comprova especificamente que os valores de compensação declarados em GFIP estão corretos. Portanto, devem ser mantidas as glosas relativas a elas. Do lançamento relativo aos estabelecimentos 70001.25497/70 e 70001.25522/75 A recorrente informa estar impossibilitada de apresentar defesa em relação aos lançamentos dessas obras, por não terem sido evidenciados os dados mínimos para conhecimento claro das bases de cálculo. Não assiste razão à recorrente. Conforme visto, por meio de diligência o Auditor Fiscal respondeu a vários questionamentos feitos pela recorrente em sua peça impugnatória, em que consta às efls. 356/365 relação das notas fiscais utilizadas, com respectivos percentuais considerados para o lançamento, sendo que às efls. 364/365 está discriminado o cálculo que deu origem ao lançamento das obras Matrícula CEI nº 70001.25497/70 e 70001.25522/75, conforme abaixo: [...] Fl. 5889DF CARF MF 36 Os dados constantes na planilha acima estão exatamente consistentes com os valores lançados pela fiscalização, apresentados no relatório DD Discriminativo do Débito (e fls. 29/30). Além disso, a relação de notas fiscais utilizadas pela fiscalização já constavam como anexo do Relatório Fiscal (efls. 234), em que o Auditor Fiscal apresentou a metodologia do cálculo efetuado para o lançamento (efls. 130): DA AFERIÇÃO DA REMUNERAÇÃO DA MÃO DE OBRA 1. Considerando que a contabilidade apresentada pelo sujeito passivo deixou de atender aos princípios contábeis , o valor da mãodeobra foi apurada pelo método do arbitramento, com base no artigo 33, parágrafo 6o. da Lei no. 8.212., de 24/07/1991. 2. Da análise da documentação apresentada pela empresa (Contratos, Notas Fiscais e Medições de Serviços) observase à previsão contratual de fornecimento de material e equipamentos, contudo não existe, nem nos contratos e tampouco nas notas fiscais e medições, discriminação clara dos valores desses itens. 3. Sendo assim, o valor da remuneração da mão de obra utilizada foi calculada, com base na aplicação dos critérios estabelecidos nos Art 600 e seguintes da IN nº SRP 03/2005, conforme abaixo: • Aplicação do percentual de 50% sobre o valor bruto da Nota Fiscal para fins de aferição do valor dos serviços embutidos na prestação do serviço; Na prestação dos serviços de construção civil abaixo relacionados, havendo ou não previsão contratual de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior ao percentual, respectivamente estabelecido para cada um desses serviços, aplicado sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. I pavimentação asfáltica: quatro por cento; II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: seis por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): dezoito por cento; IV drenagem: vinte por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais, desde que inerentes à prestação dos serviços: quatorze por cento. 4. As bases de cálculo, (valores da remuneração da mão de obra aferidas conforme itens acima), as contribuições apuradas, alíquotas e deduções utilizadas e recolhimentos aproveitados, encontramse devidamente discriminados nos relatórios "Discriminativo do Débito DD", integrantes da presente notificação. Fl. 5890DF CARF MF Processo nº 16707.006588/200934 Acórdão n.º 2202004.563 S2C2T2 Fl. 5.873 37 Portanto, a recorrente tinha todos os elementos necessários para sua plena defesa, não havendo razão para elaboração de novo demonstrativo, porque o que consta nos autos espelha de onde se originaram os valores efetivamente lançados. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, rejeitar as preliminares e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os levantamentos "Z3 TRANSF DO LEV COO ATE 11/08" (06/2005 a 04/2006); "COO COOPERATIVA UNIMED" (01/2005 a 12/2006); e GLO GLOSA DE RETENÇÃO das obras e competências abaixo listadas: Comp Matrícula CEI Valor Glosado a ser excluído 200511 500195893176 10.483,47 200511 500203762779 1.987,69 200602 500207749074 10.711,52' 200606 500207749074 22.459,38 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 5891DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723124/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/12/2010
Ementa:
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento.
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
Numero da decisão: 2202-004.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/12/2010 Ementa: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10166.723124/2010-16
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5894065
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.440
nome_arquivo_s : Decisao_10166723124201016.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DILSON JATAHY FONSECA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10166723124201016_5894065.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente. (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO - RELATOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
dt_sessao_tdt : Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7400433
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587782709248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 234 1 233 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.723124/201016 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.440 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de maio de 2018 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente VIA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/12/2010 Ementa: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 31 24 /2 01 0- 16 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10166.723124/201016 Acórdão n.º 2202004.440 S2C2T2 Fl. 235 2 (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO RELATOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito referente a multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 59). Tendo a DRJ negado provimento à defesa, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora sob julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Foi lavrado o autos de infração DEBCAD nº 37.315.7576 (fls. 2/9 e docs. anexos fls. 10/13) por ter a Contribuinte deixado "de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço (...) e/ou dos segurados contribuintes individuais" (fl. 3), nos termos da do art. 30, I, 'a', da Lei nº 8.212/1991 e art. 4º, caput, da Lei n. 10.666, de 08.05.03, além do art. 216, I, 'a', do RPS CFL 59. Intimada em 20/12/2010 (fl. 3), a Contribuinte apresentou Impugnação em 19/01/2011 (fls. 33/93 e docs. anexos fls. 94/118). A DRJ, analisando a defesa da Contribuinte, proferiu o acórdão nº 0352.142, de 14/05/2013 (fls. 123/128), mantendo o crédito e que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/12/2010 AUSÊNCIA DE DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. (CFL 59) Determina a lavratura de auto de infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São listadas no Relatório de Vínculo todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração, em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não implicando automaticamente em responsabilidade solidária. Impugnação Improcedente Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10166.723124/201016 Acórdão n.º 2202004.440 S2C2T2 Fl. 236 3 Crédito Tributário Mantido Intimada em 05/06/2013 (fl. 130), e ainda insatisfeita, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05/07/2013 (fls. 134/214 e docs. anexos fls. 215/232), argumentando, em síntese: Das Preliminares · Que houve nulidade do ato de fiscalização por vício formal e por falta de publicidade na emissão e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, vez que não foram emitidos nem a Contribuinte foi intimada de MPFC, apesar de o MPF ter prazo máximo de 120 dias e a fiscalização ter durado mais de um ano; · Que a autuação é nula por utilizarse de prova indiciária, inclusive essa nulidade já foi observada nos autos do processo nº 10166.723119/2010 03, quando a DRJ julgou procedente a Impugnação e exonerou o crédito tributário de processo conexo a este, lançado no âmbito da mesma fiscalização, decorrente dos mesmos fatos e provas, por falta de provas; · Que houve violação ao princípio da Verdade Material, porquanto a autoridade lançadora deixou de considerar os argumentos e as provas juntadas durante a fiscalização; · Que o lançamento foi realizado exclusivamente com base em depoimentos, não havendo provas nos autos de (i) que houve efetiva análise por amostragem; (ii) que os corretores trabalhavam no stand da construtora e que eram identificados por crachás; nem (iii) que a recorrente fez pagamentos em favor dos corretores; · Que há nulidade por erro na indicação dos "dispositivos legais que são gravados de forma aclaradamente genérica no anexo do auto de infração" (fl. 2.308); · Que o auto de infração padece de falta de liquidez e de certeza, especificamente porquanto foram incluídos no auto de infração a "Venda Direta Via" bem como tributou vendas realizadas por meio de imobiliárias, as quais, por sua vez, se utilizaram de seus corretores, não sendo possível falar em retenção de contribuições previdenciárias pelo serviço prestado por outras empresas; · Que houve presunção como prova e que foi utilizada prova indiciária, sendo que não há provas do efetivo pagamento das comissões, ainda que pelos compradores, frisando a Contribuinte que é possível que a empresa tenha vendido diretamente seus imóveis sem a participação de corretores, o que não foi considerado pela autoridade lançadora; · Que a legislação citada (especificamente o art. 33, §4º, da Lei nº 8.212/1991) não estabelece critérios para o arbitramento da contribuição previdenciária no caso em tela, tendo a autoridade lançadora extrapolado sua competência; Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10166.723124/201016 Acórdão n.º 2202004.440 S2C2T2 Fl. 237 4 · Que a autoridade lançadora não caracterizou os corretores como segurados empregados e nem desconsiderou a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços; · Que a autoridade lançadora não se desincumbiu do ônus de provar a ocorrência do fato gerador; · Que a Contribuinte não tem legitimidade para figurar no polo passivo na autuação vez que se for devida contribuição previdenciária ela contratava empresas imobiliárias para realizar as operações de venda, sendo que os corretores estavam vinculados a elas; e · Que, também, foram os compradores quem realizaram os pagamentos, sendo eles os responsáveis tributários. Mérito: · Que houve erro na aplicação da alíquota, especificamente porque a autoridade lançadora não levou em consideração as alterações realizadas pela Lei nº 10.666/2003, isto é, que não deveria ter sido aplicada a alíquota de 20% mas sim a de 11%. Ainda segundo a Contribuinte, trata se de erro insanável, pois não é possível alterar a fundamentação legal do auto de infração já constituído nem a alíquota aplicável; · Que só há incidência de Contribuição Previdenciária sobre os valores pagos (1) com natureza salarial (retributividade) e (2) com habitualidade, o que não se observa no caso concreto; · Que os corretores de imóveis não prestam serviços à Recorrente, não havendo que se falar em ocorrência de fato gerador de prestação de serviço por segurado autônomo; · Que não há indício de habitualidade nos pagamentos feitos pelos compradores; · Que no contrato de corretagem não é o serviço do corretor que se pretende, mas sim o resultado da mediação; · "Os corretores de imóveis não prestam serviços às empresas construtoras e empreendedoras na área de construção civil, estas, consequentemente, não estão obrigadas ao pagamento da contribuição social instituída pela Lei, em face do negócio jurídico celebrado com os corretores. Isso porque o corretor é um comerciante com o objetivo social de intermediar contrato de compra e venda. Ele vende a intermediação e, por essa venda, recebe comissão proporcional ao preço do produto. Não há, por parte do corretor de imóveis, um serviço prestado à construtora ou empresa empreendedora, há, sim, um ato de comércio regulamentado por lei, no caso, o Código Civil e a Lei nº 6.530/78." (fl. 2.348); Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10166.723124/201016 Acórdão n.º 2202004.440 S2C2T2 Fl. 238 5 · Cita vasta doutrina, inclusive: RUBENS REQUIÃO, FRANS MARTINS, MARIA HELENA DINIZ, ARNOLD WALD, VALÉRIA BONONI GONÇALVES, JONAS FIGUEIREDO ALVES e PONTES DE MIRANDA para concluir que o corretor não presta serviço, sendo verdadeiro comerciante e estando obrigado pelo resultado e não pelo meio; · "Estabelece, portanto, o NCC [art. 722], de modo bem nítido, ser o contrato de corretagem especial, cuja característica é de que a pessoa que o celebra com outra não possui nenhum vínculo de prestação de serviços. (...) SE O CORRETOR DE SEGUROS NÃO PODE PRESTAR SEUS SERVIÇOS ÀS EMPREENDEDORAS E CONSTRUTORAS, QUE, POR ISSO, NÃO LHES DEVEM REMUNERAÇÃO OU RETRIBUIÇÃO, NÃO É POSSÍVEL EXIGIR DESSAS SOCIEDADES UMA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL QUE TEM POR FATO GERADOR A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E POR BASE DE CÁLCULO O VALOR DE REMUNERAÇÕES E RETRIBUIÇÕES PAGAS AOS QUE OS PRESTAM." (fl. 2.354) (grifo no original); · Que o comprador pode, em conversa com o corretor, ser aconselhado a comprar outro imóvel que não o da Contribuinte; ainda assim, se o comprador vier a adquirir o imóvel da Recorrente, será devida a comissão. Logo, quando muito, o corretor prestou serviço à Contribuinte e ao comprador, devendo a base de cálculo ser proporcional. Contudo, como a Lei não prevê essa hipótese, que não cabe o lançamento; · Que é ilegal a imputação de responsabilidade solidária à recorrente, vez que a autoridade lançadora jamais verificou que as contribuições previdenciárias foram lançadas e recolhidas pelas terceiras empresas (imobiliárias). Em suma, que só poderia ter sido autuada se houvesse prova de que as terceiras empresas não recolheram os tributos devidos; · Que é incabível a listagem, no relatório fiscal, dos diretores da Contribuinte como coresponsáveis vez que não lhes foi imputada qualquer atuação dolosa, não se configurando em qualquer das hipóteses legais de responsabilidade solidária; e · Que devem ser julgados em conjunto o presente processo e os de nº 10166.723118/201051; nº 10166.723119/201003; nº 10166.723123/201063; nº 10166.723122/201019; nº 10166.723124/201016 e nº 10166.723121/201074. Os presentes autos foram apensados ao processo nº 10166.723119/201003, 10166.723118/201051; nº 10166.723119/201003; nº 10166.723123/201063; nº 10166.723123/201063; nº 10166.723122/201019 e nº 10166.723121/201074 (fl. 119). É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10166.723124/201016 Acórdão n.º 2202004.440 S2C2T2 Fl. 239 6 Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Delimitação da lide Como bem esclarecido no relatório, os presentes autos acolhem o AIOA DEBCAD nº 37.315.7576, constituindo a multa isolada pela não contabilização adequada dos fatos geradores e das respectivas contribuições. Como bem anotou a Contribuinte, tratase de lançamento reflexo àquele contido no processo administrativo fiscal nº 10166.723117/201014, no qual se discute o crédito principal, i.e., existência ou não de omissão de declaração de contribuições previdenciárias. Nessa senda, a maior parte dos temas discorridos no Recurso Voluntário não têm relevância nos presentes autos. A verdade é que não cabe discutir aqui a natureza do contrato de corretagem, nem quem deveria ser o sujeito passivo da autuação; são matérias cuja análise deve ser feita em sede do processo principal. Restando definido lá que houve ou que não omissão dos fatos geradores, a conclusão deve ser transportada para esses autos, partindo dai a análise do presente lançamento. Inclusive, foi esse o entendimento esposado pela DRJ, quando esclareceu que: "No mérito, a Impugnante reproduz os mesmos argumentos apresentados na impugnação do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP 37.315.7525 (processo 10166.723117/2010 14, julgado em 16 de abril de 2013, Acórdão 0351.695 desta 5a. Turma de Julgamento). No mencionado Acórdão todos os pontos da defendente já foram enfrentados e ficou evidenciado que os corretores autônomos, ao contrário do que afirma a empresa, prestaramlhe serviços e, desta forma, estes trabalhadores teriam que sofrer o desconto, por parte da empresa, das contribuições previdenciárias por eles devidas. E, mesmo que assim não fosse, consta no Relatório do Auto de Infração que a empresa também deixou de efetuar o desconto dos segurados que constavam na contabilidade na conta 123 – Serviços Prestados – PF, não tendo a empresa apresentado defesa quanto a este item. Não, tendo, pois, a Impugnante efetuado os descontos dos contribuintes que lhe prestaram serviços, resta correta a aplicação do Auto de Infração em tela." (fl. 127) Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10166.723124/201016 Acórdão n.º 2202004.440 S2C2T2 Fl. 240 7 Observase, contudo, que o referido processo nº 10166.723117/201014 foi julgado por essa mesma turma no acórdão nº 2202004.436, dessa mesma data, quando restou acordado por manter o crédito principal. Com razão o acórdão recorrido duas vezes: não apenas é necessário repetir aqui a conclusão alcançada no processo principal como, nele, a Contribuinte não impugnou parte do lançamento (um dos quatro levantamentos que compuseram a base de cálculo), de sorte que admitiu, tacitamente, que não incluiu na folha de pagamento e na GFIP todos os fatos geradores. Nesse caminho, impende analisar as questões atinentes especificamente aos presentes autos, especificamente (1) a nulidade da fiscalização por falta de emissão e intimação do MPFC; e (2) uma vez que se trata de processo reflexo ao de nº 10166.723117/201014, impende repetir aqui a decisão ali alcançada; e (3) a inclusão dos diretores da Contribuinte como coresponsáveis. 1. Vício Formal MPFContinuação: Argumenta a Contribuinte, preliminarmente, que o auto de infração é nulo por vício formal ao longo da fiscalização. Segundo desenvolve seu raciocínio, deveriam ter sido emitidos Mandados de Procedimento de Fiscalização de Continuação MPFC, os quais não foram emitidos e não foram cientificados a ela. Por essa razão, ante a falta de prororgação da autorização de fiscalizar, e tendo em vista que a fiscalização durou mais de um ano logo, mais do que o prazo do MPF , entende que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Se m razão a Contribuinte. A verdade é que o MPF é documento interno com a finalidade de controlar e gerenciar a atividade da Receita Federal. A competência para constituir o crédito tributário vem do art. 142 do CTN, e não dos MPF's, que são meramente instrumentos de organização interna da Receita Federal. Nesse sentido a jurisprudência deste Conselho: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. (acórdão CARF nº 2202003.687, de 08/02/2017) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (acórdão CARF nº 2301003.514, de 15/05/2013 Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10166.723124/201016 Acórdão n.º 2202004.440 S2C2T2 Fl. 241 8 FALHA NA PRORROGAÇÃO DO PRAZO DO MPF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Não dá causa à nulidade do lançamento falha cometida na prorrogação do prazo do MPF. (acórdão CARF nº 3301003.163, de 25/01/2017) Por essa razão, não é possível dar provimento ao pleito do Contribuinte nesse ponto. 2. Processo reflexo Constatase que os recursos voluntários protocolados nesses autos são idênticos àqueles constantes nos autos do processo principal nº 10166.723117/201014. O Recurso se direciona, principalmente, contra a constituição do crédito principal, além da nulidade supra mencionada e da inexistência de coresponsabilidade que será analisada a seguir, só preza pelo cancelamento do crédito principal e das multas conexas. Não cabe no corpo desses autos discutir matérias atinentes à ocorrência ou não de fato gerador da Contribuição Previdenciária; essa análise deve ser feita nos autos do processo principal. Aqui deve ser tomado tão somente o resultado obtido no julgamento da obrigação principal e, por reflexão, chegar ao resultado das multas acessórias. Em outras palavras: se for constatado que houve fato gerador das Contribuições Previdenciárias, então as obrigações acessórias foram efetivamente descumpridas e, consequentemente, devem ser mantidas as multas; se não houve fato gerador, então não houve descumprimento das obrigações acessórias e, por reflexão, devem ser excluídas as multas. Analisando os autos do processo nº 10166.723117/201014, principal em relação a esse, constatase que essa turma proferiu o acórdão nº 2202004.436, nessa mesma data, concluindo por manter o lançamento. Portanto, o mesmo resultado deve ser aplicado aos presentes autos. 3. Da indicação dos CoResponsáveis: Insurgese a Contribuinte contra a inclusão do Relatório de Vínculos no DEBCAD, argumentando que não restou comprovada ou mesmo imputada qualquer atuação dolosa por parte dos seus diretores que justificasse a inclusão deles como responsáveis solidários, como exige a legislação. Novamente, não assiste razão á insurgência da Contribuinte. A elaboração do Relatório de Vínculos no lançamento das contribuições previdenciárias não significa que o lançamento é formalizado contra as pessoas ali relacionadas. Nesse sentido o CARF já consolidou o seu entendimento: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10166.723124/201016 Acórdão n.º 2202004.440 S2C2T2 Fl. 242 9 Não é possível, portanto, dar provimento ao pleito da Contribuinte nesse ponto. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 242DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14751.001766/2009-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.787
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 14751.001766/2009-70
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5881533
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.787
nome_arquivo_s : Decisao_14751001766200970.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 14751001766200970_5881533.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7366542
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587785854976
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-04T18:08:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-04T18:08:07Z; Last-Modified: 2018-07-04T18:08:07Z; dcterms:modified: 2018-07-04T18:08:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:9a625a2f-7149-412e-8b30-a5987a1acca9; Last-Save-Date: 2018-07-04T18:08:07Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-04T18:08:07Z; meta:save-date: 2018-07-04T18:08:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-04T18:08:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-04T18:08:07Z; created: 2018-07-04T18:08:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-04T18:08:07Z; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-04T18:08:07Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14751.001766/200970 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.787 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CENTRO NACIONAL DE EDUCACAO AMBIENTAL E GERACAO DE EMPREGO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/05/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 17 66 /2 00 9- 70 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 9202006.787 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 156DF CARF MF Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 9202006.787 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 157DF CARF MF Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 9202006.787 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 158DF CARF MF Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 9202006.787 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 159DF CARF MF Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 9202006.787 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 160DF CARF MF Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 9202006.787 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 161DF CARF MF Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 9202006.787 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 162DF CARF MF Processo nº 14751.001766/200970 Acórdão n.º 9202006.787 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18365.721212/2011-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DO DACON. INCIDÊNCIA.
É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido.
Numero da decisão: 1002-000.256
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DO DACON. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 18365.721212/2011-11
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891106
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1002-000.256
nome_arquivo_s : Decisao_18365721212201111.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 18365721212201111_5891106.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
id : 7389837
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587821506560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 2 1 1 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18365.721212/201111 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.256 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria MULTA POR TRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente COMPANHIA TROPICAL DE HOTÉIS DA AMAZÔNIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DO DACON. INCIDÊNCIA. É devida a multa por atraso na entrega de declarações fora do prazo normativamente estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem expressar os fatos ocorridos até o momento processual anterior ao julgamento da peça impugnatória, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RJ 1: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 36 5. 72 12 12 /2 01 1- 11 Fl. 93DF CARF MF 2 Em decorrência de atraso verificado na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON referente ao mês de outubro de 2007, foi lavrado contra a Interessada o Auto de Infração de fl. 39 — data de vencimento 26/08/2011 — com vistas à cobrança de uma multa no valor de R$ 6.613,58. A multa em questão foi calculada pelo percentual de 2% por mês de atraso, ou fração, incidente sobre o montante da COFINS informado no DACON — respeitados o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00 —, aplicandose, no caso concreto, redução de 50% no valor da penalidade, por se tratar de entrega espontânea do demonstrativo (art. 7º, inciso III e §§, da Lei nº 10.426, de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Inconformada com a exigência, a Interessada apresentou, em 15/08/2011, a impugnação de fls. 02/34, alegando, em síntese: • Erro na apuração do PIS/COFINS – Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, que alargou indevidamente a base de cálculo das referidas contribuições, ao determinar sua incidência sobre a totalidade das receitas auferidas; • Erro na apuração da COFINS – Ilegalidade e inconstucionalidade do art. 8º da Lei nº 9.718, de 1998, que majorou a alíquota da contribuição para 3%; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Ilegalidade da inclusão da taxa de administração de cartões de débito e crédito nas bases de cálculo das referidas contribuições; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Inconstitucionalidade da inclusão do ISS na base de cálculo das referidas contribuições; • Erro na apuração do PIS/COFINS – Ilegalidade da incidência das referidas contribuições sobre receitas decorrentes de serviços prestados a pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior; • Efeito confiscatório da multa – Violação dos princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade – Ofensa à garantia do direito de propriedade; • Inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa Selic. Subsidiariamente, a Interessada pleiteia “a realização de diligência, para que seja efetuada nova apuração dos valores lançados no auto de infração em questão, considerando, para tanto, as deduções concernentes às despesas com a prestação dos serviços realizados, bem como a constituição de novos cálculos, excluindose da base do PIS e a majoração da alíquota do COFINS, a Receita Bruta esculpida pelo artigo 3º da Lei 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, da não incidência do PIS/COFINS sobre a Taxa de Administração de Cartão de Crédito e Débito, bem como a não incidência do pagamento do PIS e COFINS sobre os serviços prestados à pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior”. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 18365.721212/201111 Acórdão n.º 1002000.256 S1C0T2 Fl. 3 3 Por fim, na eventualidade de se aplicar alguma multa, a Interessada postula, ao menos, “seja excluída a Taxa Selic, aplicandose os juros de mora de 1%, nos termos do parágrafo 1º, do artigo 161 do CTN, bem como sejam reduzidas as multas aplicadas em patamar condizente com a condição econômica da impugnante”. A exigência tributária foi impugnada pelo contribuinte e julgada improcedente pela DRJ/RJ 1, conforme acórdão n. 1286.233, de 23 de março de 2017 (efl. 78), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. QUESTIONAMENTOS ACERCA DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. A apresentação do DACON fora do prazo fixado na legislação tributária enseja a aplicação de multa, calculada com base nos valores da COFINS, ou do PIS, informados pelo sujeito passivo. Alegações de equívocos na base de cálculo de tais contribuições só podem ser acatadas mediante prova inconteste do erro, fato que não se verifica no caso concreto, uma vez que os valores de COFINS a pagar informados no DACON coincidem com os débitos confessados em DCTF. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os débitos fiscais recolhidos em atraso estão sujeitos à incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Inconformado com a decisão de primeira instância, o Recorrente apresentou recurso voluntário (efl. 90), do qual extraiuse o trecho abaixo, que contém suas alegações: Fl. 95DF CARF MF 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, registrese que o Recorrente não apresenta novas razões de defesa, mas apenas ratifica os argumentos apresentados em sede de impugnação. Analisando os fundamentos de fato e de direito constantes do acórdão de impugnação, verifico que decisão a quo foi acertada, não merecendo qualquer reparo por parte deste colegiado. Para justificar meu entendimento, peço vênia para, ancorado no § 3° do artigo 57 da Portaria MF n° 343/2015 RICARF, extrair trechos daquela decisão onde estão consignadas as matérias impugnadas e os fundamentos do indeferimento do pleito do ora Recorrente, adotandoos, desde já, como razões de decidir (grifos do original) : " (...) I – Do Pedido de Realização de Diligência Os elementos carreados aos autos mostramse suficientes para que possa formar minha convicção sobre a matéria controvertida. Indefiro, portanto, o pedido de realização de diligência. II – Dos questionamentos referentes à base de cálculo da multa Conforme já relatado, a Interessada entregou fora do prazo o DACON referente ao mês de outubro de 2007. Por conta disso, foilhe aplicada a multa prevista no art. 7º, inciso III, e §§, da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004): LEI 10.426, de 24 de abril de 2002 'Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18365.721212/201111 Acórdão n.º 1002000.256 S1C0T2 Fl. 4 5 III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (...)' No caso em questão, o cálculo da multa tomou por base os valores da COFINS informados na Ficha 25B do DACON do mês de outubro de 2007 (fl. 74): (...) Ora, o cálculo da multa baseouse nas informações que a própria Interessada prestou ao Fisco. Os valores de COFINS informados no DACON guardam, aliás, perfeita coerência com os valores a pagar informados na DCTF (fl. 77): Fl. 97DF CARF MF 6 III – Da alegação de ofensa aos princípios constitucionais da vedação do confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade No que diz respeito às argüições de inconstitucionalidade da multa, devolução apenas lembrar que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional). Ao julgador administrativo, por seu turno, é vedado afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei nº 11.941/2009). IV – Dos questionamentos relativos à taxa Selic Questiona a Interessada, por fim, a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Ora, o uso da taxa Selic, para fins de atualização de débitos fiscais, resulta de um comando expresso do art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, confirmado pelo art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. À autoridade administrativa ― fique isto bem claro ― não é dado afastar a aplicação de dispositivo legal validamente inserido no ordenamento jurídico." Portanto, com base nos elementos constantes dos autos e na legislação acima evocada, verifico que a exigência fiscal está em perfeita consonância com os dispositivos legais regentes da matéria. Com respeito às argüições de inconstitucionalidade e à contestação da taxa Selic apresentadas pelo Recorrente, aduzo que o entendimento expresso no Acórdão de Impugnação encontra perfeita sintonia com a jurisprudência deste CARF, consubstanciada nas súmulas CARF nºs 02 e 04, de observância obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, tendo em conta que o atraso na entrega do DACON do ano de 2007 é fato incontroverso e que inexistem fundamentos de fato e de direito para alteração do Fl. 98DF CARF MF Processo nº 18365.721212/201111 Acórdão n.º 1002000.256 S1C0T2 Fl. 5 7 lançamento, considero legítima a cobrança da multa pelo atraso na entrega do referido demonstrativo. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914594/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201808
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.914594/2008-99
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5895309
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-000.689
nome_arquivo_s : Decisao_10880914594200899.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MIRIAM DENISE XAVIER
nome_arquivo_pdf_s : 10880914594200899_5895309.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
id : 7406186
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587885469696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1724; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 224 1 223 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.914594/200899 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.689 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de agosto de 2018 Assunto IRRF DCOMP Recorrente VBC ENERGIA SA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Matheus Soares Leite. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 149/169) interposto contra acórdão 16 22.549 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SPOI (fls. 128/131), que considerouimprocedente a manifestação de inconformidade do contribuinte(fls.17/26) emfacede Despacho Decisório (fl. 3) que não homologou a compensação informada na Declaração de Compensação– DCOMPnº30251.40270.060204.1.3.049175, transmitida em 6/2/04 (fls.8/17), para extinguir débitos de IRRF, apurados no 4ª trimestre de 2003, no montante de R$ 6.342,99, com crédito decorrente do pagamento indevido no valor de R$ 132.955,99, realizado por meio de DARF pago em 6/2/02, com código de receita incorreto (1708). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 14 59 4/ 20 08 -9 9 Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.914594/200899 Resolução nº 2401000.689 S2C4T1 Fl. 225 2 DeacordocomoDespachoDecisório, o motivo da não homologação é que teriam sido localizados um ou mais pagamentos extintos, não restandocrédito disponível para compensação da totalidade dos débitos informados na DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 18/27), alegando,emsíntese,conforme relatado no acórdão recorrido, que: a compensação devia ser homologada, pois a recorrente teria declarado erroneamente a existência do débito relativo ao código de receita 1708, na DCTF do primeiro trimestre de 2002, sendo o pagamento indevido, existindo realmente o crédito declarado na PER/DCOMP; na DCTF apresentada em 18/02/2005 constaria o débito de IRRF, código 1708— Remuneração de Serviços Profissionais Prestados por PJ, no montante de R$ 133.335,49 (R$ 132.955,99 + R$ 379,50), sendo que somente este último seria devido; não teria havido, na época, qualquer prestação de serviços por pessoa jurídica que justificassem a remuneração declarada, teria havido apenas erro no preenchimento da DCTF; a partir da simples verificação do Livro Diário referente ao período em questão (janeiro de 2002 — Doc. 07) seria possível concluir que não haveria o pagamento que justificasse a retenção do imposto; na mesma DCTF constaria o débito no valor de R$ 132.955,99, relativo ao IOF, código 1150 (Doc. 08), esse sim efetivamente devido e pago pela Recorrente; o valor de R$ 132.955,99, teria sido declarado duas vezes, ainda que não existisse qualquer débito relativo ao IRRF nesse montante; teria entrado com nova DCTF retificadora, com a exclusão do débito de R$ 132.955,99, o que demonstraria o crédito a seu favor nesse mesmo montante. teria direito à compensação pleiteada, já que o pagamento efetuado em 06/02/2002, seria indevido, e a DCTF correspondente teria sido devidamente corrigida. o erro cometido, não refletiria a realidade fática, não poderia impedir o aproveitamento do crédito, pois o erro não poderia prevalecer sobre a verdade material, principio que norteia o processo administrativo fiscal; a existência do crédito seria facilmente verificada, pois não haveria qualquer lançamento no Livro Diário que justificasse o pagamento do montante de R$132.955,99 a titulo de IRRF. seria inconteste a necessidade de reforma do despacho decisório, para que fosse homologada a compensação pleiteada em razão da existência do crédito a justificála; se restarem quaisquer dúvidas acerca do direito alegado, requerse desde já a conversão do julgamento em diligência para a produção de Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10880.914594/200899 Resolução nº 2401000.689 S2C4T1 Fl. 226 3 prova pericial contábil, possibilitando fossem verificados os registros contábeis, de modo a demonstrar que (i) não haveria substrato fático para a cobrança do IRRF e que teria havido apenas erro no preenchimento da DCTF e (ii) o valor pago seria indevido. A DRJ/SPOI, por meio do Acórdão 1622.549 (fls. 128/131), de 20/8/09, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme disposto a seguir: Alega o recorrente ter havido erro no preenchimento da DCTF, e correspondente pagamento indevido, o que teria gerado o crédito em questão. Aduz ter procedido à retificação da mesma, conforme comprovariam documentos por ele colacionados aos autos. Ocorre, entretanto, que do confronto daqueles documentos e com os constantes do PAF n° 10880.900299/200693, julgado por essa turma de julgamento, em 7 de julho de 2009, Acórdão n° 22.072, cuja cópia foi juntada em fls. 120/124, verificase ter o contribuinte procedido a retificação da DCTF, em 07/05/2009 (fls. 79), portanto, somente após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, que ocorreu em 02/05/2008, que primeiro indeferiu compensação declarada com parcela do indébito em questão (fls. 120/124). A isto se acrescente que, a cópia do Livro Diário colacionada em fls. 74/77, diferentemente do que alega o reclamante não compreende o mês de janeiro de 2002, mas compreende tãosomente uma parte do mês de fevereiro, especificamente, os dias 06 a 15 de fevereiro o que não comprova a não ocorrência de prestação de serviços por pessoa jurídica na semana anterior a esta. Não é demais salientar que somente são passíveis de restituição os valores indevidos pagos a maior, desde que revestidos da necessária liquidez e certeza, o que não é o caso. Ora, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Esta comprovação, o contribuinte já poderia ter apresentado quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. No entanto, limitouse a apresentar os documentos de fls. 74/77 que não se constituem em comprovação do valor pago a havendo previsão legal a suportar o pedido de diligência para suprir as provas que contribuinte já deveria ter apresentado e não o fez. Sendo assim, por não restar comprovado o efetivo pagamento indevido, com a escrita contábil equivalente, ou seja, da semana de 28/01/2002 a 02/02/2002, que comprovasse a ocorrência de prestação de serviços, que ensejasse o recolhimento do IRRF na primeira semana de fevereiro de 2002, no valor tãosomente de R$ 379,50, e não do montante de R$ 133.335,49 (R$ 132.955,99 + R$ 379,50), como pretende o reclamante, não se configura a liquidez e certeza do indébito tributário, não merecendo reparo o Despacho Decisório de fl. 01. Conforme petição de fls. 134/135, juntada em 25/8/09, o contribuinte pede a juntada aos autos da escrita contábil do período de 28/1/02 a 2/2/02 (fls. 136/148), que diz demonstrar a ausência de prestação de serviços a justificar o recolhimento de IRRF na primeira semana de fevereiro de 2002. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10880.914594/200899 Resolução nº 2401000.689 S2C4T1 Fl. 227 4 Cientificado da decisão de primeira instância,em 17/9/09, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 133, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls.149/169), em 15/10/09,alegando, em síntese: Repete os fatos já relatados, apresentados na manifestação de inconformidade, reafirmando que: Para tanto, a Recorrente utilizou crédito no valor de R$ 132.955,99, decorrente do pagamento indevido realizado por meio de DARF com o código da receita errado (código 1708 IRRF remuneração de serviços profissionais prestados por PJ), pago em 06.02.2002 (Doc. 05 da Manifestação de Inconformidade). De fato, ao invés de efetuar o pagamento com o código da receita correto (código 1150), a Recorrente, por equivoco, pagou o DARF com o código errado (código 1708). Como posteriormente a Recorrente optou por efetuar o pagamento integral do débito de IOF apurado com o código correto (código 1150), também por meio de DARF (Doc. 08 da Manifestação de Inconformidade), o valor pago equivocadamente sob o código 1708 acabou por resultar em crédito, sobretudo considerando que não houve na época qualquer prestação de serviços por pessoa .jurídica que justificasse a remuneração declarada para ' retenção do imposto de renda. Dessa forma, foram realizadas diversas compensações, dentre as quais aquela que é objeto do presente Processo Administrativo. (grifo nosso) Diz ainda que a não homologação ocorreu porque havia débito declarado em DCTF, não havendo crédito disponível. Em seguida, providenciou a retificação da DCTF relativa ao primeiro trimestre de 2002, excluindo referido débito, pois não houve a prestação de serviços por pessoa jurídica que justificasse a remuneração declarada para retenção do imposto de renda. Acrescenta que antes de ser cientificado do acórdão proferido pela DRJ/SPOI juntou aos autos cópia da escrita contábil do período de 28/1/02 a 2/2/02. Entretanto, a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, ao argumento de que a DCTF foi retificada após a ciência do DD que não homologou a primeira compensação efetuada com parcela do indébito em questão e que não restou devidamente comprovado o efetivo pagamento indevido decorrente da não ocorrência da prestação de serviços por pessoa jurídica na semana de 28.01.2002 a 02.02.2002 que justificasse tãosomente o recolhimento no valor de R$ 379,50. Afirma que o crédito não era líquido e certo na data da transmissão da DCOMP. O acórdão recorrido considera a data do despacho decisório proferido nos autos do Processo Administrativo n° 10880.900299/200693, que se deu 5 (cinco) dias antes da retificação processada pelo contribuinte. No presente processo, a ciência do DD ocorreu em 29/8/08, em momento posterior ao envio da DCTF retificadora, em 7/5/08 (e não 7/5/09, como está no acórdão recorrido). Diz que a liquidez e certeza podem ser comprovados pela contabilidade da empresa e por isso requereu a realização de perícia. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10880.914594/200899 Resolução nº 2401000.689 S2C4T1 Fl. 228 5 Aduz que o indeferimento do pedido de perícia causa cerceamento do seu direito de defesa. Invoca o princípio da verdade material e aponta o dever da administração de buscála. Cita doutrina e jurisprudência. Disserta sobre a garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa. Requer a reforma da decisão recorrida para que seja reconhecido o direito creditório da recorrente e homologada a compensação objeto da DCOMP. Caso assim não se entenda, a conversão do julgamento em diligência para realização de prova pericial contábil. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. Da análise dos autos, vêse que a decisão recorrida não reconhece o direito creditório do contribuinte, pois não restou comprovado o efetivo pagamento indevido, com a escrita contábil equivalente, ou seja, da semana de 28/01/2002 a 02/02/2002, que comprovasse a ocorrência de prestação de serviços, que ensejasse o recolhimento do IRRF na primeira semana de fevereiro de 2002, no valor tãosomente de R$ 379,50, e não do montante de R$ 133.335,49 (R$ 132.955,99 + R$ 379,50), Acontece, que antes mesmo de ser cientificado do acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou a contabilidade do período de 28/01/2002 a 02/02/2002, conforme documentos de fls. 136/148. Sendo assim, prestigiando o princípio da verdade material, tornase necessária a manifestação da DRF de origem para que responda: 1. A contabilidade apresentada é fidedigna e reflete o alegado pelo contribuinte de que o IRRF devido relativo à semana de 28/01/2002 a 02/02/2002 era tãosomente de R$ 379,50? 2. A DCTF retificada do 1º trimestre de 2002, enviada em 7/5/08, está de acordo com a contabilidade apresentada? 3. Caso afirmativa as respostas aos itens 1 e 2 acima, confirmase que houve o recolhimento indevido no código 1708 no montante de R$ 132.955,99? Sendo assim, voto em converter o julgamento em diligência para análise da documentação apresentada, cotejandoa com os argumentos apresentados, intimandose o sujeito passivo para apresentação de documentos, se for o caso, e para que sejam respondidos os questionamentos acima. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.914594/200899 Resolução nº 2401000.689 S2C4T1 Fl. 229 6 O sujeito passivo deverá ser intimado do resultado da diligência, devendo ser concedido a ele o prazo de trinta dias para manifestação. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 258DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.004107/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DESMEMBRAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. PROCEDÊNCIA Do ATO DE OFÍCIO.
A empresa remanescente ou resultante de cisão ou qualquer outra fonna de desmembramento da pessoa jurídica está impedida de optar pelo Simples Federal, nos termos do art. 99, inciso XVII, da Lei n9 9.317, de 1966, e parágrafo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF n9 28, de 22 de dezembro de 2004.
Numero da decisão: 1402-003.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DESMEMBRAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. PROCEDÊNCIA Do ATO DE OFÍCIO. A empresa remanescente ou resultante de cisão ou qualquer outra fonna de desmembramento da pessoa jurídica está impedida de optar pelo Simples Federal, nos termos do art. 99, inciso XVII, da Lei n9 9.317, de 1966, e parágrafo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF n9 28, de 22 de dezembro de 2004.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10510.004107/2007-13
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893602
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.209
nome_arquivo_s : Decisao_10510004107200713.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 10510004107200713_5893602.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues e Paulo Mateus Ciccone.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7398347
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587888615424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1255; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 111 1 110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.004107/200713 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.209 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria IRPJ Recorrente COLÉGIO COESI LTDA. Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DESMEMBRAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. PROCEDÊNCIA Do ATO DE OFÍCIO. A empresa remanescente ou resultante de cisão ou qualquer outra fonna de desmembramento da pessoa jurídica está impedida de optar pelo Simples Federal, nos termos do art. 99, inciso XVII, da Lei n9 9.317, de 1966, e parágrafo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF n9 28, de 22 de dezembro de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 41 07 /2 00 7- 13 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10510.004107/200713 Acórdão n.º 1402003.209 S1C4T2 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10510.004107/200713 Acórdão n.º 1402003.209 S1C4T2 Fl. 113 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter as exigências perpetradas no Auto de Infração. Para evitar repetições aproveito o bem elaborado relatório do v. acórdão recorrido. Tratase de Representação Fiscal para Exclusão do Simples Federal, que se deu mediante o Ato Declaratório Executivo (ADE) n9 41, de 25 de setembro de 2007, com efeito a partir de 01/01/2002 (fls. 55/56), com base no art. 99, inciso XVII, da Lei n9 9.317, de 1996, c/c o art. 20, inciso XVI, da Instrução Normativa (IN) SRF,n9 608, de 2006, que veda a opção pelo Simples às pessoas jurídicas (PJ) resultantes de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento. Consta na representação de folhas iniciais que, mediante diligência, foram coletadas as seguintes informações: Em 09/03/1982, a empresa Coesi Ltda entrqu em fimcionamento, tendo como objeto social a prestação de serviços na área educacional, sendo optante do Simples; Em 01/01/2001, foi constituída a empresa Coesi 1, com o objeto social de prestação de serviços de ensino médio, segundo contrato social. Essa empresa não é optante do Simples e surgiu como desmembramento do Colégio Coesi Ltda. Com isso, passou a restringirse apenas ao ensino de grau médio (antigo 29 grau). Em decorrência, diversos professores foram absorvidos do Colégio Coesi Ltda, conforme livros e fichas de empregados (fls. 03/21); Que, as duas empresas funcionam no mesmo endereço e o sítio na Intemet é o mesmo para ambas, indica que são ministrados cursos nos níveis infantil, fundamental e médio. VerificouSe ainda que as atividades de secretaria são igualmente Itmificadas, sendo que até a denominação de cada uma das empresas indica a existência de forte identidade entre as mesmas; Que, a simbiose entre as duas instituições também está presente no seu quadro societário, uma vez que os sócios de ambas são os mesmqs e que a administração da sociedade é exercida pela mesma pessoa (MQ Aparecida Santos Nunes). Havendo ainda relação de parentesco entre os sócios (todos filhos da sócia gerente), denotando que se trata de empresa tipicamente familiar que se desmembrou para obter os benefícios da Lei n 9.317, de 1996, haja vista que o art. 19 da Lei n 10.034, de 24 de outubro de 2000, abriu a opção pelo Simples para as empresas que se dedicassem às atividades de creche, préescola c de ensino fundamental. Com base em tais observações, concluiu a autoridade fiscal que o Colégio Coesi 1 Ltda é uma empresa oriunda de desmembramento do Colégid Coesi Ltda e ambas, como resultado do processo de desmembramento (uma desmembrada e' outra remanescente), não poderiam optar pelo Simples, devido a vedação prevista no inciso XVII Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10510.004107/200713 Acórdão n.º 1402003.209 S1C4T2 Fl. 114 4 do art. 99 da Lei n 9.317, de 1996, sendo a exclusão, como já dito, procedida pelo ADE descrito acima. Em 05/10/2007 a empresa foi cientificada por ÂR (fl. 59). Em 05/11/2007 interpôs manifestação de inconfomidade (fls. 60/64), alegando, em resumo, que: (i) O inciso XVII do art. 99 da Lei ng 9.317, de 1,996, determinava somente a vedação para opção pelo Simples da empresa resultante, tanto que fora necessário que a Lei Complementar (LC) n9 123, de 14 de dezembro de 2006, determinasse no art. 39, § 49, IX, de forma explicita, que a vedação valia tanto para a empresa RESULTANTE como para a REMANESCENTE. (ii) Num simples comparativo dos diplomas legais supracitados, e de se observar tal robusta alegação, entendendo que não pode uma lei posterior, in casu, de 2006, regular, limitar, ou punir uma empresa que optou pelo Simples desde 01/01/2001, sendo que nessa época o único regramento para a matéria era a Lei ni' 9.317, de 1996, com as alterações da Lei n9 10.034, de 2000, que permitiu o acesso ao regime do Simples e só proibia o enquadramento da empresa resultante e não da remanescente. (iii) Explica, a propósito, que a empresa manifestante é a que optou pelo Simples, na sua condição de remanescente (Colégio Coesi Ltda), enquanto que a resultante (Colégio Coesi I Ltda) não optou pelo dito sistema atendendo os dispositivos legais vigentes à época. lnexistindo, destarte, nenhuma vedação legal à opção pelo Simples, nos temos da Lei n 9.317, de 1996, em face da vigência da Lei n9 10.034, de 2000. (iv) Ressalta ainda que a empresa recorrente está inscrita no Simples desde 01/01/2001, e que a LC n 123, de 2006, veda a ocorrência de cisão nos cinco anoscalendário anteriores. E que no presente caso o desmembramento se deu antes disso, não havendo por parte da impugnante violação a essa restrição temporal. (v) Assim, o disposto no art. 39, inciso IX, da LC n9 123, de 2006, por ser decorrente de lei posterior, não pode retroagir para punir a manifestante nos temos do ADE n. 41/2007, sendo a retroatividade aplicada ao caso concreto pela RFB de absoluta ilegalidade. Pelo exposto, requer 0 provimento da manifestação de inconformidade, cancelandose o ADE n9 41/2007, mantendose, consequentemente, a empresa no Simples. Ato contínuo, a DRJ proferiu v. acórdão mantendo integralmente a exigência do Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. DESMEMBRAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. PROCEDÊNCIA Do ATO DE OFÍCIO. A empresa remanescente ou resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica está impedida de optar pelo Simples Federal, nos temios do art. 99, inciso XVII, da Lei n9 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10510.004107/200713 Acórdão n.º 1402003.209 S1C4T2 Fl. 115 5 9.317, de 1966, e parágrafo único do Ato Declaratório Interpretativo SRF n9 28, de 22 de dezembro de 2004. Manifestação de lnconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10510.004107/200713 Acórdão n.º 1402003.209 S1C4T2 Fl. 116 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e contém todos os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual deve ser admitido. O presente processo trata apenas da exclusão do Simples Federal, formalizada pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n. 41 de 25 de setembro de 2007, com efeito a partir de 01/01/2002 (fls. 55/56), com base no artigo 9 inciso XVII, da Lei n9 9.317, de 1996, c/c o art. 20, inciso XVI, da Instrução Normativa (IN) SRF,n9 608, de 2006, que veda a opção pelo Simples às pessoas jurídicas resultantes de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento. Constam nos autos que a Recorrente criou em 01/01/2001 outra empresa, a Coesi I, com o objeto social de prestação de serviços de ensino médio, segundo contrato social. Esta empresa surgiu como desmembramento do Colégio Coesi Ltda, que não era optante do Simples, detêm os mesmos sócios, a mesma administradora (Sra. Aparecida Santos Nunes) e com o objeto social de apenas ensino de grau médio (antigo segundo grau). Também foi constatado pela Fiscalização, que as duas empresas tinham o mesmo endereço de funcionamento, com secretarias unificadas, relação de parentesco entre os sócios (todos filhos da sócia gerente), e diversos professores foram absorvidos do Colégio Coesi Ltda para a Coesi I, conforme livros e fichas de empregados (fls. 03/21), apresentando forte identidade entre as duas. Assim, a Fiscalização entendeu que o desmembramento se deu apenas para obter os benefícios da Lei n 9.317, de 1996, haja vista que o art. 19 da Lei n 10.034, de 24 de outubro de 2000, abriu a opção pelo Simples para as empresas que se dedicassem às atividades de creche, préescola de ensino fundamental. Com base em tais observações, concluiu a autoridade fiscal que o Colégio Coesi 1 Ltda é uma empresa oriunda de desmembramento do Colégio Coesi Ltda e ambas, como resultado do processo de desmembramento (uma desmembrada e outra remanescente), não poderiam optar pelo Simples, devido a vedação prevista no inciso XVII do art. 99 da Lei n 9.317, de 1996, sendo a exclusão, como já dito, procedida pelo ADE descrito acima. Face aos fatos e legislação acima narrados, entendo que a exclusão da Recorrente do Simples foi correta, eis que restou constatado que a empresa se desmembrou para poder usufruir do benefício previsto na Lei 10.034/2000. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10510.004107/200713 Acórdão n.º 1402003.209 S1C4T2 Fl. 117 7 Tal atitude da Recorrente contrariou a vedação prevista no inciso XVII do artigo 99 da Lei 9.317/96 a qual não permite que empresas resultantes de cisão ou desmembramento possam optar pelo Simples Federal. Sendo assim, entendo que foi correta a exclusão da empresa do Simples Federal, devendo ser mantido o v. acórdão recorrido em seus termos. De resto, aproveito os fundamentos do v. acórdão "a quo" para complementar meu voto. A manifestação de inconformidade é tempestiva, instaura o litígio e deve ser conhecida. A manifestante está representada pelo seu advogado, conforme instrumento anexo (fls. 65/66). Cabe lembrar que 0 julgamento na instância administrativa deve observar a legislação vigente e o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em seus atos normativos, conforme art. 79 de Portaria MF n9 58, de 17 de março de 2006, in verbis: Art. 7" O julgador deve observar 0 disposto no art. 116, III, da Lei n” 8.112, de 1990, bem assim 0 entendimento da SRF expresso em atos normativos. Dessa forma, compete a este julgador analisar a conformidade do ADE que determinou a exclusão de oficio com a legislação aplicável ao fato concreto. Verificase, na espécie, que a manifestante não questiona a ocorrência do desmembramento/cisão, mas pretende reverter a exclusão do Simples Federal, sob alegação que a vedação prevista no art. 99, inciso XVII, da Lei n9 9.317, de 1996, alcançava apenas as PJ resultantes de cisão. E que a vedação só se estendeu às empresas remanescentes através do art. 39, inciso IX, da LC n 123, de 2006, que por ser decorrente de norma posterior jamais poderia retroagir para atingir a situação do Colégio Coesi Ltda, na condição de remanescente do processo de desmembramento demonstrado pelo Fisco, das fls. 01 a 47 dos autos. Notese, por oportuno, que o art. 89 da LC n9 123, de 2006, revogou a Lei 9 9.317, de 1996, a partir de 01/07/2007, mas essa revogaçãonão interrompeu a sua força normativa em relação aos fatos ocorridos durante a sua vigência. ` Notese ainda que no ADE n9 41, de 2007, rião há qualquer referência ao art. 39, inciso IX, da LC n9 123, de 2006. A exclusão de oficio foi procedida com base no art. 99, inciso XVII, da Lei n9 9.317, de 1996, c/c o art. 20, inciso XVII, da IN SRF n9 608, de 2006. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10510.004107/200713 Acórdão n.º 1402003.209 S1C4T2 Fl. 118 8 Logo, em relação ao caso presente, carece de fundamento a alegação da manifestante sobre a suposta retroatividade da LC n9 123, de 2006. 1 Ainda mais que a questão da opção pelo Simples Federal não alcança à do Simples Nacional, por serem sistemas distintos de tributação simplificada. Ora, uma empresa poderá reunir condições para a opção pelo Simples Nacional, enquanto as mesmas condições podem ser insuficientes para a opção pelo Simples Federal, ou viceversa. Ou ainda, a empresa poderá ser excluída de um dos sistemas e continuar normalmente como optante em outro. Portanto, a presente lide será apreciada em tomo da Lei n9 9.317, de 1996, por se referir a fato acontecido no ano calendário de 2001, ou seja, o desmembramento de atividades do Colégio Coesi Ltda, para o Colégio Coesi I Ltda, aconteceu naquele ano, tendo a exclusão de oficio em tela efeito a partir de 01/01/2002. Pois bem, o art. 99, inc. XVII, da Lei n9 9.317, de 1996, veda a inscrição no sistema de pessoa jurídica resultante de cisão ou qualquer tipo de desmembramento, salvo os eventos ocorridos antes da sua vigência, como se lê na transcrição abaixo: Art. 9” Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XVII que seria resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica. salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência desta Lei. (Grifo do Relator) O entendimento oficial de que tal dispositivo alcança as PJ remanescentes de cisão consta do parágrafo único do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n 28, de 22 de dezembro de 2004, in verbis: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso dd atribuição que lhe confere o inciso 111 do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n” 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no inciso XVII do art. 9” da Lei n" 9.317, de dezembro de 1996, e no processo n°13748.000455/0015, declara: Artigo único. Não pode optar pelo Sistema Integrante de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou de qualquer outra forma de desmembramento, salvo em relação aos eventos ocorridos anteriormente a 1° de janeiro de 1997. Parágrafo único. O disposto no caput também se aplica às pessoas jurídicas remanescentes da cisão. ressalvada a hipótese de' esta ia' ser optante pelo Simples. (Grifet) . Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10510.004107/200713 Acórdão n.º 1402003.209 S1C4T2 Fl. 119 9 Portanto, não subsistem dúvidas de que a manifestante estava impedida de aderir ao Simples Federal, ainda que se trate de empresa remanescente de desmembramento, no caso Colégio Coesi Ltda (remanescente) e Colégio Coesi I Ltda (desmembrado), sendo correta a exclusão de oficio do primeiro, nos termos do ADE/DRF/AJ U n9 41/2007. Por todo o exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendose a exclusão do Simples nos termos do ADE contestado. Pelo exposto e por tudo que consta processo nos autos conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900499/2009-99
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento.
Numero da decisão: 3002-000.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.900499/2009-99
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874574
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.240
nome_arquivo_s : Decisao_10880900499200999.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LARISSA NUNES GIRARD
nome_arquivo_pdf_s : 10880900499200999_5874574.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7352087
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587914829824
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.900499/200999 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.240 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente TRIFERRO COMÉRCIO DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO EM GERAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 04 99 /2 00 9- 99 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.900499/200999 Acórdão n.º 3002000.240 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração dezembro/2001, e requer a compensação de R$ 4.430,06, com débitos de PIS/Pasep e Cofins (fls1. 9 a 13). A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat) não conseguiu localizar o Darf informado pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal. Intimouo a verificar os dados informados no PER/Dcomp e a promover a retificação da declaração com os dados corretos ou a apresentar o Darf original, com suas eventuais retificações (fl. 6). Em virtude de o contribuinte, devidamente cientificado da intimação, não ter se manifestado nem apresentado qualquer documento, a Derat concluiu que a partir das informações prestadas não estava confirmada a existência do crédito informado, pois o Darf não havia sido localizado, e decidiu pela nãohomologação da compensação (fl. 3). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou que pagou Cofins a maior ao desconsiderar o disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e requereu a nulidade do despacho decisório porque não lhe foi propiciada oportunidade de demonstrar seu direito ao crédito, não foi solicitado qualquer documento probatório, nem foram determinadas diligências (fls. 14 a 16). Sua manifestação de inconformidade foi instruída com cópia do despacho decisório, procuração e identificação dos advogados e consolidação do contrato social (fls. 17 a 24). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1) proferiu o Acórdão nº 1638.614 (fls. 26 a 34), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade devido à inocorrência de nulidade e à não comprovação do efetivo pagamento do Darf, indeferindo o pedido de realização de diligência por entender que não havia nenhuma dúvida a ser sanada, nos termos da ementa que se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/01/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO NÃO LOCALIZADO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração 1 A numeração informada segue a que foi inserida pelo eprocesso, e não a que foi efetuada manualmente. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.900499/200999 Acórdão n.º 3002000.240 S3C0T2 Fl. 4 3 do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É correto o despacho decisório que não homologa a compensação declarada pelo contribuinte devido a inexistência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento indicado como origem do crédito. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 27/05/2013, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 36, e protocolizou seu recurso voluntário em 25/06/2013, conforme carimbo aposto na página inicial do Recurso Voluntário – fl. 37. Em seu recurso voluntário a recorrente retoma as mesmas alegações, em especial que a autoridade administrativa não solicitou qualquer documento capaz de comprovar a existência do crédito e o cerceamento do direito de defesa. Em relação ao mérito, afirma que o STF já reconheceu a inconstitucionalidade da exigibilidade das contribuições nos termos da Lei nº 9.718/1998, e que somente pode ser efetuada a retificação da DCTF pelo contribuinte, com o fim de ajustála à PER/Dcomp, após o reconhecimento do crédito pela Fazenda, sob pena de verse réu em processo penal. Por fim, transcreve precedentes no Carf e no STJ sobre a relação entre indeferimento de diligência e cerceamento de defesa e requer a anulação do despacho decisório, acompanhado da realização de diligências para comprovação do crédito ou, alternativamente, que seja homologada a compensação (fls. 37 a 43). Junta documentos de representação e identificação, bem como contrato social e cópia do Acórdão da DRJ (fls. 44 a 59). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Em relação à alegação de preterição do direito de defesa, que seria caracterizada pela emissão do despacho decisório “sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação”, é forçoso que se esclareça que se trata de uma inverdade. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.900499/200999 Acórdão n.º 3002000.240 S3C0T2 Fl. 5 4 O Termo de Intimação constante à fl. 6 deste processo foi emitido exatamente para que o contribuinte se manifestasse de modo a permitir o avanço na análise da sua declaração de compensação. No Termo estão explicadas algumas verificações que o contribuinte deveria realizar, as formas de solucionar a pendência apontada e a possível consequência de sua inação, e de lá extraímos: O(s) DARF indicado(s) abaixo, não foi(ram) localizado(s) nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da ficha DARF, informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do(s) DARF objeto(s) do crédito. No caso de REDARF, as informações devem ser as constantes da retificação. A data da arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. DARF informado: (...) Se houver qualquer divergência, solicitase transmitir o PER/DCOMP retificados. Caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição com esta intimação, o(s) DARF original(is) e eventuais REDARF, no prazo indicado. (...) Não sanada(s) a(s) irregularidade(s) apontada(s) no prazo estipulado, o PER/DCOMP em análise poderá ser indeferido/ nãohomologado. (grifado) Dessa forma, vêse que é descabido falarse em cerceamento de defesa quando o que se constata é apenas a inércia do contribuinte, que teve três oportunidades para apresentar o Darf e não o fez: na intimação anterior ao despacho decisório, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Continua o contribuinte a insistir no mesmo caminho: não apresenta o Darf e alega ter sido privado da possibilidade de fazêlo, em uma tentativa infrutífera de inverter o ônus da prova e de demonstrar a ocorrência de cerceamento de defesa. Para que seja autorizada a compensação de um pagamento indevido ou a maior, tem de existir o pagamento, por óbvio. É de pleno conhecimento que a compensação só se autoriza perante o crédito líquido e certo, conforme disposto no art. 170 do CTN. Tratase também de matéria pacífica que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, a demonstração da certeza e liquidez é ônus que pertence ao requerente. Define o CPC em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) O que se verifica nestes autos é que, por um lado, o contribuinte falha em demonstrar o seu direito e, por outro, que os atos administrativos atendem aos requisitos que, Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.900499/200999 Acórdão n.º 3002000.240 S3C0T2 Fl. 6 5 se descumpridos, poderiam ensejar a sua nulidade. O contribuinte foi intimado a apresentar o Darf, o despacho decisório foi fundamentado e emitido por autoridade competente, os prazos foram cumpridos e as devidas ciências providenciadas. Tudo isso nos leva à conclusão de que foram atendidos os pressupostos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como os dispositivos constitucionais e legais que regem o processo administrativo fiscal Assim, rejeito a preliminar de nulidade relativa a cerceamento de defesa. Mérito Como o Darf nunca foi apresentado, a discussão em primeira instância ficou circunscrita à ausência de comprovação do pagamento e ao pedido de diligência para demonstração do direito. Não se adentrou matéria de direito ou a eventual utilização do crédito, por ausência de comprovação de sua existência. Todavia, a recorrente apresentou nestes autos o mesmo recurso voluntário dos demais processos de um lote de 10 que foi distribuído para esta relatora, e nos quais houve comprovação do pagamento. Dessa forma, alguns dos argumentos do recurso voluntário não são pertinentes para a discussão que aqui se trava. Em não existindo pagamento, não há crédito decorrente e não é possível falarse em compensação, não cabendo discussão sobre a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 que, de resto, é argumento inaproveitável, já que foi alegado crédito com fundamento no § 2º do art. 3º da Lei, não afetado pela decisão do STF. No tocante às justificativas por ausência de retificação de DCTF, não cabe qualquer consideração sobre o tema, uma vez que em nenhum ponto deste processo tratouse de DCTF. Essa matéria foi uma inovação trazida no recurso voluntário. Nos resta tratar do pedido de diligência. Devemos ter em mente que o seu objetivo é dirimir dúvidas em relação a aspectos essenciais do litígio, de modo a permitir ao julgador uma decisão com base em informações corretas e pertinentes, consoante as normas específicas que regem o processo administrativo fiscal – o Decreto nº 70.235/1972 e o Decreto nº 7.574/2011. Outros dispositivos legais, como o CPC e a Lei nº 9.874/1999, são utilizados de forma subsidiária, quando não houver disposição específica sobre determinada matéria nos Decretos citados. Nos termos das normas específicas que regem o PAF, extraímos do Decreto nº 7.574/2011: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. (...) Art. 63. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36. (grifado) Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.900499/200999 Acórdão n.º 3002000.240 S3C0T2 Fl. 7 6 Faço uso de citação trazida pela própria recorrente em seu recurso voluntário, pela clareza com que explica o propósito de uma diligência: Nesse contexto, a resposta para a pergunta formulada no presente estudo é a de que a autoridade competente para decidir a compensação deve, na hipótese de ter dúvida sobre a liquidez e a certeza do crédito compensado, buscar esclarecer tais dúvidas junto ao contribuinte, sendo, portanto, nula a decisão que não homologar o crédito quando existirem dúvidas sem querer intimar o contribuinte para esclarecêlas. Não se pretende, com isso, retirar do contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu crédito, nem, muito menos, de invertêlo. Se o contribuinte, intimado pela autoridade competente para decidir a compensação sobre suas dúvidas, não logra êxito, pelo menos na opinião desta autoridade, em esclarecêlas, não haverá nulidade alguma na decisão que não homologar a compensação, desde que, evidentemente, justifique a razão de não ter acolhido os elementos fornecidos pelo sujeito passivo2. (grifado) Tendo em vista a omissão do contribuinte em provar o pagamento de onde proviria o crédito para a compensação e a não existência de qualquer dúvida a ser sanada, determinar a realização de diligência significaria prolongar esta lide sem motivação razoável ou legal. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard 2 Troianelli, Gabriel Lacerda; Compensação Tributária: homologação do procedimento e o dever de indenizar, in RDDT 165; p. 35/36 . Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13675.000319/2002-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. FRETE.
Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo devem ser observadas as restrições preconizadas na Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, aplicada subsidiariamente, notadamente quanto às aquisições de prestações de prestação de serviços de frete
Numero da decisão: 3002-000.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. FRETE. Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo devem ser observadas as restrições preconizadas na Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, aplicada subsidiariamente, notadamente quanto às aquisições de prestações de prestação de serviços de frete
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13675.000319/2002-14
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874009
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.233
nome_arquivo_s : Decisao_13675000319200214.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ALAN TAVORA NEM
nome_arquivo_pdf_s : 13675000319200214_5874009.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7349015
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587928461312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13675.000319/200214 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.233 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente SIDERUNA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. FRETE. Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo devem ser observadas as restrições preconizadas na Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, aplicada subsidiariamente, notadamente quanto às aquisições de prestações de prestação de serviços de frete Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 5. 00 03 19 /2 00 2- 14 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13675.000319/200214 Acórdão n.º 3002000.233 S3C0T2 Fl. 3 2 Tratase de processo de pedido de Declaração de Compensação de IPI conforme relatório da 2ª Turma da DRJ/JFA (fls. 182/188) exarado nos seguintes termos: Trata o presente processo de declaração de compensação apresenta pela empresa em epígrafe, em 14/11/2002, onde se pleiteia o reconhecimento do direito creditório relativo ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, regido pela Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001, no intuito de ressarcir o valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, relativamente ao 3° trimestre de 2002, no valor de R$79.932,51, pari compensação com os débitos listados As fls. 02. Da verificação da materialidade e da legitimidade do crédito resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 159/168, do qual se extrai: 0 contribuinte solicitou ressarcimento de créditos relativos aos períodos 3° trimestre de 2002, 4° trimestre de 2002 e 1° trimestre de 2003, provenientes de saldos remanescentes do aproveitamento de créditos básicos e créditos presumidos relativos As suas exportações indiretas, através de comercial exportadora. Houve créditos presumidos escriturados a maior, bem como compensados com débitos de IPI relativas As vendas de produtos tributados, conforme consta na escrituração e demonstrado neste Termo. Abaixo resumimos os valores dos créditos presumidos escriturados pelo contribuinte, conforme Anexo 8, e os corretos, conforme Anexos 7 e 9: 0 Chefe da SAORT/DRF/DIV, por meio do Despacho Decisório de fls. 170 e com base no Termo de Verificação de fls. 159/168, resolveu reconhecer parcialmente o direito creditório no valor de R$74.504,39 e homologar as compensações de fls. 02 até o limite do crédito do crédito reconhecido. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 178/180, na qual alegou, em resumo, o seguinte: 1) "Anexo 1: Devolução de Vendas 10/2002 — Consta o valor de R$60.810,00 (sessenta mil, oitocentos e dez reais) referente a devolução de comercial exportadora — Valor não considerado pelo fisco. Este valor pode ser comprovado na Apuração do WI (anexa) no CFOP 1.31. Implicação no total das Receitas Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13675.000319/200214 Acórdão n.º 3002000.233 S3C0T2 Fl. 4 3 Acumuladas de Exportação e Receitas Acumuladas Totais , valor das vendas a comercial exportadoras e vendas acumuladas de 2003, está incluindo NFs. de simples remessa. Tais valores poderão ser comprovados através da listagem do Balancete — Receitas (anexo) (...) 2) Anexo 2: Alteração nos percentuais das exportações nas vendas totais devido as alterações no anexo 1. 3) Anexo 4: A fiscalização não incluiu nas compras totais o frete referente as aquisições de matérias primas, materiais secundários. Isto pode ser comprovado nas listagens anexas dos CF0Ps 1.62/2.62 e 1.352/2.352. Tal fato implica em alteração nas Compras Pessoas Jurídicas e nas compras totais. 4) Anexo 5: 0 estoque final de matériaprima da filial em 10/2003 levantado pela fiscalização R$351.105,47 co do contribuinte R$150.105,47. Pode ser comprovado nas listagens de balancetes anexas."(...) Por fim, requer a reconsideração do despacho decisório, a fim de reconhecer a totalidade do crédito pleiteado tendo como conseqüência a homologação das compensações. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 178/180), alegando, em resumo, que deveria ser reconsiderado o r. Despachos Decisório DRF/DIVI/Saort (fls. 170) de 13/08/2007 a fim de reconhecer a totalidade do crédito compensado, com base na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001 e na Instrução Normativa SRF nº 69, de 6 de agosto de 2001. Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ votou por indeferir a manifestação de inconformidade, por considerar que o contribuinte não provou que o frete integrou o custo do insumo, conforme sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. CUSTOS DE AQUISIÇÃO ADMITIDOS. FRETE. Para fins de cálculo do crédito presumido no regime alternativo devem ser observadas as restrições preconizadas na Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, aplicada subsidiariamente, notadamente quanto As aquisições de prestações de serviços de frete. Solicitação Indeferida O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 193/194) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista: a) a legitimidade da tomada de créditos em relação à prestação de serviços de transporte, seguros e outros que venham fazer parte da aquisição do produto; b) a homologação das compensações realizadas. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13675.000319/200214 Acórdão n.º 3002000.233 S3C0T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão aqui se deve se os valores pagos a título de frete devem ou não ser considerados para fins no cálculo do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n nº 9.363, de 1996, "ainda que utilizada no transporte de insumos, embora possa representar um custo que onera o processo produtivo" o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte, consoante expressamente dispõe o art. 373 do CPC, in verbis: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...)" No presente caso em análise, o contribuinte restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito, sendo assim, "não foram carreados aos autos documentos que comprovem de maneira cabal" que o frete integrou o preço do insumo. Corroborando com o entendimento acima exposto, conforme Acórdão (nº 9303006.466) da CÂMARA SUPERIOR de 13/03/2018, "incluemse no cálculo do crédito presumido de IPI os valores dos fretes cobrados do Recorrente, referentes às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos exportados, cujas notas fiscais de aquisição se encontram identificadas nos documentos comprobatórios da prestação do serviço de transporte." (grifo nosso). Pelo o exposto, em razão da ausência de comprovação do direito creditório, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13675.000319/200214 Acórdão n.º 3002000.233 S3C0T2 Fl. 6 5 Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720077/2007-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.912
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.720077/2007-62
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5874055
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.912
nome_arquivo_s : Decisao_11020720077200762.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11020720077200762_5874055.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7350179
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050587932655616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.720077/200762 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.912 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PIS/COFINS.INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO MÓVEIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 77 /2 00 7- 62 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.720077/200762 Acórdão n.º 9303006.912 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340101.128, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.720077/200762 Acórdão n.º 9303006.912 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.720077/200762 Acórdão n.º 9303006.912 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
