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Numero do processo: 19647.013361/2004-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. JULGADO. VEDAÇÃO. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial - Súmula CARF nº 1
Numero da decisão: 9303-005.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. JULGADO. VEDAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial - Súmula CARF nº 1
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. JULGADO. VEDAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Súmula CARF nº 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 33 61 /2 00 4- 81 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19647.013361/200481 Acórdão n.º 9303005.473 CSRFT3 Fl. 261 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 3803002.452, proferido pela 3º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que possui a seguinte ementa: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. JULGADO. VEDAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O presente processo trata de pedido de ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, relativo ao segundo trimestre de 1998, no valor de R$ 9.453.447,17, sendo que desse valor R$ 6.070.278.90 são referentes ao valor original do crédito, e R$ 3.383.168,27 a juros. O contribuinte apresentou declarações de compensação que consumiram a integralidade do crédito. O contribuinte acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de R$ 44.606,00, relativo a novembro de 2004, decorrente da aquisição de insumos isentos, no valor de R$ 18.247,76, e tributados à alíquota zero do IPI, R$ 33.229,50. No Termo de Informação Fiscal, fls. 77 a 80, o Auditor Fiscal, após análise, discorreu sobre o Pedido de Ressarcimento da contribuinte, em especial sobre a impossibilidade de creditamento quanto à aquisição de produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Concluiu propondo o indeferimento do pleito. Em sua manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que indeferiu a solicitação, a interessada aduziu, em síntese, que: a) dispunha de tutela judicial, processo n° 2002.83.00.0044667, deferida pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª Região, reconhecendo o direito aos créditos extemporâneos de IPI decorrentes de aquisições de insumos desonerados; Fl. 261DF CARF MF Processo nº 19647.013361/200481 Acórdão n.º 9303005.473 CSRFT3 Fl. 262 3 b) não obstante o expresso reconhecimento da decisão judicial, a Administração Fazendária termina por descumprila através de meios transversos; c) dada a resistência dos órgãos fazendários em considerar os direitos creditórios da contribuinte, não há como afastar, na esteira da pacífica jurisprudência do STJ, o direito à correção monetária dos créditos reconhecidos. d) a decisão em favor da impugnante alarga a interpretação dada ao princípio da nãocumulatividade do IPI, para efeito de garantir aos contribuintes adquirentes de insumos desonerados, o direito de apuração do crédito do imposto. Tal apuração, por inexistir IPI destacado no corpo da nota fiscal é levada a cabo pela aplicação da alíquota prevista para a saída do produto final sobre os ditos insumos desonerados. Essa é a única forma de obtenção efetiva do direito salvaguardado pelo Poder Judiciário. g) indubitável o direito da contribuinte de manter o creditamento, mesmo sobre os insumos sujeitos a regime de suspensão do IPI, seja porque a legislação assim defere ( art. 29 da lei n° 10.637/2003 e art. 5º, § 3°, da lei n° 9.826/99, com redação dada pela lei n° 10.485/2002), seja porque a decisão judicial em vigor garante o direito ao creditamento dos insumos desonerados. Em sua decisão, a DRJ/Salvador verificou que o MS n° 2002.83.00.0044667 encontrase com decisão favorável em Apelação, quanto às aquisições de insumos sob isenção ou alíquota zero, afastado o creditamento quanto às aquisições de insumos não tributáveis, decisão ainda sujeita aos recursos extremos ao STJ e STF, na data da decisão. Afirmou que a permissão para a compensação de débitos tributários somente é admitida com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN, e considerou que os créditos informados nas PeR/DComps não atende o dispositivo legal, uma vez que a ação judicial ainda encontrase pendente de apreciação pelo STJ, conforme extrato atualizado da fl. 116. Fundada no Parecer PGFN/CRJ n.° 679, de 10/04/2001, aplicou, na espécie, o art. 170A do CTN, que exige ser líquido e certo o crédito utilizado na compensação. Reforça a posição com o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que exige que o crédito decorrente de decisão judicial passível de restituição seja disponibilizado ou utilizado apenas após o trânsito em julgado". Inconformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo o conhecimento e provimento do recurso, para reformar o acórdão recorrido, sendo declarado o direito da Recorrente de apurar o credito decorrentes de aquisição insumos isentos e tributados a alíquota zero e excluindose apenas os insumos não tributados. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Contribuinte aponta como paradigmas os acórdãos nºs 20403.686 e 20403.745. Em seguida, por sido comprovada a Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19647.013361/200481 Acórdão n.º 9303005.473 CSRFT3 Fl. 263 4 divergência jurisprudencial, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso, fls. 245/247. A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, requerendo o desprovimento do Recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Com efeito, a decisão Recorrida não conheceu do Recurso da Contribuinte, por existir a mesma identidade entre a demanda judicial e o pedido de ressarcimento. A decisão recorrida não merece reparos, compulsando aos autos, verifico junto ao Termo de Informação Fiscal, fls.87, a negativa do pedido de direito a credito do IPI pela entrada de insumos não tributados, isentos ou tributados a aliquota zero. Por outro lado, ao consultar o andamento do processo judicial em que a Contribuinte discute direito ao crédito de IPI, fls.124, logo, se comprova se trata da mesma discussão travada no processo administrativo. Vejamos: "AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 644.500 PE (2004/00318349) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : ENGARRAFADORA IGARASSU LTDA Para melhor compreensão da controvérsia, transcrevo o relatório elaborado na decisão agravada: "Vistos. Cuidase de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fundamento nas alíneas 'a' e 'c' do permissivo constitucional, em face de acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assim ementado (fls. 298): Sustenta ainda que o contribuinte não possui 'qualquer direito a creditarse do IPI decorrente da entrada de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem sob o regime de isenção, alíquota zero ou não tributação utilizados na fabricação de mercadoria sujeita à incidência do IPI, uma vez que tal impossibilidade não configura violação ao princípio da nãocumulatividade previsto no art. 153, § 3º da Constituição Federal' (fls.324). Contrarrazões apresentadas (fls. 348/353). Juízo positivo de admissibilidade na origem (fls. 370)." Fl. 263DF CARF MF Processo nº 19647.013361/200481 Acórdão n.º 9303005.473 CSRFT3 Fl. 264 5 Conforme já fizera o julgador de primeira instância, que as questões relativas ao direito ao aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de insumos não tributados, isentos ou tributados a aliquota zero, esses foram submetidas ao crivo do Poder Judiciário, não sendo passível de apreciação por parte deste Colegiado em razão do princípio da unidade da jurisdição, cujo reflexo encontrase bem delimitado no súmula CARF nº 1, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, não conheço do Recurso Interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 264DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720758/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011
PRELIMINAR. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
A diminuição da base de cálculo decorrente da dialética processual, inclusive com a consideração das provas carreadas aos autos pela contribuinte, não enseja a existência de vício do lançamento e sua consequente nulidade, sendo a matéria objeto de apreciação do mérito.
PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições sociais previdenciárias.
FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO DO ANO DE 2010. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO DO ANO DE 2011.
A competência para a análise da impugnação ao Fator Acidentário de Prevenção, com razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o seu cálculo, é atribuída ao Ministério da Previdência Social.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA
Não incide contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado.
JUROS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
É legal a incidência de juros sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 27/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011 PRELIMINAR. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. A diminuição da base de cálculo decorrente da dialética processual, inclusive com a consideração das provas carreadas aos autos pela contribuinte, não enseja a existência de vício do lançamento e sua consequente nulidade, sendo a matéria objeto de apreciação do mérito. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições sociais previdenciárias. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO DO ANO DE 2010. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO DO ANO DE 2011. A competência para a análise da impugnação ao Fator Acidentário de Prevenção, com razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o seu cálculo, é atribuída ao Ministério da Previdência Social. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA Não incide contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. JUROS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legal a incidência de juros sobre a multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 27/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 40; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720758/201429 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.790 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de agosto de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente ITAU SEGUROS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011 PRELIMINAR. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. A diminuição da base de cálculo decorrente da dialética processual, inclusive com a consideração das provas carreadas aos autos pela contribuinte, não enseja a existência de vício do lançamento e sua consequente nulidade, sendo a matéria objeto de apreciação do mérito. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições sociais previdenciárias. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO DO ANO DE 2010. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO DO ANO DE 2011. A competência para a análise da impugnação ao Fator Acidentário de Prevenção, com razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o seu cálculo, é atribuída ao Ministério da Previdência Social. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA Não incide contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 58 /2 01 4- 29 Fl. 1672DF CARF MF 2 JUROS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É legal a incidência de juros sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto da Relatora. Apresentará declaração de voto o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 27/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que abordam de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de dois autos de infração lavrados contra a sociedade empresária ITAÚ Seguros S/A (DEBCAD nº 51.025.6333 e nº 51.025.6341). O auto de infração de DEBCAD nº 51.025.6333 é composto pelos levantamentos “AP – AVISO PREVIO INDENIZADO”, “PA – PARTICIPACAO ADMINISTRADORES”, “PE – PARTICIPACAO EMPREGADOS” e “RA – DIFERENCA DE RAT”. Nos levantamentos “AP – AVISO PREVIO INDENIZADO” e “PE – PARTICIPACAO EMPREGADOS” do auto de infração de DEBCAD nº 51.025.6333 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias de bancos e assemelhados sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 3 3 decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, relativas a competências compreendidas no período de 08/2009 a 12/2011, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. No levantamento “PA – PARTICIPACAO ADMINISTRADORES” do auto de infração de DEBCAD nº 51.025.6333 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias de bancos e assemelhados sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, relativas a competências compreendidas no período de 09/2009 a 08/2011, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. No levantamento “RA – DIFERENCA DE RAT” do auto de infração de DEBCAD nº 51.025.6333 foram lançadas diferenças de contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, relativas a competências compreendidas no período de 01/2010 a 01/2011, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. Já no auto de infração de DEBCAD nº 51.025.6341, que é composto pelos levantamentos “AP – AVISO PREVIO INDENIZADO” e “PE – PARTICIPACAO EMPREGADOS”, foram lançadas contribuições para outras entidades e fundos (Salário Educação e INCRA) relativas a competências compreendidas no período de 08/2009 a 12/2011, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. O lançamento das contribuições exigidas no levantamento “PA – PARTICIPACAO ADMINISTRADORES” do auto de infração de DEBCAD nº 51.025.6333 foi efetuado, conforme exposto no relatório fiscal, com base no valor, não declarado em GFIP, da participação nos lucros paga aos administradores da Autuada. O lançamento das contribuições exigidas no levantamento “AP – AVISO PREVIO INDENIZADO” dos autos de infração de DEBCAD nº 51.025.6333 e nº 51.025.6341 foi efetuado, conforme exposto no relatório fiscal, com base em pagamentos efetuados a segurados empregados a título de aviso prévio indenizado apurados nas folhas de pagamento da Autuada, que não foram declarados em GFIP. O lançamento das contribuições exigidas no levantamento “RA – DIFERENCA DE RAT” do auto de infração de DEBCAD nº 51.025.6333 foi efetuado, de acordo com a autoridade fiscal, com base na apuração das seguintes irregularidades: 8.16 Com a publicação do Decreto nº 6.042/2007, a partir de julho de 2007, a empresa ora auditada passou a enquadrarse no CNAE 65120/00, que correspondia a alíquota básica de RAT igual a 1% (um por cento). No entanto, conforme as mudanças implementadas pelo Decreto n° 6.957/2009, a partir de janeiro de 2010 tem a sua alíquota básica RAT alterada e definida em 2% (dois por cento). Fl. 1674DF CARF MF 4 8.17 Para o ano de 2010, o FAP atribuído à Itaú Seguros foi 1,6673. 8.18 A empresa contestou o FAP atribuido para o ano de 2010 (de 1,6673) por meio do Processo Administrativo n° 35434.001614/200930. As decisões de 1ª e de 2a instâncias administrativas julgaram improcedentes as alegações do contribuinte e mantiveram o FAP apurado originalmente (de 1,6673). 8.19 Inconformada, em 13/04/2012, a empresa ajuizou ação declaratória com pedido de antecipação de tutela, pelo rito ordinário, contestando a majoração da alíquota RAT pelo Decreto n° 6.957/2009 e o cálculo do fator acidentário de prevenção FAP vigente em 2010, e pede que o RAT retorne de 2% para 1% e que seja recalculado o FAP vigente em 2010 (Processo Judicial n° 00066298120124036100 o qual pode ser verificado no sítio eletrônico http://www.jfsp.jus.br/foruns federais/). 8.20 Foi indeferida a tutela antecipada em decisão de 23/04/2012 e julgados improcedentes os pedidos em sentença publicada em 09/05/2014. Atualmente encontramse os autos em fase recursal. 8.21 Desta feita, para todo o ano de 2010, a alíquota do RAT Ajustado é igual a 3,3346%, que resulta da multiplicação de sua alíquota básica RAT (2%) pelo FAP, ou seja, 2% X 1,6673 = 3,3346%. 8.22 Por sua vez, para o exercício de 2011, o FAP originalmente atribuído à Itaú Seguros foi 1,0961. 8.23 A empresa também contestou o FAP atribuído para o ano de 2011 (de 1,0961) por meio do Processo Administrativo n° 1011300001429011. A decisão de 1ª instância julgou improcedentes as alegações do contribuinte e ainda alterou o FAP apurado originalmente de 1,0961 para 1,0966. Tal posicionamento foi mantido pela decisão de 2a instância. 8.24 Logo, para 2011, a alíquota do RAT Ajustado é igual 2,1932%, resultante da multiplicação de sua alíquota básica RAT (2%) pelo novo FAP apurado, ou seja, 2% x 1,0966 = 2,1932%. 8.25 Durante a auditoria verificouse que em algumas competências do ano de 2010 não foram declaradas em GFIP o valor total da alíquota correspondente ao RAT Ajustado de 3,3346%, tendo sido informadas as seguintes alíquotas: 01/2010 (3,06%), 02/2010 a 04/2010 e 06/2010 (2,00%) e 13/2010 (1,51%). Dessa forma, foram levantadas as diferenças de contribuições ao RAT, correspondentes às diferenças de alíquotas não declaradas incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer de cada mês, aos segurados empregados. 8.26 Ademais, verificouse igualmente que na competência de 01/2011 não foi declarada em GFIP o valor total da alíquota Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 4 5 correspondente ao RAT Ajustado de 2,1932%, tendo sido informada a alíquota de 2,00%. Dessa forma, foi levantada a diferença de contribuição ao RAT, correspondente à diferença de alíquota não degrada incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados. 8.27 Os valores do crédito tributário referentes às diferenças da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT) não declaradas e não recolhidas constam do Demonstrativo Diferença de RAT Apurada. O lançamento das contribuições exigidas no levantamento “PE – PARTICIPACAO EMPREGADOS” dos autos de infração de DEBCAD nº 51.025.6333 e nº 51.025.6341 foi efetuado, conforme relatado pela autoridade fiscal, com base em valores pagos a segurados empregados a título de participação nos lucros ou resultados em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. A autoridade fiscal, ao explicar porque entendeu que ocorreu desrespeito a Lei nº 10.101/2000, aduziu o seguinte: 5.11 Verificase, portanto, a necessidade de serem analisadas as condições em que essa verba é ajustada e paga, para que se possa concluir se a mesma corresponde ou não à disciplina da Lei nº 10.101/2000 e assim possa ser excluída ou não da tributação. Vejamos então a situação em concreto. 5.12 Com o fim de conferir maior fluência à leitura do presente Relatório, adotamos a sigla PLR para nos referir aos pagamentos da verba em questão. 5.13 Foram encontrados na contabilidade da empresa em epígrafe (conta sintética nº 8922000000000 – Participações no Lucro com várias contas analíticas), bem como em suas folhas de pagamento (rubricas R287 PLR Conv. Coletiva; R305 Part. Resultados; 5031 PLR Conv. Coletiva/PLR Securitários e 5993 Particip. Resultados), pagamentos de verbas a título de PLR aos seus empregados. 5.14 Esses pagamentos, cujos montantes por beneficiário e rubrica são apontados nas planilhas de PLR apresentadas pelo contribuinte em 04/06/2014 junto com a Carta CRTUAF 222/2014 de 04/06/2014, foram realizados com base nos subsequentes instrumentos de negociação conforme informação prestada pela empresa no item 01 dessa mesma Carta: a) Regulamento do Plano de Participação nos Resultados celebrado entre Itaú Seguros S/A junto com outra companhia e Comissão Interna de Trabalho, em 30/04/2008, com vigência retroativa no período de 01/01/2008 a 31/12/2008; b) Regulamento do Plano de Participação nos Resultados 2009 celebrado entre a empresa e Comissão Interna de Trabalho, em Fl. 1676DF CARF MF 6 04/09/2009, com vigência retroativa no período de 01/01/2009 a 31/12/2009; c) Acordo Coletivo para Aprovação do Regulamento do Plano de Participação nos Resultados 2010/2011 celebrado entre a empresa e o Sindicato dos Empregados em Empresas de Seguros Privados e de Capitalização, de Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Crédito em Empresas de Previdência Privada, em 29/10/2010, com vigência retroativa no período de 01/01/2010 a 31/12/2010; d) Regulamento do Plano de Participação nos Resultados 2011 firmado entre a empresa e Comissão Interna de Empregados, em 28/07/2011, com vigência retroativa no período de 01/01/2011 a 31/12/2011; e) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) específicas sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados das empresas de seguros privados e de capitalização em 2008, 2009 e 2010, datadas de 04/02/2009, 21/01/2010 e 10/02/2011, respectivamente. 5.15 A fim de diferenciálos das Convenções Coletivas, bem como facilitar a referência aos mesmos, os Regulamentos dos Planos de Participação nos Resultados e o Acordo Coletivo serão doravante também denominados Planos Próprios, Planos de PLR ou simplesmente Planos. 5.16 Iniciando nossa análise dos planos arrolados no item 5.14, tratemos das irregularidades de representatividade do instrumento de negociação, datado de 20 de abril de 2008. 5.17 O preâmbulo do instrumento sob análise dispõe que as partes celebrantes do acordo são, de um lado, a empresa, representada na forma dos seus estatutos por seus diretores e, de outro lado, os empregados, representados pela Comissão Interna de Trabalho. Apesar de não constar do acordo qualquer qualificação do diretor da empresa, há uma assinatura ao final do acordo num campo designado com o nome "Osvaldo de Nascimento", o qual constatouse tratarse de um dos diretores da empresa à época. 5.18 Ocorre que, o Estatuto Social vigente na data de celebração do acordo em tela, qual seja, 30/04/2008, consoante informação fornecida pela empresa no item 06 da Carta CRTUAF 222/2014 de 04/06/2014 estabelece: Art. 5º ATRIBUIÇÕES E PODERES DOS DIRETORES – A representação da sociedade farseá por dois Diretores em conjunto, por um Diretor e um procurador ou por dois procuradores... 5.19 Da leitura do estatuto, notase que o Sr. Osvaldo do Nascimento não detinha poderes para representar isoladamente a empresa, não sendo parte legítima do acordo. 5.20 No intuito de averiguar a legitimidade de representação da Comissão Interna de Trabalho, que assinou o acordo celebrado em 30/04/2008, a empresa foi intimada, por meio do Termo de Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 5 7 Início de Procedimento Fiscal de 12/08/2013, em seu item 16, a apresentar "Cópia autenticada das Atas de Eleição dos Representantes dos Empregados..., no caso de existirem Acordos Próprios de PLR". 5.21 Em 03/09/2013, o contribuinte apresentou atas da apuração de votos da eleição eletrônica da comissão interna de empregados para fins de programa participação nos resultados da empresa Itaú Seguros S.A., datadas de 30/07/2009 e 01/07/2011. No entanto, nada apresentou acerca da eleição da comissão que assinou o plano próprio em 30/04/2008, o que nos resta concluir que os membros dessa comissão foram escolhidos de forma aleatória, sem processo eleitoral formado. 5.22 Notase que a lei 10.101/2000 é clara ao consagrar a participação nos lucros ou resultados como fruto de uma negociação revestida por meio de convenção, de acordo coletivo ou de comissão escolhida pelas partes, em que haja equilíbrio das forças. Há irregularidade no instrumento quando o direito dos empregados em escolher seus representantes for preterido ou não for comprovado, uma vez que o trabalhador é hipossuficiente na relação de emprego e merece toda a proteção da lei. 5.23 Determina a lei que tal comissão deve ser escolhida pelas partes e, sendo assim, é óbvio que tal escolha deve ser documentada, pois é certo que os fatos tributários demandam a utilização de documentos para sua comprovação, tratando no presente caso da necessária existência de atas de reuniões e/ou eleição da referida comissão. 5.24 No caso em tela, a empresa não comprovou que a comissão de empregados, que consta do acordo ora analisado, foi escolhida com a participação dos empregados, parte que ela representa. 5.25 Defendem realmente os interesses dos empregados as pessoas integrantes da comissão que assinou esse acordo? Ou foram especialmente escolhidas pela empresa para defender interesses dela própria, a despeito de estarem assinando como membros da Comissão de Empregados? Ora, percebese notoriamente que a escolha de tais membros deuse de forma obscura e nada transparente. É necessário que haja evidências de que o instrumento que trata da PLR seja oriundo de negociação realizada de fato entre empresa e empregados a fim de evitar que haja uma simples apresentação e formalização do programa previamente preparado pela empresa. 5.26 Uma vez que a autuada não disponibilizou qualquer documento que pudesse comprovar a anuência dos empregados em serem representados pelos membros da comissão, ou seja, qualquer documentação do poder de representação de tais pessoas na assinatura do acordo para pagamento de PLR em nome dos demais empregados da empresa; nem qualquer documento que registrasse o processo de escolha dos mesmos, carecem tais membros de representatividade e assim não são Fl. 1678DF CARF MF 8 parte legítimas para assinarem qualquer documento sobre PLR em nome dos empregados. 5.27 Assim sendo, por falta de representatividade e consequente ilegitimidade de partes, o acordo próprio datado de 30/04/2008 não é válido e portanto, não pode ser considerado. Nem se trata de PLR os pagamentos com base nele realizados. E ainda que o fosse, tal acordo está revestido de outros vícios que contrariam os dispositivos legais, demonstrados no decorrer do presente relatório. 5.28 Analisando a periodicidade dos pagamentos efetuados como sendo PLR, constatouse o não atendimento ao disciplinado no § 2º do art. 3º da Lei n° 10.101/2000, anteriormente transcrito, que expressamente veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Como pode ser observado pelos Demonstrativos Periodicidade dos Pagamentos de PLR 2009, 2010 e 2011, houve casos em que para o mesmo beneficiário existiram três . pagamentos dentro do mesmo ano civil ou dois pagamentos no mesmo semestre. 5.29. Notese que o legislador apenas permitiu que a empresa promova, durante o ano civil e com uma antecedência mínima de seis meses, uma antecipação do pagamento de PLR, porém, impediu o desvirtuamento do instituto (através de acordos que estabelecessem, por exemplo, o pagamento mensal de PLR) quando estabeleceu a proibição constante do parágrafo 2º, do artigo 3º, da Lei n° 10.101/2000. 5.30 Isto porque a periodicidade estabelecida pelo legislador, por sua natureza, exige o estabelecimento de metas (resultados ou lucro) que exigem certo prazo para serem atingidas, onde o pagamento deve decorrer do fato de que as metas foram alcançadas. Não se trata, portanto, de determinação meramente formal. (...). 5.32 Dessa forma, por ter sido descumprida essa importante determinação legal e sendo a PLR um instituto único, todos os valores pagos a esse título, constantes dos Demonstrativos PLR Paga por Beneficiário 2009, 2010 e 2011, que incluem tanto os pagamentos fundamentados nas Convenções Coletivas de Trabalho específicas de PLR quanto os relativos aos Planos Próprios de PLR (citados no item 5.14), não se desvinculam da remuneração e foram considerados integrantes do salário de contribuição. (...) 5.34 A desobediência ao quesito da periodicidade dos pagamentos, por si só, é suficiente para que seja desconsiderado o comando constitucional de desvinculação da verba de PLR da remuneração. No entanto, como já vimos, não foi apenas nesse quesito que a empresa contrariou a lei. Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 6 9 5.35 Continuando a análise dos instrumentos de negociação, verificase que todos os instrumentos arrolados nas alíneas "b" e "c" do item 5.14 possuem vigência retroativa e que, portanto, não foram elaborados antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, como exige a lei. 5.36 Vêse claramente, por exemplo, que os empregados durante quase todo o ano de 2009 e 2010, desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus, ao recebimento da verba referente à PLR, uma vez que os critérios e condições para o recebimento da PLR só foram estabelecidos posteriormente, em 04/09/2009 e 29/10/2010, respectivamente, próximo do final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. Logo, não há que se falar em metas preestabelecidas. 5.37 O mesmo raciocínio vale para os planos próprios celebrados em 30/04/2008 e 28/07/2011, cujo conhecimento das regras por parte dos empregados só ocorreu já transcorrido quatro meses do ano de 2008 e mais da metade do ano de 2011. 5.38 Destacamse também as convenções coletivas sobre PLR, as quais foram todas celebradas no ano seguinte ao período a que se referem. Percebese claramente que durante todo o ano de 2008, 2009 e 2010, os empregados sequer sabiam da existência de tais convenções. 5.39 Isso nos leva a questionar como é possível o comprometimento dos funcionários com metas que só vão conhecer na metade do ano ou no final do ano? No momento em que a participação foi pactuada, já haviam ocorrido diversos fatores que poderiam ou não contribuir para o atingimento das metas, sem que ficasse constatada, expressamente, a participação dos empregados na obtenção do resultado positivo alcançado pela empresa, ou que sequer poderiam ser modificados por mais que se esforçassem os empregados. 5.40 Extraise da legislação pertinente que o pagamento de participação nos lucros ou resultados tem como essência uma retribuição pela colaboração do empregado na obtenção de um lucro ou realização de um resultado previamente pactuado. Deve haver negociação entre as partes e a empresa concederá o pagamento a esse título se os trabalhadores atingirem a meta préestabelecida. Obviamente, esses objetivos ou metas devem pactuados previamente, com um tempo razoável entre o acordo, o conhecimento das regras e o pagamento. 5.41 Assim, cada um dos instrumentos de negociação deve ser prévio, ou seja, deve ser elaborado antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois é relativo exatamente a esse período pactuado. Fl. 1680DF CARF MF 10 5.42 Desta feita, os instrumentos decorrentes das negociações devem ser formalizados antes do período (anobase) de referência, devendo deles constar, de forma clara e objetiva, as metas, os resultados, prazos, critérios e condições que, se implementados, darão aos empregados o direito de receber a verba desvinculada da remuneração. Afinal, se assim não fosse, indagarseia sobre a utilidade e eficácia das regras contidas na legislação, não bastando, tão somente, a existência de um acordo/programa. 5.43 Admitir que o pagamento não estivesse sujeito a condição estipulada, de forma clara e objetiva, em instrumentos de negociação celebrados previamente, seria admitir o desvirtuamento da rubrica e o ensejo à fraude, pois o empregador poderia instituir pagamentos mascarados com o rótulo de "participação nos lucros ou resultados", apenas para não ter natureza salarial e não pagar encargos sociais sobre tais pagamentos. 5.44 Vale ressaltar também que o artigo 1º da MP n° 794/94, reproduzido até a conversão na Lei n° 10.101/2000, indica que o objetivo desta lei é servir como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade. Assim, é pertinente indagarse como o desconhecimento dos critérios durante todo o período de referência poderá servir como incentivo à produtividade? A partir do momento em que o plano próprio é firmado no fim do período que será avaliado perdese a característica de estímulo e por conseguinte de incentivo à produtividade. 5.45 Destarte, os pagamentos a título de PLR realizados por intermédio dos instrumentos arrolados no item 5.14, que por sua vez não atendem à exigência legal de prévia negociação entre as partes, foram considerados como integrantes do salário de contribuição por terem sido efetuados em desacordo com a lei específica. (...) 5.47 Sabemos que a Lei n° 10.101/2000 estabelece que a negociação para distribuição da PLR darseá entre a empresa e seus empregados e define dois procedimentos que podem ser escolhidos pelas partes de comum acordo. São eles: (i) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, ou (ii) convenção ou acordo coletivo. Ademais, prevê que o instrumento de acordo celebrado deverá ser arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. 5.48 Notase que a intenção legislativa foi a de proteger o direito dos empregados: a) ao exigir a participação de um representante do sindicato da categoria nas negociações quando o instrumento destas for uma comissão escolhida pelas partes, e b) ao prever que o acordo celebrado seja arquivado no sindicato. 5.49 Com relação ao plano próprio celebrado em 30/04/2008, não houve comprovação de seu registro e arquivamento na Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 7 11 competente entidade sindical, como estabelecido no art. 2º, em seu § 2º, da Lei n° 10.101/2000. Tal comprovação foi solicitada à empresa por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (em seu item 15), lavrado em 12 de agosto de 2013, e do Termo de Intimação Fiscal (item 3), lavrado em 18/11/2013. 5.50 Na Carta CRTUAF 583/2013, de 23/12/2013, entregue nessa mesma data, a empresa informa no item 3: “Até o presente momento não foi localizado em nosso arquivos os comprovante de arquivamento do regulamento do Plano de Participação, nos Lucros de 2008”. (...) 5.53 A Lei n° 10.101/2000 determina, como já visto, que dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Tais regras dizem respeito à possibilidade dos empregados conhecerem previamente, ou seja, por intermédio do acordo, os requisitos que devem ser por eles atendidos para se habilitarem ao recebimento da PLR, bem como o montante que receberão a depender do lucro auferido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. Claro está que o intuito aqui é que, por intermédio de vantagens fiscais, as empresas sejam motivadas a atrair e incentivar seus empregados com ganhos extras pelo cumprimento de metas ou resultados individuais ou coletivos. Nesse quesito também foi desrepeitada a lei. 5.54 No caso em tela, chama a atenção que nenhuma das convenções coletivas de PLR apresentadas se coaduna com as exigências legais, uma vez que não restaram identificadas as regras objetivas, os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente, ou seja, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus à PLR, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação. 5.55 Sendo o teor das convenções coletivas de PLR basicamente idênticos, trataremos como exemplo daquela relativa ao ano base de 2008, celebrada em 04 de fevereiro de 2009, que assim dispõe, com grifos nossos: CLAUSULA PRIMEIRA As Empresas de Seguros Privados e de Capitalização pagarão a PLR em uma única parcela até a data do pagamento da remuneração de Março/2009 ou, alternativamente, de forma fracionada em duas parcelas, respeitando em ambos os casos as condições nas Cláusulas Segunda e Terceira. CLÁUSULA SEGUNDA Fl. 1682DF CARF MF 12 As Empresas que possuírem programas próprios, consoante a Lei 10.101 de 19/12/2000, pagarão a PLR até a data do pagamento da remuneração de Março/2009 com base nos próprios programas,"assegurando, contudo, o mínimo de uma remuneração, respeitando a tabela a seguir: R$ 1.173,70, para salários até este valor; R$ 1.173,71 à R$ 1.387,10 para salários neste intervalo; R$ 1.387,10 para salários acima deste valor. Os valores acima serão pagos independentemente da apuração do balanço do exercício encerrado em 31122008, a todos os Empregados em efetivo exercício em 31122008 (considerando o período de aviso prévio, mesmo que indenizado) § Primeiro — Aos empregados afastados por doença, acidente de trabalho e/ou licença maternidade, durante o ano de 2008 e com vínculo empregatício em 31/12/2008, fica vedada a dedução do período de afastamento para cômputo da proporcionalidade; (...) § Terceiro — Os Programas Próprios de PLR existentes que tratam a presente Cláusula, somente serão válidos ou reconhecidos a partir da vigência da presente Convenção, se arquivados em cada Sindicato dos Securitários de cada base de representação territorial onde a Empresa tiver estabelecimento; CLÁUSULA TERCEIRA As Empresas que não possuírem programas próprios de PLR, e desde que em seus balanços de 31122008 apresentem lucros líquidos ou resultados, e que tenham disponibilidade financeira, efetuarão o pagamento da PLR, aos Empregados admitidos até 31122007 e em efetivo exercício em 31122008 (considerando o período de aviso prévio, mesmo que indenizado), o valor total calculado na base de 40% (quarenta por cento) da remuneração resultante da Convenção Coletiva de Trabalho de 2009, acrescido do valor fixo de R$ 1.600,50, limitado ao máximo de R$ 5.868,50, podendo ser pago em uma única parcela até a data do pagamento da remuneração de Março/2009, ou, alternativamente em duas parcelas, sendo a 1 ª até data do pagamento da remuneração de Fevereiro/2009, garantido o mínimo da tabela a seguir: R$ 1.173,70, para salários até este valor; R$ 1.173,71 à R$ 1.387,10 para salários neste intervalo; R$ 1.387,10 para salários acima deste valor, e o saldo, se houver, até 3108 2009. § Primeiro — O total do pagamento previsto no "caput" fica limitado a 10% (dez por cento) do lucro líquido do exercício de 2008; § Segundo — As Empresas que, mesmo tendo lucros ou resultados no seu Balanço de 31122008, não tiverem Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 8 13 disponibilidade financeira ou o seu lucro líquido ou resultado não for suficiente para atender integralmente ao disposto no caput deverão comprovar documentalmente com os elementos que deram origem ao resultado final de seu balanço, junto ao Sindicato dos Securitários de cada base territorial, até 3103 2009, ficando garantido, entretanto, o pagamento previsto no parágrafo 3o desta Cláusula: § Terceiro — As Empresas que apresentarem prejuízo em suas Demonstrações Financeiras do exercício encerrado em 3112 2008, pagarão a título de PLR o valor mínimo da tabela a seguir: R$ 1.173,70, para salários até este valor; R$ 1.173,71 à R$ 1.387,10 para salários neste intervalo; R$ 1.387,10 para salários acima deste valor a todos os Empregados adm cento e setenta e cinco mil e duzentos e quarenta e três reais e setenta e cinco centavos) e R$ 3.200.885,34 (três milhões, duzentos mil e oitocentos e oitenta e cinco reais e trinta e quatro centavos). Irresignada com os lançamentos, a Autuada apresentou a impugnação de fls. 550 a 577, instruída com os documentos de fls. 578 a 722.dos até 31122007 e em efetivo exercício em 31 122008 (considerando o período de aviso prévio, mesmo que indenizado); 3.1 Os Empregados admitidos durante o ano de 2008, em efetivo exercício na Empresa em 31122008 farão jus a 1/12 (um doze avos) do valor calculado, por tempo de registro ou fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. Os admitidos durante o ano de 2008 que tenham se afastado por doença, acidente do trabalho ou licença maternidade, receberão na mesma proporção, com base na data de sua admissão. 3.2 – Aos Empregados afastados por doença, acidente de trabalho e/ou licença maternidade, durante o ano de 2008 e com vínculo empregatício em 31122008, fica vedada a dedução do período de afastamento para computo da proporcionalidade. CLÁUSULA QUARTA Os pagamentos decorrentes da aplicação da presente Convenção Específica referemse ao exercício de 2008 e têm como cumpridos os requisitos da Lei 10.101, de 19122000. 5.56 Da leitura dos dispositivos transcritos acima, vêse que o único critério adotado pelas convenções coletivas é a admissão do empregado antes do início do ano base a que se refere o pagamento da PLR (ou no decorrer deste) e/ou estar em efetivo exercício ao término desse mesmo ano. Dessa forma, é pertinente indagarse como tal critério poderá servir como incentivo à produtividade? Para tanto, seria necessário que o instrumento de negociação contivesse alguma determinação a Fl. 1684DF CARF MF 14 ser cumprida pelos empregados e que fosse incentivadora da produtividade, que se atendida lhes daria o direito ao recebimento do numerário especificado. Entretanto, nas CCT, não há qualquer determinação para os empregados, apenas ser necessário trabalhar na empresa e manter vínculo no último dia do respectivo ano, ainda que tenham se afastado durante todo o ano por doença ou acidente de trabalho, o que demonstra tratar se na verdade de pagamento de prêmio por tempo de serviço e não de PLR. 5.57 Além disso, independentemente da apuração do balanço e ainda que a empresa tenha prejuízo ou mesmo não tenha disponibilidade financeira, é assegurado um valor fixo mínimo, o que corrobora o fato de não existir qualquer nexo entre os valores ganhos pelo empregados a título de PLR e os lucros ou resultados da empresa. Ao contrário, a participação nos lucros já aparece como um fato consumado, independentemente de qualquer atitude tomada pelo empregado, ele receberia a PLR, o que afasta qualquer possibilidade de se vislumbrar na parcela paga a qualificação que lhe outorgou a autuada. 5.58 Em suma, o pagamento em estudo afastouse do objetivo da lei, qual seja, o de integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade, mediante um ajuste prévio entre empresa e empregados, para definir os resultados a serem alcançados, a forma de participação, os direitos substantivos e demais regras adjetivas. Afastouse, portanto, o contribuinte dos requisitos legais que fazem com que a PLR não integre o salário de contribuição. (...) 5.60 Igualmente, não se encontram nos planos próprios regras claras e objetivas sobre as metas a serem atingidas para o recebimento do benefício da PLR, sendo o conteúdo dos mesmos bastante vagos. Não é possível identificar em tais planos, respostas a indagações como: Quais são as metas que os beneficiários necessitam atingir para receber a PLR? O que terão de fazer para atingilas? 5.61 Vejamos trechos do Regulamento do Plano de Participação nos Resultados assinado em 30/04/2008, com grifos nossos: Cláusula Quarta: PARTICIPANTES Participam do presente plano os empregados efetivos cujos cargos sejam: Superintendentes, Gerentes e Supervisores equivalentes desde que não elegíveis a outros planos de participação de resultados. Por empregados efetivos entendemse aqueles com vínculo empregatício com a empresa e que ocupem posto de trabalho nas áreas identificadas na cláusula quinta. 4.1 Exclusões: Este plano não se aplica aos empregados demitidos por justa causa, aos elegíveis a outros planos de participação nos Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 9 15 resultados, aos Estagiários, aos Trabalhadores Temporários e aos Prestadores de Serviços. Aos ocupantes de cargos regidos pelo salário normativo da categoria dos Securitários (Contínuo, Assistentes Administrativos e Assemelhados), às Secretárias e equivalentes, fica assegurado o pagamento da PLR estabelecida em Convenção Coletiva dos Securitários. Cláusula Quinta: DETERMINAÇÃO DOS RESULTADOS Os resultados serão baseados em uma variável definida com "K" que reflete os resultados gerenciais de rentabilidade, ajustada pelo índice de ponderação do indicador "RGO da ASPC" e pela pontuação percentual no indicador'AGIR". Vide tabela no ANEXO desse regulamento. Cláusula Sexta: CÁLCULO DO VALOR INDIVIDUAL É obtido a partir do múltiplo salarial base para cálculo da Participação nos Resultados, seguindo a metodologia abaixo: Antecipação: Valor da Participação nos Resultados = S x MS x K1 x RGO1 x AGIR1/2 2ª Parcela Valor da Participação nos Resultados = (S x MS x K2 x RGO2 x AGIR2) Antecipação (*) Obs.: S = Salário base para cálculo da PR MS = Múltiplos salariais do empregado K1 = Coeficiente de rentabilidade no 1° semestre K2 = Coeficiente de rentabilidade apurado no encerramento do exercício fiscal RGO1/ICM1 = índice de ponderação do RGO ASPC e puntuação percentual do AGIR no 1° semestre RGO2/ICM2 = índice de ponderação do RGO ASPC e pontuação percentual do AGIR no encerramento do exercício fiscal Cláusula Sétima: PAGAMENTO Os valores decorrentes do Plano de Participação nos Resultados serão pagos anualmente aos empregados elegíveis, até o último dia do mês subsequente ao da publicação do balanço da empresa, deduzidos os valores antecipados por liberalidade da Fl. 1686DF CARF MF 16 empresa a título de Participação nos Resultados e/ou os decorrentes de Convenção Coletiva de Trabalho. (...) Cláusula Oitava: GARANTIA Na Hipótese dos valores decorrentes do Plano de Participação nos Resultados serem inferiores aos valores estabelecidos em Convenção Coletiva de Trabalho específica sobre Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados da categoria predominante (Securitários), os valores serão complementados até os limites estabelecidos pela Convenção, observando as cláusulas de disponibilidades financeiras e de proporcionalidade de meses trabalhados em cada semestre, observando fração igual ou superior a 16 (dezesseis) dias. (...) Anexo 1 Índice de ponderação do indicador RGO da ASPC Anexo 2 Limites do ICM no AGIR das áreas Para as métricas quantitativas, será considerado o próprio ICM, respeitandose os limites mínimos (abaixo de 50% zera) e máximo (acima de 150%, considerase 150%). Para as métricas quantitativas, será considerado o próprio ICM, respeitandose os limites mínimos (abaixo de 50% zero) e máximo (acima de 150%, considerase 150%). 5.62 Há ainda o Anexo 3 que traz um exemplo de cálculo, o qual não se compreende pelos motivos a seguir expostos. 5.63 Da leitura de tal plano e de seus anexos, surgem várias questões: Como é apurado o coeficiente de rentabilidade (K)? E o que significa ICM? De que forma ocorre a avaliação individual? Quais são as metas que os empregados precisam Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 10 17 atingir para receber a participação nos resultados? O que terão de fazer para atingilas? 5.64 Nenhuma das respostas às indagações acima podem ser encontradas no texto acordado, contrariando assim o disposto no § 1°, do art. 2o, da Lei n° 10.101/2000, o qual determina a obrigatória previsão de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos empregados no instrumento de negociação da PLR. 5.65 Tampouco é informado no acordo em tela como é obtido o "múltiplo salarial (MS)", que influencia diretamente no valor final da PLR recebida pelo empregado, o que nos leva a pensar dáse de forma aleatória e discricionária. 5.66 Também não se explica em que consistem os indicadores "RGO da ASPC" e AGIR", nem como são obtidos. 5.67 Ressaltamos ainda que a Cláusula Oitava do acordo ora tratado assegura o pagamento do valor mínimo de PLR estabelecido pela CCT, ou seja, é garantida a parcela limite de PLR prevista na CCT sem nenhuma relação com metas ou objetivos. Isso significa que o empregado jamais deixa de receber valor referente à PLR, mesmo que a empresa tenha prejuízo ou não tenha disponibilidade financeira, comprovando que não há qualquer vínculo entre o valor ganho a título de PLR e os lucros ou resultados da empresa, o que, como já dito, torna tal verba uma gratificação, bonificação ou outro nome que se queira, menos PLR. 5.68 Além disso, conforme a Cláusula Quarta do acordo em pauta, somente uma parte dos colaboradores da empresa fazem jus à participação nos resultados, ou seja, tal benefício não é extensível a todos os empregados. Isso denota a existência de duas castas de beneficiários, o que fica evidente ao se comparar os valores pagos com base no plano em questão (os quais são muito mais superiores) com os valores pagos com base na CCT. Daí indagamos: Por que somente alguns dos empregados são beneficiários desse plano próprio quando o intuito legal é a integração do capital com o trabalho? 5.69 A seguir transcrevemos trechos do Regulamento do Plano de Participação nos Resultados 2009 assinado em 04/09/2009, com grifos nossos: Cláusula Quarta: ELEGÍVEIS São elegíveis ao presente plano: Na área administrativa os Superintendentes, Gerentes e equivalentes, Coordenadores e equivalentes; Na área comercial os Gerentes de Negócio, Gerentes de Relacionamento, Consultores de Negócio, Consultores de Relacionamento, Coordenadores de Negócios e Coordenadores de Relacionamento. Fl. 1688DF CARF MF 18 Por empregados efetivos entendemse aqueles com vínculo empregatício com a empresa. 4.1 – Exclusões: Este plano não se aplica aos empregados demitidos por justa causa, ocupantes de cargos regidos pelo salário normativo da categoria dos securitários (Contínuo, Assistentes Administrativos e Assemelhados), aos Estagiários, às Secretárias e equivalentes, aos participantes de outros planos de participação e à PLR dos Securitários, aos Trabalhadores Temporários e aos Prestadores de Serviços. Cláusula Quinta: DETERMINAÇÃO DOS RESULTADOS É obtido a partir do valor target em reais, estabelecido para o funcionário no ano de 2008. O valor target será ajustado pela performance da empresa no ano de 2009 em relação ao ano de 2008. O desempenho individual aferido impactará o valor target entre 60% e 140% na apuração do valor anual. O impacto de desempenho individual será contemplado somente na ocasião da apuração final dos resultados do ano. Cláusula Sexta: REGRA PARA PAGAMENTO A regra definida para pagamento será o valor target ajustado pelo desempenho individual, conforme cláusula quinta e pela performance da empresa no ano descontada a parcela de antecipação. Cláusula Sétima: ANTECIPAÇÃO O valor da antecipação será 40% do valor target, ajustado pela performance da empresa no primeiro semestre de 2009. Farão jus à antecipação os empregados em efetivo exercício em 30/06/2009. Cláusula Oitava: PAGAMENTO Os valores decorrentes do Plano de Participação nos Resultados serão pagos anualmente aos empregados elegíveis, após o fechamento do semestre, deduzidos os valores antecipados por liberalidade da empresa a titulo de Participação nos Resultados e/ou os decorrentes de Convenção Coletiva de Trabalho. (...) Cláusula Nona: GARANTIA Na Hipótese dos valores decorrentes do Plano de Participação nos Resultados serem inferiores aos valores estabelecidos em Convenção Coletiva de Trabalho específica sobre Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados da categoria predominante (Securitários) os valores serão complementados Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 11 19 até os limites estabelecidos pela Convenção, observando as cláusulas de disponibilidades financeiras e de proporcionalidade de meses trabalhados em cada semestre, observando fração igual ou superior a 16 (dezesseis) dias. 5.70 O texto do regulamento acima menciona que a obtenção dos resultados dáse a partir do valor target ajustado pelo desempenho individual e pela performance da empresa. Contudo, em nenhum momento explica em que consiste esse valor target nem como o mesmo é obtido, tampouco estabelece as regras a serem utilizadas para avaliação do desempenho individual dos empregados. 5.71 Diante do regulamento em questão, questionamos: Qual a performance da empresa necessária para que sejam distribuídos os resultados? Qual o desempenho individual esperado para que esse mesmo benefício seja recebido por cada empregado? O texto acordado não traz respostas às indagações, não sendo possível identificar qual o valor deveria ser pago aos empregados a título de PLR. 5.72 Evidente que não basta, portanto, a existência de plano disciplinando a distribuição de lucros ou resultados; há que se ter efetiva previsão de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos dos empregados, evitandose a adoção de critérios de índole subjetiva, que levem em consideração aspectos que dependam de avaliação geral e não específica. 5.73 Aqui também nos deparamos com um plano que não é extensível a todos os empregados, evidenciando a existência de duas castas de beneficiários, consoante estabelece a Cláusula Quarta. segundo a qual, independentemente de qualquer fator, fica assegurado o pagamento do valor estipulado pela CCT. O que significa que o empregado elegível ao plano jamais deixa de receber valor referente à PLR, mesmo que conforme as regras do regulamento (que não são claras nem objetivas como já vimos) não faça jus ao seu recebimento. 5.75 Por sua vez, há o Regulamento do Plano de Participação nos Resultados 2010/2011, aprovado mediante Acordo Coletivo celebrado em 29/10/2010, referente ao ano base 2010. O corpo do regulamento em questão trata apenas de aspectos genéricos, estando os detalhes acerca das regras para o pagamento da PLR em seus anexos. O mesmo ocorre com o Regulamento do Plano de Participação nos Resultados 2011, datado de 28/07/2011, referente ao ano base 2011, cujo conteúdo (corpo e anexos) é quase idêntico ao do primeiro. Por isso, trataremos a seguir mais precisamente dos anexos do Regulamento do Plano celebrado em 29/10/2010, com grifos nossos: ANEXO 1 ELEGÍVEIS Fl. 1690DF CARF MF 20 São elegíveis ao presente plano: Em todas as áreas os Superintendentes, Gerentes e equivalentes, Coordenadores e equivalentes; Na área comercial, Diretoria Itauseg Saude Prev, os Consultores de Negócio (PJ), Consultores de Relacionamento (PJ) e Consultores de Vendas de seguros (PJ). Por empregados efetivos entendemse aqueles com vínculo empregatício com a empresa. Exclusões: Este plano não se aplica aos empregados demitidos por justa causa, ocupantes de cargos regidos pelo salário normativo da categoria dos Securitários (Contínuo, Assistentes Administrativos e Assemelhados), aos Estagiários, às Secretárias e equivalentes, aos participantes de outros planos de participação e à PLR dos Securitários, aos Trabalhadores Temporários e aos Prestadores de Serviços. DETERMINAÇÃO DOS RESULTADOS E REGRA PARA PAGAMENTO Programa anual, com verba global definida com base nos resultados gerenciais da Seguradora e do Itaú Unibanco Holding. Alguns exemplos de indicadores de resultado gerencial: Criação de Valor / LucroExcedente = RGO () custo do capital multiplicado pelo capital alocado, RGO: Resultado Gerencial Operacional da empresa e das áreas de negócio. A verba é definida para a Seguradora e limita o valor de Participação nos Resultados a ser distribuído. O valor individual leva em consideração a nota de avaliação de desempenho e/ou a posição ocupada na classificação do grupo (ranking). Os executivos podem realizar ajustes, para cima ou para baixo, nos valores individuais dos funcionários, nos comitês de cada área. O modelo tem uma antecipação semestral, calculada através de % da Participação nos Resultados, cujo valor é descontado no fechamento anual. O cálculo individual e feito com a seguinte fórmula: A * B * X * Y * Z ; sendo: A = valor base de participação nos resultados individual B = variação % do resultado(s) gerencial(ais) da empresa e/ou da área X = % correspondente à posição no ranking de desempenho individual Y = fator de ajuste discricionário Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 12 21 Z = fator de ajuste à verba disponível na área O modelo é anual, com antecipação semestral. O valor individual calculado já contempla o valor referente à PLR Sindical, caso haja. ANTECIPAÇÃO O valor da antecipação será 40% do valor base definido para o ano de 2010. Farão jus à antecipação os empregados em efetivo exercício na data do pagamento. PAGAMENTO Os valores decorrentes do Plano de Participação nos Resultados serão pagos anualmente aos empregados elegíveis, após o fechamento do semestre, deduzidos os valores antecipados por liberalidade da empresa a título de Participação nos Resultados e/ou decorrentes de Convenção Coletiva de Trabalho. (...) GARANTIA Na Hipótese dos valores decorrentes do Plano de Participação nos Resultados serem inferiores aos valores estabelecidos em Convenção Coletiva de Trabalho específica sobre Participação dos empregados nos Lucros ou Resultados da categoria predominante (Securitários), os valores serão complementados até os limites estabelecidos pela Convenção, observando as cláusulas de disponibilidades financeiras e de proporcionalidade de meses trabalhados em cada semestre, observando fração igual ou superior a 15 (quinze) dias. ANEXO 2 Para as equipes, há um modelo de Participação nos Resultados, PRAD, atrelado ao desempenho do colaborador, pago a 20% dos colaboradores melhores avaliados através do sistema de metas individuais. O ranking deve ser validado em comitê das áreas. São elegíveis apenas os colaboradores que não participam de outro modelo de Participação nos Resultados. Fórmula: A * B , sendo: A = valor base de participação nos resultados individual b = variação % do(s) resultado(s) gerencial(ais) da área e/ou empresa O modelo é anual. O valor individual calculado é adicional à PLR Sindical. Para o pagamento de PRAD são observados os critérios de elegibilidade de cada área ou segmento. Fl. 1692DF CARF MF 22 As áreas poderão a seu critério adotar qualquer uma das fórmulas previstas nos modelos acima descritos, desde que se comunique antecipadamente aos funcionários elegíveis. 5.76 Percebese nitidamente que a avaliação de desempenho individual é fator primordial na determinação do valor da PLR a ser distribuída a cada empregado, no entanto, em nenhum momento são apresentados: as regras que permeiam essa avaliação, as metas a serem atingidas, o mecanismo de aferição de seu alcance ou não, os parâmetros utilizados na avaliação dos funcionários, a forma como são avaliados nem apresentação de modelo básico dessas avaliações. É apenas citada a existência dessas metas e da avaliação, sem que nenhum desses dois integre o acordo firmado nem seus anexos. 5.77 A falta de todas essas informações inviabiliza o conhecimento prévio do empregado do esforço que deverá dispender para receber a PLR, em confronto com as determinações legais. 5.78 Há inclusive a utilização do fator Y = fator de ajuste discricionário, que corrobora a possibilidade de subjetividade na apuração da PLR paga ao empregado, uma vez que não são determinados os casos de aplicação de tal fator nem a forma como se dá sua apuração. 5.79 Ressaltamos que a escolha de critérios subjetivos aplicados na determinação do cumprimento das metas, impossíveis de aferição a posteriori por critérios objetivos, conforme preconiza o § 1o, do art. 2º da Lei n° 10.101/00, também descaracteriza a natureza não remuneratoria das verbas pagas a título de participação nos lucros ou resultados. O quantum a ser distribuído a cada empregado deve comportar a possibilidade de aferição objetiva, sem depender de critérios subjetivos de avaliação. 5.80 Por fim, vemos que todas as críticas apontadas para os planos já previamente analisados (ver itens 5.67, 5.68, 5.73 e 5.74), no que tange à aplicabilidade do plano somente para alguns empregados, à garantia do valor estabelecido na CCT e à falta de regras claras objetivas, são válidas para o plano ora analisado bem como para o celebrado em 28/07/2011, sendo desnecessário repetilas. 5.81 Diante disso, novamente temos configurado o desrespeito pela empresa às normas que regem a distribuição de PLR, uma vez que não se pode falar aqui da existência de regras claras e objetivas, nem de conhecimento prévio das metas a serem atingidas. (...) 5.84 Em continuidade ao expendido, discorreremos acerca de um dos dispositivos legais mais importantes nesse tema que é aquele que determina que a participação nos lucros ou resultados não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Essa disposição legal, que se aplica a todos os instrumentos de negociação da PLR adotados pela empresa, quais sejam, as Convenções Coletivas de Trabalho e os Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 13 23 Planos Próprios, uma vez que a PLR é um instituto único, demonstra claramente a preocupação do legislador em não permitir que a PLR fosse utilizada em substituição de parcela salarial, o que não foi respeitado pela empresa ora autuada, como será explanado. 5.85 Além de todos os problemas até aqui relatados, como periodicidade dos pagamentos de PLR inadequada, retroatividade da vigência do plano, metas não terem sido pactuadas previamente, ausência de regras claras e objetivas, dentre outros, há ainda aquele relacionado ao fato de ser comum no ramo de atividade da empresa o pagamento através de remunerações variáveis/bônus por meio de PLR. 5.86 Do exame das folhas de pagamento, observaramse diversos casos em que a verba paga a título de PLR aos empregados excedia em dezenas de vezes o valor do salário base (do ordenado) mensal do próprio empregado, como destacados por amostragem no Demonstrativo PLR x Ordenado. Há casos em que o valor da PLR excede em mais de quarenta e cinco vezes o salário base mensal do funcionário. Cabe ressaltar que da leitura dos planos e dos seus anexos, não foi verificada a possibilidade da verba paga a título de PLR alcançar valores tão vultosos. 5.87 Percebese claramente que, na realidade, as verbas pagas pela empresa a título de PLR nada mais são do que instrumento de premiação/gratificação/bonificação ou qualquer que seja a sua nomenclatura travestido de PLR, com nítido caráter retributivo e em substituição salarial. Além disso, vimos que muitos empregados receberam valor superior à sua remuneração anual, na forma de PLR, sem incidência de contribuição social alguma. É evidente que tais pessoas não estão prestando serviços à empresa por conta do salário "oficial" pelo qual foram contratadas. A verdadeira remuneração dessas pessoas não é o salário "oficial" que recebem e sim os valores exorbitantes travestidos de "participações nos resultados". 5.88 É consenso que os profissionais do mercado financeiro, principalmente os de níveis gerenciais e acima, são remunerados pelo sucesso nas operações que realizam. Nesse sentido, muitas vezes a remuneração variável passa a ser muito mais relevante do que o salário contratual. Ocorre que, quando a suposta "participação nos lucros ou resultados" paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário base contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de remuneração. Esse fato contraria claramente o caput do art. 3º da Lei n° 10.101/2000, que prevê que a participação não substitui ou complementa a remuneração, visto que, como evidenciado acima, para muitos empregados beneficiários, a PLR passa a ser a remuneração principal e, como tal, integra o salário de contribuição. Mais um motivo que demonstra que as verbas a Fl. 1694DF CARF MF 24 título de PLR foram pagas aos empregados da empresa em desacordo com a Lei n° 10.101/2000. (...) 5.91 Importa registrar que a PLR é verba aleatória: é variável, não é fixa, não é garantida. O seu caráter condicional está relacionado ao cumprimento de metas, resultados ou limites diretamente ligados à ação dos empregados com vistas à integração destes na empresa por meio da divisão dos resultados obtidos pelo empregador com a colaboração do empregado. É instituída para que o empregado se anime a produzir mais. É paga sempre que o trabalhador coletivamente atingir um limite fixado pelo empregador, limite este que demonstra o reconhecimento de que, não só o empregador, mas que também o empregado colaborou para que se alcançasse o lucro ou resultado almejados. Este é o sentido da regra do § 1º do art. 2º da Lei n° 10.101/2000, o qual exige que, dos instrumentos de negociação, constem claras, não só as regras substantivas, como também as regras adjetivas. São nessas regras que encontraremos definidas as condições que, se implementadas, darão aos empregados o direito de participarem dos lucros ou resultados da empresa, bem como a forma como o processo se desenvolverá. 5.92 A participação nos lucros ou resultados é uma importante estratégia para garantir motivação e produtividade e, por conseguinte, lucro e melhoria das condições sociais. Daí a importância do cumprimento de todas as formalidades prescritas na lei. A empresa é livre para determinar sua política de pagamentos, ficando obrigada, no entanto, a se submeter às conseqüências legais que tal política possa vir a ter. E, caso não obedeça aos critérios legais, os pagamentos de PLR efetuados perdem as características de desoneração e, assim, entram no conceito de salário de contribuição, não estando dentre as exceções previstas no § 9º, do art. 28, da Lei n° 8.212/1991. 5.93 Ciente disso e devido a todas as razões expostas no presente Relatório, fica caracterizada a "participação nos lucros ou resultados" paga com base nos Planos Próprios e nas Convenções Coletivas Específicas de PLR, como integrante do salário de contribuição, visto que não atende aos requisitos da lei em seu aspecto formal e material. Os valores lançados referentes aos autos de infração de DEBCAD nº 51.025.6333 e nº 51.025.6341 correspondiam, na data da consolidação dos débitos (18/08/2014), aos montantes de, respectivamente, R$ 35.175.243,75 (trinta e cinco milhões, cento e setenta e cinco mil e duzentos e quarenta e três reais e setenta e cinco centavos) e R$ 3.200.885,34 (três milhões, duzentos mil e oitocentos e oitenta e cinco reais e trinta e quatro centavos). Irresignada com os lançamentos, a Autuada apresentou a impugnação de fls. 550 a 577, instruída com os documentos de fls. 578 a 722. Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 14 25 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011 PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições sociais previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A participação dos administradores nos lucros da companhia, prevista no artigo 152, §1º, da Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias por caracterizar contraprestação aos serviços prestados e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de imunidade/isenção. FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO FAP. A impugnação do Fator Acidentário de Prevenção, com razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o cálculo do FAP, deve ser apresentada perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores pagos a título de aviso prévio indenizado integram a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011 PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Fl. 1696DF CARF MF 26 Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições para terceiros (outras entidades e fundos). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. A participação dos administradores nos lucros da companhia, prevista no artigo 152, §1º, da Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições para terceiros (outras entidades e fundos) por caracterizar contraprestação aos serviços prestados e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de imunidade/isenção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011 JUROS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros sobre a multa de ofício é legítima. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2009 a 31/12/2011 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte teceu os seguintes argumentos: a) há vício com relação ao quantum autuado sobre os pagamentos realizados a título de PLR a empregados, razão pela qual padece de nulidade o lançamento; b) caso não seja reconhecida a nulidade do lançamento, requer se a exclusão da base de cálculo autuada de todos os valores lançados incorretamente, devendo, nesse caso, permanecer a discussão, quando muito, apenas sobre a base de cálculo correta; c) a base de pagamentos de 2009 entregue pela recorrente na fase de fiscalização contém, em parte, pagamentos que se referem aos instrumentos de 2008 (até 06/2009); e, em parte, pagamentos que se referem aos instrumentos de 2009 (a partir de 09/2009); Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 15 27 d) resta claro que nenhum desse valores foi objeto do lançamento em discussão, uma vez que a primeira competência autuada se refere ao mês de 09/2009 (fls. 469 a 487); e) portanto, todas as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização e pela DRJ quanto aos instrumentos de negociação de 2008 são irrelevantes para a presente discussão, já que, como dito, nenhuma das verbas autuadas foi paga com base em tais instrumentos; f) quanto à suposta inexistência de negociação prévia dos Programas Próprios e das CCTs de participação nos resultados dos anos de 2009 a 2011, a recorrente demonstrou que a formalização dos programas próprios assinados dentro dos respectivos anos de apuração, somente convalidam os critérios objetivos (metas) que, comprovadamente, já haviam sido discutidos e pactuados entre a empresa e funcionários, no início do período; g) a recorrente demonstrou, por meio de contratos de metas dos funcionários e de declarações, que, malgrado os planos próprios não tenham sido assinados no início dos anos mencionados pela fiscalização, as condições para recebimento eram de pleno conhecimento dos seus funcionários, desde o início dos períodos; h) as convenções coletivas foram assinadas antes da efetivação do pagamento da PLR e, por essa razão, não colidem com as disposições da Lei n.º 10.101/2000; i) o programa de participação, seja de lucros ou resultados, não carece de apontar índices detalhados e complexos de metas, mas somente a sua respectiva existência, especialmente quando aprovado em convenção coletiva, o qual demanda consenso de toda uma categoria; j) acerca da periodicidade, caso não reformada a decisão nesse ponto, deve ser mantida a autuação apenas sobre os pagamentos que excederam ao primeiro pagamento de cada semestre; k) a legislação de regência não traz qualquer limite de percentual a ser pago aos empregados a título de pLR; l) a recorrente discute, na ação ordinária n.º 2007.61.00.0108414, além da verba autuada por meio da NFLD n.º 35.620.4006, a ilegalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos de PLR a administradores; m) existindo legislação específica que regula o pagamento das participações, qual seja, a Lei nº 6.404/76, é plenamente aplicável ao caso a hipótese de exclusão, prevista na Lei 8.212/91, sob pena de dar tratamento tributário diferenciado a pessoas que se encontram em situações equivalentes, o que é vedado pela Constituição Federal; Fl. 1698DF CARF MF 28 n) não incide contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, uma vez que tal parcela não compõe a remuneração (REsp 1.230.957/RS); o) o reenquadramento do índice do FAP do ano de 2010 é discutido pelo Recorrente na ação ordinária n.º 0006629 81.2012.4.03.6100 em de 2011, na ação ordinária n.º 0025057 43.2014.4.03.6100; p) as inconsistências na apresentação e na apuração dos fatores utilizados para a fixação do FAP maculam a tributação, já que impedem que o contribuinte confira se os valores exigidos lhe foram corretamente imputados e, conseqüentemente, deve ser reformada a decisão recorrida e cancelada a autuação; q) não devem incidir juros sobre a multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. 1. Da preliminar de nulidade Aduz a recorrente que a presente autuação contém vício com relação ao quantum autuado sobre os pagamentos realizados a título de PLR a empregados, razão pela qual padece de nulidade. Tal matéria, embora tenha sido aduzida em sede de preliminar, deve ser analisada como questão de mérito, em razão de não se tratar de vício do lançamento, mas sim de diminuição de base de cálculo decorrente da dialética processual, inclusive considerando as provas carreadas aos autos pela contribuinte, consoante entendimento da Turma. Por essa razão, rejeito as preliminares argüidas e passo a apreciar o argumento como matéria relativa ao mérito. A autoridade fiscal, segundo a contribuinte, ao receber as bases de pagamento da PLR, não descontou os valores pagos antecipadamente aos funcionários da Recorrente e, por tal razão, acabou por autuar uma base comprovadamente maior do que a efetivamente paga. Na prática, ocorreu o seguinte: a) os pagamentos a título de antecipação de PLR foram realizados pela Recorrente em agosto ou setembro de um ano e a diferença a ser paga era realizada, com base nas regras do respectivo programa, em fevereiro ou março do ano subsequente; Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 16 29 b) a fiscalização, contudo, considerou, equivocadamente, os valores efetivamente pagos de um ano e somou os valores totais informados na folha de pagamento do ano seguinte. Foi efetuada a juntada pela recorrente de uma planilha com os pagamentos feitos a três funcionários, demonstrando que a fiscalização não descontou os valores pagos antecipadamente, bem como os holerites desse colaborador (doc 03 e 04 da impugnação). A decisão recorrida desconsiderou o valor probatório dos holerites juntados aos autos, dispondo, assim, sobre a ausência de comprovação do equívoco da base de cálculo. Não se sustenta a fundamentação narrada, tendo em vista que os valores pagos aos funcionários refletidos nos holerites compõem a própria base de cálculo autuada, portanto considero o valor probatório dos holerites e entendo pela exclusão da base de cálculo da parcela incorretamente lançada. Desse modo, no que se refere à matéria discorrida, merece reparo a decisão da Delegacia de Origem, devendo ser procedida a exclusão dos valores excessivamente levados a efeito na base de cálculo, tomandose como parâmetro os holerites apresentados pela contribuinte. 2. Das falhas apontadas pela fiscalização no que se refere à Participação nos Lucros ou Resultados: Consoante o Relatório Fiscal, foram considerados as seguintes irregularidades da PLR: Irregularidade de representatividade do instrumento de negociação datado de 30 de abril de 2008, fls. 498 e 499; Conforme os demonstrativos dos pagamentos de PLR 2009, 2010 e 2011, houve casos em que para o mesmo beneficiário existiram três pagamentos dentro do mesmo ano civil ou dois pagamentos no mesmo semestre, fls. 499; Os instrumentos arrolados possuem vigência retroativa (Regulamento do Plano de Participação nos lucros celebrado entre Itaú Seguros S/A junto com outra companhia e Comissão Interna de Trabalho, em 04/09/2009, com vigência retroativa no período de 01/01/2009 a 31/12/2009; e Acordo Coletivo para aprovação do Regulamento da PLR 2010/2011 celebrado entre empresa e o Sindicato dos Empregados em Empresas de Seguros Privados e de Capitalização, de Agentes Autônomos de Seguros Privados e de Créditos em Empresas de Previdência Privada, em 29/10/2010, com vigência retroativa no período de 01/01/2010 a 31/12/2010); os empregados, durante quase todo o ano de 2009 e 2010, desconheciam completamente os requisitos a que deveriam atender para fazer jus ao recebimento da verba PLR, uma vez que os critérios e condições para o seu recebimento só foram estabelecidos posteriormente, em 04/09/2009 e 29/10/2010, respectivamente, próximo ao final do período a que se referiam, demonstrando a ausência de prévia negociação, o que fere diretamente os ditames legais. Logo, não há que se falar em metas preestabelecidas; Fl. 1700DF CARF MF 30 o mesmo se aplica aos anos planos próprios celebrados em 30/04/2008 e 28/07/2011, cujo conhecimento das regras por parte dos empregados só ocorreu já transcorrido quatro meses do anos de 2008 e mais da metade do ano de 2011; As convenções coletivas sobre PLR foram todas celebradas no ano seguintes ao período a que se referem. Percebese claramente que, durante todo o ano de 2008, 2009 e 2010, os empregados sequer sabiam da existência de tais convenções; com relação ao plano próprio celebrado em 30/04/2008, não houve comprovação de seu registro e arquivamento na competente entidade sindical, como estabelecido no art. 2º, em seu § 2º, da Lei n.º 10.101/2000; nenhuma das convenções coletivas de PLR possuem regras objetivas, com mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus à PLR, contrariando o real propósito do instituto e em total afronta à legislação, conforme se verifica da Convenção de 2008, basicamente reproduzida nas demais Convenções, fls. 509 e seguintes; Regulamento do PLR assinado em 30/01/2008 não é possível identificar o modo de apuração do coeficiente de rentabilidade (K), o significado de ICM, como é feita a avaliação individual, em que consistem os indicadores RGO da ASPC e AGIR e como são obtidos; tabém fica assegurado um pagamento mínimo de PLR estabelecido em CCT, ou seja, é garantida a parcela limite de PLR prevista em CCT sem nenhuma relação com metas e objetivos; somente uma parte dos colaboradores da empresa fazem jus à participação nos resultados, ou seja, tal benefício não é extensível a todos os empregados; Regulamento do PLR 2009, assinado em 04/09/2009, o texto do Regulamento menciona que a obtenção dos resultados dáse a partir do valor target ajustado pelo desempenho individual e pela performance da empresa. Contudo, em nenhum momento explica em que consiste esse valor target e nem como é obtido, tampouco estabelece as regras a serem utilizadas para avaliação do desempenho individual dos empregados; tal plano (2009) também não é extensível a todos os empregados, evidenciando a existência de duas castas e beneficiários, consoante cláusula quarta; bem como, de acordo com a cláusula nona, independentemente de qualquer fator, fica assegurado o pagamento do valor estipulado pela CCT, sendo que o empregado elegível ao plano jamais deixa de receber o valor referente à PLR; Regulamento do PLR 2010/2011, aprovado pelo Acordo Coletivo celebrado em 29/10/2010, referente ao ano base de 2010. e o Regulamento de 2011, datado de 28/07/2011, conteúdo quase idêntico ao primeiro, em nenhum momento são apresentadas as regras que permeiam essa avaliação, as metas a serem atingidas, o mecanismo de aferição de seu alcance ou não, os parâmetros utilizados na avaliação dos funcionários, a forma como são avaliados e o modelo básico das avaliações; também é utilizado o fator Y +fator discricionário, que indica a subjetividade na apuração da PLR; Vemos que todas as críticas apontadas para os planos já previamente analisados (itens 5.67, 5.68, 5.73 e 5.74, no que tange à aplicabilidade do plano somente para alguns empregados, à garantia do valor estabelecido em CCT e à falta de regras claras e objetivas, são válidas para o plano ora analisado, bem como para o celebrado em 28/07/2011. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 17 31 além dos problemas relatados, como a periodicidade dos pagamentos de PLR inadequada, retroatividade da vigência do plano, metas não terem sido pactuadas previamente, ausência de regras claras e objetivas, dentre outros, há ainda aquele relacionado ao fato de ser comum no ramo de atividade da empresa o pagamento através de remunerações variáveis/bônus por meio de PLR, fls. 522; 3. Das alegações da recorrente sobre à PLR Em síntese, a recorrente, acerca da PLR, assim aduziu: a) a base de pagamentos de 2009 entregue pela recorrente na fase de fiscalização contém, em parte, pagamentos que se referem aos instrumentos de 2008 (até 06/2009); e, em parte, pagamentos que se referem aos instrumentos de 2009 (a partir de 09/2009); b) resta claro que nenhum desse valores foi objeto do lançamento em discussão, uma vez que a primeira competência autuada se refere ao mês de 09/2009 (fls. 469 a 487); c) portanto, todas as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização e pela DRJ quanto aos instrumentos de negociação de 2008 são irrelevantes para a presente discussão, já que, como dito, nenhuma das verbas autuadas foi paga com base em tais instrumentos; d) quanto à suposta inexistência de negociação prévia dos Programas Próprios e das CCTs de participação nos resultados dos anos de 2009 a 2011, a recorrente demonstrou que a formalização dos programas próprios assinados dentro dos respectivos anos de apuração, somente convalidam os critérios objetivos (metas) que, comprovadamente, já haviam sido discutidos e pactuados entre a empresa e funcionários, no início do período; e) a recorrente demonstrou, por meio de contratos de metas dos funcionários e de declarações, que, malgrado os planos próprios não tenham sido assinados no início dos anos mencionados pela fiscalização, as condições para recebimento eram de pleno conhecimento dos seus funcionários, desde o início dos períodos; f) as convenções coletivas foram assinadas antes da efetivação do pagamento da PLR e, por essa razão, não colidem com as disposições da Lei n.º 10.101/2000; g) o programa de participação, seja de lucros ou resultados, não carece de apontar índices detalhados e complexos de metas, mas somente a sua respectiva existência, especialmente quando aprovado em convenção coletiva, o qual demanda consenso de toda uma categoria; h) acerca da periodicidade, caso não reformada a decisão nesse ponto, deve ser mantida a autuação apenas sobre os pagamentos que excederam ao primeiro pagamento de cada semestre; Fl. 1702DF CARF MF 32 i) a legislação de regência não traz qualquer limite de percentual a ser pago aos empregados a título de PLR No tocante ao argumento de que as supostas irregularidades apontadas pela fiscalização e pela DRJ quanto aos instrumentos de negociação de 2008 são irrelevantes para a presente discussão, já que nenhuma das verbas autuadas foi paga com base em tais instrumentos, assiste razão ao recorrente, tornandose salutar para a presente análise os instrumentos de 2009, 2010 e 2011. Além disso, as convenções coletivas foram assinadas antes da efetivação do pagamento da PLR e, por essa razão, não colidem com as disposições da Lei n.º 10.101/2000. Quanto à matéria, não se pode concordar com a posição adotada pelo Agente Fiscal, pois inexiste previsão na Lei 10.101/00 sobre o referencial a ser adotado para a consideração do ajuste como prévio. Adoto, assim, o entendimento contido no voto do Conselheiro Carlos Henrique, acerca do tema, abaixo transcrito: Com o fito de dar maior concretude ao direito constitucionalmente garantido da participação do empregado nos resultados da empresa, entendo que o ajuste entre as partes deve ser firmado antes do pagamento da primeira parcela da PLR, com a antecedência que demonstre que os trabalhadores tinham ciência dos resultados a serem alcançados e que permita que se infira que o ajuste entre as partes foi construído com a devida discussão e busca dos interesses comuns que culminaram no acordo coletivo firmado. Ressalto que não há na Lei da PLR nenhuma determinação que tal ajuste deva ser realizado no ano anterior àquele em que se vai buscar as metas pactuadas, posto que tal exigência, por óbvio inimaginável em empresas dinâmicas e de atividades complexas, não consta da Lei nº 10.101/00, nem permite tal inferência ao intérprete em norma de caráter isentivo, onde, bem se sabe, é vedada a interpretação analógica. Questiono, em que norma garantidora de direito social se encontra uma disposição literal, ou interpretação com o mínimo de razoabilidade, de que um ajuste prévio é aquele realizado no ano anterior? No caso concreto é mister reconhecer que um acordo coletivo que deva ser firmado com um sindicato de porte, notório na defesa dos interesses do trabalhador, como é o Sindicato dos Bancários de São Paulo, não é fechado em uma única reunião ou de maneira simplista. Embora no caso em apreço se verifique que os acordos coletivos entabulados guardam relação de metas próximas as de programas anteriores, o que de alguma medida induz o trabalhador a buscar resultados já conhecidos, verifico que o ajuste foi formalmente atingido antes do pagamento das parcelas resultantes do acordo, o que, como dito, não desvirtua o programa como proposto. Ressalto que no caso concreto durante um longo período todos os acordos coletivos foram firmados no mês de agosto de cada ano. Nesse sentido, entendo cumpridos os ditames da Lei nº 10.101/00 quanto à existência de ajuste prévio, no que se referem às convenções coletivas. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 18 33 No que se referem aos acordos, observase que não reproduziam teor semelhante e o pagamento não ocorreu antes dos ajustes. De todo modo, menor relevância deve ser atribuída a discussão anterior, tendo em vista o descumprimento do requisito atinente à periodicidade, pois houve pagamentos em mais de três vezes ao ano, situação fática incontroversa nos autos, pleiteando a recorrente a manutenção da autuação apenas sobre os pagamentos que excederam ao primeiro pagamento de cada semestre. Sobre tal alegação, apesar de a matéria comportar muitas interpretações, pareceme que, uma vez descumprido o requisito da periodicidade (paga a terceira parcela durante o ano), há uma irregularidade que atinge integralmente o plano, pois altera a sua característica essencial referente ao fato de não se constituir em complementação ou substituição de remuneração. Conforme legislação vigente à época dos fatos, era vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil (art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000). Acerca do requisito legal de existência de regras claras e objetivas, argumenta a recorrente que o programa de participação, seja de lucros ou resultados, não carece de apontar índices detalhados e complexos de metas, mas somente a sua respectiva existência, especialmente quando aprovado em convenção coletiva, o qual demanda consenso de toda uma categoria. Sustentou também a recorrente que houve demonstração, por meio de contratos de metas dos funcionários e de declarações, que, malgrado os planos próprios não tenham sido assinados no início dos anos mencionados pela fiscalização, as condições para recebimento eram de pleno conhecimento dos seus funcionários, desde o início dos períodos, conforme documentação anexada aos autos. A respeito desse ponto, não assiste razão à recorrente quanto aos acordos coletivos, considerando que, no Regulamento do PLR 2009, assinado em 04/09/2009, o texto menciona que a obtenção dos resultados dáse a partir do valor target ajustado pelo desempenho individual e pela performance da empresa. Contudo, em nenhum momento explica em que consiste esse valor target e nem como é obtido, tampouco estabelece as regras a serem utilizadas para avaliação do desempenho individual dos empregados. E o Regulamento do PLR 2010/2011, aprovado pelo Acordo Coletivo celebrado em 29/10/2010, referente ao ano base de 2010. e o Regulamento de 2011, datado de 28/07/2011, conteúdo quase idêntico ao primeiro, em nenhum momento são apresentadas as regras que permeiam essa avaliação, as metas a serem atingidas, o mecanismo de aferição de seu alcance ou não, os parâmetros utilizados na avaliação dos funcionários, a forma como são avaliados e o modelo básico das avaliações; também é utilizado o fator Y +fator discricionário, que indica a subjetividade na apuração da PLR. Também nenhuma das convenções coletivas de PLR possui regras objetivas, com mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado ou qualquer tipo de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, não se aponta a forma como será alcançado o objetivo para que os empregados façam jus à PLR, contrariando Fl. 1704DF CARF MF 34 o real propósito do instituto e em total afronta à legislação, conforme se verifica da Convenção de 2008, basicamente reproduzida nas demais Convenções, fls. 509 e seguintes. Desse modo, resta evidente o descumprimento ao § 1º do art. 2º da Lei 10.101/2000. Relativamente aos demais requisitos legais, cabe esclarecer que, embora não haja limite ao percentual pago a título de PLR, o instituto não pode ser utilizado como substituto ou complemento de remuneração, comportando, assim, juízo de valor acerca do quantum pago. Ademais, o pagamento da PLR não era extensível a todos os empregados, bem como, independente de qualquer fator, ficava assegurado o pagamento estipulado em CCT, sendo que o empregado elegível ao plano jamais deixaria de receber o valor referente à PLR. Diante desse contexto, observase que houve o descumprimento de vários requisitos legais, sendo suficiente para a descaracterização do plano a existência de apenas uma irregularidade. Portanto, correta a autoridade fiscal, ao entender pela incidência da contribuição social previdenciária. 4. Do pagamento de PLR a administradores Cabe esclarecer que houve alegação da contribuinte sobre a existência de discussão judicial relativa à matéria, mas não foi apresentada prova da adução, o que impossibilita a análise da renúncia à instância administrativa, em razão de eventual concomitância. Relata a fiscalização que, quando a PLR é paga a empregado, é imprescindível analisar se as condições de seu ajuste e pagamento atendem aos ditames da Lei n.º 10.101/2000, para só depois excluíla ou não da tributação. Já o pagamento feito a contribuinte individual prescinde qualquer análise adicional, uma vez que sempre será tributado. De forma diversa ao entendimento disposto pela autoridade fiscal, ao meu ver, a regularidade da PLR com o atendimento aos ditames da Lei n.º 10.101/200 também se aproveita ao contribuinte individual, porém, não foi demonstrado o cumprimento dos requisitos da citada legislação de regência, de modo que não assiste razão à recorrente. 5. Da não incidência de contribuição previdenciária sobre o avisoprévio Acerca da matéria, cabe elucidar que as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período ao seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 19 35 Assim, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio tem o fito de reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). Portanto, assiste razão à recorrente quanto à não incidência da contribuição previdenciária sobre o aviso prévio, inclusive com base no disposto no REsp n.º 1.230.957RS, julgado sob o rito de recurso repetitivo. 6. Do reequadramento do índice do FAP Dispõe a recorrente que o reenquadramento do índice FAP do ano de 2010 está sendo discutido na ação ordinária 000662981.2012.4.03.6100 e, de 2011, na ação ordinária n.º 002505743.2014.4.03.6100. Contudo, compulsandose os autos, não identifiquei a comprovação do alegado, mas o relatório fiscal demonstrou a existência de ação judicial sobre o FAP 2010, conforme se extrai do seguinte trecho: Desse modo, no que se refere ao FAP de 2010, houve renúncia à instância administrativa, o que afasta o conhecimento da matéria, consoante a Súmula CARF n.º 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 1706DF CARF MF 36 No que se refere ao FAP de 2011, cabe proceder a análise do argumento da recorrente acerca das supostas inconsistências na apresentação e na apuração dos fatores utilizados para fixação do FAP, que maculam a tributação, já que impedem que o contribuinte confira se os valores exigidos lhe foram corretamente imputados e, conseqüentemente, deve ser reformada a decisão recorrida e cancelada a autuação, nos termos do art. 142 do CTN. Cumpre destacar que a competência para a apreciação do Fator Acidentário de Prevenção é do Ministério da Previdência Social, onde, por meio de processo administrativo, pode ser instaurado o contencioso sobre a alíquota aplicável. Pelo que constam dos autos, a empresa contestou o FAP atribuído para o ano de 2011, por meio do Processo Administrativo n.º 1011300001429011. A decisão de primeira instância julgou improcedentes as alegações do contribuinte e ainda alterou o FAP de 10961 para 10966. Tal posicionamento foi mantido pela decisão de primeira instância. Quando impugnado o FAP, na via administrativa (MPS), a orientação do Ministério competente é a seguinte: O contribuinte deve declarar a totalidade da contribuição relativa ao RAT na GFIP, mesmo que haja impugnação ao FAP anual? Resposta: Mesmo havendo impugnação ao FAP, o contribuinte deve declarar na GFIP a totalidade da contribuição relativa ao RAT (inciso II, art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991), incluindo eventual majoração em razão do FAP que lhe foi atribuído, conforme o Manual GFIP/Sefip, Cap. IV, item 7, p.125. (extraído da Nota Cosit nº 92/2012 da Coordenação Geral de Tributação/Secretaria da Receita Federal do Brasil/Ministério da Fazenda) Desse modo, por não ter sido declarada em GFIP o valor total da alíquota relativa ao RAT ajustado, foi levantada a diferença de contribuição ao RAT, correspondente à diferença de alíquota não declarada incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados. Portanto, não merece reparo a decisão vergastada, nesse ponto. 7. Da incidência de juros sobre a multa de ofício Sobre a incidência de juros sobre a multa, o CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Extraíse do mencionado texto a legalidade da exigência. Além disso, temse o Enunciado de Súmula CARF n.º 4, que trata da seguinte forma: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 20 37 Desse modo, são cabíveis os juros sobre a multa, restando incólume a decisão recorrida, neste ponto. 8. Da conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe parcial provimento para excluir do lançamento: a) os valores excessivamente levados a efeito na base de cálculo, tomandose como parâmetro os holerites apresentados pela contribuinte, bem como as planilhas dispostas às fls. 1337 a 1629, que demonstram as diferenças dos valores antecipados; b) os valores relativos à contribuição previdenciária sobre o avisoprévio. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Declaração de Voto Carlos Alberto do Amaral Azeredo Conselheiro Em que pese a pertinência das razões e dos fundamentos legais contidos no voto da Ilustre Relatora, ainda que o tenha acompanhado, ressalto minha discordância exclusivamente em relação ao excerto abaixo: 4. Do pagamento de PLR a administradores (...) De forma diversa ao entendimento disposto pela autoridade fiscal, ao meu ver, a regularidade da PLR com o atendimento aos ditames da Lei n.º 10.101/200 também se aproveita ao contribuinte individual, porém, não foi demonstrado o cumprimento dos requisitos da citada legislação de regência, de modo que não assiste razão à recorrente. Assim, embora a matéria objeto de minha discordância não traga nenhum efeito em relação ao resultado do julgado, mister consignar minha compreensão sobre o tema, em particular por ter, em julgamento pretérito, acompanhado voto condutor que concluiu que os termos da Lei nº 10.101/2000 são extensíveis aos segurados individuais (Acórdão 2201 003.370, de 18 de janeiro de 2017). Indispensável iniciarmos a análise da questão por sua regra básica, a qual está contida na Constituição Federal de 1988, nos seguintes termos: Fl. 1708DF CARF MF 38 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; (...) Por seu turno, assim dispõe a Lei 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Diante da necessidade de regulamentar a matéria, foi editada a Lei 10.101/2000: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. Por outro lado, a Lei 6.404/76 determina: Art. 152. A assembléiageral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 16327.720758/201429 Acórdão n.º 2201003.790 S2C2T1 Fl. 21 39 § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Assim decidiu o Supremo Tribunal Federal (RE nº 166.772/RS, ao analisar a constitucionalidade das expressões "autônomos e administradores" contidas no art. 3º, inciso I da Lei 7.787/89: "a relação jurídica mantida com administradores e autônomos não resulta de contrato de trabalho e, portanto, de ajuste formalizado à luz da Consolidação das Leis do Trabalho. Daí a impossibilidade de se dizer que o tomador dos serviços qualifica se como empregador e que a satisfação do que devido ocorra via folha de salários" (DJ 16/12/94, p. 34896). Portanto, não há que se confundir a relação jurídica decorrente de um contrato de trabalho com aquela estabelecida entre a empresa e seus administradores não empregados. Tampouco se confundem as participações de cada uma dessas categorias no lucro das empresas. A Lei 10.101/00, ao regulamentar o art. 7º da CF/88, limitou seu alcance aos empregados, excluindo, por consequência, os que ocupam função administrativa sem vínculo empregatício. Estes, por sua vez, teriam direito a participação nos lucros assegurados e limitados nos termos da Lei 6.404/76. Não há que se falar em tratamento desigual que pudesse ser corrigido com a extensão do alcance dos preceitos da lei 10.101/00 aos administradores não empregados, já que tratamento isonômico consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida em que eles se desigualam. Constatase que o legislador, homenageando plenamente o Princípio da Isonomia, buscou tratar de maneira diferente os desiguais. Afinal, os administradores ditam os rumos e estratégias da sociedade, sendo suas participações nos lucros uma forma distribuição de resultados, ao passo que o vínculo dos empregados decorre de subordinação e suas participações objetivam a integrar capital e trabalho e incentivar a produtividade. Ademais, a extensão dos preceitos da 10.101/00 aos administradores, ao contrário de estabelecer algum caráter isonômico, acaba por acentuar a desigualdade, à medida que os empregados não seriam aquinhoados com a participação de que trata a 6.404/76. Além disso, não se pode esquecer de que os acionistas poderiam restar prejudicados, já que, em sendo os administradores beneficiados com a participação nos lucros tratada pela 10.101/00, poderiam não se emprenhar na distribuição de dividendos, ou mesmo haver excesso em relação aos limites estabelecidos pela lei das SA. Neste sentido assim se manifestou o Ministro Dias Toffoli em voto proferido em dese de agravo regimental no Recurso Extraordinário 636.899: VOTO O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI (RELATOR): O recurso não merece prosperar. Fl. 1710DF CARF MF 40 Como decidido, nos autos do RE nº 569.441, o Plenário da Corte ratificou a sua jurisprudência da Corte no sentido de que o preceito contido no art. 7º, XI, da Constituição não é auto aplicável e que a sua regulamentação se deu com a edição da Medida Provisória nº 794/94, convertida na Lei nº 10.101/2000. Referida Lei nº 10.101/2000, regula a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, dispondo em seu art. 3º que essa participação não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista. Dando efetividade ao comando do art. 7º, VI, da Constituição, nos termos da lei regulamentadora, o art. 28, § 9º da Lei nº 8.212/91, exclui da base de incidência da contribuição previdenciária os valores recebidos pelo empregado, a título da participação nos lucros da empresa. É de se notar, portanto, que esse instituto em nada se confunde com a distribuição de lucros autorizada no art. 152 da Lei nº 6.404/76. Como decidido, a Lei nº 10.101/2000, que regulamentou o art. 7º, XI, da Constituição refere a empregado, excluindo os integrantes de sociedades empresariais que ocupam a função de diretores/administradores, sem vínculo empregatício. Dessa forma, sem reparos o acórdão do Tribunal de origem, o qual entendeu ser “Inaplicável ao diretor não empregado o disposto no art. 7º da CF/88, que alude ao trabalhador, bem como inaplicável a regra que da Lei 8.212/91 que dispõe que a participação nos lucros não integra o saláriodecontribuição (art. 28, § 9º, letra “j”), porquanto este é contribuinte individual e não faz parte da folha de salários, tampouco possui vínculo empregatício com a empresa." Grifouse. Por todo o exposto, manifesto minha convicção de que, no caso em tela, mesmo que tivessem sido cumpridos os requisitos da Lei 10.101/00, suas benesses não alcançariam os administradores não empregados. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Conselheiro Fl. 1711DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720709/2009-36
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PAF - PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos de admissibilidade regimentalmente estabelecidos, o Recurso Especial deve ser conhecido, sendo que as razões de recurso somente são apreciadas quando do julgamento do mérito.
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos de admissibilidade regimentalmente estabelecidos, o Recurso Especial deve ser conhecido, sendo que as razões de recurso somente são apreciadas quando do julgamento do mérito. VTNVALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 09 /2 00 9- 36 Fl. 388DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2006, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 17/04/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2202002.283 (fls. 314 a 320), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso para restabelecer o Valor da Terra Nua – VTN declarado pela Recorrente, nos termos do voto do Relator." O processo foi encaminhado à Fazenda Nacional em 28/06/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 321) e, na mesma data, foi interposto o Recurso Especial de fls. 322 a 329 (Despacho de Encaminhamento de fls. 334), com fundamento no 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir o arbitramento do VTN com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR de outros contribuintes. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 18/09/2015 (fls. 335 a 337). Cientificada em 24/11/2015 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 365), a Contribuinte ofereceu, em 08/12/2015, as Contrarrazões de fls. 367 a 382, contendo os seguintes argumentos: Ausência de demonstração da divergência a Fazenda Nacional indicou apenas um paradigma para comprovar a suposta divergência; Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13971.720709/200936 Acórdão n.º 9202005.616 CSRFT2 Fl. 389 3 ademais, o paradigma indicado, Acórdão n° 2802001.728, versa sobre a possibilidade de arbitramento do VTN com base no sistema SIPT quando o contribuinte não apresenta laudo comprovando o VTN declarado; no caso do acórdão recorrido, é incontroverso que o SIPT pode ser utilizado em determinados casos, porém o arbitramento deve ser apurado com base em levantamentos realizados pelas Secretarias Municipais e Estaduais e não com base na média dos valores informados nas DITRs para o mesmo Município; assim, no caso do acórdão recorrido, o VTN arbitrado com base no SIPT não poderia ser mantido, já que apurado de maneira contrária ao que previa a legislação específica (art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, e art. 12, da Lei n° 8.629, de 1993); desta forma, o Recurso não pode sequer ser conhecido, pois não cumpriu requisito indispensável à sua admissibilidade, qual seja, a demonstração da alegada divergência; Ausência de razões recursais específicas no Recurso Especial a Fazenda Nacional limitouse a reproduzir argumentos genéricos, sem a devida exposição das razões que poderiam justificar a reforma do acórdão recorrido; os argumentos utilizados no Recurso Especial estão dissociados da matéria debatida no caso em tela: enquanto no acórdão recorrido concluiuse que o VTN extraído do SIPT não poderia ser utilizado, pois se referia à média das DITRs apresentadas para o mesmo município, e não ao VTN médio por aptidão agrícola (que era o previsto pela legislação vigente), a Fazenda Nacional alegou que a Contribuinte não apresentou laudo de avaliação para comprovar o VTN declarado; é incontroverso no acórdão recorrido que o SIPT pode ser utilizado em determinados casos, porém a Fazenda Nacional, ao fundamentar seu recurso, limitouse a tratar da necessidade de laudo, sem contestar, em momento algum, a conclusão do acórdão, no sentido de que o VTN informado pelo SIPT havia sido apurado de forma contrária à legislação (deve ser apurado com base na aptidão agrícola do imóvel e não com base na média dos valores informados nas DITRs para o mesmo município); como é cediço, é pressuposto indispensável, a qualquer recurso a exposição de razões que possam contrariar os fundamentos adotados pela decisão recorrida, como prevê o art. 541 do CPC (utilizado subsidiariamente nos processos administrativos), portanto devese concluir pelo não conhecimento do Recurso Especial. Razões insuficientes a atacar os fundamentos do acórdão recorrido existe, ainda, outro óbice ao conhecimento do Recurso Especial, qual seja, suas razões recursais não atacaram fundamentos que são suficientes para a manutenção do acórdão recorrido; o recurso não pode ser admitido quando a decisão recorrida é assentada em mais de um fundamento suficiente e a impugnação não abrange todos eles; Fl. 390DF CARF MF 4 também por este motivo, o recurso não pode ser conhecido, ante a falta de impugnação de fundamentos suficientes do acórdão recorrido; Ausência de cotejo analítico para ser admitido um recurso especial, é indispensável que a parte recorrente efetue a demonstração analítica da alegada divergência jurisprudencial (art. 67, § 6o, do antigo Regimento Interno do CARF), isto é, cabe à parte "a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido"; a Fazenda Nacional, todavia, deixou de atender a esse requisito, pois como se observa em seu recurso, ela não demonstrou a existência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, tampouco que os dois julgados tratariam de questão idêntica; o que se nota é que a Fazenda Nacional se limitou a "pinçar" pequeno trecho do paradigma, que trata do arbitramento do VTN com base no sistema SIPT, e o utilizou como se o paradigma tivesse de fato analisado e julgado aquela questão de maneira contrária ao que foi decidido pelo acórdão recorrido, o que não ocorreu; aliás, no item do recurso dedicado a demonstrar o suposto cotejo analítico, a Fazenda Nacional se limitou a colar um trecho da ementa do paradigma, o que é obviamente insuficiente para demonstrar que haveria divergência entre ele e o acórdão recorrido; fica claro que a Fazenda Nacional não realizou o indispensável cotejo analítico, o que, como exposto acima, seria de todo modo impossível, já que o acórdão recorrido e o paradigma trataram de questões diferentes e julgaram, efetivamente, matérias diferentes; assim, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não pode sequer ser conhecido, eis que não houve demonstração de divergência. Impossibilidade de arbitramento do VTN com base no valor médio das DITRs conforme exposto no acórdão recorrido, no caso em questão, o VTN extraído do SIPT referiase à média das DITRs apresentadas para o mesmo município, e não ao VTN médio por aptidão agrícola; ocorre que o § 1o do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, prevê que as informações sobre os preços de terra devem considerar o disposto no § 1o, II, do art. 12 da Lei n° 8.629, de 1993, e os levantamento realizados pelas Secretarias Municipais e Estaduais de Agricultura; no caso em questão, o VTN foi apurado com base no VTN médio das DITRs entregues para o município em questão, ou seja, o VTN informado pelo SIPT não poderia ser levado em consideração, pois foi apurado de maneira contrária ao que previa a legislação específica do caso; logo, inclusive por força do art. 14 da Lei n° 9.393, de1996 (utilizado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial), é que não pode prevalecer o VTN extraído do SIPT no caso em análise; nesse sentido, inclusive, é o entendimento do CARF (cita jurisprudência); Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13971.720709/200936 Acórdão n.º 9202005.616 CSRFT2 Fl. 390 5 Ônus do Fisco de comprovar a incorreção da DITR ao contrário do que alegou a Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, a Contribuinte não estaria obrigada a comprovar, via laudo, o VTN que declarou; muito pelo contrário, é o Fisco que tem o dever de comprovar a existência de erro na declaração de ITR, caso assim entenda; a necessidade de prova da ocorrência do fato gerador é exigência do art. 142 do CTN, segundo o qual "Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador (...)" (grifado); a legislação de regência, inclusive a Lei n° 9.393, de1996 (art. 10, § 7o), é explícita ao dispor que é do Fisco o ônus de comprovar que a declaração de ITR apresentada não é verdadeira (cita jurisprudência); o Fisco deveria ter comprovado, já por ocasião da Notificação Fiscal, que não seriam verdadeiras as informações declaradas pela empresa quanto ao VTN, do contrário não restaria comprovada a suposta ocorrência do fato gerador do ITR exigido. A declaração de ITR não depende de comprovação a declaração de ITR independe de comprovação (cita jurisprudência); o art. 14 da Lei n° 9.393/96 diz que cabe lançamento de ofício quando as informações declaradas são "inexatas, incorretas ou fraudulentas", logo, para autuar o Contribuinte, o Fisco deve necessariamente constatar e comprovar que as informações constantes na DITR são "inexatas, incorretas ou fraudulentas"; ademais, o art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, prevê que a Receita Federal, para realizar o lançamento de ofício, deve efetivamente fiscalizar o contribuinte e, no caso da Contribuinte, não houve nenhuma fiscalização efetiva, nenhum agente do Fisco sequer visitou o imóvel objeto da Notificação Fiscal, como se disse, o Fisco se restringiu a insistir que a Contribuinte assumisse o ônus da prova, o que é claramente vedado pela legislação; logo, percebese que não merecem prosperar os argumentos da Fazenda Nacional, eis que a Contribuinte não estava obrigada a comprovar, via laudo, o VTN declarado; Demais fundamentos que atestam a improcedência da Notificação Fiscal caso se entenda pela procedência das alegações da Fazenda Nacional (o que se considera apenas para fim de argumentação), seria necessário atentar aos demais fundamentos expostos pela empresa ao longo do processo, que aniquilam por completo a Notificação Fiscal expedida (ou, quando menos, a reduzem substancialmente); tais fundamentos podem ser assim resumidos: (a) o imóvel em questão é inteiramente ocupado por floresta nativa (176.6 ha), área de preservação permanente (151 ha) e área de reserva legal (81.8 ha), conforme comprova o Laudo Técnico de Avaliação juntado aos autos (fls. 2338); desse modo, em Fl. 392DF CARF MF 6 atenção ao disposto no art. 10, §1°, II, "a", "d" e "e", da Lei n° 9.393/96 (que considera área não tributável pelo ITR, dentre outras, aquelas de preservação permanente, de reserva legal e coberta por florestas nativas), é necessário concluir que não há qualquer valor de ITR a ser pago pela empresa (a empresa tem, na verdade, um crédito, visto que pagou ITR indevidamente em relação a este imóvel); (b) a Notificação Fiscal é nula pois não identificou a matéria tributável como determina o art. 142 do CTN (o que terminou por violar inclusive os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa art. 5o, LIV e LV da CF eis que a empresa não pôde se defender adequadamente por não saber ao certo como foi apurado o ITR supostamente devido), considerandose que: (b.1) o Fisco arbitrou o VTN com base no Sistema de Preços de Terra; no entanto, a contribuinte não tem acesso ao SIPT (o acesso é restrito a servidores da Receita Federal, como admitiu o próprio acórdão recorrido), de modo que não tem a menor condição de conhecer as informações nele armazenadas; desta forma, a Notificação acabou fazendo com que fosse absolutamente impossível, para a empresa, conferir e, consequentemente, contestar os critérios adotados no arbitramento; (b.2) o Fisco nem tentou sanar o vício (insanável) decorrente da falta de acesso da contribuinte ao SIPT; afinal, a Notificação Fiscal não informou que valor por hectare atribuiu ao imóvel, e nem se o valor arbitrado seria previsto pelo SIPT como sendo aplicável a todo o Estado de Santa Catarina, à cidade em que se encontra o imóvel ou a uma região específica; (b.3) muito embora o Fisco tenha afirmado que a base de cálculo do ITR foi arbitrada, não informou os critérios que foram utilizados na realização do arbitramento; diante disso, a Contribuinte não poderia avaliar o procedimento e as bases adotadas pelo Fisco no arbitramento; e (b.4) a rigor, o Fisco não indicou nem mesmo a base de cálculo em si; a Notificação apontou apenas o VTN já calculado, não tendo informado qual seria e como foi apurado o valor por hectare arbitrado para o imóvel (ao contrário do que alegou a União em seu Recurso, os valores por hectare não foram informados na Notificação; o que lá constou foram valores por hectare referentes ao ano calendário de 2004, sendo que a notificação diz respeito a 2006); (c) o Fisco apresentou extrato do SIPT (com o VTN arbitrado) apenas em fase avançada do processo, quando já havia sido apresentado recurso para o CARF, o que configura claro cerceamento de defesa para a contribuinte, já que ela havia apresentado Impugnação e Recurso com base na Notificação Fiscal (que não havia apresentado o tal extrato); de qualquer modo, o extrato não demonstrou como havia sido calculado o VTN em questão, e como havia sido apurada a base de cálculo do tributo; ademais, o campo "origem da informação", no extrato, estava em branco, ou seja, a informação mais importante para solução da lide permaneceu sem resposta, o que apenas destacou ainda mais a nulidade da Notificação Fiscal; (d) a fiscalização sustentou que a Contribunte não teria comprovado o VTN informado em sua declaração de ITR, mas nunca defendeu que seriam falsas ou improcedentes as informações declaradas pela empresa; (e) não havia justificativa legal para o arbitramento do VTN, eis que a Notificação não apontou nenhuma razão para que as declarações, esclarecimentos e documentos da Recorrida fossem considerados omissos ou como nãomerecedores de fé (como exige o art. 148 do CTN para que seja possível o arbitramento); ademais, ainda que o Fisco pudesse arbitrar o VTN no presente caso (o que se considera somente para argumentar), consoante exposto acima, o valor registrado no SIPT não poderia ter sido utilizado sem que houvesse efetiva fiscalização do imóvel da Recorrida, o que em nenhum momento ocorreu (cita jurisprudência); Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13971.720709/200936 Acórdão n.º 9202005.616 CSRFT2 Fl. 391 7 (f) o VTN arbitrado seguramente não é compatível com as características e particularidades do imóvel da Contribuinte, que, além de se localizar na área rural de uma pequena cidade do interior de Santa Catarina, apresenta uma série de restrições ao seu efetivo aproveitamento, como restou comprovado nos autos (o imóvel da Contribuinte é inteiramente formado por floresta nativa, área de preservação permanente e área de reserva legal); assim, fica claro que o VTN constante no SIPT não poderia ser aplicado ao imóvel da Contribuinte, já que este efetivamente apresenta características que o diferenciam dos demais imóveis usados como parâmetro por tal sistema, que não têm tais limitações à exploração; (g) foram simultaneamente expedidas três Notificações contra a Contribuinte, abrangendo os exercícios de 2004, 2005 e 2006 (Notificações Fiscais nºs 09204/00110/2009, 09204/00112/2009 e 09204/00115/2009, respectivamente), e, em todas elas, foram apontados os mesmos motivos para a autuação da empresa; apesar disso, há uma flagrante incongruência entre o VTN arbitrado para o exercício de 2006 (R$ 872.026,09) e aquele arbitrado para o ano de 2004 (R$ 327.520,00); o VTN arbitrado para 2005 (R$ 841.276,06) ainda é diferente dos demais; analisandose as citadas Notificações Fiscais, percebese que o VTN de 2006 corresponde a quase 270% do VTN de 2004; resta evidente que os critérios adotados pela fiscalização estão incorretos, afinal, não é razoável admitirse que o imóvel em questão, localizado no interior de um pequeno município catarinense, tenha sofrido valorização de quase 170% em tão pouco tempo; isso apenas ressalta que o VTN correto é aquele declarado e não o apontado pela fiscalização; (h) o art. 153, § 4o, I, da CF, permite que o ITR seja progressivo unicamente para "desestimular a manutenção de propriedades improdutivas"; todavia, a Lei n°9.393, de1996, adotou critérios de progressividade não previstos na CF, como a área total do imóvel (que não exerce influência nenhuma na verificação da produtividade ou não do imóvel, eis que o art. 10, § 1o, VI, da Lei n° 9.393/96 determina que a produtividade se define pela relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável não a total); portanto, a progressividade de alíquotas não poderia ser aplicada; e (i) a multa aplicada (correspondente a 75% do imposto supostamente devido) contraria o princípio da vedação de confisco (art. 150, IV, da CF) e se mostra desproporcional à suposta infração, atentando contra os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade (art. 5o, LIV, da CF), além de subtrair abusivamente o patrimônio da contribuinte, o que não permite o art. 5o, XXII, da CF. Ao final, a Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Fl. 394DF CARF MF 8 Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, a Contribuinte apresenta inúmeros argumentos, inclusive alguns deles estranhos ao objeto do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ora, como a denominação está a evidenciar, as Contrarrazões constituem remédio processual apto apenas a possibilitar à parte adversa oferecer razões contrárias às razões do Recorrente, portanto de modo algum podem ser utilizadas como instrumento a alçar à Instância Especial temas ou argumentos estranhos à matéria recursal. Assim, conheço parcialmente das Contrarrazões, apenas na parte em que trata da admissibilidade do Recurso Especial e, no mérito, dos argumentos que tenham conexão com a matéria recursal. Em sede de Contrarrazões, a Contribuinte pede o não conhecimento do apelo, argumentando, em síntese, que: a) foi indicado apenas um paradigma, e este não trata da questão tratada no acórdão recorrido; b) ausência de razões recursais específicas; c) o recurso não ataca todos os fundamentos do acórdão recorrido; e d) ausência de cotejo analítico. Quanto ao item "a", esclareçase que, para cada matéria suscitada, o Recorrente pode indicar até dois paradigmas, de sorte que o fato de a Fazenda Nacional haver indicado um único paradigma de forma alguma inviabiliza o conhecimento do apelo. No mais, os acórdãos recorrido e paradigma tratam do mesmo tema, qual seja, o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sendo que no acórdão recorrido foi utilizado o VTN médio das DITR do município, sem considerarse a aptidão agrícola, o que não foi aceito. Já no caso do acórdão paradigma, o arbitramento pelo SIPT foi aceito sem qualquer ressalva, ou seja, sem sequer se perquirir acerca de eventual utilização da média das DITR, portanto restou demonstrada a divergência jurisprudencial. Relativamente ao item "b", esclareçase que, demonstrada a divergência jurisprudencial, as razões recursais serão tratadas quando da análise do mérito do apelo. Apenas para argumentar, a Fazenda Nacional parte da premissa de que é válido o arbitramento do VTN com base na média das DITR do Município, sem considerarse a aptidão agrícola, e assim fundamenta sua peça recursal. Nesse passo, qualquer eventual impropriedade relativa a tais argumentos não macula o conhecimento do recurso e sim deve ser tratada quando do julgamento do mérito. No que tange ao item "c", o fundamento do acórdão recorrido é no sentido de que o arbitramento com base no SIPT somente é válido se levar em conta a aptidão agrícola. A Fazenda Nacional, por sua vez, entende que o arbitramento com base na média das DITR do Município está correto, fundamentando seu posicionamento com a legislação que entende aplicável, de sorte que não se vislumbra que outros fundamentos do acórdão recorrido a Fazenda Nacional poderia ter negligenciado. Em relação ao item "d", esclareçase o RICARF não exige que o Recorrente elabore "cotejo analítico", e sim que ele demonstre analiticamente a divergência. Confirase o respectivo dispositivo regimental: Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13971.720709/200936 Acórdão n.º 9202005.616 CSRFT2 Fl. 392 9 "Art. 67. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido." Nesse passo, constatase que a Fazenda Nacional indicou o ponto de divergência, o que atende ao requisito regimental. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e passo a analisarlhe o mérito. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2006 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, com base no valor médio das DITR do Município de Rio dos Cedros/SC, fixado em R$ 2.130,01/ha (efls. 306), sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose o VTN declarado pelo Contribuinte (R$ 268,68/ha). A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: Fl. 396DF CARF MF 10 I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 397DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.910046/2011-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.581
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente AMCOR PACKAGING DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 46 /2 01 1- 27 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13819.910046/201127 Acórdão n.º 3302004.581 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 02051.215. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13819.910046/201127 Acórdão n.º 3302004.581 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13819.910046/201127 Acórdão n.º 3302004.581 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13819.910046/201127 Acórdão n.º 3302004.581 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13819.910046/201127 Acórdão n.º 3302004.581 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13819.910046/201127 Acórdão n.º 3302004.581 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.007846/92-93
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 12 00:00:00 UTC 1999
Ementa: ADUANEIRO. Classificação.
Vul-cup 40 FW, constituído de 1,3/1,4-bis (2 T bimetil peroxi
isopropinol) benzeno (agente de ligações cruzadas) e silicato
inorgânico, utilizado na cura de produtos poliméricos, não
caracterizado como mero acelerador de vulcanização mas como
"agente de vulcanização" ou "agente de cura ou de endurecimento".
Código TAB-SH 3823 90 0500
Recurso especial da Fazenda Nacional provido
Numero da decisão: CSRF/03-03.022
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Ubaldo Campello Neto e Nilton Luiz Bartoli que davam provimento parcial ao recurso para excluir as multas.
Nome do relator: Joao Holanda Costa
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PROPACAL - PRODUTOS PARA CALÇADOS LTDA. SESSÃO DE 12 DE ABRIL DE1999 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03 022 ADUANEIRO. Classificação. Vul-cup 40 FW, constituído de 1,3/1,4-bis (2 T bimetil peroxi isopropinol) benzeno (agente de ligações cruzadas) e silicato inorgânico, utilizado na cura de produtos poliméricos, não caracterizado como mero acelerador de vulcanização mas como "agente de vulcanização" ou "agente de cura ou de endurecimento". Código TAB-SH 3823 90 0500 Recurso especial da Fazenda Nacional provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos .interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Ubaldo Campello Neto e Nilton Luiz Bartoli que davam provimento parcial ao recurso para excluir as multas. E ON P ODRIGUES 'RESIDENT li , JOÃO HOLANDA COSTA RELATOR FORMALIZADO EM 1 1L r Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS e HENRIQUE PRADO MEGDA Ausente justificadamente o Conselheiro FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO D/, PROCESSO N° . 10845.007846/92-93 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03 022 RECURSO N° RP/302-0 .618 RECORRIDA 2A CÂMARA DO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA PROPACAL — PRODUTOS PARA CALÇADOS LTDA RELATÓRIO Com o Acórdão 302-33.013, de 19 de abril de 1.995, decidiu a 2' Câmara do 3° Conselho de Contribuintes dar provimento ao recurso voluntário quanto à classificação fiscal da mercadoria denominada comercialmente VUL-CUP 40 FW, no código NBM-SH 3812.10.0000, como acelerador de vulcanização. A mercadoria foi submetida a despacho com a DI 039560, de 25.10.90, na DRF em Santos, tendo sido adotado o código NBM-SH 3812-10.0000, sendo descrita como sendo "preparação aceleradora de vulcanização peroxido aromático (bisterciário butil peroxido isopropil benzeno), nome comercial VUL-CUP 40 FW, qualidade industrial com 40% de concentração O Voto da ilustre relatora cita o teor da Informação Técnica do LABANA, segundo os quais, o produto é basicamente urna preparação à base de 1,3/1,4 -bis (2-T-Butil-peroxi-isopropil)Benzeno (Agente promotor de ligações cruzadas) e silicato inorgânico, e que preparações desta natureza são utilizadas para promover reações de reticulação, unindo moléculas poliméricas. Identifica a mercadoria como preparação endurecedora à base de peróxido orgânico utilizada como agente de retieulação para elastômeros e plásticos. Cita ainda o Parecer do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT, de São Paulo sobre Estudos dos Produtos VUL-PCUP 40 W e DI-CUP KE como agentes de vulcanização, havendo salientado que seus conteúdos em peróxidos são responsáveis por sua ação reticuladora de macromoléculas, através de ligações cruzadas por mecanismos envolvendo radicais livres, e ademais que convenientemente utilizados são capazes de vulcanizações eficientes e que o inicio da vulcanização é mais rápido neste processo do que o obtido com o sistema tradicional. PROCESSO N° 10845007846/92-93 ACÓRDÃO N° CSRF/03-03.022 Inconformada a Fazenda Nacional, vem apresentar recurso especial junto a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais Após haver transcrito os argumentos derivados dos Pareceres técnicos acostados aos autos, raciocina o ilustre Procurador da Fazenda Nacional que, em sendo postas em sentido divergente manifestações de órgãos públicos, deve sempre ter prevalência a manifestação governamental sobre a do órgão estadual. Cita em seguida um precedente produzido pela Terceira Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, com o Acórdão 303-27.725 proferido no julgamento do Recurso número 115.429, o qual concluiu pela classificação da mesma mercadoria no código 3823-90-0500. A empresa apresenta suas contra - razões para dizer que em momento algum o LABANA nega seja o produto um acelerador de vulcanização, mas apenas concluiu que essa não é sua função especifica e principal, e o idenficando como uma preparação endurecedora à base de peróxido orgânico utilizado; como agente de reticulação para elastômeros e plásticos". Ao contrário, o IPT diz que sua função principal é de aceleração, uma vez que as velocidades médias obtidas por ele são maiores que aquelas atingidas com o enxofre e os demais tradicionais sistemas de vulcanização Requer que, caso seja admitido o recurso da Fazenda, seja ele não provido, por falta de fundamentação legal. É o relatório. „, PROCESSO N° : 10845.007846/92-93 ACÓRDÃO N° C SRF/03-03. 022 VOTO CONSELHEIRO RELATOR JOÃO HOLANDA COSTA Trata-se de classificar na TAB/T1PI o produto de nome comercial VUL-CUP 40 FW, descrito no despacho de importação como "preparação aceleradora de vulcanização peroxi aromático bis terciário butil peroxi-isopropinil-benzeno qualidade industrial na concentração de 40%". Os laudos técnicos emitidos para identificar a mercadoria não discrepam na enumeração dos aspectos químicos, mas apenas na conclusão sobre a aplicação na vulcanização. Com efeito, a Infounação Técnica do Labana descreve o material como sendo 1,3/1,4 -bis (2 T- butil -peroxi -isopropil)-benzeno, agente promotor de ligações cruzadas e silicato inorgânico De seu turno o parecer do IPT de São Paulo atesta a função reticuladora de macromoléculas, através de ligações cruzadas por mecanismos envolvendo radicais livres e que convenientemente utilizado são capazes de vulcanização eficiente e que o início da vulcanização é mais rápido neste processo do que o obtido com o processo tradicional. No seu Parecer, à fls. 98, o IPT relaciona os sistemas de vulcanização, visando comparar a cinética de vulcanização e as propriedades físicas dos produtos vulcanizados. Enumera e descreve os seguintes sistemas de vulcanização: "Sistema I — (S.1)- Sem enxofre — à base de di9-peróxido: vulcanização como produto em estudo — Vul-Cup 40 FW; Sistema II — (S 2) Sem enxofre — à base de peróxido: vulcanização com peróxido de dicumila ) não produzido pela Hércules); Sistema III — (S.3) — Tradicional -- com enxofre à base de mercaptos: vulcanização com enxofrre acelerado com MBTS + TMTD; PROCESSO N° : 10845.007846/92-93 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.022 Sistema IV - (S.4) - Sem enxofre - à base de peróxido: vulcanização Na parte conclusiva do seu Parecer, o IPI acrescenta a respeito do Vul-cup FW 40 e o Di-cup 40 KE o seguinte: "Os produtos Vul-Cup 40 FW e Di-Cup 40 KE, produzidos pela Hercules Incorporated, cumprem com sua função específica, qualificada no Blue Book, como agentes de vulcanização. De fato, como mostra a análise química (Tabela n 1) e as curvas reológicas ( Fig. 1, 2, 3 e 4), seus conteúdos em peróxidos são responsáveis por sua ação reticuladora de macromoléculas, através de ligações cruzadas por mecanismos envolvendo radicais livres. São capazes, portanto, quando convenientemente utilizados, de promover vulcanizações eficientes (sem enxofre), seja em polímeros de alta funcionalidade, como a borracha natural, ou de baixa funcionalidade, como o EPOM, e de polímeros saturados, como o EVA, em que a ação de produtos como o Vul-Cup FW e Di-Cup 40 KE constituem-se no único recurso prático para promover a vulcanização, porque os sistemas tradicionais, à base de enxofre, não conseguem a reticulaçãO dos referidos materiais poliméricos " Ambos os órgãos técnicos concordam, por conseguinte, na caracterização do VUL-CUP 40 FW como sendo vulcanizador, agente de ligações cruzadas, não sendo mero acelerador de vulcanização, e que leva sobre o método do enxofre a vantagem de fazer a vulcanização com mais rapidez.. A boa lógica não permite concluir que um vulcanizador, pelo fato de ser mais rápido que o método tradicional, deva ser chamado de "acelerador de vulcanização". São coisas bem distintas, urna da outra O conteúdo dos pronunciamentos técnicos não autorizam a conclusão do Acórdão recorrido, pois na verdade, o VUL-CUP não age na reação como um acelerador mas sim como o agente responsável direto pela vulcanização, quando não feita pelo enxofre. As NESH à posição 3812, à letra " A " explica o que sejam os aceleradores de vulcanização f PROCESSO N° 10845007846/92-93 ACÓRDÃO N° . CSRF/03-03 022 "Dá-se o nome de aceleradores de vulcanização" aos produtos que se adicionam à borracha antes da vulcanização, a fim de melhorar as propriedades físicas dos artefatos vulcanizados e reduzir o tempo e a temperatura necessários à operação. Esses produtos podem desempenhar acessoriamente funções de plastificantes. A posição apenas abrange os produtos desta natureza que apresentem as características de composição, isto é, de preparações sob a forma de misturas. Estas composições têm, em geral, por base produtos orgânicos (difenil-guanidina, ditiocarbonatos, tiouramas, hexametilenotetramina, mercapto benzotiazol, etc.) associados frequentemente com ativadores inorgânicos ( óxido de zinco, óxido de magnésio e óxido de chumbo, por exemplo)." O IPT de São Paulo acrescenta ainda no item 2 das suas conclusões no mesmo Parecer, o seguinte. "Do ponto de vista cinético, a análise dos períodos de indução (T2), mostra que o início da vulcanização é mais rápido com o VUL-CUP FW (Si) e DI-CUP (S4) 40 E do que com o sistema tradicional (As), oferecendo entretanto uma boa segurança para o processamento. Com relação aos tempos de cura e as velocidades médias de vulcanização aqui definidas por D Torque ( Tabela 2, Fig 1, 2 3 4) foi possível confirmar que tais velocidades, para os produtos em estudo ( Si e S4), são maiores que aquelas atingidas com o enxofre e os tradicionais sistemas de aceleração (As), sendo a diferença tanto maior quanto menor a funcionalidade do polímero". "CONCLUSÃO. Os produtos em estudo, Vul-Cup 40 FW e DI-Cup 40 KE, cumprem plenamente sua função específica como agentes auto-catalíticos de vulcanização, em polímeros de alta ou baixa funcionalidade, podendo substituir na maioria dos casos, com vantagens, os sistemas tradicionais de vulcanização com enxofre, não só melhorando as propriedades físicas do produto acabado mas também oferecendo maior estabilidade dessas propriedades" A função específica do VUL-CUP 40 FW é, portanto, agir no processo de vulcanização promovendo a formação de ligações cruzadas (reações de reticulação ou endurecimento) não podendo ser definido como mero acelerador de vulcanização uma vez que é ele mesmo agente de vulcanização. Assim, e tendo em vista que "agente de vulcanização" é o mesmo que "agente de cura ou PROCESSO N° 10845007846/92-93 ACÓRDÃO N° C SRF/03-03 . 022 endurecimento", dúvida não existe de que, por aplicação do principio contido na RGI n. 1 da NBM, o correto enquadramento tarifário do material é no código 3823 90.0500 que é específico para as preparações cuja atividade seja de promover o endurecimento (reticulação ou cura) de colas, resinas sintéticas e semelhantes, podendo aí ser incluídos os "agentes de vulcanização" Voto, portanto, para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional Sala de Sessões, 12 de abril de 1999. JOÃO HOLANDA COSTA - Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 10805.000359/98-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 1997
COMPENSAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA
FISCAL. CRÉDITO SUB JUDICE. MOMENTO.
Os contribuintes podem efetuar a compensação de CSLL declarada
inconstitucional (exigida antes do prazo nonagesimal da edição da norma), com débitos vincendos da mesma contribuição, até o prazo de cinco anos após a edição de Resolução do Senado Federal, independentemente de provimento jurisdicional transitado em julgado, condicionado o valor da compensação à sua existência, atualização monetária e controle do referido crédito pela autoridade preparadora.
Numero da decisão: 1801-000.463
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de R$ 623.146,87 e homologar as compensações pleiteadas na fl. 01 até o limite deste crédito, nos termos do voto da relatora. Salienta-se que R$ 535.501,27 já foi reconhecido pelo acórdão de primeira instância de julgamento.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL. CRÉDITO SUB JUDICE. MOMENTO. Os contribuintes podem efetuar a compensação de CSLL declarada inconstitucional (exigida antes do prazo nonagesimal da edição da norma), com débitos vincendos da mesma contribuição, até o prazo de cinco anos após a edição de Resolução do Senado Federal, independentemente de provimento jurisdicional transitado em julgado, condicionado o valor da compensação à sua existência, atualização monetária e controle do referido crédito pela autoridade preparadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, no mérito, reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de R$ 623.146,87 e homologar as compensações pleiteadas na fl. 01 até o limite deste crédito, nos termos do voto da relatora. Salienta-se que R$ 535.501,27 já foi reconhecido pelo acórdão de primeira instância de julgamento. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 27/01/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Relatório Em 12/03/98 a empresa em epígrafe protocolizou o Pedido de Compensação de fls. 01, pretendendo compensar crédito de CSLL, paga a maior, no valor de R$ 699.247,45, com débitos parciais de Cofins (fevereiro e março de 1998) e débito de PIS (fevereiro de 1998). O crédito da CSLL é originário do saldo negativo apurado no ano-calendário de 1997 (DIPJ/98). Necessário que se faça breve histórico do trâmite deste processo até o presente momento. Primeiramente, a Delegacia da Receita Federal – DRF em Santo André – competente para apreciar o pedido exarou um despacho denegando o pleito, por razão formal, entendendo ser impróprio o pedido e não adentrando ao mérito da questão – fls. 65. Manifestada a inconformidade da contribuinte, fls. 68 a 72, os autos foram à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas para apreciação, mas, após retornar duas vezes para a realização de diligências (Resoluções nºs 101/02 e 484/04 – fls. 207 e 208; fls. 397 e 398), a 5ª Turma de Julgamento daquela Delegacia exarou o Acórdão nº 05- 16.085/07 determinando que o processo voltasse para o órgão a quo para que este decidisse a respeito do mérito da questão, ou seja, apreciasse o direito da contribuinte em compensar os tributos com o crédito pretendido. Com fulcro nas diversas análises realizadas a respeito da formação do saldo negativo de CSLL, relativa ao ano-calendário de 1997, cujos cálculos retroagiram até a verificação do saldo negativo de CSLL apurado no ano-calendário de 1995 (DIPJ/96), a DRF prolatou o Despacho Decisório de fls. 523 a 526 concluindo que a contribuinte faz jus ao crédito de R$ 535.501,27, a título de saldo negativo de CSLL para o ano-calendário de 1997, homologando a compensação dos tributos requeridos até este montante. Transcrevo, por relevante, trecho da decisão no qual explicitam-se os cálculos de apuração do quantum deferido: “As informações constantes no sistema confirmam o pagamento parcial da CSLL relativa a novembro de 1997, no montante de R$ 226.435,88 (fls. 460). A parcela restante no valor de R$ 116,663,47 e as estimativas relativas de agosto de 1997 a outubro de 1997 foram compensadas com créditos de períodos anteriores, conforme demonstrativo apresentado pelo interessado às fls. 70. São os seguintes os créditos utilizados para compensação das estimativas mencionadas: a) R$ 542.686,40 - referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ do ano calendário de 1995, que pela planilha de fls. 420 apurou-se um saldo de R$ 542.649,10, utilizando-se os coeficientes conforme § 4.°, do artigo 37, da Lei n.° 8.981/95, para a correção das estimativas de janeiro de 1995 a dezembro de 1995. Verifica-se que o interessado utilizou para compensação parcial da CSLL relativa a dezembro de 1995 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.000359/98-43 Acórdão n.º 1801-00.0463 S1-TE01 Fl. 703 3 o valor recolhido indevidamente em 31.01.1995, no valor de R$ 93.617,65 (fls. 372), que correspondia a R$ 114.646,00 em 31.12.1995 (fls. 373). b) R$ 168.424,74 - referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ do ano calendário de 1996 relativo a antecipações de R$ 163.598,34 e correspondente atualização de R$ 4.826,40 (fls. 354 e 375). As antecipações se referem ao recolhimento da CSLL no valor total de R$ 70.884,90 mais as estimativas quitadas com compensação, que são as parcelas de R$ 1.146,46 em janeiro de 1996 (resíduo de juros de mora incidente sobre o valor de RS 114.646,00 utilizado na compensação parcial da CSLL relativa a dezembro de 1995), R$ 63.160,40 em fevereiro de 1996 e R$ 28.406,58 em março de 1996. Com relação às estimativas referentes a fevereiro de 1996 no montante de R$ 63.160,40 e março de 1996 no valor de R$ 28.406,58, o interessado alega que compensou aqueles valores por força do Mandado de Segurança n.° 98.0013910-9 (fls. 422/444) que, pela Certidão de Objeto e Pé apresentada, está aguardando inclusão em pauta para julgamento (fls. 445). O artigo 170, do CTN, dispõe que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir á autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Se não há trânsito em julgado da ação, não se pode falar em crédito líquido e certo, além do que não há informação na DCTF (fls. 449/451) de que aqueles valores estavam pendentes de compensação por força do Mandado de Segurança. Portanto, as antecipações relativas ao ano-calendário de 1996, informadas na linha 23 da Ficha 11 passam a ser: ANTECIPAÇÕES VALOR PAGO/COMPENSADO JANEIRO/96 72.011,36 FEVEREIRO/96 10,00 MARÇO/96 10,00 TOTAL 72.031,36 [...] Verifica-se que os créditos disponíveis do interessado, sendo R$ 542.649,10 relativo ao saldo negativo da CSLL no ano-calendário de 1995, R$ 74.156,40, relativo a saldo negativo recalculado do ano-calendário de 1996, mais o pagamento efetuado em DARF no montante de R$ 226.435,88 não foram suficientes para compensação das estimativas da CSLL - período de apuração de agosto/97 a novembro/97, conforme planilha apresentada de fls. 446/447). De acordo com os pagamentos e compensações efetuadas, a linha 22 da Ficha 11 da DIRPJ do ano calendário de 1997 assume o valor conforme indicado no quadro abaixo. DATA DE VENCIMENTO ESTIMATIVA DE CSLL PAGA/COMPENSADA 30/09/1997 43.989,95 {VALOR COMPENSADO 31/10/1997 448.731,35 (VALOR COMPENSADO) Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 28/11/1997 354.392,13 (VALOR COMPENSADO) 30/12/1997 226.435,88 (VALOR PAGO) 1.091,44 (VALOR COMPENSADO) TOTAL 1.074.640,75 Assim, o demonstrativo abaixo apresenta o saldo negativo final recalculado na DIRPJ do ano calendário de 19971. [...] Entretanto, verifica-se que o interessado utilizou o saldo negativo apurado para compensação parcial da CSLL relativa a março de 1998 no montante de R$ 52.095,53 (fls. 521), remanescendo um saldo credor no montante de R$ 535.501,27, conforme planilha apresentada de fls. 522.” Em face a esta decisão, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 540 a 544, argumentando, em suma: “[...] No QUADRO 1 foi apresentado o valor de R$ 963.776,90, cujas compensações tiveram como origem créditos do passado. O primeiro foi o saldo negativo apurado na DIRPJ do exercício social de 1995 no valor de R$ 542.686,40 e o saldo negativo apurado na DIRPJ do exercício social de 1996 no valor de R$ 168.424,74, adicionados às suas respectivas atualizações monetárias com base na mesma variação da taxa SELIC. O saldo de R$ 542.686,40 está considerado conforme explicitado na página número 506 do anexo da Comunicação e Intimação SEORT número 1123/2007, tendo obedecido aos aspectos legais das épocas em que ocorreram. O saldo de R$ 168.424,74 teve como formação os dados do QUADRO 3 abaixo. QUADRO 3 - Formação do valor compensado em 1996 da CSLL Mês Valor UFIR Quantidade de UFIR UFIR Atualização Valor atualizado jan/96 72.011,36 0,8847 81.396,36 0,9108 2.124,44 74.135,80 fev/96 63.170,40 0,8847 71.403,19 0,9108 1.863,63 65.034,03 mar/96 28.416,58 0,8847 32.120,02 0,9108 838,33 29.254,91 abr/96 - 0,8847 - 0,9108 - - m ai/96 - 0,8847 - 0,9108 - - jun/96 - 0,8847 - 0,9108 - - TOTAL 163.598,34 184.919,57 4.826,40 168.424,74 Fonte: preparado tomando-se por base as informações constantes da DIRPJ ano base de 1996. No mês de janeiro de 1996 foi calculado saldo devedor de R$ 72.011,36. Na época foi tomada a opção de deduzir R$ 1.146,46 referente à atualização monetária do valor de R$ 111.464,00 e o remanescente foi pago conforme DARF informado na Comunicação e Intimação número 11123/2007 na página 510 e na página 396 onde constou cópia deste documento de arrecadação. No mês de fevereiro de 1996 foi calculado saldo devedor de R$ 63.170,40. Na época foi compensado com excesso de CSLL de 1988 e R$ 10,00 foram pagos conforme DARF. No mês de março de 1996 foi calculado saldo devedor de R$ 28.416,58. Na época foi compensado com excesso de CSLL de 1988 e R$ 10,00 foram pagos conforme DARF. 1 DIPJ/98 - linha 31/ficha 11 - Saldo de CSLL.... - 583.675,42 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.000359/98-43 Acórdão n.º 1801-00.0463 S1-TE01 Fl. 704 5 Desta forma, desembolso efetuado pela PETROQUÍMICA UNIÃO foi, para os três meses, no valor de R$ 72.031,36 equânime com o apontado na folha 524. E, ainda, R$ 91.566,98 que representou compensações com créditos existentes de exercícios anteriores. A somatória desses valores perfaz o montante de R$ 163.598,34. Quanto ao pagamento de R$ 72.031,36 uma vez que não há questionamentos, tendo sido considerado como líquido e certo, o mesmo não necessita de esclarecimentos adicionais. Entretanto com relação ao valor de R$ 91.566,98, a PETROQUÍMICA UNIÃO apresenta os seguintes esclarecimentos: O montante de R$ 91.566,98 está composto de R$ 1.146,46 que faz referência ao pagamento a maior da competência de dezembro de 1994 ocorrido em 31/12/1995. Tratado aos moldes legais da época. Esse saldo pelo explanado no voto da 266a Sessão da 5a Turma de Julgamento da DRJ Campinas não gerou dúvidas, quanto à sua existência. QUADRO 4- Composição da DCTF 1 o trimestre de 1996 Janeiro Fevereiro Março Imposto a pagar Valor sub-judice Total apurado 72.011,36 72.011,36 63.170,40 63.170,40 28.416,58 28.416,58 Na DCTF a PETROQUÍMICA UNIÃO demonstra ter saldo a pagar em 1996 independente da forma da liquidação do débito, conforme demonstrado no QUADRO 4 apresentado acima. QUADRO 5 - Apuração da CSLL de 1996 devida mensalmente Janeiro Fevereiro Março 09. Base de cálculo 10. Imposto devido 11. (-) CSL devida em meses anteriores 12. (-) Saldo de CSL a comp, apurado em períodos anteriores 13. (-) Demais cornpens. de contribuição social sobre o lucro 14. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL MENSAL A PAGAR 972.153,34 72.011,36 1.146,46 70.864,90 1.824.953,77 135.181,76 72.011,36 63.160,40 10,00 2.208.577,61 163.598,34 135.181,76 28.406,58 10,00 Fonte: preparado com base na DIRPJ de 1996, Ficha 09. Entretanto no momento em que apresentou a DIRPJ a demonstrou aquilo que ocorreu durante o exercício social de 1996. No QUADRO 5 apresenta-se os valores declarados na DIRPJ. Daí observa que deveriam constar da DCTF os valores a pagar, ou seja, em janeiro R$ 70.864,90, em fevereiro R$ 10,00 e em março R$ 10,00. [...]” A Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Campinas exarou, então, o Acórdão nº 05-19.491/07 às fls. 547 a 558 mantendo a decisão a quo pelas razões a seguir expostas, sintetizadas. Aproveito o trecho também do relatório elaborado por aquela turma, para melhor elucidar os fatos e valores que envolvem o presente litígio: “[...] Em nova análise, a DRF/Santo André reconstituiu o saldo credor de CSLL declarado no valor de R$ 699.247,45, para reduzi-lo a R$ 583.675,42, na medida em que os créditos alegados para compensação das estimativas de agosto a novembro/97 não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 foram integralmente confirmados, revelando-se suficientes para extinguir, além dos valores das estimativas de agosto/97 (R$ 43.989,95), setembro/97 (R$ 448.731,35) e de outubro (R$ 354.392,13), apenas a parcela de R$ 1.091,44 da estimativa de novembro/97. As estimativas assim compensadas foram somadas ao pagamento de R$ 226.435,88, e totalizaram R$ 1.074.640,75, inferior ao montante de RS 1.190.212,78 declarado a título de antecipações no ano-calendário 1997. A autoridade preparadora ainda reduziu o saldo credor assim apurado (R$ 583.675,42) pela compensação com a CSLL de março/98 (R$ 52.095,53), para reconhecer direito creditório, nestes autos, de R$ 535.501,27 (fls. 523/526). Cientificado da decisão em 04/07/2007, o contribuinte, por seu procurador, apresentou manifestação de inconformidade em 03/08/2007 (fls. 540/544), da qual se extrai: Menciona que já havia encaminhado dois Documentos de Arrecadação de Receitas Federais - DARF, contendo os valores de principal, multa e juros nos valores de R$ 29.829,72 e R$ 345.866,11. Consigna que, no ano-calendário 1997, conforme demonstrativo que apresenta, recolheu R$ 226.435,88, compensou estimativas no valor de R$ 963.776,90, e apurou CSLL de R$ 490.965,33, do que resulta o saldo credor de R$ 699.247,45. Tal crédito foi compensado com débitos de COFINS em março/98 (R$ 318.617,61) e abril/98 (R$ 10.477,97) e da Contribuição ao PIS em março/98 (R$ 370.151,87). No que tange ao montante de R$ 963.776,90 de estimativas compensadas, assevera que o valor de R$ 542.686,40 referente ao exercício social de 1995 está considerado conforme explicitado na página número 506 do anexo da Comunicação e Intimação SEORT número 1123/2007, tendo obedecido aos aspectos legais das épocas em que ocorreram. Já com referência à parcela de R$ 168.424,74, novamente relata os recolhimentos e compensações analisados pela autoridade preparadora, e especificamente quanto às compensações de R$ 91.566,98: - consigna que não há dúvidas quanto a parcela de R$ 1.146,46 referente a dezembro/94; - indica que declarou estimativas a pagar de janeiro a março/96 na DCTF, independentemente da forma da liquidação do débito, fazendo constar da DIRPJ aquilo que ocorreu durante o exercício social de 1996; - menciona a necessidade de atualização dos valores antecipados em 1996 pela variação da UFIR, do que resulta a diferença entre as liquidações (R$ 163.598,34) e o montante apresentado da DIRPJ do ano-calendário 1996 (R$ 168.424,74); - aponta que como sutilmente foi relatado pelo voto da 266a Sessão da 5a Turma de Julgamento da DRJ-Campinas não foi digitado na linha número 24 o valor referente à compensação dos juros incidentes sobre o valor de R$ 114.646,00 no valor de R$ 1.146,46 com isto ocorrendo o saldo negativo de 1996 será maior totalizando RS 169.571,20. Do exposto conclui que inexiste saldo devedor no âmbito do presente processo.” (grifos pertencem ao original) Do voto, reproduzo a parte controversa, visto que no acórdão foi reconhecido que a empresa faz jus à compensação do saldo devedor de CSLL no valor de R$542.686,39, apurado no ano-calendário de 1995 (DIPJ), com as estimativas de CSLL devidas em 1997 ( Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.000359/98-43 Acórdão n.º 1801-00.0463 S1-TE01 Fl. 705 7 autoridade a quo havia reconhecido o valor de R$ 542.649,09, em virtude de conversões para atualização monetária): “[...] Com referência ao crédito do ano-calendário 1996, alegado no valor original de R$ 163.598,34 e atualizado de R$ 168.424,74, a autoridade preparadora admitiu apenas o valor original de R$ 72.031,36 e atualizado de R$ 74.156,40, rejeitando parcialmente as antecipações indicadas para os meses de fevereiro e março/96, como segue: b) RS 168.424,74 - referente ao saldo negativo apurado na DIRPJ do ano calendário de 1996 relativo a antecipações de R$ 163.598,34 e correspondente atualização de R$ 4.826,40 (fls. 354 e 375). As antecipações se referem ao recolhimento da CSLL, no valor total de RS 70.884,90 mais as estimativas quitadas com compensação, que são as parcelas de RS 1.146,46 em janeiro de 1996 (resíduo de juros de mora incidente sobre o valor de R$ 114.646,00 utilizado na compensação parcial da CSLL relativa a dezembro de 1995), RS 63.160,40 em fevereiro de 1996 e R$ 28.406,58 em março de 1996. [...] Como se vê, a autoridade preparadora admitiu integralmente a estimativa de janeiro/96, quer seja na parte paga (R$ 70.884,90) como na compensada (R$ 1.146,46), inexistindo litígio quanto à possibilidade de compensação da parcela de R$ 1.146,46 relativa a dezembro/94. No despacho decisório recorrido somente deixaram de ser consideradas as parcelas compensadas com as estimativas de fevereiro e março/96, assim apreciadas no voto reformulado na 266 a Sessão de Julgamento desta 5 a Turma: Já com referência ao ano-calendário 1996, no qual o contribuinte apurou base de cálculo negativa da CSLL (fl. 378), a autoridade preparadora somente confirmou a parcela de R$ 74.156,40 do saldo credor de RS 168.424,74, inicialmente apontado na DIRPJ (fl. 378). Isto porque, dos créditos ali indicados, apenas validou R$ 72.031,36 a título de antecipações (do total de R$ 163.598,34) e R$ 2.125,04 (do total de RS 4.826,40) referente a atualização monetária destas (fls. 456/459). As antecipações alegadas pelo contribuinte (fl. 375) são: a) janeiro/96: R$ 72.011,36, parcialmente recolhida no valor de R$ 70.864,90 (fl. 396) e o restante (RS 1.146,46) compensado com parcela do recolhimento indevido de 31/01/95 (fl. 373); b) fevereiro/96: RS 63.170,40, parcialmente recolhida no valor de R$ 10,00 (fl. 396) e o restante (RS 63.160,40) compensado com créditos por recolhimento indevido da CSLL no ano base de 1988, declarada inconstitucional pela Resolução n° 11/95, do Senado Federal, e com base no Mandado de Segurança n° 98.0013910-9, conforme esclarecimentos prestados à fl. 411; c) março/96: RS 28.416,58, parcialmente recolhida no valor de RS 10,00 (fl. 396) e o restante (R$ 28.406,58) compensado com créditos por recolhimento indevido da CSLL no ano base de 1988, declarada inconstitucional pela Resolução n° 11/95, do Senado Federal, e com base no Mandado de Segurança n° 98.0013910-9 conforme esclarecimentos prestados à fl. 411. [...] Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Já quanto às compensações de fevereiro/96 e março/96, consignou que não havia, na DCTF 96, informação de que aqueles valores estavam pendentes de compensação por força do Mandado de Segurança, deixando de considerá-las no cálculo do saldo credor do ano-calendário 1996 (fl. 457). E, às folhas referenciadas pela autoridade, vê-se que nenhum valor foi apontado como "sub-judice " para os períodos de fevereiro/96 e março/96 (fls. 450/451), possível razão para a conclusão por ela expressada. Todavia, à época, estava vigente a Instrução Normativa SRF n° 73/94, que em seu Anexo I (Instruções para apresentação da Declaração de Contribuições e Tributos Federais e Outras disposições), fixava que: 5 - Nos casos em que for efetuada a compensação de pagamento indevido ou a maior com o valor do tributo e/ou contribuição a ser declarado (art. 66 da Lei n° 8.383/91, disciplinado pela IN RF n° 67/92), será informado o valor total apurado conforme a legislação em vigor, não devendo ser considerados eventuais ajustes decorrentes da compensação. Demais disso, em 1996 o contribuinte ainda não havia impetrado o Mandado de Segurança referido (98.0013910-9), baseando-se a compensação, como se infere de suas informações à fl. 411, em estudos e pareceres jurídicos posteriores à Resolução do Senado Federal n° 11/95, que conferiu efeitos erga omnes à declaração de inconstitucionalidade da Lei n° 7.689/88, relativamente à CSLL devida no ano-base de 1988. Assim, os valores devidos a título de CSLL em fevereiro/96 e março/96, ainda que compensados com créditos decorrentes de recolhimento indevido, deviam ser integralmente declarados na DCTF. E, ao proceder desta forma, restaram em aberto as parcelas compensadas, RS 63.160,40 e RS 28.406,58, que somente não foram cobradas em razão da alocação automática do recolhimento a maior efetuado em 31/01/95, antes mencionada (fl. 462). [...] Passa-se, então, à análise da validade da compensação de indébitos de CSLL pertinente ao ano-base 1988 com débitos da própria CSLL devida em fevereiro e março/96. É certo que o art. 66 da Lei n° 8.383/91 e a Instrução Normativa SRF n° 67/92 não impunham qualquer formalidade a ser observada na compensação entre tributos de mesma espécie, desde que os débitos fossem posteriores ao crédito e não tivessem origem em processo fiscal (art. 3o da IN SRF n° 67/92). Todavia, prevalece na Administração Tributária o entendimento de que, à época, já havia se expirado o prazo fixado para utilização do crédito decorrente de tal indébito, nos termos do Código Tributário Nacional: [...] Isto porque a compensação pretendida pressupunha um indébito que já se encontrava prescrito, na medida em que o contribuinte tinha o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do recolhimento indevido - considerando-se a homologação condição resolutoria e não suspensiva — para pleitear a restituição de valores indevidamente recolhidos. Expirado este, relativamente aos recolhimentos efetuados para o ano-base de 1988 (ocorridos em 1990, conforme fls. 463/464), inadmissível é a pretensão de utilizá-los em compensação a partir de 29/03/96 (vencimento da contribuição devida no fato gerador fevereiro/96). Por outro lado, observe-se que, conforme elementos juntados às fls. 422/445, o contribuinte obteve amparo judicial nos autos do Mandado de Segurança n° Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.000359/98-43 Acórdão n.º 1801-00.0463 S1-TE01 Fl. 706 9 98.0013910-9, para compensar o referido indébito com valores devidos a título de COFINS, PIS, IPI e Imposto de Importação, e, nas sentenças de fls. 465/476, adotou-se como termo inicial para contagem do prazo referido no art. 168, I do CTN, a data da homologação tácita, ou seja, 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador - quando ocorreria a extinção definitiva do crédito tributário - concluindo-se que: Isto posto, não havendo prova de que a autoridade homologou o tributo questionado antes do seu prazo decadencial de 5 (cinco) anos, reconhece-se a prescrição em 10 (dez) anos contados da propositura da demanda, nos termos do§l° do art. 219 do CPC. A referida sentença foi objeto de recurso, que se encontra pendente de apreciação no TRF/3a Região. Todavia, tratando-se de Mandado de Segurança no qual, inclusive, foi concedida liminar ao interessado, concluiu a autoridade preparadora nos autos do processo administrativo n° 10805.001700/2003-61 (fls. 477/480) que está suspensa a exigibilidade dos valores compensados nos limites da sentença. Destaque-se que a compensação com débitos de CSLL, em verdade, não foi pleiteada na referida ação judicial, mas sim no Mandado de Segurança n° 98.0003347-5, conforme relatado na própria petição inicial de fls. 422/444. Porém, em que pese inexista nestes autos cópia da petição inicial ou das decisões proferidas no referido processo, infere-se, das informações obtidas no sítio da Justiça Federal na Internet que os autos possivelmente foram reunidos para julgamento conjunto, pois as sentenças foram proferidas no mesmo período e com conteúdo equivalente (fls. 481/485). Ainda, consigne-se que nos autos do Mandado de Segurança n° 98.0003347-5 não foi deferida liminar (fls. 483) e somente em sede de Agravo de Instrumento o impetrante obteve decisão favorável à compensação, mas sem adentrar à discussão do prazo prescricional e limitando-a aos débitos da própria CSLL (fls. 487/496). De toda sorte, frente à divergência entre o entendimento administrativo e o judicial, quer no âmbito do Mandado de Segurança n° 98.0003347-5 ou n° 98.0013910-9, seria de se perquirir se as decisões proferidas afetariam, também, as compensações realizadas em 1996, suspendendo a exigibilidade dos débitos objeto de compensações de mesma natureza daquelas realizadas em 1998, mas anteriores à sua propositura. Poder-se-ia dizer que, se não foi reconhecida a prescrição relativamente às compensações efetuadas em 1998, com mais razão não ficariam desamparadas as compensações verificadas em 1996. Contudo, retroagir os efeitos da decisão proferida no Mandado de Segurança subverteria o prazo para sua impetração, estipulado na Lei n° 1.533/51: Art. 18 - O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos cento e vinte dias contados da ciência, pela interessado, do ato impugnado. Observe-se que o Supremo Tribunal Federal já consolidou na Súmula 271 que a concessão de mandado de segurança não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, os quais devem ser reclamados administrativamente ou pela via judicial própria. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Neste sentido, aliás, o próprio impetrante reporta-se às compensações contemporâneas à propositura da ação judicial Em suas palavras (fl. 426): Sob a luz dos preceitos contidos na Lei 8383/91 e da Lei 9430/96, a Impetrante visa proceder à compensação de seus créditos relativos à CSSL recolhida a maior, com valores que tem a recolher relativos a outros tributos e contribuições sociais administrados e fiscalizados pela Secretaria da Receita Federal. [...] Diante de todo o exposto, requer a Impetrante que V. Exa. Se digne conceder- lhe MEDIDA LIMINAR, determinando ao Sr. Delegado da Receita Federal em Santo André - SP, que se abstenha de praticar qualquer ato coator contra a Impetrante, no sentido de exigir-lhe o recolhimento parcial ou total dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que vierem a ser objeto das compensações a ser realizadas entre os valores recolhidos indevidamente a título de CSSL, notadamente com os valores devidos a título de COFINS, PIS, IPI e I.IMPORTAÇÃO. E, assim, constou da sentença o que segue: A presente ação tem como escopo provimento jurisdicional que assegure ao impetrante efetivar a compensação dos tributos recolhidos com fundamento na legislação aventada, com parcelas vincendas da COFINS, PIS, IPI e Imposto de Importação. Portanto, não é possível estender os efeitos das decisões dos Mandados de Segurança n° 98.0003347-5 e 98.0013910-9 às compensações com débitos de 1996. Em conseqüência, subsiste incomprovado o recolhimento das estimativas de CSLL de fevereiro e março/96. Ressalte-se, porém, que, em razão de outras circunstâncias fáticas que serão a seguir expostas, tal análise não se mostra relevante, no presente caso. Isto porque se, por um lado, o reconhecimento da compensação de créditos da CSLL do ano-base 1988, com débitos da CSLL em 1996, elevaria o direito creditório pleiteado no ano-calendario 1997, por outro, o crédito a ser utilizado nas compensações vinculadas ao Mandado de Segurança n° 98.0013910-9 seria reduzido. Da mesma forma, a inadmissibilidade da compensação em 1996 reduziria o saldo credor de 1997, mas geraria maior disponibilidade de crédito para as compensações vinculadas ao Mandado de Segurança citado. Assim, é possível admitir o cálculo do direito creditório em 1996 na forma apurada pela autoridade preparadora, pois sua redução acabará por elevar a disponibilidade de direito creditório relativo a 1988, passível de utilização na forma da decisão atualmente em vigor no Mandado de Segurança n° 98.0013910-9. Por todo o exposto, é aqui admitida a totalização de saldo credor indicada no despacho de fls. 456/459 para o ano-c alendarlo 1996 (RS 74.156,40), resultante da soma das estimativas recolhidas em 1996 (RS 72.031,36) e da atualização monetária sobre elas incidente até o ajuste anual (RS 2.125,04). [...] Diante do exposto, o presente voto é no sentido de RECEBER a manifestação de inconformidade de fls. 540/544, por tempestiva, e INDEFERI-LA, por inexistir crédito a ser reconhecido acima da parcela já admitida pela autoridade preparadora.” (negritos não pertencem ao original) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.000359/98-43 Acórdão n.º 1801-00.0463 S1-TE01 Fl. 707 11 A empresa, tempestivamente, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 562 a 573, requerendo que as estimativas de CSLL relativas aos meses de fevereiro e março do ano- calendário de 1996, nos valores de R$ 63.160,40 e R$ 28.406,58, sejam admitidas na composição do saldo negativo da CSLL apurada em 1996, argumentando, sinteticamente, in verbis: “A parte do crédito indeferida refere-se às estimativas dos meses de fevereiro de 1996 (no montante de R$ 63.160,40) e de março de 1996 (no valor de R$ 28.406,58), que foram compensadas com créditos da própria CSL decorrentes de recolhimentos indevidos efetuados nos meses de janeiro a março de 1989, conforme as decisões judiciais proferidas nos Mandados de Segurança n°s 98.0013910-9 e 98.0003347-5, cujas principais peças a Recorrente pede vênia para colacionar aos presentes autos (docs. n°s 5 e 6). Por não concordar com o indeferimento de parte do crédito pleiteado, a Recorrente apresentou, em 8.8.2007, a competente Manifestação de Inconformidade, a qual foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas - SP, sob os seguintes e infundados argumentos: (i) na compensação efetuada nos meses de fevereiro e março de 1996, a Recorrente não estaria amparada por decisão judicial, tendo em vista que os Mandados de Segurança n°s 98.0013910-9 e 98.0003347-5 foram impetrados posteriormente às compensações; (ii) estaria prescrito o direito da Recorrente de efetuar a compensação dos valores de CSL recolhidos indevidamente nos meses de janeiro a março de 1989, conforme o disposto no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional ("CTN"); e (iii) deveria ser aplicado ao presente caso a regra prevista no artigo 170-A do CTN, incluída no ordenamento jurídico apenas com a edição da Lei Complementar n° 104/2001, segundo a qual é vedado ao contribuinte a realização de compensação administrativa de crédito tributário decorrente de medida judicial, antes do trânsito em julgado da mesma.” A recorrente passa a rebater cada um dos itens acima criticados. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente obteve o reconhecimento do saldo negativo da CSLL para o ano-calendário de 1997 no valor de R$ 583.675,42 (fls. 526). Por causa da compensação de parte deste saldo com a estimativa de CSLL relativa a março de 1998, no valor de R$ 52.095,53, foi homologada parcialmente a compensação pleiteada à fl. 01, no valor de R$ 535.501,27. Considerando que o saldo negativo de CSLL informado na DIPJ/08 é da ordem de R$ 699.247,45, a parte controversa resume-se a R$ 115.572,03. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 No recurso interposto, a empresa limita-se a contestar o acórdão no que refere-se a não terem sido admitidas as compensações efetuadas pela recorrente do valor recolhido a maior de CSLL, relativa ao ano-base de 1988 e janeiro a março de 1989, com as estimativas de CSLL apuradas em fevereiro e março de 1996 (as quais deveriam compor o saldo negativo de CSLL em 1996 e, consequentemente, ser aproveitado para o ano-calendário de 1997). O valor pleiteado no recurso voluntário perfaz R$ 91.566,98 (CSLL/fev/96 – R$ 63.160,40 + CSLL/mar/96 – R$ 28.406,58). Estes valores foram calculados pela recorrente e provém da CSLL recolhida relativa ao ano de 1988 e janeiro a março de 1989 e posteriormente reconhecida como inconstitucional a exigência fiscal, em vista da ofensa ao princípio da anterioridade (Resolução do Senado Federal nº 11/95). A compensação foi realizada sem que a recorrente submetesse a sua viabilidade à autoridade administrativa, ou mesmo sob a guarida judicial. Somente em 1998 a empresa impetrou Mandado de Segurança requerendo a tutela jurisdicional para utilizar-se dos valores recolhidos indevidamente e compensá-los com os tributos federais: a própria CSLL e com outros, ainda que distintos. Preliminarmente cumpre esclarecer que o processo judicial MS nº 98.0013910-9, registrado no Tribunal Regional Federal da 3ª Região sob nº 2004.03.99.030608-5 encontra-se ainda sob julgamento, consoante pesquisa efetuada pela internet. 2 A turma de julgamento de primeira instância reconheceu, já na primeira decisão proferida (266ª sessão), que a tutela jurisdicional reconheceu como prazo prescricional para a contribuinte solicitar a compensação o prazo decendial, portanto, ao contrário do que assevera a recorrente, não lhe foi negada a compensação das referidas parcelas por prescrito o direito de realizar a compensação, mas sim por razão diversa. A razão única da não homologação deste saldo, ora litigioso, concerne à questão da retroatividade dos efeitos da liminar concedida no MS impetrado somente em 1998, quando está a se tratar de valores compensados em 1996 e, indiretamente, à questão do trânsito em julgado do mandamus. Quanto à questão da retroatividade dos efeitos da sentença judicial, ainda que liminar, aspecto a que o acórdão se ancorou para negar a repetição do indébito tributário e salientando os termos dos decisórios que estipulavam efeitos somente para débitos vincendos, portanto no seu entender, ulteriores à concessão da liminar, pondero sobre uma questão maior, presente neste caso em especial. A origem dos créditos compensados com os débitos em 1996 está na inconstitucionalidade da exação fiscal da CSLL a partir do período encerrado em 1988 e janeiro a março de 1989. Por ser patente, tornada pública e notória a declaração de inconstitucionalidade, estampada na Resolução emanada pelo Senado Federal, em 1995 (nº 11), todos os contribuintes souberam, independentemente, de qualquer provimento jurisdicional que haviam recolhido valores flagrantemente indevidos e reconhecidos como inconstitucionais. 2 http://www.trf3.jus.br/trf3r/index.php?id=26&op=Consulta&Processo=200403990306085&TFases=1 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.000359/98-43 Acórdão n.º 1801-00.0463 S1-TE01 Fl. 708 13 Ainda que a Fazenda Pública tenha pretendido defender tese de que o prazo para a repetição de indébito já havia se esgotado – 05 anos após os recolhimentos -, parece desnecessário estender-se sobre a impropriedade desta tese. A contribuição foi exigida por meio de norma tributária até então tida como válida e somente após a edição da Resolução SF nº 11/95 é que tornou-se pública a inconstitucionalidade da sua cobrança para o próprio ano da sua instituição - ano de 1988 e até que transcorresse o prazo nonagesimal, por tratar-se de contribuição, o que, no meu entender, marca o termo a quo para os contribuintes buscarem a repetição em débito. Daí que não vejo como totalmente despropositado admitir-se que as estimativas relativas a fevereiro e março de 1996, após a vigência da Resolução SF nº 11/95, poderiam ter sido quitadas com os valores recolhidos indevidamente, independentemente de qualquer provimento jurisdicional. Vale ressaltar que nesta época a compensação era feita por iniciativa do contribuinte em sua contabilidade, não se submetendo a requerimento ou autorização administrativa (tributos/contribuições de mesma espécie). A turma a quo trouxe aos autos informação peculiar, mas fundamental no que respeita à desobrigação da recorrente, naquele ano, em informar na DCTF que as estimativas devidas pela contribuinte estavam vinculadas a compensações, devendo ser informadas em seus valores integrais - item 5 da Instrução Normativa SRF nº 73/94 (vide fls. 555) – e, bem destaca, a contribuinte sequer poderia ter vinculado tais valores a qualquer ação judicial, visto que ainda não interposta. Destarte, entendo que o direito da recorrente em valer-se daquele crédito advindo da exação fiscal inconstitucional é certo. Quanto a sua liquidez, o outro elemento que importa na compensação de tributos, a unidade que jurisdiciona a contribuinte mantém um controle paralelo à ação judicial pelo processo administrativo de acompanhamento de ações judiciais – PAJ no qual devem estar registradas todas as movimentações processuais, decisões e explicitados os valores, inclusive. No caso presente, é o PAJ nº 10805.000537/98-08 – fls. 477. Este instrumento de controle cuida ainda de quantificar os direitos, normalmente ilíquidos, judicialmente decididos, em estrita observância aos ditames judiciais quanto a suas peculiaridades e às atualizações, versem estas ações sobre créditos ou débitos. Nas próprias sentenças colacionadas aos autos proferidas no Mandado de Segurança ora debatido, denota-se o constante registro de que compete ao fisco quantificar os valores e proceder ao controle dos créditos tributários, uma vez autorizadas judicialmente as compensações requeridas. Em assim sendo, nada impede à Secretaria da Receita Federal do Brasil checar se o indébito tributário pertinente ao MS nº 98.0013910-9 é suficiente para acobertar as estimativas ora pleiteadas – fev e mar/96 – e assim compor o saldo negativo de CSLL do ano- calendário de 1996, conforme a contribuinte informou na DIPJ pertinente (fls. 104 e 105). Aliás é atribuição deste serviço e a recorrente tem que se submeter ao seu crivo, haja vista ser determinação judicial a competência exclusiva do fisco em averiguar a existência efetiva do crédito judicialmente pleiteado e o seu controle, até que se extinga. Compete, portanto, à unidade de controle do crédito/débito tributário registrar os efeitos deste acórdão e controlar a baixa dos valores no referido PAJ, o que evitará, sem Fl. 13DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 dúvida, que após o trânsito em julgado da sentença judicial final conceda-se restituição ao contribuinte em duplicidade. Desta forma, evita-se exigir os onerosos encargos moratórios da recorrente que, em tempo hábil, pleiteou a restituição daquilo que lhe foi exigido de forma inconstitucional. Destaco que o MS impetrado, em 1998, bem como as compensações efetuadas em 1996, estão dentro do prazo prescricional, como salientado na decisão judicial. Saliento, ainda, que não divirjo in totum do entendimento esposado pelas autoridades preparadoras que se manifestaram neste processo e naqueles que versam sobre as cobranças das contribuições nos valores não homologados, no que respeita às ações judiciais em geral e à necessidade de se aguardar o trânsito em julgado e nem sou avessa a observar os ditames legais preceituados neste sentido. No entanto, no presente caso, repito, o direito da recorrente em reaver os valores recolhidos a título de CSLL recolhida, relativa ao ano de 1988, é líquido e certo, visto a sua inconteste inconstitucionalidade e já estando definido a imprescritibilidade judicialmente (visto tratar-se de compensar o crédito reconhecido com valores da própria CSLL, vincendas - após o recolhimento indevido). Por fim, registro que concordo com o acórdão vergastado quanto à sua conclusão em não haver prejuízo efetivo à contribuinte se aguardasse o final da demanda judicial para reaver o crédito de CSLL recolhida em 1988 e então compensar com tributos que pleiteou, visto que as atualizações monetárias e juros se equivaleriam. Mas, esta situação pode perdurar ainda anos dada a morosidade judiciária e, no caso em concreto, repriso, não vejo porque atrelar o presente processo ao final do processo judicial. Por todo o exposto, retifico o acórdão de primeira instância para considerar que o saldo negativo da CSLL para o ano-calendário de 1997 é da ordem de R$ 675.242,40, composto pelo saldo negativo já reconhecido pela autoridade a quo e mantido em primeira instância, R$ 583.675,42, acrescido das estimativas de CSLL relativas a fevereiro e março de 1996, nos valores respectivos de R$ 63.160,40 e R$ 28.406,58, desde que estes últimos dois valores encontrem respaldo no PAJ nº 10805.000537/98-08, devendo ser registrado neste que estes valores já foram utilizados pela empresa para compor o saldo negativo da CSLL relativa ao ano de 1996, conforme ora decidido. Voto, nos termos deste, pelo reconhecimento do direito creditório da recorrente no valor de R$ 623.146,87 (SN CSLL/97 - R$ 52.095,53, valor já compensado com a CSLL de março de 1998), e pela homologação das compensações pleiteadas na fl. 01 até o limite deste crédito, salientando que R$ 535.501,27 já foi reconhecido pelo acórdão de primeira instância de julgamento. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 14DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10805.000359/98-43 Acórdão n.º 1801-00.0463 S1-TE01 Fl. 709 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, . _____________________________ Moema Nogueira – Secretária da Câmara Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 16DF CARF MF Emitido em 25/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15375.005027/2009-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 50 27 /2 00 9- 54 Fl. 1276DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de AIOA, DEBCAD: 35.758.3825, Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrado contra o contribuinte identificado acima em decorrência do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração a fls. 26/27, e anexo a fls. 39/237. De acordo com o Relatório Fiscal a fl. 13, o presente Auto de Infração foi lavrado em decorrência de infringência ao art. 32, IV e §5° da Lei nº 8212/91 c/c o artigo 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em razão de ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 04/2005. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa aplicada corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, calculada por competência, respeitado o limite mensal conforme o número de segurados da empresa, de acordo com o Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fls. 28/37. Relata a Autoridade Lançadora que a empresa foi autuada por ter apresentado GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias dos segurados empregados, segurados contribuintes individuais pessoas físicas transportadores autônomos, retiradas pro labore dos diretores, comercialização de produtos rurais (leite) e reclamatórias trabalhistas, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração a fls. 26/27, e anexo a fls. 39/237. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a autuação procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 15375.005027/200954 Acórdão n.º 9202005.726 CSRFT2 Fl. 3 3 Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 21/11/2012, por unanimidade de votos, o julgamento do recurso foi convertido em diligência fiscal – Resolução nº 2302000.194, com o seguinte fundamentação e mérito: “ 3. DA FUNDAMENTAÇÃO E MÉRITO Cumpre destacar, ab initio, que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal. Com efeito, o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação não se encontra instruído com os elementos necessários aptos a indicar, de forma inequívoca, se os fatos jurídicos apurados na NFLD nº 35.758.3833 configuramse, efetivamente, como fatos geradores de contribuições previdenciárias. A ratificação integral de tal condição implica a procedência do presente Auto de Infração. Por outro canto, qualquer improcedência, mínima que seja, no conjunto de fatos geradores apurados naquela Notificação Fiscal importará alterações nos valores da multa aplicada nesta autuação. Sendo certo que o Sujeito Passivo, ora recorrente, ofereceu impugnação à NFLD acima referida e estando o Processo Administrativo Fiscal correspondente ainda pendente de julgamento no âmbito da Administração Tributária, como medida de reconhecida prudência, almejando esquivarmos de decisões contraditórias, pugnamos pela conversão do julgamento do mérito em diligência fiscal, sobrestando o trâmite do presente feito até que se substancie o Trânsito em Julgado da decisão relativa à NFLD n° 35.758.3833. A diligência deve ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF em que se debate o mérito do lançamento aviado na NFLD n° 35.758.3833. Na sequência, antes de os autos retornarem a esta Corte Administrativa, deve ser promovida a ciência do resultado da Diligência Fiscal ao Sujeito Passivo, para que este, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo.” Em 06/05/2014, foi encaminhada ao CARF, como retorno de diligência, documentação às fls. 633/667, contendo um Despacho da SACAT/DRF/DIV – tratando de revisão de ofício da NFLD 35.758.3833; uma Decisão Administrativa da Procuradoria Seccional da Fazenda em Sete Lagoas – determinando a reativação da inscrição em dívida ativa o DEBCAD 35.758.3833; e a ciência dada ao contribuinte das Resoluções 2302000.194 (PAF 15375.005027/200954) e 2302000.233 (PAF 15375.005029/200943). Assim, em sessão plenária de 09/10/2014, por unanimidade de votos, o julgamento do recurso foi, novamente, convertido em diligência fiscal – Resolução nº 2302 000.339, com o seguinte fundamentação e mérito: “3. DA FUNDAMENTAÇÃO E MÉRITO Fl. 1278DF CARF MF 4 Cumpre destacar, inicialmente, que a obrigação principal correspondente aos mesmíssimos fatos geradores tratados neste Auto de Infração é objeto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063. Em virtude da flagrante relação de prejudicialidade existente entre os fundamentos de fato e de direitos inerentes ao vertente Auto de Infração de Obrigação Acessória e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.758.3833, lavrada na mesma ação fiscal, como medida de reconhecida prudência, e almejando evitar a prolação de decisões conflitantes, houvese o julgamento do presente feito convertido em diligência fiscal, nos termos da Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, a fls. 616/618, até que se consumasse o Trânsito em Julgado da decisão administrativa relativa à NFLD n° 35.758.3833. A Resolução nº 2302000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, foi clara e expressa ao determinar que: “A diligência deve ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF em que se debate o mérito do lançamento aviado na NFLD n° 35.758.3833”. A DILIGÊNCIA FISCAL NÃO FOI CUMPRIDA !!! Os autos retornaram a este Colegiado sem que fosse juntada aos presentes autos a cópia da decisão definitiva proferida no PAF nº 10665.000194/201063, em que se debate o mérito do lançamento aviado na NFLD n° 35.758.3833, sendo negligenciada a determinação expressa comandada pela diligência fiscal contida na Resolução nº 2302 000.194 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 21 de novembro de 2012, a fls. 616/618. Não supre a Decisão Administrativa definitiva referente à NFLD n° 35.758.3833 o Despacho SACAT/DRF/DIV, a fls. 633/667, uma vez que este não informa quais foram efetivamente os fatos geradores mantidos no lançamento objeto da NFLD acima citada. Por tais razões, pugnamos pela conversão do julgamento em nova diligência fiscal para que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem desídia, CUMPRA EFETIVAMENTE as determinações aviadas na Resolução nº 2302000.194, de 21 de novembro de 2012, mediante a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva referente ao lançamento veiculado por intermédio da NFLD n° 35.758.3833, proferida no PAF nº 10665.000194/201063. Além disso, conforme comandado na Resolução acima mencionada, antes de os autos retornarem a este Colegiado, deve ser promovida a ciência do Contribuinte a respeito do conteúdo e resultado da diligência fiscal ora requestada, sendolhe concedido o prazo normativo para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo.” Em 03/02/2015, cumprida a diligência fiscal com a juntada aos autos de documentação, fls. 680/1.173 e ciência ao contribuinte – que não se manifestou , os autos retornaram ao CARF para julgamento do recurso voluntário, restando o acórdão 2401004.078, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, de 15/02/2016, com o seguinte resultado: "ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para: i) reconhecer a decadência das obrigações tributárias Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 15375.005027/200954 Acórdão n.º 9202005.726 CSRFT2 Fl. 4 5 decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/1999, em razão da decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN; ii) que o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada seja recalculado, tomandose em consideração os eventuais efeitos irradiados da reapropriação das GPS cod. 2607, conforme Decisão proferida no julgamento da NFLD nº 35.758.3833, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063, assim como as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB 14/2009.” O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/07/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV, DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Encontrase extinta pela Decadência parte das obrigações tributárias apuradas pela Fiscalização. OBRIGAÇÕES ACESSóRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA.AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido qualquer fato gerador de obrigação tributária principal, ou este, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida a obrigação principal decorrente, tais fatos não são suficientes para afastar a Fl. 1280DF CARF MF 6 observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. MULTA DE MORA. PENALIDADE PECUNIÁRIA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ABSORÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A inflição de multa de mora decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal aviada em lançamento de ofício não impede a lavratura, em uma mesma ação fiscal, de Autos de Infração de Obrigação Acessória, quantos que sejam, desde que estes tenham por fundamento infrações tributárias de obrigações acessórias de natureza distinta, com Códigos de Fundamentação Legal diversos. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A “Relação de CoResponsáveis CORESP” anexa ao auto de infração previdenciário lavrado unicamente em face da pessoa jurídica não atribui responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas, nem comporta discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 24/03/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/04/2016, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 13/05/2016. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2401004.078, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 08/06/2016, o contribuinte apresentou em 23/06/2016, portanto, tempestivamente, suas contrarrazões. Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 15375.005027/200954 Acórdão n.º 9202005.726 CSRFT2 Fl. 5 7 Em suas contrarrazões, o contribuinte diz que em uma análise mais detida do Recurso Especial da Fazenda Nacional, verificase que não há similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, pois nesse último discutese a aplicação de multa por descumprimento cumulativo de obrigação principal e acessória, lavrado no mesmo auto de infração, onde é cabível a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/91; enquanto que o presente caso gira, tão só, em torno do descumprimento da obrigação acessória, uma vez que a obrigação principal está em discussão na esfera judicial na Vara Única da Comarca de Abaeté, processo 002.06.0115702 e que, portanto, não é objeto de discussão nesta esfera administrativa. Cita trecho do acórdão recorrido em que justifica a não aplicação do art. 35A da MP 449/2008 aos casos de descumprimento de obrigação acessória, como também o art. 44 da Lei nº 9.430/96; além de trazer várias jurisprudências que, quanto à aplicação do art. 106, II, “c” do CTN, em casos similares aos presentes autos, vem declinando o seu posicionamento, reconhecendo a aplicabilidade do art. 32A da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 1282DF CARF MF 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 1222. Contudo, considerando a argumentação pela ausência de similitude fática, convém analisar um pouco melhor a questão. Do conhecimento O acórdão recorrido referese a Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA lavrado em decorrência de infringência ao art. 32, IV e §5° da Lei nº 8212/91 c/c o artigo 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em razão de ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/1999 a 04/2005. Notese que o próprio sujeito passivo descreve em sua impugnação o entendimento de que além do AIOA ora lavrado pela omissão de fatos geradores em GFIP, fora também autuado pela suposto não recolhimento de contribuições previdenciárias obrigações principais, senão vejamos: Ou seja, embora lavrados em processos distintos, o presente AIOA possui conexão direta com o de obrigação principal. Dessa forma, assim, decidiu o colegiado a quo sobre a aplicação da multa: (...) que o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada seja recalculado, tomandose em consideração os eventuais efeitos irradiados da reapropriação das GPS cod. 2607, conforme Decisão proferida no julgamento da NFLD nº 35.758.3833, nos Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 15375.005027/200954 Acórdão n.º 9202005.726 CSRFT2 Fl. 6 9 autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063, assim como as disposições inscritas no art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB 14/2009. No caso, entenderam os julgadores pela aplicação da multa de forma diversa da tese pretendida pelo recorrente. NO caso, determinaram o recálculo da multa nos moldes do art. 32A, multa introduzida pela MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, porém desconsiderando a correlação direta entre a obrigação principal e acessória, senão vejamos: Dessarte, o fato de a empresa ter sido acoimada, numa mesma ação fiscal, com multa de mora pelo descumprimento de obrigação tributária principal não impede que ela seja igualmente castigada, nos termos da lei, pelo descumprimento de uma ou mais obrigações tributárias acessórias, sem que tal multiplicidade de autuações represente bis in idem. Deuse, portanto, a lavratura de apenas um auto de infração para cada tipo de infração cometida pelo Recorrente, a saber: a) A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias sujeitou o Recorrente à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo quarto do art. 32 da Lei nº 8.212/91, conforme estatuído no §5º deste mesmo Dispositivo Legal, apurado mediante o Auto de Infração nº 35.758.3625 CFL 68. b) A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias sujeitou o Recorrente à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92 da Lei de Custeio da Seguridade Social, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no parágrafo quarto do art. 32 da Lei nº 8.212/91, conforme estatuído no §5º deste mesmo Dispositivo Legal, apurado mediante o Auto de Infração nº 35.758.3841 CFL 69. Não procede a alegação de “Limitação por competência do valor da multa”. A limitação estatuída na lei é por cada multa, em cada competência. Dessarte, ao ser aplicada a multa prevista no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, o valor desta penalidade será limitada, em cada competência, aos valores previstos no §4º do mesmo dispositivo legal. Da mesma forma, ao ser aplicada a multa prevista no §6º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, o valor desta penalidade será Fl. 1284DF CARF MF 10 limitada, também, em cada competência, aos valores previstos no §4º do aludido dispositivo legal. Sendo a inflição da penalidade prevista no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 totalmente distinta, independente e autônoma em relação àquela prevista no §6º do citado artigo de lei, os limites de que tratam os §§ 5º e 6º acima mencionados incidem indistintamente no cálculo de cada uma das multas, eis que previstos taxativamente na memória de cálculo de cada infração estabelecida na lei. Já no recurso especial da Procuradoria, buscase a análise conjunta das multas aplicadas, sempre que existir AIOA fundamentação 68, bem como AI de obrigações principais. Vejase que no primeiro paradigma apresentado: (Acórdão nº 9202003.846 Processo nº 10860.720741/201103), foram lavrados AIOP e AIOA, constando na folha 96, o mesmo AIOA AI 68. ora sob análise. A única diferença é que lá todos os autos constaram de um mesmo processo e no presente caso, a fiscalização formalizou o lançamento em processos distintos. identificamos situação similar tbm no Acórdão nº 9202003.848 (Processo nº 10510.721876/201158), onde apenas ocorreu a formalização em um mesmo processo de várias autos de infração de obrigação acessória e principal, conforme podemos identificar às fls. 74, onde encontrase descrito o AI 68. Dessa forma, ao contrário do argumentado pelo sujeito passivo, o recurso da procuradoria visa demonstrar que o acórdão recorrido aplicou a tese da retroatividade de forma isolada, sem considerar a natureza da multa aplicada, determinando o cálculo de acordo com a nova sistemárica do art. 35 enquanto os acórdãos paradigmas entendem pela aplicação da tese a retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ou seja, segundo a tese prevista na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 não há como aplicar as teses isoladamente, como proposto no acórdão recorrido, mas sua análise, para apuração da norma mais benéfica, presume o somatório das multas decorrentes de obrigação principal e acessória (pela não informação em GFIP) em confronto com o novo dispositivo do art. 35_A. Dessa forma, entendo que existe similitude fática e conseqüentemente interpretações distintas, o que enseja o cumprimento dos pressupostos para conhecimento o Resp. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Primeiramente, convém lembrar que o recurso especial ora sob análise é de autoria da Fazenda Nacional, o que impede a este colegiado, sejam apreciadas questões de mérito trazidas pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões que ultrapassem a matéria objeto do recurso. Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido, restabelecendo a multa lançada, entendo que razão assiste ao recorrente. Vejamos o decisum que determinou o recálculo da multa: (...) ii) que o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada seja recalculado, tomandose em consideração os eventuais efeitos irradiados da reapropriação das GPS cod. 2607, conforme Decisão proferida no julgamento da NFLD nº 35.758.3833, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063, assim como as disposições inscritas no Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 15375.005027/200954 Acórdão n.º 9202005.726 CSRFT2 Fl. 7 11 art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que negavam provimento ao Recurso Voluntário por entenderem correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB 14/2009.Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, Fl. 1286DF CARF MF 12 mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 15375.005027/200954 Acórdão n.º 9202005.726 CSRFT2 Fl. 8 13 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 1288DF CARF MF 14 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 15375.005027/200954 Acórdão n.º 9202005.726 CSRFT2 Fl. 9 15 Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1290DF CARF MF 16 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 15375.005027/200954 Acórdão n.º 9202005.726 CSRFT2 Fl. 10 17 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, considerando que o lançamento e o julgamento da impugnação foram realizados em período anterior a MP 449/08, convertida na Lei 11.941/1009. Por fim, apenas para esclarecimento à Unidade Preparadora, o lançamento em questão não se refere a contribuição de 15% pela contratação de cooperativas de trabalho, o que foi alvo de declaração de inconstitucionalidade por parte do Supremo Tribunal Federal STF analisando o recurso extraordinário (re) 595838, com repercussão geral reconhecida, mas sim a multa pela ausência de informações em GFIP sobre fatos geradores devidos pela cooperativa de trabalho em relação a contratações diretas, o que a coloca na situação de equiparada a "empresa". Senão vejamos termos do relatório fiscal: Porém, mostrase igualmente relevante destacar que a multa ora lançada tem estreita ligação com o processo nº10665.000194/201063, DEBCAD nº 35.758.3833, referente a obrigação principal, sendo que, assim como descrito na parte dispositiva, a multa deve ser recalculada observando os termos decididos na obrigação principal. Senão vejamos: Outrossim, o valor da penalidade pecuniária a ser aplicada deve ser recalculado, tomandose em consideração os eventuais efeitos irradiados da reapropriação das GPS cod. 2607, conforme Decisão proferida no julgamento da NFLD nº 35.758.3833, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 10665.000194/201063, assim como as disposições inscritas no Fl. 1292DF CARF MF 18 art. 32A, inciso I e §3º, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se e somente se o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000368/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA
A questão da decadência da autuação já está resolvida em sede de Recurso Especial, nos Acórdãos 9202-003.181 e 9202-003.752, da CSRF.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Suspende a exigibilidade do crédito tributário a interposição de regular recurso administrativo, nos termos das normas processuais, conforme artigo 151, do CTN. A interposição deste recurso suspendeu a exigibilidade dos créditos lançados no Auto de Infração encartado neste processo. A função de providenciar a suspensão/reativação é da Unidade preparadora.
PROCESSO ADMINISTRATIVO COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO.
Não está em curso discussão administrativa a obstar ou suspender decisão aqui tomada. Ademais, no outro processo, o contribuinte teve seu pleito de restituição/compensação indeferido em todas as instâncias administrativas, sendo os débitos encaminhados para inscrição em dívida ativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-004.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Suspende a exigibilidade do crédito tributário a interposição de regular recurso administrativo, nos termos das normas processuais, conforme artigo 151, do CTN. A interposição deste recurso suspendeu a exigibilidade dos créditos lançados no Auto de Infração encartado neste processo. A função de providenciar a suspensão/reativação é da Unidade preparadora. PROCESSO ADMINISTRATIVO COM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. Não está em curso discussão administrativa a obstar ou suspender decisão aqui tomada. Ademais, no outro processo, o contribuinte teve seu pleito de restituição/compensação indeferido em todas as instâncias administrativas, sendo os débitos encaminhados para inscrição em dívida ativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 03 68 /2 00 7- 81 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 2202004.010 S2C2T2 Fl. 236 2 (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado em 16/02/2007 Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda retido na Fonte (fl. 28 e ss.), no valor de R$ 151.929,65, acrescido de multa proporcional de 75% e mais juros de mora calculados pela Taxa Selic, no total de R$ 395.320,94. O contribuinte foi cientificado da autuação em 01/03/2007, conforme aviso de recebimento na fl. 34. No Termo de Constatação de fl. 23, assim descreve a Autoridade Fiscal: O contribuinte apresentou Pedido de Compensação juntado ao presente processo, indicando o processo administrativo No. 10880.005252/200118, no qual buscou a utilização de crédito oriundo de imposto retido na fonte em decorrência de rendimentos recebidos a título de juros sobre o capital próprio para compensação de tributos relativos a IRRF de titularidade do contribuinte. Despacho encaminhado a esta DEFIC através do processo administrativo fiscal No. 10880.721377/200695 requereu a constituição de crédito tributário relativo aos tributos informados pelo contribuinte no Pedido de Compensação mencionado tendo em vista que tais valores não foram confessados em DCTF. Verificando os débitos do contribuinte controlados pelos sistemas de cobrança da Receita Federal, constatase que os códigos de receita e períodos constantes do Pedido de Compensação aqui tratado de fato não foram confessados, devendo ser lançados de ofício, conforme abaixo indicado. (...) (sublinhei) Inconformado o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fl. 37), que foi assim tratada, em resumo, pela DRJ em São Paulo I (fl. 137 e ss.) : 1 NULIDADE dado o fato da impugnante referirse na peça contestatória à nulidade do Auto de Infração, que a questão suscitada não se encontra entre as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72 (PAF); demonstrado que o Auto de Infração encontrase regularmente constituído, rejeitase a preliminar arguida. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 2202004.010 S2C2T2 Fl. 237 3 2 DECADÊNCIA o lançamento reportase ao IRRF relativo à primeira semana de janeiro de 2002(fato gerador em 05/01/02); assim o início do prazo qüinqüenal deu se em 1701/03, operandose então a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento em 31/12/07. Portanto, tendo em vista que a ciência dos Autos foi em 1703/07, há que se reconhecer a legalidade do lançamento. 3 MÉRITO Quanto à matéria tributável propriamente dita, cumpre dizer que os valores dos débitos constantes dos pedidos de compensação entregues à SRF anteriormente a 31/10/03, data da publicação da MP n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não se constituem em confissão de dívida, sendo, portanto, passíveis de lançamento de ofício para o fim de resguardar o direito da Fazenda Nacional, uma vez que as compensações pretendidas malograram na esfera administrativa de 1ª instância. 4 DCTF RETIFICADORA eventual regularização dos débitos por inclusão em DCTF retificadora não tem o condão de cancelar o Auto de Infração por não retroagir seus efeitos à data da lavratura do Auto, por absoluta falta de previsão legal. Cientificado dessa decisão pessoalmente em 05/09/2007 (fl. 147), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/09/2007 (fl. 148). Em sede de recurso, em suma, defende que: a) houve decadência do direito do Fisco lançar o tributo; b) suspensão da exigibilidade do crédito tributário, mencionando "outro recurso", tratado nos autos do processo 10880.005252/200118, que trata de pedido de compensação. Esta Turma julgadora, em composição anterior, manifestouse no Acórdão 220200.372, de 03 de fevereiro de 2010, entendendo, em suma, que deveria: "acolher a argüição de decadência, suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional...". A PGFN interpôs Recurso Especial (fl. 162), questionando a aplicação da regra para contagem do prazo decadencial. O recurso foi admitido (fl. 173), o contribuinte ofereceu contrarazões (fl. 181). Em sede de contrarazões, fala em nulidade do auto de infração "por falta de motivação e finalidade"; decadência; extinção da multa e juros; suspensão da exigibilidade do crédito; retificação de DCTF em 13/03/2007. O Acórdão 9202003.181, de 08 de maio de 2014, da 2ª Turma da CSRF, entendeu que tinha razão a PGFN, "para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos alugueis e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital". Entretanto, o dispositivo desse acórdão conteve uma impropriedade, falando em "dar provimento parcial ao recurso", o que motivou a oposição de embargos de declaração pela Delegacia da Receita Federal competente (fl. 217), que foram admitidos em despacho de fls. 219/20. Assim, foi proferido no Acórdão 9202003.752, de 29 de janeiro de 2016, que, corrigindo o acórdão embargado, disse que: Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 2202004.010 S2C2T2 Fl. 238 4 "para rerratificar o Acórdão no 920203.181, de 8 de maio de 2014, retificandose o resultado de julgamento, para dar provimento ao recurso, para aplicar a regra do 173, I, do CTN, aos alugueis e royalties pagos a Pessoa Física e aos juros pagos ou creditados sobre o capital, retornandose o processo à autoridade julgadora a quo, para fins de manifestação acerca das demais matérias constantes do Recurso Voluntário." Observo, na parte final do dispositivo, que o ordem é para "manifestação acerca das demais matérias constantes do Recurso Voluntário" É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquela existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (arquivo .pdf). NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA O recorrente pede a nulidade do autuação porque o referido Auto de Infração não possuiria finalidade ou motivação, porém em sede de contrarazões ao recurso Especial da Fazenda Nacional, matéria essa que não fora mencionada em seu Recurso Voluntário. Aqui não cabe julgar suas contrarazões, mas seu recurso voluntário e entendo indevida manifestação sobre tais argumentações. DECADÊNCIA A questão da decadência da autuação já está resolvida em sede de Recurso Especial, nos Acórdãos 9202003.181 e 9202003.752, aqui relatados. Enfim, não houve decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CT Suspende a exigibilidade do crédito tributário a interposição de regular recurso administrativo, nos termos das normas processuais, conforme artigo 151, do CTN. A interposição deste recurso suspendeu a exigibilidade dos créditos lançados no Auto de Infração encartado neste processo. A função de providenciar a suspensão é da Unidade preparadora. PROCESSO 10880.005252/200118 Sobre o processo em epígrafe, mencionado no recurso, disse a DERAT/SP: Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 2202004.010 S2C2T2 Fl. 239 5 Além disso, não há possibilidade de esta "ínclita repartição" proceder a uma "auditagem" de possíveis créditos tributários disponíveis, como solicita a interessada às fls. 02, com as informações constantes nos autos do presente processo, onde não são demonstrados quais os motivos para se admitir que teriam sido recolhidos valores indevidamente; qual a real base de cálculo dos tributos e contribuições; se teria havido erro na aplicação da alíquota e outros elementos que pudessem justificar a solicitação. Isto posto, proponho o INDEFERIMENTO do pleito. (...) No uso da competência delegada pela Portaria DERAT/SP nO 54 de 10.10.2001, INDEFIRO o pedido de restituição de fls. 01 e, conseqüentemente, NÃO HOMOLOGO as compensações declaradas. A contribuinte apresentou impugnação contra essa decisão. A DRJ em São Paulo, em despacho saneador, entendeu que: ... proponho que o processo retome à DERAT/DIORT/ECRER, de maneira que seja saneada sua numeração de páginas, conforme destacado no item 3 acima, assim como sejam adotadas as providências mencionadas no item 8, notadamente quanto à instrução processual, bem como quanto à adoção das medidas necessárias para a constituição de créditos tributários, de forma a salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional. Após a adoção de tais providências, o processo deverá retornar a esta DRJ/SPOI, para apreciação da manifestação de inconformidade interposta pelo interessado. A DRF manifestouse: Tendo em vista o despacho da DRJ fls. 442 a 444, efetuamos os seguintes procedimentos: • Verificamos todos os débitos constantes nas Declarações de Compensação e • confrontamos com as respectivas DCTFs, conforme fls. 456 a 506. Ressaltamos que os débitos referentes aos períodos de 1998 e 1999 (fls. 456 a 458) estão controlados através do Conta Corrente PJ (CONTACORPJ). • Adicionalmente constatamos que os débitos referentes à Declaração de Compensação de fl. 412 não estão declarados em DCTF, conforme fls. 504 e 505. Desta forma, transferimos estes débitos (fl. 508) para a representação no 10880.721.377/2006 95 a qual encaminhamos a DEFIC para lançamento de ofício. Destaco que esse processo 10880.721377/200695 (representação para constituição de ofício de créditos tributários cujo pedido de compensação foi reputado indevido) foi juntado por apensação ao processo 19515.000368/200781, que é este que está aqui em julgamento, conforme termo que consta da folha 153. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 2202004.010 S2C2T2 Fl. 240 6 Bem, voltando ao processo 10880.005252/200118, a DRJ em São Paulo decidiu por INDEFERIR a solicitação da contribuinte, nos termos do relatório e voto que fazem parte do julgado (Acórdão 1613.792 7a Turma da DRJ/SPOI, de 14 de junho de 2007). O contribuinte interpôs recurso voluntário que foi enviado ao CARF, que manifestouse no Acórdão 130100.060, de 13 de maio de 2009, concluindo que: ACORDAM os membros da 3a câmara la turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.(...) Os débitos em discussão naquele processo foram encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União, conforme demonstrativo que consta da folha 579, daqueles autos, em 06/08/2010. O Termo de Inscrição em Dívida Ativa foi lavrado em 06/10/2010. Assim, não se vislumbra que haja discussão administrativa naqueles autos a obstar ou "suspender" decisão aqui tomada. Ademais, conforme aqui relatado, o contribuinte teve seu pleito de "restituição/compensação" indeferido em todas as instâncias administrativas, no devido processo. Enfim, o contribuinte pediu compensação de débitos, conforme folha 06. Nesse pedido, listou três débitos relativos ao IRRF que, verificou a DRF competente, não haviam sido declarados ao Fisco. Não havendo declaração, o Fisco, para garantir seu direito em relação a esses débitos, especificamente, procedeu ao lançamento de ofício, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002: Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. Já havia assentado a DRJ que quanto aos valores dos débitos constantes dos pedidos de compensação entregues à SRF anteriormente a 31/10/03, data da publicação da MP n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não se constituem em confissão de dívida, sendo, portanto, passíveis de lançamento de ofício para o fim de resguardar o direito da Fazenda Nacional, uma vez que as compensações pretendidas malograram na esfera administrativa. O contribuinte, aliás, não nega a existência desses débitos, uma vez que os incluiu em seu pedido de compensação, nem que de fato não foram confessados em DCTF, uma vez que uma de suas alegações, no curso deste processo administrativo, vejase a Impugnação (fl. 51), é que seja considerada uma "retificação de DCTF", apresentada em 13/03/2007, conforme cópia na fl. 88. A isso, citese a Súmula CARF nº 33: Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19515.000368/200781 Acórdão n.º 2202004.010 S2C2T2 Fl. 241 7 Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Lembro que o contribuinte foi cientificado deste Auto de Infração em 01/03/2007. CONCLUSÃO Assim, considerando a decisão da Câmara Superior deste CARF que entendeu pela inocorrência de decadência, e as demais alegações do recorrente, aqui tratadas VOTO no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 241DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.000114/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2006
CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04.
JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO.
Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo.
Numero da decisão: 3302-004.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Lenisa R. Prado, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus, que davam provimento para exclusão dos juros Selic sobre a multa de ofício. A Conselheira Lenisa R. Prado votou pelas conclusões por entender possível a apresentação extemporânea de provas.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2006 CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A aplicação da multa de ofício no percentual de setenta e cinco por cento na constituição de crédito tributário de IPI é legítima e possui previsão legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, conforme enunciado da Súmula CARF nº 04. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 14 /2 01 0- 12 Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.848 2 JUROS DE MORA SELIC INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO VINCULADA A TRIBUTO. CABIMENTO. Incidem juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício lançada, vinculada ao tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Lenisa R. Prado, Sarah Maria L. de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus, que davam provimento para exclusão dos juros Selic sobre a multa de ofício. A Conselheira Lenisa R. Prado votou pelas conclusões por entender possível a apresentação extemporânea de provas. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de retorno de diligência requisitada mediante a Resolução 3302 000.296. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese parte do relatório da referida diligência: "Tratase de recurso voluntário (fls. 1323 a 1370) apresentado em 25 de maio de 2011 contra o Acórdão no 1627.477, de 29 de outubro de 2010, da 9ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 874 a 893), cientificado em 26 de abril de 2011, que, relativamente a auto de infração de CIDE Remessa ao Exterior dos períodos de janeiro a dezembro de 2006, considerou a impugnação improcedente, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos dispostos no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72, ademais, não havendo ocorrência do previsto no art. 59 de mesmo diploma legal, não há que falarse em cancelamento ou anulação de Auto de Infração. FASE LITIGIOSA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS Na fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o momento processual para apresentação Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.849 3 de provas é o definido pelo disposto no art. 15 do Decreto n.º 70.235/72 e alterações posteriores, observandose, também, o disposto nos parágrafo 4º, 5º e 6º de seu art. 16. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIAS. PRESCINDIBILIDADE A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção da Autoridade Julgadora e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando, quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. É prescindível a perícia quando presentes, nos autos, os elementos necessários e suficientes à formação da convicção da Autoridade Julgadora para proferir sua decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. As matérias já suscitadas perante o Poder Judiciário não podem ser apreciadas na via administrativa. LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de ação judicial ou de depósito judicial, mesmo que integral, cuja consequência é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário por motivo de falta de pagamento e respectivo percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. LEGALIDADE Nos termos da Lei n.º 9.430/96, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumulada mensalmente. Impugnação Improcecente O auto de infração foi lavrado em 14 de junho de 2010, de acordo com o termo de fls. 234 a 244. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Cuida o presente processo da lavratura – contra o sujeito passivo em epígrafe do Auto de Infração às fls. 245 a 248, cuja ciência ocorreu em 14/6/2010 (fl. 255), sendo constituído o crédito tributário no valor total de R$5.470.397,55, incluindo contribuição, juros de mora (calculados até 31/5/2010) e multa de ofício, relativamente à contribuição de intervenção no domínio econômico – remessas ao exterior (CIDE), código Receita 9303 (CIDE – REMESSA EXTERIOR – LEI 10332/01 – LANÇAMENTO DE OFÍCIO), cujos fatos geradores se referem Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.850 4 a 31/1 a 30/6, 31/8 a 31/12/2006; sendo que a descrição dos fatos e enquadramento legal constam às fls. 247, 248, 252, bem como às fls. 234 a 244 que são havidos por documentos anexos (fls. 248, 254 e 255). 2. Consta às fls. 234 a 244 o Termo de Verificação Fiscal – CIDE, lavrado pela Autoridade Autuante, cuja ciência se deu em 14/6/2010 (fls. 254 e 255), em que são aduzidos os procedimentos fiscais adotados. 3. Irresignado com o lançamento, em 13/7/2010 (fl. 258), apresentou peça impugnativa às fls. 258 a 299 o contribuinte (doravante denominado (empresa) impugnante), acompanhada dos documentos às fls. 300 a 820 – consoante o que dispõe à fl. 823 –, juntados aos autos nos termos constantes à fl. 823, por meio da qual, em síntese, assim se manifesta, valendose de jurisprudência e doutrina pátrias, ipsis verbis: a) consiste seu objeto social a prestação de serviços na área de informática, especialmente a distribuição e sublicenciamento de softwares (item 3 de sua impugnação); b) o software licenciado à impugnante é desenvolvido por empresa alemã – SAP AG – que é a única empresa que detém a tecnologia para seu desenvolvimento que não é transferida ao Brasil nem a ente licenciado (itens 4 e 5); c) celebrou a impugnante contratos de prestação de serviços com a empresa SAP AG e suas subsidiárias mundo afora e que a exigibilidade da CIDE que incide sobre os pagamentos deles decorrentes é discutida no mandado de segurança n.º 2004.61.00.0208390 (itens 6, 7 e 8); d) entende a impugnante que não deva ser exigida CIDE sobre os pagamentos realizados por conta do cumprimento dos referidos contratos, motivo pelo qual passou a recolher, relativamente a tais pagamentos, o imposto de renda retido na fonte (IRRF) à alíquota de 25% ex vi alínea “a” do inciso II do art. 685 do Decreto n.º 3.000/99 (item 12); e) após ter sido proferida sentença favorável nos autos do mandado de segurança n.º 002321164.2009.403.6100, foram realizados depósitos judiciais de CIDE à alíquota de 10%, sobre os pagamentos vincendos, com recolhimento de IRRF à alíquota de 15% (item 15); f) impetrou a impugnante ação de mandado de segurança de n.º 000759697.2010.403.6100, para, dentre outros, afastar a aplicação de penalidades relativas à exigência de CIDE incidente sobre pagamentos ao exterior realizados desde 1º/01/2005 até o átimo da realização de depósitos judiciais no mandado de segurança n.º 002321164.2009.403.6100 (item 17); g) afirma que, no presente caso, não ocorreria hipótese de incidência de CIDE relativa a transmissão de conhecimentos tecnológicos; nem que os serviços prestados por conta dos Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.851 5 contratos celebrados com a empresa SAP AG e suas subsidiárias mundo afora se confundiriam com serviços técnicos e de assistência técnica, tampouco com serviços de assistência administrativa e semelhantes, previstos no parágrafo 2º do art. 2º da Lei n.º10.168/2000 (itens 21 a 52); h) alega que a exação em tela não poderia ser considerada contribuição de intervenção no domínio econômico, em razão da ausência de benefício específico – a alcançar toda a sociedade – que seria a contraprestação específica aos sujeitos passivos ou à suas respectivas áreas; careceria de benefício específico e de proporcionalidade a exigência da CIDE das empresas signatárias dos referidos contratos; tratarseia, pois, de um possível imposto (itens 53 a 61 e 70); i) afirma que a Lei n.º 10.680/2000 não seria o veículo normativo válido para instituir e regular a exigência da CIDE, pois a Constituição Federal de 1988 (CF/88) exige que as contribuições previstas em seu art. 149 sejam instituídas por meio de lei complementar (itens 62 a 67); j) assevera que a contribuição teria fato gerador e base de cálculo idênticos ao do IRRF, motivo pelo qual feriria a vedação de bis in idem (itens 73 a 76); k) alega que a base de cálculo da CIDE conflita como o disposto no inciso III do parágrafo 2º do art. 149 da CF/88, introduzido pela Emenda Constitucional (EC) n.º 33/2001 (itens 77 a 80); l) acusa que a CIDE, que teria natureza jurídica de imposto, afrontaria o inciso IV do art. 167 da CF/88 que proíbe a vinculação de receita de imposto a fundo, órgão ou despesa (itens 81 a 83); m) alega que a exigência de CIDE violaria o art. XVII do Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços do qual o País é signatário (itens 84 a 93); n) afirma que o objeto de autuação do presente processo já se encontraria em discussão perante o Poder Judiciário e que as decisões proferidas nos respectivos autos deveriam ser observadas e prevaleceriam sobre quaisquer decisões que vierem a ser proferidas nas instâncias administrativas, motivo pelo qual pede o cancelamento do Auto de Infração (itens 94 a 111); o) prega que a multa de ofício de 75% seria excessiva, a configurar situação abusiva, extorsiva, expropriatória, confiscatória, de forma que deveria ser reduzida a um percentual razoável (itens 112 a 116); p) pede, no que toca à incidência de juros, que seja afastada a aplicação da taxa referencial SELIC (itens 119 a 124); q) protesta pela produção de todas e quaisquer provas em direito admitidas (item 125); Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.852 6 r) finalmente, pede a impugnante a realização de diligências e perícias necessárias para a comprovação dos fatos e direitos alegados (item 125). 4. O presente processo foi encaminhado a esta Delegacia, nos termos do despacho exarado à fl. 823. No recurso, alegou inicialmente o seguinte: 15. Após o deferimento parcial do pedido liminar, com a autorização para realização de depósitos judiciais e o regular processamento do referido Mandado de Segurança, em 22.3.2010 foi disponibilizada a r. sentença (doc. n° 13 da impugnação) por meio da qual foi denegada a segurança inicialmente pleiteada. Em síntese, o entendimento expresso na r. sentença é no sentido de que apenas uma dentre as hipóteses de incidência da CIDE previstas na Lei n° 10.168/00 apresenta a transferência de tecnologia como aspecto material indispensável à incidência da referida contribuição, e que a hipótese tratada naqueles autos não estaria sujeita a tal tratamento legal. 16. Assim, em face do teor da mencionada sentença, a Recorrente passou a realizar nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100 os depósitos judiciais de CIDE, à alíquota de 10%, sobre os pagamentos vincendos relativos aos contratos em discussão, de modo a suspender a sua exigibilidade e evitar a imposição de penalidades (doe. n° 14 da impugnação). Da mesma poderia implicar risco de a Recorrente vir a ser futuramente autuada e demandada pela autoridades fiscais em razão da consequente redução da alíquota de 25% para 15% na retenção do IRF incidente sobre as mesmas remessas que a Recorrente passou a adotar a partir da realização de referidos depósitos judiciais a título de CIDE.. 17. Ademais, a Recorrente também estava diante do iminente risco de ser autuada e demandada pelas autoridades fiscais para realizar o pagamento da CIDE à alíquota de 10% supostamente incidente sobre as remessas efetuadas no passado ao exterior, o que a colocaria diante da excessiva e ilegal carga tributária de 35% sobre a remuneração dos serviços mencionados acima. 18. Dessa forma, para afastar tais riscos, a Recorrente impetrou, em 5.4.2010, o Mandado de Segurança que foi distribuído à 22a Vara Federal de São Paulo/SP sob o n° 000759697.2010.403.6100 (doc. n° 15 da impugnação), para o fim de que fosse determinado em sede de liminar: (i) que as autoridades fiscais se abstenham de impor à Recorrente quaisquer penalidades relativas à cobrança da CIDE sobre as remessas efetuadas pela Recorrente ao exterior desde 1.1.2005 até o momento em que iniciou a realização de depósitos judiciais no Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100, posto que a carga tributária máxima (25%) sobre os pagamentos decorrentes dos contratos foi recolhida à União Federal (IRF à alíquota de 25%) e, por outro lado, caso a Autoridade Administrativa constitua o crédito Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.853 7 tributário relativo à CIDE, que o faça sem a imposição de penalidade tendo em vista o recolhimento máximo da carga tributária sobre os fatos em questão; bem como (ii) a suspensão da exigibilidade da diferença entre as alíquotas de 15% (que então passou a ser aplicada pela Recorrente nas retenções subsequentes de IRF) e 25% de IRF sobre as futuras remessas ao exterior para pagamento dos serviços objeto dos referidos contratos, até a prolação de decisão final a respeito da exigibilidade da CIDE sobre tais serviços nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100. 19. A Recorrente também requereu em sua inicial que, após a apreciação do pedido liminar relatado acima, (i) seja o Mandado de Segurança n° 00075969, "1010.403.6100 suspenso até o julgamento final do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100, nos termos do artigo 265, IV, "a", do CPC, (ii) bem como a concessão integral da segurança para que, na hipótese de ser reconhecida nos autos do Mandado de Segurança n° 002321164.2009.403.6100 a exigibilidade da CIDE sobre os pagamentos realizados ao exterior relativos aos referidos contratos de prestação de serviços, seja expedida ordem judicial determinandose às autoridades administrativas competentes a retificação dos DARFs relativos aos recolhimentos de IRF à alíquota de 25% — realizados antes da propositura do Mandado de Segurança n° 000759697.2010.403.6100 — para que reste consignado que dos 25% recolhidos sob a rubrica de IRF, 10% sejam reconhecidos como tendo sido recolhidos a título de CIDE e os restantes 15% a título de IRF. 20. Regularmente processado o feito, foi deferida a medida liminar pleiteada pela ora Recorrente (doe. n° 16 da impugnação). Posteriormente foi prolatada sentença (doc. n° 3) que assegurou à Recorrente o direito de recolher o imposto de renda na fonte incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%, enquanto estiver efetuando o depósito judicial da CIDE à alíquota de 10%, nos autos do Mandado de Segurança n° 2009.61.00.0232110 (002321164.2009.403.6100) e, enquanto estiver aguardando o que restar decidido nos autos deste último mandado de segurança. Contra referida sentença a União Federal apresentou recurso de apelação, que atualmente aguarda julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região. 21. Prestados estes esclarecimentos — que ratificam a absoluta improcedência da autuação ora combatida, conforme se verá adiante a Recorrente passa a demonstrar os motivos de fato e de direito que determinam o cancelamento da exigência fiscal ora em questão, com o consequente arquivamento do presente processo administrativo. A seguir, tratou da inaplicabilidade da Cide ao caso concreto, da improcedência da multa e dos juros de mora aplicados. Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.854 8 Na sessão de 23/04/2013, o julgamento foi convertido em diligência pela Resolução nº 3302000.296, para que se verificasse a existência de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996, e a integralidade dos depósitos efetuados. Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal concluiu que: "Para os valores lavrados no auto de infração não foram encontrados depósitos e não há decisão que permita a suspensão da exigibilidade destes débitos. Entretanto, devese ressaltar que há decisão impedindo a exigência de penalidades." Cientificada da conclusão, a recorrente se manifestou alegando que o caso não se tratava de suspensão dos créditos tributários, mas de extinção dos créditos tributários lançados, uma vez que toda a carga tributária fora recolhida mediante a alíquota de 25% de IRRF no ano de 2006, pois em relação aos pagamentos realizados ao exterior para as empresas SAP México S.A. de CV, SAP Agencia em Chile, SAP Argentina S.A., SAP Andina y Del Caribe, CA en Colombia, SAP Deutschland AG &Co. KG, SAP International Inc. e SAP America, Inc., a recorrente impetrou Mandado de Segurança nº 2009.61.00.0232110 e continuou a recolher o IRRF à alíquota de 25% até 22/03/2010, quando em razão de sentença desfavorável naqueles autos, passou a depositar judicialmente do valores de CIDE a 10%, reduzindo o recolhimento de IRRF para 15%. E, seguidamente, impetrou o Mandado de Segurança nº 0007596 97.2010.403.6100, cuja sentença obtida determinara "o direito de recolher o Imposto de Renda na fonte incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%, enquanto estiver efetuando nos autos do Mandado de Segurança n° 2009.61.00.0232110 o depósito judicial da CIDE, à alíquota de 10% sobre os valores dos contratos, bem como para lhe assegurar, após o trânsito em julgado daquele mandado de segurança, a regularização de seus recolhimentos a título de CIDE e IRF, mediante o procedimento de emissão de "redarf", de conformidade com o que restar decidido, ou seja: caso não tenha que recolher a CIDE, estará sujeita ao IRF de 25% previsto no artigo 685, inciso II, "a" do RIR (Dec. 3000/99). Caso tenha que recolher a CIDE de 10%, estará então sujeita ao IRF de 15%, em razão da redução prevista no artigo 2°A da Lei 10.168/2000 (artigo incluído pela Lei 10.332/2001)." Na forma regimentar, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autuação teve início em 19/08/2009 (efls. 234) e culminou na lavratura deste auto de infração, cientificado em 14/06/2010 (efls. 255), relativo à constituição de créditos tributários de CIDE referentes ao anocalendário de 2006, por entender se tratar de Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.855 9 remessas ao exterior para pagamentos de serviços especializados, nos termos do §2º do artigo 2º da Lei nº 10.168/2000: § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) Em recurso voluntário, a recorrente deduziu fundamentos de direito quanto a questões de materialidade da CIDE (itens 22 a 112), em grande parte alegações de inconstitucionalidade, bem como sobre a necessidade de se manter a carga máxima tributária em 25% (seja 15% de alíquota IRRF mais 10% de alíquota de CIDE, seja de 25% apenas de IRRF), em relação às quais reconhece a concomitância com os Mandados de Segurança nº 2009.61.00.0232110 e nº 0007596 97.2010.403.6100 (itens 97 e 104), de acordo com o abaixo transcrito: "97. Neste sentido, e a despeito da exigibilidade ou não da CIDE sobre a remuneração pelos referidos serviços que será objeto de decisão final ainda a ser proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2009.61.00.0232110 — , a Recorrente ressalta que a partir da instituição da CIDE, a alíquota do IRF incidente sobre os serviços técnicos e de assistência técnica foi reduzida para 15%, nos termos do disposto no artigo 30 da Medida Provisória n° 2.15970/200112, da mesma forma como ocorreu com os serviços de assistência administrativa e semelhantes, por força do artigo 2°A da Lei n° 10.168/00, todos transcritos abaixo: " (grifos não originais) [...] 104. Dessa forma, por qualquer ângulo que se olhe a questão, o objeto da presente autuação já se encontra em discussão perante o Poder Judiciário, e as decisões proferidas nos autos das medidas judiciais acima referidas deverão ser observadas e prevalecer sobre quaisquer decisões que vierem a ser proferidas neste processo administrativo, conforme inclusive estabelecido pelas seguintes Súmulas dos então CONSELHOS DE CONTRIBUINTES:" Destacase que a impetração do MS nº 0007596 97.2010.403.6100 visou evitar a tributação total de 35% (25% de IRRF e 10% de CIDE), conforme decisão proferida em primeira instância: "o direito de recolher o Imposto de Renda na fonte incidente sobre as remessas ao exterior à alíquota de 15%, enquanto estiver efetuando nos autos do Mandado de Segurança n° 2009.61.00.0232110 o depósito judicial da CIDE, à alíquota de 10% sobre os valores dos contratos, bem como para lhe assegurar, após o trânsito em julgado daquele mandado de Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.856 10 segurança, a regularização de seus recolhimentos a título de CIDE e IRF, mediante o procedimento de emissão de "redarf", de conformidade com o que restar decidido)." Salientase que a concomitância foi reconhecida no acórdão recorrido, o qual restringiu o julgamento aos pedidos de improcedência da multa de ofício aplicada, por seu caráter confiscatório, da taxa Selic como juros de mora e dos juros de mora sobre a multa de ofício, o que não foi contestado pela recorrente, mas, pelo contrário, reafirmado em recurso voluntário. Verificase, ainda, que, no cumprimento da diligência requisitada por este conselho, a autoridade fiscal emitiu despacho no qual afirma que os depósitos efetuados não se referem ao período objeto de autuação e que não há decisões suspendendo a exigibilidade dos créditos constituídos, mas apenas de decisão impedindo a aplicação de penalidades. Assim, a concomitância com a esfera judicial em relação às alegações de direito deduzidas nos itens 22 a 112 é matéria incontroversa e, portanto, tais alegações, novamente reproduzidas, não serão conhecidas em razão das Súmulas Carf nº 1 e 2: Súmula CARF nº 01: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Frisese que o MS nº 2009.61.00.0232110 foi impetrado em 23/10/2009 e o MS nº 0007596 97.2010.403.6100 em 05/04/2010 (efls. 262 e 1628), posteriormente ao início da ação fiscal ocorrido em 19/08/2009 e que no momento da lavratura do Auto de Infração, em 14/06/2010, havia decisão desfavorável à recorrente no MS nº 2009.61.00.0232110 (em 22/03/2010), quanto ao reconhecimento da exigibilidade de CIDE sobre os fatos geradores objeto deste lançamento, o que justificou o lançamento com multa de ofício, a teor do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996, a seguir transcrito, em razão de não ter havido suspensão da exigibilidade dos tributos exigidos antes do lançamento e de as ações terem sido propostas após o início do procedimento fiscal: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) Fl. 1856DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.857 11 Frisese que o reconhecimento da concomitância torna definitivo o lançamento em relação às matérias levadas à esfera judicial, tanto em relação à exigência da CIDE quanto em relação à eventual necessidade de retificação de Darf de IRRF, não cabendo a este conselho o conhecimento destas matérias, nem, por consequência, o reconhecimento de eventual extinção do crédito tributário, o qual caberá à unidade administrativa, na execução deste acórdão, de acordo com o conteúdo dos provimentos judiciais vigentes nos Mandados de Segurança nº 2009.61.00.0232110 e nº 0007596 97.2010.403.6100. Seguindo em sua peça recursal, item 114, a recorrente pugnou pelo cerceamento de defesa e contrariedade da decisão recorrida quanto ao indeferimento de apresentação extemporânea de provas e do pedido de diligências. Conforme exposto no acórdão atacado, as provas e razões devem ser deduzidas na impugnação, sob pena de preclusão, conforme o disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, ressalvadas as exceções previstas no §4º. Embora a jurisprudência do Carf seja, aparentemente, majoritária no sentido de se admitir o princípio da verdade material, o fato é que a aplicação deste princípio não é irrestrita, nem uniforme, de modo que há que se sopesar a aplicação do princípio da verdade material com a preclusão processual, no caso concreto. E neste caso, não há que se falar em produção extemporânea de provas, uma vez que tudo que se pretendeu discutir foi matéria de direito, a qual, alíás, se restringiu aos pedidos de improcedência da multa de ofício, da taxa Selic como juros de mora e dos juros de mora sobre a multa de ofício (a seguir tratados), em vista da concomitância reconhecida pelas partes. Concernente ao indeferimento do pedido de diligências, a DRJ fundamentou sua decisão na falta de especificação e demonstração dos motivos que justificassem o pedido. Verificase, de fato, que o pedido foi genérico, sem qualquer fundamentação e que se revelou desnecessário, ante a alegação de matérias, exclusivamente, de direito. Por fim, a recorrente reiterou os pedidos de improcedência da multa de ofício aplicada, da taxa Selic como juros de mora e dos juros de mora sobre a multa de ofício. Concernente ao caráter confiscatório da multa de ofício, reiterase a impossibilidade de conhecimento por este Conselho de argüições de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2 e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% decorre da falta de recolhimento do tributo devido, conforme as disposições do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1421 do CTN. Quanto à aplicação da taxa Selic como juros de mora, descabem maiores considerações, pois a mesma configurase legítima, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.858 12 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que tange à aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, analisa se, inicialmente, a possibilidade de incidência de juros de mora sobre multas. O artigo 161 do CTN dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta, conforme disposto no art. 139 do Código. Esta, por sua vez, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (artigos 113, §1º e 139 do CTN). Depreendese, assim, que o crédito tributário mencionado no artigo 161 do CTN abrange os tributos e as penalidades pecuniárias, sujeitandose à incidência dos juros de mora. A respeito, citase o Recurso Especial 1.129.990 PR (2009/00543162), julgado em 01/09/2009, de relatoria do Ministro Castro Meira: EMENTA TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. Fl. 1858DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.859 13 Brasília, 1º de setembro de 2009(data do julgamento). Transcrevese, ainda, excerto do voto condutor, esclarecedor da questão: “Da sistemática instituída pelo art. 113, caput e parágrafos, do Código Tributário NacionalCTN, extraise que o objetivo do legislador foi estabelecer um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias, as quais caracterizam e definem a obrigação tributária principal, de cunho essencialmente patrimonialista, que dá origem ao crédito tributário e suas conhecidas prerrogativas, como, a título de exemplo, cobrança por meio de execução distinta fundada em Certidão de Dívida AtivaCDA. A expressão "crédito tributário" é mais ampla do que o conceito de tributo, pois abrange também as penalidades decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias. Em sede doutrinária, ensina o Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria que, "havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§ 3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa, que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados aos tributos " (Código Tributário Nacional Comentado: Doutrina e Jurisprudência, Artigo por Artigo. Coord.: Vladimir Passos de Freitas. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2ª ed., 2004, p. 546). De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Rematando, confirase a lição de Bruno Fajerstajn, encampada por Leandro Paulsen (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 9ª ed., 2007, p. 1.0271.028): "A partir da redação do dispositivo, fica evidente que os tributos não podem corresponder à aplicação de sanção pela prática de ato ilícito, diferentemente da penalidade, a qual, em sua essência, representa uma sanção decorrente do descumprimento de uma obrigação. Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.860 14 A despeito das diferenças existentes entre os dois institutos, ambos são prestações pecuniárias devidas ao Estado. E no caso em estudo, as penalidades decorrem justamente do descumprimento de obrigação de recolher tributos. Diante disso, ainda que inconfundíveis, o tributo e a penalidade dele decorrente são figuras intimamente relacionadas. Ciente disso, o Código Tributário Nacional, ao definir o crédito tributário e a respectiva obrigação, incluiu nesses conceitos tanto os tributos como as penalidades.(grifos não originais) Com efeito, o art. 139 do Código Tributário Nacional define crédito tributário nos seguintes termos: 'Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta'. Já a obrigação principal é definida no art. 113 e no parágrafo 1º. Vejase: 'Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente'. Como se vê, o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis. No entanto, essa equiparação, muito útil para fins de arrecadação e administração fiscal, não identifica a natureza jurídica dos institutos. (...) O Código Tributário Nacional tratou da incidência de juros de mora em seu art. 161. Confirase: 'Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito' A redação deste dispositivo permite concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre 'crédito' não integralmente recolhido no vencimento. Ao se referir ao crédito, evidentemente, o dispositivo está tratando do crédito tributário. E conforme demonstrado no Fl. 1860DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.861 15 item anterior, o crédito tributário decorre da obrigação principal, na qual estão incluídos tanto o valor do tributo devido como a penalidade dele decorrente. (grifos não originais) Sendo assim, considerando o disposto no caput do art. 161 acima transcrito, é possível concluir que o Código Tributário Nacional autoriza a exigência de juros de mora sobre as multas" (Exigência de Juros de Mora sobre as Multas de Ofício no Âmbito da Secretaria da Receita Federal. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo, n. 132, p. 29, setembro de 2006). Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial Na mesma direção, ensina Hugo de Brito Machado2: “A denominada multa de ofício caracterizase pela inafastável necessidade de ação fiscal para que se considere devida. Assim, mesmo em face da jurisprudência que tem predominado, em se tratando de multa de ofício não se pode falar da existência de uma obrigação que a tenha como conteúdo, antes de regularmente constituído o crédito tributário. Assim, somente com a lavratura do auto de infração é que se pode considerar devida a multa de ofício. E como em face do auto de infração o contribuinte é notificado a fazer o correspondente pagamento, é a partir daí que se pode cogitar da configuração da mora, , em conseqüência, do início da incidência de juros de mora correspondentes” Inferese, de fato, que a multa de ofício é constituída na lavratura do auto de infração e vence no prazo de trinta dias para a apresentação da impugnação ao lançamento. Após este prazo, considerase devida e, portanto, sujeita a juros de mora, não fazendo sentido algum permanecer seu montante imutável ao longo do tempo até que se ultime sua extinção. Assim, o artigo 161, §1º do CTN, determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão calculados à taxa de um por cento ao mês. Destarte, ultrapassada a questão da pertinência da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, resta verificar se a taxa Selic, aqui em discussão, deve ser utilizada como os juros de mora a que se refere o artigo 161. Cabe frisar que no julgamento dos REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, acima referidos, a discussão girou em torno da isonomia entre a aplicação da Selic na repetição de indébito como na atualização dos débitos: “Forçoso esclarecer que os debates nesta Corte gravitaram em torno da aplicação da taxa SELIC em sede de repetição de indébito. Nada obstante, impõese, mutatis mutandis, a incidência da referida taxa nos cálculos dos débitos que os 2 MACHADO, Hugo de Brito. Juros de Mora sobre Multas Tributárias. RDDT 180/82, set/2010, apud PAULSEN, Leandro. Direto Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência / Leandro Paulsen. 14º ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE: 2012. Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.862 16 contribuintes tenham para com as Fazendas Municipal, Estadual e Federal. Aliás, raciocínio diverso importaria tratamento antiisonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELIC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerarseiam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias.”(REsp 879.844/MG) Assim, sob este aspecto abordado nos julgamentos dos recursos especial e extraordinário, é legítima a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício após seu vencimento, pois que eventual indébito referente à multa paga a maior que a devida, necessariamente seria corrigido pela referida taxa. Por outro lado, diversos diplomas legais trataram da Selic como juros de mora incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional. Assim, citamse: Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 84 – Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I – juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; ............................. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.(Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002) (grifei) Art. 91. O parcelamento dos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, autorizado pelo art. 11 do DecretoLei nº 352, de 17 de junho de 1968, com a redação dada pelo DecretoLei nº 623, de 11 de junho de 1969, pelo inciso II, do art. 10 do DecretoLei nº 2.049, de 01 de agosto de 1983, e pelo inciso II, do art. 11 do DecretoLei nº 2.052, de 03 de agosto de 1983, com as modificações que lhes foram introduzidas, poderá ser autorizado em até trinta prestações mensais. Parágrafo único. O débito que for objeto de parcelamento, nos termos deste artigo, será consolidado na data da concessão e terá o seguinte tratamento: a) se autorizado em até quinze prestações: a.1) o montante apurado na consolidação será dividido pelo número de prestações concedidas; a.2) o valor de cada parcela mensal, por ocasião do pagamento, será acrescido de juros equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna, calculados a partir da data do deferimento até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento Fl. 1862DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.863 17 relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado; (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) b) se autorizado em mais de quinze prestações mensais: b.1) o montante apurado na consolidação será acrescido de encargo adicional, correspondente ao número de meses que exceder a quinze, calculado à razão de dois por cento ao mês, e dividido pelo número de prestações concedidas; b.2) sobre o valor de cada prestação incidirão, ainda, os juros de que trata a alínea a.2 deste artigo.(Revogado pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Produção de efeito (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ... Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.864 18 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. ......................................... Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002: Art. 17. Fica acrescentado o seguinte parágrafo ao art. 84 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995: "Art. 84. ......................................................... § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) (grifei) ... Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. (grifei) § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. (g.n) (grifei) Destacase que o artigo 30 da Lei nº 10.522/2002, expressamente prevê a incidência dos juros de mora à taxa Selic, a partir de1º/01/1997, relativamente aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional referidos no artigo 29, cujos fatos geradores tivessem ocorridos até 31/12/1994. Já a mesma lei acrescentou ao artigo 84 da Lei nº 8.981/95, Fl. 1864DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.865 19 o §8º, a disposição de que aos demais créditos da Fazenda Nacional, aplicamse as disposições do artigo 84, o que determina a aplicação dos juros de mora aos tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorressem a partir de 1º/01/1995. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional." (NR) A Lei nº 10.522/2002, é conversão da MP nº 2.17679/2001, fruto da reedição de sucessivas medidas provisórias, desde a original de nº 1.110, de 30 de agosto de 1995. A inclusão do §8º no artigo 84 da Lei nº 8.981/95, pela MP nº 1.110/95, bem como a inclusão dos artigos 29 e 30 pela MP nº 1.542/96 (nove dias antes da publicação da Lei nº 9.430/96) estabeleceram, expressamente, a incidência da taxa Selic sobre quaisquer débitos da Fazenda Nacional (até 1994 pelo artigo 30 e após 1º/01/1995, pelo §8º do artigo 84). Constatase que, por sua vez, a Lei nº 9.430/96, ao prever a aplicação da Selic em seus artigos 43 e 61 convalidou o que já estava sendo previsto pela MP nº 1.542/96 (atual Lei nº 10.522/2002). Concluise, portanto, que é legítima a incidência da taxa de juros Selic sobre a multa de ofício vinculada ao tributo. Neste sentido, citamse, recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Diante do exposto, voto para conhecer em parte o recurso voluntário e na parte conhecida, negarlhe provimento, ressalvando a existência de concomitância com os Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 16643.000114/201012 Acórdão n.º 3302004.719 S3C3T2 Fl. 1.866 20 Mandados de Segurança nº 2009.61.00.0232110 e nº 0007596 97.2010.403.6100, cujas decisões judiciais deverão pautar a execução deste acórdão. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1866DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13983.000026/2003-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. SALDO CREDOR.
O saldo credor ressarcível é o apurado no encerramento do trimestre-calendário obtido pela reconstituição da escrita fiscal realizada em outro processo de auto de infração julgado definitivamente na instância administrativa.
Recurso Voluntário Não Provido.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-004.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Diego Ribeiro, sendo substituído pelo Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi
Assinatura Digital
JORGE OLMIRO LOCK FREIRE - Presidente.
Assinatura Digital
PEDRO SOUSA BISPO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi (Suplente) e Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. SALDO CREDOR. O saldo credor ressarcível é o apurado no encerramento do trimestre-calendário obtido pela reconstituição da escrita fiscal realizada em outro processo de auto de infração julgado definitivamente na instância administrativa. Recurso Voluntário Não Provido. Direito Creditório Não Reconhecido.
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RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. SALDO CREDOR. O saldo credor ressarcível é o apurado no encerramento do trimestre calendário obtido pela reconstituição da escrita fiscal realizada em outro processo de auto de infração julgado definitivamente na instância administrativa. Recurso Voluntário Não Provido. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedido o Conselheiro Diego Ribeiro, sendo substituído pelo Conselheiro suplente Rodolfo Tsuboi Assinatura Digital JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Presidente. Assinatura Digital PEDRO SOUSA BISPO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodolfo Tsuboi (Suplente) e Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 3. 00 00 26 /2 00 3- 34 Fl. 200DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: A interessada protocolizou, em 27/02/2003, pedido de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com fulcro na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 11, e na Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, no que concerne ao 4º trimestrecalendário de 2002 e no importe de R$ 163.955,27. Há a declaração de compensação de fl. 33 no mesmo valor. Em Despacho Decisório, de fls. 94/96, a Delegacia da Receita Federal em Paranaguá, PR, indeferiu o pedido de ressarcimento porque é vedado o ressarcimento a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de exigência tributária (cópia de fls. 38/84), pendente de decisão definitiva que possa alterar o montante a ser ressarcido (IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, art. 20). Insatisfeita com a decisão administrativa cientificada em 05/12/2006, por via postal, com aviso de recebimento nos autos, a interessada ofereceu, em 04/01/2007, manifestação de inconformidade, de fls. 104/120, subscrita pelo procurador da companhia, Sr. Luiz Pereira de Jesus, qualificado no instrumento legal de fl. 128, e que, em síntese, traz as seguintes alegações: O despacho decisório apoiouse na IN SRF nº 600, de 2005, para negar o ressarcimento, sendo caracterizada, assim, a violação do princípio da legalidade, pois norma hierarquicamente inferior não pode vedar benefício fiscal concedido por norma legal; A decisão contraria o pedido para creditarse do IPI pago pela aquisição de insumos aplicados na fabricação de produtos marcados pela essencialidade, sendo assegurado o direito ao crédito, pelo princípio da nãocumulatividade e pela Lei nº 9.779, de 1999, decorrente da aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos isentos e tributados à alíquota zero, não sendo mais necessário o estorno dos créditos em tal situação, conforme, inclusive, jurisprudência do STJ; o direito é negado de forma ilegal e arbitrária, tendo sido levados em conta argumentos exarados em outro processo; a empresa pagou IPI e precisa ser ressarcida sob pena de enriquecimento ilícito da União; Inexistem débitos pendentes de lançamento fiscal, sendo não procedente a informação fiscal, pois as saídas de insumos com alíquota diferente de zero foram devidamente escrituradas e as demais saídas se referem a produtos classificados na TIPI com alíquota zero; Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13983.000026/200334 Acórdão n.º 3402004.386 S3C4T2 Fl. 187 3 O pedido da manifestante foi negado com fundamento no termo de verificação do processo nº 10907.001321/200675 que se encontra pendente de decisão final e com a exigibilidade suspensa por força, principalmente, do CTN, art. 151, III, tendo em vista as impugnações (incluídas as manifestações); os débitos compensados devem ter a exigibilidade suspensa até que seja proferida decisão final na esfera administrativa; Por fim, requer que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, com a reforma da decisão recorrida, o reconhecimento do direito ao ressarcimento do crédito de IPI e a homologação da compensação, com as devidas atualizações e inclusões. Em ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. PENDÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA. É vedado o ressarcimento de créditos do imposto se houver processo de exigência fiscal pendente de decisão administrativa definitiva que possa modificar o montante passível de ressarcimento. Solicitação Indeferida. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes propôs a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora fizesse juntar aos autos cópia da decisão definitiva no processo dos autos de infração 10907.002.630/200581 e 10907.001321/200675, somente após retornar os autos ao Conselho de Contribuintes (atual CARF). A unidade de origem atendeu parcialmente a diligência juntando aos autos o acórdão de julgamento definitivo do auto de infração 10907.002.630/200581. Quanto ao auto de infração 10907.001321/200675, informou que o mesmo se encontrava em tramitação neste Colegiado. Assim, o presente processo foi devolvido ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo Fl. 202DF CARF MF 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. A Recorrente repisou em seu recurso os argumentos de ilegalidade do art.20 da IN SRF nº600/2005 por não constar na Lei nº9.779/99, verbis. Art.20. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. É posição consolidada neste Conselho que o processamento do Recurso Voluntário somente pode se dar após a decisão final nos processos de exigência que possam afetar o montante a ressarcir. Não me alongarei nessa questão haja vista que se encontra superada, conforme se esclarecerá a seguir. Uma vez que havia processos de autos de infração ainda pendentes de julgamento (10907.002.630/200581 e 10907.001321/200675), que influenciariam no montante a ressarcir com a existência ou não de saldo credor, o Conselheiro Júlio César de Alves Ramos da Quarta Câmara do Conselho de Contribuintes determinou em 05/11/08 o envio do presente processo à unidade de origem a fim de aguardar o julgamento administrativo dos processos prejudiciais. Em 12/11/2013 a unidade de origem atendeu parcialmente ao solicitado na diligência fiscal, juntando aos autos o acórdão de julgamento definitivo apenas do processo n°10907.002.630/200581. Quanto ao auto de infração nº10907.001321/200675, apenas informou que estava em tramitação neste Colegiado. Ao consultar o sítio deste Colegiado, verifiquei que o processo nº10907.001321/200675 também se encontra definitivamente julgado, com manutenção integral da autuação. Desta forma, anexei aos autos o acórdão de julgamento nº403.238 da Quarta Câmara do Conselho de Contribuinte, acórdão negando embargos nº3402001.500 da Quarta Câmara, segunda turma da Terceira Seção e o Despacho nº340000.112 da Quarta Câmara que negou seguimento ao Recurso Especial . Assim, os autos de infração de IPI n°10907.002.630/200581 e nº10907.001321/200675 foram integralmente mantidos por decisão definitiva do CARF desfavorável a Recorrente, sendo que o saldo credor de IPI apurado do 3º trimestre de 2002, após a reconstituição da escrita fiscal (fls.76), foi de R$ 4.684,88. O contribuinte fez ainda em seu recurso algumas considerações a respeito do princípio da não cumulatividade, da essencialidade dos seus produtos fabricados e quanto a classificação fiscal correta dos seus produtos. Esquivome de analisar tais matérias haja vista que no auto de infração (processo nº10907.001321/200675) teve decisão definitiva, não podendo essas questões serem julgadas de forma diferente no processo ora analisado. Diante do exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito creditório de IPI no valor de R$ R$ 4.684,88, referente ao 4º trimestre/2002. Assinatura Digital Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13983.000026/200334 Acórdão n.º 3402004.386 S3C4T2 Fl. 188 5 Fl. 204DF CARF MF
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