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Numero do processo: 15586.001601/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 28/02/2007 a 31/12/2008
EMBARGOS. ACOLHIMENTO. REQUISITOS.
Cabe provimento aos embargos quando se constata a omissão e a contradição na decisão recorrida.
Numero da decisão: 3401-003.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos. com efeitos infringentes, para sanar obscuridade, admitindo-se o memorando 0156, cujo teor era ilegível ao tempo do julgamento. Acompanhou pela contribuinte a advogada Ligia Barroso Fabri, OAB/ES n.º 24.132. Declarou-se suspeito o Conselheiro Robson José Bayerl. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ACOLHIMENTO. REQUISITOS. Cabe provimento aos embargos quando se constata a omissão e a contradição na decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos. com efeitos infringentes, para sanar obscuridade, admitindose o memorando 0156, cujo teor era ilegível ao tempo do julgamento. Acompanhou pela contribuinte a advogada Ligia Barroso Fabri, OAB/ES n.º 24.132. Declarouse suspeito o Conselheiro Robson José Bayerl. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Rosaldo Trevisan Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 01 /2 01 0- 53 Fl. 2286DF CARF MF 2 Relatório Trata este de Embargos ingressado pela contribuinte que questiona o Acórdão cuja Ementa reproduzo a seguir: processo n.º 15586.001601/201053 tipo de recurso Embargos Acórdão n.º 3401003.089 4a Câmara / 1a Turma Ordinária data da sessão 29 de janeiro de 2016 assunto PIS E COFINS Embargante CIA HISPANO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO HISPANOBRÁS Embargada FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS. ACOLHIMENTO. REQUISITOS. Cabe provimento aos embargos quando se constata a omissão e a contradição na decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher parcialmente os embargos com efeitos infringentes nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Júlio César Alves Ramos registraram que a conclusão se deve exclusivamente em relação ao critério já adotado na decisão embargada. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Jorge d'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Leonardo Ogassawara de Aaraujo Branco e Elias Fernandes Eufrásio. A recorrente alega que há contradição e omissão no Acórdão, pois, ao negar a relação entre o memorando de exportação n. 156 e a nota fiscal n. 749, deixou de justificar que essa relação é coerente com a constatada com os demais documentos, e se ateve à ilegibilidade, mas que foi superada pela verdade representada pelos documentos e pela possibilidade da tecnologia de superála. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso, atendidos os requisitos de admissibilidade. Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 15586.001601/201053 Acórdão n.º 3401003.421 S3C4T1 Fl. 3 3 O acórdão recorrido havia analisado Embargos ingressado pelo contribuinte. Esse primeiro Embargos apontara contradição no Acórdão que decidira o recurso voluntário. Nesse, o Conselheiro relator havia adotado critério único para afastar glosas e considerar demonstrado a exportação dos bens indicados nas notas fiscais. Esse critério seria a existência documental de memorandos de exportação e a evidência da relação entre esses com as respectivas notas fiscais e notas fiscais complementares. Vejamos trecho do voto daquele originário acórdão de 2ª instância: Observo, às fis. 1.650, 1.652, 1.663, 1.664, 1.667. a existência de Memorandos de Exportação e de Cartas de Correção relacionados às notas fiscais de venda de minério de n°s 768 e 1.008, atendendo, portanto, as condições mínimas exigidas para que se tenha como comprovada a operação de exportação Esses vaiores devem ser retirados da exação. Da mesma forma, verificase que, no campo das suas informações complementares, algumas dessas notas que não teriam sua exportação comprovada, referemse, na verdade, a "complementos de preços" de operações de exportação feitas anteriormente e que possuem memorando de exportação a comprovar a operação de saída para o exterior. É o caso das notas fiscais n°s. 1.073, 1.098, 1.117, 1.147, 1.162, 1.190, 1.205, 1.505, 1.517 e 1.557, que se referem a complementos de preços das exportações realizadas por meio das notas fiscais, respectivamente, n°s 1.071, 1.096, 1.115, 1.146, 1.160, 1.185, 1.202,1.503, 1.515 e 1.555, para as quais restou comprovada a exportação com a apresentação dos respectivos memorandos de exportação. ... De outra parte, a Recorrente não logrou êxito em comprovar que as operações de venda constantes das notas fiscais n°s. 835, 836, 837, 838, 1.174, 1.175, 1.176, 1.177, e 1.615, as quais, ressaltese, não obstante também refiramse a complementos de preços, não têm indicação precisa de qual nota fiscal estão complementando preços, de modo que não se consegue associálas a qualquer memorando de exportação. Ora, a própria Recorrente invocara os memorandos de exportação como prova inconteste de suas exportações, não se justificando a falta deles para as referidas notas fiscais, senão a presunção de que referidas operações foram realizadas no mercado interno, a despeito das cartas de correção. Em resumo, neste quesito, dou provimento parcial ao recurso para retirar da base de cálculo das contribuições as receitas de venda relacionadas às notas fiscais n°s. 768, 1.008 e 1.073, 1.098, 1.117, 1.147, 1.162, 1.190, 1.205, 1.505, 1.517 e 1.557. A contribuinte, no primeiro Embargos, aponta seu equívoco e pede para superar a omissão do acórdão atacado pela demonstração de que o critério adotado pelo Conselheiro relator deveria aproveitar também para as notas fiscais que ele manteve na exigência fiscal, deixando de acolher integralmente o recurso voluntário: Fl. 2288DF CARF MF 4 Trecho dos Embargos da contribuinte: 15. Como mencionado no V. Acórdão, as notas fiscais que não foram aceitas pelo Relator (835, 836, 837, 838, 1174, 1175, 1176, 1177) são "notas fiscais complementares" emitidas pela EMBARGANTE com intuito de reajustar a diferença de preço das notas originais n° 749, 768, 787, 817, 1096, 1115, 1146 e 1160, decorrentes das mercadorias 'pelotas' remetidas unicamente ao mercado externo pela comercial exportadora VALE S.A. .. 17 Ocorre que, tal erro foi sanado com a emissão das cartas de correção que esclarece que as notas fiscais 835, 836, 837, 838, 1174, 1175, 1176 e 1177 complementam o preço de outras notas especificando quais são as notas complementadas: O Conselheiro relator, ao apreciar esse primeiro Embargos, reconhece que há nos autos elementos para rever aquela decisão recorrida, usando o mesmo critério por ele adotado. A contribuinte, a meu ver, nestes Embargos de Declaração, trazem aos autos as cartas de correção que esclarecem que as notas fiscais 835, 836, 837, 838, 1174, 1175, 1176, 1177, 1615 são "notas fiscais complementares" emitidas pela EMBARGANTE com intuito de reajustar a diferença de preço das notas originais n° 749, 768, 787, 817, 1096, 1115, 1146, 1160 e 1614, respectivamente. Essas informações já constavam dos documentos acostados aos autos. Ocorre que, a meu ver, essa informação não é suficiente para atender o critério adotado pelo acórdão recorrido para decidir se há a comprovação de que essas notas fiscais se referem a exportações. O critério adotado foi a existência de memorandos de exportação registrando essas notas fiscais. Nos autos, consegui identificar os memorandos de exportação para as seguintes notas fiscais: NF 768 Memorando de Exportação n. 860 (fls. 1650) NF 787 Memorando de Exportação n. 164 (fls. 1655) NF 817 Memorando de Exportação n. 187 (fls. 1659) NF 1096 Memorando de Exportação n. 218 (fls. 1669) NF 1115 Memorando de Exportação n. 402 (fls.2082) NF 1146 Memorando de Exportação n. 405 (fls. 2086) NF 1160 Memorando de Exportação n. 405 (fls. 2086) NF 1614 Memorando de Exportação n. 425 (fls 2099) Entretanto, não consegui constatar o memorando de exportação para a nota fiscaL indicada a seguir porque não é legível esse dado no documento acostado aos autos: NF 749 Memorando de Exportação n. 156 (fls. 1646). A contribuinte logrou apontar os correspondentes memorandos de exportação, exceto para a NF 749. Portanto, proponho a este colegiado que seja dado parcial provimento aos embargos, com efeitos infringentes, pelo fato de ter sido constatada, no acórdão recorrido, a contradição e a omissão alegadas para as notas fiscais por mim acima listadas como relacionadas a memorandos de exportação. De fato, a decisão atacada acolheu os documentos apresentados e reconheceu a relação entre todos os memorandos de exportação e as notas fiscais questionadas, exceto para a nota fiscal 749, por não ter o relator conseguido ler a sua indicação no corpo do memorando Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 15586.001601/201053 Acórdão n.º 3401003.421 S3C4T1 Fl. 4 5 156. Por causa da aparente nãolegibilidade desse número no memorando, a respectiva glosa foi mantida. A recorrente aponta que o acórdão deixou de verificar a existência de insuficiência provinda de limitação no uso da funcionalidade do sistema de informatizado e da digitalização; e que o conjunto da documentação, aceita pelo relator em sua totalidade, deporia a favor da verdade da relação entre esses dois documentos. "... a decisão incorreu em contradição e omissão a justificar a 'posição dos presentes embargos de declaração, como se demonstrará a seguir." "Assim, demonstrado que (i) o memorando n° 0156 diz respeito à Nota Fiscal n° 749 e, ainda, (ii) considerando que o I. relator cancelou as exigências nos casos em que foi comprovada a relação entre as notas fiscais e os memorandos de exportação, deve ser complementada a decisão ora embargada, de modo a afastar a contradição/omissão ali presente, para reconhecer a relação entre o Memorando n° 0156 e a Nota Fiscal n° 749 e, por inferência lógica, reconhecer que as vendas de minério de ferro "aglomerado" (pelotas) ali registradas tiveram o fim único e especifico de exportação." Realmente, há características de funcionalidade do sistema informatizado e da digitalização que podem alterar a legibilidade dos sinais e signos dos documentos virtuais e eletrônicos. Por experiência posso reconhecer que a qualidade dos documentos digitalizados está em relação direta com os padrões impostos pelo administrador (local, regional ou nacional) que disciplina a atividade na repartição de atendimento do contribuinte. Assim ocorre quando a administração, para padronizar os arquivos de entrada e o tamanho dos arquivos a serem trabalhados no sistema eprocesso, estabelece um limite padrão de pixel e/ou de bytes, tornando possível que reduza a qualidade ou legibilidade do documento. E é o que, creio, ocorreu nessa situação. Ao analisar o documento apresentado pela recorrente, pela sua observação e percepção direta, ele demonstra nitidez que o juntado anteriormente não possuía. Nele podemos perceber que os números anteriormente não legíveis passaram a ser nítidos. E eles correspondem à nota fiscal n. 749. Tendo esse dado como suficiente, congruente com o critério adotado desde o acórdão originário proferido neste Colegiado de 2ª instância, ele resulta em comprovar a alegada exportação, ou seja, em revermos o acórdão recorrido e aceitar essa nota fiscal entre as que comprovam a exportação. A contribuinte alegou omissão e contradição, mas, data vênia, vejo no caso obscuridade, que foi iluminada e afastada pela clareza e nitidez do exemplar apresentado e juntado aos autos. Proponho, assim, o conhecimento e provimento dos Embargos, com efeitos infringentes, para sanear a obscuridade do acórdão recorrido. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 2290DF CARF MF 6 Fl. 2291DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000275/2002-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente THANIA NAZLI BATTAT Recorrida UNIÃO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. A matéria não contestada na impugnação é insuscetível de conhecimento em grau recursal. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. 1. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. 2. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 02 75 /2 00 2- 70 Fl. 177DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13808.000275/200270 Acórdão n.º 2402005.633 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então: A contribuinte acima identificada insurgese contra auto de infração que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 274.374,24, sendo R$ 123.131,65 de imposto; R$ 92.348,73 de multa de ofício, e R$ 58.893,86 de juros de mora calculados até 28/02/20l P, fls. 103/108. O auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no anocalendário 1998, tudo com aplicação da multa de oficio de 75%, fls. 106. Em 01/03/2002, foi lavrado o Termo de Verificação fiscal, fls. 99/102, e o auto de infração de fls. 103/108 do qual a contribuinte foi cientificada em 19/03/2002, fls. 108. A impugnação foi apresentada em 17/04/2002, fls. 112/139, com os argumentos que passamos a relatar em síntese e na ordem na qual aparecem naquele documento. Inicia clamando pela legalidade como princípio constitucional a que estar submetida a administração pública e em seguida passa a discutir o conceito de renda e a competência tributária da União. Prossegue alegando que empréstimo não é renda ou provento, pois fatos que não configuram renda nem provento não podem sofrer a incidência do tributo em pauta. Sustenta que fez prova da existência de empréstimo em 1998 que justificaria as movimentações financeiras no ano. Insiste que os depósitos bancários por si só não podem ensejar presunção válida de omissão de rendimentos. O que teria havido realmente foi uma devolução de empréstimo contraído. Insurgese também contra a presunção utilizada no lançamento e a ausência de motivação para o lançamento, bem como ofensa à tipicidade e legalidade tributárias, juntando doutrina sobre o assunto. A presunção utilizada teria violado o contraditório e a ampla defesa. No tocante à multa de ofício, entende ser esta abusiva e confiscatória, protestando pela aplicação da multa de 2% prevista na Lei 9.298/96. Fl. 179DF CARF MF 4 Por fim, protesta pela aplicação de juros de mora, conforme entende determinado pelo CTN, no percentual de 1%, pois a Taxa Selic seria ilegal como juros de mora por ter caráter remuneratório e não meramente moratório. Em sessão realizada em 12 de setembro de 2007, a DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO CONTRADITÓRIO. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do principio do contraditório. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Principio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála. Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art.150 da Constituição Federal. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. A multa de oficio é prevista em disposição legal especifica e tem como suporte fático a revisão de lançamento, pela autoridade administrativa competente, que implique imposto ou diferença de imposto a pagar. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13808.000275/200270 Acórdão n.º 2402005.633 S2C4T2 Fl. 4 5 Lançamento Procedente A recorrente foi intimada da decisão em 18/08/2008 (fl. 163) e interpôs recurso voluntário em 17/09/2008 (fls. 164 e seguintes), no qual deduziu as seguintes teses de defesa: PRELIMINAR (a) nulidade autuação baseada em prova ilícita; MÉRITO (b) inexistência de acréscimo patrimonial. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF 6 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. 2 Nulidade autuação centrada em prova ilícita Preliminarmente, a contribuinte afirma que o lançamento é nulo, vez que o agente fiscal desrespeitou (a) o Decreto 3724/2011; (b) o seu sigilo bancário; e (c) o princípio da irretroatividade legal, mormente em função da alegada aplicação retroativa da Lei Complementar 105/2001. Todavia, tais teses não foram ventiladas na impugnação, sendo insuscetível, pois, de conhecimento em grau recursal. Com efeito, a impugnação da exigência, a qual deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Somente a impugnação regular é capaz de atrair o poderdever do Estado de fazer a prestação jurisdicional, dirimindo a controvérsia iniciada com o lançamento fiscal mas efetivamente instaurada com a sua (da impugnação) apresentação. Vejase, nesse sentido, os seguintes dispositivos constantes do Decreto nº 70.235/1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. .................................................................................................. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. .................................................................................................. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] .................................................................................................. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 13808.000275/200270 Acórdão n.º 2402005.633 S2C4T2 Fl. 5 7 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ......................................................................................... Em função da falta de impugnação, a DRJ não julgou as matérias ora suscitadas, de forma que o seu conhecimento aviltaria o princípio constitucional do duplo grau de jurisdição. Logo, não se conhece do recurso neste ponto. 3 Da inexistência de acréscimo patrimonial Neste ponto, a recorrente afirma que não teve acréscimo patrimonial no ano calendário em referência; defende a aplicação da Súmula 182/TFR; e sustenta que o lançamento baseado em depósitos bancários não encontra respaldo na jurisprudência. Pois bem. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, ônus este consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. Por outro lado, o consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de se acatar afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter Fl. 183DF CARF MF 8 seão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 13808.000275/200270 Acórdão n.º 2402005.633 S2C4T2 Fl. 6 9 Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar, exemplificativamente, que o recurso é atinente a uma doação ou a um empréstimo, ou mesmo que são aplicáveis as hipóteses dos incs. I e II do § 3º retro mencionado. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. Mutatis mutandis, o verbete sumular CARF nº 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Assim sendo, deve ser negado provimento ao recurso. Fl. 185DF CARF MF 10 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário, para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos da fundamentação. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005852/2007-65
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 58 52 /2 00 7- 65 Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 9202004.797 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 9202004.797 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 9202004.797 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 9202004.797 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 9202004.797 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 9202004.797 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 9202004.797 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 9202004.797 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10120.005852/200765 Acórdão n.º 9202004.797 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1795DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.001294/2005-75
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO.
A natureza reparadora dos embargos de declaração só permite a sua oposição contra acórdão realmente acoimado de omissão ou contradição. Inexistentes a omissão e contradição apontados devem ser rejeitados os embargos de declaração.
Numero da decisão: 1803-000.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e ratificar o Acórdão 180300.815
de 23/02/2011, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. A natureza reparadora dos embargos de declaração só permite a sua oposição contra acórdão realmente acoimado de omissão ou contradição. Inexistentes a omissão e contradição apontados devem ser rejeitados os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração e ratificar o Acórdão 180300.815 de 23/02/2011, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira De Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Victor Humberto da Silva Maizman e Marcelo de Assis Guerra. Relatório Fl. 588DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10530.001294/200575 Acórdão n.º 180300.947 S1TE03 Fl. 583 2 A Fazenda Nacional, através da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, inconformada com a decisão proferida por esta 3ª Turma de Julgamento, interpôs embargos declaratórios, alegando omissão do julgado em relação a seguinte matéria: Que “teria havido omissão/contradição/obscuridade no acórdão pois a turma concedeu a compensação com valores do IR Fonte com os demais tributos, sem apontar o fundamento legal para a concessão do pedido formulado em sede de impugnação administrativa pelo contribuinte.” Prossegue a PGFN em seu arrrazoado às fls. : “Inobstante essas considerações a decisão ora embargada não se manifestou sobre o disposto nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 170 do CTN que exige atualmente a formalização do pleito de compensação pelo contribuinte interessado em documento próprio — DCOMP; e tampouco inseriu a presente hipótese em um dos casos arrolados no artigo 24 da Instrução Normativa nº 210/2002 que trata das hipóteses autorizadoras da compensação a ser efetuada de oficio pela autoridade fazendária. Em suma, o acórdão embargado não se pronunciou sobre a impossibilidade de se alegar e efetuar compensação em sede de lançamento de oficio como fato oponível como matéria de defesa â constituição do credito tributário.” O acórdão 180300.815 de 23/02/2011, objeto dos embargos, encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 PESSOA FÍSICA EQUIPARADA À PESSOA JURÍDICA. Equiparase à pessoa jurídica a pessoa física que, em nome individual, explora, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2000, 28/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000, 31/05/2000 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 0 prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, inexistente a antecipação de pagamentos, contase do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173, I do CTN). Fl. 589DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10530.001294/200575 Acórdão n.º 180300.947 S1TE03 Fl. 584 3 Neste caso, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde ao primeiro dia do ano calendário seguinte ao da ocorrência do fato gerador. (Resp 973.733 STJ submetido à sistemática do art. 543C do CPC) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PF EQUIPARADA À PJ. A fim de evitar locupletamento ilícito da Fazenda Nacional, deve ser concedida a compensação de indébitos tributários que afloraram na apuração da matéria tributável do lançamento de oficio, mormente se o contribuinte sequer admitia a nova situação jurídica criada pelo procedimento fiscal. A valoração dos débitos e créditos deve se dar na data da impugnação tempestivamente apresentada, concedendose a redução regulamentar à multa de oficio em relação aos débitos parcial ou integralmente compensados. grifamos É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Os embargos são tempestivos e preenchem os demais requisitos legais para sua admissibilidade, deles conheço. Os autos primeiramente vieram a julgamento nesta Terceira Turma Especial da 1ª SJ, na sessão plenária de 23 de fevereiro de 2011, tendo o Colegiado decidido, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso apresentado, reconhecendo a possibilidade de compensação do excesso do IR Fonte existente em cada trimestre, após a dedução do IRPJ apurado de ofício, com os demais tributos objeto de lançamento. Objeta a PGFN que o acórdão objurgado que teria concedido a compensação não apontou o fundamento legal que permitiria a compensação e tampouco enquadrou o procedimento nos artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, art. 170 do CTN e art. 24 da Instrução Normativa SRF 210/2002, que regulariam a compensação a pedido ou de ofício. Tenho que inexiste a omissão e contradição apontada. Com efeito, o acórdão foi claro em pronunciarse quanto a possibilidade de compensação do saldo do imposto de renda retido na fonte, com os demais tributos apurados no procedimento fiscal considerando tratarse de situação peculiar e especialíssima devendo merecer tratamento adequado sob pena de indevida apropriação por parte da Fazenda Nacional. É que no caso todo o procedimento da apuração do tributo devido decorreu de procedimento fiscal em que o contribuinte foi transmudado de pessoa física para jurídica, passando de um momento para outro de contribuinte sujeito ao imposto de renda pessoa física Fl. 590DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10530.001294/200575 Acórdão n.º 180300.947 S1TE03 Fl. 585 4 a devedor de imposto de renda pessoa jurídica; contribuição social sobre o lucro; PIS e COFINS. Não se trata portanto de contribuinte que apurou qualquer indébito perante a Fazenda Nacional mas de contribuinte que à sua revelia lhe foi imputada condição de natureza jurídica diversa, plenamente prevista no ordenamento jurídico é verdade, mas que não tem qualquer paralelo com situação normal do contribuinte que apura créditos sujeitos à repetição ou compensação. Destarte, inaplicáveis suposta falta de apresentação de DCOMP ou qualquer outra obrigação acessória pois o único momento em que se materializou a existência de débitos de pessoa jurídica foi após a ciência do auto de infração, momento em que tempestivamente o contribuinte postulou pedido subsidiário ou alternativo de compensação integral do excesso de imposto de renda retido na fonte com os débitos apurados. Por outro lado, a compensação de ofício tratada no art. 24 da IN SRF 210/2002 referida pela embargante e o art. 34 da Instrução Normativa SRF 460/2004 (vigente à época do lançamento), referemse a débitos e créditos apurados em relação ao mesmo sujeito passivo, quando no presente caso, houve compensação tanto por parte da fiscalização como pelo acórdão embargado de imposto de renda pessoa física com débitos de pessoa jurídica criada no decorrer do procedimento fiscal. Como visto, caso sui generis que não encontra regulamentação mas tampouco proibição frente as normas que vedam o locupletamento ilícito por parte da Fazenda Nacional e impõe ante os princípios constitucionais a igualdade de tratamento para apuração de débitos e créditos da mesma forma do contribuinte em situação análoga mas definida nas normas infralegais emanadas da Receita Federal. Destarte, considerando a falta de regulamentação para ambas as situações, impõese a regra de que apurado o débito mediante procedimento de ofício por parte da Fazenda Nacional, devem ser computados e compensados os valores tanto a débito como a crédito do novo contribuinte “pessoa jurídica” criado a partir do procedimento da Administração Tributária. Por derradeiro, não apontou a embargante qualquer vedação nas normas legais ou infralegais que divergissem do entendimento esposado no acórdão embargado, não apontando em conseqüência a suposta omissão e contradição no julgado. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração e ratificar o Acórdão nº 180300.815 de 23/02/2011. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 591DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH Processo nº 10530.001294/200575 Acórdão n.º 180300.947 S1TE03 Fl. 586 5 Fl. 592DF CARF MF Emitido em 19/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARESCH Assinado digitalmente em 19/07/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 05/07/2011 por WALTER ADOLFO MARE SCH
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Numero do processo: 10183.005874/2004-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN.
Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 9202-004.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que não conheceram. E, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor De Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora) e Ana Paula Fernandes, que não conheceram. E, no mérito, por unanimidade de votos, em dar lhe provimento. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 58 74 /2 00 4- 48 Fl. 172DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor De Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis Da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 210100.828, fls. 129/188 do eprocesso, que, por unanimidade, deu provimento ao Recurso Voluntário, acolhendo a decadência, aplicando o art. 150, §4º do CTN, como regra de contagem do prazo decadencial. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°, do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Homologase no caso a atividade, o procedimento realizado pelo sujeito passivo, consistente em "verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo", inclusive quando tenha havido omissão no exercício daquela atividade, A hipótese de que trata o artigo 149, V, do Código, é exceção à regra geral do artigo 173,I. A interpretação do caput do artigo 150 deve ser feita em conjunto com os artigos 142, caput e parágrafo único, 149, V e VII, 150, §§1 º. e 4°., 156, V e VII, e 173, I, todos do CTN, Decadência acolhida. Na origem, tratase de Auto de Infração de fls. 05/08 do eprocesso, em que o lançamento se refere a suposta classificação indevida na DIRPF/1999, como rendimentos isentos, dos rendimentos recebidos do Centrus Instituto Mato Grosso de Seguridade Social, decorrentes de resgate de previdência privada. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou procedente em parte o lançamento fiscal, conforme Acórdão nº 0419.267 de fls. 101/106 do eprocesso. O Contribuinte, inconformado com tal decisão, interpôs Recurso Voluntário de fls. 119/121 do eprocesso, o qual foi julgado procedente pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10183.005874/200448 Acórdão n.º 9202004.536 CSRFT2 Fl. 3 3 Câmara da 2ª Seção, no dia 21 de outubro de 2010, conforme Acórdão nº 210100.828 de fls. 129/136 do eprocesso. Houve a oposição de Embargos de Declaração pela PGFN, fls. 140/142, o qual foi rejeitado conforme Acórdão nº 2101002.412, de fls. 145/149. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, fls. 151/157 com fundamento no art. 67, do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009 (vigente a época dos fatos), alegando que o referido acórdão merece reforma, entendendo pela aplicação do art. 173, I do CTN, citando como paradigmas os Acórdãos ns. 20501.497 e 9202002.012, cujas ementas transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1996 a 31/01/1996, 01/04/1996 a 30/04/1996, 01/06/1996 a 30/06/1996, 01/06/1997 a 01/09/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PEDIDO DE REVISÃO ACÓRDÃO DIVERGENTE DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O pedido de revisão não se presta a simples rediscussão da matéria de mérito apreciada na decisão definitiva, mas, sim, a corrigir eventual violação de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do AdvogadoGeral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável. No presente caso, o Acórdão diverge da legislação previdenciária. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo. sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, não comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 173, I. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE, NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há beneficio de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. DILAÇÃO DO PRAZO DE DEFESA. PROIBIÇÃO PELA • LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Fl. 174DF CARF MF 4 Em face da determinação contida no art. 34 da Portaria MPS n° 520/04, o prazo de defesa não pode ser prorrogado. LANÇAMENTO. VICIO FORMAL INEXISTÊNCIA. O lançamento encontrase revestido das formalidades legais, em consonância com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto: artigo 33, caput, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.° 10.256, de 09/07/2001, e artigo 37, caput do mesmo diploma legal. O relatório fiscal esclarece com perfeição a natureza do crédito e demonstra claramente a sua origem, de forma que o crédito encontrase lançado em conformidade com a legislação previdenciária. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o AuditorFiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1º do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1998 PAGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. PRAZO DECADENCIAL. REGÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Se o contribuinte não colige aos autos elementos que comprovem a ocorrência de pagamento antecipado parcial do tributo apurado, o prazo decadência deve ser regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do decidido pelo STJ. Conforme despacho de admissibilidade de fls. 160/162, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sendo o Contribuinte intimado pessoalmente, conforme fls. 168. De acordo com o despacho de fls. 171, o Contribuinte não apresentou Contrarrazões. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10183.005874/200448 Acórdão n.º 9202004.536 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando inquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. O presente caso tratase de Auto de Infração de fls. 05/08, em que o lançamento se refere a suposta classificação indevida na DIRPF/1999, como rendimentos isentos, dos rendimentos recebidos do Centrus, decorrentes de resgate de previdência privada, conforme relatado pela DRJ: O lançamento fiscal referese a classificação indevida na DIRPF/1999, como rendimentos isentos, dos rendimentos recebidos do Centrus — Instituto Mato Grosso de Seguridade Social, decorrentes de resgate de previdência privada, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fl. 05). Aos autos foram juntados extratos de consulta processual (fls. 19) e acórdão proferido pelo TRF da 1' Região na Apelação em Mandado de Segurança n° 1999.01.00.0693862/MT (fls. 43/49) Regularmente cientificado do lançamento em 23/12/04 (fl. 08), o interessado, tempestivamente, apresentou, em 21/01/05, a impugnação de fls. 26/30,acompanhada de documentos (fls. 31/72 e 80) alegando, dentre outras razões, que: a) houve a prescrição do direito de a Receita Federal constituir o crédito tributário, citando o CTN; b) o lançamento não atentou para a decisão judicial transitada em julgado que deferiu o Mandado de Segurança que impetrou contra o DRF; c) as devoluções de Reserva de Poupança promovidas por previdências privadas não eram tributáveis, por não constituirem acréscimo patrimonial; d) a erronia do auto de infração está jungida ao entendimento de que os rendimentos recebidos do Centrus, decorrentes de resgate de previdência privada, se referiam a exercícios posteriores a janeiro de 1996, o que não é verdade, pois dizem respeito a valores nãotributáveis anteriores a dezembro de 1995. Como se pode ver dos autos, o contribuinte juntou documentos referentes aos levantamentos efetuados nas contas de depósito judicial, ocorridos em 1998 e 2003. Ele nada esclareceu ou trouxe quanto à natureza dos valores resgatados. Constam apenas Guia de Depósito à Ordem da Justiça Federal, extratos, Alvarás de Levantamento, etc. mas não são suficientes para esclarecer o montante efetivamente recebido em 1998 e 2003, Fl. 176DF CARF MF 6 tampouco para permitir o cálculo das parcelas decorrentes das contribuições efetuadas até dezembro/1995 e das contribuições efetuadas a partir de janeiro/1996. A 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção deu provimento ao Recurso Voluntário, aplicando o art. 150, §4º do CTN para fixar o marco inicial na ocorrência do fato gerador. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede a aplicação do art. 173, I do CTN, citando como paradigmas os Acórdãos ns. 20501.497 e 9202002.012. Os paradigmas utilizados pela Fazenda Nacional são referentes a contribuições previdenciárias supostamente devidas à Seguridade Social ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/1996 a 31/01/1996, 01/04/1996 a 30/04/1996, 01/06/1996 a 30/06/1996, 01/06/1997 a 01/09/1997, 01/11/1997 a 30/11/1997 NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO PEDIDO DE REVISÃO ACÓRDÃO DIVERGENTE DA LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O pedido de revisão não se presta a simples rediscussão da matéria de mérito apreciada na decisão definitiva, mas, sim, a corrigir eventual violação de pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovados pelo Ministro da pasta, bem como do AdvogadoGeral da União, ou quando violarem literal disposição de lei ou decreto, ou após a decisão houver a obtenção de documento novo de existência ignorada, ou for constatado vício insanável. No presente caso, o Acórdão diverge da legislação previdenciária. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo. sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, não comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 173, I. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE, NÃO OCORRÊNCIA. A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n° 9.711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há beneficio de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. DILAÇÃO DO PRAZO DE DEFESA. PROIBIÇÃO PELA • LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10183.005874/200448 Acórdão n.º 9202004.536 CSRFT2 Fl. 5 7 Em face da determinação contida no art. 34 da Portaria MPS n° 520/04, o prazo de defesa não pode ser prorrogado. LANÇAMENTO. VICIO FORMAL INEXISTÊNCIA. O lançamento encontrase revestido das formalidades legais, em consonância com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto: artigo 33, caput, da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.° 10.256, de 09/07/2001, e artigo 37, caput do mesmo diploma legal. O relatório fiscal esclarece com perfeição a natureza do crédito e demonstra claramente a sua origem, de forma que o crédito encontrase lançado em conformidade com a legislação previdenciária. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o AuditorFiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1º do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1998 PAGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. PRAZO DECADENCIAL. REGÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Se o contribuinte não colige aos autos elementos que comprovem a ocorrência de pagamento antecipado parcial do tributo apurado, o prazo decadência deve ser regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do decidido pelo STJ. Assim, os paradigmas apontados pela Fazenda Nacional apresentam situações fáticas diferentes do caso em análise, razão pelo fato que não deve ser conhecido conforme julgados dessa E. CSRF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Fl. 178DF CARF MF 8 Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto. Recurso Especial do Procurador não conhecido. (Acórdão nº 9202004.300, referente ao processo nº 11052.000744/201015, julgado na sessão do dia 20 de julho de 2016). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto. Recurso Especial do Procurador não conhecido. (Acórdão nº 9202004.298, referente ao processo nº 19515.002202/200618, julgado na sessão do dia 20 de julho de 2016). Neste sentido, destaco o voto da Ilma. Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, proferido nos autos do processo nº 11052.000744/201015, cuja ementa foi reproduzida acima: Por outro lado, a divergência jurisprudencial somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. No presente caso, as situações fáticas em confronto efetivamente não guardam a necessária similitude, a ponto de caracterizarse o alegado dissídio interpretativo, no que tange à determinação do momento de ocorrência dos fatos geradores do IRRF, já que o paradigma apresenta especificidades inexistentes no acórdão recorrido. Assim, não há como concluirse que os Colegiados que infirmaram o lançamento efetuado no processo ora em julgamento (DRJ e CARF), fariam o mesmo em face da situação do paradigma. Da mesma forma, não há no paradigma elementos que permitam deduzir que aquele Colegiado também manteria a autuação, se tivesse de julgar o caso do acórdão recorrido, simplesmente porque a discussão travada fora ancorada em fatos distintos daqueles observados no julgado guerreado. (...) Com efeito, resta claro que, no que tange ao momento de ocorrência do fato gerador do IRRF, o cerne da discussão, no caso do paradigma, não foi "meros registros contábeis pelo regime de competência versus exigibilidade dos pagamentos" (como se verifica no acórdão recorrido), e sim "crédito dos juros versus efetiva remessa dos juros para o exterior". Afinal, essa era a alegação do Contribuinte, naquele caso concreto, ou seja, o seu principal argumento fora no sentido de Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10183.005874/200448 Acórdão n.º 9202004.536 CSRFT2 Fl. 6 9 que o fato gerador não teria ocorrido, uma vez que nenhum valor fora efetivamente remetido ao exterior. Em face de tal alegação, aquele Colegiado concluiu que a efetiva remessa não constituiria condição para a exigência do tributo. Naquela assentada sequer se discutiu acerca de eventual liame entre registros contábeis e exigibilidade dos pagamentos, que foi a tônica da discussão verificada no acórdão recorrido. (Grifei) Diante do exposto, tendo em vista a ausência de similitude fática entre o paradigma e o acórdão recorrido, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. b) Decadência Em relação à decadência, a Turma a quo, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para aplicação do art. 150, §4º do CTN, mesmo sem a antecipação de pagamento, conforme trecho da ementa transcrito abaixo: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°, do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. (Destaquei) O acórdão contrariou a adequada análise dos dispositivos constantes do art. 150, §4º e art. 173, I, ambos do CTN, tendo em vista que, nas hipóteses de total ausência de recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial deverá ser postergado para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o referido lançamento poderia ser efetuado, conforme já se posicionou essa E. CSRF no julgamento do processo administrativo nº 10120.006573/200557, referente ao Acórdão nº 9202004.413, julgado na sessão do dia 25 de agosto de 2016, no voto proferido pela Ilma. Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, cuja ementa reproduzo: IRPF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO. DECADÊNCIA ART. 173, I DO CTN. Não havendo nos autos comprovação do pagamento do imposto, ainda que parcial, devese aplicar a decadência segundo a norma do art. 173, I do CTN. Súmula 555 do Superior Tribunal de Justiça. Verificada a ausência de pagamento, correta é a aplicação do art. 173, I do CTN. Assim, diante do exposto voto no sentido de não conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Caso seja conhecido, voto no sentido de darlhe provimento, para aplicação do art. 173, I do CTN, com retorno dos autos a Turma a quo para análise das demais questões. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 180DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. Peço licença a ilustre conselheira relatora, para divergir do seu entendimento com relação ao conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Segundo a relatora, o processo não merece conhecimento, considerando o não cumprimento de requisito básico, qual seja, as situações fáticas tratadas no acórdão recorrido e paradigma são distintas. Ouso divergir de seu entendimento. Primeiramente, o trecho do acórdão trazidos aos autos pela relatora, qual seja, processo nº 11052.000744/201015 de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, trata de matéria de conhecimento diversa da tratada nos presentes autos, razão pela qual o colegiado decidiu pelo não conhecimento. No presente processo, busca a PGFN ver reapreciada questão referente a decadência quinquenal acatada pelo colegiado a quo com base no art. 150, §4º do CTN, tendo, para tanto, sido apresentado paradigma que tratou exatamente da aplicabilidade do prazo decadencial. Ou seja, não buscou o recorrente demonstrar a divergência entre a aplicação da legislação do IRPF e da legislação de contribuições previdenciárias, mas sim, demonstrar a divergência argüindo como ambos os colegiados, apreciando a aplicação da decadência quinquenal do Código Tributário Nacional, adotaram interpretações distintas sobre a mesma legislação. No acórdão recorrido o colegiado aplicou a regra vertida n art. 150, §4º do CTN, por entender tratarse de lançamento por homologação. Tal fato resta evidenciado pela leitura da própria ementa: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, §4°, do CTN, ainda que não tenha havido pagamento antecipado. Já no acórdão paradigma, o colegiado, debruçandose sobre os mesmos dispositivos legais, entendeu pela inaplicabilidade do art. 150, §4º do CTN, face a inexistência de recolhimento antecipado, o que desloca a regra decadencial para o art. 173, I do CTN, senão vejamos: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo. sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, não comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 173, I. [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 31/12/1998 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10183.005874/200448 Acórdão n.º 9202004.536 CSRFT2 Fl. 7 11 PAGAMENTO ANTECIPADO PARCIAL. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. PRAZO DECADENCIAL. REGÊNCIA DO ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. Se o contribuinte não colige aos autos elementos que comprovem a ocorrência de pagamento antecipado parcial do tributo apurado, o prazo decadência deve ser regido pelo artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos do decidido pelo STJ. Tratandose de normas gerais, qual seja, a aplicação da regra decadencial prevista no CTN, é possível a demonstração de interpretações distintas pelos colegiados, mesmo nos casos de tributos diversos. A divergência jurisprudencial resta caracterizada quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. Conclusão Isto posto, entendo restar demonstrada a divergência entre a interpretação da decadência quinquenal, razão pela qual encaminho PELO CONHECIMENTO DO Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35474.000082/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
Não é cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, quando não observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação.
Numero da decisão: 2201-003.497
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Não é cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, quando não observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Não é cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, quando não observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 47 4. 00 00 82 /2 00 5- 13 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 35474.000082/200513 Acórdão n.º 2201003.497 S2C2T1 Fl. 282 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em face do indeferimento de pedido de restituição de contribuições sociais previdenciárias, nos termos da Instrução Normativa nº 03/2005, para as competências novembro de 2003 a dezembro de 2004, no valor de R$ 4.671,50 (fls. 01 a 03), tendo a requerente juntado cópias às fls. 04 a 203. A fiscalização elaborou Parecer às fls. 205 a 206, informando que não há compatibilidade entre os registros fiscais e o tipo de serviço prestado. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, a recorrente interpôs recurso às fls. 211 e 212, solicitando a restituição dos valores pleiteados. Foi comandada diligência para a fiscalização verificar a procedência ou não do pedido, fls. 222, por meio de análise contábil. A Auditora elaborou representação administrativa para exclusão da empresa do Simples, fls. 224. O processo foi sobrestado até a decisão da Receita Federal, fl. 225. A requerente foi mantida no Simples, conforme decisão às fls. 228 a 230. Por meio da diligência, a fiscalização colacionou a informação à fl. 236. Não foram apresentadas contrarazões. O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 209 e 210. Em 17 de março de 2011, foi emitida a Resolução nº 2302000.087 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/2ª Seção, convertendo o julgamento em diligência para ciência à contribuinte do teor da Informação Fiscal de fl. 236. Cumprida a diligência, a recorrente não apresentou manifestação. É o relatório do necessário. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Do Mérito Fl. 282DF CARF MF Processo nº 35474.000082/200513 Acórdão n.º 2201003.497 S2C2T1 Fl. 283 3 Tratase de processo de restituição de contribuições previdenciárias retidas em decorrência do disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com redação vigente à época dos fatos geradores dada pela Lei nº 9.711, de 1998: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5º do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (Produção de efeitos). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) indeferiu o pedido sob o argumento principal de que a empresa de transportes não tem registro de qualquer tipo de despesa com a utilização de ônibus. Não há escrituração nos livros contábeis de despesas com aluguel, combustíveis, manutenção ou quaisquer outras despesas compatíveis com a atividade desenvolvida pela empresa. Dada a impossibilidade técnica de ônibus transportar passageiros sem qualquer tipo de despesa, concluiuse que os dados contábeis não condizem com a realidade dos fatos. Nas folhas de pagamento e GFIP das referidas competências consta um único trabalhador, sócio da empresa. O contrato prevê a utilização de até 7 (sete) ônibus. De acordo com a decisão recorrida, não seria factível, diante dos termos avençados entre prestador e tomador de serviços, que a empresa possuísse apenas um empregado, como atesta a sua contabilidade. Ao manejar recurso, o sujeito passivo não refuta especificamente as questões abordados na decisão recorrida, tendo se limitado a fazer menção à legislação de regência, que, no seu entendimento, embasaria o direito à restituição dos valores retidos excedentes aos devidos à Previdência Social. Após o protocolo do recurso, a autoridade julgadora solicitou diligência para a verificação da contabilidade da empresa, a fim de exercer um eventual juízo de retratação, acaso fosse verificado que a empresa possuía escrituração contábil regular. Todavia, a Informação Fiscal de fl. 236 menciona que, após análise dos livros Diário e Caixa dos períodos correspondentes ao pedido de restituição, não há escrituração de despesas compatíveis com a manutenção dos serviços de transportes prestados pela empresa. Dessa forma, sugere a manutenção da decisão que indeferiu o pedido de restituição. Constatase pela Informação Fiscal supra que o sujeito passivo não mantinha escrituração contábil regular. Apesar de regularmente intimada (efls.275/276) para manifestar se acerca das constatações da autoridade fiscal, a recorrente permaneceu silente. O art. 225, § 4º, II, da Instrução Normativa INSS nº 100/2003, vigente à época do protocolo do pedido de Restituição, previa: Fl. 283DF CARF MF Processo nº 35474.000082/200513 Acórdão n.º 2201003.497 S2C2T1 Fl. 284 4 Art. 225. Compete à Chefia do Serviço/Seção/Setor de Arrecadação da APS decidir sobre requerimento de reembolso e de restituição. (...) § 4º Fica condicionada ao despacho conclusivo de Auditor Fiscal da Previdência Social (AFPS), a decisão referente aos processos que apresentem as seguintes situações: (...) II – restituição decorrente da retenção na cessão de mãode obra ou na empreitada em que o valor da mãodeobra empregada é inferior a quarenta por cento do valor bruto dos serviços contido na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, quando a requerente apresentar prova de que possui escrituração contábil formalizada. Diante da conformidade verificada pelo sujeito passivo e da análise da contabilidade perpetrada pela autoridade fiscal, resta incontroversa a situação fática de que a recorrente não mantinha escrituração contábil regular, o que, por si só, é óbice intransponível para o deferimento do pedido de restituição. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso, para no mérito, negar lhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 284DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.000578/2010-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2006, 2007
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Impõe-se o lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Jurídica que embora constante de DIPJ não foi pago e tampouco regularmente confessado em DCTF. Impertinentes alegações de compensação com supostos indébitos tributários, não comprovados e não regularmente processados perante a Administração Tributária.
Numero da decisão: 1803-001.155
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Walter Adolfo Maresch
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2006, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Impõe-se o lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Jurídica que embora constante de DIPJ não foi pago e tampouco regularmente confessado em DCTF. Impertinentes alegações de compensação com supostos indébitos tributários, não comprovados e não regularmente processados perante a Administração Tributária.
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ARGÜIÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Impõese o lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Jurídica que embora constante de DIPJ não foi pago e tampouco regularmente confessado em DCTF. Impertinentes alegações de compensação com supostos indébitos tributários, não comprovados e não regularmente processados perante a Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório CAPS EMBALAGENS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de lançamento de ofício, contendo Autos de Infração IRPJ e CSLL, relativos aos anos calendários 2006 e 2007. A auditoria fiscal realizada efetuou confronto entre os saldos devedores de IRPJ e CSLL constante da DIPJ e o confronto com os valores declarados em DCTF e efetivamente recolhidos. Constatou a autoridade fiscal que o contribuinte nos períodos em questão, embora registrasse valores a pagar a título de IRPJ e CSLL, não declarou e tampouco recolheu qualquer valor a título destes tributos federais. Em sua impugnação tempestivamente apresentada, restringiuse a contribuinte a alegar de que possuía expressivo saldo de créditos junto à Fazenda Nacional, razão pela qual entendeu não ser necessário declarar ou recolher qualquer montante à título de IRPJ e CSLL. A DRJ CAMPINAS (SP), através do acórdão nº 1432.127, de 13 de janeiro de 2011 (fls. 121/124), julgou procedente, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ANO CALENDÁRIO: 2006, 2007 CRÉDITO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. CONDIÇÕES DE USO. Alegados créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública somente podem ser usados para compensação com crédito tributário (débitos) mediante a entrega de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, conforme estabelecido no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ANO CALENDÁRIO: 2006, 2007 CRÉDITO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. CONDIÇÕES DE USO. Alegados créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública somente podem ser usados para compensação com crédito tributário (débitos) mediante a entrega de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, conforme estabelecido no artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Ciente da decisão em 25/03/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 127), apresentou o recurso voluntário em 20/04/2011 fls. 128/130, onde reitera os argumentos da inicial. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 19311.000578/201061 Acórdão n.º 180301.155 S1TE03 Fl. 139 3 É o relatório. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício de IRPJ e CSLL, relativo aos anos calendários 2006 e 2007, por ausência de pagamento e confissão dos débitos constantes da DIPJ dos mencionados anos calendários. Alega a recorrente em síntese de que conforme atestam suas declarações é detentor de expressivos créditos frente à Fazenda Nacional dispensando portanto o recolhimento de qualquer montante à título de IRPJ e CSLL. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme a bem lançada decisão de primeira instância já realçou, a compensação de tributos federais, deve ser acompanhada de procedimentos e obrigações acessórias que incluem a entrega por meio eletrônico da denominada PER/DCOMP e também a informação nas DCTF’s para permitir o controle e a efetividade das compensações realizadas por parte da Administração Tributária. A singela alegação de supostos créditos, desacompanhada de qualquer comprovação da origem, natureza e detalhamento dos indébitos tributários, não se presta a elidir o lançamento de ofício realizado. Por derradeiro, se os supostos créditos realmente tem sustentação, liquidez e certeza, devem ser pleiteados regularmente perante a Administração Tributária, pelos meios próprios, não impedindo no entanto, a aplicação da penalidade de ofício e da fluência dos juros de mora. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 08/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10283.007061/2007-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 70 61 /2 00 7- 15 Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10283.007061/200715 Acórdão n.º 9202004.806 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10283.007061/200715 Acórdão n.º 9202004.806 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10283.007061/200715 Acórdão n.º 9202004.806 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10283.007061/200715 Acórdão n.º 9202004.806 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10283.007061/200715 Acórdão n.º 9202004.806 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10283.007061/200715 Acórdão n.º 9202004.806 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10283.007061/200715 Acórdão n.º 9202004.806 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10283.007061/200715 Acórdão n.º 9202004.806 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10283.007061/200715 Acórdão n.º 9202004.806 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 196DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000278/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final.
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO.
O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtê-lo.
Numero da decisão: 3401-003.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros, relativamente à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, em negar provimento. Quanto ao mérito, deu-se parcial provimento, da seguinte forma: a) Aquisições para revenda que foram objeto de consumo - por unanimidade de votos, negou-se provimento; b) Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições - por unanimidade de votos, negou-se provimento; c) Importação - Aquisições com CFOP que não representa aquisição de bens nem operação com direito a crédito - por unanimidade de votos, negou-se provimento; d) Bens que não se enquadram no conceito de insumos - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para admitir o creditamento sobre pallets, sacos, big bags, luvas látex para coleta de sêmen, luva vaqueta e "vassourão para pátio", vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao vassourão para pátio, os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que admitiam crédito em maior extensão, e o Conselheiro Robson José Bayerl, que negava o creditamento sobre vassourão para pátio, sendo que os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Eloy Eros da Silva Nogueira manifestaram intenção de apresentar declaração de voto sobre a matéria; e) Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa - por voto de qualidade, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; f) Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições - por maioria de votos, negou-se provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Rodolfo Tsuboi, que divergiam quanto à impossibilidade de se acatar o pedido alternativo; g) Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito - por maioria de votos, negou-se provimento, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; h) Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão - por unanimidade de votos, negou-se provimento; i) Serviços utilizados como insumos (Ficha 6A-Linha 3) - por maioria de votos, deu-se parcial provimento para admitir o creditamento sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht - pallet, serviço de repaletização e serviço de carregamento de aves para venda, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações e serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; j) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 6A-Linha 7) - por unanimidade de votos, negou-se provimento; e, l) Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 6A-Linhas 25/26) - por unanimidade de votos, deu-se provimento. Designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira para redigir o voto vencedor.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(incorporada por BRF BRASIL FOODS S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 78 /2 00 9- 22 Fl. 2970DF CARF MF 2 O crédito presumido de que trata o artigo 8o da Lei no 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros, relativamente à preliminar de nulidade, por unanimidade de votos, em negar provimento. Quanto ao mérito, deuse parcial provimento, da seguinte forma: a) Aquisições para revenda que foram objeto de consumo por unanimidade de votos, negouse provimento; b) Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições por unanimidade de votos, negouse provimento; c) Importação Aquisições com CFOP que não representa aquisição de bens nem operação com direito a crédito por unanimidade de votos, negouse provimento; d) Bens que não se enquadram no conceito de insumos por maioria de votos, deuse parcial provimento para admitir o creditamento sobre pallets, sacos, big bags, luvas látex para coleta de sêmen, luva vaqueta e "vassourão para pátio", vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao “vassourão para pátio”, os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que admitiam crédito em maior extensão, e o Conselheiro Robson José Bayerl, que negava o creditamento sobre “vassourão para pátio”, sendo que os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Eloy Eros da Silva Nogueira manifestaram intenção de apresentar declaração de voto sobre a matéria; e) Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa por voto de qualidade, negouse provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; f) Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições por maioria de votos, negouse provimento, vencidos os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira e Rodolfo Tsuboi, que divergiam quanto à impossibilidade de se acatar o pedido alternativo; g) Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito por maioria de votos, negouse provimento, vencido o Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira; h) Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão por unanimidade de votos, negouse provimento; i) Serviços utilizados como insumos (Ficha 6A Linha 3) por maioria de votos, deuse parcial provimento para admitir o creditamento sobre serviço limpeza geral em instalações, serviço dedetização, serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht pallet, serviço de repaletização e serviço de carregamento de aves para venda, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Rodolfo Tsuboi, que restringiam o crédito ao serviço limpeza geral em instalações e serviço dedetização, e os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que reconheciam o crédito em maior extensão; j) Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 6ALinha 7) por unanimidade de votos, negouse provimento; e, l) Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 6ALinhas 25/26) por unanimidade de votos, deuse provimento. Designado o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira para redigir o voto vencedor. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.971 3 AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Ressarcimento (PER) no 16453.75789.090908.1.1.09.6973 (fls. 3 a 5)1, transmitido em 09/09/2008, demandando créditos da COFINS (com fundamento no art. 6o, § 1o da Lei no 10.833/2003), na sistemática não cumulativa, referentes ao 2o trimestre de 2008, no valor original de R$ 5.516.598,21. Há ainda diversas Declarações de Compensação (DCOMP), relacionadas à fl. 7, vinculadas ao valor do crédito. Por meio do Despacho Decisório de fls. 2689/2691, emitido em 16/05/2012, o PER foi indeferido, e as compensações não homologadas, por não ter sido confirmada a existência de qualquer crédito a ressarcir no período em tela, com fundamento na Informação Fiscal de fl. 2646 a 2685, na qual narra a fiscalização que: (a) a empresa, inicialmente denominada Perdigão Agroindustrial S.A., foi incorporada pela Perdigão S.A., que teve o nome alterado para BRF Brasil Foods S.A., com endereço e sede social em Itajaí/SC; (b) a empresa foi intimada a apresentar arquivos e documentos necessários à comprovação do crédito pleiteado, tendo sido a intimação parcialmente cumprida, solicitandose prorrogação de prazo para complemento, concedida em reintimação; (c) com o objetivo de esclarecer dúvidas relativas ao recebimento de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, e sobre descontos incondicionais concedidos, foi lavrada nova intimação fiscal, parcialmente atendida; (d) a partir dos DACON, e das memórias de cálculo, cotejadas com notas fiscais, a fiscalização elaborou "matriz de glosas", a ser aplicada às notas fiscais, identificando os créditos a que faz jus a empresa, e as glosas (que são a diferença entre o valor declarado em DACON e o reconhecido), detalhadas no quadro a seguir, em conjunto com as razões de defesa; (e) após as glosas, foi apurado o crédito com base em rateio proporcional (mercado interno e externo), conforme tabelas de fls. 2675/2684, tendo restado, depois das glosas, saldo a pagar, não declarado em DCTF, foi efetuada exigência fiscal por meio de auto de infração (no processo administrativo no 11516.721199/201261); e (f) tendo em vista autuações anteriores (relacionadas à fl. 2680) os saldos de créditos de meses anteriores são equivalentes a zero. Cientificada do despacho decisório em 25/05/2012 (fl. 2696), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 21/06/2012 (fls. 2703 a 2793) argumentando, em síntese, que: (a) o despacho decisório é nulo, por ausência de motivação clara, explícita e congruente, individualizando as razões das glosas para cada item; (b) há ainda nulidade por 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 2972DF CARF MF 4 cerceamento do direito de defesa e violação ao devido processo legal, por ausência de detalhamento acerca do não reconhecimento "de inúmeros créditos", relativos aos itens glosados; (c) há também nulidade por violação ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972; (d) a não cumulatividade das contribuições, hoje constitucionalizada, restringiu a liberdade do legislador e do intérprete, vinculandose à receita e não ao produto (IPI) ou mercadoria (ICMS), possuindo maior amplitude, relacionada a custos, despesas e insumos de sua atividade, que contribuam direta ou indiretamente para obtenção de receita, sendo ilegais as Instruções Normativas da RFB que restrinjam tal amplitude; (e) as razões para as glosas, com fundamento na legislação do IPI, são ilegais; e (f) é improcedente a aplicação da Taxa SELIC a título de juros de mora, e a aplicação de juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada (fls. 2790/2792). Demanda a empresa, por fim, prova pericial para avaliação da adequação ao conceito de insumo. Em relação às glosas, em espécie, as razões de defesa estão resumidas na tabela a seguir, na coluna da direita, ao lado das respectivas razões de glosa. GLOSAS DEFESA FICHA 16A LINHA 01 Bens adquiridos para revenda (fls. 2654/2655) a) aquisições que bens para revenda que, na verdade, foram consumidos pela empresa (pela filial de CNPJ no 86.457.619/017020), cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; b) aquisições que bens utilizados como insumos, sujeitos à alíquota zero das contribuições (crédito vedado pelo art. 3o, § 2o da Lei n o 10.833/2003), cf. listagem 03NF Glosadas Alíquota zero; FICHA 16A LINHA 01 Bens adquiridos para revenda (fls. 2741/2742) a) e b) Diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições consumidas pela própria empresa, assim como nas aquisições de insumos com alíquota zero. Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.972 5 GLOSAS (continuação) DEFESA (continuação) FICHA 16A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2655/2660) c) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (v.g., pallet de madeira, camiseta e refeição), cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; d) pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, cf. listagem 04NF Glosadas Fretes de Transferência de produtos acabados; e) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero para as contribuições (em função do disposto no art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003), cf. listagem 03NF Glosadas Alíquota zero; f) notas fiscais cujo CFOP (Código Fiscal de Operação) não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, cf. listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP; e g) notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições (em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006), cf. listagem 11NF Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória; FICHA 16A LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2742/2766) c) a fiscalização usa conceito equivocado e restrito de insumos, efetuando glosas em relação a bens que são essenciais ao processo produtivo (v.g., fita sanitária, luvas, faca, suporte de faca, trava faca, encosto de faca, cabo de bisturi), e já há precedentes do CARF afastando glosas em relação a itens como peças de reposição e serviços gerais, materiais de segurança, material para conservação e limpeza, material de embalagem e etiquetas; e os pallets são utilizados na industrialização, para movimentar matériasprimas, e na armazenagem de matériasprimas e de produtos industrializados. Houve ainda glosa de combustível, em específico, a gasolina, empregada no processo industrial de fabricação de alimentos, e com previsão expressa de geração de crédito na lei de regência; d) a fiscalização presumiu que o transporte entre unidades da empresa se referia a produtos acabados, sem provas, e tais fretes são feitos dentro de regras e determinações da ANVISA; e) diversos produtos para os quais se imputa alíquota zero na Lei no 10.925/2004 não se tipificam nas classificações fiscais descritas, são insumos, e deveria, ao menos, ser outorgado o crédito presumido de que trata o art. 8o da mesma Lei no 10.925/2004; f) a alegação fiscal trata de itens diversos conjuntamente, quando deveriam estar segregados para que fosse justificado de modo adequado a glosa, que, de qualquer forma, deve ser afastada em função do conceito de insumos adotado e da utilidade, inerência e relevância no processo produtivo (v.g., de faca, navalha, mola, martelo, rolamento e extrato de tomate, além de embalagens e serviços de industrialização de ração por encomenda); g) a interpretação da fiscalização sobre o dispositivo legal é improcedente, não sendo obrigatória a suspensão até o advento da Instrução Normativa RFB no 977/2009, e, sendo tributada a operação anterior, assegurado é o crédito; Fl. 2974DF CARF MF 6 GLOSAS (continuação) DEFESA (continuação) FICHA 16A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fls. 2660/2661) h) aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; FICHA 16A LINHA 03 Serviços utilizados como insumos (fls. 2766/2772) h) a fiscalização usa conceito equivocado e restrito de insumos, e os serviços glosados são essenciais e inerentes ao processo produtivo, especialmente os relacionados a limpeza, higiene e desinfecção; FICHA 16A LINHA 07 Despesas de armazenagem e fretes na Operação de Venda (fls. 2661/2662) i) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, cf. listagens 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; e 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP; FICHA 16A LINHA 07 Despesas de armazenagem e fretes na Operação de Venda (fls. 2775/2778) i) os pagamentos a pessoas físicas não podem ser glosados, em função da noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva; e os serviços portuários e despesas aduaneiras foram incorretamente glosados, porque estão incluídos nas despesas de frete na venda e armazenagem; FICHA 16A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 2662/2672) j) crédito solicitado com base no inciso incorreto do § 3o do art. 8o da Lei no 10.925/2004, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos; e notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda, cf. listagem 05Crédito Presumido detalhe. FICHA 16A LINHAS 25/26 Crédito presumido de atividade agroindustrial (fls. 2778/2790) j) o crédito presumido se aplica também a operações de revenda, e com fundamento no art. 17 da Lei no 11.033/2004; e o cômputo da alíquota deve ser feito em função do produto fabricado, e não da aquisição; FICHA 16B LINHA 01 Bens para Revenda (fls. 2672/2673) k) notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, cf. listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP; FICHA 16B LINHA 01 Bens para Revenda (fls. 2741/2742) k) as leis de regência expressamente garantem o crédito em operações de revenda; Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.973 7 GLOSAS (continuação) DEFESA (continuação) FICHA 16B LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2673/2675) l) aquisições que não se enquadram no conceito de insumo presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004 (cruzamento importações x inventário), cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (ficha 6B linha 2); m) importações cujo CFOP denota operações sem direito a crédito nesta linha (v.g., compra de bem para ativo imobilizado, compra de material para uso e consumo, e outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada), cf. listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP; e n) aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero das contribuições (em função do disposto no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003), cf. listagem 03 NF Glosadas Alíquota zero. FICHA 16B LINHA 02 Bens utilizados como insumos (fls. 2772/2774) l) e m) as glosas são improcedentes porque há previsão expressa para o crédito no art. 15 da Lei no 10.865/2004; n) Diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições consumidas pela própria empresa, assim como nas aquisições de insumos com alíquota zero (argumentado em tópico diverso). Em 19/04/2013 (fls. 2843 a 2891), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindo aquele colegiado unanimemente que: (a) não há nulidade no despacho decisório; (b) o conceito de insumo é o estabelecido nas Instruções Normativas no 247/2002 e no 404/2004, que apenas esclareceram o conteúdo das leis de regência; (c) nos processos administrativos relativos a ressarcimento/compensação, o ônus probatório é do postulante, não tendo se desincumbido de tal ônus a empresa, em relação a diversos itens; (d) para reconhecimento correto do crédito, a empresa deve registrar os itens também corretamente em DACON (ou efetuar a retificação correspondente), não cabendo a acolhida de pedidos alternativos no curso do contencioso, em desacordo com a informação prestada em DACON; (e) somente geram crédito os bens utilizados como insumo, se houver pagamento das contribuições nas aquisições, conforme art. 3o, § 2o, II das leis de regência, e não há que se falar em manutenção de crédito, com fundamento no art. 17 da Lei no 11.033/2004, se o crédito sequer existe; (f) não houve glosas de bens impugnados, como fita sanitária, bolsa térmica, caixas de papelão e etiquetas, material de segurança, e material para conservação e limpeza; (g) não se demonstrou ser o combustível aplicado no processo produtivo; (h) a legislação permite a tomada de créditos em relação a fretes contratados junto a pessoas jurídicas como insumo e na operação de venda, não havendo previsão para fretes entre unidades da empresa, e não tendo havido presunção, pela fiscalização, mas mera utilização de registros da própria empresa; (i) não demonstrou a empresa por qual motivo produtos enquadrados na alíquota zero estariam incorretamente classificados; (j) a suspensão prevista na Lei no 10.925/2004 é obrigatória, mesmo antes da Instrução Normativa RFB no 977/2009; (k) não constam na listagem de serviços glosados o despacho aduaneiro e o processamento de resíduos e análise de água; (l) no caso de crédito presumido, a alíquota é estabelecida em função das aquisições, e não do produto fabricado; (m) o presente processo não trata de lançamento, não havendo que se falar em exclusão de juros lançados, sobre principal ou multa de ofício; e (n) a perícia é desnecessária. Fl. 2976DF CARF MF 8 Cientificada do acórdão da DRJ em 28/06/2013 (AR à fl. 2893), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 11/07/2013 (fls. 2894 a 2967), basicamente reiterando as alegações expostas em sua manifestação de inconformidade, agregando que (a) a decisão de piso é nula por negar o pedido de perícia, adequadamente formulado, sem justificativa plausível, cerceando a defesa (fls. 2899/2901); e (b) houve indevida glosa de energia elétrica e afins (fls. 2957/2958); e suprimindo a menção a serem indevidos juros de mora sobre o principal e sobre multa. Em 17/03/2016 o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, tendo sido incluído em pauta em setembro de 2016 (e retirado de pauta durante a sessão), e indicado para a pauta de outubro de 2016, em sessão suspensa por determinação do CARF, assim como em novembro e dezembro do mesmo ano. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. 1. Do tratamento de processos albergados no mesmo despacho decisório No Despacho Decisório (fls. 2689/2691), afirmase que os seguintes processos deveriam ser analisados em conjunto, por trimestre: Foi, assim, lavrada autuação em relação aos períodos abrangidos por quatro processos administrativos de compensação. Nesta sessão de julgamento estáse a analisar três deles (o presente e os processos de no 16349.000285/200924 e no 16349.000286/200979), tendo o quarto processo sido analisado pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção deste CARF, em 25/03/2014, por meio do Acórdão no 3402002.361, no qual se deu parcial provimento ao recurso, para: (a) por unanimidade de votos, para (a1) reconhecer os créditos relativos a cabo bisturi e pallets de madeira; a situações em que o CFOP supostamente não seria de aquisição; e a serviços de limpeza, processamento de resíduos, análise de água e congêneres; (a2) acolher a alíquota postulada para cálculo dos créditos presumidos nas atividades agroindustriais; e (a3) admitir parcialmente, nos termos do voto do relator, os créditos dos serviços de despachante aduaneiro na importação, das despesas com pesagem, monitoramento, desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e taxa de selagem de contêineres, aquisições de partes e peças e aquisição de insumos de pessoa jurídica; (b) por maioria de votos, para reconhecer os créditos relativos a aquisição de bens utilizados como insumo ou para revenda sujeitos à alíquota zero; e (c) por voto de qualidade, para negar provimento em relação aos créditos relativos a fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.974 9 Cumpre ainda informar que, por meio da Resolução no 3101000.402, de 10/12/2014, foi convertido em diligência o julgamento do processo administrativo no 11516.721199/201261 (auto de infração), por unanimidade de votos, para que se aguardasse a decisão administrativa definitiva nos quatro processos relativos a pedido de ressarcimento. É de se informar, por fim, que nenhum dos relatores dos processos acima referidos permanece, atualmente, como conselheiro, neste tribunal administrativo. Passase a analisar, assim, o direito de crédito, no caso em análise (COFINS, no 2o trimestre de 2008), cabendo tecer, preliminarmente, algumas considerações iniciais sobre processos nos quais se discute direito de crédito referente a insumos, na legislação que rege as contribuições. 2. Precedentes administrativos gerais e específicos Os precedentes administrativos cumprem papel de contribuir para o debate, no seio deste colegiado, buscando visão mais consistente e harmônica sobre o conteúdo da legislação, e não vinculam, salvo disposição normativa expressa, o entendimento por parte dos julgadores. Cabe, no entanto, destacar que atuei como relator em diversos processos administrativos com conteúdo semelhante ao do presente, da mesma empresa incorporadora, em relação a períodos de apuração próximos, regidos pela mesma legislação. Atuei como relator, na sessão de 24/09/2013, da Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção deste CARF, em nove processos da empresa, referentes aos períodos abaixo: Período Processos Acórdãos 1o trimestre de 2007 10925.720046/201212 (auto de infração); 10925.905351/201100 (DCOMPPIS); e 10925.905352/201146 (DCOMPCOFINS) 3403002.469, 3403002.472 e 3403002.473, respectivamente 2o trimestre de 2007 10925.720686/201222 (auto de infração); 10925.905353/201191 (DCOMPPIS); e 10925.905355/201180 (DCOMPCOFINS) 3403002.470, 3403002.474 e 3403002.476, respectivamente 3o trimestre de 2007 10925.721257/201272 (auto de infração); 10925.905354/201135 (DCOMPPIS); e 10925.905356/201124 (DCOMPCOFINS) 3403002.471, 3403002.475 e 3403002.477, respectivamente E, mais recentemente, atuei como relator, na sessão de 24/02/2015, ainda na Terceira Turma, em outros dois processos administrativos da empresa, referentes ao período abaixo: Período Processos Acórdãos 3o trimestre de 2008 10925.907013/201102 (DCOMPPIS); e 10925.907012/201150 (DCOMPCOFINS) 3403003.551, e 3403003.550, respectivamente Fl. 2978DF CARF MF 10 Tais informações são relevantes e pertinentes, pois as matérias analisadas nestes autos são majoritariamente as mesmas, e sob os mesmos fundamentos, resguardadas algumas especificidades que serão anotadas ao longo deste voto. E, de um para outro julgamento, alteramos nosso posicionamento somente em relação a um tópico, justificadamente. Recordese que o presente processo trata de direito de crédito referente à COFINS, e relativo ao 2o trimestre de 2008. Passase, a seguir, a analisar tal direito, tecendose, inicialmente considerações sobre as alegações de nulidade levantadas na peça recursal (tópico 4). Nos tópicos seguintes (5, 6 e 7), é externado o posicionamento que foi sustentando neste tribunal administrativo em todos os citados processos, da mesma empresa, e que permanece norteando a convicção deste julgador. Por fim, no tópico 8, são analisadas as glosas em espécie. 4. Das alegações preliminares de nulidade Aos argumentos pela nulidade do despacho decisório, externados na manifestação de inconformidade, com fundamento (a) na ausência de motivação clara, explícita e congruente, individualizando as razões das glosas para cada item; (b) na existência de cerceamento do direito de defesa e violação ao devido processo legal, por ausência de detalhamento acerca do não reconhecimento "de inúmeros créditos", relativos aos itens glosados; e (c) em violação ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972; a empresa agrega em seu recurso voluntário demanda (d) pela nulidade da decisão de piso, por negar o pedido de perícia, adequadamente formulado, sem justificativa plausível, cerceando a defesa. Ao analisarmos a Informação Fiscal de fls. 2646 a 2685, que dá origem às glosas, e supedaneia o despacho decisório, percebemos, no entanto, que ali estão relacionadas todas as razões de glosa, e as motivações para o indeferimento do direito de crédito. O fato de estarem as glosas agrupadas por tema, e não por item, ao invés de dificultar ou obstaculizar, facilita o trabalho de defesa. Bastaria a empresa, em sua defesa, contrapor de forma consistente as razões de glosa referentes a determinado tema (v.g., aquisições com alíquota zero) que todas as glosas agrupadas em tal tema pereceriam. Caso a empresa discordasse, ainda, do agrupamento, bastaria questionar o que entendeu mal, ou inadequadamente agrupado. Se as glosas abrangem elevado número de itens, e diversidade de situações, é porque a atividade da empresa contempla tais atributos, bastando à defesa adotar o mesmo método da autuação, discutindo as rubricas glosadas, por grupo, e eventuais incorreções no agrupamento. E é isso que se vê, na defesa, agrupada por tópico glosado. Não há, assim, ausência de motivação clara, explícita e congruente, pois as razões das glosas são especificadas. A especificação desejada pela empresa, item a item, explicando, v.g., porque cada parafuso não faz parte do processo produtivo, ao invés de simplesmente externar o critério utilizado para delimitação do que seja um insumo gerador de crédito, não se coaduna com as disposições que externaremos, neste voto (tópico 5), sobre o ônus probatório nos processos de ressarcimento/compensação. Parece, assim, a recorrente, ao argumentar pela nulidade, no caso, não compreender seu encargo, em processos do gênero. Não há, pelas mesmas razões, cerceamento de defesa ou violação ao contraditório, nem afronta ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, pois o processo está instruído Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.975 11 com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação e à compreensão das razões que fundamentam as glosas. Pelo exposto, não se vê nulidade no despacho decisório. Quanto à alegação de nulidade da decisão de piso, por negar o pedido de perícia, adequadamente formulado, sem justificativa plausível, cerceando a defesa, vêse igual improcedência, porque, como aqui exporemos, no tópico 5, a seguir, a diligência ou a perícia não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou do contribuinte. Ademais, o critério utilizado pela DRJ para delimitar o conceito de insumos na legislação que rege as contribuições endossou a desnecessidade da diligência/perícia, que se destinava a comprovar a utilização de bens no processo produtivo. Portanto, não incorreu em nulidade a decisão de piso ao negar a demanda por diligência/perícia. 5. Considerações sobre ônus probatório nos processos referentes a ressarcimento/compensação As presentes considerações iniciais sobre o ônus probatório nos processos de ressarcimento/compensação são necessárias à análise da demanda por diligência/perícia, e de alguns itens para os quais a empresa não tratou de carrear aos autos documentos que amparariam seu direito a crédito. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante, e é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, inclusive, no caso de insumos, a forma de vinculação dos bens ao processo produtivo. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador, cabível seria a demanda pericial. No entanto, não se pode acolher pedido de perícia para produzir no processo elementos probatórios a cargo de uma das partes (no caso, a postulante do crédito), elementos esses que já deveriam figurar nos autos, e cuja ausência tem por implicação a negativa de reconhecimento dos créditos correspondentes. Assim vem decidindo unanimemente este CARF, inclusive nos citados processos da mesma recorrente: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) Fl. 2980DF CARF MF 12 “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.470, 471, 474, 475, 476 e 477, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)(grifo nosso) "PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) (grifo nosso) Desse modo, incabível acolher o pleito de realização de diligência/perícia, pois restam claras nos autos as motivações das glosas, que foram compreendidas a contento pela recorrente, que, por sua vez, ao invés de trazer ao processo elementos probatórios de seu direito, inclusive no que se refere ao processo produtivo, posterga a discussão para eventual diligência/perícia. Assim, tendo em conta as considerações iniciais sobre o ônus probatório em processos do gênero, indeferese a realização de diligência/perícia. 6. Aspectos constitucionais da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS Também a título de considerações preliminares, incumbe esclarecer que a nãocumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.976 13 (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. 7. Do conceito de insumos na legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que Fl. 2982DF CARF MF 14 não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Concluise, então, que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem também unanimemente decidindo este CARF: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) "NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...)." (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.977 15 Isto posto, caberia analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto (à luz dos elementos trazidos aos autos sobre o processo produtivo da empresa) permitirá um enquadramento mais preciso. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos, adotando a ordem da tabela confeccionada em nosso relatório, agrupandose os itens da ficha 16A e da ficha 16B que versam sobre conteúdo idêntico. 8. Das glosas em espécie As glosas em espécie, como relatado de início, foram subdivididas, de acordo com as fichas do DACON, em cinco grupos: (1) bens adquiridos para revenda (a) que foram consumidos, ou (b) que estavam sujeitos à alíquota zero; (2) bens utilizados como insumos que (c) não se enquadram no conceito de insumos, (d) representam pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, (e) estão sujeitos à alíquota zero, (f) constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, ou (g) representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão; (3) serviços utilizados como insumos, que (h) não se enquadram no conceito de insumos; (4) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, que (i) constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; e (5) crédito presumido de atividade agroindustrial, que (j) foi solicitado com base em inciso incorreto da lei de regência, e com aquisições registradas em notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda. Há, ainda, glosas referentes a (k) bens importados para revenda constantes de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito (ficha 16Blinha 1) e bens importados utilizados como insumos que (l) não se enquadram no respectivo conceito, (m) representam importações cujo CFOP denota operações sem direito a crédito, e (n) estão sujeitos à alíquota zero das contribuições (ficha 16Blinha2). Tais itens, como exposto, serão agrupados aos relativos ao mesmo tema, nos cinco grupos acima, no presente voto. 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 2984DF CARF MF 16 8.1. Bens adquiridos para revenda (Fichas 16A e 16BLinha 1) As glosas efetuadas, como relatado, são motivadas, pela fiscalização, por duas razões: (a) terem sido os bens consumidos pela empresa; e (b) estarem as mercadorias adquiridas sujeitas à alíquota zero das contribuições. No que se refere a importações, a motivação das glosas foi que as aquisições constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito. 8.1.1. Aquisições para revenda que foram objeto de consumo A fiscalização efetuou glosas em relação a bens adquiridos para revenda, mas que, conforme memória de cálculo fornecida pela empresa em atendimento a intimação, tiveram saída para estabelecimento da própria empresa (filial de CNPJ no 86.457.619/017020). As notas fiscais glosadas estão relacionadas cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (fls. 2615 a 2645). Em tal listagem, as glosas referentes à Ficha 16ALinha 1 do DACON trataram (à exceção de uma, que versa sobre "quadro comando em PVC") de café expresso, cerveja e refrigerante, sendo patente que a empresa não contempla, em sua atividade, a comercialização de tais produtos: Em sua defesa, alega a empresa que diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições consumidas pela própria empresa. Não refuta, assim, terem sido os bens consumidos, o que se assume, por decorrência, como incontroverso. Como assinalamos neste voto, a não cumulatividade constitucionalmente consagrada não é irrestrita, e o conceito de insumos não é tão alargado quanto deseja a recorrente, nem tão estreito quanto propugna o fisco. No entanto, tal discussão é pouco relevante no que se refere a aquisições para revenda, pois aí não se está a tratar propriamente de insumos, necessários à obtenção do produto fabricado. E também o teor do artigo 17 da Lei no 11.033/2004 tem escassa relação com o tema em análise, pois versa somente sobre manutenção de crédito em relação a operações vinculadas a venda com suspensão, isenção ou alíquota zero. Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.978 17 Não há, assim, qualquer alegação de defesa que afaste as razões da glosa, que deve, por consequência, ser mantida. 8.1.2. Aquisições sujeitas à alíquota zero das contribuições A fiscalização efetuou glosas em relação a bens adquiridos para revenda por estarem determinados bens adquiridos sujeitos à alíquota zero das contribuições, incidindo a vedação estabelecida no art. 3o, § 2o da Lei no 10.833/2003, cf. listagem 03NF Glosadas Alíquota zero. Em tal listagem (fls. 404 a 443), percebese que há 11 motivações de glosa diferentes, agrupadas de acordo com a lei que estabelece a alíquota zero: Das 11 motivações, percebese, verificando a listagem, que quatro ("CAP7 8", "LEITE", "QUEIJO" e "P3002.30") ensejaram glosa na Linha 1 da Ficha 16A, e serão analisadas no presente tópico. Em sua defesa, a empresa alega que, diante da não cumulatividade e do conceito de insumos, e da previsão do art. 17 da Lei no 11.033/2004, é possível manter créditos nas aquisições de insumos com alíquota zero. Já tratamos de tais alegações no tópico anterior, aparando as pretensões da recorrente, que não se defende objetivamente do que lhe é imputado, remetendo a disposições genéricas que não lhe socorrem. E alega ainda a recorrente, em relação às aquisições com alíquota zero, constantes em outros tópicos de glosa, que diversos produtos não seriam tipificados nas classificações fiscais descritas. A alegação de erro, no entanto, não se faz acompanhar de qualquer explicação adicional, que possibilite saber as razões pelas quais a empresa discorda da classificação por ela própria adotada. No caso, todos os enquadramentos se referem a normas legais vigentes que estabelecem a alíquota zero para as mercadorias adquiridas. E, sobre as aquisições com alíquota zero, é de se remeter à vedação constante no art. 3o, § 2o, tanto da Lei no 10.637/2002, quanto da Lei no 10.833/2003, em ambos os casos com a redação dada pela Lei no 10.865/2004: § 2o Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei no 10.865, de 2004) Fl. 2986DF CARF MF 18 (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) O art. 17 da Lei no 11.033/2004, por sua vez, não confere direito a crédito, mas tão somente à manutenção de crédito já existente, e assegurado por outra norma vigente, vinculado às operações, como se percebe de seu texto: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Assim, inexistente o direito ao crédito, por expressa disposição legal, devendo ser mantidas as glosas. 8.1.3. Importação Aquisições com CFOP que não representa aquisição de bens nem operação com direito a crédito No que se refere a mercadorias importadas (Ficha 16B, Linha 1), a fiscalização efetuou glosas em relação a aquisições que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, cf. listagem 02 NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP. Em tal listagem (fls. 401 a 403), percebese que houve uma única glosa na Linha 1 da Ficha 6B, referente a aquisição de soro de leite, em abril de 2008, com CFOP 3949 ("outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada"). A recorrente, ao invés de questionar especificamente a glosa, afirma, de forma genérica, que as leis de regência expressamente garantem o crédito em operações de revenda. sem esclarecer a que se refere a operação glosada, e de que modo tal operação ensejaria crédito (v.g., por eventualmente haver erro no registro da informação nas declarações da empresa, que objetivava ter informado operação diversa, e ensejadora de crédito). Ocorre que não foi o simples fato de haver revenda a questão expressamente levantada pelo fisco, e motivadora da glosa, mas o tipo da operação, declarado pela própria empresa, em categoria que não enseja direito a crédito, e permanece sem explicação pela recorrente. Procedente, assim, a glosa, que deve ser mantida, por não ter sido objeto de refutação específica pela recorrente. 8.2. Bens utilizados como insumos (Fichas 16A e 16BLinha 2) A fiscalização efetuou glosas em relação a bens utilizados como insumos que não se enquadram no conceito de insumos, que representam pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, que estão sujeitos à alíquota Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.979 19 zero, que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, e que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão. No que se refere a importações (Ficha 16B), as glosas se referem a aquisições que não se enquadram no conceito de insumos, que representam importações cujo CFOP denota operações sem direito a crédito, e que estão sujeitos à alíquota zero das contribuições. 8.2.1. Bens que não se enquadram no conceito de insumos No que se refere a bens adquiridos que entendeu a fiscalização não estarem enquadrados no conceito de insumos, cabe recordar que o conceito de insumos adotado neste voto não é nem o defendido pela fiscalização e pela DRJ (afeto à legislação do IPI) nem o pretendido pela recorrente (relacionado à legislação do IRPJ). Para que se categorize o bem adquirido como insumo, na legislação que rege as contribuições em análise, este deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. É com base em tal conceito que apreciaremos as glosas da Linha 2 das Fichas 16A e 16B, constantes da listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos (fls. 2615 a 2645). Em tal listagem, podemos encontrar os seguintes bens: pallets de madeira (o item mais frequentemente visualizado); gasolina combustível de veículos; "big bags" e sacos; persianas em alumínio; estator, solvente; óleo hidráulico e óleo isolante; colher transparente; motoredutor; fio de algodão; microcomputador; vassourão para pátio; pinhão; gaxeta; resistência; luva látex para coleta de sêmen; capa de cabo; elementos de filtro e filtros; cilindro; buzina; válvulas; lâmpadas; corrente; porta; engrenagem; suporte; conjunto de reparo; refeição; desjejum; escovas; eixo; painel display; desengraxante; trocador de calor; camisas; caracol; controlador; berço; trilhosolda; quadrocomando; caixa de som; disjuntor; chinelo de dedo; freio; roda; esteira; tubo; chave; contator; correia; elevador; flange; bobina; luva de vaqueta; alojamentolâmina; mancal; tampas; cápsulas; no break; emenda; guarnição; maleta de ferramentas; subconjunto portagoma; célulascarga; dispenser porta toalha de papel; bomba; mangueira; placaPCI; balança; fonte; café com leite; suco; café puro; interruptor; gaiola; peças para conserto; palha de aço; motores; e produtos descritos com códigos que não permitem saber exatamente do que se tratam (v.g., "CAMECAM VF 300 848808 HANDTMANN"; "CARCAÇA PC07 JETFIX"; "FLM STRE USO MÁQUINA 500MMx1200MTPDG"; "CONJUNTO FLAT KAIB3480083 ULMA"; "CHUTE", "MÁQUINA"; "CARRINHO"; "FONTE"; e "RESÍDUO DE SERVIÇO DE SAÚDE"). A listagem, ao contrário do que pareceu entender a recorrente, possui bem menos de uma centena de espécies de bens. Houvesse a recorrente efetuado, em sua defesa, a leitura que ora empreendemos em nome da verdade material, poderia ela ter justificado o emprego de tais bens no processo produtivo, desincumbindose de seu ônus probatório. Há, na listagem, produtos para os quais não se tem dúvidas sobre a ausência de emprego no processo produtivo (v.g., refeição, desjejum, café com leite e suco). Mas há outros (v.g., óleo hidráulico, óleo isolante, desengraxante e combustíveis de veículos) para os quais bastaria a recorrente ter informado especificamente de que forma são utilizados no processo produtivo, para que se pudesse formar convicção a respeito da adequação ao conceito de insumos adotado. Fl. 2988DF CARF MF 20 No entanto, a recorrente pouco se esforça nesse sentido, limitandose a repisar o que entende como insumo e citar precedentes que nem sempre tratam dos itens glosados. Aliás, a própria peça recursal discute diversos itens que sequer são objeto de glosa, como fita sanitária, suporte de faca, trava faca e cabo de bisturi. Não se desincumbe, assim, a recorrente, do ônus probatório outorgado em processos de ressarcimento/compensação. E, no que se refere a importações, igualmente se limita a recorrente a afirmar que o direito de crédito decorre diretamente do art. 15 da Lei no 10.865/2004. No entanto, tal artigo tem conteúdo semelhante aos dispositivos que regem o crédito nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, não ensejando tratamento diferenciado, salvo disposição expressa. De todos os itens, o único especificamente questionado, de forma detalhada, pela recorrente, é o pallet, que figura na peça de defesa (fls. 2929 do recurso voluntário), ao lado de itens sequer glosados (bolsa térmica e caixa de proteção). Sustenta a empresa que: Alternativamente, a empresa demanda,em caso de não reconhecimento do crédito integral, que se acolha o crédito com fundamento no art. 3o, IX das leis de regência, que permitem o crédito na hipótese de armazenagem de mercadoria, porque tais produtos "têm por finalidade a armazenagem de matériasprimas ou as mercadorias produzidas e destinadas a comercialização". Sobre os pallets (e outros bens que, em verdade, constituem aquisições destinadas ao ativo imobilizado), mantemos o posicionamento externado no julgamento dos Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551, e que mencionam ainda os outros nove processos da mesma recorrente: Há que se destacar, contudo, nossa acordância com entendimento já externado nesta turma pela Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, de que os pallets são bens a serem contabilizados no ativo não circulante: “Relativamente aos “paletes de madeira” “tábuas” e “barrotes de eucalipto” utilizados para movimentação interna dos produtos industrializados, entendo que não se enquadram no conceito de insumo tal como previsto no inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03, até porque pelo valor e tempo de vida útil desses bens eles não podem ser deduzidos com despesa operacional e devem ser contabilizados no ativo não circulante (art. 301 do RIR/99) sujeitandose à depreciação, cuja despesa dela decorrente pode ser aproveitada para crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, nos termos do inciso III do § 1o do artigo3o da mesma Lei 10.833/03. Nesse sentido há diversas soluções de Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.980 21 consulta da Secretaria da Recita Federal do Brasil (...)”(Acórdão no 3403.001.935, Rel. Cons. Raquel Motta Brandão Minatel, maioria, sessão de 20.mar.2013) Assim, da mesma forma em que decidido unanimemente por este colegiado nos nove processos citados, mantémse a glosa em relação aos pallets. E o raciocínio externado em relação a pallets se aplica ainda aos demais bens considerados como insumos pela recorrente e que constituem, na verdade, aquisições destinadas ao ativo imobilizado. Não se pode admitir o crédito integral em relação a tais bens, por absoluta carência de amparo normativo. E avaliar o pedido alternativo de crédito proporcional equivale a ignorar a própria escrituração da empresa, e a analisar pedido diverso daquele que ensejou o despacho decisório (peça cuja ciência deu início ao contencioso). Nesse sentido a decisão unânime da turma nos multicitados nove processos da mesma empresa julgados em 2013: (...) Pelo exposto, são também mantidas as glosas em relação a bens indicados, escriturados e declarados ao fisco como insumos (inciso II do art. 3o das leis de regência) que na verdade se tratavam de aquisições destinadas ao ativo imobilizado." Assim, da mesma forma em que nos outros processos administrativos, entendo que não se pode admitir o crédito integral em relação os pallets, por absoluta carência de amparo normativo, tanto com fundamento no inciso II quanto no inciso IX do art. 3o das leis de regência, também demandado pela recorrente (e que trata de despesas de armazenagem, não de ativo imobilizado). A ausência de previsão normativa de crédito, como insumo, se estende a partes e peças, ou ferramentas, no que também mantenho o posicionamento externado nos nove acórdãos referentes aos processos relativos a 2007, da mesma recorrente,. cabendo aqui transcrever excerto de sua ementa, específico sobre o tema: CONTRIBUIÇÂO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, (...) não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; (...). Fl. 2990DF CARF MF 22 Devem, assim, ser mantidas as glosas efetuadas em relação a tais itens, cabendo, derradeiramente, verificar as alegações da recorrente em relação a combustíveis, em específico, a gasolina. Não temos dúvidas de que os combustíveis, assim como os lubrificantes, estão enquadrados no inciso II do art. 3o das leis de regência, aliás, expressamente: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (...); (grifo nosso) No entanto, não basta que se comprove a aquisição de combustíveis, devendo também se provar que tais combustíveis foram utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. E nisso peca a recorrente. Deveria ao menos ter demonstrado que a gasolina para veículos se presta não ao transporte de pessoas, ou a veículos de uso de funcionários, mas a transporte de mercadoria ou utilização nas instalações da empresa, no processo produtivo. No entanto, a peça recursal apenas sustenta genericamente o direito de crédito. Nos processos anteriormente analisados, da mesma recorrente (Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551), detectei que havia glosas de combustíveis de veículos, e cheguei a presumir, pela plausibilidade, que o hexano, o óleo de xisto, o GLP e o óleo diesel fossem usados no processo produtivo: Em relação às glosas de combustíveis, sustenta a empresa que as aquisições de combustíveis como GLP e lenha para combustão são ensejadores de créditos, conforme disposição expressa da lei de regência das contribuições A DRJ mantém as glosas diante da impossibilidade de se saber se os combustíveis foram efetivamente utilizados no processo produtivo. No recurso voluntário, a empresa revela que não é crível sustentar que alguns combustíveis (como hexano, óleo de xisto, diesel e GLP) sejam utilizados veículos para transporte de pessoas. Há, aqui, que se acordar com a empresa em relação ao hexano, ao óleo de xisto e a GLP, seja pela dificuldade em imaginar utilizações outras para tais bens que não no processo produtivo, seja pela descrição de como se utiliza cada bem na peça recursal (fl. 4942). No mesmo sentido nosso raciocínio sobre a lenha. E, em relação ao diesel, parece pouco crível também que seja utilizado em veículos de transporte de pessoas. Nesse sentido, essa Terceira Turma já decidiu unanimemente, em caso no qual havia dúvidas sobre a utilização de combustíveis em veículos de propriedade de empresa: (...) Mas, no presente processo, as glosas são todas referentes a gasolina. E não justifica a empresa se a gasolina se prestaria a veículo de transporte movido a tal combustível empregado no processo produtivo. Mantenho, também nesse tema, o posicionamento externado anteriormente, no sentido de que incumbe à postulante ao crédito a comprovação do emprego do combustível Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.981 23 na produção, podendose até presumir tal emprego pelas características do combustível, exclusivamente para máquinas ou caminhões de transporte. Mas, como dito, tal presunção é insustentável no que se refere à gasolina. Em adição ao exposto, cabe mencionar que, em função da argumentação externada pela empresa em tópico diverso da peça recursal, referente a serviços, mais especificamente a serviços de limpeza, retornei ao presente item, referente a bens utilizados como insumos, e verifiquei que na lista de glosas há um material de limpeza: o "vassourão para pátio". Assim, mantendo a linha adotada nos demais processos nos quais atuei como relator, aqui citados, entendo que deve ser afastada a glosa em relação a tal item, sob o mesmo fundamento adotado nos Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551 (especificamente aplicável a uma empresa agroindustrial e que produz alimentos): 4.1.2. Materiais de limpeza, desinfecção e higienização Alega a recorrente que os materiais de limpeza, desinfecção e higienização se prestam à manutenção das condições exigidas pela legislação no processo produtivo. Nesse caso, embora também ainda não haja posição assentada neste CARF, entendese que merece prosperar a argumentação da recorrente, pois diante da ausência de limpeza e desinfecção, é improvável que se possa chegar ao produto final. Deve, assim, ser afastada, neste item, apenas a glosa referente a "vassourão para pátio". 8.2.2. Fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa A fiscalização efetuou glosa de créditos referentes a pagamentos de fretes de transferência de produtos acabados entre unidades da empresa, cf. listagem 04NF Glosadas Fretes de Transferência de produtos acabados (fls. 444 a 583). Ainda na informação fiscal (fls. 2655/2656), alertou a fiscalização que as glosas eram sobre produtos acabados, conforme a própria escrituração da recorrente: Fl. 2992DF CARF MF 24 Apesar de tal informação, a empresa, em sua manifestação de inconformidade, alegou que a fiscalização presumiu que o transporte entre unidades da empresa se referia a produtos acabados, sem provas, e tais fretes são feitos dentro de regras e determinações da ANVISA. Sobre o tema,a DRJ aclarou que a menção a ser o frete de produtos acabados era derivada das próprias declarações da empresa, não havendo presunção. Esperavase, assim, que no recurso voluntário a empresa justificasse detalhadamente eventual equívoco cometido por ela, no registro das informações, e que teria induzido a erro a fiscalização e a DRJ. No entanto, a peça recursal limitase a reproduzir a argumentação externada na manifestação de inconformidade, sem qualquer amparo probatório para a alegação de que fretes entre unidades fariam efetivamente parte do processo produtivo, apesar de terem sido registrados pela empresa como fretes de produtos acabados. Novamente, por não se desincumbir a empresa de comprovar o direito de crédito, devem ser mantidas as glosas. E foi isso, exatamente, que ocorreu também nos multicitados Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551: São glosados os fretes de transferência de produtos entre unidades da empresa (em conta relacionada a produtos acabados). E narra o fisco que oportunizou à empresa detalhara se se tratavam de fretes de matériasprimas, produtos intermediários ou produtos acabados. E a empresa não logrou comprovar que os fretes glosados se tratavam de operações com direito a crédito. Assim, a glosa é por carência probatória. Em sua defesa, a empresa alega que os produtos industrializados são perecíveis, necessitando de permanente refrigeração, e estando sujeitos a normas de higiene sanitária, cabendo o crédito com base no art. 3o, IX das leis de regência, conforme já entendeu o CARF, devendo ser ainda reconhecido o crédito em relação a custos com armazenagem. Contudo, não detalha nem comprova a quais vendas se referem os fretes. Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.982 25 Persiste, assim, a carência probatória ensejadora da glosa, que deve ser mantida. Procedentes, então, também as glosas efetuadas pela fiscalização em relação a este item. 8.2.3. Bens sujeitos à alíquota zero das contribuições A fiscalização efetuou glosa de créditos referentes a aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero para as contribuições (em função do disposto no art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003), havendo também glosa congênere na Ficha 16B (Linha 2), referente a importações, reunidas todas as glosas na listagem 03NF Glosadas Alíquota zero (fls. 404 a 443). Sobre o tema, já tratamos no item 8.1.2 deste voto, embora se referindo a bens para revenda, mas o raciocínio a ser empregado é o mesmo. A alegação, asbolutamente desprovida de amparo probatório ou mesmo argumentativo, de que estariam incorretas as classificações, não guarda consonância com o ônus incumbido à postulante ao crédito, e o art. 17 da Lei no 11.033/2004, como aqui já se explicou, não confere direito a crédito, mas tão somente à manutenção de crédito já existente, e assegurado por outra norma vigente, vinculado às operações. Deve, assim, ser mantida a glosa correspondente, por expressa vedação, legalmente estabelecida. Em relação ao pedido alternativo da empresa, de que fosse ao menos reconhecido o crédito presumido da agroindústria, para os insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições (em raciocínio que não é extensível às aquisições para simples revenda, incompatíveis com o crédito presumido, como se tratará no item 8.5 deste voto), entendese que deve ser negado, pois, além de contradizer a escrituração e a declaração da empresa prestada ao fisco, e o pedido de ressarcimento que motiva o despacho decisório (peça cuja ciência inaugura este contencioso), demandaria análise de pertinência individualizada das aquisições ao regramento (requisitos e condições) estabelecido no art. 8o da Lei no 10.925/2004. E essa correspondência individualizada e documentada estava a cargo da recorrente, ao demandar o pedido alternativo, não havendo nos autos vestígios de tal comprovação. Tal raciocínio se estende aos outros pedidos alternativos, no mesmo sentido, na peça de defesa. 8.2.4. Bens que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito A fiscalização efetuou glosa de créditos referentes a aquisições constantes de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, havendo também glosa congênere na Ficha 16B (Linha 2), referente a importações, reunidas todas as glosas na listagem 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP (fls. 401 a 403). Fl. 2994DF CARF MF 26 Sobre o tema, já tratamos no item 8.1.3 deste voto, embora se referindo a bens para revenda, mas o raciocínio a ser empregado é o mesmo. A empresa, em sua defesa, afirma que a alegação fiscal trata de itens diversos conjuntamente, quando deveriam estar segregados para que fosse justificado de modo adequado a glosa, que, de qualquer forma, deve ser afastada em função do conceito de insumos adotado e da utilidade, inerência e relevância no processo produtivo (v.g., de faca, navalha, mola, martelo, rolamento e extrato de tomate, além de embalagens e serviços de industrialização de ração por encomenda). E, no que se refere a importações, endossa que o direito de crédito decorre diretamente do art. 15 da Lei no 10.865/2004 (pelo que remetemos ao item 8.1.3, no qual informamos que tal artigo tem conteúdo semelhante aos dispositivos que regem o crédito nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, não ensejando tratamento diferenciado, salvo disposição expressa). Na listagem de fls. 401 a 403, percebemos que os CFOP informados nas notas fiscais glosadas em relação à Linha 2 das Fichas 16A e 16B são: 1407, 1501, 1556, 1921, 1949, 2407, 2551, 2556, 2911, 2921, 2949, e 3949. A recorrente, ao invés de questionar especificamente a glosa, informando que o CFOP estava registrado de forma incorreta, tratandose a operação de aquisição de insumos, simplesmente alega, de forma genérica, ter direito ao crédito, e que a alegação fiscal não deveria ter juntado os itens sob uma única glosa. Vejase, no entanto, que todas estas glosas possuem uma razão única: o CFOP informado na nota fiscal não revela operação de aquisição, que dê ensejo ao crédito, no caso de insumos. E disso não se defende a recorrente, novamente olvidandose de seu ônus, nos processos de ressarcimento/compensação. Deve, assim, ser mantida a glosa. 8.2.5. Bens que representam aquisições que deveriam ter ocorrido com suspensão A fiscalização efetuou glosas em relação a notas fiscais que representam aquisições de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória das contribuições (em função do disposto nos arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004 e na Instrução Normativa SRF no 660/2006), cf. listagem 11NF Glosadas Aquisição PJ Suspensão obrigatória. Em tal listagem (fls. 1595/1596), podemos encontrar notas de aquisições de suínos (a maioria das notas se refere a "leitão" ou a "suínos vivos"), havendo ainda duas notas de aquisição de "milho granel" e uma de "boi abate". A recorrente, em sua defesa, sustenta que a interpretação da fiscalização sobre o dispositivo legal é improcedente, não sendo obrigatória a suspensão até o advento da Instrução Normativa RFB no 977/2009, e que, sendo tributada a operação anterior, assegurado é o crédito. Tanto o apontamento do fisco quanto as razões de defesa são idênticos aos presentes nos citados onze processos da mesma empresa já apreciados sob minha relatoria, aos quais remetemos, endossando suas conclusões: Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.983 27 “Foram ainda glosados créditos de aquisições de insumos cuja venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004, assim como os fretes a elas correspondentes, pela sujeição somente ao crédito presumido de atividades agroindustriais. Em relação a tal tópico, informa a recorrente que até o advento da Instrução Normativa RFB no 977, de 14/12/2009, não era obrigatória a suspensão, e, diante da faculdade, as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão (não estando nas Notas Fiscais detalhada a suspensão), sendo legítimo o crédito. No julgamento de piso, esclarecese que: “Em relação à situação posta, observa se que a impugnante não questiona o fato de que os produtos adquiridos enquadramse nas situações previstas no art. 9o da Lei no 10.925/2004, que prevê a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Já no que tange à obrigatoriedade da receita da venda destes produtos ser efetuada com suspensão de incidência, esclarecese que, ao contrário do alegado pela contribuinte, desde a edição da Instrução Normativa SRF no 636, de 24 de março de 2006, com a efetiva implementação de termos e condições, a suspensão da incidência é obrigatória, independente de o contribuinte ter ou não destacado em suas notas fiscais a suspensão.” De fato, a Instrução Normativa de 2006 já estabelecia a suspensão (com a expressão “fica suspensa”, que não parece, nem de longe, estabelecer uma faculdade). Não há que se falar, assim, em aproveitamento de créditos, sendo procedente a glosa.” Em adição, é de se informar que em diversos julgados posteriores, nos quais também atuei como relator, restou unanimemente decidido que a suspensão é aplicada bem antes da Instrução Normativa RFB no 977/2009: “SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada.” (Acórdão no 3403003.507, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.jan.2015) (No mesmo sentido o Acórdão no 3403003.337, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 15.out.2014) Assim, devem ser mantidas as glosas, em função da obrigatoriedade da suspensão, não havendo direito de aproveitamento do crédito em relação a tais operações, diante das disposições normativas aplicáveis. Fl. 2996DF CARF MF 28 8.3. Serviços utilizados como insumos (Ficha 16ALinha 3) A fiscalização efetuou glosas em relação a serviços utilizados como insumos que não se enquadram efetivamente no conceito de insumos presente na Instrução Normativa SRF no 404/2004, cf. listagem 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos. A recorrente, por sua vez, sustenta que a fiscalização usa conceito equivocado e restrito de insumos. Na referida listagem (fls. 2615 a 2645), percebese que as glosas de serviços se referem a: "serviço movimentação saída"; "serviço construção civil"; "serviço monitoramento"; "serviço limpeza geral em instalações"; "serviço imobilizado geral"; "serviço técnico mecânico" e em eletricidade; "pesagem caminhão"; "serviço administrativo"; "serviço recuperação frio"; "serviço reforma pallets PBR"; serviço de aplicação de strecht pallet"; "serviço de repaletização"; "serviço manutenção empilhadeira"; "serviço manutenção equip. informática"; "serviço instalação elétrica e aterramento"; "serviço caminhão munck"; "movimentação saída 100%"; "serviço treinamento"; "serviço de copiadora (xerox)"; "serviço mãodeobra"; "serviço extraordinário"; "serviço coleta lixo"; "serviços de recuperação" de caracol, ponteira, palheta, regulador e disco; "serviço de carga e descarga"; "serviço diária"; "serviço inspeção em vazios de pressão"; "serviço usinagem"; "serviço consultoria técnica" e administrativa; "serviço rede telefônica"; "serviço dedetização"; "outros serviços"; "serviço Km rodado"; "serviço avaliação"; "serviço adicional"; "serviço montagem/desmontagem"; "serviço de carregamento de aves para venda"; "serviço guindaste"; "serviço impressão"; "serviço transporte aéreo"; "serviço transporte de veículos em balsa"; "serviço técnico funilaria/chaparia"; e "serviço de montagem de estruturas imob.". De início, cabe mencionar que são perfeitamente aplicáveis ao presente item as considerações externadas nos tópicos 7 e 8.2.1 deste voto. Por decorrência, são serviços compatíveis com o conceito de insumos aqueles que são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A recorrente, em sua peça de defesa, traz lista de serviços glosados que não guarda muita relação com a constante do presente processo (talvez por imaginar que as glosas seriam idênticas a outros processos para os quais houve defesa). E, sobre a maior parte dos serviços, limitase a dizer que são "totalmente essenciais e inerentes à atividade produtiva e econômica" da empresa. Os poucos serviços aos quais a recorrente dedica algumas linhas a mais (ainda que sem demonstração específica da utilidade no processo produtivo) sequer foram glosados pela fiscalização, à exceção da limpeza das instalações. Apesar de a empresa não apresentar comprovação de que os serviços registrados como "serviço limpeza geral em instalações" foram efetivamente na linha de produção, de modo a dissociar tais serviços da faxina em escritórios, dependências comerciais, etc., entendese plausível, em uma empresa agroindustrial produtora de alimentos, que sejam, atendidas as normas legais aplicáveis a higienização e limpeza, e que tais cuidados são necessários à obtenção do produto final. O mesmo raciocínio é válido para o "serviço dedetização". Tal entendimento foi adotado também nos Acórdãos no 3403003.550 e no 3403003.551, em revisão a posicionamento anterior: 4.1.2. Materiais de limpeza, desinfecção e higienização Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.984 29 (...) E, em relação às despesas com higienização, matéria na qual fui vencido nos processos anteriormente julgados por esta Terceira Turma, revejo meu posicionamento, acordando com o colegiado que efetivamente sem a higienização também dificilmente se chegaria ao produto final fabricado pela empresa. Assim, deve ser afastada a glosa efetuada pelo fisco em relação a materiais de limpeza, desinfecção e higienização. Devem, assim, ser afastadas, neste item, apenas as glosas referentes a "serviço limpeza geral em instalações" e "serviço dedetização". 8.4. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Ficha 16ALinha 7) A fiscalização efetuou glosas em relação a despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, que constam de notas fiscais cujo CFOP não representa aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito, cf. listagens 01NF Glosadas Não Representam Aquisição de Insumos; e 02NF Glosadas Operações sem direito a crédito CFOP. Nas referidas listagens (fls. 2615 a 2645, e 401 a 403), percebese que houve apenas uma glosa, no mês de junho, referente a serviços de armazenagem, com o CFOP 2556 ("compra de material para uso ou consumo"). Sobre a glosa, a recorrente invoca disposições genéricas sobre a noção constitucional de não cumulatividade e capacidade contributiva, discutindo itens que se quer foram objeto de glosa, como serviços portuários e despesas aduaneiras. Deixa, no entanto, a recorrente, de se defender exatamente da imputação fiscal que lhe é efetuada. Deve ser, assim, mantida a glosa, visto que não foi apresentada pela defesa qualquer justificativa em relação à única operação glosada. 8.5. Crédito Presumido de Atividade Agroindustrial (Ficha 16ALinhas 25/26) A fiscalização efetuou glosas em relação a crédito presumido de atividade agroindustrial, que foi solicitado com base em inciso incorreto da lei de regência, e com aquisições registradas em notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados, não havendo crédito presumido em operações para revenda, cf. listagem 05Crédito Presumido detalhe. Em sua defesa, a recorrente alega que o crédito presumido se aplica também a operações de revenda, e com fundamento no art. 17 da Lei no 11.033/2004; e que o cômputo da alíquota deve ser feito em função do produto fabricado, e não da aquisição. Fl. 2998DF CARF MF 30 No que se refere a revenda, a recorrente interpreta mal o art. 17 da Lei no 11.033/2004, como já exposto neste voto, e confunde a créditos básicos (nos quais incidem diversas vedações, como em relação a aquisições de pessoas físicas, etc) com créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004. Se houvesse demandado créditos básicos, e comprovado que cumpre os requisitos para obtêlos, cabível seria a tomada em relação a revenda, por força do inciso I do art. 3o das leis de regência. Mas não é o que consta no presente processo, em que a empresa demanda crédito presumido com base no art. 8o da Lei no 10.925/2004 (sequer cogitando de comprovar que não incide nas vedações para a obtenção de créditos básicos). Assim, corretas as glosas de notas fiscais cujos CFOP não representam aquisição de insumos perfeitamente identificados. No que se refere ao argumento do fisco de que teria a recorrente demandado o crédito com fundamento no inciso incorreto do § 3o do art. 8o, em função do Capítulo da NCM no qual se classificam os insumos, a questão merece melhor detalhamento. Tanto o fisco quanto a recorrente reproduzem o mesmo dispositivo legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), cada um afirmando que sua própria interpretação é a correta. A fiscalização defende que a alíquota aplicável (ou o inciso com a alíquota aplicável) varia em função dos insumos, enquanto que a recorrente defende que é em função dos produtos elaborados/fabricados. Vêse que aqui a discussão não envolve aspectos probatórios, sendo a matéria exclusivamente ligada à interpretação do art. 8o da Lei no 10.925/2004. O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de 35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos. Na letra da lei, na redação vigente à época: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.985 31 dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (grifos nossos) A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema, mantendoo lógico, coerente e harmônico. Tal tarefa foi empreendida em junho de 2013, chegandose, no CARF, unanimemente, à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281, Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, Fl. 3000DF CARF MF 32 defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. (...) Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através (sic) do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: ‘4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.986 33 por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” E nos nove processos da mesma recorrente julgados em setembro de 2013, e nos dois julgados em fevereiro de 2015, chegouse à mesma conclusão: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo.” (Acórdãos no 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 24.set.2013) "CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o da Lei no 10.833/2003, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo." (Acórdãos n. 3403003.550 e 551, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.fev.2015) A endossar o entendimento da turma a Lei no 12.865, de 09/10/2013, que acrescentou (art. 33) o seguinte § 10 ao art. 8o da Lei no 10.925/2004: “§ 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos.” Contudo, desnecessário cogitar de interpretação benigna retroativa da Lei no 12.865/2013, pois já se entendia, antes do avento da referida Lei, que as alíquotas são aplicadas em função do produto fabricado, e não do insumo adquirido. Fl. 3002DF CARF MF 34 Concluise, então, neste tópico, que deve ser reconhecido o crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004 com a alíquota determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Das conclusões Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para afastar as glosas em relação a "vassourão para pátio", "serviço limpeza geral em instalações" e "serviço dedetização", e para reconhecer, no que se refere ao crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, que a alíquota deve ser determinada em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não do insumo que aplica para obtêlo. Rosaldo Trevisan Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.987 35 Voto Vencedor Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Apresento, nas linhas a seguir, os motivos pelos quais a maioria do Colegiado divergiu do posicionamento do ilustre Conselheiro Relator, no enfrentamento de duas matérias: (i) bens que não se enquadram no conceito de insumos (item 8.2.1 do voto do Conselheiro Relator); e (ii) serviços utilizados como insumos (Ficha 16ALinha 3) (item 8.3 do voto do Conselheiro Relator). Impende destacar, de início, que o Colegiado não diverge a respeito do conceito de insumo para fins de desconto de crédito na sistemática de apuração da Contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ("PIS/COFINS"), seguindo, de forma unânime, a interpretação adotada pelo i. Conselheiro Relator dos artigos 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, para quem: “o conceito de insumos adotado neste voto não é nem o defendido pela fiscalização e pela DRJ (afeto à legislação do IPI) nem o pretendido pela recorrente (relacionado à legislação do IRPJ). Para que se categorize o bem adquirido como insumo, na legislação que rege as contribuições em análise, este deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final”. Na mesma linha, “são serviços compatíveis com o conceito de insumos aqueles que são necessários ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final”. A controvérsia surge na aplicação desse conceito jurídico aos fatos específicos envolvidos em cada caso concreto, o que passa pelo exame da atividade empresarial do contribuinte e do papel de cada bem e serviço no processo produtivo/fabril, ganhando relevo, nesse contexto, questões relacionadas ao ônus probatório do direito de desconto de créditos. Nesse sentido, considerando a atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente, “atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras”, os bens e serviços glosados pela Fiscalização, e as razões expostas pela Recorrente em sua defesa, o i. Relator entendeu, em relação aos itens cuja glosa foi por ele mantida, que tais itens, por estarem em uma zona de penumbra, demandavam uma vinculação expressa entre o seu papel e a linha de produção da Recorrente, não tendo o Recorrente se desincumbido do ônus de provar o seu direito de crédito. Apesar da inexistência de um laudo com o detalhamento do processo produtivo/fabril e do papel desempenhado por cada insumo em tal processo, a maioria do Colegiado, com base em um juízo de plausibilidade, entendeu que determinados bens e serviços, pelas suas próprias características e utilidade frente processo produtivo/fabril da Recorrente, não estavam em uma zona de penumbra, mas sim em uma zona de certeza positiva quanto ao conceito de insumo, utilizando a terminologia empregada pelo i. Relator (item 7 do Voto), e, assim, deveriam se enquadrar como insumo. Fl. 3004DF CARF MF 36 Além dos bens admitidos pelo i. Conselheiro Relator ("vassourão para pátio"), a maioria do Colegiado entendeu que pallets, sacos, big bags, luvas látex para coleta de sêmen e luva vaqueta, levando ainda em consideração o nível de higiene e limpeza que deve ser observado pela Recorrente em suas atividades, são inequivocamente necessários ao processo produtivo/fabril de uma empresa agroindustrial de abate de animais para a obtenção de alimentos, e, consequentemente, à obtenção do produto final dessa atividade, devendo ser considerados insumos. Quanto aos serviços, além dos serviços admitidos pelo i. Conselheiro Relator (serviço limpeza geral em instalações e serviço dedetização), na mesma linha de raciocínio, a maioria do Colegiado entendeu que serviço reforma pallets PBR, serviço de aplicação de strecht pallet, serviço de repaletização e serviço de carregamento de aves para venda são necessários ao processo produtivo/fabril de uma empresa agroindustrial de abate de animais para a obtenção de alimentos, e, consequentemente, à obtenção do produto final dessa atividade, devendo ser considerados insumos. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.988 37 Declaração de Voto Declaração de Voto 1 Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, Respeitosamente, com relação ao bem fundamentado voto do ilustre relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, aproveitamos essa declaração para expor, com brevidade, nossa divergência quanto à manutenção das glosas (a) dos gastos com serviços de frete para o transporte dos seus produtos entre os estabelecimentos da própria contribuinte, (b) dos gastos com os seguintes insumos (esteiras, correias, balanças, ferramentas de manutenção, filme streching, filtros e seus acessórios, lâminas e seus acessórios e meios de alojamento ou armazenamento), e (c) dos gastos com os seguintes serviços (de pesagem de veículos de transporte, de controle de entrada e saída de veículos, cargas e produtos; de manutenção, recuperação, restauro, ou reforma de equipamentos, de recursos de embalagem e armazenagem ou de veículos de uso industrial; de elevação e movimentação de carga nos estabelecimentos da contribuinte). A reversão das glosas indicadas nas letras acima se justifica, a nosso ver, pelas peculiaridades do tipo de atividade da contribuinte e dos tipos de produtos que ela prepara, industrializa e oferece á comercialização. Como bem resumiu o relator: A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ3), na qual só a análise do caso concreto (à luz dos elementos trazidos aos autos sobre o processo produtivo da empresa) permitirá um enquadramento mais preciso. Concordamos com a contribuinte quando aponta que se trata de uma empresa dedicada a produção principalmente de bens perecíveis, e ainda mais destinados à alimentação e nutrição, sob estrita obediência à legislação e vigilância sanitárias e agro pecuárias. Antes de repassar o produto para a posse de outra pessoa, a meu ver, em uma visão não restrita à noção de indústria dada pelo IPI, fazem parte do processo de produção as providências por parte da contribuinte para manutenção, preservação e proteção do produto alimentício, em condições de ser comercializado e ser consumido. Sem essas providências, o bem gerado nas máquinas e na linha de montagem industrial se perderia rapidamente. Notemos que não estamos falando de um bem isento de 3 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 3006DF CARF MF 38 umidade, tal como os alimentos desidratados, ou os quimicamente modificados, mas de peças e partes de seres animais mortos nesse processo de produção, facilmente deterioráveis. Nesse tópico, sublinho que a autoridade fiscal reconhece que os transportes se deram entre os estabelecimentos da contribuinte (favor ver notas fiscais indicadas). O transporte entre estabelecimentos da contribuinte deve ser visto sob a mesma ótica, na articulação entre processo industrial, processos de conservação e armazenagem e processos logísticos para levar o produto aos centros de distribuição. Esse transporte é parte do processo de produção, nesse caso visto como o processo não só de gerar o produto, mas de manter sua condição de ser oferecido para destinação. Malgrado a falta, nos autos, de um laudo, ou de uma perícia, o conhecimento de senso comum a respeito de linhas de produção representativas das atividades da contribuinte permitenos concluir que ela deve exigir o uso de lâminas, de filtros e processos de filtragens, de pesagens, de movimentações, pesagens e armazenamentos na entrada, durante e na saída dessas linhas de produção, de higienização, de tratamento e remoção de resíduos e restos, etc., daí a nossa sugestão de bens e serviços indicados acima, mais ampla do que a proposta pelo relator e do que a admitida pelo Colegiado. Espero, com essas breves linhas, ter tornado claro aos Conselheiros as razões das posições e votos defendidos nessa sessão. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.989 39 Declaração de Voto 2 Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Registro, com relação ao como de costume bem fundamentado voto do relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan, posição divergente quanto à possibilidade de creditamento naquilo que respeita ao item 8.2.1, sobre pallets4, ou estrados, sem prejuízo das demais divergências externadas durante a sessão de julgamento e consignadas em ata. A contribuinte consigna que, em que pese serem objetos da glosa por parte da autoridade fiscal, participam do processo produtivo e são utilizados em diferentes momentos: na industrialização, quando empregados para movimentar as matériasprimas e os produtos em fase de processamento, e na armazenagem, como item essencial para manter as condições de higiene e limpeza não apenas necessárias a seu processo fabril como também ao cumprimento das exigências regulamentares enunciadas, entre outras, pelas determinações da Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde conforme Portaria SVS/MS nº 326/1997, ou, ainda, pela Circular nº 175/2005 da Coordenação Geral de Programas Especiais (CGPE) do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA) da Secretaria de Defesa Agropecuária (DAS) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Expressa o conselheiro relator, ao apreciar as razões trazidas a conhecimento pela recorrente, que, devido ao tempo de sua vida útil, tais bens não podem ser reconhecidos como despesa operacional, mas, em conformidade com o art. 301 do RIR/1999, contabilizados no ativo não circulante. Aponta, mais especificamente, que "não se pode admitir o crédito integral em relação os pallets, por absoluta carência de amparo normativo", por impossibilidade de fundamentar o creditamento no inciso II ou no inciso IX do art. 3º das Leis nº 10.637/2001 e 10.833/2002. Observese que as glosas foram efetuadas pela autoridade fiscal devido ao fato de o produto não se enquadrar na noção estrita de insumo prevista nas Instruções Normativas nº 247/02,5 358/036 e 404/04,7 que adotaram, conforme se sabe, como referencial mais explícito, o crédito físico para a determinação do sentido de “insumo”8 como o material 4 "Palllet", corruptela do francês "palette", passível de tradução ao português como palete, conforme reconhecido pelo Vocabulário Oficial da Língua Portuguesa (VOLP), ou, ainda, estrado. 5 A Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, determinou a possibilidade de se descontar o crédito, mediante aplicação das mesmas alíquotas, sobre as aquisições efetuadas no mês de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes (art. 66, inciso I, alínea ‘b’). 6 A Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003 alterou a redação da alínea ‘b’ do inciso I do art. 66 da IN 247/02 e adicionou o § 5º: “Art. 66 (...) I. (...) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: na fabricação de produtos destinados à venda; ou na prestação de serviços (...). § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I. utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não (...) incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados (...) aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. 7 A Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, voltouse a explicitar a forma do pagamento da Cofins, repetindo, em seu artigo 8º, o entendimento instituído para a contribuição ao PIS. 8 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. Créditos de PIS e Cofins sobre insumos. São Paulo: Prognose Editora, 2010, p. 21: “A simples leitura do texto legal e dos textos dos atos normativos subalternos à Lei revela, de plano, que o direito de crédito – em grande medida – está ancorado no critério físico e referido aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou serviços. Excetuando as regras que tratam dos insumos para os quais a Lei outorga o direito de crédito fora da produção (o critério utilizado pela lei é a vinculação à atividade da empresa), todas as demais normas adotam a legislação do IPI como referencial”. Fl. 3008DF CARF MF 40 utilizado na fabricação9 ou produção10 de bens ou na prestação de serviços,11 de acordo com Ato Declaratório Interpretativo nº 02/0312 e, por decorrência, na definição própria do imposto sobre produtos industrializados,13 com repetidas referências, em diversas soluções de consultas realizadas nos anos seguintes à edição das leis, pela Receita Federal do Brasil,14 ao Parecer Normativo CST nº 65/79.15 Os estrados ("pallets"), segundo se depreende, em parte da leitura dos documentos trazidos pela contribuinte, mas, sobretudo, da sustentação oral realizada pelo seu patrono, acompanhada de memoriais, têm por finalidade ora o armazenamento das matérias primas e produtos finais, ora o acondicionamento da mercadoria para fins de comercialização. Em quaisquer das hipóteses acima delineadas, cumprem papel de garantir as condições de higiene e limpeza ínsitas à produção, de maneira a evitar o contato com as superfícies em que se apóiam fisicamente, o que, caso ocorresse, poderia ocasionar risco de contaminação. Esclareceu, ademais, o patrono, que, no caso de mercadorias destinadas à exportação, os pallets são embalados conjuntamente com a mercadoria, consubstanciandose em material de embalagem, passível de apropriação como insumo. 9 Idem, pp. 3142. Edmar Andrade enumera insumos necessários à fabricação de um bem, como oriundos: (a) da produção do produto fabricado: integram fisicamente o produto (eg. matéria prima, embalagem e materiais intermediários); (b) de infraestrutura produtiva do processo fabril: bens duráveis (eg. máquinas ou equipamentos, inclusive de transporte, imprescindíveis à produção); (c) de controle de qualidade e conformidade: mecanismos de controle e auditoria com normas estatais ou contratuais; (d) de trabalho: pessoas físicas ou jurídicas que prestem serviços sob qualquer revestimento jurídico, do “chão de fábrica” à “cúpula diretiva”, instrumentos de trabalho e equipamentos de segurança, bem como utilidades (fringe benefits) e todos os gastos incorridos durante e depois do término do contrato; (e) da inovação e melhoria da qualidade: investimentos em inovação de produtos e processos de produção e distribuição; (f) de segurança: gastos com vigilância e controle, seguros e proteção dos bens em geral e do bemestar entre as pessoas; (g) de capital financeiro: dinheiro ou crédito, recursos originários da contribuição de sócios ou acionistas, empréstimos e resultados gerados pela operação; e (h) intangíveis: direitos sobre patentes, marcas, desenhos industriais, fórmulas, processo de fabricação. 10 Idem, pp. 4244. Edmar Andrade compreende produção como “processo de extração de bens da natureza para serem utilizados como matériasprimas ou como mercadorias vendidas in natura”. Assim, os insumos da produção seriam aqueles necessários à extração ou colheita de produtos, ou produção de produtos intermediários. A “produção requer a existência de insumos de infraestrutura produtiva: trabalho, dinheiro e segurança (...) formada basicamente por máquinas e equipamentos e pelos recursos naturais” a serem utilizados. 11 Idem, p. 45. “As leis 10.633 e 10.833 não contêm regras claras acerca dos créditos sobre insumos utilizados na exploração de outras atividades que não as que envolvem fabricação, produção, revenda e prestação de serviços”. 12 Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal nº 2 de 14/03/2003 Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas submetidas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep poderão descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à: I venda; e II prestação de serviços (grifos nossos). 13 BOTALLO, Eduardo Domingos. O imposto sobre produtos industrializados na Constituição e no CTN. In: SANTI, Eurico de (coord.). Direito tributário e finanças públicas do fato à norma, da realidade ao conceito jurídico. São Paulo: Saraiva, 2008, pp. 940941. Ainda que a lei possa determinar que situações específicas gerem créditos de IPI, o critério do sistema de compensação é a entrada de insumos, assim entendidos como matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Neste sentido, o artigo 226 do Decreto 7.212 de 15/06/2010 (RIPI), que revoga o artigo 164 do Decreto 4.544, de 26/12/2002: "Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". A leitura da Instrução Normativa nº 247/02, art. 66, inciso I, alínea 'b' e § 5º, com as alterações da Instrução Normativa nº 358/03, torna evidente o mimetismo. 14 A Receita Federal veio mantendo, nos últimos anos, o seu posicionamento, com amparo na legislação do IPI, o que a levou a negar o direito à tomada de créditos, para fins de PIS e Cofins nãocumulativos, entre outros, referentes a: gastos com pneus, peças e partes de veículos realizados para transporte de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa (Solução de Consulta nº 443/06, 9ª Região Fiscal); despesas com frete contratado para transporte de mercadorias (Solução de Consulta nº 64/05, 8ª Região Fiscal); gastos com combustíveis e lubrificantes (Soluções de Consulta nº 23/07 e 24/07 da 2ª Região Fiscal); fornecimento benefícios ao empregado, tais como vale transporte, vale alimentação/refeição ou plano de saúde (Ato Declaratório Interpretativo nº 04/07); aquisição de equipamentos de proteção individual, ou “EPI” (Solução de Consulta nº 24/08, 6ª Região Fiscal); diárias pagas a funcionários em virtude de prestação de serviços em localidade diversa da que residem ou trabalham (Soluções de Divergência nº 15/08 e 24/08 COSIT); gastos de passagens de funcionários na prestação dos serviços (Solução de Divergência nº 25/08 COSIT); gastos de transporte de produto acabado entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (Soluções de Divergência nº 11/08, 12/08 e 26/08 COSIT). 15 O Parecer Normativo Coordenador do Sistema de Tributação (CST) nº 65/79 conceitua insumo para fins de IPI como “matériaprima, produto intermediário e material de embalagem consumido ou não no processo de industrialização”. Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16349.000278/200922 Acórdão n.º 3401003.400 S3C4T1 Fl. 2.990 41 Entendese que a contabilização do bem deve ser um importante norte magnético para a decisão e, assim, no caso de estrados descartáveis, ou daqueles que compõem o acondicionamento do produto acabado, pronto a ser comercializado, a contribuinte, ao realizar o seu reconhecimento em conta de despesa operacional, fornece todos os indícios necessários ensejadores do creditamento na condição de insumos voltados à consecução do objeto social da empresa. Por outro lado, como se sabe, o bem de ativação obrigatória, ou seja, aquele, de acordo com o Pronunciamento CPC nº 27, "(...) mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias (...) e que se espera utilizar por mais de um período" merece reconhecimento, na condição de bem durável voltado à obtenção da receita, como "não circulante" (ANC), devendo ser depreciado para fins de distribuição da despesa com a aquisição pelo período estimado de uso. No caso presente, contrariamente à decisão objurgada, conforme se aferiu, trata se o estrado de produto indispensável: seja para a manutenção dos padrões mínimos de higiene e limpeza, seja para a movimentação e acondicionamento das cargas. A sua participação no processo produtivo e a alegação fundamentada da contribuinte de que tal produto se desgasta em tempo inferior a um ano, não o tornando suscetível à ativação, é bastante para o reconhecimento do crédito pleiteado na condição de insumos da produção, critérios estes, ademais, que chegam a permitir que se dispense o recurso ao igualmente aberto parâmetro da "essencialidade", a se supor que todos os gastos, do ponto de vista do administrador da empresa, sejam fiéis a tal preceito. Cumpre aquiescer, por diversa perspectiva, conforme se depreende dos documentos e imagens trazidos a estes autos administrativos e competentemente repisados durante a sustentação oral do patrono da contribuinte, que os pallets são utilizados para referida movimentação ainda no interior das dependências da empresa, ou seja, antes de concluído o processo produtivo, merecendo, portanto, tratamento de produto intermediário. Assim, entendo que mesmo diante da interpretação do Parecer Normativo CST nº 65/79, e ainda que considerados os critérios de apropriação de créditos ínsitos ao IPI, seria perfeitamente possível o reconhecimento do crédito e, neste sentido, façome acompanhar das razões do Conselheiro Júlio César Alves Ramos em seu substancioso voto vencedor, que integra do Acórdão CSRF nº 9303003.478, proferido em sessão de 25/02/2016, de relatoria do Conselheiro Henrique Torres. Isto porque o pallet, embora não se integre ao produto, é utilizado no processo produtivo na condição de um produto secundário ou intermediário, i.e., algo que se distingue da matéria prima porque já pronto para o uso. Neste sentido, há de se adicionar um aspecto histórico do Parecer Normativo CST nº 65/79, cuja redação decorreu da recusa do Supremo Tribunal Federal em reconhecer constitucional o requisito inserto pelo Decreto nº 70.163/1972 de que o produto intermediário fosse consumido "imediata e integralmente". Reportamonos a trecho do voto do Ministro Aliomar Baleeiro no freqüentemente citado pelos estudiosos e aplicadores da matéria Recurso Extraordinário nº 79.601RS, proferido em sessão de 26 de novembro de 1974 pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, elaborado com base em pareceres de lavra de Rubens Gomes de Sousa e Ruy Barbosa Nogueira: Fl. 3010DF CARF MF 42 Assim, dois pontos de vista convergem para o posicionamento expresso por este voto: (i) caso se refira ao "insumo" no sentido da legislação atinente à nãocumulatividade das contribuições sociais, há de se buscar a participação no processo produtivo que não se espera utilizar por mais de um período; (ii) ao nos voltarmos à quimera de uma unidade conceitual em torno da definição de "insumos", com a qual registramos, desde já, não comungar, ainda assim deverá ser reconhecido o creditamento, pois deve o pallet ser compreendido na condição de produto intermediário, espécie do gênero "insumo", afigurandose, digase, desnecessário o contato físico direto com o produto. De toda sorte, entendemos desnecessário tal exercício, vez que, sem o estrado, não se encontrariam satisfeitas as condições mínimas para a continuidade do processo produtivo, de modo que o presente voto filia o seu reconhecimento à primeira hipótese. Com base nas razões acima expostas, e sem prejuízo das demais divergências com relação ao bem fundamentado voto do Conselheiro Relator, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste particular. Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Fl. 3011DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.901073/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2006
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Mércia Helena Trajano D´Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria não impugnada e não discutida na primeira instância administrativa. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 90 10 73 /2 00 9- 11 Fl. 59DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Mércia Helena Trajano D´Amorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Cássio Schappo. Relatório Tratase de Despacho Decisório que não homologou a pretendida compensação do contribuinte. O crédito apontado pelo contribuinte em PER/DCOMP foi pagamento indevido de DARF de Cofins. O Despacho Decisório não homologou a pretendida compensação porque o valor do DARF, do qual se alegava parte indevida, foi integralmente alocado em débito confessado em DCTF, no mesmo valor integral do DARF. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, alegando que parte do pagamento apontado seria indevido. A DRJ/Salvador/BA decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório. Transcrevo a ementa: Assumo: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 30/11/2006 COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Finalmente, o contribuinte interpõe o Recurso Voluntário, onde acrescenta os seguintes argumentos: a legislação não pode alterar conceitos da Constituição Federal, cf. art. 110 do CTN ;o art. 195 da Constituição Federal determina como base de cálculo da Cofins o faturamento; apresenta jurisprudência no sentido de não se equipararem faturamento e receita bruta; que faturamento não equivale a totalidade de receitas; que não deve ser levada a efeito a ampliação da base de cálculo prevista na Lei 9.718/98, até a promulgação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e que o recolhimento a maior de parte do Darf em questão é decorrente do alargamento da base de cálculo da cofins, “o que pode ser comprovado por mera diligência fiscal”. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13558.901073/200911 Acórdão n.º 3201002.640 S3C2T1 Fl. 60 3 Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, e não verificando outros óbices, tomo conhecimento dele. A recorrente alega que a parcela do Darf que considera indevida seria referente à ampliação da base de cálculo da Cofins, promovida pela Lei 9.718/98. Dois obstáculos impedem o provimento solicitado. O primeiro é que toda a argumentação quanto à base de cálculo da Cofins não foi feita na Manifestação de Inconformidade, e por isso, tal matéria encontrase atingida por preclusão, conforme art. 17 do PAF – Decreto 70.235/721, combinado com art. 74, §§ 9º, 10º e 11º da Lei 9.430/962. O segundo obstáculo é que o crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Cofins, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373,I do CPC4). Sem tais elementos, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante 2 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito Fl. 61DF CARF MF 4 Também considero inaplicável o pedido de diligência. Com efeito, a recorrente já teve duas oportunidades para demonstrar seu direito material: 1 – após a ciência do Despacho Decisório, e 2 – após a ciência do Acórdão de manifestação de inconformidade. Permitir agora uma terceira oportunidade malfere o art. 16, §4º do PAF Decreto 70.235/72: §4º – A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Não se verificando nenhuma dessas exceções, não pode agora o processo ser submetido a nova fase probatória, nas quais se mostrariam necessárias verificações fiscais, batimentos, etc, que não tiveram lugar no tempo próprio. Desse modo, e ainda por homenagem aos princípios da preclusão probatória, do ônus probatório, da impulsão oficial do processo e da celeridade, não vislumbro espaço para determinação de diligência. Assim, o crédito solicitado não pode ser deferido, em vista dos dois fundamentos expostos, cada um per se suficiente para o desprovimento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 62DF CARF MF
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