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Numero do processo: 35011.000521/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2000 a 30/09/2003
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como estabelecida no art. 142 do CTN, e o sujeito passivo foi devidamente intimado, em várias ocasiões, para apresentação de defesa e dos documentos de seu interesse.
AUTONOMIA DOS ENTES MUNICIPAIS
A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII).
A Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, prescreve em seu artigo 15 que deve ser considerado empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional.
Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN).
SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA
Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrá-los ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04.
ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ. INTENÇÃO DO AGENTE. INSUBSISTÊNCIA
A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional.
DEVOLUÇÃO DE GANHO INDEVIDO.
Não prospera as alegações do contribuinte pela não tributação da parcela sob a rubrica devolução de ganho indevido, tendo em vista que o Recorrente nada trouxe para demonstrar que tais devoluções referiam-se a verbas de natureza indenizatórias ou que indevidamente integraram a base de cálculo tributável.
BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTAS
A revisão do crédito foi com base nos resumos das folhas apresentados à Fiscalização pelo sujeito passivo na época do levantamento do crédito. Os mesmos resumos foram reapresentados quando o Órgão foi intimado em diligência realizada para análise deste Processo. Alegações insubsistentes.
Numero da decisão: 2401-005.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para substituir a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Miriam Denise Xavier. Ausente momentaneamente o conselheiro Rayd Santana Ferreira. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2000 a 30/09/2003 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como estabelecida no art. 142 do CTN, e o sujeito passivo foi devidamente intimado, em várias ocasiões, para apresentação de defesa e dos documentos de seu interesse. AUTONOMIA DOS ENTES MUNICIPAIS A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII). A Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, prescreve em seu artigo 15 que deve ser considerado empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrá-los ao RPPS, além de não comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ. INTENÇÃO DO AGENTE. INSUBSISTÊNCIA A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional. DEVOLUÇÃO DE GANHO INDEVIDO. Não prospera as alegações do contribuinte pela não tributação da parcela sob a rubrica devolução de ganho indevido, tendo em vista que o Recorrente nada trouxe para demonstrar que tais devoluções referiam-se a verbas de natureza indenizatórias ou que indevidamente integraram a base de cálculo tributável. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTAS A revisão do crédito foi com base nos resumos das folhas apresentados à Fiscalização pelo sujeito passivo na época do levantamento do crédito. Os mesmos resumos foram reapresentados quando o Órgão foi intimado em diligência realizada para análise deste Processo. Alegações insubsistentes.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como estabelecida no art. 142 do CTN, e o sujeito passivo foi devidamente intimado, em várias ocasiões, para apresentação de defesa e dos documentos de seu interesse. AUTONOMIA DOS ENTES MUNICIPAIS A Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII). A Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio, prescreve em seu artigo 15 que deve ser considerado empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias, os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Assim, ocorrido o fato gerador, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao fisco, no caso de inadimplemento, a constituição do crédito tributário pelo lançamento (art. 142 do CTN). SEGURADOS EMPREGADOS TEMPORÁRIOS. ESTABILIDADE. INOCORRÊNCIA Não obstante os documentos adunados ao processo administrativo, as provas não são suficientes à comprovação de que os servidores, cujas remunerações foram consideradas pela fiscalização como base de contribuição previdenciária, foram alcançados pelo art. 19 da ADCT, pois não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos para enquadrálos ao RPPS, além de não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 01 1. 00 05 21 /2 00 7- 05 Fl. 1679DF CARF MF 2 comprovar a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e nem que estariam submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. ALEGAÇÃO DE BOAFÉ. INTENÇÃO DO AGENTE. INSUBSISTÊNCIA A infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional. DEVOLUÇÃO DE GANHO INDEVIDO. Não prospera as alegações do contribuinte pela não tributação da parcela sob a rubrica “devolução de ganho indevido”, tendo em vista que o Recorrente nada trouxe para demonstrar que tais devoluções referiamse a verbas de natureza indenizatórias ou que indevidamente integraram a base de cálculo tributável. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTAS A revisão do crédito foi com base nos resumos das folhas apresentados à Fiscalização pelo sujeito passivo na época do levantamento do crédito. Os mesmos resumos foram reapresentados quando o Órgão foi intimado em diligência realizada para análise deste Processo. Alegações insubsistentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado para substituir a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa), Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Miriam Denise Xavier. Ausente momentaneamente o conselheiro Rayd Santana Ferreira. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 35011.000521/200705 Acórdão n.º 2401005.673 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio Janeiro RJ (DRJ/RJ1), que, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte a Impugnação, retificando o crédito tributário nos termos do DADR, mantendo o crédito tributário exigido, no valor de R$ 3.859.756,03, acrescido de juros, a serem calculados na época da liquidação do crédito, conforme ementa do Acórdão nº 1226.240 (fls. 1636/1654): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 30/09/2003 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. REMUNERAÇÃO PAGA AOS SERVIDORES TEMPORÁRIOS. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. O servidor temporário é segurado obrigatório do Regime Geral da Previdência Social, nos termos do art. 40, § 13 da CF/88, com redação dada pela EC n° 20/98. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias de segurados, as patronais e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, quando não recolhidas pela empresa, nos termos do artigo 30, I, "b", da Lei 8212/91. CORESPONSÁVEIS A relação de coresponsáveis é peça necessária à instrução do processo administrativo de débito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata de crédito tributário constituído em desfavor da ESTADO DO AMAZONAS TRIBUNAL DE CONTAS, por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 35.859.5886 (fls. 02/25), consolidado em 25/10/2005, no montante de R$ 3.915.296,04, que acrescido de multa e juros e perfez o valor total de R$ 6.166.472,39, referente ao período 12/2000 a 09/2003, relativo às contribuições a cargo dos segurados empregados (não descontada); do órgão público, destinada ao Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS); e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 31/37): Fl. 1681DF CARF MF 4 1. Esta notificação destinase a substituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD 35.709.4107, lavrada em 30/04/2004, no CNPJ 04.312.369/000190 Governo do Estado do Amazonas, tornada Nula, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, conforme decisão no Acórdão 670/2005, de 20/04/2005, em razão da falha na identificação do sujeito passivo. Tal decisão também determina a lavratura de NFLD substitutiva, que está sendo lavrada consoante artigo 340 da Instrução Normativa SRP 03, de 14/07/2005 e orientações de caráter interno correlatas; 2. Os Fatos Geradores das contribuições lançadas são as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados contratados sob a égide do Regime Jurídico dos Servidores admitidos em caráter Temporário Lei n° 1.674, de 10/12/1984, cujas bases de cálculo e valores das contribuições encontramse registrados nos Relatório de Lançamentos – RL (fls. 17/20) e Discriminativo Analítico do Débito – DAD (fls. 05/12); 3. De acordo com o novo texto constitucional, os Regimes Próprios de Previdência da União, Estados e Municípios devem abranger somente os servidores titulares de cargos efetivos e que foram admitidos por intermédio de concurso público. Os servidores com outros tipos de vínculos com a administração pública são segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social RGPS na condição de empregados (art. 40, CF/88); 4. Os servidores detentores de cargo temporário ou de emprego público, para não ficarem desamparados de um sistema previdenciário, serão filiados obrigatoriamente ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS, de acordo com o parágrafo 13 do art. 40 da Constituição Federal, acrescentado pelo art. 1° da Emenda Constitucional n°. 20, de 15/12/98; 5. Os servidores contratados temporariamente com base no art. 37, inciso IX da Constituição Federal, que no caso do Estado do Amazonas Tribunal de Contas encontrase disciplinado através Regime Jurídico dos Servidores admitidos em caráter Temporário Lei n ° 1.674, de 10.12.1984, foram expressamente citados no § 13 do art. 40 da Constituição Federal como segurados obrigatórios do Regime Geral da Previdência Social – RGPS; 6. A regra introduzida pelo § 13 do art. 40 da Constituição Federal é bem clara quando passou a vincular ao Regime Geral de Previdência Social os servidores públicos contratados sob a égide de regime temporário ou de emprego público, sendo, portanto, uma norma de eficácia plena e autoaplicável, ao mesmo tempo em que ratifica as disposições da Lei n° 9.717 de 27 de novembro de 1998 DOU de 28/11/98 Lei Geral da Previdência Pública. Desta forma, aplicase essa regra a partir de 16 de dezembro de 1998 para os servidores contratados sob Regime Temporário; 7. Considerando esta situação, tanto o empregador, no caso em tela o Estado do Amazonas Tribunal de Contas como os segurados Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 35011.000521/200705 Acórdão n.º 2401005.673 S2C4T1 Fl. 4 5 enquadrados neste regime de emprego (temporários) ficam submetidos as normas gerais da Previdência Social, estabelecidas pelas Leis n° 8.212, de 24.07.1991 que dispõe sobre o Plano de Organização e Custeio da Seguridade Social e Lei n°. 8.213, de 24.07.1991 que dispõe sobre o Plano de Benefícios da Previdência Social; 8. O Estado do Amazonas Tribunal de Contas na condição de empregador de segurados com filiação obrigatória ao Regime Geral da Previdência Social RGPS, sujeitase as obrigações quanto as Contribuições Previdenciárias, prazos e responsabilidade pelo recolhimento; 9. Para apuração do débito foram examinadas as Folhas de Pagamentos dos segurados contratados sob a égide do Regime Jurídico dos Servidores admitidos em caráter Temporário Lei n° 1.674, de 10/12/1984, identificados no seu controle interno como "Vínculo C", Notas de Empenho, Notas de Liquidação de Despesas, Ordens Bancárias e Registros Contábeis do período fiscalizado; 10. As alíquotas aplicadas encontramse descritas no Relatório Discriminativo Analítico do Débito – DAD (fls. 05/12). Em 26/10/2005 o Contribuinte tomou ciência pessoal do Auto de Infração lavrado (fl. 02) e, em 09/11/2005, tempestivamente, apresentou sua Impugnação de fls. 44 a 58. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à Seção do Contencioso Administrativo de Manaus DRP/MANAUS que, em 08/09/2006, decidiu converter o processo em Diligência (fls. 63/65). Em resposta ao despacho do Contencioso Administrativo de Manaus – DRP/MANAUS, de 08/09/2006, foi emitido o Informe Fiscal de fls. 98 a 99, e o Relatório Complementar da NFLD (fl. 100). Aberto o prazo de 15 dias, o Contribuinte protocolou, em 07/02/2007, sua Manifestação sobre o Relatório Fiscal de fls. 107 a 110, instruída com os documentos nas fls. 112 a 1512. O processo foi encaminhado à Seção de Contencioso Administrativo da DRP/AM que, após correções na numeração do processo, encaminhou o feito para a DRJ/RJ1 julgar (fls. 1514/1518). Em 01/07/2008 a 11ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro DRJ/RJ1 emitiu a Resolução nº 189 (fls. 1519/1520) onde converteu o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade administrativa verificasse se nas rubricas indicadas nas bases de cálculo seriam passiveis de incidência da contribuição. Em atendimento à diligência solicitada, em 06/04/2009, foi emitida a Informação Fiscal de fls. 1522 a 1523, e o Demonstrativo de Apuração de Base de Cálculo do INSS por Competência da Folha Suplementar Vínculo “C” (fls. 1524/1529), juntando aos autos cópias de diversos resumos de folhas de pagamento (fls. 1530/1563) para comprovar as razões Fl. 1683DF CARF MF 6 da retificação do lançamento registrada no Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos FORCED (fls.l564/1594). O Contribuinte tomou ciência do resultado da diligência em 16/04/2009 (fls. 1596) e, em 15/05/2009, protocolou sua Defesa Complementar de fls. 1604 a 1606, instruída com os documentos nas fls. 1607 a 1626. O processo foi encaminhado à DRJ/RJ1 para julgamento, onde, em 18/09/2009, a 11ª Turma, através do Acórdão nº 1226.240, votou por considerar que o Auto de Infração foi lavrado de acordo com a Legislação relacionada no anexo Fundamento Legais do Débito – FLD (fls. 21/22), e DECLAROU a Impugnação Procedente em Parte, retificando o lançamento nos termos do DADR às fls. 1629/1635. Em 18/03/2010 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR fl. 1656) e, em 29/03/2010, inconformado com a decisão tomada interpôs o RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 1658 a 1673. No RV fala da tempestividade e faz uma breve síntese dos fatos (fls. 1659/1661) e segue argumentando sobre: 1. A nulidade do lançamento tributário devido à insuficiência de informações acerca do fato gerador, fato que inviabiliza o direito de defesa (fls. 1661/1664); 2. A legalidade da vinculação dos Servidores Temporários ao Regime Próprio de Previdência Privada (RPPS) do Estado do Amazonas (fls. 1665/1667); 3. A boafé no recolhimento da contribuição previdenciária ao RPPS do estado do Amazonas e a desconsideração do art. 309 do CC por parte da fiscalização (fls. 1667/1669); 4. A inclusão de parcela não tributável na base de cálculo da Contribuição Previdenciária (fls. 1669/1671); 5. A indevida aplicação do art. 599 da IN SRP nº 03/2005 (fls. 1671/1673). Conclui o RV requerendo o seu conhecimento e provimento para o fim de julgar totalmente procedente a impugnação e, havendo necessidade para tanto, sejam os autos baixados em diligência para verificação da autuação fiscal, nos termos das razões do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 35011.000521/200705 Acórdão n.º 2401005.673 S2C4T1 Fl. 5 7 Nulidade do lançamento – cerceamento do direito de defesa Pleiteia a Recorrente a nulidade do lançamento e para tanto alega que, ao deixar de relacionar o nome dos servidores temporários, a fiscalização inviabilizou a defesa, violando o art. 9° do Decreto n. 70.235, e também o art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal. O lançamento se baseou nos documentos apresentados pelo contribuinte. A base de cálculo foi extraída das folhas de pagamento e reflete as informações constantes nos resumos das folhas do vínculo “C”. O próprio sujeito passivo juntou o resumo geral da folha, bem como, a relação geral e a lista nominal das folhas. Consoante se verifica dos presentes autos, o Auto de Infração foi devidamente acompanhado do Discriminativo do Débito, Fundamentos Legais, Relatório de Lançamentos, descrição dos fatos, enquadramento legal, de modo que todos os elementos e os motivos da autuação encontramse claramente descritos, o que permite a perfeita compreensão da apuração do crédito tributário. Após a impugnação apresentada pelo contribuinte onde foram adunados novos documentos, a DRJ determinou a realização de diligência, para que houvesse um pronunciamento da fiscalização acerca do questionamento sobre os valores incluídos na base de cálculo. Assim, foi realizada a revisão das bases tributáveis, conforme Informação Fiscal (fls. 1522/1523), acompanhada do Demonstrativo de Apuração de Base de Cálculo (fls. 1524/1529), abrindose nova oportunidade ao contribuinte para manifestação, tendo este apresentado defesa complementar (fls. 1604/1607). Nesse diapasão, não há que se falar em nulidade quando procedimento fiscalizatório foi efetuado dentro dos preceitos normativos atinentes à matéria, o sujeito passivo foi devidamente intimado, em várias ocasiões, para apresentação de defesa e dos documentos de seu interesse, e o lançamento foi fundamentado nas razões de fato e de direito apresentadas pelo Auditor Fiscal e apurado da forma como estabelecida no art. 142 do CTN. Dessa forma, afasto a preliminar de nulidade suscitada. Mérito Autonomia dos entes municipais O Recorrente assevera que a Constituição da República consagra a autonomia do ente político para instituir leis. Aduz que a administração federal não pode afastar a vigência de lei estadual, e que a ausência de filiação dos servidores ao RGPS torna inviável a cobrança da contribuição previdenciária. Primeiramente, há de se destacar que a Constituição da República estabelece a competência privativa da União para legislar sobre a seguridade social (art. 22, XXIII), a qual será financiada por toda a sociedade, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Fl. 1685DF CARF MF 8 Distrito Federal e dos Municípios, e das contribuições sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, senão vejamos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (Vide Emenda Constitucional nº 20, de 1998) I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Nesse sentido, a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o Plano de Custeio, estabelece em seu artigo 15, que os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresa, para os fins de aplicação das normas previdenciárias: Art. 15. Considerase: I – empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Dessa forma, basta para tanto a ocorrência do fato gerador para o nascimento da obrigação tributária correspondente, sendo dever da autoridade fiscal proceder a constituição do crédito tributário quando da verificação dos fatos tributáveis ocorridos. Assim, deve ser afastada a argumentação do Recorrente. Dos servidores temporários Assevera o Recorrente que os servidores temporários do Estado do Amazonas estavam submetidos ao RPPS, razão pela qual seria inviável a submissão deles ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Pois bem. Inicialmente, mister se faz esclarecer que o advento da Emenda Constitucional nº 20, de 1988, que incluiu o § 13 no art. 40 da Constituição Federal, trouxe profundas modificações no regramento jurídico relativo à vinculação dos servidores temporários obrigatoriamente ao RGPS, conforme se destaca a seguir: Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 35011.000521/200705 Acórdão n.º 2401005.673 S2C4T1 Fl. 6 9 (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41, 19.12.2003) [...] § 13 – Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) A redação estabelecida no § 13 deixa claro que, a partir da publicação da EC nº 20, em 15/12/1998, os servidores ocupantes de cargo em comissão, bem como de cargo temporário, ao lado dos empregados públicos, vinculamse obrigatoriamente ao RGPS. Essa regra foi corroborada com a edição da Lei nº 9.717/1998, através da qual o legislador ordinário concedeu o direito de participação em regimes próprios de previdência social em caráter exclusivo somente aos servidores titulares de cargos efetivos, verbis: "Art.1º. Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: [...] V – cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Nesse diapasão, a Lei nº 8.212/91 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e instituiu o Plano de Custeio, assim determinou acerca dos segurados obrigatórios e dos que são excluídos do Regime Geral de Previdência Social: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1687DF CARF MF 10 Destarte, aos servidores admitidos sob o amparo da Lei nº 1.674/1984, são classificados no Regime Geral da Previdência Social, disciplinado no § 13, do art. 40 da Constituição Federal. Ademais, não restou atendido o requisito de art. 19 do ADCT, pois os servidores não cumpriram o interregno de 5 (cinco) anos estabelecido no referido artigo para enquadrálos ao RPPS, além de não ter sido comprovada a natureza permanente das atividades por eles ocupadas e de não estarem submetidos ao regime estatutário, nos termos do Parecer MPS/CJ nº 3.333/04. A alteração das funções em cargos operada com o advento Lei nº 2.624, de 2000, não descaracterizou a natureza temporária das atribuições dos servidores que, por esta razão, continuaram vinculados ao RGPS. Quanto à alegação de boa fé alegada pelo Recorrente, sob o argumento de que havia Lei Estadual que impunha ao recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos servidores temporários ao RPPS do Estado do Amazonas, cabe nesse ponto registrar que a infração fiscal independe da intenção do agente ou do responsável, conforme preceitua o art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Com efeito, a legislação que rege a matéria não determina, em nenhum momento, o recolhimento de contribuição a dois institutos. Assim, diante da ocorrência do fato gerador do tributo, nasce a obrigação tributária decorrente da relação jurídica legalmente estabelecida, cabendo ao agente fiscal a constituição do crédito tributário pelo lançamento, o que foi devidamente atendido pela fiscalização, conforme já asseverado no art. 142 do CTN. No que tange ao argumento de que a rubrica Devolução de Ganho Indevido, pelo próprio título, já seria suficiente para se concluir pela não tributação da referida parcela, igualmente não prospera tal afirmação, tendo em vista que o Recorrente nada trouxe para demonstrar que tais devoluções referiamse a parcelas indenizatórias ou que indevidamente integraram a base de cálculo tributável. Destarte, o Recorrente apresentou meras alegações, sem demonstrar, através da produção de provas eficazes e suficientes, o combate dos fatos indicados no lançamento fiscal, capaz de justificar a sua insubsistência. Quanto ao questionamento acerca da base de cálculo e alíquota aplicadas, convém nesse ponto transcrever excertos do Relatório Fiscal complementar que, de maneira muito clara, explicita a forma de apuração do lançamento efetivado: 2. Diante das alegações contidas na Impugnação, associadas ao item 4 da Resolução acima citada, providenciouse a revisão das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, do período de 12/2000 a 09/2003, conforme observações a seguir: a) De início, convém frisar que se trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 26/10/2005, em substituição à NFLD n“ 35.709.4107, lavrada em 30/04/2004, conforme item 1 do Relatório Fiscal, de 25/ 10/2005, folhas 30/36; Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 35011.000521/200705 Acórdão n.º 2401005.673 S2C4T1 Fl. 7 11 b) Nessa substituição, foram mantidas as mesmas bases de cálculo das contribuições previdenciárias; c) Essas bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento dos “053031 Outros Cargos Servidores não Estáveis”, servidores esses admitidos em caráter temporário, sob a égide da Lei n° 1.674, de 10 de Dezembro de 1974, e estão identificados nas folhas analíticas (páginas148/ 1395 do processo), com a vinculação C; d) Os resumos das folhas de pagamento dos servidores, processados nos respectivos meses, apresentados à Fiscalização, serviram de base para os levantamentos do crédito. Cópia desses documentos obtida recentemente junto ao Órgão (Tribunal de Contas) está anexa ao processo (folhas 1925/ 1958); e) Merece destaque o fato de os resumos processados, à época, terem correlação com as 1 emissão como de rubricas discriminadas, diferentemente do que ocorre com os resumos (folhas 114/147), apresentados na Impugnação, que são documentos processados todos com data de 18/09/2006; Essa data é posterior à da consolidação da NFLD original, de 30/04/2004, e à da consolidação da NFLD substituta, de 25/10/2005. 3. Com as ressalvas, informo que a revisão do crédito foi com base nos resumos das folhas apresentados à Fiscalização pelo Tribunal de Contas, na época do levantamento do crédito (2003 e 2004). Os mesmos resumos (folhas 1925/1938) foram reapresentados quando o Órgão foi intimado em recente diligência realizada para análise deste Processo. 4. Para melhor visualizar os acertos realizados, anexo o “Demonstrativo de Apuração de Base de Cálculo do INSS por Competência da Folha Suplementar do Vínculo C”. 5. Foram excluídas da base de cálculo da contribuição social previdenciária, as rubricas salário família, 13° salário adiantado, faltas, atrasos, saídas antecipadas e saídas sem autorização, foram desconsideradas as rubricas diárias, indenização de transporte e vale refeição e foi mantida a rubrica abono. 6. Referindome ao cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado, informo a ocorrência da apresentação de resumo das folhas de pagamento (folhas 1925/ 1958) de forma deficiente, no que se refere aos valores apropriados ao código 252 IPEAM, porque é contribuição de empregados destinada a outro regime de previdência, que utiliza base de cálculo e alíquota diferentes, situação que impossibilita apuração da contribuição de segurados do Regime Geral da Previdência com dados constantes nos resumos das folhas. 7. Por causa disso, optouse pelo cálculo da contribuição social previdenciária de segurados, de acordo com artigo 599, da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de Julho de 2005, Fl. 1689DF CARF MF 12 aplicandose a alíquota mínima, sem limite e sem compensação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF. 8. Foram emitidos FORCED Formulário para Cadastramento e Emissão de Documentos às competências a serem revisadas. Dessa forma, deve ser mantido o lançamento nos termos em que efetivados. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito a preliminar apontada e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1690DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674253/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/03/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins.
O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-004.130
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/03/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços (ICMS) não compõe a base de incidência do PIS e da Cofins. O Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 42 53 /2 01 1- 71 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição para o PIS, decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera da inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição, uma vez que referido imposto não se consubstancia em receita própria, tratandose de valor alheio aos limites constitucionais da incidência da contribuição, já tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizado exatamente nesse sentido, conforme se verifica no julgamento do RE 240.7852/MG. Solicitou, ainda, a realização de perícia capaz de atestar que os valores devidos a título de ICMS compuseram indevidamente a base de cálculo das contribuições, bem como a exatidão do montante a ser restituído. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 06051.823, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por ser, segundo ela, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição, valor esse integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, arguindo o seguinte: (i) a base de cálculo da contribuição é a receita bruta, sendo que apenas os valores correspondentes ao resultado das atividades devem integrála, não alcançando, portanto, o ICMS; (ii) nem sempre o ingresso de capitais ou recursos financeiros na sociedade representa a entrada de receitas, mormente quando apartadas da aquisição do direito patrimonial sobre eles, como ocorre no caso do ICMS, haja vista sua absoluta incapacidade de alterar o patrimônio líquido da sociedade, dado constituirse de um direito do Estado; (iii) o conceito de receita, qualquer que seja a sua fonte de origem (de venda de bens ou serviços, financeiras, etc.), decorre sempre e necessariamente do exercício da atividade empresarial, representando, também, sempre e necessariamente, riqueza nova ingressando ao patrimônio da sociedade empresarial; (iv) o ICMS destacado nas notas fiscais de venda de mercadorias pela Recorrente não consubstancia receita própria, razão pela qual se trata de valor alheio aos Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 4 3 limites constitucionais da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins, seja de seu critério material, seja de seu critério subjetivo; (v) o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo da Cofins; (vi) ao caso se aplica o contido no art. 26A do Decreto 70.235/1972; (vii) a inconstitucionalidade arguida pode ser enfrentada em âmbito administrativo, em razão da decisão definitiva plenária proferida pelo Supremo Tribunal Federal; (viii) cita jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais em seu favor; (ix) a Lei 9.718/1998 e as que lhe sucederam jamais determinaram a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins; (x) uma vez demonstrado ser indevida a inclusão dos valores do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da Cofins, temse o direito de pleitear a restituição do quantum recolhido indevidamente a este título, respeitado o prazo de 5 (cinco) anos; (xi) necessidade de realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.124, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo nº 10880.674237/201188, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.124): Assiste razão à Recorrente. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. Referida decisão possui a seguinte ementa: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) O Supremo Tribunal Federal STF já está a aplicar o entendimento firmado em outros processos, conforme se depreende do julgado adiante colacionado: Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 6 5 "COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário nº 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Descabe a fixação dos honorários recursais previstos no artigo 85, § 11, do Código de Processo Civil de 2015, quando se tratar de recurso formalizado em processo cujo rito os exclua. AGRAVO – MULTA – ARTIGO 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. Se o agravo é manifestamente inadmissível ou improcedente, impõese a aplicação da multa prevista no § 4º do artigo 1.021 do Código de Processo Civil de 2015, arcando a parte com o ônus decorrente da litigância protelatória."(RE 440787 AgRsegundo, Relator(a):Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe098 DIVULG 18052018 PUBLIC 21052018) Com a decisão proferida pela Corte Suprema, não mais prevalece o contido no REsp 1.144.469/PR do Superior Tribunal de Justiça STJ. O entendimento ora esposado encontra amparo no fato de o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais estar aplicando o seu antigo posicionamento. A Corte Superior de Justiça, de modo reiterado, está decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706. A título ilustrativo, colacionase recentes decisões em tal sentido, verbis: "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). 1. O recurso especial foi interposto na vigência do CPC/1973. Dessa forma, sujeitamse aos requisitos de admissibilidade nele previstos, conforme diretriz contida no Enunciado Administrativo n. 2 do Plenário do STJ. 2. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra Cármen Lúcia, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos infringentes, para realizar a adequação prevista no art. 1.030, II do CPC/2015." (EDcl no AgRg no REsp 1276424/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. JULGAMENTO DO TEMA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO DE RETRATAÇÃO PELO PRÓPRIO STJ. ADEQUAÇÃO AO DECIDIDO PELO STF. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 7 6 1. A Jurisprudência pacífica desta Corte de Justiça possuía o entendimento de considerar legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ. Posicionamento este ratificado pela Primeira Seção do STJ no julgamento do Resp 1.144.469/PR, processado e julgado como representativo de controvérsia. 2. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, por ocasião da apreciação do RE 574.706RG/PR, com repercussão geral reconhecida, firmou tese contrária à fixada pela Primeira Seção do STJ. 3. Juízo de retratação exercido nestes autos (art. 1.040, II, do CPC/2015), para negar provimento ao apelo nobre da Fazenda Nacional." (REsp 1496603/MG, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2018, DJe 25/04/2018) "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SUBSTITUTIVA, PREVISTA NA LEI 12.546/2011. JULGAMENTO PELO STF, EM REGIME DE REPERCUSSÃO GERAL. RE 574.706/PR. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 1.040, II, DO CPC/2015. AGRAVO INTERNO PROVIDO, EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, QUANTO AO TEMA OBJETO DA REPERCUSSÃO GERAL. I. Agravo interno aviado contra decisão que deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão que, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial, havia mantido a sentença que concedera o Mandado de Segurança. II. A Segunda Turma do STJ, considerando a jurisprudência pacífica da Corte, quando do julgamento do Recurso Especial interposto, no sentido da incidência do ICMS na base de cálculo da contribuição previdenciária substitutiva, prevista na Lei 12.546/2011, negou provimento ao Agravo interno do contribuinte. III. Entretanto, posteriormente, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 574.706/PR, sob o regime da repercussão geral, firmou a tese de que "o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS" (STF, RE 574.706/PR, Rel. Ministra CÁRMEN LÚCIA, TRIBUNAL PLENO, DJe de 02/10/2017), porquanto o valor arrecadado, a título de ICMS, não se incorpora ao patrimônio do contribuinte, e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS, contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social. Diante da nova orientação da Suprema Corte, o STJ realinhou o seu posicionamento (STJ, REsp 1.100.739/DF, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 08/03/2018; AgInt no AgInt no AgRg no AREsp 392.924/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/03/2018). Mutatis mutandis, a mesma lógica deve ser aplicada para a contribuição previdenciária substitutiva, prevista nos arts. 7º e 8º da Lei 12.546/2011, em razão da identidade do fato gerador (receita bruta). Com efeito, "os valores relativos ao ICMS não integram a base de cálculo da Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta CPRB, prevista na Lei n. 12.546/11, porquanto não se incorporam ao patrimônio do contribuinte, é dizer, não caracterizam receita bruta, em observância à axiologia das razões de decidir do RE n. 574.706/PR, julgado em repercussão geral pelo STF, no qual foi proclamada a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS" Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 8 7 (STJ, REsp 1.568.493/RS, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 23/03/2018). Em igual sentido: STJ, REsp 1.694.357/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe de 01/12/2017. IV. Nesse contexto, retornaram os autos por determinação da Vice Presidência do STJ, para fins do disposto no art. 1.040, II, do CPC/2015 , em face do aludido julgado do Supremo Tribunal Federal, em regime de repercussão geral. V. Agravo interno provido, para, em juízo de retratação, previsto no art. 1.040, II, do CPC/2015, negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional." (AgInt no REsp 1592338/SC, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/04/2018, DJe 23/04/2018) Neste contexto, não há como negar plena efetividade ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, já que o próprio Superior Tribunal de Justiça STJ não mais aplica o entendimento firmado no REsp 1.144.469/PR. O mesmo posicionamento tem sido adotado pelos Tribunais Regionais Federais. Neste sentido: "EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574.706/PR, SOB O RITO DA REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, AC 5004059 55.2015.4.04.7215, SEGUNDA TURMA, Relatora LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, juntado aos autos em 09/07/2018) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS INFRINGENTES. RETRATAÇÃO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS. ENTENDIMENTO DO STF. RE 574706/PR. TEMA 69 STF. Conforme estabelecido pelo STF, no Tema 69, "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da Cofins" (Recurso Extraordinário com repercussão geral nº 574.706)." (TRF4, EINF 2006.70.00.0284961, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator ROGER RAUPP RIOS, D.E. 10/07/2018) "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO. ICMS. EXCLUSÃO BASE CÁLCULO. PIS E COFINS. SUSPENSÃO. RE 574.706. VINCULAÇÃO. AGRAVO IMPROVIDO. No caso, foram abordadas todas as questões debatidas pela Agravante, tendo sido apreciada a tese de repercussão geral, julgada em definitivo pelo Plenário do STF, que decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". Cabe destacar que foi reconhecida a repercussão geral do RE 574.706/PR, e julgado o mérito do recurso pelo Plenário do STF, devendo os tribunais decidir no mesmo sentido do entendimento adotado, nos termos do art. 1.040, II do CPC, e incumbindo ao Relator decidir de forma monocrática, como prevê o art. 932 do CPC. Anotese que a diretriz jurisprudencial firmada deve ser observada pelos demais Tribunais, como tem reiteradamente decidido o próprio STF, que, inclusive, tem aplicado a orientação firmada a casos similares. Precedentes. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 9 8 Quanto à alegação de que o feito deve ser sobrestado até a publicação do acordão, resultante do julgamento dos embargos de declaração a serem opostos pela Fazenda Nacional, cabe salientar o que restou consignado na r. decisão combatida de que a decisão proferida pelo STF no RE 574.706, independentemente da pendência de julgamento dos aclaratórios, já tem o condão de refletir sobre as demais ações com fundamento na mesma controvérsia, como no presente caso, devendo, portanto, prevalecer a orientação firmada pela Suprema Corte. Ademais, quanto à eventual insurgência relativa à possibilidade de modulação dos efeitos do julgado, ressaltase não ser possível, nesta fase processual, interromper o curso do feito apenas com base numa expectativa que até o momento não deu sinais de confirmação, dada a longevidade da ação e os efeitos impactantes que o paradigma ocasiona. A regra geral relativa aos recursos extraordinários, julgados com repercussão geral, é a de vinculação dos demais casos ao julgado, sendo que a inobservância da regra deve ser pautada em razões concretas. A tese de repercussão geral fixada foi a de que "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS". A motivação dos embargos de declaração, embora não tenha sido acolhida, não permite a conclusão de que foram opostos em litigância de máfé ou com manifesto caráter protelatório. As razões recursais não contrapõem os fundamentos do r. decisum a ponto de demonstrar qualquer desacerto, limitandose a reproduzir argumentos os quais visam à rediscussão da matéria nele contida. Negado provimento ao agravo interno." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 369987 000198616.2017.4.03.6000, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MÔNICA NOBRE, julgado em 04/07/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) "CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. ILEGALIDADE. STF. RE 574.706/PR. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 069. COMPENSAÇÃO. SÚMULA Nº 213 DO STJ. SUFICIÊNCIA DA PROVA DA CONDIÇÃO DE CREDORA TRIBUTÁRIA. 1. Ao apreciar o tema no âmbito do RE 574.706/PRRG (Rel. Min. Cármen Lúcia), o E. STF firmou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS." 2. Quanto à análise da compensação tributária em sede mandamental, o próprio C. STJ tem reiterado a aplicação do seu Enunciado 213, limitando, in casu, a prova à simples condição de credora tributária, por não se confundir com os fundamentos adotados no REsp 1.111.164/BA. 3. Apelação a que se dá parcial provimento, concedendose a segurança para determinar a exclusão, relativa à base de cálculo da COFINS e do PIS, da parcela relativa ao ICMS, autorizando a respectiva compensação, observado, contudo, o lustro prescricional (RE 566.621/RS, Rel. Min. Ellen Gracie), na forma da legislação de regência, notadamente com respeito ao disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe conferiu a Lei nº 10.637/02, artigo 170A do CTN e correção monetária com a incidência da Taxa SELIC, considerando que a presente ação mandamental foi ajuizada em 08/07/2008. 4. Acresçase, por oportuno, que a pendência de análise de modulação dos efeitos, pelo eventual acolhimento dos aclaratórios opostos no referido RE Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 10 9 574.706/PR, não tem o condão de atrair o efeito suspensivo aqui perseguido, não merecendo, nesse viés, prosperar o argumento alinhavado pela União Federal nesse exato sentido, AC 2015.61.10.0085860/SP, Relator Desembargador Federal ANDRÉ NABARRETE, decisão de 08/03/2018, D.E. 23/03/2018; EDcl na AMS 2007.61.12.0077639/SP, Relator Desembargador Federal MARCELO SARAIVA, decisão de 26/03/2018, D.E. 05/04/2018, e AMS 2014.61.05.0105413/SP, Relatora Desembargadora Federal MÔNICA NOBRE, Quarta Turma, j. 21/02/2018, D.E. 22/03/2018. 5. Matéria reapreciada, em sede de juízo de retratação, por força do artigo 543B, § 3º, do CPC/73, aplicável à espécie." (TRF 3ª Região, QUARTA TURMA, Ap APELAÇÃO CÍVEL 333152 001626088.2008.4.03.6100, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL MARLI FERREIRA, julgado em 20/06/2018, eDJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2018 ) Pertinentes são as palavras da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, em voto proferido no processo 10580.721226/200701 (Acórdão 3301004.355): "Venho sustentando que, para fins de interpretação do § 2° do art. 62 do RICARF, negar a aplicação da decisão do RE n° 574.706 RG, com base no REsp n° 1.144.469/PR (julgado como recurso repetitivo e já transitado em julgado), é uma falácia. É uma falácia, porquanto o próprio STJ já alterou seu posicionamento para reconhecer que o ICMS não integra a base de cálculo da contribuição para o PIS e COFINS, afastando a aplicação do REsp 1.144.469/PR, em virtude da decisão do STF, como se observa nas decisões citadas abaixo: (...) Por conseguinte, estando o acórdão do RE n° 574.706 RG desprovido de causa suspensiva, deve ser imediatamente aplicado. Defendo que tal situação se coaduna com a condição de “decisão definitiva de mérito”, para fins de aplicação do art. 62, § 2° do RICARF." Cito, ainda: "Os órgãos do Estado são entes sem vida, sem inteligência e sem sentimento; são dirigidos por gestores que assumem o compromisso constitucional de respeitar os princípios democráticos, dentre os quais o efetivo cumprimento das decisões judiciais. De outra forma, não faz sentido o próprio governo, integrante do sistema, desrespeitar as leis. A Fazenda Pública e os órgãos públicos de maneira geral, por não terem vida, não se sensibilizam com os fatos que ocorrem em seu derredor, diferentemente do que acontece com seus agentes políticos ou administrativos." (CARDOSO, Antonio Pessoa. Cumprimento das leis Estado deve ser referência de valores do Direito. Revista Consultor Jurídico, 25 de junho de 2011, 7h41) Um órgão administrativo de julgamento não aplicar o decidido em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal STF quando até mesmo o Superior Tribunal de Justiça STJ já não mais aplica o seu entendimento em sentido diverso é verdadeira afronta ao julgado pela mais Alta Corte do país. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 11 10 Sobre a inteira e imediata aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, o Superior Tribunal de Justiça STJ assim decidiu: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) (nosso destaque) Do voto, destaco: "3. No mais, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que a existência de precedente sob o regime de repercussão geral firmado pelo Plenário daquela Corte autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto, independentemente do trânsito em julgado do paradigma (RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016.)" Por fim, ressalto que esta Turma, em sua atual composição, decidiu por maioria de votos, em dar provimento a recurso do contribuinte, em processo no qual este relator foi designado para redigir o voto vencedor. Aludida decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005, 01/06/2005 a 30/11/2005, 01/03/2006 a 30/11/2006 MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Rejeitase a preliminar de nulidade quando nos autos está comprovado que a fiscalização cumpriu todos os requisitos legais pertinentes ao MPF, não tendo o contribuinte demonstrado nenhuma irregularidade capaz de invalidar o lançamento. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. GLOSA. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 12 11 Correta a glosa de valores indevidamente incluídos no cômputo da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade, ressalvandose os valores glosados não comprovados pela fiscalização e os lançados com evidente lapso material. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. OPÇÃO A apropriação de crédito das contribuições mediante despesas com depreciação de bens calculadas de forma acelerada, na razão 1/48, nos termos do § 14, art. 3º da Lei 10.637/02 é opcional, o que significava impossibilidade de apropriação concomitante à regra do inciso III, do § 1ª do indigitado artigo. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. LEI Nº 11.051/2004 Imprescindível a comprovação do atendimento aos requisitos legais para o benefício fiscal da apuração da depreciação acelerada de que trata da Lei nº 11.051/2004. COFINS E PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, o que afasta, de imediato, o anterior entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no Resp 1.144.469/PR, no regime de recursos repetitivos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 2 COFINS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para a Cofins o decidido em relação ao PIS lançado a partir da mesma matéria fática." (Processo nº 10530.004513/200811; Acórdão nº 3201003.725; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 24/05/2018) Cito, ainda, decisão proferida por voto de desempate, que acolheu o pedido de restituição formulado pelo contribuinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2010 a 31/08/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. Comprovado tratarse de crédito tributário restrito ao PIS/Pasep apurado e recolhido sobre base de cálculo sem a exclusão do ICMS é de se reconhecer o direito à restituição do crédito pleiteado." (Processo nº Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.674253/201171 Acórdão n.º 3201004.130 S3C2T1 Fl. 13 12 10935.906300/201259; Acórdão nº 3001000.113; Relator Conselheiro Cássio Schappo; sessão de 24/01/2018) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706 e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS, em plena consonância ao decidido pelo Supremo Tribunal Federal STF, no Recurso Extraordinário nº 574.706, e em conformidade com o que tem adotado o Superior Tribunal de Justiça STJ, devendo a unidade de origem verificar a correção dos valores apresentados pela Recorrente em seus pedidos. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720382/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de contradição entre ementa e os fundamentos do julgado em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando o saneamento da decisão.
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI 8.212/91. PRAZOS DECADENCIAIS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência as disposições do Código Tributário Nacional.
Incidência do artigo 150, § 4° do CTN pois se verificou durante o procedimento fiscalizatório os pagamentos efetuados, considerando, assim, a totalidade da folha de salários do sujeito passivo, efetuando-se o lançamento das diferenças encontradas, qual seja, a parte relativa à participação nos lucros e resultados.
PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FORA DO PERÍODO PREVISTO EM LEI.
O § 2° do artigo 3° da Lei n° 10.101/00 determina que é proibido o pagamento de antecipação ou distribuição de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil.
Os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela contrariam o disposto na Lei n° 10.101/00 e, portanto, ficam sujeitos à incidência da contribuição previdenciária.
DATAS DAS REUNIÕES PARA FIXAÇÃO DE METAS.
No caso dos autos as reuniões para a fixação das metas realizadas em 02 de agosto de 2005 e 07 de julho de 2006 não se constituíram em novos planos de PLR, sendo mantido aquele originalmente fixado entre empregador e empregados, com a participação do sindicato, em 2001.
PARCELAS PREVISTAS EM CONVENÇÃO COLETIVA.
Restou demonstrado nos autos que para alguns empregados os valores pagos com base na Convenção Coletiva superaram os limites convencionados. Tendo em vista que a Convenção Coletiva atende aos ditames da Lei n° 10.101/00, apenas o valores pagos acima do limite nela previsto é que devem se submeter à tributação das contribuições previdenciárias.
MULTA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. MANUTENÇÃO
Matéria decidida nos autos do Recurso Especial n° 923.012, julgado sob a sistemática de recurso repetitivo e, portanto, de observância obrigatória por esse Conselho (artigo 62-A do RICARF).
A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão.
MULTA. RETROATIVIDADE.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-005.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-003.732, de 18/09/2013, ajustar a parte dispositiva do julgado ao entendimento exposto na ementa e no voto do relator (vencedor), para que conste "em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento apenas os valores pagos acima do limite determinado na Convenção Coletiva, nos termos do voto do Relator".
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e redator designado para o voto da conselheira Andrea Brose Adolfo.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada em substituição ao impedimento do conselheiro João Maurício Vital), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de contradição entre ementa e os fundamentos do julgado em acórdão exarado pelo CARF, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando o saneamento da decisão. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI 8.212/91. PRAZOS DECADENCIAIS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência as disposições do Código Tributário Nacional. Incidência do artigo 150, § 4° do CTN pois se verificou durante o procedimento fiscalizatório os pagamentos efetuados, considerando, assim, a totalidade da folha de salários do sujeito passivo, efetuandose o lançamento das diferenças encontradas, qual seja, a parte relativa à participação nos lucros e resultados. PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FORA DO PERÍODO PREVISTO EM LEI. O § 2° do artigo 3° da Lei n° 10.101/00 determina que é proibido o pagamento de antecipação ou distribuição de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela contrariam o disposto na Lei n° 10.101/00 e, portanto, ficam sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. DATAS DAS REUNIÕES PARA FIXAÇÃO DE METAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 82 /2 01 1- 18 Fl. 1658DF CARF MF 2 No caso dos autos as reuniões para a fixação das metas realizadas em 02 de agosto de 2005 e 07 de julho de 2006 não se constituíram em novos planos de PLR, sendo mantido aquele originalmente fixado entre empregador e empregados, com a participação do sindicato, em 2001. PARCELAS PREVISTAS EM CONVENÇÃO COLETIVA. Restou demonstrado nos autos que para alguns empregados os valores pagos com base na Convenção Coletiva superaram os limites convencionados. Tendo em vista que a Convenção Coletiva atende aos ditames da Lei n° 10.101/00, apenas o valores pagos acima do limite nela previsto é que devem se submeter à tributação das contribuições previdenciárias. MULTA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. MANUTENÇÃO Matéria decidida nos autos do Recurso Especial n° 923.012, julgado sob a sistemática de recurso repetitivo e, portanto, de observância obrigatória por esse Conselho (artigo 62A do RICARF). A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. MULTA. RETROATIVIDADE. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301003.732, de 18/09/2013, ajustar a parte dispositiva do julgado ao entendimento exposto na ementa e no voto do relator (vencedor), para que conste "em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento apenas os valores pagos acima do limite determinado na Convenção Coletiva, nos termos do voto do Relator". (assinado digitalmente) Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201118 Acórdão n.º 2301005.418 S2C3T1 Fl. 1.188 3 João Bellini Júnior – Presidente e redator designado para o voto da conselheira Andrea Brose Adolfo. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada em substituição ao impedimento do conselheiro João Maurício Vital), Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Andrea Brose Adolfo, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF. Feito o registro. Tratase de embargos de declaração apresentados pelo contribuinte (efls. 323338) em face do acórdão nº 2301003.732 (efls. 1105 a 1139), proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em 18/09/2013, com as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI 8.212/91. PRAZOS DECADENCIAIS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência as disposições do Código Tributário Nacional. Incidência do artigo 150, § 4° do CTN pois se verificou durante o procedimento fiscalizatório os pagamentos efetuados, considerando, assim, a totalidade da folha de salários do sujeito passivo, efetuandose o lançamento das diferenças encontradas, qual seja, a parte relativa à participação nos lucros e resultados. PLR. PAGAMENTO DE PARCELA FORA DO PERÍODO PREVISTO EM LEI. O § 2° do artigo 3° da Lei n° 10.101/00 determina que é proibido o pagamento de antecipação ou distribuição de participação nos lucros ou resultados em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Fl. 1660DF CARF MF 4 Os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela contrariam o disposto na Lei n° 10.101/00 e, portanto, ficam sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. DATAS DAS REUNIÕES PARA FIXAÇÃO DE METAS. No caso dos autos as reuniões para a fixação das metas realizadas em 02 de agosto de 2005 e 07 de julho de 2006 não se constituíram em novos planos de PLR, sendo mantido aquele originalmente fixado entre empregador e empregados, com a participação do sindicato, em 2001. PARCELAS PREVISTAS EM CONVENÇÃO COLETIVA. Restou demonstrado nos autos que para alguns empregados os valores pagos com base na Convenção Coletiva superaram os limites convencionados. Tendo em vista que a Convenção Coletiva atende aos ditames da Lei n° 10.101/00, apenas o valores pagos acima do limite nela previsto é que devem se submeter à tributação das contribuições previdenciárias. MULTA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. MANUTENÇÃO Matéria decidida nos autos do Recurso Especial n° 923.012, julgado sob a sistemática de recurso repetitivo e, portanto, de observância obrigatória por esse Conselho (artigo 62A do RICARF). A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. MULTA. RETROATIVIDADE. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea "c", do inciso II, do artigo 106, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. A parte dispositiva foi assim redigida: Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201118 Acórdão n.º 2301005.418 S2C3T1 Fl. 1.189 5 I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 02/2006, anteriores a 03/2006, devido a regra decadencial do art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em aplicar a regra decadencial do I, Art. 173 do CTN; b) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento apenas os pagamentos efetuados a título de PLR após a segunda parcela, no ano civil, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros que negava provimento ao recurso e Damião Cordeiro de Moraes que dava provimento ao recurso; c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento apenas os valores contidos no teto determinado na Convenção Coletiva, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento ao recurso; d) em dar provimento ao recurso, na questão das datas de reunião de fixação de metas, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso; e) em dar provimento ao recurso, na questão da alegação sobre substituição da remuneração, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso; f) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da PLR, devido a ausência de prova sobre a participação do sindicato, nas atas de ajustes do plano, nos termos do voto do Redator. Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão da PLR, devido à ausência de regras claras e objetivas, nos termos do voto do Redator. Vencido os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que davam provimento ao recurso; f) em negar provimento ao recurso, na questão da existência de mais de um acordo, devido a sua correlação, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Fl. 1662DF CARF MF 6 Moraes, Adriano Gonzales Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que negavam provimento ao recurso nesta questão; g) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32 A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Adriano Gonzales Silvério e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; III) Por unanimidade de votos: a) em manter a multa na sucessora, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); c) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Cientificado do acórdão o contribuinte opôs os embargos alegando omissões, contradições e obscuridades no acórdão combatido. Os embargos foram acolhidos parcialmente nos termos do despacho de admissibilidade dos embargos s/nº (efls.1639/1656): (f) OBSCURIDADE E DAS OMISSÕES QUANTO AO ENQUADRAMENTO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR NOS LIMITES PREVISTOS NA CCT E NO PPR O referido item I, “c”, do dispositivo possui a seguinte redação: c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento apenas os valores contidos no teto determinado na Convenção Coletiva, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento ao recurso; (Grifouse.) O esmiuçamento do comando deve ser buscado no voto do relator, por ter sido vencedor na questão . Esse consignou: Por outro lado, foi demonstrado pela fiscalização que para alguns empregados os valores pagos com base na Convenção Coletiva superaram os limites convencionados (cálculo efetuado com base no lucro liquido declarado em DIPJ). Dessa maneira, conforme Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201118 Acórdão n.º 2301005.418 S2C3T1 Fl. 1.190 7 afirma o Fisco, a PLR veiculada pela Convenção Coletiva atende aos ditames da Lei n° 10.101/00, tenho para mim que apenas o valores pagos acima do limite nela previsto é que devem se submeter à tributação das contribuições previdenciárias. Resta evidenciada a contradição entre o dispositivo (manter no lançamento apenas os valores contidos no teto determinado na Convenção Coletiva) e os seus fundamentos (apenas o valores pagos acima do limite nela previsto é que devem se submeter à tributação das contribuições previdenciárias), pelo que devem ser acolhidos os embargos para clarificar o que foi decidido. Quanto à questão do lucro líquido do exercício, a questão foi ventilada no mesmo trecho retrotranscrito: Por outro lado, foi demonstrado pela fiscalização que para alguns empregados os valores pagos com base na Convenção Coletiva superaram os limites convencionados (cálculo efetuado com base no lucro liquido declarado em DIPJ). Dessa maneira, conforme afirma o Fisco, a PLR veiculada pela Convenção Coletiva atende aos ditames da Lei n° 10.101/00, tenho para mim que apenas o valores pagos acima do limite nela previsto é que devem se submeter à tributação das contribuições previdenciárias. (Grifouse.) Verificase que, mesmo que sucintamente, a questão suscitada foi abordada pelo acórdão, corroborando o entendimento da fiscalização na matéria. Como já referido, a fundamentação breve não se confunde com omissão ou falta de fundamentação (Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento 791.292/ Pernambuco). Portanto, nessa matéria não devem ser acolhidos os embargos. Conclusão Com base nos fundamentos retro, ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração, TÃO SOMENTE quanto, no item “(f) obscuridade e das omissões quanto ao enquadramento dos valores pagos a título de PLR nos limites previstos na CCT e no PPR”, da questão de manter no lançamento apenas os valores contidos no teto determinado na Convenção Coletiva, ou se apenas os valores pagos acima do limite nela previsto é que devem se submeter à tributação das contribuições previdenciárias. É o relatório. Fl. 1664DF CARF MF 8 Voto Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Andrea Brose Adolfo, relatora original, ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado ad hoc para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relatório e voto deixado pela conselheira nos sistemas internos do CARF. Feito o registro. Conselheiro João Bellini Júnior – redator ad hoc Os embargos são tempestivos, portanto deles conheço e passo à sua análise. Pela leitura do acórdão embargado, resta evidente que o equívoco está no registro na parte dispositiva do julgado, que deve ser adequada aos termos da ementa e do voto do relator, vencedor nessa questão: PARTE DISPOSITIVA DA EMENTA: c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento apenas os valores contidos no teto determinado na Convenção Coletiva, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento ao recurso; (Grifouse.) EMENTA PARCELAS PREVISTAS EM CONVENÇÃO COLETIVA. Restou demonstrado nos autos que para alguns empregados os valores pagos com base na Convenção Coletiva superaram os limites convencionados. Tendo em vista que a Convenção Coletiva atende aos ditames da Lei n° 10.101/00, apenas o valores pagos acima do limite nela previsto é que devem se submeter à tributação das contribuições previdenciárias. VOTO DO RELATOR: Por outro lado, foi demonstrado pela fiscalização que para alguns empregados os valores pagos com base na Convenção Coletiva superaram os limites convencionados (cálculo efetuado com base no lucro liquido declarado em DIPJ). Dessa maneira, conforme afirma o Fisco, a PLR veiculada pela Convenção Coletiva atende aos ditames da Lei n° 10.101/00, tenho para mim que apenas o valores pagos acima do limite nela previsto é que devem se submeter à tributação das contribuições previdenciárias. Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 16327.720382/201118 Acórdão n.º 2301005.418 S2C3T1 Fl. 1.191 9 Conclusão Portanto, acolho os embargos, apenas para ajustar a parte dispositiva do julgado ao entendimento exposto na ementa e no voto do relator (vencedor), devendo ser assim registrado: c) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de manter no lançamento apenas os valores pagos acima do limite determinado na Convenção Coletiva, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que negava provimento ao recurso; (Grifouse.) É como voto. ASSIM VOTOU A CONSELHEIRA NA SESSÃO DE JULGAMENTO. João Bellini Júnior – redator ad hoc. Fl. 1666DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.000359/2003-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Não ocorreu a homologação tácita, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, visto que não transcorreram cinco anos entre as datas em que as declarações de compensação foram transmitidas e a da ciência do despacho decisório.
RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA
O ressarcimento de saldo credor de IPI condiciona-se à prova inequívoca de sua existência, mediante apresentação de notas fiscais que comprovem sua certeza e liquidez, cujo encargo recai exclusivamente sobre o requerente, a teor do disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999. Não havendo tal comprovação, há de se indeferir o valor pleiteado, bem como considerar não homologadas as compensações declaradas, vinculadas ao saldo credor denegado.
Recurso Voluntáiro Negado
Numero da decisão: 3301-005.077
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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HOMOLOGAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não ocorreu a homologação tácita, nos termos do § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, visto que não transcorreram cinco anos entre as datas em que as declarações de compensação foram transmitidas e a da ciência do despacho decisório. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA O ressarcimento de saldo credor de IPI condicionase à prova inequívoca de sua existência, mediante apresentação de notas fiscais que comprovem sua certeza e liquidez, cujo encargo recai exclusivamente sobre o requerente, a teor do disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999. Não havendo tal comprovação, há de se indeferir o valor pleiteado, bem como considerar não homologadas as compensações declaradas, vinculadas ao saldo credor denegado. Recurso Voluntáiro Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 03 59 /2 00 3- 42 Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 13896.000359/200342 Acórdão n.º 3301005.077 S3C3T1 Fl. 967 2 (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 885 a 929) interposto pelo Contribuinte, em 20 de janeiro de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0958.653 (fls. 874 a 880), de 27 de novembro de 2015, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 308 a 316). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI apurado ao final do 2º trimestre/2002, protocolado em 17/02/2003 pela pessoa jurídica Mecaf Eletrônica S/A, CNPJ no 68.168.426/000192, no valor de R$121.798,91 (fl. 05). A requerente também protocolou as declarações de compensação de débitos próprios (objetos dos processos n 113896.000437/200317 e 13896.000633/200383, juntados por anexação ao presente processo, conforme a informação de fl. 477), tendo como lastro creditório o valor acima pleiteado em ressarcimento (fls. 340/341 e 455/476). Posteriormente, a requerente mencionada acima foi sucedida, por incorporação, pela pessoa jurídica Procomp Amazônia Indústria Eletrônica Ltda., CNPJ no 84.107.697/000194. Em análise de legitimidade do direito creditório pleiteado em ressarcimento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Osasco/SP, por meio do despacho decisório de fl. 305 não reconheceu o direito creditório pleiteado em ressarcimento pelo contribuinte interessado e, consequentemente, não homologou as compensações respectivas. A fundamentação denegatória encontrano Parecer SEORT no 226/2007, de fls. 304/305, o qual, essencialmente, manifestou que havia na composição do saldo credor do IPI valor proveniente do benefício fiscal instituído pela Lei no 8.248, de 1991, não restando, porém, a necessária comprovação pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) quanto à regularidade do gozo do benefício fiscal usufruído pelo contribuinte, além da constatação de que existiam saldos devedores em todos os anosbase analisados pelo MCT, o que implicava o "INDEFERIMENTO do Pedido de Ressarcimento de IPI, bem como a NÃO HOMOLOGAÇÃO DA CONPENSAÇÃO atrelada ao presente processo". Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 13896.000359/200342 Acórdão n.º 3301005.077 S3C3T1 Fl. 968 3 Cientificado pela via postal em 03/04/2007 (fls. 306/307) do despacho decisório mencionado acima, o contribuinte interessado, por meio de procurador constituído pelo instrumento de fl. 317, apresentou em 02/05/2007 sua manifestação de inconformidade de fls. 308/316, instruída, dentre outros, pelo documento de cópia à fl. 453, pela posterior petição de fls. 486/487 e pelo documento de cópia à fl. 501.Encaminhados os autos para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Juiz de Fora/MG, esta, por meio do Despacho da Presidência no 50 da sua 3a Turma, emitido em 22 de agosto de 2013 (fls. 504/506) e com base na admissão processual de fato superveniente e na observância do princípio da verdade material e dos requisitos da certeza e liquidez a pautar os procedimentos adstritos à Administração Pública, retornou o presente processo à DRFOsasco para a realização de diligência com o objetivo de que:" à luz dos elementos que instruem o processo, além de outros documentos considerados pertinentes, seja analisada a legitimidade e materialidade do saldo credor do IPI que lastreia as compensações declaradas; seja o processo instruído com os demais documentos considerados pertinentes; seja dada ciência do resultado da análise à interessada e facultada a esta o prazo de 30 dias para manifestação a respeito", com posterior retorno à DRJJuiz de Fora para continuidade do julgamento. Em decorrência do disposto no Despacho da Presidência mencionado acima, foram juntados ao presente processo os elementos de fls. 510/872, atinentes a diversas intimações, informações e conclusões realizadas pelo Fisco, bem como a respostas, manifestações e informações apresentadas pelo contribuinte interessado. Ao final, pelo despacho de fl. 873 o processo foi encaminhado para a DRJ Juiz de Fora/MG, para efetivação do julgamento administrativo fiscal. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/JFA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário, visando reformar a referida decisão. Posteriormente o Contribuinte apresentou, ainda, razões complementares ao Recurso Voluntário (fls. 968 a 979), em 10 de agosto de 2016. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0955.653 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 13896.000359/200342 Acórdão n.º 3301005.077 S3C3T1 Fl. 969 4 O ressarcimento de saldo credor de IPI condicionase à prova inequívoca de sua existência, mediante apresentação de notas fiscais que comprovem sua certeza e liquidez, cujo encargo recai exclusivamente sobre o requerente, a teor do disposto no art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999. Não havendo tal comprovação, há de se indeferir o valor pleiteado, bem como considerar não homologadas as compensações declaradas, vinculadas ao saldo credor denegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ficou claro na decisão ora recorrida, bem como de acordo com a legislação de regência, que o ônus da prova no caso de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, com pedido de compensação, cabe ao Contribuinte. Sem a necessária apuração da certeza e liquidez do crédito não há como deferir o pleito de ressarcimento/compensação. O Contribuinte requer em seu recurso, em sede de preliminar, que se reconheça a homologação tácita de DCOMPS, e no mérito, que se reconheça o direito ao crédito de IPI com as provas que faz nos autos do processo. Requer ainda, subsidiariamente, a realização de diligência fiscal para que possa apresentar documentos com prazo razoável, visto que tratase de operações ocorridas há mais de 13 anos, e, ainda, e o reconhecimento, mesmo que parcial, do crédito de IPI e de atualização monetária de seu valor pela SELIC. Preliminarmente o Contribuinte requer a homologação tácita das Declarações de Compensação controladas nos processos nºs 13896.000437/200317 e 13896.000663/2003 83, juntados por anexação ao presente processo, nestes termos (fls. 901): Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 13896.000359/200342 Acórdão n.º 3301005.077 S3C3T1 Fl. 970 5 (...) (...) Assim estabelece o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 acerca da homologação de declaração de compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...): § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Em que pese os argumentos do Contribuinte que sustenta que ocorreu a homologação tácita das DCOMPS pelo fato de ter sido afastados os fundamentos de decidir do Despacho Decisório (Parecer SEORT/DRF/OSA) nº 226/2007, entendo que o referido despacho não foi cancelado e não ocorreu a homologação tácita das DCOMPS. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 13896.000359/200342 Acórdão n.º 3301005.077 S3C3T1 Fl. 971 6 Com isso posto, voto por negar provimento na preliminar visto que não ocorreu a homologação tácita. No mérito o Contribuinte trata da comprovação do direito ao crédito do IPI nestes termos: O Contribuinte em seguida requer a conversão do julgamento em diligência fiscal para que: Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 13896.000359/200342 Acórdão n.º 3301005.077 S3C3T1 Fl. 972 7 Requer ainda o Contribuinte o reconhecimento, mesmo que parcial, do crédito de IPI e de atualização monetária de seu valor pela SELIC. Em 10 de agosto de 2016 o Contribuinte apresentou requerimento com Razões Complementares do Recurso Voluntário em que repisa os pedidos do recurso e alegando que localizou outras notas fiscais relacionadas ao crédito em discussão, apresenta às fls. 974 e seguintes, uma lista de notas fiscais de entrada e outra lista de saída, bem como uma lista de notas fiscais que alega, foram desconsideradas pelas autoridades fiscais. Em que pese todos os argumentos do Contribuinte, inclusive com a lista parcial de notas fiscais de entrada e saída, constantes em Razões Complementares do Recurso Voluntário, entendo que, mesmo em sede recursal, não comprovou a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Cito trecho da decisão ora recorrida que bem expressa a não comprovação do crédito alegado e serve como razões para decidir: De início, importa assinalar que, a teor das informacõ̧es de fls. 453 e 501, este julgador considera superada a específica razão proferida no despacho decisório da DRF Osasco para o indeferimento do pleito de ressarcimento do IPI formulado pela contribuinte interessada. Apesar disso, este julgador, entende que a requerente não faz jus ao aludido ressarcimento. Isso porque, para ser passível de ressarcimento em espécie ou como lastro de compensações declaradas, o saldo credor do IPI apurado pelo contribuinte interessado ao final de trimestre calendário deve, necessariamente, estar revestido de certeza e liquidez, pois são esses requisitos que conferem materialidade e legitimidade ao direito creditório objeto do pleito de ressarcimento formulado pelo contribuinte. E o elemento probatório capaz de traduzir certeza e liquidez é a nota fiscal, porquanto é este documento que lastreia materialmente os registros constantes dos livros fiscais, comprovando, portanto, a legitimidade (veracidade) dos créditos e débitos do IPI que participam da apuração do saldo credor do imposto passível de ressarcimento ao final do trimestre calendário. Vale aqui observar que os livros fiscais do IPI, dentre os quais o registro de entradas (RE), o registro de saídas (RS) e o registro de apuraçaõ do IPI (RAIPI) fazem parte do documentário fiscal exigido pela legislaçaõ de regência, conformandose em instrumentos de controle e registro das operações que se encontram devidamente lastreadas por emissões de notas fiscais, legitimando, assim, a apuração do imposto respectivo em cada período de apuraçaõ. Ora, se os registros constantes dos livros fiscais obrigatórios do IPI NÃO afastam a necessidade de que estejam lastreados materialmente em notas fiscais, tal negativa fica ainda mais patente no tocante a planilhas em que o contribuinte interessado apresenta, ao seu talante, informações sobre operações que, na sua concepcã̧o, gerariam créditos e débitos do IPI e redundariam na apuração de saldo credor passível de ressarcimento ao final de trimestre calendário, ainda que tais planilhas tenham sido requ de tais planilhas pelo contribuinte interessado, mesmo se solicitada pelo Fisco, NÃO afasta a necessidade de que os dados informados aquelas planilhas estejam materialmente lastreados em notas fiscais, ainda mais se houver eviden̂cia de que tais dados informados estejam eivados de conflitos ou incongruen̂cias que comprometam sua idoneidade. Nesse contexto, cumpre assinalar que a busca da verdade material conformase num dos inafastáveis princípios norteadores do julgamento administrativo fiscal. Tal princípio significa que o julgador administrativo deve formular seu juízo de Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 13896.000359/200342 Acórdão n.º 3301005.077 S3C3T1 Fl. 973 8 veracidade sobre a situaca̧õ posta em análise a partir das provas materiais que se apresentam no processo. E o elemento probatório material inescusável a conferir veracidade à apuração de saldo credor do IPI ao final de trimestre calendário é a nota fiscal. Quanto ao ônus de apresentar o elemento probatório material em comento (a nota fiscal), recai exclusivamente sobre o contribuinte interessado, pois ele é o formulador do pleito de ressarcimento, assumindo, assim, e o encargo de demonstrar materialmente ao Fisco que faz jus a tal pretensão. A respeito, dispõe o art. 36 da Lei no 9.784, de 1999: "Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei". Com base em tudo que foi exposto, temse que, no caso concreto em análise, a contribuinte interessada, apesar de ter recebido diversas intimacõ̧es do Fisco, apresentou pouquíssimas notas fiscais referentes às suas operações realizadas no 2o trimestre/2002, as quais, no conjunto, não se revestiram da força material probatória necessária para a demonstração contundente de que fazia jus ao ressarcimento do IPI que solicitara. Importa aqui salientar que a autoridade fiscal da DRFOsasco encarregada da verificaçaõ da materialidade e legitimidade do direito creditório solicitado em ressarcimento efetuou, como dito acima, diversas intimações ao contribuinte interessado para que apresentasse notas fiscais, porém, jamais foi atendida de modo satisfatório. Em vista dessa insatisfaçaõ, a referida autoridade fiscal dirigiu ao contribuinte interessado intimações para que apresentasse, por amostragem, as notas fiscais mais significativas das operacõ̧es que gerariam créditos e débitos do IPI no trimestre em questão e, por fim, que elaborasse planilhas/arquivo digital com os dados das aludidas operações. Tais intimações sempre visaram buscar um atendimento dirimente ao pleito do contribuinte interessado, mas nenhuma delas atingiu a finalidade pretendida, pois ora não foram atendidas, ora os dados informados em planilhas/arquivo digital encontravamse incompletos ou com evidencias de conflitos e incongruências, comprometendo sua credibilidade. Com efeito, ante o menor indício de existen̂cia de mácula nos dados constantes das planilhas/arquivo digital apresentados pelo contribuinte interessado, conforme, mencionado acima, o único meio probatório capaz de revestir de certeza e liquidez o saldo credor do IPI objeto do pleito de ressarcimento do IPI anteriormente formulado por aquele contribuinte interessado é a apresentação, ao seu exclusivo encargo, das notas fiscais que lastreiem materialmente a apuraçaõ de tal saldo credor ao final do trimestre calendário. Sobre a questão dos indícios de existência de conflitos e incongruências percebidos pelo Fisco nos dados das planilhas/arquivos digitais enviados pelo contribuinte interessado, este alegou que não se tratavam de "erros", mas sim de "alertas" que, na sua concepca̧õ, não justificariam a desconsideração adotada pelo Fisco. Alegou, ainda, que, mesmo assim, estava providenciando as correções devidas. Contudo, além de não haver no processo, até a presente data, a demonstraçaõ pelo reclamante dos elementos materiais atinentes às alegadas correcõ̧es, ainda que tal demonstração tivesse sido feita, isso não significaria, no juízo de mérito deste julgador, pautado na sua livre convicção ora fundamentada, tornar prescindível o ônus probatório do reclamante de apresentar as notas fiscais que lastreassem a apuração do saldo credor do IPI por ele pretendido em ressarcimento. No caso em tela, repisese, a apresentacã̧o das notas fiscais não foi realizada pelo contribuinte interessado com a contunden̂cia material necessária para revestir de Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 13896.000359/200342 Acórdão n.º 3301005.077 S3C3T1 Fl. 974 9 certeza e liquidez o direito creditório do IPI por ele pretendido em ressarcimento e objeto da presente contenda. Constatase assim, por um lado, da necessidade da comprovação da existência do crédito e sua certeza e liquidez por parte do Contribuinte, o que não foi alcançado, por outro lado, da desnecessidade de diligência, visto que os autos estão devidamente instruídos. Com isto posto, de acordo com a legislação e os autos do processo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 1040DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17284.720447/2017-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 28 4. 72 04 47 /2 01 7- 19 Fl. 76DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa a Imposto de Renda Pessoa Física, lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014, anocalendário de 2013. De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, foi apurada a glosa sobre as deduções indevidamente realizadas pelo sujeito passivo a título de pensão alimentícia judicial/por escritura pública, no valor de R$ 41.184,00, por suposta falta de comprovação de pagamento. Regularmente cientificado da Notificação, o contribuinte apresentou impugnação administrativa ao lançamento fiscal, alegando, em síntese, que a comprovação da obrigação alimentar por decisão judicial/escritura pública encontrase nos autos. A DRJ Salvador, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito parcial em comprovar o seu direito posto que não restaria comprovado o pagamento da pensão. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte as mesmas razões aventadas na Impugnação e traz provas documentais claras e válidas para sustentar o seu pleito. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária em função da suposta falta de comprovação de pagamento da pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pelo contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 17284.720447/201719 Acórdão n.º 2001000.695 S2C0T1 Fl. 3 3 f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. No caso em comento discutese a dedução das despesas com pensão alimentícia a ex conjugue. Conforme decisão judicial carreada aos autos do processo, foi estabelecida pensão de 5,5 salários mínimos desde 2008 a ser paga pelo contribuinte ora Recorrente. A DRJ Salvador negou provimento ao recurso sob a alegação de falta de comprovação de pagamento. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, além de extratos bancários, o contribuinte anexou copia dos cheques de todos os meses do ano calendário de 2013, nominais a sua ex conjugue, comprovando claramente o pagamento da devida pensão. Assim sendo, tendo em vista a apresentação de provas claras e objetivas apresentadas pelo Contribuinte para fundamentar a dedução das despesas em análise, entendo que deve ser dado provimento a este Recurso Voluntário. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar integralmente a despesa de pensão alimentícia declarada pelo contribuinte. Fl. 78DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910483/2012-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 28/02/2007
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Numero da decisão: 1002-000.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 28/02/2007 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
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CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 04 83 /2 01 2- 46 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10680.910483/201246 Acórdão n.º 1002000.418 S1C0T2 Fl. 161 2 Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 024894351 emitido eletronicamente em 03/07/2012, referente ao PER/DCOMP nº 05662.28819.311009.1.3.044705. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente ao SIMPLES – Código de Receita 6106, no valor original na data de transmissão de R$ 1.031,55, representado por Darf recolhido em 19/03/2007 e de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 13/07/2012 (fl. 104), o interessado apresenta, em 31/07/2012 (fls. 02/04), manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que, no período de jan/2007 a jun/2007, adotou a tributação pelo Simples Federal, entregando Declaração Simplificada, porém, por tratarse de empresa cuja atividade – Representação Comercial – era vedada pela legislação, elaborou Pedido de Exclusão Retroativa do Simples Federal, referente a esse período, em 07/06/2010 (processo nº 13609.000759/201075). Nesse sentido, aduz ter direito aos créditos relativos aos pagamentos efetuados do SIMPLES no período de jan/2007 a jun/2007, a que se refere o pedido de exclusão do Simples Federal. Explica que, mediante a solicitação de exclusão, houve cálculo de todos os impostos inerentes à Tributação pelo Lucro Real, relativo àquele período (jan/2007 a jun/2007), que foram compensados mediante PER/Dcomp com os recolhimentos do SIMPLES. Acrescenta, ainda, que tentou transmitir DIPJ com apuração pelo Lucro Real, referente ao ano de 2007, mas ocorreu erro no Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10680.910483/201246 Acórdão n.º 1002000.418 S1C0T2 Fl. 162 3 validador, constando que o CNPJ era optante do SIMPLES, e que transmitiu DCTF e Dacon relativos ao período de jul/2007 a dez/2007. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 0250.881, de 30 de outubro de 2013 (efl. 109), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 28/02/2007 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SIMPLES. PEDIDO DE EXCLUSÃO INDEFERIDO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Correta a decisão que não homologou a compensação de crédito de pagamento de Simples, quando o Pedido de Exclusão Retroativa do Simples Nacional foi indeferido e houve vinculação do pagamento a débito de Simples, o que implica reconhecer a inexistência do crédito. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 117), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados. Registra que "No ano de 2007 foi verificado equívocos na tributação adotada pela empresa: 1. Janeiro a Junho de 2007: Atividade da empresa vedada opção pelo Simples Federal, foi pedido a Exclusão Retroativa do Simples Federal e recolhidos impostos e contribuições inerentes a tributação do Lucro Real. 2. Julho a dezembro de 2007: Foi entregue DIPJ Lucro Presumido, mas a opção pelo Lucro Real foi manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido correspondente ao período de apuração ( 3o trimestre de 2007). Foram recolhidos impostos e contribuições inerentes a tributação do Lucro Real. 3. Janeiro a dezembro de 2007 tributado pelo Lucro Real: recolhimentos foram realizados através de Perd/comps, conforme Darfs recolhidos do Simples Federal, e usufruindo da anistia da Lei 11.941/2009". Como preliminar, sustenta que (sic) "Considerando o indeferimento RFB da exclusão retroativa do Simples no período janeiro a junho de 2007, impossibilitando a alteração da forma de tributação para Lucro Real. Não ocorrendo assim, conforme PERDCOMP, pagamentos indevidos de Simples e a inexistência de débitos de tributos e contribuições inerentes à apuração pelo Lucro Real". No mérito, sintetiza "os pontos de discordância apontados neste Recurso: a)Impossibilidade de alteração da forma de tributação: de Simples para Lucro Real b) Inexistência do débito Imposto de Renda Pessoa Jurídica cód.5993 relativo ao período 04/2007 no valor de R$ 266,56". Ao final, requer o provimento do presente Recurso Voluntário. É o relatório do necessário. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10680.910483/201246 Acórdão n.º 1002000.418 S1C0T2 Fl. 163 4 Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP de nº 05662.28819.311009.1.3.044705 transmitido em 31/10/2009, sob a alegação de que o crédito de R$ 1.031,55 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento do débito do tributo de código 6106 (Simples), do período de apuração de 28/02/2007, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo (texto manuscrito consta do original): De plano, constatase que o Recurso Voluntário não traz novos argumentos, provas ou fundamentos de fato e de direito tendentes a infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Apenas contém uma descrição sumariada dos fatos ocorridos segundo o entendimento do próprio Recorrente. Após analisar os fatos e as circunstâncias do processo e diante da constatação de ausência de novos argumentos ou elementos de prova no Recurso Voluntário, corroboro com a decisão recorrida, no sentido de considerar como correta a não homologação do PER/DCOMP nº 05662.28819.311009.1.3.044705 pelo Despacho Decisório Eletrônico, pedindo vênia para adotar os trechos extraídos do voto condutor do acórdão recorrido abaixo transcritos como razões de decidir, alicerçado no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57, do RICARF: À luz do relato feito e da análise do presente processo, constata se que o indeferimento do pedido pela DRF de origem foi motivado pelo fato de o recolhimento informado no Per/Dcomp Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10680.910483/201246 Acórdão n.º 1002000.418 S1C0T2 Fl. 164 5 ter sido utilizado integralmente na quitação de débito do próprio SIMPLES do período de apuração correspondente, qual seja, maio de 2007, uma vez que o contribuinte entregou Declaração Anual Simplificada para o período de 01/01/2007 a 30/06/2007. Por sua vez, alega que estava impedido de optar pelo SIMPLES no período e que teria ocorrido a sua exclusão retroativa, mediante pedido apresentado à RFB em 07/06/2010. No entanto, essa informação não se confirma, conforme se explica a seguir. De acordo com o Cadastro da empresa na RFB (telas às fls. 106), a contribuinte foi excluída do SIMPLES, por decisão administrativa, somente a partir de 30 de junho de 2007 (evento 321). E, de acordo com o Despacho Decisório nº 056/2011, de 02/02/2011, proferido pela DRF em Sete Lagoas, no processo nº 13609.000759/201075, o pedido de exclusão do Simples Federal no período de janeiro a junho de 2007 foi indeferido (fls. 107/108). Assim, no período de apuração de que trata o alegado crédito da contribuinte (fevereiro de 2007), a empresa não se encontrava excluída do SIMPLES. Desta forma, não há que se falar em pagamento indevido do SIMPLES naquele período. Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação em litígio. A análise acima descrita bem reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado, porquanto seus fundamentos estão em consonância com a legislação regente da matéria e porque a circunstância fática que motivou o indeferimento do PER/DCOMP foi inequivocamente comprovada nos autos, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 6106 (Simples), período de apuração de 28/02/2007. Tal fato configura ausência do requisito de liquidez e certeza do crédito pleiteado, inviabilizando a homologação do pedido de compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Aduzo que o Despacho Decisório Eletrônico foi emitido com base em informações constantes da base de dados da RFB e extraídas de declarações válidas prestadas pelo próprio Recorrente. Assim, considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o crédito de R$ 1.031,55 constante do PER/DCOMP de nº Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10680.910483/201246 Acórdão n.º 1002000.418 S1C0T2 Fl. 165 6 05662.28819.311009.1.3.044705, transmitido em 31/10/2009, fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 6106 (Simples) de período de apuração de 28/02/2007; e, ainda, que o Recorrente não traz nenhum elemento de prova adicional capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000564/2004-46
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2002
COMPETÊNCIA. DECLINAR.
Trata de processo que discute a exclusão da empresa do SIMPLES. Conforme estabelece o inciso V do art 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tal matéria é da competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF, razão pela qual devolvo os autos à Secretaria desta Segunda Câmara, para encaminhamento àquela Seção.
Competência declinada em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Numero da decisão: 3202-001.306
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência em favor da Primeira Seção de Julgamento.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2002 COMPETÊNCIA. DECLINAR. Trata de processo que discute a exclusão da empresa do SIMPLES. Conforme estabelece o inciso V do art 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, tal matéria é da competência da Primeira Seção de Julgamento do CARF, razão pela qual devolvo os autos à Secretaria desta Segunda Câmara, para encaminhamento àquela Seção. Competência declinada em favor da Primeira Seção de Julgamento.
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score : 1.0
Numero do processo: 10840.721019/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
A ação fiscal foi conduzida de acordo com a legislação tributária e o sujeito passivo não comprovou que sofreu dois lançamentos tributários e nem que tenha se submetido a duas auditorias diferentes relativas ao mesmo ano-base.
Numero da decisão: 2402-006.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ação fiscal foi conduzida de acordo com a legislação tributária e o sujeito passivo não comprovou que sofreu dois lançamentos tributários e nem que tenha se submetido a duas auditorias diferentes relativas ao mesmo ano-base.
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente JOSÉ CARLOS MEDEIROS D'ESPÍRITO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A ação fiscal foi conduzida de acordo com a legislação tributária e o sujeito passivo não comprovou que sofreu dois lançamentos tributários e nem que tenha se submetido a duas auditorias diferentes relativas ao mesmo anobase. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 10 19 /2 01 1- 16 Fl. 199DF CARF MF 2 Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Os presentes autos estão retornando a este colegiado por força de acórdão da CSRF (fls. 182/190), que deu provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a nulidade do lançamento e determinar que este Colegiado examine as demais questões trazidas no recurso voluntário de fls. 105/119. Eis a ementa do aludido acórdão: IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. O recurso voluntário tinha basicamente duas teses: (a) os rendimentos pagos de forma acumulada deveriam ser tributados pelo regime de competência (mês a mês); (b) intimado pela malha fiscal, o contribuinte efetuou o recolhimento do imposto apurado em sua declaração de ajuste, no valor de R$ 13.728,96, de forma que somente seria cabível um segundo reexame mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, o que não ocorreu. Em arremate do seu recurso, o sujeito passivo pediu a anulação da notificação de lançamento, bem como a restituição do imposto de renda que havia sido retido na fonte e do imposto recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Quando da prolatação do acórdão de fls. 130/136, este colegiado já examinou a existência dos pressupostos de admissibilidade recursal, tendo conhecido do recurso voluntário. Os autos estão retornando a este Colegiado apenas por força de acórdão da CSRF, Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10840.721019/201116 Acórdão n.º 2402006.453 S2C4T2 Fl. 3 3 que deu provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, para afastar a nulidade do lançamento e determinar o exame das demais questões trazidas em sede de recurso voluntário. Expressandose de outra forma, o recurso voluntário já foi conhecido. 2 Da delimitação da lide Examinandose o recurso voluntário e os acórdãos proferidos pela Turma Ordinária e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, concluise que, na atual marcha processual, está sob julgamento apenas a nulidade do lançamento aventada no tópico IIII do recurso, qual seja: · intimado pela malha fiscal, o contribuinte efetuou o recolhimento do imposto apurado em sua declaração de ajuste, no valor de R$ 13.728,96, de forma que somente seria cabível um segundo reexame mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, o que não ocorreu. Com efeito, a CSRF já decidiu que o cálculo do imposto de renda deve ser de acordo com o regime de competência. Por outro lado, esta Turma Ordinária já rechaçou, em decisão alcançada pela preclusão, o pedido de restituição formulado em sede de recurso voluntário, tendoo feito nos seguintes termos: Ementa: [...] PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. QUESTÃO FORA DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de pedido de restituição que não se encontra dentro dos limites da lide. [...] Fundamentação: [...] deixandose de acatar o pedido de restituição, por não fazer parte da presente lide, o qual versa exclusivamente sobre a exigência fiscal. Voto: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. O sujeito passivo não interpôs recurso especial no tocante ao indeferimento do pedido de restituição e nem essa questão foi revisitada pela CSRF, de forma que ela está preclusa. Fl. 201DF CARF MF 4 Como dito, portanto, resta apenas analisar a aventada nulidade do lançamento, pelo fundamento de que não seria cabível um segundo reexame. 3 Da nulidade do lançamento Nesse tocante, o contribuinte afirma ter sido intimado pela malha fiscal a efetuar o pagamento do IR 2006/2007 e junta aos autos a cópia do DARF de fl. 41. No seu entender, portanto, seria nula essa nova notificação. Essa tese, contudo, foi corretamente rechaçada pelo acórdão de impugnação, cuja fundamentação se integra ao presente voto: Entretanto, após a pesquisa efetuada nos sistemas da RFB, verificase que o único pagamento requisitado ao contribuinte, corresponde à Intimação Fiscal nº 202/2011 referente aos honorários advocatícios. Ressaltese, que o Termo de Intimação 2007/98227940875142 de fl. 95, referese à apresentação de documentação e esclarecimentos, que resultaram na Notificação de Lançamento 2007/608451431784180 de fls. 14 a 19, consoante o devido enquadramento legal nela discriminado. Acrescentese, ainda, que, embora o sujeito passivo tenha anexado o comprovante de recolhimento de fl. 41, ele não comprovou que o fez em função de notificação de lançamento ou de Auto de Infração e nem que tenha sofrido duas auditorias diferentes relativas ao mesmo anobase. A contrario sensu, e conforme pesquisa efetuada pela DRJ, conforme transcrição acima, tal recolhimento teria sido efetuado apenas em decorrência de intimação de cunho preparatório/probatório. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade do lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 202DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.722249/2014-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO.
No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-GERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei.
LEGITIMIDADE. COMPARTILHAMENTO DE PROVAS.
Havendo autorização judicial que expressamente permite o seu compartilhamento, não é ilícito, nem constitui causa de nulidade, o emprego pelo fisco de provas obtidas por meio de operações policiais. Não cabe à autoridade julgadora administrativa rejeitar essas provas a pretexto de irregularidade na operação policial se não existe decisão judicial que as considere ilícitas. A prova emprestada deve ser admitida principalmente
quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO.
Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal.
MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente.
MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO.
É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal.
Numero da decisão: 1401-002.838
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as alegações de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos da Contribuinte e dos apontados Responsáveis Solidários.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal, é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual, não encontrando amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal, durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Começa a fluir o prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser lançado, quanto aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIOS-GERENTES E ADMINISTRADORES DE FATO. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, decorrente de atos praticados com infração de lei. LEGITIMIDADE. COMPARTILHAMENTO DE PROVAS. Havendo autorização judicial que expressamente permite o seu compartilhamento, não é ilícito, nem constitui causa de nulidade, o emprego pelo fisco de provas obtidas por meio de operações policiais. Não cabe à autoridade julgadora administrativa rejeitar essas provas a pretexto de irregularidade na operação policial se não existe decisão judicial que as considere ilícitas. A prova emprestada deve ser admitida principalmente Fl. 30053DF CARF MF 2 quando agregada a outros elementos de convicção produzidos no curso do procedimento fiscal, sob o crivo do contraditório. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONTROLE EFETUADO À MARGEM DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL E FISCAL. COMPROVAÇÃO. Caracterizam a omissão de receitas as vendas efetuadas sem emissão de nota fiscal, com registro das receitas auferidas efetuado pelo contribuinte e mantidos à margem de sua escrituração contábil e fiscal. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CABIMENTO. É cabível a qualificação da multa no caso de fraude, caracterizada pela utilização de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais, e mantidos a margem da escrituração contábil e fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as alegações de nulidade e de decadência e, no mérito, negar provimento aos recursos da Contribuinte e dos apontados Responsáveis Solidários. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão de nº 12- 86.769, proferido pela Quinta Turma da DRJ/RJO em que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte, ocasião em que manteve integralmente o crédito tributário exigido. Fl. 30054DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.054 3 Por bem relatar a autuação, a seguir transcrevo o relatório do voto condutor da DRJ: RELATÓRIO Trata o presente processo do auto de infração de fls. 28.392 a 28.494, lavrado pela DRF/MGA, no qual consta a exigência de: – IRPJ, cód. 2917, no valor de R$ 1.964.324,25, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; – CSLL, cód. 2973, no valor de R$ 911.672,28, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; - COFINS, cód. 2960, no valor de R$ 792.432,81, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora; e 171.693,76, somados a multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 28.400 e 28.404 e do relatório de atividade fiscal de fls. 27.270 a 27.710, os lançamentos se devem a apuração da omissão de receitas da atividade referentes à revenda de mercadorias com e sem emissão de documento fiscal, com arbitramento do lucro com base na receita conhecida, tendo em vista que a autuada, embora regularmente notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração do ano-calendário de 2010, teria deixado de apresenta-los, e tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte dos anos-calendário de 2011 e 2012 seria imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, bem como para a determinação do Lucro Real. Segundo a autoridade fiscal, o procedimento fiscal decorreu do resultado da operação “Laranja Mecânica”, deflagrada em 17/11/2012, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, na qual foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná (Maringá e Curitiba), São Paulo (Guarulhos), Rio Grande do Sul (Caxias do Sul) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande e Iguatemi), no qual apurou-se, por meio de vasta documentação e arquivos magnéticos apreendidos com autorização da justiça federal, a existência de uma rede intrincada de empresas atuando no ramo de comercialização de autopeças, denominada Rede Presidente, do qual a autuada faz parte, constituídas por interpostas pessoas, porém administradas de fato por integrantes da família Tolardo. Fl. 30055DF CARF MF 4 O histórico de atuação das empresas e pessoas físicas envolvidas, somado à farta documentação e demais elementos probatórios obtidos nos procedimentos acima mencionados, apontariam de forma contundente e inequívoca para a existência de um grande empreendimento comercial, voltado ao ramo de comércio de autopeças (atacado e varejo), denominado Rede Presidente, com lojas espalhadas em várias unidades da federação, e que, embora formalmente constituído por diversas empresas, a quase totalidade em nome de “laranjas”, trata-se, em verdade, de um único empreendimento, que teria sido originariamente iniciado por Samuel Tolardo (CPF 006.914.709-44), já falecido, e transmitido aos seus herdeiros e atuais proprietários, quais sejam, sua esposa, Íris da Silva Tolardo (CPF 958.804.969- 53), e os filhos, Róbson Marcelo Tolardo (CPF 623.843.849- 53), Rogério Márcio Tolardo (CPF 723.045.539-15), Samuel Tolardo Júnior (CPF 121.023.838-14) e Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore (CPF 828.784.559-91). Com base em documentação e em arquivos magnéticos apreendidos teria sido possível apurar que as receitas brutas efetivas da fiscalizada nos anos-calendário de 2010, 2011, e de janeiro a setembro de 2012 foram, respectivamente de R$ 11.023.846,32, R$ 33.128.086,61 e R$ 40.262.167,91, sendo calculados o montante de IRPJ e CSLL devidos, com base no lucro arbitrado. Tendo em vista que a autuada teria se utilizado de elaborada sistemática de vendas sem emissão de notas fiscais, às quais não foram declaradas à RFB, omitindo, portanto, parcela relevante de suas vendas mediante intricado sistema mantido a margem de sua escrita contábil e fiscal, bem como a apuração de que sociedade teria sido constituída por sócios sem capacidade econômica, mediante falsificação de diversos documentos e assinaturas, foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, pela prática de sonegação fiscal e fraude, segundo a definição contida nos incisos I e II do art. 71 e art. 72 da Lei nº 4.502/64, com fundamento no § 1º, do inciso I do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Em decorrência da comprovação inequívoca de que os reais proprietários e administradores da fiscalizada seriam os integrantes da família Tolardo, foram nomeados sujeitos passivo solidários mediante lavratura dos competentes termos de sujeição passiva solidária, com base no art 124, inciso I, e art 135, inciso III, ambos da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional), as seguintes pessoas físicas: -53; -53; -15; -14; -91. Fl. 30056DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.055 5 Cientificada da autuação em 12/12/2014, conforme AR de fl. 29.168, a interessada apresentou em 07/01/2015 a impugnação de fl. 29.241 a 29.324, alegando, em síntese: 1) a nulidade da autuação pela prorrogação indevida do mandado de procedimento fiscal, sem a necessária cientificação da recorrente; 2) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obteve o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; 3) a ilegitimidade passiva da impugnante, ante a ausência de prova do vinculo entre esta e a empresa autuada nos autos dos processos nº 11020.723699/2012-18 e 15586.720329/2011-95, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 4) a inobservância de requisitos no processo administrativo fiscal para o lançamento; 5) a impossibilidade de presunção para o lançamento; 6) inobservância dos princípios informadores do processo administrativo fiscal; 7) a inexistência de prova material das infrações; 8) a impossibilidade de utilização de elementos coligidos de processos administrativos não transitados em julgado e de inquérito policial ainda não finalizado; 9) a impossibilidade de a autoridade fiscal considerar como “laranjas” os integrantes da sociedade impugnante, ante a falta de regulamentação da norma anti-elisiva, prevista no art. 116 do CTN; 10) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 11) a ausência de autorização judicial para utilização de documentos apreendidos; 12) a ilicitude das provas utilizadas, uma vez que produzidas por autoridade judicial incompetente, com violação ao princípio do juiz natural; 13) requer a realização de diligências a fim de atestar a ausência de irregularidade fiscal cometida pela impugnante, bem como a inexistência de qualquer ato que implique na constituição do crédito tributário; 14) requer a suspensão do crédito tributário, bem como do processo administrativo fiscal, para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105; Fl. 30057DF CARF MF 6 15) a ausência de solidariedade de empresas autônomas; 16) a prescrição e decadência; 17) a inconsistência do arbitramento; 18) a inexistência de omissão de receitas; 19) a impossibilidade de tributação reflexa de CSLL, PIS, COFINS e Contribuição Social indevida, por falta de fundamentação; 20) o erro na atribuição da base de cálculo do PIS e da COFINS, devendo ser efetuada a exclusão do ICMS, em vista do reconhecimento da inconstitucionalidade de sua exigência; 21) falta de dedução dos recolhimentos e a desconsideração da não cumulatividade sobre a operação de venda e compra na apuração da PIS e da COFINS; 22) requer a exclusão da multa ou a redução com base nos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; 23) da impossibilidade da manutenção da multa aplicada ante o seu caráter confiscatório, requerendo a redução ao valor máximo de 10 % dos tributos devidos; 24) a ausência de requisitos para a aplicação da multa de ofício; 25) a inaplicabilidade da taxa SELIC para a correção dos créditos tributários; 26) requer a produção de prova pericial, de modo a atestar a veracidade dos arquivos apreendidos pela RFB e pela PF na operação denominada “Laranja Mecânica”, aos quais em momento algum teve acesso; Por fim, requereu o reconhecimento da nulidade da autuação, ou a improcedência da exigência fiscal. Cientificado da autuação e do termo de sujeição passiva em 30/12/2014, conforme Edital de fls. 29.179, Robson Marcelo Tolardo não apresentou impugnação. Cientificados da autuação e dos termos de sujeição passiva em 10/12/2014, conforme AR de fls. 29.181, 29.171, 29.169 e 29.183, Rogério Marcio Tolardo, Jeane Cristine Tolardo Dalle Ore, Íris da Silva Tolardo e Samuel Tolardo Júnior apresentaram em 07/01/2015 as impugnações de fls. 29.393 a 29.444, 29.338 a 29.389, 29.186 a 29.237 e 29.449 a 29.500, respectivamente, nas quais alegam, em apertada síntese, a tempestividade e: 1) a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal; 2) a ausência de intimação pessoal, considerando nula a efetuada através dos correios; 3) cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido; Fl. 30058DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.056 7 4) a ilegitimidade passiva dos impugnantes, ante a ausência de prova do vinculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa; 5) a falta de motivação e fundamentação da autuação; 6) a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes; 7) a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente; 8) pugnam pela necessidade de suspensão do processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco Ações Diretas de Inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo fiscal diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105; 9) a ausência de responsabilidade dos impugnantes, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio é exclusiva da pessoa jurídica; 10) a decadência ou a prescrição dos créditos tributários lançados; 11) pleiteiam a exclusão ou redução da multa, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório; 12) a inaplicabilidade da correção da multa com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal; Por fim, requereram a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos, bem como que fosse julgada improcedente a exigência fiscal. O processo foi convertido em diligência para que fossem desentranhados o requerimento de fl. 29.336 e o documento de fl. 29.337, uma vez que se referem a contribuinte estranho aos presentes autos. Cumprida a diligência, os autos retornaram para julgamento, recebendo a impugnação de Samuel Tolardo Junior nova numeração de folhas, à qual foi efetuada nova juntada às fls. 29.449 a 29.501, mantido o seu inteiro teor. VOTO Fl. 30059DF CARF MF 8 2. DA IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA 2.1. DA SUSPENSÃO DO PROCESSO Afirma a impugnante a necessidade de suspensão do presente processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco ações diretas de inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105. Descabida a pretensão, pois não constam dos autos nenhuma quebra de sigilo bancário efetuada pela autoridade fiscal. Com efeito, o lançamento de que trata o presente processo não foi efetuado com base na movimentação financeira da contribuinte e expedição de requisição de movimentação financeira a qualquer banco, em que pese haja decisão judicial nos autos determinando não só a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, como também o compartilhamento das informações e documentos colhidos no âmbito do inquérito policial com a Receita Federal. Mesmo que o lançamento tivesse sido efetuado com base na obtenção de informações requeridas pela autoridade fiscal junto a instituições financeiras a suspensão requerida não poderia ser acatada, pois a Lei Complementar nº 105 encontra-se com sua vigência integralmente mantida, posto que não foi deferido nenhum pedido de liminar nas mencionadas ações diretas de inconstitucionalidade suspendendo a aplicação de qualquer dispositivo da norma atacada, devendo a mesma ser inteiramente aplicada enquanto não declarada inconstitucional. Tendo recentemente o Supremo Tribunal Federal declarado nos processos judiciais mencionados pela impugnante a constitucionalidade da transferência do sigilo bancário para a Receita Federal conforme disposto na Lei Complementar nº 105, ainda que houvesse alguma pertinência as alegações da autuada, restaria, ainda, prejudicado o pedido de suspensão. Portanto, indefiro o pedido de suspensão do presente processo. 2.2. DA NULIDADE A impugnante argüiu a nulidade do lançamento ante a ausência de cientificação da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, por cerceamento do direito de defesa, e em razão da alegada violação aos princípios informadores do processo, especialmente do devido processo legal e da ampla defesa, posto que a autuação teria sido feita com base em meras suposições e presunções, com total ausência de provas que consubstanciem as alegações da autoridade autuante, uma vez que o ônus de provar a ocorrência do fato gerador dos tributos lançados e a responsabilidade pela obrigação tributária seria do Fisco. Suscita a incompetência da autoridade fiscal para desconsiderar negócios jurídicos, bem como a qualificar como pessoas interpostas seus sócios, ante a falta de regulamentação da norma Fl. 30060DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.057 9 anti-elisiva disposta no parágrafo único, do art. 116 do Código Tributário Nacional. Alega, ainda, a nulidade de todo procedimento ante a falta de autorização judicial para utilização dos documentos arrecadados em operação policial, e por ausência de devolução dos documentos fiscais após o encerramento da fiscalização. Por fim, alega a nulidade na utilização no procedimento fiscal das provas obtidas em processos administrativos não transitados em julgado e no trabalho realizado pela Polícia Federal, uma vez que não teriam sido objeto de julgamento na esfera jurisdicional adequada. O auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 10, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, do PAF. Diferente do que alega a impugnante, o procedimento fiscal, tal qual o inquérito policial, tem natureza inquisitorial, inaugurando-se a fase do contraditório com a apresentação da impugnação, a teor do disposto no art. 14, do Decreto n° 70.235/72, submetendo-se a partir de então ao princípio da ampla defesa na forma prevista no inciso LV, do art. 5°, da Constituição Federal. Desse modo, não há que se falar em cerceamento de defesa antes da existência de litígio. O Mandado de Procedimento Fiscal é documento de controle administrativo destinado ao planejamento das ações fiscais por parte da administração tributária. A sua eventual ausência, ou a ausência da ciência de sua prorrogação por parte do fiscalizado não implica em ofensa ao devido processo legal para a constituição do crédito tributário, quando muito implicaria em infração administrativa de natureza disciplinar da autoridade autuante, a teor do disposto no caput do art. 195, do Código Tributário Nacional. A descrição das infrações contida na autuação, em face de sua clareza, permite a autuada o exercício pleno de sua defesa, o que de fato o fez com a apresentação de sua impugnação, permitindo ainda a este julgador apreciar o mérito de todas as questões aduzidas pela impugnante, não havendo, por isso, que se falar em cerceamento do direito de defesa. Afasto, também, a alegada nulidade por ausência de autorização judicial para utilização dos documentos apreendidos, uma vez que a foi deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário, e autorizado o compartilhamento de informações coletadas no inquérito policial com a Receita Federal pela autoridade competente. Também não procede a alegação de cerceamento de direito de defesa pela negativa de disponibilização de documentos Fl. 30061DF CARF MF 10 referidos na autuação, ante a ausência de comprovação de indeferimento de pedido nesse sentido. Também não há nulidade na utilização pela fiscalização de provas obtidas por empréstimo em procedimento criminal, uma vez que o procedimento de fiscalização, tal qual o inquérito policial, possui natureza inquisitorial, na medida que o contraditório em sede fiscal só tem início a partir da apresentação da impugnação, conforme previsão expressa contida no art. 14, do Decreto nº 70.235/72, momento a partir do qual a impugnante começa a exercer plenamente o seu direito de defesa. O julgamento na esfera administrativa é independente da apuração criminal, e a análise das provas obtidas e compartilhadas com autorização judicial deve se dar sob a perspectiva do princípio do livre convencimento do julgador, não havendo que se falar em nulidade na apreciação dos documentos acostados aos autos, mesmo raciocínio deve ser aplicado à apreciação de provas emprestadas obtidas em outros processos administrativos, estejam eles encerrados pelo trânsito e julgado ou não. A possibilidade de a autoridade administrativa desconsiderar negócios jurídicos nos casos de dolo, fraude e simulação está assim disposta no art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; A desconsideração de negócios jurídicos de que trata a norma anti-elisiva prevista no parágrafo único do art. 116, do CTN, somente seria aplicável aos negócios jurídicos lícitos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Tal interpretação se abstrai do fato que a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que procurou regulamentar a norma anti-elisiva, embora não mais vigente, dispunha que nos procedimentos relativos a norma anti-elisão não se incluía atos e negócios jurídicos em que se verificasse a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme redação do parágrafo único do seu art. 13, posto que tal situação já estaria regulada no inciso VII, do art. 149, do CTN. O lançamento decorre da apuração de fraude na constituição da pessoa jurídica, mediante a utilização de interpostas pessoas. Nestes casos, a comprovação da fraude implica necessariamente na desconsideração dos negócios jurídicos fraudulentos para a constituição de créditos tributários mediante o ato administrativo do lançamento, cuja competência privativa de lavratura, pertence, na forma da lei, ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. Fl. 30062DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.058 11 A submissão de ato administrativo a prévia decisão judicial, conforme defendido pela impugnante, subverteria a separação dos poderes, ferindo de morte esse princípio fundamental contido na Constituição da República Federativa do Brasil, o que não se admite definitivamente. Desse modo, não resta dúvidas de que a autoridade administrativa é competente para desconsiderar negócios jurídicos ilícitos, viciados pelo dolo, fraude ou simulação, como nos casos de constituição de pessoas jurídicas por meio de interposição de pessoas. As demais questões aduzidas pela impugnante devem ser enfrentadas na análise do mérito da autuação e não como preliminar de nulidade, pois conforme anteriormente mencionado não se enquadram em nenhuma das hipóteses elencadas na legislação. Assim, afasto a alegada de nulidade do lançamento. 2.3. DA DILIGÊNCIA E DA PERÍCIA A contribuinte requer a realização de diligência para o exame dos seus livros contábeis, com a finalidade de atestar a ausência de irregularidades fiscais em sua escrituração, bem como de perícia para apuração da veracidade das provas coletadas na operação “Laranja Mecânica”, as quais alega não ter tido acesso Os autos estão devidamente instruídos, com todos os elementos de provas colhidos pela fiscalização de modo a sustentar a acusação efetuada. A impugnante exerceu plenamente o seu direito de defesa, por meio da impugnação, contestando todas as condutas atribuídas pela autoridade fiscal, possibilitando o julgamento da lide. A veracidade das provas coletadas na operação Laranja Mecânica está atestada por peritos criminais federais, conforme se extrai de laudos periciais constantes dos autos, de modo que considero prescindível a realização de nova perícia. Ademais, a interessada não motivou suficientemente o seu pedido de diligência, nem formulou os quesitos que pretende que sejam respondidos na diligência requerida, de modo que considero o pedido não efetuado, na forma do § 1º e inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Ante o exposto, denego o pedido de diligência por considerá- lo não formulado, e, também o de perícia, por considerá-lo prescindível para o julgamento da presente lide. A instância de piso manteve integralmente o crédito tributário, assim como a atribuição de responsabilidade solidária tributária às pessoas físicas citadas nos Autos de Infração. Fl. 30063DF CARF MF 12 Cientificada da decisão do acórdão da DRJ, a Contribuinte e os responsáveis solidários interpõem recurso voluntário (os que apresentaram impugnação). Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade dos Recursos Voluntários apresentados, deles conheço. Cientificada da decisão do acórdão da DRJ, a Contribuinte e os responsáveis solidários, com exceção de Robson Marcelo Tolardo, interpõem recurso voluntário, no qual, em sua grande maioria, repetem a argumentação apresentada nas Impugnações, ora transcritas na decisão recorrida, então apreciadas por aquela instância. Em assim sendo, de se utilizar a faculdade prevista ao Conselheiro Relator nos termos do parágrafo 3 do art.57 do Regimento Interno do CARF: Art.57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] Parágrafo 1º. A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] 2 A exigência do Parágrafo 1º. pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF n. 329, 2017). Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou-se sólido em suas conclusões e encontra-se adequadamente fundamentado. Portanto, adoto como minhas razões de decidir a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, cujo voto condutor do Acórdão transcrevo a seguir. 2. DA IMPUGNAÇÃO DA AUTUADA 2.1. DA SUSPENSÃO DO PROCESSO Afirma a impugnante a necessidade de suspensão do presente processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco ações diretas de inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105. Descabida a pretensão, pois não constam dos autos nenhuma quebra de sigilo bancário efetuada pela autoridade fiscal. Com efeito, o lançamento de que trata o presente processo Fl. 30064DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.059 13 não foi efetuado com base na movimentação financeira da contribuinte e expedição de requisição de movimentação financeira a qualquer banco, em que pese haja decisão judicial nos autos determinando não só a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, como também o compartilhamento das informações e documentos colhidos no âmbito do inquérito policial com a Receita Federal. Mesmo que o lançamento tivesse sido efetuado com base na obtenção de informações requeridas pela autoridade fiscal junto a instituições financeiras a suspensão requerida não poderia ser acatada, pois a Lei Complementar nº 105 encontra-se com sua vigência integralmente mantida, posto que não foi deferido nenhum pedido de liminar nas mencionadas ações diretas de inconstitucionalidade suspendendo a aplicação de qualquer dispositivo da norma atacada, devendo a mesma ser inteiramente aplicada enquanto não declarada inconstitucional. Tendo recentemente o Supremo Tribunal Federal declarado nos processos judiciais mencionados pela impugnante a constitucionalidade da transferência do sigilo bancário para a Receita Federal conforme disposto na Lei Complementar nº 105, ainda que houvesse alguma pertinência as alegações da autuada, restaria, ainda, prejudicado o pedido de suspensão. Portanto, indefiro o pedido de suspensão do presente processo. 2.2. DA NULIDADE A impugnante argüiu a nulidade do lançamento ante a ausência de cientificação da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal, por cerceamento do direito de defesa, e em razão da alegada violação aos princípios informadores do processo, especialmente do devido processo legal e da ampla defesa, posto que a autuação teria sido feita com base em meras suposições e presunções, com total ausência de provas que consubstanciem as alegações da autoridade autuante, uma vez que o ônus de provar a ocorrência do fato gerador dos tributos lançados e a responsabilidade pela obrigação tributária seria do Fisco. Suscita a incompetência da autoridade fiscal para desconsiderar negócios jurídicos, bem como a qualificar como pessoas interpostas seus sócios, ante a falta de regulamentação da norma anti-elisiva disposta no parágrafo único, do art. 116 do Código Tributário Nacional. Alega, ainda, a nulidade de todo procedimento ante a falta de autorização judicial para utilização dos documentos arrecadados em operação policial, e por ausência de devolução dos documentos fiscais após o encerramento da fiscalização. Por fim, alega a nulidade na utilização no procedimento fiscal das provas obtidas em processos administrativos não transitados em julgado e no trabalho realizado pela Polícia Federal, uma vez que não teriam sido objeto de julgamento na esfera jurisdicional adequada. Fl. 30065DF CARF MF 14 O auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), e art. 10, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), não se enquadrando em nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59, do PAF. Diferente do que alega a impugnante, o procedimento fiscal, tal qual o inquérito policial, tem natureza inquisitorial, inaugurando-se a fase do contraditório com a apresentação da impugnação, a teor do disposto no art. 14, do Decreto n° 70.235/72, submetendo-se a partir de então ao princípio da ampla defesa na forma prevista no inciso LV, do art. 5°, da Constituição Federal. Desse modo, não há que se falar em cerceamento de defesa antes da existência de litígio. O Mandado de Procedimento Fiscal é documento de controle administrativo destinado ao planejamento das ações fiscais por parte da administração tributária. A sua eventual ausência, ou a ausência da ciência de sua prorrogação por parte do fiscalizado não implica em ofensa ao devido processo legal para a constituição do crédito tributário, quando muito implicaria em infração administrativa de natureza disciplinar da autoridade autuante, a teor do disposto no caput do art. 195, do Código Tributário Nacional. A descrição das infrações contida na autuação, em face de sua clareza, permite a autuada o exercício pleno de sua defesa, o que de fato o fez com a apresentação de sua impugnação, permitindo ainda a este julgador apreciar o mérito de todas as questões aduzidas pela impugnante, não havendo, por isso, que se falar em cerceamento do direito de defesa. Afasto, também, a alegada nulidade por ausência de autorização judicial para utilização dos documentos apreendidos, uma vez que a foi deferida a quebra dos sigilos fiscal e bancário, e autorizado o compartilhamento de informações coletadas no inquérito policial com a Receita Federal pela autoridade competente. Também não procede a alegação de cerceamento de direito de defesa pela negativa de disponibilização de documentos referidos na autuação, ante a ausência de comprovação de indeferimento de pedido nesse sentido. Também não há nulidade na utilização pela fiscalização de provas obtidas por empréstimo em procedimento criminal, uma vez que o procedimento de fiscalização, tal qual o inquérito policial, possui natureza inquisitorial, na medida que o contraditório em sede fiscal só tem início a partir da apresentação da impugnação, conforme previsão expressa contida no art. 14, do Decreto nº 70.235/72, momento a partir do qual a impugnante começa a exercer plenamente o seu direito de defesa. O julgamento na esfera administrativa é independente da apuração criminal, e a análise das provas obtidas e compartilhadas com autorização judicial deve se dar sob a Fl. 30066DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.060 15 perspectiva do princípio do livre convencimento do julgador, não havendo que se falar em nulidade na apreciação dos documentos acostados aos autos, mesmo raciocínio deve ser aplicado à apreciação de provas emprestadas obtidas em outros processos administrativos, estejam eles encerrados pelo trânsito e julgado ou não. A possibilidade de a autoridade administrativa desconsiderar negócios jurídicos nos casos de dolo, fraude e simulação está assim disposta no art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; A desconsideração de negócios jurídicos de que trata a norma anti-elisiva prevista no parágrafo único do art. 116, do CTN, somente seria aplicável aos negócios jurídicos lícitos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Tal interpretação se abstrai do fato que a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que procurou regulamentar a norma anti-elisiva, embora não mais vigente, dispunha que nos procedimentos relativos a norma anti-elisão não se incluía atos e negócios jurídicos em que se verificasse a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme redação do parágrafo único do seu art. 13, posto que tal situação já estaria regulada no inciso VII, do art. 149, do CTN. O lançamento decorre da apuração de fraude na constituição da pessoa jurídica, mediante a utilização de interpostas pessoas. Nestes casos, a comprovação da fraude implica necessariamente na desconsideração dos negócios jurídicos fraudulentos para a constituição de créditos tributários mediante o ato administrativo do lançamento, cuja competência privativa de lavratura, pertence, na forma da lei, ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil. A submissão de ato administrativo a prévia decisão judicial, conforme defendido pela impugnante, subverteria a separação dos poderes, ferindo de morte esse princípio fundamental contido na Constituição da República Federativa do Brasil, o que não se admite definitivamente. Desse modo, não resta dúvidas de que a autoridade administrativa é competente para desconsiderar negócios jurídicos ilícitos, viciados pelo dolo, fraude ou simulação, como nos casos de constituição de pessoas jurídicas por meio de interposição de pessoas. Fl. 30067DF CARF MF 16 As demais questões aduzidas pela impugnante devem ser enfrentadas na análise do mérito da autuação e não como preliminar de nulidade, pois conforme anteriormente mencionado não se enquadram em nenhuma das hipóteses elencadas na legislação. Assim, afasto a alegada de nulidade do lançamento. 2.3. DA DILIGÊNCIA E DA PERÍCIA A contribuinte requer a realização de diligência para o exame dos seus livros contábeis, com a finalidade de atestar a ausência de irregularidades fiscais em sua escrituração, bem como de perícia para apuração da veracidade das provas coletadas na operação “Laranja Mecânica”, as quais alega não ter tido acesso. Os autos estão devidamente instruídos, com todos os elementos de provas colhidos pela fiscalização de modo a sustentar a acusação efetuada. A impugnante exerceu plenamente o seu direito de defesa, por meio da impugnação, contestando todas as condutas atribuídas pela autoridade fiscal, possibilitando o julgamento da lide. A veracidade das provas coletadas na operação Laranja Mecânica está atestada por peritos criminais federais, conforme se extrai de laudos periciais constantes dos autos, de modo que considero prescindível a realização de nova perícia. Ademais, a interessada não motivou suficientemente o seu pedido de diligência, nem formulou os quesitos que pretende que sejam respondidos na diligência requerida, de modo que considero o pedido não efetuado, na forma do § 1º e inciso IV, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Ante o exposto, denego o pedido de diligência por considerá-lo não formulado, e, também o de perícia, por considerá-lo prescindível para o julgamento da presente lide. 2.4. DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO O lançamento consubstanciado no auto de infração foi efetuado com arbitramento do lucro e apuração trimestral do IRPJ e CSLL, referente aos fatos geradores ocorridos nos anos- calendário de 2010, 2011, e de janeiro a setembro de 2012, e com aplicação de multa qualificada, em virtude da atribuição à fiscalizada da prática de sonegação e fraude. É mister para o deslinde dessa controvérsia verificar a procedência ou não do lançamento no que tange a atribuição da prática de sonegação e fraude à autuada, de modo a possibilitar a incidência da contagem de prazo decadência na forma estabelecida pelo § 4º do art. 150 ou na prevista no inciso I, do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN). A aplicação da multa qualificada está sendo mantida no presente voto, nos exatos termos em que foi lançada, diante da constatação da sonegação e fraude. Fl. 30068DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.061 17 Desse modo, não incidiria a regra decadencial prevista no §4º do art. 150, do CTN, que trata de homologação do lançamento, por expressa disposição da parte final do referido parágrafo, mas a prevista no inciso I, do art. 173, do mesmo diploma legal, a qual prevê como início da contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, os créditos tributários relativos aos fatos geradores dos 1º, 2º e 3º trimestres de 2010, cuja data de ocorrência são respectivamente 31/03, 30/06 e 30/09/2010, poderiam ter sido constituídos até 31/12/2015, prazo estendido até 31/12/2016 para o fato gerador do 4º trimestre de 2010, levando em conta a sua ocorrência em 31/12/2010. Tendo em vista que a impugnante foi cientificada do lançamento em 12/12/2014, afasto a alegada decadência. A contagem do prazo prescricional do crédito tributário, nos termos do art. 174, do CTN, tem início a partir da data da sua constituição definitiva, o que em última análise significa que somente opera a prescrição a partir do momento em que se torna exigível a obrigação tributária. Estando o lançamento pendente de julgamento na esfera administrativa, ocorre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, portanto, sequer teve início a contagem do prazo prescricional, razão pela qual considero descabida a alegada prescrição. 2.5. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Sustenta a impugnante a sua ilegitimidade passiva pelas infrações atribuídas pela autoridade fiscal ante a ausência de provas do vínculo entre ela e outras empresas autuadas em decorrência da fiscalização efetuada. As apurações e as provas coligidas no processo apontam em caminho inverso, em especial as buscas e apreensões, aos quais demonstram de forma cabal que a administração dos negócios da fiscalizada era de fato efetuada pelos responsáveis solidários, ou por meio de seus empregados, através de “escritórios” situados em Maringá - PR, sendo a autuada considerada a filial 49 do grupo de empresas da Rede Presidente. A fim de comprovar a existência do grupo empresarial, colaciono uma relação exemplificativa de documentos da autuada, arrecadados nas buscas e apreensões efetuadas no bojo das investigações da operação “Laranja Mecânica”: a) Diversas Ordens de Serviço de instalação de equipamentos da CIELO, referente a empresa FORT LUB (MGA08-2-13 – fls 2.320 a 2.324). b) Convênio para prestação de serviços de cobrança com intercâmbio de informações através de teleprocessamento, fita magnética, disquete e borderô, celebrado entre FORT LUB e Banco Santander (MGA08-07.14); Fl. 30069DF CARF MF 18 c) Termo de solicitação de certificação digital para uso no internet 30 horas do Unibanco com e-mail centraldaniel@terra.com.br (08-07.39); d) 01 (um) saco plástico contendo diversos relatórios intitulados “Históricos de Faturamento 2011” da FORT LUB, de janeiro a novembro de 2011 (MGA08- 15.1); e) Relação detalhada de valores da filial FORT LUB emitidas em 16.02.2011, contendo nomes de funcionários por Departamento, especificando data de admissão, valor base, valor base2, Salário1, Salario2 e valor total. (MGA23-3.11 – 8.963 a 8.964); f) DANFE (Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica) da Mann- Hummel Brasil Ltda CNPJ 57.014.862/0001-90 para a FORT LUB (GRU38-06.7) g) Controle de vendas da FORTLUB para a PRV/Guarulhos, de 02/2010, 05/2010 e 08/2011 (GRU39-11.6 – fls 1.987 a 1.997); h) 2(dois) comprovantes de TED para FORT LUB PRODUTOS AUTOMOTIVOS, no valor de R$ 100.000,00 cada, feitos em 09/03/2011 (MGA18-122.1); i) Carimbo da FORT LUB (MGA18.103 – fls 5.111 a 5.115); j) No “bunker” da rua Rui Barbosa, 1027, em Maringá/PR, foi localizada a 3ª alteração societária da FORTLUB, datada de 18/DEZ/2009 (MGA19-13.69 – fls 6.731 a 6.736); Não é só. As transcrições de escutas telefônicas e as interceptações telemáticas autorizadas pela justiça federal comprovam que a administração da autuada era efetuada de forma centralizada, juntamente com as demais empresas envolvidas, pelos responsáveis solidários ou por seus empregados, culminando tal prova, com a obtenção do controle de vendas da impugnante, mantidos em arquivos e programas apreendidos em computadores situados nos escritórios da Rede Presidente em Maringá. Ante o exposto, afasto a alegada ilegitimidade passiva da autuada. 2.6. DO ARBITRAMENTO A autoridade fiscal arbitrou o lucro do ano-calendário de 2010, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar os livros e documentos da sua escrituração do período, embora regularmente notificado, e do ano-calendário de 2011, e dos 1º, 2º e 3º trimestres de 2012 da autuada, tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte seria imprestável para identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, bem como para a determinação do Lucro Real, com fundamento no art. 530, inciso II e III, do RIR/99. Os dispositivos legal mencionados assim dispõem: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro Fl. 30070DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.062 19 arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527;" Defende-se a autuada, afirmando que seria nulo o arbitramento do lucro, efetuado exclusivamente com base em presunções e documentos que não pertenceriam a impugnante, posto que fundado em planilhas encontrados em computadores de terceiros não vinculados a ela para estimar um suposto faturamento da autuada, e diante da apresentação de toda documentação contábil e fiscal solicitada pelo auditor no curso da fiscalização. Não assiste razão a impugnante, o arbitramento foi efetuado não com base em meras presunções ou apenas em indícios, mas pela apuração da receita comprovada mediante artifício fraudulento, obtidos em arquivos digitais e documentos apreendidos com autorização judicial, demonstrando a existência de intrincado controle de vendas sem emissão de notas fiscais efetuado à margem da escrituração contábil e fiscal da interessada, por pessoas que administravam de fato a sociedade. Assim, uma vez presentes todos os requisitos legais para o arbitramento do lucro, e ante a ausência por parte da impugnante da comprovação de qualquer fato impeditivo para apuração nesta forma de tributação, considero procedente o arbitramento do lucro efetuado no lançamento. 2.7. DA OMISSÃO DE RECEITAS A autoridade autuante efetuou o lançamento com base em arquivos digitais apreendidos com autorização da justiça federal de Curitiba, nos quais eram feitos pelos administradores de fato da autuada ou por seus empregados o controle das receitas de vendas da fiscalizada e de todas as suas filiais, e mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada. Limita-se a impugnante a suscitar a nulidade na utilização das provas obtidas com base no procedimento cautelar de busca e apreensão, as quais não teriam sido submetidas ao contraditório, nem objeto de julgamento na esfera criminal competente, e de modo genérico em afirmar a inexistência de provas da infração atribuída pela fiscalização. Fl. 30071DF CARF MF 20 Tendo a alegação de nulidade na utilização de provas emprestadas sido afastada no item que trata sobre a nulidade da autuação, passo a análise da comprovação de receitas omitidas. Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita de vendas obtidas não só pela autuada, como de todas as empresas da denominada “Rede Presidente”, uma vez que era efetuado pela autuada o controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que as vendas com emissão de notas fiscais eram devidamente escrituradas e suas receitas declaradas ao Fisco. Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões “TAB1” e “TAB2”. Apurou-se que “TAB1” referia-se a vendas com nota fiscal, e “TAB2” referia-se a vendas sem documento fiscal. Tal constatação é confirmada pela informação constante da agenda encontrada na loja de Curitiba-PR, constante das fls. 1.200 a 1.242, e reproduzida às fls. 28.790 a 28.792 do relatório fiscal, com agravante de que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada em 50 % em relação às das vendas com nota. Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório fiscal à fl. 28.792, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR. Da análise efetuada dos relatórios de vendas extraídos a partir do programa AUTOW (fls. 26.741 a 27.607), obtidos no disco rígido do computador de funcionário Daniel de Oliveira Júnior apreendido, e validados pela perícia criminal, conforme Laudo nº 300/2014 (fls. 28.386 a 28.389), em que consta o controle mensal das vendas de todas empresas, inclusive a autuada, com individualização das receitas auferidas por estabelecimento e segregação das vendas com emissão de notas fiscais e das vendas sem emissão de documentos fiscais, somadas as vendas mediante emissão de Notas Fiscais, feitas por uma empresa do esquema, para outra empresa do esquema, extraídas da base de dados dos sistemas da Receita Federal (planilha às fls. 18.417 a 18.420), foi possível apurar as receitas mensais da autuada, possibilitando o lançamento. Assim, a autoridade fiscal apurou a receita bruta considerada para fins de determinação do lucro arbitrado composta por: a) Vendas extraídas do AUTOW mediante emissão de NF (TAB1) (fls. 26.741 a 27.320); b) Vendas mediante cupom fiscal extraídas dos Livros Registro de Saídas (fls. 26.668 a 26.677); c) Vendas mediante emissão de NFs, feitas por uma empresa do esquema, para outra empresa do esquema. Tais Notas Fiscais eletrônicas foram obtidas a partir dos sistemas RFB. (planilha as fls. 18.417 a 18.420); d) Vendas extraídas do AUTOW, sem emissão de documento fiscal (TAB2) (fls. 27.321 a 27.607); Fl. 30072DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.063 21 e) (-) Devoluções de vendas extraídas do AUTOW (fls. 27.608 a 27.615); O demonstrativo de cálculo das receitas omitidas com e sem emissão de nota fiscal apuradas, mês a mês, no lançamento constam da planilha de fl. 26.740. A prova obtida foi sem dúvida elaborada pela própria autuada, por meio dos seus administradores de fato ou por seus empregados, e mantida nos computadores e pendrives apreendidos das empresas da Rede Presidente, de seus empregados ou de seus administradores de fato do grupo empresarial. Assim, tenho como comprovada a omissão de receitas de vendas da autuada, razão pela qual mantenho, neste aspecto, o lançamento. 2.8. DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA Mantido o crédito tributário no tocante ao IRPJ, devem ser mantidos os créditos referentes a CSLL, uma vez que efetuado o lançamento pelas mesmas razões, e com os mesmos fundamentos, os quais foram considerados, neste voto, procedentes, sendo, portanto, descabida a alegação de ausência de fundamentação da tributação reflexa na autuação. O mesmo vale para os créditos tributários relativos ao PIS e COFINS, uma vez que os lançamentos foram efetuados com os mesmos fundamentos e pelas mesmas razões do lançamento do IRPJ. Afasto a alegada falta de dedução dos recolhimentos de PIS e COFINS, pois de fato esta não ocorreu. Os recolhimentos efetuados pela fiscalizada atingem tão somente as receitas sobre vendas efetivamente declaradas. A fiscalização só fez incidir as referidas contribuições no lançamento sobre os valores de vendas efetuadas sem emissão de notas fiscais, e, portanto sobre as vendas não declaradas, às quais não foram submetidas pela interessada à tributação. Quanto a indedutibilidade da ICMS da base de cálculo dessas contribuições, cumpre ressaltar que embora haja declaração de inconstitucionalidade da inclusão do ICMS recolhido no conceito de faturamento no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574706, submetido à sistemática da repercussão geral, tal decisão, proferida em 15/03/2017, somente autorizaria o Fisco a excluir o valor do tributo estadual do faturamento da fiscalizada, conforme requerido, após expressa manifestação da Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional, conforme comando expresso previsto no § 5º do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pela Lei nº 12.844, de 19 de julho 2013, ato normativo que ainda não foi editado. Todavia, tratando-se de lançamento decorrente de omissão de receitas, aos quais não Fl. 30073DF CARF MF 22 foi efetuado, por óbvio, o recolhimento do ICMS devido, tal questionamento resta prejudicado. As pessoas jurídicas de direito privado que tiveram a apuração do IRPJ com base no lucro arbitrado, tal qual a impugnante, estão sujeitas à incidência cumulativa, tal qual efetuado no lançamento, conforme disposto nos inciso II, do art. 8º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no inciso II, do art. 10, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Desse modo, mantenho na integralidade o lançamento de CSLL, PIS e COFINS, reflexos. 2.9. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada no percentual de 150%, pela sonegação em razão da suposta utilização de interpostas pessoas, componentes do quadro societário da autuada, de modo a encobrir os reais sócios, integrantes da família Tolardo, eximindo-os da responsabilidade pela infração apurada. Tal interposição teria sido perpetrada mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica, e com falsificação de assinaturas. A autoridade administrativa constatou ainda que a autuada omitiu parte considerável de suas receitas de vendas, obtidas sem a devida emissão de notas fiscais, aos quais eram controladas em arquivos digitais mantidos em computadores de empresas da denominada Rede Presidente ou em pendrives dos seus administradores de fato ou de seus empregados e que foram apreendidos em operação conjunta da Polícia, Ministério Público e Receita Federais, em cumprimento a ordem expedida pela justiça federal do Paraná. A autuada teria se eximido do pagamento de parcela relevante de seus tributos devidos, tendo em vista que declarou não ter auferido receitas em 2010, tendo declarado de valor de receita bruta para os exercícios de 2011 e 2012 de R$ 22.356.419,26 e R$ 34.490.466,67, respectivamente, tendo sido apurada no lançamento a obtenção de receita com vendas de mercadorias no mesmo período nos valores respectivos de R$ 11.023.846,32, R$ 33.128.086,61 e R$ 40.262.167,91. Assim, restou caracterizada a ocorrência da hipótese de sonegação e fraude prevista nos incisos I e II, do art. 71, a art. 72 da Lei nº 4.502/64. A impugnante afirma genericamente que não praticou nenhum ato doloso ou mesmo culposo que desse azo a aplicação da penalidade, e que a fiscalização desincumbiu-se de demonstrar a existência de dolo ou culpa na prática de seus atos, uma vez que a autuação encontrou suporte apenas na interpretação subjetiva desses mesmos atos realizada pelos fiscais. Alega, ainda, que a aplicação da multa qualificada no percentual de 150 %, caracterizaria confisco, o que seria inconstitucional, e pleiteia pela redução da multa ao equivalente Fl. 30074DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.064 23 a 10 % da obrigação, em face dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Inicialmente deve-se ponderar que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Portanto, por dever de ofício, o Fisco e os colegiados dos órgãos julgadores administrativos de primeira instância são obrigados a seguir fielmente a legislação, regulamentos e entendimentos emanado pelos órgãos competentes e pela administração tributária, não lhes sendo dada à discricionariedade para modificar o lançamento, abrandando ou cancelando a penalidade, se tal procedimento não estiver claramente previsto na legislação ou for determinado pelo agente público com poderes e competência para tal, o que não é o caso. De igual modo não compete ao julgador administrativo deixar de aplicar disposição expressa da legislação, sob a alegação de sua inconstitucionalidade ou de ilegalidade, o que caracterizaria controle difuso de constitucionalidade de leis e de atos normativos, ou da legalidade destes, competência privativa dos órgãos integrantes do Poder Judiciário. Quanto ao mérito, entendo que assiste razão a autoridade administrativa, na medida que a conduta praticada pela impugnante se enquadra perfeitamente na hipótese de qualificação da multa de ofício. [transcreve o enquadramento legal das hipóteses para multa qualificada] A autuada apresentou declaração informando receitas auferidas de sua atividade em valores inferiores à receita efetiva, deixando de contabilizar parte relevante das receitas às quais foram auferidas sem a devida emissão de notas fiscais de venda, mantendo controle dessas operações não contabilizadas; além disso, utilizou-se de pessoas interpostas em seu quadro societário, mediante a utilização de documentos elaborados com falsidade ideológica e falsificação de assinaturas. Tais fatos demonstram a prática de sonegação e fraude conforme as definições dos incisos I e II, do art. 71, e art. 72 da Lei nº 4.502/64. Tais fatos estão fartamente comprovados por meio de transcrições de interceptações telefônicas e telemáticas efetuadas com autorização judicial, bem como por meio de documentos, arquivos digitais e programas extraídos de computadores apreendidos, que demonstram que a administração de fato da sociedade era efetuada por terceiros não integrantes do quadro societário da fiscalizada, sendo mantido o controle paralelo de vendas, com e sem emissão de Fl. 30075DF CARF MF 24 notas fiscais por pessoas estranhas aos mesmos quadros ou por seus funcionários. Assim, restou configurada a hipótese de qualificação da multa de ofício sendo correta a sua aplicação. 2.10. DOS JUROS. Insurge-se a impugnante quanto à cobrança de juros moratórios aplicados, sob a alegação de que seria inaplicável a incidência dos juros de mora a taxa Selic sobre créditos tributários. O art. 161 do CTN dispõe que o “crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Primeiro é de se observar que o dispositivo prevê a imposição de juros sobre o crédito vencido e não pago, sem qualquer distinção de sua natureza. Segundo, o termo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” deve ser interpretado que a imposição dos juros não impede a aplicação da multa. A interpretação conjunta do dispositivo acima, com o art. 142 do CTN, leva à conclusão que sendo a multa de ofício integrante do crédito tributário, se não paga no vencimento, está também sujeita aos juros de mora. A previsão legal da aplicação da taxa Selic e de 1% sobre o mês do pagamento estão no art. 30, da Lei nº 10.522/2002, ao se referir aos demais créditos da Fazenda Nacional. Portanto, incidem juros não só sobre os tributos devidos, mas também sobre a multa de ofício não paga no vencimento. 2.11. DA SOLIDARIEDADE Sustenta a impugnante a ausência de solidariedade entre empresas autônomas com atividade própria, sócios distintos, sem qualquer identidade em seu quadro social e quadro de funcionários próprios, que não compõem um grupo econômico, com administração própria e descentralizada e que não realizavam conjuntamente a situação configuradora do fato jurídico tributário. Por isso, não poderia prosperar a tentativa do Fisco de impor a impugnante à responsabilidade tributária solidária por eventuais débitos de empresas estranhas. Descabida a alegação, pois à impugnante está sendo atribuída a responsabilidade por suas infrações a legislação tributária, tendo o lançamento constituído créditos tributários incidentes sobre suas receitas, e não sobre receitas de outras empresas. 3. DAS IMPUGNAÇÕES DAS SUJEIÇÕES PASSIVAS Segundo a autoridade fiscal, foi atribuída a sujeição passiva solidária as pessoas físicas abaixo listadas perante os atos praticados junto à empresa fiscalizada, nos termos do art. 124, I e 135, III da Lei nº 5.172, de 1966, tendo em vista que no curso Fl. 30076DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.065 25 da ação fiscal verificou-se que os mesmos seriam os verdadeiros proprietários e responsáveis de fato pela administração da sociedade, bem como em virtude das fraudes apuradas: -53; -53; -15; -14; -91. As pessoas físicas acima listadas responderiam solidariamente pelo crédito tributário lançado por terem, em tese, praticado atos com infração a lei, caracterizados como crimes contra ordem tributária, com fundamento no art. 135, inciso III, conjugado com o art. 124, inciso I, do CTN. 3.1. DA INTIMAÇÃO Defendem os impugnantes a nulidade da intimação efetuada através do correio, uma vez que não foi tentada a intimação pessoal dos mesmos pela autoridade fiscal. Não há que se falar na nulidade da intimação da autuação efetuada por via postal, uma vez que efetuada em estreita conformidade com o disposto no inciso II, do art. 23, do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, a norma não prevê a obrigatoriedade da tentativa frustrada de intimação pessoal para realização da ciência postal, mas tão somente a tentativa de ciência de um ou outro modo para se realizar a ciência via edital, conforme prevê o §1º do art. 23, do Decreto nº 70.235/72, e tal qual efetuada no caso de Róbson Marcelo Tolardo. Desse modo, considero como válidas as intimações efetuadas por via postal dos termos de sujeição passiva solidária, bem como a efetuada através de edital. 3.2. DA PERÍCIA, DA PROVA ORAL E DA JUNTADA DE DOCUMENTOS Os impugnantes requerem a produção de prova pericial, oral e a juntada posterior de documentos. Os interessados não indicaram os seus peritos, não formularam os quesitos que pretendem que sejam respondidos pela perícia, nem justificaram suficientemente o pedido de produção de prova pericial, razão pela qual considero como não formulado o pedido, conforme o disposto no §1º e inciso IV do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Indefiro a produção de prova oral, por ausência de previsão legal no âmbito do processo administrativo fiscal. Fl. 30077DF CARF MF 26 Não consta nos autos nenhum pedido de juntada de documentos efetuado após a apresentação das impugnações até a presente data, de modo que julgo prejudicados os pedidos. 3.3. DA NULIDADE Os impugnantes argúem a nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal e por cerceamento do direito de defesa, uma vez que não obtiveram o acesso ao inteiro teor dos autos apesar de requerido, por falta de motivação e fundamentação da autuação, a incompetência legal da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, bem como a ilicitude das provas utilizadas, tendo em vista que a ordem de busca e apreensão teria sido emanada por autoridade judicial incompetente. Não há que se falar em nulidade da autuação por ausência de mandado de procedimento fiscal (MPF), em primeiro lugar porque a ação fiscal foi desenvolvida com a emissão do mandado de procedimento fiscal nº 08.1.11.00-2014-00725-3, conforme informação constante do termo de início de ação fiscal de fls. 27.989 e 27.990, a qual a fiscalizada foi devidamente cientificada em 21/07/2014, conforme AR de fl. 27.991, em segundo lugar porque o lançamento efetuado com a ausência ou em desconformidade com MPF, instrumento de controle administrativo interno das atividades de programação e execução de ações fiscais no âmbito Receita Federal do Brasil, não importa na nulidade do procedimento, quando muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. A atribuição de co-responsabilidade pelos tributos devidos decorre do apuratório realizado no curso da ação fiscal, com base nos documentos e provas obtidas no procedimento e prescindem de prévia emissão de mandado em relação aos coobrigados, uma vez que apenas a empresa foi alvo da fiscalização efetuada. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa pela suposta falta de acesso ao inteiro teor dos presentes autos apesar de requerido, tenho como não demonstrada, ademais, a apresentação das impugnações contestando as condutas atribuídas aos interessados na autuação, da qual os impugnantes foram devidamente cientificados de seu inteiro teor, caracteriza o pleno exercício do direito de defesa, o que não se coaduna com o alegado cerceamento. Diferentemente do afirmam os impugnantes, a autuação está devidamente motivada e fundamentada, de forma clara e objetiva, possibilitando não só o pleno exercício do direito de defesa dos interessados como também o julgamento da presente lide. Afasto, também, a alegada incompetência da autoridade fiscal para desconsiderar a personalidade jurídica da empresa fiscalizada e atribuir a responsabilidade objetiva e solidária aos impugnantes, pois, de fato, no presente caso não se cogita a Fl. 30078DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.066 27 desconsideração da personalidade jurídica da autuada, nem se atribuiu a responsabilidade objetiva dos impugnantes. A sujeição passiva solidária atribuída decorreria de condutas praticadas pelos impugnantes com infração a lei e em razão de serem os proprietários de fato da autuada, com base em farto conjunto probatório coletado em busca e apreensão realizada com autorização da justiça federal do Paraná, e foram atribuídas por quem detém a competência legal de proceder ao lançamento e atribuir a co-responsabilidade tributária, na forma do art. 149, inciso VI, do Código Tributário Nacional, e do art. 6º, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002. Quanto à alegada ilicitude das provas utilizadas por empréstimo, obtidas em decorrência de ordem judicial expedida por autoridade supostamente incompetente, não há como dar guarida às pretensões dos impugnantes. A ordem emanada por autoridade judicial reputa-se como válida até que outra lhe sobrevenha, alterando-a ou cancelando-a. Não cabe ao julgador administrativo avaliar a validade das decisões proferidas em sede judicial, por lhe faltar competência legal, e em respeito ao princípio constitucional de separação dos poderes. Ante todo o exposto, afasto a alegada nulidade dos termos de sujeição passiva solidária. 3.4. DA SUSPENSÃO DO PROCESSO Afirmam os impugnantes a necessidade de suspensão do presente processo administrativo fiscal para aguardar o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal de cinco ações diretas de inconstitucionalidade, que questionam a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário diretamente pela autoridade administrativa, com base na Lei Complementar nº 105. Descabida a pretensão, pois não constam dos autos nenhuma quebra de sigilo bancário efetuada pela autoridade fiscal. Com efeito, o lançamento de que trata o presente processo não foi efetuado com base na movimentação financeira da contribuinte e expedição de requisição de movimentação financeira a qualquer banco, em que pese haja decisão judicial nos autos determinando não só a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, como também o compartilhamento das informações e documentos colhidos no âmbito do inquérito policial com a Receita Federal. Mesmo que o lançamento tivesse sido efetuado com base na obtenção de informações requeridas pela autoridade fiscal junto a instituições financeiras a suspensão requerida não poderia ser acatada, pois a Lei Complementar nº 105 encontra-se com sua vigência integralmente mantida, posto que a transferência de sigilos prevista na Lei Complementar nº 105 foi recentemente declarada constitucional nas ações de Fl. 30079DF CARF MF 28 inconstitucionalidade que tramitavam no Supremo Tribunal Federal, de modo que os pedidos restam prejudicados. 3.5. DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO A atribuição da co-responsabilidade em matéria tributária não se confunde com a constituição do crédito tributário mediante ao lançamento, não se sujeitando, portanto, ao regramento e prazos decadenciais previstos no art. 173, ou art. 150, do Código Tributário Nacional. Tanto é assim que o lançamento é no âmbito da União Federal atribuição privativa do detentor do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal, ao passo que a co-responsabilidade pode ser atribuída até mesmo após o fim do contencioso administrativo e efetuada em sede de execução fiscal, mesmo após a inscrição em dívida ativa, conforme faculdade contida no inciso I, do art. 202, e art. 203, do CTN. Tendo sido a autuada cientificada do lançamento dentro do prazo decadencial, não há que se falar em decadência em relação aos coobrigados. Quanto à prescrição, a sua contagem tem início apenas a partir da exigibilidade do crédito tributário, que com a apresentação da impugnação, encontra-se com a exigibilidade suspensa, sequer tendo início o prazo prescricional. Desse modo, afasto as alegadas decadência e prescrição em relação a todos coobrigados. 3.6. DA LEGITIMIDADE PASSIVA Alegam os impugnantes a ilegitimidade, ante a suposta ausência de prova do vínculo entre estes e a empresa autuada, e tendo em vista a impossibilidade de utilização de prova emprestada produzida em inquérito policial onde não foi observado o contraditório e à ampla defesa. Alegam, ainda, a ausência de responsabilidade, uma vez que não seriam sócios ou administradores da autuada, nem teriam interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, pois a realização do comércio seria exclusiva da pessoa jurídica. Diferentemente do alegado pelos impugnantes, há um conjunto probatório robusto no sentido de atribuir a propriedade e a administração do empreendimento a todos os sujeitos passivos solidários, em especial a Róbson Marcelo Tolardo, principal responsável pela administração do grupo empresarial formado pelas empresas da Rede Presidente, o que se comprova por meio de interceptações telefônicas, de e- mails, arquivos e documentos aprendidos. A administração do grupo empresarial e conhecimento de suas ações, por parte de Robson Marcelo Tolardo pode ser ilustrada pela resposta dada a seu funcionário Daniel de Oliveira Júnior em e-mail do dia 08/2/2010, constante de fls 13.583 a 13.586, mencionado no relatório fiscal à fl. 28.797, a seguir transcrito: Fl. 30080DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.067 29 [...] Samuel Tolardo Junior teve pendrives apreendidos, que continham arquivos excel (fls. 9.685 e 9.686), com os balanços das empresas da Rede Presidente, inclusive a autuada, e com o controle de “saldos”, referente aos pagamentos de pró-labore aos sócios de fato da autuada. Dentre as provas coletadas ainda se destaca o fato de que despesas pessoais de valores expressivos de todos os coobrigados eram pagas com receitas das empresas da Rede Presidente, como se fosse uma espécie de pró-labore mensal, uma vez que nenhum deles era formalmente sócio das empresas do grupo. Esta situação caracteriza, em face de confusão patrimonial, o interesse comum de todos os responsabilizados na situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, uma vez que parcela considerável do lucro obtido pela autuada, e não submetido à tributação eram utilizados para pagamento de despesas pessoais dos impugnantes. Vários documentos ligados a FORT LUB, como os mencionados às fls. 29.022 e 29.023 do relatório fiscal, foram encontrados nos diversos locais de realização do mandado de busca e apreensão, ficando patente que a administração da autuada era de fato efetuada por membro da família Tolardo, sendo considerados seu estabelecimento como filial da Rede Presidente. Também chama a atenção que todos os responsabilizados tinham a exata noção da ilicitude perpetrada, como a utilização de interpostas pessoas e a não contabilização de receitas de vendas, demonstrando o dolo deste quanto à sonegação fiscal. É o que depreende dos conteúdos das escutas telefônicas e e-mails interceptados com autorização judicial. Assim, mantenho a atribuição da co-responsabilidade de todos os obrigados, tal qual efetuado pela fiscalização. 3.7. DA RESPONSABILIDADE PELAS MULTAS Defendem os impugnantes que a responsabilidade pelas multas aplicadas deve ser excluída ou reduzida, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório. Na presente autuação não foi aplicada multa agravada pela falta de atendimento às intimações, de modo que a alegação para que seja excluída tal penalidade não procede. Pelo mesmo motivo Fl. 30081DF CARF MF 30 também não procede a alegada incompatibilidade da aplicação de multa agravada com o arbitramento do lucro. Conforme já abordado no presente voto, no tópico relativo a análise da impugnação da autuada, não cabe a autoridade julgadora administrativa deixar de aplicar disposição expressa de lei, em razão de suposta inconstitucionalidade, em que pese na opinião deste julgador não há vedação constitucional à aplicação de penalidade pecuniária com caráter confiscatório, vedação que alcança tão somente os tributos. Tendo os responsáveis solidários comprovadamente praticado atos com infração a lei na gestão dos negócios da autuada, omitindo receitas de suas vendas, mas mantendo o controle paralelo dessas mesmas receitas à margem da escrituração contábil e fiscal, utilizando-se interpostas pessoas para compor o quadro societário da fiscalizada, mediante falsificação de documentos e assinaturas, devem ser responsabilizados não só pelos tributos devidos, mas também pelas multas aplicadas, inclusive qualificada, conforme determinação contida no art. 137, do CTN. 4. CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto no sentido de julgar improcedentes as impugnações, mantendo os créditos tributários lançados, bem como a sujeição passiva de todos os interessados listados no presente processo. Tendo em vista que tanto a autuada quanto os responsáveis solidários trouxeram em seus recursos alguns argumentos adicionais em relação às impugnações, passo a comentá-los e, também, acrescento alguns comentários que entendo pertinentes às alegações já rebatidas pela instância de piso. Do Recurso Voluntário de FORT LUB PRODUTOS AUTOMOTIVOS EIRELI Inicialmente, a Recorrente reclama de que não teria tido conhecimento dos atos e documentos, escutas telefônicas consideradas no processo inquisitivo, onde arremata que, assim "verifica-se a nulidade do julgamento, na medida em que considerou a Recorrente como outra empresa e não lhe foi fornecido cópia de documentos mencionados, tendo a decisão agora feito outra narrativa fática para vinculá-la aos débitos lançados." Pouco se tem a dizer, uma vez que não há nada nos autos que pudesse indicar que houve qualquer resistência em possibilitar o acesso a qualquer peça coletada nos autos, assim como não consta na decisão recorrida citações a documentos/fatos estranhos aos autos. Caso necessitasse de algo que constasse nos autos, nada a impedia de requerer à Unidade de Origem as providências para seu recebimento, o que é previsto na legislação processual: Decreto 7.574, de 2011 Fl. 30082DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.068 31 Art. 146. Os processos administrativos fiscais relativos a tributos e a penalidades isoladas e as declarações não poderão sair das unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil, salvo quando se tratar de (Lei n o 9.250, de 1995, art. 38): I - encaminhamento de recursos à instância superior; II - restituições de autos aos órgãos de origem; ou III - encaminhamento de documentos para fins de processamento de dados. § 1 o Nos casos a que se referem os incisos I e II do caput, deverá ficar cópia autenticada dos documentos essenciais na respectiva unidade (Lei n o 9.250, de 1995, art. 38, § 1 o ). § 2 o É facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário (Lei n o 9.250, de 1995, art. 38, § 2 o ). § 3 o É facultada vista do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário. [...] Preliminar rejeitada. Alega também a Recorrente que não lhe teriam fornecidos cópias de documentos apreendidos em residências de terceiros, apesar de ter solicitado à RFB e que já na impugnação administrativa teria denunciado tal fato, "situação que foi ignorada na decisão singular, demonstrando o menoscabo com o sagrado direito à ampla defesa e ao contraditório." Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa, pela suposta falta de fornecimento de cópias de documentos coletados pela Fiscalização, não se tem provas nos autos de sua solicitação específica, nem de eventual recusa por parte da Unidade de Origem. Aliás, contrariamente ao alegado, a decisão recorrida já havia se manifestado: Também não procede a alegação de cerceamento de direito de defesa pela negativa de disponibilização de documentos referidos na autuação, ante a ausência de comprovação de indeferimento de pedido nesse sentido. Veja que no Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal, fls.29.145, consta que Cientificamos ao contribuinte, nesta data, que todos os livros e documentos utilizados no presente procedimento de fiscalização, estão a sua disposição para retirada na seção de Fiscalização da DRF Maringá/PR, no estado em que foram recebidos. Para surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo, em 02 (duas) vias, assinado pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, cuja ciência do sujeito passivo se dá por via postal, mediante aviso de recebimento. Fl. 30083DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art38 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art38§1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art38§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art38§2 32 De forma que não se sustenta a alegação de cerceamento de direito de defesa. Em outra questão trazida, também como alegação de nulidade da decisão recorrida, a Recorrente entende que tal decisão baseou-se "em provas indiciárias contidas em inquérito policial", e também que: Uma mera planilha eletrônica aliado a um trabalho de conclusão de curso referidos no relatório, foi suficiente para a auditoria fiscal entender que todas as lojas de auto peças do Brasil tinham vinculação com Samuel Tolardo, falecido, sem que fosse oportunizado acesso à tais documentos pela parte Recorrente e sem demonstrar um liame sequer com a parte Recorrente, a não ser o grau de parentesco. Primeiramente, a Recorrente não identifica que planilha eletrônica seria esta e se, no Relatório de Atividade Fiscal (Parte A e B) consta qualquer menção a um trabalho de conclusão de curso, que a Recorrente alega ter sido utilizado pela Fiscalização como peça conclusiva, de se dizer que tal documento, se realmente consta no Relatório, não foi citado em nenhum momento na decisão recorrida. No mais, conclui, neste tópico, que a decisão recorrida não considerou seus argumentos trazidos na impugnação, que teria omitido pontos relevantes, entretanto, não especificou em seu recurso voluntário quais alegações, especificamente, teriam ficado sem a devida apreciação pela instância de piso. Da alegação de julgamento proferido por autoridade incompetente Alega a Recorrente que o julgamento foi realizado por Auditor Fiscal da RFB, quando deveria ser pelo Delegado da RFB. Ora, desde a MP 2.113-31, de 24/05/2001, que o julgamento dos processos e contribuições administrados pela RFB não mais se faz pelos Delegados, decisão monocrática, mas sim, por órgão colegiados. Preliminar rejeitada. Da alegação de ilicitude das Provas e documentos A decisão recorrida já se posicionou bem sobre tal alegação, conforme reproduzo a seguir: Também não há nulidade na utilização pela fiscalização de provas obtidas por empréstimo em procedimento criminal, uma vez que o procedimento de fiscalização, tal qual o inquérito policial, possui natureza inquisitorial, na medida que o contraditório em sede fiscal só tem início a partir da apresentação da impugnação, conforme previsão expressa contida no art. 14, do Decreto nº 70.235/72, momento a partir do qual a impugnante começa a exercer plenamente o seu direito de defesa. O julgamento na esfera administrativa é independente da apuração criminal, e a análise das provas obtidas e compartilhadas com autorização judicial deve se dar sob a perspectiva do princípio do livre convencimento do julgador, não havendo que se falar em nulidade na apreciação dos Fl. 30084DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.069 33 documentos acostados aos autos, mesmo raciocínio deve ser aplicado à apreciação de provas emprestadas obtidas em outros processos administrativos, estejam eles encerrados pelo trânsito e julgado ou não. Apenas acrescento algumas considerações. A utilização de documentos de terceiros para justificar atos de outros, denominada pela doutrina de prova emprestada, deve ser encarada com ressalvas, pois o que se admite é que se utilize dos documentos e/ou provas (como fez a autoridade fiscal), mas não a conclusão que estes documentos tiveram o efeito de gerar em outro procedimento/processo de outra esfera, judicial ou administrativa. Necessário esclarecer que existe nítida distinção entre “prova emprestada” e “empréstimo de conclusões”. Enquanto o empréstimo de conclusões ocorre quando a fiscalização funda-se diretamente nas conclusões contidas em outros processos instaurados por outras autoridades, a prova emprestada ocorre quando os fatos e as provas que permitem à fiscalização formar sua convicção são extraídos de processos instaurados por outras autoridades. Assim, a despeito da prova dos autos poder vir de outros processos e procedimentos fiscais/judiciais de outras autoridades, a autoridade fiscal não deve se valer diretamente das conclusões daqueles feitos para impor exações/penalidades, sob pena de macular a autuação. No recurso voluntário, a Recorrente se insurge contra a utilização de provas/documentos produzidas em inquérito policial instaurado em demanda do Ministério Público Federal. Cabe esclarecer que é lícito a utilização de provas emprestadas (aquela formada por outra autoridade que não a autuante neste processo). O importante na sua utilização é que sejam respeitados os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, e isto ocorreu através das impugnações apresentadas. A legislação processual tributária não faz qualquer restrição aos meios de provas a serem utilizadas em processos fiscais. Prevalece, pois, no campo tributário a mesma regra geral do Direito Privado, consagrada no art. 332 do Código de Processo Civil, segundo o qual “ todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda ação ou a defesa”. Destaque-se que o uso de prova emprestada não afeta a ampla defesa do contribuinte e/ou dos responsáveis solidários que tiveram trinta dias para contraditar a autuação e assim o fizeram. Não se sustenta, portanto, a afirmação da Recorrente de que não é possível a admissão de prova emprestada e/ou que seriam provas obtidas ilicitamente, uma vez que, conforme evidenciado no Relatório Fiscal, os documentos coletados e citados no inquérito policial foram o ponto de partida para a investigação fiscal ora produzida, basta verificar o que foi informado no extenso Relatório da Atividade Fiscal (640 páginas), onde consta tal análise. Fl. 30085DF CARF MF 34 A farta documentação obtida no inquérito policial, cujos dados/documentos foram objeto de compartilhamento com a Receita Federal por ordem judicial, indicou que a Recorrente era citada e suspeita de compor uma organização criminosa, tendo sido objeto de investigação, que levaram à conclusão de ser imprescindível a extensão a favor da Receita Federal do Brasil, das quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico e informática, bem como dos documentos apreendidos, por considerar que havia indícios da prática de ilícitos contra a ordem tributária. Assim, os trabalhos realizados pela fiscalização, procedendo ao exame dos documentos apreendidos e deles extraindo-se elementos de interesse tributário que culminaram na autuação, decorrem de ordem judicial sem desvio das orientações e determinações nela contida. Revela-se, portanto, infundada a tese da Recorrente segundo a qual não se admite a prova emprestada para constituir o crédito tributário. Ora, no presente caso, todas as provas questionadas pela Recorrente são pré- constituídas. Não resultam da fase de instrução probatória dum processo judicial em curso, mas foram obtidas durante a realização de uma operação conjunta com a Polícia Federal. Não se pode nem sequer falar em traslado de peças processuais, uma vez que se trata somente de cópias de documentos que fazem parte do conjunto de itens apreendidos na execução dum mandado judicial de busca e apreensão. Ao contrário do que sustenta a Recorrente, a prova cujo uso for eventualmente compartilhado (veja itens 28 e 33 do Relatório Fiscal) não tem seu valor de convencimento reduzido nem limitado a um papel secundário no conjunto probatório. Vale tanto quanto aquelas que são usadas exclusivamente num determinado processo. De resto, não se conhece nenhuma norma que disponha que a prova que venha a ser usada em processo criminal somente pode integrar o conjunto probatório de processo administrativo depois de autorização do juízo cível. Quanto à alegação de que o presente processo deve aguardar o julgamento pelo STF acerca da quebra de sigilo bancário, de se dizer que, pelo que consta nos autos, não houve utilização de dados bancários da Recorrente na elaboração do lançamento tributário. Houve, foi quebra de sigilo telefônico /ou de dados, devidamente autorizado judicialmente e com compartilhamento para a Receita Federal (itens 29 a 31 do Relatório Fiscal). Portanto, cumpre rejeitar a argüição de nulidade a pretexto de que teria havido ilicitude na coleta e no uso de provas. Em outra argumentação, desta vez na seara de responsabilidade tributária solidária, no tópico MÉRITO - AUSÊNCIA DE SOLIDARIEDADE - EMPRESAS AUTÔNOMAS, que "não merece prosperar a tentativa de impor à Recorrente a responsabilidade tributária solidária por eventuais débitos de empresas estranhas aos mesmos, devendo o auto de infração ser declarado insubsistente, com a exclusão da Recorrente do polo passivo da obrigação.." Estranho tal alegação, a Recorrente, no Auto de Infração, é identificada como a contribuinte principal e foi objeto de fiscalização e atuada, não havendo indicação nenhuma de que, além disto, a ela foi atribuída alguma responsabilidade solidária. Em mais uma alegação de nulidade, agora por cerceamento de defesa, a Recorrente alega que "foi requerido prazo para apresentação de documentos e este não foi Fl. 30086DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.070 35 concedido pelo auditor fiscal, quando esses documentos dependiam de terceiros, como instituições financeiras e Delegacia da Polícia Federal, que indevidamente os reteve." Ainda, "lavrado o Auto de Infração, os livros e documentos devem ser devolvidos ao contribuinte", ou esta "não foi disponibilizado para a Recorrente os documentos referidos no relatório do auditor fiscal, que deu azo à lavratura do auto de infração, embora tenha sido requerido no prazo de defesa e a zelosa fiscalização não forneceu." Onde está o tal requerimento? Que documentos seriam estes? Afinal, há centenas de documentos nos autos! Que livros deveriam ser devolvidos ao Recorrente? Não nos olvidemos que o arbitramento de lucro do ano-calendário de 2010 deu-se pela não apresentação de livros Diário e Razão livros contábeis e pela imprestabilidade da escrituração contábil, para os demais anos. Pela natureza das alegações trazidas, percebe-se que não apresentam nenhuma consistência. Por fim, alega que "sequer há demonstração de onde se retiraram os valores de faturamento." Trata-se de uma alegação sem sentido. De se reproduzir o que consta na decisão recorrida: 7. DA OMISSÃO DE RECEITAS A autoridade autuante efetuou o lançamento com base em arquivos digitais apreendidos com autorização da justiça federal de Curitiba, nos quais eram feitos pelos administradores de fato da autuada ou por seus empregados o controle das receitas de vendas da fiscalizada e de todas as suas filiais, e mantidos à margem da escrituração contábil e fiscal da autuada. Limita-se a impugnante a suscitar a nulidade na utilização das provas obtidas com base no procedimento cautelar de busca e apreensão, as quais não teriam sido submetidas ao contraditório, nem objeto de julgamento na esfera criminal competente, e de modo genérico em afirmar a inexistência de provas da infração atribuída pela fiscalização. Tendo a alegação de nulidade na utilização de provas emprestadas sido afastada no item que trata sobre a nulidade da autuação, passo a análise da comprovação de receitas omitidas. Há nos autos, farto conjunto probatório demonstrando e quantificando a receita de vendas obtidas não só pela autuada, como de todas as empresas da denominada “Rede Presidente”, uma vez que era efetuado pela autuada o controle das receitas com vendas sem emissão de notas fiscais, ao passo que as vendas com emissão de notas fiscais eram devidamente escrituradas e suas receitas declaradas ao Fisco. Fl. 30087DF CARF MF 36 Em diversos documentos apreendidos, havia as expressões “TAB1” e “TAB2”. Apurou-se que “TAB1” referia-se a vendas com nota fiscal, e “TAB2” referia-se a vendas sem documento fiscal. Tal constatação é confirmada pela informação constante da agenda encontrada na loja de Curitiba-PR, constante das fls. 1.200 a 1.242, e reproduzida às fls. 28.790 a 28.792 do relatório fiscal, com agravante de que as vendas sem nota eram estimuladas pela autuada com comissão majorada em 50 % em relação às das vendas com nota. Mesmas conclusões se tiram dos documentos reproduzidos no relatório fiscal à fl. 28.792, extraído de duas agendas encontradas na loja de Curitiba/PR. Da análise efetuada dos relatórios de vendas extraídos a partir do programa AUTOW (fls. 26.741 a 27.607), obtidos no disco rígido do computador de funcionário Daniel de Oliveira Júnior apreendido, e validados pela perícia criminal, conforme Laudo nº 300/2014 (fls. 28.386 a 28.389), em que consta o controle mensal das vendas de todas empresas, inclusive a autuada, com individualização das receitas auferidas por estabelecimento e segregação das vendas com emissão de notas fiscais e das vendas sem emissão de documentos fiscais, somadas as vendas mediante emissão de Notas Fiscais, feitas por uma empresa do esquema, para outra empresa do esquema, extraídas da base de dados dos sistemas da Receita Federal (planilha às fls. 18.417 a 18.420), foi possível apurar as receitas mensais da autuada, possibilitando o lançamento. Assim, a autoridade fiscal apurou a receita bruta considerada para fins de determinação do lucro arbitrado composta por: a) Vendas extraídas do AUTOW mediante emissão de NF (TAB1) (fls. 26.741 a 27.320); b) Vendas mediante cupom fiscal extraídas dos Livros Registro de Saídas (fls. 26.668 a 26.677); c) Vendas mediante emissão de NFs, feitas por uma empresa do esquema, para outra empresa do esquema. Tais Notas Fiscais eletrônicas foram obtidas a partir dos sistemas RFB. (planilha as fls. 18.417 a 18.420); d) Vendas extraídas do AUTOW, sem emissão de documento fiscal (TAB2) (fls. 27.321 a 27.607); e) (-) Devoluções de vendas extraídas do AUTOW (fls. 27.608 a 27.615); O demonstrativo de cálculo das receitas omitidas com e sem emissão de nota fiscal apuradas, mês a mês, no lançamento constam da planilha de fl. 26.740. Neste demonstrativo, encontramos a relação das vendas, mensais, extraídas do AUTOW TAB 1 (vendas com emissão de NF), fls. 26.741 a 27.320 e vendas extraídas do AUTOW TAB 2, (vendas sem emissão de documento fiscal) fls. 27.321 a 27.607. Fl. 30088DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.071 37 Como exemplo, no mês de março de 2010, consta no demonstrativo (fls.26.740) - Filial 49 - FORT LUB AUTOMOTIVOS EIRELI - ME - CNPJ 55.847.057/0001-12, os seguintes valores: - R$ 52.519,84, como sendo vendas do AUTOW TAB 1; - R$ 116.626,31, como sendo vendas do AUTOW TAB 2; Às fls.26.741/26.742, em Documentos Diversos - Outros Filial 49 TAB 1 03 2010 pdf, consta a relação das vendas, por clientes, no mês de março de 2010, que totaliza a importância de R$ 52.519,84 que, deduzida de devoluções, foi tributada em R$ 52.207,25, conforme consta no Auto de Infração IRPJ (Infração com multa de 75%) Às fls.27.321/27.324, em Documentos Diversos - Outros Filial 49 TAB 2 03 2010 pdf, consta a relação das vendas, por clientes, no mês de março de 2010, que totaliza a importância de R$ 116.626,31, apurada como receita omitida, que, após deduzida as devoluções, foi tributada em R$ 115.936,04, conforme consta no Auto de Infração IRPJ (infração com multa de 150%). Estes documentos e/ou relações de vendas mensais foram mencionados no relatório fiscal (supra), estão acostados aos autos, e não foram objeto de questionamentos por parte da Recorrente. DO ARBITRAMENTO Estas receitas, obtidas por meio destes documentos, é que foram utilizadas para base de cálculo do Lucro Arbitrado e, apesar da decisão recorrida já ter debatido esta questão, apenas acrescento que no tópico 24. DA INCONSISTÊNCIA DO ARBITRAMENTO, do recurso voluntário, a Recorrente afirmou "que foram desconsiderados documentos aptos, idôneos e consistentes e realizou a apuração somente com base nos extratos bancários apresentados, afrontando a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, segundo o qual: 'É ilegítimo lançamento do imposto de renda arbitrado apenas em extratos ou depósitos bancários." No tópico 25. OMISSÃO DE RECEITAS: Inexistência, no recurso, Recorrente insiste que "os documentos utilizados que não foram apreendidos com a Recorrente não servem para demonstrar a ocorrência de omissão de receitas. Os extratos devem ser corroborados por outras provas, por isso mesmo o lançamento realizado com base nisso é ilegítimo e já foi rechaçado pela Súmula 182 do TRF, acima transcrita, cujo mesmo entendimento deve ser adotado." Centenas de documentos nos autos, dezenas de fatos e a Recorrente cuida de debater situações inexistentes no presente processo. Ainda com relação ao arbitramento, em face da imprestabilidade da escrita contábil, veja-se o anotado nos itens descritos no Relatório da Atividade Fiscal Parte B: 1018. A própria sistemática de compras de auto peças, que era centralizada em poucas empresas compradoras, enquanto os pagamentos dessas compras eram feitos por diversas outras empresas da REDE PRESIDENTE, já implica, por si só, na Fl. 30089DF CARF MF 38 imprestabilidade da contabilidade para aferição do Lucro Real de qualquer uma das empresas envolvidas. 1019. Essa sistemática foi amplamente demonstrada nos tópicos 5.1) DO PROCEDIMENTO DA DEINF/SP; 5.2) DO PROCEDIMENTO DA DRF/VITÓRIA/ES; 5.4) DAS EMPRESAS IDENTIFICADAS NO PROCEDIMENTO CAXIAS DO SUL/RS, e 5.5) DAS DILIGÊNCIAS EFETUADAS NA PRESENTE FISCALIZAÇÃO. O quadro abaixo com dados consolidados do período de 2009 a 2012 demonstra este panorama: * Dados obtidos a partir da consolidação das informações prestadas por terceiros em DIPJ ** Depósitos em contas bancárias. Dado extraído da DIMOF *** AutoW (Tab 1 e Tab 2) + C Fiscais + Vendas p empresas do esquema - Devoluções até SET 2012 Fl. 30090DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.072 39 No tópico 26. IMPROCEDÊNCIA DA EXIGÊNCIA / AUSÊNCIA DE RELAÇÃO DE EMPREGADOS, AVULSOS, AUTÔNOMOS ETC, alega que "a fiscalização exige a cobrança de contribuições previdenciárias," exação que não foi objeto de lançamento. No tópico 27. INCONSTITUCIONALIDADE: IMPOSSIBILIDADE DA AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, tece comentários acerca da base de cálculo das contribuições sobre folha de salários, algo que também não consta do litígio dos autos. Da mesma forma, não consta nos autos nenhuma das situações comentadas pela Recorrente nos tópico 28. INEXIGÊNCIA DO SALÁRIO-EDUCAÇÃO: INCONSTITUCIONALIDADE, tópico 29. INEXIGÊNCIA DO INCRA: EMPRESA DE PREVIDÊNCIA URBANA, tópico 30. INEXIGÊNCIA DO SAT: NECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR, tópico 31. INEXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA: ILEGALIDADE DA COBRANÇA SOBRE VERBAS, tópico 32. AINDA, A INEXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA: PAGAMENTO PELA EMPRESA, CONFORME RELATÓRIO FISCAL e tópico 33. INEXIGÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO SISTEMA "S": AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO DA ARRECADAÇÃO. No tópico 35. AINDA, A MULTA CONFISCATÓRIA: IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO, defende a Recorrente que a responsabilidade pelas multas aplicadas deve ser excluída ou reduzida, uma vez que a responsabilidade pelo não atendimento às intimações não pode ser atribuída a terceiros, e tendo em vista que o agravamento da multa seria incompatível com a aplicação do arbitramento do lucro, além do fato que seria vedado a aplicação de multa com caráter confiscatório. Na presente autuação não foi aplicada multa agravada pela falta de atendimento às intimações, de modo que a alegação para que seja excluída tal penalidade não procede. Pelo mesmo motivo também não procede a alegada incompatibilidade da aplicação de multa agravada com o arbitramento do lucro. Não cabe a autoridade julgadora administrativa deixar de aplicar disposição expressa de lei, em razão de suposta inconstitucionalidade, em que pese não haver vedação constitucional à aplicação de penalidade pecuniária com caráter confiscatório, vedação que alcança tão somente os tributos. Dos Recursos Voluntários dos Responsáveis Solidários Conforme relatoriado, a pessoa física arrolada como Responsável Solidária de Fato, o Sr. ROBSON MARCELO TOLARDO, não apresentou impugnação. Responsáveis Solidários de Fato: Recorrentes ROGÉRIO MARCIO TOLARDO, SAMUEL TOLARDO JUNIOR, JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE e ÍRIS DA SILVA TOLARDO. Haja vista que os recursos voluntários apresentados por estas pessoas são iguais, seja no concernente às questões suscitadas, seja no concernente à fundamentação e aos argumentos alinhados, a apreciação a seguir estende-se para os demais. Fl. 30091DF CARF MF 40 A decisão de piso já analisou a questão da responsabilidade tributária solidária, que adotei como razão de decidir, de forma que trato de fazer alguns comentários adicionais, seja para ratificar alguns argumentos da decisão de piso, seja para enfrentar novas alegações, eventualmente surgidas. DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS RECORRENTES Da alegada falta de ciência dos atos fiscais e ausência de MPF Relativamente a alegada falta de ciência ao Recorrente acerca de atos ou termos lavrados por parte da autoridade fiscalizadora e, ainda, da inexistência de termos em seu nome, inclusive de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), de se esclarecer que o sujeito passivo fiscalizado foi a empresa FORT LUB PRODUTOS AUTOMOTIVOS EIRELI - ME. O art.196 do CTN (transcrito abaixo) a que alude o Recorrente é dirigido à realização de diligências às pessoas (físicas ou jurídicas) fiscalizadas, ou não. Se o Recorrente não foi alvo de diligências demandadas pelo órgão fiscalizador, não procede as suas alegações de que deveria tomar ciência de atos que não lhes foram inicialmente destinados. Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo. O procedimento de fiscalização tem início mediante ato de ofício dirigido ao sujeito passivo (Decreto n.7.574/2011), assim como o MPF (instrumento vigente à época) é emitido para o sujeito passivo que será objeto de fiscalização. Se outras pessoas, físicas ou jurídicas, são arroladas ao polo passivo como responsáveis solidários não havia necessidade e nem havia previsão legal para que fossem emitidos MPF complementares, até porque os dispositivos legais pertinentes à atribuição da responsabilidade solidária tributária são dispositivos específicos, distintos daqueles que serão imputados em infrações cometidas pelo sujeito passivo fiscalizado e, por conseqüência, comportam recursos distintos. De forma que não precisam (os responsáveis solidários) ficarem tomando ciência dos procedimentos da Fiscalização dirigidos ao sujeito passivo fiscalizado. Se a empresa fiscalizada for intimada para apresentar livros fiscais e/ou esclarecer eventual saldo credor de caixa, o responsável solidário não precisa ser intimado também, até porque eventual atribuição neste sentido somente é definida, normalmente, ao término da fiscalização. Se o órgão fiscalizador entender que determinadas pessoas/entidades devem ser chamados ao polo passivo, pois verificadas as situações que as caracterizariam como responsáveis solidárias, tais pessoas/entidades devem, neste momento, serem cientificadas dos lançamentos tributários (autos de infração) bem como das razões (entenda Relatórios Fiscais) que as colocaram na situação aventada pela Fiscalização. Daí atendeu-se ao contraditório! Decreto n.7.574/2011: Fl. 30092DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.073 41 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto n o 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 3 o No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. [...] Neste aspecto, contrariamente ao alegado, o Recorrente Responsável Solidário de Fato tomou a devida ciência dos autos de infração e demais peças fiscais, no caso, o Relatório de Atividade Fiscal. Acostados aos autos, entre as folhas 29.145 a 29.167, encontram-se os TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTO(S) E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA dos Recorrentes, onde extraímos os seguintes excertos: No decorrer do procedimento fiscal, constatamos a existência de responsabilidade tributária quanto ao crédito tributário, vinculando o responsável tributário acima identificado. A descrição dos fatos que motivaram a responsabilidade tributária, a espécie de responsabilidade tributária, o enquadramento legal e as demais informações constam nos documentos de lançamento lavrados, mais especificamente no Relatório de Atividade Fiscal. Desta forma, fica o sujeito passivo por responsabilidade tributária supramencionado CIENTIFICADO da exigência tributária de que trata os documentos de lançamento abaixo identificados, relativamente aos tributos e períodos das infrações neles discriminados: [...] Para surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo, em 02 (duas) vias, assinado pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, cuja ciência do sujeito passivo se dá por via postal, mediante aviso de recebimento. [...] Declaro-me ciente da responsabilidade tributária e dos documentos de lançamento acima identificados, tendo neste momento recebido este termo e todos os documentos de lançamento (autos de infração, relatório de atividade fiscal e anexo) e documentos complementares que instruem os processos, em mídia digital não regravável (CD/DVD). Fl. 30093DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art15 42 Acrescente-se que, antes mesmo da lavratura dos autos de infração, as pessoas arroladas como responsáveis solidárias já tinham conhecimento da ação fiscalizadora na Autuada e seus desdobramentos em outras empresas. É o que depreende-se das intimações iniciais, feitas à empresa fiscalizada e também, para os responsáveis solidários. Eis o que consta no TERMO DE CIÊNCIA E INTIMAÇÃO FISCAL nº06 (individual para cada responsável solidário Recorrente, entre as fls.28.273 a 28.282), estando ali consignado: No exercício das funções de Auditor-Fiscal [...] e considerando que: a) Os diversos elementos colhidos no Inquérito Policial nº 256/2008-DPF/MGA/PR, instaurado em 02/04/2008 e distribuído no Juízo Federal da 3ª Vara Criminal de Curitiba/PR sob o nº 2008.70.00.009427-5/PR, cujo conteúdo encontra-se compartilhado com a Receita Federal do Brasil (RFB) e sob o qual foram cumpridos, de forma conjunta pela Polícia Federal e Receita Federal do Brasil, diversos MBAs (Mandados de Busca e Apreensão) na denominada operação Laranja Mecânica, apontam de forma contundente para o fato de que o responsável, ora cientificado, é um dos verdadeiros proprietários e responsáveis pela organização denominada REDE PRESIDENTE, a qual pertencem os sujeitos passivos acima relacionados; [GRIFEI] b) Pelo exposto no item acima fica o responsável cientificado das TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL nº 03 para a empresa FORT LUB PRODUTOS AUTOMOTIVOS EIRELI - ME, que encontra-se anexo. [...] Em seguida aos referidos termos, encontram-se os Aviso de Recebimento – AR, pertinentes aos endereços dos Recorrentes. Sob este aspecto, portanto, não há que se cogitar de existência de prejuízo à defesa ou cerceamento de direito dos Recorrentes responsáveis solidários, preliminar rejeitada. Da alegação de nulidade da decisão recorrida: intimação em endereço diverso Aqui, alega que teria apresentado sua impugnação informando o endereço de seu domicílio, e que " RFB insistiu em fazer a sua intimação em endereço diverso, somente tomando conhecimento em função do acompanhamento que fez do processo." De se dizer que, conforme constata-se nos autos, as intimações fiscais encaminhadas aos Recorrentes, inclusive, o TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTO(S) E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA foram a eles destinados de acordo com o endereço que consta como seu domicílio tributário nos sistemas da RFB. Por exemplo, eis o que consta no TERMO DE CIÊNCIA E INTIMAÇÃO FISCAL nº06, dirigida ao Recorrente Rogério Marcio Tolardo (assim também para os outros Recorrentes): Fl. 30094DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.074 43 A ciência postal se dará mediante envio do presente termo ao seu atual domicílio fiscal (Rua Correa Dias, 122, Vigário Geral, Rio de Janeiro/RJ), bem como ao seu real endereço constante dos autos do inquérito policial já mencionado, qual seja, Rua Saldanha Marinho, 1453, ap.1004 e 1005, Ed Green Palace, Bigorrilho, Curitiba/PR - CEP 88.430-160. A indicação de outro endereço em sua impugnação, sem primeiro providenciar a sua troca de endereço, para fins de seu domicílio tributário, perante a Receita Federal, continuarão as correspondências a serem enviadas ao seu domicílio fiscal, como determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal: Decreto 70.235/72: Art.23. Far-se-á a intimação: [...] II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; [...] Preliminar de nulidade rejeitada. Da alegada falta de conhecimento do conteúdo do presente processo / cerceamento de direito de defesa Relativamente a alegação de que não lhe foi fornecido o conteúdo integral do processo administrativo, pouco se tem a dizer, uma vez que não há nada nos autos que pudesse indicar que houve qualquer resistência em possibilitar o acesso a qualquer peça coletada nos autos. Caso necessitasse de algo que constasse nos autos, nada o impedia de requerer à Unidade de Origem as providências para seu recebimento, o que é previsto na legislação processual: Decreto 7.574, de 2011 Art. 146. Os processos administrativos fiscais relativos a tributos e a penalidades isoladas e as declarações não poderão sair das unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil, salvo quando se tratar de (Lei n o 9.250, de 1995, art. 38): I - encaminhamento de recursos à instância superior; II - restituições de autos aos órgãos de origem; ou III - encaminhamento de documentos para fins de processamento de dados. § 1 o Nos casos a que se referem os incisos I e II do caput, deverá ficar cópia autenticada dos documentos essenciais na respectiva unidade (Lei n o 9.250, de 1995, art. 38, § 1 o ). Fl. 30095DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art38 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art38§1 44 § 2 o É facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário (Lei n o 9.250, de 1995, art. 38, § 2 o ). § 3 o É facultada vista do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário. [...] Como se vê, causa espanto o Recorrente reclamar que não teve acesso ao conteúdo do processo ou a documentos específicos, uma vez que, conforme já destacamos anteriormente, houve intimações fiscais durante a ação fiscal dirigidas ao Contribuinte e aos demais responsáveis solidários. Não obstante este fato, é necessário compreender que o trâmite de um processo administrativo fiscal envolve dois momentos distintos: o momento do procedimento oficioso e o momento do procedimento contencioso. A primeira fase do processo administrativo, a fase oficiosa, é de atuação exclusiva da autoridade tributária, que busca obter elementos visando demonstrar a ocorrência do fato gerador e as demais circunstâncias relativas à exigência. O destinatário desses elementos de convencimento é o contribuinte, que pode reconhecer o seu débito, recolhendo-o, ou o julgador administrativo, no caso de ser apresentada a impugnação ao lançamento. Nesta etapa do processo não há ainda que se falar em cerceamento do exercício da defesa, tendo em vista o seu caráter inquisitório. Já a segunda etapa do processo administrativo inicia-se com a impugnação tempestiva do lançamento (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972) e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração. À litigância e conseqüente solução desse conflito é que se aplicam as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Portanto, o exercício amplo da defesa ocorrerá com a entrega da impugnação, fato que, no presente caso, restou atendido pelo Responsável Solidário. Preliminar rejeitada. Da alegação de julgamento proferido por autoridade incompetente Alega Recorrente que o julgamento foi realizado por Auditor Fiscal da RFB, quando deveria ser pelo Delegado da RFB. Ora, desde a MP 2.113-31, de 24/05/2001, que o julgamento dos processos e contribuições administrados pela RFB não mais se faz pelos Delegados, decisão monocrática, mas sim, por órgão colegiados. Preliminar rejeitada. Da alegada irregularidade nas intimações efetivadas pela Fiscalização Relativamente a alegação de que não fora notificado regularmente, de que não se tentou (primeiro) a intimação pessoal, conforme Decreto 7.574, de 2011, e, ainda, que a intimação feita por correio foi para endereços diversos e de terceiras pessoas, temos a dizer que a intimação fiscal pode se dar pessoalmente e/ou por via postal, sem ordem de preferência. Decreto 7.574, de 2011 Art. 10. As formas de intimação são as seguintes: Fl. 30096DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art38§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9250.htm#art38§2 Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.075 45 I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, inciso I, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67); II - por via postal ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, inciso II, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997, art. 67); III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo (Decreto no 70.235, de 1972, art. 23, inciso III, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113); ou IV - por edital, quando resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I a III do caput ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, publicado (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 25): a) no endereço da administração tributária na Internet; b) em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou c) uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 1 o A utilização das formas de intimação previstas nos incisos I a III não está sujeita a ordem de preferência (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, art. 113). [...] No Relatório de Atividade Fiscal, pág.06, consta que a autoridade fiscal enviou as intimações às pessoas tidas como sócias administradoras, de fato, da Contribuinte e ora arroladas como responsáveis solidárias, os Recorrentes inclusos, para mais de um endereço: 25.Destaca-se que os verdadeiros sócios da REDE PRESIDENTE foram cientificados, por meio dos respectivos TERMOS DE CIÊNCIA E INTIMAÇÃO FISCAL 03, da existência da ação fiscal junto à empresa e dos Termo de Início de Ação Fiscal junto a empresa FORTLUB (fls.28.154 a 28.185 - item “b” de cada termo). Tais termos foram enviados tanto para o endereço constante do domicílio fiscal de cada sócio/responsável, quanto para o verdadeiro endereço de cada um, conforme apurado nos respectivos Mandados de Busca e Apreensão. Esses termos e respectivos comprovantes de recebimento (ARs) encontram-se às fls 28.154 a 28.185. Fl. 30097DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art23i http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art23ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art23iii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art23§1.. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art23§3 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art23§3 46 Assim, pela existência de eventuais dois endereços, achou melhor a Fiscalização enviar os termos fiscais para aqueles endereços, prática que resultou profícua, uma vez que os Recorrentes tomaram a ciência dos mesmos. O fato de os AR indicarem uma terceira pessoa como tendo recebido a correspondência, não significa que os Recorrentes (reais destinatários) não tenham recebido a correspondência pertinente, uma vez que, comprovadamente, a mesma foi recebida em um endereço dos Recorrentes. Exceção teríamos se o recebimento da correspondência tivesse sido assinada por menor de idade, que não foi o caso. Também neste aspecto, portanto, não há que se cogitar de existência de prejuízo à defesa ou cerceamento de direito dos Recorrentes, preliminar rejeitada. Da alegada incompetência do Auditor-Fiscal para fins de atribuição de responsabilidade solidária tributária Ainda preliminarmente, reclama o Recorrente que o auditor fiscal não teria competência para atribuição de responsabilidade solidária, tarefa a cargo da Procuradoria da Fazenda Nacional e, ainda, que “extrapolou os imites de sua competência [...] ao desconsiderar a personalidade jurídica da empresa”. Esclareça-se que o lançamento de ofício deve ser efetuado contra o contribuinte e todos os responsáveis tributários, ressaltando-se que o art.142 do CTN exige a identificação do sujeito passivo, conceito que engloba o contribuinte e responsável, nos termos do art.121, também do CTN. Demais disso, importante salientar que quando o Decreto n.70.235/72 estabelece, em seu art.10, os elementos do auto de infração, faz referência à qualificação do autuado, podendo-se entender que utilizou o termo “autuado” em sua acepção ampla, abrangendo as figuras do contribuinte e responsável tributário. Não há, portanto, nenhum empecilho à responsabilização solidária ser consignada já nos auto de infração, até porque a Fiscalização está mais próxima dos fatos e das provas necessárias para caracterizar a responsabilidade. Ainda, a inclusão de responsáveis nesta fase não exclui a possibilidade de novamente incluí-los, caso excluídos, se sobrevier fato novo, bem como que se proceda à inclusão de outros que sejam posteriormente identificados, até mesmo em eventual face de execução, a cargo, agora sim, da Procuradoria da Fazenda Nacional. Decreto nº 7.574/2011 Art. 31. O lançamento de ofício do crédito tributário compete: I - a Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em auto de infração (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 7º e 10; Lei n o 10.593, de 6 de dezembro de 2002, arts. 5 o e 6º, com a redação dada pela Lei n o 11.457, de 2007, art. 9 o ); ou [...] Art. 39. O auto de infração será lavrado no local da verificação da falta, devendo conter (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 10; Lei n o 10.593, de 2002, art. 6 o ): I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição dos fatos; Fl. 30098DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art10 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10593.htm#art5. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10593.htm#art5. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10593.htm#art6 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art10 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10593.htm#art6 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10593.htm#art6 Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.076 47 IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias, contados da data da ciência; e VI - a assinatura do Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela autuação e o número de sua matrícula. [...] Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto n o 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). § 1 o Apresentada a impugnação em unidade diversa, esta a remeterá à unidade indicada no caput. § 2 o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. § 3 o No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. GRIFEI A autoridade autuante não desconsiderou a personalidade jurídica de ninguém, apenas autuou a Contribuinte pessoa jurídica e, por atribuição de responsabilidade solidária (previsto no CTN), as pessoas físicas arroladas nos autos de infração. De se rejeitar, portanto, a alegada preliminar. Da alegação de ilicitude das Provas e documentos Quanto à alegada questão da nulidade por violação ao princípio do juiz natural, envolvendo dados de terceiros coletados pela autoridade autuante e trazidos daquele inquérito policial, imperioso esclarecer que o que foi trazido aos autos foram documentos que atribuem (ou poderiam atribuir) alguma responsabilidade e/ou participação do Recorrente na condução da empresa FORTLUB (ora autuada), ou seja, não se vislumbra qualquer atitude do órgão fiscalizador, que sinalizasse que se estivesse trazendo para os autos deste processo uma conclusão exarada naquele inquérito policial, até porque, como lembra o Recorrente, o processo judicial encontra-se em curso. A utilização de documentos de terceiros para justificar atos de outros, denominada pela doutrina de prova emprestada, deve ser encarada com ressalvas, pois o que se admite é que se utilize dos documentos e/ou provas (como fez a autoridade fiscal), mas não Fl. 30099DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm#art15 48 a conclusão que estes documentos tiveram o efeito de gerar em outro procedimento/processo de outra esfera, judicial ou administrativa. Necessário esclarecer que existe nítida distinção entre “prova emprestada” e “empréstimo de conclusões”. Enquanto o empréstimo de conclusões ocorre quando a fiscalização funda-se diretamente nas conclusões contidas em outros processos instaurados por outras autoridades, a prova emprestada ocorre quando os fatos e as provas que permitem à fiscalização formar sua convicção são extraídos de processos instaurados por outras autoridades. Assim, a despeito da prova dos autos poder vir de outros processos e procedimentos fiscais/judiciais de outras autoridades, a autoridade fiscal não deve se valer diretamente das conclusões daqueles feitos para impor exações/penalidades, sob pena de macular a autuação. No recurso voluntário, o Recorrente se insurge contra a utilização de provas/documentos produzidas em inquérito policial instaurado em demanda do Ministério Público Federal. Cabe esclarecer ao Recorrente que é lícito a utilização de provas emprestadas (aquela formada por outra autoridade que não a autuante neste processo). O importante na sua utilização é que sejam respeitados os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, e isto ocorreu através das impugnações apresentadas. A legislação processual tributária não faz qualquer restrição aos meios de provas a serem utilizadas em processos fiscais. Prevalece, pois, no campo tributário a mesma regra geral do Direito Privado, consagrada no art. 332 do Código de Processo Civil, segundo o qual “ todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda ação ou a defesa”. Destaque-se que o uso de prova emprestada não afeta a ampla defesa do contribuinte e/ou dos responsáveis solidários que tiveram trinta dias para contraditar a autuação e assim o fizeram. Não se sustenta, portanto, a afirmação do Recorrente de que não é possível a admissão de prova emprestada e/ou que seriam provas obtidas ilicitamente, e que, também por isso restaria a sua ilegitimidade passiva, uma vez que, conforme evidenciado no Relatório Fiscal, os documentos coletados e citados no inquérito policial foram o ponto de partida para a investigação fiscal ora produzida, basta verificar o que foi informado no extenso Relatório da Atividade Fiscal (640 páginas), onde consta tal análise. A farta documentação obtida no inquérito policial, cujos dados/documentos foram objeto de compartilhamento com a Receita Federal por ordem judicial, indicou que os Recorrentes eram citados e suspeitos de compor uma organização criminosa, tendo sido objeto de investigação, que levaram à conclusão de ser imprescindível a extensão a favor da Receita Federal do Brasil, das quebras de sigilo fiscal, bancário, telefônico e informática, bem como dos documentos apreendidos, por considerar que havia indícios da prática de ilícitos contra a ordem tributária. Assim, os trabalhos realizados pela fiscalização, procedendo ao exame dos documentos apreendidos e deles extraindo-se elementos de interesse tributário que culminaram na autuação, decorrem de ordem judicial sem desvio das orientações e determinações nela contida. Fl. 30100DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.077 49 Revela-se, portanto, infundada a tese do Recorrente segundo a qual não se admite a prova emprestada para constituir o crédito tributário. Ora, no presente caso, todas as provas questionada pelo Recorrente são pré- constituídas. Não resultam da fase de instrução probatória dum processo judicial em curso, mas foram obtidas durante a realização de uma operação conjunta com a Polícia Federal. Não se pode nem sequer falar em traslado de peças processuais, uma vez que se trata somente de cópias de documentos que fazem parte do conjunto de itens apreendidos na execução dum mandado judicial de busca e apreensão. Ao contrário do que sustenta o Recorrente, a prova cujo uso for eventualmente compartilhado (veja itens 28 e 33 do Relatório Fiscal) não tem seu valor de convencimento reduzido nem limitado a um papel secundário no conjunto probatório. Vale tanto quanto aquelas que são usadas exclusivamente num determinado processo. De resto, não se conhece nenhuma norma que disponha que a prova que venha a ser usada em processo criminal somente pode integrar o conjunto probatório de processo administrativo depois de autorização do juízo cível. Quanto à alegação de que o presente processo deve aguardar o julgamento pelo STF acerca da quebra de sigilo bancário, de se dizer que, pelo que consta nos autos, não houve utilização de dados bancários da Interessada na elaboração do lançamento tributário. Houve, foi quebra de sigilo telefônico /ou de dados, devidamente autorizado judicialmente e com compartilhamento para a Receita Federal (itens 29 a 31 do Relatório Fiscal). Portanto, cumpre rejeitar a arguição de nulidade a pretexto de que teria havido ilicitude na coleta e no uso de provas. Quanto à questão da atribuição de responsabilidade solidária, alega o Recorrente que não detinha poderes de gerência e/ou administração de qualquer das empresas mencionadas e que não é suficiente a sua responsabilização apenas pelo fato de ser membro da família. Ainda, que deve existir interesse comum no termos do CTN. Evidenciado nos autos do processo que o destino da empresa está nas mãos dos administradores de fato, no caso os Recorrentes, como demonstrado no extenso relatório fiscal, portanto, por demais comprovado o interesse comum com quaisquer situação que venha a afetar o patrimônio da fiscalizada. A responsabilidade solidária decorre, no caso, de interesse comum de que fala o art. 124, inciso I, do CTN. Este dispositivo diz que: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Provado pela fiscalização nos autos do processo que, juntamente com a contribuinte autuada, o Recorrente era administrador de fato, sem vínculo societário direto Fl. 30101DF CARF MF 50 com a sociedade, também se prestou como veículo para a prática dos atos, ao lado da sociedade contribuinte dos tributos, a teor do disposto no art.124, I, do CTN, sendo também responsável pelos créditos tributários correspondentes, ora apurados de ofício. Os recorrentes não trazem argumentos específicos contra os fatos e documentos citados nos Relatórios de Atividade Fiscal Parte A e B, como por exemplo citamos alguns: Relatórios de Atividade Fiscal Parte A 6. Adianta-se que a FORT LUB PRODUTOS AUTOMOTIVOS EIRELI - ME, assim como todas as empresas apresentadas no ANEXO DE EMPRESAS REDE PRESIDENTE, se encontra constituída em nome de laranjas, conforme será amplamente demonstrado no decorrer deste relatório. 195. Note-se que a partir desta breve pesquisa, feita a partir de apenas quatro computadores (ou quatro IPs Locais usados em data/hora muito próximos) temos aqui 103 pessoas físicas LARANJAS que tiveram suas DIRPFs/2010 transmitidas a partir dos mesmos computadores utilizados na transmissão das DIRPFs/2010: (1) da FAMÍLIA TOLARDO, ou de (2) MILTON ASSIS OLIVEIRA JUNIOR, ou (3) LUIZ TAVARES DA SILVA, (4) FRANCISCO TOMAZ NETO, todos vinculados à REDE PRESIDENTE, o que indica, de forma contundente, que essas pessoas físicas são “controladas” pelo esquema, obviamente para serem utilizadas como laranjas. Relatórios de Atividade Fiscal Parte B 426. Os generosos valores mensais (mais de R$ 200.000,00) concedidos pela REDE PRESIDENTE aos irmãos TOLARDO é prova inequívoca do vínculo dos mesmos junto ao esquema. Trazendo-se essa situação fática para o mundo legal, conclui-se que se trata de verdadeiro pró-labore pago pela empresa aos seus proprietários. De se esclarecer que não está aqui se tratando de atribuir responsabilidade tributária solidária apenas porque os Impugnantes são membros da família Tolardo, cujo patriarca (já falecido) teria sido o criador do grupo Rede Presidente, sendo a Autuada parte do mesmo. Veja que nos itens 466 a 491 do Relatório de Atividade Fiscal Parte B, constam detalhes específicos de situações envolvendo a responsável solidária IRIS DA SILVA TOLARDO, e que ficaram sem qualquer enfrentamento. Idem com relação aos itens 573 a 605 do Relatório de Atividade Fiscal Parte B, onde constam detalhes específicos de situações envolvendo a responsável solidária JEANE CRISTINE TOLARDO DALLE ORE. Idem com relação aos itens 606 a 634 do Relatório de Atividade Fiscal Parte B, onde constam detalhes específicos de situações envolvendo a responsável solidária ROGÉRIO MÁRCIO TOLARDO. Fl. 30102DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.078 51 Idem com relação aos itens 635 a 664 do Relatório de Atividade Fiscal Parte B, onde constam detalhes específicos de situações envolvendo a responsável solidária SAMUEL TOLARDO JUNIOR. Já evidenciado que a Autuada utilizava-se de laranjas (dezenas de itens sobre esta situação que sequer foram objeto de contestação) tem seus contratos sociais para ocultar os verdadeiros sócios administradores que conduziam a companhia, no caso, os Recorrentes, a esposa e filhos de Samuel Tolardo. Isto está comprovado nos autos, e tal atitude procurava impedir à Administração Tributária o conhecimento das condições pessoais do contribuinte, além de existência de vendas sem emissão de notas fiscais. De forma que andou bem a Fiscalização, aplicando corretamente a legislação pertinente ao caso (citando também o art.135, III do CTN), pois mais que evidenciada a conduta dolosa dos sócios administradores (de fato) da empresa Autuada. Os recorrentes solidários eram sócios-administradores, de fato, da Autuada, de forma que pactuaram, todos eles, no sentido de impedir o conhecimento por parte da Fazenda Pública Federal das reais receitas tributáveis da Autuada, conforme já se mostrou no Voto, portanto, praticaram atos com infração da lei, de forma dolosa. A conduta deliberada para fins exclusivos de redução de tributos os arrasta, inexoravelmente, para a condição de responsáveis solidários. Ainda sobre o inciso III do art.135 do CTN, a Fazenda Pública Federal, por meio da Procuradoria-Geral, já se manifestou acerca do tema, conforme consta no Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55/2009, que ora se reproduz excertos de sua conclusão: VII CONCLUSÃO 106. Em resumo, alinhamos aqui os fundamentos e as conclusões do presente Parecer: a) A responsabilidade do dito “sócio-gerente”, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, decorre de sua condição de “gerente” (administrador), e não da sua condição de sócio; b) A responsabilidade do administrador, por força do art.135 do CTN, na linha da jurisprudência do STJ, é subjetiva e decorre de prática de ato ilícito; [...] d) A responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador; [...] j) A jurisprudência do STJ aponta para a responsabilidade solidária, inclusive em precedentes desfavoráveis à Fazenda Fl. 30103DF CARF MF 52 Nacional, em que se afirma que o “sócio-gerente” só pode ser responsabilizado solidariamente se detiver poderes de gerência e se tiver praticado ato ilícito no exercício dessa gerência, na forma do art.135, III, do CTN; [...] u) Sendo solidária a responsabilidade decorrente de ato ilícito praticado pelo administrador, este, uma vez atestada administrativamente sua responsabilidade, está sujeito a todos instrumentos de proteção do crédito tributário, como o arrolamento de bens e direitos, a inscrição no CADIN e a medida cautelar fiscal, estando, sujeito, outrossim, à negativa de expedição de Certidão Negativa de Débito. 107. Por fim, ressaltamos que nossas conclusões aplicam-se exclusivamente ao regramento ordinário do art.135, III, do CTN, não alcançando, portanto, regras especiais previstas na legislação que responsabilizam com mais rigor os sócios ou os administradores das pessoas jurídicas. A infração à lei se mostra plenamente demonstrada, visto que a fiscalização caracterizou cabalmente a ofensa à legislação tributária, por meio de atos cometidos que, em tese, configuram ilícitos penais. Portanto, contrariamente ao alegado pelos recorrentes solidários, está comprovado nos autos que os atos foram praticados com excesso de poderes ou infração a lei ou ao contrato, de forma ilícita, dolosa, o que é suficiente para configurar a responsabilidade solidária, de forma que se mantém os sócios administradores, de fato, no pólo passivo como sujeitos passivos solidários. Demais questões Demais questões trazidas no recurso, tipo multa de ofício confiscatória, decadência e juros SELIC, já foram comentadas na apreciação do recurso da Autuada: Correta, portanto, a inclusão dos Recorrentes no pólo passivo das exigências fiscais conforme consta nos Autos de Infração. É o Voto. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 30104DF CARF MF Processo nº 10875.722249/2014-48 Acórdão n.º 1401-002.838 S1-C4T1 Fl. 30.079 53 Fl. 30105DF CARF MF Relatório Voto
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Numero do processo: 13707.001967/2007-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
VEDAÇÃO AO INGRESSO RETROATIVO. LEI Nº 9.317/1996.
A previsão de atividade vedada ao Simples, no contrato social vigente na data indicada para o ingresso retroativo, impede a adesão ao citado sistema.
Numero da decisão: 9101-003.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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LEI Nº 9.317/1996. A previsão de atividade vedada ao Simples, no contrato social vigente na data indicada para o ingresso retroativo, impede a adesão ao citado sistema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 19 67 /2 00 7- 88 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13707.001967/200788 Acórdão n.º 9101003.724 CSRFT1 Fl. 120 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN em face do acórdão nº 110300.161, assim ementado: “Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2004 Ementa: SIMPLES VEDAÇÃO DE ENQUADRAMENTO ATIVIDADE CONSTANTE NO CONTRATO SOCIAL MAS NÃO EXERCIDA. O registro, no contrato social, de atividade impeditiva, juntamente com outras não impeditivas, possibilita a opção e a permanência no Simples desde que a interessada exerça, exclusivamente, as atividades não vedadas.” De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, ante a ausência de quaisquer evidências que autorizassem a conclusão de que a recorrida também prestava consultoria em informática, deverseia tomar como verdadeira sua afirmação, ao expressar que tal atividade não era exercida, assim impondose o reconhecimento ao direito à opção pelo Simples desde janeiro de 2004. Ciência da PGFN no dia 16/06/2010, à efl. 73. Recurso interposto na mesma data, conforme efl. 76. Nessa oportunidade, alegouse a existência de dissídio interpretativo em relação aos acórdãos nº 20212341 e 30239613. No mérito, sustentouse o seguinte: a) o contrato social prevê a atividade de consultoria na área de informática, o que obsta a opção pelo Simples federal, na forma do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996; b) o indeferimento se fundamentou na descrição do objeto social constante do contrato social; c) se o interessado não trouxe à colação documentação comprobatória de que só exerce atividade permitida ao ingresso no Simples, não pode desvencilharse da presunção de que realiza a atividade de consultoria em informática, de acordo com o que dispõe o contrato social; d) o recorrido deixou transcorrer o prazo para apresentar prova documental que atestasse sua afirmação de que não exercia a atividade de consultoria em informática; e) não se pode admitir que o Fisco tenha de se manter em atitude de permanência vigilância para averiguar se o contribuinte estaria desenvolvendo atividade vedada à opção pelo Simples. Ao final, requer seja conhecido e provido o apelo para reformar a decisão recorrida. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13707.001967/200788 Acórdão n.º 9101003.724 CSRFT1 Fl. 121 3 Não há prova da data da ciência da intimação ao sujeito passivo para apresentar contrarrazões. Em contrarrazões, a recorrida expôs o seguinte: a) a existência de atividade impeditiva no contrato social não obsta a opção pelo Simples, se o contribuinte não realiza tal atividade; b) sua atividade real é a de oferecer curso de processamento de dados e o comércio atacadista de máquinas e suprimentos de dados, conforme comprova o alvará de licença da prefeitura. Ao término, sustenta que não se deve prover o recurso fazendário, mantendo se a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente apelo, foram observados os pressupostos de recorribilidade. Adotando as razões de Despacho de Admissibilidade, conheço do Recurso Especial interposto pela PGFN. Este processo está apenso a outro, de nº 13707.000227/200481, por meio do qual a recorrida noticiou que o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre, ao qual está filiada, impetrara Mandado de Segurança coletivo para requerer, em nome das pessoas jurídicas substituídas, a autorização para os filiados serem inscritos no Simples instituído pela Lei nº 9.317/1996. Com efeito, consta na sentença, à efl. 70 do processo apenso, que o pedido formulado pelo substituto processual versava sobre “a suspensão dos efeitos dos atos declaratórios de exclusão do regime do Simples aos cursos livres”, bem como a continuação dos recolhimentos dos tributos abrangidos pela citado regime. Daí se pode depreender que a causa de pedir era a emissão de ato administrativo determinante da retirada de contribuintes que já estavam inseridos no âmbito do Simples como cursos livres. No entanto, devese advertir para o fato de que a recorrida não estava inscrita no Simples federal, tanto é que lhe foi negada a entrada no regime em razão da atividade de consultoria na área de informática, descrita no objeto social retratado na alteração contratual de efl. 09 do processo apenso, que data de 19/05/2003. Portanto, não lhe são extensivos os efeitos da decisão proclamada no referido Mandado de Segurança. Reiterese que não se está a examinar a juridicidade de ato de exclusão do Simples, mas da legalidade do ato administrativo que não lhe permitiu ingressar no regime. Tratandose, pois, de ato de adesão retroativa, impõese averiguar se o pleiteante reunia os requisitos legais autorizativos ao ingresso na data pretérita por ele estabelecida. Obviamente, o Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13707.001967/200788 Acórdão n.º 9101003.724 CSRFT1 Fl. 122 4 tema aqui em lume diz respeito aos pressupostos legais a direito adquirido à entrada, e não ao cumprimento das disposições legais que deferem a permanência no regime ao qual já se havia ingressado. Se fosse dessa ultima espécie o objeto do pleito da recorrida, fazia sentido verificar se de fato estava exercendo, ou não, atividade vedada. Todavia, não há que se falar em exercício de atividade já realizada para aquele que quer ingressar no Simples a partir de uma nova atividade, a ser exercida após a alteração contratual. Nesse caso, o pedido de reconhecimento de adesão retroativa ao Simples não pode ser atendido sem a verificação de compatibilidade entre a legislação pertinente, de um lado, e a atividade relacionada no objeto social então vigente, de outro. Com efeito, o inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996 estabelecera que a atividade de consultoria era incompatível com o acesso ao Simples, assim como as atividades de programador, analista de sistema ou de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Correa Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
