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Numero do processo: 10166.724523/2016-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE CONTRADIÇÃO E OMISSÃO.
Ocorrência de contradição e/ou omissão nos termos da decisão prolatada no Acórdão embargado, conforme alegado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada.
Numero da decisão: 2001-001.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração interposto, para, re-ratificando o Acórdão nº 2001.000.312, de 27 de fevereiro de 2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para, promovendo-se o saneamento da obscuridade, manter a negativa de isenção, e saneamento da incorreção em relação a multa de ofício e juros de mora, mantendo-se a exigência conforme lançado.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. Ocorrência de contradição e/ou omissão nos termos da decisão prolatada no Acórdão embargado, conforme alegado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração interposto, para, re-ratificando o Acórdão nº 2001.000.312, de 27 de fevereiro de 2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para, promovendo-se o saneamento da obscuridade, manter a negativa de isenção, e saneamento da incorreção em relação a multa de ofício e juros de mora, mantendo-se a exigência conforme lançado. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1568; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 98 1 97 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.724523/201681 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2001001.108 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado JOSE LUIZ DA SILVA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE CONTRADIÇÃO E OMISSÃO. Ocorrência de contradição e/ou omissão nos termos da decisão prolatada no Acórdão embargado, conforme alegado pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração interposto, para, reratificando o Acórdão nº 2001.000.312, de 27 de fevereiro de 2018, com efeitos infringentes, alterar a decisão recorrida para, promovendose o saneamento da obscuridade, manter a negativa de isenção, e saneamento da incorreção em relação a multa de ofício e juros de mora, mantendose a exigência conforme lançado. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 45 23 /2 01 6- 81 Fl. 98DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 2001000.312, exarado em 27 de fevereiro de 2018, pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa se expressou conforme a seguinte transcrição: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. RETIFICADORA PARA RESTITUIÇÃO DO IMPOSTO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Ausência de elementos que justifiquem na forma documental a data do início da ocorrência da situação alegada. Declaração retificadora com objetivo de obtenção de restituição do Imposto de Renda sobre período que entende como abrangido pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte está sustentada em elementos que indicam a inocorrência da situação na data apontada no documento. Cientificada do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional formulou os Embargos de Declaração, que teve o recurso admitido em 24 de maio de 2018, cujo teor da decisão repete os termos da Autoridade Embargante, com as seguintes expressões: Dos Embargos de Declaração A PGFN apresentou os Embargos de Declaração de fls. 88 a 89, com fundamento no Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, Anexo II, art. 65, § 1º, inciso III, alegando decisão fora dos limites da lide e omissão no Acórdão, conforme razões a seguir transcritas: (...) A 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para “reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de 01/04/2014, não se aplicando para o anobase de 2013, como pleiteado na declaração retificadora, e excluir as penalidades a título de multa e juros de mora aplicadas”. Verificase que o julgamento ao reconhecer uma isenção a partir do ano de 2014, terminou por ultrapassar os limites do litígio, vez que a Notificação de Lançamento abrange apenas o anocalendário de 2013. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10166.724523/201681 Acórdão n.º 2001001.108 S2C0T1 Fl. 99 3 É importante destacar que uma vez constatada a infração à legislação tributária em procedimento fiscal, o crédito tributário apurado somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício (art. 957 do RIR/99), ou seja, com a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora. Portanto, constatase também a existência de omissão na fundamentação do acórdão, pois a e. Turma não justificou o afastamento dos arts. 5º, §3º, 44, I e §3º, e 61, §3º, da Lei 9.430/96 e art. 97, VI do CTN. (...) Assim, é necessário que a 1a Turma Extraordinária da 2a Seção julgue os embargos. Diante do exposto, admitemse os embargos para que sejam distribuídos ao relator originário e incluídos em pauta de julgamento 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção para apreciação e saneamento da contradição e omissão apontadas. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. A afirmação de contradição e omissão apontadas nos Embargos de Declaração trazem as seguintes ponderações: Sobre o princípio da legalidade e sua aplicação na Administração Pública, o constitucionalista Alexandre de Moraes expõe: “O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da Constituição Federal e anteriormente estudado, aplicase normalmente na Administração Pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de sua vontade subjetiva, pois na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, diferentemente da esfera particular, onde será permitida a realização de tudo que a lei não proíba. Esse princípio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sim em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” (Direito Constitucional, 19ª edição, p. 296) Em face do exposto, requer a União o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma: I) Limite o julgamento apenas ao anocalendário referido na Notificação de Lançamento (2013); II) Sane a omissão na fundamentação, justificando o afastamento dos arts. 5º, §3º, 44, I e §3º, e 61, §3º, da Lei 9.430/96; arts. 97, VI do Fl. 100DF CARF MF 4 CTN e art. 957 do RIR/99 quando excluiu a multa e o juros de mora do lançamento. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Inexiste contradição em relação ao anocalendário referido na Notificação de Lançamento que, em verdade, diz respeito tão somente ao exercício de 2013. Somente constou a referência de que os documentos apresentados demonstravam que a moléstia se tornou comprovada em período posterior ao do anocalendário do Lançamento. A obscuridade constatada na conclusão do voto condutor da decisão do colegiado tem a seguir aclarada sua verdadeira definição. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria somente a partir de 01/04/2014, não se aplicando, portanto, para o anobase de 2013, como pleiteado na declaração retificadora, desconsiderando os efeitos dela decorrentes e excluirse, todavia, pelas razões antes apontadas, as penalidades a título de multa e juros de mora que lhe foram aplicadas. O Provimento Parcial decidido no Acórdão diz que “a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria... não se aplica... para o anocalendário de 2013”, em razão de que a constatação efetiva da doença grave somente se formalizou em abril de 2014, ano seguinte ao do período do lançamento. Neste sentido, não foi provido o pedido de isenção para o anocalendário de 2013 e a referência da data posterior somente ocorreu como citação do período de início de vigência da validade do laudo pericial. Em sequência de análise, constatase que assiste razão à autoridade embargante quanto à exclusão indevida de multa de ofício e juros de mora na decisão, porque o Recorrente efetivamente recebeu a restituição do imposto conforme demonstrado na fl. 34 dos autos. Tratase de interpretação inadequada quando da feitura do voto condutor da decisão colegiada, vez que ocorreu recebimento indevido por parte do Contribuinte de valor que não correspondem a um direito de restituição em face das informações constantes na Declaração Retificadora, que não informa outras despesas que possa dar suporte a um saldo do imposto a ser restituído. Como a isenção por moléstia no anocalendário de 2013 foi negada, nada restou para ser devolvido ao Contribuinte sob a forma de restituição. Assim, conclusivamente a decisão deve ser de negar provimento à isenção e negar pedido de exclusão da multa de ofício e juros de mora porque realmente devidos em face do que consta nos autos, cujo texto que traduz a correta decisão deve ser: Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO à isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria visto que a comprovação da doença grave tem marco inicial em data posterior ao ano Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10166.724523/201681 Acórdão n.º 2001001.108 S2C0T1 Fl. 100 5 calendário aqui tratado, assim como também negar pedido de exclusão das penalidades a título de multa e juros de mora que lhe foram aplicadas porque o Contribuinte recebeu restituição do imposto de renda sem que constem informações na Declaração Retificadora que a sustente. Por todo o exposto, voto por conhecer e ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, promovendose o saneamento da obscuridade, mantendo a negativa de isenção, e saneamento da incorreção em relação à multa de ofício e juros de mora, mantendose a exigência, conforme Lançado, com efeito modificativo na decisão do Acórdão nº 2001.000.312, nos termos acima expostos. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721038/2011-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 01/12/2009
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11.
Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/12/2009
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126.
Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 01/12/2009 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/12/2009 MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 84 1 83 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.721038/201161 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.646 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de março de 2019 Matéria AI ADUANA MULTA Recorrente VERTRANS SERVIÇOS LOGÍSTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 01/12/2009 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 11. Aplicação da Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/12/2009 MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE A DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 126. Aplicação da Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 10 38 /2 01 1- 61 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11128.721038/201161 Acórdão n.º 3002000.646 S3C0T2 Fl. 85 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Ausente o conselheiro Alan Tavora Nem. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 12095.131 da DRJ/RJO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido: "Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11128.721038/201161 Acórdão n.º 3002000.646 S3C0T2 Fl. 86 3 verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira.." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJO) julgou a Impugnação improcedente, por Acórdão dispensado de ementa, conforme o disposto na Portaria RFB nº 2.724/2017. Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (73/80), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, aduzindo os seguintes argumentos: consumação da prescrição intercorrente e ocorrência da denúncia espontânea É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, tratemos da prejudicial de mérito apresentada pela recorrente em sua peça recursal. Recorrente afirmou que apresentou Impugnação ao Auto de Infração em 29 de Julho de 2011, o qual foi levado a Julgamento somente em 21 de Dezembro de 2017, assim, consumandose a prescrição à luz do que dispõe o §1º, do art. 1º, da Lei n.º 9.873/99. Em suma, a contribuinte alegou que pelo tempo transcorrido operouse no presente processo a prescrição intercorrente, o que, em seu entender, deve culminar com o arquivamento dos autos e a conseqüente extinção da exigência tributária em questão. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11128.721038/201161 Acórdão n.º 3002000.646 S3C0T2 Fl. 87 4 Sumariamente, deve ser rechaçada essa alegação recursal, pois não se aplica o instituto da prescrição intercorrente a processos administrativos fiscais, conforme teor da Súmula CARF nº 11, cujo efeito vinculante foi atribuído pela Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Por fim, a contribuinte alegou que, no caso, eventual responsabilidade a ela atribuída teria sido excluída pela denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, reproduzido no art. 683 § 2º do Regulamento Aduaneiro. Além disso, a recorrente seguiu afirmando que, com o advento da MP 497/10, convertida na Lei 12.350/2010, a denúncia espontânea passou a afastar também as penalidades de natureza administrativa, além da tributária. O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados sobre a desconsolidação da carga à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11128.721038/201161 Acórdão n.º 3002000.646 S3C0T2 Fl. 88 5 "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11128.721038/201161 Acórdão n.º 3002000.646 S3C0T2 Fl. 89 6 Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ademais, esclareçase que a recorrente alega que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Contudo, creio que a legislação supra não alterou o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinho me ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Por fim, manifestandose especificamente sobre o tema ora tratado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula CARF nº 126, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros em seus julgamentos, conforme art. 72 do RICARF: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11128.721038/201161 Acórdão n.º 3002000.646 S3C0T2 Fl. 90 7 Como conseqüência do desenvolvimento lógicojurídico esposado ao longo do voto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.902982/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVA.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1201-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Turma em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, por unanimidade, para que nova decisão seja proferida pela DRF, para análise do crédito tributário
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ESTIMATIVA. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma em conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, por unanimidade, para que nova decisão seja proferida pela DRF, para análise do crédito tributário (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 29 82 /2 01 0- 30 Fl. 396DF CARF MF 2 Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 33641.76208.300507.1.3.049305, de 30/05/2007, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito (R$ 42.189,01) decorrente de parte do pagamento alegadamente indevido de CSLL (2484) efetuado em 30/04/2007 (período de apuração 02/2005). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 880568951, de 06/09/2010 (e fl. 02), em razão de tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, cujo recolhimento somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que protesta contra a negativa do direito de compensação de um recolhimento a maior, ou seja, acima do que deveria ter recolhido a Manifestante a título de estimativa naquele período e que, portanto, poderia, nos termos da legislação tributária, ser compensado com débitos de CSLL vincendos, como de fato fez, sem infringir nenhum dispositivo legal. Alternativamente, requereu, caso não acolhidas as suas razões demonstradas para a homologação da compensação, o abatimento de outro recolhimento, desta vez de R$ 33.188,75 recolhidos por meio de DARFs complementares relativo ao mesmo período de apuração de março de 2007, com o valor objeto do PERDCOMP apresentado e que tornouse exigível a título de principal pela não homologação do presente pedido de compensação, no importe de R$ 42.610,90; requereu, ainda a exclusão da multa aplicada pelo Despacho Decisório pela não homologação da compensação efetuada pela Manifestante; e por fim requereu seja suspenso qualquer procedimento de cobrança do valor objeto de compensação (Processo de Débito n° 10865903.409/201043), até que seja proferida decisão final nos presentes autos. A Delegacia de Julgamento (Acórdão 1438.157 6ª Turma da DRJ/RPO, e fls. 185/204) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Mas não confirmou o fundamento do Despacho Decisório para a negativa do crédito pleiteado. A DRJ, com base em Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5 de dezembro de 2011, entendeu deverse adotar o entendimento de que a restituição ou compensação de pagamentos indevido ou a maior de estimativa é possível. Porém aquela decisão de primeira instância negou provimento à compensação por outras razões. Segundo o acórdão de primeira instância: a) a manifestante não trouxe, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL do mês de março de 2007, a contribuição social sobre o lucro líquido devida em meses anteriores (até fevereiro/2007) e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis de conta no ativo do imposto a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros “Diário” ou “Lalur”, a demonstração do resultado do exercício, etc, além dos registros pertinentes do livro “LALUR”. b) o valor informado na PER/DComp como crédito é referente a pagamento considerado indevido com base em liminar/sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança 98.11014671 antes de seu trânsito em julgado, o que viola o expressamente disposto no Código Tributário Nacional CTN Cientificada da decisão de primeira instância em 12/09/2012 (efl. 206) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 11/10/2012 (efl. 209), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10865.902982/201030 Acórdão n.º 1201002.850 S1C2T1 Fl. 397 3 Em petição de 15/02/2019 (efls. 394), o contribuinte solicita a inclusão em pauta do processo em Turma Ordinária do CARF, para sustentação oral. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Em petição de 15/02/2019 (efls. 394), o contribuinte solicita a inclusão em pauta do processo em Turma Ordinária do CARF, para sustentação oral. A respeito, adianto que a possibilidade da sustentação oral de processo incluído em pauta de Turma Ordinária é uma conseqüência do texto regimental (CARF). A DRJ, com base em Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5 de dezembro de 2011, entendeu, em oposição ao Despacho Decisório 880568951, de 06/09/2010 (e fl. 02), deverse adotar o entendimento de que a restituição ou compensação de pagamentos indevido ou a maior de estimativa é possível. No mesmo sentido, com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, imperativo considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Porém aquela decisão de primeira instância negou provimento à compensação por outras razões. Segundo o acórdão de primeira instância: a) a manifestante não trouxe, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL do mês de março de 2007, a contribuição social sobre o lucro líquido devida em meses anteriores (até fevereiro/2007) e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Nesse contexto, indispensáveis, portanto, os registros contábeis de conta no ativo do imposto a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, regularmente transcritos nos livros “Diário” ou “Lalur”, a demonstração do resultado do exercício, etc, além dos registros pertinentes do livro “LALUR”. b) o valor informado na PER/DComp como crédito é referente a pagamento considerado indevido com base em liminar/sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança 98.11014671 antes de seu trânsito em julgado, o que viola o expressamente disposto no Código Tributário Nacional CTN Mas tal solução de primeira instância afronta o disposto no art. 59, II do Decreto 70235/72, uma vez que abordou matéria não contida no Despacho Decisório 880568951, de 06/09/2010 (e fl. 02) e não contemplada no recurso correspondente (a manifestação de inconformidade, efls. 09/32). Fl. 398DF CARF MF 4 Pelo exposto, para permitirse a adequada defesa em relação ao direito discutido, nas devidas fases reguladas pelo Decreto 70235/72, voto por dar provimento ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa poderá caracterizar indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900633/2006-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008
PAGAMENTO A MAIOR. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA
Improcede o pedido de crédito baseado em pagamento a maior de tributo quando o contribuinte não consegue demonstrar os erros alegados que teriam levado à apresentação incorreta de débito confessado em DCTF. Assim, não havendo comprovação de que o valor devido era, efetivamente, menor do que o recolhido, há de se negar o pleito.
Numero da decisão: 1401-003.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2008 PAGAMENTO A MAIOR. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA Improcede o pedido de crédito baseado em pagamento a maior de tributo quando o contribuinte não consegue demonstrar os erros alegados que teriam levado à apresentação incorreta de débito confessado em DCTF. Assim, não havendo comprovação de que o valor devido era, efetivamente, menor do que o recolhido, há de se negar o pleito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2008 PAGAMENTO A MAIOR. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA Improcede o pedido de crédito baseado em pagamento a maior de tributo quando o contribuinte não consegue demonstrar os erros alegados que teriam levado à apresentação incorreta de débito confessado em DCTF. Assim, não havendo comprovação de que o valor devido era, efetivamente, menor do que o recolhido, há de se negar o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 33 /2 00 6- 71 Fl. 131DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativa a pagamento a maior de IRPJ, do qual o contribuinte pretendia a compensação com outros débitos perante a Fazenda Nacional. A Delegacia de Origem não homologou as compensações apresentadas em razão do valor recolhido em DARF estar integralmente alocado ao valor do débito informado em DCTF não existindo crédito a ser utilizado. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou impugnação alegando que por erro de procedimento não realizou a retificação da DCTF, que foi apenas um erro de procedimento e que o valor da estimativa devida era menor do que a originalmente informada e que providenciou a retificação da DCTF em questão. A Delegacia de Julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade tendo em vista que a retificação da DCTF foi realizada após a decisão pela DRF de origem, a DIPJ vigente à época do despacho constar saldo de imposto a pagar em valor igual ao recolhido pelo contribuinte e que a empresa não apresentou nenhum documento de forma a comprovar o erro da apresentação da DCTF e o valor correto de apuração do IRPJ devido no período. Cientificado, o contribuinte apresenta recurso voluntário repisando os argumentos da impugnação e solicitando que seja considerada a verdade material no caso a fim de se lhe reconhecer o crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. O problema a ser analisado no presente processo é recorrente em razão da não retificação das DCTFs quando a empresa requer créditos relativos a pagamentos a maior. Nos diversos processos que já analisei neste Conselho a respeito do assunto tenho me pronunciado pela imposição dos princípios da Verdade Material e da Informalidade como supedâneo das falhas de procedimento cometidas pelo contribuinte. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16327.900633/200671 Acórdão n.º 1401003.264 S1C4T1 Fl. 132 3 Assim, nestes casos, verificado que o contribuinte apresenta os documentos comprobatórios de seu crédito e que estes demonstram a existência deste, temos nos pronunciado no sentido de reconhecer a possibilidade de apuração do crédito de acordo com os valores informados em outras declarações apresentadas pelo contribuinte que não somente a DCTF. Invariavelmente observo nestes casos que as decisões são simplistas e não chegam à análise da composição do crédito que o contribuinte alega fazer jus. No presente caso a realidade é diversa. A Delegacia de Origem negou o crédito em face da confissão em DCTF de débito igual ao recolhido. Na manifestação o contribuinte alega que o valor do tributo devido estava incorreto e apresenta o valor que considera correto. Ocorre, no entanto, que nada mais foi apresentado. Nem a DIPJ constando o valor correto da estimativa devida, nem uma planilha de apuração do valor que a empresa considera correto, nem as justificativas que levaram a empresa a fazer um recolhimento e depois retificar para menor o seu valor, muito menos escrituração fiscal a demonstrar suas alegações. Vemos que o contribuinte traz alegações de erro mas não apresenta nenhum suporte a estas alegações. Continua clamando pela verdade material sem apresentar, ao menos, as informações de apuração que levaram à inexistência do tributo a pagar, nem os registros contábeis que possam demonstrar a exatidão de suas informações e o erro de informação da DCTF. Ora, como quer o contribuinte que prevaleça a verdade material se nem ao menos realiza qualquer esforço neste sentido. A verdade material não se obtém pelas simples retificações extemporâneas de declarações. Tem de se basear em provas da existência das retenções, da tributação dos rendimentos e da consequente inexistência do imposto devido. Quanto a isso nada apresenta o contribuinte. Desta forma não há como se lhe reconhecer o direito ao crédito pleiteado, devendo ser mantidas as decisões de Piso e da Delegacia de Julgamento que corretamente analisaram o pedido e o negaram por falta de comprovação da existência do crédito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recuso. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 133DF CARF MF 4 Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003638/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000, 2001, 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA. INSTAURAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual não se conhece do recurso voluntário que não suscitou argumentos para infirmar a revelia.
Numero da decisão: 3201-005.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000, 2001, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA. INSTAURAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual não se conhece do recurso voluntário que não suscitou argumentos para infirmar a revelia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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E REPRESENTACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. FASE LITIGIOSA. INSTAURAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. A apresentação intempestiva da impugnação impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo, razão pela qual não se conhece do recurso voluntário que não suscitou argumentos para infirmar a revelia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 36 38 /2 00 5- 36 Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10675.003638/200536 Acórdão n.º 3201005.206 S3C2T1 Fl. 811 2 Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 0920.686: Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, fls. 0825, pelo qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 264.501,17, sendo R$ 110.475,73 de valor principal. Referido lançamento decorreu da constatação fiscal de diferença entre os valores declarados e os escriturados àquele título, cujo detalhamento encontrase no Relatório Fiscal de fls. 2629 e nas planilhas de fls. 3039. Impugnação às fls. 546560, intermediada por procuradora constituída à fl. 571, abaixo resumida por excertos, consoante os seus seguintes artigos: 1 DOS FATOS [...] a manutenção das exigências fiscais, in casu. constituirá uma verdadeira derrocada a esta empresa [...] A requerente deposita [...] a expectativa positiva de que a revisão do Auto de Infração será realizada e de eu não será vítima de atitude de comodismo e de omissão, sob o argumento de que ao Poder judiciário compete dirimir qualquer controvérsia. A inscrição de débito em Dívida Ativa e sua possível cobrança judicial representam medidas desastrosas para a requerente, uma vez que resta patente a controvérsia destas exigências. II DA AUTUAÇÃ0 [...] estão incluídos dentro do montante do Auto de Infração, “multa " e “juros” sobre os quais, a ora Requerente, irá se manifestar adiante, exercendo seu amplo direito de defesa garantido pela Constituição Federal. Quanto às demais exigências, o bom senso e a análise detida dos autos demonstraram que, todo o apurado não foi resultado de máfé ou dolo da Autuada, mas decorrente da reorganização da empresa, [...]. III DA IMPUGNAÇÃO A exigência de multa exorbitante percentual de 73% sobre o valor principal dos [atos geradores mantidos, por si só, constituise em flagrante ofensa ao direito ao contraditório e ampla defesa [...]. [...] o Fisco deve dar ao contribuinte a oportunidade de exercer o seu legítimo direito de recolher as diferenças dos tributos apenas com a multa de mora, e não emitir e remeter Autos de Infração com a aplicação da multa de ofício, absolutamente confiscatória, [...]. Fl. 811DF CARF MF Processo nº 10675.003638/200536 Acórdão n.º 3201005.206 S3C2T1 Fl. 812 3 [...] requerse, desde já, a redução da multa e juros cobrados sobre os valores mantidos na Autuação [...]. IV CONCLUSÃO Por todo o exposto, esperar e requer sejam revistas as incorreções apontadas, [...]. (negritei e sblinhei) É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juíz de Fora/MG por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0920.686, sessão de 10/09/2008, não conheceu da impugnação em razão de sua intempestividade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2003, 2004 IMPUGNAÇÃO. TEMPESTIVIDADE A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Impugnação não Conhecida Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual suscita novos argumentos e matérias para ter analisada sua impugnação apresentada intempestivamente e anular o auto de infração e a decisão recorrida. Argui em prol da reforma da decisão recorrida e de nova revisão de ofício do lançamento a aplicação de princípios constitucionais e dos arts. 63 e 65 da Lei nº 9.784/99 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O recurso voluntário limitase ao inconformismo quanto à não apreciação do mérito da impugnação. A recorrente não traz argumentos ou fatos que venham contradizer o Termo de Revelia lavrado e o consequente não conhecimento da impugnação, interposta intempestivamente, pela decisão recorrida. Na verdade, roga pelos princípios da legalidade e da verdade material e o dever de revisão de ofício para que sejam apreciados as razões de mérito ofertadas na impugnação, que reconhece extemporânea. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10675.003638/200536 Acórdão n.º 3201005.206 S3C2T1 Fl. 813 4 Os princípios que alegam não se sobrepõem àqueles de natureza processual e indisponíveis, dentro os quais o da preclusão, que extingue o direito ao contencioso em decorrência do exercício intempestivo do direito de defesa. Quanto à aplicação do art. 63 ou 65 da Lei nº 9.784/99, a norma do art. 691 da referida Lei afasta tal possibilidade no âmbito deste julgamento, haja vista que a matéria revisão de ofício de lançamento tributário é regida por dispositivos do Código Tributário Nacional arts. 141, 145 e 149 da Lei nº 5.172/66 e não no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Decreto nº 70.235/72, cabendo sua competência, quando pertinente, à autoridade lançadora. Ademais, suas alegações são razões de mérito que não combatem a preclusão. Firmado o entendimento de que a decisão da primeira instância deve ser mantida quanto ao não conhecimento da impugnação em razão de sua intempestividade, impõese, igualmente, não apreciar em sede de recurso voluntário de quaisquer outras matérias preliminares ou de mérito, ainda que de ordem pública. O entendimento está consubstanciado nos artigos 14, 15 e 21 do Decreto nº 70.237/72 PAF: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. A declaração de revelia (fl. 697), uma vez não infirmada em sede de julgamento, é ato administrativo apto a apontar situação processual que impede o prosseguimento do processo administrativo por não se ter instaurada a fase litigiosa, em razão da apresentação de impugnação após o trinídio legal. Conquanto tempestivo o recurso voluntário, sua admissibilidade restringirse ia ao exame da revelia declarada pela unidade de origem e à intempestividade da impugnação. Assim, não havendo quaisquer razões de defesa suscitadas em sede de recurso voluntário que contrapõe a intempestividade da impugnação, impende não conhecer o presente recurso. 1 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 10675.003638/200536 Acórdão n.º 3201005.206 S3C2T1 Fl. 814 5 Conclusão Pelo exposto, voto para não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 814DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907874/2016-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.883
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 87 4/ 20 16 -7 0 Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13896.907874/201670 Resolução nº 3201001.883 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13896.907874/201670 Resolução nº 3201001.883 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 479DF CARF MF Processo nº 13896.907874/201670 Resolução nº 3201001.883 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13896.907874/201670 Resolução nº 3201001.883 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13896.907874/201670 Resolução nº 3201001.883 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13896.907874/201670 Resolução nº 3201001.883 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 483DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.903691/2009-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
INCLUSÃO DE MATÉRIAS E DOCUMENTOS INÉDITOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
Questões e Documentos inéditos colacionados apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário não podem ser conhecidos pela instância recursal em razão da ocorrência da preclusão consumativa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.611
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão consumativa, do questionamento sobre a multa incidente sobre o valor do débito não homologado e dos documentos inéditos colacionados no Recurso Voluntário e não apresentados no momento processual oportuno, e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes .
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 INCLUSÃO DE MATÉRIAS E DOCUMENTOS INÉDITOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Questões e Documentos inéditos colacionados apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário não podem ser conhecidos pela instância recursal em razão da ocorrência da preclusão consumativa. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
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FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Questões e Documentos inéditos colacionados apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário não podem ser conhecidos pela instância recursal em razão da ocorrência da preclusão consumativa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 36 91 /2 00 9- 44 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 104 2 Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizandose de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão consumativa, do questionamento sobre a multa incidente sobre o valor do débito não homologado e dos documentos inéditos colacionados no Recurso Voluntário e não apresentados no momento processual oportuno, e, no mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes . Relatório Por retratar os fatos com propriedade até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BHE (destaques do original): DO DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata da Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente (fl. 04), referente ao PER/DComp nº 17363.67865.311005.1.3.043178 Nº Rastreamento 841951515. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a IRPJ –Código de Receita 3373, no valor original na data de transmissão de R$7.977,97, representado por Darf recolhido em 30/04/2004 ede compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 105 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 18/06/2009, conforme documento de fls. 28/29, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, em 17/07/2009, podendo ser destacado o seguinte: o manifestante faz uma descrição dos fatos; faz referência à DCTF retificadora apresentada em 09/07/2009 e aos valores compensados na DComp em causa; assevera que seria necessário retificar a DComp, na Ficha Darf conforme especificado, acentuando que o sistema não aceitou o envio da retificadora, tendo apresentado a seguinte mensagem: “O Perdcomp que se pretende retificar já foi objeto de decisão Administrativa”; ressalta que, desde a transmissão da DComp, não recebeu nenhuma intimação oportunizando a retificação da Declaração de Compensação, sendo que o único documento recebido foi o Despacho Decisório; conclui que, demonstrada a insubsistência de débitos, espera e requer seja acolhida a presente manifestação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Tendo em vista que está ilegível a data do protocolo de recebimento do contraditório, foi anexada cópia de página da manifestação de inconformidade apresentada em relação ao processo nº 13609.903688/200921, com protocolo de recebimento em 17/07/2009, correspondente ao primeiro processo de uma série de quatro numerados sequencialmente, pertinentes a despachos decisórios recebidos na mesma data. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, conforme acórdão n. 0241.022, de 23 de outubro de 2012 (efl. 39), que recebeu a seguinte ementa: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 106 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 48), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (destaques do original). Diz que "Os referidos créditos são originários de exercícios anteriores ocasionados por pagamentos indevidos ou a maior, que foram compensados no exercício de 2004 (1o trimestre) e não homologados pela Receita Federal do Brasil em Sete Lagoas/MG...". Sustenta que "TODO PROCEDIMENTO ADOTADO PELA EMPRESA LASTREOUSE NO PROCESSO N° 13607.000774/200495 DA SUPERINTENDÊNCIA DA RECEITA FEDERAL 6a REGIÃO FISCAL, SOLUÇÃO DE CONSULTA SRRF/6° RF/ DISIT N° 208, DE 5 DE AGOSTO DE 2005". Afirma que "...o cerne de toda a questão reside no fato de não ter o recorrente retificado sua DIRPJ demonstrando o pagamento realizado a maior e o devido, apurandose as diferenças, conforme os DCOMP's que foram objeto da não homologação proferida pela Delegacia da Receita Federal em Sete Lagoas/MG e ratificada pela Receita Federal em julgamento em Belo Horizonte/MG". Aduz que "... a omissão em não retificar a DIRPJ trata de distração ou falta de conhecimento de procedimentos recomendados pela Receita Federal, mas que nenhum prejuízo trouxe ao erário, porque não foi praticado com máfé, dolo ou simulação, podendo tal erro ou omissão ser reconhecido a qualquer tempo, ainda que ocorra coisa julgada". Registra que "...supera essa formalidade essencial nesta oportunidade, anexando a retificação da DIRPJ de exercícios anteriores, demonstrando o tributo devido, pago a maior e o crédito dele resultante, daí surgindo sua certeza e liquidez, para suporte de sua homologação, autorizando a respectiva compensação realizada através das DCOMP's, "in retro" referidas". Quanto à instrução processual, o Recorrente informa ter colacionado juntamente com o Recurso Voluntário os seguintes documentos pertinentes à solução da lide: Cópia do Livro Lalur; Cópia da Folha do livro diário contendo o Balanço de Março/2004 Demonstração de Resultado do Exercício DRE; Cópia da consulta a Receita Federal protocolada em 12/11/2004; Cópia da solução de consulta n° 208 de 05/08/2005 da Receita Federal; Cópia do Razão da conta Lucros Acumulados e Diário de setembro/2005; Cópias das fichas acima entregues (DIPJ) e refeitas. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 107 5 Ao final, requer o integral provimento do recurso para o fim de homologar a compensação declarada. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator 1. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, entretanto, conheçoo parcialmente, em razão da ocorrência da preclusão consumativa relativa ao direito de apresentação no Recurso Voluntário de documentos não juntados por ocasião da Manifestação de Inconformidade, quais sejam: cópia parcial do Livro Lalur, cópia da folha do Livro Diário contendo o Balanço Patrimonial e Demonstração de Resultado do Exercício DRE, cópia da consulta a RFB protocolada em 12/11/2004, cópia da solução de consulta n° 208 de 05/08/2005 da RFB, cópia do Razão da conta Lucros Acumulados e Diário de setembro/2005 e cópias de fichas da DIPJ/2005. Documentos novos, assim entendidos aqueles trazidos pela primeira vez a debate no Recurso Voluntário, não podem ser analisados por este colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não terem sido apresentados no momento processual próprio, caracterizandose como prova preclusa, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art.16, § 4.º III do Decreto 70.235/72), o que efetivamente não fica demonstrado neste processo. Aliás, esta temática já foi debatida por esta 2ª TE no Acórdão 1002000.576, de 16/01/2019, de relatoria do conselheiro Ângelo Abrantes Nunes, motivo porque valhome das explicações ali expendidas, constantes do excerto seguinte, para fundamentar meu entendimento sobre o tema ora examinado (in verbis): (...) A possibilidade de conhecimento e apreciação de novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 108 6 órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4.º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). (grifei). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide com os elementos de prova correlatos, sendo eles submetidos à primeira instância (DRJ) para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário para o CARF (segunda instância) em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação probatória ou recursal. Antes de analisar a prova devolvida para reexame na segunda instância de julgamento é preciso verificar se foi observado o princípio recursal da dialeticidade, que determina que o recurso deve conter os fundamentos de fato e de direito que deram causa ao inconformismo com a decisão de primeira instância de julgamento, juntamente com os itens que o impugnante pretende que façam prova a seu favor. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 109 7 A legislação processual determina que a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento devendo ser formalizada por escrito e com o detalhamento dos motivos de fato e de direito em que se basear, devendo os pontos de discordância e as razões estarem expostas de forma minuciosa, sob pena de serem considerados não refutados. De modo geral, a peça de defesa deve estar instruída com prova documental pré constituída imprescindível à comprovação das matérias de defesa suscitadas. O recurso voluntário é o meio idôneo a ensejar o reexame das questões decididas em primeira instância de julgamento com a finalidade de obter um pronunciamento mais favorável relativamente à sucumbência. Com exceção da avaliação de uma objeção, por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento, em regra o efeito devolutivo, inerente ao mecanismo recursal, promove o restabelecimento do poder de apreciar a mesma questão em segunda instância de julgamento. As provas extemporâneas juntadas aos autos e que representam inovação à lide não se contrapõem aos termos previstos no ato de deliberação que se pretende reformar, evidenciando violação ao princípio da dialeticidade, e caracterizada a supressão de instância. Na peça impugnatória (manifestação de inconformidade) não constam as cópias do Livro Diário apresentadas com o recurso voluntário, mas somente cópias da DIPJ 2003, de DARF pago no valor de R$ 24.845,89 e da DCTF retificadora, que denotariam pagamento a maior. Diferentemente, na fase recursal foram trazidas cópias de 3 fls. do seu livro Diário, sendo 2 referentes a Termos de Abertura e Encerramento. Excetuandose as objeções, circunstância que não se verifica no caso dos autos, não se toma conhecimento das provas juntadas pela primeira vez em sede de recurso voluntário, porque alcançadas pela preclusão. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia contexto probatório extemporâneo. Se não foi apresentado ao tempo da impugnação ou manifestação de inconformidade ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventálo em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar prova não apreciada pela DRJ, caso contrário, estaríamos diante de patente supressão de instância. A análise destes elementos novos trazidos ao processo administrativo implicaria supressão de instância porque a Turma Julgadora da DRJ/RJ1 foi privada da apreciação destes itens, motivo pelo qual deve ser reconhecida a preclusão consumativa na forma dos dispositivos do Dec. n.º 70.235/72, já reproduzidos. As normas processuais não permitem que qualquer das partes mantenha desconhecida determinada prova, de que já dispunha, com o propósito de aguardar o momento que Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 110 8 lhe seja mais favorável para a apresentação, gerando surpresas e danos ao contraditório para a outra parte e suprimindo o exame por instâncias de julgamento. O conjunto probatório inédito apresentado com o recurso voluntário ultrapassa os limites do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, pois já poderia ter sido inserido aos autos no momento da manifestação de inconformidade, porque diz respeito à escrita contábil da qual o postulante do direito creditório tinha posse desde o ano calendário 2002. Como entender reformável, nesse aspecto, a decisão que não identificou conjunto probatório que pudesse amparar a liquidez do crédito em análise, se este era necessário? E como admitir prova extemporânea que busca comprovar o pagamento indevido de IR sem que tenha ocorrido qualquer das hipóteses que excepcionam a preclusão contidas nas alíneas "a", "b" e "c" desse § 4.º? A impossibilidade de inovação probatória impede que sejam considerados para a apuração do direito creditório e a liquidez do crédito os novos elementos de prova anexados na oportunidade de interposição do recurso voluntário. Tampouco se trata de matéria de ordem pública, como de demonstrará adiante, que, esta sim, justificaria o exame dos elementos à margem do que determinam os §§ 4.º e 5.º do Decreto n.º 70.235/72. Patente, pois, a ocorrência da preclusão consumativa dos documentos inéditos colacionados apenas por ocasião do Recurso Voluntário. De outro lado, ainda que se possa contrapor o princípio da verdade material ao instituto da preclusão consumativa o que se faz tão somente por raciocínio jurídico constato que os documentos juntados ao Recurso Voluntário não dão suporte ao reconhecimento do crédito postulado pelo Recorrente, conforme explicase na sequência. O fundamento jurídico no qual o Recorrente lastreia o PER/DCOMP ancora se, essencialmente, numa interpretação sua, extraída da resposta da Solução de Consulta da SRRF/6ª RF/DISIT nº 208, de 05/08/2005 (efls. 95), a partir da qual entendeu que poderia deduzir despesas de períodos anteriores no lucro tributável, gerando, assim, o crédito vindicado. Segundo consta da SC nº 208/2005, o interessado requereu e obteve parcelamento de valores devidos a título de contribuição para o PIS/Pasep, relativos a períodos anteriores, a partir de 1993, tendo dúvida sobre a dedução dessas obrigações na base de cálculo do imposto de renda. Num primeiro momento, vejo que a SC nº 208/2005 consigna que o consulente não explicita adequadamente na consulta a origem e a natureza dos valores que pretende deduzir do lucro tributável, conforme se pode observar do excerto seguinte: (...) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 111 9 Não fica clara na consulta formulada se os valores do PIS devidos não foram pagos em virtude da suspensão de sua exigibilidade decorrente de ação judicial impetrada pela consulente. Se for esse o caso, o imposto ou contribuição que o contribuinte esteja discutindo judicialmente não poderá ser considerado como despesa dedutível na determinação do lucro real do respectivo período. Nesse caso, os tributos provisionados devem ser escriturados na parte A do Lalur, como adição ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, sendo controlados na parte B do mesmo livro até que ocorra o desfecho da ação. Sendo o desfecho desfavorável ao contribuinte, implicará a conversão do depósito judicial porventura existente em renda da União, possibilitando o reconhecimento da dedutibilidade do tributo e contribuição, com a baixa do valor escriturado na parte B do Lalur, e a sua exclusão na parte A no período de apuração correspondente. (...) Noto, ainda, que o consulente tampouco informa se os valores objeto da consulta foram lançados como despesas em exercícios anteriores, motivo porque a parte dispositiva da SC nº 208/2005 foi expressa em termos genéricos e condicionais. Confirase (destaques deste relator): À vista do exposto, respondo à consulente que: a) Regra geral, os tributos e contribuições são dedutíveis segundo o regime competência de exercícios. Se os valores do PIS mencionados na consulta não foram lançados como despesas nos exercícios anteriores, poderão ser assim considerados em exercícios posteriores, desde que essa inexatidão não resulte em postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao que seria devido, ou a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. b) O lançamento, como despesa, do principal (PIS devido), nas condições mencionadas no item "a" acima, pode ser feito no momento do reconhecimento contábil da despesa, não estando condicionada a dedução ao efetivo pagamento do parcelamento. c) Quanto aos acréscimos legais, são dedutíveis as multas quando de caráter compensatório, efetivamente pagas, os juros e correção monetária incidentes sobre parcelamento de débitos tributários. Quando dedutíveis, os valores das multas somente poderão ser apropriados como custo ou despesa operacional após seu pagamento. Constatase, claramente, vagueza e imprecisão na consulta formulada pelo então consulente e que a resposta da SC nº 208/2005 foi expressa em termos indeterminados e condicionais, não se mostrando razoável, por isso, supor que possa ser aceita como lastro probatório da tese do Recorrente, de modo a legitimar, per se, o reconhecimento de direito creditório a seu favor decorrente da dedução efetuada. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 112 10 Caberlheia, então, discorrer precisamente sobre a questão de fato e de direito que deu azo à SC nº 208/2005 e apresentar conjunto probatório específico e congruente, oportunizando uma avaliação objetiva e detalhada da origem e natureza das deduções efetuadas, de modo a permitir o reconhecimento de que a situação alegada amoldase, ou não, à descrita hipoteticamente na SC nº 208/2005, o que efetivamente não ocorreu no presente caso. Vejo que não há nos autos qualquer registro ou prova de que os créditos de origem nas deduções pleiteadas tenham tido origem na suspensão anterior da exigibilidade de tributos na forma do artigo 151 do CTN e respectiva adição no Lalur por força do ajuizamento de ação judicial. Tampouco o Recorrente esclarece se as deduções que geraram os supostos créditos foram lançadas no lucro tributável de períodos precedentes, limitandose a afirmar que são decorrentes de despesas de exercícios anteriores relativas ao parcelamento de PIS/Repique e PIS/Faturamento do período de 03/1996 a 12/2002. Concluise, portanto, que ainda que fosse juridicamente possível o conhecimento da prova preclusa melhor sorte não socorreria ao Recorrente, eis que, como discorrido, não se mostra ela suficiente para dar suporte a seus argumentos expendidos. Assim, não conheço, por preclusão consumativa, dos documentos inéditos colacionados no Recurso Voluntário e não apresentados no momento processual oportuno, porquanto não cabe a esta instância recursal o exame de documentos e de matéria não apreciados pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. 2. Mérito Quanto ao mérito, constato que ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 17363.67865.311005.1.3.043178, transmitido em 31/10/2005, conforme indica o excerto abaixo extraído do Despacho Decisório Eletrônico: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 113 11 Como se observa, o crédito informado no PER/DCOMP nº 17363.67865.311005.1.3.043178 decorre de pagamento indevido ou a maior, e a circunstância fática que motivou seu indeferimento está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a inexistência de saldo de crédito compensável. O Recorrente contesta a não homologação do PER/DCOMP, porém, faz demonstração vaga e desarticulada de um suposto direito de crédito, não colaciona tempestivamente documentos que supostamente justificariam seu entendimento e oferece argumentos fáticos e jurídicos inconsistentes e incapazes de reverter a decisão de 1º grau. O principal deles é que a omissão de não retificar a DIPJ/2005 "foi decorrente de distração ou falta de conhecimento de procedimentos recomendados pela Receita Federal, mas que nenhum prejuízo trouxe ao erário, porque não foi praticado com máfé, dolo ou simulação, podendo tal erro ou omissão ser reconhecido a qualquer tempo, ainda que ocorra coisa julgada". A DIPJ/2005 retificadora a que o Recorrente faz referência corresponde, na verdade, a 8 (oito) fichas isoladas, supostamente dela extraídas, desacompanhadas de recibo e folha de rosto, sem as quais tornase impossível verificar os dados de identificação do contribuinte, a autenticidade e envio da declaração e sua efetiva recepção por alguma Unidade Administrativa da RFB. Ademais, referidos documentos não foram conhecidos por este relator por preclusão consumativa, conforme consta no item 1 deste Voto. Mesmo assim, ainda que, por exercício dialético, se lhes atribuisse a condição de "declaração retificadora" e fosse superado o óbice da preclusão, melhor sorte não socorreria ao Recorrente, porquanto o prazo para retificação de declarações já estaria expirado há muito, conforme legislação de regência1, e 1 MEDIDA PROVISÓRIA No 2.18949, DE 23 DE AGOSTO DE 2001. Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 114 12 porque a recepção e validação de documentos de retificação não compete ao CARF, mas sim às Unidades Administrativas da RFB2. A propósito do tema, vejo que a fundamentação do indeferimento do pleito do ora Recorrente na decisão de primeira instância foi suficientemente esclarecedora, motivo porque peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, com base no §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57, do RICARF: Primeiramente, cumpre observar que o contribuinte pretende, em sede de manifestação de inconformidade, retificar a DComp, a fim de justificar o crédito postulado. Nesse sentido, de acordo com o art. 76 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, a retificação da DComp deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação de documento retificador gerado a partir do Programa PER/DComp. Segundo dispõe o art. 77 da referida IN, a DComp somente poderá ser retificada pelo sujeito passivo caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, observadas ainda as disposições do art. 78, que prescrevem que será admitida a retificação na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, verificada a inocorrência de inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado, consoante dispõe o art. 79. A retificação da DComp nesse caso não constitui uma mera exigência formal, na medida em que somente as informações devidamente prestadas e processadas permitiriam a realização das verificações necessárias pela DRF de jurisdição do Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. PERGUNTAS E RESPOSTAS PESSOA JURÍDICA PIR 2006 018 Qual o prazo para retificação da declaração da pessoa jurídica? O prazo é de 5 (cinco) anos, a contar da data fixada para a entrega tempestiva da declaração original. 2 Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017 Art. 270. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (Demac/RJO), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas (Derpf) e às Alfândegas da Receita Federal do Brasil (ALF) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, gerir e executar as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, de cobrança, de recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de atendimento e orientação ao cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas e de planejamento, avaliação, organização e modernização. (...) § 6º As atividades de prestação de informações ao contribuinte, excetuandose as que envolverem a interpretação da legislação tributária, aduaneira e correlata, de recepção de documentos, de alteração cadastral e de retificação de documentos de arrecadação deverão ser executadas por qualquer Delegacia ou Alfândega, independentemente da sua jurisdição. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 115 13 contribuinte no tocante à consistência do crédito postulado e aos controles de sua utilização. Porém, ainda que se admitisse a retificação da DComp após a ciência do Despacho Decisório, melhor sorte não teria o manifestante, conforme se passa a explicitar. O contribuinte, visando à comprovação do direito creditório, anexou aos autos cópia da DCTF retificadora apresentada em 09/07/2009. A retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta para comprovação do pagamento indevido ou a maior. É bom lembrar ainda que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010). A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado, não merecendo qualquer reparo, porquanto seus fundamentos estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria. É de se ressaltar, ainda, que a compensação tributária, enquanto instituto jurídico e forma de extinção de crédito tributário prevista em lei, opera pelo encontro de contas entre créditos tributários e créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública e que na análise de mérito relativo processos dessa natureza o onus probandi do crédito pleiteado compete àquele que o alega possuir3. Neste sentido, é firme a jurisprudência administrativa deste CARF, da qual colaciono, como exemplo, o Acórdão 3201002.303 no qual essa temática foi objeto de apreciação: ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado 3 Lei nº 13.105 de 16 de Março de 2015 Código de Processo Civil. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13609.903691/200944 Acórdão n.º 1002000.611 S1C0T2 Fl. 116 14 Nesse contexto, é forçoso concluir que o Recorrente não logrou comprovar de forma idônea e indubitável o crédito que entendia possuir, motivo porque o indeferimento do Recurso Voluntário impõese. 3. Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública e que o Recorrente não traz elemento de prova capaz de infirmar o Despacho Decisório Eletrônico de não homologação do PER/DCOMP 17363.67865.311005.1.3.043178, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.720712/2015-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
VÍCIO FORMAL. NÃO OBSERVÂNCIA DE RITO PROCESSUAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Vício formal no ato administrativo de lançamento ocorre na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. A não observância de rito processual próprio, por si só, não configura prejuízo à defesa a ensejar a declaração de nulidade.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS.
O reconhecimento de nulidade processual depende da demonstração do prejuízo causado. Quando suprível a nulidade, desnecessária sua declaração.
DEVIDO PROCESSO LEGAL. PREJUÍZO. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTALIDADE.
Previsto no art. 5º da Constituição, o direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal. No âmbito do processo administrativo federal, tal direito tem seu conteúdo definido na Lei nº 9.784/99. O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. O descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade).
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em nulidade, tampouco em cerceamento do direito de defesa, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, assim como, os motivos ensejadores da autuação e os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal, favorecendo, assim, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2401-006.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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NÃO OBSERVÂNCIA DE RITO PROCESSUAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Vício formal no ato administrativo de lançamento ocorre na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato. A não observância de rito processual próprio, por si só, não configura prejuízo à defesa a ensejar a declaração de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. O reconhecimento de nulidade processual depende da demonstração do prejuízo causado. Quando suprível a nulidade, desnecessária sua declaração. DEVIDO PROCESSO LEGAL. PREJUÍZO. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTALIDADE. Previsto no art. 5º da Constituição, o direito à ampla defesa é um dos pilares do devido processo legal. No âmbito do processo administrativo federal, tal direito tem seu conteúdo definido na Lei nº 9.784/99. O princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. O descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em nulidade, tampouco em cerceamento do direito de defesa, o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, assim como, os motivos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 07 12 /2 01 5- 37 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10510.720712/201537 Acórdão n.º 2401006.056 S2C4T1 Fl. 159 2 ensejadores da autuação e os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal, favorecendo, assim, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Consoante o Relatório Fiscal e Relatório Fiscal da Infração (fls. 2225), seus anexos e demais elementos constantes dos autos, depreendese que: O presente processo administrativo fiscal foi lavrado em face do Município de Neópolis Prefeitura Municipal, em decorrência apuração da irregularidade no procedimento de compensação de créditos tributários na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), ensejando a glosa das compensações efetuadas nas competências 01/2012 a 06/2012. O procedimento foi instaurado pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal cientificado ao contribuinte em 25/11/2014 (fls. 429430), referente ao período de apuração 01/2012 a 12/2013, no qual foram solicitados documentos relacionados com as contribuições do Regime Geral de Previdência Social (RGPS), e documentos que comprovassem a existência dos supostos créditos informados na GFIP pela Prefeitura a título de Compensação. Para verificação do direito ao suposto crédito informado na GFIP como Compensação, foram consideradas as GFIP que se encontravam na situação de exportadas nos sistemas da Receita Federal do Brasil, no dia de início da fiscalização. Consta que em atendimento à intimação, a Prefeitura apresentou documento intitulado "Recuperação de Créditos e Revisão de Débitos do INSS Verbas Indenizatórias", elaborado pela empresa Castelo Fonseca Assessoria Institucional, no qual é informada a existência de suposto crédito no valor de R$ 1.585.934,15 relativo a recolhimento de INSS a Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10510.720712/201537 Acórdão n.º 2401006.056 S2C4T1 Fl. 160 3 maior sobre 1/3 de férias e verbas indenizatórias. Foi juntada ao documento citado uma planilha denominada "CONTROLE DE CRÉDITOS VERBAS INDENIZATÓRIAS / 1/3 DE FÉRIAS", na qual são informados valores intitulados pagamentos que após atualizações totalizam R$ 1.585.934,15. Foram juntadas também 15 folhas relativas aos pagamentos efetuados pela Prefeitura à empresa contratada. Embora intimada, a Prefeitura não apresentou decisão judicial que lhe assegurasse direito à compensação de contribuições previdenciárias de quaisquer tipos de verbas, seja do adicional de 1/3 de férias ou das chamadas verbas indenizatórias. A autoridade lançadora registra que: “Cabe aqui informar que o Sr. Antônio Luiz Castelo Fonseca, que assinou o documento citados no item 6., foi identificado nas investigações da Operação Camaro, realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Federal, como advogado que representava o URBISInstituto de Gestão Pública, empresa suspeita de praticar fraudes em compensações de contribuições previdenciárias em diversos Estados Brasileiros”. De acordo com a fiscalização, os documentos apresentados não comprovaram a existência de créditos compensáveis, e ensejaram a lavratura de duas autuações: No AI DEBCAD n° 51.064.9408 foram exigidas as compensações glosadas nas competências 01/2012 a 06/2012, que estão consolidadas no levantamento GC Glosa de Compensação. O valor consolidado em 23/03/2015 corresponde a R$ 1.305.114,45 · 7.2 No AI DEBCAD nº 51.064.9416 foi exigida a multa isolada de 150%, no montante de R$ 1.343.392,47, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a qual foi aplicada em decorrência da compensação indevida nas competências 01/2012 a 07/2012, porquanto o sujeito passivo prestou informações em suas GFIP(s) que não são verdadeiras, conforme estabelece o art. 89, parágrafo 10º, da Lei nº 8.212, de 1991. Devido aos fatos ora relatados, ao final do procedimento foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal, para eventual propositura de ação penal. Cientificado das Autuações por via postal (fls. 9495), o Município de Neópolis apresentou impugnação aos Autos de Infração por meio do instrumento de fls. 103 106, com juntada de documentos (fls. 107124), alegando, em síntese, o que se passa a expor: (a) Aduz que os créditos tributários apurados no procedimento fiscal, relativos aos períodos 01/2012 a 07/2012, encontramse albergados pelo parcelamento extraordinário constante da Lei nº 12.996, de 2014. (b) Que no prazo previsto no art. 2º da referida Lei, requereu o parcelamento dos valores em aberto até então, o que abrangeu todo o débito até o exercício de 2013, conforme comprovado pelo "Recibo de Pedido de Parcelamento", que anexa. (c) Defende que: “Em outras palavras, considerando que o Município de Neópolis já é beneficiário do parcelamento extraordinário, bem como as competências geradoras da infração datam do período 2013, portanto, anteriores a 31 de Dezembro de 2013, temse claro que os mesmos devem ter a mesma destinação que aqueles já parcelados”. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10510.720712/201537 Acórdão n.º 2401006.056 S2C4T1 Fl. 161 4 (d) Explica na apuração do débito para inclusão no parcelamento extraordinário, deixou de levantar os valores encontrados quando da atividade de fiscalização, e esses valores devem, necessariamente, serem incorporados ao parcelamento já existente. (e) Pugna que o mesmo raciocínio deve ser desenvolvido para a situação de falta de informação de GFIP. Isso porque, assim como ocorre com os demais valores apurados, aqueles que geraram a penalidade também se encontram compreendidos no período permissivo de parcelamento. (f) Alude, também, que é evidente que não houve dolo do Município ao deixar de incorporar esses valores ao montante parcelado. (g) Ao final, requer o reconhecimento de que os débitos constantes dos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.064.9408 e 51.064.9416 já se encontram incluídos no parcelamento da Lei nº 12.996, de 2014, ou, caso não seja esse o entendimento, seja reconhecido o direito do Município de Neópolis de incluir referidos créditos tributários no parcelamento especial já existente, bem como seja determinada a adoção das medidas administrativas para essa finalidade. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (DRJ/FNS), por meio do Acórdão nº 0738.200 (fls. 139/153), de 19/04/2016, cujo dispositivo considerou a Impugnação Procedente, com Exoneração do Crédito Tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 30/06/2012 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. DÉBITO CONFESSADO. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GFIP. No procedimento de controle da compensação declarada na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, deve ser aplicado o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/07/2012 MULTA ISOLADA DE 150%. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DE DECLARAÇÃO. A decisão da autoridade competente declarando a ocorrência de compensação indevida e não homologando a mesma, na forma estabelecida nos atos normativos da Receita Federal do Brasil, é pressuposto essencial para o lançamento legítimo da multa isolada de 150% prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/1991. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10510.720712/201537 Acórdão n.º 2401006.056 S2C4T1 Fl. 162 5 Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 LANÇAMENTO. NULIDADE A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou, em síntese, os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. No caso vertente, de plano, cumpre reconhecer a nulidade dos lançamentos consubstanciados nos AI DEBCAD nºs 51.064.9408 e 51.064.9416. Ocorre que, no procedimento de controle da compensação levada a efeito pelo contribuinte, não foi observado o tratamento das contribuições previdenciárias informadas em GFIP, considerando o disposto na Solução de Consulta Interna Cosit CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil nº 3, de 5 de fevereiro de 2013 (Publicada no site da RFB em 25/02/2013). 2. Cumpre citar que a Solução de Consulta Interna COSIT nº 13, de 07 de agosto de 2015, ao tratar da possibilidade de aplicação do rito de compensação não declarada à compensação das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o que resultaria na não aplicação do rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, à compensação lastreada em créditos não tributários, afastou tal possibilidade, reforçando o entendimento de que eventual contencioso que envolva a glosa da compensação de que trata o art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, segue o rito processual previsto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com base no §11 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, que confere tal rito à restituição dessas contribuições e nos arts. 77 a 80 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. 3. Assim, no procedimento de cobrança dos valores indevidamente compensados na GFIP, cabem as seguintes providências pela Secretaria da Receita Federal, em linhas gerais: (a) Emissão de um Despacho Decisório de não homologação dos valores indevidamente compensados, apontando os créditos de origem e o motivo da não validação de sua utilização; (b) Emissão da Multa Isolada, se for o caso; (c) O contribuinte será intimado do DD, para fazer o recolhimento do crédito tributário no prazo de 30 dias da ciência, ou, não concordando com a glosa da compensação, poderá apresentar manifestação de inconformidade (incidindo o art. 151, III, do CTN suspensão da exigibilidade); (d) Caso o contribuinte não efetue o pagamento, nem apresente a manifestação de inconformidade no prazo legal, o crédito deverá ser enviado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10510.720712/201537 Acórdão n.º 2401006.056 S2C4T1 Fl. 163 6 4. No que pertine ao Auto de Infração de DEBCAD nº 51.064.9408, a constituição do crédito tributário ali exigido já foi feita por meio da declaração dos débitos confessados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) da Autuada, relativas às competências 01/2012 a 06/2012, a teor da Solução de Consulta Interna COSIT (CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil) nº 3, de 5 de fevereiro de 2013 (Publicada no site da RFB em 25/02/2013). 5. Portanto, a formalização do crédito tributário para a exigência da glosa indevida (Auto de Infração DEBCAD nº 51.064.9408) não pode prosperar, porque afronta a disciplina normativa vertida pela legislação de regência, cuja observância é, aliás, obrigatória, dada a natureza vinculada da atividade administrativa do lançamento, assim definida nos termos do parágrafo único do artigo 142 do Código Tributário Nacional. 6. Assim, deve ser considerado nulo o lançamento consolidado no AI DEBCAD nº 51.064.9408, onde foi exigida a glosa da compensação indevida na GFIP, porquanto há um vício na formalização do procedimento administrativo, que deveria estar na conformidade da Consulta Interna COSIT (CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil) nº 3, de 5 de fevereiro de 2013 (Publicada no site da RFB em 25/02/2013). 7. Da mesma forma, entendo que não pode prosperar a formalização do crédito tributário exigido no auto de infração de DEBCAD nº 51.064.941 6, onde está sendo exigida a multa isolada, quando se comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, no caso a GFIP. 8. Conforme se depreende da análise conjunta da Solução de Consulta Interna COSIT nº 03/2013 e do artigo 302, inciso VI, do Regimento Interno da RFB (aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), a compensação só poderia ser declarada indevida mediante decisão prolatada pela autoridade competente, da circunscrição do domicílio da Autuada, o que não ocorreu (Despacho Decisório). 9. No presente caso, portanto, não foi preenchido um dos pressupostos para aplicação da multa isolada de 150% prevista no §10 do artigo 89 da Lei nº 8.212/1991. 10. Por tal motivo, também deve ser declarada nula a lavratura do Auto de Infração DEBCAD nº 51.064.9416, uma vez que foram inobservadas as formalidades indispensáveis à formalização do ato, ou seja, foi exigida a multa isolada sem que existisse decisão da autoridade competente declarando a ocorrência de compensação indevida (Despacho Decisório), pressuposto legal para sua imposição. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10510.720712/201537 Acórdão n.º 2401006.056 S2C4T1 Fl. 164 7 Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator Recurso de Ofício 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso de Ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 34 do Decreto n° 70.235/72, de modo que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), limite estipulado pela Portaria MF n° 63, de 09 de fevereiro de 2017. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. Conforme relatado, a autoridade julgadora de piso entendeu que a formalização do crédito tributário para a exigência da glosa indevida (Auto de Infração DEBCAD n° 51.064.9408), não poderia prosperar, uma vez que afrontaria a disciplina vertida pela legislação de regência, com fundamento no art. 89, § 11, da Lei n° 8.212/91, que impõe a observância do rito previsto no Decreto n° 70.235/72 e que remete ao rito estabelecido nos artigos 77 a 80 da Instrução Normativa RFB n° 1.300/2012 para análise de compensações, inclusive, às compensações que versam sobre contribuições sociais previdenciárias. Dessa forma, no procedimento de cobrança de valores indevidamente compensados na GFIP, entende que as seguintes providências deveriam ser adotadas pela Secretaria da Receita Federal, em linhas gerais: (i) Emissão de um Despacho Decisório de não homologação dos valores indevidamente compensados, apontando os créditos de origem e o motivo da não validação de sua utilização; (ii) Emissão da Multa Isolada, se for o caso; (iii) O contribuinte será intimado do DD, para fazer o recolhimento do crédito tributário no prazo de 30 dias da ciência, ou, não concordando com a glosa da compensação, poderá apresentar manifestação de inconformidade (incidindo o art. 151, III, do CTN suspensão da exigibilidade); (iv) Caso o contribuinte não efetue o pagamento, nem apresente a manifestação de inconformidade no prazo legal, o crédito deverá ser enviado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Depreendese que a argumentação alicerçada pela decisão de piso, pautouse nas disposições da Consulta Interna COSIT (CoordenaçãoGeral de Tributação da Secretaria da Receita Federal do Brasil) nº 3, de 5 de fevereiro de 2013 (Publicada no site da RFB em 25/02/2013). Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10510.720712/201537 Acórdão n.º 2401006.056 S2C4T1 Fl. 165 8 Ademais, o decisum também afastou a formalização do crédito tributário exigido no Auto de Infração DEBCAD n° 51.064.9416, no qual foi exigido a multa isolada, quando comprove a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, no caso, a GFIP. Também com suporte na Solução de Consulta Interna COSIT nº 03/2013 e do artigo 302, inciso VI, do Regimento Interno da RFB (aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012), argumentou que a compensação só poderia ser declarada indevida mediante decisão prolatada pela autoridade competente, da circunscrição do domicílio da Autuada, o que não ocorreu (Despacho Decisório). Assim, entendeu que não teria sido preenchido um dos pressupostos para a aplicação da multa isolada de 150%, prevista no § 10, do artigo 89, da Lei n° 8.212/1991. Dessa forma, concluiu que também deveria ser declarada nula a lavratura do Auto de Infração DEBCAD nº 51.064.9416, uma vez que foram inobservadas as formalidades indispensáveis à formalização do ato, ou seja, foi exigida a multa isolada sem que existisse decisão da autoridade competente declarando a ocorrência de compensação indevida (Despacho Decisório), pressuposto legal para sua imposição. Pois bem. Entendo que a decisão de piso merece reparos. A começar, apesar de o rito processual próprio não ter sido o mais adequado, eis que ausente a emissão de Despacho Decisório de não homologação dos valores indevidamente compensados, o lançamento tributário, acompanhado do Relatório Fiscal e seus anexos, descreveu de forma clara, discriminada e detalhada, os motivos ensejadores da autuação e os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, favorecendo, assim, o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, inclusive, exercida com a apresentação de impugnação. É de se destacar que a Fiscalização pontuou que, os documentos apresentados pela Prefeitura, não comprovariam a existência de créditos que pudessem vir a ser compensados, concluindo, portanto, que se tratariam de compensações de contribuições previdenciárias sem respaldo legal (c.f. Relatório do Processo Administrativo Fiscal de fls. 23/25), o que bem elucida os motivos ensejadores da autuação. O próprio contribuinte, por sua vez, apresentou impugnação (fls. 103/106), demonstrando a perfeita compreensão dos fatos geradores e do motivo da autuação, trazendo argumentos que, no seu entendimento, seriam suficientes para afastar a acusação fiscal, sendo que, em nenhum momento alegou prejuízo à ampla defesa em razão da inobservância do rito processual estipulado pela Instrução Normativa RFB n° 1.300/2012 para análise de compensações, inclusive, às compensações que versam sobre contribuições sociais previdenciárias. Caberia ao contribuinte, ao meu ver, indicar o prejuízo que teria sofrido com tal situação, dentro da regra de que nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a defesa do contribuinte (princípio pas de nullité sans grief). Cabe salientar que o princípio do devido processo legal possui como núcleo mínimo o respeito às formas que asseguram a dialética a respeito dos fatos e imputações jurídicas enfrentadas pelas partes. O descumprimento de determinada forma, desde que não cause prejuízo ao contribuinte, não acarreta nulidade do procedimento (princípio da instrumentalidade). Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10510.720712/201537 Acórdão n.º 2401006.056 S2C4T1 Fl. 166 9 O vício formal no ato administrativo de lançamento ocorre na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato, de modo que a não observância de rito processual próprio, por si só, não configura prejuízo à defesa a ensejar a declaração de nulidade do lançamento. Dessa forma, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso de Ofício, a fim de que seja anulada a decisão proferida pela instância a quo, para que seja proferida nova decisão, enfrentando as razões apresentadas pelo contribuinte em sua impugnação, sob pena de supressão de instância, eis que este Conselho possui competência de instância revisora das decisões emanadas pelas Delegacias de Julgamento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso de Ofício, para, DAR LHE PROVIMENTO, a fim de anular a decisão proferida pela instância a quo, para que seja proferida nova decisão, enfrentando as razões apresentadas pelo contribuinte em sua impugnação. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.010015/2005-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
NULIDADE.
Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e art. 10, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que ele conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-000.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente JOÃO FRANCISCO BAETA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e art. 10, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que ele conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 00 15 /2 00 5- 41 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10680.010015/200541 Acórdão n.º 2002000.850 S2C0T2 Fl. 98 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por maioria de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 43/49), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2003. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.646,12 para saldo de imposto a pagar de R$10.070,12. O AI noticia dedução indevida com despesas médicas (fl.44). Dedução indevida a titulo de despesas medicas no valor de R$ 23.360,00. O declarante incidiu em malha fiscal, parâmetro despesas médicas. Calcados no art. 73. DEC, 3.000/99 e atualizações, onde se acha explicitado que deduções exageradas estão sujeitas à efetiva comprovação, a juízo da autoridade lançadora, e que nos termos do Acórdão CSRF/01 1.458/92 do 19/01/95, para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas não basta a disponibilidade de simples recibos, sem vinculação do efetivo pagamento, foram eleitas como provas do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, a apresentação de cópias de cheques nominais e/ou extratos bancários, com compatibilidade de datas e valores, exigências essas não cumpridas pelo contribuinte. que firmou ter efetuado os pagamentos em espécie. Por falta de comprovação. nos termos da intimação expedida, deixamos de acatar os seguintes pagamentos relacionados na DIRPF/03: à Marcos Vinicius Fernandes de Castro, no valor de R$13.100,00; à Kátia Regina Santos de Andrade. CRP 04/2744, no valor de R$10.160,00. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10680.010015/200541 Acórdão n.º 2002000.850 S2C0T2 Fl. 99 3 “Destacamos. ainda que os recibos apresentados não apresentam os requisitos mínimos para aceitabilidade previstos no artigo 80, inciso III do Decreto 3000/99. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 24/5/2005, o AI foi objeto de impugnação, em 25/7/2005, às fls. 2/52 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: os recibos apresentados à autoridade fiscalizadora comprovam o direito à dedução pleiteada, sendo este o entendimento dos tribunais pátrios; o pagamento feito em moeda corrente libera o devedor, consoante disposições legais e entendimento doutrinário; a glosa efetuada configurase como conduta atípica, sendo indevida a punição imposta ao contribuinte; o Auto de Infração deve ser anulado, vez que a autoridade lançadora exige a apresentação de cópias de cheques que não existem, eis que os pagamentos foram efetuados em moeda corrente, implicando, por via transversa, a quebra do sigilo bancário do impugnante; as despesas médicas pleiteadas não são exageradas, mas compatíveis com os preços praticados nos respectivos ramos profissionais (Odontologia e Psicologia). A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, rejeitou a preliminar arguida e, no mérito, julgou procedente o lançamento, em decisão assim ementada (fls. 71/75): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis quando comprovada a efetiva prestação dos serviços médicos e a vinculação do pagamento ao serviço prestado. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 11/08/2008 (fl. 78), o contribuinte, em 10/9/2008 (fl. 79), apresentou recurso voluntário, às fls. 79/95, no qual alega, em apertado resumo, que: teria apresentado recibos comprobatórios das despesas médicas declaradas, informando que os pagamentos teriam sido feitos em espécie. seria injustificada a exigência de outros elementos e a quebra de seu sigilo bancário, visto que teria disponibilidade financeira e teria feito saques ao longo do ano, não necessariamente vinculados aos pagamentos em discussão. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10680.010015/200541 Acórdão n.º 2002000.850 S2C0T2 Fl. 100 4 a autuação feriria direitos constitucionais e a legislação infraconstitucional. existiria contradição entre os argumentos de fato e de direito na decisão recorrida, visto que a relatora teria deixado claro que a indicação de cheque nominativo seria cabível apenas quando não disponibilizados os recibos. as exigências da autoridade fiscal não poderiam ir além da legislação de regência, que determinaria que seria o recibo lavrado pelo credor o documento comprobatório do pagamento. a autuação seria arbitrária, sem amparo em critérios técnicos e afrontaria o princípio da tipicidade tributária a legislação aplicável privilegiaria a apresentação dos recibos, sendo a apresentação do cheque uma faculdade concedida ao contribuinte. a legislação civilista determinaria que o pagamento feito em moeda corrente liberaria o devedor, que, por sua vez, receberia do credor o documento comprobatório da extinção de sua obrigação (artigos 315, 320 e 324 do Código Civil). a doutrina sobre o tema corroboraria o entendimento de que as despesas pagas se comprovariam pela apresentação do comprovante de pagamento. a jurisprudência administrativa estaria se manifestando nesse sentido. a afirmativa da relatora da decisão recorrida de que pagamentos em espécie não seriam usuais não encontraria respaldo na legislação, que admitiria até a indicação do cheque utilizado. inexistiria lei que obrigue a devedor a liquidar suas obrigações em cheque. a exigência de outros elementos pelo Fisco se justificaria apenas nos caso de comprovação da inidoneidade dos recibos pelo Fisco, sendo nesse sentido a jurisprudência judicial. inexistiria definição do que seria dedução exagerada, levando a arbítrios da autoridade fiscal, que prejudicariam os contribuintes, devendo ser declarada a nulidade do lançamento. Registro que verifiquei pequeno equívoco na anexação do recurso voluntário, com troca na ordem da petição. Não obstante, dada a numeração adotada, vejo que foram anexadas todas as folhas. Devese ter em mente que a sequência correta do recurso é: fls. 79/80, 83, 81/82 e 84/95. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10680.010015/200541 Acórdão n.º 2002000.850 S2C0T2 Fl. 101 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar Em relação à preliminar de nulidade arguida, observase que o lançamento atende aos preceitos do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, não tendo sido omitida qualquer formalidade essencial ao lançamento. Constatase que o auto de infração encontrase devidamente motivado (fl.44), contendo especialmente a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações atribuídas ao contribuinte, expressos de modo claro e completo. Tanto é assim que o contribuinte demonstrou entender perfeitamente as acusações que lhe foram feitas e delas se defendeu com facilidade, garantindose assim no presente processo o direito ao contraditório e à ampla defesa. O argumento da defesa de que o lançamento seria nulo pois não encontraria respaldo na legislação pátria, ainda que verdadeiro, não dá causa a nulidade do lançamento e será analisado como argumento de mérito. Isto posto, a preliminar de nulidade suscitada não merece acolhida. Mérito Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10680.010015/200541 Acórdão n.º 2002000.850 S2C0T2 Fl. 102 6 Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10680.010015/200541 Acórdão n.º 2002000.850 S2C0T2 Fl. 103 7 da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Portanto, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. Na verdade, é não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. A legislação tributária reproduzida outorga essa competência ao agente fiscal. Negar tal permissão significa avançar indevidamente sobre a condução da ação fiscalizadora estatal, restringindo o dever legal de investigação dos fatos, devidamente autorizado pela norma regulamentar. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Ressalto que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado, visto que o uso de deduções em sua declaração de ajuste reduz a base de cálculo do IR. Esclareçase que a exigência da comprovação da efetividade do pagamento não conflita com a presunção de boafé da contribuinte, porquanto não se cogita, naquele momento, da existência de máfé na conduta do fiscalizado, mediante a prática de atos de falsidade, que levaria à aplicação de penalidade majorada. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10680.010015/200541 Acórdão n.º 2002000.850 S2C0T2 Fl. 104 8 Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, intimado a apresentar comprovação do efetivo pagamento de despesas médicas (fl.25), o recorrente limitouse a apresentar recibos emitidos pelas profissionais (fls.29/41), que não se revelam hábeis a fazer a prova exigida. A alegação de que dispõe de renda suficiente para respaldar os pagamentos não socorre o recorrente, visto que lhe foi exigida a comprovação do efetivo pagamento dessas despesas. Assim, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002615/2006-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INFERIORES A R$ 12.000,00, MAS CUJO SOMATÓRIO ANUAL ULTRAPASSA R$ 80.000,00. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 61.
Constatado que os depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassam R$ 80.000,00 no ano-calendário, é inviável a sua exclusão do lançamento, conforme preleciona a Súmula CARF 61.
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NÃO PRODUÇÃO DE EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 33
Conforme preceitua a Súmula CARF 33, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2402-007.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por converter o julgamento em diligência para comprovação da ciência da decisão recorrida, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INFERIORES A R$ 12.000,00, MAS CUJO SOMATÓRIO ANUAL ULTRAPASSA R$ 80.000,00. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 61. Constatado que os depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassam R$ 80.000,00 no ano-calendário, é inviável a sua exclusão do lançamento, conforme preleciona a Súmula CARF 61. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NÃO PRODUÇÃO DE EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 33 Conforme preceitua a Súmula CARF 33, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por converter o julgamento em diligência para comprovação da ciência da decisão recorrida, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente ALDO BARALDI JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. VALORES INFERIORES A R$ 12.000,00, MAS CUJO SOMATÓRIO ANUAL ULTRAPASSA R$ 80.000,00. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 61. Constatado que os depósitos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassam R$ 80.000,00 no anocalendário, é inviável a sua exclusão do lançamento, conforme preleciona a Súmula CARF 61. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NÃO PRODUÇÃO DE EFEITOS SOBRE O LANÇAMENTO. SÚMULA CARF 33 Conforme preceitua a Súmula CARF 33, a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Maurício Nogueira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 26 15 /2 00 6- 58 Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10865.002615/200658 Acórdão n.º 2402007.091 S2C4T2 Fl. 713 2 Righetti e Denny Medeiros da Silveira, que votaram por converter o julgamento em diligência para comprovação da ciência da decisão recorrida, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada contra lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de alegada omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Anocalendário: 2001 DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Os valores creditados em contas correntes ou de investimento, mantidas em 'instituição financeira, geram presunção "juris tantum" de omissão de rendimentos, quando o titular não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção, entretanto, não subsiste para os depósitos cuja origem se possa ser identificada pela descrição contida no histórico do extrato bancário ou pelos documentos apresentados pelo contribuinte. Não houve a interposição de recurso de ofício. Não consta nos autos a data em que o sujeito passivo foi intimado da decisão, mas a informação de fl. 711 do pdf registra que o recurso foi apresentado tempestivamente, conforme AR de fl. 346 (fl. 693 do pdf). Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10865.002615/200658 Acórdão n.º 2402007.091 S2C4T2 Fl. 714 3 Em seu recurso, o contribuinte reafirmou as seguintes teses de defesa: com a redução promovida pelo Julgador de 1ª Instância Administrativa, exceção feita aos valores dos meses de abril, maio e agosto, todos os demais são inferiores ao limite de R$ 12.000,00; agindo de total boafé, os valores que o Recorrente não logrou êxito em demonstrar a origem, foram incluídos em sua declaração retificadora, estando o imposto devido sendo pago através de parcelamento; não é pelo fato de um contribuinte ter recebido alguns depósitos em sua conta corrente que os mesmos representarão, efetivamente, renda tributável; o Fisco nem sequer considerou, para efeitos de cálculo, o conjunto das receitas auferidas e das despesas legalmente dedutíveis incorridas a fim de saber se existiria qualquer quantia a ser recolhida a titulo de Imposto de Renda. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A propósito da tempestividade, a informação de fl. 711 do pdf registra a existência do recurso tempestivo e do AR de fl. 346 (fl. 693 do pdf), a qual, em verdade, está em branco. Todavia, como a informação do agente público é de que o recurso foi apresentado no prazo, a outra conclusão não se pode chegar, sobretudo pela inexistência de outros elementos nos autos que conduzam à conclusão diversa. 2. Dos depósitos bancários de origem não comprovada Em seu recurso voluntário, o recorrente basicamente reafirma as seguintes teses de defesa: não é pelo fato de um contribuinte ter recebido alguns depósitos em sua conta corrente que os mesmos representarão, efetivamente, renda tributável; o Fisco nem sequer considerou, para efeitos de cálculo, o conjunto das receitas auferidas e das despesas legalmente Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10865.002615/200658 Acórdão n.º 2402007.091 S2C4T2 Fl. 715 4 dedutíveis incorridas a fim de saber se existiria qualquer quantia a ser recolhida a titulo de Imposto de Renda. Tais argumentações, contudo, não afastam o lançamento. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10865.002615/200658 Acórdão n.º 2402007.091 S2C4T2 Fl. 716 5 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10865.002615/200658 Acórdão n.º 2402007.091 S2C4T2 Fl. 717 6 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TFR, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Em sendo assim, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Por outro lado, vêse no demonstrativo de apuração (fl. 16), que as infrações levantadas em sede de fiscalização (R$ 148.932,17) foram somadas à base de cálculo declarada pelo próprio contribuinte em sua declaração de ajuste anual (R$ 14.352,37) procedimento de praxe da Receita Federal , base que já considera o desconto simplificado (fl. 216 do pdf), de forma que é equivocada a seguinte afirmação: o Fisco nem sequer considerou, para efeitos de cálculo, o conjunto das receitas auferidas e das despesas legalmente dedutíveis incorridas a fim de saber se existiria qualquer quantia a ser recolhida a titulo de Imposto de Renda. Logo, o recurso voluntário deve ser desprovido neste particular. 3. Da dedução dos depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 O recorrente defende que, com a redução promovida pelo Julgador de 1ª Instância Administrativa, exceção feita aos valores dos meses de abril, maio e agosto, todos os demais são inferiores ao limite de R$ 12.000,00. Entretanto, analisandose o demonstrativo de fls. 18 e seguintes, vêse que os créditos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassaram, dentro do ano calendário, a quantia de R$ 80.000,00, não se enquadrando, portanto, nos limites estabelecidos no inc. II do § 3º do art. 42 da Lei 9430/96, com a atualização do art. 4º Lei 9481/97. Vejase a redação dos citados dispositivos: Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10865.002615/200658 Acórdão n.º 2402007.091 S2C4T2 Fl. 718 7 Art. 42. [...] §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19973) Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Do referido demonstrativo, a propósito, verificase que quase todos os depósitos foram inferiores a R$ 12.000,00, mas eles acabaram ultrapassando o limite anual de R$ 80.000,00. Em verdade, observase que o recorrente interpretou equivocadamente a legislação, para entender que nos meses em que somatório não ultrapassasse R$ 12.000,00, os valores deveriam ser excluídos da presunção de omissão de rendimentos, interpretação esta que não está de acordo com a lei e nem com a Súmula CARF 61, abaixo reproduzida: Súmula CARF nº 61. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Logo, o recurso deve ser desprovido neste tópico. 4. Da declaração retificadora O recorrente afirma que, agindo de total boafé, os valores que não logrou êxito em demonstrar a origem, foram incluídos em sua declaração retificadora, estando o imposto devido sendo pago através de parcelamento. Essa alegação do contribuinte, todavia, é rechaçada pela Súmula CARF nº 33, que tem efeito vinculante, conforme Portaria MF 277/28: Súmula CARF nº 33. A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 3 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 718DF CARF MF Processo nº 10865.002615/200658 Acórdão n.º 2402007.091 S2C4T2 Fl. 719 8 É que "o início da ação fiscal, caracterizado pela ciência do contribuinte quanto ao primeiro ato de ofício praticado por servidor competente, afasta a espontaneidade do sujeito passivo em relação a atos anteriores e obsta a retificação das Declarações de Ajuste Anual relacionadas ao procedimento instaurado" (acórdão nº 10616812, de 06/03/2008), mesmo porque, na dicção do parágrafo único do art. 138 do CTN, não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Eventuais pagamentos relacionados à presente autuação podem ser deduzidos do valor do débito quando da liquidação do julgado, mas em nada obstam o presente lançamento, nem mesmo impedem a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora. Portanto, e também neste particular, o recurso deve ser desprovido. 5. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 719DF CARF MF
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