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Numero do processo: 10730.007940/2009-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
AJUSTE. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Comprovada a retenção do imposto de renda na fonte, correspondente a antecipação para fins de ajuste anual, o contribuinte poderá deduzir o valor do imposto retido na declaração de rendimentos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 AJUSTE. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto de renda na fonte, correspondente a antecipação para fins de ajuste anual, o contribuinte poderá deduzir o valor do imposto retido na declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 881; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 58 1 57 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.007940/200985 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.576 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria IRPF: AJUSTE. DEDUÇÃO INDEVIDA DE IRRF Recorrente VALTER FIDELIS MENDES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 AJUSTE. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a retenção do imposto de renda na fonte, correspondente a antecipação para fins de ajuste anual, o contribuinte poderá deduzir o valor do imposto retido na declaração de rendimentos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 79 40 /2 00 9- 85 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10730.007940/200985 Acórdão n.º 2401004.576 S2C4T1 Fl. 59 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10730.007940/200985 Acórdão n.º 2401004.576 S2C4T1 Fl. 60 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1247.254 (fls. 38/40): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. Não há como se restabelecer o valor da compensação indevida de imposto de renda na fonte uma vez não ter sido comprovado que o valor glosado foi retido em favor do CPF do contribuinte. Impugnação Improcedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2007/607450642704082, relativa ao anocalendário 2006, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi apurada compensação indevida de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 590,01 (fls. 7/10). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), de imposto a restituir para imposto sobre a renda a pagar, com exigência de juros e multa de mora. 3. Cientificado da notificação por via postal em 4/8/2009, conforme fls. 22/23, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2/4). 3.1 Na oportunidade, inconformado com a notificação, anexou os comprovantes de pagamento do benefício de aposentadoria por parte do Instituto Nacional do Seguro Social (fls. 11/19). Quanto ao Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte, alegou que foi extraviado. 4. Intimado pessoalmente em 4/7/2012 da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 42, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 2/8/2012 (fls. 45). 4.1 Na fase recursal, colaciona aos autos documentos contendo informações a respeito do benefício concedido pelo INSS e sobre os respectivos créditos em sua conta corrente para o ano de 2006. Reafirma na petição, ao final, a improcedência da exigência fiscal (fls. 46/48). É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10730.007940/200985 Acórdão n.º 2401004.576 S2C4T1 Fl. 61 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Os rendimentos tributáveis informados na DAA relativa ao anocalendário 2006, exercício de 2007, dizem respeito a uma única fonte pagadora, o INSS. Os rendimentos declarados totalizam a quantia de R$ 20.411,88; o imposto na fonte, integralmente glosado, o importe de R$ 590,01, e o décimo terceiro salário equivale a R$ 1.636,54 (fls. 26/28). 6.1 Para este anocalendário 2006, a tabela progressiva de incidência mensal do imposto sobre a renda indicava como limite de isenção a quantia de R$ 1.164,00, em janeiro, e R$ 1.257,12, para os demais meses, correspondendo a uma base de cálculo anual de R$ 14.992,32.1 6.2 De verse que o montante total dos rendimentos tributáveis declarados supera o limite de isenção, o que leva a presumir, em análise preliminar, que teria havido a retenção do imposto sobre a renda pela fonte pagadora, eis que se trata de uma pessoa jurídica de direito público, constituída sob a forma de autarquia federal. 7. Com relação ao benefício previdenciário, o extrato do Sistema Único de Benefícios DATAPREV, trazido aos autos pelo recorrente, revela a concessão de aposentadoria por invalidez, sob o nº 5156734320, com data de início do benefício (DIB) em 25/8/2005 (fls. 46). 8. Por sua vez, no tocante aos pagamentos das parcelas mensais do benefício sob o nº 5156734320, a relação de créditos emitida pela Previdência Social, em 13/8/2009, contém informações, em vários meses, acerca de retenção de imposto sobre a renda na fonte (fls. 11/19). 8.1 Inclusive, o valor líquido mensal dos proventos é compatível com as informações extraídas em 2/8/2012, igualmente do sistema de informática da Previdência Social (fls. 47). 9. Com a devida vênia, exigir a chancela do servidor público responsável pela emissão dos extratos de pagamento, como estipulado pela decisão de piso, é formalidade de um 1 http://idg.receita.fazenda.gov.br/acessorapido/tributos/irpfimpostoderendapessoafisica Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10730.007940/200985 Acórdão n.º 2401004.576 S2C4T1 Fl. 62 5 rigor excessivo e dispensável ao caso sob exame, justificável apenas se houvesse indício de idoneidade dos documentos. 9.1 O registro de nome, matrícula, assinatura (rubrica) e carimbo do servidor nada mais que uma medida adicional em busca da confiabilidade da origem da fonte dos dados. Entretanto, na quase totalidade das vezes, não há a mínima verificação da autenticidade da chancela pelo funcionário responsável pela recepção e/ou análise do documento, embora possível a falsificação material e/ou ideológica. 9.2 Para fins de convicção do julgador, interessa avaliar a congruência das informações contidas nos documentos, de uma forma conjunta, o que é atendido pelos extratos de fls. 11/19 e 46/47. 10. Ademais, diferente da conclusão a que chegou o acórdão de primeira instância, o somatório do imposto de renda retido na fonte discriminado nos extratos de fls. 11/19, correspondente a antecipação para fins do ajuste anual, equivale exatamente ao montante do imposto na fonte declarado pelo contribuinte na sua DAA 2007/2006 (fls. 26/27). 10.1 Para melhor visualização e compreensão a respeito da identidade de valores do imposto de renda retido e declarado, elaborei o quadro abaixo: Relação de Créditos (fls. 11/14 e 47) DAA 2007/2006 (fls. 26/27) Competência Data de Pagamento Imposto Retido (R$) Imposto Retido na Fonte Titular (R$) 02/2006 07/03/2006 63,44 03/2006 07/04/2006 49,47 04/2006 08/05/2006 61,37 05/2006 07/06/2006 61,37 06/2006 07/07/2006 61,37 07/2006 07/08/2006 61,37 08/2006 08/09/2006 61,37 09/2006 06/10/2006 61,42 10/2006 06/11/2006 61,40 11/2006 07/12/2006 61,40 * 03/2006 07/04/2006 (13,97) ** Total 590,01 590,01 * Competência 11/2006: não inclui valor do imposto retido relativo ao 13º salário. ** Competência 03/2006: devolução de imposto retido a maior Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10730.007940/200985 Acórdão n.º 2401004.576 S2C4T1 Fl. 63 6 11. A despeito da falta de juntada aos autos do comprovante de retenção na fonte emitido em nome do contribuinte, o qual contém as características formais estabelecidas pela RFB, a pessoa física interessada esforçouse e trouxe uma documentação hábil e idônea para a finalidade de demonstrar a retenção pela fonte pagadora em montante idêntico ao que declarou na DAA 2007/2006, consistindo, desse modo, em um conjunto probatório favorável ao recorrente. 12. Diante da verossimilhança das alegações, o fato de não ter sido localizado no sistema informatizado da RFB, segundo pesquisa efetuada pelo julgador "a quo", qualquer valor de imposto de renda retido na fonte, relativamente ao anocalendário 2006, não é capaz de induzir a conclusão pela manutenção do procedimento de glosa da dedução do imposto de renda retido, por falta de comprovação da retenção pela fonte pagadora. 13 Logo, merece reforma a decisão de piso, para tornar insubsistente a revisão da DAA 2007/2006 executada pela fiscalização. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, restabelecendo a dedução do IRRF no valor de R$ 590,01 (quinhentos e noventa reais, um centavo). É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.916795/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.920
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 67 95 /2 00 9- 18 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10783.916795/200918 Acórdão n.º 3402003.920 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10783.916795/200918 Acórdão n.º 3402003.920 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10783.916795/200918 Acórdão n.º 3402003.920 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917349/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.086
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 17 34 9/ 20 11 -4 1 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10480.917349/201141 Resolução nº 3401001.086 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.082. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10480.917349/201141 Resolução nº 3401001.086 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10480.917349/201141 Resolução nº 3401001.086 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13894.720268/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave, indicadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave, indicadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado).
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave, indicadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 72 02 68 /2 01 5- 81 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13894.720268/201581 Acórdão n.º 2202003.706 S2C2T2 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Márcio Henrique Sales Parada, Theodoro Vicente Agostinho (Suplente convocado). Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 34/38), relativa ao ano calendário 2012, exercício 2013, por omissão de rendimentos recebidos de duas fontes pagadoras: Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), no valor de R$ 28.761,57; e Multiprev Fundo Múltiplo de Pensão, no valor de R$ 57.053,40, declarados como isentos pelo contribuinte. A Solicitação de Revisão de Lançamento foi indeferida (fl. 25) sob a justificativa de que o laudo médico, embora oficial, emitido pela Prefeitura de Suzano, não é conclusivo, além de conter várias palavras ilegíveis. Na impugnação (fls. 02/03), alegou que se trata de rendimentos de aposentadoria, isentos do imposto de renda por ser portador de isquemia crônica do coração, insuficiência coronariana crônica, insuficiência coronariana agudizada, hipertensão e hipercolesterolemia. Apresentou os documentos de fls. 04/32, incluindo exames e laudos, bem como comprovante de aposentadoria em 2010 (fls. 06/09). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador (BA), às fls. 44/46, negou provimento à impugnação por entender que não foram apresentados laudos oficiais, mas atestados particulares; e que o laudo em receituário de serviço de saúde da Prefeitura de Suzano (fls. 12/13) não traz indicação de que o médico estivesse autorizado a representar o órgão para emissão de laudos periciais nem elementos que indiquem que o documento tenha sido formalmente solicitado e oficialmente emitido, pois não contém referências de número de protocolo, registro ou arquivamento no órgão; e ainda que os documentos não indicam que as moléstias cardíacas diagnosticadas representam cardiopatia grave. Inconformado, o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 50/52, acompanhado dos documentos de fls. 53/59, no qual reafirma seu direito à isenção, enquanto portador de doença grave, e alega, em suma, que já foi submetido a três angioplastias, com a colocação de stents em 2006, 2010 e 2014, e que os laudos particulares e o oficial atestam a sua condição de portador de cardiopatia crônica e agudizada. Diz que a decisão de primeira instância se fundamentou apenas em questões formais e não nas essenciais, que devem prevalecer nesse caso, em face do art 39 do Decreto nº 3.000/99 e dos princípios gerais de direito. Informa que traz também cópia do documento que comprova o pedido inicial e formal para obtenção do laudo médico oficial junto à Prefeitura de Suzano (fls. 59). É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13894.720268/201581 Acórdão n.º 2202003.706 S2C2T2 Fl. 64 3 Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. De início, observase que não consta nos autos comprovação da data em que o contribuinte tomou ciência do acórdão da DRJ. Entretanto, como a intimação do referido acórdão, juntada às fls. 47, foi assinada eletronicamente em 14/03/2016 (conforme se verificou no eProcesso), há que se considerar tempestivo o recurso voluntário apresentado em 08/04/2016 (carimbo de protocolo às fls. 50). Assim, presentes também as demais condições de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em pauta, é pacífico que o contribuinte está aposentado desde 05/01/2010 (fls. 06/09) e que os rendimentos são oriundos de aposentadoria conforme comprovantes de fls. 10/11. A discussão gira em torno da comprovação de moléstia grave prevista no texto legal de isenção por meio dos laudos apresentados pelo contribuinte. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13894.720268/201581 Acórdão n.º 2202003.706 S2C2T2 Fl. 65 4 Foram emitidos por entidades privadas os seguintes laudos e exames apresentados: às fls. 04, 15/32 e 58, emitidos pelo Hospital e Medicina Diagnóstica Albert Einstein; às fls. 06 e 58, pelo Dr. Flávio Tarasoutchi; e às fls. 14, pelo Hospital SírioLibanês. Assim, em face do art. 30, da Lei nº 9.250/95 e da súmula CARF nº 63 (acima), que exigem que a moléstia grave seja comprovada mediante laudo médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, esses laudos e exames, emitidos por entidades particulares, não podem ser aceitos para os fins da isenção pleiteada. Já os laudos da Prefeitura Municipal de Suzano, datados de 10/12/2013( fls. 13 e 54/55) e 06/03/2015 (fls. 12 e 56/57), foram emitidos por serviço médico oficial (como já havia reconhecido a fiscalização) e trazem um relato dos procedimentos médicos efetuados e das moléstias que acometem o contribuinte, identificandoas com os CID: I25 (Doença isquêmica crônica do coração); E78.0 (Hipercolesterolemia pura); I10 (Hipertensão essencial (primária)). Entretanto, observase que essas moléstias não estão inseridas no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713/88 (transcrito acima). Notase que a referida Lei prevê a "cardiopatia grave" como doença que possibilita ao seu portador de usufruir da isenção do imposto de renda. Porém, esses laudos oficiais não indicam, em nenhum trecho, que os males sofridos pelo contribuinte caracterizam a "cardiopatia grave". E tampouco atestam que se trata de doença contemplada na Lei isentiva. De frisar que, de acordo com o art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN), a legislação de outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Assim, em que pese os argumentos trazidos no recurso, se os laudos médicos oficiais não concluíram que a moléstia que assola o contribuinte é uma daquelas previstas na Lei de isenção, não é possível ao julgador administrativo fazer essa inferência. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.004035/2003-33
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1998
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
ALEGAÇÃO DE ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
A simples alegação de fato modificativo do lançamento, sem a comprovação de que tal tenha ocorrido, não é suficiente para que o lançamento seja revisto.
A produção de provas que objetivem desfazer a imputação irrogada é atribuição de quem as alega, no caso, a recorrente, que não fez, apesar de oportunidade para tal. (art. 333, I, do CPC).
Numero da decisão: 1803-001.186
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. ALEGAÇÃO DE ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO A simples alegação de fato modificativo do lançamento, sem a comprovação de que tal tenha ocorrido, não é suficiente para que o lançamento seja revisto. A produção de provas que objetivem desfazer a imputação irrogada é atribuição de quem as alega, no caso, a recorrente, que não fez, apesar de oportunidade para tal. (art. 333, I, do CPC). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10875.004035/200333 Acórdão n.º 180301.186 S1TE03 Fl. 112 2 (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de auto de infração, decorrente do processamento da DCTF, para a cobrança do crédito tributário vinculado ao IRRF de imposto, multa, juros de mora, juros de mora isolados e multa de ofício isolada. A infração decorre da constatação da falta de localização de pagamento e do recolhimento em atraso, feito em desconformidade com a legislação vigente. Face a complexidade do relatório disposto pela Delegacia de Julgamento, passo a adotálo no presente momento. “Após breve resumo dos fatos, alega a Impugnante, que a exigência é totalmente infundada, sendo, ainda, nulo o auto de infração, por falta de atendimento aos requisitos legais para sua constituição. Quanto à nulidade, diz não ter sido observado o procedimento de fiscalização necessário (art. 7° do Decreto n° 70.235, de 1972), que afasta o risco de perecimento do direito pela decadência (art. 173, parágrafo único, do CTN), não podendo a autuação se basear em mera presunção. E que o art. 10 do Decreto no 70.235, de 1972, combinado com o art. 50, inciso II, da Lei n° 9.784, de 1999, determina a lavratura do auto de infração com a descrição e indicação dos fatos e fundamentos jurídicos, o que não foi devidamente observado. Acusa ter sido o lançamento efetuado de forma totalmente vaga e imprecisa, apontando diversas hipóteses, valendose das conjunções "e" e "ou", nas quais a recorrente pode ou não ter incorrido. Cita doutrina e jurisprudência. Entende que o lançamento efetuado com base em presunção é nulo, por afrontar os princípios da ampla defesa e do contraditório, da inocência, da razoabilidade e da verdade material dos fatos, bem como por ofender as determinações do Fl. 349DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10875.004035/200333 Acórdão n.º 180301.186 S1TE03 Fl. 113 3 art. 142 do CTN e arts. 7 e 10, inciso II, do Decreto n° 70.235, de 1972, além do art. 5°, inciso LV, da CF, de 1988. No mérito, alega que as quantias exigidas foram recolhidas pela requerente. Argúi que, no procedimento administrativo, parte dos pagamentos foi alocada em períodos equivocados e parte foi desconsiderada pela autoridade preparadora. Apresenta cópia de todos os recolhimentos efetuados, em comprovação da extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, inciso I, do CTN (docs. 04 a 06). Julga improcedente a multa imputada pelo pagamento em atraso, em virtude do recolhimento do tributo no prazo de vencimento legal. Esclarece que o pagamento se deu na mesma semana de ocorrência do respectivo fato gerador, observando que em todos os casos a Administração indica como data de vencimento dia anterior à ocorrência do próprio fato gerador, conforme se observa no campo "período de apuração" constante dos DARF anexos (doc. 07). Encerra protestando pela improcedência do auto de infração e arquivamento do presente processo. Em 15/10/2003 a interessada novamente se manifesta nos autos (fls. 111/115) acrescentando que os recolhimentos foram efetuados nos termos da agenda tributária aprovada pelos Atos Declaratórios COSAR n°'s 52 e 56, de 1998 (docs. 01 e 02). Elabora quadro demonstrativo que relaciona a legislação referente à data do vencimento com as guias DARF, bem como o equivoco perpetrado na autuação. Instrui o processo com os documentos de fls. 116/143, bem como com os DARF dos pagamentos, que diz já terem sido ofertados quando da impugnação, protestando pela análise das provas em atendimento à verdade material. A interessada foi intimada em 04/12/2007 (AR de fls. 157), por meio da intimação n° 1060/2007, objeto de cancelamento. Em 10/12/2007, foi feita a revisão do lançamento (fls. 156), opinandose pelo cancelamento da exigência do crédito tributário discriminado nos demonstrativos de consolidação e recalculo de fls. 149/155, uma vez que demonstrada a sua improcedência, face a comprovação apresentada. Em mesma data a contribuinte tomou vista do processo, anexando substabelecimento de procuração (fls. 158). A contribuinte foi cientificada da revisão do lançamento em 20/12/2007 (AR de fls. 166), por meio da intimação no 1125/2007, oportunidade na qual, mais uma vez, tomou vistas do processo (fls. 164). Em 27/12/2007 a autuada apresenta aditamento à impugnação (fls. 168/189), fazendo menção às intimações acima citadas. Demonstra a tempestividade do aditamento ofertado e expõe o Fl. 350DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10875.004035/200333 Acórdão n.º 180301.186 S1TE03 Fl. 114 4 pensamento de que foi intimada a cobrança dos débitos autuados por se ter considerado a impugnação intempestiva. Diz que em 10/12/2007 compareceu à repartição para demonstrar a observância do prazo processual (doc. 05). E que, embora conste do processo que a intimação foi cancelada (doc. 06), alega não ter sido formalmente cientificada de tal decisão, razão pela qual impugna os termos da intimação n° 1060/2007. Continua discordando das cobranças formalizadas pelas intimações n° 1060 e 1125, de 2007. Primeiro, porque na intimação n° 1060/2007 foi consignada a intempestividade da impugnação, quando a defesa foi instaurada no prazo legal, A vista da postagem no correio em 12/08/2003, feita nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT no 19/97. Segundo, porque os débitos questionados foram pagos dentro do vencimento, conforme já exposto na impugnação. Por tais razões, requer que seja consignado, expressamente, no processo administrativo, a tempestividade da defesa apresentada, bem como reconhecida a fase litigiosa e suspensa a exigibilidade do crédito tributário. No mais, abordando a revisão do lançamento, reitera as razões de impugnação anteriormente ofertadas, acrescentando ter havido decadência do direito de lançar o IRRF, com supedâneo no art. 150, § 4°, do CTN. Cita jurisprudência. Além do mais, aduz que por meio das intimações n°s 1060 e 1125 as autoridades efetuaram um novo lançamento do crédito tributário em cobrança, por óbvio, também atingido pelo prazo decadencial. Salienta, ainda, que a intimação n° 1060/2007 assevera terem sido informados na DCTF valores maiores que os efetivamente pagos, sendo que as DCTF retificadoras teriam sido entregues após a lavratura do auto de infração. E que teria sido reconhecida a aplicação da multa e dos juros em virtude de erro de preenchimento da DCTF. Esclarece que as informações prestadas nas declarações retificadoras são as corretas e confirmam o pagamento integral do débito. E que, mesmo sendo desconsideradas as retificações, existem outros documentos que podem comprovar o pagamento integral dos débitos apurados, motivo pelo qual requer perícia contábil. Ato continuo, acusa que a existência de erro no preenchimento da declaração não tem o condão de transformar os valores informados em fatos geradores do tributo, ensejando a imposição de penalidade e acréscimos legais. Cita jurisprudência. Encerra protestando pela insubsistência do lançamento e que a presente defesa seja encaminhada ao Conselho de Contribuintes, Fl. 351DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10875.004035/200333 Acórdão n.º 180301.186 S1TE03 Fl. 115 5 acaso se entenda que a revisão do lançamento constitui decisão administrativa de 1ª Instância, sujeita a recurso voluntário.” A autoridade julgadora de primeira instância entendeu, em seu voto, que a autuação se deu através de auditoria em DCTF de forma correta, posto estar fundamentada na Instrução Normativa 45/98, artigo 2°, Instrução Normativa 77/98, artigo 3°, Instrução Normativa 94/97, artigos 3°, 4°, 5° e 6° todas da SRF e conclui que o lançamento decorrente de revisão interna de declarações deve ser formalizado em auto de infração, lavrado por auditor fiscal e deve constar os requisitos do artigo 5° da Instrução Normativa SRF 94/1997 (citada), precedida de intimação. Ainda, aduz que admitese, pela legislação referida anteriormente, o lançamento sem intimação prévia ao contribuinte, se a infração estiver claramente demonstrada e apurada, como ocorre no presente caso, em que o atraso ou a falta de pagamento evidenciase pela data de recolhimento do tributo, em confronto com o seu prazo de vencimento, objetivamente fixado em lei. Sendo assim, não se trata de lançamento fundado em presunção, sendo incabível a argüição de ofensa aos princípios apontados na defesa. Atenta o julgador a quo para o fato que o auto de infração é gerado a partir do confronto entre os dados presentes nos DARF de recolhimento do imposto com as informações realizadas pela empresa na DCTF. Constatadas irregularidades ou divergências entre os períodos de apuração constantes nos DARF e nas DCTF ou não encontrados os pagamentos respectivos, formalizase o lançamento por meio do auto de infração, cumprindo à pessoa jurídica fazer a prova do erro no preenchimento da declaração e/ou nos documentos de arrecadação, conforme o caso. As informações prestadas, tanto na DCTF como nos DARF dos pagamentos correspondentes, são de responsabilidade da contribuinte. Isso porque tratase de dever instrumental, denominado obrigação acessória, regularmente inserido no ordenamento jurídico, por meio de legislação especifica, assim, não se admite, portanto, a alegação de seu desconhecimento, a teor do disposto no art. 3° da Lei de Introdução ao Código Civil. Salienta que não há ofensa ao artigo 59 do Decreto 70235/72 que permita a nulidade do auto de infração. Da mesma forma, com a apresentação da impugnação instaurou se a fase litigiosa, não configurandose cerceamento do direito de defesa, tal como alegado pela recorrente. Ainda refere que a respeito das intimações expedidas, estas têm caráter apenas investigatório, não havendo necessidade de cientificar a recorrente de eventual cancelamento do referido procedimento administrativo. No tocante à questão de decadência, por ser prejudicial ao lançamento, levantada pela recorrente, a autoridade dispõe: “Acerca da necessidade de lançamento de oficio relativamente a débitos informados em DCTF, assim dispôs a Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003: "Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarse6 unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de Fl. 352DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10875.004035/200333 Acórdão n.º 180301.186 S1TE03 Fl. 116 6 compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502 de 30 de novembro de 1964." Nesse contexto, prevaleceu administrativamente o entendimento de que a DCTF teria mantido o caráter de confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário ali informado, atribuído pelo art. 5 °, § 10, do Decretolei n° 2.124, de 13 de junho de 1984, inclusive durante a vigência do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, que assim preconizava: "Art. 90. Serão objeto de lançamento de oficio as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e ás contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal." Assim, tendo por objeto a presente exigência os mesmos débitos já confessados pelo sujeito passivo em sua declaração encaminhada à RFB, inócua seria eventual declaração de decadência, pois o crédito tributário subsistiria constituído em DCTF.” No mérito a autoridade atenta para o fato de que recorrente apresentou declaração retificadora para cada trimestre do anocalendário de 1998, todas elas feitas após a ciência do lançamento, que tomou como base as declarações originais já processadas. Observa que com a publicação da IN SRF 255/2002, as DCTF retificadoras passaram a sofrer igual tratamento concedido declaração original, substituindoa integralmente. Assim, independem de autorização da administração tributária, sujeitamse naturalmente aos procedimentos de revisão. No entanto, descabe a retificação da declaração, depois de já notificado do lançamento. Isso porque, quando implementado o lançamento, a declaração apresentada já cumpriu o objetivo a que se funda. Nesse caso, cumpre ao sujeito passivo, tãosomente, impugnar a exigência, demonstrando, mediante documentação hábil e idônea, o erro de preenchimento da declaração porventura ocorrido, que tenha ensejado a constituição de crédito tributário indevido. Prossegue o julgador de primeira instância aduzindo que ao compulsar as DCTFs regularmente processadas, podese notar que a recorrente informou, para cada tributo e período de apuração, a existência de um único recolhimento, em igual valor ao débito declarado. Mas, por ora da impugnação, no entanto, a mesma apresenta mais de um pagamento, em comprovação da extinção de cada débito informado, contrariando as informações antes prestadas na DCTF. Além do mais, reduz os valores dos débitos informados, mediante apresentação de declaração retificadora, após a ciência do lançamento. Tudo isso, sem o respaldo em documentação hábil e idônea a comprovar o erro no preenchimento da declaração. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10875.004035/200333 Acórdão n.º 180301.186 S1TE03 Fl. 117 7 Por ora da revisão do lançamento, os pagamentos apresentados, quando disponíveis, foram aproveitados, observandose o calendário DCTF, aos débitos e semanas informados na declaração, cuja correlação foi encontrada nos campos 02 (período de apuração) e 04 (código da receita), constantes dos documentos de arrecadação, remanescendo em aberto as demais exigências, por carência de outros elementos consistentes de prova. Por fim, o julgador a quo frisa que sem apoio nos registros contábeis e fiscais da autuada, não há com se confirmar a veracidade dos valores informados na declaração retificadora, bem como não há como se infirmar eventual alocação dos pagamentos apresentados a período de apuração distinto, já que os recolhimentos deixaram de ser devidamente vinculados na DCTF a cada tributo e/ou período de apuração aos quais a contribuinte alega corresponderem. No tocante à dilação de prazo, atenta para o fato de que somente se admite para formação de prova documental quando: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos (art. 16, § 4°, do Decreto n° 70.235, de 1972), requisitos estes que não foram atendidos no presente caso. E não conhece do pedido de perícia, já que este deve ser realizado tomando em conta as provas carreadas aos autos e não para carrear provas que não o foram. Remanescendo não comprovado o pagamento dos débitos de IRRF questionados, impõese a manutenção do lançamento de oficio sobre referida parte. No entanto, entende que em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de oficio, sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ou seja, que as diferenças apuradas tenham decorrido de compensação indevida em virtude de o crédito ou débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária ou em que tenha ficado caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio. Tal é a situação constante do presente processo, pois não restou caracterizada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas sequer para a aplicação da multa isolada, impondose o cancelamento da multa de lançamento de oficio da parcela trazida a litígio. Assim, depreendese que com a nova redação dada pelo dispositivo legal, artigo 14 da Lei 11.488/2007, ao art. 44, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não há mais fundamento legal para a exigência da multa isolada, no caso de não pagamento da multa de mora em recolhimentos intempestivos. Dessa forma, em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "a", da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa isolada, tendo em conta a revogação do dispositivo legal que amparava sua exigência. E conclui a autoridade por aproveitar tão somente parte do que pode ser comprovado, efetivamente, através de documentação (DARF) e alocado na contabilidade da empresa. Devidamente cientificada, a empresa apresenta recurso voluntário em que sinteticamente apresenta os mesmo argumentos já dispostos em seara de impugnação. É o relatório. Voto Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10875.004035/200333 Acórdão n.º 180301.186 S1TE03 Fl. 118 8 Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de auto de infração, decorrente do processamento da DCTF, para a cobrança do crédito tributário vinculado ao IRRF de imposto, multa, juros de mora, juros de mora isolados e multa de ofício isolada. A infração decorre da constatação da falta de localização de pagamento e do recolhimento em atraso, feito em desconformidade com a legislação vigente. Temse que a empresa logrou comprovar alguns dos pagamentos que foram alocados, já na decisão de primeira instância, restando os demais sem a devida comprovação. Ainda, convém esclarecer que o julgador a quo, de igual modo, afastou a aplicação da multa isolada, em função da retroatividade benigna do artigo 14 da Lei 11.488/2007, dando nova redação ao artigo 44 da lei 9.430/96. A recorrente inicia sua impugnação alegando a nulidade do auto de infração, vez ter desrespeitado os requisitos formais do lançamento. Ocorre que discordo das ponderações da recorrente, posto que em momento algum vislumbrei, no lançamento efetuado, desrespeito aos ditames do artigo 59 do Decreto 70.232/72. Entendo que compete à demandada comprovar as alegações de nulidade do lançamento, não bastando simples alegações, visto estarem presentes os requisitos formais e materiais do lançamento. Ademais a simples alegação de fatos modificadores do lançamento, sem a comprovação da sua ocorrência, não é suficiente para que o lançamento seja revisto, e, ex vi do artigo 333, I, do Código de Processo Civil, que subsidiariamente se aplica ao processo administrativo fiscal, cabe a quem alega o ônus da prova que trata de fato modificativo de direito, ou seja, no caso presente, compete à recorrente o encargo de provar suas alegações, especialmente no tocante a fatos que determinem a nulidade, anulem ou alteram o lançamento. Isso também se aplica ao caso presente quanto ao mérito, tomando em conta o que se passa a apreciar, senão vejamos: A empresa recorrente entende que a decisão proferida pela instância anterior encontrase em descompasso com a realidade, posto não referir a realidade fática. No entanto, discordo com a aferição da empresa, posto que do levantamento feito pela fiscalização e também pelo julgador anterior é possível compreender que a empresa recorrente apresentou declaração retificadora, para cada trimestre do anocalendário de 1998, todas elas feitas após a ciência do lançamento, que tomou como base as declarações originais já processadas. Contudo, depois de iniciada a fiscalização, tal como ocorrida no presente feito, não pode mais a recorrente apresentar declarações retificadas, esperando que as mesmas sejam processadas tais quais as apresentadas nas datas das declarações originais. Nesse caso, cumpria à recorrente apresentar sua defesa, demonstrando, mediante documentação hábil e idônea, o alegado erro ao preencher as primeiras declarações, as mesmas que tenham ensejado a constituição de crédito tributário indevido, com a finalidade de as desconstituir, fazendo valer apenas as retificadoras. Fato esse que não ocorreu, segundo a documentação acostada aos autos. Convém salientar que as informações prestadas em DCTFs são de responsabilidade exclusiva da recorrente, sendo que a mesma informou para cada tributo e período de apuração a existência de um único recolhimento, em igual valor ao débito Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10875.004035/200333 Acórdão n.º 180301.186 S1TE03 Fl. 119 9 declarado; porém, em seara de impugnação, apresentou mais de um pagamento com a finalidade de comprovar a extinção de cada débito informado, contrariando as informações antes prestadas na DCTF. Além do mais, reduziu os valores dos débitos informados, mediante apresentação de declaração retificadora, após a ciência do lançamento. Tudo isso, sem o respaldo em documentação hábil e idônea a comprovar o erro no preenchimento da declaração. Assim, tal como referido no início do presente voto, entendendo que as informações prestadas em DCTFs são de responsabilidade da recorrente, bem como as comprovações e provas de seus equívocos também o são. Por essa razão observo que o sujeito passivo não obteve este êxito, ou seja, não logrou comprovar o equívoco no preenchimento das DCTFs, ou mesmo a nulidade do lançamento, motivo que mantenho o lançamento na integralidade do voto de primeira instância. Assim, caberia à recorrente comprovar o erro dos valores informados em suas DCTFs, com base em dados de sua escrituração. Fato esse que não logrou acontecer. Frente à ausência de comprovação é que mantenho a decisão de primeira instância, excluindo a multa isolada tal como já decidido anteriormente e no mérito sigo negando provimento ao feito. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao feito. É como voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 15582.720088/2012-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
FUNDAMENTO RELEVANTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. DISSIMILITUDE FÁTICA/DISPOSITIVOS. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO
Não se conhece do Recurso Especial, quando as situações fáticas e fundamentações consideradas nos acórdãos indicados como paradigma não se prestam a demonstrar a divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-004.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 FUNDAMENTO RELEVANTE DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO ATACADO. DISSIMILITUDE FÁTICA/DISPOSITIVOS. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO Não se conhece do Recurso Especial, quando as situações fáticas e fundamentações consideradas nos acórdãos indicados como paradigma não se prestam a demonstrar a divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 2. 72 00 88 /2 01 2- 03 Fl. 601DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3202001.205, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso de ofício, consignando acórdão com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 MULTA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. DCOMP PENDENTE DE ANÁLISE. NULIDADE INSANÁVEL DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. O ato de lançamento efetuado para cobrança da multa isolada em decorrência de compensação indevida, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo em data anterior à ciência dos despachos decisórios denegatórios do direito à compensação, é vício insanável de natureza material e enseja a nulidade do lançamento. Recurso de ofício negado.” É de se trazer que o Recurso de Ofício havia sido apresentado ao Conselho, em face do valor exonerado exceder o limite de alçada. A DRJ/RJ havia consignado a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 MULTA. COMPENSAÇÃO. DCOMP PENDENTE DE DECISÃO. Incabível o lançamento da multa por não homologação da compensação quando se comprove falsidade, quando tais Dcomps ainda estão pendentes de decisão. DECISÃO. PENDENTE. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 9303004.598 CSRFT3 Fl. 602 3 Considerase pendente de decisão administrativa, a Declaração de Compensação, em relação a qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da unidade competente para decidir sobre a compensação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Irresignada com o acórdão 3202001.205, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, trazendo, em síntese, que o vício no procedimento fiscalizatório que acarretou cerceamento ao direito de defesa da parte tem natureza formal (e não material), razão pela qual merece ser reformado o acórdão ora recorrido. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido, conforme Despacho às fls. 532/535. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ainda que tempestivo, entendo que não deva ser conhecido, vez que não atende os pressupostos de admissibilidade trazidos no art. 67, Anexo II, do RICARF/2015. Ora, é de se recordar que o Colegiado do acórdão recorrido: · Apreciou o fato de ter sido dada ciência do auto de infração que imputava a multa isolada por compensação indevida antes de ser dada ciência dos despachos decisórios que não homologaram os pedidos de compensação; Fl. 603DF CARF MF 4 · Ao entender pelo cancelamento do Auto de Infração que imputava a multa isolada, considerou, em síntese, os seguintes regramentos, tal como a DRJ havia observado: ü A IN 900/08 – que define a situação de pendência de decisão administrativa no art. 95: “Art. 95. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 77, 82 e 86, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição ou o pedido de ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento.” ü O art. 18 da Lei 10.833/03: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” · Por conseguinte, concluiu não ser possível se efetuar o lançamento de multa isolada sem sequer a compensação não ter sido homologada sob a ótica do sujeito passivo. O que deveria tal lançamento ser cancelado por vício material, por descumprimento de preceito legal. Enquanto, os acórdãos indicados como paradigma trazem o que segue: · Acórdão 3403001.705: ü Fato analisado: Auto de infração eletrônico lavrado em razão do não reconhecimento de crédito tributário utilizado em compensação de débitos para a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS período de Fl. 604DF CARF MF Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 9303004.598 CSRFT3 Fl. 603 5 apuração de 01 de maio a 30 de setembro de 1997 – com motivação inconclusiva: “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme anexo III”. ü Entendimento do Colegiado: Ao deixar de descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se extrairia o motivo do lançamento, não observando os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do CTN. ü Ementa consignada (Grifos meus): “Assunto: Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Período: 01.05.1997 a 30.09.1997 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. NULIDADE. O ato administrativo de Lançamento deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vício de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelos arts. 10 do Decreto número 70.235/72 e 142 do CTN, impõe, assim, anular o lançamento.” · Acórdão 2403000.666: ü Fato analisado: Crédito lançado pela fiscalização contra a empresa correspondente a contribuição previdenciária da parte dos segurados empregados para o financiamento da complementação das prestações Fl. 605DF CARF MF 6 por acidentes do trabalho – SAT, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais de trabalho e as destinadas a Tiros (Salário Educação – INCRA SENAI, SESI e SEBRAE) ü Entendimento do Colegiado (Grifos meus): “Analisandose as notas fiscais das compras das cestas básicas colacionadas nos autos, não se tem dúvidas de que o fato gerador inequivocamente ocorreu. O que não ocorreu foi a devida forma de demonstração dos fatos. A nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD é declarada quando se constata na análise dos aspectos formais a existência instalada de vícios insanáveis na NFLD em apreço ( grifei) Isto posto, o vício só pode ser sanado mediante nova NFLD utilizandose as bases de cálculo reais e individualizandose os processos. Na oportunidade poderá se efetuar o cruzamento ente a quantidade de cestas adquiridas, informadas no corpo das notas fiscais e nos registros do livro de entrada e saída de mercadorias, com a quantidade de empregados declarada nas folhas e nas GFIP’s e assim aferir a veracidade dos documentos pela coerência ou não resultado do confronto.” Considerou que a Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 11.098/05, art. 33, § 3º considera deficiente o documento ou informação apresentada que não preenche as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou ainda, que omita informação verdadeira – Decreto 3.048/99, art. 233, parágrafo único. ü Ementa consignada: Fl. 606DF CARF MF Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 9303004.598 CSRFT3 Fl. 604 7 “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1993 a 31/10/2002 VÍCIO FORMAL. Se o lançamento apresentar vício em seu processo de produção não respeitando os dispositivos de sua formalização, é caso de anulação, por vício de forma. Recurso Voluntário Provido.” Considerando o descrito acima, vêse que, depreendendose da análise do confronto fático, legal e argumentativo entre o acórdão recorrido e os indicados como paradigma em Recurso Especial interposto pela Fazenda, temse que: · Não há similitude fática entre os arestos, vez que no presente caso o auto de infração imputando multa isolada ocorreu anteriormente à ciência de despacho que denegou a homologação das compensações apresentadas pelo sujeito passivo. O que, por evidente, se observa falha no fluxo cronológico procedimental, eis que deveria a autoridade fazendária proceder primeiramente com a ciência ao sujeito passivo do despacho denegando a homologação de compensação e, posteriormente, com a lavratura do auto de infração imputandolhe a multa. Notase que esse auto de infração está totalmente vinculado às razões da autoridade fazendária que denegariam a homologação das compensações. Enquanto nos acórdão indicados como paradigma, o caso trouxe deficiência quanto à observância dos elementos que devem constar do Auto de Infração lançado, eis que um foi lançado sem motivação alguma, vez se tratar de Auto de Infração eletrônico e o outro sem as formalidades consideradas em documento suporte ao ato de lançamento; Fl. 607DF CARF MF 8 · É de se recordar que não há similitude argumentativa, tampouco legal, vez que, por se tratar de fatos diferentes: ü No acórdão recorrido, o Colegiado considerou como suporte legal, a IN 900/08 e art. 18 da Lei 10.833/03; ü Nos acórdãos indicados como paradigmas: (i) o art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do CTN; (ii) Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 11.098/05, art. 33, § 3º, bem como Decreto 3.048/99, art. 233, parágrafo único. Sendo assim, em respeito ao art. 67, Anexo II, do RICARF/2015, não há que se conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Eis o que traz “o caput” do referido art. 67 (Grifos meus): “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...]” Nos termos do dispositivo, vêse que somente seria possível conhecer do Recurso interposto se a Fazenda Nacional trouxesse acórdão que dessem interpretação diferente aos dispositivos mencionados no acórdão recorrido – qual seja, art. 18 da Lei 10.833/03 e art. 95 da IN 900/08. Ou seja, acórdão que esposasse o entendimento de que a afronta ao fluxo cronológico procedimental seria considerada vício formal, e não material. Em vista de todo o exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 608DF CARF MF Processo nº 15582.720088/201203 Acórdão n.º 9303004.598 CSRFT3 Fl. 605 9 Fl. 609DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.906086/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.979
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. Recorrente MOABE ENERGIA INDUSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido e não homologando a compensação, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração (DCTF) prestada pelo contribuinte. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: "Tal indeferimento não pode prosperar porque os créditos oriundos de pagamento indevido ou maior já tinham sido devidamente disponibilizados em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 60 .9 06 08 6/ 20 12 -1 6 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10660.906086/201216 Resolução nº 3401000.979 S3C4T1 Fl. 3 2 razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período." Os Julgadores de 1º piso consideraram improcedente a manifestação da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório e mantendo a não homologação, nos termos do Acórdão 14044.342. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário, por meio da qual esclarece a procedência do seu direito de crédito e apresenta petição, nos seguintes termos: "O aludido recurso de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE interposto pela recorrente, se deu porque esta entendeu que os pagamentos efetuados indevidamente ou a maior, na data do pedido de restituição/compensação, estavam devidamente desvinculados das declarações acessórias daqueles períodos, fato este que. por si só, já seria suficiente para demonstrar e provar a disponibilidade desses créditos pretendidos, dispensando assim a necessidade de instruir a exordial com as provas, possíveis de serem verificadas pelas informações acessórias fiscais regularmente prestadas ao fisco, pela recorrente, por meio eletrônico, com amparo na produção de provas previstas no art. 332, do crc. Contudo, infelizmente, a recorrente não se atentou para o fato de que a defesa sustentada no recurso anterior, não foi cumprida pelo seu departamento fiscal, o qual estava incumbido de enviar as devidas retificações acessórias, ensejando assim o presente passivo tributário. Diante disso, a recorrente requer a ampliação do prazo para apuração adequada do efetivo direito ao crédito tributário, anteriormente pleiteado, providenciando todas as retificações das declarações acessórias, assim previstas no art. 113, parágrafo 2o, do CTN, para demonstrar a relação dos créditos que tem direito. Reintera ainda sobre a importância da dilação do referido prazo, com base no Principio da Capacidade Contributiva, nos termos do art. 145, §1°, juntamente com o Princípio do não Confisco, nos termos do art. 150, IV, da CF. tendo em vista que, a sua não prorrogação ensejará à recorrente insolvência econômica, uma vez que, o seu patrimônio, não é suficiente para garantir os passivos tributários oriundos das referidas declarações acessórias. Ademais, diante da presente situação, não restou a recorrente outra alternativa senão interpor a presente demanda." É o relatório Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.964, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10660.906086/201216 Resolução nº 3401000.979 S3C4T1 Fl. 4 3 de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.964): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. Como soe, nessas situações, a contribuinte somente compreende inteiramente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Por isso, tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10660.906086/201216 Resolução nº 3401000.979 S3C4T1 Fl. 5 4 prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005105/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2005
ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. MATÉRIA DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência para se pronunciar sobre o processo administrativo de arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. ALIMENTAÇÃO "IN NATURA". NÃO INCIDÊNCIA.
Não integra o salário-de-contribuição a parcela "in natura" recebida a título de alimentação, esteja ou não a empresa inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Em consequência, não constitui infração à legislação tributária a falta de inclusão desses valores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP).
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por conseguinte, é improcedente a multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP os valores pagos pelos serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2005 ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. MATÉRIA DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência para se pronunciar sobre o processo administrativo de arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. ALIMENTAÇÃO "IN NATURA". NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário-de-contribuição a parcela "in natura" recebida a título de alimentação, esteja ou não a empresa inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Em consequência, não constitui infração à legislação tributária a falta de inclusão desses valores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa - prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 - sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por conseguinte, é improcedente a multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP os valores pagos pelos serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
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MATÉRIA DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência para se pronunciar sobre o processo administrativo de arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. ALIMENTAÇÃO "IN NATURA". NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o saláriodecontribuição a parcela "in natura" recebida a título de alimentação, esteja ou não a empresa inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Em consequência, não constitui infração à legislação tributária a falta de inclusão desses valores na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR COOPERADOS. INTERMEDIAÇÃO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. DECISÃO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). REPERCUSSÃO GERAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 598.838/SP. INCONSTITUCIONALIDADE. A decisão definitiva de mérito no RE nº 598.838/SP, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da contribuição da empresa prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991 sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, relativamente a serviços que lhe sejam prestados por cooperadores, por intermédio de cooperativas de trabalho, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por conseguinte, é improcedente a multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar em GFIP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 51 05 /2 00 7- 18 Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10580.005105/200718 Acórdão n.º 2401004.679 S2C4T1 Fl. 1.186 2 os valores pagos pelos serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 10580.005105/200718 Acórdão n.º 2401004.679 S2C4T1 Fl. 1.187 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), cujo dispositivo julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1522.117 (fls. 1.088/1.110): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. FATOS GERADORES. OMISSÃO. Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. Integra o salário de contribuição a parcela in natura recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. MULTA A MAIOR. RETIFICAÇÃO. A multa lançada a maior deve ser retificada no decorrer do contencioso administrativo. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. MULTA. RELEVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A multa somente será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, e correção da falta no mesmo prazo, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. A declaração em GFIP dos fatos geradores objeto da infração, em desacordo com o respectivo Manual, não corrige a falta. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 2. Extraise do Relatório Fiscal da Infração, bem como do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 21/28, que, por meio do Auto de Infração (AI) nº 37.058.3337, aplicouse multa por ter a empresa apresentado, nas competências 07/2002 a 12/2005, a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10580.005105/200718 Acórdão n.º 2401004.679 S2C4T1 Fl. 1.188 4 Social (GFIP) com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (Código de Fundamentação Legal CFL 68). 2.1 Segundo a autoridade lançadora, a imposição da penalidade prevista no inciso IV do § 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, c/c inciso II do art. 284 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, foi motivada pela falta de declaração em GFIP dos seguintes fatos geradores: (i) fornecimento pela empresa de alimentação aos segurados empregados, sob a forma de "ticketrefeição" e de refeição, porém sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT); e (ii) pagamentos por serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho. 3. Cientificado pessoalmente da autuação em 26/3/2007, às fls. 4, por meio do seu diretor, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 98/126). 3.1 Nessa oportunidade, tendo em vista a entrega de GFIPs retificadoras, comunicou o saneamento da infração concernente às informações omitidas vinculadas às cooperativas de trabalho e solicitou a relevação da multa aplicada pela fiscalização. 4. Antes de proferir decisão, a instância julgadora "a quo "determinou a realização de diligência quanto ao cálculo da contribuição previdenciária incidente sobre a alimentação relativa à parte dos segurados empregados, tendo em vista a utilização pela fiscalização do percentual fixo de 8% (oito por cento) sobre o valor da utilidade, independentemente do limite máximo do saláriodecontribuição do trabalhador (fls. 652/653). 4.1 Em seu despacho, o julgador "a quo" consignou ainda que a autoridade autuante deveria acrescentar ao relatório fiscal da aplicação da penalidade os dispositivos normativos que respaldaram a exigência da multa por competência em que tenha ocorrido o descumprimento da obrigação acessória. 5. A diligência foi cumprida, consoante Relatório Complementar elaborado pelo agente fiscal, propondo a autoridade lançadora a retificação da multa em virtude da incorreção dos valores das bases de cálculo da empresa e da parte relativa aos segurados empregados (fls. 655/672). 6. Quanto ao resultado da diligência, a fiscalizada se pronunciou às fls. 1.022/1.030. 6.1 Requereu novamente a relevação da multa aplicada em face do saneamento da falta atinente à contribuição previdenciária incidente sobre a contratação de cooperativas de trabalho, reafirmou que a alimentação "in natura" por ela fornecida aos empregados não integra a base de cálculo previdenciária, mesmo sem a inscrição no PAT, e solicitou, por fim, o julgamento em conjunto do auto de infração com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.058.3361. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 10580.005105/200718 Acórdão n.º 2401004.679 S2C4T1 Fl. 1.189 5 7. Intimada por via postal, em 29/3/2010, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 1.132, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 27/4/2010 (fls. 1.136/1.166). 7.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito em face da decisão de piso que manteve a pretensão fiscal: (i) há necessidade de desconstituição do arrolamento de bens efetuado pelo agente fiscal, diante da falta de motivação e fundamentação para lavratura do Termo de Arrolamento de Bens e Direitos (TAB); (ii) é cabível a relevação da multa concernente aos fatos geradores das cooperativas de trabalho, em face da correção da infração até o termo final do prazo para impugnação, nos moldes do art. 291 do RPS. Entretanto, caso não acolhido o pedido de relevação, deverá ser concedido ao contribuinte o direito de efetuar tão somente o pagamento da parte da multa referente a essa infração específica; (iii) o julgamento do auto de infração deverá ocorrer após a apreciação da NFLD nº 37.058.3361, que trata da correlata obrigação principal; (iv) a alimentação escapa à incidência da contribuição previdenciária, sendo desnecessária, segundo a pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a inscrição da empresa no PAT. Em consequência, deverá ser afastada a cobrança da obrigação acessória vinculada a essas informações em GFIP; (v) mantida intacta a penalidade, deverá ser aplicado o limite máximo da multa estabelecido em lei para o auto de infração como um todo, e não por competência; (vi) o montante da penalidade aplicada tem caráter confiscatório; e (vii) deverá ser determinado o recálculo do valor da multa na forma mais benéfica ao contribuinte, ou seja, com base no critério do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. É o relatório. Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 10580.005105/200718 Acórdão n.º 2401004.679 S2C4T1 Fl. 1.190 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Exame de admissibilidade 8. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Julgamento em conjunto 9. A presente autuação teve origem na ausência de declaração em GFIP de fatos geradores correspondentes à alimentação fornecida aos segurados empregados e aos pagamentos realizados às cooperativas de trabalho. O crédito tributário correlato vinculado às obrigações principais foi formalizado, na mesma ação fiscal, por meio da NFLD nº 37.058.336 1, a qual faz parte do Processo nº 10580.005351/200761 10. Dessa feita, tendo em conta a prejudicialidade do julgamento em separado dos Processos nº 10580.005351/200761 e 10580.005105/200718, a apreciação dos recursos voluntários acontece na mesma sessão deste colegiado, a fim de manter a congruência decisória. Arrolamento de bens e direitos 11. O arrolamento de bens e direitos é uma medida administrativa destinada ao acompanhamento do patrimônio do sujeito passivo, com vistas à futura satisfação do crédito tributário. 12. Ao tratarse apenas de uma medida de defesa do crédito tributário, o arrolamento não diz respeito ao processo de determinação e exigência tributária, o qual está submetido ao rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 13. Face à inexistência de previsão específica para a defesa do sujeito passivo quanto ao arrolamento de bens e direitos, aplicase a regra geral do recurso administrativo federal, previsa na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 14. Em outros dizeres, nem as delegacias de julgamento da Receita Federal do Brasil, tampouco o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), são competentes para se pronunciar sobre Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 10580.005105/200718 Acórdão n.º 2401004.679 S2C4T1 Fl. 1.191 7 Auxílioalimentação "in natura" 15. A autoridade fiscal aplicou multa pela falta de declaração em GFIP dos valores correspondentes ao fornecimento de alimentação aos segurados empregados, sob a forma de "ticketrefeição" e de refeição. 16. Ocorre que no Processo nº 10580.005351/200761, relativo à exigência do recolhimento de contribuições sobre a parcela paga a título de alimentação, foi deliberado pelo colegiado, por unanimidade, que a parcela não integra a base de cálculo do saláriode contribuição e, portanto, escapa ao conceito de remuneração do trabalhador. 16.1 Eis a ementa correlata do acórdão, julgado nesta mesma sessão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2005 (...) ALIMENTAÇÃO "IN NATURA". NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o saláriodecontribuição a parcela "in natura" recebida a título de alimentação, esteja ou não a empresa inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). (...) 17. Logo, não constitui infração à legislação tributária a falta de inclusão desses valores na GFIP, o que afasta a penalidade imposta pela fiscalização por descumprimento de obrigação acessória. Cooperativas de Trabalho 18. Aplicouse também multa pelo descumprimento de obrigação acessória por ausência da prestação de informações em GFIP quanto aos valores pagos às cooperativas de serviço. 19. Acontece que em sessão do STF realizada no dia 23/4/2014, o plenário da Corte, no julgamento do RE nº 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, da relatoria do Ministro Dias Toffoli, reconheceu a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999. Eis a ementa desse julgado: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 10580.005105/200718 Acórdão n.º 2401004.679 S2C4T1 Fl. 1.192 8 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (GRIFEI) 19.1 Em 18/12/2014, ao apreciar os embargos de declaração interpostos pela União no RE nº 595.838/SP, a Corte rejeitou o pedido de modulação de efeitos da decisão que declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. 19.2 Por fim, o RE nº 595.838/SP transitou em julgado em 9/3/2015. 20. Diante desse contexto fático, o § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho RICARF , aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 3 de maio de 2016, assim estabelece: Art. 62. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 10580.005105/200718 Acórdão n.º 2401004.679 S2C4T1 Fl. 1.193 9 21. Como se vê, o dispositivo de lei que justificava o lançamento da contribuição previdenciária sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho foi considerado em descompasso com o texto constitucional, em decisão definitiva de mérito proferida pelo STF, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, devendo tal entendimento ser reproduzido no âmbito deste Conselho. 22. Dessa feita, afastado o fundamento jurídico que sustentava a obrigação principal, não há razão para aplicar penalidade pela omissão de informação em GFIP no campo "Valores pagos à Cooperativas de Trabalho", o que torna insubsistente a multa aplicada pela fiscalização. 23. À vista disso, perde objeto o exame do cumprimento pelo autuado dos requisitos para a relevação da penalidade, segundo a legislação vigente à época dos fatos (art. 291, § 1º, do RPS). 24. Por derradeiro, deixo de analisar os demais argumentos de mérito do recurso voluntário contra a pretensão fiscal de aplicar a penalidade pecuniária, por absoluta desnecessidade para o deslinde do julgamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar improcedente o Auto de Infração nº 37.058.3337, aqui examinado. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1193DF CARF MF
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Numero do processo: 35373.000649/2006-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/01/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-005.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 37 3. 00 06 49 /2 00 6- 71 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 35373.000649/200671 Acórdão n.º 9202005.033 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 35373.000649/200671 Acórdão n.º 9202005.033 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 35373.000649/200671 Acórdão n.º 9202005.033 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 277DF CARF MF Processo nº 35373.000649/200671 Acórdão n.º 9202005.033 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 35373.000649/200671 Acórdão n.º 9202005.033 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 279DF CARF MF Processo nº 35373.000649/200671 Acórdão n.º 9202005.033 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 35373.000649/200671 Acórdão n.º 9202005.033 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 281DF CARF MF Processo nº 35373.000649/200671 Acórdão n.º 9202005.033 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 35373.000649/200671 Acórdão n.º 9202005.033 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 283DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.913822/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.069
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 82 2/ 20 11 -1 1 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10480.913822/201111 Resolução nº 3401001.069 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.066. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10480.913822/201111 Resolução nº 3401001.069 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10480.913822/201111 Resolução nº 3401001.069 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 207DF CARF MF
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