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Numero do processo: 10314.728380/2015-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010
REVERSÃO DE PROVISÃO.
A exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, gerada pela reversão de provisão indedutível anteriormente adicionada, pressupõe o reconhecimento contábil da respectiva receita.
Numero da decisão: 1402-004.007
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Ausentes as Conselheiras Paula Santos de Abreu e Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2010 REVERSÃO DE PROVISÃO. A exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, gerada pela reversão de provisão indedutível anteriormente adicionada, pressupõe o reconhecimento contábil da respectiva receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, André Severo Chaves (suplente convocado), José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Ausentes as Conselheiras Paula Santos de Abreu e Junia Roberta Gouveia Sampaio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 83 80 /2 01 5- 55 Fl. 932DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre - RS, através do acórdão 10-61.411, sessão de 31/01/2018, que julgou totalmente IMPROCEDENTE a impugnação da agora recorrente. Da autuação fiscal: Por bem detalhar os principais elementos constantes na autuação fiscal, transcrevo abaixo o constante no relatório da decisão a quo a respeito: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Comércio Exterior e Indústria, de São Paulo (SP), lavrou autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), constituindo crédito tributário total de R$ 6.709.013,02, considerando consectários legais calculados até dezembro de 2015. O regime de tributação aplicado ao IRPJ e CSLL no ano-calendário 2010 foi o do lucro real anual, com apuração de estimativas mensais. Foram apresentadas duas declarações, tendo em vista evento societário de cisão parcial, em 31/3/10: uma delas abrangendo os três primeiros meses; a outra, os demais. A autuação decorreu de exclusões supostamente indevidas ou não autorizadas para a determinação do lucro real, nos valores de R$ 23.549.151,77, na DIPJ referente ao período da apuração janeiro a março de 2010, e R$ 8.892.672,95, na DIPJ de abril a dezembro de 2010. Segundo o autuante, não restou comprovado que valores excluídos por “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis” 1 correspondessem a receitas reconhecidas nos resultados contábeis: em relação ao primeiro período, a exclusão declarada foi de R$ 31.443.617,17, enquanto a “Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais” 2 reconhecida foi de R$ 7.894.465,40; quanto aos demais trimestres, a exclusão foi de R$ 32.197.643,93 para um montante contabilizado das reversões de R$ 23.304.970,98 3 . Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: A autuada foi cientificada do lançamento em 15/12/15 e apresentou impugnação em 14/1/15. A interessada requer a procedência da impugnação, com determinação de nulidade dos autos de infração, tendo em vista supostas irregularidades contidas no lançamento. Defende que a fiscalização se equivocou em relação aos procedimentos contábeis adotados pela impugnante, analisou a legislação de forma superficial, não vinculando a situação concreta à legislação utilizada, e utilizou jurisprudência administrativa que reconheceria um entendimento favorável à contribuinte. 1 Linhas 40 da Ficha 09A da DIPJ do primeiro trimestre e linha 46 da mesma ficha dos trimestres subsequentes, ambas do ano-calendário 2010. 2 Linha 30 da Ficha 07A. 3 Linha 30 da Ficha 07A. Fl. 933DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 A impugnante repisou alegações apresentadas no procedimento fiscal para justificar uma diferença de R$ 135.767,71 entre as exclusões registradas no Livro Lalur em 31/3/10 (R$ 31.579.384,88) e o registrado como “Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis” na linha 40 da Ficha 09A da DIPJ do período janeiro/março de 2010 (R$ 31.443.617,17) as quais poderiam ser assim resumidas 4 : a.1) parcela de R$ 23.827,95, consignada na linha 40 da Ficha 09A da DIPJ a título de “Reversão da Provisão para Contingência Trabalhista 221.07” representa a diferença entre os valores de exclusão (R$ 78.389,85) e a adição (R$ 54.561,90), registrados nos itens 3.01 e 2.02 das “Provisões Indedutíveis – Custo” do Lalur; a.2) uma parcela correspondente a R$ 19.030,88 na linha 40 da Ficha 09A da DIPJ foi informada a menor em R$ 433,96, tendo em vista diferença entre exclusão e adição do item 015.025 do Lalur, referente à “Provisão para Perdas – Social” (R$ 19.464,84 – R$ 19.030,88); a.3) a“Reversão de Devedores Duvidosos” na Ficha 09A da DIPJ teve exclusão de R$ 338.709,85 a menor em relação aos R$ 21.354.033,68 consignados no Lalur (item 015.003 – “Provisão/Reversão para Devedores Duvidosos”), mas em valor igual ao dos registros contábeis; a.4) a “Provisão ICMS” foi excluída a menor no Lalur por R$ 45.069,60 em relação à exclusão na DIPJ de R$ 148.102,75 porque aquele valor também teria sido adicionado a menor no Lalur, em função da mesma provisão; e a.5) em “Demais Reversões / Valor Presente”, a exclusão a menor de R$ 212.868,40 no Lalur, em relação à parcela de R$ 342.606,48 da linha 40 da Ficha 09A da DIPJ, decorreu da compensação contábil realizada entre as contas de provisão e reversão por ajuste a valor presente, no mesmo valor da diferença. Em relação ao lançamento pertinente ao período janeiro/março 2010, a impugnação apresenta informações reproduzidas no quadro abaixo e aduz as considerações que seguem: Descrição Exclusão DIPJ Receita de reversão de provisão Diferença exclusão indevida a tributar Reversão da provisão para contingência trabalhista 23.827,95 23.827,95 Reversão da provisão para perdas estoques - SOCAL PÓ 19.030,88 19.030,88 Reversão da provisão para ajuste ao preço de mercado 2.352.664,41 2.352.664,41 Reversão da provisão para perdas no estoque - materiais obsoletos 73.259,89 73.259,89 Reversão das provisões tributárias - contingência PIS/COFINS 9.600,00 9.600,00 Reversão das provisões tributárias - parcelamento de multas 3.600,00 3.600,00 Reversão das provisões para teste de recuperabilidade - impairment test 296.054,85 296.054,85 Reversão das provisões para pagamento parcelas remanescentes contratos - Agro Apolo 464.213,56 464.213,56 Reversão das provisões para perdas na revenda de energia elétrica - CTR 2010 3.708.185,00 3.708.185,00 Reversão das provisões - Perdas bens para revenda 28.800,00 28.800,00 Reversão da provisão para comissão sobre vendas 2.297.238,34 2.297.238,34 4 Os argumentos de impugnação serão indicados por letras e números, objetivando facilitar vínculo com as soluções proferidas no voto. Fl. 934DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 Reversão devedores duvidosos 21.354.033,68 887.024,60 20.467.009,08 Reversão da provisão ICMS 148.102,75 148.102,75 Demais reversões / valor presente 555.474,88 555.474,88 Reversão provisão despesas de importação 109.530,98 109.530,98 Outras provisões 4.535.057,67 -4.535.057,67 TOTAL DAS REVERSÕES - INDEDUTÍVEIS 31.443.617,17 7.894.465,40 23.549.151,77 b.1) o valor de R$ 9.600,00, excluído por “Reversão de Provisões Tributárias, Contingência PIS/Cofins”, decorre de pagamento de parcelas mensais devidas a esse título, sob amparo do saldo de R$ 852.238,06, registrado na Parte B do Lalur em 31/12/09 como “Provisão para Multas PIS/Cofins”; b.2) os valores de R$ 296.054,85, R$ 464.213,56, R$ 3.708.185,00, R$ 28.800,00, concebidos a título de reversão das provisões “para Teste de Recuperabilidade (Impairment Test)”, “para Parcelas Remanescentes de Contratos (Agro Apolo)”, “para Perdas na Revenda de Energia Elétrica” e “para Perdas de Bens para Revenda”, em um total de R$ 4.535.057,67, considerando-se parcela não excluída de R$ 37.804,26 da “Reversão da Provisão para Pagamento de Parcelas Remanescentes de Contratos (Agro Apolo)”, compõem o valor do total de R$ 7.894.465,40 das reversões contabilizadas; b.3) as exclusões devidas por reversões das provisões para “Comissão sobre Vendas”, “Devedores Duvidosos” e “Despesas de Importação”, que juntas alcançam R$ 24.735.938,82, correspondem ao mesmo valor das Outras Adições nas linhas 38 da Ficha 09A e 31 da Ficha 17; b.4) o valor excluído de R$ 148.102,75 a título de “Reversão da Provisão ICMS” faz parte de um total de R$ 13.913.387,17 que foi adicionado ao lucro do período anterior (31/12/09); e b.5) o valor de R$ 555.474,88, excluído a título de “Demais Reversões/ Valor Presente”, compôs o resultado do período (conta 4210100116) e consta na linha 34 da Ficha 06A. Quanto ao período de abril a dezembro de 2010, as justificativas são as seguintes: Descrição Exclusão DIPJ Receita de reversão de provisão Diferença exclusão indevida a tributar Reversão devedores duvidosos 773.052,38 2.121.332,47 -1.348.280,09 Reversão da provisão energia Cemig 3.681.243,99 3.681.243,99 Reversão da Provisão ICMS 3.874.548,48 1.759.309,30 2.115.239,18 Reversão provisão perda em processo ICMS - SJBV 1.670.767,36 1.670.767,36 Reversão para contingência trabalhista 221.07 47.310,60 47.310,60 Reversão provisão para PIS/Cofins para contingências / Parcelamento de multas 39.600,00 39.600,00 Tributárias - reversão provisão multas pagas e reconhecidas 162.255,01 162.255,01 Fl. 935DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 Reversão provisão para perdas cível (Cemig) 21.616.866,11 14.596.866,11 7.020.000,00 Reversão provisão para perdas processos clientes 332.000,00 332.000,00 Outras provisões 3.439.575,05 -3.439.575,05 Provisões tributárias 1.387.888,05 -1.387.888,05 TOTAL 32.197.643,93 23.304.970,98 8.892.672,95 c.1) o saldo contábil final de R$ 2.121.332,47 da conta de “Reversão para Devedores Duvidosos” (4510100101) constituiu parcela de composição do valor da linha 30 da Ficha 06A; c.2) as reversões “da Provisão Energia Cemig” e “da Provisão para Perdas Cível”, nos valores de R$ 3.681.243,99 e R$ 21.616.866,11, encontram amparo em provisões consignadas no Lalur 2009 e 2010, decorrentes da adição ao lucro real de R$ 9.992.110,10 em 31/12/08, da adição na Parte B do Lalur de R$ 10.206.000,00 em 31/12/09 e da adição na Parte B de R$ 5.100.000,00 em 30/4/10 (registrada na linha 25 da Ficha 05A da DIPJ); c.3) a “Reversão da Provisão ICMS” excluída na DIPJ é de R$ 3.874.548,48, conforme consta na folha 27 do Lalur, e o saldo contábil credor final da conta que registra a “Reversão da Provisão ICMS” (conta 3520100101) é de R$ 1.759.309,30, sendo o mesmo resultado da diferença entre valores incluídos na linha 30 da Ficha 06A da DIPJ (R$ 2.635.454,06) e na linha 25 da Ficha 05A da DIPJ (R$ 876.144,76); c.4) a “Reversão para Contingência Trabalhista 221.07”, no valor de R$ 47.310,60, refere-se a saldos de provisões adicionadas em períodos anteriores, formadas por saldo existente em 31/3/10, agregado de outras provisões, efetuadas nos meses maio, agosto e setembro de 2010, conforme Lalur; c.5) a “Reversão da Provisão Perda em Processo ICMS – SJBV”, no valor de R$ 1.670.767,36, a “Reversão Tributária (Multas Pagas e Reconhecidas)”, no valor de R$ 162.255,01, e as “Reversões para Parcelamento de Multas Não Recolhidas”, no valor de R$ 14.400,00 (12 parcelas de R$ 1.200,00), cujo total alcança R$ 1.847.422,37, foram excluídas na DIPJ, conforme consta na folha 29 e 30 do Lalur (fls. 812/813), estando devidamente registradas na conta contábil de “Provisões” (3520100106), assim como os valores de R$ 459.534,32 e R$ 1.847.422,37 foram declarados nas linhas 25 da Ficha 05A e 30 da Ficha 06A da DIPJ, respectivamente; c.6) a “Reversão da Provisão para PIS/Cofins para Contingências / Parcelamento de Multas”, no valor de R$ 39.600,00 deve-se ao pagamento de mensalidades a esse título, cuja provisão constou da Parte B do Lalur de 2010, com o saldo de R$ 842.638,06, tendo o valor sido adicionado ao lucro real em períodos anteriores; e c.7) a “Reversão da Provisão para Perdas Processos Clientes” por R$ 332.000,00 decorreu de pagamento de acordo firmado com cliente e consequente extinção do processo, cuja provisão estava contabilizada, conforme demonstra o razão – essa reversão, juntamente com o saldo das “Provisões Operacionais” (R$ 21.616.866,11), foi declarada na linha 30 da Ficha 06A da DIPJ. A contribuinte transcreve dispositivos do RIR/99, comenta jurisprudência e junta anexos à impugnação. Fl. 936DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL à impugnação da agora recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010 REVERSÃO DE PROVISÃO. A exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, gerada pela reversão de provisão indedutível anteriormente adicionada, pressupõe o reconhecimento contábil da respectiva receita. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE: CSLL. As considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL devido à identidade de causas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraem-se os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes que deram guarida a sua decisão final: - rejeitou as nulidades pleiteadas, por entender ser questão meritória; - a tentativa do contribuinte de comprovar, tanto na fiscalização quanto na impugnação, das diferenças apontadas na DIPJ entre as exclusões das provisões com as receitas contabilizadas das reversões de provisões, não foram adequadas - os registros contábeis estavam incompletos, além da ausência de amparo documental; - O registro de provisões indedutíveis na Parte B do Lalur, assim como as divergências entre os assentamentos das linhas 40 ou 46 das Fichas 09A da DIPJ (fls. 220 e 270) e os do Lalur (fls. 12 e 23) são algumas das irregularidades que apontam para a inconfiabilidade na escrita comercial e fiscal da contribuinte; - A impugnante argumenta que algumas reversões seriam relacionadas a saldos (de provisões) adicionados aos resultados de exercícios anteriores. Todavia, o fato de haver contabilizado despesa de provisão em exercício anterior e tê-la adicionado ao lucro real para neutralizar o seu impacto no mesmo período, por ser indedutível, não autoriza, por si só, a exclusão de seu valor. A lógica do argumento da defesa não efetivaria a neutralidade fiscal sem que houvesse concretização da exigibilidade da despesa ou contabilização da receita no caso da reversão [itens b.1, b.4, c.2 e c.6]; - A contribuinte apontou irregularmente na Parte B do Lalur algumas provisões que não seriam passíveis de exclusão. É o caso das provisões para multas por infrações fiscais, que são, em regra, indedutíveis como custos ou despesas operacionais (art. 344, § 5º, do RIR/99) [itens b.1, c.5 e c.6], bem como das provisões para testes de recuperabilidade, para ajustes ao Fl. 937DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 valor presente ou para ajustes ao preço de mercado, que, além de não serem provisões 5 , não observam o princípio da neutralidade fiscal 6 [itens a.5, b.2 e b.5]; - Vários pontos de defesa foram assentados em planilhas que teriam sido baseadas na contabilidade, mas que vieram desacompanhadas dos documentos que lhes dariam lastro. A análise dessas planilhas leva à suposição da existência de inconsistências contábeis. Na escrita comercial, constatou-se a praxe de registrar receitas e despesas em uma mesma conta de resultado, o que é inconcebível na visão da teoria da contabilidade; na escrita fiscal, percebeu-se que foram considerados como valores de adição e exclusão, na Parte A do Lalur, os saldos das contas patrimoniais de provisão, com cumulação de valores constituídos em períodos anteriores. - Como se vê, os controles da impugnante, assim como os instáveis critérios de contabilização e argumentos de defesa afastam a devida cognição das operações que deram origem a constituição e baixa das provisões e não permitem uma exata quantificação dos valores a serem adicionados ou excluídos do lucro líquido. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 15/02/2018, a recorrente apresentou recurso voluntário em 12/03/2018, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: - argui julgamento referente ao ano-calendário anterior (2009 – processo10314.729292/2014-90) foi procedente em parte à si, por não acarretar prejuízo ao fisco, o que demonstra uma estranheza a tal mudança de postura; - reitera os argumentos já expedidos na primeira instância administrativa, já que a decisão a quo praticamente replica os argumentos da autoridade fiscal autuante. - conclui, nos seguintes termos: 6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS: Inicialmente, cumpre asseverar que o presente Recurso, assim como a peça de impugnação, citou diversos anexos, sendo que todos eles estão relacionados aos documentos já apresentados à Fiscalização. Para facilitar a compreensão dos julgadores de Ia instância, a ora Recorrente juntou, também, os diversos Esclarecimentos entregues no decorrer do processo.. Foram juntados, ainda, diversos anexos para facilitar a compreensão do que foi exposto, razão pela qual a Recorrente não pode concordar com conclusão da Delegacia de Julgamento de que a documentação trazida aos autos seria insuficiente para comprovar o alegado pelo Contribuinte. Diante de todo o exposto, a impugnação e o presente Recurso buscaram enumerar todos os argumentos capazes de desconstituir o Auto de Infração impugnado. Por se tratar de questão eminentemente contábil, fez-se necessário apresentar tabelas e citar inúmeros documentos contábeis, o que permitirá uma análise detalhada de toda e a situação e, por certo, verificar a correção de todos os procedimentos utilizados pela ora Recorrente. Reitere-se que inúmeros 5 Art. 183. VIII, da Lei 6.404/76, alterado pela Lei 11.638/07, e Pronunciamento Técnico CPC 12. 6 Art. 16 da Lei 11.941/07. Fl. 938DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 documentos foram, anteriormente, disponibilizados à Fiscalização e, da mesma forma, em razão da necessária busca pela verdade material, a Recorrente coloca- se, mais uma vez, à disposição dos ilustres Conselheiros para juntar quaisquer documentos que entenderem necessários independentemente de o processo ser baixado em diligência. Dessa forma, torna-se mister que esse Egrégio Conselho Administrativo analise a questão de forma a julgar inteiramente improcedente o crédito tributário. Isto, por tudo que foi exposto nos autos e, especialmente, pelo fato de a Recorrente não ter trazido qualquer prejuízo ao Fisco ainda que a Fiscalização entenda ter havido erro material de lançamento, lembrando, ademais, do julgamento anteriormente realizado pela mesma Turma da Delegacia de Julgamento que julgou o caso ora recorrido. 7. DO PEDIDO Ex positis, a Recorrente espera e requer que V. Sas. julguem inteiramente procedente o presente Recurso, determinando a total improcedência do crédito tributário decorrente Auto de Infração lavrado, ante a inequívoca demonstração das irregularidades contidas no lançamento realizado. Termos em que pede e espera deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço. Do recurso voluntário: - Da questão julgado em outro processo referente a outro ano-calendário Primeiramente, cabe ressaltar que a recorrente traz a discussão o julgamento do processo 10314.729292/2014-90, referente ao ano-calendário de 2009, no qual lhe foi dado provimento parcial, o que demonstraria prejuízo e causaria estranheza pela mudança de posição. Realmente, o julgamento de primeira instância do processo 10314.729292/2014- 90 foi pela mesma turma (e composição) e mesmo relator, contudo, analisando a decisão de ambos, verifico divergências nas infrações aplicadas. Destarte, não haveria qualquer vinculação entre estes processos. Igualmente, ressalte-se que o processo 10314.729292/2014-90 foi já julgado na Câmara Baixa deste CARF, nesta turma, em sessão de 22 de janeiro de 2019, acórdão 1402- Fl. 939DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 003.691, com a relatoria do i. Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, com composição um pouco divergente da atual, decidindo então em manter incólume a decisão de primeiro grau administrativo, ou seja, negando tanto os recursos de ofício e voluntário interpostos. A ementa desta decisão foi no seguinte sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2009 PROVISÕES POR CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. ADIÇÃO DAS DESPESAS CONTABILIZADAS DE FORMA DIVERSA DA PREVISTA EM LEI. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO. A adição ao lucro real da diferença entre as despesas com provisões de PCLD e as receitas devidas por suas reversões produz o mesmo impacto que sucederia se o sujeito passivo tivesse adicionado a totalidade das despesas com as provisões e excluído a totalidade das receitas com as reversões, como previsto em lei. REVERSÃO DE PROVISÃO. A exclusão do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, gerada pela reversão de provisão indedutível anteriormente adicionada, pressupõe o reconhecimento contábil da respectiva receita. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE: CSLL. As considerações aqui formuladas para o lançamento do IRPJ são extensíveis à CSLL devido à identidade de causas. Verificando-se o andamento processual após esta decisão, não houve a interposição de recurso especial e nem de embargos, transitando em definitivo na esfera administrativa. De qualquer forma, o que então fora decidido não vincula o presente processo, REJEITANDO-SE qualquer preliminar e ilações suscitadas pela recorrente a respeito. - Das infrações aplicadas Compulsando os autos, ressalta-se que o presente processo envolve basicamente questões de prova. Na sua peça recursal, a recorrente alega trazer anexos comprobatórios, contudo, não se verifica na prática tal situação. Houve a entrega de diversos anexos, basicamente planilhas, na sua peça impugnatória, já apreciados na decisão a quo, e que considerando as remissões ocorridas no recurso voluntário, serão reapreciados nesta atual instância. No que tange à autuação fiscal, envolveu exclusões entendidas como indevidas pela autoridade fiscal autuante, nos valores de R$ 23.549.151,77, na DIPJ referente ao período da apuração janeiro a março de 2010, e R$ 8.892.672,95, na DIPJ de abril a dezembro de 2010. Conforme a autoridade fiscal, não restaram comprovados que os valores excluídos por “reversão dos saldos das provisões não dedutíveis” (linha 40 da ficha 09A do primeiro trimestre, e linha 46 dos demais trimestres) correspondessem a receitas reconhecidas nos resultados contábeis. Fl. 940DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 Em sede de recurso voluntário, repisa uma série de alegações, questionando basicamente aos procedimentos contábeis que adotou e entendidos como indevidos pela autoridade fiscal autuante. Contudo, nada agrega de provas, apenas fazendo remissão ao já apresentado anteriormente em sede de impugnação e já apreciado. Boa parte das alegações já foram trazidas à autoridade fiscal autuante, durante o procedimento fiscal. Em essência, envolvem vários valores que não foram, no entender da autoridade fiscal autuante e do colegiado a quo, comprovados. Verificou-se que diversos registros contábeis apresentados estavam incompletos, e sem nenhum amparo documental. Apresentou basicamente planilhas, sem o devido efeito probante. Como consignou em determinado momento em seu voto na decisão a quo: Os quadros construídos pela defesa, cujos dados foram reproduzidos no relatório, apresentam inconsistências que não permitem precisar se as alocações dos valores correspondem exatamente a determinada provisão indicada. Prova disso foi a apuração de diferenças negativas de exclusões indevidas a tributar, como “Outras provisões”, “Reversão para Devedores Duvidosos” ou “Provisões Tributárias”, para justificar exclusões sustentadas em seus valores [itens c.1 e c.5]. Haveria de ter sido demonstrada e comprovada a totalidade dos registros contábeis que deram amparo às exclusões resultantes das reversões de provisões. Contudo, nada agrega na sua peça recursal além de repisar as mesmas alegações trazidas durante o procedimento fiscal e em sede de impugnação. Em análise, pré-conclui o seguinte a decisão a quo: Como se vê, os controles da impugnante, assim como os instáveis critérios de contabilização e argumentos de defesa afastam a devida cognição das operações que deram origem a constituição e baixa das provisões e não permitem uma exata quantificação dos valores a serem adicionados ou excluídos do lucro líquido. Analisando-se todos os elementos contidos nos autos, verifico que as alegações da recorrente não merecem prosperar, pois está muito bem fundamentado no acórdão recorrido o motivo da manutenção das infrações aplicadas, que decorreram em essência da impossibilidade de se encontrar na defesa do contribuinte e seus elementos apresentados, a existência, no mesmo período, de registros contábeis que convalidem tais valores transitando pelas contas de resultado. Ou seja, a Recorrente não conseguiu comprovar pelos documentos acostados aos autos por ela que a exclusão na determinação do Lucro Real feita por reversão de saldos de provisões não dedutíveis (Linha 40, da Ficha 9A, da DIPJ/2010 abaixo indicadas) corresponda a uma receita reconhecida no resultado contábil de 31/12/2010. O ponto crucial aqui, é que não se verificou correlação em conta de resultado do período das exclusões (da receita) do Lucro Real feitas no ano de 2010, com os saldos de provisões excluídas no ano anterior de 2009. Ou seja, não se questiona a reversão das provisões alegadas pela recorrente, mas sim a correlação de tal exclusão da receita do Lucro Real com a conta de resultado do mesmo Fl. 941DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 período, impossibilitando se confirmar que tais exclusões se referem realmente as provisões feitas no período anterior. O fato de a Recorrente ter contabilizado despesa de provisão em ano anterior (2009) e ter adicionado ao lucro real para neutralizar o seu impacto no mesmo período, por entender serem indedutíveis, não permite a exclusão de seu valor sem a devida contabilização da receita devida por reversão. O fundamento exposto pela contribuinte em seu recurso não demonstra a neutralidade fiscal exigida às constituições e reversões de provisões indedutíveis. Assim, considerando não ter ocorrido a apresentação de novos elementos pelo contribuinte, ficando a discussão no tocante a alegações sem a devida comprovação, e para evitar repetições, colaciona os fundamentos do v. acórdão recorrido para motivar o meu voto. As observações da defesa em relação às ocorrências do período de janeiro a março de 2010 merecem comentários: • “Reversão das Provisões Tributárias – contingência PIS/Cofins” [item b.1]: A contribuinte alega que efetuou pagamentos mensais no total de R$ 9.600,00 e traz planilha para comprovar (fl. 598). Em princípio, pagamentos de créditos tributários cuja provisão foi anteriormente adicionada poderiam admitir exclusão no Lalur, desde que não se tratassem de multas. No entanto, além de a prova ser carente – poucos lançamentos contábeis foram apresentados e sem outras provas que lhes dessem respaldo – há evidências de que se referiam a multas, o que não é dedutível do IRPJ ou da CSLL (fl. 536, 598 e 726). • Reversão das provisões “para Teste de Recuperabilidade (Impairment Test)”, “para Parcelas Remanescentes de Contratos (Agro Apolo)”, “para Perdas na Revenda de Energia Elétrica” e “para Perdas de Bens para Revenda”, pelo total de R$ 4.535.057,67, considerando-se parcela não excluída de R$ 37.804,26 da Reversão da Provisão para Pagamento de Parcelas Remanescentes de Contratos (Agro Apolo) [item b.2]: Segundo a contribuinte, comporiam o valor de receitas revertidas de “Outras Provisões”, que foi deduzido para fins de determinação da infração. A alegação dispensa comentários adicionais ao já realizados, inclusive porque as reversões, somadas a outras que no quadro do período apresentado pela contribuinte constam com diferença a tributar igual a zero, alcançam o montante descartado do litígio (R$ 7.894.465,40). • Reversões das provisões para “Comissão sobre Vendas”, “Devedores Duvidosos” e “Despesas de Importação”, no total de R$ 24.735.938,82 [item b.3]: A explicação da defesa quanto a esses itens é de que eles corresponderiam ao mesmo valor das “Outras Adições”, lançado nas linhas 38 da Ficha 09A e 31 da Ficha 17. A justificativa não tem lógica, pois os fundamentos para a adição são diversos dos da exclusão. As adições foram detalhadas no Lalur e na planilha de fl. 582, baseada em contas de resultado e de contas que aparentam características patrimoniais, cujos valores adotados para adições incluíram os saldos de 31/12/09. • “Reversão da Provisão com ICMS” no valor de R$ 148.102,75 [item b.4]: A impugnante alega que a aporte questionado faria parte de um total de R$ 13.913.387,17, que integrava o saldo da conta de provisão e que fora adicionado anteriormente, sendo que não poderia ser adicionado novamente. Uma planilha apresentada demonstra o saldo da conta de provisão em 31/12/09 na mesma Fl. 942DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 quantia alegada (fl. 595); outra planilha revela movimentações a débito e a crédito realizadas em mesma conta de resultado, parecendo formar a contrapartida com as contas patrimoniais, mas as coincidências de valores não são uniforme ao longo do ano (fl. 570). No entanto, os dados da conta de resultado do período vêm albergados por registros do Livro Razão (fls. 509/511), mas sem respaldo em documentos. Os débitos no resultado (R$ 1.026.423,79) são um pouco superiores ao demonstrativo de contabilização das adições (R$ 1.019.750,12) (fl. 582). • “Demais Reversões/ Valor Presente” no valor de R$ 555.474,88 [item b.5]: A contribuinte justifica que o valor da exclusão estaria incluído no resultado do período, na conta 4210100116 (fl. 321) e constaria na linha 34 da Ficha 06A. Como anteriormente mencionado, o ajuste a valor presente não está incluído nos critérios contábeis anteriores a 31/12/07 e, portanto, não pode influenciar o resultado fiscal. Também merecem registro as seguintes considerações em relação ao período de abril a dezembro de 2010: • “Reversão para Devedores Duvidosos” pela diferença de R$ 1.348.280,09 [item c.1]: A contribuinte alega que o saldo contábil final de R$ 2.121.332,47 da conta 4510100101 (resultado) constituiu parcela de composição do valor da linha 30 da Ficha 06A. Conforme planilha apresentada, esse valor corresponderia ao saldo final em 31/12/10, resultante a de um saldo inicial igual a zero (fl. 570). Contudo, a Ficha 06A não se refere ao RTT e há uma diferença a menor de R$ 2.044.536,41 em relação à linha 30 da Ficha 07A (praticamente compensada com diferença entre as linhas 40, de “Outras Receitas Operacionais”) – disso resultaria uma vantagem em relação ao valor autuado. O Livro Razão somente contempla os meses de abril a agosto (fls. 711/719) e não há documentação de arrimo. • Reversões “da Provisão Energia Cemig”, “da Provisão para Perdas Cível” e “da Provisão para Perdas Processos Clientes”, cujas diferenças consistem em, respectivamente, R$ 3.681.243,99, R$ 21.616.866,11 e R$ 332.000,00 [itens c.2 e c.7]: No caso das duas primeiras provisões, os argumentos de defesa baseiam-se em valores que teriam sido adicionados em anos anteriores e no próprio ano (este informado na linha 25 da Ficha 05A da DIPJ); no caso da última, teria ocorrido acordo de pagamento com cliente, com extinção do processo. A impugnante afirma que os valores de R$ 21.616.866,11 e R$ 332.000,00 estariam incluídos a linha 30 da Ficha 06A, o que não confere com a verdade, pois a linha contempla valor inferior ao primeiro. O pagamento de R$ 332.000,00 poderia justificar a exclusão, desde que adicionada despesa com a provisão anteriormente; contudo, não foi apresentada prova da operação. Como mencionado anteriormente neste voto, não basta a existência de uma adição quando da constituição de provisão; há que se demonstrar evento que justifique a baixa da provisão, o que não restou comprovado. Em planilha apresentada pela contribuinte (fl. 570), as contas de resultado 3520100107 (“Provisão para Perdas Cível”) e 3520100108 (“Outras Provisões”) registraram no período créditos respectivos de R$ 21.948.866,11 (R$ 21.616.866,11 + R$ 332.000,00) e R$ 3.681.243,99. Contudo, a própria impugnação evidencia que o Fl. 943DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 oferecimento à tributação, demonstrado na Ficha 07A da DIPJ, foi dado em valores inferiores. • “Reversão da Provisão ICMS” excluída na DIPJ, cuja infração foi valorada em R$ 2.115.239,18, sendo resultado atribuído à diferença entre parcela de R$ 3.874.548,48 da exclusão, constante da linha 46 da Ficha 09A, e parcela do valor de R$ 1.759.309,30, supostamente incluída nas receitas com reversão, registradas na linha 30 da Ficha 07A [item c.3]: A impugnante alega que o valor de R$ 1.759.309,30 corresponde ao saldo contábil credor final registrado em “Reversão da Provisão ICMS” (fls. 570, conta 3520100101, e fl. 595), tal como registrado na Parte A do Lalur (código 015.014), é resultado da diferença entre valores incluídos na linha 30 da Ficha 06A da DIPJ (R$ 2.635.454,06) e na linha 25 da Ficha 05A da DIPJ (R$ 876.144,76). Entretanto, a alegação não merece guarida devido a diversas inconsistências: em primeiro lugar, a Ficha 06A da DIPJ não é aplicável para fins fiscais; em segundo, o valor de R$ 1.759.309,30 resulta da diferença entre créditos (receitas) e débitos (despesas) da conta de resultado em todo o ano-calendário, sem terem sido destacados os valores do primeiro trimestre (fl. 570); em terceiro, o valor de R$ 876.144,76 refere-se a débito(s) de apenas um mês (junho), tendo sido desconsiderado débito(s) de abril (fl. 570); em quarto, o valor de R$ 2.635.454,06 não foi localizado nas planilhas apresentadas – supõe-se que poderia referir-se ao saldo entre créditos e débitos de abril a dezembro (R$ 2.637.630,34), ao passo que a soma dos créditos (receitas) desse mesmo período redundaria em R$ 3.874.549,62; e, por último, apesar de o valor de R$ 876.144,76 ter sido supostamente considerado entre os despesas de provisão informadas na DIPJ e ter sido neutralizado por adição, apenas R$ 1.759.309,30 das receitas contabilizadas, em um total de R$ 3.874.549,62, foram oferecidos à tributação na DIPJ. Cabe ainda registrar que as planilhas de fls. 570 e 595 divergem quanto ao valor das receitas vinculadas a baixas da provisão em R$ 403.573,66, constando na última uma contrapartida em provisão de R$ 4.278.123,28. • “Reversão para Contingência Trabalhista 221.07”, no valor de R$ 47.310,60 [item c.4]: A contribuinte defende que a diferença respalda-se em saldos de provisões adicionadas em períodos anteriores, formadas por saldo existente em 31/3/10, agregado de outras provisões, efetuadas nos meses maio, agosto e setembro de 2010, conforme demonstraria o Lalur (código 005.001). Todavia, a planilha que demonstra contabilização indevida de despesas e receitas em mesma conta de resultado (fl. 597, conta 3520100109) consagra que a receita correspondente não teria sido levada à tributação na DIPJ – ainda que exclua o valor das receitas, a contribuinte nada submeteu à tributação, enquanto as despesas do período foram integralmente informadas e neutralizadas pela adição. • “Reversão da Provisão Perda em Processo ICMS – SJBV”, no valor de R$ 1.670.767,36 [item c.5]: A impugnante não precisaria defender a exclusão, uma vez que não haveria litígio nesse ponto, pois tal valor não teria ingressado no cálculo da infração. • “Reversão Tributária (Multas Pagas e Reconhecidas)”, no valor de R$ 162.255,01 e as “Reversões para Parcelamento de Multas Não Recolhidas”, no valor de R$ 14.400,00 (12 parcelas de R$ 1.200,00) [item c.5]: Como referido Fl. 944DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-004.007 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10314.728380/2015-55 anteriormente, multas são indedutíveis; portanto, as respectivas despesas não poderiam ter sido excluídas. • “Reversão da Provisão para PIS/Cofins para Contingências / Parcelamento de Multas”, no valor de R$ 39.600,00 [item c.6]: Segundo a autuada, o valor seria devido por pagamentos mensais a esse título sobre uma provisão que fora adicionada ao lucro líquido de períodos anteriores, conforme demonstra o Lalur (saldo de R$ 842.638,06). Todavia, não foram trazidos ao processo documentos que demonstrem que a totalidade dos pagamento não se refira a multas, que são indedutíveis e insuscetíveis de exclusão. A impugnante não comprovou a regularidade das reversões das provisões indedutíveis nos montantes necessários para afastar as infrações consignadas nos autos de infração. Desta forma, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão a quo. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 945DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.721119/2011-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/03/2010
DESCRIÇÃO DOS FATOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando o lançamento contém descrição pormenorizada dos fatos apurados e indicação correta dos dispositivos legais aplicados.
13º SALÁRIO PAGO A MAIOR. SOMENTE GLOSADO O COMPENSADO A MAIOR.
A fiscalização explicitou que considerou os valores que a recorrente poderia ter compensado e somente glosou os valores compensados a maior.
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. STJ. RECURSO REPETITIVO.
Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tel entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF.
TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, como explicitado no art. 214, § 4°, do Regulamento da Previdência Social.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO-MATERNIDADE.
O Superior Tribunal de Justiça - STJ se manifestou pela incidência da contribuição sobre o salário maternidade no Recurso Especial - REsp 1.230.957/RS, sob o rito dos recursos repetitivos.
ADICIONAL NOTURNO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O Supremo Tribunal Federal, apreciando a incidência de contribuições previdenciárias sobre o adicional noturno, no tema 20 da repercussão geral fixou a tese de que A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998
HORA EXTRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
O Superior Tribunal de Justiça firmou a tese que "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." (Tema nº 687) nos autos do REsp nº 1.358.281, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC/1973, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II ao RICARF.
DIFERENÇA A MAIOR NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA.
Verificado que o declarado na GFIP está de acordo com a base de cálculo conforme resumo da folha de pagamento então não há como afirmar que houve recolhimento a maior ou diferença a maior da base de cálculo.
Numero da decisão: 2301-006.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para, por unanimidade, cancelar o Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.610-3 e, por voto de qualidade, manter os demais autos de infração, vencidos o relator e os conselheiros Wesley Rocha, Virgílio Cansino Gil e Wilderson Botto que rejeitaram a glosa do terço de férias. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite.
(documento assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa, quando o lançamento contém descrição pormenorizada dos fatos apurados e indicação correta dos dispositivos legais aplicados. 13º SALÁRIO PAGO A MAIOR. SOMENTE GLOSADO O COMPENSADO A MAIOR. A fiscalização explicitou que considerou os valores que a recorrente poderia ter compensado e somente glosou os valores compensados a maior. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. STJ. RECURSO REPETITIVO. Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tel entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. O adicional do terço constitucional de férias possui natureza de retribuição pelo trabalho, integrando a remuneração e o salário de contribuição para fins de incidência da contribuição previdenciária, como explicitado no art. 214, § 4°, do Regulamento da Previdência Social. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO- MATERNIDADE. O Superior Tribunal de Justiça - STJ se manifestou pela incidência da contribuição sobre o salário maternidade no Recurso Especial - REsp 1.230.957/RS, sob o rito dos recursos repetitivos. ADICIONAL NOTURNO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. STF. REPERCUSSÃO GERAL. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 11 19 /2 01 1- 73 Fl. 504DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 O Supremo Tribunal Federal, apreciando a incidência de contribuições previdenciárias sobre o adicional noturno, no tema 20 da repercussão geral fixou a tese de que “A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998” HORA EXTRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O Superior Tribunal de Justiça firmou a tese que "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." (Tema nº 687) nos autos do REsp nº 1.358.281, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC/1973, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II ao RICARF. DIFERENÇA A MAIOR NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA. Verificado que o declarado na GFIP está de acordo com a base de cálculo conforme resumo da folha de pagamento então não há como afirmar que houve recolhimento a maior ou diferença a maior da base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para, por unanimidade, cancelar o Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.610-3 e, por voto de qualidade, manter os demais autos de infração, vencidos o relator e os conselheiros Wesley Rocha, Virgílio Cansino Gil e Wilderson Botto que rejeitaram a glosa do terço de férias. Designado para fazer o voto vencedor o conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite. (documento assinado digitalmente) João Mauricio Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado), João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. Relatório Fl. 505DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 O presente processo tem por objeto os seguintes Autos de Infração: - Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.609-0, referente à glosa das compensações efetuadas pela empresa acima identificada nas competências 04/2009 e 05/2009, envolvendo recolhimentos relativos ao décimo terceiro salário do ano de 2008 (levantamento DC – GLOSA DÉCIMO TERCEIRO 2008). O valor desse crédito tributário é de R$ 313.209,00 (incluindo o valor das compensações glosadas, juros e multa de mora). - Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.610-3, referente à glosa das compensações efetuadas pela empresa nas competências 02/2010 e 03/2010, envolvendo recolhimentos relativos a aviso prévio indenizado efetuados nas competências de 07/2007 e 01/2009 a 07/2009 (levantamentos IN – INDENIZAÇÃO e AP – AVISO PRÉVIO). O valor desse crédito tributário é de R$ 13.312,35 (incluindo o valor das compensações glosadas, juros e multa de mora). - Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.611-1 se refere à glosa das compensações efetuadas pela empresa nas competências 07/2009, 09 a 11/2009 e 01 a 03/2010, envolvendo recolhimentos relativos a horas extras, adicional noturno, terço de férias, salário maternidade e diferenças a maior de base de cálculo, efetuados no período de 10/1999 a 07/2009 (levantamento GC – GLOSADO COMPENSADO). O valor desse crédito tributário é de R$ 1.940.741,02 (incluindo o valor das compensações glosadas, juros e multa de mora). A empresa apresentou impugnação tempestiva, com as alegações a seguir sintetizadas: - Preliminarmente, alega que os Autos de Infração são nulos porque não contêm descrição clara e precisa dos fatos e fundamentos jurídicos que os embasaram. Afirma que fiscalização tem o dever de efetuar tal descrição, elencando e anexando ao processo elementos concretos que denotem todos os aspectos da hipótese normativa de incidência tributária. Cita, como fundamento legal desse dever, o art. 142 do Código Tributário Nacional e o art. 2º da Lei nº 9.784/99. Assevera que os Autos de Infração revelam-se equivocados, imprecisos, ambíguos, e contêm uma fundamentação legal excessiva e confusa, o que prejudica o exercício do direito à ampla defesa e, conseqüentemente, acarreta a nulidade do ato administrativo. - No mérito, afirma que as compensações efetuadas envolvem recolhimentos referentes a verbas indenizatórias, que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias. Argumenta que o art. 195, I, “a”, da Constituição Federal, e o art. 28, I, da Lei 8.212/91, deixam claro que as contribuições previdenciárias incidem tão-somente sobre o salário do trabalhador, ou seja, pela contraprestação devida pelo empregador pelos serviços prestados pelo empregado, o que não pode ser confundido com as parcelas indenizatórias. Trata-se processo administrativo fiscal cujo objeto é o crédito tributário relativo a compensações realizadas pelo Contribuinte, em GFIP, no período de janeiro de 2013 a dezembro de 2015 (incluindo o décimo terceiro salário), compensações estas glosadas, nos termos do Despacho Decisório (fls. 81/88), proferido pela DIORT/DEMAC/RJO da Superintendência Regional – 7ª Região Fiscal – SRRF07 (Rio de Janeiro/RJ). Destaca que eventual lei que tribute pagamentos decorrentes de indenizações será inconstitucional, sendo inválida qualquer equiparação do recebimento de indenização com a obtenção de salários. Por fim, cita jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Fl. 506DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 Regional Federal da 4ª Região, no sentido de não incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas de cunho indenizatório. Ao final, com base nesses argumentos, a empresa requereu: a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; o cancelamento dos Autos de Infração, em face da nulidade apontada; o reconhecimento de que as compensações envolvendo verbas de caráter indenizatório estão corretas. Às efls. 354/363 a DRJ/CTA julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente os autos de infração. Às efls. 373/388 o contribuinte apresentou recurso reiterando todos os argumentos contidos na sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Preliminar Quanto a preliminar de nulidade, não assiste razão a recorrente, tendo a decisão de primeira instância enfrentado detalhadamente a alegação de que os Autos de Infração são nulos porque não contêm descrição clara e precisa dos fatos e fundamentos jurídicos que os embasaram. Portanto, exclusivamente no que se refere à preliminar de nulidade, nos termos em que faculta o art. 57, § 3º do RICARF, como não houve apresentação de novas razões de defesa perante a segunda instância, transcrevo a decisão de primeira instância e proponho a sua confirmação e adoção de suas razões de decidir: “Os fatos apurados pela fiscalização estão descritos de maneira clara e pormenorizada no documento intitulado “Relatório Fiscal do Auto de Infração”, o qual foi devidamente entregue à empresa, juntamente com os demais anexos que compõem os Autos de Infração. O referido Relatório deixa bem claro quais foram as compensações glosadas, bem como os motivos pelos quais as mesmas foram consideradas indevidas. Para ilustrar bem esse fato, transcrevo a seguir alguns trechos dos itens 1, 2 e 3 do Relatório: 1 - AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.326.609-0 Este relatório é integrante do Auto de Infração - AI - de contribuições devidas à Seguridade Social, que a empresa compensou nas competências de 04/2009 e 05/2009 referente a diferença que a empresa compensou a maior em relação ao recolhido em dobro no décimo terceiro de 2008. Fl. 507DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 FATOS GERADORES Constituem fatos geradores das contribuições lançadas conforme rubricas: DC - GLOSA DÉCIMO TERCEIRO 2008 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas deste débito, os valores referentes à glosa de valores compensados a maior nas competências de 04/2009 e 05/2009 originados do recolhimento em dobro do décimo terceiro de 2008 nas seguintes condições: A empresa recolheu a título de INSS o valor de R$ 387.544,74 e de R$ 72.980.32 de terceiros. A compensação de 02/2009 foi de RS 69.975,73, em 03/2009 foi de R$ 63.393,64, em 04/2009 foi de R$ 178.956.96 e em 05/2009 foi de R$ 115.423,29 totalizando R$ 427.849,62. Atualizando os valores a empresa poderia ter compensado nas competências de 02/2009 e 03/2009 e conforme planilha anexa na competência de 04/2009 poderia ter compensado R$ 69.760.15 o que representa 38,981524% do que foi compensado e neste caso o restante de 61,018476 foi glosado, bem como o valor compensado na competência 05/2009 integralmente conforme verificados e identificados no Relatório de Lançamentos - RL e conforme relação no DD - Discriminativo do Débito. Os documentos examinados durante a fiscalização foram os seguintes: GFIP, GPS recolhidas e planilha fornecida pela empresa. Importa o débito consolidado em R$ 313.209,00 (trezentos e treze mil e duzentos e nove reais), valor consolidado em junho de 2011. (..........................) 2 - AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD - 37.326.610-3 Este relatório é integrante do Auto de Infração - Al - de contribuições devidas à Seguridade Social, que a empresa compensou na competência de 02/2010, valores estes considerados pela empresa como indevidos e que foram glosados por esta fiscalização. FATOS GERADORES Constituem fatos geradores das contribuições lançadas conforme rubricas: IN - INDENIZAÇÃO E AP - AVISO PRÉVIO. IN - INDENIZAÇÃO Valor originário a título de indenização, mas que na verdade se refere a aviso prévio indenizado na competência de 07/2007 conforme já demonstrado no TIF 003 na folha analítica de Rafael Torres Baumhardt e de Luciano dos Santos Pedroso nas filiais /0026-04 e /0024-42. O aviso prévio não incidia conforme IN SRP 003/20005 art. 72, inciso VI, alínea “f” e com o advento da IN SRP 20/2007 de 11/01/2007 em seu art 4o revogou o art 72, VI, “f” da IN 003/2005. Fl. 508DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 Para tanto, foram desconsiderados os levantamentos apurados pela empresa nos períodos anteriores já que não incidia previdência sobre aviso prévio indenizado. Os valores foram lançados na matriz. AP-AVISO PRÉVIO Valor originário a título de aviso prévio indenizado apurado nas competências 01/2009 a 07/2009 e que a empresa compensou em 03/2010 conforme planilha elaborada pela empresa. Elaboramos nova planilha identificando nas competências os segurados, valores e respectivas filiais sendo que atualizados os valores foram lançados ma matriz. Tese 6 - Aviso Prévio indenizado. O aviso prévio indenizado foi apurado a partir de 02/2009 e representa RS 8.855,20. O Decreto n° 6.727 de 12/01/2009 revogou em seu artigo 1º a alínea “f” do inciso V do parágrafo 9° do art 214, o art 291 e o inciso V do art. 292 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06 de maio de 1999. Situação ainda não consolidada, devido diversos Mandados de Segurança, e Decisão do STJ. Importa o débito consolidado em R$ 13.312,35 (treze mil e trezentos c doze reais c trinta c cinco centavos), valor consolidado em junho de 2011. (.....................) 3 - AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD – Nº 37.326.611-1 FATOS GERADORES GC - GLOSADO COMPENSADO Constitui fato gerador os levantamentos desta rubrica, a Glosa da compensação efetuados pela empresa a título de: - Diferença a maior da base de cálculo Exclusão de Horas Extras - Exclusão Adicional Noturno - 1/3 de Férias - Salário Maternidade Conforme já demonstrado no Termo de Intimação Fiscal 002 segue análise sobre os valores compensados. Na tese 1 - Diferença a maior da base de cálculo. Neste caso cabe a empresa verificar se o espelho das rubricas apresentadas com incidência na folha de pagamento está correto ao informado na GFIP, que conforme legenda (a) está compondo a base de cálculo do INSS, segundo o sistema da Folha de Pagamento da Cotrimaio. A legenda (b) não está compondo a base de cálculo e (c) passou a compor a base a partir de 02/2009. Fl. 509DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 Verificamos que não incidiria no décimo terceiro, diferença de décimo terceiro, anuênios, diferenças de férias, diferença média HE e Adicional Noturno, média licença maternidade, salário maternidade para a SEF e diferença salarial. Verificado que o declarado na GFIP está de acordo com a base de cálculo conforme resumo da folha de pagamento então não há como afirmar que houve recolhimento a maior ou diferença a maior da base de cálculo. Neste caso a empresa deverá confirmar que de fato houve diferença da base de cálculo com as devidas demonstrações, já que há divergências com relação ao declarado na GFIP. Como a empresa compensou valores, cabe a mesma demonstrar com dados corretos ou será necessária a apresentação de Arquivos Digitais do MANAD) da respectiva folha de pagamento de todo o período da apuração dos cálculos. Como a empresa não se manifestou ao referido assunto no TIF 003 em que foi demonstrado pela documentação apresentada pela empresa de que o valor declarado em GFIP está correto e que não houve pagamento a maior da base de cálculo. Tese 2 - Exclusão de Horas Extras. Tese 3 - Exclusão Adicional noturno. Tese 5 - 1/3 de férias. A CF/88, em seu artigo 7º põe termo à discussão sobre a natureza remuneratória das horas-extras e dos adicionais por trabalho noturno ao equipará-los a remuneração. Em relação ao adicional de 1/3 de férias, não cabe contribuição previdenciária somente quando tiver natureza indenizatória. Não sendo esta a hipótese, em que se postula o afastamento da incidencia sobre o adicional de 1/3 de férias efetivamente gozadas, sendo devida a contribuição. Tese 7 - Salário Maternidade. O salário maternidade possui natureza salarial e, por este motivo, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias, consoante prevê expressamente o art. 28, § 2º, da Lei 8.212/91. A empresa também não observou o art 3o § 11 da IN 900 de 30 de dezembro de 2008: § 11. A restituição das contribuições previdenciárias declaradas incorretamente fica condicionada à retificação da declaração, exceto quando o requerente for segurado ou terceiro não responsável por essa declaração, e, também, o art 34, § 10 em relação ao período de 5 anos: § 10. O sujeito passivo poderá apresentar Declaração de Compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo e, ainda, que sejam satisfeitas as condições previstas no § 5o. Cabe salientar que da apuração efetuada pela empresa abrange os seguintes períodos: - Diferença da base de cálculo de 10/2001 a 07/2009, - Exclusão de Horas Extras de 02/2000 a 07/2009, - Exclusão do Adicional Noturno de 10/1999 a 07/2009, Fl. 510DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 - 1/3 de férias de 01/2000 a 07/2009, - Salário Maternidade de 03/2000 a 07/2009. Os documentos examinados durante a fiscalização foram os seguintes: GFIP, GPS recolhidas, Arquivos Digitais de 2009 e 2010, Folhas de Pagamento de 2009 e 2010, Recibos de Pagamentos de. Importa o débito consolidado deste DEBCAD em R$ 1.940.741,02 (um milhão e novecentos c quarenta mil e setecentos e quarenta e um reais e dois centavos), valor consolidado em junho de 2011. Como se pode perceber, as informações inseridas pela fiscalização no Relatório Fiscal são suficientes para proporcionar ao contribuinte pleno conhecimento dos motivos que levaram à apuração dos valores apurados nos Autos de Infração. Com efeito, o Relatório deixa claro que o Auto de Infração nº 37.326.6090 se refere às compensações de valores recolhidos sobre o décimo terceiro salário de 2008, o Auto de Infração nº 37.326.610-3 se refere às compensações envolvendo recolhimentos relativos a aviso prévio indenizado, e o Auto de Infração nº 37.326.611-1 se refere às compensações envolvendo outras verbas (horas extras, adicional noturno, terço de férias, salário maternidade e diferenças a maior de base de cálculo). A empresa pode até discordar dos valores apurados e do entendimento adotado pela fiscalização, mas não pode afirmar que os Autos de Infração são imprecisos ou estão desprovidos de fundamentação. Nesse ponto, cabe destacar que a alegação da empresa foi apresentada de forma totalmente genérica. Ela não indicou quais seriam os pontos obscuros do Relatório Fiscal, nem mencionou qual fato não teria ficado devidamente esclarecido. Portanto, a meu ver, não houve prejuízo ao direito de defesa e a preliminar de nulidade deve ser rejeitada.” Mérito No Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.609-0, referente à glosa das compensações efetuadas pela empresa acima identificada nas competências 04/2009 e 05/2009, envolvendo recolhimentos relativos ao décimo terceiro salário do ano de 2008 (levantamento DC – GLOSA DÉCIMO TERCEIRO 2008), a recorrente aponta que o crédito utilizado para compensação decorreu de pagamento em dobro do 13º salário de 2008 e que o auto de infração glosou quase que integralmente os valores compensados. Neste ponto também não assiste razão à recorrente. Por ocasião do lançamento, a fiscalização explicitou que considerou os valores que a recorrente poderia ter compensado e somente glosou os valores compensados a maior: “1 - AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.326.609-0 Este relatório é integrante do Auto de Infração - AI - de contribuições devidas à Seguridade Social, que a empresa compensou nas competências de 04/2009 e 05/2009 referente a diferença que a empresa compensou a maior em relação ao recolhido em dobro no décimo terceiro de 2008. Fl. 511DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 FATOS GERADORES Constituem fatos geradores das contribuições lançadas conforme rubricas: DC - GLOSA DÉCIMO TERCEIRO 2008 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas deste débito, os valores referentes à glosa de valores compensados a maior nas competências de 04/2009 e 05/2009 originados do recolhimento em dobro do décimo terceiro de 2008 nas seguintes condições: A empresa recolheu a título de INSS o valor de R$ 387.544,74 e de R$ 72.980.32 de terceiros. A compensação de 02/2009 foi de RS 69.975,73, em 03/2009 foi de R$ 63.393,64, em 04/2009 foi de R$ 178.956.96 e em 05/2009 foi de R$ 115.423,29 totalizando R$ 427.849,62. Atualizando os valores a empresa poderia ter compensado nas competências de 02/2009 e 03/2009 e conforme planilha anexa na competência de 04/2009 poderia ter compensado R$ 69.760.15 o que representa 38,981524% do que foi compensado e neste caso o restante de 61,018476 foi glosado, bem como o valor compensado na competência 05/2009 integralmente conforme verificados e identificados no Relatório de Lançamentos - RL e conforme relação no DD - Discriminativo do Débito. Os documentos examinados durante a fiscalização foram os seguintes: GFIP, GPS recolhidas e planilha fornecida pela empresa. Importa o débito consolidado em R$ 313.209,00 (trezentos e treze mil e duzentos e nove reais), valor consolidado em junho de 2011. Quanto ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.610-3, referente à glosa das compensações efetuadas envolvendo recolhimentos relativos a aviso prévio indenizado, em meu entendimento, cabe razão à recorrente. Cumpre citar o REsp 1230957/RS, julgado como recurso representativo de controvérsia, que deve ser reproduzida pelos conselheiros, posto que definitiva no âmbito do STJ, pelo qual decidiu-se que não incidiria contribuição previdenciária sobre o aviso prévio indenizado, conforme tem sido decidido neste CARF: “AVISO PRÉVIO INDENIZADO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. STJ. RECURSO REPETITIVO. Tendo o STJ decidido em sede de recurso repetitivo, especificamente no REsp. nº 1.230.957/RS, que não incide contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado, tel entendimento deve ser repetido no CARF, conforme arts. 45, VI e 62, § 1º, 'b', do Anexo II ao RICARF.” (Acórdão nº 2202-004.358, de 05/04/2018) “AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Fl. 512DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada.” (Acórdão nº 2401-004.999, de 08/08/2017) Quanto ao Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.611-1, que se refere à glosa das compensações envolvendo recolhimentos relativos a horas extras, adicional noturno, terço de férias, salário maternidade e diferenças a maior de base de cálculo, cabe a apreciação específica de cada uma destas parcelas. No que tange ao terço de férias e salário maternidade, cumpre citar, também, o Resp 1230957/RS, julgado como recurso representativo de controvérsia, que deve ser reproduzida pelos conselheiros, posto que definitiva no âmbito do STJ, pelo qual decidiu-se que não incidiria contribuição previdenciária sobre o terço de férias e que incidiria sobre o salário maternidade, conforme tem sido decidido neste CARF: “TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS, AVISO PRÉVIO INDENIZADO E OS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIO-DOENÇA. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória das verbas denominadas terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado e os quinze dias que antecedem o auxílio-doença, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludidas rubricas, impondo seja rechaçada a tributação imputada. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO- MATERNIDADE. SALÁRIO-PATERNIDADE. HORAS EXTRAS. De acordo com a Lei nº 8.212/1991, art. 28, §2º, incide contribuição previdenciária sobre o salário-maternidade. O Superior Tribunal de Justiça - STJ também se manifestou pela incidência da contribuição sobre essa verba no julgamento do Recurso Especial - REsp 1.230.957/RS, sob o rito dos recursos repetitivos. Incide contribuição previdenciária sobre o salário-paternidade, entendimento expresso na Solução de Consulta nº 122/2015 emitida pela Coordenação Geral de Tributação - COSIT. Incide contribuição previdenciária sobre as horas extras e respectivo adicional, por se tratar de verba paga em retribuição pela prestação do trabalho. O STJ também já decidiu nesse sentido no julgamento do Recurso Especial - REsp 1.358.281.” (Acórdão nº 2402-006.660, de 03/10/2018) Ademais, acerca do REsp 1230957/RS, há de se salientar que o Recurso Extraordinário interposto pela PGFN se encontrava sobrestado somente até o julgamento do RE 593068 (tema 163 da Repercussão Geral), nos seguintes termos: Fl. 513DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 “Como o tema que ora se discute, apesar de similar ao RE 593068/SC, não é idêntico, pois, enquanto naquele o sujeito passivo está submetido a regime próprio de previdência social, no caso em tela é integrante do regime geral de previdência social, o feito foi admitido com fulcro no art. 543-A, § 2º, do CPC e encaminhado ao Supremo. Analisando o feito, o então relator, Min. Luiz Fux entendendo que a questão discutida na espécie seria idêntica à tratada no citado RE 593068 RG/SC, determinou, nos termos do art. 328, parágrafo único do RISTF, a devolução dos autos a esta Corte para fins de sobrestamento até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal. Assim, diante da decisão do STF no sentido de que o tema versado nos presentes autos é uníssono com o tratado no RE 593068 RG/SC, cuja matéria teve repercussão geral reconhecida, determino o sobrestamento do presente recurso extraordinário até o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, do mérito aludido feito, nos termos do artigo 328-A do RISTF.” Ocorre que, em 11/10/2018, o STF concluiu pela não incidência de contribuições previdenciárias nas parcelas discutidas no RE 593068 (tema 163 da Repercussão Geral), proferindo a seguinte decisão de julgamento, com ata de julgamento publicada em 22/10/2018: “Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 163 da repercussão geral, deu parcial provimento ao recurso extraordinário para determinar a restituição das parcelas não prescritas, nos termos do voto do Relator, vencidos os Ministros Teori Zavascki, Dias Toffoli (Presidente), Marco Aurélio e Gilmar Mendes. Em seguida, por maioria, fixou-se a seguinte tese: “Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como ‘terço de férias’, ‘serviços extraordinários’, ‘adicional noturno’ e ‘adicional de insalubridade’”, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não votou o Ministro Alexandre de Moraes, sucessor do Ministro Teori Zavascki. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.10.2018.” Portanto, entendo haver incidência de contribuições previdenciárias sobre o salário maternidade e quanto ao adicional de férias, assiste razão ao recorrente, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias. Quanto ao adicional noturno, cumpre citar o julgamento realizado pelo STF no RE 565160, com repercussão geral reconhecida, portanto, de observância obrigatória por este colegiado, com a controvérsia assim delimitada: “Tal como fez o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, delimito a controvérsia, no que envolvido processo subjetivo. Eis o pedido formulado na inicial da ação ordinária ajuizada contra o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS: [...] julgar procedente a presente ação, declarando a inexistência de relação jurídica tributária entre a autora e o INSS, que a obrigue a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre o total de remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, conforme exigência do inciso I, do art. 22, da Lei 8.212/91, com alterações impostas pela Lei nº 9.876/99, mais sim e tão somente sobre a folha de salários, sendo portanto Fl. 514DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 excetuadas as seguintes verbas : adicionais (de periculosidade e insalubridade), gorjetas, prêmios, adicionais noturnos, ajudas de custo e diárias de viagem (quando excederem 50% do salário percebido), comissões e quaisquer outras parcelas pagas habitualmente, ainda que em unidades previstas em acordo ou convenção coletiva ou mesmo que concedidas por liberalidade do empregador não integrantes na definição de salário, até a edição de norma válida e constitucional para a instituição da mencionada exação.” No julgamento do RE 565160 foi proferida a seguinte decisão pelo STF: Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 20 da repercussão geral, conheceu do recurso extraordinário e negou-lhe provimento, fixando a seguinte tese: “A contribuição social a cargo do empregador incide sobre ganhos habituais do empregado, quer anteriores ou posteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998”. Portanto, quanto ao adicional noturno, não cabe razão à recorrente. Quanto às horas extras, também não assiste razão à recorrente e cumpre citar o REsp 1358281/SP, julgado como recurso representativo de controvérsia, que deve ser reproduzida pelos conselheiros, posto que definitiva no âmbito do STJ, pelo qual decidiu-se que incidiria contribuição previdenciária sobre esta parcela, conforme tem sido decidido neste CARF: “HORA EXTRA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. O Superior Tribunal de Justiça firmou a tese que "As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária." (Tema nº 687) nos autos do REsp nº 1.358.281, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC/1973, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do Anexo II ao RICARF.” (Acórdão nº 2202-003.771, de 04/04/2017) Por fim quanto às diferenças a maior de base de cálculo, não cabe razão à recorrente, tendo a fiscalização explicitado o que se segue: “Verificado que o declarado na GFIP está de acordo com a base de cálculo conforme resumo da folha de pagamento então não há como afirmar que houve recolhimento a maior ou diferença a maior da base de cálculo. Neste caso a empresa deverá confirmar que de fato houve diferença da base de cálculo com as devidas demonstrações, já que há divergências com relação ao declarado na GFIP. Como a empresa compensou valores, cabe a mesma demonstrar com dados corretos ou será necessária a apresentação de Arquivos Digitais do MANAD) da respectiva folha de pagamento de todo o período da apuração dos cálculos. Fl. 515DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 Como a empresa não se manifestou ao referido assunto no TIF 003 em que foi demonstrado pela documentação apresentada pela empresa de que o valor declarado em GFIP está correto e que não houve pagamento a maior da base de cálculo.” Ante ao exposto, voto no sentido de Conhecer do Recurso e no mérito DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para cancelar o integralmente o Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.610-3 e cancelar a glosa de compensação do terço de férias do Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.611-1. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Voto Vencedor Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite – Relator Designado Divirjo do ilustre relator, exclusivamente sobre a não incidência da contribuição previdenciária sobre o terço de férias, tendo em vista decisão do STJ, em recurso repetitivo, ainda não transitado em julgado. De fato, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp 1.230.957, julgado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), consolidou o entendimento da não incidência de contribuição previdenciária sobre a remuneração paga sobre o terço constitucional de férias indenizadas ou gozadas. A vinculação ao decidido na sistemática dos recursos repetitivos, contudo, demanda decisão definitiva de mérito (Regimento Interno do CARF, art. 62). O REsp 1.230.957 não transitou em julgado, por ter sido sobrestado devido ao reconhecimento de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tendo por paradigma o RE n° 593.068/SC, a tratar da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias, a gratificação natalina, os serviços extraordinários, o adicional noturno e o adicional de insalubridade (Tema 163/STF). Além disso, a natureza jurídica do terço constitucional de férias, indenizadas e gozadas, para fins de incidência da contribuição previdenciária patronal é objeto de repercussão geral no RE n° 1.072.485/PR, pendente de julgamento (Tema 985/STF). Portanto, o terço constitucional integra a base de cálculo das contribuições, conforme já decidido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. ART. 214, §4º, DO DECRETO nº 3048/99. A remuneração de férias e seu respectivo adicional de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal possuem natureza remuneratória e, nessa condição, integram o Fl. 516DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-006.167 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11070.721119/2011-73 salário de contribuição, para fins de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos expressos no §4º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99. IMPOSSIBILIDADE DE OBSERVÂNCIA DE DECISÃO DO STJ. AUSÊNCIA DE Nos termos art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 343 de 09 de junho de 2015, enquanto não transitado em Julgado decisão do STJ acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre um terço de férias, aviso prévio indenizado e 15 primeiros dias do auxílio doença ou auxílio acidente, não se pode afastar regra expressa do Decreto 3048/99 quanto à incidência de Contribuições Previdenciárias. (...) Acórdão 9202006.464, de 30 de janeiro de 2018. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso em relação a glosa de compensação do terço de férias do Auto de Infração DEBCAD nº 37.326.611-1 (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 517DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.720547/2012-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/06/2009 a 14/02/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
A interposição fraudulenta presumida tem como fato punível a não comprovação de origem dos recursos empregados nas operações de importação. Assim, cabe à fiscalização perquirir especificamente quanto à origem dos recursos vinculados exatamente às operações de importação examinadas. Ausente tal prova específica, torna-se insubsistente o lançamento.
CESSÃO DE NOME. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ENCOMENDANTE DIVERSO.
Apenas o fato de existirem negociações comerciais prévias à importação não é suficiente para a caracterização da cessão de nome na importação. Ausente demais comprovações, como a própria transferência prévia de recursos, ao lado da existência de indícios favoráveis ao importador, tal como a utilização de marca própria, não há como subsistir a imputação de penalidade.
SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO DE VALORES. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO.
A ocorrência de subfaturamento e o respectivo arbitramento de valores não pode ser fundamentada em mera presunção. É necessária prova mínima, pela Fiscalização, acerca dos valores apontados como corretos, não cabendo a mera indicação de divergências entre documentos gerenciais da empresa.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR.
A solidariedade tributária estabelecida em lei pressupõe que a Fiscalização efetue a demonstração do fato e sua adequada subsunção à norma. Inexistente descrição de atos cometidos com excesso de poderes, ou mesmo o interesse jurídico comum, capazes de atrais a incidência das imposições legais, inviável a atribuição de responsabilidade tributária.
Numero da decisão: 3201-004.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício e aos Recursos Voluntários.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: Relatora Tatiana Josefovicz Belisário
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 16/06/2009 a 14/02/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A interposição fraudulenta presumida tem como fato punível a não comprovação de origem dos recursos empregados nas operações de importação. Assim, cabe à fiscalização perquirir especificamente quanto à origem dos recursos vinculados exatamente às operações de importação examinadas. Ausente tal prova específica, torna-se insubsistente o lançamento. CESSÃO DE NOME. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ENCOMENDANTE DIVERSO. Apenas o fato de existirem negociações comerciais prévias à importação não é suficiente para a caracterização da cessão de nome na importação. Ausente demais comprovações, como a própria transferência prévia de recursos, ao lado da existência de indícios favoráveis ao importador, tal como a utilização de marca própria, não há como subsistir a imputação de penalidade. SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO DE VALORES. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO. A ocorrência de subfaturamento e o respectivo arbitramento de valores não pode ser fundamentada em mera presunção. É necessária prova mínima, pela Fiscalização, acerca dos valores apontados como corretos, não cabendo a mera indicação de divergências entre documentos gerenciais da empresa. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. A solidariedade tributária estabelecida em lei pressupõe que a Fiscalização efetue a demonstração do fato e sua adequada subsunção à norma. Inexistente descrição de atos cometidos com excesso de poderes, ou mesmo o interesse jurídico comum, capazes de atrais a incidência das imposições legais, inviável a atribuição de responsabilidade tributária.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/06/2009 a 14/02/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. A interposição fraudulenta presumida tem como fato punível a não comprovação de origem dos recursos empregados nas operações de importação. Assim, cabe à fiscalização perquirir especificamente quanto à origem dos recursos vinculados exatamente às operações de importação examinadas. Ausente tal prova específica, tornase insubsistente o lançamento. CESSÃO DE NOME. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ENCOMENDANTE DIVERSO. Apenas o fato de existirem negociações comerciais prévias à importação não é suficiente para a caracterização da cessão de nome na importação. Ausente demais comprovações, como a própria transferência prévia de recursos, ao lado da existência de indícios favoráveis ao importador, tal como a utilização de marca própria, não há como subsistir a imputação de penalidade. SUBFATURAMENTO. ARBITRAMENTO DE VALORES. IMPOSSIBILIDADE DE PRESUNÇÃO. A ocorrência de subfaturamento e o respectivo arbitramento de valores não pode ser fundamentada em mera presunção. É necessária prova mínima, pela Fiscalização, acerca dos valores apontados como corretos, não cabendo a mera indicação de divergências entre documentos gerenciais da empresa. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. A solidariedade tributária estabelecida em lei pressupõe que a Fiscalização efetue a demonstração do fato e sua adequada subsunção à norma. Inexistente descrição de atos cometidos com excesso de poderes, ou mesmo o interesse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 05 47 /2 01 2- 73 Fl. 18751DF CARF MF 2 jurídico comum, capazes de atrais a incidência das imposições legais, inviável a atribuição de responsabilidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício e aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recursos Voluntários e Recurso de Ofício interpostos em face dos Acórdãos nº 0832.510 (fls. 17.933/18.023) e 08.37.855 (fls. 18.399/18.447), ambos da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza. O primeiro Acórdão nº 0832.510 assim relatou o feito: Das autuações Cuida o presente processo de lançamentos consubstanciados nos Autos de Infração devidamente fundamentados (às fls. 0262), lavrados, em 02/05/2012, em face da UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA., a qual será denominada por UTILIDAD, adquirente (ostensiva) das mercadorias importadas em questão, em razão da ocultação do(s) real(ais) adquirente(s) (DE FATO), bem como da ocorrência de subfaturamento, por meio dos quais foram formalizadas as seguintes exigências concernentes: (i) ao Imposto de Importação, acrescido de juros de mora e da multa de 150% (no total de R$ 50.345,60); (ii) à Multa proporcional ao valor aduaneiro (R$ 15.052.552,57); (iii) à Multa por cessão de nome (R$ 2.341.713,30); (iv) ao IPI vinculado à importação, acrescido de juros de mora e da multa de 150% (no total de R$ 18.463,31); (v) ao PIS/PASEP importação, acrescido de juros de mora e da multa de 150% (no total de R$ 6.080,72), e, (vi) à COFINS importação, acrescida de juros de mora e da multa de 150% (no total de R$ 28.007,91), totalizando um montante de R$ 17.497.163,41. Fl. 18752DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.752 3 Foram também arrolados no polo passivo como solidários (art. 95, I, do Decretolei nº 37/1966; art. 124, I, II, e art. 134 e incisos, e art. 135, I, II, III, do CTN): (i) ALTEMIR ROGÉRIO MARQUES; (ii) ANDERSON RODRIGUES MARQUES; (iii) a empresa PRIME HOLDING E PARTICIPAÇÕES EMPRESARIAIS LTDA. (denominada doravante como PRIME HOLDING, apontada como sócia administradora da UTILIDAD, cujos sócios administradores são: Vinícius da Costa Coelho, Daniel Chícrala Chaves de Oliveira e Filipe da Costa Coelho); (iv) EDMAR MOTHÉ; (v) a empresa PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. importadora ostensiva (denominada doravante como PRIME); (vi) VINÍCIUS DA COSTA COELHO; (vii) DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, e (viii) FILIPE DA COSTA COELHO. Do Termo de Verificação Fiscal (às fls. 63265) 1 Introdução (à fl. 63) Relata, em síntese, que as autuações em pauta foram aplicadas em desfavor da(s) autuada(s) qualificada(s) no tópico Sujeição Passiva deste Termo, pela subsunção ao que dispõe os Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, Artigo 23, inc. V, c/c §2º, do Decretolei nº 1.455/76 e Artigo 11, inc.II da Instrução Normativa SRF nº 228/2002. Que, a presente fiscalização foi determinada pelo MPF nº 01176002011001141 a fim de verificar a ocorrência de ocultação do verdadeiro responsável pelas operações e/ou interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, com base no procedimento especial regido pela legislação constante da Instrução Normativa SRF nº 228/2002. 2 Contextualização da Fiscalização (às fl. 6467) Aduz que a UTILIDAD é uma empresa que atua na importação de bens para revenda e que sempre opera por conta e ordem utilizando como importadora a empresa PRIME. Que, apesar de atuar por conta e ordem, as provas elencadas neste relatório demonstrarão cabalmente que a UTILIDAD oculta o real adquirente das importações utilizando meios fraudulentos para atingir este objetivo e cujo resultado traz um enorme dano tributário além de outros à Administração Aduaneira. Assevera que, a PRIME e a UTILIDAD são dos mesmos sócios e funcionam no mesmo endereço. Na prática são a mesma empresa, mas criam dois níveis de operação, um como importador e outro como adquirente, de modo a ocultar do fisco o terceiro nível de operação, onde se esconde o real interessado na operação. Que, conforme quadro demonstrativo da situação financeira e patrimonial de seus sócios (DIPFs: 2008, 2009 e 2010), aponta que os mesmos têm patrimônio de baixíssimo valor ou não têm Fl. 18753DF CARF MF 4 valor declarado. Igualmente, a movimentação financeira é baixa, exceto por dois sócios, como o sócio Filipe da Costa que apresentou movimentação financeira em 2010 dez vezes maior que a movimentação de 2009. Que, a empresa UTILIDAD, por intermédio do processo administrativo nº 10111.000666/200919 foi habilitada pela Receita Federal do Brasil a operar no comércio exterior na modalidade ordinária para uma previsão de volume de importação no montante de U$ 284.000,00 a cada período de 6 (seis) meses. Que após, pelo processo nº 10111.000381/201011 tentou aumentar os limites de importação, porém a empresa teve a sua solicitação negada por não entrega de uma série de documentos necessários à comprovação de capacidade operacional. Mesmo fato ocorreu no processo administrativo nº 10111.001233/2010 14 quando novamente a empresa teve o aumento dos limites negados por não entrega da documentação solicitada. Mesmo com o aumento dos limites de importação negados, a empresa em 2010 passou a operar valores muito superiores à estimativa (U$ 284.000,00), em volume incompatível com seu patrimônio ou mesmo com o patrimônio dos sócios. Entre volume importado e tributos federais incidentes na importação, a UTILIDAD operou mais de 9 milhões de reais. Ressaltando que a empresa fechou o ano de 2009 com ativo da ordem de 150 mil reais. Em função da UTILIDAD ter solicitado aumento de limite de habilitação em abril/2010 e outubro/2010, e nenhuma delas deferida, teve acesso desde aí ao balancete mensal dos meses de março, agosto, setembro e outubro de 2010. Que, pela análise econômicofinanceira acima descrita fica evidenciado que a UTILIDAD e seus sócios não dispunham de patrimônio e capacidade financeira para sustentar as operações de comércio exterior, o que evidencia que tais operações foram suportadas financeiramente por terceiros ocultos, como este relatório demonstrará. 3 Expositivo da Fiscalização (às fls. 6775) Em síntese, a fiscalização faz um expositivo acerca do procedimento fiscal impetrado na UTILIDAD, cujo início se deu em 09/12/2011, através do Termo de Início nº 110/2011, pelo que a empresa por meio de seu sócio administrador DANIEL CHÍCRALA foi intimada a apresentar no prazo de 20 dias: Livros Fiscais e Contábeis como Diário e Razão dos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011, Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, último Balanço Patrimonial, Notas Fiscais de Entrada e Saída, Faturas Comerciais, entre outros. Relata que, nessa mesma ocasião, vez que a empresa PRIME se situava no mesmo endereço da empresa UTILIDAD, a fiscalização aduaneira, através de Mandado de Procedimento Fiscal, modalidade diligência, cientificou a empresa PRIME, através novamente do Sr. DANIEL CHÍCRALA, também do Fl. 18754DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.753 5 procedimento de Diligência, quando nesta oportunidade ele tomou ciência do Termo de Intimação nº 111/2011, ficando a empresa intimada a apresentar no prazo de 20 dias: Livros Fiscais e Contábeis como Diário e Razão dos anos de 2008, 2009, 2010 e 2011, Extratos Bancários, Notas Fiscais de Entrada e Saída, entre outros. Que, ainda na mesma data, a fiscalização lavrou Termo de Retenção de Documentos detalhando os documentos que estavam sendo retidos naquela ocasião na sede da empresa UTILIDAD. Que após algumas entregas parciais de documentação sem justificativas satisfatórias e de novos pedidos de prorrogação do prazo de entrega a fiscalização concedeu o último prazo para a apresentação da documentação, ou seja, 09/02/2012. Sendo este um prazo improrrogável conforme determina o artigo 10 da IN 228/2002. Que, conforme o Contrato Social e alterações, a fiscalização verificou que empresa UTILIDAD possuía uma filial no Rio de Janeiro. Em 06/02/2012, a fiscalização averba que compareceu ao endereço da sede da filial da empresa UTILIDAD no Rio de Janeiro e anunciou para o sócio FILIPE DA COSTA COELHO, através da Intimação nº 017/2012 que procederia uma busca por documentos de seu interesse. Que, durante os trabalhos encontrou uma outra sala pertencente aos sócios que se situava em frente à sala que consta como sede da filial da UTILIDAD. O sócio informou que nesta sala funcionava a empresa PRIME. Todavia, em consulta feita aos sistemas informatizados da RFB verificou que não constava qualquer filial em nome da empresa PRIME. Mas com o intuito de dar formalidade à ação fiscal a empresa PRIME foi cientificada, através da Intimação nº 019/2012, que a fiscalização procederia a uma busca por documentos também nesta sala. Que, devido ao grande número de documentos que foram encontrados na sede da filial da empresa UTILIDAD, a fiscalização lacrou, através dos Termos de Lacração nº RJ 01/03, RJ 02/03 e RJ 03/03, 19 volumes que continham a totalidade da documentação de seu interesse. E, por se tratar de uma lacração, naquele mesmo momento ficou definido com a empresa que a deslacração e análise desta documentação ocorreria nos dias 15 e 16 de fevereiro de 2012. Todo o procedimento de lacração da documentação foi acompanhado pelo sócio ANDERSON RODRIGO MARQUES. Em 09/02/2012, prazo derradeiro para a apresentação da documentação solicitada no Termo de Início de Fiscalização nº 110/2011 e depois novamente solicitado no Termo de Reintimação nº 119/2011, e da documentação solicitada na Fl. 18755DF CARF MF 6 Intimação nº 111/2011 (empresa PRIME) e solicitada novamente no Termo de Reintimação nº 120/2011, as empresas apresentaram resposta. Todavia, mais uma vez as empresas PRIME e a fiscalizada UTILIDAD não apresentaram a totalidade da documentação tais como: Livros: Diário e Razão ano 2011, Livros Fiscais (Entrada e Saída de Mercadorias) para os anos 2008 e 2009 e Extratos bancários (todas referentes à empresa UTILIDAD). Ainda não apresentaram os Livros: Diário e Razão para os anos 2008, 2009, 2010, e 2011 além dos extratos bancários (no caso da empresa PRIME). Aduz ainda que as empresas tiveram ciência da não entrega dessas documentações no mesmo dia da entrega através das Intimações nº 022/2012 e 023/2012. Que, nos dias e na hora consignados nos Termos de Lacração, lavrados na filial da UTILIDAD no Rio de Janeiro, a empresa não compareceu para acompanhar os trabalhos e assim esta fiscalização procedeu à abertura de ofício, com a presença de duas testemunhas, conforme demonstram os Termos de Deslacração RJ 01/03, RJ 02/03 e RJ 03/03. Que, em 16/02/2012, as empresas, PRIME e UTILIDAD, tomaram ciência de que não havia entregue também os Livros: Diário e Razão no formato eletrônico SINCO para os meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2011 (no caso da UTILIDAD) e que não havia entregue também os Livros: Diário e Razão no formato eletrônico SINCO para os meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2011 e os Livros: Diário e Razão no formato eletrônico SINCO para a totalidade do ano de 2010 (no caso da PRIME). Que, as empresas tiveram ciência da não entrega dessas documentações através das Intimações nº 024/2012 e 025/2012. No mesmo Termo de Intimação nº 024/2012 a empresa PRIME foi cientificada da não entrega da totalidade dos códigos “CPP” o que inviabiliza por completo a análise de sua contabilidade. Que, em suas respostas, as empresas PRIME e UTILIDAD apenas apresentaram justificativas para não entrega dos extratos bancários, mas não apresentaram justificativas para a não entrega das demais documentações. Que, a fiscalizada teve todas as oportunidades necessárias para apresentação de toda a documentação e que sua atitude mais uma vez demonstra a sua intenção em ocultar suas operações e atividades ao Fisco Federal. Que, para conseguir analisar as operações financeiras da empresa UTILIDAD e assim conseguir alcançar os verdadeiros reais adquirentes ocultos pelas empresas PRIME e UTILIDAD a fiscalização aduz que intimou instituições financeiras a apresentarem os extratos bancários em formato eletrônico. Que, em 27/02/2012 (dois mil e doze), terminou a análise de toda a documentação que foi lacrada na sede da filial da empresa UTILIDAD no Rio de Janeiro, sendo a documentação de seu interesse relacionada e listada no Termo de Retenção de Documentos lavrado nesta data. Fl. 18756DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.754 7 4 Da Análise da Documentação Retida (às fls. 7576) Nesse tópico, informa que os documentos retidos serão descritos e analisados neste Termo de Verificação Fiscal, separados pelo local de retenção. Que, os documentos pertencentes aos códigos de processo interno (CPPs) a seguir analisados serão organizados nos seus respectivos Anexos (conforme demonstrativo, às fls. 7576). E, adicionalmente, os documentos pertencentes aos extratos bancários retidos na UTILIDAD e PRIME serão também organizados nos seus respectivos Anexos (conforme demonstrativo à fl.76). 4.1 Na Sede da Matriz da empresa UTILIDAD e PRIME (às fls. 7782) Aduz que foram retidos documentos instrutivos de importação relacionando a empresa PRIME como importadora e a UTILIDAD como real adquirente, porém a importadora PRIME vincula como cliente final dos produtos “cadeiras Hailong” a empresa Shopping Matriz nestas importações. Que a empresa PRIME criou uma numeração de processo interno que discrimina o número do processo, o cliente final (no caso Shopping Matriz), os produtos importados, o fornecedor estrangeiro (exportador) e a data. Seguem os números de processos internos que foram retidos pela fiscalização nas sedes das duas empresas durante o início da fiscalização: 06210 (Anexo A.3, às fls. 9.3349.390), 06810 (Anexo A.4, às fls. 9.6399.692), 039/09 (DI nº 10/03008595) (Anexo A.1, às fls. 9.0729.076), 04009 (DI nº10/03055364) (Anexo A.1, às fls. 9.0779.080) e 04409 (DI 10/02984345) (Anexo A.2, às fls. 9.1129.115) Que a análise desses processos será pormenorizada no tópico a seguir (4.2 – NA SEDE DA FILIAL DA EMPRESA UTILIDAD). Que também foram retidos documentos em pasta transparente que detalham faturas comerciais entre a May´s Zona Libre S/A para a empresa PRIME, fatura comercial entre a empresa Verdan Plaza e a PRIME e também catálogos de produtos May’s. Adicionalmente, constam da pasta três listas de preços (duas da May’s e uma da Verdan Plaza) com referência aos produtos. Após análise verificou que nas listas de preços e referências de produtos da empresa May’s encontrou no rodapé da última página de cada lista os dizeres “Necesito de uma invoice subfacturada em 44,5% (quarenta e quatro porcento e cinco décimos), conforme arriba”. Que cotejando os valores e referências destas listas com as faturas da May’s para a Prime verificouse que existe uma diferença de preço na ordem de 40%. E que esse fato também corrobora com os indícios de que a PRIME faz parte de um esquema que visa fraudar o Erário Público. 4.2 Na Sede da Filial da empresa UTILIDAD (às fls. 82147) Fl. 18757DF CARF MF 8 Informa a fiscalização que as empresas PRIME e UTILIDAD criaram uma numeração de processo interno para cada importação (CPP) e estes são separados em envelopes plásticos. E que, referidos processos geralmente contém a seguinte documentação: · Capa de processo interno contendo número do CPP, descrição genérica dos produtos, nome do cliente e data de formalização do processo. · Extrato da Declaração de Importação. · Boletos bancários e comprovantes de pagamento de despesas de importação tais fundo da marinha mercante, despesas com serviço de despachante aduaneiro, comprovante de arrecadação do ICMS, despesas com armazenamento, desconsolidação e capatazia, entre outros. · Faturas comerciais (Invoice), faturas proforma, conhecimento de transporte internacional, romaneio de carga (packing list), nota fiscal de entrada, nota fiscal de saída para simples remessa e contrato de câmbio. · Demonstrativo de Despesa, consignando o cliente, código de processo CPP, nº da fatura, nº do conhecimento de carga, fornecedor estrangeiro, descrição genérica dos produtos, despesas tributárias e nãotributárias entre outros. · Estimativa de Custos de Importação, consignando o cliente, NCM da mercadoria, descrição detalhada da mercadoria, despesas tributárias e operacionais e apuração total dos custos de importação. · Cópias de emails diversos, contendo em sua maioria detalhes de negociação com clientes e fornecedores, entre outros. · Demais documentos diversos. Que, irá tecer uma análise sobre os processos de importação das empresas PRIME e/ou UTILIDAD em que foram encontradas irregularidades. Seguem (a título de exemplificação, com grifos originais) os referidos CPPs, pela ordem crescente na numeração da Declaração de Importação realizada pela importadora ostensiva PRIME. (...) • CPP 062 – DI nº 10/09873220, registrada em 14/06/2010.(às fls. 9.3349.390) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Fl. 18758DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.755 9 Ocorre que na página 2 do Anexo A.3 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 06210), o tipo de produto (Cadeiras Diversas), a data (14/06/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Shopping Matriz). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. No tópico 6.3 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para o Shopping Matriz. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...) • CPP 072 – DI nº 10/11986126, registrada em 15/07/2010.(às fls. 9.7359.791) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 147 do Anexo A.4 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 07210), o tipo de produto (Cadeiras Diversas), a data (15/07/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Shopping Matriz). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Ainda, na página 152 do mesmo anexo verificamos a existência de um documento chamado de “Estimativa de custo de Importação”. Neste documento a importadora Prime expõe todos os custos inerentes à importação da DI e expõe mais uma vez o nome do verdadeiro real adquirente oculto em todo processo de importação (Shopping Matriz). Verificamos aí que o nome da UTILIDAD nem é citado como repassador das mercadorias. Este fato demonstra que a empresa UTILIDAD só existe para ocultar os verdadeiros responsáveis e financiadores da importação e assim empresta sua estrutura documental para acobertar os verdadeiros responsáveis pela importação. Fl. 18759DF CARF MF 10 No tópico 6.3 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para o Shopping Matriz. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...) • CPP 094 – DI nº 10/14493775, registrada em 20/08/2010. (às fls.10.43010.478) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 70 do Anexo A.7 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 09410), o tipo de produto (Cadeiras), a data (20/08/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Shopping Matriz). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Fica evidenciado que as empresas PRIME e UTILIDAD participam de um esquema que visa unicamente ocultar ao fisco e aos outros órgãos intervenientes do comércio exterior os verdadeiros responsáveis pela importação declarada em nome da empresa UTILIDAD. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Fl. 18760DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.756 11 Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...) • CPP 112 DI nº 10/17690997, registrada em 07/10/2010. (às fls. 10.87110.893) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 285 do Anexo A.8 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 11210), o tipo de produto (Coifas), a data (05/10/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Mundo dos Filtros). Ou seja, dois dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. No tópico 6.1 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. • CPP 102 – DI nº 10/18836685, registrada em 25/10/2010. (às fls. 10.72610.744) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 136 do Anexo A.8 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 10210), o tipo de produto (Circulador e Ventilador), a data (21/10/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Mundo dos Filtros). Ou seja, quatro dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Fl. 18761DF CARF MF 12 No tópico 6.1 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. • CPP 101 – DI nº 10/18836693, registrada em 25/10/2010.(às fls. 10.70610.724) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 116 do Anexo A.8 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRI ME que registra a numeração do processo (CPP 10110), o tipo de produto (Climatizadores), a data (21/10/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Mundo dos Filtros). Ou seja, quatro dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. No tópico 6.1 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. • CPP 088 DI nº 10/19219531, registrada em 29/10/2010.(às fls. 10.27110.315) Fl. 18762DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.757 13 Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 225 do Anexo A.6 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 08810), o tipo de produto (Cabos de Áudio e Vídeo), a data (27/10/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (LS Importação). Ou seja, dois dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. O mesmo ocorre com o documento chamado de “ESTIMATIVA DE CUSTOS DE IMPORTAÇÃO” que demonstra todos os custos com a importação e outras despesas operacionais e que a empresa PRIME registra como cliente desta importação a empresa LS Importação. No tópico 6.2 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para a empresa LS Importação. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. • CPP 142 – DI nº 10/20250331, registrada em 16/11/2010. (às fls. 11.12311.142) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 249 do Anexo A.9 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 14210), o tipo de produto (Cadeiras Diversas), a data (11/11/2010) e finalmente o nome do cliente da empresa (Shopping Matriz). Ou seja, cinco dias antes do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Fl. 18763DF CARF MF 14 Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 214 DI nº 11/11033392, registrada em 15/06/2011. (às fls. 11.56311.591) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 113 do Anexo A.11 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 21411),tipo de produto (Cadeiras), a data (06/06/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (UTILIDAD/SM – indicação de Shopping Matriz pelas iniciais SM). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Ainda, na página 140 do Anexo A.11 verificamos a existência de um documento chamado de “DEMONSTRATIVO DE DESPESA” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 21411), o tipo de produto (CADEIRAS DE ESCRITÓRIO), a data (15/06/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (Shopping Matriz). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. O mesmo ocorre com o documento chamado de “ESTIMATIVA DE CUSTOS DE IMPORTAÇÃO” que demonstra todos os custos com a importação e outras despesas operacionais e que a empresa PRIME registra como cliente desta importação a empresa Shopping Matriz. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Fl. 18764DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.758 15 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 276 D.1 DI nº 11/15236212 registrada em 15/08/2011. (às fls. 12.32912.350) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 123 do Anexo A.14 verificamos a existência de um documento chamado de “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO” criado pela importadora PRIME que registra a numeração do processo (CPP 276D.111), o tipo de produto (Umidificadores), a data (15/08/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (Mundo dos Filtros). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. O mesmo ocorre com o documento chamado de “ESTIMATIVA DE CUSTOS DE IMPORTAÇÃO” que demonstra todos os custos com a importação e outras despesas operacionais e que a empresa PRIME registra como cliente desta importação a empresa Mundo dos Filtros. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 313 DI nº 11/15267746, registrada em 15/08/2011.(às fls. 12.58612.606) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Fl. 18765DF CARF MF 16 Ocorre que na página 105 do Anexo A.15 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 31311),tipo de produto (Cadeiras), a data (15/08/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (UTILIDAD/SM – indicação de Shopping Matriz pelas iniciais SM). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Na página 118 do mesmo Anexo verificamos que as empresas PRIME e UTILIDAD colocam de próprio punho os dizeres “Shopping Matriz” no topo da DI. Outro fato relevante ocorre na página 117 do mesmo anexo, onde verificase uma fatura proforma que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativo porém com valor de $ 53.407,25 (cinqüenta e três mil e quatrocentos e sete dólares americanos), antes do frete. Se cotejarmos com o valor declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). Aliado a isto neste documento o importador circula o valor total e escreve ao lado o percentual de 100% (cem por cento) comprovando novamente que o valor a ser consignado da DI seria um montante “reduzido”. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...)• CPP 312 – DI nº 11/17094598, registrada em 12/09/2011. (às fls. 12.56612.585) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 85 do Anexo A.15 verificamos que a capa do processo interno criado pela importadora PRIME registra a numeração do processo (CPP 31211), tipo de produto (Cadeiras e suas partes), a data (12/09/2011) e finalmente o nome do cliente da empresa (UTILIDAD/SM – indicação de Shopping Matriz pelas iniciais SM). Ou seja, no mesmo dia do registro da DI, a importadora Prime já sabia a quem as mercadorias se destinariam. Fl. 18766DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.759 17 Outro fato relevante ocorre na página 98 do mesmo anexo, onde verificase uma fatura proforma que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativo porém com valor de $ 34.021,78 (trinta e quatro mil e vinte e um dólares americanos). Se cotejarmos com o valor declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). A fatura proforma tem a mesma numeração da invoice colocada na DI. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. • CPP 236 – DI nº 11/17330038, registrada em 14/09/2011. (às fls. 11.84611.871) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 126 do Anexo A.12 verificase uma fatura comercial invoice, de mesma numeração, assinada pelo exportador estrangeiro que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativos declarados na DI, porém com valor de $ 63.554,00 (sessenta e três mil e quinhentos e cinqüenta e quatro dólares americanos). Se cotejarmos este valor com o declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). Ainda, no tópico 6.1 deste relatório, esta fiscalização demonstra que as mercadorias desta DI são repassadas integralmente da empresa UTILIDAD para as empresas do grupo “Mundo dos Filtros”. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou Fl. 18767DF CARF MF 18 beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. •CPP 258 A – DI nº 11/17467629, registrada em 15/09/2011. (às fls. 12.08212.094) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 98 do Anexo A.13 verificase uma fatura comercial invoice, de mesmo número, assinada pelo exportador estrangeiro que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativos declarados na DI, porém com valor de $ 39.081,60 (trinta e nove mil e oitenta e um dólares americanos). Se cotejarmos este valor com o declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização. •CPP 258B – DI nº 11/17473076, registrada em 15/09/2011. (às fls.12.09512.114) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que na página 121 do Anexo A.13 verificase uma fatura comercial invoice, de mesmo número, assinada pelo exportador estrangeiro que descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativos declarados na DI, porém com valor de $ 39.074,28 (trinta e nove mil e setenta e quatro dólares americanos). Se cotejarmos este valor com o declarado na DI temos um subfaturamento na ordem de 30% (trinta por cento). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização. (...)•CPP 316 – DI nº 11/19902446, registrada em 20/10/2011. (às fls. 12.65112.670) Tratase uma importação registrada pela importadora (PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA) tendo como real adquirente declarado a empresa UTILIDAD. Ocorre que analisando o processo desta importação verificamos a existência do documento denominado “SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO”, pagina 189 do Anexo A.15, que evidencia que as mercadorias já tinham como destino o Shopping Matriz. Mais uma vez ocorre a importação de cadeiras de escritórios que são repassadas integralmente para a empresa Shopping Matriz sem que essa informação constasse da DI. A empresa UTILIDAD assim cedeu o seu nome para ocultar o real adquirente nesta DI incorrendo assim na multa de 10% (dez Fl. 18768DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.760 19 por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI conforme o Artigo 33 da Lei nº 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Neste caso esta DI será objeto desta fiscalização com a aplicação da sanção citada acima. (...) 5 Análise dos Documentos Entregues pela Empresa (às fls. 148199) 5.1 UTILIDAD 5.1.1 Contrato Social e suas Alterações Às fls. 148152, a fiscalização tece alguns comentários acerca do Contrato de Constituição da empresa UTILIDAD (antiga TRACKER), datado de 28/10/2008, e de suas alterações contratuais (primeira, segunda e terceira), tais como: mudança de nome, entrada e saída de sócios, abertura e fechamento de filiais etc. Ressalta ainda que, por ocasião da quarta alteração contratual (em 18/07/2011), ocorreu a entrada como sócio de EDMAR MOTHÉ e da PRIME HOLDING, bem como um aumento significativo do Capital Social de R$ 60.000,00 para R$ 500.000,00, a ser integralizado em 31/08/2011 da seguinte forma: o sócio EDMAR aporta R$ 110.000,00 para ficar com 25% do Capital Social da empresa, os sócios Sr. ALTEMIR e ANDERSON aportam cada um R$ 78.750,00 para ficar com 18,75% cada um e a PRIME HOLDING fica responsável por 37,50%, com aporte de R$ 172.500,00. Que, na quinta alteração contratual da empresa UTILIDAD ocorreu a saída do sócio EDMAR MOTHÉ, pouco mais de dois meses após o seu ingresso com um aporte de R$ 110.000,00. Segundo esta alteração contratual, o Sr EDMAR cede sua participação da seguinte maneira: metade de suas cotas para a PRIME HOLDING, 25% de sua participação para o sócio ANDERSON e 25% de sua participação para o sócio ALTEMIR e assim a empresa UTILIDAD ficou com a seguinte distribuição do Capital Social: 25% para o Sr ALTEMIR, 25% para o Sr ANDERSON e 50% para a empresa PRIME HOLDING (cujos sócios, FILIPE, VINÍCIUS e DANIEL, possuem 1/3 das cotas cada). Aduz também que ao comparar as manobras acima se verifica que a composição final do quadro societário, na prática, é a Fl. 18769DF CARF MF 20 mesma da distribuição anterior à entrada do Sr. EDMAR MOTHÉ, indicando que na verdade o Sr. MOTHÉ só entrou na sociedade para aportar o valor de R$ 110.000,00 de recursos na empresa UTILIDAD. Que, apesar de o Sr. EDMAR MOTHÉ entrar na empresa na quarta alteração contratual, aportar mais de cem mil reais e se retirar da empresa na quinta alteração, isso não havia sido informado à Receita Federal (até o início desta fiscalização), o que só foi providenciado ao longo desse procedimento. Que, no dia 17/04/2012 esta fiscalização percebeu que a empresa UTILIDAD atualizou seus dados cadastrais fazendo constar o Sr. EDMAR MOTHÉ como sócio administrador desde o dia 03/08/2011. Porém conforme já explicado, na quinta alteração contratual datada de 30/09/2011 o mesmo não mais figurava nos quadros societários da empresa. Informa ainda que a empresa UTILIDAD apresentou o Contrato Social da empresa PRIME HOLDING que funciona exatamente no mesmo endereço físico das empresas PRIME e UTILIDAD. 5.1.2 Comprovação da Origem e Integralização dos Recursos para o Capital Social Relata que na tentativa de comprovar a origem e a integralização dos recursos empregados para o último aumento do Capital Social da empresa UTILIDAD, no montante total de R$ 440.000,00, conforme quarta alteração do contrato social, a empresa apresentou cópia autenticada do comprovante de depósitos em dinheiro dos sócios da seguinte maneira: EDMAR MOTHÉ (R$ 110.000,00), ANDERSON RODRIGO (R$ 82.500,00), ALTEMIR ROGÉRIO MARQUES (R$ 82.500,00) e PRIME HOLDING (R$ 165.000,00), todos datados de 31/08/2011. Que, ao analisar as alterações contratuais encontrou divergências entre os valores depositados na empresa UTILIDAD pelos sócios e a composição percentual do seu quadro societário. Que, o Contrato Social expressa que a participação do Sr EDMAR MOTHÉ subiu para R$ 125.000,00, assim este sócio deveria aportar na empresa R$ 110.000,00 o que de fato o comprovante apresentado pela empresa demonstra. Já a participação da empresa PRIME HOLDING foi para R$ 187.500,00, assim este sócio deveria aportar R$ 172.500,00. Os outros dois sócios segundo o Contrato Social deveriam aportar cada um R$ 78.750,00, mas segundo os extratos apresentados aportaram R$ 82.500,00. Ainda sobre os comprovantes de depósitos apresentados pela empresa UTILIDAD assevera que tais documentos apenas demonstram depósitos bancários, em espécie, dos sócios para a empresa. Sendo que, sem nenhum outro documento adicional só comprovam a efetiva integralização na data expressa no Contrato Social, mas não comprovam a origem lícita dos recursos e nem se efetivamente vieram dos respectivos sócios neles apontados ou se foram aportados por terceiros ocultos em Fl. 18770DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.761 21 seus nomes, ou seja, não demonstram a efetiva transferência dos sócios. Que embora tenha constatado que o Capital Social da sócia PRIME HOLDING seja de R$ 150.000,00 na proporção de um terço para cada um dos sócios (Filipe, Vinícius e Daniel), por se tratarem de valores de integralização do Capital Social a empresa PRIME HOLDING só possuiria recursos para operar como empresa a partir do dia 30/09/2011. E tendo sido apresentado como documentação probante para a integralização dos recursos oriundos do sócio PRIME HOLDING um comprovante de depósito, em dinheiro, no valor de R$ 165.000,00, datado de 31/08/2011, inferiu a fiscalização que nessa ocasião a empresa PRIME HOLDING não tinha qualquer recurso e nem podia operar, uma vez que sua própria integralização de recursos só se daria quase um mês depois. Que assim, demonstra de maneira irrefutável que quem integralizou esses recursos na empresa UTILIDAD não foi este sócio (PRIME HOLDING), mas sim um terceiro oculto ao Fisco. Que, em tese, a empresa ainda comete crime de falsidade ideológica, uma vez que apresenta documentos que simulam a identidade de uma pessoa que não foi responsável pela operação. A empresa fiscalizada simula operações perante o Fisco utilizando documentos que tentam dar uma aparência de regularidade a operações fraudulentas. Quanto aos outros sócios, a fiscalização entendeu que não foi comprovada a origem lícita destes recursos uma vez que a mera declaração de imposto de renda, desacompanhada de qualquer outro documento que comprove as operações nela declaradas, não possui valor probante. Pois, a declaração de imposto de renda é feita pelo próprio contribuinte e assim não chancela que as operações ali descritas sejam verdadeiras. Sendo que, apenas a declaração com os documentos comprobatórios é que podem atestar a veracidade das operações declaradas. Averba ainda a fiscalização que em processo próprio proporá a baixa de ofício do CNPJ da empresa UTILIDAD, em conformidade com o art. 27, inc. II, alínea “a” da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, por inexistência de fato, caracterizada pela não comprovação do Capital Social Integralizado. 5.1.3 Livros Diário e Razão (Anos 2008, 2009, 2010 e 2011) a) Livros Diário e Razão 2008 Relata que a empresa UTILIDAD iniciou suas atividades em meados de outubro de 2008 e para este ano a empresa não operou no comércio exterior. Que, nesse ano a empresa contabiliza a integralização do Capital Social no montante de R$ 10.000,00 em 31 (trinta e um) de outubro. E que segundo o Livro Diário 2008, este lançamento Fl. 18771DF CARF MF 22 se deu a débito na conta de movimentação do Banco do Brasil (ag. 33731 e C/C 126179). Que, no balanço patrimonial de 2008, mais precisamente do dia 31/12/2008, apresentado pela empresa, consta como ativo circulante um valor disponível total de R$ 10.000,00 nesta mesma conta do Banco do Brasil. Contudo, na página 2 do Anexo B.1 deste processo temse que o saldo inicial na conta citada do Banco do Brasil em 01/01/2009 é zero (à fl. 13.745). Que assim, comprovase que a empresa UTILIDAD não integralizou estes recursos na empresa e que este valor escriturado em sua contabilidade deverá ser glosado. E com estes recursos retirados da Conta Caixa da empresa UTILIDAD temse o que no jargão da contabilidade diz “estouro da conta caixa”. Que, em processo próprio a fiscalização proporá a baixa de ofício do CNPJ da empresa UTILIDAD, em conformidade com o art. 27, inciso II, alínea “a” da Instrução Normativa RFB nº 1.183/2011, por inexistência de fato, caracterizada pela não comprovação do Capital Social Integralizado. b) Livros Diário e Razão 2009 Para o ano de 2009 a empresa importou por conta e ordem, através de 5 declarações de importação, cadeiras de escritório e impressoras. Conforme análise das notas fiscais de saída, entregues parcialmente pela empresa (faltaram as notas de 1 a 50), aparentemente, a empresa dá a saída destas mercadorias como se fosse uma revendedora atacadista, ou seja, faz venda para uma série de clientes e com agregação (gerando lucros) nesta saída, o que afastaria a alegação de ocultação. Porém, passando a analisar a contabilidade, através do Livro Razão fica constatada que a operação não se deu da maneira que as notas fiscais de saída emitidas pela empresa tentam demonstrar (ver Tabela 1, às fls.159160). Averba que a Tabela 1 acima citada foi retirada da contabilidade eletrônica da empresa, mais especificamente da conta sintética chamada “110200000000011 – ESTOQUE DE MERCADORIA”. Que esta conta se desdobra em quatro contas analíticas: “110201000100013 – Estoque Inicial”, “110201000200014 – Compra de Mercadorias a Prazo”, “110201000300215 – Compra de Mercadorias a Vista” e “110201000400015 – Estoque Final”. Assim, apesar de estar registrada uma série de “manobras contábeis”, a conta sintética de estoque de mercadoria da empresa tem o saldo inicial em 2009 de zero e saldo final de R$ 12.155,51, em 31/12/2009. Que, as importações da empresa, conforme o declarado nas DIs registradas em 2009 totalizam R$ 289.899,97, sendo este o valor que deveria ter sido registrado em sua contabilidade como valor que efetivamente entrou em seu estoque e que representa o valor CIF importado mais o imposto de importação. Os outros tributos incidentes não devem ser contabilizados no estoque uma vez que a empresa está enquadrada no “lucro real” e assim, estes tributos são recuperáveis quando da revenda da mercadoria. Fl. 18772DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.762 23 Que, da análise da sua contabilidade (conforme Tabela 1), verificase que a empresa contabilizou estas compras em seu estoque com um montante de R$ 549.978,58. Este valor inflou custo em 89,71% trazendo também sonegação no imposto de renda e na contribuição social sobre o lucro líquido. Que, demonstrará importação por importação a ocultação do real adquirente revelada por sua contabilidade (ver fls. 161 171). DI nº 09/07559217 (para exemplificação, com grifos originais) Analisando a primeira importação, DI nº 09/07559217, verifica se que ela foi desembaraçada em 17 (dezessete) de junho e deveria ter como valor na nota fiscal de entrada o montante de R$ 31.182,03 (trinta e um mil e cento e oitenta e dois reais), valor da importação “CIF” mais o imposto de importação já que o IPI, a PISimportação e COFINSimportação e ICMS não entram no custo de estoque uma vez que são tributos recuperáveis na revenda da empresa. Lembrando que para todo o período das importações, a empresa UTILIDAD está enquadrada no Lucro Real e assim a PIS e COFINS são não cumulativos. A contabilização desta importação se deu no dia 23 (vinte e três) de junho conforme se depreende da tabela acima. O desembaraço da segunda importação da empresa se deu no dia 19 (dezenove) de agosto, ou seja, posterior a contabilização da primeira importação demonstrando explicitamente que o valor escriturado na contabilidade de R$ 44.575,99 (quarenta e quatro mil e quinhentos e setenta e cinco reais) se refere unicamente a primeira importação da empresa. O valor escriturado representa um aumento de 43% do valor declarado na DI. Ainda na análise da contabilidade verificamos que antes do registro na contabilidade da sua segunda compra no exterior, a empresa vende a totalidade da mercadoria no dia 30 (trinta) de junho de uma vez só ao custo de mercadorias vendidas (CMV) de R$ 44.575,99 (quarenta e quatro mil e quinhentos e setenta e cinco reais). Este fato contradiz as notas fiscais de venda dos produtos (cadeiras de escritório) que tentam dar a aparência de vendas fracionadas para vários destinatários diferentes. Ainda no tópico “4.2 – NA SEDE DA FILIAL DA EMPRESA UTILIDAD”, esta fiscalização demonstra de maneira reiterada que os produtos cadeiras de escritórios e seus acessórios adquiridas no exterior são integralmente repassadas a empresas do grupo Shopping Matriz. As notas de venda, ainda não destacam o valor do IPI na revenda das mercadorias estrangeiras o que também traduzem a inidoneidade destas notas. Temos assim a situação onde a empresa emite uma série de Notas Fiscais de Saída inidôneas, uma vez que o Custo de Mercadorias Vendidas demonstra que a saída se deu em uma única oportunidade e não em várias como Fl. 18773DF CARF MF 24 a empresa tenta demonstrar com a emissão destas notas fiscais de saída. Ainda e como exemplo, no dia 31 (trinta e um) de agosto de 2009 (dois mil e nove) existem quatorze lançamentos de recebimentos de vendas destas notas fiscais fracionadas na conta do Banco do Brasil, estes recebimentos, conforme extratos à página 28 do Anexo B.1, não ocorreram (ver fl. 13.751). Mais uma vez temos demonstrada que estas supostas vendas fracionadas nunca ocorreram. Outro fato a ser destacado é que ainda no dia primeiro de outubro a empresa “vende” mercadorias no montante total de R$ 400.023,80 (quatrocentos mil e vinte e três reais) incorrendo num montante a crédito da conta “Custo de Mercadorias Vendidas” de R$ 319.388,81 (trezentos e dezenove mil e trezentos e trinta e oito reais) o que traduzse em venda de mercadorias não constantes de seu estoque físico, ocorrendo assim o “estouro de estoque”. A contabilidade demonstra saldo credor em estoque por quase dois meses. O aumento fictício do valor de seus estoques faz com que as empresas enquadradas no Lucro Real diminuam o imposto de renda e as contribuições sobre o lucro de maneira artificial lesando o erário público. Este fato se confirma no lucro apurado ao final do exercício quando a empresa que realizou cinco importações no montante escriturado de R$ 549.978,58 (quinhentos e quarenta e nove mil e novecentos e setenta e oito reais) dando saída a 97% (noventa e sete por cento) de todo este estoque, com suposta agregação (lucro) na venda, teve no ano um prejuízo apurado de R$ 4.801,11 (quatro mil e oitocentos reais). A ocultação do real adquirente das mercadorias desta declaração de importação se demonstra pela única saída das mercadorias conforme demonstra sua contabilidade de estoque e com a ocultação do real adquirente pela emissão de notas fiscais de revenda inidôneas. Por exemplo: a Nota Fiscal de Saída nº 51 tenta demonstrar a venda 200 cadeiras pelo valor total de R$ 21.200,00 (vinte um mil e duzentos reais) no dia três de agosto. Esta nota não tem destaque de IPI na revenda, a qual a empresa UTILIDAD, por ser importador por conta e ordem, é equiparada a industrial. Ainda, esta nota não tem registro de venda em seu estoque conforme a tabela acima demonstra, não tendo, portanto, qualquer valor legal. Uma empresa que existe para ocultar o real adquirente de mercadorias adquiridas no exterior repassa estas mercadorias importadas para seu “cliente” sem ou com pouca agregação. A UTILIDAD simula operações regulares com a emissão de várias notas fiscais inidôneas para clientes diversos e com agregação. Este fato gera como reflexo uma grande apuração de lucro tributável pelo IR e CSLL. Como antídoto para esta grande receita simulada a empresa então contabiliza seus custos, inflandoos a fim de minimizar ou anular estas receitas com custos elevados, conforme demonstrado acima. (...)DIs nº 09/10861719 e 09/11716526 (para exemplificação, com grifos originais) Fl. 18774DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.763 25 Pelo mesmo motivo já explicado para primeira importação da empresa, a segunda e terceira importação, 09/10861719 e 09/11716526, foram desembaraçadas, respectivamente, em: 19 (dezenove) de agosto e 03 (três) de setembro. Analisando os valores declarados na DI a fiscalização verificou que as notas fiscais de entrada deveriam ter os montantes respectivos de R$ 30.517,74 (trinta mil e quinhentos e dezessete reais) e R$ 109.741,88 (cento e nove mil e setecentos e quarenta e um reais), valor da importação “CIF” mais o imposto de importação já que o IPI, a PIS importação e COFINS importação e ICMS não entram no custo de estoque uma vez que são tributos recuperáveis na revenda da empresa. Lembrando que para todo o período das importações, a empresa UTILIDAD está enquadrada no Lucro Real e assim a PIS e COFINS são não cumulativos. A escrituração na contabilidade destas importações se deu, respectivamente, nos dia 27 (vinte e sete) de agosto e dia 11 (onze) de setembro conforme se depreende da tabela 1. O desembaraço da quarta importação da empresa se deu no dia 16 (dezesseis) de outubro, ou seja, posterior a contabilização da segunda e terceira importação demonstrando explicitamente que os valores escriturados na contabilidade, respectivamente, de R$ 45.392,60 (quarenta e cinco mil e trezentos e noventa e dois reais) e 140.502,18 (cento e quarenta mil e quinhentos e dois mil reais) se referem unicamente a segunda e terceira importação da empresa. O valor escriturado representa um aumento de 32% dos valores efetivamente declarados na DI. Ainda na análise da contabilidade verificamos que antes do registro na contabilidade da sua quarta compra no exterior, a empresa vende a totalidade da mercadoria no dia 30 (trinta) de setembro em uma única venda (tabela 1). Este fato contradiz as notas fiscais de venda dos produtos (cadeiras de escritório e impressora) que tenta dar a aparência de vendas fracionadas para vários destinatários diferentes. Temos assim a situação onde a empresa emite uma série de Notas Fiscais de Saída inidôneas, uma vez que o Custo de Mercadorias Vendidas demonstra que a saída se deu em uma única oportunidade e não em várias como as notas fiscais que a empresa apresenta tentam demonstrar. Ainda no tópico “4.2 – NA SEDE DA FILIAL DA EMPRESA UTILIDAD”, esta fiscalização demonstra de maneira reiterada que os produtos cadeiras de escritórios e seus acessórios adquiridas no exterior são integralmente repassadas a empresas do grupo Shopping Matriz. (...)Por tudo que já demonstramos da escrita contábil do ano de 2009, a empresa simula, insere elementos falsos e frauda a contabilidade, porém a fiscalização, com esforço, explicita que houve ocultação do real adquirente para as cinco importações efetuadas pela empresa no ano de 2009 (dois mil e nove).(grifos originais) Fl. 18775DF CARF MF 26 (...)Passamos agora a análise da escrita referente à conta Caixa da empresa para o ano de 2009 (dois mil e nove). (ver fl. 167) (...)Analisando a conta caixa da empresa no já citado ano, a fiscalização encontrou no dia 03 (três) de dezembro o que no jargão da contabilidade é denominado de “estouro da conta caixa”, isto ocorre quando a empresa, em sua escrita contábil, fica com saldo credor. A conta caixa é uma conta de natureza eminentemente devedora, pois representa o valor em dinheiro “vivo” que se encontra na empresa. Assim, não há como a empresa ficar negativa em dinheiro “vivo”. Esta situação se perdura na contabilidade até o dia 31 (trinta e um) de dezembro quando a empresa escritura três recebimentos de duplicatas em dinheiro “vivo” no montante respectivo de R$ 38.150,00 (trinta e oito mil e cento e cinqüenta reais), R$ 79.650,00 (setenta e nove mil e seiscentos e cinqüenta reais) e R$ 43.000,00 (quarenta e três mil reais). (ver fls.5.0475.048) Ainda continuando a análise da conta caixa, a empresa ainda no dia 31 (trinta e um) de dezembro efetuou em sua contabilidade outros recebimentos de duplicatas para que a conta não ficasse novamente com saldo credor. Os valores foram de: R$ 3.735,00, R$ 4.870, 00, R$ 38.150,00, R$ 2.380,00, R$ 2.389,00, R$ 4.870,00, R$ 11.000,00, R$ 51.450,00, R$ 396,00, R$ 747,00, R$ 373,30 e R$ 32.700,00. (ver fl. 5.048) Ou seja, apenas no dia 31 (trinta e um de dezembro) a empresa diz ter recebido em dinheiro “vivo” o montante de R$ 313.860,3 (trezentos e treze mil e oitocentos e sessenta reais). Para o ano inteiro de 2009 (dois mil e nove) a empresa UTILIDAD registra em sua contabilidade um total de R$ 502.711,34 (quinhentos e dois mil e setecentos e onze reais) em recebimentos de duplicata em dinheiro “vivo”. O que representa quase 80% (oitenta por cento) de todo o recebimento de duplicatas no ano. (ver fl. 168) Passando a analisar a conta do ativo circulante da empresa denominada “Duplicatas a Receber”, a fiscalização constatou mais indícios de que os recebimentos de duplicatas em dinheiro (recebimentos contra caixa) são fictícios uma vez que do dia 02 (dois) de setembro até o dia 21 (vinte e um) de setembro o saldo em “CLIENTES –DUPLIC. A RECEBER” fica credor em até R$ 31.833,99 (trinta e um mil e oitocentos e trinta e três reais). Ficando credor nesta conta significa que a empresa recebeu mais recebimento de duplicata do que efetivamente tinha a receber de duplicata Outro fato de extrema relevância verificado na contabilidade da empresa em 2009 (dois mil e nove) é que a empresa UTILIDAD não possuía nenhum valor contabilizado no Ativo Imobilizado da empresa. Assim, estamos diante do caso de uma empresa que se diz atacadista de mercadorias importadas e que não possui nenhuma estrutura efetiva para operar no comércio. Este fato reforça os indícios que de fato a empresa UTILIDAD só existe para ocultar os reais financiadores e responsáveis pelas mercadorias por ela importadas. Fl. 18776DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.764 27 Assim, temos a situação onde a empresa emite notas fiscais de vendas inidôneas, com recebimento em dinheiro “vivo”, com a ocorrência de saldo credor na conta clientes além de escriturar recebimentos vultuosos (mais de trezentos mil reais) em espécie no último dia do ano. Por todo o exposto acima, os recebimentos em dinheiro “vivo” no montante de R$ 313.860,3 (trezentos e treze mil e oitocentos e sessenta reais) supostamente ocorridos no último dia de dois mil e nove serão glosados da contabilidade da empresa quando da análise da contabilidade do ano de dois mil e dez. Agora, analisando a Contabilidade da empresa de 2009 (dois mil e nove) em conjunto com os extratos bancários retidos na sede da filial da fiscalizada no Rio de Janeiro temos que no dia 08 (oito) de junho a empresa UTILIDAD contabiliza a entrada do montante de R$ 10.000,00 na sua conta caixa referente ao aumento de Capital Social ocorrido, conforme sua 1ª alteração do contrato social. Relembrando que nesta alteração há a entrada de dois novos sócios na empresa (Sr Anderson e Sr Altemir). Já nos dias 15 (quinze) e 17 (dezessete) de julho a empresa contabiliza dois depósitos no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) cada um saídos da conta caixa e entrando na conta Banco do Brasil (ag. 33731 e C/C 126179). Na página 9 do Anexo B.1 verificamos que os dois depósitos de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) são na verdade transferências dos novos sócios (Sr. Anderson e Sr Altemir). (ver fl. 13.732) Já nas páginas 13 e 15 do mesmo Anexo B.1 verificase que este mesmos valores são devolvidos aos sócios sob a descrição de “retiradas”, conforme legenda feita pelos responsáveis da empresa fiscalizada. Analisando essas “retiradas” novamente na sua contabilidade verificase que a empresa simula estas operações contabilizandoas como “Pagamento de Fornecedor”. (ver fls. 13.736 e 13.738) Temos assim que esta integralização do primeiro aumento de capital social também foi simulada pela empresa e deverá ser glosada de suas escritas contábeis, ocorrendo no período novo “estouro da conta caixa”. Conforme já explicado neste tópico, a integralização do capital social e seu primeiro aumento foram simulados pela empresa o que implica em afirmar que toda a operação da empresa até então foi financiada com recursos de terceiros o que implica na ocultação dos reais adquirentes visto que de acordo com o Artigo 27 da Lei 10.637/2002: “A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins da aplicação do disposto nos Artigos 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835 de 24 de agosto de 2001”. Na página 21 do Anexo B.1 verificase a entrada na Conta Banco do Brasil da fiscalizada um montante de R$ 21.314,92 (vinte e um mil e trezentos e quatorze reais) proveniente de transferência da PRIME COMERCIAL e contabilizada na Fl. 18777DF CARF MF 28 UTILIDAD como “Empréstimo PRIME”. Conforme “legenda” no extrato, a empresa fiscalizada afirma que este recurso será utilizado para fechamento de câmbio relativo à importação do processo CPP 01109, o que efetivamente ocorre no mesmo dia (14/08) e valor. Este código de processo CPP se refere a DI nº 09/10861719, cadeiras de escritório, conforme planilha apresentada pela PRIME em resposta ao Termo de Intimação nº 009/2012. (ver fl. 13.744) Adicionalmente, no dia 16 (dezesseis) de junho deste ano a empresa UTILIDAD contabiliza a tomada de um empréstimo junto a PRIME no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), em espécie, registrada em sua conta caixa e também contabilizada na empresa PRIME como um empréstimo à UTILIDAD em dinheiro “vivo” contra a conta caixa. Este recurso também é utilizado pela fiscalizada para promover o pagamento das importações realizadas pela UTILIDAD, uma vez que se glosarmos este valor a empresa UTILIDAD não disporia de recursos suficientes para a realização das mesmas. Ao analisarmos os extratos bancários da empresa PRIME, também retidas na diligência realizada na sede da filial da empresa UTILIDAD no Rio de Janeiro, verificase nas páginas 3, 12 e 13 do Anexo B.9 transferências da empresa Super Matriz (empresa do grupo Shopping Matriz) para a PRIME num montante de R$ 60.808,55 (sessenta mil oitocentos e oito reais), até o dia 16 (dezesseis) de junho. (ver fls. 16.148, 16.157 e 16.158) Este conjunto de fatos nos leva a convicção de que o modus operandi utilizado na importação se dá pela remessa de recursos do real adquirente para a empresa PRIME que por sua vez os repassa a título de empréstimo para a Utilidad. Este artifício visa a criação de um segundo nível de ocultação dos verdadeiros responsáveis pelas importações realizadas em nome da UTILIDAD. Assim, por tudo acima descrito juntamente com os outros indícios levantados neste Termo para as cinco importações realizadas em 2009 (dois mil e nove), DI 09/16127081, 09/14210178, 09/11716526, 09/10861719 e 09/07559217, a empresa UTILIDAD incorreu na multa prevista no Artigo 33 da Lei 11.488/07, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Para a DI nº 09/11716526, esta fiscalização não conseguiu alcançar o verdadeiro responsável pela sua importação e assim a empresa UTILIDAD também incorre na pena de perdimento por Dano ao Erário em conformidade com o Artigo 23, §1º a §3º, do Decreto Lei nº 1455/76. c) Livros Diário e Razão 2010 Fl. 18778DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.765 29 Relata que, para o ano de 2010 (dois mil e dez) a empresa importou por conta e ordem, 60 declarações de importação. Que, analisando a contabilidade da empresa UTILIDAD verifica que a empresa não escritura os meses de janeiro e fevereiro, integralmente, apesar de nestes dois meses a empresa realizar quatro importações. Além disso, o valor escriturado na conta caixa no final de 2009 não é igual àquele inicial de 2010 o que evidencia que ocorreram operações não escrituradas nestes dois meses. Por isso, a fiscalização não transporta os valores glosados do ano de 2009 (dois mil e nove) apurados no tópico anterior e passará a analisar sua contabilidade a partir de março, juntamente com os extratos bancários retidos na sede da filial da empresa UTILIDAD no Rio de Janeiro, com os valores por ela escriturados. Adicionalmente, de acordo com as páginas 2 a 61 do Anexo B.2 a empresa UTILIDAD movimenta vultuosas quantias nas contas bancárias da empresa sem que haja nenhuma escrituração contábil destes valores. Sem a escrituração em sua contabilidade para os meses de janeiro e fevereiro a empresa não comprova a origem e disponibilidade dos recursos utilizados nas importações realizadas pela empresa para os meses subseqüentes. (ver fls.13.87313.932) Um exemplo relevante da não comprovação de recursos utilizados pela empresa dentro do período de janeiro e fevereiro está na página 41 do Anexo B.2 (ver fl. 13.912) que demonstra que a empresa UTILIDAD recebeu na conta Banco do Brasil uma transferência no valor de R$ 225.033,14, no dia 04 de fevereiro, que a empresa “legendou” como “NF 09 Casa e Vídeo”. Já na página 40 (ver fl. 13.911) do mesmo Anexo o extrato bancário da mesma conta do Banco do Brasil evidencia pagamentos nos valores de R$ 200.000,00 (em 05/02/2010) e R$ 20.000,00 (em 08/02/2010) legendados como “despesas com importação CPP 050 + 048 + 056”. Tais códigos de processo interno evidenciam importações da empresa PRIME COMERCIAL tendo como reais adquirentes registradas em DIs a própria PRIME e a empresa Nogueira & Rabelo LTDA. Assim, segundo extratos bancários retidos pela fiscalização na sede da filial UTILIDAD, temse uma operação de transferência bancária de recursos da empresa CASA e VÍDEO usados para pagamentos de despesas relativas a importação realizada pela empresa PRIME sem qualquer relação com a empresa UTILIDAD. Este modus operandi de recebimentos via transferência bancária como entradas recebidas de supostos clientes para financiar operações no comércio exterior subsequentes se verifica repetidas vezes ao se analisar os extratos bancários deste período apreendidos. Fica claro, portanto, que a não escrituração contábil destes meses visa unicamente a ocultação de recursos aportados na empresa fiscalizada por terceiros reais responsáveis pelas importações por ora registradas pela UTILIDAD e implica na Fl. 18779DF CARF MF 30 impossibilidade de comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior para os períodos subsequentes. Que, ainda, analisando a contabilidade da empresa em 2010 em conjunto com os extratos bancário retidos, a fiscalização aduz ter encontrado diversos lançamentos escriturados como entrada de recursos na conta Caixa (débito na conta Caixa) tendo como contra partida retiradas das contas bancos (crédito nas contas bancos). Porém ao cotejar tais lançamentos com os extratos bancários da empresa verificouse que estes supostos “saques” ou não existiram ou na verdade foram transferências bancárias, não configurando assim a entrada de recursos em espécie na Conta Caixa. A fiscalização assim glosou tais valores da Conta Caixa e assim a empresa novamente incorreu naquilo que o jargão da contabilidade diz ser “estouro da Conta Caixa”. Que, a “Tabela 2” (às fls. 174175) exemplifica tais lançamentos para valores acima de R$ 15.000,00, o que evidencia que estes recursos (mais de um milhão e trezentos mil reais) nunca realmente estiveram disponíveis no caixa da empresa para compras à vista. Esta ficção contábil visa ocultar os verdadeiros responsáveis pelo financiamento das operações da empresa UTILIDAD. Isto fica ainda mais claro quando se analisa a “Tabela 3” (às fls. 177180) que demonstra que diversas operações de comércio exterior foram escrituradas como compras em dinheiro “vivo”, uma vez que, segundo a contabilidade, estes recursos saem da conta Caixa (crédito) diretamente para quitação de tais operações. Assim, para as operações de 2010 (dois mil e dez) fica demonstrado que a empresa UTILIDAD utilizouse de fraude e simulação, com uso de sua estrutura documental, bancária, contábil e fiscal, a fim de ocultar os reais responsáveis pelas operações de comércio exterior. Que, por tudo acima, juntamente com os outros indícios levantados neste Termo, temse que para as importações realizadas em 2010, a empresa UTILIDAD incorreu na multa prevista no Artigo 33 da Lei 11.488/07. 1022813791, 1022506724, 1022472528, 1022030029, 1022004931, 1022002823, 1021804551, 1021019080, 1020951453, 1020773105, 1020491185, 1020369860, 1020250331, 1019898900, 1019655838, 1019639328, 1019569796, 1019520118, 1019219531, 1019194199, 1018840275, 1018836693, 1018836685, 1018513843, 1018237943, 1017900339, 1017833062, 1017690997, 1017658562, 1017058492, 1016905493, 1016459116, 1016113309, 1015490494, 1014885878, 1014581739, 1014493775, 1013941588, 1013625619, 1013354496, 1013346442, 1013113782, 1012928740, 1012648704, 1011986126, 1011594171, 1010772130, 1010463170, 1010160925, 1009873220, 1007876796, 1006534158, 1005228118, 1004966042, 1004446537, 1003904760, 1003112155, 1003055364, 1003008595 e 1002984345. Fl. 18780DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.766 31 E, para aquelas DIs em que a fiscalização não conseguiu alcançar o verdadeiro responsável pela sua importação, a empresa UTILIDAD também incorre na pena de perdimento por Dano ao Erário em conformidade com o Artigo 23, §1º a §3º, do Decreto Lei nº 1455/76 (ver fl. 181). 1022506724, 1022030029, 1022004931, 1022002823, 1021804551, 1021019080, 1020773105, 1020369860, 1019639328, 1019569796, 1019520118, 1018840275, 1018237943, 1017900339, 1017658562, 1017058492, 1016459116, 1015490494, 1013941588, 1012928740, 1012648704, 1010772130, 1010463170, 1010160925, 1007876796, 1006534158, 1004446537 e 1003112155. d) Livros Diário e Razão 2011 e 2012 Relata que, para os anos de 2011, até setembro, e até fevereiro de 2012, a empresa importou por conta e ordem, 134 declarações de importação. Em 2011 (dois mil e onze) o saldo inicial escriturado no Livro Razão da conta Caixa carregado do último dia de 2010 foi de R$ 25.918,38. Porém conforme analisado no item anterior a empresa possui registrado a débito em sua contabilidade na mesma conta caixa, entradas de recursos fictícios no montante superior a R$ 1.300.000,00 e que por isso devem ser glosados para a análise desta conta nos anos de 2011 e até fevereiro de 2012 (dois mil e doze). Informa que, não possui os livros contábeis e fiscais para o ano de 2012, mas a análise já feita para os anos anteriores levará a conclusão de que a empresa cometeu ilícitos tipificados a seguir. Que, igualmente, analisando a contabilidade da empresa em 2011 em conjunto com os extratos bancário retidos, a fiscalização encontrou diversos lançamentos escriturados como entrada de recursos na conta Caixa (débito na conta Caixa) tendo como contra partida retiradas das contas bancos (crédito nas contas bancos). Porém ao cotejar tais lançamentos com os extratos bancários da empresa verificouse que estes supostos “saques” ou não existiram ou na verdade foram transferências bancárias, não configurando assim a entrada de recursos em espécie na conta Caixa. A fiscalização assim glosou tais valores da conta Caixa e assim a empresa novamente incorreu naquilo que o jargão da contabilidade diz ser “estouro da Conta Caixa”. Aponta a “Tabela 4” (às fls. 183184) para exemplificar tais lançamentos para valores acima de R$ 15.000,00, demonstrando que estes recursos (quase dois milhões de reais) nunca realmente estiveram disponíveis no caixa da empresa para compras à vista. Esta ficção contábil visa ocultar os verdadeiros responsáveis pelo financiamento das operações da empresa UTILIDAD. Que, isto fica ainda mais claro quando se analisa a “Tabela 5” (às fls. 186189) que demonstra que diversas operações de comércio exterior foram escrituradas como compras em dinheiro “vivo”, uma vez que, segundo a contabilidade, estes recursos saem da Fl. 18781DF CARF MF 32 conta Caixa (crédito) diretamente para quitação de tais operações. Ressalta ainda que em análise dos extratos bancários da PRIME e da UTILIDAD foram encontrados inúmeros lançamentos evidenciando a entrada de recursos de “clientes” nas contas bancárias da empresa UTILIDAD através de descontos de duplicatas, depósitos, pagamento de títulos, transferência etc que são imediatamente e integralmente repassados para PRIME para pagamentos de despesas com importação. Ou seja, esses “clientes” são os reais financiadores das operações realizadas por conta e ordem da UTILIDAD. A seguir a fiscalização listará alguns exemplos dessas operações: a) Página 166 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 277.247,80 proveniente de sete transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa PRIME COMERCIAL; (ver fl. 14.670) b) Página 172 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 52.506,92 proveniente de seis transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa PRIME COMERCIAL que registra estes créditos no CPP 134/10 (DI 11/06668091) conforme página 8 do Anexo B.12 no dia 11/03/2011. (ver fls. 14.676 e 17.088) Esta DI foi registrada no dia 12/04/2011, ou seja, um mês após o recebimentos dos valores dos reais adquirentes ocultos. c) Páginas 183 e 184 do Anexo B.4 – Entrada de recursos no montante de R$ 235.450,54 e 109.000,00 proveniente de 27 transferências do grupo Mundo dos Filtros e saída no mesmo dia e valor para a empresa PRIME COMERCIAL que registra estes créditos no CPP 276/10 (DI 11/12365810, 11/12616235, 11/15254270, 11/1523621 2, 11/13600928 e 11/15383568) conforme página 19 do Anexo B.12 no dia 25/03/2011. Estas DIs foram registrada em data posterior, ou seja, um mês após o recebimentos dos valores dos reais adquirentes ocultos. (ver fls. 14.687, 14.688 e 17.099) (...)m) Página 29 do Anexo B.5 – Entrada de recursos no montante de R$ 226.334,44 proveniente de diversas transferências do grupo Mundo dos Filtros, somadas a uma transferência eletrônica no mesmo dia do Sr Edmar Mothé, dono de empresas do grupo Mundo dos Filtros e sócio da empresa fiscalizada e saída no dia seguinte e no mesmo valor para a empresa PRIME COMERCIAL; (ver fl. 14.928) (...)Para reforçar a participação do Sr. EDMAR MOTHÉ, ex sócio da empresa fiscalizada e dono de diversas empresas do grupo Mundo dos Filtros, neste esquema fraudulento capitaneado pela dupla PRIME COMERCIAL e UTILIDAD, através de seus sócios, a fiscalização passa a listar, na “Tabela 6” (às fl. 195196), transferências bancárias da empresa UTILIDAD diretamente para a conta pessoal do Sr. EDMAR MOTHÉ provenientes de vendas realizadas com o uso de documentos fiscais emitidos pela empresa UTILIDAD. Fl. 18782DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.767 33 Assim, por tudo acima descrito, juntamente com os outros indícios levantados neste Termo, temse que para as importações realizadas em 2011 e até fevereiro de 2012 (à fl. 198), a empresa UTILIDAD incorreu na multa prevista no Artigo 33 da Lei 11.488/07. 1202891006, 1202096281, 1202089447, 1202082620, 1202081373, 1201823066, 1201740993, 1201229261, 1201084956, 1201028533, 1200839910, 1200409630, 1200401974, 1200386738, 1200181265, 1200095008, 1200037288, 1124436377, 1124179242, 1124130871, 1124124766, 1123909450, 1123902820, 1123554589, 1123475581, 1123103099, 1122348098, 1122022745, 1121923161, 1121923064, 1121630415, 1120300942, 1119999105, 1119902446, 1119892742, 1119689092, 1119680036, 1119493856, 1119433667, 1119367869, 1119351652, 1119087289, 1118968397, 1118078367, 1118062185, 1117579320, 1117473076, 1117467629, 1117330038, 1117094598, 1117079963, 1116636710, 1116618984, 1116581690, 1116578176, 1116376816, 1116367248, 1116364737, 1115925573, 1115645082, 1115600232, 1115577176, 1115567910, 1115449062, 1115383568, 1115267746, 1115254270, 1115250592, 1115236212, 1115109199, 1115102585, 1114869696, 1114826091, 1114015069, 1113600928, 1113285674, 1112808266, 1112645707, 1112635540, 1112616235, 1112365810, 1111893553, 1111672182, 1111463141, 1111457397, 1111406172, 1111033392, 1111020592, 1111004163, 1110338190, 1110261030, 1109926644, 1109884127, 1109646056, 1109597420, 1109594269, 1109545349, 1109514958, 1109022320, 1108812505, 1108725351, 1108723766, 1107760625, 1107749621, 1107720437, 1107694886, 1107672718, 1107628476, 1107623083, 1106668091, 1106437677, 1106250127, 1105993622, 1105591400, 1105573755, 1105388079, 1104887071, 1104860114, 1104447241, 1104000972, 1103886608, 1103450303, 1103440308, 1102447813, 1102175295, 1101736331, 1101673720, 1101652235, 1101427762, 1101240000, 1101236550, 1100822560, 1100815203 e 1100786971. Para as DIs que esta fiscalização não conseguiu alcançar o verdadeiro responsável pela sua importação, a empresa UTILIDAD também incorre na pena de perdimento por Dano ao Erário em conformidade com o Artigo 23, §1º a §3º, do Decreto Lei nº 1455/76 (à fl. 199). 1202089447, 1202082620, 1202081373, 1201823066, 1201084956, 1200401974, 1200386738, 1200181265, 1124179242, 1124130871, 1124124766, 1123909450, 1123902820, 1123554589, 1123475581, 1123103099, 1121923064, 1121630415, 1120300942, 1119689092, 1119680036, 1119367869, 1119351652, 1118078367, 1117473076, 1117467629, 1116636710, 1116618984, 1116581690, 1116376816, 1116364737, 1115645082, Fl. 18783DF CARF MF 34 1115600232, 1115577176, 1115567910, 1115102585, 1114869696, 1114826091, 1113285674, 1112808266, 1112635540, 1111893553, 1111672182, 1111457397, 1111406172, 1111020592, 1111004163, 1110261030, 1109884127, 1109646056, 1109597420, 1109594269, 1109545349, 1109022320, 1108725351, 1108723766, 1107749621, 1107720437, 1107628476, 1106437677, 1106250127, 1105993622, 1105591400, 1105388079, 1104860114, 1104447241, 1104000972, 1102175295, 1101240000, 1101236550 e 1100822560. 5.2 – PRIME Relata que todos os documentos apresentados pela empresa PRIME em resposta ao Termo de Intimação 111/2011 e retidos pela fiscalização, tais como livros contábeis e fiscais, extratos bancários e notas fiscais, foram analisados em conjunto com a documentação apresentada pela fiscalizada conforme visto ao longo deste Termo de Verificação Fiscal. 6 Análise dos Reais Adquirentes Aqui, a fiscalização novamente assevera que a empresa UTILIDAD só existe para o objetivo de ocultar os verdadeiros responsáveis pelas importações por ela realizadas. E que isto foi comprovado de maneira detalhada quando da análise da capacidade econômica da empresa, junto da análise da escrituração dos Livros Contábeis, dos extratos bancários e até quando da análise da integralização do Capital Social e dos seus aumentos. Que ficou demonstrado que a empresa apresenta documentos simulados, com aparência de legalidade, com o único intuito de ocultar os verdadeiros financiadores e responsáveis pelas operações de importação. E que, a partir deste momento explicitará quem são os reais adquirentes ocultos nas declarações e documentos instrutivos do despacho aduaneiro de importação. 6.1. – Mundo dos Filtros (às fls. 200240) Relata que o Mundo dos Filtros não é uma empresa, mas sim uma marca. Salvo exceções, cada uma de suas lojas tem um CNPJ diferente, com quadros societários diferentes. Entretanto, todas as lojas são ligadas de uma forma ou de outra. Em praticamente todos os quadros societários há presença de alguém da família “MOTHÉ”. Repisa que o Sr. EDMAR MOTHÉ entrou formalmente na empresa fiscalizada na quarta alteração contratual da empresa UTILIDAD, quando nesta oportunidade aportou mais de cem mil reais e se retirou da empresa na quinta alteração sem nada ter informado à Receita Federal. Até a presente fiscalização este financiador da empresa ficou oculto. O Mundo dos Filtros é uma marca onde o Sr. EDMAR e também alguns de seus familiares figuram como donos de lojas. Fl. 18784DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.768 35 Que, conforme se demonstrará a seguir (como exemplificação e com grifos originais), a UTILIDAD adquire, por conta e ordem, diversos eletrodomésticos, repassando as mercadorias das DIs para empresas do grupo Mundo dos Filtros, normalmente no mesmo dia ou poucos dias após, e com baixa agregação. E ainda, os preços de venda para cada um dos adquirentes sob a bandeira do mundo dos filtros são os mesmos. 2 DI 11/07623083 – Registrada em 27/04/2011, desembaraçada em 28/04/2011 e importada pela PRIME por conta e ordem da UTILIDAD: (...)Relação de Adquirentes:(...) Comentário da Fiscalização: Todos os adquirentes acima das mercadorias revendidas pela UTILIDAD pertencem à marca Mundo dos Filtros e são todas as empresas da tabela listada neste tópico. Estas empresas adquiriram a totalidade da Declaração de importação com exatamente o mesmo valor unitário por modelos. Conforme demonstração acima, a agregação entre a nota fiscal de saída e o dispêndio na importação ou era muito baixa (variando entre 3% a pouco menos de 10%) ou era negativa (chegando a ser negativa em 14%) sem contar os gastos com tributos internos, e são totalmente insuficientes para custear os custos operacionais que uma empresa atacadista teria (gastos com armazenagem, movimentação de carga, depósito, frete, pessoal, aluguel, luz, água, etc) e ainda gerar lucro. Esta situação e os outros elementos já relatados neste Termo formam a convicção de que a relação entre os reais adquirentes (empresas Mundo dos Filtros) e a empresa UTILIDAD não é comercial, e sim uma relação que visa a ocultar os verdadeiros responsáveis pela importação destes produtos e que ficaram ocultos em todas as declarações e documentos apresentados a RFB. Para esta Declaração de Importação, as mercadorias importadas foram desembaraçadas no dia 28 (vinte e oito) de abril de 2011 (dois mil e onze) e remetidas um dia depois, conforme nota fiscal de saída nº 1273, na totalidade para o armazém da empresa TRACKER LOG LOGÍSTICA E TRANSPORTES LTDA, que pertence aos sócios da empresa fiscalizada. Finalmente a totalidade das mercadorias declaradas na DI foram repassadas às empresas pertencentes ao Mundo dos Filtro na integralidade no mesmo dia (29/04/2011), o que demonstra mais uma vez que estas mercadorias são previamente adquiridas no exterior por conta e ordem das empresas pertencentes ao Mundo dos Filtros e que ficaram ocultas nesta Declaração de Importação. A ocultação do real adquirente visa “blindar” os verdadeiros favorecidos pela fraude, uma vez que estas empresas quando chamadas a cumprir com suas obrigações legais (tributárias e até civis) não são alcançadas em virtude da ocultação. Fl. 18785DF CARF MF 36 (...) 6.2. – LS Importação (às fls. 240246) Assevera que a empresa LS IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE ELETRÔNICOS LTDA. EPP é uma empresa que iniciou suas atividades em 12/07/2008 e teve sua habilitação para operar no comércio exterior em 20/07/2008. Que sua atuação no comércio exterior se restringe a adquirente de mercadoria importada por intermédio de terceiros. Que existem várias importações realizadas pela PRIME que tem como adquirente declarada a empresa LS IMPORTAÇÃO, mas para as declarações abaixo a empresa utilizou a UTILIDAD como real adquirente e ela, LS IMPORTAÇÃO, permaneceu oculta. Segue a análise por DI (como exemplificação com grifos originais): 01 DI 10/19219531: Registrada em 29/10/2010 desembaraçada em 03/11/2010.(...) Comentários da Fiscalização: Todas as mercadorias declaradas nesta Declaração de Importação foram integralmente repassadas por meio da nota fiscal de saída 352. Ressaltamos que a nota fiscal de saída foi emitida no dia 29 (vinte e nove) de outubro de 2010 (dois mil e dez), ou seja, no mesmo dia do registro da DI e quatro dias antes do desembaraço das mercadorias. Conforme demonstrado acima, a agregação entre a nota fiscal de saída e o dispêndio na importação variou entre 3,3% (três por cento e três décimos de por cento) a 12,7 %(doze por cento e sete décimos de por cento) sem contar os gastos com tributos internos, e são totalmente insuficientes para custear os custos operacionais que uma empresa atacadista teria (gastos com armazenagem, movimentação de carga, depósito, frete, pessoal, aluguel, luz, água, etc) e ainda gerar lucro. Já explicamos que a empresa LS Importadora, nas suas importações, opera, segundo os registros da RFB, sempre como real adquirente das mercadorias importadas pela empresa PRIME COMERCIAL, mas nesta importação a empresa ficou totalmente oculta. Pela baixa agregação entre a nota fiscal de venda e o dispêndio na importação, aliado à emissão da nota fiscal de saída anterior ao próprio desembaraço da mercadoria e pelo destino total das mercadorias para a empresa LS fica evidente que estas mercadorias sempre foram de propriedade da empresa e não da UTILIDAD como a declaração do importador tentou evidenciar. A ocultação do real adquirente visa “blindar” os verdadeiros favorecidos pela fraude, uma vez que estas empresas quando chamadas a cumprir com suas obrigações legais (tributárias e até civis) não são alcançadas em virtude da ocultação. (...)6.3. – Shopping Matriz (às fls. 246252) Aduz que em 2010 a UTILIDAD realizou diversas importações de cadeira de escritório, repassando a integralidade das importações para o Shopping Matriz Comercial Ltda. E que irá demonstrar que até setembro de 2010 as importações eram Fl. 18786DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.769 37 integralmente repassadas a esta empresa e com baixa agregação ou com agregação negativa. A partir de setembro então a empresa fiscalizada parou de emitir nota fiscal de saída para o Shopping Matriz, mas também não emitiu nota fiscal para mais ninguém em 2011. A partir de 2012 a UTILIDAD começa a importar cadeiras e repassálas para empresa SUPER MATRIZ AÇOS LTDA. Esta empresa SUPER MATRIZ também pertence aos mesmos sócios da empresa Shopping Matriz Comercial Ltda. e será incluída, para melhor entendimento deste relatório, neste tópico. Segue DI por exemplificação (grifos originais): (...) 04 DI 10/13113782: Registrada em 02/08/2010 desembaraçada em 03/08/2010. 4.1 Adições 001 e 002: Cadeiras de escritório. As mercadorias são “vendidas” para o Shopping Matriz através das notas fiscais de saída nº 207, 208 e 209, todas emitidas em 30/07/2010, ou seja, são vendidas três dias antes do registro da DI o que demonstra de maneira direta que as mercadorias já tinham o destino para o Shopping Matriz antes mesmo da importação se efetivar! 4.2 – Adição 003: Partes e peças para as mesmas mercadorias da DI, repassadas integralmente ao Shopping Matriz. (...)As Declarações de Importação a seguir são remetidas para a TRACKER e em seguida são feitas notas de “venda” para a empresa SUPER MATRIZ AÇOS LTDA, que pertence aos sócios da empresa Shopping Matriz. 07 – DI 12/00095008: Registrada em 03/01/2012 desembaraçada em 31/01/2012. 7.1 Adições 001: Dos 108 (cento e oito) compressores, 78 (setenta e oito) são “vendidos” para o Shopping Matriz com uma agregação de 3,2% (três por cento e dois décimos) quando comparamos o dispêndio destes setenta e oito compressores com a nota fiscal de “venda”. Não há emissão de outra nota de saída do restante da mercadoria. Como já informamos esta agregação demonstra que não há relação compra e venda, mas sim um conluio para fraudar o fisco no que tange os tributos de maneira a ocultar o real adquirente do fisco e dos demais órgão que atuam e regulam o comércio exterior. 7.2 – Adição 002: Os 268 (duzentos e sessenta e oito) “freezers” são “vendidas”, integralmente, para o Shopping Matriz através das notas fiscais de saída nº 3.493 e 3.514 emitidas em 17/02/2012 e 24/02/2012. 6.4 Eco Brazil (às fls. 252253) Fl. 18787DF CARF MF 38 Averba que, em dezembro de 2010, a UTILIDAD realizou uma importação, através da Declaração de Importação nº 10/22472528, declarando ser ela a real adquirente. E que nesta oportunidade a empresa importou vinte e uma toneladas de fibra de poliéster sendo esta a única vez que a empresa importou este tipo de produto, que é totalmente diferente do tipo de produto que a UTILIDAD costumava importar, tais como: eletrodomésticos, impressoras, material de escritório etc. Contudo, ao analisar a nota fiscal de saída deste produto, verificouse que a empresa “vendeu” a totalidade deste produto para a empresa ECO BRAZIL INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA – EPP. A empresa ECO BRAZIL trabalha com a fabricação de artefatos têxteis para uso doméstico, conforme consulta aos sistemas informatizados da RFB. A “venda” total se deu através de uma única nota fiscal (nº 698) emitida em 27/12/2012. Além deste fato, verificouse que a agregação entre a nota fiscal de “venda” e os custos de importação foram de 10,2%, sem contar os gastos com tributos internos, e que são totalmente insuficientes para custear os custos operacionais que uma empresa atacadista teria (gastos com armazenagem, movimentação de carga, depósito, frete, pessoal, aluguel, luz, água etc) e ainda gerar lucro. E infere que estes fatos juntamente com os já apresentados neste relatório só reforçam que a empresa UTILIDAD não é a real adquirente dos produtos por ela importados como ela informa nas declarações de importação. Ou seja, a empresa UTILIDAD é apenas uma empresa criada para se interpor entre o Fisco e os verdadeiros responsáveis e financiadores das importações por ela processada. 7 Das penalidades 7.1 Subfaturamento (às fls. 253254) Assevera que no tópico “4.2 – NA SEDE DA FILIAL DA EMPRESA UTILIDAD” deste Termo demonstrou que para as Declarações de Importação referentes a códigos de processos internos – CPPs de nºs: 313 (às fls. 12.586 12.606), 312 (às fls. 12.566 12.585), 236 (às fls. 11.84611.871), 258A (às fls. 12.08212.094) e 258B (às fls. 12.09512.114), criados pela empresa PRIME, a empresa UTILIDAD subfaturou suas importações. E que isto ficou comprovado uma vez que a fiscalização reteve faturas comerciais e/ou faturas proforma com valores substancialmente superiores aos declarados na DI. E, para essas importações a fiscalização cobrará a diferença de tributos recolhidos a menor e ainda a multa prevista no Artigo 725, inc. II, do Decreto 6.759/2009, transcrita a seguir: Art. 725. Nos casos de lançamentos de ofício, relativos a operações de importação ou de exportação, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou a diferença dos impostos ou contribuições de que trata este Decreto (Lei no 9.430, de 1996, art. 44, inciso I, e § 1o, com a redação dada pela Lei no 11.488, de 2007, art. 14):(...) Fl. 18788DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.770 39 II de cento e cinqüenta por cento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964. Apresenta ainda um demonstrativo, à fl. 254, de como se chegou ao novo valor aduaneiro destas DIs subfaturadas: 11/15267746 (adição 001 e 002), 11/17330038 (adição 001 e 002), 11/17094598 (adição 001), 11/17467629 (adição 001) e 11/17473076 (adição 001), com base nas faturas retidas, para cobrança da diferença dos tributos, multas e acréscimos legais. 7.2 – Multa por Cessão de Nome (às fls. 254256) Que, por todo o exposto, resta comprovado que a empresa UTILIDAD ocultou dolosamente os reais adquirentes das mercadorias por ela importadas com a utilização da sua estrutura documental, contábil e bancária. E que a empresa UTILIDAD agiu diretamente como instrumento da irregularidade na ocultação dos reais responsáveis pelas operações. Que essa prática de cessão de nome a terceiros tem penalidade pecuniária prevista por Lei, incidente diretamente sobre aquele que agiu como instrumento da irregularidade, ou seja, o importador ostensivo. Esse dispositivo legal está registrado no Artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, transcrita abaixo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Às fls. 255256, consta uma lista das Declarações de Importação DIs alcançadas pela multa prevista neste tópico e que representam a totalidade das importações registradas pela UTILIDAD como real adquirente ostensiva nessas mesmas declarações. Informa ainda que para as Declarações de Importação listadas no tópico “7.1 –SUBFATURAMENTO”, a multa prevista no Artigo 33 da Lei nº 11.488/07 será aplicada sobre o novo valor CIF. 7.3 – Multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias (às fls. 257260) Relata que, para as Declarações de Importação DIs em que não se conseguiu alcançar o verdadeiro responsável pela importação, a empresa UTILIDAD também incorrerá na pena de perdimento por Dano ao Erário em conformidade com o Artigo 23, §1º a §3º, do Decretolei nº 1.455/1976 e que serão objeto do presente Processo Administrativo Fiscal nº 10111.720547/2012 13. Fl. 18789DF CARF MF 40 0911716526, 1003112155, 1004446537, 1006534158, 1007876796, 1010160925, 1010463170, 1010772130, 1012648704, 1012928740, 1013941588, 1015490494, 1016459116, 1017058492, 1017658562, 1017900339, 1018237943, 1018840275, 1019520118, 1019569796, 1019639328, 1020369860, 1020773105, 1021019080, 1021804551, 1022002823, 1022004931, 1022030029, 1022506724, 1100822560, 1101236550, 1101240000, 1102175295, 1104000972, 1104447241, 1104860114, 1105388079, 1105591400, 1105993622, 1106250127, 1106437677, 1107628476, 1107720437, 1107749621, 1108723766, 1108725351, 1109022320, 1109545349, 1109594269, 1109597420, 1109646056, 1109884127, 1110261030, 1111004163, 1111020592, 1111406172, 1111457397, 1111672182, 1111893553, 1112635540, 1112808266, 1113285674, 1114826091, 1114869696, 1115102585, 1115567910, 1115577176, 1115600232, 1115645082, 1116364737, 1116376816, 1116581690, 1116618984, 1116636710, 1117467629, 1117473076, 1118078367, 1119351652, 1119367869, 1119680036, 1119689092, 1120300942, 1121630415, 1121923064, 1123103099, 1123475581, 1123554589, 1123902820, 1123909450, 1124124766, 1124130871, 1124179242, 1200181265, 1200386738, 1200401974, 1201084956, 1201823066, 1202081373, 1202082620 e 1202089447. Informa ainda que para as Declarações de Importação (11/17467629 e 11/17473076) listadas no tópico “7.1 – SUBFATURAMENTO”, a fiscalização aplicará a multa prevista no Artigo 23, §3º, do DecretoLei nº 1455/76 sobre o novo valor CIF. Por fim, aduz que para as importações em que a empresa ocultou os reais adquirentes das mercadorias importadas, ditas como de sua própria importação, quando na verdade elas pertenciam a empresas como LS Importadora, grupo de empresas Mundo dos Filtros e empresas do grupo Shopping Matriz etc, a empresa UTILIDAD figurará no polo passivo desta infração, como solidária, quando da aplicação da pena de perdimento das mercadorias nos verdadeiros responsáveis pelas importações e que serão lavradas em processo administrativo fiscal próprio (ver listagem, à fl. 259). 7.4 – Solidariedade na aplicação da penalidade (às fls. 260 261) Averba que as empresas UTILIDAD e seus sócios e exsócios, PRIME e seus sócios, devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas, nos termos dos Artigos 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), da Lei nº 5.172/66. 8 Apuração do Crédito Tributário Devido (à fl. 261) Informa que de acordo com as penalidades e considerações descritas no item anterior, as importações realizadas pela empresa UTILIDAD, nos períodos abrangidos por esta fiscalização (anos de 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012), terão seus Fl. 18790DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.771 41 créditos tributários apurados e detalhados neste Auto de Infração. 9Representação Fiscal para Fins Penais (às fls. 261262) Aduz que os sócios das empresas PRIME e UTILIDAD, inclusive o Sr. EDMAR MOTHÉ, agiram com excesso de poderes e, portanto, em tese, cometeram crimes capitulados no Artigo 1º, I e II, e Artigo 2º, I, todos da Lei 8.137/1990, motivos pelos quais serão objetos de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. 10 Conclusão da Fiscalização (às fls. 262263) Infere que, por tudo que foi acima descrito, fica evidenciada a abrangência tomada por esta fiscalização na busca da verdade material dos fatos. Que, a empresa UTILIDAD em todas as suas importações registrou no Siscomex que o real adquirente das mercadorias seria ela própria. Porém, o que se demonstrou foi que a empresa UTILIDAD adquire as mercadorias importadas com o único intuito de repassálas a terceiros ocultos simulando operações que de fato não ocorreram. 11 Sujeição Passiva (às fls. 263265) 11.1 A empresa denominada UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA, inscrita no cadastro nacional de pessoa jurídica (CNPJ) sob o nº 10.449.088/000187, endereço registrado na base de dados da RFB SHC/AOS EA 02/08, LOTE 05, TORRE A, SALA 229, OCTOGONAL, BRASÍLIA/DF CEP: 70660090. Respondem conjuntamente pelas infrações cometidas os sócios e exsócios da empresa, em conformidade com inciso I do Art. 95 do DecretoLei nº 37/66, combinado com os Art. 134 e 135 do Código Tributário Nacional (Lei Complementar nº 5.172/66):(...) 11.2 ALTEMIR ROGÉRIO MARQUES, CPF Nº 016.851.54905, sócioadministrador e residente à CND QI 23 LOTE 13 AP 605 – RESIDENCIAL MONALIZA – BAIRRO GUARA II – BRASÍLIA/DF – CEP 71060230. 11.3 ANDERSON RODRIGO MARQUES, CPF Nº 022.283.779 96, sócioadministrador e residente à RUA LOBO DA COSTA APTO 404 291 – BAIRRO AZENHA – PORTO ALEGRE/RS – CEP 90050110. 11.4 PRIME HOLDING E PARTICIPAÇÕES EMPRESARIAIS LTDA, CNPJ Nº 13.961.150/000103, sócio administrador, situado à SHC/AOS EA LOTE 05 TORRE A SN SALA 230 PARTE A – BAIRRO OCTOGONAL – BRASÍLIA/DF – CEP 70632240. Empresa cujos sócios são: VINICIUS DA COSTA COELHO, CPF Nº 010.408.99110, DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, CPF Nº 858.493.24100 e FILIPE DA COSTA COELHO, CPF Nº 717.690.48120. Fl. 18791DF CARF MF 42 11.5 EDMAR MOTHÉ, CPF Nº 282.632.94720, exsócio administrador da empresa UTILIDAD, residente à SHIN QL 06 CONJUNTO 05 CASA 19 – BAIRRO LAGO NORTE – BRASÍLIA/DF – CEP 71520055. 11.6 PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA CNPJ Nº 07.888.151/000177, situado à AOS EA 2/8 LOTE 05 TORRE A – BAIRRO OCTOGONAL – BRASÍLIA/DF – CEP 70.660900. Respondem conjuntamente pelas infrações cometidas os sócios e exsócios da empresa, em conformidade com inciso I do Art. 95 do DecretoLei nº 37/66, combinado com os Art. 134 e 135 do Código Tributário Nacional (Lei Complementar nº 5.172/66):(...) 11.7 VINÍCIUS DA COSTA COELHO, CPF Nº 010.408.99110, sócioadministrador e ex sócio administrador da empresa UTILIDAD, residente à QD SQN 212 BLOCO B APTO 506 – BAIRRO ASA NORTE – BRASÍLIA/DF – CEP 70864020. 11.8 DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, CPF Nº 858.493.24100, sócio administrador e exsócio administrador da empresa UTILIDAD, residente à QD AOS 04 BLOCO B APTO 114 – BAIRRO CRUZEIRO – BRASÍLIA/DF – CEP 70660042. 11.9 FILIPE DA COSTA COELHO, CPF Nº 717.690.48120, sócioadministrador e ex sócio administrador da empresa UTILIDAD, residente à AV LÚCIO COSTA 2930 BL 8 APTO 203 – BARRA DA TIJUCA – RIO DE JANEIRO/RJ – CEP 22620172. DA CIÊNCIA DOS SUJEITOS PASSIVOS Os sujeitos passivos UTILIDAD, ALTEMIR ROGÉRIO MARQUES, ANDERSON RODRIGO MARQUES, PRIME HOLDING, EDMAR MOTHÉ, PRIME, VINÍCIUS DA COSTA COELHO, DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA, e FILIPE DA COSTA COELHO foram cientificados do lançamento, respectivamente, nas seguintes datas: 28/05/2012 (à fl. 17.434), 03/09/2013 (à fl. 17.747), 26/08/2013 (à fl. 17.754), 03/05/2012 (à fl. 9.332), 11/05/2012 (à fl. 17.433), 11/05/2012 (à fl. 17.432), 26/06/2012 (à fl. 17.436), 03/05/2012 (à fl. 9.332) e 28/05/2012 (à fl. 17.434). Da Impugnação DA DEFESA DA UTILIDAD O sujeito passivo UTILIDAD, irresignado com a autuação, apresentou Peça Impugnativa (às fls. 17.46917.508) e anexos (às fls. 17.50917.737), em 04/06/2012 (segundafeira), alegando, em síntese, conforme a seguir: Dos Fatos e do Direito que foi intimada em 03/05/12 acerca das autuações; Fl. 18792DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.772 43 que a autoridade fiscal ainda acrescenta a ocorrência em tese de crime contra a ordem tributária, pelo que representará junto ao Parquet Federal; que demonstrou por meio de provas concretas a lisura em suas operações, em especial destaca o fato de possuir elevado crédito bancário que sustentava suas operações, fato ignorado pelas autoridades fiscais e que afasta a tese de que a impugnante valiase de recursos financeiros de terceiros para realizar importações; que, ignorouse também diversos princípios norteadores do direito administrativo e principalmente da legalidade ao se aplicar penalidade sobre todas as importações da empresa desde sua constituição, sendo assim condenado seu próprio modelo de negócio; que atua no ramo de importação e comércio de diversos bens, tendo atualmente um capital social devidamente integralizado de R$ 500.000,00, tema este que será abordado mais adiante; que, ao contrário do afirmado, seu quadro societário é distinto do da empresa Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda.; que fazem parte de seu quadro social a empresa Prime Holding (sócios Vinicius da Costa Coelho, Filipe da Costa Coelho, Daniel Chícrala Chaves de oliveira), Altemir Rogério Marques e Anderson Rodrigo Marques; que apenas os três sócios da Prime Holding são comuns à mencionada empresa Prime, os demais não têm qualquer participação, seja societária, operacional ou qualquer outra; que, tal fato é relevante vez que embora ignorado as empresas possuem personalidades jurídicas distintas; que as operações da Prime resumemse na importação ostensiva. Já a impugnante atua na distribuição de diversos tipos de produtos, inclusive seus sócios Altemir e Anderson são profissionais voltados ao ramo varejista; a questão que certamente pairou sobre a imaginação das autoridades fiscais foi: por que então não se excluiu a empresa Prime da cadeia de fornecimento tornando a impugnante a importadora ostensiva e os clientes da impugnante como adquirentes das mercadorias? E a autoridade fiscal em resposta a sua imaginação lavrou o presente auto entendendo que tudo não passou de uma criação da impugnante para ocultar ou interpor fraudulentamente seus clientes; que não se excluiu a Prime da cadeia de fornecimento tornandose a própria impugnante uma importadora ostensiva pelo fato de a Prime possuir benefícios fiscais concedidos pelo Distrito Federal, reduzindo significativamente o valor dos produtos por ela revendidos; Fl. 18793DF CARF MF 44 que não é razoável que se exija tal ou qual modelo de negócio do contribuinte, vez que ele pode escolher toda forma lícita, por exemplo, como ter uma empresa beneficiada que vende seus bens para outra para então revender ao consumidor final; que não há lei que proíba o modus operandi da impugnante, podendo assim terceirizar suas importações nos termos da legislação vigente; que a lei e as instruções normativas não previram a situação em que duas ou mais empresas figurariam na cadeia de fornecimento da importação, tanto que no Siscomex não há possibilidade de se incluir um terceiro adquirente; que numa situação hipotética, se “A” irá realizar uma importação, que vai vender para “B”, que por sua vez vai revender para “C”, “C” não é cliente de “A”; se “A” vai declarar a DI e obviamente tem que informar que “B” é o adquirente das mercadorias por ele importadas. “A” não poderia declarar “C” como adquirente, pois estaria ocultando “B”. Por outro lado, declarando “B” como adquirente, ainda que saiba da existência de “C”, não tem como declarar que “C” é adquirente de “B”, não há campo para isso e não há base legal que exija isso; considerandose a hipótese acima, segundo o entendimento fiscal, sempre ocorrerá uma fraude já que ou se estará ocultando/interpondo “B” ou “C”, pois sequer o Siscomex possui suporte para que se declare mais de dois intervenientes. É impossível atender à expectativa fiscal; a situação seria distinta se por exemplo uma das empresas inexistisse de fato ou se estivesse na relação apenas para quebrar a cadeia tributária ou simplesmente sonegasse os tributos devidos, mas, no caso em tela, as empresas existem de fato e recolhem devidamente todos os tributos incidentes, inclusive a extensão do IPI que atinge a impugnante por ser importadora equiparada à estabelecimento industrial. Cada empresa possui “vida” própria, com objetivos próprios, diferença de quadro societário e recursos, inclusive financeiros; o fato de que ambas funcionam no mesmo endereço é irrelevante, primeiro porque cada qual está registrada em um conjunto comercial diferente, embora compartilhem parte de espaço em comum em razão de serem conjuntos comerciais conjugados; segundo porque não há lei que proíba as empresas de compartilharem parte de seu espaço ou estrutura com outras, mormente quando parte dos sócios de uma são sócios da outra; que empresas criadas com intuito de fraudar além de não pagarem os tributos, funcionam em locais afastados, mal possuem funcionários, mobiliário etc. A impugnante está localizada em um conhecido shopping de Brasília e possui outra sede em um dos melhores edifícios do Rio de Janeiro, ambos visitados pela autoridade fiscal; o fato de os sócios possuírem baixo patrimônio ou baixa movimentação financeira em determinado período também não configura nenhum ilícito. São jovens empreendedores que Fl. 18794DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.773 45 reinvestem todo o lucro na própria empresa ou em novos negócios, bem como conhecem plenamente as operações e não se furtaram em esclarecer as questões levantadas; o fato é que de posse dos documentos arrecadados na sede da Prime e da impugnante, a autoridade fiscal acabou criando uma versão distorcida das operações realizadas; Dos documentos arrecadados – CPP Processos internos que boa parte dos documentos arrecadados nada mais são do que um registro de cada processo de importação/venda para análise estatística, com fins de definição de estratégias de marketing, ações comerciais, busca por novos produtos etc; ao contrário do que tenta fazer parecer a autoridade fiscal, tais pastas são montadas posteriormente à realização da venda das mercadorias para o cliente da impugnante; que a existência de tais pastas não significa que desde o início já se havia definido o cliente para tal ou qual mercadoria; o fato de em alguns casos um email ter sido trocado com um potencial cliente, a respeito de um bem a ser importado, antes de realizar sua importação não significa que tal importação tratavase de uma encomenda. A empresa precisa definir quais produtos irá importar e obviamente ela realiza uma pesquisa junto aos seus clientes e ao mercado em potencial para saber qual tipo de mercadoria vale a pena importar; que a maioria dos produtos vendidos (móveis e eletrodomésticos) é de marca própria “Utilidad”, ou seja, não há que se falar em ocultação de terceiros já que a marca pertence à própria empresa e não a seus clientes; fazer isso seria o mesmo que falar que, por exemplo, a empresa Sony oculta o Hipermercado Carrefour ou o Extra já que sempre eles adquirem máquinas fotográficas, televisores etc da marca japonesa. Não é porque um cliente sempre adquire produtos de um importador que ele está sendo ocultado, principalmente quando a marca pertence ao importador/distribuidor; que é impossível atender ao anseio fiscal, pois não há como incluir o cliente da impugnante no Siscomex juntamente com a impugnante e a importadora Prime, bem como não há como excluir a impugnante sob pena de se entender que ela seria a ocultada; e não se alegue que a importadora ostensiva (Prime) poderia sair da relação de importação, pois isso equivaleria a uma interferência estatal no livre exercício da atividade econômica das empresas; que tanto a importadora ostensiva como a impugnante recolhem devidamente todos os tributos incidentes. Ambas geram Fl. 18795DF CARF MF 46 lucro, e não há fato concreto que denote que o modelo de negócio fora criado com o intuito de fraudar o Fisco; que alguns dos processos internos analisados sequer merecem alguma consideração visto que a impugnante não consta como importadora ou adquirente, portanto não deveriam constar do presente processo (ver fl. 17.481); já os processos em que a autoridade fiscal entendeu ter ocorrido a ocultação do real adquirente, aplicandose a multa do art. 33 da Lei 11.488/2007, esclarecese que todos os produtos ostentavam a marca da impugnante, “Utilidad”, sendo descabida a alegação de ocultação, pois não há falar em ocultação de terceiros se a marca é pertencente à Importadora (ver fl. 17.481 17.483); a autoridade fiscal posiciona a empresa Mundo dos Filtros como se fosse uma única empresa, quando na verdade Mundo dos Filtros é uma marca e cada loja que a ostenta possui quadro societário distinto, o que afasta mais ainda a tese de ocultação já que são na verdade dezenas de empresas distintas que apenas utilizam o mesmo nome fantasia; a impugnante realizou um acordo com as empresas que utilizam a marca Mundo dos Filtros e para essas empresas ela pratica a mesma política de preços e vende a mesma gama de produtos, nada que possa ser qualificado como ilícito; já a empresa Shopping Matriz, tratase de um grande varejista de móveis, constituído por várias pessoas jurídicas, que trabalha com inúmeras marcas, sendo uma delas a marca “Utilidad”, de propriedade da impugnante, e por seu porte acaba por absorver praticamente todo o estoque de cadeiras importadas pela impugnante com sua própria marca, sendo de fato uma espécie de distribuidor exclusivo das cadeiras com marca da impugnante; se a impugnante foi constituída para ocultar o Shopping Matriz porque venderia para tal empresa somente cadeiras (com sua marca própria)? Se a intenção fosse de ocultar, mediante fraude, certamente poderia se vender uma maior gama de produtos, e em maiores quantidades às vendidas e com marcas diversas da sua; Do Contrato social e alterações que apesar de se questionar a baixa capacidade financeira dos sócios ou seu baixo patrimônio, estranhamente, não há uma linha sequer que mencione o crédito bancário para giro de seus negócios em montante superior a 8 milhões devidamente demonstrados às autoridades fiscais no decorrer do procedimento fiscalizatório; o crédito bancário utilizado suporta todo o volume transacionado, colocando em “xeque” a tese fiscal de que a empresa era suportada por terceiros; Fl. 18796DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.774 47 que opera com pequenas margens de lucro exigindo um rápido giro de mercadorias e baixa manutenção de produtos em estoque; que o Sr. Edmar Mothé entrou e saiu da empresa em curto espaço de tempo, em meados de 2011, que por sua experiência fora convidado para otimizar os negócios da Utilidad. Contudo, sua rápida passagem é explicada pelo grande acúmulo de trabalho que prejudicaria seus negócios de venda ao consumidor final, bem como de não ter se concretizado sua participação na Prime. Assim, entendeu permanecer apenas como cliente; o fato de ter negligenciado em atualizar prontamente suas informações cadastrais junto à RFB não se caracteriza como ilícito, até porque tal movimentação consta em seus instrumentos societários; com relação à integralização de capital e a origem dos recursos o que se vê são sucessivos inconformismos por parte da autoridade fiscal, vez que os sócios comprovaram devidamente o depósito realizado bem como sua capacidade financeira para o aporte; a tese de que a empresa Prime Holding não possuía caixa é fragílima visto que eventual disparidade entre as datas de integralização de fato e a constante do contrato social é erro comum, hábil de ser corrigido por meio de retificação do instrumento societário; as demais são incontestes já que se formos retroagir à origem da origem da origem dos recursos, jamais alguma pessoa física ou jurídica irá conseguir comprovar nada. A origem dos recursos é lícita e não há nenhuma prova nos autos que desqualifique essa condição. Rememorese que o ônus probandi cabe a quem alega, já que é praticamente impossível se fazer prova negativa. Da análise contábil e capacidade financeira a autoridade fiscal realizou análise da contabilidade da empresa entre os anos de 2009 e 2011 e concluiu que a mesma não possuía capacidade financeira para operar no comércio exterior, e que todos os recursos utilizados são provenientes de seus clientes, ou seja, os reais adquirentes ocultos; novamente a autoridade fiscal não considerou em sua análise o crédito bancário obtido pela impugnante, num montante superior a R$ 8 milhões; já as notas fiscais emitidas pela empresa não são fictícias como afirma a auditoria e refletem exatamente as operações realizadas, não havendo ilegalidade o fato de que na contabilidade os valores dessas vendas aparecem de forma consolidada; Fl. 18797DF CARF MF 48 que sendo a empresa tributada pelo lucro real, trimestralmente, a apuração de seu estoque se dá ao fim de cada trimestre e não a cada venda, por uma opção que lhe é facultada. Assim é natural que sua escrituração contábil (em especial o Custo das Mercadorias vendidas) esteja com os valores consolidados de várias notas fiscais. Ou seja, não há embasamento jurídico ou técnico para considerar tal fato uma fraude; que não há ocultação porque a maioria esmagadora dos produtos vendidos é de marca própria da impugnante; os bens não são vendidos somente para as empresas Mundo dos Filtros e Shopping Matriz, são dezenas e dezenas de empresas que utilizam o nome fantasia de Mundo dos Filtros e Shopping Matriz; e os recursos financeiros são obtidos de crédito bancário e giro do próprio negócio; diante de várias entradas e saídas de recursos, não se pode presumir que este ou aquele valor fora utilizado para pagar as operações de comércio exterior; que muitos dos valores recebidos de clientes se referem a operações anteriores, com prazo de pagamento ou operações realizadas à vista e não antecipação de recursos para operações futuras; o dinheiro utilizado pela impugnante para suportar sua operação advém do GRANDE giro de negócios que possui e de seu crédito bancário; que o dinheiro entra na conta da empresa e vira um caixa único que é utilizado para pagamento de todas as contas, inclusive os custos e tributos de importação; que para realizar suas operações de comércio exterior em comento, se vale do crédito bancário, tudo devidamente comprovado à autoridade fiscal que suprimiu tal informação do processo, oportunamente apresentado junto à defesa, num total de R$ 8.675.000,00. Como pode a autoridade fiscal afirmar que a empresa não possui capacidade financeira para realizar suas operações de comércio exterior e que depende dos recursos de terceiros? há ainda mais uma linha de R$ 400 mil cujo contrato não fora recebido em tempo hábil para juntada; a impugnante apresenta quadro demonstrativo com alguns exemplos de que os recursos financeiros utilizados nas operações de comércio exterior realizadas são de origem desses contratos de crédito; que o problema da empresa não é a ausência de capacidade financeira como tentou demonstrar a autoridade fiscal; e mais uma vez indaga: por que os ilustres auditores ocultaram dos autos todo o crédito bancário que a empresa apresentou no decorrer do procedimento fiscal? A resposta é clara, vez que com a comprovação do crédito bancário a tese fiscal é esmagada, restando claro que o intuito foi de apenas Fl. 18798DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.775 49 acabar com uma empresa que gerava empregos e recolhia tributos aos cofres públicos; por mais que os erros contábeis eventualmente identificados, bem como as suspeitas levantadas possam induzir o leigo a achar que a empresa utilizava recurso de terceiros, o fato é que com a capacidade financeira elucidada não há como sustentar o perdimento das mercadorias vendidas pela impugnante; que a origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos são inequívocas (comprovadas por meio dos demonstrativos bancários apresentados), e, dessa forma, não há que se falar em interposição fraudulenta de terceiros. Não se pode apenar a impugnante quando se restou afastada a presunção de interposição fraudulenta; ademais, que verdadeiro foco do combate à interposição é o de combater a lavagem de capitais oriundos de crimes como o tráfico de drogas e armas; que a origem, disponibilidade e efetiva transferência de recursos foram identificados e não guardam qualquer relação com os crimes previstos na Lei nº 9.613/1998; e sendo lícita a origem, ao máximo teria ocorrido uma ocultação sujeita à multa do art. 33 da Lei 11.488/07, o que no caso é incabível visto que a impugnante é a proprietária da marca da maioria esmagadora dos produtos que comercializou; o modelo de negócios em questão exige a utilização da outra empresa importadora (Prime) em razão do benefício fiscal que lhe foi concedido pelo DF e, assim, a impugnante sempre figurará como adquirente; que nesse modelo, não previsto pela legislação vigente nem suportado pelo Siscomex, não há possibilidade de se incluir um terceiro adquirente, o que torna impossível ATENDER À EXPECTATIVA FISCAL NAQUELES CASOS EM QUE HOUVER UMA “ENCOMENDA DA CONTA E ORDEM” OU UMA “CONTA E ORDEM DA CONTA E ORDEM”; que a ausência de previsão legal proibitiva torna o modelo lícito, ainda que repudiado pelas autoridades fiscais; Dos Clientes da Impugnante arrolados como adquirentes ocultados MUNDO DOS FILTROS que fica difícil se sustentar a tese de ocultação de terceiros quando os produtos importados vendidos aos supostos ocultados possuem marca própria, no caso “Utilidad” marca de propriedade da impugnante, aliás, seu próprio nome; cabe repisar que Mundo dos Filtros não se trata de uma pessoa jurídica, mas sim de uma marca, uma bandeira, um nome fantasia utilizado por dezenas de empresas; sendo a grande maioria com sócios distintos, o que já seria suficiente para Fl. 18799DF CARF MF 50 afastar a tese fiscal de ocultação de uma só empresa Mundo dos Filtros; já que na verdade só seria uma ocultação se ocorresse o inverso, ou seja, se as empresas Mundo dos Filtros importassem a marca da impugnante sem passar por ela ou sem ter sua autorização de uso de marca; que as empresas Mundo dos Filtros foram apresentadas para a impugnante pelo Sr. Edmar Mothé, que acabou tornandose sócio por um curto período, mas o fato é que essa relação, de certa forma, não se dá de maneira não onerosa; pela indicação e intermediação de venda da impugnante para tais empresas que ostentam a marca Mundo dos Filtros, muitas vezes são repassados valores ao Sr. Edmar Mothé a título de comissão ou bonificação; o que não é ilícito e só demonstra que essas empresas não são um grupo econômico, mas sim diversas pessoas jurídicas que compartilham o mesmo nome; que as margens de lucro apontadas pelo auditor fiscal em torno de 3% a 10% é mais que suficiente, porque acima disso correria o risco de ficar com produtos encalhados; que na livre iniciativa quem regula a margem de lucro é o mercado consumidor não o Estado; que a grande maioria das vendas realizadas para as empresas com bandeira Mundo dos Filtros foi de produtos com a marca Utilidad, o que afasta por completo a suspeita de ocultação; para os poucos produtos que não possuíam sua marca, também não houve acordo prévio, simplesmente a impugnante arriscou e conseguiu emplacar a venda; LS IMPORTAÇÃO que é um cliente contumaz da importadora Prime, cujos sócios também fazem parte do quadro societário da impugnante juntamente com outros sócios; que verificando uma boa oportunidade de negócio no ramo que a LS Importação atua (produtos para áudio e vídeo) foram realizadas algumas importações de produtos dessa linha. Embora tivessem outros lugares para prospectar a venda, ao chegarem tais produtos os mesmos foram ofertados à LS, à qual os adquiriu na totalidade; que o fato de a LS já ter sido cliente da Prime, não há nenhum óbice legal em realizar uma importação por conta e risco da impugnante e revender tais produtos para um único cliente; que, trataramse de pouquíssimos casos pontuais que não servem para descaracterizar a idoneidade da operação; SHOPPING MATRIZ que de forma parecida com o Mundo dos Filtros se trata de um grande distribuidora de produtos para escritório, cuja demanda supera a capacidade de entrega da impugnante; Fl. 18800DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.776 51 que as cadeiras vendidas às empresas do grupo Shopping Matriz são da marca Utilidad; ocorre que os fornecedores estrangeiros possuem limitações para produção de produtos com determinada marca e, assim, a empresa que pretende produzir com marca própria deve encomendar um grande lote, ainda que adquira de maneira fracionada; ocorre que a impugnante encomendou um lote que achava que seria suficiente para atender a demanda que pretendia gerar e com as vendas para o Shopping Matriz foi surpreendida, não conseguindo atender ao Shopping Matriz nem vender para outros clientes; que por ter ficado desabastecida por um tempo, a impugnante acabou perdendo a conta do Shopping Matriz e só depois de um período conseguiu restabelecer seu relacionamento e continuou a vender para o grupo; que dois fatos afastam a tese de ocultação: primeiro é a margem de lucro muito satisfatória e segundo que as mercadorias revendidas são de sua própria marca; ECO BRAZIL que realizou apenas um único negócio com tal empresa, o que demonstra que não houve a intenção de ocultação; em razão de uma viagem à China pensou que poderia ser lucrativo trabalhar com esse tipo de produto (fibra de poliéster), todavia tal expectativa demonstrouse ser um verdadeiro fracasso; assim, tratou de prospectar algumas empresas e ofertou seu produto (fibra de poliéster) à Eco Brazil e não pestanejou em vendêlo na sua totalidade, vez não se tratar de produto que estivesse habituada a comercializar; Do suposto subfaturamento de produtos que em algumas poucas DIs a autoridade fiscal entendeu por bem aplicar penalidade de multa em razão de ter encontrado diferença entre o valor real dos bens e o valor declarado na importação; para tanto, a fiscalização socorreuse única e tão somente a cópias de faturas proforma enviadas por fornecedores quando da negociação, mas não houve subfaturamento em tais casos. O que de fato ocorreu foi uma negociação em que a importadora impôs o limite de preço que pagaria, valor que foi aceito pelo fornecedor que após a concretização do negócio emitiu a fatura comercial correspondente ao valor real transacionado entre as partes; Fl. 18801DF CARF MF 52 que havendo dúvida com relação ao valor aduaneiro o procedimento a ser adotado pela autoridade fiscal seria aquele previsto no AVA/GATT antes de propor a aplicação da multa; que a forma como se procedeu a valoração baseandose em fatura proforma é completamente irregular, razão pelo que devem ser afastadas as multas propostas; Da ausência de dano ao Erário que não ocorreu dano ao Erário, vez que os tributos incidentes foram devidamente pagos. Cita jurisprudências; é injustificada a pena de perdimento pois não houve insuficiência de recolhimento de tributos. Acaso não prevaleça esse entendimento ao menos seja cabível a relevação desta penalidade por ser a medida mais razoável (cita art. 736, 737 do RA), dada a ausência de intuito doloso; assim, é indubitável a inaplicabilidade da pena de perdimento convertida em multa, bem como a multa do art. 33 da Lei 11.488/2007, não só pela ausência dos requisitos autorizadores destas sanções, mas também pelo fato de que não é a medida a ser aplicada no presente caso; que não se acolhendo os argumentos e provas carreadas para fulminar a ação fiscal, subsidiariamente demonstrase aplicável a relevação da pena de perdimento, pois a adequação da pena é medida imperiosa, respeitadora de direitos basilares como a razoabilidade e proporcionalidade; que a multa é desproporcional à capacidade da empresa; Do Pedido diante do exposto requer seja a ação fiscal julgada improcedente, afastandose, na totalidade, a penalidade pretendida ou subsidiariamente seja relevada a pena de perdimento aplicando a multa do art. 712 do RA. DA(S) DILIGÊNCIA(S) Em 31/07/2013, a 2ª Turma desta DRJ/FOR converteu o julgamento em Diligência (Resolução 0802.509, às fls. 17.740 17.743), a fim de que a unidade preparadora refizesse a ciência dos solidários: Altemir Rogério Marques e Anderson Rodrigo Marques, por pecha no tempo de afixação do Edital nº 17/2012 (à fl. 17.448), o que foi prontamente saneado (ver fls. 17.747 e 17.754). Retornando os autos, em 19/12/2013, o julgamento foi convertido em uma nova Diligência (conforme Despacho nº 23, da 5ª Turma desta DRJ/FOR, às fls. 17.76817.771), desta vez, com o intuito de que se intimasse a autuada impugnante (UTILIDAD) para comprovar que o signatário da procuração de constituição de seus defensores, ou seja, o seu exsócio administrador Vinícius da Costa Coelho, possuía à época legitimidade para representála e poderes suficientes para constituição de procuradores, ou, ainda, alternativamente, a apresentar convalidação para o ato, sob a advertência de que Fl. 18802DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.777 53 caso não fosse providenciado o devido saneamento, restaria ao órgão julgador o não conhecimento da Peça Defensória. Desse modo, a unidade preparadora encaminhou Notificação nº 152/2013 (à fl. 17.772) à empresa UTILIDAD para que no prazo de 10 (dez) dias fosse apresentada a documentação solicitada, conforme aviso de recebimento (AR), recebido no endereço indicado em 03/01/2014 (à fl. 17.773). Pelo transcurso do prazo in albis, ou seja, sem qualquer manifestação da interessada (UTILIDAD), os autos retornaram a esta DRJ/FOR (2ª Turma de Julgamento) para prosseguimento (à fl. 17.775). Novamente, o julgamento foi convertido em Diligência (conforme Resolução nº 08002.681, da 2ª Turma desta DRJ/FOR, às fls. 17.78217.785), por persistirem dúvidas tanto sobre a efetiva realização da ciência da autuação à empresa UTILIDAD, quanto se o exsócio Vinícius da Costa Coelho possuía à época (em 04/06/2012) que assinou a procuração (à fl. 17.509) algum poder para representála e de constituir seus defensores, o que também restou saneado (ver Despacho de Encaminhamento à fl. 17.788 informando a devida ciência da UTILIDAD, bem como manifestação da impugnante a seguir). DA MANIFESTAÇÃO APRESENTADA/SOLICITAÇÃO DE JUNTADA DE “DECISÃO PARADIGMA” (às fls. 17.803 17.828) A UTILIDAD solicita juntada (ver remessa postal, datada de 07/07/2014) de decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 10111.720453/201385 (Acórdão 0733.710 da 1ª Turma da DRJ/FNS), por entender ser originária dos mesmos fatos que deram azo à instauração do presente processo, em observância ao art. 38 da Lei nº 9.784/1999. Outrossim, além de ratificar os poderes de Vinícius da Costa Coelho e dos causídicos elencados na procuração à fl. 17.509, reitera o conteúdo da defesa, e, ainda requer que toda e qualquer intimação seja dirigida ao endereço dos causídicos: Rua Funchal, 573, cj. 23 Vila Olímpia São Paulo/SP, CEP 04551060. Segue excerto da dita decisão paradigma: (...)ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: (...)FALTA DE PROVAS. É ônus do Fisco instruir o auto de infração com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado (...)Voto (...)Alegam os impugnantes que o auto de infração não foi instruído com os respectivos elementos de prova, tanto dos fatos jurídicos relacionados à hipótese de ocultação e interposição fraudulenta, quanto dos fatos jurídicos aptos a atribuir aos Fl. 18803DF CARF MF 54 impugnantes a responsabilidade tributária apontada na autuação. A razão assiste aos interessados. A exigência de crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada seguem o rito do processo administrativo fiscal regido pelo Decreto n.º 70.235/72, que tem como princípios basilares os da ampla defesa e do contraditório, e que mais especificamente em seu artigo 9° assim determina: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ...(Grifos acrescidos) No presente caso a autoridade fiscal não logrou trazer os elementos de prova capazes de comprovar que os interessados tenham agido em desacordo com o previsto na legislação de regência. A autoridade fiscal, equivocadamente, julgou ser prescindível a apresentação das provas para instruir a presente autuação em razão de entender que em outro processo administrativo já houvera a sua apresentação (fl. ...): Embora parte dos autuados naquele processo tenha sido autuado também no presente processo, a legislação de regência anteriormente citada não permite a omissão de provas relacionadas à comprovação do ilícito, mesmo que referidas provas já tenham sido apresentadas em outro processo administrativo destinado a sustentar outras autuações, não há tal faculdade processual. Vale dizer, cada autuação deve estar instruída com os respectivos elementos probatórios. Ademais, não há registros de que os elementos de prova tenham sido apresentados (em qualquer dos processos) ..., situação que notadamente limita o direito de defesa e possibilidade de contraditório destes autuados (artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72). Assim, não basta apenas que a “Descrição do Fato”, requisito obrigatório do auto de infração nos termos do inciso III, do artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, contenha a necessária concatenação de idéias que permitam fazer a ligação entre todos os elementos que compõem a autuação. É imprescindível que os elementos de prova sejam apresentados e atestem que os fatos atribuídos aos autuados se alinham com os dispositivos legais relacionados ao caso. De outra sorte, ainda que pudesse ser superado o vício anteriormente citado, o entendimento desta Relatora é que a autuação igualmente não poderia prosperar. E basicamente por dois motivos. Primeiro porque em momento algum houve a desconsideração da personalidade jurídica das EMPRESAs envolvidas, vale dizer, as EMPRESAs não foram consideradas inexistentes de fato, Fl. 18804DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.778 55 operacionalmente incapazes, ou com máculas em sua constituição societária. Embora a fiscalização indique indícios da existência de um “grupo econômico” e estruturado, no plano das atividades operacionais relacionadas ao comércio exterior não se vislumbrou sua ocorrência de modo objetivo. As EMPRESAs envolvidas não foram consideradas “laranjas” ou inexistentes: nem o importador declarado (....), nem o adquirente declarado (....), nem o adquirente da mercadoria nacionalizada (...)Os fatos narrados na autuação são complexos e diversos daqueles que, via de regra, caracterizam as condutas relacionadas à ocultação e interposição fraudulenta no âmbito do comércio exterior. Tamanha a complexidade que, neste ponto, é de se observar que sequer o importador foi autuado, vale dizer, aquele que apresentou a declaração considerada fraudulenta não foi trazido ao pólo passivo da autuação decorrente da ocultação que por ele teria sido perfectibilizada. Segundo os fatos narrados, as operações de importação em apreço teriam sido realizadas por conta e ordem: a (...) adiantou recursos (...) (relacionada a uma fração do total de mercadorias), que por sua vez, adiantou recursos (...).A Instrução Normativa SRF n° 225/02 estabeleceu os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora em operações procedidas por conta e ordem de terceiros (situação, em tese, narrada nos autos) e assim estabeleceu em seus artigos: (...)Como se observa da norma acima, não há qualquer referência expressa à hipótese citada nos autos, onde um importador age por conta e ordem de um terceiro e este (segundo o relato) age em razão de outros (um conjunto de EMPRESAs). Se o importador, ao registrar a declaração de importação indicasse a EMPRESA (...) como real adquirente, estaria, em tese, omitindo o adquirente EMPRESA (...), pois o campo que identifica a operação só pode ser preenchido com a identificação de uma empresa. Logo, inevitavelmente, no plano formal, a declaração poderia ser tida como fraudulenta pela Fazenda, vez que aquele que efetivamente ordenou a importação e transferiu os recursos ao importador seria omitido na declaração de importação. Conclusão, não haveria como o importador satisfazer a pretensão fiscal, inevitavelmente uma das duas empresas, tidas por adquirente, seria omitida. Os fatos narrados na autuação não apontam para a conclusão de que a EMPRESA (...) tenha negociado as mercadorias com o fornecedor estrangeiro, nem que a EMPRESA (...) seja inexistente ou que não tenha participado da operação de comércio exterior. Portanto, o primeiro motivo para improcedência da autuação está relacionado à impossibilidade material de satisfazer a exigência fiscal sem que uma das empresas, tidas por Fl. 18805DF CARF MF 56 adquirentes, seja formalmente omitida na declaração de importação. O segundo motivo está relacionado ao fato de que cada operação de importação não foi realizada exclusivamente em razão de um “quarto” adquirente, mas de muitos. Apenas a título ilustrativo, no caso da declaração de importação n° (...), a fiscalização indica que as mercadorias descritas na adição 001 foram adquiridas por (...) pessoas jurídicas diferentes, situação incompatível com aquelas que, via de regra, tipificam a interposição fraudulenta. A considerar os fundamentos da autuação, o desejo da fiscalização era que o importador declarasse que as mercadorias dessa operação de importação tivessem sido adquiridas por (...) “reais” adquirentes distintos. Numa única declaração de importação, como já dito acima, seria igualmente impossível. Em (...) declarações de importação seria possível, mas desde que cada um destes adquirentes tivessem negociado suas mercadorias com o (mesmo) fornecedor estrangeiro e, em favor deles tivessem sido emitidas (...) faturas comerciais e (...) conhecimentos de carga, conforme preconizado na Instrução Normativa SRF n° 225/02, ocorrência que não se vislumbra da narração contida nos autos. A considerar a comprovação da tese de “grupo econômico”, a conduta esperada seria justamente aquela adotada: uma empresa importadora do grupo encaminha as mercadorias para um distribuidor do grupo que então os encaminha às diversas empresas de revenda do grupo, para então fazer a venda ao consumidor final. A “ocultação” que se constata nesta hipótese (do adquirente revendedor) não decorre de prática fraudulenta relacionada à operação de comércio exterior, mas sim de mera logística e racionalização na cadeia de distribuição de mercadorias inerentes às operações normais de comércio desenvolvidas no País. Portanto, em razão dos fatos narrados não se subsumirem às hipóteses descritas na legislação de regência, o entendimento deste Relator é de que a autuação não pode prosperar. Por outro lado, fica dispensada a análise dos demais argumentos ofertados pelos interessados. Assim, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, cancelando o crédito tributário exigido. (...) Após extenso Relatório, o feito foi votado, com prolação de votos divergentes, tendo sido ao final julgada parcialmente procedente a impugnação do contribuinte, com acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/06/2009 a 14/02/2012 Fl. 18806DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.779 57 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. REVELIA. EFEITOS. A ausência de impugnação por parte de sujeito passivo solidário acarreta, contra o revel, a preclusão temporal do direito de praticar o ato impugnatório, prosseguindo, o litígio administrativo, em relação aos que impugnaram o lançamento. Todavia, havendo pluralidade de sujeitos passivos, a impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário no tocante aos demais. DA INTIMAÇÃO DOS ATOS EM LOCAL DIVERSO DO DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. ENDEREÇO DOS CAUSÍDICOS. DESCABIMENTO No âmbito do PAF é descabida a intimação dos atos diretamente no endereço do causídico por ausência de previsão normativa. ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no estrito rigor da lei, devidamente fundamentado, lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e artigo 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), e regularmente notificado ao(s) sujeito(s) passivo(s), não há falar em ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DE 100% (CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO) PELA MULTA DE 1%. RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO. COMPETÊNCIA MINISTERIAL. Inócua a apreciação de matéria cuja apreciação não seja de competência dos julgadores das Delegacias da RFB de Julgamento. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar sua aplicação CESSÃO DE NOME. GARANTIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Responde solidariamente pela infração, inclusive na cessão de nome, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, não cabendo benefício de ordem (DL 37/66, art. 95, incisos I). O instituto da solidariedade visa, também, aumentar as garantias do crédito tributário. Fl. 18807DF CARF MF 58 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PRESUNÇÃO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NO COMÉRCIO EXTERIOR. INEXISTÊNCIA DE SUBSUNÇÃO DO FATO À NORMA. AUSÊNCIA DE MOTIVO PARA O LANÇAMENTO. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO. O art. 9º do PAF é norma cogente que obriga à fiscalização demonstrar os fatos que motivaram ou tipificaram a infração, ou seja, também no caso de inversão do ônus da prova prevista no DecretoLei nº 1.455/76, art. 23, § 2º, a fiscalização tem o dever de provar que mesmo oferecendo, de forma clara, oportunidade ao autuado, este não conseguiu comprovar a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos por ele empregados em operação de comércio exterior. A perda de foco no tipo legal, deixando de buscar os elementos que o caracterizam para, em detrimentos destes, buscar outros elementos de provas que lhe são alheios enseja a procedência da impugnação por falta de subsunção dos fatos à norma. CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, observado o valor mínimo de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Comprovado que os reais valores transacionados nas operações de importações são superiores aos valores declarados, fato que caracteriza o subfaturamento, cabe exigir a diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida dos juros de mora e das multas. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Em caso de infração praticada mediante fraude, aplicase a multa qualificada por insuficiência de recolhimento, no percentual de 150% sobre a diferença do imposto, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES IPI IMPORTAÇÃO. COFINSIMPORTAÇÃO. PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RECONSTITUIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Reconstituído o valor aduaneiro declarado pelo importador, cabe reconstituir o valor tributável dos demais tributos incidentes na importação, para exigir as diferenças que deixaram de ser recolhidas por ocasião do despacho aduaneiro, acrescidas dos juros de mora e das multas. Fl. 18808DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.780 59 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Os autos, então, subiram a este CARF em razão de Recurso de Ofício e de Recursos Voluntários apresentados pelos contribuinte UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA. às fls. 18.109 e seguintes, e EDMAR MOTHÉ, às fls. 18.147 e seguintes, ambos tempestivos, conforme documento de fl. 18.206. Após, foram os autos remetidos à este CARF e distribuídos, por sorteio, à minha relatoria. Em primeiro exame do feito, constatouse que o solidário EDMAR MOTHÉ foi indevidamente declarado revel, visto que comprovada a apresentação tempestiva de impugnação, juntada às fls. 18.176 e seguintes. Assim, por meio do acórdão nº 3201002.394 foi determinada a realização de novo julgamento pela DRJ, unicamente quanto à impugnação do solidário. Em novo julgamento aplicável solidário EDMAR MOTHÉ, o lançamento foi julgado parcialmente procedente "pela nulidade do crédito relativo à Multa por cessão de nome, pela ocorrência de vício material na edificação do lançamento (por se cuidar de reprimenda restrita a quem efetivamente cedeu seu nome), não se lhe aplicando a reabertura do prazo decadencial previsto no inciso II do art. 173 do CTN." O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 16/06/2009 a 14/02/2012 ACÓRDÃO COMPLEMENTAR. Cumprese a determinação do CARF para que seja analisada a impugnação apresentada tempestivamente pelo co responsável, uma vez que a mesma não foi apreciada no tempo devido por esta DRJ em razão de à época não constar dos autos. PROCEDIMENTO FISCAL. FASE INQUISITORIAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o contribuinte sido regularmente cientificado do lançamento, inexiste cerceamento do direito de defesa em virtude de eventual falta de outras intimações na fase inquisitorial do procedimento fiscal para o contribuinte apresentar documentos que pudessem fazer prova em seu favor. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA. PROCEDÊNCIA A pessoa jurídica que ceder seu nome, para a realização de operações Fl. 18809DF CARF MF 60 de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, observado o valor mínimo de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA GARANTIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE NOME. Responde solidariamente pela infração, inclusive na cessão de nome, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, não cabendo benefício de ordem (DL 37/66, art. 95, incisos I). O instituto da solidariedade visa, principalmente, aumentar as garantias do crédito tributário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Em face do acórdão complementar, foi interposto novo Recurso Voluntário pelo solidário EDMAR MOTHÉ (fls. 18.587 e seguintes) postulando pela exclusão integral de sua responsabilidade quanto aos valores mantidos ou, quando menos, que esta seja restrita aos fatos geradores ocorridos no período em que figurou como sócio da empresa UTILIDAD. Em face do acórdão complementar foi também interposto novo Recurso de Ofício em razão da exclusão parcial da responsabilidade tributária do solidário. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Inicialmente cumpre esclarecer que, ao presente processo, cujo contribuinte principal é a UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA., a mim distribuído por sorteio, foram apensados, por conexão, os seguintes processos: Fl. 18810DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.781 61 PROCESSO PARTE REDISTRIBUIÇÃO 10111.721635/201373 MEGALAR ELETRO UTILIDADES LTDA. EPP Resolução 3402/000.792, de 18.05.2016 10111.720158/201418 FILTROS AGUA LIMPA EIRELI ME Resolução 3301/000.273, de 24.01.2017 10111.720939/201313 UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME Resolução 3301/000.274, de 24.01.2017 10111.720047/201312 NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA. E OUTROS Resolução 3301/000.275, de 24.01.2017 10111.721473/201373 MYRA PARTICIPACOES, GESTAO DE ATIVOS, IMPORTACAO, EXPORTACAO E COMERCIO LTDA Resolução 3301/000.276, de 24.01.2017 10111.721457/201381 UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME Despacho de 05.10.2017 10111.720831/201592 UNIVEX COMERCIO DE UTILIDADES PARA O LAR E PRESENTES LTDA EPP 10111.721457/201381 UT UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME Tratamse de autuações em face da constatação fiscal de operações de importação fraudulenta, com a ocultação do real importador. A UTILIDAD é apresentada como importadora ostensiva e, as demais empresas, como sujeitos ocultados. Todos os processos acima, reunidos por conexão, estão sendo submetidos a julgamento conjunto por este colegiado. Feito tal esclarecimento, passa ao exame dos Recursos interpostos nos presentes autos, tido por "principais". Inicialmente, necessário pontuar a procedência parcial das Impugnações apresentadas, conforme dispositivos dos acórdãos proferidos: Acórdão nº 0832.510, de 28 de janeiro de 2015 (Utilidad) ACORDAM os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, na forma do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado, em: I – PRELIMINARMENTE, I.1 – Por unanimidade de votos: Fl. 18811DF CARF MF 62 a) DECLARAR NÃO IMPUGNADA a exigência em relação aos sujeitos passivos solidários: PRIME, PRIME HOLDING, ALTEMIR ROGÉRIO MARQUES, ANDERSON RODRIGO MARQUES, EDMAR MOTHÉ, VINICIUS DA COSTA COELHO, DANIEL CHÍCRALA CHAVES DE OLIVEIRA e FELIPE DA COSTA COELHO, sendo os mesmos considerados revéis; b) CONHECER do teor da Peça Impugnatória apresentada pelo sujeito passivo: UTILIDAD, bem como de sua manifestação/pedido de juntada de documentos, observandose, contudo, o disposto pelo art. 7º, caput, da Portaria nº 2.284/2010; b.1) NÃO APRECIAR as alegações de inconstitucionalidade; b.2) REJEITAR as arguições de nulidade suscitadas pelo impugnante; I.2 – Por maioria de votos, REJEITAR a arguição levantada de ofício pelo julgador, relator original, Ricardo Serra Rocha que votou pela nulidade da autuação na parte relativa à totalidade da multa por cessão de nome. II NO MÉRITO, julgar procedente em parte a impugnação para: a) EXCLUIR do lançamento relativo à presunção de interposição fraudulenta a totalidade da Multa de 100% por dano ao Erário no valor de R$ 15.052.552,57. Vencido o julgador Ricardo Serra Rocha nos termos do Voto Vencido; b) EXCLUIR da Multa de 10% por Cessão de Nome o valor de R$ 1.529.907,17 correspondente às DI nas quais foi presumida interposição fraudulenta. Votou pela conclusão o julgador Ricardo Serra Rocha, conforme Declaração de Voto. Declarou voto o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar; c) MANTER a Multa de 10% por Cessão de Nome no valor de R$ 811.805,13 correspondente às DI nas quais foram identificados os reais adquirentes, observandose a multa mínima de R$ 5.000,00; d) EXCLUIR os valores dos tributos, multa de ofício e juros relativos ao subfaturamento lançados nas DI 11/17094598 e DI 11/15267746. Vencido o julgador Ricardo Serra Rocha nos termos do Voto Vencido, e e) MANTER os valores dos tributos, multa de ofício e juros lançados nas DI 11/17330038, DI 11/17467629 e DI 11/17473076. Acórdão nº 0837.855, de 22 de fevereiro de 2017 (Edmar Mothe) ACORDAM os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza, em complemento ao Acórdão 0832.510 2ª Turma da DRJ/FOR, Fl. 18812DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.782 63 de 28 de janeiro de 2015, na forma do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado, em: I – PRELIMINARMENTE, a) por unanimidade, rejeitar a arguição de cerceamento ao direito de defesa, e b) por maioria, rejeitar a nulidade do lançamento relativo a multa por Cessão de Nome suscitada pelo auditorfiscal julgador Ricardo Serra Rocha conforme declaração de voto. A auditorfiscal julgadora Ana Lígia Linhares Pontes também fará declaração de voto em relação ao item “b”. II NO MÉRITO, a) por unanimidade, MANTER o vínculo de responsabilidade do impugnante relativo aos valores dos tributos, multa de ofício e juros, relativos ao subfaturamento, lançados nas DI 11/1733003 8, DI 11/17467629 e DI 11/17473076, e b) por maioria, MANTER o vínculo de responsabilidade do impugnante relativo a valores da Multa por Cessão de Nome, no total de R$ 405.758,51, conforme planilha e, em consequencia, AFASTAR o vínculo de responsabilidade do impugnante relativo ao restante desta multa, lançada na empresa UTILIDAD e demais coresponsáveis; observandose ainda a existência de recurso ex officio ocorrido em função de outros valores excluídos no Acórdão Complementado, ou seja, a presente exclusão parcial do vínculo de responsabilidade não é definitiva. Vencido o auditorfiscal julgador Ricardo Serra Rocha quanto ao item “b”, por entender que o vinculo de responsabilidade do impugnante deve ser mantido em relação ao total da multa lançada. O auditorfiscal julgador Icaro Nonato Lopes Cezar foi vencido em relação ao item “b”, conforme declaração de voto. 1. RECURSO DE OFÍCIO Conforme relatado, a procedência de parte do pedido se deu em 3 (três) aspectos, que se passa a examinar de forma individualizada: a) EXCLUIR do lançamento relativo à presunção de interposição fraudulenta a totalidade da Multa de 100% por dano ao Erário no valor de R$ 15.052.552,57. Vencido o julgador Ricardo Serra Rocha nos termos do Voto Vencido; Fl. 18813DF CARF MF 64 O Voto Vencedor proferido pelo Auditor Charles Pereira Nunes decidiu pelo cancelamento integral da Multa de 100% aplicada sobre a presunção de interposição fraudulenta. Inicialmente é preciso pontuar que a multa em questão tem previsão no art. 23, inciso V, §2º do Decreto Lei nº 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. O referido voto vencedor destaca que a interposição fraudulenta presumida hipótese dos autos se difere da interposição fraudulenta comprovada. Entende o Julgador: Inicialmente observase que a interposição fraudulenta comprovada por indícios diversos livremente apreciados pelo autuante ou pelo julgador (art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76), diferenciase da interposição fraudulenta presumida por lei (§ 2º do citado artigo). Esta última não admite livre convicção baseada em outros indícios que não inclua também e preponderantemente os indícios previstos na lei que a tipifica, ou seja, ainda que existam vários outros indícios, a presunção legal somente pode ser utilizada se a fiscalização perquirir especificamente sobre a origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior, sob o risco de não conseguir provar que o comerciante internacional não demonstrou o que lhe foi solicitado. Ou seja, afirma que a despeito da existência de provas e indícios acerca da ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros, ao tipificar a infração como interposição presumida (e não a interposição comprovada), a Fiscalização atrai para si o ônus de comprovar exatamente a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Assevera, ainda, que a existência de indícios acerca de uma omissão de receitas por parte do Importador Ostensivo, a par de atrair eventual autuação nos termos da Legislação do Imposto de Renda, não tem o condão de, por si só, configurar a ausência de recursos em operações específicas de comércio exterior. São estes os termos: Para fins de Dano ao Erário, conforme já visto, não basta que tenha havido omissão de receita própria em época aleatória; se Fl. 18814DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.783 65 a fiscalização aduaneira deseja alcançar os recursos de terceiro, deve ir além e demonstrar que a empresa não possuía recursos na época dos pagamentos específicos. Visando evitar o risco de não conseguir provar a hipótese presumida, conforme determina o PAF, ou seja, provar que o importador não conseguiu provar a origem, disponibilidade e transferência do recursos, a fiscalização deve, dentre outras providências e ao seu critério: 1 havendo irregularidades que justifiquem a desclassificação da escrita contábil ou do Livro Caixa Único intimar a empresa para corrigir a falta, sob pena de considerar não comprovados os recursos, para só então a fiscalização concluir sua análise probatória e autuação se já estiver bem caracterizada a presunção legal; 2 – caso contrário, fazer reintimações de forma clara, indicando datas e valores dos recursos específicos que o contribuinte deve comprovar por qualquer meio inequívoco, sob a mesma pena acima e consequente presunção de interposição fraudulenta ; 3 – se necessário, e apenas como acréscimo, fazer outras reintimações específicas, que embora não sejam diretamente relacionadas com os valores dos recursos aplicados (hipótese da presunção) guardem coerência com o fim que se pretenda atingir, ou seja, a revelação de uma operação oculta, pois tais fatos servirão como indícios complementares à hipótese legal, já caracterizada, para identificação do modus operandi, possibilitando, assim, a extensão da presunção para todas as operações intimadas A identidade de interposição fraudulenta presumida/dano ao Erário com Omissão de Receita é admissível somente mediante o aprofundamento da fiscalização na forma acima, caso contrário, por falta de prova, a empresa poderá vir a ser responsabilizada apenas por omissão de receita e não por interposição fraudulenta presumida. Acrescenta, ainda em sede de arcabouço teórico, que o tipo presumido da interposição aduaneira atrai a observância do art. 9º do Decreto nº 70.235/72, o que exige a intimação específica do contribuinte acerca dos recursos utilizados nas importações. Estabelece o referido dispositivo: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 18815DF CARF MF 66 Assim, dispostas tais premissas, o voto vencedor passa a analisar e apresentar as razões pelas quais entende que a Fiscalização não cumpriu seu mister no sentido de comprovar a efetiva ocorrência da hipótese de interposição fraudulenta presumida. Passa a descrever detalhadamente as intimações apresentadas à empresa Utilidad (apontada como importadora ostensiva) durante o procedimento fiscal ressaltando, essencialmente, que muito embora tenha intimado à apresentação de extratos bancários e informações relativas à integralização do capital social, não se preocupou em exigir delas a comprovação dos recursos utilizados nas operações comerciais, deixando, assim, de perseguir a caracterização da interposição fraudulenta presumida e passando a buscar outros indícios de ocultação/cessão de nome. A despeito de tal entendimento, o d. Redator da decisão recorrida ainda passa a examinar cada um dos elementos de prova nos quais se fundamentou a Fiscalização na tentativa de comprovação da ocorrência de interposição fraudulenta presumida. Pela objetividade, transcrevo o trecho respectivo: I.2.2 Da falta de comprovação da integralização do capital (item 5.1.2 do TVF) A falta de comprovação do capital social não é suficiente para tipificar a interposição fraudulenta presumida, devendo, portanto, restar demonstrado que a empresa não conseguiu apresentar outras fontes de recursos lícitos para fomento das operações internacionais. Caso não se consiga fazer essa demonstração, a falta de integralização do capital persistirá apenas como indício a compor quadro probatório comum. Nem sequer mais existe previsão legal para baixa de ofício da inscrição do CNPJ ou mesmo declaração de inaptidão por esse motivo, conforme se verifica abaixo: IN RFB nº 1.183/2011 Art. 27. Pode ser baixada de oficio a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica: II inexistente de fato, assim entendida aquela que: a) não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado; a) não dispuser de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.511, de 6 de novembro de 2014) Assim, por não ter a fiscalização identificado quais as operações atingidas pela falta de integralização do capital, restam tais glosas apenas como indícios comuns convergentes, não se prestando, por si só, como prova para caracterizar a presunção legal de interposição prevista § 2º do art. do DecretoLei nº 1455/76. Fl. 18816DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.784 67 Da mesma forma, devese ainda ter em mente que os citados recursos são de natureza financeira, o que converte em meros indícios a insuficiência de patrimônio e de capacidade operacional, portanto sem força probatória para caracterizarem a presunção legal. I.2.3 Dos livros Diário e Razão 2008 (item 5.1.3a do TVF) Neste ano a empresa não operou não operou no comércio exterior. I.2.4 Dos livros Diário e Razão 2009 (item 5.1.3b do TVF) Para a única operação arrolada neste ano mediante presunção legal (DI 09/11716526), a fiscalização não solicitou a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos nem demonstrou que na época dos pagamentos relacionados com a DI o saldo de caixa estava estourado, ou seja, não foi feita qualquer análise especifica sobre os recursos nela utilizados. Isso deixa claro que a fiscalização não estava preocupada em demonstrar a hipótese legal de presunção e que o principal motivo de ter adotado tal tipificação legal foi o fato de não ter conseguido identificar os supostos reais adquirentes em todas as DI arroladas neste processo de interposição fraudulenta presumida. A manipulação do valor do estoque, na forma relatada pela fiscalização e o baixo valor contábil imobilizado não se prestam como prova de interposição legalmente presumida. A identificação de recursos fornecidos por um determinado cliente da UTILIDAD não pode servir como prova cabal de interposição fraudulenta presumida em operações de outro cliente não identificado, embora o fato possa ser utilizado como fundamento do modo operandi presumido, mas isso exigiria uma amostragem razoável de DI em que a fiscalização tenha demonstrado a existência da interposição fraudulenta presumida, e essa demonstração não ocorreu em nem sequer uma Declaração de Importação (DI). I.2.5 Dos livros Diário e Razão 2010 (item 5.1.3c do TVF) Mutatis mutandis aplicase a mesma análise do item anterior e mais: A falta de escrituração contábil, erros ou qualquer irregularidade nela detectados, somente poderão ser utilizados como prova inequívoca de interposição presumida legalmente, se o contribuinte for intimado a sanálos ou fazer prova da licitude dos recursos por qualquer outro meio admitido em direito, pois nesta hipótese presumida a prova é ônus do contribuinte, porém ele tem direito a apresentála de forma ampla e irrestrita antes da autuação, este direito decorre da própria inversão do ônus da prova e surge já na fase instrutória do processo, por isso não se confunde com o cerceamento ao direito de defesa típico da fase litigiosa propriamente dita. Fl. 18817DF CARF MF 68 Somente após o oferecimento desta oportunidade ampla dada ao contribuinte para a produção de prova, poderá a fiscalização efetivamente demonstrar que o contribuinte não comprovou a origem, disponibilidade e transferência dos recursos. I.2.6 Dos livros Diário e Razão 2011 e 2012 (item 5.1.3d do TVF) Para fins de caracterização da presunção em comento, este item apresenta as mesmas falhas probatórias acima relatadas. Ademais, conforme alega a impugnante, salta aos olhos não ser razoável considerar que TODAS as operações da UTILIDAD sejam financiadas por comerciantes ocultos, pois está provado nos extratos bancários e contratos apresentados que a empresa utilizou em operações internacionais parte das linhas de crédito posta a sua disposição por instituições financeiras. Diante de todo o exposto neste item II, entendo que, por falta de provas que caracterizem a presunção de interposição fraudulenta, lançado com base no § 2º do art. do DecretoLei nº 1455/76, deva ser anulado o lançamento nesta parte e excluído do crédito tributário o valor de R$ 15.052.552,57. (destaques no original) Com efeito, em que pese todo o esforço fiscal no sentido de demonstrar a fragilidade dos registros contábeis da empresa, tenho que tais provas e indícios apenas suportariam eventual lançamento de tributos vinculados à sua receita ou faturamento e, como ressaltado pela própria Fiscalização, a aplicação de sanções administrativas, como o cancelamento do CNPJ da empresa. Todavia, a possível constatação de fraudes contábeis não basta para fundamentar acusação fiscal específica quanto ao comércio exterior. É preciso ressaltar que as normas que regem as obrigações legais de pagar tributos se diferem, por essência, daquelas normas que prevêem sanções administrativas por dano ao erário, que são exatamente as infrações aduaneiras que se pretendeu imputar no presente feito. E, como bem destacado no voto condutor do acórdão recorrido, a aplicação da penalidade pretendida (multa de 100%) exige como condição a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados naquelas operações específicas examinadas. A simples alegação ou mesmo demonstração de que, em geral, os documentos contábeis da empresa durante o período em que ocorram as importações não comprovam a licitude de recursos, não se amolda ao tipo penal estabelecido no já citado art. 23, inciso V, §2º do Decreto Lei nº 1.455/76. Ademais, notase que nos autos não há sequer comprovação de que a Utilidad não teria recursos suficientes para realizar as importações. Pelo contrario, os extratos bancários comprovam a existência de dinheiro em caixa e elevados limites de crédito. O que de fato identificou a Fiscalização é a ausência de adequada contabilidade da empresa, o que acarretaria, em suas palavras, a ausência de demonstração de licitude destes recursos, circunstância que não é apta a caracterizar ou fundamentar o cometimento de infração aduaneira. Contudo, como visto, o tipo penal examinado não exige que os recursos sejam lícitos, mas, apenas, que estes tenham sua origem comprovada. Ora, até mesmo eventuais Fl. 18818DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.785 69 recursos obtidos de modo ilícito pelo importador seriam capazes de comprovar / demonstrar a origem destes. Também não há, nos autos, demonstração de qualquer espécie de adiantamento porventura recebido pela Utilidad (ou até mesmo pela Prime) daqueles que seriam os reais adquirentes das mercadorias. Desse modo, pelas mesmas razões expostas no acórdão recorrido, nesse aspecto do Recurso de Ofício, rejeitoo para manter a anulação do lançamento realizado com base no § 2º do art. do DecretoLei nº 1455/76, excluindo do crédito tributário o valor de R$ 15.052.552,57. Por fim, é preciso consignar que não se está aqui a chancelar eventual licitude dos recursos ou mesmo atestar a sua origem. As razões de decidir se vinculam à impropriedade do lançamento, que deixou de perquirir, exatamente paras as operações de importação autuadas, qual a origem dos respectivos recursos utilizados. b) EXCLUIR da Multa de 10% por Cessão de Nome o valor de R$ 1.529.907,17 correspondente às DI nas quais foi presumida interposição fraudulenta. Votou pela conclusão o julgador Ricardo Serra Rocha, conforme Declaração de Voto. Declarou voto o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar; Quanto à multa por cessão de nome aplicada, por coerência ao que restou decidido quanto à ausência de comprovação da ocorrência da hipótese presumida de interposição fraudulenta, foram excluídas todas a multas aplicadas exatamente "às DI nas quais não foi demonstrada a interposição fraudulenta presumida". As multas aplicadas sobre as DI nas quais foi comprovada a ocultação e identificados os reais adquirentes, foi mantida pelo acórdão recorrido. Contudo, apenas podem ser objeto de Recurso Voluntário, e não do Recurso de Ofício em exame. Desse modo, não há o que se acrescer quanto à fundamentação já exposta no tópico precedente. Descaracterizada como fraudulentas as operações autuadas, não há falar em cessão indevida de nome. d) EXCLUIR os valores dos tributos, multa de ofício e juros relativos ao subfaturamento lançados nas DI 11/17094598 e DI 11/15267746. Vencido o julgador Ricardo Serra Rocha nos termos do Voto Vencido, e O Subfaturamento foi aplicado pela Fiscalização em apenas 5 (cinco) DI's: Para as DIs de nºs.: 11/15267746, 11/17094598, 11/1733003 8, 11/17467629 e 11/17473076 a fiscalização demonstrou que os valores verdadeiramente transacionados nas operações de importações são superiores aos efetivamente declarados (na ordem de 30%), tudo com base nas respectivas faturas/proformas anexadas aos autos (ver fls. 12.598, 12.579, Fl. 18819DF CARF MF 70 11.864, 12.087 e 12.110), não havendo falar, diante do exposto, que tais faturas representam meras tratativas mantidas com o exportador como insta sem sucesso fazer parecer a impugnante. O lançamento correspondente a 2 (duas) DI foram cancelados pelo acórdão recorrido, consoante as seguintes razões: DI nº 11/17094598 (CPP 312 de fls. 1256612585) Não restou demonstrado o subfaturamento, uma vez que a prova juntada pela fiscalização foi apenas a proforma de fl. 12579 no valor de U$ 34.021,76 (dos quais U$ 32.096,00 se refere a mercadoria e o restante a serviços) concedendose prazo para pagamento. Ocorre que na fl. 12598 consta outra proforma emitida na mesma data no valor de U$ 23.718,40 (só com a mercadoria) condicionado ao pagamento antecipado. A capa do CPP mostra o valor da carga como sendo U$ 23.762,60 FOB, fl.12573, correspondendo aproximadamente ao Registrado na Declaração de Importação (DI), e com a informação de que haveria numerário disponível no banco. DI nº11/15267746 (CPP 313 de fls. 1258612606) Não restou demonstrado o subfaturamento, uma vez a prova juntada pela fiscalização foi apenas a proforma no valor de U$ 53.407,25 com uma anotação manual onde está escrito “100%” que necessariamente não significa que o valor negociado tenha sido este (fls. 12598). A capa do CPP mostra o valor da carga como sendo U$ 38.283,42 FOB, fl.12593, portanto correspondente ao registrado na Declaração de Importação. De todo o exposto, devem ser excluídos do lançamento os valores alocados nas DI 11/17094598 e DI 11/15267746, relativos aos tributos, multas sobre estes e juros, e mantidos os valores correspondentes nas DI 11/17330038, DI nº 11/17467629 e DI 11/17473076. Pelo exposto, entendo que o exame documental realizado pelo Acórdão Recorrido é suficiente para fundamentar o cancelamento do lançamento nesse aspecto e, portanto, também nesse tópico, nego provimento ao Recurso de Ofício. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO UTILIDAD Conforme relatado, o acórdão proferido pela DRJ cancelou grande parte do lançamento original. Assim, restaram objeto de irresignação pelo sujeito passivo principal apenas a cobrança da multa por cessão de nome (parcialmente mantida) e dos consectários do subfaturamento atribuído a 3 (três) Declarações de Importação. 2.1 "Multa por Cessão de Nome: Impossibilidade" Fl. 18820DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.786 71 Cabe a análise da multa por cessão de nome prevista no Artigo 33 da Lei nº 11.488/07: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). A acusação fiscal fundamentase no fato de que, apesar das importações terem sido regularmente realizadas pelo Prime, com indicação que esta se dava por conta e ordem da Utilidad, existiria um terceiro envolvido ocultado da administração aduaneira. No caso, estaria se ocultando os clientes da Utilidad. A partir das fls. 83 dos autos (Relatório Fiscal), buscouse demonstrar que, anteriormente ao registro das DI pela empresa Prime, na condição de importadora por conta e ordem e tendo como importadora final, a autuada Utilidad., a própria Utilidad já tinha conhecimento do seu destinatário final. Além disso, indicouse proximidade de datas entre o registro da DI e da Nota Fiscal de venda ao varejista “ocultado”. É preciso destacar que a cessão de nome identificada nos presentes autos se deu de forma atípica. Como afirma a Fiscalização, esta ocorreu no "segundo nível". Quer dizer, havia um primeira nível consistente na importação pela Prime por conta e ordem da Utilidad (primeiro nível), sendo que, no entendimento fiscal, deveria constar como real importador o destinatário final das mercadorias, no caso, os clientes da Utilidad (segundo nível). De fato, cuidou a Fiscalização de demonstrar que a Utilidad, quando registrava as importações, já tinha provável conhecimento do consumidor final que adquiriria tais itens no mercado interno. Nesse ponto, ressalto que a constatação de ocultação de nome ocorreu exclusivamente em razão desta prévia destinação, pois, como visto no Recurso de Ofício, a Fiscalização não logrou demonstrar a ocorrência de transferência indevida de recursos entre os envolvidos. Também relativamente à proximidade entre as datas de emissão das DI e Notas Fiscais de venda, não há nada que indique uma prévia encomenda, posto que os pedidos junto aos fabricantes estrangeiros ocorriam bem antes do registro da DI, estas emitidas apenas no momento de embarque das mercadorias no exterior, quando a Utilidad já poderia se comprometer comercialmente com os seus compradores. E mais, as importações eram realizadas via avião (e não via marítima), portanto, com curto prazo de transporte. De igual modo, a segregação de atividades entre as empresas Prime e Utilidad não foi devidamente desconstituída ou desconsiderada. Pelo contrário, os contribuintes demonstraram uma vantagem econômica razoável com tal segregação, como se nessa ilação decisória: Entendo ainda, a título de argumentação, que a legislação vigente aqui trazida na presente autuação é perfeitamente aplicável à hipótese tratada de ocultação do real adquirente (ou seja, da chamada ocultação de segundo nível), descabendo se falar que não haveria como o importador satisfazer a pretensão Fl. 18821DF CARF MF 72 fiscal por entender que: ou a UTILIDAD ou sua(s) Cliente(s) inevitavelmente seria(m) ocultada(s), sendo isto uma falsa premissa, pois, não se pode querer alegar, inclusive, mediante o pretexto da livre iniciativa e da busca de uma maior lucratividade (pelo fato de a PRIME – importadora ostensiva possuir incentivos fiscais concedidos pelo Governo do DF), que o sistema Siscomex e/ou a legislação vigente não se encontra(m) adaptado(s) a todas as situações práticas, quando, em verdade, a questão fulcral para essas DIs em apreço cujos reais adquirentes sequer foram alcançados é que a UTILIDAD (nem seus sócios), logrou demonstrar via escrituração contábil sua capacidade financeira para tais operações, daí ser legítima a aplicação da presunção legal, pois o que a norma busca repelir é que terceiros permaneçam ocultos perante o Fisco, fato que, sem dúvida, ocasiona o chamado dano ao Erário, não havendo que falar em impossibilidade material de se satisfazer a exigência fiscal. Entendo, assim, que a existência de operações comerciais pela destinatária das importações anteriores ao registro da importação não são, por si só, capazes de caracterizar irregularidade da operação antecendente. É certo que na importação realizada por conta e ordem só é possível informar o importador e o adquirente. Não existe qualquer ferramenta que permita a indicação de um terceiro envolvido nesta operação. Ou seja, se a Fiscalização não pôde desconsiderar a importação por conta e ordem realizada entre a Prime e a Utilidad, ou seja, não comprovou qualquer irregularidade nesta, não pode exigir a informação de uma terceira pessoa quando a legislação aduaneira não o faz. No mesmo sentido, o fato levantado pelo acórdão recorrido de que a importadora Prime estaria na situação "baixada" e a Utilidad, "inapta", a despeito de relevante, não pode ser utilizado como fundamentação, posto que posteriores aos fatos e ao próprio lançamento. Confirase: Ademais, a título informativo, em consulta aos sistemas CNPJ desta RFB, verifiquei que a empresa PRIME encontrase na situação de INAPTA (Motivo: Prática Irregular no Comércio Exterior), conforme Ato 0065, publicado no DOU de 08/04/2013. Já a UTILIDAD, encontrase na situação de CNPJ: Baixado (Motivo: Inexistente de fato), conforme Ato 0007, publicado no DOU em 06/02/2013, o que só vem a corroborar a tese fiscal da ausência de comprovação de sua capacidade econômica e de seus sócios, bem como da origem de recursos. Lado outro, verificase a demonstração de indícios de que as mercadorias importadas de fato transitaram juridicamente pela Utilidad, como, por exemplo, o fato das mercadorias receberem a "marca" Utilidad, que foi tido por irrelevante pelo acórdão recorrido: Outrossim, tenho por irrelevante ao deslinde do caso o fato de que parte das mercadorias importadas estampava a marca “Utilidad”, até porque a ocultada nos procedimentos de importação em questão foi sempre a real adquirente, tendo a UTILIDAD já se declarado de maneira ostensiva (conforme DIs). Fl. 18822DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.787 73 Ainda nesse aspecto, a questão relativa ao estoque da empresa Utilidad. Nota se que toda fundamentação da fiscalização se deu em cima da contabilidade da empresa, em nenhum momento perquiriu acerca da existência de um estoque físico de mercadoras. Desse modo, à exemplo do que se verifica relativamente à acusação de interposição fraudulenta, falhou a Fiscalização no seu ônus probatório. Ainda que existentes indícios de irregularidades nas empresas envolvidas e até mesmo nas operações, é preciso que a submissão dos fatos à norma seja feita de modo vinculado e coerente. Por fim, aqui é também preciso ressaltar que a decisão ora proferida não tem o propósito de legitimar as operações de importação realizadas, tampouco a idoneidade das empresas envolvidas. O que se afirma é que o lançamento fiscal é carente de provas aptas a suportar a acusação realizada. 2.2 "Do Suposto Subfaturamento de Produtos Informados nas Declarações de Importação: DI's nº 11/17330038, 11/17467629 e 11/17473076" Conforme já mencionado no exame do Recurso de Ofício, a decisão recorrida legitimou o lançamento realizado a partir da constatação de subfaturamento relativamente a 3 (três) DI: DI nº 11/17330038 (CPP 236 de fls. 1184611871) Comprovado o subfaturado uma vez que as duas commercial invoices de fls. 11854 e 11864, possuem a mesma numeração e descrevem os mesmos produtos e quantidades, divergindo nos valores e nas data de emissão. Sendo a primeira emitida em 13 de maio e a última, em 24 de maio, deverá prevalecer esta última invoice que retifica o preço da primeira. Ademais, na própria capa do CPP consta o valor da carga como sendo U$ 63.555,24 FOB, que é o mesmo da última invoice (fl.11851). DI nº 11/17467629 (CPP 258A de fls. 1208212094) Comprovado o subfaturado uma vez que as duas commercial invoices de fls. 12087 e 12089, possuem numeração produto, quantidade e preço idênticos. Na capa do CPP, fl.12083, também consta o mesmo valor da carga como sendo U$ 39.081,60 FOB. DI nº 11/17473076 (CPP 258B de fls. 12.09512.114) Comprovado o subfaturado uma vez que as duas commercial invoices de fls. 12110 e 12112, possuem numeração produto air humidifier em quantidade e preço idênticos. Na capa do CPP, fl. 12101, também consta o mesmo valor da carga como sendo U$ 39.074,28 FOB, o que demonstra o subfaturamento. Fl. 18823DF CARF MF 74 Em todos esses casos, verificase uma verdadeira presunção de subfaturamento por parte da Fiscalização. Vejase que não foi feita nenhuma prova ou mesmo indício de que os valores declarados pelo importador estaria subfaturado. Identificando o Fiscal que nos documentos internos da Encomendante existiam valores divergentes, simplesmente presumiu a existência de subfaturamento e mais, que o valor mais alto estaria correto. Não há sequer qualquer levantamento de mercado acerca do valor dos produtos importados, o que seria de fácil obtenção, já que se tratam de produtos bastante comuns: umidificadores, climatizadores e ventiladores 2. RECURSO VOLUNTÁRIO EDMAR MOTHÉ O Recurso Voluntário de Edmar Mothé relacionase à atribuição de responsabilidade tributária. No caso, tendo em vista o cancelamento da autuação por ausência de provas quanto ao comentimento dos ilícitos apontados, por mais razão deverá ser anulada a atribuição de uma responsabilidade que só se justificaria em razão do cometimento de ato ilícito. Ademais, vejase que no Relatório Fiscal limitouse à indicação dos dispositivos legais capazes de sustentar a solidariedade, contudo, sem indicar de forma precisa qual ato cometido pelo solidário seria apto para atrair a solidariedade, tampouco em qual inciso legal o ato seria enquadrado (por exemplo, se interesse comum ou se excesso de poderes pelo administrador) 7.4 – SOLIDARIEDADE NA APLICAÇÃO DA PENALIDADE: As empresas UTILIDAD e seus sócios e exsócios, PRIME COMERCIAL e seus sócios, devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas, nos termos do Artigo 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/66. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; Fl. 18824DF CARF MF Processo nº 10111.720547/201273 Acórdão n.º 3201004.918 S3C2T1 Fl. 18.788 75 IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Após apresentar a fundamentação legal, a Fiscalização apenas listou quem seriam os solidários. No caso específico do Sr. Edmar Mothé, por exemplo, a Fiscalização não indicou se a sua responsabilidade se daria em razão do interesse comum (art. 124), ou em função da sua breve participação societária (art. 134 e 135). Em se presumindo, ainda para fins exemplificativos, que a responsabilidade se deu com fundamento no art. 135, esta deveria se limitar ao período em que figurou como sócio ou administrador da empresa Utilidad. Logo, mais uma vez se constata a fragilidade do lançamento fiscal, deixando novamente de proceder a subsunção do fato à norma. No caso, sequer indicou qual fato seria capaz de atrair a incidência de qualquer norma impositiva de solidariedade, seja qual for a sua natureza Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 18825DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.727558/2015-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012
PIS/COFINS. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA.
É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.
Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária.
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF.
Numero da decisão: 3401-006.103
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 PIS/COFINS. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 PIS/COFINS. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. Não compete ao julgador administrativo analisar questões relativas à constitucionalidade de norma tributária. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do PAF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 75 58 /2 01 5- 18 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10120.727558/201518 Acórdão n.º 3401006.103 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que manteve o lançamento de multa isolada decorrente da não homologação de créditos relativos ao PIS/COFINS, na modalidade não cumulativa. Diante da decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a esse Tribunal administrativo, reprisando as teses da impugnação, na qual, em síntese, alega nulidade do lançamento em vista de que a multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 "não se conforma com o direito de petição inserto no art. 5ª, inciso XXXIV, alínea "a", da CF/1988" e requer que o referido dispositivo (§17 do art. 74) seja interpretado segundo a Constituição. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº. 3401006.094, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10120.727509/201585. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.094): "Da Preliminar de Nulidade O Recurso Voluntário se insurge contra o entendimento da decisão de primeiro grau que manteve o lançamento, alegando nulidade. Contudo, não merece prosperar as alegações da Recorrente. O art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), prevê as hipóteses de nulidade do lançamento: Art.59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso, o pleito de nulidade suscitado pela Recorrente se baseia em hipótese distinta: não está a se falar de incompetência ou ainda em cerceamento de defesa, mas em argumento que objetiva afastar a aplicação de norma vigente sob razão de suposta inconstitucionalidade, o que tampouco é possível de ser Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10120.727558/201518 Acórdão n.º 3401006.103 S3C4T1 Fl. 4 3 acolhido por esse Colegiado em virtude da obediência à Súmula CARF nº 2. Assim, nego provimento à alegação de nulidade. Assim, inexistindo mais alegações de fato e de direito quanto ao lançamento efetuado, é cabível a aplicação da multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. Por outro lado, é de se reconhecer de ofício, diante da conexão com o PAF 10120.729209/201298, que o valor lançado no presente deve ser revisto proporcionalmente à reforma decorrente do reconhecimento parcial dos créditos glosados naquele processo. Em vista do exposto, conheço do Recurso Voluntário, porém negolhe provimento, devendo a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes dos processos referentes às glosas de crédito." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do Recurso Voluntário, porém negarlhe provimento, devendo a unidade preparadora da da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) alastrar ao presente processo os impactos decorrentes do processo referente às glosas de crédito. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.728236/2017-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/07/2017
COMPENSAÇÃO SEM ORIGEM DE CRÉDITO - IMPOSSIBILIDADE
Não sendo informada a origem do crédito ou o fazendo de maneira insatisfatória não devem ser homologadas as compensações.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO.
A multa isolada de que trata o art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/1991, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009 é aplicável aos casos de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-006.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/07/2017 COMPENSAÇÃO SEM ORIGEM DE CRÉDITO - IMPOSSIBILIDADE Não sendo informada a origem do crédito ou o fazendo de maneira insatisfatória não devem ser homologadas as compensações. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/1991, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009 é aplicável aos casos de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-30T18:24:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-30T18:24:57Z; Last-Modified: 2019-08-30T18:24:57Z; dcterms:modified: 2019-08-30T18:24:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-30T18:24:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-30T18:24:57Z; meta:save-date: 2019-08-30T18:24:57Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-30T18:24:57Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-30T18:24:57Z; created: 2019-08-30T18:24:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-08-30T18:24:57Z; pdf:charsPerPage: 2115; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-30T18:24:57Z | Conteúdo => SS22--CC 33TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10830.728236/2017-41 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 2301-006.317 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 06 de agosto de 2019 RReeccoorrrreennttee SUSTENTARE SERVIÇOS AMBIENTAIS S.A. EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/07/2017 COMPENSAÇÃO SEM ORIGEM DE CRÉDITO - IMPOSSIBILIDADE Não sendo informada a origem do crédito ou o fazendo de maneira insatisfatória não devem ser homologadas as compensações. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CABIMENTO. A multa isolada de que trata o art. 89, § 10, da Lei nº 8.212/1991, de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 2009 é aplicável aos casos de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). A Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, em razão da ausência, foi substituída pelo Conselheiro Virgílio Cansino Gil, suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (AI) onde está sendo exigida a multa isolada por compensação com falsidade na declaração da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), aplicada no percentual previsto no parágrafo 10 do AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 82 36 /2 01 7- 41 Fl. 367DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.317 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.728236/2017-41 artigo 89 da Lei nº 8.212/1991, combinado com o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Consta do Relatório Fiscal que no procedimento de análise das compensações de contribuições previdenciárias efetuadas pelo sujeito passivo nos últimos cinco anos na GFIP, constatou que foi compensado valor para os quais não foi informada a origem do crédito ou o foi de maneira insatisfatória. Referidas compensações não foram homologadas e as glosas dos valores relacionados foram objeto de processo administrativo específico. A fiscalização discorre que a legislação de regência – art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991, art. 60 da Instrução Normativa 1300, de 2012, revogado pelo art. 88 da Instrução Normativa 1.717, de 17 de julho de 2017 e Manual Sefip, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16/10/2008 e pela Circular CAIXA nº 451, de 13/10/2008 - estabelecem que a empresa prestadora de serviços que sofreu a retenção poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as decorrentes do décimo terceiro salário, desde que a retenção esteja declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, pelo estabelecimento responsável pela cessão de mão de obra, e destacada no respectivo documento fiscal, ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. Cita, ainda, o entendimento da Cosit, na Solução de Consulta nº 361, de 01 de agosto de 2017, Publicada no Dou de 09/08/2017, de acordo com a qual, “o fato de a empresa não efetuar a compensação do saldo remanescente da retenção sobre a nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sofrida no mês anterior não significa que as informações por ela prestadas na GFIP/SEFIP, em tal competência, tenham sido realizadas incorretamente ou indevidamente, a ensejar a retificação das informações prestadas. Nesse caso, o valor correspondente a esse saldo, desde que ainda não prescrito e que os valores que foram retidos tenham sido devidamente informados na GFIP relativa ao mês da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo da prestação de serviços, poderá ser compensado com as contribuições previdenciárias nas competências correntes da empresa, nos termos do § 3º do art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 2017". Especificamente no que pertine ao processo nº 0001811-18.2014.403.6100 ajuizado pela contribuinte, esclarece a fiscalização que o suposto crédito não pode ser aproveitado para compensação por contrariar o disposto no artigo 170-A do CTN - Código Tributário Nacional. Por fim, a autoridade lançadora justifica a aplicação da multa isolada nos seguintes termos: (...)21. O sujeito passivo, ao fazer inserir em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, informação de compensação que sabidamente não teria direito, reduziu, deliberadamente, o valor devido e o subsequente recolhimento de sua obrigação tributária para com a Seguridade Social, o que configura a conduta ilegal. 22. Isso revela que, mais do que simples hipótese de erro, as declarações foram lavradas com falsidade e, portanto, estão sujeitas à multa isolada de 150% sobre o valor total indevidamente compensado, (...)De acordo com o Demonstrativo de Apuração, anexo ao AI, a multa foi lançada nas competências abrangida no período de 11/2012 a 07/2017, competências em que as GFIP com informação da compensação indevida foram apresentadas. A contribuinte foi cientificado da autuação e seus anexos por meio eletrônico conforme o Termo de Ciência por abertura de mensagem. Fl. 368DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.317 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.728236/2017-41 O contribuinte apresentou Impugnação na qual apresenta, em síntese, os argumentos a seguir relatados: 1. Alega a tempestividade da impugnação. 2. Discorre que conforme levantamento junto a receita previdenciária, no que tange as retenções feitas pelos diversos tomadores de serviços, verificou a existência de créditos que não foram aproveitados pela empresa. Tendo em vista a existência de créditos excedentes, ajuizou a ação nº 0001811-18.2014.4.03.6100, visando a autorização para a compensação desse saldo com demais tributos administrados pela Receita Federal. Refere que no âmbito da constatação da Procuradoria da Fazenda Nacional, como no julgado que negou o direito perseguido (compensação de retenções com outros tributos não previdenciários), reconheceram que poderia a impugnante a qualquer momento utilizar ditos valores par compensar seus créditos com débitos previdenciários. 3. Desse modo, entende que “Por este motivo, a guisa de simples ilustração apresenta-se em seu início a falta de legalidade da fundamentação cabível do auto impugnado, haja vista não haver necessidade de trânsito em julgado para o aproveitamento dos créditos, posto que dita questão NUNCA ESTEVE sub-judice”. 4. Alega que “A Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil no. 1.529, de 28 de dezembro de 2014, alterou a IN RFB nº 1.300 de 2012, incluindo a possibilidade de compensação de débitos da Contribuição Previdenciária sobre Receita Bruta (CPRB) com créditos de contribuição previdenciária sobre folha de pagamento, inclusive de retenção, quando pagos indevidamente ou a maior”. 5. Defende que de acordo com o art. 60 da Instrução Normativa RFB nº 1300, de 2012, tanto a contribuição retida de 11% ou de 3,5%, pode ser compensada com o valor calculado sobre a folha de salários de todas as obras, inclusive do pessoal administrativo, e que em regra, sem que qualquer valor de tributo for pago com possibilidade de pedido de restituição, esta pode ser efetuada através da compensação com tributos futuros, portanto, defende que também podem ser compensados com a CPRB nos termos da Instrução Normativa nº 1300, de 2012, caso houver saldo após a compensação com a compensação devida sobre a folha de pagamento. Por tais motivos, devem ser homologadas as compensações efetuadas, reformando-se o Despacho-Decisório. 6. Alega a ilegalidade da multa aplicada. Cita que a Receita Federal publicou em maio de 2015 a Solução de consulta COSIT 107, de 04 de maio de 2015. Discorre sobre a absurda previsão de multa por legislação inconstitucional, a despeito das normas constitucionais que garantes o não confisco e que a administração siga os parâmetros da razoabilidade e proporcionalidade. 7. Requer, ao final: a) seja recebida a impugnação, posto que tempestiva, e seja julgada procedente para declarar homologadas as compensações efetuadas em obediência ao devido processo legal, especialmente por não precisar do trânsito em julgado do processo nº 00018111182014.103.611 da 1ª Vara Cível Federal de São Paulo (TRF3), posto que tratou o mesmo de matéria diversa e a utilização dos créditos de retenção para extinção de débitos previdenciários decorre dos permissivos legais antes elencados; b) o reconhecimento do excesso da multa aplicada, que deve ficar no patamar de 20%; c) protesta provar o alegado mediante a produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ/SDR considerou a impugnação improcedente e manteve o credito tributário. Fl. 369DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.317 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.728236/2017-41 O contribuinte apresentou recurso voluntário reiterando todos os argumentos contidos sua impugnação, acrescendo, em síntese: que a multa é indevida; da legalidade das compensações glosadas; e da ausência de fraude. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator. O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Cumpre destacar que, conforme consta no relatório fiscal, no procedimento de análise das compensações de contribuições previdenciárias efetuadas pelo sujeito passivo nos últimos cinco anos na GFIP, constatou que foi compensado valor para os quais não foi informada a origem do crédito ou o foi de maneira insatisfatória. Referidas compensações não foram homologadas e as glosas dos valores relacionados foram objeto do processo administrativo nº 10880.734736/2017-27. Portanto, a multa lançada no presente AI decorre dos fatos apurados no procedimento de verificação das compensações declaradas pela contribuinte nas GFIP's, que culminou com a emissão do Despacho-Decisório integrante do processo nº 10880.734736/2017- 27. Em relação ao processo nº 10880.734736/2017-27 apresentou manifestação de inconformidade, que foi apreciada e acolhida em parte pela 5ª Turma de Julgamento da DRJ- Florianópolis/SC, nos termos do Acórdão nº 07-41.867. Em 09/01/2019 o processo nº 10880.734736/2017-27, conexo a este processo administrativo, passou para a situação Distribuir/Sortear, no âmbito da 1ª TO da 2ª Câmara da 2ª Seção. Inicialmente este relator pensou em chamar os autos do processo acima mencionado em virtude de uma eventual conexão. Ocorre que consultando o sistema interno deste conselho, verificou-se que referido PAF fora julgado em junho de 2019 tendo a relatoria do ilustre conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra cuja decisão unânime da turma foi no sentido de negar provimento ao recurso do contribuinte conforme Acórdão nº 2201-005.1573. Como o presente processo guarda relação com aquele julgado pela 1ª TO da 2ª Câmara da 2ª Seção, e, por concordar com os fundamentos contidos naquele decisum, entendo que a presente autuação deve ter o mesmo encaminhamento, razão pela qual peço venci para transcrever alguns trechos do voto condutor daquela decisão que perfeitamente se amoldam ao presente caso. Da glosa das compensações efetuadas Argumenta a recorrente que não está sub judice o seu direito de efetuar compensação de compensações previdenciárias, mas sim, a sua pretensão de efetuar a compensação das aludidas contribuições com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 370DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.317 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.728236/2017-41 Registre-se que, quanto a esta pretensão, foi prolatada sentença de improcedência. No que pertine à compensação de contribuições previdenciárias, como bem pontuou a decisão recorrida, há de se observar um procedimento próprio previsto na legislação. No caso das compensações de contribuições previdenciárias, a legislação de regência - art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, art. 48 da instrução Normativa n° 900, de 30/12/2008, posteriormente o art. 60 da Instrução Normativa 1300, de 2012, este também revogado pelo art. 88 da Instrução Normativa 1.717, de 17 de julho de 2017, bem como o Manual Sefip, aprovado pela Instrução Normativa RFB n° 880, de 16/10/2008 e pela Circular CAIXA n° 451, de 13/10/2008 - estabelecem que a empresa prestadora de serviços que sofreu a retenção poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as decorrentes do décimo terceiro salário, desde que a retenção esteja declarada em GFIP na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, pelo estabelecimento responsável pela cessão de mão de obra, e destacada no respectivo documento fiscal, ou que a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. De se mencionar, ainda, o entendimento da Secretaria da Receita Federal, exposto na Solução de Consulta Cosit n° 361, de 01 de agosto de 2017, Publicada no DOU de 09/08/2017, de acordo com a qual: “o fato de a empresa não efetuar a compensação do saldo remanescente da retenção sobre a nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sofrida no mês anterior não significa que as informações por ela prestadas na GFIP/SEFIP, em tal competência, tenham sido realizadas incorretamente ou indevidamente, a ensejar a retificação das informações prestadas. Nesse caso, o valor correspondente a esse saldo, desde que ainda não prescrito e que os valores que foram retidos tenham sido devidamente informados na GFIP relativa ao mês da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo da prestação de serviços, poderá ser compensado com as contribuições previdenciárias nas competências correntes da empresa, nos termos do §3°do art. 88 da Instrução Normativa RFB n° 1.717, de 2017”. A contribuinte teve glosadas as compensação de créditos de natureza previdenciária declaradas na GFIP’s apresentadas, para os quais a fiscalização entendeu que não foi informada a origem do crédito ou foi informada de maneira insatisfatória. Para a apuração dos créditos da contribuinte, a fiscalização tomou por base as informações prestadas pela empresa GFIP, no campo destinado à informação das Retenções e compensações. Os valores declarados como retidos foram comparados com os valores compensados, também constantes da GFIP, dados estes que foram compilados nos anexos Relatório Fiscal, tendo a fiscalização efetuado um comparativo onde constatou que até a competência 11/2012 a empresa não possuía saldo a compensar, conforme planilha e, a partir de 11/2012, todos os valores informados no campo “retenção na cessão de mão-de-obra” da GFIP também já haviam sido compensados nas respectivas competências, de forma que não restou saldo a compensar em períodos posteriores. A recorrente traz ainda fato novo ao processo onde se exige a multa por compensação indevida, alegando a existência de compensação a título de CPRB com contribuições sobre a folha de pagamento, todavia, sequer apresenta qualquer prova nesse sentido, tampouco se manifestou no procedimento fiscal acerca dos suposto crédito. Multa isolada Fl. 371DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.317 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.728236/2017-41 Sobre a aplicação da multa isolada, no patamar de 150%, assim se pronunciou a Autoridade Fiscal: “7. A aplicação da multa isolada em dobro tem por fundamento a falsidade das informações das compensações declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, considerando como competência para o lançamento o mês de envio das mesmas, vez que ao contribuinte, em nenhum momento, foi assegurado o direito a efetuar referidas compensações antes do trânsito em julgado da sentença”. Alega a empresa que a multa isolada é exorbitante, ferindo os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, além de que somente poderia ser aplicada caso o fisco comprovasse a ocorrência de fraude, o que não ocorreu. Vejamos o dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 em que se baseou o fisco para aplicação da multa isolada: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Observa-se que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, não há como negar que o sujeito passivo declarou valores a compensar que, embora tivessem sido reconhecidos em sentença judicial, não poderiam ser objeto de procedimento compensatório até o transito em julgado da decisão do Judiciário. A exigência da multa isolada de 150%, impugnada pela recorrente, é consequência da falsidade nas informações prestadas em GFIP, dada a inserção de compensações indevidas. Tal conduta se amolda perfeitamente ao comando legal previsto no art. 89, §§ 9º e 10 da Lei nº 8.212/91, que determina a aplicação da multa de 150% Portanto correta a aplicação da multa. Ante ao exposto Voto no sentido de Conhecer do recurso e no mérito Negar-lhe provimento (documento assinado digitalmente) Fl. 372DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.317 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.728236/2017-41 Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.721085/2013-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/10/2008
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF.
Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
Numero da decisão: 9303-008.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Relator (a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2008 a 31/10/2008 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relator (a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 31/12/2008 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 10 85 /2 01 3- 08 Fl. 1034DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. TRIBUNAIS SUPERIORES. REPERCUSSÃO GERAL. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF. Nos termos do art. 62, §1º, inciso II, alínea "b" e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os membros do Conselho devem observar as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negou provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Relator (a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3402-004.894, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 01/02/2018, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 31/10/2008 COFINS. CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. ROYALTIES Fl. 1035DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 Royalty enquanto remuneração pelo direito de uso de determinada tecnologia, escapam da autorização legal para descontar créditos, haja vista não se tratar, nem de aquisição bem, nem de contratação de serviço. VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO SÚMULA CARF Nº 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF nº 103). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2008 a 31/10/2008 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Não resignada com a decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação ao conceito de insumos, à glosa de decorrência dos pagamentos efetuados pela Recorrente à sua matriz a título de royalties por transferência de tecnologia (know-how). Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os Acórdãos n.º 3402-002.629 e 3401-01.907. No exame de admissibilidade de 06/07/2018, foi dado seguimento ao recurso especial da Contribuinte, por ter entendido o Presidente da 4ª Câmara como comprovada a divergência jurisprudencial com relação aos royalties, mas apenas pelo acórdão n.º 3402- 002.629. De outro lado, a Fazenda Nacional, devidamente intimada, apresentou contrarrazões ao recurso especial, postulando a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o Relatório. Voto Fl. 1036DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 Conselheiro (a) Vanessa Marini Cecconello, Relator (a). 1 Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. 2 Mérito No mérito, adentra-se à análise do conceito de insumos, e, por conseguinte, do direito ao crédito de PIS e COFINS não-cumulativos decorrentes de pagamentos efetuados pela Recorrente à sua matriz a título de royalties por transferência de tecnologia (know-how). De início, explicita-se o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrar-se à análise dos itens individualmente. A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autoriza-se a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. 1 O princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 1037DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 42/2003, consignando-se a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhando- se ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando-se da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da não-cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entende-se igualmente impróprio para conceituar insumos adotar-se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ - Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/2006-72, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equipará-lo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de torná-la inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. (grifou-se) Fl. 1038DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirma-se que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecer-se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, busca- se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303-003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para Fl. 1039DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317-MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 - Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 - Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não-cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda - IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Fl. 1040DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe-se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou-se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 - PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não-cumulativo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Fl. 1041DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170-PR pela sistemática dos recursos repetitivos, embora já tenha havido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no sentido de lhe ser negado provimento 3 . Faz-se a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 3 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÕRDÃO QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. CONCEITO DE INSUMO. PIS. COFINS. CREDITAMENTO DE DESPESAS EXPRESSAMENTE VEDADAS POR LEI. ARGUMENTOS TRAZIDOS UNICAMENTE EM SEDE DE DECLARATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. INDEVIDA AMPLIAÇÃO DA CONTROVÉRSIA JULGADA SOB O RITO ART. 543-C DO CPC/73 (ART. 1.036 DO CPC/15). OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO VERIFICADAS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É vedado, em sede de agravo regimental ou embargos de declaração, ampliar a quaestio veiculada no recurso especial, inovando questões não suscitadas anteriormente (AgRg no REsp 1.378.508/SP, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJe 07.12.2016). 2. Os argumentos trazidos pela UNIÃO em sede de Embargos de Declaração, (enquadramento como insumo de despesas cujo creditamento é expressamente vedado em lei), não foram objeto de impugnação quando da interposição do Recurso Especial pela empresa ANHAMBI ALIMENTOS LTDA, configurando, portanto, indevida ampliação da controvérsia, vedada em sede de Embargos Declaratórios. 3. Embargos de Declaração da UNIÃO a que se nega provimento. (EDcl no REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/11/2018, DJe 21/11/2018) Fl. 1042DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional (Grifos meus): “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. Fl. 1043DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” No caso dos autos, conforme já afirmado no acórdão recorrido, o know-how que é fornecido à Recorrente nada mais é do que a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões. É evidente que o know-how para produção é necessário e diretamente aplicado ao processo produtivo, constituindo, sem sombra de dúvidas, em insumo para a produção. Há de se acrescentar que os royalties tratados neste processo (transferência de tecnologia) devem ser considerados como bens móveis nos termos do artigo 83 do Código Civil e, consequentemente, enquadrados como "bens" nos termos do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. O know-how que é fornecido à Recorrente é a transferência de toda a tecnologia, suporte, experiência e conhecimento necessários à produção dos pistões, sendo essencial ao processo produtivo, constituindo-se em insumo para a produção. Há de se acrescentar ainda que, conforme descrito pela recorrente, a produção de pistões depende da transferência dos conhecimento e pagamento de royalties: [...] A produção dos pistões, hão de concordar V. Sas., depende integralmente dos conhecimentos técnicos que lhe são transferidos pela matriz localizada na Alemanha. Como exaustivamente demonstrado nestes autos, o processo produtivo é bastante complexo e envolve uma série de etapas onde os controles, ajustes e parâmetros utilizados são absolutamente cruciais para se garantir não só a qualidade do produto como a sua própria fabricação. Os processos produtivos da Recorrente, repita-se, são regidos por uma série extensa de normas e procedimentos internos desenvolvidos pela matriz e aplicados na produção local. Nesse contexto, são inúmeros os exemplos de tecnologias e know-how transferidos pela matriz e efetivamente aplicados ao processo produtivo, tais como: composição da liga, determinação dos parâmetros de tratamento térmico, utilização de compostos de alta tecnologia para camadas superficiais redutoras de atrito, etc. [...] No mesmo sentido do reconhecimento do pagamento de direitos autorais como insumos, já se manifestou esta 3ª Turma da CSRF, no Acórdão n.º 9303-006.604 , que recebeu a seguinte ementa: Fl. 1044DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-008.742 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13888.721085/2013-08 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2008 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. INSUMOS. DIREITOS AUTORAIS. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à indústria fonográfica a aquisição de direitos autorais para a produção de suas obras, razão pela qual devem ser reconhecidos como insumos. Portanto, há de ser reconhecido o direito ao crédito. 3 Dispositivo Diante do exposto, dá-se provimento ao recurso especial da Contribuinte para reconhecer o crédito nas operações em que houver a comprovação do pagamento das contribuições do PIS e da COFINS não-cumulativas na remessa. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1045DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.001729/2008-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais.
Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação do comprovante de realização dos dispêndios.
A falta da indicação do endereço nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99).
IRPF. DINHEIRO EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. POSSIBILIDADE.
Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para justificar a origem dos recursos, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do ano-base em que foi declarado, ou ainda, que sua declaração de rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente.
PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
Numero da decisão: 2003-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para restabelecer a dedução da despesa médica paga ao cirurgião dentista Wilson Marques - CRO-SP 57.900, no valor de R$ 2.028,25, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2003, exercício 2004.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 IRPF. DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação do comprovante de realização dos dispêndios. A falta da indicação do endereço nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). IRPF. DINHEIRO EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. POSSIBILIDADE. Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para justificar a origem dos recursos, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do ano-base em que foi declarado, ou ainda, que sua declaração de rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação.
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DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentária são condicionadas a que os pagamentos sejam devidamente comprovados, com documentação hábil e idônea que atenda aos requisitos legais. Afasta-se parcialmente a glosa das despesas médicas que o contribuinte comprovou ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, mediante apresentação do comprovante de realização dos dispêndios. A falta da indicação do endereço nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas autoriza à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas declaradas, uma vez que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, que poderá promover as respectivas glosas sem a audiência do contribuinte (arts. 73, caput e §1º, e 80, § 1º, III, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). IRPF. DINHEIRO EM ESPÉCIE. COMPROVAÇÃO DOS DISPÊNDIOS. POSSIBILIDADE. Os recursos em dinheiro inseridos na declaração de bens, pelo contribuinte, devem ser aceitos para justificar a origem dos recursos, salvo prova em contrário, produzida pela autoridade lançadora de sua inexistência no término do ano-base em que foi declarado, ou ainda, que sua declaração de rendimentos tenha sido apresentada intempestivamente. PAF. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e as judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 17 29 /2 00 8- 21 Fl. 105DF CARF MF S2-TE03 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, apenas para restabelecer a dedução da despesa médica paga ao cirurgião dentista Wilson Marques - CRO-SP 57.900, no valor de R$ 2.028,25, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2003, exercício 2004. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cássio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatnic e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF apurada no ano calendário de 2013, exercício de 2014, no valor de R$ 12.299,11, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, em razão da dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 3.816,00, dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 19.859,00, e dedução indevida de despesas com instrução, no valor de R$ 1.450,00, por falta de comprovação ou previsão legal para sua dedução, conforme se depreende na notificação de lançamento constante dos autos, culminando com a apuração do imposto suplementar no valor de R$ 5.326,60 (fls. 47/63). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 17-34.012, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II - DRJ/SPOII (fls. 71/79), transcrito a seguir: Contra o contribuinte acima qualificado, foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF (fls. 25/31), referente ao exercício 2004, ano-calendário 2003, o qual lhe exige o recolhimento de crédito tributário, conforme demonstrativo abaixo (em Reais): De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 26/29) foram apuradas as seguintes deduções indevidas: Fl. 106DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 Dependentes: glosa no valor de R$ 3.816,00, relativos aos dependentes Flávio Arantes Matos e Daniela Arantes Matos, filhos maiores de 21 anos do contribuinte, pois não foi comprovada a condição de universitários, e Dilma Lane Arantes Junqueira, que apresentou declaração em separado; Instrução: glosa no valor de R$ 1.450,00, por não se tratar de despesas com instrução, pago a Management Horizon Br Cons Ltda, CNAE 6204-0-00, Consultoria em Tecnologia da Informação; Despesas médicas: glosa no valor de R$ 19.859,00, por falta de comprovação ou de previsão legal. Dos profissionais Wilson Oliveira Marques, Rogério de Oliveira e Ronaldo Ferreira não houve comprovação do efetivo pagamento; Mariângela Terra Nogueira, Maxclin Ltda e Hospital São Lucas Ltda tratam-se de despesas com não dependentes; Sindicato dos Empregados do Comércio de Rib. Preto não comprovou tratar-se de despesa médica; Em sua impugnação tempestiva (fl. 1), de acordo com o despacho de fl. 34- verso, o contribuinte: - solicita impugnação parcial da Notificação de Lançamento, referente aos itens 1 a 3 do Termo de Intimação Fiscal (fls. 3/4), quais sejam: despesas médicas relativas aos profissionais Wilson Oliveira Marques (R$ 5.101,00), Rogério de Oliveira (R$ 5.000,00) e Ronaldo Ferreira (R$ 4.800,00); - atendeu à solicitação da fiscalização, apresentando carta com as justificativas referentes àqueles itens, anexando, não só os documentos solicitados no manual de orientação da Receita Federal, mas também os extratos bancários, radiografias dos implantes dentários, prescrição médica para o caso da fisioterapia, orçamentos dos tratamentos dentários e recibos médicos. Pede o deferimento da impugnação. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar o feito, a DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação parcial apresentada, mantendo parcialmente as glosas em relação aos profissionais Wilson Marques, cirurgião dentista, no valor de R$ 2.028,25, e Ronaldo Ferreira, fisioterapeuta, no valor de R$ 4.800,00, reduzindo o saldo de imposto suplementar a pagar para o valor de R$ 1.877,97. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 28/08/2009 (fls. 85), o contribuinte interpôs, em 30/09/2009, recurso voluntário (fls. 89/93), trazendo os argumentos a seguir sintetizados: Recorro a este Conselho de Contribuinte por estar inconformado e injustiçado pela decisão do Acórdão no. 17-34012 - proferido pela T. Turma da DRJ/SF'0II, no que se refere à manutenção parcial da glosa das despesas médicas que tive no ano de 2003, em detrimento de toda documentação legal e idônea que apresentei e sem que a Receita apresentasse qualquer motivo de relevância para duvidar da veracidade desta documentação, e conforme consta nos autos. Solicito a este Conselho de Contribuinte observar que na folha 03 deste acórdão, logo no primeiro parágrafo, a T. Turma ratifica que foi atendido a solicitação da fiscalização, onde apresentei carta com as justificativas referentes aos itens 1 a 3, anexando não só os documentos solicitados no manual de orientação da Receita Federal, mas também extratos, radiografias dos implantes, prescrição para o caso da fisioterapia, orçamentos dentários e recibos médicos. Embora concordando a mesma me penaliza de forma injusta, deixando de atentar para as justificativas apresentadas na minha carta de impugnação a saber: Fl. 107DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 1. Profissional Wilson Marques: Apresentei todos os documentos possíveis desde orçamentos, recibos, radiografias dos implantes e paguei em 4 prestações, sendo a primeira em dinheiro vivo, pois como justifiquei, eu tinha este dinheiro em casa, e que foi fruto do meu trabalho assalariado e devidamente declarado à receita, quando dos ajustes anuais. Anexo a minha declaração de bens de 2003, onde pode ser visto que eu tinha em domicilio, quantia bem superior ao valor de R$ 2.028,25, glosado pela receita. 2. Profissional Ronaldo Ferreira: Explico por parte, conforme acima: Item a) Falta de endereço nos recibos é fato, foi uma falta do profissional e minha por não tê-la observado, mas somente agora, após decorridos quase 5 anos é que a 9ª Turma observou esta falha, e se a mesma tivesse sido comunicada logo na primeira notificação em 2005, já teríamos corrigido. Informo-lhes que o endereço atual do Profissional Ronaldo Ferreira é Rua Avelino Jorge do Nascimento, 231, CEP 68.401-216 Bairro Rooselvelt, Uberlândia, Minas Gerais. O mesmo pode ser contactado e ratificar a veracidade da prestação dos serviços de fisioterapia em meus pais. Item b) A data da emissão do atestado do neurologista somente foi em 13/08/2007, por que a Receita Federal, setor de fiscalização orientou-me, quando da notificação, que este documento era necessário para atestar a veracidade do serviço prestado pelo fisioterapeuta. Nesta data, como informado, meus pais já não eram mais vivos, faleceram em meados de 2004 (os dois), portanto solicito reconsiderarem, pois não foi fácil localizar no hospital dentro de tantos relatórios, o médico responsável e o mesmo também teve que consultar seus arquivos para fornecer um documento do qual ele se responsabilizaria perante a qualquer investigação. Item c) Comprovação do pagamento: Vide o item 1 do profissional Wilson Marques, a comprovação é a mesma, tinha dinheiro em domicilio e o utilizei para pagamentos diversos. Senhores Conselheiros, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: a) O meu direito de fazer pagamentos em dinheiro em moeda nacional, assim como meu direito manter dinheiro em espécie no domicilio, desde que a origem deste dinheiro possa ser comprovado, conforme tenho feito nas minhas declarações, inclusive a de 2003. Assim, solicito a este Conselho, do fato de ser verdadeiro, considerar o pagamento em dinheiro e cuja origem da reserva em domicilio está comprovada, conforme demonstrado no anexo abaixo citado. b) A Delegacia da Receita Federal Ribeirão Preto, não apresentou nos autos motivos embasados e com convicção para glosar as despesas medicas dos profissionais Wilson Marques e Ronaldo Ferreira. Assim, cito abaixo, alguns acordões em que este Conselho de Contribuinte atuou, como exemplo do meu caso. (...) Assim, em face da Receita Federal RP não ter apresentado elementos de convicção e a não existência de indícios veementes da não execução dos serviços, rogo a este Conselho a Presunção de veracidade dos recibos e a boa-fé a meu favor. Pugna, ao final, pela improcedência e insubsistência da exigência fiscal, e o cancelamento do lançamento efetuado. Instrui a peça recursal com cópia parcial de sua DAA/2004, relativa a situação da Declaração de Bens e Direito (fls. 95). Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa das despesas médicas declaradas: O Recorrente deduziu, na declaração de rendimentos (fls. 44/53), os valores de despesas médicas por ele suportadas no ano-calendário de 2003, exercício de 2004, dentre as quais os pagamentos realizados aos profissionais Wilson Marques, cirurgião dentista, e Ronaldo Ferreira, fisioterapeuta. A fiscalização, por seu turno, no particular, não acatou parcialmente as despesas com Wilson Marques – não apresentou prova do pagamento da parcela no valor de R$ 2.028,25 - e integralmente as despesas com Ronaldo Ferreira – porquanto os comprovantes apresentados não especificaram o endereço profissional do prestador dos serviços, bem como não houve prova dos dispêndios realizados – qualificando-os como não hábeis a comprovar os pagamentos das despesas realizadas, não possuindo, por esse fato, efeitos probantes perante o Fisco. Buscando suprir o ônus que lhe competia, o Recorrente apenas informou na peça recursal o endereço do fisioterapeuta, bem como argumentou que os pagamentos pendentes foram realizados em espécie, sobretudo diante do fato de possuir dinheiro em casa, situação esta, aliás, regularmente declarada na declaração de ajuste anual do exercício de 2004. É pertinente registar que na decisão recorrida houve questionamentos acerca da idoneidade dos recibos apresentados, sobretudo quanto a impossibilidade de se aferir o endereço do profissional Ronaldo Ferreira, bem como na ausência de comprovação efetiva dos dispêndios realizados em relação à Ronaldo Ferreira e Wilson Marques (fls. 71/79). Entendeu a DRJ/SPOII que “a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, portanto, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos, sobretudo quando restar dúvida quanto idoneidade do documento” (fls. 77). Pois bem, razão parcial assiste ao Recorrente. Visando comprovar os pagamentos realizados, o contribuinte trouxe aos autos, ainda em sede de impugnação, cópia de sua movimentação financeira (fls. 39/43), bem como alegou ter declarado na DAA/2004 possuir “dinheiro em espécie moeda nacional” em sua residência, fazendo assim prova da disponibilidade financeira, informação tal, inclusive, trazida desde a peça impugnatória, e que não mereceu qualquer manifestação fiscal, quedando-se silente neste ponto a autoridade lançadora. Consoante exposto, levando-se em conta que o ônus da prova se deslocou ao Fisco, e diante da ausência de razões em contrário, merece acolhida as informações lançadas na Fl. 109DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.199 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.001729/2008-21 declaração de ajuste anual (fls. 95), presumindo-se também que foi apresentada tempestivamente. Com efeito, ante a comprovação da origem dos recursos utilizados no pagamento realizado, restabeleço a dedução das despesas médicas alusivas ao tratamento odontológico realizado pelo profissional Wilson Marques, no valor de R$ 2.028,25. Por outro lado, observo que em relação ao tratamento fisioterápico, além da falta de comprovação dos dispêndios, não se vislumbrou nos recibos apresentados o endereço do profissional prestador dos serviços, cujo dado é exigido no inciso III do § 2º da Lei nº 9.250/95, sendo este requisito essencial para validar os documentos comprobatórios apresentados. Vale salientar, que embora possa parecer de somenos importância a informação do endereço, ela proporciona, em casos de necessidade, o aprofundamento de investigações, por meio de diligências ao local do suposto atendimento profissional. Neste ponto, o informe trazido pelo Recorrente na peça recursal não se mostra suficiente para suprir a falha apontada ou mesmo validar os recibos apresentados, a qual deveria se dar com emissão de novo recibo ou declaração prestada pelo profissional, confirmando o endereço, tal qual requerido na legislação de regência. Assim, não restando suprida a falha, mediante a apresentação de documento hábil a demonstrar o endereço profissional do fisioterapeuta Ronaldo Ferreira – e, diga-se de passagem, somente por este motivo – deverá ser mantida a glosa no particular, ao teor da previsão contida na legislação de regência. Por fim, quanto ao entendimento jurisprudencial trazido para justificar as pretensões recursais, o mesmo, nesta seara, é improfícuo, pois, as decisões, mesmo que colegiadas, sem um normativo legal que lhe atribua eficácia, não se traduzem em normas complementares do Direito Tributário, e somente vinculam as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos. Conclusão Ante o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, somente para restabelecer a dedução da despesa médica paga ao cirurgião dentista Wilson Marques – CRO-SP 57.900, no valor de R$ 2.028,25, da base de cálculo do imposto de renda, ano-calendário 2003, exercício 2004. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.906724/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos.
No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam-se os embargos.
Numero da decisão: 3201-005.648
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, uma vez admitido os embargos em despacho, contudo, não constatado o vício apontado no voto condutor do acórdão vergastado rejeitam- se os embargos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Hélcio Lafetá Reis, Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos opostos pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3201-004.991, prolatado por esta Turma, cuja ementa foi assim redigida: MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 67 24 /2 01 5- 68 Fl. 122DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-005.648 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.906724/2015-68 Ciente da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém omissão, assim explicitada: (...) Esse Eg. Colegiado, ao se manifestar sobre o aproveitamento de um pagamento indevido de Cofins não-cumulativo para liquidar débito apurado no regime cumulativo entendeu que entendeu que “O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes.”. O I. Relator do voto vencedor fundamenta seu entendimento na súmula CARF 76 que trata do aproveitamento de recolhimentos realizados na sistemática do SIMPLES. Analisando a súmula CARF 76 e os precedentes que fundamentaram sua edição, verifica-se que aquelas decisões estão calcadas no disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, que cuida do pagamento unificado na sistemática do SIMPLES, inaplicável ao presente caso. Entendemos existir omissão no voto vencedor, uma vez que tal voto não esclarece os fundamentos legais para o aproveitamento dos pagamentos indevidos. A não indicação dos dispositivos legais que fundamentaram aquele aproveitamento afronta os artigos 2º e 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. O art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, estabelece a motivação como princípio do processo administrativo, verbis (...) (...) Já o artigo 50 daquele mesmo diploma explicita que as decisões administrativas que decidam recursos administrativos devem indicar seus fundamentos jurídicos (...) Não há dúvida de que quando a lei fala que as decisões administrativas devem indicar “os fundamentos jurídicos” que as motivam está se cuidando aqui da indicação dos dispositivos legais que lhe dão substrato. Neste sentido, citamos os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo que ao discorrer sobre a motivação dos atos administrativos no bojo do processo administrativo1 leciona: “Princípio da Motivação, isto é, o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fático da decisão, enunciando-se, sempre que necessário, as razões técnicas, lógicas e jurídicas que servem de calço ao ato conclusivo, de molde a poder-se avaliar sua procedência jurídica e racional perante o caso concreto.” (...) Diante da relevância da omissão faz-se mister que a Turma se pronuncie sobre os fundamentos normativos utilizados para o aproveitamento de pagamentos indevidos sem a observância da legislação que versa sobre a compensação. (...) No despacho de admissibilidade, atestou-se a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu-se os embargos, uma vez que se entendeu a omissão dos fundamentos legais utilizados na explicitação da decisão. É o relatório. Fl. 123DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-005.648 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.906724/2015-68 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3201- 005.610, de 20 de agosto de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/2017-82, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201-005.610): “Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. A jurisprudência preconiza que a "omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazê-lo, e a segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicando-lhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201-BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32-346]. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracteriza-se no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. Passemos à análise. Em que pese ter sido vencido na decisão, pois entendi que o aproveitamento do pagamento a maior de um débito para extinção de outros débitos, ainda que do mesmo tributo, só se faz por compensação, incidindo, portanto, os acréscimos legais devidos na compensação após o vencimento do débito, não parece inquinado de omissão o voto vencedor. O acórdão embargado entendeu que, embora formalmente o caso tenha sido tratado como compensação, materialmente não se trata de tal modalidade de extinção do crédito tributário (art. 74 da Lei 9.430/96), mas sim, de mero erro de código, passível de retificação do DARF por meio do procedimento de Redarf (normatizado pela IN RFB 672/2006). Portanto, ao entender o caso como Redarf, o Colegiado afastou tanto o artigo 74 da Lei 9.430/96, que trata de compensação, quanto o artigo 61 da mesma Lei, que trata Fl. 124DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-005.648 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.906724/2015-68 de pagamento em atraso, porque o suposto atraso somente ocorreria na hipótese de se considerar o caso como compensação. Em outras palavras, o pagamento foi tempestivo, sem qualquer atraso pois não se trata de compensação; e, portanto, não há aplicação do artigo 74 nem do artigo 61 da Lei 9.430/96. A súmula CARF 76 foi aplicada pela decisão embargada, porque faz o mesmo: em caso de mudança de regime de tributação, devem ser aproveitados os pagamentos feitos com o código do regime anterior, sem necessidade de compensação. No caso da súmula, o regime anterior é o Simples, passando para lucro real ou presumido; no caso da decisão embargada, o regime anterior é não-cumulativo e o regime correto é regime cumulativo. Não há falta de motivação, porque os fundamentos da decisão foram explicitados: (i) a IN RFB 672/2006, que trata de Redarf; (ii) a ratio decidendi da Súmula 76 (e não a letra da súmula) e (iii) a interpretação da verdade material do caso, o que é um princípio jurídico no direito tributário. Todas essas motivações estão claras no voto vencedor. Desse modo, entendo que não há omissão no julgado. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900934/2008-84
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia.
Numero da decisão: 9303-009.010
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 31/08/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação por restituição de pagamento indevido ou a maior relativo a créditos originários de pagamento PIS. A DRF de origem emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago no DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, informando que é fabricante de tintas, vernizes, esmaltes e lacas, sendo parte de suas vendas destinadas para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 34 /2 00 8- 84 Fl. 183DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.010 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900934/2008-84 Zona Franca de Manaus - ZFM. A empresa, equivocadamente realizou pagamentos indevidos das contribuições no tocante a tais vendas, pois, com base no art. 4º do Decreto-lei nº 288/1967, elas equivalem à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro em termos de efeitos fiscais; por isso buscou a restituição e utilização desses créditos para compensação. A 3ª Turma da DRJ/CPS exarou o acórdão nº 05-29.792, no qual, por unanimidade, negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, basicamente, por não haver competência da autoridade administrativa para se manifestar sobre eventual inconstitucionalidade de lei e não haver previsão legal de desoneração, à época dos fatos geradores, das contribuições que se alega serem indevidas. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, retomando os argumentos da impugnação e ainda que não foi intimada pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Adicionalmente, afirma que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3402-005.411, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência na qual afirma o dissídio em face dos acórdãos paradigmas nº 3401-002.249 e nº 9303-002.648, fundamentando que as contribuições apuradas e recolhidas pela recorrente sobre as receitas de vendas mercadorias para empresas localizadas na ZFM, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação, em franca dissonância com o acórdão recorrido, o qual aduzia que as receitas das vendas de mercadorias destinadas à ZFM, no período de apuração em discussão, não eram isentas ou imunes de PIS e Cofins. O recurso teve seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dei-lhe seguimento. A Fazenda Nacional foi cientificada desta decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.998, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.900420/2009-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 184DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.010 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900934/2008-84 Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.998): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Apesar de, na qualidade de presidente de câmara, ter admitido o recurso no despacho de e-fls. 223 a 234, nova análise, mais aprofundada, na qualidade de relator, me permitiu perceber que as situações fáticas dos acórdãos paradigmas não eram as mesmas do acórdão recorrido, para realização dos cotejamentos com a legislação aplicável. Ocorre que o acórdão nº 3401-002.249 era relativo a período de apuração de 01/11/2003 a 30/11/2003 e o acórdão nº 9303-002.648 abrange período de apuração de 01/01/2001 a 31/01/2001, ambos posteriores a novembro de 2000. Tomando apenas a ementa do acórdão nº 9303-002.648, à e-fl. 165, já se pode observar: ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. Na parte do voto deste acórdão, transcrita no recurso especial de divergência, às e-fls. 165 e 166, se tem a seguinte explanação: “O presente recurso trata do aspecto temporal da isenção concedida em relação às contribuições sociais – PIS e Cofins – apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca. A exigência dessa contribuição, naquele período, estava regulada pela Lei nº 9.718, de 1998, que assim dispunha (...). Posteriormente, o assunto foi tratado na edição da Medida Provisória (MP) nº 1.858-6, de 29 de junho de 1999, e reedições até a MP nº 2.0372-4, de 23 de novembro de 2000. O art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, que redefiniram as regras de desoneração das referidas contribuições, assim dispõem: (...) Portanto, de conformidade com estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, até a data de 21 de dezembro de 2000, não gozavam da isenção da Cofins. Assim, para as receitas auferidas até aquela data, a contribuição apurada e recolhida mensalmente pela recorrente era devida, não se constituindo em indébito tributário passível de restituição/compensação, conforme seu entendimento. No entanto, para os períodos de competência subsequentes, as receitas decorrentes de vendas de mercadorias destinadas a empresas localizadas naquela zona França e que efetivamente foram nela internadas passaram a gozar da isenção dessa contribuição, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADIN nº 2.348, impetrada pelo Governo do Estado do Amazonas. Fl. 185DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.010 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900934/2008-84 O fato gerador da contribuição cuja restituição se controverte neste processo é do período de 01/08/2000 a 31/08/2000, portanto, não cabe a apreciação da divergência, haja vista que os paradigmas se referiam a períodos distintos ao do acórdão a quo, cuja legislação incidente para solução do litígio era também distinta. Havendo falha nesse teste de aderência entre os arestos paradigmas e o acórdão recorrido, não há divergência comprovada, e por isso voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904582/2012-02
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2011
DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação contábil-fiscal suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
COMPENSAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DOS DÉBITOS E CRÉDITOS. RESPONSABILIDADE DO SUJEITO PASSIVO.
A compensação de débitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, é efetuada pelo contribuinte mediante apresentação de PER/DCOMP, no qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, cabendo à autoridade administrativa e aos órgãos julgadores a apreciação da regularidade da compensação nos exatos termos determinados pela declaração prestada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 3003-000.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação contábil-fiscal suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. COMPENSAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DOS DÉBITOS E CRÉDITOS. RESPONSABILIDADE DO SUJEITO PASSIVO. A compensação de débitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, é efetuada pelo contribuinte mediante apresentação de PER/DCOMP, no qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, cabendo à autoridade administrativa e aos órgãos julgadores a apreciação da regularidade da compensação nos exatos termos determinados pela declaração prestada pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-08-06T00:11:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-08-06T00:11:30Z; Last-Modified: 2019-08-06T00:11:30Z; dcterms:modified: 2019-08-06T00:11:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-08-06T00:11:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-08-06T00:11:30Z; meta:save-date: 2019-08-06T00:11:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-08-06T00:11:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-08-06T00:11:30Z; created: 2019-08-06T00:11:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-08-06T00:11:30Z; pdf:charsPerPage: 1953; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-08-06T00:11:30Z | Conteúdo => S3-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.904582/2012-02 Recurso Voluntário Acórdão nº 3003-000.389 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 17 de julho de 2019 Recorrente ITAU UNIBANCO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 DCTF. ERRO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A simples retificação de DCTF, para alterar valores originalmente declarados, sem a apresentação de documentação contábil-fiscal suficiente e necessária para embasá-la, não tem o condão de afastar despacho decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. COMPENSAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DOS DÉBITOS E CRÉDITOS. RESPONSABILIDADE DO SUJEITO PASSIVO. A compensação de débitos, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, é efetuada pelo contribuinte mediante apresentação de PER/DCOMP, no qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados, cabendo à autoridade administrativa e aos órgãos julgadores a apreciação da regularidade da compensação nos exatos termos determinados pela declaração prestada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 45 82 /2 01 2- 02 Fl. 115DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.389 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904582/2012-02 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório O presente processo versa sobre declaração de compensação, transmitida por meio de PER/DCOMP, através da qual o sujeito passivo pleiteia a compensação de débito próprio com créditos decorrentes de alegado pagamento indevido ou a maior a título de IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF, período de apuração 10/06/2011, recolhido em 15/06/2011. Após verificação fiscal, foi emitido despacho decisório (fl. 13) 1 que homologou parcialmente a compensação declarada, uma vez que o crédito indicado na compensação havia sido parcialmente utilizado para quitar débito do sujeito passivo. O sujeito passivo apresentou, então, manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: Inicialmente, faz-se necessário salientar que o crédito de IOF de junho de 2011 recolhido indevidamente no montante de R$ 14.729,89 (valor original) incidente sobre retenção e posterior estorno de IOF sobre a conta corrente abaixo descrita: Com efeito, o valor de R$ 14.729,89, teve origem em operação de crédito n° 106411 (doc.03), celebrada em 10/06/2011, com a Unimed Cruzeiro Cooperativa de Trabalho Médico (doc.04), cliente sujeito à alíquota zero, nos termos do artigo 8°, inciso I, do Decreto n° 6.306/2007, verbis: Art. 8º A alíquota do imposto é reduzida a zero na operação de crédito, sem prejuízo do disposto no §5º: I- em que figure como tomadora cooperativa, observado o disposto no art. 45, inciso I; Vale esclarecer que por força do disposto no §5° do supracitado artigo, a Unimed Cruzeiro Cooperativa de Trabalho Médico estava sujeita apenas à incidência do IOF pela alíquota de 0,38%. Desta forma, sobre a operação efetuada no montante de R$ 1.200.000,00, deveria ter sido cobrado IOF no valor de R$ 4.560,00. Ocorre que, por um equívoco do manifestante, foi cobrado o valor de R$ 19.289,89 (R$ 14.729,89 + R$ 4.560,00) pela operação efetuada. Diante disso, o Manifestante efetuou o estorno do valor indevidamente retido, conforme atestam a cópia do extrato (doc.05) e a Carta de Anuência assinada pelo cliente, onde este declara ter recebido crédito em sua conta-corrente, relativo ao IOF cobrado indevidamente (doc.06). (...)Frise-se que referida quantia (R$ 14.729,89) compôs o DARF de R$ 14.353.992,22 recolhido em 15/06/2011 (doc.06), relativo ao período de apuração de junho de 2009, cujo crédito foi aberto na DCTF daquele período (doc.07). Ademais, o crédito foi corretamente declarado no PERDCOMP n° 39237.86588.171011.1.3.04-1000 (do c.08), cuja compensação foi devidamente noticiada na DCTF de outubro de 2011 (doc.09). 1 Neste voto, as referências às folhas processuais seguem a numeração do e-processo. Fl. 116DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.389 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904582/2012-02 Por fim, ressalte-se que a Manifestante reconheceu em sua contabilidade o crédito tributário no valor de R$ 14.727.89, na rubrica contábil 1914.351.000.000 — IOF a Compensar (doc.10), sendo baixado em outubro de 2011 (doc.11). Apreciando a manifestação, a 14ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu decisão, negando provimento à impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS - IOF Data do fato gerador: 15/06/2011 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROMETIMENTO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a Declaração de Compensação cujo direito creditório, evidenciado em DCTF retificadora, revelou-se totalmente já comprometido em outra extinção por pagamento. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, no qual reafirma os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade e apresenta novos documentos. Aduz, ainda, que: 7. Inicialmente, cabe salientar que o valor que deu origem ao crédito discutido no PA nº 16327.904577/2012-91 compôs o mesmo DARF de recolhimento (R$ 14.353.992,22) que originou o crédito discutido no presente processo (R$ 14.729,89). 8. Por tal razão, a DRJ concluiu, de forma equivocada, que o crédito reconhecido parcialmente pela DEINF/SP no PA n° 16327.904577/2012-91, no valor de R$18.695,43, havia sido esgotado naquele feito e, consequentemente, não haveria saldo suficiente para presente compensação. 9. Ocorre que a vinculação entre os dois créditos efetuada pela DRJ não procede assim, merece reforma a decisão a quo, senão vejamos. 10. O DARF de R$ 14.353.992,22 possui quatro créditos distintos, no valor total origin de R$ 128.004,00, declarado por meio das DCOMPs detalhadas a seguir: 11. Tais valores, como dito, compuseram o DARF de R$ 14.353.992,22, utilizado p pagamento do IOF, período de apuração 10/06/2011, vencimento 15/06/2011. 12. Mas, esclareça-se, os créditos pleiteados em cada uma das DCOMPs são distintos do discutido no presente processo de compensação. 13. A saber, o DARF de R$ 14.353.992,22 decorre de milhares de operações da Recorrente e, assim, tal pagamento reflete apenas uma soma do IOF incidente sobre fatos geradores distintos, de diversas operações. 14. Assim, o crédito de IOF ora pleiteado, transmitido na DCOMP 39237.86588.171011.1.3.04-1000 (PA n° 16327.904582/2012-02), decorre do IOF retido indevidamente do cliente Unimed Cruzeiro Cooperativa de Trabalho Médico, CNP 45.198.009/0001-97, que, ao final, foi recolhido, de forma somada, no DARF de R 14.353.992,22. Fl. 117DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.389 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904582/2012-02 15. Portanto, o fato das DCOMPs possuírem relação com o referido DARF não implica em dizer que decorrem do mesmo crédito, uma vez que se tratam de operações com tributações diferentes, que deram ensejo a pagamentos indevidos (créditos) distintos. 16. Com efeito, o raciocínio da DRJ no sentido de que o crédito reconhecido PA nº 16327.904577/2012-91 já havia sido esgotado naqueles autos não possui fundamento legal ou fático. 17. Assim, requer-se seja reformada a decisão a quo nesse ponto, a fim de que o crédito pleiteado nesses autos seja analisado de forma independente, sem vinculação ao que foi decidido no PA n° 16327.904577/2012-91. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade para julgamento desta Turma. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu o PER/DCOMP descrito no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IOF, período de apuração 10/06/2011, a ser compensado com débito próprio. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, apurou-se que o crédito indicado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. Foi, então, emitido Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação declarada. Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou, como relatado acima, manifestação de inconformidade, na qual sustentou, em síntese, que houve equívoco na aplicação da alíquota do IOF atinente a uma de suas operações, decorrendo, daí, o alegado pagamento indevido ou a maior. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, o colegiado a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório, nos termos do voto condutor, transcrito, em parte, a seguir (grifei partes): (...) Segundo consta do Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, o exame do direito creditório pleiteado resultou no não reconhecimento da existência de crédito, uma vez que a totalidade do valor recolhido pelo Documento de Arrecadação posto como origem do crédito na Declaração de Compensação estaria comprometida com débitos declarados no valor de R$ 14.335.296,79 e outra Declaração de Compensação no valor de R$ 18.695,43. Para defender a existência da totalidade do crédito que alocou na Declaração de Compensação sob exame, a contribuinte acena com um erro nos valores levados à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. A retificadora trazida aos autos demonstra o que seria um recolhimento a maior no montante de R$ 48.893,87. Esse créditos estariam contidos num pagamento de R$ 14.353.992,22, que está colocado na Declaração de Compensação como origem do crédito ali utilizado. Os controles eletrônicos mantidos pela Administração Tributária apresentam a seguinte utilização dos valores constantes no Documento de Arrecadação: Fl. 118DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.389 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904582/2012-02 Portanto, a partir dos dados disponíveis, o valor pleiteado na Declaração de Compensação estaria totalmente comprometido. É importante notar que o valor de R$ 18.695,43 foi reconhecido como crédito e alocado para extinção parcial de débito declarado na DCOMP nº 24702.47586.051011.1.3.04-7369, controlada no PAF nº 16327.904577/2012-91. A alocação da parcela de R$ 30.198,44 é demonstrada por uma vista à alocação dos valores do DARF nº 0345511563-4, valor total de R$ 194.650,56, também empregado no pagamento do mesmo débito de R$ 14.596.615,76 elucida a razão da redução do saldo disponível para compensação. Veja-se: Assim, embora na DCTF a contribuinte tenha apontado que o DARF acima teria amortizado uma parcela de R$ 187.200,00 do débito, o valor recolhido não compreendeu a multa de mora decorrente do pagamento em atraso. Sendo assim, imputada a multa devida, o valor amortizado reduz-se a R$ 157.001,56. A diferença da amortização a menor é exatamente R$ 30.198,44, valor esse que foi alocado automaticamente na amortização do débito declarado. Portanto, do recolhimento a maior de R$ 48.893,87 demonstrado na DCTF, a contribuinte somente dispunha para suportar a compensação declarada um montante de R$ 18.695,43, que foi utilizado em outra compensação, como já visto. Não obstante, no âmbito do PAF 16327.904577/2012-91, a contribuinte defende que o seu crédito alcançaria R$ 64.380,27, e não R$ 48.893,87. Naquele outro processo, tal alegação não foi acatada por falta de suporte documental. De toda a forma, ainda que se admita os argumentos da defesa e os documentos apresentados, o conjunto probatório peca por não demonstrar que o tributo Fl. 119DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.389 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904582/2012-02 eventualmente recolhido indevidamente comporia efetivamente o valor constante no Documento de Arrecadação colocado como fonte do direito creditório. A composição do valor recolhido no DARF nº 58449601228 é essencial para que se lhe possa atribuir a condição de portador de valor eventualmente recolhido indevidamente. Tal composição não consta dos autos. Importa salientar, ainda nesse sentido, que a DCTF retificadora pretendeu demonstrar um crédito de R$ 48.893,87, enquanto que a Manifestação de Inconformidade alega que o recolhimento indevido teria o montante de R$ 14.729,89, o que torna a demonstração do crédito ainda mais incerta, ainda mais em um DARF de R$ 14.353.992,22. Note-se que a contribuinte, tendo procurado demonstrar a eventual devolução ao cliente, não comprovou que tenha regularmente efetuado o recolhimento dos valores que alega terem sido indevidamente cobrados daqueles mesmos clientes. Nesse contexto, conclui-se que a contribuinte não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe é atribuído pelo Processo Administrativo Fiscal, cujo início é a própria prova de que os valores requeridos foram efetivamente recolhidos. Depois, vencida a primeira barreira, passar-se-ia ao exame das razões pelas quais seriam eventualmente indevidos. Mas, como visto, a contribuinte não supera nem mesmo o primeiro critério, o que torna sem sentido a análise das alegações que justificariam o recolhimento indevido. Da leitura dos excertos transcritos, depreende-se que o aresto recorrido negou provimento à manifestação de inconformidade, tendo concluído, em síntese, que: (i) parte do crédito pleiteado havia sido alocada na amortização do débito de IOF do período 06/2011 e a outra parte já havia sido deferida no curso do processo administrativo (PAF) nº . 16327.904577/2012-91. O aresto recorrido explica que o recolhimento efetuado por meio do DARF nº 0345511563-4, no valor total de R$ 194.650,56, serviu para amortizar apenas R$ 157.001,56 do referido débito de IOF - ao invés de R$ 187.200,00 previsto pelo sujeito passivo -, tendo parte do recolhimento sido destinada ao pagamento da multa de mora pelo pagamento extemporâneo do tributo. (ii) não restou comprovado o crédito atinente ao suposto recolhimento indevido no valor de R$ 14.729,89. Antes de analisar os argumentos trazidos pela recorrente, importa recordar que a compensação tributária, no âmbito da administração tributária federal, é declarada e delimitada pelo sujeito passivo mediante apresentação de PER/DCOMP, no qual devem ser indicados os créditos e os débitos que definem a compensação pretendida, a teor do art. 74, §1º, da Lei nº 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (grifou-se) Como se observa, o encontro de contas que caracteriza a compensação é determinado pela declaração do próprio sujeito passivo, cabendo à autoridade administrativa e aos órgãos julgadores a apreciação da regularidade da compensação nos exatos termos fixados pela declaração prestada. Assim, no caso concreto, a análise do recurso deverá se pautar pelos limites traçados, pelo próprio sujeito passivo, na declaração de compensação. Fl. 120DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.389 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904582/2012-02 Compulsando a declaração de compensação transmitida (fls. 45 a 49), observa-se que o sujeito passivo indicou débito de IOF, período de apuração 1º. decêndio de outubro de 2011, a ser compensado com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior realizado por meio do documento de arrecadação (DARF) com as seguintes características: Analisando a utilização do referido DARF, a partir das informações coligidas dos sistemas de controle da RFB, verifica-se que o valor de R$ 14.353.992,22 foi consumido, em parte, na extinção do débito de IOF, do período correspondente ao 1º. decêndio de junho de 2011 (10/06/2011). O quadro abaixo mostra como foi utilizado o documento de arrecadação - indicado como origem do direito creditório na declaração de compensação: Do quadro acima, constata-se que R$ 14.335.296,79 (R$ 14.305.098,35 + R$ 30.198,44) foi utilizado para a quitação do débito de IOF, remanescendo um saldo credor de R$ 18.695,43 (R$ 14.353.992,22 - R$ 14.335.296,79), valor que é precisamente aquele deferido no despacho decisório objeto do PAF nº . 16327.904577/2012-91. Naquele processo, a recorrente contesta tal saldo credor, sustentando, em síntese, que (i) aquela parcela de R$ 30.198,44 seria indevida, pois decorrente de multa moratória indevida, e que (ii) o direito creditório seria de R$ 64.380,27, em razão de recolhimento de IOF sobre operação sujeita à alíquota zero. Por outro lado, a recorrente alega que o crédito discutido no presente processo não está vinculado àquele pleiteado no PAF nº . 16327.904577/2012-91: o crédito de IOF ora pleiteado decorreria de IOF retido indevidamente de seu cliente Unimed Cruzeiro Cooperativa de Trabalho Médico, que, ao final, foi recolhido no DARF de R$ 14.353.992,22, mesmo DARF indicado no PAF nº. 16327.904577/2012-91. Para comprovar suas alegações, observa-se que a recorrente trouxe, junto à manifestação de inconformidade, documento atinente à operação de crédito (fls. 16 a 25), cópia de extrato com o estorno da retenção (fl. 28) , declaração (fl. 26) e carta de anuência do cliente (fl. 28), demonstrativo de estorno de IOF (fl. 30), cópia do DARF de R$ 14.353.992,22 (fl. 31) e os registros contábeis da conta IOF a Compensar (fl. 38/39), com a apropriação do suposto pagamento indevido e sua baixa. Já em sede recursal, a recorrente trouxe elementos adicionais, Fl. 121DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.389 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904582/2012-02 tais como, demonstrativo de composição do DARF de R$ 14.353.992,22, além de petição à RFB (fl. 91) , na qual assinala, entre outros, o pagamento intempestivo atinente ao DARF de R$ 194.650,56, aduzindo que estaria abrigada pela denúncia espontânea. Importa assinalar, inicialmente, que a questão da multa de mora, atinente ao recolhimento efetuado através do DARF de R$ 194.650,56, está sendo tratada no PAF nº. 16327.904577/2012-91. Se, naquele processo, for reconhecido o crédito relativo à referida multa, sua utilização servirá para cobrir a compensação lá declarada, de maneira que a decisão sobre a multa em nada interferirá no julgamento do presente processo. Tal fato também se verifica se a multa for mantida, ou seja, a decisão sobre a multa não trará nenhum reflexo sobre o crédito ora analisado. Pois bem. Voltando à análise do crédito deste processo, pode-se observar que, do recolhimento pelo DARF de R$ 14.353.992,22, R$ 14.335.296,79 foram utilizados para a extinção do débito de IOF, no valor de R$ 14.596.615,76, do 1º. decêndio de junho de 2011, e R$ 18.695,43 foram utilizados na compensação parcialmente homologada no PAF nº. 16327.904577/2012-91. Os quadros abaixo sintetizam os diversos recolhimentos efetuados e sua alocação para a quitação de débitos: O primeiro quadro mostra todos os recolhimentos efetuados para a extinção do débito de IOF, período de apuração 10/06/2011, no valor de R$ 14.596.615,76. Na coluna esquerda, são apresentados os valores totais de cada recolhimento; na coluna direita, são mostrados os valores utilizados, em cada recolhimento, para amortização do débito principal. O primeiro quadro também revela que, para a extinção do débito confessado em DCTF, foi utilizado R$ 14.335.296,79 do recolhimento de R$ 14.353.992,22 - vale lembrar, através do DARF indicado no PER/DCOMP do presente processo e que, segundo a recorrente, abrangeria o pagamento indevido ora pleiteado. O segundo quadro traz a utilização completa do DARF de R$ 14.353.992,22, mostrando que o recolhimento serviu para (i) extinguir parte do débito de IOF, período de apuração de 10/06/2011, e para (ii) abater débito declarado em compensação realizada no PAF nº. 16327.904577/2012-91, não restando qualquer saldo credor. Observa-se, desse modo, que o DARF de R$ 14.353.992,22 foi utilizado integralmente. Como conciliar tal conclusão com a alegação da recorrente de que houve pagamento indevido relacionado à operação de crédito com seu cliente Unimed Cruzeiro Cooperativa de Trabalho Médico? DARF - Recolhimentos Crédito Utilizado para extinção do IOF, PA 10/06/2011 R$ 45,62 R$ 37,41 R$ 194.650,56 R$ 157.001,56 R$ 104.968,24 R$ 104.280,00 R$ 14.353.992,22 R$ 14.335.296,79 TOTAL UTILIZADO R$ 14.596.615,76 DÉBITO EM DCTF R$ 14.596.615,76 DARF indicado no presente PER/DCOMP R$ 14.353.992,22 Valor utilizado no pagamento de IOF, PA 10/06/2011 R$ 14.335.296,79 Valor utilizado na compensação realizada no PAF nº. 16327.904577/2012-91 R$ 18.695,43 Saldo Remanescente 0,00 Fl. 122DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-000.389 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904582/2012-02 Neste caso, a recorrente deveria juntar provas de que o débito constituído em DCTF, atinente ao período 10/06/2011, é menor do que aquele declarado, de maneira que o alegado recolhimento indevido tenha servido não apenas para cobrir débitos realmente devidos, mas, ainda, débitos indevidos do período de 10/06/2011. Nessa esteira, observa-se que não há, nos autos, elementos probatórios para afastar o débito de IOF confessado. Não foi apresentada escrituração contábil e fiscal para infirmar os valores constituídos em DCTF, para evidenciar qual parcela da apuração do débito constituído é indevida ou para mostrar que a operação de crédito em questão tenha sido indevidamente considerada na apuração do IOF do 1º decêndio/06/2011. Apesar do valor de R$ 14.729,89 fazer parte da composição do DARF de R$ 14.353.992,22, como indica a relação apresentada pela recorrente (fls. 109 a 111), isso não significa que o valor recolhido de IOF atinente à operação de crédito alegadamente tributada à alíquota superior não tenha sido alocado para quitar débito corretamente apurado de IOF do período de 10/06/2011: daí a necessidade de comprovação de erro no débito apurado em DCTF. A propósito, sublinhe-se que a DCTF retificadora juntada aos autos pela recorrente (fls. 33/34) confirma o valor de R$ 14.596.615,76 para o IOF do período 10/06/2011 - tal valor foi repetido em várias retificadoras posteriores, conforme documentos acostados, pela recorrente, ao PAF nº. 16327.904577/2012-91. Na referida declaração, o saldo remanescente do recolhimento do DARF de R$ 14.353.992,22 é de R$ 48.893,87, valor este que, como visto, foi totalmente absorvido para quitação de outros débitos. Prosseguindo com a análise dos autos, verifica-se que a recorrente juntou escrituração contábil, conta IOF a Compensar, com os lançamentos do pagamento indevido e da baixa da compensação. Esses lançamentos não servem, contudo, para demonstrar que o alegado pagamento indevido tenha efetivamente servido para quitar tributo indevido: os documentos trazidos não demonstram a apuração errônea do débito de IOF confessado em DCTF, período de 10/06/2011. Somente com a comprovação de erro na apuração do IOF, período de apuração 1º. decêndio de junho de 2011, é que poderia surgir eventual crédito: contrastados os pagamentos efetuados com o débito corrigido para menor, poderia ser evidenciado direito creditório remanescente. Não havendo provas para afastar o débito constituído em DCTF - reproduzido, lembre-se, nas várias DCTFs retificadoras transmitidas -, não há como reconhecer o direito creditório da recorrente. Em casos em que o direito creditório pleiteado decorre do reconhecimento de equívoco na informação do valor do tributo constituído em DCTF, o mínimo que se espera é que aquele que alega erro demonstre, com a apresentação da escrituração contábil-fiscal e seus documentos de suporte, qual a apuração correta. Há que se lembrar, ainda, que a compensação tributária pressupõe a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, a teor do art. 170 do Código Tributário Nacional. Pode-se dizer, em outros termos, que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito, de maneira que sua comprovação se revela como pressuposto fundamental para a concreção da compensação. Nesse contexto, recai sobre o sujeito passivo o ônus de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, como dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 123DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3003-000.389 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 16327.904582/2012-02 Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Ainda assim, analisei as provas juntadas após a manifestação de inconformidade, tendo concluído, como visto acima, que não foram apresentados documentos suficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 124DF CARF MF
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