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Numero do processo: 17460.000583/2007-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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S. G. PECAS E COMPONENTES HIDRAULICOS LTDA EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 05 83 /2 00 7- 39 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 17460.000583/200739 Acórdão n.º 9202006.799 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 199DF CARF MF Processo nº 17460.000583/200739 Acórdão n.º 9202006.799 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 200DF CARF MF Processo nº 17460.000583/200739 Acórdão n.º 9202006.799 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 201DF CARF MF Processo nº 17460.000583/200739 Acórdão n.º 9202006.799 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 202DF CARF MF Processo nº 17460.000583/200739 Acórdão n.º 9202006.799 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 203DF CARF MF Processo nº 17460.000583/200739 Acórdão n.º 9202006.799 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 204DF CARF MF Processo nº 17460.000583/200739 Acórdão n.º 9202006.799 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 205DF CARF MF Processo nº 17460.000583/200739 Acórdão n.º 9202006.799 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914228/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.282
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 28 /2 01 2- 98 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914228/201298 Acórdão n.º 3401004.282 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 1278.387, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914228/201298 Acórdão n.º 3401004.282 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914228/201298 Acórdão n.º 3401004.282 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914228/201298 Acórdão n.º 3401004.282 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.900728/2008-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 73 1 72 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.900728/200810 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3001000.100 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Ordinária Data 12 de julho de 2018 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente T M INDÚSTRIA DE CONFECÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório Tratase de pedido de compensação declarada, na qual, o crédito analisado foi considerado insuficiente, em razão de ter sido utilizado para extinguir débito devidamente constituído. Na sequencia, o mencionado despacho houve por bem homologar apenas parcialmente a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 00 72 8/ 20 08 -1 0 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10935.900728/200810 Resolução nº 3001000.100 S3C0T1 Fl. 74 2 Manifestação de Inconformidade Diante do indeferimento de seu pedido de compensação, a recorrente busca apontar o motivo da existência de seu crédito. Pagamentos efetuados em atraso mas de forma espontânea A explicação para a existência do crédito posto em compensação, seria o pagamento realizado com a inclusão de valores, a título de multa, conforme demonstrado no DARF em questão. Tal pagamento ocorreu anterior a quaisquer atos de fiscalização por parte da autoridade fazendária, e acompanhado do devido pagamento de juros. Desta feita, estaria albergado pelo comando do artigo 138 do CTN. Em sua defesa, portanto, a recorrente alegou ter havido pagamento indevido, justamente pelo fato de ter recolhido valores de multa em pagamento espontâneo. Diante disto, teria o suposto crédito, com o qual pretende compensar débitos normalmente constituídos. Traz à tona, jurisprudência, inclusive do CARF e STJ. Ainda, evidencia dois requisitos para a obtenção do benefício, quais sejam, a confissão e o pagamento. Nega, por fim, a diferenciação entre multas punitivas e moratória. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi assim ementada: Acórdão n.º 0629.768 3.ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÁNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇAO. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, homologamse as compensações requeridas até o limite docrédito reconhecido. Em seu trecho de voto, destaca o fundamento de seu raciocínio, no sentido de atribuir, como leitura mais atenta do artigo 138 do CTN, um sentido não tão extensivo como pretende a contribuinte em sua defesa. Por isso, recorre à distinção entre penalidade de cunho punitivo, e a penalidade de cunho compensatório. admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10935.900728/200810 Resolução nº 3001000.100 S3C0T1 Fl. 75 3 moratória, seria contrariar toda a legislação tributária (...) o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso (o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo).. (...) podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher 0 tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruçoes da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora, do pagamento que foi indicado no Per/Dcomp Recurso Voluntário Em sua peça recursal a contribuinte, além de expor seus argumentos para legitimar a compensação levada a cabo, requereu o apensamento de 07 processos em razão de haver matéria conexa. Neste sentido, é no artigo 47 do RICARF que sustentou sua pretensão. Recurso Voluntário Após refazer breve histórico sobre os fatos ocorridos, adentrou o mérito repisando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Em resumo, trata a recorrente de alegar que houve pagamento a maior em razão de ter havido a inclusão de multa de mora em pagamento efetivado em sede de espontaneidade. Iresignouse em face do argumento jurídico esposado no acórdão vergastado, no sentido de impelir o raciocínio no qual a denúncia espontânea não se aplica em caso de multa de mora. Segrega os conceitos de multa de mora e multa de ofício, ressaltando que a exceção à denúncia espontânea cingese aos juros de mora. requer a correção do créditos advindos do pagamento indevido, pelos índices de Juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento de valores a título de multa, em pagamento realizado de forma espontânea. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: denúncia espontânea e a correção do suposto crédito pela Selic. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10935.900728/200810 Resolução nº 3001000.100 S3C0T1 Fl. 76 4 Fundamento Legal A discussão gira em torno da possibilidade de ser considerado como apto à incidência das normas previstas no artigo 138 do CTN, ou seja, o instituto da denúncia espontânea, ao fatos descritos no presente caso. Para tanto, neste item serão apontados os fundamentos legais invocados na presente decisão. Artigo 138 do CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração Tal preceito legal foi objeto de julgamento em sede de Recurso Especial, sob n.º 1.149.022/SP, realizado sob o regime de recurso repetitivo, em conformidade com o artigo 543C do CPC/1973, o qual se transcreve abaixo, a fim de, posteriormente, ser analisado e confrontado com o presente julgamento. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10935.900728/200810 Resolução nº 3001000.100 S3C0T1 Fl. 77 5 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Em decorrência do mandamento previsto no artigo 543C do CPC, submetese, necessariamente, à prescrição exposta no RICARF/15, mais especificamente nos termos do §2º, do art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Tal entendimento, no qual os conselheiros deste CARF estão submetidos ao precedente exposto, está devidamente assentado pela Câmara Superior, conforme se denota de trechos da ementa trazida aos autos: Acórdão 9303006.588 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10935.900728/200810 Resolução nº 3001000.100 S3C0T1 Fl. 78 6 Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Fundamental, ao deslinde da questão, trazer aos autos a IN 126/1998. que regulamenta a entrega da DCTF IN 126/98 Art. 2o A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1o Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. § 2o A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. DOS FATOS Neste ínterim resta esclarecer que, cingese o caso presente na discussão a respeito da ocorrência, ou não, dos eventos fáticos que disparam a incidência das normas reguladoras do instituto da Denúncia Espontânea. Para tanto, necessário esclarecer e evidenciar determinados fatos essenciais para o deslinde da questão posta. Foi apresentado, pela recorrente, DARF, datado de 02 de outubro de 2002, correspondente a pagamento tardio, correspondente à apuração de julho de 2002, extrapolando, portanto, o seu regular prazo de vencimento. Comentários sobre a DCTF Em conformidade com a IN 126/98, regulamentando a entrega da DCTF à época, notase pela leitura de seu artigo 2.º, que o envio ocorria trimestralmente, e, para fins da citada IN 126/98, o artigo mencionado considera o trimestre encerrado em 30 de setembro. Ainda, na leitura do regramento de entrega da DCTF, temse que o prazo limite para seu envio é "até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores". Tendo o fato gerador ocorridos em julho de 2002, pertencente, portanto, ao terceiro trimestre, o prazo para entrega da DCTF fluiria a partir do encerramento deste terceiro trimestre, ou seja, 30 de setembro de 2002. Sendo o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre, conforme previsão legal, encerrouse a data para envio em 14 de novembro de 2002. temse nos autos, a respeito da DCTF compentente, apenas tabela referenciando sua data de entrega, em sede de Manifestação de Inconformidade. Conforme se verá adiante, Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900728/200810 Resolução nº 3001000.100 S3C0T1 Fl. 79 7 tal documente é imprescindível ao desfecho do julgamento, mormente frente aos requisitos trazidos em sede de recurso repetitivo. Desta forma, uma vez apresentados os fundamentos legais invocados, qual seja, o artigo 138 do CTN, cujo teor prescreve as regras para a aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, e, também, brevemente expostos os motivos pela vinculação da interpretação do caso concreto, em razão do regime de recursos repetitivos previstos no CPC e respeitados pelo RICARF, iniciase a análise de mérito, não sem antes, expor a segmentação do raciocínio jurídico empreendido na leitura conjunta do artigo 138 e da decisão prolatada pelo STJ. MÉRITO O tema devolvido ao colegiado para análise e decisão, envolve a aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no já transcrito artigo 138 do CTN, com a disciplina dada pelo REsp 1.149.022/SP, sob o regime repetitivo previsto no artigo 543C do CPC cumulado com o artigo 62, parágrafo segundo do RICARF. Neste sentido, mister fixar algumas premissas para o raciocínio. Inicialmente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou seja, no qual, dentre outras particularidades, o contribuinte tem o dever de antecipar informações à autoridade fazendária. Esta antecipação, se faz por meio das obrigações acessórias previstas legalmente no CTN, em artigos 112 e 113. Denúncia espontânea e lançamento por homologação O papel da DCTF A DCTF, prevista na IN 126/1998, é o veículo que introduz as normas individualizadas e concretas no ordenamento jurídico inclusive a respeito do pagamento do presente caso. Neste sentido, a decisão do STJ fixou como requisito para a ocorrência da denúncia espontânea, não haver tributo declarado pelo contribuinte. Em conformidade com tal orientação, transcrevese a ementa prolatada pela CSRF em maio de 2018: Acórdão 9303006.588 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. O cerne da discussão está exemplarmente delineado no voto de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal, que, em resumo descreve; a cognição lógico jurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10935.900728/200810 Resolução nº 3001000.100 S3C0T1 Fl. 80 8 Após analisar a dinâmica de subsunção da norma relativa ao instituto da denúncia espontânea, conclui: (...) o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. A seguir na leitura de seu voto, o relator mencionado destaca que: A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. E também: Acórdão nº 9303002.770, 3ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte." Desta forma, resta evidenciado que a interpretação posta ao caso, deverá estar submetida ao limite objetivo construído pela jurisprudência do STJ e da CSRF deste CARF. Hipótese Configuradora da Denúncia Espontânea O pagamento integral acompanhado de juros a anterioridade quanto a quaisquer atos ou procedimento fiscalizatórios da autoridade fazendária. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10935.900728/200810 Resolução nº 3001000.100 S3C0T1 Fl. 81 9 Multas moratórias e punitivas Para o julgamento do caso, necessário se faz superar a discussão a respeito da aplicação da denúncia espontânea em caso de multa moratória. Isto porque, o raciocínio pautado na inaplicabilidade da denúncia espontânea às multas de caráter moratório foi o fio condutor do acórdão sob vergasta. Como se pode observar, o assunto encontrase pacificado no sentido da possibilidade da denuncia espontânea em caso de multa de mora. Nas Turmas Ordinárias, prevalece o mesmo entendimento, conforme se segue: Acórdão nº 3201003.745 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Da proposta de Diligência Diante ao caso exposto, temse que se trata de definir a aplicação do conteúdo normativo previsto no artigo 138 do CTN, em conformidade com o disposto no julgamento repetitivo retro mencionado. Neste sentido, verificouse que a construção jurisprudencial do STJ e deste CARF, definem como limite à concessão da denúncia espontânea a ocorrência de declaração por parte do contribuinte, em sua DCTF. Caso tenha declarado o débito relativo multa de mora, terá constituído, em favor da autoridade fazendária, o crédito tributário, inviabilizando, assim, a aplicação do instituto. Desta forma, temse o seguinte trâmite temporal. Em julho de 2002, houve a apuração do tributo em questão, dentro, portanto, do terceiro trimestre anual, a encerrarse em 30 de setembro. Aplicando o comando do artigo 2.º da IN 126/1998, a data limite para a apresentação da DCTF seria 14 de novembro de 2002. Em tendo sido realizado o pagamento, conforme se denota do DARF acostado aos autos, com data de 02 de outubro de 2002, temse que tal pagamento seria retratado na DCTF a ser entregue em 14 de novembro de 2002. A meu ver, é necessário verificar como o contribuinte informou na DCTF competente, o respectivo lançamento da multa de mora. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10935.900728/200810 Resolução nº 3001000.100 S3C0T1 Fl. 82 10 Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este segundo requisito, a meu ver, satisifeito. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914261/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.881
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1759; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.914261/201218 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201003.881 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 61 /2 01 2- 18 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10980.914261/201218 Acórdão n.º 3201003.881 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 078.443, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10980.914261/201218 Acórdão n.º 3201003.881 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10980.914261/201218 Acórdão n.º 3201003.881 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.914261/201218 Acórdão n.º 3201003.881 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 49DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.010075/99-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/05/1995 a 30/06/1995, 01/08/1995 a 31/10/1995, 01/12/1995 a 31/12/1995
PAF. IRREGULARIDADES. NULIDADES.
Nos termos do art. 60, do Decreto nº 70.235/1972 - PAF, as irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade, sendo sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio. As nulidades no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são as vinculadas à incompetência e ao cerceamento de defesa, do art. 59, do PAF.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUTORA DE IMÓVEIS. RECEITAS DE ALUGUÉIS DE IMÓVEIS.
A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza deduzidas as exclusões previstas em lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-005.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, acatando as conclusões da diligência fiscal, reconhecendo saldo a compensar de R$2.116,33, não compensado em 1995; falta de inclusão de recolhimento efetuado em 10/08/95, no valor de R$398,81; além de erro de soma no item 12.1, cujo total de R$26.957,26 deverá ser lido como R$16.957,26.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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IRREGULARIDADES. NULIDADES. Nos termos do art. 60, do Decreto nº 70.235/1972 PAF, as irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade, sendo sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio. As nulidades no processo administrativo de determinação e exigência de crédito tributário são as vinculadas à incompetência e ao cerceamento de defesa, do art. 59, do PAF. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONSTRUTORA DE IMÓVEIS. RECEITAS DE ALUGUÉIS DE IMÓVEIS. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza deduzidas as exclusões previstas em lei. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, acatando as conclusões da diligência fiscal, reconhecendo saldo a compensar de R$2.116,33, não compensado em 1995; falta de inclusão de recolhimento efetuado em 10/08/95, no valor de R$398,81; além de erro de soma no item 12.1, cujo total de R$26.957,26 deverá ser lido como R$16.957,26. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 01 00 75 /9 9- 95 Fl. 521DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 522 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração, lavrado em 18/10/1999 (fls1.3/12) e cientificado pessoalmente em 29/10/1999 (fl. 14), para exigência de COFINS cumulativa e acréscimos legais, no período de JAN a DEZ/1995, com base na Lei Complementar n° 70/91, no valor original de R$53.182,42, por FALTA DE RECOLHIMENTO DA COFINS, conforme TERMO DE ENCERRAMENTO (fls. 13/14), no qual restou consignado, in verbis: "Em decorrência de diligência realizada na Construtora Norte Brasil Ltda. relativa ao Processo 10469.208749/9610 da Procuradoria da Fazenda Nacional, constatamos falta de recolhimento da COFINS, conforme Tabelas 1, 2, 3, que passam a fazer integrante do Auto de Infração. O contribuinte apresentou uma declaração retificadora, constante do processo acima mencionado que demonstrava R$41.806,63 da COFINS relativa ao ano de 1995. O contribuinte pagou R$27.818,41, restando a pagar R$13.988,22 (41.806,6327.818,41). No decorrer da diligência realizada verificamos através dos Balancetes Mensais, Tabela 3, que o total da COFINS a recolher do ano de 1995, totalizava R$79.133,39 ao invés dos R$41.806,63 apresentados na DIRF retificadora. Como o contribuinte já houvera pago R$ 27.818,41, restava a pagar R$51.314,98. Porém o valor final do processo que se encontra na Procuradoria da Fazenda Nacional é R$41.806,63, a diferença final a recolher é R$37.326,76. (79.133,3941.806,63), Tabelas 2 e 3. Os valores recolhidos a maior em alguns meses no ano de 1995 foram compensados no meses de março e maio de 1995, conforme Demonstrativo de Imputação de Pagamentos. Referido demonstrativo faz parte do Auto de Infração. Somente os valores pagos a maior nos mês de janeiro e fevereiro de 1995 não puderam ser compensados, porque o sistema de emissão de Auto de Infração não permite a compensação de valores pagos janeiro ou fevereiro com o débito de meses posteriores. Os valores da COFINS cobrados no Auto de Infração divergem um pouco dos valores demonstrados na Tabela 1 tendo em vista o seguinte: lº.) Os valores de janeiro e fevereiro de 1995 não puderam ser compensados; 2º.) Os valores pagos para complementar a falta de recolhimento de um determinado mês, o cálculo da imputação considera parte do recolhimento como sendo multa e juros; o valor final da COFINS tornouse um pouco maior do o demonstrado na Tabela 1." 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 523 3 A empresa apresenta a Impugnação em 19/11/1999 (fls. 26/38), requerendo, diante dos equívocos no levantamento das bases de calculo da COFINS do ano de 1995, sejam refeitos os cálculos do presente processo, face ao que consta da petição nos itens 1. dos fatos, 2. dos equívocos do lançamento fiscal: receitas de obras p/ empreitadas, 3. dos equívocos da diligência fiscal: as receitas de aluguéis, 4. dos equívocos da diligência fiscal: não compensação de vrs. recolhidos, 5. da falta de compensação dos recolhimentos de JAN e FEV/95, e 6. da correlação entre o auto de infração e o proc.nr.10469.208749/9610; sejam analisados, de forma conjunta, o presente auto de infração e o processo n° 10469208749/9610, considerando os inúmeros equívocos existentes em ambos os processos e tendo em vista tratarem do mesmo assunto, qual seja, a COFINS de janeiro a dezembro/1995; seja caracterizado o cerceamento do direito de defesa, pela não ciência dos termos da diligência fiscal da qual resultaram cobranças adicionais da COFINS, de forma incorretas. A decisão de primeira instância, proferida em 07/02/2003 (fls. 205/214) foi pela procedência parcial do lançamento, nos termos da ementa abaixo reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/1995 a 31/03/1995, 01/05/1995 a 30/06/1995, 01/08/1995 a 31/10/1995, 01/12/1995 a 31/12/1995 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. COFINS. BASE DE CÁLCULO. A Contribuição para o Financiamento Seguridade Social incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta vendas de mercadorias, de mercadorias, serviços e de serviços de qualquer natureza deduzidas as exclusões previstas em lei. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDÊNCIA PARTE. É procedente em parte o lançamento de crédito tributário, lavrado em Auto de infração, quando fica comprovado que parte do mesmo já fora recolhido, objeto de confissão no REFIS e referente a processo que já exige COFINS do mesmo período lançado. Lançamento Procedente em Parte Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 219), em 24/02/2003, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 222/239, em 19/03/2003, em petição dividida nos seguintes itens 1. preliminares de nulidade da decisão de 1ª instância; 2. inclusão indevida de receitas de aluguéis na base tributável da cofins; 3. dos equívocos da decisão: falta de dedução dos valores pagos na PFN. Em Sessão de 15/03/2005, via Resolução nº 20300.603, 2ºCC/3ªCAM, determinouse a conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Conselheiro Relator original, os quais passo a transcrever e grifar: Fl. 523DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 524 4 "Pelo principio da verdade material, o julgador tem o direito e dever de carrear para o processo todos os dados e informações que contribuam para a solução da lide. No caso dos autos, imprescindível se faz, para o alcance de seu fim preestabelecido, a obtenção de respostas conclusivas sobre a ocorrência de possível anterior recolhimento de quantias, que estariam sendo no exercício de 1995, exigidas novamente com multa de oficio. Neste particular, não haveria como solicitar da contribuinte, a restituição de importância paga anteriormente, eis que apenado ficaria com a multa de oficio, bem como, possível decadência. Portanto, pelas razões expostas, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem, a fim de que a mesma, conclusivamente apure e informe a este Colegiado: I se, realmente a empresa já ofereceu antecipadamente â tributação, tal como alegado pela contribuinte em suas defesas (planilha apresentada), as receitas de obras por empreitadas para a base de cálculo da COFINS, nos meses de março, maio e agosto de 1995; II se, a receita oriunda de locação, é decorrente de imóveis próprios ou de terceiros; III se, realmente ocorreu falta de dedução dos valores pagos na PFN, totalizando R$6.955,73. Logo após a conclusão do relatório da diligência, em havendo créditos em favor da recorrente, pertinentes aos valores lançados, deverá ser elaborado o demonstrativo de imputação, com observância As normas de regência, dandose ciência A contribuinte, para que se assim o quiser, manifestese no prazo de 15 dias, sobre as conclusões finais do feito fiscal. Em seguida providenciar o retorno dos autos a esta Câmara." Em atendimento, o RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE DILIGENCIA FISCAL (fls. 352/354), abaixo transcrito e sublinhado: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (Diligência) acima referido, emitido para atender a diligência solicitada pelo Conselho de Contribuintes em relação ao Processo n°. 16707010075/9995 (fls.218/224), estivemos no endereço supra e pudemos EXECUTAR e CONSTATAR o seguinte: a) Em 11/02/2008, foi emitido o MPFD em referência, em meu nome, para emitir informação em Processo Administrativo Fiscal e, posteriormente, foramme repassados outros processos do mesmo contribuinte, também para informação fiscal, após diligências. Esta informação referese, somente, ao Processo Administrativo Fiscal no.16707010075/9895, sobre lançamento relativo a Cofins, de 18/10/1999; b) As informações solicitadas pelo Segundo Conselho de Contribuintes (fls.224) são as seguintes: "I) Se, realmente, a empresa já ofereceu antecipadamente à tributação, tal como alegado pelo contribuinte em suas defesas (planilha apresentada), as receitas de obras por empreitadas para a base de calculo da Cofins nos meses de março, maio e agosto de 1995; II) Se a receita oriunda de locação é decorrente de imóveis próprios ou de terceiros; III) se, realmente, ocorreu falta de dedução dos valores pagos na PFN, totalizando R$ 6.955,73"; em seguida, "em havendo créditos em favor Fl. 524DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 525 5 da recorrente, pertinentes aos valores lançados, deverá ser elaborado o demonstrativo de imputação, com observância das normas de regência, dandose ciência a contribuinte , para que, se assim o quiser, manifestese no prazo de 15(quinze) dias, sobre as conclusões finais do feito fiscal. EM seguida, providenciar o retorno dos autos a esta câmara." c) Em 04/03/2008, foi emitido o Termo de Inicio de Diligência (fls.208) e, paralelamente, efetuadas consultas no Sistema Sinal da SRFB, inclusive dos recolhimentos feitos em 1997 (fls.258/297). d) Foram, ainda, coletadas as receitas da empresa relativas ao AC 1994, a partir dos seus livros contábeis, diretamente na empresa, conforme planilha de fls.242/251; e) Em 17/03/2008, a empresa apresentou sua resposta ao Termo de Inicio de Diligência (fls.209/241), informando, ordenadamente, sobre as situações abaixo elencadas: f) No item I, procedeu a discriminação dos valores contabilizados na conta 415.01.001 Outras receitas operacionais/Receitas de aluguéis, no ano de 1995; g) No item II, elaborou e discorreu sobre Demonstrativo das bases de calculo da Cofins no ano de 1994; h) No item III, laborou sobre o tema Equívocos do lançamento, dividindoo em III.A (da Cobrança Indevida de Multa de 30%), III.B (Calculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento efetuado em 18/05/1995, no montante de R$ 16.957,26), III.C (Cálculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento efetuado em 09/03/95, no montante de R$ 4.207,77) e III.D (Falta de inclusão de recolhimento efetuado em 10/08/95, no valor de R$ 398,81). i) Relativamente ao Item III acima (letra "h"), nada a informar, posto que sobre matéria não solicitada no âmbito da diligência; j) No que se refere ao item I (letra "f" acima), as informações prestadas pelo contribuinte em sua pega de resposta ao Termo Inicial de Diligência (fls.209/211), juntamente com o Demonstrativo das Receitas de Aluguéis (fls. 218.), acredito sejam suficientes para o esclarecimento pontual solicitado, tratandose, segundo a mesma, de locação de imóveis e equipamentos próprios; k) No que tange ao item II (letra "g" acima), cabem maiores considerações, posto que discordantes de teses por ele defendidas no decorrer do processo e não acordes com os valores apurados em sua contabilidade. Senão vejamos: K.I Em sua pega inicial de defesa, no item 2, mormente nos subitens 2.3 e 2.9 (fls.30 e 32), o contribuinte defende a tese de exclusão de tributação dos valores relativos aos saldos de 1994 das contas 23101076, 23101079 e 23101081, totalizando R$ 1.741.381,15, porquanto já tributadas, Fl. 525DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 526 6 equivocadamente, segundo o mesmo, nos meses de 1994, quando teriam ocorrido os fatos geradores e quando foram recebidas as respectivas faturas; K.2 As obras, nos livros contábeis, encontramse registradas como Obra Montreal/Petrobrás (Riacho Forquilha076), Ponte Viaduto João Pessoa (079) e Senado Brasilia (081), com seus valores parciais recebidos consignados no saldo das contas em 1994; K.3 Ocorre que, tanto na planilha apresentada em seu Recurso ao Conselho de Contribuintes, com o titulo de Demonstrativo das receitas mensais e da cofins devida ano de 1994 (fls. 149), quanto na mesma planilha apresentada em sua resposta ao Termo de Inicio de Diligência (fls.219), com o titulo de Demonstrativo das bases de cálculo e da Cofins devida Jan/1994 a dez/1994, tais receitas não constam, como deveria acontecer, caso prosperasse sua tese de recolhimento antecipado; K.4 Ademais, em se confrontando as planilhas de receitas constantes dos livros contábeis da empresa (fls.242/251) com os documentos apresentados pelo contribuinte como Demonstrativos da base de cálculo da Cofins (fls. 149 e fls.219), facilmente ficará perceptível a tributação da Cofins ao termino das obras 75, 70 e 73, em detrimento de sua tese inicial; K.5 Em decorrência, diante dos dados de receitas de 1994 coletados na empresa e de teses conflitantes, foram elaboradas 4(quatro) planilhas diferentes contendo duas diferentes situações defendidas pelo contribuinte (recolhimento antecipado e recolhimento a maior em UFIR) e pela SRF(Recolhimento ao final das obras e receitas de aluguéis tributáveis), com vistas a proporcionar melhor entendimento sobre a tese de pagamento a maior elaborada pelo contribuinte, por haver recolhido em Ufir os tributos devidos (fls.86, 151), com créditos pendentes de resolução a seu favor; K.6 De se observar, por último, nas planilhas ora elaboradas (fls.252/254), que não há uma base de cálculo que se coadune com os valores efetivamente recolhidos (fls.258/275); L. Quanto à derradeira solicitação do conselho (falta de dedução dos valores pagos na PFN, em 1997), há que se informar que, no auto de infração, existem compensações dos valores efetivamente recolhidos naquele ano, junto A PFN, através de parcelamento de Cofins. Assim o demonstra, principalmente, a tabela 1 (fls. 15), onde há uma coluna especifica para subtração de diferenças detectadas no Processo 208749, exatamente o processo citado pelo contribuinte para ser analisado em conjunto com este (fls.36/37). Foram obtidas informações resumidas sobre a inscrição objeto do Processo 10469.208749/9610 (Lis 255/257), ficando claro que os valores compensados na tabela 1 (fls. 15) foram os mesmos objeto da inscrição em divida ativa, só que, equivocadamente, aqueles transformados em UFIR (9.704,57; 398,81; 3.676,05 e 226,86) e, por conseguinte, em valores maiores do que os devidos (6.852,40; 301,66; 2.780,57 e 180,40). O resumo da inscrição informa, também, os pagamentos efetuados, esclarecendo que se tratam dos mesmos valores pleiteados pelo contribuinte (fls.35, 77 e 213), cujos DARFs encontramse consultados às fls 287/291 e 294/297. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 527 7 M. Em não havendo mudanças nas compensações efetuadas, não há que se falar em imputação de novos créditos ao contribuinte, SMJ. Estas as informações fiscais acerca das diligências solicitadas. Em Sessão de 04/02/2011, via Resolução nº 3401000.237, 4ªCAM/1ªTO, determinouse nova conversão do julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Conselheiro Relator anterior, os quais passo a transcrever e grifar: Apontamentos levantados pela contribuinte não foram analisados pelo auditor diligenciante, sob a alegação de que não constava no termo de diligência, porém pelo princípio da verdade material o julgador tem o direito e o dever de carrear para o processo todos os dados e informações que contribuam para a solução da lide, e neste caso existe a necessidade de respostas conclusivas sobre as inexatidões e equívocos levantados pela contribuinte. Portanto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para apurar o seguinte: I – possível cálculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento efetuado em 18.5.95, no montante de R$ 16.957,26; II – possível cálculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento efetuado em 9.3.95 no valor de R$ 4.207,77; III – Possível falta de inclusão de recolhimento efetuado em 10.8.95, no valor de R$ 398,81. Em atendimento, o TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL (fls. 465/466). Em Sessão de 26/02/2014, via Resolução nº 3401000.800, 4ªCAM/1ªTO, determinouse mais uma conversão do presente julgamento em diligência para que fosse a contribuinte devidamente intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência. Em resposta às conclusões da Diligência Fiscal, manifestouse o contribuinte (fls. 493/500), concordando parcialmente a respeito: I DAS INEXATIDÕES MATERIAIS E EQUÍVOCOS, APRECIADOS PELO AUDITOR; aduzindo diversos outros argumentos acerca: II DAS INEXATIDÕES MATERIAIS E EQUÍVOCOS, NÃO APRECIADOS, NEM PELO AUDITOR, NEM PELA DRJ, NEM PELO CARF. EXISTÊNCIA DE CRÉDITOS À COMPENSAR; e reiterando discordância: III DAS BASES DE CÁLCULO DA COFINS. EXCLUSÃO DE "RECEITAS NÃO OPERACIONAIS RECEITAS DE ALUGUÉIS". É o relatório. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 528 8 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de Auto de Infração, lavrado para a constituição de crédito tributário, por falta de recolhimento da COFINS cumulativa, relativa ao período de 01 a 12/1995, com fundamento na LC nº 70/91. Preliminar Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as preliminares suscitadas pela Recorrente. Preliminares de nulidade da decisão de 1ª instância A Recorrente argúi nulidade da decisão de primeira instância, por ofensa ao inciso LV, do art. 5°, da Constituição Federal, e ao art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 PAF; e por não ter sido realizada a diligência requerida. Alegase que o pedido de diligência não foi atendido, afirmando silêncio da autoridade julgadora quanto à omissão da autoridade diligenciante, no tocante ao pronunciamento, de forma clara, sobre os lançamentos contábeis a que se refere a autuada. Com essa omissão, teria ficado caracterizado o prejuízo para a Recorrente, sendo cobrados, em duplicidade, valores da COFINS, conforme explicitado no pedido de diligência, não realizada, restando contrariado o disposto no artigo 28, do Decreto n° 70.235/72, que determina que da decisão "constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligencia ou perícia". Assim, requer seja anulada a decisão da DRJRecife ou decidido o mérito à seu favor, nos termos do artigo 59, do mesmo Decreto n° 70.235/72. Não é preciso muito esforço para perceber que não estamos diante de uma causa preliminar de nulidade, transbordando a discussão para o âmbito das provas que embasaram o auto de infração e a decisão recorrida, questões à serem oportunamente analisadas junto com o próprio mérito da tributação. Inicialmente, importante deixar claro que não houve negativa ao pedido de diligência formulado e que sua alegada não realização à contento não se confunde com a exigência do indeferimento fundamentado a que se refere o artigo 28, do Decreto n° 70.235/72. Além disso, entendo não ter existido omissão da autoridade diligenciante ou do colegiado recorrido na análise dos lançamentos contábeis que comprovariam as ocorrências alegadas, tendo o julgador administrativo a quo desincumbidose do seu ônus de indicar a fundamentação adequada ao deslinde da controvérsia, observadas as peculiaridades do caso concreto, estando a apreciação das provas ao teor do livre convencimento motivado, do art. 29, do Decreto nº 70.235/72. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 529 9 Além disso, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. [...] Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No caso de decisões administrativas fiscais federais, só há nulidade se for proferida por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, II), não importando em nulidade, as irregularidades, incorreções e omissões sanáveis (art. 60), inclusive, quando possível, aplicandose o §3º, do art. 59, do Decreto nº 70.235/72, decidindo o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade. Em equilíbrio com o princípio pas de nullité sans grief não há nulidade sem prejuízo , a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige a comprovação do efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso, onde nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivou de forma concreta a razão do não provimento à impugnação, não ficando caracterizado qualquer prejuízo ao exercício do seu direito de defesa, em relação aos fatos que lhe foram imputados pela acusação fiscal, sobre os quais demonstra pleno conhecimento e apresenta defesa robusta, argüindo nulidades nas questões preliminares, além de questionar detalhadamente o mérito, cujas respectivas provas documentais trazidas aos autos, originalmente pela autuada ou por meio de diligência fiscal, serão analisadas junto com o próprio mérito da tributação, não sendo causa preliminar de nulidade. Mérito Quanto ao mérito, três pontos principais, com alegações sobre a cobrança, em duplicidade, de valores da COFINS, já tributados, no ano de 1994; além de valores já pagos na PFN, relativos a parcelamento de débitos, no ano de 1995; e sobre a inclusão indevida de receitas de aluguéis na base tributável da COFINS. Falta de dedução dos valores pagos na PFN e de valores já tributados A Recorrente requer, nesse ponto do mérito, seja dado provimento ao presente recurso voluntário, para que sejam os 6 (seis) DARFs de pagamentos, entregues à fiscalização, correspondentes à parcelamento de débitos na PFN, totalizando R$ 6.955,73, computados nas deduções da COFINS, alegando que o primeiro diligenciante silenciou a respeito desses créditos e a DRJRecife também nada falou a respeito, aduzindo às razões preliminares de nulidade, se encontrar impossibilitada de exercer seu direito de ampla defesa, considerando não ter sido elaborado QUADRO ANALÍTICO dos créditos utilizados. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 530 10 Sobre essa questão dos valores pagos na PFN, demanda específica, via Resolução nº 20300.603, 2ºCC/3ªCAM, de 15/03/2005, que determinou nova conversão do presente julgamento em diligência, questionando: III se, realmente ocorreu falta de dedução dos valores pagos na PFN, totalizando R$6.955,73. Em resposta, via RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE DILIGENCIA FISCAL (fls. 352/354), verbis: "L. Quanto à derradeira solicitação do conselho (falta de dedução dos valores pagos na PFN, em 1997), há que se informar que, no auto de infração, existem compensações dos valores efetivamente recolhidos naquele ano, junto A PFN, através de parcelamento de Cofins. Assim o demonstra, principalmente, a tabela 1 (fls. 15), onde há uma coluna especifica para subtração de diferenças detectadas no Processo 208749, exatamente o processo citado pelo contribuinte para ser analisado em conjunto com este (fls.36/37). Foram obtidas informações resumidas sobre a inscrição objeto do Processo 10469.208749/9610 (fls. 255/257), ficando claro que os valores compensados na tabela 1 (fls. 15) foram os mesmos objeto da inscrição em divida ativa, só que, equivocadamente, aqueles transformados em UFIR (9.704,57; 398,81; 3.676,05 e 226,86) e, por conseguinte, em valores maiores do que os devidos (6.852,40; 301,66; 2.780,57 e 180,40). O resumo da inscrição informa, também, os pagamentos efetuados, esclarecendo que se tratam dos mesmos valores pleiteados pelo contribuinte (fls.35, 77 e 213), cujos DARFs encontramse consultados às fls 287/291 e 294/297. M. Em não havendo mudanças nas compensações efetuadas, não há que se falar em imputação de novos créditos ao contribuinte, SMJ." Na manifestação sobre a supracitada diligência fiscal (fls. 356/397), não houve protesto da autuada quanto às conclusões alcançadas sobre os valores pagos na PFN, no ano de 1997, via Processo nº 10469.208749/9610, limitandose a Recorrente em tecer comentários anuindo sobre: "...documento da PFN, acostado à fl. 255, que comprova terem sido deduzidos os valores pleiteados..." (fl. 359). Portanto, nesse ponto, acato as conclusões da diligência fiscal, no sentido de não haver mudanças nas compensações efetuadas, não havendo que se falar em imputação de novos créditos ao contribuinte, provenientes de valores pagos na PFN, no ano de 1997, via Processo nº 10469.208749/9610. Sobre a questão dos valores já tributados, outra demanda específica, via Resolução nº 20300.603, 2ºCC/3ªCAM, de 15/03/2005, questionando: I se, realmente a empresa já ofereceu antecipadamente à tributação, tal como alegado pela contribuinte em suas defesas (planilha apresentada), as receitas de obras por empreitadas para a base de cálculo da COFINS, nos meses de março, maio e agosto de 1995. Em resposta, via RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE DILIGENCIA FISCAL (fls. 352/354), verbis: "k) No que tange ao item II (letra "g" acima), cabem maiores considerações, posto que discordantes de teses por ele defendidas no decorrer do processo e não acordes com os valores apurados em sua contabilidade. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 531 11 Senão vejamos: K.1 Em sua pega inicial de defesa, no item 2, mormente nos subitens 2.3 e 2.9 (fls.30 e 32), o contribuinte defende a tese de exclusão de tributação dos valores relativos aos saldos de 1994 das contas 23101076, 23101079 e 23101081, totalizando R$ 1.741.381,15, porquanto já tributadas, equivocadamente, segundo o mesmo, nos meses de 1994, quando teriam ocorrido os fatos geradores e quando foram recebidas as respectivas faturas; K.2 As obras, nos livros contábeis, encontramse registradas como Obra Montreal/Petrobrás (Riacho Forquilha076), Ponte Viaduto João Pessoa (079) e Senado Brasília (081), com seus valores parciais recebidos consignados no saldo das contas em 1994; K.3 Ocorre que, tanto na planilha apresentada em seu Recurso ao Conselho de Contribuintes, com o titulo de Demonstrativo das receitas mensais e da cofins devida ano de 1994 (fls. 149), quanto na mesma planilha apresentada em sua resposta ao Termo de Inicio de Diligência (fls.219), com o titulo de Demonstrativo das bases de cálculo e da Cofins devida Jan/1994 a dez/1994, tais receitas não constam, como deveria acontecer, caso prosperasse sua tese de recolhimento antecipado; K.4 Ademais, em se confrontando as planilhas de receitas constantes dos livros contábeis da empresa (fls.242/251) com os documentos apresentados pelo contribuinte como Demonstrativos da base de cálculo da Cofins (fls. 149 e fls.219), facilmente ficará perceptível a tributação da Cofins ao termino das obras 75, 70 e 73, em detrimento de sua tese inicial; K.5 Em decorrência, diante dos dados de receitas de 1994 coletados na empresa e de teses conflitantes, foram elaboradas 4(quatro) planilhas diferentes contendo duas diferentes situações defendidas pelo contribuinte (recolhimento antecipado e recolhimento a maior em UFIR) e pela SRF(Recolhimento ao final das obras e receitas de aluguéis tributáveis), com vistas a proporcionar melhor entendimento sobre a tese de pagamento a maior elaborada pelo contribuinte, por haver recolhido em Ufir os tributos devidos (fls.86, 151), com créditos pendentes de resolução a seu favor; K.6 De se observar, por último, nas planilhas ora elaboradas (fls.252/254), que não há uma base de cálculo que se coadune com os valores efetivamente recolhidos (fls.258/275); Na sua manifestação sobre diligência fiscal (fls. 356/397), a Recorrente apresentou comentários sobre cada um dos subitens acima transcritos, refutandoos. Quanto ao subitem K.3, contra a afirmação de que as receitas alegadas já tributadas em 1994, não constam das planilhas demonstrativos apresentadas pela contribuinte, como deveria acontecer, caso prosperasse sua tese de recolhimento antecipado, afirma a Recorrente que essas planilhas contêm as bases de cálculo, corretamente apuradas [em obediência à decisão da DRJRecife, de n° 1163, proferida no PROC. N° 10469.003685/9790, que determinou a tributação das obras de curto prazo, somente na sua conclusão, e não no recebimento das faturas (Ver fl. 213, item 10)] e não as bases da época em função das quais a empresa promoveu os recolhimentos. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 532 12 Quanto ao subitem K.4, contra a afirmação de, a partir da confrontação de livros e demonstrativos das bases de cálculo, ser perceptível a tributação da Cofins ao termino das obras, no ano de 1995, contrariando a tese de tributação antecipada em 1994, afirma a Recorrente que a empresa pagou a Cofins, segundo o regime de caixa, existindo uma diferença entre a contabilização das obras e o pagamento da Cofins, novamente justificando que as planilhas por ela apresentadas contêm as bases de cálculo corretamente apuradas, e não as bases da época em função das quais a empresa promoveu os recolhimentos. Quanto ao subitens K.5 e K.6, contra a afirmação que não há uma base de cálculo que se coadune com os valores efetivamente recolhidos, afirma a Recorrente que jamais poderiam se coadunar os valores das três planilhas de nºs II, III e IV (fls. 306/308), elaboradas pelo Auditor Fiscal, com os valores recolhidos, da maneira como pretendeu o nobre Auditor, porquanto seus componentes não refletem os fatos, quando ocorridos, passando à analisar seus conteúdos, limitandose à alegar equívocos dos dados das planilhas/mapas e sua imprestabilidade, concluindo (fl. 376), in verbis: "Dessarte, a empresa deixa de oferecer qualquer comentário sobre o conteúdo dos MAPAS n° II, IÍÍ e IV, bem como sobre as conclusões do Auditor." No que se refere à possibilidade de decidir o mérito, da exclusão da base autuada das receitas alegadas já tributadas em 1994, a favor do sujeito passivo, entendo, no mesmo sentido da decisão recorrida, pela ausência de provas de que tais valores já tenham sido tributados, entendendo necessária uma consolidação dos valores autuados com os valores alegados indevidos, demonstrando e provando (documentação contábil e fiscal) que estariam inclusos em base de cálculo de outro período e na base de cálculo do auto de infração, não tendo a Recorrente trazido nenhuma prova adicional nesse sentido. Notar que não se trata de inversão do ônus da prova. Ao alegar fatos que impediriam o direito do autor da acusação fiscal, a ora Recorrente, atraiu para si, o ônus da prova em relação a tais fatos, a respeito do valor alegado está indevidamente incluso na base de cálculo do auto de infração, submetendose à regra original de distribuição do ônus probatório, nos termos do inciso II, do artigo 373, da Lei nº 13.105/15 (CPC/15)2. Nesse ponto, também, acato as conclusões da diligência fiscal, no sentido de não haver mudanças nas compensações efetuadas, não havendo que se falar em imputação de novos créditos ao contribuinte ou exclusão da base autuada, no ano de 1995, das receitas alegadas já tributadas no ano de 1994. Ainda, sobre a questão dos valores já tributados, nova demanda específica, via Resolução nº 3401000.237, 4ªCAM/1ªTO, de 04/02/2011, que determinou nova conversão do presente julgamento em diligência questionando sobre: I – possível cálculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento efetuado em 18.5.95, no montante de R$ 16.957,26; II – possível cálculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento efetuado em 9.3.95 no valor de R$ 4.207,77; III – Possível falta de inclusão de recolhimento efetuado em 10.8.95, no valor de R$ 398,81. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 533 13 Em resposta, via TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL (fls. 465/466), verbis: "h) Com relação ao item II da diligência solicitada (possível calculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento em 09/03/95 no valor de 4.207,77), o contribuinte reclama na planilha do mês de fevereiro/95, da não compensação de juros de 1%, o que, de fato, não ocorreu, em virtude de não constar do DARF original qualquer pagamento de juros; Conforme exposto pelo próprio contribuinte, o valor total pago em 09/03/95 (4.207,77) foi compensado, parcialmente, em fevereiro/95 (1.240,91) e no mês de março/95 (2.966,87), totalizando o valor do crédito originário;(cópia do DARF em anexo). Não assistiria, pois, razão ao contribuinte, SMJ; i) Com relação ao item I da diligência solicitada (possível cálculo equivocado do crédito relativo ao recolhimento efetuado em 18/05/95, no montante de 16.957,26), o DARF original anexo, realmente, contempla Cofins de 13.675,21, multa moratória de 2.735,04 e juros de 547,01, da forma expressa no item 13.b da resposta do contribuinte. O item 12.1 da decisão registra compensação parcial desse crédito no valor de 2.799,52. As fls. 17, consta uma compensação de R$ 10.848,12 em janeiro, restando um saldo a compensar, portanto, de 2.116,33, não compensado em 1995 nem na Decisão da DRJRecife, conforme demonstra a defendente; Contribuinte tem razão nesse quesito, SMJ; j) Com relação ao item III da diligência solicitada (possível falta de inclusão de recolhimento efetuado em 10/08/95, no valor de R$ 398,81); houve, efetivamente, o recolhimento, conforme DARF anexo. Este valor pago não consta como compensado na decisão de 1ª Instância, tendo razão, a principio, o contribuinte. k) De se informar, por oportuno, erro de soma no item 12.1, cujo total de 26.957,26 deverá ser lido como 16.957,26." Na manifestação sobre a supracitada diligência fiscal (fls. 493/500), a Recorrente, além de arrazoar sobre os três itens diligenciados, alegando atualização monetária como justificativa ao único valor não reconhecido (R$ 29,66), aduziu questões outras que não às objeto da Resolução nº 3401000.237, 4ªCAM/1ªTO, de 04/02/2011, não compactuando o presente Relator com o fundamento desse ato processual (fl. 479) no sentido de que: "...pelo princípio da verdade material o julgador tem o direito e o dever de carrear para o processo todos os dados e informações que contribuam para a solução da lide...", encontrando o julgador administrativo limites nas normas que regem o processo administrativo fiscal federal (Decreto nº 70.235/72, art. 16 e 17), operandose à preclusão quanto às questões e argumentos não levantados desde a impugnação, ainda que denominadas pela Recorrente de simples incorreções corrigíveis a qualquer tempo, apontando, na verdade, demandando nova diligência (5ª), por supostas outras inexatidões matérias e equívocos não apreciados, nem pelo Auditor, nem pela DRJ, nem pelo CARF, não conhecendose, portanto, da matéria sobre a existência de outros créditos à compensar, além dos já exaustivamente avaliados pelo julgado de primeira instância e por meio de quatro diligências fiscais (uma demandada pela DRJ e três pelo CC/CARF, sendo uma para ciência/manifestação) e respectivas manifestações da autuada. Nesse ponto, também, acato as conclusões da diligência fiscal, reconhecendo saldo a compensar de R$2.116,33, não compensado em 1995; falta de inclusão de recolhimento efetuado em 10/08/95, no valor de R$ 398,81; [à ser deduzido do montante apurado em 05/1995 e 08/1995, respectivamente, conforme requerimento da manifestante (fl. 493)]; além de erro de soma no item 12.1, cujo total de 26.957,26 deverá ser lido como 16.957,26. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 16707.010075/9995 Acórdão n.º 3302005.583 S3C3T2 Fl. 534 14 Inclusão indevida de receitas de aluguéis na base tributável da COFINS Sobre essa última questão de receitas de aluguéis, também houve demanda específica, via Resolução nº 20300.603, 2ºCC/3ªCAM, de 15/03/2005, questionando sobre: II se, a receita oriunda de locação, é decorrente de imóveis próprios ou de terceiros. Em resposta, via TERMO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL (fls. 465/466), verbis: "j) No que se refere ao item I (letra "f" acima), as informações prestadas pelo contribuinte em sua pega de resposta ao Termo Inicial de Diligência (fls.209/211), juntamente com o Demonstrativo das Receitas de Aluguéis (fls. 218.), acredito sejam suficientes para o esclarecimento pontual solicitado, tratandose, segundo a mesma, de locação de imóveis e equipamentos próprios;" Nesse ponto, superada a questão fática de tratarse, segundo a própria Recorrente, de locação de imóveis e equipamentos próprios, passase à questão de direito, no que referese à possibilidade de tributação destas receitas. Entendo que, ao se considerar as atividadesfim da Recorrente, as receitas de locação de imóveis e equipamentos próprios, são absolutamente relacionadas com seu objeto social, razão pela qual não merece qualquer reparo à decisão de primeiro grau, no que tange a essa parte do lançamento. Notar que as supracitadas receitas decorrem da atividade empresarial da Recorrente, entre elas (fls. 45/47): “a) Indústria da construção civil em geral; b) Serviços de saneamento em geral; c) Serviços de instalações elétricas em geral; d) Transações imobiliárias em geral, compra e venda de imóveis construídos ou em construção, construção e vendas de unidades habitacionais, incorporação de edificações ou conjunto de edificações inclusive em condomínios e loteamentos de terrenos; e) Prestação de serviços de transporte de cargas em geral; f) Exploração das atividades de hotelaria, tais como: hospedagens, em prédios próprios ou de terceiros, fornecimento de refeições e bebidas em geral para hóspedes e/ou terceiros;”, portanto, claro está que são compatíveis com o conceito de faturamento previsto desde as legislações anteriores, à edição do inconstitucional art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, que instituíram a base de cálculo do PIS e da COFINS como : "o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza" Art. 195, I, 'b', da Constituição Federal, em sua redação original c/c as LC 07/70 e LC 70/91. Assim, qualificandose a percepção de receitas de locação de imóveis e equipamentos próprios, relacionados ao objeto social da pessoa jurídica, como receitas típicas das suas atividades empresarias, o tratamento tributário adequado impõe sua sujeição às contribuições sociais, negandose provimento ao recurso voluntário, nesse particular. Por tudo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, acatando as conclusões da diligência fiscal, reconhecendo saldo a compensar de R$2.116,33, não compensado em 1995; falta de inclusão de recolhimento efetuado em 10/08/95, no valor de R$398,81; além de erro de soma no item 12.1, cujo total de R$26.957,26 deverá ser lido como R$16.957,26. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 534DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.934787/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Rodolfo Tsuboi e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 34 78 7/ 20 09 -1 9 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.934787/200919 Resolução nº 3301000.663 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório de Cofins por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da Cofins. Argumenta que tal dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da Cofins.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de Cofins prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/ 01”. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.934787/200919 Resolução nº 3301000.663 S3C3T1 Fl. 4 3 No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a restituição e homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão da DRJ, foi interposto recurso voluntário repisando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.653, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934785/200920, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.653): "A teor do relatado, a discussão no presente processo trata da isenção a ser aplicada as instituições de educação e sem fins lucrativos, previsto no art. 14, X da MP 2.15835/2001. Consultando os autos não é possível identificar quais são as receitas que a Recorrente considerou como isentas para justificar o seu direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.15835/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. " Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10980.934787/200919 Resolução nº 3301000.663 S3C3T1 Fl. 5 4 Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem intime a Recorrente para que no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar de forma pormenorizada quais são as receitas que aplicou a isenção prevista no art. 14, X da MP 2.158 35/2001. A Unidade de Origem, se julgar necessário, poderá manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. Concluída a diligência, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.721238/2015-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2014
BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM.
A banheira dotada de dispositivos para hidromassagem classifica-se no código NCM 90.19.10.00.
AQUECEDOR DE ÁGUA PARA BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM.
O aquecedor de água para banheira de hidromassagem classifica-se no código NCM 85.16.10.00.
CONTROLADOR DO AQUECEDOR DE ÁGUA PARA BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM.
O controlador do aquecedor de água para banheira de hidromassagem classifica-se no código NCM 90.32.89.82.
A classificação fiscal desse produto leva a código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela contribuinte, quanto do indicado pela fiscalização via lançamento. Posto que a classificação fiscal é determinante da alíquota aplicável, a qual, calculada sobre a base de cálculo, determina o montante de tributo devido, não se limita à disponibilidade das partes, tratando-se de matéria de ordem pública, não precluindo portanto. Em sendo a classificação fiscal elemento determinante da obrigação tributária, deve ser anulada a autuação, por vício material, com relação a esse item.
BOTÃO TOUCH DO AQUECEDOR DE ÁGUA PARA BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM.
O botão touch do aquecedor de água para banheira de hidromassagem classifica-se no código NCM 85.36.50.90.
A classificação fiscal desse produto leva a código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela contribuinte, quanto do indicado pela fiscalização via lançamento. Posto que a classificação fiscal é determinante da alíquota aplicável, a qual, calculada sobre a base de cálculo, determina o montante de tributo devido, não se limita à disponibilidade das partes, tratando-se de matéria de ordem pública, não precluindo portanto. Em sendo a classificação fiscal elemento determinante da obrigação tributária, deve ser anulada a autuação, por vício material, com relação a esse item.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-004.644
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário e declarar nula a autuação, por vício material, quanto ao "controlador do aquecedor" e ao "botão "touch" do aquecedor", nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira, apenas quanto à aplicação da decadência na reescrita fiscal do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2014 BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM. A banheira dotada de dispositivos para hidromassagem classificase no código NCM 90.19.10.00. AQUECEDOR DE ÁGUA PARA BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM. O aquecedor de água para banheira de hidromassagem classificase no código NCM 85.16.10.00. CONTROLADOR DO AQUECEDOR DE ÁGUA PARA BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM. O controlador do aquecedor de água para banheira de hidromassagem classificase no código NCM 90.32.89.82. A classificação fiscal desse produto leva a código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela contribuinte, quanto do indicado pela fiscalização via lançamento. Posto que a classificação fiscal é determinante da alíquota aplicável, a qual, calculada sobre a base de cálculo, determina o montante de tributo devido, não se limita à disponibilidade das partes, tratandose de matéria de ordem pública, não precluindo portanto. Em sendo a classificação fiscal elemento determinante da obrigação tributária, deve ser anulada a autuação, por vício material, com relação a esse item. BOTÃO “TOUCH” DO AQUECEDOR DE ÁGUA PARA BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 12 38 /2 01 5- 45 Fl. 1802DF CARF MF 2 O botão “touch” do aquecedor de água para banheira de hidromassagem classificase no código NCM 85.36.50.90. A classificação fiscal desse produto leva a código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela contribuinte, quanto do indicado pela fiscalização via lançamento. Posto que a classificação fiscal é determinante da alíquota aplicável, a qual, calculada sobre a base de cálculo, determina o montante de tributo devido, não se limita à disponibilidade das partes, tratandose de matéria de ordem pública, não precluindo portanto. Em sendo a classificação fiscal elemento determinante da obrigação tributária, deve ser anulada a autuação, por vício material, com relação a esse item. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário e declarar nula a autuação, por vício material, quanto ao "controlador do aquecedor" e ao "botão "touch" do aquecedor", nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Divergiu o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira, apenas quanto à aplicação da decadência na reescrita fiscal do contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1465.238, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto. Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.803 3 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: AUTO DE INFRAÇÃO Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002), aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002, e no RIPI/2010, aprovado pelo Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010, consoante capitulação legal indicada às fls. 05/06, foi lavrado o auto de infração à fl. 02, em 22/04/2015, para exigir [...] de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), [...] de juros de mora calculados até 30/04/2015, [...]de multa proporcional ao valor do imposto e [...] de multa referente ao imposto não lançado com cobertura de créditos, o que representa o crédito tributário total consolidado de [...]. FATOS E INFRAÇÕES Na descrição dos fatos (fls. 03/06), que remete ao relatório de fiscalização (fls. 39/58), a autoridade fiscal constatou a falta de lançamento do imposto em virtude da utilização de classificação fiscal inadequada e conseqüente erro de alíquota no que concerne aos seguintes produtos: banheiras equipadas com dispositivos de hidromassagem (banheiras, ofurôs e banheiras “spas” – maiores, para uso em ambientes abertos), sendo adotadas a classificação fiscal NCM 3922.10.00 e a alíquota zero; aquecedores para banheira (NCM 8516.10.00 Ex 01, sem destaque do IPI nas notas fiscais) e partes (controlador do aquecedor, NCM 8536.50.90, sem destaque do IPI nas notas fiscais; e botão “touch” do aquecedor, NCM 3922.90.00, alíquota zero). A empresa industrializa as banheiras equipadas com sistemas de hidromassagem e os aquecedores de água utilizados nessas banheiras, sendo que os demais equipamentos são apenas revendidos. Também são produzidas pelo sujeito passivo banheiras de simples imersão, em menor escala. Posição e respectivo texto correspondentes à classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo, conforme a TIPI/2011: 39.22 (Banheiras, boxes para chuveiros, pias, lavatórios, bidês, sanitários e seus assentos e tampas, caixas de descarga e artigos semelhantes para usos sanitários e higiênicos, de plásticos). É incorreta a classificação fiscal adotada para as banheiras dotadas de dispositivos de hidromassagem (NCM 3922.10.00), pois, conforme a Regra Geral de Interpretação nº 1 (RGI/SH1) e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH) referentes ao Capítulo 90 e à posição 9019, a classificação fiscal aplicável é 9019.10.00, com alíquota de 8%. NESH Capítulo 90 “2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 acima, as partes e acessórios para máquinas, aparelhos, instrumentos ou outros Fl. 1804DF CARF MF 4 artefatos do presente Capítulo, classificamse de acordo com as seguintes regras: a) As partes e acessórios que consistam em artefatos compreendidos em qualquer das posições do presente Capítulo ou dos Capítulos 84, 85 ou 91 (exceto as posições 84.87, 85.48 ou 90.33) classificamse nas respectivas posições, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem; b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina, instrumento ou aparelho determinados, ou a várias máquinas, instrumentos ou aparelhos, compreendidos numa mesma posição (mesmo nas posições 90.10, 90.13 ou 90.31), as partes e acessórios que não sejam os considerados na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a essa ou a essas máquinas, instrumentos ou aparelhos; c) As outras partes e acessórios classificamse na posição 90.33. (15%)”(negritos do original e sublinhas meus) NESH Posição 9019 II – APARELHOS DE MASSAGEM “Os aparelhos de massagem (do abdômen, pés, pernas, costas, braços, mãos, rosto, etc.) operam geralmente por fricção, vibração, etc. Estes aparelhos podem ser acionados manualmente ou por motor ou ainda ser dos tipos eletromecânicos em que o motor se encontra incorporado ao dispositivo de trabalho (aparelhos para massagens vibratórias, por exemplo). Estes últimos aparelhos, especialmente, podem conter elementos intercambiáveis (de borracha, na maioria das vezes) para aplicações muito variadas (escovas, esponjas, discos lisos ou com pontas, etc.). Este grupo compreende também os simples rolos de borracha e os dispositivos semelhantes, bem como os aparelhos de hidromassagem para massagem de todo corpo ou apenas de certas regiões por jatos de água ou por uma mistura de água e ar sob pressão. Como exemplo destes aparelhos, podem citarse as banheiras borbulhantes apresentadas completas com bombas, turbinas ou sopradores, dutos, caixa de comando e acessórios; os aparelhos para massagens dos seios que utilizam a ação da água, distribuída por pequenas tubuladuras circulando no interior de um recipiente apropriado, que se adapta à forma do seio, sob pressão da água transportada por conduto flexível”. (destaques do original) A posição 90.19 é desdobrada da seguinte maneira: “9019.10 – Aparelhos de mecanoterapia; aparelhos de massagem; aparelhos de psicotécnica. 9019.20 Aparelhos de ozonoterapia, de oxigenoterapia, de aerossolterapia, aparelhos respiratórios de reanimação e outros aparelhos de terapia respiratória”. Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.804 5 Os produtos em questão são enquadrados como aparelhos de massagem no código NCM 9019.10.00, alíquota de 8%, sendo aplicáveis as RGI/SH nº 1 e nº 6 em função dos textos de posição (90.19) e subposição (9019.10, sem desdobramento em itens, ou seja, com o item único 9019.10.00). As saídas com notas fiscais com erros de classificação fiscal e de alíquota estão discriminadas nos seguintes demonstrativos: “Relatório de notas fiscais de saída eletrônicas 2009 e 2010 sem destaque de IPI– produto banheiras com dispositivo de hidromassagem” (fls. 118/266) e “Relatório de notas fiscais de saída eletrônicas 2011 a 2014 sem destaque de IPI – produto banheiras com dispositivo de hidromassagem” (fls. 268/658). Os valores das bases de cálculo e dos débitos apurados de IPI estão consignados no “Demonstrativo das diferenças de IPI apuradas nas saídas de banheiras de hidromassagem” (fls. 45/47 e 64). No tocante ao aquecedor de água e suas partes destinados à utilização em banheiras de hidromassagem, sem destaque de IPI nas notas fiscais eletrônicas de saídas, há o seguinte no relatório fiscal: “15. De acordo com a NESH do capítulo 90 (onde estão classificadas as banheiras com dispositivo de hidromassagem) reproduzida no item IV.a, as partes e acessórios que consistam em artefatos compreendidos em qualquer das posições do citado Capítulo 90 ou dos Capítulos 84, 85 ou 91 (exceto as posições 84.87, 85.48 ou 90.33) classificamse nas respectivas posições, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem. Ou seja, ainda que os aquecedores de água e suas partes (no caso controlador do aquecedor) se destinem a utilização em banheiras de hidromassagem, estes produtos serão classificados na posição 8516.10.00 (aquecedores – alíquota de 20%) e 8536.50.90 (controlador do aquecedor –alíquota de 15%). Estas são, conforme já visto, as classificações também adotadas pelo contribuinte. 16. Ainda em relação as saídas de aquecedores industrializados pelo contribuinte, utilizados nas banheiras, o mesmo declarou que o IPI não incidiria por se enquadrar na Ex 01 – “Chuveiros Elétricos”, da posição 8516.10.00, por ter o citado aquecedor função semelhante a chuveiro elétrico. Tal entendimento é rechaçado pela fiscalização, afinal o benefício fiscal é concedido de maneira objetiva e a interpretação deve ser literal (art. 111 do Código Tributário Nacional), e a Ex 01 restringese claramente ao produto Chuveiro Elétrico, sendo desnecessário entrar em detalhes acerca das características de um chuveiro elétrico. Desta forma, as saídas sem tributação pelo IPI de aquecedores de água para banheiras foram tributadas pela fiscalização em 20%. 17. No que tange ao produto Controlador do Aquecedor, o contribuinte informa que além de ter classificado o mesmo na NCM 8536.50.90, o teria tributado a alíquota de 15%, o que não procede em Fl. 1806DF CARF MF 6 relação as notas fiscais eletrônicas listadas no demonstrativo elaborado pela fiscalização, sendo desta forma tributadas em 15% de IPI. Exemplificativamente, alguns DANFE’s correspondentes as notas eletrônicas contendo saídas de controlador de aquecedor não tributadas foram anexados ao processo. 18. Finalmente, nas saídas do produto botão “touch” do aquecedor, onde o contribuinte usou a NCM 3922.90.00, alíquota zero, que corresponde a partes de banheiras de simples imersão, sem dispositivos de hidromassagem, a fiscalização considerou estes itens como partes de banheiras providas de sistemas de hidromassagem, NCM 9033.00.00, com alíquota de 15% ”.(g.m.) Em resumo, são as seguintes as classificações fiscais do aquecedor de água e suas partes: Aquecedor de água para banheira de hidromassagem: NCM 8516.10.00, alíquota de 20%; Controlador do aquecedor de água para banheira de hidromassagem: NCM 8536.50.90, alíquota de 15%; Botão “touch” do aquecedor de água para banheira de hidromassagem: NCM 9033.00.00, alíquota de 15%. As saídas com notas fiscais com erros de classificação fiscal e de alíquota estão discriminadas no seguinte demonstrativo: “Relatório de notas fiscais de saída eletrônicas 2009 a 2014 sem destaque de IPI – aquecedor para banheira, controlador e botão touch do aquecedor” (fls. 66/116). Os valores das bases de cálculo e dos débitos apurados de IPI estão consignados no “Demonstrativo das diferenças de IPI apuradas nas saídas de aquecedores e suas partes” (fls. 49/50 e 62). Às fls. 51/53 encontrase a planilha de consolidação das diferenças de IPI apuradas quanto aos produtos (aquecedores e suas partes, banheiras com dispositivo de hidromassagem). *** Em razão dos débitos apurados, foi encetada a reconstituição da escrita fiscal quanto ao período objeto de lançamento de ofício (maio de 2010 a dezembro de 2014),consoante as planilhas às fls. 26/37. Da reconstituição da escrita fiscal resultou a apuração da multa sobre IPI não lançado com cobertura de crédito (demonstrativo às fls. 20/21). O lançamento de ofício dos saldos devedores do imposto derivados da reconstituição da escrita fiscal alcança apenas o mês de maio de 2010 e os seguintes (até dezembro de 2014) em razão da decadência em relação aos períodos anteriores. Contudo, da análise das notas fiscais eletrônicas, a falta de destaque do imposto (R$ 532.011,72) no período transcorrido de abril de 2009 a abril de 2010 anula totalmente o saldo credor acumulado no mesmo período (R$ 204.196,56). Conforme o quadro demonstrativo inserto à fl. 55, a partir de outubro de 2009 os saldos mensais da escrita fiscal reconstituída passam a ser devedores. Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.805 7 O montante do saldo credor relativo a abril de 2010, R$ 204.196,56, transportado para o mês subseqüente como saldo credor do período anterior, é comprovadamente inexistente e, portanto, foi glosado (infração 0002: “CRÉDITOS INDEVIDOS – SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR INDEVIDO”, fl. 05). Assim expende a autoridade fiscal: “É pacífico o entendimento em matéria de legislação tributária que a glosa de créditos sem comprovação de sua origem será realizada a qualquer tempo pela autoridade fiscal, pois o fato gerador do tributo não foi corretamente demonstrado no momento do creditamento. O uso indevido, sem comprovação, do crédito é que gera consequências tributárias, pois ao usálo deixase de pagar o tributo devido, ocorrendo o prazo decadencial apenas para o lançamento de crédito tributário decorrente desta glosa. Como dito, este entendimento está pacificado no âmbito da RFB, pois o direito ao crédito deve ser passível de comprovação e demonstrado com base na documentação e realidade dos fatos, e no caso presente, está comprovado pela fiscalização, a partir das infrações apuradas com base nas notas fiscais eletrônicas emitidas pelo contribuinte (erro de classificação fiscal e de alíquota de IPI), que o saldo credor acumulado e utilizado pelo contribuinte não tem procedência”. Sendo o caso de apuração exclusiva de saldos devedores com a reconstituição da escrita fiscal no período de maio de 2010 a dezembro de 2014, os créditos informados nos PER/DCOMP transmitidos de 2011 a 2014 são inexistentes. Segundo o relatório fiscal: “Concluise então que os saldos de créditos de IPI utilizados pelo contribuinte nos PERDCOMP’s, transmitidos ao longo dos anos de 2011 a 2014, são irreais, apurandose, ao contrário, saldos devedores em todos os períodos quando considerados os débitos levantados pela fiscalização. Desta forma, os créditos indevidamente utilizados nas compensações já homologadas serão objeto de lançamento de ofício juntamente com os débitos apurados pelas infrações praticadas, via reconstituição dos saldos dos livros de apuração do IPI. Por outro lado, os créditos estornados pelo contribuinte nos livros de apuração do IPI referentes aos PERDCOMP’s transmitidos a partir de 2013, relativos a créditos de IPI apurados a partir do 1º trimestre/2013 e ainda não homologados, serão desconsiderados na reconstituição da escrita em razão da propositura pela fiscalização do indeferimento das compensações por inexistência dos créditos”.(g.m.) CIÊNCIA E IMPUGNAÇÃO Fl. 1808DF CARF MF 8 O sujeito passivo foi cientificado da exigência fiscal em 28/04/2015, por via postal (AR à fl. 1.226). Insubmissa, a contribuinte apresentou, em 28/05/2015, a impugnação às fls. 1.230/1.268, subscrita pelo representante legal da pessoa jurídica que consta da alteração de contrato social (fls. 1.271/1.276), em que destaca a tempestividade da impugnação e sustenta, em síntese, que: 1) Na emissão do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal, em 16/12/2014, o período de análise estava demarcado para 11/2011 a 12/2013; na data da autuação, com todos os levantamentos já executados, houve a extensão do período: 05/2010 a 12/2010 e 01/2014 a 12/2014; o período ampliado não tem a cobertura legal do TDPF, o que macula todo o procedimento fiscal; 2) Sobre a classificação fiscal adotada para o produto principal: “Desde a origem da empresa, a autuada utilizou a classificação fiscal 39.22.10.00 (banheiras, boxes para chuveiros, pias, lavatórios, sanitários e seus assentos e tampas, caixas de descarga e artigos semelhantes para usos sanitários ou higiênicos) para a tributação pelo Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, do seu produto banheira de hidromassagem, sem que em nenhuma outra oportunidade tivesse sido questionada pelas autoridades tributárias, ou muito menos acusada de erro na classificação do produto, para a formulação de exigência de imposto apurado à maior. Solicitada a apresentar cópias de consultas, processos ou questionamentos sobre a classificação, pelo autor da autuação, a empresa respondeu que nada tinha a apresentar, exatamente porque jamais teve dúvida da correção do enquadramento na classificação fiscal do seu produto, além de nunca ter havido qualquer contestação, acerca da mesma, pelas autoridades tributárias. Importante ressaltar que, para o Imposto sobre Produtos Industrializados, a alíquota da posição utilizada pela autuada sempre foi superior àquela pretendida pela fiscalização (90.19.10.00), apenas há alguns anos a alíquota foi reduzida a 0% (zero por cento), por força de legislação federal que beneficiou os produtos utilizados na construção civil, como é o caso das banheiras e demais artigos da posição 39.22”. 3) Quanto à metodologia utilizada pela autoridade fiscal na determinação da classificação fiscal aplicável: a denominação do próprio autor no relatório fiscal para o produto, “banheira equipada com equipamento de hidromassagem”, revelase em desacordo com o texto da NESH, no qual nem há alusão ao vocábulo “banheira”: “aparelhos de hidromassagem para massagem de todo corpo ...”; em caráter informativo, há a reprodução na peça impugnatória de peça de publicidade de aparelho de massagem (fl. 1.240), sendo, portanto, grande a diferença entre aparelhos de massagem e as banheiras produzidas pela impugnante; a conclusão da autoridade fiscal acerca da classificação fiscal do produto mostrase sem sentido e desprovida Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.806 9 de encadeamento lógico e que até mesmo transcende o “pressuposto da boa fé”; 4) No procedimento de classificação fiscal há prevalência e precedência das Regras Gerais para interpretação (RGI), das Regras Gerais Complementares (RGC) e das Notas Complementares (NC), integrantes da TIPI, sobre qualquer outra norma legal; a autoridade fiscal, de modo arbitrário e ilegal, iniciou o exame da classificação fiscal pelas NESH, tendo encontrado uma referência a artefato que entendeu como semelhante ao da posição 9019 em virtude da denominação “II Aparelhos de massagem”, fazendo apenas menção às normas do art. 16 do RIPI/2010, sem analisálas, sendo as NESH “elementos subsidiários”; assim, o procedimento fiscal é maculado de forma irreparável à vista da ilegalidade da argumentação; 5) Acerca das Regras Gerais para Interpretação e as características essenciais das banheiras: “Ao contrário da maneira que o ilustre Auditor Fiscal utilizou para obter a classificação fiscal, o exame das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado RGIs, se faz partir da RGI 1, que fala claramente que a classificação para efeitos legais e feita por esta e pelas regras seguintes, seguindo os textos das posições, notas de seções e capítulos que não contrariem os textos das posições e Notas. A RGI2 a) normatiza que, a referencia em uma posição a um determinado artigo o inclui mesmo completo ou inacabado, desde que apresente as características essenciais do artigo completo ou acabado, da mesma forma mesmo se desmontado ou por montar. Aqui cabe perguntar se a banheira de hidromassagem não possui as características essenciais da posição 39.22 (Banheiras, boxes para chuveiros, pias, lavatórios, bidés, sanitários e seus assentos e tampas, caixas de 'descarga e artigos semelhantes para usos sanitários e higiênicos, de plástico), onde é estaria a essência do produto na banheira ou no equipamento de hidromassagem? Ora, é claro que a banheira é o principal no conjunto, o equipamento eletrohidráulico de massagem é acessório, ele só teria importância se a banheira não fosse de uso domiciliar, sanitário, ou seja relativo à saúde e à higiene e ao quarto de banho, mas sim de finalidade terapêutica. Quando o usuário vai utilizar a banheira de hidromassagem ele vai banharse, vai fazer sua higiene diária, não vai fazer massagem terapêutica, essa teria que ter propósito de aliviar dores ou incômodos que não estão presentes no cotidiano das pessoas saudáveis”.(destaques do original) Um exemplo de banho terapêutico é aquele realizado com a banheira especial para Stangerbad (banho hidroelétrico ou banho três quartos Fl. 1810DF CARF MF 10 hidrelétrico, fl. 1.245), mediante o uso de corrente elétrica. Outro exemplo é o banho de turbilhão para fisioterapia do corpo todo (fl. 1.246) realizado em uma banheira de aço inoxidável. Tratase de equipamentos para uso exclusivo em consultórios e clínicas médicas e hospitais, para os quais as respectivas fabricação e comercialização devem ser aprovadas pela ANVISA, sendo patente a diferença entre a banheira de hidromassagem domiciliar e as banheiras de uso terapêutico: [...] 6) Os itens de reposição (aquecedor, controlador aquecedor e botão “touch” aquecedor) apresentam considerável discrepância quanto aos códigos de classificação fiscal adotados pela empresa, apontados no auto de infração e os corretos, uma vez que as denominações utilizadas têm mero efeito de marketing e comercialização, tendo sido as respectivas reproduções fotográficas (fls. 1.256/1.257) repassadas à fiscalização em resposta a intimação. Detalhamentos na peça impugnatória: “O conjunto da fig. 1 inclui os três itens anteriormente mencionados, o que se chama de motobomba com aquecedor sendo, na verdade, o corpo da motobomba centrífuga com o e aquecedor acoplado, que são montados em bloco, podendo ser constituído, este conjunto, quando não há necessidade do aquecedor, apenas pela motobomba centrífuga. Dependendo da ligação hidráulica da residência, se ela tem água quente central ou não, o conjunto pode ou não conter o aquecedor, o que confere ao aquecedor, claramente, a característica de ser um equipamento acessório e não o principal, no caso a bomba, que caracteriza o conjunto. A fig. 2 mostra o produto que, nas notas fiscais de venda da autuada, se denomina AQUECEDOR ACOPLADO, que é o aquecedor pronto e montado no mesmo corpo da bomba centrífuga, sendo por isso chamado de acoplado, mostrando sua dependência ao conjunto moto bomba e aquecedor. O conjunto chamado de CONTROLADOR DO AQUECEDOR é composto de sensor termoelétrico automático de controle da temperatura (aparelho de controle de temperatura) da água e termo elemento de segurança, promovendo a regulação e o controle da temperatura, automaticamente, tratase da caixa retangular da foto que tem na parte inferior um tubo com sensor que é montado no corpo do aquecedor. O produto chamado de BOTÃO TOUCH AQUECEDOR, de fato, é um interruptor eletrônico, com comando que liga e desliga o conjunto e regula a temperatura desejada, constituindo um sistema de comando da partida do conjunto moto bomba aquecedor. Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.807 11 Colocados esses esclarecimentos vamos explicar a classificação fiscal de cada um dos três subconjuntos. I) O conjunto moto bomba com ou sem o aquecedor acoplado classificase na posição 8513.70.80 Outras bombas, ou moto bombas centrífugas, de vazão inferior ou igual a 300 l/min, porque sua vazão é inferior a 300 l/min, de acordo com as notas 3 e 5 da Seção XVI, abaixo: Seção XVI MÁQUINAS E APARELHOS, MATERIAL ELÉTRICO, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS Notas. 3. Salvo disposições em contrário, as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto. 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação "máquinas" compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. Não existe dúvida que a função principal no conjunto considerado é a da bomba, ou motobomba centrífuga, que caracteriza a função principal deste conjunto, sendo que a função de aquecimento, podendo ser ou não incorporada a este conjunto, pode tornarse dispensável ou secundária, por exemplo, se o sistema de abastecimento de água fornecer a água já aquecida, por exemplo através de um aquecedor de água, central ou de passagem, externo ao conjunto em lide. II) O subconjunto denominado CONTROLADOR DO AQUECEDOR, é na verdade, o sistema que faz o regulagem da temperatura do aquecedor, controlando para que esta permaneça no nível desejado e garantindo a segurança em caso de pane elétrica ou elevação excessiva do calor. Sua classificação é textual na posição 9032.89.82, como se mostra na tabela abaixo. 90.32 Instrumentos e aparelhos para regulação ou controle, automáticos. 9032.10 Termostatos Fl. 1812DF CARF MF 12 9032.10.10 De expansão de fluidos 15 9032.10.90 Outros 15 III) No que se refere ao BOTÃO TOUCH AQUECEDOR, a observação da fotografia do conjunto mostra que é essa a parte do conjunto que liga e desliga o conjunto e regula a temperatura desejada garantindo a segurança do usuário que, molhado, estaria sujeito à descarga elétrica se o interruptor fosse simplesmente um interruptor elétrico. O botão, chamado TOUCH, é um interruptor elétrico, de comando pneumático. O seu acionamento é de comando eletrônico, comandando o relê, que liga e desliga o conjunto, o qual encontrase inserido na caixa vermelha do controlador do aquecedor, emitindo também sinal eletrônico para a regulagem da temperatura desejada para a água. A classificação desse equipamento fazse pela posição 8536.50.90, Outros interruptores, seccionadores e comutadores, mediante a aplicação das mesmas Notas 3 e 5 da Seção XVI, reproduzidas no item I) supra, porque a função principal do equipamento está na de interruptor elétrico. Como foi mencionado anteriormente o ilustre Auditor Fiscal, autor do procedimento fiscal recebeu, além dos catálogos da empresa autuada, diversas fotos que mostram esses produtos, contudo não viu nessas informações nenhum elemento favorável, afirmando que a empresa em sua defesa apenas alegou que esses produtos destinaram se à reposição. O autuante errou de forma grosseira a classificação fiscal dos produtos de reposição, considerandoos como aquecedor e partes do aquecedor, que no seu entendimento se classificariam nas posições 8516.10.00 e 8516.90.00, sem atentar para o fato que o aquecedor em questão é parte indissociável do conjunto moto bomba aquecedor, cuja função principal é de bombeamento do líquido, classificandose na posição 84.13. Poderia ser admitido o erro, se o autuante não tivesse recebido fotos do equipamento, as quais lhe permitiram pedir esclarecimentos complementares, preferiu não fazêlo e autuar de forma equivocada a impugnante também neste caso, exigindo novamente tributo não devido com visível excesso e incúria das suas atribuições legais”.(destaques do original) 7) O saldo credor acumulado de R$ 204.196,56 em 04/2010 foi glosado pela fiscalização em virtude da recomposição do saldo de IPI, da qual resultou um saldo devedor de R$ 532.011,72 em 04/2010; os créditos de períodos anteriores a 05/2010 foram glosados sem respaldo legal, tendo em vista a decadência cujo prazo é de 5 anos a contar da data do fato gerador (CTN, art. 150, § 4º); Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.808 13 [...] Conclui o sujeito passivo a peça impugnatória da seguinte maneira: [...] Por fim, requer que a impugnação seja recebida e, pelas razões de fato e de direito apresentadas, considerado improcedente o lançamento de IPI e as multas aplicadas. O citado acórdão decidiu pela improcedência da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2014 BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM. A banheira dotada de dispositivos para hidromassagem classificase no código NCM 9019.10.00. AQUECEDOR DE ÁGUA PARA BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM. O aquecedor de água para banheira de hidromassagem classificase no código NCM 8516.10.00. CONTROLADOR DO AQUECEDOR DE ÁGUA PARA BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM. O controlador do aquecedor de água para banheira de hidromassagem classificase no código NCM 8536.50.90. BOTÃO “TOUCH” DO AQUECEDOR DE ÁGUA PARA BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM. O botão “touch” do aquecedor de água para banheira de hidromassagem classificase no código NCM 9033.00.00. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2014 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FALTA DE LANÇAMENTO. Cobrase o imposto não lançado nas notas fiscais de saída em virtude de erro de classificação fiscal e alíquota. GLOSA DE CRÉDITO. SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR. Glosase o saldo credor de período anterior caracterizado como indevido e não abrangido pela decadência tributária. Fl. 1814DF CARF MF 14 MULTA DE OFÍCIO. Na hipótese de falta de destaque do imposto nas notas fiscais de saída, com ou sem cobertura de créditos na reconstituição da escrita fiscal, cobrase a penalidade pecuniária prevista na legislação tributária. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2014 NULIDADE. IRREGULARIDADES. TDPF. Inexiste nulidade em virtude de alegadas irregularidades na emissão de TDPF, mesmo porque houve as corretas prorrogação de prazos para conclusão e inclusão de períodos fiscalizados; de todo modo, o TDPF constitui mero instrumento de controle administrativo, sendo o lançamento tributário atividade plenamente vinculada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/05/2010 a 31/12/2014 DECADÊNCIA. GLOSA DE SALDO CREDOR. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na hipótese de falta de antecipação de pagamento, como ocorre com saldo credor passível de glosa. Desta decisão, a contribuinte foi cientificada pelos correios, com aviso de recebimento (AR) (fl. 1376), no qual consta como data mais recente 12/04/2017. Em 15/05/2017, há solicitação de juntada de recurso voluntário, datado de 12/05/2017 (fl. 102). Em sessão de 17/04/2018 desta Turma de Julgamento, o presente processo foi retirado de pauta, a pedido do contribuinte, em virtude da localização de documento novo a ser juntado nos autos. A contribuinte, em 27/04/2018, protocolou petição pela juntada de documentos, "de maneira a comprovar a tempestividade do Recurso Voluntário", quais sejam: Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.809 15 Em seu recurso voluntário, a contribuinte repete parte dos argumentos postos em impugnação, alegando, em síntese: preliminarmente, a nulidade dos atos da fiscalização, posto que esta fez ampliar os períodos sob exame sem amparo em Mandado de Procedimento Fiscal; e, no mérito; defende determinadas classificações fiscais para a "banheira equipada com dispositivos de hidromassagem" e o "aquecedor para banheira"; além de combater glosa de saldo credor levado a cabo pela fiscalização. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 1816DF CARF MF 16 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. Com a relatada juntada de documentos, considero que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Preliminar A recorrente aduz a nulidade dos atos da fiscalização, posto que: o que a fiscalização fez foi ampliar seus exames para os períodos de 05/2010 a 12/2010 e 01/2014 a 12/2014, sem suporte no MPF – Mandado de Procedimento Fiscal, formalmente notificado ao contribuinte no sitio eletrônico da SRF, o qual trouxe no seu contexto apenas os períodos sob fiscalização de 01/2011 a 12/2013, estendendo ilegalmente seu campo de ação. E entende que houve intempestiva inclusão de períodos de fiscalização: Essa situação perdurou até a data de 22/04/2015, mesma data de lavratura da autuação, ocasião em que a fiscalização promoveu a inclusão dos períodos não cobertos pelo TDPF, certamente porque o sistema de processamento de dados não aceitaria emitir autuação para períodos que não constavam do Ora, na mesma linha que trilhou o acórdão recorrido, entendo que, ainda que vícios houvessem na emissão do MPF, este é "mero instrumento interno da Receita Federal do Brasil destinado ao controle e ao planejamento das atividades fiscalizatórias" e que irregularidades em sua emissão não são suficientes para se anular o lançamento ", como já decidiu Câmara Superior deste Conselho (CARF, 3ª Turma, CSRF, Ac. 9303005.852, de 17/10/2017, rel. Conselheiro Demes Brito). Ainda que a recorrente não a tenha posto como preliminar, assim trato a questão da glosa de R$204.196,56, valor que foi transportado para o mês subseqüente como saldo credor do acumulado até o período anterior a maio de 2010, para o qual a fiscalização observou a decadência do direito de lançar o IPI. A recorrente aduz que nem a autuação, nem o acórdão recorrido, observaram a legislação que rege o IPI, em particular o art. 183, parágrafo único e III, do Decreto 7.212/10, regra específica de decadência: "considerase pagamento"[...] "a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher". Tal regra, ainda que possibilitasse defender a tese de antecipação de pagamento, em nada afeta a autuação, posto que a decadência, qualquer que seja a regra aplicável, limita tão somente o lançamento, nada prevendo a respeito de procedimentos de creditamento ou de recomposição de escrita fiscal. Assim já decidiu este CARF: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.810 17 GLOSA. SALDOS CREDORES. ANOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.A atividade de glosar créditos aproveitados pelo contribuinte, mas por ele não comprovados, faz parte da tarefa da autoridade administrativa de correta quantificação do valor do tributo devido no período fiscalizado, em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN.As normas veiculadas pelos arts. 150, § 4º do CTN e 173 do CTN determinam hipóteses de extinção do crédito tributário pelo decurso de prazo para o Fisco constituí lo. A vedação desses dispositivos restringese à constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício, não atingindo a atividade obrigatória de apuração do imposto devido no período fiscalizado quando este não esteja abrangido pela decadência.Inexiste qualquer norma legal que vede a fiscalização de glosar créditos não comprovados pela contribuinte no período de apuração sob análise, ainda que a título de saldos credores de períodos anteriores. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3402005.139, de 18/04/2018, redatora designada Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula). A recorrente ainda alega ter havido "extrapolação das funções inerentes ao cargo de AFRFB", posto que " só depois de convalidada sua autuação, e mantido o crédito tributário lançado, é que poderia ser feita a recomposição do saldo credor ou devedor do IPI do contribuinte". Não é assim. A reescrita fiscal é procedimento que completa a atividade de lançamento, para fins de manter a integridade da contabilidade ante a divergências identificadas pelo fisco e fica também sujeita a reexame pelos julgadores administrativo. Assim voto por negar provimento ao recurso voluntário, quanto às preliminares. Mérito A classificação das mercadorias, mediante "a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul" (NCM) "será feita com observância das Regras Gerais para "Interpretação (RGIs), "das Regras Gerais Complementares" (RGCs) "e das Notas Complementares" (NCs) "e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), "da Organização Mundial das Aduanas" (NESH) (art. 94, parágrafo único do RA/09, com base no DecretoLei 1.154/71, art. 3º, caput). É o que será feito. Banheira equipada com dispositivos de hidromassagem (ou banheira de hidromassagem ) Fl. 1818DF CARF MF 18 Pela RGI 1 do SH, a classificação de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Na posição 39.22, pretendida pela contribuinte classificamse as "banheiras". Já na posição 90.19 classificamse os "aparelhos de massagem", posição cujo descrição contempla perfeitamente o produto: é "aparelho" e faz "massagem". A NESH, elemento de informação subsidiário, para essa posição, corrobora tal conclusão: ...bem como os aparelhos de hidromassagem para massagem de todo corpo ou apenas de certas regiões por jatos de água ou por uma mistura de água e ar sob pressão. Como exemplo destes aparelhos, podem citarse as banheiras borbulhantes apresentadas completas com bombas, turbinas ou sopradores, dutos, caixa de comando e acessórios; os aparelhos para massagens dos seios que utilizam a ação da água, distribuída por pequenas tubuladuras circulando no interior de um recipiente apropriado, que se adapta à forma do seio, sob pressão da água transportada por conduto flexível”. (destaques do original) A posição 90.19 apresenta apenas duas subposições: 9019.10 – Aparelhos de mecanoterapia; aparelhos de massagem; aparelhos de psicotécnica. 9019.20 Aparelhos de ozonoterapia, de oxigenoterapia, de aerossolterapia, aparelhos respiratórios de reanimação e outros aparelhos de terapia respiratória. Pela RGI 6, a classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, enquadrandose os produtos em questão na primeira das acima, aparelhos de massagem que são. Tal subposição não se desdobra em itens e subitens, o que determina a classificação da "banheira equipada com dispositivos de hidromassagem" na NCM código 90.19.10.00. Assim, procede a classificação da autuação, mantida pelo acórdão recorrido. Não assiste razão à contribuinte, quando defende a classificação 39.22.10.00 ("Banheiras", "Outros"). Constrói a recorrente diferenciação entre as posições em pauta: Os produtos anteriormente elencados, da posição 90.19, são comercializados por fabricantes especializados em produtos médicohospitalares ou por empresas comerciais que se dedicam a suprir clinicas e hospitais de equipamentos de uso terapêutico, os quais, como bens de capital, serão agregados ao Ativo Imobilizado das mesmas, enquanto que as banheiras de hidromassagem de forma bem diferente não são oferecidas por essas empresas e sim por empresas que comercializam materiais de construção. Sendo, de bens de consumo, a característica das banheiras de hidromassagem, jamais poderiam ser consideradas bens de capital, pelo fato de serem agregadas aos imóveis residenciais, portanto utilizadas na construção civil de casas e apartamentos desaparecendo como equipamento autônomo, passando a ser parte integrante da obra. [...] Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.811 19 Essa exposição mostra a clara diferença entre uma e outra posição, 90.19 e 39.22, a primeira agrega produtos terapêuticos enquanto a segunda agrega materiais de construção, firmando de forma definitiva as características dos produtos da primeira e da segunda posições. Diz que, na NCM – Nomenclatura Comum do Mercosul/ TEC Tarifa Externa Comum, há benefício fiscal "BK" ou seja relativo a bem de capital, para a posição 9019.10.00. E prossegue: Ao analisar o texto das NESH – Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, reproduzido na sequência, na posição 39.22 encontramos mais um texto que se aplica plenamente às “BANHEIRAS DE HIDROMASSAGEM”, quando afirmam a NESH que: “A presente posição abrange os artigos concebidos para serem fixados com caráter de permanência nas casas, etc., estando geralmente ligados às redes de abastecimento e de esgoto das águas. ”, convalidando a classificação nessa posição. No texto da impugnação apresentada ressaltouse a finalidade da BANHEIRA DE HIDROMASSAGEM, como sendo destinada: “ ao banho diário relaxante, sem fins terapêuticos apenas higiênicos e sanitários.”. Não se deixou de mencionar na impugnação que: “... uma banheira de uso domiciliar só encontra seus artigos semelhantes dentro do espaço físico do banheiro ou sala de banho das residências, encontrandose integrada e até fixada no ambiente como as louças sanitárias e o box para chuveiro, da posição 39.22.” (Grifos do original). Ora, se os produtos são do tipo destinados a residências, se há benefício para bem de capital ou se são fixadas com caráter de permanência, pouco importa para a classificação fiscal, no presente caso, dado que as RGIs, RGCs e a NESH já bem determinam a NCM, aliás como lembra, no início na seção II.2, o recurso voluntário. A recorrente socorrese da RGI 2, a qual determina que, o artigo incompleto ou inacabado com as características essenciais do completo ou acabado classificase como este último. Afirma que a característica essencial é ser "banheira", "sendo claramente acessória a função de hidromassagem". Desnecessário adentrar nessa discussão. O produto não é incompleto ou inacabado e a classificação na posição 90.19 se deu pela RGI 1, o que afasta o emprego das regras subsequentes, inclusive as RGI 3 e 4, como ventila a recorrente. Aliás, desconsidero as afirmações do acórdão recorrido quanto a questão da essencialidade, inclusive as reproduzidas pela recorrente. Tal questão sequer é mencionada no Relatório Fiscal que lastreia a autuação. A recorrente também informa que "a posição 90.19 sempre teve alíquota do IPI inferior à posição 39.22" e que "apenas com a desoneração tributária dada aos materiais de construção é que a posição 39.22 passou a ser mais favorável que a 90.19", com o advento do Decreto nº 6890/2009. A questão tarifária não afeta a classificação, nem deveria. Fl. 1820DF CARF MF 20 A recorrente diz que "a Secretaria da Receita Federal, na sua área Aduaneira classifica o produto em discussão no código 3922.10.00, com alíquota de 18%". Para demonstrálo, não traz nada além da alíquota do II maior para esta NCM e o extrato de declaração de importação na qual ela, a PRETTY GLASS, classifica o produto na dita posição. Diz ampararse em laudos técnicos de fisioterapeutas habilitados. Tais peças tratam, entre outras, da questão da característica essencial, o qual foi desconsiderada no presente voto, pelos argumentos já delineados. Ademais, há de se ter em mente que o julgador apreciará a prova constante dos autos conjugado todos os seus elementos (NCPC, artigos 371 e 489, § 3º), não estando adstrito à perícia. Aquecedor para banheira Pela mesma RGI 1, o "aquecedor para banheira" classificase na posição 85.16, a qual inclui "aquecedores elétricos de água, incluindo os de imersão". Sendo artefato com posição no capítulo 85, classificase neste posição, ainda que se destine à utilização nas banheiras de hidromassagem do capítulo 90. É o que estabelece a NESH para o capítulo 90 (regra também constante como nota da TIPI para o mesmo do capítulo 85): 2. [...] a) As partes e acessórios que consistam em artefatos compreendidos em qualquer das posições do presente Capítulo ou dos Capítulos 84, 85 ou 91 (exceto as posições 84.87, 85.48 ou 90.33) classificamse nas respectivas posições, quaisquer que sejam as máquinas, aparelhos ou instrumentos a que se destinem; b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina, instrumento ou aparelho determinados, ou a várias máquinas, instrumentos ou aparelhos, compreendidos numa mesma posição (mesmo nas posições 90.10, 90.13 ou 90.31), as partes e acessórios que não sejam os considerados na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a essa ou a essas máquinas, instrumentos ou aparelhos; (Grifouse). Pela RGC 1 do SH, as RGIs "se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente. Dentre as subposições da posição 85.16 e respectivos subitens, o 85.16.10.00, que tem como descrição a mesma pinçada da posição em comento, "aquecedores elétricos de água, incluindo os de imersão" é a eleita pela RGI 6 e RGC 1: Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.812 21 Embora seja esta a classificação adotada pela contribuinte, ela se utiliza do "Ex 01 Chuveiro elétrico", totalmente incabível para " aquecedor para banheira". Mantenho, pois, o relatado entendimento da fiscalização: 16. Ainda em relação as saídas de aquecedores industrializados pelo contribuinte, utilizados nas banheiras, o mesmo declarou que o IPI não incidiria por se enquadrar na Ex 01 – “Chuveiros Elétricos”, da posição 8516.10.00, por ter o citado aquecedor função semelhante a chuveiro elétrico. Tal entendimento é rechaçado pela fiscalização, afinal o benefício fiscal é concedido de maneira objetiva e a interpretação deve ser literal (art. 111 do Código Tributário Nacional), e a Ex 01 restringese claramente ao produto Chuveiro Elétrico, sendo desnecessário entrar em detalhes acerca das características de um chuveiro elétrico. Desta forma, as saídas sem tributação pelo IPI de aquecedores de água para banheiras foram tributadas pela fiscalização em 20%. Alega a recorrente, que o aquecedor em questão é "parte acessória da bomba, servindo apenas para ser acoplado à mesma, compondo um único conjunto". E como tal, deveria ter tratamento de "parte do conjunto moto bomba aquecedor sendo ao código correto 84.13.91.90 Outras partes de bombas, com alíquota de 5%.", ainda que apresentado em separado. Ressaltese que, na impugnação, defende outra classificação, 8513.70.80 Outras bombas ou motobombas centrífugas, [...], ao passo que, originalmente, adotou a mesma classificação defendida pelo acórdão recorrido. Combate a utilização da nota 2, "a" no caso do item em pauta, por entender que este " não é um artefato contido no código 8516.10.00, o mesmo não é um aquecedor na acepção geral do termo, mas sim um acessório, parte de um conjunto ao qual se identifica como exclusivamente destinado, compondo o conjunto moto bomba aquecedor, remetendose à nota 2.b da Seção XVI, da NCM". Discordo. É aquecedor, considerado individualmente e, no caso, é comercializado como item de reposição. A nota 2, "a", do Capítulo 90 fala em "as partes e acessórios que consistam em artefatos", ou seja, o fato de compor, ser parte ou acessório de outras "máquinas, aparelhos ou instrumentos", já considera o artefato como acessório ou parte. A nota 2, "b", da Seção XVI, da NCM, trazida pela recorrente, quando analisada em conjunto com alínea "a", verificase inaplicável ao item em foco, posto que este encontra abrigo no capítulo 85: 2. [...] a) As partes que constituam artigos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; Fl. 1822DF CARF MF 22 b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artigos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; Controlador do aquecedor O "Controlador de aquecedor" foi originalmente classificado pela contribuinte como 8536.50.90 ("Aparelhos para interrupção, seccionamento, proteção, derivação, ligação ou conexão de circuitos elétricos [...]", "Outros interruptores, seccionadores e comutadores", "Outros"), com o que concordou a autuação e o acórdão de piso, baseandose aquela no que segue: 17. No que tange ao produto Controlador do Aquecedor, o contribuinte informa que além de ter classificado o mesmo na NCM 8536.50.90, o teria tributado a alíquota de 15%, o que não procede em relação as notas fiscais eletrônicas listadas no demonstrativo elaborado pela fiscalização, sendo desta forma tributadas em 15% de IPI. Exemplificativamente, alguns DANFE’s correspondentes as notas eletrônicas contendo saídas de controlador de aquecedor não tributadas foram anexados ao processo. A impugnação defendeu classificação diversa da que praticava a contribuinte, 9032.89.82 ("Instrumentos e aparelhos para regulação ou controle, automáticos", "Termostatos", "Outros") calandose sobre o item o recurso voluntário. Ainda assim, persiste este relator na busca da correta classificação. Da impugnação consta que: O conjunto chamado de CONTROLADOR DO AQUECEDOR é composto de sensor termoelétrico automático de controle da temperatura (aparelho de controle de temperatura) da água e termo elemento de segurança, promovendo a regulação e o controle da temperatura, automaticamente, trata se da caixa retangular da foto que tem na parte inferior um tubo com sensor que é montado no corpo do aquecedor. [...] O subconjunto denominado CONTROLADOR DO AQUECEDOR, é na verdade, o sistema que faz o regulagem da temperatura do aquecedor, controlando para que esta permaneça no nível desejado e garantindo a segurança em caso de pane elétrica ou elevação excessiva do calor. Pela descrição acima, é claro para esse julgador tratarse de controlador com funções termostáticas, inserindose, pelas RGI 1, 6 e RGC 1, na posição 90.32.89.82. Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 11020.721238/201545 Acórdão n.º 3301004.644 S3C3T1 Fl. 1.813 23 O "controlador de aquecedor" não cabe na posição 85.36, em não sendo em interruptor, seccionador ou comutadores, na acepção da NESH respectiva: Estes aparelhos possuem essencialmente um dispositivo que se destina a abrir ou fechar os circuitos em que se intercalam (interruptores e seccionadores), ou ainda a substituir um circuito ou um sistema de circuitos por um outro (comutadores). E assim, novamente, sendo artefato de posição do capítulo 85, classificase neste posição, ainda que se destine à utilização na "banheira de hidromassagem". Assim, a classificação fiscal desse produto leva a código NCM diverso, tanto daquele utilizado pela contribuinte, quanto do indicado pela fiscalização via lançamento. Posto que a classificação fiscal é determinante da alíquota aplicável, a qual, calculada sobre a base de cálculo, determina o montante de tributo devido, não se limita à disponibilidades das partes, tratandose de matéria de ordem pública, não precluindo portanto. Em sendo a classificação fiscal elemento determinante da obrigação tributária, deve ser anulada a autuação, por vício material, na linha do que já decidiu a Câmara Superior deste CARF (3ª Turma, Ac. 9303 005.501, de 15/08/2017, redator designado Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), com respeito a esse item. Botão “touch” do aquecedor Já o "botão “touch” do aquecedor", este foi classificado pela contribuinte no subitem 39.22.90.00 ("Banheiras", "Outros"), a alíquota zero de IPI, e pela fiscalização como 90.33.00.00 ("Partes e acessórios não especificados nem compreendidos noutras posições do presente Capítulo, para máquinas, aparelhos, instrumentos ou artigos do Capítulo 90"), alíquota 15%, o que fora mantido pelo acórdão recorrido. A impugnação defendeu classificação diversa da que praticava a contribuinte, 85.36.50.90, mais uma vez nada afirmando sobre o item o recurso voluntário. Ainda assim, persegue este relator a correta classificação. Entendo que o botão, mesmo “touch”, do aquecedor é um interruptor, nos termos da NESH referente a posição 85.36, pela RGI 1: A) Interruptores. A gama de interruptores da presente posição se estende desde os pequenos interruptores para aparelhos de rádio, instrumentos elétricos, etc., até os interruptores de baixa tensão, para instalações domésticas, por exemplo (interruptores de básculas, interruptores de alavanca, rotativos, de pera, de botão, etc.) e aos interruptores de aplicação industrial tais como os interruptores de limite de carga, os combinadores de cames, os micro interruptores, os detectores de proximidade. Fl. 1824DF CARF MF 24 E assim, novamente, sendo artefato de posição do capítulo 85, classificase neste posição, ainda que se destine à utilização na "banheira de hidromassagem". E, em sendo interruptor, pela RGI 6 e RGC 1, classificase no NCM código 85.36.50.90 ("Interruptores Comutadores", "Outros"), por não se enquadrar nos demais, tributado em 15% para o IPI. Assim, novamente, a classificação fiscal desse produto leva a código NCM diverso, tanto daquele adotado pela contribuinte, quanto do constante da autuação. Tratase de matéria de ordem pública, devendo ser anulada a autuação por vício material, com relação a esse item. Assim, no mérito também voto por negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário e declarar nula a autuação, por vício material, quanto ao "controlador do aquecedor" e ao "botão "touch" do aquecedor". Na eventual execução do julgado conforme o voto, pela via da consequencia, devese proceder ao refazimento da escrita e à verificação de seus efeitos, inclusive sobre o saldo credor ora glosado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 1825DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723889/2015-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Ação Fiscal realizada no estabelecimento 96.198.239/000278 da empresa VIP INDUSTRIA E COMERCIO DE CAIXAS E PAPELAO ONDULADO LTDA, com o objetivo de verificar a incompatibilidade existente entre os valores do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI apurados pela autoridade fiscal através das Notas Fiscais Eletrônicas (NFe) e os débitos declarados pelo contribuinte na DCTF (Relatório Fiscal às fls. 134 a 145). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 23 88 9/ 20 15 -5 3 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11065.723889/201553 Resolução nº 3402001.383 S3C4T2 Fl. 290 2 A Ação Fiscal resultou na lavratura de Auto de Infração pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS, para cobrança de crédito tributário referente a diferença de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, multa de ofício majorada e juros moratórios. A autorização para abertura de procedimento fiscal em outra jurisdição foi autorizada pelo CoordenadorGeral de Fiscalização através da Ordem de Serviço Cofis n.37, de 01/04/2015 (fls.53). A recorrente foi autuada em face da infração capitulada no artigo 24, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10), e nos arts. 181, 183, 186, §§ 2º e 3º, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, 383, 459, 460, 477, e parágrafo único, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10), pela suposta falta de declaração e recolhimento dos saldos devedores de IPI, apurados nas saídas de produtos industrializados, nos anos de 2011 e 2012 (Auto de Infração às fls. 125 a 133). A autoridade fiscal alega que foram apuradas divergências entre os débitos declarados à Fazenda e os valores levantados através de notas fiscais eletrônicas (NFe), as quais foram reiteradamente apontadas para a contribuinte, que optou por não apresentar qualquer elemento probatório que lhe fosse favorável. Foram lavrados os seguintes termos de intimação, com a informação da diferença apurada pela autoridade fiscal, sem resposta satisfatória do contribuinte: TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO FISCAL N° 01 (fls. 5 a 9); TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL N° 02 (fls. 22 a 25); TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL N° 03 (fls. 38 a 39); TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL N° 04 (fls. 43 a 45); e TERMO DE CONSTATAÇÃO E REINTIMAÇÃO FISCAL N° 05 (fls. 56 a 58). A fiscalização, diante da negativa da contribuinte em apresentar o livro RAIPI e demais respostas solicitadas para averiguar as divergências no âmbito do IPI, apurou os saldos do imposto conforme dados das notas fiscais eletrônicas (NFe) encontradas no ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital Sped, e demonstrado no Relatório Fiscal (fls.141 a 142). Cientificada da lavratura do Auto de Infração, a ora recorrente apresentou sua impugnação, contestando o lançamento efetuado com as seguintes alegações (Impugnação às fls. 152 a 208): (i) vício material, pela ausência de motivação do Auto de Infração, pela dificuldade na execução de procedimento fiscal em jurisdição distinta, pela reapuração e não arbitramento de valores devidos, e pela ausência de demonstração do procedimento utilizado e composição do montante autuado; (ii) irregularidade na apuração da base de cálculo do IPI, divergentes dos critérios determinados pela legislação; (iii) não ocorrência de embaraço à fiscalização em Novo Hamburgo; e (iv) ilegalidade das multas impostas A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), em sessão de julgamento ocorrida em 13 de maio de 2016, considerou improcedente a impugnação apresentada, com a lavratura do Acórdão 0959.692, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fl. 215): Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11065.723889/201553 Resolução nº 3402001.383 S3C4T2 Fl. 291 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL. VALIDADE. Constatada a validade do TDPF por meio do código de acesso fornecido ao contribuinte, cumpre ao intimado fornecer as informações exigidas pelo Fisco sob pena de agravamento da pena básica por inadimplemento do imposto, nos termos do §2º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INADIMPLEMENTO. CONFRONTO ENTRE NOTAS FISCAIS E DCTF. LEGITIMIDADE ASSEGURADA. Legítimo, para apuração do imposto devido e possíveis inadimplementos, o procedimento de confronto comparativo entre as notas fiscais registradas no ambiente SPED e as DCTFs transmitidas pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário em 22/06/2016 (fls. 234 a 277), com as seguintes alegações: (i) Em preliminar, a decadência; (ii) no mérito, vício material, pela ausência de motivação do Auto de Infração, pela dificuldade na execução de procedimento fiscal em jurisdição distinta, pela reapuração e não arbitramento de valores devidos, e pela ausência de demonstração do procedimento utilizado e composição do montante autuado; (iii) irregularidade na apuração da base de cálculo do IPI, divergentes dos critérios determinados pela legislação; (iv) não ocorrência de embaraço à fiscalização em Novo Hamburgo; e (v) ilegalidade das multas impostas O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11065.723889/201553 Resolução nº 3402001.383 S3C4T2 Fl. 292 4 Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A recorrente alega, no tópico II.2. “Da formação da base de cálculo do IPI: dos critérios determinados pela legislação”, irregularidade na apuração da base de cálculo do IPI, divergentes dos critérios determinados pela legislação, especialmente quanto a não consideração dos créditos do imposto relativos às entradas. Assim alega a recorrente: “Portanto, ao levar em conta para a apuração do IPI com base apenas nas NFe, o Auditor Fiscal deixou de considerar os créditos do referido imposto, possíveis e permitidos pela legislação, o que altera substancialmente a base de cálculo a qual o Auditor Fiscal chegou. [...] Além disso, e ainda pertinente ao aludido artigo 226 do RIPI, o Auditor Fiscal deixou de considera o imposto recolhido na nacionalização do insumo importado, onde a legislação assegura aos contribuintes o direito de creditar se do imposto pago no desembaraço aduaneiro.” Consta do Relatório Fiscal a seguinte informação (fl.141): “Diante da negativa da contribuinte em apresentar o livro RAIPI e demais respostas solicitadas para averiguar as vultosas divergências no âmbito do IPI, coube à Fiscalização apurar os saldos do imposto conforme dados das notas fiscais eletrônicas (NFe) encontradas no ambiente do Sistema Público de Escrituração Digital Sped. A partir das notas emitidas pela fiscalizada e por empresas fornecedoras desta, foi possível apurar os seguintes saldos: Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11065.723889/201553 Resolução nº 3402001.383 S3C4T2 Fl. 293 5 Consta também no Relatório Fiscal a seguinte informação (fls.135): O valor das saídas encontrase discriminado na planilha às fls.119 a 124. Entretanto, não identificamos a base de cálculo e a fonte dos valores das entradas, que totalizaram R$77.483,62 conforme tabela 3.1 do Relatório Fiscal. Os valores das entradas da referida tabela também são divergentes daquele apresentado na Tabela 03 do mesmo relatório. Dessa forma, com base nos documentos acostados no processo não é possível aferir os valores das entradas de IPI no período e apurar a veracidade da alegação da Recorrente quanto a não consideração dos créditos relativos a entradas e aqueles pagos no desembaraço aduaneiro. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora apresente demonstrativo individualizado para cada estabelecimento, discriminando a fonte dos valores considerados na coluna “b” da Tabela 3.1 do Relatório Fiscal (fls. 141) por período de apuração, manifestandose se foram considerados no demonstrativo os créditos decorrentes de entradas do mercado interno, do desembaraço aduaneiro e das devoluções de vendas. Anexar, ainda, cópia do comprovante de ciência do Acórdão de Impugnação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.914322/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.495
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.914320/2010-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PRESCRIÇÃO. Recorrente AUTO PECAS PORTO EIXO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 43 22 /2 01 0- 11 Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.914322/201011 Acórdão n.º 3302005.495 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese: · Em preliminar, a falta de eficácia da intimação e sua validade, acarretando nulidade da notificação do despacho decisório; · No mérito, a Inconstitucionalidade das disposições da Lei n 9.718/98, sobre a COFINS e dos DecretosLei 2.445/98 e 2.449/98 quanto ao PIS; · Sobre a prescrição, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente; · Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. A decisão de primeira instância foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16034.845. Após ciência ao acórdão de primeira instância, apresentou recurso voluntário , em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.914322/201011 Acórdão n.º 3302005.495 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.493, de 24 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.914320/201014, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.493): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência1, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio 1 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.914322/201011 Acórdão n.º 3302005.495 S3C3T2 Fl. 5 4 fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazê lo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.914322/201011 Acórdão n.º 3302005.495 S3C3T2 Fl. 6 5 ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.914322/201011 Acórdão n.º 3302005.495 S3C3T2 Fl. 7 6 pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725499/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2011
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/11/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/11/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 54 99 /2 01 2- 19 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13811.725499/201219 Acórdão n.º 3201003.971 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.442, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13811.725499/201219 Acórdão n.º 3201003.971 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13811.725499/201219 Acórdão n.º 3201003.971 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13811.725499/201219 Acórdão n.º 3201003.971 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 80DF CARF MF
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