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Numero do processo: 15983.000920/2007-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa de ofício dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa de ofício nos lançamentos correlatos.
Numero da decisão: 9202-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Redator-Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, a aplicação da multa mais benéfica ao contribuinte deve se efetivar pela comparação entre o valor da multa de ofício dos autos com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa de ofício nos lançamentos correlatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad (Relator), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 09 20 /2 00 7- 63 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – RedatorDesignado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15983.000920/200763 Acórdão n.º 9202002.845 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Em face de Embraps Empresa Brasileira de Prestação de Serviços S/C, foi lavrado Auto de Infração de fls. 01/33, em razão da não inclusão nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) da totalidade dos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme TEAF de fls. 30/31, para os mesmos períodos envolvidos foi lavrada NFLD para lançamento das diferenças de contribuição previdenciária (mais multa e juros), formalizada em outro processo. A Quarta Câmara da Segunda Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2402001.695, que se encontra às fls. 74/86 e cuja ementa é a seguinte: “OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, determinou a aplicação ao caso da multa do art. 32A da Lei 8.212/1991 em decorrência do comando do art. 106, II do CTN. Intimada do v. acórdao em 23/05/2011, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 90/95) em 24/05/2011, sustentando divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos n° 20601.782 e 240100.127, os quais consignam que o dispositivo legal a ser aplicado é o artigo 35A da Lei 8.212/1991 e não o artigo 32A da referida lei. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 386/2011, de 11/07/2011 (fls. 98/100). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte deixou de apresentar contrarrazões (fls. 102/103) É o Relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica dos autos, o recurso foi interposto em razão da divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 20601.782 e 240100.127. Os acórdãos paradigma encontramse assim ementados: "CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32,1V, § 5°E ARTIGO 41 DA LEI N° 8.212/91 C/C ARTIGO 284, H DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N° 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP CORESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS MULTA RETROATIVIDADE A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autodeinfração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do art. 32, IV, § 50 da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999: "informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)", A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela empresa Incentive House é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A fiscalização previdenciária não atribui responsabilidade direta aos sócios, pelo contrário, apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Se assim não o fosse, estaríamos falando de uma empresa pessoa jurídica, com capacidade de pensar e agir. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte." (AC 20601.782) “OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP – Guia de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15983.000920/200763 Acórdão n.º 9202002.845 CSRFT2 Fl. 4 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINSITRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – APLICAÇÃO. Na superveniência de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN.” (AC 240100.127) Tal se constata no exame do seguinte trecho do acórdão paradigma n. 2401 00.127: “(...) Asseverese que todas as contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio das notificações já mencionadas e, a meu ver, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32a, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso das notificações conexas e já julgadas, prevalecerem os valores de multa aplicados nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, o qual previa uma multa máxima de cinquenta por cento, ou seja, inferior ao percentual de setenta e cinco por cento estabelecido pela nova regra. Assim, para evitar o bis in idem, o cálculo da multa deve ser efetuado pela aplicação do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, excluindose os valores das multas lançadas nas notificações correspondentes. (...)” Verifico, nos acórdãos paradigmas, que eles determinaram a aplicação, em situações semelhantes às dos presentes autos, do previsto no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (e não do art. 32A como fez o acórdão recorrido). Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Entendo que com o advento da Lei n. 11.941/2009 a multa pelo descumprimento de dever de apresentar corretamente a GFIP passou, por força da irretroatividade benigna, a ser regida pelo artigo 32A da Lei n. 8.212/1991, e não mais pelo antigo parágrafo 5º, assistindo razão à Recorrente. Tal entendimento se aplica ainda que tenha havido, como no caso presente, exigência de contribuição previdenciária formalizada em NFLD relativa ao mesmo período. Neste diapasão, não compartilho do entendimento que passei a denominar de “cesta de multas”, segundo o qual a multa por descumprimento de obrigação acessória, lançada no presente auto de infração, deveria ser somada à multa por falta de recolhimento da Fl. 131DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 contribuição, lançada na NFLD, para fins de comparação coma multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n. 9.430. Transcrevo a seguir o voto vencedor do I. Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, nos autos do Processo nº 36378.002129/200615, cujos fundamentos adoto, verbis: “A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituem violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Isso é inquestionável. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, entendo que a penalidade para tal infração, a qual até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Pareceme ser escorreito afirmar que a DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do Fl. 132DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15983.000920/200763 Acórdão n.º 9202002.845 CSRFT2 Fl. 5 7 decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Diante do exposto, na parte não atingida pela decadência, voto no sentido de que se calcule a penalidade devida pela contribuinte de acordo com a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91.” Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Recorrente para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 133DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Designado Com todo respeito ao nobre relator, divirjo de seu entendimento. Como bem salientado nos autos, ocorreu alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, com o surgimento do Art. 35A na Lei 8.212/1991. O Código Tributário Nacional (CTN) determina aplicação retroativa da Lei. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Antes da alteração legislativa os sujeitos passivos – em caso de descumprimentos de obrigações acessória e principal – eram punidos com duas multas de ofício. Com a mudança da legislação, descumprimentos de obrigações acessória e principal acarretam a penalidade em uma multa de ofício. Portanto, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual – que possui padrão único de 75 % (setenta e cinco por cento) – pode ser mais benéfico para a recorrente, em comparação as multas de ofício aplicadas antes da alteração legislativa. Conseqüentemente, para tanto, devese comparar a multa de ofício constante dos autos com a resultante do cálculo da multa de ofício expressa no I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzidas as multas de of´cio aplicadas nos lançamentos correlatos e caso seja mais benéfico à recorrente utilizar esse valor, como solicitado pela recorrente. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15983.000920/200763 Acórdão n.º 9202002.845 CSRFT2 Fl. 6 9 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em DAR PROVIMENTO ao recurso da Procuradoria, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 135DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalment e em 09/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10925.900923/2008-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 09 23 /2 00 8- 51 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marciel Eder Costa e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Tratase da Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 38093.12469.111104.1.3.04 8043 (fls.95/99), transmitida em 11/11/2004, por meio da qual o contribuinte pretende compensar débitos de Cofins (código de receita: 5856) e PIS (código de receita: 6912) referentes ao período de apuração: setembro/2004, vencimento: 15/10/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 30/04/2004, Data de Arrecadação: 31/05/2004, Valor: R$ 3.692,71). Por intermédio do despacho decisório de fl.06, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignado com o referido decisório, o contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu fato gerador de IRPJ, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.073, de 30 de junho de 2011 (fls.106/107). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 02/09/2011 (Aviso de RecebimentoAR), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 28/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente conclui que, restando comprovado nos documentos acostados aos autos que houve recolhimento de tributos sem a ocorrência do fato gerador da obrigação, tais valores hão de ser declarados de direito da recorrente, para ser deferido o pedido de compensação protocolado, sob pena de se perpetuar o enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Este colegiado, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.281, de 06/08/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900923/200851 Acórdão n.º 1802002.106 S1TE02 Fl. 3 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Joaçaba/SC, após a diligência efetuada elaborou Informação Fiscal conclusiva para a análise cientificada ao sujeito passivo em 23/10/2013, conforme Aviso de Recebimento (AR). Transcorrido o prazo legal sem a manifestação do interessado, os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802000.281, de 06/08/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 38093.12469.111104.1.3.04 8043 (fls.95/99), transmitido em 11/11/2004, por meio do qual o contribuinte pretende compensar débitos de Cofins (código de receita: 5856) e PIS (código de receita: 6912) referentes ao período de apuração: setembro/2004, vencimento: 15/10/2004, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 30/04/2004, Data de Arrecadação: 31/05/2004, Valor: R$ 3.692,71). Conforme relatado, pelo despacho decisório de fl.06, emitido em 09/05/2008, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor do contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 16/06/2008 (fls.01/05), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 0725.073, de 30 de junho de 2011 (fls.106/107) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. O Recorrente em 29/05/2008, após a expedição do despacho decisório de 09/05/2008, cientificado ao contribuinte em 21/05/2008 (fl.103) e, antes de apresentar a manifestação de inconformidade (16/06/2008), retificou a DCTF do 2º trimestre Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 de 2004 (fl.08) na qual altera para “zero”, o débito do IRPJ – estimativa mensal. relativo ao mencionado trimestre. A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade e repisada no recurso voluntário é que, no ano calendário de 2004 apurou prejuízo, razão pela qual não ocorreu o fato gerador de IRPJ, e qualquer pagamento a este titulo é indevido. Sendo indevido o pagamento, a contribuinte entende que tem o direito de utilizálo como crédito em compensação de débitos próprios. O crédito aventado nos presentes autos referese a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 30/04/2004, Data de Arrecadação: 31/05/2004, Valor: R$ 3.692,71 É cediço, que o IRPJ determinado mensalmente com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir (art. 6º da Lei nº 9.430, de 1996). Apesar de a DPJ/2005 – Ficha 11 Calculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa discriminar a FORMA DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO DE RENDA “Com Base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução”, o Recorrente não juntou aos autos os balanços ou balancetes mensais transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. O contribuinte requer a compensação do valor pago por estimativa mensal e vincula seu pleito a saldo negativo de IRPJ em 2004, apresentando a DIPJ/2005 com base de cálculo negativa em todos os meses do ano calendário de 2004. Cabe verificar: a) se o pagamento efetuado de IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 30/04/2004, Data de Arrecadação: 31/05/2004, Valor: R$ 3.692,71, foi utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004; b) se o pagamento do IRPJ foi calculado com base na receita bruta e acréscimos ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução e, c) se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981 de 1995. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Joaçaba/SC, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do IRPJ por estimativa a maior, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900923/200851 Acórdão n.º 1802002.106 S1TE02 Fl. 4 5 Da Informação Fiscal apresentada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC consta o seguinte: (...) Para responder as indagações formuladas pela digna autoridade julgadora, foi regularmente intimada a contribuinte para esclarecer a apuração do saldo negativo bem assim apresentar os Livros Diários em que foram transcritos os balanços ou balancetes que teriam sido utilizados para cálculo das estimativas mensais de 2004, bem como as memórias de cálculo respectivas, enfim qualquer outro elemento que pudesse demonstrar e comprovar a apuração do saldo negativo. A contribuinte, em resposta, apenas esclareceu que os recolhimentos teriam sido efetuados de forma "equivocada e aleatória, não se baseando em memórias de cálculo especificas", e por esta razão, "não há que se falar em apresentação dos livros diários". Em razão da interessada se negar a apresentar os livros diários do período não há como se responder, com base nos registros contábeis, se os recolhimentos a título de estimativa mensal foram utilizados na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do ano de 2004. Na DIPJ apresentada (ficha 11) informa que optou pelos recolhimentos da estimativa com base nos balanços ou balancetes de suspensão, sem qualquer outro registro. Na DCTF (original) informou débito de IRPJ com base na receita bruta e acréscimos, porém posteriormente retificoua, zerando o valor. Relativamente à segunda questão (se o pagamento de IRPJ foi calculado com base na receita bruta e acréscimo ou em balanço ou balancete de suspensão ou redução), a reclamante informou, apenas que "os recolhimentos foram equivocados e aleatórios". (...) Quanto a terceira indagação: se os balanços ou balancetes mensais foram transcritos no livro Diário, nos termos do artigo 35 da lei n° 8.981 de 1995, não se pode responder, dada a recusa da contribuinte em apresentar o respectivo livro. (...) Cientificado da Informação Fiscal, após a realização da diligência, a Recorrente nada contraditou. Como se vê, a Recorrente apresentou PERDCOMP no qual sustenta crédito a título de IRPJ por estimativa mensal pago a maior mas não comprova tal crédito, ainda que oportunizada pela diligência realizada. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a existência e o valor exato do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 3.692,71 , adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ (código de receita: 5993 – Estimativa Mensal, Período de Apuração: 30/04/2004, Data de Arrecadação: 31/05/2004. A conversão do julgamento em diligência foi no sentido de verificar a existência do pagamento indevido pleiteado. A autoridade fiscal foi além e tentou junto ao contribuinte que lhe fosse apresentado livros e documentos para saber da existência do crédito pleiteado ou de saldo negativo no ano calendário de 2004. No entanto, a pessoa jurídica em nada colaborou para tal desiderato. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900923/200851 Acórdão n.º 1802002.106 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 11/11/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 09/05/2008, fl.06, e apresentou a manifestação de inconformidade em 16/06/2008 (fl.01). Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 04/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007274/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.RETIFICAÇÃO DA DECISÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para retificação da decisão recorrida quando o Colegiado dá provimento ao recurso pela quitação da exigência, sem manifestação expressa nesse sentido da autoridade responsável pela execução do acórdão.
Numero da decisão: 1402-001.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, no mérito, dar-lhes efeitos infringentes e retificar o acórdão 1402-001.347, restabelecendo a exigência e determinando a remessa dos autos à Unidade Local para as verificações estipuladas no bojo do voto condutor. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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Devem ser acolhidos os embargos de declaração para retificação da decisão recorrida quando o Colegiado dá provimento ao recurso pela quitação da exigência, sem manifestação expressa nesse sentido da autoridade responsável pela execução do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para, no mérito, darlhes efeitos infringentes e retificar o acórdão 1402001.347, restabelecendo a exigência e determinando a remessa dos autos à Unidade Local para as verificações estipuladas no bojo do voto condutor. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Pelá, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 72 74 /2 00 9- 40 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 30/04 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 A Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração contra o Acórdão 1402001.347 que deu provimento aos embargos anteriormente apresentados pelo sujeito passivo, conforme despacho de admissibilidade que ora transcrevo: A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração contra o Acórdão 1402001.347 proferido por este colegiado na sessão realizada em 07/03/2013 e por meio do qual haviam sido acolhido embargos de declaração apresentados pelo sujeito passivo e dado provimento ao recurso voluntário anteriormente formalizado. O provimento baseouse fundamentalmente no argumento de que a interessada teria apresentado comprovantes do recolhimento de valores do tributo (CSLL), pagos em momento anterior à formalização do crédito tributário de que tratam os autos e num montante superior ao aqui exigido. Sustenta a embargante que a decisão questionada por um lado, teria sido omissa sobre ponto em relação ao qual deveria se pronunciar, e por outro conteria contradições em seu bojo. No que se refere aos comprovantes de pagamentos, indica a inexistência de autenticação bancária nos DARF’ s referidos ou a sua total inelegibilidade, o que impediria a verificação da efetiva ocorrência do pagamento e o seu montante. Além disso, não constaria dos autos confirmação da existência desses pagamentos pelo órgão competente, a Receita Federal do Brasil, e a sua alocação de forma correta e integral aos débitos respectivos (IRPJ e CSLL dos anos calendário de 2001, 2002 e 2003), tal como apurada pelo Fisco e ratificada em todas as instâncias administrativas nos autos do processo nº 11080.009008/200447. Assim, a decisão embargada teria sido omissa sobre esses pontos. Em outra questão, sustenta a embargante que o acórdão recorrido, sem apontar quaisquer conclusões externadas no acórdão nº 10195786, proferido nos autos nº 11080.009008/200447, deu provimento ao recurso voluntário, por entender que o contribuinte regularizou sua situação, quitando os débitos objetos do lançamento efetuado naquele outro feito (11080.009008/200447). O provimento do recurso voluntário baseouse nos efeitos reflexos que essa suposta ocorrência, relativa àqueles autos, teriam na exigência decorrente, objeto deste feito. Acrescenta que tal procedimento esbarraria em diversos questões não analisadas pela decisão questionada e estaria em dissonância com seus próprios termos. Alerta que as alegações do sujeito passivo dirigemse a outro feito naquele processo, concernente ao IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2001 a 2003. Aqui, tratase apenas da compensação de base de cálculo negativa da CSLL no ano calendário de 2004, tida como inexistente. Assim, se o contribuinte alega ter regularizado sua escrita contábil e efetuado o pagamento de débitos exigidos nos autos nº 11080.009008/200447, deveria ter realizado sua comprovação naqueles autos e trazido apenas a informação a este feito. As alegações e provas deveriam ter sido produzidas no outro processo e não neste que não trata dos débitos que o contribuinte afirma ter quitado. Conclui que a decisão embargada, de forma contraditória e omissa, muito embora reconheça que este feito trata apenas de exigência decorrente, adentra na análise de questões afetas aquele outro processo (fato extintivo de crédito tributário – alegação de pagamento dos débitos de IRPJ e CSLL de 2001 a 2003). Por fim, faz menção à decisão proferida no processo 11080.009008/200447 para ressaltar que a questão do pagamento referente à atualização SELIC foi tratada em sentido diverso ao entendimento da interessada, o que implicaria em não aceitar Fl. 756DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 30/04 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.654 S1C4T2 Fl. 3 3 de pronto os recolhimentos como suficientes para cancelar o lançamento de que tratam os presentes autos. Distribuído os autos ao Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, designado ad hoc, para pronunciamento quanto à admissibilidade dos embargos, manifestouse pela inexistência de omissão nos seguintes termos: Pois bem, ao contrário do que afirma a douta PFN, os DARF de fls.376 a 389, que foram apresentados ainda na peça impugnatória, estão perfeitamente legíveis, contem autenticação (inclusive em cartório), e não foram infirmados na decisão de 1a. instância, que não acatou a tese da postergação de pagamento, por isso manteve a exigência. A informação prestada pelo Conselheiro não enfrentou a questão do acórdão recorrido ter se manifestado sobre matéria referente a outro processo. Quanto aos DARFs, nos moldes da embargante também não localizei as autenticações nem qualquer vinculação a débitos exigidos neste ou noutro processo. Mesmo que fosse superada a questão de autenticação dos DARFs, pelo exame dos autos entendo que caberia melhor análise quanto a cancelar o lançamento com base em pagamentos desvinculados da exigência a qual deveriam se referir. Nesses termos, declaro procedentes as alegações suscitadas e ADMITO os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, os quais deverão ser submetidos à apreciação da turma julgadora. É o Relatório Fl. 757DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 30/04 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto A admissão dos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional teve como objeto três questões principais: Não há comprovante de recolhimento dos DARFs que, em tese, quitariam a exigência; Inexiste vinculação precisa entre os DARFs e o débito exigido nesses autos ou em outro processo; Não foi estabelecido o impacto desses pagamentos no processo 11080.009008/200447, do qual este é decorrente. Perante as questões suscitadas, penso que houve precipitação da turma julgadora em cancelar a exigência sem as verificações que se mostram necessárias em casos como o presente. A primeira verificação a ser feita é a comprovação vias sistemas informatizados da RFB do efetivo recolhimento dos DARFs sob exame. Considerando que este processo é decorrente do processo nº 11080.009008/200447, ou seja, a exigência de que tratam os autos só existe em função das irregularidades lá apuradas, importa avaliar se e de que forma os pagamentos afetariam o crédito tributário naquele processo. Sendo assim, encaminho meu voto no sentido de acolher os embargos de declaração para no mérito, darlhes efeitos infringentes determinando o encaminhamento dos autos à Unidade Local em diligência para: Confirmar o recolhimento dos Darfs de fls. 376/389; Verificar se os DARFs quitam total ou parcialmente a exigência contida nestes autos ou no processo 11080.009008/200447; Elaborar relatório circunstanciado, do qual deverá ser dada ciência ao sujeito passivo com prazo de manifestação. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 758DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 30/04 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11080.007274/200940 Acórdão n.º 1402001.654 S1C4T2 Fl. 4 5 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 30/04 /2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002510/2006-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Cabem embargos de declaração no caso de identificação de lapso manifesto contido no voto condutor do Acórdão, que possa ensejar dúvida acerca de interpretação do decisum ou alterar o entendimento.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-001.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento aos declaratórios para sanar a obscuridade do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres- Presidente.
Luiz Roberto Domingo- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Fernandes Mineiro, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Cabem embargos de declaração no caso de identificação de lapso manifesto contido no voto condutor do Acórdão, que possa ensejar dúvida acerca de interpretação do decisum ou alterar o entendimento. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento aos declaratórios para sanar a obscuridade do acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres- Presidente. Luiz Roberto Domingo- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Fernandes Mineiro, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo (Relator) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente)
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Numero do processo: 10935.720342/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - OMISSÃO - NÃO CARACTERIZADA. Rejeitam-se os embargos opostos quando não restarem configuradas a existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1202-001.106
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos para negar-lhes provimento.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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Rejeitamse os embargos opostos quando não restarem configuradas a existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos opostos para negarlhes provimento. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. Relatório Fl. 5017DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10935.720342/201113 Acórdão n.º 1202001.106 S1C2T2 Fl. 5.017 2 Recebidos nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF). Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, em que o contribuinte alega OMISSÃO e CONTRADIÇÃO no Acórdão nº 1202000.810, proferido por esta 2ª Câmara da 2ª Turma (fls.4985/4993), relativamente às seguintes matérias: (i) O acórdão embargado não teria atendido ao disposto no parágrafo 4º, alínea ‘a’ do artigo 16, do Decreto 70.235/72, ao não conceder à Embargante a possibilidade de juntar todos os documentos hábeis a comprovação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira que foram encontrados pela D. Fiscalização, bem como não teria dado à Embargante a oportunidade de produzir os meios de prova requeridos na Impugnação, os quais estariam a depender da natureza dos documentos que fossem juntados; e que por esta razão (ii) A defesa da Embargante restou prejudicada, considerando que a mesma poderia juntar os documentos se lhe fosse dado oportunidade para fazêlo. Transcrevo, a seguir, a ementa do Acórdão nº 1202000.810 objeto dos presentes Embargos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. PEDIDO DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA APÓS IMPUGNAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando indeferida a apresentação de provas após a impugnação, nos termos previstos na legislação (art. 16, §4º do Decreto 70.235/72). Preliminar de nulidade rejeitada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. A Recorrente não comprovou de forma hábil e idônea a origem dos depósitos bancários, não podendo ser afastada a ocorrência de omissão de receitas. Lançamento procedente. Mantida a aplicação da multa de ofício de 75%.” Tendo sido designado Relator do acórdão proferido nos autos do Recurso Voluntário interposto pela Embargante, requisitei a inclusão em pauta para julgamento dos presentes Embargos de Declaração. É o relatório. Fl. 5018DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10935.720342/201113 Acórdão n.º 1202001.106 S1C2T2 Fl. 5.018 3 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto Os Embargos foram apresentados tempestivamente, motivo pelo qual deles tomo conhecimento e passo a analisar as questões apontadas pela Embargante. A Embargante aponta contradições e omissões no acórdão embargado, tendo em vista que o mesmo teria impedido a Embargante de apresentar os documentos que comprovariam os valores encontrados em seus extratos bancários, cuja origem não havia sido comprovada durante todo o procedimento fiscal. Ocorre que o indeferimento de apresentação de provas em momento posterior à apresentação da Impugnação, e ainda em momento posterior ao Recurso Voluntário, é procedimento comum neste E. Conselho (observadas as peculiaridades da situação sob análise) e não pode ser considerado como omissão ou contradição passível de questionamento via Embargos de Declaração. Conforme dispõe o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009, os Embargos de Declaração só servem para reparar omissão, contradição ou obscuridade. Vejamos: “Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração, (...)” (não grifado no original) “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” Segundo pretende a Embargante, o Acórdão embargado teria deixado de observar o artigo 16, §4º, alínea “a” do Decreto 70.235/72, ao indeferir a apresentação de provas posteriormente à Impugnação. Vejamos o que prevê referido artigo: “Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; a) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Fl. 5019DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10935.720342/201113 Acórdão n.º 1202001.106 S1C2T2 Fl. 5.019 4 Conforme se observa, as únicas hipóteses em que a prova documental pode ser apresentada após a Impugnação são aquelas expressamente previstas na norma. Ocorre que no presente caso, conforme já demonstrado no acórdão recorrido, a Embargante pediu dilação do prazo para apresentar os documentos em quatro oportunidades (fls. 4921/4922, 4925/4926, 4928/4929, 4931/4932), tendo sido disponibilizado prazo suficiente para a reunião das provas que considerasse necessárias. Dessa forma, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, tendo em vista que a Embargante teve prazo suficiente para reunir os documentos que segundo ela eram hábeis para comprovar a origem dos depósitos bancários e apresentálos à fiscalização, e não o fez, mesmo tendo pedido dilação de prazo em 4 distintas ocasiões. Este entendimento já foi adotado diversas vezes pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF. Oportuno se faz transcrever, a título exemplificativo, ementa de dois acórdãos neste sentido. Vejamos: “CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURAÇÃO Não configura cerceamento a direito de defesa o indeferimento de prova pericial em matéria não sujeita a fase diligencional, até porque aparelhada insuficientemente CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA PROTESTO PELA JUNTADA DE DOCUMENTOS Não se configura cerceamento a direito de defesa a rejeição a juntada de documentos, até porque não exibidas novas provas após a impugnação e até o julgamento CERCEAMENTO A DIREITO DE DEFESA ADOÇÃO DA FIGURA DO ARBITRAMENTO Na fase investigatória a adoção da figura do arbitramento é prerrogativa do Fisco e não direito do sujeito passivo para o efeito de avaliar o seu comportamento tributário GLOSA DE DESPESAS FALTA DE COMPROVAÇÃO OU NÃO NECESSIDADE Reputamse não necessárias as despesas não comprovadas ou não ligadas à atividade operacional.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 3ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10321022 do Processo 10384001352200168, Data: 17/09/2002). (não grifado no original) “IRPJ NULIDADE Comprovado, nos autos, que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, afastamse as alegações de nulidade processual ou nulidade da decisão recorrida. PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de perícia considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS A juntada posterior de documentos é condicionada à demonstração da impossibilidade da apresentação em momento oportuno; ou quando refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Recurso Negado.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10196443 do Processo 10768009617200242, Data: 08/11/2007).(não grifado no original) Fl. 5020DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10935.720342/201113 Acórdão n.º 1202001.106 S1C2T2 Fl. 5.020 5 Conforme se observa das ementas acima transcritas, o acórdão embargado está em conformidade com o entendimento deste E. Conselho, não havendo que se falar em omissão ou contradição. Em face do exposto, conheço os Embargos e os rejeito pelas razões acima aduzidas. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 5021DF CARF MF Impresso em 17/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720766/2011-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 01/07/2001
AUTO DE INFRAÇÃO SUBSTITUTIVO. DECISÃO DE ANULAÇÃO DEFINITIVA. PROLATADA EM 29/09/2005. INÍCIO DAS MEDIDAS ADMINISTRATIVAS DE RELANÇAMENTO OCORRIDA EM 08/07/2011. DECADÊNCIA TOTAL. RECONHECIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 01/07/2001 AUTO DE INFRAÇÃO SUBSTITUTIVO. DECISÃO DE ANULAÇÃO DEFINITIVA. PROLATADA EM 29/09/2005. INÍCIO DAS MEDIDAS ADMINISTRATIVAS DE RELANÇAMENTO OCORRIDA EM 08/07/2011. DECADÊNCIA TOTAL. RECONHECIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira - Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 01/07/2001 AUTO DE INFRAÇÃO SUBSTITUTIVO. DECISÃO DE ANULAÇÃO DEFINITIVA. PROLATADA EM 29/09/2005. INÍCIO DAS MEDIDAS ADMINISTRATIVAS DE RELANÇAMENTO OCORRIDA EM 08/07/2011. DECADÊNCIA TOTAL. RECONHECIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Léo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 66 /2 01 1- 01 Fl. 486DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.720766/201101 Acórdão n.º 2803003.136 S2TE03 Fl. 487 2 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, DEBCAD 37.353.1281, objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, relativas a parte patronal e a contribuição para o SAT, decorrentes da remuneração paga devida ou creditada aos seus trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AI, de fls 320 a 327. O agente lançador informa que o presente Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP é substitutivo das Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos – NFLD’s – DEBCAD’s 35.416.2462 e 35.416.2470, anuladas pelo CRPS, Acórdão 02/02349/2003, datado de 24/09/2003, ao DAR PROVIMENTO ao recurso. Todavia, tal acórdão foi objeto de Pedido de Revisão por parte do INSS e quando do julgamento desse pedido de revisão o CRPS pelo novo Acórdão 0001427/2005, de 29/09/2005, decidiu a questão nos termos transcritos. O sujeito passivo foi cientificado da nova autuação, em 10/08/2011, conforme – AR, de fls. 341. O órgão lançador emitiu, em 29/08/2011, A Informação Fiscal – IF, de fls. 347 e 348, por intermédio da qual comunica ao contribuinte erro no cadastramento dos números dos DEBCAD’s nos sistemas do fisco e a necessidade de alteração da numeração, conforme a tabela que apresentou. O contribuinte foi cientificado dessa alteração pelo, AR, de fls. 362 e 363. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 366 a 374, recebida, em 06/09/2011, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 375 a 412. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 413 e 414. A primeira instância exarou o Acórdão nº 1636.734 11ª Turma da DRJ/SP1, em 20/03/2012, fls. 415 a 427. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.720766/201101 Acórdão n.º 2803003.136 S2TE03 Fl. 488 3 No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 05/11/2012, conforme Termo de Abertura de Documento, de fls. 431. Consta, ainda, dos autos Termo de Ciência por Decurso de Prazo – TCDP, fls. 432, tendo este ocorrido, em 13/11/2012. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 435 e 436, recebido, em 14/11/2012, e com razões recursais, as fls. 437 a 445, acompanhado dos documentos, de fls. 446 a 481. As teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. O Recurso Voluntário foi considerado tempestivo pelo órgão preparador, fls. 483 e 484. Os autos subiram ao CARF, fls. 484. É o Relatório. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.720766/201101 Acórdão n.º 2803003.136 S2TE03 Fl. 489 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. O presente lançamento por se tratar de lançamento substitutivo de um anteriormente anulado por vício formal, deve ser relançado atendendose as determinações do artigo 173, II e parágrafo único, da Lei 5.172/66, veja a transcrição abaixo. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. O dispositivo acima citado em conjugação do o artigo abaixo transcrito, do Decreto 70.235/72, muito me fala sobre a definitividade da decisão. Art. 42. São definitivas as decisões: II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; À época do julgamento estava em vigor a Portaria MPS 88/2004 Regimento Interno do CRPS e esta não prévia a existência de Embargos de Declaração, bem como no acórdão exarado consta a seguinte afirmação. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.720766/201101 Acórdão n.º 2803003.136 S2TE03 Fl. 490 5 A transcrição diz que a decisão “é de última e definitiva instância, fica ilegível a tramitação do processo no CRPS, ilegível – ilegível, ser cumprido o acórdão em seus precisos termos.”, ora desta forma não há dúvidas que a decisão era definitiva na data de sua prolação, isto é, em 29/09/2005, independentemente da intimação das partes, pois a lei não faz tal exigência para que se dê a definitividade da decisão. Aliás, o agente fiscal lançador quando instado a iniciar os procedimentos de fiscalização fez estas considerações e advertências, na IF, de fls. 276 a 278, observemse as transcrições, que cito. A primeira providência do fisco para promover o relançamento da parte declarada nula/anulada por vício formal, só se deu, em 08/07/2011, AR, de fls. 307, quando o contribuinte recebeu o Termo de Início de Fiscalização e o MPF Nº 08190002011015674. Logo, entre o julgamento que anulou o lançamento anterior e o reinício do procedimento fiscal decorreram 05 anos 09 meses e 10 dias, ou seja, o direito do fisco já estava consumido pela decadência. Posto isto, reconheço a ocorrência da decadência e, por conseguinte a improcedência do lançamento. Por se apresentar visível a decadência é que não se sumariou as teses recursais, pois desnecessária a análise destas. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento para reconhecer a decadência das contribuições exigidas, sendo assim o crédito improcedente. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.720766/201101 Acórdão n.º 2803003.136 S2TE03 Fl. 491 6 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 22/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15868.720125/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE.
Meras irregularidades no MPF não acarretam na nulidade do procedimento administrativo quando respeitado os arts. 142 do CTN e 10º do Decreto nº 70.235/72.
COMPETÊNCIA. AUDITOR FISCAL.
O auditor fiscal é competente para lavra os Auto de Infração, não sendo obrigado a fazê-lo na sede da contribuinte, mas sim no local da infração.
CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A não comprovação por meio hábil e idôneo de custas e despesas operacionais acarreta no lançamento de ofício da importância indevidamente excluída da base de cálculo do IRPJ.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A não declaração ou inexistência de pagamento no caso dos impostos lançados por homologação implica na aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN em detrimento do art. 150, § 4º do mesmo texto legal.
LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL.
Sendo os mesmos fundamentos que nortearam o lançamento do IRPJ e o da CSLL, deve ser adotada a mesma decisão proferida naquele para esta.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüição de nulidade relativas a deficiências do MPF, votando pelas conclusões a Conselheira Cristiane Silva Costa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições de nulidade por cerceamento ao direito de defesa, votando pelas conclusões a Conselheira Cristiane Silva Costa; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários relativamente à decadência; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento apresentada por Bracol Holding Ltda por falta de análise de documentos; 5) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra JBS S/A; 6) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária de JBS S/A, divergindo as Conselheiras Cristiane Silva Costa e Joselaine Boeira Zatorre que davam provimento ao recurso voluntário; 7) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à limitação da responsabilidade tributária de JBS S/A; 8) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, vencida a Relatora Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, acompanhada por Cristiane Silva Costa e Joselaine Boeira Zatorre, designando-se para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Cristiane Silva Costa, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Joselaine Boeira Zatorre. Declarou-se impedido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior.
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA
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NULIDADE. Meras irregularidades no MPF não acarretam na nulidade do procedimento administrativo quando respeitado os arts. 142 do CTN e 10º do Decreto nº 70.235/72. COMPETÊNCIA. AUDITOR FISCAL. O auditor fiscal é competente para lavra os Auto de Infração, não sendo obrigado a fazêlo na sede da contribuinte, mas sim no local da infração. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. NÃO COMPROVAÇÃO. A não comprovação por meio hábil e idôneo de custas e despesas operacionais acarreta no lançamento de ofício da importância indevidamente excluída da base de cálculo do IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A não declaração ou inexistência de pagamento no caso dos impostos lançados por homologação implica na aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN em detrimento do art. 150, § 4º do mesmo texto legal. LANÇAMENTO REFLEXO: CSLL. Sendo os mesmos fundamentos que nortearam o lançamento do IRPJ e o da CSLL, deve ser adotada a mesma decisão proferida naquele para esta. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ taxa SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 25 /2 01 1- 98 Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR as argüição de nulidade relativas a deficiências do MPF, votando pelas conclusões a Conselheira Cristiane Silva Costa; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR as arguições de nulidade por cerceamento ao direito de defesa, votando pelas conclusões a Conselheira Cristiane Silva Costa; 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários relativamente à decadência; 4) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento apresentada por Bracol Holding Ltda por falta de análise de documentos; 5) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrado contra JBS S/A; 6) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à responsabilidade tributária de JBS S/A, divergindo as Conselheiras Cristiane Silva Costa e Joselaine Boeira Zatorre que davam provimento ao recurso voluntário; 7) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à limitação da responsabilidade tributária de JBS S/A; 8) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, vencida a Relatora Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, acompanhada por Cristiane Silva Costa e Joselaine Boeira Zatorre, designandose para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fez declaração de voto a Conselheira Cristiane Silva Costa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA – Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Cristiane Silva Costa, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Joselaine Boeira Zatorre. Declarouse impedido o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Versam os presentes autos sobre Recursos Voluntários interpostos tanto pelo contribuinte como pelo responsável tributário face ao Acórdão exarado pela 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que indeferiu as Impugnações apresentadas. Segundo o Termo de Verificação de Infração Fiscal (proc. fls. 597 a 616), a ação fiscal teve início em Araçatuba no dia 14/07/2011 quando o sujeito passivo foi intimado, via postal, a apresentar diversos elementos e informações. Em 18/08/2011, os auditores fiscais se dirigiram a São Paulo, no endereço do estabelecimento matriz, com cópia do Termo de Intimação Fiscal que deu início à fiscalização. O Procurador do sujeito passivo, Sr. Vagner Aparecido Cruz, entregou cópias de alguns documentos, no entanto, deixou de apresentar os documentos bancários comprobatórios dos pagamentos relacionados a determinadas notas fiscais. Nesta mesma ocasião, tal Procurador se comprometeu a apresentar os documentos restantes na Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba até o dia 26/08/2011. No dia 26/08/2011, foram entregues na DRF de Araçatuba algumas cópias de alguns documentos exigidos. Em 10/10/2011, foi elaborado Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal. Novamente os agentes fazendários realizaram diligência no estabelecimento matriz em São Paulo, em 26/10/2011, apresentando cópia do Termo de Constatação e de Reintimação Fiscal do dia 10/10/2011. O Sr. Vagner Aparecido Cruz apresentou segundas vias de notas fiscais de emissão da Brasleder Couros sob o argumento de que as primeiras vias, até aquele momento, não haviam sido localizadas. Não se apresentou nenhuma nota fiscal tendo como emitente a empresa Xinguleder Couros. Mais uma vez, o Sr. Vagner se comprometeu a apresentar os documentos faltantes na Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araçatuba. Nos dias 04/11/2011 e 09/11/2011, foram apresentadas em Araçatuba cópias de alguns comprovantes de pagamentos para o fornecedor Brasleder Couros e quatro cópias autenticadas de segundas vias de notas fiscais tendo como emitente o fornecedor Xinguleder Couros, respectivamente. Concluída a análise dos documentos apresentados, a autoridade fiscalizadora procedeu às seguintes acusações: 1. O sujeito passivo não apresentou nenhuma via original das primeiras vias das notas ficais exigidas pela fiscalização; 2. O sujeito passivo apresentou cópias de comprovantes bancários de pagamentos relacionados a uma pequena parte das notas fiscais correspondentes aos registros contábeis discriminados em planilhas elaboradas pela fiscalização. Tais comprovantes foram aceitos pela fiscalização; Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 5 4 3. Para demonstrar os valores escriturados como custos no período de 01/10/2006 a 31/12/2006, tendo como fornecedores as empresas Brasleder Couros e Xinguleder Couros Ltda. elaboramos o razão em planilha excel de três contas do grupamento de fornecedores. (...) Nestes razões constam tanto os lançamentos feitos a débito das contas de custos em contrapartida às contas de fornecedores, quanto os feitos a débito das contas de fornecedores em contrapartida às contas de bancos e caixa. Nestas mesmas planilhas, realçamos na cor cinza e grifamos os registros contábeis para os quais o sujeito passivo apresentou documentos comprobatórios dos pagamentos, que foram aceitos por esta fiscalização. Observese ainda que nestes razões haja inúmeros lançamentos de valores expressivos feitos a débito da conta do grupamento dos fornecedores e a crédito da conta caixa. Para estes, o sujeito passivo não apresentou quaisquer documentos comprobatórios dos efetivos pagamentos nem quaisquer outros documentos adicionais. 4. Utilizandose dos mesmos razões mencionados na alínea anterior, onde constaram todos os lançamentos relacionados aos três novos razões em planilha excel para demonstrarmos os valores escriturados como custos para os quais o sujeito passivo, apesar de intimado e reintimado, não apresentou nem as vias originais das primeiras vias das notas fiscais nem os documentos comprobatórios dos efetivos pagamentos. O primeiro razão contempla os lançamentos feitos a débito das contas 91501000012 – Compras de MatériaPrima e 91502000001 – Compras de insumos e a crédito da conta 21101349785 – Brasleder Couros S/A. O segundo razão contempla os lançamentos feitos a débito da conta 91501000012 – Compras de MatériasPrimas e a crédito da conta 21101392041 – Brasleder Couros Ltda. O terceiro razão contempla os lançamentos feitos a débito das contas 91501000013 – Serviços prestados s/ matéria prima e 91502000011 – Serviços prestados s/ insumos e a crédito da conta 21202028259 – Xinguleder Couros Ltda. 5. Todos os razões mencionados nas alíneas “c” e “d”, elaborados em planilha excel tendo por base os arquivos digitais dos registros contábeis apresentados pelo sujeito passivo, acompanham o presente termo. 6. O sujeito passivo não comprovou os custos relativos aos registros contábeis demonstrados nos razões elaborados pela fiscalização mencionados na alínea “d”. Portanto, serão glosados por esta fiscalização. Os valores estão totalizados por mês em cada um dos três razões mencionados na alínea “d”. Em resumo, conforme consta do TVF, o sujeito passivo (Bracol Holding S/A) foi intimado à apresentação de documentos acima mencionados, mas não o fez. Assim, a Autoridade Fiscal elaborou novos razões que demonstram a glosa de custos inicialmente declarados e escriturados por aquela empresa. Os referidos razões (que contemplam os seguintes lançamentos glosados dos custos): Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 6 5 (i) Compras de matéria prima e insumos de Brasleder Couros S/A; e (ii) Serviços presetados em matéria prima e prestação de serviços sem insumos por Xinguleder Couros Ltda. Assim, embora intimada à apresentação de notas fiscais das operações e respectivos documentos bancários comprobatórios dos pagamentos àquelas empresas (fornecedoras) o sujeito passivo (Bracol Holding Ltda), por seu representante – Vagner Aparecido da Cruz – não o fez satisfatoriamente, pelo que foram lavrados os autos de infração em tela, relativos a IRPJ e CSLL. Foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (proc. fls. 618 a 620) e CSLL (proc. fls. 623 a 625). O agente fiscalizador entendeu que também restou configurada a existência de responsabilidade solidária do sujeito passivo JBS S/A, sendo lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária em 22/11/2011 (proc. fls. 632 a 634). De acordo com o relato da autoridade fiscalizadora, em 2007, a empresa Bertin Ltda., por meio de uma operação societária, constituiu a empresa Bertin S/A que foi posteriormente incorporada pela JBS S/A. Desta forma, tendo em vista o art. 132 do CTN, concluiu o auditor fiscal pela responsabilidade tributária solidária da empresa JBS S/A no tocante aos tributos devidos pela Bertin Ltda. referentes aos fatos gerados anteriores à reestruturação societária. Vale mencionar que tramita de forma autônoma o processo administrativo digital nº 15868.720080/201151, que versa sobre a alteração do CNPJ da empresa JBS S/A (“Representação Fiscal para fins de Alteração Cadastral no CNPJ”). Consta nos autos deste processo a Informação Fiscal (proc. fls. 636 a 708) juntada com o intuito de complementar as informações sobre a responsabilidade solidária da JBS S/A por conta da cisão parcial ocorrida entre a Bertin Ltda. (atual Bracol Holding Ltda.) e Bertin S/A (incorporada pela JBS S/A) para subsidiar decisões administrativas futuras. A Informação Fiscal é constituída por dois relatórios: o primeiro referente à responsabilidade solidária da JBS S/A quanto aos débitos tributários da Bracol Holding Ltda., e o segundo, atinente ao Mandado de Segurança nº 000380565.2011.403.6107 – relacionado à sucessão por cisão parcial da Bertin Ltda. pela Bertin S/A e o ao Mandado de Segurança nº 000380650.2011.403.6107 – relacionado ao auto de embaraço à fiscalização lavrado em 01/09/2011, datado de 05/10/2011, e Ofício à Justiça. O primeiro relatório iniciase com os termos da constituição da Bertin S/A. Conforme descreveu a autoridade fazendária, a criação desta empresa se deu em 27/07/2007 com capital inicial de R$ 2.000.000,00, que teriam sido integralizados em dinheiro por dois sócios (Bertin Ltda. e Sr. Silmar Roberto Bertin, sendo que este último integralizou o montante de R$ 1,00). Concluiu que a Bertin S/A nada mais era que uma subsidiária integral da Bertin Ltda. A autoridade fazendária ainda afirmou que, da análise dos Livros Diários da Bertin S/A, só possui registro a partir de 01/10/2007, ou seja, a data em que se deu a transferência de parcela do patrimônio da Bertin Ltda. para a Bertin S/A. Portanto, verificase que não há qualquer constituição do capital inicial nos lançamentos contábeis. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 7 6 Constatouse ainda que no mês de outubro de 2007 foram transferidos 34 estabelecimentos da Bertin Ltda. para a Bertin S/A. Entendeu o agente fazendário que este fato por si só já denota uma transação de grande porte em empresas do mesmo grupo econômico, pertencentes à família Bertin. Segundo o agente fiscalizador, “foram vertidas obrigações (em valores relevantes), e não só bens e direitos, ou seja, foi vertido patrimônio, que líquido (ativo menos passivo) foi valorado em R$ 18.000.000,00. A transferência de obrigações demonstra que a transação foi mais que uma simples subscrição de ações e/ou uma simples integralização de bens e direitos com aumento de capital. Transferências desse porte só são possíveis em operações de maior vulto, como as previstas nos artigos 223 e seguintes da Lei das S/A (incorporações, fusões e cisões). Também ficou claro na análise individualizada que fizemos das contas vertidas (contas de ativo e de passivo) que não foram transferidos bens, direitos e obrigações apenas relacionados aos estabelecimentos vertidos, e sim bens, direitos e obrigações desvinculados dos referidos estabelecimentos, o que de novo denota uma operação de maior vulto, como por exemplo investimentos no exterior, todas as marcas da empresa Bertin Ltda., quase todo o passivo da Bertin Ltda. foi transferido”. O segundo relatório consiste nas informações prestadas em juízo para instrução do Mandado de Segurança impetrado pela JBS S/A. Impugnação Bracol Holding Em 20/12/2011, a contribuinte (Bracol Holding) apresentou Impugnação ao Auto de Infração de IRPJ (proc. fls. 710 a 733) e de CSLL (proc. fls. 848 a 871), ambas de idêntico teor. Em sede de preliminar, a Impugnante alegou a incompetência dos auditores da Receita Federal do Brasil de Araçatuba para constituir o crédito tributário do IRPJ. Entendeu que a competência é privativa de servidores vinculados a Derat/SP, por ser o IRPJ um tributo cujas questões fiscais devem ser realizadas por fiscais com jurisdição no domicílio fiscal da empresa, no caso em análise, São Paulo capital. Outro argumento utilizado na tentativa de anular o Auto de Infração é o de que inexistiria autorização para reexame de período já fiscalizado emitida pelo Superintendente transferindo competência para a DRF de Araçatuba. Além disso, afirmou que não foram respeitados os termos do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização que deu origem ao Auto de Infração em questão. A interessada asseverou que apenas consta no MPFF como local para realização dos trabalhos fiscais o endereço da Impugnante localizado no Município de São Paulo, capital, sendo que jamais foi permitida a realização de atividades no Município de Araçatuba, Estado de São Paulo. Não se verificou qualquer delegação de competência da DERAT/SP para a DRF/Araçatuba. Ademais, todos os trabalhos fiscais que geraram a emissão do Auto de Infração ora contestado, teriam sido realizados em inobservância ao MPFF. A contribuinte argumentou de forma subsidiária que, caso considerado válido o MPFF a despeito das irregularidades já apontadas, outro seria o motivo a desencadear a nulidade do mesmo: o MPF F deveria ter sido emitido pelo Superintendente, conforme prevê o § 4º, do art. 6º, da Portaria RFB nº 11.371/2007. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 8 7 Ainda em sede de preliminar, a Impugnante entendeu que a perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal exige o cancelamento do Auto de Infração. Relatou que a validade do Termo é de 60 dias podendo ser prorrogado por ato escrito, o que não ocorreu. A contribuinte também questionou a falta de intimação para se manifestar sobre o fim da fase instrutória, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/99. Segundo a Impugnante, inexiste no Auto de Infração a fundamentação jurídica e os motivos de direito essenciais à constituição do crédito tributário exigido. Ademais, a interessada alegou que o Auto de Infração ainda deve ser cancelado, pois, ao não demonstrar as razões jurídicas necessárias para a realização do lançamento, as alíquotas aplicadas e todos os demais elementos necessários para a constituição do crédito tributário, cerceou seu direito de defesa. A Impugnante questionou a cobrança de tributos baseada apenas na “simples falta de apresentação de alguns documentos que demonstram a origem de seus registros contábeis, sendo que todas as operações foram devidamente escrituradas”. Afirmou que os documentos juntados aos autos quando da Impugnação comprovam o afirmado e manifestou a intenção de apresentar todos os documentos fiscais e esclarecimentos que se fizerem necessários. Asseverou ainda a Impugnante que “como comprovam as anexas notas fiscais emitidas pelos fornecedores Brasleder Couros Ltda e Braspeco Indústria e Comércio Ltda, bem como dos comprovantes de pagamentos por parte da Impugnante a esses fornecedores, não existe qualquer saldo devedor do imposto capaz de gerar a presente glosa constituída nesse AI”. Entendeu como irregular o posicionamento dos auditores fiscais, pois contrariando o disposto no RIR/99, não intimaram a contribuinte a apresentar seus esclarecimentos ou eventuais novos documentos. Concluiu que a despeito de sua vontade de fornecer os documentos solicitados, a fiscalização agiu sem razoabilidade e contrariando diversos dispositivos legais, dentre os quais os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.784/99. Para a interessada, a não apresentação de copia integral do Auto de Infração e seus anexos teria cerceado seu direito de defesa e prejudicado na elaboração da Impugnação. Portanto, o Auto de Infração deveria ter sido considerado nulo por ofensa ao art. 9º do Decreto nº 70.235/72. A Impugnante asseverou que não é possível a cobrança do IRPJ exigido, pois o mesmo encontrase prescrito por força do art. 150, § 4º do CTN. Outro questionamento levantado pela contribuinte diz respeito à impossibilidade de aplicação de multa de ofício combinada com multa de mora, implicando em bis in idem. Ademais, entendeu que “considerando ser a multa por falta de pagamento de tributo superior à multa aplicada na forma do Auto de Infração não existe a possibilidade de cumulação porque aquela absorve esta, nos termos já decididos pela DRJ em Brasília”. Concluiu que essa aplicação em duplicidade de multa em razão do mesmo fato é inconstitucional. Ainda sob o argumento de inconstitucionalidade por motivo de afronta ao Princípio constitucional do não confisco, a interessada questionou o percentual de 75% aplicado a título de multa. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 9 8 Relativo aos juros de mora, a Impugnante afirmou que a cobrança é flagrantemente inconstitucional e ilegal, pois contraria o caput do art. 161 do CTN por somente permitir a exigibilidade dos juros de mora sobre o valor do tributo devido. Por fim, requereu a realização de diligência e perícia (nomeou perito e apresentou rol de quesitos), bem como a intimação de todas as decisões proferidas nestes autos na pessoa de seu advogado. Impugnação JBS S/A Em 21/12/2011, a empresa JBS S/A, indicada como responsável tributária, apresentou Impugnação (proc. fls. 982 a 1015). De início, alegou cerceamento do direito de defesa sob o argumento de que não tem acesso a dados internos da contribuinte (Bracol Holding Ltda.) a comprovar que os valores escriturados e declarados por aquela empresa eram escorreitos. Desta forma, não houve meios para se defender quanto ao mérito da autuação. Frisou que não há qualquer interesse da contribuinte Bracol Holding em franquear os arquivos e informações à ora impugnante (responsável solidária). A Impugnante JBS S/A afirmou que inexiste ato que caracterize a sua responsabilidade solidária. Ademais, ressaltou que impetrou o Mandado de Segurança nº 0003805652011.4.03.6107 contra o Delegado da Receita Federal do Brasil de Araçatuba para assegurar o direito ao contraditório e ampla defesa em relação à decisão que lhe imputou responsabilidade solidária, tendo sido deferida liminar. Desta feita, asseverou que a presente autuação demonstra total deturpação da decisão judicial, a qual garantiu seu direito à ampla defesa para a apuração de eventual responsabilidade tributária, nos moldes do processo administrativo fiscal, previsto no decreto nº 70.235/72. Concluiu que o Termo de Sujeição Passiva que lhe atribuiu a responsabilidade solidária não mais subsiste, vez que deverá ser promovida uma nova intimação para apurar a referida responsabilidade. Alertou que se trata de questão prejudicial, pois somente quando e se for definitivamente apurada a responsabilidade solidária naqueles autos, poderá o crédito tributário ser exigido. Desta forma, entendeu que o Termo de Sujeição Passiva é nulo. Por sua vez, a impugnante JBS S/A alegou a nulidade do Auto de Infração com fundamento na falta de legitimidade da DRF de Araçatuba, tendo em vista que tanto a contribuinte quanto a Impugnante possuem sede na Cidade de São Paulo – SP. Além disso, ressalta que, a despeito de ser mencionado no Termo de Verificação de Infração Fiscal que havia autorização do Superintendente Regional da Receita Federal do Brasil em São Paulo – 8ª Região Fiscal, os documentos enviados à Impugnante não continham tal autorização. A empresa JBS S.A. ainda ressaltou que a responsabilidade solidária da Impugnante em relação a débitos da Bracol Holding Ltda. será discutida pela Impugnante em processo administrativo próprio, sendo nulo o Auto de Infração em apreço. Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 10 9 Para demonstrar a plausibilidade do direito invocado, a Impugnante expôs as principais razões pelas quais a responsabilidade solidária em tela não encontra guarida no ordenamento jurídico: 1. A Bracol Holding Ltda. (antiga Bertin Ltda.), em 2007, por meio de uma operação societária denominada drop down, substituiu seu acervo por ações de outra empresa (Bertin S/A). Nesta operação, não há redução do capital da empresa conferente e, sim, substituição de parte de elementos patrimoniais. 2. Em 2009, a Impugnante incorporou a totalidade das ações da Bertin S/A. Portanto, entendeu que não se trata de cisão parcial como alega a fiscalização, mas sim de drop down, o que acarreta sua responsabilização subsidiária, e não solidária. A empresa JBS S.A. relatou que foi intimada pela DRF em Araçatuba para retificar seus registros, a fim de constatar a cisão. Ressaltou que, em verdade, não se tratou de mera intimação fiscal, mas, sim de ato administrativo de cunho decisório com sérios efeitos jurídicos na esfera da Impugnante, consubstanciada na responsabilidade solidária por débitos de terceiros. Assim, impetrou Mandado de Segurança com o intuito de garantir o contraditório contra referida decisão administrativa. Ainda no tocante à desconsideração de ato societário intentada pela DRJ em Araçatuba, a Impugnante JBS S.A. asseverou que tal ato administrativo é ilegal uma vez que desobedeceu ao Princípio da Legalidade, uma vez que não existe norma que autorize a desconsideração de ato do contribuinte e imputação de cisão, e também não se verifica a subsunção de nenhuma das hipóteses previstas no art. 24 da IN RFB nº 1183/2011. No mérito, a JBS S.A. teceu alguns comentários sobre os argumentos que pretende discutir nos autos do processo administrativo nº 15868.720080/201151. Afirmou que o caso em análise não se classificaria como cisão, mas sim como transferência de parcelas do patrimônio de uma empresa para uma ou mais sociedades. Assim, o que de fato ocorreu fora a “substituição de acervo por ações/quotas” da sociedade incorporada pela Impugnante, ou seja, a figura do drop down, que consiste na criação de uma subsidiária para a qual se converte o estabelecimento comercial a título de integralização de capital. Outro argumento utilizado foi o da prescrição. A Impugnante JBS S.A asseverou que o prazo para anular deliberação tomada por assembleia geral prescreve em 2 anos (art. 286 da Lei nº 6.404/76), e a suposta cisão se deu em 10/10/2007, verificandose, desta forma, o fenômeno da prescrição. Ademais, a conferência de ativos foi deliberada pela Junta Comercial do Estado de São Paulo, em conformidade com o previsto na Lei nº 8.934/94 (art. 41, I, “a”). A empresa JBS S.A. também argumentou que a responsabilidade solidária, segundo o disposto no art. 132 do CTN, somente se aplica nos casos de extinção de pessoas jurídicas, quando a atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, hipótese que não se coaduna com o caso em tela. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 11 10 Concluiu que a transferência de estabelecimentos à Bertin S/A configura hipótese de aplicação da responsabilidade subsidiária prevista no art. 133, II do CTN. Desta feita, entendeu a Impugnante que ainda que lhe seja imputada alguma responsabilidade, será de caráter subsidiário e não solidário; e, somente em relação aos tributos concernentes àqueles estabelecidos vertidos em capital da Bertin S/A. Outro argumento levantado é o de que a acusação de continuidade na atividade sobre outra roupagem societária é infundada. A empresa JBS S.A. afirmou que a Bracol (antiga Bertin Ltda.) continua em plena atividade com um capital social de R$ 1,5 bilhão. Ademais, a Bracol é sócia da empresa Riober, constituída em 03/02/2008, com valor de participação de R$ 159.837.999,00 (do total de R$ 159.838.000,00). A Impugnante JBS também argumentou que a empresa HEBER, sócia da Bracol, tem participação de mais de R$ 507 milhões, apenas em relação a 10 empresas (dentre as dezenas em que tem participação). Ainda em relação à HEBER, a empresa JBS afirmou que ela detém 99,9% da Bracol, intitulase “Grupo Bertin”, e tem participação societária em 103 empresas, além de ativos em montante de R$ 17.817.668.000,00. Ressaltou que em nenhuma hipótese a Impugnante poderia ser incluída no pólo passivo da presente autuação, pois existe decisão judicial determinando a apreciação da matéria atinente à responsabilidade solidária em questão em processo administrativo próprio. Segundo entendeu a Impugnante JBS, somente os tributos vinculados estritamente à atividade econômica da contribuinte estarão sujeitos à responsabilidade tributária, e esta na sua forma subsidiária, isto é, com benefício de ordem caso o sujeito passivo continue suas atividades. Ou seja, na hipótese de aquisição de atividade econômica, somente os tributos relacionados ao fundo de comércio poderão ser exigidos (IPI e ICMS), o que não é o caso do IRPJ, PIS ou COFINS, que implica na aquisição da totalidade do ativo e do passivo. Outro argumento levantado pela empresa JBS foi o de que, em que pese a discordância com a ocorrência de cisão da empresa Bertin Ltda., vez que os documentos da época não demonstram dita operação, caso prevaleça a acusação fazendária, restou evidente a prática de infração à lei e ao contrato social pelos dirigentes daquela empresa. Desta forma, por expressa disposição legal, a responsabilidade é exclusiva, originária e pessoal dos dirigentes à época dos fatos geradores, nos termos do art. 135, III do CTN. Assim, a Impugnante jamais poderia compor o polo passivo da presente autuação, devendo ser excluída da presente autuação. Subsidiariamente, a Impugnante se valeu do instituto da decadência para afastar a exação. A empresa JBS alegou que o valor relativo ao período de apuração outubro de 2006 foi alcançado pela decadência, a teor do art. 150, § 4º c/c art. 156, V, ambos do CTN, visto que o lançamento se deu em 21/11/2011 e a Impugnante cientificada em 23/11/2011. Acórdão DRJ Bracol Holding Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 12 11 A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto exarou Acórdão em 18/05/2012, julgando improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (proc. fls. 1140 a 1159). De início a Turma discorreu sobre as alegações de nulidade do Auto de Infração. Segundo o art. 6º da Lei nº 10.593/02 (redação dada pelo art. 9º da Lei nº 11.457/07) a constituição do crédito tributário mediante lançamento é atribuição privativa dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Além disso, o Decreto nº 70.235/72 em seu art. 7º e 9º regula a hipótese de formalização da exigência fiscal por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Destarte, o procedimento fiscal é válido, pois a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Ademais, o órgão colegiado ressaltou que a ação fiscal em análise encontra se autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002009044565 (proc. fls. 368) emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, do Estado de São Paulo. Tal transferência de competência está prevista no art. 292 do Regimento Interno da RFB. Quanto à nulidade levantada pela contribuinte relativamente ao local em que deveria ser realizada a fiscalização, a Turma esclareceu que o art. 10 do Decreto nº 70.235/72 deixa claro que a lavratura do Auto de Infração deve ser feita no local de verificação da falta, o qual não precisa ser necessariamente o do estabelecimento da empresa. Concluiu que não existe nenhuma norma legal que determine a lavratura do Auto de Infração no estabelecimento ou domicílio da contribuinte. No que concerne à alegação de cancelamento do Auto de Infração em razão da perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal, que teria validade de 60 dias, salvo se prorrogado por ato escrito, nos termos do art. 7º, § 2º do PAF, o órgão julgador a quo ressaltou que tal prazo foi fixado somente para efeitos de o sujeito passivo readquirir a espontaneidade, não sendo causa de nulidade da autuação e nem prazo para conclusão do procedimento fiscal. Já relativo à aplicação da Lei nº 9.784/99, o Colegiado esclareceu que tal lei regula o processo administrativo no âmbito da Administração Federal e se aplica apenas de forma subsidiária aos processos administrativos regidos por lei própria, como é o caso do processo administrativo fiscal que é regulado pelo Decreto nº 70.235/72. Desta forma, não se verifica no caso em análise nenhuma omissão da legislação pertinente que resultaria na aplicação subsidiária da Lei nº 9/784/99. A 3ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto também rechaçou a nulidade levantada pela contribuinte referente a não aplicação do art. 9º do PAF. A Impugnante asseverou que tal dispositivo não foi observado pela fiscalização acarretando em fundamentação jurídica inadequada por falta de motivação. Segundo o órgão fazendário, os Autos de Infração informam a origem da autuação, qual seja: apropriação indevida de custos; bem como os respectivos dispositivos legais infringidos. Ainda argumentou o Fisco relatando que a própria contribuinte cita os dispositivos que entende serem aplicados ao presente caso, suprindo a suposta falta de indicação. Dessa forma, entendeu restar demonstrado que não houve qualquer prejuízo ao direito à ampla defesa da contribuinte. O Colegiado destacou que os Autos de Infração foram lavrados cumprindose as formalidades legais essenciais previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, tais como: “a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a determinação da exigência e a Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 13 12 intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias e a assinatura do autuante e indicação de seu cargo ou função e o número de matricula, o Demonstrativo de Apuração dos tributos e o demonstrativo de Multa e juros de Mora, contendo as condições necessárias para produzir o efeito que lhes compete, conforme determina o CTN, art 142. Eles se fizeram acompanhar do Termo de Verificação de Infração Fiscal, no qual foram descritos todos os fatos e apurações feitas pela fiscalização, todos os valores dos custos glosados, discriminados nos demonstrativos de fls. 602 a 616”. Ainda em sede de preliminar, o órgão julgador discorreu sobre as nulidades previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem assim os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Frisou que tais nulidades não se verificaram nos presentes autos. Especificamente quanto ao cerceamento do direito de defesa, a Turma salientou que apenas nas decisões de primeira e segunda instância são aplicados os princípios do contraditório e ampla defesa. Antes da apresentação da Impugnação não há litígio, não há contraditório, sendo o procedimento levado a efeito pelo Fisco de ofício (arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72). Concluiu a DRJ que, no caso em análise, a contribuinte foi intimada e reintimada antes do lançamento e apresentou apenas alguns comprovantes das aquisições de matérias primas e insumos e respectivos pagamentos e, depois da autuação, teve acesso aos documentos constantes dos autos e teve prazo para impugnar, não constatando qualquer empecilho relativo à produção de provas, como se percebe pelo teor e pela tempestividade de sua impugnação, que revelam que houve pleno conhecimento dos termos da autuação e da infração a ela imputada. A Impugnante ainda alegou que, de conformidade com o art. 150, §4º do CTN, decaiu o direito de a Fazenda efetuar o lançamento. De início, a Turma ressaltou que se trata de lançamento por homologação nos termos do art. 150, caput do CTN. Ocorre que uma vez apurada a inexistência de pagamento antecipado do imposto devido, não haveria que se falar em homologação, nem tampouco aplicação do § 4º do art. 150 do CTN. Nesse caso, o lançamento passa a ser direto ou de ofício, o que desloca a forma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I, do CTN, cuja data inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, considerandose que a contribuinte optou pela apuração anual do IRPJ e CSLL, ocorrendo o fato gerador em 31/12/2006, e a ciência do Auto de Infração se deu em 23/11/2011, não se verifica a decadência. No mérito, a contribuinte alegou que o Auto de Infração deve ser cancelado, pois não haveria qualquer infração, uma vez que possui toda a documentação capaz de provar a origem de suas operações com seus fornecedores. O órgão fazendário esclareceu que, sendo solicitada, é dever da pessoa jurídica apresentar à fiscalização toda a documentação comprobatória que possuir, o que não foi feito durante o procedimento fiscal, nem na fase de impugnação. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 14 13 O parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 prevê uma exceção para não apresentação (“demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;”), no entanto, tal exceção não restou caracterizada. Assim, não há que se falar em cancelamento do Auto de Infração. Analisando a documentação (notas fiscais e comprovantes de pagamentos) apresentada quando da Impugnação, a Turma teceu as seguintes considerações: 1. Fls. 753 a 837, 891 a 971: Aquisições feitas de Brasleder Couros Ltda. Relativamente a essa empresa, somente foram glosadas as aquisições relacionadas à fl. 615 (no total de 3), no valor total de R$ 391.242,00, em relação às quais não foram apresentados quaisquer documentos; 2. Fls. 846, 847, 980 e 981: Referentes à Brasleder Couros Ltda. Também não podem ser aceitos, pois não se vinculam a notas fiscais nº 203, 211 e 215 emitidas por aquela empresa, no valor de R$ 130.414,00 cada uma, que foram objeto de lançamento; 3. Fls. 828 a 831: Relativas à Braspelco. Tratase de empresa não incluída no lançamento; 4. Fls. 838 a 845 e 972 a 979: Dizem respeito aos meses de julho a setembro de 2006, e as glosas de custos foram feitas relativamente aos meses de outubro a dezembro de 2006; Com relação ao Auto de Infração da CSLL, sendo decorrente da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, em face da estreita relação de causa e efeito. No que concerne às alegações de inconstitucionalidade da multa e dos juros de mora, o Colegiado salientou que a atividade dos órgãos administrativos é completamente vinculada à legislação vigente que rege a matéria objeto do procedimento fiscal impugnado. É este inclusive o teor do art. 26A, do Decreto nº 70.235/72, dado pela Lei nº 11.941/09. Portanto, não haveria que se afastar a exigência combatida a pretexto da alegada inconstitucionalidade da norma em que a fundamentou, devendo tal pleito ser levado ao Poder Judiciário. O órgão julgador a quo esclareceu que, ao contrário do que argumentou a Impugnante, foi aplicada apenas uma multa. Em conformidade com o Auto de Infração, foi aplicada a multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/96, que é aplicada nos casos em que não se apura dolo ou máfé do contribuinte. A contribuinte ainda contestou a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício sob a alegação de que tal incidência só irá ocorrer após o vencimento do prazo amigável para recolhimento do crédito tributário. A Turma afirmou que não compete à autoridade administrativa se manifestar sobre essa incidência, pois ela não existe no processo, é um evento futuro e incerto. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 15 14 O Colegiado ainda rejeitou a solicitação da Impugnante para que toda e qualquer intimação ou notificação seja feita em nome do advogado e encaminhada para o seu endereço, pois, segundo dispõe o art. 127 do CTN, as intimações devem ser feitas em nome do sujeito passivo e dirigidas ao seu domicílio fiscal. Já no que tange à solicitação para fazer sustentação oral, o órgão fazendário esclareceu que não existe, no âmbito da legislação processual tributária, previsão para a apresentação de defesa oral em julgamento de primeira instância. Por fim, no que diz respeito ao pedido de perícia, este foi indeferido, pois a Turma entendeu dispensável para o deslinde do presente julgamento. Não há matéria contestada nos presentes autos que necessite de opinião de perito para ser decidida. Acórdão DRJ JBS S/A De início, a empresa JBS S/A alegou em sede de Impugnação que houve cerceamento do seu direito de defesa uma vez que não teve acesso aos dados internos (escrituração, notas fiscais, dados bancários) da Bracol Holding Ltda. A DRJ em Ribeirão Preto asseverou que não há qualquer previsão legal de prévia intimação do responsável tributário para fins de comprovação dos custos da contribuinte. Com a ciência do lançamento oportunizase ao responsável tributário a apresentação dos pontos de discordância, as razões e provas que possuir para ilidir o crédito tributário, no entanto, nada apresentou para comprovar os custos indevidamente deduzidos na apuração do resultado. Ademais, ressaltou o Fisco que, sendo a empresa JBS incorporadora da Bertin S/A, que por sua vez recebeu, por transferência, ativos e passivos correspondentes a 34 estabelecimentos da autuada (antiga Bertin Ltda), não poderia alegar que não possui a escrituração da sucedida, pois é responsável pela guarda dos livros para apresentação aos fiscos. Além disso, a empresa JBS, como constatado em diligência, possui local próprio para arquivo, que era o local em que a Bertin Ltda. e a Bertin S/A guardavam os documentos e livros fiscais, contábeis, societários, jurídicos etc. Desta forma, seria improcedente a alegação de cerceamento do direito de defesa. Já quanto à alegação de que o Termo de Sujeição Passiva não mais subsiste, tendo em vista o Mandado de Segurança impetrado, o Colegiado frisou que tratamse de assuntos distintos. O Mandado de Segurança referese à alteração de dados cadastrais do CNPJ da JBS decorrente da cisão parcial ocorrida entre a Bertin Ltda. e a Bertin S/A, e tramita nos autos do processo administrativo nº 15868.720080/201151. Esclareceu que foi deferida a liminar, tãosomente para oportunizar à impetrante a possibilidade de apresentar recurso administrativo quanto àquele ato administrativo. O presente processo versa sobre o lançamento de ofício de IRPJ e CSLL e não haveria que se falar que o Termo de Sujeição passiva fosse insubsistente, nem em improbidade administrativa dos autuantes por descumprimento de decisão judicial. A empresa JBS alegou que não ocorreu cisão, mas sim a operação denominada drop down, e, portanto, não existiria responsabilidade solidária, mas tãosomente a Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 16 15 responsabilidade subsidiária estabelecida no art. 133, II do CTN. O órgão fazendário entendeu que, de fato, se verificou uma cisão parcial devendo a responsabilidade da empresa JBS se enquadrar no art. 132 do CTN, que não comporta benefício de ordem. Segundo a Turma, verificase que, em outubro 2007, Bertin Ltda. transferiu grande parte de seus ativos e passivos, 34 estabelecimentos no total, para a criação da Bertin S/A. Constatouse que Bertin Ltda., em julho de 2007, integralizou em dinheiro R$ 1.999.999,00 do capital total da Bertin S/A que era de R$ 2.000.000,00, e Silmar Roberto Bertin integralizou apenas R$ 1,00. No entanto, tais fatos não foram registrados no Livro Diário da Bertin S/A, sendo que o início dos registros no citado livro somente ocorreu em outubro de 2007, depois da transferência do patrimônio líquido (ativos menos passivos) da Bertin Ltda. no valor de 18.000.000,00. O Fisco destacou ainda que, da análise individualizada das contas vertidas, verificouse que não foram transferidos bens, direitos e obrigações apenas relacionados aos estabelecimentos vertidos, e sim outros desvinculados dos referidos estabelecimentos, como por exemplo, alguns investimentos no exterior e todas as marcas da Bertin Ltda. A DRJ concluiu que não se tratou de transferência de um estabelecimento ou de uma atividade econômica, como quer fazer crer a empresa JBS. Na verdade, houve a efetiva transferência de patrimônio entre empresas pertencentes aos mesmos sócios, tendo sido criada uma operação para esse fim, com o propósito de eximirse de dívidas tributárias. A Bertin S/A tem como acionistas Bertin Ltda. e Silmar Roberto Bertin. O Colegiado ainda salientou que pouco tempo depois da referida transferência, a Bertin S/A efetuou a reavaliação dos bens móveis e imóveis vertidos em mais R$ 1.007.070.079,00, e utilizouse dessa reserva de reavaliação para, em dezembro de 2007, aumentar o capital social. Em seguida houve a incorporação da Bertin S/A pela JBS S/A. Portanto, nos termos do art. 132 do CTN, a JBS S/A incorporadora da Bertin S/A é responsável solidária pelos tributos devidos por ela até a data da incorporação. A partir da incorporação não existe mais a incorporada (Bertin S/A), não tendo como se falar de obrigações e responsabilidades contraídas pela incorporada, após a incorporação. Por fim, relativamente à alegada responsabilidade direta dos administradores à época dos fatos, não cabe nenhuma análise, pois tal atribuição não faz parte do presente litígio. Poderá, na fase de execução do crédito, ser atribuída responsabilidade tributária a essas pessoas. A DRF em Araçatuba juntou a estes autos informações referentes ao Mandado Segurança impetrado pela empresa JBS S/A e julgado parcialmente procedente (proc. fls. 1170 a 1180). Neste Mandado de Segurança, foi garantido à impetrante o direito de ver processada a sua reclamação administrativa com efeito suspensivo. O Fisco foi autorizado a constituir os créditos tributários, inclusive com base na pretensa solidariedade. A empresa JBS S.A. apresentou Embargos de Declaração que foram rejeitados mantendose a sentença do MS conforme prolatada. Recurso Voluntário Bracol Holding Ltda Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 17 16 Em 05/09/2012, a contribuinte Bracol Holding Ltda. (antiga Bertin Ltda.), apresentou Recurso Voluntário (proc. fls. 1184 a 1206). De início, requereu a decretação da nulidade do Acórdão vergastado tendo em vista que foi indeferido indevidamente o pedido de perícia e diligência formulados pela Recorrente. Alegou cerceamento do direito de defesa. Mais uma vez, a contribuinte afirmou que o auto de Infração seria nulo, uma vez que os auditores fiscais que o lavraram não possuíam competência para constituir o crédito tributário do IRPJ e da CSLL. Outro tema levantado com o objetivo de comprovar a nulidade do Auto de Infração é o de que a Autorização para Reexame de Período já fiscalizado não transferiu competência para a DRF em Araçatuba. Ainda em preliminar, a Recorrente asseverou que houve ofensa ao MPFF, visto que consta neste como local indicado para a realização dos trabalhos fiscais o endereço em São Paulo, capital. Não se verificou qualquer permissão para a realização de atividades no Município de Araçatuba. Ademais, entendeu que o MPFF deveria ter sido emitido pelo Superintendente. Também alegou a perda de eficácia do Termo de Início tendo em vista o termo de início. Asseverou que a prorrogação não se deu por ato escrito. O Recorrente ainda afirmou, em sede de preliminar, que o Auto de Infração seria nulo frente à falta de intimação para se manifestar sobre o fim da instrução, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.784/99. Relatou ainda que inexiste fundamentação jurídica e motivos de direito do Auto de Infração, motivo pelo qual o mesmo deve ser julgado nulo. Mais uma vez, a Recorrente alegou o cerceamento do direito defesa, pois o Auto de Infração não demostrou as razões jurídicas necessárias para a realização do lançamento, as alíquotas aplicadas e todos os demais elementos necessários para a constituição do crédito tributário. O Postulante asseverou que a fiscalização se desenvolveu sem a observância dos direitos e deveres previstos na Lei nº 9.784/99, em especial no que toca aos Princípios e concessão de prazos. O contribuinte se disponibilizou a apresentar todos os documentos e esclarecimentos que se fizerem necessários. Mais um argumento apresentado objetivando a nulidade do Auto de Infração diz respeito à não apresentação dos anexos e materiais que fundamentaram a elaboração. O Recorrente afirmou que apenas foi cientificado do teor do Auto de Infração, não sendo franqueada o seu acesso aos anexos e demais materiais que embasaram a exação. No mérito, alegou a inexistência de infração, pois possui toda a documentação capaz de comprovar a origem de suas operações com fornecedores. Sob o argumento de que se verificou o fenômeno da decadência, o Postulante argumentou que foram abrangidos débitos do IRPJ de período superior a 5 anos (art. 150, § 4º do CTN). No tocante as penalidades, o Recorrente afirmou que foram aplicadas multa de ofício e de mora, configurandose bis in idem. Ademais, questionou o caráter confiscatório referente ao percentual aplicado. Recurso Voluntário JBS S/A Em 11/09/2012, a empresa JBS S/A apresentou Recurso Voluntário (proc. fls. 1222 a 1258). Inicialmente, a Recorrente afirmou que não existe ato que caracterize a sua responsabilidade solidária. A Postulante asseverou que em conformidade com o decidido quando do julgamento do pedido liminar referente ao Mandado de Segurança nº 0003805 65.2011.4.03.6107, deveria ter sido renovada a intimação fiscal datada de 25/08/2011, o que não foi feito. Desta maneira, entendeu que é nulo o Termo de Sujeição Passiva que lhe atribui Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 18 17 responsabilidade tributária. Concluiu que somente poderá ser definitivamente apurada a sua responsabilidade quando do julgamento do processo autônomo, no mais, enquanto isso, não pode ser exigido o crédito tributário da ora Recorrente. O Recorrente renovou seus argumentos quanto à ilegitimidade da autoridade fiscal de Araçatuba para lavrar o presente Auto de Infração. Entendeu que como possuiu sede na cidade de São Paulo, não poderia a autoridade fiscalizatória lavrar Auto de Infração em Araçatuba. Ou seja, somente a Delegacia da Receita Federal do Brasil da Administração Tributária em São Paulo – DERAT SP seria a autoridade competente para a lavratura do auto em tela. Mais uma vez, valeuse do argumento de que não tem como exercer o contraditório em relação ao mérito da autuação, pois não tem acesso a todos os documentos como notas fiscais e comprovantes de pagamentos de posse e propriedade da Bracol Holding Ltda. Desta maneira, entendeu que seu direito de defesa encontrase cerceado. O Postulante se valeu dos mesmos argumentos apresentados em sede de Impugnação quanto à responsabilidade tributária que lhe é imputada, quais sejam: não ocorreu cisão, mas tãosomente drop down; o prazo para anular deliberação tomada por Assembleia Geral prescreve em 2 anos e que tal prazo já se esgotou; também transcorreu o prazo de 90 dias previsto na Lei de S/A para que algum credor se oponha à cisão realizada; a conferência de ativos foi deliberada pela Junta Comercial do Estado de São Paulo; o Termo de Intimação Fiscal foi originado em MPD e não em MPFF; responsabilidade do art. 132 do CTN; responsabilidade subsidiária do art. 133, II do CTN e limitada aos tributos vertidos em capital da Bertin S/A; responsabilidade por infração deve recair sobre os sócios e administradores (art. 134/135 do CTN); a maior sócia da Bracol, HEBER, tem ativos superiores à dezessete bilhões, e, inexistência de responsabilidade em relação a tributos recolhidos centralizadamente. Também alegou que jamais poderia compor o polo passivo da presente autuação, pois nos casos de infração à norma (o Fisco afirmou que houve uma cisão dissimulada) e ao contrato social (não houve manifestação dos sócios), a responsabilidade é exclusiva dos dirigentes à época dos fatos geradores. A legislação determina que tal responsabilidade é exclusiva, originária e pessoal. A Recorrente asseverou que os créditos relativos a outubro de 2006 foram alcançados pelo instituto da decadência, vez que a ciência do Auto de Infração se deu em 23/11/2011. Ressaltou que não há que se falar em apuração anual dos tributos, com forma de afastar a decadência, pois o regime de apuração anual prevê o pagamento mensal do tributo calculado sob a base de cálculo estimada. É o relatório. Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 19 18 Voto Vencido Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, Relatora. Os Recursos Voluntários preenchem os requisitos de admissibilidade. Deles, portanto, tomo conhecimento. Os presentes recursos objetivam modificar o Acórdão exarado pela DRJ em Ribeirão Preto que manteve o crédito tributário exigido decorrente da apropriação indevida de custos. De início, é preciso afirmar que não se verificou nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 que versa sobre as nulidades no processo administrativo fiscal. Vide abaixo: Decreto nº 70.235/72 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) As Contribuintes alegaram cerceamento do direito de defesa ante ao indeferimento do pedido de perícia. Vale mencionar que a autoridade julgadora de primeira instância possui discricionariedade para deferir ou não a realização de perícia de conformidade com o previsto no art. 18 do Decreto supramencionado: Decreto nº 70.235/72 Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 20 19 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Quanto às alegações de desrespeito à Lei nº 9.784/99, que versam sobre o processo administrativo em âmbito federal, é preciso dizer que tal legislação é utilizada no processo administrativo fiscal apenas de forma subsidiária, pois aquele possui legislação própria: o Decreto nº 70.235/72. Desta forma, entendo que não merecem prosperar as alegações de nulidade sob o argumento de que não houve intimação para manifestação sobre o fim da instrução ou de que não se obedeceu aos direitos e deveres previstos na mencionada lei. REGRAS PROCESSUAIS. A lei nº 9.784, de 1999, aplicase apenas subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que é regido pelo Decreto nº 70.235, de 1972. (CARF, 1º Câmara, 1º Turma Ordinária, acórdão nº 110100.352, julgado em 02/09/2010), As Recorrentes suscitaram a nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. É sabido que a simples falta ou imperfeição do MPF não tem o condão de anular o Auto de Infração que atenda a todos os requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 21 20 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Da leitura deste artigo, inferese que o Auto de Infração foi lavrado no local em que se verificar a falta e não necessariamente no local em que o contribuinte tem sede. Ademais, podese verificar que o referido Auto de Infração foi lavrado nos estritos termos da regulamentação supra transcrita. Portanto, afasto esta preliminar de nulidade. Vale dizer que o MPF possui dupla função, ao mesmo tempo que é instrumento interno de planejamento e controle das atividades nos procedimentos fiscais, relativos aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, é também meio de salvaguarda do contribuinte contra eventuais desvios e abusos quando da fiscalização realizada. Atualmente a matéria referente ao MPF é regulada pela Portaria RFB nº 3.014/11, vigente hoje e à época do início da ação fiscal. Os prazos do MPF estão previsto nossa art. 11 a 13, vide: Portaria RFB nº 3.014/11 Art. 11. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I – 120 dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 12. A prorrogação do prazo de que trata o art. 11 poderá ser efetuada pela autoridade emitente, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, oss prazo fixados nos incisos I e II do art. 11, conforme o caso. Art. 13. Os prazos a que se referem os arts. 11 e 12 serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, nos termos do art. 5º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Parágrafo único. A contagem do prazo do MPFE farseá a partir da data do início do procedimento fiscal. A contribuinte alegou que a prorrogação do MPF não se deu por escrito, motivo pelo qual entendeu nulo. Não é isto o que dispõe o ordenamento jurídico, conforme demonstrado abaixo: Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 22 21 Portaria RFB nº 3.014/11 Art. 4º O MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica e assinado pela autoridade emitente, mediante a utilização de certificado digital válido, conforme modelos constantes dos Anexos de I a III desta Portaria. Parágrafo único. A ciência pelo sujeito passivo do MPF, darseá no sítio da RFB na internet, no endereço eletrônico www.receita.fazenda.gov.br, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. Desta feita, verificase que as informações referentes ao MPF ficam disponíveis ao contribuinte no site da Receita Federal do Brasil no qual poderá acompanhar as prorrogações e cientificarse das mesmas, não sendo necessário que seja por escrito. Os art. 7º e 10 do Decreto nº 70.235/72 mencionam que o procedimento fiscal deve ser realizado por servidor competente: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto;(grifei) Já a Lei nº 10.593/02 atribui tal competência aos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal. Confirase: Art. 6 São atribuições dos ocupantes do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 23 22 e) proceder à orientação do sujeito passivo no tocante à interpretação da legislação tributária; f) supervisionar as demais atividades de orientação ao contribuinte; II em caráter geral, exercer as demais atividades inerentes à competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 1o O Poder Executivo poderá cometer o exercício de atividades abrangidas pelo inciso II do caput deste artigo em caráter privativo ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. (grifei) As Recorrentes ainda afirmaram que o Superintendente da Receita Federal pode dar início a MPF referente a períodos anteriormente fiscalizados. De fato, é o que dispõe a norma. Confirase: Regimento Interno da Receita Federal do Brasil (Portaria MF nº 125/09) “Art. 278. Aos Superintendentes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva região fiscal, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: (...) VI autorizar ou determinar a execução de perícia e de procedimentos fiscais mediante a expedição de Mandado de Procedimento Fiscal, inclusive para reexame ou abertura de novos procedimentos fiscais em períodos anteriormente auditados;” Ocorre que este mesmo normativo em seu art. 292 autoriza a transferência temporária de competência: Art. 292. Aos Superintendentes da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil, Delegados da Receita Federal do Brasil de Julgamento e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil das ALF e IRF de Classe Especial A, Especial B e Especial C incumbe ainda, no âmbito da respectiva jurisdição: (...) VII transferir, temporariamente, competências e atribuições entre unidades, subunidades e dirigentes subordinados, no interesse da administração;(grifei) Além dessas preliminares, o contribuinte ainda alegou que no Auto de Infração não consta a fundamentação jurídica e os motivos de direito. Compulsando as fls. 618 a 630 pode ser constatado que tal afirmação não procede, pois foi verificada fundamentação jurídica clara, bem como as alíquotas, valor da multa e motivação de direito. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 24 23 A Recorrente JBS S/A asseverou que não teve acesso à escrituração e aos documentos objeto de fiscalização destes autos e, portanto, alegou que o Auto de Infração era nulo por cerceamento do direito de defesa. Ocorre que os incorporadores são responsáveis pela guarda e boa ordem da escrituração da empresa incorporada. Mesmo que não tivesse de posse desses documentos, a Recorrente muito provavelmente teve conhecimento deles quando da incorporação. Não é crível nem razoável que se incorpore uma empresa sem ter ciência da escrituração da mesma, ainda mais uma empresa como a do porte da JBS S/A. A Recorrente JBS S/A ainda alegou que não teve acesso aos anexos que acompanham o Auto de Infração em questão o que lhe causou o cerceamento do direito de defesa. Não lhe assiste razão. Os anexos sempre estiveram disponíveis para análise na DRF segundo consta no Termo de Encerramento. Ainda em sede de preliminar, as Recorrentes alegaram que o crédito tributário havia sido alcançado pelo instituto da decadência. Não é esse meu entendimento no caso ora em tela. O IRPJ e a CSLL são tributos pagos mensalmente, no entanto, os recolhimentos estimados, mensais e obrigatórios constituem antecipações do valor devido ao final do ano calendário, não se caracterizando, desta forma, em fatos geradores mensais. Os tributos em questão são lançados por homologação. Ocorre que como não se verificou a antecipação do pagamento dos mesmos, não há que se falar no prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º do CTN. Como é cediço, na ausência de antecipação do pagamento pelo contribuinte, nos casos de lançamento por homologação, aplicase o prazo do art. 173, I do mesmo diploma legal. Desta feita, não há que se falar em decadência. A contribuinte Bracol Holding ataca o Auto de Infração sob a alegação de que todos os documentos estão em seu poder e a fiscalização não os analisou. Compulsando os autos, verifico que sempre que chamada a apresentar documentos, principalmente notas fiscais, a contribuinte não o faz de forma satisfatória. Apresentou poucas notas e na maioria das vezes somente cópias autenticadas que ela mesma afirmou ter obtido com clientes. Ademais, frente ao lançamento realizado, a Recorrente até o momento não apresentou tais documentos que afirma ter em sua posse. Desta feita, entendo que o lançamento deve ser mantido. A Recorrente JBS S/A alegou que o Termo de Sujeição passiva é nulo ante o julgamento do pedido de liminar em sede de Mandado de Segurança por ela impetrado. É importante mencionar que o Mandado de Segurança nº 000380565.2011.4036107, foi impetrado face ao Termo de Representação Fiscal para Fins de Alteração Cadastral que corre nos autos do processo administrativo nº 15868720080/20115. Em decisão proferida em 10/02/2012, o MS foi julgado procedente em parte. A primeira parte da sentença determina que a impetrante tem direito a ver processada a sua reclamação administrativa, com efeito suspensivo. Vale mencionar que isto já está ocorrendo, tanto no processo em análise como nos autos do processo autônomo. No tocante ao Fisco, a sentença que concedeu a segurança em parte, fez a seguinte ressalva: asseguro “ao Fisco a sua autoridade de constituir os créditos tributários porventura existentes, inclusive com base na pretensa solidariedade, mas sem poder inscrevêlos em dívida ativa e tampouco executálos até o desfecho do processo na esfera administrativa”. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 25 24 Desta feita, não há que se falar em nulidade do Termo de Sujeição Passiva e muito menos em qualquer impossibilidade de se julgar o presente recurso em relação à empresa JBS S/A. Ante o exposto, afasto todas as preliminares de nulidade arguidas pelas partes. Quanto ao mérito no caso da Bracol Holding S.A., analisando a documentação (notas fiscais e comprovantes de pagamentos) constantes dos Autos e diante da falta de entrega de comprovantes hábeis a comprovar os argumentos de defesa apresentados, entendo não merecer reparo o posicionamento da DRJ, no sentido de manter os lançamentos relativamente: 5. às aquisições feitas de Brasleder Couros Ltda. relacionadas à fl. 615 (no total de 3), no valor total de R$ 391.242,00, em relação às quais não foram apresentados quaisquer documentos comprobatórios de custos; 6. Ainda relativamente a aquisições de Brasleder Couros Ltda., os comprovantes de fls. 846, 847, 980 e 981, entendo que não podem ser aceitos, pois não se vinculam à notas fiscais nº 203, 211 e 215 emitidas por aquela empresa, no valor de R$ 130.414,00 cada uma, que foram objeto de lançamento; 7. Os custos relativos aos meses de outubro a dezembro de 2006 não foram devidamente comprovados, nos termos das fls. 838 a 845 e 972 a 979. Com relação ao Auto de Infração da CSLL, sendo decorrente da mesma infração tributária que motivou a autuação relativa ao IRPJ (lançamento principal), deverá ser aplicada idêntica solução, face à estreita relação de causa e efeito. Quanto ao mérito no caso da JBS S.A., entendo que não se tratou de transferência de um estabelecimento ou de uma atividade econômica, como quer fazer crer a empresa. Na verdade, houve a efetiva transferência de patrimônio entre empresas pertencentes aos mesmos sócios, tendo sido criada uma operação para esse fim, com o propósito de eximir se de dívidas tributárias. Em seus memoriais finais, a Recorrente alega que a operação teria sido feita sob o manto do instituto do “drop down”, pois a “dropped down/cidenda” havia celebrado uma operação de crédito junto ao BNDES, cujo contrato continha uma cláusula de vencimento antecipado no caso de quaisquer alterações societárias. De fato, essa cláusula é bastante comum em contratos dessa natureza e pareceme crível que o referido contrato tenha sido elaborado dessa maneira. O que não ficou claro para a presente Conselheira foi a causa, a origem e a justificativa primária para que operação de transferência de ativos e passivos – seja qual for a denominação específica que lhe for dada – foi realizada. Consigno que a Recorrente acostou aos Autos argumentos com o objetivo de conferir/explicar o propósito econômico da referida operação, segundo os quais a operação Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 26 25 teria sido realizada como drop down e não como cisão. No entanto, não foi esclarecido, em um primeiro momento, a razão pela qual a operação era necessária originalmente (seja como drop down, seja como cisão). Relativamente à classificação jurídica da operação societária que se verificou quando da criação da Bertin S/A, quer nos parecer que, efetivamente, tratase de cisão parcial. É preciso esclarecer que a cisão pode ser verificada quando uma companhia transfere parcelas do seu patrimônio para outra sociedade criada no procedimento de cisão ou já existente. A cisão parcial operase quando a empresa cindida retém parte de seus ativos e responsabilidades e transfere as demais a outra ou a outras sociedades. Lei 6.404/76 Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. A operação denominada drop down é uma figura atípica no nosso direito e caracterizase pela substituição de elementos patrimoniais (ativos), por participação societária. Alguns doutrinadores pátrios a comparam a um trespasse, contrato de venda de estabelecimento comercial, etc. Consigno que foi acostado parecer do Emérito Professor Tavares Guerreiro no qual foram adicionados argumentos defendendo que o instituto do drop down é diferente da cisão, para fins tributários. Apesar de tais argumentos terem sido aprofundados com destreza, não me alio, data máxima vênia, a eles, conforme explicito a seguir. No caso em análise, a empresa Bertin Ltda. transferiu não só ativos, mas também passivos à empresa Bertin S/A, como se pode perceber do Laudo constante da Informação Fiscal às fls. 644 e 645. Ademais, verificase também que não foram transferidos bens, direitos e obrigações apenas relacionados aos estabelecimentos vertidos, e sim bens, direitos e obrigações desvinculados dos referidos estabelecimentos. Notase que não se trata, portanto, de uma operação semelhante a um trespasse ou a subscrição de capital por bem, como quer a Recorrente JBS S/A, mas sim de uma operação de maior vulto e muito mais complexa. De fato, o CTN não menciona literalmente nem a cisão, nem o drop down em seu art. 132, como faz com as outras figuras de alteração societária, tal como a transformação, figura que também poderia abarcar o caso em tela: “Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 27 26 Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual.” Ademais, entendo ser possível enquadrar o envolvimento das partes na cisão ora analisada nos dizeres do art. 124, conforme também argumentou o Fisco: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” No caso em análise, a Bertin Ltda. e a Bertin S/A, “cindida e cindenda” respectivamente, possuem interesse comum na operação, na medida em que essa beneficiou as duas de forma direta e específica. Ademais, o Decreto nº 1.598/77, que versa sobre imposto de renda, é explícito ao afirmar que a responsabilidade é solidária nos casos de cisão parcial. Art 5º Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: § 1º Respondem solidariamente pelos tributos da pessoa jurídica: (...) b) a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial (...)” Desta maneira, entendo que a responsabilidade tributária, nos casos de cisão parcial e/ou transformação, é solidária. Como já se mencionou, em minha opinião, o drop down é ainda uma construção doutrinária no Brasil, portanto, não há legislação pátria versando sobre sua natureza jurídica, em sobre a responsabilidade tributária nestes casos. Ocorre que, considerando sua semelhança com o trespasse, muitos a enquadram no art. 133 do CTN, que versa sobre sucessão no caso de aquisição de estabelecimento empresária: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 28 27 comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Notese, no entanto, que não é esse o caso ora apreciado, já que a operação não se enquadra nas figuras mencionadas no caput do artigo acima transcrito (não se trata de sucessão empresarial, mas sim na transferência de ativos e passivos). Visando afastar a responsabilidade solidária decorrente da cisão parcial, a JBS S/A asseverou que a conferência de ativos foi deliberada pela Junta Comercial. Portanto, entendeu que não caberia a alteração cadastral. Como é cediço, a Junta Comercial apenas averba os arranjos societários, não exerce nenhum tipo e controle ou juízo de valor sobre os atos registrados. De outro lado, porém, considerando a semelhança da operação com a cisão parcial, tem razão a recorrente quando defende a limitação da responsabilidade tributária à parcela do patrimônio vertido. Com referência à alegação de ilegalidade da aplicação de juros sobre a multa de ofício, tem razão a recorrente, na medida em que o caput do art. 161 do CTN somente permite a exigibilidade dos juros de mora sobre o valor do tributo devido. Reiterese, ainda, que não se verifica concomitância entre o objeto do presente litígio e matéria levada ao Poder Judiciário, por inexistir prova nos autos neste sentido, apesar de alegado pela recorrente. Por fim, vale mencionar que relativamente a todas as alegações de inconstitucionalidades, os órgãos administrativos não possuem competência para se manifestarem sobre o tema. Neste sentido: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL aos Recursos Voluntários, mantendose os créditos tributários, mas reconhecendose a limitação da responsabilidade tributária à parcela do patrimônio vertido. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 29 28 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 30 29 passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 31 30 § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraçã o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 32 31 Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 33 32 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia ao entendimento da ilustre Relatora e à maioria dos componentes desta Turma, divirjo quanto à atribuição de responsabilidade tributária à empresa resultante de Drop Down. Lembrese que a responsabilidade tributária nestes autos foi atribuída da forma seguinte, conforme trecho de Termo de Sujeição Passiva Solidária: “Para fins de responsabilidade tributária, entendemos cabível a aplicação do artigo 124, inciso I do CTN, pois há interesse comum da empresa Bertin Ltda. E da empresa Bertin S/A nos fatos geradores relacionados às dívidas tributárias anteriores à cisão (que já estavam constituídas ou não na data da cisão, mas de fatos geradores anteriores à referida operação). Também entendemos cabível a aplicação do artigo 124, inciso II combinado com o artigo 5º do DecretoLei n º 1.598/77 e com o artigo 132 do CTN, quanto à responsabilidade tributária solidária da Bertin S/A pelas dívidas tributárias da Bertin Ltda. Até a data do evento. O artigo 5º, inciso III, do citado DecretoLei, sequer prevê a necessidade de redução do capital pela empresa cindida, apenas prescreve a necessidade de que a empresa cindenda incorpore parcela do patrimônio da empresa cindida para que ela seja responsável tributaria solidaria. Observamos ainda que o paragrafo único do artigo 132 do CTN privilegia a continuidade da responsabilidade tributaria solidaria, mesmo havendo extinção da pessoa jurídica, e desde que haja tal continuidade na atividade sob qualquer razão ou firma. É nesse comando legal que devemos abstrair o espirito da norma e interpretar o artigo 132 do CTN quanto à responsabilidade tributária, qual seja, HAVENDO CONTINUIDADE NA ATIVIDADE SOUBRE OUTRA ROUPAGEM SOCIETÁRIA, HAVERÁ RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA” Ocorre que a responsabilidade tributária por interesse comum, tratada pelo artigo 124, I, do Código Tributário Nacional restringese à hipótese de sujeitos no mesmo polo da relação jurídica, tendo este sido eleito pelo legislador como elemento subjetivo da regra matriz de incidência tributária . Sobre o assunto, são os lapidares ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho: “O interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstancias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale, sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU em que duas ou mais pessoas são Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 34 33 proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre os sujeitos que estiveram no mesmo polo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóves, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.” (Curso de Direito Tributario, 21ª. edição, Saraiva, São Paulo, 2009, p. 349) A respeito do tema, decidiu a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 35 34 no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. (...) 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.” (Recurso Especial n. 884.845, Rel. Ministro Luix Fux, Primeira Turma, DJ de 18.02.2009) No caso destes autos, o ilustre Agente Fiscal vislumbrou interesse comum entre a Bracol Ltda. e a Bracol S.A, sendo esta última resultante de uma suposta cisão da primeira. A ilustre relatora do recurso ora julgado entendeu que “a Bertin Ltda. e a Bertin S/A, “cindida e cindenda” respectivamente, possuem interesse comum na operação, na medida em que essa beneficiou as duas de forma direta e específica”. Adianto que divirjo da qualificação da operação como cisão, eis que a falta de previsão especifica na legislação não altera a liberdade de contratar e a natureza da operação como Drop Down. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 36 35 Ora, inexiste interesse jurídico comum entre a Bracol Ltda. e a Bracol S.A, eis que componentes de diferentes polos na relação jurídica instaurada pelo negócio jurídico analisado (Drop Down), aferindose a inexistência de responsabilidade tributária na forma do artigo 124, I, Código Tributário Nacional. O que parece tenha sido vislumbrado pelo Agente Fiscal Autuante é o interesse econômico comum, que é insuficiente para sustentar a responsabilidade tributária. Tampouco se sustenta a responsabilidade tributária no caso dos autos pela aplicação conjunta dos artigos 124, II, do Código Tributário Nacional, 5º do DecretoLei n º 1.598/77 e artigo 132 do CTN. Ressaltese que a responsabilidade tributária na hipótese de cisão tem sido reconhecida com a aplicação destes dispositivos, considerando que o Código Tributário Nacional foi elaborado anteriormente à Lei n. 6.404/1976, que inseriu a figura da cisão no ordenamento jurídico, como também por força da expressa dicção do artigo 5º do DecretoLei, que, autorizado pelo artigo 124, I, do Código Tributário Nacional, prevê: Art 5º Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: I a pessoa jurídica resultante da transformação de outra; II a pessoa jurídica constituída pela fusão de outras, ou em decorrência de cisão de sociedade; III a pessoa jurídica que incorporar outra ou parcela do patrimônio de sociedade cindida; (...) § 1º Respondem solidariamente pelos tributos da pessoa jurídica: a) as sociedades que receberem parcelas do patrimônio da pessoa jurídica extinta por cisão; b) a sociedade cindida e a sociedade que absorver parcela do seu patrimônio, no caso de cisão parcial; c) os sócios com poderes de administração da pessoa extinta, no caso do item V. Com efeito, em hipótese de cisão, decidiu o Superior Tribunal de Justiça pela possibilidade de atribuição de responsabilidade tributária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRESCRIÇÃO. CISÃO DE EMPRESA. HIPÓTESE DE SUCESSÃO, NÃO PREVISTA NO ART. 132 DO CTN. REDIRECIONAMENTO A SÓCIO GERENTE. INDÍCIOS SUFICIENTES DE FRAUDE. 1. O recurso especial não reúne condições de admissibilidade no tocante à alegação de que restaria configurada, na hipótese, a prescrição intercorrente, pois não indica qualquer dispositivo de lei tido por violado, o que atrai a incidência analógica da Súmula 284 do STF, que diz ser Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 37 36 "inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. (Recurso Especial n. 852.972, rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ de 08.06.2010) Nada obstante, a operação ora em análise destoa da cisão, não sendo possível a extensão da responsabilidade tributária tratada expressamente pelo DecretoLei 1.598/1977. Como consta do artigo 124, II, do Código Tributário Nacional, “são solidariamente obrigadas (...) as pessoas expressamente designadas por lei.” Se a lei atribuiu responsabilidade à “sociedade cindida” e à “sociedade que absorver parcela do seu patrimônio no caso de cisão parcial” (artigo 5º, §1º, alínea a, do DecretoLei n. 1.598/1977), apenas na hipótese de subsunção de eventos a esta norma, admitirseá a responsabilidade tributária. Ponderese que a Lei das Sociedades Anônimas (6.404/1976) trata de forma distinta a cisão (conforme artigos 229 e seguintes) e a subscrição e integralização de bens de aumento de capital. Se a Lei n. 6.404/1976 distingue as citadas operações, e é evidente nos autos que ocorreu operação ajustada ao artigo 8º, da Lei 6.404/1976, não há como se manter a atribuição de responsabilidade tributária por equiparação entre cisão e Drop Down. Acrescentese que a proteção aos credores da pessoa jurídica cindida, conferida pelo artigo 229, § 1º da Lei 6.404/1976 e pelo artigo 5º do DecretoLei 1.598, justificase na medida em que o capital social é diminuído1 e, assim, deixaria de garantir o cumprimento das obrigações pela cindida. De forma totalmente distinta é o Drop Down, pois o capital social permanece inalterado. Esta constatação reforça a impropriedade da equiparação das operações para fins de responsabilização tributária. Apenas em reforço, destaquemse as considerações de Alexandre Tavares Guerreiro, em parecer trazido aos autos pela Recorrente JBS S.A.: “31. Na verdade, a formação do capital da sociedade que recebe a transferência patrimonial, no Drop Down, obedece exclusivamente aos requisitos legais atinentes à subscrição e integralização de bens de aumento de capital (e.g. Art. 8º da Lei de Sociedades Anônimas) sendo absolutamente irrelevante, para esse fim, a digressão em torno da distinção entre capital próprio e capital de terceiros. (...) No caso, ao contrário do que sucederia na cisão, não são os acionistas da sociedade subscritora que recebem ações da sociedade receptora, mas a própria sociedade subscritora. Essa vem a ser a 1 Lei n. 6.404/1976: “Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão.” Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 15868.720125/201198 Acórdão n.º 1101001.046 S1C1T1 Fl. 38 37 fundamental distinção entre o Drop Down (que funciona dessa forma) e a cisão parcial, sendo que, neste último caso, existe efetivamente, de modo expresso, claro e incontroverso, divisão do capital social. E, naturalmente, ao contrario do que acontece no Drop Down, na cisão são os acionistas da sociedade subscritora (e não ela própria) que recebem as ações emitidas pela sociedade receptora, de conformidade, aliás, com o que vem expresso no § 5º do art. 229 da Lei de Sociedades Anônimas. 37. Dessa forma, a transferência de parte do ativo líquido à Bertin s.A., na forma já descrita, não recai sob a disciplina da cisão, a qual, no caso de versão parcial (como a que ocorreu), categoricamente requer, para a adequação da operação ao tipo legal, a divisão do capital. Não há como confundir essa mesma divisão do capital com a substituição de valores patrimonicais por participações societárias – e isso foi exatamente o que se deu”. Por tais razões, divirjo da Conselheira Relatora, para o fim de acolher o recurso voluntário interposto pela JBS S.A., reconhecendo que não há responsabilidade tributária. (documento assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digi talmente em 13/03/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS AUR ELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900384/2008-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE LIDE. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO
A lide é instaurada com a apresentação tempestiva da Manifestação de Inconformidade. Não se conhece de Recurso Voluntário quando inexistente lide.
Numero da decisão: 3803-005.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 AUSÊNCIA DE LIDE. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO A lide é instaurada com a apresentação tempestiva da Manifestação de Inconformidade. Não se conhece de Recurso Voluntário quando inexistente lide.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO A lide é instaurada com a apresentação tempestiva da Manifestação de Inconformidade. Não se conhece de Recurso Voluntário quando inexistente lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Corintho Oliveira Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 84 /2 00 8- 51 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Trata de PER/DCOMP transmitido com a finalidade de compensar débitos administrado pela RFB, com crédito de PIS/PASEP recolhido indevidamente. À fl. 12 está anexo Despacho Decisório, por meio do qual não foi homologado integralmente o pedido de compensação, sob o argumento de que foram localizados pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Cumpre informar que o contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório em 05.05.2008, conforme se retira do Aviso de Recebimento anexo aos autos à fl 13, enviado para a Avenida Targino Vilela Nunes, 57, Vila Nunes, LorenaSP, CEP n° 12.603000, mas protocolizou a Manifestação de Inconformidade somente em 11.06.2008 Em sua Manifestação de Inconformidade o contribuinte anexa às fls. 14/15 o contribuinte não discorre a respeito do motivo da intempestividade, mas apenas em relação ao mérito do lide. Já às fls. 29/32 está anexo o Acórdão 0535.989 – 7ª Turma da DRJ de Campinas, por intermédio do qual foi indeferido o pedido formulado, sob o argumento de que a Manifestação de Inconformidade é INTEMPESTIVA. Com efeito, os julgadores de primeiro grau compreenderam que com a Manifestação de Inconformidade intempestiva não se instaura a fase litigiosa do processo administrativo. Contudo, o Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente e está anexo às fls. 37/40, embora o AR referente a intimação do acórdão da DRJ tenha sido encaminhado para a Avenida Targino Vilela Nunes, 57, Vila Nunes, LorenaSP. No Recurso Voluntário, o contribuinte também silencia a respeito dos motivos da intempestividade da Manifestação de Inconformidade e discorre exclusivamente a respeito do seu direito creditório. Este é o relatório. Voto Conselheiro, Juliano Eduardo Lirani Compulsando os autos, concluise que não há vício na intimação do Despacho Decisório realizada via postal, principalmente em razão de que o contribuinte não apresentou nenhuma prova de que o AR foi encaminhado para endereço diverso daquele que consta como sendo o seu domicílio tributário. Além do que, o Recurso Voluntário foi apresentado tempestivamente, muito embora a intimação do acórdão da DRJ tenha sido encaminhado para a Avenida Targino Vilela Nunes, 57, Vila Nunes, LorenaSP, CEP n° 12.603000, ou seja, o mesmo endereço para o qual foi endereçado o AR pertinente a intimação do Despacho Decisório. Neste passo, caso o contribuinte tivesse demonstrado prova capaz de elidir a intempestividade de sua Manifestação de Inconformidade, certamente que caberia a este colegiado ingressar ao mérito da discussão. Todavia, assim não procedeu, pois ao invés do Fl. 47DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10860.900384/200851 Acórdão n.º 3803005.561 S3TE03 Fl. 47 3 procurador da empresa se esforçar em comprovar o “suposto” erro cometido pelo funcionário do Correio, optou por discorrer a respeito do mérito da não homologação da compensação. Assim, agiram com acerto os julgadores de primeiro grau, já que por força da legislação não se instaurou a fase litigiosa no presente processo administrativo. Ante o exposto, não conheço do recurso em face da ausência de lide. Sala das sessões, 26 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani Relator Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 27/02/20 14 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000602/2009-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 12/02/2009, 10/03/2009
MULTA ADMINISTRATIVA ERRO NO PREENCHIMENTO DO REGISTRO DE CONHECIMENTO DE CARGA
Retificações efetuadas no Siscomex Carga fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil equivale a ausência de informação, inserindo-se no tipo infracional previsto na alínea "e", do inciso IV, do art. 107, do Decreto-Lei n°37/66.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE
Não se aplica o instituto da denúncia espontânea nas infrações derivadas de retificação do registro de conhecimento de carga protocolada após a formalização da entrada do navio procedente do exterior. Aplicação do parágrafo 3º do artigo 683 do Regulamento Aduaneiro.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3101-001.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Vanessa Albuquerque Valente.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 06/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 12/02/2009, 10/03/2009 MULTA ADMINISTRATIVA ERRO NO PREENCHIMENTO DO REGISTRO DE CONHECIMENTO DE CARGA Retificações efetuadas no Siscomex Carga fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil equivale a ausência de informação, inserindo-se no tipo infracional previsto na alínea "e", do inciso IV, do art. 107, do Decreto-Lei n°37/66. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE Não se aplica o instituto da denúncia espontânea nas infrações derivadas de retificação do registro de conhecimento de carga protocolada após a formalização da entrada do navio procedente do exterior. Aplicação do parágrafo 3º do artigo 683 do Regulamento Aduaneiro. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPOSSIBILIDADE Não se aplica o instituto da denúncia espontânea nas infrações derivadas de retificação do registro de conhecimento de carga protocolada após a formalização da entrada do navio procedente do exterior. Aplicação do parágrafo 3º do artigo 683 do Regulamento Aduaneiro. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e Vanessa Albuquerque Valente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 02 /2 00 9- 53 Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 06/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente), José Henrique Mauri (suplente), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 25/03/2009, por não prestação de informação sobre carga transportada na forma e prazo estabelecidos pela RFB (fls. 0209) no valor total de R$ 10.000,00. O fato que motivou o referido lançamento foi o protocolo, em 12/02/2009, de pedido de retificação do CE 160905006549876, BL SEN1JANR903446505, para alteração do Peso Bruto da Carga no contêiner (protocolos 185983 a 185994, fls.12 a 33); e o protocolo, em 10/03/2009, de pedido de retificação do CE 160905021876939, BL HLCUHA5090201259 (protocolo 187602, fls.55), para alteração da quantidade de volumes de 32 para 51. Em consulta ao Siscomex, a fiscalização verificou que já havia vinculações do CE a uma DI e, como nos termos do art. 50 da IN 800/2007 a prestação das informações deve se dar antes da atracação da embarcação, a vinculação do CE a uma DI impediu a retificação. Alega a fiscalização que a agência de navegação autuada deixou de prestar informação sobre carga transportada relativa aos conhecimentos eletrônicos (CE) 160905006549876 e 160905021876939, quando da solicitação de retificação do peso bruto da carga e da alteração da quantidade de volumes, ensejando o lançamento da multa prevista na alínea 'e' do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei n°37/1966. A empresa autuada foi cientificada pessoalmente em 26/03/2009 e apresentou impugnação em 22/04/2009 (fls. 65 a 70), na qual alega: (i) que o atraso no pedido de retificação se deu por razões alheias à vontade da impugnante uma vez que as informações referentes aos conhecimentos de embarque foram feitas há tempos; (ii) quanto ao CE 160905006549876, que houve erro de digitação quando do registro do CE pois foi considerado o peso bruto/o peso da tara dos contêineres; (iii) quanto ao CE n° 160905021876939, que a alteração da quantidade de volumes de 32 para 51 não ocasionou mudança de frete ou peso, o que poderia prejudicar análise fiscal; Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.000602/200953 Acórdão n.º 3101001.621 S3C1T1 Fl. 4 3 (iv) alega atipicidade com o argumento de que não houve ausência de prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, e os registros dos CEs foram efetuados dentro do prazo; (v) argüi denúncia espontânea haja vista que o procedimento fiscal foi iniciado depois de sua comunicação; (vi) argumenta ilegitimidade passiva por ser agência de navegação. A 2ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº0720.167 de 04 de junho de 2010, julgando procedente o lançamento. A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Florianópolis em 08/07/2010 interpôs o Recurso Voluntário em 20/07/2010, onde apresenta as seguintes alegações: (1) sua conduta não se encontra tipificada na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/66, na redação dada pela Lei n° 10.833/03, visto que não deixou de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada, mas apenas fez o pedido de retificação dos dados; (2) o registro dos dados referentes aos CE's constantes do auto de infração foram feitos a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que significa que o procedimento fiscalizatório só ocorreu após a notícia espontânea da Recorrente; e (3) não pode ser cominada a penalidade em questão tendo em vista que a Recorrente não reveste a condição de empresa de transporte internacional e nem é prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta ou agente de carga, mas apenas uma agência de navegação que tem por fim prover todas as necessidades do navio no porto de destino. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Em sessão realizada em 25 de julho de 2013, essa turma converteu o julgamento em diligência para o retorno dos autos à unidade de origem para informar as datas de registro e as datas de desembaraço das Declarações de Importação nºs 09/01506758 e 09/02786410, e anexar documentos que comprovam a vinculação dos CE’s nºs 160905006549876 e 160905021876939 às Declarações de Importação nºs 09/01506758 e 09/02786410. Em atendimento à Resolução, a unidade de origem apresentou as seguintes informações (fls. 164): · A DI nº 09/01506758, o seu registro deuse em 04/02/2009 e o seu desembaraço em 05/02/2009 (fl. 147), com parametrização para o canal verde. E a documentação comprobatória da vinculação da DI com o CE nº 160905006549876 encontrase às fls. 141 e 146. · A DI nº 09/02786410 foi registrada e desembaraçada em 06/03/2009, com parametrização para o canal verde. E a comprovação da vinculação desta DI com o CE nº 160905021876939 encontrase às fls. 149 e 161. Em 04/11/2013, a recorrente apresentou suas considerações acerca do resultado da diligência efetuada (fls. 170 a 171). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Após a conclusão da diligência, a unidade de origem devolveu os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A controvérsia em discussão nestes autos referese à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda, representando a empresa de navegação, por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. A autuada apresentou à unidade aduaneira em 12/02/2009, solicitação de Retificação no CE 160905006549876 (fls 12 a 33), com retificação do peso bruto da carga; e em 10/03/2009, solicitação de Retificação no CE 160905021876939 (fls.55), com alteração da quantidade de volumes de 32 para 51. A Instrução Normativa RFB n° 800/2007, alterada pela IN RFB n° 899, de 29 de dezembro de 2008, dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, estabelecendo os seguintes prazos: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: [...] lI as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.000602/200953 Acórdão n.º 3101001.621 S3C1T1 Fl. 5 5 (..) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos e respectivos CE a descarregar em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e [...]. No entanto, até 31/12/2008, a prestação de informações sobre as alterações do CE poderia ser feita até antes da atracação, não isentando da penalidade quando houver descumprimento desse prazo, conforme definido no parágrafo único do art. 50 da citada Instrução Normativa: Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de janeiro de 2009. Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: [...] II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. De acordo com o especificado na mesma IN, após a atracação, o interessado deveria solicitar a retificação no sistema, conforme segue: Art. 23. O transportador solicitará retificação de informações prestadas no sistema sempre que pretender: [...] III alterar ou excluir CE relativo a carga procedente do exterior, após o registro da atracação da embarcação: a) na primeira escala no País, no caso de conhecimento único ou genérico; ou b) no porto de destino final do conhecimento genérico, no caso de conhecimento agregado; ou [...] Art. 24. A solicitação de retificação efetuada pelo transportador no sistema, por meio de certificado digital, equivale à apresentação de carta de correção nos termos da legislação aduaneira e produz os mesmos efeitos legais. No presente caso, segundo informação da fiscalização, o Conhecimento Eletrônico nº160905006549876 já se encontrava vinculado à DI nº 09/01506758, e o Conhecimento Eletrônico nº1160905021876939 já se encontrava vinculado à DI nº 09/02786410, caracterizando o impedimento previsto no artigo 25 da referida Instrução Normativa, in verbis: Art. 25. São aspectos formais que impedem a solicitação de retificação: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 I o CE encontrarse vinculado a DI, DSI ou a declaração de trânsito aduaneiro; [...] De acordo com a referida IN, quando o CE estiver vinculado à Dl, a alteração somente será processada mediante solicitação por escrito de alteração dos dados, e não eximirá o transportador da responsabilidade pelos tributos e penalidades, conforme definido no § 3° do art. 27, in verbis: Art. 27. Descumpridos os aspectos formais, o transportador poderá solicitar alteração à RFB, por escrito, somente para cargas estrangeiras ou de passagem. § 1º Não será aceito pedido de alteração que produza efeitos fiscais. § 2º Deferido o pedido previsto no caput deste artigo, a RFB alterará os dados no sistema. § 3º A alteração e a retificação autorizadas no sistema não eximem o transportador da responsabilidade pelos tributos e penalidades cabíveis. A recorrente alega que não deixou de prestar informações sobre veículo ou carga nele transportada. Apenas fez o pedido de retificação dos dados, já que haviam sido vinculadas as Declarações de Importação, hipótese diferente da prevista na penalidade cominada, a teor do art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei n°37/66, com redação dada pela Lei n° 10.833/03, que dispõe que a infração somente é devida pela não prestação de informação, não havendo, portanto, previsão no que concerne à retificação da informação anteriormente prestada. O tipo infracional previsto no DecretoLei n.° 37/66 é "deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Só por esta descrição já se percebe que as informações estabelecidas pela Receita Federal como necessária sobre veículo ou carga deverão ser fornecidas pelo transportador ou prestador de serviços de transporte. Esta informação, obviamente, é aquela que traduz a realidade da operação. O parágrafo primeiro do artigo 45 da referida Instrução Normativa trata da sujeição do transportador, depositário e operador portuário à penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, pelo descumprimento da prestação de informações sobre a carga transportada e prestação fora do prazo, in verbis: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. [...]. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10907.000602/200953 Acórdão n.º 3101001.621 S3C1T1 Fl. 6 7 A IN 800/2007 estabeleceu que as alterações feitas no Siscomex Carga fora do prazo determinado se igualam à ausência de informação tempestiva. Dessa forma, considerase que a alteração solicitada pela recorrente na informação do CE 160905006549876 e do CE 1160905021876939 configurase prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inserindose no tipo infracional previsto na alínea "e", do inciso IV, do art. 107, do DecretoLei n°37/66. Entretanto, o presente caso deve ser analisado também à luz da denúncia espontânea. Até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, a caracterização da denuncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea. O artigo 683 do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009) regulamentou o instituto da denúncia espontânea nos procedimentos aduaneiros, inclusive com a alteração processada pela Lei nº 12.350/2010, que incluiu a previsão para multas administrativas (aduaneiras). Entretanto, seu parágrafo 3º expressamente determinou que não mais se teria espontânea a denúncia da infração imputável ao transportador depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior. Tratase de uma medida de controle aduaneiro, cujo fundamento é o art. 237 da Constituição Federal. Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de multas de natureza tributária ou administrativa, com exceção das aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3o Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 A recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda solicitou a retificação do CE nº160905006549876 em 12/02/2009, antes da lavratura do Auto de Infração que ocorreu em 25/03/2009, com ciência em 26/03/2009, mas posterior à formalização da entrada do veículo procedente do exterior 03/02/2009. Também a retificação do CE nº 160905021876939 foi solicitada em 10/03/2009, antes da lavratura do Auto de Infração que ocorreu em 25/03/2009, com ciência em 26/03/2009, mas posterior à formalização da entrada do veículo procedente do exterior 05/03/2009. No presente caso, a retificação solicitada foi protocolada após a formalização da entrada do navio procedente do exterior, não caracterizando a denúncia espontânea por expressa determinação do parágrafo 3º do artigo 683 do Regulamento Aduaneiro. Quanto à responsabilidade da agencia marítima, o argumento exposto no recurso voluntário é improcedente, uma vez que é da agência marítima a obrigação de informar os dados dos conhecimentos e manifestos eletrônicos, conforme o artigo 13 da IN RFB n° 800/2007. Já o artigo 4° da referida IN estabelece que a empresa de navegação estrangeira é representada no País pela agência de navegação ou agência marítima. Também destacase o artigo 5° da IN, que expressamente estabelece que qualquer referência ao transportador abrange também a agência de navegação (agência marítima). Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Sala das sessões, em 27 de março de 2014. [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/05 /2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 11080.929116/2009-42
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 16 /2 00 9- 42 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 3803005.951 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2004 a 30/09/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 10 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 8 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço determinado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 3803005.951 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 3803005.951 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 3803005.951 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.929116/200942 Acórdão n.º 3803005.951 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 15/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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