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6481722 #
Numero do processo: 16327.720663/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010 ÁGIO EM INVESTIMENTO. AMORTIZAÇÃO. PRESENTES OS REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE. É permitida a amortização do ágio quando a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, em conformidade com as disposições do art. 386, inc. III, do RIR/99. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010 CSLL. BASE DE CÁLCULO. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos em lei. A base de cálculo do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL, nem mesmo as regras previstas no Decreto-Lei n° 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem assim as regras previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. À inexistência dos fatos impositivos previstos em lei, afasta-se o cabimento da multa de ofício e por consequência os juros de mora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. É improcedente a alegação de ocorrência de preclusão do poder de o Fisco questionar fatos passados que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, tal como sucedido no presente caso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1302-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Rui Barreto, OAB/SP 157.658 e pela Fazenda Nacional o procurador Marco Aurélio Zortea Marques. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 3          2 previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização  em algumas hipóteses.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  À  inexistência  dos  fatos  impositivos  previstos  em  lei,  afasta­se o cabimento da multa de ofício e por consequência  os juros de mora.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2009, 2010  DECADÊNCIA.  FATOS  PASSADOS  COM  REPERCUSSÃO  EM  EXERCÍCIOS  FUTUROS.  FISCALIZAÇÃO.  É  improcedente  a  alegação  de  ocorrência  de  preclusão  do  poder de o Fisco questionar fatos passados que repercutam  em  lançamentos  contábeis  de  exercícios  futuros,  tal  como  sucedido no presente caso.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  DAR  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  voto  do  relator. Vencidos  os  Conselheiros  Marcelo  Calheiros  Soriano,  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich  e  Luiz  Tadeu  Matosinho  Machado.  Fez  sustentação  oral  pela  recorrente  a  advogada Ana  Paula Rui Barreto, OAB/SP  157.658 e pela Fazenda Nacional o procurador Marco Aurélio Zortea Marques.  (documento assinado digitalmente)  LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho  Machado  (Presidente),  Ana  de  Barros  Fernandes  Wipprich,  Alberto  Pinto  Souza  Júnior,  Marcelo  Calheiros  Soriano,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Rogério  Aparecido  Gil,  Talita Pimenta Félix    Relatório  Fl. 570DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 4          3 Versa  o  presente  processo  sobre  recurso  voluntário,  interposto  pela  contribuinte face ao Acórdão nº 32­61.694 da 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte MG, cuja  ementa a seguir transcrita refere à dedução (IRPJ e CSLL) das despesas de amortização do ágio  gerado originalmente na aquisição do Banco do Estado do Ceará (BEC) pelo Banco Bradesco  (Bradesco) e posteriormente transferido para a impugnante:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2009, 2010  ÁGIO  EM  INVESTIMENTO.  AMORTIZAÇÃO.  REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE.  A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para  a apuração do lucro real, a teor do disposto no art. 391 do  RIR/99. A possibilidade de deduzi­lo prevista no  art.  386,  III,  do RIR/99  refere­se  estritamente  à  hipótese  em  que  a  pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de  incorporação,  fusão ou cisão, na qual detenha participação  societária  adquirida  com  ágio  fundamentado  em  rentabilidade  da  coligada  ou  controlada  com  base  em  previsão  dos  resultados  nos  exercícios  futuros.  Não  configurada tal hipótese, não é permitida a dedução.  Assunto:  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL  Ano­calendário: 2009, 2010  CSLL.  ADIÇÃO  DE  DESPESAS  DE  AMORTIZAÇÃO  DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA.  A  adição,  à  base  de  cálculo  da  CSLL,  de  despesas  com  amortização  de  ágio  deduzidas  indevidamente  pela  contribuinte  encontra  amparo  nas  normas  que  regem  a  exigência da referida contribuição.  LANÇAMENTO  REFLEXO.  MESMOS  EVENTOS.  DECORRÊNCIA.  A  ocorrência  de  eventos  que  representam,  ao  mesmo  tempo,  fatos  geradores  de  vários  tributos  impõe  a  constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão  quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de  todos  os  tributos  a  eles  vinculados. Assim,  o  decidido  em  relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  aplica­se  à  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL.  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Ano­calendário: 2009, 2010  Fl. 571DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 5          4 DECADÊNCIA.  FATOS  PASSADOS  COM  REPERCUSSÃO  EM  EXERCÍCIOS  FUTUROS.  FISCALIZAÇÃO.  O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos  em  períodos  passados  quando  eles  repercutirem  em  lançamentos  contábeis  de  exercícios  futuros,  devendo  conservar  os  documentos  de  sua  escrituração,  até  que  se  opere  a  decadência  do  direito  de  a  Fazenda  Pública  constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  Sendo a multa de ofício classificada como débito para com  a  União,  decorrente  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil,  é  regular  a  incidência  dos  juros  de  mora  calculados  pela  taxa Selic, a partir de seu vencimento.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Na  forma  sintetizada  pela  DRF,  o  ágio  em  questão  foi  gerado  a  partir  da  seguinte operação: o Banco Bradesco S.A. (Bradesco) desembolsou com as compras de ações  do  Banco  do  Estado  do  Ceará  S.A.  (BEC)  um  valor  total  de  R$  787.066.762,23.  O  valor  patrimonial  das  ações  adquiridas  era  de  R$  85.385.961,27,  tendo  sido  apurado  um  ágio  no  Valor  de  R$  668.034.512,70  (...)  Os  trabalhos  de  avaliação  econômico­financeira  do  BEC  foram realizados pelo Consórcio formado pelas empresas de auditoria Deloitte e BDO Trevisan  e pelos escritórios de advocacia Souza Campos e Zalcberg, conforme Contrato Bacen/PND n°  03/2001. O consórcio citado avaliou o BEC utilizando­se da combinação dos três métodos mais  utilizados  no mercado:  lucratividade  (rentabilidade  futura),  ativos  e mercado"  (fls.  6  e  7,  do  TVF).  A  recorrente  foi  notificada  do  acórdão  da DRJ,  em  26/11/2014  (fl.  408)  e  regularmente representada (procuração e substabelecimentos, às fls. 223/228; estatuto social e  atas  de  assembléias  gerais,  às  fls.  224/249),  interpôs  recurso  voluntário  em  23/12/2014  (fls.  411/491), cujas razões resumidamente exposta a seguir.  Decadência  Preliminarmente, alega decadência do direito de o Fisco questionar os valores  de  ágio  amortizados  pela  recorrente  em  2009  e  2010  (IRPJ  e  CSLL),  pelo  fato  de  ter  sido  intimado  somente  em  06/08/2014  (fl.  140)  do  auto  de  infração  que  glosou  ágio  gerado  em  21/12/2005, 31/01/2006 e 22/05/2006, datas  em que o Bradesco  adquiriu  ações  (99,54%) de  emissão do BEC e registrou ágio de R$ 668.034.512,70.  Sustenta  que  o  ágio  passou  a  produzir  efeitos  tributários  a  partir  de  30/11/2006 e, por considerar aquela data como o termo inicial, alega que teria  transcorrido o  prazo decadencial de cinco anos entre o  fato que propiciou o surgimento do ágio em 2005 e  2006  e  a  ciência  dos  autos  de  infração  em  questão  (06/08/2014).  Argumenta  que  esse  entendimento estaria respaldo pelo artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional ­ CTN.  Fl. 572DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 6          5 A síntese  da  tese  sobre  decadência  sustentada  pela  recorrente,  portanto,  foi  apresentada nos seguintes termos:  Assim, considerando­se que os "fatos geradores" do IRPJ e  da  CSLL  correspondem,  em  síntese,  à  obtenção  de  resultados  que  provocam  acréscimo  patrimonial,  a  contagem  do  prazo  decadencial  em  relação  aos  referidos  tributos deve ter início a partir do momento em que os fatos  jurídicos  tributários  formadores  deste  acréscimo  patrimonial forem reconhecidos. Ou seja, no presente caso,  a partir do fato jurídico impugnado (origem do ágio).  Com esse entendimento em relação à contagem do prazo decadencial para o  início da fiscalização a recorrente requer o acolhimento de preliminar para que seja declarada a  nulidade do auto de infração em questão.  Mérito  Dedução das Amortizações de Ágio  No mérito, a recorrente apresenta suas  razões de recurso, à  frente  relatadas,  com  o  objetivo  de  obter  a  reforma  dos  seguintes  entendimentos  e  conclusões  da  DRF,  ratificados pela DRJ no acórdão recorrido:   a)  as  condições  estipuladas  nos  artigos  7º  e  8º  da  Lei  n°  9.532/97  não  estavam presentes no processo de reorganização societária da recorrente. Isto  porque a operação negocial/societária que deu ensejo ao ágio foi a aquisição  do Banco BEC pelo Banco Bradesco;  b)  a  regra  especial  dos  artigos  7°  e  8°  só  poderia  ser  aplicada  se  os  fenômenos de absorção patrimonial tivessem ocorrido entre eles (Bradesco e  BEC).  Não  existe  previsão  legal  que  autorize  o  aproveitamento  deste  'benefício  fiscal' por pessoas  jurídicas outras que não  tivessem sido agentes  do  negócio  jurídico  de  aquisição  de  participação  societária,  quer  como  adquirente, quer como adquirida. Nem tampouco existe previsão para que um  investimento adquirido apenas indiretamente, como foi o caso da Alvorada ao  final de um processo de planejamento tributário amortizar tal ágio indireto;  c)  a operação inicial (aquisição de ações do BEC pelo Bradesco) foi efetuada  entre  partes  independentes,  tendo  o  adquirente  efetivamente  pago  nas  aquisições valor  superior ao patrimônio  líquido, decorrendo daí um ágio. A  regra  especial  prevista  no  art.  7°  da  Lei  n°  9.532/97  somente  poderia  ser  aplicada  se  a  absorção  patrimonial  tivesse  ocorrido  entre  eles  (fl.  14  do  acórdão);  d)  em  virtude  da  inexistência  de  previsão  legal  que  autorizasse  o  aproveitamento  do  benefício  fiscal  por  pessoas  jurídicas  outras  que  não  o  adquirente  ou  o  adquirido,  não  há  a  possibilidade  de  transferência  de  ágio.  Assim, a recorrente teria amortizado indevidamente o ágio pago na aquisição  do  Banco  do  Estado  do  Ceará  S.A.  (BEC)  pelo  Banco  Bradesco  S.A.  (Bradesco);  Fl. 573DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 7          6 e)  concluiu que a amortização do ágio na Alvorada Cartões não atende aos  requisitos de dedutibilidade dos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97, devendo  ser  adicionada  de  ofício  ao  lucro  líquido  na  determinação  das  bases  tributáveis de IRPJ e da CSLL (fls. 9 e 10, do TVF).  Tese de Defesa da Recorrente  Em  defesa,  a  requerente  apresenta  os  fatos  e  fundamentos  a  seguir  sintetizados:  a)  o  ágio  em  questão  teve  origem  em  operação  com  efetivo  pagamento  à  União  Federal  (que  recebeu  o  preço  integral  à  vista  ­  fls.  14  do  acórdão),  motivo  pelo  qual  a  sua  amortização  fiscal  é  um  direito  a  ser  garantido  à  recorrente;  b)  7/03/2005 ­ edital de Abertura do Processo de Alienação das Ações do  Capital  Social  do  Banco  BEC,  então  controlado  pela  União:  a  sua  aquisição permitiu ao Grupo Bradesco ampliar a sua participação no Estado  do Ceará, principalmente no seu  interior, onde possuía penetração reduzida.  Este fator contribuiu para que o Grupo Bradesco alavancasse a sua posição,  de forma similar ao que já havia ocorrido nos Estados da Bahia, Maranhão e  Amazonas;  c)  21/12/2005  ­  aquisição  pelo  Bradesco,  de  ações  detidas  pela  União  Federal  correspondentes  a  89,71%  do  capital  social  do  Banco  BEC,  pelo  valor  total  de  R$  700  milhões.  Informa  que  entre  as  empresas  do  grupo,  somente  o  Bradesco  atendia  as  exigências  do  edital,  quanto  existência  à  capacidade  econômico­financeira,  sem  a  necessidade  de  integralização  de  capital, o que, caso ocorresse, poderia prejudicar o sigilo do lance;  d)  a amortização fiscal do ágio certamente é considerada na composição do  preço oferecido por qualquer  concorrente na  aquisição de uma empresa  em  processo  de  privatização,  como  um  fator  de  incentivo  ao  pagamento  de  maiores preços;  e)  31/01/2006  ­  Bradesco  adquire  mais  44.982  ações  do  BEC,  por  R$381.854,98 (nova aquisição com ágio);  f)  11/04/2006 ­ Bradesco registra Oferta Pública de Aquisição  (OPA) de  Ações Ordinárias  e  Preferenciais  de  emissão  do Banco  BEC.  Informa  que,  assim  procedendo,  teria  seguido  os  estritos  parâmetros  do  mercado  de  capitais;  g)  22/05/2006 ­ Bradesco adquire 9.433.507 ações ON e 109.721 ações PN  do BEC por meio da OPA, pelo valor de R$86.684.907,25  (nova  aquisição  com ágio);  h)  ao  final  do  referido  processo,  o  Bradesco  passou  a  ser  detentor  de  99,54%  das  ações  do  BEC  a  um  custo  total  de  R$787.066.762,23  Fl. 574DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 8          7 (diminuído do montante de R$ 33.646.288,26 correspondente ao deságio dos  títulos  utilizados  na  aquisição),  desmembrado  em  R$85.385.961,72  de  patrimônio  líquido  e  R$  668.034.512,70  de  ágio  pago  com  fundamento  econômico  na  expectativa  de  rentabilidade  futura  da  instituição  financeira  adquirida;  i)  14/09/2006  ­  Bradesco  adquire  quotas  da  Oregon  Holding  Ltda.  ("Oregon")  detidas  pela  empresa  União  Participações  que  se  retirou  da  sociedade. No mesmo instrumento, foi deliberado o aumento de capital da  Oregon  de R$ 6.000,00  para R$ 2.985.387.129,00  subscritos  pelo Banco  e  integralizado mediante conferência de (i) ações do Banco Mercantil de São  Paulo S/A avaliadas a valor contábil; e (ii) ações do BEC também avaliadas  a valor contábil;  j)  informa  que,  de  fato  a  transferência  do  investimento  adquirido  em  processo  de  privatização,  com  o  respectivo  ágio  que  o  acompanhou,  foi  prática comum em quase  todos os casos de aquisições no Brasil, não só no  setor  financeiro,  como  também  nos  demais  setores  (energia,  telecomunicações etc);  k)  22/09/2006  ­  a  recorrente  realizou  a  incorporação  de  ações  da  Oregon, que passou a ser sua subsidiária integral;  l)  informa  que  tal  incorporação  teria  sido  uma  etapa  preparatória  e  intermediária  para  a  consolidação  do  investimento,  pois  a  recorrente  foi  a  empresa escolhida pelo Grupo Bradesco para receber a participação societária  no BEC. Tratava­se de uma empresa operacional;  m)  que  por  ser  vedado  o  aumento  de  capital  em  instituições  financeiras  mediante conferência de bens/ações, o Bradesco não integralizou diretamente  as  ações  do BEC  na Alvorada Cartões  (Lei  n°  4.595/64,  arts.  26,  27  e  28;  Circ. Bacen n° 2.750 e Circ, Cosif n° 1.273, o  aumento de capital  em uma  instituição financeira somente pode ser feito em moeda corrente ou por meio  de  incorporação  de  reservas  e  de  reavaliação  de  parcela  dos  bens  do  ativo  imobilizado.  Não  há  previsão  de  uso  de  ações  para  a  integralização  em  aumento de capital de empresas financeiras);  n)  29/09/2006  ­ a recorrente  incorpora a Oregon. Assim, passou a  ser a  detentora  do  investimento  no  BEC,  com  o  respectivo  ágio.  Ressalta  que,  nesta  operação  teria  ocorrido  a  consolidação  do  investimento  e  correspondente  ágio  em  uma  empresa  distinta  do  Bradesco;  que  esse  procedimento  seria  necessário  por  questões  regulatórias  e  administrativas;  que nesse passo, teria cumprido o propósito negocial pretendido pelo Grupo  Bradesco quando da aquisição do Banco BEC. Frisa que, a esse respeito não  há uma linha sequer no acórdão recorrido;  Fl. 575DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 9          8 o)  30/11/2006  ­  a  recorrente  incorpora  o  BEC.  A  partir  daí,  passou  a  deduzir (IRPJ e CSLL) as amortizações do ágio.  Fundamentos Econômicos  Após descrever os passos havidos até o início da amortização fiscal do ágio  em  questão,  a  recorrente  passou  a  expor  os motivos  de  fato  e de direito  pelos  quais  teria  adotado tais movimentos societários, os quais sintetizamos conforme segue:  a)  os  interessados  na  aquisição  de  ações  do  BEC  deveriam  comprovar  a  capacidade econômico­financeira equivalente a,  no mínimo, R$718 milhões  (item 2.4,  "a" do Edital de Abertura de Processo de alienação das ações do  Banco BEC);  b)  a  recorrente  não  possuía  as  requeridas  condições  patrimoniais.  Juntou  seus  balanços  patrimoniais  de  2004  e  2005  (Doc.  07  da  impugnação).  A  recorrente só participaria do leilão se recepcionasse um aporte de capital no  montante supracitado;  c)  o aumento de capital da recorrente foi descartado, pois caso o Bradesco  aportasse  recursos  em  capitalização  da  recorrente,  restaria  evidente  para  os  demais concorrentes qual seria a proposta a ser apresentada. O sigilo estaria  quebrado;  d)  esse  teria  sido  o  motivo  de  o  Bradesco  ter  sido  escolhido,  dentre  o  Grupo,  eis  que  atendia  ao  requisito  referente  à  capacidade  econômico­ financeira mínima, prevista no Edital, à época do leilão de privatização;  e)  o  planejamento  estratégico  do  Grupo  Bradesco  não  previa  o  desenvolvimento  de  todas  as  atividades  operacionais  diretamente  pelo  Bradesco,  pois  isto  ampliaria,  demasiadamente,  os  riscos  operacionais  da  instituição, com a possibilidade,  inclusive, de "contaminação dos negócios",  em virtude de passivos contingentes existentes na empresa adquirida;  f)  isto porque, tratou­se da aquisição de uma empresa de grande porte, com  gestão e administração próprias e, por exemplo, com diversas questões fiscais  e operacionais que, caso houvesse a incorporação,  teriam que ser resolvidas  pelo adquirente (Bradesco);  g)  a título exemplificativo dos riscos que poderiam surgir para o Bradesco,  a recorrente citou o fato de que o BEC teve "um rombo" de mais de R$ 900  milhões apurado antes do processo de aquisição pelo Grupo Bradesco;  h)  informa  que  a  utilização  de  uma  empresa  de  participações,  a  Oregon  Holding,  revelou­se  necessária,  como  uma  etapa  intermediária,  para  que  a  recorrente  recepcionasse  legalmente  as  ações  do  Banco  BEC  e  do  Banco  Mercantil  S/A,  adquiridas  originalmente  pelo  Bradesco,  já  que,  na  forma  Fl. 576DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 10          9 retro  exposta,  não  era  permitido  o  aumento  de  capital  em  instituições  financeiras mediante conferência de bens/ações;  i)  informa  que  a  Holding  teve  por  finalidade  deter  os  investimentos  e  legitimar  a  sua  transferência  para  a  recorrente.  Alegou,  assim,  que  era  irrelevante a afirmação feita pelo Agente Fiscal no sentido de que: "embora a  Oregon  tenha  sido  constituída  em  fevereiro  de  1993,  as  informações  constantes  nos  sistemas  da  Secretaria  da  Receita  Federai  do  Brasil  não  demonstram que a empresa tivesse qualquer atividade operacional expressiva,  ou até funcionários contratados até a data do aumento do capital." (fls. 3 do  TVF);  j)  sustenta  que,  de  fato,  a  Oregon  foi  a  empresa  utilizada  pelo  Grupo  Bradesco  para  recepcionar  não  só  o  investimento  no  Banco  BEC  como  também no Banco Mercantil  S/A de  forma  a  não  "contaminar"  o Bradesco  com eventuais contingências decorrentes das aquisições, sendo este, portanto,  o seu propósito específico;  k)  alega que, após a  integralização das ações do BEC na Oregon Holding,  tornou­se  possível  transferir  o  investimento  à  recorrente  (por  meio  da  incorporação  societária da Oregon). Ressalta que,  por questões  estritamente  econômicas  e  empresariais,  teria  sido  a  empresa  plenamente  operacional  escolhida  pelo  Grupo  Bradesco  para  controlar  e  incorporar  o  Banco  BEC.  Justifica  que,  tudo  teria  sido  realizado  em  consonância  às  disposições  regulatórias do Bacen, acerca de tais operações;  l)  ressalta que o aproveitamento fiscal de dedutibilidade do ágio gerado na  aquisição  foi mera  consequência  legal dos  atos  societários  praticados.  Frisa  que, houve o mesmo efeito fiscal que seria gerado caso a amortização tivesse  sido  realizada  diretamente  pelo  Banco  Bradesco  S/A.  Destacou  que  essa  hipótese foi admitida como válida, pelo Agente Fiscal e pela própria DRJ;  m)  sustenta  que  as  transferências  do  investimento,  acompanhado  do  respectivo  ágio,  realizadas  no  presente  caso  são  legítimas,  estando  plenamente  amparadas  pela  legislação  de  regência,  em  vigor  à  época  dos  fatos,  e  pela  recente  jurisprudência  administrativa  no  âmbito  das  privatizações; que os requisitos previstos nos artigos 7ºe 8º a Lei n° 9.532/97  foram  devidamente  cumpridos,  de  modo  que  o  procedimento  adotado  (transferências do ágio  e  sua posterior amortização pela Recorrente) não  só  está  em  conformidade  com  as  legislações  fiscais  e  societárias  vigentes  à  época, mas também com as decisões do CARf;  n)  afirma que a Lei n° 9.532/97 não restringe a transferência do ágio, como  entenderam  a  DRF  e  DRJ.  Sustente  que  a  lógica  da  permissão  da  dedutibilidade do ágio, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura,  nas  hipóteses  de  cisão,  fusão  e  incorporação,  nada  mais  é  do  que  o  Fl. 577DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 11          10 reconhecimento  de  que  o  ágio  deverá,  sempre,  acompanhar  o  investimento  que lhe é subjacente ­ o qual justificou seu pagamento;  o)  como  explicação  ao  entendimento  acima,  a  recorrente  apresenta  os  seguintes argumentos.: o valor pago com base na expectativa de rentabilidade  futura,  como  ocorreu  nos  presentes  autos,  está  intrinsecamente  associado  à  expectativa de lucros  futuros gerados por determinado investimento, motivo  pelo qual  a  sua  amortização dar­se­á  em  contrapartida dessa  expectativa  de  lucros  a  serem  gerados  e  tributados.  Citou  o Manual  de Contabilidade  das  Sociedades por Ações FIPECAFI:  "O  ágio  pago  por  expectativa  de  lucros  futuros  da  coligada  ou  controlada deve ser amortizado por  tais  futuros  lucros, ou seja, contra  os  resultados  dos  exercícios  considerados  na  projeção  dos  lucros  estimados  que  justifiquem  o  ágio.  O  fundamento  aqui  é  o  de  que,  na  verdade, as receitas equivalentes aos  lucros da coligada ou controlada  não representam um  lucro efetivo,  já que a  investidora pagou por eles  antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas.  (...)"  p)  diz  que,  por  esse motivo,  seria  coerente,  do  ponto  de  vista  econômico  que  o  valor  do  ágio  esteja  contabilizado  na  mesma  pessoa  jurídica  que  é  detentora  do  investimento,  pois  só  assim  será  possível  a  amortização  desse  ágio contra os lucros futuros que o justificaram;  q)  que  pelo  fato  de  que  (i)  a  operação  de  compra  e  venda  do  BEC  ter  ocorrido entre partes independentes em meio ao processo de privatização; (ii)  houve  o  pagamento  integral  em  dinheiro  e  (iii)  a  formação  do  ágio  em  nenhum momento  foi  questionada pela Autoridade Fiscal  e pela DRJ,  seria  devida  a  aplicação,  neste  caso,  do  entendimento  já  pacificado  no  CARF,  quanto à possibilidade de transferência de ágio, nos casos de transferência de  ágio  de  privatizações  (registrou  que  a  DRJ  não  se  manifestou  sobre  os  precedentes do CARF colacionado em sua impugnação);  r)  nessa  linha,  a  recorrente  cita  casos  julgados  pelo  CARF,  como  Banco  Santander S/A, Companhia Energética de Pernambuco ­ CELPE, Companhia  Energética do Rio Grande do Norte ­ COSERN, Vivo S/A, Tele Norte Leste  Participações S/A; Tim Celular S/A;  e Energisa,  no quais o  ágio gerado na  operação  original  ­  transferido  e  amortizado  fiscalmente  por  outra  pessoa  jurídica que não a adquirente ou adquirida ­ foi considerado legítimo;  s)  afirmou que não se pode aceitar que em defesa de uma formalidade que  sequer está prevista na legislação pátria ­ necessidade de amortização do ágio  apenas pelo adquirente "original"  ­ criada pelo Agente Fiscal e pela DRJ, o  ágio  validamente  originado,  em  face  de  expressivo  pagamento  de  preço  à  União Federal, deva ser desconsiderado;  Fl. 578DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 12          11 t)  salienta que demonstrou que na "operação direta" sugerida pelo Agente  Fiscal  e  pela  DRJ,  o  efeito  tributário  seria  exatamente  o  mesmo:  a  amortização do ágio pago pelo Bradesco em  razão da  aquisição  e posterior  incorporação  do  Banco  BEC;  que  se  as  operações  fossem  realizadas  "diretamente",  o  efeito  fiscal  seria  exatamente  o  mesmo  que  foi  objeto  de  glosa:  dedutibilidade  do  ágio  gerado  na  aquisição  do  Banco  BEC,  motivo  pelo qual espera que o CARF não mantenha tal decisão;  u)  afirma  que  mesmo  com  aplicação  da  doutrina  e  jurisprudência  mais  restritas acerca dos limites para a realização de operações que tenham efeitos  tributários,  a  presente  operação  seria  válida,  uma  vez  que  (i)  está  demonstrada  claramente  a  congruência  entre  o  motivo  e  a  finalidade  da  operação  pretendida  pelo Grupo Bradesco,  que  não  era  predominantemente  tributária  (gerar  economia  fiscal);  e  (ii)  as  operações  realizadas  inserem­se  evidentemente no  contexto do planejamento  estratégico do Grupo Bradesco  no Brasil.  Novo Ágio  Ainda  em  defesa  da  dedutibilidade  fiscal  da  amortização  do  ágio  em  questão,  a  recorrente  alega,  alternativamente,  que  também  seria  adequado  se  considerar  a  integralização de capital na Oregon como um novo ágio, conforme a seguir resumido:  a)  sustenta que a integralização de capital é uma espécie de aquisição e que,  pelo fato de o valor conferido às ações no ato de integralização corresponder  ao valor efetivamente pago pelo investidor (Bradesco) pelas ações adquiridas  do  BEC  perante  terceiros  (União),  descontadas  as  parcelas  já  amortizadas  contabilmente, o ágio registrado na operação é válido, é novo, e passível de  amortização fiscal pela impugnante. Cita acórdão do Carf.  b)  alega  que  caso  assim  fosse  considerado,  o  "novo"  ágio  também  preencheria  todos  os  requisitos  de  validade  e  sua  amortização  fiscal  seria  plenamente legítima;  c)  no  ordenamento  jurídico  brasileiro,  não  há  um  negócio  jurídico  específico para a aquisição de participações societárias. Isto porque, o direito  privado traz diversas formas jurídicas possíveis de aquisição e qualquer uma  delas  deveria  ser  válida  para  fins  do  Direito  Contábil  Fiscal/Tributário,  incluindo a integralização de capital mediante a conferência de participações  societárias;  d)  a DRJ concluiu, para tentar afastar a validade do ágio sob o argumento  alternativo  do  nascimento  de  um  novo  ágio,  que  "fosse  esse  o  ágio  a  ser  analisado  [integralização  de  capital  na  Oregon],  não  cumpriria  dois  dos  requisitos, em geral, observados para a validade da formação do ágio, a saber:  (i) efetivo pagamento e (ii) realização de operações entre partes não ligadas.  Fl. 579DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 13          12 Nenhum dos  requisitos  é  preenchido  quando  se  focaliza  a  operação  entre  a  Oregon e a Alvorada" (fl. 14 do acórdão);  e)  se  a  conclusão  for  pelo  surgimento  de  um  novo  ágio  e  não  pela  sua  transferência, deverá o CARF cancelar a integralidade da autuação fiscal,  já  que a esta teve como fundamento a suposta impossibilidade de transferência  do  ágio  e  não  a  impossibilidade  da  sua  amortização,  por  ter  sido  gerado  internamente e sem o efetivo pagamento;  f)  daí  já  se  tornam  totalmente  impertinentes  as  alegações  feitas  pela DRJ  acerca  da  ocorrência  ou  não  de  pagamento  efetivo  e  da  impossibilidade  de  aproveitamento  de  ágio  gerado  intra  grupo  (o  que não  é o  caso  dos  autos),  pois  os  julgadores  deveriam  ter  se  pronunciado,  apenas,  pela  ocorrência  da  transferência do ágio ou pelo surgimento de um novo ágio. Em se concluindo  pelo  surgimento  de  um  novo  ágio,  deveriam  ter  cancelado  os  autos  de  infração, por erro em sua fundamentação;  g)  alega  que  esse  é  mais  um  motivo  pelo  qual  deve  ser  afastada  a  argumentação da DRJ de que a  "tese do novo ágio" não poderia  ser  aceita,  por  supostamente  não  ter  ocorrido  o  efetivo  pagamento  e  a  operação  entre  partes independentes;  h)  no  mesmo  sentido,  a  recorrente  sustenta  que,  com  relação  à  suposta  necessidade  de  "pagamento  em  dinheiro",  deve­se  mencionar  que  a  interpretação feita pela DRJ não encontra respaldo na legislação tributária; ou  seja,  mesmo  que  se  considere  que  seria  necessário  o  "pagamento  efetivo"  para  que  ocorresse  a  amortização  do  ágio,  o  fato  é  que  a  integralização  de  capital é sim um pagamento efetivo;  i)  no  entendimento  da  recorrente,  a  integralização  de  capital  é  uma  das  formas  de  aquisição  da  propriedade.  E  sobre  essa  questão,  a  legislação  tributária não traz qualquer restrição quanto à possibilidade de conferência de  bens  na  integralização  de  capital. Consequentemente,  tendo  em  vista  que  a  integralização  de  capital  é  uma  hipótese  de  alienação  do  investimento,  ela  deverá produzir os correspondentes efeitos fiscais;  j)  isto é, levando­se em consideração que a integração de capital é uma das  formas  de  aquisição  da  propriedade,  nesse momento  houve  a  alienação  do  investimento do Bradesco para a Oregon, pelo mesmo valor pago no âmbito  da privatização (não houve acréscimo de ágio);  k)  também  sob  a  ótica  estritamente  fiscal,  sustenta  que  o  valor  utilizado  para  a  conferência  das  ações  do  Bradesco  na  integralização  do  capital  da  Oregon deve ser considerado totalmente regular, motivo pelo qual o ágio nela  registrado  é  válido,  assim  como  a  sua  posterior  amortização  fiscal  pela  recorrente.  Fl. 580DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 14          13 l)  finaliza esse  tópico com a alegação de que, caso esse o CARF entenda  por  não  acolher  a  transferência  do  ágio  como  legítima  ­  o  que  se  alega,  insista­se, apenas e tão somente a título de argumentação ­ deverá analisar o  surgimento  de  novo  ágio  em  razão  da  integralização  do  capital  da Oregon  pelo  que,  certamente,  também  por  esse  motivo,  concluirá  pela  sua  legitimidade.  Amortização do Ágio na CSLL  Com relação à conclusão do acórdão recorrido de que é devida a adição das  despesas  de  ágio  na  base  de  cálculo  da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Líquido  ­  CSLL, a recorrente apresenta as seguintes razões de defesa:  a)  inicia sua defesa com a alegação de que não há previsão legal para tanto.  Sustenta que o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma  exaustiva  (numerus  clausus),  fixando,  taxativa  e  individualmente,  cada  um  dos  ajustes  aplicáveis  (art.  2º  e  §§  da  Lei  n°  7.689/88,  citado  pelo Agente  Fiscal  no  TVF),  não  indicou,  como  hipótese  de  adição  ao  lucro  líquido,  o  valor  correspondente  à  amortização  do  ágio  na  aquisição  de  investimentos  avaliados pelo método da equivalência patrimonial;  b)  alega  que  seria  correto  afirmar  que  (i)  a  base  de  cálculo  da CSLL  é  o  lucro líquido com ajustes expressamente previstos; (ii) a amortização contábil  do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a edição da Lei n°  11.638/07, de modo que, para a CSLL, o ágio é plenamente dedutível; (iii) a  base  de  cálculo  do  IRPJ,  por  sua  vez,  é  o  lucro  real,  para  o  qual  existem  previsões  específicas  relativamente  aos  efeitos  da  amortização  do  ágio  que  não  se  aplicam  à  base  de  cálculo  da  CSLL  (nem  as  regras  previstas  no  Decreto­Lei n° 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem as  regras previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização em algumas  hipóteses);  c)  frisa  que  dentre  todos  os  ajustes,  que  delimitam  a  base  de  cálculo  da  CSLL,  nada  se  vê  sobre  a  obrigatoriedade  de  adição  das  despesas  com  a  amortização do ágio na aquisição de investimentos;  d)  afirma que os únicos ajustes admitidos, por adição, à base de cálculo da  CSLL, são aqueles que decorrem de Lei. Salienta que, uma eventual despesa  que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da  base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo  ­  o que não ocorre para o  caso  específico. Concluiu no  sentido de que não  deveria  prosperar  o  entendimento  da  DRJ  ao  consignar  que  a  legislação  relativa à CSLL adotou as mesmas regras previstas ao IRPJ.  Juros sobre Multa de Ofício  Finalmente,  a  recorrente  defende­se  do  entendimento  da DRJ  de  que  é  devida a cobrança de juros sobre a multa de ofício, conforme a seguir sintetizado:  Fl. 581DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 15          14 a)  sustenta que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser  exigidos sobre a multa de ofício  lançada, por absoluta ausência de previsão  legal;  b)  ressalta que o art. 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros  de mora com base na  taxa SELIC,  remete  ao  art.  84 da Lei n° 8.981/1995,  que  por  sua  vez,  estabelece  a  cobrança  de  tais  acréscimos  apenas  sobre  tributos;  c)  ressalta  que  não  se  pode  confundir  os  conceitos  de  tributo  e  de multa.  Afirma  que  multa  é  penalidade  pecuniária,  não  é  tributo.  Fundamenta  seu  entendimento no art. 3º do CTN.  d)  afirma  que,  a  multa  fiscal,  de  forma  diversa,  decorre  de  infração  cometida pelo contribuinte;  e)  ressalta  que  o  §  1º  do  art.  113  do  CTN,  ao  diferenciar  "tributo"  de  "penalidade  pecuniária",  ratifica  o  seu  entendimento,  por  distinguir  as  duas  figuras;  f)  conclui esse tópico com a afirmação de que, (i) multa não é tributo; e (ii)  só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre  tributo  (e  não  sobre multa). Afirma  que  a  cobrança  de  juros  sobre  a multa  desrespeita o princípio  constitucional da  legalidade,  expressamente previsto  nos arts. 5º, inc. II, e 37 da Constituição Federal.  É o relatório.    Voto             Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL  Conforme  indicado  no  relatório  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário  tempestivamente  e  está  regularmente  representada.  Assim,  presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade, conheço do recurso.  Preliminarmente, a recorrente alega que o ágio em questão passou a produzir  efeitos  tributários  a partir  de 30/11/2006 e,  por  considerar  aquela data  como o  termo  inicial,  alega  que  transcorreu  o  prazo  decadencial  de  cinco  anos  entre  o  fato  que  propiciou  o  surgimento do ágio em 21/12/2005, 31/01/2006 e 22/05/2006 e a ciência dos autos de infração  em questão (06/08/2014). Argumenta que esse entendimento estaria respaldo pelo artigo 150, §  4º do Código Tributário Nacional ­ CTN.  A  síntese  da  tese  sobre  decadência  sustentada  pela  recorrente,  portanto,  foi  apresentada nos seguintes termos:  Fl. 582DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 16          15 Assim,  considerando­se  que  os  "fatos  geradores"  do  IRPJ  e  da  CSLL  correspondem,  em  síntese,  à  obtenção  de  resultados  que  provocam  acréscimo  patrimonial, a contagem do prazo decadencial em relação aos referidos tributos deve  ter início a partir do momento em que os fatos jurídicos tributários formadores deste  acréscimo  patrimonial  forem  reconhecidos. Ou  seja,  no  presente  caso,  a  partir  do  fato jurídico impugnado (origem do ágio).  A DRJ não acolheu tais alegações e após análise e fundamentação (arts. 150,  173 e 264, do CTN), concluiu pela rejeição da preliminar de decadência, nos seguintes termos:  É certo que os fatos ora discutidos têm origem nos anos­calendário de 2005 e  2006, quando houve a apuração do ágio cujo valor foi questionado pela fiscalização.  Entretanto,  os  lançamentos  tributários  dizem  respeito  a  fatos  geradores  do  IRPJ e da CSLL ocorridos em 31/12/2009 e em 31/12/2010 [quando efetivamente a  recorrente deduziu as amortizações de ágio], tendo a impugnante tomado ciência das  autuações em 06/08/2014, momento em que ainda não havia ocorrido a decadência,  em  qualquer  das  modalidades  de  contagem  previstas  no  CTN  [arts.  150  e  173,  CTN].  A conclusão da fiscalização de que houve cometimento de infração fiscal foi  apurada a partir dos elementos da escrituração contábil e fiscal da contribuinte dos  anos­calendário de 2005 e seguintes. Portanto, ainda que o ágio  tenha sido gerado  em 2005 e 2006, os efeitos sobre os resultados da pessoa jurídica contestados pela  fiscalização  são  aqueles  ocorridos  em  2009  e  2010,  períodos  que,  à  época  do  lançamento, ainda não haviam sido atingidos pela decadência.  É improcedente, assim, a alegação de ocorrência de preclusão do poder de o  Fisco  questionar  fatos  passados  que  repercutam  em  lançamentos  contábeis  de  exercícios futuros, tal como sucedido no presente caso.  Ante o exposto, conclui­se que não se verifica a ocorrência de decadência no  presente caso.  Na mesma  linha,  fundamentou  a  Procuradoria  da  Fazenda Nacional  (PFN)  em suas contrarrazões, em que colacionou a seguinte ementa:  “Acórdão no 140200.802 – 4a Câmara / 2a Turma Ordinária  Sessão de 21 de outubro de 2011  Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.  Recorrida FAZENDA NACIONAL  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Ano calendário: 2002, 2003, 2004  AUDITORIA FISCAL.  PERÍODO DE  APURAÇÃO  ATINGIDO  PELA  DECADÊNCIA  PARA  CONSTITUIÇÃO  DE  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  VERIFICAÇÃO  DE  FATOS,  OPERAÇÕES,  REGISTROS  E  ELEMENTOS  PATRIMONIAIS  COM  REPERCUSSÃO  TRIBUTÁRIA  FUTURA.  POSSIBILIDADE.  LIMITAÇÕES.  O  fisco pode verificar  fatos, operações e documentos, passíveis  de  registros  contábeis  e  fiscais,  devidamente  escriturados  ou  não,  em  períodos  de  apuração  atingidos  pela  decadência,  em  face  de  comprovada  repercussão  no  futuro,  qual  seja:  na  apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela  Fl. 583DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 17          16 decadência.  Essa  possibilidade  delimita­se  pelos  seus  próprios  fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem  implicar  em  alterações  nos  resultados  tributáveis  daqueles  períodos  decaídos,  mas  sim  nos  posteriores.  Em  relação  a  situações  jurídicas,  definitivamente  constituídas,  o  Código  Tributário  Nacional  estabelece  que  a  contagem  do  prazo  decadencial  para  constituição  das  obrigações  tributárias,  porventura  delas  inerentes,  somente  se  inicia  após  5  anos,  contados  do  período  seguinte  ao  que  o  lançamento  do  correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art.  173 do CTN).  (...)”  Verifica­se,  portanto,  que  está  correta  a conclusão do acórdão  recorrido,  ao  consignar que os efeitos tributários para fins da contagem do prazo decadencial só ocorrem  no momento em que a recorrente promoveu a amortização e a redução do resultado tributável  pelo IRPJ e pela CSLL.   Dessa forma, a contagem do quinquênio decadencial iniciou­se somente com  o  fato gerador do  tributo exigido pelo Fisco  [quando houve a utilização do ágio considerado  indedutível].   Com base  em  tais  fundamentos,  voto no  sentido de  rejeitar  a preliminar de  decadência.    Mérito  A  questão  de  mérito  reside  na  pretensão  da  recorrente  de  colher  a  dedutibilidade  fiscal  das despesas de  amortizações de  ágio  efetivadas  em 2009 e 2010,  após  absorver o patrimônio do Banco do Estado do Ceará (BEC), por meio de incorporação. Alega  que, anteriormente à incorporação, a recorrente já detinha o controle acionário do BEC e que  tal participação teria sido adquirida com registro de ágio, apurado com base em perspectiva de  rentabilidade futura do BEC.  O  acórdão  recorrido  registrou  que  não  há  questionamento  relativo  à  existência  do  ágio  original,  nem mesmo  em  relação  ao  seu montante.  Indica  que  o  ágio  foi  gerado na aquisição de 99,54% das ações do BEC pelo Bradesco. Registra que concorda com o  entendimento  da  DRF  de  que  as  amortizações  do  ágio  transferido  para  a  impugnante  não  poderiam  reduzir  a base  tributável  pelo  IRPJ  e CSLL. Conclui  que  tais  amortizações  não  se  enquadram nas disposições do art. 7° da Lei n° 9.532/97.  Nessa  linha, a DRJ ratificou o entendimento da DRF de que a aquisição da  participação societária deve ser pela pessoa jurídica que irá usufruir do benefício. Conclui que  não  pode  a  aquisição  ser  por  outra.  Entende  que  esta  é  a  inteligência  da  norma  que  previu  também a chamada  incorporação às  avessas no  art.  8° da Lei nº 9.532/97, mas não previu  a  transferência do benefício no caso de transmissões de propriedade posteriores.  Ressalta  que  não  existe  previsão  legal  que  autorize  o  aproveitamento  deste  'benefício fiscal' por pessoas jurídicas outras que não tivessem sido agentes do negócio jurídico  de  aquisição  de  participação  societária,  quer  como  adquirente,  quer  como  adquirida.  Nem  tampouco existe previsão para que um investimento adquirido apenas indiretamente, como foi  Fl. 584DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 18          17 o  caso  da  Alvorada  ao  final  de  um  processo  de  planejamento  tributário  amortizar  tal  ágio  indireto.  Nesse sentido, a DRJ, acompanhando a DRF, concluiu que a recorrente teria  amortizado indevidamente o ágio pago na aquisição do BEC pelo Bradesco, por considerar que  o aproveitamento fiscal das despesas de amortização do ágio apurado na incorporação do BEC  não atende aos requisitos de dedutibilidade dos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97. Determinou­ se,  assim,  que  os  respectivos  valores  fossem  adicionados  de  ofício  ao  lucro  líquido  para  a  determinação das bases tributáveis de IRPJ e da CSLL (fls. 9 e 10, do TVF).   Esse  entendimento  da  DRJ  está  registrado  no  seguinte  trecho  do  acórdão  recorrido, a seguir transcrito:  Cabe lembrar que essa norma foi criada na época das privatizações das  empresas  públicas  e  teve  por  objetivo  beneficiar  as  adquirentes  que,  na  maioria  das  vezes,  adquiriam  as  participações  societárias  nas  empresas  privatizadas por valor muito superior ao do patrimônio líquido, gerando um  ágio, conforme previsto no art. 20 do Decreto­Lei n° 1.598/77 (matriz  legal  do art. 385 do RIR/99):  Art  20  ­  O  contribuinte  que  avaliar  investimento  em  sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio  líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação,  desdobrar o custo de aquisição em:  I  ­  valor  de  patrimônio  líquido  na  época  da  aquisição,  determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e  II  ­  ágio  ou  deságio  na  aquisição,  que  será  a  diferença  entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que  trata o número I.  § 1°  ­ O valor de patrimônio  líquido e o ágio  ou deságio  serão  registrados  em  subcontas  distintas  do  custo  de  aquisição do investimento.  §  2°  ­  O  lançamento  do  ágio  ou  deságio  deverá  indicar,  dentre os seguintes, seu fundamento econômico:  a)  valor  de  mercado  de  bens  do  ativo  da  coligada  ou  controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua  contabilidade;  b)  valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com  base em previsão dos resultados nos exercícios futuros;  c)  fundo  de  comércio,  intangíveis  e  outras  razões  econômicas.  § 3° ­ O lançamento com os fundamentos de que tratam as  letras 'a' e' b' do § 2° deverá ser baseado em demonstração  que  o  contribuinte  arquivará  como  comprovante  da  escrituração.  Fl. 585DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 19          18 De acordo com o art. 25 do Decreto­Lei n° 1.598/77  (matriz  legal do  art. 391 do RIR/99), abaixo transcrito, as contrapartidas das amortizações do  ágio  não  podem  ser  computadas  na  apuração  do  lucro  real,  devendo  ser  controladas na Parte B do Lalur para serem consideradas na determinação do  ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento'  Art.  25  ­  As  contrapartidas  da  amortização  do  ágio  ou  deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na  determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo  33.   Art  33  ­  O  valor  contábil,  para  efeito  de  determinar  o  ganho ou perda de capital  na alienação ou  liquidação do  investimento  em  coligada  ou  controlada  avaliado  pelo  valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica  dos seguintes valores:  I  ­ valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento  estiver registrado na contabilidade do contribuinte;  II  ­ ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda  que  tenha  sido  amortizado  na  escrituração  comercial  do  contribuinte,  excluídos  os  computados,  nos  exercícios  financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real.  (Redação dada pelo Decreto­lei n° 1.730, 1979)  III  ­ (Revogado pelo Decreto­lei n° 1.730, 1979)  IV  ­  provisão  para  perdas  (art.  32)  que  tiver  sido  computada na determinação do lucro real. "  O  art.  7°  da  Lei  n°  9.532/77  trouxe  uma  norma  específica,  que  disciplina  os  efeitos  fiscais  do  ágio  caso  a  pessoa  jurídica  detentora  de  participação societária adquirida com ágio ou deságio venha a absorvê­la em  virtude de incorporação, fusão ou cisão:  "Art.  7°  A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado  segundo  o  disposto  no  art.  20  do  Decreto­Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977:  I  ­  deverá  registrar  o  valor  do  ágio  ou  deságio  cujo  fundamento seja o de que trata a alínea "a " do § 2o do art.  20  do Decreto­Lei  n°  1.598,  de  1977,  em  contrapartida  à  conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa;  II  ­ deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja  o de que trata a alínea "c" do § 2o do art. 20 do Decreto­ Lei  n°  1.598,  de  1977,  em  contrapartida  a  conta  de ativo  permanente, não sujeita a amortização;  Fl. 586DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 20          19 III  ­  poderá  amortizar  o  valor  do  ágio  cujo  fundamento  seja  o  de  que  trata  a  alínea  "b"  do  §2°  do  art.  20  do  Decreto­lei  n°  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de  um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de  apuração;(Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998);  IV  ­ deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento  seja  o  de  que  trata  a  alínea  "b  "  do  §  2o  do  art.  20  do  Decreto­Lei  n°  1.598,  de  1977,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados  durante  os  cinco  anos­calendário  subseqüentes  à  incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta  avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração;   §  1° O  valor  registrado  na  forma  do  inciso  I  integrará  o  custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho  ou  perda  de  capital  e  de  depreciação,  amortização  ou  exaustão.  §  2o  Se  o  bem  que  deu  causa  ao  ágio  ou  deságio  não  houver  sido  transferido,  na  hipótese  de  cisão,  para  o  patrimônio da sucessora, esta deverá registrar:  a)  o  ágio,  em  conta  de  ativo  diferido,  para  amortização  na forma prevista no inciso III;  b)  o  deságio,  em  conta  de  receita  diferida,  para  amortização na forma prevista no inciso IV.  § 3° O valor registrado na forma do inciso II do caput:  a)  será  considerado  custo  de  aquisição,  para  efeito  de  apuração  de  ganho  ou  perda  de  capital  na  alienação  do  direito  que  lhe  deu  causa  ou  na  sua  transferência  para  sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital;  b)  poderá ser deduzido como perda, no encerramento das  atividades  da  empresa,  se  comprovada,  nessa  data,  a  inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe  deu causa;  §  4° Na  hipótese  da  alínea  "b  "  do  parágrafo  anterior,  a  posterior  utilização  econômica  do  fundo  de  comércio  ou  intangível  sujeitará a pessoa  física ou  jurídica usuária ao  pagamento  dos  tributos  e  contribuições  que  deixaram  de  ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados  de conformidade com a legislação vigente;  § 5° O  valor que servir de base de  cálculo dos  tributos  e  contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá  ser registrado em conta do ativo, como custo do direito.  Fl. 587DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 21          20 Ressalte­se que o art. 7° da Lei n° 9.532/97 não revogou o art. 25 do  Decreto­Lei  n°  1.598/77,  visto  que  se  trata  de  norma  específica,  aplicável  somente  na  hipótese  em  que  uma  pessoa  jurídica  absorva  o  patrimônio  de  outra,  em  virtude  de  incorporação,  fusão  ou  cisão,  na  qual  detenha  participação societária adquirida com ágio ou deságio. Nas demais situações,  continua  plenamente  aplicável  o  disposto  no  art.  25  do  Decreto­Lei  n°  1.598/77.  No  presente  caso,  o  Banco  Bradesco  adquiriu  ações  do  Banco  BEC,  com pagamento de ágio. Tal fato, por si só, não possibilita a dedução fiscal  das  amortizações  do  ágio,  face  ao  disposto  no  art.  25  do  Decreto­Lei  n°  1.598/77  (art.  391  do  RIR/99).  Se  o  próprio  Banco  Bradesco  tivesse  incorporado o Banco BEC, não haveria dúvida quanto ao enquadramento da  operação no art. 7° da Lei n° 9.532/97.  Entretanto, esta não é a hipótese dos autos. No caso ora em análise, o  Banco  Bradesco  adquiriu  ações  do  Banco  BEC  e  as  utilizou  para  integralização  de  capital  na  Oregon,  empresa  que  não  tinha  atividades  operacionais,  conforme  informado  pela  fiscalização.  Em  seguida,  a  impugnante incorporou a totalidade das ações da Oregon, que se tornou sua  subsidiária  integral.  Dias  depois,  a  impugnante, Alvorada Cartões,  Crédito,  Financiamento  e  Investimento  S.A.,  incorporou  a  Oregon,  tornando­se  detentora  da  participação  societária  no  Banco  BEC.  Dois  meses  depois,  a  impugnante  incorporou  o Banco  BEC  e  passou  a  deduzir  as  despesas  com  amortização do ágio na apuração do IRPJ e da CSLL.  Verifica­se que a operação  inicial  (aquisição de ações do Banco BEC  pelo  Banco  Bradesco)  foi  efetuada  entre  partes  independentes,  tendo  o  adquirente  efetivamente  pago  nas  aquisições  valor  superior  ao  patrimônio  líquido, decorrendo daí um ágio. A regra especial prevista no art. 7° da Lei n°  9.532/97  somente  poderia  ser  aplicada  se  a  absorção  patrimonial  tivesse  ocorrido entre eles.  Entretanto,  foram  realizadas  outras  operações  societárias  entre  empresas do Grupo Bradesco que tiveram como resultado a transferência da  participação societária no Banco BEC para a impugnante.  Ressalte­se que houve ágio na operação  inicial, não havendo previsão  legal  que  autorize  o  aproveitamento  desse  benefício  fiscal  por  pessoas  jurídicas  outras  que  não  tivessem  sido  agentes  do  negócio  jurídico  de  aquisição da participação societária. Tampouco existe previsão legal para que  um  investimento  adquirido  apenas  indiretamente  possa  gerar  despesas  dedutíveis relativas à amortização de ágio.  Assim, a amortização de ágio de que  trata o presente processo não se  enquadra na regra especial prevista no art. 7° da Lei n° 9.532/97, devendo ser  mantidas as autuações.  O  fundamento  central  em  que  se  baseou  a  DRJ  para  negar  provimento  à  impugnação, portanto reside no entendimento de que a falta de autorização legal expressa para  a  transferência de ágio para a  recorrente, na  forma como apresentada,  impede a dedução dos  Fl. 588DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 22          21 valores  de  ágio  originalmente  pagos  pelo  Bradesco,  na  aquisição  do  controle  societário  do  BEC.  Em  suas  contrarrazões,  na  mesma  linha,  a  PFN  afirma  que  "o  Banco  Bradesco adquiriu o Banco BEC de maneira direta, mas utilizou­se de empresa veículo Oregon  Holding  Ltda.  para  viabilizar  o  aproveitamento,  na  Alvorada  Cartões,  de  ágio  por  ele  (Bradesco) pago, tudo isso em detrimento da legislação de regência do tema."  No entendimento da PFN a dedução do ágio em questão não teria cumprido  requisitos que estariam previstos nas disposições do art. 386, do Dec. 3000/99:  Diante de todo o exposto, ante a inobservância de requisitos expressa e  logicamente exigidos em lei, normas e na  jurisprudência do CARF, CVM e  CPC para permitir  a amortização do ágio  transferido  (partes  independentes,  substrato  econômico  e  absorção  do  patrimônio  da  empresa  que  de  fato  realizou o investimento), não há que se permitir a amortização do mesmo nos  moldes levados a termo pela recorrente, conforme constatado no robusto TVF  e confirmado no judicioso acórdão recorrido.  Passo, assim, à análise das razões de decidir da DRJ e das razões de defesa da  recorrente,  com  base  nos  pontos  específicos  a  seguir  alinhados,  os  quais  indico  de  forma  simplificada (sem datas e valores) com o objetivo de permitir melhor visualização dos passos  societários  havidos,  até  se  chegar  na  amortização  do  ágio  em  questão  (na  sequência,  confrontarei tais fatos com as referidas disposições do art. 386 do Dec. nr. 3.000/99):  Bradesco adquire da União Federal o Banco do Estado do Ceará ­ BEC  1.  Aquisição  de  ações  mediante  o  pagamento  de  ágio  apurado  com  base em rentabilidade futura  Grupo Bradesco na data da aquisição das ações do BEC pelo Bradesco  2. Alvorada CCFI (recorrente): já era subsidiária integral do Bradesco  Grupo Bradesco após aquisição das ações do BEC pelo Bradesco  3. Oregon Holding: foi adquirida pelo Bradesco  4. Oregon Holding: teve seu capital elevado pelo Bradesco, mediante  o aporte da integralidade das ações adquiridas do BEC, com ágio  5. Oregon Holding: passou a deter as ações do BEC, adquiridas com  ágio pelo Bradesco  6. Alvorada CCFI: adquiriu 100% das ações da Oregon Holding  7. Alvorada CCFI: incorporou a Oregon  8. Alvorada CCFI: incorporou o BEC  9. Alvorada CCFI: passou a amortizar o ágio  Fl. 589DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 23          22   Para  se  confrontar  os  passos  retro  às  disposições  do  art.  386  do  Dec.  nr.  3.000/99, transcreve­se:  Art.  386.  A  pessoa  jurídica  que  absorver  patrimônio  de  outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual  detenha  participação  societária  adquirida  com  ágio  ou  deságio,  apurado  segundo  o  disposto  no  artigo  anterior  (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art.  10):  III ­ poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja  o  de  que  trata  o  inciso  II  do  §  2º  do  artigo  anterior,  nos  balanços  correspondentes  à  apuração  de  lucro  real,  levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão,  à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do  período de apuração;  Art.  385.  O  contribuinte  que  avaliar  investimento  em  sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio  líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação,  desdobrar o custo de aquisição em  (Decreto­Lei nº 1.598,  de 1977, art. 20):  §  2º  O  lançamento  do  ágio  ou  deságio  deverá  indicar,  dentre  os  seguintes,  seu  fundamento  econômico  (Decreto­ Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º):  II ­ valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com  base em previsão dos resultados nos exercícios futuros;    Faço,  assim,  o  seguinte  exercício  para  a  necessária  verificação  quanto  à  amortização  do  ágio:  substituo  as  expressões  do  texto  legal  pelas  respectivas  empresas  em  questão:  Art. 386. A pessoa  jurídica (Alvorada CCFI) que absorver  patrimônio  de  outra  (Oregon  Holding),  em  virtude  de  incorporação,  fusão ou cisão, na qual detenha participação  societária adquirida com ágio (...)  No  caso,  portanto,  a  Alvorada  CCFI  (que  já  era  subsidiária  integral  do  Bradesco na data de aquisição do BEC com ágio), no passo 6 retro, passou a deter participação  societária na Oregon Holding (cujo capital, passo 4 retro, passou a ser composto por ações do  BEC, adquiridas com ágio).  Em  sequência,  a Alvorada CCFI  (já  detentora  de  participação  acionária  da  Oregon Holding, adquirida com ágio) absorveu o patrimônio da Oregon Holding, por meio de  incorporação,  passo  7  retro  (o  capital  da Oregon Holding  era  composto  por  ações  do  BEC,  adquiridas com ágio).  Fl. 590DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 24          23 Em mais  um  passo,  a  Alvorada  CCFI  (sucessora  da  Oregon)  por meio  de  incorporação,  absorveu  o  patrimônio  do BEC  (que  havia  sido  adquirido  pelo Bradesco  com  ágio).  Por  último,  a  Alvorada  CCFI  (com  a  incorporação  do  BEC),  passa  a  amortizar o ágio.  Com esse detalhamento, é possível visualizar as movimentações societárias e  os respectivos objetivos almejados, no sentido de que os passos fossem considerados válidos e  em consonância com as  citadas disposições do RIR/99 para o  fim precípuo de  se alcançar  a  referida hipótese legal, em que está autorizada a amortização do ágio.  O ponto remanescente que sobressai, portanto, diz respeito à análise para se  verificar se os passos societários retro podem ser considerados como autorizados pelo art. 386  do Dec. nr. 3.000/99, no que diz respeito aos enquadramentos fático e jurídico necessários para  a amortização do ágio.  Nesse caso concreto, entendo que, não afastou a possibilidade de amortização  do ágio (art. 386, Dec. nr. 3.000/99) as movimentações realizadas pelo Grupo Bradesco.  Isso  porque,  no  "filme"  específico  analisado,  houve  efetivamente  o  pagamento  de  ágio  pelo  Bradesco na participação do processo de privatização do BEC.   Outro  fator  observado,  que  pode  igualmente  assegurar  a  possibilidade  de  amortização  do  ágio,  refere­se  ao  fato  de  que  a  recorrente  já  era  subsidiária  integral  do  Bradesco na data da aquisição com ágio das ações do BEC.  Nessa linha, também entendo que, como acionista controlador que adquiriu o  controle acionário com ágio, o Bradesco não prejudicou a possibilidade de amortização do ágio  (art.  386,  Dec.  nr.  3.000/99),  ao  aportar  tal  capital  (inclusive  o  ágio)  em  sua  subsidiária  integral, Oregon Holding (passo 4 retro), independentemente dela ser ou não operacional, ou se  ter sido adquirida para esse fim específico.  A  possibilidade  de  amortização  do  ágio  pela  recorrente  também  pode  ser  verificada  se  observado  o  seguinte  ponto:  deverá  ser  tributada  a  rentabilidade  auferida  em  decorrência da incorporação do BEC. A contrapartida para a incorporadora, portanto, seguindo  o espírito da lei instituída por ocasião da intensificação dos referidos processos de privatização  (arts.  7º  e  8º  da  Lei  n°  9.532/97  que  deram  base  aos  citados  arts.  385  e  386  do  Dec.  nr.  3.000/99) seria ter assegurada a possibilidade de amortização do ágio.  Nessa mesma linha de raciocínio, específica para o presente caso concreto em  que houve efetivamente pagamento de ágio e o cumprimento das referidas exigências formais  para  tanto,  vale  mencionar  os  excertos  dos  acórdãos,  colacionados  pela  recorrente,  que  analisaram  operações  semelhantes  ao  caso  de  privatizações  em  tela,  cujas  ementas  foram  transcritas no recurso voluntário sob exame (Banco Santander S/A, Companhia Energética de  Pernambuco ­ CELPE, Companhia Energética do Rio Grande do Norte ­ COSERN, Vivo S/A,  Tele Norte Leste Participações S/A; Tim Celular S/A; e Energisa), nos quais foi considerado  legítimo o ágio gerado na operação original, transferido e amortizado por outra pessoa jurídica  que não a adquirente ou adquirida.  Entre  as  ementas  transcritas  no  recurso  voluntário  reproduzo  a  seguir,  com  inserções  entre  chaves  [..]  das  empresas  em  questão,  para  a  melhor  visualização  do  Fl. 591DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 25          24 entendimento retro apresentado, a ementa do acórdão do referido caso do Santander que muito  se aproxima do presente caso, verbis:  Carf. Acórdão n° 1402­00.802 de 21/10/2011, Proc. 16561.000222/2008­72,  Banco Santander:  Pois  bem,  entendo  que  a  amortização  do  ágio,  pago  com  fundamento  em  previsão  de  rentabilidade  futura  de  ágio,  com fulcro no art. 7°., inciso III, da Lei 9.532 de 1997, deve  atender,  inicialmente,  a  3  (três)  premissas  básicas,  quais  sejam:  i)  o  efetivo  pagamento  do  custo  total  de  aquisição,  inclusive  o  ágio;[Bradesco  pagou  ágio  na  aquisição  do  BEC]  ii)  a realização das operações originais entre partes não  ligadas;  [Bradesco  e  BEC  não  eram  partes  ligadas;  Alvorada CFFI e Oregon Holding não eram partes ligadas]  iii)  seja  demonstrada  a  lisura  na  avaliação  da  empresa  adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura.  [auditorias  e  consultorias  independentes  elaboram  os  respectivos laudos nesse sentido]  No  presente  caso,  essas  premissas  básicas  foram  cumpridas. Não há dúvida que o Banco Santander Hispano  [Bradesco]  efetivamente  desembolsou  os  9,457  Bilhões  de  Reais  da  operação.  De  igual  forma  inexiste  qualquer  ligação entre o grupo Santander [Bradesco] e os alienantes  [BEC/União  Federal; Alvorada/Oregon],  especialmente  na  operação principal (compra das ações da União). Também  não  repousa  qualquer  questionamento  quanto  ao  fato  de  que o Banespa [BEC] sofreu detalhada avaliação, refletida  em  suas  demonstrações  contábeis  antes  do  leilão  estatal.  (...)  Por mais óbvio que possa parecer, tal qual já fundamentei  na  exclusão  da  multa  qualificada,  o  Banco  Santander  Hispano desde o inicio foi transparente e coerente em seus  objetivos: adquirir o Banco Banespa para alavancar  suas  operações no Brasil, aproveitando­se do benefício fiscal de  amortização  do  ágio  que  certamente  teria  que  ser  pago,  haja  vista  que  possuía  expertise  suficiente  para  gerar  lucros com a nova empresa. Não se olvide que todo o ágio  pago  à  União  pela  compra  do  Banespa  ingressou  nos  cofres públicos. Se aquisição tivesse sido realizada junto a  uma  empresa  privada,  esse  ágio  seria  passível  de  tributação pelos mesmos 34%. (...)  V) CONCLUSÃO  Fl. 592DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 26          25 Diante do exposto e considerando:  ­  que  o  procedimento  adotado  pelo  Santander  Hispano,  qual seja, pagar o ágio original na aquisição do Banespa e  ato  continuo,  transferir  este  ágio  para  a  Santander  Holding,  que  a  seguir  foi  incorporada  pelo  próprio  Banespa,  com  vistas  a  valer­se  do  benefício  fiscal,  tem  amparo nos art. 7° e 8° da Lei 9.532/97, normas instituídas  justamente para estas situações de desestatização. (...)  iii)  No  mérito,  dar  provimento  ao  recurso  e  cancelar  a  exigência.  "O  fato  de  constituir  uma  empresa  veículo  para  receber  investimentos  não  é  óbice  jurídico,  vislumbro  que  da  mesma  forma que as empresas compostas do Novo Grupo  não  poderiam  ser  incorporadas  pela  Celpe,  visto  que  possuíam  outros  ativos,  a  empresa  Guaraniana  também  não  poderia  ser  incorporada,  pois  seu  papel  era  de  verdadeira controladora da Celpe e de várias empresas no  ramo  de  energia  elétrica,  no  setor  de  geração  e  distribuição  de  energia,  permanecendo  sob  seu  controle  empresas  como a Celpe, Coelba, Cosem, Termoaçu,  entre  outras.  Tanto  é  que  após  a  constituição  de  uma  nova  sociedade  com  as  ações  da  Celpe  na  empresa  veículo,  esta  foi  incorporada pela Celpe, deixando de existir, demonstrando  que  a  Neoernergia  manteve­se  como  controladora  da  Celpe,  que  fora  privatizada  para  manter­se  na  sua  atividade de distribuição de energia na região do Estado de  Pernambuco. (...)  A empresa Leicester, de fato, serviu para que as ações com  ágio pertencentes à Guaraniana fossem transferidas a uma  empresa  que  seria  incorporada  pela  Celpe  sob  o  fundamento  legal  da  incorporação  às  avessas  prevista  no  artigo  386,  inciso  II,  do  §  6°,  do  RIR/99,  com  o  fim  negocial  de  permitir  que  o  ágio  fosse  aproveitado  pela  empresa Celpe. (...)  Em  resumo,  no  meu  entender  o  vício  para  se  considerar  uma despesa do áaio indedutível para fins de apuração do  IRP3  e da CSLL  está  na  formação do  ágio,  e não  no  seu  aproveitamento  posterior,  quando  da  incorporação  às  avessas da empresa veículo pela Celpe.  No  caso  em  questão  não  há  nenhum  vício  na  geração  do  ágio,  existindo  laudos  nos  autos  que  trataram  da  demonstração  de  levar  esse  ágio  para  as  operações  societárias sobre o mesmo preço e fundamento. E mais, não  houve contestação, seja pela fiscalização seja pela DRJ dos  Fl. 593DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 27          26 laudos, nem foi discutida a questão da rentabilidade futura  existente  no  Edital  que menciona  o  preço mínimo  para  a  aquisição  e  a  menção  da  realização  de  Laudo  sob  esse  critério pelo governo.  Assim,  entendo  pelo  provimento  do  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte  quanto  à  questão  da  dedutibilidade do ágio  Finalizando  essa  análise,  verifico  que  não  há  divergência  em  relação  ao  entendimento da recorrente de que não há vedação legal para as transferências de participação  societária, acompanhadas do ágio, realizadas no presente caso, e a consequentemente dedução  das  despesas  com  amortização  do  ágio,  após  a  incorporação  do  BEC  pela  recorrente,  em  conformidade com os excertos dos acórdãos retro citados.  Assim, com base em todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao  recurso voluntário para considerar devida a amortização de ágio em questão.    Novo Ágio  Em relação ao pedido alternativo da recorrente, em que sustenta que também  seria  adequado  se  considerar  a  integralização  de  capital  na  Oregon,  como  um  novo  ágio,  considero prejudicada a análise, face ao provimento do pedido anterior.  Amortização do Ágio na CSLL  Na  forma  relatada,  o  acórdão  recorrido  conclui  que  é  devida  a  adição  das  despesas de ágio na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL.  A recorrente sustenta que não há previsão legal para tanto, pois o legislador  ao  determinar  a  base  de  cálculo  da  CSLL  de  forma  exaustiva  (numerus  clausus),  fixando,  taxativa  e  individualmente,  cada  um  dos  ajustes  aplicáveis  (art.  2º  e  §§  da  Lei  n°  7.689/88,  citado pelo Agente Fiscal no TVF), não indicou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o  valor  correspondente  à  amortização  do  ágio  na  aquisição  de  investimentos  avaliados  pelo  método da equivalência patrimonial.  As razões da recorrente ainda se baseiam no entendimento de que os únicos  ajustes admitidos, por adição, à base de cálculo da CSLL,  são  aqueles que decorrem de Lei.  Salienta  que,  uma  eventual  despesa  que  tenha  integrado  o  lucro  líquido  somente  será  considerada  indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para  este tributo ­ o que não ocorre para o caso específico. Concluiu no sentido de que não deveria  prosperar  o  entendimento  da DRJ  ao  consignar  que  a  legislação  relativa  à  CSLL  adotou  as  mesmas regras previstas ao IRPJ.  Vejo que, assiste razão à recorrida e considero válidas as conclusões de que  (i) a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos em lei; (ii)  a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira, até a edição da  Lei n° 11.638/07, de modo que, em relação à CSLL, o ágio é dedutível; (iii) a base de cálculo  do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos  Fl. 594DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/2014­13  Acórdão n.º 1302­001.954  S1­C3T2  Fl. 28          27 efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL (nem as regras  previstas no Decreto­Lei n° 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem as regras  previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses).  Com base em tais fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso  voluntário para que não haja adição das despesas de ágio na base de cálculo CSLL.    Juros sobre Multa de Ofício  O acórdão recorrido concluiu que é devida a cobrança de juros sobre a multa  de  ofício.  No  entanto,  à  vista  do  provimento  do  recurso  voluntário  para  declarar  devida  a  dedução das despesas de ágio, considero também prejudicada tal análise.  Por todo o exposto voto por rejeitar a preliminar de decadência e no mérito  dar provimento ao recurso voluntário.    ROGÉRIO APARECIDO GIL ­ Relator                                Fl. 595DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL

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Numero do processo: 14041.000456/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos, é de prover-se os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 1301-002.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento aos embargos para retificar a ementa do acórdão embargado, sem efeitos modificativos. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C3T1  Fl. 2.312          1 2.311  S1­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14041.000456/2007­82  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  1301­002.108  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de agosto de 2016  Matéria  IRPJ ­ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  CASA DA MOEDA DO BRASIL ­ CMB    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2002  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.  Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva  do acórdão e seus fundamentos, é de prover­se os mesmos para sanar a falha,  alterando a parte dispositiva do acórdão.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2002  DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF  O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega  ou  entrega  deficiente  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicando­se destarte  a regra do art. 173, I do CTN.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  provimento  aos  embargos  para  retificar  a  ementa  do  acórdão  embargado,  sem  efeitos  modificativos.  O  Conselheiro  José  Eduardo  Dornelas  Souza  acompanhou  o  Relator  pelas  conclusões.    (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha ­ Presidente.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 56 /2 00 7- 82 Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA     2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo ­ Relator.  EDITADO EM: 18/08/2016  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa,  Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos  Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.    Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 14041.000456/2007­82  Acórdão n.º 1301­002.108  S1­C3T1  Fl. 2.313          3 Relatório  Trata­se  de  apreciar  embargos  de  declaração  opostos  pela  UNIÃO  (FAZENDA NACIONAL), por intermédio da Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do  acórdão  nº  1301­001.926,  proferido  por  esta  turma  na  sessão  de  22/01/2016,  no  qual  este  colegiado decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, e, por  maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.  Alega  a  ora  embargante  que  o  acórdão  combatido  incorreu  em  contradição  entre  a  ementa  e  o  inteiro  teor  do  voto.  No  entendimento  da  Fazenda  Nacional,  revela­se,  portanto,  evidente  a  contradição  entre  a  ementa  e  o  voto  condutor  do  acórdão  embargado:  enquanto a ementa consigna a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, no caso presente, o voto  condutor do  julgado conclui que o  lançamento de multa  isolada por  falta ou  insuficiência de  recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submete­se ao prazo decadencial previsto no  art. 173, inciso I, do CTN, de modo que se afigura necessário corrigir a contradição apontada.  Assim, tendo sido apresentados tempestivamente, foram objeto de despacho  de  admissibilidade  da  lavra  deste  Conselheiro,  onde  o  mesmo  entendeu  que  haviam  sido  preenchidos  os  requisitos  estampados  no  art.  65  do  Regimento  Interno  (ANEXO  II),  submetendo  proposta  ao  Presidente  desta  1ª  Turma  Ordinária,  no  sentido  de  que  ele  seja  admitido e submetido à apreciação do Colegiado.  Tal proposta foi aceita pelo Presidente, tendo sido incluído os autos em pauta  para regular julgamento por este Colegiado.  É o relatório.  Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA     4 Voto             Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator.  Os  embargos  são  tempestivos  e,  em  face  de  despacho  no  sentido  de  sua  admissibilidade, deles conheço.  A  embargante  insurge­se  contra  contradição  entre  a  ementa  e  o  voto  condutor do acórdão embargado: enquanto a ementa consigna a aplicação do art. 150, §4º, do  CTN, no caso presente, o voto condutor do julgado conclui que o lançamento de multa isolada  por  falta ou  insuficiência de recolhimento de  estimativa de  IRPJ ou de CSLL submete­se ao  prazo decadencial previsto no art. 173,  inciso  I, do CTN, de modo que se afigura necessário  corrigir a contradição apontada.  Quanto a alegada contradição, razão assiste à Embargante!  De  fato,  a  ementa  do  acórdão  não  reflete  o  inteiro  teor  do  voto  proferido,  razão  pela  qual  se  faz  necessária  a  correção  dos  termos  da  Ementa,  a  fim  de  que  a mesma  reflita o quanto restou decidido por este Colegiado.  Nestes termos, proponho a seguinte nova redação para a ementa do Acórdão  ora embargado:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ  Ano­calendário: 2002  DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF.  Lançamento  de multa  isolada por  falta  ou  insuficiência  de  recolhimento  de  estimativa de IRPJ ou de CSLL submete­se ao prazo decadencial previsto no  art. 173, inciso I, do CTN, nos termos da Súmula CARF n° 102.  As  súmulas  CARF  são  de  observância  obrigatória  por  este  Colegiado,  por  força do art. 45 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela  Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Ano­calendário: 2002  DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF  O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega  ou  entrega  deficiente  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicando­se destarte  a regra do art. 173, I do CTN.  Assim,  por  todo  o  acima  exposto,  voto  no  sentido  de  CONHECER  dos  embargos, ACOLHENDO­OS, para corrigir a contradição apontada, sem contudo conferir­lhes  efeitos infringentes.  Sala de Sessões 10 de agosto de 2016.    Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 14041.000456/2007­82  Acórdão n.º 1301­002.108  S1­C3T1  Fl. 2.314          5   (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo ­ Relator                                Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA

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Numero do processo: 10865.904904/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Numero da decisão: 3201-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator. Participaram ainda do julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C2T1  Fl. 2          1 1  S3­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.904904/2012­31  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3201­002.316  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de agosto de 2016  Matéria  PIS/PASEP ­ DCOMP ­ ELETRONICO  Recorrente  ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2004  COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.  É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de  liquidez e certeza.  ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE  FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.  Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.  PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO  A  prova  documental  deve  ser  produzida  até  o  momento  processual  da  reclamação,  precluindo  o  direito  da  parte  de  fazê­lo  posteriormente,  salvo  prova  da  ocorrência  de  qualquer  das  hipóteses  que  justifiquem  sua  apresentação tardia.  PROVA  DOCUMENTAL.  PRINCÍPIO  PROCESSUAL  DA  VERDADE  MATERIAL.  A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que  tenha  deixado  de  apresentar,  no momento  processual  apropriado,  as  provas  necessárias à comprovação dos créditos alegados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz  Belisário e Cássio Schappo.  (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 04 /2 01 2- 31 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA     2 Winderley Morais Pereira ­ Presidente.   José Luiz Feistauer de Oliveira ­ Relator.  Participaram  ainda  do  julgamento  os  conselheiros:  Mércia  Helena  Trajano  D'amorim, Ana Clarissa Masuko  dos  Santos Araújo,  Pedro Rinaldi  de Oliveira  Lima,  Paulo  Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.  Relatório  ELO  COMERCIO  DE  COMPONENTES  AUTOMOTIVOS  LTDA  transmitiu,  em  17/07/2008,  a  Declaração  de  Compensação  – DComp  nº  13040.04879.180708.1.3.04­6193,  visando  à  extinção  de  débito  de CSLL  ­  PJ  optantes  pela  apuração  com  base  no  lucro  presumido  ou  arbitrado,  PA  2º  Trim/2008,  com  um  alegado  indébito de PIS, no valor de R$ 1.184,85.  A  DRF  LIMEIRA  emitiu  o  Despacho  Decisório  Eletrônico  nº  031069564,  onde  não  homologou  a  compensação  porque  o  pagamento  indigitado  foi  integralmente  utilizado para quitação de débito de PIS do PA 07/2004, não restando crédito disponível para  compensação dos débitos informados na DComp.  Em  Manifestação  de  Inconformidade,  o  declarante  esclareceu  que  se  beneficiaria de tributação monofásica em alguns produtos que comercializa, o que daria origem  aos créditos que pretende compensar. Concorda que de fato deveria  ter  retificado sua DCTF,  mas  como não o  fez,  foi  gerada  a cobrança  em questão. Neste  sentido,  solicita  a  retirada da  cobrança  imposta,  o  que  se  trataria  de  um  ato  de  justiça.  Anexou,  ainda,  cópias  da  DCTF  retificadora e o recibo da DCTF original à sua manifestação.  A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza­CE julgou a Manifestação  de Inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. Conforme o Acórdão nº  08­26.232, de 20 de agosto de 2013, fls. 59 a 62, cuja ementa a seguir transcrevemos:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Ano­calendário: 2004   PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  TOTALMENTE  ALOCADO.  RETIFICAÇÃO  DCTF  POSTERIOR  À  CIÊNCIA  DESPACHO  DECISÓRIO.  ERRO  NÃO  COMPROVADO.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  Tendo sido comprovado que o DARF indicado pelo contribuinte  em declaração de compensação pagamento indevido ou a maior  estava totalmente alocado a débito declarado em DCTF, restou  caracterizada a inexistência do direito creditório.  A  retificação  da DCTF  posteriormente  à  ciência  do Despacho  Decisório,  efetuada  tão  somente  para  justificar  a  existência  do  direito  creditório,  sem  a  apresentação  de  documentos  hábeis  e  idôneos, não tem o condão de justificar o erro no preenchimento  dessa declaração.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA Processo nº 10865.904904/2012­31  Acórdão n.º 3201­002.316  S3­C2T1  Fl. 3          3 Cuida­se  agora  de  recurso  voluntário  contra  a  decisão  da  3ª  Turma  da  DRJ/Fortaleza. O arrazoado de  fls.  70  a 78,  inicia  com síntese dos  fatos  relacionados  com a  lide,  onde  reitera  que  a  origem  de  seu  direito  creditório  seria  decorrente  da  inclusão  equivocada, na base de cálculo da contribuição, de receitas decorrentes da venda de produtos  sujeitos  à  alíquota  0%,  pois  já  teriam  sofrido  tributação  obedecendo  ao  critério monofásico,  vide anexo I da Lei nº 10.485/2002. Na seqüência, reclama que a turma julgadora de primeira  instância  teria  centrado  seu  juízo  em  aspecto  meramente  formal  e  neste  sentido  teria  renunciado  à  necessidade  de  uma  aferição  imposta  pelo  princípio  da  verdade  material,  adotando uma "burocrática conclusão" de que não teria havido uma demonstração da certeza e  liquidez do direito creditório invocado.  Quanto  à  origem  do  direito  creditório  pleiteado,  esclarece  que  atua  no  segmento de auto­peças e que o produto comercializado sujeito à tributação monofásica seria  denominado como "SILENCIOSO", classificado na posição NCM 87.08.92.00, estaria listado  no  anexo  I  da  Lei  nº  10.485/2002  e  se  trataria  de  componente  do  sistema  de  escapamento.  Neste  sentido,  defende  que  indubitavelmente  as  receitas  decorrentes  da  comercialização  do  "SILENCIOSO" deveriam ser tributadas com alíquota zero, o que não fez por infeliz equívoco,  originando­se  desta  forma  o  recolhimento  indevido  e  o  conseqüente  direito  creditório  em  questão.  Observa,  ainda,  que  o  julgador  de  primeira  instância  teria  se  limitado  a  negar  seu  pedido apenas em razão de sua não comprovação, mas não em razão de sua inexistência.  Reclama então, que  já  teria buscado comprovar o direito creditório desde a  apresentação  de  sua manifestação  de  inconformidade,  apenas  pode  não  tê­lo  feito  da  forma  esperada  pelas  autoridades.  Neste  sentido,  informa  que  a  demonstração  agora  acostada  aos  autos  será  mais  detalhada  e  minuciosa,  e  servirá  para  um  imediato  reconhecimento  de  seu  direito ou pelo menos que se decida pela realização de diligência. Aponta a Resolução nº 3803­ 000.330 proferida pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, a qual teria determinado  a  realização de diligência conforme pleiteado. Sustenta que as diretrizes da verdade material  sejam  observadas  por  este  E. Conselho,  transcrevendo  ementa  de  julgado  que  ilustraria  essa  orientação processual.   Na  continuação,  procura  demonstrar  as  receitas  que  teriam  sido  indevidamente tributadas, mediante a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, onde  estariam listadas as notas  fiscais do período em questão, com a indicação dos produtos nelas  constantes e com a segregação destes em razão das alíquotas incidentes. Aponta que a juntada  do  livro  registro  de  saídas  e  da GIA  correlata,  comprovaria  o  adequado  tratamento  legal  às  notas fiscais, bem como dispensaria a anexação de todas estas notas emitidas no período, em  face  de  seu  grande  volume.  Entretanto,  ressalta  que  todas  estas  notas  estariam  sob  guarda  e  poderiam  ser  imediatamente  disponibilizadas  caso  venha  a  ser  determinada  a  realização  de  diligência.  Retoma então a alegação da supremacia da verdade material sobre a verdade  formal,  pois  entende  que  a  demonstração/documentação  juntada  aos  autos  resultaria  no  reconhecimento  do  direito  creditório  pleiteado.  Novamente  cita  ementa  de  julgado  que  ilustraria seus argumentos.  Pede provimento, para a reforma da decisão de primeira instância, o efeito de  reconhecimento do direito creditório e a conseqüente homologação da compensação declarada.  É o relatório.  Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA     4 Voto             Conselheiro Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira  Observados  os  pressupostos  recursais,  a  petição  de  fls.  70  a  78 merece  ser  conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 08­26.232,  de 20 de agosto de 2013.  No  presente  caso,  a  decisão  recorrida  não  acolheu  a  alegação  de  erro  na  apuração  da  contribuição  social,  nem  a  simples  retificação  da  DCTF  para  efeito  de  alterar  valores  originalmente  declarados,  porque  o  declarante,  em  sede  de  manifestação  de  inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos  seus  registros  contábeis  e  fiscais,  acompanhados  de  documentação  hábil,  para  infirmar  o  motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo  para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das  contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF.   Agora,  já  no  recurso  voluntário,  o  interessado  aporta  aos  autos  novos  documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade  julgadora de primeira instância. A  possibilidade  de  conhecimento  desses  novos  documentos,  não  oferecidos  à  instância  a  quo,  deve  ser  avaliada  à  luz  dos  princípios  que  regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF,  assim dispõe, verbis:  Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do  procedimento.  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  [...]Art. 16. A impugnação mencionará:  [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  [...]§ 4º A prova documental  será apresentada na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de  1997):  b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº  9.532, de 1997);  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  [...]Art. 17. Considerar­se­á não  impugnada a matéria que não  tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação  dada pela Lei nº 9.532, de 1997).  Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA Processo nº 10865.904904/2012­31  Acórdão n.º 3201­002.316  S3­C2T1  Fl. 4          5 O processo administrativo  fiscal pode ser considerado como um método de  composição  dos  litígios,  empregado pelo Estado  ao  cumprir  sua  função  jurisdicional,  com  o  objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários  fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro  Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303)  assim  diz:  “enquanto  processo  é  uma  unidade,  como  relação  processual  em  busca  da  prestação  jurisdicional,  o  procedimento  é  a  exteriorização  dessa  relação  e,  por  isso,  pode  assumir  diversas  feições  ou modos  de  ser.”. Ensina o  renomado  autor  que  “procedimento  é,  destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos  do  processo”.  Neste  sentido,  o  procedimento  está  estruturado  segundo  fases  lógicas,  que  tornam  efetivos  os  seus  princípios  fundamentais,  como  o  da  iniciativa  da  parte,  o  do  contraditório e o do livre convencimento do julgador.  Conforme os antes  transcritos  artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo  fiscal  (PAF),  é  a  impugnação  da  exigência,  formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada  ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que  instaura a fase litigiosa do procedimento.  (grifei)  Por  sua  vez,  o  art.  16,  §  4º  do  Decreto  nº  70.235/1972,  estabelece  que  as  provas  devem  ser  apresentadas  juntamente  com  a  impugnação,  precluindo  o  direito  de  fazê­lo  em  outro  momento  processual.  O  sistema  da  oficialidade,  adotado  no  processo  administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus  objetivos  de  solução  de  conflitos  e  pacificação  social,  impõem  que  existam  prazos  e  o  estabelecimento da preclusão.  Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocar­se com os princípios  da  verdade  material  e  da  ampla  defesa.  Vejamos  que  a  Lei  nº  9.784/1999,  que  regula  o  processo  administrativo  em  geral,  no  art.  3º,  possibilita  a  apresentação  de  alegações  e  documentos  antes  da  decisão  e,  no  art.  38,  permite  que  documentos  probatórios  possam  ser  juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve  ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do  processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral.  Neste  ponto,  sobre  o  momento  da  apresentação  da  prova  no  processo  administrativo  fiscal,  cabe mencionar  que  de  fato  existe  na  jurisprudência uma  tendência  de  atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam  tratarem­se  daqueles  que  se  referem  a  fatos  notórios  ou  incontroversos,  no  tocante  a  documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da  parte  à  produção  de  provas  posteriores,  até  o  momento  da  decisão  administrativa  comporta  graduação e  será determinado a critério da autoridade  julgadora, com  fulcro em seu  juízo de  valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve  um  esforço  na  busca  de  comprovar  o  direito  alegado,  que  é  ônus  daquele  que  objetiva  a  restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos.   Como  se  vê,  as  alegações  de  defesa  são  faculdades  do  demandado,  mas  constituem­se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu  favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre  elas a perda do direito de fazê­lo posteriormente, pois opera­se, nesta hipótese, o fenômeno da  Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA     6 preclusão,  isto  porque,  conforme  já  dito,  o  processo  é  um  caminhar  para  a  frente,  não  se  admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores.  O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações  em  supressão  de  instância  quando:  relativas  a  direito  superveniente,  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior  ou  destine­se  a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas  aos  autos.  Compete  ainda  ao  julgador  administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou  por  expressa  autorização  legal.  Finalmente,  o  §  5º  do  mesmo  dispositivo  legal  exige  que  a  juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições  previstas  nas  alíneas  do  parágrafo anterior.  Especificamente  no  caso  desses  autos,  o  recorrente  não  se  preocupou  em  produzir  oportunamente  os  documentos  que  comprovariam  suas  alegações,  ônus  que  lhe  competia,  segundo  o  sistema  de  distribuição  da  carga  probatória  adotado  pelo  Processo  Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo  o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.  No  mesmo  sentido  o  art.  330  da  Lei  no  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973  (CPC):  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I – ao autor, quanto ao  fato constitutivo do seu direito; II – ao  réu,  quanto  à  existência  de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo do direito do autor.  O  recorrente  tampouco  comprovou  a  ocorrência  de  qualquer  das  hipóteses  das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos  referidos  documentos.  No  caso,  o  acórdão  da  DRJ  foi  bastante  claro  ao  fundamentar  suas  conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a  simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos  hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa  de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente  destaca:  "a  manifestação  de  inconformidade  procura  justificar  o  erro  na  declaração  DCTF  Original  mediante  retificação  da  DCTF,  após  a  ciência  do  Despacho  Decisório,  sem  apresentação  de  elementos  comprobatórios  do  direito  creditório  pleiteado  no  citado  PER/DCOMP. (grifei)  A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do  faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como  cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verifica­se que o contribuinte anexou uma  relação  de  Notas  Fiscais  de  7  (sete)  páginas  de  extensão,  fls.  79  a  85,  afirmando  que  tal  providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu  "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi  instaurado  na  forma  digital,  o  que  em muito  facilitaria  a  juntada  da  totalidade  das  referidas  notas  fiscais. Embora  ressalte que  todas  estas Notas  estariam sob  sua guarda  e poderiam ser  imediatamente  disponibilizadas  na  hipótese  de  realização  de  diligência,  o  interessado  sequer  procurou  juntar  algumas  Notas  como  amostragem,  o  que  ao  menos  denotaria  um  mínimo  Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA Processo nº 10865.904904/2012­31  Acórdão n.º 3201­002.316  S3­C2T1  Fl. 5          7 esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou  em  demonstrar  a  origem  das  mercadorias  que  teria  revendido,  mediante  a  apresentação  das  Notas  Ficais  de  aquisição  das  mesmas,  no  sentido  de  comprovar  que  de  fato  o  fabricante/fornecedor  operava  sob  o  regime  da  tributação  monofásica.  No  caso,  optou  por  reiterar  suas  alegações  quanto  à  supremacia  da  verdade  material  sobre  a  verdade  formal,  quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo  menos  parte  de  todas  estas  notas,  para  que  o  julgamento  ocorresse  com  base  em  elementos  concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório.  O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve  ficar assente é que o referido princípio destina­se à busca da verdade que está para além dos  fatos  alegados  pelas  partes,  mas  isto  num  cenário  dentro  do  qual  as  partes  trabalharam  proativamente  no  sentido  do  cumprimento  do  seu  ônus  probandi.  Em  outras  palavras,  o  principio  da  verdade material  autoriza  o  julgador  a  ir  além  dos  elementos  de  prova  trazidos  pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não  da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não  está vinculado às versões das partes).   Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de  provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente  legal,  já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização  inicial.  Dito  de  outro modo:  da mesma  forma  que  não  é  aceitável  que  um  lançamento  seja  efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por  meio de diligências,  tal  instrução probatória,  também não é aceitável que um pleito, onde se  objetiva  a  restituição  de  um  alegado  crédito,  seja  proposto  sem  a  devida  e  minuciosa  demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também  em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação.  Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a  insinuação recursal,  implícita  no  brado  pelo  princípio  da  verdade  material,  de  que  esta  instância  de  julgamento  estaria  obrigada  a  acolher  todos  e  quaisquer  documentos  que  por  ventura  acompanhem  o  recurso,  primeiro  porque  existe  um  evidente  limite  temporal  para  a  apresentação  de  provas  no  rito  instituído  pelo Decreto  nº  70.235,  de  6  de março  de  1972  –  PAF  que  no  presente  caso  é  o  momento  processual  da  apresentação  da manifestação  de  inconformidade,  segundo porque  o  ônus  probatório  aqui  é  do  contribuinte,  quando  este  pleiteia  um  ressarcimento  ou  uma  restituição de indébito,  tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito  creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso.    Como  se  vê,  a  documentação  juntada  ao  recurso  voluntário  não  se  revela  suficiente para atestar  liminarmente a  liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação  declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não  se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais.  A  comprovação  do  valor  do  tributo  efetivamente  devido  (e,  por  conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto  deveria  ter  sido  efetuada  mediante  apresentação  de  documentos  contábeis  e  fiscais  que  patenteassem que o valor da  contribuição do período de  apuração de  interesse não  atingiu o  valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado,  mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte  Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA     8 quanto  à  redução  deste  débito).  Como  tal  documentação  não  foi  juntada  no  momento  processual  oportuno  e  nem  mesmo  agora  em  sede  de  recurso  voluntário  foi  integralmente  apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra  a Fazenda Pública, atributos  indispensáveis para a homologação da compensação pretendida,  nos termos do art. 170 do CTN.  Sobre  a  jurisprudência  trazida  à  colação  pelo  recorrente,  inclusive  a  citada  Resolução nº 3803­000.330, deve­se contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se  enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância  decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratam­se de precedentes que  não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a  administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do  CTN. Alertando­se para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no  desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões  não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas.  Com  essas  considerações,  voto  por  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não  homologação das compensações.  Sala das Sessões, em 24 de agosto de 2016    José Luiz Feistauer de Oliveira ­ Relator                                Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA

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Numero do processo: 10907.000043/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 ARRENDAMENTO DE TERMINAIS PORTUÁRIOS. SUBCONCESSÃO IMPRÓPRIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. O arrendamento de terminais portuário em tela se configura como uma subconcessão imprópria, pois não se trata de uma subconcessão de serviços públicos tradicional e, nele, o arrendatário não desembolsa qualquer valor a título de aquisição de direito de exploração dos serviços no momento da assinatura do contrato, logo, à luz do art. 325, I, do RIR/99, não havia que ser feito qualquer registro no ativo nesse momento. Da mesma forma, não havia, pelo regime de competência, qualquer crédito em favor da APPA e, logicamente, nem obrigação a ser reconhecida pela recorrente, no momento da assinatura do contrato de arrendamento, pois o crédito que deve ser contabilizado, pelo regime de competência, é aquele líquido e certo, ainda que não exigível e, independentemente, de realização financeira. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO (Presidente), ROGERIO APARECIDO GIL, ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, MARCELO CALHEIROS SORIANO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, TALITA PIMENTA FELIX e MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOS.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 ARRENDAMENTO DE TERMINAIS PORTUÁRIOS. SUBCONCESSÃO IMPRÓPRIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. O arrendamento de terminais portuário em tela se configura como uma subconcessão imprópria, pois não se trata de uma subconcessão de serviços públicos tradicional e, nele, o arrendatário não desembolsa qualquer valor a título de aquisição de direito de exploração dos serviços no momento da assinatura do contrato, logo, à luz do art. 325, I, do RIR/99, não havia que ser feito qualquer registro no ativo nesse momento. Da mesma forma, não havia, pelo regime de competência, qualquer crédito em favor da APPA e, logicamente, nem obrigação a ser reconhecida pela recorrente, no momento da assinatura do contrato de arrendamento, pois o crédito que deve ser contabilizado, pelo regime de competência, é aquele líquido e certo, ainda que não exigível e, independentemente, de realização financeira. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO (Presidente), ROGERIO APARECIDO GIL, ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, MARCELO CALHEIROS SORIANO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, TALITA PIMENTA FELIX e MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOS.

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1302­002.000  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  5 de outubro de 2016  Matéria  IRPJ e CSLL  Recorrente  TCP ­ TERMINAL DE CONTEINERES DE PARANAGUA S/A   Recorrida   FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2002  ARRENDAMENTO DE TERMINAIS  PORTUÁRIOS.  SUBCONCESSÃO  IMPRÓPRIA. REGIME DE COMPETÊNCIA.   O  arrendamento  de  terminais  portuário  em  tela  se  configura  como  uma  subconcessão  imprópria, pois não se trata de uma subconcessão de serviços  públicos  tradicional e, nele, o arrendatário não desembolsa qualquer valor a  título  de  aquisição  de  direito  de  exploração  dos  serviços  no  momento  da  assinatura do contrato, logo, à luz do art. 325, I, do RIR/99, não havia que ser  feito qualquer registro no ativo nesse momento.   Da mesma  forma, não havia,  pelo  regime de competência,  qualquer  crédito  em  favor  da  APPA  e,  logicamente,  nem  obrigação  a  ser  reconhecida  pela  recorrente,  no momento  da  assinatura  do  contrato  de  arrendamento,  pois  o  crédito  que  deve  ser  contabilizado,  pelo  regime  de  competência,  é  aquele  líquido e certo,  ainda que não exigível  e,  independentemente,  de  realização  financeira.   TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.  Tratando­se  da  mesma  situação  fática  e  do  mesmo  conjunto  probatório,  a  decisão  prolatada  com  relação  ao  lançamento  do  IRPJ  é  aplicável,  mutatis  mutandis, ao lançamento da CSLL.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do  relatorio e votos que integram o presente julgado.    ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 00 43 /2 00 8- 09 Fl. 723DF CARF MF     2   LUIZ TADEU MATOSINHO ­ Presidente.     Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  LUIZ  TADEU  MATOSINHO MACHADO (Presidente), ROGERIO APARECIDO GIL, ANA DE BARROS  FERNANDES  WIPPRICH,  MARCELO  CALHEIROS  SORIANO,  ALBERTO  PINTO  SOUZA  JUNIOR,  TALITA  PIMENTA  FELIX  e  MARCOS  ANTONIO  NEPOMUCENO  FEITOS.    Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre  recurso  voluntário,  interposto  pelo  contribuinte em face do Acórdão nº 06­28.842 da 1ª Turma da DRJ/CTA, cuja ementa assim  dispõe:    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Período de apuração: 01/06/2002 a 31/12/2002  CONTRATO  QUE,  AO  ARRENDAR  INSTALACOES  PORTUÁRIAS,  ESTABELECE CONCESSÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO.  FORMA  DE  CONTABILIZACÁO  PELO  ARRENDATÁRIO,  EM  FACE  DOS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS VIGENTES NO BRASIL.  O  contrato  pelo  qual  o  particular  arrenda  do  poder  público  instalações  portuárias,  obtendo concessão para  explora­las por  longo prazo em  troca do  compromisso  de  realizar  benfeitorias  e  remunerar  mensalmente  o  órgão  concedente  é,  na  essência,  um  arrendamento  e  como  tal  deve  ser  contabilizado, a teor dos princípios contábeis que sempre vigoraram no Brasil,  antes e depois da Resolução CFC que aprovou a “Interpretação Técnica ICPC  08  ­  Contratos  de  Concessão”,  resultante  da  convergência  com  as  normas  internacionais.  A  circunstância  de  tal  contrato  possuir,  ou  não,  natureza  de  concessão  governamental  é  absolutamente  irrelevante  para  a  sistemática  de  contabilização dos direitos e obrigações dele emanadas, uma vez que a forma  de contabilização decorre da essência do fato contábil, e não da denominação  ou gênero do contrato.  DIREITO  CONTRATUAL  DE  UTILIZAR  INSTALACOES  E  PRESTAR  SERVIÇOS  PÚBLICOS  CONCEDIDOS  E  A  CORRESPONDENTE  OBRIGAÇÃO  DE  REALIZAR  BENFEITORIAS  E  EFETUAR  PAGAMENTOS MENSAIS.  A  assinatura  de  contrato  de  arrendamento  de  instalações  portuárias,  que  implica  concessão  do  direito  de  explorar O  serviço  público  correspondente,  em  troca  de  realizar  benfeitorias  e  efetuar  'pagamentos  mensais,  provoca  reflexos  no  patrimônio  do  contribuinte.  Entretanto,  a  contabilização  de  tais  direitos,  como  a  de  todos  os  outros,  sujeita­se  às  normas  técnicas  baixadas  pelo  Conselho  Federal  de  Contabilidade.  Assim,  não  existindo  qualquer  princípio  contábil  que  autorize  ou  recomende  a  contabilização  de  vínculo  contratual  que,  na  essência,  corresponde  a  operação  de  arrendamento  mercantil  operacional,  não  deve  ser  contabilizado  no  ativo  o  direito  à  utilização  e  tampouco  contabilizado  no  passivo  a  obrigação  de  pagamentos  futuros dos encargos do arrendamento.  MATÉRIA  CONTÁBIL.  VINCULAÇAO  DA  RECEITA  FEDERAL  DO  BRASIL E DO CARF AOS PRINCIPIOS CONTABEIS VIGENTES.  Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 723          3 Tanto  a  Receita  Federal  do  Brasil  como  o  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais, ao decidirem sobre matéria estritamente contábil, vinculam­ se  aos  princípios  contábeis  e  às  Normas  Brasileiras  de  Contabilidade  de  natureza  técnica  editadas  por  quem  detém  a  competência  legal  de  fazê­lo,  sendo  vedado  aos  seus  integrantes  estipularem  procedimentos  contábeis  embasados  apenas  no  entendimento  pessoal  de  seus  membros,  mormente  quando  provocarem  evidentes  distorções  patrimoniais  reconhecidas  pelos  próprios contribuintes interessados.  DECISÃO  PRECEDENTE  DA  CSRF.  “COISA  JULGADA  ADMINISTRATIVA”. LIMITES OBJETIVOS DA VINCULAÇAO.  Os limites objetivos da decisão da CSRF cingem­se à fixação dos critérios dos  itens “i” a “iv” especificamente para a finalidade de prolação de nova decisão  substitutiva  da  decisão que  fora  invalidada  no  próprio PAF,  qual  seja,  nova  decisão  a  respeito  dos  pedidos  de  restituição  e  de  compensação  feitos  pelo  contribuinte  naquele  PAF.  Outrossim,  para  qualquer  outra  finalidade,  as  autoridades  preparadoras  e  as  autoridades  julgadoras  não  se  encontram  vinculadas  aos  critérios  “i”  a  “iv”  fixados  no  precedente  da  CSRF.  Isso  é  inerente à própria feição do aspecto objetivo da vinculação determinada pela  “coisa julgada (administrativa)°, isto é, pelo precedente fixado pela CSRF. _  LANÇAMENTO REFLEXO.  Aplica­se  ao  lançamento  reflexo  ­  CSLL  ­,  no  que  couber,  O  que  restar  decidido com relação ao lançamento matriz, o IRPJ.  Impugnação Improcedente  Sem Crédito em Litígio      A  recorrente,  cientificada  do  Acórdão  nº  06­28.842  em  08/11/2010  (data  informada  pelo  carteiro  no  AR  a  fls.  492,  pois  o  recebedor  não  informou  a  data  de  recebimento), e interpôs, em 07/12/2010, recurso voluntário (doc. a e­fls. 498 e segs.), no qual  alega as seguintes razões de defesa:  a) que houve ofensa ao princípio da certeza do direito ou da segurança  jurídica;  a.1)  que  as  decisões  que  forem  prolatadas  pelo  CARF  ou  pela  CSRF,  não  podem ser modificadas, contestadas ou não aceitas pelos órgãos fiscalizadores subalternos ou  de  instancia  inferior,  sob pena do estabelecimento do mais completo caos no  relacionamento  fisco e contribuinte;  a.2)  que  a  DRJ  de  Curitiba  contraria  de  forma  contundente  o  que  já  foi  decidido  em  Instância  Superior  (no  nosso  entendimento),  afrontando  de  maneira  absurda  o  princípio da segurança jurídica;  b) que o lançamento é nulo;  b.1)  que  pugna  pelo  reconhecimento  oficial  da  nulidade  desse  lançamento,  ora em fase recursal, a uma pelos motivos que já apresentamos em nossa Impugnação, E OS  MANTEMOS A TODOS, e agora, a duas, pela decisão contida no Acórdão 9101­00445, da 1°.  Turma,  (fls.  299­309)  prolatado  em  04/11/2009,  que  determina  o  retorno  dos  Autos  e  o  refazimento  dos  PAF's  pela  DRF  de  Paranaguá  ou  Curitiba,  fato  este  que  até  o  presente  momento  não  ocorreu  e  que  se  acontecer,  sem  dúvidas  modificará  todos  os  números  aqui  contidos e, por isso, este PAF deve ser declarado nulo;  b.2) que o Relator da DRJ­Curitiba, do processo, escreve:  Fl. 725DF CARF MF     4 “Na  essência,  os  fatos  determinantes  da  lavratura  do  auto  de  infração  ora  analisado  SÃO  OS  MESMOS  APRECLADOS  PELO  PAF  N  °  10907.001984/2002­66,  EM  INSTÂNCIA  DERRADEIRA,  pela  Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  no  Recurso  Especial  do  Contribuinte  n°142.831  (Acordão  n"  9101­00.445,  de  04/11/2009,  juntado às fls. 299­309). Ocorre, contudo, que a questão ali decidida diz  respeito apenas aos anos calendário de 1999 a 2001 e primeiro trimestre  de 2002, como se vê no Acordão (fls. 390), com grifos acrescidos.  “Acordam  os  membros  do  colegiado,  1)  por  unanimidade  de  votos  rejeitar  a preliminar de não conhecimento do  recurso 2)  e,  no mérito,  dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, para manter  a decisão recorrida no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e  da  CSLL  apurados  no  segundo,  terceiro  e  quarto  trimestres  de  1999,  primeiro,  segundo,  terceiro  e quarto  trimestres de 2000 e no primeiro  trimestre de 2001, e para determinar o retorno dos autos a Delegacia da  Receita  Federal  de  origem,  para  que  seja  proferido  outro  despacho  decisório  quanto  aos  pagamentos  relativos  as  quotas  do  IRPJ  e  da  CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001 e no  primeiro e segundo trimestres de 2002. "  ...................................................................................................................  “Entretanto,  o  lançamento  aqui  apreciado  diz  respeito  aos  fatos  geradores ocorridos em 29/06/2002 a 31/12/2002, uma vez que trata de  valores escriturados pela contribuinte nesse período, conforme se vê as  fls.  1.695 e 1.825 do Anexo  II, Volume  IV  (Razão  ­ Volume  II). Por  consequência,  o  único  período  comum  ao  auto  de  infração  aqui  examinado e o auto de infração do PAF n° 10907.001984/2002­66 é o  mês de  junho. Assim,  tendo em vista que  já  foi objeto de provimento  definitivo por parte do CARF, deve ser excluída a exigência relativa as  duas parcelas referentes ao mês de junho de 2002, a saber: Amortização  da conta arrendamento, no valor de R$ 576.167,22 (fls. 1.695 do Razão  ­ volume HO, e Variação do Contrato de Arrendamento, no valor de R$  4. 753.502,47 (fls. I. 825 do Razão ­ volume IV).  Entendo,  portanto,  que  o  que  restou  decidido  alhures,  mesmo  tendo  transitado em  julgado com  relação  ao período de 1999 até o  segundo  trimestre  de 2002,  não  vincula  a  decisão  a  ser  proferida  nestes  autos,  relativa  a  período  posterior,  mormente  porque  está  evidente  que  aspectos relevantes dos fatos não foram levados pelo Relator ao exame  dos  demais  membros  da  Turma,  de  sorte  que  aludida  decisão  se  encontra  assentada  em  premissas  equivocadas  e  convicções  pessoais  divorciadas da técnica contábil. Assim, nada obsta que este Colegiado  volte a apreciar a questão ­ com relação a períodos posteriores ­ e cada  julgador  decida  com  base  em  sua  livre  convicção,  dispondo  de  plena  liberdade  de  aferir  a  consistência  do  juízo  lógico  percorrido  no  voto  condutor do Acórdão da CSRF. Estou persuadido, portanto, de que não  constitui desacato a CSRF nova apreciação da matéria por parte deste  Colegiado,  em  relação  a  período  posterior,  PRINCIPALMENTE  EM  FACE DA  CONSTATAÇÃO DE  QUE  ASPECTOS  RELEVANTES  DA QUESTÃO FORAM IGNORADOS EM SEU JULGADO E NÃO  FORAM LEVADOS PELO RELATOR AO CONHECIMENTO DOS  DEMAIS CONSELHEIROS. ”  Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 724          5   b.3)  que  o  Acórdão  9101­00445,  da  1°.  Turma,  (fls.  390)  prolatado  em  04/11/2009, por sua vez, traz em suas páginas 21 e 22, a seguinte decisão:  “A  PARTIR  DE  ABRIL  DE  2001,  momento  em  que  o  contribuinte  assumiu os direitos e obrigações inerentes ao contrato de concessão É  QUE  LHE  É  POSSÍVEL  PROCEDER  ÀS  RETIFICAÇÕES  QUE  DESEJA APLICAR EM SUA CONTABILIDADE.  Para tanto, deverá o contribuinte:   (i)­ Na data em que assumida a posição contratual (10/4/2001), deve o  contribuinte  considerar  em  conta  de  ativo  permanente  o  seu  direito  à  exploração do serviço e dos bens concedidos, avaliado pelo valor a ser  quitado  da  obrigação  para  com  o  poder  concedente.  A  contrapartida  desse lançamento deverá ser feita em conta de passivo exigível a longo  prazo.  (ii)  ­A  dívida  deverá  ser  amortizada,  a  cada  período  de  apuração  do  imposto e da contribuição social, em parcelas iguais e durante o prazo  restante do contrato de concessão. Os  lançamentos devem ser  feitos a  crédito  do  ativo  permanente  e  à  débito  em  conta  de  despesa  (valores  dedutíveis da base de cálculo do imposto e da contribuição).  (iii)  Os  lançamentos  correspondentes  às  variações  ativas  (débito  na  conta de passivo exigível a longo prazo) e passivas (crédito na conta de  passivo  exigível)  da  dívida  deverão  ser  lançadas  contra  contas  de  resultados  (receitas  ou  despesas,  se  o  caso),  conforme  o  regime  de  competência.  As  variações  passivas  que  estiverem  expressamente  previstas  no  contrato  de  concessão  ou  em  seus  termos  aditivos  serão  dedutíveis no período em que contabilizadas.  (iv)  Os  valores  pagos  ao  poder  concedente  deverão  ser  lançados  a  crédito de disponíveis e a débito da conta de passivo exigível a  longo  prazo  representativa  da  obrigação  do  Contribuinte  em  face  do  Poder  Concedente.  As  instâncias  a  quo  (Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  Contribuinte,  Delegacia  de  Julgamento  e  Câmara  recorrida)  não  apreciaram  o  procedimento  do  Contribuinte  com  base  nas  premissas  acima  declinadas  pois  entenderam  que  não  seriam  aplicáveis ao caso do Contribuinte.  No  que  tange  as  quotas  do  IRPJ  e  da  CSLL  apurados  nos  segundo,  terceiro e quarto trimestres de 2001 e nos primeiro e segundo trimestres  de  2002,  pois,  o  pedido merece  ser  novamente  apreciado,  devendo  a  Delegacia da Receita Federal de jurisdição do Contribuinte intimá­lo a  demonstrar,  com base nas premissas acima, o pagamento  indevido do  IRPJ  e  da  CSLL  cuja  repetição  pleiteia,  para,  então,  proferir  novo  despacho decisório.  Pelos  fundamentos  acima  expostos,  voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento ao recurso especial do contribuinte, para manter a decisão  recorrida no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e da CSLL  apurados nos  segundo,  terceiro  e quarto  trimestres de 1999, primeiro,  segundo, terceiro e quarto trimestres de 2000 e no primeiro trimestre de  2001,  e  para  determinar  o  retorno  dos  autos  à  Delegacia  da  Receita  Fl. 727DF CARF MF     6 Federal de origem, para que seja proferido outro despacho decisório e  quanto  aos  pagamentos  relativos  às  quotas  do  IRPJ  e  da  CSLL  apurados  nos  segundo,  terceiro  o  e  quarto  trimestres  de  2001  e  nos  primeiro  e  segundo  trimestres de 2002 nos  termos dos  itens  (i)  a  (iv)  acima.”.    b.4)  que  o  Relator  da  DRJ­Curitiba  reconhece  que  os  fatos  que  foram  a  julgamento  são  os  mesmos  constantes  do  PAF  que  resultou  no  Acórdão  da  CSRF  e  em  instância derradeira;  b.5)  que o Relator  da DRJ­Curitiba,  reconhece  que  houve TRÂNSITO EM  JULGADO  da  decisão,  mas  NÃO  RECONHECE  OS  EFEITOS  JURÍDICO  e  ADMINISTRATIVO DO TRÂNSITO EM JULGADO;  b.6) que o Relator da DRJ­Curitiba, passou por cima do comando contido no  Acórdão da CSRF que DETERMINOU “o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de  origem, para que seia proferido outro despacho decisório quanto aos pagamentos relativos às  quotas do  IRPJ  e da CSLL  apurados nos  segundo,  terceiro  e quarto  trimestres de 2001  e no  primeiro e segundo trimestres de 2002”;  b.7) que esta determinação da CSRF implica no total refazimento dos Autos  de  Infração emitidos após essa data porque a base de atualizaçao monetária da contabilidade  deverá ser ajustada tanto para trás quanto para frente, fato este que implicará no ajuste de todos  os números envolvidos;  b.8) que até o presente momento, a DRF de Paranaguá ou quiçá de Curitiba,  não atenderam ao mandamento contido no decisum da CSRF! Fato este que, por si só, justifica  o travamento, o não prosseguimento e até o cancelamento de TODOS OS PAF's, em desacordo  com o decidido pela CSRF;  b.9)  que  o  Acórdão  da  CSRF  decidiu:  “A  PARTIR DE ABRIL  DE  2001,  momento  em  que  o  contribuinte  assumiu  os  direitos  e  obrigações  inerentes  ao  contrato  de  concessão  É  QUE  LHE  É  POSSÍVEL  PROCEDER  ÀS  RETIFICAÇÕES  QUE  DESEJA  APLICAR EM SUA CONTABILIDADE.(pag. 21, do Acórdão, fls. 400)”. Ou seja, do mês de  abril de 2001 em diante, a Receita Federal do Brasil reconheceu e concedeu ao ora Recorrente,  RETIFICAR  A  SUA  CONTABILIDADE  DE  ACORDO  COM  O  DECIDIDO  NO  ACÓRDÃO;  b.10)  que  o  Recorrente,  em  antecipação  às  providências  que  deveriam  (  e  ainda não o  foram,  até  o presente momento)  ter  sido praticadas pela DRF de Paranaguá  (ou  Curitiba),  refez  sua  contabilidade  fiscal  para  o  período  determinado  pela CSRF  e  incluiu  os  valores apurados na adesão que fez aos termos da Lei 11.941/2009, aguardando no momento a  necessária consolidação dos valores fiscais ali apurados para posterior recolhimento aos cofres  públicos;  c)  quanto  a  alegada  natureza  da  concessão  do  contrato,  que  requer  que  as  considerações  da  CSRF  quanto  a  conclusão  do  contrato  do  TCP  ser  um  contrato  de  CONCESSÃO e não de arrendamento, novamente prevaleçam sob pena de nunca mais findar­ se esta discussão que se arrasta por 9 anos;  d) quanto a correta contabilização dos direitos e das obrigações decorrentes  do contrato:  d.1)  que  requer  que  todas  as  considerações  feitas  pela  CSRF  no  corpo  do  Acórdão 9101­00445, da 1a. Turma,  (fls. 390) prolatado em 04/11/2009,  sejam mantidas em  contraposiçao aos argumentos do Relator da DRJ­Curitiba;  Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 725          7 d.2) que o Sr. Relator da DRJ­Curitiba, embasa e noticia  seu  raciocínio em  cima da ICPC O8 ­ Contratos de Concessão. Ocorre que essa ICPC trata de contabilização de  proposta de pagamento de dividendos e não dos casos de concessão;  d.3)  que  ao  consultar  o  site  específico  do  COSIF,  em  www.cosif.com.br,  constata­se  que  a  referencia  correta  é  a  ICPC­01,  (motivada  pelas  regras  internacionais  de  contabilidade IFRI 12), que trazia em seu bojo a NBC­IT­08, por fim convertida na Resolução  1261/2009;  d.4) que  tais normas  contábeis datam de dezembro de 2009 e os  fatos  aqui  analisados estão dentro do ano de 2002 (01/06/2002 a 31/12/2002);  e) quanto à contabilização dos direitos e obrigações relativos a contratos  de concessão:  e.1) que o Relator da DRJ­Curitiba simplesmente gasta inúmeras linhas para  mostrar  toda a sua contrariedade quanto ao  trabalho brilhante que fora desenvolvido pelo Sr.  Relator da CSRF quando da decisão contida no Acórdão 9101­00445, da 1a. Turma;  e.2)  que  o  Relator  vale­se,  novamente,  de  uma  série  de  normas  e  regras  contábeis que foram editadas em dezembro de 2009 e algumas de 2010 e que, no seu entender,  deveriam  ter  sido  vistas  e  estudadas  pelo  Relator  da  CSRF,  como  se  este  fosse  um  mago  portador de uma bola de cristal ou máquina do tempo e pudesse enxergar o que viria ainda a ser  definido pelos órgãos normatizadores da contabilidade brasileira;  e.3)  que  requer  que  essas  observações  e  conclusões  do  Relator  da  DRJ­ Curitiba, sejam afastadas na solução do presente Recurso porque além de deixar bem claro a  falta  de  respeito  havida  para  com  uma  decisão  de  um  órgão  superior,  embasa  as  suas  conclusões em fatos supervenientes ao momento da discussao do aqui ocorrido;  f)  quanto  ao  lançamento  no  passivo  do  total  estimado  dos  pagamentos  previstos:  f.1)  que  todas  as  conclusões  aqui  trazidas  pelo  Relator  da  DRJ­Curitiba,  também estão fora de tempo, pois em 2002 não existiam as normas, princípios e raciocínios por  ele trazidas no Relatório;  f.2) que o Recorrente  requer que as conclusões advindas do Acórdão 9101­ 00445,  da  1ª  Turma,  (fls.  390)  prolatado  em  04/11/2009  pela  CSRF  sejam mantidas,  assim  como o entendimento do Recorrente em afirmar que foi correto lançar em seu passivo o valor  de RS 150.000.000,00, porque este é o valor do contrato de concessão e corrigi­lo com base na  variação do IGPM porque este foi o fator de correção ajustado no mesmo contrato;  f3) que não é mencionado pelo Sr. Fiscal, este fator de correção, pelas suas  características, em algumas oportunidades, obrigou o Recorrente a registrar receita de correção  ao  invés  de  despesa,  face  a  variação  negativa  muitas  vezes  ocorrida  com  esse  fator  de  atualização. E essa receita foi e ainda é integralmente oferecida à tributação como espécie de  variação monetária ativa;  f4) que  a  título de  ilustração, quando o Sr. Relator da DRJ­Curitiba afirma  veementemente que “Além do mais, não é possível estimar com algum grau de segurança nem  mesmo as parcelas da APPA...etc"  (fls.432), destacamos o comentário dos Auditores Fiscais,  nas notas explicativas às demonstrações financeiras de 2007 e 2008, aqui juntadas como anexo  na íntegra, mas para o destaque aqui exclusivo de que É POSSÍVEL SIM CALCULAR ESSES  VALORES, tanto que a empresa de auditoria Ernest Young o fez (pag. 23 e 24);  g) quanto às soluções de consulta e acórdão da CSRF:  Fl. 729DF CARF MF     8 g.1)  que  todas  as  Soluções  respaldam  o  procedimento  adotado  pelo  TCP,  assim como as conclusões da CSRF tão atacadas pelo Relator da DRJ­CWB;  g.2) que o Relator traz a noticia do Processo CVM n° RJ2002/7805 (fls. 432­ v)  onde  a  empresa  CCR  ­  Companhia  de  Concessões  de  Rodovias,  controladora  de  ambas  formulou  consulta  à  CVM  em  que  afirmou  que  a  metodologia  contábil  por  elas  adotada  provocava  distorções  na  realidade  patrimonial  por  força  do  aparecimento  do  Patrimônio  Líquido  Negativo  em  função  dos  prejuízos  gerados  pelo  lançamento  da  correção  de  seu  passivo;  g.3) que um reparo histórico tem que ser feito, na época, em 2002, a CCR ­  Companhia  de  Concessões  de  Rodovias  estava  se  preparando  para  buscar  capital  de  giro  mediante  o  lançamento  de  novas  ações  no  mercado  e,  a  existência  de  patrimônio  líquido  negativo era um óbice à essa  intenção e, por  isso, mesmo com a correta solução de consulta  dada pela Receita Federal, a empresa optou por desconsiderar o total das variações passivas e  assim  fazer  um  lucro  “fictício”  para  poder  se  socorrer  do  aporte  de  capital  que  seria  obtido  através da colocação de novas ações no mercado acionário.  h)  que,  com  base  no  que  dispõe  o Código Tributário Nacional,  artigos  156, IX combinado com o artigo 100, II, III e parágrafo único e mais a decisão constante  do Acórdão  9101­00445,  da  1a.  Turma,  (fls.  390)  prolatado  em  04/11/2009  pela CSRF,  requer  o  Recorrente  seja  declarado  extinto  o  presente  processo  administrativo,  como  medida de inteira Justiça.    Na Sessão de 19 de janeiro de 2016, esta Turma, por maioria, vencido este  Relator, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução a fls. 637, para para que a  autoridade local intimasse o sujeito passivo a regularizar a representação processual, mediante  declaração de  seus  representantes  legais  convalidando o  recurso voluntário  já  apresentado,  o  que foi feito pelos representantes legais da recorrentes no doc. a fls. 653..        É o relatório.  Voto               Conselheiro Alberto Pinto S. Junior.      O  recurso  é  tempestivo  e  a  dúvida  acerca  da  regular  representação  processual da recorrente foi saneada pela diligência citada no relatório, razão pela qual voto  por conhecer do recurso.    Inicialmente,  alerto  que  a  autuação  sub  examine  refere­se  a  lançamentos  para  redução:  do  prejuízo  fiscal  do  AC  2002,  do  valor  de  R$  65.164.286,19  para  R$  2.044.229,20; e da base negativa de CSLL do AC 2002, do valor de R$ 65.284.784,35 para  R$ 2.164.727,36. As referidas reduções foram decorrentes das glosas feitas pela Fiscalização  em despesas de amortização, no valor de R$ 4.687.422,76, e de variação monetária passiva,  no valor de R$ 58.432.634,23, conforme autos de infração a fls. 170 e segs..    Desta  forma,  alerto  que,  embora  o  TVF  (a  fls.  182,  in  fine)  afirme  que  estava extinguindo todos os saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL acumulados  até 31/12/2001, esta matéria não foi objeto dos lançamentos, objetos destes autos.     DA PRELIMINAR DE NULIDADE      Em  preliminar,  a  recorrente  alega  a  nulidade  do  auto  de  infração,  sob  alegação de que:  Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 726          9 a)  houve  ofensa  ao  princípio  da  certeza  do  direito  ou  da  segurança  jurídica, pois as decisões que  forem prolatadas pelo CARF ou pela CSRF, não podem ser  modificadas,  contestadas  ou  não  aceitas  pelos  órgãos  fiscalizadores  subalternos  ou  de  instancia  inferior, sob pena do estabelecimento do mais completo caos no relacionamento  fisco e contribuinte;  b) a DRJ de Curitiba contraria de forma contundente o que já foi decidido  em Instância Superior (no nosso entendimento), afrontando de maneira absurda o princípio  da segurança jurídica;   c)  o  Acórdão  9101­00445,  da  1°  Turma  da  CSRF  (e­fls.  401  e  segs.)  prolatado em 04/11/2009, determinou o retorno dos Autos a DRF de origem, fato este que  até o presente momento não ocorreu e que se acontecer, sem dúvidas modificará  todos os  números aqui contidos;  d) esta determinação da CSRF implica no total refazimento dos Autos de  Infração emitidos após essa data porque a base de atualizaçao monetária da contabilidade  deverá ser ajustada tanto para trás quanto para frente, fato este que implicará no ajuste de  todos os números envolvidos;  e) até o presente momento, a DRF de origem não atendeu ao mandamento  contido  no  decisum  da  CSRF,  fato  este  que,  por  si  só,  justifica  o  travamento,  o  não  prosseguimento e até o cancelamento de TODOS OS PAF's, em desacordo com o decidido  pela CSRF;  f) o Acórdão da CSRF decidiu: “A PARTIR DE ABRIL DE 2001, momento  em que o contribuinte assumiu os direitos e obrigações inerentes ao contrato de concessão É  QUE  LHE  É  POSSÍVEL  PROCEDER  ÀS  RETIFICAÇÕES  QUE DESEJA  APLICAR  EM  SUA CONTABILIDADE.(pag. 21, do Acórdão, fls. 400)”. Ou seja, do mês de abril de 2001  em  diante,  a  Receita  Federal  do  Brasil  reconheceu  e  concedeu  ao  ora  Recorrente,  RETIFICAR A SUA CONTABILIDADE DE ACORDO COM O DECIDIDO NO ACÓRDÃO.   Antes de enfrentarmos a questão posta, há que se esclarecer qual o objeto  dos  autos  em que  foi  proferido o Acórdão 9101­00445 da 1° Turma da CSRF,  razão pela  qual vale a transcrição dos seguintes trechos do relatório e voto condutor de tal julgado:  “A  empresa  TCP  ­  TERMINAL  DE  CONTÊINERES  DE  PARANAGUÁ  S.A.  entrou  em  agosto  de  2002  com  Pedido  de  Restituição de  IRPJ e CSLL,  fls. 01/06, em razão de  recolhimentos  feitos indevidamente no período de junho de 1999 a junho de 2002,  tendo em vista o prejuízo fiscal ocorrido no referido período.  (...)  Às fls. 96/100 ocorreu Despacho Decisório n° 15/2003 – SAORT da  exarado pela Delegacia da Receita Federal em Paranaguá indeferindo  o pedido, com a seguinte conclusão:  ‘IV­ do lndeferimento do Pedido  Desta forma, o contrato que o contribuinte possui com a APPA não  pode ser caracterizado como arrendamento mercantil financeiro pelos  seguintes motivos:  ­ no arrendamento mercantil financeiro é indispensável a presença de  instituição  financeira  durante  a  operação  de  financiamento,  sendo  suas  operações  submetidas  ao  controle  e  fiscalização  do  Banco  Fl. 731DF CARF MF     10 Central  do  Brasil,  segundo  normas  estabelecidas  pelo  Conselho  Monetário Nacional.  ­  o  arrendatário  não  conta,  ao  final  do  contrato,  com  a  opção  de  compra  do  bem  arrendado,  muito  menos  que  este  seja  livremente  pactuado.  Pelos  motivos  expostos,  uma  vez  que  de  acordo  com  a  legislação  aplicável o contrato entre a empresa TCP ­ Terminal de Contêineres  de  Paranaguá  e  o Governo  do Estado  do  Paraná  por  intermédio  da  APPA  não  pode  ser  caracterizado  como  uma  operação  de  “arrendamento  mercantil  financeiro  proponho  o  indeferimento  do  pedido de fl. 01.’    Inconformado  com  indeferimento  da  restituição,  com  ciência  em  21/03/2003,  a  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade protocolizado em 23/04/2003, em cujo arrazoado de  fls. 107/l16 alega em apertada síntese o seguinte:  ­  A  autora  por  licitação  pública  firmou  contrato  de  concessão  de  serviço  público  denominado  "Contrato  de  Arrendamento  de  Instalação Portuária" em 1997 com o Governo do Estado do Paraná,  por  intermédio  da  Administração  dos  Portos  de  Paranaguá  e  Antonina  (APPA).  assumindo  a  responsabilidade  de  ampliar,  modernizar  e  explorar  onerosamente  o  terminal  de  contêineres  e  veiculos do Porto de Paranagua;  ­ Assumiu o compromisso  irretratável e  irrevogável de  remunerar a  APPA. durante o período de concessão, por 25 (vinte e cinco) anos, a  quantia  mínima  de  150.000.000,00  (cento  e  cinquenta  milhões  de  reais).  devidamente  corrigida,  entre  valores  mensais  e  fixos  e  variáveis;  ­  Até  31  de  dezembro  de  2001,  por  erro,  deixou  de  registrar  contabilmente pelo regime de competência.  (artigo 187, § 1°, a que  está  obrigada  a  observar,  utilizando­se  do  regime  de  caixa)  esse  direito  contratual  e  também  a  correspondente  obrigação  nascida  do  contrato;  ­  Corrigiu  o  erro  através  do  lançamento  contábil  do  direito  de  utilização dos ativos do Poder concedente a débito de uma conta de  ativo  imobilizado.  para  ser  amortizado  em  25  anos  e  a  obrigação  (contrapartida do débito) a crédito de uma conta do passivo exigível  de curto e longo prazos;  ­  Com  as  correções  contábeis  caracterizou­se  a  existência  de  um  prejuízo fiscal e contábil nos períodos anteriores de junho de 1999 a  junho  de  2002  e  consequentemente  um  recolhimento  indevido  do  IRPJ e da CSLL:  ­ Tudo  foi  confirmado pelo  relatório da auditoria externa elaborado  pela Ernest & Young, doc. fls. 117/ 1 32:  ­ Em momento algum o SAORT observou a necessidade da correção  do procedimento contábil, limitando­se a tentar distinguir a natureza  jurídica do contrato, fato que não tem  relação com o pedido de restituição;  ­  A  real  natureza  jurídica  do  contrato  discutido  é  de  concessão  pública e é de se notar que os recolhimentos se deram numa fase de  pré­operacionalidade  da  empresa,  onde  não  poderia  gerar  qualquer  tipo de resultados positivos.  Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 727          11 Em  05  de  agosto  de  2004,  foi  prolatado O  Acórdão DRJ/CTA  /nº  6.721.  doc.  fls.  466/480.  onde  a  Autoridade  Julgadora  "a  quo"  indeferiu  a  solicitação  de  restituição  expressando  seu  entendimento  por meio da seguinte ementa:    ‘(...)  O  arrendamento  de  instalações  portuárias  não  materializa  arrendamento  financeiro. e  sim arrendamento Operacional. Por essa  razão, por forca da NBCT 10, do Conselho Federal de Contaltilidade.  tais operações' caracterizam­se, essencialmente, como uma operação  de aluguel e seu contrato não deve ser objeto de inclusão nas contas  patrimoniais,  devendo  ser  controlado  em  contas  de  compensação.  Nessa  hipótese,  são  incorretos  os  lançamentos  contábeis  que  registrem,  no  ativo  diferido,  o  direito  de  explorar  o  terminal,  em  contrapartida ao registro no exigível da obrigação correspondente ao  total  das  prestações  assumidas  relativamente  a  todo  o  período  do  arrendamento.  (...)  Tendo  as  partes  ­  pessoa  jurídica  de  direito  privado  e  autarquia  estadual  ­  atribuído  a  vínculo  contratual  a  natureza  jurídica  de  "arrendamento", não compete à autoridade administrativa apreciar a  alegação  de  que  se  trata  de  “contrato  de  concessão.  Ademais,  a  medida  seria  inocúa,  uma  vez  que  não  existe  diretriz  contábil  determinando  ou  autorizando  tratamento  contábil  excepcional  para  operações  da  espécie,  envolvendo  o  reconhecimento  imediato,  no  passivo, de  todos os encargos que se  tornarem devidos ao  longo do  prazo de vigência do vínculo Contratual.  (...)  Por força do § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, não podem ser  registrados no ativo diferido recursos a serem amortizados em prazo  superior a dez anos.’  (...)  No que interessa a essa instância recursal, o acórdão recorrido negou  provimento ao recurso voluntário da Contribuinte por entender que,  embora  ‘o  contrato  do  contribuinte  com  o  Estado  do  Paraná,  por  intermédio  da  Administração  dos  Portos  de  Paranaguá  e  Antonina  (APPA),  se  enquadre  na  natureza  jurídica  típica  dos  contratos  de  concessão, independente da denominação (...)’, ‘não se verificou fato  algum  que  merecesse  registro  contábil,  mas  apenas  um  ato  administrativo, para o qual se deu o registro contábil como se fosse  fato modificativo do patrimônio da pessoa  juridica’. Consignou o r.  voto condutor do aresto recorrido que "os pagamentos mensais é que  deveriam ser contabilizados como custos operacionais.  (...)  VOTO  (...)  No particular,  registro que não é  fundamento do arresto  recorrido  a  impossibilidade de registrar em conta de ativo direitos que devem ser  amortizados em mais de dez anos. Não bastasse, vale notar que em  ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, os contratos de concessão  Fl. 733DF CARF MF     12 são  de  30()  e  240  meses,  respectivamente,  sendo  que  o  acórdão  paradigma prevê a amortização do ativo no prazo contratual, ou seja,  240 meses, muito superior ao prazo apontado pela Fazenda Nacional  (dez anos).  Restou  consignado,  outrossim,  que  a natureza da  relação contratual  entre autarquia estadual e a Contribuinte é de contrato de concessãol,  situação fática similar à do precedente trazido como paradigma. Em  ambos  os  feitos  os  contratos  referem­se  a  concessão  de  serviço  público,  divergindo  apenas  no  entendimento  de  sua  contabilização:  recorrido, lançamento dos valores pagos mensalmente como despesa  do  período;  ou  paradigma,  lançamento  do  valor  da  concessão  no  ativo  diferido  e  no  passivo  (exigível  a  longo  prazo),  com  as  conseqüências tributárias respectivas.  (...)  Conforme se depreende do exame dos autos, o contrato de concessão  de  que  trata  o  caso  envolvia,  inicialmente,  o  consórcio  Redram/Transbrasa.  Pelos  termos  do  Segundo  Termo  Aditivo  ao  Contrato  (fls.  230/234),  a  composição  societária  do  consórcio  concessionário  foi  alterada,  e  este  (consórcio)  recebeu  nova  denominação  social  (TEVECOM).  Posteriormente,  em  10/4/2001  (Terceiro Termo Aditivo,  fls.  236/240),  o  consórcio  transferiu  o  contrato  para  a  TCP  ­  Terminal  de Contêineres  de  Paranaguá  S.A.,  pessoa  jurídica  interessada  nos  autos.  Assim,  a  Recorrente  adquiriu  o  direito  de  explorar  econômica  e  financeiramente  o  terminal público, por meio da autarquia Administração dos Portos de  Antonina  e  Paranaguá  ­  APPA,  pelo  prazo  de  25  anos,  conforme  edital e lance vencedor das empresas/consórcio cessionário.     A  concessão  de  serviço  público,  precedida  de  execução  de  obra  pública,  caso da  recorrente,  e  regulada pela Lei  n° 8.987, de 13 de  fevereiro  de  1995,  que  dispõe  sobre  o  regime  de  concessão  e  permissão  de  serviços  públicos  previstos  no  artigo  175  da  Constituição Federal.  Segundo  o  inciso  III  do  artigo  2°  do  referido  diploma  legal,  a  concessão de serviço público, precedida da execução de obra pública,  compreende  a  "construção,  total  ou  parcial,  conservação,  reforma,  ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse publico,  delegada pelo Poder Concedente. mediante licitação. na modalidade  de  concorrência.  a  pessoa  juridica  ou  consórcio  de  empresas  que  demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco. de  forma  que  o  investimento  da  concessionária  seja  remunerado  e  amortizado mediante a exploração do  .serviço ou da obra por prazo  determinado”.  (...)  Não  se  pode  negar  que  a  pessoa  jurídica  concessionária  (originalmente  o  Consórcio  Redram/Tranbrasa  e,  posteriormente,  o  Contribuinte Recorrente) assumiram direitos e obrigações em face do  poder  concedente,  in  casu,  o  Estado  do  Paraná,  por  intermédio  do  contrato de concessão que é objeto destes autos.  (...)  Por  sua  vez,  o  contrato  também  é  claro  quanto  às  obrigações  assumidas  pela  pessoa  jurídica  concessionária  em  face  ao  poder  Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 728          13 concedente,  quais  sejam:  (i)  a  de  realizar  investimentos  na  infra­ estrutura do terminal já existente (cláusula sétima); (ii) a de observar  os limites de preço estabelecidos no contrato (cláusula nona); (iii) a  de  remunerar  a  autarquia  que  intermedeia  a  concessão  (cláusula  décima  segunda  c/c  cláusulas  oitava  e  décima  primeira,  cláusula  décima  terceira  e  cláusula  décima  quarta),  etc.  Peço  vênia  para  transcrever as cláusulas referidas, verbis:  (...)  Percebe­se, pois, que tanto o prazo da concessão quanto o pagamento  do  preço  assumido  pela  concessionária  estão  intimamente  relacionados, não sendo possível afirmar que cada uma das parcelas  mensais  do  preço  se  referiria  à  exploração  do  sistema  em  determinado mês.  Na  seara  contábil,  ainda  é  bastante  controvertida  a  forma  de  contabilização  dos  direitos  e  obrigações  oriundos  de  concessões  governamentais.  Diga­se,  nesse  particular,  que  a  Comissão  de  Valores  Mobiliários  (CVM)  submeteu  à  audiência  pública  uma  minuta  de  deliberação  com  objetivo  de  tornar  obrigatório  às  companhias  abertas  Pronunciamento  elaborado  pelo  Instituto  Brasileiro  de  Contadores  (IBRACON)  acerca  do  tema  (minuta  de  deliberação  e  parecer  juntados  aos  autos  pelo  Recorrente,  fls.  455/465).  Não se obteve consenso acerca da oportunidade de adotar o referida  deliberação, de modo que, mais recentemente (em 24 de setembro de  2009),  a  CVM  submeteu  a  audiência  pública  nova  minuta  de  deliberação  sobre  o  tema,  desta  vez  para  tornar  obrigatório  às  companhias  abertas  observarem  a  Interpretação  Técnica  ICPC  O1,emitida  pelo  Comitê  de  Pronunciamentos  Contábeis  (CPC),  de  conteúdo  bastante  distinto  daquele  parecer  elaborado  anteriormente  pelo IBRACON.  (...)  Resta  evidente  que  os  encargos  da  concessão  assumem,  desde  a  assinatura  do  contrato,  a  natureza  de  despesas  incorridas  para  a  obtenção da exploração do sistema portuário.  Não será a exploração da concessão em si mesma que fará nascer à  concessionária  o  dever  de  pagamento  do  preço,  pelo  contrário,  é  o  próprio  comprometimento  ao  pagamento  do  preço,  ainda  que  a  termo, que possibilita a obtenção do direito de explorar a concessão e  por tal ser remunerada pelo prazo de 25 anos.  Por  tais  fatos,  na  assinatura  do  contrato,  a  totalidade  do  preço  da  concessão, qualquer que fosse cronograma de pagamentos, deve ser  reconhecida  em  contrapartida  a  conta  de  ativo  que  registre  o  respectivo  direito  de  exploração.  A  existência  da  obrigação  correspondente  a  ser  registrada  como  passivo  denota  que  a  Recorrente não pode evitar o desembolso com tal obrigação, uma vez  que tal conduta acarretaria imposição de sérias penalidades conforme  disposto no edital e no contrato.  Sendo  a  empresa  de  objeto  específico  e  exclusivo  e  com  tempo de  vida  condicionado  ao  prazo  da  concessão,  seu  balanço  refletirã  no  ativo e passivo somente aqueles relacionados com as atividades fim,  Fl. 735DF CARF MF     14 registrando  no  ativo  o  valorçda  concessão,  amortizável  no  prazo  contratual  e,  no  passivo  a  obrigação  contraída. A  parcela  assumida  correspondente ao direito adquirido pelo concessionário de explorar  o  serviço  e  extrair  os  benefícios  econômicos,  que  constitui  uma  obrigação  assumida,  prevista  no  edital  e  na  proposta  vencedora,  posteriormente  estabelecida  em  contrato,  representa  um  passivo,  perfeitamente quantificãvel  em  valor  e  prazo,  estando  sujeito  a  garantias  prestadas  nos  termos  contratuais.  (...)  Em  conclusão,  portanto,  a  quantia  paga  ou  devida  ao  Poder  Concedente  pela  concessão  do  direito  de  exploração  submete­se  ao  regime de amortização, pelo prazo de duração do direito. O direito de  exploração da atividade concedida é registrado no ativo permanente.  em contrapartida  a uma  conta de passivo  exigível  representativa da  obrigação  assumida pela  concessionária,  pelo valor pago ou devido  ao  Poder  Concedente.  O  valor  do  ativo  é  amortizado  em  parcelas  iguais, pelo prazo de duração do contrato de concessão, aplicando­se  os arts. 301 e 325 do RIR/99 que assim dispõem, verbis:  (...)  Por  sua  vez,  as  variações  ativas  ou  passivas  a  que  se  sujeita  a  obrigação  assumida  pela  concessionária  em  face  do  Poder  Concedente  devem  ser  registradas  na  conta  ­  patrimonial  representativa  de  referida  dívida,  a  contrapartida  de  resultado,  de  acordo com o regime de competência, nos termos dos arts. 375 e 377  do RIR/99, verbis:  (...)  Tal  entendimento  encontra  respaldo  em  soluções  de  consulta  formuladas  pela  própria  Receita  Federal  do  Brasil.  Veja­se,  nesse  sentido, ementa da Solução de Consulta n. 291/2007, proferida pela  DISIT/SRRF 8" RF, verbis:  ‘SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 29I de 29 Junho de 2007  EMENTA:  CONCESSÃO  DE  SERVIÇO  PÚBLICO.  AMORTIZAÇÃO. A quantia paga ou devida ao Poder Público, pela  concessão  de  serviço  por  prazo  determinado  submete­se  ao  ASSUNTO:  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Juridica  –  IRPJ  regime  de  amortização  pelo  prazo  de  duração  do  direito.  Havendo  financiamento os encargos a ele referentes. tais como  a correção do valor da moeda pelo  índice contratualmente ajustado.  podem  ser  deduzidos.  pelo  regime  de  competência  como  despesa  financeira.’  (...)  As  considerações  supra  não  significam  provimento  integral  ao  recurso da Contribuinte.  Conforme salientado linhas acima, o contrato de concessão envolveu,  inicialmente,  o  consórcio  Redram  /  Transbrasa.  Pelos  termos  do  Segundo  Termo  Aditivo  ao  Contrato  (fls.  230/234),  a  composição  societária  do  consórcio  concessionário  foi  alterada,  e  o  mesmo  recebeu nova denominação social (TEVECOM). Posteriormente, em  10/4/2001  (Terceiro  Termo  Aditivo,  fls.  236/240),  o  consórcio  concessionário  transferiu  o  contrato  para  a  TCP  ­  Terminal  de  Contêineres de Paranaguá S.A., pessoa jurídica interessada nos autos.  Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 729          15 (...)  Se  o  Contribuinte  Recorrente  assumiu  a  posiçao  de  concessionário  apenas em 10/4/2001, não é possível que os direitos e as obrigações a  ele  inerentes  tenham  causado  reflexos  sobre  períodos  de  apuração  anteriores à data da assunção da posição contratual (i.e. anteriores ao  mês de março de 2001). Se a retificação da forma de contabilização  dos  efeitos  patrimoniais  levou  o  Contribuinte  a  apurar  prejuízo  contábil  e  fiscal,  por  certo  que  o  prejuízo  somente  pode  ter  sido  verificado a partir do momento em que o Contribuinte era parte do  contrato, não antes.  (...)  Por estas razões, no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e  da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 1999,  primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2000 e no primeiro  trimestre de 2001, o pedido de restituição deve ser indeferido.  A partir de abril de 200.1., momento em que o contribuinte assumiu  os direitos e obrigações inerentes ao contrato de concessão é que lhe  é  possível  proceder  às  retificações  que  deseja  aplicar  em  sua  contabilidade.  Para tanto, deverá o contribuinte:   (i)­ Na data em que assumida a posição contratual (10/4/2001), deve  o contribuinte considerar em conta de ativo permanente o seu direito  à exploração do serviço e dos bens concedidos, avaliado pelo valor a  ser  quitado  da  obrigação  para  com  o  poder  concedente.  A  contrapartida desse lançamento deverá ser feita em conta de passivo  exigível a longo prazo.  (ii) ­A dívida deverá ser amortizada, a cada período de apuração do  imposto  e  da  contribuição  social,  em  parcelas  iguais  e  durante  o  prazo restante do contrato de concessão. Os lançamentos devem ser  feitos a crédito do ativo permanente e à débito em conta de despesa  (valores dedutíveis da base de cálculo do imposto e da contribuição).  (iii) Os  lançamentos  correspondentes  às  variações  ativas  (débito  na  conta de passivo exigível a longo prazo) e passivas (crédito na conta  de passivo exigível) da dívida deverão ser lançadas contra contas de  resultados  (receitas  ou  despesas,  se  o  caso),  conforme  o  regime  de  competência.  As  variações  passivas  que  estiverem  expressamente  previstas no contrato de concessão ou em seus termos aditivos serão  dedutíveis no período em que contabilizadas.  (iv)  Os  valores  pagos  ao  poder  concedente  deverão  ser  lançados  a  crédito de disponíveis e a débito da conta de passivo exigível a longo  prazo representativa da obrigação do Contribuinte em face do Poder  Concedente.  As  instâncias  a  quo  (Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  Contribuinte,  Delegacia  de  Julgamento  e  Câmara  recorrida) não apreciaram o procedimento do Contribuinte com base  nas  premissas  acima  declinadas  pois  entenderam  que  não  seriam  aplicáveis ao caso do Contribuinte.  Fl. 737DF CARF MF     16 No que tange as quotas do  IRPJ e da CSLL apurados nos segundo,  terceiro  e  quarto  trimestres  de  2001  e  nos  primeiro  e  segundo  trimestres de 2002, pois, o pedido merece ser novamente apreciado,  devendo  a  Delegacia  da  Receita  Federal  de  jurisdição  do  Contribuinte intimá­lo a demonstrar, com base nas premissas acima,  o  pagamento  indevido  do  IRPJ  e  da  CSLL  cuja  repetição  pleiteia,  para, então, proferir novo despacho decisório.”.  Pelos  fundamentos  acima  expostos,  voto  no  sentido  de  dar  parcial  provimento  ao  recurso  especial  do  contribuinte,  para  manter  a  decisão recorrida no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e  da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 1999,  primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2000 e no primeiro  trimestre de 2001, e para determinar o retorno dos autos à Delegacia  da Receita Federal de origem, para que seja proferido outro despacho  decisório e quanto aos pagamentos relativos às quotas do IRPJ e da  CSLL apurados nos segundo, terceiro o e quarto trimestres de 2001 e  nos primeiro e segundo trimestres de 2002 nos termos dos itens (i) a  (iv) acima.”        Atendo­me apenas as questões preliminares, vale ressaltar que os presentes  autos  tem  como  objeto  lançamentos  para  reduzir  prejuízo  fiscal  e  base  negativa  de  2002,  enquanto que o objeto do Acórdão 9101­00445 era o pedido de restituição dos valores pagos  de IRPJ e CSLL até junho de 2002.     É verdade que os dois autos analisaram a procedência do prejuízo fiscal e  base  negativa  apurados  pelo  contribuinte,  porém,  uma  decisão  em  pedido  de  restituição  jamais  teria o condão de reduzir ou restabelecer o prejuízo fiscal e base negativa apurados  pelo contribuinte, pois, para tanto, é exigida a lavratura de auto de infração. Logo, é nestes  autos que a matéria está sendo frontalmente enfrentada, pois, nos autos em que se julgou o  pedido de restituição, ela se revestia apenas de fundamento de decisão.    Ademais,  cabe  esclarecer  que  não  existe  “coisa  julgada  material  administrativa”, pois a matéria poderá, no caso de lançamento tributário, ser sempre objeto  de  reexame  dentro  do  prazo  decadencial,  desde  que  autorizado  pelo  Delegado  ou  Superintendente  da Receita  Federal. No  caso  em  tela,  houve  essa  autorização  de  reexame  (doc. a fls. 52), pois a recorrente já tinha sido auditada anteriormente, com relação ao mesmo  fato gerador (2002), se não vejamos o que informa o TVF a fls. 180:  “O período objeto deste lançamento parcial, ano calendário 2002, já  foi objeto de ação fiscal. Na ação fiscal anterior foi arbitrado o lucro  deste período, em funções de irregularidades na escrituração. Porém,  o  Egrégio  Conselho  de  Contribuintes  achou  por  bem  cancelar  a  exigência  fiscal  decorrente  deste  arbitramento,  sendo  que  o  contribuinte tomou ciência deste acórdão em 01/11/07.  Assim  sendo,  o  Dr.  Delegado  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Curitiba  autorizou  o  reexame  deste  período,  para  ser  analisado  o  resultado contábil apurado pelo contribuinte em sua escrita, pois é de  conhecimento  desta  repartição  a  pretensão  do  contribuinte  em  pleitear  a  existência  de  elevadas  somas  relativas  a  prejuízo  fiscal  e  base negativa de CSLL.”.    Note­se  que  não  seria  necessário  a  autorização  de  reexame  se  o  único  processo anterior a estes autos fosse aquele que versou sobre restituição, justamente porque o  objeto  deste  não  se  refere  nem  a  constituição  de  tributo  nem  de  redução  de  prejuízo  fiscal/base negativa.    Se não há coisa julgada material administrativa, por outro lado, a decisão  Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 730          17 administrativa  em  face  da  qual  não  cabe  mais  recursos  administrativos  é  definitiva  no  processo em que proferida – coisa julgada formal administrativa, mas jamais será conferida  natureza de imutabilidade às conclusões do decisum.     Outra  questão  que  deve  ser  ressaltada,  embora  não  tenha  sido  alegada,  refere­se ao art. 146 do CTN, o qual, in casu, não era obstáculo para o lançamento em tela,  pois tal dispositivo veda o lançamento calcado em novo critério jurídico fixado por decisão  administrativa  que  analisou  o  mesmo  fato  gerador,  sendo  que  o  lançamento  em  tela  não  adotou o critério jurídico que serviu de fundamento ao Acórdão 9101­00445, nem esse tratou  de lançamento tributário, mas de pedido de repetição de indébito.    Assim, não havia porque  levar em conta o que fora decidido no Acórdão  9101­00445, o qual julgou restituições até junho de 2002, razão pela qual entendo perfeitas  as  conclusões  do Redator  do  voto  vencedor  do  acórdão  recorrido,  quando  restabeleceu  as  bases tributáveis do mês de junho 2002, único mês que foi objeto tanto do lançamento que  ora se trata, como do Acórdão 9101­00445. Alerto que as glosas feitas pela autuante foram  nas  despesas  de  amortização  e  variação  monetária  passiva  contabilizadas  de  junho  a  dezembro de 2002.     Por  último,  a  decisão  proferida  no Acórdão  9101­00445  não  tem  efeitos  normativos nem reflete uma prática reiterada observada pela autoridade administrativa, logo  inaplicável,  in  casu,  o  art.  100,  II,  III  e  parágrafo  único,  do  CTN,  como  suscitado  pelo  recorrente.    Por  esses  motivos,  voto  por  afastar  as  preliminares  de  nulidadades  suscitadas, tanto no que se refere a nulidade do auto de infração quanto à alegação de ofensa  à segurança jurídica.    DO MÉRITO      O mérito  reside  em  saber,  primeiro,  qual  a  natureza  jurídica  do  contrato  celebrado entre a recorrente e a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA).     Conforme  já  dito  alhures,  o  contrato  em  tela  foi  celebrado  entre  o  consórcio Redram/Transbrasa (doc. a fls. 75 e segs.),  sendo que, pelos  termos do Segundo  Termo  Aditivo  ao  Contrato  (fls.  107  e  segs.),  a  composição  societária  do  consórcio  concessionário  foi  alterada,  e  este  (consórcio)  recebeu  nova  denominação  social  (TEVECOM) e, pelo Terceiro Termo Aditivo (a fls. 112 e segs.), em 10/4/2001, o consórcio  transferiu o contrato para a recorrente.        Da simples leitura do contrato a fls. 75 e segs., facilmente se verifica que  não se trata aqui, puro e simplesmente, de um contrato de arrendamento, como sustentou o  autuante.  Ora,  basta  verificar  que  também  faz  parte  do  objeto  do  contrato  a  prestação  de  serviços públicos que a arrendatária  terá que oferecer a particulares  (operações portuárias),  tanto que a Cláusula Vigésima Terceira prevê a possibilidade de intervenção da APPA nas  atividades  da  recorrente,  o  que  só  se  justificaria  pela  primazia  do  interesse  público  na  prestação do referido serviço. Tanto é assim que o Edital de Concorrência 009/97 ( a fls. 250  e  segs.)  que  precedeu  à  contratação  pela  APPA  de  um  arrendatário  dispõe  no  seu  item  01.08.00 o seguinte:  “01.08.00  O  arrendamento  constitui  um  projeto  de  investimento,  destinando­se a investidores que tenham capacidade para financiar e  implementar  a  ampliação,  a  modemização  e  o  aparelhamento  das  INSTALAÇOES.  01.09.00 Além  disto,  os  investidores  devem  ter  capacidade  técnica  para  executar  a  movimentação  e  annazenagem  de  veiculos  e  de  Fl. 739DF CARF MF     18 contêineres e capacidade administrativa e empresarial para gerenciar,  com êxito, a exploração das  INSTALAÇÕES, nos  terrnos definidos  neste EDITAL.  01.10.00 _ Ressalte­se que só será autorizado o início das operações  das INSTALAÇOES após a celebração do contrato de arrendamento,  nas condições previstas neste EDITAL.”.    Por sua vez, o preâmbulo do Edital assim dispõe:    “CONCORRÊNCIA  INTERNACIONAL;  tipo  de  melhor  oferta,  objetivando  proceder  o  arrendamento  de  instalações  portuárias,  localizadas no Porto de Paranaquá, destinadas a  implantação de um  Terminal de Veiculos Automotivos e Contêineres, de acordo com as  condições particulares deste Edital e seus Anexos com as disposições  das Leis Federais n°. 8.666 de 21 de junho de 1993, 8.630, de 25 de  fevereiro  de  1993  e  Decreto­Lei  n°.  9.760,  de  05  de  setembro  de  1946,  e demais nom1as  em vigor que  regem a  espécie,  ocasião  em  que  será  efetuada  a  abertura  dos  envelopes  contendo  os  DOCUMENTOS  PARA HABILITAÇÃO,  e marcada  a  data  para  a  abertura dos envelopes contendo as PROPOSTAS COMERCIAIS.”      Note­se  que  o  Edital  dispõe  que  a  licitação  obedecerá  o  Decreto­Lei  nº  9.760/46, o que poderia levar a concluir que estamos diante unicamente de um arrendamento  de  bem  público,  porém,  se  assim  fosse,  não  haveria  porque  também  ser  citada  a  Lei  8.630/93.     Sobre a natureza jurídica que se estabeleceu entre a recorrente e APPA, é  bastante esclarecedor o seguinte trecho do artigo da lavra de Flávio Amaral Garcia e Rafael  Véras de Freitas, publicado na Revista de Direito Público da Economia – RDPE nº 47, p. 96  e segs., in verbis:      “O sistema de exploração da infraestrutura portuária se inicia a partir  do art. 20, VII, da Constituição Federal:  Art. 20. São bens da União: [...]  VII – os terrenos de marinha e seus acrescidos;  Esses terrenos fronteiriços ao oceano sempre possuíram uma afetação  natural à defesa do  território nacional  e à construção de  instalações  portuária. Sua definição remonta ao Aviso Imperial de 12 de julho de  1833, que neles incluía todos os terrenos “que, banhados pelas águas  do mar ou dos rios navegáveis, em sua foz, vão até a distância de 33  metros para a parte das terras, contados desde o ponto em que chega  o preamar médio”.  Essa  qualificação  dos  terrenos  de  marinha  como  um  bem  público  federal  tem  como  consequência  prática  a  necessidade  de  os  interessados em explorar infraestruturas portuárias terem de requerer  ao Serviço do Patrimônio da União (SPU) um título habilitante para  tanto,  usualmente  materializado  por  contratos  de  aforamento,  consoante determina o disposto no art. 9º do Decreto nº 9.760, de 05  de setembro de 1946.22  Prosseguindo, o art. 22, X, da Carta Constitucional confere à União a  competência privativa para legislar sobre o regime dos portos:  Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: [...]  X – regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e  aeroespacial;  Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 731          19 E,  complementando  o  desenho  constitucional  da  infraestrutura  portuária, o art. 21, XII, “f”:  Art. 21. Compete à União: [...]  XII  –  explorar,  diretamente  ou mediante  autorização,  concessão  ou  permissão: [...]  f) os portos marítimos, fluviais e lacustres;  Ora  bem,  extrai­se  do  dispositivo  constitucional  uma  dualidade  de  regimes jurídicos para a exploração da infraestrutura portuária: o dos  serviços públicos e a das atividades econômicas.  Exposto  em  outros  termos,  quando  a  exploração  dos  serviços  portuários for delegada para o setor privado, por meio dos institutos  da  “concessão” e da  “permissão”,  ter­se­á,  consoante o disposto no  art. 17524 da Constituição da República, a delegação de um serviço  público,  os  quais  serão  informados  pelo  conceito  constitucional  de  serviço público adequado (art. 175, parágrafo único,  IV, da CRFB).  Por  outro  lado,  quando  a  exploração  desses  serviços  for  delegada  pela  via  da  “autorização”,  tratar­se­á  uma  atividade  econômica  em  sentido estrito, que sofrerá os influxos da regulação estatal.  O  ponto  será  doravante  aprofundado,  mas  pretende­se,  à  partida,  fixar a premissa de que foi a própria Constituição da República que  previu duas modalidades com contornos distintos de exploração dos  serviços portuários.  A rigor, o legislador infraconstitucional apenas deu concretude a uma  diretriz  extraída  do  texto  constitucional.  Daí  poder­se  afirmar  que,  tanto o regime instituído pela revogada Lei nº 8.630/1993, como o da  novel  Lei  nº  12.815/2013,  ao  preverem  uma  dualidade  de  regime  para  a  exploração  portuária,  por  meio  de  concessões  e  de  autorizações,  não  estão  inquinados  pela  pecha  da  inconstitucionalidade.  É dizer: a “autorização” para o exercício de uma atividade privada de  interesse público não  subverte  a ordem constitucional brasileira;  ao  revés, materializa uma ponderação entre o princípio da liberdade de  iniciativa (fundamento da República e da ordem econômica, artigos  1º,  IV,  e  170  da  CRFB),  e  o  exercício  da  função  de  polícia  administrativa,  função  estatal  atrelada  ao  princípio  da  legalidade  administrativa (previsto no art. 37 da CRFB).  O Marco Regulatório do Setor Portuário — tanto o revogado como o  em  vigor  —  foi  elaborado  com  a  incorporação  das  mutações  ocorridas  no Direito Administrativo  Econômico  e,  em  especial  nos  contornos  do  “serviço  público”,  agora  orientado  por  uma  lógica  predominantemente concorrencial.  (...)  Sob  a  égide  da  Lei  nº  8.630/1993,  como  já  demonstrado,  a  exploração  da  infraestrutura  portuária  era  levada  a  efeito  por  contratos de arrendamento e por autorizações para a exploração de  terminais  privativos.  Aqueles  prestadores  de  serviços  públicos;  estes exploradores de atividades econômicas em sentido estrito.  Havia,  ainda,  outra  peculiaridade  na  assimetria  regulatória  consagrada  no  diploma  revogado:  a  exploração  privada  de  infraestruturas  portuárias  ocorria  por  intermédio  de  terminais  Fl. 741DF CARF MF     20 privativos  de  uso  exclusivo,  destinados  à  movimentação  da  “carga  própria”,  e  de  terminais  privativos  de  uso  misto,  destinados  à  movimentação de “carga própria” e de “carga de terceiro”.  (...)  Como  se  sabe,  sob  a  vigência  da  Lei  nº  8.630/1993,  o  conceito  de  “Porto  Organizado”  estava  relacionado  à  afetação  de  uma  infraestrutura  à  prestação  dos  serviços  portuários,  tanto  os  de  natureza pública, prestados por arrendatários, como os de natureza de  atividade  econômica  em  sentido  estrito,  prestados  pelos  autorizatários  (então  terminais  privativos),  sendo  ambos  sujeitos  às  determinações de uma autoridade portuária.  (...)  Mas  ressalte­se que, malgrado o  concessionário  exerça  a  função de  polícia administrativa, isso não desvirtua a qualidade de delegação de  serviços  públicos  da  concessão  do  Porto  Organizado,  como  ressaltado  por  Marçal  Justen  Filho,  ainda  sob  a  égide  da  Lei  nº  8.630/1993:  A concessão de porto significa a delegação à iniciativa privada  da  competência  (dever­poder)  para  organizar  e  explorar  esse  conjunto heterogêneo de atividades, bens e sujeitos,  tendo por  objeto  a  instituição  e  a  exploração  de  um  porto.  Portanto,  continuará a existir um porto público, mas a sua gestão far­se­á  por meio de atuação de um particular.  A  concessão  do  porto  significa  a  instituição  de  uma  unidade  econômica disciplinada pelo direito privado. E assim se afirma  precisamente  porque  o  instituto  da  delegação  não  altera  a  natureza jurídica do objeto delegado.  (...)  Nos  termos  do  art.  2º,  XI,  da  Lei  nº  12.815/2013,  o  contrato  de  arrendamento das instalações portuárias se configura como a “cessão  onerosa de área e infraestrutura públicas localizadas dentro do Porto  Organizado, para exploração por prazo determinado”.  Não se trata de um típico contrato de arrendamento de bem público,  por  meio  do  qual  o  arrendatário  explora  os  frutos  de  determinada  propriedade  pública,  mediante  condições  especiais,  aprovadas  pelo  Ministro da Fazenda, por prazo superior a 20 anos (art. 96, parágrafo  único, do Decreto­Lei nº 9.760/1946, com a redação dada pela Lei nº  11.314/2006).  Cuida­se,  na  verdade,  de  um  contrato  que  veicula  um  serviço  público, por meio do qual a Administração pública transfere não só o  uso  de  determinado bem público, mas,  também,  a  prestação  de um  serviço de sua titularidade (art. 21, XII, “f”, da CRFB).  Nesse  sentido,  importante  relembrar  o  entendimento  de  Alexandre  Santos de Aragão sobre os contratos de arrendamento sob a vigência  da  Lei  nº  8.630/1993,  mas  que  continua,  plenamente,  compatível  com a sua disciplina no Novo Marco Regulatório:  “Atreladas ao  arrendamento encontram­se exigências  relativas  a quantidades, padrões e metas mínimas, e que a exploração e  percepção  de  frutos  decorrentes  desse  serviço  pelo  particular  constituem um dever, e não apenas uma faculdade oferecida ao  arrendatário,  não  tendo  essa  liberdade  sobre  a  forma  como  melhor aproveitar a exploração do bem concedido.  Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 732          21 À medida que  tais  contratos  são  celebrados  em  parcelas  territoriais  do  “Porto  Organizado”,  é  possível  assentar  que  tais  ajustes  têm  natureza de uma subconcessão de serviços públicos, posto que estão,  necessariamente,  vinculadas  à  concessão  do  serviço  público  portuário, prestado na infraestrutura do “Porto Organizado”; daí por  que  se  aplica  a  tais  contratos,  supletivamente,  o  art.  26  da  Lei  nº  8.987/1995, a seguir transcrito:  Art.  26.  É  admitida  a  subconcessão,  nos  termos  previstos  no  contrato  de  concessão,  desde  que  expressamente  autorizada  pelo poder concedente.  §1º  A  outorga  de  subconcessão  será  sempre  precedida  de  concorrência.  §2º  O  subconcessionário  se  sub­rogará  todos  os  direitos  e  obrigações  da  subconcedente  dentro  dos  limites  da  subconcessão.  Mas  não  se  trata  de  uma  subconcessão  de  serviços  públicos  tradicional,  na  qual  não  existe  vínculo  jurídico  de  Direito  Público  entre concessionário e subconcessionário.  O  arrendamento  portuário  se  configura  como  o  que Marçal  Justen  Filho  denomina  de  uma  “subconcessão  imprópria”,  na  medida  em  que  o  concessionário  exercerá  a  função  de  autoridade  portuária,  exercendo  parcela  da  função  de  polícia  administrativa  em  face  dos  arrendatários (art. 4º, I e II, do Decreto nº 8.033/2013).  Outra razão pela qual se entende que o arrendamento portuário  tem  natureza jurídica de uma subconcessão imprópria é a que estabelece,  nos  contratos  de  arrendamento  portuário,  uma  relação  direta  entre  Poder Concedente  (a União) e os subconcessionários  (arrendatário).  E isso se justifica, pois o arrendatário irá prestar um serviço público  de titularidade da União.”         Aliás, note­se que, em todos os Termos Aditivos, houve a interveniência da  União, representada, naqueles atos, pelo Ministro de Estado dos Transportes. Nesse sentido,  vale também transcrever os seguintes itens do Edital 009/97, in verbis:  02.01.00.  São  adotadas  as  siglas,  expressões  e  termos  que  terão  o  significado que  a mas  é  apontado,  sem prejuizo de outras  inseridas  neste EDITAL e seus Anexos ou, ainda, na legislação aplicável:  (...)  V­ APPA:  a  entidade  para  a  qual  foi  delegada  a  administração  e  a  exploração  do  Porto  de  Paranaguá,  com  a  qual  será  celebrado  o  contrato de arrendamento;  VI  ­  Porto  Organizado:  o  construído  e  aparelhado  para  atender  as  necessidades  da  navegação  e  da  movimentação  e  armazenagem  de  mercadorias,  concedido,  explorado  ou  delegado  pela  União,  cujo  tráfego  e  operações  estejam  sob  a  jurisdição  de  uma  autoridade  portuária;  VII  ­  Porto  de  Paranaguá:  o  porto  organizado  para  as  finalidades  referidas no inciso anterior:  (...)  IX ­ infra­estrutura do Porto de Paranaguá: a compreendida por todas  as  instalações  portuárias,  quais  sejam,  ancoradouros,  docas,  cais,  Fl. 743DF CARF MF     22 pontes  e  piers  de  atracação  e  acostagem,  terrenos,  amiazéns,  edificações  e  vias  de  circulação  intema,  bem  como  pela  infra­ estnrtura de proteção e acesso aquaviário ao Porto, tais como canais,  bacias de evolução e áreas de fundeio que devam ser mantidas pela  Administração do Porto, no caso a APPA;  (...)  XI ­ Instalações ou Terminal: O conjunto de instalações portuárias a  serem arrendadas;  XII ­ Operação Portuária: a movimentação e armazenagem de cargas  destinadas  ou  provenientes  de  tráfego  aquaviário,  realizadas  nas  instalações portuárias a serem anendadas ou dentro da área do Porto  de Paranaguá;  Xlll  ­  Operadora  Portuária:  a  qualidade  a  ser  atribuida  à  Licitante  vencedora ou à sociedade arrendatária a ser constituída pela mesma,  por  intermédio da qual a mesma ficará pré­qualificada para  realizar  operações portuárias dentro da área do Porto de Paranaguá, para os  fins previstos no art. 9° da Lei n° 8.630, de 1993;  XIV  ­  Arrendatária:  a  Licitante  vencedora  desta  Licitação  ou  a  sociedade  a  ser  por  ela  constituída,  com  a  qual  será  celebrado  o  contrato de arrendamento previsto neste EDITAL;  XV ­ Poder Concedente: a União, por intemédio do órgão setorial  competente;  XVI  ­  Poder  Regulamentar:  o  poder  inerente  a  determinadas  autoridades  de  expedir  os  regulamentos  do  porto  organizado,  na  forma e para os fins previstos em lei;  XVII ­ Autoridade Portuária: a APPA;  ............................................................................................................”    A  Cláusula  Quarta  do  contrato  em  tela  expressamente  dispõe  que  a  exploração do terminal pela recorrente far­se­ia no regime previsto do inciso I do § 2º do art.  4º  de  tal  Lei  8.630/93,  ou  seja,  na modalidade  de  uso  público  das  instalações  portuárias,  razão  pela  qual,  concluo  que  estamos  diante  de  uma  subconcessão  imprópria  de  serviços  públicos. Não estamos diante nem de um simples arrendamento de bem público nem de uma  concessão ou subconcessão tradicional, mas, sim, de uma subconcessão imprópria.    Uma vez concluído que estamos a tratar de uma subconcessão imprópria de  serviços públicos, cabe verificar se estaria a recorrente autorizada, pela legislação tributária,  a adotar contabilização do contrato com a APPA da forma como se operou.     Inicialmente, ressalto que a solução para a questão posta a julgamento não  se encontra em atos da Comissão de Valores Mobiliários nem muito menos em Resolução do  Conselho Federal de Contabilidade, mas na Lei, pois se estamos a tratar de base tributável,  não há que se perquirir outra fonte se não a Lei, salvo em caráter acessório a esta.     O  art.  325,  I,  b,  do RIR/99,  cuja  base  legal  é  o  art.  58  da  Lei  4.506/64,  assim dispõe:  “Art. 325. Poderão ser amortizados:    I ­ o  capital aplicado na aquisição de direitos  cuja  existência ou  exercício  tenha  duração  limitada,  ou  de  bens  cuja  utilização  pelo  contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como:    (...)    b) investimento em bens que, nos  termos da  lei ou contrato que  regule  a  concessão  de  serviço  público,  devem  reverter  ao  poder  concedente, ao fim do prazo da concessão, sem indenização;  .......................................................................................................................”      Ora, por essa norma, verificamos que o recorrente poderia ativar o capital  Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10907.000043/2008­09  Acórdão n.º 1302­002.000  S1­C3T2  Fl. 733          23 aplicado na aquisição dos direitos de exploração da concessão, para ser amortizado durante  a vigência do contrato de concessão, como também, os investimentos em bens que, ao final  da concessão, fossem revertidos ao poder público.     In casu, não estamos diante de uma concessão ou subconcessão tradicional  de  serviços públicos, mas de  subconcessão  imprópria,  nas palavras de  Justen Marçal. Não  obstante,  entendo  que  essa  particularidade  é  irrelevante  quando  se  trata  no  direito  de  a  recorrente  ativar  investimentos  em  bens,  na  medida  em  que  todos  os  investimentos  realizados  pela  arrendatária  (recorrente)  serão  revertidos  ao  concedente  ao  final  da  subconcessão. A Cláusula Sétima do Contrato em tela (a fls. 77/78) dispõe que a arrendatária  deverá  realizar  investimentos na modernização do  terminal, compreendendo a execução de  obras de infraestrutura e aparelhamento das instalações a serem arrendadas, nos prazos e nas  condições definidas. Isso, porém, não quer dizer que a recorrente pudesse registrar no ativo  tais investimentos antes de eles serem executados. Com efeito, não houve capital aplicado na  aquisição do direito de exploração dos serviços no momento da assinatura do contrato, logo,  à luz do art. 325, I, do RIR/99, não havia que ser feito qualquer registro no ativo.     A Cláusula Décima Terceira do contrato é fruto dessa natureza híbrida do  contrato, no qual se funde uma subconcessão de serviços portuários e arrendamento de bem  público, pois a remuneração ali estabelecida é tipicamente vinculada ao uso do bem pela sua  exploração econômica e, não, pela aquisição do direito de exploração do serviço portuário.  Tanto é assim que o item 12.00.00 do Edital 009/97 assim dispõe:    “12.00.00 DA REMUNERAÇÃO DA APPA  12.01.00  A  Licitante  deve  considerar  que  arcará,  durante  todo  o  prazo de vigência do contrato de arrendamento, com o pagamento de  remuneração  à  APPA,  em  decorrência  do  uso,  gozo  e  fruição  das  INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS a serem arrendadas, assim como da  infra­estrutura  terrestre  a  ser  utilizada  ou  posta  à  disposição  do  TERMINAL, composta das seguintes partes:  a)  uma  parte  fixa,  no  valor  mensal  de  R$  60.000,00  (sessenta mil  reais),  correspondente  à utilização de 120.000 m  (cento  e vinte mil  quadrados)  da  área  aterrada  (Área  1  e  Área  2  –  Anexo  II)  a  ser  arrendada, à razão de R$ 0,50 (cinquenta centavos de real) por metro  quadrado.  b) uma parte fixa, à partir da data de conclusão do aterramento,  no  valor  mensal  de  R$  50.640,00  (cinqüenta  mil,  seiscentos  e  quarenta  reais), correspondente à utilização de 101.280 m2 (cento e  um mil, duzentos e oitenta metros quadrados) da área a ser arrendada  (Área 3 ­ Anexo ll), à razão de R$ 0,50 (cinqüenta centavos de real)  por metro quadrado;   c) uma parte  fixa,  à partir  da data de conclusão do aterramento,  no  valor mensal de R$ 88.000,00 (trinta e seis mil reais), correspondente  à  utilização  de  72.000 m2  (setenta  e dois mil metros  quadrados)  da  área  a  ser  arrendada  (Area  4  ­  Anexo  II),  à  razão  de  R$  0,50  (cinqüenta centavos de real) por metro quadrado;  d) uma parte variável, correspondente a RS 15,00 (quinze reais), por  cada contëiner (20 pés e 40 pés) movimentado no mês;  e) uma parte variável, conespondente a R$ 10,00 (dez reais), por cada  contêiner (20 pés e 40 pés) transbordado no mês;   f) uma parte variável, correspondente a R$ 1,50 (um real e cinquenta  centavos), por cada veículo automotivo movimentado no mês.”.  Fl. 745DF CARF MF     24     Ora, pela Cláusula acima não havia qualquer passivo a ser registrado pela  recorrente no momento da assinatura do contrato. A letra “a” prevê uma remuneração pelo  arrendamento das áreas  já aterradas,  razão pela qual o crédito da APPA só surgiria com o  decurso do prazo. Já para as demais letras, a APPA só começaria a fazer jus a pagamentos a  partir do momento em que: para as parcelas fixas, ocorresse os aterramentos ali indicados; já  para as parcelas variáveis, os créditos da APPA só começariam a surgir quando a recorrente  começasse a operar, sendo que o valor dependeria do fluxo de carga nos terminais.     Assim, não há, pelo regime de competência, qualquer crédito em favor da  APPA,  nem  obrigação  a  ser  reconhecida  pela  recorrente,  no  momento  da  assinatura  do  contrato. Isso fica claro se imaginássemos que o contrato fosse rescindido de comum acordo  antes do aterramento e do início de operação, nenhum valor seria devido à APPA com base  nesse  dispositivo,  salvo  pelos  dias  transcorridos  em  relação  à  remuneração  fixa  do  arrendamento  das  áreas  já  aterradas.  Há  que  se  lembrar  que  o  crédito  que  deve  ser  contabilizado, pelo regime de competência, é aquele líquido e certo, ainda que não exigível  e, independentemente, de realização financeira, razão pela qual, não existindo crédito líquido  e certo para APPA no momento da assinatura do contrato, não há que se falar que houvesse  passivo a ser contabilizado pela recorrente.     Ressalte­se  que  o  item  22  do  Edital  informa  que  há  duas  áreas  a  serem  aterradas pela arrendatária (recorrente): a) uma área de 3.101.280 m2 e outra de 481.600 m2.  Ora, não se discute que as despesas com tal aterramento deva ser ativada, para amortização  durante  a  vigência  do  contrato,  porém  essa  disposição  não  gera  qualquer  passivo  no  momento da assinatura do contrato. Ademais, se as parcelas  fixas  referidas nas  letras “b”e  “c” só começaram a ser devidas após a conclusão do aterramento, conclui­se por óbvio que  nada era devido no momento da assinatura do contrato com relação a esses itens.     Ademais, querer sustentar que a Cláusula Oitava tivesse previsto o custo de  aquisição  do  direito  de  exploração  dos  serviços  portuário  é  de  todo  desarrazoado,  pois  o  valor  indicado  em  tal  cláusula  é  meramente  indicativo,  sem  gerar  qualquer  obrigação  ou  direito  para  as  partes.  Estima­se  apenas  o  valor  na  Cláusula  Oitava,  já  que,  naquele  momento,  ele  era  indeterminado,  na  medida  em  que,  com  exceção  do  item  “a”  do  item  12.01.00  do  edital,  a  remuneração  dos  bens  arrendados  ou  é  variável  de  acordo  com  o  movimento  dos  terminais  ou  dependia  da  conclusão  do  aterramento,  para  começar  a  ser  devida.         Por  essas  razões,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  para  manter os lançamentos em tela.      Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator                            Fl. 746DF CARF MF

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Numero do processo: 10865.003526/2010-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para algumas das competências lançadas, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência dessas competências, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN, mantendo-se a regra geral, insculpida no art. 173, I, do CTN para as demais competências. Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-004.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  o  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional  e,  no mérito,  em  dar­lhe  provimento. Votou  pelas  conclusões a conselheira Patrícia da Silva.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em Exercício e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patrícia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  Relatório  Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal ­ AIOP  ­ DEBCAD nº 37.283.729­8, às e­fls. 01 a 79, cientificado à contribuinte em 10/11/2010 (e­fl.  01), com relatório do auto de infração às e­fls. 80 a 90. O AIOP é referente a contribuições a  outras  entidades  e  fundos  (terceiros),  quais  sejam,  Salário  Educação,  Instituto  Nacional  de  Colonização  e Reforma Agrária  ­  INCRA, Serviço Nacional  do Transporte  ­  SEST, Serviço  Nacional de Aprendizagem do Transporte ­ SENAT e Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e  Pequenas Empresas ­ SEBRAE, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados.  Em procedimento fiscal foi constatado que: a empresa havia sido excluída do  Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas  de  Pequeno  Porte  ­  SIMPLES,  por  ultrapassar  o  limite  da  recita;  utilizou­se  de  créditos  oriundos de ação judicial adquiridos de outra empresa para realizar compensações em GFIP; e  efetuou pagamentos  com cestas básicas  em  espécie  e outros  sob  a  rubrica PAT em  folha de  pagamento, sem a devida inscrição no programa.  O crédito lançado atingiu o montante de R$ 305.386,62, consolidado na data  de 09/11/2010, para o período de apuração de 01/2005 a 08/2009.   O AIOP foi impugnado, às e­fls. 170 a 203, em 08/12/2010. Já a 7ª Turma da  DRJ/RPO, no acórdão nº 14­33.508, prolatado em 27/04/2011, às e­fls. 224 a 234, considerou,  por unanimidade, a impugnação improcedente.  Inconformada, em 15/06/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às  e­fls. 239 a 271, discutindo, em síntese:  · decadência  período  anterior  a  11/2005,  pela  contagem  do  prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN;  · compensação, por entender possível a utilização de crédito de  terceiros;  · exclusão do SIMPLES e efeitos ex­nunc desta;  Fl. 357DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.003526/2010­13  Acórdão n.º 9202­004.438  CSRF­T2  Fl. 357          3 · cerceamento do direito de defesa;  · inexigibilidade das contribuições ao SEBRAE;  · cobrança indevida de juros pela aplicação da taxa SELIC;  · inconstitucionalidade da multa por caracterizar confisco.  O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da  Segunda Seção de Julgamento em 19/01/2012,  resultando no acórdão 2403­000.979, às e­fls.  278 a 288, que tem a seguinte ementa:  INCONSTITUCIONALIDADE.  AFASTAMENTO  DE  NORMAS  LEGAIS. VEDAÇÃO.  O Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  (CARF)  não  é  competente  para  afastar  a  aplicação  de  normas  legais  e  regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.  DECADÊNCIA   Deve­se aplicar regra única de decadência para o lançamento.  PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR   Integra  o  salário­de­contribuição  a  parcela  recebida  em  desacordo  com  os  programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos  termos da  Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA  DE TRIBUTOS.  É  cabível  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  os  débitos  para  com  a  União  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com  base  na  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia – SELIC para títulos federais.  COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS   É proibida a compensação de débitos próprios com créditos de  terceiros.  O acórdão teve o seguinte teor:  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  Por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso,  reconhecendo  a  decadência  parcial  do  crédito  tributário  até  a  competência  10/2005, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN.  Embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional  Em  03/04/2012,  a  Procuradora  da  Fazenda Nacional  interpôs  embargos  de  declaração,  às  e­fls.  290  a  295,  apenas  no  tocante  à discussão  da  decadência. Contudo  estes  Fl. 358DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   4 embargos  foram  tidos  como  improcedentes,  conforme  despacho  nº  075  do  Presidente  da  3ª  Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, à e­fl. 298, em 21/08/2012.   RE da Fazenda Nacional  Cientificada  do  resultado  dos  embargos,  em  16/11/2012,  a  Procuradora  da  Fazenda Nacional, na mesma data, manejou recurso especial de divergência ­ RE (e­fls. 300 a  316) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF  em matéria de decadência para  fatos geradores que não  tiveram pagamento antecipado. Traz  por paradigmas os acórdãos: nº 2301­002.267 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara e nº 2402­ 01.443 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, ambos da Segunda Seção de Julgamento.   A Procuradora afirma que os acórdãos paradigmas distinguem cada período  e  os  respectivos  fatos  geradores  para  aplicação  do  art.  150,  §  4º  do  CTN,  quando  haja  pagamento  antecipado,  enquanto  para  o  recorrido,  basta  a  existência  de  um  pagamento  para  que sobre todos os outros fatos geradores incida essa norma. Assevera, ainda, que inexistindo  pagamento parcial, impõem­se a aplicação da regra de contagem do art. 173, inc. I, do CTN.  Nesse  sentido,  requer  seja conhecido e provido o  recurso, para que  (a)  seja  aplicado  o  art.  173,  I,  do CTN  em  relação  a  todos  os fatos  geradores  em  que  não  houve  a  antecipação do pagamento do tributo (competências 02/2005 a 05/2005 e 07/2005).  O RE da contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda  Seção de  Julgamento do CARF, nos  termos  dos  arts.  68 do Regimento  Interno do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009,  por  meio  do  despacho  nº  2400­010/2014,  datado  de  16/01/2014,  às  e­fls.  319  a  322,  entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais.   Contrarrazões da contribuinte  A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 2403­000.979, do RE interposto  pela  Fazenda  Nacional  e  do  despacho  de  admissibilidade  nº  2400­010/2014,  por  meio  da  comunicação nº 13842/ARFB/SJRPARDO/32/2014 (e­fl. 325), em 26/02/2014 (e­fl. 326).   Em  07/03/2014,  a  contribuinte  apresentou  suas  contrarrazões  ao  RE  da  Procuradoria,  às  e­fls.  329  a  337,  onde  em  suma  afirma  que  o  prazo  decadencial  para  os  tributos  por  homologação  é  aquele  previsto  no  art.  150,  §  4º  do  CTN,  havendo  ou  não  pagamento  antecipado  ou  mesmo  expressa  informação  do  sujeito  passivo  sobre  o  tributo  devido. Por essa razão pleiteia que o RE não seja provido.  É o relatório.  Fl. 359DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.003526/2010­13  Acórdão n.º 9202­004.438  CSRF­T2  Fl. 358          5   Voto             Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  atende os demais  requisitos de admissibilidade e,  portanto, dele conheço.  Verifico, a propósito, que cinge­se o litígio aos períodos de apuração objeto  de  lançamento  que  poderiam  estar  fulminados  pelo  efeito  decadencial,  ao  se  considerar  a  aplicação do art. 150 §4º do CTN ou, alternativamente, o art. 173, I do CTN.  A propósito, a decadência dos tributos lançados por homologação é questão  tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito  dos  antigos  Conselhos  de  Contribuintes,  e  agora  no  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço.  É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato  do  nosso Código Tributário Nacional  ­ CTN possuir  duas  regras  de decadência,  uma para  o  direito de constituir o crédito  tributário  (art. 173), e outra para o direito de não homologar o  pagamento  antecipado  de  certos  tributos  previstos  em  lei  (art.  150,  §4o).  Apesar  de  serem  situações  distintas,  o  efeito  atingido  é  o  mesmo,  pois,  uma  vez  homologado  tacitamente  o  pagamento,  o  crédito  tributário  estará  definitivamente  extinto,  não  se  permitindo  novo  lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos  nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data  no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou  no  dia  em  que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal,  o  lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do  fato gerador.  Pacificando  essa  discussão,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  –  STJ,  órgão  máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150,  §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e  não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art.  173, nos demais casos. Veja­se a ementa do Recurso Especial nº 973.733 ­ SC (2007/0176994­ 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA DOS  PRAZOS  PREVISTOS NOS  ARTIGOS  150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.  Fl. 360DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   6 1.  O  prazo  decadencial  qüinqüenal  para  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento  antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o  mesmo  inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.  Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e EREsp  276.142/SP,  Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento  do  direito  potestativo  de  o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra  da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3ª  ed.,  Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  qüinqüenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  à  ocorrência  do  fato  imponível,  ainda  que  se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  dos  prazos  previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3ª  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs.  91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs.  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e Prescrição  no Direito Tributário",  3ª  ed.,  Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).  (...)  7. Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC,  e  da  Resolução  STJ  08/2008.  (destaques do original)  Observe­se que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime  do art. 543­C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa  que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário.  A  Portaria  MF  no  152,  de  2016,  deu  nova  redação  ao  §  2º  do  art.  62  do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela  Portaria n° 343 de 09/06/2015, com a seguinte redação:  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  Fl. 361DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.003526/2010­13  Acórdão n.º 9202­004.438  CSRF­T2  Fl. 359          7 infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  Desta  forma,  este  CARF  forçosamente  deve  abraçar  a  interpretação  do  Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada  nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência  de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos.   A polêmica, no caso em questão,  em verdade, está na existência ou não de  pagamento antecipado.   Conforme relatado, a Fazenda Nacional alega que, a decisão a  quo utilizou­se do art. 150 do CTN e seu § 4º, porém entende não  haveria  pagamentos  parciais,  nem  mesmo  relativos  às  competências  de  02/2005  a  05/2005  e  07/2005,  pois  os  recolhimentos correspondentes foram efetuados através de Guias  da Previdência Social GPS, apenas na rubrica ʺ Valor do INSS,  que refere­se às contribuições parte dos segurados e da empresa,  não  havendo  valores  recolhidos  na  rubrica  "Val.Outras  Entidades, relativa às contribuições a outras entidades e fundos  (terceiros).   A propósito, faço notar que editou este Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais  a  Súmula  no  99,  aprovada  por  esta  2a.  Turma  desta  Câmara  Superior  em  09  de  dezembro de 2013 e que assim reza:  Súmula  CARF  nº  99:  Para  fins  de  aplicação  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  150,  §  4°,  do  CTN,  para  as  contribuições  previdenciárias,  caracteriza  pagamento  antecipado  o  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como devido  pelo  contribuinte na  competência  do  fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha  sido  incluída,  na  base  de  cálculo  deste  recolhimento,  parcela  relativa  a  rubrica  especificamente  exigida  no  auto  de  infração.(Grifei.)  Ou seja, para fins de aplicação da Súmula supra na situação sob análise, deve  haver  convicção  de  que  há  recolhimento,  ainda  que  parcial,  do  valor  considerado  como  devido  pelo  contribuinte  nas  competências  dos  fatos  geradores  a que  se  referem  a  autuação,  mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a  rubrica  especificamente  exigida  no  auto  de  infração,  a  fim  de  que  se  possa  decidir  pela  aplicação, para fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o da Lei no  5.172, de 1966 (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do  mesmo Código (no caso da inexistência de recolhimento).  Filio­me  à  corrente  que  entende  que  essa  verificação  de  antecipação  de  pagamento se dá de forma individualizada, por período de apuração, em virtude de o art. 150, §  4o do CTN fazer expressa referência a fato gerador, e não ao período objeto de fiscalização ou  lançamento, conforme abaixo reproduzido:  Fl. 362DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS   8 Art. 150. ...  § 4º Se a  lei  não fixar prazo a homologação,  será ele de cinco  anos,  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador;  expirado  esse  prazo  sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se homologado o lançamento e definitivamente extinto  o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou  simulação.  Ora,  para  cada  fato  gerador,  ou  seja,  para  cada  período  de  apuração,  deve  haver pagamento parcial, para atração da regra decadencial insculpida no § 4o do art. 150 do  CTN, devendo ser aplicada a regra geral, constante do art. 173, I, do mesmo CTN aos demais  períodos de apuração.  No caso, não há nenhum recolhimento relativo aos fatos geradores objeto do  presente auto de infração, conforme claramente colocado na decisão de primeira instância, nos  termos a seguir reproduzidos:  Em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  ­  RFB  relativa  aos  recolhimentos  efetuados  pela  autuada  (fls.  220/222).  constatamos,  para  o  período  questionado  (01/2005  a  11/2005).  recolhimentos  parciais  para  as  competências  01/2005.  06/2005,  e  de  08/2005  a  11/2005.  Entretanto,  tais  recolhimentos  foram  efetuados,  através  de  Guias da Previdência Social ­ GPS. apenas na rubrica "Valor do  INSS", que refere­se às contribuições parte dos segurados e da  empresa,  não  havendo  valores  recolhidos  na  rubrica  '"Val.Outras  Entidades",  relativa  às  contribuições  a  outras  entidades e fundos (terceiros).  Esclareça­se  que  os  recolhimentos  de  contribuições  patronais  e  parte  do  segurado são relativos a fatos geradores diversos daqueles correspondentes à contribuições de  terceiros, que têm bases legais diversas e destinações específicas.  Destarte,  tendo  a  fiscalização  constituído  o  crédito  previdenciário  com  a  devida ciência da contribuinte em 10/11/2010, deveria ser aplicado o critério de apuração da  decadência disposto na regra geral, do art. 173,  inc.  I, do CTN para  todos os  fatos geradores  lançados. Porém, como a Fazenda Nacional apenas requer a aplicação da regra do art. 173, I,  do CTN aos períodos 02/2005 a 05/2005 e 07/2005, para que a decisão não seja extra petita, é  de se dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, nos estritos termos de seu pedido.  Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso  especial  da  Fazenda Nacional para, no mérito, dar­lhe provimento,  reformando o acórdão recorrido, pela  aplicação da regra do art. 173, I, do CTN aos períodos 02/2005 a 05/2005 e 07/2005.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos               Fl. 363DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.003526/2010­13  Acórdão n.º 9202­004.438  CSRF­T2  Fl. 360          9                 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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6525393 #
Numero do processo: 11831.006003/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.006003/2002­61  Resolução nº  1201­000.217  S1­C2T1  Fl. 3          2 Descrição  R$  IRPJ devido ­ alíquota 15%  0,00  IRPJ devido ­ adicional  0,00  Deduções    (­) IRRF  105.301,23  (­) Imposto de Renda Mensal pago por  Estimativa  394.606,50  IRPJ a pagar  ­ 499.907,75  Conforme  relata  a decisão de piso,  os demais  fatos  e  alegações pertinentes  ao  processo podem ser assim resumidos:  Ao analisar o crédito tributário requerido o auditor fiscal verificou que  a  empresa,  embora  tenha auferido,  no ano  de  2001,  rendimentos nos  códigos 5273 e 5706, os mesmos não foram oferecidos à tributação e,  dessa forma, o IRRF correspondente não foi considerado. Desse modo  o  auditor  fiscal  considerou  como  IRRF  passível  de  ser  utilizado  o  valor de R$ 420.164,58, proporcional a receita oferecida à tributação.  De  acordo  com  o  sistema  DCTF  (fls.  131),  não  foram  encontrados  débitos  de  IRPJ  e  o  sistema  SIEF  ­  Pagamento  Consulta  (fls.  132)  indica que não houve qualquer recolhimento de IRPJ.  Assim, foi reconhecido o crédito de R$ 420.164,58 e homologadas as  compensações até o limite do crédito reconhecido, corrigido pela Taxa  Selic.  Cientificada  em  31/03/2009,  conforme  AR  de  fls.  140/verso,  a  contribuinte  apresentou,  em  30/04/2009,  Manifestação  de  Inconformidade  de  fls.  150  a  153,  apresentando  suas  razões,  em  síntese:  ­  Alega  que  nenhuma  das  retenções  de  fonte  cuja  compensação  foi  pleiteada tem código de receita 5273 e apenas uma, no valor irrisório  de R$ 0,29 tem código 5706.  ­  Apresenta  quadro  demonstrativo  dos  rendimentos  e  respectivas  retenções  de  IRRF  e  apura  que  a  diferença  entre  o  reconhecido  e  o  declarado é de RS 79.743,05.  ­  Alega  que  todas  as  receitas  que  aparecem  no  quadro  foram  efetivamente oferecidas à tributação, não tendo cabimento a afirmativa  em contrário.  ­  Alega  que,  por  outro  lado,  todos  os  débitos  da  requerente  cuja  compensação foi pleiteada resultam de tributos  sujeitos a  lançamento  por homologação, cujos  fatos geradores ocorreram há muito mais de  cinco anos. Assim,  já  teria decaído o direito do Fisco  em proceder a  seu lançamento.  ­ Alega que, caso se entenda que a inclusão desses débitos em DCTF  equivaleria  ao  lançamento,  da  mesma  foram  já  teriam  transcorrido  mais de cinco anos da constituição definitiva dos créditos  tributários,  que estariam, em sua opinião, extintos por prescrição. (grifamos)  Em sessão de 29 de março de 2010 a 5a Turma da Delegacia de Julgamento de  São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade.  Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.006003/2002­61  Resolução nº  1201­000.217  S1­C2T1  Fl. 4          3 Com  a  ciência  da  decisão,  a  interessada  interpôs Recurso Voluntário,  no  qual  repetiu  os  argumentos  teóricos  da  impugnação  e  juntou  diversos  documentos  (notas  fiscais,  extratos bancários e relatórios financeiros) que comprovariam as retenções na fonte.  Argumenta a defesa que houve equívoco na apreciação dos respectivos valores e  pugna pela suficiência do saldo negativo pleiteado.  Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator     O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  pressupostos  legais,  razão  pela  qual  dele  conheço.  A matéria em debate demanda apreciação de provas, notadamente a verificação  dos documentos apresentados junto com o Recurso Voluntário.  Conquanto  entenda  que  a  aceitação  de  documentos  posteriormente  à  impugnação deva ser considerada com a devida parcimônia, nos casos em que a dúvida recai  exclusivamente  sobre  documentos  capazes  de  comprovar  as  alegações  da  interessada,  esta  Turma  e  Relator  têm  decidido,  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material,  pela  sua  possibilidade.  No caso dos autos, a Recorrente colaciona diversos documentos, compostos de  notas  fiscais,  relatórios  financeiros  e  extratos  bancários  (fls.  221  e  seguintes  do  processo  digital)  que  podem,  em  tese,  subsidiar  suas  alegações,  em  relação  à  existência  de  saldo  negativo no período que ensejou as compensações.  Em razão disso, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para  que a DERAT/SP:   a) Verifique a documentação apresentada pela Recorrente e  informe, mediante      relatório  conclusivo,  se  as  informações  corroboram  a  existência  do  alegado      saldo negativo de R$ 499.907,75;  b)  Caso  fique  comprovado  qualquer  outro  valor,  inferior  ao  pleiteado  pela      Recorrente, a autoridade diligenciante deverá informar, mediante tabela, qual o      montante efetivamente passível de compensação;  c) As  conclusões  da  diligência  deverão  ser  informadas  à Recorrente,  para  que      esta, no prazo de 30 dias, manifeste­se, se assim desejar.  Adotadas as providências acima os autos deverão retornar a este Conselho para  julgamento.  Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.006003/2002­61  Resolução nº  1201­000.217  S1­C2T1  Fl. 5          4 Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por CONVERTER o  julgamento em diligência, para a adoção das medidas propostas.    É como voto.    (documento assinado digitalmente)  Roberto Caparroz de Almeida ­ Relator  Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA

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6503802 #
Numero do processo: 10280.720325/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações.
Numero da decisão: 1401-001.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente da Turma).
Nome do relator: Relator

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 816          1 815  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10280.720325/2007­41  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1401­001.700  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de agosto de 2016  Matéria  IRPJ­Depósitos Bancários  Recorrente  PARABELEM AUTOMOVEIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2005  VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.  As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal  MPF,  dizem  respeito  ao  controle  interno  das  atividades  da  Secretaria  da  Receita  Federal,  portanto,  eventuais  vícios  na  sua  emissão  e  execução  não  afetam a validade do lançamento  IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM  DEPÓSITOS BANCÁRIOS.  O  art.  42  da  Lei  nº  9.430/1996  autoriza  a  presunção  de  omissão  de  rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária  para  os  quais  o  titular,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações.  Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova  da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a  qual não pode ser substituída por meras alegações.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a  preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso  Documento assinado digitalmente.  Antonio Bezerra Neto ­ Presidente.   Documento assinado digitalmente.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 03 25 /2 00 7- 41 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO   2 Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin ­ Relatora  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos  Santos Mendes,  Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos  de  Aguiar Villas Boas, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de  Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente da Turma).  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  de  acórdão  que,  por  unanimidade dos votos, manteve o auto de infração referente aos tributos IRPJ, R$ 163291,18;  PIS,  R$  10.848,10;  CSLL,  R$  49.967,56,  e  COFINS,  R$  58.784,79,  relativos  ao  ano  calendário 2005, acrescidos de multa de 75% e demais acréscimos moratórios.  Fiscalização  apurou  ocorrência  de  Omissão  de  Receitas,  em  virtude  de  divergência  entre  os  valores  declarados  em  DIPJ  e  movimentação  financeira  (créditos  bancários), conforme demonstrativo à fl. 71.  Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido.  Afastada  a  preliminar  reclamada  em  razão  da  ausência  de  prorrogação  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF),  entendido  como  instrumento  de  controle  administrativo e de informação ao contribuinte, o que implicou dizer que seu vencimento não  constituiu, por si só, causa de nulidade do lançamento e que eventuais omissões ou incorreções  em seu teor não ocasionaram nulidade do auto de infração.  No mérito, restou consignado que:   No  caso  específico,  a  fiscalizada  apontou  a  origem  de  seus  depósitos  (fls.  09/10), mas a análise da fiscalização identificou situações (depósitos) cujas origens  não restaram comprovadas. Em que pese ter atendido ao pleito da fiscalização, sua  justificativa  não  afastou  a  ocorrência  do  fato  gerador  das  infrações  descritas  pela  fiscalização,  conforme  demonstrado  em  quadro  (fl.  71);  não  basta  apresentar  respostas  à  fiscalização,  é  necessário  que  estas  afastem  a  Omissão  de  Receitas,  assim, foi “autorizada a presunção legal de Omissão de Receitas, com inversão do  ônus da prova”.  A  impugnação  também  não  logrou  êxito  em  descaracterizar  a  Omissão  de  Receitas,  por  não  descrever  a  origem  dos  recursos  depositados  apontados  pela  fiscalização  como Receita Omitida;  à  impugnante  competia  esclarecer,  depósito  a  depósito  alegado  pela  fiscalização,  a  origem  dos  recursos.  Não  foi  realizado  este  expediente. Mantém­ se a presunção de Omissão de Receitas.  Em  sede  de  voluntário,  a  recorrente  em  nada  inovou  em  relação  à  impugnação.  Por  ocasião  da  redação  do  art.  62­A,  parágrafo  1o.  do  antigo  RICARF  o  processo permaneceu  sobrestado até 21/02/2014  (fl.  1.510) quando houve a  revogação deste  dispositivo.  É o relatório.  Voto             Fl. 817DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720325/2007­41  Acórdão n.º 1401­001.700  S1­C4T1  Fl. 817          3 Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin ­ Relatora  Preliminar de nulidade do MPF.  A Recorrente reclama nulidade do procedimento fiscal face a ausência de ato  administrativo de renovação do MPF de fl. 01 que informasse ao contribuinte a prorrogação do  trabalho fiscal.  Nos  termos do Acórdão 9202003.956 datado de 12/04/2016, proferido pela  2a. Câmara Superior de Recursos Fiscais:   ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Exercício: 2000, 2001  VÍCIOS  DO  MPF  NÃO  GERAM  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO.  As  normas  que  regulamentam  a  emissão  de  mandado  de  procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das  atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais  vícios  na  sua  emissão  e  execução  não  afetam  a  validade  do  lançamento. Recurso Especial negado.  Deste  modo,  a  consequencia  da  falta  da  lavratura  do  instrumento  de  prorrogação do processo de fiscalização, reclamado pela recorrente, quando muito, ensejaria a  recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal  por prazo superior a sessenta dias, nos moldes da Súm, CARF 75, uma vez exercida a denúncia  espontânea em tempo hábil, o que não é o caso dos autos.  Por  outro  lado,  eventuais  omissões  ou  incorreções  afligindo  o  MPF  não  contaminam  automaticamente  a  autuação,  pois  a  atividade  de  lançamento  é  obrigatória  e  vinculada, a teor do art. 142 do CTN. Há a necessidade de o contribuinte provar que a presença  do vício ocasionou prejuízo  em sua defesa. Esse  é o  atual posicionamento da  jurisprudência  dominante no CARF:  PROCEDIMENTO  FISCAL.  FALTA  DE  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  INEXISTÊNCIA  DE  NULIDADE  DO LANÇAMENTO.O Mandado de Procedimento Fiscal visa o  controle administrativo das ações  fiscais da RFB, não podendo  afastar a  vinculação da autoridade  tributária à Lei,  nos  exatos  termos  do  art.  142  do  CTN,  sob  pena  de  responsabilização  funcional.  O  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  do  Brasil,  no  pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o  lançamento,  não  podendo  se  esquivar  do  cumprimento  do  seu  dever  funcional  em  função  de  portaria  administrativa  e  em  detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN,  por  isso  que  a  inexistência  de  MPF  não  implica  nulidade  do  lançamento.   Acórdão nº 9303003.876, de 19/05/2016  MPF NULIDADE.  Fl. 818DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO   4 Não  é  nulo  o  lançamento  por  prorrogação  de  MPF  além  do  prazo  regulamentar,  quando  não  comprovado  o  prejuízo  à  defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo  correto,  por  si  só,  não  configura  cerceamento  do  direito  de  defesa e não se equipara à ausência de MPF.  Acórdão nº 9101002.132, de 26/02/2015  Assim, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade do lançamento.  Mérito  Quanto  ao  mérito,  deve  ser  analisada  a  possibilidade  de  o  Fisco  Federal  solicitar  informações  sobre  a  movimentação  bancárias  de  correntistas  diretamente  às  instituições  financeiras,  com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e nos demais  diplomas regulamentares.  A  decisão  proferida  em  24/02/2016  pelo  plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP (com repercussão  geral), define a discussão e afirma ser constitucional tal possibilidade, nos seguintes termos:  O  Tribunal,  por  maioria  e  nos  termos  do  voto  do  Relator,  apreciando  o  tema  225  da  repercussão  geral,  conheceu  do  recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco  Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto  ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da  Lei  Complementar  105/01  não  ofende  o  direito  ao  sigilo  bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por  meio  do  princípio  da  capacidade  contributiva,  bem  como  estabelece  requisitos  objetivos  e  o  translado  do  dever  de  sigilo  da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese:  “A  Lei  10.174/01  não  atrai  a  aplicação  do  princípio  da  irretroatividade  das  leis  tributárias,  tendo  em  vista  o  caráter  instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”,  vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente,  justificadamente,  a  Ministra  Cármen  Lúcia.  Presidiu  o  julgamento  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  Plenário,  24.02.2016.  Desse  modo,  é  possível  afirmar  que  as  requisições  feitas  pela  fiscalização  diretamente  às  instituições  financeiras,  a  respeito  da  movimentação  bancária  do  Recorrente  durante  o  período  fiscalizado,  possuem  respaldo  constitucional  e  servem  de  subsídio  para  a  formalização da exigência constante do auto de infração.  Quanto  à  alegada  inversão  do  ônus  da  prova  reclamada  pela  Recorrente,  destaco que a presunção relativa de omissão de rendimentos, outorgada pelo art. 42 da Lei nº  9.430/96,  constitui  uma  exceção  no  ordenamento  jurídico  e  caracteriza­se  como  instrumento  hábil  e  eficaz  contra  a  sonegação  fiscal  perpetrada  pelo  beneficiário  que  percebe  renda  tributável por um meio singular, o qual  tem destinatário certo (o depositário), deixa vestígios  (os extratos bancários), está inserido no cotidiano das pessoas e constitui a principal forma de  liquidação de obrigações envolvendo valores relevantes.  No ponto, bem considerado pela decisão de primeira instância o conteúdo do  do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que determina a análise individualizada dos depósitos, excluídos  aqueles decorrentes de transferência interbancária pelo mesmo titular:  Fl. 819DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720325/2007­41  Acórdão n.º 1401­001.700  S1­C4T1  Fl. 818          5 Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.  §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.   § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.   § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor  individual  igual ou  inferior a R$ 1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00  (doze  mil  reais).;    No  caso  específico,  a  fiscalizada  apontou  a  origem  de  seus  depósitos  (fls.  09/10),  mas  a  análise  da  fiscalização  identificou  situações  (depósitos)  cujas  origens  não  restaram comprovadas. Em que pese ter atendido ao pleito da fiscalização, sua justificativa não  afastou  a  ocorrência  do  fato  gerador  das  infrações  descritas  pela  fiscalização,  conforme  demonstrado em quadro (fl. 71); não basta apresentar respostas à fiscalização, é necessário que  estas afastem a Omissão de Receitas, nestes moldes é que foi “autorizada a presunção legal de  Omissão de Receitas, com inversão do ônus da prova”.  Fato que se seguiu até a apreciação do Recurso Voluntário, onde não logrou  êxito  em  descaracterizar  a  Omissão  de  Receitas,  por  não  descrever  a  origem  dos  recursos  depositados  apontados  pela  fiscalização  como  Receita  Omitida;  limitando­se  ao  argumento  relacionado  ao  suposto  dever  da  fiscalização  a  demonstração  de  que  os  depósitos  glosados  configuravam  renda  ao  seu  favor,  quando  na  verdade,  a  ela  competia  esclarecer,  depósito  a  depósito  alegado  pela  fiscalização,  a  origem  dos  recursos,  não  realizado  este  expediente,  permanece a presunção de Omissão de Receitas.  Ante  o  exposto,  afastada  a  preliminar,  voto  no  sentido  de  manter  o  lançamento em sua integralidade.  (assinado digitalmente)  Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin  Fl. 820DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO   6                           Fl. 821DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO

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6545122 #
Numero do processo: 11080.916502/2012-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.308
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2          1 1  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11080.916502/2012­70  Recurso nº  1   Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­004.308  –  3ª Turma   Sessão de  15 de setembro de 2016  Matéria  Contribuições. Compensação.  Recorrente  VERDE ­ ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2010  RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.  Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica  quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o  caso, o recurso não deve ser conhecido.  Recurso Especial não Conhecido.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente e Relator   Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza,  Andrada Márcio  Canuto  Natal,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Demes  Brito,  Tatiana Midori Migiyama,  Vanessa Marini  Cecconello  e  Erika  Costa  Camargos Autran.  Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela  contribuinte  contra  o  Acórdão  nº  3802­003.847,  de  15/10/2014,  proferido  pela  2ª  Turma  Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa:  PER/DCOMP.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF.  PROVA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  AUSÊNCIA.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 65 02 /2 01 2- 70 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916502/2012­70  Acórdão n.º 9303­004.308  CSRF­T3  Fl. 3          2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem  direito  subjetivo à compensação, desde que apresente prova da  liquidez  e  da  certeza  do  direito  de  crédito.  Ausentes  estes  pressupostos,  não  cabe  a  homologação  da  extinção  do  débito  confessado em PER/Dcomp.  Recurso Voluntário Negado.  Crédito Tributário Mantido.  No  Recurso  Especial,  por  meio  do  qual  pleiteou,  ao  final,  a  reforma  do  decisum,  a Recorrente aponta  interpretações divergentes quanto  à  compensação  lastreada em  crédito  oriundo  de  pagamento  efetuado  à  maior,  cuja  DCTF  retificadora,  que  aponta  a  existência de direito  creditório,  só  foi  apresentada  após  a não homologação da  compensação  pela  unidade  de  origem  (após  a  emissão  do  despacho  decisório).  Visando  comprovar  a  divergência,  apresentou  dois  paradigmas:  Acórdãos  nº  3802­003.956,  21/01/2015,  e  3403­ 003.343, de 05/01/2015.  O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara  recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões.  É o relatório, em síntese.  Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­004.259, de  15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/2012­47, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303­004.259 ):  "Presentes  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  entendemos  que o recurso não deve ser conhecido.  Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro  acórdão  utilizado  para  comprovar  o  dissídio  jurisprudencial,  o  de  nº  3802­003.956, 21/01/2015,  foi  lavrado pela mesma Turma que prolatou  o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma.  Já  o  Acórdão  nº  3403­003.343,  de  05/01/2015,  a  despeito  de  prolatado  por Turma diversa,  traz  entendimento  que,  a  nosso  juízo,  só  reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido.  É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeu­se que, mesmo  diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só  foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por  força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas  desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato  de que não se desincumbira a Recorrente.  Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916502/2012­70  Acórdão n.º 9303­004.308  CSRF­T3  Fl. 4          3 No  acórdão  paradigma,  decidiu­se  que  “ainda  que  a  DCTF  não  aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve  pagamento  a  maior  anteriormente,  existe  crédito,  que  passa  a  ser  do  conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação  e  da  identificação  documental,  ainda  que  por  meio  eletrônico,  da  existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada:  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE.  O  crédito  tributário  do  contribuinte  nasce  do  pagamento  indevido  ou  a  maior  que  o  devido,  porém  ele  apenas  se  torna  oponível  à  Receita  Federal  após  a  devida  retificação  e/ou  correção  das  respectivas  Declarações,  quando  então  o  Órgão  Administrativa  poderá  tomar conhecimento daquele direito creditório em questão.  De  qualquer  forma,  em  determinadas  situações,  em  razão  do  procedimento  eletrônico  de  compensação,  em  que  não  há  espaço  para  emendas  ou  correções  pelo  contribuinte,  há  que  se  admitir  e  analisar  a  retificação  da  DCTF  efetuada  posteriormente  ao  despacho  decisório,  sob  pena  de  excesso  de  rigorismo,  que  não  resolve  satisfatoriamente  a  lide  travada  e  leva  o  contribuinte  ao  Poder  Judiciário,  apenas  fazendo  aumentar  a  condenável  litigiosidade.   Recurso Voluntário Provido.   A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e  paradigma  chegaram  à  mesma  conclusão:  ainda  que  não  haja  retificação  tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a  retificação se dê  somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a  existência  do  crédito  mediante  a  entrega  de  documentação  idônea,  torna­se possível a restituição.  Não há divergência, pois.  Ante o exposto, não conheço do recurso especial."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial.  Rodrigo da Costa Pôssas                                Fl. 239DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 10680.008632/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FICAL – PEDIDO – LIMITES OBJETIVOS DA AÇÃO FISCAL – O princípio da iura novit cúria encontra seu limite objetivo nos termos do pedido. O artigo 17 do Decreto 70.235/72 deve ser entendido em função do pedido formulado pelo contribuinte. Ainda que a autuação seja flagrantemente contrária a jurisprudência do CARF e a parecer cosit, uma vez que não formulado pedido de nulidade do imposto lançado não há como subentender que o Contribuinte quis recorrer da matéria. MULTA ISOLADA EXONERADA - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Numero da decisão: 2201-001.471
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE

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jurisprudência do CARF e a  parecer  cosit,  uma  vez  que  não  formulado  pedido  de  nulidade  do  imposto  lançado  não  há  como  subentender  que  o  Contribuinte  quis  recorrer  da  matéria.  MULTA ISOLADA EXONERADA ­ Incabível a aplicação da multa isolada  (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância  com  a  multa  de  ofício  (inciso  II  do  mesmo  dispositivo  legal),  ambas  incidindo sobre a mesma base de cálculo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dar parcial provimento  ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada.    FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR ­ Presidente.     RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE ­ Relator.           2 EDITADO EM: 19/04/2012  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa,  Rayana  Alves  de  Oliveira  França,  Eduardo  Tadeu  Farah,  Rodrigo  Santos  Masset  Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente).     Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  em  face  do  acórdão  10.494  ­  3ª  Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente o Auto de Infração de fls. 17/19, lavrado contra a  empresa  UNIAUTO  ADMINISTRADORA  DE  CONSÓRCIOS  LTDA.,  CNPJ  n°  21.334.974/0001­81, para exigência do crédito tributário a titulo de Multa Isolada do IRPJ no  valor R$ 181.934,75  e  IRRF no  valor  de R$ 173.790,33,  já  acrescidos  de multa  de  ofício  e  juros de mora.  O lançamento da Multa do IRPJ decorreu da constatação de divergência entre  os valores declarados e os valores escriturados, gerando falta de pagamento de IRPJ, incidente  sobre a base de cálculo estimada.  Por sua vez, o lançamento do IRRF decorre da identificação de pagamentos  efetuados  pela  pessoa  jurídica  a  titulo  de  remuneração  indireta,  aos  sócios,  administradores,  diretores, gerentes e seus assessores, consistente na cessão gratuita de posse de imóvel.  Cientificada do lançamento, a contribuinte,  já na condição de Massa Falida,  apresentou  duas  impugnações  distintas,  uma  em  relação  ao  lançamento  da multa  isolada  do  IRPJ, conforme petição de fls. 117/121, e outra em relação ao lançamento do IRRF, conforme  petição de fls. 128/132 ambas tempestivamente, inaugurando o contencioso administrativo.  Em sua impugnação do lançamento do IRRF a Recorrente insurge­se apenas  contra a multa de mora e juros, pedindo ao final apenas a exoneração das mesma, com fulcro  na lei de falências.  A ação fiscal foi julgada procedente em parte nos termos do acórdão de fls.  142/163, com a exoneração da exigência relativa à multa isolada do IRPJ.  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2001  Ementa:  MULTA  ISOLADA  EXIGIDA  POR  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DA  ESTIMATIVA  MENSAL  —  TRIBUTAÇÃO  DE  GANHO  DE  CAPITAL  NA  VENDA  DE  BENS PARA RECEBIMENTO A LONGO PRAZO­ Nas vendas  de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo  ou em parte,  após o  término do ano calendário  seguinte ao da  contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o  lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço  recebida em cada período de apuração.  MULTA  EXIGIDA  DE  ENTIDADE  FINANCEIRA  EM  LIQUIDAÇÃO  EXTRAJUDICIAL  EM  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  ­  As  multas  por  infração  a  leis  tributárias  não  se  Processo nº 10680.008632/2003­14  Acórdão n.º 2201­01.471  S2­C2T1  Fl. 2          3 classificam entre as penas pecuniárias por infração a leis penais  e administrativas.  Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte ­ IRRF  Período de apuração: 31/01/1998 a 31/12/2001  Ementa:  MULTA  E  JUROS  DE  MORA  EXIGIDOS  DE  ENTIDADE  FINANCEIRA  EM  LIQUIDAÇÃO  EXTRAJUDICIAL EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO ­ As multas  por  infração  a  leis  tributárias  não  estão  abrangidas  entre  as  penas pecuniárias por infração a leis penais e administrativas.  Lançamento Procedente em Parte  A  interessada  tomou  ciência  da  decisão  através  de  seu  Sindico  (fls.  186),  vindo a  interpor,  tempestivamente, o  recurso voluntário de fls. 187/197,  reiterando os  termos  da impugnação.  É o relatório do necessário.    Voto             Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe   O  recurso  é  tempestivo  e  dele  conheço  para  ao  final  dar­lhe  parcial  provimento.  Entendo  que  parcial  razão  assiste  a  Contribuinte.  É  que  o  A.  Superior  Tribunal  de  Justiça  já  pacificou  o  tema nas  suas  duas  turmas  no  sentido  de que  decretada  a  falência, ou conforme o caso a liquidação extrajudicial, as multas aplicadas pela Administração  Pública, incluindo as multas tributárias aplicadas de ofício passam a ser inexigíveis e os juros  de mora são exigíveis apenas até a data da decretação quebra, ficando os juros, após esta data  condicionados à existência de ativo da massa, in verbis:  REsp  1029150  /  SP  RECURSO  ESPECIAL  2008/0028911­9  Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125)  Órgão Julgador T2  ­ SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 10/08/2010 Data da  Publicação/Fonte DJe 20/08/2010   Ementa    PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO.  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL  NOTÓRIA.  ART.  208,  §  2º, DO DECRETO­LEI 7.661/45. INAPLICABILIDADE. ÊXITO  PARCIAL  DOS  EMBARGOS  À  EXECUÇÃO.  SUCUMBÊNCIA  RECÍPROCA. RECURSO PROVIDO EM PARTE.  1.  No  âmbito  da  execução  fiscal,  bem  como  dos  respectivos  embargos à  execução,  é  cabível a  condenação da massa  falida  ao  pagamento  de  honorários  advocatícios,  não  se  aplicando  o      4 disposto no art. 208, §2º, do Decreto­Lei 7.661/45. A matéria é  regida pelo art. 29 da Lei 6.830/80, combinado com o art. 187  do CTN. Precedentes.  2. No caso, a massa falida logrou êxito parcial nos embargos à  execução, na medida em que o apelo  especial  foi  provido para  excluir a multa moratória e determinar que são devidos juros de  mora anteriormente à decretação da quebra e, após esta, ficam  eles  condicionados  à  suficiência  do  ativo  da  massa  para  o  pagamento do principal.  3.  Havendo  sucumbência  recíproca,  os  honorários  devem  ser  distribuídos  proporcionalmente  entre  as  partes,  nos  termos  do  art. 21 do CPC.   4. Recurso especial provido em parte.   Acórdão   Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  acordam  os Ministros  da  Segunda  Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  unanimidade,  dar  parcial  provimento  ao  recurso  nos  termos  do  voto  do  Sr.  Ministro  Relator.  Os  Srs.  Ministros  Humberto  Martins  (Presidente),  Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon  votaram com o Sr. Ministro Relator.    AgRg  no  Ag  1023989  /  SP  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO  2008/0050968­7    Relator(a)  Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142)  Órgão Julgador T1 ­  PRIMEIRA  TURMA  Data  do  Julgamento  06/08/2009  Data  da  Publicação/Fonte DJe 19/08/2009   Ementa    TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL  NO  AGRAVO  DE  INSTRUMENTO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  MASSA  FALIDA.  MULTA MORATÓRIA. JUROS DE MORA.  NÃO INCIDÊNCIA.  PRECEDENTES.  1. É  entendimento pacífico deste Tribunal que não se  inclui no  crédito  habilitado  em  falência  a  multa  fiscal  moratória,  por  constituir pena administrativa (Súmulas ns. 192 e 565 do STF).  2.  Quanto  aos  juros  de  mora,  o  posicionamento  da  Primeira  Turma  desta  Corte  entende  que:  "A  exigibilidade  dos  juros  moratórios  anteriores  à  decretação  da  falência  independe  da  suficiência  do  ativo.  Após  a  quebra,  serão  devidos  apenas  se  existir  ativo  suficiente  para  pagamento  do  principal.  Precedentes." (Resp 660.957/SP, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de  17/09/2007).  3. Agravo regimental não provido.   Acórdão   Vistos,  relatados  e  discutidos  os  autos  em  que  são  partes  as  acima  indicadas,  acordam  os Ministros  da Primeira  Turma  do  Processo nº 10680.008632/2003­14  Acórdão n.º 2201­01.471  S2­C2T1  Fl. 3          5 Superior  Tribunal  de  Justiça,  por  unanimidade,  negar  provimento  ao  agravo  regimental,  nos  termos  do  voto  do  Sr.  Ministro  Relator.  Os  Srs.  Ministros  Luiz  Fux,  Teori  Albino  Zavascki  e  Denise  Arruda  (Presidenta)  votaram  com  o  Sr.  Ministro  Relator.  Ausente,  justificadamente,  o  Sr.  Ministro  Francisco Falcão.  Também nesse sentido são as súmulas do Supremo Tribunal Federal:  SÚMULA/STF  Nº  192  ­  NÃO  SE  INCLUI  NO  CRÉDITO  HABILITADO  EM  FALÊNCIA  A  MULTA  FISCAL  COM  EFEITO DE PENA ADMINISTRATIVA.  SÚMULA/STF  Nº  565  ­  A  MULTA  FISCAL  MORATÓRIA  CONSTITUI  PENA  ADMINISTRATIVA,  NÃO  SE  INCLUINDO  NO CRÉDITO HABILITADO EM FALÊNCIA.  Por  outro  lado  Cabe  lembrar  que  a  Primeira  Seção  deste  colegiado  se  manifestou de forma diversa, com a qual este relator não concorda, nos seguintes termos:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA IRPJ  Anocalendário: 2003  MASSA FALIDA.  SUJEIÇÃO PASSIVA. Massa  falida  é  sujeito  passivo de obrigação tributária e a realização de operação ou a  prática  de  atos  de  que  decorram  o  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal  reclamam  que,  contra  ela,  se  constitua  o  crédito tributário correspondente.  IMPUTAÇÃO  PROPORCIONAL.  MULTA  DE  MORA  ISOLADA.  Conforme  exposto  no  Parecer  PGFN  CDA  nº  1.936/2005,  a  imputação  proporcional  é  o  único  método  afeiçoado  aos  princípios  esculpidos  no  Código  Tributário  Nacional  para  apurar  diferenças  decorrentes  do  recolhimento  em  atraso  de  tributos,  sendo  indevida  a  exigência  de multa  de  mora isolada.  JUROS DE MORA. Os juros moratórios correm contra a massa  falida  e  a  hipótese  em  que  eles  não  são  cabíveis,  por  indisponibilidade  de  ativo  para  o  pagamento  do  principal,  é  estranha ao processo administrativo fiscal.  No  presente  caso,  quando  efetuado  o  lançamento  a  contribuinte  já  se  encontrava  na  condição  de  massa  falida  e  portanto  a  constituição  do  crédito  tributário  com  multa já não era possível.  A questão dos juros condicionados a existência de saldo de ativos refoge ao  processo administrativo fiscal e deve ser decidido no procedimento de liquidação.   Diante de todo o exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário para  exonerar a multa de oficio aplicada.  É como voto.      6 Relator  Rodrigo  Santos  Masset  Lacombe    ­  Relator                              

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6513673 #
Numero do processo: 10166.723934/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa, que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP - Folha de Pagamento não Declarada em GFIP", vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. Quanto ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar provimento para excluir o levantamento relativo ao aviso prévio indenizado, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini; (ii) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa; e (iii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friees, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA

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Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T1  Fl. 2          1 1  S2­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10166.723934/2013­15  Recurso nº               De Ofício e Voluntário  Acórdão nº  2401­004.471  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de agosto de 2016  Matéria  CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Recorrentes  BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A.              FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO.  NÃO  INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  JURISPRUDÊNCIA  UNÍSSONA.  RECURSO  REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.  Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada  Aviso  Prévio  Indenizado,  na  forma  reconhecida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  nos  autos  do  Recurso  Especial  nº  1.230.957/RS,  julgado  sob  a  indumentária do artigo 543­C, do CPC, o qual é de observância obrigatória  por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar  em  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  aludida  rubrica,  impondo seja rechaçada a tributação imputada.  SALÁRIO  INDIRETO.  BÔNUS  ANUAL,  AUXÍLIO  EXCEPCIONAL  E  REEMBOLSO  EDUCACIONAL.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  INCIDÊNCIA.  INOBSERVÂNCIA  LEGISLAÇÃO  DE REGÊNCIA.  Desincumbindo­se  o  Fisco  do  ônus  de  comprovar  o  fato  gerador  das  contribuições  previdenciárias,  cabe  ao  contribuinte  demonstrar,  com  documentação  hábil  e  idônea,  que  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  se  enquadram  em  uma  das  hipóteses previstas no § 9°,  do  artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira  a  rechaçar  a  tributação  imputada.  Na  hipótese  dos  autos,  assim  não  o  tendo  feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e  Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada.  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  APURAÇÃO  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS  POR  ARBITRAMENTO.  NECESSIDADE  MOTIVAÇÃO  NOS  TERMOS  DA  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA  E  DEMONSTRAÇÃO  IMPOSSIBILIDADE  AFERIÇÃO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 39 34 /2 01 3- 15 Fl. 51126DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     2 DIRETA  NOS  DOCUMENTOS  OFERTADOS  PELA  CONTRIBUINTE.  INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.  De conformidade com a  legislação de regência,  especialmente artigo 33, §§  3°  e  4o,  da  Lei  n°  8.212/91,  a  constituição  do  crédito  tributário  por  arbitramento  somente  poderá  ser  levada  a  efeito  quando  devidamente  demonstrada/comprovada à ocorrência da  impossibilidade da aferição direta  da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou  esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A  simples  constatação  de  pequenos  equívocos  na  escrituração  contábil  ou  mesmo mínimas divergências nos valores  informados  em GFIP e  folhas  de  pagamento,  não  tem  o  condão  de  suportar  o  lançamento  por  arbitramento,  mormente  quando  a  documentação  ofertada  pela  autuada  no  decorrer  do  procedimento  fiscal  ou  nos  documentos  de  arrecadação  seriam  suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos  geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta.  RELATÓRIO  FISCAL  DA  NOTIFICAÇÃO.  OMISSÕES.  IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.  O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e  precisa,  todos  os  procedimentos  e  critérios  utilizados  pela  fiscalização  na  constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno  direito da ampla defesa e contraditório.  Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou  motivos  de  apuração  do  crédito  tributário  levados  a  efeito  por  ocasião  do  lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do  direito de defesa e contraditório do contribuinte,  enseja  a  improcedência da  autuação.  NORMAS  GERAIS  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  LIVRE  CONVICÇÃO  JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.  Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de  primeira  instância,  na  apreciação  das  provas,  formará  livremente  sua  convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.  A  produção  de  prova  pericial  deve  ser  indeferida  se  desnecessária  e/ou  protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando  deixar  de  atender  aos  requisitos  constantes  no  artigo  16,  inciso  IV,  do  Decreto nº 70.235/72.  LANÇAMENTO.  NULIDADE.  CERCEAMENTO  DO  DIREITO  DE  DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.  Tendo o  fiscal  autuante  demonstrado  de  forma  clara  e  precisa  os  fatos  que  suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e  do  contraditório,  bem  como  em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  do  lançamento.  RELATÓRIO  DE  VÍNCULOS.  CO­RESPONSABILIZAÇÃO  DOS  SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS.  A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da  notificação/autuação  fiscal  denominado CORESP  ou Relatório  de Vínculos  não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co­ Fl. 51127DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 3          3 responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra  respaldo  nos  dispositivos  legais  que  regulam  a  matéria.  Mais  a  mais,  nos  termos  da  Súmula CARF  n°  88,  referidos  anexos  têm  natureza meramente  informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente  por não atribuir, por si só, sujeição passiva.  JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.  A multa de ofício  integra o  crédito  tributário,  logo está  sujeita  à  incidência  dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.  Recurso de Ofício Negado  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 51128DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     4   Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer  do  recurso  voluntário,  exceto  quanto  ao  questionamento  sobre  a  incidência  de  juros  sobre  a  multa,  que  restou  vencida  a  conselheira Maria  Cleci  Coti  Martins.  Pelo  voto  de  qualidade,  rejeitar  a  preliminar  de  nulidade  quanto  ao  levantamento  "FP  ­  Folha  de  Pagamento  não  Declarada  em  GFIP",  vencidos  os  conselheiros  Carlos  Alexandre  Tortato,  Cleberson  Alex  Friess,  Andréa  Viana Arrais  Egypto  e  Luciana Matos  Pereira  Barbosa.  Por  unanimidade  de  votos, rejeitar as demais preliminares. Quanto ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria  de  votos,  dar  provimento  para  excluir  o  levantamento  relativo  ao  aviso  prévio  indenizado,  vencida  a  conselheira  Miriam  Denise  Xavier  Lazarini;  (ii)  pelo  voto  de  qualidade,  negar  provimento  quanto  aos  juros  de  mora  sobre  a  multa,  vencidos  o  relator  e  os  conselheiros  Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato  e  Luciana Matos  Pereira Barbosa;  e  (iii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Designada para  redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini    (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini ­ Presidente e Redatora Designada.    (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira ­ Relator.      Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier  Lazarini,  Carlos Alexandre Tortato,  Cleberson Alex  Friees,  Luciana Matos  Pereira  Barbosa,  Marcio  de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais  Egypto, Maria Cleci Coti Martins  e Rayd  Santana Ferreira.    Fl. 51129DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 4          5   Relatório  BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A., contribuinte, pessoa jurídica de  direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da  decisão  da  4a  Turma da DRJ  em Campo Grande/MS, Acórdão  nº  04­034.373/2013,  às  e­fls.  1.551/1.589, que julgou procedente em parte os lançamentos fiscais  lavrados em 20/05/2013,  referente  às  contribuições  sociais  devidas  ao  INSS,  correspondentes  à  parte  da  empresa,  dos  segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos  ambientais  do  trabalho,  além  da  aplicação  de  multa  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias, em relação ao período de 01/2009 a 31/12/2009, conforme Relatório Fiscal, às e­fls.  73/113, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração:  1) DEBCAD 51.033.252­8 ­ por meio do qual foram lançadas Contribuições  previdenciárias  a  cargo  da  empresa,  destinadas  à  Seguridade  Social  e  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão do grau de  incidência de  incapacidade  laborativa decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  ­  GILRAT,  incidentes  sobre  a  remuneração  paga  aos  segurados empregados, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, com valor total de  R$ 6.274.512,41, consolidado em 20/05/2013 (fls.03 a 53).  2) DEBCAD 51.033.253­6 ­ por meio do qual foram lançadas Contribuições  previdenciárias dos segurados destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração  paga aos segurados empregados, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, com valor  total de R$ 2.211.505,96, consolidado em 20/05/2013 (fls.54 a 69).  3)  DEBCAD  51.033.254­4  –  Multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, fundamento legal 30, pelo fato de a autuada deixar de preparar folhas de pagamentos  das  remunerações  pagas  ou  creditadas  a  todos  os  segurados  a  seu  serviço,  no  valor  de  R$  10.304,28 (fl.70);  4)  DEBCAD  51.033.255­2  –  Multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  fundamento  34,  pelo  fato  de  a  autuada  deixar  de  lançar  mensalmente  em  títulos  próprios  de  sua  contabilidade,  de  forma  discriminada,  os  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições,  o montante  das  quantias  descontadas,  as  contribuições  da  empresa  e  os  totais  recolhidos, conforme previsto na legislação, no valor total de R$ 85.867,90 (fl.71);  5)  DEBCAD  51.033.256­0  –  Multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória, fundamento legal 59, pelo fato de a autuada deixar de arrecadar, mediante desconto  das  remunerações,  as  contribuições dos  segurados  empregados  e  trabalhadores  avulsos  a  seu  serviço, conforme previsto na legislação, no valor de R$ 10.304,28 (fl.72);  De  conformidade  com  o  Relatório  Fiscal,  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas  encontram­se  discriminados  nos  levantamentos  abaixo elencados:  a) Remunerações em folha de pagamento não informadas em GFIP:  Fl. 51130DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     6 · Verificou­se que nas folhas de pagamento apresentadas á fiscalização que  as  rubricas  aviso  prévio  indenizado,  bônus  anual  e  auxílio  dependente  excepcional  correspondem a salário­de­contribuição, mas não foram informadas em GFIP;  · Do  confronto  entre  a  folha  de  pagamento  e  a  GFIP,  identificaram­se  pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP.  b) Custeio de educação:  · Após  exame  da  contabilidade,  verificou­se  valores  lançados  na  conta  “Treinamento Sem. e Congressos, a qual, segundo informação da própria autuada, é “utilizada  para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pós­graduação,  inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional. (...)”;  · O  sujeito  passivo  não  atendeu  à  intimação  fiscal,  deixando  de  informar  qual  o  tipo  de  educação  (pós­graduação,  graduação,  dentre  outros)  teria  sido  objeto  de  reembolso aos segurados;  · Tratam­se de pagamentos que não são beneficiados pela norma de isenção  prevista na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.  c)  Pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por  meio  da  Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás  · Constatou­se  na  contabilidade  pagamentos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  por  serviços  de  Call  Center,  totalizando  R$  6.357.995,77;  · Da  análise  do  estatuto  social  da  autuada  e  do  contrato  de  prestação  de  serviços pactuado entre esta e a ADFEGO, constata­se que esta foi contratada para realizar a  atividade  fim  daquela,  o  que  vai  de  encontro  à  jurisprudência  do  Tribunal  Superior  do  Trabalho;  · As  cláusulas  contratuais  evidenciam  o  propósito  de  a  autuada  exercer  o  controle  dos  serviços  prestados  pela  ADFEGO,  com  a  subordinação  desta  às  normas  estabelecidas  pela  aquela,  as  quais  devem  ser  observadas  desde  a  seleção  e  contratação  de  pessoal, bem como para avaliação de desempenho para fins de evolução na carreira;  · Os empregados foram contratados para prestar serviços que correspondem  à atividade fim da autuada, e o prestavam nas próprias dependências desta;  · A  fiscalização  conclui  pela  existência  de  elementos  caracterizadores  de  vínculo  empregatício  conforme  art.  3º  da CLT  e  alínea  “a”  do  inciso  I  do  art.  12  da Lei  nº  8.212, de 1991;  · A  fiscalização  caracterizou  esses  trabalhadores  como  segurados  empregados da autuada;  · A  autoridade  lançadora  aferiu  indiretamente  os  valores  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  considerando­os  como  sendo  o  montante  dos  pagamentos  feitos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  registrados na conta de despesa nº 0310357000 – C.O. – Serviços de Call Center.  Fl. 51131DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 5          7 Após regular processamento,  interposta  impugnação, contra exigência  fiscal  consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou  por  bem  julgar  procedente  em  parte  o  lançamento,  afastando  parte  do  crédito  tributário  referente  ao  pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por meio  da  associação  de  deficientes físicos do Estado de Goiás, por entender haver erro na base de cálculo apurada por  meio de aferição indireta, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 04­ 034.373/2013, sintetizados na seguinte ementa:  "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias   Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009   AUTO  DE  INFRAÇÃO.  PRELIMINAR  DE  NULIDADE..  EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA.  Se o auto de infração e todos os documentos que o acompanham  permitem ao autuado o perfeito conhecimento do fato tributário  imputado,  não  há  que  se  falar  em  nulidade  em  razão  de  obstrução ao direito de defesa.  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. LEI.  O  rol  do  §9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212,  de  1991  é  taxativo  e  somente  o  pagamento  das  rubricas  nele  incluídas  estão  isentas  da contribuição previdenciária.  AVISO PRÉVIO INDENIZADO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.  Não  há  lei  que  isente  da  contribuição  previdenciária  o  aviso  prévio indenizado.  PAGAMENTO DE BÔNUS. INCIDÊNCIA   O silencio do contribuinte durante o procedimento fiscal acerca  da  natureza  do  bônus  pago  a  seus  diretores,  e  a  não  apresentação  da  documentação  probatória  acerca  dessa  natureza  junto  à  impugnação  é  motivo  para  manter  o  lançamento  da  contribuição  previdenciária  incidente  sobre  referida rubrica.  AUXÍLIO DEPENDENTE EXCEPCIONAL. INCIDÊNCIA.  Não há  previsão  legal  que  isente  pagamentos  feitos  à  título  de  auxílio  dependente  excepcional  da  base  de  incidência  das  contribuições previdenciárias.  REEMBOLSO EDUCACIONAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA.  Valores  pagos  a  título  de  reembolso  educacional  que  não  se  enquadrem  na  norma  de  isenção  definida  em  lei  sofrem  incidência de contribuições previdenciárias.  FOLHA  DE  PAGAMENTO.  GFIP.  DIVERGÊNCIAS.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Diferenças entre os valores informados em folha de pagamento e  em GFIP, correspondentes a salários­de­contribuição, justificam  Fl. 51132DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     8 o  lançamento  de  ofício  das  contribuições  previdenciárias  incidentes sobre elas.  LANÇAMENTO.  IMPUGNAÇÃO.  DOCUMENTOS.  AMOSTRAGEM. RAZÕES DE DEFESA NÃO APRESENTADAS.  São  ineficazes  os  documentos  trazidos  aos  autos  por  amostragem,  sem  as  correspondentes  razões  de  defesa  que  apontem,  expressamente  e  especificamente,  eventuais  incorreções nos valores lançados.  SEGURADOS  EMPREGADOS.  TERCEIRIZAÇÃO.  SIMULAÇÃO.  Constatado  pela  fiscalização  que  os  serviços  terceirizados  da  empresa  ocorrem  de  forma  simulada,  apenas  para  burlar  o  Fisco,  correto  o  enquadramento  dos  trabalhadores  como  segurados empregados da empresa contratante.  MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.  A  multa  de  ofício  qualificada  de  150%  é  aplicável  quando  caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir  o  conhecimento da ocorrência do  fato gerador pela autoridade  fazendária e de reduzir o montante das contribuições devidas.  AFERIÇÃO  INDIRETA.  BASE DE CÁLCULO.  INFORMAÇÃO  DISPONÍVEL. DESCABIMENTO.  Se a autoridade lançadora dispõe de meios para obter os valores  de salários­de­contribuição recebidos pelos  segurados, descabe  o emprego da aferição indireta.  GRUPO  ECONÔMICO  DE  FATO.  CARACTERIZAÇÃO.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.  O  conjunto  de  empresas  que  estão  sob  o  controle  acionário  único,  e  que  desenvolvem  de  forma  integrada  suas  atividades  econômicas, mas  que  perante  o  público  atua  como  uma  figura  singular,  sob  uma  única  denominação,  são  situações  que  caracterizam o grupo econômico de fato.  Caracterizada  a  existência  de  um  grupo  econômico  de  fato,  o  reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei  para o recolhimento da contribuição previdenciária.  PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.  Deve  ser  indeferido  o  pedido  de  perícia  quando  o  fato  a  ser  provado puder sê­lo por meio de prova documental.  INCIDÊNCIA  DE  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO. CABIMENTO.  O crédito  tributário abrange  também a multa de ofício, motivo  pelo  qual  sobre  esta,  uma  não  paga  no  vencimento,  incidem  juros de mora conforme determina a legislação tributária.  RELATÓRIO DE VÍNCULOS. PEÇA INFORMATIVA.  Fl. 51133DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 6          9 O relatório de vínculo é peça meramente informativa integrante  do  auto  de  infração  previdenciários,  a  qual  não  imputa  a  responsabilidade tributária passiva às pessoas nele indicadas.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS   Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009   OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. MULTA.  O  não  cumprimento  das  obrigações  acessórias  implica  o  lançamento de multa prevista em lei.  MULTA. SITUAÇÃO AGRAVANTE. APURAÇÃO.  A  apuração  da  multa  pelo  descumprimento  de  obrigações  acessórias  deve  observar  as  situações  agravantes  constatadas  pela autoridade lançadora.  Impugnação Procedente em Parte   Crédito Tributário Mantido em Parte"  Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72,  c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu  de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal.  Regularmente  intimada e  inconformada com a Decisão  recorrida, a autuada  apresentou  Recurso  Voluntário,  às  e­fls.  1.607/1.665,  procurando  demonstrar  sua  improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões.  Preliminarmente,  suscita  a  nulidade  do  lançamento  relativo  a  folha  de  pagamento não declarada em GFIP, por entender que houve manifesta ausência de motivação,  pois o fiscal não logrou produzir prova tendente a corroborar a pretensão fiscal, bem como não  analisou a fundo os documentos e fatos bases do lançamento.  Ainda  em  caráter  preliminar,  insurge­se  a  contribuinte  quanto  aos  levantamentos C1 e C2, alegando para tanto a omissão de fatos relacionados a estas rubricas,  estando presente apenas o discriminativo de débito, não constando os motivos que conduziram  o agente fiscal a apurá­los, pugnando assim pela nulidade do lançamento.  Em  relação  ao mérito,  após  breve  relato  das  fases  e  fatos  que  permeiam  o  lançamento,  insurge­se  contra  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  lançadas,  esclarecendo que o fato gerador de aludidos tributos é a prestação de serviços, sendo a BC a  remuneração  paga,  devida  o  creditada  a  qualquer  pessoa  física  decorrente  de  serviços  prestados, nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.  Afirma  ser  improcedente  a  incidência  das  contribuições  sobre  os  valores  pagos  a  título  de  aviso  prévio  indenizado,  por  tratar­se  de  verba  indenizatória,  não  tendo  natureza  remuneratória,  colacionando  jurisprudência,  legislação  e  posicionamentos  doutrinários corroborando a sua tese.  Contrapõe­se  ao  lançamento  fiscal,  sustentando que  os  pagamentos  feitos  a  título de bônus  anual não podem sofrer a  incidência da  contribuição previdenciária, pois  são  Fl. 51134DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     10 pagos por mera liberalidade do empregador, de forma eventual, na forma do item 7, alínea "e",  do  §9º,  do  artigo  28  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  não  havendo  a  comprovação  por  parte  da  autoridade fiscal de que tais valores estivessem vinculados a fatores de eficiência, assiduidade,  tempo de serviço e outros relacionados ao desenvolvimento do labor.  Alega  ser  insubsistente  o  lançamento  quanto  ao  auxílio  dependente  excepcional porquanto carece de natureza contra­prestativa, encaixando­se na hipótese de não  incidência apresentada pela Lei n° 8.212/91, artigo 28, § 9°, alínea "q", dada sua natureza de  assistência  médica,  sobretudo  em  razão  de  o  funcionário  dever  preencher  o  requisitos  para  receber tal auxilio. Em defesa de sua pretensão, colaciona jurisprudência deste Conselho.  Argumenta  que  foram  lançados  os  reembolsos  com  cursos  de  idiomas,  graduação,  pós­graduação,  inscrições  em  cursos,  seminários,  palestras,  entre  outros,  estando  completamente  equivocado  o  auditor  e  a  DRJ,  uma  vez  que  tais  valores  despendidos  pela  autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus  funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo  trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias,  conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores.  Esclarece não  ter  a  autoridade  lançadora  apresentado prova de que a Brasil  Telecom Call Center tenha deixado de recolher contribuições previdenciárias, motivo pelo qual  as  diferenças  apuradas  seriam  indevidas,  mormente  quando  não  restou  comprovada  a  real  natureza  jurídica  das  diferenças  apontadas  entre  a  folha  de  pagamento  e  a  GFIP,  o  que  impossibilita o direito de defesa. Ainda assim, por amostragem, demonstra a improcedência de  aludido  levantamento,  conforme  documentos  às  fls.  1.474  a  1.544  e  planilha  transcrita  no  recurso.  Salienta, ainda, a  impossibilidade de refazer o trabalho da autoridade fiscal,  por isso demonstrou apenas alguns casos entre os milhares da autuação, devendo ser aplicado o  entendimento  da  DRJ  que  exclui  um  dos  casos  da  amostragem,  além  da  necessidade  indispensável  de  diligência  para  comprovar  a  inexistência  de  diferenças  apontadas  pela  fiscalização.  Quanto os Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias,  repisa os argumentos da impugnação, afirmando não restar a autuada obrigada a informar em  folha de pagamento importâncias que não são fatos geradores de contribuições previdenciárias,  entendimento que se presta,  igualmente, a rechaçar as penalidades em relação à obrigação de  lançar em títulos de sua contabilidade eventos dessa natureza, bem como de descontar de seus  empregados contribuições previdenciárias sobre parcelas  indenizatórias, motivo pelo qual são  indevidas as multas lançadas por meio do DEBCAD 51.033.254­4, DEBCAD 51.033.255­2 e  DEBCAD 51.033.256­0;  Ainda relativamente as obrigações acessórias, no caso de não ser acolhida a  pretensão  acima  mencionada,  requer  o  afastamento  da  circunstância  agravante  utilizada  na  valoração dessas multas, pois não houve dolo, fraude ou má­fé da autuada ao firmar contrato  com  a  ADFEGO,  cujo  objeto  era  meramente  assistencial  visando  a  garantir  a  inclusão  de  pessoas portadoras de deficiência física no mercado de trabalho.  Opõe­se  a  caracterização  de  grupo  econômico,  aduzindo  que  o  fato  das  empresas  estarem  sob  o  controle  acionário  comum  não  é  suficiente  para  caracterização  de  grupo de  fato. Assevera,  que só pode  ser considerado  grupo econômico  quando as  empresas  combinarem  recursos  financeiros,  esforços  para  realização  de  atividades  comuns  e  firmarem  convenção, o que não acontece in casu.  Fl. 51135DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 7          11 Com  o  fito  de  afastar  quaisquer  dúvidas  quanto  a  inexistência  de  grupo  econômico,  transcreve  inúmeros  entendimentos  jurisprudenciais  indicando  só  haver  a  possibilidade dessa caracterização quando há uma efetiva comunhão de imobilizados, ativos ou  força  laboral  e  gerencial  comum,  além  de  expor  a  relação  de  responsabilidade  solidária  constante do artigo 50 do Código Civil.  Disserta  a  respeito  da  responsabilidade  tributária  e  sujeição  passiva,  concluindo  pela  impossibilidade  de  responsabilização  dos  sócios  em  relação  ao  crédito  previdenciário  ora  lançado,  uma vez  que  não  foram  atendidos  os  requisitos  necessários  para  tanto,  inscritos  nos  artigos  134  e  135  do  Código  Tributário  Nacional,  entendimento  que  encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação.  Vindica, também, a exclusão da incidência de juros sobre a multa de ofício,  por  entender  que  essa  penalidade  não  retrata  obrigação  principal,  mas,  sim,  encargo  que  se  agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte.  Relativamente,  ao  Recurso  de  Ofício,  esclarece  que  esse  não  merece  prosperar,  esi  que,  além  da  ilegalidade  quanto  o  método  de  aferição  indireta  aplicado,  não  houve  nenhuma  comprovação  da  suposta  relação  de  emprego  entre  os  funcionários  da  ADFEGO  com  a  recorrente,  impondo  seja  mantida  a  decisão  de  piso  relativamente  a  esta  matéria.  Sustenta ser imprescindível a diligência para demonstrar a insubsistência dos  lançamentos,  uma  vez  que  atestará  a  inexistência  de  diferenças  entre  os  valores  de  base  de  cáculo apresentados em folha de pagamento e GFIP, entre demais questões já enfrentadas no  recurso.  Ressalta  o  direito  da  contribuinte  de  requerer  a  realização  de  perícia,  diligência ou apresentação de documentos, ou seja, de produzir provas nos autos do processo  administrativo  fiscal,  sendo  defeso  à  autoridade  fazendária  cercear­lhe  aludida  garantia  constitucional, sob pena de nulidade do procedimento.  Por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  preliminarmente  decretar  a  nulidade  dos  Autos  de  Infração,  tornando­os  sem  efeito  e,  no  mérito, sua absoluta improcedência.  Não houve apresentação de contrarrazões.  É o relatório.    Fl. 51136DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     12   Voto Vencido  Conselheiro Rayd Santana Ferreira ­ Relator.  Consoante se positiva do Relatório Fiscal, a lavratura dos Autos de Infração  sob análise deveu­se a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela contribuinte  ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e ao financiamento dos benefícios  da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da aplicação de  multa  por  descumprimento  de  obrigações  acessórias,  adotando  como  fatos  geradores  as  seguintes importâncias:  a) Remunerações em folha de pagamento não informadas em GFIP:  · Verificou­se que nas folhas de pagamento apresentadas á fiscalização que  as  rubricas  aviso  prévio  indenizado,  bônus  anual  e  auxílio  dependente  excepcional  correspondem a salário­de­contribuição, mas não foram informadas em GFIP;  · Do  confronto  entre  a  folha  de  pagamento  e  a  GFIP,  identificaram­se  pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP.  b) Custeio de educação:  · Após  exame  da  contabilidade,  verificou­se  valores  lançados  na  conta  “Treinamento Sem. e Congressos, a qual, segundo informação da própria autuada, é “utilizada  para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pós­graduação,  inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional. (...)”;  · O  sujeito  passivo  não  atendeu  à  intimação  fiscal,  deixando  de  informar  qual  o  tipo  de  educação  (pós­graduação,  graduação,  dentre  outros)  teria  sido  objeto  de  reembolso aos segurados;  · Tratam­se de pagamentos que não são beneficiados pela norma de isenção  prevista na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.  c)  Pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por  meio  da  Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás  · Constatou­se  na  contabilidade  pagamentos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  por  serviços  de  Call  Center,  totalizando  R$  6.357.995,77;  · Da  análise  do  estatuto  social  da  autuada  e  do  contrato  de  prestação  de  serviços pactuado entre esta e a ADFEGO, constata­se que esta foi contratada para realizar a  atividade  fim  daquela,  o  que  vai  de  encontro  à  jurisprudência  do  Tribunal  Superior  do  Trabalho;  · As  cláusulas  contratuais  evidenciam  o  propósito  de  a  autuada  exercer  o  controle  dos  serviços  prestados  pela  ADFEGO,  com  a  subordinação  desta  às  normas  estabelecidas  pela  aquela,  as  quais  devem  ser  observadas  desde  a  seleção  e  contratação  de  pessoal, bem como para avaliação de desempenho para fins de evolução na carreira;  Fl. 51137DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 8          13 · Os empregados foram contratados para prestar serviços que correspondem  à atividade fim da autuada, e o prestavam nas próprias dependências desta;  · A  fiscalização  conclui  pela  existência  de  elementos  caracterizadores  de  vínculo  empregatício  conforme  art.  3º  da CLT  e  alínea  “a”  do  inciso  I  do  art.  12  da Lei  nº  8.212, de 1991;  · A  fiscalização  caracterizou  esses  trabalhadores  como  segurados  empregados da autuada;  · A  autoridade  lançadora  aferiu  indiretamente  os  valores  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  considerando­os  como  sendo  o  montante  dos  pagamentos  feitos  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  registrados na conta de despesa nº 0310357000 – C.O. – Serviços de Call Center.  Ressaltados  os  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas, passamos a contemplam o Recurso de Ofício, bem como as razões de fato e de direito  do Recurso Voluntário, senão vejamos.  RECURSO DE OFÍCIO  Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se  encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da  matéria posta nos autos.  Após  apresentação  da  impugnação  da  autuada,  o  lançamento  fora  julgado  procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 04­034.373/2013, às e­fls. 1.551/1.589, da 4a  Turma da DRJ em Campo Grande/MS, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora  de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 34, inciso I, do  Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008.  Com  mais  especificidade,  a  DRJ  competente,  ora  guerreada,  em  síntese,  achou  por  bem  rechaçar  em  parte  a  pretensão  fiscal,  afastando  parte  do  crédito  tributário  referente  ao  pagamento  de  remuneração  a  segurados  empregados  por meio  da  associação  de  deficientes físicos do Estado de Goiás, por entender haver erro na base de cálculo apurada por  meio de aferição indireta, adotando os seguintes fundamentos, in verbis:  "[...]  INCORREÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO  APURADA  POR  MEIO DE AFERIÇÃO INDIRETA    A  autoridade  lançadora  considerou  os  pagamentos  registrados na contabilidade  feitos à Associação de Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  como  sendo  base  de  cálculo  de  contribuições  previdenciárias  decorrentes  da  caracterização do vínculo empregatício entre os empregados da  referida  associação  e  a  autuada,  utilizando­se,  portanto,  do  procedimento  chamado de aferição  indireta,  cujos  fundamentos  legais transcrevem­se abaixo:  [...]  Fl. 51138DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     14   O  arbitramento,  ou  aferição  indireta,  é  uma  medida  de  exceção, que deve ser utilizada quando a autoridade lançadora  não disponha de meios (ou tais meios não sejam confiáveis) para  se  chegar  aos  valores  efetivos  das  bases  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  que  no  caso  seriam  os  salários­ de­contribuição  pagos  aos  empregados  que mantinham  vínculo  empregatício formal com a Associação de Deficientes Físicos do  Estado  de Goiás  – ADFEGO,  e  o  vínculo  empregatício de  fato  com a Brasil Telecom Call Center S/A.    A  autoridade  lançadora  não  fundamentou  o motivo  pelo  qual  considerou  o  total  das  notas  fiscais  de  serviço  emitidas  pela  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  como  sendo  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias lançadas.    Convém  lembrar  que  os  valores  dos  salários  recebidos  pelos  empregados  formalmente  vinculados  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  estão  disponíveis  em  vários  tipos  de  documentos  emitidos  pela  referida  associação,  tais  como  folhas  de  pagamento,  RAIS,  GFIP e DIRF, e as  informações contidas em tais documentos  estão disponíveis nos sistemas informatizados da RFB.    Contudo,  a  autoridade  lançadora  não  informou  se  tais  documentos  seriam  inexistentes,  ou  porque  motivos  as  informações constantes neles não mereceriam fé.    Como bem alegou as impugnantes, a autoridade lançadora  consultou  a  GFIP  apresentada  pela  Associação  de  Deficientes  Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, para relacionar o nome  de todos os empregados formalmente vinculados a esta (item 85  do relatório fiscal e anexo VII), para comprovar a pessoalidade  dos  serviços  prestados  à  autuada.  Por  qual  razão  não  teria  a  autoridade lançadora considerado os salários informados nessa  GFIP como base de cálculo?    Vê­se, portando, que autoridade  lançadora poderia dispor  dos  valores  dos  salários­de­contribuição  efetivamente  pagos  a  cada um dos empregados formalmente vinculados à Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  mas  assim não o fez.    Ainda que  a  autoridade  lançadora  tivesse  apresentado os  motivos  para  desconsiderar  todas  as  informações  acerca  dos  valores  dos  salários  pagos  aos  empregados  formalmente  vinculados  à  Associação  de  Deficientes  Físicos  do  Estado  de  Goiás  –  ADFEGO,  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  2009,  prevê  percentuais mínimos  a  serem  considerados  como  custo  de  mão­de­obra  no  caso  de  aferição  indireta  feita  com  base em notas fiscais:  [...]    Embora a norma citada acima preveja percentuais mínimos  a  serem  considerados  como  remuneração  da  mão­de­obra,  mostra­se evidente que considerar o percentual máximo do valor  dos  serviços  informados  em  notas  fiscais  dependeria  de  Fl. 51139DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 9          15 justificativa  por  parte  da  autoridade  lançadora,  o  que  não  ocorreu no presente caso.    Esse procedimento adotado pelo  sujeito passivo ainda não  se  mostra  razoável,  pois  considera  que  todos  os  valores  constantes  em  notas  fiscais  corresponderiam  a  salários­de­ contribuição, não havendo qualquer  tipo de pagamento sobre o  qual não  incidiria contribuições previdenciárias; considera que  a empresa contratada faria a intermediação de mão­de­obra de  forma gratuita.    Em  razão  do  exposto,  devem  ser  excluídos  do  lançamento  todos  os  valores  das  contribuições  previdenciárias  objeto  dos  seguintes levantamentos:  ∙  AS  –  PAGAMENTO  À  ADFEGO  –  SEGURADOS  EMPREGADOS (EMPRESA);  ∙  CS  –  PAGAMENTOS  À  ADFEGO  –  CONTRIBUIÇÃO  SEGURADOS EMPREGADOS (SEGURADOS).  [...]" (grifamos)  Como se observa dos autos, ao constituir o crédito previdenciário pertinente  aos  pagamentos  efetuado  à Associação  de Deficientes  Físicos  do  Estado  de Goiás,  a  ilustre  autoridade lançadora entendeu por bem utilizar­se do procedimento do arbitramento, adotando  como base de cálculo dos tributos lançados o total das notas fiscais de serviços emitidas pela  ADFEGO,  sem  conquanto motivar  aludida  conduta,  sobretudo  em  razão  de  a  totalidade  dos  salários  recebidos  pelos  empregados  formalmente  vinculados  àquela  Associação  estar  disponível em vários tipos de documentos emitidos pela referida contribuinte, tais como folhas  de pagamento, RAIS, GFIP e DIRF, e as informações contidas em tais documentos.  Nesse  sentido,  estando  o  lançamento  escorado  em  uma  presunção  legal,  incumbe  à  fiscalização  demonstrar  e  comprovar  os  motivos  que  a  levaram  utilizar  deste  procedimento  excepcional  e,  conseqüentemente,  fundamentá­lo  na  legislação  de  regência,  fazendo  constar  dos  autos  do  processo,  nos  anexos  pertinentes,  a  norma  legal  esteio  da  exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito.  Inobstante  à grande  celeuma que envolve o  tema,  é  certo que  atualmente o  Fisco  dispõe  de  alguns  mecanismos  para  apuração  de  crédito  tributário  quando  constatadas  operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar da tributação,  ou mesmo quando aquele não promove a devida escrituração contábil, nos moldes mínimos das  normas específicas, ou não a oferece à fiscalização quando intimado para tanto.  Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os  requisitos  exigidos  pela  legislação  de  regência,  é  legal  e  inverte  o  ônus  da  prova  ao  contribuinte.  Trata­se,  pois,  de  presunção  legal  –  júris,  que  desdobra­se,  ensinam  os  doutrinadores,  em presunções  "juris  et  de  jure"  e  "juris  tantum". As  primeiras  não  admitem  prova em contrário; são verdades indiscutíveis por força de lei.  Fl. 51140DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     16 Por  sua  vez,  as  presunções  "juris  tantum"  (presunções  discutíveis),  fato  conhecido  induz  à  veracidade  de  outro,  até  a  prova  em  contrário.  Elas  recuam  diante  da  comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza  da  dívida  inscrita,  que  pode  ser  ilidida  por  prova  inequívoca,  nos  termos  do  artigo  204,  parágrafo único, do Código Tributário Nacional.  As  hipóteses  inscritas  nos  §§  3º  e  6º,  do  artigo  33,  da  Lei  nº  8.212/91,  portanto, caracterizam­se como presunções  juris  tantum, albergada por lei, mas passíveis de  comprovação do contrário presumido.  Porém,  tal  procedimento  deve  estar devidamente  fundamentado  e motivado  nos  autos  do  processo,  além  da  necessidade  de  atender  aos  princípios  da  razoabilidade  e  proporcionalidade, sob pena de nulidade ou improcedência do lançamento.  Destarte, o arbitramento não pode representar uma verdadeira “carta branca”  ao  agente  fiscal,  de maneira  a  possibilitar­lhe  concluir  pela  existência  de  débitos  tributários  bem  destoantes  do  que  efetivamente  devido  pelo  contribuinte,  escorados  em  parâmetros  aleatórios  e  imprecisos,  sem  o  devido  aprofundamento  no  exame  das  provas  constantes  dos  autos. Não  se  pode  admitir,  pois,  seja  praticado  o  arbítrio  em  nome  do  arbitramento.  É  um  procedimento,  portanto,  que  objetiva  aproximar, mensurar  as  remunerações  tributáveis  tanto  quanto possível daquele que seria real. Tem­se assim que a vontade abstrata da lei é gravar o  tributo  que  seria  devido  em  condições  normais,  não mais  do  que  isso,  porquanto  o  objetivo  precípuo  da  fiscalização  é  a  orientação,  com  a  finalidade de  esclarecer  aos  contribuintes  em  geral  sobre  o  indelével  dever  de  recolher  ao  fisco  os  tributos  efetivamente  devidos,  naturalmente  após  identificar  as  eventuais  irregularidades  extraídas  de  sua  atividade,  ou  contabilidade, se for o caso. Em nenhum sistema jurídico se permite a tributação ao alvedrio da  lei ou se preconiza a cobrança de tributo acima daquilo que o Fisco tem direito. Gravar tributo  não tem o mesmo sentido de agravá­lo. O agravamento se faz mediante cominação de multas,  não pela via do arbitramento.  A doutrina pátria oferece proteção ao entendimento encimado, conforme se  verifica do excerto da obra do renomado tributarista HELENO TORRES1, abaixo transcrito:  “ [...] toda a fundamentação de uma desconsideração de método  previamente  escolhido  e  aplicado  pelo  contribuinte  é,  em  si,  medida  típica  de  arbitramento  da  base  de  cálculo  dos  tributos  envolvidos  [...].  Da  Constituição,  no  seu  art.  145,  §  1°,  ao  próprio CTN, nos seus arts. 148 e 150, I, em nenhuma hipótese  vê­se  justificativa  para  tributação  com  base  em  presunções  absolutas;  o  que  vale  do  mesmo  modo  para  a  negativa  de  aplicação de métodos de apuração de bases de cálculo. [...] Ao  Direito  tributário  importa,  com  exclusividade,  só  a  verdade  material,  para  a  qual  certas  presunções  legais  somente  valem  como  hipóteses  sujeitas  a  confirmação  pela  base  natural  de  testabilidade:  a  situação  fática  tomada  como  motivo  para  a  edição do ato administrativo de lançamento. Caso não se tenha  por  ocorrido  tal  como  o  supunha a  norma,  deve  ser  aberto  ao  contribuinte  o  direito  de  demonstrar,  mediante  produção  de  prova  em  contrário,  a  efetiva  ocorrência  do  fato  jurídico  tributário,  em  louvor  da  verdade  material.  Sobre  o  uso  das  presunções  legais  no  direito  tributário,  pela  circunstância  de                                                              1 TORRES, Heleno Taveira. Controle sobre Preços de Transferência. Legalidade e Uso de Presunções  no Arbitramento da Base de Cálculo dos Tributos. O Direito ao Emprego do Melhor Método. Limites  ao Uso do PRL­60 na Importação. RFDT 06/2 I, dez/03  Fl. 51141DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 10          17 alheamento da administração em face de todos os fatos passíveis  de  serem  alcançados  para  tributação  e  pela  exigência  de  demonstração  de  provas,  por  parte  das  autoridades  administrativas,  a  cada ato  de  lançamento  tributário,  em  favor  da simplificação, qualquer recurso ao uso de presunções legais  deve satisfazer a estritos requisitos de justificação, sob pena de  afetar  os  princípios  de  segurança  jurídica  e  interdição  do  arbítrio, e ter por prejudicada sua aplicação. Todavia, o uso de  presunções em matéria tributária há de encontrar limites muito  claros.  Primeiro,  tais  presunções  só  poderão  ser  de  ordem  probatória  (presunção  simples  ou  hominis);  e,  quando  criadas  por lei, não poderão ser absolutas, mas só relativas, admitindo a  devida prova em contrário por parte do alegado, com liberdade  de meios  e  formas.  Segundo,  a  Administração  deve  respeitar  o  caráter  de  sub­sidiariedade  dos  meios  presuntivos,  pois  só  de  modo  excepcional  se  deve  valer  deles,  na  função  de  típica  finalidade  aliviadora  ou  igualdade  de  armas,  nas  hipóteses  em  que encontrar evidente dificuldade probatória. Terceiro, porque  a  verdade  material  é  o  parâmetro  absoluto  da  tributação,  qualquer modalidade de presunção relativa, há de ser aplicada  com  estrito  respeito  aos  direitos  fundamentais,  e  a  legalidade,  acompanhada de devido processo  legal e sem qualquer espécie  de discricionariedade que leve ao abuso de poder”  A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando  o  cancelamento  de  autuações  em  que  a  fiscalização  extrapolou  os  limites  impostos  pela  legislação ao lançar com base no arbitramento, sobretudo quando os critérios utilizados nesta  empreitada não estejam devidamente claros e precisos, in verbis:  “[...]  Ementa:  ARBITRAMENTO  –  POSSIBILIDADE  –  PRINCÍPIO  DA RAZOABILIDADE   Na  ocorrência  de  recusa  na  apresentação  de  livros  ou  documentos  ou  se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer outro documento da empresa, a  fiscalização constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas,  cabendo  à  empresa  o  ônus  da  prova  em  contrário.  O  procedimento  de  arbitramento,  embora  seja  prerrogativa  legal do fisco, deve revestir­se de razoabilidade, de tal sorte que  os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do  fato  gerador.  [...]”  (1a  TO  da  4a  Câmara  da  2a  SJ  do  CARF,  Processo  n°  13963.000848/2007­87  ­  Acórdão  n°  2401­00.057,  Sessão  de  04/03/2009  –  Relatoria  Conselheiro  Ana  Maria  Bandeira) (grifamos)  “Ementa: [...]  AFERIÇÃO INDIRETA. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO.  Fl. 51142DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     18 Se,  no  exame  da  escrituração  contábil  e  de  qualquer  outro  documento  da  empresa,  a  fiscalização  constatar  que  a  contabilidade  não  registra  o  movimento  real  de  remuneração  dos  segurados  a  seu  serviço,  do  faturamento  e  do  lucro,  serão  apuradas,  por  aferição  indireta,  as  contribuições  efetivamente  devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.  AFERIÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE.  Na  utilização  da  aferição  o  Fisco  deve,  de  forma  clara  e  precisa,  descrever  a  fundamentação  legal,  os  fatos  geradores  ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente,  indicando  claramente  os  parâmetros  utilizados,  bem  como,  sempre que possível, os  segurados envolvidos.  [...]”  (2a TO da  4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 109.35.007634/2007­ 81 – Acórdão n° 2402­01.174, Sessão de 21/09/2010 – Relatoria  Conselheiro Marcelo Oliveira) (grifamos)  Ademais,  o  lançamento  –  atividade  vinculada  que  constitui  o  crédito  tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente  arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar­ se em fatos concretos, demonstrados, suscetíveis de comprovação.  Mesmo  porque,  o  artigo  142  do  Código  Tributário  Nacional,  ao  atribuir  a  competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa  atividade o  fiscal autuante descreva  e comprove a ocorrência do  fato gerador, determinando,  ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue:  “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.”  Em outras palavras, o procedimento do arbitramento, em que pese conferir a  prerrogativa  do  fiscal  autuante  em  presumir  a  base  de  cálculo  do  tributo  lançado,  não  o  desobriga  de  comprovar  a ocorrência  do  fato  gerador. Ou  seja,  a  base de  cálculo  poderá  ser  presumida, uma vez observados os requisitos para tanto, mas a ocorrência dos fatos geradores  não. É o que se extrai do artigo 148 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos:  “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome  em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços  ou  atos  jurídicos,  a  autoridade  lançadora,  mediante  processo  regular,  arbitrará  aquele  valor  ou  preço,  sempre  que  sejam  omissos  ou  não  mereçam  fé  as  declarações  ou  os  esclarecimentos  prestados,  ou  os  documentos  expedidos  pelo  sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada,  em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa  ou judicial.”  Mais a mais, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da  Lei  n°  9.784/99,  que  regulamenta  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis:  Fl. 51143DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 11          19 “Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...]  §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]”  Como se verifica dos dispositivos  legais encimados, para que o  lançamento  encontre  sustentáculo  nas  normas  jurídicas  e,  conseqüentemente,  tenha  validade,  deverá  o  fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e  determinar a matéria  tributável  (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa,  especialmente no Relatório Fiscal da Autuação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento  fiscal.  Na  mesma  linha  exposta  acima,  a  apuração  do  crédito  previdenciário  por  arbitramento  deve  vir  acompanhada  da  devida motivação,  indicando  a  autoridade  lançadora às irregularidades constatadas, as quais a impediram de apurar diretamente a  base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas.  A  doutrina  não  discrepa  deste  entendimento,  consoante  se  positiva  dos  ensinamentos da eminente jurista MARIA RITA FERRAGUT2, que assim preleciona:  “[...]  33. O  arbitramento  da  base  de  cálculo  deve  respeitar  os  princípios da finalidade da lei, razoabilidade, proporcionalidade  e  capacidade  contributiva,  razão  pela  qual  não  há  discricionariedade  total  na  escolha  das  bases  de  cálculo  alternativas,  estando  o  agente  público  sempre  vinculado,  pelo  menos,  aos  princípios  constitucionais  informadores  da  função  administrativa. 34. Não basta que algum dos fatos previstos no  artigo  148  do  CTN  tenha  ocorrido  a  fim  de  que  surja  para  o  Fisco  a  competência  de  arbitrar:  faz­se  imperioso  que  além  disso  o  resultado  da  omissão  ou  do  vício  da  documentação  implique  completa  impossibilidade  de  descoberta  direta  da  grandeza  manifestada  pelo  fato  jurídico.  34.1.  O  critério  para  determinar se um ou mais vícios ou erros são ou não suscetíveis  de  ensejar  a  desconsideração  da  documentação  reside  no  seguinte: se implicarem a impossibilidade por parte do Fisco de,  mediante  exercício  do  dever  de  investigação,  retificar  a  documentação  de  forma  a  garantir  o  valor  probatório  do  documento, o mesmo deve ser considerado imprestável e a base  de  cálculo  arbitrada.  Caso  contrário,  não.  35.  Diante  de  um  lançamento por arbitramento, o sujeito passivo poderá verificar,  para  fins  de  defesa,  se  o  ato  jurídico  encontra­se  devidamente  motivado e os aspectos formais do ato foram cumpridos; se estão  indicados  na  norma  individual  e  concreta  de  constituição  do  crédito todos os dados e documentos utilizados para aferição dos  valores arbitrados, pois em caso negativo, o  lançamento estará  cerceando o exercício da ampla defesa e do contraditório; se o  critério adotado pelo Fisco para o arbitramento é muito oneroso  e desprovido de razoabilidade, considerando o capital social, o  faturamento,  o  lucro  e  a  própria  capacidade  operacional  da  empresa; se a infração cometida consistiu apenas em atraso na  escrita ou na  entrega de declarações, o que não é  considerado  antecedente  da  norma  jurídica  que  tem  como  conseqüente  o                                                              2 FERRAGUT, Maria Rita Ferragut. Presunções no Direito Tributário. Dialética, 2001, p. 161  Fl. 51144DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     20 dever do Fisco de  efetuar o  lançamento por arbitramento, mas  tão­somente daquela que prevê a aplicação de multa decorrente  de descumprimento de deveres instrumentais; se a documentação  irregular poderia ter sido desconsiderada, uma vez que os vícios  dela constantes são insignificantes se comparados ao número de  lançamentos contábeis efetuados ou documentos fiscais emitidos;  se  mesmo  diante  de  omissão  de  receitas  o  contribuinte  teve  prejuízo,  não  alterado  em  virtude  dessas  receitas,  hipótese  em  que não se faz possível exigir o pagamento de tributos incidentes  sobre  a  renda  e  o  lucro;  se  a  fiscalização  utilizou­se  de  exercícios  em  que  a  atividade  do  contribuinte  foi  atípica,  comprometendo a validade da média; e muitos outros.”  A jurisprudência do CARF que se ocupou do  tema, oferece guarida ao  entendimento  acima  esposado,  exigindo,  além  da  devida  motivação  na  utilização  do  procedimento  do  arbitramento,  a  demonstração  da  ocorrência  do  efetivo  prejuízo  da  fiscalização, senão vejamos:  “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006  AFERIÇÃO  INDIRETA  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  PROCEDIMENTO  EXCEPCIONAL.  CABIMENTO  APENAS  NAS  SITUAÇÃO  EM  QUE  FIQUE  DEMONSTRADA  A  IMPOSSIBILIDADE  DE  APURAÇÃO  DO  TRIBUTO  COM  BASE  NA  DOCUMENTAÇÃO  EXIBIDA  PELO  SUJEITO  PASSIVO.  A  mera  existência  de  irregularidades  na  escrita  contábil  do  contribuinte  não  autoriza,  por  si  só,  a  aferição  indireta  das  contribuições,  quando  o  Fisco  não  demonstra  que  houve  sonegação  de  documentos  ou  que  os  elementos  apresentados  não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço  da empresa. [...]  Recurso Voluntário Provido em Parte.” (1a TO da 4a Câmara da  2a SJ do CARF, Processo n° 35273.000238/2007­94, Acórdão n°  2401­002.161,  Sessão  de  01/12/2011  –  Relatoria  Conselheiro  Kleber Ferreira de Araújo) (grifamos)  Como se observa, em síntese, a fiscalização deve demonstrar cabalmente as  razões que a levou a promover o lançamento por arbitramento, especialmente com a finalidade  de oportunizar a ampla defesa e contraditório do contribuinte.  No  caso  sub  examine,  conclui­se  que  o  fiscal  autuante  edificou  uma  presunção  legal,  lançando crédito que entendeu devido, com base nos valores constantes das  Notas  Fiscais  de  prestação  de  serviços,  suscitando  ter  promovido  o  arbitramento  das  contribuições lançadas, invertendo, assim, o ônus da prova a contribuinte.  Entrementes,  tratando­se  de  procedimento  excepcional,  o  arbitramento  a  partir  do  permissivo  legal  inscrito  no  artigo  33,  §§  3º  e  4°,  da  Lei  n°  8.212/91,  deve  ser  devidamente  fundamentado em fatos e documentos  suscetíveis de comprovação. Não basta a  fiscalização  simplesmente  inferir  que  apoiou­se  no  procedimento  do  arbitramento  para  constituir o crédito tributário.  Fl. 51145DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 12          21 Para  que  o  lançamento  tivesse  o  devido  amparo  legal  e  fático,  caberia  ao  fiscal  autuante  comprovar  que  a  contabilidade  da  contribuinte  não  oferece  condições  de  demonstrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, ou seja, a real movimentação  das  remunerações  de  seus  segurados,  na  forma que  exige  o  artigo  33,  §§  3º  e  4°,  da Lei  n°  8.212/91. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos.  Como se constata, mister se  fazer à autoridade  lançadora a observância dos  parâmetros  e  condições  básicas  previstas  na  legislação  de  regência  em  casos  de  desconsideração da contabilidade de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando  àquela  estiver  convencida  da  imprestabilidade  da  escrita  contábil,  in  casu,  para  fins  previdenciários, devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando  ao  contribuinte  a  devida  análise  da  conduta  que  lhe  está  sendo  atribuída  e,  bem  assim,  ao  julgador de analisar devidamente os autos.  Em  outras  palavras,  não  basta  à  indicação  de  erros  e/ou  vícios  na  contabilidade,  a  partir  de  meras  presunções  e/ou  subjetividades,  impondo  a  devida  comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  de  que  os  documentos  fornecidos  pelas  contribuintes  não  se  prestam  a  demonstrar  a  real  movimentação  da  remuneração  de  seus  segurados, impossibilitando a aferição direta da base de cálculo de referidos tributos.  A  presunção  legal  inserida  no  artigo  33,  §§  3º  e  4°,  da  Lei  n°  8.212/91,  relativamente  ao  arbitramento,  não  tem  o  condão  de  suprimir  o  precípuo  dever  legal  da  autoridade fiscal demonstrar e comprovar a ocorrência das hipóteses legais ali inscritas, com a  finalidade de justificar aludido procedimento.  A  rigor,  em  momento  algum  o  fiscal  autuante  asseverou  que  se  viu  impossibilitado  de  apurar  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  ora  lançadas  em  face  de  equívocos  nos  registros  contábeis  vinculados  às  contribuições  previdenciárias, capaz de reforçar a sua tese. E, se assim não o foi, inexiste razão para o  arbitramento/aferição indireta adotado nos autos.  Com efeito, em nosso entender, os motivos aventados pela fiscalização, sem  que  haja  um  aprofundamento  maior  no  tema  (arbitramento),  com  provas  mais  robustas  e  indicação do efetivo prejuízo na seara do direito previdenciário, não é capaz de fazer florescer  a  hipótese  de  incidência  admitida  pela  fiscalização.  Repita­se,  o  arbitramento  não  pode  representar  uma  “carta  branca”  ao  agente  fiscal  de  maneira  a  afastar  a  necessidade  de  comprovação dos requisitos mínimos da exigência tributária.  Não bastasse isso, in casu, reitera­se, o que reforça o pleito da contribuinte é  que a fiscalização não demonstrou a impossibilidade de se aferir diretamente a base de cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  de  maneira  a  justificar  o  arbitramento  operado  na  constituição do crédito tributário. Ora, o arbitramento só faz sentido e tem fundamento legal se  a autoridade fazendária não  tiver condições de extrair a base de cálculo dos  tributos a serem  lançados nos documentos que dispõe ou ofertados pela contribuinte.  Observe­se,  por  fim,  que  o  Relatório  Fiscal  tem  por  finalidade  demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu à autoridade lançadora na constituição do  crédito  previdenciário,  devendo,  dessa  forma,  ser  claro  e  preciso  relativamente  aos  procedimentos  adotados  pela  fiscalização  ao  promover  o  lançamento,  concedendo  ao  contribuinte  conhecimento  pleno  dos  motivos  ensejadores  da  autuação,  possibilitando­lhe  o  amplo direito de defesa e contraditório, sobretudo tratando­se de lançamento por arbitramento.  Fl. 51146DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     22 Em  face  dos  fatos  acima  delineados,  uma  vez  não  demonstrada  ou  sequer  aventada pelo fiscal autuante a  impossibilidade de apuração dos fatos geradores e/ou base de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  diretamente  nas  folhas  de  pagamento,  GFIP’s  e  contabilidade da  contribuinte,  não  se pode  admitir  a  apuração de crédito previdenciário  com  base em arbitramento, exclusivamente arrimado numa presunção legal, a qual inverte o ônus da  prova, mas deve estar devidamente motivado e comprovados seus pressupostos legais.  Na  esteira  desse  entendimento,  não  se  pode  cogitar  em  irregularidade  na  decisão  levada a efeito pelo  julgador de primeira  instância, porquanto agiu da melhor  forma,  com  estrita  observância  da  legislação  de  regência,  promovendo  a  retificação  do  crédito  previdenciário nos termos encimados.  Em vista do exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância  com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO  RECURSO  DE  OFÍCIO  E  NEGAR­LHE  PROVIMENTO,  mantendo  o  decisum  recorrido,  nesse ponto, em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas.  RECURSO VOLUNTÁRIO  Presente  o  pressuposto  de  admissibilidade,  por  ser  tempestivo,  conheço  do  recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais.  Consoante se positiva dos autos, a nobre autoridade lançadora achou por bem  decretar a improcedência parcial do feito, excluindo das Autuações os valores pertinentes aos  levantamentos  AS  ­  PAG  ASSOC  DEFIC  FIS  EST  GO,  FP  ­  FOLHA  DE  PAGA  NÃO  DECL  EM  GFIP,  CS  ­  CONTR  SEGURADOS  PAG  ADFEGO  e  CI  ­  CONTR  SEGURADOS, os quais foram contemplados acima por ocasião da análise do Recurso do  Ofício, razão pela qual analisaremos adiante as demais razões de recurso da contribuinte,  em  sede  de  preliminar  ou  de  mérito,  exclusivamente  no  que  tange  os  demais  levantamentos, como segue.  PRELIMINAR REALIZAÇÃO DE PERÍCIA  Preliminarmente,  suscita  a  recorrente  a  improcedência  da  decisão  recorrida  sob  o  argumento  de  que  a  autoridade  julgadora  se  baseou  nas  informações  e  documentos  constantes  dos  autos,  mais  precisamente  Relatório  Fiscal  da  Autuação,  privilegiando  tal  documentação  em  detrimento  dos  argumentos  e  elementos  colocados  a  sua  disposição  na  impugnação,  impondo  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  para  produção  de  provas  indispensáveis ao deslinde da controvérsia.  Em que pese o esforço da recorrente, sua irresignação, contudo, não merece  acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o  lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pela então impugnante.  Observe­se, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte,  que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão,  tendo em vista que cabe  exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante  do  processo  serve  justamente  para  formar  a  convicção  do  julgador,  podendo  interpretá­la da  forma  que  melhor  entender,  refutá­las  ou  desconsiderá­las,  de  acordo  com  sua  convicção,  conquanto  que  de  forma  fundamentada.  Aliás,  é  o  que  determina  o  artigo  29  do  Decreto  70.235/1972, como segue:   “    Seção VI  Fl. 51147DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 13          23 Do Julgamento em Primeira Instância  [...]  Art.  29.  Na  apreciação  da  prova,  a  autoridade  julgadora  formará  livremente  sua  convicção,  podendo  determinar  as  diligências que entender necessárias.”  Assim,  o  pleito  da  recorrente  não  tem  o  condão  de  macular  a  decisão  recorrida,  porquanto  o  julgador  monocrático  procedeu  da  melhor  forma,  exarando  decisão  fundamentada, debatendo acerca das  razões pertinentes  lançadas pela contribuinte,  formando  livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado.  Quanto  ao  indeferimento  do  pedido  de  diligência  para  produção  de  prova,  igualmente,  decidiu  acertadamente  o  ilustre  julgador  de  primeira  instância.  Além  de  a  recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV,  do Decreto  70.235/72,  a  autoridade  recorrida  já  tinha  formado  sua  convicção  no  sentido  de  manter  o  lançamento  fiscal  com  base  nos  demais  documentos  constantes  dos  autos,  sendo  despiciendo a produção de prova pericial.  Com  efeito,  a  produção  de  prova  pericial  se  faz  necessária  quando  indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o  seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, §  1º do Decreto 70.235/72, in verbis:  “Lei 9.784/99  Art. 38.  [...]  §  2º  Somente  poderão  ser  recusadas,  mediante  decisão  fundamentada,  as  provas  propostas  pelos  interessados  quando  sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.”  “Decreto 70.235/72  Art. 16.  [...]  IV ­ as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam  efetuadas,  expostos  os  motivos  que  as  justifiquem,  com  a  formulação de  quesitos  referentes aos  exames  desejados,  assim  como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação  profissional de seu perito;   § 1º ­ Considerar­se­á não formulado o pedido de diligência ou  perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no  inciso  IV do art. 16.”  Mais a mais, tratando­se de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a  sua  defesa  produzir  a  prova  em  contrário  através  de  documentação  hábil  e  idônea.  Não  o  fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância.  Fl. 51148DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     24 Registre­se,  por  fim,  que  a  contribuinte  em  seu  Recurso  Voluntário,  a  exemplo  das  fases  anteriores  do  processo  administrativo,  não  apresentou  nenhuma  documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade.  PRELIMINAR DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS  Ainda  em  sede  de  preliminar,  pretende  a  contribuinte  seja  decretada  a  nulidade  dos  feitos,  sob  o  argumento  de  que  a  autoridade  lançadora  não  logrou  motivar/fundamentar  o  ato  administrativo  do  lançamento,  de  forma  a  explicitar  clara  e  precisamente  os  motivos  e  dispositivos  legais  que  embasaram  as  autuações,  contrariando  a  legislação  de  regência,  notadamente  o  artigo  142  do  Código  Tribunal  e,  bem  assim,  os  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Em  que  pesem  as  substanciosas  razões  ofertadas  pela  contribuinte,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar.  Do  exame  dos  elementos  que  instruem  o  processo,  conclui­se  que  os  lançamentos,  corroborados  pela  decisão  recorrida,  apresentam­se formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude.  De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade  competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de  maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e  contraditório, sob pena de nulidade.  E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples  leitura  dos  anexos  das  autuações,  especialmente  o  “Fundamentos Legais  do Débito  – FLD”,  Relatório Fiscal e demais  informações  fiscais, não deixa margem de dúvida  recomendando a  manutenção dos lançamentos.  Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os  lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os  fatos  geradores das  contribuições previdenciárias  e multas ora  exigidas,  não  se  cogitando na  nulidade dos procedimentos.  Melhor  elucidando,  os  cálculos  dos  valores  objetos  dos  lançamentos  foram  extraídos  das  informações  constantes  dos  sistemas  previdenciários  e  fazendários,  bem  como  das  folhas  de  pagamento,  GFIP’s,  recibos  e  demais  documentos  contábeis,  fornecidos  pela  própria  recorrente,  rechaçando  qualquer  dúvida  quanto  à  regularidade  do  procedimento  adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor  forma, com estrita observância à legislação de regência.  Destarte, é direito da contribuinte discordar com a  imputação fiscal que  lhe  está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato,  isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência.  Mais  a  mais,  a  exemplo  da  defesa  inaugural,  a  contribuinte  não  trouxe  qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram­se maculados  por  vício  em  sua  formalidade,  escorando  seu  pleito  em  simples  arrazoado  desprovido  de  demonstração do sustentado.  MÉRITO  Em  suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  a  reforma  da  decisão  recorrida,  a  qual  manteve  parte  substancial  da  exigência  fiscal,  dissertando  a  propósito  da  pretensa  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  pagas  a  título  de  Fl. 51149DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 14          25 Aviso  Prévio  Indenizado,  Bônus  Anual,  Auxílio  Dependente  Excepcional  e  Reembolso  Educacional,  além  de  se  insurgir  contra  as  penalidades  aplicadas  nas  autuações  por  descumprimento de obrigações acessória e principal, como passaremos a analisar de maneira  individualizada adiante.  Em  defesa  de  sua  pretensão,  elabora  substancioso  arrazoado  contemplando  com  especificidade  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados,  acima  elencadas,  concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias.  Em  virtude  das  04  (quatro)  verbas  lançadas  na  presente  autuação  como  salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de  maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria,  senão vejamos.  Antes  de  adentrar  as  questões  de mérito,  é  de  bom  alvitre  trazer  à  baila  o  disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis:  “Art. 111.  Interpreta­se literalmente a legislação tributária que  disponha sobre:  I – suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II – outorga de isenção;  III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias””  Art.  176.  A  isenção,  ainda  quando  prevista  em  contrato,  é  sempre  decorrente  de  lei  que  especifique  as  condições  e  requisitos  exigidos  para  a  sua  concessão,  os  tributos  a  que  se  aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.”  Extrai­se dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção  que  o  Poder  Público  pretenda  conceder  deve  decorrer  de  lei  disciplinadora,  sendo  sua  interpretação literal e não extensiva.  Por  sua  vez,  as  importâncias  que  não  integram  a  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias  estão  expressamente  listadas  no  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  nº  8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário­ de­contribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue:  “Art. 28. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  a)  os  benefícios  da  previdência  social,  nos  termos  e  limites  legais, salvo o  salário­maternidade;  (Redação dada pela Lei nº  9.528, de 10.12.97).   b)  as  ajudas  de  custo  e  o  adicional  mensal  recebidos  pelo  aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973;   Fl. 51150DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     26 c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  d)  as  importâncias  recebidas  a  título  de  férias  indenizadas  e  respectivo  adicional  constitucional,  inclusive  o  valor  correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o  art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho­CLT;  (Redação  dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).   e)  as  importâncias:  (Alínea  alterada  e  itens  de  1  a  5  acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97   1.  previstas  no  inciso  I  do  art.  10  do  Ato  das  Disposições  Constitucionais Transitórias;   2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de  outubro  de  1988,  do  empregado  não  optante  pelo  Fundo  de  Garantia do Tempo de Serviço­FGTS;   3.  recebidas a  título da  indenização de que  trata o art.  479 da  CLT;   4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei  nº 5.889, de 8 de junho de 1973;   5. recebidas a título de incentivo à demissão;  6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e  144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  7.  recebidas  a  título  de  ganhos  eventuais  e  os  abonos  expressamente  desvinculados  do  salário;  (Redação  dada  pela  Lei nº 9.711, de 1998).  8.  recebidas  a  título  de  licença­prêmio  indenizada;  (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei  nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº  9.711, de 1998).  f)  a  parcela  recebida  a  título  de  vale­transporte,  na  forma  da  legislação própria;  g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente  em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado,  na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528,  de 10.12.97).  h)  as  diárias  para  viagens,  desde  que  não  excedam  a  50%  (cinqüenta por cento) da remuneração mensal;  i)  a  importância  recebida a  título de bolsa de complementação  educacional  de  estagiário,  quando  paga  nos  termos  da  Lei  nº  6.494, de 7 de dezembro de 1977;   j)  a participação nos  lucros ou  resultados da  empresa, quando  paga ou creditada de acordo com lei específica;   Fl. 51151DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 15          27 l)  o  abono  do  Programa  de  Integração  Social­PIS  e  do  Programa  de  Assistência  ao  Servidor  Público­PASEP;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  n)  a  importância  paga  ao  empregado  a  título  de  complementação  ao  valor  do  auxílio­doença,  desde  que  este  direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa;  (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)  o)  as  parcelas  destinadas  à  assistência  ao  trabalhador  da  agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870,  de  1º  de  dezembro  de  1965;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528, de 10.12.97).  p)  o  valor  das  contribuições  efetivamente  pago  pela  pessoa  jurídica  relativo  a  programa  de  previdência  complementar,  aberto  ou  fechado,  desde  que  disponível  à  totalidade  de  seus  empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º  e  468  da  CLT;  (Alínea  acrescentada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10.12.97)  q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou  odontológico,  próprio  da  empresa  ou  por  ela  conveniado,  inclusive  o  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos,  aparelhos  ortopédicos,  despesas  médico­hospitalares  e  outras  similares,  desde  que  a  cobertura  abranja  a  totalidade  dos  empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela  Lei nº 9.528, de 10.12.97)   r)  o  valor  correspondente  a  vestuários,  equipamentos  e  outros  acessórios  fornecidos  ao  empregado  e  utilizados  no  local  do  trabalho  para  prestação  dos  respectivos  serviços;  (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   s)  o  ressarcimento  de  despesas  pelo  uso  de  veículo  do  empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a  legislação  trabalhista,  observado  o  limite máximo  de  seis  anos  de  idade,  quando  devidamente  comprovadas  as  despesas  realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   t)  o  valor  relativo  a  plano  educacional  que  vise  à  educação  básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro  de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais  vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que  não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos  os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação  dada pela Lei nº 9.711, de 1998).  Fl. 51152DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     28 u)  a  importância  recebida  a  título  de  bolsa  de  aprendizagem  garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo  com  o  disposto  no  art.  64  da  Lei  nº  8.069,  de  13  de  julho  de  1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   v)  os  valores  recebidos  em  decorrência  da  cessão  de  direitos  autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97)   x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea  acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ”  Com  mais  especificidade,  contemplando  as  verbas  em  epígrafe,  o  Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo  214, § 9°, prescreve a não incidência de contribuições previdenciárias nas seguintes condições,  in verbis:  “Art. 214. Entende­se por salário­de­contribuição:  [...]  § 9º Não integram o salário­de­contribuição, exclusivamente:  [...]  VI ­ a parcela recebida a título de vale­transporte, na forma da  legislação própria;  [...]    X  ­  a  participação  do  empregado  nos  lucros  ou  resultados  da  empresa,  quando  paga  ou  creditada  de  acordo  com  lei  específica;  § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas  ou  creditadas  em  desacordo  com  a  legislação  pertinente,  integram o  salário­de­contribuição para  todos os  fins  e efeitos,  sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. [...]”  Como  se  observa,  tendo  a  autoridade  lançadora  inserido  os  pagamentos  realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito  de  remuneração  (salário­de­contribuição),  nos  termos  do  artigo  28  da  Lei  n°  8.212/91,  comprovando/demonstrado  com  especificidade  a  natureza  remuneratória  das  verbas  concedidas,  impõe­se  ao  contribuinte  afastar a pretensão  fiscal  enquadrando  tais pagamentos  em uma das hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade elencadas na norma encimada,  observando, porém, os requisitos legais para tanto.  Em outras palavras, desincumbindo­se o Fisco do ônus de comprovar o fato  gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação  hábil  e  idônea,  que  as  verbas  concedidas  aos  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  se  enquadram  em  uma  das  hipóteses  previstas  no  §  9°,  do  artigo  28,  da  Lei  n°  8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada.  Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte se insurgiu contra a  tributação  de  todas  as  verbas  pagas  aos  seus  funcionários,  razão  pela  qual  passaremos  a  analisar  os  argumentos  relacionados  a  tais  rubricas  individualmente,  em  razão  de  suas  Fl. 51153DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 16          29 peculiaridades,  arrimadas  especialmente  na  jurisprudência  administrativa  e  atual  de  nossos  Tribunais Superiores, senão vejamos:  A) DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO  Consoante  se  infere do Relatório Fiscal,  aludido  levantamento se  refere aos  pagamentos  concedidos  pela  empresa  aos  empregados  a  título  Aviso  Prévio  Indenizado,  remuneração  paga  ao  empregado,  assegurada  pela  CF  nos  termos  do  art.  7º,  inciso  XXI,  correspondente a, no mínimo, 30 dias de serviços prestados.  Mais precisamente,  a autoridade  lançadora utilizou como fundamento  à  sua  empreitada o fato de, com o advento do Decreto nº 6.727, de 12/01/2009, a alínea "f" do inciso  V  do  §  9º  do  art.  214  do  Decreto  nº  3.048//1999  foi  revogada,  portanto,  o  aviso  prévio  indenizado  passa  a  ser  base  de  cálculo  das  contribuições  previdenciárias,  razão  pela  qual  procedeu­se o presente lançamento adotando­se os fatos geradores ocorridos posteriormente à  12/01/2009.  Por sua vez, em sua peça recursal, afirma ser improcedente a incidência das  contribuições sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por tratar­se de verba  indenizatória,  não  tendo  natureza  remuneratória,  colacionando  jurisprudência,  legislação  e  posicionamentos doutrinários corroborando a sua tese.  Afora  os  fundamentos  da  autoridade  lançadora  ao  promover  o  lançamento,  corroborados  pelo  julgador  recorrido,  o  insurgimento  da  contribuinte  merece  acolhimento.  Destarte, não vislumbramos na verba sub examine natureza remuneratória tendente a integrar a  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  É bem verdade que as hipóteses de não incidência, isenção e/ou imunidade de  contribuições  previdenciárias  encontram­se  previstas  na  legislação  de  regência,  notadamente  no  artigo  28,  §  9°,  da  Lei  n°  8.212/91,  c/c  artigo  214,  §  9°,  do  Decreto  n°  3.048/99  –  Regulamento da Previdência Social. Entrementes, a  jurisprudência deste Colegiado  já  firmou  entendimento no  sentido de que, primeiramente,  incumbe à  autoridade  lançadora demonstrar  que a verba concedida aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais encontram­se  revestidas das características básicas do salário de contribuição.  Em outras palavras, o simples fato de o benefício concedido pela contribuinte  aos seus funcionários não se encontrar elencado nos dispositivos legais encimados, por si só,  não  o  caracteriza  automaticamente  como  remuneração.  Mesmo  porque,  na  hipótese  de  o  benefício concedido ter natureza eminentemente indenizatória, por exemplo, não há se falar em  incidência dos tributos ora lançados.  Daí porque, é dever da autoridade fazendária adentrar aos aspectos peculiares  de cada verba/benefício concedido pela contribuinte aos seus empregados, se aprofundando na  questão  de  maneira  a  comprovar  que,  efetivamente,  se  apresenta  como  uma  nítida  remuneração, em razão de sua própria natureza, dos motivos e condições de pagamento, etc.  Na hipótese dos autos, não obstante a vasta discussão a propósito da matéria,  deixaremos  de  abordar  a  legislação  de  regência  ou  mesmo  adentrar  a  questão  da  natureza/conceituação  de  aludida  verba,  uma vez  que  o Superior Tribunal  de  Justiça  afastou  qualquer  dúvida  quanto  ao  tema,  reconhecendo  a  sua  natureza  indenizatória,  nos  autos  do  Fl. 51154DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     30 Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543­C, do CPC, com a  seguinte ementa:  "PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA  A  CARGO  DA  EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL.  DISCUSSÃO  A  RESPEITO  DA  INCIDÊNCIA  OU  NÃO  SOBRE  AS  SEGUINTES  VERBAS:  TERÇO  CONSTITUCIONAL  DE  FÉRIAS;  SALÁRIO  MATERNIDADE;  SALÁRIO  PATERNIDADE;  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO;  IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM  O AUXÍLIO­DOENÇA.   [...]  2.2  Aviso  prévio  indenizado.  A  despeito  da  atual  moldura  legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias  pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços  prestados  nem  a  tempo  à  disposição  do  empregador,  não  ensejam  a  incidência  de  contribuição  previdenciária.  A  CLT  estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo  indeterminado,  a  parte  que,  sem  justo  motivo,  quiser  a  sua  rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida  antecedência.  Não  concedido  o  aviso  prévio  pelo  empregador,  nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes  ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período  no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o  pagamento  decorrente  da  falta  de  aviso  prévio,  isto  é,  o  aviso  prévio  indenizado,  visa  a  reparar  o  dano  causado  ao  trabalhador  que  não  fora  alertado  sobre  a  futura  rescisão  contratual  com  a  antecedência  mínima  estipulada  na  Constituição  Federal  (atualmente  regulamentada  pela  Lei  12.506/2011).  Dessarte,  não  há  como  se  conferir  à  referida  verba  o  caráter  remuneratório  pretendido  pela  Fazenda  Nacional,  por  não  retribuir  o  trabalho,  mas  sim  reparar  um  dano.  Ressalte­se  que,  "se  o  aviso  prévio  é  indenizado,  no  período  que  lhe  corresponderia  o  empregado  não  presta  trabalho  algum,  nem  fica  à  disposição  do  empregador.  Assim,  por  ser  ela  estranha  à  hipótese  de  incidência,  é  irrelevante  a  circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação  a  tal  verba"  (REsp  1.221.665/PR,  1ª  Turma,  Rel.  Min.  Teori  Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a  natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacam­se,  na doutrina, as  lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri  Mascaro  Nascimento.  Precedentes:  REsp  1.198.964/PR,  2ª  Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010;  REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de  1º.12.2010;  AgRg  no  REsp  1.205.593/PR,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Herman  Benjamin,  DJe  de  4.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de  22.2.2011;  AgRg  no  REsp  1.220.119/RS,  2ª  Turma,  Rel.  Min.  Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011.   [...]" (grifamos)  E, de conformidade com o artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF,  impõe­se  ao  julgador  deste  Colegiado  a  observância  às  decisões  do  Superior  Tribunal  de  Fl. 51155DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 17          31 Justiça, tomadas em sede de Recurso Repetitivo, nos termos do artigo 543­C, do CPC, hipótese  que se amolda ao caso vertente, senão vejamos:  "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do  CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.  [...]  § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo  Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  dos  arts.  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  ou  dos  arts.  1.036  a  1.041  da  Lei  nº  13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas pelos conselheiros no  julgamento dos recursos no  âmbito do CARF.  (Redação dada pela Portaria MF nº  152,  de  2016."  Encampando  a  jurisprudência,  bem  como  a  disposição  regimental  supra,  a  jurisprudência  administrativa  vem  reconhecendo  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  os  valores  pagos  aos  segurados  empregados  a  título  de  aviso  prévio  indenizado, como se extrai dos recentes julgados abaixo ementados:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  ABONO  DE  FÉRIAS.  INCIDÊNCIA  QUANDO  EXCEDENTE OS  LIMITES  DA  CLT.  ABONO. INCIDÊNCIA QUANDO HABITUAL.  O abono de férias previsto no artigo 143 da CLT não integra o  salário de  contribuição quando  respeitados os  limites previstos  na norma trabalhista. O abono concedido por liberalidade passa  a  integrar  o  salário  de  contribuição,  segundo  expressa  disposição constitucional (artigo 201, § 11), quando habitual.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  DÉCIMO  TERCEIRO  SALÁRIO. INTEGRAÇÃO.  O  décimo  terceiro  salário  sofre  incidência  das  contribuições  previdenciárias  por  expressa  disposição  da  lei  tributária.  O  salário de contribuição relativo ao décimo terceiro é obtido pela  soma de todas as parcelas que o integram.  SALÁRIO  DE  CONTRIBUIÇÃO.  AVISO  PRÉVIO  INDENIZADO E DÉCIMO TERCEIRO INDENIZADO. NÃO  INCIDÊNCIA.  A  incidência  da  contribuição  social  previdenciária  se  dá,  em  regra,  sobre  as  parcelas  remuneratórias.  Não  se  verifica  incidência  sobre parcelas de nítida natureza  indenizatória por  ausência de disposição legal. As parcelas pagas na rescisão do  contrato de trabalho a título de aviso prévio indenizado e férias  indenizadas  não  integram o  salário  de  contribuição  em  razão  Fl. 51156DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     32 de  seu  ínsito  caráter  indenizatório."  (1ª Turma Ordinária da 2ª  Câmara da 2ª SJ do CARF ­ Acórdão nº 2201­003.207, Processo  nº 10120.727291/2013­05, Sessão de 14/06/2016)  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período  de  apuração:  01/01/2009  a  30/09/2009,  01/11/2009  a  31/05/2010, 01/08/2010 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/12/2011  [...]  AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA.  O Superior Tribunal de Justiça já definiu, nos autos do Recurso  Especial  nº  1230957/RS,  julgado  sob  a  sistemática  do  artigo  543­C  do  Código  de  Processo  Civil  de  1973,  que  não  incide  contribuição  previdenciária  sobre  aviso  prévio  indenizado.  [...]"(2ª  Turma  Ordinária  da  2ª  Câmara  da  2ª  SJ  do  CARF  ­  Acórdão  nº  2202­003.378,  Processo  nº  16327.720438/201479,  Sessão de 10/05/2016)  Partindo  dessas  premissas,  diante  da  definitividade  da  decisão  do  STJ,  tomada  em  sede  de  Recurso  Repetitivo,  impõe­se  a  esta  Corte  Administrativa  adotar  a  jurisprudência  mansa  e  pacífica  dos  nossos  Tribunais  Superiores,  provendo  o  pleito  da  contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a  título de  Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF.  B) DO BÔNUS ANUAL E AUXÍLIO DEPENDENTE EXCEPCIONAL  No  que  tange  aos  pagamentos  concedidos  aos  segurados  a  título  de Bônus  Anual, contrapõe­se à pretensão fiscal, sustentando que estão fora do campo de incidência das  contribuições previdenciárias, porquanto pagos por mera liberalidade do empregador, de forma  eventual, na forma do item 7, alínea "e", do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212, de 1991, não  havendo  a  comprovação  por  parte  da  autoridade  fiscal  de  que  tais  valores  estivessem  vinculados  a  fatores  de  eficiência,  assiduidade,  tempo  de  serviço  e  outros  relacionados  ao  desenvolvimento do labor.  Relativamente  aos  valores  concedidos  a  título  de  auxílio  dependente  excepcional, pretende seja afastada a tributação atribuída pela fiscalização, sob o argumento de  carecer de natureza contraprestativa, encaixando­se na hipótese de não incidência apresentada  pela  Lei  n°  8.212/91,  artigo  28,  §  9°,  alínea  "q",  dada  sua  natureza  de  assistência  médica,  sobretudo em razão de o funcionário dever preencher o  requisitos para  receber  tal auxilio. A  corroborar sua tese, colaciona jurisprudência deste Conselho.  Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, o  entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando  pagos em desconformidade com a legislação de regência.  Isto  porque,  uma  vez  a  autoridade  fiscal  se  desincumbindo  do  ônus  de  comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte  demonstrar  que  os  pagamento  concedidos  aos  seus  segurados  não  possuem  natureza  remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente. A rigor, no decorrer da ação fiscal, a  recorrente quedou­se silente quando chamado a explicitar as condições para o pagamento de tal  rubrica.  Fl. 51157DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 18          33 Em verdade, em sede de impugnação e, posteriormente, recurso voluntária, a  contribuinte escora seu pleito no fato de o Bônus Anual ter sido pago numa única oportunidade  no ano, olvidando­se, porém, da natureza de contraprestação por  serviços prestados, ou seja,  pagos pelo trabalho, o que determina sua condição de verba remuneratória.  A propósito  da matéria,  o  julgador  de primeira  instância  foi muito  feliz  ao  rechaçar o pleito da contribuinte, como segue:  "[...]  BÔNUS ANUAL    Verifica­se que a autoridade lançadora, por meio do Termo  de  Intimação Fiscal  nº  04  (fl.126)  requisitou  esclarecimentos  à  autuada  sobre  a  rubrica  bônus  anual,  código  480.  Contudo,  a  autuada  manifestou­se  acerca  de  outros  pontos  da  referida  intimação fiscal (fls.254 a 256), mas silenciou­se em relação ao  alegado bônus.    Uma vez que o sujeito passivo preferiu não se manifestar em  relação  ao  bônus  anual,  e  de  comprovar  que  se  tratava  de  rubrica  isenta  de  contribuições  previdenciárias,  a  autoridade  fiscal procedeu ao  lançamento de contribuições previdenciárias  incidentes sobre os valores registrados a esse título na folha de  pagamento da empresa.    Agiu corretamente a autoridade lançadora nesse caso, pois  a comprovação de que o pagamento do bônus anual enquadrar­ se­ia em uma das hipóteses de isenção previstas no §9º do art. 28  da Lei  nº  8.212, de  1991,  caberia ao  sujeito  passivo,  pois  essa  prova foi requisitada a ele.    Por essa razão, não procede o argumento dos impugnantes  de que essa prova caberia à autoridade lançadora.    Poderiam  os  impugnantes  ter  trazidos  elementos  de  prova  junto á peça  impugnatória que determinassem a não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  referido  bônus,  porém,  limitaram­se  apenas  a  alegar  que  tais  valores  estariam  enquadrados na norma de  isenção prevista no item 7 da alínea  e) do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991.    Não exercido o ônus da prova junto à impugnação, deve ser  mantido  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  que  incidiram sobre os valores de bônus anual registrados na folha  de pagamento da empresa. [...]"  Igualmente,  quanto  ao  auxílio  dependente  excepcional,  inobstante  reconhecermos  a  louvável  conduta  da  contribuinte,  não  podemos  afastar  a  tributação  de  tais  verbas exclusivamente com base na boa fé da empresa ou mesmo por analogia a outras verbas,  especialmente quando inexiste disposição legal para tanto.  Destarte,  a  única  verba  fora  do  alcance  da  incidência  das  contribuições  previdenciária  que  o  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  nº  8.212/91  contempla,  quando  concedida/estendidas aos dependentes, encontra­se inserida na sua alínea "t", relativamente ao  Fl. 51158DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     34 auxílio educacional, não cabendo ao aplicador da lei conferir interpretação extensiva ao que o  legislador ordinário não prescreveu.  No  mesmo  sentido,  cumpre  trazer  à  baila  excerto  da  decisão  de  primeira  instância, muito elucidativo ao deslinde da controvérsia, in verbis:  "[...]    Como visto acima, não se trata de assistência prestada  por  serviço  médico  ou  odontológico  da  empresa  ou  conveniados.  Também  não  se  trata  de  reembolso  de  despesas  com  medicamentos,  óculos  etc,  pois  se  assim  fosse, tal fato deveria ser comprovado por meio de recibos,  notas fiscais ou outro documento que indicassem esse tipo  de gasto no exato valor ao que foi pago pelo sujeito passivo  a  seus  empregados  a  título  de  auxílio  dependente  excepcional.    E  uma  vez  que  inexiste  previsão  legal  que  afaste  a  incidência de contribuições previdenciárias sobre esse tipo  de auxílio, conforme já se comentou no presente voto, deve  ser mantido lançamento referente ao pagamento de auxílio  dependente excepcional. [...]"  Com  efeito,  ao  admitir  a  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  as  verbas  retro,  pagas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais  em  total  afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º,  e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação  tributária, como acima demonstrado.  Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do  artigo  28,  §  9º,  da  Lei  n°  8.212/91,  não  integram  o  salário  de  contribuição  às  importâncias  recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso à interpretação de referida previsão legal  extensivamente,  de  forma  a  incluir  outras  verbas,  senão  aquela  (s)  constante  (s)  da  norma  disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer  amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da  empresa sem qualquer observância às normas legais.  Nessa  toada,  tendo  a  contribuinte  concedido  a  seus  segurados  empregados  e/ou  contribuintes  individuais  as  verbas  encimadas,  sem  levar  em  consideração  os  preceitos  legais  que  disciplinam  o  tema,  não  há  que  se  falar  em  não  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  referidas  importâncias,  por  se  caracterizarem  como  salário  de  contribuição, impondo a manutenção do feito.  C) CUSTEIO DE EDUCAÇÃO ­ REEMBOLSO EDUCACIONAL  Conforme  se  extrai  do  Relatório  Fiscal,  da  análise  da  contabilidade  da  contribuinte, constatou­se o pagamento aos funcionários destinado ao custeio de despesas com  educação, intitulada como "reembolso educacional" pela recorrente,   Com mais  especificidade,  o  nobre  fiscal  autuante  escorou  a  tributação  nas  seguintes razões:  "[...]  Fl. 51159DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 19          35 51  A empresa informou que referida conta é “utilizada para o  lançamento  de  diversos  tipos  de  reembolsos  como  idiomas,  graduação,  pós­graduação,  inscrições  em  cursos,  seminários  e  palestras  entre  outros,  incluindo  o  Educacional.  Dentre  os  valores  lançados  nesta  referida  conta,  elencamos  no  demonstrativo  anexo  apenas  os  colaboradores  que  foram  contemplados com o Reembolso Educacional no ano calendário  de 2009.”  52.  Pela  informação  da  empresa  além  do  reembolso  educacional a conta 3103354000 acolhe os registros de diversos  cursos, incluindo cursos de pós­graduação e idiomas.  53.  Por meio do TIF nº 8, ciência da empresa em 13/03/2013, a  empresa  foi  instada a apresentar  relação de beneficiários,  com  Nome/NIT/Competência/Valor pago e tipo de educação.  54.  Em  resposta  apresentou  planilha  com  as  informações  solicitadas, totalizando R$ 119.536,50, e não especificou qual o  tipo  de  ensino  disponibiliza  aos  beneficiários  do  Reembolso  Educacional.  55.  Desta  forma,  como  a  empresa  deixou  claro  que  além  do  Reembolso  Educacional  (cursos  de  graduação?),  reembolsa  despesas  com  cursos  de  idiomas  e  cursos  de  pós­graduação,  sendo  que  estas  despesas,  também,  não  são  alcançadas  pela  isenção  prevista  no  §9  do  artigo  28  da  Lei  8.212/91,  esta  fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições  previdenciárias  além  do  valor  informado  pela  Brasil  Telecom  com  o  Reembolso  Educacional,  também,  àquelas  despesas  informadas  na  conta  3103354000,  não  incluídas  no Reembolso  Educacional, e cujos beneficiários são pessoas físicas.  [...]  58.  O gasto do contribuinte com o custeio de cursos de idiomas,  de pós­graduação e reembolso educacional de seus empregados  é considerado fato gerador de contribuição previdenciária, uma  vez que os  valores despendidos  com referido benefício,  embora  relativos à despesa com educação, não se encontram alcançados  pela norma de isenção de que trata a alínea “t” do § 9o do art.  28  da  Lei  nº.  8.212/91,  que  prevê  parcela  não  integrante  do  salário  de  contribuição  do  segurado.  Portanto,  deve  compor  a  base de cálculo das contribuições previdenciárias.  [...]  59.  De  fato,  para  que  o  valor  despendido  com  educação  não  integre o salário­de­contribuição, devem ser atendidos, de forma  cumulativa,  os  requisitos  estabelecidos  pela  legislação,  quais  sejam:  a)  plano  educacional  que  caracterize  o  oferecimento  de  educação  básica  ou  de  cursos  de  capacitação  e  qualificação  profissional vinculados às atividades da empresa, b) o benefício  não  pode  substituir  parcela  salarial  e,  c)  disponibilidade  de  acesso a  todos os  empregados. E,  em  se  tratando de norma de  Fl. 51160DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     36 exceção  que  confere  isenção  tributária,  deve  ser  interpretada  restritivamente.  60.  Assim,  valor  concedido  aos  empregados  a  título  de  ressarcimento  de  despesas  com  custeio  de  cursos  de  pós­ graduação, de idiomas e reembolso educacional não é isento de  contribuições  previdenciárias,  sendo  considerado  salário  in  natura  e,  portanto,  na  qualidade  de  salário  indireto,  integra  o  salário­de­contribuição  do  segurado  empregado  para  fins  de  incidência das contribuições previdenciárias.  [...]" (grifamos)  Como se observa, a contribuinte  instada a se manifestar sobre o pagamento  do Reembolso Educacional, muito embora tenha apresentado planilha especificando parte das  informações  solicitadas,  deixou  de  esclarecer  qual  o  tipo  de  ensino  disponibiliza  aos  beneficiários do Reembolso Educacional.  Assim, em que pese ter informado que aludida verba comporta despesas com  cursos de  idiomas e cursos de pós­graduação, não especificou quais as  condições para o  seu  pagamento, bem como quais cursos precisamente são ofertados.  Em suas  razões  recursais,  pretende  a  contribuinte  seja  afastada  a  tributação  sobre aludida verba, argumentando que foram lançados os reembolsos com cursos de idiomas,  graduação,  pós­graduação,  inscrições  em  cursos,  seminários,  palestras,  entre  outros,  estando  completamente  equivocado  o  auditor  e  a  DRJ,  uma  vez  que  tais  valores  despendidos  pela  autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus  funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo  trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias,  conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores.  Constata­se  que  a  contribuinte,  ao  invés  de  melhor  aclarar  a  demanda,  colacionando aos autos as informações pertinentes a cada curso oferecido, com o destinatário, a  natureza do curso, etc, sobretudo objetivando subsumir o fato à norma isentiva, simplesmente  traz  à  colações  questões  de  direito  periféricas,  que  em  nada  contribuem  para  o  deslinde  da  controvérsia.  Ao contrário, ao buscar repousar sua pretensão em simples alegações de não  incidência de contribuições previdenciárias sobre o custeio educacional de seus funcionários, o  que é de conhecimento geral e consta da própria lei, deixou de proceder o mais importante, que  é a comprovação de que o auxílio educacional ofertado observa os pressupostos legais para fins  de não incidência dos tributos ora lançados.  Neste  sentido,  aliás,  fora  a  decisão  de  primeira  instância  ao  rechaçar  as  alegações da contribuinte, de onde peço vênia para transcrever parte e adotar como razões de  decidir:  "[...]    A  autoridade  lançadora  informou  que  a  autuada  apenas  apresentou planilha informando os valores pagos a cada um dos  segurados  beneficiados  a  título  de  reembolso  educacional,  deixando, contudo, de especificar, individualmente, qual seria o  tipo de curso freqüentado pelos segurados beneficiados (fl.85).  Fl. 51161DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 20          37   Os  impugnantes  também  não  trazem  documentos  que  possam comprovar que tipo de curso cada um de seus segurados  beneficiados pelo  referido reembolso  teriam  freqüentado, o que  impossibilita  saber  se  esses  pagamentos  poderiam  ser  enquadrados no dispositivo legal acima citado.    A mera alegação de que se  trataria de verba  indenizatória  também  não  é  suficiente  para  afastar  a  incidência  das  contribuições  previdenciárias,  pelos  motivos  que  já  foram  apontados no presente voto.    Destarte,  deve  ser  mantido  o  lançamento  em  relação  aos  pagamentos  registrados  na  contabilidade  como  reembolso  educacional.  [...]"  Nestes termos, muito embora não compartilhe com parte da conclusão fiscal,  que  dá  a  entender  que  cursos  de  pós­graduação  e  de  idiomas  não  estariam  abarcados  pela  norma  isentiva  em  comento,  por  não  se  caracterizarem  como  educação  básica  e/ou  capacitação profissional,  entendimento que  foge  à própria  essência da verba  sub examine,  o  certo é que a contribuinte em momento algum ofereceu condições/informação para se aferir se,  de fato, o benefício/auxílio por ela concedido encontra sob o manto dos preceitos do artigo 28,  § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991.  Nessa toada e, na linha do decidido no Acórdão recorrido, impende manter a  exigência de contribuições previdenciárias sobre a verba denominada Reembolso Educacional  ofertado pela contribuinte aos seus funcionários.  D) DIVERGÊNCIAS DE FOLHAS DE PAGAMENTO X GFIP  No entender deste Conselheiro, esta matéria  foi  tratada de forma conjugada  na  preliminar  de  nulidade  suscitada  pela  recorrente,  sobretudo  por  se  tratar  de  questão  de  pretenso erro na apuração de base de cálculo.  Portanto, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade  competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de  maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e  contraditório, sob pena de nulidade.  E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples  leitura  dos  anexos  das  autuações,  especialmente  o  “Fundamentos Legais  do Débito  – FLD”,  Relatório Fiscal e demais  informações  fiscais, não deixa margem de dúvida  recomendando a  manutenção dos lançamentos, especialmente quanto ao tópico ora em debate.  Dessa forma, as diferenças às quais a autoridade lançadora chamou de “folha  de pagamento não declarada em GFIP” se referem as diferenças nos valores de verbas que são  enquadradas como salário­de­contribuição.  A autuada teria todas as condições de refutar, um a um, os valores apurados  pela autoridade lançadora pois esta baseou seu trabalho na análise da folha de pagamento e da  GFIP  que  são  documentos  que  estão  sob  a  guarda  daquela,  no  entanto,  na  opinião  deste  Conselheiro,  a  falta  de  precisão  na  fundamentação  e  nos  argumentos  apresentados  pela  Fl. 51162DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     38 contribuinte,  além  de  anexar  mais  de  46  mil  laudas  de  documentos  "debandados",  não  são  suficientes para rechaçar a pretensão fiscal.  JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO  Sustenta, ainda, a recorrente que, em caso de procedência do lançamento, seja  excluída a  incidência de  juros sobre a multa de ofício, haja vista esta penalidade não retratar  obrigação principal, mas mero encargo que se agrega ao valor da dívida como forma de punir o  contribuinte. Além disso, a incidência dos juros sobre a multa carece de disposição legal que  lhe dê suporte.  Relativamente à matéria,  entendo assistir  razão à Recorrente.  Isso porque o  artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre a multa de oficio, mas apenas a  da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuições.  Dessa  forma, merece  guarida  a  pretensão  da  contribuinte,  consoante  restou  muito bem explicitado no voto vencido do Acórdão n° 9202­01.806, o qual me filio, da lavra  do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, exarado pela 2a Turma CSRF nos autos do processo n°  10768.010559/2001­19, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de  decidir, in verbis:  “[...]  Assim,  no  mérito,  a  discussão  no  presente  recurso  está  limitada  à  incidência  dos  juros  moratórios  equivalente  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  —  SELIC sobre a multa de oficio.  Tal  discussão  já  foi  examinada  pelo  antigo  Conselho  de  Contribuintes,  atual  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  em  diversas  oportunidades,  sendo  que  três  posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais  sejam:   ­ de que é possível a  incidência de  juros  sobre a multa de  ofício  a  partir  do  vencimento  do  prazo  da  impugnação,  sendo  que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC;   ­ de que é possível a  incidência de  juros  sobre a multa de  ofício  a  partir  do  vencimento  do  prazo  da  impugnação,  sendo  que tais juros devem ser calculados à razão de 1% ao mês; e   ­ de que não é possível a incidência de juros sobre a multa  de ofício.   Tanto  a  primeira  quanto  a  segunda  tese  admitem  a  incidência dos juros sobre a multa de ofício por entenderem que  o  artigo  161  do  Código  Tributário  Nacional  assim  autoriza,  divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem  calculados pela SELIC (Lei nº 9.430/1996) ou à razão de 1% ao  mês  nos  termos  do  enunciado  do  §1º  do  Código  Tributário  Nacional – CTN (1% ao mês).   Data  máxima  vênia,  entendo  que  nenhuma  das  duas  posições  é  a  que mais  se  coaduna  com  o  ordenamento  vigente  (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto).   Fl. 51163DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 21          39 Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do  CTN determina:   “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento  é  acrescido  de  juros  de  mora,  seja  qual  for  o  motivo  determinante  da  falta,  sem  prejuízo  da  imposição  das  penalidades  cabíveis  e da aplicação de quaisquer medidas  de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.   § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora  são calculados à taxa de um por cento ao mês.   § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de  consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para  pagamento do crédito.”   (original sem grifo)  O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros  sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”.   “Crédito”,  por  sua  vez,  é definido  no  artigo  139  do CTN,  que assim dispõe:   “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e  tem a mesma natureza desta.”   Obrigação  tributária,  por  fim,  vem  definida  no  art.  113,verbis:   “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória.   § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato  gerador,  tem  por  objeto  o  pagamento  de  tributo  ou  penalidade  pecuniária  e  extingue­se  juntamente  com  o  crédito dela decorrente.   § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária  e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela  previstas  no  interesse  da  arrecadação  ou  da  fiscalização  dos tributos.   §  3º  A  obrigação  acessória,  pelo  simples  fato  da  sua  inobservância,  converte­se  em  obrigação  principal  relativamente a penalidade pecuniária.”  A  questão  a  ser  enfrentada  é  a  possibilidade  dos  juros  de  mora incidirem sobre a multa de ofício, aplicada pela autoridade  fiscal  proporcionalmente  ao  tributo  lançado,  considerando  a  expressão “penalidade pecuniária” incluída no parágrafo 1º art.  113.   A meu ver a expressão “penalidade pecuniária” ali referida  é  a  penalidade  decorrente  da  inobservância  de  determinada  obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em  obrigação principal nos termos do parágrafo 3º do mesmo artigo  113.  Tal  expressão  jamais  poderia  ser  interpretada  como  a  Fl. 51164DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     40 penalidade  pecuniária  exigida  em  conjunto  com  o  tributo  não  pago,  até  porque  ficaria  desprovida  de  sentido  no  contexto  do  dispositivo.   Se  a  penalidade  (no  caso  a  multa  do  ofício)  já  estivesse  incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de  mora  nos  termos  do  artigo  161  do  mesmo  CTN,  não  haveria  razão  alguma  para  a  ressalva  final  constante  no  referido  dispositivo  no  sentido  de  que  o  crédito  deve  ser  exigido  “sem  prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”.   Outrossim,  com base  nessa mesma  interpretação,  poderia­ se,  inclusive,  cogitar  da  possibilidade  de  incidência  de  penalidade  (multa)  sobre  crédito  tributário  que  já  englobasse  tributo  e multa,  o que obviamente  caracterizaria um non  senso  jurídico.   Ademais,  cumpre  observar  que  o  conceito  de  juros  advém  do direito privado e,  conforme preceitua o artigo 110 do CTN,  quando as categorias de direito privado estão apenas referidas  na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado  para compreendê­las.   No  âmbito  do  direito  privado  os  juros  existem  para  indenizar  o  credor  pela  inexecução  da  obrigação  no  prazo  estipulado.  Já  a  multa  não  serve  para  repor  ou  indenizar  o  capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação.   Assim,  se  os  juros  remuneram  o  credor  (no  caso  o Fisco)  pela privação do uso de seu capital devem eles  incidir somente  sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a  multa de ofício, que tem caráter punitivo.   A  vocação  da  multa,  já  suficiente  severa,  é  punir  o  descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não  recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser “corrigida” é  ignorar  que  a  legislação  tributária  brasileira  extinguiu  a  correção  monetária  desde  1995,  sendo  preocupação  freqüente  das  administrações  tributárias  que  se  seguiram  evitar  a  indexação  automática  própria  dos  regimes  inflacionários  que  foram extremamente prejudiciais à economia brasileira.   Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o CTN  não  autoriza  a  cobrança  de  juros  de  mora  sobre  a  multa  de  ofício  aplicada  proporcionalmente  ao  tributo,  ficando  prejudicada a discussão acerca do índice aplicável.   Por  outro  lado  e  à  guisa  de  argumentação,  ainda  que  se  entendesse  que  o CTN  autoriza  a  incidência  de  juros  de mora  sobre  a  multa  de  ofício,  mister  se  faz  analisar  a  legislação  ordinária  em  vigor  no  período  em  que  a  multa  exigida  foi  aplicada.   Nesse sentido, argumenta­se que a exigência de juros sobre  a  multa  aplicada  proporcionalmente  estaria  amparada  no  art.  61, §3º da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece:   “Art.  61.  Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Fl. 51165DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 22          41 Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada à taxa de  trinta e  três centésimos por cento, por  dia de atraso   (...)  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo,  incidirão  juros de mora calculados à  taxa a que se  refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.”  Do  exame  do  dispositivo  resulta  que  os  débitos  a  que  se  refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições  mencionados no caput.   Decorrente  é  aquilo  que  se  segue,  que  é  conseqüente.  De  fato  o  não  pagamento  de  tributos  e  contribuições  nos  prazos  previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras,  o débito decorre do não pagamento de  tributos  e  contribuições  nos prazos.  A  multa  de  oficio  não  é  débito  decorrente  de  tributos  e  contribuições. Ela decorre, nos exatos  termos do art. 44 da Lei  n°9.430/96,  da  punição  aplicada  pela  fiscalização  às  seguintes  condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e  contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de  multa moratória;  e  b)  falta  de  declaração  e nos  de declaração  inexata.  Os  débitos  de  tributos  e  contribuições  e  de  multas  (penalidades)  têm  causas  diversas,  não  se  confundindo  nos  termos  do  art.  3º  do  CTN.  Enquanto  os  débitos  de  tributos  e  contribuições  decorrem  da  prática  dos  respectivos  fatos  geradores,  as multas  decorrem  de  violações  à  norma  legal,  no  caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal.   Ao  utilizar  a  expressão  “os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”  a  Lei  nº  9.430/96  somente  pode  estar  aludindo  a  débitos  não  lançados,  visto  que  está  normatizando  a  incidência  sobre  estes  da  multa  de  mora,  sendo  ilógico  entender  que  ali  se  contém  a  multa  de  ofício  lançada proporcionalmente.   Ademais,  caso  a  expressão “débitos”  constante  do art.  61  contemplasse  o  principal  e  a  multa  de  ofício,  seria  imperioso  admitir  que  a  multa  de  ofício,  caso  não  paga  no  vencimento,  sofreria também o acréscimo de multa de mora,  tendo em vista  que o caput do dispositivo expressamente dispõe que “ os débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  cujos  fatos  geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos  nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de  Fl. 51166DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     42 multa de mora, calculados a  taxa de trinta e três centésimos por  cento, por dia de atraso.”   Realmente,  este  seria  o  resultado  da  interpretação  do  parágrafo 3º do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que  determina  o  “caput”.  Seguindo  este  raciocínio  ter­se­ia  que  admitir  que  também  sobre  os  juros  de mora,  que  se  incluiriam  nos  “débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”, novamente pudessem ser exigidos  juros e multa  de  mora,  o  que  indica  data  venia  a  improcedência  da  interpretação.   Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam  os dispositivos ­ literal, teleológica ou sistemática – entendo que  a  melhor  exegese  é  aquela  que  autoriza  a  incidência  de  juros  somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o  valor  da  multa  de  ofício  lançada,  até  porque  referido  artigo  disciplina os acréscimos moratórios  incidentes sobre os débitos  em atraso que ainda não foram objeto de lançamento.   O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal ­ Lei  9.430/1996  ­  é  absolutamente  coerente  com  a  interpretação  do  art.  61  desenvolvida  acima  e  corrobora  a  conclusão.  Prevê  o  referido  dispositivo  a  incidência  de  juros  de  mora  sobre  as  multas e os juros cobrados isoladamente, verbis:   “Art.  43.  Poderá  ser  formalizada  exigência  de  crédito  tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros  de mora isolada ou conjuntamente.   Parágrafo  único  –  Sobre  o  crédito  constituído  na  forma  deste artigo, não pago no respectivo vencimento,  incidirão  juros de mora, calculados à  taxa a que se refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento”.  Ora,  se  a  expressão  “débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições”  constante  no  “caput”  do  artigo  61  contemplasse  também  a  multa  de  ofício,  não  haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do  artigo  43  supra  transcrito,  posto  que  a  incidência  dos  juros  sobre  a  multa  de  ofício  lançada  isoladamente  nos  termos  do  “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61.   Em face das considerações acima, concluo que não há, seja  em  lei  complementar  (CTN)  seja  na  legislação  ordinária,  interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo  ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a  multa de ofício lançada proporcionalmente.  Os  fundamentos  acima  também  foram  adotados  pela  Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão  n.  9101­00.722,  de  08  de  novembro  de  2010,  Relatora  a  Conselheira  Karem  Jurendini  Dias,  que  concluiu  pela  não  incidência de juros de mora sobre a multa de ofício:  JUROS  DE  MORA  SOBRE  MULTA  DE  OFÍCIO  ­  INAPLICABILIDADE –  Fl. 51167DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 23          43 Os juros de mora só incidem sobre o valor do  tributo, não  alcançando o valor da multa oficio aplicada.  No  presente  caso,  os  paradigmas  apresentados  pela  Recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre  a multa de ofício, limitando­os entretanto ao patamar mensal de  1% ao mês.  Embora  o  entendimento  manifestado  no  presente  voto  resultaria  em  provimento  do  recurso  voluntário  em  maior  extensão  (exclusão  completa  da  incidência  de  juros  de  mora  sobre  a multa  de  ofício),  deve  o  resultado  ater­se  ao  limite  da  pretensão  recursal  ora  examinada,  devendo  o  recurso  ser  conhecido e provido nesta extensão.”  Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõe­se afastar a  incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta  falta de previsão legal.  DA RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES  Opõe­se, ainda, a contribuinte à autuação inferindo que os administradores da  empresa não podem ser responsabilizados pelos débitos da pessoa jurídica com o fisco, face a  inexistência  dos  requisitos  necessários  para  tanto,  insculpidos  no  artigo  135,  inciso  III,  do  CTN.  Sem razão a recorrente!!  Isto  porque,  a  matéria  objeto  de  julgamento  nesta  assentada  refere­se  à  procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual  crédito  tributário  definitivamente  constituído,  após  decisão  administrativa  transitada  em  julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade.  A  questão  suscitada  pela  contribuinte  poderá  ser  objeto  de  apreciação  em  outras oportunidades, por exemplo, na execução fiscal, obedecidas as normas procedimentais  deste processo, não merecendo aqui  fazer maiores considerações  relativas a  responsabilidade  pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora  recorrente.  Ademais,  na  hipótese  contemplada  nestes  autos,  além  de  não  se  responsabilizar  diretamente,  ainda,  qualquer  outra  pessoa  pela  falta  do  recolhimento  das  contribuições  ora  lançadas,  consoante  se  infere  do  anexo  “RELATÓRIO DE VÍNCULOS”,  inexiste  atribuição  da  sujeição  passiva  pelo  crédito  tributário  em  discussão  àquelas  pessoas,  uma  vez  que  o  lançamento  fora  efetuado  contra  a  empresa  e  não  contra  eles.  Conforme  se  verifica  da  autuação,  são  os  sócios,  tão  somente  co­responsáveis  pelos  créditos  constituídos,  não  se  cogitando na  ilegalidade  de  tal  procedimento  por  encontrar  respaldo  na  legislação  de  regência, como restou claro na decisão de primeira instância, devendo ser mantido o feito na  forma ali decidida.  Aliás,  a  jurisprudência  deste Colegiado,  consagrada  pela  Súmula CARF  n°  88, é por demais enfática ao afirmar que a simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos  Fl. 51168DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     44 CORESP não implica em responsabilidade pessoal – sujeição passiva – de tais pessoas físicas,  não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, como segue:  “Súmula  CARF  nº  88:  A  Relação  de  Co­Responsáveis  ­  CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e  a  “Relação  de  Vínculos  –  VÍNCULOS”,  anexos  a  auto  de  infração  previdenciário  lavrado  unicamente  contra  pessoa  jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali  indicadas  nem  comportam  discussão  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  fiscal  federal,  tendo  finalidade  meramente  informativa.”  Neste sentido, inexiste razão para maiores disceptações a respeito da matéria,  mormente  em  razão  das  Súmulas  do  CARF  vincularem  seus  julgadores,  não  prosperando,  portanto, a pretensão da contribuinte.  No  que  tange  a  jurisprudência  trazida  à  colação  pela  recorrente,  mister  elucidar,  com  relação  às  decisões  exaradas  pelo  Judiciário,  que  os  entendimentos  nelas  expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão  dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha  se manifestado em definitivo a respeito do tema.  Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui  tecer maiores  considerações,  uma  vez  não  serem  capazes  de  ensejar  a  reforma  da  decisão  recorrida,  no  mérito,  especialmente quando desprovidos de qualquer amparo  legal ou  fático,  bem como  já  devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância.  Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em  dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE:  1)  CONHECER  DO  RECURSO  DE  OFÍCIO  E  NEGAR­LHE  PROVIMENTO,  mantendo  o  Acórdão  de  primeira  instância,  na  parte  recorrida,  em  sua  integralidade, pelos seus próprios fundamentos;  2) CONHECER DO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de nulidade do  lançamento  e  de  realização  de  perícia  e,  no mérito,  DAR­LHE  PROVIMENTO  PARCIAL,  para  afastar  a  tributação  do Aviso  Prévio  Indenizado,  bem  como  a  caracterização  do Grupo  Econômico de Fato,  rechaçando,  ainda,  a  incidência dos  juros  sobre a multa de ofício,  pelas  razões de fato e de direito acima esposadas.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Rayd Santana Ferreira      Fl. 51169DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/2013­15  Acórdão n.º 2401­004.471  S2­C4T1  Fl. 24          45 Voto Vencedor  Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO  Ao  contrário  do  que  entende  o  recorrente  e  o  relator,  incide  juros  de mora  sobre a multa de ofício.  O CTN, no art. 161, dispõe que:  Art.  161.  O  crédito  não  integralmente  pago  no  vencimento  é  acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante  da  falta,  sem prejuízo da  imposição das penalidades cabíveis  e  da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta  Lei ou em lei tributária.  A Lei 9.430/96, art. 61, determina:  Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e  contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de  1º  de  janeiro  de  1997,  não  pagos  nos  prazos  previstos  na  legislação  específica,  serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e  três centésimos por cento, por dia de atraso.  [...]  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros  de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento  do  prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no  mês de pagamento.  O  conceito  de  crédito  tributário  abrange  a  multa  de  ofício,  portanto,  não  efetuado  o  pagamento  no  prazo  legal,  incide  juros  de  mora  sobre  o  principal  e  a  multa  de  ofício.  No mesmo sentido, manifestou­se a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no  processo 10980.723322/2015­82, Acórdão 9202­004.250, de 23/6/16, com a seguinte ementa:  JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.  A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de  ofício  proporcional,  e  sobre  o  crédito  tributário  constituído,  incluindo  a  multa  de  ofício,  incidem  juros  de  mora,  devidos  à  taxa Selic.  CONCLUSÃO  Fl. 51170DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI     46 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a  incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.  (assinado digitalmente)  Miriam Denise Xavier Lazarini                    Fl. 51171DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI

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