Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,163)
- Segunda Câmara (27,788)
- Primeira Câmara (25,081)
- Segunda Turma Ordinária d (16,974)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,917)
- Primeira Turma Ordinária (15,574)
- Segunda Turma Ordinária d (15,488)
- Primeira Turma Ordinária (15,372)
- Primeira Turma Ordinária (15,338)
- Segunda Turma Ordinária d (14,081)
- Primeira Turma Ordinária (12,847)
- Primeira Turma Ordinária (12,091)
- Segunda Turma Ordinária d (12,086)
- Quarta Câmara (11,512)
- 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (11,175)
- Quarta Câmara (82,948)
- Terceira Câmara (64,562)
- Segunda Câmara (53,095)
- Primeira Câmara (17,703)
- 3ª SEÇÃO (15,917)
- 2ª SEÇÃO (11,175)
- 1ª SEÇÃO (6,730)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (118,724)
- Segunda Seção de Julgamen (111,224)
- Primeira Seção de Julgame (73,662)
- Primeiro Conselho de Cont (49,048)
- Segundo Conselho de Contr (48,858)
- Câmara Superior de Recurs (37,418)
- Terceiro Conselho de Cont (25,941)
- IPI- processos NT - ressa (4,994)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,054)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,858)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,236)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,744)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,068)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,335)
- HELCIO LAFETA REIS (3,250)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,194)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,817)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,595)
- WILDERSON BOTTO (2,539)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,385)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,803)
- 2019 (30,948)
- 2018 (26,045)
- 2024 (25,876)
- 2012 (23,621)
- 2023 (22,462)
- 2014 (22,374)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,837)
- 2025 (16,302)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,017)
Numero do processo: 16327.720663/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
ÁGIO EM INVESTIMENTO. AMORTIZAÇÃO. PRESENTES OS REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE.
É permitida a amortização do ágio quando a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, em conformidade com as disposições do art. 386, inc. III, do RIR/99.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
CSLL. BASE DE CÁLCULO. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL
A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos em lei. A base de cálculo do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL, nem mesmo as regras previstas no Decreto-Lei n° 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem assim as regras previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
À inexistência dos fatos impositivos previstos em lei, afasta-se o cabimento da multa de ofício e por consequência os juros de mora.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO.
É improcedente a alegação de ocorrência de preclusão do poder de o Fisco questionar fatos passados que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, tal como sucedido no presente caso.
Impugnação Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1302-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Rui Barreto, OAB/SP 157.658 e pela Fazenda Nacional o procurador Marco Aurélio Zortea Marques.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009, 2010 ÁGIO EM INVESTIMENTO. AMORTIZAÇÃO. PRESENTES OS REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE. É permitida a amortização do ágio quando a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, em conformidade com as disposições do art. 386, inc. III, do RIR/99. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2009, 2010 CSLL. BASE DE CÁLCULO. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos em lei. A base de cálculo do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL, nem mesmo as regras previstas no Decreto-Lei n° 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem assim as regras previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. À inexistência dos fatos impositivos previstos em lei, afasta-se o cabimento da multa de ofício e por consequência os juros de mora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. É improcedente a alegação de ocorrência de preclusão do poder de o Fisco questionar fatos passados que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, tal como sucedido no presente caso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.720663/2014-13
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5628922
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.954
nome_arquivo_s : Decisao_16327720663201413.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROGERIO APARECIDO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 16327720663201413_5628922.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Rui Barreto, OAB/SP 157.658 e pela Fazenda Nacional o procurador Marco Aurélio Zortea Marques. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix
dt_sessao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6481722
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048686486880256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2001; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720663/201413 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.954 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria Amortização de Ágio Recorrente ALVORADA CARTOES, CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 ÁGIO EM INVESTIMENTO. AMORTIZAÇÃO. PRESENTES OS REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE. É permitida a amortização do ágio quando a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, em conformidade com as disposições do art. 386, inc. III, do RIR/99. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 CSLL. BASE DE CÁLCULO. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL A base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos em lei. A base de cálculo do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL, nem mesmo as regras previstas no DecretoLei n° 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem assim as regras AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 63 /2 01 4- 13 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 3 2 previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. À inexistência dos fatos impositivos previstos em lei, afastase o cabimento da multa de ofício e por consequência os juros de mora. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. É improcedente a alegação de ocorrência de preclusão do poder de o Fisco questionar fatos passados que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, tal como sucedido no presente caso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Calheiros Soriano, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Ana Paula Rui Barreto, OAB/SP 157.658 e pela Fazenda Nacional o procurador Marco Aurélio Zortea Marques. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix Relatório Fl. 570DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 4 3 Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pela contribuinte face ao Acórdão nº 3261.694 da 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte MG, cuja ementa a seguir transcrita refere à dedução (IRPJ e CSLL) das despesas de amortização do ágio gerado originalmente na aquisição do Banco do Estado do Ceará (BEC) pelo Banco Bradesco (Bradesco) e posteriormente transferido para a impugnante: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 ÁGIO EM INVESTIMENTO. AMORTIZAÇÃO. REQUISITOS PARA DEDUTIBILIDADE. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, a teor do disposto no art. 391 do RIR/99. A possibilidade de deduzilo prevista no art. 386, III, do RIR/99 referese estritamente à hipótese em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. Não configurada tal hipótese, não é permitida a dedução. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2009, 2010 CSLL. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. A adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição. LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009, 2010 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 5 4 DECADÊNCIA. FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. FISCALIZAÇÃO. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados quando eles repercutirem em lançamentos contábeis de exercícios futuros, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora calculados pela taxa Selic, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Na forma sintetizada pela DRF, o ágio em questão foi gerado a partir da seguinte operação: o Banco Bradesco S.A. (Bradesco) desembolsou com as compras de ações do Banco do Estado do Ceará S.A. (BEC) um valor total de R$ 787.066.762,23. O valor patrimonial das ações adquiridas era de R$ 85.385.961,27, tendo sido apurado um ágio no Valor de R$ 668.034.512,70 (...) Os trabalhos de avaliação econômicofinanceira do BEC foram realizados pelo Consórcio formado pelas empresas de auditoria Deloitte e BDO Trevisan e pelos escritórios de advocacia Souza Campos e Zalcberg, conforme Contrato Bacen/PND n° 03/2001. O consórcio citado avaliou o BEC utilizandose da combinação dos três métodos mais utilizados no mercado: lucratividade (rentabilidade futura), ativos e mercado" (fls. 6 e 7, do TVF). A recorrente foi notificada do acórdão da DRJ, em 26/11/2014 (fl. 408) e regularmente representada (procuração e substabelecimentos, às fls. 223/228; estatuto social e atas de assembléias gerais, às fls. 224/249), interpôs recurso voluntário em 23/12/2014 (fls. 411/491), cujas razões resumidamente exposta a seguir. Decadência Preliminarmente, alega decadência do direito de o Fisco questionar os valores de ágio amortizados pela recorrente em 2009 e 2010 (IRPJ e CSLL), pelo fato de ter sido intimado somente em 06/08/2014 (fl. 140) do auto de infração que glosou ágio gerado em 21/12/2005, 31/01/2006 e 22/05/2006, datas em que o Bradesco adquiriu ações (99,54%) de emissão do BEC e registrou ágio de R$ 668.034.512,70. Sustenta que o ágio passou a produzir efeitos tributários a partir de 30/11/2006 e, por considerar aquela data como o termo inicial, alega que teria transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que propiciou o surgimento do ágio em 2005 e 2006 e a ciência dos autos de infração em questão (06/08/2014). Argumenta que esse entendimento estaria respaldo pelo artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 6 5 A síntese da tese sobre decadência sustentada pela recorrente, portanto, foi apresentada nos seguintes termos: Assim, considerandose que os "fatos geradores" do IRPJ e da CSLL correspondem, em síntese, à obtenção de resultados que provocam acréscimo patrimonial, a contagem do prazo decadencial em relação aos referidos tributos deve ter início a partir do momento em que os fatos jurídicos tributários formadores deste acréscimo patrimonial forem reconhecidos. Ou seja, no presente caso, a partir do fato jurídico impugnado (origem do ágio). Com esse entendimento em relação à contagem do prazo decadencial para o início da fiscalização a recorrente requer o acolhimento de preliminar para que seja declarada a nulidade do auto de infração em questão. Mérito Dedução das Amortizações de Ágio No mérito, a recorrente apresenta suas razões de recurso, à frente relatadas, com o objetivo de obter a reforma dos seguintes entendimentos e conclusões da DRF, ratificados pela DRJ no acórdão recorrido: a) as condições estipuladas nos artigos 7º e 8º da Lei n° 9.532/97 não estavam presentes no processo de reorganização societária da recorrente. Isto porque a operação negocial/societária que deu ensejo ao ágio foi a aquisição do Banco BEC pelo Banco Bradesco; b) a regra especial dos artigos 7° e 8° só poderia ser aplicada se os fenômenos de absorção patrimonial tivessem ocorrido entre eles (Bradesco e BEC). Não existe previsão legal que autorize o aproveitamento deste 'benefício fiscal' por pessoas jurídicas outras que não tivessem sido agentes do negócio jurídico de aquisição de participação societária, quer como adquirente, quer como adquirida. Nem tampouco existe previsão para que um investimento adquirido apenas indiretamente, como foi o caso da Alvorada ao final de um processo de planejamento tributário amortizar tal ágio indireto; c) a operação inicial (aquisição de ações do BEC pelo Bradesco) foi efetuada entre partes independentes, tendo o adquirente efetivamente pago nas aquisições valor superior ao patrimônio líquido, decorrendo daí um ágio. A regra especial prevista no art. 7° da Lei n° 9.532/97 somente poderia ser aplicada se a absorção patrimonial tivesse ocorrido entre eles (fl. 14 do acórdão); d) em virtude da inexistência de previsão legal que autorizasse o aproveitamento do benefício fiscal por pessoas jurídicas outras que não o adquirente ou o adquirido, não há a possibilidade de transferência de ágio. Assim, a recorrente teria amortizado indevidamente o ágio pago na aquisição do Banco do Estado do Ceará S.A. (BEC) pelo Banco Bradesco S.A. (Bradesco); Fl. 573DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 7 6 e) concluiu que a amortização do ágio na Alvorada Cartões não atende aos requisitos de dedutibilidade dos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97, devendo ser adicionada de ofício ao lucro líquido na determinação das bases tributáveis de IRPJ e da CSLL (fls. 9 e 10, do TVF). Tese de Defesa da Recorrente Em defesa, a requerente apresenta os fatos e fundamentos a seguir sintetizados: a) o ágio em questão teve origem em operação com efetivo pagamento à União Federal (que recebeu o preço integral à vista fls. 14 do acórdão), motivo pelo qual a sua amortização fiscal é um direito a ser garantido à recorrente; b) 7/03/2005 edital de Abertura do Processo de Alienação das Ações do Capital Social do Banco BEC, então controlado pela União: a sua aquisição permitiu ao Grupo Bradesco ampliar a sua participação no Estado do Ceará, principalmente no seu interior, onde possuía penetração reduzida. Este fator contribuiu para que o Grupo Bradesco alavancasse a sua posição, de forma similar ao que já havia ocorrido nos Estados da Bahia, Maranhão e Amazonas; c) 21/12/2005 aquisição pelo Bradesco, de ações detidas pela União Federal correspondentes a 89,71% do capital social do Banco BEC, pelo valor total de R$ 700 milhões. Informa que entre as empresas do grupo, somente o Bradesco atendia as exigências do edital, quanto existência à capacidade econômicofinanceira, sem a necessidade de integralização de capital, o que, caso ocorresse, poderia prejudicar o sigilo do lance; d) a amortização fiscal do ágio certamente é considerada na composição do preço oferecido por qualquer concorrente na aquisição de uma empresa em processo de privatização, como um fator de incentivo ao pagamento de maiores preços; e) 31/01/2006 Bradesco adquire mais 44.982 ações do BEC, por R$381.854,98 (nova aquisição com ágio); f) 11/04/2006 Bradesco registra Oferta Pública de Aquisição (OPA) de Ações Ordinárias e Preferenciais de emissão do Banco BEC. Informa que, assim procedendo, teria seguido os estritos parâmetros do mercado de capitais; g) 22/05/2006 Bradesco adquire 9.433.507 ações ON e 109.721 ações PN do BEC por meio da OPA, pelo valor de R$86.684.907,25 (nova aquisição com ágio); h) ao final do referido processo, o Bradesco passou a ser detentor de 99,54% das ações do BEC a um custo total de R$787.066.762,23 Fl. 574DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 8 7 (diminuído do montante de R$ 33.646.288,26 correspondente ao deságio dos títulos utilizados na aquisição), desmembrado em R$85.385.961,72 de patrimônio líquido e R$ 668.034.512,70 de ágio pago com fundamento econômico na expectativa de rentabilidade futura da instituição financeira adquirida; i) 14/09/2006 Bradesco adquire quotas da Oregon Holding Ltda. ("Oregon") detidas pela empresa União Participações que se retirou da sociedade. No mesmo instrumento, foi deliberado o aumento de capital da Oregon de R$ 6.000,00 para R$ 2.985.387.129,00 subscritos pelo Banco e integralizado mediante conferência de (i) ações do Banco Mercantil de São Paulo S/A avaliadas a valor contábil; e (ii) ações do BEC também avaliadas a valor contábil; j) informa que, de fato a transferência do investimento adquirido em processo de privatização, com o respectivo ágio que o acompanhou, foi prática comum em quase todos os casos de aquisições no Brasil, não só no setor financeiro, como também nos demais setores (energia, telecomunicações etc); k) 22/09/2006 a recorrente realizou a incorporação de ações da Oregon, que passou a ser sua subsidiária integral; l) informa que tal incorporação teria sido uma etapa preparatória e intermediária para a consolidação do investimento, pois a recorrente foi a empresa escolhida pelo Grupo Bradesco para receber a participação societária no BEC. Tratavase de uma empresa operacional; m) que por ser vedado o aumento de capital em instituições financeiras mediante conferência de bens/ações, o Bradesco não integralizou diretamente as ações do BEC na Alvorada Cartões (Lei n° 4.595/64, arts. 26, 27 e 28; Circ. Bacen n° 2.750 e Circ, Cosif n° 1.273, o aumento de capital em uma instituição financeira somente pode ser feito em moeda corrente ou por meio de incorporação de reservas e de reavaliação de parcela dos bens do ativo imobilizado. Não há previsão de uso de ações para a integralização em aumento de capital de empresas financeiras); n) 29/09/2006 a recorrente incorpora a Oregon. Assim, passou a ser a detentora do investimento no BEC, com o respectivo ágio. Ressalta que, nesta operação teria ocorrido a consolidação do investimento e correspondente ágio em uma empresa distinta do Bradesco; que esse procedimento seria necessário por questões regulatórias e administrativas; que nesse passo, teria cumprido o propósito negocial pretendido pelo Grupo Bradesco quando da aquisição do Banco BEC. Frisa que, a esse respeito não há uma linha sequer no acórdão recorrido; Fl. 575DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 9 8 o) 30/11/2006 a recorrente incorpora o BEC. A partir daí, passou a deduzir (IRPJ e CSLL) as amortizações do ágio. Fundamentos Econômicos Após descrever os passos havidos até o início da amortização fiscal do ágio em questão, a recorrente passou a expor os motivos de fato e de direito pelos quais teria adotado tais movimentos societários, os quais sintetizamos conforme segue: a) os interessados na aquisição de ações do BEC deveriam comprovar a capacidade econômicofinanceira equivalente a, no mínimo, R$718 milhões (item 2.4, "a" do Edital de Abertura de Processo de alienação das ações do Banco BEC); b) a recorrente não possuía as requeridas condições patrimoniais. Juntou seus balanços patrimoniais de 2004 e 2005 (Doc. 07 da impugnação). A recorrente só participaria do leilão se recepcionasse um aporte de capital no montante supracitado; c) o aumento de capital da recorrente foi descartado, pois caso o Bradesco aportasse recursos em capitalização da recorrente, restaria evidente para os demais concorrentes qual seria a proposta a ser apresentada. O sigilo estaria quebrado; d) esse teria sido o motivo de o Bradesco ter sido escolhido, dentre o Grupo, eis que atendia ao requisito referente à capacidade econômico financeira mínima, prevista no Edital, à época do leilão de privatização; e) o planejamento estratégico do Grupo Bradesco não previa o desenvolvimento de todas as atividades operacionais diretamente pelo Bradesco, pois isto ampliaria, demasiadamente, os riscos operacionais da instituição, com a possibilidade, inclusive, de "contaminação dos negócios", em virtude de passivos contingentes existentes na empresa adquirida; f) isto porque, tratouse da aquisição de uma empresa de grande porte, com gestão e administração próprias e, por exemplo, com diversas questões fiscais e operacionais que, caso houvesse a incorporação, teriam que ser resolvidas pelo adquirente (Bradesco); g) a título exemplificativo dos riscos que poderiam surgir para o Bradesco, a recorrente citou o fato de que o BEC teve "um rombo" de mais de R$ 900 milhões apurado antes do processo de aquisição pelo Grupo Bradesco; h) informa que a utilização de uma empresa de participações, a Oregon Holding, revelouse necessária, como uma etapa intermediária, para que a recorrente recepcionasse legalmente as ações do Banco BEC e do Banco Mercantil S/A, adquiridas originalmente pelo Bradesco, já que, na forma Fl. 576DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 10 9 retro exposta, não era permitido o aumento de capital em instituições financeiras mediante conferência de bens/ações; i) informa que a Holding teve por finalidade deter os investimentos e legitimar a sua transferência para a recorrente. Alegou, assim, que era irrelevante a afirmação feita pelo Agente Fiscal no sentido de que: "embora a Oregon tenha sido constituída em fevereiro de 1993, as informações constantes nos sistemas da Secretaria da Receita Federai do Brasil não demonstram que a empresa tivesse qualquer atividade operacional expressiva, ou até funcionários contratados até a data do aumento do capital." (fls. 3 do TVF); j) sustenta que, de fato, a Oregon foi a empresa utilizada pelo Grupo Bradesco para recepcionar não só o investimento no Banco BEC como também no Banco Mercantil S/A de forma a não "contaminar" o Bradesco com eventuais contingências decorrentes das aquisições, sendo este, portanto, o seu propósito específico; k) alega que, após a integralização das ações do BEC na Oregon Holding, tornouse possível transferir o investimento à recorrente (por meio da incorporação societária da Oregon). Ressalta que, por questões estritamente econômicas e empresariais, teria sido a empresa plenamente operacional escolhida pelo Grupo Bradesco para controlar e incorporar o Banco BEC. Justifica que, tudo teria sido realizado em consonância às disposições regulatórias do Bacen, acerca de tais operações; l) ressalta que o aproveitamento fiscal de dedutibilidade do ágio gerado na aquisição foi mera consequência legal dos atos societários praticados. Frisa que, houve o mesmo efeito fiscal que seria gerado caso a amortização tivesse sido realizada diretamente pelo Banco Bradesco S/A. Destacou que essa hipótese foi admitida como válida, pelo Agente Fiscal e pela própria DRJ; m) sustenta que as transferências do investimento, acompanhado do respectivo ágio, realizadas no presente caso são legítimas, estando plenamente amparadas pela legislação de regência, em vigor à época dos fatos, e pela recente jurisprudência administrativa no âmbito das privatizações; que os requisitos previstos nos artigos 7ºe 8º a Lei n° 9.532/97 foram devidamente cumpridos, de modo que o procedimento adotado (transferências do ágio e sua posterior amortização pela Recorrente) não só está em conformidade com as legislações fiscais e societárias vigentes à época, mas também com as decisões do CARf; n) afirma que a Lei n° 9.532/97 não restringe a transferência do ágio, como entenderam a DRF e DRJ. Sustente que a lógica da permissão da dedutibilidade do ágio, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, nada mais é do que o Fl. 577DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 11 10 reconhecimento de que o ágio deverá, sempre, acompanhar o investimento que lhe é subjacente o qual justificou seu pagamento; o) como explicação ao entendimento acima, a recorrente apresenta os seguintes argumentos.: o valor pago com base na expectativa de rentabilidade futura, como ocorreu nos presentes autos, está intrinsecamente associado à expectativa de lucros futuros gerados por determinado investimento, motivo pelo qual a sua amortização darseá em contrapartida dessa expectativa de lucros a serem gerados e tributados. Citou o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações FIPECAFI: "O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. (...)" p) diz que, por esse motivo, seria coerente, do ponto de vista econômico que o valor do ágio esteja contabilizado na mesma pessoa jurídica que é detentora do investimento, pois só assim será possível a amortização desse ágio contra os lucros futuros que o justificaram; q) que pelo fato de que (i) a operação de compra e venda do BEC ter ocorrido entre partes independentes em meio ao processo de privatização; (ii) houve o pagamento integral em dinheiro e (iii) a formação do ágio em nenhum momento foi questionada pela Autoridade Fiscal e pela DRJ, seria devida a aplicação, neste caso, do entendimento já pacificado no CARF, quanto à possibilidade de transferência de ágio, nos casos de transferência de ágio de privatizações (registrou que a DRJ não se manifestou sobre os precedentes do CARF colacionado em sua impugnação); r) nessa linha, a recorrente cita casos julgados pelo CARF, como Banco Santander S/A, Companhia Energética de Pernambuco CELPE, Companhia Energética do Rio Grande do Norte COSERN, Vivo S/A, Tele Norte Leste Participações S/A; Tim Celular S/A; e Energisa, no quais o ágio gerado na operação original transferido e amortizado fiscalmente por outra pessoa jurídica que não a adquirente ou adquirida foi considerado legítimo; s) afirmou que não se pode aceitar que em defesa de uma formalidade que sequer está prevista na legislação pátria necessidade de amortização do ágio apenas pelo adquirente "original" criada pelo Agente Fiscal e pela DRJ, o ágio validamente originado, em face de expressivo pagamento de preço à União Federal, deva ser desconsiderado; Fl. 578DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 12 11 t) salienta que demonstrou que na "operação direta" sugerida pelo Agente Fiscal e pela DRJ, o efeito tributário seria exatamente o mesmo: a amortização do ágio pago pelo Bradesco em razão da aquisição e posterior incorporação do Banco BEC; que se as operações fossem realizadas "diretamente", o efeito fiscal seria exatamente o mesmo que foi objeto de glosa: dedutibilidade do ágio gerado na aquisição do Banco BEC, motivo pelo qual espera que o CARF não mantenha tal decisão; u) afirma que mesmo com aplicação da doutrina e jurisprudência mais restritas acerca dos limites para a realização de operações que tenham efeitos tributários, a presente operação seria válida, uma vez que (i) está demonstrada claramente a congruência entre o motivo e a finalidade da operação pretendida pelo Grupo Bradesco, que não era predominantemente tributária (gerar economia fiscal); e (ii) as operações realizadas inseremse evidentemente no contexto do planejamento estratégico do Grupo Bradesco no Brasil. Novo Ágio Ainda em defesa da dedutibilidade fiscal da amortização do ágio em questão, a recorrente alega, alternativamente, que também seria adequado se considerar a integralização de capital na Oregon como um novo ágio, conforme a seguir resumido: a) sustenta que a integralização de capital é uma espécie de aquisição e que, pelo fato de o valor conferido às ações no ato de integralização corresponder ao valor efetivamente pago pelo investidor (Bradesco) pelas ações adquiridas do BEC perante terceiros (União), descontadas as parcelas já amortizadas contabilmente, o ágio registrado na operação é válido, é novo, e passível de amortização fiscal pela impugnante. Cita acórdão do Carf. b) alega que caso assim fosse considerado, o "novo" ágio também preencheria todos os requisitos de validade e sua amortização fiscal seria plenamente legítima; c) no ordenamento jurídico brasileiro, não há um negócio jurídico específico para a aquisição de participações societárias. Isto porque, o direito privado traz diversas formas jurídicas possíveis de aquisição e qualquer uma delas deveria ser válida para fins do Direito Contábil Fiscal/Tributário, incluindo a integralização de capital mediante a conferência de participações societárias; d) a DRJ concluiu, para tentar afastar a validade do ágio sob o argumento alternativo do nascimento de um novo ágio, que "fosse esse o ágio a ser analisado [integralização de capital na Oregon], não cumpriria dois dos requisitos, em geral, observados para a validade da formação do ágio, a saber: (i) efetivo pagamento e (ii) realização de operações entre partes não ligadas. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 13 12 Nenhum dos requisitos é preenchido quando se focaliza a operação entre a Oregon e a Alvorada" (fl. 14 do acórdão); e) se a conclusão for pelo surgimento de um novo ágio e não pela sua transferência, deverá o CARF cancelar a integralidade da autuação fiscal, já que a esta teve como fundamento a suposta impossibilidade de transferência do ágio e não a impossibilidade da sua amortização, por ter sido gerado internamente e sem o efetivo pagamento; f) daí já se tornam totalmente impertinentes as alegações feitas pela DRJ acerca da ocorrência ou não de pagamento efetivo e da impossibilidade de aproveitamento de ágio gerado intra grupo (o que não é o caso dos autos), pois os julgadores deveriam ter se pronunciado, apenas, pela ocorrência da transferência do ágio ou pelo surgimento de um novo ágio. Em se concluindo pelo surgimento de um novo ágio, deveriam ter cancelado os autos de infração, por erro em sua fundamentação; g) alega que esse é mais um motivo pelo qual deve ser afastada a argumentação da DRJ de que a "tese do novo ágio" não poderia ser aceita, por supostamente não ter ocorrido o efetivo pagamento e a operação entre partes independentes; h) no mesmo sentido, a recorrente sustenta que, com relação à suposta necessidade de "pagamento em dinheiro", devese mencionar que a interpretação feita pela DRJ não encontra respaldo na legislação tributária; ou seja, mesmo que se considere que seria necessário o "pagamento efetivo" para que ocorresse a amortização do ágio, o fato é que a integralização de capital é sim um pagamento efetivo; i) no entendimento da recorrente, a integralização de capital é uma das formas de aquisição da propriedade. E sobre essa questão, a legislação tributária não traz qualquer restrição quanto à possibilidade de conferência de bens na integralização de capital. Consequentemente, tendo em vista que a integralização de capital é uma hipótese de alienação do investimento, ela deverá produzir os correspondentes efeitos fiscais; j) isto é, levandose em consideração que a integração de capital é uma das formas de aquisição da propriedade, nesse momento houve a alienação do investimento do Bradesco para a Oregon, pelo mesmo valor pago no âmbito da privatização (não houve acréscimo de ágio); k) também sob a ótica estritamente fiscal, sustenta que o valor utilizado para a conferência das ações do Bradesco na integralização do capital da Oregon deve ser considerado totalmente regular, motivo pelo qual o ágio nela registrado é válido, assim como a sua posterior amortização fiscal pela recorrente. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 14 13 l) finaliza esse tópico com a alegação de que, caso esse o CARF entenda por não acolher a transferência do ágio como legítima o que se alega, insistase, apenas e tão somente a título de argumentação deverá analisar o surgimento de novo ágio em razão da integralização do capital da Oregon pelo que, certamente, também por esse motivo, concluirá pela sua legitimidade. Amortização do Ágio na CSLL Com relação à conclusão do acórdão recorrido de que é devida a adição das despesas de ágio na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a recorrente apresenta as seguintes razões de defesa: a) inicia sua defesa com a alegação de que não há previsão legal para tanto. Sustenta que o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/88, citado pelo Agente Fiscal no TVF), não indicou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial; b) alega que seria correto afirmar que (i) a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos; (ii) a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a edição da Lei n° 11.638/07, de modo que, para a CSLL, o ágio é plenamente dedutível; (iii) a base de cálculo do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL (nem as regras previstas no DecretoLei n° 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem as regras previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses); c) frisa que dentre todos os ajustes, que delimitam a base de cálculo da CSLL, nada se vê sobre a obrigatoriedade de adição das despesas com a amortização do ágio na aquisição de investimentos; d) afirma que os únicos ajustes admitidos, por adição, à base de cálculo da CSLL, são aqueles que decorrem de Lei. Salienta que, uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo o que não ocorre para o caso específico. Concluiu no sentido de que não deveria prosperar o entendimento da DRJ ao consignar que a legislação relativa à CSLL adotou as mesmas regras previstas ao IRPJ. Juros sobre Multa de Ofício Finalmente, a recorrente defendese do entendimento da DRJ de que é devida a cobrança de juros sobre a multa de ofício, conforme a seguir sintetizado: Fl. 581DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 15 14 a) sustenta que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal; b) ressalta que o art. 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao art. 84 da Lei n° 8.981/1995, que por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos; c) ressalta que não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Afirma que multa é penalidade pecuniária, não é tributo. Fundamenta seu entendimento no art. 3º do CTN. d) afirma que, a multa fiscal, de forma diversa, decorre de infração cometida pelo contribuinte; e) ressalta que o § 1º do art. 113 do CTN, ao diferenciar "tributo" de "penalidade pecuniária", ratifica o seu entendimento, por distinguir as duas figuras; f) conclui esse tópico com a afirmação de que, (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa). Afirma que a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos arts. 5º, inc. II, e 37 da Constituição Federal. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Conforme indicado no relatório a recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente e está regularmente representada. Assim, presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso. Preliminarmente, a recorrente alega que o ágio em questão passou a produzir efeitos tributários a partir de 30/11/2006 e, por considerar aquela data como o termo inicial, alega que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que propiciou o surgimento do ágio em 21/12/2005, 31/01/2006 e 22/05/2006 e a ciência dos autos de infração em questão (06/08/2014). Argumenta que esse entendimento estaria respaldo pelo artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN. A síntese da tese sobre decadência sustentada pela recorrente, portanto, foi apresentada nos seguintes termos: Fl. 582DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 16 15 Assim, considerandose que os "fatos geradores" do IRPJ e da CSLL correspondem, em síntese, à obtenção de resultados que provocam acréscimo patrimonial, a contagem do prazo decadencial em relação aos referidos tributos deve ter início a partir do momento em que os fatos jurídicos tributários formadores deste acréscimo patrimonial forem reconhecidos. Ou seja, no presente caso, a partir do fato jurídico impugnado (origem do ágio). A DRJ não acolheu tais alegações e após análise e fundamentação (arts. 150, 173 e 264, do CTN), concluiu pela rejeição da preliminar de decadência, nos seguintes termos: É certo que os fatos ora discutidos têm origem nos anoscalendário de 2005 e 2006, quando houve a apuração do ágio cujo valor foi questionado pela fiscalização. Entretanto, os lançamentos tributários dizem respeito a fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorridos em 31/12/2009 e em 31/12/2010 [quando efetivamente a recorrente deduziu as amortizações de ágio], tendo a impugnante tomado ciência das autuações em 06/08/2014, momento em que ainda não havia ocorrido a decadência, em qualquer das modalidades de contagem previstas no CTN [arts. 150 e 173, CTN]. A conclusão da fiscalização de que houve cometimento de infração fiscal foi apurada a partir dos elementos da escrituração contábil e fiscal da contribuinte dos anoscalendário de 2005 e seguintes. Portanto, ainda que o ágio tenha sido gerado em 2005 e 2006, os efeitos sobre os resultados da pessoa jurídica contestados pela fiscalização são aqueles ocorridos em 2009 e 2010, períodos que, à época do lançamento, ainda não haviam sido atingidos pela decadência. É improcedente, assim, a alegação de ocorrência de preclusão do poder de o Fisco questionar fatos passados que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, tal como sucedido no presente caso. Ante o exposto, concluise que não se verifica a ocorrência de decadência no presente caso. Na mesma linha, fundamentou a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) em suas contrarrazões, em que colacionou a seguinte ementa: “Acórdão no 140200.802 – 4a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2011 Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002, 2003, 2004 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela Fl. 583DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 17 16 decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). (...)” Verificase, portanto, que está correta a conclusão do acórdão recorrido, ao consignar que os efeitos tributários para fins da contagem do prazo decadencial só ocorrem no momento em que a recorrente promoveu a amortização e a redução do resultado tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Dessa forma, a contagem do quinquênio decadencial iniciouse somente com o fato gerador do tributo exigido pelo Fisco [quando houve a utilização do ágio considerado indedutível]. Com base em tais fundamentos, voto no sentido de rejeitar a preliminar de decadência. Mérito A questão de mérito reside na pretensão da recorrente de colher a dedutibilidade fiscal das despesas de amortizações de ágio efetivadas em 2009 e 2010, após absorver o patrimônio do Banco do Estado do Ceará (BEC), por meio de incorporação. Alega que, anteriormente à incorporação, a recorrente já detinha o controle acionário do BEC e que tal participação teria sido adquirida com registro de ágio, apurado com base em perspectiva de rentabilidade futura do BEC. O acórdão recorrido registrou que não há questionamento relativo à existência do ágio original, nem mesmo em relação ao seu montante. Indica que o ágio foi gerado na aquisição de 99,54% das ações do BEC pelo Bradesco. Registra que concorda com o entendimento da DRF de que as amortizações do ágio transferido para a impugnante não poderiam reduzir a base tributável pelo IRPJ e CSLL. Conclui que tais amortizações não se enquadram nas disposições do art. 7° da Lei n° 9.532/97. Nessa linha, a DRJ ratificou o entendimento da DRF de que a aquisição da participação societária deve ser pela pessoa jurídica que irá usufruir do benefício. Conclui que não pode a aquisição ser por outra. Entende que esta é a inteligência da norma que previu também a chamada incorporação às avessas no art. 8° da Lei nº 9.532/97, mas não previu a transferência do benefício no caso de transmissões de propriedade posteriores. Ressalta que não existe previsão legal que autorize o aproveitamento deste 'benefício fiscal' por pessoas jurídicas outras que não tivessem sido agentes do negócio jurídico de aquisição de participação societária, quer como adquirente, quer como adquirida. Nem tampouco existe previsão para que um investimento adquirido apenas indiretamente, como foi Fl. 584DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 18 17 o caso da Alvorada ao final de um processo de planejamento tributário amortizar tal ágio indireto. Nesse sentido, a DRJ, acompanhando a DRF, concluiu que a recorrente teria amortizado indevidamente o ágio pago na aquisição do BEC pelo Bradesco, por considerar que o aproveitamento fiscal das despesas de amortização do ágio apurado na incorporação do BEC não atende aos requisitos de dedutibilidade dos artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532/97. Determinou se, assim, que os respectivos valores fossem adicionados de ofício ao lucro líquido para a determinação das bases tributáveis de IRPJ e da CSLL (fls. 9 e 10, do TVF). Esse entendimento da DRJ está registrado no seguinte trecho do acórdão recorrido, a seguir transcrito: Cabe lembrar que essa norma foi criada na época das privatizações das empresas públicas e teve por objetivo beneficiar as adquirentes que, na maioria das vezes, adquiriam as participações societárias nas empresas privatizadas por valor muito superior ao do patrimônio líquido, gerando um ágio, conforme previsto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77 (matriz legal do art. 385 do RIR/99): Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras 'a' e' b' do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 19 18 De acordo com o art. 25 do DecretoLei n° 1.598/77 (matriz legal do art. 391 do RIR/99), abaixo transcrito, as contrapartidas das amortizações do ágio não podem ser computadas na apuração do lucro real, devendo ser controladas na Parte B do Lalur para serem consideradas na determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento' Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei n° 1.730, 1979) III (Revogado pelo Decretolei n° 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. " O art. 7° da Lei n° 9.532/77 trouxe uma norma específica, que disciplina os efeitos fiscais do ágio caso a pessoa jurídica detentora de participação societária adquirida com ágio ou deságio venha a absorvêla em virtude de incorporação, fusão ou cisão: "Art. 7° A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a " do § 2o do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2o do art. 20 do Decreto Lei n° 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; Fl. 586DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 20 19 III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;(Redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998); IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b " do § 2o do art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração; § 1° O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2o Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3° O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa; § 4° Na hipótese da alínea "b " do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente; § 5° O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 21 20 Ressaltese que o art. 7° da Lei n° 9.532/97 não revogou o art. 25 do DecretoLei n° 1.598/77, visto que se trata de norma específica, aplicável somente na hipótese em que uma pessoa jurídica absorva o patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. Nas demais situações, continua plenamente aplicável o disposto no art. 25 do DecretoLei n° 1.598/77. No presente caso, o Banco Bradesco adquiriu ações do Banco BEC, com pagamento de ágio. Tal fato, por si só, não possibilita a dedução fiscal das amortizações do ágio, face ao disposto no art. 25 do DecretoLei n° 1.598/77 (art. 391 do RIR/99). Se o próprio Banco Bradesco tivesse incorporado o Banco BEC, não haveria dúvida quanto ao enquadramento da operação no art. 7° da Lei n° 9.532/97. Entretanto, esta não é a hipótese dos autos. No caso ora em análise, o Banco Bradesco adquiriu ações do Banco BEC e as utilizou para integralização de capital na Oregon, empresa que não tinha atividades operacionais, conforme informado pela fiscalização. Em seguida, a impugnante incorporou a totalidade das ações da Oregon, que se tornou sua subsidiária integral. Dias depois, a impugnante, Alvorada Cartões, Crédito, Financiamento e Investimento S.A., incorporou a Oregon, tornandose detentora da participação societária no Banco BEC. Dois meses depois, a impugnante incorporou o Banco BEC e passou a deduzir as despesas com amortização do ágio na apuração do IRPJ e da CSLL. Verificase que a operação inicial (aquisição de ações do Banco BEC pelo Banco Bradesco) foi efetuada entre partes independentes, tendo o adquirente efetivamente pago nas aquisições valor superior ao patrimônio líquido, decorrendo daí um ágio. A regra especial prevista no art. 7° da Lei n° 9.532/97 somente poderia ser aplicada se a absorção patrimonial tivesse ocorrido entre eles. Entretanto, foram realizadas outras operações societárias entre empresas do Grupo Bradesco que tiveram como resultado a transferência da participação societária no Banco BEC para a impugnante. Ressaltese que houve ágio na operação inicial, não havendo previsão legal que autorize o aproveitamento desse benefício fiscal por pessoas jurídicas outras que não tivessem sido agentes do negócio jurídico de aquisição da participação societária. Tampouco existe previsão legal para que um investimento adquirido apenas indiretamente possa gerar despesas dedutíveis relativas à amortização de ágio. Assim, a amortização de ágio de que trata o presente processo não se enquadra na regra especial prevista no art. 7° da Lei n° 9.532/97, devendo ser mantidas as autuações. O fundamento central em que se baseou a DRJ para negar provimento à impugnação, portanto reside no entendimento de que a falta de autorização legal expressa para a transferência de ágio para a recorrente, na forma como apresentada, impede a dedução dos Fl. 588DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 22 21 valores de ágio originalmente pagos pelo Bradesco, na aquisição do controle societário do BEC. Em suas contrarrazões, na mesma linha, a PFN afirma que "o Banco Bradesco adquiriu o Banco BEC de maneira direta, mas utilizouse de empresa veículo Oregon Holding Ltda. para viabilizar o aproveitamento, na Alvorada Cartões, de ágio por ele (Bradesco) pago, tudo isso em detrimento da legislação de regência do tema." No entendimento da PFN a dedução do ágio em questão não teria cumprido requisitos que estariam previstos nas disposições do art. 386, do Dec. 3000/99: Diante de todo o exposto, ante a inobservância de requisitos expressa e logicamente exigidos em lei, normas e na jurisprudência do CARF, CVM e CPC para permitir a amortização do ágio transferido (partes independentes, substrato econômico e absorção do patrimônio da empresa que de fato realizou o investimento), não há que se permitir a amortização do mesmo nos moldes levados a termo pela recorrente, conforme constatado no robusto TVF e confirmado no judicioso acórdão recorrido. Passo, assim, à análise das razões de decidir da DRJ e das razões de defesa da recorrente, com base nos pontos específicos a seguir alinhados, os quais indico de forma simplificada (sem datas e valores) com o objetivo de permitir melhor visualização dos passos societários havidos, até se chegar na amortização do ágio em questão (na sequência, confrontarei tais fatos com as referidas disposições do art. 386 do Dec. nr. 3.000/99): Bradesco adquire da União Federal o Banco do Estado do Ceará BEC 1. Aquisição de ações mediante o pagamento de ágio apurado com base em rentabilidade futura Grupo Bradesco na data da aquisição das ações do BEC pelo Bradesco 2. Alvorada CCFI (recorrente): já era subsidiária integral do Bradesco Grupo Bradesco após aquisição das ações do BEC pelo Bradesco 3. Oregon Holding: foi adquirida pelo Bradesco 4. Oregon Holding: teve seu capital elevado pelo Bradesco, mediante o aporte da integralidade das ações adquiridas do BEC, com ágio 5. Oregon Holding: passou a deter as ações do BEC, adquiridas com ágio pelo Bradesco 6. Alvorada CCFI: adquiriu 100% das ações da Oregon Holding 7. Alvorada CCFI: incorporou a Oregon 8. Alvorada CCFI: incorporou o BEC 9. Alvorada CCFI: passou a amortizar o ágio Fl. 589DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 23 22 Para se confrontar os passos retro às disposições do art. 386 do Dec. nr. 3.000/99, transcrevese: Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Faço, assim, o seguinte exercício para a necessária verificação quanto à amortização do ágio: substituo as expressões do texto legal pelas respectivas empresas em questão: Art. 386. A pessoa jurídica (Alvorada CCFI) que absorver patrimônio de outra (Oregon Holding), em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio (...) No caso, portanto, a Alvorada CCFI (que já era subsidiária integral do Bradesco na data de aquisição do BEC com ágio), no passo 6 retro, passou a deter participação societária na Oregon Holding (cujo capital, passo 4 retro, passou a ser composto por ações do BEC, adquiridas com ágio). Em sequência, a Alvorada CCFI (já detentora de participação acionária da Oregon Holding, adquirida com ágio) absorveu o patrimônio da Oregon Holding, por meio de incorporação, passo 7 retro (o capital da Oregon Holding era composto por ações do BEC, adquiridas com ágio). Fl. 590DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 24 23 Em mais um passo, a Alvorada CCFI (sucessora da Oregon) por meio de incorporação, absorveu o patrimônio do BEC (que havia sido adquirido pelo Bradesco com ágio). Por último, a Alvorada CCFI (com a incorporação do BEC), passa a amortizar o ágio. Com esse detalhamento, é possível visualizar as movimentações societárias e os respectivos objetivos almejados, no sentido de que os passos fossem considerados válidos e em consonância com as citadas disposições do RIR/99 para o fim precípuo de se alcançar a referida hipótese legal, em que está autorizada a amortização do ágio. O ponto remanescente que sobressai, portanto, diz respeito à análise para se verificar se os passos societários retro podem ser considerados como autorizados pelo art. 386 do Dec. nr. 3.000/99, no que diz respeito aos enquadramentos fático e jurídico necessários para a amortização do ágio. Nesse caso concreto, entendo que, não afastou a possibilidade de amortização do ágio (art. 386, Dec. nr. 3.000/99) as movimentações realizadas pelo Grupo Bradesco. Isso porque, no "filme" específico analisado, houve efetivamente o pagamento de ágio pelo Bradesco na participação do processo de privatização do BEC. Outro fator observado, que pode igualmente assegurar a possibilidade de amortização do ágio, referese ao fato de que a recorrente já era subsidiária integral do Bradesco na data da aquisição com ágio das ações do BEC. Nessa linha, também entendo que, como acionista controlador que adquiriu o controle acionário com ágio, o Bradesco não prejudicou a possibilidade de amortização do ágio (art. 386, Dec. nr. 3.000/99), ao aportar tal capital (inclusive o ágio) em sua subsidiária integral, Oregon Holding (passo 4 retro), independentemente dela ser ou não operacional, ou se ter sido adquirida para esse fim específico. A possibilidade de amortização do ágio pela recorrente também pode ser verificada se observado o seguinte ponto: deverá ser tributada a rentabilidade auferida em decorrência da incorporação do BEC. A contrapartida para a incorporadora, portanto, seguindo o espírito da lei instituída por ocasião da intensificação dos referidos processos de privatização (arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97 que deram base aos citados arts. 385 e 386 do Dec. nr. 3.000/99) seria ter assegurada a possibilidade de amortização do ágio. Nessa mesma linha de raciocínio, específica para o presente caso concreto em que houve efetivamente pagamento de ágio e o cumprimento das referidas exigências formais para tanto, vale mencionar os excertos dos acórdãos, colacionados pela recorrente, que analisaram operações semelhantes ao caso de privatizações em tela, cujas ementas foram transcritas no recurso voluntário sob exame (Banco Santander S/A, Companhia Energética de Pernambuco CELPE, Companhia Energética do Rio Grande do Norte COSERN, Vivo S/A, Tele Norte Leste Participações S/A; Tim Celular S/A; e Energisa), nos quais foi considerado legítimo o ágio gerado na operação original, transferido e amortizado por outra pessoa jurídica que não a adquirente ou adquirida. Entre as ementas transcritas no recurso voluntário reproduzo a seguir, com inserções entre chaves [..] das empresas em questão, para a melhor visualização do Fl. 591DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 25 24 entendimento retro apresentado, a ementa do acórdão do referido caso do Santander que muito se aproxima do presente caso, verbis: Carf. Acórdão n° 140200.802 de 21/10/2011, Proc. 16561.000222/200872, Banco Santander: Pois bem, entendo que a amortização do ágio, pago com fundamento em previsão de rentabilidade futura de ágio, com fulcro no art. 7°., inciso III, da Lei 9.532 de 1997, deve atender, inicialmente, a 3 (três) premissas básicas, quais sejam: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio;[Bradesco pagou ágio na aquisição do BEC] ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; [Bradesco e BEC não eram partes ligadas; Alvorada CFFI e Oregon Holding não eram partes ligadas] iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. [auditorias e consultorias independentes elaboram os respectivos laudos nesse sentido] No presente caso, essas premissas básicas foram cumpridas. Não há dúvida que o Banco Santander Hispano [Bradesco] efetivamente desembolsou os 9,457 Bilhões de Reais da operação. De igual forma inexiste qualquer ligação entre o grupo Santander [Bradesco] e os alienantes [BEC/União Federal; Alvorada/Oregon], especialmente na operação principal (compra das ações da União). Também não repousa qualquer questionamento quanto ao fato de que o Banespa [BEC] sofreu detalhada avaliação, refletida em suas demonstrações contábeis antes do leilão estatal. (...) Por mais óbvio que possa parecer, tal qual já fundamentei na exclusão da multa qualificada, o Banco Santander Hispano desde o inicio foi transparente e coerente em seus objetivos: adquirir o Banco Banespa para alavancar suas operações no Brasil, aproveitandose do benefício fiscal de amortização do ágio que certamente teria que ser pago, haja vista que possuía expertise suficiente para gerar lucros com a nova empresa. Não se olvide que todo o ágio pago à União pela compra do Banespa ingressou nos cofres públicos. Se aquisição tivesse sido realizada junto a uma empresa privada, esse ágio seria passível de tributação pelos mesmos 34%. (...) V) CONCLUSÃO Fl. 592DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 26 25 Diante do exposto e considerando: que o procedimento adotado pelo Santander Hispano, qual seja, pagar o ágio original na aquisição do Banespa e ato continuo, transferir este ágio para a Santander Holding, que a seguir foi incorporada pelo próprio Banespa, com vistas a valerse do benefício fiscal, tem amparo nos art. 7° e 8° da Lei 9.532/97, normas instituídas justamente para estas situações de desestatização. (...) iii) No mérito, dar provimento ao recurso e cancelar a exigência. "O fato de constituir uma empresa veículo para receber investimentos não é óbice jurídico, vislumbro que da mesma forma que as empresas compostas do Novo Grupo não poderiam ser incorporadas pela Celpe, visto que possuíam outros ativos, a empresa Guaraniana também não poderia ser incorporada, pois seu papel era de verdadeira controladora da Celpe e de várias empresas no ramo de energia elétrica, no setor de geração e distribuição de energia, permanecendo sob seu controle empresas como a Celpe, Coelba, Cosem, Termoaçu, entre outras. Tanto é que após a constituição de uma nova sociedade com as ações da Celpe na empresa veículo, esta foi incorporada pela Celpe, deixando de existir, demonstrando que a Neoernergia mantevese como controladora da Celpe, que fora privatizada para manterse na sua atividade de distribuição de energia na região do Estado de Pernambuco. (...) A empresa Leicester, de fato, serviu para que as ações com ágio pertencentes à Guaraniana fossem transferidas a uma empresa que seria incorporada pela Celpe sob o fundamento legal da incorporação às avessas prevista no artigo 386, inciso II, do § 6°, do RIR/99, com o fim negocial de permitir que o ágio fosse aproveitado pela empresa Celpe. (...) Em resumo, no meu entender o vício para se considerar uma despesa do áaio indedutível para fins de apuração do IRP3 e da CSLL está na formação do ágio, e não no seu aproveitamento posterior, quando da incorporação às avessas da empresa veículo pela Celpe. No caso em questão não há nenhum vício na geração do ágio, existindo laudos nos autos que trataram da demonstração de levar esse ágio para as operações societárias sobre o mesmo preço e fundamento. E mais, não houve contestação, seja pela fiscalização seja pela DRJ dos Fl. 593DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 27 26 laudos, nem foi discutida a questão da rentabilidade futura existente no Edital que menciona o preço mínimo para a aquisição e a menção da realização de Laudo sob esse critério pelo governo. Assim, entendo pelo provimento do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte quanto à questão da dedutibilidade do ágio Finalizando essa análise, verifico que não há divergência em relação ao entendimento da recorrente de que não há vedação legal para as transferências de participação societária, acompanhadas do ágio, realizadas no presente caso, e a consequentemente dedução das despesas com amortização do ágio, após a incorporação do BEC pela recorrente, em conformidade com os excertos dos acórdãos retro citados. Assim, com base em todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para considerar devida a amortização de ágio em questão. Novo Ágio Em relação ao pedido alternativo da recorrente, em que sustenta que também seria adequado se considerar a integralização de capital na Oregon, como um novo ágio, considero prejudicada a análise, face ao provimento do pedido anterior. Amortização do Ágio na CSLL Na forma relatada, o acórdão recorrido conclui que é devida a adição das despesas de ágio na base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. A recorrente sustenta que não há previsão legal para tanto, pois o legislador ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/88, citado pelo Agente Fiscal no TVF), não indicou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. As razões da recorrente ainda se baseiam no entendimento de que os únicos ajustes admitidos, por adição, à base de cálculo da CSLL, são aqueles que decorrem de Lei. Salienta que, uma eventual despesa que tenha integrado o lucro líquido somente será considerada indedutível da base de cálculo da CSLL caso haja previsão expressa em lei para este tributo o que não ocorre para o caso específico. Concluiu no sentido de que não deveria prosperar o entendimento da DRJ ao consignar que a legislação relativa à CSLL adotou as mesmas regras previstas ao IRPJ. Vejo que, assiste razão à recorrida e considero válidas as conclusões de que (i) a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos em lei; (ii) a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira, até a edição da Lei n° 11.638/07, de modo que, em relação à CSLL, o ágio é dedutível; (iii) a base de cálculo do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos Fl. 594DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 16327.720663/201413 Acórdão n.º 1302001.954 S1C3T2 Fl. 28 27 efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL (nem as regras previstas no DecretoLei n° 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem as regras previstas na Lei n° 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses). Com base em tais fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para que não haja adição das despesas de ágio na base de cálculo CSLL. Juros sobre Multa de Ofício O acórdão recorrido concluiu que é devida a cobrança de juros sobre a multa de ofício. No entanto, à vista do provimento do recurso voluntário para declarar devida a dedução das despesas de ágio, considero também prejudicada tal análise. Por todo o exposto voto por rejeitar a preliminar de decadência e no mérito dar provimento ao recurso voluntário. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 595DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 28/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, A ssinado digitalmente em 28/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000456/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos, é de prover-se os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão.
Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF
O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 1301-002.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento aos embargos para retificar a ementa do acórdão embargado, sem efeitos modificativos. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o Relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos, é de prover-se os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2002 DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicando-se destarte a regra do art. 173, I do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 14041.000456/2007-82
anomes_publicacao_s : 201608
conteudo_id_s : 5622242
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Aug 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-002.108
nome_arquivo_s : Decisao_14041000456200782.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 14041000456200782_5622242.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento aos embargos para retificar a ementa do acórdão embargado, sem efeitos modificativos. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6468737
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:51:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048686576009216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.312 1 2.311 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000456/200782 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.108 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2016 Matéria IRPJ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CASA DA MOEDA DO BRASIL CMB ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Constatada a contradição que pode alterar a relação entre a parte dispositiva do acórdão e seus fundamentos, é de proverse os mesmos para sanar a falha, alterando a parte dispositiva do acórdão. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicandose destarte a regra do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento aos embargos para retificar a ementa do acórdão embargado, sem efeitos modificativos. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza acompanhou o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 56 /2 00 7- 82 Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 2 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha. Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 14041.000456/200782 Acórdão n.º 1301002.108 S1C3T1 Fl. 2.313 3 Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio da Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do acórdão nº 1301001.926, proferido por esta turma na sessão de 22/01/2016, no qual este colegiado decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício, e, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Alega a ora embargante que o acórdão combatido incorreu em contradição entre a ementa e o inteiro teor do voto. No entendimento da Fazenda Nacional, revelase, portanto, evidente a contradição entre a ementa e o voto condutor do acórdão embargado: enquanto a ementa consigna a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, no caso presente, o voto condutor do julgado conclui que o lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN, de modo que se afigura necessário corrigir a contradição apontada. Assim, tendo sido apresentados tempestivamente, foram objeto de despacho de admissibilidade da lavra deste Conselheiro, onde o mesmo entendeu que haviam sido preenchidos os requisitos estampados no art. 65 do Regimento Interno (ANEXO II), submetendo proposta ao Presidente desta 1ª Turma Ordinária, no sentido de que ele seja admitido e submetido à apreciação do Colegiado. Tal proposta foi aceita pelo Presidente, tendo sido incluído os autos em pauta para regular julgamento por este Colegiado. É o relatório. Fl. 2314DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA 4 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator. Os embargos são tempestivos e, em face de despacho no sentido de sua admissibilidade, deles conheço. A embargante insurgese contra contradição entre a ementa e o voto condutor do acórdão embargado: enquanto a ementa consigna a aplicação do art. 150, §4º, do CTN, no caso presente, o voto condutor do julgado conclui que o lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN, de modo que se afigura necessário corrigir a contradição apontada. Quanto a alegada contradição, razão assiste à Embargante! De fato, a ementa do acórdão não reflete o inteiro teor do voto proferido, razão pela qual se faz necessária a correção dos termos da Ementa, a fim de que a mesma reflita o quanto restou decidido por este Colegiado. Nestes termos, proponho a seguinte nova redação para a ementa do Acórdão ora embargado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF. Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN, nos termos da Súmula CARF n° 102. As súmulas CARF são de observância obrigatória por este Colegiado, por força do art. 45 do Anexo II do Regimento Interno em vigor, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. MULTA REGULAMENTAR. DCTF O prazo decadencial para lançamento da multa regulamentar pelo não entrega ou entrega deficiente da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, segue a regra do tributo a que se refere, aplicandose destarte a regra do art. 173, I do CTN. Assim, por todo o acima exposto, voto no sentido de CONHECER dos embargos, ACOLHENDOOS, para corrigir a contradição apontada, sem contudo conferirlhes efeitos infringentes. Sala de Sessões 10 de agosto de 2016. Fl. 2315DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA Processo nº 14041.000456/200782 Acórdão n.º 1301002.108 S1C3T1 Fl. 2.314 5 (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 2316DF CARF MF Impresso em 19/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 1 8/08/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/08/2016 por WALDIR VEIGA RO CHA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.904904/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Numero da decisão: 3201-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator.
Participaram ainda do julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10865.904904/2012-31
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5644367
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3201-002.316
nome_arquivo_s : Decisao_10865904904201231.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10865904904201231_5644367.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira - Relator. Participaram ainda do julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
id : 6515754
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048686663041024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.904904/201231 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.316 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2016 Matéria PIS/PASEP DCOMP ELETRONICO Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 04 /2 01 2- 31 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA 2 Winderley Morais Pereira Presidente. José Luiz Feistauer de Oliveira Relator. Participaram ainda do julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu, em 17/07/2008, a Declaração de Compensação – DComp nº 13040.04879.180708.1.3.046193, visando à extinção de débito de CSLL PJ optantes pela apuração com base no lucro presumido ou arbitrado, PA 2º Trim/2008, com um alegado indébito de PIS, no valor de R$ 1.184,85. A DRF LIMEIRA emitiu o Despacho Decisório Eletrônico nº 031069564, onde não homologou a compensação porque o pagamento indigitado foi integralmente utilizado para quitação de débito de PIS do PA 07/2004, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DComp. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante esclareceu que se beneficiaria de tributação monofásica em alguns produtos que comercializa, o que daria origem aos créditos que pretende compensar. Concorda que de fato deveria ter retificado sua DCTF, mas como não o fez, foi gerada a cobrança em questão. Neste sentido, solicita a retirada da cobrança imposta, o que se trataria de um ato de justiça. Anexou, ainda, cópias da DCTF retificadora e o recibo da DCTF original à sua manifestação. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em FortalezaCE julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório. Conforme o Acórdão nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013, fls. 59 a 62, cuja ementa a seguir transcrevemos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO TOTALMENTE ALOCADO. RETIFICAÇÃO DCTF POSTERIOR À CIÊNCIA DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Tendo sido comprovado que o DARF indicado pelo contribuinte em declaração de compensação pagamento indevido ou a maior estava totalmente alocado a débito declarado em DCTF, restou caracterizada a inexistência do direito creditório. A retificação da DCTF posteriormente à ciência do Despacho Decisório, efetuada tão somente para justificar a existência do direito creditório, sem a apresentação de documentos hábeis e idôneos, não tem o condão de justificar o erro no preenchimento dessa declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA Processo nº 10865.904904/201231 Acórdão n.º 3201002.316 S3C2T1 Fl. 3 3 Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza. O arrazoado de fls. 70 a 78, inicia com síntese dos fatos relacionados com a lide, onde reitera que a origem de seu direito creditório seria decorrente da inclusão equivocada, na base de cálculo da contribuição, de receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, pois já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico, vide anexo I da Lei nº 10.485/2002. Na seqüência, reclama que a turma julgadora de primeira instância teria centrado seu juízo em aspecto meramente formal e neste sentido teria renunciado à necessidade de uma aferição imposta pelo princípio da verdade material, adotando uma "burocrática conclusão" de que não teria havido uma demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado. Quanto à origem do direito creditório pleiteado, esclarece que atua no segmento de autopeças e que o produto comercializado sujeito à tributação monofásica seria denominado como "SILENCIOSO", classificado na posição NCM 87.08.92.00, estaria listado no anexo I da Lei nº 10.485/2002 e se trataria de componente do sistema de escapamento. Neste sentido, defende que indubitavelmente as receitas decorrentes da comercialização do "SILENCIOSO" deveriam ser tributadas com alíquota zero, o que não fez por infeliz equívoco, originandose desta forma o recolhimento indevido e o conseqüente direito creditório em questão. Observa, ainda, que o julgador de primeira instância teria se limitado a negar seu pedido apenas em razão de sua não comprovação, mas não em razão de sua inexistência. Reclama então, que já teria buscado comprovar o direito creditório desde a apresentação de sua manifestação de inconformidade, apenas pode não têlo feito da forma esperada pelas autoridades. Neste sentido, informa que a demonstração agora acostada aos autos será mais detalhada e minuciosa, e servirá para um imediato reconhecimento de seu direito ou pelo menos que se decida pela realização de diligência. Aponta a Resolução nº 3803 000.330 proferida pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, a qual teria determinado a realização de diligência conforme pleiteado. Sustenta que as diretrizes da verdade material sejam observadas por este E. Conselho, transcrevendo ementa de julgado que ilustraria essa orientação processual. Na continuação, procura demonstrar as receitas que teriam sido indevidamente tributadas, mediante a juntada de demonstrativos e documentos contábeis, onde estariam listadas as notas fiscais do período em questão, com a indicação dos produtos nelas constantes e com a segregação destes em razão das alíquotas incidentes. Aponta que a juntada do livro registro de saídas e da GIA correlata, comprovaria o adequado tratamento legal às notas fiscais, bem como dispensaria a anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu grande volume. Entretanto, ressalta que todas estas notas estariam sob guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas caso venha a ser determinada a realização de diligência. Retoma então a alegação da supremacia da verdade material sobre a verdade formal, pois entende que a demonstração/documentação juntada aos autos resultaria no reconhecimento do direito creditório pleiteado. Novamente cita ementa de julgado que ilustraria seus argumentos. Pede provimento, para a reforma da decisão de primeira instância, o efeito de reconhecimento do direito creditório e a conseqüente homologação da compensação declarada. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Relator: José Luiz Feistauer de Oliveira Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Fl. 107DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA Processo nº 10865.904904/201231 Acórdão n.º 3201002.316 S3C2T1 Fl. 4 5 O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da Fl. 108DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA 6 preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo Fl. 109DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA Processo nº 10865.904904/201231 Acórdão n.º 3201002.316 S3C2T1 Fl. 5 7 esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA 8 quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Sala das Sessões, em 24 de agosto de 2016 José Luiz Feistauer de Oliveira Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUE R DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000043/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
ARRENDAMENTO DE TERMINAIS PORTUÁRIOS. SUBCONCESSÃO IMPRÓPRIA. REGIME DE COMPETÊNCIA.
O arrendamento de terminais portuário em tela se configura como uma subconcessão imprópria, pois não se trata de uma subconcessão de serviços públicos tradicional e, nele, o arrendatário não desembolsa qualquer valor a título de aquisição de direito de exploração dos serviços no momento da assinatura do contrato, logo, à luz do art. 325, I, do RIR/99, não havia que ser feito qualquer registro no ativo nesse momento.
Da mesma forma, não havia, pelo regime de competência, qualquer crédito em favor da APPA e, logicamente, nem obrigação a ser reconhecida pela recorrente, no momento da assinatura do contrato de arrendamento, pois o crédito que deve ser contabilizado, pelo regime de competência, é aquele líquido e certo, ainda que não exigível e, independentemente, de realização financeira.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO (Presidente), ROGERIO APARECIDO GIL, ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, MARCELO CALHEIROS SORIANO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, TALITA PIMENTA FELIX e MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOS.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201610
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 ARRENDAMENTO DE TERMINAIS PORTUÁRIOS. SUBCONCESSÃO IMPRÓPRIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. O arrendamento de terminais portuário em tela se configura como uma subconcessão imprópria, pois não se trata de uma subconcessão de serviços públicos tradicional e, nele, o arrendatário não desembolsa qualquer valor a título de aquisição de direito de exploração dos serviços no momento da assinatura do contrato, logo, à luz do art. 325, I, do RIR/99, não havia que ser feito qualquer registro no ativo nesse momento. Da mesma forma, não havia, pelo regime de competência, qualquer crédito em favor da APPA e, logicamente, nem obrigação a ser reconhecida pela recorrente, no momento da assinatura do contrato de arrendamento, pois o crédito que deve ser contabilizado, pelo regime de competência, é aquele líquido e certo, ainda que não exigível e, independentemente, de realização financeira. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10907.000043/2008-09
anomes_publicacao_s : 201611
conteudo_id_s : 5653842
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-002.000
nome_arquivo_s : Decisao_10907000043200809.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10907000043200809_5653842.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO (Presidente), ROGERIO APARECIDO GIL, ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, MARCELO CALHEIROS SORIANO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, TALITA PIMENTA FELIX e MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOS.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
id : 6555661
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:54:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048686815084544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1938; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 722 1 721 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.000043/200809 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.000 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de outubro de 2016 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente TCP TERMINAL DE CONTEINERES DE PARANAGUA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ARRENDAMENTO DE TERMINAIS PORTUÁRIOS. SUBCONCESSÃO IMPRÓPRIA. REGIME DE COMPETÊNCIA. O arrendamento de terminais portuário em tela se configura como uma subconcessão imprópria, pois não se trata de uma subconcessão de serviços públicos tradicional e, nele, o arrendatário não desembolsa qualquer valor a título de aquisição de direito de exploração dos serviços no momento da assinatura do contrato, logo, à luz do art. 325, I, do RIR/99, não havia que ser feito qualquer registro no ativo nesse momento. Da mesma forma, não havia, pelo regime de competência, qualquer crédito em favor da APPA e, logicamente, nem obrigação a ser reconhecida pela recorrente, no momento da assinatura do contrato de arrendamento, pois o crédito que deve ser contabilizado, pelo regime de competência, é aquele líquido e certo, ainda que não exigível e, independentemente, de realização financeira. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 00 43 /2 00 8- 09 Fl. 723DF CARF MF 2 LUIZ TADEU MATOSINHO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO (Presidente), ROGERIO APARECIDO GIL, ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, MARCELO CALHEIROS SORIANO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, TALITA PIMENTA FELIX e MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOS. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0628.842 da 1ª Turma da DRJ/CTA, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/06/2002 a 31/12/2002 CONTRATO QUE, AO ARRENDAR INSTALACOES PORTUÁRIAS, ESTABELECE CONCESSÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. FORMA DE CONTABILIZACÁO PELO ARRENDATÁRIO, EM FACE DOS PRINCÍPIOS CONTÁBEIS VIGENTES NO BRASIL. O contrato pelo qual o particular arrenda do poder público instalações portuárias, obtendo concessão para exploralas por longo prazo em troca do compromisso de realizar benfeitorias e remunerar mensalmente o órgão concedente é, na essência, um arrendamento e como tal deve ser contabilizado, a teor dos princípios contábeis que sempre vigoraram no Brasil, antes e depois da Resolução CFC que aprovou a “Interpretação Técnica ICPC 08 Contratos de Concessão”, resultante da convergência com as normas internacionais. A circunstância de tal contrato possuir, ou não, natureza de concessão governamental é absolutamente irrelevante para a sistemática de contabilização dos direitos e obrigações dele emanadas, uma vez que a forma de contabilização decorre da essência do fato contábil, e não da denominação ou gênero do contrato. DIREITO CONTRATUAL DE UTILIZAR INSTALACOES E PRESTAR SERVIÇOS PÚBLICOS CONCEDIDOS E A CORRESPONDENTE OBRIGAÇÃO DE REALIZAR BENFEITORIAS E EFETUAR PAGAMENTOS MENSAIS. A assinatura de contrato de arrendamento de instalações portuárias, que implica concessão do direito de explorar O serviço público correspondente, em troca de realizar benfeitorias e efetuar 'pagamentos mensais, provoca reflexos no patrimônio do contribuinte. Entretanto, a contabilização de tais direitos, como a de todos os outros, sujeitase às normas técnicas baixadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Assim, não existindo qualquer princípio contábil que autorize ou recomende a contabilização de vínculo contratual que, na essência, corresponde a operação de arrendamento mercantil operacional, não deve ser contabilizado no ativo o direito à utilização e tampouco contabilizado no passivo a obrigação de pagamentos futuros dos encargos do arrendamento. MATÉRIA CONTÁBIL. VINCULAÇAO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL E DO CARF AOS PRINCIPIOS CONTABEIS VIGENTES. Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 723 3 Tanto a Receita Federal do Brasil como o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao decidirem sobre matéria estritamente contábil, vinculam se aos princípios contábeis e às Normas Brasileiras de Contabilidade de natureza técnica editadas por quem detém a competência legal de fazêlo, sendo vedado aos seus integrantes estipularem procedimentos contábeis embasados apenas no entendimento pessoal de seus membros, mormente quando provocarem evidentes distorções patrimoniais reconhecidas pelos próprios contribuintes interessados. DECISÃO PRECEDENTE DA CSRF. “COISA JULGADA ADMINISTRATIVA”. LIMITES OBJETIVOS DA VINCULAÇAO. Os limites objetivos da decisão da CSRF cingemse à fixação dos critérios dos itens “i” a “iv” especificamente para a finalidade de prolação de nova decisão substitutiva da decisão que fora invalidada no próprio PAF, qual seja, nova decisão a respeito dos pedidos de restituição e de compensação feitos pelo contribuinte naquele PAF. Outrossim, para qualquer outra finalidade, as autoridades preparadoras e as autoridades julgadoras não se encontram vinculadas aos critérios “i” a “iv” fixados no precedente da CSRF. Isso é inerente à própria feição do aspecto objetivo da vinculação determinada pela “coisa julgada (administrativa)°, isto é, pelo precedente fixado pela CSRF. _ LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento reflexo CSLL , no que couber, O que restar decidido com relação ao lançamento matriz, o IRPJ. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio A recorrente, cientificada do Acórdão nº 0628.842 em 08/11/2010 (data informada pelo carteiro no AR a fls. 492, pois o recebedor não informou a data de recebimento), e interpôs, em 07/12/2010, recurso voluntário (doc. a efls. 498 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que houve ofensa ao princípio da certeza do direito ou da segurança jurídica; a.1) que as decisões que forem prolatadas pelo CARF ou pela CSRF, não podem ser modificadas, contestadas ou não aceitas pelos órgãos fiscalizadores subalternos ou de instancia inferior, sob pena do estabelecimento do mais completo caos no relacionamento fisco e contribuinte; a.2) que a DRJ de Curitiba contraria de forma contundente o que já foi decidido em Instância Superior (no nosso entendimento), afrontando de maneira absurda o princípio da segurança jurídica; b) que o lançamento é nulo; b.1) que pugna pelo reconhecimento oficial da nulidade desse lançamento, ora em fase recursal, a uma pelos motivos que já apresentamos em nossa Impugnação, E OS MANTEMOS A TODOS, e agora, a duas, pela decisão contida no Acórdão 910100445, da 1°. Turma, (fls. 299309) prolatado em 04/11/2009, que determina o retorno dos Autos e o refazimento dos PAF's pela DRF de Paranaguá ou Curitiba, fato este que até o presente momento não ocorreu e que se acontecer, sem dúvidas modificará todos os números aqui contidos e, por isso, este PAF deve ser declarado nulo; b.2) que o Relator da DRJCuritiba, do processo, escreve: Fl. 725DF CARF MF 4 “Na essência, os fatos determinantes da lavratura do auto de infração ora analisado SÃO OS MESMOS APRECLADOS PELO PAF N ° 10907.001984/200266, EM INSTÂNCIA DERRADEIRA, pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no Recurso Especial do Contribuinte n°142.831 (Acordão n" 910100.445, de 04/11/2009, juntado às fls. 299309). Ocorre, contudo, que a questão ali decidida diz respeito apenas aos anos calendário de 1999 a 2001 e primeiro trimestre de 2002, como se vê no Acordão (fls. 390), com grifos acrescidos. “Acordam os membros do colegiado, 1) por unanimidade de votos rejeitar a preliminar de não conhecimento do recurso 2) e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, para manter a decisão recorrida no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e da CSLL apurados no segundo, terceiro e quarto trimestres de 1999, primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2000 e no primeiro trimestre de 2001, e para determinar o retorno dos autos a Delegacia da Receita Federal de origem, para que seja proferido outro despacho decisório quanto aos pagamentos relativos as quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001 e no primeiro e segundo trimestres de 2002. " ................................................................................................................... “Entretanto, o lançamento aqui apreciado diz respeito aos fatos geradores ocorridos em 29/06/2002 a 31/12/2002, uma vez que trata de valores escriturados pela contribuinte nesse período, conforme se vê as fls. 1.695 e 1.825 do Anexo II, Volume IV (Razão Volume II). Por consequência, o único período comum ao auto de infração aqui examinado e o auto de infração do PAF n° 10907.001984/200266 é o mês de junho. Assim, tendo em vista que já foi objeto de provimento definitivo por parte do CARF, deve ser excluída a exigência relativa as duas parcelas referentes ao mês de junho de 2002, a saber: Amortização da conta arrendamento, no valor de R$ 576.167,22 (fls. 1.695 do Razão volume HO, e Variação do Contrato de Arrendamento, no valor de R$ 4. 753.502,47 (fls. I. 825 do Razão volume IV). Entendo, portanto, que o que restou decidido alhures, mesmo tendo transitado em julgado com relação ao período de 1999 até o segundo trimestre de 2002, não vincula a decisão a ser proferida nestes autos, relativa a período posterior, mormente porque está evidente que aspectos relevantes dos fatos não foram levados pelo Relator ao exame dos demais membros da Turma, de sorte que aludida decisão se encontra assentada em premissas equivocadas e convicções pessoais divorciadas da técnica contábil. Assim, nada obsta que este Colegiado volte a apreciar a questão com relação a períodos posteriores e cada julgador decida com base em sua livre convicção, dispondo de plena liberdade de aferir a consistência do juízo lógico percorrido no voto condutor do Acórdão da CSRF. Estou persuadido, portanto, de que não constitui desacato a CSRF nova apreciação da matéria por parte deste Colegiado, em relação a período posterior, PRINCIPALMENTE EM FACE DA CONSTATAÇÃO DE QUE ASPECTOS RELEVANTES DA QUESTÃO FORAM IGNORADOS EM SEU JULGADO E NÃO FORAM LEVADOS PELO RELATOR AO CONHECIMENTO DOS DEMAIS CONSELHEIROS. ” Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 724 5 b.3) que o Acórdão 910100445, da 1°. Turma, (fls. 390) prolatado em 04/11/2009, por sua vez, traz em suas páginas 21 e 22, a seguinte decisão: “A PARTIR DE ABRIL DE 2001, momento em que o contribuinte assumiu os direitos e obrigações inerentes ao contrato de concessão É QUE LHE É POSSÍVEL PROCEDER ÀS RETIFICAÇÕES QUE DESEJA APLICAR EM SUA CONTABILIDADE. Para tanto, deverá o contribuinte: (i) Na data em que assumida a posição contratual (10/4/2001), deve o contribuinte considerar em conta de ativo permanente o seu direito à exploração do serviço e dos bens concedidos, avaliado pelo valor a ser quitado da obrigação para com o poder concedente. A contrapartida desse lançamento deverá ser feita em conta de passivo exigível a longo prazo. (ii) A dívida deverá ser amortizada, a cada período de apuração do imposto e da contribuição social, em parcelas iguais e durante o prazo restante do contrato de concessão. Os lançamentos devem ser feitos a crédito do ativo permanente e à débito em conta de despesa (valores dedutíveis da base de cálculo do imposto e da contribuição). (iii) Os lançamentos correspondentes às variações ativas (débito na conta de passivo exigível a longo prazo) e passivas (crédito na conta de passivo exigível) da dívida deverão ser lançadas contra contas de resultados (receitas ou despesas, se o caso), conforme o regime de competência. As variações passivas que estiverem expressamente previstas no contrato de concessão ou em seus termos aditivos serão dedutíveis no período em que contabilizadas. (iv) Os valores pagos ao poder concedente deverão ser lançados a crédito de disponíveis e a débito da conta de passivo exigível a longo prazo representativa da obrigação do Contribuinte em face do Poder Concedente. As instâncias a quo (Delegacia da Receita Federal de jurisdição do Contribuinte, Delegacia de Julgamento e Câmara recorrida) não apreciaram o procedimento do Contribuinte com base nas premissas acima declinadas pois entenderam que não seriam aplicáveis ao caso do Contribuinte. No que tange as quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001 e nos primeiro e segundo trimestres de 2002, pois, o pedido merece ser novamente apreciado, devendo a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do Contribuinte intimálo a demonstrar, com base nas premissas acima, o pagamento indevido do IRPJ e da CSLL cuja repetição pleiteia, para, então, proferir novo despacho decisório. Pelos fundamentos acima expostos, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte, para manter a decisão recorrida no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 1999, primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2000 e no primeiro trimestre de 2001, e para determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Fl. 727DF CARF MF 6 Federal de origem, para que seja proferido outro despacho decisório e quanto aos pagamentos relativos às quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro o e quarto trimestres de 2001 e nos primeiro e segundo trimestres de 2002 nos termos dos itens (i) a (iv) acima.”. b.4) que o Relator da DRJCuritiba reconhece que os fatos que foram a julgamento são os mesmos constantes do PAF que resultou no Acórdão da CSRF e em instância derradeira; b.5) que o Relator da DRJCuritiba, reconhece que houve TRÂNSITO EM JULGADO da decisão, mas NÃO RECONHECE OS EFEITOS JURÍDICO e ADMINISTRATIVO DO TRÂNSITO EM JULGADO; b.6) que o Relator da DRJCuritiba, passou por cima do comando contido no Acórdão da CSRF que DETERMINOU “o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para que seia proferido outro despacho decisório quanto aos pagamentos relativos às quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001 e no primeiro e segundo trimestres de 2002”; b.7) que esta determinação da CSRF implica no total refazimento dos Autos de Infração emitidos após essa data porque a base de atualizaçao monetária da contabilidade deverá ser ajustada tanto para trás quanto para frente, fato este que implicará no ajuste de todos os números envolvidos; b.8) que até o presente momento, a DRF de Paranaguá ou quiçá de Curitiba, não atenderam ao mandamento contido no decisum da CSRF! Fato este que, por si só, justifica o travamento, o não prosseguimento e até o cancelamento de TODOS OS PAF's, em desacordo com o decidido pela CSRF; b.9) que o Acórdão da CSRF decidiu: “A PARTIR DE ABRIL DE 2001, momento em que o contribuinte assumiu os direitos e obrigações inerentes ao contrato de concessão É QUE LHE É POSSÍVEL PROCEDER ÀS RETIFICAÇÕES QUE DESEJA APLICAR EM SUA CONTABILIDADE.(pag. 21, do Acórdão, fls. 400)”. Ou seja, do mês de abril de 2001 em diante, a Receita Federal do Brasil reconheceu e concedeu ao ora Recorrente, RETIFICAR A SUA CONTABILIDADE DE ACORDO COM O DECIDIDO NO ACÓRDÃO; b.10) que o Recorrente, em antecipação às providências que deveriam ( e ainda não o foram, até o presente momento) ter sido praticadas pela DRF de Paranaguá (ou Curitiba), refez sua contabilidade fiscal para o período determinado pela CSRF e incluiu os valores apurados na adesão que fez aos termos da Lei 11.941/2009, aguardando no momento a necessária consolidação dos valores fiscais ali apurados para posterior recolhimento aos cofres públicos; c) quanto a alegada natureza da concessão do contrato, que requer que as considerações da CSRF quanto a conclusão do contrato do TCP ser um contrato de CONCESSÃO e não de arrendamento, novamente prevaleçam sob pena de nunca mais findar se esta discussão que se arrasta por 9 anos; d) quanto a correta contabilização dos direitos e das obrigações decorrentes do contrato: d.1) que requer que todas as considerações feitas pela CSRF no corpo do Acórdão 910100445, da 1a. Turma, (fls. 390) prolatado em 04/11/2009, sejam mantidas em contraposiçao aos argumentos do Relator da DRJCuritiba; Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 725 7 d.2) que o Sr. Relator da DRJCuritiba, embasa e noticia seu raciocínio em cima da ICPC O8 Contratos de Concessão. Ocorre que essa ICPC trata de contabilização de proposta de pagamento de dividendos e não dos casos de concessão; d.3) que ao consultar o site específico do COSIF, em www.cosif.com.br, constatase que a referencia correta é a ICPC01, (motivada pelas regras internacionais de contabilidade IFRI 12), que trazia em seu bojo a NBCIT08, por fim convertida na Resolução 1261/2009; d.4) que tais normas contábeis datam de dezembro de 2009 e os fatos aqui analisados estão dentro do ano de 2002 (01/06/2002 a 31/12/2002); e) quanto à contabilização dos direitos e obrigações relativos a contratos de concessão: e.1) que o Relator da DRJCuritiba simplesmente gasta inúmeras linhas para mostrar toda a sua contrariedade quanto ao trabalho brilhante que fora desenvolvido pelo Sr. Relator da CSRF quando da decisão contida no Acórdão 910100445, da 1a. Turma; e.2) que o Relator valese, novamente, de uma série de normas e regras contábeis que foram editadas em dezembro de 2009 e algumas de 2010 e que, no seu entender, deveriam ter sido vistas e estudadas pelo Relator da CSRF, como se este fosse um mago portador de uma bola de cristal ou máquina do tempo e pudesse enxergar o que viria ainda a ser definido pelos órgãos normatizadores da contabilidade brasileira; e.3) que requer que essas observações e conclusões do Relator da DRJ Curitiba, sejam afastadas na solução do presente Recurso porque além de deixar bem claro a falta de respeito havida para com uma decisão de um órgão superior, embasa as suas conclusões em fatos supervenientes ao momento da discussao do aqui ocorrido; f) quanto ao lançamento no passivo do total estimado dos pagamentos previstos: f.1) que todas as conclusões aqui trazidas pelo Relator da DRJCuritiba, também estão fora de tempo, pois em 2002 não existiam as normas, princípios e raciocínios por ele trazidas no Relatório; f.2) que o Recorrente requer que as conclusões advindas do Acórdão 9101 00445, da 1ª Turma, (fls. 390) prolatado em 04/11/2009 pela CSRF sejam mantidas, assim como o entendimento do Recorrente em afirmar que foi correto lançar em seu passivo o valor de RS 150.000.000,00, porque este é o valor do contrato de concessão e corrigilo com base na variação do IGPM porque este foi o fator de correção ajustado no mesmo contrato; f3) que não é mencionado pelo Sr. Fiscal, este fator de correção, pelas suas características, em algumas oportunidades, obrigou o Recorrente a registrar receita de correção ao invés de despesa, face a variação negativa muitas vezes ocorrida com esse fator de atualização. E essa receita foi e ainda é integralmente oferecida à tributação como espécie de variação monetária ativa; f4) que a título de ilustração, quando o Sr. Relator da DRJCuritiba afirma veementemente que “Além do mais, não é possível estimar com algum grau de segurança nem mesmo as parcelas da APPA...etc" (fls.432), destacamos o comentário dos Auditores Fiscais, nas notas explicativas às demonstrações financeiras de 2007 e 2008, aqui juntadas como anexo na íntegra, mas para o destaque aqui exclusivo de que É POSSÍVEL SIM CALCULAR ESSES VALORES, tanto que a empresa de auditoria Ernest Young o fez (pag. 23 e 24); g) quanto às soluções de consulta e acórdão da CSRF: Fl. 729DF CARF MF 8 g.1) que todas as Soluções respaldam o procedimento adotado pelo TCP, assim como as conclusões da CSRF tão atacadas pelo Relator da DRJCWB; g.2) que o Relator traz a noticia do Processo CVM n° RJ2002/7805 (fls. 432 v) onde a empresa CCR Companhia de Concessões de Rodovias, controladora de ambas formulou consulta à CVM em que afirmou que a metodologia contábil por elas adotada provocava distorções na realidade patrimonial por força do aparecimento do Patrimônio Líquido Negativo em função dos prejuízos gerados pelo lançamento da correção de seu passivo; g.3) que um reparo histórico tem que ser feito, na época, em 2002, a CCR Companhia de Concessões de Rodovias estava se preparando para buscar capital de giro mediante o lançamento de novas ações no mercado e, a existência de patrimônio líquido negativo era um óbice à essa intenção e, por isso, mesmo com a correta solução de consulta dada pela Receita Federal, a empresa optou por desconsiderar o total das variações passivas e assim fazer um lucro “fictício” para poder se socorrer do aporte de capital que seria obtido através da colocação de novas ações no mercado acionário. h) que, com base no que dispõe o Código Tributário Nacional, artigos 156, IX combinado com o artigo 100, II, III e parágrafo único e mais a decisão constante do Acórdão 910100445, da 1a. Turma, (fls. 390) prolatado em 04/11/2009 pela CSRF, requer o Recorrente seja declarado extinto o presente processo administrativo, como medida de inteira Justiça. Na Sessão de 19 de janeiro de 2016, esta Turma, por maioria, vencido este Relator, converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução a fls. 637, para para que a autoridade local intimasse o sujeito passivo a regularizar a representação processual, mediante declaração de seus representantes legais convalidando o recurso voluntário já apresentado, o que foi feito pelos representantes legais da recorrentes no doc. a fls. 653.. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto S. Junior. O recurso é tempestivo e a dúvida acerca da regular representação processual da recorrente foi saneada pela diligência citada no relatório, razão pela qual voto por conhecer do recurso. Inicialmente, alerto que a autuação sub examine referese a lançamentos para redução: do prejuízo fiscal do AC 2002, do valor de R$ 65.164.286,19 para R$ 2.044.229,20; e da base negativa de CSLL do AC 2002, do valor de R$ 65.284.784,35 para R$ 2.164.727,36. As referidas reduções foram decorrentes das glosas feitas pela Fiscalização em despesas de amortização, no valor de R$ 4.687.422,76, e de variação monetária passiva, no valor de R$ 58.432.634,23, conforme autos de infração a fls. 170 e segs.. Desta forma, alerto que, embora o TVF (a fls. 182, in fine) afirme que estava extinguindo todos os saldos de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL acumulados até 31/12/2001, esta matéria não foi objeto dos lançamentos, objetos destes autos. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Em preliminar, a recorrente alega a nulidade do auto de infração, sob alegação de que: Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 726 9 a) houve ofensa ao princípio da certeza do direito ou da segurança jurídica, pois as decisões que forem prolatadas pelo CARF ou pela CSRF, não podem ser modificadas, contestadas ou não aceitas pelos órgãos fiscalizadores subalternos ou de instancia inferior, sob pena do estabelecimento do mais completo caos no relacionamento fisco e contribuinte; b) a DRJ de Curitiba contraria de forma contundente o que já foi decidido em Instância Superior (no nosso entendimento), afrontando de maneira absurda o princípio da segurança jurídica; c) o Acórdão 910100445, da 1° Turma da CSRF (efls. 401 e segs.) prolatado em 04/11/2009, determinou o retorno dos Autos a DRF de origem, fato este que até o presente momento não ocorreu e que se acontecer, sem dúvidas modificará todos os números aqui contidos; d) esta determinação da CSRF implica no total refazimento dos Autos de Infração emitidos após essa data porque a base de atualizaçao monetária da contabilidade deverá ser ajustada tanto para trás quanto para frente, fato este que implicará no ajuste de todos os números envolvidos; e) até o presente momento, a DRF de origem não atendeu ao mandamento contido no decisum da CSRF, fato este que, por si só, justifica o travamento, o não prosseguimento e até o cancelamento de TODOS OS PAF's, em desacordo com o decidido pela CSRF; f) o Acórdão da CSRF decidiu: “A PARTIR DE ABRIL DE 2001, momento em que o contribuinte assumiu os direitos e obrigações inerentes ao contrato de concessão É QUE LHE É POSSÍVEL PROCEDER ÀS RETIFICAÇÕES QUE DESEJA APLICAR EM SUA CONTABILIDADE.(pag. 21, do Acórdão, fls. 400)”. Ou seja, do mês de abril de 2001 em diante, a Receita Federal do Brasil reconheceu e concedeu ao ora Recorrente, RETIFICAR A SUA CONTABILIDADE DE ACORDO COM O DECIDIDO NO ACÓRDÃO. Antes de enfrentarmos a questão posta, há que se esclarecer qual o objeto dos autos em que foi proferido o Acórdão 910100445 da 1° Turma da CSRF, razão pela qual vale a transcrição dos seguintes trechos do relatório e voto condutor de tal julgado: “A empresa TCP TERMINAL DE CONTÊINERES DE PARANAGUÁ S.A. entrou em agosto de 2002 com Pedido de Restituição de IRPJ e CSLL, fls. 01/06, em razão de recolhimentos feitos indevidamente no período de junho de 1999 a junho de 2002, tendo em vista o prejuízo fiscal ocorrido no referido período. (...) Às fls. 96/100 ocorreu Despacho Decisório n° 15/2003 – SAORT da exarado pela Delegacia da Receita Federal em Paranaguá indeferindo o pedido, com a seguinte conclusão: ‘IV do lndeferimento do Pedido Desta forma, o contrato que o contribuinte possui com a APPA não pode ser caracterizado como arrendamento mercantil financeiro pelos seguintes motivos: no arrendamento mercantil financeiro é indispensável a presença de instituição financeira durante a operação de financiamento, sendo suas operações submetidas ao controle e fiscalização do Banco Fl. 731DF CARF MF 10 Central do Brasil, segundo normas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. o arrendatário não conta, ao final do contrato, com a opção de compra do bem arrendado, muito menos que este seja livremente pactuado. Pelos motivos expostos, uma vez que de acordo com a legislação aplicável o contrato entre a empresa TCP Terminal de Contêineres de Paranaguá e o Governo do Estado do Paraná por intermédio da APPA não pode ser caracterizado como uma operação de “arrendamento mercantil financeiro proponho o indeferimento do pedido de fl. 01.’ Inconformado com indeferimento da restituição, com ciência em 21/03/2003, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade protocolizado em 23/04/2003, em cujo arrazoado de fls. 107/l16 alega em apertada síntese o seguinte: A autora por licitação pública firmou contrato de concessão de serviço público denominado "Contrato de Arrendamento de Instalação Portuária" em 1997 com o Governo do Estado do Paraná, por intermédio da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). assumindo a responsabilidade de ampliar, modernizar e explorar onerosamente o terminal de contêineres e veiculos do Porto de Paranagua; Assumiu o compromisso irretratável e irrevogável de remunerar a APPA. durante o período de concessão, por 25 (vinte e cinco) anos, a quantia mínima de 150.000.000,00 (cento e cinquenta milhões de reais). devidamente corrigida, entre valores mensais e fixos e variáveis; Até 31 de dezembro de 2001, por erro, deixou de registrar contabilmente pelo regime de competência. (artigo 187, § 1°, a que está obrigada a observar, utilizandose do regime de caixa) esse direito contratual e também a correspondente obrigação nascida do contrato; Corrigiu o erro através do lançamento contábil do direito de utilização dos ativos do Poder concedente a débito de uma conta de ativo imobilizado. para ser amortizado em 25 anos e a obrigação (contrapartida do débito) a crédito de uma conta do passivo exigível de curto e longo prazos; Com as correções contábeis caracterizouse a existência de um prejuízo fiscal e contábil nos períodos anteriores de junho de 1999 a junho de 2002 e consequentemente um recolhimento indevido do IRPJ e da CSLL: Tudo foi confirmado pelo relatório da auditoria externa elaborado pela Ernest & Young, doc. fls. 117/ 1 32: Em momento algum o SAORT observou a necessidade da correção do procedimento contábil, limitandose a tentar distinguir a natureza jurídica do contrato, fato que não tem relação com o pedido de restituição; A real natureza jurídica do contrato discutido é de concessão pública e é de se notar que os recolhimentos se deram numa fase de préoperacionalidade da empresa, onde não poderia gerar qualquer tipo de resultados positivos. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 727 11 Em 05 de agosto de 2004, foi prolatado O Acórdão DRJ/CTA /nº 6.721. doc. fls. 466/480. onde a Autoridade Julgadora "a quo" indeferiu a solicitação de restituição expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: ‘(...) O arrendamento de instalações portuárias não materializa arrendamento financeiro. e sim arrendamento Operacional. Por essa razão, por forca da NBCT 10, do Conselho Federal de Contaltilidade. tais operações' caracterizamse, essencialmente, como uma operação de aluguel e seu contrato não deve ser objeto de inclusão nas contas patrimoniais, devendo ser controlado em contas de compensação. Nessa hipótese, são incorretos os lançamentos contábeis que registrem, no ativo diferido, o direito de explorar o terminal, em contrapartida ao registro no exigível da obrigação correspondente ao total das prestações assumidas relativamente a todo o período do arrendamento. (...) Tendo as partes pessoa jurídica de direito privado e autarquia estadual atribuído a vínculo contratual a natureza jurídica de "arrendamento", não compete à autoridade administrativa apreciar a alegação de que se trata de “contrato de concessão. Ademais, a medida seria inocúa, uma vez que não existe diretriz contábil determinando ou autorizando tratamento contábil excepcional para operações da espécie, envolvendo o reconhecimento imediato, no passivo, de todos os encargos que se tornarem devidos ao longo do prazo de vigência do vínculo Contratual. (...) Por força do § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, não podem ser registrados no ativo diferido recursos a serem amortizados em prazo superior a dez anos.’ (...) No que interessa a essa instância recursal, o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário da Contribuinte por entender que, embora ‘o contrato do contribuinte com o Estado do Paraná, por intermédio da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), se enquadre na natureza jurídica típica dos contratos de concessão, independente da denominação (...)’, ‘não se verificou fato algum que merecesse registro contábil, mas apenas um ato administrativo, para o qual se deu o registro contábil como se fosse fato modificativo do patrimônio da pessoa juridica’. Consignou o r. voto condutor do aresto recorrido que "os pagamentos mensais é que deveriam ser contabilizados como custos operacionais. (...) VOTO (...) No particular, registro que não é fundamento do arresto recorrido a impossibilidade de registrar em conta de ativo direitos que devem ser amortizados em mais de dez anos. Não bastasse, vale notar que em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, os contratos de concessão Fl. 733DF CARF MF 12 são de 30() e 240 meses, respectivamente, sendo que o acórdão paradigma prevê a amortização do ativo no prazo contratual, ou seja, 240 meses, muito superior ao prazo apontado pela Fazenda Nacional (dez anos). Restou consignado, outrossim, que a natureza da relação contratual entre autarquia estadual e a Contribuinte é de contrato de concessãol, situação fática similar à do precedente trazido como paradigma. Em ambos os feitos os contratos referemse a concessão de serviço público, divergindo apenas no entendimento de sua contabilização: recorrido, lançamento dos valores pagos mensalmente como despesa do período; ou paradigma, lançamento do valor da concessão no ativo diferido e no passivo (exigível a longo prazo), com as conseqüências tributárias respectivas. (...) Conforme se depreende do exame dos autos, o contrato de concessão de que trata o caso envolvia, inicialmente, o consórcio Redram/Transbrasa. Pelos termos do Segundo Termo Aditivo ao Contrato (fls. 230/234), a composição societária do consórcio concessionário foi alterada, e este (consórcio) recebeu nova denominação social (TEVECOM). Posteriormente, em 10/4/2001 (Terceiro Termo Aditivo, fls. 236/240), o consórcio transferiu o contrato para a TCP Terminal de Contêineres de Paranaguá S.A., pessoa jurídica interessada nos autos. Assim, a Recorrente adquiriu o direito de explorar econômica e financeiramente o terminal público, por meio da autarquia Administração dos Portos de Antonina e Paranaguá APPA, pelo prazo de 25 anos, conforme edital e lance vencedor das empresas/consórcio cessionário. A concessão de serviço público, precedida de execução de obra pública, caso da recorrente, e regulada pela Lei n° 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão de serviços públicos previstos no artigo 175 da Constituição Federal. Segundo o inciso III do artigo 2° do referido diploma legal, a concessão de serviço público, precedida da execução de obra pública, compreende a "construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse publico, delegada pelo Poder Concedente. mediante licitação. na modalidade de concorrência. a pessoa juridica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco. de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do .serviço ou da obra por prazo determinado”. (...) Não se pode negar que a pessoa jurídica concessionária (originalmente o Consórcio Redram/Tranbrasa e, posteriormente, o Contribuinte Recorrente) assumiram direitos e obrigações em face do poder concedente, in casu, o Estado do Paraná, por intermédio do contrato de concessão que é objeto destes autos. (...) Por sua vez, o contrato também é claro quanto às obrigações assumidas pela pessoa jurídica concessionária em face ao poder Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 728 13 concedente, quais sejam: (i) a de realizar investimentos na infra estrutura do terminal já existente (cláusula sétima); (ii) a de observar os limites de preço estabelecidos no contrato (cláusula nona); (iii) a de remunerar a autarquia que intermedeia a concessão (cláusula décima segunda c/c cláusulas oitava e décima primeira, cláusula décima terceira e cláusula décima quarta), etc. Peço vênia para transcrever as cláusulas referidas, verbis: (...) Percebese, pois, que tanto o prazo da concessão quanto o pagamento do preço assumido pela concessionária estão intimamente relacionados, não sendo possível afirmar que cada uma das parcelas mensais do preço se referiria à exploração do sistema em determinado mês. Na seara contábil, ainda é bastante controvertida a forma de contabilização dos direitos e obrigações oriundos de concessões governamentais. Digase, nesse particular, que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) submeteu à audiência pública uma minuta de deliberação com objetivo de tornar obrigatório às companhias abertas Pronunciamento elaborado pelo Instituto Brasileiro de Contadores (IBRACON) acerca do tema (minuta de deliberação e parecer juntados aos autos pelo Recorrente, fls. 455/465). Não se obteve consenso acerca da oportunidade de adotar o referida deliberação, de modo que, mais recentemente (em 24 de setembro de 2009), a CVM submeteu a audiência pública nova minuta de deliberação sobre o tema, desta vez para tornar obrigatório às companhias abertas observarem a Interpretação Técnica ICPC O1,emitida pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), de conteúdo bastante distinto daquele parecer elaborado anteriormente pelo IBRACON. (...) Resta evidente que os encargos da concessão assumem, desde a assinatura do contrato, a natureza de despesas incorridas para a obtenção da exploração do sistema portuário. Não será a exploração da concessão em si mesma que fará nascer à concessionária o dever de pagamento do preço, pelo contrário, é o próprio comprometimento ao pagamento do preço, ainda que a termo, que possibilita a obtenção do direito de explorar a concessão e por tal ser remunerada pelo prazo de 25 anos. Por tais fatos, na assinatura do contrato, a totalidade do preço da concessão, qualquer que fosse cronograma de pagamentos, deve ser reconhecida em contrapartida a conta de ativo que registre o respectivo direito de exploração. A existência da obrigação correspondente a ser registrada como passivo denota que a Recorrente não pode evitar o desembolso com tal obrigação, uma vez que tal conduta acarretaria imposição de sérias penalidades conforme disposto no edital e no contrato. Sendo a empresa de objeto específico e exclusivo e com tempo de vida condicionado ao prazo da concessão, seu balanço refletirã no ativo e passivo somente aqueles relacionados com as atividades fim, Fl. 735DF CARF MF 14 registrando no ativo o valorçda concessão, amortizável no prazo contratual e, no passivo a obrigação contraída. A parcela assumida correspondente ao direito adquirido pelo concessionário de explorar o serviço e extrair os benefícios econômicos, que constitui uma obrigação assumida, prevista no edital e na proposta vencedora, posteriormente estabelecida em contrato, representa um passivo, perfeitamente quantificãvel em valor e prazo, estando sujeito a garantias prestadas nos termos contratuais. (...) Em conclusão, portanto, a quantia paga ou devida ao Poder Concedente pela concessão do direito de exploração submetese ao regime de amortização, pelo prazo de duração do direito. O direito de exploração da atividade concedida é registrado no ativo permanente. em contrapartida a uma conta de passivo exigível representativa da obrigação assumida pela concessionária, pelo valor pago ou devido ao Poder Concedente. O valor do ativo é amortizado em parcelas iguais, pelo prazo de duração do contrato de concessão, aplicandose os arts. 301 e 325 do RIR/99 que assim dispõem, verbis: (...) Por sua vez, as variações ativas ou passivas a que se sujeita a obrigação assumida pela concessionária em face do Poder Concedente devem ser registradas na conta patrimonial representativa de referida dívida, a contrapartida de resultado, de acordo com o regime de competência, nos termos dos arts. 375 e 377 do RIR/99, verbis: (...) Tal entendimento encontra respaldo em soluções de consulta formuladas pela própria Receita Federal do Brasil. Vejase, nesse sentido, ementa da Solução de Consulta n. 291/2007, proferida pela DISIT/SRRF 8" RF, verbis: ‘SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 29I de 29 Junho de 2007 EMENTA: CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO. AMORTIZAÇÃO. A quantia paga ou devida ao Poder Público, pela concessão de serviço por prazo determinado submetese ao ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Juridica – IRPJ regime de amortização pelo prazo de duração do direito. Havendo financiamento os encargos a ele referentes. tais como a correção do valor da moeda pelo índice contratualmente ajustado. podem ser deduzidos. pelo regime de competência como despesa financeira.’ (...) As considerações supra não significam provimento integral ao recurso da Contribuinte. Conforme salientado linhas acima, o contrato de concessão envolveu, inicialmente, o consórcio Redram / Transbrasa. Pelos termos do Segundo Termo Aditivo ao Contrato (fls. 230/234), a composição societária do consórcio concessionário foi alterada, e o mesmo recebeu nova denominação social (TEVECOM). Posteriormente, em 10/4/2001 (Terceiro Termo Aditivo, fls. 236/240), o consórcio concessionário transferiu o contrato para a TCP Terminal de Contêineres de Paranaguá S.A., pessoa jurídica interessada nos autos. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 729 15 (...) Se o Contribuinte Recorrente assumiu a posiçao de concessionário apenas em 10/4/2001, não é possível que os direitos e as obrigações a ele inerentes tenham causado reflexos sobre períodos de apuração anteriores à data da assunção da posição contratual (i.e. anteriores ao mês de março de 2001). Se a retificação da forma de contabilização dos efeitos patrimoniais levou o Contribuinte a apurar prejuízo contábil e fiscal, por certo que o prejuízo somente pode ter sido verificado a partir do momento em que o Contribuinte era parte do contrato, não antes. (...) Por estas razões, no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 1999, primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2000 e no primeiro trimestre de 2001, o pedido de restituição deve ser indeferido. A partir de abril de 200.1., momento em que o contribuinte assumiu os direitos e obrigações inerentes ao contrato de concessão é que lhe é possível proceder às retificações que deseja aplicar em sua contabilidade. Para tanto, deverá o contribuinte: (i) Na data em que assumida a posição contratual (10/4/2001), deve o contribuinte considerar em conta de ativo permanente o seu direito à exploração do serviço e dos bens concedidos, avaliado pelo valor a ser quitado da obrigação para com o poder concedente. A contrapartida desse lançamento deverá ser feita em conta de passivo exigível a longo prazo. (ii) A dívida deverá ser amortizada, a cada período de apuração do imposto e da contribuição social, em parcelas iguais e durante o prazo restante do contrato de concessão. Os lançamentos devem ser feitos a crédito do ativo permanente e à débito em conta de despesa (valores dedutíveis da base de cálculo do imposto e da contribuição). (iii) Os lançamentos correspondentes às variações ativas (débito na conta de passivo exigível a longo prazo) e passivas (crédito na conta de passivo exigível) da dívida deverão ser lançadas contra contas de resultados (receitas ou despesas, se o caso), conforme o regime de competência. As variações passivas que estiverem expressamente previstas no contrato de concessão ou em seus termos aditivos serão dedutíveis no período em que contabilizadas. (iv) Os valores pagos ao poder concedente deverão ser lançados a crédito de disponíveis e a débito da conta de passivo exigível a longo prazo representativa da obrigação do Contribuinte em face do Poder Concedente. As instâncias a quo (Delegacia da Receita Federal de jurisdição do Contribuinte, Delegacia de Julgamento e Câmara recorrida) não apreciaram o procedimento do Contribuinte com base nas premissas acima declinadas pois entenderam que não seriam aplicáveis ao caso do Contribuinte. Fl. 737DF CARF MF 16 No que tange as quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2001 e nos primeiro e segundo trimestres de 2002, pois, o pedido merece ser novamente apreciado, devendo a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do Contribuinte intimálo a demonstrar, com base nas premissas acima, o pagamento indevido do IRPJ e da CSLL cuja repetição pleiteia, para, então, proferir novo despacho decisório.”. Pelos fundamentos acima expostos, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte, para manter a decisão recorrida no que tange aos pagamentos das quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro e quarto trimestres de 1999, primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres de 2000 e no primeiro trimestre de 2001, e para determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para que seja proferido outro despacho decisório e quanto aos pagamentos relativos às quotas do IRPJ e da CSLL apurados nos segundo, terceiro o e quarto trimestres de 2001 e nos primeiro e segundo trimestres de 2002 nos termos dos itens (i) a (iv) acima.” Atendome apenas as questões preliminares, vale ressaltar que os presentes autos tem como objeto lançamentos para reduzir prejuízo fiscal e base negativa de 2002, enquanto que o objeto do Acórdão 910100445 era o pedido de restituição dos valores pagos de IRPJ e CSLL até junho de 2002. É verdade que os dois autos analisaram a procedência do prejuízo fiscal e base negativa apurados pelo contribuinte, porém, uma decisão em pedido de restituição jamais teria o condão de reduzir ou restabelecer o prejuízo fiscal e base negativa apurados pelo contribuinte, pois, para tanto, é exigida a lavratura de auto de infração. Logo, é nestes autos que a matéria está sendo frontalmente enfrentada, pois, nos autos em que se julgou o pedido de restituição, ela se revestia apenas de fundamento de decisão. Ademais, cabe esclarecer que não existe “coisa julgada material administrativa”, pois a matéria poderá, no caso de lançamento tributário, ser sempre objeto de reexame dentro do prazo decadencial, desde que autorizado pelo Delegado ou Superintendente da Receita Federal. No caso em tela, houve essa autorização de reexame (doc. a fls. 52), pois a recorrente já tinha sido auditada anteriormente, com relação ao mesmo fato gerador (2002), se não vejamos o que informa o TVF a fls. 180: “O período objeto deste lançamento parcial, ano calendário 2002, já foi objeto de ação fiscal. Na ação fiscal anterior foi arbitrado o lucro deste período, em funções de irregularidades na escrituração. Porém, o Egrégio Conselho de Contribuintes achou por bem cancelar a exigência fiscal decorrente deste arbitramento, sendo que o contribuinte tomou ciência deste acórdão em 01/11/07. Assim sendo, o Dr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Curitiba autorizou o reexame deste período, para ser analisado o resultado contábil apurado pelo contribuinte em sua escrita, pois é de conhecimento desta repartição a pretensão do contribuinte em pleitear a existência de elevadas somas relativas a prejuízo fiscal e base negativa de CSLL.”. Notese que não seria necessário a autorização de reexame se o único processo anterior a estes autos fosse aquele que versou sobre restituição, justamente porque o objeto deste não se refere nem a constituição de tributo nem de redução de prejuízo fiscal/base negativa. Se não há coisa julgada material administrativa, por outro lado, a decisão Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 730 17 administrativa em face da qual não cabe mais recursos administrativos é definitiva no processo em que proferida – coisa julgada formal administrativa, mas jamais será conferida natureza de imutabilidade às conclusões do decisum. Outra questão que deve ser ressaltada, embora não tenha sido alegada, referese ao art. 146 do CTN, o qual, in casu, não era obstáculo para o lançamento em tela, pois tal dispositivo veda o lançamento calcado em novo critério jurídico fixado por decisão administrativa que analisou o mesmo fato gerador, sendo que o lançamento em tela não adotou o critério jurídico que serviu de fundamento ao Acórdão 910100445, nem esse tratou de lançamento tributário, mas de pedido de repetição de indébito. Assim, não havia porque levar em conta o que fora decidido no Acórdão 910100445, o qual julgou restituições até junho de 2002, razão pela qual entendo perfeitas as conclusões do Redator do voto vencedor do acórdão recorrido, quando restabeleceu as bases tributáveis do mês de junho 2002, único mês que foi objeto tanto do lançamento que ora se trata, como do Acórdão 910100445. Alerto que as glosas feitas pela autuante foram nas despesas de amortização e variação monetária passiva contabilizadas de junho a dezembro de 2002. Por último, a decisão proferida no Acórdão 910100445 não tem efeitos normativos nem reflete uma prática reiterada observada pela autoridade administrativa, logo inaplicável, in casu, o art. 100, II, III e parágrafo único, do CTN, como suscitado pelo recorrente. Por esses motivos, voto por afastar as preliminares de nulidadades suscitadas, tanto no que se refere a nulidade do auto de infração quanto à alegação de ofensa à segurança jurídica. DO MÉRITO O mérito reside em saber, primeiro, qual a natureza jurídica do contrato celebrado entre a recorrente e a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). Conforme já dito alhures, o contrato em tela foi celebrado entre o consórcio Redram/Transbrasa (doc. a fls. 75 e segs.), sendo que, pelos termos do Segundo Termo Aditivo ao Contrato (fls. 107 e segs.), a composição societária do consórcio concessionário foi alterada, e este (consórcio) recebeu nova denominação social (TEVECOM) e, pelo Terceiro Termo Aditivo (a fls. 112 e segs.), em 10/4/2001, o consórcio transferiu o contrato para a recorrente. Da simples leitura do contrato a fls. 75 e segs., facilmente se verifica que não se trata aqui, puro e simplesmente, de um contrato de arrendamento, como sustentou o autuante. Ora, basta verificar que também faz parte do objeto do contrato a prestação de serviços públicos que a arrendatária terá que oferecer a particulares (operações portuárias), tanto que a Cláusula Vigésima Terceira prevê a possibilidade de intervenção da APPA nas atividades da recorrente, o que só se justificaria pela primazia do interesse público na prestação do referido serviço. Tanto é assim que o Edital de Concorrência 009/97 ( a fls. 250 e segs.) que precedeu à contratação pela APPA de um arrendatário dispõe no seu item 01.08.00 o seguinte: “01.08.00 O arrendamento constitui um projeto de investimento, destinandose a investidores que tenham capacidade para financiar e implementar a ampliação, a modemização e o aparelhamento das INSTALAÇOES. 01.09.00 Além disto, os investidores devem ter capacidade técnica para executar a movimentação e annazenagem de veiculos e de Fl. 739DF CARF MF 18 contêineres e capacidade administrativa e empresarial para gerenciar, com êxito, a exploração das INSTALAÇÕES, nos terrnos definidos neste EDITAL. 01.10.00 _ Ressaltese que só será autorizado o início das operações das INSTALAÇOES após a celebração do contrato de arrendamento, nas condições previstas neste EDITAL.”. Por sua vez, o preâmbulo do Edital assim dispõe: “CONCORRÊNCIA INTERNACIONAL; tipo de melhor oferta, objetivando proceder o arrendamento de instalações portuárias, localizadas no Porto de Paranaquá, destinadas a implantação de um Terminal de Veiculos Automotivos e Contêineres, de acordo com as condições particulares deste Edital e seus Anexos com as disposições das Leis Federais n°. 8.666 de 21 de junho de 1993, 8.630, de 25 de fevereiro de 1993 e DecretoLei n°. 9.760, de 05 de setembro de 1946, e demais nom1as em vigor que regem a espécie, ocasião em que será efetuada a abertura dos envelopes contendo os DOCUMENTOS PARA HABILITAÇÃO, e marcada a data para a abertura dos envelopes contendo as PROPOSTAS COMERCIAIS.” Notese que o Edital dispõe que a licitação obedecerá o DecretoLei nº 9.760/46, o que poderia levar a concluir que estamos diante unicamente de um arrendamento de bem público, porém, se assim fosse, não haveria porque também ser citada a Lei 8.630/93. Sobre a natureza jurídica que se estabeleceu entre a recorrente e APPA, é bastante esclarecedor o seguinte trecho do artigo da lavra de Flávio Amaral Garcia e Rafael Véras de Freitas, publicado na Revista de Direito Público da Economia – RDPE nº 47, p. 96 e segs., in verbis: “O sistema de exploração da infraestrutura portuária se inicia a partir do art. 20, VII, da Constituição Federal: Art. 20. São bens da União: [...] VII – os terrenos de marinha e seus acrescidos; Esses terrenos fronteiriços ao oceano sempre possuíram uma afetação natural à defesa do território nacional e à construção de instalações portuária. Sua definição remonta ao Aviso Imperial de 12 de julho de 1833, que neles incluía todos os terrenos “que, banhados pelas águas do mar ou dos rios navegáveis, em sua foz, vão até a distância de 33 metros para a parte das terras, contados desde o ponto em que chega o preamar médio”. Essa qualificação dos terrenos de marinha como um bem público federal tem como consequência prática a necessidade de os interessados em explorar infraestruturas portuárias terem de requerer ao Serviço do Patrimônio da União (SPU) um título habilitante para tanto, usualmente materializado por contratos de aforamento, consoante determina o disposto no art. 9º do Decreto nº 9.760, de 05 de setembro de 1946.22 Prosseguindo, o art. 22, X, da Carta Constitucional confere à União a competência privativa para legislar sobre o regime dos portos: Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: [...] X – regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial; Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 731 19 E, complementando o desenho constitucional da infraestrutura portuária, o art. 21, XII, “f”: Art. 21. Compete à União: [...] XII – explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: [...] f) os portos marítimos, fluviais e lacustres; Ora bem, extraise do dispositivo constitucional uma dualidade de regimes jurídicos para a exploração da infraestrutura portuária: o dos serviços públicos e a das atividades econômicas. Exposto em outros termos, quando a exploração dos serviços portuários for delegada para o setor privado, por meio dos institutos da “concessão” e da “permissão”, terseá, consoante o disposto no art. 17524 da Constituição da República, a delegação de um serviço público, os quais serão informados pelo conceito constitucional de serviço público adequado (art. 175, parágrafo único, IV, da CRFB). Por outro lado, quando a exploração desses serviços for delegada pela via da “autorização”, tratarseá uma atividade econômica em sentido estrito, que sofrerá os influxos da regulação estatal. O ponto será doravante aprofundado, mas pretendese, à partida, fixar a premissa de que foi a própria Constituição da República que previu duas modalidades com contornos distintos de exploração dos serviços portuários. A rigor, o legislador infraconstitucional apenas deu concretude a uma diretriz extraída do texto constitucional. Daí poderse afirmar que, tanto o regime instituído pela revogada Lei nº 8.630/1993, como o da novel Lei nº 12.815/2013, ao preverem uma dualidade de regime para a exploração portuária, por meio de concessões e de autorizações, não estão inquinados pela pecha da inconstitucionalidade. É dizer: a “autorização” para o exercício de uma atividade privada de interesse público não subverte a ordem constitucional brasileira; ao revés, materializa uma ponderação entre o princípio da liberdade de iniciativa (fundamento da República e da ordem econômica, artigos 1º, IV, e 170 da CRFB), e o exercício da função de polícia administrativa, função estatal atrelada ao princípio da legalidade administrativa (previsto no art. 37 da CRFB). O Marco Regulatório do Setor Portuário — tanto o revogado como o em vigor — foi elaborado com a incorporação das mutações ocorridas no Direito Administrativo Econômico e, em especial nos contornos do “serviço público”, agora orientado por uma lógica predominantemente concorrencial. (...) Sob a égide da Lei nº 8.630/1993, como já demonstrado, a exploração da infraestrutura portuária era levada a efeito por contratos de arrendamento e por autorizações para a exploração de terminais privativos. Aqueles prestadores de serviços públicos; estes exploradores de atividades econômicas em sentido estrito. Havia, ainda, outra peculiaridade na assimetria regulatória consagrada no diploma revogado: a exploração privada de infraestruturas portuárias ocorria por intermédio de terminais Fl. 741DF CARF MF 20 privativos de uso exclusivo, destinados à movimentação da “carga própria”, e de terminais privativos de uso misto, destinados à movimentação de “carga própria” e de “carga de terceiro”. (...) Como se sabe, sob a vigência da Lei nº 8.630/1993, o conceito de “Porto Organizado” estava relacionado à afetação de uma infraestrutura à prestação dos serviços portuários, tanto os de natureza pública, prestados por arrendatários, como os de natureza de atividade econômica em sentido estrito, prestados pelos autorizatários (então terminais privativos), sendo ambos sujeitos às determinações de uma autoridade portuária. (...) Mas ressaltese que, malgrado o concessionário exerça a função de polícia administrativa, isso não desvirtua a qualidade de delegação de serviços públicos da concessão do Porto Organizado, como ressaltado por Marçal Justen Filho, ainda sob a égide da Lei nº 8.630/1993: A concessão de porto significa a delegação à iniciativa privada da competência (deverpoder) para organizar e explorar esse conjunto heterogêneo de atividades, bens e sujeitos, tendo por objeto a instituição e a exploração de um porto. Portanto, continuará a existir um porto público, mas a sua gestão farseá por meio de atuação de um particular. A concessão do porto significa a instituição de uma unidade econômica disciplinada pelo direito privado. E assim se afirma precisamente porque o instituto da delegação não altera a natureza jurídica do objeto delegado. (...) Nos termos do art. 2º, XI, da Lei nº 12.815/2013, o contrato de arrendamento das instalações portuárias se configura como a “cessão onerosa de área e infraestrutura públicas localizadas dentro do Porto Organizado, para exploração por prazo determinado”. Não se trata de um típico contrato de arrendamento de bem público, por meio do qual o arrendatário explora os frutos de determinada propriedade pública, mediante condições especiais, aprovadas pelo Ministro da Fazenda, por prazo superior a 20 anos (art. 96, parágrafo único, do DecretoLei nº 9.760/1946, com a redação dada pela Lei nº 11.314/2006). Cuidase, na verdade, de um contrato que veicula um serviço público, por meio do qual a Administração pública transfere não só o uso de determinado bem público, mas, também, a prestação de um serviço de sua titularidade (art. 21, XII, “f”, da CRFB). Nesse sentido, importante relembrar o entendimento de Alexandre Santos de Aragão sobre os contratos de arrendamento sob a vigência da Lei nº 8.630/1993, mas que continua, plenamente, compatível com a sua disciplina no Novo Marco Regulatório: “Atreladas ao arrendamento encontramse exigências relativas a quantidades, padrões e metas mínimas, e que a exploração e percepção de frutos decorrentes desse serviço pelo particular constituem um dever, e não apenas uma faculdade oferecida ao arrendatário, não tendo essa liberdade sobre a forma como melhor aproveitar a exploração do bem concedido. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 732 21 À medida que tais contratos são celebrados em parcelas territoriais do “Porto Organizado”, é possível assentar que tais ajustes têm natureza de uma subconcessão de serviços públicos, posto que estão, necessariamente, vinculadas à concessão do serviço público portuário, prestado na infraestrutura do “Porto Organizado”; daí por que se aplica a tais contratos, supletivamente, o art. 26 da Lei nº 8.987/1995, a seguir transcrito: Art. 26. É admitida a subconcessão, nos termos previstos no contrato de concessão, desde que expressamente autorizada pelo poder concedente. §1º A outorga de subconcessão será sempre precedida de concorrência. §2º O subconcessionário se subrogará todos os direitos e obrigações da subconcedente dentro dos limites da subconcessão. Mas não se trata de uma subconcessão de serviços públicos tradicional, na qual não existe vínculo jurídico de Direito Público entre concessionário e subconcessionário. O arrendamento portuário se configura como o que Marçal Justen Filho denomina de uma “subconcessão imprópria”, na medida em que o concessionário exercerá a função de autoridade portuária, exercendo parcela da função de polícia administrativa em face dos arrendatários (art. 4º, I e II, do Decreto nº 8.033/2013). Outra razão pela qual se entende que o arrendamento portuário tem natureza jurídica de uma subconcessão imprópria é a que estabelece, nos contratos de arrendamento portuário, uma relação direta entre Poder Concedente (a União) e os subconcessionários (arrendatário). E isso se justifica, pois o arrendatário irá prestar um serviço público de titularidade da União.” Aliás, notese que, em todos os Termos Aditivos, houve a interveniência da União, representada, naqueles atos, pelo Ministro de Estado dos Transportes. Nesse sentido, vale também transcrever os seguintes itens do Edital 009/97, in verbis: 02.01.00. São adotadas as siglas, expressões e termos que terão o significado que a mas é apontado, sem prejuizo de outras inseridas neste EDITAL e seus Anexos ou, ainda, na legislação aplicável: (...) V APPA: a entidade para a qual foi delegada a administração e a exploração do Porto de Paranaguá, com a qual será celebrado o contrato de arrendamento; VI Porto Organizado: o construído e aparelhado para atender as necessidades da navegação e da movimentação e armazenagem de mercadorias, concedido, explorado ou delegado pela União, cujo tráfego e operações estejam sob a jurisdição de uma autoridade portuária; VII Porto de Paranaguá: o porto organizado para as finalidades referidas no inciso anterior: (...) IX infraestrutura do Porto de Paranaguá: a compreendida por todas as instalações portuárias, quais sejam, ancoradouros, docas, cais, Fl. 743DF CARF MF 22 pontes e piers de atracação e acostagem, terrenos, amiazéns, edificações e vias de circulação intema, bem como pela infra estnrtura de proteção e acesso aquaviário ao Porto, tais como canais, bacias de evolução e áreas de fundeio que devam ser mantidas pela Administração do Porto, no caso a APPA; (...) XI Instalações ou Terminal: O conjunto de instalações portuárias a serem arrendadas; XII Operação Portuária: a movimentação e armazenagem de cargas destinadas ou provenientes de tráfego aquaviário, realizadas nas instalações portuárias a serem anendadas ou dentro da área do Porto de Paranaguá; Xlll Operadora Portuária: a qualidade a ser atribuida à Licitante vencedora ou à sociedade arrendatária a ser constituída pela mesma, por intermédio da qual a mesma ficará préqualificada para realizar operações portuárias dentro da área do Porto de Paranaguá, para os fins previstos no art. 9° da Lei n° 8.630, de 1993; XIV Arrendatária: a Licitante vencedora desta Licitação ou a sociedade a ser por ela constituída, com a qual será celebrado o contrato de arrendamento previsto neste EDITAL; XV Poder Concedente: a União, por intemédio do órgão setorial competente; XVI Poder Regulamentar: o poder inerente a determinadas autoridades de expedir os regulamentos do porto organizado, na forma e para os fins previstos em lei; XVII Autoridade Portuária: a APPA; ............................................................................................................” A Cláusula Quarta do contrato em tela expressamente dispõe que a exploração do terminal pela recorrente farseia no regime previsto do inciso I do § 2º do art. 4º de tal Lei 8.630/93, ou seja, na modalidade de uso público das instalações portuárias, razão pela qual, concluo que estamos diante de uma subconcessão imprópria de serviços públicos. Não estamos diante nem de um simples arrendamento de bem público nem de uma concessão ou subconcessão tradicional, mas, sim, de uma subconcessão imprópria. Uma vez concluído que estamos a tratar de uma subconcessão imprópria de serviços públicos, cabe verificar se estaria a recorrente autorizada, pela legislação tributária, a adotar contabilização do contrato com a APPA da forma como se operou. Inicialmente, ressalto que a solução para a questão posta a julgamento não se encontra em atos da Comissão de Valores Mobiliários nem muito menos em Resolução do Conselho Federal de Contabilidade, mas na Lei, pois se estamos a tratar de base tributável, não há que se perquirir outra fonte se não a Lei, salvo em caráter acessório a esta. O art. 325, I, b, do RIR/99, cuja base legal é o art. 58 da Lei 4.506/64, assim dispõe: “Art. 325. Poderão ser amortizados: I o capital aplicado na aquisição de direitos cuja existência ou exercício tenha duração limitada, ou de bens cuja utilização pelo contribuinte tenha o prazo legal ou contratualmente limitado, tais como: (...) b) investimento em bens que, nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de serviço público, devem reverter ao poder concedente, ao fim do prazo da concessão, sem indenização; .......................................................................................................................” Ora, por essa norma, verificamos que o recorrente poderia ativar o capital Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10907.000043/200809 Acórdão n.º 1302002.000 S1C3T2 Fl. 733 23 aplicado na aquisição dos direitos de exploração da concessão, para ser amortizado durante a vigência do contrato de concessão, como também, os investimentos em bens que, ao final da concessão, fossem revertidos ao poder público. In casu, não estamos diante de uma concessão ou subconcessão tradicional de serviços públicos, mas de subconcessão imprópria, nas palavras de Justen Marçal. Não obstante, entendo que essa particularidade é irrelevante quando se trata no direito de a recorrente ativar investimentos em bens, na medida em que todos os investimentos realizados pela arrendatária (recorrente) serão revertidos ao concedente ao final da subconcessão. A Cláusula Sétima do Contrato em tela (a fls. 77/78) dispõe que a arrendatária deverá realizar investimentos na modernização do terminal, compreendendo a execução de obras de infraestrutura e aparelhamento das instalações a serem arrendadas, nos prazos e nas condições definidas. Isso, porém, não quer dizer que a recorrente pudesse registrar no ativo tais investimentos antes de eles serem executados. Com efeito, não houve capital aplicado na aquisição do direito de exploração dos serviços no momento da assinatura do contrato, logo, à luz do art. 325, I, do RIR/99, não havia que ser feito qualquer registro no ativo. A Cláusula Décima Terceira do contrato é fruto dessa natureza híbrida do contrato, no qual se funde uma subconcessão de serviços portuários e arrendamento de bem público, pois a remuneração ali estabelecida é tipicamente vinculada ao uso do bem pela sua exploração econômica e, não, pela aquisição do direito de exploração do serviço portuário. Tanto é assim que o item 12.00.00 do Edital 009/97 assim dispõe: “12.00.00 DA REMUNERAÇÃO DA APPA 12.01.00 A Licitante deve considerar que arcará, durante todo o prazo de vigência do contrato de arrendamento, com o pagamento de remuneração à APPA, em decorrência do uso, gozo e fruição das INSTALAÇÕES PORTUÁRIAS a serem arrendadas, assim como da infraestrutura terrestre a ser utilizada ou posta à disposição do TERMINAL, composta das seguintes partes: a) uma parte fixa, no valor mensal de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), correspondente à utilização de 120.000 m (cento e vinte mil quadrados) da área aterrada (Área 1 e Área 2 – Anexo II) a ser arrendada, à razão de R$ 0,50 (cinquenta centavos de real) por metro quadrado. b) uma parte fixa, à partir da data de conclusão do aterramento, no valor mensal de R$ 50.640,00 (cinqüenta mil, seiscentos e quarenta reais), correspondente à utilização de 101.280 m2 (cento e um mil, duzentos e oitenta metros quadrados) da área a ser arrendada (Área 3 Anexo ll), à razão de R$ 0,50 (cinqüenta centavos de real) por metro quadrado; c) uma parte fixa, à partir da data de conclusão do aterramento, no valor mensal de R$ 88.000,00 (trinta e seis mil reais), correspondente à utilização de 72.000 m2 (setenta e dois mil metros quadrados) da área a ser arrendada (Area 4 Anexo II), à razão de R$ 0,50 (cinqüenta centavos de real) por metro quadrado; d) uma parte variável, correspondente a RS 15,00 (quinze reais), por cada contëiner (20 pés e 40 pés) movimentado no mês; e) uma parte variável, conespondente a R$ 10,00 (dez reais), por cada contêiner (20 pés e 40 pés) transbordado no mês; f) uma parte variável, correspondente a R$ 1,50 (um real e cinquenta centavos), por cada veículo automotivo movimentado no mês.”. Fl. 745DF CARF MF 24 Ora, pela Cláusula acima não havia qualquer passivo a ser registrado pela recorrente no momento da assinatura do contrato. A letra “a” prevê uma remuneração pelo arrendamento das áreas já aterradas, razão pela qual o crédito da APPA só surgiria com o decurso do prazo. Já para as demais letras, a APPA só começaria a fazer jus a pagamentos a partir do momento em que: para as parcelas fixas, ocorresse os aterramentos ali indicados; já para as parcelas variáveis, os créditos da APPA só começariam a surgir quando a recorrente começasse a operar, sendo que o valor dependeria do fluxo de carga nos terminais. Assim, não há, pelo regime de competência, qualquer crédito em favor da APPA, nem obrigação a ser reconhecida pela recorrente, no momento da assinatura do contrato. Isso fica claro se imaginássemos que o contrato fosse rescindido de comum acordo antes do aterramento e do início de operação, nenhum valor seria devido à APPA com base nesse dispositivo, salvo pelos dias transcorridos em relação à remuneração fixa do arrendamento das áreas já aterradas. Há que se lembrar que o crédito que deve ser contabilizado, pelo regime de competência, é aquele líquido e certo, ainda que não exigível e, independentemente, de realização financeira, razão pela qual, não existindo crédito líquido e certo para APPA no momento da assinatura do contrato, não há que se falar que houvesse passivo a ser contabilizado pela recorrente. Ressaltese que o item 22 do Edital informa que há duas áreas a serem aterradas pela arrendatária (recorrente): a) uma área de 3.101.280 m2 e outra de 481.600 m2. Ora, não se discute que as despesas com tal aterramento deva ser ativada, para amortização durante a vigência do contrato, porém essa disposição não gera qualquer passivo no momento da assinatura do contrato. Ademais, se as parcelas fixas referidas nas letras “b”e “c” só começaram a ser devidas após a conclusão do aterramento, concluise por óbvio que nada era devido no momento da assinatura do contrato com relação a esses itens. Ademais, querer sustentar que a Cláusula Oitava tivesse previsto o custo de aquisição do direito de exploração dos serviços portuário é de todo desarrazoado, pois o valor indicado em tal cláusula é meramente indicativo, sem gerar qualquer obrigação ou direito para as partes. Estimase apenas o valor na Cláusula Oitava, já que, naquele momento, ele era indeterminado, na medida em que, com exceção do item “a” do item 12.01.00 do edital, a remuneração dos bens arrendados ou é variável de acordo com o movimento dos terminais ou dependia da conclusão do aterramento, para começar a ser devida. Por essas razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter os lançamentos em tela. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 746DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003526/2010-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN.
O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
SÚMULA CARF nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para algumas das competências lançadas, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência dessas competências, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN, mantendo-se a regra geral, insculpida no art. 173, I, do CTN para as demais competências.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-004.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para algumas das competências lançadas, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência dessas competências, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN, mantendo-se a regra geral, insculpida no art. 173, I, do CTN para as demais competências. Recurso especial conhecido e provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10865.003526/2010-13
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647520
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-004.438
nome_arquivo_s : Decisao_10865003526201013.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10865003526201013_5647520.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6539908
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048686901067776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 356 1 355 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10865.003526/201013 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.438 – 2ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2016 Matéria 67.618.4189 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO PAGAMENTO APTO A ATRAIR O ART. 150, § 4º, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GAINO DISTRIBUIÇÃO E LOGÍSTICA LTDA. EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/08/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para algumas das competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência dessas competências, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN, mantendose a regra geral, insculpida no art. 173, I, do CTN para as demais competências. Recurso especial conhecido e provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 35 26 /2 01 0- 13 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.283.7298, às efls. 01 a 79, cientificado à contribuinte em 10/11/2010 (efl. 01), com relatório do auto de infração às efls. 80 a 90. O AIOP é referente a contribuições a outras entidades e fundos (terceiros), quais sejam, Salário Educação, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Nacional do Transporte SEST, Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT e Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados. Em procedimento fiscal foi constatado que: a empresa havia sido excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por ultrapassar o limite da recita; utilizouse de créditos oriundos de ação judicial adquiridos de outra empresa para realizar compensações em GFIP; e efetuou pagamentos com cestas básicas em espécie e outros sob a rubrica PAT em folha de pagamento, sem a devida inscrição no programa. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 305.386,62, consolidado na data de 09/11/2010, para o período de apuração de 01/2005 a 08/2009. O AIOP foi impugnado, às efls. 170 a 203, em 08/12/2010. Já a 7ª Turma da DRJ/RPO, no acórdão nº 1433.508, prolatado em 27/04/2011, às efls. 224 a 234, considerou, por unanimidade, a impugnação improcedente. Inconformada, em 15/06/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 239 a 271, discutindo, em síntese: · decadência período anterior a 11/2005, pela contagem do prazo decadencial com base no art. 150, § 4º do CTN; · compensação, por entender possível a utilização de crédito de terceiros; · exclusão do SIMPLES e efeitos exnunc desta; Fl. 357DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.003526/201013 Acórdão n.º 9202004.438 CSRFT2 Fl. 357 3 · cerceamento do direito de defesa; · inexigibilidade das contribuições ao SEBRAE; · cobrança indevida de juros pela aplicação da taxa SELIC; · inconstitucionalidade da multa por caracterizar confisco. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 19/01/2012, resultando no acórdão 2403000.979, às efls. 278 a 288, que tem a seguinte ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. DECADÊNCIA Devese aplicar regra única de decadência para o lançamento. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o saláriodecontribuição a parcela recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS É proibida a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário até a competência 10/2005, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN. Embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional Em 03/04/2012, a Procuradora da Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, às efls. 290 a 295, apenas no tocante à discussão da decadência. Contudo estes Fl. 358DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 embargos foram tidos como improcedentes, conforme despacho nº 075 do Presidente da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, à efl. 298, em 21/08/2012. RE da Fazenda Nacional Cientificada do resultado dos embargos, em 16/11/2012, a Procuradora da Fazenda Nacional, na mesma data, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 300 a 316) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF em matéria de decadência para fatos geradores que não tiveram pagamento antecipado. Traz por paradigmas os acórdãos: nº 2301002.267 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara e nº 2402 01.443 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, ambos da Segunda Seção de Julgamento. A Procuradora afirma que os acórdãos paradigmas distinguem cada período e os respectivos fatos geradores para aplicação do art. 150, § 4º do CTN, quando haja pagamento antecipado, enquanto para o recorrido, basta a existência de um pagamento para que sobre todos os outros fatos geradores incida essa norma. Assevera, ainda, que inexistindo pagamento parcial, impõemse a aplicação da regra de contagem do art. 173, inc. I, do CTN. Nesse sentido, requer seja conhecido e provido o recurso, para que (a) seja aplicado o art. 173, I, do CTN em relação a todos os fatos geradores em que não houve a antecipação do pagamento do tributo (competências 02/2005 a 05/2005 e 07/2005). O RE da contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400010/2014, datado de 16/01/2014, às efls. 319 a 322, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi cientificada do acórdão nº 2403000.979, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade nº 2400010/2014, por meio da comunicação nº 13842/ARFB/SJRPARDO/32/2014 (efl. 325), em 26/02/2014 (efl. 326). Em 07/03/2014, a contribuinte apresentou suas contrarrazões ao RE da Procuradoria, às efls. 329 a 337, onde em suma afirma que o prazo decadencial para os tributos por homologação é aquele previsto no art. 150, § 4º do CTN, havendo ou não pagamento antecipado ou mesmo expressa informação do sujeito passivo sobre o tributo devido. Por essa razão pleiteia que o RE não seja provido. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.003526/201013 Acórdão n.º 9202004.438 CSRFT2 Fl. 358 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Verifico, a propósito, que cingese o litígio aos períodos de apuração objeto de lançamento que poderiam estar fulminados pelo efeito decadencial, ao se considerar a aplicação do art. 150 §4º do CTN ou, alternativamente, o art. 173, I do CTN. A propósito, a decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. A Portaria MF no 152, de 2016, deu nova redação ao § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, com a seguinte redação: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 361DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.003526/201013 Acórdão n.º 9202004.438 CSRFT2 Fl. 359 7 infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. A polêmica, no caso em questão, em verdade, está na existência ou não de pagamento antecipado. Conforme relatado, a Fazenda Nacional alega que, a decisão a quo utilizouse do art. 150 do CTN e seu § 4º, porém entende não haveria pagamentos parciais, nem mesmo relativos às competências de 02/2005 a 05/2005 e 07/2005, pois os recolhimentos correspondentes foram efetuados através de Guias da Previdência Social GPS, apenas na rubrica ʺ Valor do INSS, que referese às contribuições parte dos segurados e da empresa, não havendo valores recolhidos na rubrica "Val.Outras Entidades, relativa às contribuições a outras entidades e fundos (terceiros). A propósito, faço notar que editou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a Súmula no 99, aprovada por esta 2a. Turma desta Câmara Superior em 09 de dezembro de 2013 e que assim reza: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.(Grifei.) Ou seja, para fins de aplicação da Súmula supra na situação sob análise, deve haver convicção de que há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte nas competências dos fatos geradores a que se referem a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o da Lei no 5.172, de 1966 (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código (no caso da inexistência de recolhimento). Filiome à corrente que entende que essa verificação de antecipação de pagamento se dá de forma individualizada, por período de apuração, em virtude de o art. 150, § 4o do CTN fazer expressa referência a fato gerador, e não ao período objeto de fiscalização ou lançamento, conforme abaixo reproduzido: Fl. 362DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Art. 150. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ora, para cada fato gerador, ou seja, para cada período de apuração, deve haver pagamento parcial, para atração da regra decadencial insculpida no § 4o do art. 150 do CTN, devendo ser aplicada a regra geral, constante do art. 173, I, do mesmo CTN aos demais períodos de apuração. No caso, não há nenhum recolhimento relativo aos fatos geradores objeto do presente auto de infração, conforme claramente colocado na decisão de primeira instância, nos termos a seguir reproduzidos: Em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB relativa aos recolhimentos efetuados pela autuada (fls. 220/222). constatamos, para o período questionado (01/2005 a 11/2005). recolhimentos parciais para as competências 01/2005. 06/2005, e de 08/2005 a 11/2005. Entretanto, tais recolhimentos foram efetuados, através de Guias da Previdência Social GPS. apenas na rubrica "Valor do INSS", que referese às contribuições parte dos segurados e da empresa, não havendo valores recolhidos na rubrica '"Val.Outras Entidades", relativa às contribuições a outras entidades e fundos (terceiros). Esclareçase que os recolhimentos de contribuições patronais e parte do segurado são relativos a fatos geradores diversos daqueles correspondentes à contribuições de terceiros, que têm bases legais diversas e destinações específicas. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário com a devida ciência da contribuinte em 10/11/2010, deveria ser aplicado o critério de apuração da decadência disposto na regra geral, do art. 173, inc. I, do CTN para todos os fatos geradores lançados. Porém, como a Fazenda Nacional apenas requer a aplicação da regra do art. 173, I, do CTN aos períodos 02/2005 a 05/2005 e 07/2005, para que a decisão não seja extra petita, é de se dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, nos estritos termos de seu pedido. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento, reformando o acórdão recorrido, pela aplicação da regra do art. 173, I, do CTN aos períodos 02/2005 a 05/2005 e 07/2005. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 363DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10865.003526/201013 Acórdão n.º 9202004.438 CSRFT2 Fl. 360 9 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11831.006003/2002-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Relatório
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11831.006003/2002-61
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5646833
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-000.217
nome_arquivo_s : Decisao_11831006003200261.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 11831006003200261_5646833.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório
dt_sessao_tdt : Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
id : 6525393
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687038431232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1499; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11831.006003/200261 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.217 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 13 de setembro de 2016 Assunto Compensação Recorrente PROMON ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de processo relativo a compensações efetuadas pela interessada em epígrafe, relativas a saldo negativo do anocalendário de 2001, que foram parcialmente homologadas por Despacho Decisório da DERAT/SP (fls. 136 e seguintes). A contribuinte declarou à ficha 12A da DIPJ/2002, anocalendário 2001, os seguintes valores: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 18 31 .0 06 00 3/ 20 02 -6 1 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.006003/200261 Resolução nº 1201000.217 S1C2T1 Fl. 3 2 Descrição R$ IRPJ devido alíquota 15% 0,00 IRPJ devido adicional 0,00 Deduções () IRRF 105.301,23 () Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 394.606,50 IRPJ a pagar 499.907,75 Conforme relata a decisão de piso, os demais fatos e alegações pertinentes ao processo podem ser assim resumidos: Ao analisar o crédito tributário requerido o auditor fiscal verificou que a empresa, embora tenha auferido, no ano de 2001, rendimentos nos códigos 5273 e 5706, os mesmos não foram oferecidos à tributação e, dessa forma, o IRRF correspondente não foi considerado. Desse modo o auditor fiscal considerou como IRRF passível de ser utilizado o valor de R$ 420.164,58, proporcional a receita oferecida à tributação. De acordo com o sistema DCTF (fls. 131), não foram encontrados débitos de IRPJ e o sistema SIEF Pagamento Consulta (fls. 132) indica que não houve qualquer recolhimento de IRPJ. Assim, foi reconhecido o crédito de R$ 420.164,58 e homologadas as compensações até o limite do crédito reconhecido, corrigido pela Taxa Selic. Cientificada em 31/03/2009, conforme AR de fls. 140/verso, a contribuinte apresentou, em 30/04/2009, Manifestação de Inconformidade de fls. 150 a 153, apresentando suas razões, em síntese: Alega que nenhuma das retenções de fonte cuja compensação foi pleiteada tem código de receita 5273 e apenas uma, no valor irrisório de R$ 0,29 tem código 5706. Apresenta quadro demonstrativo dos rendimentos e respectivas retenções de IRRF e apura que a diferença entre o reconhecido e o declarado é de RS 79.743,05. Alega que todas as receitas que aparecem no quadro foram efetivamente oferecidas à tributação, não tendo cabimento a afirmativa em contrário. Alega que, por outro lado, todos os débitos da requerente cuja compensação foi pleiteada resultam de tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujos fatos geradores ocorreram há muito mais de cinco anos. Assim, já teria decaído o direito do Fisco em proceder a seu lançamento. Alega que, caso se entenda que a inclusão desses débitos em DCTF equivaleria ao lançamento, da mesma foram já teriam transcorrido mais de cinco anos da constituição definitiva dos créditos tributários, que estariam, em sua opinião, extintos por prescrição. (grifamos) Em sessão de 29 de março de 2010 a 5a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.006003/200261 Resolução nº 1201000.217 S1C2T1 Fl. 4 3 Com a ciência da decisão, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu os argumentos teóricos da impugnação e juntou diversos documentos (notas fiscais, extratos bancários e relatórios financeiros) que comprovariam as retenções na fonte. Argumenta a defesa que houve equívoco na apreciação dos respectivos valores e pugna pela suficiência do saldo negativo pleiteado. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A matéria em debate demanda apreciação de provas, notadamente a verificação dos documentos apresentados junto com o Recurso Voluntário. Conquanto entenda que a aceitação de documentos posteriormente à impugnação deva ser considerada com a devida parcimônia, nos casos em que a dúvida recai exclusivamente sobre documentos capazes de comprovar as alegações da interessada, esta Turma e Relator têm decidido, em homenagem ao princípio da verdade material, pela sua possibilidade. No caso dos autos, a Recorrente colaciona diversos documentos, compostos de notas fiscais, relatórios financeiros e extratos bancários (fls. 221 e seguintes do processo digital) que podem, em tese, subsidiar suas alegações, em relação à existência de saldo negativo no período que ensejou as compensações. Em razão disso, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a DERAT/SP: a) Verifique a documentação apresentada pela Recorrente e informe, mediante relatório conclusivo, se as informações corroboram a existência do alegado saldo negativo de R$ 499.907,75; b) Caso fique comprovado qualquer outro valor, inferior ao pleiteado pela Recorrente, a autoridade diligenciante deverá informar, mediante tabela, qual o montante efetivamente passível de compensação; c) As conclusões da diligência deverão ser informadas à Recorrente, para que esta, no prazo de 30 dias, manifestese, se assim desejar. Adotadas as providências acima os autos deverão retornar a este Conselho para julgamento. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11831.006003/200261 Resolução nº 1201000.217 S1C2T1 Fl. 5 4 Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por CONVERTER o julgamento em diligência, para a adoção das medidas propostas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/ 10/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720325/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO.
As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM
DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações.
Numero da decisão: 1401-001.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente da Turma).
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10280.720325/2007-41
anomes_publicacao_s : 201609
conteudo_id_s : 5638950
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-001.700
nome_arquivo_s : Decisao_10280720325200741.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10280720325200741_5638950.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente da Turma).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
id : 6503802
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687261777920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 816 1 815 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.720325/200741 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.700 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de agosto de 2016 Matéria IRPJDepósitos Bancários Recorrente PARABELEM AUTOMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de rendimentos tributáveis com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, a qual não pode ser substituída por meras alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 03 25 /2 00 7- 41 Fl. 816DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto (Presidente da Turma). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão que, por unanimidade dos votos, manteve o auto de infração referente aos tributos IRPJ, R$ 163291,18; PIS, R$ 10.848,10; CSLL, R$ 49.967,56, e COFINS, R$ 58.784,79, relativos ao ano calendário 2005, acrescidos de multa de 75% e demais acréscimos moratórios. Fiscalização apurou ocorrência de Omissão de Receitas, em virtude de divergência entre os valores declarados em DIPJ e movimentação financeira (créditos bancários), conforme demonstrativo à fl. 71. Apreciada a impugnação, o lançamento foi mantido. Afastada a preliminar reclamada em razão da ausência de prorrogação Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), entendido como instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, o que implicou dizer que seu vencimento não constituiu, por si só, causa de nulidade do lançamento e que eventuais omissões ou incorreções em seu teor não ocasionaram nulidade do auto de infração. No mérito, restou consignado que: No caso específico, a fiscalizada apontou a origem de seus depósitos (fls. 09/10), mas a análise da fiscalização identificou situações (depósitos) cujas origens não restaram comprovadas. Em que pese ter atendido ao pleito da fiscalização, sua justificativa não afastou a ocorrência do fato gerador das infrações descritas pela fiscalização, conforme demonstrado em quadro (fl. 71); não basta apresentar respostas à fiscalização, é necessário que estas afastem a Omissão de Receitas, assim, foi “autorizada a presunção legal de Omissão de Receitas, com inversão do ônus da prova”. A impugnação também não logrou êxito em descaracterizar a Omissão de Receitas, por não descrever a origem dos recursos depositados apontados pela fiscalização como Receita Omitida; à impugnante competia esclarecer, depósito a depósito alegado pela fiscalização, a origem dos recursos. Não foi realizado este expediente. Mantém se a presunção de Omissão de Receitas. Em sede de voluntário, a recorrente em nada inovou em relação à impugnação. Por ocasião da redação do art. 62A, parágrafo 1o. do antigo RICARF o processo permaneceu sobrestado até 21/02/2014 (fl. 1.510) quando houve a revogação deste dispositivo. É o relatório. Voto Fl. 817DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720325/200741 Acórdão n.º 1401001.700 S1C4T1 Fl. 817 3 Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Preliminar de nulidade do MPF. A Recorrente reclama nulidade do procedimento fiscal face a ausência de ato administrativo de renovação do MPF de fl. 01 que informasse ao contribuinte a prorrogação do trabalho fiscal. Nos termos do Acórdão 9202003.956 datado de 12/04/2016, proferido pela 2a. Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 VÍCIOS DO MPF NÃO GERAM NULIDADE DO LANÇAMENTO. As normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal MPF, dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso Especial negado. Deste modo, a consequencia da falta da lavratura do instrumento de prorrogação do processo de fiscalização, reclamado pela recorrente, quando muito, ensejaria a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias, nos moldes da Súm, CARF 75, uma vez exercida a denúncia espontânea em tempo hábil, o que não é o caso dos autos. Por outro lado, eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação, pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. Há a necessidade de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa. Esse é o atual posicionamento da jurisprudência dominante no CARF: PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO.O Mandado de Procedimento Fiscal visa o controle administrativo das ações fiscais da RFB, não podendo afastar a vinculação da autoridade tributária à Lei, nos exatos termos do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilização funcional. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN, por isso que a inexistência de MPF não implica nulidade do lançamento. Acórdão nº 9303003.876, de 19/05/2016 MPF NULIDADE. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Não é nulo o lançamento por prorrogação de MPF além do prazo regulamentar, quando não comprovado o prejuízo à defesa do contribuinte. A falta de prorrogação do MPF no prazo correto, por si só, não configura cerceamento do direito de defesa e não se equipara à ausência de MPF. Acórdão nº 9101002.132, de 26/02/2015 Assim, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade do lançamento. Mérito Quanto ao mérito, deve ser analisada a possibilidade de o Fisco Federal solicitar informações sobre a movimentação bancárias de correntistas diretamente às instituições financeiras, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 e nos demais diplomas regulamentares. A decisão proferida em 24/02/2016 pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 601.134/SP (com repercussão geral), define a discussão e afirma ser constitucional tal possibilidade, nos seguintes termos: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; e, quanto ao item “b”, a tese: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. Desse modo, é possível afirmar que as requisições feitas pela fiscalização diretamente às instituições financeiras, a respeito da movimentação bancária do Recorrente durante o período fiscalizado, possuem respaldo constitucional e servem de subsídio para a formalização da exigência constante do auto de infração. Quanto à alegada inversão do ônus da prova reclamada pela Recorrente, destaco que a presunção relativa de omissão de rendimentos, outorgada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, constitui uma exceção no ordenamento jurídico e caracterizase como instrumento hábil e eficaz contra a sonegação fiscal perpetrada pelo beneficiário que percebe renda tributável por um meio singular, o qual tem destinatário certo (o depositário), deixa vestígios (os extratos bancários), está inserido no cotidiano das pessoas e constitui a principal forma de liquidação de obrigações envolvendo valores relevantes. No ponto, bem considerado pela decisão de primeira instância o conteúdo do do art. 42 da Lei nº 9.430/96, que determina a análise individualizada dos depósitos, excluídos aqueles decorrentes de transferência interbancária pelo mesmo titular: Fl. 819DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10280.720325/200741 Acórdão n.º 1401001.700 S1C4T1 Fl. 818 5 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).; No caso específico, a fiscalizada apontou a origem de seus depósitos (fls. 09/10), mas a análise da fiscalização identificou situações (depósitos) cujas origens não restaram comprovadas. Em que pese ter atendido ao pleito da fiscalização, sua justificativa não afastou a ocorrência do fato gerador das infrações descritas pela fiscalização, conforme demonstrado em quadro (fl. 71); não basta apresentar respostas à fiscalização, é necessário que estas afastem a Omissão de Receitas, nestes moldes é que foi “autorizada a presunção legal de Omissão de Receitas, com inversão do ônus da prova”. Fato que se seguiu até a apreciação do Recurso Voluntário, onde não logrou êxito em descaracterizar a Omissão de Receitas, por não descrever a origem dos recursos depositados apontados pela fiscalização como Receita Omitida; limitandose ao argumento relacionado ao suposto dever da fiscalização a demonstração de que os depósitos glosados configuravam renda ao seu favor, quando na verdade, a ela competia esclarecer, depósito a depósito alegado pela fiscalização, a origem dos recursos, não realizado este expediente, permanece a presunção de Omissão de Receitas. Ante o exposto, afastada a preliminar, voto no sentido de manter o lançamento em sua integralidade. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Fl. 820DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 07/09/2016 por LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.916502/2012-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.308
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201609
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 11080.916502/2012-70
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5647919
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9303-004.308
nome_arquivo_s : Decisao_11080916502201270.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11080916502201270_5647919.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
id : 6545122
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:53:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687448424448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1835; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.916502/201270 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.308 – 3ª Turma Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria Contribuições. Compensação. Recorrente VERDE ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. Nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3802003.847, de 15/10/2014, proferido pela 2ª Turma Especial 3ª Seção do CARF, que traz a seguinte ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 65 02 /2 01 2- 70 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916502/201270 Acórdão n.º 9303004.308 CSRFT3 Fl. 3 2 O contribuinte, a despeito ausência de retificação da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Ausentes estes pressupostos, não cabe a homologação da extinção do débito confessado em PER/Dcomp. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à compensação lastreada em crédito oriundo de pagamento efetuado à maior, cuja DCTF retificadora, que aponta a existência de direito creditório, só foi apresentada após a não homologação da compensação pela unidade de origem (após a emissão do despacho decisório). Visando comprovar a divergência, apresentou dois paradigmas: Acórdãos nº 3802003.956, 21/01/2015, e 3403 003.343, de 05/01/2015. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.259, de 15/09/2016, proferido no julgamento do processo 11080.914807/201247, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.259 ): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso não deve ser conhecido. Conforme se demonstrou no exame de admissibilidade, o primeiro acórdão utilizado para comprovar o dissídio jurisprudencial, o de nº 3802003.956, 21/01/2015, foi lavrado pela mesma Turma que prolatou o recorrido, fato que obsta a sua utilização como paradigma. Já o Acórdão nº 3403003.343, de 05/01/2015, a despeito de prolatado por Turma diversa, traz entendimento que, a nosso juízo, só reafirma, por outras palavras, o mesmo adotado no acórdão recorrido. É que, neste, como se passa a demonstrar, entendeuse que, mesmo diante da não retificação da DCTF (no caso em exame, a retificação só foi realizada após a ciência do Despacho Decisório), o contribuinte, por força do princípio da verdade material, teria direito à compensação, mas desde que apresentasse prova da existência do crédito compensado, fato de que não se desincumbira a Recorrente. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.916502/201270 Acórdão n.º 9303004.308 CSRFT3 Fl. 4 3 No acórdão paradigma, decidiuse que “ainda que a DCTF não aponte o referido crédito, por lapso do contribuinte, se realmente houve pagamento a maior anteriormente, existe crédito, que passa a ser do conhecimento da Receita Federal a partir da retificação da documentação e da identificação documental, ainda que por meio eletrônico, da existência real do mencionado crédito”. A decisão foi assim ementada: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativa poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. A toda evidência, diante dos mesmos fatos, as decisões recorrida e paradigma chegaram à mesma conclusão: ainda que não haja retificação tempestiva da DCTF, ou seja, ainda que a retificação se dê somente após a ciência do Despacho Decisório, uma vez comprovada a existência do crédito mediante a entrega de documentação idônea, tornase possível a restituição. Não há divergência, pois. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não se conhece do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 239DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008632/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FICAL – PEDIDO – LIMITES OBJETIVOS DA AÇÃO FISCAL – O princípio da iura novit cúria encontra seu limite objetivo nos termos do pedido. O artigo 17 do Decreto 70.235/72 deve ser entendido em função do pedido formulado pelo contribuinte. Ainda que a autuação seja flagrantemente contrária a jurisprudência do CARF e a parecer cosit, uma vez que não formulado pedido de nulidade do imposto lançado não há como subentender que o Contribuinte quis recorrer da matéria.
MULTA ISOLADA EXONERADA - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
Numero da decisão: 2201-001.471
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRF- ação fiscal - outros
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FICAL – PEDIDO – LIMITES OBJETIVOS DA AÇÃO FISCAL – O princípio da iura novit cúria encontra seu limite objetivo nos termos do pedido. O artigo 17 do Decreto 70.235/72 deve ser entendido em função do pedido formulado pelo contribuinte. Ainda que a autuação seja flagrantemente contrária a jurisprudência do CARF e a parecer cosit, uma vez que não formulado pedido de nulidade do imposto lançado não há como subentender que o Contribuinte quis recorrer da matéria. MULTA ISOLADA EXONERADA - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10680.008632/2003-14
conteudo_id_s : 5629760
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2201-001.471
nome_arquivo_s : Decisao_10680008632200314.pdf
nome_relator_s : RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
nome_arquivo_pdf_s : 10680008632200314_5629760.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
id : 6482347
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687461007360
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-09-01T18:12:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-09-01T18:12:30Z; Last-Modified: 2016-09-01T18:12:30Z; dcterms:modified: 2016-09-01T18:12:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:732e7c87-382b-48a6-868d-d6749c798300; Last-Save-Date: 2016-09-01T18:12:30Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-09-01T18:12:30Z; meta:save-date: 2016-09-01T18:12:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-09-01T18:12:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-09-01T18:12:30Z; created: 2016-09-01T18:12:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2016-09-01T18:12:30Z; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2016-09-01T18:12:30Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.008632/200314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220101.471 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2011 Matéria IRRF REMUNERAÇÃO INDIRETA Recorrente UNIAUTO ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FICAL – PEDIDO – LIMITES OBJETIVOS DA AÇÃO FISCAL – O princípio da iura novit cúria encontra seu limite objetivo nos termos do pedido. O artigo 17 do Decreto 70.235/72 deve ser entendido em função do pedido formulado pelo contribuinte. Ainda que a autuação seja flagrantemente contrária a jurisprudência do CARF e a parecer cosit, uma vez que não formulado pedido de nulidade do imposto lançado não há como subentender que o Contribuinte quis recorrer da matéria. MULTA ISOLADA EXONERADA Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada. FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JÚNIOR Presidente. RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. 2 EDITADO EM: 19/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão 10.494 3ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente o Auto de Infração de fls. 17/19, lavrado contra a empresa UNIAUTO ADMINISTRADORA DE CONSÓRCIOS LTDA., CNPJ n° 21.334.974/000181, para exigência do crédito tributário a titulo de Multa Isolada do IRPJ no valor R$ 181.934,75 e IRRF no valor de R$ 173.790,33, já acrescidos de multa de ofício e juros de mora. O lançamento da Multa do IRPJ decorreu da constatação de divergência entre os valores declarados e os valores escriturados, gerando falta de pagamento de IRPJ, incidente sobre a base de cálculo estimada. Por sua vez, o lançamento do IRRF decorre da identificação de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica a titulo de remuneração indireta, aos sócios, administradores, diretores, gerentes e seus assessores, consistente na cessão gratuita de posse de imóvel. Cientificada do lançamento, a contribuinte, já na condição de Massa Falida, apresentou duas impugnações distintas, uma em relação ao lançamento da multa isolada do IRPJ, conforme petição de fls. 117/121, e outra em relação ao lançamento do IRRF, conforme petição de fls. 128/132 ambas tempestivamente, inaugurando o contencioso administrativo. Em sua impugnação do lançamento do IRRF a Recorrente insurgese apenas contra a multa de mora e juros, pedindo ao final apenas a exoneração das mesma, com fulcro na lei de falências. A ação fiscal foi julgada procedente em parte nos termos do acórdão de fls. 142/163, com a exoneração da exigência relativa à multa isolada do IRPJ. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: MULTA ISOLADA EXIGIDA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL — TRIBUTAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE BENS PARA RECEBIMENTO A LONGO PRAZO Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do ano calendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração. MULTA EXIGIDA DE ENTIDADE FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO As multas por infração a leis tributárias não se Processo nº 10680.008632/200314 Acórdão n.º 220101.471 S2C2T1 Fl. 2 3 classificam entre as penas pecuniárias por infração a leis penais e administrativas. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Período de apuração: 31/01/1998 a 31/12/2001 Ementa: MULTA E JUROS DE MORA EXIGIDOS DE ENTIDADE FINANCEIRA EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO As multas por infração a leis tributárias não estão abrangidas entre as penas pecuniárias por infração a leis penais e administrativas. Lançamento Procedente em Parte A interessada tomou ciência da decisão através de seu Sindico (fls. 186), vindo a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 187/197, reiterando os termos da impugnação. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e dele conheço para ao final darlhe parcial provimento. Entendo que parcial razão assiste a Contribuinte. É que o A. Superior Tribunal de Justiça já pacificou o tema nas suas duas turmas no sentido de que decretada a falência, ou conforme o caso a liquidação extrajudicial, as multas aplicadas pela Administração Pública, incluindo as multas tributárias aplicadas de ofício passam a ser inexigíveis e os juros de mora são exigíveis apenas até a data da decretação quebra, ficando os juros, após esta data condicionados à existência de ativo da massa, in verbis: REsp 1029150 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/00289119 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 10/08/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 20/08/2010 Ementa PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NOTÓRIA. ART. 208, § 2º, DO DECRETOLEI 7.661/45. INAPLICABILIDADE. ÊXITO PARCIAL DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. RECURSO PROVIDO EM PARTE. 1. No âmbito da execução fiscal, bem como dos respectivos embargos à execução, é cabível a condenação da massa falida ao pagamento de honorários advocatícios, não se aplicando o 4 disposto no art. 208, §2º, do DecretoLei 7.661/45. A matéria é regida pelo art. 29 da Lei 6.830/80, combinado com o art. 187 do CTN. Precedentes. 2. No caso, a massa falida logrou êxito parcial nos embargos à execução, na medida em que o apelo especial foi provido para excluir a multa moratória e determinar que são devidos juros de mora anteriormente à decretação da quebra e, após esta, ficam eles condicionados à suficiência do ativo da massa para o pagamento do principal. 3. Havendo sucumbência recíproca, os honorários devem ser distribuídos proporcionalmente entre as partes, nos termos do art. 21 do CPC. 4. Recurso especial provido em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins (Presidente), Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr. Ministro Relator. AgRg no Ag 1023989 / SP AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2008/00509687 Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES (1142) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 06/08/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 19/08/2009 Ementa TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. MASSA FALIDA. MULTA MORATÓRIA. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. É entendimento pacífico deste Tribunal que não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal moratória, por constituir pena administrativa (Súmulas ns. 192 e 565 do STF). 2. Quanto aos juros de mora, o posicionamento da Primeira Turma desta Corte entende que: "A exigibilidade dos juros moratórios anteriores à decretação da falência independe da suficiência do ativo. Após a quebra, serão devidos apenas se existir ativo suficiente para pagamento do principal. Precedentes." (Resp 660.957/SP, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 17/09/2007). 3. Agravo regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Processo nº 10680.008632/200314 Acórdão n.º 220101.471 S2C2T1 Fl. 3 5 Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda (Presidenta) votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Francisco Falcão. Também nesse sentido são as súmulas do Supremo Tribunal Federal: SÚMULA/STF Nº 192 NÃO SE INCLUI NO CRÉDITO HABILITADO EM FALÊNCIA A MULTA FISCAL COM EFEITO DE PENA ADMINISTRATIVA. SÚMULA/STF Nº 565 A MULTA FISCAL MORATÓRIA CONSTITUI PENA ADMINISTRATIVA, NÃO SE INCLUINDO NO CRÉDITO HABILITADO EM FALÊNCIA. Por outro lado Cabe lembrar que a Primeira Seção deste colegiado se manifestou de forma diversa, com a qual este relator não concorda, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MASSA FALIDA. SUJEIÇÃO PASSIVA. Massa falida é sujeito passivo de obrigação tributária e a realização de operação ou a prática de atos de que decorram o fato gerador da obrigação tributária principal reclamam que, contra ela, se constitua o crédito tributário correspondente. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. MULTA DE MORA ISOLADA. Conforme exposto no Parecer PGFN CDA nº 1.936/2005, a imputação proporcional é o único método afeiçoado aos princípios esculpidos no Código Tributário Nacional para apurar diferenças decorrentes do recolhimento em atraso de tributos, sendo indevida a exigência de multa de mora isolada. JUROS DE MORA. Os juros moratórios correm contra a massa falida e a hipótese em que eles não são cabíveis, por indisponibilidade de ativo para o pagamento do principal, é estranha ao processo administrativo fiscal. No presente caso, quando efetuado o lançamento a contribuinte já se encontrava na condição de massa falida e portanto a constituição do crédito tributário com multa já não era possível. A questão dos juros condicionados a existência de saldo de ativos refoge ao processo administrativo fiscal e deve ser decidido no procedimento de liquidação. Diante de todo o exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada. É como voto. 6 Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723934/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada.
SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta.
RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório.
Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.
Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS.
A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa, que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP - Folha de Pagamento não Declarada em GFIP", vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. Quanto ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar provimento para excluir o levantamento relativo ao aviso prévio indenizado, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini; (ii) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa; e (iii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friees, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201608
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.723934/2013-15
anomes_publicacao_s : 201610
conteudo_id_s : 5643649
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2401-004.471
nome_arquivo_s : Decisao_10166723934201315.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RAYD SANTANA FERREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10166723934201315_5643649.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa, que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP - Folha de Pagamento não Declarada em GFIP", vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. Quanto ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar provimento para excluir o levantamento relativo ao aviso prévio indenizado, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini; (ii) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa; e (iii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friees, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
id : 6513673
ano_sessao_s : 2016
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543-C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindo-se o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CO-RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co-responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:52:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048687567962112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 46; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2451; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.723934/201315 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401004.471 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrentes BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 39 34 /2 01 3- 15 Fl. 51126DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 2 DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co Fl. 51127DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 3 3 responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subsequente ao do vencimento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 51128DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 4 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa, que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP Folha de Pagamento não Declarada em GFIP", vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. Quanto ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar provimento para excluir o levantamento relativo ao aviso prévio indenizado, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini; (ii) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa; e (iii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friees, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 51129DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 4 5 Relatório BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 4a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04034.373/2013, às efls. 1.551/1.589, que julgou procedente em parte os lançamentos fiscais lavrados em 20/05/2013, referente às contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias, em relação ao período de 01/2009 a 31/12/2009, conforme Relatório Fiscal, às efls. 73/113, consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: 1) DEBCAD 51.033.2528 por meio do qual foram lançadas Contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, com valor total de R$ 6.274.512,41, consolidado em 20/05/2013 (fls.03 a 53). 2) DEBCAD 51.033.2536 por meio do qual foram lançadas Contribuições previdenciárias dos segurados destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009, com valor total de R$ 2.211.505,96, consolidado em 20/05/2013 (fls.54 a 69). 3) DEBCAD 51.033.2544 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, fundamento legal 30, pelo fato de a autuada deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, no valor de R$ 10.304,28 (fl.70); 4) DEBCAD 51.033.2552 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, fundamento 34, pelo fato de a autuada deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na legislação, no valor total de R$ 85.867,90 (fl.71); 5) DEBCAD 51.033.2560 – Multa por descumprimento de obrigação acessória, fundamento legal 59, pelo fato de a autuada deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, conforme previsto na legislação, no valor de R$ 10.304,28 (fl.72); De conformidade com o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas encontramse discriminados nos levantamentos abaixo elencados: a) Remunerações em folha de pagamento não informadas em GFIP: Fl. 51130DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 6 · Verificouse que nas folhas de pagamento apresentadas á fiscalização que as rubricas aviso prévio indenizado, bônus anual e auxílio dependente excepcional correspondem a saláriodecontribuição, mas não foram informadas em GFIP; · Do confronto entre a folha de pagamento e a GFIP, identificaramse pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP. b) Custeio de educação: · Após exame da contabilidade, verificouse valores lançados na conta “Treinamento Sem. e Congressos, a qual, segundo informação da própria autuada, é “utilizada para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pósgraduação, inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional. (...)”; · O sujeito passivo não atendeu à intimação fiscal, deixando de informar qual o tipo de educação (pósgraduação, graduação, dentre outros) teria sido objeto de reembolso aos segurados; · Tratamse de pagamentos que não são beneficiados pela norma de isenção prevista na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. c) Pagamento de remuneração a segurados empregados por meio da Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás · Constatouse na contabilidade pagamentos à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, por serviços de Call Center, totalizando R$ 6.357.995,77; · Da análise do estatuto social da autuada e do contrato de prestação de serviços pactuado entre esta e a ADFEGO, constatase que esta foi contratada para realizar a atividade fim daquela, o que vai de encontro à jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; · As cláusulas contratuais evidenciam o propósito de a autuada exercer o controle dos serviços prestados pela ADFEGO, com a subordinação desta às normas estabelecidas pela aquela, as quais devem ser observadas desde a seleção e contratação de pessoal, bem como para avaliação de desempenho para fins de evolução na carreira; · Os empregados foram contratados para prestar serviços que correspondem à atividade fim da autuada, e o prestavam nas próprias dependências desta; · A fiscalização conclui pela existência de elementos caracterizadores de vínculo empregatício conforme art. 3º da CLT e alínea “a” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991; · A fiscalização caracterizou esses trabalhadores como segurados empregados da autuada; · A autoridade lançadora aferiu indiretamente os valores das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, considerandoos como sendo o montante dos pagamentos feitos à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, registrados na conta de despesa nº 0310357000 – C.O. – Serviços de Call Center. Fl. 51131DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 5 7 Após regular processamento, interposta impugnação, contra exigência fiscal consubstanciada na peça vestibular do feito, a autoridade julgadora de primeira instância achou por bem julgar procedente em parte o lançamento, afastando parte do crédito tributário referente ao pagamento de remuneração a segurados empregados por meio da associação de deficientes físicos do Estado de Goiás, por entender haver erro na base de cálculo apurada por meio de aferição indireta, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 04 034.373/2013, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR DE NULIDADE.. EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA. Se o auto de infração e todos os documentos que o acompanham permitem ao autuado o perfeito conhecimento do fato tributário imputado, não há que se falar em nulidade em razão de obstrução ao direito de defesa. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. LEI. O rol do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991 é taxativo e somente o pagamento das rubricas nele incluídas estão isentas da contribuição previdenciária. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Não há lei que isente da contribuição previdenciária o aviso prévio indenizado. PAGAMENTO DE BÔNUS. INCIDÊNCIA O silencio do contribuinte durante o procedimento fiscal acerca da natureza do bônus pago a seus diretores, e a não apresentação da documentação probatória acerca dessa natureza junto à impugnação é motivo para manter o lançamento da contribuição previdenciária incidente sobre referida rubrica. AUXÍLIO DEPENDENTE EXCEPCIONAL. INCIDÊNCIA. Não há previsão legal que isente pagamentos feitos à título de auxílio dependente excepcional da base de incidência das contribuições previdenciárias. REEMBOLSO EDUCACIONAL. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Valores pagos a título de reembolso educacional que não se enquadrem na norma de isenção definida em lei sofrem incidência de contribuições previdenciárias. FOLHA DE PAGAMENTO. GFIP. DIVERGÊNCIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Diferenças entre os valores informados em folha de pagamento e em GFIP, correspondentes a saláriosdecontribuição, justificam Fl. 51132DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 8 o lançamento de ofício das contribuições previdenciárias incidentes sobre elas. LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS. AMOSTRAGEM. RAZÕES DE DEFESA NÃO APRESENTADAS. São ineficazes os documentos trazidos aos autos por amostragem, sem as correspondentes razões de defesa que apontem, expressamente e especificamente, eventuais incorreções nos valores lançados. SEGURADOS EMPREGADOS. TERCEIRIZAÇÃO. SIMULAÇÃO. Constatado pela fiscalização que os serviços terceirizados da empresa ocorrem de forma simulada, apenas para burlar o Fisco, correto o enquadramento dos trabalhadores como segurados empregados da empresa contratante. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária e de reduzir o montante das contribuições devidas. AFERIÇÃO INDIRETA. BASE DE CÁLCULO. INFORMAÇÃO DISPONÍVEL. DESCABIMENTO. Se a autoridade lançadora dispõe de meios para obter os valores de saláriosdecontribuição recebidos pelos segurados, descabe o emprego da aferição indireta. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O conjunto de empresas que estão sob o controle acionário único, e que desenvolvem de forma integrada suas atividades econômicas, mas que perante o público atua como uma figura singular, sob uma única denominação, são situações que caracterizam o grupo econômico de fato. Caracterizada a existência de um grupo econômico de fato, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei para o recolhimento da contribuição previdenciária. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido o pedido de perícia quando o fato a ser provado puder sêlo por meio de prova documental. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. O crédito tributário abrange também a multa de ofício, motivo pelo qual sobre esta, uma não paga no vencimento, incidem juros de mora conforme determina a legislação tributária. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. PEÇA INFORMATIVA. Fl. 51133DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 6 9 O relatório de vínculo é peça meramente informativa integrante do auto de infração previdenciários, a qual não imputa a responsabilidade tributária passiva às pessoas nele indicadas. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DESCUMPRIMENTO. MULTA. O não cumprimento das obrigações acessórias implica o lançamento de multa prevista em lei. MULTA. SITUAÇÃO AGRAVANTE. APURAÇÃO. A apuração da multa pelo descumprimento de obrigações acessórias deve observar as situações agravantes constatadas pela autoridade lançadora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 1.607/1.665, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, suscita a nulidade do lançamento relativo a folha de pagamento não declarada em GFIP, por entender que houve manifesta ausência de motivação, pois o fiscal não logrou produzir prova tendente a corroborar a pretensão fiscal, bem como não analisou a fundo os documentos e fatos bases do lançamento. Ainda em caráter preliminar, insurgese a contribuinte quanto aos levantamentos C1 e C2, alegando para tanto a omissão de fatos relacionados a estas rubricas, estando presente apenas o discriminativo de débito, não constando os motivos que conduziram o agente fiscal a apurálos, pugnando assim pela nulidade do lançamento. Em relação ao mérito, após breve relato das fases e fatos que permeiam o lançamento, insurgese contra a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas, esclarecendo que o fato gerador de aludidos tributos é a prestação de serviços, sendo a BC a remuneração paga, devida o creditada a qualquer pessoa física decorrente de serviços prestados, nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. Afirma ser improcedente a incidência das contribuições sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por tratarse de verba indenizatória, não tendo natureza remuneratória, colacionando jurisprudência, legislação e posicionamentos doutrinários corroborando a sua tese. Contrapõese ao lançamento fiscal, sustentando que os pagamentos feitos a título de bônus anual não podem sofrer a incidência da contribuição previdenciária, pois são Fl. 51134DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 10 pagos por mera liberalidade do empregador, de forma eventual, na forma do item 7, alínea "e", do §9º, do artigo 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo a comprovação por parte da autoridade fiscal de que tais valores estivessem vinculados a fatores de eficiência, assiduidade, tempo de serviço e outros relacionados ao desenvolvimento do labor. Alega ser insubsistente o lançamento quanto ao auxílio dependente excepcional porquanto carece de natureza contraprestativa, encaixandose na hipótese de não incidência apresentada pela Lei n° 8.212/91, artigo 28, § 9°, alínea "q", dada sua natureza de assistência médica, sobretudo em razão de o funcionário dever preencher o requisitos para receber tal auxilio. Em defesa de sua pretensão, colaciona jurisprudência deste Conselho. Argumenta que foram lançados os reembolsos com cursos de idiomas, graduação, pósgraduação, inscrições em cursos, seminários, palestras, entre outros, estando completamente equivocado o auditor e a DRJ, uma vez que tais valores despendidos pela autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias, conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores. Esclarece não ter a autoridade lançadora apresentado prova de que a Brasil Telecom Call Center tenha deixado de recolher contribuições previdenciárias, motivo pelo qual as diferenças apuradas seriam indevidas, mormente quando não restou comprovada a real natureza jurídica das diferenças apontadas entre a folha de pagamento e a GFIP, o que impossibilita o direito de defesa. Ainda assim, por amostragem, demonstra a improcedência de aludido levantamento, conforme documentos às fls. 1.474 a 1.544 e planilha transcrita no recurso. Salienta, ainda, a impossibilidade de refazer o trabalho da autoridade fiscal, por isso demonstrou apenas alguns casos entre os milhares da autuação, devendo ser aplicado o entendimento da DRJ que exclui um dos casos da amostragem, além da necessidade indispensável de diligência para comprovar a inexistência de diferenças apontadas pela fiscalização. Quanto os Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias, repisa os argumentos da impugnação, afirmando não restar a autuada obrigada a informar em folha de pagamento importâncias que não são fatos geradores de contribuições previdenciárias, entendimento que se presta, igualmente, a rechaçar as penalidades em relação à obrigação de lançar em títulos de sua contabilidade eventos dessa natureza, bem como de descontar de seus empregados contribuições previdenciárias sobre parcelas indenizatórias, motivo pelo qual são indevidas as multas lançadas por meio do DEBCAD 51.033.2544, DEBCAD 51.033.2552 e DEBCAD 51.033.2560; Ainda relativamente as obrigações acessórias, no caso de não ser acolhida a pretensão acima mencionada, requer o afastamento da circunstância agravante utilizada na valoração dessas multas, pois não houve dolo, fraude ou máfé da autuada ao firmar contrato com a ADFEGO, cujo objeto era meramente assistencial visando a garantir a inclusão de pessoas portadoras de deficiência física no mercado de trabalho. Opõese a caracterização de grupo econômico, aduzindo que o fato das empresas estarem sob o controle acionário comum não é suficiente para caracterização de grupo de fato. Assevera, que só pode ser considerado grupo econômico quando as empresas combinarem recursos financeiros, esforços para realização de atividades comuns e firmarem convenção, o que não acontece in casu. Fl. 51135DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 7 11 Com o fito de afastar quaisquer dúvidas quanto a inexistência de grupo econômico, transcreve inúmeros entendimentos jurisprudenciais indicando só haver a possibilidade dessa caracterização quando há uma efetiva comunhão de imobilizados, ativos ou força laboral e gerencial comum, além de expor a relação de responsabilidade solidária constante do artigo 50 do Código Civil. Disserta a respeito da responsabilidade tributária e sujeição passiva, concluindo pela impossibilidade de responsabilização dos sócios em relação ao crédito previdenciário ora lançado, uma vez que não foram atendidos os requisitos necessários para tanto, inscritos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, entendimento que encontra guarida na doutrina e jurisprudência pátria trazida à colação. Vindica, também, a exclusão da incidência de juros sobre a multa de ofício, por entender que essa penalidade não retrata obrigação principal, mas, sim, encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte. Relativamente, ao Recurso de Ofício, esclarece que esse não merece prosperar, esi que, além da ilegalidade quanto o método de aferição indireta aplicado, não houve nenhuma comprovação da suposta relação de emprego entre os funcionários da ADFEGO com a recorrente, impondo seja mantida a decisão de piso relativamente a esta matéria. Sustenta ser imprescindível a diligência para demonstrar a insubsistência dos lançamentos, uma vez que atestará a inexistência de diferenças entre os valores de base de cáculo apresentados em folha de pagamento e GFIP, entre demais questões já enfrentadas no recurso. Ressalta o direito da contribuinte de requerer a realização de perícia, diligência ou apresentação de documentos, ou seja, de produzir provas nos autos do processo administrativo fiscal, sendo defeso à autoridade fazendária cercearlhe aludida garantia constitucional, sob pena de nulidade do procedimento. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para preliminarmente decretar a nulidade dos Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 51136DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 12 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Consoante se positiva do Relatório Fiscal, a lavratura dos Autos de Infração sob análise deveuse a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela contribuinte ao INSS, correspondentes à parte da empresa, dos segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias, adotando como fatos geradores as seguintes importâncias: a) Remunerações em folha de pagamento não informadas em GFIP: · Verificouse que nas folhas de pagamento apresentadas á fiscalização que as rubricas aviso prévio indenizado, bônus anual e auxílio dependente excepcional correspondem a saláriodecontribuição, mas não foram informadas em GFIP; · Do confronto entre a folha de pagamento e a GFIP, identificaramse pagamentos a segurados empregados para os quais não havia declaração em GFIP. b) Custeio de educação: · Após exame da contabilidade, verificouse valores lançados na conta “Treinamento Sem. e Congressos, a qual, segundo informação da própria autuada, é “utilizada para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pósgraduação, inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional. (...)”; · O sujeito passivo não atendeu à intimação fiscal, deixando de informar qual o tipo de educação (pósgraduação, graduação, dentre outros) teria sido objeto de reembolso aos segurados; · Tratamse de pagamentos que não são beneficiados pela norma de isenção prevista na alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. c) Pagamento de remuneração a segurados empregados por meio da Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás · Constatouse na contabilidade pagamentos à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, por serviços de Call Center, totalizando R$ 6.357.995,77; · Da análise do estatuto social da autuada e do contrato de prestação de serviços pactuado entre esta e a ADFEGO, constatase que esta foi contratada para realizar a atividade fim daquela, o que vai de encontro à jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho; · As cláusulas contratuais evidenciam o propósito de a autuada exercer o controle dos serviços prestados pela ADFEGO, com a subordinação desta às normas estabelecidas pela aquela, as quais devem ser observadas desde a seleção e contratação de pessoal, bem como para avaliação de desempenho para fins de evolução na carreira; Fl. 51137DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 8 13 · Os empregados foram contratados para prestar serviços que correspondem à atividade fim da autuada, e o prestavam nas próprias dependências desta; · A fiscalização conclui pela existência de elementos caracterizadores de vínculo empregatício conforme art. 3º da CLT e alínea “a” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991; · A fiscalização caracterizou esses trabalhadores como segurados empregados da autuada; · A autoridade lançadora aferiu indiretamente os valores das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, considerandoos como sendo o montante dos pagamentos feitos à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, registrados na conta de despesa nº 0310357000 – C.O. – Serviços de Call Center. Ressaltados os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora lançadas, passamos a contemplam o Recurso de Ofício, bem como as razões de fato e de direito do Recurso Voluntário, senão vejamos. RECURSO DE OFÍCIO Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da matéria posta nos autos. Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 04034.373/2013, às efls. 1.551/1.589, da 4a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. Com mais especificidade, a DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem rechaçar em parte a pretensão fiscal, afastando parte do crédito tributário referente ao pagamento de remuneração a segurados empregados por meio da associação de deficientes físicos do Estado de Goiás, por entender haver erro na base de cálculo apurada por meio de aferição indireta, adotando os seguintes fundamentos, in verbis: "[...] INCORREÇÃO DA BASE DE CÁLCULO APURADA POR MEIO DE AFERIÇÃO INDIRETA A autoridade lançadora considerou os pagamentos registrados na contabilidade feitos à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, como sendo base de cálculo de contribuições previdenciárias decorrentes da caracterização do vínculo empregatício entre os empregados da referida associação e a autuada, utilizandose, portanto, do procedimento chamado de aferição indireta, cujos fundamentos legais transcrevemse abaixo: [...] Fl. 51138DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 14 O arbitramento, ou aferição indireta, é uma medida de exceção, que deve ser utilizada quando a autoridade lançadora não disponha de meios (ou tais meios não sejam confiáveis) para se chegar aos valores efetivos das bases de cálculo das contribuições previdenciárias, que no caso seriam os salários decontribuição pagos aos empregados que mantinham vínculo empregatício formal com a Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, e o vínculo empregatício de fato com a Brasil Telecom Call Center S/A. A autoridade lançadora não fundamentou o motivo pelo qual considerou o total das notas fiscais de serviço emitidas pela Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, como sendo base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. Convém lembrar que os valores dos salários recebidos pelos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, estão disponíveis em vários tipos de documentos emitidos pela referida associação, tais como folhas de pagamento, RAIS, GFIP e DIRF, e as informações contidas em tais documentos estão disponíveis nos sistemas informatizados da RFB. Contudo, a autoridade lançadora não informou se tais documentos seriam inexistentes, ou porque motivos as informações constantes neles não mereceriam fé. Como bem alegou as impugnantes, a autoridade lançadora consultou a GFIP apresentada pela Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, para relacionar o nome de todos os empregados formalmente vinculados a esta (item 85 do relatório fiscal e anexo VII), para comprovar a pessoalidade dos serviços prestados à autuada. Por qual razão não teria a autoridade lançadora considerado os salários informados nessa GFIP como base de cálculo? Vêse, portando, que autoridade lançadora poderia dispor dos valores dos saláriosdecontribuição efetivamente pagos a cada um dos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, mas assim não o fez. Ainda que a autoridade lançadora tivesse apresentado os motivos para desconsiderar todas as informações acerca dos valores dos salários pagos aos empregados formalmente vinculados à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás – ADFEGO, a Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, prevê percentuais mínimos a serem considerados como custo de mãodeobra no caso de aferição indireta feita com base em notas fiscais: [...] Embora a norma citada acima preveja percentuais mínimos a serem considerados como remuneração da mãodeobra, mostrase evidente que considerar o percentual máximo do valor dos serviços informados em notas fiscais dependeria de Fl. 51139DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 9 15 justificativa por parte da autoridade lançadora, o que não ocorreu no presente caso. Esse procedimento adotado pelo sujeito passivo ainda não se mostra razoável, pois considera que todos os valores constantes em notas fiscais corresponderiam a saláriosde contribuição, não havendo qualquer tipo de pagamento sobre o qual não incidiria contribuições previdenciárias; considera que a empresa contratada faria a intermediação de mãodeobra de forma gratuita. Em razão do exposto, devem ser excluídos do lançamento todos os valores das contribuições previdenciárias objeto dos seguintes levantamentos: ∙ AS – PAGAMENTO À ADFEGO – SEGURADOS EMPREGADOS (EMPRESA); ∙ CS – PAGAMENTOS À ADFEGO – CONTRIBUIÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS (SEGURADOS). [...]" (grifamos) Como se observa dos autos, ao constituir o crédito previdenciário pertinente aos pagamentos efetuado à Associação de Deficientes Físicos do Estado de Goiás, a ilustre autoridade lançadora entendeu por bem utilizarse do procedimento do arbitramento, adotando como base de cálculo dos tributos lançados o total das notas fiscais de serviços emitidas pela ADFEGO, sem conquanto motivar aludida conduta, sobretudo em razão de a totalidade dos salários recebidos pelos empregados formalmente vinculados àquela Associação estar disponível em vários tipos de documentos emitidos pela referida contribuinte, tais como folhas de pagamento, RAIS, GFIP e DIRF, e as informações contidas em tais documentos. Nesse sentido, estando o lançamento escorado em uma presunção legal, incumbe à fiscalização demonstrar e comprovar os motivos que a levaram utilizar deste procedimento excepcional e, conseqüentemente, fundamentálo na legislação de regência, fazendo constar dos autos do processo, nos anexos pertinentes, a norma legal esteio da exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito. Inobstante à grande celeuma que envolve o tema, é certo que atualmente o Fisco dispõe de alguns mecanismos para apuração de crédito tributário quando constatadas operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar da tributação, ou mesmo quando aquele não promove a devida escrituração contábil, nos moldes mínimos das normas específicas, ou não a oferece à fiscalização quando intimado para tanto. Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os requisitos exigidos pela legislação de regência, é legal e inverte o ônus da prova ao contribuinte. Tratase, pois, de presunção legal – júris, que desdobrase, ensinam os doutrinadores, em presunções "juris et de jure" e "juris tantum". As primeiras não admitem prova em contrário; são verdades indiscutíveis por força de lei. Fl. 51140DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 16 Por sua vez, as presunções "juris tantum" (presunções discutíveis), fato conhecido induz à veracidade de outro, até a prova em contrário. Elas recuam diante da comprovação contrária ao presumido. Serve de bom exemplo a presunção de liquidez e certeza da dívida inscrita, que pode ser ilidida por prova inequívoca, nos termos do artigo 204, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. As hipóteses inscritas nos §§ 3º e 6º, do artigo 33, da Lei nº 8.212/91, portanto, caracterizamse como presunções juris tantum, albergada por lei, mas passíveis de comprovação do contrário presumido. Porém, tal procedimento deve estar devidamente fundamentado e motivado nos autos do processo, além da necessidade de atender aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sob pena de nulidade ou improcedência do lançamento. Destarte, o arbitramento não pode representar uma verdadeira “carta branca” ao agente fiscal, de maneira a possibilitarlhe concluir pela existência de débitos tributários bem destoantes do que efetivamente devido pelo contribuinte, escorados em parâmetros aleatórios e imprecisos, sem o devido aprofundamento no exame das provas constantes dos autos. Não se pode admitir, pois, seja praticado o arbítrio em nome do arbitramento. É um procedimento, portanto, que objetiva aproximar, mensurar as remunerações tributáveis tanto quanto possível daquele que seria real. Temse assim que a vontade abstrata da lei é gravar o tributo que seria devido em condições normais, não mais do que isso, porquanto o objetivo precípuo da fiscalização é a orientação, com a finalidade de esclarecer aos contribuintes em geral sobre o indelével dever de recolher ao fisco os tributos efetivamente devidos, naturalmente após identificar as eventuais irregularidades extraídas de sua atividade, ou contabilidade, se for o caso. Em nenhum sistema jurídico se permite a tributação ao alvedrio da lei ou se preconiza a cobrança de tributo acima daquilo que o Fisco tem direito. Gravar tributo não tem o mesmo sentido de agraválo. O agravamento se faz mediante cominação de multas, não pela via do arbitramento. A doutrina pátria oferece proteção ao entendimento encimado, conforme se verifica do excerto da obra do renomado tributarista HELENO TORRES1, abaixo transcrito: “ [...] toda a fundamentação de uma desconsideração de método previamente escolhido e aplicado pelo contribuinte é, em si, medida típica de arbitramento da base de cálculo dos tributos envolvidos [...]. Da Constituição, no seu art. 145, § 1°, ao próprio CTN, nos seus arts. 148 e 150, I, em nenhuma hipótese vêse justificativa para tributação com base em presunções absolutas; o que vale do mesmo modo para a negativa de aplicação de métodos de apuração de bases de cálculo. [...] Ao Direito tributário importa, com exclusividade, só a verdade material, para a qual certas presunções legais somente valem como hipóteses sujeitas a confirmação pela base natural de testabilidade: a situação fática tomada como motivo para a edição do ato administrativo de lançamento. Caso não se tenha por ocorrido tal como o supunha a norma, deve ser aberto ao contribuinte o direito de demonstrar, mediante produção de prova em contrário, a efetiva ocorrência do fato jurídico tributário, em louvor da verdade material. Sobre o uso das presunções legais no direito tributário, pela circunstância de 1 TORRES, Heleno Taveira. Controle sobre Preços de Transferência. Legalidade e Uso de Presunções no Arbitramento da Base de Cálculo dos Tributos. O Direito ao Emprego do Melhor Método. Limites ao Uso do PRL60 na Importação. RFDT 06/2 I, dez/03 Fl. 51141DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 10 17 alheamento da administração em face de todos os fatos passíveis de serem alcançados para tributação e pela exigência de demonstração de provas, por parte das autoridades administrativas, a cada ato de lançamento tributário, em favor da simplificação, qualquer recurso ao uso de presunções legais deve satisfazer a estritos requisitos de justificação, sob pena de afetar os princípios de segurança jurídica e interdição do arbítrio, e ter por prejudicada sua aplicação. Todavia, o uso de presunções em matéria tributária há de encontrar limites muito claros. Primeiro, tais presunções só poderão ser de ordem probatória (presunção simples ou hominis); e, quando criadas por lei, não poderão ser absolutas, mas só relativas, admitindo a devida prova em contrário por parte do alegado, com liberdade de meios e formas. Segundo, a Administração deve respeitar o caráter de subsidiariedade dos meios presuntivos, pois só de modo excepcional se deve valer deles, na função de típica finalidade aliviadora ou igualdade de armas, nas hipóteses em que encontrar evidente dificuldade probatória. Terceiro, porque a verdade material é o parâmetro absoluto da tributação, qualquer modalidade de presunção relativa, há de ser aplicada com estrito respeito aos direitos fundamentais, e a legalidade, acompanhada de devido processo legal e sem qualquer espécie de discricionariedade que leve ao abuso de poder” A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando o cancelamento de autuações em que a fiscalização extrapolou os limites impostos pela legislação ao lançar com base no arbitramento, sobretudo quando os critérios utilizados nesta empreitada não estejam devidamente claros e precisos, in verbis: “[...] Ementa: ARBITRAMENTO – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestirse de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador. [...]” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 13963.000848/200787 Acórdão n° 240100.057, Sessão de 04/03/2009 – Relatoria Conselheiro Ana Maria Bandeira) (grifamos) “Ementa: [...] AFERIÇÃO INDIRETA. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. Fl. 51142DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 18 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AFERIÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando claramente os parâmetros utilizados, bem como, sempre que possível, os segurados envolvidos. [...]” (2a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 109.35.007634/2007 81 – Acórdão n° 240201.174, Sessão de 21/09/2010 – Relatoria Conselheiro Marcelo Oliveira) (grifamos) Ademais, o lançamento – atividade vinculada que constitui o crédito tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar se em fatos concretos, demonstrados, suscetíveis de comprovação. Mesmo porque, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador, determinando, ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Em outras palavras, o procedimento do arbitramento, em que pese conferir a prerrogativa do fiscal autuante em presumir a base de cálculo do tributo lançado, não o desobriga de comprovar a ocorrência do fato gerador. Ou seja, a base de cálculo poderá ser presumida, uma vez observados os requisitos para tanto, mas a ocorrência dos fatos geradores não. É o que se extrai do artigo 148 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Mais a mais, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: Fl. 51143DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 11 19 “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Como se verifica dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e determinar a matéria tributável (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Autuação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal. Na mesma linha exposta acima, a apuração do crédito previdenciário por arbitramento deve vir acompanhada da devida motivação, indicando a autoridade lançadora às irregularidades constatadas, as quais a impediram de apurar diretamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas. A doutrina não discrepa deste entendimento, consoante se positiva dos ensinamentos da eminente jurista MARIA RITA FERRAGUT2, que assim preleciona: “[...] 33. O arbitramento da base de cálculo deve respeitar os princípios da finalidade da lei, razoabilidade, proporcionalidade e capacidade contributiva, razão pela qual não há discricionariedade total na escolha das bases de cálculo alternativas, estando o agente público sempre vinculado, pelo menos, aos princípios constitucionais informadores da função administrativa. 34. Não basta que algum dos fatos previstos no artigo 148 do CTN tenha ocorrido a fim de que surja para o Fisco a competência de arbitrar: fazse imperioso que além disso o resultado da omissão ou do vício da documentação implique completa impossibilidade de descoberta direta da grandeza manifestada pelo fato jurídico. 34.1. O critério para determinar se um ou mais vícios ou erros são ou não suscetíveis de ensejar a desconsideração da documentação reside no seguinte: se implicarem a impossibilidade por parte do Fisco de, mediante exercício do dever de investigação, retificar a documentação de forma a garantir o valor probatório do documento, o mesmo deve ser considerado imprestável e a base de cálculo arbitrada. Caso contrário, não. 35. Diante de um lançamento por arbitramento, o sujeito passivo poderá verificar, para fins de defesa, se o ato jurídico encontrase devidamente motivado e os aspectos formais do ato foram cumpridos; se estão indicados na norma individual e concreta de constituição do crédito todos os dados e documentos utilizados para aferição dos valores arbitrados, pois em caso negativo, o lançamento estará cerceando o exercício da ampla defesa e do contraditório; se o critério adotado pelo Fisco para o arbitramento é muito oneroso e desprovido de razoabilidade, considerando o capital social, o faturamento, o lucro e a própria capacidade operacional da empresa; se a infração cometida consistiu apenas em atraso na escrita ou na entrega de declarações, o que não é considerado antecedente da norma jurídica que tem como conseqüente o 2 FERRAGUT, Maria Rita Ferragut. Presunções no Direito Tributário. Dialética, 2001, p. 161 Fl. 51144DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 20 dever do Fisco de efetuar o lançamento por arbitramento, mas tãosomente daquela que prevê a aplicação de multa decorrente de descumprimento de deveres instrumentais; se a documentação irregular poderia ter sido desconsiderada, uma vez que os vícios dela constantes são insignificantes se comparados ao número de lançamentos contábeis efetuados ou documentos fiscais emitidos; se mesmo diante de omissão de receitas o contribuinte teve prejuízo, não alterado em virtude dessas receitas, hipótese em que não se faz possível exigir o pagamento de tributos incidentes sobre a renda e o lucro; se a fiscalização utilizouse de exercícios em que a atividade do contribuinte foi atípica, comprometendo a validade da média; e muitos outros.” A jurisprudência do CARF que se ocupou do tema, oferece guarida ao entendimento acima esposado, exigindo, além da devida motivação na utilização do procedimento do arbitramento, a demonstração da ocorrência do efetivo prejuízo da fiscalização, senão vejamos: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. [...] Recurso Voluntário Provido em Parte.” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 35273.000238/200794, Acórdão n° 2401002.161, Sessão de 01/12/2011 – Relatoria Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo) (grifamos) Como se observa, em síntese, a fiscalização deve demonstrar cabalmente as razões que a levou a promover o lançamento por arbitramento, especialmente com a finalidade de oportunizar a ampla defesa e contraditório do contribuinte. No caso sub examine, concluise que o fiscal autuante edificou uma presunção legal, lançando crédito que entendeu devido, com base nos valores constantes das Notas Fiscais de prestação de serviços, suscitando ter promovido o arbitramento das contribuições lançadas, invertendo, assim, o ônus da prova a contribuinte. Entrementes, tratandose de procedimento excepcional, o arbitramento a partir do permissivo legal inscrito no artigo 33, §§ 3º e 4°, da Lei n° 8.212/91, deve ser devidamente fundamentado em fatos e documentos suscetíveis de comprovação. Não basta a fiscalização simplesmente inferir que apoiouse no procedimento do arbitramento para constituir o crédito tributário. Fl. 51145DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 12 21 Para que o lançamento tivesse o devido amparo legal e fático, caberia ao fiscal autuante comprovar que a contabilidade da contribuinte não oferece condições de demonstrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, ou seja, a real movimentação das remunerações de seus segurados, na forma que exige o artigo 33, §§ 3º e 4°, da Lei n° 8.212/91. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos. Como se constata, mister se fazer à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de desconsideração da contabilidade de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida da imprestabilidade da escrita contábil, in casu, para fins previdenciários, devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao julgador de analisar devidamente os autos. Em outras palavras, não basta à indicação de erros e/ou vícios na contabilidade, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal de que os documentos fornecidos pelas contribuintes não se prestam a demonstrar a real movimentação da remuneração de seus segurados, impossibilitando a aferição direta da base de cálculo de referidos tributos. A presunção legal inserida no artigo 33, §§ 3º e 4°, da Lei n° 8.212/91, relativamente ao arbitramento, não tem o condão de suprimir o precípuo dever legal da autoridade fiscal demonstrar e comprovar a ocorrência das hipóteses legais ali inscritas, com a finalidade de justificar aludido procedimento. A rigor, em momento algum o fiscal autuante asseverou que se viu impossibilitado de apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas em face de equívocos nos registros contábeis vinculados às contribuições previdenciárias, capaz de reforçar a sua tese. E, se assim não o foi, inexiste razão para o arbitramento/aferição indireta adotado nos autos. Com efeito, em nosso entender, os motivos aventados pela fiscalização, sem que haja um aprofundamento maior no tema (arbitramento), com provas mais robustas e indicação do efetivo prejuízo na seara do direito previdenciário, não é capaz de fazer florescer a hipótese de incidência admitida pela fiscalização. Repitase, o arbitramento não pode representar uma “carta branca” ao agente fiscal de maneira a afastar a necessidade de comprovação dos requisitos mínimos da exigência tributária. Não bastasse isso, in casu, reiterase, o que reforça o pleito da contribuinte é que a fiscalização não demonstrou a impossibilidade de se aferir diretamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias, de maneira a justificar o arbitramento operado na constituição do crédito tributário. Ora, o arbitramento só faz sentido e tem fundamento legal se a autoridade fazendária não tiver condições de extrair a base de cálculo dos tributos a serem lançados nos documentos que dispõe ou ofertados pela contribuinte. Observese, por fim, que o Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicar, resumidamente, como procedeu à autoridade lançadora na constituição do crédito previdenciário, devendo, dessa forma, ser claro e preciso relativamente aos procedimentos adotados pela fiscalização ao promover o lançamento, concedendo ao contribuinte conhecimento pleno dos motivos ensejadores da autuação, possibilitandolhe o amplo direito de defesa e contraditório, sobretudo tratandose de lançamento por arbitramento. Fl. 51146DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 22 Em face dos fatos acima delineados, uma vez não demonstrada ou sequer aventada pelo fiscal autuante a impossibilidade de apuração dos fatos geradores e/ou base de cálculo das contribuições previdenciárias diretamente nas folhas de pagamento, GFIP’s e contabilidade da contribuinte, não se pode admitir a apuração de crédito previdenciário com base em arbitramento, exclusivamente arrimado numa presunção legal, a qual inverte o ônus da prova, mas deve estar devidamente motivado e comprovados seus pressupostos legais. Na esteira desse entendimento, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, porquanto agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, promovendo a retificação do crédito previdenciário nos termos encimados. Em vista do exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido, nesse ponto, em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva dos autos, a nobre autoridade lançadora achou por bem decretar a improcedência parcial do feito, excluindo das Autuações os valores pertinentes aos levantamentos AS PAG ASSOC DEFIC FIS EST GO, FP FOLHA DE PAGA NÃO DECL EM GFIP, CS CONTR SEGURADOS PAG ADFEGO e CI CONTR SEGURADOS, os quais foram contemplados acima por ocasião da análise do Recurso do Ofício, razão pela qual analisaremos adiante as demais razões de recurso da contribuinte, em sede de preliminar ou de mérito, exclusivamente no que tange os demais levantamentos, como segue. PRELIMINAR REALIZAÇÃO DE PERÍCIA Preliminarmente, suscita a recorrente a improcedência da decisão recorrida sob o argumento de que a autoridade julgadora se baseou nas informações e documentos constantes dos autos, mais precisamente Relatório Fiscal da Autuação, privilegiando tal documentação em detrimento dos argumentos e elementos colocados a sua disposição na impugnação, impondo a conversão do julgamento em diligência para produção de provas indispensáveis ao deslinde da controvérsia. Em que pese o esforço da recorrente, sua irresignação, contudo, não merece acolhimento. Ao contrário do que alega a contribuinte, a autoridade recorrida não privilegiou o lançamento em prejuízo das razões e documentos apresentados pela então impugnante. Observese, com relação aos documentos e razões ofertadas pela contribuinte, que o julgador de primeira instância foi muito feliz em sua decisão, tendo em vista que cabe exclusivamente a ele conceder a força probante que assim entender. A documentação constante do processo serve justamente para formar a convicção do julgador, podendo interpretála da forma que melhor entender, refutálas ou desconsiderálas, de acordo com sua convicção, conquanto que de forma fundamentada. Aliás, é o que determina o artigo 29 do Decreto 70.235/1972, como segue: “ Seção VI Fl. 51147DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 13 23 Do Julgamento em Primeira Instância [...] Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Assim, o pleito da recorrente não tem o condão de macular a decisão recorrida, porquanto o julgador monocrático procedeu da melhor forma, exarando decisão fundamentada, debatendo acerca das razões pertinentes lançadas pela contribuinte, formando livremente sua convicção, nos termos do dispositivo legal encimado. Quanto ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova, igualmente, decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a recorrente não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter o lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despiciendo a produção de prova pericial. Com efeito, a produção de prova pericial se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Fl. 51148DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 24 Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. PRELIMINAR DE NULIDADE DOS LANÇAMENTOS Ainda em sede de preliminar, pretende a contribuinte seja decretada a nulidade dos feitos, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram as autuações, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do Código Tribunal e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção dos lançamentos. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias e multas ora exigidas, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos dos lançamentos foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como das folhas de pagamento, GFIP’s, recibos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Destarte, é direito da contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontramse maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. MÉRITO Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, dissertando a propósito da pretensa não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de Fl. 51149DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 14 25 Aviso Prévio Indenizado, Bônus Anual, Auxílio Dependente Excepcional e Reembolso Educacional, além de se insurgir contra as penalidades aplicadas nas autuações por descumprimento de obrigações acessória e principal, como passaremos a analisar de maneira individualizada adiante. Em defesa de sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade as verbas concedidas aos segurados empregados, acima elencadas, concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Em virtude das 04 (quatro) verbas lançadas na presente autuação como salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, senão vejamos. Antes de adentrar as questões de mérito, é de bom alvitre trazer à baila o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias”” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva. Por sua vez, as importâncias que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário decontribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; Fl. 51150DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 26 c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Fl. 51151DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 15 27 l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 51152DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 28 u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ” Com mais especificidade, contemplando as verbas em epígrafe, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu artigo 214, § 9°, prescreve a não incidência de contribuições previdenciárias nas seguintes condições, in verbis: “Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: [...] VI a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; [...] X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; § 10. As parcelas referidas no parágrafo anterior, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. [...]” Como se observa, tendo a autoridade lançadora inserido os pagamentos realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito de remuneração (saláriodecontribuição), nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, comprovando/demonstrado com especificidade a natureza remuneratória das verbas concedidas, impõese ao contribuinte afastar a pretensão fiscal enquadrando tais pagamentos em uma das hipóteses de não incidência, isenção ou imunidade elencadas na norma encimada, observando, porém, os requisitos legais para tanto. Em outras palavras, desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte se insurgiu contra a tributação de todas as verbas pagas aos seus funcionários, razão pela qual passaremos a analisar os argumentos relacionados a tais rubricas individualmente, em razão de suas Fl. 51153DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 16 29 peculiaridades, arrimadas especialmente na jurisprudência administrativa e atual de nossos Tribunais Superiores, senão vejamos: A) DO AVISO PRÉVIO INDENIZADO Consoante se infere do Relatório Fiscal, aludido levantamento se refere aos pagamentos concedidos pela empresa aos empregados a título Aviso Prévio Indenizado, remuneração paga ao empregado, assegurada pela CF nos termos do art. 7º, inciso XXI, correspondente a, no mínimo, 30 dias de serviços prestados. Mais precisamente, a autoridade lançadora utilizou como fundamento à sua empreitada o fato de, com o advento do Decreto nº 6.727, de 12/01/2009, a alínea "f" do inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto nº 3.048//1999 foi revogada, portanto, o aviso prévio indenizado passa a ser base de cálculo das contribuições previdenciárias, razão pela qual procedeuse o presente lançamento adotandose os fatos geradores ocorridos posteriormente à 12/01/2009. Por sua vez, em sua peça recursal, afirma ser improcedente a incidência das contribuições sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por tratarse de verba indenizatória, não tendo natureza remuneratória, colacionando jurisprudência, legislação e posicionamentos doutrinários corroborando a sua tese. Afora os fundamentos da autoridade lançadora ao promover o lançamento, corroborados pelo julgador recorrido, o insurgimento da contribuinte merece acolhimento. Destarte, não vislumbramos na verba sub examine natureza remuneratória tendente a integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É bem verdade que as hipóteses de não incidência, isenção e/ou imunidade de contribuições previdenciárias encontramse previstas na legislação de regência, notadamente no artigo 28, § 9°, da Lei n° 8.212/91, c/c artigo 214, § 9°, do Decreto n° 3.048/99 – Regulamento da Previdência Social. Entrementes, a jurisprudência deste Colegiado já firmou entendimento no sentido de que, primeiramente, incumbe à autoridade lançadora demonstrar que a verba concedida aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais encontramse revestidas das características básicas do salário de contribuição. Em outras palavras, o simples fato de o benefício concedido pela contribuinte aos seus funcionários não se encontrar elencado nos dispositivos legais encimados, por si só, não o caracteriza automaticamente como remuneração. Mesmo porque, na hipótese de o benefício concedido ter natureza eminentemente indenizatória, por exemplo, não há se falar em incidência dos tributos ora lançados. Daí porque, é dever da autoridade fazendária adentrar aos aspectos peculiares de cada verba/benefício concedido pela contribuinte aos seus empregados, se aprofundando na questão de maneira a comprovar que, efetivamente, se apresenta como uma nítida remuneração, em razão de sua própria natureza, dos motivos e condições de pagamento, etc. Na hipótese dos autos, não obstante a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça afastou qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, nos autos do Fl. 51154DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 30 Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, com a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. [...] 2.2 Aviso prévio indenizado. A despeito da atual moldura legislativa (Lei 9.528/97 e Decreto 6.727/2009), as importâncias pagas a título de indenização, que não correspondam a serviços prestados nem a tempo à disposição do empregador, não ensejam a incidência de contribuição previdenciária. A CLT estabelece que, em se tratando de contrato de trabalho por prazo indeterminado, a parte que, sem justo motivo, quiser a sua rescisão, deverá comunicar a outra a sua intenção com a devida antecedência. Não concedido o aviso prévio pelo empregador, nasce para o empregado o direito aos salários correspondentes ao prazo do aviso, garantida sempre a integração desse período no seu tempo de serviço (art. 487, § 1º, da CLT). Desse modo, o pagamento decorrente da falta de aviso prévio, isto é, o aviso prévio indenizado, visa a reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na Constituição Federal (atualmente regulamentada pela Lei 12.506/2011). Dessarte, não há como se conferir à referida verba o caráter remuneratório pretendido pela Fazenda Nacional, por não retribuir o trabalho, mas sim reparar um dano. Ressaltese que, "se o aviso prévio é indenizado, no período que lhe corresponderia o empregado não presta trabalho algum, nem fica à disposição do empregador. Assim, por ser ela estranha à hipótese de incidência, é irrelevante a circunstância de não haver previsão legal de isenção em relação a tal verba" (REsp 1.221.665/PR, 1ª Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJe de 23.2.2011). A corroborar a tese sobre a natureza indenizatória do aviso prévio indenizado, destacamse, na doutrina, as lições de Maurício Godinho Delgado e Amauri Mascaro Nascimento. Precedentes: REsp 1.198.964/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 4.10.2010; REsp 1.213.133/SC, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 1º.12.2010; AgRg no REsp 1.205.593/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 4.2.2011; AgRg no REsp 1.218.883/SC, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 22.2.2011; AgRg no REsp 1.220.119/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 29.11.2011. [...]" (grifamos) E, de conformidade com o artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF, impõese ao julgador deste Colegiado a observância às decisões do Superior Tribunal de Fl. 51155DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 17 31 Justiça, tomadas em sede de Recurso Repetitivo, nos termos do artigo 543C, do CPC, hipótese que se amolda ao caso vertente, senão vejamos: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016." Encampando a jurisprudência, bem como a disposição regimental supra, a jurisprudência administrativa vem reconhecendo a não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de aviso prévio indenizado, como se extrai dos recentes julgados abaixo ementados: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. ABONO DE FÉRIAS. INCIDÊNCIA QUANDO EXCEDENTE OS LIMITES DA CLT. ABONO. INCIDÊNCIA QUANDO HABITUAL. O abono de férias previsto no artigo 143 da CLT não integra o salário de contribuição quando respeitados os limites previstos na norma trabalhista. O abono concedido por liberalidade passa a integrar o salário de contribuição, segundo expressa disposição constitucional (artigo 201, § 11), quando habitual. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. INTEGRAÇÃO. O décimo terceiro salário sofre incidência das contribuições previdenciárias por expressa disposição da lei tributária. O salário de contribuição relativo ao décimo terceiro é obtido pela soma de todas as parcelas que o integram. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. AVISO PRÉVIO INDENIZADO E DÉCIMO TERCEIRO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. A incidência da contribuição social previdenciária se dá, em regra, sobre as parcelas remuneratórias. Não se verifica incidência sobre parcelas de nítida natureza indenizatória por ausência de disposição legal. As parcelas pagas na rescisão do contrato de trabalho a título de aviso prévio indenizado e férias indenizadas não integram o salário de contribuição em razão Fl. 51156DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 32 de seu ínsito caráter indenizatório." (1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SJ do CARF Acórdão nº 2201003.207, Processo nº 10120.727291/201305, Sessão de 14/06/2016) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/09/2009, 01/11/2009 a 31/05/2010, 01/08/2010 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/12/2011 [...] AVISO PRÉVIO INDENIZADO. INCIDÊNCIA. O Superior Tribunal de Justiça já definiu, nos autos do Recurso Especial nº 1230957/RS, julgado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, que não incide contribuição previdenciária sobre aviso prévio indenizado. [...]"(2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª SJ do CARF Acórdão nº 2202003.378, Processo nº 16327.720438/201479, Sessão de 10/05/2016) Partindo dessas premissas, diante da definitividade da decisão do STJ, tomada em sede de Recurso Repetitivo, impõese a esta Corte Administrativa adotar a jurisprudência mansa e pacífica dos nossos Tribunais Superiores, provendo o pleito da contribuinte no sentido de reconhecer a natureza indenizatória da verba concedida a título de Aviso Prévio Indenizado, em observância, inclusive, aos artigos 62, § 2º, do RICARF. B) DO BÔNUS ANUAL E AUXÍLIO DEPENDENTE EXCEPCIONAL No que tange aos pagamentos concedidos aos segurados a título de Bônus Anual, contrapõese à pretensão fiscal, sustentando que estão fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, porquanto pagos por mera liberalidade do empregador, de forma eventual, na forma do item 7, alínea "e", do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212, de 1991, não havendo a comprovação por parte da autoridade fiscal de que tais valores estivessem vinculados a fatores de eficiência, assiduidade, tempo de serviço e outros relacionados ao desenvolvimento do labor. Relativamente aos valores concedidos a título de auxílio dependente excepcional, pretende seja afastada a tributação atribuída pela fiscalização, sob o argumento de carecer de natureza contraprestativa, encaixandose na hipótese de não incidência apresentada pela Lei n° 8.212/91, artigo 28, § 9°, alínea "q", dada sua natureza de assistência médica, sobretudo em razão de o funcionário dever preencher o requisitos para receber tal auxilio. A corroborar sua tese, colaciona jurisprudência deste Conselho. Não obstante as alegações de fato e de direito ofertadas pela contribuinte, o entendimento acima alinhavado não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando pagos em desconformidade com a legislação de regência. Isto porque, uma vez a autoridade fiscal se desincumbindo do ônus de comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo, o que ocorrera in casu, cabe ao contribuinte demonstrar que os pagamento concedidos aos seus segurados não possuem natureza remuneratória, o que não se vislumbra no caso vertente. A rigor, no decorrer da ação fiscal, a recorrente quedouse silente quando chamado a explicitar as condições para o pagamento de tal rubrica. Fl. 51157DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 18 33 Em verdade, em sede de impugnação e, posteriormente, recurso voluntária, a contribuinte escora seu pleito no fato de o Bônus Anual ter sido pago numa única oportunidade no ano, olvidandose, porém, da natureza de contraprestação por serviços prestados, ou seja, pagos pelo trabalho, o que determina sua condição de verba remuneratória. A propósito da matéria, o julgador de primeira instância foi muito feliz ao rechaçar o pleito da contribuinte, como segue: "[...] BÔNUS ANUAL Verificase que a autoridade lançadora, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 04 (fl.126) requisitou esclarecimentos à autuada sobre a rubrica bônus anual, código 480. Contudo, a autuada manifestouse acerca de outros pontos da referida intimação fiscal (fls.254 a 256), mas silenciouse em relação ao alegado bônus. Uma vez que o sujeito passivo preferiu não se manifestar em relação ao bônus anual, e de comprovar que se tratava de rubrica isenta de contribuições previdenciárias, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores registrados a esse título na folha de pagamento da empresa. Agiu corretamente a autoridade lançadora nesse caso, pois a comprovação de que o pagamento do bônus anual enquadrar seia em uma das hipóteses de isenção previstas no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, caberia ao sujeito passivo, pois essa prova foi requisitada a ele. Por essa razão, não procede o argumento dos impugnantes de que essa prova caberia à autoridade lançadora. Poderiam os impugnantes ter trazidos elementos de prova junto á peça impugnatória que determinassem a não incidência de contribuições previdenciárias sobre referido bônus, porém, limitaramse apenas a alegar que tais valores estariam enquadrados na norma de isenção prevista no item 7 da alínea e) do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Não exercido o ônus da prova junto à impugnação, deve ser mantido o lançamento das contribuições previdenciárias que incidiram sobre os valores de bônus anual registrados na folha de pagamento da empresa. [...]" Igualmente, quanto ao auxílio dependente excepcional, inobstante reconhecermos a louvável conduta da contribuinte, não podemos afastar a tributação de tais verbas exclusivamente com base na boa fé da empresa ou mesmo por analogia a outras verbas, especialmente quando inexiste disposição legal para tanto. Destarte, a única verba fora do alcance da incidência das contribuições previdenciária que o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 contempla, quando concedida/estendidas aos dependentes, encontrase inserida na sua alínea "t", relativamente ao Fl. 51158DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 34 auxílio educacional, não cabendo ao aplicador da lei conferir interpretação extensiva ao que o legislador ordinário não prescreveu. No mesmo sentido, cumpre trazer à baila excerto da decisão de primeira instância, muito elucidativo ao deslinde da controvérsia, in verbis: "[...] Como visto acima, não se trata de assistência prestada por serviço médico ou odontológico da empresa ou conveniados. Também não se trata de reembolso de despesas com medicamentos, óculos etc, pois se assim fosse, tal fato deveria ser comprovado por meio de recibos, notas fiscais ou outro documento que indicassem esse tipo de gasto no exato valor ao que foi pago pelo sujeito passivo a seus empregados a título de auxílio dependente excepcional. E uma vez que inexiste previsão legal que afaste a incidência de contribuições previdenciárias sobre esse tipo de auxílio, conforme já se comentou no presente voto, deve ser mantido lançamento referente ao pagamento de auxílio dependente excepcional. [...]" Com efeito, ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas retro, pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais em total afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9º, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição às importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso à interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem qualquer observância às normas legais. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados e/ou contribuintes individuais as verbas encimadas, sem levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas importâncias, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. C) CUSTEIO DE EDUCAÇÃO REEMBOLSO EDUCACIONAL Conforme se extrai do Relatório Fiscal, da análise da contabilidade da contribuinte, constatouse o pagamento aos funcionários destinado ao custeio de despesas com educação, intitulada como "reembolso educacional" pela recorrente, Com mais especificidade, o nobre fiscal autuante escorou a tributação nas seguintes razões: "[...] Fl. 51159DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 19 35 51 A empresa informou que referida conta é “utilizada para o lançamento de diversos tipos de reembolsos como idiomas, graduação, pósgraduação, inscrições em cursos, seminários e palestras entre outros, incluindo o Educacional. Dentre os valores lançados nesta referida conta, elencamos no demonstrativo anexo apenas os colaboradores que foram contemplados com o Reembolso Educacional no ano calendário de 2009.” 52. Pela informação da empresa além do reembolso educacional a conta 3103354000 acolhe os registros de diversos cursos, incluindo cursos de pósgraduação e idiomas. 53. Por meio do TIF nº 8, ciência da empresa em 13/03/2013, a empresa foi instada a apresentar relação de beneficiários, com Nome/NIT/Competência/Valor pago e tipo de educação. 54. Em resposta apresentou planilha com as informações solicitadas, totalizando R$ 119.536,50, e não especificou qual o tipo de ensino disponibiliza aos beneficiários do Reembolso Educacional. 55. Desta forma, como a empresa deixou claro que além do Reembolso Educacional (cursos de graduação?), reembolsa despesas com cursos de idiomas e cursos de pósgraduação, sendo que estas despesas, também, não são alcançadas pela isenção prevista no §9 do artigo 28 da Lei 8.212/91, esta fiscalização considerou como base de cálculo das contribuições previdenciárias além do valor informado pela Brasil Telecom com o Reembolso Educacional, também, àquelas despesas informadas na conta 3103354000, não incluídas no Reembolso Educacional, e cujos beneficiários são pessoas físicas. [...] 58. O gasto do contribuinte com o custeio de cursos de idiomas, de pósgraduação e reembolso educacional de seus empregados é considerado fato gerador de contribuição previdenciária, uma vez que os valores despendidos com referido benefício, embora relativos à despesa com educação, não se encontram alcançados pela norma de isenção de que trata a alínea “t” do § 9o do art. 28 da Lei nº. 8.212/91, que prevê parcela não integrante do salário de contribuição do segurado. Portanto, deve compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. [...] 59. De fato, para que o valor despendido com educação não integre o saláriodecontribuição, devem ser atendidos, de forma cumulativa, os requisitos estabelecidos pela legislação, quais sejam: a) plano educacional que caracterize o oferecimento de educação básica ou de cursos de capacitação e qualificação profissional vinculados às atividades da empresa, b) o benefício não pode substituir parcela salarial e, c) disponibilidade de acesso a todos os empregados. E, em se tratando de norma de Fl. 51160DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 36 exceção que confere isenção tributária, deve ser interpretada restritivamente. 60. Assim, valor concedido aos empregados a título de ressarcimento de despesas com custeio de cursos de pós graduação, de idiomas e reembolso educacional não é isento de contribuições previdenciárias, sendo considerado salário in natura e, portanto, na qualidade de salário indireto, integra o saláriodecontribuição do segurado empregado para fins de incidência das contribuições previdenciárias. [...]" (grifamos) Como se observa, a contribuinte instada a se manifestar sobre o pagamento do Reembolso Educacional, muito embora tenha apresentado planilha especificando parte das informações solicitadas, deixou de esclarecer qual o tipo de ensino disponibiliza aos beneficiários do Reembolso Educacional. Assim, em que pese ter informado que aludida verba comporta despesas com cursos de idiomas e cursos de pósgraduação, não especificou quais as condições para o seu pagamento, bem como quais cursos precisamente são ofertados. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte seja afastada a tributação sobre aludida verba, argumentando que foram lançados os reembolsos com cursos de idiomas, graduação, pósgraduação, inscrições em cursos, seminários, palestras, entre outros, estando completamente equivocado o auditor e a DRJ, uma vez que tais valores despendidos pela autuada não servem para remunerar serviços prestados, mas, sim, custear a qualificação de seus funcionários, com o fito de melhor executarem suas atividades, ou seja, é concedida não pelo trabalho, mas para o trabalho, o que impossibilita a incidência de contribuições previdenciárias, conforme entendimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores. Constatase que a contribuinte, ao invés de melhor aclarar a demanda, colacionando aos autos as informações pertinentes a cada curso oferecido, com o destinatário, a natureza do curso, etc, sobretudo objetivando subsumir o fato à norma isentiva, simplesmente traz à colações questões de direito periféricas, que em nada contribuem para o deslinde da controvérsia. Ao contrário, ao buscar repousar sua pretensão em simples alegações de não incidência de contribuições previdenciárias sobre o custeio educacional de seus funcionários, o que é de conhecimento geral e consta da própria lei, deixou de proceder o mais importante, que é a comprovação de que o auxílio educacional ofertado observa os pressupostos legais para fins de não incidência dos tributos ora lançados. Neste sentido, aliás, fora a decisão de primeira instância ao rechaçar as alegações da contribuinte, de onde peço vênia para transcrever parte e adotar como razões de decidir: "[...] A autoridade lançadora informou que a autuada apenas apresentou planilha informando os valores pagos a cada um dos segurados beneficiados a título de reembolso educacional, deixando, contudo, de especificar, individualmente, qual seria o tipo de curso freqüentado pelos segurados beneficiados (fl.85). Fl. 51161DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 20 37 Os impugnantes também não trazem documentos que possam comprovar que tipo de curso cada um de seus segurados beneficiados pelo referido reembolso teriam freqüentado, o que impossibilita saber se esses pagamentos poderiam ser enquadrados no dispositivo legal acima citado. A mera alegação de que se trataria de verba indenizatória também não é suficiente para afastar a incidência das contribuições previdenciárias, pelos motivos que já foram apontados no presente voto. Destarte, deve ser mantido o lançamento em relação aos pagamentos registrados na contabilidade como reembolso educacional. [...]" Nestes termos, muito embora não compartilhe com parte da conclusão fiscal, que dá a entender que cursos de pósgraduação e de idiomas não estariam abarcados pela norma isentiva em comento, por não se caracterizarem como educação básica e/ou capacitação profissional, entendimento que foge à própria essência da verba sub examine, o certo é que a contribuinte em momento algum ofereceu condições/informação para se aferir se, de fato, o benefício/auxílio por ela concedido encontra sob o manto dos preceitos do artigo 28, § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991. Nessa toada e, na linha do decidido no Acórdão recorrido, impende manter a exigência de contribuições previdenciárias sobre a verba denominada Reembolso Educacional ofertado pela contribuinte aos seus funcionários. D) DIVERGÊNCIAS DE FOLHAS DE PAGAMENTO X GFIP No entender deste Conselheiro, esta matéria foi tratada de forma conjugada na preliminar de nulidade suscitada pela recorrente, sobretudo por se tratar de questão de pretenso erro na apuração de base de cálculo. Portanto, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção dos lançamentos, especialmente quanto ao tópico ora em debate. Dessa forma, as diferenças às quais a autoridade lançadora chamou de “folha de pagamento não declarada em GFIP” se referem as diferenças nos valores de verbas que são enquadradas como saláriodecontribuição. A autuada teria todas as condições de refutar, um a um, os valores apurados pela autoridade lançadora pois esta baseou seu trabalho na análise da folha de pagamento e da GFIP que são documentos que estão sob a guarda daquela, no entanto, na opinião deste Conselheiro, a falta de precisão na fundamentação e nos argumentos apresentados pela Fl. 51162DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 38 contribuinte, além de anexar mais de 46 mil laudas de documentos "debandados", não são suficientes para rechaçar a pretensão fiscal. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Sustenta, ainda, a recorrente que, em caso de procedência do lançamento, seja excluída a incidência de juros sobre a multa de ofício, haja vista esta penalidade não retratar obrigação principal, mas mero encargo que se agrega ao valor da dívida como forma de punir o contribuinte. Além disso, a incidência dos juros sobre a multa carece de disposição legal que lhe dê suporte. Relativamente à matéria, entendo assistir razão à Recorrente. Isso porque o artigo 61 da Lei nº 9.430 não prevê a incidência de juros sobre a multa de oficio, mas apenas a da multa de mora sobre o débito decorrente de tributos e contribuições. Dessa forma, merece guarida a pretensão da contribuinte, consoante restou muito bem explicitado no voto vencido do Acórdão n° 920201.806, o qual me filio, da lavra do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, exarado pela 2a Turma CSRF nos autos do processo n° 10768.010559/200119, de onde peça vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, in verbis: “[...] Assim, no mérito, a discussão no presente recurso está limitada à incidência dos juros moratórios equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC sobre a multa de oficio. Tal discussão já foi examinada pelo antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades, sendo que três posições/entendimentos restaram assentados sobre o tema, quais sejam: de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC; de que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício a partir do vencimento do prazo da impugnação, sendo que tais juros devem ser calculados à razão de 1% ao mês; e de que não é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício. Tanto a primeira quanto a segunda tese admitem a incidência dos juros sobre a multa de ofício por entenderem que o artigo 161 do Código Tributário Nacional assim autoriza, divergindo, no entanto, sobre a possibilidade desses juros serem calculados pela SELIC (Lei nº 9.430/1996) ou à razão de 1% ao mês nos termos do enunciado do §1º do Código Tributário Nacional – CTN (1% ao mês). Data máxima vênia, entendo que nenhuma das duas posições é a que mais se coaduna com o ordenamento vigente (não em suas disposições isolados, mas em seu conjunto). Fl. 51163DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 21 39 Sobre a incidência de juros de mora o citado artigo 161 do CTN determina: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (original sem grifo) O dispositivo acima referido autoriza a incidência de juros sobre o “crédito não integralmente pago no vencimento”. “Crédito”, por sua vez, é definido no artigo 139 do CTN, que assim dispõe: “Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Obrigação tributária, por fim, vem definida no art. 113,verbis: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária.” A questão a ser enfrentada é a possibilidade dos juros de mora incidirem sobre a multa de ofício, aplicada pela autoridade fiscal proporcionalmente ao tributo lançado, considerando a expressão “penalidade pecuniária” incluída no parágrafo 1º art. 113. A meu ver a expressão “penalidade pecuniária” ali referida é a penalidade decorrente da inobservância de determinada obrigação acessória (de fazer ou não fazer), que se converte em obrigação principal nos termos do parágrafo 3º do mesmo artigo 113. Tal expressão jamais poderia ser interpretada como a Fl. 51164DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 40 penalidade pecuniária exigida em conjunto com o tributo não pago, até porque ficaria desprovida de sentido no contexto do dispositivo. Se a penalidade (no caso a multa do ofício) já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora nos termos do artigo 161 do mesmo CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante no referido dispositivo no sentido de que o crédito deve ser exigido “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Outrossim, com base nessa mesma interpretação, poderia se, inclusive, cogitar da possibilidade de incidência de penalidade (multa) sobre crédito tributário que já englobasse tributo e multa, o que obviamente caracterizaria um non senso jurídico. Ademais, cumpre observar que o conceito de juros advém do direito privado e, conforme preceitua o artigo 110 do CTN, quando as categorias de direito privado estão apenas referidas na lei tributária deve o aplicador se socorrer do direito privado para compreendêlas. No âmbito do direito privado os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Já a multa não serve para repor ou indenizar o capital alheio, mas para sancionar a inexecução da obrigação. Assim, se os juros remuneram o credor (no caso o Fisco) pela privação do uso de seu capital devem eles incidir somente sobre o que tributo não recolhido no vencimento, e não sobre a multa de ofício, que tem caráter punitivo. A vocação da multa, já suficiente severa, é punir o descumprimento, enquanto a dos juros é remunerar o capital não recebido pelo Estado. Dizer que a multa deve ser “corrigida” é ignorar que a legislação tributária brasileira extinguiu a correção monetária desde 1995, sendo preocupação freqüente das administrações tributárias que se seguiram evitar a indexação automática própria dos regimes inflacionários que foram extremamente prejudiciais à economia brasileira. Com base no raciocínio acima exposto, entendo que o CTN não autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada proporcionalmente ao tributo, ficando prejudicada a discussão acerca do índice aplicável. Por outro lado e à guisa de argumentação, ainda que se entendesse que o CTN autoriza a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, mister se faz analisar a legislação ordinária em vigor no período em que a multa exigida foi aplicada. Nesse sentido, argumentase que a exigência de juros sobre a multa aplicada proporcionalmente estaria amparada no art. 61, §3º da Lei n. 9.430/1996, que assim estabelece: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Fl. 51165DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 22 41 Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo, incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Do exame do dispositivo resulta que os débitos a que se refere o § 3º são aqueles decorrentes de tributos e contribuições mencionados no caput. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Em outras palavras, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei n°9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas, não se confundindo nos termos do art. 3º do CTN. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, da violação do dever de pagar o tributo no prazo legal. Ao utilizar a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” a Lei nº 9.430/96 somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes da multa de mora, sendo ilógico entender que ali se contém a multa de ofício lançada proporcionalmente. Ademais, caso a expressão “débitos” constante do art. 61 contemplasse o principal e a multa de ofício, seria imperioso admitir que a multa de ofício, caso não paga no vencimento, sofreria também o acréscimo de multa de mora, tendo em vista que o caput do dispositivo expressamente dispõe que “ os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de Fl. 51166DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 42 multa de mora, calculados a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” Realmente, este seria o resultado da interpretação do parágrafo 3º do art. 61 de forma isolada, sem se atentar ao que determina o “caput”. Seguindo este raciocínio terseia que admitir que também sobre os juros de mora, que se incluiriam nos “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros e multa de mora, o que indica data venia a improcedência da interpretação. Assim, qualquer que seja a ótica sob a qual se interpretam os dispositivos literal, teleológica ou sistemática – entendo que a melhor exegese é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo disciplina os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. O parágrafo único do art. 43 do mesmo diploma legal Lei 9.430/1996 é absolutamente coerente com a interpretação do art. 61 desenvolvida acima e corrobora a conclusão. Prevê o referido dispositivo a incidência de juros de mora sobre as multas e os juros cobrados isoladamente, verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora isolada ou conjuntamente. Parágrafo único – Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. Ora, se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no “caput” do artigo 61 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43 supra transcrito, posto que a incidência dos juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente nos termos do “caput” do artigo já decorreria diretamente do artigo 61. Em face das considerações acima, concluo que não há, seja em lei complementar (CTN) seja na legislação ordinária, interpretação possível a amparar conclusão diversa, merecendo ser excluída da exigência a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada proporcionalmente. Os fundamentos acima também foram adotados pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos, no Acórdão n. 910100.722, de 08 de novembro de 2010, Relatora a Conselheira Karem Jurendini Dias, que concluiu pela não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE – Fl. 51167DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 23 43 Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa oficio aplicada. No presente caso, os paradigmas apresentados pela Recorrente concluíram que é possível a incidência de juros sobre a multa de ofício, limitandoos entretanto ao patamar mensal de 1% ao mês. Embora o entendimento manifestado no presente voto resultaria em provimento do recurso voluntário em maior extensão (exclusão completa da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício), deve o resultado aterse ao limite da pretensão recursal ora examinada, devendo o recurso ser conhecido e provido nesta extensão.” Em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal. DA RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES Opõese, ainda, a contribuinte à autuação inferindo que os administradores da empresa não podem ser responsabilizados pelos débitos da pessoa jurídica com o fisco, face a inexistência dos requisitos necessários para tanto, insculpidos no artigo 135, inciso III, do CTN. Sem razão a recorrente!! Isto porque, a matéria objeto de julgamento nesta assentada referese à procedência ou improcedência do lançamento, e não quais bens irão suportar/garantir eventual crédito tributário definitivamente constituído, após decisão administrativa transitada em julgado, ou mesmo sobre quem irá recair tal responsabilidade. A questão suscitada pela contribuinte poderá ser objeto de apreciação em outras oportunidades, por exemplo, na execução fiscal, obedecidas as normas procedimentais deste processo, não merecendo aqui fazer maiores considerações relativas a responsabilidade pelo crédito previdenciário, no tocante aos bens pessoais dos sócios ou da pessoa jurídica, ora recorrente. Ademais, na hipótese contemplada nestes autos, além de não se responsabilizar diretamente, ainda, qualquer outra pessoa pela falta do recolhimento das contribuições ora lançadas, consoante se infere do anexo “RELATÓRIO DE VÍNCULOS”, inexiste atribuição da sujeição passiva pelo crédito tributário em discussão àquelas pessoas, uma vez que o lançamento fora efetuado contra a empresa e não contra eles. Conforme se verifica da autuação, são os sócios, tão somente coresponsáveis pelos créditos constituídos, não se cogitando na ilegalidade de tal procedimento por encontrar respaldo na legislação de regência, como restou claro na decisão de primeira instância, devendo ser mantido o feito na forma ali decidida. Aliás, a jurisprudência deste Colegiado, consagrada pela Súmula CARF n° 88, é por demais enfática ao afirmar que a simples inclusão dos nomes dos sócios nos anexos Fl. 51168DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 44 CORESP não implica em responsabilidade pessoal – sujeição passiva – de tais pessoas físicas, não comportando a discussão aventada pela contribuinte em sede recursal, como segue: “Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.” Neste sentido, inexiste razão para maiores disceptações a respeito da matéria, mormente em razão das Súmulas do CARF vincularem seus julgadores, não prosperando, portanto, a pretensão da contribuinte. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, no mérito, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE: 1) CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o Acórdão de primeira instância, na parte recorrida, em sua integralidade, pelos seus próprios fundamentos; 2) CONHECER DO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de realização de perícia e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para afastar a tributação do Aviso Prévio Indenizado, bem como a caracterização do Grupo Econômico de Fato, rechaçando, ainda, a incidência dos juros sobre a multa de ofício, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 51169DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.471 S2C4T1 Fl. 24 45 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Ao contrário do que entende o recorrente e o relator, incide juros de mora sobre a multa de ofício. O CTN, no art. 161, dispõe que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A Lei 9.430/96, art. 61, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O conceito de crédito tributário abrange a multa de ofício, portanto, não efetuado o pagamento no prazo legal, incide juros de mora sobre o principal e a multa de ofício. No mesmo sentido, manifestouse a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no processo 10980.723322/201582, Acórdão 9202004.250, de 23/6/16, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. CONCLUSÃO Fl. 51170DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 46 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 51171DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/201 6 por RAYD SANTANA FERREIRA, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
score : 1.0
