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Numero do processo: 10820.902163/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/08/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.585
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 63 /2 01 2- 71 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10820.902163/201271 Acórdão n.º 3401003.585 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/08/2007 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10820.902163/201271 Acórdão n.º 3401003.585 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10820.902163/201271 Acórdão n.º 3401003.585 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10820.902163/201271 Acórdão n.º 3401003.585 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902732/2010-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 32 /2 01 0- 73 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 16327.902732/201073 Acórdão n.º 1301002.297 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16327.902732/201073 Acórdão n.º 1301002.297 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 249DF CARF MF Processo nº 16327.902732/201073 Acórdão n.º 1301002.297 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16327.902732/201073 Acórdão n.º 1301002.297 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 251DF CARF MF Processo nº 16327.902732/201073 Acórdão n.º 1301002.297 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 16327.902732/201073 Acórdão n.º 1301002.297 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 253DF CARF MF Processo nº 16327.902732/201073 Acórdão n.º 1301002.297 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.727128/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/01/1999
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO.
Quando a prestação de serviços é realizada em imóveis de propriedade da contratada, ou por ela locados, mas sob o controle e fiscalização da contratante, resta caracterizada a cessão de mão de obra. É considerada cessão de mão de obra nas dependências de terceiros, os serviços prestados via telefone ou junto ao público. Resta demonstrada a comprovação da cessão de mão de obra à disposição da contratante quando esta tem contato direto, orienta, acompanha, supervisiona e fiscaliza a prestação de serviços dos trabalhadores.
SOLIDARIEDADE - FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO.
A ação fiscal se desenvolveu na tomadora de serviços, e para evitar o lançamento, basta a exibição das guias de recolhimento específicas, vinculadas ao serviço prestado e respectivas folhas de pagamentos específicas, elaboradas na forma da legislação aplicável, para a afastar a solidariedade, o que não ocorreu.
DILIGÊNCIA. RETORNO.
A prestadora de serviços não sofreu qualquer procedimento fiscal, para verificação do período correspondente ao do lançamento de crédito tributário, por parte do INSS, Secretaria da Receita Previdenciária, ou Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, correto o lançamento fiscal por solidariedade, com base de cálculo apurada por aferição indireta devidamente autorizada pelo artigo 33 da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2401-004.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arraes Egypto, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1998 a 31/01/1999 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO. Quando a prestação de serviços é realizada em imóveis de propriedade da contratada, ou por ela locados, mas sob o controle e fiscalização da contratante, resta caracterizada a cessão de mão de obra. É considerada cessão de mão de obra nas dependências de terceiros, os serviços prestados via telefone ou junto ao público. Resta demonstrada a comprovação da cessão de mão de obra à disposição da contratante quando esta tem contato direto, orienta, acompanha, supervisiona e fiscaliza a prestação de serviços dos trabalhadores. SOLIDARIEDADE - FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO. A ação fiscal se desenvolveu na tomadora de serviços, e para evitar o lançamento, basta a exibição das guias de recolhimento específicas, vinculadas ao serviço prestado e respectivas folhas de pagamentos específicas, elaboradas na forma da legislação aplicável, para a afastar a solidariedade, o que não ocorreu. DILIGÊNCIA. RETORNO. A prestadora de serviços não sofreu qualquer procedimento fiscal, para verificação do período correspondente ao do lançamento de crédito tributário, por parte do INSS, Secretaria da Receita Previdenciária, ou Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, correto o lançamento fiscal por solidariedade, com base de cálculo apurada por aferição indireta devidamente autorizada pelo artigo 33 da Lei 8.212/91.
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CARACTERIZAÇÃO. Quando a prestação de serviços é realizada em imóveis de propriedade da contratada, ou por ela locados, mas sob o controle e fiscalização da contratante, resta caracterizada a cessão de mão de obra. É considerada cessão de mão de obra nas dependências de terceiros, os serviços prestados via telefone ou junto ao público. Resta demonstrada a comprovação da cessão de mão de obra à disposição da contratante quando esta tem contato direto, orienta, acompanha, supervisiona e fiscaliza a prestação de serviços dos trabalhadores. SOLIDARIEDADE FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO. A ação fiscal se desenvolveu na tomadora de serviços, e para evitar o lançamento, basta a exibição das guias de recolhimento específicas, vinculadas ao serviço prestado e respectivas folhas de pagamentos específicas, elaboradas na forma da legislação aplicável, para a afastar a solidariedade, o que não ocorreu. DILIGÊNCIA. RETORNO. A prestadora de serviços não sofreu qualquer procedimento fiscal, para verificação do período correspondente ao do lançamento de crédito tributário, por parte do INSS, Secretaria da Receita Previdenciária, ou Secretaria da Receita Federal do Brasil. Assim, correto o lançamento fiscal por solidariedade, com base de cálculo apurada por aferição indireta devidamente autorizada pelo artigo 33 da Lei 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 71 28 /2 01 1- 71 Fl. 3443DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, negarlhe provimento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arraes Egypto, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 3444DF CARF MF Processo nº 10880.727128/201171 Acórdão n.º 2401004.883 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de crédito tributário de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o nº 37.334.2101, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, sobre a remuneração paga aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período compreendido entre 04/1998 a 01/1999 e de Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.334.209 8, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados não recolhida em época própria. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 19 e seguintes os presentes AI, foram lavrados em substituição a NFLD DEBCAD 35.409.5676, referente ao processo 37172.001398/200552 (fls. 641), julgado nulo por vício formal na constituição pela 6ª Câmara do 2ª Conselho de Contribuintes – Ministério da Fazenda, consubstanciado no Acórdão N° 20601.361 de 07/10/2008, cópia acostada aos autos. Ainda conforme Relatório Fiscal (fls. 19), contra o sujeito passivo, contratante dos serviços objeto dos autos, e a prestadora desses serviços. O crédito tributário foi lançado por solidariedade, com fundamento no art. 31 da Lei 8.212/91, e se refere a contribuições sociais previdenciárias patronais e de ônus dos segurados incidentes sobre a remuneração inserida em notas fiscais de serviços contratados mediante cessão de mão de obra, sob o título “agente credenciado/distribuidor autorizado”, apurada por aferição indireta, com base no art. 33 da Lei 8.212/91, em razão de a empresa fiscalizada, contratante dos serviços da empresa CELL TRCH LTDA., não ter apresentado os documentos previstos na legislação, necessários à elisão da responsabilidade solidária e à comprovação da regularidade da obrigação tributária em foco. Destacase que a lavratura da NFLD deuse em 20/12/2011, e o sujeito passivo tomador dos serviços – foi cientificado em 31/01/2012. Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação às fls. 501/519 e 520/538, por intermédio da empresa TELEFÔNICA BRASIL S/A (sucessora por incorporação de VIVO Participações S.A). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, por intermédio do Acórdão nº 0243.939 da 6ª Turma (fls. 3.351/3.368), julgou a Impugnação improcedente e excluiu a empresa prestadora de serviços do polo passivo da exigência, em razão da decadência quinquenal, e manteve o crédito tributário em face da empresa tomadora de serviços, nos seguintes termos: Fl. 3445DF CARF MF 4 Acórdão Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos: julgar a impugnação improcedente, para excluir a empresa prestadora de serviços do pólo passivo da exigência, em razão da decadência qüinqüenal e – manter o crédito tributário em face da empresa tomadora de serviços. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Marta Souza Bacelar – Relatora Diléia Marly Thomaz Siuves Tavares – Presidente Participaram ainda do presente julgamento: Izabel Costa Xavier de Barros,Osmar Pereira Costa e Ricardo José Avelino de Paiva. Dessa forma, a prestadora de serviços foi excluída do polo passivo da exigência fiscal em razão de estar o Fisco impedido de constituir o crédito tributário em nome desta devedora, que somente foi cientificada e intimada do débito após o transcurso do prazo decadencial quinquenal. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário às fls. 3.373/3.392, no qual o contribuinte repete os argumentos expendidos em sede de Impugnação, arguindo em síntese: a) A inexistência de contratação pela Recorrente de serviços por cessão de mãodeobra, com a consequente não atribuição de responsabilidade pela retenção de contribuição previdenciária; b) Que os créditos fiscais objeto da presente demanda referemse aos períodos de apuração compreendidos entre agosto/98 a janeiro/99, ou seja, antes da alteração no art. 31, da Lei nº 8.212/91, promovida pela Lei nº 9.711/99, que determinou a retenção da contribuição previdenciária equivalente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura pela empresa contratante do serviço em cessão de mão de obra. Portanto, o presente caso trata da suposta responsabilização solidária do tomador do serviço, qto às contribuições previdenciárias; c) Que a época dos fatos geradores das obrigações tributárias, o artigo 31, da Lei nº 8.212/91, com a redação que lhe foi conferida pela Lei nº 9.528/97, autorizava a responsabilização solidária do tomador de serviços em cessão de mão de obra, em relação às contribuições previdenciárias devidas pelo prestador. Com fito de regulamentar o ato normativo encimado, foi editado o Decreto nº 2.173/97, em especial o artigo 42. E, por fim, no âmbito do INSS, foi emitida a Ordem de Serviço INSS/DAF Fl. 3446DF CARF MF Processo nº 10880.727128/201171 Acórdão n.º 2401004.883 S2C4T1 Fl. 4 5 nº 176, de 05/12/97 que trazia os conceitos e requisitos de “cessão de mãodeobra”. d) Assim, após a leitura dos dispositivos legais mencionados no item antecedente, concluise que para configurar a cessão de mãodeobra à época dos fatos geradores das obrigações tributárias em comento, é necessário o preenchimento concomitante de 3 requisitos: (I) os empregados da contratada estejam à disposição da contratante e submetido ao seu poder de comando; (II) nas suas dependências ou nas de terceiros; e (III) prestem serviços continuamente; e) Que a atividade desenvolvida pelos distribuidores autorizados (agentes credenciados) não satisfazem os requisitos acima mencionados, Destaca se que tal atividade, inclusive, não está prevista na lista de atividades arroladas pela Ordem de Serviço INSS/DAF nº 176/97, razão pela qual não pode ser apontada como responsável tributária pelo adimplemento do gravame em discussão; f) Que o distribuidor autorizado, utilizandose de capital humano próprio, em suas próprias instalações comerciais, vende habilitações e/ou outros serviços em nome da Recorrente, recebendo pela contraprestação do serviço executado, um bônus contratualmente fixado, a depender da meta atingida. Notese ainda que muitas outras atividades desempenhadas pelas empresas credenciadas e, consequentemente por seus empregados, são totalmente distintas das atividades da recorrente, já que vedada pelo contrato social a realização de quaisquer outros atos dissociados de seu objeto contratual; g) Que a Recorrente não tinha qualquer discricionariedade para se dirigir ao estabelecimento comercial da empresa credenciada e conferir ordens, realocar um funcionário de função ou atribuirlhe novas competências, sem nenhuma ingerência no capital humano contratado pela credenciada, possuindo ela integral autonomia de seu negócio, com absoluta ingerência na contratação e demissão de seus empregados; h) Que para a Recorrente o que importa é se o serviço, para qual o credenciado foi contratado, será prestado, não importando se é necessário um ou cem empregados; i) O credenciado será remunerado pela quantidade de produtos vendidos, ainda que a venda seja realizada sem a utilização de empregados, como p. ex., por meio eletrônico; j) Que os serviços não são prestados nas dependências da contratante ou nas de terceiros por ela indicados, ao contrário, eles sempre atuam em estabelecimentos próprios, sejam de sua propriedade ou locados; k) Que a r. decisão recorrida incorreu em evidente equívoco interpretativo, eis que o termo “dependências” utilizado pelo legislador ordinário, faz Fl. 3447DF CARF MF 6 menção ao local onde os serviços serão executados, e não referese a qualquer relação de dependência ou subordinação, tal como sustentado pelo r. decisum; l) Resta evidente que o contrato firmado entre a Recorrente e a empresa., não se trata de uma cessão de mão de obra, razão pela qual não pode ser responsabilizada solidariamente pelo recolhimento das contribuições previdenciárias exigidas no lançamento fiscal ora combatido, devendo ser provido o presente recurso, com a reforma da r. decisão em debate e consequente cancelamento da exigência fiscal; m) Com efeito, o que se busca com o pedido de diligência é privilegiar o Princípio da Verdade Material, já que impõe como regra primordial e natural a existência de débito, devendo a constituição de seu valor ser apurada na escrituração fiscal e contábil do prestador de serviços. Existindo contabilidade regular, a solidariedade só pode se consumar com o levantamento do valor real da dívida, apurada diretamente naquele contribuinte vinculado ao fato gerador, e a comprovação de que este não adimpliu previamente a sua obrigação. Não há benefício de ordem na solidariedade, mas é necessário que o valor do débito seja efetivamente apurado e a cobrança, aí sim, possa ser direcionada a qualquer devedor solidário; n) Diante do exposto requer seja conhecido e provido o recurso voluntário, reformandose integralmente o v. acórdão recorrido, com o cancelamento integral do lançamento fiscal. Os autos foram distribuídos para a 1ª TO, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal informasse se a empresa prestadora de serviços CELL TECH LTDA., já foi fiscalizada e, em caso positivo, qual o tipo de procedimento encerrado, para que se afastasse qualquer risco de cobrança em duplicidade. A defesa requereu diligência para apurar se a empresa credenciada efetuou o pagamento das contribuições previdenciárias exigidas. Em atendimento ao referido requerimento, a 1ª TO, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, converteu o julgamento em diligência (fls. 3.407/3.412) para que a autoridade fiscal informasse se a empresa prestadora de serviços CELL TECH LTDA., já foi fiscalizada e, em caso positivo, qual o tipo de procedimento encerrado, para que se afastasse qualquer risco de cobrança em duplicidade. Assim, a DRF/BHE/SEFIS, às fls. 3.423/3.424, em retorno à diligência solicitada, informou que no sistema informatizado CFE (Cadastro Físico de Empresas) da Receita Federal do Brasil, não constava nenhuma ação fiscal, para verificação do período correspondente ao do lançamento do crédito tributário, por parte do INSS. Secretaria da Receita Previdenciária ou Secretaria da Receita Federal do Brasil. A Recorrente foi cientificada sobre o resultado dessa diligência em 24/04/2015 (fls. 3.421 e não apresentou manifestação. É o relatório. Fl. 3448DF CARF MF Processo nº 10880.727128/201171 Acórdão n.º 2401004.883 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 08/05/2013, conforme AR às fls. 3.371, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 29/05/2013, às fls. 3.371/3.392 e seguintes, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. CARACTERIZAÇÃO Em seu Recurso Voluntário a empresa contesta o lançamento alegando, entre outros, que não contrata mãodeobra, apenas a venda dos seus produtos. Ocorre que os documentos colacionados ao autos não socorrem sua pretensão, em sentido contrário, demonstram a relevância dada à mãodeobra contratada para executar os serviços, conforme já mencionado no Acórdão recorrido, que ora se transcreve: Há, por exemplo: cláusulas contratuais que condicionam o pagamento do prestador do serviço à comprovação de suas obrigações trabalhistas e previdenciárias relativas a mãodeobra envolvida; cláusulas relativas a demandas trabalhistas intentadas pelos trabalhadores contra a TELEMIG; cláusulas acerca do prévio treinamento dos trabalhadores pela TELEMIG; cláusulas prevendo como obrigação do Agente/distribuidor, destinar, no mínimo, 01 (um) funcionário por turno, e por ponto de venda, treinado e aprovado pela TELEMIG, especializado para atendimento a clientes desta; anexo “”pontuação dos critérios” contendo mais de uma variável relacionada à mãodeobra que executa os Fl. 3449DF CARF MF 8 serviços (“número dos funcionários para celular que receberam treinamento”, “proporção entre o número de funcionários designados para o atendimento celular e o total de funcionários responsáveis pelo atendimento a clientes”); “Tabela de bonificação e Disciplinamento”, com quesito qualidade de atendimento contendo o critério “Não participação dos funcionários em programas de treinamento”;etc. A Recorrente alega ainda que os trabalhadores que executam os serviços de agenciamento/distribuição não ficam à disposição da contratante; ocorre que a realidade fática constante dos documentos juntados aos autos, não corroboram essa tese e demonstram que é a contratante que determina qual o trabalho e como os trabalhadores irão realizálos, ou seja, é a TELEMIG que dá as diretrizes dos serviços a executar, conforme inúmeras cláusulas, também já discriminadas no acórdão ora em debate, in verbis. Senão vejamos os seguintes exemplos, extraídos das cláusulas dos instrumentos contratuais anexos aos autos sob julgamento e ao processo originário apenso : A mãodeobra contratada para intermediar negócios como habilitação/ativação preenche os formulários necessários à contratação do serviço pelo cliente da contratante, transmitindo as informações diretamente a TELEMIG e dela recebendo, em retorno, os contratos e demais formulários compreendidos no processo de venda do serviço, cuidando para que o cliente assine tal contato. Consta previsão contratual de que toda a documentação recebida pelo agente/distribuidor no processo de intermediação deve identificar o atendente recebedor para responsabilização da ação deste. No anexo “Condições gerais de contratação” – “Obrigações da TELEMIG CELULAR SA”, constam estipulações contratuais estabelecendo, por exemplo, que: É a TELEMIG é que passa orientações sobre questões que envolve o sistema móvel de celular, distribuindo material promocional e institucional que julga necessário à comercialização dos produtos e serviços; É a TELEMIG que instrui os funcionários na execução dos serviços, promovendo periodicamente cursos de reciclagem visando o aperfeiçoamento dos mesmos; Quando a TELEMIG não está satisfeita com os serviços de algum funcionário, comunica ao “agente/distribuidor” que o referido trabalhador não tem a habilidade que julga necessária; A TELEMIG supervisiona os aspectos operacionais e comerciais de forma a orientar e melhorar a prestação dos serviços pela mão de obra contratada; etc. Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 10880.727128/201171 Acórdão n.º 2401004.883 S2C4T1 Fl. 6 9 Nesse descortino, resta demonstrada a colocação de mãodeobra à disposição da Recorrente nos serviços prestados por “agentes credenciados/distribuidores autorizados”. Outro argumento expendido pela defesa é que a r. decisão recorrida incorreu em evidente equívoco interpretativo, eis que o termo “dependências” utilizado pelo legislador ordinário, faz menção ao local onde os serviços serão executados, e não referese a qualquer relação de dependência ou subordinação, tal como sustentado pelo r. decisum. Também compartilho da interpretação apresentada pelo Recorrente, no que se refere a intenção do legislador na utilização do termo "dependência", ou seja, que referido termo faz menção ao local onde os serviços são prestados, entretanto, esse fato, per si, não possui o condão de modificar a realidade fática existente e percebida pela fiscalização, motivandoo a caracterizar tais imóveis como "dependências" da contratante. Impende salientar que o fato de os serviços serem realizados em imóveis de propriedade das empresas contratadas ou em imóveis por elas locados, não afasta a caracterização de tais imóveis como “dependências” da contratante. Sempre que esses locais estiverem subordinados e sujeitos ao controle da empresa que toma os serviços restará comprovado o requisito legal. Nesse sentido, novamente peço venia para reproduzir trecho do Acórdão guerreado, os quais transcreve, por amostragem, cláusulas que demonstram o controle exercido pela TELEMIG sobre os locais da prestação dos serviços pelos agentes credenciados/distribuidores autorizados, enquadrandoos como “dependências” desta contratante dos serviços: Clausula sexta – execução dos serviços 6.1. – “o AGENTE deverá iniciar a prestação dos serviços mediante carta de autorização a ser emitida pela TELEMIG CELULAR AS após cumpridas a vistoria física do estabelecimento e efetivo treinamento da equipe de atendentes” Clausula sétima –das penalidades 7.2 – Será advertido por escrito em primeira instância, o AGENTE que promover mudança de endereço ou abertura de filial(is) sem a prévia autorização da TELEMIG CELULAR SA. Clausula décima primeira– das disposições gerais 11A TELEMIG CELULAR S/A poderá visitar e fiscalizar os locais de venda, sempre que necessário, para garantir o cumprimento das obrigações do AGENTE. Condições Gerais de Contratação obrigação do agente Fl. 3451DF CARF MF 10 1.4 – Apresentar para aprovação da TELEMIG CELULAR S/A o projeto de expansão de pontos de venda (filiais), bem como quaisquer mudanças de endereço a serem realizadas. 7 –“ pela inexecução total ou parcial das cláusulas e condições do contrato, a Telemig pode aplicar ao agente, garantida a defesa prévia, sanções diversas em caso de inexecução de quaisquer cláusulas contratuais bem como na mudança de endereço ou abertura de filial sem autorização da Telemig.” 11.6. “:a Telemig pode visitar e fiscalizar os locais de venda, sempre que necessário , para garantir o cumprimento das obrigações do agente. Anexo IV – Programa de remuneração – 1.5. Normas para utilização dos recursos do adicional de comunicação 1.5.12 – O agente deve seguir a programação visual estabelecida no Manual de Comunicação da Telemig Celular S/A 1.5.3 – No caso de falência, encerramento da atividade, mudança de propriedade ou expiração do contrato com a Telemig Celular S/A, os recursos não utilizados serão incorporados aos ativos da Telemig Celular S/A Nesse diapasão observamse as evidências que embasaram a caracterização de dependência promovida pela fiscalização, as quais reforçam a realidade fática verificada, atestando que os serviços se desenvolvem sob a dependência da Recorrente. Merecem destaque, ainda, os seguintes documentos anexos ao processo: Contratos de cessão de locação em que o credenciado cede à Telemig imóvel por ele locado, vinculando ao contrato de prestação de serviços e estabelecendo que o imóvel se destina exclusivamente à prestação de serviços da Telemig Celular e comercialização de seus produtos. Contrato de sublocação de imóvel em que a TELEMIG subloca imóvel a agente credenciado vinculandoo a contrato de prestação de serviços. Acordo comercial e recibo entre agente credenciado e a TELEMIG, em que esta se compromete a participar com investimento em dinheiro com a finalidade de expansão de pontos comerciais do agente credenciado. Portanto, os comentados serviços são prestados mediante “cessão de mãode obra”, e, em conseqüência, aplicável à espécie a solidariedade prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, na redação vigente no período do débito, razão pela qual mantenho o lançamento efetuado. 2.2 SOLIDARIEDADE FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO. Inicialmente é importante consignar que a solidariedade tributária tem a finalidade facilitar a satisfação dos interesses da Administração Tributária, é uma forma de garantia da arrecadação do crédito tributário, prevista na legislação que rege a matéria. Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 10880.727128/201171 Acórdão n.º 2401004.883 S2C4T1 Fl. 7 11 Referido instituto, respeitados os princípios que regem a atuação do Fisco, como os princípios da legalidade e eficiência, a solidariedade permite a ação da fiscalização diretamente sobre aquele que for mais conveniente à Administração Tributária, sem que se possa argüir benefício de ordem ou qualquer outra condição para o exercício desse direito. No caso concreto, a ação fiscal se desenvolveu na tomadora de serviços, ora Recorrente, e para evitar o presente lançamento, bastava a exibição das guias de recolhimento específicas, vinculadas ao serviço prestado e respectivas folhas de pagamentos específicas, elaboradas na forma da legislação aplicável, para a afastar a solidariedade, o que não ocorreu. Impende salientar que foi a não exibição das referidas guias que ensejou lançamento fiscal por solidariedade, com base de cálculo apurada por aferição indireta devidamente autorizada pelo artigo 33 da Lei 8.212/91. Registrese ainda que, tanto a tomadora, como a prestadora dos serviços, têm a documentação necessária para subsidiar a ação da fiscalização pelos meios ordinários, o que somente não ocorrerá em caso de não cumprimento pela tomadora de serviços, da obrigação acessória de explicitamente imposta, de exigir do prestador de serviços a comprovação dos respectivos recolhimentos. Assim, correto, portanto, o procedimento fiscal adotado. 2.3 RETORNO DILIGÊNCIA. A defesa requereu diligência para apurar se a empresa credenciada efetuou o pagamento das contribuições previdenciárias exigidas. Em atendimento ao referido requerimento, a 1ª TO, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal informasse se a empresa prestadora de serviços CELL TECH LTDA., já foi fiscalizada e, em caso positivo, qual o tipo de procedimento encerrado, para que se afastasse qualquer risco de cobrança em duplicidade. Assim, a DRF/BHE/SEFIS, às fls. 3.423/3.424, em retorno à diligência solicitada, informou que no sistema informatizado CFE (Cadastro Físico de Empresas) da Receita Federal do Brasil, não constava nenhuma ação fiscal, para verificação do período correspondente ao do lançamento do crédito tributário, por parte do INSS. Secretaria da Receita Previdenciária ou Secretaria da Receita Federal do Brasil. A Recorrente foi cientificada sobre o resultado dessa diligência em 24/04/2015 (fls. 3.3421) e não apresentou manifestação. Nessa esteira de entendimento, correto o lançamento fiscal por solidariedade, com base de cálculo apurada por aferição indireta devidamente autorizada pelo artigo 33 da Lei 8.212/91. Fl. 3453DF CARF MF 12 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 3454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.001405/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Verificada a existência de omissão no julgado é de se acolher os embargos de declaração.
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
Numero da decisão: 2202-003.988
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2202-002.161, de 23/01/2013, manter a decisão embargada.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Verificada a existência de omissão no julgado é de se acolher os embargos de declaração. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2202-002.161, de 23/01/2013, manter a decisão embargada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
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OMISSÃO. Verificada a existência de omissão no julgado é de se acolher os embargos de declaração. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. PROVA DOCUMENTAL. SÚMULA CARF Nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2202002.161, de 23/01/2013, manter a decisão embargada. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 14 05 /2 00 7- 44 Fl. 108DF CARF MF 2 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13706.001405/200744 Acórdão n.º 2202003.988 S2C2T2 Fl. 109 3 Relatório Reproduzo o relatório da decisão dessa Turma Julgadora, de 14/03/2013, que converteu o julgamento em diligência, a qual sintetiza os fatos ocorridos até aquele momento. RUTH AMORA RAMOS, contribuinte inscrita no CPF/MF 239.011.44749 com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Sá Ferreira, nº 171 – apto 302, Bairro Copacabana, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio de Janeiro RJ, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 22/23, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro RJ, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 31/32. Contra a contribuinte acima mencionada foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Rio de Janeiro RJ, em 02/04/2007, Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 04/07), com ciência através de AR, em 10/04/2007 (fls. 11), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 8.232,28 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2004, correspondente ao anocalendário de 2003. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2004, onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, da análise das informações e documentos apresentados pela contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vinculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 59.787,84, recebidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 10.126,92. Infração capitulada nos arts. 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei n.° 7.713, de 1988; arts. 1° ao 4°, da Lei n.° 8.134, de 1990; arts. 1° e 15, da Lei n.° 10.451, de 2002; arts. 43 e 45, do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99. Em sua peça impugnatória de fl. 01, instruída pelos documentos de fls.02/03, apresentada, tempestivamente, em 07/05/2007, a contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando Fl. 110DF CARF MF 4 que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência da Notificação de Lançamento, com base, em síntese, no argumento de que as deduções estão comprovadas por meio dos documentos que anexa e amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que, a notificação n° 2004/607450137144020 de lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescido de multa e juros de mora não é aplicável. Eu sou isenta do Imposto de Renda por ser portadora de cardiopatia grave, desde 2001, de acordo com exames laboratoriais, laudo médico e conclusão da Junta Médica Pericial do Ministério da Fazenda, conforme processo n° 10768.004551/200547, cujos dados encaminho em anexo; que, na verdade, eu não sou devedora do Imposto de Renda, e sim, credora, por estar pagando o IR todos esses anos, descontado na fonte, apesar de ser isenta. Como pensionista do Ministério da Fazenda já obtive a isenção e desde 2005 não sou mais descontada na fonte. No entanto, no Ministério da Defesa, por dificuldade de locomoção e por não possuir o titulo original de pensão exigido pelo Exército, não fui capaz de entrar com o pedido de isenção do IR. Entendo não ser possível eu ser isenta de uma fonte e ter de pagar imposto de renda na outra. O mais justo, seria ter os valores do imposto de renda, retidos no Exército, totalmente restituídos. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção, um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal; que, apesar de alegar que seria pensionista do Comando do Exército não trouxe qualquer documento que pudesse comprovar a natureza dos rendimentos recebidos; que, com relação à moléstia grave apresentou o laudo de fl.8, expedido pela Junta Médica Pericial da GRHNUCAM no qual se verifica que a contribuinte é portadora de cardiopatia grave, sem especificar a data de inicio da moléstia grave. Desta forma cabe considerar a data de expedição do laudo, 10 de outubro de 2005, conforme disposto no art.5°, § 2º, inciso II, da IN SRF n°15/2001; que, por conseguinte, diante das exposições supra, a contribuinte não faz jus isenção prevista no inciso XIV do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995. A ementa que consubstancia a presente decisão é a seguinte: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13706.001405/200744 Acórdão n.º 2202003.988 S2C2T2 Fl. 110 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 21/12/2012, conforme Termo constante à fl. 25, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (10/01/2011), o recurso voluntário de fls. 31/32, instruído pelos documentos de fls. 32/34, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, a contribuinte apresentou impugnação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano calendário 2003, por ser portadora de moléstia grave desde 2001; que, a impugnação foi considerada improcedente e o crédito tributário mantido com base na não comprovação da data de inicio da moléstia grave. Ora, a contribuinte não pode ser penalizada por falha do CAC, que não anexou o laudo médico GRHNUCAM (cópia em anexo). O laudo era documento essencial para o julgamento da impugnação; que, o laudo da Junta Médica Pericial do Ministério da Fazenda GRHNUCAM, de folha 42, datado de 17 de julho de 2007, ratifica laudo anterior e esclarece que o inicio da doença ocorreu em abril de 2001. Este documento refuta justificativa apresentada na folha 3 do Acórdão 1328.135 onde afirma que "a contribuinte é portadora de cardiopatia grave, sem especificar a data de inicio da moléstia grave". Na Sessão de Julgamento de 23 de janeiro de 2013, acordaram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, amparado no argumento de que estão isentos do imposto de renda os rendimentos de pensão recebidos por portador de doença grave. Assim, estando comprovado nos autos que a beneficiária passou preencher os requisitos legais exigidos, ou seja, ser portadora de doença grave (cardiopatia grave), comprovada mediante laudo pericial, emitido por junta médica oficial que estabeleceu, inclusive, quando a moléstia foi contraída, é de se declarar como sendo isentos tais rendimentos. Fl. 112DF CARF MF 6 Ciente da decisão, inconformada a Fazenda Nacional protocolizou, de forma tempestiva, o recurso de Embargos de Declaração. Observou, a representante da Fazenda Nacional, em sua assertiva de embargos, os seguintes aspectos: que ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. Não suficiente o aresto foi também contraditório; que, por outro lado, para demonstrar a existência do vício da omissão no julgado, cumpre enfatizar alguns excertos da decisão proferida pela DRJ de origem; que, nesse contexto, fica claro que o acórdão embargado não se manifestou quanto ao outro requisito para a concessão de isenção do IRPF nos termos da Lei nº 7.713/88, art. 6º, inciso XIV. A DRJ de origem, no caso, entendeu que referida norma determina o cumprimento de dois requisitos e que estes são cumulativos; que para a decisão de primeira instância, a contribuinte não havia logrado êxito em demonstrar o cumprimento dos dois requisitos para a concessão de isenção nos termos da Lei 7.713/88, art. 6º, XIV, quais sejam: natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e a existência da moléstia grave nos termos como especificada em lei; que o acórdão embargado manifestouse apenas quanto ao cumprimento do segundo requisito: existência da moléstia grave à época do fato gerador do lançamento, até mesmo porque esses eram os limites da lide delineados no recurso voluntário de fls. 31/32. Contudo, não houve qualquer manifestação quanto ao cumprimento ou não do primeiro requisito (natureza dos valores recebidos) e suas repercussões sobre o lançamento. Evidenciado, portanto, o vício da omissão; que, além disso, a decisão objeto dos presentes embargos, nada obstante as considerações acima no sentido de não ter se manifestado quanto ao cumprimento do requisito referente à comprovação da natureza dos rendimentos, (ou seja, tendo analisado apenas parcialmente a matéria diante dos termos de insurgência do recurso voluntário), deu provimento a este recurso, sem fazer qualquer ressalva ou limitação. Daí a contradição; que cabe destacar também que o acórdão embargado não se manifestou quanto ao fato de que o cumprimento ou não do requisito relativo à natureza dos valores recebidos, não foi objeto do recurso voluntário, sendo desta maneira alcançado pela preclusão; que, por fim, ad argumentandum tantum, ainda que o Colegiado a quo entendesse que a matéria deveria ser conhecida de ofício, lhe caberia declinar de forma clara e explícita os motivos que conduziram a esse convencimento. Daí, conhecida a matéria, deveria o Colegiado indicar as provas que o levaram a Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13706.001405/200744 Acórdão n.º 2202003.988 S2C2T2 Fl. 111 7 concluir que o requisito relativo à demonstração da natureza dos rendimentos recebidos estaria preenchido; que, portanto, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. Por fim, a representante da Fazenda Nacional, requer que sejam conhecidos e acolhidos os presentes Embargos de Declaração, a fim de sanar/retificar os vícios apontados e prequestionar as matérias que não foram objeto de análise expressa no acórdão embargado. Ao analisar os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional, o relator do acórdão questionado entendeu, que apesar de não constar, nos autos do processo, nenhuma solicitação por parte da autoridade fiscal lançadora e nem da autoridade julgadora, para que a contribuinte fizesse prova de que os valores em discussão tivessem origem em rendimentos de aposentadoria ou pensão, que cabe razão a Fazenda Nacional no sentido de que o colegiado deveria se posicionar quanto natureza dos valores recebidos, ou seja, para que os rendimentos recebidos fossem isentos deveria preencher os dois requisitos, quais sejam: o valor deveria ter origem em proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e a existência da moléstia grave nos termos da lei. Diante desse entendimento, o relator se posicionou no sentido de que ocorreu hipótese prevista no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria 256, do Ministro de Estado da Fazenda, de 22 de junho de 2009, no julgamento que culminou com o Acórdão n.º 2202 002.161, de 23 de janeiro de 2013, propondo de que presente processo retorne ao relator para que o mesmo tome as providências necessárias para que se proceda a inclusão em Pauta de Julgamento para que a omissão apontada pela embargante seja sanada pelo colegiado da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, conforme o previsto no § 3º do art. 66 do RICARF. Essa Turma de Julgamento, na sessão de 14/03/2013 (fls. 76/83), por unanimidade de votos, acolheu os Embargos, apresentados pela Fazenda Nacional, para retificar o Acórdão n.º 2202002.161, de 23/01/2013, sanando a omissão e a contradição apontada, atribuindo efeitos infringentes para converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nesse contexto, e levando em conta, que nos autos do processo não se encontram cópia dos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, bem como não se encontram nenhuma declaração da fonte pagadora que tais rendimentos tem origem em rendimentos de aposentadoria Fl. 114DF CARF MF 8 ou de pensão, e no intuito de melhor instruir os autos para formação de convicção final sobre o assunto, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de receber um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido acolher os Embargos, apresentados pela Fazenda Nacional, e rerratificar o Acórdão n.º 2202002.161, de 23/01/2013, sanando a contradição apontada, atribuir efeitos infringentes para converter o julgamento em diligência para que a Repartição Origem tome as seguintes providências: 1 Intime a contribuinte a apresentar o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte, relativo ao anocalendário de 2003, bem como apresentar comprovante de que os rendimentos em discussão tem origem em aposentadoria ou pensão; 2 – Realização de intimações e diligências julgadas necessárias para formação de convencimento; 3 Que a autoridade se manifeste, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dandose vista a recorrente, com prazo de 05 (cinco) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. Em resposta à intimação efetuada na diligência, a Contribuinte apresentou cópias do Comprovante de Rendimentos do anocalendário 2003 e do Título de Pensão Militar do Ministério da Guerra (fls. 94/102). É o relatório. Voto Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade e, portanto, devem ser conhecidos. Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), relativos ao Acórdão n.º 2202002.161, de 23/01/2013. A Embargante afirma que o acórdão embargado foi omisso, uma vez que não se pronunciou sobre a natureza dos valores recebidos, tendo se manifestado apenas sobre a existência da moléstia grave nos termos da lei. Conforme já exposto na decisão desta turma, de 14/03/2013, a qual converteu o julgamento em diligência, entendo que assiste razão à Embargante quanto à omissão do julgado, porquanto o acórdão embargado não discutiu um dos requisitos para concessão do benefício da isenção, qual seja, o fato de que os rendimentos deveriam ter a sua origem em rendimentos de aposentadoria ou pensão. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13706.001405/200744 Acórdão n.º 2202003.988 S2C2T2 Fl. 112 9 a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto à comprovação da moléstia grave, o acórdão embargado já se pronunciou, no seguinte sentido: Não há dúvidas, que o Laudo Pericial emitido em 10/10/2005 pela Junta Médica da Gerência Regional de Administração no Rio de Janeiro, (fl. 08) atesta, de forma clara, que o paciente é portador de CID10, Cardiopatia Grave. Como também não há dúvidas, que a Laudo Pericial Complementar emitido, em 17/07/2007 (fl. 33), certifica o início da doença foi em abril de 2001. Como se depreende dos documentos apresentados, e em reconhecimento das assertivas aduzidas nas peças defensórias, restou comprovado na espécie, ter a contribuinte preenchido, a época dos fatos, os requisitos exigidos no conceito da legislação pertinente, posto que, detinha moléstia grave (cardiopatia grave), diagnosticada por serviço médico oficial, cujo resultado, à luz da lei, permite o reconhecimento da isenção do imposto de renda da pessoa física sobre os valores recebidos a título de aposentadoria ou pensão. Assim, estando comprovado, nos autos, que a beneficiário preenchia os requisitos legais exigidos, ou seja, o reconhecimento que a contribuinte é portadora de doença grave, Fl. 116DF CARF MF 10 comprovado mediante laudo pericial, emitido por junta médica oficial que estabeleceu, inclusive, quando a moléstia foi contraída e que os rendimentos foram percebidos durante período em que a contribuinte já era pensionista para todos os efeitos legais, é de se dar provimento ao recurso voluntário. Resta, portanto, a manifestação desse colegiado em relação ao outro requisito da isenção: a natureza dos rendimentos. A Contribuinte apresentou, em atendimento à diligência solicitada por essa Turma de Julgamento, os seguintes documentos: Comprovante de Rendimentos do ano calendário 2003 e Título de Pensão Militar do Ministério da Guerra (fls. 96/98), os quais demonstram que os rendimentos considerados pelo Fisco como omitidos, no valor de R$ 59.787,84, recebidos do Comando do Exército, são decorrentes de pensão. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Dessa forma, os documentos acostados aos autos após o Recurso Voluntário devem ser acolhidos neste caso. Assim, entendo que restam atendidas as condições para a isenção do imposto de renda pela Contribuinte em relação aos rendimentos recebidos a título de pensão do Comando do Exército. Diante do exposto, acolho os Embargos de Declaração para, sanando a omissão apontada no Acórdão nº 2202002.161, de 23/01/2013, manter a decisão original de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.902801/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.171
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902801/201288 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.171 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 01 /2 01 2- 88 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.902801/201288 Acórdão n.º 3302004.171 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02059.012. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.902801/201288 Acórdão n.º 3302004.171 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.902801/201288 Acórdão n.º 3302004.171 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.902801/201288 Acórdão n.º 3302004.171 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10283.902801/201288 Acórdão n.º 3302004.171 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10283.902801/201288 Acórdão n.º 3302004.171 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13869.000076/00-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES QUE NÃO SOFRERAM A INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO.
É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
STJ. RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) submetidas à sistemática dos recursos repetitivos, transitadas em julgado, devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-004.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para incluir na apuração do crédito presumido de IPI os valores correspondentes às aquisições de insumos que não sofreram a incidência das contribuições PIS e Cofins (pessoas físicas e cooperativas), com retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise dos referidos créditos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES QUE NÃO SOFRERAM A INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 STJ. RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) submetidas à sistemática dos recursos repetitivos, transitadas em julgado, devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
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AQUISIÇÕES QUE NÃO SOFRERAM A INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 STJ. RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) submetidas à sistemática dos recursos repetitivos, transitadas em julgado, devem ser reproduzidas nos julgamentos do CARF. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para incluir na apuração do crédito presumido de IPI os valores correspondentes às aquisições de insumos que não sofreram a incidência das contribuições PIS e Cofins (pessoas físicas e cooperativas), com retorno dos autos à Unidade de Origem para a análise dos referidos créditos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 9. 00 00 76 /0 0- 03 Fl. 740DF CARF MF Processo nº 13869.000076/0003 Acórdão n.º 9303004.634 CSRFT3 Fl. 741 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que negou provimento ao recurso voluntário. O presente processo originouse da formulação de pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI, apurado nos termos da Lei n° 9.363, de 13/12/1996, e de declarações de compensação, que foram acolhidos parcialmente pela repartição de origem. O reconhecimento parcial do ressarcimento pleiteado decorreu da glosa de créditos apurados sobre aquisições de pessoas físicas e sobre bens não enquadráveis no conceito de insumos da legislação do IPI, glosas essas que restaram mantidas pela DRJ Ribeirão Preto/SP, bem como pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. O Acórdão nº 330100.280, de 19 de outubro de 2009, foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 1° Trimestre de 2000 Ementa: CONCEITO DE INSUMOS. Excluemse da base de cálculo do crédito presumido as aquisições de bens e produtos não caracterizados como insumos pela legislação do IPI. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PESSOAS FÍSICAS. A lei não autoriza o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao Pis e da Cofins no fornecimento ao produtor exportador. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu beneficio. Recurso Voluntário Negado. Cientificado, o contribuinte apresentou recurso especial, contestando as glosas efetuadas, sob o argumento de se tratar de bens que integram, de forma ampla, o processo produtivo e de inexistência de restrição legal à sua inclusão no cálculo do crédito Fl. 741DF CARF MF Processo nº 13869.000076/0003 Acórdão n.º 9303004.634 CSRFT3 Fl. 742 3 presumido, arguindo, também, a necessidade de se corrigir o saldo credor com base na taxa Selic. Submetido ao juízo de admissibilidade, o Presidente da Câmara admitiu em parte o recurso especial, somente em relação às aquisições que não sofreram a incidência das contribuições PIS e Cofins, cuja divergência jurisprudencial restou plenamente demonstrada, não se admitindo o recurso, contudo, quanto à aplicação da taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos, pelo fato de que o acórdão paradigma indicado pelo Recorrente havia sido reformado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Em reexame de admissibilidade, o Presidente da CSRF manteve, na íntegra, o despacho do Presidente da Câmara, tendo tal decisão sido cientificada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), que não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme acima relatado, a divergência jurisprudencial restou caracterizada apenas em relação ao crédito presumido de IPI calculado sobre aquisições de insumos que não sofreram a incidência das contribuições PIS e Cofins. Sobre essa matéria, há que se destacar, de pronto, que, de acordo com o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (que corresponde ao § 2º do art. 65 do novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), as decisões definitivas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferidas na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Essa é justamente a hipótese em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu o seguinte1: O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. ......................................................................................................... Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de 1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2008/02047717. Fl. 742DF CARF MF Processo nº 13869.000076/0003 Acórdão n.º 9303004.634 CSRFT3 Fl. 743 4 atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). Essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 1996, em que atos normativos infralegais obstaculizavam a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Esse entendimento do STJ já se encontra sumulado naquela Corte, verbis: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Com essas considerações, em que pese a minha discordância quanto ao tratamento da matéria pelo STJ, por força regimental, curvome à decisão do STJ e passo a admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas). Esse entendimento, contudo, não exime o interessado de comprovar que os bens adquiridos junto a não contribuintes do PIS e da Cofins se enquadrem na condição de insumos (matériaprima ou produto intermediário) e que sejam consumidos em contato direto com o produto, conforme se extrai da súmula CARF nº 19, que assim dispõe: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. (g. n.) Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, para incluir na apuração do crédito presumido de IPI os valores correspondentes às aquisições de insumos que não sofreram a incidência das contribuições PIS e Cofins (pessoas físicas e cooperativas),com retorno à instância preparadora para a análise dos referidos créditos. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 743DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.900219/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
Ausência de Questão Fática a Ser Esclarecida. Erro de Direito no Preenchimento de Declaração. Descabimento de Diligência.
Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso.
Compensação. Alegado Pagamento Indevido de Estimativa. Direito Creditório Inexistente. Não Homologação.
A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1301-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ERRO DE DIREITO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. DESCABIMENTO DE DILIGÊNCIA. Não havendo questão de fato a ser esclarecida, descabe a realização de diligência. O erro cometido pela interessada no preenchimento da declaração é erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência no curso do contencioso. COMPENSAÇÃO. ALEGADO PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A própria interessada admite que o direito creditório apontado como pagamento indevido de estimativa, na verdade, não o era. Em tais condições, o alegado direito creditório se revela inexistente, o que conduz à não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em REJEITAR proposta do relator para conversão em diligência. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto; e (ii) por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 02 19 /2 00 8- 50 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10865.900219/200850 Acórdão n.º 1301002.225 S1C3T1 Fl. 361 2 (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1429.582, proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, na sessão de 11 de junho de 2010, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, rejeitála, não reconhecendo o direito creditório. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 05/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10865.900219/200850 Acórdão n.º 1301002.225 S1C3T1 Fl. 362 3 que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao principio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que "a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário"; Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulado o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. É o relatório. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, com documentos que supostamente validam seu direito creditório e requerendo sejam conhecidas as provas juntadas, em atendimento ao princípio da busca da verdade real, provas que alega comprovarem a existência de saldo negativo passível de recuperação; que houve um erro de forma em seu pedido, não podendo restar frustrado seu direito líquido e certo ao indébito e; que já foi atingido pela decadência o saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, não podendo ser este alterado. Na verificação de regularidade do recurso proposto e ao tomar conhecimento da informação fiscal de existência de processos do mesmo contribuinte com a mesma causa de Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10865.900219/200850 Acórdão n.º 1301002.225 S1C3T1 Fl. 363 4 pedir, solicitei a distribuição dos nove processos, entre os quais o presente, por conexão, independentemente de sorteio, para que os recursos pudessem ser analisados conjuntamente, conforme art. 6, § 1º, I, cumulado com os § 2º e 3º deste mesmo artigo, todos do Anexo II do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, sendo tal requisição deferida pelo Presidente da 1ª da Seção, Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, portanto, dele conheço. Porém, do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4o do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Dessa forma, as novas provas são admitidas e serão analisadas. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10865.900219/200850 Acórdão n.º 1301002.225 S1C3T1 Fl. 364 5 DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Em sede preliminar, sustenta o interessado a impossibilidade de revisão do saldo negativo apurado no anocalendário de 2001, diante do transcurso do prazo qüinqüenal, afirmando ter ocorrido homologação tácita em 2007, ocasião em que extinguiuse o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150 § 40 do Código Tributário Nacional. Pois bem. Em primeiro lugar cabe esclarecer que a lide não diz respeito ao prazo decadencial para se proceder ao lançamento, mas da análise da compensação realizada pelo contribuinte. Nesses termos, estarseia tratando de algo de outra natureza: aferição da liquidez e certeza do pleito creditório de interesse da interessada e não simplesmente de lançamento. Assim, não se pode concluir a partir daí que o órgão administrativo em pedidos que envolvem restituições deva simplesmente “homologar” o saldo negativo de CSLL, e proceder à compensação sem aferir a certeza e liquidez dos indébitos tributários que lhe fundamentam. Nesse sentido, embora o Fisco não possa mais exigir eventuais diferenças.ou débitos, relativos a fatos acontecidos, atingidos pelo prazo decadencial, por haver decorrido o prazo legal para tanto, por outro lado, a Autoridade Fiscal pode e deve verificar a origem, o valor e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte. Logo, não há razão em se afirmar, como o fez o contribuinte, que no ano de 2007 o saldo negativo de CSL não era mais passível de análise. Por outro lado, devese verificar se ocorreu a chamada homologação tácita do débito declarado pelo contribuinte por Per/Dcomp, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996. De acordo com este disposto legal, começa a fluir o prazo qüinqüenal para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, na data da entrega da respectiva declaração de compensação, sendo considerado tacitamente homologado o débito (ou crédito tributário) após o decurso do prazo de cinco anos. Confirase a redação do citado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). No caso em tela, tendo sido apresentada a DComp retificadora na data de 08/03/2004, deslocase o citado prazo a quo para a data da entrega dessa DComp retificadora. Nesse sentido, dispõe o art. 91 da Instrução Normativa RFB 1300/2012, ainda vigente, a seguir transcrito: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10865.900219/200850 Acórdão n.º 1301002.225 S1C3T1 Fl. 365 6 Art. 91. Admitida a retificação da Declaração de Compensação o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 44 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Assim, fica demonstrado que, no caso em tela, não houve nem mesmo homologação tácita da compensação declarada, pois na data que ocorreu o despacho decisório (em 24/04/2008), ainda não havia se consumado o citado prazo qüinqüenal de homologação tácita do procedimento compensatório. Com base nessas considerações, rejeitase a presente alegação de decadência. DA PRELIMINAR DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Tenho adotado o entendimento de que no caso de divergência entre a DIPJ e DCOMP, deve a autoridade prolatora do despacho decisório, anteriormente a esta decisão, proceder a intimação do contribuinte para retificar uma das declarações, de modo que a exigência prevista no artigo 170A do CTN, no que se refere à exigência de certeza e liquidez do direito creditório apresentado, não seja desnaturado para impedir a apreciação material do pleito formulado pelo contribuinte. Entendo não ser legítimo afastarse uma declaração de compensação ao fundamento puramente formal de que não se teria correspondência entre os saldos negativos indicados em distintos documentos, na hipótese de ser apontado equivocadamente a origem do crédito, considerando "pagamento indevido" de estimativa mensal, quando na verdade o direito creditório resulta de saldo negativo formado pelo somatório destas mesmas estimativas, exclusivamente. Não há como negarlhe o direito ao crédito, enquanto que o valor foi efetivamente pago em excesso, e por isso entendo haver maior relevância neste fato do que nos procedimentos formais de restituição, ressarcimento e compensação dirigidos pela Receita Federal do Brasil. No caso concreto, ao analisar conjuntamente as provas produzidas, não tenho dúvida de que não ocorreu pagamento a maior das estimativas de CSLL, ocorrendo, em tese, saldo negativo de CSLL no período. Se por um lado, a recorrente confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar crédito decorrente do referido saldo negativo formado pelo conjunto das estimativas. Convergente a este entendimento, o Colegiado que primeiro analisou o processo nº 10865.900336200813, que motivou o despacho de conexão, resolveu converter os autos em diligência, esclarecendo, naquela oportunidade, inclusive, suas razões pelas quais desconsidera o erro formal de o contribuinte indicar nos PER/DCOMP como crédito os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado a partir do conjunto destas mesmas estimativas. De acordo com a Resolução anterior, se o método de solicitar a restituição, o ressarcimento e a compensação se mostrou inadequado sob a ótica formal, o processo administrativo fiscal é que deve acertar o procedimento guiandose pelo princípio matriz, da busca pela verdade real. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10865.900219/200850 Acórdão n.º 1301002.225 S1C3T1 Fl. 366 7 Porém, esta diligência não se realizou, em face da informação fiscal que noticiou a existência de outros processos desse mesmo contribuinte que suscitam o mesmo crédito, e propôs sejam analisados conjuntamente. Noticiou ainda que esta foi a solução dada nos processos relativos ao IRPJ daquele mesmo ano, onde o relator daqueles outros processos solicitou que lhe fossem distribuídos por conexão. Foi exatamente por esta razão, foi requisitada a distribuição do presente processo a este relator, em conformidade com o despacho de conexão anteriormente mencionado e deferido pelo Presidente da 1ª Seção. Sendo assim, entendo que deve ser permitido retificar a Per/Dcomp, por ser patente o erro no seu preenchimento, configurado em divergência perceptível entre o Per/Dcomp apresentado e o que queria ser apresentado, revelado, como já se disse, no próprio contexto em que foi feita a declaração. Assim, inclinome pela realização de uma diligência específica para que sejam adotadas as seguintes providências pela Fiscalização: a) Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo de CSLL para o anocalendário de 2001; b) Intimar o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide, inclusive a exibir a sua contabilidade, no que interessar, viabilizando a análise do mérito do pedido; c) Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; d) Após as verificações acima, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. e) A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. f) Ao final do relatório conclusivo, o contribuinte deverá ser cientificado do seu resultado, facultandolhe a oportunidade de se manifestar nos autos sobre suas conclusões, no prazo de 30 dias, em conformidade com o parágrafo único, art. 35, do Decreto 7.574/2011. Na seqüência, o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento, sendo distribuído a este Conselheiro independentemente de sorteio. DO MÉRITO Ultrapassadas as preliminares acima mencionadas, em especial, o encaminhamento de conversão do julgamento em diligência, impõese, de acordo com as regras regimentais, analisar o mérito da lide, no estado em que se encontra os autos. No caso em tela, a compensação formalizada em Dcomp não foi homologada porque indicava como crédito contra a Fazenda um valor que efetivamente não revestia essa condição. O pagamento apontado como indevido, na verdade, não o era, fato este admitido pela Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10865.900219/200850 Acórdão n.º 1301002.225 S1C3T1 Fl. 367 8 própria recorrente. Tratavase, segundo seu recurso, de recolhimento de estimativas que formavam o saldo negativo, apurado no final do anocalendário 2001. Ocorre que a Dcomp., na forma em que apresentada, não informa que se trata de saldo negativo: o código de receita informado na Dcomp é o código do pagamento por estimativa; o período de apuração indicado também é o da estimativa. Portanto, de acordo com o documento, o crédito mencionado é pagamento feito por estimativa, e não o saldo negativo. Embora ter alegado erro, o fato é que a recorrente não apresentou uma outra declaração de compensação, utilizandose do saldo negativo mencionado para compensar seus débitos. Ao invés, preferiu a correção de sua declaração através deste Processo Administrativo Fiscal. Porém, para atingir seu êxito dentro do presente processo, necessário seria a correção de sua declaração, através de proposta de diligência, oportunidade em que seria intimado a apresentar suas informações ou retificações. Porém, como se viu, em face do indeferimento pelo Colegiado da proposta de conversão do julgamento em diligência, tal oportunidade não ocorreu, restando, unicamente, a retificação da declaração no âmbito extraprocessual, na forma da legislação em vigor, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário deve ser indeferida. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior, Redator Designado O exame da preliminar que propõe a conversão do julgamento em diligência se confunde com o próprio exame do mérito. Na proposta, o ilustre Conselheiro relator afirma estar convencido de que, no caso concreto, não ocorreu mesmo pagamento indevido de estimativa. O crédito seria saldo negativo apurado no final do período. A requerente teria apenas confundido crédito de saldo negativo com as estimativas que o compõem. Aqui está o problema: o erro cometido pela contribuinte não consiste em mera imprecisão material ou em simples erro de preenchimento da declaração. É erro de direito, insuscetível de correção por meio de diligência. Para sanar o problema seria necessário refazer integralmente a declaração de compensação, o que já não se admite nesta fase. A diligência seria cabível apenas se houve alguma questão de fato a ser esclarecida, mas não há. Os fatos são incontroversos. A contribuinte indicou como crédito o Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10865.900219/200850 Acórdão n.º 1301002.225 S1C3T1 Fl. 368 9 valor recolhido como estimativa, afirmando tratarse de pagamento indevido. O direito creditório, todavia, tinha origem em saldo credor apurado no final do período base. A matéria não é nova. Esta turma, em outra oportunidade, já teve chance de se manifestar sobre problema idêntico. Nessa ocasião, prevaleceu entendimento no sentido de rejeitar a diligência e negar provimento ao recurso. Estes foram os fundamentos que então embasaram a decisão deste Colegiado: A inserção, no campo destinado ao crédito, de valor inexistente inviabiliza a própria Dcomp, sobretudo quando a essa incorreção se somam erros quanto à natureza do crédito, à data do pagamento, ao período de apuração, e ao código da receita. A correção de todos esses dados, como quer a recorrente, implicaria elaborar nova Dcomp, procedimento que não se permite a este órgão julgador, nem ao Delegado da Receita Federal. O erro, frisese, é admitido pela própria recorrente. É fato incontroverso. Porém, ao contrário do que ela sustenta, não se trata de mero erro material ou de forma. É erro de conteúdo ou substancial. Quando se examinam os dados informados na Dcomp, percebese claramente que a manifestação de vontade não tinha por objeto o saldo negativo. Portanto, não socorre a recorrente, no caso em exame, o princípio da verdade material. Cabe ressaltar que o indeferimento do direito creditório relativamente ao pagamento por estimativa não impedia que a recorrente, mediante apresentação de outra declaração de compensação, utilizasse o saldo negativo para compensar outros débitos, sem qualquer prejuízo a seu eventual direito creditório. Todavia, admitir que, no caso concreto, houve mero erro formal, reconhecendo direito creditório quanto ao pagamento por estimativa (como quer a recorrente), implica fragilizar o controle da Administração relativamente a tais valores, pois abre espaço para que sejam compensados, concomitantemente, tanto o saldo negativo, quanto os pagamentos por estimativa que o compõem, cada qual em Dcomps diferentes. Importa ressaltar que a Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a compensação, conferiu ao contribuinte verdadeiro direito potestativo, já que o exercício do direito, mesmo interferindo na esfera jurídica de outrem (no caso, o Fisco), depende apenas da vontade e da decisão do contribuinte. Nos termos da legislação em vigor, havendo pagamento indevido a título de tributo, pertence ao contribuinte decidir se vai fazer a compensação, definir em que momento ela será feita, e finalmente escolher quais os débitos serão compensados. A matéria está toda ela na esfera de discricionariedade do contribuinte, não cabendo ao Fisco interferir em nenhum desses três aspectos. Por outro lado, a compensação, que é formalizada unilateralmente mediante a mera entrega de uma declaração (Dcomp), produz imediato efeito extintivo do crédito tributário compensado, restando, nessa hipótese, ao Fisco verificar no prazo de cinco anos a regularidade da compensação, sob pena de homologação tácita, com o que tanto a compensação, quanto a extinção do crédito tributário se tornam definitivas. A amplitude desse poder, entretanto, cobra responsabilidades do contribuinte, que tem de suportar as consequências da demora em formalizar a compensação e as consequências de realizála de forma incorreta. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10865.900219/200850 Acórdão n.º 1301002.225 S1C3T1 Fl. 369 10 No caso em exame, a contribuinte formalizou a compensação, indicando como crédito um valor que não revestia essa condição. Poderia ter apresentado nova declaração, mas não o fez. Assim, a pretensão deduzida no recurso voluntário, diante da falta de amparo legal, deve ser indeferida. Com esses fundamentos, voto por rejeitar a preliminar. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 369DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900376/2014-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 25/04/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 76 /2 01 4- 33 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900376/201433 Acórdão n.º 3401003.739 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 25/04/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900376/201433 Acórdão n.º 3401003.739 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900376/201433 Acórdão n.º 3401003.739 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000126/2005-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
CONDIÇÕES RECURSAIS. NÃO ADMISSÃO PARCIAL DO RECURSO ESPECIAL. DECADÊNCIA.
Não deve ser admitido recurso especial quando a decisão recorrida está assentada em mais de um fundamento suficiente e autônomo, mas o recurso não abrange todos eles.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS.
Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de despesas encontra-se dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros na conta de obrigação deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99.
Numero da decisão: 9101-002.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação dos recursos provenientes do exterior, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. Por unanimidade de votos, acordam em não conhecer da decadência dos débitos de PIS e COFINS de janeiro a novembro de 2000. Votaram pelas conclusões, quanto à decadência, os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para se manifestar sobre o argumento trazido na manifestação do contribuinte, quanto à parcela dos recursos alegadamente destinada à integralização de capital. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 CONDIÇÕES RECURSAIS. NÃO ADMISSÃO PARCIAL DO RECURSO ESPECIAL. DECADÊNCIA. Não deve ser admitido recurso especial quando a decisão recorrida está assentada em mais de um fundamento suficiente e autônomo, mas o recurso não abrange todos eles. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de despesas encontra-se dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros na conta de obrigação deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação dos recursos provenientes do exterior, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. Por unanimidade de votos, acordam em não conhecer da decadência dos débitos de PIS e COFINS de janeiro a novembro de 2000. Votaram pelas conclusões, quanto à decadência, os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para se manifestar sobre o argumento trazido na manifestação do contribuinte, quanto à parcela dos recursos alegadamente destinada à integralização de capital. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto - Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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NÃO ADMISSÃO PARCIAL DO RECURSO ESPECIAL. DECADÊNCIA. Não deve ser admitido recurso especial quando a decisão recorrida está assentada em mais de um fundamento suficiente e autônomo, mas o recurso não abrange todos eles. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 REMESSAS DO EXTERIOR. CONTABILIZAÇÃO ATÍPICA. FALTA DE SUPORTE PROBATÓRIO PARA REEMBOLSOS DE DESPESAS. OPERAÇÕES ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. OMISSÃO DE RECEITAS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. Delineado com clareza o contexto da autuação ao demonstrar que a contabilização dos recursos provenientes do exterior como reembolsos de despesas encontrase dissociada da realidade. Mero acordo informal celebrado entre controladora e controlada não se mostra eficaz para lastrear a escrituração. Fatos demonstram que os registros na conta de obrigação deveriam ter sido realizados em conta de resultado, vez que a empresa controlada efetivamente prestou serviços para a controladora e foi remunerada com ingressos advindos do exterior na forma de recuperação de custos, prevista no art. 392, inciso II do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à qualificação dos recursos provenientes do exterior, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 01 26 /2 00 5- 95 Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.965 2 Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. Por unanimidade de votos, acordam em não conhecer da decadência dos débitos de PIS e COFINS de janeiro a novembro de 2000. Votaram pelas conclusões, quanto à decadência, os conselheiros André Mendes de Moura, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem para se manifestar sobre o argumento trazido na manifestação do contribuinte, quanto à parcela dos recursos alegadamente destinada à integralização de capital. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é parte TRANSOCEAN BRASIL LTDA. (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão n. 1102001.317 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O auto de infração exige crédito tributário de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, em razão de suposta omissão na DIPJ/2001, anocalendário de 2000, atinente a valores recebidos como devolução de custos, contabilizados por meio das contas denominadas "Transocean Offshore Deepwater", código "9219" e "Transocean Offshore Limited", código "9225", nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para a conta bancária da recorrida, no Brasil, para ressarcimento de custos com Fl. 3973DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.966 3 manutenção de embarcações objeto de afretamentos. Também considerouse que os recursos poderiam ser subvenções para custeio. A DRJ julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte. A decisão restou assim ementada (efls. 1.056 e seg.): RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. PROCEDÊNCIA. A transferência de recursos por parte da empresa controladora domiciliada no exterior a sua controlada no Brasil, interligadas por contrato de prestação de serviços a terceiro subdivididos entre as duas pessoas jurídicas, possui a conotação de recuperação de custos a partir do momento que a interessada (controlada) deixa de comprovar os serviços que ela efetivamente prestou em nome do ente com o qual contratou. Depreendese, assim, que os valores ingressados na sua contabilidade eram oriundos de reembolsos efetuados pela controladora em função dos custos incorridos em seu nome pela controlada e que, com base na legislação fiscal de regência, deveriam ser adicionados ao lucro real. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 1.198 e seg.). A Turma a quo decidiu converter o julgamento do recurso em diligência, para que houvesse (efls. 3.481 e seg.): a) manifestação em relação à documentação apresentada para confirmação dos registros contábeis; b) diligência no sentido de apurar se os custos/despesas reembolsados integraram ou não os custos/despesas da recorrente e se influenciaram a apuração do resultado; c) quantificação do valor relativo a reembolso de custos e o relativo à subvenção. Diante do resultado das diligências realizadas (efls. 1.960 e seg.), a Turma a quo julgou o recurso voluntário, decidindo, por unanimidade de votos, darlhe provimento. O acórdão recorrido restou assim ementado (efls. 3.856 e seg.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PRELIMINAR. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 150, §4º, CTN. Transcorridos mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, é de se declarar a extinção dos créditos tributário de Pis e Cofins referentes às competências de janeiro a dezembro de 2000. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS DE CONTROLADORA NO EXTERIOR. Comprovado que os valores recebidos do exterior era para custear despesas com a atividades relacionadas ao contrato assumido pela controladora e que tais valores não transitaram pelo resultado da recorrente, não há como haver tributação de IRPJ e CSLL. PIS E COFINS — RECEITAS DO EXTERIOR — ISENÇÃO — São isentas da COFINS e PIS as receitas decorrentes da prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliado no exterior, no ano calendário 2000. Recurso Provido Crédito Tributário Exonerado. Em 28/07/2015, a PFN interpôs recurso especial de divergência (efls. 2.307 e seg.), em relação às seguintes matérias: i) decadência e; ii) recuperação de custos vs reembolso de despesas. Realizado o exame de admissibilidade, foi dado seguimento integral ao recurso (efls. 3.895 e seg.). Em síntese, sustenta a recorrente: Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.967 4 em relação à decadência, a exigência de PIS e de COFINS, para todo o anocalendário de 2000, se daria com o fato gerador ocorrido em 31/12/2000. Assim, ainda que tenham ocorrido pagamentos de PIS e de COFINS de fatos geradores de janeiro a dezembro de 2000, isso seria inócuo, uma vez que o lançamento teria sido feito com base no fato gerador de 31/12/2000; a inexistência de relação de controle entre as empresas não afastaria a vinculação entre estas por pertencerem ao mesmo grupo. A ausência de vinculação seria contraditória com as próprias afirmações da contribuinte, que teria afirmado contratar com a PETROBRAS para proceder ao afretamento de embarcações que estariam destinadas à perfuração na bacia continental brasileira; as despensas em questão teriam sido faturadas em nome da própria contribuinte, de forma que não poderiam ser atribuídas à empresa estrangeira; o lançamento em questão teria por base a falta de adição ao lucro real das subvenções correntes para custeio ou operação e as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, prevista no art. 392 do Decreto nº 3.000/99. Caberia ao contribuinte comprovar, de maneira inequívoca, que os valores recebidos constituíram reembolso de despesas incorridas pela contribuinte em nome de terceiros. Cientificado da admissão do recurso especial da PFN, o contribuinte apresentou contrarrazões, aduzindo, em síntese (efls. 3.910 e seg.): o recurso especial da PFN não deveria ser conhecido. O acórdão recorrido teria apresentado dois fundamentos distintos e suficientes, por si, para o cancelamento do PIS e da COFINS de janeiro a novembro de 2000: (i) decadência e (ii) isenção, enquanto o recurso especial da recorrente apresentaria divergência tão somente com relação à preliminar de decadência, sem tratar da isenção do PIS e da COFINS das receitas decorrentes de prestação de serviços para pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, prevista na Medida Provisória (MP) n. 1.99112, de 14.12.1999, argumento que, por si só, seria bastante para cancelar os AUTOS de PIS e COFINS. Afirma que, em linha com a Súmula n. 283 do STF e a Súmula n. 126 do STJ, a jurisprudência da CSRF seria no sentido de que o recurso especial deveria enfrentar todos os fundamentos da decisão recorrida que são suficientes, por si, para cancelar ou manter a autuação, sob pena de o referido recurso não ser conhecido, por insuficiência recursal; Os fatos presentes no acórdão recorrido e no primeiro paradigma não guardariam relação entre si, uma vez que no acórdão recorrido se teria considerado que o PIS e a COFINS têm fatos geradores mensais, entendendo, assim, que, diante da constatação de que a recorrida teria efetuou pagamentos mensais a título das referidas contribuições, aplicar seia ao caso o art. 150, §4°, do CTN, enquanto que, no lançamento analisado no paradigma, a autoridade fiscal teria considerado que o fato gerador do PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas durante todo o anocalendário de 2002 ocorreria apenas em 31.12.2002; embora o acórdão a quo e o segundo paradigma discutam autos de infração análogos, partiriam de premissas fáticas distintas, decorrentes de Fl. 3975DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.968 5 elementos de prova também distintos, para chegar a conclusões igualmente distintas. Isto porque, o acórdão recorrido teria concluído, com base na prova trazida aos autos pela recorrida e também com base conclusões da autoridade fiscal, que os recursos recebidos do exterior teriam sido utilizados para o pagamento de despesas de interesse da afretadora, sem afetar o seu resultado, de forma que não poderiam ser considerados reembolsos de custos tributáveis pelo IRPJ e pela CSLL. Já o segundo paradigma teria concluído, pela análise das notas fiscais, que não teria sido comprovado que os ingressos de recursos haveriam sido efetivamente utilizados no pagamento de despesas das afretadoras, daí ter concluído que deveriam ser tributados pelo IRPJ e CSLL; ultrapassadas as preliminares, o PIS e a COFINS de janeiro a novembro de 2002 teria sido extinto pela decadência, por ser fato gerador do PIS e da COFINS o faturamento mensal; a divisão dos contratos em dois teria decorrido de imposição da própria Petrobrás e não poderia ser considerada “manobra” realizada pela recorrida para transferir para as afretadoras parte das receitas inerentes à prestação de serviços; apesar de o fiscal autuante tecer considerações acerca dos contratos de afretamento e prestação de serviços celebrados pelas afretadoras e pela recorrida, base de cálculo dos autos não guardaria relação com o valor desses contratos, mas sim com os recursos recebidos pela recorrida das afretadoras, que, segundo a fiscalização teriam a natureza de contraprestação por serviços prestados às afretadoras (e não a Petrobras), ou recuperação de custos ou, ainda, de subvenção para custeio; teria sido demonstrado recebimento, antecipadamente, de numerário cuja finalidade seria a de fazer face a despesas da afretadora no Brasil, em decorrência dos contratos de afretamento firmados com a Petrobras. Para comprovar sua afirmação, a recorrida faz referência à cópia do Razão de 2000, relativo às contas correntes com a Transocean Offshore Deepwater Drilling e com a Transocean Offshore Limited (afretadoras), bem como o balancete de abertura e fechamento do ano 2000, que demonstrariam a movimentação dessas contas, ficando evidente que elas se compensam, não afetando, portanto, o resultado da recorrida; o registro de uma dívida da recorrida para com as afretadoras impediria que o numerário transferido fosse tratado como subvenção para custeio, já que esta se caracterizaria como um auxílio sem contrapartida para o seu recebedor, e que, por outro lado, a comprovação de que a totalidade dos recursos recebidos das afretadoras teria sido efetivamente utilizada em benefício destas, mediante o pagamento de despesas relacionadas ao contrato de afretamento, sem que restassem sobras de recursos em poder da recorrida, também reforçaria a impossibilidade de se considerar que a entrega dos recursos teria a natureza de subvenção. Tal fato teria sido expressamente reconhecido pelo acórdão recorrido quando afirma que " (...) a recorrente [recorrida] trouxe provas aos autos de que os valores recebidos do exterior foram utilizados no pagamento de despesas da afretadora"; nos termos do art. 392 do RIR/99, as recuperações ou devoluções que deveriam ser levadas em consideração na determinação do lucro operacional seriam somente aquelas relativas a custos incorridos pela Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.969 6 pessoa jurídica no desenvolvimento de suas atividades e que tenham influenciado seus resultados; no cumprimento da obrigação de afretar embarcações à Petrobras, as afretadoras incorreriam em despesas relacionadas à manutenção e ao seguro das mesmas, entre outras, mas, como estas não possuiriam escritório no Brasil, os pagamentos teriam sido feitos por intermédio da recorrida, mediante adiantamentos a esta efetuados para esse fim. O Relatório de Diligência Fiscal confirmaria esse fato ao consignar expressamente que os custos/despesas não teriam feito parte do resultado da recorrida, já que não teriam sido escriturados em conta de resultado, fato que também restou consignado no laudo da PricewaterhouseCooperspor anexado ao processo. Tal constatação conduziria ao cancelamento do auto de infração, pois conforme a Resolução n° 110300.001, de 29.07.2009, o IRPJ e a CSLL somente poderiam incidir sobre reembolsos de custos que tenham sido anteriormente deduzidos como despesa nos resultados da pessoa jurídica; o fato de as notas fiscais relativas às despesas pagas com os recursos recebidos do exterior terem sido emitidas em nome da recorrida, e não das afretadoras, beneficiárias das referidas despesas, também não justificaria a exigência de IRPJ e CSLL sobre os recursos recebidos do exterior. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. CONHECIMENTO Quanto à matéria da “decadência”, a PFN indicou como paradigma o acórdão nº 1103001.105, de 28/08/2014, proferido pela 3ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, cuja ementa segue parcialmente transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRELIMINARES DE NULIDADE O uso de informações coletadas no âmbito de um MPF para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob outro MPF não constitui emprego de prova emprestada. Tratase de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou com o primeiro MPFF e se concluiu com o segundo MPFF. O fato de se ter emitido novo MPFF, embora a fiscalizada tenha sido cientificada do primeiro MPFF e do início do procedimento fiscal, não viola a Portaria RFB 4.066/07, sendo, antes, medida de cautela. DECADÊNCIA CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS EM 27/12/2007 O IRPJ e a CSLL tiveram sua apuração anual, no anocalendário de 2002, conforme DIPJ/03, o que afasta a decadência. A exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o anocalendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, de modo que se afasta a decadência. Fl. 3977DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.970 7 Sustenta a recorrente que, enquanto o acórdão recorrido teria considerado a existência de pagamentos para fazer a contagem nos termos do art. 150, § 4º, do CTN (com os termos iniciais de contagem mês a mês, por se tratar de PIS e COFINS), o acórdão paradigma, em sentido diverso, teria definido o momento do fato gerador do PIS e da COFINS de todo o anocalendário para 31 de dezembro. Afirma a recorrente, que, na hipótese dos presentes autos, caso o fato gerador do PIS e da COFINS de todo o anocalendário fosse considerado como ocorrido no dia 31 de dezembro de 2000, a decadência não teria ocorrido, tendo em vista que a notificação do lançamento foi formalizada em 29/12/2005. Sendo assim, a divergência jurisprudencial quanto à decadência de PIS e COFINS residiria na interpretação do art. 150, § 4º, do CTN. No entanto, em relação aos débitos de PIS e de COFINS atinentes ao período de janeiro a novembro de 2000, compreendo assistir razão ao contribuinte quando requer não seja conhecido o recurso especial da PFN. Ocorre que a decisão recorrida apresenta dois fundamentos distintos e autônomos para o cancelamento do lançamento em questão: (i) a decadência, conforme a contagem do art. 150, par. 4, do CTN; (ii) a isenção prevista pelo art. 14 da MP n. 1.99112, de 14.12.1999. Nesse sentido, destacamse os seguintes trechos do acórdão a quo: "Nos termos do art. 150, §4º do CTN, o prazo para extinção do crédito tributário, nos casos de pagamento antecipado, como foi o caso do PIS e da COFINS no anocalendário de 2010, será de 05 anos contados dos pagamentos efetuados, literis: (...) Assim tendo transcorrido mais de cinco anos dos fatos geradores de PIS/COFINS referentes às competências de janeiro a novembro de 2000, é de se reconhecer a extinção dos créditos tributários." (efls. 3.867) "Assim, a isenção da COFINS e PIS sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior estava assegurada no anocalendário de 2000. No caso concreto, a fiscalização entendeu que a recorrente prestou serviços para a empresa com domicilio no exterior, tendo sido as receitas percebidas consideradas como remuneração pelos citados serviços (manutenção das embarcações de propriedade da empresa estrangeira), sendo, assim, isentas do PIS e COFINS as correspondentes receitas." (efls. 3.876) Na medida em que a PFN apresentou acórdão paradigma atinente apenas à questão (i), quanto à decadência, não apresentando acórdão com entendimentos divergentes quanto à aplicação da isenção prevista pelo art. 14 da MP n. 1.99112, de 14.12.1999 questão (ii) tornase inviável o conhecimento de seu recurso nessa parte. Ocorre que, para a reforma do acórdão recorrido, seria necessário superar ambas as questões, o que resta impossibilitado pela não devolução da segunda matéria. Vale observar que, em relação aos débitos do período de dezembro de 2000, cancelado pela acórdão com fundamento apenas na isenção prevista pelo art. 14 da MP n. 1.99112, de 14.12.1999, sequer houve recurso da PFN. Em relação à matéria “recuperação de custos de controlada no exterior”, a recorrente indicou como paradigma o acórdão nº 110100.246, de 28/01/2010, proferido pela então 1ª Turma Ordinária, 1ª Câmara, cuja ementa colacionase abaixo: Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.971 8 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: IRPJ — AJUSTES AO LUCRO REAL — COMPROVAÇÃO — O lançamento tem origem na falta de adição, ao lucro real, de subvenções correntes para custeio ou operação ou de recuperações ou devoluções de custos. Se a contribuinte não comprovou que os valores recebidos constituíram reembolso de despesas por ela incorridas em nome de terceiros, deve ser mantido o lançamento. PIS E COFINS — RECEITAS DO EXTERIOR — ISENÇÃO — São isentas da COFINS e PIS as receitas decorrentes da prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliado no exterior, no ano calendário 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos da Procuradoria da Fazenda Nacional, para anular a decisão proferida no acórdão no. 10197.012 de 12.11.2008, e proferir nova decisão rejeitando a preliminar de decadência do IRPJ e CSLL e, no mérito, cancelar as exigências de PIS e COFINS, mantendo integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Aduz o recorrente que, enquanto o acórdão paradigma teria entendido que, pelo fato de as despesas não estarem acompanhadas de notas fiscais em nome da empresa estrangeira, não haveria indícios de que os valores recebidos pela empresa brasileira seriam reembolsos de despesas pagas por conta e ordem de terceiros, o acórdão recorrido, em sentido contrário, teria entendido que a empresa brasileira teria sido utilizada pela empresa estrangeira para a contratação de fornecedores no mercado nacional, sem que as divisas recebidas interferissem no resultado da recorrente. Ressalta que ambos diriam respeito à mesma a contribuinte, diferenciandose apenas pelo anocalendário respectivo e à interpretação do art. 392 do RIR/99. Realizandose o cotejo do acórdão recorrido, verificase que o seguinte contexto fático foi o analisado: "Conforme destacado, a recorrente trouxe provas aos autos de que os valores recebidos do exterior foram utilizados no pagamento de despesas da afretadora. (...) Como atestou e comprovou a recorrente através de relatório de auditoria externa, e também foi reconhecido pela fiscalização, tanto na fase de fiscalização, quanto na fase de diligência, os valores recebidos do exterior não foram levados às contas de resultado da empresa: nem como receitas, nem como custos: (...)" Por sua vez, ao realizarse o cotejo do acórdão paradigma, verificase que o contexto fático analisado foi distinto em relação a ponto de grande relevância: "O lançamento em questão teve por base a falta de adição ao lucro real das subvenções correntes para custeio ou operação; e as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, prevista no art. 392 do Decreto n" 3.000/99, acima transcrito. Dessa maneira, para que o lançamento fosse desconstituído, caberia à contribuinte comprovar, de maneira inequívoca, que os valores recebidos constituíram, de fato, reembolso de despesas incorridas pela contribuinte em nome de terceiros. (...) Da análise da documentação constante nos autos, observase que houve transferências de numerário da empresa do exterior para a contribuinte, tendo sido os respectivos valores lançados a crédito, no Livro Razão, na conta Banco Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.972 9 Boston. Contudo, a contribuinte não comprovou a destinação de tais recursos nem os valores que efetivamente saíram de suas contas." Portanto, enquanto o acórdão recorrido decidiu o caso a partir do contexto fático da presença de provas suficientes de que os "valores recebidos do exterior foram utilizados no pagamento de despesas da afretadora", o contexto fático do acórdão paradigma foi outro, ou seja, tais provas não estavam presentes. Caso tais provas estivessem presentes no caso julgado pelo acórdão paradigma, a solução provavelmente seria a mesma do acórdão recorrido, o que evidencia convergência entre estes. Nesse seguir, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial. MÉRITO Qualificação dos recursos provenientes do exterior: ingressos não tributáveis (reembolso de despesas) ou receitas tributáveis (recuperação de custos). A Turma a quo, após promover a análise das provas presentes nos autos, inclusive a partir de diligências, compreendeu que os recursos recebidos pela recorrida deveriam ser qualificados como ingressos não tributáveis, especialmente por não terem afetado de qualquer maneira o seu resultado, justificados como reembolso de despesas pertencentes às empresas residentes no exterior. Em seu recurso especial, a PFN explicita, in verbis: “Vale lembrar que em momento algum a fiscalização fundamentase no intuito de fraude por parte da recorrente. Tal fato resta evidente, inclusive, com a cominação da multa de ofício no percentual de 75%. O cerne da questão referese à análise da natureza jurídica dos ingressos dos recursos em questão, se a título de reembolso de despesas, como defende a contribuinte, ou recuperação de custos, como afirma a fiscalização.” Assim, a qualificação jurídica das entradas financeiras contabilizadas pela recorrida é fundamental para a solução da lide. Ocorre que o reembolso de despesas, por qualificarse como mero ingresso, não é suscetível de tributação, enquanto que a recuperação de custos, por qualificarse como receita, deve compor os valores integrantes da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por expressa determinação legal. Fazse necessário, então, distinguir essas duas espécies do gênero “entradas”: os “ingressos” e as “receitas”. Em obra doutrinária, RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA1 enfatiza que a “receita”, conceito “uno”2 para todos estes tributos, (i) é um tipo de entrada ou ingresso que se integra ao patrimônio da pessoa jurídica, mas nem todo ingresso ou entrada é uma receita; (ii) integra o patrimônio da entidade como elemento novo e positivo, sem reservas, condição ou compromisso no passivo; (iii) modifica o patrimônio, incrementandoo; (iv) passa a pertencer à entidade, com sentido de permanência; (v) remunera a entidade, como benefício efetivamente resultante de suas atividades, fonte de resultados; (vi) é proveniente de patrimônio de terceiro 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo : Quartier Latin, 2008, p. 102. 2 Cf. RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA, “o conceito de ‘receita’ é uno, de modo que vale tanto para o imposto de renda quanto para as contribuições sociais sobre receitas, assim como em qualquer outra situação na qual se deva dizer o que seja uma receita, inclusive para levantamento das demonstrações segundo a Lei 6404”. (OLIVEIRA, Ricardo Mariz, op. cit, p. 103 em nota de rodapé n. 27) Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.973 10 como contraprestação do exercício de suas atividades; (vii) exprime a capacidade contributiva da entidade. Por “receitas”, entendemse apenas as entradas definitivas (ou mesmo o direito de receber tais entradas). Os “ingressos provisórios” não compõem o gênero “receitas”, já que não trazem qualquer incremento ao patrimônio da entidadecanal. Tais ingressos provisórios, embora possam vir a ser contabilizados em seu ativo circulante, têm como desdobramento imediato um compromisso em seu passivo circulante, qual seja, o repasse de tais valores aos seus verdadeiros destinatários. Não havendo direito da entidadecanal ao valor destinado aos repasses, o seu ingresso provisório não deve afetar em nada o seu resultado e, portanto, não representa signo presuntivo de riqueza em relação a esta. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, em convergência com as normas internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards IFRS), dedica especial atenção às receitas de intermediação, a fim de distinguilas dos valores recebidos para repasse aos fornecedores dos serviços intermediados. O Pronunciamento Técnico CPC 30, define que “receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários”. A demonstração de resultados da entidade somente pode apresentar como receita a entrada decorrente da atividade empresarial própria e que resulte em aumento do seu próprio patrimônio líquido. O pronunciamento contábil (CPC 30) elucida que quantias cobradas por conta de terceiros (como tributos sobre vendas, sobre bens e serviços e sobre valor adicionado) não trazem benefícios econômicos para a entidade e, por isso, “não resultam em aumento do patrimônio líquido. Portanto, são excluídos da receita”. Tratandose de relação de agenciamento, “os ingressos brutos de benefícios econômicos provenientes das operações efetuadas pelo agente, em nome do operador, não resultam em aumentos do patrimônio líquido do agente, uma vez que sua receita corresponde tão somente à comissão combinada entre as partes”. Há também pronunciamento do CPC para pequenas e médias empresas (“Pronunciamento Técnico PME”), que traz igual conceito para “receita”, distinguindoa dos ingressos provisórios e reafirmando que, “no relacionamento como uma agência, a entidade deve incluir na receita somente o valor de sua comissão. Os valores recebidos em nome do titular não são considerados como receita da entidade”. Assim, conforme os padrões internacionais de contabilidade ora adotados no Brasil, tais ingressos provisórios recebidos para repasse não representam um signo de riqueza ao intermediador, que não sofre mutação de seu patrimônio líquido; o patrimônio líquido afetado pertence, isto sim, ao fornecedor daquilo que está sendo intermediado. Interessa ter claro, ainda, as duas faces do princípio da capacidade contributiva. Sob o seu aspecto objetivo, é prérequisito para a eleição da hipótese de incidência tributária, tratese de impostos ou de contribuições. A capacidade contributiva objetiva irá definir, a priori, situações tributáveis e não tributáveis.3 A consideração econômica, 3 Conforme LUÍS EDUARDO SCHOUERI, a capacidade contributiva objetiva é uma regra que “proíbe que o legislador preveja hipóteses tributárias que não revelem, obviamente, capacidade contributiva”. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 314). Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.974 11 em sua feição atual, pode ser vista como o reconhecimento do fato de que a lei tributária distribui o encargo das despesas públicas entre os contribuintes, vinculando “o dever de contribuir a situações da vida econômica nas quais se manifesta a capacidade contributiva dos obrigados”4. Tornase operacionalmente inválida a tributação sobre fatos que não correspondam a signos presuntivos de riqueza, na medida em que, nestes casos, não haverá sequer base de cálculo jurídica a ser mensurada. Leciona PAULO DE BARROS CARVALHO que, “realizar o princípio préjurídico da capacidade contributiva absoluta ou objetiva retrata a eleição, pela autoridade legislativa competente, de fatos que ostentam signos de riqueza.”5 No caso sob julgamento, quando o ingresso provisório transita pela contabilidade da entidadecanal, temse uma entrada de caixa desdobrada em uma obrigação no passivo desta, sem afetar o seu resultado. Podese concluir, então, que a contabilização levada a termo pelo contribuinte, como bem ressaltado pela decisão recorrida, foi realizada adequadamente. Da mesma forma, também é correto concluir que há ausência de capacidade contributiva objetiva, já que o ingresso provisório de valores destinados ao repasse de afretamento não reflete probabilidade de riqueza para a empresa. Capacidade contributiva haveria na hipótese da recorrida haver acordado com as aludidas empresas estrangeiras remuneração pelo referido ônus assumido. Nessa hipótese, haveria entrada definitiva de receitas atinentes à sua remuneração, inconfundíveis com os ingressos provisórios recebidos a título de reembolso das despesas de interesse das empresas residentes no exterior. Não identifico, contudo, tal circunstância nos presentes autos. Ademais, a PFN requer seja adotado o seguinte entendimento: “Se a nota fiscal/fatura foi emitida contra a empresa brasileira, é esta, em termos fiscais, a devedora, restando afastada qualquer justificativa de que seria uma operação por ordem e conta da empresa estrangeira (a operaçaõ ‘por conta e ordem’ somente estaria caracterizada se a NF tivesse sido emitida contra a empresa estrangeira, ainda que paga pela contribuinte)”. Contudo, assim como expressamente decidiu a unanimidade do Colegiado a quo, o fato de notas fiscais/faturas serem emitidas contra a empresa brasileira não é decisivo para o deslinde da questão. O fato da recorrida ter contratado, em seu nome, alguns serviços de interesse de empresas residentes no exterior, atinentes à atividade de fretamento, não lhe outorga direitos (interesse) sobre os lucros ou outros benefícios dessa exploração econômica. É, a propósito, bastante comum, em uma série de atividades de intermediação, que o agente (intermediário) contrate em seu nome os serviços cujo pagamento irá intermediar, nos quais o interesse é integralmente do seu contratante. Importa saber a quem interessa o desempenho da atividade de afretamento, ou seja, a quem se destina o gozo dos benefícios dessa exploração econômica, cujos lucros dependem do incorrimento dos correspondentes custos e despesas. No caso dos autos, assim como compreendeu a Turma a quo, compreendo bastante eloquente o fato incontroverso que os ingressos em questão, recebidos pela recorrida não transitaram em suas contas de resultado. Tratase de evidência de que tais entradas configuram meros ingressos financeiros, bem como a ausência de gozo de benefícios decorrentes do negócio de afretamento. 4 SCHOUERI, 2011, p. 626. 5 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 3334. Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.975 12 Além disso, a pretensão da recorrente exige o afastamento das conclusões alcançadas pela Turma a quo quanto às provas presentes nos autos, o que não é oportunizado via recurso especial, conforme dispõe o RICARF. A Turma a quo, exercendo a competência que lhe cabia, verificou os fatos, se debruçou sobre as provas presentes nos autos e lhes atribuiu uma coloração jurídica, como resta claro nesse trecho, in verbis: “Analisando o Termo de Encerramento da Diligência, a manifestação da recorrente, bem como todo o conjunto fáticoprobatório dos autos, entendo por dar provimento ao recurso voluntário. Como atestou e comprovou a recorrente através de relatório de auditoria externa, e também foi reconhecido pela fiscalização, tanto na fase de fiscalização, quanto na fase de diligência, os valores recebidos do exterior não foram levados às contas de resultado da empresa: nem como receitas, nem como custos (…)”. Poderia o recorrente requerer que outra coloração jurídica fosse atribuída aos fato, o que não é o caso. Para que a pretensão recursal da PFN pudesse ser atendida, lhe caberia demonstrar ser equivocada a consequência jurídica atribuída pela Turma a quo ao fato de que as entradas de recursos (ingressos) e as respectivas saídas para satisfação de custos e despesas com afretamento não terem afetado o resultado da contribuinte. Por todo o exposto, conduzo meu voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela PFN. Tendo em vista que o aludido entendimento restou vencido pelo voto de qualidade, acompanho o entendimento do Colegiado quanto à necessidade do retorno dos autos para a turma a quo, para verificar se cabe ou não a manutenção do valor de R$1.207.560,00 na base de cálculo do lançamento de ofício, alegadamente relativo à integralização de aumento de capital, conforme bem explicitado no voto vencedor do i. Conselheiro André Mendes Moura. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.976 13 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator designado. Não obstante as substanciosas razões apresentadas pelo relator, peço vênia para divergir do voto, em relação à admissibilidade da matéria "qualificação dos recursos provenientes do exterior" e ao exame do mérito. No que concerne à admissibilidade, não vislumbro distinção de contexto fático entre os acórdãos recorrido e paradigma, que poderia descaracterizar a divergência de interpretação da legislação tributária. Ora, no acórdão recorrido é feita menção expressa de que se estava divergindo do entendimento abraçado no (ora paradigma) acórdão de nº 110100.246, que foi exarado em processo em que a autuada era a própria recorrida nos presentes autos, TRANSOCEAN BRASIL LTDA. (processo nº 15521.000148/200636), e em que a autuação fiscal se originou dos mesmos fatos do presente processo, diferindo apenas o período autuado (anocalendário 2001, ao passo que o presente processo se refere ao AC 2000). Confirase (sublinhouse): O que poderia ser tributado nesta operação eventualmente seriam comissões cobradas pela empresa brasileira. Tratandose de uma operação a título gratuito e acreditando a autoridade fiscal que se tratava uma operação simulada, deveria ter arbitrado o lucro, nos termos dos arts. 530, II, “c” c/c art. 532 c/c art. 519 do RIR/99, haja vista ser impossível quantificar o lucro destas operações que intermediaram negócios entre a controladora domiciliada no exterior e os fornecedores brasileiros: (...) Importante destacar ainda que a 1ª Turma/1ª Câmara da 1ª Seção do CARF teve entendimento divergente do acima exposto em processo em que se discutia a mesma autuação contra a mesma contribuinte referente ao ano calendário 2001, conforme ementa abaixo: Processo n° 15521.000148/200636 Recurso n° 161.327 Embargos Acórdão n° 110100.246 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28/01/2010 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida TRANSOCEAN BRASIL LTDA. (SUCESSORA DA TRANSOCEAN SEDCO FOREX LTDA.) Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.977 14 (...) Na ocasião, foi consignado pelo ilustre Conselheiro Relator ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO o seguinte: (...) No caso, entendeu a Turma que, pelo fato de que tais despesas não estavam com as notas fiscais em nome da empresa estrangeira, não havia indícios de que os valores recebidos de empresa vinculada no exterior seriam reembolso de despesas pagas por conta e ordem de terceiros. Entendo, entretanto, que tal argumento ainda não é suficiente para afastar o acima explanado. As transferências recebidas se fossem reconhecidas como receitas operacionais, na sua exata proporção e medida, deveria ser as despesas incorridas e pagas pela recorrente tratadas como despesas operacionais de sua atividade, de forma que, caso fossem computadas no lucro real da recorrente, seriam dedutíveis, conforme Cláusula 2ª do Contrato Social (fls. 7/8): (...) Como se pode observar, não só os contextos fáticos se aproximam por se tratarem de acórdãos em que a autuação fiscal trata dos mesmos fatos em períodos diferentes, como o próprio acórdão recorrido enuncia (e justifica) sua divergência em relação à decisão do paradigma. Tal situação, aliás, não passou desapercebida no Despacho de Admissibilidade em que foi dado seguimento ao presente recurso (efls. 3.895 e ss): Em ambas as hipóteses, discutiramse autuações semelhantes contra a mesma contribuinte, diferenciandose ambas apenas pelo respectivo anocalendário, situação que foi reconhecida pelo próprio voto condutor do acórdão recorrido, corroborando a existência da divergência apontada pela PGFN. Verificase, portanto, divergência jurisprudencial quanto à interpretação do art. 392 do RIR/99. Portanto, voto no sentido de conhecer o recurso especial da PGFN para a matéria "qualificação dos recursos provenientes do exterior". Passo ao exame do mérito. Devese analisar como se deve qualificar os recursos provenientes do exterior objeto da autuação fiscal: são ingressos não tributáveis (reembolso de despesas) ou receitas tributáveis (recuperação de custos, art. 392, inciso II do RIR/99 6)? 6 Vide Decreto nº 3000. de 26 de março de 1999. Subseção V Subvenções e Recuperações de Custo Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.978 15 A princípio, vale discorrer sobre o contexto em que se deu a autuação fiscal, bem delineado pelo Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 968/1008). A situação apresentada aos autos trata de dois contratos, celebrados entre a Petrobrás, a recorrente e a sua controladora, empresa sediada no exterior. Um contrato dispõe sobre prestação de serviços entre a recorrente e a Petrobrás, que trata de atividades como prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover, dentre outros, excetuandose o serviço de afretamento. O outro contrato, celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás, dispõe sobre o afretamento. Somandose os valores dos dois contratos, noventa por cento do montante referese ao contrato de afretamento celebrado entre a controladora do exterior e a Petrobrás, sendo que as receitas de afretamento são albergadas por alíquota zero prevista no art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997. Os outros dez por cento correspondem ao contrato entre a recorrente e a Petrobrás, por prestação de serviços submetida à tributação regular. Transcrevo excerto do TVF (efls. 970/972) que ilustra com clareza a situação: Dispensando atenção maior nos exames, e graças a informes obtidos de ações fiscais já desenvolvidas em outras empresas da região de MacaéRJ, pôde ser flagrado o mecanismo que explica a permanência em operação no Brasil de empresas econômica e financeiramente "deficitárias". Decompondo a situação fática real, podese ter uma visão analítica da simulação de prejuízos praticada, mediante atribuição forçada de prejuízos a empresa sediada no Brasil, contra resultados positivos auferidos por empresa ligada no exterior, de cujas receitas (da empresa estrangeira) não há sequer retenção de tributos e contribuições pela fonte pagadora (PETROBRAS): A) Há o interesse de empresa estrangeira em prestar serviços de prospecção, perfuração, avaliação, completação e "workover", para a PETROBRAS, em território Brasileiro; b) É criada uma empresa no Brasil cujo controle acionário ou de cotas pertence à empresa estrangeira; c) Na fase de elaboração do contrato de prestação dos serviços que interessam à PETROBRAS, são feitos dois contratos distintos, um com a empresa estrangeira, controladora, especifico para o afretamento de embarcações, e outro com a empresa criada no Brasil, controlada, e que alcança efetivamente a prestação dos serviços de que necessita a PETROBRAS, excetuado o afretamento; d) O contrato de afretamento envolve os grandes valores, em torno de 90% da soma dos dois contratos firmados em conformidade com o item "c", anterior, enquanto o contrato firmado com a empresa sediada no Brasil, controlada, prevê pagamentos da ordem de 10% da soma dos dois contratos; e) Assim, uma mesma prestação de serviços é seccionada em duas com o propósito de escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos, já que dessa maneira é possível enquadrar quase que Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: (...) II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); (...) Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.979 16 a totalidade do valor (soma dos valores dos contratos com a controladora e com a controlada) sob o alcance de alíquota zero que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações (Lei n.2 9.481/97, art. 1.2 , inciso I); f) Como a título de custo para a PETROBRAS importa o valor global dos serviços e a sua efetiva execução, sendo indiferente como será registrado na contabilidade das contratadas os lucros ou prejuízos, essa não interfere nem apresenta obstáculos, ao que tudo indica, à formatação contratual dupla citada no item "c"; g) E, uma vez criada artificialmente uma enorme defasagem entre os valores dos serviços a serem prestados e o afretamento da embarcação, cumpre à controladora no exterior reembolsar sua controlada no Brasil, para efeito de custeio operacional e não operacional pois de outra forma esta última não sobreviveria sem o apelo à falência ou concordata o que é feito através de transferências bancárias de contas no exterior para contas em bancos no Brasil, com registro contábil em contas de obrigações sob os títulos "Transocean Offshore Deepwater", código "9219", e "Transocean Offshore Limited", código "9225"no caso da escrita fiscal da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, para que a controlada possa manterse regularmente em atividade; h) Dessa forma, fechase o ciclo, já que os rendimentos da empresa com sede no Brasil que realmente trazem correspondência com os serviços prestados de perfuração, avaliação, completação e "workover", e que são indevidamente inseridos no valor do contrato de afretamento celebrado com a empresa estrangeira, retornam para a empresa sediada no Brasil, controlada, por meio destas transferências bancárias (item "g"), cuja finalidade alcança, inclusive, remunerar serviços de manutenção muitas vezes executados pela controlada nas embarcações de propriedade da controladora afretadas; i) Outra situação revelada é a característica de reembolso dos valores transferidos do exterior para contas de empresas controladas no Brasil, pois que a controlada arca com os custos e despesas de manutenção da embarcação afretada, que pertence à empresa controladora, remetente das transferências bancárias. Concluindo, vultosos valores saem do Pais para pagamento de afretamentos de embarcações sem imposto retido na fonte, por força de aliquota zero legalmente aplicável aos afretamentos, enquanto valores contratuais com menor relevo ficam no Pais consignados na escrita contábil e fiscal de empresas que sempre dão prejuízo, da mesma forma implicando em nenhum recolhimento a titulo de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e em recolhimento reduzido de PIS e COFINS, incidentes sobre o faturamento. Isso é realizado mediante fluxo triangular do rendimento (empresa contratante, PETROBRAS, empresa controladora, no exterior, e empresa sediada no Brasil, controlada) que visa ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições incidentes sobre o lucro e faturamento da empresa com sede no território nacional. Registrese que faz relevante diferença para a(s) contratada(s) evitar a tributação no Brasil, vez que pode(m) buscar tributação mais favorecida no Pais sede da controladora. A propósito, as Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.980 17 duas empresas cotistas da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, têm sede na ILHAS CAYMAN e no PANAMA. Na sequência, a autoridade autuante apresenta quadro demonstrativo, refletindo o resultado do arranjo empreendido pelo grupo societário. A fim de proporcionar melhor idéia da evasão fiscal resultante do artifício contratual descrito, foi elaborado o quadro abaixo, com os valores envolvidos no caso da empresa fiscalizada para o ano sob ação fiscal, a saber, anocalendário 2000: ANO BASE (I) RECEITAS (II) CUSTOS E DESPESAS (III) LUCRO REAL (PREJUÍZO) (IV) REEMBOLSOS 2000 14.756.986,99 21.061.568,18 (6.981.521,64) 30.093.810,00 A Contribuinte informou que havia celebrado uma “parceria” ou “aliança informal” com a sua controladora, no sentido de prestar suporte às operações da controladora no território nacional. E, nesse sentido, os “reembolsos” corresponderiam à despesas incorridas pela recorrente para dar suporte aos serviços prestados em favor da controladora. Ou seja, as remessas do exterior recebidas da controladora seriam reembolsos de despesas. São os fatos. A princípio, cumpre esclarecer que um lançamento contábil de remessas oriundas do exterior, atendendo aos princípios basilares da contabilidade, deveria ser de débito em conta de ativo e crédito em conta de resultado. Ou seja, a situação tratada no caso em tela, no qual a contabilização a crédito ocorreu em conta de obrigações, constituise em lançamento atípico. Vale verificar os extratos do livro Razão, do qual se observa os registros contábeis sublinhados, em destaque (efls. 776/804). Caso os fatos alegados pela recorrente pudessem conduzir a uma outra realidade, qual seja, de que seriam efetivamente de reembolsos de despesas, o que justificaria a contrapartida do débito em conta de ativo a crédito em conta de obrigações, deveriam ser lastreados por elementos hábeis para comprovar a escrituração. Apenas transcrição do registro contábil como "TRANSFERÊNCIA DE NUMERÁRIO" e os lançamentos a débitos na conta de obrigações não se mostra eficaz, por si só, para comprovar a materialidade dos ingressos na condição de reembolsos de despesas. No caso concreto, caberia à recorrente, diante da contabilização atípica das remessas do exterior, lastrear a sua escrituração com elementos de provas hábeis e idôneos, conforme art. 923 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.981 18 nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (Grifei) Mero contrato informal celebrado com a sua controladora não é suficiente para fundamentar o registro contábil efetuado pela Contribuinte das remessas de divisas do exterior. Tratase de liberalidade que não pode ser oponível ao Fisco. Transcrevo excerto do TVF (efl. 986): As receitas foram reconhecidas realizadas no ato dos reembolsos, uma vez que, conforme já dito, os pagamentos (transferências bancárias para a conta "46" – Banco Safra) não se concretizaram a vista das prestações dos serviços pela controlada, nem tampouco há qualquer compromisso formal de pagamento — devido às circunstâncias de interdependência entre as empresas, a margem do interesse e da livre vontade que predominam em operações contratadas entre empresas em geral. (Grifei) Sequer houve preocupação da empresa em segregar as despesas que foram incorridas por ela daquelas supostamente originadas do suporte dado à sua controladora. Não há como identificar quais despesas foram oriundas dos serviços prestados a título de prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover (decorrente do contrato celebrado entre a recorrente e a Petrobrás) e daquelas derivadas do afretamento (referentes ao contrato celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás). Ora, se o motivo dos alegados “reembolsos” seria precisamente as despesas incorridas em favor de sua controladora, mostrase inadmissível e inexplicável o procedimento da recorrente em optar por não segregar as suas despesas daquelas incorridas em favor da empresa no exterior. Nesse contexto, mostrase preciso o TVF (efl. 978): A infração tratase, em síntese, de omissão na DIPJ 2001 (referente ao anobase 2000 (fls.07/40) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizada através das contas denominadas "Transocean Offshore Deepwater", código "9219", e "Transocean Offshore Limited", código "9225", nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para conta bancária da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, no Brasil, no Banco Safra por ordem da controladora, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS, conforme a empresa fiscalizada afirmou em sua última resposta (fl. 382). Ora, se a empresa controlada reconhecidamente prestou serviços para a controladora, e recebeu remuneração com a qual afirma haver correspondência com os citados serviços — manutenção das embarcações de propriedade da controladora —, por definição ocorreu percepção de receitas que devem ser acrescentadas ao resultado do lucro real e da base de cálculo Fl. 3989DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.982 19 da CSLL, sem prejuízo da tributação desse faturamento como fato gerador da tributação das contribuições PIS e COFINS, não importando a classificação contábil e fiscal ou a denominação que a empresa controlada pretenda atribuir ao que registra como "transferência de numerário" (fls. 119, 122 e ss). Digase mais ainda, tais ingressos correspondem na verdade a repatriação de receitas, restabelecendose através de reembolsos parte do lucro que deveria harmonizarse com o contrato assinado pela empresa controlada e a PETROBRAS. Sendo assim, e considerando que não há compromisso formal assumido pela controladora com relação aos pagamentos (reembolsos), cumpre reconhecer as receitas e faturamentos nas datas dos efetivos pagamentos/transferências, tanto para a interpretação que lhes atribua caráter de pagamento quanto para a que lhe atribua caráter de subvenção para custeio. A irregularidade contábil cometida pela empresa controlada quanto à omissão na escrita contábil e fiscal dos reembolsos efetuados pela controladora como recuperação de custos, e quanto à falta de reconhecimento destas receitas, contextualiza se nos textos normativos da Resolução CFC nº .2.750/93 (...). (Grifos originais) Nesse sentido, não há reparos ao entendimento da autoridade fiscal. Enfim, há uma contestação suscitada pela Contribuinte que não foi apreciada pela turma a quo, tendo em vista teve a análise prejudicada porque naquela ocasião foi dado provimento ao recurso voluntário. Tratase da inclusão na base de cálculo do lançamento de ofício do valor de R$1.207.560,00 (referente a registro contábil de 12/04/2000), conforme demonstrativo elaborado pela autoridade fiscal (efls. 964). Aduziu a Contribuinte, em resposta à diligência solicitada pela turma a quo (efl. 3531/3532): 2.18. Além disso, deve ser destacado que a RECORRENTE jamais afirmou ou defendeu que as transferências de numerário teriam a natureza de "reembolso de custos". O que ela afirma é que os referidos valores foram a ela transferidos para fazer frente a despesas de sua controladora e que jamais transitaram pelo seu resultado. Por essa razão, tais valores registrados em contas patrimoniais representativas do contacorrente mantido com a proprietária dos recursos. 2.19. Caso o fiscal tivesse atendido ao solicitado na Resolução nº 110300.001, teria constatado que esse procedimento foi o adotado em ralação a todos os ingressos recebidos, com exceção de um no valor de R$1.207.560,00, referente a aumento de capital da RECORRENTE (DOC. 01). Neste sentido é o anexo laudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers, elaborado a pedido da RECORRENTE para suprir a falha da fiscalização no cumprimento da diligência (DOC. 02). (Grifei) Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 15521.000126/200595 Acórdão n.º 9101002.741 CSRFT1 Fl. 3.983 20 Como se pode observar, a própria recorrente destaca que todos os valores integrantes da base de cálculo do lançamento de ofício referemse, de fato, a registros em conta de obrigações, com exceção de um, no valor de R$1.207.560,00, que seria referente a aumento de capital. Verificando o Razão (efl. 780), consta o registro contábil, de 28/04/2000, com descrição " VL. AUMENTO DE CAPITAL CONE. CONTRATO DE CAMBIO 00/000818", com lançamento a crédito no montante de R$1.207.560,00. Não tendo sido o ponto apreciado pela turma a quo, necessário o retorno dos autos para a instância anterior, para que seja realizada a devida análise e dada oportunidade para as partes do litígio manifestaremse sobre a questão, sob pena de supressão de instância. Portanto, o presente voto é no sentido de se restabelecer o lançamento de ofício, conforme base de cálculo detalhada no demonstrativo de efl. 964, com exceção do valor de R$1.207.560,00 (relativo a lançamento contábil de 12/4/2000), que deve ser apreciado pela turma a quo para decidir: 1º) se a parcela foi efetivamente destinada à integralização de aumento de capital, e; 2º) caso afirmativo, se tal fato tem como consequência a exclusão do valor de R$1.207.560,00 da base de cálculo do lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso especial da PGFN para a matéria "qualificação dos recursos provenientes do exterior", e, na parte conhecida, dar lhe provimento, e determinar o retorno dos autos para a turma a quo, apenas para verificar se cabe ou não a manutenção do valor de R$1.207.560,00 na base de cálculo do lançamento de ofício. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3991DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720049/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO ART. 83, DA LEI 9.430/96. MATÉRIA NÃO CONHECIDA.
Não há competência para conhecer matéria sobre o sobrestamento do processo de representação fiscal para fins penais pela Secretaria da Receita Federal. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES, GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS.
Com fundamento no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, o sócio-gerente é responsabilizado pela prática de atos que são considerados infração à lei.
Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
CESSÃO DE NOME. ARTIGO 33, DA LEI 11.488, de 2007. MULTA. PROCEDÊNCIA.
A pessoa jurídica que ceder seu nome, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais adquirentes fica sujeita à multa do artigo 33, da Lei nº 11.488/2007 e pode ser cumulada com a multa do artigo 689, § 1º, do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro.
Numero da decisão: 3302-004.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, não foi conhecida a preliminar suscitada e, no mérito, negado provimento aos recursos voluntários.
A Conselheira Maria do Socorro se declarou impedida.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO ART. 83, DA LEI 9.430/96. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não há competência para conhecer matéria sobre o sobrestamento do processo de representação fiscal para fins penais pela Secretaria da Receita Federal. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES, GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS. Com fundamento no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, o sócio-gerente é responsabilizado pela prática de atos que são considerados infração à lei. Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 CESSÃO DE NOME. ARTIGO 33, DA LEI 11.488, de 2007. MULTA. PROCEDÊNCIA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais adquirentes fica sujeita à multa do artigo 33, da Lei nº 11.488/2007 e pode ser cumulada com a multa do artigo 689, § 1º, do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro.
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PEDIDO DE SOBRESTAMENTO ART. 83, DA LEI 9.430/96. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não há competência para conhecer matéria sobre o sobrestamento do processo de representação fiscal para fins penais pela Secretaria da Receita Federal. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES, GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS. Com fundamento no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, o sóciogerente é responsabilizado pela prática de atos que são considerados infração à lei. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009, 2010, 2011 CESSÃO DE NOME. ARTIGO 33, DA LEI 11.488, de 2007. MULTA. PROCEDÊNCIA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais adquirentes fica sujeita à multa do artigo 33, da Lei nº 11.488/2007 e pode ser cumulada com a multa do artigo 689, § 1º, do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 49 /2 01 2- 15 Fl. 1067DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, não foi conhecida a preliminar suscitada e, no mérito, negado provimento aos recursos voluntários. A Conselheira Maria do Socorro se declarou impedida. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar os fatos de uma forma sintética, transcrevese o relatório da DRJ/Fortaleza, fls. 991/995: Trata o presente processo de Auto de Infração para constituição da exigência no valor de R$ 71.823,49 (setenta e hum mil, oitocentos e vinte e três reais e quarenta e nove centavos), referente à multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, em razão de cessão de nome da pessoa jurídica autuada, para terceiros para realização de operações de comércio exterior, conforme consignado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, fls. 12/122, doravante, TVFDF, a seguir, em síntese, reproduzido: No decorrer da ação fiscal, gerenciada pelo Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF) n° 0817700.2010.000507, foram efetuadas diligências e pesquisas nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB) e intimações foram expedidas ao importador e a outras pessoas. No TVFDF, discorre inicialmente a fiscalização sobre a existência de intrínseca relação entre a empresa J. M. FOTOS E FILMES LTDA – ME, doravante J M FOTOS e a empresa GUSTAVO FERRAMOLA GARCIA – EPP, doravante GUSTAVO FERRAMOLA, adquirentes das mercadorias importadas pela ENCOMEX. A análise das informações coletadas levou a Fiscalização a concluir que a ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, doravante ENCOMEX, cedeu seu nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 11829.720049/201215 Acórdão n.º 3302004.295 S3C3T2 Fl. 3 3 beneficiários. Simulou importações em seu nome, quando, na verdade, as mercadorias importadas eram destinadas ora a J.M FOTOS E FILMES LTDA – ME, ora a GUSTAVO FERRAMOLA. Identificou a fiscalização a ocorrência de responsabilidade solidária, nos termos do art. 135 do CTN, arrolando ao polo passivo da presente autuação as pessoas físicas a seguir elencadas: a. Eric Moneda Kafer: sócio da ENCOMEX. b. Vera Lúcia Moneda Kafer, sócia da ENCOMEX. No TVFDF, fl. 12/122, estão identificados os documentos e provas coletados pela fiscalização e juntados ao processo, os quais estão listados no respectivo termo. Destaca ainda a fiscalização que a ENCOMEX já fora autuada por ocultação do sujeito passivo em outras operações de comércio exterior. Destaca ainda a fiscalização no TVFDF que o caso vertente não se refere à interposição presumida por não comprovação de origem de recursos, mas à simulação tendente a ocultar o real provedor dos recursos, portanto real adquirente das mercadorias importadas. A ciência do AI ocorreu da seguinte forma: ENCOMEX, ciência por edital em 05/01/2013, fl.906, visto que a publicação ocorreu em 21/12/2012; Eric Moneda Kafer: sócio da ENCOMEX, ciência por AR, fl.904, em 15/12/2012; Vera Lúcia Moneda Kafer, sócia da ENCOMEX, ciência por AR, fl.902, em 15/12/2012; Devidamente intimados do Auto de Infração, os interessados apresentaram suas impugnações. ENCOMEX, fls.957/985, em 04/02/2013; Eric Moneda Kafer: sócio da ENCOMEX, fls.942/954 em 04/01/2013; Vera Lúcia Moneda Kafer, sócia da ENCOMEX, fls.918/935, em 04/01/2013. Das Impugnações ENCOMEX Após recompor em breve síntese os fatos que ensejaram a autuação, inclusive com autuação solidária, colaciona os seguintes argumentos: Fl. 1069DF CARF MF 4 a conclusão do A. I. é genérica e não possibilita ao ora Impugnante, detidamente impugnalo (sic), ou seja esta (sic) eivado de incorreção formal passível de nulidade por cercear o direito de defesa do contribuinte; requer em preliminar, que a Representação Fiscal para fins Penais RFP, seja emitida após o trânsito em julgado na esfera administrativa fiscal, principalmente porque será demonstrado no mérito ausência do dolo específico; de tal modo, tornase impossível a Representação de ilícito penal ao Ministério Público antes do transito (sic) em julgado da decisão administrativa por previsão expressa do art. 83 da Lei nº 9.430/96; no mérito, o ônus da prova não é da Impugnante. Se o contribuinte não realizou o pagamento de algum tributo compete exclusivamente ao fisco demonstrar que o fato jurídico tributário ocorreu. Essa demonstração há de ser inequívoca já que se constitui no fato básico para autorizar o reconhecimento da fenomenologia da incidência; sendo assim, tanto pelo princípio da especificidade, quanto pelo princípio de que na dúvida “pro réu”, aplicase apenas e tão somente a penalidade da multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, em tese, se os argumentos expostos pela empresa Autuada (ENCOMEX) não forem acolhidas em suas razões de impugnação; todas as operações foram registradas na contabilidade, não houve qualquer tipo de simulação, logo, não ocorreu o dano ao Erário, que todos os tributos foram pagos, que o lançamento foi feito com base apenas em indícios; em nenhum documento fiscal fora apurado o adiantamento de qualquer recurso financeiro – que demonstrasse a ocorrência da cessão do nome e/ou a ocultação de outro sujeito passivo; somase a isso a autuação em outros Processos Administrativos Fiscais, como responsável solidário, negligencia o principio que protege o apenado da aplicação de mais de uma penalidade à mesma conduta, ou seja, a aplicação de duas penalidades para a mesma ocorrência, decorrentes da mesma natureza; o Legislador, nunca intentou apenar duas vezes o mesmo infrator, forçoso assim, que se fosse o caso de multa autuada (ENCOMEX) só poderia responder apenas e tão somente pela cessão de seu nome, nos termos da legislação vigente (art. 727 do Regulamento Aduaneiro 2009) e também o art. 33, caput, da Lei 11.488/2007; portanto, a ora Impugnante não poderá ser apenada em duplicidade, em razão do princípio Bis in Idem. Nesse sentido, apenas a título de argumentação, em remota hipótese o que se aceitaria como norma aplicável à espécie seria exclusivamente prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007; cita respeitável doutrina; Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 11829.720049/201215 Acórdão n.º 3302004.295 S3C3T2 Fl. 4 5 a empresa Impugnante realizou importação por conta própria, ou seja, adquiriu as mercadorias no exterior, em seu nome, sendo responsável pelo fechamento e liquidação do contrato de câmbio com recursos próprios devidamente habilitada no Sistema Radar da Secretaria da Receita Federal do Brasil; as operações objeto da presente autuação foram realizadas integralmente com recursos próprios da Impugnante; a venda quando efetuada, é caracterizada como uma operação mercantil no mercado interno, foi atribuída como uma operação de compra e venda normal (ICMS, IPI e PIS/COFINS) sobre as receitas auferidas. Não há que se falar em sonegação fiscal, quebra de cadeia no recolhimento do Imposto de Importação; a fiscalização capitulou equivocadamente a responsabilidade tributária da empresa ora Impugnante, nos termos do art. 135 do CTN, portanto, flagrante erro na capitulação legal caracterizando vício material, que acarreta na nulidade do Processo Administrativo Fiscal; não demonstrou a fiscalização em qual capitulação legal é a responsabilidade da ora Impugnante que fatalmente impossibilita sua defesa; é de se estranhar a “supressão” de documentos apresentados nas respostas às intimações que corroboram com esta defesa no sentido de demonstrar sua capacidade econômica, financeira e estrutural da empresa; Ao final conclui: 1 – que seja acolhida a preliminar de nulidade do Auto de Infração, em virtude do cerceamento de defesa, além de serem reconhecidas todas as nulidades, por vícios materiais; 2 – que seja acolhida a preliminar de observância do art. 83 da Lei nº 9.430/1996 e a Representação Fiscal para Fins Penais seja emitida após o trânsito em julgado da decisão administrativa; 3 – requer seja o ora Processo Administrativo Fiscal, impugnado julgado totalmente improcedente e insubsistente; Protesta ao final pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. ERIC MONEDA KAFER Traz em sua peça impugnatória igual teor argumentativo apresentado pela empresa ENCOMEX, arguindo adicionalmente o equívoco da autuação ao arrolálo no polo passivo como responsável solidário, nos termos do art. 135 do CTN, apenas por ser sóciogerente da empresa autuada (ENCOMEX), protestando ao final pela exclusão do CPF do ora Impugnante do polo passivo da autuação; Fl. 1071DF CARF MF 6 (...) Sobreveio, então, o resultado da DRJ/Fortaleza, com julgamento parcialmente procedente para o reconhecimento dos efeitos da decadência em relação ao lançamento, exonerando a contribuinte ENCOMEX TRADING COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e responsáveis solidários ERIC MONEDA KAFER e VERA LÚCIA MONEDA KAFER do pagamento da exigência lançada no valor de R$ 15.000,00, referente aos fatos geradores ocorridos em 17/09/2008, 17/10/2008 e 06/11/2008 e a exclusão da responsável solidária VERA LÚCIA MONEDA KAFER. A ementa é colacionada abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/09/2008, 17/10/2008, 06/11/2008 Ementa: DECADÊNCIA MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA INFRAÇÃO. O prazo para efetuar lançamento de multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações é de 5 (cinco) anos, contado da data da infração. A natureza administrativotributária das multas relacionadas ao controle aduaneiro das importações permite que a elas se apliquem regras tributárias de constituição e cobrança do respectivo crédito, inclusive o rito estabelecido pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal), mas não a regra de contagem do prazo decadencial prevista no inciso I do art. 173 do CTN, pois a norma aplicável à espécie, pelo critério da especialidade, é o art. 78 da Lei nº 4.502, de 1964. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 15/07/2009 a 13/01/2011 Ementa: REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO DE SUA TRAMITAÇÃO. ART. 83 DA LEI 9.430/96. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO COLEGIADO. Falece competência a esta instância administrativa decidir sobre o sobrestamento do processo de Representação Fiscal para fins Penais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 15/07/2009 a 13/01/2011 Ementa: RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES, GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS. Na dicção do art. 135, III do CTN, o sóciogerente é responsabilizado pela prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, na condição de gerente e não pela sua condição de sócio. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO – NÃO CABIMENTO Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 11829.720049/201215 Acórdão n.º 3302004.295 S3C3T2 Fl. 5 7 Não restando comprovado nos autos, atos de administração/gerência, praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, tornase incabível a manutenção do sócio minoritário no polo passivo como responsável solidário. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 15/07/2009 a 13/01/2011 Ementa: CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA. PROCEDÊNCIA A pessoa jurídica que ceder seu nome, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, observado o valor mínimo de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Inconformados com o resultado da DRJ/Fortaleza, a contribuinte e o responsável solidário Eric Moneda Kafer apresentaram recurso voluntário, onde repisaram a argumentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade Os Recursos Voluntários foram apresentados de modo tempestivo, a ciência do acórdão em relação à contribuinte ocorreu em 02 de abril de 2014, fls. 1030, uma vez que a empresa mudou de local e a intimação ocorreu por meio de edital, sendo que o recurso foi protocolado em 27 de março de 2014, fls. 1034. Já em relação ao responsável tributário Eric Moneda Kafer, a ciência ocorreu em 27 de fevereiro de 2014, fls. 1031, e o recurso voluntário foi apresentado em 27 de março de 2014, fls. 1048. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da preliminar 2.1. Representação fiscal para fins penais Os Recorrentes requerem, em sede de preliminar, que a representação fiscal para fins penais ocorra somente após o trânsito em julgado na esfera administrativa, pois eles demonstrarão no que atine ao mérito a ausência de dolo específico e diz que, a partir do artigo 83, da Lei nº 9.430/1996, devese esperar o fim do trâmite administrativo. Fl. 1073DF CARF MF 8 Quanto à tal argumentação, cabe colacionar a seguinte súmula Carf: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim, tal matéria é estranha aos autos e não pode ser conhecida por ausência de competência por parte deste Tribunal Administrativo. Ademais, conforme expôs a DRJ/Fortaleza, fls. 1000: Com relação à preliminar arguida acerca do sobrestamento do envio ao Ministério Público Federal do processo de Representação Fiscal para Fins Penais, esclareçase que os procedimentos a serem observados pela RFB na comunicação ao Ministério Público Federal – MPF de fatos que configurem, em tese, crimes contra a ordem tributária estão normatizados pela Portaria RFB nº 2.439, de 21/12/2010, DOU, de 22/12/2010, alterada pela Portaria RFB nº 3.182, de 29/07/2011, DOU, de 1º/08/2011, não comportando qualquer apreciação por esta instância julgadora quanto à tramitação do referido processo Portanto, não se conhece a preliminar arguida. 3. Do mérito 3.1. Princípio do bis in idem Iniciam os Recorrentes demonstrando que o ônus da prova não lhes compete e que milita a favor deles a presunção de inocência prevista na Constituição Federal. Ademais, argumenta que tanto pelo princípio da especificidade, quanto pelo princípio de que na dúvida "pro reu", aplicase apenas e tão somente a penalidade da multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, e que todas as operações foram registradas na contabilidade, não havendo, portanto, qualquer tipo de simulação. E diz que os processos administrativos fiscais de nºs 11829.720047/201218, 11829.720048/201262, 11829.720049/201215 e 11829.720050/201231 tendem a punilos pelo mesmo fato gerador, deixando explícita a violação à regra descrita acima, de proibição ao bis in idem. Ainda, na sua linha de raciocínio, demonstram que há de se verificar a possível aplicação de dois dispositivos normativos ao caso, qual seja, o previsto no art. 689, § 1o, do Regulamento Aduaneiro ou o previsto no Art. 33, da Lei 11.488/2007. Eles fundamentam na doutrina e diz que a aplicação cumulativa de duas penalidades não procede. Dizem que lei especial derroga lei geral e afirmam que a empresa realizou importação por conta própria, sendo que em uma remota hipótese de se aceitar a tese do processo administrativo fiscal, verificase e constatase que houve a incidência de todos os impostos pertinentes, não havendo que se falar em sonegação fiscal, tampouco quebra de cadeia no recolhimento dos tributos internos, muito menos, que ela agiu de forma dolosa e, por tal motivação, pleiteia pela nulidade do auto de infração. Primeiramente, cabe esclarece que o ônus da prova cabe aos Recorrentes, vide o seguinte artigo do Código de Processo Civil: Lei 13.105/2015 Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 11829.720049/201215 Acórdão n.º 3302004.295 S3C3T2 Fl. 6 9 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em análise, houve uma coleta vasta de provas que levam à conclusão de que houve cessão do nome e ocultação do real adquirente das mercadorias e que foram sistematizadas e retratadas no Termo de Verificação Fiscal e descrição dos fatos, fls. 12 e seguintes. Cabia, no caso, aos Recorrentes desconstituírem os fatos apontados pela fiscalização, o que não ocorreu. Eles simplesmente apresentaram, na fase de produção probatória, a impugnação administrativa, mas não houve a apresentação de qualquer tipo de documentação, que desconstituísse os fatos apurados pela fiscalização. Quanto à aplicação de duas multas, cabe, inicialmente, esclarecer que o auto de infração, que embasa o presente processo administrativo, só consubstancia a penalidade por cessão do nome, com fundamento no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007. No que toca à argumentação de que não é possível cumular a penalidade do artigo 689, § 1º, do Regulamento Aduaneiro pena de perdimento em razão de dano ao Erário com a multa do artigo 33, da Lei nº 11.488/2007 multa pela cessão do nome , tal argumentação não procede. Tratase de duas condutas distintas, com dois tipos diferentes. No caso do artigo 689, § 1º, do Regulamento Aduaneiro, vale transcrever a legislação: Decreto nº 6.759/2009 Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Fl. 1075DF CARF MF 10 Punese, no caso, com a pena de perdimento, a fraude ou simulação, praticada pelo indivíduo, que oculta o sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, por dano ao Erário. Já no que concerne ao tipo, previsto no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007, a penalidade é aplicada em razão da cessão de nome: Lei nº 11.488/2007 Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Portanto, são duas condutas diferentes, que acarretam dois tipos diferentes: a simulação ou fraude e a cessão do nome. Nesse sentido, já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Egrégio Tribunal Administrativo pela cumulatividade das multas, vide precedente abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/01/2004 a 11/02/2006 CESSÃO DE NOME. CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Recurso Especial do Contribuinte Negado (CARF; Acórdão: 9303003.388; Relator: Rodrigo da Costa Pôssas; Data da sessão: 25.01.2016) No que concerne à afirmativa de que realizou importação por conta própria, as provas, demonstradas pela fiscalização, são vastas e demonstram que a Recorrente praticou atividade de importação com ocultação de real adquirente. A partir do Termo de Verificação Fiscal, constatase que havia a existência de intrínseca relação entre a empresa J. M FOTOS E FILMES LTDA ME e a empresa GUSTAVO FERRAMOLA GARCIA – EPP, e que a ENCOMEX as ocultava, sendo que elas eram as reais adquirentes. Extraise do TVF, in verbis, fls. 16/34: Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 11829.720049/201215 Acórdão n.º 3302004.295 S3C3T2 Fl. 7 11 · As empresas coparticipam nos adiantamentos de recursos a ENCOMEX; ou seja, chegaram a aportar cada uma parte dos recursos antecipados para o fechamento do contrato câmbio relacionado a uma mesma DI; · Estavam estabelecidas, a época das importações detalhadas, no mesmo endereço; · Revendem os mesmos tipos de mercadorias importadas, do mesmo fabricante, do mesmo exportador, mercadorias estas que ostentam a marca HITI; · O sócio da empresa GUSTAVO FERRAMOLA, Sr. Gustavo Ferramola Garcia foi, até 07.05.2009, sócio da empresa J.M FOTOS; · Os sócios das empresas GUSTAVO FERRAMOLA (Gustavo Ferramola Garcia) e J.M FOTOS (Juliana Ferramola Garcia) são irmãos; (...) · Os lançamentos contábeis registrados pela ENCOMEX nas operações realizadas por esta com GUSTAVO FERRAMOLA e com a J M FOTOS se confundem, registrando o recebimento de recursos oriundos de uma como se fossem recebidos da outra, e viceversa; · As empresas compartilham da mesma estrutura e modus operandi quando se utilizaram da empresa ENCOMEX para permanecer ocultas nas operações de importação; (...) Em vez de selecionar “importação por conta e ordem”, a ENCOMEX selecionou “importação própria”, em todas as declarações de importação citadas no item CONSIDERAÇÕES INICIAIS, constituindo ato simulado. A Recorrente também não apresentava estrutura física para estoque da mercadoria, fls. 35, do TVF: A sala comercial 404 possui cerca de 46m², de acordo com o informado pelo condomínio. As imagens do local (abaixo) mostram que o ambiente é ocupado por diversos móveis, o que diminui a área útil, e que não é preparado para armazenar mercadorias. Aliás, o próprio edifício possui um sistema de controle de acesso que inibe quem não sabe aonde vai. Os visitantes precisam identificarse e informar o destino na portaria. Com isso, podese afirmar que visita a ENCOMEX apenas quem sabe que uma empresa que realiza operações de comércio exterior funciona naquela sala. Tampouco mãodeobra, fls. 38: Fl. 1077DF CARF MF 12 Questionada sobre a mão de obra, a empresa afirmou e sustentou que seria do tipo familiar e que não possuía empregados. A empresa também, no curso da fiscalização, não ofereceu respostas sobre a logística e armazenagem das mercadorias, fls. 41/44, do TVF. Outro elemento convincente de prova é o fluxo das mercadorias, fls. 44 e seguintes , do TVF: Inúmeros são os exemplos de mercadorias constantes de uma DI da ENCOMEX, sendo vendidas, todas de uma vez (numa nota fiscal), a outra empresa. Em diversos casos, a data de emissão da nota fiscal de saída é a mesma da nota de entrada, o que deixa mais evidente que o importador sabia para quem venderia os produtos importados. (...) As mercadorias seguiam diretamente do recinto alfandegado para o estabelecimento do cliente, conforme alegado pela própria empresa fiscalizada. Não havia passagem física da mercadoria pelos armazéns ou depósitos da ENCOMEX, pois não havia, até meados de 2009, local para armazenamento. Não havia também qualquer prova de negociação da transação das mercadorias após o desembaraço aduaneiro, fls. 48 e seguintes do TVF: A Fiscalização solicitou, nos itens 2 e 3 do Termo n° 05, que a ENCOMEX apresentasse documentos de negociação das importações e das vendas aos clientes nacionais, incluindo emails. Diante das evasivas respostas, a Fiscalização explicou mais detalhadamente as solicitações anteriores no Termo n° 06 (vide itens 26, 47, 51, 52, 53 e 58, e os parágrafos anteriores aos itens 47 e 52). Ainda assim, a ENCOMEX não apresentou emails de negociação. Por fim, a fim de colocar uma pá de cal no assunto, a escrituração contábil não deixa qualquer dúvida de que a Recorrente sabia de antemão o real destinatário das mercadorias, fls. 50 e seguintes, do TVF: Da análise da escrituração contábil da ENCOMEX (arquivos digitais), constatouse que há provas de que a empresa sabia que receber recursos de clientes nacionais para, então, cobrir despesas decorrentes de operações de importação é irregular, embora a questão não seja saber ou não a legislação, uma vez que não se pode alegar desconhecimento da lei. Esta afirmação está pautada no fato de que diversos preceitos básicos da contabilidade foram ignorados para que “antecipações de clientes” fossem mascaradas das mais diversas formas. Ademais, ao longo do TVF, fica cabalmente documentado que houve a cessão de nome por parte da Recorrente, fls. 58 e seguintes: Porém, conforme será fartamente detalhado ao longo do item DAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO REGISTRADAS Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 11829.720049/201215 Acórdão n.º 3302004.295 S3C3T2 Fl. 8 13 PELA ENCOMEX, os administradores da empresa J.M FOTOS, optaram por caminho torto ao interpor empresa de terceiro para, temporariamente, dar continuidade aos seus negócios, relacionados ao comércio exterior, utilizandose da habilitação do terceiro interposto para operar no comércio exterior quando, devido ao seu tipo de habilitação, estava impossibilitado de fazê lo. E fls. 113 e seguintes: A ENCOMEX registrou declaração de importação viciada por simulação, uma vez que estava declarando importação em seu nome quando, na verdade, destinavase às empresas J.M FOTOS e GUSTAVO FERRAMOLA. Cedeu seu nome, portanto, a operações de importação cujo real destinatário das mercadorias importadas era terceiro. No mesmo sentido, foi a decisão da DRJ/Fortaleza, fls. 1013: Embora ressalte em sua peça impugnatória que a operação de importação que ora se analisa, ocorreu como importação direta e com recursos próprios, deixou o impugnante de carrear aos autos elementos probatórios que demonstrem o acerto de sua argumentação, ex vi do art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações posteriores. No entanto, uma consulta aos autos, precisamente ao Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, peça que contém a descrição fática e a referência à documentação probatória que a embasa, no qual constatase que demonstrou a fiscalização, com esteio no art. 9º do diploma legal acima referenciado, uma realidade formal e fática diversa do alegado, haja vista que restou probatoriamente evidenciado que, embora conste na DI informações demonstrando que a modalidade foi de importação própria, a análise dos vários aspectos destacados no referido termo, tais como exemplificativamente se destaca: a amplitude do objeto social, abrangendo 97% da NCM; a inexistência de local para armazenagem; o fluxo de mercadorias; os registros contábeis da ENCOMEX relacionados às transções (sic) com as empresas JM FOTOS E GUSTAVO FERRAMOLA demonstrando a antecipação de recuros (sic) destas à ENCOMEX ao tempo da importação, situação demonstrada pelo extrato da escrituração contábil de fl.s 685/700, possibilitaram à fiscalização concluir que a empresa ENCOMEX atuava como prestadora de serviços nas operações de importação, tendo um adquirente/encomendante oculto. Portanto, pela análise probatória, a Recorrente não operacionalizou, na prática, a importação por conta própria e ainda fez cessão de seu nome para outras empresas, devendo permanecer a multa revista no artigo 33, da Lei nº 11.488/2007. 3.2. Da responsabilidade de terceiros O responsável solidário argumenta que sua inclusão no polo passivo ocorreu ao arrepio legal, pois carece de fundamentação. Ele fundamenta que a partir da leitura do artigo Fl. 1079DF CARF MF 14 135, do Código Tributário Nacional, a responsabilização pessoal depende de comprovação de conduta com excesso de poderes, violação de texto legal, contrato social ou estatutos, sendo certo que tal conduta deve ser comprovada e atribuída totalmente ao sócio responsabilizado, sendo necessária, portanto, a comprovação do itinerário do requisito, desde a conduta, elemento subjetivo e resultado, o que não ocorreu no caso em tela, e que o artigo 124, do Código Tributário Nacional, deve haver a comprovação de interesse comum no fato gerador da obrigação principal, tratandose, portanto, de uma aberração jurídica. O Termo de Verificação Fiscal, ao contrário do que alega o sujeito passivo ao afirmar que não houve fundamentação legal para a responsabilização, assim expôs, fls. 114: A ENCOMEX não responde sozinha pelos atos que infringiram a lei. Há a solidariedade dos sócios. O CTN, em seu art. 135, dispõe que respondem, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, diversas pessoas relacionadas à empresa: Para melhor elucidação, transcrevese o artigo citado: Código Tributário Nacional Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (grifos nossos) E colacionase também lição de MARIA RITA FERRAGUT ao relacionar o artigo 124, inciso II, do Código Tributário Nacional ao artigo 135, do mesmo diploma legal: Qual a diferença, então, entre os incisos I e II do artigo 124? Entendemos que, no inciso II, as pessoas solidariamente obrigadas são as referidas nos artigos 134, 135 e 137 do CTN. Lei, aqui, deve ser entendida como o próprio CTN, que contempla diversas situações em que a solidariedade de dois ou mais sujeitos é possível. Essa conclusão não muda o fato de que nos artigos ora referidos a modalidade de responsabilidade prevalece sendo a subsidiariedade no primeiro caso (art. 134) e a pessoalidade nos demais (art. 135 e 137) (...)1. No caso em análise, conforme observado em tópico anterior, houve infração à legislação aduaneira, com a cessão de nome e a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias, além disso pelo material probatório, o sr. Eric Moneda Kafer tinha poderes de gerência. Nesse sentido, vale transcrever a decisão da DRJ/Fortaleza, fls. 1016: A instrução probatória, nesse aspecto, pode ser exemplificativamente indicada: (figura ostensivamente como 1 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade tributária e o código civil de 2002.3. ed. São Paulo: Noeses, 2013, p. 81. Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 11829.720049/201215 Acórdão n.º 3302004.295 S3C3T2 Fl. 9 15 titular da empresa, fl.701, responde às intimações da ação fiscal, fl.397, arguindo inclusive quanto à suposta distorção dos fatos pela fiscalização; está identificado como representante legal e nessa condição constitui procuradores, fl.364 com poderes para agir administrativa e judicialmente, os quais prestam as informações solicitadas pela fiscalização quanto ao modus operandi da empresa referentes às DI em lide, fls.284/331). Inferese assim que o referido sócio embora conteste sua imposição pelo vínculo da responsabilidade no auto de infração, enquadrase nos requisitos do art. 135, III, acima, sendo portanto incabível afastálo do polo passivo. Portanto, mantémse a responsabilidade tributária do sr. Eric Moneda Kafer. 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço dos recursos voluntários, não conhecendo preliminar arguída e, no mérito, não concedo provimento a ambos. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 1081DF CARF MF
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