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Numero do processo: 15954.000024/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/01/2010
MULTA ATRASO ENTREGA DACON. PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscreve-se aos termos da Impugnação Administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3402-006.122
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante, precluindo o direito de defesa trazido somente no Recurso Voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da Impugnação Administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 00 00 24 /2 01 0- 47 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 15954.000024/201047 Acórdão n.º 3402006.122 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento para exigência de multa por atraso de entrega do DACON. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, alegando problemas com o provedor da internet, julgada improcedente nos termos do Acórdão da DRJ nº 09042.640. Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo alegando, em síntese, que a impugnação apresentada configurou forma de denúncia espontânea, sendo o tributo autodeclarado pela empresa antes de qualquer procedimento administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.109, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10840.000562/201003, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402006.109): "Não obstante o Recurso Voluntário seja tempestivo, observese que os argumentos de mérito nele desenvolvidos não foram levados à análise da Delegacia de Julgamento, não merecendo ser conhecido. Com efeito, em seu Recurso Voluntário, sustenta a Recorrente, exclusivamente, a ocorrência de suposta denúncia espontânea, com fulcro no art. 138, do CTN. Por sua vez, em sua impugnação, a empresa se ateve a afirmar o descabimento da multa em razão dos problemas incorridos no provedor da internet. Observase, portanto, que a Recorrente pretende que seja aqui analisada matéria que não foi objeto de Impugnação e que não foi analisada pela DRJ (denúncia espontânea). Assim, como a discussão travada no Recurso Voluntário se restringe à matérias que não foram trazidas em sede de Impugnação, sua análise restou preclusa nesta instância administrativa, na forma Fl. 44DF CARF MF Processo nº 15954.000024/201047 Acórdão n.º 3402006.122 S3C4T2 Fl. 4 3 do art. 17 do Decreto n.º 70.235/721. Com isso, não se tratando de matérias passíveis de serem conhecidas de ofício por este colegiado, delas não tomo conhecimento sob pena de supressão de instância e de ferir o devido processo legal. Nesse sentido é o entendimento deste E. CARF: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. INOVAÇÃO DE DEFESA. NÃO CONHECIMENTO Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela manifestante, precluindo o direito de defesa trazido somente no recurso voluntário. O limite da lide circunscrevese aos termos da manifestação de inconformidade." (Processo 10875.903610/200978 Relator Juliano Eduardo Lirani Acórdão n.º 3803004.666. Unânime grifei) Diante do exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra 1 "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902156/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.609
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 15 6/ 20 13 -0 1 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10850.902156/201301 Resolução nº 3401001.609 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10850.902156/201301 Resolução nº 3401001.609 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919893/2017-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 31/10/2003
DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES
O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado.
No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos.
Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização.
Numero da decisão: 3302-006.529
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Raphael Madeira Abad que lhe davam provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Alan Tavora Nem (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Ausentes os Conselheiros Jose Renato Pereira de Deus e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 31/10/2003 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 31/10/2003 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES O modelo de telecomunicações utilizase do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizarse de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Raphael Madeira Abad que lhe davam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 98 93 /2 01 7- 19 Fl. 147DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Alan Tavora Nem (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede. Ausentes os Conselheiros Jose Renato Pereira de Deus e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade: Tratase do Pedido de Restituição Eletrônico PER/DCOMP n° 36509.72845.060813.1.2.042086, relativo a crédito de Pagamento Indevido e/ou a Maior (PGIM) de COFINS (2172), do período de apuração (PA) 31/03/2013, no valor originário na data da transmissão de R$ 6.839.413,50, integrante de DARF recolhido em 25/04/2013, no valor de R$ 22.193.168,67. Conforme Despacho Decisório Eletrônico o direito creditório não foi reconhecido com o fundamento de que o pagamento apontado foi integralmente utilizado, sendo a maior parte em alocação a débito confessado em declaração entregue pela contribuinte e o restante em DCOMP transmitida pela contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. A ciência do Despacho Decisório ocorreu por via postal em 10/05/2017. Em 08/06/2017, foi solicitada a juntada de manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos (cópias de documentos pessoais, procuração, substabelecimento, Ata de assembleia, Despacho Decisório Eletrônico e pesquisa com a data de ciência). Após protestar pelo reconhecimento da tempestividade da defesa, nos termos da legislação vigente, informa ter sido cientificada de um total de 48 despachos decisórios de não homologação de compensação pelo mesmo motivo, qual seja, a suposta inexistência do crédito decorrente de indébitos de PIS e de COFINS relativos à indevida inclusão das receitas de interconexão de redes na base de cálculo dessas contribuições. Relaciona 48 (quarenta e oito) processos, indicando, para cada um deles, número de PER/DCOMP e características do DARF [PA, código de receita (8109 PIS, 2172 Cofins, 0473 IRRF e 0220 IRPJ) e data de arrecadação] e alega que: como a matéria envolvida nesses processos é a mesma, há clara conexão e interdependência entre o crédito discutido no Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.919893/201719 Acórdão n.º 3302006.529 S3C3T2 Fl. 3 3 presente processo administrativo e aqueles discutidos nos processo que lista. esses créditos de PIS/COFINS foram aproveitados de forma extemporânea pela Requerente e decorrem do pagamento a maior de PIS/COFINS, em virtude da indevida inclusão na base de cálculo de tais contribuições de valores referentes a receitas de outras operadoras, relacionadas à interconexão de redes. Argumenta que, em casos análogos, quando há estreita relação entre diversos processos, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“ CARF”) tem entendido que deve haver a suspensão de processo administrativo dependente do resultado de outro processo administrativo. Transcreve excerto de voto que identifica como Resolução CARF 1401000.054 e requer que, diante da relação de conexão e interdependência existente entre essas 48 compensações e como forma de se evitar decisões conflitantes, ocorra a reunião de todos os demais feitos e o julgamento definitivo em conjunto dos processos administrativos. Ao expor os fatos, assevera ter solicitado restituição de créditos decorrentes do pagamento a maior de PIS/COFINS, em virtude da indevida inclusão na base de cálculo de tais contribuições de valores referentes a receitas de outras operadoras, relacionadas à interconexão de redes. E explica: para a prestação dos serviços de telecomunicação a seus clientes, as prestadoras de serviços de telecomunicação, invariavelmente, têm que se valer da rede de outras prestadoras de telecomunicação, na forma denominada “interconexão de rede”, prevista nos dispositivos que menciona integrantes da legislação que rege os serviços de telecomunicações no âmbito da Anatel; da mesma forma, caso os clientes da Requerente necessitem se comunicar e estejam fora do alcance da rede da Requerente, é necessário também se valer da rede de outras operadoras para a prestação do serviço de telecomunicação (“roaming”), hipótese em que também há a previsão de uso de rede de um terceiro, conforme Resolução Anatel que cita. em todos esses casos a disponibilização da rede de telecomunicação para a Requerente é compulsória, por imposição legal e regulatória. Cita previsão legal de que as redes sejam interconectadas e de que haverá preço justo e adequado para esse uso da rede alheia. nos casos em que a prestação do serviço de telecomunicação por parte da Requerente envolve a cessão de meio de redes de um terceiro (doravante denominada genericamente de “interconexão de redes”), uma parte dos valores recebidos pela requerente dos seus clientes será necessariamente transferida a esse terceiro, como forma de remuneração por esse uso da rede. se a Requerente utiliza a rede de outras prestadoras de telecomunicação para prestar o serviço ao seu cliente, na Fl. 149DF CARF MF 4 prática, a Requerente recebe o valor total do serviço prestado ao usuário e transfere para as outras operadoras a parte referente ao serviço que foi por elas prestado. portanto os valores recebidos pela Requerente dos usuários a título de interconexão de rede não podem integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, uma vez que esses valores não configuram receita da Requerente, mas sim das outras operadoras que cederam as suas redes. a requerente equivocadamente incluiu na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS os valores recebidos dos usuários a título de interconexão de rede, motivo pelo qual transmitiu os PER/DCOMPs acima referidos, a fim de ver restituídos os valores pagos a maior. mas foi proferido o despacho decisório ora impugnado que indeferiu os PER/DCOMP em questão, apenas e tão somente por entender que os valores transferidos pela Requerente a outras operadoras em razão da interconexão de redes corresponderiam a custos incorridos para a prestação do serviço e, portanto, não poderiam ser excluídos da base de cálculo das contribuições em questão; no entender da D. Fiscalização, os valores pagos pela “interconexão de redes”, nada mais são do que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, uma vez que se não fossem utilizados os serviços de outras concessionárias para a conclusão do serviço solicitado, a empresa operadora teria que possuir instalações próprias, equipamentos, empregados etc., nas diversas localidades para executar o serviço requerido pelo usuário do sistema. além disso, a D. Fiscalização entendeu que haveria duas relações jurídicas distintas no caso, uma entre a Requerente e os usuários e outra entre a Requerente e as operadoras. Ou seja, os usuários não teriam relação jurídica com as operadoras cedentes, mas apenas com a Requerente. Assim, os valores recebidos pela Requerente dos usuários a título de interconexão de rede, ainda que repassados às operadoras cedentes, configurariam receita da Requerente. Na sequência, passa a defender seu entendimento de que efetuou pagamento a maior, discorrendo acerca da Hipótese de Incidência do PIS e da COFINS, as Receitas de Interconexão de Redes e a Distinção entre Receitas e Meros Ingressos Patrimoniais, para concluir que Valores como aqueles recebidos e repassados a título de interconexão de redes, que não incrementam o patrimônio da empresa, que simplesmente é obrigada, por lei ou por acordo, a arrecadar e a transferir tais valores para outra empresa, havendo um mero trânsito de numerário pelo caixa da empresa que arrecada, não podem ser considerados como receitas próprias, para fins de incidência do PIS e da COFINS. Discorre também acerca de seu entendimento de que as receitas de interconexão configuram repasse a terceiros, sobre os quais não incidem tributos, não havendo necessidade de previsão legal para exclusão da base de cálculo. Cita decisões do CARF e Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.919893/201719 Acórdão n.º 3302006.529 S3C3T2 Fl. 4 5 decisão judicial do TRF da 4a Região, bem como invoca, como discussão análoga, decisão acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, no RE 574.706, com repercussão geral. Também defende a ocorrência de dupla tributação de uma única prestação de serviço o que entende caracterizar Bis in idem tributário, invocando a sujeição das receitas decorrentes de prestação de serviço de comunicação à sistemática cumulativa (art. 8°, VIII, da Lei 10.637, de 2002, e art. 10 da Lei 10.833, de 2003). Em suas palavras há tributação pelo PIS/COFINS da receita total auferida pela Requerente pela prestação do serviço de telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/COFINS pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada. Finaliza reprisando seus argumentos e pedindo a integral procedência do pedido de restituição. Em 26 de outubro de 2017, através do Acórdão n°1472.751, a 11ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP por unanimidade de votos, JULGOU IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade e NÃO RECONHECEU o direito creditório trazido a litígio. Entendeu a Turma que: ü Lembrese que a entrega de PER/DCOMP não prescinde da necessidade de que o credor da Fazenda Pública possa comprovar a liquidez e certeza do direito de crédito; ü No caso dos autos, depreendese que a interessada pretende o reconhecimento de débito em valor divergente daquele confessado em DCTF, sem retificar a declaração em que utilizado o pagamento e sem apresentar documento algum comprobatório de seu direito de crédito, não só quanto ao montante do valor de recebimentos relativos a interconexão de redes a ser excluído, mas também quanto à existência de eventual medida judicial conferindo o direito à exclusão, dos referidos recebimentos, da base de cálculo da contribuição, dado que tal procedimento contraria o disposto na lei; ü Com efeito, já na vigência da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, temse a determinação de que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, entendida esta como a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada; ü No caso, a Interessada é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizarse de rede de Fl. 151DF CARF MF 6 terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos; ü Pertinente também consignar que, embora a interessada alegue que apenas repassa valores recebidos de seus clientes a título de interconexão de redes, não comprova a ocorrência de tais repasses nem a identidade entre valores recebidos pelos serviços de interconexão e aqueles que teriam sido repassados. Ademais, depreendese das alegações apresentadas que a ora Interessada assume com outras operadoras uma dívida por utilização de redes interconectadas e tal dívida independe do pagamento da conta individual pelo seu cliente e do valor dele cobrado pela Interessada. Ou seja, ainda que o cliente não pague ou atrase o pagamento de sua conta, a Interessada permanece devedora da outra operadora cuja rede foi utilizada por seu cliente, evidenciando que a relação entre a Interessada e seu cliente é autônoma e distinta da relação entre a Interessada e outras operadoras; ü Nesse contexto, também injustificável se mostra a alegação de bis in idem; ü Com efeito, em face da cobrança das contribuições tanto da Interessada como da empresa cedente da rede, não se cogita da ocorrência desse fenômeno, o qual somente estaria configurado quando um mesmo sujeito ativo cobra mais de uma vez o mesmo tributo do mesmo contribuinte sobre o mesmo fato gerador, o que não ocorreria no caso, já que a própria Interessada indica dois contribuintes distintos, reiterese: ela própria (ora Interessada) e a empresa cedente da rede. A empresa TIM CELULAR S.A. foi cientificada do Acórdão de Manifestação de Inconformidade em 16/02/2018, por via eletrônica, às folhas 103. A empresa TIM CELULAR S.A. ingressou com Recurso Voluntário, em 19/03/2018 (folhas 104), de folhas 124 à 144. Foi alegado em resumo que: ü A origem do crédito objeto do pedido; ü A hipótese de incidência do PIS e da COFINS e as receitas de interconexão de redes a distinção entre receita e meros ingressos patrimoniais; ü As receitas de interconexão e o repasse a terceiros a não incidência do tributo e a desnecessidade de previsão legal para exclusão da base de cálculo; ü A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, no RE n° 574.706, com repercussão geral; ü A dupla tributação de uma única prestação de serviço O Bis in Idem Tributário. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.919893/201719 Acórdão n.º 3302006.529 S3C3T2 Fl. 5 7 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16/02/2018, por via eletrônica, às folhas 1031. A empresa TIM CELULAR S.A. ingressou com Recurso Voluntário, em 19/03/2018 (folhas 104) O Recurso é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: ü A origem do crédito objeto do pedido; ü A hipótese de incidência do PIS e da COFINS e as receitas de interconexão de redes a distinção entre receita e meros ingressos patrimoniais; ü As receitas de interconexão e o repasse a terceiros a não incidência do tributo e a desnecessidade de previsão legal para exclusão da base de cálculo; ü A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, no RE n° 574.706, com repercussão geral; ü A dupla tributação de uma única prestação de serviço O Bis in Idem Tributário. Passase à análise. A ORIGEM DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO É alegado nos itens 10 a 12 do Recurso Voluntário: Como mencionado acima, para a prestação dos serviços de telecomunicação a seus clientes, as prestadoras de serviços de telecomunicação, como a Recorrente, invariavelmente, têm que se valer da rede de outras prestadoras de telecomunicação, na Fl. 153DF CARF MF 8 forma da denominada "interconexão de rede", prevista no artigo 146, parágrafo único, da Lei n° 9.472/19972 e regulamentada pelo artigo 58 e seguintes do Regulamento dos Serviços de Telecomunicações, aprovado pela Resolução da Agência Nacional de Telecomunicações ("ANATEL") n° 73/1998 e pelo Regulamento Geral de Interconexão, aprovado pela Resolução ANATEL n° 410/2005. Da mesma forma, caso os clientes da Recorrente necessitem se comunicar e estejam fora do alcance da rede da Recorrente, é necessário também se valer da rede de outras operadoras para a prestação do serviço de telecomunicação ("roaming"). Nesse caso, também há a previsão de uso da rede de um terceiro, regulamentada pela Resolução ANATEL n° 438/2006. Frisese que em todos esses casos a disponibilização da rede de telecomunicação para a Recorrente é compulsória, por imposição legal e regulatória. Por força do artigo 146 e 147 da Lei n° 9.472/1997, as redes de telecomunicação, no regime público ou privado, devem ser interconectadas. O que há, nos termos do artigo 152 e 153 da referida lei, é a previsão de que haverá um preço justo e adequado para se remunerar esse uso da rede alheia, observada a regulamentação da ANATEL. E assim conclui nos itens 15 a 18 do Recurso Voluntário: Resta claro, portanto, que os valores recebidos pela Recorrente dos usuários a título de interconexão de rede não podem integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS, uma vez que esses valores não configuram receita da Recorrente, mas sim das outras operadoras que cederam as suas redes, conforme será detalhadamente explicado a seguir. Assim, tendo em vista que a Recorrente equivocadamente incluiu na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS os valores recebidos dos usuários a título de interconexão de rede, a mesma realizou o pedido de restituição em comento, a fim de ver restituídos os valores pagos a maior a esse título. No entanto, o v. acórdão recorrido entende por bem indeferir o pedido de restituição formulado pela Recorrente, por entender, em suma, que a Recorrente teria deixado de demonstrar a origem do crédito pleiteado. Em que pese a evidente procedência dos argumentos aduzidos pela Recorrente, a mesma respeitosamente requer a juntada da anexa planilha (doc. 2), a qual demonstra, de forma detalhada, a apuração dos valores de outras operadoras recebidos de seus usuários a título de interconexão de redes, que foram indevidamente incluídos na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS no período em questão, comprovando a certeza e a liquidez do direito ao crédito ora em discussão, objeto do pedido de restituição em referência. Para o adequado deslinde da questão é necessária uma abordagem a respeito da forma como as redes são organizadas como vias integradas de livre circulação. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.919893/201719 Acórdão n.º 3302006.529 S3C3T2 Fl. 6 9 O modelo de telecomunicações utilizase do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizarse de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. A organização dos serviços de telecomunicações está regulada pelo art. 146 da Lei no 9.472, de 16 de julho de 1997, que assim estabelece: Art. 146. As redes serão organizadas como vias integradas de livre circulação, nos termos seguintes: i. é obrigatória a interconexão entre as redes, na forma da regulamentação; ii. deverá ser assegurada a operação integrada das redes, em âmbito nacional e internacional; iii. o direito de propriedade sobre as redes é condicionado pelo dever de cumprimento de sua função social. Parágrafo único. Interconexão é a ligação entre redes de telecomunicações funcionalmente compatíveis, de modo que os usuários de serviços de uma das redes possam comunicarse com usuários de serviços de outra ou acessar serviços nela disponíveis. As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. Essa regra decorre das disposições contidas nos arts. 2o e 3o da Lei n~ 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, editadas, portanto, após a publicação da Lei n° 9.472, de 1997, que assim dispõe: Art. 2° As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1° Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluemse da receita bruta: (Grifouse) Fl. 155DF CARF MF 10 I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; revogado pela alínea “b” do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 09 de junho de 2000, atual Medida Provisória n° 2.15835, de 2001; III a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. § 4° Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5° Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.919893/201719 Acórdão n.º 3302006.529 S3C3T2 Fl. 7 11 efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. § 7° As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6° restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: I imobiliários, nos termos da Lei n° 9.514, de 20 de novembro de 1997; II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (NR) Não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “coprestação de serviços”. Nesse sentido, as Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que tratam da incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, em seus art. 8°, inciso VIII e art. 10, inciso VIII, assim dispõem: Lei n° 10.637, de 2002. Art. 8° Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 6°: (...) Fl. 157DF CARF MF 12 VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; (...) Lei n ° 10.833, de 2003. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8°: (...) VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; (...) Transcrevese os itens 13 a 16 da Solução de Consulta da COSIT de nº 06, de 31/03/2004: Assim sendo, deve ser ressaltado que, em matéria de exclusão e dedução de base de cálculo, a interpretação deve ser estrita, afastandose a possibilidade de uma interpretação que permita, por via de uma abordagem mais restritiva do conceito de receita bruta, excluir valores da base de cálculo não expressamente autorizados por lei. Logo, analisada a legislação transcrita que trata da matéria sob exame, chegase ao entendimento de que não há qualquer dispositivo legal que autorize as concessionárias prestadoras de serviços ao usuário demandante a excluir ou deduzir de seu faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os valores pagos ou repassados a outras operadoras pela “coprestação dos serviços”. Desta forma, concluise que o legislador entendeu que os valores pagos pela “coprestação de serviços”, nada mais é que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, uma vez que se não fossem utilizados os serviços de outras concessionárias para a conclusão do serviço solicitado, a empresa operadora teria que possuir instalações próprias, equipamentos, empregados etc., nas diversas localidades para executar o serviço requerido pelo usuário do sistema, o que implicaria, sem dúvida alguma, para a operadora que atendeu o seu cliente, incorrer em novos custos e despesas próprios para a obtenção daquela mesma receita. Cabe registrar ainda, por ser oportuno, que as notas fiscais/faturas emitidas, recentemente pelas concessionárias de serviços de telecomunicações aos usuários finais de seus serviços, deixam claro e evidente, e sem qualquer equívoco, que sobre os valores totais das contas/telefônicas faturadas aos usuários, incluemse os custos das mencionadas contribuições. Ademais, cabe esclarecer que outros setores da economia nacional devido à natureza de suas atividades também se sujeitam a disciplinamentos e regulamentos baixados pelo Poder Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.919893/201719 Acórdão n.º 3302006.529 S3C3T2 Fl. 8 13 Público, tais como: o de produção, transmissão e comercialização de energia elétrica, o de seguros, o de saúde, o de exploração de petróleo (onde existe o pagamento obrigatório de royalties), o de combustíveis líquidos gasosos, o de transportes coletivos (que se obriga ao pagamento de taxas de embarques). Sendo certo que os valores do PIS/Pasep e da Cofins são recolhidos sobre os 100% da receita bruta arrecadada. E, por fim, a conclusão: Conclusão 17. Diante do exposto, ... os valores pagos pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres, a título de “coprestação de serviços”, por serem considerados despesas das operadoras, não podem ser excluídos do faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No mesmo sentido, a Solução de Consulta DISIT / SRRF da 7a Região, de n° 329, de 22 julho de 2004, está assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins RECEITA. CONCEITO. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÃO. CUSTOS COM USO DE REDE ALHEIA PARA COMPLEMENTAÇÃO DE LIGAÇÃO TELEFÔNICA. roaming .Receita, que não se confunde com o lucro, significa o preço recebido pela prestação de serviço contratado de modo bilateral com o cliente, sem qualquer consideração a respeito dos custos e despesas necessários à prestação. Se o ajuste de vontade dáse única e exclusivamente entre a operadora de telefonia e seu cliente, que não conhece e nem se relaciona com eventuais empresas cujas redes são necessárias para o complemento da ligação, o valor pago pelo segundo é receita exclusiva da primeira. Não é lícito às prestadoras de serviços de telecomunicações excluir da base de cálculo da contribuição os custos conhecidos como roaming . (destaques incluídos) A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS E AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO DE REDES A DISTINÇÃO ENTRE RECEITA E MEROS INGRESSOS PATRIMONIAIS. É alegado nos itens 19 e 20 do Recurso Voluntário: 19. Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não se configuram como receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não são "receitas" da Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. 20. Do ponto de vista jurídico, para que possa ser qualificada como "receita", a entrada de recursos no patrimônio da pessoa jurídica não deve ser meramente transitória, mas sim em caráter Fl. 159DF CARF MF 14 definitivo, como que se integrando e aumentando o patrimônio da entidade. E prossegue nos itens 24 a 27 do Recurso Voluntário: No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação. Em suma, os valores de interconexão são cobrados ou arrecadados por conta e ordem dos terceiros titulares efetivos desses ingressos, pois foram esses terceiros que viabilizaram uma parte do serviço de telecomunicação e deverão auferir e tributar a receita correspondente a essa parcela que executaram. Não se trata de equiparar receita a lucro, mas saber distinguir entre receitas verdadeiras e meros ingressos patrimoniais transitórios. Como dito no tópico anterior, não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “coprestação de serviços”. Nesta matéria, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.919893/201719 Acórdão n.º 3302006.529 S3C3T2 Fl. 9 15 O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Previamente, cabe esclarecer que, na legislação tributária, não se encontra a definição do conceito de receita. Por se tratar de um conceito eminentemente contábil, utilizado pela legislação tributária, a definição que melhor representa o conceito de receita, inequivocamente, é que aquele veiculado pelas normas contábeis editadas pelo CFC, de obediência obrigatória por todo o profissional que atua na área contábil. E no âmbito das referidas normasn contábeis, a definição de receita encontrase estabelecida no item 7 da Resolução CFC 1.412/20121, que deu nova redação à “NBC TG 30 – Receitas”, com os seguintes dizeres: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. No “Apêndice A Definição de termos” da Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG 472, de 25 de novembro de 2016, vigente a partir de 1/1/2018, a definição de receita passou ter a seguinte redação: Aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil, originado no curso das atividades usuais da entidade, na forma de fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que resultam em aumento no patrimônio líquido, e que não sejam provenientes de aportes dos participantes do patrimônio. Com mais detalhes, a referida definição também encontrase estabelecida na Norma Brasileiro da Contabilidade, que dispõe sobre a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro (NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL), aprovada pela Resolução CFC 1.374/20113, a seguir reproduzido: 70. Receitas e despesas são definidas como segue: 1 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1412.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 2 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG47.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 3 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1374.pdf> Acesso em 21 mar. 2017. Fl. 161DF CARF MF 16 (a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultem em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade; e (b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou incremento em passivos, que resultem em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários da entidade. 71. As definições de receitas e despesas identificam os seus aspectos essenciais, mas não especificam os critérios que precisam ser satisfeitos para que sejam reconhecidas na demonstração do resultado. Os critérios para o reconhecimento das receitas e despesas são comentados nos itens 82 a 98. 72. As receitas e despesas podem ser apresentadas na demonstração do resultado de diferentes maneiras, de modo que prestem informações relevantes para a tomada de decisões. Por exemplo, é prática comum distinguir entre receitas e despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade e as demais. Essa distinção é feita porque a fonte de uma receita é relevante na avaliação da capacidade que a entidade tenha de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro; por exemplo, receitas oriundas de atividades eventuais como a venda de um investimento de longo prazo normalmente não se repetem numa base regular. Nessa distinção, devese levar em conta a natureza da entidade e suas operações. Itens que resultam das atividades ordinárias de uma entidade podem ser incomuns em outras entidades. 73. A distinção entre itens de receitas e de despesas e a sua combinação de diferentes maneiras também permitem demonstrar várias formas de medir o desempenho da entidade, com maior ou menor abrangência de itens. Por exemplo, a demonstração do resultado pode apresentar a margem bruta, o lucro ou prejuízo das atividades ordinárias antes dos tributos sobre o resultado, o lucro ou o prejuízo das atividades ordinárias depois desses tributos e o lucro ou prejuízo líquido. Receitas 74. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas como ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis. 75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tal, não diferem, em natureza, das receitas. Conseqüentemente, não são considerados como um elemento separado nesta Estrutura Conceitual. 76. Ganhos incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos nãocorrentes. A definição de receita também Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.919893/201719 Acórdão n.º 3302006.529 S3C3T2 Fl. 10 17 inclui ganhos não realizados; por exemplo, os que resultam da reavaliação de títulos negociáveis e os que resultam de aumentos no valor de ativos a longo prazo. Quando esses ganhos são reconhecidos na demonstração do resultado, eles são usualmente apresentados separadamente, porque sua divulgação é útil para fins de tomada de decisões econômicas. Esses ganhos são, na maioria das vezes, mostrados líquidos das respectivas despesas. 77. Vários tipos de ativos podem ser recebidos ou aumentados por meio da receita; exemplos incluem caixa, contas a receber, mercadorias e serviços recebidos em troca de mercadorias e serviços fornecidos. A receita também pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode fornecer mercadorias e serviços a um credor em liquidação da obrigação de pagar um empréstimo. [...] (grifos não originais) Com base nos textos transcritos, podese afirmar que as receitas se caracterizam pelos aumentos nos benefícios econômicos, que podem ser representados pela (i) aumento de ativos com a entrada de recursos, ou (ii) diminuição de passivos sem a saída de recursos, que resultem, nas duas hipóteses, em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de recursos aportados pelos proprietários da entidade. O conceito amplo (lato sensu) de receita compreende o conceito estrito (stricto sensu) de receita ou receita propriamente dita e os ganhos. As receitas propriamente ditas incluem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária, enquanto que os ganhos compreendem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária ou não. No mesmo sentido a abalizada doutrina de Solon Sehn, para quem: [...] O dispositivo [art. 1º, § 1º, da Lei 10.833/2003]deve ser interpretado conforme a Constituição, de modo que por receita se entendam apenas os ingressos de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. Daí resulta que não podem ser incluídos na base de cálculo da Cofins, os ingressos que não se enquadram no conceito de receita, como as simples entradas de caixa, os reembolsos, as cauções, depósitos, os empréstimos contraídos ou amortizações dos concedidos, enfim, todas as demais somas escrituradas sob reserva de serem restituídas ou pagas a terceiro por qualquer razão de direito e as indenizações (por dano emergente) 4. (os últimos destaque não constam dos originais). Com base nesse entendimento, chegase à conclusão de que o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de 4 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 230. Fl. 163DF CARF MF 18 “coprestação de serviços” representam ingressos de valores no ativo sem correspondência no passivo, o que implica aumento do patrimônio líquido. Dessa forma, se o referido valor representa ganho não decorrente da atividade principal, ele representa receita da atividade não ordinária, sob a forma de incremento do ativo e do patrimônio líquido, portanto, receita integrante da base de cálculo das contribuições. E como não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização. AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO E O REPASSE A TERCEIROS A NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO E A DESNECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. É alegado nos itens 34 a 37 do Recurso Voluntário: Cabe destacar que não há, no caso da interconexão de redes, uma duplicidade de relações jurídicas: uma primeira, entre a Recorrente e o seu cliente, e uma segunda, entre a Recorrente e outras operadoras de telecomunicação. O que existe é uma única relação jurídica incindível relativa à prestação do serviço de telecomunicação, que, para ser executada, depende da intervenção de um terceiro outra operadora que deve necessariamente ceder os meios de rede para que a prestação de telecomunicação se aperfeiçoe. Não há propriamente uma prestação do serviço de telecomunicação entre a Recorrente e a outra operadora. Na verdade, a outra operadora tem que compartilhar a sua rede para que a Recorrente possa prestar o serviço de telecomunicação. E será devidamente remunerada por esse uso. Considerar a interconexão de redes uma prestação de um serviço é, data venia, admitir que, quando a rede de mais de uma prestadora é acionada na prestação de um serviço de telecomunicação, temse não a prestação de um único serviço de telecomunicação, mas tantas prestações de serviços quantas forem as redes utilizadas. Esse raciocínio não faz qualquer sentido, tendo em vista que a prestação do serviço de telecomunicação se estabelece para que uma pessoa consiga transmitir uma mensagem a outra, por meio de um terceiro, que é o prestador do serviço. (Grifo e negrito próprios do original) Repisase: O modelo de telecomunicações utilizase do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizarse de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.919893/201719 Acórdão n.º 3302006.529 S3C3T2 Fl. 11 19 As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições. A NÃO INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS, NO RE N° 574.706, COM REPERCUSSÃO GERAL STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1536647 MG 2015/01345563 (STJ) Data de publicação: 09/08/2018 Ementa: PROCESSUAL CIVIL. ICMS. BASE DE CÁLCULO PARA PIS E COFINS. INCIDÊNCIA. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. JULGAMENTO DO RE 574.706/PR. 1. A irresignação da União não deve ser acolhida, pois em 19.4.2017, no julgamento do RE 574.706/PR, com repercussão geral reconhecida, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu que "O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS". 2. Recurso Especial não provido, em juízo de retratação (art. 1.030 , II, do CPC). Quanto à menção à discussão acerca da inclusão do ICMS na Base de Cálculo das contribuições objeto de discussão no Recurso Especial 574.706, tratase de matéria distinta daquela alegada como motivo do pagamento a maior objeto do presente processo, não sendo possível aplicação por analogia para reconhecimento de direito creditório. A DUPLA TRIBUTAÇÃO DE UMA ÚNICA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO O BIS IN IDEM TRIBUTÁRIO. É alegado no item 63 do Recurso Voluntário: Na prática, a tributação pelo PIS/COFINS das receitas de interconexão de rede implica um bis in idem tributário, isto é, a dupla imposição dessas contribuições sobre um único fato gerador consubstanciado na receita oriunda da prestação do serviço de telecomunicação. E prossegue nos itens 68 e 69 do Recurso Voluntário: Isso significa, portanto, que a receita da prestação do serviço de telecomunicação é tributada sem que haja a possibilidade de desconto de créditos decorrentes do tributo incidente sobre prestações de serviço necessárias àquela prestação do serviço de telecomunicação. Não há, pois, qualquer desconto de crédito sobre eventuais valores repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes. Daí porque se verifica que a tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica uma dupla incidência tributária de PIS/COFINS sobre uma mesma prestação de serviço. Fl. 165DF CARF MF 20 A argumentação de bis in idem não procede. Isso porque a empresa TIM CELULAR S.A. assume com outras operadoras uma dívida por utilização de redes interconectadas e esse fato não guarda qualquer relação com o pagamento da conta individual pelo cliente. Os dois fatos se revelam independentes. Mesmo que o cliente não pague ou atrase o pagamento de sua conta, a empresa TIM CELULAR S.A. permanece devedora da outra operadora cuja rede foi utilizada por seu cliente. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 166DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.907565/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.356
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 07 56 5/ 20 12 -1 9 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.907565/201219 Resolução nº 3201001.356 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.907565/201219 Resolução nº 3201001.356 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.907565/201219 Resolução nº 3201001.356 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.724151/2011-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido.
Numero da decisão: 1001-001.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
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É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 41 51 /2 01 1- 21 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.724151/201121 Acórdão n.º 1001001.093 S1C0T1 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 32 a 34) interposto contra o Acórdão nº 1438.717, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 25 a 26), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "Versa o presente processo sobre notificação de lançamento (fl. 18), mediante a qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário relativo à multa por atraso na entrega da Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), relativa ao ano calendário de 2009, no valor de R$ 24.312,96. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fls. 2/3) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que, no período de entrega da declaração (e por inúmeras vezes durante o ano de 2010), procurou obter e não conseguiu o número do processo de impugnação do termo de indeferimento – Simples Nacional, que era solicitado pela DASN para que fosse efetuado o devido preenchimento, pois o pedido ainda não havia sido processado, conforme data de sua movimentação (fl. 4). Acrescentou que, em 15/04/2011, conseguiu obter os dados e foi possível enviar a declaração." Inconformada com a decisão de primeiro grau, após ciência, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário com base nos mesmos fundamentos aduzidos na Impugnação. É o relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.724151/201121 Acórdão n.º 1001001.093 S1C0T1 Fl. 4 3 Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, por concordar com todos os seus termos e conclusões, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Trata o presente processo de multa por atraso na entrega da DASN relativa ao anocalendário de 2009, cujo prazo de entrega era até 15/04/2010, mas só foi apresentada em 08/09/2011. A impugnante alega que não entregou a declaração no prazo porque não conseguiu obter a tempo o número do processo de impugnação do termo de indeferimento de opção pelo Simples Nacional. O extrato de fl. 4, apresentado com a impugnação, mostra que o processo de impugnação do termo de indeferimento do Simples Nacional foi protocolado em 17/04/2009. No momento do protocolo da impugnação, a contribuinte recebe o número do processo respectivo. Assim é descabida a alegação de que só obteve o número em 14/03/2011. Essa data indica apenas a movimentação do processo. Não há nenhuma prova de que a contribuinte tenha tentado conseguir o número do processo infrutiferamente. Caso ela mesma houvesse pesquisado pelo número de seu CNPJ no sistema Comprot, ela teria conseguido o número do referido processo. Segundo a Resolução CGSN nº 10, de 28 de junho de 2007, art. 14, § 6o, a DASN relativa ao anocalendário de 2009 deveria ser apresentada até 15/04/2010. Como a declaração só foi apresentada em 08/09/2011, correta a multa aplicada." Assim, com base nos dispostos supra colacionados, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.724151/201121 Acórdão n.º 1001001.093 S1C0T1 Fl. 5 4 Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002002/2008-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 08/08/2008
IPI. MULTA POR POSSE DE PRODUTOS SEM SELOS DE CONTROLE. ART. 585I DO DECRETO 7212/2010.
Provada a materialidade da infração, ou seja, a exposição à venda de mercadorias (relógios) desprovidas de selos, impõe-se a manutenção da multa regulamentar aplicada.
Numero da decisão: 3001-000.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 08/08/2008 IPI. MULTA POR POSSE DE PRODUTOS SEM SELOS DE CONTROLE. ART. 585I DO DECRETO 7212/2010. Provada a materialidade da infração, ou seja, a exposição à venda de mercadorias (relógios) desprovidas de selos, impõe-se a manutenção da multa regulamentar aplicada.
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MULTA REGULAMENTAR. SELO OBRIGATÓRIO. Recorrente DORVAL CASSIAN E IRMÃOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 08/08/2008 IPI. MULTA POR POSSE DE PRODUTOS SEM SELOS DE CONTROLE. ART. 585I DO DECRETO 7212/2010. Provada a materialidade da infração, ou seja, a exposição à venda de mercadorias (relógios) desprovidas de selos, impõese a manutenção da multa regulamentar aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 20 02 /2 00 8- 21 Fl. 317DF CARF MF 2 A decisão recorrida foi assim e suscintamente relatada (fls. 165/167), verbis. Tratase de auto de infração de fls.02/05, para imposição da penalidade prevista no art.499, inciso I, do Decreto nº4.544, 26 de dezembro de 2002, que aprova o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, pela venda ou exposição à venda de produtos sem selo de controle ou com selo reutilizado, com base no inciso I do art. 33 do DecretoLei nº 1.593, de 1977, com a alteração dada pelo art. 52 da Lei nº 10.637, 30 de dezembro de 2002 e art.46 da Lei nº4.502, de 1964. Consta no Termo de Verificação Fiscal que o estabelecimento expôs à venda os relógios de pulso, discriminados na relação de fl.10/11, estando a aplicação do selo de controle nos relógios de pulso prevista no art.223 do RIPI/2002 combinado com o art.2º da Instrução Normativa SRF nº30, de 01 de março de 1999. O valor comercial do produto foi declarado pela autuada conforme informação contida no Termo de apreensão de fl.12/14. Cientificada do lançamento, fl.07, a interessada apresenta sua impugnação de fls.19/38, alegando em síntese que: • o auto de infração e de apreensão é nulo porque ignorou algumas questões indispensáveis, descrição pormenorizada e correta das mercadorias efetivamente apreendidas, com a marca, modelo e número de identificação utilizado pelos fabricantes e estabelecimentos comerciais desta natureza; • tal conduta proporcionaria à impugnante o direito ao contraditório e à ampla defesa pois poderia apresentar de modo preciso as notas fiscais de entrada das mercadorias, confirmando sua origem lícita e efetivo recolhimento do IPI, mesmo que no momento da fiscalização não possuísse o selo de controle determinado pela legislação, em assim não procedendo o auditor fiscal, significa expresso cerceamento de defesa, causa de nulidade do auto de infração e apreensão das mercadorias, conforme já decidiram outras delegacias da RFB; • é prudente a decretação da nulidade da apreensão efetuada pela RFB, da sanção pecuniária, com determinação da devolução das mercadorias e a ordem para regularização destas, possibilitando sua exposição para venda; • a impugnante tem tradição e caráter ilibado com 59 anos de atuação no mercado, causando revolta aos sócios da impugnante a fiscalização feita em eu estabelecimento enquanto camelôs revendem somente produtos ilegais e duvidosos, sem indicação de origem, mas a RFB mantémse inerte e prefere autuar os verdadeiros cumpridores da legislação; • não se pode interpretar uma norma tendo por base puramente o texto expresso sem levar em consideração os princípios e razões que levaram o legislador a editála, sendo que o intuito da norma que obriga a manutenção dos selos que foram alvo da fiscalização e levaram a autuação destinavamse a combater a pirataria, importação ilegal, sonegação e abusos, mas tendo a Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10925.002002/200821 Acórdão n.º 3001000.693 S3C0T1 Fl. 3 3 impugnante comprovadamente adquirido as mercadorias em questão de forma regular, de importadores e fabricantes não há que se falara de transgressão, que justifique a apreensão e ainda multa pecuniária; • a simples ausência do selo não pode ser motivo para apreensão e limitação do direito de propriedade; • o auto de infração deve ser considerado nulo porque não descreve de modo preciso as mercadorias apreendidas, além disso os selos que supostamente não estavam fixados nos produtos, estes fornecidos pela própria Receita Federal ao fabricante são frágeis, meros adesivos, como pode ser exigido que após tanto manuseio resistam eternamente, assim não há como punir a impugnante que comprova a legalidade da origem do produto a ser comercializado; • foi ignorado que havia vestígios de que os selos de controle estiveram dispostos nas mercadorias e que provavelmente caíram devido ao manuseio, não tendo razoabilidade e proporcionalidade na apreensão e cobrança da multa; • como não foram individualizados os códigos e modelos dos produtos apreendidos, separou diversas notas por amostragem, mas a apresentação da documentação precisa se tornou prejudicada, sendo nulo o auto de infração; • foi ignorado pela fiscalização o fato de que havia somente um pequeno percentual de mercadorias supostamente irregulares, aproximadamente 10%, em relação ao total do estoque, o que demonstra probidade da empresa; • a multa tem efeito confiscatório, pois uma multa de 100% sobre o valor comercial dos produtos apreendidos, adquiridos de forma lícita, com o recolhimento dos tributos, inclusive IPI, sendo arbitrária pois nem mesmo incide sobre o valor da aquisição mas sobre o valor de comercialização, um verdadeiro “bis in idem”; • o art.13 da IN SRF nº30/99 determina a faculdade para requisição dos selos pelo comerciante para conseqüente regularização da suposta irregularidade, assim deverá a RFB proceder a devolução dos relógios apreendidos, fornecer os selos para supressão da suposta irregularidade, embora de origem comprovadamente lícita, de acordo com a norma legal; • por fim, alguns relógios foram objeto de devolução por parte dos consumidores e retornados ao estoque, conforme devidamente comprovado com cópias dos cupons fiscais de venda emitidos e notas fiscais de entrada dos produtos no estoque da impugnante, não se podendo imputar à impugnante responsabilidade por ocorrência de fato de terceiro, e extinção da multa proporcional ao montante dos produtos que tiveram seus selos removidos pelos consumidores; Fl. 319DF CARF MF 4 • caso não acatadas as teses anteriores, que seja atribuída a fixação da multa pecuniária no valor da aquisição dos produtos e não no valor de venda praticado pela impugnante; • como são praticadas as vendas a prazo, o valor das mercadorias apreendidas não podem ser consideradas pelo seu valor médio, com aritmética simples, devendo os valores serem reduzidos aos preços a vista realmente praticados pela impugnante; • requer o acatamento da impugnação, acolhendo as prejudiciais para declarar nula a sanção imposta, ou ainda apreciar o mérito, e caso decidir pela manutenção da multa pecuniária a redução do valor arbitrado para o valor de aquisição das mercadorias, reduzindo a multa em 15% do valor de venda praticado, além do desconto dos valores correspondentes à mercadorias trocadas pelos consumidores, seja fornecido os selos de controle para regularização das mercadorias apreendidas, eis que todas lícitas. O processo foi transferido para esta DRJ/Salvador em cumprimento ao contido na Portaria RFB/Sutri nº 3188, de 29 de julho de 2011, em 01/08/2011, conforme Despacho de fl.160. A pretensão do contribuinte foi indeferida pelos robustos fundamentos exposto pelo v. Acórdão recorrido (fls. 165/174), e que assim concluiu (fls. 173/174), verbis. Salientese, ainda, por oportuno, que o art. 465 do RIPI/2002 – cuja matriz legal é o art. 64 da Lei nº 4.502/64 –, dispõe no sentido de que “constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementálo”, acrescentando, seu parágrafo único – cuja base legal é o art. 136 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966) –, que, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, motivo por que, não merece prosperar os argumentos da defesa. Assim, diante da objetividade da responsabilidade por infrações, em virtude da clareza da norma e encontrandose a penalidade aplicada em conformidade com o comando do inciso I do art. 499 do RIPI/2002 (cuja matriz legal é o inciso I do art. 33 do DecretoLei nº 1.593, de 1977, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002), motivos não há para cancelamento da exigência, uma vez que a imposição da penalidade encontrase em perfeita consonância com a legislação de regência, ou seja, o tratamento tributário dispensado à contribuinte segue estritamente os preceitos legais pertinentes à espécie, os quais devem ser fielmente observados pela autoridade lançadora, sob pena de responsabilidade funcional. Por conseguinte, voto no sentido de que se julgue procedente o lançamento, mantendose inalterada a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração de fls. 02 Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10925.002002/200821 Acórdão n.º 3001000.693 S3C0T1 Fl. 4 5 A empresa foi cientificada da decisão recorrida que negou acolhida à sua pretensão impugnatória r, 03 de outubro de 2012 (fls. 178/181), e ingressou com Recurso Voluntário em 26 do mesmo mês e ano (fls. 182/201), em que reiterou seus argumentos de defesa, fez uma síntese dos fatos (fls. 182/184), insistindo nos seguintes tópicos: a) dispensa de depósito ou arrolamento de bens inconstitucionalidade do art. 33, § 2º, do Decreto nº 70.235/1992 (fls. 184); b) nulidade do auto de infração falta de descrição correta da mercadoria apreendida cerceamento de defesa inobservância do princípio do contraditório e da ampla defesa (fls. 184/185); c) tradição de caráter ilibado da recorrente (fls. 186/187); d) princípio das normas jurídicas do instituto de existência dos selos combate a falsificação e importação ilegal de mercadorias : falta de identificação dos produtos apreendidos, violação expressa aos princípios do contraditório e da ampla defesa; da fragilidade dos selos simples adesivos; dos vestígios de existência dos selos nos produtos pretendidos; da origem lícita dos produtos apreendidos, vedação ao princípio do confisco, diferenças apontadas, falta de dados para conferência, notas somente para amostragem; da insignificância do montante apreendido (fls. 187/196); e) da violação ao princípio da vedação ao confisco e do princípio do "non bis in idem" (fls. 196/198); f) do saneamento da suposta ilegalidade (fls. 198); g) das mercadorias trocadas, inexistência de conduta ilegal (fls. 198/199); h) do valor das mercadorias apreendidas, aplicação da penalidade baseada no valor da aquisição das mercadorias (fls. 200); e, i) finalizou com os seguintes requerimentos (fls. 200/201), verbis. Pelo exposto, requerse: a seja recebido o presente recurso na Agência da Receita Federal de Chapecó, com a posterior remessa ao órgão preparador, juntada ao processo principal e o envio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; b sejam acatados os fundamentos expostos, considerandose os vícios apresentados em preliminar e no mérito, para o efeito de darlhe procedência ao Recurso, reformando a decisão da impugnação, determinando a nulidade do auto de infração, não sendo aplicada qualquer penalidade com o arquivamento do processo administrativo em questão; c seja a recorrente informada da decisão carreada por essa superintendência, através de suas procuradoras no seu endereço profissional, na Av. Getúlio Vargas 1748N, centro, Condomínio CESEC. sala 08/A, cidade de Chapecó, estado de Santa Catarina, CEP 89.805901, fone (49) 33232755, para que possam ser tomadas as providências cabíveis. Instruiu o apelo com diversos documentos (fls. 202/221). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Lerite Cavalcante Relator Conheço do recurso por tempestivo, uma vez que o recorrente foi cientificado da decisão que negou guarida à sua impugnação em 03.10.2012 (fls. 178/181) e ingressou com Fl. 321DF CARF MF 6 Recurso Voluntário no dia 26 do mesmo mês e ano (fls. 182/201), firmado por procurador habilitado. Preliminares As preliminares suscitadas no recurso voluntário são as mesmas trazidas com a impugnação, e foram analisadas e rejeitadas pelo v. Acórdão recorrido, pelos seguintes fundamentos (fls. 168/169), verbis. Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o auto de infração lavrado conterá, obrigatoriamente: I a identificação do sujeito passivo; II a matéria tributável, assim entendida a descrição dos fatos e a base de cálculo; III a norma legal infringida; IV o montante do tributo ou contribuição; V a penalidade aplicável; VI o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; VII o local, a data e a hora da lavratura; VIII a intimação para o sujeito passivo pagar ou impugnar a exigência no prazo de trinta dias contado a partir da data da ciência do lançamento. Alega que o auto de infração e de apreensão é nulo porque ignorou algumas questões indispensáveis, descrição pormenorizada e correta das mercadorias efetivamente apreendidas, com a marca, modelo e número de identificação utilizado pelos fabricantes e estabelecimentos comerciais desta natureza. Verificase que dentro do processo legal a lei admite o lançamento sem intimação prévia à contribuinte, se a infração estiver claramente demonstrada e apurada ou se houver a presunção legal, como ocorre no presente caso, a venda ou exposição para venda de produtos sujeitos ao selo de controle sem aposição deste. Quanto à alegação de violação ao contraditório e à ampla defesa, devese compreender que, ao contrário do que ocorre no processo civil, o auditor fiscal da RFB não é obrigado a dar vistas a toda e qualquer prova produzida no decorrer da ação de fiscalização, porque inexiste nesse procedimento um amplo contraditório, nos moldes garantidos nos processos judiciais. Por outro lado, não se deve descuidar que o processo administrativo fiscal não se esgota nos atos do lançamento, já que também fazem parte dele a impugnação e o recurso voluntário, ou de ofício. É nesse sentido que se deve compreender o alcance do contraditório previsto no art. 5°, LV Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10925.002002/200821 Acórdão n.º 3001000.693 S3C0T1 Fl. 5 7 da Constituição Federal, já que é mais propriamente exercido nesta fase de apreciação do lançamento. Assim também entende o tributarista Alberto Xavier, que na obra “Do Lançamento. Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 165, assim leciona: "Em matéria de lançamento tributário a garantia de ampla defesa não atua necessariamente pela via do direito de audiência prévia à prática do ato primário, mas no “direito de recurso” deste mesmo ato, pelo qual o particular toma a iniciativa de uma impugnação em que o seu direito assumirá força plena." E , efetivamente, a impugnante exerceu o contraditório a que tem direito, por meio da peça impugnatória que ora se aprecia. A alegada prova produzida foi juntada ao processo administrativo, cujo acesso foi a ela franqueado, tanto assim que dele se defende. Assim rejeitada a preliminar de cerceamento de defesa, pois, observados os requisitos do procedimento fiscal, não há que se falar em nulidade. Além disso, as regras sobre nulidades no Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que aprova o Processo Administrativo Fiscal –PAF, estão contidas basicamente em três artigos, e muito se assemelham às contidas no vigente Código de Processo Civil. São as seguintes as normas em comento: Art. 12. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 14. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, rejeitase a preliminar de nulidade. Com tais fundamentos, coerente com a jurisprudência deste Conselho, rejeito as preliminares para manter a v. decisão recorrida no particular. Fl. 323DF CARF MF 8 M é r i t o Como alhures relatado, a impugnante foi autuada por entender o fiscal autuante que ela havia exposto à venda relógios de pulso sem a aplicação do selo de controle de IPI. Consequentemente, nos termos do artigo 499, inciso I, do Decreto n° 4.544/02, foi aplicada multa de 100% do valor comercial do produto, totalizando o montante de R$ 24.437,53 (vinte e quatro mil, quatrocentos e trinta e sete reais, e cinqüenta e três centavos). Malgrado tal fato, também, restaram apreendidas as mercadorias desprovidas de selo, mesmo após a aplicação da multa fiscal. . Embora a empresa sustente que houve a aplicação da multa cumulada com a pena de perdimento (apreensão) da mercadoria, no presente processos cuidase tão somente da multa regulamentar decorrente de "venda ou exposição à venda de produtos sem o selo de controle", como se extrai da ementa da decisão recorrida (fls. 56)., resumindo os fundamentos do v. Acórdão recorrido (fls. 59/63). A matéria é por demais conhecida desse colegiado, inclusive com a prolação do Acórdão 3001000.525, de 16 de outubro de 2018, de minha relatoria, assim ementado. Como se tem sustentado em diversas decisões, seja das IPI. MULTA POR POSSE DE PRODUTOS SEM SELOS DE CONTROLE. ART. 585I DO DECRETO 7212/2010. Provada a materialidade da infração, ou seja, a exposição à venda de mercadorias (relógios) desprovidas de selos, impõese amanutenção da multa regulamentar aplicada. Esse entendimento vem sendo reiteradamente sustentados e decididos nas diversas instâncias administrativas ligadas ao Direito Tributário, seja as Delegacias de Julgamento, seja as diversas Turmas e Câmara deste CARF, seja a própria CASRF, todos entendendo quea venda ou exposição à venda de produtos sem o selo obrigatório enseja a aplicação da multa regulamentar, como ocorre no presente processo. Repitase, pois, o que já foi escrito em diversas outras oportunidades, verbis. Verificada, pois, a infração à legislação de regência, como no caso vertente, cumpre à autoridade administrativa efetuar o lançamento, que constitui atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Acrescentese que, em seu art. 136, estabelece o CTN que a responsabilidade por infração à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza ou extensão dos efeitos do ato. Salientese, ainda, por oportuno, que o art. 465 do RIPI/2002 – cuja matriz legal é o art. 64 da Lei nº 4.502/64 –, dispõe no sentido de que “constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementálo”, acrescentando, seu parágrafo único – cuja base legal é o art. 136 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966) –, que, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10925.002002/200821 Acórdão n.º 3001000.693 S3C0T1 Fl. 6 9 motivo por que, não merece prosperar os argumentos da defesa. Assim, diante da objetividade da responsabilidade por infrações, em virtude da clareza da norma e encontrandose a penalidade aplicada em conformidade com o comando do inciso I do art. 499 do RIPI/2002 (cuja matriz legal é o inciso I do art. 33 do DecretoLei nº 1.593/77, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002), motivos não há para cancelamento da exigência, uma vez que a imposição da penalidade encontrase em perfeita consonância com a legislação de regência, ou seja, o tratamento tributário dispensado à contribuinte segue estritamente os preceitos legais pertinentes à espécie, os quais devem ser fielmente observados pela autoridade lançadora, sob pena de responsabilidade funcional. Diante do exposto, tendo em vista a vasta jurisprudência deste colegiado no mesmo sentido da decisão objeto do v. acórdão recorrido; e, ainda, coerente com pronunciamentos deste Relator em outras oportunidades, VOTO no sentido de tomar conhecimento do apelo, rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o v. acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 325DF CARF MF
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Numero do processo: 13005.000907/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos acolhidos em parte sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3401-005.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, sem efeitos dispositivos infringentes, unicamente para que se faça constar no relatório do acórdão embargado, de forma integrativa, o argumento novo respeitante à matéria preliminar "1.0 - NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES".
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Cabem embargos de declaração quando no acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição. Embargos acolhidos em parte sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, sem efeitos dispositivos infringentes, unicamente para que se faça constar no relatório do acórdão embargado, de forma integrativa, o argumento novo respeitante à matéria preliminar "1.0 NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES". (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 09 07 /2 01 0- 51 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 295 2 Relatório 1. Tratase do despacho decisório DRF/SCS nº 552/2010, situado à fl. 21, que homologou apenas parcialmente o PER nº 14996.47949.070710.1.1.010737, formalizado em 07/07/2010, transmitido com o objetivo de ver ressarcido crédito de IPI referente ao 2ª trimestre de 2010 no montante de R$ 456.928,96, reconhecendose apenas o direito creditório de R$ 380.743.08. 2. Segundo se denota do Parecer DRFSCS/SAORT nº 081/2010, situado às fls. 18 a 20, que fundamenta o despacho decisório, a homologação de apenas parte dos créditos se deveu a erro na classificação fiscal e na determinação da alíquota de IPI nas notas fiscais de saída do produto “RESFRIADOR DE ÁGUA”, cuja função é resfriar a água utilizada na produção de massa de pão em padarias e confeitarias, tendo a empresa utilizado o Código NCM nº 8438.10.00, com alíquota zero, entendendo a autoridade fiscal estar correta a classificação sob o Código NCM nº 8418.69.31, com alíquota de 15%. A diferença de IPI foi lançada no Auto de Infração objeto do processo 13005.720865/201078, também pautado para a presente sessão para que se proceda ao seu julgamento conjunto. 3. Em 08/11/2018, foi proferido o seguinte despacho de admissibilidade de embargos de declaração opostos pela contribuinte contra a decisão recorrida, cuja íntegra abaixo se transcreve: O sujeito passivo interpôs Embargos de Declaração ao amparo do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 9 de junho de 2015, em face do Acórdão no 3401 005.206 (doc. fls. 244 a 257)1, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, proferido em sessão de 25/07/2018. O acórdão embargado possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESFRIADOR DE ÁGUA. CÓDIGO NCM Nº 8418.69.31. A mercadoria “resfriador de água”, como unidade fornecedora de água resfriada, deve ser classificada no Código NCM nº 8418.69.31, inteligência que decorre da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH nº 01, nº 06, e da Regra Geral Complementar RGC/SH nº 01". A decisão foi assim registrada. " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso". Os presentes Embargos de Declaração foram formalizados em decorrência da alegação de suposta ocorrência dos vícios de omissão e obscuridade. São estes os fatos. Passo ao exame dos pressupostos formais e materiais para a admissibilidade do presente remédio processual. Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 296 3 PRESSUPOSTOS PRELIMINARES Tempestividade O recurso é tempestivo. O prazo para interposição de Embargos de Declaração é de 5 (cinco) dias da ciência do acórdão recorrido, conforme o § 1o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015. O sujeito passivo foi formalmente cientificado da decisão proferida no julgamento de seu Recurso Voluntário em 29/08/2018, pela ciência do envio do Acórdão de Recurso Voluntário e dos demais documentos à sua Caixa Postal considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, conforme se observa no Termo de Ciência por Abertura de Mensagem (doc. fls. 261). Os presentes Embargos de Declaração foram formalizados em 03/09/2018, como se observa no Termo de Solicitação de Juntada (doc. fls. 262), razão pela qual concluise que foram apresentados dentro do prazo legal. Legitimidade do Embargante Os Embargos de Declaração foram formalizados pelo sujeito passivo, legitimo a opor este recurso, observando o que estabelece o § 1o do art. 65 do Anexo II, do RICARF, de sorte que podem ser conhecidos. EXAME DOS VÍCIOS ALEGADOS Na sua peça recursal de fls. 271 a 282, a embargante atribui à decisão transcrita a ocorrência de vícios. Nas razões da embargante, justificou a oposição dos presentes aclaratórios a ocorrência de omissões e obscuridades, as quais reclamariam apreciação da c. Turma. Nesses termos, demanda o saneamento dos pontos omissos e obscuros apontados, sendo "dado provimento integral, inclusive com efeitos modificados". A propósito dos vícios apontados na petição, importante desde já recorrer à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos2 (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de ofício. Humberto Theodoro Junior3 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa: A omissão e a contradição que autorizam a oposição de embargos de declaração têm conotação precisa: a primeira ocorre quando, devendo se pronunciar sobre determinado ponto, o julgado deixa de fazêlo, e a Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 297 4 segunda, quando o acórdão manifesta incoerência interna, prejudicandolhe a racionalidade. Não constitui omissão o modo como, do ponto de vista da parte, o acórdão deveria ter decidido, nem contradição o que, no julgado, lhe contraria os interesses.” [Edcl em REsp 56.201BA, Rel. Min. Ari Pargendler, DJU de 09.09.96, p. 32 346] A existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios, deve ser cabalmente demonstrada pela parte quando avia esse remédio recursal, oportunizando ao próprio órgão julgador suprir deficiência no julgamento da causa, sob pena de ofensa ao dever da entrega da prestação jurisdicional a que todo o Juiz está obrigado diante da indeclinável função de dizer o direito. Detectado vício de intelecção no julgado, deve a parte lançar mão do remédio apropriado, obtendo do órgão jurisdicional esclarecimento, "(...) tornando claro aquilo que nele é obscuro, certo aquilo que nele se ressente de dúvida, desfaça a contradição nele existente, supra ponto omisso (...)" (SANTOS, p. 151). Com o norte desses ensinamentos, passo a examinar os vícios apontados. 1 Omissões 1.1 Omissão no Relatório sobre prova obtida diretamente pelos julgadores e recusa de provas sem fundamentação na decisão A embargante inicialmente acusa a ocorrência de omissão no Relatório da decisão embargada, arguindo estar incompleta a descrição de todos os temas postos em litígio. Segundo a empresa, esta parte da peça recursal "tem origem na necessidade de prequestionar pontos indicados nas peças processuais (art. 1.025 da Lei 13.105/2015CPC e CSRF Acórdão n. 920202.281)". Sustenta às fls. 272 que, no item no 5 do Relatório do Acórdão embargado, teria sido consignado somente que a então recorrente interpôs recurso voluntário, "no qual reiterou as razões de sua impugnação". Não obstante, assevera que "no Recurso Voluntário, folhas 206/208, também está expressa a matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES” conforme texto completo a seguir", a qual estaria omissa no Relatório do Acórdão. Nesse sentido, requer "que esteja expressa de forma individual esta matéria preliminar no “Relatório” do acórdão CARF nº 340105.206". Entendo que a razão pode estar com a embargante. Vejo que na parte da decisão embargada dedicada ao Relatório, fls. 245 e 246, não está expressa a citação à mencionada arguição preliminar feita pela embargante às fls. 206 a 208 de seu Recurso Voluntário, transcrita pela empresa nos Embargos de Declaração. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 298 5 O Relatório tem por finalidade a descrição fidedigna e precisa dos fatos que envolvem a pretensão fiscal e sua contraposição, assim como os argumentos das partes carreados ao processo. Deve trazer ainda, de forma sintética, as alegações do interessado deduzidas perante a autoridade julgadora e os fundamentos da decisão recorrida, além dos argumentos contidos em sua peça recursal em face da própria decisão de primeiro grau. 1.2 Omissão no Voto sobre prova obtida diretamente pelos julgadores e recusa de provas sem fundamentação na decisão Dando continuidade a seu apelo, a embargante acusa omissão do julgado em relação à matéria abordada em seu Recurso Voluntário. Sustenta às fls. 275 que a decisão embargada também teria sido completamente silente em relação à matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES" sendo omissa em não trazer qualquer decisão sobre o assunto no voto condutor. De fato, como alega a embargante, o item “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES" foi trazido às fls. 206 a 208 do Recurso Voluntário, ao longo das quais a empresa aduz que os julgadores de primeira instância teriam atribuído a si próprios "a condição de autoridade lançadora, ao obterem diretamente e ilegalmente nova prova do tipo “catálogo virtual” no endereço eletrônico da empresa autuada, ora recorrente" extrapolando suas competências funcionais, o que caracterizaria, segundo defende, vício material. A empresa argumenta ainda que (fls. 277 grifos no original): "Verificase nas provas do presente processo, inclusive as provas de catálogo virtual encontrado no endereço eletrônico da empresa recorrente, obtidas por ato ilegal dos julgadores de primeira instância DRJ/BEL (julgadores de primeira instância atribuíramse a condição de autoridade lançadora), foram utilizadas, também, por estes julgadores do CARF na decisão sobre a matéria do erro de classificação fiscal. A seguir o item 22 do voto do acórdão CARF, à folha 255:" Com efeito, não se verifica no voto condutor do Acórdão embargado qualquer menção aos argumentos trazidos pela recorrente em relação à matéria preliminar mencionada, sendo o voto condutor silente em relação ao tema. A meu pensar, a omissão alegada também reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos em relação a esse ponto. 2 Obscuridades 2.1 Obscuridade quanto à não aplicação do § 4º do art. 9º do Decreto 70.235/72 Na sequência, a embargante aponta a ocorrência de um terceiro vício, desta feita Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 299 6 obscuridade, a qual, segundo a empresa, constaria do voto condutor do Acórdão embargado quando tratada a alegação de não aplicação do § 4o do art. 9o do Decreto 70.235/72 feita pela empresa. Sustenta que a decisão embargada teria sido obscura, ensejando "dificuldade da exata compreensão dos termos dos fundamentos da decisão", e ainda que "Também, existem manifestos deformados dos julgadores, por terem se baseado em premissas deturpadas e inexistentes da fiscalização. Partes da fundamentação são expostas de forma confusa. Logo, no âmbito dos esclarecimentos, os pontos a seguir não permitem entendimento no acórdão, de tal modo que geram dúvidas a encobrir uma hábil solução do litígio" (fls. 278). Por fim, complementa (fls. 280 grifos no original): "Não se pode fazer conceitos sem coisas. Não se pode dar sentido para além ou aquém da lei. Os sentidos de um texto somente surgem na aplicação. Logo, qual é o sentido do § 4º do art. 9º do Decreto 70.235/1972 (art. 25 da Lei nº 11.941/2009)? Atribuindo determinado sentido, como esse dispositivo jurídico se aplica aos fatos? (...)No ano de 2010, época dos atos fiscais (Parecer DRF/SCS/SAORT nº 21/2010 e Despacho Decisório DRF/SCS/SAORT nº 207, de 22/04/2010), já era vigente o art. 25 da Lei nº 11.941/2009. Salientase o obrigatório efeito vinculante à legislação vigente pelos servidores públicos. Desta forma, requer que "esteja expressa de forma individual no “Voto” do acórdão CARF nº 340105.206 as respostas das perguntas formuladas anteriormente no sobre § 4º do art. 9º do Decreto 70.235/1972 (art. 25 da Lei nº 11.941/2009)". Não vejo obscuridade no julgado em relação à matéria. O excerto do voto condutor do Acórdão embargado transcrito a seguir (fls. 247), inclusa a parte acrescida da decisão da DRJ pelo i. Conselheiro Relator, externa de forma clara e direta sua manifestação acerca dos fundamentos da decisão na apreciação do ponto em questão (grifos no original): "Observese, a respeito desta alegação, ainda, que se procedeu à lavratura de auto de infração para a formalização da cobrança das diferenças de imposto apuradas em virtude do erro de classificação fiscal, discutido no Processo Administrativo nº 13005.720865/201078, igualmente pautado para a corrente sessão para fins de julgamento conjunto. Acrescemse a estas considerações aquelas oportunamente trazidas pela decisão recorrida: (...)Assim sendo, a autoridade fiscal exarou o Despacho Decisório em questão após cumprir todos os preceitos da legislação em vigor, especialmente a análise dos documentos comprobatórios do alegado direito creditório, inclusive arquivos Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 300 7 fornecidos pelo contribuinte e realização de diligências fiscais a fim de ser verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, tudo conforme preceitua a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que disciplinava a época a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela RFB, dentre esses o ressarcimento e a compensação de créditos do IPI. Também não se constata nenhum vício de forma no lançamento, tendo sido observadas as prescrições contidas no Decreto nº 70.235, de 1972, estando cristalina e minuciosamente demonstrados no processo a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo à impugnante conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa" Nenhuma obscuridade há na decisão embargada, vício que se configuraria se o posicionamento do julgador não fosse claro, inteligível e compreensível, o que não ocorreu. Com base nesses fundamentos, o voto deixa expresso o registro de que "não merece provimento o recurso voluntário neste particular" (fls. 248). 2.2 Obscuridade sobre a função de resfriar da máquina Por fim, a embargante advoga a ocorrência de nova obscuridade no julgado. Tal obscuridade constaria do item 22 (fls. 255) do voto condutor do Acórdão e, segundo a embargante, estaria nítido pela peça de impugnação que "a função da máquina é única: de resfriar a massa durante o amassamento (preparo) – NCM 8438.10.00". Argumenta a empresa que (fls. 281 grifos no original): "Verificase na afirmação da impugnação, na fl. 79, quanto ao “Resfriador Dosador de Água”, que é necessária certa quantidade de água para RESFRIAR durante o amassamento de certa quantidade de massa a ser produzida. No mesmo sentido, na afirmação da impugnação, na fl. 86, a adição de água RESFRIADA é para corrigir a temperatura no preparo da massa. As afirmações se referem a resfriar durante o amassamento da massa e resfriar a temperatura da massa durante o preparo (NCM 8438.10.00). Nítido, pela peça de impugnação a função da máquina é única: de resfriar a massa durante o amassamento (preparo) – NCM 8438.10.00. Em obscuridade, verificase na decisão dos julgadores do CARF que a função da máquina não é de resfriar a massa alimentícia (NCM 8438.10.00)". Relendo o voto condutor da decisão embargada, não detectei qualquer obstáculo que obnubilasse a sua perfeita intelecção. Ao contrário, a redação é clara, direta e manifesta o entendimento do julgador quanto às funções da máquina da Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 301 8 qual se questiona a classificação fiscal e seu enquadramento no código NCM apontado pela fiscalização. O i. Conselheiro Relator, ao longo das fls. 248 a 256, discorre sobre seu entendimento acerca da correta classificação fiscal da mercadoria, a partir da aplicação das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH ao caso concreto, e chega à conclusão de que a mercadoria “RESFRIADOR DE ÁGUA” deve ser classificada no Código NCM no 8418.69.31. A própria narrativa da embargante, que articulou argumentos contrários as conclusões do decisum, o comprova. A embargante pode dela discordar, mas o fato é que a fundamentação do voto é clara e prescinde de qualquer esclarecimento. CONCLUSÕES Com essas considerações, firme no § 7o do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 2016, DOU SEGUIMENTO PARCIAL aos embargos interpostos pela contribuinte, para que sejam apreciadas as alegações concernentes aos itens 1.1 e 1.2 descritos no texto acima. Este despacho é irrecorrível em relação à matéria rejeitada, itens 2.1 e 2.2, nos termos do § 3o do art. 65 do RICARF, uma vez que o vício apontado é improcedente. Encaminhese o presente processo ao i. Relator, Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, a fim de que indique o processo para pauta. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. Os embargos de declaração opostos são tempestivos e preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. 5. Transcrevese, abaixo, com a finalidade de contextualização do debate aos demais integrantes deste colegiado, trecho do voto elaborado por este relator e acolhido à unanimidade na ocasião do julgamento do acórdão ora embargado: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 302 9 A embargante inicialmente acusa a ocorrência de omissão no Relatório da decisão embargada, arguindo estar incompleta a descrição de todos os temas postos em litígio. Segundo a empresa, esta parte da peça recursal "tem origem na necessidade de prequestionar pontos indicados nas peças processuais (art. 1.025 da Lei 13.105/2015CPC e CSRF Acórdão n. 920202.281)". Sustenta às fls. 272 que, no item no 5 do Relatório do Acórdão embargado, teria sido consignado somente que a então recorrente interpôs recurso voluntário, "no qual reiterou as razões de sua impugnação". Não obstante, assevera que "no Recurso Voluntário, folhas 206/208, também está expressa a matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES” conforme texto completo a seguir", a qual estaria omissa no Relatório do Acórdão. Nesse sentido, requer "que esteja expressa de forma individual esta matéria preliminar no “Relatório” do acórdão CARF nº 340105.206". Entendo que a razão pode estar com a embargante. Vejo que na parte da decisão embargada dedicada ao Relatório, fls. 245 e 246, não está expressa a citação à mencionada arguição preliminar feita pela embargante às fls. 206 a 208 de seu Recurso Voluntário, transcrita pela empresa nos Embargos de Declaração. O Relatório tem por finalidade a descrição fidedigna e precisa dos fatos que envolvem a pretensão fiscal e sua contraposição, assim como os argumentos das partes carreados ao processo. Deve trazer ainda, de forma sintética, as alegações do interessado deduzidas perante a autoridade julgadora e os fundamentos da decisão recorrida, além dos argumentos contidos em sua peça recursal em face da própria decisão de primeiro grau. 1.2 Omissão no Voto sobre prova obtida diretamente pelos julgadores e recusa de provas sem fundamentação na decisão Dando continuidade a seu apelo, a embargante acusa omissão do julgado em relação à matéria abordada em seu Recurso Voluntário. Sustenta às fls. 275 que a decisão embargada também teria sido completamente silente em relação à matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES" sendo omissa em não trazer qualquer decisão sobre o assunto no voto condutor. De fato, como alega a embargante, o item “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES" foi trazido às fls. 206 a 208 do Recurso Voluntário, ao longo das quais a empresa aduz que os julgadores de primeira instância teriam atribuído a si próprios "a condição de autoridade lançadora, ao obterem diretamente e ilegalmente nova prova do tipo “catálogo virtual” no endereço eletrônico da empresa autuada, ora recorrente" extrapolando suas competências funcionais, o que caracterizaria, segundo defende, vício material. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 303 10 A empresa argumenta ainda que (fls. 277 grifos no original): "Verificase nas provas do presente processo, inclusive as provas de catálogo virtual encontrado no endereço eletrônico da empresa recorrente, obtidas por ato ilegal dos julgadores de primeira instância DRJ/BEL (julgadores de primeira instância atribuíramse a condição de autoridade lançadora), foram utilizadas, também, por estes julgadores do CARF na decisão sobre a matéria do erro de classificação fiscal. A seguir o item 22 do voto do acórdão CARF, à folha 255:" Com efeito, não se verifica no voto condutor do Acórdão embargado qualquer menção aos argumentos trazidos pela recorrente em relação à matéria preliminar mencionada, sendo o voto condutor silente em relação ao tema. A meu pensar, a omissão alegada também reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos em relação a esse ponto. 6. A contribuinte, ora embargante, insurgese contra as omissões acima referidas. De fato, como alega a embargante, o recurso voluntário ventila a alegação no sentido de que os julgadores de primeira instância teriam se investido da"condição de autoridade lançadora, ao obterem diretamente e ilegalmente nova prova do tipo “catálogo virtual” no endereço eletrônico da empresa autuada, ora recorrente" extrapolando suas competências funcionais, o que caracterizaria, segundo defende, vício material, bem como que o relatório teria se omitido quanto a este particular. 7. Em que pese a procedência da alegação em embargos quanto à omissão, uma vez que se trata de argumento autônomo que, sozinho, teria o potencial para infirmar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, na apreciação do mérito o argumento não merece acolhida, uma vez que, em que pese de se tratar de elemento de formação da convicção do julgador a quo, não se tratou do único fundamento da decisão. Assim, ainda que expurgada a prova da decisão, seu conteúdo permanece hígido e inalterado, havendo substancial distância entre o excesso de diligência do julgador e a reputada ofensa ao contraditório e à ampla defesa insuflados pela contribuinte em suas razões recursais. 8. Merece, portanto, acolhida o argumento referente à omissão que, uma vez apreciado quanto ao mérito, deve ser rejeitado. 9. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, acolher os embargos opostos, sem efeitos dispositivos infringentes, unicamente para que se faça constar no relatório do acórdão embargado, de forma integrativa, o argumento novo respeitante à matéria preliminar “1.0 – NOVA PROVA OBTIDA DIRETAMENTE PELOS JULGADORES". Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13005.000907/201051 Acórdão n.º 3401005.761 S3C4T1 Fl. 304 11 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 304DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.904958/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO.
Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99.
Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.019
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado
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HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 49 58 /2 01 2- 76 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10183.904958/201276 Acórdão n.º 3402006.019 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre a declaração de compensação parcialmente homologada tendo em vista que o DARF apontado foi utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que, no despacho decisório, foi reconhecido crédito menor do que o valor do pagamento a maior no Darf mencionado. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 02050.656: Cientificada desta decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário tempestivo, alegando o direito à compensação, eis que possuiria crédito oponível à Receita Federal, sendolhe facultado compensar diretamente o suposto indébito, fazendo apenas a exigida "Declaração de Compensação", sem necessidade de qualquer recurso ao Judiciário. Requer a recorrente que as publicações e intimações do feito sejam lançadas em nome das patronas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.005, de 11 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10183.903448/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.005): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Indeferese o pedido da recorrente para intimação em nome das patronas, vez que inexiste previsão legal nesse sentido. No âmbito do processo administrativo fiscal, as regras sobre as intimações de atos processuais fiscal dizem respeito somente à ciência do próprio sujeito passivo no seu domicílio tributário. A matéria está pacificada nesse sentido neste CARF, conforme Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.904958/201276 Acórdão n.º 3402006.019 S3C4T2 Fl. 0 3 enunciado da Súmula CARF nº 110: "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Não se discute que a recorrente, como qualquer outro contribuinte, tem o direito de efetuar administrativamente a compensação de débitos próprios administrados pela Receita Federal mediante a entrega de declaração de compensação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mesmo porque ela pode efetivamente fazêlo, obtendo, inclusive, o deferimento parcial de seu pleito. Também não há controvérsia nos autos acerca do fato de que o DARF especificado como origem do crédito tratase de um efetivo pagamento indevido. O fato que levou à homologação parcial da compensação declarada foi que a requerente já havia utilizado parte do crédito apontado para a compensação de débitos declarados em outras PER/DCOMP's, como já havida observado o julgador a quo: O despacho contestado já reconhece o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é a insuficiência do pagamento a maior, considerando sua utilização em PER/DCOMP anteriores. Nos PER/DCOMP, há o campo intitulado "Crédito Original na Data da Transmissão". Conforme instruções de preenchimento do programa gerador do PER/DCOMP, o valor a ser informado nesse campo é o valor do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizadas em compensações anteriores. Quando nenhuma parcela do pagamento indevido ou a maior tiver sido restituída ou utilizada em compensação anterior, ou seja, no primeiro PER/DCOMP em que o crédito for utilizado, o valor informado no campo "Crédito Original na Data da Transmissão" será igual ao do campo "Valor Original do Crédito Inicial". A cada novo PER/DCOMP que utiliza o mesmo pagamento, o valor do campo "Crédito Original na Data da Transmissão" deve ser menor do que o do PER/DCOMP anterior. Portanto, na análise da compensação em litígio, não se pode desconsiderar as compensações anteriores que utilizam o mesmo DARF, salvo as canceladas e as não homologadas. (...) Em que pese a então manifestante não ter contestado a parte do despacho decisório que discriminou as parcelas do crédito original que haviam sido utilizadas em compensações anteriores, a Delegacia de Julgamento explicou em detalhes como se deu o consumo do crédito nas outras PER/DCOMP's especificadas. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10183.904958/201276 Acórdão n.º 3402006.019 S3C4T2 Fl. 0 4 Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. No entanto, a recorrente se ateve apenas a argumentações genéricas, sem a apresentação de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, a qual deve, então, ser mantida. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000056/2007-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DE IRPJ E CSLL. RECOLHIMENTO. MATÉRIA INCONTROVERSA. O recolhimento dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, com os consectários legais, antes mesmo da decisão de primeira instância, implica em não conhecimento das alegações de defesa veiculadas no recurso voluntário, não havendo controvérsia a ser equacionada em segunda instância. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO LÓGICA. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Falta interesse recursal ao contribuinte para discutir a qualificação da multa de ofício, incidente sobre os créditos tributários de PIS e Cofins (reflexos), quando em momento anterior, ao recolher as exigências de IRPJ e CSLL, concordou com o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Preclusão lógica caracterizada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002, 2003 AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1)
Numero da decisão: 1103-000.891
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao recurso, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Fábio Nieves Barreira e Manoel Mota Fonseca, unicamente quanto à preclusão administrativa da matéria relativa à multa qualificada.
Nome do relator: ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA
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RECOLHIMENTO. MATÉRIA INCONTROVERSA. O recolhimento dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, com os consectários legais, antes mesmo da decisão de primeira instância, implica em não conhecimento das alegações de defesa veiculadas no recurso voluntário, não havendo controvérsia a ser equacionada em segunda instância. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO LÓGICA. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. Falta interesse recursal ao contribuinte para discutir a qualificação da multa de ofício, incidente sobre os créditos tributários de PIS e Cofins (reflexos), quando em momento anterior, ao recolher as exigências de IRPJ e CSLL, concordou com o percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Preclusão lógica caracterizada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 00 56 /2 00 7- 77 Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.040 2 Acordam os membros do Colegiado, em negar provimento ao recurso, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Fábio Nieves Barreira e Manoel Mota Fonseca, unicamente quanto à preclusão administrativa da matéria relativa à multa qualificada. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anoscalendário 2002 e 2003, no valor total de R$ 6.006.569,28 (seis milhões, seis mil, quinhentos e sessenta e nove reais e vinte e oito centavos), sobre o qual incidem juros de mora e multa de ofício no percentual de 150% (fls.806/861). A ciência do contribuinte efetivouse em 29/03/07 (fl.862). No “Relatório de Verificação Fiscal” (fls.809/828), a autoridade fiscal consignou, em síntese: a autuação decorreu da constatação de não oferecimento à tributação da quase totalidade dos rendimentos de aplicações financeiras percebidos durante os anoscalendário 2002 e 2003; o contribuinte informou que “...a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Distrito Federal impetrou Mandado de Segurança coletivo Proc. n°. 2003.34.00.0429404 contra o Delegado da Receita Federal em Brasília/DF válido para todas as sociedades de advogados registrados na circunscrição da OAB em Brasília (caso desta empresa) para desobrigálas do recolhimento da COFINS (art. 56 da Lei n°. 9.430/96) podendo ainda ser compensado o imposto eventualmente pago, desde 11/12/1998, com outros tributos administrados pela S.R.F. Referido processo foi julgado favoravelmente às sociedades em questão, tendo transitado em julgado em 7 de abril de 2006, conforme comprova a certidão judicial em anexo. Continuou informando que ‘tendo em vista o trânsito em julgado, o processo é definitivo, pelo que esta Advocacia não está sujeita ao pagamento da COFINS e tem direito à compensação das contribuições já pagas”; verificouse, “...no site do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que o sujeito passivo impetrou o Mandado de Segurança Individual de n° 1997.34.00.0158845 (Seção Judiciária do Distrito Federal)”, em que se discute a exigibilidade das contribuições sociais (CSLL, PIS e Cofins); Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.041 3 de acordo com informações prestadas pelo contribuinte, “...impetrou em 12/02/2007, o Mandado de Segurança n°. 2007.34.00.0044004, perante a 2a Vara Federal no Distrito Federal para discutir a base de cálculo do PIS/COFINS”, sendo que até a data de lavratura do auto de infração, “...o MM. Juiz Federal da 2ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal ainda não apreciou o pedido liminar”; “Em complemento às informações prestadas em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 001 (fls.608/613), a firma apresentou ‘certidão expedida pelo Supremo Tribunal Federal referente ao Agravo de Instrumento n°. 551.227’, assim como também informou que ‘foi publicado no DJU de 07/03/2007 o despacho nesse processo homologando a desistência do recurso, o qual, como informado antes, é decorrente do Mandado de Segurança n°. 1997.34.00.0158845, conforme cópias anexas’ (fls.798/803)”. Acerca da multa de ofício, a fiscalização assim fundamentou a qualificação: “Sobre o valor dos tributos lançados no Auto de Infração, decorrentes da omissão de rendimentos de aplicações financeiras, o percentual da multa de oficio foi duplicado, passando para 150% (cento e cinqüenta por cento), segundo preceitua o art. 44, §1º, da Lei n° 9.430/96, modificada pelo art. 14 da Medida Provisória no 351, de 22 de janeiro de 2007, tendo em vista a conduta dolosa da contribuinte em omitir, em dois exercícios consecutivos, ou seja, de forma reiterada, a quase totalidade dos rendimentos de aplicações financeiras percebidos por ela durante os anosbase de 2002 e 2003. Além de não ter declarado a maioria desses rendimentos ao Fisco, por meio de suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJs fls.14/86), também não escriturou esses valores em seus livros contábeis (Diário e Razão 457/532 e 646/710). Outrossim, foram ainda omitidos, na contabilidade da firma, os recursos que geraram esses rendimentos, ou seja, o principal aplicado. Notese que não estamos falando de valores irrelevantes, ou que poderiam passar despercebidos pelo setor de contabilidade da empresa. No ano base de 2002 foram mais de treze milhões de reais de rendimento, sendo que no anocalendário de 2003 esse valor sobe para mais de vinte milhões de reais. Qual o montante aplicado necessário para se ter um rendimento desta monta? Considerando uma rentabilidade média anual de 20% (vinte por cento), seria necessária uma aplicação de aproximadamente 100 (cem) milhões de reais no anobase de 2003. Caso fosse verdade a alegação da empresa de que não tributou esses valores porque talvez, no futuro, tivessem que ser devolvidos aos seus clientes, na hipótese de os mesmos não conseguirem compensar ou receber o valor da causa patrocinada pela firma, seria razoável supor que esses valores estariam na contabilidade da empresa, até mesmo por uma questão de controle, e que somente não tivessem sido oferecidos à tributação. O dolo está caracterizado pelo fato de a empresa ter oferecido à tributação uma pequena parcela dos rendimentos de aplicações financeiras (CEF, Banco do Brasil e Banco BNP Paribás Brasil), indicando que a mesma tinha conhecimento de que essas Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.042 4 receitas deveriam ser tributadas. Ressaltese que a firma tinha também todas as informações necessárias para se apurar o montante dessas receitas omitidas, como ficou comprovado pela apresentação de todos os Informes/Comprovantes de Rendimentos Financeiros pela interessada. Além de não pagar a totalidade dos tributos incidentes sobre os rendimentos omitidos, a conduta da contribuinte objetivou ocultar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias provenientes da percepção dos rendimentos de aplicações financeiras. Não fosse as informações disponibilizadas pelas fontes pagadoras em suas DIRFs, os tributos devidos nunca teriam sido apurados e lançados de oficio pela fiscalização.” Os lançamentos foram considerados procedentes pela Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.926/941): IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA 1RPJ LUCRO PRESUMIDO OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS DE RENDA FIXA PAGAMENTO EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Comprovado o recolhimento integral dos valores lançados nos Autos de Infração a titulo de IRPJ e CSLL, acrescidos dos respectivos encargos legais, inclusive da multa de oficio qualificada, considerase a matéria não impugnada e os créditos tributários respectivos extintos pelo pagamento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL REFLEXO. Aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL o disposto em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE CARACTERIZAÇÃO DA INTENÇÃO DO AGENTE NA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. A omissão de rendimentos relevantes, tanto na escrituração contábil quanto nas declarações apresentadas ao Fisco, praticada de forma reiterada, ocultando o efetivo valor da obrigação tributária principal e impedindo o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração e implica qualificação da multa de oficio. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia à discussão na via administrativa, tornandose definitiva a exigência discutida. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.043 5 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE CARACTERIZAÇÃO DA INTENÇÃO DO AGENTE NA PRATICA DA INFRAÇÃO. A omissão de rendimentos relevantes, tanto na escrituração contábil quanto nas declarações apresentadas ao Fisco, praticada de forma reiterada, ocultando o efetivo valor da obrigação tributária principal e impedindo o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, evidencia a intenção dolosa do agente no cometimento da infração e implica qualificação da multa de oficio. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia à discussão na via administrativa, tornandose definitiva a exigência discutida. Na oportunidade, decidiuse: “[...] a) não conhecer da impugnação do sujeito passivo quanto à matéria objeto de discussão na órbita do Poder Judiciário (processos judiciais n° 2007.34.00.0044004, 1997.34.00.0158845 e 2003.34.00.0429404), relativa à exigência de Contribuições para o PIS e COFINS, deixando, nessa parte, de apreciar o mérito correspondente, e declarar definitivamente constituído, na esfera administrativa, o respectivo crédito tributário; b) conhecer da referida impugnação, na parte não objeto de ação judicial, e considerar PROCEDENTE a exigência da Multa Majorada aplicada, em percentual de 150%, nos termos do Voto que acompanha o presente Acórdão; c) considerar não impugnadas as exigências a titulo de IRPJ e CSLL, cujo credito tributário encontrase extinto, tendo em vista o pagamento integral do valor lançado.” Devidamente cientificado em 07/02/08 (fl.944), o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário em 28/02/08 (fls.945/984), em que alega, em síntese: a não incidência de PIS e Cofins sobre rendimentos de aplicações financeiras, conforme decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (RE nº 357.9509); não poderia o CARF, “...tendo sido a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal para a espécie discutida neste processo, simplesmente ignorar a realidade, alegando não poder se pronunciar sobre matéria constitucional, colocando um grosso véu sobre a realidade e mantendo iníqua autuação, que deve, por Direito, ser julgada improcedente, o quanto antes, por ferir a Constituição”; ao contrário do afirmado pela DRJ – Brasília (DF), “...o crédito da União não está definitivamente constituído na esfera administrativa, porque o que é inconstitucional não gera efeito algum (a não ser quanto à responsabilização penal do agente público que desrespeite ordem judicial) já que a Desembargadora Federal da 1ª Região, Dra. Maria do Carmo Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.044 6 Cardoso, no Agravo de Instrumento nº 2007.01.00.013652/DF deferiu em 14/6/2007 pedido de tutela antecipada, requerida pela recorrente, com apoio no julgado do STF que declarou a inconstitucionalidade do §1º do art.3º da Lei 9718/98, decisão já comunicada à Delegacia da Receita Federal de Brasília, suspendendo a exigibilidade da COFINS e do PIS sobre as receitas financeiras da Advocacia, mesmo após a edição da EC 20/98, até final julgamento do Recurso Judicial”; inexistiu dolo a justificar a multa qualificada, tendo havido erro na escrituração; quanto aos anos 2003 e 2004 não teriam sido encontradas quaisquer irregularidades relacionadas à “...atividade principal da empresa, ou seja, a prestação de serviços advocatícios que geraram a receita majoritária da Advocacia, como reconhecido pelo Fisco no item III de seu Relatório”; as aplicações financeiras em questão originarseiam de ações judiciais transitadas em julgado, relativas a ressarcimento de créditoprêmio de IPI, sendo que, em razão de contrato de risco, “...só teria direito ao recebimento de seus honorários por ocasião de seu efetivo ressarcimento pela União aos clientes, seja em dinheiro (precatório judicial), seja através da compensação com tributos determinada pelo juiz ao fisco, sem risco de autuação. Assim, para a Advocacia o direito ao recebimentos desses honorários ainda não existia, posto não concluído o processo judicial, sendo mera antecipação de pagamentos condicionais, por conta de honorários futuros, se a final tornaremse devidos, na hipótese dessas autuações vierem a ser julgadas improcedentes e legítimas as compensações efetuadas pelos clientes”. “Por erro, o contador autônomo (contador desde 1985 e amigo particular do Dr. Francisco, hoje com 75 anos) ao invés de contabilizar tais aplicações como exigibilidade de terceiros, já que feitas para preservar o seu poder aquisitivo, de vez que a Advocacia teria que devolver tais adiantamentos corrigidos aos seus clientes, em caso de serem as autuações julgadas procedentes, não o fez”; dedicarseia apenas a “...velhos processos judiciais, a maioria sobre o CréditoPrêmio do IPI iniciados na década de 1980 e só recebe honorários quando a União paga os precatórios ou, quando algum cliente, após o trânsito em julgado, resolve compensar seus créditos com débitos de tributos”; recolhera integralmente os tributos incidentes sobre a prestação de serviços advocatícios; todas as indagações do Fisco teriam sido respondidas de forma clara e verdadeira; “...o IRF retido pelos Bancos nas aplicações financeiras de clientes jamais foi usado pela empresa em seus negócios próprios, como informado e constatado pelo fisco em seu Relatório, não se praticando qualquer ilicitude”; “...os adiantamentos não foram ocultados do fisco, eis que abertas contascorrentes bancárias regulares de aplicação, sem saques, guardandose o dinheiro para ser restituído aos clientes se, a final, fossem julgados indevidos os créditos fiscais, ou devidos, com o advento da condição suspensiva, quando seriam tributados, aí sim, como receita da Advocacia”; o percentual de 150% teria caráter confiscatório e agrediria os princípios da razoabilidade e da capacidade contributiva, conforme decisões dos Tribunais superiores; os rendimentos de aplicações financeiras não teriam sido omitidos, mas oferecidos à fiscalização, não tendo havido máfé no proceder do contador; “...a autuada deu tratamento fiscal diverso para duas situações distintas, pois se uma receita é definitiva ela deve ser tributada, mas se outros recebimentos são feitos como adiantamento, Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.045 7 sob condição suspensiva, de só virem a pertencer ao patrimônio da Advocacia se as compensações de tributos forem aprovadas pelo fisco e em caso contrário deverem ser restituídas ao cliente, com acréscimos de juros e correção, não haveria tributação alguma, como exporemos em seguida, sempre no intuito de mostrar sua boafé e a razoabilidade de seu entendimento, no concernente à aplicação da multa em dobro de 150%, quando inexistiu dolo da autuada.”; a diferença de tributação sobre receitas financeiras decorreriam de adiantamentos de honorários de contratos de risco, não podendo ser considerados recursos do contribuinte, não podendo ser enquadrados no conceito de renda definido no art.43 do Código Tributário Nacional; considerando que os contratos de prestação de serviços foram celebrados sob condição suspensiva, cuja eficácia dependia da ocorrência de evento futuro e incerto, apenas quando implementada nasceria o direito ao recebimento de honorários e o fato gerador do imposto de renda; “...a Advocacia não falsificou documentos, ou registros, não deu informações falsas, ou fez lançamentos inverídicos nos livros fiscais; existe há 27 anos e tem pago todos os tributos nesse tempo todo; nada devia à União ou a quem quer que seja, até a lavratura do Auto; não responde a processos fiscais ou civis de cobrança de dividas, e não tinha porque esconder receitas de aplicações (mesmo porque todos sabemos que com o advento da CPMF, os Bancos fornecem todas as informações ao FISCO) e não se pode esconder o que não é ocultável. Diante de tudo o que foi exposto, resta evidente que o mero erro ou desconhecimento da boa técnica contábil consistente na falta de contabilização dos rendimentos dos clientes em uma conta de ‘exigibilidade de terceiros’, em razão do valor não ter ingressado efetivamente no patrimônio da Recorrente, e conseqüentemente não haver disponibilidade jurídica e acréscimo patrimonial, não pode ser equiparado a uma atitude dolosa, fraudulenta ou feita com o intuito de conluio”. Em petição protocolizada em 06/03/13 (fls.992/994 e 997/999 – numeração eletrônica), informa que penderia de apreciação no CARF “...o recurso apenas no que se refere à não incidência do PIS e da Cofins sobre os rendimentos de aplicações financeiras e o pedido de redução da multa de 150%, que, mesmo já recolhida a multa também, ficará com o direito de compensála com débitos passados e futuros”. Acrescenta que em razão de decisões judiciais que lhe foram favoráveis, “...a exigência do PIS e COFINS sobre as receitas financeiras restou inteiramente prejudicada na autuação, perdendo o objeto o auto de infração nessa parte”. É o que importa relatar. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.046 8 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. De início, reafirmase a inexistência de controvérsia quanto às exigências de IRPJ e CSLL, inclusive dos juros de mora e da multa de ofício qualificada, pois o contribuinte recolheuas integralmente, como afirmado no acórdão recorrido: “[...] A matéria impugnada restringese à exigência das Contribuições para o PIS e COFINS e à aplicação da multa qualificada, de 150%, incidente exclusivamente sobre tais contribuições, tendo em vista que o crédito tributário exigido a titulo de IRPJ e CSLL (inclusive a multa qualificada) foi integralmente recolhido pela autuada, encontrandose extinto, pelo pagamento, conforme cópia de DARF à fl.917, cujo recolhimento foi confirmado por meio das telas do Sistema SINAL01 de fls.924/925.” Tal informação foi confirmada pelo próprio contribuinte, quando, na petição encaminhada ao CARF em 05/03/13, informou ter “...recolhido os valores relativos ao IRPJ e CSLL em 27/04/07, conforme DARF's anexados à impugnação como Doc.1, no valor de R$11.393.119,32, com a redução da multa em 50%, conforme faculta a Lei n°. 9.430/96, art. 44, §3º”. Assim, as alegações de defesa relacionadas a tais autuações (v.g., alcance do conceito de renda) deixam de ser conhecidas, haja vista a não instauração da controvérsia desde a primeira instância. O litígio limitouse, portanto, aos autos de infração de PIS e Cofins. A Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF) não conheceu da impugnação quanto à matéria, tendo em vista a existência de ações judiciais em que o contribuinte discutiu(e) exatamente a incidência daquelas contribuições sociais. Dispôs o respectivo voto condutor: “Tendo em vista o que consta da decisão juntada as fls.918/922, proferida nos autos de Agravo de Instrumento n° 2007.34.00.0044004, foi deferida a tutela antecipada e suspensa a exigibilidade da COFINS e do PIS sobre receitas financeiras até final julgamento do presente recurso. Conforme Mandado de Intimação à f.917, do Juízo Federal da 2ª Vara do Distrito Federal, o Delegado da Receita Federal do Brasil em Brasília foi cientificado e intimado a dar cumprimento da referida decisão. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.047 9 Anteriormente, a autuada já havia impetrado o Mandado de Segurança Individual n° 1997.34.00.0158845, sendo, também, parte do Mandado de Segurança Coletivo impetrado pela OAB DF n° 2003.34.00.0429404, ambos tratando especificamente da incidência das Contribuições ao PIS e à COFINS.” O contribuinte noticiou (fl.998 – numeração eletrônica): “[...] Quanto ao PIS e COFINS, a Requerente impetrara o Mandado de Segurança n°. 2007.34.00.0044004 perante a Justiça Federal do Distrito Federal para desobrigála do recolhimento dessas contribuições sem nenhuma incidência sobre as receitas financeiras em face de ser pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, não se aplicando as alterações promovidas pelas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, pois continuava a ter a mesma base de cálculo para o PIS e COFINS fixadas anteriormente às Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03, conforme exceções contidas no inciso II do artigo 8° da Lei n°. 10.637/2002 (em relação ao PIS) e no inciso II do artigo 10 da Lei n°. 10.833/2003 (em relação ao COFINS), pedindo o reconhecimento do seu direito à compensação dos valores recolhidos desde 11/12/1998 com quaisquer tributos que viessem a ser lançados e exigidos pela fiscalização, obtendo decisão concessiva da segurança nesse aspecto e reconhecendo a não ocorrência de prescrição quinquenal do direito de compensar, porque seria contada em dez anos [...]”. Tal informação confirmase com a certidão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, lavrada em 07/02/13 nos seguintes termos (fl.1.000 – numeração eletrônica), com alguns destaques por mim efetuados: “FÁBIO AUGUSTO NEIVA DE LIMA, Diretor da Divisão de Processamento, da Coordenadoria de Recursos, da Secretaria Judiciária, do Tribunal Regional Federal da 1ª Regido, usando das atribuições que lhe são conferidas por lei, CERTIFICA, a pedido da parte interessada, que revendo os autos do MANDADO DE SEGURANÇA n. 2007.34.00.0044004, provenientes da 2a Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, em que figuram como Impetrante ADVOCACIA FRANCISCO R. S. CALDERARO S/C. (CNPJ n. 47.435.912/000150) e como Impetrado o DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO DISTRITO FEDERAL, autuados nesta Corte na classe de Apelação em Mandado de Segurança sob o mesmo número, tendo como apelante a FAZENDA NACIONAL e como apelado FRANCISCO R. S CALDERARO SOCIEDADE DE ADVOGADOS. Dos autos constam que a impetrante objetiva que seja desobrigada do recolhimento da COFINS na integralidade, em razão de decisão transitada em julgado em mandado de segurança coletivo impetrado pela OAB/DF, que reconheceu a isenção da contribuição para as sociedades prestadoras de serviço (advogados e escritórios de advocacia); que seja desobrigada do recolhimento do PIS e da COFINS sobre o que exceder o faturamento/receita bruta e sobre quaisquer outras receitas não integrantes do seu Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.048 10 faturamento, tais como rendimentos recebidos oriundos de aplicações financeiras e seja declarado o direito à compensação dos valores pagos indevidamente do PIS e da COFINS, corrigidos pela taxa SELIC, com tributos eventualmente devidos em caso de lavratura do auto de infração. Por sentença de fls. 287/300, o Juiz a quo "julgou procedente em parte o pedido da impetrante para desobrigála do recolhimento do PIS e da COFINS sobre o que exceder o faturamento/receita bruta e sobre quaisquer outras receitas não integrantes do seu faturamento, bem como para reconhecer o direito de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de COFINS e da contribuição ao PIS, sob a égide do art.3º, §1º, da Lei n.9.718/98 no período não alcançado pela prescrição, com outro tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, na forma do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi conferida pelo art.49 da Lei n. 10.637/2002, corrigidos pela taxa SELIC desde o recolhimento indevido”. A União interpôs recurso de apelação. Neste Tribunal, a Oitava Turma decidiu, à unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial. Em seguida, a apelante interpôs recurso extraordinário, tendo a parte apelada apresentado contrarrazões. Certifica, finalmente, que, nesta data, os autos serão conclusos à Presidência para decisão, quanto ao juízo de adrnissibilidade, do mencionado recurso [...]” Conforme decisão datada de 14/06/07 (fls.918/922), exarada em sede de Agravo de Instrumento (processo original 2007.34.00.0044004) interposto contra o indeferimento da medida liminar pelo Juízo da 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, concedeuse tutela antecipada para suspender a “...exigibilidade da COFINS e do PIS da agravante sobre as receitas financeiras, mesmo após a edição da EC 20/98”. Notese que tal decisão foi proferida após a autuação fiscal. Quanto ao Mandado de Segurança Coletivo n° 2003.34.00.0429404, impetrado pela OAB, apesar de não constar dos autos cópia da petição inicial, notase que não se referiu especificamente à incidência das contribuições sobre rendimentos de aplicações financeiras, de que trata o presente processo administrativo, mas à exigibilidade da Cofins em geral, em face da isenção contemplada na Lei Complementar nº 70/91. Na certidão do TRF – 1ª Região, lavrada em 20/09/06 (fl.582), evidenciase que tal ação judicial objetivou: “...a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, previsto no art.56 da Lei nº 9.430/96, para todas as sociedades de advogados registrados em sua circunscrição, em face da isenção concedida pelo art.6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91, para as sociedades prestadoras de serviços de profissões regulamentadas, ou alternativamente, a declaração incidental de inconstitucionalidade da exação nos moldes previstos na Lei nº 9.718/98”. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.049 11 Ainda que se entenda que tal decisão não se limitaria à isenção da Cofins incidente sobre receitas próprias da atividade, na hipótese, de prestação de serviços advocatícios, vale lembrar que o contribuinte já havia impetrado um Mandado de Segurança Individual em 1997, quando sustentava não ser contribuinte da CSLL, PIS e Cofins, tendo preferido persistir nesta demanda, não tendo requerido suspensão nem desistência a tempo de se beneficiar dos efeitos da coisa julgada da ação coletiva. A propósito, aqui são adotadas as lições do atual Ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Albino Zavascki, ainda sob a égide da antiga lei do mandado de segurança, postas como um dos fundamentos doutrinários do acórdão proferido pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EDcl Execução em Mandado de Segurança nº 7.385 DF, Rel. Min. Paulo Gallotti, Julg. 11/02/09, DJe 17/03/09) nos seguintes termos,: “[...] Às regras sobre coisa julgada previstas na Lei 1.533, de 1951, agregamse, em se tratando de mandado de segurança coletivo, as que são próprias das ações coletivas, nomeadamente as do art.103 da Lei 8.078, de 1990. Ali se estabelece que a coisa julgada será erga omnes, somente em caso de procedência do pedido (inc.III). A mesma Lei, no seu art.104, segunda parte, estabelece que ‘os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do ajuizamento da ação coletiva’. Desse conjunto normativo, podese extrair o seguinte regime, próprio para o mandado de segurança coletivo: a) só a sentença de procedência faz coisa julgada material; b) a sentença tem eficácia erga omnes, beneficiando a todos os substituídos processuais; c) todavia, o interessado que tiver optado por promover ou dar seguimento a ação individual para tutelar seu direito, ficará sujeito à sentença de mérito que nela for proferida, não se beneficiando e nem se prejudicando com o que for decidido no mandado de segurança coletivo” (in Processo Coletivo. Tutela de direitos coletivos e tutela coletiva de direitos. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006, p.222) (destaquei) Notese que este entendimento, a prestigiar um coerente sistema de vasos comunicantes entre as ações coletivas, foi prestigiado na decisão proferida no mencionado Agravo de Instrumento (fl.920), na parte em que não se acolheu um dos fundamentos do agravante. In verbis: “[...] Quanto à questão de estar a agravante amparada pela decisão proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança Coletivo 2003.34.00.0429404, não vislumbro plausibilidade jurídica nesta tese. ..... Em segundo, coaduno do entendimento firmado pelo Juízo a quo no sentido de que não ficou comprovada a desistência do Mandado de Segurança 1997.34.00.0158845, traçado nos seguintes termos: Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.050 12 Da mesma forma, no que tange à Contribuição para o financiamento da Seguridade Social COFINS, deixo de conferir relevância jurídica ao direito invocado na exordial. É que os efeitos da coisa julgada do Mandado de Segurança Coletivo no 2003.34.00.0429404, impetrado vela Ordem dos Advogados do Brasil Seção do Distrito Federal, somente se estenderiam à impetrante – se ela tivesse requerido a suspensão da ação individual anteriormente proposta (Mandado de Segurança n° 1997.34.00.0158845, ao tomar ciência da ação coletiva em comento [...].” Quando da autuação fiscal, a autoridade fazendária igualmente sustentou tal tese para justificar a autuação quanto à Cofins. Vejamos: “[...] No tocante à COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), apesar de a contribuinte postular que está amparada pelo Mandado de Segurança Coletivo n° 2003.34.00.0429404 (fls.553/590), impetrado pela OAB/DF em favor de todas as sociedades civis de advogados registrados nesse órgão, e que determinou que para as sociedades de advogados do DF vigora a isenção da COFINS expressa no art. 6° da Lei Complementar n° 70/91, afastada a regra do art. 56 da Lei n° 9.430/96, ficou evidenciado que a interessada impetrou o Mandado de Segurança Individual de n° 1997.34.00.0158845 (fls.712/781), visando o mesmo resultado obtido pelo Mandado de Segurança impetrado pela OAB/DF. Neste contexto, embora inexista litispendência entre o mandado de segurança coletivo e o individual, consoante entendimento pacificado na jurisprudência e na doutrina, os efeitos da coisa julgada ultra partes produzida na ação coletiva só beneficiam o demandante individual se, após tomar conhecimento da existência da ação coletiva, requerer no prazo de trinta dias a suspensão do feito individual, conforme assevera o artigo 104 do Código de Defesa do Consumidor (Lei n° 8.078/90), aplicado analogicamente à espécie. Desta forma, se o autor não postular o sobrestamento da ação individual no prazo legal de trinta dias, como aduz o aludido dispositivo legal, importa dizer que optou por defender seu direito individualmente, retirando a legitimidade da entidade de classe de substituílo na ação coletiva, e, conseqüentemente, fica ciente de que não será beneficiado nem alcançado pelos efeitos da coisa julgada ultra partes produzida na ação coletiva. No caso em concreto, a contribuinte apresentou cópia do informativo da OAB/DF, de outubro de 2006, onde é reproduzido um facsímile da certidão emitida pelo TRF da 1ª Região sobre o caso (fls.553), evidenciando, dessa forma, que a interessada estava ciente da existência da ação coletiva, no mínimo, desde a citada data. No entanto, a firma não requereu a suspensão do feito individual dentro do prazo de trinta dias, só vindo a apresentar petições de desistência dos recursos interpostos no dia 02 de fevereiro de 2007 (fls.778/780), após expirado o prazo legal.” Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.051 13 Lembrese que a Lei nº 12.016, de 07/08/09, que atualmente disciplina o mandado de segurança individual e coletivo, recepcionou tal entendimento doutrinário e jurisprudencial, exigindo, entretanto, a desistência da ação individual, conforme art.22, §1º: Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1o O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. A respeito do Mandado de Segurança Individual nº 1997.34.00.0158845, que também não se relaciona especificamente com a incidência do PIS e da Cofins sobre rendimentos de aplicações financeiras1, o contribuinte informou, durante o procedimento fiscal, ter requerido a desistência (fl.611): “...Em anexo seguem cópias da inicial, sentença, acórdão, e decisão do STJ e do STF, bem como os pedidos de desistência e outras peças relativas ao processo nº 1997.34.00.0158845”. Verificase, ainda, que foi denegada a segurança, conforme sentença datada de 16/09/97 (fls.726/730), e que a apelação não foi provida pelo TRF – 1ª Região (fls.732/740), não tendo o Recorrente tido sucesso também perante o STJ e STF, conforme documentação acostada às fls.746/777. Constam, às fls.778/779, cópias de pedidos de desistência de Agravo de Instrumento perante o STJ e de Agravo Regimental perante o STF, ambos protocolizados em 02/02/2007. Considerando as mencionadas ações judiciais, vêse que o contribuinte, quando da lavratura dos autos de infração, não estava acobertado por qualquer decisão que, por exemplo, impedisse a autuação ou implicasse na realização de lançamento tributário com exigibilidade suspensa, para fins de se evitar a decadência. Em que pese a decisão da DRJ – Brasília ter mencionado os Mandados de Segurança nº 1997.34.00.0158845 e 2003.34.00.0429404, apenas com o Mandado de Segurança nº 2007.34.00.0044004 é suficiente concluir pela concomitância, ou seja, pela identidade entre o objeto da ação judicial e o do presente processo administrativo, no tocante à exigência de PIS e Cofins, conforme certidão acima transcrita. Em tais casos, a jurisprudência, com base no princípio da unicidade de jurisdição, pacificouse no sentido de que a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo implica renúncia à instância administrativa, consoante Enunciado nº 1 da Súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros (art.72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF): 1 Como causa de pedir, apontou o impetrante: "...não está sujeita ao recolhimento de nenhuma das Contribuições Sociais Sobre o Lucro (Lei 7.689/88), PIS (Lei Complementar 7/70) e COFINS (Lei Complementar 70/91), pelo simples motivo de não ser empregadora, conforme determinação da Constituição Federal, que em seu art. 195, I, define que estas contribuições serão devidas apenas por empregadores, conceito este adotado no seu sentido técnicojurídico, válido para o direito no campo trabalhista, ou seja, quem não tem empregados, não é empregador e quem não é empregador, não está obrigado a financiar a seguridade ou sujeito aos recolhimentos em causa. Não é qualquer pessoa jurídica, indistintamente, que se enquadra nessa condição de contribuinteempregador, como vem sendo exigida pela autoridade impetrada." (fls.712/713) Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.052 14 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Portanto, reafirmase a decisão a quo, de não se conhecer das razões de defesa quanto às exigências de PIS e Cofins, restando definitiva a discussão na esfera administrativa. Passase à apreciação da qualificação da multa de ofício. A conclusão primeira a que se chega é que restou caracterizada a preclusão lógica. O contribuinte não poderia mais discutir os fundamentos da qualificação da penalidade em sede de recurso voluntário, quando anteriormente com eles concordou ao praticar inequívoco ato em tal sentido, qual seja, o recolhimento das exigências de IRPJ e CSLL, acompanhadas da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), ainda que tenha se valido da redução legal para pagamento à vista. Ao reconhecer a procedência da qualificação, faltalhe interesse recursal para posteriormente contestála. Os fundamentos da fiscalização, atinentes à qualificação da multa de ofício, foram únicos, justificando a sua incidência proporcionalmente sobre todos os tributos exigidos no auto de infração (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), de maneira que não há como se fazer qualquer segregação, como entende o Recorrente. Por absoluta impossibilidade lógica, não é possível se conformar com a qualificação da multa de ofício no tocante aos créditos tributários de IRPJ e CSLL, e, ao mesmo tempo, insurgirse contra os mesmos fundamentos daquela, quando aplicadas relativamente às exigências de PIS e Cofins. Ao tratar da preclusão, Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart (in Manual do Processo de Conhecimento. 4ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005, p.609), com base nas lições de Chiovenda, esclarecem: “Preclusão lógica: a extinção do direito de efetivar certo ato processual também pode derivar da prática de algum ato com ele incompatível. Dessa forma, se a parte renuncia ao direito de recorrer, certamente não poderá manifestar interesse em oferecer recurso, já que praticara anteriormente ato incompatível com a segunda faculdade. A perda do direito de recorrer decorre da prática de ato logicamente inconciliável com aquele”. Em suma, não pode nos próprios autos o contribuinte concordar com os fundamentos da qualificação da multa de ofício e contestálos, faltandolhe o necessário interesse recursal. Não sendo possível transpor tal barreira processual, tornase desnecessário analisar os argumentos de defesa relacionados à qualificação. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14041.000056/200777 Acórdão n.º 1103000.891 S1C1T3 Fl. 1.053 15 Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13971.720034/2006-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS.
Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Administração Pública Federal somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei.
CONTRIBUIÇÕES. PIS/COFINS. CORREÇÃO. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL.
Por expressa previsão em lei, não incide correção monetária, pela aplicação da taxa Selic, sobre crédito tributário ressarcido, referente às contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins.
RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO.
Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia.
Numero da decisão: 3001-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Administração Pública Federal somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. CONTRIBUIÇÕES. PIS/COFINS. CORREÇÃO. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. Por expressa previsão em lei, não incide correção monetária, pela aplicação da taxa Selic, sobre crédito tributário ressarcido, referente às contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. RECURSO VOLUNTÁRIO. ADOÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA REPRODUÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. Registrando o relator que as partes não apresentaram novas razões de mérito perante o Carf e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida, é facultado a transcrição dos termos da decisão de primeira instância, como fundamento para decidir a controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 34 /2 00 6- 82 Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13971.720034/200682 Acórdão n.º 3001000.662 S3C0T1 Fl. 362 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0720.895, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis DRJ/FNS que, em sessão de julgamento realizada em 27.08.2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o decidido no despacho decisório exarado pela DRF/Blumenau/SC. Da ementa da decisão recorrida A 4ª Turma da DRJ/FNS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. A DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS COMPENSATÓRIOS SOBRE OS CRÉDITOS. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, por meio do "Aviso de Recebimento/AR Contrato 9912216001" (efl. 339), foi cientificado do acórdão recorrido em 17.09.2010 (sextafeira). Irresignado com a decisão proferida, apresenta recurso voluntário (efls. 340 a 354) em 19.10.2010 (terçafeira), é o que se evidencia do carimbo de protocolo aposto pela DRF BlumenauSC, em sua "folha de rosto". Do recurso voluntário Cientificado da decisão vergastada, o contribuinte comparece aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a sua integral reforma. Reprisando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, aduz que os fundamentos em que se pautou o respectivo voto condutor não pode subsistir. Com vista a sustentar seu entendimento, de início, alega que "não restam dúvidas de que a exclusão da correção dos créditos a serem restituídos constituise em matéria que exige Lei conforme previsto no texto Constitucional e no próprio Código Tributário Nacional, motivo pela qual tal matéria jamais poderia ser regulamentada por simples Instrução Normativa, mesmo porque isso configuraria legislar em causa própria, o que ofende o princípio Constitucional da independência dos poderes", na Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13971.720034/200682 Acórdão n.º 3001000.662 S3C0T1 Fl. 363 3 medida em que na "seara tributária prevalece o princípio da estrita legalidade, ou seja, sua regulamentação somente pode ser feita por meio de Lei em sentido estrito, devidamente aprovada por representantes eleitos pelo povo". Prosseguindo, afirma que a situação tratada nos presentes autos é "absolutamente distinta da 'restituição' em dinheiro", qual seja, "o aproveitamento nos exercícios seguintes de créditos apurados nas entradas das mercadorias pela nova sistemática não cumulativa da Cofins", não havendo falar aqui da aplicação do "aludido art. 13 da Lei n. 10.833/03, aplicandose assim o disposto no § 4º, art. 39 da Lei n. 9.250/95, o qual prevê expressamente a correção dos créditos a serem restituídos, por se tratar de "simples recomposição do valor da moeda, ou seja, a atualização de seu valor evitando assim a corrosão da mesma, o que acarretaria sérios prejuízos ao contribuinte". Desta feita, requer o provimento do presente recurso voluntário, afim de conferilhe a correção dos "créditos alusivos à Cofins cujo direito a restituição foi reconhecido pela autoridade fiscal". Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 20.10.2010 (efl. 360), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo, com espeque no artigo 23B, Anexo II, da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015 RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, a competência deste Colegiado para prosseguir no feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi apresentado em 19.10.2010 (terçafeira), depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 17.09.2010 (sextafeira). Portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Preâmbulo Da jurisprudência administrativa São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do direito Tributário. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13971.720034/200682 Acórdão n.º 3001000.662 S3C0T1 Fl. 364 4 Destarte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Neste sentido, o artigo 96 e o inciso II do artigo 100 do CTN determinam que, verbis: Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: (...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativos a que a lei atribua eficácia normativa; (...) Vejase também o Parecer Normativo CST nº 390, e 1971, verbis: Entendase que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, não aproveitará seu acórdão em relação a qualquer outra ocorrência senão aquele objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação a contribuinte parte no processo de que decorre a decisão daquele colegiado. Logo, mesmo que o Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tenha decidido reiteradas vezes sobre determinada questão, pode a autoridade administrativa da Delegacia de Julgamento ter outro entendimento, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, incluído pela Lei nº 11.196, de 2005. No presente caso, por não se verificar a hipótese acima referida, as decisões administrativas colacionadas pelo recorrente não têm o condão de vincular o presente julgado e menos ainda de afastar a aplicação da legislação de regência da matéria. Da jurisprudência judicial No mesmo sentido, em relação às decisões judiciais citadas nas peças recursais, é imperioso observar o disposto nos art. 102, § 2º, e 103A da Constituição Federal (DOU de 31.12.2004), com redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 08.12.2004, além do artigo 8º desta Emenda. O artigo 102, § 2º, da CF/1988 determina que, verbis: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13971.720034/200682 Acórdão n.º 3001000.662 S3C0T1 Fl. 365 5 eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Já o artigo 103A estipula que, verbis: Como é cediço, o Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional nº 45, de 2004 preconiza que “As atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial”. De se ver, portanto, que por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes supramencionadas deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. Mesmo em relação ao entendimento e às súmulas (não vinculantes) dos Tribunais Superiores, data venia sua respeitabilidade, não submete o julgador administrativo em seus julgados, já que, repisando, não faz parte da legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do CTN, já reproduzido. Diferentemente seria se tratasse de súmulas vinculantes, mas tais comandos jurisprudenciais não foram trazidos pelo contribuinte. Do mérito Da adoção da decisão recorrida como fundamento Dispõe o parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, do RICARF, com a redação dada Portaria MF nº 329, de 2017, verbis: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 13971.720034/200682 Acórdão n.º 3001000.662 S3C0T1 Fl. 366 6 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (grifei) Da fundamentação No caso presente, verificandose que o recorrente reitera perante este colegiado, os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade, ao amparo no permissivo regimental acima reproduzido, por concordar, in totum, com os argumentos do voto condutor da lavra do Relator Gilson Wessler Michels, com a devida licença, adotoo, por seus próprios fundamentos, como razão de decidir no presente julgado. Razão pela qual cito trechos do Acórdão recorrido, verbis: Voto (...) Como no relatório do presente acórdão se viu, limitouse a contribuinte a contestar a não “atualização/correção” do crédito concedido pela taxa Selic, como demandaria o parágrafo 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250/1995. Junta excertos jurisprudenciais tendentes à demonstração de que sobre os créditos objeto de ressarcimento deve obrigatoriamente incidir a taxa Selic. Em análise da alegação posta, há que se dizer, de plano, que não pode ela ser aqui acatada. É que apesar da insurgência da contribuinte, verdade é que a legislação tributária, apesar da disposição genérica constante do parágrafo 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250/ 1995, possui tratamento específico para os casos de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Com efeito, assim dispõe o parágrafo 5º do artigo 52 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, ato este vigente à época dos fatos que aqui importam: Art. 52. (...) § 5º Não incidirão juros compensatóríos no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Como se percebe, há na legislação tributária disposição legal expressa definindo tratamento específico para o ressarcimento e compensação de créditos da Cofins, o que faz com que a alegação da contribuinte, como já se disse, não possa ser aqui acatada. De outro lado, a jurisprudência administrativa e judicial juntada pela contribuinte também não serve à corroboração da referida alegação. É que como se pode inferir dos acórdãos transcritos, Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13971.720034/200682 Acórdão n.º 3001000.662 S3C0T1 Fl. 367 7 referemse eles a períodos anteriores à superveniência da acima transcrita norma. É de se ressaltar, por fim, que a referida superveniência legal se deu em razão da necessidade de se adequar a sistemática do ressarcimento e da compensação, especialmente da Cofins e do PIS, às então novas regras de apuração destas contribuições no regime da nãocumulatividade. É que como está exposto de forma literal na legislação tributária (artigo 13 da Lei nº10.833/2003): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Como se vê, a apuração escritural dos créditos da contribuição social não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, ou seja, na confrontação que o sujeito passivo faz entre seus débitos e créditos, no âmbito da sistemática da nãocumulatividade, não há como atualizar créditos, independentemente de quando forem utilizados para a mencionada confrontação (tecnicamente chamada de “desconto”). Ora, se quando do desconto, que pode ser efetuado em períodos de apuração posteriores, não pode haver atualização monetária e nem incidência de juros, razoável que exista regra no mesmo sentido em relação às duas outras formas de aproveitamento dos créditos: o ressarcimento e a compensação. Assim não fosse, haveria uma diferença de tratamento legal entre as diferentes formas de aproveitamento dos créditos da nãocumulatividade (desconto, compensação e ressarcimento), que não encontraria justificativa nem técnica, nem jurídica, nem axiológica. Do reforço à decisão recorrida, como fundamento Em reforço ao fundamento da decisão vergastada, o qual me filio integralmente, é suficiente evidenciar minha discordância à incidência da taxa Selic, como instrumento de correção/atualização, dos valores objeto de ressarcimento. É que ressarcimento não é espécie de restituição, como entende o recorrente, que, por expressa previsão legal, somente comporta os casos de pagamento indevido ou a maior de tributo (artigo 165, inciso I, do CTN), e o artigo 39, § 4º da Lei nº 9.250, de 1995, foi expresso ao permitir a aplicação dessa taxa apenas sobre os casos de restituição e compensação de tributos; o que torna absolutamente evidente a irrazoabilidade, por inverídico, do argumento suscitado no sentido de que a exclusão da incidência da aludida correção monetária, via aplicação da taxa Selic, está assentada em simples Instrução Normativa, mais especificamente no § 5º, art. 52 da IN/SRF nº 600, de 2005. Saliento também que o caso sob exame não é daqueles em que ocorre a oposição do ente estatal. Afinal, o próprio recorrente textualmente afirma que "requereu junto à Receita Federal do Brasil, e teve parcialmente deferido, o ressarcimento alusivo a créditos de Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13971.720034/200682 Acórdão n.º 3001000.662 S3C0T1 Fl. 368 8 Cofins, tendo sido sonegado à mesma o direito a correção dos créditos entre o período compreendido entre o pedido de restituição/ressarcimento e o efetivo pagamento, situação bem diversa quando, por exemplo, um ato normativo infralegal promove, ao disciplinar a lei, restrição indevida ao mesmo benefício. Conforme se verifica, essa divergência é de rápido deslinde. Como visto alhures, há expressa disposição legal sobre a matéria no artigo 13 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003, já transcrito, que concretamente determina que não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes de crédito apurado na forma do parágrafo 4º do artigo 3º, do artigo 4º e dos parágrafos 1º e 2º do artigo 6º, bem como do parágrafo 2º, inciso II do parágrafo 4º e parágrafo 5º do artigo 12, todos da citada Lei. Por oportuno, convém por fim salientar que o inciso VI do artigo 15 da mesma Lei estendeu a referida vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS/Pasep. Assim, em estrita observância ao princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que indeferiu o pedido de atualização monetária do ressarcimento da presente contribuição. Da conclusão Desta feita, com esses fundamentos, ao amparo do parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, do Ricarf, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017, voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 368DF CARF MF
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