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Numero do processo: 12448.720426/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO. DESPESAS ODONTOLÓGICAS E MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. DEDUTIBILIDADE.
A legislação tributária autoriza a dedução de despesas odontológicas e médicas da base de cálculo do imposto de renda, desde que serviços prestados sejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF do beneficiário e do prestador, além da identificação deste último no conselho profissional de classe. Recibos portadores dos requisitos legais exigidos para a dedução das despesas declaradas na DIRPF devem ser considerados pela autoridade fiscal como justificadores da dedução pleiteada. Deduções restabelecidas.
Numero da decisão: 2401-006.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 8.640,00. Vencida a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
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DESPESAS ODONTOLÓGICAS E MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. DEDUTIBILIDADE. A legislação tributária autoriza a dedução de despesas odontológicas e médicas da base de cálculo do imposto de renda, desde que serviços prestados sejam comprovados por documentos hábeis e idôneos, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF do beneficiário e do prestador, além da identificação deste último no conselho profissional de classe. Recibos portadores dos requisitos legais exigidos para a dedução das despesas declaradas na DIRPF devem ser considerados pela autoridade fiscal como justificadores da dedução pleiteada. Deduções restabelecidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 8.640,00. Vencida a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 04 26 /2 01 1- 74 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 12448.720426/201174 Acórdão n.º 2401006.504 S2C4T1 Fl. 56 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementálo (fls. 33/35). Pois bem. Contra a contribuinte acima identificada, foi expedida notificação de lançamento (fls. 3 a 9), referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2008, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 2.403,50, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de glosas de despesas médicas (R$ 8.640,00, referente a Fábio Schimidt Dantas, por falta de indicação do paciente atendido e por não se revestir das formalidades legais necessárias e exigidas) e despesas com instrução (R$ 100,00). Cientificada do lançamento em 24/12/2010 (fl. 27), a contribuinte apresentou impugnação (fl. 2), em 13/1/2011. Manifesta expressa concordância com a glosa de despesas com instrução e pede que sejam restabelecidas as despesas pessoais com fisioterapia, argumentando que novos recibos foram emitidos pelo profissional (fls. 11 a 16) em substituição ao anteriormente emitido pelo valor global pago no ano, sanando as faltas apontadas no lançamento (fl. 7). A interessada efetuou pagamento de imposto suplementar no valor de R$ 27,50, conforme espelho de DARF que consta dos autos (fl 25). Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), por meio do Acórdão nº 0248.390 (fls. 33/35), de 10/09/2013, cujo dispositivo considerou a impugnação improcedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Somente são admitidas as despesas médicas pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 56DF CARF MF Processo nº 12448.720426/201174 Acórdão n.º 2401006.504 S2C4T1 Fl. 57 3 Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: 1. O ônus da prova do direito às deduções pleiteadas é do sujeito passivo que deve tomar todas as cautelas a fim de demonstrar, indubitavelmente, que faz jus ao benefício em discussão. 2. Como relatado, um dos motivos da glosa da dedução referente ao profissional Fábio Schimidt Dantas foi a falta de indicação do paciente submetido ao tratamento fisioterápico. Apesar de a interessada argumentar que os novos recibos teriam sido emitidos com observância da legislação de regência (fls. 11 a 16), analisandoos verificase que o profissional não indicou o paciente atendido, apenas nomeia a interessada como a responsável pelos pagamentos. 3. Dessa forma, por não terem sido sanadas as faltas apontadas no lançamento, mantémse a glosa em discussão. A contribuinte, por sua vez, inconformada com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fl. 41), requerendo a juntada de novos recibos, retificados, contendo a descrição detalhada do tipo de tratamento fisioterapêutico realizado em benefício da contribuinte. Também requereu a juntada de declaração fornecida pelo profissional informando o atendimento à pessoa do próprio contribuinte. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Mérito. No tocante ao que interesse ao objeto do presente recurso, a acusação fiscal consiste na dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 8.640,00, tendo em vista que os recibos fornecidos eram genéricos, além de não ter a perfeita identificação do paciente beneficiário do serviço prestado, e por não se revestir das formalidades legais necessárias e exigidas. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 12448.720426/201174 Acórdão n.º 2401006.504 S2C4T1 Fl. 58 4 Pois bem. Antes de adentrar ao exame aprofundado da discussão posta, necessário fazer uma breve explanação sobre a legislação pertinente à matéria. A dedução das despesas médicas encontra suporte no art. 8°, II, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, inclusive, trata das condições impostas para a sua legitimidade. É de se ver: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 12448.720426/201174 Acórdão n.º 2401006.504 S2C4T1 Fl. 59 5 Na mesma toada, segue o artigo 80 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época, que tratava da questão da seguinte forma: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideramse despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas Fl. 59DF CARF MF Processo nº 12448.720426/201174 Acórdão n.º 2401006.504 S2C4T1 Fl. 60 6 pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). A respeito da necessidade de comprovação das despesas médicas, o próprio Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, em seu artigo 73, ressalva que as deduções estão sujeitas à comprovação e, as deduções “exageradas”, podem ser glosadas sem a audiência do contribuinte, conforme a seguir se verifica: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Em suma, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda dizem respeito aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Mediante uma análise sistemática da legislação, percebese que, em regra, o recibo é uma das formas de se comprovar a despesa médica, a teor do que prevê o art. 80, § 1°, III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Entretanto, havendo dúvidas razoáveis a respeito da legitimidade das deduções efetuadas, inclusive acerca da (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, ou (b) que o pagamento tenha sido realizado pelo próprio contribuinte, cabe à Fiscalização exigir provas adicionais e, ao contribuinte, apresentar comprovação ou justificativa idônea, sob pena de ter suas deduções glosadas. Feitas essas considerações sobre a legislação de regência que trata da situação dos autos, passo a analisar os pontos duvidosos, a fim de solucionar a lide. No caso dos autos, o contribuinte, com o objetivo de comprovar a legalidade da dedução das despesas com fisioterapia, anexou os recibos de fls. 11/16, recibos retificados de fls. 43/48, e declaração do fisioterapeuta, prestador dos referidos serviços, estes dois últimos, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário. Nessa toada, entendo que a decisão de piso merece reparos. De acordo com a declaração de fl. 42, trazida em sede de recurso, consta a afirmação, do fisioterapeuta, de que a recorrente foi submetida a sessões de fisioterapia, por ter diagnóstico de redução na altura de espaço intervertebral entre L5 e S1 (articulação lombar sacral), tendo sido realizadas 10 sessões mensais (R$ 720,00) no período de janeiro a dezembro de 2007, totalizando no ano, o valor de R$ 8.640,00. Às fls. 43/48, constam 12 (doze) recibos, também apresentados em sede recursal, no valor de R$ 720,00 cada, totalizando o valor de R$ 8.640,00, com menção de que o Fl. 60DF CARF MF Processo nº 12448.720426/201174 Acórdão n.º 2401006.504 S2C4T1 Fl. 61 7 tratamento foi feito em benefício “da própria”, além da indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF do beneficiário e do prestador. A identificação deste último no conselho profissional de classe consta na declaração de fl. 42. Ao meu juízo, os valores estão compatíveis com o mercado, sendo que os serviços foram realizados durante todo o ano de 2007, não havendo, nos autos, indícios que possam levantar suspeitas em desfavor do recibo emitido pelo profissional de saúde, bem como das respectivas declarações sobre o tratamento. Assim, ao meu juízo, para o presente caso, entendo que os recibos, em conjunto com a declaração de fl. 42, que descreve o procedimento fisioterapêutico realizado, cumprem com as formalidades exigidas pela lei para a comprovação das despesas (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99). Dessa forma, entendo que cabe restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor total de R$ 8.640,00. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 8.640,00. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 61DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.901922/2011-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.871
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1832; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.901922/201128 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.871 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de abril de 2019 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente TECUMSEH DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento e declaração de compensação relativos a crédito de PIS/COFINS não cumulativa. A DRF de origem exarou o despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório e homologando as compensações objeto da Dcomp analisada, até o limite do direito creditório remanescente após o procedimento especial de ressarcimento de que trata a Portaria MF 348/2010. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mediante a qual manifestou concordância com a fiscalização em relação aos itens: “6.3. Despesas com alugueis de prédios locados”, “6.4.2. Partes e peças importadas utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente aplicados na produção” e “6.6. Receita na venda de sucatas”; e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 92 2/ 20 11 -2 8 Fl. 515DF CARF MF Processo nº 13851.901922/201128 Resolução nº 3402001.871 S3C4T2 Fl. 3 2 sustentou a legitimidade dos demais créditos, em linhas gerais, sob o conceito de insumo delimitado pelo critério da necessidade/essencialidade dos gastos com bens ou serviços utilizados pela empresa em sua atividade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa abaixo: (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. INSUMOS. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa as despesas com a aquisição de partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que atuem diretamente no processo de fabricação ou produção dos bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa. (...) Cientificada dessa decisão em, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: II 1. Da Legitimidade da Apropriação dos Créditos de COFINS Oriundos dos Serviços Prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Essencialidade dos Serviços na Atividade Produtiva da Recorrente. II. 1.2. Sobre os serviços de condução de veículos industriais prestados pela SERVISYSTEM II. 1.3. Serviços de Administração de Almoxarifado. II. 1.4. Ad Argumentandum Tantum Necessidade de manutenção dos créditos de COFINS ao menos em relação ao fornecimento dos veículos industriais pela Servisystem II.2. Do Direito ao Crédito de PIS Decorrente da Aquisição de Partes. Pecas. Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas Pertencentes à Recorrente Atuação Direta desse Maquinário no Processo de Fabricação ou Produção (Itens 7.4.1 e 7.4.2 do Relatório de Atividade Fiscal) II.2. a. Nulidade do Acórdão Recorrido Falha da Fiscalização Necessidade de Verificação, In loco, da Utilização dos Insumos e das Máquinas no Processo Produtivo da Recorrente Conversão do Julgamento deste Recurso em Diligência II.2.b. Do Direito da Recorrente aos Créditos de COFINS sobre instintos e serviços essenciais à sua linha de produção e aplicados no maquinário que não entram diretamente em contato com o produto final produzido pela Recorrente. II.2.a. Da Efetiva Participação das Máquinas e Insumos no Processo de Produção da Recorrente. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 13851.901922/201128 Resolução nº 3402001.871 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Resolução nº 3402 001.855, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.721690/2011 26. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.855): "Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu no sentido de que o conceito de insumo deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou relevância para o processo produtivo da contribuinte, bem como que há ilegalidade no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. O conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150) não diverge muito do entendimento que já vinha sendo adotado predominantemente neste CARF sobre a matéria, a qual reclama há muito tempo uniformização na jurisprudência em homenagem à segurança jurídica, razões pelas quais se adota desde já o entendimento do STJ veiculado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), cuja ementa consta abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, Fl. 517DF CARF MF Processo nº 13851.901922/201128 Resolução nº 3402001.871 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Os critérios da essencialidade e relevância considerados são aqueles delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa, conforme observação que constou na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF: 35. O STJ, seguindo o voto da Ministra Regina Helena Costa adotou a posição intermediária quanto ao conceito de insumo, ao adotar os critérios de relevância e essencialidade – também adotadas no CARF – e afastando o conceito de insumo da legislação do IPI e IRPJ. De acordo com o voto da Ministra Regina Helena estabeleceuse o critério de relevância – mais abrangente que o de pertinência adotado pelo Ministro Mauro Campbell Marques. Os Ministros Mauro Campbell Marques e Napoleão Nunes Maia Filho realinharam os seus votos para acompanhar Ministra Regina Helena Costa. (...) Observação 1. Observase que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e Fl. 518DF CARF MF Processo nº 13851.901922/201128 Resolução nº 3402001.871 S3C4T2 Fl. 6 5 fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Vale aqui também fazer as ressalvas efetuadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF no sentido de que foi estabelecido no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR somente um conceito abstrato de insumo, cabendo ao julgador ou aplicador da norma avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005. A Receita Federal, por sua vez, trouxe outros delineamentos para a interpretação do conceito abstrato de insumo trazido pelo STJ mediante o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, cujo entendimento também vincula a fiscalização em seus atos. Observase, no entanto, que, para verificar o enquadramento do caso concreto ao referido conceito abstrato de insumo, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas pela fiscalização e pela recorrente. II1. Da Apropriação dos Créditos de Cofins relativos aos serviços prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Um dos contratos celebrados em 2010 com a empresa SERVISYSTEM tem o seguinte objeto: “O objeto da presente contratação é a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de administração de almoxarifados e serviços administrativos, no Projeto denominado “deficientes” nas dependências indicadas pela CONTRATANTE. Também faz parte da presente contratação, a utilização de mão de obra por parte da CONTRATANTE, no que ser refere ao setor de Análise e Estatística da Qualidade, cujos serviços dizem respeito a desmontagem de produtos avariados.” (...) Embora haja nos autos alguma descrição do que seria a administração de almoxarifados, falta um melhor detalhamento acerca do serviço relacionado ao "setor de Análise e Estatística da Qualidade", bem como quanto aos demais "serviços administrativos" ou ao Projeto denominado “deficientes”. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 13851.901922/201128 Resolução nº 3402001.871 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, é conveniente que se solicite à recorrente um laudo técnico com descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado acima e/ou no entendimento veiculado pelo PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da possibilidade de se manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. De outra parte, para uma maior segurança no julgamento pelo Colegiado seria também de grande utilidade um laudo técnico nesses termos relativamente aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA. II.2. Da Aquisição de Partes, Peças, Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas pertencentes à Recorrente Relativamente a este tópico, as glosas foram efetuadas em relação às aquisições diretamente encaminhadas aos centros de custos que não estavam diretamente relacionados ao processo produtivo conforme entendimento da fiscalização (item 7.4.1 do Relatório Fiscal). Os centros de custos foram assim descritos pela fiscalização: Com relação aos centros de custos de "Engenharia de Produtos" e "Desenvolvimento de Novos produtos", relativos ao desenvolvimento de novos processos de fabricação de compressores, haveria a possibilidade de creditamento caso os itens adquiridos para estes centros (partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços) atendessem aos Fl. 520DF CARF MF Processo nº 13851.901922/201128 Resolução nº 3402001.871 S3C4T2 Fl. 8 7 requisitos constantes no item 8.1 ("Pesquisa e Desenvolvimento") do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Relativamente aos centros de custos de manutenção, quais sejam, Construção e Reforma de Máquinas; Ferramentaria; Fábrica geral; Funilaria e Manutenção Industrial; há, em tese, a possibilidade de creditamento como insumos somente para os bens e serviços que não devam ser objeto de ativação (creditamento por encargos de depreciação). Essa matéria também foi tratada no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 no item 7.1 ("Manutenção periódica e substituição de partes de ativos imobilizados"). Assim, a recorrente deve ser intimada para que apresente Laudo Técnico acerca da análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção ou de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no Fl. 521DF CARF MF Processo nº 13851.901922/201128 Resolução nº 3402001.871 S3C4T2 Fl. 9 8 REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 522DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.730294/2013-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
Numero da decisão: 9303-008.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estar-se diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificando-se ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1637; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10166.730294/201391 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.439 – 3ª Turma Sessão de 16 de abril de 2019 Matéria AI. PIS/COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FUNDAÇÃO BANCO CENTRAL DE PREVIDÊNCIA PRIVADA CENTRUS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. EXIGÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. A demonstração da divergência jurisprudencial pressupõe estarse diante de situações fáticas semelhantes às quais, pela interpretação da legislação, sejam atribuídas soluções jurídicas diversas. Verificandose ausente a necessária similitude fática, tendo em vista que no acórdão paradigma não houve o enfrentamento da mesma matéria presente no acórdão recorrido, não se pode estabelecer a decisão tida por paradigmática como parâmetro para reforma daquela recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 02 94 /2 01 3- 91 Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10166.730294/201391 Acórdão n.º 9303008.439 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Locke Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 3201002001, de 26/01/2016, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009 SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA BASE DE CÁLCULO. A entidade de previdência privada aberta ou fechada está obrigada a contribuir para a Cofins com base na receita bruta mensal. FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO INSTITUÍDA OU MANTIDA PELO PODER PÚBLICO. ISENÇÃO. ARTS. 14, X, E 13, VIII, DA MP 2.15835/2001. Não se aplica às entidades fechadas ou abertas de previdência privada a hipótese de isenção de que trata o art. 14, X, combinado com o art. 13, VIII, da MP n° 2.15835/2001. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PROVISÕES TÉCNICAS. LIMTE. No cálculo do limite da exclusão de que trata o § 7º do art. 3º da Lei nº 9.718, inserido pela MP nº 2.15835/2001, deve ser adotado o conceito de provisões técnicas estabelecido na Resolução CNPC nº 12, de 19/08/2013. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2009 SOCIEDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA BASE DE CÁLCULO. A entidade de previdência privada aberta ou fechada está obrigada a contribuir para o PIS com base na receita bruta mensal. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PROVISÕES TÉCNICAS. LIMTE. No cálculo do limite da exclusão de que trata o § 7º do art. 3º da Lei nº 9.718, inserido pela MP nº 2.15835/2001, deve ser adotado o conceito de provisões técnicas estabelecido na Resolução CNPC nº 12, de 19/08/2013. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10166.730294/201391 Acórdão n.º 9303008.439 CSRFT3 Fl. 4 3 Recurso voluntário provido em parte. A parte destacada da ementa é contra qual se insurge a Fazenda Nacional. Ela reclama da possibilidade de aplicação retroativa do conceito de provisões técnicas estabelecido na Resolução CNPC nº 12, de 19/08/2013. Afirma que tal conceito não poderia ser utilizado para os fatos geradores do ano calendário de 2009, como no presente processo. O recurso especial foi integralmente admitido pelo então presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em contrarrazões o contribuinte pede o não conhecimento do recurso especial fazendário e, caso conhecido, o seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo, porém devemos analisar o seu conhecimento quanto à necessária comprovação da divergência jurisprudencial. Nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é necessário que o contribuinte demonstre que outras turmas do CARF, analisaram a mesma matéria e deram à legislação tributária interpretações diferentes em relação ao acórdão recorrido. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) (...) § 6º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas) decisões divergentes por matéria. (...) Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10166.730294/201391 Acórdão n.º 9303008.439 CSRFT3 Fl. 5 4 § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. (...) Portanto, passemos a analisar as situações fáticas do acórdão recorrido em comparação com os dois acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional. Situação fática e jurídica do acórdão recorrido O processo decorreu de lançamento para exigência de PIS e Cofins da Centrus Entidade Fechada de Previdência Complementar dos servidores do Banco Central do Brasil, para todo o ano calendário de 2009, nos termos dos art. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. No acórdão recorrido, as matérias colocadas em discussão no recurso voluntário do contribuinte restringiramse a: 1) possibilidade de isenção da Cofins e do recolhimento do PIS com base em sua folha de salários, tendo em vista as disposições constantes dos art. 13, VIII e 14, X da MP nº 2.15835/2001, com o fundamento de o contribuinte ser uma Fundação instituída ou mantida pelo poder público; e 2) caso não admitida a alegação 1, que haveria problemas na composição da base de cálculo lançada pela fiscalização, sobretudo em relação ao conceito de Provisões Técnicas a serem alí excluídas. O acórdão recorrido afastou o primeiro argumento, assentando a incidência do PIS e da Cofins calculados sobre o faturamento da contribuinte. Reconheceu porém ser aplicável o conceito de Provisões Técnicas estabelecido pela Resolução CNPC nº 12, de 19/08/2013, tese que resultaria em uma exclusão maior da base de cálculo do que a aplicada pela fiscalização. Confira trechos do voto, com meus destaques: (...) Em conformidade com a Resolução CNPC nº 12, de 19/08/2013 (publicada depois do fato gerador, mas antes da formalização do lançamento), as Provisões Técnicas são o resultado do somatório das Provisões Matemáticas, do Equilíbrio Técnico, dos Fundos, do Exigível Operacional e do Exigível Contingencial, correspondendo à “totalidade dos compromissos dos planos de benefícios Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10166.730294/201391 Acórdão n.º 9303008.439 CSRFT3 Fl. 6 5 previdenciais administrados pelas entidades fechadas de previdência complementar”. Para a fiscalização, todavia, as Provisões Técnicas correspondem ao Exigível Atuarial (conta contábil – 2.3) e à Reserva de Contingência (conta contábil – 2.4.1.1.01.01; margem de segurança), esta constituída no percentual de até 25% da Provisão Matemática (Exigível Atuarial). Notese que o § 7º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, apenas dispõe que a exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins se restringe aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante dessas mesmas provisões, mas em nenhum momento define o que vêm a ser as tais “provisões técnicas”. E a sua definição, obviamente, só pode ser extraída das normas que disciplinam os procedimentos contábeis das entidades fechadas de previdência complementar, aquelas, portanto, expedidas pelo CNPC, órgão regulador do Regime de Previdência Complementar operado pelas entidades fechadas de previdência complementar. A razão é tão evidente que dispensaria maiores comentários. (...) Contudo, conforme vetusta regra de hermenêutica, não cabe ao intérprete restringir o que a lei não restringiu, notadamente quando há norma estabelecendo, para entidades com a mesma natureza da Recorrente, o conceito de provisões técnicas. Logo, a definição de provisões técnicas deve ser buscada na Resolução CNPC nº 12, de 19/08/2013. E não obsta essa aplicação o fato de ter sido publicada depois do fato gerador, uma vez que, na data do lançamento, estava plenamente vigente. Ademais, como é sabido, “A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”, consoante art. 110 do CTN. (...) Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para que, no cálculo do limite da exclusão de que trata o § 7º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, seja adotado o conceito de provisões técnicas estabelecido na Resolução CNPC nº 12, de 19/08/2013. Portanto verificase que o acórdão recorrido interpretou a legislação da época da ocorrência dos fatos geradores, utilizandose de conceito contábil de "provisões técnicas" estabelecido em data posterior à ocorrência do fato gerador mas antes do lançamento de ofício. Estabeleceu que este conceito não está na legislação tributária, cujo conteúdo então deve ser buscado no direito privado, com fundamento no art. 110 do CTN. Situação fática e jurídica do acórdão paradigma nº 9303003268 Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10166.730294/201391 Acórdão n.º 9303008.439 CSRFT3 Fl. 7 6 Nele a discussão era relativa a um lançamento de ofício do PIS referentes aos fatos geradores de janeiro/95 a dezembro/99. Da mesma forma a discussão advinha do entendimento do contribuinte, também uma Entidade Fechada de Previdêrncia Complementar, que a sua contribuição ao PIS era somente a decorrente da sua folha salarial. O relator do acórdão, ilustre exconselheiro Henrique Pinheiro Torres, assim delimitou a lide: (...) A teor do relatado, a questão trazida no recurso especial diz respeito forma de tributação das entidades de previdência privada. Pela decisão recorrida, a base de cálculo do PIS é a receita bruta deduzida das exclusões legais. No entender do recorrente a base de cálculo é a folha de pagamento, uma vez que se considera uma entidade sem fins lucrativos. Ressalta, ainda, que no período anterior a outubro de 1999 não possuía empregados, consequentemente não havia folha de pagamento/salário, sendo indevido qualquer valor do PIS. Cravada a lide, passo à análise. (...) Não há uma discussão sequer sobre qual o conceito a ser utilizado em relação às provisões técnicas. Quanto ao mérito, da forma de tributação, os acórdãos são convergentes, ambos definindo que a Entidade Fechada de Previdência Complementar devem recolher as contribuições sobre o seu faturamento, admitidas as exclusões previstas na legislação. Situação fática e jurídica do acórdão paradigma nº 20312067 Nele a discussão era relativa a um lançamento de ofício do PIS referentes aos fatos geradores de janeiro/96 a dezembro/2000. Da mesma forma a discussão advinha do entendimento do contribuinte, aliás a mesma Fundação Centrus do presente processo, que a sua contribuição ao PIS era somente a decorrente da sua folha salarial. Em suas defesas, também o contribuinte argumentava incorreções técnicas na apuração da base de cálculo do tributo efetuado pela fiscalização. Portanto, basicamente a mesma discussão travada no presente processo, ressaltando diferenças relevantes quanto aos períodos de apuração, no paradigma anoscalendários de 1996 a 2000, no acórdão recorrido anocalendário de 2009. Importante ressaltar que o acórdão paradigma foi proferido em sessão de 24/05/2007, portanto não tem razão a Fazenda Nacional em invocálo pois o ato interpretativo, fundamental para o deslinde do acórdão recorrido, foi a Resolução CNPC nº 12, editada em Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10166.730294/201391 Acórdão n.º 9303008.439 CSRFT3 Fl. 8 7 19/08/2013. Assim como estabelecer um parâmetro a confirmar a divergência jurisprudencial, uma vez que o colegiado paradigmático não poderia ter afastado a aplicação de uma norma até então inexistente. Correta ou não a decisão do acórdão recorrido, verdade é que a Fazenda Nacional deveria ter colacionado no mínimo um acórdão paradigma que tivesse enfrentado situação jurídica semelhante. A divergência deveria ser estabelecida com um acórdão que, instado a aplicar um conceito estabelecido em data posterior ao fato gerador, mas antes do lançamento, tenha afastado a sua aplicação. Consideração final válida para os dois acórdãos paradigmas Ao analisar o despacho de admissibilidade do recurso especial, constatase que o analista deu especial ênfase à frase "previstas na legislação em vigor à época dos respectivos fatos geradores", constantes nas duas ementas dos acórdãos paradigmas. Confira suas ementas: Acórdão Paradigma nº 9303003268 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1999 Ementa. PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADAS. As entidades fechadas de previdência privada, como é o caso da recorrente, estavam obrigadas ao recolhimento da contribuição definida pela Lei Complementar nº 7/70, mediante a aplicação do percentual de 0,75% incidente sobre a sua receita bruta operacional. As exclusões da base de cálculo do PIS para as entidades de previdência privada fechadas são aquelas previstas na legislação em vigor à época dos respectivos fatos geradores. Recurso Negado. Acórdão Paradigma nº 20312067 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1996 a 31/12/2000 Ementa:PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA FECHADAS. As exclusões da base de cálculo do PIS para as entidades de Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10166.730294/201391 Acórdão n.º 9303008.439 CSRFT3 Fl. 9 8 previdência privada fechadas são aquelas previstas na legislação em vigor à época dos respectivos fatos geradores. Por "parcela das contribuições destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas" não há que se compreender estejam incluídos também os rendimentos do Programa de Investimentos que retomam para os programas Previdencial e Administrativo. (...) O que se extrai do propósito desta frase, na análise do voto, sobretudo do segundo acórdão paradigma, o qual entrou em aspéctos técnicos da apuração da base de cálculo do PIS, é que no amplo período do lançamento, fatos geradores de 01/1996 a 12/2000, houve mudança da legislação atinente à apuração da base de cálculo. Constatase que o relator em seu voto extratificou em detalhes as alterações legislativas estabelecendo situações diferenciadas da seguinte maneira: a) 05/94 a 01/95; b) 01/96 a 05/96; c) 06/96 a 01/99; e d) 02/99 a 12/2000. aplicando para cada período de apuração a lei vigente correspondente. Diante de todo o exposto, e considerando estar demonstrado que não há qualquer semelhança fática e jurídica entre o acórdão recorrido e os paradigmas, voto por não conhecer o recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10166.730294/201391 Acórdão n.º 9303008.439 CSRFT3 Fl. 10 9 Declaração de Voto Conselheiro Demes Brito Em que pese concordar com o excelente fundamento do Ilustre Relator, o qual acompanhei, a presente declaração de voto tem como objetivo dirimir quaisquer dúvidas referente a um eventual conflito de interesse/ou impedimento. Com efeito, o presente processo foi distribuído para apreciação do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional sob minha relatoria, ocorre que, á época o processo estava dentro do prazo regimental (6 meses) apto para ser relatado, contudo, nos termos do art. 42, inciso II, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constatei estar impedido de atuar como Relator do caso, pelo fato do patrono (Pinheiro Neto Advogados), manter relação de eventual serviço de advocacia com o cônjuge deste Conselheiro, sendo noticiado em 01/08/2018 17 h/05 minutos, imediatamente solicitei a retirada de pauta do referido processo, sendo os autos devolvidos para Secretaria da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, para que fosse providenciado um novo sorteio. Em 15/09/2018, fui informado que o patrono ( Pinheiro Neto Advogados) e a Companhia, a qual a esposa deste Conselheiro trabalha, não pactuaram nenhum contrato de prestação de serviço, de modo que, não se configura qualquer impedimento ou conflito de interesse por este Conselheiro ter participado do presente julgamento. Portanto, não há qualquer impedimento ou conflito de interesse no presente julgado. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1084DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.004311/2007-90
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO ANTES DA SUA CONFISSÃO EM DCTF. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
O recolhimento do tributo anteriormente à sua confissão em DCTF retificadora configura denúncia espontânea para fins de exclusão da multa de mora. Aplicação de entendimento do STJ em julgamento de recursos repetitivos, conforme determina o art. 62, §2º, do RICARF.
Numero da decisão: 9101-004.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demetrius Nichele Macei.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Rogério Aparecido Gil (Suplente convocado).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Rogério Aparecido Gil (Suplente convocado).
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RECOLHIMENTO DO TRIBUTO ANTES DA SUA CONFISSÃO EM DCTF. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. O recolhimento do tributo anteriormente à sua confissão em DCTF retificadora configura denúncia espontânea para fins de exclusão da multa de mora. Aplicação de entendimento do STJ em julgamento de recursos repetitivos, conforme determina o art. 62, §2º, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demetrius Nichele Macei. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano, Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Rogério Aparecido Gil (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 43 11 /2 00 7- 90 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre a exigência de multa de mora. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 180301.110, de 22/11/2011, por meio do qual a 3ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidiu reconhecer a ocorrência da denúncia espontânea e afastar a multa de mora exigida nos presentes autos. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 MULTA DE MORA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 138 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Configurase a denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN o pagamento do tributo antes de qualquer procedimento de ofício ou declaração do débito em DCTF. O instituto da denúncia espontânea elide a exigência da multa de mora. (Inteligência do REsp STJ nº 1.149.022, representativo de controvérsia Art. 543C do CPC e art. 62A do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL a Segunda Turma da CSRF e a Sétima Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes esposaram entendimento divergente ao ventilado pela Câmara a quo. Com efeito, tratando de caso análogo ao vertente, o órgão prolator do paradigma abaixo transcrito chegou a conclusão inteiramente distinta sobre a interpretação da norma tributária. Senão vejamos: Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 4 3 Acórdão CSRF/0201.715 COFINS – DENÚNCIA ESPONTÂNEA E MULTA DE MORA. É perfeitamente legal a imposição de multa moratória àqueles que, mesmo espontaneamente, paguem seus tributos após transcurso do prazo de vencimento. Recurso especial provido. Acórdão 10709278 IRPJ – RECOLHIMENTO EM ATRASO – DENÚNCIA ESPONTÂNEA – EXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA O preceito do art. 138 do Código Tributário Nacional elide a aplicação de penalidade pecuniária quando o contribuinte inadimplente, ainda que a destempo, cumpre a obrigação sem a necessidade de formalização do lançamento de ofício. A regra do art. 138 do CTN, no entanto, não afasta a exigibilidade da multa moratória, despida de específico caráter punitivo. Precedentes deste Conselho. portanto, aclarados esses pontos, resta evidente o dissídio jurisprudencial invocado; com efeito, verificase a similitude entre as molduras fáticas dos casos confrontados e as conclusões diversas extraídas de diferentes interpretações da norma jurídica; nessas condições, afiguramse presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso especial segundo disposições do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; DA NECESSIDADE DE REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO bem ao contrário do que ficou estabelecido na decisão ora impugnada, o benefício estatuído no art. 138 do CTN não produz o efeito pretendido pelo contribuinte, jamais excluindo a incidência da multa moratória; a denúncia espontânea não dispensa o contribuinte do pagamento da multa de mora em função de atraso no recolhimento do tributo. A interpretação esposada pela decisão recorrida está equivocada, pois parte de uma análise que desconsidera o contexto em que está inserido o art. 138 do CTN; com efeito, o referido preceito compõe a Seção IV do Capítulo V (Responsabilidade Tributária) do CTN, a qual abrange os seguintes artigos: [...]; a responsabilidade é uma técnica que permite ao Fisco receber o crédito tributário de pessoas que, muito embora não sejam os sujeitos passivos da obrigação, isto é, os contribuintes, estão ligadas a este ou ao fato gerador da obrigação; daí cogitarse, em verdade, de dois sujeitos passivos da obrigação tributária: o contribuinte e o responsável tributário. Este se torna o obrigado principal da obrigação todas Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 5 4 as vezes em que o contribuinte, por qualquer motivo, é afastado do cumprimento da obrigação, seja por impossibilidade, seja por conveniência do legislador; para que não restem dúvidas, confirase o art. 128 do Código Tributário: [...]; como se percebe, a responsabilidade tributária é uma técnica de proteção ao crédito tributário, pois, mesmo que o contribuinte se impossibilite de cumprir com a obrigação tributária, terceiras pessoas o farão pelo mesmo; o Código regula três espécies de responsabilidade tributária, sem prejuízo de outras que vierem a ser posteriormente criadas pela lei: a responsabilidade dos sucessores (arts. 12933), a responsabilidade de terceiros (arts. 1345) e a responsabilidade por infrações (arts. 1368); com efeito, a responsabilidade por infrações relacionase aos crimes e contravenções de natureza tributária. O art. 136 do CTN encerra o princípio geral nessa matéria, segundo o qual: a infração tributária é eminentemente formal, isto é, “independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”; dessa maneira, praticada uma infração tributária, não haverá espaço para se aquilatar circunstâncias atenuantes ou agravantes, causas de aumento ou de diminuição de pena ou mesmo a presença ou não de alguma dirimente penal. Tais conceitos são exclusivos do Direito Penal e não se aplicam, a teor do art. 136, às infrações de natureza tributária; expostas essas premissas, já é possível entender a razão do art. 138; este dispositivo abre uma exceção àquela regra geral, de modo que, mesmo sendo as infrações tributárias eminentemente formais, a responsabilidade do contribuinte ou responsável pode ser excluída pela denúncia espontânea. É claro que o que se exclui é a responsabilidade pela prática da infração tributária e não o pagamento da mora; dessa maneira, o contribuinte ou responsável, ao praticar uma infração de índole tributária, poderá evitar a aplicação da penalidade cominada (atinente ao art. 137 isto é, crimes e contravenções) fazendo a denúncia espontânea de sua prática. Em suma: a natureza jurídica da confissão espontânea é a de uma causa extintiva da punibilidade, à semelhança daquelas elencadas no art. 107 do Código Penal; ora, sendo a confissão espontânea, em realidade, uma causa extintiva de punibilidade específica para os crimes tributários, é evidente que o que a mesma exclui é a possibilidade do contribuinte ou responsável serem apenados com a perda de sua liberdade por terem cometido um crime fiscal. E isso por uma razão muito simples: a extinção da punibilidade, seja no tocante aos crimes fiscais, seja no tocante aos crimes comuns, não afasta os efeitos secundários da prática criminosa. Tanto assim é que, por exemplo, a extinção da punibilidade por uma qualquer causa do art. 107 do Código Penal não impede que a vítima ou seus parentes pleiteiem a respectiva reparação civil; do mesmo modo, a extinção da punibilidade tributária não impede a aplicação dos juros de mora, que são efeitos secundários e reflexos da prática infracional tributária; Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 6 5 sobreleva notar que, mesmo na hipótese de o contribuinte ou responsável elidir, via denúncia espontânea a responsabilidade do art. 137 do CTN, a mora continua devida. É que o art. 138 afasta apenas a responsabilidade tributária e não a mora. Basta atentar para a sua dicção: “A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora ...”. O termo “responsabilidade” outro significado não pode ter que não a que resulta do art. 137; o dispositivo expressa também que a aplicação da mora só se dá quando “for o caso”. Perguntase: quando ocorre o “caso” de que fala o dispositivo? Quando a lei assim o determinar. A responsabilidade é excluída; mas, no que diz respeito à mora, é preciso observar o que fala a lei tributária. No caso destes autos, infelizmente para o recorrente, a lei tributária não dispensou o pagamento do tributo e da mora. Destarte, mesmo que o recorrente tenha feito a confissão espontânea, como a lei exige, o tributo e a mora (no caso, apenas a mora) são devidos; ademais, para o desate da controvérsia, fazse também necessário destacar a natureza da referida multa; a multa moratória é devida em razão do descumprimento de obrigação tributária principal, enquanto a multa de ofício constitui uma sanção às infrações formais, que são aquelas que decorrem do não cumprimento de obrigações tributárias acessórias ou dos deveres instrumentais; desse modo, é cabível a multa de mora sempre que o tributo é recolhido fora do prazo devido, não se caracterizando propriamente por ser uma sanção/punição ao contribuinte que se encontra em atraso, mas sim, por ser uma forma de retomar o equilíbrio do erário, que se encontrava abalado em razão do não ingresso de verbas esperadas em determinado momento; caso a espontaneidade do recolhimento do tributo antes de qualquer procedimento fiscal autorizasse o afastamento da indigitada multa, haveria um estímulo para o pagamento em atraso. Além disso, eximir o inadimplente da multa moratória seria desprezar o direito do pagador pontual. Sendo assim, por que, então, pagar os tributos em dia? Significaria ignorar o princípio da isonomia, veiculado no art. 5º da Constituição da República, uma vez que estaria sendo dado o mesmo tratamento a hipóteses inteiramente desiguais. Portanto, embora o art. 138 do Código Tributário Nacional silencie sobre a cobrança de multas, a melhor exegese é pela exclusão, tãosomente, da multa de ofício; concluise, pois, que a denúncia espontânea não tem o condão de exonerar o contribuinte do pagamento da multa moratória. Ao contrário, o referido artigo 138 do Código Tributário Nacional em nada impede sua aplicação, isto porque se refere apenas à exclusão da responsabilidade do contribuinte pela multa de caráter punitivo, quando, antes de qualquer procedimento fiscal relacionado com o fato ilícito, o sujeito passivo efetua o pagamento do tributo devido, acrescido dos juros de mora e da multa moratória; é importante reiterar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também já se posicionou no sentido de que o art. 138 do CTN não dispensa o pagamento da multa de mora, quando o contribuinte, mesmo antes de qualquer medida de fiscalização, não recolhe, no prazo certo, tributo declarado. Confirase a seguinte ementa: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 7 6 “TRIBUTÁRIO AUTO LANÇAMENTO TRIBUTO SERODIAMENTE RECOLHIDO MULTA DISPENSA DE MULTA (CTN/ART. 138) IMPOSSIBILIDADE CONTRIBUINTE EM MORA COM TRIBUTO POR ELE MESMO DECLARADO NÃO PODE INVOCAR O ART. 138 DO CTN, PARA SE LIVRAR DA MULTA RELATIVA AO ATRASO”. [Recurso Especial n.º 180.918/SP (98/00493263), Relator Min. Humberto Gomes de Barros, Primeira Turma, DJ de 14.02.2000]. como se vê, tal entendimento confirma a impossibilidade de se dispensar, com base no art. 138 do CTN, o pagamento da multa por atraso. O recorrente, ao reconhecer sua dívida e ao recolhêla após a data de vencimento, obrigase, inevitavelmente, ao pagamento da multa de mora, em função do mandamento legal que a prevê; no julgamento do acórdão paradigma CSRF/0201.715, o eminente Conselheirorelator chamou a atenção para a vigência do art. 59 da Lei nº. 8.383/91, que dispõe que “os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente”; resta inequívoco que o art. 138 do CTN se reporta ao art. 137 do mesmo diploma, de modo que a denúncia espontânea não exonera o contribuinte do pagamento da multa de mora nos casos de pagamento do tributo fora do seu prazo de vencimento, razão pela qual a decisão ora impugnada merece ser reformada; PEDIDO ex positis, a União (Fazenda Nacional) requer seja dado provimento ao Recurso Especial para reformar a decisão recorrida e restaurar o inteiro teor da decisão de primeira instância administrativa. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1400 000.119/2013, exarado em 17/10/2013, deu seguimento ao recurso especial, fundamentando essa decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: Tratase de RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, com fulcro no art. 67 (anexo II) do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009 – RICARF, interposto pela PFN em face do acórdão nº 180301.110, proferido pela Terceira Turma Especial da Primeira Seção de julgamento na sessão de 22/11/2011. Aludido recurso, interposto tempestivamente, está manejado em relação à matéria “Multa de Mora. Exigência de Ofício. Denúncia Espontânea”, assim ementado: [...] Aduz a Recorrente, em síntese, que é cabível a manutenção da multa de mora, por considerar que a denúncia espontânea não possui o condão de afastar a penalidade moratória, e aponta divergência trazendo à colação Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 8 7 acórdãos paradigmas, dentre os quais o acórdão CSRF/0201.715, cuja ementa quanto a essa matéria transcrevo: [...] Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a Recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. A divergência é patente: no acórdão recorrido ficou entendido que denúncia espontânea elide a cobrança de multa de mora. Por seu turno, no paradigma, a decisão foi no sentido de manter a penalidade, por entender que uma vez que transcorrido o prazo para pagamento do tributo é perfeitamente legal a sua cobrança, mesmo em sede de denúncia espontânea. Por tais razões, neste juízo de cognição sumária, concluise pela caracterização das divergências de interpretação suscitada. Pelo exposto, do exame dos requisitos de admissibilidade, PROPONHO, com base no artigo 25 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/09, c/c itens 4.1 e 4.3 da Ordem de Serviço CARF nº 01, de 22/10/09, seja ADMITIDO o recurso especial interposto. Em 25/11/2013, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 04/12/2013, ela apresentou tempestivamente contrarrazões, com os seguintes argumentos: BREVE RELATO DOS FATOS os presentes autos referemse a multa moratória lavrada em face da COMPAGAS, no valor de R$ 58.060,70, decorrente de IRPJ da competência de 11/2002, apurado a posteriori pela contribuinte e quitado em 28/11/2003, com atualização monetária e juros de mora (taxa selic), antes de qualquer procedimento fiscalizatório iniciado pela Receita Federal do Brasil; a autoridade fiscal lavrou o auto de infração, pois não considerou válida a denúncia espontânea efetivada pela contribuinte, apesar desta ser sido efetivada cumprindo todos os requisitos dispostos em lei, quais sejam: pagamento do tributo espontaneamente em 28/11/2003, acrescido de atualização monetária e juros de mora (taxa selic), antes de qualquer procedimento fiscalização por parte da autoridade fiscal administrativa; frisese que o pagamento em atraso efetivado pela contribuinte ocorreu antes de qualquer procedimento fiscalizatório e antes da apresentação da DCTF retificadora respectiva, que se deu apenas em 22 de agosto de 2006, caracterizando o procedimento adotado pela contribuinte como denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN; a DRJ de Curitiba julgou procedente o auto de infração, já este E. Conselho de Contribuintes ao analisar o conteúdo fático probatório contido nos autos entendeu que estava caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, com base no seguinte entendimento do Relator (Dr. Walter Adolfo Maresh), in verbis: [...]; Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 9 8 em face do acórdão supracitado, a Fazenda nacional propôs Recurso Espacial, com fundamento no art. 67, do Regulamento Interno do CARF, do qual ora se apresenta contrarrazões; no entanto, o Recurso Especial proposto pela Fazenda Nacional não merece ser acolhido, pois o acórdão 180301.110 está em consonância com o entendimento E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme os fundamentos jurídicos abaixo expostos; DAS CONTRARRAZÕES apesar do recurso interposto pela Fazenda Nacional dispor que a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não exonera a aplicação da multa moratória, mas somente as de caráter punitivo, tal entendimento não merecer prosperar, senão vejamos; sabiamente, o legislador ao elaborar o Código Tributário Nacional inseriu no texto legal dispositivo através do qual libera o contribuinte da imposição da multa, moratória ou de ofício (caráter punitivo) pelo inadimplemento de tributo , desde que o administrado procure espontaneamente a administração pública com finalidade de denunciar a ocorrência da infração. Dispõe o art. 138 do Código Tributário Nacional sobre a responsabilidade do contribuinte por infrações cometidas frente a legislação tributária: [...]; a recorrida, pretendendo saldar o débito tributário apurado em atraso, parte de IRPJ 11/2002, NÃO DECLARADO EM DCTF, quitou espontaneamente, em data de 28/11/2003, o valor devido a titulo do tributo em questão, acrescidos de juros de mora e correção monetária (taxa selic), conforme se depreende dos documentos constantes dos autos; o instituto da Denúncia Espontânea foi originalmente inserido no Ordenamento Jurídico Pátrio com principal objetivo de evitar a sonegação fiscal, estimulando os contribuintes que porventura tenham deixado de recolher determinado valor referente à alguma exação tributária, a fazêlo; para tanto, decidiu o Legislador excluir a responsabilidade do contribuinte em mora no que tange às penalidades fiscais aplicáveis quando do atraso na declaração e quitação de tributos, caso este tome a iniciativa, antes de sofrer qualquer processo de fiscalização, de recolher espontaneamente aos cofres públicos o valor do tributo, acrescido da correção monetária e dos juros de mora; vêse, desta forma, que a Denúncia Espontânea consiste em um instrumento destinado a motivar (estimular) o contribuinte, por meio da exclusão da penalidade pecuniária (multa) que seria imposta caso fosse apanhado em mora pelo fisco, a cumprir com suas obrigações tributárias não declaradas; frisese que o pagamento do débito, não declarado pela impetrante, aconteceu anteriormente ao início de qualquer procedimento de fiscalização, sendo que somente em 22/08/2006 que a contribuinte apresentou a DCTF retificadora; cumpre esclarecer que o presente caso não se trata de mero pagamento em atraso de tributo declarado ao fisco e utilização do instituto da denúncia espontânea para se exonerar da multa moratória, o que é vedado pela jurisprudência pátria; Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 10 9 o caso em apreço referese efetivamente a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, que exonera a aplicabilidade de qualquer penalidade, desde que cumprido os requisitos legais, quais sejam, a) o recolhimento da importância mais juros de mora; e b) inexistência de anterior processo de fiscalização relacionados com a infração; o recolhimento da importância acrescida de juros de mora encontrase plenamente configurado, pois a ora recorrida quitou integralmente o IRPJ da competência 11/2002, não declarado inicialmente em DCTF (a declaração somente ocorreu em 22/08/2006 através da DCTF retificadora), porém devidos ao fisco federal, acrescido de atualização monetária e juros de mora, conforme se verifica do DARF e da DCTF anexos; o segundo requisito exigido pelo artigo 138 do CTN, qual seja, a inexistência de anterior processo de fiscalização relacionado com a infração, encontrase também satisfeito. Tal assertiva decorre da inexistência de Processo de Fiscalização, o qual necessariamente deve ser iniciado pela Autoridade Fiscal antes da apresentação da Denúncia Espontânea, o que claramente não ocorreu no caso em tela; inclusive este é o entendimento do próprio CARF sobre a matéria: [...]; sendo assim, satisfeitas as duas exigências legais, a Denúncia Espontânea operase de forma plena e eficaz, produzindo o efeito que lhe é inerente: a exclusão da responsabilidade do contribuinte e a conseqüente inexigibilidade de qualquer tipo de multa (moratória ou punitiva); desta forma resta demonstrado que no presente caso ocorreu a denúncia espontânea, e não simples pagamento em atraso de tributo, não podendo o fisco federal exigir o pagamento da multa moratória de 20%, sobre o valor do tributo pago em atraso; DO REQUERIMENTO ante o exposto, aliado ao notório conhecimento jurídico que norteiam Vossas Senhorias, rogase pela manutenção integral do acórdão n° 180301.110, proferida pela Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negando provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A divergência jurisprudencial que chega para ser examinada nessa fase de recurso especial diz respeito à aplicação da regra de denúncia espontânea (CTN, art. 138) para fins de afastamento da multa de mora que foi exigida em razão de recolhimento extemporâneo de tributo. Observo que o despacho de exame de admissibilidade, ao dar seguimento ao recurso especial, só cotejou o acórdão recorrido com um dos paradigmas apresentados, no caso, com o Acórdão CSRF/0201.715. É preciso registrar, então, que o segundo paradigma, Acórdão nº 10709.278, cuja ementa também está transcrita no relatório que antecede este voto, serve igualmente para a comprovação da alegada divergência. Os dois paradigmas defendem um entendimento amplo de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a exigência da multa de mora, enquanto que o acórdão recorrido aplicou a regra de denúncia espontânea para afastar a multa de mora. Adentrando no mérito, cabe consignar que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou a respeito da situação específica que se verifica no acórdão recorrido, consolidando, em julgamento de recursos repetitivos, o entendimento de que em casos como o presente deve ser reconhecida a denúncia espontânea e afastada a multa de mora pelo atraso no recolhimento do tributo. Vale observar a ementa do julgamento do Recurso Especial n˚ 1.149.022, processado conforme as regras do artigo 543C da Lei n˚ 5.869/1973 (antigo CPC): RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 12 11 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parcelamento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifos acrescidos) Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10980.004311/200790 Acórdão n.º 9101004.160 CSRFT1 Fl. 13 12 Esse entendimento do STJ deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 62 [...] §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O acórdão recorrido registra que o auto de infração objeto do presente processo diz respeito a "lançamento de ofício de multa de mora isolada, em virtude do recolhimento de IRPJ em atraso efetuado em 28/11/2003 e vinculado ao débito constante da DCTF retificadora entregue em 22/08/2006, cujo recibo de entrega consta da fl. 42". Restou bem evidenciado que a contribuinte primeiro recolheu o débito e, posteriormente, declarouo na DCTF retificadora. Portanto, deve ser aplicado o entendimento fixado pelo STJ na decisão acima transcrita, para fins de reconhecer a denúncia espontânea e afastar a exigência da multa de mora. Desse modo, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. Em síntese, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.918684/2011-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem junte aos autos cópias do Termo de Verificação Fiscal e demais documentos referentes ao trabalho da auditoria fiscal.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem junte aos autos cópias do Termo de Verificação Fiscal e demais documentos referentes ao trabalho da auditoria fiscal. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem junte aos autos cópias do Termo de Verificação Fiscal e demais documentos referentes ao trabalho da auditoria fiscal. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de nº 13087.44057.091008.1.5.099728, no montante de R$ 3.986.645,83, relativo a crédito de Cofins nãocumulativa exportação, apurado no 3º trimestre de 2007. Vinculada ao PER foi transmitida a Declaração de Compensação (Dcomp) de n. 26328.31437.051108.1.7.093499. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .9 18 68 4/ 20 11 -9 9 Fl. 547DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 3 2 Em 02/12/2011 foi emitido Despacho Decisório (rastreamento de n. 013481990) de análise do crédito solicitado no PER, que informa que a Dcomp foi parcialmente homologada, tendo utilizado totalmente o crédito deferido de R$ 156.012,96, de modo a não restar nenhum valor a ser ressarcido. Segundo o Despacho Decisório, a descrição do procedimento fiscal de análise do crédito está disponível no site da Receita Federal do Brasil. Em acesso ao endereço indicado, constatase a existência de três documentos: Termo de Verificação Fiscal (TVF), Anexos ao TVF e intimações realizadas. Segundo o referido TVF, solicitouse à contribuinte a apresentação de arquivos digitais, de documentos fiscais comprobatórios dos créditos, a descrição do processo produtivo com identificação dos principais bens e serviços utilizados como insumos e a apresentação de demonstrativos mensais de receitas de exportação. A autoridade fiscal explica que, em resposta, a interessada entregou os documentos solicitados e informou que apenas nos meses de junho/2006, agosto/2006, setembro/2006, novembro/2006, janeiro/2007, março/2007, abril/2007, junho/2007, setembro/2007, outubro/2007, janeiro/2008 e abril/2008 auferiu receitas de exportação (Carta GERAF/EXT 284/2011). A partir dos demais documentos entregues e das informações prestadas, a autoridade fiscal identificou as seguintes irregularidades. I – Dos créditos relativos aos meses em que a interessada não comprovou exportação A autoridade fiscal informa que a interessada não realizou operações de exportação nos meses de janeiro/2005 a maio/2006, julho/2006, outubro/2006, dezembro/2006, fevereiro/2007, maio/2007, julho/2007, agosto/2007, novembro/2007, dezembro/2007, fevereiro/2008 e março/2008. Aduz que tal situação inviabiliza qualquer ressarcimento, nos termos do art. 6o da Lei n° 10.833, de 2003, e do art. 5o da Lei n° 10.637, de 2002. Explica que a interessada elegeu, para a apuração dos créditos, o método do rateio proporcional a que alude o §8o dos arts. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Disserta sobre tal disposição para concluir que, aplicandoo ao caso em análise, 100% dos custos da empresa estão vinculados às receitas de vendas tributadas no mercado interno. Aduz que, por tal razão, não há que se falar em crédito passível de ressarcimento ou de compensação. Entende que os créditos créditos de PIS/Cofins decorrentes de despesas vinculados às receitas auferidas no mercado interno, ou mesmo receita nenhuma, somente podem ser utilizados para desconto do valor da contribuição devida, conforme disposto no caput dos arts. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, inexistindo previsão legal para seu ressarcimento ou compensação. II – Dos créditos relativos aos meses em que a interessada comprovou exportação Relativamente aos meses em que houve operações de Fl. 548DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 4 3 exportação, a autoridade fiscal explica os requisitos legais para a apuração dos créditos e o conceito legal de insumos. Após, descreve o processo produtivo da empresa, aduzindo que ele pode ser, “didaticamente, dividido em três etapas, a saber: 1a) produção de lenha utilizada na (2a) produção do carvão vegetal, o qual, por sua vez, era consumido no (3a) processo de produção do ferrogusa, sendo este destinado à venda”. Relata que os insumos necessários à produção do ferrogusa são o carvão vegetal, o minério de ferro, o calcário e o seixo, que seguem para as etapas de peneiramento e carregamento dos altofornos, donde é extraído o produto final (ferrogusa). Na sequência, discorre sobre as glosas efetuadas. II.1 – Da parcela do crédito relativa às aquisições de bens/serviços utilizados como insumos nos meses em que houve exportação O Auditor Fiscal relata que os custos/despesas incorridos na formação de florestas de árvores plantadas pela interessada e utilizadas na produção de carvão vegetal não geram direito a créditos de PIS/Cofins, uma vez que as árvores não foram adquiridas de terceiros (pessoas jurídicas) e não foram consumidas na produção do bem destinado à venda. Explica que tais custos/despesas decorrem de bens e serviços aplicados para a obtenção do carvão vegetal, sendo apenas indireta sua relação com o produto industrializado (ferrogusa). Pelo mesmo motivo, aduz que os demais custos/despesas relativos à obtenção do carvão vegetal produzido pela empresa também não geram direito a crédito de PIS/Cofins, haja vista que, ainda que eventualmente adquiridos de pessoas jurídicas, não se tratam de custos/despesas diretamente aplicados na produção do produto destinado à venda. Assevera que foram desatendidas as exigências contidas no inciso II e §3° do art. 3o da Lei 10.833/2003, no inciso II e §3° do art. 3o da Lei 10.637/2002, nos arts. 8o e 9o da IN SRF 404/2004 e nos arts. 66 e 67 da IN SRF 247/2002. Conclui que não geram direito a crédito os custos/despesas discriminados nas seguintes contas das planilhas relativas à composição das bases de cálculos mensais dos créditos apresentadas pela fiscalizada através das Cartas GERAF/EXT 193/2011 e 242/2011: JUNHO/2006: Conta 353022099, valor total de R$ 3.300,00, relativa a custos com aquisição de casca de arroz carbonizada (usada no preparo do solo para devolução de nutrientes ao solo); Conta 353035099, valor total de R$ 3.480.541,90, relativa a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de manutenção de estradas e apoio à carbonização, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto, redução de toras de madeira, serviços de colheita, transporte e retirada da madeira; Conta 353038001, valor total R$ 956,93, relativa a serviços de frete (carvão/madeira) da base florestal no Maranhão até sede da usina em Marabá/PA; Contas 3530038012 e 353038099, valores totais de R$ 856.150,81 e R$ 192.189,18, relativas a serviços de transporte, carga e descarga de madeira e fretes da base florestal até usina em Marabá/PA. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 5 4 AGOSTO/2006 Conta 353022099, valor total R$ 3.300,00, relativa aos custos com aquisição de casca de arroz carbonizada (usada no preparo do solo para devolução de nutrientes ao solo; Conta 353033005, valor total R$ 2.449,99, relativa aos custos com serviços de implantação de licença, suporte e manutenção de sistema florestal; Conta 353035018, valor total de R$ 365.674,76, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de madeira; Conta 353035099, valor total R$ 4.332.227,32, relativa a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de manutenção de estradas e apoio à carbonização, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto, serviços de redução de toras de madeira, serviços de colheita, transporte e retirada da madeira; Contas 353036002 e 353036099, valores totais de R$ 258.685,68 e R$ 49.090,54, relativas a serviços diversos de manutenção, tais como manutenção de instalações elétricas e eletromecânicas, lubrificação de equipamentos e substituição de peças; Conta 353038012, valor total R$ 74.680,55, relativa aos serviços de frete de madeiras da base florestal até usina em Marabá/PA; Conta 353093002, valor total R$ 104.338,52, relativa a serviços prestados após findo o processo produtivo, tais quais, operacionalização de interface de exportação e acompanhamento do fluxo do ferrogusa para exportação do entreposto até o embarque. SETEMBRO/2006 Conta 353022099, valor total R$ 34.900,00, relativa aos custos com aquisição de substratos agrícolas e vermiculita (usada no preparo do solo para plantio); Conta 353034001, valor total R$ 11.986,70, serviços de consultoria florestal e assistência técnica; Conta 353035018, valor total de R$ 1.135.431,10, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de madeira; Conta 353035099, valor total R$ 4.682.865,63, relativa a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de manutenção de estradas e apoio à carbonização, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto, serviços de redução de toras de madeira, serviços de colheita, transporte e retirada da madeira; Contas 353036002 e 353036099, valores totais de R$ 1.000,00 e R$ 16.586,21, relativas a serviços de manutenção, tais como balanceamento de máquinas e rebobinamento e pintura de motor; Conta 353093002, valor total R$ 18.422,39, relativa a serviços prestados após findo o processo produtivo, tais quais, acompanhamento do fluxo do ferrogusa para exportação do entreposto até o embarque. NOVEMBRO/2006 Conta 353022099, valor total R$ 28.600,00, relativa aos custos com aquisição de casca de arroz carbonizada e substratos agrícolas (usados no preparo do solo para plantio); Conta 353029099, valor total R$ 25.483,49, relativa à aquisição de tubetes de propileno para produção de mudas de eucalipto; Contas 353035002, 353036013 e 353036099, valores totais de R$ 5.718,10, R$ 15.500,00 e R$ 57.306,84, relativas a serviços gerais de manutenção, tais como a usinagem e abertura de rasgos de chavetas, manutenção de maquinas e carregadeiras, lubrificação e Fl. 550DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 6 5 balanceamento de equipamentos e rebobinamento e pintura de motores; Conta 353035018, valor total de R$ 2.964.092,10, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de carvão e madeira; Contas 353035099 e 353038009, valores totais de R$ 4.289.215,31 e R$ 206.636,90, relativas a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto, serviços de redução de toras de madeira, serviços de colheita, transporte e retirada da madeira e serviços de patrulha e manutenção de estradas e apoio à carbonização; Conta 353093002, valor total R$ 36.521,60, relativa a serviços executados após finalizado o processo produtivo, tais como serviços de operacionalização de interface de exportação. JANEIRO/2007 Conta 353022099, valor total R$ 20.642,69, relativa aos custos com aquisição de substratos agrícolas e calcário dolomítico (usados no preparo do solo para plantio); Conta 353035018, valor total R$ 1.630.463,47, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de carvão e madeira; Conta 353035099 e 353038009, valores totais de R$ 4.123.677,24 e R$ 193.296,66, relativa a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto, serviços de redução de toras de madeira, serviços de colheita, transporte e retirada da madeira e serviços de patrulha e manutenção de estradas e apoio à carbonização. MARÇO/2007 Conta 353022099, valor total de R$ 24.000,00, relativa aos custos com aquisição de cupinicida, adubo e vermiculita (usados no preparo do solo para plantio); Conta 353031001 e 353031004, valores totais de R$ 3.620,67 e R$ 6.870,44, relativa a serviços de utilização de trator para retirada de veículos atolados; Conta 353034001, valor total R$ 213,90, relativa a serviços técnicos de engenharia florestal; Conta 353035018, valor total R$ 2.543.541,77, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de carvão e madeira; Conta 353035099 e 353038009, valores totais de R$ 4.767.529,09 e R$ 295.264,22, relativa a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto, serviços de redução de toras de madeira, serviços de colheita, transporte e retirada da madeira e serviços de patrulha e manutenção de estradas e apoio à carbonização; Conta 353093002, valor total R$ 74.002,96, relativa a serviços executados após finalizado o processo produtivo, tal como o de operacionalização de interface de exportação. ABRIL/2007 Conta 353031004, valor total R$ 34.210,41, relativa a serviços de transporte de madeira; Conta 353035004, valor de R$ 2.981,25, relativo a serviços executados após finalizado o processo produtivo, tal qual, serviços de repesagem de gusa para fins de ajustes de estoques; Conta 353035018, valor total R$ 2.054.085,37, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de carvão e madeira; Fl. 551DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 7 6 Conta 353035099 e 353038009, valores totais de R$ 3.814.145,75 e R$ 420.086,63, relativa a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto, serviços de redução de toras de madeira e serviços de colheita, transporte e retirada da madeira e serviços de implantação, reforma e manutenção de cultura de eucalipto; Conta 353022006 e 353036013, valores totais de R$ 1.403,84 e R$ 15.500,00, relativa a serviços gerais de manutenção, tais quais manutenção de motosserras, roçadeiras, motobombas e carregadeiras; Conta 353038008, valor total R$ 125.916,70, relativa a custos com construção de paredes, chaminés e abóbodas de tijolos. JUNHO/2007 Conta 353022099, valor total R$ 25.900,00, relativa aos custos com aquisição de substratos agrícolas (usados no preparo do solo para plantio); Conta 353026001, valor total R$ 21.299,94, relativa a serviços de confecção de cintas para porta de fornos; Conta 353031004, valor total R$ 157.360,28, relativa a locação de veículos de passeio; Conta 353034002, valor total R$ 2.800,00, relativa a serviços técnicos da estação metereológica; Conta 353035018, valor total de R$ 1.207.099,72, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de carvão e madeira; Conta 353035099 e 353038009, valore totais de R$ 3.797.413,50 e R$ 266.560,34, relativa a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto, serviços de redução de toras de madeira e de utilização de máquinas para colheita, transporte e retirada da madeira; Conta 353036002 e 353036013, valores totais de R$ 1.840,00 e R$ 426,98, relativa a serviços diversos de balanceamento e alinhamento de máquinas e remendo de pneu; Conta 353038008, valor total de R$ 74.332,67, relativa a custos com construção de paredes, chaminés e abóbodas de tijolos. SETEMBRO/2007 Conta 353035018, valor total R$ 2.288.159,09, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de carvão e madeira; Contas 353035099 e 353038009, valore totais de R$ 3.194.918,71 e R$ 164.939,90, relativas a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto e de colheita e retirada da madeira com utilização de máquinas; Contas 353036002 e 353036013, valores totais de R$ 601,65 e R$ 20.000,00, relativas a serviços de manutenção de motosserras, roçadeiras, motobombas e carregadeiras; Contas 353093002, valor total R$ 51.188,60, relativas a serviços executados após finalizado o processo produtivo, tais como, serviços de operacionalização de interface de exportação, de acompanhamento do ferrogusa para exportação do entreposto até o embarque e de verificação de pesos e análise de amostragem do ferrogusa. OUTUBRO/2007 Conta 353022099, valor total R$ 16.245,00, referentes a custos com aquisições de adubo e outros produtos agrícolas; Fl. 552DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 8 7 Conta 353035018, valor total R$ 1.348.905,75, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de carvão e madeira; Contas 353035099 e 353038009, valor total, R$ 4.788.586,60, relativa a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, com e sem utilização de máquinas; Contas 353036002 e 353036013, valores totais de R$ 478,31 e R$ 20.000,00, relativas a serviços de manutenção de motosserras, roçadeiras, motobombas e carregadeiras JANEIRO/2008 Conta 353031004, valor total de R$ 112.039,96, referentes a custos com serviços de limpeza industrial; Conta 353035018, valor total de R$ 3.160.172,53, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de carvão e madeira; Contas 353035099 e 353038012, valores totais de R$ 6.096.039,31 e R$ 164.939,90, relativas a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto e de colheita, carga, descarga e traçamento da madeira com utilização de máquinas; Conta 353038009, valor total de R$ 8.485,31, relativas a serviços de pavimentação e terraplanagem de estradas. ABRIL/2008 Conta 353031004, valor total de R$ 191.844,50, referentes a custos com serviços de limpeza industrial; Conta 353035018, valor total de R$ 1.863.041,64, relativa a serviços de transporte, carga e descarga de carvão e madeira; Contas 353035099, 353038009 e 353038099, valores totais de R$ 4.527.609,72, R$ 252.744,14 e R$ 180.185,64, relativas a serviços diversos para a produção do carvão vegetal, tais como serviços de produção do redutor, serviços de produção/manutenção de mudas de eucalipto, de apoio às atividades de colheita, transporte e carbonização da madeira com utilização de máquinas; Conta 353035099, valor total de R$ 2.901,49, serviços de colocação de tubos e conexões no silo de carvão; Conta 353036011, valor total de R$ 880,24, relativa a serviços de manutenção de máquinas; Conta 353038007, valor total de R$ 4.276,45, relativa à prestação de serviços administrativos; Conta 353093002, valor total de R$ 19.618,47, relativa a serviços executado após finalizado o processo produtivo, tais como serviços de acompanhamento do fluxo do ferrogusa para exportação do entreposto até o embarque. No que tange às aquisições de minério de ferro, a autoridade fiscal informa que este “insumo é adquirido de pessoa jurídica e aplicado diretamente na produção do ferrogusa”, tendo a fiscalizada juntado notas fiscais comprobatórias de aquisições dos seguintes valores: (Tabela à fl. 9) ... Na sequência, explica que a interessada apurou créditos a título de “serviços insumos” sobre valores relativos a serviços de transporte ferroviário de ferrogusa para exportação. Aduz que este serviço não se enquadra no conceito de insumo, mas que os gastos com sua aquisição podem ser utilizados como base de cálculo de créditos a título de “Despesas com Fretes nas Operações de Vendas”, nos termos Fl. 553DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 9 8 do inciso IX do art. 3o c/c inciso II do art. 15 da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002. Diz que solicitou à fiscalizada a apresentação de notas fiscais de despesas incorridas nos meses em que houve receitas com exportação e que foram comprovadas despesas com tais serviços nos valores a seguir relacionados: (Tabela fl. 10) ... Conclui que a interessada comprovou parte dos custos/despesas relativos às aquisições de minério de ferro e de serviços de transporte do ferrogusa nas operações de venda (exportação), reconhecendo o direito ao aproveitamento de crédito sobre tais dispêndios. A autoridade fiscal ressalta, ainda, no que diz respeito aos créditos sobre bens/serviços utilizados como insumos, que solicitou à fiscalizada a apresentação de notas fiscais relativas às aquisições, nos meses em que houve receitas com exportação, de calcário e quartzito e aos serviços intitulados “Produção até a Planta de Tamboreamento/Produção até a Pera Rodoviária” (Contas 353022006, 353922007, 353022009, 353035004 e 353035018), mas que nenhuma nota fiscal foi apresentada, impedindo direito ao creditamento. II.2 DA PARCELA DO CRÉDITO RELATIVA ÀS DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA E ÀS DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS Quanto aos valores relativos às “Despesas de Energia Elétrica” e às “Despesas com Aluguéis de Máquinas” (Contas 353032001, 353032002, 353031003 e 353031099 das planilhas de apuração de créditos), informa que a fiscalizada não apresentou as notas fiscais comprobatórias, impedindo o direito ao crédito sobre tais valores. II.3 DA PARCELA DO CRÉDITO SOBRE O CUSTO DE AQUISIÇÃO DE ATIVO IMOBILIZADO A autoridade fiscal relata que em função do §14 do art. 3o c/c o inciso II do art. 15 da Lei n° 10.833/2003), o crédito relativo ao custo de aquisição de bens do ativo imobilizado tem por base de cálculo mensal o valor equivalente a 1/48 avos do custo de aquisição das máquinas e equipamentos. Explica que os Pareceres Normativos 07/1992 e 19/1983 da Coordenação Geral de Tributação, ao tratar de recuperação acelerada de créditos relativos a bens do ativo imobilizado, dispõem que somente geram este crédito os bens classificados nos capítulos 84, 85 e 90 da TIPI/NCM. Por tal razão, a fiscalizada foi intimada a identificar quais das aquisições relacionadas nas planilhas relativas à apuração dos créditos se referiam a máquinas e equipamentos, informando seu respectivo código na TIPI/NCM, de modo a ser possível selecionar as aquisições que geraram direito ao creditamento. Explica que a fiscalizada, embora concedidas várias prorrogações do prazo, limitouse a apresentar 111 notas fiscais de aquisição das mais variadas espécies de bens, sem, no entanto, fazer a identificação dos mesmos conforme solicitado. Diz que, mesmo assim, procedeu à análise das notas fiscais apresentadas, constatando que apenas 53 delas era de fato relativas a aquisições de máquinas e equipamentos classificadas nos capítulos 84, 85 e 90 da TIPI/NCM. Informa que as demais notas ou eram relativas a aquisições com outras classificações fiscais ou se encontravam ilegíveis. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 10 9 Explica que refez a planilha de apuração destes créditos, considerando como passível de creditamento somente as aquisições contantes das 53 notas fiscais (Anexo I do TVF), concluindo pelo crédito sobre os seguintes valores:(Tabela fl. 11) ... II.4 DA PARCELA DO CRÉDITO SOBRE VALORES DOS MATERIAIS DE USO E CONSUMO Neste item, o Auditor Fiscal explica que a interessada informou nas planilhas relativas à apuração dos créditos, que declarou na linha relativa a “Outras Operações com Direito a Crédito” do Dacon, despesas com aquisições de materiais de uso e consumo. A autoridade fiscal, entretanto, assevera que tais gastos não geram direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativos, razão pela qual foram glosados. III. Do CÁLCULO DOS CRÉDITOS A SEREM RESSARCIDOS OU UTILIZADOS PARA COMPENSAÇÃO Em função dessas ocorrências, foi deferido à contribuinte o valor total de R$ 156.012,96 do total solicitado de R$ 3.986.645,83. Ressaltese apenas que no mês do trimestre em que não houve nenhuma operação de exportação o valor deferido foi zero. Cientificada em 21/12/2011, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 23/01/2012, alegando, em síntese, o seguinte. I. DA EFETIVA VINCULAÇÃO DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS MESES DE JANEIRO/2005 A MAIO/2006, JULHO/2006, OUTUBRO/2006, DEZEMBRO/2006, FEVEREIRO/2007, MAIO/2007, JULHO/2007, AGOSTO/2007, NOVEMBRO/2007, DEZEMBRO/2007, FEVEREIRO/2008 E MARÇO/2008 À RECEITA DE EXPORTAÇÃO DE PERÍODOS SUBSEQUENTES A manifestante alega que a legislação de regência autoriza o ressarcimento de créditos do PIS/Cofins, conforme arts. 3o, §§ 8o e 9o, 6o, I, §§ 2o e 3o e 15, III, da Lei n° 10.833/2003, e arts. 5o, I e § 2o, e 5o, I e § 2o, da Lei n° 10.637/2002. Aduz que “o direito ao ressarcimento de créditos da COFINS e do PIS, segundo a sistemática da nãocumulatividade, de fato está atrelado à existência de receitas de exportação”. Entende, todavia, que embora nos meses relacionados não tenha exportado, “tal fato não infirma, por si só, a aventada vinculação entre estes e as receitas de exportação”. Explica que, nos meses em questão, realizou “investimentos em ativos e estrutura necessários à realização de seu objeto social”, gastos que conferem créditos da nãocumulatividade do PIS/Cofins, inclusive os encargos de amortização dos ativos. Entende que posição contrária “implicaria criar uma restrição específica não prevista em lei, no tocante ao ressarcimento de créditos das sobreditas contribuições”. Assevera que a restrição do direito ao ressarcimento “contraria a ratio essendi do princípio da nãocumulatividade, qual seja, a de desonerar a cadeia produtiva do ônus incorrido com o tributo”. Afirma que o regime nãocumulativo do PIS/Cofins tem fundamento na Constituição Federal, razão pela qual as disposições legais devem estar em perfeita consonância com o regime jurídico ali estipulado, uma vez que é indubitável que o texto constitucional goza do status de norma fundamental. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 11 10 Traz doutrina sobre o princípio da nãocumulatividade. Argumenta que a nãocumulatividade do PIS/Cofins “não deve sofrer quaisquer efeitos pela ausência de receita (evento subseqüente), no mês de apropriação dos créditos. O que há de se apurar, pois, é se os custos, despesas e encargos resultados de anterior receita, auferida por terceiros, devidamente tributada são, efetivamente, necessários à geração de receita, isto é, ligados à atividade produtiva da qual resulta ou poderá resultar, igualmente, receita”. Em conclusão, alega que “o direito aos créditos da contribuição está atrelado aos custos, despesas e encargos de tudo o que contribua para a obtenção de receitas ainda que esta não seja alcançada , premissa esta que, aplicada ao caso concreto, revela a necessidade de assegurar de forma plena o ressarcimento de ditos créditos, a despeito das objeções de ordem formal erigidas pela RFB”. II. DOS CRÉDITOS RELATIVOS AOS MESES DE JUNHO/2006, AGOSTO/2006, SETEMBRO/2006, NOVEMBRO/2006, JANEIRO/2007, MARÇO/2007, ABRIL/2007, JUNHO/2007, SETEMBRO/2007, OUTUBRO/2007, JANEIRO/2008 E ABRIL/2008 Argumenta que a decisão da autoridade a quo, também nos meses em que realizou exportação, não obedeceu ao comando constitucional da nãocumulatividade e, por tal razão, desconsiderou diversos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços tratados como insumos, sobre os custos das aquisições de bens para o ativo imoblizado, sobre o valor das despesas de energia elétrica, despesas com aluguel de máquinas e equipamentos e sobre o valor da aquisição de materiais tidos como de uso e consumo. Reclama que a desqualificação dos bens considerados como insumos se fez sem qualquer justificativa técnica. Afirma que as alegações “do Auditor Fiscal são baseadas em assertivas simplórias e desprovidas de maior detalhamento”. Argumenta que tem direito ao crédito relativo aos custos incorridos na formação de florestas de árvores plantadas e utilizadas na produção de carvão vegetal. Alega que a norma da não cumulatividade do PIS/Cofins não pode ser interpretada de modo tão simplista, desconsiderando o arcabouço constitucional no qual encontra o fundamento de validade. Explica que o conceito de insumo deve ser interpretado de forma elástica, como “dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribua para o pleno exercício de sua atividade econômica (indústria, comércio ou serviços) visando a obtenção de receitas”. Sustenta que os custos e despesas incorridos na produção de carvão vegetal, como aqueles destinados à formação de floresta de árvores, dão direito ao crédito, por estarem ligados à produção do ferrogusa. Assevera que nenhum dos bens ou serviços glosados foram adquiridos por mera conveniência, mas, porque são indispensáveis, pois destinados à obtenção de receita, o que poderá ser demonstrado por prova pericial, cuja produção desde já pleiteia. Informa que seu processo produtivo se inicia com a produção do carvão vegetal, oriundos da formação de florestas, prosseguindo por diversas etapas até a colocação do ferrogusa no mercado. Afirma que a própria fiscalização admitiu, em um primeiro momento, a produção do carvão vegetal como etapa essencial ao processo produtivo, mas, em seguida, desconsiderou os valores com os serviços e bens adquiridos para a produção deste insumo, tais como custos com Fl. 556DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 12 11 aquisição de sementes, por terem apenas relação indireta com o produto final. Entende que o carvão vegeral é imprescindível para a produção do ferrogusa e, assim, os serviços necessários à formação das florestas das quais serão extraídas o aludido carvão. Com base em doutrina, assevera que “é preciso afastar a ideia preconcebida de que só é insumo aquilo que direta e imediatamente utilizado no momento final da obtenção do bem ou produto a ser vendido, como se não existisse o empreendimento nem a atividade econômica como um todo, desempenhada pelo contribuinte”. Conclui ser inequívoco o direito de se creditar dos custos incorridos com a formação de florestas e produção de carvão vegetal, devendo ser reformado o Despacho Decisório. Na sequência, alega que a autoridade a quo considerou que alguns bens e serviços destinados à manutenção de equipamentos relacionados ao processo produtivo não ensejariam direito a crédito, tais como: serviços de manutenção de instalações elétricas e eletromecânicas, lubrificação de equipamentos e substituição de peças; serviços de balanceamento de máquinas e rebobinamento e pintura de motor; serviços gerais de manutenção, tais quais, usinagem e abertura de rasgos de chavetas, manutenção de máquinas e carregadeiras, lubrificação e balanceamento de equipamentos e rebobinamento e pintura de motores; serviços gerais de manutenção, tais quais manutenção de motoserras, roçadeiras, motobombas e carregadeiras; serviços diversos de balanceamento e alinhamento de máquinas e remendo de pneus; serviços de manutenção de máquinas. Entende, todavia, que tais bens estão diretamente relacionados ao processo produtivo, inclusive sofrendo desgaste físico. Por tal razão, preconiza que o direito de crédito é evidente, como ilustrado pela Solução de Divergência COSIT n° 35/2008, por meio da qual a RFB firmou que todas as peças e equipamentos que sofram desgaste em razão da sua inserção no processo produtivo geram direito ao crédito do PIS/Cofins. Diz que, no mesmo sentido, o CARF vem acolhendo a tese de que os bens e serviços aplicados na manutenção dos equipamentos relacionados ao processo produtivo dos contribuintes são equiparados a insumos, sendo devido, portanto, o creditamento. Traz decisões do CARF sobre a questão. Aduz que, em atenção ao princípio da verdade material, é essencial a realização de prova pericial, a fim de determinar a natureza dos itens mencionados no trabalho fiscal e sua interação com o seu processo produtivo para se esclarecer os seguintes quesitos: (i) elucidar se os produtos adquiridos pela interesada indicados no item II.1 do TVF são utilizados no seu processo produtivo; (ii) descrever a aplicação de tais materiais no processo produtivo. Relativamente à glosa de despesas com energia elétrica e aluguel de máquinas e equipamentos, alega que, em respeito ao princípio da verdade material, “fazse necessária a promoção dos autos em diligências tendentes a obter junto à concessionária de energia elétrica cópia das notas fiscais comprobatórias das aludidas despesas”. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 13 12 Com base no artigo 29 do Decreto n° 7.574/2011, aduz que é “dever do julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma, verificando aquilo que é realmente verdade”. Explica que não exibição da documentação solicitada ocorreu por motivo de força maior, seja em função do longo tempo decorrido desde as operações, seja pelo fato de que não foi ela quem, originariamente, realizou tais despesas, mas sim a empresa incorporada. Entende ser necessária a conversão do feito em diligência para expedição de ofício à concessionária de energia elétrica, instandoa à apresentação das notas ficais comprobatórias das despesas. No que tange às despesas com aluguel de máquinas e equipamentos, diz que, igualmente, ocorreu motivo de força maior que o impossibilita de exibir as cópias das notas fiscais, seja diante do tempo decorrido desde as operações, seja pelo fato de que não foi ela quem realizou realizou tais despesas, razão pela qual solicita diligência para obtenção das 2a vias das notas fiscais suscitadas, as quais serão oportunamente apresentadas aos autos. Argumenta, outrossim, que o Auditor Fiscal considerou indevida a apropriação de créditos do imposto relativos à aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado, tendo em vista que das 111 notas fiscais apresentadas, somente 53 seriam relativas à aquisição de bens classificados nos capítulos da TIPI/NCM, estando as demais aquisições com classificação fiscal distinta ou ilegíveis. Alega, todavia, que, quando do procedimento fiscal, parte dos citados documentos não estavam em seu poder. Requer a juntada de documentos fiscais de aquisição de bens integrantes ao ativo imobilizado, atestando, por conseguinte, o direito ao creditamento. Quanto aos itens de uso e consumo, destaca que o Auditor Fiscal deixou de examinar a natureza dos itens sobre os quais se creditou e a sua inserção na atividade industrial. Diz que o procedimento fiscal não foi lastreado em fatos concretos, mas na presunção de que os créditos aferidos seriam ilegítimos. Entende que a atividade de lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, pressupõe delimitação exaustiva de todos os elementos que deram origem à matéria tributável e não em simples conjecturas, sob pena de violação da legalidade. Afirma que dada a análise subjetiva ficou impedida de contrapor os argumentos fiscais, sendo, assim, ilegítimo o despacho decisório ora questionado. Requer a reforma do Despacho Decisório. Protesta pelo deferimento da prova pericial, posterior juntada de documentos e indica Assistente Técnico para fins de acompanhamento da prova pericial/diligência requerida. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITOS. RESSARCIMENTO. RATEIO PROPORCIONAL. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 14 13 Pelo método do rateio proporcional aplicase aos custos, despesas e encargos comuns a relação existente entre a receita de exportação e a receita bruta total auferidas em cada mês, razão pela qual não havendo vendas ao mercado externo não há como apurar créditos ressarcíveis. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. FORMAÇÃO DE FLORESTAS. PRODUÇÃO DE CARVÃO VEGETAL. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica cujo processo produtivo consiste em, sucessivamente, formar florestas, utilizálas na produção de carvão vegetal e empregá lo na fabricação de ferrogusa não faz jus a créditos do PIS e da Cofins referentes aos custos de formação das florestas ou de produção do carvão vegetal. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Somente geram direito a crédito os dispêndios com serviços de manutenção de máquinas e equipamentos que sejam empregados diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. É dever da contribuinte trazer aos autos a documentação comprobatória dos créditos escriturados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Sendo desnecessários para o deslinde da causa, indeferemse os pedidos de diligência e perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, foi interposto Recurso Voluntário repisando as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade É o Relatório. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 12448.918684/201199 Resolução nº 3301001.083 S3C3T1 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento que foi parcialmente homologado. No despacho decisório consta a informaão, que a descrição do procedimento fiscal de análise do crédito está disponível no site da Receita Federal do Brasil. Consultando os autos não identifiquei o Termo de Verificação Fiscal, e os demais documentos e intimações realizadas pela Auditoria Fiscal. Não existe no recurso voluntário questionamento quanto ao acesso aos documentos, assim, resta evidente que a Recorrente obteve acesso às informações e apresentou os seus argumentos questionando o trabalho fiscal e as conclusões do despacho decisório no seu recurso voluntário. Entretanto, em razão das informações não estarem disponíveis nos documentos do eprocesso, é necessário que tais documentos e informações sejam trazidos aos autos. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem junte aos autos cópias do Termo de Verificação Fiscal e demais documentos referentes ao trabalho da auditoria fiscal. Em seguida os autos deverão retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 560DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000978/2007-88
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC.
O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil.
IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD.
Numero da decisão: 2002-001.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 09 78 /2 00 7- 88 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13002.000978/200788 Acórdão n.º 2002001.044 S2C0T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 102/107) contra decisão de primeira instância (fls. 84/94), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 19/22, exige se do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física — suplementar, acrescido de multa de ofício e juros de mora, no valor total de R$ 18.467,97, calculados até 28/02/2007, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente aos exercícios 2005, anocalendário 2004. A Fiscalização informa às fls. 20, que constatou omissão de rendimentos auferidos pelo contribuinte do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD no anocalendário de 2004. O contribuinte apresentou impugnação, conforme fls. 01/05, informando ter sido contratado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD com a finalidade de trabalhar com horário Préestabelecido, sob subordinação hierárquica, em trabalho não eventual e mediante recebimento de salários fixos mensais. Disse que os funcionários brasileiros ou estrangeiros que trabalham para Organismos Internacionais detêm prerrogativas e privilégios previstos nas Convenções e Acordos firmados com o Brasil. Adiante afirmou que apresentou sua declaração de imposto de renda fazendo constar sua condição de isento ou não tributável, ante o fato de trabalhar para Organismo Internacional. Afirmou que os rendimentos foram declarados como isentos e não tributáveis com fundamento na Constituição Federal, Código Tributário Nacional e Pareceres Normativos n° 717/1979 e 03/1996. Fez referência a decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido da não incidência do Imposto de Renda sobre os rendimentos Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13002.000978/200788 Acórdão n.º 2002001.044 S2C0T2 Fl. 4 3 auferidos pelos serviços prestados ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. São tributáveis os rendimentos decorrentes de prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, percebidos por pessoa física nacional, residente e contratada no País, que não detenha a condição de funcionário de organismo internacional. (SÚMULA n°39 do CARF.). Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 18/10/2010 (fl. 100); Recurso Voluntário protocolado em 09/11/2010 (fl. 102), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos do Exterior DERC Relata o Sr. AFRF que: Confrontando o valor dos Rendimentos Recebidos do Exterior declarados, com o valor informado por Órgão/Entidade da Administração Pública Federal, em Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos no valor de R$ ********58.300,00 , recebidos de Organismo Internacional. A r. decisão revisanda, entendeu que: Reafirmados os princípios da territorialidade e político na tributação de renda dos residentes no país, concluise que no caso sob exame, o regramento tributário nacional determina que deverão integrar a base de cálculo na Declaração de Ajuste Anual, os rendimentos recebidos por pessoa física nacional, residente e contratada no Brasil, decorrentes de prestação de serviço ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, quando não detenha a condição de funcionário desse organismo internacional. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13002.000978/200788 Acórdão n.º 2002001.044 S2C0T2 Fl. 5 4 Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Em sua peça de resistência o recorrente, alega razões preliminares que se confundem com o mérito, e com este serão analisadas. Alega o recorrente, que foi contratado pelo “PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO – PNUD/ONU, a fim de trabalhar com horário préestabelecido, sob subordinação hierárquica, em trabalho não eventual e mediante o recebimento de salários fixos mensais. Assim entende o recorrente, que conforme dispõe o art.3º da CLT o mesmo se enquadra como empregado. Verificando o documento de fl. 110, em seu item III verificamos que: “O CONTRATADO não estará isento do pagamento de imposto em virtude deste contrato, obrigandose ao pagamento de impostos, encargos, taxas e outros tributos devidos em função das importâncias recebidas sob este contrato, conforme legislação aplicável”. No item IV assim relata: “O CONTRATADO será considerado como consultor independente. O CONTRATADO não será considerado, sob nenhum aspecto membro do quadro de funcionários da Agência Nacional de Execução do Projeto ou do PNUD”. Desde a decisão do STJ este CARF vem decidindo a matéria, conforme excertos colacionados: IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1ª Seção, no REsp n.º 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Recurso Provido”. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relatora Conselheira Alice Grecchi, Acórdão nº 2102003.265, Sessão de 11 de fevereiro de 2015). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13002.000978/200788 Acórdão n.º 2002001.044 S2C0T2 Fl. 6 5 O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. ISENÇÃO. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720611/2016-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Sendo demonstrados, via Embargos de Declaração opostos, que houve omissão no acórdão quanto aos fundamentos que levaram a Turma Julgadora a dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, devem aqueles Embargos ser conhecidos e providos, para que haja aperfeiçoamento na decisão exarada.
PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF. FATO GERADOR
O fato gerador do IRRF ocorre na data do pagamento, sendo descabido o lançamento totalizado ao final de cada mês do ano-calendário.
Numero da decisão: 1302-003.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012, 2013, 2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Sendo demonstrados, via Embargos de Declaração opostos, que houve omissão no acórdão quanto aos fundamentos que levaram a Turma Julgadora a dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, devem aqueles Embargos ser conhecidos e providos, para que haja aperfeiçoamento na decisão exarada. PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF. FATO GERADOR O fato gerador do IRRF ocorre na data do pagamento, sendo descabido o lançamento totalizado ao final de cada mês do ano-calendário.
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OMISSÃO. Sendo demonstrados, via Embargos de Declaração opostos, que houve omissão no acórdão quanto aos fundamentos que levaram a Turma Julgadora a dar provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte, devem aqueles Embargos ser conhecidos e providos, para que haja aperfeiçoamento na decisão exarada. PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF. FATO GERADOR O fato gerador do IRRF ocorre na data do pagamento, sendo descabido o lançamento totalizado ao final de cada mês do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 11 /2 01 6- 09 Fl. 1157DF CARF MF 2 Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente o conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa. Relatório Tendo em vista a publicação do acórdão nº 1302003.010, em que esta 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF entendeu por bem dar parcial provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário apresentados, a douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, nos quais apontou dois supostos vícios constantes na decisão exarada. O primeiro seria relativo a uma contradição do acórdão, uma vez que este teria negado provimento ao Recurso de Ofício e exonerado a multa isolada, a despeito de não ter havido a exoneração da penalidade na decisão proferida pela Turma de Julgamento a quo. O segundo vício apontado pela PGFN se refere à uma omissão do acórdão, quanto aos fundamentos que levaram à exoneração do crédito tributário relativo ao IRRF constituído via Auto de Infração. Em despacho de admissibilidade (fls. 1.151 a 1.156), proferido pelo i. Conselheiro Presidente desta Turma de Julgamento, Luiz Tadeu Matosinho Machado, acolheu se parcialmente os Embargos de Declaração da PGFN, sendo admitida, em caráter definitivo, apenas a arguição quanto à omissão apontada. Vejase, neste sentido, a conclusão daquele despacho: Conclusão Destarte, acolho parcialmente os presentes embargos de declaração quanto ao tópico 2 (Omissão Cancelamento do IRRF) acima indicado e rejeito os embargos de declaração quanto ao tópico 1 (Contradição Multa isolada), em caráter definitivo, nos termos do artigo 65, caput e §3º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Ato contínuo, os autos foram distribuídos a este relator para julgamentos dos Embargos de Declaração opostos pela PGFN. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Sem maiores delongas, de fato, ao se analisar o acórdão embargado, podese perceber que existe a omissão apontada pela d. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, devendo ser sanado o vício, para que haja aperfeiçoamento da decisão exarada. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16327.720611/201609 Acórdão n.º 1302003.557 S1C3T2 Fl. 1.158 3 Explicase. Ao proferir o voto, consubstanciado no acórdão embargado, este relator desenvolveu o entendimento de que o IRRF não seria devido, in casu, porque a aplicação do artigo 61, da Lei nº 8.981/95 (art. 674 do RIR/99), estaria "reservada apenas para aqueles casos em que há comprovação por parte do fisco de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, mas que não enseje na tributação do IRPJ e da CSLL". Contudo, o entendimento da maioria da Turma, que prevaleceu na sessão de julgamento, foi por afastar a cobrança do IRRF, uma vez que este teria sido calculado de forma equivocada pelo agente autuante. Assim, constouse no acórdão recorrido o seguinte trecho: Em que pese o entendimento ora exarado, o colegiado, com voto de qualidade, entendeu pelo erro da fiscalização quando do cálculo do suposto IRRF e, por isso, decotouse da autuação os valores relativos ao Imposto de Renda Retido na Fonte, por vício insanável do lançamento tributário. E a omissão do julgado está justamente em não ter sido desenvolvido de forma mais detida qual seria o erro cometido pela fiscalização, a macular o lançamento do IRRF, o que, em última análise, fere o direito de defesa das partes, principalmente, no que tange ao manejo de eventual Recurso Especial. E fundamento que prevaleceu no âmbito do julgamento foi o seguinte: Como se percebe do Auto de Infração de IRRF (fls. 360 a 369), o douto agente fiscal considerou como "fato gerador" do tributo o último dia do mês, englobado (somando), em cada rubrica, todos os pagamentos que foram considerados como sendo sem causa ou sem beneficiário identificado realizados no período. Entretanto, pelo o que se percebe da leitura do artigo 61 da Lei nº 8.981/95, o fato gerador do IRRF é cada um dos pagamentos realizados, de forma individualizada. Vejase: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Portanto, há um erro insuperável no Auto de Infração quanto à data do fato gerador, que, como demonstrado, é a data do pagamento ao beneficiário não identificado ou do pagamento sem causa e não a soma mensal destes pagamentos, como constou no Auto de Fl. 1159DF CARF MF 4 Infração. Tal erro tem implicações, inclusive, quanto ao cálculo dos juros devidos em decorrência da mora do contribuinte. Esta Turma de Julgamento, em composição diversa, digase, já se manifestou em outras oportunidades neste mesmo sentido, como se observa da ementa do julgado abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 DESPESAS DESNECESSÁRIAS. GLOSA. É indedutível a despesa que, sob a roupagem de juros, mostrou se desnecessária, uma vez que o negócio sobre o qual se sustentava é inoponível ao fisco por dissimular verdadeira alienação de participação societária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA. IRRF. FATO GERADOR O fato gerador do IRRF ocorre na data do pagamento, sendo descabido o lançamento totalizado ao final do anocalendário. (Acórdão nº 1302003.155 Sessão de 16/10/2018) Assim, não há como prevalecer o lançamento de IRRF por flagrante equívoco em relação à data da ocorrência do fato gerador e, por consequencia, na quantificação do crédito tributário. Portanto, para que não haja dúvidas quanto ao fundamento para a desoneração do crédito tributário relativo ao IRRF, acolhese os Embargos de Declaração, na parte conhecida pelo despacho de admissibilidade exarado, fazendo constar a fundamentação desenvolvida acima para a desoneração do IRRF, sem, contudo, dar efeitos infringentes ao julgado. É como se vota. Flávio Machado Vilhena Dias Relator. Fl. 1160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.914896/2008-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL.
No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado.
Retificada a declaração e apresentada documentação contábil, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado.
Numero da decisão: 1201-002.952
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, considerando a DCTF Retificadora apresentada em 26.08.2008, e proferir novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que negava provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Efigênio de Freitas Júnior Relator
Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EFIGENIO DE FREITAS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. Retificada a declaração e apresentada documentação contábil, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. NOVA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO PELA UNIDADE LOCAL. No caso de erro de fato no preenchimento de declaração, o contribuinte deve juntar aos autos, dentro do prazo legal, elementos probatórios hábeis à comprovação do direito alegado. Retificada a declaração e apresentada documentação contábil, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, considerando a DCTF Retificadora apresentada em 26.08.2008, e proferir novo despacho decisório. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, que negava provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior – Relator Participaram ainda do presente julgamento: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 48 96 /2 00 8- 09 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15374.914896/200809 Acórdão n.º 1201002.952 S1C2T1 Fl. 190 2 Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório A IMPECÁVEL ROUPAS LTDA, já qualificada nos autos, interpôs recurso voluntário em face do Acórdão 1233.929, proferido pela 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 1/RJ, em 28 de outubro de 2010. 2. Tratase de declaração de compensação (PER/DCOMP 41202.06514.120906.1.7.049303), transmitida em 12.09.2006, em que o contribuinte compensou débito de IRPJ com pagamento indevido ou a maior, no valor originário de R$ 148.002,52, efetuado em 30.01.2004. 3. O Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada assentou que o pagamento informado como crédito (DARF código 0220, arrecadado em 30.01.2004, valor originário de R$ 1.041.336,56) fora utilizado integralmente para quitar outros débitos do contribuinte, portanto, não restou crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP acima identificado (efls. 11). 4. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que recolheu o valor de R$ 1.041.336,56 quando o correto seria R$ 893.334,04, o que gerou o recolhimento indevido e a maior no valor de R$ 148.002,51. Informou ainda que a DCTF que indicava o débito no valor de R$ 1.04l.336,56 foi retificada. 5. A Turma julgadora de 1ª instância, por unanimidade, em 28.10.2010, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 6. Cientificada da decisão de primeira instância, em 04.12.2010, a recorrente interpôs recurso voluntário, em 22.12.2010, em que apresenta os seguintes argumentos: i) na DIPJ 2004 pode ser comprovado na ficha 12A, cálculo do IRPJ sobre o lucro real, 4º Trimestre, que o valor recolhido deveria ser R$ 893.334,04; ii) no entanto, na DCTF referente ao 4º trimestre foi declarado, e recolhido em 30.01.2004, o valor de R$ 1.041.336,56 referente ao IRPJ, o que ocasionou um recolhimento a maior no montante de R$ 148.002,52; iii) a irregularidade foi sanada com o envio de DCTF Retificadora em 26.08.2008 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 15374.914896/200809 Acórdão n.º 1201002.952 S1C2T1 Fl. 191 3 (efls. 161); iv) no Livro Diário Geral, juntado aos autos, verificase a provisão para o IRPJ referente ao 4º trimestre no valor de R$ 958.698,86 (efls. 156157) e a compensação de R$ 65.364,82 (efls. 160); o que demonstra que o valor a ser recolhido seria R$ 893.334,04. Sendo certo que houve o recolhimento de R$ 1.041.336,56, gerou um saldo credor de R$ 148.002,52 (efls. 155160); v) por fim, requer sejam acolhidas a razões recursais e reformada a decisão recorrida. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 8. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 9. O contribuinte apresentou declaração de compensação em que compensou débito de IRPJ com pagamento indevido ou a maior, no valor originário de R$ 148.002,52. Não homologada a compensação, em sede de manifestação de inconformidade, alegou que recolheu R$ 1.041.336,56 a título de IRPJ, referente ao 4º trimestre de 2004, quando o correto seria R$ 893.334,04; informou ainda ter apresentado DCTF Retificadora. 10. A DRJ, ao analisar o feito, pontuou que "quer prestadas em DIPJ, quer em DCTF, as informações sobre fatos tributáveis devem estar lastreadas na escrituração contábilfiscal e na documentação do contribuinte". Assentou ainda que "a retificação de DCTF, sem comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência do direito creditório". 11. Vejamos a legislação que trata do tema. 12. O art. 170 do Código Tributário Nacional CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 13. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, estabelece que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Verbis: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 15374.914896/200809 Acórdão n.º 1201002.952 S1C2T1 Fl. 192 4 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 14. Fazse necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). 15. Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar, ainda que sucintamente, o ônus probatório. 16. O art. 373 da Lei 13.105, de 2015 CPC/2015, estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindose à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. 17. Em consonância com art. 373 do CPC, o caput do art. 9o do Decreto 70.235, de 1972 PAF, assenta que: A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaque nosso). 18. Verificase, pois, que no lançamento de ofício, cabe ao Fisco o ônus probatório do ilícito apurado. Ou seja, é dever da autoridade administrativa comprovar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; sem prejuízo de o contribuinte apresentar prova em contrário. 19. Em sede de restituição, ressarcimento ou compensação, diferentemente do lançamento de ofício, é o contribuinte que pleiteia um direito. Logo, se a RFB resiste à pretensão e indefere o pedido, ou não homologa a compensação, incumbe ao contribuinte provar o direito creditório pleiteado, vez que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. 20. O DecretoLei 1.598, de 1977, em seu art. 9º, §1º, por sua vez, dispõe que "a Fl. 192DF CARF MF Processo nº 15374.914896/200809 Acórdão n.º 1201002.952 S1C2T1 Fl. 193 5 escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". 21. Nessa esteira, para fins de comprovação do direito creditório, no caso de erro de fato no preenchimento de declaração, cabe ao contribuinte provar o direito alegado. Para tanto, não basta apenas apresentar declarações retificadoras, documentos de arrecadação e outros comprovantes. Esses documentos são necessários, mas não suficientes; aliás, eventuais acertos e retificações deveriam ter sido providenciados antes da emissão do Despacho Decisório. Em não o fazendo no momento oportuno, em sede de recurso, a mencionada documentação deve estar acompanhada da escrituração contábil. Colacionadas tais provas, o equívoco no preenchimento de declaração não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório postulado. 22. No caso dos autos, a recorrente não apresentou em primeira instância documentação contábil suficiente que demonstrasse o motivo da retificação da DCTF. 23. Em sede de recurso voluntário, com vistas a comprovar o alegado equívoco no preenchimento da DCTF Original a recorrente juntou aos autos cópia do Livro Diário em que demonstra que a provisão do IRPJ referente ao 4º trimestre no valor de R$ 958.698,86 (efls. 156157) e a compensação de R$ 65.364,82 (efls. 160), o que evidencia que o valor a ser recolhido seria R$ 893.334,04. Considerando que houve o recolhimento no valor de R$ 1.041.336,56, haveria um saldo credor, decorrente de pagamento a maior, no valor de R$ 148.002,52 (efls. 155160). 24. Conforme salientado acima, no caso de erro de fato no preenchimento de declaração, uma vez juntado aos autos elementos probatórios hábeis, acompanhados de documentos contábeis, para comprovar o direito alegado, o equívoco no preenchimento da DCTF, que já foi retificada, não pode figurar como óbice a impedir nova análise do direito creditório vindicado 25. À luz dos documentos contábeis juntados aos autos, verificase tratarse de hipótese que faz jus a uma nova análise pela Unidade Local do direito creditório alegado. Conclusão 26. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar o retorno dos autos à Unidade Local para analisar o direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, considerando a DCTF Retificadora apresentada em 26.08.2008, e proferir novo despacho decisório. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Efigênio de Freitas Júnior Relator Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 15249.720003/2018-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique se foi oferecido à tributação do imposto de renda pessoa física o valor de R$ 97.353,17 (noventa e sete mil, trezentos e cinqüenta e três reais e dezessete centavos), referente ao pagamento de aluguéis pela Dystrimarcas para o cônjuge da recorrente, o Sr. Álvaro da Silva Cristina. Vencidos os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto e Ricardo Chiavegatto de Lima, que entenderam ser desnecessária a diligência.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique se foi oferecido à tributação do imposto de renda pessoa física o valor de R$ 97.353,17 (noventa e sete mil, trezentos e cinqüenta e três reais e dezessete centavos), referente ao pagamento de aluguéis pela Dystrimarcas para o cônjuge da recorrente, o Sr. Álvaro da Silva Cristina. Vencidos os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto e Ricardo Chiavegatto de Lima, que entenderam ser desnecessária a diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Leonam Rocha de Medeiros, Rorildo Barbosa Correia, Ronnie Soares Anderson (Presidente) e José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por EVA SIRLEI SILVA CRISTINA contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 52 49 .7 20 00 3/ 20 18 -6 5 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 15249.720003/201865 Resolução nº 2202000.844 S2C2T2 Fl. 161 2 DRJ/CTA, que rejeitou a impugnação apresentada para manter a cobrança tributária por omissão de rendimentos recebidos de aluguéis, exigindose R$ 33.144,48 (trinta e três mil, cento e quarenta e quatro reais e quarenta e oito centavos) de Imposto de Renda e R$ 24.858,38 (vinte e quatro mil, oitocentos e cinquenta e oito reais e trinta e oito centavos) de multa de ofício, além de juros de mora, apurados em procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA). Conforme sintetiza o acórdão da DRJ/CTA (f. 74/75), A autoridade lançadora concluiu que, com relação à empresa locatária Dystrimarcas Distribuidora de Produtos, ao declarar o recebimento de R$ 97.353,47, a interessada havia omitido o valor de R$ 129.205,50, assim afirmando (fl. 6): Sra. Contribuinte, conforme informado pela empresa Dystrimarcas Distribuidora de Produtos e base de dados da RFB, os valores pagos de aluguéis no ano de 2015 foi de R$ 226.558,97 (...) Em sua impugnação, a interessada limitase a afirmar que não concorda com a infração, alegando que "o valor contestado não foi recebido". (...) Como no presente caso a interessada não trouxe qualquer elemento de prova para demonstrar sua alegação, inexiste motivo para efetivarse a retificação do lançamento por ela pretendida. Além disso, verificase no documento juntado pela interessada à folha 17 que, em 13 de novembro de 2014, procedeuse a um aditamento a contrato de locação, em que figuravam como locadores, além da própria interessada, as pessoas de Álvaro da Silva Cristina, Ronildo Silva Cristina e Rosane Silva Cristina, no qual assim se ajustou: Alterar os Locadores, sendo retirados da divisão: Ronildo Silva Cristina e Rosane Silva Cristina, permanecendo como Locadores somente Álvaro da Silva Cristina e Eva Sirlei Silva Cristina, já qualificados. Portanto, constatase que até então eram quatro os locadores dos imóveis respectivos, mas dois deles foram "retirados da divisão". Também se constata que, para o ano calendário de 2014, a interessada havia declarado ter recebido, a título de aluguéis, o valor total de R$ 174.775,81 e para o ano calendário de 2015, o valor de R$ 212.431,35. Todavia, como de um ano para o outro a partilha dos aluguéis recebidos pelos imóveis tivesse deixado de ser feita entre quatro pessoas para ser feita somente entre duas, porque dois dos herdeiros haviam sido "retirados da divisão", seria lógico que os rendimentos de aluguéis da interessada passassem a equivaler ao dobro do valor que até então eles vinham sendo. E é o que se verifica no presente caso, pois, ao se somar ao valor que a interessada declarou de rendimentos de aluguéis (R$ 212.431,35) o valor que lhe foi imputado como omitido (R$ 129.205,50) obtémse o montante de R$ 341.636,85, ou seja, em valor bem próximo ao dobro dos rendimentos que ela havia auferido no ano anterior (R$ 174.775,81) (sublinhas deste voto). Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 06/09/2018, recurso voluntário (f. 83/91), esclarecendo ter havido um erro de preenchimento da DIRF por parte da fonte pagadora, uma vez que os valores constantes de sua declaração anual correspondem exatamente aos valores auferidos no período. Repisa ser casada no regime de comunhão de bens com o Sr. Álvaro da Silva Cristina e que o casal possui 5 pavilhões destinados ao uso Fl. 161DF CARF MF Processo nº 15249.720003/201865 Resolução nº 2202000.844 S2C2T2 Fl. 162 3 comercial. Em 2015, tais imóveis eram locados para as empresas Dystrimarcas Distribuidora de Produtos de Higiene e Beleza Ltda. (pavilhões 1, 2 e 3) e Visio RS Distribuidora de Produtos e Medicamentos S/A (pavilhões 5 e 6). Os respectivos contratos de locação eram intermediados pela empresa PILAN – NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS LTDA. Informa ainda que o processo de alteração das partes contratuais suscitada pelo acórdão da DRJ ocorreu apenas quanto ao pavilhão nº 3 e que, embora ambos os cônjuges fossem locadores dos imóveis, todos os pagamentos de aluguéis eram realizados por meio de transferências a contas bancárias em seu nome, uma vez que seu marido, que conta com 77 (setenta e sete) anos, tem dificuldade na utilização do serviço bancário. Ao recurso voluntário foram acostados os seguintes documentos: i) planilha discriminando os rendimentos de aluguéis do casal; ii) cópias dos informes de rendimentos do casal (DIMOB); iii) extratos bancários de janeiro a dezembro de 2015 das duas contas bancárias da recorrente; iv) cópias dos contratos de locação; e v) declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2015. Registro que as cópias dos contratos de locação e a declaração de ajuste anual (itens iv e v) já haviam sido apresentadas na instância “a quo”. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. DA JUNTADA DE DOCUMENTO EM FASE RECURSAL: CONSIDERAÇÕES ADEQUADAS AO CASO CONCRETO Conforme relatado, a ora recorrente juntou à impugnação apenas os contratos de locação, seus respectivos aditamentos (f. 11/28) e o comprovante mensal de rendimentos fornecido pela imobiliária (f. 2930). Em seu recurso voluntário, contudo, além dos contratos de locação, acostou planilha de rendimentos de aluguéis percebidos por ela e seu cônjuge (f. 92/93), cópia dos informes dos rendimentos do casal (f. 94/96) e seus extratos bancários referentes ao ano de 2015 (f. 97/130). Houve, portanto, apresentação de documentos novos em sede recursal, o que suscita a discussão quanto ao seu reconhecimento, ou não, para fins de deslinde da controvérsia. Consabido que todas as razões de defesa e provas devem ser apresentadas na impugnação, nos ditames do art. 16, III, do Decreto 70.235/72, sob pena de preclusão – “ex vi” do § 4º daquele mesmo dispositivo. Por outro giro, há quem argumente que, em razão do princípio da verdade material, deve ser aceita a apresentação de documentos novos na instância revisora, mormente se servirem para reforçar a defesa apresentada na instância “a quo”, complementando a documentação “a priori” carreada aos autos. Ao meu sentir, no caso que ora se analisa, qualquer das vertentes adotadas conduzirá a um mesmo deslinde e não implicará em supressão de instância, eis que, conforme se verá, precária a análise documental levada a cabo pela DRJ de origem. Por essas razões, admito a documentação apresentada apenas em sede recursal. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 15249.720003/201865 Resolução nº 2202000.844 S2C2T2 Fl. 163 4 MÉRITO A recorrente, como já narrado, foi autuada por ter omitido rendimentos de aluguéis recebidos de Pessoa Jurídica. Enquanto a empresa locatária (Dystrimarcas Distribuidora de Produtos) informou ter pagado o valor de R$ 226.558,97 (duzentos e vinte e seis mil, quinhentos e cinquenta e oito reais e noventa e sete centavos), a ora recorrente declarou ter recebido o total de R$ 97.353,47 (noventa e sete mil, trezentos e cinquenta e três reais e quarenta e sete centavos). Do escrutínio dos contratos de locação, apresentados quando da impugnação ao lançamento (f. 11/28), notase que constam como locadores dos pavilhões 01, 02 e 03, a recorrente e seu cônjuge, Álvaro da Silva Cristina. Considerando serem casados e apresentarem declarações de IR em separado, os valores pagos pela empresa locatária não pertencem exclusivamente à recorrente, que, em tese, faria jus apenas à metade do montante. Nesse sentido, ainda que a locatária tivesse de fato pagado o valor de R$ 226.558,97 (duzentos e vinte e seis mil, quinhentos e cinquenta e oito reais e noventa e sete centavos) a título de aluguel, plausível que apenas R$ 113.279,48 (cento e treze mil, duzentos e setenta e nove reais e quarenta e oito centavos) seriam de titularidade da recorrente – dos quais teriam de ser descontados, ainda, os valores pagos à imobiliária a título de taxas administrativas, frisese. Ainda anexo à peça impugnatória consta um relatório fornecido pela imobiliária, que intermediou o contrato de locação, no qual são indicados os valores que a contribuinte recebeu mensalmente da empresa DYSTRIMARCAS (f. 29/30). O valor bruto pago pela referida empresa à recorrente, no ano de 2015, totalizou R$ 102.477,32 (cento e dois mil, quatrocentos e setenta e sete reais e trinta e dois centavos). Descontados os valores referentes às taxas administrativas, chegase a R$ 97.353,47 (noventa e sete mil, trezentos e cinquenta e três reais e quarenta e sete centavos), exatamente o valor declarado pela contribuinte. Registro ainda que o valor declarado em DIRPF como recebido da empresa locatária VISION RS DISTRIBUIDORA – R$ 62.395,00 (sessenta e dois mil, trezentos e noventa e cinco reais) – também está em consonância com as informações da planilha da imobiliária. Da mesma forma, o valor declarado como pago à PILAN NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS LTDA é compatível com o valor total de taxas administrativas constante da planilha. A DRJ, contudo, sequer fez menção ao documento fornecido pela imobiliária, tampouco o considerou na análise da controvérsia. Em verdade, fez apenas uma comparação entre as DIRPFs dos anos calendário de 2015 e de 2014 (a qual não consta dos autos), concluindo que teria havido omissão de rendimentos. Em sede recursal, foi apresentado o relatório de rendimentos de aluguéis recebidos por seu cônjuge (f. 94). Em 2015, ele teria auferido o valor líquido de R$ 97.353,17 (noventa e sete mil, trezentos e cinquenta e três reais e dezessete centavos) da empresa Dystrimarcas – isto é, R$ 0,30 (trinta centavos) a menos do que consta ter percebido a recorrente, sua cônjuge. De acordo com os relatórios (f. 29/30, 94), a empresa teria desembolsado R$ 204.954,34 (duzentos e quatro mil, novecentos e cinquenta e quatro reais e trinta e quatro centavos), incluídas as taxas administrativas. Tal valor é, portanto, inferior ao declarado como desembolsado pela locatária – R$ 226.558,97 (duzentos e vinte e seis mil, quinhentos e cinquenta e oito reais e noventa e sete centavos). A análise dos extratos bancários apresentados em sede recursal (f. 97/130) corrobora a tese de ter a locatária declarado valor maior do que aquele efetivamente pago a título de alugueis. Em tabela às f. 90, a recorrente demonstra que os valores indicados nos Fl. 163DF CARF MF Processo nº 15249.720003/201865 Resolução nº 2202000.844 S2C2T2 Fl. 164 5 retromencionados extratos perfazem o recebimento, em conjunto, de R$ 300.144,67 (trezentos mil, cento e quarenta e quatro reais e sessenta e sete reais), pagos tanto pela VISION RS DISTRIBUIDORA quanto pela DYSTRIMARCAS, deduzidas as despesas administrativas e o IRRF. De acordo com os relatórios às f. 29 e 94, os cônjuges teriam recebido da VISION RS DISTRIBUIDORA um total de R$110.991,60 (cento e dez mil, novecentos e noventa e um reais e sessenta centavos). Ainda que estejamos tratando de valores líquidos, deduzidas as taxas de administração da intermediadora e o IRRF, não parece verossímil ter a DYSTRIMARCAS desembolsado os indigitados R$ 226.558,97 (duzentos e vinte e seis mil, quinhentos e cinquenta e oito reais e noventa e sete centavos). Registro que, como a própria contribuinte aduziu no recurso, a totalidade dos rendimentos de aluguéis foi depositada em contas bancárias das quais é titular. Ou seja, a recorrente percebeu não apenas o valor de sua “quota parte” nos aluguéis, mas também a “quota parte” de seu cônjuge. Não há, contudo, comprovação nos autos dos valores declarados em DIRPF pelo marido, o que, a meu ver, é necessário para demonstrar que a totalidade dos rendimentos auferidos com a locação à empresa DYSTRIMARCAS foi oferecida à tributação. Caso o cônjuge não tenha declarado seu percentual nos aluguéis, configurarseá omissão de rendimentos. É nesse sentido o entendimento desta Turma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUEIS. BEM COMUM DO CASAL. São tributáveis os rendimentos oriundos da locação de imóvel que não foram informados pelo Contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. Para elidir o lançamento, é necessário comprovar que os rendimentos decorrentes da locação de bem comum do casal foram oferecidos à tributação pelo cônjuge (...) (Processo nº 10950.003634/201019, Acórdão nº 2202004.524 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 07 de junho de 2018). Não há comprovação de que os imóveis locados constituem patrimônio comum do casal, mas certo que ambos ocupam a posição contratual de locadores. Assim, para que seja cancelada a omissão apurada, necessário comprovar a tributação dos rendimentos na declaração do cônjuge. Ainda que sejam inadmitidos os documentos apresentados apenas em sede recursal, a planilha de rendimentos e os contratos de locação acostados à impugnação me parecem hábeis para lançar dúvidas sobre os valores declarados pela fonte pagadora, que ensejaram a autuação por suposta omissão de rendimentos. Por essa razão, proponho seja o julgamento convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se foi oferecido à tributação do imposto de renda pessoa física o valor de R$ 97.353,17 (noventa e sete mil, trezentos e cinqüenta e três reais e dezessete centavos), referente ao pagamento de aluguéis pela Dystrimarcas para o cônjuge da recorrente, o Sr. Álvaro da Silva Cristina. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 164DF CARF MF Processo nº 15249.720003/201865 Resolução nº 2202000.844 S2C2T2 Fl. 165 6 Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001938/2005-62
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .0 01 93 8/ 20 05 -6 2 Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10855.001938/200562 Resolução nº 3003000.025 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório O presente processo versa sobre pedido de ressarcimento de créditos de IPI, no montante de R$ 356.818,72, relativo ao saldo credor do IPI apurado no segundo trimestre de 2005, a ser utilizado na compensação de débito de COFINS de julho de 2005. O pleito foi parcialmente deferido pela autoridade administrativa que reconheceu o direito creditório no valor de R$12.432,31, homologando a compensação declarada até este limite, sendo que a parcela glosada se refere a créditos relativos a aquisições de matérias que não se enquadram no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, a aquisições de materiais promocionais e a aquisições de mercadorias para revenda, conforme se verifica na RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS COM CREDITO DE IPI GLOSADO(fls. 210 a 222), integrante da informação fiscal que suporta o despacho decisório (fls. 223 a 228). Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que : (i) a decisão impugnada é nula pois não apresenta os fundamentos que motivaram a glosa dos créditos; (ii) todos os materiais adquiridos são inteiramente consumidos em seu processo industrial, gerando direito ao creditamento de IPI; (iii) caso não seja declarada a nulidade do despacho decisório ou não se reconheça integralmente o pedido de ressarcimento, o julgamento deve ser convertido em diligência, para a realização de perícia técnica para comprovar a natureza dos materiais adquiridos neste caso, a então impugnante formulou os seguintes quesitos: 1) Os materiais adquiridos pela Requerente, objeto do pedido de ressarcimento em referência, são desgastados ao longo de seu processo produtivo? 2) Em caso positivo, o referido desgaste se dá em razão da ação direta dos bens adquiridos sobre os produtos fabricados pela Requerente? 3) Em caso negativo, como se dá o desgaste dos materiais adquiridos pela Requerente? Ao apreciar a impugnação, a 3ª Turma da DRJ em Juiz de Fora negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CREDITAMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES PASSÍVEIS DE GERAR DIREITO AO CRÉDITO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, sistema de inspeção e segurança alimentar por Raiox, sistemas de automação, correias, etc, elementos que não atuam diretamente sobre o produto em fabricação, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979). Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10855.001938/200562 Resolução nº 3003000.025 S3C0T3 Fl. 4 3 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PERÍCIA. DILIGÊNCIA. É o julgador de primeira instância competente para denegar a diligência ou perícia prescindível, assim também entendida aquela que não afetará a solução do litígio, em razão de já haver nos autos motivo suficiente para a formação de sua convicção e denegação do pleito do contribuinte (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. A matéria não contestada ou a desistência formal de discutila após a apresentação da manifestação de inconformidade soluciona a lide no tocante a essa matéria, tornandoo definitiva na esfera administrativa. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: (i) em preliminar, nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, uma vez que teriam se "furtado a apresentar os fundamentos e motivos, de maneira clara e inequívoca, levados em consideração para se concluir pelo reconhecimento parcial dos créditos pleiteados"; (ii) no mérito, sustenta que os produtos cujos créditos foram glosados são consumidos no processo de industrialização, dando direito ao crédito de IPI. Argumenta, então, que a autoridade fiscal exige requisito adicional, não previsto na legislação, para a caracterização do conceito de produtos intermediários: estes devem sofrer, "em função exercida diretamente sobre o produto de fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como desgaste, dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas". Tal entendimento feriria, segundo a recorrente, a estrita legalidade, pois para ela, a caracterização de produto intermediário se dá tão somente pela sua utilização e consumo (desgaste) na fabricação do produto final, sem exigir contato direto. Aduz, ademais, que a decisão recorrida não observou o princípio da verdade material, tendo denegado a realização de perícia técnica que poderia demonstrar que os materiais adquiridos "não só são consumidos no processo de industrialização, como também sofrem perda de propriedades físicas e químicas em razão do contato direto com o produto em fabricação, e, por conseguinte, geram direito a crédito". Pede, de forma eventual, pela conversão do presente julgamento em diligência, para a realização de perícia técnica na qual sejam respondidos os mesmos quesitos formulados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10855.001938/200562 Resolução nº 3003000.025 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. O presente litígio pode ser resumido em duas questões: (i) Preliminar de nulidade das decisões o despacho decisório e a decisão recorrida padecem de falta de motivação e fundamentação, configurando cerceamento de defesa e implicando nulidade das decisões? (ii) Conceito de Insumos qual o conceito de produtos intermediários e matériasprimas para fins de creditamento de IPI (conceito de insumos do IPI)? (iii) Aplicação do conceito de insumos os materiais cujos créditos foram glosados se subsumem ao conceito de insumos do IPI? Com relação à primeira questão, a recorrente sustenta que o despacho decisório e o aresto recorrido "utilizaram fundamentos genéricos e padronizados" para negar o direito ao crédito pleiteado. No entendimento da recorrente, a autoridade administrativa deveria, além de trazer a norma aplicável, discorrer sobre o "motivo pelo qual entende que os materiais adquiridos não teriam sido integralmente consumidos, ou não teriam sofrido desgaste, dano ou perda de função física ou química em razão de sua função exercida no processo de industrialização". Argumenta, ainda, que a autoridade fiscal deveria ter fundamentado sua decisão de forma clara e precisa, trazendo os motivos de discordância, de maneira a possibilitar a defesa do contribuinte, sob pena de nulidade da decisão. Entendo que as alegações da recorrente são improcedentes. As decisões administrativas acórdão recorrido e despacho decisório apresentam fundamentação específica e precisa, não se caracterizando qualquer óbice ao conhecimento das razões de fato e de direito à parte contrária. Analisando os autos, verificase que a autoridade fiscal proferiu o despacho decisório, às fls. 226 a 228, com base na Informação Fiscal às fls. 223/224. Esta, por sua vez, para justificar as glosas realizadas pela autoridade fiscal, faz remissão à planilha "RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS COM CREDITO DE IPI GLOSADO", às fls. 210 a 222, integrante da informação fiscal que suporta o despacho decisório. Em exame da referida planilha, podese constatar, de forma inequívoca, as razões e os fundamentos de cada glosa efetuada pela fiscalização. De fato, observase ali que a autoridade fiscal identificou, para cada nota fiscal de aquisição de mercadorias, os motivos e fundamentos da glosa de IPI. Para melhor elucidação, trago alguns exemplos extraídos da RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS COM CREDITO DE IPI GLOSADO, integrante da Informação Fiscal que suporta o despacho decisório: Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10855.001938/200562 Resolução nº 3003000.025 S3C0T3 Fl. 6 5 1. A nota fiscal nº. 22099, emitida em 03/01/2005, teve seu crédito glosado porque, segundo a planilha à fl. 210, se refere à aquisição de materiais que não sofreram, em função exercida diretamente sobre o produto de fabricação, ou por ele diretamente sofrida, alterações tais como desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas ( Art. 1471 do RIPI); 2. A nota fiscal nº. 337, emitida em 06/12/2005, teve seu crédito glosado porque, segundo a planilha à fl. 221, se refere à aquisição de mercadorias para revenda; 3. A nota fiscal nº. 109400, emitida em 31/03/2005, teve seu crédito glosado porque, segundo a planilha à fl. 214, se refere à aquisição de materiais promocionais e não de créditos decorrentes de aquisição de produtos, matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado alíquota zero, como está previsto no artigo 11 da Lei 9.779/99. Como se percebe, para cada nota fiscal de aquisição de mercadorias, a autoridade fiscal teve o cuidado de identificar, de forma específica e clara, os fundamentos da glosa, dando ao sujeito passivo as informações necessárias para se defender da autuação. De fato, pela decisão administrativa, o sujeito passivo pode, de forma inequívoca, saber quais materiais adquiridos tiveram seus créditos glosados e por qual razão (I) materiais que não se consomem em contato direto com o produto em fabricação; (II) mercadoria para revenda e (III) material promocional. Além do despacho decisório, a decisão recorrida trouxe descrição detalhada e inteligível dos fundamentos para a homologação parcial da declaração de compensação sob análise, tendo explicitado, de forma pormenorizada, os fundamentos das glosas efetuadas. Diante de decisões minuciosas, com fundamentos claros e suficientes, não vislumbro ofensa aos princípios do contraditório, ampla defesa e motivação. A partir das referidas decisões, pôde a recorrente compreender plenamente a razão da homologação parcial da compensação declarada, tendo apresentado, em sede de recurso, contestação que ataca diretamente os fundamentos da decisão. Pela leitura da manifestação de inconformidade e do recurso interpostos, depreendese que a recorrente demonstrou possuir pleno conhecimento dos fundamentos das decisões administrativas, tendo formulado defesa específica contra as glosas que reduziram o direito creditório alegado. Em suma, podese dizer que não há que se cogitar em nulidade da decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentado clara fundamentação legal e motivação; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando o processo administrativo proporciona plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa. Sobre o pedido de produção de prova pericial, entendo como desnecessário, uma vez que a realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso presente. Deste modo, em conformidade com o art. 18, caput, do Decreto 70.235/72, indefiro o pedido de perícia por considerála prescindível para a solução do litígio administrativo. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10855.001938/200562 Resolução nº 3003000.025 S3C0T3 Fl. 7 6 Ainda que rejeite a realização de perícia, entendo que, no caso concreto, estão presentes os pressupostos para a realização de diligência, a qual trará elementos fundamentais para desenvolvermos as outras duas questões trazidas no início deste voto. Embora o despacho decisório com a informação fiscal e demonstrativos de apuração propiciem, tanto à autoridade fiscal como ao sujeito passivo, a possibilidade de identificação dos materiais não admitidos como insumos uma vez que ambos tiveram acesso às notas fiscais referidas na decisão , o mesmo não se pode dizer em relação a este colegiado, sobretudo pela ausência, nos autos, de relação do conteúdo de cada nota fiscal, com a indicação dos materiais adquiridos, sua destinação, sua participação no processo produtivo, seu contato com o produto em fabricação, etc.. Assim, levando em consideração que o ponto nodal do presente litígio diz respeito ao argumento da interessada de que os materiais cujos créditos foram glosados representam produtos consumidos na industrialização, e buscando a boa formação da convicção desta Turma de julgamento, em homenagem ao princípio da verdade material, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: 1. Intimar o sujeito passivo a apresentar os seguintes elementos: i. Cópia das Notas Fiscais relacionadas na planilha denominada “Relação das Notas Fiscais com Crédito de IPI GIosado"; ii. Planilha contendo as informações abaixo descritas, relativas aos produtos integrantes das notas fiscais glosadas: COLUNA A: CÓDIGO DO PRODUTO COLUNA B: DESCRIÇÃO DO PRODUTO COLUNA C: FINALIDADE DO PRODUTO COLUNA D: IDENTIFICAÇÃO SE É MATÉRIA PRIMA(MP), MATERIAL DE EMBALAGEM (ME) OU PARTE/PEÇA DE MÁQUINA COLUNA E: INFORMAR SE O PRODUTO SOFREU CONTATO FÍSICO DIRETO COM O PRODUTO FABRICAÇÃO COLUNA F: INFORMAR SE O PRODUTO SOFREU, EM FUNÇÃO DESTE CONTATO COM O PRODUTO EM FABRICAÇÃO, ALTERAÇÕES COMO O DESGASTE, O DANO OU A PERDA DE PROPRIEDADES FÍSICAS OU QUÍMICAS. Em outras colunas, informações sobre o número da nota fiscal, data de emissão, nome do fornecedor, CNPJ do fornecedor. 2. A partir dos elementos descritos no item anterior e de outros documentos que julgar necessários, analisar a utilização e a destinação dos materiais relativos às notas fiscais relacionadas na planilha de fls. 210 a 222. A autoridade fiscal deverá apresentar relatório com parecer conclusivo, no qual sejam trazidos todos os fundamentos e esclarecimentos aptos para justificar as análises realizadas e conclusões alcançadas, juntandose, ao processo, todos os documentos essenciais para sustentar o parecer como, por exemplo, notas fiscais, livros contábeis, etc. A autoridade fiscal deverá se reportar, de forma específica, a cada material objeto de glosa, identificando, entre outras coisas, sua destinação e participação no processo produtivo. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10855.001938/200562 Resolução nº 3003000.025 S3C0T3 Fl. 8 7 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Vinícius Guimarães Relator Fl. 552DF CARF MF
score : 1.0
